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Numero do processo: 10650.001162/97-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 1994, 1995, 1996, 1997
Ementa:
ARBITRAMENTO DO LUCRO. HIPÓTESES. INOBSERVÂNCIA.
Insubsistentes os lançamentos tributários fundados em arbitramento do lucro na circunstância em que a hipótese que serviu de suporte não encontra respaldo na legislação de regência.
Numero da decisão: 1301-000.898
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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HIPÓTESES. INOBSERVÂNCIA. Insubsistentes os lançamentos tributários fundados em arbitramento do lucro na circunstância em que a hipótese que serviu de suporte não encontra respaldo na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto da Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.001162/9798 Acórdão n.º 130100.898 S1C3T1 Fl. 230 2 Relatório FAZENDA RIO TEJUCO LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, Minas Gerais, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas aos anoscalendário de 1993 a 1996, formalizadas em razão do arbitramento do lucro. Em sede de impugnação (fls. 89/93), a contribuinte argumentou que, por ser microempresa e tendo prejuízos, estava dispensada da apresentação de declaração de rendimentos. Disse que o veículo cujo valor foi considerado para o arbitramento do lucro foi adquirido em vinte e quatro prestações. Por meio de petição, apresentou o contrato de financiamento do referido veículo, devolvido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento com base na alegação de que não foram atendidos comandos do Decreto nº 70.235/72. A já citada Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio da Decisão nº. 1.581, de 24 de agosto de 2001, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: ARBITRAMENTO DO LUCRO. AUSÊNCIA DE ESCRITURAÇÃO. A inexistência de escrituração e a omissão de entrega de declarações do IRPJ não são escusáveis pela mera alegação da impugnante de se constituir em microempresa. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DETERMINAÇÃO. O inevitável arbitramento do lucro, diante da impossibilidade de dimensionamento da receita bruta, deve tomar como base os elementos disponíveis, tal como, no caso concreto, valor do ativo permanente. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. DECORRÊNCIA. IRRF. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Princípio de causa e efeito que se impõe aos lançamentos reflexos a mesma sorte do lançamento principal. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 124/127, por meio do qual sustenta: que a Receita Federal, ao elaborar os documentos de arrecadação e promover o lançamento fiscal, errou, pois os tributos foram calculados desde o dia 08.08.1980 quando, na realidade, os créditos tributários se referem ao ano de 1993 em diante; que qualquer tributo supostamente devido já prescreveu, não podendo a Fazenda Nacional realizar qualquer cobrança; Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.001162/9798 Acórdão n.º 130100.898 S1C3T1 Fl. 231 3 que os lançamentos tributários, promovidos com base na falta de declarações, revelamse insustentáveis; que elaborou, ainda que tardiamente, todas as suas declarações de imposto de renda, contabilizando todas as suas operações; que a Delegacia da Receita Federal em Uberaba pretende receber tributos sobre rendimento ou movimentação contábil inexistente, visto que o veículo por ela adquirido foi pago de forma parcelada (alega que acostou aos autos cópia do contrato de financiamento do aludido veículo). A Delegacia da Receita Federal em Uberaba, Minas Gerais, constatando a ausência de depósito garantidor e (ou) arrolamento de bens, negou seguimento ao recurso e determinou o prosseguimento da cobrança. O débito foi inscrito em dívida ativa, porém, com o advento da Súmula Vinculante nº 21 do Supremo Tribunal Federal e dos Pareceres PGFN/CRJ nºs 891 e 1973, de 2010, referida inscrição foi cancelada. É o Relatório. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.001162/9798 Acórdão n.º 130100.898 S1C3T1 Fl. 232 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativas ao período de novembro de 1993 a dezembro de 1996. No auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica os responsáveis pela autuação assinalam (fls. 03): 1 RECEITA BRUTA NÃO CONHECIDA ARBITRAMENTO COM BASE NO VALOR DO ATIVO O contribuinte omisso, regularmente intimado em 20.08.97, a apresentar as declarações e/ou o recibo da entrega das mesmas dos anoscalendário de 1993 a 1996, até o momento não o fez. Alertamos que a falta de atendimento no prazo estipulado enseja o Lançamento de Oficio dos Tributos e Contribuições com os dados de que dispuser a Repartição (Artigo 963, combinado com o inciso I, do artigo 894, do DECRETO 1041, DE 11/01/94RIR/94). A falta de atendimento a intimação formulada pelo fisco autoriza o agravamento da multa de lançamento de oficio de que trata o artigo 4, parágrafo primeiro da Lei 8218/91, em 50% ( Artigo 994 do Decreto 1041, de 11/01/94). O elemento que a repartição dispõe e que serviu de base para o arbitramento do lucro é a aquisição de um veiculo em 11/93, por CR$ 3.500.000,00, marca GM/CHEVROLET D 20 LUXO, DIESEL, CAB. DUPLA, CHASSI:9BG258RNNKKC028510, PLACA GNB0961, conforme pesquisa feita junto Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais(DETRAN/MG). O lucro arbitrado mensalmente foi obtido pelo valor da aquisição do veículo, corrigindoo de acordo com os Índices determinados pela legislação fiscal. ... ENQUADRAMENTO LEGAL: Artigo 400, parágrafo 4º, do RIR/80 e Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal 108/80. Artigo 543, do RIR/94. Aos autos de infração lavrados foram juntados, apenas, cópia de Ofício encaminhado ao Delegado do Departamento de Trânsito de Uberaba, Minas Gerais, solicitando expedição de certidão acerca de aquisições e alienações de veículos automotores por parte da fiscalizada (fls. 72) e respectiva resposta (fls. 74/75). Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.001162/9798 Acórdão n.º 130100.898 S1C3T1 Fl. 233 5 Não identifico, pois, nos autos, um único documento relacionado ao procedimento de fiscalização levado a efeito contra a contribuinte, seja referente à instauração da ação fiscal, seja relativo às intimações eventualmente lavradas no curso do procedimento. Nesse contexto, depreendo que: i) o arbitramento do lucro foi efetuado em virtude de a contribuinte não ter apresentado as declarações e os recibos de entrega relativos aos anoscalendário de 1993 a 1996; e ii) o agravamento da penalidade aplicada, em cinqüenta por cento, se deu em razão da falta de atendimento da intimação. Considerados os elementos aportados ao processo, penso, não obstante a mais absoluta improcedência da quase totalidade dos argumentos expendidos na peça recursal, que a alegação de que os lançamentos tributários promovidos com base na falta de declarações revelamse insustentáveis, merece acolhimento. Com efeito, à época em que os lançamentos tributários foram efetivados, o arbitramento do lucro era regido pelas disposições do Decretolei nº 1.648/78 (parágrafo 4º do art. 8º), da Portaria MF nº 524/93 e da Instrução Normativa SRF nº 79/93, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 108/80. No que importa reproduzir, as disposições normativas acima mencionadas dispunham: Decretolei nº 1.648, de 1978 Art. 8º A autoridade tributária fixará o lucro arbitrado em porcentagem da receita bruta, quando conhecida. ... § 4º Na falta de outros elementos a autoridade poderá, observadas as normas baixadas pelo Secretário da Receita Federal, arbitrar o lucro com base no valor do ativo, do capital social, do patrimônio líquido, da folha de pagamento de empregados, das compras, do aluguel das instalações ou do lucro líquido auferido pelo contribuinte em períodos anteriores. Portaria MF nº 524/93 Art. 7º Na hipótese da pessoa jurídica ter seu lucro arbitrado em mais de um período mensal, as percentagens de que trata o artigo 2º serão aumentadas em seis por cento ao mês sobre a última adotada, observado como limite máximo o dobro do estabelecido, ressalvado o inciso IV do art. 2º que será de oitenta por cento. Parágrafo Único. O agravamento a que se refere este artigo não será aplicado nos casos em que haja um intervalo de doze meses entre os períodos considerados para arbitramento. Instrução Normativa SRF nº 79/93 Art. 1º A autoridade tributária, observado o disposto no decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, arbitrará o lucro da pessoa jurídica, inclusive empresas individuais e equiparadas, utilizandose dos percentuais e coeficientes previstos nesta Instrução Normativa, quando: I o contribuinte obrigado à tributação com base no lucro real não mantiver Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.001162/9798 Acórdão n.º 130100.898 S1C3T1 Fl. 234 6 escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração mantida pelo contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real ou, ainda, revelar evidentes indícios de fraude; III o contribuinte se recusar a apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal à autoridade tributária; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o contribuinte que optar pela tributação com base no lucro presumido, deixar de: a) escriturar em LivroCaixa os recebimentos e pagamentos ocorridos em cada mês, exceto se mantiver escrituração contábil, nos termos da legislação comercial; b) escriturar no livro Registro de Inventário os estoques existentes ao término do anocalendário; c) manter em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios, por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para apurar os valores indicados na Declaração Anual Simplificada de Rendimentos e Informações, apresentada pelas pessoas jurídicas optantes pela tributação com base no lucro presumido. VI o comissário ou o representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76. da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958. VII a pessoa jurídica cujo patrimônio líquido seja superior a 2.000.000 UFIR no balanço de 31 de dezembro do anocalendário imediatamente anterior, e que utilizar sistemas de processamento eletrônico de dados, na escrituração de livros e elaboração de documentos de natureza contábil e fiscal, deixar de apresentar, até o trigésimo dia após o vencimento do prazo concedido pela autoridade tributária, os arquivos magnéticos correspondentes. Parágrafo único. Considerase não apoiada na escrituração comercial e fiscal, a apuração do lucro real: a) sem que estejam escriturados no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, os ajustes ao lucro líquido, a demonstração do lucro real e os registros correspondentes nas contas de controle; b) quando não forem mantido em boa guarda e ordem, pela pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o livro ou fichasrazão utilizadas para resumir e totalizar por conta e subconta os lançamentos efetuados no LivroDiário. Receita Bruta Não Conhecida Art. 5º Quando não conhecida a receita bruta do contribuinte, o lucro arbitrado em cada mês será determinado a juízo da autoridade lançadora, observada a natureza do negócio, mediante a aplicação de qualquer dos coeficientes seguintes: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.001162/9798 Acórdão n.º 130100.898 S1C3T1 Fl. 235 7 I 1,5 (um vírgula cinco), sobre o lucro líquido auferido no último período base em que a empresa manteve escrituração de acordo com as leis comerciais e fiscais, corrigido monetariamente; II 0,03 (zero vírgula zero três), sobre a soma dos valores do ativo circulante, realizável a longo prazo e permanente, existentes no último balanço patrimonial conhecido, corrigido monetariamente; III 0,05 (zero vírgula zero cinco), sobre o valor do capital, inclusive a sua correção monetária contabilizada como reserva de capital, constante do último balanço patrimonial conhecido ou registrado nos atos de constituição ou alteração da sociedade, corrigido monetariamente; IV 0,04 (zero vírgula zero quatro), sobre o valor do patrimônio líquido constante do último balanço patrimonial conhecido, corrigido monetariamente; V 0,25 (zero vírgula vinte e cinco), sobre o valor das compras de mercadorias efetuadas no mês; VI 0,25 (zero vírgula vinte e cinco), sobre a soma, em cada mês, dos valores da folha de pagamento dos empregados e das compras de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem; VII 0,6 (zero vírgula seis), sobre a soma dos valores pagos no mês a empregados; VIII 0,8 (zero vírgula oito), sobre o valor mensal do aluguel das instalações. § 1º Os coeficientes previstos nos incisos V, VI, VII, a critério da autoridade lançadora, poderão ter sua aplicação limitada, respectivamente, às atividades comerciais, industriais e de prestação de serviços e, no caso de empresa com atividade mista, ser adotados isoladamente em cada atividade. § 2º Para cálculo da atualização monetária a que se refere os incisos deste artigo serão utilizados os índices fixados para fins de correção monetária das demonstrações financeiras, adotandose como termo inicial a data do encerramento do períodobase utilizado e como termo final o último dia útil do mês a que se referir o arbitramento. § 3º Para os efeitos da aplicação do disposto no inciso I, quando o lucro líquido for decorrente de períodobase anual o valor que servirá de base ao arbitramento será proporcional ao número de meses do períodobase considerado. Como se vê, a legislação de regência não autorizava (como hoje não autoriza) o arbitramento do lucro em razão da falta de apresentação de declarações. Se, por outro lado, pretenderam as autoridades autuantes promover o arbitramento em razão da falta de apresentação de escrituração (o que, dada a mais absoluta ausência de elementos, não se pode afirmar), ainda assim seria necessário que tivessem sido carreados aos autos documentos capazes de comprovar que a contribuinte foi devidamente intimada a reconstituir a sua escrita, eis que, como é cediço, o arbitramento do lucro representa medida extrema que só deve ser adotada na circunstância em que não seja possível a determinação do lucro real. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 10650.001162/9798 Acórdão n.º 130100.898 S1C3T1 Fl. 236 8 Wilson Fernandes Guimarães – Relator Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 13/0 5/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003879/2001-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998, 01/06/1999 a 30/06/2001
COMPENSAÇÃO EM DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO.
Tendo em vista que o contribuinte possuía ação judicial postulando pelo direito à compensação sem a necessidade de pedido administrativo próprio, que veio a ser reconhecido por decisão transitada em julgado, deverá ser analisada a compensação, ainda que, por erro, tenha constado em DCTF que a extinção se daria por pagamento.
Numero da decisão: 3201-003.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer a concomitância também em relação aos períodos de 10/98, 11/98 e 12/98. Vencidos os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Paulo Roberto Duarte Moreira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. Tendo em vista que o contribuinte possuía ação judicial postulando pelo direito à compensação sem a necessidade de pedido administrativo próprio, que veio a ser reconhecido por decisão transitada em julgado, deverá ser analisada a compensação, ainda que, por erro, tenha constado em DCTF que a extinção se daria por pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer a concomitância também em relação aos períodos de 10/98, 11/98 e 12/98. Vencidos os conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Paulo Roberto Duarte Moreira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 38 79 /2 00 1- 10 Fl. 507DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 508 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão 11.172 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiros (fls. 245 ss). O feito foi assim relatado pela DRJ: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, abrangendo os fatos geradores de 31/10/1998 a 31/12/1998, 30/06/1999 a 30/06/2001, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 324.527,43 (fls. 156), incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/08/2001. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 157), e no Termo de Verificação Fiscal de fls.150, o AFRF autuante informa que houve falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, esclarecendo que : 1) Fatos Geradores — 10/98, 11/98 e 12/98, a fiscalizada informou indevidamente na DCTF do 4° Trimestre de 1998, no campo "Créditos Vinculados", os valores devidos ao PIS como tendo sido pagos. Intimada a comprovar os referidos pagamentos, a fiscalizada declarou que "por um lapso de nossa parte, declaramos indevidamente como recolhidos as contribuições sendo que de fato os valores devidos ainda estão em aberto"; 2) Fatos Geradores — 06/99 a 06/01, intimada a comprovar as compensações dos créditos do PIS com o PIS dos meses de 06/99 a 06/01, informadas nas DCTF, docs. de fls.70 a 119, a fiscalizada apresentou cópia da petição inicial, sentença, parecer contábil, planilhas demonstrativas dos créditos e das compensações, e extrato de consulta do processo 98.00008560, que trata de Ação Ordinária com pedido de Tutela Antecipada, interposta contra a União Federal, objetivando garantir a imediata compensação entre os créditos resultantes de valores indevidamente recolhidos para o PIS com seus débitos derivados do próprio PIS; 3) O referido processo não transitou em julgado, não podendo, de imediato, produzir os efeitos almejados pela fiscalizada, ou seja, a compensação entre os créditos resultantes de valores recolhidos ao PIS na vigência dos Decretosleis 2.445 e 2.449, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, com os valores devidos ao PIS dos meses de 06/99 a 06/01. No extrato de consulta de processo da Seção Judiciária do Espírito Santo, consta que o processo em tela foi "concluso ao Juiz em 23.10.00 para despacho sem liminar"; Fl. 508DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 509 3 4) Considerando que a Ação Judicial em tela foi ajuizada em 10/02/98, procedeuse a análise dos documentos referentes a compensação pleiteada, recuando 05(cinco) anos da data do ajuizamento da Ação, ou seja, a partir dos pagamentos efetuados em 02/93(fato gerador 01/93); 5) A fiscalizada ao proceder aos cálculos indicados nas planilhas apresentadas, entendeu que o prazo estabelecido na Lei Complementar 07/70 — vencimento dia 20 do 6° mês subseqüente à ocorrência do fato gerador, alcançaria todo o período abrangido pela sua pretensão (12/88 a 10/95), fls.129 a 133. No entanto, esse direito prevaleceu somente até junho de 1989, no que concerne a fato gerador ocorrido em 12/88, tendo em vista que legislações (sic) posteriores alteraram os prazos de recolhimento; 6) Com base na Lei Complementar n° 07/70, procedeuse à apuração dos valores devidos ao PIS do período de 01/93 a 10/95, aplicando sobre as bases de cálculo, apresentadas pela fiscalizada, a alíquota de 0,75%. Os valores obtidos, relativos ao período de 01/93 a 12/94, foram convertidos em UFIR, de acordo com os art. 53, IV da Lei 8383/91, art. 53, IV da Lei 8850/94 e art. 55 da Lei 9096/95. Dos valores devidos foram deduzidos os valores efetivamente recolhidos pela fiscalizada, convertidos em UFIR pelo seu valor da data do pagamento. Os valores devidos e recolhidos, do período de 01/95 a 10/95, foram obtidos em Reais. 7) Finalmente, no período analisado (01/93 a 10/95), a fiscalizada não teve créditos a serem aproveitados, restando, pelo contrário, débitos remanescentes do período de 01/93 a 12/94, no montante de 21.207,17 UFIR e de 01/95 a 10/95, no montante de R$ 5.504,87, conforme docs. de fls. 120 a 149. O enquadramento legal da presente autuação foram os artigos 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 07/70, art. 1°, parágrafo Único, da Lei Complementar n° 17/73, arts. 2°, inciso I, 3 0, 8°, inciso I, e 9°, da Lei n° 9.715/98, e arts 2° e 3° da Lei n° 9.718/98. Após tomar ciência da autuação em 24/09/2001, a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação anexada às fls. 24 em 22/10/2001, alegando em resumo: • Falta a apresentação das alíquotas no corpo do Auto de Infração. Erra o Fisco quando traz anexos e demonstrativos juntados ao auto de infração e que, supostamente, demonstram os períodos, datas e valores apurados; • Como a autuação foi apurada através de escrituração fiscal, deveria, por óbvio, terem sido relacionados os livros ou registros contábeis para embasar seu lançamento, como também, o agente fiscalizador deveria comprovar sua habilitação contábil ensejadora de tal ação; Fl. 509DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 510 4 • Outrossim, a impugnante está juntando a certidão do Conselho Regional de Contabilidade do Espírito Santo, que afirma categoricamente que o sr. Manoel Sérgio de A Macedo, não possui nenhum tipo de registro no referido Conselho; • É de sabença de todos que a análise de livros e escriturações contábeis é tarefa concernente à profissão de contabilista e, sob o prisma da Constituição Federal, qualquer outra pessoa que não contabilista que o faça está exercendo ilegalmente profissão alheia; • Assim, nem careceria adentrar ao mérito do lançamento, vez que os liames de validade e legalidade não foram satisfeitos. Mas, por derradeiro amor a querela e por primazia a verdade material, a Impugante fez tecer considerações sobre a suposta causa do lançamento, conforme segue; • Na data de 30/03/00, a empresa impetrou Mandado de Segurança, sob n° 2000.50.01.0019992, em que lhe foi proferida sentença autorizando a compensação dos valores recolhidos indevidamente ou a maior do PIS, no período de julho de 1989 a 1995, sob a égide dos Decretoslei 2.445 e 2.449, de 1988, os quais foram declarados inconstitucionais pelo STF, com débitos do contribuinte da mesma natureza; • Desta forma, tornase evidente que a autuação sofrida pela impetrante está em total desacordo com a decisão proferida pela MM Juíza da 5' Vara Federal da Seção Judiciária de Vitória/ES, pois a empresa ainda possui créditos a compensar, conforme se pode perceber com a análise das planilhas em anexo; • No tocante a alegação de que a empresa deixou de recolher as contribuições dos meses de 10/98, 11/98 e 12/98, apesar de ter sido reconhecida pela mesma, não pode ser levada a efeito para que se proceda a autuação da impugnante, pois como já foi afirmado, a empresa tem o direito de compensar os valores que foram pagos indevidamente a título de PIS, sob a égide dos Decretoslei 2.445 e 2.449, 1988, os quais foram declarados inconstitucionais pelo STF e foram afastados do mundo jurídico através da Resolução n° 49/95, do Senado Federal; • Desnecessário dizer, que esses valores recolhidos a maior constituem propriedade da Impetrante, propriedade essa garantida constitucionalmente; • Se o contribuinte tem crédito, vale dizer que pagou a maior um determinado tributo, ou seja, tem o direito de propriedade sobre seu crédito. Ora, se tem que efetuar novos recolhimentos, por que não compensálos? Vale frisar que, ocorrendo o indébito tributário, o Estado Fl. 510DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 511 5 apoderase de determinada parcela da propriedade do contribuinte; • Neste diapasão, não há que se cogitar em falta de recolhimento do PIS; • Como se pode observar e por tudo o que foi exaustivamente exposto, não é aplicável a incidência da multa de ofício que foi aplicada à impugnante, pois a mesma agiu conforme determinação judicial; • Nestes termos, requer a impugnante seja declarado insubsistente o presente Auto de Infração e conseqüente débito lançado pela impugnada, tudo conforme foi exaustivamente fundamentado nesta impugnação. Junto com a petição impugnatória, o contribuinte apresentou cópia do Contrato Social (fls.186/194), Sentença do Mandado de Segurança n° 2000.50.01.0019992, na 5" Vara Federal no Espírito Santo(fls.195/211) e Declaração do Conselho Regional de Contabilidade. A Turma Julgadora julgou a Impugnação parcialmente procedente, restando assim ementada a decisão: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998, 01/06/1999 a 30/06/2001 Ementa: NULIDADE DA AÇÃO FISCAL Não ocorrida violação das disposições contidas nos arts. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento formalizado através de auto de infração. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA — O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão por parte da autoridade lançadora que impeça o sujeito passivo de conhecer os dados essenciais à sua defesa, restringindo tal direito. Não se configura cerceamento à defesa, quando o contribuinte apresenta impugnação contra os mesmos fatos que originaram a autuação. ATIVIDADE DE LANÇAMENTO —COMPETÊNCIA — Nas atividades inerentes à constituição de créditos da Fazenda Nacional, administrados pela Secretaria da Receita Federal, não se aplicam aos Auditores Fiscais da Receita Federal quaisquer limitações relativas às sua atribuições. AUTO DE INFRAÇÃO — ANEXOS — Não há impedimento à existência de demonstrativos e relatórios anexos ao auto de infração, desde que deles seja dada ciência ao contribuinte, a fim de possibilitar o exercício da ampla defesa. AÇÃO JUDICIAL PROPOSTA PELO INTERESSADO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCAS ADMINISTRATIVAS. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA EM PARTE Ação judicial Fl. 511DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 512 6 proposta pelo interessado contra a Fazenda Nacional — antes ou após o lançamento do crédito tributário — com idêntico objeto, impõe renúncia às instâncias administrativas, determinando o encerramento do processo fiscal nessa via, sem a apreciação do mérito, declarandose a definitividade do crédito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Não compete à DRJ, nos termos do inciso I do art.224 e 225 da Portaria MF n° 30/2005, apreciar, originariamente, pedido de compensação de tributos ou contribuições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL/JULGAMENTO Embora o débito declarado, a princípio, dispense o lançamento, os procedimentos fiscais perpetrados, assim como eventuais impugnações ou recursos tempestivos apresentados pelo sujeito passivo no curso do processo administrativo fiscal, constituemse atos perfeitos, motivo pelo qual devem ser apreciados pelas instâncias julgadoras administrativas. MULTA .DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face da retroatividade benigna, cancelase a multa de lançamento de ofício. A parte dispositiva do acórdão foi assim ementada: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo n° 11543.003879/200110, ACORDAM os membros da 5' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro H, por unanimidade de votos, por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, julgar procedente em parte o lançamento para excluir a incidência da multa de ofício, nos termos do entendimento emanado na Solução de Consulta Cosit/ SRF n° 3/2004, que tem fundamento no artigo 18 da Lei n° 10.833/2003 nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 277 e seguintes, por meio do qual reafirmou que a matéria em discussão se encontra sob discussão judicial, destacando, ainda, que, por força de sentença proferida, a compensação tributária deveria se dar independentemente de procedimento administrativo. Os autos foram remetidos a este CARF para julgamento e distribuídos ao Relator Luciano Lopes de Almeida Moraes. Por unanimidade de votos, deliberouse pela conversão do feito em diligência, nos seguintes termos: Discutese nos autos a compensação de PIS decorrente de processo judicial. Entretanto, verificase que, para deslinde do feito, se faz necessário verificar o teor das decisões proferidas bem como o trânsito em julgado das demandas que influem neste processo (2000.50.01.0019992 e 98.000008560). Fl. 512DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 513 7 Assim, entendo que deva ser intimado o contribuinte a juntar aos autos cópia das iniciais, sentenças e acórdãos proferidos nos referidos processos judiciais, bem como certidão narratória dos mesmos. Ainda, deve a recorrente ser intimada a explicitar se os créditos ora debatidos foram calculados com base nos dois processos judiciais supra ou, se em apenas um deles, especificar qual. Diante do exposto, voto por ser realizada diligência para que: 1) A recorrente junte aos autos cópia das iniciais, sentenças e acórdãos proferidos nos referidos processos judiciais, bem como certidão narratória dos mesmos. 2) A recorrente deve ainda esclarecer se os créditos ora debatidos foram calculados com base nos dois processos judiciais supra ou, se em apenas um deles, especificar qual. 3) A autoridade preparadora informe se os valores pretendidos de compensação pela recorrente foram realizados conforme determinam as decisões judiciais dos processos supra elencados, esclarecendo eventuais divergências. Os autos então retornaram a este CARF, sendo a mim distribuídos por sorteio, tendo em vista que o relator original do feito não mais integra este Colegiado. Entretanto, verificouse que a diligência solicitada não foi atendida pela Autoridade Preparadora. Consta, à fl. 419, que o presente processo teria sido encaminhado indevidamente para a Delegacia da Receita Federal de Vitória, tendo sido determinada, por conseguinte, a devolução dos autos a este CARF. Constatado que o envio dos autos à SECAT/DRF/VIT/ES não se deu de forma indevida, uma vez que competia à Autoridade Preparadora o atendimento ao que restou solicitado por este órgão julgador, por meio de nova Resolução foi efetuada a remessa dos autos à Autoridade Preparadora. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 493 e seguintes, o contribuinte foi intimado para a apresentação das cópias relativas aos processos judiciais nº 2000.50.01.0019992 e nº 98.000008560, bem como a esclarecer quanto aos créditos utilizados na compensação pleiteada. A intimação foi realizada por via postal com Aviso de Recebimento e também por Edital, além de contato telefônico com o contador da empresa. Contudo, nada foi respondido. Informou, ainda, a Autoridade preparadora, que a empresa apresenta declarações de inatividade desde o anocalendário 2012. Não obstante, a Autoridade Preparadora buscou atender os quesitos da Resolução com os elementos disponíveis, obtendo a seguinte conclusão: 17. Encerramos a diligência, concluindo que: Fl. 513DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 514 8 • O interessado não apresentou documentos e esclarecimentos necessários para o atendimento da Resolução nº 3201000.682 da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, referente ao Processo nº 11543.003879/200110. • Com base no processo administrativo fiscal e acompanhamento das ações judiciais nas páginas de internet, constatouse: • Que o procedimento fiscal iniciou em 20/09/2000 com a ciência do termo de Início de Fiscalização (fl. 12) e encerrou em 24/09/2001 com a ciência do Auto de Infração. • Que o interessado se utilizou de créditos do período compreendido entre julho de 1989 e dezembro de 1995, calculados a partir da diferença entre os valores pagos com base nos Decretoslei 2.445/88 e 2.449/88 e os calculados pelos critérios da semestralidade, alíquota e faturamento definidos da LC 07/70, para compensálos com o PIS devido no período de 06/99 a 06/2001. • Que o interessado é parte em duas ações judiciais: • Ação nº 98.00008560 cuja decisão em primeira instancia ocorreu em 02/08/2000 autorizando a compensação do crédito relativo a pagamentos a maior decorrente dos Decretoslei 2.445/88 e 2.449/88 com os débitos de PIS. • Ação nº 2000.50.01.0019992, impetrada em 30/03/2000, cuja decisão, de 22/08/2001, reconheceu o direito à repetição de indébito de valores indevidamente recolhidos a título de contribuição social ao PIS no período de julho de 1989 a 1995 sob a égide dos DecretosLeis Leis 2.445 e 2.449/88, os quais foram expurgados do mundo jurídico através da Resolução nº 49/95, do Senado Federal, e determinou que não deve ser exigida da impetrante a correção monetária incidente sobre a base de cálculo do PIS/semestral e que os valores recolhidos indevidamente ou a maior a esse título podem ser objeto de compensação tributária com débitos do contribuinte da mesma natureza (PIS com PIS), ficando a compensação sujeita à homologação, cabendo ao Fisco apenas averiguar a lisura do procedimento adotado no que concerne aos valores envolvidos, índices de atualização monetária e origem dos créditos, podendo exigir eventuais diferenças que não estejam de acordo com o decido. • Que a autoridade fiscal restringiu a análise dos créditos ao período de 01/93 a 10/95 e considerou que a semestralidade teve vigência de 12/88 a 06/89 (base de cálculo = faturamento de 12/88). Após o cuidadoso e detalhado trabalho fiscal, os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 515 9 Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme relatado nos autos, o presente Auto de Infração decorre do lançamento de débitos declarados pela Recorrente e quitados com créditos oriundos de 2 (duas) ações judiciais. O acórdão recorrido aplicou a concomitância com relação ao Mandado de Segurança nº 2000.50.01.0019992 "No concernente ao valor do crédito que o contribuinte alega possuir a título de PIS, recolhidos pela sistemática dos Decretosleis n° 2.445 e 2.449/88 — planilha anexada às fls.62/63, onde utiliza a base de cálculo pertinente ao faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador", entendo, ainda, que a correção monetária deve se dar nos exatos termos da decisão judicial transitada em julgado. No tocante aos períodos 10/98, 11/98 e 12/98, para os quais a Recorrente afirma que utilizou crédito reconhecido nos autos da Ação Ordinária n° 98.00008560 em compensação realizada na sua própria escrita fiscal (ou seja, sem procedimento administrativo de compensação), o acórdão recorrido entendeu que não haveria litígio nesse aspecto uma vez que a compensação em questão apenas pode ser analisada pela Autoridade Administrativa após a apresentação de pedido administrativo de restituição e compensação. Já para os fatos geradores ocorridos entre 06/99 a 06/2001, a compensação em DCTF foi reconhecida, embora não validada no que diz respeito ao quantum, aplicandose a concomitância e afastando a Multa de Ofício. Vejase o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 154): Em prosseguimento, procedi a análise dos demais documentos apresentados e constatei que a) a fiscalizada não recolheu o PIS dos meses de 06/99 a 06/01 e a COFINS dos meses de 06/99 a 12/99 e 06/00, compensandoos indevidamente com créditos do PIS e do FINSOCIAL, objeto de Ações Judiciais; b) que os valores devidos ao PIS e a COFINS dos meses de 10/98, 11/98 e 12/98, constantes do campo "créditos vinculados" das DCTF a título de pagamentos, não haviam sido pagos, e c) efetuou recolhimento a menor da COFINS dos meses de 05/01 e 06/01. Não há lide quanto ao item "a", para o qual foi reconhecida a existência de concomitância e a necessidade de aplicação das decisões judiciais proferidas nos autos da Ação Ordinária n° 98.00008560 e do Mandado de Segurança nº 2000.50.01.0019992, inclusive no que se refere aos índices de correção monetária fixados em decisão judicial, para o período de 06/99 a 06/01 (PIS) e 06/99 a 12/99 de 06/00 (COFINS), extintos por compensação. Também não há lide com relação ao item "c", que trata de recolhimento a menor da COFINS dos meses de 05/01 e 06/01. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 516 10 Não obstante, há irresignação da Recorrentes especificamente quanto ao item "b", ou seja, quanto aos períodos 10/98, 11/98 e 12/98, sendo esse o único objeto do Recurso Voluntário apresentado. O Termo de Verificação Fiscal assim estabeleceu (fl. 154 e fls. 156/157) PIS — Falta de Recolhimento Fatos Geradores 10/98, 11/98 e 12/98 Constatei que a fiscalizada informou indevidamente na DCTF do 40 trimestre de 1998, no campo "Créditos Vinculados", os valores devidos ao PIS como tendo sido pagos. Intimada a comprovar os referidos pagamentos, a fiscalizada declarou que "por um lapso de nossa parte, declaramos indevidamente como recolhidos as contribuições sendo que de fato os valores devidos ainda estão em aberto", docs. de fls. 19 a 23 e 67 a 69. Fatos Geradores: 06/99 a 06/01 Intimada a comprovar as compensações dos créditos do PIS com o PIS dos meses de 06/99 a 06/01, informadas nas DCTF, docs. de fls. 70 a 119, a fiscalizada apresentou cópias da Petição Inicial, Sentença, Parecer Contábil, planilhas demonstrativas dos créditos e das compensações, e extrato de consulta do processo 98.00008560, que trata de Ação Ordinária com pedido de Tutela Antecipada, interposta contra a União Federal, objetivando garantir a imediata compensação entre os créditos resultantes de valores indevidamente recolhidos para o PIS com seus débitos derivados do próprio PIS, docs. de fls. 24 a 66. Assim, enquanto para os Fatos Geradores ocorridos entre 06/99 a 06/01 foi reconhecida a concomitância, os Fatos Geradores correspondentes aos períodos 10/98, 11/98 e 12/98 foram lançados como sendo débitos declarados e não recolhidos e, portanto, não são alcançados pela concomitância. Em sua Impugnação, a Recorrente traz tópico específico quanto à suposta falta de recolhimento no período, onde aduz: No tocante a alegação, de que a empresa deixou de recolher as contribuições dos meses de 10/98, 11/98 e 12/98, apesar de ter sido reconhecida pela mesma, não pode ser levada a efeito para que se proceda a autuação da impugnante, pois como já foi afirmado, a empresa tem o direito de compensar os valores que foram pagos indevidamente à titulo de PIS, sob a égide dos Decretoslei 2.445 e 2.449, 1998, os quais foram declarados inconstitucionais pelo STF e foram afastados do mundo jurídico através da Resolução n.° 49/95, do Senado Federal. Desnecessário dizer, que esses valores recolhidos a maior constituem propriedade da Impetrante, propriedade essa garantida constitucionalmente. Se o contribuinte tem crédito, vale dizer que pagou a maior um determinado tributo, ou seja, tem o direito de propriedade sobre Fl. 516DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 517 11 seu crédito. Ora, se tem que efetuar novos recolhimentos, por que não compensálos integralmente com seu crédito? É exatamente este direito que a Impugnante fez. Em face de tais argumentos, a DRJ assim decidiu, conforme o seguinte trecho de fl. 254: No tocante aos períodos 10/98, 11/98 e 12/98, onde a contribuinte vinculou na DCTF do 4° Trimestre de 1998 na condição de pagamento fls.67/69, valores que efetivamente não foram recolhidos, a mesma alega que possui crédito do PIS a ser compensado proveniente da Ação Ordinária n° 98.00008560, na 5' Vara da Justiça Federal no Espírito Santo, que pretende ser liquidado pelo instituto da compensação. A partir daí, o contribuinte poderia proceder à solicitação da restituição e a compensação com créditos próprios, conforme os trâmites administrativos pertinentes a esta matéria. Assim, enquanto não instaurado o litígio, em razão do indeferimento do pedido de compensação formulado pelo contribuinte junto à autoridade competente para analisálo, no presente caso, o delegado da DRFVitória/ES, não cabe manifestação deste órgão julgador. A controvérsia, nesse aspecto, é que, nos períodos de 10/98, 11/98 e 12/98, a Contribuinte declarou, em sua DCTF, que os débitos seriam extintos por pagamento. Já nos períodos de 30/06/1999 a 30/06/2001, a Contribuinte informou adequadamente que a extinção se deu por compensação, sem pedido administrativo de restituição e compensação. Estas compensações informadas em DCTF foram legitimadas pela Fiscalização com base nas ações judiciais. Contudo, o erro cometido pela Recorrente ao informar em sua DCTF que os períodos 10/98, 11/98 e 12/98 seriam extintos por pagamento e não por compensação, não foi retificado pela Fiscalização, que permanece cobrando o crédito tributário correspondente na condição de débito declarado e não pago, portanto, não alcançado pela concomitância. Assim, é nesse ponto que se restringe a irresignação em sede de Recurso Voluntário: insiste a Recorrente que, como a ação judicial lhe garantia o direito à compensação independentemente de pedido administrativo, inclusive os períodos de 10/98, 11/98 e 12/98 deveriam ser considerados extintos por compensação. É de se observar que a própria DRJ reconhece expressamente que, nos termos das decisões judiciais, a Recorrente poderia efetuar a compensação diretamente em sua DCTF, sem necessidade de pedido administrativo de compensação. Contudo, como demonstrado, entendeu que para os períodos de 10/98, 11/98 e 12/98 a Recorrente jamais teria pretendido extinguir os débitos por compensação, mas, sim, por pagamento, conforme informado em DCTF. Por essa razão é que exclui esta parcela do débito da parte relativa à concomitância. Com a devida vênia, discordo do posicionamento fiscal. Desde a sua Impugnação a Recorrente demonstra que a informação de que os períodos de 10/98, 11/98 e 12/98 seriam extintos por pagamento era equivocada, sendo que tais débitos, em verdade, Fl. 517DF CARF MF Processo nº 11543.003879/200110 Acórdão n.º 3201003.707 S3C2T1 Fl. 518 12 seriam extintos por compensação. Não se discute é o valor do débito declarado este, sim, considerado como débito confessado e para o qual não se pode instaurar litígio mas, tão somente, a sua forma de extinção, se por pagamento ou se por compensação. E, de fato, o equívoco de declaração é singelo e passível de correção imediata. A Ação Ordinária n° 98.00008560, que garantia a utilização do crédito por meio de compensação, foi proposta em 10/02/98, conforme Informação Fiscal à fl. 194. Existem reiterados julgados deste CARF no sentido de que o erro de fato incorrido pelo contribuinte em suas declarações pode e deve ser revisto mediante provas apresentadas. Considerando, portanto, que o cometimento de erro quando do preenchimento da DCTF (informar extinção por pagamento e não por compensação) vem sendo alegado pela Recorrente desde a sua impugnação e sendo incontroverso que, à época dos fatos geradores, esta já vinha postulando judicialmente o reconhecimento do direito à compensação (direito esse posteriormente reconhecido), a sua correção é passível de acatamento na esfera administrativa. Assim, ao analisar a legitimidade do crédito postulado pela Recorrente e quantificálos nos termos das decisões judiciais, entendo que a Autoridade Lançadora deverá promover a extinção do todos os débitos lançados, inclusive no que se refere aos períodos de 10/98, 11/98 e 12/98, independentemente de constar em DCTF que tais débitos seriam extintos por pagamento e não por compensação. Por óbvio, a extinção dos débitos lançados por meio do presente Auto de Infração ficará limitado ao crédito reconhecido e validado nos termos das decisões judiciais proferidas na Ação Ordinária n° 98.00008560 e no Mandado de Segurança n°2000.50.01.0019992. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer que os períodos de 10/98, 11/98 e 12/98 estão sujeitos à compensação com o crédito reconhecido nas referidas decisões judiciais, portanto, inseridos na concomitância reconhecida. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 518DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11522.001471/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998
DECISÕES PROLATADAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. FUNDAMENTAÇÃO EM SÚMULA VINCULANTE DO STF. RECUSO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO.
Não cabe recurso de ofício contra decisão da Secretaria da Receita Federal do Brasil fundamentada em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal.
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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FUNDAMENTAÇÃO EM SÚMULA VINCULANTE DO STF. RECUSO DE OFÍCIO. DESCABIMENTO. Não cabe recurso de ofício contra decisão da Secretaria da Receita Federal do Brasil fundamentada em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal. RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 14 71 /2 00 7- 47 Fl. 341DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA (DRJ/BEL), relativo a impugnação apresentada pelo sujeito passivo (134/161) em face da Notificação Fiscal de fls. 3 e seguintes. A DRJ/BEL considerou o lançamento improcedente, conforme se depreende da ementa da decisão recorrida: Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1998 NFLD n° 35.818.1216. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE. STF. Prescreve a Súmula Vinculante n 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual, em se tratando de lançamento de oficio, devese aplicar o prazo decadencial de cinco anos. DECADÊNCIA. NULIDADE POR VICIO FORMAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 173, INCISO II DO CTN. No lançamento substitutivo, em que o anterior foi anulado por vicio formal, aplicase o prazo previsto no artigo 173, inciso II, do CTN. O direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário substitutivo com fundamento no artigo 173, inciso II, do CTN não abrange o direito de lançar contribuições relativas a obrigações tributárias já extintas, quando da lavratura do lançamento substituído, pela ocorrência da decadência. O recurso de ofício foi motivado em razão do valor exonerado ultrapassar o valor de alçada estabelecido à época da decisão de primeira instância. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11522.001471/200747 Acórdão n.º 2402006.426 S2C4T2 Fl. 3 3 Em razão de os fatos até aqui narrados serem suficientes para a resolução da lide, deixo fazer referências a outras informações relativas ao lançamento, inclusive no que se refere a questões de mérito. É o relatório. Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator De início há que se esclarecer que a decisão recorrida considerou o lançamento improcedente com fundamento na Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal a qual estabeleceu que “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário”. A esse respeito, dispõe o inciso VI do art. 27 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002: Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: (Redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013) [...] VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6º do art. 19. Os dispositivos acima reproduzidos, por si só, mostramse suficientes ao não conhecimento do recurso de ofício. Ainda que não o fossem, de acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão (...) exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda”. Atualmente, a matéria é tratada na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, cujo art. 1º estabelece: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 343DF CARF MF 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. A respeito do valor a ser considerado para fins de conhecimento de recurso de ofício, a Súmula CARF nº 103 esclarece ser aplicável o limite de alçada vigente na data de sua apreciação pela segunda instância administrativa. Vejamos: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Desse modo, tendo em vista que os valores lançado a título de tributo e encargos de multa são inferiores ao estabelecido na Portaria MF nº 63/2017 (vide documento de fl 3), mesmo que não se aplicasse ao presente caso o inciso VI do art. 27 da Lei nº 10.522/2002, não haveria como se conhecer do apelo. Conclusão Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.002366/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005, 2006
TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS DE PESSOA JURÍDICA PARA PESSOA FÍSICA. LIBERALIDADE DO DOADOR.
Doação feita por uma empresa a uma pessoa física, com a devida declaração e pagamento do tributo devido ao Estado, não pode ser tributado pelo Imposto de Renda da Pessoa Física de modo que não há que se falar em omissão de rendimento.
Numero da decisão: 2201-004.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Daniel Mendes Bezerra e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negaram provimento.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 419 1 418 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12898.002366/200991 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.612 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2018 Matéria IRPF Recorrente JENNINGS LUIS IGEL HOFFENBERG Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006 TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS DE PESSOA JURÍDICA PARA PESSOA FÍSICA. LIBERALIDADE DO DOADOR. Doação feita por uma empresa a uma pessoa física, com a devida declaração e pagamento do tributo devido ao Estado, não pode ser tributado pelo Imposto de Renda da Pessoa Física de modo que não há que se falar em omissão de rendimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Daniel Mendes Bezerra e Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negaram provimento. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Presidente. (assinado digitalmente) DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 23 66 /2 00 9- 91 Fl. 419DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 337/373, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), de fls. 320/330, a qual julgou procedente lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, por transferência de recursos de pessoa jurídica a pessoa física, referentes aos exercícios de 2005 (ano 2004) e 2006 (ano 2005). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 2.093.608,98 (dois milhões, noventa e três mil, seiscentos e oito reais e noventa e oito centavos), já incluídos os juros e a multa. Conforme o Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 181/184: Os esclarecimentos, documentos e comprovações, apresentados pelo contribuinte, foram em sua maioria aceitos por esta Eqfis, exceto no que diz respeito aos seguintes itens: Ações recebidas como bonificações no anocalendário de 2005 e Transferência Patrimonial — doações recebidas em espécie, nos anos calendário de 2004 e 2005, sobre os quais tecemos, a seguir, algumas considerações: Ações recebidas em bonificações no anocalendário de 2005: Embora a correção do valor da avaliação, declarada inicialmente pelo contribuinte, esteja adequada, a sua classificação, como rendimentos sujeito à tributação exclusiva, é indevida. A classificação adequada seria de rendimentos isentos e não tributáveis, embora a classificação utilizada pelo contribuinte não interfira na apuração do imposto do exercício de 2006 sob fiscalização; Transferência Patrimonial — doações recebidas em espécie nos anoscalendário de 2004 e 2005: Embora o contribuinte identifique e faça prova da origem dos recursos recebidos e declarados, os esclarecimentos e documentos apresentados são insuficientes para que esta fiscalização firme convicção quanto à natureza dos rendimentos recebidos, ou seja, de que se tratem, de fato e de direito, de doações e, portanto, isentos e não tributáveis; Sobre "doação", identificamos no Novo Código Civil, Lei n° 10.406/2002, as seguintes referências: Art. 538 — "Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra"; Art. 541 — "A doação farseá por escritura pública, ou instrumento particular"; Art. 221 — 0 instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e da administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público; Fl. 420DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 420 3 Art. 288 — É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do parágrafo 1° do art. 654; Sobre Registros Públicos dispõe a Lei n° 6.015/1973: Art. 128 — No Registro de Títulos e Documentos será feita à transcrição: I — dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor; Da legislação apresentada, observase que há necessidade de tratamento formal, ou seja, obrigatoriedade de instrumento público ou contrato particular, neste caso, com registro público obrigatório, para surtir efeitos em relação a terceiros, com transcrição obrigatória no Registro de Títulos e Documentos, nos termos do inciso I, art. 128, da Lei n° 6.015/1973 acima transcrita, de forma que seja possível identificar às partes á(doador, donatário e respectivas testemunhas), evidenciando, ainda, a natureza da doação e o seu respectivo fator de motivação. Há que se ressaltar, ainda, que, quanto mais significativo for o valor da doação, maior deverá ser o rigor na sua formalização. No caso em questão, inexiste qualquer evidência documental formal que sustente, ampare e comprove que os créditos, efetuados pela pessoa jurídica, na contacorrente do contribuinte, se deram por doação. Na verdade, uma, das poucas, evidências documentais apresentadas pelo contribuinte diz respeito à cópia xerox de ata de reunido de diretoria da Parth Investment Conpany, inclusive sem evidência de qualquer registro público, na qual Sra. Daisy Ruth Igel, como diretora e acionista, é autorizada a transferir recursos da empresa para seus dois filhos, diretores da UltraDi Participações S/A, Pedro Igel de Barros Salles e Jennings Igel Hoffember (contribuinte sob fiscalização) sem, entretanto, apresentação de demais detalhes, bem como, sem apresentação do fator de motivação para as respectivas transferências de recursos tão significativos; Analisando os esclarecimentos e documentos apresentados e para fins de reconhecimento do direito isenção, prevista na Lei 7.713, de 1988, art. 6°, inciso XVI, esta Eqfis entende que uma transferência patrimonial por doação deve ser exaustivamente comprovada perante o Fisco, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, de modo a não pairar qualquer sombra de dúvida quanto i natureza dos rendimentos recebidos. Não basta a prova da identificação da origem dos recursos, da transferência do valor e do correspondente crédito na conta corrente do contribuinte sob fiscalização, fazse necessário, também, à apresentação de documentação hábil e idônea da doação realizada, nos termos da legislação pertinente acima referenciada e, neste caso, atender plenamente As exigências Fl. 421DF CARF MF 4 contidas no Código Civil e, por extensão, a Lei dos Registros Públicos; Portanto, a luz dos dispositivos legais transcritos, os elementos apresentados pelo contribuinte, sob o aspecto formal, não atendem As exigências contidas no Código Civil, em especial o artigo 541, acima transcrito, bem como, o art 128, inciso I, da Lei n° 6.015/73, o qual estabelece que, para surtir efeito em relação a terceiros (Secretaria da Receita Federal do Brasil), os instrumentos particulares devem ser transcritos no Registro de Títulos e Documentos; Assim, muito embora se constate a transferência dos valores para sua contacorrente, através dos créditos por TED, nos valores de R$1.539.747,15 e R$ 1.904.917,17, nos anos calendário de 2004 e 2005, respectivamente, o contribuinte não comprovou plenamente a efetividade das doações recebidas diretamente da Pessoa Jurídica UltraDi Participações S/A, CNPJ n° 32.245.821/000184, empresa na qual o contribuinte exercia o cargo de diretor desde 18/05/2004, conforme extrato CONSULTA CNPJ, em anexo. Ressaltese, ainda, que o contribuinte, também, não conseguiu esclarecer e comprovar como não remuneratôria a natureza dos créditos recebidos. Logo, não restou outra alternativa a esta Eqfis, a não ser considerar como tributáveis os créditos recebidos e declarados indevidamente pelo contribuinte como "transferência patrimonial por doações recebidas", portanto, tributáveis, nos termos da legislação vigente, porquanto, como já dito e não é demais repetir, o contribuinte não logrou comprovar plenamente, com a apresentação de documentação hábil e idônea, trataremse os referidos créditos, efetivamente, de doações recebidas de pessoa jurídica, de acordo com as regras jurídicas pertinentes. Considerando tudo o mais, concluímos que os fatos acima expostos, que resultaram em rendimentos declarados pelo contribuinte indevidamente a titulo de transferência patrimonial por doações recebidas rendimentos isentos e não tributáveis, no valor originário de R$ 1.539.747,15 no anocalendário de 2004, e de R$ 1.904.914,17 no anocalendário de 2005, ensejam a constituição do lançamento por "rendimentos classificados indevidamente na DIRPF". Tal lançamento deu origem a lavratura de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, relativo aos exercícios de 2005 e 2006, anosbase 2004 e 2005, nos termos da legislação em vigor, devidamente capitulada no referido Auto de Infração em anexo, com crédito tributário constituído e consolidado, em 09/12/2009, no valor de R$ 2.093.608.98, encerrando, dessa forma, a apreciação do presente MPF; Da Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 230/252 em 13/01/2010. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela Fl. 422DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 421 5 Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), adotase, literalmente, tal trecho para compor parte do presente relatório: Inicialmente, é repisado o histórico das empresas envolvidas, sendo acrescido que, não tendo os investimentos da Parth na Ultrapar decorrido de ingresso de divisas no País, e não sendo possível registrálo no Banco Central do Brasil como investimento externo na forma da lei no 4.131/62, os dividendos e os juros sobre o capital próprio distribuídos pela Ultrapar deveriam ser pagos ou creditados no Brasil (fl. 235). Para tal fim, foram firmados o Agency Agreement entre a Parth e a UltraDi em 2001 (doc 1 – fls. 255/258), e a deliberação dos sócios da Parth (doc 2 – fls. 260/263), ambos registrados no Registro de Títulos e Documentos com traduções juramentadas por tradutor público. O Sr. Renato Ochman também foi autorizado a representar a Parth perante a Ultrapar, como fazem prova as traduções juramentadas das procurações por instrumento público (doc 3 – fls. 265/273), que autorizou a transferência dos dividendos da Parth (fls. 36, 199). Nesse contexto, a UltraDi entregou os valores ao autuado a título de doação, em cumprimento das determinações expressas da Parth manifestadas em suas correspondências (fls. 32/33, 35/36, 185/186) e no instrumento particular (fl. 184), inteiramente desprezado pela Fiscalização, tendo inclusive pago o ITD. Ressalta que os recursos da Parth não se confundem com os da UltraDi, sendo certo que os recursos recebidos pelo Impugnante tiveram origem na Parth, conforme fiscalização da UltraDi encerrada sem resultado (doc 4 – fls. 274/278) e diligência realizada na Ultrapar (doc 5 – fls. 279/282). Alega que, sendo a fonte pagadora dos recursos a Parth (pessoa jurídica domiciliada no exterior), e não a UltraDi como indicado na infração, e o lançamento se fundamentar nas normas aplicáveis aos rendimentos pagos por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, foi violado o art. 845, §1º, do RIR/99, que determina que os esclarecimentos prestados somente poderão ser impugnados pelos lançadores com prova ou indício de falsidade ou inexatidão. Que nem a UltraDi ou o outro procurador da Parth no Brasil foram intimados a esclarecer a natureza dos pagamentos e a contabilização dos valores. Alega a nítida tentativa de inverter o ônus da prova sem amparo em qualquer indício ou norma autorizadora, haja vista que a Fiscalização considerou insuficiente a comprovação de que se tratassem de rendimentos isentos, sem invocar qualquer indício de que tivessem a natureza tributável, e que se desrespeitam os princípios constitucionais da presunção de inocência e da legalidade, e as garantias à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal. Reproduz ementas do Conselho de Contribuintes. Afirma que constatar que as transferências se deram por mera liberalidade, por não existir o “fator de motivação para as Fl. 423DF CARF MF 6 respectivas transferências”, estarseia diante de doação não passível de tributação. Alega que as doações estão sobejamente comprovadas por instrumentos particulares que atendem aos requisitos formais do Código Civil (arts. 538 a 541) necessários à sua caracterização, quais sejam a da contratualidade, a liberalidade do doador, a transferência dos direitos do patrimônio, e a aceitação do donatário. Apresenta os docs. 6 (fl. 284/286, 288/289), 7 e 8 (fl. 291/296, 298/303). Reproduz vasta doutrina sobre o assunto, observando a existência daquela que defende que a doação prescinde até mesmo da formalização de contrato. Destaca ter espontaneamente recolhido o ITD. Observa que o apontamento de que o instrumento particular demandaria a assinatura de testemunhas decorreria da desatualização da Autoridade Fiscal, pois a atual redação do art. 221 do Código Civil não mais o exige. Quanto ao descumprimento do art. 128, inc. I, da lei no 6.015/73, quanto ao registro dos instrumentos de doação em cartório de Registro de Títulos e Documentos, opta por realizálos nos docs. 6 a 8, embora convicto da inaplicabilidade deste dispositivo ao caso concreto. Reproduz ementas no sentido de que a ausência do registro não teria o condão de atingir a substância do ato. Da Decisão da Delegacia Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls.320/330): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006 TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS DE PESSOA JURÍDICA PARA PESSOA FÍSICA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DO MOTIVO DA DOAÇÃO. NECESSIDADE DE O DONATÁRIO DEMONSTRAR A LIBERALIDADE DO DOADOR. Na doação, o donatário fiscalizado tem de demonstrar a razão que a justifique, especialmente diante da não plausibilidade de uma empresa doar valor expressivo a uma pessoa física, na falta de uma razão negocial para isso. O fato de o dirigente da empresa doadora ser parente do donatário não justifica uma doação, em face do princípio da entidade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Uma vez apurada a omissão de rendimentos pela autoridade fiscal, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do IRPF, com o lançamento de ofício do imposto correspondente, acompanhado da multa de 75% e dos juros de mora devidos. PROVA DA DOAÇÃO. REQUISITOS EXTRÍNSECOS E INTRÍNSECOS. OPOSIÇÃO À FAZENDA PÚBLICA. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 422 7 A doação feita por uma empresa a uma pessoa física por meio de instrumento particular deve ser previamente registrada no cartório de títulos e documentos para ser oponível ao Fisco. Além disso, não basta a mera formalização da transferência dos recursos como doação, devendo também ser demonstrada pelo donatário a razão da liberalidade, plausível e compatível com a atividade empresarial. Os julgadores de primeira instância decidiram que a autuação estava correta, sendo que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a legitimidade das operações. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 29/4/2013, conforme aviso de fls. 334, apresentou o recurso voluntário de fls. 337/373 em 29/5/20013. Em sede de Recurso Voluntário, reafirmou os argumentos da impugnação, rebatendo os argumentos postos na decisão de primeira instância, alegando em apertada sínteses: a) Os fatos relacionados à autuação e a prova da origem e da titularidade dos recursos financeiros doados ao recorrente; b) A fonte pagadora dos valores é residente no Exterior. A agressão flagrante ao § 1º do artigo 845 do RIR/99 e o Erro na capitulação legal do lançamento; c) A nítida tentativa de inverter o ônus da prova sem amparo em qualquer indício ou norma autorizadora; d) A decisão recorrida nega a realidade dos fatos e reputa falsos documentos públicos para criar um cenário imaginário de fraude; d.1) para tanto, demonstra quem seria a Sra. Daisy Igel; d.2) afirma que a gestão da Parth é exclusiva da Sra. Daisy Igel; d.3) não existe o cenário de fraude vislumbrado na decisão recorrida; e) as doações estão sobejamente comprovadas por instrumentos particulares que atendem aos requisitos formais necessários à sua caracterização; e.1) preenchimento dos requisitos de um contrato de doação: animus donandi; e.2) transferência dos bens do patrimônio do doador para o do donatário; e.3) aceitação do donatário; e.4) a exigência de prova da "razão da liberalidade" contraria a natureza da própria doação; e f) alegada ausência de registro dos atos. Estes recursos compuseram lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Diante das alegações e das provas juntadas aos autos, verifico que o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, ora Recorrente, merece ser provido, sendo que o Auto de Infração deve ser cancelado, pois o Recorrente logrou êxito em comprovar a origem do recurso, de modo que não há que se falar em omissão de rendimentos, explico. Apesar do esforço do AFR autuante e da decisão de piso, não é possível concluir pela plausibilidade do lançamento efetuado, sendo desconsiderados os fatos Fl. 425DF CARF MF 8 entabulados, desde a declaração de IRPF feita pelo contribuinte, até a propositura do Recurso Voluntário que ora se analisa. Intimado do Termo de Início da Ação Fiscal, o Recorrente apresentou informações e documentos sobre a origem dos valores declarados como doação nos anos de 2005 e 2006. Em resposta ao termo de início de fiscalização (fl. 16), foi declarado que o valor foi recebido a título de doação da empresa norte americana Parth Investments Company, L.L.C., em duas parcelas de R$ 1.881.189,68 e R$ 30.846,12, conforme: 1) correspondências enviadas pela doadora à empresa UltraDi Participações SA, sua mandatária no Brasil, com instruções para utilizar nesse fim (doação) recursos de sua propriedade mantidos na mandatária (fls. 29/39); 2) extratos da conta corrente da UltraDi com lançamentos de transferências de recursos para as contas do donatário nos valores de R$ 30.846,12 e R$ 1.874.068,05 (fls. 40, 43/44, 101, 109, 167); 3) comprovantes de recolhimento do imposto sobre transmissão causa mortis e doação (ITD) pelo donatário (fls. 41/42, 45/46). Verificase no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 181 a 184), cujo trecho, peço vênia para transcrever: (...) Embora o contribuinte identifique e faça prova da origem dos recursos recebidos e declarados, os esclarecimentos e documentos apresentados são insuficientes para que esta fiscalização firme convicção quanto à natureza dos rendimentos recebidos, ou seja, de que se tratem, de fato e de direito, de doações e, portanto, isentos e não tributáveis; Sobre "doação", identificamos no Novo Código Civil, Lei n° 10.406/2002, as seguintes referências: Art. 538 — "Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra"; Art. 541 — "A doação farseá por escritura pública, ou instrumento particular"; Art. 221 — O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e da administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público; Art. 288 — É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do parágrafo 1° do art. 654; Sobre Registros Públicos dispõe a Lei n° 6.015/1973: Art. 128 — No Registro de Títulos e Documentos será feita à transcrição: Fl. 426DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 423 9 I — dos instrumentos particulares, para a prova das obrigações convencionais de qualquer valor; Da legislação apresentada, observase que há necessidade de tratamento formal, ou seja, obrigatoriedade de instrumento público ou contrato particular, neste caso, com registro público obrigatório, para surtir efeitos em relação a terceiros, com transcrição obrigatória no Registro de Títulos e Documentos, nos termos do inciso I, art. 128, da Lei n° 6.015/1973 acima transcrita, de forma que seja possível identificar às partes á(doador, donatário e respectivas testemunhas), evidenciando, ainda, a natureza da doação e o seu respectivo fator de motivação. Há que se ressaltar, ainda, que, quanto mais significativo for o valor da doação, maior deverá ser o rigor na sua formalização. Da legislação apresentada, observase que há necessidade de tratamento formal, ou seja, obrigatoriedade de instrumento público ou contrato particular, neste caso, com registro público obrigatório, para surtir efeitos em relação a terceiros, com transcrição obrigatória no Registro de Títulos e Documentos, nos termos do inciso I, art. 128, da Lei n° 6.015/1973 acima transcrita, de forma que seja possível identificar As partes (doador, donatário e respectivas testemunhas), evidenciando, ainda, a natureza da doação e o seu respectivo fator de motivação. Há que se ressaltar, ainda, que, quanto mais significativo for o valor da doação, maior deverá ser o rigor na sua formalização. No caso em questão, inexiste qualquer evidência documental formal que sustente, ampare e comprove que os créditos, efetuados pela pessoa jurídica, na contacorrente do contribuinte, se deram por doação. Na verdade, uma, das poucas, evidências documentais apresentadas pelo contribuinte diz respeito à cópia xerox de ata de reunido de diretoria da Parth Investment Conpany, inclusive sem evidência de qualquer registro público, na qual Sra. Daisy Ruth Igel, como diretora e acionista, é autorizada a transferir recursos da empresa para seus dois filhos, diretores da UltraDi Participações S/A, Pedro Igel de Barros Salles e Jennings Igel Hoffember (contribuinte sob fiscalização) sem, entretanto, apresentação de demais detalhes, bem como, sem apresentação do fator de motivação para as respectivas transferências de recursos tão significativos; Analisando os esclarecimentos e documentos apresentados e para fins de reconhecimento do direito isenção, prevista na Lei 7.713, de 1988, art. 6°, inciso XVI, esta Eqfis entende que uma transferência patrimonial por doação deve ser exaustivamente comprovada perante o Fisco, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, de modo a não pairar qualquer sombra de dúvida quanto à natureza dos rendimentos recebidos. Não basta a prova da identificação da origem dos recursos, da transferência do valor e do correspondente crédito na conta corrente do contribuinte sob fiscalização, fazse necessário, também, à apresentação de documentação hábil e idônea da Fl. 427DF CARF MF 10 doação realizada, nos termos da legislação pertinente acima referenciada e, neste caso, atender plenamente As exigências contidas no Código Civil e, por extensão, a Lei dos Registros Públicos; Portanto, a luz dos dispositivos legais transcritos, os elementos apresentados pelo contribuinte, sob o aspecto formal, não atendem As exigências contidas no Código Civil, em especial o artigo 541, acima transcrito, bem como, o art 128, inciso I, da Lei n° 6.015/73, o qual estabelece que, para surtir efeito em relação a terceiros (Secretaria da Receita Federal do Brasil), os instrumentos particulares devem ser transcritos no Registro de Títulos e Documentos; Assim, muito embora se constate a transferência dos valores para sua contacorrente, através dos créditos por TED, nos valores de R$1.539.747,15 e R$ 1.904.917,17, nos anos calendário de 2004 e 2005, respectivamente, o contribuinte não comprovou plenamente a efetividade das doações recebidas diretamente da Pessoa Jurídica UltraDi Participações S/A, CNPJ n° 32.245.821/000184, empresa na qual o contribuinte exercia o cargo de diretor desde 18/05/2004, conforme extrato CONSULTA CNPJ, em anexo. Ressaltese, ainda, que o contribuinte, também, não conseguiu esclarecer e comprovar como não remuneratôria a natureza dos créditos recebidos. Logo, não restou outra alternativa a esta Eqfis, a não ser considerar como tributáveis os créditos recebidos e declarados indevidamente pelo contribuinte como "transferência patrimonial por doações recebidas", portanto, tributáveis, nos termos da legislação vigente, porquanto, como já dito e não é demais repetir, o contribuinte não logrou comprovar plenamente, com a apresentação de documentação hábil e idônea, trataremse os referidos créditos, efetivamente, de doações recebidas de pessoa jurídica, de acordo com as regras jurídicas pertinentes. Considerando tudo o mais, concluímos que os fatos acima expostos, que resultaram em rendimentos declarados pelo contribuinte indevidamente a titulo de transferência patrimonial por doações recebidas rendimentos isentos e não tributáveis, no valor originário de R$ 1.539.747,15 no anocalendário de 2004, e de R$ 1.904.914,17 no anocalendário de 2005, ensejam a constituição do lançamento por "rendimentos classificados indevidamente na DIRPF". Tal lançamento deu origem a lavratura de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, relativo aos exercícios de 2005 e 2006, anosbase 2004 e 2005, nos termos da legislação em vigor, devidamente capitulada no referido Auto de Infração em anexo, com crédito tributário constituído e consolidado, em 09/12/2009, no valor de R$ 2.093.608.98, encerrando, dessa forma, a apreciação do presente MPF; (...) Como visto acima, a autuação se deu por dúvida do Auditor Fiscal e por não preenchimento de requisitos previstos no Código Civil que dessem fundamento de validade à doação efetuada no caso em questão. Ressaltese que a decisão de piso também acatou este Fl. 428DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 424 11 mesmo entendimento, afirmando, inclusive que não demonstrou o motivo da doação, além de o ora Recorrente não cumprir requisitos formais, que no entender da decisão de piso e do Auditor Fiscal, seriam imprescindíveis à comprovação da doação. É fato que o Imposto sobre a Renda obedece aos critério da generalidade, da universalidade e da progressividade na forma da lei (artigo 153, III, § 2º, I, da Constituição Federal). O Auditor Fiscal autuante, afirma que: A regra geral da incidência do imposto de renda da pessoa física é a generalidade. As isenções, que decorrem sempre de lei (lei nº 7.713/88 e alterações posteriores) e devem ser interpretadas literalmente (art. 111, inc. II, do CTN), constituem exceções à regra da generalidade. E continua a afirmar, nos termo do art. 6°, inciso XVI, da Lei 7.713, de 1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XVI o valor dos bens adquiridos por doação ou herança; Em outros termos, estariase diante de uma isenção e por isso, deveria ter uma interpretação literal nos termos do disposto no artigo 111, II, do Código Tributário Nacional (CTN). Ocorre que a tributação por meio de Imposto sobre a Renda deve obedecer à generalidade, mas isso não quer significar que tudo pode ser objeto de tributação por ela. Em outros termos, a doação para fins de tributação não é res nullius, ou seja, coisa de ninguém, sujeita àquele que quiser atribuir um tributo a ela. A doação recebeu tratamento especial e foi prestigiada pelo Constituinte originário, outorgando a competência tributária para a instituição de um tributo específico a ela, que é o Imposto sobre Doações, previsto no artigo 155, I, da Constituição Federal, competindo aos Estados membros a tributação deste instituto. não ocorre. Por outro lado, não procedem os argumentos e fundamentos utilizados para não reconhecer as doações entabuladas e que estão sendo objeto de autuação por meio do Imposto de Renda, exatamente nos termos disciplinados pelo Código Civil, conforme ressaltado pelo fiscal autuante em trecho que pedimos a vênia para transcrever: Embora o contribuinte identifique e faça prova da origem dos recursos recebidos e declarados, os esclarecimentos e documentos apresentados são insuficientes para que esta fiscalização firme convicção quanto à natureza dos rendimentos recebidos, ou seja, de que se tratem, de fato e de direito, de doações e, portanto, isentos e não tributáveis; Sobre "doação", identificamos no Novo Código Civil, Lei n° 10.406/2002, as seguintes referências: Fl. 429DF CARF MF 12 Art. 538 — "Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra"; Art. 541 — "A doação farseá por escritura pública, ou instrumento particular"; (...) Art. 288 — É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do parágrafo 1° do art. 654; Observemos o disposto no artigo 288 do Código Civil acima transcrito e que fala sobre a ineficácia, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do artigo 654, parágrafo 1º, também do Código Civil: Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. § 1º O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. Apesar deste artigo tratar especificamente da outorga de procuração, nos termos do disposto no artigo 288 do Código Civil, para que seja oponível a terceiros, o contrato de doação ou transmissão de crédito quando celebrado por instrumento particular deve conter (1) a indicação do lugar onde foi passado; (2) a qualificação do outorgante e do outorgado; (3) a data e o (4) objetivo, seria um requisito intrínseco à outorga de procuração. Ainda da leitura dos dispositivos do Código Civil, a afirmação do relator da decisão de piso acaba por adotar premissa equivocada quando afirma: O art. 541 deixa claro que a doação deve ser feita por meio de escritura pública ou instrumento particular, podendo mesmo ser verbal apenas se versar sobre bens móveis e de pequeno valor. Verificase, assim, a existência de previsão legal para que a doação prescinda da formalização de contrato, como observado em sua impugnação. Porém, consideramos não ser possível sua aplicação ao caso em tela, haja vista os vultosos valores envolvidos. Esta interpretação está equivocada, pois se a doação, pode ser feita por meio de escritura pública ou instrumento particular e se for verbal, só se versar sobre bens móveis e de pequenos valor (artigo 541, parágrafo único, do Código Civil). Além disso, no caso em tela, feita a doação, o Recorrente tomou todas as providências com relação ao tributo Estadual competente, fazendo a declaração necessária e pagando o tributo devido, conforme documentos juntados às fls. 41/42, 45/46, 191/192. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 12898.002366/200991 Acórdão n.º 2201004.612 S2C2T1 Fl. 425 13 Também merece destaque o fato que está devidamente comprovado por meio de documentos que foram ignorados, seja pela fiscalização, seja pelo relator da decisão de piso (fls. 37, 44 e 161, 162, 157, 287, 294/296 e 301) Sendo assim, voto no sentido de cancelar os valores cobrados nos presentes autos. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento, ao recurso voluntário, cancelando integralmente o crédito tributário lançado no auto de infração objeto da presente lide. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator Fl. 431DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.723902/2010-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2006 a 30/09/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 39 02 /2 01 0- 71 Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 403DF CARF MF Processo nº 11080.723902/201071 Acórdão n.º 9202006.761 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 404DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.722727/2009-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros.
Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições.
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes.
É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadram-se em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratam-se de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques.
Numero da decisão: 9303-006.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INSUMOS. GASTOS COM TRANSPORTE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AGREGAÇÃO. POSSIBILIDADE. INSUMO TRIBUTADO À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Conforme Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, assim como legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o custo de aquisição dos estoques compreende os gastos com o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros. Há vedação expressa na legislação que regulamenta o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins de apropriação de créditos calculados sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. ARMAZENAGEM E TRANSPORTE. GASTOS GENÉRICOS ASSOCIADOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados com o transporte e a armazenagem de produtos diversos (matériaprima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende dos serviços correspondentes. É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadramse em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 27 /2 00 9- 61 Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 3 2 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou, então, que tratamse de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3402002.525, de 15 de outubro de 2014 (efolhas 251e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A simples contrariedade do recorrente com a motivação esposada na decisão de primeira instância não constitui vício Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 4 3 capaz de incorrer em sua desconsideração, mormente quando o julgado a quo abordou todos os argumentos da impugnação e expôs seus motivos para acatar ou não as alegações da defesa. CRÉDITO SOBRE DISPÊNDIOS PREVISTOS NO ART. 3º, II, DA LEI 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMOS. RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA E DEPENDÊNCIA COM O PROCESSO DE PRODUÇÃO E FABRICAÇÃO DE BENS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No regime de apuração não cumulativa das contribuições ao PIS e à COFINS, o desconto de créditos das aquisições de bens e direitos utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3°, II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03), está condicionado à relação de pertinência e dependência do insumo ao processo produtivo ou de fabricação do bem ou prestação de serviços pelo contribuinte, analisada em cada caso em concreto, não sendo aplicável o conceito restrito das IN’s 247/02 e 404/04, que equiparou o insumo aos produtos intermediários no âmbito do IPI e nem o conceito mais elástico de despesa necessária previsto para o IRPJ. PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES. Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a estes inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 5 4 índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 271 segs) diz respeito ao conceito válido do vernáculo insumo empregado pelo legislador nas normas que regulamentam o sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Requer a manutenção das glosas revertidas pela decisão recorrida em relação (i) às despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte até a fábrica e (ii) às despesas com fretes e armazenagem. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 294 e segs. O contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial Antes de mais nada, no caso do presente litígio, pareceme prudente identificar com clareza qual a matéria recorrida. O excerto que segue, extraído do voto condutor da decisão a quo, esclarece quais glosas foram revertidas em relação aos dispêndios com o transporte da mercadoria até a empresa. Cabe, no entanto, uma ressalva, pois que entendo que com relação aos itens glosados (produto descarregado no porto e transportado até a fábrica por TUBOVIA, montagem de andaimes, instalação de cano condutor de água na granulação, recuperação e modificação de rampa de entrada de caminhões, separação e construção de rede de esgotos, andaime tubular para manutenção de ponte aérea), os únicos que efetivamente restaram comprovadas sua pertinência à produção são os serviços de descarregamento do produto importado e seu Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 6 5 transporte, por “tubovias”, do porto até a fábrica, transporte, por “tubovias”, do porto até a fábrica. Os demais serviços arrolados foram empregados em reparos e manutenções das próprias “tubovias”, o que, a meu sentir, até poderiam gerar o direito ao desconto de créditos, mas através de depreciação, mas, para tanto, deverseia comprovar se seria o caso de serem levados ao ativo permanente e posteriormente depreciados, o que, a toda evidência, prescindiria de prova relativa ao tempo de vida útil que referidos dispêndios agregariam ao ativo sobre os quais foram empregados. Tratandose de pedido de ressarcimento, referida prova assistiria à Recorrente, e, a míngua do cumprimento de tal ônus, não é possível aferir o direito ao crédito em questão. Em relação ao tópico Armazenagem e Fretes na Operação de Venda do acórdão recorrido, decidiuse, conforme ementa correspondente, que Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a estes inerentes os serviços portuários que compreendem dispêndios com serviços de carregamento, armazenagem na venda, emissão notas fiscais de armazenamento/importação e serviços de medição de equipamentos portuários. Mérito Como já tive a oportunidade de expressar em outras ocasiões, entendo que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Feito o necessário intróito acerca da matéria controvertida nos autos, releva destacar que, no vertente litígio, ainda que a divergência a respeito do conceito válido de Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 7 6 insumos permeie toda a discussão travada nos autos e seja o principal fundamento da decisão ora contraditada, pareceme que a questão nuclear que se apresenta pouco tem a ver com esse assunto. Tal como espero, isso ficará claro na análise de cada um dos dois tópicos nos quais são identificadas as glosas revertidas em segunda instância de julgamento. Passo a eles. 1 Dispêndios com o transporte do insumo até a fábrica por Tubovia As notas fiscais carreadas aos autos (efolhas 63 segs) identificam a mercadoria importada pela empresa para fabricação de adubos e fertilizantes como ácido sulfúrico e ácido fosfórico. A efetiva aplicação dessas mercadorias no processo produtivo da recorrente para obtenção do produto final é matéria incontroversa nos autos. Com efeito, o que se discute, desde o início, é a agregação de determinados gastos ao custo de aquisição desses insumos, assunto que, concessa venia, como já antecipei, passa ao largo da discussão acerca da abrangência do conceito de insumos na aplicação da legislação das contribuições1. O gasto que a empresa considerou passível de ser agregado ao custo do insumo empregado em seu processo produtivo está identificado na decisão recorrida, tal como já foi explicitado no preâmbulo do vertente acórdão, como transporte, por “tubovias”, do porto até a fábrica. Na Informação Fiscal, efolhas 04 e segs, a Fiscalização Federal fundamenta a decisão de glosar os créditos correspondentes a esses gastos. 0.2 Cálculo indevido de crédito com Bens e Serviços Utilizados como insumos 6. O contribuinte foi intimado (fls.83/84) a apresentar alguns documentos classificados como código CFOP 1.949 e 2.949 que foram incluídos na base de cálculo dos créditos apresentados em meio magnético. Na análise desses documentos restou comprovado que o contribuinte incluiu despesas com bens e serviços a título de Insumos que não são assim considerados. Para serem considerados como insumos os serviços consumidos tem que ser utilizados na elaboração de produtos ou na 1 Releva destacar que, embora isso, o recurso deve ser admitido, pois, a despeito da precisão na abordagem feita pelo recorrido, a amplitude do conceito de insumo foi, inegavelmente, fundamento da decisão tomada, como demonstra a exaustiva abordagem do assunto encontrada no voto condutor da decisão recorrida. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 8 7 prestação de serviços que serão vendidos, conforme artigo 3 o da Lei 10.833/2003 e IN 404/2004. (...) Os serviços não aceitos estão no quadro abaixo, bem como uma descrição sumária dos serviços prestados fornecida pelo contribuinte. Cópias dos documentos entregues encontramse às fls. 187/206. Ainda na Informação, o dispêndio que deu origem à glosa revertida pela instância a quo, está descrito na tabela à efolhas 7 (no texto acima, "quadro abaixo"), nos seguintes termos. Fornecedor: Macra Adm E Serviços Sc Ltda Aplicação dos serviços: Produto descarregado no porto transportado até a fábrica por TUBOVIA. Tratase, portanto, de um gasto com serviços realizados pela empresa Macra Adm e Serviços Ltda vinculados ao transporte, por Tubovia, da matériaprima importada até as dependências da empresa. O Termo de Aprovação do Pronunciamento Técnico nº 16 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de 08 de maio de 2009, especifica quais gastos estão compreendidos no custo de aquisição de estoques. Segue o texto. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. A regra não destoa da legislação do Imposto de Renda. Observese (Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto). Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 9 8 permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Ou seja, não é difícil perceber que o custo com o transporte dos insumos até o estabelecimento do contribuinte está, sem dúvida, compreendido no custo de aquisição desses insumos. Levandose em conta os critérios contábeis aceitos e a própria legislação tributária aplicável, tomando por base as informações disponíveis nos autos, não vejo razão para que esse dispêndio, com o pagamento de serviços prestados por terceiros para o transporte até a fábrica, por Tubovia, de insumos importados e efetivamente empregados no processo produtivo da indústria, seja desconsiderado para efeito de apuração do custo de aquisição desses insumos. Assim, uma vez que essa instância recursal tenha por competência dirimir dúvidas acerca da correta interpretação da legislação tributária, entendo que a decisão deve ser pelo reconhecimento do direito à agregação de gastos da natureza dos que aqui se trata ao custo final de aquisição dos insumos empregados no processo produtivo da empresa. Isto posto, necessário, contudo, destacar uma questão que parece ter passado à margem da decisão recorrida. Conforme a própria recorrente já afirmava em sede de manifestação de inconformidade (efolhas 39 e segs), o produto importado é contemplado por benefício fiscal que reduziu a zero a alíquota das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Observese.. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 10 9 Na qualidade de empresa produtora, importadora, comercializadora e exportadora de adubos e fertilizantes, a Requerente usufrui o benefício fiscal da alíquota zero das citadas contribuições na importação e também, sobre a receita bruta decorrente da venda no mercado interno dos citados produtos, conforme estabelece o art. I o da Lei n. 10.925/2004, in verbis1: Observe que esta foi uma das razões do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, conforme excerto abaixo transcrito do voto da DRJ: (...) Além disso, como os insumos são adquiridos à alíquota zero (art.l" da Lei 10.925/2004), mesmo que fossem adquiridos no mercado interno, não poderiam ter direito de crédito sobre bens e serviços agregados ao custo de aquisição ao custo da matériaprima. Isto porque se não há tributação sobre os insumos, não gerando direito de desconto de crédito da contribuição, também não pode haver sobre bens e insumos que se agregam a matériaprima, como o frete ou seguro, pois a natureza da tributação incidente sobre o principal (insumos) não pode ser descaracterizada por elementos secundários que se agregam ao principal. (...) Ora, como é de sabença, os insumos que não são onerados pelas Contribuições não dão direito ao crédito no sistema de apuração não cumulativo instituído pelas Leis 10.833/03 e 10.637/022. Como pretendo ter deixado claro até aqui, o que se debate nos autos não é se os gastos com transporte, por Tubovia, da matériaprima importada até as dependências da empresa tratase ou não de um insumo aplicado no processo produtivo de fabricação de adubos e fertilizantes, mas se esses dispêndios podem ser agregados ao custo de aquisição do ácido sulfúrico e do ácido fosfórico (e outros quaisquer que sejam pelo mesmo meio de transporte conduzidos), esses, sim, insumos utilizados na fabricação do produto final. Como se viu, a 2 Art.3º § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 11 10 priori, com base nas informações disponíveis, podem, contudo, no caso concreto, essa decisão, de cunho eminentemente jurídico, não tem qualquer repercussão na solução da lide, pois os valores correspondentes terminam por ser acrescidos ao custo de um insumo que não dá direito ao crédito. 2 Armazenagem e Fretes na Operação de Venda A teor da decisão recorrida, a glosa diz respeito aos créditos decorrentes de gastos com (i) serviços de emissão de notas fiscais de armazenagem e de importação; (ii) serviço de medição de equipamentos armazéns portuários; (iii) serviços de transporte de produto a granel de inflável – diárias e (iv) serviços de carregamento no Porto de Rio Grande. Inicialmente, cumpre destacar que os gastos de que ora se trata, acima descritos tal qual descrevera a própria empresa em sua contabilidade, representam uma gama de serviços que não parecem estar relacionados única e exclusivamente com as operações de venda, como sugere o título utilizado no acórdão recorrido para este tópico. Conforme Informação Fiscal, a razão pela qual a Fiscalização Federal não reconheceu o direito de crédito para esses gastos foi a seguinte. Na análise dos valores apurados pelo contribuinte a título de Fretes e Armazenagem nas Operações de Vendas em conjunto com explicações apresentadas (fls.79/82, 138/139), que correspondem aos valores da linha 7 dos Dacon, foi constatado que alguns não são efetivamente de frete ou armazenagem nas operações de venda, conforme o disposto no art.3° da Lei 10.833/2003. (...) 5. Os valores não aceitos são os das rubricas contábeis 1.1.06.04.0002 Armazenagem Exterior e 3.1.04.46.4602 Gastos c/Exportação relativos a movimentações em armazéns portuários, serviços de emissão de notas fiscais e serviços de transporte dentro das dependências da empresa ou de Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 12 11 armazenagem temporária de matérias primas, conforme quadro demonstrativo abaixo e as cópias dos documentos entregues pelo contribuinte a fls.140/186. Por seu turno, o acórdão recorrido decidiu pela reversão da glosa, em síntese, sob o seguinte fundamento. Analisando referida descrição, temse que a glosa não procede com relação aos itens “b”, “c” e “d”, acima listados, [ (ii), (iii) e iv neste voto] pois que efetivamente tratam de transportes de produtos acabados destinados a exportação (ou de transporte destinado a produção, o que redundaria no crédito por força do conceito de insumo), ou ainda, pertinentes aos serviços de armazenagem como no caso de medição dos equipamentos dentro dos armazéns o que é inerente a própria armazenagem, e, finalmente, a parte final do transporte e armazenagem, que é o carregamento do produto para embarque de exportação. Visivelmente, duas razões bem distintas motivaram a reversão da glosa. A primeira, diz respeito, agora sim, ao conceito de insumos na legislação das Contribuições. A segunda, referese à possibilidade de apropriação de créditos nos gastos com o transporte do produto acabado ou gastos pertinentes à armazenagem e transporte desse. Como se vê, tratamse de matérias bem distintas. Quanto a elas, de plano, cabe esclarecer que inexiste qualquer previsão legal que conceda direito à apropriação de créditos para gastos genéricos com a armazenagem e o transporte do produto acabado, apenas para os gastos com frete e armazenagem na operação de venda e quando o ônus for suportado pelo vendedor. Já em relação aos gastos associados ao "transporte destinado a produção, o que redundaria no crédito por força do conceito de insumo", o que se percebe a mais absoluta falta de clareza sobre a natureza desses gastos e a ausência de qualquer evidência de sua necessária segregação contábil. Muito pelo contrário, ao que parece, todos os dispêndios foram Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 13 12 misturados uns com os outros, tanto que terminaram por ser reunidos em um único tópico, como se fossem todos iguais ou muito semelhantes. Como se viu, não são. São gastos distintos, cujas alegações destinadas ao reconhecimento do direito ao crédito estão fundamentadas em pressupostos igualmente distintos. É verdade que, de lado a lado, há parcas informações na identificação desses gastos; contudo, uma vez que nos processos de reconhecimento de direito de crédito o ônus da prova recaia sobre quem o alega, ou seja, sobre o administrado, os fundamentos e provas que justificariam a reversão da glosa determinada pelo Fisco haveriam de ser encontradas no contraditório. À luz desse pressuposto, buscase no recurso voluntário apresentado pela então recorrente a defesa e a comprovação de seu direito à apropriação de créditos em relação a esses gastos. O excerto que segue retrata com inteireza os fundamentos nos quais baseouse o pedido (efolhas 192 e segs). Visando apresentar uma melhor compreensão sobre a importância desses serviços na atividade produtiva da Recorrente, imperioso esclarecer que tais custos são indispensáveis à sua atividade produtiva, vale dizer: sem a utilização de tais serviços, não seria possível à Recorrente produzir os bens comercializados que geram as receitas tributadas para o fins do PIS e da COFINS. A toda evidência, essa não é uma motivação que possa ser acolhida por este Colegiado. A jurisprudência predominante deste Conselho, à qual esse Relator se filia, consagra o entendimento de que somente os insumos empregados no processo produtivo e os demais gastos relacionados no art 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02 dão direito ao crédito. Uma vez que o contribuinte não tenha demonstrado que os gastos que deram origem aos créditos glosados pelo Fisco enquadramse em quaisquer das duas hipóteses Fl. 316DF CARF MF Processo nº 11080.722727/200961 Acórdão n.º 9303006.865 CSRFT3 Fl. 14 13 previstas no inciso IX do art. 3º3 e tampouco que foram gastos com o transporte da mercadoria até a fábrica, a glosa deve ser mantida. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. 3 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 317DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.002159/2009-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2006
INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento.
CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. DEIXAR DE DESCONTAR.
Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, caracteriza infração à legislação previdenciária.
Numero da decisão: 2402-006.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmetne)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2006 INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. DEIXAR DE DESCONTAR. Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, caracteriza infração à legislação previdenciária.
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IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fáticojurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. DEIXAR DE DESCONTAR. Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, caracteriza infração à legislação previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 21 59 /2 00 9- 76 Fl. 157DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmetne) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10670.002159/200976 Acórdão n.º 2402006.285 S2C4T2 Fl. 158 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, de fls. 146/152, voltado contra Acórdão da 6ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, de fls. 134/138, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendo, in totum, o crédito tributário exigido no DEBCAD 37.228.4817. Está assim lançado o relatório da r. decisão em testilha: Conforme Relatório Fiscal, tratase de débito no valor de R$ 1.329,18(um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), art. 30, inciso I, alínea "a" da Lei 8.212/91 e alterações posteriores, ao art. 4° da Lei 10.666/2003 e ao art. 216, inciso I alínea "a" do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, pelo fato do sujeito passivo não ter arrecadado, mediante desconto, as contribuições dos segurados discriminados no anexo de fls. 27/46. Notificado da autuação em 18/11/2009, o Município autuado apresentou impugnação em 18/12/2009, alegando que, ao contrário do alegado pela autoridade fiscal, o Município procedeu ao respectivo desconto das contribuições incidentes sobre a remuneração dos seus trabalhadores de acordo com o que determina a legislação." Em seu recurso, a procuradoria da municipalidade apresenta matéria nova, a saber, a responsabilidade pessoal do exchefe do poder executivo, Sr. João Ferreira Lima, uma vez que seu mandato teria se iniciado em janeiro de 2005. No apelo aponta que a gestão do exprefeito foi feita de modo totalmente improbo, não podendo o município arcar com tais obrigações. Desse modo, e com arrimo no art. 137, incs. I e II do Código Tributário Nacional, aponta no sentido de que há a necessidade de confirmação da responsabilidade do exdirigente da prefeitura. Afia, às fls. 150: "Em análise ao disposto, numa interpretação literal dos enunciados, fica a ponderação de que o agente é excluído da responsabilidade pessoal, somente e só, quando em exercício regular da administração. Ora, impróprio e até mesmo imoral seria admitir que um atuante de governo, ao agir de modo negligente, quando sabia estar agindo; uma vez que não pode arguir o contrário, pois os atos são dirimidos por lei, estaria atuando em exercício regular!" Assim, requer a declaração de responsabilidade do Sr. João Ferreira Lima para responder pelo pagamento do crédito ora perseguido. Fl. 159DF CARF MF 4 No mérito, alega que a ausência de descrição do fato e da fundamentação legal impossibilita o trabalho do Contribuinte, eis que ao relatório faltaria elemento concreto para a elucidação da multa aplicada. Aponta que, conforme já afirmado na Impugnação apresentada, o município teria procedido aos devidos descontos, referente ao subsídio do Prefeito e VicePrefeito, postos no Relatório Fiscal, na forma da legislação vigente. Assim, a seu ver, por estar a multa carente de motivação, requer que sejam acolhidos os argumentos apresentados para que seja declarada a improcedência da ação fiscal e seja cancelado o débito reclamado. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10670.002159/200976 Acórdão n.º 2402006.285 S2C4T2 Fl. 159 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. Quando da análise de admissibilidade do Recurso Voluntário, verificamos estarem presentes os pressupostos os intrínsecos (legitimidade, cabimento, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo), entretanto, quantos aos elementos extrínsecos restam atendidos apenas parcialmente, eis que, apesar da regularidade formal, verificamos a articulação de novas razões preliminares, erigidas apenas em sede recursal, portanto, em momento onde a preclusão já havia se operado. Assim, antes de adentrar nas questões intrínsecas da lide será necessário delimitar seu âmbito de conhecimento, uma vez que, conforme se demonstrará a seguir, parte dos fundamentos erigidos pelo Recorrente só foram desenvolvidos em âmbito recursal. Ao proceder à uma comparação entre a peça impugnatória e a peça recursal é possível concluir que o recorrente inova em suas fundamentos preliminares. Na impugnação verificamos que o Recorrente apresenta como preliminar a "Nulidade do Auto de Infração alegando em essência que na "ao contrário do que afirmado, o Município de Januária procedeu ao devido desconto dessas remunerações, exatamente, na conformidade do que determina a legislação em vigor, N;k0 havendo que se atribuir penalidade de multa, tendo em vista a adoção de devido e correto procedimento para o devido desconto".(fls. 124) A peça Recursal, por seu turno, apresenta como preliminar a "Responsabilidade pessoal do exchefe do executivo" alegando que "ante a narrativa dos fatos e em vista ao período de apuração das supostas infrações, resta notório que a data consta de negligências remanescentes à outra gestão administrativa, no qual tinha por seu chefe do executivo o Sr. João Ferreira Lima, uma vez que seu mandato iniciou em janeiro de 2005." (fls. 148) Como tais fundamentos não têm natureza jurídica afeta a ordem pública [não sujeitas a preclusão e passíveis de cognição oficiosa por esta instância julgadora ordinária] e não decorrem de pontos trazidos pela Decisão objurgada, não há razão para o seu conhecimento. Os Recursos, regra geral, devolvem ao órgão ad quem o conhecimento daquilo que tenha sido expressamente impugnado no órgão a quo dado o seu efeito tantum devolutum quantum appellatumm, estando o conhecimento de seus termos, salvo pelas matérias de ordem publica ou alegadas em decorrência direta da própria decisão, limitados aquilo que expressamente constou da impugnação. Fl. 161DF CARF MF 6 Tal entendimento, no âmbito do PAF, tem assento normativo no que prevê o art. 161, inciso III do Decreto nº 70.235/71 que impõem ao contribuinte o ônus de, em sua impugnação, trazer todos os fundamentos relevantes para o julgamento da lide administrativa. Logo, não tendo sido aventada tal matéria em sede de impugnação e não se tratando de questão de ordem pública ou decorrência lógica das articulações da própria decisão recorrida, restaria precluso tal direito sendo vedado seu conhecimento por este colegiado, sob pena de haver a inoportuna supressão de instância conforme se extrai do Art. 172 do mesmo Decreto sobredito. Ante ao exposto, voto por não conhecer das preliminares erigidas de modo inovador por ocasião do Recurso, entretanto, o mérito deve ser conhecido. 2. Mérito No mérito a Recorrente se limita a fazer referência aos argumentos da impugnação sem articular as razões recursais propriamente ditas e naquilo que esboçou o fez de modo extremamente superficial e genérico. Não há questões de direito a desafiar aquilo que foi posto por ordem do Acórdão recorrido e, nas questões de fato apresenta alegação genérica de que procedeu aos descontos das contribuições de seus trabalhadores de acordo com a legislação. Com relação as provas do alegado nada foi juntado de modo a ilidir a presunção formada pelo lançamento. O lançamento, por outro lado, segue bem instruído e 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 2 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10670.002159/200976 Acórdão n.º 2402006.285 S2C4T2 Fl. 160 7 demonstra solidez que lhe confere legitimidade aos olhos deste relator. Isto posto, voto por negar provimento ao Recurso. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.726566/2016-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO - DECISÃO PROFERIDA EM PROCESSO VINCULADO - EFEITOS
Uma vez que a não homologação do pleito compensatório se dera em função de auto de infração em que os saldos negativos de IRPJ e de CSLL foram recalculados, havendo, ali, decisão que afete tal cálculo, ainda que parcialmente, esta tem imediato impacto sobre este feito.
COMPENSAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR
Refeito o cálculo da contribuição devida no ano-calendário de 2011 a partir de decisão parcialmente favorável ao contribuinte, ainda assim, não se observa saldo de crédito passível de utilização de compensação.
Numero da decisão: 1302-002.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do feito e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO - DECISÃO PROFERIDA EM PROCESSO VINCULADO - EFEITOS Uma vez que a não homologação do pleito compensatório se dera em função de auto de infração em que os saldos negativos de IRPJ e de CSLL foram recalculados, havendo, ali, decisão que afete tal cálculo, ainda que parcialmente, esta tem imediato impacto sobre este feito. COMPENSAÇÃO - INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR Refeito o cálculo da contribuição devida no ano-calendário de 2011 a partir de decisão parcialmente favorável ao contribuinte, ainda assim, não se observa saldo de crédito passível de utilização de compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do feito e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO DECISÃO PROFERIDA EM PROCESSO VINCULADO EFEITOS Uma vez que a não homologação do pleito compensatório se dera em função de auto de infração em que os saldos negativos de IRPJ e de CSLL foram recalculados, havendo, ali, decisão que afete tal cálculo, ainda que parcialmente, esta tem imediato impacto sobre este feito. COMPENSAÇÃO INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR Refeito o cálculo da contribuição devida no anocalendário de 2011 a partir de decisão parcialmente favorável ao contribuinte, ainda assim, não se observa saldo de crédito passível de utilização de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do feito e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 65 66 /2 01 6- 75 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 18186.726566/201675 Acórdão n.º 1302002.956 S1C3T2 Fl. 263 2 Feitosa, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de pedido de compensação (PERDCOMP de nº 32636.32283.170616.1.3.035026) transmitido pelo recorrente, objetivando a compensação de débitos tributários, no importe de R$ 931.152,26, com créditos decorrentes de saldo negativo de CSLL, apurado no anocalendário de 2011 e, originariamente, demonstrado em pedido de compensação anterior (PERDCOMP de nº 07566.92802.120615.1.3.030093). Num primeiro momento, este pedido havia sido considerado nãodeclarado pela Autoridade Lançadora, decisão esta, contudo, revista de ofício pela própria Unidade de Origem. Nada obstante, já no segundo despacho decisório, digase, considerouse não homologada a compensação pleiteada. Neste particular, e tendo em conta os documentos acostados à manifestação de inconformidade do contribuinte, a nãohomologação de seu pleito se dera com base nos mesmos fundamentos da decisão proferida nos autos do PA de nº 13116.720670/201666 (PERDCOMP nº 07566.92802.120615.1.3.030093), ou seja, o saldo negativo pleiteado no anocalendário de 2011 foi integralmente abatido do valor apurado pela Fiscalização Federal nos autos do PA de nº 13116.722236/201459, em que, após a lavratura de autos infração, exigiuse do contribuinte o pagamento da CSLL no importe de R$ 140.558.617,69. Em outras palavras, ao invés de saldo negativo, no anocalendário de 2011, apurouse CSLL à pagar, inexistindo, pois, crédito compensável com exercícios futuros. Em sua defesa, o contribuinte sustenta que, um vez que o PA de nº 13116.722236/201459 não havia sido, à época, julgado definitivamente (pelo contrário, haveria, inclusive, decisão parcialmente favorável à seus interesses, proferida ela DRJ/BSB), os créditos tributários resultantes da nãohomologação do seu pleito compensatório seriam indevidos, mormente à míngua de sua liquidez e certeza. De outra sorte, e justamente por não se ter verificado o julgamento definitivo do PA 13116.722236/201459, supra, pleiteia o apensamento deste feito àquele e, ainda, o seu sobrestamento. A DRJ/BSB, em julgamento conjunto proferido nos autos em apenso (13116.722116/201613), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sustentando, exclusivamente, a inexistência de previsão legal que autorizasse o sobrestamento dos feitos que tramitassem naquela instância, haja vista que os autos do PA de nº 13116.722236/201459 já se encontravam neste CARF (segundo a DRJ o recurso administrativo não teria efeito suspensivo, uma vez que inexistente previsão explícita no Decreto 70.235/72) O contribuinte tomou ciência do conteúdo do predito acórdão em 13/10/2017 (conforme documento de efls 219 constante do processo em apenso), tendo interposto o seu recurso voluntário em 10/11/2017 (termo de ciência de efls. 204 destes autos), por meio do qual reprisou os argumentos já declinados sem sua manifestação de inconformidade. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 18186.726566/201675 Acórdão n.º 1302002.956 S1C3T2 Fl. 264 3 Cumpre, apenas, destacar, que o processo de nº 13116.722236/201459 foi distribuído à este Colegiado, tendo sido julgado na sessão do mês de junho, sendo certo que, naquela ocasião, foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte a fim de que cancelar as exigências concernentes ao IRPJ e CSLL incidentes sobre as subvenções concedidas pelo Estado de Goiás, com base nos preceitos da Lei Complementar 160/17. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, motivo pelo qual dele conheço. Desde logo, impende destacar que toda discussão relativa ao apensamento/sobrestamento deste feito, até o julgamento definitivo do PA de nº 13116.722236/201459, restou prejudicada já que o citado processo foi analisado e julgado por este Colegiado, ocasião em que parte considerável do auto de infração foi derrubada por esta Turma. E, mesmo havendo uma reversão deste julgado, o resultado final não será suficiente para permitir a apuração de crédito compensável, conforme cálculos abaixo. De fato, o citado feito tratava de 4 (quatro) infrações distintas, sendo elas: a) omissão de receitas, consistente no destaque, indevido, do IPI em notas fiscais de venda, ao mercado interno, de veículos importados; b) omissão de receitas decorrentes da escrituração indevida, como subvenções para custeio ou operação, decorrentes do gozo, pelo contribuinte, de crédito presumido de IPI; c) omissão de receitas decorrentes da escrituração indevida de subvenções concedidas pelo Estado de Goiás aos contribuintes lá instalados; d) glosa de despesas concernentes à bônus sobre vendas. O recorrente noticia aqui (assim como já havia feito naqueles autos) a desistência das suas pretensões concernentes às infrações descritas em "b" e "d"1, mantendo, apenas, a discussão afeita ao IPI destacado nas notas fiscais de venda de veículos importados e à subvenção (benefício fiscal ICMS) concedida pelo Estado de Goiás. A vista disso, este Colegiado decidiu por dar parcial provimento apenas quanto ao questionamento tratado no item "c" supra, mantendose o restante da autuação. Pois bem. Como já alertado no relatório acima, o fundamento utilizado pela Unidade de Origem para considerar não homologada a compensação foi, justamente, o fato de que o saldo negativo originariamente apurado no anocalendário de 2011 teria sido revisto por ocasião da lavratura do auto de infração autuado no PA de nº 13116.722236/201459; e, pelo 1 V. petição juntada à efls. 256/261. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 18186.726566/201675 Acórdão n.º 1302002.956 S1C3T2 Fl. 265 4 que afirma o próprio recorrente, com a autuação retro, ao invés de saldo negativo, apontouse a existência de saldo a pagar da predita contribuição, no importe de R$ R$ 140.558.617,69. O montante de saldo negativo indicado pelo Contribuinte foi, então, utilizado para reduzir o valor acima descrito, restando, em desfavor da empresa, um montante a pagar de R$ 114.647.669,07. Com a decisão proferida por este Colegiado, e considerando as receitas omitidas, descritas para cada uma das infrações apontadas no auto de infração (documento de efls. 125 a 129), bem como o montante total de despesas glosadas, terseia a seguinte realidade: a) infração descrita em "a" R$ 472.626.360,46; b) infração descrita em "b" R$ 27.363.463,77; c) infração descrita em "c" R$ 767.585.183,90; d) infração descrita em "d" R$ 276.802.781,40 O valor somado das parcelas acima perfazem R$ 1.561.762.418,72 (tal qual apontado no auto de infração). Suprimido o valor concernente à infração descrita em "c", teríamos um saldo de receita tributável no importe de R$ 794.177.234,82 que, incidindo sobre este a respectiva alíquota de 9%, terseia um valor de contribuição a recolher de R$ 71.475.951,13. Compensandose o valor anterior com o saldo negativo originariamente apurado pelo Recorrente, teríamos um valor a pagar de R$ 45.565.002,51. Em outras palavras, mesmo com o provimento parcial do Recurso Voluntário manejado nos autos do PA de nº 13116.722236/201459, ainda assim o contribuinte não conseguiria apurar saldo negativo no anocalendário 2011, não dispondo, pois, de qualquer direito creditório concernente ao período em testilha. Impende destacar, como já dito linhas acima, que mesmo que a decisão final do PA de º 13116.722236/201459 seja revertida e, portanto, seja decotado da receita bruta tributável o valor descrito no item "a", supra, ainda assim apurarseá valor a pagar de CSLL no importe de aproximadamente R$ 3.000.000,00. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 265DF CARF MF Processo nº 18186.726566/201675 Acórdão n.º 1302002.956 S1C3T2 Fl. 266 5 Fl. 266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.919587/2009-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-006.823
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2022; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.919587/200926 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.823 – 3ª Turma Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria CPMF. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. Recorrente ITAÚ UNIBANCO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigmas só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que conheceu do recurso. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semíramis de Oliveira Duro. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 95 87 /2 00 9- 26 Fl. 2266DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Sujeito Passivo ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão CARF nº 3802003.698, que negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão recorrido possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: CPMF. PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. (...) Cientificada do referido acórdão a Contribuinte interpõe Recurso Especial apontando dissídio interpretativo em relação aos acórdãos nºs 1102001.125 e 10808.805. Em seguida, o então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF deu seguimento ao recurso. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.827, de 17/05/2018, proferido no julgamento do processo 16327.915399/200929, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 2267DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 4 3 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.827): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões fáticas, que já ficaram devidamente julgadas no Recurso Voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Passo ao julgamento. A controvérsia suscitada pela Contribuinte referese a ocorrência de erro de preenchimento de PER/COMP e a possibilidade de retificação do direito creditório pleiteado em razão das provas trazidas aos autos. In caso, a decisão recorrida decidiu por negar provimento ao recurso voluntário, sob o entendimento de que a declaração de compensação só poderia ser retificada até a data da expedição do respectivo despacho decisório que decidiu acerca da homologação ou não da compensação. Vejamos fragmentos do aresto: Consta dos autos que em 14/10/2009 fora transmitida pela internet DCTF retificadora, portanto em data posterior à emissão do Despacho Decisório, ocorrido em 07/10/2009. Na mencionada retificadora foi declarado débito no valor total de R$ 10.467.312,78, constando como créditos o pagamento através de DARF no valor de R$ 3.386.779,85 e, como compensação de pagamento indevido ou a maior R$ 7.080.532,93. Analisando todo o acima exposto, o CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, decidindo no sentido de que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido que a apresentação da DCTF retificadora, alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Nesse contexto, assim se posicionou a decisão a quo, a respeito da compensação tratada na DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833: (...) Como relatado, os autos retornam a esta Delegacia de Julgamento por força de acórdão prolatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que determinou novo exame da compensação declarada pela contribuinte. Entendeu aquele colegiado que a apresentação de DCTF retificadora teria alterado a situação jurídica na qual se baseara o Fl. 2268DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 5 4 despacho decisório de não homologação, devendose reexaminar a existência do direito creditório. Em novo despacho decisório, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a maior. Porém, não haveria como homologar a presente declaração de compensação já que o direito de crédito estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP. Ressaltese que no recurso apresentado pelo Recorrente na época, bem como no Acórdão proferido pelo CARF, em nenhum momento foi noticiado a questão do alegado equívoco no preenchimento do PER/DECOMP. Naquela oportunidade, restringiase ao erro no preenchimento da DCTF e da retificadora. O Recorrente, em seu recurso, reafirma a existência de pagamento a maior e admite equívoco no preenchimento do PER/DCOMP nº 18652.39612.120406.1.7.04.3183 e da DCTF, havendo erro na indicação nas características do documento de arrecadação pelo qual teria sido feito o pagamento a maior. Notese que o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, com respeito ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Instaurado o litígio, não pode a recorrente afirmar que seu crédito seria outro, referente a uma outra compensação, questão completamente alheia ao objeto do litígio, cuja aceitação representaria, também, violação aos princípios do contraditório e da estabilidade da demanda. Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN, pressupõe liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz de extinguir o débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi fornecida pela Lei nº 10.637, de 2002. Portanto, cabe ao Fisco analisar se cabe ou não homologar uma compensação declarada. Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as conseqüências da não homologação da DCOMP, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Focado nesses parâmetros, entendo que o pleito do sujeito passivo não merece acolhida, pois não cabe a este Colegiado ir além da análise do ato de não homologação da Declaração de Compensação e tal ato, como decidido pelo acórdão recorrido, não merece reparo. Observase vários julgados desta Corte que no caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro material. Para comprovar a divergência jurisprudencial, a Contribuinte apresentou os acórdãos paradigmas de nºs 1102001.125 e 10808.805. Transcrevese parte do trecho da parte que interessa do Acórdão nº 1102001.125: Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP. INDICAÇÃO DE SALDO NEGATIVO NO LUGAR DE PAGAMENTO A MAIOR. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 6 5 Quando, em sede de recurso, o contribuinte demonstra ter preenchido a DCOMP de forma incorreta, indicando como crédito saldo negativo quando o correto seria pagamento a maior do imposto referente ao mesmo período, é possível a retificação de ofício pela autoridade julgadora, que determinará a análise do pedido com base no crédito efetivamente existente. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendose ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor do primeiro paradigma, não se comprova divergência. Como visto, os autos foram remetidos a unidade de jurisdição da Contribuinte, em comprimento ao Acórdão nº 330201.504 (fls. 58/63), o qual foi emitido um novo despacho decisório onde relata: "o interessado não comprovou crédito de pagamento indevido ou a maior [...]mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 109.726,28 [...]Na PER/DCOMP nº 28883.84622.220206.1.3.049350, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833, objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 18,08, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não havendo crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 42618.66449.240608.1.3.040833". Do retorno dos autos, sobreveio o acórdão nº 3802003.658, ora guerreado, com a negativa de provimento ao Recurso, no esteio de que o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Por sua vez, o acórdão paradigma entendeu que em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado. Não existe qualquer divergência, a decisão recorrida remeteu os autos para análise do direito creditório, emitindo um novo despacho decisório, o qual restou comprovado a inexistência de crédito, por sua vez, o acórdão paradigma firmou entendimento do retorno dos autos para que abertura de um novo contencioso administrativo. A Contribuinte não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial do Recurso Especial. A ampla defesa foi exercida em sua plenitude. Nestes autos, não existe direito creditório Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso Interposto, esta E. Câmara Superior não há espaço para rediscussão de matéria fáticoprobatória, exaustivamente discutida na 1º Instância Administrativa. Fl. 2270DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 7 6 Quanto ao acórdão nº 10808.805, pelo confronto entre a ementa do acórdão recorrido e a ementa e excerto do voto condutor, também não se comprova divergência. Transcrevo fragmentos do aresto: Exercício: 1998 Ementa: IRPJ – PREJUÍZO FISCAL – COMPENSAÇÃO – ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Com efeito, a decisão recorrida consignou que: "o pedido de compensação foi analisado pela autoridade administrativa concernente ao reclamado pagamento a maior ou indevido indicado na DCOMP, com respeito ao qual referida autoridade concluiu inexistir o direito alegado. Instaurado o litígio, não pode a recorrente afirmar que seu crédito seria outro, referente a uma outra compensação, questão completamente alheia ao objeto do litígio, cuja aceitação representaria, também, violação aos princípios do contraditório e da estabilidade da demanda". Por sua vez, o acórdão paradigma fixou o seguinte entendimento: "não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do princípio da verdade material". Como se vê, a Contribuinte insiste na rediscussão fática, o acórdão paradigma entende que caso ocorra erro no preenchimento da declaração, não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Ora, o Contencioso foi estendido a Contribuinte, não foi invalidado o procedimento de um suposto erro, foi proferido um novo despacho decisório, o qual foi confirmada a inexistência de crédito. Deste modo, as dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Diante de tudo que foi exposto, em razão das dessemelhanças fáticas e normativas que impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte." Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 16327.919587/200926 Acórdão n.º 9303006.823 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2272DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720422/2012-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INDÚSTRIA. INSUMOS. CRITÉRIO. PROCESSO PRODUTIVO. PERTINÊNCIA.
No sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins são admitidos créditos decorrentes dos gastos com a aquisição de bens e serviços empregados como insumos nas atividades industriais, somente se utilizados especificamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Numero da decisão: 9303-007.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, para restabelecer a glosa dos créditos vinculados aos serviços de geologia, prospecção e sondagem, além daquelas relacionadas a estudos e pesquisas, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, somente em relação ao frete/transporte na operação realizada entre estabelecimentos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que negavam provimento e vencidos Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito, que lhe deram provimento integral, para incluir também os serviços portuários (capatazia). Designada para fazer o voto vencedor em relação ao frete na operação realizada entre estabelecimentos a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INDÚSTRIA. INSUMOS. CRITÉRIO. PROCESSO PRODUTIVO. PERTINÊNCIA. No sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins são admitidos créditos decorrentes dos gastos com a aquisição de bens e serviços empregados como insumos nas atividades industriais, somente se utilizados especificamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, para restabelecer a glosa dos créditos vinculados aos serviços de geologia, prospecção e sondagem, além daquelas relacionadas a estudos e pesquisas, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, somente em relação ao frete/transporte na operação realizada entre estabelecimentos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que negavam provimento e vencidos Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito, que lhe deram provimento integral, para incluir também os serviços portuários (capatazia). Designada para fazer o voto vencedor em relação ao frete na operação realizada entre estabelecimentos a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1792; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16682.720422/201255 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303007.224 – 3ª Turma Sessão de 11 de julho de 2018 Matéria COFINS Recorrentes FAZENDA NACIONAL VALE S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. INDÚSTRIA. INSUMOS. CRITÉRIO. PROCESSO PRODUTIVO. PERTINÊNCIA. No sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins são admitidos créditos decorrentes dos gastos com a aquisição de bens e serviços empregados como insumos nas atividades industriais, somente se utilizados especificamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 04 22 /2 01 2- 55 Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 3 2 intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, para restabelecer a glosa dos créditos vinculados aos serviços de geologia, prospecção e sondagem, além daquelas relacionadas a estudos e pesquisas, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar lhe provimento parcial, somente em relação ao frete/transporte na operação realizada entre estabelecimentos, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que negavam provimento e vencidos Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito, que lhe deram provimento integral, para incluir também os serviços portuários (capatazia). Designada para fazer o voto vencedor em relação ao frete na operação realizada entre estabelecimentos a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 4 3 Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte contra decisão tomada no acórdão nº 3403003.492 de 27 de janeiro de 2015 (efolhas 1.005 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 Ementa: PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado: estudos e pesquisas; prospecção e sondagem; e serviços de geologia. A divergência suscitada no recurso especial da Fazenda Nacional (efolhas 1.074 e segs) ) diz respeito a abrangência do conceito de insumo, terminologia empregada pelo legislador na regulamentação do sistema não cumulativo de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 5 4 Conclui que, Logo, merece ser reformado o acórdão recorrido, a fim de que sejam restabelecidas as glosas relativas aos serviços de geologia, prospecção e sondagem, além daquelas relacionadas a estudos e pesquisas, eis que se tratam de serviços que antecedem o processo produtivo e, consequentemente, não geram direito a crédito de PIS/COFINS. A divergência suscitada no recurso especial do contribuinte (efolhas 1.201 e segs) referese (i) à negativa da realização da prova pericial ou de diligências; (ii) à glosa relativa aos créditos derivados de serviços portuários (capatazia); (iii) à glosa de créditos decorrentes de frete/transporte na operação realizado entre estabelecimentos; e (iv) à glosa de créditos derivados de matérias que compõem linhas férreas da Recorrente – serviço de carga de terceiros. O Recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido conforme despacho de admissibilidade de efolhas 1.081 e segs. O Recurso especial do contribuinte foi parcialmente admitido conforme despacho de admissibilidade de efolhas 1.497 e segs e despacho de agravo, às efolhas 1.551 e segs, apenas em relação (i) à glosa relativa aos créditos derivados de serviços portuários (capatazia) e (ii) à glosa de créditos decorrentes de frete/transporte na operação realizado entre estabelecimentos. Contrarrazões do contribuinte às efolhas 1.140 e segs. Pede não seja admitido o recurso especial da Fazenda e, no mérito, que lhe seja negado provimento. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 1.564 e segs. Defende que se rejeitem as pretensões do contribuinte. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial O contribuinte, em sede de contrarrazões, assevera que o acórdão nº 9303 002.659, utilizado como paradigma pela Fazenda Nacional, na verdade, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda na ocasião. Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 6 5 Esclarece: Cumpre destacar que, naquele caso, postulava a Fazenda Nacional pela reforma do acórdão anterior que teria reconhecido o direito de crédito do contribuinte relativo aos serviços de decapeamento, de lavra e os denominados serviços de locação, bem como do óleo tipo ABPF. Entretanto, a negativa de provimento ao seu Recurso Especial denota que a C. 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais reconheceu o direito ao creditamento, pelo contribuinte, com tais dispêndios. No mesmo sentido, que o outro paradigma invocado pela Fazenda Nacional, acórdão nº 330200.175, adotou a essencialidade como critério para reconhecimento do direito ao crédito. Sem razão a contrarrazoante. É incontroversa a divergência de interpretação da legislação tributária retratada nos acórdãos paradigma escolhidos pela Fazenda Nacional. O próprio texto extraído do exame de admissibilidade e reproduzido no corpo das contrarrazões opostas pelo contribuinte deixa isso claro. Observese: Quanto à despesa com serviço de assessoria técnica prestado pela empresa Fioretek Consultoria Empresarial Ltda concordo com a DRF em Caxias do Sul, posto que o serviço de assessoria não é empregado na fabricação de produtos e, portanto, não é insumo. O fato do serviço contribuir para melhorar, ampliar ou aperfeiçoar o processo produtivo da recorrente não significa que seja empregado na fabricação de bens pela recorrente, razão pela qual mantenho a decisão recorrida, neste particular. (grifos no original) O argumento de que, para chegar ao entendimento de "que aquele serviço de consultoria não é empregado diretamente na fabricação dos bens (....)" o acórdão teve que partir da premissa de que o conceito de insumos é mais amplo do que o proposto pela Fazenda Nacional é um sofisma. A divergência de interpretação da legislação tributária encontrase entre a decisão tomada no recorrido e a decisão tomada no paradigma e não entre essa e o entendimento proposto por quaisquer das recorrentes. Dáse seguimento aos recursos. Mérito Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 7 6 Para todos os dispêndios que serão a seguir examinados, partese do pressuposto de que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Vejamos o que dispõe o art. 3º da Lei 10,833/2003, que cuida dos créditos da nãocumulatividade, e tem basicamente a mesma redação do art. 3º da Lei 10637/2002 que é relativa ao PIS. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 8 7 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 9 8 I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Recurso Especial da Fazenda Nacional 1 Serviços de Geologia; Prospecção e Sondagem; e Estudos e Pesquisas, Não é difícil concluir que as razões para reversão da glosa determinada pelo Fisco para os serviços epigrafados destoa completamente dos fundamentos delineados nas considerações de mérito acima enunciadas. Observese Não há dúvida de que tratam de serviços decisivos as atividades de pesquisa, prospecção, sondagem e serviços de geologia, e essa afirmação decorre do próprio negócio da Vale, que é exploração de minério de ferro. Não é difícil concluir que os dispêndios invalidariam todos os esforços de se produzir minério, sem conhecer a capacidade da mina, qualidade, estabilidade do terreno a ser explorado. Além do que, esses mesmos serviços continuam sendo necessários ao longo da vida útil da mina. Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 10 9 De modo que, tenho que esses custos autorizam a empresa recorrente a tomar crédito sobre os serviços de pesquisa, prospecção, sondagem e serviços de geologia. Como é de amplo conhecimento, este Relator não acolhe a tese da essencialidade, mas sim a da pertinência. Tal como me posicionou nas decisões proferidas por meio dos acórdãos nºs 9303006.100, 9303006.099 , 9303006.098, 9303006.101 e outros, nos quais fui vencido, entendo que encargos dessa natureza, ligados a atividades realizadas em fase anterior ao início da fabricação do produto acabado não dão direito à apropriação de crédito por parte do contribuinte. Recurso Especial do Contribuinte 1 Serviços portuários (Capatazia) Há uma certa imprecisão em relação ao tipo de serviço portuário do qual a recorrente pretende tomar crédito. À efolha 1.013, no corpo do voto vencido, o Relator original do processo parece fazer referência a serviços vinculados aos insumos importados e empregados no processo produtivo. Observese. Glosa das despesas de capatazia. Os serviços incluídos em operação portuária, como, capatazia: movimentação de mercadorias nas instalações portuárias, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega são serviços a permitir a tomada de crédito. Diferentemente das despesas relacionadas praticagem e rebocagem (serviços de rebocador). Os serviços de armazenagem e capatazia são essenciais no manuseio dos produtos, e nenhuma empresa exportadora consegue carregar navio sem se utilizar dessa prestação de serviços. Ao contrário dos serviços de rebocador, que para mim são custo do transportador, nestes autos não há evidência de que a venda e a entrega do produto seja de responsabilidade da vendedora. Assim, tenho como certo que os custos de capatazia glosados devem ser incluídos no cálculo da tomada de crédito. Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 11 10 Mas o pleito veiculado em sede de recurso especial dá conta de serviços de outra natureza, se não vejamos. Com efeito, para atingir esta finalidade não é possível adotar uma concepção restrita dos conceitos postos pela lei, mas sim em uma interpretação sistêmica de todos os incisos do artigo 3º da Lei n.º 10.637; assim, os termos armazenagem e transporte (frete na venda) devem ser compreendidos dentro de uma operação complexa em que estes fazem parte indissociável de uma cadeia logística que pressupõe, para que aqueles atinjam sua finalidade precípua, a prática de serviços portuários, dentre eles os de capatazia, cuja despesa, portanto, faz parte intrínseca daquelas (atividades). (sublinhado por este Relator) Na etapa posterior ao processo de produção, o únicos dispêndios para o qual o legislador previu direito de crédito foi para o frete e armazenagem na operação de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor. Não há esforço de hermenêutica que autorize, por analogia, a apropriação de créditos com gastos genéricos com o transporte do produto acabado. 2 Frete/Transporte entre Estabelecimentos Firme nos mesmos pressupostos, deve ser rejeitada a pretensão da recorrente em relação aos créditos associados ao frete/transporte de produtos acabados e outros entre estabelecimentos. Naquilo em que melhor se ajusta à jurisprudência deste Colegiado, o recurso especial sustenta o direito ao crédito com base nos seguintes fundamentos. Não é demais destacar que, in casu, não se trata de mero transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da Recorrente, o que por si só já geraria o direito de crédito, a teor dos precedentes acima, mas de transporte integrado que compreende o trânsito das mercadorias até a exportação e seu destino final, aperfeiçoando a venda, seja enquanto realizado entre estabelecimentos (mina para mina), seja enquanto efetivado do estabelecimento ao Porto pela empresa MRS LOGÍSTICA, seja enquanto realizado via marítima pela empresa LOGIN, todos integralmente arcados pela Recorrente. Contudo, como já foi dito, apenas o gasto específico com o frete na operação de venda dá direito ao crédito. Não há previsão legal para concessão de créditos decorrentes de Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 12 11 gastos com transporte integrado de produtos acabados, entre estabelecimentos ou não, sob o argumento de que estes aperfeiçoam a venda. Voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte e por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Voto Vencedor Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Redatora designada. Peço vênia ao ilustre relator, que tanto admiro, para trazer o entendimento dado pela maioria desse Colegiado, acerca da possibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os custos de fretes nas transferências internas de mercadorias. Para tanto, recordase que essa discussão já foi apreciada por nossa turma, tendo sido firmado posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição de crédito. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 13 12 conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar os acórdãos 9303005.155, 9303005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303006.130, 9303006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303006.124, 9303006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303006.118, 9303006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303006.112, 9303006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303005.131, 9303005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.120, 9303005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. Não obstante, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos, vez que influenciará na questão da segmentação das atividades da recorrente. Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 14 13 Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois em fevereiro de 2018 o STJ, em sede de recurso repetitivo, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.. Definiu, ainda, ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que descrita na lei. Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, ainda que a decisão do STJ não tenha transitado em julgado, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, o meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 15 14 Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 16 15 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 17 16 §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 18 17 processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 19 18 determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 20 19 a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 21 20 Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 22 21 II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 23 22 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 24 23 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, aguardamos o trânsito em julgado da decisão do STJ proferida após apreciação, em sede de repetitivo, do REsp1.221.170 – e que trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, considerando a atividade e objeto do sujeito passivo, é de se entender que os custos de fretes de mercadorias até os estabelecimentos para a distribuição são considerados insumos, vez que essenciais e pertinentes à sua atividade. O que geraria crédito de PIS e Cofins. Não obstante a esse entendimento, é de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 16682.720422/201255 Acórdão n.º 9303007.224 CSRFT3 Fl. 25 24 dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre os quais, o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, votamos, nessa parte, por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1601DF CARF MF
score : 1.0
