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Numero do processo: 11128.002554/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 10/11/2006
CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
O produto comercialmente denominado LUTAVIT B2 SG 80, identificado como sendo Riboflavina (Vitamina B2) e excipientes (polissacarídeos e substâncias inorgânicas à base de fosfato), especialmente formulada para emprego na fabricação de razão animal, segundo as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI/SH e as orientações das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado - NESH, deve ser classificado no código NCM 2309.90.90.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ERRO DE ENQUADRAMENTO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA.
Conforme ADN COSIT 12/1997, o erro de classificação não constitui infração administrativa ao controle das importações, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 10/11/2006
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA.
O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEP-Importação e Cofins-Importação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 10/11/2006
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA.
O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEP-Importação e Cofins-Importação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-004.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial do recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para manter o lançamento no que se refere à classificação da mercadoria, e à multa por erro de classificação, e excluir o valor do ICMS e das próprias contribuições da base de cálculo do PIS/PASEP-Importação e da Cofins-Importação; e (b) por maioria de votos, para afastar a multa por falta de licenciamento, em função do disposto no ADN COSIT 12/1996, vencidos o relator, Cons. Robson José Bayerl, e o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan.
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator designado
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 10/11/2006 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto comercialmente denominado LUTAVIT B2 SG 80, identificado como sendo Riboflavina (Vitamina B2) e excipientes (polissacarídeos e substâncias inorgânicas à base de fosfato), especialmente formulada para emprego na fabricação de razão animal, segundo as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI/SH e as orientações das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado - NESH, deve ser classificado no código NCM 2309.90.90. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ERRO DE ENQUADRAMENTO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. Conforme ADN COSIT 12/1997, o erro de classificação não constitui infração administrativa ao controle das importações, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 10/11/2006 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEP-Importação e Cofins-Importação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 10/11/2006 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEP-Importação e Cofins-Importação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15. Recurso voluntário provido em parte.
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O produto comercialmente denominado “LUTAVIT B2 SG 80”, identificado como sendo Riboflavina (Vitamina B2) e excipientes (polissacarídeos e substâncias inorgânicas à base de fosfato), especialmente formulada para emprego na fabricação de razão animal, segundo as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH e as orientações das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, deve ser classificado no código NCM 2309.90.90. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ERRO DE ENQUADRAMENTO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. Conforme ADN COSIT 12/1997, o erro de classificação não constitui infração administrativa ao controle das importações, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 10/11/2006 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEPImportação e CofinsImportação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 25 54 /2 01 0- 10Fl. 244DF CARF MF 2 das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 10/11/2006 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. ART. 7º, I, LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA. O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade, em sede de repercussão geral, do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, que previa a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEPImportação e CofinsImportação, cuja observância neste sodalício é obrigatória, por força das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial do recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para manter o lançamento no que se refere à classificação da mercadoria, e à multa por erro de classificação, e excluir o valor do ICMS e das próprias contribuições da base de cálculo do PIS/PASEPImportação e da Cofins Importação; e (b) por maioria de votos, para afastar a multa por falta de licenciamento, em função do disposto no ADN COSIT 12/1996, vencidos o relator, Cons. Robson José Bayerl, e o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator designado Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratase de lançamento para exigência de tributos incidentes na importação (DI 06/13675996), acrescidos de consectários legais e multas diversas (falta de licenciamento e erro de classificação fiscal), decorrentes de reclassificação fiscal do produto comercialmente Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11128.002554/201010 Acórdão n.º 3401004.431 S3C4T1 Fl. 11 3 denominado “LUTAVIT B2 SG 80”, enquadrado pelo contribuinte no código tarifário 2936.23.10 (Vitamina B2 – Riboflavina). Em procedimento de conferência física houve retirada de amostras para análise, resultando na confecção do Laudo de Análises Falcão Bauer nº 3.141, de 29/12/2006, cujo resultado indicou que não se trataria apenas de Riboflavina (Vitamina B2), mas de uma “preparação constituída de Riboflavina e Excipientes como Polissacarídeos e Substâncias Inorgânicas à base de Fosfato, especificamente elaborada para ser adicionada às rações animais, na forma de pó” (efls. 55). Baseada nessas informações a fiscalização promoveu o reenquadramento do produto para o código 2309.90.90 (outras preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais). Em impugnação o contribuinte sustentou que o produto é um aditivo nutricional para alimentação animal, sendo que vitamina B2 é produzida por fermentação e concentrada até a composição mínima de 80%, correspondendo os outros 20% a impurezas; que não se trataria de uma preparação, mas sim um concentrado; que a única classificação possível seria no código 2936.23.10; que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH impediriam a classificação do produto no Capítulo 23; que as matérias reunidas no processo não tornam o produto apto a um uso específico; que a multa por erro de classificação fiscal é descabida, por força do ADN Cosit nº 10/97, e, da mesma forma, a multa do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em atenção às disposições do ADI SRF 13/02; que haveria afronta aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e ao tratamento isonômico; que a multa por falta de licença de importação é improcedente, uma vez que o produto foi devidamente licenciado, descrito e desembaraçado; que a base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins incidente na importação, na forma definida pela Lei nº 10.865/2004, seria inconstitucional, o que, por arrastamento, implicaria a improcedência das multas proporcionais a esses tributos; e, que, em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, haveria impedimento à fluência dos juros moratórios. Dentre os pedidos formulados, houve pleito de produção de prova pericial, com arrolamento de quesitos, sem exposição de motivos e indicação de assistente técnico. Em 30/07/2015 foram coligidas ao processo cópias de certidão de “objeto e pé” referente à Ação Anulatória nº 000671426.2010.4.03.6104, que trata de classificação fiscal do produto objeto de autuação, e do laudo pericial produzido naquele feito (efls. 141/172). A DRJ São Paulo/SP manteve o lançamento em decisão assim ementada: “CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LUTAVIT B2SG80 Produto identificado em laudo técnico como sendo Riboflavina (Vitamina B2) e excipientes (polissacarídeos e substâncias inorgânicas à base de fosfato), especificamente formulada para ser utilizada em ração animal, classificase no código NCM 2309.90.90. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes Fl. 246DF CARF MF 4 para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.” O recurso voluntário, com certa variação, reprisou os argumentos da impugnação, à exceção da fluência dos juros de mora. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, o que impõe o seu conhecimento. A questão de fundo – classificação fiscal do produto LUTAVIT B2 SG 80 – foi abordada com bastante propriedade pela decisão reclamada, valendo a reprodução do excerto específico: “Primeiramente, cabe observar que, em relação à decisão em primeira instância que foi favorável à contribuinte, nos autos do processo nº 000l671426.2010.4.3.6104 da 8ª Vara Federal de São Paulo, não há determinação judicial de que seus efeitos atinjam outras importações, mesmo que do mesmo contribuinte e para o mesmo produto, que é o caso deste processo, pois seu efeito não é ‘erga omnes’. Quanto à questão da classificação do produto importado propriamente dita, temos nos autos dois laudos oficiais, um do Laboratório de Análises FALCÃO BAUER, objeto do Laudo de Análise nº 3141 e outro do perito judicial do processo nº 000671426.2010.4.3.6104, que tramita na 8ª Vara Federal de São Paulo. Em que pese os laudos apresentarem algumas divergências, são pontos incontroversos: · Que o produto importado LUTAVIT B2SG80 é composto de Riboflavina (Vitamina B2) e Excipientes como Polissacarídeo e Substâncias Inorgânicas base de Fosfato. · Que o produto importado, na condição que se encontra, é utilizado apenas pelas indústrias formuladoras de ração animal, não podendo ter seu uso, por exemplo, voltado para consumo humano. E o laudo judicial traz as seguintes informações: · A matéria prima utilizada pela BASF pra produzir vitamina B2 (Riboflavina) é a beterraba, através de reação (fermentação) por microorganismos. · Esta reação não é completa (somente 80%), resultando 20% como resíduo, do qual o polissacarídeo é parte. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11128.002554/201010 Acórdão n.º 3401004.431 S3C4T1 Fl. 12 5 · A riboflavina utilizada no tratamento da profilaxia da deficiência de vitamina B2, via de regra é fabricada por via química e não por biotecnologia (fermentação) em virtude da necessidade de maior pureza, inclusive para ser utilizada por via endovenosa. · A produção por via química é muito mais cara, dado os custos de purificação, quando da utilização como fármaco. · No caso em exame, a Riboflavina produzida por fermentação. A presença do polissacarídeo é benéfica na ração, como elemento energético (produção de energia), porém essa é uma característica do método de fabricação, e não foi adicionado com vista ao produto final, fabricação de ração; essa purificação não é feita quando se destina à fabricação de ração. O produto importado LUTAVIT B2SG80 é composto por vitamina B2 mais polissacarídeos. É importante destacar que ambos os laudos reconhecem que o composto (vitamina B2 + polissacarídeos), tem sua aplicação específica para produção de ração animal, não podendo ser utilizado, por exemplo na produção de fármacos para consumo humano. As notas explicativas do sistema harmonizado, NESH estabelecem para a posição 29: Produtos químicos orgânicos 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; (...) O termo ‘impurezas’ aplicase exclusivamente às substâncias cuja associação com o composto químico distinto resulta, exclusiva e diretamente, do processo de fabricação (incluída a purificação). Essas substâncias podem provir de qualquer dos elementos que intervêm na fabricação e que são essencialmente os seguintes: matérias iniciais não convertidas; impurezas contidas nas matérias iniciais; reagentes utilizados no processo de fabricação (incluída a purificação ) ; subprodutos. No entanto, convém referir que essas substâncias não são sempre consideradas impurezas autorizadas pela Nota 1 a). Fl. 248DF CARF MF 6 Quando essas substâncias são deliberadamente deixadas no produto para tornálo particularmente apto para usos específicos de preferência a sua aplicação geral, não são consideradas impurezas admissíveis. Considerando que: · o produto importado LUTAVIT B2SG80 é composto de Riboflavina, polissacarídeos e substâncias inorgânicas à base de fosfato, não apenas de Riboflavina; · o laudo do perito judicial esclarece que o polissacarídeo foi deliberadamente deixado no produto por ser benéfico ao metabolismo animal (fornecedor de energia) · na maneira como se encontra,o produto LUTAVIT B2SG80 é utilizado apenas pelas indústrias formuladoras de ração animal (uso específico), não podendo ter seu uso, por exemplo, voltado para consumo humano, ou seja, não tem, na condição em que foi importado (Riboflavina, polissacarídeos e substâncias inorgânicas à base de fosfato, e não só Riboflavina ) uso em qualquer tipo de produto (uso geral), como por exemplo ser matéria prima na fabricação de fármacos para consumo. · a destinação do produto importado (uso exclusivo em ração animal) é fundamental para sua correta classificação. Com base nas NESH da posição 29 retro mencionadas, entendo que não cabe a classificação do produto (Riboflavina mais polissacarídeos e substancias inorgânicas a base de fosfato) na posição 29. Prosseguindo na classificação tarifária da mercadoria importada, em que pese o polissacaríedo ser resultante do processo de fabricação, esta mistura (Riboflavina mais polissacarídeos e substâncias inorgânicas à base de fosfato) tem sua utilização voltada para entrar na composição de ração animal. As Notas Explicativas da posição 2309 estabelecem: C. AS PREPARAÇÕES DESTINADAS A ENTRAR NA FABRICAÇÃO DOS ALIMENTOS ‘COMPLETOS’ OU ‘COMPLEMENTARES’ DESCRITOS NOS GRUPOS A E B, ACIMA Estas preparações, designadas comercialmente pré misturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos (às vezes denominados ‘aditivos’), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Esses elementos são de três espécies: 1) os que favorecem à digestão e, de uma forma mais geral, à utilização dos alimentos pelo animal, defendendo o seu estado de saúde: vitaminas ou provitaminas, aminoácidos, antibióticos, Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11128.002554/201010 Acórdão n.º 3401004.431 S3C4T1 Fl. 13 7 coccidiostáticos, oligoelementos, emulsificantes, aromatizantes ou aperitivos, etc.; 2) os destinados a assegurar a conservação dos alimentos, especialmente as gorduras que contêm, até serem consumidos pelo animal: estabilizantes, antioxidantes, etc.; 3) os que desempenham a função de suporte e que podem consistir quer em uma ou mais substâncias orgânicas nutritivas (especialmente farinhas de mandioca ou de soja, farelos, leveduras e diversos resíduos da indústria alimentar), quer em substâncias inorgânicas (por exemplo: magnesita, cré, caulim, sal, fosfatos). E traz a informação de que excluemse da presente posição: As vitaminas, mesmo de constituição química definida, misturadas entre si ou não, mesmo apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, por adsorção em um substrato ou por revestimento, por exemplo, com gelatina, ceras, matérias graxas (gordas*), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral (posição 29.36). Assim, segundo as Notas Explicativas, a mercadoria importada, ((Riboflavina, polissacarídeos e substâncias inorgânicas à base de fosfato, e não só riboflavina) deve ser enquadrada como uma preparação destinada a entrar na fabricação dos alimentos ‘completos’ ou ‘complementares’ da alimentação animal, ainda mais que a própria impugnante admite na descrição da mercadoria na declaração de importação: ‘USO EXCLUSIVO PARA FABRICAÇÃO DE RAÇÃO ANIMAL. A especificidade de uso dessa mercadoria é critério essencial ao seu enquadramento tarifário, independentemente de seu conceito técnico. Por conseguinte, fazendo uso da RGI/SH no 1, combinada com a Regra 6 (subposição) e com a RGC (item), concluise como correto o código 2309.90.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul para classificar a mercadoria em questão. Diante do exposto, verificase que foi atendido o disposto no artigo 142 do CTN, uma vez que a fiscalização agiu corretamente, ao proceder a reclassificação fiscal, devidamente fundamentada na regras de classificação. Outrossim, conforme se verifica neste Acórdão, descabe a alegação da impugnante que a classificação na posição 29.36 é mais específica do que a posição 23.09.” (destaques no original) Fl. 250DF CARF MF 8 Essas colocações foram arrostadas pelo recorrente, que aduziu não se tratar o produto importado de uma preparação, mas sim de uma composição de, no mínimo, 80% de vitamina B2 e impurezas (resíduos fermentativos); que o produto é um aditivo nutricional para alimentação animal, fonte de vitamina B2, de modo que deveria ser classificado no código 2936.23.10, mais específico; que nenhum excipiente foi adicionado ao produto para tornálo apto a aplicação específica; que é improcedente a afirmação da decisão recorrida que os polissacarídeos foram deliberadamente deixados no produto; que o fato desses resíduos (polissacarídeos) comporem o produto, como etapa normal do processo, não o torna apto a aplicação específica; e, que as “notas explicativas da NESH” excluiriam as vitaminas da posição 2309. Nada obstante a argumentação deduzida pelo recorrente, entendo que não lhe assiste razão, pelos motivos que passo a expor. O fato de se tratar o produto importado de um composto e não uma preparação, como sustenta o reclamante, não conduz ao afastamento da classificação no Capítulo 23 da NCM, haja vista que o próprio colegiado a quo não partiu da premissa que se trataria de uma “preparação”, bastando o exame dos termos utilizados na exposição de raciocínio do voto condutor, mormente por haver acolhido, também, as conclusões do laudo pericial produzido no âmbito do processo judicial. Da mesma forma, a presença dos polissacarídeos (resíduos) resultar de reação natural do processo de fermentação, e não por intervenção humana, a meu ver, não profliga a tese lá estampada, consoante a qual o produto deve ser enquadrado no código 2309.90.90, isso porque, nos termos do art. 94, parágrafo único, do Decreto nº 4.543/02, “para fins de classificação das mercadorias, a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul será feita com observância das Regras Gerais para Interpretação, das Regras Gerais Complementares e das Notas Complementares e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Alfândegas (Decretolei no 1.154, de 1o de março de 1971, art. 3o).” Nessa vereda, ainda que o laudo pericial judicial reconheça que o produto é uma vitamina B2 com resíduos de polissacarídeos, originários do processo natural de fermentação, o que, em tese, atrairia a classificação pretendida pelo recorrente (2936.23.10), por ser mais específica, não se pode desconsiderar que esse mesmo laudo responde que esses polissacarídeos (resíduos naturais da fermentação) são benéficos à ração animal, não sendo necessária qualquer purificação, a par de descrever o processo de fermentação, onde os microorganismos consumiriam os polissacarídeos (glicose, açúcares) para obtenção de energia, reprodução e geração do produto desejado, estabilizandose o processo em 80% da fabricação de vitamina B2, quando então é interrompido (efl. 154). Em outra passagem destaca (o laudo) que a vitamina B2, a depender da forma de produção, pode ser utilizada em outras finalidades, inclusive produção de fármacos (efl. 152), no entanto, no estado em que importada, a Riboflavina (vitamina B2) com polissacarídeos na proporção de 80% x 20%, é destinada exclusivamente à fabricação de ração para animais (efl. 153). Assim, tal qual a decisão recorrida, reconheço que a finalidade específica do produto tem importância fundamental na definição de sua classificação, não devido a regra de interpretação do Sistema Harmonizado, mas por força da seguinte disposição das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, veiculada no Capítulo 23: Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11128.002554/201010 Acórdão n.º 3401004.431 S3C4T1 Fl. 14 9 “C. AS PREPARAÇÕES DESTINADAS A ENTRAR NA FABRICAÇÃO DOS ALIMENTOS “COMPLETOS” OU “COMPLEMENTARES” DESCRITOS NOS GRUPOS A E B, ACIMA Estas preparações, designadas comercialmente prémisturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos (às vezes denominados “aditivos”), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Esses elementos são de três espécies: 1) os que favorecem à digestão e, de uma forma mais geral, à utilização dos alimentos pelo animal, defendendo o seu estado de saúde: vitaminas ou provitaminas, aminoácidos, antibióticos, coccidiostáticos, oligoelementos, emulsificantes, aromatizantes ou aperitivos, etc.; 2) os destinados a assegurar a conservação dos alimentos, especialmente as gorduras que contêm, até serem consumidos pelo animal: estabilizantes, antioxidantes, etc.; 3) os que desempenham a função de suporte e que podem consistir quer em uma ou mais substâncias orgânicas nutritivas (especialmente farinhas de mandioca ou de soja, farelos, leveduras e diversos resíduos da indústria alimentar), quer em substâncias inorgânicas (por exemplo: magnesita, cré, caulim, sal, fosfatos). (...) Excluemse da presente posição: (...) e) As vitaminas, mesmo de constituição química definida, misturadas entre si ou não, mesmo apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, por adsorção em um substrato ou por revestimento, por exemplo, com gelatina, ceras, matérias graxas (gordas*), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral (posição 29.36).” No caso vertente, independente de se tratar de um processo natural ou artificial, manipulado deliberadamente ou não, é fato que o produto, no estado e na forma em que importado, possui quantidade de substâncias (polissacarídeos) que o torna específico para uma única forma de utilização: produção de ração animal. Por mais que o recorrente se esforce em defender que o produto se destina a uso geral, a verdade é que os laudos colacionados indicam justamente o contrário, ao acentuarem que o produto “LUTAVIT B2 SG 80” destinase especificamente à produção de ração animal, como atesta o Laudo de Análises Falcão Bauer (efl. 55), sendo que a mesma conclusão pode ser alcançada pelo laudo pericial judicial (efls. 152/153), ao responder que o produto não pode ser utilizado como fármaco (não foi obtido por reação química e tampouco Fl. 252DF CARF MF 10 possui o grau de pureza necessário para tanto), não pode ser utilizado por via injetável ou administrada de forma diferente da oral (obtido por fermentação e com presença de polissacarídeos), não pode ser utilizado em humanos e que o produto LUTAVIT B2 SG 80 é matéria prima para fabricação de ração, não sendo localizado, pelo perito, na literatura técnica, qualquer outra forma de utilização do produto (quesitos 2.1 e 2.2) que não a preparação de ração animal. A própria descrição do produto na declaração de importação informa que se destina a “uso exclusivo para fabricação de ração animal” (efl. 51). Essa peculiaridade – presença de polissacarídeos –, ao especializar o uso do produto – fabricação de ração animal –, segundo as disposições da NESH, impede o seu enquadramento no código pretendido pelo recorrente (2936.23.10), mostrandose o código tarifário apontado pela fiscalização (2309.90.90), à luz das regras de classificação, o mais adequado. Demais disso, a classificação desse mesmo produto internacionalmente segue a mesma codificação do Sistema Harmonizado SH, aplicado em mais de 150 (cento e cinquenta países), bastando para verificar essa situação, simples busca na rede mundial de computadores pelo nome comercial da mercadoria (e.g., www.zauba.com e www.eximpulse.com). No que tange à multa por falta de licença de importação (art. 169, I, “b”do DL 37/66), o relatório fiscal assevera que a novel classificação fiscal exige licenciamento não automático, o que configura a infração capitulada, não aproveitando ao recorrente as disposições do ADN Cosit nº 12, de 21/01/1997: “O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.” (destacado) Em que pese a ausência de máfé, não é possível sustentar que a mercadoria tenha sido corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação, Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11128.002554/201010 Acórdão n.º 3401004.431 S3C4T1 Fl. 15 11 pois, ainda que tenha sido declarada como “LUTAVIT B2 SG 80 – VITAMINA B2 – USO EXCLUSIVO PARA FABRICAÇÃO DE RAÇÃO ANIMAL – CONCENTRAÇÃO MIN. 80% ESTADO SÓLIDO – QUALIDADE INDUSTRIAL – FEED GRADE” (efl. 51), não houve especificação da existência dos polissacarídeos, no percentual de 20%, mesmo que resultante de processo natural de fermentação, informação esta que mostrou fundamental e relevantíssima à definição do código tarifário apropriado, como exposto. Também não merece acolhida a alegação de descabimento da multa de ofício por força do ADI SRF 13/02, quando envolvido reenquadramento tarifário, estando descrita corretamente a mercadoria importada, porquanto, como visto, a descrição constante da declaração de importação não traz todos os elementos necessários à sua identificação, além do que, distintamente do que previa o ADN Cosit nº 10/97, o referido ADI SRF 13/02, que o revogou, não relacionou o erro de classificação fiscal como fato impunível. Eis a redação do ADN Cosit nº 10/97: “O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no art. 112 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e art. 107, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. 2. Nos casos acima, os tributos devidos em razão de falta ou insuficiência de pagamento, exigidos no curso do despacho ou em ato de revisão aduaneira, serão acrescidos dos encargos legais, nos termos da legislação em vigor, a partir da data do registro da Declaração de Importação, relativamente ao Imposto de Importação, e do desembaraço aduaneiro, relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação. Fl. 254DF CARF MF 12 3. Ficam revogados os Atos Declaratórios (Normativos) COSIT nºs. 38, de 24 de junho de 1994, e 36, de 5 de outubro de 1995.” (destacado) O ADI SRF 13/02, por sua vez, está vazado nos seguintes termos: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no art. 84, e seu § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, declara: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Art. 2º Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 10, de 16 de janeiro de 1997.” (destacado) Notese que o ato interpretativo supra não faz qualquer menção à errônea classificação fiscal, sendo suprimido esse trecho, em relação à redação anterior. Logo procedente a cobrança da multa de ofício sobre as diferença de tributos decorrentes da reclassificação promovida. Quanto à multa por erro de classificação fiscal, as disposições do ADN Cosit nº 10/97 não amparam a elisão dessa penalidade, mesmo porque, à época dos fatos, encontrava se revogado pelo ADI SRF 13/02, que também não contempla o pleito. Além do que, como já aduzido, a mercadoria, da forma como descrita, não trouxe todos os elementos necessários à sua completa identificação. Respeitante à inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/PASEPImportação e CofinsImportação, mesmo que o CARF não possua competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade de norma tributária (Súmula CARF nº 2), deve ser acolhido a reclamação do contribuinte, com fulcro nas exceções previstas no art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e, especialmente, no art. 62 do RICARF/15 (Portaria MF 343/15): “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11128.002554/201010 Acórdão n.º 3401004.431 S3C4T1 Fl. 16 13 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)” (destacado) Nesse sentido, O Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do art. 7º, I da Lei nº 10.865/04, por intermédio do RE 559.937/RS, julgado sob a sistemática da repercussão geral, conforme ementa que ora se reproduz: “Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com Fl. 256DF CARF MF 14 fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” A decisão em comento transitou em julgado em 29/10/2014, de modo que sua observância neste sodalício é impositiva, sendo certo que dessa parte exonerada devem os Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11128.002554/201010 Acórdão n.º 3401004.431 S3C4T1 Fl. 17 15 consectários legais ser decotados do lançamento na mesma proporção (Accessorium sequitur suum principale). Com essas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso para que se exclua o ICMS e as próprias contribuições da apuração do PIS/PASEPImportação e CofinsImportação. Robson José Bayerl Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator designado Minha divergência em relação ao voto do relator resumese à questão referente à possibilidade de aplicação da multa prevista no artigo 169, I, “b” do DecretoLei no 37/1966, com a redação dada pela Lei no 6.562/1978: “Art.169. Constituem infrações administrativas ao controle das importações: I importar mercadorias do exterior: (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria.” Ao tratar da multa em questão (à época, disciplinada no art. 526, II do Regulamento Aduaneiro), a própria RFB, por meio do ADN COSIT no 12/1997, declarou, em caráter normativo, que: “...não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante.”(grifo nosso) Vejase que o texto do ato declaratório normativo trata exatamente da situação narrada no presente processo, no qual a classificação errônea fez com que houvesse necessidade de novo licenciamento. As únicas hipóteses em que poderia ter a fiscalização Fl. 258DF CARF MF 16 aplicado, então, a referida multa, seriam a de existência de dolo ou máfé (ausente de imputação, nos autos) ou descrição incorreta ou incompleta. Na decisão de piso e no voto do relator entendese ter havido essa segunda circunstância (descrição incompleta/incorreta). E é exatamente de tal entendimento que divirjo, por ser o produto, na descrição da declaração de importação, designado, já de início, por seu nome comercial: LUTAVIT® B2SG80. A designação pelo nome comercial, que tem composição estabelecida, e que não varia no tempo, permite ao fisco, em simples consulta à rede mundial de computadores, saber a descrição minuciosa da mercadoria. E, se necessário, demandar perícia para atestar a correta classificação, até mesmo sem a presença do produto. Ademais, no caso, não houve imputação fiscal de que o produto fosse outro que não o LUTAVIT® B2SG80, ou de que a amostra submetida a exame não correspondesse a tal produto, mas a mistura diversa. Não entendo, assim, aplicável ao caso a multa prevista no artigo 169, I, “b” do DecretoLei no 37/1966, com a redação dada pela Lei no 6.562/1978, por força de entendimento da própria RFB, normativo, veiculado pelo ADN COSIT no 12/1997, visto que não há imputação fiscal de dolo ou máfé, nem de descrição incorreta/incompleta, mas apenas de classificação incorreta do LUTAVIT® B2SG80. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário em relação a tal item. Rosaldo Trevisan Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720233/2013-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
ATIVIDADE RURAL. LAVOURA DE CANA-DE-AÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. NATUREZA E EMPREGO DO ATIVO. PREVALÊNCIA POR DIVERSOS CICLOS PRODUTIVOS. SUJEIÇÃO À DEPRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A natureza e o uso dos ativos biológicos da lavoura canavieira, que sobrevivem por diversos ciclos produtivos com a renovação natural do objeto da colheita, sendo intencionalmente substituídos por outros espécimes vegetais em razão da diminuição de produtividade e não do seu esgotamento, confirmam a aplicação da regra de depreciação.
Estando a lavoura canavieira, na condição de ativo não circulante imobilizado, sujeita à depreciação e não à exaustão, podem os recursos empregados na sua formação ser objeto do benefício da depreciação acelerada incentivada, previsto no art. 314 do RIR/99.
MAQUINÁRIO AGRÍCOLA. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. SEGREGAÇÃO DE REGISTROS POR RECEITA AUFERIDA. APLICAÇÃO PROPORCIONAL DO BENEFÍCIO. IN 257/2002. RESTRIÇÃO INDEVIDA. AFASTAMENTO.
Os bens do ativo permanente utilizados na agricultura fazem jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada prevista no artigo 314 do RIR/99, independentemente do fato de o produto agrícola ser empregado como insumo na atividade industrial pelo mesmo contribuinte.
A delimitação conceitual e a restrição ao gozo de tal benefício fiscal à proporção das receitas auferidas com atividades exclusivamente rurais, promovidas com base nas disposições da IN nº 257/2002, em relação às máquinas e equipamento empregados exclusivamente nas atividades agrícolas, por produtor rural que também se afigura como agroindústria, não encontram o devido respaldo legal.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-002.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que votou por dar provimento parcial apenas para restabelecer as despesas de depreciação incentivada da lavoura canavieira.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 ATIVIDADE RURAL. LAVOURA DE CANA-DE-AÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. NATUREZA E EMPREGO DO ATIVO. PREVALÊNCIA POR DIVERSOS CICLOS PRODUTIVOS. SUJEIÇÃO À DEPRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE. A natureza e o uso dos ativos biológicos da lavoura canavieira, que sobrevivem por diversos ciclos produtivos com a renovação natural do objeto da colheita, sendo intencionalmente substituídos por outros espécimes vegetais em razão da diminuição de produtividade e não do seu esgotamento, confirmam a aplicação da regra de depreciação. Estando a lavoura canavieira, na condição de ativo não circulante imobilizado, sujeita à depreciação e não à exaustão, podem os recursos empregados na sua formação ser objeto do benefício da depreciação acelerada incentivada, previsto no art. 314 do RIR/99. MAQUINÁRIO AGRÍCOLA. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. SEGREGAÇÃO DE REGISTROS POR RECEITA AUFERIDA. APLICAÇÃO PROPORCIONAL DO BENEFÍCIO. IN 257/2002. RESTRIÇÃO INDEVIDA. AFASTAMENTO. Os bens do ativo permanente utilizados na agricultura fazem jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada prevista no artigo 314 do RIR/99, independentemente do fato de o produto agrícola ser empregado como insumo na atividade industrial pelo mesmo contribuinte. A delimitação conceitual e a restrição ao gozo de tal benefício fiscal à proporção das receitas auferidas com atividades exclusivamente rurais, promovidas com base nas disposições da IN nº 257/2002, em relação às máquinas e equipamento empregados exclusivamente nas atividades agrícolas, por produtor rural que também se afigura como agroindústria, não encontram o devido respaldo legal. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ATIVIDADE RURAL. LAVOURA DE CANADEAÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. NATUREZA E EMPREGO DO ATIVO. PREVALÊNCIA POR DIVERSOS CICLOS PRODUTIVOS. SUJEIÇÃO À DEPRECIAÇÃO. POSSIBILIDADE. A natureza e o uso dos ativos biológicos da lavoura canavieira, que sobrevivem por diversos ciclos produtivos com a renovação natural do objeto da colheita, sendo intencionalmente substituídos por outros espécimes vegetais em razão da diminuição de produtividade e não do seu esgotamento, confirmam a aplicação da regra de depreciação. Estando a lavoura canavieira, na condição de ativo não circulante imobilizado, sujeita à depreciação e não à exaustão, podem os recursos empregados na sua formação ser objeto do benefício da depreciação acelerada incentivada, previsto no art. 314 do RIR/99. MAQUINÁRIO AGRÍCOLA. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. SEGREGAÇÃO DE REGISTROS POR RECEITA AUFERIDA. APLICAÇÃO PROPORCIONAL DO BENEFÍCIO. IN 257/2002. RESTRIÇÃO INDEVIDA. AFASTAMENTO. Os bens do ativo permanente utilizados na agricultura fazem jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada prevista no artigo 314 do RIR/99, independentemente do fato de o produto agrícola ser empregado como insumo na atividade industrial pelo mesmo contribuinte. A delimitação conceitual e a restrição ao gozo de tal benefício fiscal à proporção das receitas auferidas com atividades exclusivamente rurais, promovidas com base nas disposições da IN nº 257/2002, em relação às máquinas e equipamento empregados exclusivamente nas atividades AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 02 33 /2 01 3- 33 Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.785 2 agrícolas, por produtor rural que também se afigura como agroindústria, não encontram o devido respaldo legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que votou por dar provimento parcial apenas para restabelecer as despesas de depreciação incentivada da lavoura canavieira. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.786 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1553 a 1669) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (fl. 1522 a 1545) que manteve as Autuações sofridas pela Recorrente (fls. 1021 a 1039). O processo versa sobre exações de IRPJ e CSLL, referentes ao ano calendário de 2009, em face do empresa São Martinho Terras Imobiliárias S/A (antiga Vale do Mogi Empreendimentos Imobiliários S/A), que desenvolve atividades rurais e agroindustriais, contemplando o cultivo de canadeaçúcar, a venda de seus subprodutos, bem como a produção e comercialização de álcoois e açúcar, entre outras atividades secundárias. A acusação fiscal que sustenta as Autuação se resume ao suposto gozo indevido do benefício setorial da depreciação acelerada, prevista no art. 314 do RIR, repetido no art. 6º da MP nº 215970/2001, em relação à formação da lavoura canavieira e, igualmente, ao maquinário e equipamentos agrícola, pelo qual o Contribuinte deduziu da base de cálculo dos tributos lançados, no mesmo exercício da incorporação ao seu ativo, o valor total da depreciação. Procedeuse também à anulação das adições dos valores de depreciação do custo da canadeaçúcar incorridos nos anos de 2005 e 2007 que foram adicionados ao Lucro Real do período (2009), formando prejuízo acumulado, já que a depreciação acelerada incentivada desses anos foram objeto de autuação nos processos 15956.000510/201045 e 15956.720198/201191. Por meio de imputação proporcional, prevista na IN nº 257/2002, foi apenas acatado o gozo da depreciação acelerada incentivada dos maquinários e equipamentos, de acordo com as percentagem das receitas advindas da comercialização da canadeaçúcar e suas mudas, bagaço de cana, melaço e açúcar mascavo, vez que tais atividades se enquadrariam como rurais e não agroindustrial. Foi aplicada, em cumulação com a multa de ofício, multa isolada, decorrente da constatação de que tal glosa implicaria no pagamento de estimativas a menor de IRPJ e CSLL, durante o ano de 2009 (fls. 1045 a 1112). Também se fiscalizou ajustes de financiamentos securitizados, pagamento de juros sobre o capital próprio, dividendos recebidos da COOPERSUCAR, escrituração da redução de multa e juros, nos termos da Lei nº 11.941/2009 e a reversão de saldos de provisões não dedutíveis, não sendo encontradas quaisquer irregularidades em tais verificações. Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.787 4 Cientificada da lavratura das autuações, a Recorrente ofereceu Impugnação (fls. 1115 1512), alegando, em suma, a lisura de seu postura contábil, vez que lhe seria permitida a prerrogativa da depreciação acelerada desse seu ativo imobilizado, não havendo preterição normativa em relação à agroindústria (estando esta incluída no conceito de atividade rural), especialmente dos custo de formação da lavoura açucareira, vez que a canadeaçúcar, após ser inicialmente plantada, rende diversos ciclos produtivos anuais, com as mesmas raízes, não havendo o replantio deste ativo biológico anualmente, mas a gradual perda produtiva. Também alega que não haveria base legal válida para a segregação de receitas, efetuado no lançamento para a restrição do gozo do benefício sobre o maquinário agrícola, impugna a desconsideração de adições feitas a base de cálculo dos tributos sob exigência nos exercícios posteriores a 2009 e a incorreta aplicação de multa punitiva e juros, pois teria deixado a D. Autoridade Fiscal de recompor, com a quota normal de depreciação, a base de cálculo tributável de 2009, caracterizando postergação de pagamento (o que implicaria em vício insanável), bem como a ilegalidade da desconsideração do prejuízo fiscal percebidos nos anos anteriores (2005 e 2007) aproveitados em 2009, devendo tal manobra unicamente às autuações de mesma matéria, sofridas anteriormente, ainda em trâmite administrativo. Alega ao final a impossibilidade de se aplicar, cumulativamente a multa isolada com a sanção de ofício. Anexa cópias de 3 (três) Laudos exarados por Técnicos Agrícolas e de Contabilidade, atestando a característica da lavoura de canadeaçúcar e concluindo que esta compõe o ativo permanente da empresa, sendo correto o gozo do benefício contido no art. 314 do RIR/99, assim como planilhas demonstrando as percentagens de depreciação regular dos bens do ativo imobilizado, sua DIPJ 2010, cópia de normativos e pareceres infralegais sobre o tema da depreciação incentivada e vasta documentação referente a autuações anteriores de mesmo tema. A defesa foi encaminhada para a DRJ Rio de Janeiro para julgamento, sendo proferido o v. Acórdão, ora recorrido, rejeitando totalmente o apelo apresentado. Confirase a ementa (fl. 1522 a 1545): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 MULTA ISOLADA. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. CUMULAÇÃO. VALIDADE. É válida a cumulação da multa isolada com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma delas corresponde a uma infração distinta e autônoma. Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.788 5 MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei e de eventuais ofensas pela norma legal a princípios constitucionais, inclusive aquele que veda tributo confiscatório. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. ATIVIDADE RURAL. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. Os bens do ativo imobilizado, adquiridos por pessoa jurídica que explore atividade rural, destinados ao uso específico nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição. ATIVIDADE RURAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. BENS DE USO COMUM. NECESSIDADE DE RATEIO A pessoa jurídica que desejar usufruir o benefício fiscal concedido à atividade rural, deve apurar o lucro real de conformidade com as leis comerciais e fiscais, inclusive com a manutenção do Lalur, segregando contabilmente as receitas, os custos e as despesas referentes à atividade rural das demais atividades. A pessoa jurídica deverá ratear, proporcionalmente à percentagem que a receita líquida de cada atividade representar em relação à receita líquida total: os custos e as despesas comuns a todas as atividades; os custos e despesas não dedutíveis, comuns a todas as atividades, a serem adicionados ao lucro líquido na determinação do lucro real; os demais valores, comuns a todas as atividades, que devam ser computados no lucro real. LAVOURA DE CANA DE AÇÚCAR. DISPÊNDIO. DESPESA. EXAUSTÃO. Os dispêndios realizados na lavoura de cana de açúcar são apropriados como despesa do exercício por meio de quotas de exaustão. ERRO DE CONTABILIZAÇÃO. POSTERGAÇÃO DO IMPOSTO. PAGAMENTO. CARACTERIZAÇÃO. Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.789 6 A infração denominada postergação do imposto só se consuma com a prova do pagamento, sem o que a infração será redução indevida do lucro. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ACRÉSCIMOS. No lançamento de ofício incidem juros de mora e multa de ofício, conforme previsto na legislação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CSLL e IRPJ. Lançamento. Identidade de Matéria Fática. Decisão Mesmos Fundamentos. Aplicamse ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir aplicáveis ao lançamento do IRPJ, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário (fls. 1553 a 1669), agora sob apreço, repisando os mesmos argumentos de sua Impugnação, fazendo alusão específica aos argumentos do v. Acórdão recorrido e novamente colaciona precedentes deste E. CARF sobre o tema. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Na sessão de julgamento de 25 de janeiro de 2017, o processo foi incluindo em pauta de julgamento, entendo esta C. 2ª Turma pela conversão de julgamento de diligência, através da Resolução nº 1402.000.411 (fls. 1678 a 1685) em razão da alegação da existência de postergação de pagamento em relação aos valores da glosa de depreciação acelerada incentivada de seu maquinário agrícola, o qual, constatouse que não foi considerado pela Fiscalização na lavratura das Autuações. Frisese que tal Resolução foi objeto de Embargos de Declaração (fls. 1690 a 1697), que restaram inadmitidos por ausência de previsão regimental para tal manobra processual (fls. 1768 a 1769). Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.790 7 Remetidos os autos à Unidade Local, foi solicitado ao Contribuinte diversos documentos referente às suas declarações, Registros do LALUR, especialmente sua Parte B, e demais registros contábeis que constavam a depreciação ordinária do maquinário agrícola, entre 2009 e maio de 2012 (quando iniciada a ação fiscal que deu origem às Autuações). Munida de tais informações, a Fiscalização elaborou completo e preciso trabalho, resumido no Relatório de fls. 1749 a 1752, reconhecendo ter ocorrido a alegada postergação do pagamento em relação à depreciação do maquinário agrícola da Recorrente, objeto de glosa e aplicação proporcional do benefício em tela em razão da proporção de suas receitas com atividades puramente rurais e agroindustriais. Em reposta à conclusão da Diligência, o Contribuinte apresentou Manifestação (fls. 1758 a 1763), alegando, em suma, a nulidade do trabalho elaborado, por ter desrespeitado a própria Resolução, que determinou a verificação dos registros com depreciação até o final do anocalendário de 2013 (mas, procedendo o Fisco até maio de 2012, apenas), bem como alerta para o fato do objeto da diligência ter resumido apenas à verificação de pagamentos postergados do maquinário, não abrangendo a lavoura de canadeaçúcar. Em seguida, os autos foram novamente encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.791 8 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Como anteriormente já verificado, reiterase que o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Como se verifica do relatório, em relação ao mérito, existe uma matéria maior sob apreço, qual seja, o benefício da depreciação acelerada incentivada, contida no art. 314 do RIR/991, considerando sua aplicação tanto à lavoura de canadeaçúcar, como em relação ao maquinário e equipamentos agrícolas. Desde já este Relator reconhece que na prolatação da Resolução proferida anteriormente ocorreu um erro de premissa fática, equivocadamente considerando que todas as máquinas e equipamentos do ativo da Recorrente (inclusive aqueles empregados na produção industrial de álcoois e açúcar) foram submetidos à depreciação acelerada incentivada, assim como teriam sido objeto da glosa pelo Fisco através da aplicação proporcional do benefício com base nas receitas auferidas com suas operações com produtos rurais. Na verdade, apenas o maquinário e equipamentos agrícolas, empregados na sua atividade ruralista foram objeto do benefício e logicamente da glosa sofrida. Tal fato agora está claro e é expressamente reconhecido nos autos, seja pelo Fisco ou pelo Contribuinte, não havendo controvérsia nesse ponto. Diante da constatação de tal lapso antes do presente julgamento meritório, assim como da qualidade e do resultado do trabalho procedido pela Unidade Local (que procedeu corretamente à verificação da postergação do pagamento, ignorando o equívoco ocorrido), entendese que não houve prejuízo à Parte recorrente, vez que tal decisão a quo não foi definitiva e tal matéria será, mais adiante, oportuna e devidamente enfrentada, já livre de tal erro de premissa factual. No que tange à depreciação acelerada da lavoura açucareira, em face do conteúdo do artigo que veicula a prerrogativa excepcional do produtor rural (314 do RIR/99), é 1 Art. 314. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 5º) Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.792 9 necessária a verificação preliminar de sua caracterização ou não como ativo não circulante imobilizado (ativo permanente imobilizado) e se estaria sujeita à depreciação, confirmando, também, o devido alcance desse benefício. Em primeiro lugar, em relação à classificação de bens como ativo não circulante imobilizado, cabe aqui breve digressão sobre os requisitos para tal categorização contábil. A Lei das S/A em seu art. 179, traz a seguinte prescrição: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) VI – no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) Parágrafo único. Na companhia em que o ciclo operacional da empresa tiver duração maior que o exercício social, a classificação no circulante ou longo prazo terá por base o prazo desse ciclo. (destacamos) Por sua vez, o CPC 27, então vigente desde 2009, preconiza a definição de ativo imobilizado: Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.793 10 Ativo imobilizado é o item tangível que: (a) é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e (b) se espera utilizar por mais de um período. E, especificamente sobre a atividade rural, em relação à classificação de ativos biológicos, presente nas atividades agropecuárias, o CPC 29, também vigente desde 2009, mas aqui colacionado sem as alterações da Revisão CPC 08/2015, posto que aplicáveis somente a partir de 1º de janeiro de 2016, contém as seguintes definições e disposições: Ativo biológico é um animal e/ou uma planta, vivos. (...) Diante disso, fica muito claro que, se determinado ativo biológico perdurar por mais de 1 (um) ano, sendo este a fonte de produção ou fornecimento dos bens comercializados pelo produtor rural, claramente, estaríamos diante de um dos objetos do ativo Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.794 11 não circulante imobilizado, dentro da classificação geral de contabilidade das empresas brasileiras. Por sua vez, a Recorrente anexou em seu apelo (fls. 1333 a 1407) cópia de Laudos subscritos por especialistas em Agronomia, Contabilidade e Economia, exarados pelos institutos Centro de Tecnologia Canavieira CTC, FIPECAFI, FUNDACE, nos quais se atesta que, especificamente na cultura canavieira moderna, a qual o Contribuinte adota, após a formação da lavoura com o plantio dos espécimes vegetais, estes podem gerar diversas colheitas, por meio da regeneração natural da planta, à medida que suas raízes e outros componentes morfológicos não são completamente danificados na retirada da cana colhida, prevalecendo o espécime vegetal, vivo, no solo, de forma produtiva, por período muito superior a 1 (um) ano, devendo ficar sujeito à depreciação. Confirase algumas passagens dos estudos da FIPECAFI, e da FUNDACE: (...) Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.795 12 Considerando os Laudos oferecidos como prova técnica, elaborado por peritos e técnicos das áreas envolvidas nas questão fáticas, o seu conteúdo deve ser acatado (sendo, inclusive facilmente confirmada tais informações por meio de simples pesquisa, encontrando posicionamento igual nas orientações da EMBRAPA2). Contudo, ainda que no Relatório Fiscal, que fundamenta as Autuações, não se faça qualquer abordagem científica, este remete à Solução de Consulta SRRF 4ª RF/DISIT nº 4 de 2004, que se arrima no Parecer Normativo CST nº 18 de 1979, no qual concluiuse que, 2 http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/canadeacucar/arvore/CONTAG01_33_711200516717.html Operação de plantio Uma vez seguidas todas as recomendações de preparo da área que irá receber as mudas, devese fazer o plantio. Como a canadeaçúcar é uma cultura semiperene, o plantio é a ocasião de preparar o solo criteriosamente para o cultivo da cana que ocorrerá nos cinco ou seis anos subseqüentes. É a oportunidade de aplicar calcário e incorporálo e controlar pragas como cupins, migdolus e plantas daninhas. Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.796 13 mesmo a plantação perdurando por até um terceiro corte, seus desgaste estará sujeito à exaustão e não à depreciação (fls. 1076 a 1079). Confirase trecho do Relatório Fiscal: (...) E da mesma forma se posicionou o v. Acórdão recorrido (fl. 1540): A posição oficial da Receita Federal sobre o assunto foi externada no Parecer Normativo nº 18/1979, da então Coordenação do Sistema de Tributação. Pelo teor do parecer, constatase que a Administração se inclinou pela tese de que os dispêndios necessários para formação da lavoura de cana de açúcar são passíveis de exaustão. Assim, temos que o grande celeuma aqui seria a aplicação do PN CST nº 18/1979, especificamente o teor do seu item 5, à lavoura de canavieira, o qual vem sendo usado Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.797 14 como base para D. Administração Tributária federal promover e manter os lançamentos de glosa dessa depreciação beneficiada sobre a lavoura açucareira. Ainda que fosse possível uma abordagem com interpretação literal, numérica, sobre quantos cortes um espécime vegetal poderia sofrer, sem ter que ser substituído, para que esteja sujeito à depreciação (uma vez que a Autoridade Tributária que proferiu tal Parecer Normativo, entendeu por fazer tal distinção, supostamente limitando a aplicação do método da exaustão a plantas que suportam até um terceiro corte o que já não seria o caso na canade açúcar), a questão se apresenta mais técnica e mais profunda. Mister, então, fazer a diferenciação primordial entre os institutos contábeis da exaustão e da depreciação, assim como o emprego destes aos diferentes bens que compõem o ativo de uma empresa. A Lei das S/A, faz a distinção entre tais contas contábeis: Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) § 2o A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; (...) c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. (destacamos) Claramente, a depreciação é voltada para bens que, sujeitos à utilização, sofrem desgaste e, consequentemente, diminuição funcional ou produtiva, justificando sua substituição. Ao seu turno, a exaustão é dirigida a bens sujeitos à exploração, a qual implica em esgotamento, desaparecimento. Observe se que, em se tratando exaustão, a norma colocou recursos minerais e recursos florestais lado a lado. Tal equiparação legislativa permite o raciocínio de que estes Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.798 15 recursos florestais a que se refere são aqueles que se comportam, quando da sua exploração, como os recursos minerais, ou seja, de maneira finita e esgotável. Desse modo, estes recursos florestais são aqueles que possuem a dinâmica de exaurimento, como as florestas de uma silvicultura para a extração de madeira, atividade na qual não se colhe qualquer produto da floresta, a não ser ela mesma, percebendo através de uma única colheita do espécime a sua verdadeira extração (naturalmente, podem e devem ser feitas podas e desbastes antes da retirada dos espécimes). Ainda que demore muitos anos para se plantar uma floresta, está sobrevive apenas por um ciclo produtivo, considerando individualmente as unidades do ativo biológico. Também compreensível e correta aplicação de tal tratamento a uma lavoura de soja, de sorgo ou de batatas, cuja a produção implica na extinção dos espécimes vegetais da lavoura quando da colheita, para a sua comercialização ou industrialização. Em harmonia com tal raciocínio, a Resolução CFC nº 1.136/08, vigente desde então, aprovada pela NBC T 16.9, veicula as seguintes definições para tais conceitos contábeis: Depreciação: a redução do valor dos bens tangíveis pelo desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência. Exaustão: a redução do valor, decorrente da exploração, dos recursos minerais, florestais e outros recursos naturais esgotáveis. Assim, efetuar a mesma equiparação com a canadeaçúcar que, comprovadamente, pode perdurar mais de 5 anos, propiciando colheitas anuais do produto gerado, pelo mesmo espécime vegetal, mantendo sua qualidade, sem a necessidade da formação de uma nova mostrase totalmente contrário à classificação e divisão conceitual, racional e razoável, efetuada pela Lei das S/A e confirmada pela Resolução acima mencionada. Como consta dos do Laudos Técnicos, o desgaste da lavoura se dá também pela empobrecimento e compactação do solo, submetida ao tráfego de máquinas pesadas e pisoteio. O ativo biológico, per si, mesmo perdendo qualidade produtiva, poderia durar por muitos mais ciclos, como se comporta na natureza, assim ele não se esgota, mas é intencionalmente substituído por outro bem igual, para aumento da produtividade (formação de nova lavoura). Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.799 16 Assim, a dinâmica da utilização dos espécimes vegetais da cultura canavieira (cultivo e manutenção das touceiras e desenvolvimento das soqueiras ao longo dos ciclos), na condição de bens do ativo não circulante imobilizado, subsumese à norma prevista na alínea "a" do §2º do art. 183 da Lei nº 6.404/76, que disciplina a depreciação. Frisese, em acréscimo, que a duração da lavoura e a regeneração total do efetivo produto agrícola no ciclo seguinte, aproxima a atividade canavieira da cultura de exploração de frutos e a afasta da cultura de exploração florestal. Nesse sentido, o próprio PN CST nº 18/1979, em trecho não citado no Relatório Fiscal, permite a depreciação na exploração de frutos: 2. Inicialmente compete fixar algumas distinções de natureza técnica, necessárias a uma dilucidação de certos aspectos que têm conduzido a interpretações errôneas quanto à utilização de depreciações, amortizações e quotas de exaustão. Em termos de florestas ou mesmo de vegetais de menor porte, somente se pode falar em depreciações em caso de empreendimento próprio da empresa e do qual serão extraídos apenas os frutos. Nesta hipótese, o custo de aquisição ou formação é depreciado em tantos anos quantos forem os de produção de frutos. Também não pode prevalecer interpretação na qual apenas os ativos biológicos compostos por árvores frutíferas, propriamente ditas, estariam sujeitas à depreciação, permitindo assim, a extensão da exaustão a todos as outras culturas agrícolas que possuem as mesma características (regeneração natural do objeto de mercancia ou industrialização depois da colheita, duração dos espécimes por vários ciclos, limitados pela extinção proposital pelo produtor) pois, então, estaríamos diante de uma reclassificação conceitual imprópria e legalmente inválida. Os conceitos de depreciação e exaustão estão estampado em norma própria, sendo informados também pelas Ciências Contábeis e, dentro da sua devida definição, somente são pertinentes a cada uma dessas categorias de ajuste de valor contábil a maneira como se verifica o resultado do seu emprego na produção, seja pela utilização ou pela exploração¸ resultando em desgaste ou em esgotamento, respectivamente. Em acréscimo, existem inúmeras decisões recentes, inclusive o Acórdão nº 1402.002.372, proferido por esta mesma C. 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.800 17 deste E. CARF, de relatoria deste mesmo Conselheiro e votação unânime, publicado em 14/02/2017. Confirase a sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 ATIVIDADE RURAL. LAVOURA DE CANADEAÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. POSSIBILIDADE. NATUREZA E EMPREGO DO ATIVO. PREVALÊNCIA POR DIVERSOS CICLOS PRODUTIVOS. SUJEIÇÃO À DEPRECIAÇÃO. A natureza e o uso dos ativos biológicos da lavoura canavieira, que sobrevivem por diversos ciclos produtivos com a renovação natural do objeto da colheita, sendo intencionalmente substituídos por outros espécimes vegetais em razão da diminuição de produtividade e não do seu esgotamento, confirmam a aplicação da regra de depreciação. Estando a lavoura canavieira, na condição de ativo não circulante imobilizado, sujeita à depreciação e não à exaustão, podem os recursos empregados na sua formação ser objeto do benefício da depreciação acelerada incentivada, previsto no art. 314 do RIR/99. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Assim, entendese que a lavoura de canadeaçúcar, não só compõe o ativo não circulante imobilizado, como está sujeita à depreciação, podendo ser integralmente objeto da norma veiculada pelo art. 314 do RIR/99, dandose provimento ao Recurso Voluntário nesse ponto. Agora, secundariamente, em relação à possibilidade da Recorrente gozar de tal benefício sobre seu maquinário e equipamentos empregados na sua produção agrícola (conforme já esclarecido anteriormente) fazse necessário a análise dos termos com que foi veiculada a depreciação acelerada incentivada para o produtor rural: Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.801 18 Art. 314. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição. (destacamos) Da simples leitura do dispositivo em tela, fica claro que não é apenas beneficiado o contribuinte que exclusivamente se dedica à atividade rural, bastando este, comprovadamente, desempenhar qualquer um dos objetos listados no art. 58 do RIR3 para ter direito a tal tratamento especial. Com a mesma clareza, verificase que se condiciona a benesse tributária ao uso dos bens do ativo permanente imobilizado na atividade rural. Inquestionável a presença de tal termo condicionante. Por outro lado, a IN nº 257/2002 foi veiculada com o intuito de regulamentar de tal dispositivo legal, criando os mecanismos para a aplicação do benefício aos ativos não circulantes imobilizados daqueles contribuintes que dedicamse a uma multiplicidade de objetos sociais, incluindo a atividade ruralista. Confirase seu art. 8, § 1º: Segregação de receitas 3 Art. 58. Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação; VI o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas. Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.802 19 Art. 8º A pessoa jurídica rural que explorar outras atividades deverá segregar, contabilmente, as receitas, os custos e as despesas referentes à atividade rural das demais atividades e demonstrar, no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), separadamente, o lucro ou prejuízo contábil e o lucro ou prejuízo fiscal dessas atividades. § 1º A pessoa jurídica rural deverá ratear proporcionalmente à percentagem que a receita líquida de cada atividade representar em relação à receita líquida total: I os custos e as despesas, comuns a todas as atividades; II os custos e as despesas não dedutíveis, comuns a todas as atividades, a serem adicionados ao lucro líquido, na determinação do lucro real; III os demais valores comuns a todas as atividades, que devam ser computados no lucro real. (destacamos) Mais adiante, especificamente sobre a depreciação acelerada incentiva, no art. 14, está previsto: Art. 14. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição. § 1º O encargo de depreciação dos bens, calculado à taxa normal, será registrado na escrituração comercial e o complemento para atingir o valor integral do bem constituirá exclusão para fins de determinação da base de cálculo do imposto correspondente à atividade rural. § 2º O valor a ser excluído, correspondente à atividade rural, será igual à diferença entre o custo de aquisição do bem do ativo permanente destinado à atividade rural e o respectivo encargo de depreciação normal escriturado durante o período de apuração do imposto, e deverá ser controlado na Parte B do Lalur. § 3º A partir do período de apuração seguinte ao da aquisição do bem, o encargo de depreciação normal que vier a ser registrado na escrituração comercial deverá ser adicionado ao resultado líquido correspondente à atividade rural, efetuandose a baixa do respectivo valor no saldo da depreciação incentivada controlado na Parte B do Lalur. § 4º O total da depreciação acumulada, incluindo a normal e a complementar, não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem. Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.803 20 § 5º No caso de alienação dos bens, o saldo da depreciação complementar existente na Parte B do Lalur, será adicionado ao resultado líquido da atividade rural no período de apuração da alienação. § 6º Não fará jus ao benefício de que trata este artigo, a pessoa jurídica rural que direcionar a utilização do bem exclusivamente para outras atividades estranhas à atividade rural própria. § 7º No período de apuração em que o bem já totalmente depreciado, em virtude da depreciação incentivada, for desviado exclusivamente para outras atividades, deverá ser adicionado ao resultado líquido da atividade rural o saldo da depreciação complementar existente na Parte B do Lalur. § 8º Retornando o bem a ser utilizado na produção rural própria da pessoa jurídica, esta poderá voltar a fazer jus ao benefício da depreciação incentivada, excluindo do resultado líquido da atividade rural no período a diferença entre o custo de aquisição do bem e a depreciação acumulada até a época, fazendo os devidos registros na Parte B do Lalur. (destacamos) Posto isso, haveria o dever do contribuinte que se dedica, conjuntamente, a atividades diferentes daquelas propriamente rurais, segregar sua escrituração, especialmente para fins de gozar do benefício do art. 314/99 do RIR. E com base nessa segregação de valores recebidos, a Fiscalização aplica o percentual das receitas com atividades exclusivamente rurais em relação a todo o faturamento e limita o gozo do benefício da depreciação acelerada incentivada sobre o maquinário agrícola nesta proporção. Alega a Recorrente estarem seus objetos sociais, para todos os fins, abrangidos no termo atividade rural, mesmo sendo também uma agroindústria, fazendo tal Instrução Normativa uma indevida restrição do conceito legal de atividade rural, trazido pelo art. 2ª da Lei nº 8.023/904, entendendo que a atividade rural não se descaracteriza como tal 4 Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.804 21 por ser seguida de industrialização ou comercialização do produto, sendo ilegal a segregação imposta naquele comando. Em acréscimo, demonstra que a Lei nº 8.212/91 equiparou a atividade agroindustrial à rural, assim como fez a IN nº 971/2009, reforçando a suposta restrição conceitual indevida da IN nº 257/2002. Posto isso, apenas frisese que a Lei nº 8.212/91 e a IN nº 971/2009 são normas que regem as Contribuições Previdenciárias, certamente não podendo ser consideradas como portadoras do conceito de atividade rural para todo o sistema tributário nacional. Porém, as demais alegações do Contribuinte mostramse plenamente procedentes. O art. 314 do RIR/99 não restringe o benefício veiculado ao resultado da atividade rural ou mesmo ao seu emprego (venda direta ao mercado ou utilização como insumo na agroindústria), mas expressamente remete ao art. 58 do mesmo Compêndio para a delimitação de seu alcance. Por sua vez, o art. 58 do RIR/99, que veicula o conceito de atividade rural, valese do conteúdo do art. 2º da Lei nº 8.023/90, o qual faz expressa menção à industrialização, apenas excetuando a atividade que resulta em produtos com a alteração das características naturais. E exatamente sobre a abrangência do conceito legal de atividade rural e essa possibilidade da aplicação da depreciação acelerada incentivada integralmente sobre o maquinário agrícola de contribuinte que exerce atividade agroindustrial, sem as limitações inauguradas pela IN nº 257/2002, a C. Câmara Superior de Recurso Fiscais, tratando precisamente de agroindústria que produzia álcool e açúcar, proferiu o recente Acórdão nº 9101002.801 (publicado em 09/08/2017), afastando a glosa sofrida pelo contribuinte, bem como a aplicação dessa disposição restritiva da Instrução Normativa em tela. V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas. Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.805 22 Posto isso, adoto adicionalmente como fundamento as razões de decidir empregadas pela relatora, I. Conselheira Cristiane Silva Costa em tal precedente, vencedor nesse tópico, integralmente favorável às alegações do Contribuinte sobre tal assunto, nesta contenda: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 MÁQUINAS AGRÍCOLAS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. MP 2.15970/ 2001. Os bens do ativo permanente utilizados na agricultura fazem jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada prevista no artigo 6º, da MP nº 2.15970/ 2001. (...) Relatório: (...) A contribuinte apresentou recurso voluntário, ao qual foi dado provimento pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada. MÁQUINAS AGRÍCOLAS. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os bens do ativo permanente utilizados na agricultura fazem jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada prevista no artigo 314 do RIR/99. Isso independe do fato de o produto agrícola ser empregado como insumo na atividade industrial pelo mesmo contribuinte. ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL. Incabível a aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.806 23 curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. Recurso Voluntário Provido Voto (...) Diante de tais razões, conheço do recurso especial da Procuradoria. A depreciação acelerada incentivada de máquinas agrícolas, na forma do artigo 6º, da Medida Provisória nº 2.159/2001 Como consta do TVF que "Para ter seus resultados tributados como atividade rural, a fiscalizada não poderia produzir açúcar e álcool, mas tão somente produtos que mantivessem as características e composição do derivado bruto da canade açúcar, tais como açúcar mascavo, melado e rapadura.(...)" e "No anocalendário de 2009, consta no LALUR como exclusões os valores das aquisições ocorridas no período. Nesta rubrica aparecem os maquinários agrícolas para o trato da canade açúcar". A depreciação foi definida pelo artigo 183, da Lei nº 6.404/1976 (Lei das S.As.), que prescreve: Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) V os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão; (...) § 2º A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado e intangível será registrada periodicamente nas contas de: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado; Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.807 24 c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. A legislação fiscal delimitou as condições de depreciação, como se observa dos artigos 305 a 323 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto nº 3.000/1999). A depreciação poderá, portanto, ser computada como custo ou encargo, em cada período de apuração, como explicita o artigo 305 do RIR: Art. 305. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à diminuição do valor dos bens do ativo resultante do desgaste pelo uso, ação da natureza e obsolescência normal (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57). § 1º A depreciação será deduzida pelo contribuinte que suportar o encargo econômico do desgaste ou obsolescência, de acordo com as condições de propriedade, posse ou uso do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 7º). § 2º A quota de depreciação é dedutível a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 8º). § 3º Em qualquer hipótese, o montante acumulado das quotas de depreciação não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 6º). § 4º O valor não depreciado dos bens sujeitos à depreciação, que se tornarem imprestáveis ou caírem em desuso, importará redução do ativo imobilizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 11). § 5º Somente será permitida depreciação de bens móveis e imóveis intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Nesse contexto, foi editada a Medida Provisória nº 2.159/2001, que em seu artigo 6º prevê a depreciação acelerada incentivada quanto às pessoas jurídicas que explorem atividade rural: Art. 6º Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. O dispositivo legal foi reproduzido no Regulamento do Imposto sobre a Renda (Decreto nº 3.000/1999), nos seguintes termos: Art. 314. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 5º). Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.808 25 Curioso que o RIR alterou a disposição apenas para mencionar o seu artigo 58, que prevê: Art. 58. Considerase atividade rural (Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, art. 2º, Lei nº 9.250, de 1995, art.17, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 59): I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação; VI o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas (Lei nº 8.023, de 1990, art. 2º, parágrafo único, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 17). O artigo 58 tem fundamento na Lei nº 8.023/1990, com redação alterada pela Lei nº 9.250/1995, que define a atividade rural: Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.809 26 Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas. (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) A depreciação acelerada incentivada dos equipamentos e veículos aplicados na lavoura, portanto, depende da definição do que seja atividade rural, à luz das normas acima relacionadas. Pondero que, diante da previsão da MP 2.159/2001 e da Lei n 8023/1990, a Instrução Normativa SRF nº 257/2002, também delimitou a atividade rural: Art. 2º A exploração da atividade rural inclui as operações de giro normal da pessoa jurídica, em decorrência das seguintes atividades consideradas rurais: I a agricultura; VIII a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como: b) transformação de produtos agrícolas: (...) 2. moagem de canadeaçúcar para produção de açúcar mascavo, melado, rapadura; O contribuinte questiona a interpretação adotada pela Secretaria da Receita Federal, sustentando ao longo do processo que exerce atividade rural e, portanto, seus maquinários fazem jus ao benefício fiscal tratado pelo artigo 6º, da Medida Provisória nº 2.159/2001; enquanto o auditor autuante menciona a citada Instrução Normativa, dentre outros fundamentos, para glosar as exclusões interpretadas como indevidas. Consta do acórdão recorrido decisão a respeito do tema da forma seguinte, conforme trecho da ementa: MÁQUINAS AGRÍCOLAS. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os bens do ativo permanente utilizados na agricultura fazem jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada prevista no artigo 314 do RIR/99. Isso independe do fato de o produto agrícola ser empregado como insumo na atividade industrial pelo mesmo contribuinte. Neste ponto, o voto de lavra do Conselheiro Antonio Bezerra Neto, que quanto à depreciação acelerada de máquinas foi vencedor: Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.810 27 Quanto à depreciação acelerada incentivada das máquinas agrícolas, minha posição é diferente. Isso porque, neste caso, o artigo 314 do RIR/99 faz remissão expressa ao artigo 58 daquele mesmo diploma normativo. (...) O inciso I do referido artigo 58, por sua vez, inclui qualquer atividade agrícola no conceito de atividade rural. (...) Portanto, os bens do ativo permanente utilizados na agricultura fazem jus ao benefício. Isso independe do fato de o produto agrícola (no caso, a canadeaçúcar) ser empregado como insumo na atividade industrial (produção de açúcar e álcool) pelo mesmo contribuinte. A exigência de que as receitas, custos e despesas da atividade rural sejam segregadas (artigo 8º da IN/SRF nº 257/02) é motivada pela necessidade de controle apartado dos resultados dessa atividade com vistas ao aproveitamento de prejuízos fiscais sem a imposição da trava dos trinta por cento (artigo 17, § 2º, da mesma IN). Não se pode inferir dessa exigência que a depreciação acelerada das máquinas agrícolas só possa ser feita na proporção das receitas auferidas exclusivamente com a atividade agrícola, como fez a fiscalização concedendo o benefício em relação à receita da venda de mudas de cana, bagaço de cana, café, soja milho e sorgo. Adoto as razões de decidir do acórdão recorrido, entendendo que a depreciação acelerada é aplicável às máquinas agrícolas tratadas nestes autos, eis que "utilizados na agricultura". Até porque o artigo 58, da Lei nº 8.023/1990 não restringiu a agroindústria, como procedido pela IN SRF 257/2002 (limitou atividade à moagem "moagem de canadeaçúcar para produção de açúcar mascavo, melado, rapadura"). Afinal, o conceito amplo de atividade rural prestigiado pela Lei nº 8.023/1990 contempla a "agricultura" (inciso I, do art. 2º) e, ainda, a "transformação de produtos decorrentes de atividade rural" (inciso V, do art. 2º). Este conceito amplo de atividade rural adequase às demais normas que regem esta atividade. (...) No mesmo sentido, o Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/1964) regula "os direitos e obrigações concernentes aos bens imóveis rurais, para os fins de execução da Reforma Agrária e promoção da Política Agrícola", tratando em diversos dispositivos da atividade agroindustrial, sem limitação similar à trazida pela IN SRF 257/2002. Destaco, nesse sentido, a prescrição do artigo 4º do Estatuto da Terra: Art. 4º Para os efeitos desta Lei, definemse: I "Imóvel Rural", o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.811 28 agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada; (...) VI "Empresa Rural" é o empreendimento de pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que explore econômica e racionalmente imóvel rural, dentro de condição de rendimento econômico ...Vetado... da região em que se situe e que explore área mínima agricultável do imóvel segundo padrões fixados, pública e previamente, pelo Poder Executivo. Para esse fim, equiparamse às áreas cultivadas, as pastagens, as matas naturais e artificiais e as áreas ocupadas com benfeitorias; Em sentido similar, a Lei nº 5.889/1973, que trata das normas reguladoras do trabalho rural, define como empregador rural aquele que exerce atividade de "exploração industrial em estabelecimento agrário", verbis: Art. 3º Considerase empregador, rural, para os efeitos desta Lei, a pessoa física ou jurídica, proprietário ou não, que explore atividade agroeconômica, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou através de prepostos e com auxílio de empregados. § 1º Incluise na atividade econômica, referida no "caput" deste artigo, a exploração industrial em estabelecimento agrário não compreendido na Consolidação das Leis do Trabalho. (redação vigente ao tempo dos fatos em discussão nestes autos). O Superior Tribunal de Justiça, em acórdão submetido ao artigo 543C, do anterior Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/1973), tratou de usinas alcooleiras identificando as o exercício de atividade rural. À ocasião, aquele E. STJ julgava outro tema (exigência de FGTS anteriormente à CF/1988, interpretando inclusive a Lei nº 5.889/1973). De toda forma, o julgamento traz à luz a relevância da identificação de atividade rural e industrial, de forma coerente para fins de aplicação da legislação federal. Destaco trecho do julgamento do E. Superior Tribunal de Justiça (...) 6. De acordo com a lei em referência, uma mesma empresa agroindustrial, poderia ser qualificada como empregadora rural relativamente aos seus empregados que realizava, atividades rurais, e como urbana no que tange às demais atividades desenvolvidas. 7. Sobre o tema, o Tribunal Superior do Trabalho firmou entendimento de que a atividade exercida pelo empregado é que define a condição deste como rural ou industriário, assentando, inclusive que o cultivo da canadeaçúcar para usina alcooleira não constitui atividade agroindustrial, mas sim rural. 8. Assim, concluise que os empregados, que laboram no cultivo da canadeaçúcar para empresa agroindustrial ligada ao setor alcooleiro, detém a qualidade de rurícola, o que traz como Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.812 29 consequência a isenção do FGTS desde a edição da Lei Complementar n. 11/71 até a promulgação da Constituição Federal de 1988. Precedente: EDRESP 952052 / PE, da relatoria da Ministra Eliana Calmon, DJ 12.3.2010. 9. Recursos especiais não providos. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Recurso Especial nº 1.133.662, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 19/08/2010) O Decreto Lei 57/1966, ao tratar do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, impede a incidência de IPTU sobre imóveis destinados à exploração de agroindústria: Art 15. O disposto no art. 32 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não abrange o imóvel de que, comprovadamente, seja utilizado em exploração extrativa vegetal, agrícola, pecuária ou agroindustrial, incidindo assim, sôbre o mesmo, o ITR e demais tributos com o mesmo cobrados. (Revogação suspensa pela RSF nº 9, de 2005) O tratamento conferido à agroindústria pela legislação federal, portanto, é similar àquela conferida à atividade rural, não sendo justificável a restrição estabelecida pela IN SRF 257/2002, em seu artigo 2º, inciso V. (destacamos) Posto isso, como exposto no profundo voto da I. Conselheira acima colacionado, em face do extrapolamento restritivo do gozo do benefício veiculado no art. 314 do RIR/99 sobre máquinas e equipamentos utilizados em atividades agrícolas, promovida pela IN nº 257/2002, reduzindo o alcance do conceito legal de atividade rural, afastase integralmente tal glosa sofrida, dandose provimento total ao Recurso Voluntário. Em consequência do afastamento completo da motivação e do fundamento do lançamento de ofício, ficam as demais matérias prejudicadas. Diante de todo o exposto, voto por dar provimento integral ao Recurso Voluntário, reformandose o v. Acórdão recorrido para cancelar as Autuações combatidas. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 15956.720233/201333 Acórdão n.º 1402002.821 S1C4T2 Fl. 1.813 30 Fl. 1813DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004386/2007-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2011
CERCEAMENTO DE DEFESA. POSSIBILIDADE DE VISTA DOS AUTOS. NÃO OCORRÊNCIA. O direito de defesa é observado quando se
assegura ao autuado a possibilidade de ter vista dos autos na repartição, bem como de obtenção de cópia de documentos e planilhas deles constantes.
DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Os valores creditados em contas bancárias geram presunção “juris tantum” de omissão de receitas, quando o titular não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, comprovação que se faz mediante a indicação e prova dos negócios jurídicos de que se originam os recursos.
TRIBUTAÇÃO AJUSTE DA BASE DE CALCULO. APLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA DO LUCRO ARBITRADO. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Assim verificado quem a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, tanto receitas quanto despesas/custos, impõe-se o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL
Numero da decisão: 1402-000.868
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, por maioria de votos, reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, para o montante correspondente a 9,6% do total da receita, aplicando-se a sistemática de apuração do lucro arbitrado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 CERCEAMENTO DE DEFESA. POSSIBILIDADE DE VISTA DOS AUTOS. NÃO OCORRÊNCIA. O direito de defesa é observado quando se assegura ao autuado a possibilidade de ter vista dos autos na repartição, bem como de obtenção de cópia de documentos e planilhas deles constantes. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção “juris tantum” de omissão de receitas, quando o titular não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, comprovação que se faz mediante a indicação e prova dos negócios jurídicos de que se originam os recursos. TRIBUTAÇÃO AJUSTE DA BASE DE CALCULO. APLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA DO LUCRO ARBITRADO. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Assim verificado quem a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, tanto receitas quanto despesas/custos, impõese o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, por maioria de votos, reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, para o montante correspondente a 9,6% do total da receita, aplicandose a sistemática de apuração do lucro arbitrado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, que negava provimento ao recurso. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10183.004386/200766 Acórdão n.º 140200.868 S1C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório BORCHARDT & CIA LTDA. recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de impugnação apresentada contra autos de infração de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, nos quais a Fiscalização, baseandose nos mesmos elementos fáticos, a omissão de receita caracterizada pela falta de registro contábil de depósitos bancários, formalizou a exigência de crédito tributário no montante de R$ 6.730.212,97, tendo por fundamento legal o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 e demais dispositivos indicados nos autos de infração de fls. 03 a 23, 24 a 38, 39 a 55 e 56 a 70. A contribuinte, não resignada, arguiu preliminarmente nulidade por cerceamento de direito de defesa, uma vez que não lhe foram entregues as planilhas a que fazia referência o texto contido no auto de infração. Essas planilhas, sendo parte integrante do auto de infração, constituem documentos imprescindíveis para a defesa. Ademais, os autos permaneceram da Delegacia da Receita Federal em Cuiabá, distante cerca de 700 Km do estabelecimento da impugnante. No mérito, alegou que houve acesso a dados bancários, sem autorização judicial, violando direitos fundamentais do contribuinte. Afirmou ainda ser ilegal a utilização dos números relativos à movimentação financeira do contribuinte como base de cálculo para a constituição de crédito tributário, invocando em socorro dessa tese o enunciado da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos – TFR. Acrescentou que é imprescindível que a autoridade administrativa comprove, através de outros elementos, a ocorrência de omissão de rendimentos que constituem fato gerador do imposto. Quanto à origem dos depósitos, afirmou que houve várias transferências entre contas correntes da própria pessoa jurídica e entre esta e a conta de seu sócio, pessoa física. Além disso, existem vários depósitos originados de contratos de empréstimos obtidos junto a instituições financeiras. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10183.004386/200766 Acórdão n.º 140200.868 S1C4T2 Fl. 0 3 Com esses fundamentos, pugnou pela nulidade de todo o procedimento fiscal e do próprio auto de infração. Protestou pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito, especialmente a prova pericial. A decisão recorrida está assim ementada: PROVA PERICIAL. REQUISITOS. CABIMENTO. O requerimento de prova pericial só pode ser deferido se presentes os requisitos específicos do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 e os requisitos genéricos da pertinência, necessidade e possibilidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. POSSIBILIDADE DE VISTA DOS AUTOS. NÃO OCORRÊNCIA. O direito de defesa é observado quando se assegura ao autuado a possibilidade de ter vista dos autos na repartição, bem como de obtenção de cópia de documentos e planilhas deles constantes. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção “juris tantum” de omissão de receitas, quando o titular não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, comprovação que se faz mediante a indicação e prova dos negócios jurídicos de que se originam os recursos. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão em 24/12/2009 (AR à fl. 935), a contribuinte apresentou e,m 22/01/2010 o recurso voluntário de fls. 936 seguintes, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisando as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos (verbis). “(...) Ante ao exposto requer, 1— 0 conhecimento do presente recurso, porquanto interposto em conformidade com as disposições do Decreto n. 70.235172; 2 — 0 provimento da preliminar de cerceamento de defesa reabrindo se o prazo de defesa para o contribuinte ter acesso aos autos ou, igualmente, com a reabertura do prazo para impugnação, que as planilhas que embasaram a autuação sejam enviadas à sede do Contribuinte; 3 — Com fundamento nos artigo 5 0, X e XII da Constituição Federal e, escorado nas decisões de nossos Tribunais e que a recorrente pugna pela declaração da nulidade de todo o procedimento de fiscalização constante dos autos do presente processo administrativo e, consectariamente a declaração da nulidade do auto de infração objeto da presente impugnação, porquanto ofensivo às normas constitucionais relativas aos direitos e garantias fundamentais. 4 — Com fundamento nos artigos 43 e 44 do Código Tributário Nacional, pugna pela declaração de nulidade do auto de infração objeto da presente impugnação, devendo a r. Fiscalização efetuar o lançamento somente dos valores que caracterizem disponibilidade econômica. 5 — Com base no artigo 42 da Lei n. 9.430196, requer seja excluído *da base de cálculo dos impostos constante do Auto de Infração, os valores referentes aos Fl. 974DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10183.004386/200766 Acórdão n.º 140200.868 S1C4T2 Fl. 0 4 empréstimos realizados junto às instituições financeiras, assim como os, valores referentes à transferências entre outras contas pertencentes à pessoa jurídica ou contas da pessoa física do seu representante legal, conforme discriminado em planilha anexa. 6 — Protesta provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidos, especialmente a produção de prova pericial no tocante à disponibilidade econômica para fins de lançamento tributário, conforme discorrido no tópico 04 da presente impugnação. É o relatório. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10183.004386/200766 Acórdão n.º 140200.868 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de exigência de IRPJ e reflexos, em face de omissão de receitas, calcada na presunção legal de depósitos bancários não justificados. Do confronto dos fundamentos da peça recursal com a impugnação evidenciase que o contribuinte basicamente limitouse a transcrever as mesmas alegações já enfrentadas pela acórdão recorrido, sem trazer uma única justificativa sequer. DA ADOÇÃO DOS FUNDAMENTOS VOTO CONDUTOR DO ACÓRDÃO RECORRIDO. A meu ver, a decisão de 1a. instância enfrentou satisfatoriamente todos as alegações do recorrente, pelo que peço vencia para transcrever e adotar tais fundamentos como razões de decidir. Cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa, segundo alegação da impugnante, teria ocorrido por dois motivos. Primeiro por não lhe terem sido entregues as planilhas anexas ao auto de infração; depois, por não ter tido acesso aos autos, já que estes permaneceram na DRF Cuiabá. A alegação não procede. A planilha mencionada no auto de infração é a mesmo que já havia sido recebida pela impugnante em 29/05/2007 (fl. 112), na qual estavam relacionados os depósitos cujas origens a Fiscalização pretendia que fossem identificadas. Observase pelo documento de fl. 136 que a impugnante não apenas recebeu o documento, como solicitou dilação de prazo, a fim de poder reunir a documentação necessária para comprovar as origens dos valores depositados, o que não foi feito, motivando a autuação. Porém, mesmo que a planilha não fosse enviada à impugnante, não haveria cerceamento de defesa. Isso porque ao contribuinte que sofre uma autuação fiscal é concedido o direito de ter vista dos autos, podendo, se quiser, extrair cópia de algumas peças ou de todas as folhas. A circunstância de os autos permanecerem na DRF Cuiabá não se constitui em cerceamento de defesa, porquanto a impugnante, que é empresa de porte razoável, a julgar pelo volume de dinheiro movimentado em contas bancárias Fl. 976DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10183.004386/200766 Acórdão n.º 140200.868 S1C4T2 Fl. 0 6 nos anos de 2003 a 2005, poderia ter se dirigido àquela unidade para ter vista dos autos. Poderia também, dentro do prazo de impugnação, ter solicitado a remessa dos autos à Agência de Sinop. Frisese que o lançamento não foi feito contra uma pessoa física, de reduzida capacidade econômica, para quem o deslocamento a até a capital do Estado representaria um verdadeiro obstáculo ao exercício do direito de defesa. Por essas razões, rejeitase a preliminar. Prova pericial. A impugnante protestou pela produção de provas, especialmente a prova pericial. Dispõe o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 que “a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. No mesmo sentido aponta o §2º do art. 38 da Lei nº 9.784/1999, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, quando reza que “somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelo interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias”. Os dispositivos citados, na esteira dos princípios da economia e da celeridade processuais, exigem, como condição para deferimento da prova, que ela preencha simultaneamente aos requisitos pertinência, necessidade e possibilidade. Além disso, no que tange especialmente à prova pericial, deve o pedido ser formulado com observância do disposto no inciso IV, do art. 16, do Decreto nº 70.235; ou seja, deve referirse a objeto determinado e conter, desde logo, a formulação dos quesitos e a indicação do perito. Entretanto, nenhum desses requisitos foi atendido, o que por si só justifica o indeferimento da perícia. Além disso, a realização de perícia tem por pressuposto a necessidade de informação ou de esclarecimento para os quais se exija conhecimento técnico específico, que no caso não se mostra necessário, porquanto, apesar da copiosa documentação, as informações podem ser dela extraídas apenas com um simples exame, sem que para tanto seja necessário qualquer conhecimento técnico ou científico. A perícia, por outro lado, não supre a ausência de documentos e esclarecimentos que a impugnante deixou de fornecer. Por essas razões, indeferese a produção de provas. Violação de sigilo bancário e utilização de dados relativos à CPMF. Não pode ser acolhida a alegação de ofensa ao sigilo bancário. A par das disposições contidas na Lei Complementar nº 105/2001, que concedem à autoridade administrativa o poder de requisitar informações relativas à movimentação bancária diretamente às instituições financeiras, a principal circunstância a afastar qualquer tipo de violação a esse direito está Fl. 977DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10183.004386/200766 Acórdão n.º 140200.868 S1C4T2 Fl. 0 7 no fato de que foi a própria impugnante quem trouxe os extratos, como revela o documento de fls. 79 e 80. Portanto, mesmo que o sigilo bancário pudesse ser oposto ao Fisco, não caberia alegar qualquer violação, porquanto foi o próprio titular do direito quem abriu mão dele. No que tange à utilização de dados pertinentes à CPMF, procedeu a Fiscalização com suporte no que dispõe §3º do art. 11 da Lei nº 9.311/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001: Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. § lº No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2º As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (g.n.) Omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não contabilizados. O lançamento foi realizado com fulcro na presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, assim redigido: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase de presunção legal de omissão de receitas, criada em favor da Fazenda, de eficácia relativa, podendo ser afastada por prova em contrário a cargo do contribuinte. A referida presunção se opera quando presentes os seguintes requisitos: a) existência de depósitos em contas bancárias, cuja origem não se possa identificar; Fl. 978DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10183.004386/200766 Acórdão n.º 140200.868 S1C4T2 Fl. 0 8 b) intimação regular ao contribuinte para fazer a comprovação da origem dos valores depositados; e c) falta de comprovação da origem dos recursos mediante documentação hábil. Reunidos esses três requisitos, nasce em favor do Fisco presunção de omissão de rendimentos que, dispensando qualquer outro fato ou circunstância, pode dar ensejo a lançamento de Imposto de Renda. O caso que ora se examina reúne os três requisitos. É grande a disparidade entre os valores informados nas Declarações de Informações Econômico Fiscais DIPJ e os recursos movimentados nas contas bancárias nos respectivos períodos. A impugnante declarou na DIPJ do exercício 2004 uma receita de R$ 1.190.970,84; movimentou no mesmo período R$ 4.545.498,84. Já nos exercícios 2005 e 2006 nada declarou como receita, entretanto movimentou respectivamente R$ 5.488.885,75 e 3.898.836,90 (fls. 71). Mesmo intimada para justificar a origem dos recursos depositados, a impugnante, a critério da Fiscalização, não o fez de forma satisfatória, o que rendeu ensejo ao lançamento de ofício. À luz da legislação aplicável à espécie, não prevalece o entendimento de que é necessário evidenciar uma relação de causa e efeito entre os depósitos e o fato gerador do Imposto de Renda, aqui considerado como acréscimo patrimonial. Como se disse, o art. 42 da Lei nº 9.430 estabeleceu presunção pela qual depósitos bancários de origem não comprovada, desde que presentes os requisitos acima apontados, podem ser tomados como se receitas fossem. A presunção legal dispensa a Fiscalização de buscar outros elementos de prova da existência de vínculo entre os depósitos e eventual acréscimo patrimonial. A lei, por si mesma, presume esse vínculo. O art. 42 da Lei nº 9.430 veio exatamente para, rompendo com a antiga sistemática do art. 6º da Lei nº 8.021/1990, dispensar a presença de outros elementos probatórios. O art. 6º da Lei nº 8.021 falava efetivamente em sinais exteriores de riqueza. Daí o entendimento que se formou na jurisprudência, segundo o qual, mesmo diante de depósitos e aplicações em instituições financeiras, a higidez do lançamento de crédito tributário dependia sempre da vinculação desses recursos a outros indícios de omissão de receitas. Todavia, tal a exigência foi superada com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430, diante do qual sucumbiu o entendimento consolidado no verbete da Súmula nº 182 do extinto TFR. A comprovação das origens dos depósitos. Os valores depositados nas contas bancárias, segundo afirma a impugnante, seriam oriundos de transferências entre contas da própria empresa; de transferências entre contas da empresa e contas do sócio; e de empréstimos. As supostas transferências de recursos do sócio para a conta da impugnante, mesmo que ficasse demonstrada a veracidade da afirmação, não podem ser Fl. 979DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10183.004386/200766 Acórdão n.º 140200.868 S1C4T2 Fl. 0 9 aceitas como justificativa de origem para afastar a presunção legal de omissão de receitas. É que justificar a origem não se resume a identificar a pessoa do depositante. É mais que isso, consiste em explicitar a operação ou o negócio jurídico que originou os valores e do que decorreu o depósito. Ademais, é oportuno lembrar que as transferências a que se refere o inciso I, §3º do art. 42 da Lei nº 9.430, e que devem ser excluídas da base de cálculo do lançamento, são aquelas que envolvem contas do mesmo titular. A pessoa do sócio não se confunde com a da sociedade, sendo inclusive hipótese de desconsideração da personalidade jurídica a confusão patrimonial (art. 50 do Código Civil). As transferências pretensamente havidas entre contas da impugnante não foram incluídas na base de cálculo, o que se constata pelo confronto dos dois depósitos indicados na impugnação (fl. 778), com os valores incluídos pela Fiscalização no lançamento (fls. 118 e 121). As demais explicações dadas pela impugnante, além de desprovidas de respaldo documental, não se referem aos valores colhidos no auto de infração. (...) DA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO DO LUCRO. NECESSIDADE DE AJUSTE PARA O LUCRO ARBITRADO. Todavia, há um aspecto a ser ajustado na exigência, a base de cálculo. Verificase que o Fisco manteve a tributação no lucro real, modalidade adotada pelo contribuinte, mesmo constatando que a atividade da empresa é comercial (venda de mercadorias), vide Livro Diário fls. 168 e seguintes, bem como demonstrativo às fl. 21. Tendo o contribuinte suportado custos nas aquisições de mercadoria e apresentado a DIPJ do anocalendário de 2003 onde constou menos de 25% de suas receitas, bem como DIPJ de 2004 e 2005 sem movimento, ou seja, zero de receitas, o procedimento correto é o arbitramento dos lucros, do contrário está se exigindo o IRPJ e a CSLL sobre a receita e não sobre o resultado comercial. Essa tem sido a posição majoritária deste colegiado em casos semelhantes, a exemplo do seguinte julgado: CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. CONTABILIDADE DESCLASSIFICADA. ARBITRADO O LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Assim verificado quem a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõese o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. (Acórdão 140200.728 de 29/09/2011) Fl. 980DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10183.004386/200766 Acórdão n.º 140200.868 S1C4T2 Fl. 0 10 No citado acórdão destacase os seguintes fundamentos (verbis): O artigo 47, II da Lei nº 8.981, de 1997, determina que o lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou Entendese por contabilidade na forma da lei aquela que registra integralmente e não parte reduzida das operações comerciais e transações bancárias. No caso dos autos, a apuração feita pela autoridade fiscal demonstrou que a recorrente teve omissões em montante maior ao das receitas registradas. Tal fato demonstra, de forma inquestionável, que a contabilidade apresentada pela recorrente não atendia aos requisitos especificados nos incisos I e II, do artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1997 e artigos 529 e 530, do Regulamento do Imposto de Renda, que nestas situações determinam que o lucro deve ser arbitrado. O arbitramento do lucro não é faculdade concedida pela lei, mas sim imposição. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, não usa a expressão poderá, mas sim será arbitrado. Constatado fraude que não identifica as efetivas operações da empresa, a autoridade fiscal, mesmo para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, deve arbitrar o lucro. O artigo 241 da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o artigo 472 da Lei nº 8.981, de 1995. Nos casos em que a contabilidade da empresa apresentar deficiência ao ponto de registrar menos da metade das operações, deverá a autoridade fiscal proceder o arbitramento do lucro. Não é regular a contabilidade que deixa de registrar a maior parte das transações realizadas pelo contribuinte. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar o 1 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. (Redação dada ao parágrafo pela Lei nº 11.941, de 27.05.2009, DOU 28.05.2009, conversão da Medida Provisória nº 449, de 03.12.2008, DOU 04.12.2008). 2 Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou Fl. 981DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA Processo nº 10183.004386/200766 Acórdão n.º 140200.868 S1C4T2 Fl. 0 11 comando de que o lucro será arbitrado nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Registro que essa questão se trata de matéria de ordem pública, visto que é defeso à Fazenda Nacional exigir o imposto de renda e CSLL sobre a totalidade da receita. Tais tributos devem incidir sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado). Assim propugno pelo ajuste na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL observando a sistemática do lucro arbitrado nos anoscalendário de 2003 a 2005. CONCLUSÃO Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, por maioria de votos, reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, para o montante correspondente a 9,6% do total da receita, aplicandose a sistemática de apuração do lucro arbitrado. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 982DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por ANTONIO JOSE PRA GA DE SOUZA
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Numero do processo: 11052.000895/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2007
INTEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o Recurso Voluntário apresentado depois de transcorridos mais de trinta dias da intimação, não podendo ser conhecido pelo colegiado.
Numero da decisão: 3402-004.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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É intempestivo o Recurso Voluntário apresentado depois de transcorridos mais de trinta dias da intimação, não podendo ser conhecido pelo colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 08 95 /2 01 0- 73 Fl. 249DF CARF MF 2 Tratase de Auto de Infração de Imposto sobre Operação de Crédito, Câmbio e Seguro – IOF, explicitado a seguir, e, do Termo de Constatação de Irregularidades TCI correspondente (fls.41/78), lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, referentes a fatos geradores do anocalendário de 2007. Frisese, inicialmente, que após Impugnação e respectiva decisão da DRJ, apenas um ponto está sendo discutido no âmbito deste Recurso Voluntário, qual seja, a incidência de IOF sobre os valores relativos à conta 1.2.1.01.07.001 – Agropecuária Barreto Ltda. Segundo o item VII do TCI, intimado a apresentar o contrato de mútuo relativo à conta 1.2.1.01.07.001 – Agropecuária Barreto Ltda, o interessado declarou que não existia contrato de mútuo, e, que, “como a propriedade agrícola desta empresa está garantindo dívidas da Café Solúvel Brasília S/A, existe a obrigação de manutenção da propriedade. A empresa vem pagando a manutenção da propriedade e ao invés de jogar tais valores para despesa, contabilizaos como adiantamentos, na expectativa de que um dia possa receber tais valores. Não paga, no entanto, o custo da garantia”. Para o autuante, por outro lado, “configurase a situação fática em que o contribuinte é credor dos recursos financeiros que disponibiliza à empresa Agropecuária Barreto Ltda”, conforme planilhas de cálculo às fls. 6566. Em impugnação, o interessado aduziu inicialmente que “a presente impugnação abrange apenas o item VI do Termo de Constatação de Irregularidades (IOF), sendo que os demais tópicos serão tratados em defesas distintas”, delimitando assim o escopo deste processo administrativo. Em seguida, afirma que, no caso, inexiste contrato de mútuo, mas sim, “empréstimo de bens infungíveis, caracterizandose a celebração de contrato distinto, qual seja, o comodato, tipificado no artigo 579 do Digesto Civil”, uma vez que “o bem cedido por empréstimo da Agropecuária Barreto para a Impugnante foi o imóvel rural denominado “Ilha Grande”, matriculado sob o nº R13874, no Cartório de Registro de Imóveis de Varginha (documento anexo), ou seja, bem infungível, o que descarta a existência de mútuo na operação, sendo indevido o IOF”. A impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, sob o fundamento de que: Os documentos que o interessado junta aos autos, às fls. 137/145 – a) escritura pública de compra e venda, de 04.06.1979, pela qual Centrais Elétricas de Minas Gerais S/A (Cemig) vende a Agropecuária Barreto Ltda (cuja razão social, conforme 5ª Alteração Contratual de 08041986, às fls.141/143, era Parque Florestal Ilha Grande Ltda), uma ilha denominada “Ilha Grande” e o terreno a ela vizinho (fls.137/143); e b) o Registro de Imóveis (fls.144/145) , não se referem a comodato e nem elidem os valores contabilizados a título de empréstimos de recursos financeiros. Irresignado, apresentou o Contribuinte Recurso Voluntário, reiterando suas razões da impugnação. Por entender não estar suficientemente instruído o feito, o colegiado entendeu por converter o julgamento em diligência através da Resolução nº 3402001.026, para que se intimasse o Recorrente a apresentar o Contrato de Comodato junto à empresa Agropecuária Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11052.000895/201073 Acórdão n.º 3402004.951 S3C4T2 Fl. 3 3 Barreto Ltda., tendo como objeto o imóvel denominado de "Ilha Grande", ou outros elementos probatórios que comprovem inequivocamente este vínculo e a causa das transferências registradas na Conta de fls. 3334. Intimado, o Recorrente não se manifestou após o transcurso do prazo determinado na intimação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Contribuinte foi intimado do resultado de julgamento em 06/02/2014, conforme AR de fl. 189, vindo a apresentar seu Recurso Voluntário apenas em 13/03/2014 (fl. 193), mais de 30 dias após a intimação, de modo que o mesmo é flagrantemente intempestivo, não devendo ser conhecido pelo colegiado. Assim, voto por não conhecer o presente recurso voluntário, em razão da patente intempestividade. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 251DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.001836/2009-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÕES EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO.
A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos relativos à base de cálculo investigada ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa.
Numero da decisão: 2201-004.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÕES EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos relativos à base de cálculo investigada ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 18 36 /2 00 9- 02 Fl. 3867DF CARF MF 2 EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 3852/3865) apresentado em face do Acórdão nº 0358.132, da 5ª Turma da DRJ/BSB (fls. 3827/3838), que deu parcial provimento à impugnação do sujeito passivo (fls. 72/87) ao auto de infração pelo qual se exige crédito tributário relativo às contribuições destinadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte Senat, incidente sobre a remuneração dos empregados, aferida com base nos valores dos serviços de transporte de valores prestados pela fiscalizada (AIOP 37.043.9210 fls. 2/68). Segundo o relatório da fiscalização (fls. 60/68), foi aferida a remuneração dos empregados com base na receita obtida através da prestação de serviço de transporte de valores sobre a qual foi aplicado o percentual de 20% (vinte por cento). Do valor assim apurado, teriam sido deduzidas as remunerações constantes das folhas de pagamento apresentadas pela empresa. A aferição indireta realizada teria por base legal o art. 33, § 3º, da Lei nº 8.212, de 1991, e os arts. 600, I, e 603 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005. O fundamento fático para esse procedimento seria a não apresentação de parte dos livros e dos documentos solicitados pela fiscalização através de termos de intimação, bem como por ter deixado de prestar informações contábeis, financeiras e cadastrais de interesse da Receita Federal do Brasil, condutas que teriam justificado a imposição de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias (AIOA nº 37.165.7568 e 37.165.7571). Em benefício da clareza, transcrevo abaixo trecho do relatório fiscal onde são detalhadas as irregularidades apuradas pela fiscalização: • Não foram apresentados os livros Razão referentes aos exercícios de 2005 e de 2006. • Nos livros Diários apresentados, verificouse a existência de lançamentos relativos a despesas com fardamento, combustíveis, manutenção de veículos, material de escritório, material utilizado no serviço, viagens, cestas básicas, sem referência a documento fiscal, conforme cópias xerográficas anexadas ao AIOP DEBCAD 37.209.9602. • A partir de 2005, o histórico das despesas acima citadas passou a referenciar o número do documento fiscal. Por se tratarem de despesas de valor elevado, principalmente no que tange a compra de fardamento, material de escritório e utilizado no serviço, e por terem sido anteriormente escrituradas sem referência A nota fiscal, concluiuse quanto à indispensabilidade Fl. 3868DF CARF MF Processo nº 10380.001836/200902 Acórdão n.º 2201004.269 S2C2T1 Fl. 3.868 3 do exame de alguns desses comprovantes no sentido de determinar se tais gastos se referiam efetivamente à finalidade consignada nos títulos contábeis. • Solicitados os documentos fiscais comprobatórios das despesas escrituradas, apenas parte dos mesmos foi apresentada à fiscalização, tendo os comprovantes sido retidos e posteriormente, apreendidos. • Os documentos fiscais apresentados pela empresa continham indícios de inautenticidade, tais como selo fiscal sem talho doce e numeração de notas apostas com numerador manual. • Tais indícios determinaram a intimação dos fornecedores para apresentação das vias das notas fiscais com a mesma numeração e relativas aos mesmos períodos das apresentadas pela CORPVS. • Examinadas as Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores, verificouse que: • as notas com a mesma numeração apresentada pela CORPVS não tinham sido emitidas contra este cliente ou sequer tinham sido emitidas ainda pelo fornecedor; • tanto as datas de emissão das Notas quanta os valores das mesmas eram diferentes das contidas nas apresentadas pela CORPVS; • o layout das Notas apresentadas pelos fornecedores não era compatível com o das vias encontradas na CORPVS. • Solicitadas informações A Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará acerca das empresas para quem teriam sido emitidas as Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais AIDF, constatouse que as Autorizações constantes das Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS como sendo de seus fornecedores foram emitidas pela SEFAZ para outras empresas. • Foi solicitada ainda a Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará a identificação dos contribuintes para quem foram emitidas a Autorizações para Impressão dos Selos apostos em Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS. Também nesse caso verificouse terem sido as Autorizações emitidas para empresas diferentes daquelas constantes das Notas apresentadas pela CORPVS. • Tais constatações determinaram a conclusão quanto A apresentação deficiente de documentos bem como quanto A tese de crime de falsificação de documento público, conforme previsto no art. 297 do DecretoLei 2.848/40 Código Penal. • No caso dos selos apostos nas Notas Fiscais, deve ser levantada a tese de crime de falsificação de papéis públicos, conforme previsto no art. 293, inciso I, do Código Penal. Fl. 3869DF CARF MF 4 Pelos fatos acima narrados, foi realizada aferição indireta tendo por base valores de venda de serviços escriturados nas contas que são identificadas no item 3.5 do relatório fiscal. O lançamento foi impugnado pelo sujeito passivo, o que deu origem ao Acórdão ora atacado, que foi precedido pela realização de duas diligências determinadas pela autoridade julgadora de 1ª instância (fls. 2825/2830 e 2848/2851) para fins de averiguação de irregularidades apontadas pela impugnante nos cálculos realizados pela fiscalização. Realizados os ajustes determinados pela DRJ (fls. 3815/3820), foi proferida decisão consubstanciada em documento que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. À esfera administrativa não cabe conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. As contribuições lançadas sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando houver a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. VERDADE MATERIAL. A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização, no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. LANÇAMENTO. IRREGULARIDADE, INCORREÇÕES OU OMISSÕES. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do PAF não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Tendo tomado ciência dessa decisão em 16/06/2014 (fls. 3851), o sujeito passivo apresentou tempestivamente seu recurso voluntário (fls. 3852/3865) em 23/06/2014. Fl. 3870DF CARF MF Processo nº 10380.001836/200902 Acórdão n.º 2201004.269 S2C2T1 Fl. 3.869 5 Em suas razões recursais, alega, em síntese, que: 1. As deficiências apontadas pela fiscalização limitamse à contabilização de notas fiscais tidas como inidôneas e a falta de apresentação dos Livros Razão de 2005 e 2006. 2. Como foi apresentada toda a documentação relacionada a apuração da contribuição previdenciária, o lançamento por aferição indireta é nulo, por vício formal, uma vez que lhe faltou fundamentação legal. 3. Há também nulidade por vício material, uma vez que restaram demonstrados vários erros na apuração da base de cálculo. 4. As competências anteriores a abril de 2014 já se encontravam atingidas pela decadência quando o lançamento foi realizado. 5. É inconstitucional e ilegal o arbitramento das contribuições ao Senat com base no faturamento. 6. A presunção utilizada deve ceder diante da verdade material. A recorrente apresentou documentos capazes de elidir a presunção fustigada demonstrando o montante real da remuneração paga aos seus empregados e contribuintes individuais. 7. A decisão de piso errou ao determinar que fossem deduzidos dos valores apurados por aferição indireta apenas as folhas de pagamento dos empregados diretamente ligados à prestação dos serviços, pois este procedimento não é razoável e nem proporcional. 8. Como o lançamento se reporta a fatos geradores anteriores a dezembro de 2008, entende que a multa deve se limitar à multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991. Pelas razões expostas acima, pede a reforma da decisão de primeira instância para que seja cancelado o lançamento materializado no AIOP nº 37.043.9210. Chegando a este Colegiado, o processo foi distribuído a esta Conselheira em sessão pública. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Inicialmente, registro que, com base no art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235, de 1972, deixarei de analisar as preliminares (nulidade por vício formal) e prejudiciais de mérito (decadência), pelas razões que serão evidenciadas a seguir. Fl. 3871DF CARF MF 6 O lançamento em análise foi realizado com base em aferição indireta, invocando como base os seguintes dispositivos: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Instrução Normativa SRP nº 3, de 1995 Art. 600. Para fins de aferição, a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde ao mínimo de: I quarenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II cinqüenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo, no caso de trabalho temporário. Parágrafo único. Nos serviços de limpeza, de transporte de cargas e de passageiros e nos de construção civil, que envolvam utilização de equipamentos, a remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior aos respectivos percentuais previstos nos arts. 602, 603 e 605. (...) Art. 603. Na operação de transporte de cargas ou de passageiros, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços não poderá ser inferior a vinte por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, observado, quanto ao transporte de cargas, o disposto no inciso V do art. 176. Compulsandose a IN SRP nº 3, de 2005, vêse que os fatos que autorizavam a utilização desse mecanismo de apuração da base de cálculo estavam descritos no artigo que é abaixo reproduzido: Art. 597. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusar se a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente; Fl. 3872DF CARF MF Processo nº 10380.001836/200902 Acórdão n.º 2201004.269 S2C2T1 Fl. 3.870 7 III faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, Secretaria da Receita Federal ou junto a outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para o fim do inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme previsto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 60 desta IN. Pela redação desse dispositivo, vêse que ele estabelece uma modalidade presumida de apuração da base de cálculo dos tributos, que deve ser adotada em circunstâncias bastante peculiares, quando a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados, ou a receita, ou o faturamento ou o lucro; quando há recusa na apresentação de documentos, sonegação de informações ou apresentação insuficiente; ou ainda quando as informações prestadas não merecerem fé. Apenas a constatação de uma das circunstâncias listadas acima autoriza o emprego do expediente excepcional, contudo, mesmo no contexto da identificação de um desses fatos, penso ser necessário haver uma relação de prejudicialidade entre as irregularidades constatadas e a matéria objeto de investigação fiscal e de autuação. Para que se revista de legitimidade, o ato que aplica medidas dessa natureza deve ser adequadamente fundamentado, o que exige que se aponte irregularidades concernentes à grandeza que está sendo auditada e argumentos que evidenciem ser inevitável a via adotada. Com isso se quer dizer que o arbitramento que se faz através de aferição indireta não é uma prerrogativa da fiscalização a ser utilizada conforme juízos de conveniência e oportunidade, mas uma via estreita cujo acesso só é permitido em circunstâncias perfeitamente delimitadas pela legislação e comprovadas dentro do processo através da linguagem adequada, seja através da narrativa empreendida no relatório fiscal, seja através de Fl. 3873DF CARF MF 8 provas. É elemento necessário dessa fundamentação, a demonstração do nexo causal entre as irregularidades verificadas e a impossibilidade de apuração do tributo pelos meios ordinários estabelecidos na legislação tributária. Nessa esteira, tratandose de tributos que têm por base a folha de pagamentos, a aferição indireta baseada no art. 597, I, da IN SRF nº 3, de 2005, por exemplo, estaria justificada pela demonstração de que a "contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço", pois é esta grandeza que se está a quantificar no procedimento de fiscalização. Ou então, seria necessário comprovar a recusa na prestação de informações ou documentos relativos à remuneração dos empregados, o que legitimaria a aferição indireta com suporte no art. 597, II. Estabelecida essa premissa, vêse que o auto de infração descreve irregularidades de duas ordens: não apresentação do livro razão 2005 e 2006 e contabilização de despesas suportadas por documentação fiscal inidônea. Quanto às notas inidôneas, a autoridade fiscal apresenta as seguintes informações: 6.1. No curso do procedimento de fiscalização junto ao contribuinte em referência, verificouse a existência de diversas despesas lançadas sem referência a documento fiscal no histórico dos lançamentos, nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005. Em face de tal constatação foi solicitada a apresentação das notas fiscais que embasaram os citados lançamentos os quais diziam respeito A aquisição de fardamento, combustíveis, cestas básicas, material de limpeza, material de escritório, manutenção de veículos, conservação e manutenção em geral. 6.2. A partir do segundo semestre de 2005 e em 2006, os lançamentos verificados nas mesmas contas referenciavam os documentos fiscais, mas foram solicitados também tais comprovantes para esclarecer a natureza das despesas efetuadas. Nas contas que registravam despesas referentes a fardamento, em face dos valores elevados nelas escriturados, foram solicitados os comprovantes de despesas mesmo quando os históricos dos lançamentos referenciavam as notas fiscais. 6.3. A empresa sob fiscalização apresentou parte dos documentos fiscais solicitados, conforme Termos de Constatação e de Retenção anexados ao AIOP n° DEBCAD 37.209.960 2, tendo sido detectados indícios de que tais notas poderiam ser falsas. No sentido de determinar a autenticidade dos mesmos, solicitouse à Secretaria da Fazenda do Estado do Ceara a confirmação da emissão de autorizações para impressão tanto das referidas Notas Fiscais quanto dos selos e foram intimados os fornecedores que teriam emitido os documentos fiscais apresentados pela Corpvs. Já em relação à ausência do livro razão, destaco o seguinte trecho do relatório: 6.5. Relativamente aos exercícios de 2005 e 2006, a empresa não apresentou os Livros Razão. Em face de tal omissão todos os Fl. 3874DF CARF MF Processo nº 10380.001836/200902 Acórdão n.º 2201004.269 S2C2T1 Fl. 3.871 9 valores relativos a serviços prestados a tomadores de serviços, à remuneração paga a empregados e ao sócio, valores pagos a titulo de saláriomaternidade e de saláriofamília, contribuições descontadas e valores recolhidos, tiveram de ser obtidos através do exame dos Livros Diário, dia a dia. 6.6. Tal foi também o procedimento para verificar as despesas constantes das contas acima referenciadas, para as quais, em muitos lançamentos, inexistia referência a documento fiscal. A partir desses excertos entendo correto afirmar que não restou evidenciado como o registro de despesas com "fardamento, combustíveis, cestas básicas, material de limpeza, material de escritório, manutenção de veículos, conservação e manutenção em geral" sem a correspondente documentação fiscal comprometeria a integridade das informações constantes das folhas de pagamento. Embora seja possível a existência de uma vinculação entre essas despesas, ela não foi demonstrada pela narrativa construída pela autoridade fiscal. Da mesma forma, a ausência do livro razão não parece justificar que se negue fé aos documentos e registros que espelham as remunerações pagas, até porque, conforme explicita a própria fiscalização "todos os valores relativos a serviços prestados a tomadores de serviços, à remuneração paga a empregados e ao sócio, valores pagos a titulo de salário maternidade e de saláriofamília, contribuições descontadas e valores recolhidos, tiveram de ser obtidos através do exame dos Livros Diário, dia a dia". Ou seja, parte dos levantamentos foram feitos com base no livro diário. Além disso, como resultado do mesmo procedimento fiscal foram realizados lançamentos com base nas folhas de pagamento da empresa, conforme pode ser verificado no processo nº 10380.001829/200901. Esses fatos revelam uma conduta contraditória da autoridade fiscal, que nega credibilidade aos documentos apresentados pela empresa ao mesmo tempo em que se vale deles. Oportuno destacar que este Conselho registra jurisprudência que evidencia a excepcionalidade das medidas adotadas no lançamento que ora se analisa, bem como a necessidade de que haja adequada fundamentação para elas. Nesse sentido, o Acórdão nº 2401 02.161, de lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, registra em sua ementa: AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Da fundamentação desse Acórdão, que adoto como razão de decidir, por sua vez, extraise: Fl. 3875DF CARF MF 10 Aferição indireta do saláriodecontribuição O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 148, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o Fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o Fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que o Relatório Fiscal, por entender que a documentação do contribuinte seria deficiente, lançou mão da aferição indireta da remuneração dos empregados. De acordo com as considerações da Auditoria, o fato da empresa não ter registrado o pagamento de ART, bem como de despesas com deslocamento e hospedagem do sócio gerente do sujeito passivo, desconsiderou toda a documentação apresentada, por entendêla imprestável. Não vi no relato do Fisco qualquer menção à solicitação de documentos necessários à apuração da remuneração dos empregados, como folhas de pagamento, GFIP, RAIS, recibos, etc. O mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram prestados serviços, conforme notas fiscais apresentadas. Nesse sentido, deveria o Fisco requerer os documentos que guardassem relação com o pagamento de remunerações e, somente havendo a sonegação desses elementos, ou indícios de que os dados contidos nos mesmos não refletiriam a realidade dos valores pagos como contraprestação pelo trabalho dos segurados empregados, é que caberia a adoção do procedimento excepcional da aferição indireta. Para mim, os fatos narrados pela Auditoria para desconsiderar toda a documentação da empresa, por não se relacionarem com a remuneração dos empregados, não justificam o arbitramento da contribuição. Fl. 3876DF CARF MF Processo nº 10380.001836/200902 Acórdão n.º 2201004.269 S2C2T1 Fl. 3.872 11 Assim, entendo que na espécie somente estariam presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da mãoobra utilizada na prestação dos serviços, se o Fisco cabalmente demonstrasse que a empresa deixou de apresentar os comprovantes de pagamento de remunerações a empregados ou que os documentos exibidos denunciassem que a remuneração neles contidos seria irreal. Vejo, então, que a Auditoria Fiscal se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, posto que não demonstrou estar diante de uma situação impeditiva de apurar as remunerações com esteio na documentação do sujeito passivo. Nesse sentido, dou razão à recorrente quanto à falta de justificativa para apuração da base de cálculo por aferição indireta. Também no caso sob análise a narrativa apresentada pelo relatório fiscal não evidencia a negativa de prestação de informações/documentos relacionados à remuneração, não restando demonstrada a impossibilidade de apuração dessa grandeza com base na documentação do sujeito passivo. Muito pelo contrário, em diversas oportunidades evidencia se que foi essa documentação utilizada pela fiscalização sem dificuldades maiores que a análise diaadia do livro diário. Merece registro que o Acórdão recorrido faz menção a irregularidades que tangenciam o objeto da fiscalização tal como defendido neste voto no seguinte trecho: No presente caso, a empresa deixou de apresentar os Livros Razão dos exercícios de 2005 e 2006, bem como os contratos de prestação de serviços firmados com empresas tomadoras de serviços, tendo recebido o Auto de Infração 37.165.7563, cuja impugnação da empresa foi julgada improcedente por esta 5a turma de julgamento, por meio do Acórdão 0343.905, de 05/07/2011.(grifouse) Apesar dessa menção na decisão de piso, que trata de irregularidade no atendimento à fiscalização que poderia reforçar as suas motivações para a medida empregada, não encontro no relatório fiscal e na documentação que foi juntada a esse processo a adequada representação desse fato, ou seja, ele não foi convertido em linguagem apta a fazer prova em favor das pretensões da Fazenda Pública. Com efeito, a autoridade fiscal concentrou seus esforços em demonstrar que a empresa registrou despesas com notas de duvidosa procedência. Contudo, a comprovação de que despesas diferentes da remuneração de empregados foram registradas sem os respectivos documentos fiscais poderia justificar a aferição indireta de tributos que tenham por base o lucro, mas não é motivação idônea para a adoção desse procedimento em relação a tributos que incidem sobre a remuneração de empregados. Quando mais não se produziu um único indício ou prova de que os valores contabilizados a esse título não são merecedores de fé. Em consequência, entendo inadequado o critério jurídico utilizado pela autoridade fiscal para fins de apuração da base de cálculo tributável, razão pela qual o lançamento realizado encontrase maculado por vício de ordem material. Fl. 3877DF CARF MF 12 Conclusão Pelos motivos expostos, voto por conhecer o recurso voluntário apresentado para, no mérito, darlhe integral provimento. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 3878DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.733306/2012-68
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
ADESÃO A PROGRAMA DE PARCELAMENTO DE DÉBITO. DESISTÊNCIA DA AÇÃO OU RENÚNCIA EXPRESSA AO DIREITO SOBRE O QUAL SE FUNDA A DEMANDA.
Segundo a orientação jurisprudencial do colendo STJ, ao aderir aoparcelamento, o contribuinte confessa e reconhece como devido o valor cobrado na ação fiscal e declara a sua vontade de pagar a dívida junto à Fazenda Pública. Nestes termos, a adesão aoparcelamentotorna incompatível o prosseguimento da ação fiscal, para discussão do débito que o próprio contribuinte reconheceu como devido espontaneamente, tendo-se em vista que a adesão não é imposta pelo fisco, mas sim uma faculdade dada à pessoa que, ao optar pelo programa, sujeita-se às regras nele constantes.
Numero da decisão: 2001-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 ADESÃO A PROGRAMA DE PARCELAMENTO DE DÉBITO. DESISTÊNCIA DA AÇÃO OU RENÚNCIA EXPRESSA AO DIREITO SOBRE O QUAL SE FUNDA A DEMANDA. Segundo a orientação jurisprudencial do colendo STJ, ao aderir aoparcelamento, o contribuinte confessa e reconhece como devido o valor cobrado na ação fiscal e declara a sua vontade de pagar a dívida junto à Fazenda Pública. Nestes termos, a adesão aoparcelamentotorna incompatível o prosseguimento da ação fiscal, para discussão do débito que o próprio contribuinte reconheceu como devido espontaneamente, tendo-se em vista que a adesão não é imposta pelo fisco, mas sim uma faculdade dada à pessoa que, ao optar pelo programa, sujeita-se às regras nele constantes.
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DESISTÊNCIA DA AÇÃO OU RENÚNCIA EXPRESSA AO DIREITO SOBRE O QUAL SE FUNDA A DEMANDA. Segundo a orientação jurisprudencial do colendo STJ, ao aderir aoparcelamento, o contribuinte confessa e reconhece como devido o valor cobrado na ação fiscal e declara a sua vontade de pagar a dívida junto à Fazenda Pública. Nestes termos, a adesão aoparcelamentotorna incompatível o prosseguimento da ação fiscal, para discussão do débito que o próprio contribuinte reconheceu como devido espontaneamente, tendose em vista que a adesão não é imposta pelo fisco, mas sim uma faculdade dada à pessoa que, ao optar pelo programa, sujeitase às regras nele constantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 33 06 /2 01 2- 68 Fl. 86DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 03 a 08, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, anocalendário de 2008, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 11.971,21, por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar de R$2.928,20, incluídos os acréscimos legais até janeiro de 2011 . O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02, alegando, em síntese, que apresentou várias vezes a comprovação das despesas médicas deduzidas e anexou os respectivos documentos que comprovariam as despesas. A DRJ Salvador, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os documentos juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que parcelou em doze vezes o crédito tributário lançado e já teria efetuado o pagamento da primeira parcela no Santander São Paulo, em 27.09.2012. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. No caso em comento verificase a existência da renúncia do direito, do fim da lide, a partir do momento no qual a contribuinte em voga reconheceu o débito, e pagou a primeira parcela do débito outrora discutido. A renúncia ao direito em que se funda a ação é hipótese de solução do mérito do processo (em sentido desfavorável ao autor) prevista no art. 269, V, do CPC. Sustenta DINAMARCO: A renúncia ao direito é o ato unilateral com que o autor dispõe do direito subjetivo que vinha afirmando ter e que, se realmente tivesse, por essa razão deixará de ter. Ou seja, o Contribuinte abre mão do próprio direito material que busca ver reconhecido em juízo. É, em verdade, um ato de direito material, pelo qual a parte, no exercício Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.733306/201268 Acórdão n.º 2001000.150 S2C0T1 Fl. 3 3 da autonomia da vontade, regula individualmente seus interesses, dispensando atividade do juiz ou , no caso, este Conselho. Tratase, na verdade, de verdadeiro impedimento ao conhecimento do mérito pelo juízo, por ato unilateral da parte, e, bem por isso, a sentença que a reconhece é chamada por DINAMARCO de falsa sentença de mérito, pois, como observa THEODORO JÚNIOR, “demitindo de si a titularidade do direito que motivou a eclosão da lide, o autor elimina a própria lide. E sem lide, não pode haver processo, por falta de objeto”. Ao prever a renúncia como hipótese de solução do mérito, o que a lei faz é emprestar eficácia de coisa julgada material à sentença que a homologa, ainda que não tenha havido cognição judicial sobre o litígio, reconhecendo na hipótese verdadeira autocomposição da lide. Bem por isso, a renúncia, por se tratar de “autodespojamento voluntário de direito disponível da parte, o que é viável em qualquer época, com ou sem processo”, isto é, pode ser exercida a qualquer tempo ou grau de jurisdição, mesmo porque seria igualmente possível a renúncia a direito já reconhecido por sentença passada em julgado. Verdadeiro ato de direito material, por ele é limitada: são insuscetíveis de renúncia os direitos indisponíveis, por exemplo. Sendo assim, tendo em vista que a renúncia e a desistência independem da concordância da parte contrária e de homologação judicial, e os seus efeitos ocasionam o trânsito em julgado antecipado da decisão, tendo em vista que no caso em comento verificase uma hipótese clara de renúncia do direito a partir do momento em que o Contribuinte efetua o pagamento da primeira parcela do débito. não há que se falar em análise de mérito. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, NÃO CONHECER o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.721712/2016-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Relatório Trata o presente processo de Ação Fiscal realizado na empresa CHEMBRO QUIMICA LTDA. (doravante denominada de “CHEMBRO”) e na empresa OSWALDO CRUZ QUIMICA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA., (doravante “OSWALDO CRUZ”), com o propósito específico de instaurar o procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior praticadas pela CHEMBRO e combate à interposição fraudulenta de pessoas, tal como previsto na Instrução Normativa SRF nº 228, de 2002, em relação às Declarações de Importações (DI), registradas no período compreendido entre 04/01/2012 e 27/12/2013, discriminadas às fls. 38/68. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 21 71 2/ 20 16 -5 1 Fl. 3631DF CARF MF Processo nº 10314.721712/201651 Resolução nº 3402001.302 S3C4T2 Fl. 3.632 2 A recorrente foi autuada em face da infração capitulada no artigo 727 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), o qual retrata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, em razão de haver cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes/beneficiários, ficando sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00. Conforme consta do Auto de Infração, o valor lançado foi de R$ 27.793.721,06 (fls. 2/214). A fiscalização faz um arrazoado no Relatório Fiscal (anexo ao Auto de Infração às fls. 37/180), com conclusão de que a CHEMBRO, durante o período mencionado, cedeu seu nome a OSWALDO CRUZ, para que fosse efetuado as importações referidas. Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da 22ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), colaciono o relatório do Acórdão recorrido nº 1676.701 (fls. 3.569/3.585), o qual reproduzo abaixo: "(...) Consta do Relatório Fiscal que: a motivação da procedimento fiscal se deu em função de já haver a Chembro revendido a apenas uma pessoa jurídica todas as mercadorias por ela importadas relacionadas a porcelanatos; a empresa CHEMBRO QUÍMICA faz parte de grupo constituído por várias empresas que atuam principalmente na distribuição de produtos químicos, dentre as quais se encontra a empresa OSWALDO CRUZ QUÍMICA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e não possui estrutura para armazenagem das mercadorias importadas (porcelanato). Sendo assim, tão logo sejam desembaraçadas, tais mercadorias são remetidas ao real adquirente, OSWALDO CRUZ QUÍMICA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA; todas as mercadorias importadas pela empresa CHEMBRO QUÍMICA (porcelanato e produtos químicos) são repassadas a outras empresas do grupo. Embora algumas dessas empresas possuam habilitação para operar no comércio exterior, a importadora CHEMBRO registra as operações como OPERAÇÃO POR CONTA PRÓPRIA, declarando ser importadora e adquirente das mercadorias. As demais empresas do grupo são as responsáveis de fato pela comercialização e distribuição das mercadorias no mercado nacional; a importadora possui vários escritórios, situados em vários estados, inclusive um localizado na cidade de Guarulhos, São Paulo. No entanto, as operações de importação são realizadas principalmente por meio de filial localizada em Maceió, tendo em vista vantagem tributária obtida junto ao Estado de Alagoas; a escrituração contábil apresentada pela empresa importadora registra suas operações com históricos genéricos, não fazendo referência à transação ou documento que lhes tenham dado origem, principalmente no que tange às entradas e saídas que ocorreram em suas contas bancárias. Quando intimada a apresentar registros auxiliares que discriminassem detalhes das operações, tal empresa limitouse a entregar planilha na qual apresentava relação de notas fiscais de entrada e saída referenciandoas com os diversos valores que Fl. 3632DF CARF MF Processo nº 10314.721712/201651 Resolução nº 3402001.302 S3C4T2 Fl. 3.633 3 entraram e saíram de suas contas, sem, contudo, apresentar documentos comprobatórios; o depoimento do sócioadministrador da empresa Oswaldo Cruz, Sr. Francisco Fortunato, foi esclarecedor de que a empresa CHEMBRO é quem importa a maioria dos produtos, uma vez que se beneficia da tributação favorável do Espirito Santo, através do FUNDAP. Esclarece também que em decorrência do histórico do benefício fiscal no Espirito Santo a CHEMBRO acabou tendo um maior capital de giro e por essa razão decidiuse importar pela CHEMBRO e vender para a OSWALDO CRUZ, dizendo, além disso, que as importações são feitas agora por conta e ordem da OSWALDO CRUZ e não mais pela CHEMBRO desde que uma fiscalização em julho de 2014 no Porto de Paranaguá autuou importações de porcelanato e que grande parte das mercadorias eram revendidas diretamente para a OSWALDO CRUZ, vindo diretamente dos portos em razão de a CHEMBRO não possuir estrutura para armazenagem das mercadorias importadas; conforme tabelas elaboradas, é possível observar em vários casos a coincidência de endereço entre CHEMBRO e OSWALDO CRUZ, além de terem os mesmos sócios; apesar de a CHEMBRO ter importado em 2012 e 2013 mais de duzentos e oitenta milhões de reais, apresenta poucos empregados, enquanto a OSWALDO CRUZ apresente mais de cem empregados, o que dá indício de que a última está por trás gerindo e administrando as importações; as notas fiscais de entrada e de saída da CHEMBRO apresentam datas muito próximas, às vezes no mesmo dia, e os números seqüenciais são muito próximos, além de as quantidades, os códigos e as descrições das mercadorias importadas serem os mesmas das notas fiscais de saída, levando ao entendimento de que os produtos já tinham um cliente prédeterminado e que as mercadorias transitam pelo estoque da CHEMBRO apenas contabilmente; não houve o desmembramento das Declarações de Importações (DIs), ou seja, foram inteiramente vendida/repassada para um único cliente, fugindo do usual, onde importase para revenda a diversos clientes, demonstrando que a CHEMBRO era uma mera intermediária das negociações e quem realmente atuava como importadora de fato era a OSWALDO CRUZ; não há controle sobre os valores pagos à CHEMBRO, dando como exemplo o pagamento da nota 566, com valor de duzentos mil depositados pelo Banco Itaú em 26/06/12 e tendo sido verificado que não houve pagamento nesta data, tendo o mesmo ocorrido com as notas 578, 579 e 580, conforme extratos bancários; apesar da alegação de que a CHEMBRO revende com margem de lucro de pelo menos dois por cento, o que se vê são depósitos da OSWALDO CRUZ como adiantamentos de contratos de câmbio de importações da primeira; a escrituração contábil não apresenta clareza e a referência ao documento probante, sendo registrada com histórico genérico no que Fl. 3633DF CARF MF Processo nº 10314.721712/201651 Resolução nº 3402001.302 S3C4T2 Fl. 3.634 4 tange às entradas e às saídas nas contas correntes bancárias, exemplificando com a operação “pagto duplicata nº Chembro” ou apenas “pagto duplicata n”, sem identificação dos documentos ou das operações que deram origem; há vários exemplos descritos que comprovam que os adiantamentos foram feitos pela Oswaldo Cruz à Chembro para pagamento dos contratos de câmbio, inclusive com uma planilha de pagamento de câmbio x adiantamentos que deixa claro que todos os recursos para as importações realizadas pela Chembro vêm da empresa Oswaldo Cruz; para todos os pagamentos de contratos de câmbio há um depósito realizado pela Oswaldo Cruz, em dias próximos ou até no mesmo dia, com valores muito similares aos contratos; a ocultação do real adquirente foi motivada pelo desejo da Oswaldo Cruz de se manter em São Paulo, utilizando a Chembro, sempre em Estados com benefícios fiscais; o STF, no julgamento que tratou do FUNDAP, considerou simulação a operação de importação, por conta e ordem de terceiro, por empresas encomendantes domiciliadas em outro Estado, por violação do pacto federativo. Cientificada da autuação, a interessada apresentou defesa, preliminarmente fazendo um longo arrazoado sobre importação por conta própria, por conta e ordem e por encomenda, e, em seguida, alegando, em síntese, que: a motivação alegada pela fiscalização para ocultar o real adquirente, relativamente a não figurar como contribuinte de IPI equiparado a industrial não se aplica por ser adquirente, na maior parte dos casos, de produtos químicos para industrialização, pagando IPI na saída da mercadoria; a motivação alegada pela fiscalização para ocultar o real adquirente, relativamente a não se submeter a procedimentos de habilitação para atuar no comércio exterior, não pode prevalecer por não ser obrigação tributária sequer acessória, podendo adquirir mercadorias importadas por outrem; a motivação alegada pela fiscalização para ocultar o real adquirente, relativamente a praticar a lavagem de dinheiro e descaminho é totalmente fantasiosa e absurda uma vez que todos os valores foram atestados lícitos; a motivação alegada pela fiscalização para ocultar o real adquirente, relativamente ao fato de a mercadoria ter sido entregue ao adquirente logo após o seu desembaraço, não prospera por não ser caracterizada importação por conta e ordem a entrega direta; a motivação alegada pela fiscalização para ocultar o real adquirente, relativamente a sonegação de ICMS também não tem propósito, pois a fruição de benefícios fiscais é lícita; a Chembro foi constituída para fazer importações por razões de logística e especialização; Fl. 3634DF CARF MF Processo nº 10314.721712/201651 Resolução nº 3402001.302 S3C4T2 Fl. 3.635 5 os benefícios fiscais praticamente não existem mais, apenas o regime especial de precatórios no Estado do Alagoas; os balanços da Chembro não foram analisados e eles apresentam lucro em 2012 de mais de três milhões de reais além de financiamentos bancários para pagamentos de importações – FINIMP de mais de trinta e dois milhões de reais; a fiscalização não indicou claramente que a importadora não tinha recursos ou que não se utilizou de seus recursos para pagar pelas mercadorias que importou, sendo que os recursos utilizados são do capital de giro, o que caracteriza importação por conta própria, não se confundindo com com adiantamento de recursos; o que define a operação por conta e ordem é a utilização de recurso de terceiro, o que não ocorreu no presente caso; a adquirente, no mercado interno, pagou cada importação após o desembaraço, o que se configura em capital de giro para a próxima operação; a fiscalização se contentou em encontrar recebimentos de valores aproximados e em datas próximas, não examinando toda a contabilidade e documentos comprobatórios, relativamente a cada uma das importações, de maneira a fazer a correta vinculação dos pagamentos com as respectivas duplicatas e notas fiscais; as penalidades de cem ou de cento e dez por cento tem caráter confiscatório, vedado pela Constituição Federal; pleiteia perícia e indica perito, entendendo que deverão ser objeto de exame os documentos relativos a cada uma das importações, tais como Declaração de Importação, pagamento de contrato de câmbio e suas datas, nota fiscal de entrada, nota fiscal de saída, duplicata, extratos bancários, contabilidade, pagamentos respectivos e suas datas. É o Relatório. No entanto os argumentos aduzidos pela Recorrente não foram suficientes e a DRJ em São Paulo (SP) considerou improcedente a impugnação apresentada, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos (fl. 3.569): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/01/2012 a 30/12/2013 DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada. Impugnação Improcedente Fl. 3635DF CARF MF Processo nº 10314.721712/201651 Resolução nº 3402001.302 S3C4T2 Fl. 3.636 6 Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 30/03/2017 (fl. 3.600) e, não concordando com a decisão de primeira instância, a Recorrente CHEMBRO, protocolou em 19/04/2017 (fl. 3.601), Recurso Voluntário, alegando, em síntese o que segue (fls. 3.603/3.628): (i) em PRELIMINAR, argumenta que o Acórdão do qual se recorre, é NULO, de pleno direito. Isto em razão de o mesmo haver descumprido, de maneira peremptória, o estabelecido em normas legais, impedindo, dessa forma, fosse exercido o pleno direito de defesa à ora Recorrente, conforme mostrado no teor desse recurso; no Acórdão recorrido, os julgadores entenderam por prescindível a realização da perícia pleiteada, em prol de priorizar o princípio da economia processual, até porque, segundo o voto condutor, os elementos trazidos pela fiscalização seriam suficientes à solução da lide. Esse, em suma, o “fundamento/justificativa” utilizado para tal negativa; em razão da omissão no voto, o guerreado Acórdão é nulo, de pleno direito, visto que, conforme acima, veio a cercear o exercício do pleno direito de defesa, bem como ao contraditório, ainda que tais direitos sejam estabelecidos pela própria Constituição Federal. (ii) quanto ao MÉRITO, aduz que: o elemento nuclear da infração é a acusação de que a empresa CHEMBRO, ao importar mercadorias, teria cedido seu nome com o fim de acobertar o efetivo importador/adquirente das mercadorias e, para tanto, recebido adiantamentos de recursos de sua cliente no mercado interno, a sociedade OSWALDO CRUZ, o que caracterizaria importação por conta e ordem de terceiros, todavia assim não declarada. Sem adiantamento de recursos, entretanto, não se caracteriza a aventada importação por conta e ordem, fato este não considerado pelas autoridades fiscais participantes; dessa forma, também o ponto fundamental da defesa foi a comprovação, documental e contábil, de que não houveram os alegados adiantamentos de recursos e que, por conseqüência, as importações foram efetuadas, de maneira correta, e em seu nome, portanto, pela sociedade CHEMBRO; a Recorrente, face a quantidade de documentos (que são centenas, conforme detalhado pelo Relatório Fiscal), quando de sua Impugnação, fez a esta (juntar por amostragem), contendo 10 (dez) conjuntos de documentos referentes a, também, 10 (dez) das DIs elencadas, de forma a demonstrar que a acusação fiscal foi equivocada, e que os pretensos adiantamentos de recursos, na verdade, são pagamentos relativos a vendas anteriores de mercadorias, vendas essas realizadas no mercado interno, e relativas a produtos originários de DIs pretéritas; por esse motivo requereu fosse realizada perícia técnica, para que os documentos relacionados à totalidade das DIs arroladas e relativas aos anos de 2012 e 2013, bem como os demais elementos conexos e respectiva contabilidade, viessem a ser analisados de maneira mais técnica, de forma a comprovar que os valores tidos como adiantamentos de recursos, na verdade se reportaram a pagamentos de importações anteriores, mercadorias essas revendidas no mercado interno em outras datas; Fl. 3636DF CARF MF Processo nº 10314.721712/201651 Resolução nº 3402001.302 S3C4T2 Fl. 3.637 7 o que se nota, em princípio, é que tanto no decorrer do trabalho fiscal, como quando da apreciação da Impugnação apresentada, os elementos/documentos que deram sustentação aos argumentos expedidos pelas ora Recorrentes, simplesmente deixaram de ser apreciados naqueles dois momentos, ainda que sem quaisquer justificativas a tal. Apenas um deles, e de maneira absolutamente inconclusiva, veio a ser observado pelo ilustre Relator do questionado Acórdão; isto porque todas as alegações/justificativas apresentadas pela defendente, ainda que acompanhadas dos mais variados elementos a comproválas, ainda assim não vieram a ser objeto de apreciação, exceção feita àquela já mencionada, que nada conclui; a comprovar a inocorrência de tal fato ou seja, em exato sentido oposto ao alegado pelo Acórdão guerreado, veio a ser, pela ora Recorrente, devidamente justificada a origem, a disponibilidade e a respectiva transferência dos recursos empregados, mediante considerável documentação juntada à tal defesa apresentada, e utilizados nas importações efetuadas (pela CHEMBRO); esse, fundamentalmente, o mote da Impugnação apresentada, que desconfigurou, por completo, aquele entendimento, o mesmo adotado por ambas as autoridades fiscais, de maneira a elidir, por completo, a acusação de que houvesse cedido seu nome para importações, em realidade, que seriam de terceiro; a Recorrente o fez (por amostragem), pela juntada à Impugnação apresentada, de 10 (dez) “dossiês”, onde constante toda a documentação relativa a, também, 10 (dez) das DIs listadas pelo Auto de Infração; e cada um desses “dossiês” é composto todos em cópia, por evidente pela DI, contrato de câmbio, notas fiscais de entrada e saída, comprovante de pagamento efetuado pelo adquirente no mercado interno até, por fim, o crédito respectivo na conta bancária da sociedade CHEMBRO, de forma a contradizer, de maneira cabal, as acusações que lhe foram formuladas e mantidas pela recorrida decisão; dessa forma, objetivando a comprovação da totalidade das DIs elencadas, até por se reportarem a algumas centenas, requereram, as Recorrentes, a realização da perícia técnica, disponibilizando os demais “dossiês”, necessários a tal atividade, num de seus estabelecimentos; tais elementos/documentos comprovam, de maneira cabal, que a acusação fiscal formulada é absolutamente infundada, visto que os valores recebidos vieram a fazer parte, em realidade, do próprio fluxo de caixa da sociedade CHEMBRO, de sorte a justificar, de maneira plena, trataremse de recursos próprios ao invés de adiantamentos efetuados por terceiros, conforme apregoado por aquela; no item 7.5 e seguintes do recurso (fls. 3.622/3.623), cita exemplos e elabora exercícios elaborados com base na Planilha (doc. 07, apresentado junto a Impugnação) visando comprovar toda as razões de alegações apresentadas acima. outro aspecto não levado em conta pelo voto condutor, diz respeito, ainda em relação ao aspecto dos recursos utilizados pela importadora, que uma série de contratos de câmbio vieram a ser objeto de financiamentos (FINIMP), obtidos pela CHEMBRO de maneira a dar, quando necessário, o devido suporte financeiro às suas importações. E, muito embora apresentados, assim como os demais vieram a ser desprezados pelo Relator. Fl. 3637DF CARF MF Processo nº 10314.721712/201651 Resolução nº 3402001.302 S3C4T2 Fl. 3.638 8 Por fim, REQUER, que os demais aspectos, abordados pela Impugnação apresentada, sejam levados em conta por essa Turma Ordinária, como se aqui houvessem sido reproduzidos. Daí o porque de se REQUERER, também, pelo presente Recurso Voluntário, que seja deferida a realização da perícia técnica anteriormente pleiteada, de maneira a solucionar, de vez e, especialmente, de maneira justa, a presente contenda. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido por este Colegiado. 3. Objeto da lide Foi levada a efeito, pela Fiscalização (DELEXSP), ação fiscal nas empresas CHEMBRO e OSWALDO CRUZ, com o propósito de instaurar o procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior praticadas pela CHEMBRO e combate à interposição fraudulenta de pessoas, tal como previsto na Instrução Normativa SRF nº 228, de 2002, em relação às Declarações de Importações registradas no período compreendido entre 04/01/2012 e 27/12/2013. 4. Resumo das constatações do Fisco Analisandose as peças processuais constante dos autos, foram as seguintes as constatações do Fisco, em resumo: a Fiscalização teve entendimento no sentido de que a CHEMBRO utilizara recursos de terceiros (no caso da própria OSWALDO CRUZ), em suas operações de comércio exterior, não sendo, portanto, a real adquirente das mercadorias, como registrado nas Declarações de Importação (DIs) elencadas pelo Auto de Infração; concluiu, também, no sentido de que se trataram de operações de comércio exterior feitas por conta e ordem de terceiro, no caso a sociedade OSWALDO CRUZ, ainda que assim não declaradas, visto que os recursos seriam desta, e vieram a ser adiantados para importação/aquisição das mercadorias relativas às mencionadas DIs, e pagas ao fornecedor estrangeiro pela importadora CHEMBRO; que tais procedimentos, deramse em razão da ocorrência de interposição fraudulenta em operações de comércio exterior e ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, com empréstimo de nome por parte do importador ostensivo; em razão de entender haverem sido praticadas tais irregularidades, foram lavrados dois Autos de Infração, o primeiro deles, que traria a pena de perdimento das mercadorias, esta veio a ser convertida em multa equivalente a 100% do valor daquelas, que já Fl. 3638DF CARF MF Processo nº 10314.721712/201651 Resolução nº 3402001.302 S3C4T2 Fl. 3.639 9 haviam sido consumidas ou que não vieram a ser localizadas. Tal exigência se deu, de maneira solidária, a ambas as sociedades, e foi objeto do PAF nº 10314.721711/201615; foi aplicada, ainda, desta vez, apenas, contra a CHEMBRO, nova penalidade, desta vez no equivalente a 10% do valor da mercadoria, pelo entendimento de que a mesma haveria cedido o uso de seu nome nas operações elencadas, tratada neste processo; relata, a fiscalização, ter apurado que a sociedade CHEMBRO efetua as importações e que, após desembaraçadas, as mercadorias são, em sua maioria, revendidas à sociedade OSWALDO CRUZ (que se trataria da real adquirente) que, assim como outras, as comercializa no mercado interno. Além de que, no entendimento do Fisco, a CHEMBRO não possui estrutura física para armazenagem dos produtos por ela importados, remetendoos, de pronto aos seus clientes/compradores, logo após desembaraçados; a Fiscalização constatou a existência fática e jurídica de ambas as sociedades, bem como que a sociedade OSWALDO CRUZ adquiria mercadorias no mercado interno, importadas pela CHEMBRO, mas adiantava recursos para que essa última pagasse o fornecedor estrangeiro; concluiu, segundo a acusação fiscal, que a escrituração contábil (ou os lançamentos) da CHEMBRO teriam históricos genéricos, que não permitiram à Fiscalização identificar se os pagamentos feitos pela OSWALDO CRUZ àquela se referiam, exatamente, a vendas anteriores, ou se se tratavam de adiantamentos para importações futuras da primeira, configurando empréstimo de nome da CHEMBRO para a OSWALDO CRUZ. 5. Do RV x Pedido de realização da Perícia técnica Insiste a Recorrente em seu recurso voluntário (reitera o pedido feito em sua Impugnação), a necessária perícia técnica objetivando a provar a matéria fática, elemento nuclear do Auto de Infração. Isso em razão de, no Acórdão recorrido haver dado a devida sustentação ao entendimento manifestado pela ação fiscal, no sentido de que os recursos utilizados pela sociedade CHEMBRO, em suas importações, corresponderiam a adiantamentos efetuados pela sociedade OSWALDO CRUZ, esta a verdadeira e real adquirente das mercadorias, ainda que, em verdade, oculta. Destaca a Recorrente que, desta forma, presumiu a fiscalização, que as operações se deram mediante “interposição fraudulenta em tais importações” e que as mesmas, dada a origem dos recursos empregados, caracterizarseiam como “por conta e ordem de terceiro”. Dentro desse contexto, entendo que há a necessidade de se verificar o que vem a ser a definição legal da chamada “interposição fraudulenta em operações de comércio exterior”, estabelecida pelo § 2º do artigo 23, V, do Decretolei nº 1.455/1976, cuja redação foilhe atribuída pelo artigo 59 da Lei nº 10.637/2002: “Art. 59. O art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 23. (...). Fl. 3639DF CARF MF Processo nº 10314.721712/201651 Resolução nº 3402001.302 S3C4T2 Fl. 3.640 10 § 2º. Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade de transferência dos recursos empregados. (Grifei). Como se vê, o dispositivo acima tratase de uma presunção contra a qual, em sendo apresentadas provas cabais, suficientes, substanciosas, elidila de pronto, de maneira a eliminar a exigência formulada, e que tal fato (a comprovação), no caso, cabe ao contribuinte fazêlo. Constatase nos autos que com esse propósito, a Recorrente fez juntar à sua Impugnação, os conjuntos de documentos, denominados de “dossiês", de maneira a comprovar que os valores por ela utilizados, para fechamentos de câmbios de suas importações, eram seus, visto integrarem seu fluxo de caixa por corresponderem a recebimentos relativos a vendas anteriores, ao contrário do apregoado pela fiscalização. Informa a Recorrente em seu recurso que "(...) Tais “dossiês” se compõem, invariavelmente de, no mínimo, os seguintes elementos: Declarações de Importação, contratos de câmbio, notas fiscais de entrada e saída/venda, pagamentos efetuados pelo adquirente no mercado interno, bem como os extratos bancários onde creditados tais pagamentos, de maneira a comprovar, de maneira cabal, os equívocos cometidos pela acusação fiscal; E continua em suas razões afirmando que, "(...) Deixaram, por igual, de ser apreciados pelo ilustre Julgador que, caso assim o fizesse, ainda que de maneira rápida e perfunctória, comprovaria, de maneira cabal, que, ao menos em relação aos “dossiês” juntados (repitase, uma amostragem de apenas dez, relativos a igual número de DIs elencadas pelo Auto de Infração), as acusações formuladas seriam, inexoravelmente, elididas, em relação a tais importações". Conclui, informando que o restante dos “dossiês”, representativo das demais (algumas centenas) importações efetuadas pela ora Recorrente, daí o porque de não haverem sido carreados aos autos, seriam o objeto da perícia técnica requerida que, sem qualquer sombra de dúvidas, elidiriam, por completo, a exigência fiscal. Como exemplo, a Recorrente busca resumir o trazido pela Planilha e doc. 07, ambos juntados à Impugnação apresentada, da maneira seguinte, vinculadoos às seguintes DIs (doc. fls. 3.076/3.563). "(...) A primeira delas é a de número 13/2364719 0, de 29/11/2013, e que pode ser identificada na listagem da Fiscalização com a data de 27/11/2013 (data do fechamento do contrato de câmbio, que teve o pagamento antecipado pelo importador); Pelos documentos e planilha se observa o que o pagamento antecipado do câmbio se deu em 27/11/2013, no valor de R$ 162.391,49 e pela DI verificase que a mercadoria é o produto Lipolan T 24, do qual foram importados 45680 kgs. O valor aduaneiro da mercadoria é de R$ 162.503,02 e, com o pagamento dos tributos incidentes na importação, excluído o ICMS, alcançou o valor de R$ 248.613,95; Pela nota fiscal de venda nº 1460, de 04/12/2013, mencionado produto foi revendido no mercado interno, em parte, para a sociedade Oswaldo Cruz Química, na quantidade de 22860 kgs, e pelo valor de R$ 131.804,67 (com lucro); Fl. 3640DF CARF MF Processo nº 10314.721712/201651 Resolução nº 3402001.302 S3C4T2 Fl. 3.641 11 Houve um pagamento da sociedade OSWALDO CRUZ para a sociedade CHEMBRO, no dia 10/01/2014, no valor de R$ 1.665.000,00, relativo a esta DI e respectiva nota fiscal de venda, e outras quatro DIs e respectivas notas fiscais de venda (listadas na mesma planilha e acompanhadas dos respectivos documentos comprobatórios a tais negociações); Os valores totais dessas notas fiscais somam o depósito de R$ 1.650.000,00. Tratase de aquisições de mercadorias relativas às notas fiscais de nºs 1465, 1468, 1469 e 1470, cujos valores, respectivamente, são: R$ 759.025,80 (NF 1465), R$ 466.232,76 (NF 1468), R$ 127.436,60 (NF 1469) e R$ 385.798,40 (NF 1470); Esses valores, adicionados ao da nota fiscal de nº 1460, de valor R$ 131.804,67, totalizam o deposito de R$ 1.650.000,00, demonstrando, inequivocamente, que se referem às mercadorias (ou parte delas) importadas pelas DIs de nºs 13/23647190, 13/23924762, 13/23121708, 13/23264533 e 13/23979125. Não se referem, portanto, apenas à DI de nº 13/23647190, listada pelo Fisco, cujo valor do contrato de câmbio era R$ 162.391,49!!!; Pelo simples fato de ter havido um pagamento de outra mercadoria, em 27/11/2013, pela sociedade OSWALDO CRUZ, no valor de R$ 165.000,00, entendeu a Fiscalização, sem ter examinado nenhum outro documento que, como os valores eram próximos e a data a mesma, corresponderia a adiantamento de recursos destinados ao contrato relativo à DI de nº 13/23647190, no valor de R$ 162.503,01" No mesmo sentido de exemplos, a Recorrente argumenta em relação à segunda planilha, que foram listadas duas DIs, cujas mercadorias foram vendidas, de maneira parcelada. Informa em sua Impugnação que, por amostragem (dada a quantidade de documentos e a extensão da explanação), foram juntados/selecionados 10 (dez) "dossiês", referente a dez conjuntos de importações (extratos de DIs, contratos de câmbios, etc), conforme documentos 05 a 14, apensados às fls. 3.076/3.563). Em resumo, afirma a Recorrente que existe no Relatório Fiscal, em seu item 7.3.2, uma relação de Declarações de Importação em nome da importadora (CHEMBRO), que foram relacionadas pela Fiscalização como tendo recebido adiantamentos da sociedade OSWALDO CRUZ, para pagar os respectivos contratos de câmbio. Segundo o Fisco, tais adiantamentos corresponderiam a financiamentos das importações efetuados pelo futuro comprador no mercado interno, a referida sociedade OSWALDO CRUZ. Entretanto a empresa CHEMBRO, afirma que tais pagamentos se referem a compras anteriores efetuadas, junto a ela, pela sociedade OSWALDO CRUZ, relacionadas a outras Declarações de Importação (pretéritas), e que tais pagamentos se transformaram em capital de giro que a importadora, CHEMBRO, utilizou para pagar essas importações posteriores. Afirma a Recorrente que o que se conclui é que foi montado pela fiscalização, um quadro irreal para tentar comprovar adiantamento de recursos, sem exame de nenhum documento apresentado pela importadora. 6. Da conversão dos autos em Diligência Pois bem. No presente caso, ao examinar os argumentos trazidos pela Recorrente, em cotejo com as alegações da Autoridade Fiscal, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever. Há que se ressaltar também, que a Recorrente requereu tanto em sede impugnatória quanto em sede recursal a realização de diligência e/ou perícia objetivando Fl. 3641DF CARF MF Processo nº 10314.721712/201651 Resolução nº 3402001.302 S3C4T2 Fl. 3.642 12 elucidar as questões por ela suscitadas. Tal pedido, quando da Impugnação, foi realizado em total atenção aos incisos III e IV, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, devendo, assim, ser analisado. Como exposto, entendo que restou razoável dúvida quanto à comprovação dos adiantamentos de recursos efetuados à Recorrente para cada DI arrolada no Auto de Infração aqui discutido, qual seja, se o recurso utilizado para fechamento do contrato de câmbio respectivo (para cada DI), era originário da CHEMBRO (capital de giro próprio) ou se foi adiantamento efetuado pelo futuro adquirente no mercado interno, apontado pelo Fisco, como real comprador da mercadoria, no caso a empresa OSWALDO CRUZ. Como vem decidindo este Conselho (Acórdão nº 30239918, de 12/11/2008), a fraude e a simulação devem ser comprovados, com o fim de demonstrar de forma inequívoca a conduta ilícita do contribuinte para que seja possível a aplicação de penalidade na forma da legislação de regência por interposição fraudulenta. Necessário então, neste sentido, a comprovação cabal da existência dos alegados ilícitos praticados pelo contribuinte, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação apresentada (contábil e fiscal) pelo contribuinte, além de outros elementos probatórios que ensejar necessário (mediante intimação), tais como os que foram acostados aos autos às fls. 3.076/3.563. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos aqui alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência, uma vez que esse documento apensados ainda não foram examinados pelas Autoridades Fiscais da DRF de origem. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos, 16, 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho a realização de diligência para que a Autoridade Fiscal da DELEX/SÃO PAULO/SP, proceda à análise de todos os fatos, argumentos, cópias das DI, contrato de câmbio, notas fiscais de entrada e saída, comprovante de pagamento efetuado pelo adquirente no mercado interno, o crédito respectivo na conta bancária da sociedade CHEMBRO, livros contábeis e demonstrativos que foram apresentados junto com a Impugnação e repisados no Recurso Voluntário (anexado às fls. 3.076/3.563). Vejase a fundamentação legal: "Art. 16. A impugnação mencionará: I (...) . III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda que sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no coso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação Lei n° 8.748, de 7993)". (Grifei). Desta forma, entendo que o processo deve retornar à repartição de origem Delegacia Especial Receita Federal do Brasil de Fiscalização de Comércio Exterior DELEX/SP, para realização da referida diligência, a fim de que seja solicitado a realização de Fl. 3642DF CARF MF Processo nº 10314.721712/201651 Resolução nº 3402001.302 S3C4T2 Fl. 3.643 13 perícia que solicitada pela Recorrente em sua Impugnação bem como agora em fase de recurso voluntário, visando a atendimento da definições abaixo descritas: (i) a fim de dirimir a questão de forma cabal, clara e segura, entendese que é necessária a realização de perícia técnica, onde se identifique, em relação a cada um das Declarações de Importações arroladas no presente Auto de Infração (totalidade das DIs relativas aos anos de 2012 e 2013), atestando se o recurso utilizado para fechamento do contrato de câmbio respectivo, era originário da importadora (capital de giro próprio) ou adiantamento efetuado pelo futuro adquirente no mercado interno, apontado pelo Fisco como real comprador da mercadoria importada; e (ii) como dito, considerando que a Recorrente em sua Impugnação (fls. 3.007/3.060), bem como em seu recurso, REQUER a realização de perícia técnica, formulando os quesitos referente aos exames desejados, assim como o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, conforme previsto no artigo 16, IV, do Decreto 70.235/72, qual seja: o Sr. Marcos Aparecido Rodrigues, brasileiro, solteiro, contador, portador do RG n° 25.565.4510SSP/SP e do CPF/MF 183.730.60871, CRCSP nº 1SP211.131/00, com endereço à Avenida Paulista, 1765, 10º andar, cj. 102, São Paulo/SP, CEP 01.311930 (fls. 3.054/3.056). Assim, solicito a Autoridade Fiscal que providencie nos termos legais, a realização da respectiva perícia. A seguir, apresento os seguintes quesitos que a Recorrente pretende que sejam respondidos pelo Perito indicado, para elucidar a questão: (1) Existe no Auto de Infração, em seu item 7.3.2, uma relação de Declarações de Importação em nome da importadora, sociedade Chembro Química, que foram relacionadas pela Fiscalização como tendo recebido adiantamentos da sociedade Oswaldo Cruz Química para pagar os respectivos contratos de câmbio. Segundo o Fisco, tais adiantamentos corresponderiam a financiamentos das importações efetuados pelo futuro comprador no mercado interno, a referida sociedade Oswaldo Cruz Química. Entretanto a empresa importadora, sociedade Chembro Química, afirma que tais pagamentos se referem a compras anteriores efetuadas, junto a ela, pela sociedade Oswaldo Cruz Química, relacionadas a outras Declarações de Importação (pretéritas), e que tais pagamentos se transformaram em capital de giro que a importadora, sociedade Chembro Química, utilizou para pagar essas importações posteriores. Isto posto, solicitase que os SENHORES PERITOS respondam/elaborem, em relação a cada um das Dls elencadas no citado item 7.3.2 da Autuação: 1.a) Elaborar duas planilhas, onde na primeira planilha deverão ser listadas todas as Dls elencadas no item 7.3.2 do Auto de infração, indicandose o n° do contrato de câmbio respectivo, a nota fiscal de entrada, a(s) nota(s) fiscal (is) de saída (s), o(s) comprador(es) da mercadoria no mercado interno, duplicata (s) e respectivo(sJ pagamento(s) efetuado(s) e, em que datas estes se deram. Na segunda planilha, indicar a quais declarações de importação se referem os pagamentos elencados no item 7.3.2 da autuação, como se fossem adiantamentos; 1.b) Com base nas duas planilhas elaboradas (uma, listando as Declarações de Importação indicadas no item 7.3.2 da autuação; e outra, elencando os pagamentos citados como adiantamentos pela Fiscalização), responder DI a DI, se houve ou não adiantamento de recursos por parte da sociedade Oswaldo Cruz Química, para pagar os contratos de câmbio das Declarações de Importação indicadas na autuação? Fl. 3643DF CARF MF Processo nº 10314.721712/201651 Resolução nº 3402001.302 S3C4T2 Fl. 3.644 14 1.c) Se não houver ocorrido adiantamentos de recursos para pagar as Dls elencadas pela Fiscalização, no todo ou em parte, responder se tais pagamentos correspondem a compras anteriores relativas a outras importações? Obs: Para que a perícia, ora requerida, se dê por realizada, no entendimento das Impugnantes, deverão ser objeto de exame os documentos relativos a cada uma das importações, tais como Declaração de Importação, pagamento do contrato de câmbio e suas datas, nota fiscal de entrada, nota(s) fiscal(is) de saída(s), duplicata(s), extratos bancários, contabilidade, pagamentos respectivos e suas datas, e demais documentos pertinentes. (iii) outro aspecto a ser verificado e confirmado (ou não) pela Autoridade Fiscal, diz respeito, ainda em relação ao aspecto dos recursos utilizados pela importadora, que a Recorrente afirma em seu recurso (item 7.8, a fl. 3.626), que uma série de contratos de câmbio vieram a ser objeto de financiamentos (FINIMP), obtidos pela CHEMBRO de maneira a dar, quando necessário, o devido suporte financeiro às suas importações. Para tanto, em todos os quesitos, se entender necessário, a Autoridade Fiscal poderá intimar a interessada para apresentar outros documentos e/ou informações, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar a existência dos adiantamentos de recursos descritos pela fiscalização. (iv) ao término dos trabalhos (com a conclusão do resultado da Perícia), a autoridade fiscal da DRF, deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados nesta solicitação de diligência, podendo inclusive, manifestarse sobre as comprovações (ou não) dos argumentos expendidas pela Recorrente em seu recurso voluntário (fls. 3603/3.628), bem como do resultado da perícia. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 3644DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003248/2010-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente justificadamente o Conselheiro Flavio Machado Vilhena Dias Dias, substituído pelo Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Carlos César Candal Moreira Filho e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente justificadamente o Conselheiro Flavio Machado Vilhena Dias Dias, substituído pelo Conselheiro Suplente Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuida a processo de autos de infração lavrados em face do recorrente a fim de, constatada a omissão de receitas em decorrência da identificação de depósitos bancários sem comprovação de origem, exigirse o recolhimento complementar dos tributos que compõe o Simples Federal no ano de 2005. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 03 24 8/ 20 10 -9 6 Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10865.003248/201096 Resolução nº 1302000.535 S1C3T2 Fl. 566 2 Vale destacar, que em decorrência da adição à receita bruta da empresa das receitas pretensamente omitidas, a fiscalização promoveu, ainda, a exlcusão do contribuinte com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2006; também como consequência desta exclusão, promoveu ao arbitramento do imposto de renda e da CSLL,e a exigência do PIS e da COFINS, quanto ao ano de 2006 e, em função de opção aventada pelo contribuinte, promoveu o lançamento dos respectivo tributos federais com base no lucro presumido quanto ao ano calendário de 2007. A exclusão do Simples, e respectiva manifestação de inconformidade do contribuinte, foram autuadas no processo de nº 10865.001985/201054, ao passo que lançamento dos demais tributos relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007, foram lançados no processo de nº 10865.003247/201041. Impende esclarecer que não obstante ter apresentado manifestação de inconformidade e impugnação nos processos retro referidos, o contribuinte manejou recurso voluntário apenas neste feito. Nada obstante, à vista da inegável prejudicialidade, o resultado deste julgamento impactará, diretamente, os dois feitos em questão, na por outra razão, foram apensados à este PA. Pois bem. De acordo com o relatório fiscal, foram identificadas movimentações bancárias incompatíveis com os valores declarados pelo contribuinte no ano de 2005. Em face deste fato, a D. Auditoria Fiscal intimou o contribuinte a explicar a origem de depósitos realizados em contas correntes de sua titularidade; em razão disso, o contribuinte apresentou planilha "com 'demonstrativo de transferência de 17 contas bancárias entre contas da empresa e também valores que foram depositados nas contas a titulo de financiamentos e empréstimos liberados', conforme consta no cabeçalho" (fl. 270). Compulsando as informações descritas na aludida planilha, a Fiscalização considerou comprovada a origem de parte dos depósitos tratados no TVF; quanto a demais movimentações, entendeu inexistir demonstração por documentos hábeis e idôneos suficientes à afastar a presunção de omissão de receitas, mormente por "não serem coincidentes e datas e valores, conforme determinado pela legislação". Com espeque nas disposições do art. 42 da Lei 9.430/96, lavrouse os autos de infração ora polemizados, procedeuse, como já dito à exclusão da empresa recorrente do Simples Federal a partir de 2006, e exigiuse os tributos respectivos conforme já declinado linhas acima. O contribuinte, também como já alertado, apresentou impugnações administrativas (a este processo e ao PA de nº 10865.003247/201041) e manifestação de inconformidade em face do ADE autuado nos autos do processo de nº 10865.001985/201054, sustentando, em apertada síntese/; a) como nulidades (preliminares): a.1) a aplicação de multa de ofício no percentual de 75%, em desrespeito ao princípio do não confisco e às disposições da Lei 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor), com a redação que lhe foi dada pela Lei 9.298/96; a.2) a conclusão dos trabalhos fiscais lastreados apenas em presunção, mormente quando teria, a seu ver, comprovado a origem dos depósitos através da planilha de fl. 270; Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10865.003248/201096 Resolução nº 1302000.535 S1C3T2 Fl. 567 3 b) no mérito, não haver omissão de receitas, invocando novamente a planilha citada alhures que, sob sua ótica, comprovaria a origem dos depósitos realizados, afirmando, mais, pecar a fiscalização pela generalidade e inespecificidade quanto aos fatos que encerrariam a exigência fiscal. Instada a se manifestar sobre as impugnações e manifestações de inconformidade, a DRJ desta Capital Nacional houve por julgar improcedentes as alegações do contribuinte; apenas em relação ao PA de nº 10865.003247/201041, o órgão julgador de primeira instância acolheu parte da insurgência do contribuinte a fim de excluir, quanto ao ano calendário de 2007, as exigências quanto ao PIS e a COFINS apuradas nos 3º e 4º trimestres daqueles ano (a fiscalização teria procedido à apuração trimestral das contribuições, quando deveria ter efetuado o lançamento mensal). O contribuinte foi cientificado do resultado o julgamento proferido neste feito 05/03/2015 (fl. 524), tendo oferecido o se recurso voluntário em 31 de março do mesmo ano (carimbo de fl. 526), por meio do qual, além de repetir os argumentos de sua impugnação, inova a lide administrativa e argui outra preliminar de mérito para sustentar a nulidade do processo em virtude da quebra do sigilo bancário. Os autos, então, me foram distribuídos para análise e decisão. Este, o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e, por isso, dele conheço. Antes de analisar as razões de insurgência, entendo ser necessário o saneamento do processo. Isto porque, como já dito, o contribuinte manejou recurso administrativo apenas neste processo, ainda que, compulsando os apensos, verifiquese, neles, a existência de decisões (acórdãos) que abordam questão vinculadas à este PA mas, nada obstante, distintas. Conforme se dessume do termo de intimação de fls. 519/523, o contribuinte teria sido notificado apenas do resultado do julgamento realizado neste processo, não havendo nestes autos, ou mesmo nos PAs de nº 10865.001985/201054 e 10865.003247/2010 41 qualquer prova de que o recorrente tenha sido intimado acerca dos acórdãos proferidos nestes feitos. Considerando, na hipótese, a necessidade de julgamento conjunto dos processo apensados, já que decorrentes deste principal na forma do art. 6º, § 1º, II, do Anexo II, do RICARF, e, a míngua de provas de que a empresa insurgente tenha sido cientificada do conteúdo das decisões proferidas nos feitos vinculados, é prudente, inclusive para evitarse eventual nulidade de todo o procedimento administrativo, que proceda à efetivamente intimação do recorrente dos acórdãos acostadsos nos preditos feitos. Diante disto voto por converter o feito em diligência a fim de determinar a devolução dos autos à unidade de origem a fim de que sejam tomadas as medidas necessárias para intimar o contribuinte dos acórdãos proferidos também nos autos de nos Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10865.003248/201096 Resolução nº 1302000.535 S1C3T2 Fl. 568 4 10865.001985/201054 e 10865.003247/201041, informandolhe, inclusive, da oportunidade de oferecer os competentes recursos voluntários no prazo de 30 dias.. Cumprida a diligência ao fim reencaminhese o processo à este Colegiado. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 568DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.904180/2012-74
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. ELEMENTOS SUFICIENTES PARA A COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO.
Devem ser providos os procedimentos de compensação quando existem nos autos elementos suficientes para legitimação do crédito.
PRECLUSÃO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS EM SEDE RECURSAL.
Em caso de, inovação dos argumentos que buscam justificar a ocorrência de pagamento a maior, não deve ser conhecido esta parte do recurso voluntário.
Numero da decisão: 3001-000.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão do direito de defesa, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães que conheceram totalmente do Recurso. Por voto de qualidade, acordam em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães, que votaram pela conversão em diligência. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães não se manifestaram em relação ao mérito.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri- Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cássio Schappo e Cleber Magalhães
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. ELEMENTOS SUFICIENTES PARA A COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. Devem ser providos os procedimentos de compensação quando existem nos autos elementos suficientes para legitimação do crédito. PRECLUSÃO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS EM SEDE RECURSAL. Em caso de, inovação dos argumentos que buscam justificar a ocorrência de pagamento a maior, não deve ser conhecido esta parte do recurso voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão do direito de defesa, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães que conheceram totalmente do Recurso. Por voto de qualidade, acordam em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães, que votaram pela conversão em diligência. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães não se manifestaram em relação ao mérito. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri- Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cássio Schappo e Cleber Magalhães
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1876; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 215 1 214 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.904180/201274 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.300 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 15 de março de 2018 Matéria ERRO MATERIAL Recorrente SUPERMERCADO POPIOLSKI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. ELEMENTOS SUFICIENTES PARA A COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. Devem ser providos os procedimentos de compensação quando existem nos autos elementos suficientes para legitimação do crédito. PRECLUSÃO. NOVOS ARGUMENTOS TRAZIDOS EM SEDE RECURSAL. Em caso de, inovação dos argumentos que buscam justificar a ocorrência de pagamento a maior, não deve ser conhecido esta parte do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer em relação à preclusão do direito de defesa, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães que conheceram totalmente do Recurso. Por voto de qualidade, acordam em rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães, que votaram pela conversão em diligência. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Os conselheiros Cássio Schappo e Cleber Magalhães não se manifestaram em relação ao mérito. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 41 80 /2 01 2- 74 Fl. 193DF CARF MF 2 Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cássio Schappo e Cleber Magalhães Relatório Despacho Decisório Em decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp na qual, não houve reconhecimento de direito creditório tendo sido considerao insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada não havendo valor a ser restituído/ressarcido. Manifestação de Inconformidade Relata a recorrente ter verificado estar submetendo à tributação de Pis e Cofins produtos submetidos à alíquota zero, constatando, assim, a ocorrência de pagamento a maior. Retificação da DACON A fim de ver garantido seu crédito, retificou as DACON, indicando a ocorrência de alíquota zero em razão de venda de produtos alimentícios, tais como arroz, hortícolas, etc. DRJ/BHE A decisão sobre a manifestação de inconformidade apresentada teve a seguinte ementa: Acórdão 0248.722 2 ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. O relatório, por bem retratar a formação probatória nos autos, e, de maneira fidedigna, reproduzir o narrado, merece ser reproduzido em íntegra: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 29241025 emitido eletronicamente em 01/08/12, referente ao PER/DCOMP nº 19551.52719.110209.1.3.044552. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de PIS/PASEP, Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10925.904180/201274 Acórdão n.º 3001000.300 S3C0T1 Fl. 216 3 Código de Receita 6912, no valor de R$ 926,49, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/07/07. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que a empresa tem como atividade econômica o comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios; que a empresa tributava PIS e Cofins de produtos que não possuem incidência da contribuição; que diante disso constatouse pagamento indevido ou a maior em alguns meses; que a Lei 10.865/2004 em seu art. 28, inc. III reduz a zero as alíquotas da contribuição para o PIS /Pasep e Cofins, incidentes sobre a receita bruta decorrentes da venda no mercado interno; que a Lei 10.925/2004, art. 1º, reduz a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno; que a Lei 11.196/2005, art. 51 acrescenta os incisos XI, que inclui o leite fluido pasteurizado ou industrializado e leite em pó, integral ou desnatado, destinados ao consumo humano; e o inciso XII que inclui queijos tipo mussarela, minas, prato, queijo coalho, ricota e requeijão; que diante disso foram retificadas os Dacons e feito um pedido de restituição do crédito vinculado ao pagamento e posteriormente um pedido de compensação vinculado ao pedido de restituição; que não se justifica a não homologação do pedido de restituição sob a alegação de falta de crédito, já que não foi analisado o pedido de restituição referente ao pagamento a maior. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Após as necessárias informações fáticas, buscase nas razões de voto, a argumentação tecida para destacar o cerne discutido nestes autos e motivos de decisão, transcritos a seguir: Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. O contribuinte informa sobre reduções de alíquota de alguns produtos e relata que pagou a contribuição social sobre esses produtos sem observar as reduções. Fl. 195DF CARF MF 4 Entretanto, não apresenta nenhum documento fiscal que comprove a aquisição dos produtos, nem os reflexos em sua contabilidade para a quantificação das supostas diferenças. Sobre o fato de o Darf ter sido utilizado para pagamento dos tributos confessados em DCTF, não há nenhuma contestação. Recurso Voluntário Sustenta ter incluído em sua apuração de Pis/Cofins, produtos submetidos à alíquota zero e monofásicos, excluindo o IPI da base de cálculo, vez que componentes do custo e, portanto, base de cálculo da exação. Ainda, informa ter ofertado à tributação, itens como brindes e doação, cujo conceitos divergem do proposto pela legislação como base aptas a incidirem a contribuição, a inclusão de brindes e doações na base de cálculo da receita e pela não inclusão do IPI na compra de mercadorias, além dos produtos submetidos à alíquota zero. DACON Retificadora Face aos erros cometidos na apuração dos tributos, procedeu à retificação da Dacon, informando a ocorrência das rubricas acima mencionadas. Fundamento Legal do Crédito Em seu favor, menciona a legislação que traz a redução à zero das alíquotas dos produtos que comercializa e o devido tratamento ao Comprovação do Crédito Sustenta ter demonstrado, através das cópias dos livros de entrada e saída, além de planilhas explicativas, a ocorrência de tributação a maior. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento parcial. Vez que excluo os itens relativos aos brindes, doações e produtos submetidos à monofasia, por ter sido argumento de cunho inovador, vez que surgiu apenas no momento do Recurso Voluntário, considerando, portanto, estar precluso seus argumentos. Pagamento a maior A partir então, da constatação deste apuração equivocada, sustenta haver, em seu favor, crédito que, desta feita, procedeu aos procedimentos de compensação, mediante envio da competente declaração. Relata a recorrente ter verificado estar submetendo à tributação de Pis e Cofins produtos submetidos à alíquota zero, constatando, assim, a ocorrência de pagamento a maior. Não há, entretanto, nos autos, notícia das razões e fatos, do apontado erro na apuração do tributo tido como causador do pagamento a maior. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10925.904180/201274 Acórdão n.º 3001000.300 S3C0T1 Fl. 217 5 Da Controvérsia Acerca do Tema O tema abordado que se traduz no cerne da questão tratada nos autos, diz respeito ao pagamento indevido e sua efetiva forma de comprovação. A contribuinte alega ter calculado erroneamente sua COFINS, mas, até o presente momento processual, desvirtuouse da questão central. A fim de corrigir o rumo do referido processo, e enfrentar o que regimentalmente encontrase obrigado, verifico a necessidade de evidenciação da materialidade da ocorrência do pagamento como tido a maior. Os meios necessários e a forma adequada de comprovação de pagamento devido perfazse matéria recorrente nesta Turma. A fim de facilitar a exposição dos fundamentos deste voto, iniciase com o importante o respaldo no acórdão 3401.003.952, que trata de tema igual, ou seja, o dever de verificar a ocorrência do pagamento indevido. Vejase a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Importa, antes de adentrar a questão sobre o tratamento das provas em casos semelhantes, transcrever trechos do acórdão fundamentais ao desdobramento do tema. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a Fl. 197DF CARF MF 6 título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tão somente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10925.904180/201274 Acórdão n.º 3001000.300 S3C0T1 Fl. 218 7 DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito.de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Neste caso, conforme transcrito em ementa, foi dado provimento ao recurso voluntário em persecução ao princípio da verdade material. Importante ressaltar, que conforme extraído do relatório deste acórdão, foi juntado ao processo, para fins de comprovação do crédito, o Contrato de licença de uso de marca. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). Este, contudo, como expresso em votos anteriores, foi entendimento do qual comunguei, mas, hoje, em decorrência da dinâmica de julgamento do tema na presente 1a. TEX, revejo e passo a adotar posição diversa. Isto porque, o tema de instrução probatória, em Fl. 199DF CARF MF 8 Dcomp, em especial, o momento da apresentação da documentação para comprovação dos eventos ocorridos, é assunto controverso, com critérios não definidos, atentando, assim, à necessária segurança jurídica que deve tornear a relação fisco contribuinte. Ocorre que, em havendo desconexão entre os critérios interpretativos, e, em momento processual administrativo recursal, é possível, como se tem entendido aqui, abrir a possibilidade de o contribuinte, corretamente e de acordo com os critérios aceitos pela autoridade fazendária, comprovar a existência do pagamento indevido, e, por consequência, da existência do crédito. Em sendo assim, deve o Estado aceitar esta complementação da prova, a fim de satisfazer aos seus próprios critérios. Vejase, não há oportunização para apresentação de prova; mas sim, oportunização para complementação de prova, haja vista, pela percepção do contribuinte, ter havido entendido que, com a disponibilização dos documentos conforme o fez, estaria sanada a exigência. Dos meios aptos à comprovação Os meios aptos à comprovação do crédito pleiteado, vem sendo delineado pela jurisprudência administrativa. Segue a orientação: Acórdão 3301001.985 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DCTF RETIFICAÇÃO LIVRO APURAÇÃO DE ICMS E DIPJ PROVA A comprovação de erro no preenchimento de DCTF se faz pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam, ainda que na forma resumida para os contribuintes que optam pela apuração do lucro na forma presumida, não sendo admitida a mera apresentação de DIPJ, cuja natureza é meramente informativa, entretanto, uma vez apresentado o Livro Apuração de ICMS verificase a possibilidade de comprovação Do momento da para a apresentação dos documentos Uma vez definidos os meios de comprovação do Erro material, urge delimitar os aspectos temporais para a aceitação de documentos. Para o bem da relação fisco contribuinte, o rigor formal da primeira leitura do critério temporal, no qual o momento adequado, esgotariase com o transcurso do prazo da apresentação da manifestação de inconformidade, estaria sendo abrandado, conforme entendimento abaixo exposto, no qual documentos acostados após a apresentação de recurso voluntário seriam ainda aceitos, confirase a decisão abaixo transcrita: Acórdão 3402003.196 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10925.904180/201274 Acórdão n.º 3001000.300 S3C0T1 Fl. 219 9 qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. Precedente Análogo ao Caso Em outras ocasiões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem admitindo a juntada de documentos em sede recursal, nos exatos termos da resolução retro transcrita, conforma se transcreve abaixo, trechos do voto do Relator Robson Bayerl, Turma 3401: A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Fl. 201DF CARF MF 10 Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antrecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Conclusão Diante do exposto, voto em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com retorno do autos à Unidade de Origem para que se analise os documentos acostados e intime o recorrente a comprovar alegações. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10925.904180/201274 Acórdão n.º 3001000.300 S3C0T1 Fl. 220 11 Fl. 203DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.723566/2011-01
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007, 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. ALEGAÇÃO DE NÃO-CONFISCO E CONDIÇÕES PESSOAIS DO SUJEITO PASSIVO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49).
DECADÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO.
O dever instrumental de apresentar declaração, no tempo e modo estabelecidos, quando descumprido, enseja o dever da Administração Fazendária efetivar o lançamento, na forma do art. 142 do CTN. Quando efetivado o lançamento a chamada obrigação acessória, descumprida, converte-se em obrigação principal, nos termos do artigo 113, § 3.º, do CTN. Corolário lógico, o prazo para efetivação do lançamento, pela inobservância do dever instrumental, é de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, consoante art. 173, I, do CTN. Obedecido o referido quinquênio legal, não há que se falar em decadência do direito de constituir o crédito tributário. Demais disto, o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4.º, do CTN (lançamento por homologação) é inadequado para o caso. Se a obrigação do sujeito passivo é de natureza instrumental, de fazer e de dar (preparar e entregar declaração), não há espaço para tratar de homologação de algum pagamento. Nos termos do que foi decidido pelo STJ, no Recurso Especial repetitivo n.º 973.733/SC, o regime jurídico aplicável é o previsto no art. 173, I, do CTN.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
Numero da decisão: 1002-000.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que se refere a alegação de que a DRJ não levou em consideração as condições pessoais do contribuinte, devendo prevalecer o princípio do não-confisco e, no mérito, por unanimidade, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007, 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. ALEGAÇÃO DE NÃO-CONFISCO E CONDIÇÕES PESSOAIS DO SUJEITO PASSIVO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49). DECADÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. O dever instrumental de apresentar declaração, no tempo e modo estabelecidos, quando descumprido, enseja o dever da Administração Fazendária efetivar o lançamento, na forma do art. 142 do CTN. Quando efetivado o lançamento a chamada obrigação acessória, descumprida, converte-se em obrigação principal, nos termos do artigo 113, § 3.º, do CTN. Corolário lógico, o prazo para efetivação do lançamento, pela inobservância do dever instrumental, é de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, consoante art. 173, I, do CTN. Obedecido o referido quinquênio legal, não há que se falar em decadência do direito de constituir o crédito tributário. Demais disto, o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4.º, do CTN (lançamento por homologação) é inadequado para o caso. Se a obrigação do sujeito passivo é de natureza instrumental, de fazer e de dar (preparar e entregar declaração), não há espaço para tratar de homologação de algum pagamento. Nos termos do que foi decidido pelo STJ, no Recurso Especial repetitivo n.º 973.733/SC, o regime jurídico aplicável é o previsto no art. 173, I, do CTN. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que se refere a alegação de que a DRJ não levou em consideração as condições pessoais do contribuinte, devendo prevalecer o princípio do não-confisco e, no mérito, por unanimidade, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
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Penalidade Multa por Atraso na Entrega de Declaração DCTF. Denúncia Espontânea. Decadência. Recorrente ESCOLA COMUNITARIA JARDIM BALAO MAGICO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007, 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. ALEGAÇÃO DE NÃOCONFISCO E CONDIÇÕES PESSOAIS DO SUJEITO PASSIVO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso nas matérias inovadas. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49). DECADÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. O dever instrumental de apresentar declaração, no tempo e modo estabelecidos, quando descumprido, enseja o dever da Administração Fazendária efetivar o lançamento, na forma do art. 142 do CTN. Quando efetivado o lançamento a chamada obrigação acessória, descumprida, convertese em obrigação principal, nos termos do artigo 113, § 3.º, do CTN. Corolário lógico, o prazo para efetivação do lançamento, pela inobservância AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 35 66 /2 01 1- 01 Fl. 54DF CARF MF 2 do dever instrumental, é de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, consoante art. 173, I, do CTN. Obedecido o referido quinquênio legal, não há que se falar em decadência do direito de constituir o crédito tributário. Demais disto, o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4.º, do CTN (lançamento por homologação) é inadequado para o caso. Se a obrigação do sujeito passivo é de natureza instrumental, de fazer e de dar (preparar e entregar declaração), não há espaço para tratar de homologação de algum pagamento. Nos termos do que foi decidido pelo STJ, no Recurso Especial repetitivo n.º 973.733/SC, o regime jurídico aplicável é o previsto no art. 173, I, do CTN. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que se refere a alegação de que a DRJ não levou em consideração as condições pessoais do contribuinte, devendo prevalecer o princípio do nãoconfisco e, no mérito, por unanimidade, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 48/49) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 35/39), datada de 28/02/2013, consubstanciada no Acórdão n.º 0351.036, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Fl. 55DF CARF MF Processo nº 18470.723566/201101 Acórdão n.º 1002000.137 S1C0T2 Fl. 55 3 Tributários Federais (DCTF) do 1.º e 2.º Semestres do AnoCalendário 2007 e 1.º e 2.º Semestres do AnoCalendário 2008, deixando de acolher a impugnação apresentada pela recorrente, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007, 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE. O prazo para o lançamento da multa por atraso na entrega da Declaração é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da declaração. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. As notificações de lançamento em questão (efls. 10/13) foram lavradas, eletronicamente, em 31/03/2011, na DRF – Rio de Janeiro II, homologado por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa (...). Enquadramento legal: Art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n.º 11.051, de 2004. Demonstrativo: 1º Semestre – 2007, Multa R$500,00 2º Semestre – 2007, Multa R$ 500,00 1º Semestre – 2008, Multa R$ 500,00 2º Semestre – 2008, Multa R$ 500,00 A impugnação (efls. 2/9) instaurou a fase litigiosa do procedimento, tratando da denúncia espontânea e da decadência, no entanto não foi acolhida pela DRJ. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, reiterando os termos da impugnação, argumentou, em acréscimo, inovando, que a DRJ não levou em consideração, ao rejeitar a impugnação, as condições pessoais do contribuinte, devendo prevalecer o princípio do não confisco. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Fl. 56DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo (efls. 43/45 e 47/48), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Observo, ainda, a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas, em contra fluxo, existe fato extintivo do poder de recorrer relativo a preclusão consumativa que se operou quanto a matéria não apresentada em impugnação e constante no recurso voluntário, qual seja, a alegação de que a DRJ não levou em consideração as condições pessoais do contribuinte, devendo prevalecer o princípio do nãoconfisco. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que Fl. 57DF CARF MF Processo nº 18470.723566/201101 Acórdão n.º 1002000.137 S1C0T2 Fl. 56 5 delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estarseia, inclusive, diante de uma evidente supressão de instância. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos a exemplo dos Acórdãos ns.º 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103 e 1002000.084. Por consequente, não conheço o recurso neste ponto, que diz respeito a temática do princípio do nãoconfisco e de condições pessoais do sujeito passivo, por tratarse de inovação recursal trazida no recurso voluntário e não discutida na impugnação. De toda sorte, a atuação da Administração Tributária pautase, essencialmente, por um tratamento uniforme, transpessoal, objetivo, em decorrência, principalmente, da irradiação, no campo do Direito Tributário, do princípio da igualdade. Sobre o tema a doutrina reza: “O princípio da igualdade, numa visão formalista é dirigido apenas ao aplicador da lei, pode significar apenas o caráter hipotético da norma, a dizer que, realizada a hipótese normativa, a consequência deve ser igual, sem qualquer distinção decorrente de quem seja a pessoa envolvida. Assim, se a norma estabelece que ‘quem for proprietário de imóvel deve pagar imposto’, o imposto é devido, seja qual for o proprietário do imóvel, em cada caso.” (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2009, p. 3839) Ao ensejo, também destaco que este Egrégio Conselho tem o seguinte enunciado sumular tratando da matéria sobre discussão de inconstitucionalidade (alegação de não confisco): Súmula CARF n.º 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." No mérito, sem razão a recorrente. O recurso voluntário não estabeleceu qualquer dialeticidade no que diz respeito a decisão recorrida e sua refutação. A motivação da decisão da DRJ não foi desconstituída. O recorrente suscita a aplicação da denúncia espontânea para afastar a exação. No entanto, destaco, no que atine ao instituto, que este Conselho já possui enunciado sumular afastandoa, nestes termos: "Súmula CARF n.º 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." Fl. 58DF CARF MF 6 A mencionada súmula foi lavrada com base nos seguintes paradigmas: Acórdão n.º CSRF/0400.574, de 19/06/2007, Acórdão n.º 19200.096, de 06/10/2008, Acórdão n.º 19200.010, de 08/09/2008, Acórdão n.º 10709.410, de 30/05/2008, Acórdão n.º 10249.353, de 10/10/2008, Acórdão n.º 10196.625, de 07/03/2008, Acórdão n.º 107 09.330, de 06/03/2008, Acórdão n.º 10709.230, de 08/11/2007, Acórdão n.º 10516.674, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.676, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.489, de 23/05/2007, Acórdão n.º 10809.252, de 02/03/2007, Acórdão n.º 10195.964, de 25/01/2007, Acórdão n.º 10809.029, de 22/09/2006, Acórdão n.º 10194.871, de 25/02/2005. Rejeito, portanto a tese de denúncia espontânea. A recorrente reitera a alegação de decadência do direito de constituição do crédito tributário que surgiu com o descumprimento da obrigação acessória de apresentação tempestiva da DCTF. Aqui, igualmente sem razão a recorrente. Com efeito, descumprida a obrigação acessória, esta convertese em obrigação principal, nos termos do artigo 113, § 3.º, do Código Tributário Nacional (CTN), independentemente de qualquer manifestação volitiva dos sujeitos da relação jurídico tributária. A partir de então, possui a Administração Tributária, enquanto autoridade competente, o deverlegal de constituir o crédito tributário, por meio do procedimento administrativo de lançamento, nos termos do artigo 142 combinado com o artigo 173, inciso I, do CTN. Tratase de atividade administrativa plenamente vinculada que, se descumprida, suscita, inclusive, responsabilização funcional. Corolário lógico, o prazo para efetivação do lançamento, pela inobservância do dever instrumental, é de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, consoante art. 173, I, do CTN. Por conseguinte, o dies a quo para constituição do crédito tributário pelo lançamento por descumprimento de dever instrumental se dá, necessariamente, no primeiro dia útil do exercício subsequente àquele em que poderia ter sido realizado o lançamento – o que, in casu, só se cogita possível após o decurso do prazo final de entrega da declaração. Nessa esteira, em relação ao atraso da entrega das DCTF’s do 1.º e 2.º Semestres de 2007, o termo inicial para cômputo da decadência se conta no interregno entre 1.º/01/2008 e 1º/01/2013; em relação ao atraso da entrega das DCTF’s do 1.º e 2.º Semestres de 2008, o termo inicial é 1.º/01/2009 e o final 1º/01/2014; em ambos os casos, não se verifica decadência, vez que o lançamento foi efetivado antes do termo ad quem, haja vista que concretizado em 31/03/2011. Destarte, não há se falar em decadência, notadamente quando o lançamento ocorreu dentro do quinquênio legal, ex vi artigo 173, I, do CTN. Aliás, a Súmula CARF n.º 101 reza que: "Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado." Demais disto, pondero que o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4.º, do CTN (lançamento por homologação) é inadequado para o caso. Se a obrigação do sujeito passivo é de natureza instrumental, de fazer e de dar (preparar e entregar declaração), não há espaço para tratar de homologação de algum pagamento. Nos termos do que foi decidido pelo STJ, no Recurso Especial repetitivo n.º 973.733/SC, o regime jurídico aplicável é o previsto no art. 173, I, do CTN. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 18470.723566/201101 Acórdão n.º 1002000.137 S1C0T2 Fl. 57 7 Destarte, rejeito a tese de decadência. Quanto a obrigação de apresentar a declaração em comento a tempo e modo, não demonstrou a recorrente, de modo objetivo, fato impeditivo, modificativo ou extintivo do dever de cumprir a obrigação instrumental. O art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação vigente na época da infração, estabelece a obrigação de entrega da DCTF, sob pena de aplicação de multa, ao enunciar que: Art. 7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) (...) § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). A análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção queda se alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Fl. 60DF CARF MF 8 Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese a necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 18470.723566/201101 Acórdão n.º 1002000.137 S1C0T2 Fl. 58 9 Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002000.006, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.012, 1002000.016, 1002000.075, 1002000.077, 1002000.078, 1002000.079, 1002000.080, 1002000.081, 1002000.083, 1002000.090, 1002000.091 e 1002000.104, dentre outros, seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Por conseguinte, a recorrente não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar, na primeira oportunidade que lhe foi deferida, a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção. Destarte, o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, ora exercido por força da devolutividade recursal, aponta, em nossa análise, a correta aplicação do direito, não havendo reparos a serem efetivados. Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, Fl. 62DF CARF MF 10 após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a não prestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denominase relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 18470.723566/201101 Acórdão n.º 1002000.137 S1C0T2 Fl. 59 11 educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... Por fim, entendo que o dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária, logo é possível ficar livre da sanção fiscal, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, o contribuinte só eventualmente é onerado pela multa e isto se deve as suas escolhas, a sua governança tributária, considerando que não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, considerando os elementos dos autos, o controle de legalidade exercido não aponta quaisquer incorreções. A exigência se apresenta adequada. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que se refere a alegação de que a DRJ não levou em consideração as condições pessoais do contribuinte, devendo prevalecer o princípio do nãoconfisco. No mérito, em negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão singular e o crédito tributário lançado. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 64DF CARF MF
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