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Numero do processo: 13748.720490/2016-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
IRPF. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. NEOPLASIA MALIGNA DE PRÓSTATA. APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ÓRGÃO OFICIAL. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO.
De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física.
In casu, constatando-se que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo o contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, corroborado por outros documentos, ser portador de Neoplasia Maligna, doença presente no rol da legislação, impõe-se admitir a isenção pretendida.
Numero da decisão: 2401-005.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 IRPF. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. NEOPLASIA MALIGNA DE PRÓSTATA. APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ÓRGÃO OFICIAL. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física. In casu, constatando-se que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo o contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, corroborado por outros documentos, ser portador de Neoplasia Maligna, doença presente no rol da legislação, impõe-se admitir a isenção pretendida.
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ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. NEOPLASIA MALIGNA DE PRÓSTATA. APOSENTADORIA. LAUDO MÉDICO OFICIAL. ÓRGÃO OFICIAL. RENDIMENTOS PROVENIENTES DE APOSENTADORIA. COMPROVAÇÃO. De conformidade com a legislação de regência, somente os proventos da aposentadoria ou reforma, conquanto que comprovada a moléstia grave mediante laudo oficial, são passíveis de isenção do imposto de renda pessoa física. In casu, constatandose que os rendimentos informados como isentos na DIRPF advém de aposentadoria, tendo o contribuinte comprovado, através de laudo médico oficial, corroborado por outros documentos, ser portador de Neoplasia Maligna, doença presente no rol da legislação, impõese admitir a isenção pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 04 90 /2 01 6- 48 Fl. 59DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13748.720490/201648 Acórdão n.º 2401005.313 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório JAYRO DE CASTRO NEVES FILHO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 3a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0372.818/2017, às efls. 44/48, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de rendimentos considerados isentos por moléstia grave, em relação ao exercício 2015, conforme peça inaugural do feito, às fls. 26/30, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 22/09/2016, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Com mais especificidade, no decorrer da ação fiscal, constatouse o enquadramento de rendimentos indevidamente considerados com isentos por moléstia grave, em decorrência da não comprovação da moléstia ou da condição de aposentado, pensionista ou reformado, motivo da razão do lançamento fiscal e da manutenção pela decisão de primeira instância. Inconformado com a Decisão recorrida que julgou improcedente a impugnação, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à efl. 51, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, requerendo a isenção ao Imposto de Renda por ser portador de moléstia grave e os rendimentos serem proventos de aposentadoria, colacionando aos autos os documentos comprobatórios. Primeiramente, esclarece ter juntado o laudo médico na impugnação e este foi aceito pela DRJ. Afirma fazer prova nesta oportunidade de sua condição de aposentado, motivo pelo qual não foi dado provimento pela autoridade a quo. Acrescenta que a sua condição de portador de moléstia grave já foi julgada e aprovada nas duas fontes de renda de sua aposentadoria, quais sejam: Previdência Social e Fundação IBM. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. De conformidade com a peça vestibular do feito, a lavratura da presente notificação de lançamento se deu em virtude do contribuinte ter considerado como isentos os rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social e da Fundação Previdenciária IBM, sem contudo comprovar ser portador de moléstia grave ou sua condição de aposentado nos termos da legislação em vigor. Desde a impugnação, o notificado informou ser portador de moléstia grave, trazendo à colação laudo médico oficial, de fls. 07 e 38, junta também relatório da prostatectomia, fls. 10/12 e a Certidão do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica para comprovação do serviço medico oficial, fl. 42. Por sua vez, ao analisar a impugnação e documentos ofertados pelo contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter a integralidade da ação fiscal, sob o argumento de que "Compulsando os autos (fl. 0742), verificase que o impugnante, de fato, acosta novo Laudo Pericial (fl. 38), porém, este está desacompanhado do documento comprobatório de que é aposentado, reformado ou pensionista. Tal lacuna documental enseja, por si só, a denegação do benefício da isenção, sendo inócua a eventual comprovação da existência de moléstia grave prevista em lei, como já se esclareceu acima. Subsiste, portanto, a infração lavrada, por falta de comprovação hábil e idônea." Ainda irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, reafirmando as alegações da impugnação, suscitando que são considerados isentos os proventos de aposentadoria, haja vista ser portador de moléstia grave, colacionando aos autos novos documentos comprobatórios de sua condição de aposentado.. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria. A isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052/2004, nos termos abaixo: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13748.720490/201648 Acórdão n.º 2401005.313 S2C4T1 Fl. 4 5 hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Acerca do tema, o Decreto n° 3000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4° do mesmo artigo, assim dispõe: Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIIIos proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º); A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Ao interpretar a legislação acima transcrita, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. O primeiro reportase à natureza dos valores recebidos, devendo ser proventos de aposentadoria ou reforma ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Após a análise dos autos, principalmente dos documentos comprobatórios, não restam dúvidas de que o recorrente é portador de Neoplasia Maligna de Próstata, desde 2000, motivo pelo qual lhe garante a isenção sobre proventos de aposentadoria. In casu, o ponto nodal da demanda se fixa em definir se os proventos recebidos são provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão, conforme versa a legislação de regência. Fl. 63DF CARF MF 6 Com o fito de rechaçar a pretensão fiscal, o contribuinte trouxe à colação, da ocasião do recurso voluntário, comprovante e carta de concessão que atestam a veracidade de sua alegação de aposentado, fls. 52/53. Não obstante as razões de fato e de direito das autoridades fazendárias autuante e julgadora de primeira instância, o pleito do contribuinte merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. De início, cabe ressaltar que o lançamento encontrase escorado em pura e simples presunção da autoridade lançadora, sem qualquer comprovação da imputação fiscal, o que por si só, no entendimento deste Conselheiro, já é capaz de rechaçar a exigência fiscal. Com relação ao laudo médico ser oficial ou não, o contribuinte primeiramente anexou aos autos um documento denominado "LAUDO OFICIAL" e neste consta um carimbo "HOSPITAL ALCIDES CARNEIRO", realmente o documento gera uma dúvida quanto a sua emissão ser por órgão oficial, porém para rechaçar essa eventual dúvida, foi juntado a ficha do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, onde consta o Hospital como vinculado ao Município de Petrópolis, ou seja, no entendimento deste Conselheiro, resta claro ser um laudo médico oficial. Já em relação aos rendimentos serem provenientes de aposentadoria, nesse aspecto, para rechaçar de vez quaisquer dúvidas quanto a sua condição de aposentado, o contribuinte anexa ao recurso, comprovante da previdência complementar atestando está aposentado desde 06/01/2005 e carta de concessão do INSS concedendo a aposentadoria por invalidez desde 17/10/2006, assim resta rechaçada a exigência da autoridade fazendária. Como se observa dos autos, está mais que provado ser o recorrente portador de moléstia grave comprovada por laudo médico oficial e ter seus rendimentos provenientes de aposentadoria, cumulando assim os dois requisitos legais para fazer jus a isenção pleiteada. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento, sub examine, em dissonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, decretando a improcedência do lançamento, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.002511/2008-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
REEMBOLSO DE DESPESAS COM MATERIAL ESCOLAR. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARCELA INTEGRANTE.
Ressalvadas as parcelas expressamente abrangidas por norma isentiva, a base de cálculo das contribuições previdenciárias engloba toda e qualquer forma de benefício habitual destinado a retribuir o trabalho, seja ele pago em pecúnia ou sob a forma de utilidades, incluindo-se nesse rol o reembolso de despesas com material escolar.
REEMBOLSO DE DESPESAS COM MATERIAL ESCOLAR. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A isenção prevista na alínea t do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 não abrange o reembolsos de despesas com material escolar, inexistindo norma legal que exonere tais prestações das contribuições destinadas à Previdência Social.
Numero da decisão: 9202-006.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. REEMBOLSO DE DESPESAS COM MATERIAL ESCOLAR. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARCELA INTEGRANTE. Ressalvadas as parcelas expressamente abrangidas por norma isentiva, a base de cálculo das contribuições previdenciárias engloba toda e qualquer forma de benefício habitual destinado a retribuir o trabalho, seja ele pago em pecúnia ou sob a forma de utilidades, incluindo-se nesse rol o reembolso de despesas com material escolar. REEMBOLSO DE DESPESAS COM MATERIAL ESCOLAR. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. A isenção prevista na alínea t do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 não abrange o reembolsos de despesas com material escolar, inexistindo norma legal que exonere tais prestações das contribuições destinadas à Previdência Social.
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RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. REEMBOLSO DE DESPESAS COM MATERIAL ESCOLAR. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARCELA INTEGRANTE. Ressalvadas as parcelas expressamente abrangidas por norma isentiva, a base de cálculo das contribuições previdenciárias engloba toda e qualquer forma de benefício habitual destinado a retribuir o trabalho, seja ele pago em pecúnia ou sob a forma de utilidades, incluindose nesse rol o reembolso de despesas com material escolar. REEMBOLSO DE DESPESAS COM MATERIAL ESCOLAR. ISENÇÃO. INEXISTÊNCIA. A isenção prevista na alínea “t” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 não abrange o reembolsos de despesas com material escolar, inexistindo norma legal que exonere tais prestações das contribuições destinadas à Previdência Social. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 25 11 /2 00 8- 65 Fl. 497DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado). (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Fl. 498DF CARF MF Processo nº 15586.002511/200865 Acórdão n.º 9202006.552 CSRFT2 Fl. 498 3 Relatório Tratase de crédito tributário Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.184.1356 lançado referente às contribuições previdenciárias relativas a despesas com material escolar e sobre o valor pago pela empresa aos empregados referente às despesas com educação superior. Em 15 de abril de 2014, por meio do Acórdão 2403002.576 a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária decidiu: ESTUDO CURSO SUPERIOR ALTERAÇÃO LEGISLATIVA NÃO INCIDÊNCIA O saláriodecontribuição compreende a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Aplicase aos fatos geradores em questão, com fundamento no art. 106, II, b, CTN, a redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011 ao artigo 28, § 9º, t da Lei 8.212/1991, que dispõe que não integra o saláriode contribuição o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c Fl. 499DF CARF MF 4 art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma do acórdão para que prevaleça o entendimento de que deve ser verificada qual a norma mais benéfica ao contribuinte: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35 A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009, admitido. Intimado, o Contribuinte interpôs Recurso Especial e apresentou Contrarrazões. Em seu Recurso Especial o contribuinte requer: (i) seja conhecido o presente Recurso Especial, uma vez que devidamente comprovada a divergência de interpretação de situação de fato e de direito idêntica entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas nºs 2301 004.378 e 2401004.029; e (ii) no mérito, seja o presente Recurso Especial julgado procedente, reformando o v. acórdão recorrido, para reconhecer que os valores pagos pela Recorrente com despesas de material didático não integram o salário de contribuição, afastandose a exigência da contribuição previdenciária supostamente incidente sobre os pagamentos feitos sob tal rubrica. Em suas Contrarrazões o Contribuinte requer: (i) no mérito propriamente dito, seja negado provimento ao Recurso Especial, posto que o v. acórdão recorrido se encontra em manifesta consonância com a legislação tributária aplicável ao caso, mas também em sintonia com a jurisprudência desse E. CARF, não merecendo, no que concerne à retroatividade benigna da legislação posterior que fixou multa de mora em patamar inferior (20%), qualquer reparo. Em razão da admissibilidade do Recurso Especial do Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É o relatório. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 15586.002511/200865 Acórdão n.º 9202006.552 CSRFT2 Fl. 499 5 Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Entendo atendidos os requisitos de admissibilidade de ambos os Recursos Especiais. Recurso Especial da Fazenda Nacional Quanto à retroatividade benigna. Já quanto ao mérito, este colegiado tem se debruçado frequentemente e o entendimento tem sido unânime, motivo pelo qual, trago a colação o constante do Acórdão 9202006.247, da lavra do ilustre colega Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: Sob análise a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 501DF CARF MF 6 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, Fl. 502DF CARF MF Processo nº 15586.002511/200865 Acórdão n.º 9202006.552 CSRFT2 Fl. 500 7 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 503DF CARF MF 8 (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 504DF CARF MF Processo nº 15586.002511/200865 Acórdão n.º 9202006.552 CSRFT2 Fl. 501 9 devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente Fl. 505DF CARF MF 10 julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de Fl. 506DF CARF MF Processo nº 15586.002511/200865 Acórdão n.º 9202006.552 CSRFT2 Fl. 502 11 obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº Fl. 507DF CARF MF 12 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto de obrigação acessória, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação principal vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Recurso Especial do Contribuinte Como é sabido, o fato gerador da contribuição previdenciária e da contribuição a terceiros incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos decorrentes do trabalho é a remuneração habitual paga, devida ou creditada a qualquer título pela empresa à pessoa física, a fim de remunerar o serviço prestado ou o tempo em que a pessoa física ficou à disposição do empregador ou tomador de serviços. Portanto, para que determinado rendimento pago pelo empregador ou tomador de serviço à pessoa física seja considerado como fato gerador da contribuição previdenciária e da contribuição a terceiros, ele deve ser: (i) pago, devido ou creditado a qualquer título por uma pessoa jurídica; (ii) remuneratório de um serviço prestado ou do tempo em que a pessoa física ficou à disposição do empregador ou tomador de serviços; e Fl. 508DF CARF MF Processo nº 15586.002511/200865 Acórdão n.º 9202006.552 CSRFT2 Fl. 503 13 (iii) habitual e incorporado ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios. Assim, somente se presentes cumulativamente as circunstâncias acima relacionadas é que um rendimento recebido pelo trabalhador da pessoa jurídica pode desencadear a incidência da contribuição previdenciária e da contribuição a terceiros sobre a folha de salários e demais rendimentos decorrentes do trabalho. Não estando presentes todas as circunstâncias materiais supracitadas, o rendimento recebido pelo trabalhador estará fora do campo de incidência da contribuição previdenciária e da contribuição a terceiros, previstas no art. 195, inc. I, alínea “a”, e art. 240, da CF/88. Este é, por exemplo, o caso das despesas com material escolar. Referidas despesas não estão dentro do campo de incidência da contribuição incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos decorrentes do trabalho. Isto porque, o valor despendido com este benefício ao trabalhador (para o trabalho) não é remuneratório de um serviço prestado ou do tempo em que a pessoa física ficou à disposição do empregador ou tomador de serviços, e sim um investimento na capacitação do empregado, o qual, treinado, dará mais retorno à empresa. Portanto, o montante pago a este título não possui natureza salarial/remuneratória e, portanto, não integra a base de cálculo das contribuições sociais previstas no artigo 22, da Lei nº 8.212/91. Tais valores custeados pela Recorrente, por não terem cunho retributivo aos serviços realizados pelos empregados, prestandose a auxiliar na qualificação dos mesmos para que melhor desempenhem suas funções, não se caracterizam como salário e não integram o salário de contribuição, não se sujeitando, via de consequência, à incidência da contribuição previdenciária. Reforçando esse entendimento, em 20 de junho de 2001, foi publicada a Lei nº 10.243, que introduziu no artigo 458, da CLT, um segundo parágrafo que dispõe expressamente não terem natureza salarial, dentre outras, as despesas com material didático. Vejase: “Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcóolicas ou drogas nocivas. (...) § 2º. Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos à matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático” – grifamos – Fl. 509DF CARF MF 14 O referido dispositivo legal não deixa dúvida que a despesa ora em discussão não pode integrar a base de cálculo das contribuições, posto que não se incorpora ao salário, isto é, não possui natureza remuneratória. Primeiro porque, conforme já decidido pelo Eg. STJ3, “não resta dúvida de que o rol previsto no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 é exemplificativo, pois, para que determinada verba seja parte integrante do saláriodecontribuição, ela deve, acima de tudo, corresponder à definição contida no caput do aludido preceito legal”. REsp 324.178/PR, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/12/2004, DJ 17/12/2004 Além disso, ainda que não fosse o rol exemplificativo, a própria redação do art. 28, § 9º, ‘t’, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.711/98, ao contrário do que restou consignado no v. acórdão recorrido, prevê a não incidência da contribuição previdenciária sobre as despesas em questão, não havendo que se falar em afronta ao art. 111, do CTN. A referida lei, vigente à época do fato gerador, trouxe os requisitos para a aplicação da regra de isenção, quais sejam: (i) o valor não poderia ser utilizado em substituição de parcela salarial; e (ii) o plano educacional deveria ser disponibilizado a todos os empregados e dirigentes. Posteriormente, houve alteração dessa regra pela Lei nº 12.513/2011, modificando os requisitos para obtenção da isenção, bem como encerrando com qualquer dúvida quanto a abrangência da norma, posto que ao adotar a expressão “educação profissional e tecnológica de empregados”, contemplou os cursos superiores e de pós graduação (incluídos nos cursos os materiais fornecidos ao empregado para sua conclusão – auxílioeducação). Portanto, fazse necessário realizar, em conjunto, uma interpretação sistemática da legislação tributária, momento em que restará claro que a retroatividade da aplicação da Lei nº 12.513/2011 deverá ser obrigatória, posto que, nos termos do art. 112, I e II, do CTN, em caso de dúvida, devese adotar a interpretação mais favorável ao contribuinte, in verbis: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos;” É indiferente que os recolhimentos discutidos nos presentes autos tenham sido efetuados anteriormente à vigência do aludido dispositivo legal, levando em conta que o legislador apenas reconheceu que as verbas dessa natureza não possuem caráter salarial. Por conseguinte, sobre elas não incide a contribuição previdenciária, ainda que não haja previsão legal para tanto. Importante destacar que a nova redação do art. 28, da Lei nº 8.212/91, como bem demonstrado no acórdão nº 2301004.378 “não inovou no ordenamento jurídico, mas apenas dirimiu uma dúvida de interpretação”, razão pela qual a não incidência da contribuição previdenciária sobre as despesas com material escolar não encontra óbice no art. 111, do CTN (outorga de isenção). Fl. 510DF CARF MF Processo nº 15586.002511/200865 Acórdão n.º 9202006.552 CSRFT2 Fl. 504 15 Em outras palavras, independente de se entender que a despesa em questão possui natureza indenizatória ou que está abrangido pela regra de isenção, o resultado é o mesmo: as despesas com material escolar não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e, neste ponto, o v. acórdão recorrido diverge de todos os acórdãos paradigmas. Nesse descortino, resta claro que não houve a caracterização do fato gerador da contribuição previdenciária apta a incidir sobre a verba paga a título de auxílioeducação (reembolso de material escolar e reembolso educacional de ensino superior), eis que os elementos probatórios carreados aos autos indicam que a Recorrente cumpriu a regra matriz, em vigor, prevista no artigo 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/91, alterada pela Lei nº 12.153/2011. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 511DF CARF MF 16 Voto Vencedor Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Redator Designado Não obstante as razões aduzidas pela i. Relatora no intuito de excluir do Auto de Infração as contribuições incidentes sobre os valores relativos a despesas com material escolar, entendo que o exame das normas afetas ao caso concreto conduz a interpretação diversa. A matriz constitucional das contribuições previdenciárias incidente sobre a remuneração dos trabalhadores em geral é a alínea “a” do inciso I do art. 195 da Constituição Federal que dispõe: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; [...] À luz da previsão constitucional, o art. 28 da Lei nº 8.212/1991 instituiu a base de cálculo sobre a qual incidem as contribuições previdenciárias de empregadores e empregados, sob a denominação de “saláriodecontribuição”. Senão vejamos a abrangência de referida base de incidência: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; É certo que a Lei de Custeio Previdenciário, sendo norma de caráter tributário, não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado1, como, no meu entender, é o caso do Direito do Trabalho. Assim, ao inserir o termo “salário” na definição da base de cálculo das contribuições, a norma previdenciária buscou preservar o alcance da expressão tomada de empréstimo da legislação trabalhista, em toda a sua abragência. 1 CTN, art. 110. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 15586.002511/200865 Acórdão n.º 9202006.552 CSRFT2 Fl. 505 17 O conceito de salário trazido para a legislação pátria tomou por base o art. 1º da Convenção nº 95 da Organização Internacional do Trabalho – OIT, que tem o Brasil entre seus signatários. De acordo com referido dispositivo: ARTIGO 1º Para os fins da presente convenção, o termo "salário" significa, qualquer que seja a denominação ou modo de cálculo, a remuneração ou os ganhos susceptíveis de serem avaliados em espécie ou fixados por acôrdo ou pela legislação nacional, que são devidos em virtude de um contrato de aluguel de serviços, escrito ou verbal, por um empregador a um trabalhador, seja por trabalho efetuado, ou pelo que deverá ser efetuado, seja por serviços prestados ou que devam ser prestados. Na mesma linha, o caput do art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT arrolou como parcelas integrantes dos salários do trabalhadores utilidades decorrentes do contrato laboral como alimentação, habitação, vestuário, dentre outras: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. [...] Assim, a princípio, a base de cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros (saláriodecontribuição) abrange toda e qualquer forma de benefício habitual destinado a retribuir o trabalho, seja ele pago em pecúnia ou sob a forma de utilidades, aí incluídos alimentação, habitação, vestuário, material escolar, além de outras prestações in natura. Por outro lado, o fato de a legislação trabalhista retirar determinada parcela remuneratória do conceito de salário não implica sua automática exclusão da base de cálculo desse ou daquele tributo. Digo isso porque embora a Lei nº 10.243/2001 tenha alterado a CLT para excluir do salário, para efeito dos direitos sociais dos trabalhadores, os valores despendidos pelos empregadores com livros e materiais didáticos, não vejo como essa alteração possa se refletir invariavelmente na legislação previdenciária. Ademais, o próprio § 2º do art. 458 da CLT é expresso no sentido de que sua aplicação está restrita àquele artigo da norma trabalhista2. In casu, ainda que estivéssemos diante de eventual conflito de normas, o que claramente não se verifica, seria aplicável a regra de hermenêutica jurídica segundo a qual lei 2 Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) [...] § 2º PARA OS EFEITOS PREVISTOS NESTE ARTIGO, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Fl. 513DF CARF MF 18 especial derroga lei geral, ou seja, no contexto que hora se analisa, prevaleceria a norma de caráter tributário. Retomandose o exame do inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, vêse que o saláriodecontribuição abrange a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos empregados, incluindose nessa relação os ganhos habituais percebidos sob a forma de utilidades. Donde se depreende que, em se tratando de utilidades disponibilizadas pela empresa aos obreiros que lhe prestam serviços, sua inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária dependerá da verificação dos seguintes requisitos: a) onerosidade; b) retributividade; e c) habitualidade. Inexistem dúvidas de que o reembolso de despesas havidas com material escolar tem caráter oneroso, tornandose despiciendo tecer maiores comentários a esse respeito. Do mesmo modo, sendo o benefício pago no contexto da relação laboral, estando inclusive previsto em acordo coletivo de trabalho, resta caracterizada sua índole retributiva, bem assim a habitualidade dessa parcela. Apercebese, pois, que os reembolsos de valores aqui tratados ostentam natureza nitidamente remuneratória e assim, sua exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias dependeria de previsão expressa em norma de caráter tributário, mormente no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, o qual, no que se refere a isenção, relaciona exaustivamente as parcelas ao abrigo desse favor legal. Especificamente com relação a educação, à época da ocorrência do fato gerador das contribuições objeto do presente lançamento, a alínea “t” do referido § 9º dispunha: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Sem maiores digressões acerca do dispositivo legal reproduzido, posto que desnecessário no presente caso, no meu entender estamos diante de regra que já possibilitava que os dispêndios suportados pelas empresas com a educação de seus empregados abrangessem tanto cursos de graduação quanto de pósgraduação quando vinculados às atividades desenvolvidas pelo empregador, haja vista os cursos de capacitação e qualificação profissional não estarem restritos à educação básica. A Lei nº 12.513/2011 apenas deixou mais clara essa hipótese. Contudo, estamos diante de norma isentiva que, consoante disposto no art. 111 do CTN, deve ser interpretada literalmente. Ora, a regra insculpida na alínea “t” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991 trata de plano educacional, sendo defeso ao interprete da norma Fl. 514DF CARF MF Processo nº 15586.002511/200865 Acórdão n.º 9202006.552 CSRFT2 Fl. 506 19 ampliar seu alcance com o fito estender a isenção a reembolsos de despesas com material escolar, isto é, a hipótese que não se encontra expressamente prevista em lei. De mais a mais, nem mesmo a Lei nº 12.513/2011 isentou das contribuições previdenciárias os valores relacionados a despesas aqui referidas. Significa dizer que, ainda que o art. 112 do CTN possibilitasse a retroação de norma legal para elidir o pagamento de tributo, não haveria como prover o recurso especial do sujeito passivo, face a inexistência da propalada isenção mesmo para competências posteriores às de ocorrência dos fatos geradores insertos no lançamento em questão. Asseverese que o art. 112 do CTN referese exclusivamente a “lei tributária que define infrações”, o que não é o caso aqui retratado. E mais, o art. 144 do Codex Tributário é expresso no sentido de que “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. Em vista do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Sujeito Passivo. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 515DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.720031/2007-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 05/01/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE.
Presentes os pressupostos regimentais, devem ser sanadas a omissão e obscuridade em observação ao devido processo legal, ampla defesa e ao contraditório, oportunidade em que o contribuinte exercerá seu direito de defesa de forma satisfatória.
BASE DE CÁLCULO. COFINS. RECEITA FINANCEIRA DECORRENTE DE APLICAÇÃO DE RECURSOS PRÓPRIOS.
Em razão do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal na decisão de inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98 (vide julgamentos dos RE 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840 do STF), a receita financeira não integra a base de cálculo do Cofins.
Numero da decisão: 3201-003.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento para acolher parcialmente os embargos, com efeito infringentes, para a excluir as receitas financeiras de recursos próprios da base de cálculo da Cofins. Vencido o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que acolheu parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes. Ficaram de apresentar declaração de voto os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Winderley Morais Pereira. Fez sustentação oral o patrono Dr. Gileno Gurjão Barreto OAB 18803/DF, escritório Loesen e Portela Advogados.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento para acolher parcialmente os embargos, com efeito infringentes, para a excluir as receitas financeiras de recursos próprios da base de cálculo da Cofins. Vencido o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que acolheu parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes. Ficaram de apresentar declaração de voto os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Winderley Morais Pereira. Fez sustentação oral o patrono Dr. Gileno Gurjão Barreto OAB 18803/DF, escritório Loesen e Portela Advogados. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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OMISSÃO E OBSCURIDADE. Presentes os pressupostos regimentais, devem ser sanadas a omissão e obscuridade em observação ao devido processo legal, ampla defesa e ao contraditório, oportunidade em que o contribuinte exercerá seu direito de defesa de forma satisfatória. BASE DE CÁLCULO. COFINS. RECEITA FINANCEIRA DECORRENTE DE APLICAÇÃO DE RECURSOS PRÓPRIOS. Em razão do entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal na decisão de inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98 (vide julgamentos dos RE 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840 do STF), a receita financeira não integra a base de cálculo do Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento para acolher parcialmente os embargos, com efeito infringentes, para a excluir as receitas financeiras de recursos próprios da base de cálculo da Cofins. Vencido o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que acolheu parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes. Ficaram de apresentar declaração de voto os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Winderley Morais Pereira. Fez sustentação oral o patrono Dr. Gileno Gurjão Barreto OAB 18803/DF, escritório Loesen e Portela Advogados. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 00 31 /2 00 7- 69 Fl. 1124DF CARF MF 2 (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Embargos de Declaração de fls. 1089 opostos em do Acórdão de n.º 3201002.082 de fls. 1056, de 25 de fevereiro de 2016, proferido por esta 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento deste Conselho. Este processo administrativo é decorrente da não homologação das DCOMPs apresentadas perante a Delegacia da Receita Federal do Brasil, com o objetivo de compensar crédito tributário relativo a pagamento de COFINS, indevidamente adimplidos com base no §1.º, Art. 3.º da Lei 9.718/98, relativo a períodos de Novembro 2001 a Novembro 2002, Fevereiro a Setembro 2003, Agosto, Setembro e Dezembro 2004, Janeiro a Maio e Julho 2005. A não homologação foi inicialmente fundamentada na inexistência de diferença dos valores declarados na DCTF e aqueles efetivamente pagos pelo contribuinte. Relatado o panorama geral do caso, por economia processual é necessário não analisar agora no relatório de embargos, todos os desdobramentos e matérias do processo. Pois bem, no Despacho de Admissibilidade de fls 1117, o presidente desta Turma de julgamento admitiu os embargos conforme segue: " Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte acima identificada, em face do Acórdão nº.3201002.082, de 25 de fevereiro de 2016 (fls. 1056), cuja ementa abaixo se transcreve: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/2006 a 05/01/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. Presentes os pressupostos regimentais, devem ser sanadas a omissão e obscuridade em observação ao devido processo legal, ampla defesa e ao contraditório, oportunidade em que o contribuinte exercerá seu direito de defesa de forma satisfatória." Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10510.720031/200769 Acórdão n.º 3201003.264 S3C2T1 Fl. 1.125 3 Alega em síntese que houve a tempestividade do Embargos de Declaração pelo fato de ser feriado no dia 26/05/16, Corpus Christi. A Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelo Art. 5º, do Decreto nº 70.235/72: “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose, na sua contagem, o dia de início e incluindose o dia do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato." Logo, simples conferência de datas, verificase a existência do feriado no dia 26/05/16, o que prorrogou o início da contagem do prazo para o próximo dia útil 27/05/16. Conforme fls. 1085 a 1087, o contribuinte foi intimado do Acórdão em 25/05/16 (ciência e abertura de domicílio eletrônico), o prazo se iniciou em 27/05/16 e o contribuinte protocolou seus Embargos em 31/05/16, dentro do prazo estabelecido e portanto, tenho como tempestivos os Embargos. Como cediço, os embargos declaratórios têm a finalidade de aclarar a decisão embargada ou trazer à discussão matéria omitida no julgamento, de tal sorte que a solução dada pelo órgão encarregado de resolver a controvérsia demonstre, com clareza, haver enfrentado o objeto do litígio. E verificase nos autos que o Acórdão Embargado, apesar de trazer aos autos do processo pela primeira vez, o "voto vencedor" do Conselheiro Rosaldo Trevisan (Acordão 3403003.375), que constava em outro processo de outro contribuinte, não sanou por completo o fato de não haver nos autos do contribuinte o "voto vencedor" escrito e publicado de forma completa, individualizada e satisfatória em observação ao devido processo legal. É o que prevê o art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao assim dispor: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Também é previsto no Art. 66 do Anexo II do Regimento interno deste Conselho a possibilidade dos Embargos inominados em razão de lapso manifesto, conforme segue: "Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Fl. 1126DF CARF MF 4 § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente." Em razão de importantes omissões a respeito de alegações em sede de manifestação de inconformidade e Recurso Voluntário, que não foram sanadas até o presente momento, recomendase a admissibilidade dos embargos, principalmente com relação à omissão e obscuridade a respeito das seguintes alegações do contribuinte não contempladas no julgamento deste Conselho no Acórdão 3403003.413, conforme segue: 1 Alteração de critério jurídico entre a razão e motivação utilizada na glosa dos créditos e a manutenção da glosa no âmbito da DRJ /BA (fls. 397), havendo alteração do primeiro critério de que não haveria diferença a maior entre os valores declarados em DCTF e os efetivamente pagos pelo embargante e o segundo, que manteve a glosa em razão das receitas financeiras não se tratarem de receitas não operacionais para bancos e instituições financeiras; 2 Exclusão das receitas de aplicações de recursos próprios da base de cálculo da Cofins em razão do conceito de faturamento, conforme RE 585.235 STF e Mandado de Segurança nº 2007.85.00.0058359 (fls. 493/499), cuja sentença concedeu a ordem mandamental expressamente para “reconhecer, ao Banco Impetrante, o direito ao recolhimento da COFINS apenas sobre receitas compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 2° da LC n 70/1991, assim entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, excluídas as receitas financeiras, com efeitos a partir de julho de 2005, conforme termos do pedido” (fl. 498; grifo editados). Por fim, a admissibilidade dos destes Embargos foi discutida por esta Turma no julgamento anterior e assim foi publicado o Acórdão ora embargado, de forma que apresentou o entendimento coletivo da Turma pela admissibilidade, conforme segue (fls. 1063): "Mais uma vez, ressaltase que a presente decisão tem o objetivo principal de sanar o lapso manifesto resultante da ausência do voto vencedor na decisão a quo, e trazer para estes autos este voto vencedor e seus fundamentos para que o contribuinte possa exercer o direito a ampla defesa e contraditório, momento em que poderá analisar tais fundamentos pela primeira vez dentro dos autos deste processo. Diante de todo o exposto, de acordo com os Art. 64, I, 65 caput e §4.º, do Regimento Interno deste Conselho, os Embargos de Declaração estão acolhidos sem efeitos modificativos e novo prazo deve ser concedido ao Contribuinte e à Fazenda Nacional Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10510.720031/200769 Acórdão n.º 3201003.264 S3C2T1 Fl. 1.126 5 para interposição de novos Embargos de Declaração em cima dos fundamentos do voto correto, agora presente nestes autos." Pelo exposto, com fundamento no § 2º do Art. 65 e Art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, proponho a admissibilidade dos embargos de declaração opostos pela Embargante. À consideração superior. (assinatura digital) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA PRESIDENTE (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA CONSELHEIRO." A Ementa do Acórdão embargado, de fls. 1056, foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/2006 a 05/01/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E OBSCURIDADE. Presentes os pressupostos regimentais, devem ser sanadas a omissão e obscuridade em observação ao devido processo legal, ampla defesa e ao contraditório, oportunidade em que o contribuinte exercerá seu direito de defesa de forma satisfatória." Como relatado, o contribuinte já havia protocolado Embargos de Declaração de fls. 1031, em face do Acórdão de n.º 3403003.413 de fls. 996, sob o argumento de omissão e obscuridade e, na oportunidade do julgamento do Acórdão acima mencionado, a Turma decidiu por recuperar o entendimento do voto vencedor que não foi publicado no Acórdão original, de fls. 996. Para relembrar esta etapa anterior do trâmite processual, é importante registrar o Despacho de Admissibilidade de fls 1052, em que o presidente da Turma correspondente à época, admitiu os embargos, conforme segue: "[...] 'Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Os Conselheiros Alexandre Kern, Antonio Carlos Atulim e Rosaldo Trevisan acompanharam o relator pelas conclusões, invocando os mesmos fundamentos de mérito lançados no Acórdão 3403003.375. Fl. 1128DF CARF MF 6 Sustentou pela recorrente a Dra. Maria Eduarda Mesquita, OAB/BA 19.175.' A leitura do resultado anotado em ata revela que a maioria dos Conselheiros participantes acordaram no sentido de negar provimento ao recurso, pois quatro conselheiros negaram provimento e dois ficaram vencidos quanto ao provimento. Entretanto, a tese sustentada pelo ilustre relator, Conselheiro Ivan Allegretti, não foi a tese que angariou a maioria dos votos. A tese majoritária, em razão do voto de qualidade ser atribuído ao presidente do colegiado, foi a tese adotada pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan no Acórdão 3403003.375. Tendo em vista que na anotação do resultado não foi consignado o art. 63, § 9º do RICARF, e que o relator não reproduziu no seu voto o conteúdo da fundamentação do Acórdão 3403003.375, essa obscuridade acarretou cerceamento de defesa da embargante, pois a ilustre advogada acabou embargando o voto do Conselheiro Ivan Allegretti, que contém a tese minoritária, quando deveria ter levado em consideração nos embargos a tese majoritária contida no voto condutor do Acórdão 3403003.375. Com esses fundamentos, diante da obscuridade existente no resultado do julgamento, a qual dificulta a identificação da tese vencedora, restituo o processo ao Conselheiro Ivan Allegretti, para indique o processo para a pauta com proposta de saneamento do vício apontado.” A Ementa do Acórdão original, embargado, de fls. 996, foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 05/01/2007 COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO PREVISTA NO PARÁGRAFO 1º DO ARTIGO 3º DA LEI 9718/98. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO EM CASO CONCRETO DO CONTRIBUINTE. INTERPRETAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O conjunto das decisões existentes, proferidas pelo STF, evidencia que a Corte Constitucional não se pronunciou quanto ao alcance concreto, em relação às instituições financeiras, da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que, diante do impasse de definir se tal entendimento implicaria em retirar do conceito de faturamento das instituições financeiras as receitas financeiras auferidas por estas instituições, o Plenário entendeu pela necessidade de reconhecer a Repercussão Geral da questão, em recurso que ainda aguarda julgamento de mérito (RE 346084, DJ 01/09/2006; RE 585235 QORG, DJe227 28/11/2008; RE 527602, DJe213 13/11/2009; RE 609096 RG, DJe080 02/05/2011). Resta claro que ainda será definido pelo STF qual o alcance concreto da referida declaração de inconstitucionalidade em Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10510.720031/200769 Acórdão n.º 3201003.264 S3C2T1 Fl. 1.127 7 relação às instituições financeiras, de maneira que não configura violação da coisa julgada a tarefa empreendida pela Administração Tributária de pesquisar e definir qual deve ser o alcance do conceito de “receita da venda de bens e serviços” em relação aos bancos. Diante, pois, da falta de definição pelo próprio STF, é plausível a interpretação de que a receita da venda de bens e serviços em relação aos bancos deve abranger as receitas financeiras decorrentes das atividades desenvolvidas por estas instituições no mercado financeiro, a título de serviços financeiros." Em resumo, em uma primeira vez o contribuinte embargou por entender que o Acórdão foi omisso "no que tange à análise acerca da impossibilidade de alteração do critério jurídico pela fiscalização para a manutenção do lançamento" e obscuro "no que tange à incidência da COFINS sobre as receitas financeiras decorrentes das aplicações dos recursos do próprio contribuinte". Desta vez, o contribuinte Embargou em razão de ter, pela primeira vez, constatado que não teve um voto vencedor publicado, do qual poderia ter recorrido, visto que o Acórdão de fls. 1056, proferido por esta Turma, se limitou a reproduzir o voto de outro processo, de outro contribuinte, apontado como o voto vencedor do Acórdão original de fls. 996. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade conforme transcrito no Despacho de Admissibilidade, os tempestivos Embargos de Declaração devem ser conhecidos. O Acórdão publicado na extinta e antiga 3.ª Turma, 4.ª Câmara desta Seção, conteve somente o voto do Relator Ivan Alegretti e não o voto vencedor do Conselheiro Rosaldo Trevisan (Acordão de n.º 3403003.375, de outro contribuinte), conforme apontado no primeiro Despacho de Admissibilidade de fls. 1052. Como relatado, a conclusão dos votos no Acórdão de n.º 3403003.413 de fls. 996 é a mesma, sendo que os fundamentos do voto vencedor do Conselheiro Rosaldo Trevisan (Acordão 3403003.375) são os mesmos de um voto seu proferido em outro processo, para outro contribuinte e, portanto, não contém todos os fatos e vertentes deste processo. Fl. 1130DF CARF MF 8 Foi considerada e discutida esta situação no julgamento do Acórdão de n.º 3201002.082 de fls. 1056, de 25 de fevereiro de 2016, proferido por esta 1ª Turma e foi decidido que deveria ser propiciada a ampla defesa ao contribuinte. Como forma de sanar o lapso manifesto e atender a ampla defesa, perante a ausência do voto vencedor no Acórdão original, a Turma optou por reproduzir as razões de decidir do Conselheiro Rosaldo Trevisan. Este foi o teor do recente Acórdão de fls. 1056. Feita esta breve introdução, é possível analisar os recentes Embargos de Declaração, que solicitaram a nulidade dos Acórdãos proferidos neste Conselho, em razão do cerceamento de defesa, diante da ausência do voto vencedor no Acórdão original de fls. 996. A razão acompanha o contribuinte em parte, visto que a ausência do voto vencedor no Acórdão original não significa que não houve um julgamento. Como reproduzido no recente Acórdão desta Turma, os votos foram proferidos com a mesma conclusão, o não provimento do Recurso Voluntário, em razão de entenderem que as receitas financeiras, para as instituições financeiras, compõem a base de cálculo da Cofins, por serem receitas operacionais. Inclusive, ambos os entendimentos deixaram claro que o STF não havia se pronunciado sobre esta questão em específico, e por isto não havia coisa julgada a favor do contribuinte. Mas ao final, mesmo após o recente Acórdão proferido por esta Turma, que procurou completar o Acórdão original com o entendimento do voto vencedor, continuaram sem qualquer pronunciamento, as questões levantadas nos primeiros Embargos de Declaração, de fls. 1031. Desse modo, em razão do disposto no Art. 59 do Decreto 70.235/72, é possível superar os pedidos de nulidade na oportunidade em que a lide administrativa fiscal possa ser apreciada no mérito. Delimitada a lide a ser apreciada neste julgamento, é importante lembrar que o embargante requereu o acolhimento dos embargos para que sejam sanadas a omissão e a obscuridade, contidas nos Acórdão deste Conselho, com relação ao alegado no recurso voluntário, em resumo: sobre alteração de critério jurídico na decisão DRJ; sobre a receita financeira advinda da aplicação de seus recursos próprios (não decorrente da atividade de intermediação bancária). Verificase, de fato, que há omissão e obscuridade em ambas as decisões a quo com relação à alteração de critério jurídico na decisão da DRJ. Logo, por força das atribuições concedidas aos Conselheiros deste nobre Conselho, é importante reconhecer a omissão e obscuridade assim como é importante analisar se estas poderiam reformar o decidido ou não, cabendo aos Conselheiros exporem suas convicções sobre a concessão ou não dos efeitos infringentes. O direito creditório solicitado/utilizado pelo contribuinte em compensação foi negado/indeferido tanto na Delegacia da Receita Federal em Aracaju quanto na Delegacia da Receita Federal de Julgamento, sob o fundamento de que não haveria diferença a maior entre os valores declarados na DCTF e os efetivamente pagos pelo embargante. Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10510.720031/200769 Acórdão n.º 3201003.264 S3C2T1 Fl. 1.128 9 Ocorre que desde a sua manifestação de inconformidade o embargante explicou que seus créditos são decorrentes da inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98 (vide julgamentos dos RE 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840 do STF), que alargou a base de cálculo da COFINS. Assim, em atendimento ao solicitado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, este Conselho, em decisão de fls, anulou a decisão de primeira instância e determinou que a DRJ apreciase a questão alegada pelo contribuinte, sobre a base de cálculo do COFINS uma vez que declarada a inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98. Logo, em cumprimento ao determinado por este Conselho e também em atendimento ao alegado pelo contribuinte, a DRJ proferiu nova decisão e considerou a inconstitucional majoração da base de cálculo da COFINS, mas novamente negou o direito creditório por entender que eventual direito creditório estaria restrito à exclusão das receitas não operacionais da base de cálculo da COFINS. Em que pese haver omissão e obscuridade nas decisões a quo e também ter ocorrido a alteração de critério jurídico, não há como conceder efeitos infringentes uma vez que a alteração de critério jurídico foi conseqüência de solicitação do próprio contribuinte em seu recurso voluntário. A decisão da DRJ foi anulada por este Conselho e a partir deste momento foram sanadas as falhas no devido processo legal, com relação ao primeiro fundamento que embasou as decisões de primeira instância, o fundamento de que não haveriam diferenças a maior entre os valores declarados na DCTF e os pagos pelo contribuinte. Proferida nova decisão pela DRJ, esta manteve sua competência para negar ou não o direito creditório solicitado pelo contribuinte e entendeu que seriam excluídas da base de cálculo da COFINS somente as receitas não operacionais, em conformidade com as consequencias da inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98. Ficou clara a posição da DRJ em negar o direito creditório por entender que "receitas financeiras" são receitas operacionais para as instituições financeiras, ou seja, decorrem da sua atividade principal e da prestação de serviços, conforme conceito de "faturamento" constitucional e confirmado pelo Supremo Tribunal federal. Superada a questão da alteração de critério jurídico, verificase novamente que há omissão e obscuridade nas decisões a quo sobre o reconhecimento ou não do direito creditório dos valores indevidamente recolhidos a título de COFINS, com base no §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, sobre a receita financeira advinda da aplicação de seus próprios recursos (não decorrente da atividade de intermediação ou prestação de serviço bancária). Em nenhum trecho das decisões o assunto foi tratado e é importante que tenha sido tratado porque os fundamentos das decisões a quo concluem, em suma, que "receita financeiras" devem ser consideradas como "receitas operacionais" para as instituições financeiras, pois diretamente vinculadas aos serviços que prestam. Ou seja, foi exposto o entendimento de que a receita de venda de serviços, de acordo com o conceito de "faturamento" aceito no Supremo Tribunal Federal STF, em relação aos bancos deve abranger as receitas financeiras decorrentes das atividades desenvolvidas no mercado financeiro, por configurarem serviços financeiros. Fl. 1132DF CARF MF 10 Esta é uma conclusão que não trata das receitas financeiras resultantes de aplicações com recursos próprios, porque esta se trata de uma exceção lógica direta da conclusão das decisões, uma vez que não pode ser considerada "receita operacional", como pode ser verificado em trecho do próprio Estatuto do Banco em fls 296 dos autos, transcrito em print screen a seguir: O objeto social registrado no Estatuto do Banco é o trabalho financeiro por meio de carteiras operacionais autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, atividade que não se assemelha à aplicação de recursos próprios para a obtenção de receitas financeiras. O conceito de "carteiras autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil", está diretamente ligado ao objetivo de promover o desenvolvimento sócioeconômico e não à obtenção de receitas financeiras da aplicação de recursos próprios. O objeto social do banco está somente ligado à prestação dos serviços à sociedade como um todo, e não à aplicação de recursos próprios. Não há nada expresso neste sentido. No mundo fático, empresas ou instituições que são criadas somente para a obtenção de receitas financeiras decorrentes de aplicações de recursos próprios, não são empresas usuais (se é que existem), visto que não seria possível uma empresa obter recursos próprios, sem possuir uma outra atividade que gere receitas, decorrentes de alguma atividade de prestação de serviços, de comércio ou de indústria. Desse modo, toda empresa ou instituição que aplica recursos próprios e aufere receita financeira decorrente disto, necessariamente irá possuir uma outra atividade que gere receita, seja decorrente da prestação de serviços, da comercialização ou industrialização. De forma lógica, nenhuma empresa ou instituição, seja um banco ou não, tem a obrigação e sequer a necessidade de prever em seu objeto social a seguinte atividade: aplicação de recursos próprios para obtenção de receitas financeiras. Realidade societária que permite concluir que nenhuma receita financeira decorrente da aplicação de recursos próprios pode ser caracterizada como uma receita operacional. Porque, de operacional, nada tem esta atividade. Logo, por força das atribuições concedidas aos Conselheiros deste nobre Conselho, é importante reconhecer a omissão e obscuridade assim como é importante analisar se estas poderiam reformar o decidido ou não, cabendo aos Conselheiros exporem suas convicções sobre a concessão ou não dos efeitos infringentes. Antes mesmo de expor se haverá a necessidade de conceder efeitos infringentes, mister se faz colocar os fatos e fundamentos que levam à convicção de que receitas financeiras resultantes de aplicações com recursos próprios deveriam ser excluídas da base de cálculo da COFINS por não se tratarem de "receitas operacionais". Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10510.720031/200769 Acórdão n.º 3201003.264 S3C2T1 Fl. 1.129 11 Por se tratar de "receita financeira" resultante de aplicações com recursos próprios, o contribuinte estaria exercendo o mesmo direito concedido às instituições não financeiras e demais contribuintes, sem distinção: o direito de excluir da base de cálculo do COFINS as "receitas financeiras". O STF é claro em permitir esta exclusão da base de cálculo conforme julgamento do RE 548.422 AgR / RJ do STF, no seu parágrafo sexto: "6. As passagens em destaque revelam uma distinção conceitual sutil, mas que pode ser expressiva quanto aos reflexos. Um exemplo disso é a receita proveniente de aplicações financeiras. Caso fosse adotada a definição proposta pela instância ordinária, incidiria a Cofins sobre tal verba. Por outro lado, adotado o conceito até então vigente na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, parcela de tal natureza seria, em tese, excluída da base econômica da contribuição." A única hipótese que permitiu que as autoridades administrativas admitissem que as instituições financeiras não podem excluir da base de cálculo as "receitas financeiras", é a de que instituições financeiras prestam serviços financeiros e esta seria uma hipótese clara de base de cálculo para incidência de COFINS de acordo com o conceito de "faturamento" aceito pelo Supremo Tribunal Federal STF (faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços). Vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Tal premissa utilizada pelas r. autoridades administrativas que negaram o direito creditório para o contribuinte logicamente não se aplicam às "receitas financeiras" resultante de aplicações com recursos próprios, pois estas são "receitas financeiras" que qualquer pessoa jurídica ou física pode obter se aplicar seus recursos próprios e este direito está expressamente garantido pelo RE 548.422 AgR / RJ do STF mencionado acima. Sobre as "receitas financeiras" operacionais das instituições financeiras ficou claro o entendimento das decisões a quo, inclusive expresso que estão incluídas na base de cálculo da COFINS aquelas "receitas financeiras" provenientes das aplicações com recursos de terceiros, de clientes. São as situações em que o banco aufere "receita financeira" ao realizar o serviços de empréstimo bancário, pois os clientes pagam os juros e para estas situações as instituições financeiras cobram tarifas e portanto se trata de uma prestação de serviço. Uma "receita financeira" operacional, resultante de uma prestação de serviço. Mas quais são os recursos próprios das instituições financeiras? O embargante deixa claro quais são em seu recurso voluntário, são aqueles recursos constantes do Patrimônio Líquidos Obrigatório, conforme disposições constantes no Acordo de Basiléia e originalmente na Resolução do Banco Central do Brasil BACEN n.º 2.099/94. O contribuinte alega que para a aplicação dos recursos próprios não há cobrança de tarifas, não há recursos de terceiros ou qualquer relação de consumo, para fins do Código de Defesa do Consumidor. Este recursos próprios são aplicados, investidos e geram "receitas financeiras" não operacionais. Fl. 1134DF CARF MF 12 Em análise da Resolução 2.099/94, vigente a época e portanto aplicável ao caso, conforme Anexo II, verificase que há um limite mínimo deste patrimônio líquido, um capital realizado de sete milhões de reais, à época. Acontece que ao verificar a fórmula de cálculo deste Patrimônio Líquido na própria Resolução, é possível verificar que este é 0,08 % do APR, sendo APR = resultado de aplicações do ativo circulante mais resultados de aplicações do ativo permanente. Portanto, para que seja concedido efeito infringente aos Embargos, com o objetivo de reconhecer direito creditório, é importante que fique claro que, do ativo circulante, serão considerados como recursos próprios somente o dinheiro em caixa que não seja de origem de terceiros, que não tenha conexão com serviços prestados ou tarifas cobradas pela instituição financeira. Em adição, por "receitas financeiras" de aplicações de recursos próprios entendese serem aquelas receitas resultantes das aplicações dos recursos próprios do Patrimônio Líquido (com as exceções acima e nos moldes da Tabela do Anexo IV da Resolução BACEN 2.099/94 ) e aquelas receitas resultantes das aplicações do Lucro Líquido da instituição financeira. Por fim, durante esta sessão, a Turma sugeriu que ficasse claro que, em razão de todos o exposto, inclusive no relatório, foi possível verificar que não há concomitância ou coisa julgada em âmbito judicial (Mandado de Segurança nº 2007.85.00.0058359, fls. 493/499), visto que o objeto de discussão não é a incidência da Cofins sobre as receitas advindas das aplicações de recursos próprios, assim como não ficou definido no âmbito judicial quais seriam as receitas operacionais ou não para as instituições financeiras. Da mesma forma, esta Turma de julgamento sugeriu que fosse citado como precedente recente a decisão proferida no âmbito da Câmara Superio de Recursos Fiscais, Acórdão CSRF 9303005051. CONCLUSÃO. Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 165 do CTN e em observação ao decidido no M.S. 2007.85.00.0058359 e decisões do STF, votase para que os Embargos de Declaração sejam ACOLHIDOS e PROVIDOS para sanar a obscuridade constante nas decisões a quo sobre a exclusão das "receitas financeiras" decorrentes de aplicações de recursos próprios da base de cálculo da COFINS e conseqüentemente reformar parcialmente o Acórdão 3403003.413 – 4.ª Câmara / 3.ª Turma Ordinária, proferido em 12 de Novembro de 2014, considerando também os fundamentos do Acórdão 3403003.375, para que seja reconhecido o direito creditório do contribuinte relativo aos pagamentos indevidos resultantes de base de cálculo declarada inconstitucional, excluídas desde já da base de cálculo do COFINS as "receitas financeiras" de aplicações de recursos próprios. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10510.720031/200769 Acórdão n.º 3201003.264 S3C2T1 Fl. 1.130 13 Declaração de Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira A presente declaração esclarece a posição por mim adotado no julgamento do presente processo, que decidiu por afastar a incidência das contribuições sobre as receitas financeiras próprias da Recorrente, acompanhando a posição adotada pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão 9303005.051, que foi assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros." Neste caminho transcrevo a seguir o voto vencedor do Conselheiro Charles de Mayer Castro, que adotei como fundamentação para prolatar o meu voto no presente julgado. "Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator Com a devida vênia, discordo do il. Relator. Fl. 1136DF CARF MF 14 Com efeito, entendemos que a razão está com o relator do voto vencido, o Conselheiro Rosaldo Trevisan. O que temos aqui é uma ação judicial em que se reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo preconizado no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, afastando, de conseguinte, a incidência da Cofins sobre as “receitas financeiras”. Contudo, conforme nele brilhantemente exposto, não há, nas decisões judiciais nela prolatadas, qualquer pronunciamento a respeito do que venham a ser, afinal, as tais “receitas financeiras” para uma instituição financeira – mesma natureza da Recorrente. Reconhecida, no bojo da ação judicial transitada em julgado, a inconstitucionalidade do alargamento, a Cofins passou a incidir apenas sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços e da venda de mercadorias – as chamadas "receitas operacionais" –, que inequivocamente incluem, no caso das instituições financeiras, as receitas decorrentes da intermediação financeira, ainda que assim contabilizada. A Cofins não incide, porém, sobre aquelas receitas cuja origem é a aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros, as quais, conforme destacou o relator do voto vencido, a própria fiscalização entendeu como receita financeira, não como receita operacional, como também lá ressaltado. Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso especial, também para excluir a glosa de crédito em relação às receitas provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros." Winderley Morais Pereira Fl. 1137DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001545/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressalte-se que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mão-de-obra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
Numero da decisão: 2201-004.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressaltese que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mãodeobra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 45 /2 00 8- 18 Fl. 961DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 913 2 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório 1 – Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra decisão da DRJ que manteve o lançamento em parte de contribuição previdenciária oriunda da NFLD nº 35.699.7138 (fls. 3/17) no valor de R$ 150.075,89 com data de cientificação do contribuinte em 29/07/2005 às fls. 3. 2 Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 351/365) por sua clareza e precisão: Do lançamento Tratase de crédito tributário (NFLD: 35.699.7138) lavrado em 29/07/2005, em face do sujeito passivo acima identificado, referente à responsabilidade solidária com o prestador de serviço de construção civil C & M ENGENHARIA ELÉTRICA LTDA, nas competências 06 a 11/1997, no valor total de R$ 150.075,89 na data da consolidação. 2. O crédito abrange as contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa, dos segurados empregados e do financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho SAT até 06/1997, e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade Fl. 962DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 914 3 laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, a partir de 07/1997, tendo como fato gerador a mãodeobra assalariada utilizada na prestação dos serviços de construção civil. 3. A autoridade fiscal informa que o saláriodecontribuição foi arbitrado pelo processo de aferição indireta, devido ao não cumprimento, por parte do sujeito passivo, alvo do lançamento, dos requisitos necessários para elidirse do gravame jurídicotributário, com previsão no art. 30, VI da Lei n9.8.212/91, aplicandose o percentual de 40% sobre o valor da notas fiscais/faturas de prestação de serviço, em total obediência aos critérios e rotinas estabelecidos pela Ordem de Serviço INSS/DAF nº 51 , de 06/10/92. 4. O débito referente ao referido contrato foi lançado originalmente em 25/09/2002, através da NFLD nº 35.521.1181. Nessa oportunidade, verificouse que a empresa fiscalizada contratara com o consórcio Promon Engenharia Ltda /Confab Montagens Ltda., composto por Promon Engenharia Ltda, empresa líder, e Confab Montagens Ltda., em cumprimento ao contrato n ° 851.2.105.961, a execução dos serviços de projeto, fabricação com fornecimento de materiais e equipamentos, construção e montagem, condicionamento, testes e operação assistida da Unidade de Metil Terciário ButüEter (MTBE) para a refinaria REPAR e respectivo terminal DTSUL. 5. Ocorre que a contratante não comprovou o cumprimento das obrigações das consorciadas e outras empresas envolvidas com a construção da obra para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento específicas para a obra contratada, nem a apresentação de folhas de pagamentos específicas dos segurados empregados nela alocados, comprovando recolhimentos não inferiores aos calculados de acordo com as normas de aferição indireta da remuneração em obra ou serviço de construção civil, previstas nos atos normativos pertinentes. 6. Entretanto, o Serviço de Análise de Defesas e Recursos anulou, através da Reforma de DecisãoNotificação n° 17.401.4/0339/2004, de 14/06/2004, a Fl. 963DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 915 4 lavratura da NFLD original, determinando a lavratura de notificações substitutivas, uma para cada empresa envolvida com a construção da obra. 7. Assim sendo, o presente lançamento tem por finalidade lançar o débito referente aos serviços faturados diretamente pela empresa contratada, antes identificada, contra a contratante da obra, em epígrafe. 8. Compõem o pólo passivo da exação, além das empresas contratante e contratada, os seguintes devedores solidários, em razão de formarem Grupo Econômico com a Petrobrás – Petróleo Brasileiro S/A: PETROBRAS DISTRIBUIDORA S.A – BR CNPJ: 34.274.233/000102 PETROBRAS GÁS S.A – GASPETRO CNPJ: 42.520.171/000191 PETROBRAS TRANSPORTE S.A – TRANSPETRO CNPJ: 02.709.449/000159 PETROBRAS QUÍMICA S.A – PETROQUISA CNPJ: 33.795.055/000194 9. Não houve a apresentação de Guias específicas de recolhimento e respectivas folhas de pagamento afetas ao fato gerador, não comprovando a Petrobrás o escorreito cumprimento das obrigações tributárias por parte da contratada. 10. As bases de cálculo foram obtidas através dos elementos materiais indicados no item 16 do Relatório Fiscal, estando no item 17 a forma de apuração das bases de cálculo. Das Impugnações 11. Impugnaram o lançamento, respectivamente às fls.60/66, 77/86 e 89/92, a Petrobrás Distribuidora S/A, a Petrobrás Petróleo Brasileiro S/A e a C&M Engenharia. Da Decisão de 1a Instância, dos Recursos e das Contrarazões 12. Não obstante as razões expendidas pelas impugnantes, em 23/09/2005, foi prolatada a DecisãoNotificação nº 17.401.4/0102/2005, de procedência do lançamento. Fl. 964DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 916 5 13. Inconformadas com a decisão, a GASPETRO, a PETROBRÁS e a PETROBRÁS DISTRIBUIDORA interpuseram recursos apresentando as razões consignadas às folhas 136/144, 159/170 e 173/178. 14. Em dezembro de 2005 foram emitidas as Contrarazões às fls. 185/191, com base no então vigente art. 78, inciso IV, da PORTARIA MPS nº 9 1.344, de 18 de julho de 2005. Do Acórdão de Nulidade da DN 15. Em 27/02/2007, fls. 220/225, os membros da 2ª Câmara de Julgamento do C. Conselho de Recursos da Previdência Social acordaram, por unanimidade, em anular a DecisãoNotificação, por vício de citação, já que as empresas componentes do grupo econômica não foram devidamente cientificadas, determinando ainda, os doutos conselheiros, que a nova decisão a ser prolatada deveria ser precedida dos complementos e correções pela autoridade fiscal. Do Relatório Fiscal Aditivo 16. Às fls. 205/206, a Divisão de Fiscalização anexa o Relatório Aditivo, informando que, em consulta ao Cadastro Nacional de Ações Fiscais – CNAF, constatouse que a empresa prestadora contratada, C&M ENGENHARIA ELÉTRICA LTDA foi alvo de ação fiscal, abrangendo o período 01/1186 a 11/1990, com cobertura contábil até 12/1989, e que, portanto, o período relativo ao ano de 1997, objeto de levantamento na tomadora, não teve cobertura contábil. 17. Essa informação, bem como o acórdão 177, de 27/02/2007, que anulou a Decisão Notificação, foi comunicada aos sujeitos passivos, reiniciandose o prazo para o contencioso administrativo. Da 2ª Impugnação das Empresas Solidárias 18. Às fls. 215/229, 283/288 (processo eletrônico) e 311/327 (processo eletrônico), apresentaram impugnações tempestivas a PETROBRÁS, a PETROBRÁS DISTRIBUIDORA e a C&M ENGENHARIA ELÉTRICA LTDA, com as razões a seguir reproduzidas, em síntese: Fl. 965DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 917 6 PETROBRÁS 19. A fiscalização não aponta onde estaria consubstanciada a cessão de mão de obra, para caracterizar a responsabilidade tributária; 20. Com base no art. 2º da Lei 9.784/99 e 10 do Decreto 70.235/72, pleiteia a nulidade da NFLD, por ausência de motivação, uma vez que, a seu ver, não há vinculação precisa aos fundamentos legais que balizam a autuação, havendo apenas indicação genérica da legislação pertinente; 21. Argúi decadência, alinhando arestos e excertos doutrinários; 22. Interpreta o acórdão de nulidade prolatado pelo CRPS, afirmando que foi determinado o exame da contabilidade da empresa contratada, em trinta dias, o que foi descumprido pela Fiscalização; 23. Aduz que o Enunciado 30 do CRPS é posterior à decisão, não podendo ser aplicado retroativamente, conforme disciplinado no inciso XIII do art. 2º da Lei 8.784/99; 24. Já a Circular Conjunta INSS/DIRAR/CGFISC/CGCOB/CGARREC nº 06, de 02/12/02, ainda em vigor, prevê, em seu item 1.1 que a Receita Previdenciária deverá efetivar “o cruzamento de informações de todos os devedores solidários, com vistas à verificação da regularidade do crédito a ser constituído, evitando a cobrança de créditos já extintos”. Nesse sentido, não basta uma simples análise do CNAF. 25. Para evitar essas duplicidades, foi exarado o Parecer CJ/MPAS nº 2.376/2000, o qual determina que a fiscalização lavre apenas uma NFLD, somente contra o efetivo contribuinte ou contra o responsável solidário; 26. Ao contrário do que entendeu a fiscalização, não houve um serviço contínuo, com a colocação de empregados/segurados à disposição da recorrente, de modo a configurar uma cessão de mão de obra e, por via de conseqüência, ensejar a responsabilidade tributária; Fl. 966DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 918 7 27. Neste sentido, o contrato firmado entre a recorrente e a contratada versou sobre uma prestação de serviços específica, com direção e coordenação exclusivas da contratada e dentro dos estreitos limites do objeto, com a execução do serviço pelo todo (não o fornecimento de mão de obra) e com prazo para consecução; 28. A previsão contratual de locais, dias e de horários em que os serviços devem ser realizados; a quantidade e a qualificação mínima dos empregados da contratada etc, não caracterizam qualquer tipo de cessão e se constituem em mero procedimento de controle da execução das atividades. 29. Tão pouco se trata sequer de empreitada de mãodeobra, conforme insculpido no inciso III, do § 4o , do Art. 31, pois, para que ela ocorra, é necessário que a mesma esteja relacionada diretamente com o conceito de cessão, inserido no caput do referido artigo daquela lei. Ou seja, que existam poderes de direção e subordinação. 30. A solidariedade passiva é prevista em lei, mas pressupõe a configuração prévia da dívida ou da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários; 31. Foi apresentada toda a documentação que elide a responsabilidade da recorrente, eis que demonstrado o cumprimento das obrigações da contratada; 32. Questiona a aferição indireta realizada, que só seria cabível se a contabilidade não registrasse o movimento real da remuneração dos segurados, a teor do art. 597 da IN MPS/SRP 3/2005. 33. Inquestionável que restou violado o princípio da legalidade, tendo em conta que a base de cálculo não repercutiu a real movimentação econômica e tão pouco guarda qualquer relação com a folha de salários da empresa contratada, mas uma mera presunção; 34. Resume a exordial, requerendo a nulidade da NFLD por erro formal, ou seu cancelamento, após reapreciação dos documentos acostados aos autos e consequente verificação da correção dos recolhimentos por parte da contratada. No mérito, e sucessivamente, argúi a improcedência do lançamento. Fl. 967DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 919 8 35. Por fim, requer que as intimações sejam feitas na pessoa de seu advogado através dos endereços eletrônicos biancasukman@petrobras.com.br e renatooliveira@petrobras.com.br , e protesta pela juntada de documentação superveniente. PETROBRÁS DISTRIBUIDORA S/A 36. As empresas intimadas no presente processo administrativo, à exceção da contratante, não têm relação jurídica com a contratada, de forma que não podem efetuar a retenção nem exigir daquela a apresentação de documentos comprobatórios da quitação do tributo. 37. Reputa como ilegal a imputação de responsabilidade em relação a sujeito passivo indireto. C&M ENGENHARIA ELÉTRICA LTDA 38. A impugnante não teve acesso aos autos em momento anterior, em razão de embaraços criados pelo DEMAC, que não analisou de forma adequada a documentação apresentada para obtenção das cópias, no momento em que foi protocolado o requerimento, sob a alegação de que a procuração utilizada pelos patronos seria inválida, por conter a expressão “com os poderes da cláusula ad judicia”. 39. Ocorre que a constatação de problemas na documentação foi identificado apenas no momento em que seriam entregues as cópias, de forma que a impugnante não teve tempo hábil para providenciar uma nova documentação e teve que fazer a defesa com base na que lhe foi encaminhada com a notificação. 40. Argúi a decadência do crédito tributário, por considerar que os créditos correspondem ao ano de 1997, e sua inclusão no pólo passivo deuse tão somente após o julgamento do CRPS em 2007, quando já transcorrido prazo decadencial qüinqüenal previsto no art. 173, I do CTN. 41. De acordo com o CRPS, a Decisão Notificação anulada cerceava o direito de defesa das empresas, e a descrição do relatório fiscal não descrevia o objeto em questão e os serviços realizados. Fl. 968DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 920 9 42. Ocorre que a ausência de descrição fática no relatório fiscal que permita a correta identificação das razões pelas quais a autoridade está realizando o lançamento do tributo não é causa de anulação do ato e sim de Nulidade do ato. Ou seja, o vício existente na autuação não diz respeito à forma da NFLD, e sim à sua materialidade. 43. A descrição incompleta dos fatos no ato de lançamento, por si só, já seria suficiente para que fosse declarada a nulidade do ato, em vista da motivação dos atos administrativos, consagrado no art. 37 da CF/88. 44. Além disso, como conseqüência da descrição defeituosa dos fatos, o contribuinte restou prejudicado no exercício da ampla defesa e do contraditório em sua plenitude, em manifesta violação ao art. 5°, LV da CF/88 e ao art. 2º da Lei 9.784/99. 3 – A decisão de piso manteve em parte o lançamento conforme ementa abaixo indicada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1997 a 30/11/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias, conforme art. 30, inciso IX, da Lei Nº 8.22/91. DECADÊNCIA PARCIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Fl. 969DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 921 10 O direito de a Seguridade e Social apurar e constituir seus créditos, no lançamento por homologação, extinguese após 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante, sem que haja apuração prévia no prestador de serviços artigo 220 do Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Enunciado 30 do CRPS. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 4 – A Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobras), Petrobras Distribuidora, Petrobras Gas (Gaspetro), Petrobras Transporte (Transpetro) e C e M Engenharia Elétrica Ltda., apresentaram respectivamente Recurso Voluntário às fls. 387/402, 440/444, 484/492, 558/562, e às fls. 598/624 respectivamente, pugnando em síntese pelo cancelamento da autuação. 5 – É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 970DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 922 11 6 Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. 7 Após análise pela DRJ reconhecendo pelo cancelamento parcial do lançamento em decorrência de decadência: “53. O crédito original foi constituído através da NFLD nº 35.521.1181, cuja ciência do sujeito passivo se deu em 25/09/2002, relativamente a fatos geradores ocorridos no período de 07/1996 a 12/1997, devendose observar que o lançamento substitutivo contempla apenas os fatos geradores atinentes aos serviços prestados pela contratada C&M ENGENHARIA ELÉTRICA LTDA, no período de 06 a 11/1997. Todavia, resta pendente de melhor análise a possibilidade ou não de constituição do crédito relativamente às competências do ano de 1997. 54. Ocorre que, em consulta aos recolhimentos do sujeito passivo, observasse a existência de pagamento antecipado em todas as competências do presente lançamento, seja das guias de retenção, seja de recolhimentos das contribuições do próprio contribuinte, de sorte que a contagem do prazo decadencial deve obediência ao disposto no art. 150, §4º do CTN. 55. Neste diapasão, acolho parcialmente a prejudicial de decadência e determino a exclusão do crédito dos valores apurados anteriormente à competência 08/1997, por terem sido ultrapassados os cinco anos até a data da ciência do contribuinte, portanto, da perfacção do lançamento, em 25/09/2002. 56. Ultrapassada essa etapa, e considerando que a declaração de nulidade por vício formal reabre a contagem do prazo decadencial, nos termos do disposto no art. 173, II, do CTN, transcrito a seguir, percebese que entre o dia 14/06/2004 (data da decisão administrativa anulatória) e o dia da notificação da NFLD substitutiva, isto é, dia 29/07/2005, não transcorreram os cinco anos que o fisco teria para exercer o seu direito de efetuar o lançamento substitutivo de todo o crédito tributário remanescente objeto da NFLD tornada nula, a saber: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 971DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 923 12 (...) II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.” 57. Observese que o texto legal reportase ao lançamento como um todo, e não a cada competência, o que significa dizer que cada competência ou valores incluídos no lançamento inicial passa a ter como termo inicial para a contagem do novo prazo decadencial a data em que se tornou definitiva a decisão anulatória. Tratase, portanto, de causa interruptiva que renovou integralmente a contagem do prazo decadencial das competências 9 a 11/1997. 58. Em face do exposto, dou provimento parcial à impugnação para excluir do crédito os valores lançados nas competências 6 a 8 de 1997, inclusive, nos termos da nova composição de valores exposta no Demonstrativo Analítico do Débito Retificado – DADR, em anexo.” 8 – Portanto, restaram mantidas para julgamento as competências 9/1997 a 12/1997. 9 – No caso vou me ater ao reconhecimento da nulidade do presente lançamento baseado nos fundamentos do Voto no Ac. 2201003.412 ocasião em que votei pelo provimento de tal recurso do mesmo contribuinte em vista de serem casos similares com cessão de mão de obra. 10 – Em suas razões o I. Relator do voto vencedor assim discorre a respeito da matéria objeto do presente recurso no qual peço vênia para que suas razões incorporar como fundamento de decidir do presente julgado, verbis: Fl. 972DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 924 13 Aponta o ínclito Relator que, no curso do processo administrativo tributário em que se discute o lançamento, o antigo Conselho de Recursos da Previdência Social, proferiu, em sede de recurso voluntário, a seguinte decisão (fls 156): "PREVIDENCÁRIO CUSTEIO Solidariedade decorrente de cessão de mãodeobra. Da cessão de mãodeobra. É necessário que o INSS aponte, desde o Relatório Fiscal, a forma como evidenciou a existência da cessão de obra. Da Solidariedade. É necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN." Perquirindo o voto condutor da decisão unânime, encontramos a seguinte motivação (fls. 158): Em recentes decisões está CaJ vem exigindo que o INSS caracterize a existência da cessão de mãodeobra, mesmo naquelas atividades arroladas na legislação, sendo oportuno verificarmos "parte" de manifestação do Sr. Presidente da 2ª CaJ/CRPS, AFPS Mário Humberto Cabus Moreira: "Todavia, assim como os serviços relacionados nos incisos 1 a IV, do § 41, do art. 31, da Lei n° 8.212191 (na redação atual), aqueles previstos no art. 219 do RPS devem ser demonstrados e caracterizados pelo Fisco como enquadráveis na definição legal, porque somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção, em consonância com a lei, se tais serviços forem realizados mediante cessão. O mesmo darseá em relação ao período em que vigia a obrigação solidária, no que tange ao referido enquadramento. A meu ver, sem ofensa aos princípios constitucionais tributários e, em especial, ao princípio da legalidade (CF/88, art. 5 1, II e art. 150, 1), a norma do RPS deve ser entendida como tendo caráter indicativo, regulação interpretativa tendente à fiel execução da lei, devendo sempre ser confrontada em face do conceito legal de cessão de mãodeobra, pois, exigir o cumprimento de uma obrigação tributária sem Fl. 973DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 925 14 passar pelo crivo da definição legal, seria admitir obrigação tributária que não seja ex lege. A propósito, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142." (...) O Relatório Fiscal é vago ao se reportar a existência da cessão de mão de obra, descrevendo apenas que o objeto do contrato, sem especificar os motivos que levaram o INSS a constatar a existência da cessão de mãodeobra." (destaques não constam da decisão) Observo o mesmo vício no lançamento. Vejamos o teor do lançamento fiscal (fls. 30): "1 Referese o presente relatório ao débito, lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 35.490.4232, relativo a valores apurados por responsabilidade solidária decorrente de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, prestados pela empresa PWR MISSION INDUSTRIA MECÂNICA LTDA, CNPJ: 42.409.2011000000, conforme contrato(s) n °:1110.2.002.979. 5 O débito compõese de: contribuição dos segurados empregados, calculada pela alíquota mínima à época de ocorrência do fato gerador, contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social; contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de 40 trabalho — SAT até 00!1997, e para o financiamento dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, a partir de 0711997. (...) 5 — 0 débito referente ao presente contrato fora lançado, a menor, através da NFLD— Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n ° 35.371.9145, de 0111112001, quando foi adotado erroneamente o parâmetro de quatorze por Fl. 974DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 926 15 cento (14%) quando deveria ter sido aplicado o parâmetro de quarenta por cento ( 40%), conforme justifica o item 14 do presente relatório. Tal equívoco levou a que o débito lançado naquela ocasião, pela NFLD — 35.371.9145, espelhasse somente parte do valor que deveria ter sido lançado razão por que emitese a presente NFLD, retratando a diferença não lançada na época 6 — Assim, por ocasião da emissão da NFID original, de n ° 35.371.9145, fora verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratara com a empresa prestadora, identificada no item 1 deste, a execução de serviços mediante cessão de mãodeobra, em cumprimento ao(s) contratos) n °: 110.2.062.979, cujo(s) objeto(s) era(m): EXCUÇÃO DOS SERVIÇOS DE BOMBEAM.ENTO DE FLUIDOS DO INTERIOR DE POÇOS DE PETRÓLEO ATÉ A ESTAÇÃO COLETORA, EM 16 { POÇOS DE PETRÓLEO, UTILIZANDO BOMBEIO ELE! RICO CENTRIFUGO SUBMERSO, INCLUINDO DIMEZ~TSIONAlViENT0, ESPECIFICAÇÃO, FORNECIlir> 0, INSTALAÇÃO E REITRADA DOS CONJUNTOS DE BCS NOS POÇOS DE PETRÓLEO, BEM COMO A RESPONSABILIDADE TÉNCICA PELA. CONTINUIDADEOPERACIONAL DOA EQUIPAMENTOS INSTALADOS. Ocorre que a empresa contratante não comprovou o cumprimento das obrigaçóes da empresa contratada para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento específicas para o serviço contratado, nem a apresentação de folhas de pagamentos específicas dos segurados empregaáos alocados no serviço." (novamente os destaques não constam do original) Patente a ausência de comprovação da contratação da prestação de serviços, ensejadora da responsabilidade solidária, mediante cessão de mãodeobra. Como consequência da decisão do CRPS foi anulada a DN, decisão de primeiro grau, e recomeçado o processo administrativo com elaboração de novo relatório fiscal. Atentemos para o teor da decisão proferida pelo CRPS (fls. 158): "Assim entendo que o INSS, além de caracterizar a existência da cessão de mão deobra, desde o Relatório Fiscal (complementar), deve apresentar elementos, com Fl. 975DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 927 16 base na contabilidade dos contribuintes, que justifique o procedimento adotado. Caso seja disponibilizada pelo contribuinte a documentação contábil referente às contribuições lançadas, deverá ela ser analisada com o intuito de se comprovar a existência do crédito lançado e seu real valor. CONCLUSÃO ` Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISAO NOTIFICAÇAO N.° 17.401.4/065512003, fls. 77184, determinando que se observe o que foi exposto no voto cima." (destaquei) Em que pese a total falta de técnica jurídica dos membros do Conselho de Recursos da Previdência Social posto que não houve nenhum vício na decisão recorrida e sim no lançamento tributário como sobejamente demonstrado pelos Conselheiros que se manifestaram resta claro que o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse a comprovação da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra além de elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. Forçoso reconhecer que tal decisão expressa, inequivocamente, a constatação de que o lançamento tributário padecia de vício em sua constituição. Qualquer outra inferência invalidaria o comando expresso, constante do decisum, do retorno do procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ao passo inicial, ou seja, a busca pelo Fisco dos elementos comprobatórios e por isso constitutivos, da obrigação tributária decorrente da prática, pelo sujeito passivo, dos fatos eleitos pelo legislador como fato imponíveis. Imperioso ressaltar que embora este Conselheiro discorde totalmente da necessidade de comprovação pelo Fisco da existência de crédito, ou impossibilidade de constituição deste no devedor principal, posto que tal entendimento atingiria mortalmente o instituto da responsabilidade solidária como posta pelo artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época do lançamento a questão do lançamento por responsabilidade solidária, por ser questão relativa ao mérito Fl. 976DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 928 17 da discussão, não será por mim aqui enfrentada, vez que entendo que as questões relativas ao lançamento tributário são preliminares e prejudiciais à análise do mérito. Voltando a questão do lançamento, uma vez anulada a DN, foi iniciado novo procedimento fiscal visando a elaboração de relatório fiscal complementar consoante se observa do despacho do Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária RJ Centro, fls. 190 e 195. 11 – Às fls. 229 encontrase o relatório da diligência da RFB em cumprimento com os termos determinados pela decisão da CRPS: Fl. 977DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 929 18 12 – Prosseguindo com os fundamentos do Ac. 2201003.412: Patente a inovação do argumentos do Fisco no Relatório Fiscal Complementar. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária no caso em tela a contratação de empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra só restou comprovada por meio do mencionado relatório aditivo. Fl. 978DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 930 19 Inegável o vício esculpido no lançamento original. Necessária a produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. De fato, a decisão do CRPS, átecnica com visto, embora propugnasse pela nulidade da DN, motivouse pela nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação, ou seja, falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, da verificação da ocorrência deste. Tal conclusão decorre da mera leitura da decisão acostada às folhas 156, acima transcrita e isso, porque, como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias já deveria ter sido corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, como dito, não se verificou no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é a total ausência caracterização de que a a prestação de serviços contratada se deu mediante cessão de mãodeobra. Não obstante a omissão do Autoridade Lançadora no tocante a comprovação do fato escolhido pelo legislador para ser ensejador da obrigação tributária, mister ressaltar com tintas fortes que a Administração Tributária foi clara em determinar por meio de um ato que integra a legislação tributária como se deve realizar caracterizar a cessão de mãodeobra, posto que tal caracterização se encontram no Regulamento da Previdência Social e nos atos normativos do INSS. Tal rito foi simplesmente ignorado pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento. Fl. 979DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 931 20 O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaques nossos) Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: ATOS IRREGULARES SÃO AQUELES PADECENTES DE VÍCIOS MATERIAIS IRRELEVANTES, RECONHECÍVEIS DE PLANO, OU INCURSOS EM FORMALIZAÇÃO DEFEITUOSA CONSISTENTE EM TRANSGRESSÃO DE NORMAS CUJO REAL ALCANCE É MERAMENTE O DE IMPOR A PADRONIZAÇÃO INTERNA DOS INSTRUMENTOS PELOS QUAIS SE VEICULAM OS ATOS ADMINISTRATIVOS Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." Fl. 980DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 932 21 (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial Fl. 981DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 933 22 previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador: Fl. 982DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 934 23 "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" (grifamos) No caso em apreço, observamos que não comprovou o Fisco a existência da contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra. Como visto é dever do Fisco anexar ao auto de infração o elementos de prova que embasam a constituição do crédito tributário. Tal comprovação não pode ser realizada a posteriori, consoante expressa vedação do parágrafo 3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, o que impede de modo absoluto a conversão em diligência nos casos de novação do lançamento, explicitando se tratar de novo lançamento, complementar ao primeiro. Nesse sentido, forçoso reconhecer que o relatório fiscal complementar, por inovar no lançamento, ou seja, por de fato realizar novo lançamento posto que veio ao mundo jurídico para reparar vício material, ou seja, vício insanável, deve respeitar os prazos previstos em lei complementar para que o Estado possa constituir seu direito de crédito. Reafirmo. O lançamento representado pela NFLD constante de fls. 2, consubstancia pelo Relatório Fiscal de folhas 29, foi tacitamente reconhecido como nulo pelo CRPS que ao determinar a nulidade da DN e a elaboração de novo relatório fiscal que explicitasse a ocorrência do fato gerador ensejador da responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época ordenou que se elaborasse novo lançamento consubstanciado em provas da existência da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Ocorre que tal lançamento repito, consubstanciado no relatório fiscal aditivo relativo às competências 09/98 a 12/98 se aperfeiçoou com a ciência do devedor em 28 de junho de 2007, fora portanto do lustro permitido pelo artigo 173, inciso I do CTN. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 935 24 Logo, extinto o direito de crédito do Fisco quando do lançamento tributário representado pelo relatório fiscal aditivo. Por via de consequência, voto por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a nulidade do lançamento tributário arguída, pela ocorrência de vício material, em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária.” 13 Portanto, em relação à construção civil entendo que deve ocorrer a comprovação da mesma forma que na cessão de mão de obra, indicando a declaração de voto do Conselheiro Mário Humberto Cabus Moreira Representante do Governo no CRPS, tomando como minhas as razões de decidir na época na declaração de voto às fls. 172/174 nos autos do PAF nº 18471001855200832 decisão nº 0035.463.9730 de 25/05/2004: "O fato de o contratante dos serviços prestados mediante cessão de mãodeobra não fazer prova hábil para a elisão da solidariedade, ao revés do entendimento do Fisco, não pode servir como presunção de existência de crédito tributário em relação ao contribuinte. A elisão da solidariedade não se trata de dever jurídico do contratante, porém, de faculdade sua, inscrita nos parágrafos 3o e 4o, do art.31, da Lei n° 8.212/91 (na redação em vigor até 31.01.1999), como exceção à regra geral prevista no caput, qual seja, a que atribui responsabilidade solidária na contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra a toda e qualquer empresa contratante. Apenas para reforçar a assertiva anterior, indagase qual o dispositivo da Lei de Custeio que prevê a elisão da solidariedade na construção civil. A resposta é: a responsabilidade solidária está inscrita no inciso VI, do art. 30 da Lei n° 8.212/91, todavia, não há previsão legal quanto à elisão na construção civil. A faculdade de elidir a solidariedade somente vem expressa no Regulamento da Previdência Social, em seu art. 220, § 3o. A elisão da solidariedade está dependente de obrigações acessórias, de elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas, exclusivas do executor (prestador de serviço). Somente o executor é Fl. 984DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 936 25 punível pelo ilícito tributário de não preparar folhas e guias específicas na cessão de mãodeobra, mediante a lavratura do correspondente auto de infração. Em havendo o direito de elidir a solidariedade, a norma inserta no art. 31 da Lei de Custeio (na redação em vigor até 31.01.1999), unicamente incide para definir quem é o sujeito passivo: se apenas o contribuinte (haja vista estar provada a ocorrência de elisão da solidariedade); ou, o contribuinte e o responsável, conjuntamente. Todavia, não incide para atestar, a priori, a existência de crédito tributário oponível prontamente pelo Fisco contra o responsável, sem qualquer outro procedimento administrativo relativamente ao contribuinte, como corolário de não restar provada a elisão. Ressaltese que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mãodeobra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91). Ressaltese a diversidade dos institutos jurídicos: responsabilidade solidária e crédito tributário. Dispostos em tópicos distintos, não sem razão, desde o Código Tributário Nacional. Os conceitos de dívida e responsabilidade não se confundem e não têm entre si relação de necessária dependência. Com efeito, "dívida e responsabilidade são elementos que podem ou não estar reunidos em uma só pessoa (o devedor). Contudo, é possível haver responsabilidade sem dívida, ou seja, é possível que o patrimônio de uma pessoa responda pela obrigação sem ser ela o devedor, como se dá, v.g., com o fiador, o sucessor, o sócio etc." (BEBBER, Júlio César. "Fraude contra Credores e Fraude de Execução". In: NORRIS, Roberto (coord.) Execução Trabalhista: Visão Atual, Rio de Janeiro: Forense, 2001, pp. 157204, p. 161) Ainda, a Autarquia não traz evidências de qualquer procedimento fiscal tendente a verificar o descumprimento da obrigação tributária principal pelo contribuinte (neste caso, as empresas prestadoras de serviço mediante cessão de mãodeobra). A incompreensível omissão de procedimentos de auditoria estendese aos casos de fiscalização total das empresas prestadoras de serviço ou de adesão destas ao REFIS, ou opção pelo SIMPLES; situações trazidas a lume, com freqüência, após o lançamento do crédito, na fase de defesa ou recursal." Fl. 985DF CARF MF Processo nº 18471.001545/200818 Acórdão n.º 2201004.080 S2C2T1 Fl. 937 26 14 – Em vista da referida nulidade indicada alhures, tratandose de construção civil, é necessário se identificar o objeto do contrato. Quando contratada a obra, por empreitada total ou parcial, a responsabilidade solidária do contratante é atribuída pelo artigo 30, VI da Lei n s 8.212, de 24/07/91; caso contrário, quando o objeto do contrato é apenas o fornecimento de mão de obra, colocada à disposição do dono da obra, configurada está a prestação de serviços por cessão de mão de obra. A autoridade fiscal considerou a responsabilidade solidária do dono da obra de construção civil; porém, não mencionou a espécie de contrato, empreitada ou cessão de mão de obra. Esta diferença deve ser mencionada para a identificação da regras de regência.entendo desnecessário a análise dos demais termos apresentados em ambos os recursos voluntários. Conclusão 15 Diante do exposto, conheço dos recursos e no mérito dou provimento para reconhecer a nulidade do lançamento tributário por vício material em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 986DF CARF MF
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Numero do processo: 16641.720051/2014-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS - FALTA DE COMPROVAÇÃO
Compete ao contribuinte o ônus de comprovar a efetiva e real prestação dos serviços cujos valores foram deduzidos como custos ou despesas na determinação do lucro real, não bastando a prova de sua ocorrência apenas no plano formal.
MULTA ISOLADA - ANTECIPAÇÃO MENSAL INSUFICIENTE
Verificada a falta ou insuficiência de pagamento de antecipação mensal por estimativa cabe exigir a multa isolada, que incidirá sobre o valor não recolhido.
MULTA ISOLADA - COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA
Será aplicada multa isolada de cinqüenta por cento sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.
LANÇAMENTO DECORRENTE - CSLL
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso.
Numero da decisão: 1402-002.878
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negado provimento ao recurso voluntário: i) por unanimidade de votos, quanto ao mérito da exigência, à multa isolada decorrente da compensação não homologada e à incidência dos juros sobre a multa. Os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Eduardo Morgado Rodrigues acompanharam o relator pelas conclusões; e: ii) por voto de qualidade em relação à imputação da multa isolada incidente sobre estimativas não recolhidas. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Eduardo Morgado Rodrigues,Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por cancelar essa penalidade.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCO ROGÉRIO BORGES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro.Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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MULTA ISOLADA ANTECIPAÇÃO MENSAL INSUFICIENTE Verificada a falta ou insuficiência de pagamento de antecipação mensal por estimativa cabe exigir a multa isolada, que incidirá sobre o valor não recolhido. MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Será aplicada multa isolada de cinqüenta por cento sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negado provimento ao recurso voluntário: i) por unanimidade de votos, quanto ao mérito da exigência, à multa isolada decorrente da compensação não homologada e à incidência dos juros sobre a multa. Os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Eduardo Morgado Rodrigues acompanharam o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 72 00 51 /2 01 4- 50 Fl. 2594DF CARF MF 2 relator pelas conclusões; e: ii) por voto de qualidade em relação à imputação da multa isolada incidente sobre estimativas não recolhidas. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Eduardo Morgado Rodrigues,Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei, que votaram por cancelar essa penalidade. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) MARCO ROGÉRIO BORGES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro.Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 2595DF CARF MF Processo nº 16641.720051/201450 Acórdão n.º 1402002.878 S1C4T2 Fl. 2.595 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, que julgou IMPROCEDENTE, a impugnação do contribuinte em epígrafe. Da autuação: A autuação em litígio envolve o montante de R$ 27.038.240,05 (valores corrigidos até dezembro de 2014, sobre autuações efetuadas sobre a recorrente, referente ao anocalendário de 2009. Este montante decorre das seguintes infrações imputadas à recorrente: Despesas não necessárias ou não comprovadas, apuradas tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, nos seguintes valores: Valores de R$ 34.623.312,23 que foram adicionados à apuração do lucro líquido. E que acarretaram os seguintes tributos devidos após recálculo da apuração do IRPJ e CSLL: Tributo Principal Multa 75% Juros de mora Total IRPJ 6.822.977,74 5.117.233,31 3.157.674,10 15.097.885,15 CSLL 2.884.324,95 2.163.243,71 1.334.865,59 6.382.434,25 Total 9.707.302,69 7.280.477,77 4.492.539,69 21.480.320,15 Em decorrência da infração imediatamente retro, houve a apuração da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobra e base de cálculo estimada, nos seguintes valores: Multa Isolada do IRPJ 3.900.972,19 Multa Isolada da CSLL 1.442,162,48 Multa regulamentar por conta de compensação indevida efetuada em declaração prestada pela recorrente, no valor de R$ 214.785,98. Essas despesas envolvem valores de custos e despesas de serviços de consultoria efetuados pelas empresas IESA Óleo e Gás S/A (CNPJ: 07.248.576/000111), UTC Fl. 2596DF CARF MF 4 – Engenharia S/A (CNPJ: 44.023.661/000108) e Construtora Queiroz Galvão S/A (CNPJ: 33.412.792/000160), que no entender da autoridade fiscal, e mantido integralmente pela primeira instância administrativa, não foram justificados como normais, usuais e necessários à atividade da recorrente. Aliado a isso, o fato destas empresas que prestaram serviços de consultoria estarem vinculados ao quadro societário da recorrente, de forma direta e indireta. Igualmente, nos termos do Termo de Verificação Fiscal, estes valores pagos como consultoria representavam 5,5% do faturamento bruto da construção da plataforma P53, atividade da recorrente, que não lograram comprovar a efetiva prestação do serviço. Ficou caracterizado pela autoridade fiscal que a retribuição era medida em função do faturamento, e não trabalho realizado. As notas fiscais constavam com descrição genérica, bem como houve uma descrição pouco objetiva na descrição da realização do trabalho. Aproveito alguns excertos do acórdão a quo, por bem detalharem a situação encontrada pela autoridade fiscal que acabou gerando as autuações fiscais: Da análise dos 3 contratos, muito semelhantes em toda a sua estrutura, destacamse os seguintes pontos: a) alegase que tais serviços tiveram inicio em maio de 2005 (sem qualquer previsão contratual), vindo a ser ratificados somente em agosto do mesmo ano, com o pagamento de significativos valores retroativos, fato que demonstra que a relação entre contratante e contratada foge ao padrão das relações de mercado; b) a notória desproporção entre o preço pago (e o método de cálculo em percentual sobre o faturamento bruto) e a forma de execução dos serviços, prevendo a consultoria até mesmo por via telefônica; também a esse respeito foram solicitados esclarecimentos ao contribuinte, sem nenhum êxito; c) nenhuma das formas de execução prevista foi comprovada documentalmente, em que pese o contribuinte tenha sido intimado, reintimado e, ainda, aguardado o prazo solicitado em 2 pedidos de prorrogação requeridos para este fim. O quadro aparenta uma distribuição de receitas aos detentores do capital social, sem contraprestação comprovada ou, no mínimo, uma liberalidade da contratante ao remunerar suas controladoras com vultosos valores, sem qualquer proporcionalidade com o serviço eventualmente realizado. De qualquer forma, constatase, com o conjunto de documentos trazidos aos autos, não ter havido a comprovação da necessidade, usualidade e normalidade das despesas realizadas, na forma definida pela legislação, impondose a glosa dos respectivos valores. Em decorrência dos elementos supra elencados, a autoridade fiscal, por força do art. 299 do RIR/1999, adicionou o valor de R$ 34.623.312,23 ao lucro líquido, que repercutiu no IRPJ e CSLL apurado sobre o anocalendário de 2009. Fl. 2597DF CARF MF Processo nº 16641.720051/201450 Acórdão n.º 1402002.878 S1C4T2 Fl. 2.596 5 Em decorrência deste recálculo, nos termos do art. 2º da Lei 9.430/96, houve a apuração do pagamento por estimativa, em que em virtude do art. 44 da mesma lei, no que tange ao inciso II, alínea "b", com a redação conferida pela lei 11.488/2007,. acarretou a aplicação de multa isolada, de 50%, tanto para o IRPJ quanto para a CSLL. Igualmente, em decorrência das glosas, houve também a não homologação das declarações de compensação (Dcomp) amparadas em saldo negativo de IRPJ e CSLL, especificamente a de nº 42.859.57485.010612.1.7.028869. Destarte, nos termos do art. 74, § 17º da lei 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 62 da Lei 12.249/2010, acarretou a aplicação de multa isolada sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada. Da Impugnação: Inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, a qual aproveito a sua descrição no relatório do v. acórdão recorrido: Dos fatos • Basicamente, o lançamento está relacionado à glosa de determinadas despesas, sendo certo que as demais infrações são meramente decorrentes de tal glosa. Todavia, o auto de infração em questão não merece prosperar, devendo ser julgado integralmente improcedente, sucintamente, pelas razões indicadas nos incisos subseqüentes. • Efetiva dedutibilidade das despesas com a contratação de serviços de consultoria e assessoria técnica pela impugnante, cuja prestação foi devidamente comprovada, além de serem absolutamente normais, usuais e necessárias às atividades da impugnante, em observância ao artigo 299, do RIR/99. • Inaplicabilidade da multa isolada de 50%, haja vista que já estão sendo exigidos o IRPJ e a CSLL supostamente devidos por estimativa, acrescidos de multa de ofício, de modo que a manutenção da multa isolada importa em verdadeiro bis in idem, conforme posicionamento pacífico da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. • Inaplicabilidade da multa regulamentar de 50%, tendo em vista que o crédito (saldo negativo de IRPJ e de CSLL do ano calendário de 2009) cuja compensação era pretendida pela impugnante efetivamente existia, tendo se tornado indevido apenas em razão da lavratura do auto de infração ora questionado. Deste modo, quando da apresentação das declarações de compensações pela impugnante não houve a pretensão de utilização de qualquer crédito inexistente, o que foi o objetivo do legislador de apenar. • Subsidiariamente, caso seja devida a multa regulamentar de 50%, tal multa foi incorretamente aplicada, em verdadeira afronta ao artigo 142, do Código Tributário Nacional. Isto porque, deixou de ser verificada a alteração do parágrafo 17, do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, pelo artigo 2º, da Medida Provisória n° 656/2014, convertida na Lei n° 13.097/2015, segundo a qual essa multa deixou de ser exigida sobre o valor do crédito não homologado, passando a ser exigida sobre o valor do débito não compensado. MÉRITO RAZÕES DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO FISCAL Fl. 2598DF CARF MF 6 Dedutibilidade das Despesas Incorridas com a Prestação de Serviços • Da análise do relatório fiscal, percebese que, apesar de a impugnante ter apresentado as notas fiscais relacionadas às despesas glosadas, os contratos que respaldaram a emissão de tais notas fiscais e todos os demais documentos e informações solicitados, a fiscalização considerou que a impugnante não teria trazido qualquer prova da efetiva prestação dos serviços e nem qualquer "justificativa convincente" para fins de caracterizar os serviços de consultoria como normais, usuais e necessários, sendo, por conseguinte, indedutíveis da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos termos do artigo 299, do RIR/99. • No entanto, diferentemente do alegado pela fiscalização, os serviços de consultoria tomados pela impugnante foram efetivamente prestados e estão relacionados à construção das plataformas de petróleo P53 e P55. • A impugnante foi criada, em 2005, e inicialmente formada como uma sociedade entre as empresas: Construtora Queiroz Galvão S/A, UTC Engenharia S/A, IESA Óleo e Gás S/A e Camargo Corrêa Naval Participações Ltda., tendo como objeto social a conversão de navios, industrialização de módulos e integração para unidades flutuantes de produção de petróleo, o que significa a construção de plataformas de petróleo. • Como é de conhecimento público, a impugnante iniciou suas atividades com o desafio de construir a plataforma de petróleo offshore P53. • Considerando que ainda era uma empresa em início de atividades e que não detinha knowhow suficiente para realização de tal atividade, firmou contratos de prestação de serviços (apresentados durante o procedimento fiscal – fls. 105140), que passaram a vigorar em maio de 2005, e tinham como objeto a prestação de serviços de consultoria e assessoria técnica nas áreas de construção, engenharia e contratos de EPC justamente para construção da Plataforma P53, estendendose posteriormente para a Plataforma P55, conforme se verifica na descrição dos contratos apresentados durante a fiscalização e transcritos no corpo da impugnação. • Os contratos que respaldaram a emissão das notas fiscais têm como objeto a prestação de serviços de consultoria e assessoria técnica pela IESA ÓLEO E GÁS S.A, pela CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S.A. e pela UTC ENGENHARIA S.A., nas áreas de suas respectivas expertises, sendo que tais empresas são mundialmente conhecidas em razão da sua notória experiência no âmbito da engenharia, construção e com contratos de EPC no setor de óleo e gás. • Corroborando o exposto em tais contratos que respaldaram a sua emissão, as notas fiscais (apresentadas durante o procedimento fiscal fls. 41104 e 176183) que suportam as despesas glosadas são esclarecedoras ao descrever os serviços de consultoria, engenharia, etc, para a construção das plataformas de petróleo P53 e P 55, conforme demonstrado em planilha constante do corpo da impugnação. • Logo, com base nas informações prestadas, nos contratos e nos descritivos das notas fiscais, não resta dúvida de que tais serviços foram efetivamente prestados, inclusive pelo fato, que é de conhecimento público, de que as plataformas P53 e P 55 já foram construídas e entregues. • Ou seja, considerando que a impugnante não detinha toda a expertise necessária para a construção de tais plataformas de petróleo, sem o apoio das empresas por ela contratadas, é evidente que a entrega das plataformas P53 e P55 já é elemento suficiente a comprovar que os serviços contratados das empresas IESA ÓLEO E GÁS S.A., CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S.A. e UTC ENGENHARIA S.A. foram efetivamente prestados. Fl. 2599DF CARF MF Processo nº 16641.720051/201450 Acórdão n.º 1402002.878 S1C4T2 Fl. 2.597 7 • Sendo assim, não há outra conclusão, senão a de que o alegado pela fiscalização, no sentido de que a impugnante não comprovou a prestação dos serviços, é insubsistente e não merece prosperar. • Da mesma forma, não merece prosperar, ainda, a outra alegação da fiscalização no sentido de que a impugnante não demonstrou que os serviços de consultoria e assessoria técnica tomados das empresas IESA ÓLEO E GÁS S.A., CONSTRUTORA QUEIROZ GALVÃO S.A. e UTC ENGENHARIA S.A. seriam normais, usuais e necessários às suas atividades, para fins de dedução dos valores pagos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. • Conforme reconhecido na própria autuação fiscal, são despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real aquelas que se enquadram na regra contida no artigo 299, do RIR/99. • O Parecer Normativo n° 32/81 reforça o conceito, esclarecendo que o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. • Portanto, para que uma despesa seja necessária, ela deve guardar correlação, direta ou indireta, com as atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica. • Como bem frisado por José Luiz Bulhões Pedreira, a necessidade não é referida, genericamente, ao tipo de atividade da empresa, mas a cada um dos seus negócios ou operações. A despesa é necessária desde que paga ou incorrida para realizar qualquer negócio exigido pela atividade do contribuinte. • Nesse sentido se manifestou o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementas transcritas na impugnação. • Fábio Junqueira de Carvalho e Maria Inês Murgel têm o mesmo entendimento, como se verifica dos trechos transcritos na impugnação. • No caso em questão, as despesas glosadas dizem respeito aos serviços de consultoria e assessoria técnica tomados pela impugnante para construção de plataformas de petróleo, em especial, das Plataformas P53 e P55, no ano calendário de 2009. • Para melhor compreender a necessidade dessas despesas, é necessário que se faça uma breve digressão acerca da forma através da qual as plataformas de petróleo são construídas e todo arcabouço de serviços que tal atividade engloba. • A construção de uma plataforma de petróleo se dá através de contratos estabelecidos pela modalidade de "Engineering, Procurement and Construction" ("EPC"), que se traduz de forma simples para "Engenharia, Suprimentos e Construção". • No contrato de EPC para construção de plataforma de petróleo, a empresa contratada, como é o caso da impugnante, deve possuir o conhecimento referente a planejamento, administração, subcontratação, construção e integração de equipamentos e módulos, incluindo, ainda, sua engenharia, compra de todos os insumos necessários e a sua efetiva construção. • Sendo assim, a atividade praticada pela impugnante, qual seja, a construção de plataformas de petróleo, exige o conhecimento de diferentes setores (engenharia e planejamento, por exemplo) e compreende uma atividade altamente peculiar do setor Fl. 2600DF CARF MF 8 de óleo e gás, ou seja, exige o conhecimento especializado e prático para sua execução. • Sendo assim, não bastasse o fato de a construção de plataforma de petróleo ser uma atividade complexa, o que já seria suficiente para justificar a contratação dos serviços de consultoria, cumpre destacar que, em 2009, quando os serviços de consultoria ora glosados foram prestados, a impugnante ainda era uma empresa consideravelmente jovem, com menos de cinco anos de existência e não possuía o conhecimento específico e necessário para o pleno desenvolvimento de suas atividades. • Ciente desses obstáculos, à impugnante não restava outra saída senão contratar os serviços de consultoria, de empresas de renome mundial, para que conseguisse chegar ao seu objetivo último, no presente caso, a construção das Plataformas P53 e P55. • Desse modo, as despesas com os serviços de consultoria relacionados com a sua atividade fim, que em outros setores da economia poderiam ser consideradas como desnecessárias e supérfluas, são, no contexto da construção de uma plataforma de petróleo, indispensáveis. • Ao analisar situações como a presente, na qual houve a glosa de despesas com a prestação de serviços de consultoria e que o contribuinte demonstrou a normalidade, a usualidade e a necessidade de tais serviços com base em notas fiscais e contratos, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem se manifestando pelo afastamento das autuações fiscais. • Nesse sentido, merece destaque o recentíssimo acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual cancelou o lançamento efetuado em situação análoga, conforme se verifica no trecho do voto condutor do relator Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, transcrito na impugnação. • Sendo assim, caso tivesse analisado o contexto fático, para entender as peculiaridades da situação em que se encontrava a impugnante, em detrimento de ter assumido premissas equivocadas, a fiscalização teria concluído pela validade da dedução das despesas glosadas, tendo em vista que, conforme exposto anteriormente: os serviços de consultoria e assistência técnica tomados pela impugnante foram efetivamente prestados; no ano calendário de 2009, ou seja, na época em que tais serviços foram prestados, a impugnante tinha menos de 5 anos de existência e não possuía todo conhecimento necessário ao desenvolvimento da sua atividade fim de construção de plataforma de petróleo; logo, os serviços de consultoria e assessoria técnica contratados pela impugnante enquadramse absolutamente como despesas normais, usuais e necessárias às suas atividades. • Nesse contexto e considerando, ainda, como se depreende do artigo 299, do RIR 1999, que despesa necessária é aquela essencial às operações relacionadas com a exploração do negócio e que esteja vinculada com a fonte produtora de alimentos, não resta dúvida de que as despesas com a contratação de serviços de consultoria se caracteriza como absolutamente normal, usual e necessária, para fins de dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Da Inaplicabilidade da Multa Isolada Concomitância de Multa Isolada e de Multa de Ofício • A exigência de multa isolada, com base no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, demonstrase incoerente e incompatível com o lançamento de ofício realizado pela fiscalização. Fl. 2601DF CARF MF Processo nº 16641.720051/201450 Acórdão n.º 1402002.878 S1C4T2 Fl. 2.598 9 • Além da cobrança da multa de ofício de 75%, a fiscalização considerou que, em razão da glosa de despesas efetuada, a impugnante teria deixado de recolher as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no decorrer do ano calendário de 2009, e, por essa razão, pretendeu também a imposição da multa isolada de 50%. Ou seja, o suposto não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL decorre exclusivamente da infração apurada no lançamento, a qual já foi devidamente apenada com a multa de ofício de 75%. • Todavia, devese ressaltar que a multa de ofício aplicada no lançamento principal neste caso é cobrada exatamente como uma penalidade pelo não pagamento dos referidos tributos, em razão da glosa de despesas. • Sendo assim, ao exigir tal penalidade (75% de multa de ofício), a autoridade lançadora já está punindo a impugnante por ter deixado de recolher os valores supostamente devidos. • Logo, é evidente que a exigência da multa isolada de 50% ora questionada importa em imposição de dupla penalidade, verificandose de forma cristalina o tão repudiado bis in idem. • Tal multa deve, assim, ser aplicada apenas nas hipóteses em que do lançamento não decorre exigência de tributo, de modo que a multa se faz necessária para apenar o contribuinte sem exigência de qualquer tributo. Justamente por ser exigida isoladamente é que recebe a denominação de multa isolada. • No entanto, esse não é o caso do auto de infração ora impugnado, no qual está sendo indevidamente imposta dupla penalidade à impugnante. • Analisando casos semelhantes ao presente, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pacificou o entendimento no sentido da impossibilidade da imposição de multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, conforme exemplos transcritos na impugnação. • Sendo assim, com base no posicionamento jurisprudencial, não resta dúvida de que, havendo um lançamento principal, no qual foi exigido o tributo devido acrescido da correspondente multa de ofício, como é o caso, descabe a exigência de multa isolada pretendida pela fiscalização. Por essa razão, deve ser julgado improcedente o lançamento relativo à exigência de multa isolada. Da Inaplicabilidade da Multa Regulamentar ao Presente Caso • Caso se entenda que as despesas com os serviços de consultoria tomados pela impugnante, no ano calendário de 2009, não são dedutíveis e que, conseqüentemente, os créditos de saldo negativo de IRPJ e de CSLL relativos a esse período de apuração deixaram de existir em razão da reapuração desses tributos, o que se admite apenas para fins de argumentação, ainda assim não poderia ser aplicada a multa regulamentar exigida no presente processo com base no parágrafo 17, do artigo 74, da Lei n° 9.430/1996. • A multa em questão foi introduzida no ordenamento jurídico pelo artigo 27 da Medida Provisória n° 472/2009, dando nova redação ao caput e ao parágrafo 2º, do artigo 18, da Lei n° 10.833/2003. • Quando da conversão da citada Medida Provisória n° 472/2009 na Lei n° 12.249/2010, a multa regulamentar acabou sendo introduzida no parágrafo 17, do artigo 74, da Lei n° 9.430/1996, conforme se verifica no artigo 62, Medida Provisória n° 472/2009. Fl. 2602DF CARF MF 10 • Contudo, para que se compreenda o contexto fático e o objetivo do legislador ao instituir a multa regulamentar, é necessário que se faça uma análise da exposição de motivos da Medida Provisória n° 472/2009. • A Exposição de Motivos Interministerial n° 00180/2009 MF/MDIC, ao revelar o motivo da alteração do artigo 18, da Lei n° 10.833/2003, para fins de introdução da multa regulamentar no ordenamento jurídico, é esclarecedora, conforme se verifica: “O art. 27 altera a redação do caput e do § 2º do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, visando aperfeiçoar a imposição de penalidades na compensação. Atualmente é aplicada apenas a multa de mora na hipótese de compensação indevida, pelo fato de o débito declarado na Declaração de Compensação constituir confissão de dívida, de forma que, não raro, esse fato tem servido para que alguns contribuintes se utilizem de créditos inexistentes como forma de obter certidão negativa ou para não pagar o crédito tributário, contando com a homologação da compensação pelo decurso de prazo. Assim, o caput do art. 18 prevê a aplicação da penalidade na hipótese de compensação indevida, ficando determinado, no inciso I do § 2o, que o percentual a ser aplicado, na hipótese em que não for confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado, é o previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996." • Como se vê, o surgimento da multa aplicada ao presente caso visava aperfeiçoar a imposição de penalidades nos processos de compensação. Isso porque, não raro, os contribuintes, utilizandose de um artifício ardiloso, utilizavamse de créditos sabidamente inexistentes com a intenção de emissão imediata de certidão negativa de débitos ou de quitação de débitos pelo decurso do prazo previsto para a homologação tácita das referidas compensações. • Assim, é evidente que a aplicação da multa em questão deve ser interpretada de acordo com a sua finalidade, sob pena de sua aplicação desproporcional, já que, para coibir "alguns contribuintes", afetaria absolutamente todos os contribuintes que tiverem suas compensações rejeitadas, mesmo aqueles em relação aos quais não se comprovar qualquer intenção de lesão ao Erário, como é o caso da impugnante. • No presente caso, conforme já esclarecido, a inexistência do crédito utilizado nas compensações apresentadas pela impugnante (saldo negativo de IRPJ e de CSLL do ano calendário de 2009) se deu exclusivamente em razão da lavratura do auto de infração objeto do presente processo administrativo, do qual a impugnante foi cientificada na mesma data em que foi cientificada dos despachos decisórios que não homologaram tais compensações. • Assim, a autuação mencionada acima decorre de mera divergência de entendimentos entre a impugnante e a Receita Federal do Brasil, que resultará na existência ou não do saldo negativo de IRPJ e de CSLL do ano calendário de 2009, confirmando a não caracterização de qualquer evidência de dolo, fraude ou simulação por parte da impugnante na utilização do crédito em questão. • Inclusive porque, caso se entenda pela dedutibilidade das despesas de consultoria ora glosadas, conseqüentemente, o saldo negativo de IRPJ e de CSLL do ano calendário de 2009 subsistirá, não havendo que se falar em não homologação das declarações apresentadas pela impugnante e em aplicação da multa regulamentar. • Dessa forma, diante da comprovação da ausência de intenção da impugnante em utilizarse de artifício ardiloso ou mesmo de causar qualquer lesão ao Erário Público, adotandose uma interpretação teleológica da norma impositiva da multa isolada, resta demonstrada a inaplicabilidade da multa isolada conforme pretendida no presente caso, sob pena de sua aplicação desproporcional e em contrariedade à intenção do legislador, razão pela qual deve ser julgado improcedente o auto de infração ora impugnado. Fl. 2603DF CARF MF Processo nº 16641.720051/201450 Acórdão n.º 1402002.878 S1C4T2 Fl. 2.599 11 • Subsidiariamente, é ainda incorreta aplicação da multa regulamentar. • Caso se entenda pela aplicação da multa regulamentar, o que se admite apenas para fins de argumentação, ainda assim a aplicação de tal multa não merece prosperar, tendo em vista que foi capitulada equivocadamente. • Ao se analisar legislação que embasou a capitulação da multa regulamentar, verificase que a fiscalização aplicou a redação antiga do parágrafo 17, do artigo 74, da Lei n° 9.430/1996, que foi revogada pelo artigo 2o, da Medida Provisória n° 656/2014. • A partir da edição da Medida Provisória n° 656/2014, a multa regulamentar prevista no parágrafo 17, do artigo 74, da Lei n° 9.430/1996 passou a ser aplicada sobre valor do débito objeto da declaração de compensação não homologada e não mais sobre o valor do crédito. • Cumpre esclarecer, ainda, que a alteração promovida pelo artigo 2º, da Medida Provisória n° 656/2014, entrou em vigor a partir da data de publicação de tal medida provisória, em 08.10.2014. • Isso significa dizer que, em 19.12.2014, isto é, na data da lavratura do auto de infração objeto do presente processo administrativo, a novel redação do parágrafo 17, do artigo 74, da Lei n° 9.430/1996, trazida pelo artigo 2º, da Medida Provisória n° 656/2014, já estava em vigor, sendo, contudo, ignorada pela fiscalização. • Diante deste fato, ao contrário do pretendido pela fiscalização, resta claro que a redação antiga do parágrafo 17, do artigo 74, da Lei n° 9.430/1996 não pode ser utilizada como fundamento do auto de infração ora impugnado, sob pena de violação do artigo 142, do Código Tributário Nacional, que consagra o princípio da legalidade do processo tributário e vincula o processo de lançamento à verificação da ocorrência do fato gerador. • A regra contida no artigo 142 do CTN é inequívoca. Verificar significa provar a verdade, investigar a verdade, comprovar a exatidão. Com isso, cabe ao sujeito ativo no lançamento, e não ao sujeito passivo, propor a aplicação da penalidade cabível, conformandoa por inteiro, sem permitir dúvidas, dando o perfil completo, absoluto e claro da situação. • Dessa forma, ao sujeito ativo da relação tributária compete o ônus da prova de que o fato gerador existe, propondo a aplicação da penalidade cabível, e não ao passivo, pois que apenas a autoridade administrativa, de forma privativa, tem competência para determinar tais elementos, • Com rigor, não pode o sujeito ativo proceder de forma injusta, na esperança de que a falha defesa do sujeito passivo termine por tornar válido o lançamento. • Todavia, a fiscalização equivocouse na capitulação da multa, em patente violação ao artigo 142, do CTN, acabando por cercear o direito de defesa da impugnante, induzindoa a erro. • Logo, é evidente que a multa equivocadamente aplicada deve ser cancelada, tendo em vista que foi incorretamente aplicada que não se verificou a alteração do parágrafo 17, do artigo 74, da Lei n° 9.430/96, pelo artigo 2º, da Medida Provisória n° 656/2014, convertida na Lei n° 13.097/2015, em verdadeira afronta ao artigo 142, do Código Tributário Nacional. Fl. 2604DF CARF MF 12 Da decisão da DRJ: A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS FALTA DE COMPROVAÇÃO Compete ao contribuinte o ônus de comprovar a efetiva e real prestação dos serviços cujos valores foram deduzidos como custos ou despesas na determinação do lucro real, não bastando a prova de sua ocorrência apenas no plano formal. MULTA ISOLADA ANTECIPAÇÃO MENSAL INSUFICIENTE Verificada a falta ou insuficiência de pagamento de antecipação mensal por estimativa cabe exigir a multa isolada, que incidirá sobre o valor não recolhido. MULTA ISOLADA COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Será aplicada multa isolada de cinqüenta por cento sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, salvo se houver razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: A arguição de nulidade à transcrição da redação antiga da lei que estipula a multa regulamentar por Dcomp não homologada, constante no termo de verificação fiscal, não prospera, pois está referenciada corretamente no auto de infração. E ademais, não atende os requisitos de nulidade do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, e não interfere na solução do litígio, pois a referência legal e o cálculo estão corretos; A alegação de que os serviços foram prestados e que eram necessários não procedem, pois a descrição genérica dos serviços constantes nos contratos englobam praticamente toda a gama de atividades e conhecimentos necessários para gerir e realizar os negócios relacionados às atividades da recorrente. Não seria crível que a recorrente assuma um contrato das dimensões de construir plataformas de petróleo, a P53 e a P55, com carência de conhecimento e capacidade técnica administrativa. As atividades cujas despesas foram glosadas foram no anocalendário de 2009, e o início das atividades da recorrente na construção de plataformas (no caso a P53) começaram em 2005. Então, transcorridos este período, mesmo que assumindo não terem Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 16641.720051/201450 Acórdão n.º 1402002.878 S1C4T2 Fl. 2.600 13 conhecimento e capacidade técnica no início dos trabalhos (em 2005), não deve perdurar tal consultoria em 2009; Mesmo que se admita que a empresa necessitava de tais serviços em 2009, faltam provas de que eles foram efetivamente prestados, e que os valores pagos foram aceitáveis, compatíveis. Como descrito pelo relator: Realmente, como bem observado no relatório fiscal a folhas 23 a 37, cada um dos três contratos contém cláusulas que estipulam como os serviços deveriam ser prestados e por quais meios. O contrato com a UTC Engenharia S/A, em sua cláusula 1ª, § 1º, estabelece que os serviços serão executados pela contratada, por intermédio de seus profissionais e equipamentos, mediante a realização de reuniões e conferências telefônicas, a elaboração de pareceres técnicos, o exame e comentários acerca de relatórios, e o suporte à equipe de gestão da contratante em todos assuntos que vierem a julgar necessários, expressamente indicados pela contratante. Já aquele firmado com a Iesa Óleo e Gás S/A tem cláusula similar, que estabelece que os serviços serão executados pela contratada, por intermédio de seus profissionais e equipamentos, mediante a realização de reuniões e conferências telefônicas, a elaboração de pareceres técnicos, o exame e comentários acerca de relatórios, e o suporte à equipe de gestão da contratante em todos assuntos que vierem a julgar necessários, expressamente indicados pela contratante. Similarmente, o contrato com a Construtora Queiroz Galvão S/A dispõe que os serviços serão executados pela contratada, por intermédio de seus profissionais e equipamentos, mediante a realização de reuniões e conferências telefônicas, a elaboração de pareceres técnicos, o exame e comentários acerca de relatórios, e o suporte à equipe de gestão da contratante em todos assuntos que vierem a julgar necessários, expressamente indicados pela contratante. As cláusulas transcritas acima demonstram que, se executados nos termos contratados, os serviços deixariam vestígios materiais e documentais, pois sistematicamente se fala em projetos, pareceres, relatórios, comentários. No entanto, apesar de a autuada ter sido intimada pela fiscalização a apresentar comprovantes dessa natureza, repetidas vezes, e mesmo depois de terem sido concedidas as prorrogações de prazo por ela solicitadas, nada foi apresentado. Tampouco por ocasião da impugnação do lançamento fiscal. (...) A impugnante alega ainda que o fato de as plataformas P53 e P55 terem sido construídas e já terem sido entregues constitui por si só prova de que os serviços foram executados. Todavia, esse raciocínio é errôneo e somente teria alguma força de convencimento se ficasse paralelamente comprovado que a construção das plataformas não poderia ter sido realizada por outros meios, isto é, que os serviços supostamente contratados seriam de fato imprescindíveis para esse fim e os únicos possíveis de realizar a empreitada. Seria preciso, por exemplo, Fl. 2606DF CARF MF 14 provar que a autuada não dispunha de nenhum recurso, instalação ou conhecimento para tocar as obras por sua própria conta, ou ainda que não tenha recorrido aos serviços de outros prestadores ou empresas, além das três contratadas em questão. Houve o comparativo dos contratos destes três empresas com os demais contratados pela recorrente, e nestes se vislumbra maior precisão, minúcia e clareza nos serviços a serem executados, com direitos e obrigações bem claros, além de como será executado o serviço, os equipamentos a serem utilizados, prazos e sanções para eventualmente descumprimento. Igualmente, o preço e o respectivo pagamento são fixados em função dos trabalhos realizados e dos equipamentos fornecidos, não tendo nenhuma relação como faturamento bruto da recorrente. Nesta análise, conclui o relator: (...) Por outro lado, as cláusulas dos contratos firmados com as empresas ligadas levam à conclusão que o verdadeiro objetivo deles, conforme acertadamente conclui a fiscalização foi transferir recursos da autuada para aquelas três empresas, as quais, não por acaso, detinham significativa participação direta ou indireta em seu capital. Posteriormente, no seu voto, complementa: E o mais revelador ainda da natureza e do real objetivo desses contratos é que cada uma das contratadas é remunerada não por um valor determinado de antemão, mas sim por um percentual que incide sobre o faturamento bruto obtido pela autuada em virtude de ter ela ter assumido a construção das plataformas P 53 e P55. Esses percentuais variam de empresa para empresa e não guardam nenhuma relação com o custo ou o valor intrínseco dos serviços contratados. É significativo ainda que o menor deles é conferido também àquela entre as três que detém a menor participação no capital. E ainda mais surpreendente é que a data acertada para os pagamentos das parcelas dos preços não é vinculada à mensuração do progresso no nível de execução dos serviços contratados, como costumeiramente ocorre nesse tipo de contrato. Em seu lugar, o pagamento deve se fazer às três contratadas em até 48 horas depois de a Quip receber as parcelas que lhe são devidas em razão da construção das plataformas P53 e P55. Essa última cláusula é demonstração gritante de que o contrato não passava de um artifício para legitimar o repasse, sem justificativa negocial, de recursos da autuada para as três empresas contratadas, e não para pagar pela prestação de serviços úteis, usuais e necessários à atividade da empresa Se isso não fosse o bastante, em todos os três contratos outra cláusula estabelece que todos os custos que as contratadas eventualmente tiverem com a execução dos serviços deverão ser ressarcidos pela Quip. Ou seja, o percentual sobre o faturamento repassado a elas constituía uma espécie de remuneração líquida, com rentabilidade assegurada, acima de qualquer custo ou despesa. Ora, semelhante cláusula é notoriamente ausente de qualquer negócio pactuado livremente sob condição de mercado, pois nenhuma empresa se compromete a pagar pelos serviços que lhe forem prestados um preço acima de todo e qualquer custo suportado pelo prestador. Em face de Fl. 2607DF CARF MF Processo nº 16641.720051/201450 Acórdão n.º 1402002.878 S1C4T2 Fl. 2.601 15 semelhante cláusula, tornase ocioso e irrelevante até comprovar que algum serviço foi efetivamente prestado pelas partes, pois o valor desses serviços teria sido pago pela autuada a título de ressarcimento de custos. O montante que foi glosado, recordese, é o correspondente à transferência dos percentuais sobre o faturamento da Quip, que ela recebe pela construção das plataformas P53 e P55. Em relação à multa isolada pelo recolhimento insuficiente das antecipações mensais, o relator e respectivo colegiado acompanharam a visão de que a multa isolada não se confunde com a multa de ofício, e ambas podem coexistir pois tem hipóteses de incidência distintas, em virtude da nova redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 (redação dada pela Lei nº 11.488/2007); Sobre a multa regulamentar , há a visão restritiva da recorrente que a multa de 50% sobre o valor do débito de compensação que deixar de ser homologada só se aplicaria nas hipóteses de dolo, fraude e simulação. Contudo, esta visão não encontra respaldo no texto legal do art. 74, § 17 da Lei nº 9.4301/996, pois há ali a situação que no caso de falsidade da declaração apresentada, caberia não a multa de 50%, mas de 150% do valor do débito. Igualmente, não prospera o argumento da falta de intenção da recorrente de efetuar a compensação com créditos inexistentes (já que só com a glosa fiscal e auto de infração lavrado é que o saldo negativo deixou de existir), pois o lançamento fiscal não tem efeitos constitutivos no que concerne à apuração do efetivo saldo negativo da autuada. A recorrente apurando corretamente o valor da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, não incorreria em tal situação; Sobre a arguição de que é indevida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, não procede, pois nos termos do art. 953 do RIR/1999, todos os créditos tributários da União não pagos na data do vencimento estão sujeitos ao acréscimo de juros de mora, e no caso, a multa de ofício decorre de um crédito tributário no termos do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Do Recurso Voluntário: Irresignada com a decisão, apresentou recurso voluntário, repisando praticamente os mesmos elementos e argumento da sua peça impugnatória, agregando alguns reforços probatórios das suas alegações. Quanto à tempestividade, a recorrente tomou ciência da decisão da DRJ nº 0269.486, acessandoa no seu domicílio tributário no dia 08/08/2016, uma segundafeira, dentro do prazo de 15 dias após o envio, o que prevalece esta data nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/71, com a redação dada pela Lei nº 12.844/2013. Apresentou seu recurso voluntário no dia 06/09/2016, uma terçafeira, ou seja, dentro do prazo de 30 dias previstos, ou seja, é tempestivo. Cabe destacar os seguintes elementos e argumentos, bem como o pedido: A recorrente era recém constituída quando foi contratada para as construção da plataforma de petróleo P53, cujo contrato era na modalidade EPC (Engineering, Fl. 2608DF CARF MF 16 Procurement and Construction), o que significa que deveria conduzir o projeto como um todo. Considerando a complexidade envolvida de todo um projeto deste tipo, decidiu, em 2005, pela contratação dos serviços de assessoria e consultoria das empresas Queiroz Galvão, UTC e IESA, empresas com vasta e longa experiência no ramo de óleo e gás. Posteriormente foram tacitamente prorrogados para abranger os mesmos serviços de consultoria e assessoria no âmbito da plataforma de petróleo P55, não havendo impedimento legal para tanto. Apresentou no curso da fiscalização cópias dos contratos firmados, transcrevendo os seus objetos na peça recursal. Igualmente, apresentou as respectivas notas fiscais, as quais descrevem os serviços de consultoria, engenharia, etc para a construção das plataformas P53 e P55 (item 15 da peça impugnatória), que no seu entender foram desconsiderados no julgamento a quo, ao entender que não seriam suficientes para comprovar a efetiva prestação dos serviços. Contudo, contratos e notas fiscais apresentados não tiveram sua idoneidade questionada pela autoridade fiscal, e neste caso, se prestariam à comprovação da efetiva prestação dos serviços, citando amparo ementa de um acórdão do CARF (transcrito na peça recursal, AC 1302001.160, sessão de 07/08/2013). Descreve, ao longo de 6 folhas da sua peça recursal, os serviços que eram prestados especificamente por cada uma das empresas contratadas e apresenta, citando documentação comprobatória adicional de tal prestação. Ente os documentos acostados para dar suporte ao alegado, são, basicamente, apresentações de trabalhos, relatórios, planilhas e farta cópia de emails trocados. Alega adicionalmente que os documentos apresentados devem ser considerados e analisados por esta Turma, em obediência ao princípio da verdade material, transcrevendo ementa de julgado do Carf a respeito (Acórdão nº 1301002.049, julgado em 08/06/2016). Apresenta e reforça (da peça impugnatória) as alegações da necessidade das despesas, em razão das atividades, que se enquadram no art. 299 do RIR/1999. Em síntese, recorre ao Parecer Normativo nº 32/81, em que diz que o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. Igualmente, a decisão a quo, ao definir que o incomum, extraordinário e desnecessário não eram as despesas em si, e sim as cláusulas contratuais que fixavam a forma de remuneração das empresas contratadas, apenas demonstram a falta de conhecimento quanto à dimensão dos projetos de construção de plataformas de petróleo e quanto à própria pratica do mercado, neste setor. Justamente pela alta complexidade, é muito comum que a consecução do projeto não seja executado sozinho, e conte com a parceria de outras empresas, sendo em alguns casos na forma de consórcio, e outros (no caso em foco) por uma única empresa e esta subcontratando as demais, podendo perdurar toda a construção. Destarte, o que não é comum é uma única empresa executar inteiramente um projeto de tal grandeza. Assim, em 2009, apesar da recorrente já estar com 4 anos de existência, não haveria anormalidade em ter continuado a tomar os serviços de consultoria e assessoria das empresas Queiroz Galvão, UTC e IESA. Quanto à afirmação da decisão recorrida de que a forma de remuneração evidenciaria um repasse de recursos, sem justificativa negocial, é infundada e especulativa, pois não há comprovação de tal alegação, e de qualquer forma, não haveria qualquer ilícito na forma estabelecida e ademais, se assim fosse, seria o caso de repassar os recursos por meio do pagamento de dividendos (já que são seus acionistas), que, no seu entender, seria menos oneroso. Inaplicável a multa isolada concomitante com a multa de ofício, conforme demonstrado na sua peça impugnatória, §§ 38 a 47, e pede que componham o presente recurso, pois a multa isolada e a multa de ofício foram impostas para punir exatamente a mesma Fl. 2609DF CARF MF Processo nº 16641.720051/201450 Acórdão n.º 1402002.878 S1C4T2 Fl. 2.602 17 infração imputada à Recorrente, qual seja, a suposta dedução indevida, da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, das despesas com os serviços de consultoria e assessoria tomados da Queiroz Galvão, UTC e IESA. Para tanto, reforça com transcrição de duas ementas de julgados do CARF Acórdão nº 910100.500, julgado em 25/01/2010 e Acórdão 1402001.366, julgado em 23/07/2013. Evoca, igualmente, para obstar a concomitância das multas, o princípio da consunção, em que a infração mais grave absorve a de menos gravidade (cita e transcreve ementas e trechos dos Acórdãos nº 1401001.534, julgado em 003/02/2016 e nº 1402002.050, julgado em 18/01/2016). Inaplicável a multa regulamentar, conforme demonstrado na sua peça impugnatória, §§ 48 a 58, e pede que componham o presente recurso, por se tratar de uma penalidade, o dispositivo legal que a prevê deve ser interpretado de acordo com a sua finalidade, sob pena de sua aplicação ser desproporcional e apenar contribuintes para o quais a norma punitiva não foi direcionada. Para corroborar com este raciocínio, recorre à exposição de motivos do § 17, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, redação introduzida pela Medida Provisória nº 472/2009, a qual transcreve, em que tal norma visava, especificamente, penalizar aqueles contribuintes que dolosamente "criavam" e declaravam créditos inexistentes, o que não seria o presente caso, pois a recorrente entende que as despesas com serviços de consultoria e assessoria em foco atendem ao disposto ao art. 299 do RIR/19990 e são dedutíveis para fins fiscais, ou seja, em momento algum pretendeu agir dolosamente apenas a criação de créditos de saldo negativo de IRPJ e de CSLL. Não incide os juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de fundamentação legal, pois, a redação contida no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, não alcançaria a multa de ofício, visto que esta não decorre de tributos e contribuições, mas sim da penalidade prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Para tanto, cita excerto do voto da Relatora do Acórdão nº 910100.722 que reforçaria esta posição. Pedido: Requer que seja integralmente reformada a decisão recorrida, para que seja reconhecida a dedutibilidade fiscal das despesas com contratação de serviços de consultoria e assessoria, nos termos do art. 299, do RIR/1999, restando improcedentes os lançamentos dos créditos tributários de IRPJ e de CSLL do anocalendário de 2009 e das multas isoladas e multa regulamentar; Subsidiariamente, caso mantido a decisão da indedutibilidade das despesas em foco, que seja afastada: a imposição da multa isolada de 50% em razão da falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, impostas concomitantes com a multa de ofício; a imposição da multa regulamentar de 50% sobre o crédito não homologado da DCOMP apresentada; a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal para tanto. Das Contrarrazões da PGFN: Fl. 2610DF CARF MF 18 A Procuradoriageral da Fazenda Nacional PGFN apresentou contrarrazões ao recurso voluntário. Nesta, expõe os seguintes elementos e argumentos, nas questões de mérito: No que tange à necessidade dos serviços prestados, ainda que assim sejam admitidos, a recorrente não logrou demonstrar que os serviços foram efetivamente prestados. Até porque considerando a complexidade da sua atuação no setor de petróleo, concluise que estes serviços devem ser devidamente documentados, o que não foi o caso, robustecendo a conclusão que tais pagamentos não se referiam a serviços, mas sim faziam parte de esquema criminoso de lavagem de dinheiro. A seguir, faz uma análise dos elementos enumerados pela fiscalização, que não ficaram caracterizados como executados pelas contratadas, e as suas descrições genéricas nas notas fiscais. Ressalta que os contratos e notas fiscais não seria o meio hábil a provar as alegações da recorrente, pois são justamente esses os documentos que se espera sejam forjados no esquema fraudulento, que seria o de permitir o fluxo financeiro necessário para manutenção do esquemas de corrupção. Para tanto, mais que os documentos usuais, é necessário verificar a ocorrência de efetiva execução de serviços. Igualmente, destaca, como o Termo de Verificação Fiscal, que em relação aos supostos serviços prestados pela Queiroz Galvão, IESA e UTC para a construção da plataforma P55, não há contrato. Houve pagamentos realizados em períodos nas quais a plataforma P53 não obteve faturamento, e questionada, a recorrente respondeu que tais pagamentos foram realizados em função de serviços prestados junto à plataforma P55, todavia, não juntando documentação a comprovar o fato. Posteriormente, afirmou que o contrato em relação à plataforma P55 resultou da prorrogação tácita do contrato da P53, ou seja, concluise que só contratos em relação à P55. Sobre a forma de remuneração pela prestação de serviços, estabelecido por um percentual fixo sobre o faturamento, o contrato se afasta das práticas de mercado, bem como o percentual de 5,5% é bastante elevado. Se tal perfil de transferência de resultados, se não incabível, denota que os serviços são muito importantes, e se espera que devidamente documentados. Igualmente, a decisão a quo não apenas desconsiderou os contratos e notas fiscais, como os analisou para a indedutibilidade das despesas. Sobre a necessidade dos serviços prestados, e eram justificados pela sua recente criação bem como pela própria natureza e complexidade dos serviços de construção de plataformas de petróleo, destaca trechos da decisão a quo, que definem como pouco críveis tal situação de assumir as construções sem que estivesse comprovado possuir uma mínima capacidade técnica e administrativa. Posteriormente destaca outros excertos da decisão a quo, sobre os elementos trazidos para comprovar a efetividade dos serviços e a análise dos demais contratos colacionados pela recorrente, comparados com os contratos em foco. Conclui que o julgamento a quo empreendeu minuciosa análise dos documentos apresentados pela recorrente. A PGFN se debruça sobre os elementos comprobatórios apresentados na peça recursal, em que conclui pelo seguinte: A maior parte dos documentos juntados se refere a “apresentações”, são documentos compostos de elementos gráficos, desenhos de instalações e seu funcionamento. No tocante a tais documentos, não é possível estabelecer qualquer vínculo entre eles e a UTC, pois contêm unicamente a aposição de logomarca da própria QUIP. O restante dos documentos se compõe, em sua maioria, de contratos, os quais, como já dito, não bastam para comprovar a efetividade dos serviços. Há uma Fl. 2611DF CARF MF Processo nº 16641.720051/201450 Acórdão n.º 1402002.878 S1C4T2 Fl. 2.603 19 única pesquisa de satisfação do cliente, que comprovaria a ocorrência de alguma prestação de serviço, mas não na amplitude da aqui discutida. Também há uma troca de emails sobre a construção de peças, mas este serviço sequer se amolda aos conceitos de assessoria e consultoria, devendose considerar que as empresas mantinham contratos de empreitada/subempreitada. Para reforçar seus pontos de vista acima elencados, transcreve trechos (21 folhas) da autuação de IRRF sobre a mesma pessoa jurídica, a recorrente processos 16641.720038/201581, 16641.720046/201528 e 16641.720042/201540 (cada um referente a cada uma da prestadoras de serviços), que analisa a necessidade das despesas e sua respectiva comprovação, indo ao encontro que analisa até agora Sobre o cabimento da multa pela não homologação da compensação, nos termos do art. 74, § 17 da Lei nº 9.430/1996, descabida a defesa da recorrente, pois tal interpretação legal deve ser adequada à responsabilidade objetiva pelas multas, não se perquirindo a intenção do sujeito passivo para imposição da multa, mas tão somente se o contribuinte agiu, ou não, de acordo com a legislação pertinente. Reforça tal raciocínio transcrevendo o art. 136 do CTN, e o Parecer PGFN/CASTF nº 470/2013. Na sequência analisa o evocado princípio da proporcionalidade suscitado pela recorrente, que seria uma questão constitucional, estranha à competência do CARF, contudo, em atendimento ao princípio da eventualidade, para exaurir a discussão, traz excertos das razões apresentadas juntos ao STF sobre esta matéria. E por fim, diz que é preciso afastar a ideia que o contribuinte agiu de boa fé, pois compunha um grupo responsável por operações criminosas voltado à lesão do erário público e ao cometimento de crimes tributários com a minoração das bases de cálculo mediante o lançamento em seus registros contábeis de despesas indedutíveis. No que tange à cobrança da multa isolada com a multa de ofício, destaca que a autuação se refere ao anocalendário de 2009, posterior, portanto, à nova redação dada pela Lei nº 11.488/2007 ao artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Após analisar este aspecto da mudança legal e sua aplicação, ressalta que ambas infrações são diferentes, incidindo sobre base de cálculos distintas. Portanto, o sujeito passivo cometeu dois atos ilícitos, previstos em lei, em face dos quais a lei dispõe de uma pena distinta. Para corroborar, cita a ementa de alguns Acórdãos recentes do CARF sobre esta matéria (Acórdão 9101002.414, julgado em 17/08/2016; Acórdão 1402002.340, julgado em 05/10/2016). Sobre a questão dos juros de mora sobre a multa de ofício, alega que a recorrente faz uma interpretação meramente literal, mais simples e de menor grau de certeza da legislação aplicável, ao entender que deveriam recair apenas sobre o valor do tributo. Contudo, uma análise mais sistemática do Código Tributário Nacional, o crédito tributário engloba a multa (além do tributo), e se aplicaria, então, o art. 161 do CTN, qual seja, o acréscimo de juros de mora sobre o crédito tributário. Reforça tal posição com a aplicação do art. 113, § 1º do CTN, que preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, observandose que o critério utilizado pelo CTN para distinguir obrigação acessória de obrigação principal é o conteúdo pecuniário. Logo, restaria evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto que é incontestável seu conteúdo pecuniário. Igualmente, o art. 139 do CTN define o conceito de crédito tributário, ao dizer que este decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, logo, sendo a multa uma obrigação principal, não se poderia chegar a outra conclusão senão a de que o Fl. 2612DF CARF MF 20 crédito tributário engloba o tributo e multa. Cita excertos dos Acórdãos nºs 10196.177 e 9303 002.399. É o relatório. Fl. 2613DF CARF MF Processo nº 16641.720051/201450 Acórdão n.º 1402002.878 S1C4T2 Fl. 2.604 21 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Dos fatos: A recorrente é uma pessoa jurídica de direito privado que tem por objeto social a construção de plataformas de petróleo. Conforme se pode verificar no relatório exposto anteriormente, e principalmente no Termo de Verificação Fiscal, o foco da fiscalização era obter informações com relação a pagamentos realizados pela recorrente às suas investidoras (diretas e indiretas), quais sejam: lesa Óleo e Gás S.A. ("IESA"), Construtora Queiroz Galvão S.A. ("Queiroz Galvão") e UTC Engenharia S/A ("UTC"), a título de contraprestação de serviços, no contexto de construção das plataformas de petróleo P53 e P55. No transcorrer do procedimento fiscal, a recorrente apresentou esclarecimentos quanto aos serviços contratados, bem como cópia dos contratos de prestação de serviços formalizados; cópia das notas fiscais de prestação de serviço emitidas pelas empresas contratadas; comprovantes de pagamento pelos serviços tomados; entre outros. Posteriormente, a autoridade fiscal, a despeito das informações e documentos apresentados, lavrou autos de infração, não reconhecendo como dedutíveis tais despesas, repercutindo tal ato em lançamentos reflexos de multa isolada por insuficiência de recolhimento da estimativa e multa regulamentar por compensação não homologada. Para fundamento tal indedutibilidade, a autoridade fiscal arguiu que não teria havido a comprovação da efetiva prestação de serviços, e os pagamentos teriam como objetivo unicamente o repasse do faturamento da recorrente para estas três empresas (Queiroz Galvão, Iesa e UTC), para suprir necessidades financeiras destas, sem qualquer contraprestação concreta de serviços de consultoria. Conforme relatado, tais autos de infração foram impugnados na primeira instância administrativa, e mantidos integralmente. Em decorrência, apresentou o recurso voluntário. Analisado todos os elementos postos no presente processo, e antes de prosseguir com a apreciação do recurso voluntário, convém fazer uma consideração de ordem geral a recorrente invoca o exemplo de decisões administrativas e de passagens doutrinárias, procurando referendálos como de observância compulsória. Contudo, tanto na doutrina quanto na jurisprudência se produzem opiniões e decisões uniformes acerca do mesmo assunto. Cada Fl. 2614DF CARF MF 22 parte acaba destacando e selecionando a que mais lhe convém, contudo, não vinculam este colegiado, ressalvadas as hipóteses excepcionadas pela lei, às quais, se for o caso, serão destacadas quando ocorrerem. Como nenhuma arguição de nulidade foi apresentado nos pedidos do recurso voluntário, já parto para as questões materiais do mérito do lançamento. Glosa de despesas e custos por falta de comprovação da prestação de serviços Aqui me valho da introdução sobre o tema na decisão a quo, que bem clareia os aspectos abstratos inerentes a esta matéria: Os custos e despesas operacionais, nos termos da Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 1°, (fonte primária das disposições regulamentares sobre o assunto), são dedutíveis quando necessários para a manutenção da atividade da empresa, bem como quando usuais ou normais com respeito ao tipo de operações que ela realiza. Daí que não é qualquer dispêndio que pode ser abatido da base de cálculo do imposto. À luz da ciência contábil, podese definir lucro como o resultado positivo obtido com o confronto entre receitas e despesas. Receita, por sua vez, é tudo que a empresa aufere com a venda de bens, produtos, mercadorias e serviços. Quanto a despesa ou custo, podese dizer que sua concepção é correlata ou dependente do conceito de receita. Despesa ou custo é todo ônus em que se incorre para conseguir receita. Tal conceito é taxativo e excludente. O dispêndio que não visa à obtenção de receita não constitui custo nem despesa, mas sim exercício, pela sociedade, da faculdade de dispor discricionariamente de seu patrimônio ou lucro. Em verdade, quando assume certos encargos que necessariamente não lhe propiciarão receita nem sequer em hipótese, a empresa está ou doando seus bens ou distribuindo de antemão os lucros ainda não apurados, em favor ora de terceiros, ora dos próprios sócios. Admitir o registro, como despesa ou custo, de gastos não vinculados à geração de receitas seria subverter a definição de lucro e dar vazão a toda sorte de distorções. A importância de não o deixar desfigurarse avulta quando se considera o aspecto tributário. O lucro é a base de cálculo do imposto de renda e se fosse outorgado aos contribuintes determinarlhe a composição decerto não resistiriam à tentação de lhe reduzir ao máximo as dimensões e assim diminuir o imposto devido. Um dos artifícios prováveis seria aceder em que qualquer pagamento fosse contabilizado como despesa. Se isso fosse lícito, uma vez que parte do lucro é tributo, e esse lucro seria distribuído aos sócios ou a terceiros dissimulado de pagamento de despesa, a pessoa jurídica acabaria dispondo de algo que não lhe pertence, mas ao Estado, e indiretamente a toda comunidade. É por isso que a Lei n° 4.506, de 1964, estabelece critérios e restrições de observância obrigatória para que um dispêndio qualquer possa ser abatido como despesa ou custo, nestes termos: Fl. 2615DF CARF MF Processo nº 16641.720051/201450 Acórdão n.º 1402002.878 S1C4T2 Fl. 2.605 23 Art. 47 São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Conseguintemente, incumbe ao contribuinte comprovar que aos valores deduzidos como custo ou despesa corresponderam gastos que concorreram de algum modo para o desempenho das atividades produtoras da empresa, assim como que tais gastos eram normais ou usuais no ramo de negócios em que atua. Em se tratando de prestação de serviço, esse dever de comprovação avulta, visto que, em geral, uma vez concluído o serviço, este fisicamente se esgota, sem deixar vestígios materiais. O artigo 299 do RIR 1999 repete exatamente essas mesmas regras. Assim, para permitir ao fisco averiguar se um determinado pagamento a título de remuneração de prestação de serviços atende os requisitos legais de dedutibilidade (sobretudo a necessidade, a utilidade e a usualidade do gasto), o contribuinte deve munir a contabilidade de documentos e elementos que comprovem a sua efetiva realização e qual a natureza dos serviços prestados. Para que sejam considerados hábeis, o mínimo que se requer é que os documentos discriminem minuciosamente os serviços prestados e que tenham sido emitidos de acordo com as prescrições legais, tanto as de ordem formal como as de ordem material. Mas a apresentação de documentos não basta. É preciso também que haja elementos materiais que comprovem, direta ou indiretamente, que o serviço foi efetivamente realizado, assim como que o realizador é a pessoa ou ente que figura como beneficiário do pagamento. Obviamente, esses elementos de comprovação variam de serviço para serviço, dependendo das características particulares de cada um. E, salientese mais uma vez, cumpre ao contribuinte produzir tais provas; é inadmissível que, ante a falta de documentos sólidos, transfira ao fisco o ônus de provar a falta de efetividade ou a desnecessidade dos serviços. Baseado no descrito acima, sinteticamente, o contribuinte terá que demonstrar o vínculo entre receita e despesa, e se esta era necessária e útil para obtenção daquela, e, igualmente, que constitui prática usual no ramo em que atua. E, quando se tratar da prestação de serviços, por seu caráter em muito imaterial, devese ter documentos comprobatórios tanto do pagamento realizado ao beneficiário, quanto da efetiva realização do serviço pela pessoa remunerada em função dele. Além do mais, dada a complexidade das atividades envolvidas na atuação da recorrente, é de se esperar que todas suas operações estejam devidamente documentadas. Fl. 2616DF CARF MF 24 Dentre as motivações para a glosa das despesas em relação à prestação de serviços atribuídos à Queiroz Galvão, IESA e UTC (todas as três com participação direta ou indireta no capital da recorrente), temos: falta de previsão contratual quando do início dos trabalhos em maio de 2005, só sendo ratificados em agosto de 2005, com pagamentos retroativos. No entender da autoridade fiscal isto demonstra que a relação entre a contratante e contratada foge aos padrões nas relações de mercado; a desproporção entre o preço pago, principalmente no que tange ao seu cálculo ser um percentual sobre o faturamento bruto, e a forma de execução dos serviços, prevendo consultoria até mesmo por via telefônica, em que a recorrente não esclareceu quando intimado; não houve a comprovação documental de nenhuma forma das formas de execução previstas em contrato, em que pese ter sido intimado e reintimado, e pedidos de prorrogação, sem nada apresentar de forma conclusiva; Isto posto, a autoridade fiscal acrescenta que tal situação aparenta uma distribuição de receitas aos detentores do capital social, sem contraprestação comprovada ou, no mínimo, uma liberalidade da contratante ao remunerar suas controladoras com altos valores, sem a devida proporcionalidade com o serviço que deveria ter realizado. A recorrente, o que já fizera na sua peça impugnatória, na sua peça recursal contesta tal posição da autoridade fiscal, arguindo que os serviços foram prestados e que lhe eram necessários, no que tange à construção das plataformas de petróleo P53 e P55. No seu recurso voluntário, a recorrente apresenta excertos com os objetos dos contratos firmados (quais já teria apresentado no transcorrer da fiscalização), para comprovar a efetiva prestação dos serviços de consultoria e assessoria das Queiroz Galvão, UTC e IESA. Igualmente, apresentou as respectivas notas fiscais, bem como emails trocados entre a recorrente a as empresas, dentre outros. Analisandose este acervo apresentado na sua peça recursal, que contem mais de duas mil folhas, para agregar ao já apresentado durante a fiscalização e sua peça impugnatória, vislumbrase, excluindose os elementos processuais devidos, os seguintes itens: itens dos documentos 3, 4 e 5 documentos pretensamente comprobatórios da prestação de serviço pela Queiroz Galvão, UTC e IESA, em que são basicamente emails que não se mostram relacionado a nenhuma atividade exercida relevante, contratos e propostas, apresentações, diagramas, fotos, manuais. item 6 documentos para demonstrar a tributação de receita de prestação de serviços, que no geral são fichas das DIPJs, cópias dos lançamentos contábeis. Em nenhum dos elementos acima há o liame esperado entre o que foi executado com o que deu substrato ao pagamento da nota fiscal respectiva. Elementos materiais que comprovem, diretamente ou indiretamente, que o serviço foi efetivamente realizado. Querer contrapor como justificativa de despesa os contratos e as notas fiscais, preenchidas de forma genéricas, é apenas atender as formalidades. Há, o que tudo indica, uma ausência do substrato material para sua existência, e respectivos pagamentos. Fl. 2617DF CARF MF Processo nº 16641.720051/201450 Acórdão n.º 1402002.878 S1C4T2 Fl. 2.606 25 Durante toda a fiscalização, a Autoridade Fiscal questionou os elementos que justificassem os pagamentos (e a formalidade de preenchimento das notas fiscais), mas o que a recorrente trouxe foram elementos similares aos apresentados agora, sem um liame direto entre ambos. Como observado bem destacado na decisão a quo: Realmente, como bem observado no relatório fiscal a folhas 23 a 37, cada um dos três contratos contém cláusulas que estipulam como os serviços deveriam ser prestados e por quais meios. O contrato com a UTC Engenharia S/A, em sua cláusula 1ª, § 1º, estabelece que os serviços serão executados pela contratada, por intermédio de seus profissionais c equipamentos, mediante a realização de reuniões e conferências telefônicas, a elaboração de pareceres técnicos, o exame e comentários acerca de relatórios, e o suporte à equipe de gestão da contratante em todos assuntos que vierem a julgar necessários, expressamente indicados pela contratante. Já aquele firmado com a Iesa Óleo e Gás S/A tem cláusula similar, que estabelece que os serviços serão executados pela contratada, por intermédio de seus profissionais e equipamentos, mediante a realização de reuniões e conferências telefônicas, a elaboração de pareceres técnicos, o exame e comentários acerca de relatórios, e o suporte à equipe de gestão da contratante em todos assuntos que vierem a julgar necessários, expressamente indicados pela contratante. Similarmente, o contrato com a Construtora Queiroz Galvão S/A dispõe que os serviços serão executados pela contratada, por intermédio de seus profissionais e equipamentos, mediante a realização de reuniões e conferências telefônicas, a elaboração de pareceres técnicos, o exame e comentários acerca de relatórios, e o suporte à equipe de gestão da contratante em todos assuntos que vierem a julgar necessários, expressamente indicados pela contratante. As cláusulas transcritas acima demonstram que, se executados nos termos contratados, os serviços deixariam vestígios materiais e documentais, pois sistematicamente se fala em projetos, pareceres, relatórios, comentários. No entanto, apesar de a autuada ter sido intimada pela fiscalização a apresentar comprovantes dessa natureza, repetidas vezes, e mesmo depois de terem sido concedidas as prorrogações de prazo por ela solicitadas, nada foi apresentado. Tampouco por ocasião da impugnação do lançamento fiscal. E tampouco no seu recurso voluntário. Igualmente há que se observar os termos dos contratos entre a recorrente e a UTC, Iesa e Queiroz Galvão, como salientou no relatório fiscal a Autoridade Fiscal, a forma pouco objetiva na descrição da realização do trabalho, transcrevendo os objetos dos três. Durante a fiscalização, a recorrente apresentou contratos firmados que tinha com outras empresas (efls. 127 a 178), e estes estão bem precisos quanto aos serviços a serem executados. Ou seja, os contratos com as três empresas focos da glosa, estão vagos e imprecisos nas atividades a serem executadas. Claro que o fato de terem participação direta ou indireta no capital da recorrente desequilibrou a situação, e gerou suspeitos das reais intenções contratadas. E o que chama atenção é estes contratos da UTC, Iesa e Queiroz Galvão terem a sua remuneração determinado por um percentual que incide sobre o faturamento bruto obtido pela recorrente em virtude dela ter assumido a construção das plataformas P53 e P55. Esses percentuais variam de empresa para empresa, não guardando relação com eventuais custos ou serviços a serem prestados. Fl. 2618DF CARF MF 26 Como destaca o v.acórdão recorrido: É significativo ainda que o menor deles é conferido também àquela entre as três que detém a menor participação no capital. E ainda mais surpreendente é que a data acertada para os pagamentos das parcelas dos preços não é vinculada à mensuração do progresso no nível de execução dos serviços contratados, como costumeiramente ocorre nesse tipo de contrato. Em seu lugar, o pagamento devese fazer às três contratadas em até 48 horas depois de a Quip receber as parcelas que lhe são devidas em razão da construção das plataformas P53 e P55. Ou seja, os contratos teriam a intenção meramente de legitimar o repasse de recursos da recorrente para a UTC, Iesa e Queiroz Galvão, e não o pagamento de serviços eventualmente prestados. Igualmente, os três contratos estabelecem que eventuais custos que as contratadas tiverem com a execução dos serviços deverão ser ressarcidos pela recorrente. Ou seja, o percentual pago seria uma remuneração líquida, garantida à UTC, Iesa e Queiroz Galvão. Como já realizado na decisão recorrida, a qual transcrevo, para melhor esclarecimento, um resumo das cláusulas dos três contratos que são o cerne do presente litígio: Contrato entre Quip e UTC Engenharia S/A (fls. 105 / 116) Cláusula 1ª: o serviço é descrito como prestação de serviços de consultoria e assessoria técnica, na área de engenharia de rigging, suprimentos, logística de construção em empreendimento offshore, gestão de materiais e equipamentos e correlatos, sempre em seu ramo de atividade. O parágrafo 1º estabelece que os serviços serão executados pela contratada, por intermédio de seus profissionais c equipamentos, mediante (i) a realização de reuniões e conferências telefônicas, (ii) a elaboração de pareceres técnicos, (iii) o exame e comentários acerca de relatórios, e (iv) o suporte à equipe de gestão da contratante em todos assuntos que vierem a julgar necessários, expressamente indicados pela contratante. Cláusula 5ª fixa a remuneração: 1,925% do faturamento bruto da Quip, definido como o valor recebido da Charter Development LLC – CDC, a título de execução do contrato de construção e montagem do FPU (Floating Production Unit) P53, calculado a partir de maio de 2005. O parágrafo 2º estabelece que o preço relativo aos serviços prestados a partir de agosto de 2005 será pago mensalmente, no prazo de 48 horas contados do recebimento, pela Quip, dos valores mencionados no caput dessa cláusula, mediante a emissão das respectivas notas fiscais pela contratada. O parágrafo 6º estabelece que todas as despesas incorridas pela contratada para a execução dos serviços contratados, desde que previamente aprovadas pela contratante, serão reembolsadas por esta dentro de cinco das, contados da apresentação dos respectivos comprovantes. Contrato entre Quip e IESA Óleo e Gás S/A (fls. 117/126) Cláusula 1ª: serviço é descrito como prestação de serviços de consultoria e assessoria técnica na elaboração do projeto de engenharia da Plataforma P53. O parágrafo 1º estabelece que os serviços serão executados pela contratada, por intermédio de seus profissionais e equipamentos, mediante (i) a realização de reuniões e conferências telefônicas, (ii) a elaboração de pareceres técnicos, (iii) o exame c comentários acerca de relatórios, e. (iv) o suporte à equipe de gestão da Fl. 2619DF CARF MF Processo nº 16641.720051/201450 Acórdão n.º 1402002.878 S1C4T2 Fl. 2.607 27 contratante em todos assuntos que vierem a julgar necessários, expressamente indicados pela contratante. Cláusula 5ª fixa a remuneração: 0,825% do faturamento bruto da Quip, definido como o valor recebido da Charter Development CDLLC, em função das medições mensais do contrato para construção da plataforma P53. O parágrafo 2º estabelece que o preço relativo aos serviços prestados a partir de agosto de 2005 será pago mensalmente, no prazo de 48 horas contados do recebimento, pela Quip, dos valores mencionados no caput dessa cláusula, mediante a emissão das respectivas notas fiscais pela contratada. O parágrafo 5º estabelece que todas as despesas incorridas pela contratada para a execução dos serviços contratados, desde que previamente aprovadas pela contratante, serão reembolsadas por esta dentro de cinco das, contados da apresentação dos respectivos comprovantes. Contrato entre Quip e Construtora Queiroz Galvão S/A (fls. 127/138) Cláusula 1ª: serviço é descrito como prestação de serviços de consultoria e assessoria técnica, administrativa, econômica e financeira, para implantação, organização, aperfeiçoamento e freqüente acompanhamento da estrutura empresarial da contratante em seu ramo de atividade. O parágrafo 1º estabelece que a contratação consiste, especialmente, na prestação de serviços nos âmbitos de controle financeiro, de recursos humanos, de controladoria, de tecnologia e informação, e de gestão de materiais e equipamentos. O parágrafo 2º estabelece que os serviços serão executados pela contratada, por intermédio de seus profissionais e equipamentos, mediante (i) a realização de reuniões e conferências telefônicas, (ii) a elaboração de pareceres técnicos, (iii) o exame c comentários acerca de relatórios, e. (iv) o suporte à equipe de gestão da contratante em todos assuntos que vierem a julgar necessários, expressamente indicados pela contratante. Cláusula 5ª fixa a remuneração: 2,75% do faturamento bruto da Quip, definido como o valor recebido da Charter Development LLC – CDC, a título de execução do contrato de construção e montagem do FPU (Floating Production Unit) P53, calculado a partir de maio de 2005. O parágrafo 2º estabelece que o preço relativo aos serviços prestados a partir de agosto de 2005 será pago mensalmente, no prazo de 48 horas contados do recebimento, pela Quip, dos valores mencionados no caput dessa cláusula, mediante a emissão das respectivas notas fiscais pela contratada. O parágrafo 7º estabelece que todas as despesas incorridas pela contratada para a execução dos serviços contratados, desde que previamente aprovadas pela contratante, serão reembolsadas por esta dentro de cinco das, contados da apresentação dos respectivos comprovantes. Ou seja, dado o todo posto acima, não há dúvidas que os pagamentos à UTC, Iesa e Queiroz Galvão não atendem à subsunção do art. 299 do RIR/99, por não serem despesas usuais, nem normais e nem necessárias à atividade da recorrente, e nem foram comprovados, apesar dos vários documentos apresentados quando da apresentação do seu recurso voluntário. Por conseguinte, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário no tocante à comprovação da prestação de serviços, acima explicitado, sendo válido tanto para as autuações de IRPJ e CSLL constantes do presente processo. a imposição da multa isolada de 50% em razão da falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, impostas concomitantes com a multa de ofício; Fl. 2620DF CARF MF 28 A respeito de uma possível concomitância dos lançamentos de multas isoladas com a multa de ofício presente nos autos de infração, de minha parte sempre perfilei com os que entendem estarse diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, ou seja, da leitura artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com suas alterações, inferese que, uma vez constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada. Se, além disso, tiver ocorrido falta de recolhimento do imposto devido com base no lucro real anual, o lançamento abrangerá também o valor do imposto, acompanhado de multa de ofício e juros, pois a determinação legal de imposição de tal penalidade, quando aplicada isoladamente, prescinde da apuração de lucro ou prejuízo no final do período anual, inexistindo, portanto, a cumulação de penalidades para uma mesma conduta, como argúem os contribuintes. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, nada há a barrar a imposição concomitante da multa isolada com a multa de ofício devida pela apuração e recolhimento a menor do imposto e contribuição devidos na apuração anual. Posição plenamente avalizada a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (destaquei) Registrese, essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa; simplesmente tornou mais clara a intenção do legislador. Por pertinentes, faço minha as palavras do ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES deste CARF que, de forma precisa, analisou o tema no Acórdão nº 10323.370, Sessão de 24/01/2008: “Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Fl. 2621DF CARF MF Processo nº 16641.720051/201450 Acórdão n.º 1402002.878 S1C4T2 Fl. 2.608 29 Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte”. Aduzase ainda, mesmo abstraindo questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, que a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no Fl. 2622DF CARF MF 30 recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo, de modo que, sob esta ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou norma abstrata plenamente vigente no mundo jurídico a caso concreto que se estampou. Salientese, por fim, ser inaplicável no caso a Súmula nº 105 do CARF, posto que ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas integralmente as multas isoladas impostas e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. a imposição da multa regulamentar de 50% sobre o crédito não homologado da DCOMP apresentada; Defende a recorrente que a penalidade da multa isolada de 50% não deve incidir, pois haveria concomitância com a multa de 75% aplicada sobre o valor adicionado à apuração das base de cálculo do IRPJ e CSLL. Contudo, divirjo. Nos termos da Lei n 9.430, de 1996, em seu artigo 74, § 17, dispõese que: § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.(Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) Aplicando a norma supra, autoridade fiscal exige do sujeito passivo a multa de 50% sobre o valor do débito de compensação que deixou de ser homologada em virtude das infrações apuradas no âmbito da mesma ação fiscal de que resultou o presente lançamento de IRPJ e de CSLL. A autuada havia indicado como crédito na compensação em questão saldo negativo apurado quanto ao anocalendário de 2009. No entanto, em virtude das glosas de custos e despesas efetuadas pela fiscalização e da conseqüente alteração no resultado tributável do exercício, em vez de saldo negativo, a autuada passou a ter imposto a pagar naquele período. A recorrente entende que o parágrafo 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, só seria aplicável apenas nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Contudo, a interpretação defendida pela recorrente não encontra respaldo no texto legal, o qual, conforme se vê na citação supra, é taxativo e exclui do seu campo de incidência apenas a declaração de compensação na qual se tiver observado falsidade. Ao excluir a declaração não homologada em virtude de falsidade (uma das espécies de fraude ou irregularidade dolosa), o legislador decidiu não deixar impune tal hipótese, mas aplicar sobre ela uma sanção mais onerosa. Com efeito, sendo comprovada falsidade, a multa elevase a 150% do valor do débito, conforme a legislação consolidada na Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, artigo 46, § 6º, inciso II. Fl. 2623DF CARF MF Processo nº 16641.720051/201450 Acórdão n.º 1402002.878 S1C4T2 Fl. 2.609 31 Não se impõe o argumento da recorrente de que não teria havido intenção, por sua parte, de efetuar a compensação com créditos inexistentes, visto que somente com a glosa fiscal e com a lavratura do auto de infração de IRPJ é que o saldo negativo deixou de existir. Como bem destacou a v. decisão recorrida: Todavia, o argumento da impugnante é infundado, visto que o lançamento fiscal não tem efeitos constitutivos no que concerne à apuração do efetivo saldo negativo da autuada. Entre outros fatores determinantes, o saldo negativo decorre de a autuada apurar corretamente, de acordo com as leis tributárias e em função dos eventos concretos comprovados por documentação comprobatória hábil, o valor da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Evidentemente, um dos fatores que repercutem nessa apuração é a dedução de custos e despesas. A dedutibilidade de despesas e custos é regulada pela lei e independe de que a autoridade fiscal determine de antemão quais desembolsos são ou não computáveis como despesas ou custos. Da combinação do texto legal com os eventos e circunstâncias efetivamente ocorridas é que se determina a dedutibilidade de certo dispêndio. Assim, já no momento em que se encerra o período de apuração do tributo está definido legal e veridicamente o montante de tributo que o contribuinte deverá ainda recolher ao Erário, ou, na hipótese de ter efetuado pagamento antecipado de quantia superior ao que era devido, o montante que poderá reivindicar como crédito contra a Fazenda Pública, isto é, o montante de eventual saldo negativo. Tratase, pois, de uma situação de fato consolidada neste momento. Se o contribuinte não apura corretamente o saldo negativo e indevidamente aproveita eventual excesso para efetuar declaração de compensação, tal compensação é passível de não homologação. Se uma ação fiscal posteriormente verifica que houve apuração incorreta do crédito, que se revela menor ou inexistente, o lançamento fiscal daí resultante não constituiu essa situação que de fato já existia. Ou seja, o motivo da não homologação não é o lançamento tributário em si, mas o fato de o contribuinte ter apurado indevida e incorretamente o seu crédito. O lançamento reconhece uma situação préexistente e exige o crédito tributário daí decorrente. Seus efeitos constitutivos resumemse ao lançamento do crédito tributário, mas não às situações de fato nem às circunstâncias materiais em que se fundamenta. Isto posto, não se sustenta a tese da recorrente, segundo a qual, mesmo que se mantenham as glosas fiscais, não caberia aplicar a multa regulamentar em virtude de a não homologação da compensação ter sido motivada por ação fiscal de que resultou lançamento tributário. Fl. 2624DF CARF MF 32 Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas integralmente a multa regulamentar imposta e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal para tanto. O presente tema da incidência de juros sobre a multa de ofício, que não deveria prosperar por falta de previsão legal não é novo no CARF. Ocorre que uma análise mais sistemática do CTN, percebese que os juros são devidos sobre o valor da multa, uma vez que o crédito tributário engloba tanto o tributo quanto a multa. Como dispõe o art. 161 do CTN: Art. 161. O credito não integralmente pago no vencimento e acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados a taxa de um por cento ao mês. O art. 113, § 1o do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, donde se observa que o critério utilizado pelo Código Tributário Nacional para distinguir obrigação acessória de obrigação principal e o conteúdo pecuniário. A obrigação acessória consiste em um fazer ou não fazer, enquanto que a obrigação principal implica em obrigação de dar dinheiro. Neste passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto é que incontestável o seu conteúdo pecuniário. O conceito de credito tributário esta esculpido no art. 139 do CTN, nos seguintes termos: o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Desta forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão senão a de que o credito tributário engloba o tributo e a multa. Logo, tanto sobre o tributo (principal) quanto sobre a multa devem incidir juros, como determina o § 1o do art. 161 do Código Tributário Nacional. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas os juros sobre a multa de ofício imposta e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. Conclusão Diante de todo exposto, NEGO PROVIMENTO integral ao recurso voluntário da recorrente Fl. 2625DF CARF MF Processo nº 16641.720051/201450 Acórdão n.º 1402002.878 S1C4T2 Fl. 2.610 33 (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator Fl. 2626DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.905361/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.065
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 61 /2 01 2- 11 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10283.905361/201211 Acórdão n.º 3402005.065 S3C4T2 Fl. 0 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de Contribuição para COFINS. O Despacho Decisório denegatório do direito pleiteado inicialmente, fundamentou a não homologação da compensação sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, na qual alega em síntese que: • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo do previsto no inciso III dos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, para compensar com as Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10283.905361/201211 Acórdão n.º 3402005.065 S3C4T2 Fl. 0 3 contribuições vencidas no período, conforme DACONs retificadoras; “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. (...) • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo. Sobreveio então o Acórdão 08033.078, da DRJ/FOR, negando provimento à manifestação de inconformidade, por entender que "a eficácia da retificação da DCTF, quando apresentada após a ciência do Despacho Decisório, depende de comprovação, a cargo do contribuinte, do erro em que se funda, mediante escrituração e documentos", comprovação esta que não restou satisfeita. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário com relação ao mérito da questão, bem como alegando que a decisão recorrida não analisou a documentação apresentada no seu entender, suficiente para garantir o crédito pleiteado , deixando prevalecer erro material nas declarações inicialmente prestadas pela Contribuinte, mas depois devidamente sanadas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402005.034, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10283.904567/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.034: "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10283.905361/201211 Acórdão n.º 3402005.065 S3C4T2 Fl. 0 4 pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos e créditos que teria direito pela sistemática da não cumulatividade da contribuição social (incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967 e 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10283.905361/201211 Acórdão n.º 3402005.065 S3C4T2 Fl. 0 5 com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10283.905361/201211 Acórdão n.º 3402005.065 S3C4T2 Fl. 0 6 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na for ma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10283.905361/201211 Acórdão n.º 3402005.065 S3C4T2 Fl. 0 7 Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10283.905361/201211 Acórdão n.º 3402005.065 S3C4T2 Fl. 0 8 certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Somente insistiu que as declarações retificadoras seriam suficientes para tanto, mesmo após a decisão da DRJ ter expressamente colocado quais documentos seriam necessários para a efetividade da prova do crédito. Sobre esse ponto, saliento que este Colegiado vem admitindo provas apresentadas em sede de recurso voluntário, haja vista o princípio da verdade material e da informalidade moderada que reinam na esfera do processo administrativo. Todavia, nem em sede recursal a Recorrente se desincumbiu do ônus da prova. Dessarte, não tendo sido comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007766/2002-76
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende deslocar o temo inicial da contagem da homologação tácita da compensação para o dia da ocorrência do fato gerador que está relacionado à formação do alegado indébito (aplicando a regra do art. 150, §4º, do CTN) torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pelo contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito creditório são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal.
Numero da decisão: 9101-003.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Arau´jo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Po^ssas Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luis Flávio Neto Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Po^ssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende deslocar o temo inicial da contagem da homologação tácita da compensação para o dia da ocorrência do fato gerador que está relacionado à formação do alegado indébito (aplicando a regra do art. 150, §4º, do CTN) torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pelo contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito creditório são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal.
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PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende deslocar o temo inicial da contagem da homologação tácita da compensação para o dia da ocorrência do fato gerador que está relacionado à formação do alegado indébito (aplicando a regra do art. 150, §4º, do CTN) torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pelo contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito creditório são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 77 66 /2 00 2- 76 Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10830.007766/200276 Acórdão n.º 9101003.305 CSRFT1 Fl. 1.765 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luis Flávio Neto – Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de recurso especial interposto por KARCHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), em face do acórdão n. 110300.262 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 3a Turma Ordinária, 1a Câmara, desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O acórdão apresenta a seguinte síntese dos fatos relevantes ao caso (efls. 347 e seg.): “Tratase de pedido de restituição (fls. 01) protocolizado em 14/08/2002, solicitando o saldo credor de IRPJ apurado no anocalendário de 2001, cujo indébito foi retificado, em 10/11/2005, de R$ 204.238,10 para R$ 226.401,79, tendo em vista a alteracõ̧es introduzidas pela DIPJ/2002 retifícadora entregue em 01/11/2005. Vinculados à repetição de indébito, foram apresentados os pedido de compensacã̧o de fls. 05 e 29 e a Declaraca̧õ de Compensação de fl. 91/92. O pedido de restituição foi parcialmente deferido. Em suma, foi reduzida a dedução efetuada a título de estimativas de R$ 407.800,80 para R$ 391.391,85. Tal fato ocorreu porque o saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2000 apurado pelo Servico̧ de Orientação e Análise Tributária SEORT, R$ 139.755,49, foi considerado insuficiente para compensar as antecipacõ̧es mensais devidas nos meses de maio (R$ 82.134,85), junho (R$ 74.256,11) e parte do valor apurado em novembro de 2001 (R$ 10.468,92), conforme informado pela requerente à fl. 04. Contra o despacho decisório, cuja ciência foi dada em 18/12/2006, a contribuinte interpôs, em 15/01/2007, manifestaçaõ de inconformidade de fls. 237/242, alegando, em síntese, que: Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10830.007766/200276 Acórdão n.º 9101003.305 CSRFT1 Fl. 1.766 3 (i) O valor do crédito não homologado decorre de retenções na fonte ocorridas no ano calendário de 1999 sobre aplicações financeiras, as quais não foram lanca̧das na DIPJ do anocalendário de 1999; (ii) Quando percebido o equívoco pela manifestante, as referidas retenções foram lançadas no ano de 2000, entretanto tais valores foram desconsiderados pela Administração, diminuindo o saldo credor do período e o saldo negativo de IRPJ também do anocalendário 2001; (iii) A conseqüência foi a diferença de compensação não homologada pelo fisco; (iv) De acordo com a Solução de Consulta Interna n.° 18, de 13/10/2006, a orientação da Receita é no sentido de não alterar o valor do saldo credor declarado, mas de inscrever em Dívida Ativa o valor compensado a maior; (v) Além disso, não havendo sido questionado o valor das retenções de IRRF informados na DIPJ/2001, decaído está o direito do fisco alterar no mês de dezembro de 2006, o saldo negativo apurado pela empresa. No caso, devese aplicar o prazo definido no §4° do CTN, qual seja, 05 anos contados do momento do fato gerador, razão pela qual não merece prosperar a glosa efetivada por intermédio do despacho decisório.” A decisão recorrida restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: POSSIBILIDADE DE FISCALIZAÇÃO DE ALCANÇADOS PELA DECADÊNCIA. CONSEQÜÊNCIAS TRIBUTÁRIAS SOBRE PERÍODOS POSTERIORES EM CASO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O decurso do prazo previsto no art. 150, § 4, do CTN fulmina a possibilidade de constituição do crédito tributário mediante o competente lançamento de ofício, impedindo, portanto, o Fisco de exigir tributo relativo aos períodos de apuraçaõ alcançados pela decadência. No entanto, não impede o exame de tais períodos para fins de verificaçaõ da projecã̧o para o futuro dos efeitos tributários de eventuais erros de apuraçaõ cometidos pelo contribuinte, porventura identificados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO PELO CONTRIBUINTE. A compensação pretendida pelo contribuinte pressupõe a prova do seu alegado crédito contra o Fisco. O contribuinte interpôs recurso especial indicando acórdãos paradigmas de divergência jurisprudencial e arguindo que, com a incidência do art. 150, par. 4o, do CTN, ao caso concreto, conduziria à decadência (efls. 357 e seg.). Em síntese, argumenta o contribuinte que: “Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o qual traduzse na antecipação do pagamento pelo sujeito passivo para posterior manifestação da Fazenda Pública, a decadência operase quando decorridos cinco anos após a ocorrência do fato imponível do tributo, por expressa determinação legal. Por óbvio, o aludido prazo aplicase à revisão de ofício do procedimento adotado pelo contribuinte e informação à Administração Pública, não há como se admitir um prazo eterno para revisão e glosa de compensação. Não poderia a fiscalização alterado o prejuízo fiscal purado pela Recorrente no ano calendário de 2000 e, consequentemente, transferido para 2001, eis que já abrangido pela decadência.” (sic) Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10830.007766/200276 Acórdão n.º 9101003.305 CSRFT1 Fl. 1.767 4 O despacho de admissibilidade deu integral seguimento ao recurso especial interposto (efls. 394 e seg.). A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial do contribuinte (efls. 399 e seg.), pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. A PFN não se opôs ao conhecimento do recurso especial. Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto, razão pela qual não merece reparo, adotandose neste voto os seus fundamentos. Quanto ao mérito, vale observar os fundamentos adotados pelo acórdão recorrido, in verbis (efls. 351 e seg.): “A turma recorrida considerou válida a redução do saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2000, rejeitando a alegacã̧o de decadência. Penso da mesma forma. O decurso do prazo previsto no art. 150, § 4 , do CTN fulmina a possibilidade de constituicã̧o do crédito tributário mediante o competente lançamento de ofício, impedindo, portanto, o Fisco de exigir tributo relativo aos períodos de apuração alcançados pela decadência. No entanto, não impede o exame de tais períodos para fins de verificação da projeção para o futuro dos efeitos tributários de eventuais erros de apuraçaõ porventura identificados, constituindo o respectivo crédito tributário referente a períodos não decaídos. No caso concreto, que não abrange lançamento tributário, é ainda mais evidente o alcance dessa interpretação, tendo em vista a conseqüência direta na formação do crédito pleiteado, de saldo devedor de IRPJ, com as parcelas de imposto de renda retido na fonte (IRRF) incorretamente consideradas pela contribuinte. Rejeito, portanto, a alegação da recorrente.” Após refletir detidamente sobre a questão e revendo julgados anteriores deste Tribunal, passei a compreender que assiste razão ao contribuinte em casos como esse. A questão envolve o tema da decadência. Na clara lição de Paulo de Barros Carvalho, “a decadência ou caducidade é tida como o fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu nãoexercício durante certo lapso de tempo”. O valor prestigiado pelas normas de decadência é a segurança jurídica. Realizado um determinado ato pelo contribuinte, o Direito positivo prescreve um lapso temporal para a atuação da administração fiscal. Transcorrido in albis o prazo decadencial previsto em lei complementar (Constituição, art. 146; Sumula Vinculante STF n. 8), tornase definitivo o status decorrente daquele ato praticado pelo contribuinte. É pressuposto da norma de decadência a existência de marcos iniciais e finais claramente definidos pelo legislador competente. Em face da escolha pela segurança jurídica, a consequência jurídica da inércia da administração fiscal até o instante definido como termo Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10830.007766/200276 Acórdão n.º 9101003.305 CSRFT1 Fl. 1.768 5 final é a extinção da competência da administração para questionar os respectivos fatos jurídicotributários. No caso sob julgamento, o contribuinte teria apurado, em sua DIPJ/2001, atinente ao ano calendário 2000, o recolhimento de IRRF, os quais não foram objeto de pedido de restituição homologado apenas parcialmente pelo despacho decisório cientificado em 26/12/2006. Aplicandose a regra do art. 150 do CTN, o prazo decadencial teria início em 31/12/2000, findandose, portanto, em 31/12/2005. Em 26/12/2006, tais compensações foram apenas parcialmente homologada e os créditos em questão já possuíam a nota da definitividade, gozando o contribuinte de segurança jurídica plena quanto à sua imutabilidade de sua situação. Os pedidos de compensação/restituição apresentados pelo contribuinte não interferiram na fruição do direito da administração fiscal para fiscalizar e glosar, por meio de competente lançamento de ofício, os referidos saldos negativos (CTN, art. 142 e 150). Não se trata de causa de suspensão ou interrupção da contagem do prazo decadencial. Se a revisão do saldo negativo não poderia mais ser realizada por via do formal procedimento de lançamento tributário, em razão de indubutável decadência, da mesma forma não pode essa revisão ser realizada mediante simples glosa em procedimento de compensação fiscal. Não se pode deixar de considerar a preocupação suscitada no Colegiado de que tal entendimento poderia vir a favorecer atos fraudulentos, de contribuintes maliciosos que poderiam requerer compensações indevidas. No entanto, compreendo que não se pode analisar o caso da recorrente sob a perspectiva de patologias que não lhe dizem respeito. Não há nos autos nenhuma evidência de atos máfé do contribuinte. Além disso, também considero determinante a inexistência de qualquer enunciado positivado pelo legislador competente capaz de resguardar um prazo indefinido para que a administração fiscal se oponha aos atos do contribuinte, na hipótese deste pleitear a restituição ou compensação de tributos. Na verdade, por ter raízes profundas no princípio da segurança jurídica, a norma de decadência prescrita pelo legislador brasileiro não dá lugar a deslocamentos ou mesmo desconsideração de prazos finais, o que tornaria permanentemente indefinidas as relações jurídicas. Por todo o exposto, voto para CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10830.007766/200276 Acórdão n.º 9101003.305 CSRFT1 Fl. 1.769 6 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto ao entendimento de que o Fisco não poderia mais indeferir as compensações pleiteadas pelo contribuinte, por motivo de decadência. É oportuno transcrever os fundamentos do voto que orientou o acórdão recorrido, na parte em que ele trata da matéria objeto do presente recurso especial: Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, Relator. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. A turma recorrida considerou válida a redução do saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2000, rejeitando a alegação de decadência. Penso da mesma forma. O decurso do prazo previsto no art. 150, § 4º , do CTN fulmina a possibilidade de constituição do crédito tributário mediante o competente lançamento de ofício, impedindo, portanto, o Fisco de exigir tributo relativo aos períodos de apuração alcançados pela decadência. No entanto, não impede o exame de tais períodos para fins de verificação da projeção para o futuro dos efeitos tributários de eventuais erros de apuração porventura identificados, constituindo o respectivo crédito tributário referente a períodos não decaídos. No caso concreto, que não abrange lançamento tributário, é ainda mais evidente o alcance dessa interpretação, tendo em vista a conseqüência direta na formação do crédito pleiteado, de saldo devedor de IRPJ, com as parcelas de imposto de renda retido na fonte (IRRF) incorretamente consideradas pela contribuinte. Rejeito, portanto, a alegação da recorrente. No mérito, .... [...] Pelo exposto, nego provimento ao recurso. O relator do presente recurso especial, para fins de reconhecer a decadência, faz a seguinte afirmação no final de seu voto: "também considero determinante a inexistência de qualquer enunciado positivado pelo legislador competente capaz de resguardar um prazo indefinido para que a administração fiscal se oponha aos atos do contribuinte, na hipótese deste pleitear a restituição ou compensação de tributos." Realmente, não há nenhum enunciado legal que garanta um prazo indefinido à administração fiscal para o exame das compensações tributárias. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10830.007766/200276 Acórdão n.º 9101003.305 CSRFT1 Fl. 1.770 7 Ao contrário, há um prazo legal para que isso seja feito, e esse prazo está previsto especificamente no art. 74, §5º, da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. É esse prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" que é dado à Receita Federal para que ela verifique a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende deslocar o temo inicial da contagem da homologação tácita da compensação para o dia da ocorrência do fato gerador que está relacionado à formação do alegado indébito (aplicando a regra do art. 150, §4º, do CTN) torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. O pedido de compensação mais antigo foi apresentado em 14/08/2002, e o despacho decisório que negou uma parte das compensações foi cientificado ao contribuinte em 18/12/2006, antes portanto que findasse o prazo para que a Receita Federal examinasse as compensações pleiteadas pelo contribuinte. No caso sob exame, não houve lançamento de tributo. O que ocorreu foi a verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pelo contribuinte, e a negativa parcial das compensações por ele pretendidas, uma vez que o direito creditório não foi totalmente reconhecido. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento do alegado direito creditório são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10830.007766/200276 Acórdão n.º 9101003.305 CSRFT1 Fl. 1.771 8 Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 413DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.721737/2014-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009, 2010
RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. NÃO COMPOSIÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
Os juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira e variações cambiais são consideradas receitas financeiras. O artigo 1º, caput, do Decreto nº 5.442, de 2005, reduziu à alíquota a zero das receitas financeiras da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Por tal motivação, em razão do artigo 1º, § 3º, inciso I, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, tais receitas não compõe a base de cálculo das contribuições em apreço.
RECEITAS DE INVESTIMENTO. NÃO COMPOSIÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
Em função do artigo 1º, § 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003, as receitas não-operacionais, decorrentes da venda de ativo permanente, não integram a base de cálculo.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009, 2010
RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. NÃO COMPOSIÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
Os juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira e variações cambiais são consideradas receitas financeiras. O artigo 1º, caput, do Decreto nº 5.442, de 2005, reduziu à alíquota a zero das receitas financeiras da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Por tal motivação, em razão do artigo 1º, § 3º, inciso I, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, tais receitas não compõe a base de cálculo das contribuições em apreço.
RECEITAS DE INVESTIMENTO. NÃO COMPOSIÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
Em função do artigo 1º, § 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003, as receitas não-operacionais, decorrentes da venda de ativo permanente, não integram a base de cálculo.
Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3302-005.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2009, 2010 RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. NÃO COMPOSIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Os juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira e variações cambiais são consideradas receitas financeiras. O artigo 1º, caput, do Decreto nº 5.442, de 2005, reduziu à alíquota a zero das receitas financeiras da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Por tal motivação, em razão do artigo 1º, § 3º, inciso I, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, tais receitas não compõe a base de cálculo das contribuições em apreço. RECEITAS DE INVESTIMENTO. NÃO COMPOSIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Em função do artigo 1º, § 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003, as receitas não-operacionais, decorrentes da venda de ativo permanente, não integram a base de cálculo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2009, 2010 RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. NÃO COMPOSIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Os juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira e variações cambiais são consideradas receitas financeiras. O artigo 1º, caput, do Decreto nº 5.442, de 2005, reduziu à alíquota a zero das receitas financeiras da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Por tal motivação, em razão do artigo 1º, § 3º, inciso I, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, tais receitas não compõe a base de cálculo das contribuições em apreço. RECEITAS DE INVESTIMENTO. NÃO COMPOSIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Em função do artigo 1º, § 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003, as receitas não-operacionais, decorrentes da venda de ativo permanente, não integram a base de cálculo. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado.
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ALÍQUOTA ZERO. NÃO COMPOSIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Os juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira e variações cambiais são consideradas receitas financeiras. O artigo 1º, caput, do Decreto nº 5.442, de 2005, reduziu à alíquota a zero das receitas financeiras da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Por tal motivação, em razão do artigo 1º, § 3º, inciso I, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, tais receitas não compõe a base de cálculo das contribuições em apreço. RECEITAS DE INVESTIMENTO. NÃO COMPOSIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Em função do artigo 1º, § 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003, as receitas nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente, não integram a base de cálculo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010 RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. NÃO COMPOSIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. Os juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira e variações cambiais são consideradas receitas financeiras. O artigo 1º, caput, do Decreto nº 5.442, de 2005, reduziu à alíquota a zero das receitas financeiras da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Por tal motivação, em razão do artigo 1º, § 3º, inciso I, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, tais receitas não compõe a base de cálculo das contribuições em apreço. RECEITAS DE INVESTIMENTO. NÃO COMPOSIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 17 37 /2 01 4- 12 Fl. 12203DF CARF MF 2 Em função do artigo 1º, § 3º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003, as receitas nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente, não integram a base de cálculo. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e, por bem transcrever os fatos, adotase o relatório da DRJ/Rio de Janeiro I, fls. 12174 e seguintes1: Tratase de processo composto de dois autos de infração lavrados para constituir créditos de PIS e Cofins, multas (150%) e juros, no valor total de R$ 47.161.525,78 (AI de Cofins) e de R$10.238.940,96 (AI de PIS), por decorrência de "falta/insuficiência de recolhimento" das respectivas contribuições, no período de 2008/2011, tudo conforme fls. 3905 e seguintes. A Autoridade Fiscal argumentou (fl. 3920 e ss) que: 1. a Autuação (MPF 0320100201200291) advém de procedimento que incide, inclusive, em mesmas competências e fatos geradores do PIS e COFINS (Não Cumulativos/NC) de Diligência (MPF 032010201200322) sobre os infra PEDIDOS DE RESSARCIMENTO, que fundarseiam na Portaria MF 348/10 e em créditos ao amparo da exportação de bens de fabricação própria; 2. ao demonstrar em DACON sua apuração das Contribuições, o Sujeito Passivo, de modo indevido escudouse também nas exportações em drawback para justificar o levantamento de créditos sobre insumos (bens e serviços) vinculados a tais vendas ao amparo desse Regime Aduaneiro Especial; 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 12204DF CARF MF Processo nº 10320.721737/201412 Acórdão n.º 3302005.095 S3C3T2 Fl. 3 3 3. para o quadriênio 2008/11, o DACON registra R$ 240.817.321,43 de exportações em face das quais o Contribuinte fez apurar créditos sobre insumos (bens e serviços) que lhes seriam vinculados, mas, considerados seus Atos Concessórios de Drawback e dados do SISCOMEX, o que se verifica são: (i) exportações de R$ 73.026.494,00 que autorizam o Contribuinte a créditos sobre insumos (bens e serviços); (ii) exportações em drawback de R$ 143.221.274,84 e que não concedem direito a créditos de insumos (bens e serviços); (iii) totalizando vendas ao exterior de R$ 216.247.768,84; 4. portanto, o Contribuinte fundouse em um excesso de exportações da ordem de R$ 167.790.827,43 como justificativa para apuração de créditos sobre bens e serviços aplicados na fabricação de produtos exportados, quando o valor efetivamente em tal condição é apenas R$ 73.026.494,00; 5. o Sujeito Passivo não apurou as contribuições sobre todas as Receitas auferidas nos termos do Artigo 1º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, de fato, para o quadriênio 2008/11, o DACON refere R$ 300.205.902,21 à conta de Receitas Tributadas no Mercado Interno, contudo da escrituração o que se infere são Receitas Tributadas no Mercado Interno de R$ 308.661.420,76 e, quanto às Demais Receitas, R$ 470.744.625,10; 6. em decorrência dessa indevida discrepância, restou reduzida a Base de Cálculo das Contribuições em R$ 479.200.143,65; 7. sendo efetivamente maiores em R$ 8.455.518,55 as Receitas Tributadas no Mercado Interno resulta diminuída a participação das exportações nas receitas totais, diminuindo em reflexo o valor das respectivas rubricas sobre as quais se podem levantar créditos; 8. no quadriênio 2008/11, mostra o DACON que o Sujeito Passivo definiu Base de Cálculo dos Créditos das Contribuições em quantias além do realmente escriturado e demonstrado (Valores de Aquisição/Construção de Bens do Ativo Imobilizado), o que inflou por assim dizer, as rubricas em tela, como segue; 9. Bens Utilizados como Insumos: O DACON extrapola a escrituração em R$ 89.487.528,98; 10. Serviços Utilizados como Insumos: Não encontrados na escrita, somam R$ 47.785.054,49 no DACON; 11. Despesas de Energia Elétrica: Há excesso de R$ 41.457.810,65 do DACON sobre a escrita; 12. Valor de Aquisição/Construção de Bens do Ativo Imobilizado: Embora apurado à vista de demonstrativos do Contribuinte (acostados), resulta R$ 720.102,58 menor que no DACON; Fl. 12205DF CARF MF 4 13. é óbvia a inconformidade, já em nível da Norma Geral de Direito Tributário, de um contribuinte incentivado por drawback (fruindo de isenção/suspensão de importações sob condição de que estas estejam cingidas a exportações específicas) estenda a fronteira legal desse regime aduaneiro; 14. é isto, exatamente, o que ocorre na pretensão de vincular as exportações de drawback a um outro e distinto arcabouço legal (Leis 10.637/02 e 10.833/03), como se infere do DACO (sic); 15. o fato de ambos os regimes incentivarem as exportações, cada qual à maneira de suas respectivas legislações, não pode dar causa à confusão entre eles; 16. no viés operacional, o que rezam as Leis 10.637/02 e 10.833/03 quanto às importações é justamente o oposto do observado no Drawback, isto é, bens e serviços fornecidos por não nacionais desabilitam o adquirente a levantar créditos das Contribuições sobre os valores respectivos, embora as tenham pago na importação; 17. não há que se falar de desoneração da receita de exportação de produtos fabricados no Brasil da incidência do PIS e COFINS, quando tais exportações já decorrem do incentivo fiscal do Drawback que, de sua parte, consiste na desoneração do valor das importações dos insumos dos itens fabricados no País e exportados; 18. na raiz dos saldos das Contribuições devidos e não recolhidos, estão infrações em níveis múltiplos derivadas de práticas indevidas, a saber: (i) Receitas computadas a menor na apuração das Contribuições, pela diminuição da respeitante Base de Cálculo em R$ 479.200.143,65; (ii) Redução das receitas tributadas no mercado interno no valor de R$ 8.455.518,55 com reflexo no incremento do percentual das exportações no total das receitas; (iii) O DACON assinala exportações de R$ 240.817.321,43 a subsidiar créditos sob respectivo amparo, todavia, apurouse apenas R$ 73.026.494,00 de exportações desse tipo, o restante, R$ 143.221.274,84, é de exportações em drawback, que não se prestam a justificar créditos de insumos, por fim, o total exportado é inferior ao DACON registrando R$ 216.247.768,84; (iv) Créditos computados sobre valores de bens aplicados como insumos em patamar superior ao escriturado no montante de R$ 89.487.528,98; 19. (v) Créditos de R$ 47.785,054,49 levantados sobre valores de serviços utilizados como insumos, sem que haja registro escriturai (sic) de tais prestações; (vi) Créditos apurados sobre despesas de energia elétrica cujos valores superam os dados da escrita na quantia de R$ 41.457.810,65; (vii) O DACON anota créditos computados sobre o valor de aquisição/construção do ativo imobilizado superiores em R$ 720.102,58 àqueles previamente demonstrados pelo próprio Contribuinte. Cientificada do Auto de Infração em 13/06/14, fl. 8023, a Contribuinte o impugnou (fls. 8048 e ss) em 10/07/14, alegando, em resumo, que: Fl. 12206DF CARF MF Processo nº 10320.721737/201412 Acórdão n.º 3302005.095 S3C3T2 Fl. 4 5 1. destaca o procedimento abusivo do Sr. Fiscal, concernente à inclusão na base de cálculo de PIS/COFINS de R$ 470.744.625,10, relativa a receitas que não sofrem tributação das contribuições, ou são albergadas pela alíquota zero, basicamente, receita financeira e receita de venda de ativo permanente; 2. na realidade, o Sr. Agente Fiscal mensurou de forma errônea o valor das receitas tributáveis pelas contribuições e, após isso, compensou o saldo credor de PIS/COFINS detido pela Impugnante, para chegar ao valor lançado na presente autuação; 3. além disso, o AIIM foi baseado em lançamentos feitos em DACONs retificados, antes mesmo do início dos procedimentos de fiscalização; 4. não basta a reunião e o apontamento genérico de uma grande quantidade de dados numéricos, sem que sejam estes dados cotejados com a natureza dos fatos que pretendem descrever, não sendo possível, muito menos legalmente autorizado, simplesmente presumir se tratarem de receitas tributáveis; 5. é nulo o Auto de infração por não comprovar a suscetibilidade das receitas à tributação e, também, por apontar receitas inexistentes como passíveis de tributação, neste sentido, observe se que o Anexo ao AIIM (Doc. 05) simplesmente coloca em vala comum (Item 2, "Das Receitas Tributáveis") uma enormidade de registros referidos apenas de forma numérica, de acordo com tabelas, sem jamais questionar o que representam aqueles números e a real necessidade/possibilidade jurídica de oferecê los à tributação pelo PIS e pela COFINS; 6. o Auditor Fiscal deixou de atender à necessária comprovação dos fatos, incorrendo em vício quanto ao motivo do ato, uma vez que fato jurídico é unicamente aquela ocorrência fenomênica traduzida em linguagem própria (prova) e à qual sejam atribuídos efeitos jurídicos, o que não se pode admitir seja suprido pela mera indicação de planilhas e valores extraídos de registros contábeis, menos ainda quando estes próprios elementos indicam, claramente, a natureza não tributável de todas as receitas cegamente relacionadas; 7. outras nulidades se verificam na própria reprodução de dados nas tabelas do Anexo que acompanha o AIIM (Doc. 05), pois estas reproduções distorcem os números efetivamente consignados nos DACONs, bem como em todos os demais registros supostamente com eles cotejados; 8. a título exemplificativo, observese os valores das receitas tributadas em mercado interno, segundo a fiscalização (R$ 300.205.902,21), conforme consignadas no Quadro 1, do item 8, do Anexo ao Auto de Infração que supostamente conteria os dados declarados nos DACONs, entretanto, observese a tabela nesta Impugnação, a qual lista os valores das receitas efetivamente consignados nos DACONs, de acordo com as Fl. 12207DF CARF MF 6 Fichas 07A e 17A, de cada um dos demonstrativos de apuração (Doc. 06); 9. com este simples exercício, é possível constatar que a Autuação alega ter a Impugnante declarado, nos DACONs, receitas tributáveis em montante de R$ 300.205.902,21 (trezentos milhões, duzentos e cinco mil, novecentos e dois reais e vinte e um centavos), conquanto, na verdade, foram declarados em DACONs a quantia de R$ 309.652.792,17 (trezentos e nove milhões, seiscentos e cinqüenta e dois mil, setecentos e noventa e dois reais e dezessete centavos) a tal título, o que põe por terra o trabalho da fiscalização, demonstrando ser falho e, portanto, nulo; 10. o Auditor Fiscal se utilizou de dados contidos em DACONs já retificados, criando assim um excedente de créditos inexistente (no valor de R$333.698.944,93), haja vista não constarem na 2ª retificação dos DACONs, transmitidos em março de 2012 (DOC. 06 DACONs – 2ª retificação); 11. é ainda nulo o AIIM pelo fato de não ter sido dado conhecimento à Impugnante quanto à totalidade das imputações a ela dirigidas, com valores discriminados item a item, o que cerceia seu direito de defesa, já que é impossível se defender do que não se conhece. 12. os "cálculos" apresentados pela Fiscalização, em muitos dos pontos de autuação, estão limitados à apresentação de dados desconexos, sem qualquer cálculo efetivo, fato este que torna impossível a elaboração de uma defesa de forma plena e precisa, um exemplo disso é a "Tabela 03" do Auto de Infração, onde o Auditor Fiscal se limita a exibir uma extensa lista de notas fiscais, sem a realização de qualquer cálculo para demonstrar, cabalmente, a correção de sua acusação; 13. no conjunto documental que integra o auto de infração, não é possível localizar as Tabelas 05 e 06, pertinentes ao Item 3 ("Da Base de Cálculo dos Créditos") do Anexo do Auto de Infração, tabelas estas que supostamente indicariam os valores da apuração das despesas com energia elétrica e da apuração do valor do ativo imobilizado com base no valor de aquisição/construção, a partir dos quais a Fiscalização concluiu que haveria a Impugnante "inflado" a base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS; 14. a Impugnante teve ciência do teor do AIIM em 12/06/2014, assim, todos os fatos geradores anteriores a 11/06/2009 estão extintos pela decadência; 15. o artigo 150, §4°, do CTN, é perfeitamente aplicável ao presente caso, pois o prazo decadencial é o mesmo para a constituição do crédito tributário (valor supostamente devido) e para a apuração do direito ao crédito na sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS; 16. além de mensurar base de cálculo das contribuições de forma errada, o Sr. Fiscal ainda desconsiderou o valor correto do saldo credor acumulado ano a ano, fator que mais uma vez demonstra a improcedência do AIIM; Fl. 12208DF CARF MF Processo nº 10320.721737/201412 Acórdão n.º 3302005.095 S3C3T2 Fl. 5 7 17. como já devidamente comprovado, a Impugnante NÃO declarou em seus DACONs o valor de R$300.205.902.21, mas, sim a quantia de R$309.652.792,17 montante este que efetivamente compôs a apuração do PIS e da COFINS devidos; 18. para se ter a exata noção da quantidade e do vulto dos equívocos cometidos pelo Auditor Fiscal no exercício da simples análise dos DACONs entregues à Receita Federal, colou um quadro onde demonstrou as divergências, mês a mês, entre o que supostamente seria o DACON (versão do Auditor Fiscal) e o que efetivamente se encontra armazenado nos sistemas da Receita Federal (DOC. 06 DACONs – 2ª retificação); 19. as receitas financeiras estão sujeitas a alíquota zero do PIS e da COFINS e jamais poderiam ter gerado os débitos que pretendeu apurar a Fiscalização, devendose, dos R$ 467.670.251,93 (R$ 470.744.625,10 R$ 3.074.373,17) correspondentes à totalidade das “demais receitas” excluíremse os R$ 279.480.312,32, que são provenientes de juros, descontos, variações monetárias e cambiais, sujeitas a alíquotas ZERO de PIS e COFINS; 20. com relação às “demais receitas” restariam R$ 188.189.939,61; dos R$ 470.744.625,10 apontados pela Fiscalização, este montante, contudo, corresponde precisamente à receita de venda de investimento contabilizado no ativo permanente (não circulante), da impugnante, realizada no mês de março de 2010, listada nas próprias tabelas acima reproduzidas, mais especificamente na Conta n° 981400; 21. receita de venda de ativo permanente (investimento), enquadrase na disposição do inciso II, do § 3º, do artigo 1º, da Lei n° 10.833/2003; 22. as diferenças verificadas pelo Auditor Fiscal entre as bases informadas no DACON e nas escriturações contábeis são as seguintes:a) Bens utilizados como insumos: R$ 89.487.528,98; b) Serviços utilizados como insumos: R$ 47.785.054,49; c) Despesas de Energia Elétrica: R$ 41.457.810,65; d) Ativo Imobilizado: R$ 720.102,58; 23. a Fiscalização valeuse de premissas e provas equivocadas, já que os números por si obtidos acerca dos créditos supostamente utilizados pela Impugnante foram extraídos das lªs declarações retificadoras da DACON (retificação realizada em 2011 DOC. 08), declarações estas que atualmente já não possuem validade jurídica, uma vez que, através da 2ª retificação, foram substituídas no mês de março de 2012 (DOC. 06); 24. o valor total da divergência, de R$333.698.944,93, é muito superior à redução da base de cálculo dos créditos pretendida pelo Auditor Fiscal, no valor de R$ 179.450.496,70, razão pela qual fica evidenciada a total improcedência da exigência fiscal; Fl. 12209DF CARF MF 8 25. o Fiscal alega que a Impugnante tomou créditos das contribuições sobre uma base de cálculo no valor de R$ 561.943.011,19, , entretanto, tratase de mais um equívoco da fiscalização, haja vista que este valor (R$ 561.943.011,19), supostamente obtido da ECD/EFD, destoa em aproximadamente R$ 150 milhões da base efetivamente apurada pela Impugnante para o creditamento de PIS/COFINS, de R$ 240.537.115,61; 26. concluiu o Fiscal que a Impugnante não teria sequer contratado prestadores de serviço durante o período, uma vez que as contas contábeis por si identificadas não registravam saldo de movimentação mensal algum; 27. para tentar comprovar esta conclusão absurda, trouxe aos autos o relatório da ECD acerca dessas contas, todas "sem movimento"; 28. as contas "941135 Ser. Terc. Autônomos outros", "941137 Serv. Terceiros Manutenção"; "941138 Serv. de Terceiros Outros", são contas de natureza transitória, e que os seus saldos são periodicamente (mensalmente) transferidos às contas do grupo "93", portanto, a pretendida glosa de R$ 47.785.054,49, por mais um motivo, não se justifica; 29. no que diz respeito às despesas com energia elétrica, o Auditor Fiscal impediu a Impugnante de exercer o seu direito de defesa em sua plenitude, porque a mencionada "Tabela 05", que supostamente detalharia a "apuração fiscal" das despesas de energia elétrica a serem glosadas, simplesmente não foi juntada aos autos do processo; 30. a totalidade de despesas declaradas no DACON (2ª retificação) são suportadas pela escrituração fiscal da empresa, conforme documentos juntados à presente Impugnação (DOC. 11), e demonstrado abaixo, para a competência de 11/2008 (DACON x Notas Fiscais); 31. relativamente ao crédito decorrente do valor da aquisição/construção de bens do ativo imobilizado, verificase da análise dos DACONs (2ª retificação) que a diferença no importe de R$ 720.102,58 não existe, uma vez que a base apurada na DACON (2ª retificação) é inferior à suposta base contida na ECD apurada pela fiscalização; 32. muito embora parte das exportações do período tenha sido realizada em Drawback, nenhum dos atos concessórios do regime aduaneiro especial, obtidos pela Impugnante, autorizou a compra de mercadorias provenientes do mercado interno com suspensão ou isenção das contribuições sociais; 33. o Drawback integrado, a princípio, poderia abranger tanto as importações de insumos quanto as aquisições destes em mercado interno, desde que vinculadas a operações de exportação posteriores, de modo a desonerar e incentivar esta atividade; 34. nenhum dos sete atos concessórios de Drawback (Doc. 12) abrangeu a possibilidade de suspensão ou isenção de PIS e COFINS nas aquisições em mercado interno, tendo sido apenas Fl. 12210DF CARF MF Processo nº 10320.721737/201412 Acórdão n.º 3302005.095 S3C3T2 Fl. 6 9 possível aproveitar estes benefícios para as importações vinculadas a exportações posteriores; 35. não havendo a suspensão ou isenção do PIS e da COFINS nas aquisições de insumos vinculados às receitas de exportação, o creditamento se mostra plenamente possível; 36. a fiscalização não comprovou a ocorrência de ato doloso, tendo sido cabalmente comprovado e demonstrado pelos documentos e argumentos apresentados que não houve omissão de receitas tributáveis e não houve falta de recolhimento de PIS e COFINS e tampouco qualquer prática de conduta dolosa que visasse à sonegação fiscal, portanto, a multa de 150% deve ser cancelada, bem como a representação para fins penais dela decorrente; 37. a capacidade contributiva e a vedação ao confisco merecem ser observadas tanto para tributos, quanto para as penalidades pecuniárias. A Impugnante cita legislação, doutrina e jurisprudência; junta prova documental e, com base na argumentação expedida, pede (1) nulidade do auto de infração, em preliminar; (2) improcedência do auto de infração, no mérito; e, finalmente, (3) cancelamento ou redução da multa de 150%. Este Colegiado decidiu baixar os autos em diligência, mediante Resolução 12000.547 17ª Turma da DRJ/RJ1 (fl. 10.900), para, essencialmente, a Autoridade Fiscal: 1. responder se considerou os dados dos Dacon retificados (2ª retificação) na apuração efetivada; 2. se negativa a resposta do item (1), justificar o procedimento adotado; 3. juntar as tabelas 5 e 6 acima mencionadas e citadas no Termo de Verificação Fiscal (Anexo ao Auto de Infração), cotejando, no que concerne à energia elétrica, com as planilhas do contribuinte baseadas nas notas fiscais; 4. apresentar novos demonstrativos, se assim considerar necessário em razão das respostas dos itens anteriores, apresentando resultados em planilhas e acrescentando informações pertinentes que entender cabíveis. No Relatório de Diligência (fls. 10.904 e ss) a Autoridade Fiscal, em resumo, informou que: 1. os DACON's considerados pela Fiscalização são aqueles que o Contribuinte apresentou em 30/03/2012 , isto é, os últimos entregues antes do procedimento fiscal em tela (Docs.02A a 02 E Doc.04), e disto pode o próprio Contribuinte se certificar compulsando os concernentes dados, por ele fornecidos ao sistema informatizado próprio dos DACON's.; Fl. 12211DF CARF MF 10 2. compulsado o presente Processo digital, com efeito, não se encontram as TABELAS 5 e 6 referidas no condizente Anexo ao Auto de Infração. Ditas TABELAS foram efetivamente elaboradas quando da lavratura do Auto de Infração, encontrandose nos arquivos digitais que lhe são correlatos, suas respeitantes anexações a este Processo digital não se deram por equívoco, e, agora, são trazidas à ordem, acostadas como Doc.25 (TABELA 5) e Doc. 26 (TABELA 6); 3. restam desnecessários novos Demonstrativos, vez que os dados do Anexo ao Auto de Infração não são inconsistentes: observam a espontaneidade do Contribuinte e se fundam em elementos apropriados: DACON, SISCOMEX [exportações de 2008 a 2011], ECD, EFD (Entradas de 2009 a 2011), Livro de Entradas 2008, Registros de Ativo Imobilizado do Contribuinte, entre outros itens referidos/acostados ao Processo; 4. foi à ciência do Contribuinte o conteúdo do Relatório, acostado a competente Termo de Ciência e Intimação Fiscal, datado de 18.11.15 (Doc.28), com ciência em 30.11.15, com Aviso de Recebimento (Doc.29), do que resultou apresentada condizente Manifestação (Doc.30). Cientificada do Relatório Fiscal, conforme informado no item acima, a Contribuinte apresentou Manifestação (fl. 12.109 e ss), onde alegou, em síntese, que: 1. a Autoridade Fiscal a quo, não respondeu conforme proposição da Turma da Delegacia Regional de Julgamento se considerou, para a elaboração das tabelas, os dados dos DACON retificados, apenas se manifestou acerca da apresentação de documento retificador; 2. em todas as manifestações apresentadas se encontra o cálculo exato da apuração do crédito acumulado em todo o período de 2008 a 2011; 3. a apropriação do crédito de bens e serviços se dá exatamente no mês em que a receita de exportação vinculada à matéria prima é auferida, o momento dessa apropriação é refletido com exatidão no Mapa da Bauxita; 4. com relação aos créditos decorrentes dos encargos com depreciação de maquinas e equipamentos utilizados na produção das mercadorias objetos de exportação, a Alcan esclareceu que os encargos do ativo imobilizado foram proporcionalizados de acordo com os créditos de insumos nacionais vinculados às receitas de exportação apropriados no mês; 5. a sistemática para apropriação dos créditos de energia elétrica foi exatamente a mesma utilizada na apropriação dos créditos de depreciação do ativo imobilizado; 6. quanto ao registro de estoque e à identificação das contas especificamente utilizadas no âmbito da integração e coordenação contábil do Método da Contabilidade de Custos, a Alcan apresentou as vias originais do livro de Registro de Estoque dos anos de 2009, 2010 e 2011, bem como informou que Fl. 12212DF CARF MF Processo nº 10320.721737/201412 Acórdão n.º 3302005.095 S3C3T2 Fl. 7 11 nas fichas 4A e 4D nas DIPJs se encontram lançados os custos das mercadorias vendidas; 7. o custo lançado da mercadoria vendida é obtido a partir da análise das contas do Grupo Contábil 9.3 "Custo Produtos/Serv. Vendidos"; 8. se a Autoridade Fiscal a quo tivesse se atentado ao quanto alegado e comprovado numérica e documentalmente em todas as manifestações de inconformidade, e se procedesse realmente com a devida auditoria fiscal e contábil da Alcan, e ainda, se se prestasse a entender a metodologia de contabilidade de custos integrado, do registro de apropriação dos custos fixos e dos registros de consumos de matérias primas, certamente concluiria que a Alcan optou pelo método de apropriação direta; 9. a Autoridade Fiscal a quo não fez a auditoria fiscal e contábil nos registros da Alcan que refletem a metodologia adotada com base na legislação; 10. a Autoridade Fiscal a quo simplesmente ignorou todos os documentos e informações apresentados, não tendo sequer uma dúvida quanto aos documentos e informações apresentados; 11. a fiscalização parece insistir em questões que já foram esclarecidas pela Peticionaria, o que torna o processo moroso e confuso, pois volta em questões já respondidas, e a cada despacho/intimação nova, o Sr. Fiscal vai cometendo sucessivos erros técnicos; 12. não restam dúvidas de que a Alcan adota a metodologia da apropriação direta, tal opção está consignada expressamente em cada um dos DACONs do período; 13. o Relatório de Diligência prossegue informando que a ECD não aponta as contas de Ativo Circulante que registrem valores de PIS e COFINS sobre insumos (bens e serviços) e despesas (energia elétrica), reservados para apropriação quando da venda dos produtos que lhe são correlatos, ora, à época dos fatos (2009/2011), a apuração dos créditos de PIS e COFINS estava registrada nos DACONs; 14. realmente não há um campo na ECD que aponte o valor do crédito total de PIS e objeto do pedido de restituição. Tais informações deveria ser buscadas na DACON, sempre estiveram oponíveis à fiscalização, e por essa razão, não se pode admitir que a fiscalização tenha chegado a tão singela conclusão que a EFD não se prestaria a elucidar a apropriação direta; 15. a Autoridade Fiscal a quo conclui que a Alcan não teria feito ingresso de receitas sob o regime cumulativo no triênio 2009/11 e, por essa razão, não poderia, sob a égide das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, lançar mão da apropriação direta. Nada mais absurdo! A sistemática de apuração pela cumulatividade do PIS e da COFINS não gera direito a crédito; Fl. 12213DF CARF MF 12 16. é inadmissível que um servidor da DRF desconheça a legislação tributária e cometa tamanho equívoco, o que demonstra que o Sr. Fiscal não tem a menor condição de atuar no presente caso; 17. relativamente à ação nº 3, qual seja, anexar as tabelas 5 e 6 mencionadas pela a Autoridade Fiscal a quo, no anexo ao AIIM, afirma que teria elaborado as tabelas 5 e 6, acostadas como Documentos 25 e Documentos 26, porém, a totalidade de despesas declaradas no DACON (2ª retificação) são suportadas pela escrituração fiscal da empresa, conforme documentos já acostados aos autos e demonstramos para o a competência de 11/2008 (DACON x Notas Fiscais); 18. relativamente à ação nº 4, a Resolução assim determinou: "a apresentação de novos demonstrativos, se considerasse necessário", porém o Sr. Fiscal, julgou suficiente a apresentação dos elementos já apropriados ao AIIM; 19. mais uma vez, a Autoridade Fiscal a quo demonstrou profundo desconhecimento da legislação tributária, e, a partir de uma análise distorcida dos fatos, tenta a qualquer custo tecer considerações desesperadas para justificar a negativa do direito ao crédito que a Alcan faz jus; 20. a Alcan, ratificando toda a defesa apresentada contra o Auto de Infração do processo em epígrafe, reitera os pedidos formulados para que se dignem Vossas Senhorias reconheçam, preliminarmente as nulidades apontadas no AIIM, ratificadas pelo presente Relatório de Diligência Fiscal, no mérito, requer se a total procedência dos argumentos esposados na Impugnação Administrativa, determinandose o cancelamento definitivo do AI, e o conseqüente deferimento de todos os pedidos de ressarcimento. A DRJ/Rio de Janeiro I considerou a impugnação totalmente procedente, cuja ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2009, 31/07/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 31/03/2010 Nulidade. Pressupostos. Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2009, 31/07/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 31/03/2010 PIS. Cofins. Incidência. Receitas Financeiras. Alíquota zero. Fl. 12214DF CARF MF Processo nº 10320.721737/201412 Acórdão n.º 3302005.095 S3C3T2 Fl. 8 13 As alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa, foram reduzidas a zero no período de 02/08/04 até 01/07/15. PIS. Cofins. Receitas. Venda de Investimentos. NãoIncidência. Não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS as receitas decorrentes da venda de bens do ativo permanente, ou ativo não circulante, classificado como investimento. Há Recurso de Ofício por ter sido exonerado crédito tributário em montante superior ao limite estabelecido na Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade Tratase de recurso de ofício, interposto conforme artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 e atendendo à atual Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. 2. Delimitação do Recurso de Ofício Na impugnação apresentada pela contribuinte, ela arguiu, em preliminar, nulidade do auto de infração, e no que concerne ao mérito, suscitou: i) decadência; ii) evidente erro de apuração do fiscal; iii) inexistência da falta de recolhimento de PIS/COFINS no período de 2008 a 2011 iii.i) declaração e tributação da totalidade das receitas; iii.ii) das "demais receitas não tributáveis"; iv) correta apuração da base de cálculo do PIS e COFINS; v) plena possibilidade de vinculação de créditos às exportações em regime de drawback; vi) impossibilidade de aplicação de penalidade majorada e ilegalidade da multa. No acórdão da DRJ/Rio de Janeiro I, o voto foi no sentido de rejeitar a nulidade do auto de infração e a arguição de decadência. No que atine ao mérito, a decisão circunscreveuse ao fato de a fiscalização ter considerado as receitas financeiras e de investimentos na base de cálculo das contribuições em apreço, não analisando os demais argumentos da impugnação, pois os considerou prejudicados. Nesse sentido, o Recurso de Ofício circunscrevese à análise desses dois temas: i) receitas financeiras e ii) de investimentos. 3. Das Receitas No anexo ao auto de infração, fls. 3925, há uma breve descrição das receitas que não teriam sido oferecidas à tributação: Fl. 12215DF CARF MF 14 2) DAS RECEITAS TRIBUTÁVEIS Base Legislativa: Receitas sujeitas à incidência das Contribuições. PIS: Lei 10.637/02, Arts. 1o, 2o e 4o; COFINS: Lei 10.833/03, Arts. 1o, 2o e 5o; O Sujeito Passivo não apurou as contribuições sobre todas as Receitas auferidas nos termos do Artigo 1 o das Leis 10.637/02 e 10.833/03. À luz da escrituração, as receitas tributáveis superam o que exibe o DACON, e constam das infra TABELAS. De fato, para o quadriênio 2008/11, o DACON refere R$ 300.205.902,21 à conta de Receitas Tributadas no Mercado Interno, contudo da escrituração o que se infere são Receitas Tributadas no Mercado Interno de R$ 308.661.420,76 e, quanto às Demais Receitas, R$ 470.744.625,10. Em decorrência dessa indevida discrepância, restou reduzida a Base de Cálculo das Contribuições em R$ 479.200.143,65. Ademais, sendo efetivamente maiores em R$ 8.455.518,55 as Receitas Tributadas no Mercado Interno resulta diminuída a participação das exportações nas receitas totais, diminuindo em reflexo o valor das respectivas rubricas sobre as quais se podem levantar créditos. Na consolidação final do cálculo feito pela fiscalização, temse que, fls. 3984/3985, foi submetida à tributação as seguintes bases de cálculos: demais receitas R$ 470.744.625,10 e receitas operacionais R$ 308.661.420,76. As demais receitas, consolidada pela fiscalização, fls. 3927, Tabela 2B, seriam do grupo 956 receitas financeiras e das seguintes contas: 956100 juros recebidos de terceiros; 956200 descontos recebidos de fornecedores; 956300 descontos recebidos de fornecedores. Há também consolidação, fls. 3929, pela fiscalização na Tabela 2C, seriam do grupo 975 variação monetária do circulante/longo prazo com as seguintes contas: 975103 Vc Dívida Alcan Trading Ag; 975500 Variações Cambiais Exportações, 975660 Variação Cambial Liquidada Ativa, 975800 Variação Monetária Diversas Ativas e grupo 981 receitas/ (despesas) n/operac: 981200 receita liquidação de energia; 981300 receitas diversas e 981400 receita venda de investimentos. Apenas para esclarecimento, quanto à alegação de que o DACON refere R$ 300.205.902,21 à conta de Receitas Tributadas no Mercado Interno, contudo da escrituração o que se infere são Receitas Tributadas no Mercado Interno de R$ 308.661.420,76, a Impugnante refuta tal argumento e diz haver declarado R$ 309.652.792,17, que colacionou no documento 06 2ª retificação dos DACON's, fls. 8075. Além disso, argumenta in verbis, fls. 8077: 84. Na totalidade das receitas tributadas acima mencionadas (R$ 309.652.792,17), estão compreendidas, além das receitas de vendas mercado interno, as receitas registradas nas contas (a) 952129 "Bonus"; (b) 956 "Rendas Diversas Exercicio Corr"; (c) 981200 "Receita Liquidacao de Energia"; (d) 981300 "Receitas Diversas Exercicio corr."; e (e) "Deducoes Diversas Fl. 12216DF CARF MF Processo nº 10320.721737/201412 Acórdão n.º 3302005.095 S3C3T2 Fl. 9 15 Exerc. Corren", no valor total de R$ 3.074.373,17, conforme podemos verificar na tabela abaixo: Ultrapassados tais esclarecimento, passese à análise das receitas financeiras e de investimentos que foram reformadas na decisão DRJ/Rio de Janeiro I e é objeto do presente Recurso de Ofício. 3.1. Receitas Financeiras A contribuinte, em sede de impugnação, alegou in verbis, fls. 8078 e seguintes: 86. Adiante, a Impugnante demonstrará que as "demais receitas" consideradas pela fiscalização como supostamente tributáveis, no valor de R$ 467.670.251,93 (R$ 470.744.625,10 R$ 3.074.373,17), em verdade, tratamse de receitas que estão fora do campo de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, ou se sujeitam à alíquota zero. 87. Abaixo constam as rubricas das contas contábeis, apontadas pelo própria fiscalização, que denotam a natureza jurídica das referidas receitas: a) 956100 "Juros Recebidos Terceiros"; b) 956200 "Juros Aplicacoes Financeiras"; c) 9566300 "Descontos Recebidos de Fornece" d) 975103 "VC Divida Associadas" e) 975500 "Var. Cambiais Ativas Export." f) 975660 "Variacao Cambial Liquidada Ativa" g) 975800 "Variacao Monetar Diversas Ativ" h) 981400 "Rec. Vda. Investimentos Packing" 88. Notese da descrição acima que estas "demais receitas" têm natureza de receitas financeiras ou de receitas provenientes das vendas de ativo permanente, cuja constatação se torna incontroversa uma vez que afirmada pela própria autoridade fiscal. A prova da natureza das referidas receitas é a própria afirmação constante da planilha da fiscalização. O período de apuração dos fatos jurídicos tributários é de janeiro de 2008 a dezembro de 2011. Antes de adentrar na legislação das contribuições em apreço, importante verificar o que a legislação do Imposto sobre a renda dispõe sobre as receitas financeiras: Decreto nº 3.000, de 1999. Subseção I Receitas e Despesas Financeiras Fl. 12217DF CARF MF 16 Receitas Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, § 3º). (grifos não constam no original) Já quanto à variação cambial, importante trazer o que considera a Lei nº 9.718, de 1998: Lei nº 9.718, de 1998 Art. 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. (grifos não constam no original) Portanto, juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira e variações cambiais são consideradas receitas financeiras. Quanto à alíquota aplicável às receitas financeiras, a Lei nº 10.865, de 2004, traz previsão expressa que o Poder Executivo pode reduzir as alíquotas do PIS e da COFINS sobre as chamadas receitas financeiras: Lei nº 10.865, de 2004 Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) Art. 27. O Poder Executivo poderá autorizar o desconto de crédito nos percentuais que estabelecer e para os fins referidos no art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativamente às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos, inclusive pagos ou creditados a residentes ou domiciliados no exterior. (...) § 2o O Poder Executivo poderá, também, reduzir e restabelecer, até os percentuais de que tratam os incisos I e II do caput do art. 8o desta Lei, as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de não cumulatividade das referidas contribuições, nas hipóteses que fixar. Fl. 12218DF CARF MF Processo nº 10320.721737/201412 Acórdão n.º 3302005.095 S3C3T2 Fl. 10 17 (grifos não constam no original) Nesse sentido, adveio o Decreto nº 5.442, de 2005, que se aplicava na época aos fatos jurídicos tributários da atuação, quais sejam de janeiro de 2008 a dezembro de 2011, e que previa alíquota zero para as receitas financeiras: Decreto nº 5.442, de 2005 Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. Parágrafo único. O disposto no caput: I não se aplica aos juros sobre o capital próprio; II aplicase às pessoas jurídicas que tenham apenas parte de suas receitas submetidas ao regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Art. 2o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1o de abril de 2005. (grifos não constam no original) Assim, conforme demonstrou a própria DRJ/Rio de Janeiro I, fls. 12190: Observese que a própria Fiscalização destacou como receitas financeiras as contas do Grupo 956: os "juros recebidos de terceiros" (conta 956100), os "descontos recebidos de fornecedores" (contas 956200 e 956300), conforme Tabela 2B (fl. 3927). A tais contas a Impugnante ainda contestou, por entender financeiras, as contas do Grupo 975: "VC Dívida " (conta 975103), "variações cambiais exportações." (conta 975500), "variação cambial liquidada ativa" (conta 975660), "variação monetária diversas ativa" (conta 975800), vide Tabela 2B à fl. 3929. De fato, tais contas também são de natureza financeira, conforme se verifica na legislação infracitada: A fiscalização acresceu na base de cálculo das contribuições em apreço as receitas financeiras, que, na época, estavam submetidas à alíquota zero e que, portanto, não deveriam compor a base de cálculo, conforme se extrai da legislação da COFINS e do PIS: Lei nº 10.637, de 2002 Art. 1o A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Fl. 12219DF CARF MF 18 (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; Lei nº 10.833, de 2003 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); (grifos não constam no original) Portanto, não merece reparos no que concerne a este aspecto a decisão da DRJ/Rio de Janeiro I. 3.2. Receitas de investimento Quanto às receitas de investimento, a contribuinte alegou, em sede impugnação, fls. 8081: 94. Ainda com relação às "demais receitas" restariam R$ 188.189.939,61; dos R$ 470.744.625,10 apontados pela Fiscalização. 95. Este montante, contudo, corresponde precisamente à receita de venda de investimento contabilizado no ativo permanente (não circulante), da Impugnante, realizada no mês de março de 2010, listada nas próprias tabelas acima reproduzidas, mais especificamente na Conta n° 981400. De fato, na consolidação, fls. 3929, da fiscalização na Tabela 2C, há o cômputo da conta 981400 receita venda de investimentos. Ao analisar a legislação da COFINS e do PIS, vigente à época dos fatos, quais sejam, de janeiro de 2008 a dezembro de 2011, temse que: Lei nº 10.833, de 2003 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) Fl. 12220DF CARF MF Processo nº 10320.721737/201412 Acórdão n.º 3302005.095 S3C3T2 Fl. 11 19 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifos não constam no original) Assim, a venda do ativo permanente não compõe a base de cálculo da COFINS e do PIS. Neste sentido, a decisão da DRJ/Rio de Janeiro I dispôs que, fls. 12192: Da mesma forma do item anterior, não se encontram razões fornecidas pela Fiscalização para não aplicar a norma que impede expressamente a tributação da receita incluída em sua própria planilha como venda de investimentos. De qualquer modo, seja na formulação primitiva, quando se diz "venda de ativo permanente", seja na formulação posterior, quando se fala de "venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível", a receita decorrente da venda de investimentos não compõe a base de cálculo do PIS/Cofins. Portanto, não merece reparos a decisão, vez que a própria legislação exclui os valores, apontados pela fiscalização, da base de cálculo. 4. Conclusão Por todo o exposto, conheço o recurso de ofício, mas nego provimento. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Fl. 12221DF CARF MF 20 Fl. 12222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.911027/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.191
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bazerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Porto Alegre, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos IPI. O contribuinte apresentou PER/DCOMP informando como origem do direito creditório valores referentes a ressarcimento de crédito presumido de IPI. O Despacho Decisório Eletrônico da unidade local da Receita Federal reconheceu integralmente o direito creditório pleiteado, contudo, o mesmo foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados, resultando na não homologação parcial da compensação apresentada. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual informa que o valor do crédito foi considerado insuficiente para a quitação dos débitos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 11 02 7/ 20 09 -3 3 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10980.911027/200933 Resolução nº 3402001.191 S3C4T2 Fl. 334 2 informados em razão de haver sido exigido, além dos juros de mora por ele calculados, também a multa moratória, que no seu entendimento seria indevida, já que encontrase ao amparo de denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Discorre sobre o caráter punitivo da multa, aponta desrespeito aos princípios da legalidade, tipicidade, razoabilidade e proporcionalidade e defende ainda o direito a atualização monetária do crédito. Sobreveio então o Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte. Na questão de fundo, entendeu o colegiado de primeiro grau estar correta a incidência de juros e multa de mora sobre os débitos compensados, desde o seu vencimento até a data da entrega da Declaração de Compensação. Entendeu ainda que a denúncia espontânea não ilide o pagamento da multa moratória. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bazerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.188, de 29 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10980.911025/200944, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.188: "O recurso é tempestivo, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como bem pontuado pelo Acórdão recorrido, o valor solicitado pela Recorrente por meio das PER/DOMPs foi integralmente reconhecido, não havendo o que reformar no Despacho Decisório no tocante ao crédito, inclusive quanto à atualização deste pela Taxa Selic. A principal discordância da Contribuinte diz respeito ao critério utilizado pelo Sistema de Controle de Créditos da RFB – SCC para a efetivação das compensações, o qual resultou em insuficiência do crédito para quitar integralmente os débitos declarados. Isto porque nas compensações de débitos na data de transmissão do PER/DCOMP o contribuinte apropriou apenas o principal e juros moratórios enquanto o SCC fez a imputação proporcional também de multa moratória. Assim, percebese que o ponto fulcral da lide é a capacidade da compensação tributária formalizada pela Recorrente implicar nos Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10980.911027/200933 Resolução nº 3402001.191 S3C4T2 Fl. 335 3 efeitos da denúncia espontânea, já que tal instituto lhe exime do recolhimento de multa, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. De um lado, o acórdão recorrido afirma que: A título de esclarecimento, acrescentase que os débitos já vencidos que motivaram a presente controvérsia foram informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF – apresentada antes da transmissão do PERDCOMP em que foi declarada a compensação, estando correta a imputação feita pelo sistema de controle de créditos, sendo legítima a cobrança do saldo devedor remanescente especificado no DDE. A seu turno, a Recorrente em diversas passagens de sua peça dirigida ao CARF afirma que não havia declarado tais débitos em DCTF, vejase um exemplo: De fato a Recorrente ao efetuar a compensação do tributo a que estava em atraso ainda não o havia declarado incidindo, portanto, os exatos termos requeridos pela legislação de regência e interpretação jurisprudencial para a ocorrência da denúncia espontânea. Compulsando os autos, constato que não se encontra juntada a DCTF. Assim, havendo dúvidas sobre o direito da Recorrente e resguardando o futuro julgamento do Colegiado sobre o mérito, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. É a resolução." Importante frisar que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para a repartição fiscal de origem, a fim: i) de trazer aos autos cópia da DCTF do período em questão; Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10980.911027/200933 Resolução nº 3402001.191 S3C4T2 Fl. 336 4 ii) esclarecer em parecer circunstanciado se os débitos constantes das compensações que originaram o presente processo administrativo estavam declarados ou não antes do envio das PER/DCOMPs, e quaisquer outras informações pertinentes. Feito isso, dêse ciência desse parecer à Recorrente, abrindolhe o prazo regulamentar para manifestação, e devolvase o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bazerra Fl. 189DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.905221/2012-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.186
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual se confirmou o seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DComp era suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu, ainda, a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 05 22 1/ 20 12 -3 9 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10675.905221/201239 Resolução nº 3201001.186 S3C2T1 Fl. 133 2 A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. Apontou a autoridade julgadora de primeira instância que a simples retificação da DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não era hábil à modificação do Despacho Decisório. Cientificado da decisão de piso, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e, sucintamente, reiterou a existência do crédito postulado, anexando documentação complementar com vista à comprovação do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.164, de 27/02/2018, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.164): Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Visando recuperar o crédito tributário acima apontado, a Manifestante providenciou a retificação da DCTF em 04/02/2011, conforme atesta o recibo de entrega nº 35.35.13.86.29.00, e a retificação do DACON em 27/01/2011, consoante atesta o recibo de entrega nº 1078177135. Diante da regular constituição do crédito tributário, através da retificação das obrigações acessórias acima mencionadas, a Manifestante transmitiu o PER/DCOMP nº 33828.46086.280111.1.3.042016 para a Receita Federal do Brasil em 28/01/2011 para compensar o seu lídimo crédito tributário com outros débitos tributários de sua titularidade. Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10675.905221/201239 Resolução nº 3201001.186 S3C2T1 Fl. 134 3 A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10675.905221/201239 Resolução nº 3201001.186 S3C2T1 Fl. 135 4 despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Da mesma forma que ocorreu no paradigma, neste processo, o contribuinte retificou a DCTF depois da transmissão do PER/DComp mas antes da ciência do despacho decisório. Apesar de o processo paradigma se referir apenas à Cofins, o mesmo raciocínio desenvolvido se aplica também à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise da Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entender necessários. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
