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Numero do processo: 13603.000686/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem retratar os fatos aqui debatidos, utilizo como meu parte do relatório desenvolvido pela DRJ de Recife (acórdão n. 09-30.276 - fls. 281/287), o que faço nos seguintes termos: Trata-se de processo formalizado para analisar a declaração de compensação (DCOMP) n° 23778.38143.310706.1.3.01-1854,, transmitida pelo estabelecimento matriz, cujo objeto foi a compensação de débitos próprios da COFINS e do PIS/PASEP no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .0 00 68 6/ 20 08 -5 7 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13603.000686/2008-57 Resolução nº 3402-002.114 S3-C4T2 Fl. 515 2 total de R$2.l07.931,75 (fl. 119), com crédito de IPI informado à fl. 02, atinente ao 1° trimestre-calendário de 2006 e apurado pelo estabelecimento filial de CNPJ 01.134.263/0002-37,, tendo como amparo normativo o art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999. Para verificação da legitimidade do direito creditório a lastrear a compensação declarada foi instaurado procedimento fiscal cujos resultados estão consolidados no relatório verificação fiscal de fls. 122/126, no qual constou, em síntese, que: - as verificações fiscais abrangeram o período de janeiro/2005 a junho/2005, estando o procedimento detalhado no processo n° l0976.000282/2009-44. sendo que, no período de que trata o presente processo. houve apropriações de créditos de IPI não legitimados pela legislação de regência; - o direito ao creditamento em questão também estava sendo discutido perante o Poder Judiciário' sem que a autora tivesse obtido medida liminar ou decisão favorável ao seu pleito, além da inexistência de trânsitos em julgado. Foram. então, glosados de oficio da escrita fiscal os referidos créditos; - como decorrência das glosas efetuadas, foi inteiramente reconstituída a escrituração do livro fiscal registro de apuração do IPI (RAIPI) no período de janeiro/2005 a junho/2006, conforme indicado nos tópicos da fl. 125-verso e na tabela de fl. 126, redundando na apuração de saldo credor do imposto ao final do 1° trimestre de 2006 no valor de R$253.535,06; - propôs-se, então, o reconhecimento parcial, no valor acima, do direito creditório pretendido e, consequentemente, a homologação parcial das compensações declaradas. A proposição acima foi integralmente ratificada pelo despacho decisório de fls. 132/133, que, outrossim, reconheceu parcialmente o direito creditório pretendido e homologou em parte as compensações declaradas, conforme indicado na tabela de fls. 132-verso, com efetivação pelas telas de fls. 128/131. Por sua vez, a interessada apresentou às fls. 137/155 sua manifestação de inconformidade ao despacho decisório, tendo focado seus argumentos, essencialmente, no sentido de que: (...) (grifos nosso). 2. A sobredita impugnação foi julgada improcedente pelo referido acórdão, conforme se observa da ementa abaixo transcrita: Assumo: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 COMPENSAÇÃO DECLARADA. AÇÃO JUDICIAL. Tendo em vista que a compensação declarada tem como lastro o ressarcimento de créditos do IPI discutidos judicialmente, sem que Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13603.000686/2008-57 Resolução nº 3402-002.114 S3-C4T2 Fl. 516 3 haja o trânsito em julgado de decisão favorável, e' de indeferir o ressarcimento e não homologar as compensações. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Irresignado, o contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 296/312, oportunidade em aduziu que as ações judiciais por ele propostas teriam um caráter preventivo e, por conta disso, não se contraporiam ao presente processo administrativo em particular, o que afastaria a ocorrência da concomitância. 4. Não obstante, após a interposição do citado recurso, o presente processo foi apensado aos PTA's n. 10976.000382/2009-44 (auto de infração), 13603.000696/2008-92 (compensação) e 13603.000717/2008-70 (compensação). 5. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro - Relator 6. Conforme se observa do relatório acima desenvolvido, a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte não foi conhecida ao fundamento de que a discussão nela travada já estria sendo discutida em uma das ações judiciais propostas pelo contribuinte (autos n. 2003.38.00.027343-2; 2004.38.00.003560 e 2004.38.00.011214-5) e referidas no relatório fiscal. 7. Em suma, o contribuinte vindica o crédito do IPI nas aquisições de sucatas classificadas na TIPI como NT e adquiridas de não-contribuintes do IPI, o que já estaria sendo objeto de discussão no âmbito das sobreditas ações judiciais. 8. Ocorre que, compulsando os autos, bem como os anexos, não há cópias das iniciais e das decisões judiciais proferidas em tais processos judiciais. Os únicos documentos que se referem a tais demandas são as certidões de inteiro teor acostados as fls. 222/224 do PTA n. 10976.000382/2009-44 (auto de infração). 9. Neste sentido, é temerário afirmar se de fato há ou não concomitância entre as instâncias judicial e administrativa sem que esta Turma julgadora tenha acesso a íntegra de tais documentos. Logo, resolvo converte o presente julgamento em diligência para que sejam tomadas as seguintes providências: (i) seja providenciada a juntada de cópias das iniciais e decisões judiciais (sentenças e acórdão) veiculadas nos autos n. 2003.38.00.027343-2; 2004.38.00.003560 e 2004.38.00.011214-5, bem como as respectivas certidões de inteiro teor devidamente atualizadas; (ii) ato contínuo, o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 10. É a resolução. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13603.000686/2008-57 Resolução nº 3402-002.114 S3-C4T2 Fl. 517 4 (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.904692/2012-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. AUSÊNCIA DE PROVA DO CRÉDITO.
O reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento a maior exige, para sua liquidez e certeza, a demonstração do valor do débito correspondente na escrituração contábil-fiscal.
Numero da decisão: 1001-001.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. AUSÊNCIA DE PROVA DO CRÉDITO. O reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento a maior exige, para sua liquidez e certeza, a demonstração do valor do débito correspondente na escrituração contábil-fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves.
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PAGAMENTO A MAIOR. AUSÊNCIA DE PROVA DO CRÉDITO. O reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento a maior exige, para sua liquidez e certeza, a demonstração do valor do débito correspondente na escrituração contábilfiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, Jose Roberto Adelino da Silva e André Severo Chaves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 46 92 /2 01 2- 10 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10855.904692/201210 Acórdão n.º 1001001.272 S1C0T1 Fl. 71 2 O presente processo trata de declaração de compensação (fls.02 a 06) que têm por objeto pagamento a maior de CSLL efetuado em 30/10/2009, referente ao período de apuração do terceiro trimestre de 2009, no valor de R$ 27.010,35. Transcrevo, abaixo, o relatório da decisão de primeira instância (fls. 32 a 37), Acórdão 1449.220, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto SP, em sessão de 17/03/2014, que resume o pleito: Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de CSLL do 3º trimestre de 2009, decorrente de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 27.010,35 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando: DOS FATOS: A empresa é tributada pelo Lucro Real Trimestral, porém, por um lapso entregou a sua DCTF referente ao 3º trimestre/2009 com a apuração dos seus impostos sobre o faturamento bruto, razão pela qual o valor referente a CSLL, código 6012 apresentado na DCTF é de R$ 27.010,35 (Vinte e sete mil, dez reais e trinta e cinco centavos), sendo o valor devidamente recolhido conforme DARF anexo. A diferença de valores só foi constatada pela empresa após levantamento interno, onde se constatou que em sua DIPJ sobre o Lucro Real ano base 2009 exercício de 2010, o valor apurado corretamente e de acordo com a sua forma de tributação era de R$ 13.947,72 (Treze mil, novecentos e quarenta e sete reais e setenta e dois centavos), dando a mesma o direito ao crédito de R$ 13.062,63 (Treze mil, sessenta e dois reais e sessenta e três centavos), razão pela qual a mesma entregou o PERD/COMP em epigrafe, buscando a compensação do seu crédito. O problema foi que a mesma solicitou ao escritório de contabilidade responsável pelas informações prestadas e o mesmo inadvertidamente protocolou o PERD/COMP sem efetuar a retificação da DCTF correspondente e desta forma, o auditor Fiscal da Receita Federal indeferiu as compensações apresentadas. DOS PEDIDOS Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10855.904692/201210 Acórdão n.º 1001001.272 S1C0T1 Fl. 72 3 A empresa pede autorização para retificar a sua DCTF do segundo semestre/2009, para a devida correção do valor devido e respectivo recolhimento, onde retratará o seu direito ao crédito. Pede também, que seja reconsiderada a decisão da NÃO HOMOLOGAÇÃO de sua compensação sobre o PERD/COMP 05324.55140.050710.1.3.04 4600, reconhecendo o seu direito ao crédito, bem como a compensação pretendida. O Acórdão da DRJ não reconheceu o direito creditório, julgando a manifestação de inconformidade improcedente. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. No voto, ponderou que o sucesso do contribuinte em ver homologada a compensação condicionase à comprovação da liquidez e certeza do direito de crédito. Que a manifestação de inconformidade, embutindo solicitação de desconstituição de confissão de dívida anterior, deve atestar que o direito de crédito tem apoio legal e documental. Que, por isso, não basta a mera retificação da declaração para comprovação do crédito. Argumentou que os registros contábeis acerca do real valor devido a título da contribuição apurada para o período em questão são indispensáveis para que se comprove a existência do direito creditório. Que, no caso dos autos, a contribuinte não apresentava nenhum documento que comprovasse o seu direito. Ressaltou que o débito apurado em DIPJ seria de R$ 13.947,72, o que lhe teria gerado o direito creditório de R$ 13.062,63 em face do pagamento de R$ 27.010,35. Que, contudo, na DCOMP a interessada havia informado como direito creditório o valor integral do DARF, utilizandoo integralmente na declaração. Assim, concluiu pelo não reconhecimento do direito creditório. Cientificado da decisão de primeira instância em 19/04/2014 (Termo de Ciência por Decurso de Prazo à fl. 43), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/05/2014 (recurso às fls. 45 a 50, Termo de Análise de Solicitação de Juntada à fl. 64). Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10855.904692/201210 Acórdão n.º 1001001.272 S1C0T1 Fl. 73 4 Nele repete o já alegado na manifestação de inconformidade, e apresenta demonstrativo de cálculo em que, considerando a informação da declaração retificadora, e efetuando a redistribuição do valor pago entre os quatro períodos trimestrais do ano, conclui que resta uma diferença a ser paga na importância de R$ 619,10: Receita Trim/2009 Valor Débito Valor Recolhido Recolhido a maior Valor total devido 6012 1º R$ 3.170,00 6012 3º R$ 13.947,72 R$ 27.010,35 R$ 13.062,60 6012 4º R$ 10.511,76 R$ 619,10 Alega que, ante a ocorrência de erro de fato, apresentou DCTF retificadoras para o primeiro e o segundo semestres de 2009, o que considera que liberou o crédito em seu favor. Para comprovação, anexa ao recurso cópia do DARF objeto do crédito alegado (fl. 54), e as referidas DCTF retificadoras, entregues em 15/05/2014 (fls. 55 a 57) e 16/05/2014 (fls. 58 a 63). Argumenta que a perda de prazo para retificação dos documentos fiscais, no âmbito administrativo, não causa a preclusão da possibilidade de discussão da matéria, podendo ser reconhecido, na via judicial, o direito à retificação diante da comprovação de recolhimento a maior e da não ocorrência de fato gerador. Pede o reconhecimento dos valores declarados na DCTF retificadora, para que sejam sanados os erros de preenchimento ocorridos, determinandose a compensação requerida. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Cabe aqui um parêntese para esclarecer que, embora a unidade de origem não tenha sido atendida ao intimar a empresa a sanar a falta de assinatura no Recurso Voluntário, conforme Despacho de Encaminhamento à fl. 68, o recurso foi juntado através de certificado digital (Termo de Análise de Solicitação de Juntada à fl. 64). Assim, considerase o documento regularmente assinado, nos termos do art. 10, § 1º, da MP 2.2002/2001, e art. 2º da Portaria MF nº 527/2010. Dito isso, passemos ao mérito. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10855.904692/201210 Acórdão n.º 1001001.272 S1C0T1 Fl. 74 5 Conforme relatório acima, a DRJ argumentou que os registros contábeis acerca do real valor devido a título de CSLL para o período de apuração do terceiro trimestre de 2009 são indispensáveis para que se comprove a existência do direito creditório. Apesar disso, a empresa não juntou ao Recurso Voluntário qualquer registro contábil ou fiscal que pretendesse comprovar o valor da CSLL devida no período. Limitouse a reafirmar seu direito, juntando apenas DARF e DCTF retificadoras. Ocorre que o art. 9º, § 3º, da IN RFB nº 1.110/2010, substituído pelo art. 9º, § 3º, da IN RFB nº 1.599/2015, estabeleceu que a retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração: § 3 A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. Nesse contexto, a partir da ciência do despacho decisório, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Conforme art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil – CPC (Lei nº 13.105/2015), que reproduz o art. 333, I, do antigo CPC, ao autor incumbe o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito. E de acordo com 967 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/2018 (Decreto nº 9.580/2018), que reproduz o art. 923 do antigo RIR/1999, a escrituração mantida em observância às disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. Assim, tinha razão a DRJ ao afirmar que os registros contábeis são indispensáveis para a comprovação do direito creditório. No mesmo sentido, o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015, acima citado pelo relator, em seu item 13 afirma: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. No entanto, os únicos documentos anexados pela empresa com objetivo de provar seu direito, na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, foram as DCTF retificadoras e o DARF. Assim, não restou comprovado o direito creditório alegado. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10855.904692/201210 Acórdão n.º 1001001.272 S1C0T1 Fl. 75 6 Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.920328/2012-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 15/12/2004
INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.127
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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IMPOSSIBILIDADE. O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, que indeferiu a restituição solicitada por meio de Pedido de Restituição Eletrônico - PER. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 03 28 /2 01 2- 53 Fl. 78DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.127 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920328/2012-53 Dito pedido foi indeferido, após análise eletrônica pelo sistema de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em despacho decisório assinado pelo titular da unidade, apontou-se, como causa do indeferimento do pedido de restituição, o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, o valor correspondente teria sido totalmente utilizado em outra declaração de compensação ou na extinção de outro débito. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, em que relata que o pedido de restituição refere-se a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS e/ou Cofins em razão da inclusão do ISS na base de cálculo dessas contribuições. Ao defender a legalidade do crédito pleiteado, argumenta que, de acordo com as Leis instituidoras da contribuição para o PIS e da Cofins, bem como o art. 195 da Constituição Federal vigente, caberia à Receita Federal “reconhecer como base de cálculo para o PIS e a COFINS a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ISS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento. O valor do ISS está embutido no preço dos serviços prestados. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento.” Aduz que a base de cálculo não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. Invoca o art. 110 do Código Tributário Nacional, alegando que “há que se atentar, também, para o princípio da razoabilidade, pressupondo-se que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações. Argumenta que os contribuintes do PIS e da Cofins não faturam ISS, porque tal imposto não é receita da empresa, mas um desembolso que beneficia o Município, o qual detém a competência para cobrá-lo. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que: (i) o ISS compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, inexistindo previsão legal para sua exclusão; e (ii) inexistiriam nos autos prova da origem do crédito apurado pela recorrente. Regularmente cientificada da decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese que o ISS não compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme já decidido no RE 574.706 que trata do ICMS, aplicável ao caso sob análise. Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.101, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920300/2012-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 79DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.127 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920328/2012-53 Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.101): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 24161.20960.061108.1.2.04-0381 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito tem origem no recolhimento indevido da COFINS incidente sobre o ISS. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender (i) que o ISS compõe a base de cálculo da COFINS e (ii) inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Pois bem. A controvérsia está em determinar se é devida a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS. A matéria já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, o qual, por maioria e nos termos do voto da Relatora, ao apreciar o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins”. A questão, portanto, encontra-se pacificada, de modo que não cabe mais discussão a esse respeito. Tal entendimento, baseado no fato de o ICMS não compor o faturamento, base de cálculo das contribuições, também pode ser aplicado ao ISS, eis que este também não a integra, o que garante a segurança jurídica em relação ao tema. A aplicação da decisão proferida do RE nº 574.706 ao presente caso, foi alvo de decisão proferida no RE 592.616, onde restou decidido por sobrestar o feito até julgamento daquele RE. Neste eito, entendo que razão assiste à Recorrente. Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 80DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.127 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920328/2012-53 V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 81DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000016/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
Compensação - Possibilidade até no Limite do Crédito do Sujeito Passivo
Comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, para absorver o débito tributário, efetua-se a compensação do débito tributário até no limite daquele crédito, dado que esta pressupõe existência de créditos para o encontro de contas débitos versus créditos.
Compensação em Atraso - Exigência de Multa e Juros de Mora
Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não compensados nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa e juros de mora.
Numero da decisão: 3302-007.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 Compensação - Possibilidade até no Limite do Crédito do Sujeito Passivo Comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, para absorver o débito tributário, efetua-se a compensação do débito tributário até no limite daquele crédito, dado que esta pressupõe existência de créditos para o encontro de contas débitos versus créditos. Compensação em Atraso - Exigência de Multa e Juros de Mora Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não compensados nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa e juros de mora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
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AUSÊNCIA DE PROVA. Recorrente CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S/A ELETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Compensação Possibilidade até no Limite do Crédito do Sujeito Passivo Comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, para absorver o débito tributário, efetuase a compensação do débito tributário até no limite daquele crédito, dado que esta pressupõe existência de créditos para o encontro de contas débitos “versus” créditos. Compensação em Atraso Exigência de Multa e Juros de Mora Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não compensados nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa e juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 00 16 /2 00 7- 24 Fl. 226DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Cuidam os autos de PER/Dcomp, débito de Cofins/novembro/2006 com crédito de mesma natureza, referente a pagamento a maior do período de apuração outubro/2004, pago em 12/11/2004. Irresignado com a homologação parcial da compensação pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando que: O Despacho Decisório se assentou em premissas ilegais, visto que criou restrições à compensação não previstas em lei, pois está demonstrado que a parcela do principal da Cofins foi compensada na mesma data da compensação dos acréscimos legais, . apenas através de Dcomps diferentes; Face o exposto, requer seja homologada a Dcomp n° 40645.27730.08008006.1.3045609, que compensou a multa e os juros devidos. Em 17 de junho de 2010, através do Acórdão n° 0337.480, a 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre/RS, por unanimidade de votos, indeferiu a Manifestação de Inconformidade. Entendeu a Turma que: Viuse na síntese do relatório que a interessada requer a homologação integral da compensação pleiteada, sob o argumento de que o crédito é suficiente para compensar os débito, vez que compensou a multa e os juros devidos em outro Per/Dcomp. Em que pese os bem fundados dizeres da contribuinte, sua pretensão não pode prosperar, por falta de amparo legal. Senão vejamos. A aplicação da multa de mora e dos juros de mora se encontra disciplinada no art. 61 da Lei 9.430/1996. Do exame dos dispositivos acima transcritos concluise que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 14033.000016/200724 Acórdão n.º 3302007.048 S3C3T2 Fl. 3 3 Por sua vez a lei determina que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. Contudo, observase que são mantidas as mesmas regras para valoração dos créditos do sujeito passivo, como para os créditos tributários, tanto quando se trata da extinção do crédito tributário pelo pagamento, tanto quando se trata de extinção pela compensação, ou seja, valores pagos em atraso, bem assim compensados em atraso, serão acrescidos dos encargos de multa e juros de mora, sendo que os créditos do sujeito passivo serão valorados pela aplicação da Taxa Selic. Portanto, evidente está que os reclamos da interessada não procedem, haja vista que seu crédito, bem assim seu débito, foram valorados na forma da lei, sendo pertinente, então, homologar a compensação do débito tributário até no limite do crédito do sujeito passivo. Observese, por sua vez, que o recolhimento a maior foi reconhecido integralmente pela autoridade administrativa. A autoridade administrativa também não alterou os valores apurados e declarados pela empresa, aliás, este processo trata de simples homologação do pleiteado em declaração de compensação. Ademais, a utilização de PER/Dcomp para efetuar compensação é uma faculdade do contribuinte que, uma vez transmitida, pode ser alterada por retificação ou cancelamento, devendo também serem providenciadas pelo contribuinte, no prazo e condições estipuladas na norma, situações não configuradas na espécie dos autos. Assim, não é correto o argumento da empresa de que a compensação da multa e juros pode ser efetuada em outro Per/Dcomp, tendo em vista que a Dcomp entregue fora do prazo deve fazer constar nela os valores dos encargos legais devidos, conforme se deduz da legislação acima transcrita. Por seu turno, notase que a lei autoriza a Receita Federal disciplinar a matéria contida no art. 74, cujo instrumento normativo estabelecido são as Instruções Normativas, referidas. Entretanto, quanto à admissibilidade de Dcomp retificadora registrese que nos termos do art. 224, inciso I, da Portaria MF n° 30/2005, somente compete às DRJ o julgamento de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações dos Inspetores e dos Delegados da Receita. Federal em processos administrativos relativos à restituição, ressarcimento e compensação. Tal manifestação de inconformidade está prevista, apenas, contra atos de indeferimento de direito creditório editados em face de pedidos de restituição ou ressarcimento, ou de nãohomologação, em Fl. 228DF CARF MF 4 virtude de DCOMP ou pedidos de compensação convertidos em DCOMP, nos termos do art. 48 da IN SRF n° 600/2005. Ainda, o art. 69 da mesma Instrução Normativa prevê manifestação de inconformidade contra indeferimento de compensação, em razão de pedidos de compensação não convertidos em DCOMP. Por outro lado, nenhuma previsão neste sentido há no procedimento para retificação ou cancelamento de pedidos de restituição, ressarcimento e compensação ou declarações de compensação, previsto nos art. 6o ao 11 da IN SRF n° 360/2003 ou 376/2003 ou 414/2004 ou 432/2004, arts. 55 a 62 da IN SRF n° 460/2004 ou art 56 a 62 da IN SRF n° 600/2005. • . Assim, o recurso interposto sobre admissibilidade de Dcomp submetese ao rito geral do processo administrativo federal, estabelecido pela Lei n° 9.784/99. Por tudo o que se disse, concluise com segurança que os acréscimos legais são devidos para valoração tanto dos débitos quanto dos créditos do contribuinte, por força legal e normativa, restando prejudicada a intenção da interessada em ver homologada integralmente a compensação e revisto o despacho decisório. A empresa CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S/A ELETROBRAS foi intimada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 30 de julho de 2010, às efolhas 125. A empresa CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S/A ELETROBRAS ingressou com Recurso Voluntário, em 31 de julho de 2010, de efolhas 144 à 164. Foi alegado: Da ausência de vedação legal à compensação em separado. Da análise da legislação citada tanto no Acórdão n°. 0337.480, ora recorrido, quanto no Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort, depreendese que não há qualquer restrição ou determinação no sentido de que a compensação do principal e dos juros e multa deve ser realizada em uma só Declaração de Compensação, conforme restou demonstrado na Manifestação de Não Conformidade. De fato, não há, na legislação que rege o instituto da compensação, qualquer disposição obrigando a compensação do principal juntamente com a compensação dos acréscimos legais na mesma Dcomp ou, ainda, proibindo que a compensação dos juros e das multas seja feita em Dcomp diversa daquela na qual foram compensados os principais. De igual modo, também os dispositivos da IN SRF 460/2004, transcritos no r. acórdão recorrido, não determinam que as compensações de juros e das multas sejam feitas na mesma Dcomp onde sejam compensados os respectivos valores de principal. Tampouco dispõe ser proibido compensar os acréscimos legais em Dcomp diferentes daquelas onde foram compensados os valores de principal. Na verdade, os dispositivos transcritos acima tão somente repetem, de modo genérico e no tocante especificamente às compensações, as disposições existentes nas legislações de regência de todos os tributos, no sentido de que, havendo pagamento após a data Fl. 229DF CARF MF Processo nº 14033.000016/200724 Acórdão n.º 3302007.048 S3C3T2 Fl. 4 5 do vencimento, o contribuinte está obrigado a quitar os respectivos juros e multa para a extinção do respectivo crédito tributário. Portanto, não há, seja no CTN, seja na Lei n°. 9.430/1996 ou sequer na IN SRF 460/2004, vedação à realização de compensações dos juros e das multas através de Dcomp diversa daquela em que foram compensados os valores de principal, após as datas dos respectivos vencimentos. Além disso, não se pode inferir de tais normas a obrigatoriedade da compensação na mesma Dcomp. Da inexistência de acréscimos além dos contidos na Dcomp n°. 40645.27730.080806.1.3.045609 Segundo o r. acórdão recorrido, "não é correto o argumento da empresa de que a compensação da multa e dos juros pode ser efetuada em outro Per/Dcomp, tendo em vista que a Dcomp entregue fora do prazo deve fazer constar nela os valores dos encargos legais devidos, conforme se deduz da legislação acima transcrita." No entanto, Eletrobras não deixou de considerar quaisquer acréscimos legais devidos, tendo, tão somente os apresentado em Dcomp separada, o que, conforme demonstrado, não implica em descumprimento da legislação. A contribuinte levou em consideração todos os encargos devidos, sendo estes relativos ao não recolhimento na data correta, qual seja 14.07.2006. Uma vez que as Dcomp referentes ao principal (n°. 35551.02192.080806.1.3.040800 e n°. 14296.69242.080806.1.3.047995) e 'aquela referente aos juros e multa (n°. 14033.000016/200724) foram apresentados na mesma data, sequer há que se falar em encargos após a data 08.08.2006. Mais uma vez, frisamos: a Eletrobras apenas apresentou Dcomp para prin cipal e encargos distintas, não tendo, com isso, violado qualquer dispositivo legal e não;gerando qualquer prejuízo ao Fisco. Da inconstitucionalidade da interpretação da Receita Federal Conforme demonstrado, a legislação pertinente não contém qualquer dispo sição no sentido de vedar a compensação de multa e juros em Dcomp diferente daquela onde houve a compensação do principal. No que tange especificamente às Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal citadas no acórdão recorrido e no Despacho Decisó rio/DRF/BSB/Diort, não só não contêm vedação nesse sentido, bem como, caso houvesse, tal previsão seria inconstitucional, por violação ao Princípio da Legali ) dade, insculpido no art. 5o, II, da Constituição Federal. Com efeito, somente a lei pode criar obrigações ou restringir direitos e, sendo a Instrução Normativa manifestação do poder regulamentar, deve aterse aos estritos limites legais. Assim, ato regulamentar contrário à lei em função da qual foi expedido é i legal, quiçá inconstitucional. De igual modo, é ilegal e inconstitucional a interpretação dada ao Fl. 230DF CARF MF 6 ato regulamentar que restrinja o direito do contribuinte especificado na lei. E, por conseqüência, é nulo. Dessa forma, uma vez que, como visto, a legislação não traz determinações que impeçam a compensação como feita pela recorrente, a Receita Federal aplicou a lei a partir de uma interpretação eivada do vício de inconstitucionalidade, pois resultou em restrição não prevista, ofendendo o princípio da legalidade. Impõese, portanto, a reforma do r. acórdão recorrido, porque restringiu o direito do recorrente a compensar os juros e as multas em Dcomp diferentes daquelas onde foram compensados os valores dos débitos principais, direito esse assegurado pelo artigo 74 da lei n°. 9.430/1996 e que não pode ser limitado, seja pelas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal, seja pela interpretação equivocada de tais normas regulamentares que restringe o direito da recorrente à compensação de tributos e acréscimos legais estabelecido no referido dispositivo legal. Da ausência de prejuízo para o Fisco Conforme restou demonstrado, o fato de a recorrente ter compensado os juros e multa em Dcomp diferente daquela em que realizou a compensação do principal não implicou em nenhum acréscimo de valor devido, já que ambas as parcelas foram compensadas na mesma data. Por isso, não há que se falar em prejuízo para o Fisco decorrente da maneira como foi realizada a compensação, o que, por si só, já denota a afronta à ra zoabilidade da exigência colocada pela autoridade tributária. Resta evidente, dessa maneira, que não só a exigência da Receita Federal é inconstitucional e abusiva, como não tem sequer razão de ser, uma vez que não há qualquer prejuízo a interesse público a ser combatido no caso em tela. Ora, se compensar juros e multas em Dcomp diferentes daquelas onde foram compensados os valores dos débitos principais não é vedado pelo artigo 74 da Lei n°. 9.430/1996, nem causa qualquer prejuízo ao Erário, manifesta é a ausência de razoabilidade da r. Decisão recorrida, a qual é profundamente injusta, pór ter como única conseqüência o prejuízo do contribuinte. Diante disso, imprescindível a atuação saneadora do colendo Conselho Ad ministrativo para reformar o r. acórdão recorrido e homologar a Dcomp n°. 40645.27730.080806.1.3.045609. DO PEDIDO Face a todo o exposto, tendo restado demonstrada a inconsistência dos fundamentos do v. Acórdão recorrido, requer a recorrente seja dado provimento ao presente recurso voluntário, para homologação da Declaração de Compensação n°. 40645.27730.080806.1.3.045609. É o relatório. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 14033.000016/200724 Acórdão n.º 3302007.048 S3C3T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 30 de julho de 2010, às efolhas 125. A empresa CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S/A ELETROBRAS ingressou com Recurso Voluntário, em 31 de julho de 2010, às efolhas 144. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da controvérsia. · Da ausência de vedação legal à compensação em separado; · Da inexistência de acréscimos além dos contidos na Dcomp n°. 40645.27730.080806.1.3.045609; · Da inconstitucionalidade da interpretação da Receita Federal; · Da ausência de prejuízo para o Fisco. Passase à análise. Cuidam os autos de PER/Dcomp, débito de Cofins/novembro/2006 com crédito de mesma natureza, referente a pagamento a maior do período de apuração outubro/2004, pago em 12/11/2004. A Eletrobras requereu compensações de COFINS através de duas Declarações Eletrônicas de Compensação: Ø 03732.29895.261206.1.3.010910 COFINS devida no período de apuração de novembro de 2006, cujo recolhimento deveria ter ocorrido em 15.12.2006. A DCOMP foi enviada eletronicamente em 26.12.2006, sendo nela incluída a compensação do principal de R$ 499.838,73 (quatrocentos e noventa e nove mil, oitocentos e trinta e oito reais e setenta e três centavos) e da multa, o valor de R$ 14.845,21 (quatorze mil, oitocentos e quarenta e cinco reais e vinte e um centavos); Ø 40645.27730.080806.1.3.045609 é referente à COFINS devida no período de apuração de junho de 2006, cujo recolhimento deveria ter Fl. 232DF CARF MF 8 ocorrido em 14.07.2006. A DCOMP foi enviada eletronicamente em 08.08.2006, tendo sido nela incluídos somente os acréscimos pela quitação em atraso, isto é, o valor de R$ 301.795,52 (trezentos e um mil, setecentos e noventa e cinco reais e cinqüenta e dois centavos), referente à multa e o valor de R$ 39.587,77 (trinta e nove mil, quinhentos e oitenta e sete reais e setenta e sete centavos), referente aos juros. O valor do principal da COFINS não foi incluído nesta Dcomp e sim, nas Dcomp n° 35551.02192.080806.1.3.040800 e n° 14296.69242.080806.1.3.047995, entregues na mesma data, 08.08.2006. Desse modo: 1. a Dcomp de n° 40645.27730.080806.1.3.045609 foi não homologada devido a inexistência de principal do débito declarado e ao citado nos parágrafos 5o a 10 do Despacho Decisório; 2. a Dcomp n° 03732.29895.261206.1.3.040910 foi homologada, pois de acordo com o Demonstrativo de Compensação (fl. 14), o montante total do débito e seus respectivos acréscimos legais foi totalmente compensado, como mostra a Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes (fl. 15). Somente o débito declarado na Dcomp n° 03732.29895.261206.1.3.040910 foi cadastrado no sistema Profisc (fl. 13) para ser objeto de tratamento manual neste processo, pois a Dcomp n° 40645.27730.080806.1.3.045609 apenas trouxe como débitos declarados os montantes relativos a acréscimos legais. A interessada requer a homologação integral da compensação pleiteada, sob o argumento de que o crédito é suficiente para compensar os débitos, vez que compensou a multa e os juros devidos em outro Per/Dcomp. Tomase por esteio o artigo 74 da Lei 9.430, de 27.12.1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 14033.000016/200724 Acórdão n.º 3302007.048 S3C3T2 Fl. 6 9 III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; VII o crédito objeto de pedido de restituição ou ressarcimento e o crédito informado em declaração de compensação cuja confirmação de liquidez e certeza esteja sob procedimento fiscal; VIII os valores de quotas de saláriofamília e saláriomaternidade; e IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobrea Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o deste artigo; O PER/DCOMP formaliza o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública. A entrega do PER/DCOMP implementa a compensação tributária, tendo por efeito imediato a extinção do débito, ainda que sob ulterior condição resolutória. Cabe ao Sujeito Passivo fornecer informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos, permanecendo com a Autoridade Tributária o poder/dever de validar a operação realizada. No caso que se aprecia, o Contribuinte transmitiu o PER/DCOMP com o fim de extinguir débito com suposto crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior, apontando um DARF como origem desse crédito. O núcleo do presente litígio é verificar se o Contribuinte possuía ou não o direito creditório pleiteado. O pagamento (CTN 156I) e a compensação (CTN 156II) são formas de extinguir o crédito tributário. A IN SRF 460/2004 trata da compensação da seguinte forma: Fl. 234DF CARF MF 10 IN SRF 460/2004 Art. 2o Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; (...) Art 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. (...) Art 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (...) Art 51. O crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição, será restituído ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: i. omissis; ii. houver a entrega da Declaração de Compensação; A lei determina que, nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes. São mantidas as mesmas regras para valoração dos créditos do sujeito passivo, como para os créditos tributários, tanto quando se trata da extinção do crédito tributário pelo pagamento, tanto quando se trata de extinção pela compensação, ou seja, valores pagos em atraso, bem assim compensados em atraso, serão acrescidos dos encargos de multa e juros de mora, sendo que os créditos do sujeito passivo serão valorados pela aplicação da Taxa Selic. Frisase que não há nenhum procedimento para retificação ou cancelamento de pedidos de restituição, ressarcimento e compensação ou declarações de compensação, previsto nos art. 6o ao 11 da IN SRF n° 360/2003 ou 376/2003 ou 414/2004 ou 432/2004, arts. 55 a 62 da IN SRF n° 460/2004 ou art 56 a 62 da IN SRF n° 600/2005. As Dcomp citadas são tempestivas posto que foram transmitidas durante o anocalendário de 2006 e visam a estabelecer direito creditório de pagamento maior que o devido recolhido em 12/11/2004, portanto estando dentro do prazo de 05 (cinco) anos, conforme o disposto no art. 165, incisos I, e art. 168 inciso I da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional, abaixo transcritos: Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 235DF CARF MF Processo nº 14033.000016/200724 Acórdão n.º 3302007.048 S3C3T2 Fl. 7 11 I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo | de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Contudo, o pleito do Recorrente não encontra respaldo, por atentar contra a sistemática de valoração acima referida, uma vez que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não compensados nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa e juros de mora. No mais, o acessório deve seguir o principal. Essa regra primaz do Direito Civil, encontra total pertinência no Direito Tributário, que possui sua gênese no Direito das Obrigações. Logo, a multa e os juros devem seguir o crédito tributário. Em não agindo assim, desobedecendo esse procedimento, resta prejudicada a imputação que formaliza o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública. Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 236DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.721737/2015-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DE DECADÊNCIA PARA LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE.
As regras de decadência para a efetivação do lançamento tributário (art. 150, § 4º e art. 173, ambos do CTN) não se aplicam à análise administrativa que visa apurar a liquidez e certeza do crédito solicitado em pedido de restituição do contribuinte. A alteração da base de cálculo ou da alíquota aplicável pode se efetuar mediante despacho decisório, desde que essa modificação implique tão somente a redução ou mesmo a anulação do crédito postulado pelo sujeito passivo.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
CONCEITO DE INSUMOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. NOTA TÉCNICA PGFN Nº 63/2018.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 PR (2010/02091150), pelo rito dos recursos representativos de controvérsias, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância. Os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou serviço, constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço ou b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência.
Por outro lado, o critério de relevância é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) pelas singularidades de cada cadeia produtiva b) seja por imposição legal.
COFINS. INSUMO. SEGURO DE CARGAS.
O seguro pago pela transportadora de cargas é considerado insumo na prestação de serviços de transporte de cargas, para fins de apuração de crédito da Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-006.657
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o crédito sobre os valores pagos com seguro de carga seca e seguro de automóveis. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo que negavam provimento ao recurso vez que o seguro não se enquadra no conceito de bem ou serviço.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PRAZO DE DECADÊNCIA PARA LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE. As regras de decadência para a efetivação do lançamento tributário (art. 150, § 4º e art. 173, ambos do CTN) não se aplicam à análise administrativa que visa apurar a liquidez e certeza do crédito solicitado em pedido de restituição do contribuinte. A alteração da base de cálculo ou da alíquota aplicável pode se efetuar mediante despacho decisório, desde que essa modificação implique tão somente a redução ou mesmo a anulação do crédito postulado pelo sujeito passivo. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. CONCEITO DE INSUMOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. NOTA TÉCNICA PGFN Nº 63/2018. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170 PR (2010/02091150), pelo rito dos recursos representativos de controvérsias, decidiu que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância. Os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou serviço”, “constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 17 37 /2 01 5- 81 Fl. 304DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 3 2 serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” COFINS. INSUMO. SEGURO DE CARGAS. O seguro pago pela transportadora de cargas é considerado insumo na prestação de serviços de transporte de cargas, para fins de apuração de crédito da Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o crédito sobre os valores pagos com seguro de carga seca e seguro de automóveis. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo que negavam provimento ao recurso vez que o seguro não se enquadra no conceito de bem ou serviço. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 4 3 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento PER, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DE DECADÊNCIA PARA LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE. As regras de decadência para a efetivação do lançamento tributário (Art. 150, § 4º e Art. 173, ambos do CTN) não se aplicam à análise administrativa que visa apurar a liquidez e certeza do crédito solicitado em pedido de restituição do contribuinte. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera arguição de direito, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, não é suficiente para demonstrar a ocorrência dos fatos alegados na impugnação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessária, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGURO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores das despesas de empresa transportadora com seguro da carga transportada, ainda que pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito das contribuições não cumulativas (PIS e Cofins). (...) Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: (i) preliminarmente, a decadência do direito da Fiscalização de questionar os lançamentos fiscais e contábeis realizados há mais de 05 (cinco) anos. (ii) no mérito: (ii.1) o direito de aproveitar 100% (cem por cento) dos créditos de PIS/COFINS sobre os serviços prestados por Empresas optantes pelo Simples Nacional; (ii.2) a isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte internacional de cargas; (ii.3) o desconto do crédito de PIS/COFINS referente à depreciação de bens e amortização de edificações e, por fim: (ii.4) o aproveitamento do crédito de PIS/COFINS sobre o seguro de cargas. Afirma que traz a documentação fiscal e contábil suporte do crédito pleiteado. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 5 4 junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402006.656, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13819.721738/201526. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402006.656): "I PRELIMINARMENTE: DA ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA Preliminarmente, sustenta a Recorrente que estaria decaído o direito da Fazenda Pública de revisar os valores dos débitos declarados em sua DCTF retificadora. No raciocínio traçado pela empresa, "tendo em vista o transcurso do prazo de 05 (cinco) anos da constituição do débito tributário, considerando a transmissão da DACON e DCTF, resta homologado o valor do saldo devedor devido pela Recorrente." (efl. 337) Contudo, esse entendimento não merece prosperar Cumpre relembrar que, como relatado, o presente processo se refere à pedido de restituição de COFINS relativo à competência de dezembro/2008 respaldada na retificação da DCTF e do DACON realizados em 2011, antes da transmissão do PER (incorrida em 22/03/2011). Vejamos a diferença entre os valores indicados nas declarações originais e retificadoras: DCTF original(resumo e fl. 40 e extrato SIEF efl. 42) DCTF retificadora(resumo efl. 41) Débito COFINS R$ 818.438,14 R$ 439.950,90 Valor com exigibilidade suspensa R$ 266.424,47 R$ 266.424,47 Pagamento via DARF R$ 552.013,67 (a) R$ 173.526,43 (b) Crédito indicado no PER = (a) (b) R$ 378.487,24 Observase, portanto, que originariamente a empresa constituiu um crédito tributário por meio da confissão do valor de COFINS devida, na DCTF, no montante de R$ 818.438,14, procedendo com posterior retificação da declaração para reduzir o valor do tributo devido no período. Como essa retificação fundamenta o pedido de restituição apresentado pela empresa, a fiscalização deve verificar os elementos fáticos probatórios que fundamentam os dados retificados e confirmar se efetivamente o contribuinte faz jus ao crédito pleiteado. Uma vez que o crédito tributário (débito, nas palavras da Recorrente) já tinha sido constituído pelo contribuinte, não é pertinente se falar em prazo decadencial. Com efeito, o prazo Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 6 5 decadencial é o prazo para o fisco exercer seu direito potestativo de constituir o crédito tributário pelo lançamento. No presente procedimento, não se trata de revisão dos valores de crédito tributário constituídos pela DCTF para fins de exigência de novos valores, diferentes daqueles declarados originariamente pelo sujeito passivo. A fiscalização exerceu, tão somente, o seu dever de revisar os valores declarados pelo contribuinte em sua DCTF retificadora para fins de verificação da existência do crédito pleiteado neste processo. Como indicado no despacho decisório, entendeu a fiscalização que deveriam ser mantidos os valores trazidos na declaração original, inexistindo direito de crédito, vez que não teria sido comprovada documentalmente as retificações realizadas. Neste aspecto, cumpre frisar que, em se tratando de retificação de declaração que reduz o valor do tributo devido, o artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional exige que a retificação seja, nas palavras da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, "acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original." 1 Como expressa o dispositivo: "Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento." (grifei) E foi exatamente o que requereu a fiscalização no presente caso, requerendo provas que respaldaram a retificação perpetrada e confirmar a origem do crédito pleiteado. A impertinência da alegação do sujeito passivo nesse tópico foi bem enfrentada pela r. decisão recorrida, inclusive com respaldo na jurisprudência deste CARF, cujas razões de decidir são aqui adotadas em conformidade com o art. 50, §1º, da Lei n.º 9.784/99: "Com efeito, o procedimento em tela referese à análise de direito creditório veiculado em pedido de restituição, na qual a autoridade administrativa tem o poder/dever de examinar a liquidez e certeza do direito de crédito pleiteado, o que implica 1 Vide voto da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz no Acórdão 3402005.034 especificamente quanto às retificações das declarações ocorridas após a transmissão do despacho decisório. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 7 6 calcular o valor devido a título de contribuição para o período sob exame e confrontálo com a respectiva extinção desse débito. Logo, não se trata aqui de procedimento de revisão de débito declarado para fins de lançamento de ofício, mas sim de se verificar a existência de crédito líquido e certo passível de ser restituído para o sujeito passivo. A negativa da restituição em razão de se apurar crédito em montante inferior ao que foi pleiteado pelo sujeito passivo, ou, no caso, de não se apurar nenhum crédito por falta de apresentação de documentação comprobatória, independe do lançamento de ofício. Fundamentase, como já dito, no fato de a Administração Tributária não poder deferir um crédito que sabe não ser líquido e certo. Assim, não importa se o procedimento de verificação do indébito se dá dentro ou fora do prazo decadencial de que trata do art. 150, § 4º, do CTN; a alteração da base de cálculo ou da alíquota aplicável pode se efetuar mediante despacho decisório, desde que essa modificação implique tão somente a redução ou mesmo a anulação do crédito postulado pelo sujeito passivo. Dessa forma, eventual ajuste nas bases de cálculo informadas nos pedidos que repercutam no valor apurado das contribuições e, conseqüentemente, no valor a restituir, não se caracterizam como exigência de tributo passível de lançamento. Tampouco há que se falar em prazo decadencial para a análise do direito creditório pleiteado. Na verdade, com o transcurso do prazo decadencial previsto nos arts. 150, § 4º ou 173, I, do CTN, apenas o dever/poder de formalizar o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, V e VII do CTN). Também é oportuno que se diga que a homologação tácita, prevista no art. 150, § 4º do CTN, incide apenas sobre o pagamento do crédito tributário efetuado pelo sujeito passivo e vinculado a uma base de cálculo positiva sujeita à tributação. Não há previsão legal para que a homologação tácita se aplique à apuração de pagamentos de tributos a maior ou indevidos. Em relação à jurisprudência colacionada pela contribuinte, nota se que ela não ampara a tese defendida pela interessada, porquanto se refere ao prazo para lançamento, que não foi formalizado nestes autos. Por outro lado, o entendimento aqui explicitado é corroborado por posicionamento pacífico do CARF, conforme se pode depreender da ementa a seguir transcrita. “Acórdão nº 1301001.667 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 8 7 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIPJ. REVISÃO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Encontrase hoje pacificado neste Conselho o entendimento de que as regras de limitação temporal para a efetivação do lançamento tributário (Art. 150, par. 4º e Art. 173, ambos do CTN), não se aplicam à análise fazendária a respeito da liquidez e certeza do crédito tributário pretendido em pedido de restituição/compensação pelo contribuinte." (efls. 317/318 grifei) Nesse sentido, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. II DO CRÉDITO PLEITEADO II.1 DAS PROVAS ACOSTADAS AOS AUTOS: NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PARTE DO CRÉDITO PLEITEADO Na manifestação de inconformidade, a empresa trouxe a memória de cálculo da recomposição do crédito por ela realizada, indicando que seria decorrente da exclusão de valores correspondentes à transporte internacional da base de cálculo e do aumento do valor dos créditos utilizados. Os créditos tomados foram alterados nos valores de depreciação de bens, amortização de edificações, frete e insumos (despesas com seguros de transporte de automóveis e de carga seca). Vejamos as planilhas apresentadas pelo contribuinte (efls. 63/64): Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 9 8 Com fulcro nessa composição do crédito, sustenta a Recorrente em seu Recurso Voluntário: (a) quanto a modificação realizada na base de cálculo, a isenção do PIS/COFINS sobre a receita decorrente do transporte internacional de cargas; (b) quanto aos créditos modificados: (b.1) o valor do frete foi modificado para considerar o direito de aproveitar 100% (cem por cento) dos créditos de PIS/COFINS sobre os serviços prestados por Empresas optantes pelo Simples Nacional; (b.2) o desconto do crédito de PIS/COFINS referente à depreciação de bens e amortização de edificações e, por fim: (b.3) o aproveitamento do crédito de PIS/COFINS sobre o seguro de cargas. Atentandose para a planilha apresentada, observase que a Recorrente reduziu o valor de depreciação de bens e amortização de edificações, originariamente declarado em R$ 241.629,09 para alcançar a soma de R$ 216.557,78. Com isso, essa parcela possuiu um impacto negativo na apuração do crédito pleiteado. Ou seja, na apuração, esse item de depreciação de bens e amortização de edificações foi reduzido, o que implicaria em maior contribuição a pagar caso essa fosse a única retificação a ser realizada. Contudo, o contribuinte identificou outras parcelas que ensejariam na redução do valor da contribuição a pagar (receita de exportação, frete e seguro). Somente estes itens possuem impactos positivos sobre o cálculo do crédito sobre análise. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 10 9 Para respaldar os valores indicados na planilha, o contribuinte anexou aos autos o balancete analítico (efls. 100114). Contudo, observase que este balancete não especifica qualquer valor relacionado à prestação de serviço de transporte internacional. Os valores de receita de prestação de serviços estão todos agrupados em uma única conta contábil (4111002). Além disso, o documento não segrega o valor dos fretes e traz valores de depreciação e de despesas com seguros no transporte de automóveis e no transporte de carga seca distintos dos indicados na planilha. É o que se depreende das efls. 110113: Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 11 10 Foram anexados ainda "Listagem de CTRB´s emitidos" em dezembro/2008 (efls. 115/116). Contudo, foram apresentadas somente as páginas 1 e 17 do relatório, trazendo uma totalização de fretes em montante que não encontra correspondente no balancete analítico trazido pela empresa ou na planilha (R$ 17.717.761,02 efl. 116). Não é possível atestar qual informação a empresa buscava corroborar com este documento. Consta dos autos, ainda, o DACON retificador apresentado (e fls. 119145), a DCTF retificadora (efls. 146166) e o razão analítico de algumas contas contábeis, referentes aos fretes pessoas físicas, serviços terceiros pessoa jurídica, seguros transporte automóveis, seguro transporte carga seca, serviços no porto, peça e manutenção de veículos, fretes e carretos aquaviário, combustíveis e lubrificantes, serviço prestado pessoa jurídica, manutenção instalação imóveis, leasing veículo, locação de máquinas e equipamentos e fretes pessoas jurídicas (efl. 170305). Ora, atentandose novamente para a defesa do sujeito passivo, possível confirmar que não foram apresentados quaisquer documentos suscetíveis a confirmar (a) que a empresa efetivamente aferiu receita decorrente do transporte internacional de cargas; e (b) quanto aos créditos modificados: (b.1) que os valores de frete foram prestados por empresas optantes pelo Simples Nacional; e (b.2) o efeito positivo sobre o crédito pleiteado pelo sujeito passivo dos valores de depreciação de bens e amortização de edificações. Os únicos documentos apresentados foram os detalhamentos analíticos dos seguros de cargas, que serão objeto de análise segregada adiante. Essa deficiência probatória, em especial quanto aos pontos (a) e (b.2) acima foi atestada pela r. decisão recorrida, que desenvolveu: Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 12 11 "Já em relação à aplicação do inciso V, art. 14, da MP nº 2.158 35, de 2001, o qual prevê a isenção da Cofins para o transporte internacional de cargas e passageiros, a retificação (ou modificação da base de cálculo da contribuição) não pode ser aceita, simplesmente, porque a contribuinte não logrou êxito na comprovação de que houve a prestação de serviços de transporte internacional no período de apuração em análise. De fato, foram juntados ao processo diversos documentos (cópias) relativos à escrituração contábil da empresa, os quais até poderiam, conforme sustenta a interessada, fazer prova a seu favor (consoante o disposto no art. 226 do Código Civil Lei nº 10.406, de 2002, e art. 923 e 924 do Decreto 3.000, de 1999 – RIR/99). No entanto, ao se analisar referidos documentos constatase que os mesmos não indicam qualquer auferimento de receita de prestação de serviços de transporte internacional. Consoante Balancete Analítico apresentado (doc 04), o grupo das Receitas Operacionais (conta 4111) da empresa (que, a princípio, deveria englobar todas as receitas de prestação de serviços) registra receitas, unicamente, nas contas 4111001 Receita de Fretes e Carretos; 4111002 – Receita de Prestação de Serviços; e 41110003 – Vale Pedágio Destacado CTRC. Como se vê, neste demonstrativo inexistem contas específicas que demonstrem a composição das receitas de fretes, não sendo possível afirmar, somente, com base nele que houve o auferimento de receitas de prestação de serviço de transporte internacional no período em questão. Por sua vez, os documentos 05 (razões analíticos) e 06 (cópias de relatórios relativos às despesas de fretes), da mesma forma que o balancete analítico, não demonstram ou registram quaisquer linhas ou referências relativas aos fatos alegados, não sendo portanto, hábeis para a comprovação de que no período de apuração houve auferimento de receitas de prestação de serviço de transporte internacional. Registrese, ainda, quanto a esta questão, que, para comprovação do auferimento de mencionada receita, a interessada também deveria trazer ao processo documentos contábeis e fiscais que demonstrassem, inequivocamente, a prestação do serviço de transporte internacional, dentre os quais destacamse: o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário (CRT), o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro (MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio. Situação similar ocorre com a alegada correção dos valores relacionados com a “Depreciação de bens e Amortização de edificações”. O Balancete Analítico apresentado (doc 04) não é suficiente para demonstrar (ou fazer prova) os valores relativos às despesas de depreciação de bens e despesas com amortizações de edificações informadas no demonstrativo (colacionado na Fl. 314DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 13 12 manifestação) que compara as apurações das base de cálculo, concernentes à DCTF original e à DCTF retificadora. Na verdade, a julgar somente pela denominação das contas constantes de referido demonstrativo o direito ao crédito da interessada seria bem menor do que o almejado, posto que, a princípio, as únicas contas, constantes da conta agregadora Depreciação de Bens (3262), que poderiam conter despesas sujeitas a apuração de crédito seriam: De Veículos (3232001), de Máquinas e Equipamentos (3232005) e de Ferramentas e Acessórios (3232006), uma vez que, segundo o disposto no inciso VI, art. 3º da Lei 10.833, de 2003, somente as “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços” é que podem gerar o direito ao crédito. Amortização de Benfeitorias (3232007) e Amortização Patios/Edif/Galpao (3232008), uma vez que segundo o disposto no inciso VII c/c o inciso II do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, o creditamento sobre os valores de encargos de depreciação ou amortização ocorre somente quanto à “edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa”. Assim, portanto, constatase facilmente que o máximo de crédito que poderia ser apropriado no mês de apuração ora tratado é, na verdade, inferior ao valor informado no demonstrativo colacionado na manifestação." (efls. 320/321 grifei) Uma vez que a contabilidade não segrega o valor correspondente à receita de prestação de serviço de transporte internacional, a r. decisão recorrida especificou os documentos que seriam relevantes para demonstrar que a empresa auferiu receitas desta natureza, dentre os quais "o Conhecimento Internacional de Transporte Rodoviário (CRT), o Manifesto Internacional de Carga Rodoviária/Declaração de Trânsito Aduaneiro (MIC/DTA, o Conhecimento de Transporte Rodoviário, o contrato de Prestação de Serviço Internacional e contrato de Câmbio." Não obstante, a Recorrente não trouxe qualquer novo elemento de prova no Recurso Voluntário. Da mesma forma, o balancete analítico anexado aos autos não demonstra o valor de depreciação/amortização de bens, sendo que a empresa não apresentou o razão analítico das contas contábeis relacionadas à este item (conjunto de contas 3232). Acrescese que, como mencionado acima, quando da retificação, a empresa reduziu o valor de depreciação/amortização quando comparado com a apuração original. Com isso, a Recorrente não evidenciou como esse item refletirá de forma positiva no crédito passível de reconhecimento. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 14 13 Por fim, acrescese que igualmente não se vislumbra nos presentes autos documentos que demonstrem que os valores dos fretes que foram acrescidos no crédito foram pagos para pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, não constando dos autos sequer um levantamento exemplificativo das notas fiscais. Como se depreende da documentação contábil anexada aos autos, os valores dos fretes estão todos englobados em contas de "Fretes e Carretos Pessoa Física" e "Fretes e Carretos Pessoas Jurídicas", sem uma segregação específica das empresas que seriam optantes pelo SIMPLES. O razão analítico igualmente não faz qualquer distinção específica (efls. 305): Nesse sentido, o contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova para demonstrar a sua alegação geral de direito no sentido de que seria cabível o crédito integral de empresas optantes do SIMPLES Nacional, não evidenciando que efetivamente foram concretizadas operações com estas empresas no mês em questão. O contribuinte sequer apresenta um levantamento exemplificativo de prestadores, evidenciando que seriam optantes pelo SIMPLES Nacional previsto na Lei Complementar n.º 126/2006. A r. decisão recorrida não adentra nessa questão de prova neste ponto por se respaldar diretamente na previsão legislativa que restringe o crédito em 75% quando da subcontratação de serviço de transporte de carga de optante do SIMPLES (§§ 19 e 20 do art. 3º da Lei n.º 10.833/20032). Contudo, observase que 2 "(...) § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II pessoa jurídica transportadora, optante pelo SIMPLES, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 20. Relativamente aos créditos referidos no § 19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2odesta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)" (grifei) Fl. 316DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 15 14 igualmente em relação a esta questão o contribuinte não trouxe qualquer documento para respaldar suas alegações. Ora, essencial novamente3 firmar que o contribuinte figura como titular da pretensão nas Declarações de ressarcimento e de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao negar a restituição pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19724. Com efeito, o ônus probatório nos processos de restituição é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho. A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401 003.096 grifei) Atentandose para o presente caso, a Recorrente não trouxe elementos probatórios contundentes para respaldar os valores das retificações realizadas capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida. 3 Como já consigando por esta Turma em outras oportunidade como, por exemplo, no Acórdão n.º 3402004.763, de 25/10/2017, de minha relatoria. 4 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 317DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 16 15 Nesse sentido, observase que a discussão de mérito invocada pela Recorrente não possui concreta correspondência com o presente processo, não sendo possível confirmar que o valor pleiteado se refere à esta discussão de direito. Inexiste nos autos sequer indício da existência do crédito, pautandose a empresa na discussão de mérito geral, sem substrato fático. Portanto, a discussão de mérito invocada nos pontos (a), (b.1) e (b.2) acima, não resolve a lide aqui trazida, vez que não é possível confirmar a origem do crédito indicado no PER. Desta forma, inexiste qualquer documento concreto nos presentes autos suscetível a alterar a conclusão alcançada no despacho decisório pelo não reconhecimento do crédito (a) quanto às receitas decorrente do transporte internacional de cargas; e (b) quanto aos créditos modificados: (b.1) quanto aos serviços prestados por empresas optantes pelo Simples Nacional; e (b.2) quanto aos valores de depreciação de bens e amortização de edificações. Com isso, que deve ser mantida a conclusão alcançada no despacho decisório nestes pontos. Importante salientar que, no presente caso, entendo ser prescindível a realização de diligência, vez que a Recorrente não trouxe qualquer elemento de prova diferente daqueles que foram apresentados na manifestação de inconformidade, não obstante essa falta probatória já tivesse sido apontada pela r. decisão recorrida. Face a ausência de provas da liquidez e certeza do crédito, entendo que deve ser negado provimento ao recurso nos itens mencionados. II.2. CRÉDITO DE INSUMO SOBRE SEGURO Especificamente quanto às despesas de seguro despendidas pela empresa, sua segregação pode ser claramente depreendida do razão analítico das contas contáveis "Seguro Transp. Automóveis" e "Seguro Transp. Carga Seca", às efls. 196197: Fl. 318DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 17 16 Cumpre avaliar, por conseguinte, se as despesas com seguros no transporte de carga pode ser admitido como insumo à luz do art. 3º, II, da Lei n.º 10.833/2003. Com efeito, as contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas foram instituídas por diplomas legais ordinários, quais sejam, a Lei n.º 10.637/2002 (conversão da MP 66/2002 que instituiu o PIS não cumulativo vigência a partir de 01/12/2002) e a Lei n.º 10.833/2003 (conversão da MP 135/2003 que instituiu a COFINS não cumulativa vigência a partir de 01/02/2004). No art. 3º das referidas leis o legislador identificou a forma como seria operacionalizada a não cumulatividade dessas contribuições, identificando os créditos suscetíveis de serem deduzidos do valor do tributo apurado na forma do art. 2º. Esses créditos são calculados pela aplicação da alíquota do tributo sobre determinadas despesas, dentre as quais os "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes" (inciso II), ora sob análise. Este Conselho Administrativo, de forma majoritária e à luz de uma interpretação histórica e teleológica dos referidos diplomas legais, adotava a interpretação do conceito de insumos considerando a sua essencialidade/necessidade para o processo produtivo da empresa ou para a prestação de serviço, em uma aproximação intermediária que não é tão ampla como da legislação do Imposto de Renda, nem tão restritiva como aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. 56 5 A título de exemplo, vejamse manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendendo pela corrente intermediária que já prevalecia neste Conselho antes do julgamento do processo pelo Superior Tribunal de Justiça, exigindo a necessidade de relação com a atividade desenvolvida pela empresa e a relação com as receitas tributadas: "Considerase como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, aquele custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos em relação a custos com fretes em compras de insumos. (...)" (Número do Processo 10983.721444/201181 Data da Sessão 12/12/2017 Relator Andrada Márcio Canuto Natal Nº Acórdão 9303006.108 grifei) 6 Como bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final." (grifei) Fl. 319DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 18 17 Cumpre mencionar que uma corrente de interpretação intermediária do aproveitamento do crédito, admitindo que a legislação identificou apenas um rol exemplificativo de créditos de insumos, foi adotada pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento em curso na sistemática dos recursos repetitivos do Recurso Especial nº 1.221.170, entendendo que o "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte" (grifei). Referido julgado foi ementado nos seguintes termos: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 19 18 COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte." (STJ, REsp 1221170/PR, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Seção, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018 grifei) Passase, por conseguinte, a ser necessário avaliar os critérios da essencialidade ou relevância do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota Técnica nº 63/2018 em análise deste julgado, dispensando os procuradores de recorrerem quanto a esta tese. Naquela Nota, foram identificados o que são esses critérios em conformidade com o voto da Ministra Regina Helena Costa: (...) os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou serviço”, a)”constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” (grifei) À luz deste conceito, considerando que a Recorrente se dedica à prestação de serviço de transporte, as despesas de seguro se enquadram no critério da essencialidade, vez que a qualidade do serviço e sua própria prestação depende do seguro, como garantia da carga que está sendo transportada. Esse entendimento, inclusive, já era adotado por este E. Conselho, conforme se depreende dos seguintes acórdãos, inclusive da Câmara Superior: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CREDITAMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONCEITO DE INSUMO. ABRANGÊNCIA. RASTREAMENTO. ESCOLTA. SEGURO. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 20 19 A expressão “insumo utilizado na prestação de serviços”, na legislação que trata da Contribuição para o PIS/Pasep (e da Cofins), se refere aos bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços (desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado) e aos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Tal conceito abarca as despesas com rastreamento e escolta realizadas por empresas de transporte de cargas. Recurso Especial da Procuradoria negado." (Processo 10580.732654/201056 Data da Sessão 05/10/2016 Relator Charles Mayer de Castro Souza Nº Acórdão 9303004.342 grifei) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2001 a 31/07/2004 COFINS. SEGURO DE CARGAS. INSUMO. O seguro obrigatório pago pela transportadora de cargas é considerado insumo na prestação de serviços de transporte de cargas, para fins de apuração de crédito da Cofins. Recurso Especial do Procurador Negado" (Processo 10932.000017/200512 Data da Sessão 25/03/2015 Relator Henrique Pinheiro Torres. Redator designado Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Nº Acórdão 9303003.309 grifei) "DESPESAS COM SEGURANÇA, SEGUROS, ESCOLTA E SATÉLITE. ANÁLISE CASUÍSTICA DE NECESSIDADE. INSUMOS. ENQUADRAMENTO. Despesas com segurança, seguros, escolta e satélite devem ser compreendidas em face da atual realidade do transporte rodoviário de cargas que, como sabido, envolve graves riscos à segurança de motoristas decorrentes de atividades criminosas que visam os veículos transportadores. Destarte, tais despesas se tornam indispensáveis à prestação do serviço de transporte e são decorrentes de serviços utilizados diretamente neste. Podem, portanto, serem consideradas insumos e gerar créditos de PIS e COFINS, devendo ser cancelada a glosa realizada pela autoridade fiscal." (Número do Processo 10660.722805/201311 Data da Sessão 27/01/2015 Relator Bernardo Lima de Queiroz Lima Nº Acórdão 3401002.857 grifei) A essencialidade do seguro para a prestação de serviços de transporte (especialmente na hipótese dos autos, nos quais há Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 21 20 transporte de bens de maior valor como automóveis), foi bem evidenciada pelo Conselheiro Bernardo Lima no acórdão 3401 002.857 acima ementado, considerando que o transporte de cargas no Brasil envolve graves riscos à segurança dos motoristas e das cargas transportadas. Nesse mesmo sentido foram as considerações do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza no Acórdão n.º 9303004.342: "E, no caso, parecenos, sem sombra de dúvida, que os serviços de escoltas e rastreamentos são necessários, sim, à execução da atividade pela contribuinte. É intuitivo, ausentes tais serviços, acreditamos que, o mais das vezes, sequer o serviço de transporte de cargas seria contratado, uma vez que assim estaria desprovido de garantias mínimas para a sua execução. Não se pode olvidar, o setor da economia a que se dedica a contribuinte é um dos que mais tem sofrido com a situação de insegurança pública por que passa o país. Desconsiderar esse fato, amplamente divulgado na mídia, é desconectarse da realidade." (grifei) Importante aqui acrescer que o seguro de cargas transportadas é uma exigência legal prevista no art. 20, 'm' do Decretolei n.º 73/1966, igualmente se enquadrando, por conseguinte, no conceito de relevância da Ministra Regina Helena Costa. Segundo o referido diploma legal: "Art 20. Sem prejuízo do disposto em leis especiais, são obrigatórios os seguros de: (...) m) responsabilidade civil dos transportadores terrestres, marítimos, fluviais e lacustres, por danos à carga transportada. (Incluída pela Lei nº 8.374, de 1991) Parágrafo único. Não se aplica à União a obrigatoriedade estatuída na alínea "h" deste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.190, de 2001)" (grifei) Nesse sentido, merece ser dado provimento ao recurso neste ponto para garantir o crédito pleiteado sobre as despesas com seguro de automóveis e seguro de carga seca, por se enquadrarem no conceito de insumo para a prestação de serviço de transporte de cargas. III DISPOSITIVO Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13819.721737/201581 Acórdão n.º 3402006.657 S3C4T2 Fl. 22 21 Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o crédito de COFINS sobre os valores pagos com seguro de carga seca e seguro de automóveis. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o crédito de PIS/COFINS sobre os valores pagos com seguro de carga seca e seguro de automóveis. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 324DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.921914/2012-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.107
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. Na ausência de provas, a DCTF e o Dacon retificados após a ciência do despacho decisório não podem ser considerados instrumentos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .9 21 91 4/ 20 12 -8 8 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 12448.921914/201288 Resolução nº 3402002.107 S3C4T2 Fl. 3 2 hábeis para conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada desta decisão, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, pelo qual pede, em síntese, para que seja reconhecido o crédito tributário declarado na DCTF e ratificado pelas informações inseridas no Dacon, com a homologação da compensação informada no PERDCOMP. Para tanto, a defesa sustenta os seguintes argumentos: i) Que apresentou o pedido de compensação mediante a entrega da PER/DCOMP, objetivando compensar valor recolhido a maior de PIS/Cofins, com débito da própria PIS/Cofins; ii) Considerando que o saldo credor originário deveria ter sido atualizado desde seu recolhimento com a aplicação da Taxa Selic; iii) Apresentou a DCTF e o Dacon retificadores após o despacho decisório, mas antes do julgamento da manifestação de inconformidade, o que deveria ter sido analisado iv) Como não foi realizada a devida confrontação dos valores informados na DCTF e no DACON, equivocadamente concluiuse tratar de compensação efetuada sem lastro em créditos anteriores; v) A DCTF foi transmitida dentro do prazo legal; vi) A apuração de PIS e Cofins foi consolidada no Dacon, tendo sido apresentada a retificação, informando o mesmo valor constante na DCTF; vii) Cabe ao fisco apresentar indícios de que os valores não estão corretos; viii) Aplicase o Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28/08/2015, aprovado pelo Despacho RFB Nº SN1, de 28 de agosto de 2015, que possui caráter vinculante ao órgão fazendário, inclusive, trata, exatamente, da possibilidade de retificar a DCTF depois da transmissão do PER/DCOMP e da ciência do despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.098, de 18 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 12448.921913/201233. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.098): Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.921914/201288 Resolução nº 3402002.107 S3C4T2 Fl. 4 3 "1.2. Verifico que o Termo de Solicitação de Juntada de fls. 47 está datado de 13/06/2017, igualmente abaixo colacionado: 1.3. Observo que consta no histórico de ações sobre o documento a assinatura digital do procurador na mesma data. 1.4. Todavia, foi informado no Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 48 que somente em data de 13/01/2018 foi registrada a Solicitação de Juntada de Documentos referente à "Resposta à Intimação". 1.5. Outrossim, esclareço igualmente que não há informações nos autos de que o recurso tenha sido protocolado por meio físico ou por via postal. 2. Diante da dúvida sobre a tempestividade do recurso e, para correta análise da admissibilidade, fazse necessário propor a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora de Origem esclareça através de Informação Fiscal sobre os fatos acima demonstrados, tornando inequívoca a data do efetivo protocolo, ou seja, 13/06/2017 (Solicitação de Juntada de Documentos de fls. 47) ou 13/01/2018 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 48). 2.1. Cumprida a diligência acima, retornem os autos para julgamento. É a proposta de Resolução. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora de Origem esclareça através de Informação Fiscal sobre os fatos acima demonstrados, tornando inequívoca a data do Fl. 70DF CARF MF Processo nº 12448.921914/201288 Resolução nº 3402002.107 S3C4T2 Fl. 5 4 efetivo protocolo, ou seja, 13/06/2017 (Solicitação de Juntada de Documentos) ou 13/01/2018 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada). Cumprida a diligência acima, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12259.004306/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2003
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AFERIÇÃO DO VALOR. DATA DE APRECIAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício interposto em face de decisão, que exonerou o sujeito passivo de tributo e encargos de multa, em valor total inferior ao limite de alçada, o qual deve ser aferido na data de sua apreciação em segunda instância.
A Súmula CARF nº 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância.
Numero da decisão: 2401-006.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2003 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AFERIÇÃO DO VALOR. DATA DE APRECIAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício interposto em face de decisão, que exonerou o sujeito passivo de tributo e encargos de multa, em valor total inferior ao limite de alçada, o qual deve ser aferido na data de sua apreciação em segunda instância. A Súmula CARF nº 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância.
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VALOR EXONERADO INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. MOMENTO DE AFERIÇÃO DO VALOR. DATA DE APRECIAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício interposto em face de decisão, que exonerou o sujeito passivo de tributo e encargos de multa, em valor total inferior ao limite de alçada, o qual deve ser aferido na data de sua apreciação em segunda instância. A Súmula CARF nº 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 43 06 /2 00 9- 39 Fl. 1162DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de crédito tributário lançado em nome do sujeito passivo acima identificado, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.143.0712, COMPROT 12259.004306/200939, consolidado em 11/12/2007, no valor de R$ 977.859,11, que acrescido de multa e juros corresponde ao valor total de R$ 2.280.225,62. O lançamento é relativo ao não recolhimento, no prazo legal, das contribuições previdenciárias devidas, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a segurados caracterizados como empregados, abrangendo o período de 01/1997 a 12/2002. Foi emitida decisão administrativa de 1ª instância, onde o crédito tributário foi mantido em parte, no acórdão de nº 1235.991 da 11ª Turma de Julgamento da DRJ/RJI, fls.336/371, excluindo o período de 01/1997 a 11/2002 em função da decadência. Foram interpostos recurso de ofício e recurso voluntário à 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e, em sessão de julgamento realizada em 16/07/2013, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF declarou a nulidade da decisão de 1ª instância através do acórdão de nº 2403002.134. Em 27/12/2013 a impugnante protocolou pedido de desistência parcial da impugnação, desistindo de suas defesas administrativas apenas em relação à competência dezembro/2002, permanecendo a discussão, entretanto, em relação aos créditos tributários lançados até novembro/2002. A Impugnante efetuou o pagamento da competência 12/2002, com os benefícios da Lei nº 11.941/2009, com redução de 100% da multa de mora e desconto correspondente a 45% dos juros incidentes sobre o principal . Informa, ainda, que utilizou o código 4103 para preenchimento da guia de pagamento, conforme orientação obtida no Centro de Atendimento ao Contribuinte – CAC da DEMAC (documento de fls. 599). A Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência deste acórdão, não interpondo recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. O contribuinte GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES SA foi cientificado do acórdão do CARF de nº 2403002.134 em 04/08/2014 e os contribuintes GLOBOSAT PROGRAMADORA LTDA e PLURIS PARTICIAPAÇÕES LTDA (atual denominação de SIGLA SISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES AUDIOVISUAIS LTDA) foram cientificados, em 22/08/2014, do acórdão no 2403002.134 e do inteiro teor da autuação. Em sede de Impugnação, o contribuinte GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES SA apresentou aditamento à impugnação em 27/08/2014, conforme fls. 734/744. Os contribuintes PLURIS PARTICIAPAÇÕES LTDA (atual denominação de SIGLA – SISTEMA GLOBO DE GRAVAÇÕES AUDIOVISUAIS LTDA) e GLOBOSAT PROGRAMADORA LTDA apresentaram as respectivas impugnações em 29/08/2014 (fls. 797/799 e 944/946) para cancelamento do crédito tributário referente ao período de Janeiro/1997 a Novembro/2002. Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 12259.004306/200939 Acórdão n.º 2401006.646 S2C4T1 Fl. 3 3 Informam ainda sobre a petição apresentada de desistência parcial referente ao período de dezembro de 2002 e do pagamento a vista do crédito tributário relativo ao referido período. Alegam, em síntese a ocorrência da decadência até novembro/2002, reiteram os pedidos apresentados em sua impugnação, caso não seja reconhecida a decadência, e solicitam a redução do percentual de multa aplicada, caso os argumentos anteriores não sejam acatados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 1269.103 da 11ª Turma da DRJ/RJ1, às fls. 1.014/1.021, julgando.pelo PROVIMENTO DA IMPUGNAÇÃO e pela MANUTENÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, no valor de R$ 20.338,22, tendo em vista a ocorrência da decadência para o período de 01/1997 a 11/2002. E como já consta dos autos o DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado às fls. 372/415.O pagamento efetuado pelo contribuinte do valor devido da competência 12/2002 deverá ser posteriormente apropriado ao crédito. Recordese: “..................................................................................................... Assim, em face da Súmula Vinculante nº 8 do STF, do art. 3º da lei 11.457/07 e do disposto acima através do Parecer 1617/2008, tendo em vista que o crédito foi consolidado em 11/12/2007, tendo se tornado eficaz em 21/12/2007, pela ciência do interessado nesta data, e que houve pagamento parcial da obrigação tributária em tela, verificase que o período de 01/1997 a 11/2002 encontrase fulminado pela decadência nos termos do art. 150, §4º do Código Tributário Nacional. MÉRITO Tendo em vista o ocorrência da decadência para quase todo o período do crédito tributário lançado, restou no lançamento somente a competência 12/2002. Conforme consta dos autos, houve a desistência da impugnação em relação à esta competência, tendo sido efetuado o seu pagamento, segundo GPS às fls. 599. No entanto, conforme consulta efetuada no SICOB – Sistema de Cobrança, tal pagamento ainda não foi abatido do presente crédito. A desistência da impugnação e o posterior pagamento da competência 12/2002 implica em aceitação do crédito lançado na mesma. Sendo assim, somente após a apropriação do pagamento ao crédito e com a constatação de que não há resíduos a serem cobrados o crédito será extinto. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, VOTO pelo PROVIMENTO DA IMPUGNAÇÃO e pela MANUTENÇÃO EM PARTE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, tendo em vista a ocorrência da decadência para o período de 01/1997 a 11/2002. Mantêmse a competência 12/2002, que com a apropriação do valor pago extinguirá o crédito, caso não restem resíduos a serem cobrados. Tendo em vista que o crédito já havia sido retificado quando do primeiro julgamento, continua válido o DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado de fls. 372/415.” Fl. 1164DF CARF MF 4 O contribuinte e os devedores solidários foram intimados do Acórdão da DRJ e não apresentaram Recurso. Já o Presidente da DRJ apresentou RECURSO DE OFÍCIO perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em vista que o resultado do julgamento enquadrouse no art.1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, DOU de 7/01/2008. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Tratase apenas de recurso de ofício, tendo em vista que a r. decisão de piso, ora recorrida, exonerou o Contribuinte de crédito tributário relativo ao período de janeiro de 1997 a novembro de 2002 por força da decadência, nos termos do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional e da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, cujo valor referente ao tributo e aos encargos de multa (já considerando o percentual de 40%) totaliza o montante de R$ 1.340.529,25. Ocorre, entretanto, que a Portaria MF 63/2017 estabeleceu um novo limite para a interposição do valor de alçada do Recurso de Ofício, elevandoo para o valor de R$ 2.500.000,00 ( dois milhões e quinhentos mil reais), revogando a Portaria nº 03/2008, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Já a Súmula CARF nº 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância, vejamos: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Neste caso, observase no próprio lançamento que o somatório do tributo e dos encargos de multa não ultrapassa R$ 2.500.000,00, de tal maneira que o recurso não deve ser conhecido. Logo, tendo em vista que o valor referente ao tributo e aos encargos de multa do crédito tributário exonerado pela DRJ nos presentes autos totaliza R$ 1.340.529,25, temse que o recurso de ofício interposto contra a decisão a quo não pode ser conhecido. 2. CONCLUSÃO: Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 12259.004306/200939 Acórdão n.º 2401006.646 S2C4T1 Fl. 4 5 Pelos motivos expendidos, voto para NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.934207/2016-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/05/2011
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.469
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 42 07 /2 01 6- 05 Fl. 51DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.934207/201605 Acórdão n.º 3401006.469 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 53DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10680.934207/201605 Acórdão n.º 3401006.469 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 55DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10425.720169/2007-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2004
ITR. VALOR DA TERRA NUA. VTN. ARBITRAMENTO SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPROCEDÊNCIA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada a comprovação mediante documentação hábil e idônea de sua existência.
PROVA PERICIAL. CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas.
Numero da decisão: 2401-006.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10425.720164/2007-02, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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VALOR DA TERRA NUA. VTN. ARBITRAMENTO SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPROCEDÊNCIA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada a comprovação mediante documentação hábil e idônea de sua existência. PROVA PERICIAL. CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10425.720164/2007-02, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 01 69 /2 00 7- 27 Fl. 82DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.530 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10425.720169/2007-27 Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.527, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10425.720164/2007-02, paradigma deste julgamento. “ELEUSIO CURVELO FREIRE, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Turma da Delegacia Regional de Julgamento, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural - ITR, em relação ao exercício em questão, conforme Notificação de Lançamento e demais documentos que instruem o processo. Trata-se de Notificação de Lançamento, lavrada nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindo-se crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente da glosa das áreas preservação permanente e de utilização limitada por não restarem comprovadas e arbitramento do valor da terra nua - VTN. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, esclarecendo que os VTN médios usados pela SRF, do município de Esperança não se adequam aos imóveis do contribuinte devido a localização dos mesmos, na região limítrofe com o município de Algodão de Jandaira, sendo que o VTN aplicável, por similaridade com o imóvel do contribuinte seria o de Algodão de Jandaira. Explicita que os valores de terras comercializadas e desapropriadas nas vizinhanças do imóvel, estão com valores próximos aos que foram declarados, conforme escrituras de terras passadas nos últimos anos no Cartório de Registro de Imóveis de Esperança No tocante a área de preservação permanente, área de reserva legal e de utilização limitada, informa que a verborragia de leis, artigos e exigências legais apresentados são do total desconhecimento de todos os fazendeiros do semi-árido nordestino, inclusive o contribuinte. Pugna pela realização e produção de prova pericial. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornando-o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Fl. 83DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.530 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10425.720169/2007-27 É o relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.527, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10425.720164/2007-02, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.527, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.527 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. DO VALOR DA TERRA NUA - VTN Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, o contribuinte não regularmente intimado não comprovou o valor declarado, entendendo a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel fora arbitrado. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observando-se nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizando-se como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Fl. 84DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.530 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10425.720169/2007-27 Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Razão pela qual, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento (EXCEÇÃO) do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT refere-se à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, segundo a fls 7, é calculado sem aptidão agrícola. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (grifamos) Assim se manifesta o art. 12 da Lei n° 8.629, de 1993: Art. 12. Considera-se justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. Fl. 85DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.530 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10425.720169/2007-27 § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel. Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: Art.12.Considera-se justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (grifei) Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Nesse sentido é a jurisprudência pacífica deste Tribunal, vejamos: VTN-VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel. (acórdão CSRF nº 9202-005.781, de 31/08/2017) ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta imprestável o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para Fl. 86DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.530 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10425.720169/2007-27 fins de estabelecimento do valor do imóvel. (acórdão CSRF nº 9202-005.687, de 27/07/2017) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do Município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel. Considerando a apresentação da Laudo de avaliação pelo Contribuinte, deve ser considerado o Valor da Terra nua nele constante.(acórdão CSRF n° 9202-007.331, de 25/10/2018) Diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL No que se refere a dedução das áreas de preservação permanente e das áreas de utilização limitada da área total do imóvel para obtenção da área tributável pelo ITR, deve-se observar: a) um aspecto estritamente legal onde é exigido, além de efetivamente existir as áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, que atendam aos requisitos legais; b) que a normatização destas áreas, entre outras providências, é parte do cumprimento da obrigação do Poder Público na defesa e preservação do meio ambiente, favorecendo ou premiando com a isenção de tributos os proprietários que comprovam e legalizam a existência dessas áreas, bem como a sua intenção de mantê- las dessa forma e, evidentemente, penalizando os que não cumprem com essa obrigação. Em suma, a preservação do meio ambiente é obrigatória, porém, para que tenha direito á exclusão da área total para obtenção da área tributável pelo ITR devem ser observados os requisitos legais. Sem maiores elucidações e delongas sobre legislação e entendimentos, o caso dos autos é de fácil deslinde, visto que o contribuinte não comprovou a existência das referidas áreas, não apresentou Laudo Técnico e/ou outros documentos capazes de atestar a existência das áreas, não merecendo guarida o seu pleito. PERÍCIA Quanto ao pedido de perícia, o exame pericial é um meio de prova, necessário apenas quando a elucidação de fato ou o exame de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. É dizer que a realização da perícia não constitui direito subjetivo do interessado. Compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica para a elucidação dos fatos e como instrumento de convicção para a solução da lide. Logo, prescindível a perícia não merece acolhimento o pleito do recorrente. Fl. 87DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.530 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10425.720169/2007-27 Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento em consonância parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto.” Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento em consonância parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720253/2017-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2013, 2014
MULTA REGULAMENTAR. APROVEITAMENTO DE NOTAS FISCAIS QUE NÃO CORRESPONDEM A EFETIVA SAÍDA. RIPI/2010, ART. 572, II. PENALIDADE IGUAL AO VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA.
Nos termos do art. 572, II, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010, aos que emitem nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, ou, em proveito próprio ou alheio, utilizam ou registram nota fiscal que não corresponda à saída efetiva das mercadorias nela constantes, aplica-se a multa regulamentar equivalente ao valor das mercadorias.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013, 2014
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL.
São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN, assim como os mandatários, prepostos, empregados e dirigentes da pessoa jurídica que tenham praticado de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos nos termos da art. 135, da Lei nº 5.172/66.
NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. EQUÍVOCO NO PERÍODO DA AUTUAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Trata-se de mera irregularidade, e não causa de nulidade, a referência equivocada, na ementa do acórdão recorrido, dos períodos de apuração a que se refere o lançamento.
Numero da decisão: 3201-005.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Recursos Voluntários apresentados por Marili Elisabete Mainardi Peretto, Melissa Mainardi Peretto, Seasters Participações e Empreendimentos ltda. e Meire Yumi Kimura Rangel, para afastar a sua responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado, e em negar provimento aos demais Recursos.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2013, 2014 MULTA REGULAMENTAR. APROVEITAMENTO DE NOTAS FISCAIS QUE NÃO CORRESPONDEM A EFETIVA SAÍDA. RIPI/2010, ART. 572, II. PENALIDADE IGUAL AO VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. Nos termos do art. 572, II, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010, aos que emitem nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, ou, em proveito próprio ou alheio, utilizam ou registram nota fiscal que não corresponda à saída efetiva das mercadorias nela constantes, aplica-se a multa regulamentar equivalente ao valor das mercadorias. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013, 2014 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN, assim como os mandatários, prepostos, empregados e dirigentes da pessoa jurídica que tenham praticado de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos nos termos da art. 135, da Lei nº 5.172/66. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. EQUÍVOCO NO PERÍODO DA AUTUAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Trata-se de mera irregularidade, e não causa de nulidade, a referência equivocada, na ementa do acórdão recorrido, dos períodos de apuração a que se refere o lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Recursos Voluntários apresentados por Marili Elisabete Mainardi Peretto, Melissa Mainardi Peretto, Seasters Participações e Empreendimentos ltda. e Meire Yumi Kimura Rangel, para afastar a sua responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado, e em negar provimento aos demais Recursos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira.
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MULTA Recorrente I.C.A COMERCIO E SERVICOS DE LOGISTICA EIRELI ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2013, 2014 MULTA REGULAMENTAR. APROVEITAMENTO DE NOTAS FISCAIS QUE NÃO CORRESPONDEM A EFETIVA SAÍDA. RIPI/2010, ART. 572, II. PENALIDADE IGUAL AO VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. Nos termos do art. 572, II, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010, aos que emitem nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, ou, em proveito próprio ou alheio, utilizam ou registram nota fiscal que não corresponda à saída efetiva das mercadorias nela constantes, aplica se a multa regulamentar equivalente ao valor das mercadorias. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013, 2014 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN, assim como os mandatários, prepostos, empregados e dirigentes da pessoa jurídica que tenham praticado de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos nos termos da art. 135, da Lei nº 5.172/66. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. EQUÍVOCO NO PERÍODO DA AUTUAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Tratase de mera irregularidade, e não causa de nulidade, a referência equivocada, na ementa do acórdão recorrido, dos períodos de apuração a que se refere o lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 02 53 /2 01 7- 88 Fl. 15185DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Recursos Voluntários apresentados por Marili Elisabete Mainardi Peretto, Melissa Mainardi Peretto, Seasters Participações e Empreendimentos ltda. e Meire Yumi Kimura Rangel, para afastar a sua responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado, e em negar provimento aos demais Recursos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Trata o presente processo de lançamento de IPI, no valor de R$ 579.301.862,67, com origem na aplicação de multa regulamentar. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Crédito tributário contestado 1. Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração (fls. 14338/14350) através do qual foi constituído o crédito tributário referente à multa regulamentar pela emissão de notas fiscais sem a respectiva saída de mercadoria do estabelecimento emitente e pelo uso e registro de notas fiscais que relatam operações fictícias em sua contabilidade, relativamente aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2013 e 2014 , conforme demonstrativo abaixo: (...) Procedimentos da Fiscalização 2. Ação fiscal determinada através do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) nº 08.1.11.00 2016003549 e executada no período de 19/10/2016 a 24/10/2017. O objetivo da fiscalização foi a verificação do cumprimento das obrigações tributárias referentes ao IRPJ, no período de janeiro de 2013 a dezembro de 2014. No período fiscalizado a empresa optou pela tributação com base no Lucro Real em 2013 e Lucro Presumido em 2014. Fl. 15186DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.186 3 3. O procedimento foi iniciado por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 157/161), cientificado por via postal em 17/10/2016, onde a empresa tomou conhecimento da ação fiscal e ficou intimada a apresentar a documentação nele relacionada. Lavrados outros Termos de Intimação Fiscal e de Constatação (fls. 156/225). As solicitações foram atendidas, conforme Relatório Fiscal (fls. 007). Infração apurada 4. Em conclusão ao procedimento fiscal, em 20/10/2017, a AuditoriaFiscal lavrou o Auto de Infração Outras Multas Administradas pela RFB, relativamente aos anoscalendário 2013 e 2014 (fls. 14338/14350). Este contém a infração "Outras Infrações ao Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Emissão ou Utilização de Nota Fiscal Irregular": (...) 5. As justificativas da auditoria estão no Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 002/154), conforme síntese e trechos (em itálico) abaixo: 5.1. Inicia o TVF com a seguinte síntese das irregularidades apuradas: (Descreve que o grupo I.C.A se beneficiou de notas fiscais emitidas por três organizações criminosas) 5.2. Descreve os procedimentos fiscais realizados, listando os Termos de Distribuição de Procedimento Fiscal – TDPF correspondentes. Relata que: 5.2.1. "Os procedimentos fiscais transcorreram normalmente e o contribuinte atendeu a todas as intimações do Fisco por meio de seus procuradores IRINEU e EVERALDO (contador). Houve contatos frequentes com os AuditoresFiscais da Receita Federal para verificar eventuais pendências de intimações ou prorrogações."; 5.2.2. Foram tratados os seguintes temas: a) Escrituração fiscal: análise dos aspectos obrigatórios exigidos pela lei, em especial, a individualização dos lançamentos contábeis; b) Contabilidade: verificação se os registros contábeis são lançamentos fiéis das operações das empresas; c) Abuso da personalidade jurídica: análise da independência dos CNPJs, em especial se houve confusão patrimonial ou desvio de finalidade; d) Compras: verificações de aquisições de mercadorias para revenda e de insumos a partir de três organizações ilícitas identificadas pelos Auditores Fiscais da Receita Federal: Grupo Vila Alpina, Grupo MRM e Grupo RNA, além da noteira Bellametais; e) Operações atípicas: verificações das operações mercantis expressivas realizadas com os grupos empresariais; I.F.C. Ind. e Fl. 15187DF CARF MF 4 Comercio de Condutores Eletricos LTDA (02.544.042/000119); LATASA Reciclagem S. A. (04.266.100/000115); Ind. e Com. de Ligas de Metais Minas Zinco LTDA (12.602.151/000107). 5.2.3. Foram fornecidas as autorizações bancárias para acesso à movimentação financeira da ICA COMÉRCIO e da ICA LIGAS. "Em relação à ICA RIO, não foi necessário acesso à sua reduzida movimentação financeira, por dois motivos. O contribuinte apresentou lançamentos a crédito de apenas R$ 4.059.685,08 em 2013 e de R$ 2.295.898,27 em 2014. O segundo é porque os recebimentos financeiros relativos às notas fiscais emitidas pela ICA RIO ocorriam na conta bancária da ICA LIGAS. Tal fato demonstra a confusão patrimonial existentes entre os três CNPJs do GRUPO ICA que se comportam como uma única empresa." 5.2.4. Em diligência realizada junto à ICA COMÉRCIO e ICA LIGAS, foram retidos documentos, que foram digitalizados e devolvidos ao contribuinte, tendo sido lavrados os respectivos Termos de Retenção e de Devolução de Documentos. Foram lavrados diversos Termos de Declaração dos principais funcionários e Termos de Constatação para registrar os principais fatos, os dados obtidos e as fotos das empresas. 5.3. Descreve os dados e funcionamento do GRUPO ICA. Relata que "Os três CNPJs do GRUPO ICA possuem o mesmo CNAE principal: 24.52100 FUNDIÇÃO DE METAIS NÃO FERROSOS E SUAS LIGAS. O processo produtivo abrange a transformação, mediante fundição, da sucata de alumínio em LINGOTES DE ALUMÍNIO. Há outros subprodutos fabricados pelo GRUPO ICA, mas com menor participação". Descreve o contido nos Termos de Constatação e os Termos de Declaração, conforme abaixo: (...) 5.4. Foi analisado o fluxo interno de notas fiscais, onde foi constatada a existência de dois fluxos distintos: um que vinha do setor produtivo (recebimento de mercadorias –laboratório) (35%) e outro vindo diretamente do sócio controlador IRINEU (55% a 60%). 5.5. Sobre a confusão patrimonial e o desvio de finalidade, reporta que "São inúmeros os aspectos fáticos, contábeis, fiscais e financeiros que demonstram uma confusão patrimonial, bem como desvio de finalidade, dos CNPJs do GRUPO ICA. Não há como tratar tais CNPJs como sendo independentes e autônomos um do outro, ou mesmo do patrimônio pessoal da família de IRINEU. Um CNPJ paga impostos e notas fiscais do outro. Os funcionários estão registrados em um CNPJ mas trabalham de fato em outro. Além do incipiente planejamento tributário entre as fábricas". Cita operações financeiras que demonstram o desvio de finalidade das empresas mesclando os interesses particulares de IRINEU e sua família com os interesses societários (venda de embarcação, aquisição de imóvel, Fl. 15188DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.187 5 aquisição de veículo de passeio, pagamento de contas e despesas particulares). 5.5.1. Discorre sobre ICA COMÉRCIO e ICA LIGAS: 5.5.1.1. O site da ICA LIGAS remete ao endereço e contatos da ICA COMÉRCIO. 5.5.1.2. O sócio controlador, IRINEU, declarou “Que apesar desta divisão podem ocorrer compras/vendas em nome de uma ou outra”. 5.5.1.3. Os principais fornecedores da ICA COMÉRCIO, Novelis e RR Metais, recebeu transferências bancárias a partir da conta da ICA LIGAS. 5.5.1.4. Há pagamentos de tributos estaduais da ICA LIGAS através da conta da ICA COMÉRCIO. 5.5.1.5. Ocorreram transferências bancárias entre a ICA LIGAS e ICA COMÉRCIO unicamente com o objetivo de suprir necessidades financeiras de uma ou de outra. 5.5.1.6. Todos os funcionários estão registrados na ICA COMERCIO mas trabalham para as duas plantas industriais. A ICA LIGAS informou que não possui folha de pagamento de salários, não utilizando de mão de obra própria para a execução de suas atividades. 5.5.1.7. A ICA LIGAS apresentou comprovantes de pagamento ao Grupo Vila Alpina (noteira) mediante utilização da conta bancária da ICA COMÉRCIO. 5.5.1.8. Mensalmente, a ICA COMÉRCIO emitia nota fiscal de prestação de serviços no valor de R$ 150.000,00 para a ICA LIGAS, "como se a ICA LIGA existisse de fato e tivesse uma personalidade autônoma e independente, com funcionários próprios. Relembremos, 75% da produção é da ICA COMERCIO e não da ICA LIGAS e todos os funcionários do grupo são registrados e ficam fisicamente na ICA COMERCIO. Entre as duas empresas não há qualquer contrato de prestação de serviço realmente realizado, pois ambas compõem uma única entidade. Ademais, o pagamento mensal de R$ 150.000,00 não se vincula a produção ou mesmo a outra condição, já que mensalmente é o mesmo valor, em que pese os volumes de produção serem diferentes." 5.5.2. Em relação à ICA RIO e ICA LIGAS, assim relata: 5.5.2.1.A ICA RIO foi declarada inexistente de fato e baixada de ofício no cadastro do CNPJ, em virtude de representação fiscal resultante de diligência fiscal. 5.5.2.2.Foi constatado que a ICA RIO e ICA LIGAS não faziam distinções nas suas transações comerciais e financeiras, havendo confusão patrimonial entre elas. Fl. 15189DF CARF MF 6 Houve "diversas cessões de crédito da ICARIO para a ICA LIGAS, notas fiscais emitidas pela ICA RIO pagas para a ICA LIGAS e documentos da ICA RIO com email e contatos da ICA LIGAS, entre outros". Restou provado a inexistência de fato da ICA RIO em 2013 e 2014. 5.5.2.3.Os principais "clientes" da ICA RIO, MAXION WHEELS e CHANCELER, efetuaram a maioria dos seus pagamentos na conta da ICA LIGAS. Comprovase a absoluta confusão patrimonial entre as duas empresas. "Se considerarmos que a ICA RIO não existiu de fato nos anos de 2013 e 2014, e que não realizou atividade industrial e nem operações mercantis, fica em definitivo demonstrado que ambos CNPJs, de fato, são uma empresa." 5.5.3. Diante da confusão patrimonial diagnosticada entre as empresas ICA COMÉRCIO, ICA LIGAS e ICA RIO, a auditoria fiscal consolidou os valores encontrados de lançamentos recebidos a crédito em suas contas bancárias, das notas fiscais recebidas (ENTRADAS) e das notas fiscais emitidas (SAÍDAS), em 2013 e 2014, conforme abaixo, concluindo o que se segue: (...) 5.5.3.1. A ICA RIO não poderia ter realizado operação industrial nem comercial em 2013 e 2014, pois sua planta industrial estava desativada. Não obstante, emitiu notas fiscais, as quais foram pagas mediante crédito na conta bancária da ICA LIGAS. 5.5.3.2. A ICA LIGAS detinha apenas 25% da capacidade produtiva total do GRUPO ICA, pois possuía apenas um único forno. Porém, respondeu por quase a totalidade da movimentação financeira do GRUPO ICA: R$ 515 milhões de um total de R$ 530 milhões. 5.5.3.3. A ICA COMÉRCIO detinha 75% da capacidade produtiva total do GRUPO ICA, pois possuía uma planta mais recente e automatizada, com 4 fornos. Porém registrou apenas R$ 1,5 milhão em notas fiscais de saída, enquanto que a ICA LIGAS registrou R$ 340 milhões, com apenas 25% da capacidade produtiva. 5.5.4. Diante dos elementos encontrados, assim conclui a fiscalização: (...) 5.6. Diante da confusão patrimonial entre as empresas do GRUPO ICA, conclui a fiscalização por considerar a ICA COMÉRCIO como principal e proceder à representação para fins de baixa no CNPJ da ICA LIGAS e ICA RIO. Elenca os motivos para eleição da ICA COMÉRCIO: a) CNPJ no qual todos os funcionários estão registrados; b) é fisicamente onde estão os funcionários responsáveis pelos setores administrativos (recebimento de mercadorias, financeiro, Fiscal, RH) do Fl. 15190DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.188 7 GRUPO ICA; c) é fisicamente onde está a sala da diretoria e a sala do gerente (Maurício Russo); d) possui 4 fornos automatizados e parque fabril mais relevante; e) apresentou produção muito superior à ICA LIGAS (15.292.383 kg em 2013 e 15.849.000 kg em 2014, contra 4.665.000 kg em 2013 e 5.484.000 kg em 2014 da ICA LIGAS); f) é uma fábrica especificamente construída para a produção de lingotes de alumínio. 5.6.1. Com base nas diligências realizadas e nas manifestações harmônicas obtidas, em relação ao processo produtivo, a fiscalização concluiu "por uma produção anual do GRUPO ICA de 20.000.000 kg por ano e que entre 90 a 95% dos lingotes de alumínio são fornecidos pela empresa CBA COMPANHIA BRASILEIRA DE ALUMINIO, CNPJ 61.409.892/000173." 5.7. Sobre o processo produtivo e sua tributação, relata e conclui: (...) 5.7.1. Diante do conjunto probatório, conclui a fiscalização: "O contribuinte introduz dolosamente notas fiscais inidôneas que relatam operações fictícias em sua contabilidade. Em tais notas fiscais, são registradas NCMs que geram créditos de IPI, PIS e COFINS ao recebedor de tais notas fiscais, qual seja, o GRUPO ICA." 5.8. Sobre a ICA RIO, além da constatação de sua inexistência de fato e consequente representação fiscal para fins de baixa no CNPJ, relata: a) a maioria dos recebimentos pelas notas fiscais emitidas é feito na conta da ICA LIGAS; b) com base no Termo de Declaração de EDUARDO: b.1) a ICA RIO desativou suas operações de fundição em 2005 ou 2006, realizando apenas compra e venda; b.2) apenas tirava fotos dos caminhões de sucata recebidos para enviar para IRINEU e seguirem para Itaquaquecetuba/SP; b.3) não reconheceu os nomes dos supostos principais fornecedores da ICA RIO: NEWSIRON, JETSIL, PAPERMETAL, CAMOES e FINOMETAIS; c) as principais empresas fornecedoras da ICA LIGAS se dedicavam exclusivamente à emissão de notas fiscais que relatam operações fictícias; d) o advogado MARCOS ROBERTO MONTEIRO é responsável pelo "alaranjamento" do quadro societário e pela criação de diversos CNPJs fraudulentos e que aparecem como supostos “fornecedores” na presente fraude. 5.9. Na diligência realizada na sede da empresa ICA COMERCIO, foram retidas para análise as papeletas de recebimento referentes ao recebimento de mercadorias relativas ao ano de 2015. Embora de ano distinto do período focado, serviu comprovar que as notas fiscais recebidas são discrepantes em relação às mercadorias efetivamente recebidas e que são registradas em tais papeletas de recebimento. A fiscalização registrou todas as informações das papeletas retidas para verificação e conciliação com as notas fiscais recebidas em 2015, donde conclui: Fl. 15191DF CARF MF 8 (...) 5.10. No tópico 4. DO USO DE NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS (ENTRADAS), a auditoria fiscal relata a improcedência das notas fiscais recebidas (entradas) pelo GRUPO ICA. Parte dos fornecedores foi fiscalizada e há referência aos respectivos autos de infração (processos), onde são demonstrados "a constituição fraudulenta do CNPJ, a inexistência de fato do CNPJ, o modus operandi, o quadro societário fraudulento, os reais controladores do CNPJ e o fluxo financeiro na conta bancária do CNPJ". Continua seu relatório: (...) Conclui: "Demonstraremos que a improcedência das notas fiscais é generalizada, e não se resume a um ou outro caso pontual. Os elementos demonstram que não existe a chamada “boafé” pelo GRUPO ICA. Ao contrário, verificamos que as notas fiscais relatam operações fictícias com o objetivo de “inflarem” os custos do GRUPO ICA, bem como de gerarem créditos tributários (IPI, PIS e COFINS) indevidos. Tal fraude apenas conseguiu ser implementada com a participação dolosa dos respectivos contadores EVERALDO, ROBERTO e CARLOS que entregavam à Receita Federal as declarações dos CNPJs zeradas ou com informações sem as respectivas formalidades mínimas inerentes à função, por exemplo, a conciliação entre as notas fiscais emitidas e a movimentação financeira." (grifos nossos) 5.10.1. Foram identificados 11 CNPJs constituídos fraudulentamente para a prática de diversos ilícitos, constituindo o denominado GRUPO VILA ALPINA. Estes CNPJ foram objeto de outras fiscalizações. Dentre os ilícitos apurados, o principal foi a emissão de notas fiscais inidôneas para terceiros, constando como um dos principais recebedores de tais notas fiscais inidôneas o GRUPO ICA e o GRUPO RNA. Os CNPJ fraudulentos foram denominados de NOTEIRAS, ofereciam seus serviços “vendendo” notas fiscais inidôneas, além de se aproveitarem das contas bancárias de tais CNPJs para realizarem operações ilícitas. 5.10.2. "Entre estes 11 CNPJs, estão os seguintes supostos fornecedores do GRUPO ICA, e que emitem notas fiscais em valores expressivos com ínfimo recolhimento de tributos, em 2013 e 2014. Também indicamos na tabela o valor total das notas fiscais recebidas pelo GRUPO ICA que totalizam o astronômico valor de R$ 114.024.632,06:" (...) 5.10.3. "O GRUPO VILA ALPINA, por meios dos CNPJs fraudulentos sob seu controle, era uma fábrica de créditos tributários de IPI, PIS e COFINS para o GRUPO ICA, além do relatado aumento doloso dos custos do GRUPO ICA para reduzir o IRPJ e a CSLL."..." A análise das NCMs utilizadas revela a absoluta incompatibilidade e improcedência das notas fiscais com a realidade dos fatos constatada pelos Auditores Fiscais da Receita Federal na diligência realizada na ICA LIGAS e na ICA COMERCIO em 21/09/2016. No quadro abaixo, Fl. 15192DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.189 9 transcrevemos as NCMs mais relevantes. Fica evidente o intuito doloso e a má fé do GRUPO ICA." (...) 5.10.4. "Vejamos, dos R$ 114.024.632,06 supostamente recebidos pelo GRUPO ICA, referentes às noteiras do GRUPO VILA ALPINA, temos que R$ 31.746.133,40 são LINGOTES DE ALUMÍNIO (NCM 7601.2000) que é o principal produto fabricado pelo GRUPO ICA a partir da sucata de alumínio (7602.0000)." 5.10.5. Relata que nas diligências realizadas o GRUPO ICA recebe majoritariamente SUCATA DE ALUMÍNIO, e não LINGOTES DE ALUMÍNIO, conforme comprovado pelas papeletas de recebimento e por provas testemunhais. A pequena quantidade de lingotes de alumínio é adquirida quase que totalmente (90% a 95%) da CBA – COMPANHIA BRASILEIRA DE ALUMINIO (CNPJ 61.409.892/000335). O montante no período foi de R$ 3.513.342,46, enquanto que o total faturado pelas NOTEIRAS foi de R$ 31.746.133,40, o que demonstra a invalidade das notas emitidas. 5.10.6. "Ocorre que a SUCATA DE ALUMÍNIO não gera crédito de IPI, PIS e COFINS. Propositalmente, o contribuinte incluiu as notas fiscais emitidas pelas noteiras do GRUPO VILA ALPINA, e ainda com NCMs geradoras de créditos, comprovando o dolo e a intenção de se atingir o resultado almejado, qual seja, a redução dolosa de tributos mediante fraude. Aliás, as notas fiscais emitidas pelas noteiras do GRUPO VILA ALPINA relatam NCMs de produtos já industrializados e não de SUCATA DE ALUMÍNIO. O contribuinte é uma indústria que adquire SUCATA DE ALUMÍNIO (não tributados) para transformála em LINGOTES DE ALUMÍNIO (tributados), entretanto, diferentemente da realidade dos fatos, os documentos fiscais não relatam operações com SUCATAS DE ALUMÍNIO. " 5.10.7. Do montante supostamente adquirido, R$ 114.024.632,06, apenas R$ 562.500,00 referemse a sucata de alumínio, o que é incompatível com uma indústria que se destina á transformação de sucata de alumínio em lingotes de alumínio. Além disso, a suposta quantidade de adquirida, 21.000 toneladas, é exorbitante diante da capacidade industrial (20.000 toneladas por ano).o que seria facilmente percebido pelos empregados, porém, ocorreu o contrário: foi relatado que quase a totalidade de material recebido é de SUCATA DE ALUMÍNIO e não LINGOTE DE ALUMÍNIO, pequeno porcentual. 5.10.8. "O GRUPO VILA ALPINA era capitaneado pela empresa SAVA COMERCIO DE METAIS LTDA – EPP, CNPJ 04.600.868/000183, grande fornecedora de sucata de alumínio no mercado. ALICE PANGOS PASSOS, CPF 030.465.828 62, e IVONE APARECIDA MONTEIRO DE MORAES, CPF 011.812.19876, eram as sócias e controladoras da empresa. Os principais operadores, e diretamente vinculados aos CNPJs fraudulentos, eram ROBSON RABELO DA SILVA, CPF Fl. 15193DF CARF MF 10 296.574.49839, e ZENILDA ANTUNES, CPF 156.378.908 62." 5.10.9. Na diligência realizada, com exceção de IRINEU, ninguém conhecia as noteiras NEWSIRON, KIMETAL, MALBEC, OURO VERDE, MORMET e HRMAX10, conforme os seguintes Termos de Declaração coletados. Sobre as noteiras, o IRINEU declarou que "comprou desta empresa, mas que nunca visitou tal empresa. Questionado sobre com quem negociava nesta empresa, informou que seria um corretor de nome ROBSON (não sabe informar o sobrenome)". 5.10.10. "Os AuditoresFiscais da Receita Federal constataram que o GRUPO ICA se utilizou dolosamente das notas fiscais inidôneas emitidas pela NEWSIRON, KIMETAL, MALBEC, OURO VERDE, MORMET e HRMAX10 em sua contabilidade com o objetivo de obter créditos fiscais indevidos de IPI, PIS e COFINS, bem como de “inflar” seus custos para reduzir seu lucro, e por via de consequência, reduzir também o IRPJ". Diante disso foram apuradas as infrações: a) Glosa das notas fiscais emitidas pelos CNPJs fraudulentos NEWSIRON, KIMETAL, MALBEC, OURO VERDE, MORMET e HRMAX10 à ICA –LIGAS e à ICA – RIO; b) Aplicação de IRRF (art. 61 da Lei 8.981/95, de 20 de janeiro de 1.995) pelos pagamentos sem causa em relação aos pagamentos indicados pelo próprio contribuinte como sendo supostamente realizados às noteiras NEWSIRON, KIMETAL, MALBEC, OURO VERDE, MORMET e HRMAX10. c) Aplicação de multa regulamentar (inciso II, art. 572, Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2.010) pelo recebimento e registro em contabilidade, em proveito próprio, de notas fiscais que relatem operações fictícias. 5.10.11. "Houve a emissão de R$ 114.024.632,06 em notas fiscais emitidas pelas noteiras do GRUPO VILA ALPINA e o GRUPO ICA remeteu apenas R$ 981.562,23, ou seja, menos do que 1% do valor supostamente transacionado. São inúmeros e devastadores os elementos que demonstram a improcedência de tais notas fiscais. O fato é extremamente grave. Obviamente que aqui estamos perante uma situação dolosa de alguém que busca o resultado almejado." 5.10.12. "(...)há caracterização de má fé do contribuinte na diferença das respostas apresentadas quando do TIF 04 ICA LIGAS em relação à resposta ao TIF 12 – ICA LIGAS. Houve tentativa de burla ao Fisco nas respostas apresentadas pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal." 5.10.13. É relatado especificamente o modus operandi do esquema fraudulento referente às seguintes empresas do GRUPO VILA ALPINA: a) NEWSIRON Comércio Atacadista de Metais Ltda (CNPJ 13.458.106/000185); b) KIMETAL Comercial de Metais Ltda ME (CNPJ 07.438.717/000169); c) OURO VERDE Comercio de Residuos e Sucatas de Metais Ltda (CNPJ 12.625.750/000138); d) HRMAX10 Comercio de Metais Ltda – ME (CNPJ 13.411.445/000106); e) Fl. 15194DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.190 11 MORMET Industria e Comercio de Metais Ltda – EPP, CNPJ 10.979.594/0001 88; f) MALBEC Comercial Ltda ME (CNPJ 74.382.862/000162). 5.10.14. Em linhas gerais, o esquema consistia em: a) as empresas fraudulentas (NOTEIRAS) emitiam notas fiscais em favor do GRUPO ICA, que obtinha créditos tributários indevidos e aumentava seus custos; b) o GRUPO ICA pagava, em média, apenas 1% a 1,5% do valor de face das notas fiscais recebidas. 5.10.15. No procedimento fiscal ficou constatado: a) as empresas não existiam de fato, possuindo quadro societário formado por interpostas pessoas, tendo sido criadas apenas com o intuito fraudulento; b) o contribuinte informou que "a entrega das mercadorias foi realizada em veículo do vendedor, que os pedidos foram verbais, que não havia contrato, que não havia orçamento prévio, que o fornecedor não foi visitado e que o responsável pelas compras foi IRINEU PERETTO JUNIOR, controlador do GRUPO ICA."; c) em relação ao pagamentos, o contribuinte aglutinou e indicou aleatoriamente diversos cheques e transferências para justificar o pagamento das notas fiscais, com datas inverossímeis e destinatários divergentes, fato constatado mediante análise das informações obtidas junto às instituições bancárias; d) houve também a indicação de cheques para pagamentos de mais e uma nota fiscal; e) a má fé do contribuinte ao tentar enganar a fiscalização apresentando respostas às intimações divergentes entre si e entre as fornecidas ao fisco estadual; f) na contabilidade, os pagamentos efetuados aos fornecedores não eram individualizados, sendo efetuado lançamentos genéricos ao final dos meses. 5.10.16. Foram baixados de ofício no CNPJ as empresas e declaradas inidôneas notas fiscais emitidas: a) NEWSIRON Comércio Atacadista de Metais Ltda (CNPJ 13.458.106/000185 – Processo nº 16095.720076/201659); b) KIMETAL Comercial de Metais Ltda ME (CNPJ 07.438.717/000169 – Processo nº 16095.720073/201615); c) OURO VERDE Comercio de Residuos e Sucatas de Metais Ltda (CNPJ 12.625.750/000138 – Processo nº 16095.720077/201601); d) HRMAX10 Comercio de Metais Ltda – ME (CNPJ 13.411.445/000106 –Processo nº 16095.720072/201671); e) MORMET Industria e Comercio de Metais Ltda – EPP (CNPJ 10.979.594/000188 – Processo nº 16095.720075/2016 12); f) MALBEC Comercial Ltda ME (CNPJ 74.382.862/000162 – Processo nº 16095.720074/2016 60). 5.10.17. Em procedimento de fiscalização procedido pela SEFAZSP na ICALIGAS, concluise que os seguintes CNPJ foram constituídos e utilizados exclusivamente para fraudes, uma vez que as empresas não teriam existido de fato, simulando operações a fim de transferir, indevidamente, créditos de imposto a contribuintes paulistas: a) NEWSIRON Comércio Atacadista de Metais Ltda (CNPJ 13.458.106/000185); b) Fl. 15195DF CARF MF 12 5.10.18. No cadastro da SEFAZSP, os CNPJ a seguir constam com a situação cadastral NULA: a) KIMETAL Comercial de Metais Ltda ME (CNPJ 07.438.717/000169); b) OURO VERDE Comercio de Residuos e Sucatas de Metais Ltda (CNPJ 12.625.750/000138); c) HRMAX10 Comercio de Metais Ltda– ME (CNPJ 13.411.445/000106); d) MORMET Industria e Comercio de Metais Ltda – EPP (CNPJ 10.979.594/000188). A MALBEC Comercial Ltda ME (CNPJ 74.382.862/000162) consta como a situação cadastral SUSPENSA. 5.10.19. Foram apurados os seguintes valores, por CNPJ, referentes às infrações: a) operações fictícias, que foram introduzidas dolosamente na contabilidade do GRUPO ICA; b) IRRF por pagamento sem causa, cheques/transferências desamparados de lastro documental: (...) 5.10.20. Foi identificado o grupo empresarial (Grupo MRM) comandado pelo advogado tributarista MARCOS ROBERTO MONTEIRO, CPF 118.038.69810, que além de seus labores jurídicos, constituiu, com habitualidade, CNPJs fraudulentos e responsáveis pela emissão de notas fiscais que relatam operações fictícias, entre os quais, os seguintes supostos “fornecedores” do GRUPO ICA, com os respectivos valores em notas fiscais emitidas: (...) 5.10.21. "O advogado MARCOS ROBERTO MONTEIRO, IRINEU (controlador do GRUPO ICA), HENRIQUE (controlador do GRUPO RNA) e EVERALDO (contador do GRUPO RNA, GRUPO ICA e da noteira IG COMERCIAL) se conhecem de longa data." (...) "Enfim, estes quatro senhores participaram ativamente, e em conluio em desfavor dos interesses da Fazenda Nacional, por meio da reunião de suas habilidades na área empresarial, jurídica e contábil." 5.10.22. "No material retido na diligência realizada em 21/09 na sede da ICA COMERCIO, foram encontradas planilhas que comprovam em absoluto que MARCOS ROBERTO MONTEIRO recebia um porcentual sobre o valor de notas fiscais inidôneas emitidas por suas noteiras. As planilhas são autoexplicativas, e possuem até o número das notas fiscais, bem como os comprovantes de pagamentos pela “venda” das notas fiscais que relatam operações fictícias.". Havia um tipo de conta de créditos e débitos entre MARCOS e o GRUPO ICA. O percentual recebido por MARCOS pela emissão das notas fiscais variava entre 1% e 1,5% do valor de face da nota. 5.10.23. Assim como o GRUPO VILA ALPINA, o GRUPO MRM emitiu notas fiscais inidôneas para terceiros, constando como uns dos principais recebedores de tais notas fiscais inidôneas o GRUPO ICA e o GRUPO RNA. É relatado especificamente o modus operandi do esquema fraudulento referente às seguintes Fl. 15196DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.191 13 empresas do GRUPO MRM: a) IG Comercial e Distribuidora Ltda – ME (CNPJ 07.573.570/000110); b) METALPAPER Indústria, Comércio, Importação, Exportação de Papel e Metais Ltda – EPP (CNPJ 67.973.222/000161); c) C.S.I Comércio de Metais e Equipamentos Industriais EIRELI – EPP (CNPJ 64.858.277/000132); d) AZA Papéis e Produtos Metálicos Ltda – EPP (CNPJ 10.434.365/000188). 5.10.24. No procedimento fiscal ficou constatado: a) o contribuinte informou que "a entrega das mercadorias foi realizada em veículo do vendedor, que os pedidos foram verbais, que não havia contrato, que não havia orçamento prévio, que o fornecedor não foi visitado e que o responsável pelas compras foi IRINEU PERETTO JUNIOR, controlador do GRUPO ICA."; b) em relação aos pagamentos, o contribuinte seguiu o mesmo comportamento apresentado em relação ao GRUPO VILA ALPINA, aglutinou e indicou aleatoriamente diversos cheques e transferências para justificar o pagamento das notas fiscais, com datas inverossímeis e destinatários divergentes, fato constatado mediante análise das informações obtidas junto às instituições bancárias. 5.10.25. Foram apurados os seguintes valores, por CNPJ, sobre o GRUPO MRM referentes às infrações: a) operações fictícias, que foram introduzidas dolosamente na contabilidade do GRUPO ICA; b) IRRF por pagamento sem causa, cheques/transferências desamparados de lastro documental: (...) 5.10.26. "O GRUPO RNA é constituído pela empresa RNA RECUPERADORA NACIONAL DE ALUMINIO INDUSTRIA E COMERCIO LTDA (CNPJ 68.311.182/000155), que emitiu R$ 66.631.771,40 em valor consolidado de notas fiscais à ICA LIGAS, e a empresa RNA COMERCIO DE METAIS LTDA, CNPJ 09.154.708/000171, que emitiu R$ 84.960,00 em valor consolidado de notas fiscais à ICA LIGAS, nos anos de 2013 e 2014, totalizando um valor de R$ 66.716.731,40." (...) "Um dos controladores do GRUPO RNA é HENRIQUE LUIS FONSECA DE MENESES, CPF 021.551.38865, que possui vínculo familiar direto com o controlador do GRUPO ICA que é IRINEU." Foi constatado pela fiscalização que o GRUPO RNA se dedicava, entre outras atividades, à compra e venda de notas fiscais. 5.10.27. Intimado a comprovar os pagamentos realizados ao GRUPO RNA, "o contribuinte mais uma vez tenta justificar seus pagamentos indicando aleatoriamente e de forma desconexa com as notas fiscais emitidas, diversos meios de pagamento, inclusive duplicatas de venda." Após perícia realizada na conta bancária para identificação dos pagamentos destinados às contas bancárias do GRUPO RNA, a fiscalização concluiu: "Em resumo, para a comprovação do pagamento dos R$ 66.716.731,40, o contribuinte apresentou operações financeiras que somam apenas R$ 35.662.370,50, das quais, R$ Fl. 15197DF CARF MF 14 14.651.225,05 são transferências bancárias realizadas pelo próprio contribuinte a diversos terceiros. Repisamos, não são cheques. São transferências que conscientemente e deliberadamente, por sua conta e risco, o contribuinte transferiu recursos a terceiros. Foram desconsideradas as operações que somam R$ 3.264.126,67, conforme o quadro:" (...) 5.10.28. Foram apurados os seguintes valores sobre o GRUPO RNA referentes às infrações: a) operações fictícias, que foram introduzidas dolosamente na contabilidade do GRUPO ICA – R$ 66.716.731,40; b) IRRF por pagamento sem causa, cheques/transferências desamparados de lastro documental R$ 14.651.224,92. 5.10.29. A BELLAMETAIS DO BRASIL LTDA (CNPJ 96.393.087/000183) emitiu R$ 4.867.700,00 em valores consolidados de notas fiscais em nome da ICA LIGAS no ano de 2013. Em procedimento fiscal da SEFAZSP, a BELLAMETAIS teve sua inscrição declarada nula. A empresa foi intimada a apresentar os comprovantes de entrega das mercadorias, bem como os comprovantes de pagamentos, de todas as notas fiscais emitidas pela noteira BELLAMETAIS. Em resposta, mais uma vez, tentou justificar seus pagamentos indicando aleatoriamente e de forma desconexa com as notas fiscais emitidas. 5.10.30. Foram apurados os seguintes valores sobre a BELLAMETAIS referentes às infrações: a) operações fictícias, que foram introduzidas dolosamente na contabilidade do GRUPO ICA – R$ 4.867.700,00; b) IRRF por pagamento sem causa, cheques/transferências desamparados de lastro documental R$ 2.669.196,56. 5.11. No tópico 5. DAS OPERAÇÕES FICTÍCIAS COM SIMULAÇÃO DE PAGAMENTO, a auditoria fiscal relata a identificação de operações fictícias milionárias entre o GRUPO ICA e grandes indústrias do setor de alumínio e cobre: a) I.F.C. Indústria e Comércio de Condutores Elétricos Ltda (IFC) (CNPJ BÁSICO 02.544.042); b) LATASA Reciclagem S/A (GRUPO LATASA) (CNPJ BÁSICO 04.749.817); c) Indústria e Comércio de Ligas de Metais Minas Zinco Ltda (MINAS ZINCO) (CNPJ BÁSICO 12.602.151); d) C.S.I Comércio de Metais e Equipamentos Industriais EIRELI – EPP (CSI) (CNPJ 64.858.277/000132); e) AZA Papéis e Produtos Metálicos Ltda – EPP (AZA PAPEIS) (CNPJ 10.434.365/000188); 5.11.1. "No presente item, será exposto conjunto probatório que demonstra a simulação de operações mercantis de compra e venda de mercadorias, mas que na verdade revela um verdadeiro mercado de compra e venda de notas fiscais. Para fins tributários, é importantíssimo expurgar do faturamento do GRUPO ICA tais notas fiscais emitidas, pois afetará abruptamente a RECEITA BRUTA CONHECIDA a ser utilizada para fins de ARBITRAMENTO." Fl. 15198DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.192 15 5.11.2. " A emissão e recebimento de notas fiscais pelo GRUPO ICA, no que tange às operações tratadas no presente item, não se sustentam sob a perspectiva produtiva das fábricas. Emitir notas fiscais que relatam operações fictícias e simular pagamentos para lastreálas, e assim burlar o Fisco, virou um negócio lucrativo, encortinado pela produção de LINGOTES DE ALUMÍNIO, que acaba proporcionando um lastro de credibilidade às suas notas fiscais. Como veremos, o GRUPO ICA possui dois core business, um lícito (produção de lingotes de alumínio) e outro ilícito (venda de notas fiscais)." 5.11.3. Em relação do GRUPO LATASA, houve procedimento fiscal da SEFAZSP no qual se revelou fraude fiscal pelo grupo denominado naquele órgão de GRUPO INBRA, e que neste TVF foi denomindo de GRUPO LATASA. As autoridades fazendárias estaduais tratam da empresa CHANCELLER que seria constituída e atuaria em nome de tal organização. 5.11.4. Relata a auditoria fiscal que o volume de mercadorias remetidas pelo GRUPO LATASA (21.492.152,97 kg) é maior que a própria capacidade anual de produção do GRUPO ICA (20.000.000 Kg). "Em apertada síntese, temos que o GRUPO ICA recebe R$ 102.594.383,46 e envia R$ 100.002.713,69 em valores de mercadorias, uma diferença de 2,52%, em que pese receber majoritariamente SUCATA (não tributada) e enviar majoritariamente ALUMINIO GRANULADO (tributado para fins de IPI, PIS e COFINS), gerando débitos tributários para o GRUPO ICA." 5.11.5. A auditoria constatou que: a) o GRUPO ICA obteve um ganho líquido pela “venda das notas fiscais” ao GRUPO LATASA nestas operações de 3%; b) havia um fluxo de recursos financeiros que circulavam da LATASA para a ICA –LIGAS e RNA – RECUPERADORA e retornava para a LATASA; c) nas declarações de vários funcionários, a LATASA pouco participava do processo produtivo e fluxo de emissão de notas fiscais partia diretamente do Sr. IRINEU. 5.11.6. "Portanto, o conjunto comprobatório constituído é harmônico e consistente. Sob a perspectiva produtiva, o valor de 21.492.152,97 kg é absolutamente incompatível com a capacidade das fábricas instaladas, sob a perspectiva econômica, a atividade constante das notas fiscais se integralmente ocorrida geraria um grande prejuízo ao GRUPO ICA, sob a perspectiva financeira, constatamos que o GRUPO ICA tem um ganho líquido com as operações de “venda de nota fiscal” com o GRUPO LATASA, sob a perspectiva fática, os funcionários desconhecem tal virtuoso volume de operações mercantis com o GRUPO LATASA e sob a perspectiva da rotina de emissão de notas fiscais, MARILDA relata que as notas fiscais são emitidas a pedido de IRINEU e não do “chão de fábrica”." 5.11.7. Conclui: "Não há outra conclusão, as notas fiscais emitidas pelo GRUPO ICA para as empresas do GRUPO LATASA, em valor consolidado de Fl. 15199DF CARF MF 16 R$ 102.594.383,75), que corresponde a quase 25% do faturamento do GRUPO ICA, em 2013 e 2014, relatam operações fictícias e serão expurgadas na RECEITA BRUTA CONHECIDA. Serão consideradas inidôneas tanto as notas fiscais emitidas, quanto as notas fiscais do GRUPO RNA e do GRUPO LATASA recebidas pelo GRUPO ICA." 5.11.8. Em relação à MINAS ZINCO, assim como à LATASA, a auditoria fiscal constatou que as notas fiscais relatam operações fictícias, num montante de R$ 41.164.383,13. O mesmo esquema de simulação de pagamentos existente entre a LATASA, ICA – LIGAS e RNA – RECUPERADORA, existia entre MINAS ZINCO, ICA – LIGAS e RNA – RECUPERADORA. 5.11.9. Conclui a auditoria fiscal: "as notas fiscais emitidas pelo GRUPO ICA em nome da MINAS ZINCO, com valor consolidado de R$ 41.164.383,00, em 2013 e 2014, relatam operações fictícias e serão expurgadas na RECEITA BRUTA CONHECIDA. Serão consideradas inidôneas tanto as notas fiscais emitidas, quanto as notas fiscais do GRUPO RNA recebidas pelo GRUPO ICA para a perpetração da presente simulação." 5.11.10. A empresa I.F.C. Indústria e Comércio de Condutores Elétricos Ltda (CNPJ 02.544.042/000119), fabricante de fios, cabos e condutores elétricos de cobre, é o segundo maior fornecedor do GRUPO ICA, com valor em notas fiscais de R$ 75.026.536,01. De acordo com as notas fiscais, o GRUPO ICA adquiriu vergalhão de cobre 8mm (R$ 72.304.764,85) e fio de cobre mole (R$ 2.721.771,16). Tais aquisições são completamente atípicas, uma vez que os produtos já são industrializados. De acordo com os documentos e as declarações colhidas no curso da ação fiscal, o GRUPO ICA "adquire" os vergalhões da ICA, usaos como sucata de cobre, processaos e vendeos como vergalhões e fios novamente, num processo produtivo totalmente sem sentido onde há regressão industrial. De acordo com as notas fiscais, o ICA comprou mercadorias da IFC e, em seguida, vendeuas à IFC novamente. 5.11.11. Também ocorreu o esquema de simulação de pagamentos, onde havia um fluxo de recursos financeiros que circulavam da IFC para a EXTRA LIGAS, desta para a IGA LIGAS e retornava para a IFC. A EXTRA LIGAS, por sua vez, é uma noteira responsável pela emissão de milhões em valores de notas fiscais inidôneas. No cadastro da SEFAZSP consta na situação NULO pela ocorrência de "Simulação de existência do estabelecimento ou da empresa". 5.11.12. Em conclusão: "As notas fiscais emitidas pela IFC em nome da ICA LIGAS, com valor consolidado de R$ 75.026.536,01, em 2014, relatam operações fictícias. Considerando que os recebimentos oriundos da EXTRA LIGAS no valor de R$ 60.155.000,00 não representam RECEITA, mas meros repasses financeiros para a simulação do pagamento à IFC, os mesmos não serão considerados como RECEITA OMITIDA." Fl. 15200DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.193 17 5.11.13. A AZA Papéis e Produtos Metálicos Ltda – EPP (CNPJ 10.434.365/000188) foi destinatária de notas fiscais emitidas pela ICA LIGAS (R$ 7.030.008,57) e ICA COMERCIO (R$ 225.000,00). A AZA PAPEIS e CSI são CNPJs controlados por MARCOS ROBERTO. A AZA PAPEIS e CSI eram utilizadas para acertos e pagamentos pela “compra” das notas fiscais inidôneas emitidas pelos CNPJs fraudulentos de MARCOS ROBERTO MONTEIRO. "A demonstração sobre a falsidade das operações mercantis é simples e objetiva. O GRUPO ICA se utilizava de inusitado modus operandi. O GRUPO ICA emitia boletos em nome da AZA PAPEIS, como se o GRUPO ICA tivesse vendido mercadoria, mas o próprio GRUPO ICA pagava tais boletos.". 5.11.14. A C.S.I Comércio de Metais e Equipamentos Industriais EIRELI – EPP (CNPJ 64.858.277/000132) foi destinatária de notas fiscais emitidas pela ICA LIGAS (R$ 6.718.808,55) e ICA COMERCIO (R$ 168.330,80). A utilização e modus operandi da CSI eram os mesmos da AZA PAPEIS, qual seja, a ICA LIGAS emite os boletos que ela mesmo paga. 5.12. Após a exposição dos itens “4 – DO USO DE NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS (ENTRADAS) ” e “5 – DAS OPERAÇÕES FICTÍCIAS COM SIMULAÇÃO DE PAGAMENTO”, é apresentado os seguintes resumos referentes as operações comprovadamente fictícias realizadas pelo GRUPO ICA, nas ENTRADAS (anexos 171 a 190) e SAÍDAS (anexos 191 a 202), em 2013 e 2014: (...) 5.13. No item "7 CRÉDITOS FISCAIS INDEVIDAMENTE GERADOS AO GRUPO ICA" são apresentados os créditos indevidos de IPI, PIS e COFINS gerados em favor do GRUPO ICA, nos anos de 2013 e 2014, em decorrência das operações fictícias de entrada (R$ 421.400.948,16). O total de crédito indevido foi de R$ 33.857.079,11, conforme quadro abaixo: (...) 5.14. Diante dos créditos gerados, "os contadores ROBERTO LEITE, CPF 099.541.85860, EVERALDO DE CARVALHO GOMES, CPF 805.034.54915, e CARLOS DONIZETI LEITE, CPF 073.409.22881, da empresa ACESP AUDITORIA E CONTABILIDADE LTDA. – ME, CNPJ 01.378.226/000193, passavam a protocolar PERDCOMPs junto à Receita Federal para solicitar ressarcimentos pelos supostos tributos ora pagos por meio das notas fiscais.". Os contadores receberam em torno de 2,5% dos perdcomps transmitidos. Foi efetuada representação fiscal sobre os fatos apurados e os pedidos de ressarcimentos restaram indeferidos: R$ 16.327.172,71 da ICA LIGAS e R$ 391.251,59 da ICA COMERCIO. 5.15. A auditoria fiscal considerou a contabilidade imprestável em virtude de: a) confusão patrimonial, como por exemplo "as notas fiscais não relatam operações dos respectivos CNPJs Fl. 15201DF CARF MF 18 emitentes das mesmas, por exemplo, as notas fiscais da ICA RIO, ou mesmo as notas fiscais emitidas pela ICA LIGAS que majoritariamente abrangem mercadorias que saíram de fato da principal planta industrial, qual seja, da ICA COMÉRCIO"; b) existência de "graves irregularidades na escrituração contábil, expressamente proibidos pela legislação, mas necessários para a implementação da fraude fiscal ora representada." 5.15.1. A ICA RIO, tributada pelo Lucro Real em 2013, não apresentou ECD em 2013 e 2014. 5.15.2. A ICA COMERCIO, também tributada pelo Lucro Real, apresentou Livro Diário referente ao ano de 2013 em desconformidade com a IN/RFB nº 86/2001. Para o ano de 2014 foi apresentada ECD ao SPED, porém zerada, sem lançamentos contábeis. Destacouse "os lançamentos relativos às aquisições da empresa NOVELIS e da RR METAIS, que como vimos foram pagos com recursos da conta bancária da ICA LIGAS, e as supostas receitas pela prestação de serviços à ICA LIGAS nos valores mensais de R$ 150.000,00". 5.15.3. A ICA LIGAS entregou a ECD 2013 e ECD 2014, livros principais e auxiliares por meio do SPED. A ICA LIGAS centralizava as operações financeiras e de emissão de notas fiscais do GRUPO ICA, em divergência com suas operações de fato, e, por via de consequência, com os fatos geradores de tributos. Foram encontrados vícios na escrituração contábil para a perpetração das fraudes, promovidos "ardilosamente e propositalmente pelos contadores EVERALDO DE CARVALHO GOMES e CARLOS DONIZETI GOMES, que assinaram a contabilidade". A ECD 2013 foi entregue de forma resumida (R), porém, sem a apresentação dos livros auxiliares (A), exigidos pela legislação, inviabilizando a sua perfeita compreensão. Mesmo intimado, não sanou a falha. A ECD 2014 foi apresentada no tipo G, sem lançamentos, e substituída pelo tipo A (auxiliar), mas sem apresentação correspondente tipo R (resumida). A Auxiliar contém apenas algumas contas e não contém qualquer lançamento relativo às transferências financeiras da empresa em 2014. Por esses motivos, a contabilidade foi considerada imprestável. 5.16. Procedeuse à apuração do IRPJ e CSLL pelo Lucro Arbitrado, em decorrência das diversas situações constatadas na ação fiscal que levaram a considerar a contabilidade imprestável. Assim resumiu a fiscalização, expondo que: (...) 5.16.1. O cálculo da RECEITA BRUTA CONHECIDA do GRUPO ICA foi feito a partir das notas fiscais emitidas pela ICA – COMERCIO, pela ICA – LIGAS e pela ICA RIO, e expurgadas as notas fiscais que relatam operações fictícias identificadas no Fl. 15202DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.194 19 TVF. A alíquota de apuração da base de cálculo é 8%, acrescida de 20% em função do arbitramento. 5.16.2. "Na tabela a seguir, consolidamos os valores de todas as notas fiscais emitidas pela ICA – COMERCIO (ANEXO 208 e 209), ICA LIGAS (ANEXO 210 e 211) e ICA RIO (ANEXO 212 e 213), abrangendo apenas CFOPs de venda, com exclusão das notas canceladas ou de simples remessa:" (...) 5.16.3. "Considerando as razões expostas no presente Termo de Verificação Fiscal, os três CNPJs serão aglutinados de forma a obter uma RECEITA BRUTA CONHECIDA, avocada à ICA COMERCIO que é o CNPJ principal e que permanecerá ativo. Os demais serão representados para baixa de ofício. Logo, operações entre os CNPJs do GRUPO ICA devem ser expurgadas da RECEITA BRUTA CONHECIDA, pois não representam operações mercantis." (...) 5.16.4. "Em seguida, expurgamos as notas fiscais emitidas pelo GRUPO ICA que relatam operações fictícias e que foram emitidas para o GRUPO LATASA (LATASA, INBRA e CHANCELER), MINAS ZINCO e GRUPO MRM (CSI e AZA PAPEIS):" (...) 5.16.5. "Portanto, por meio deste memorial de cálculo chegamos ao valor de RECEITA BRUTA CONHECIDA de R$ 118.231.350,85 em 2013, e R$ 143.741.368,40 em 2014 para a ICA COMERCIO. Na tabela a seguir, procedemos à apuração mensal de tais valores, constantes dos demonstrativos de cálculo do Auto de Infração:" (...) 5.17. Para a apuração do PIS / COFINS, foi adotado o regime de tributação cumulativo, aplicável no caso de arbitramento do lucro. Conforme já exposto, concluiu a fiscalização que o faturamento avocado à ICA COMERCIO foi de R$ 118.231.350,85 em 2013, e R$ 143.741.368,40 em 2014. 5.18. Foi aplicada a multa de ofício qualificada (150%). A fiscalização constatou a existência de "uma organização que se utiliza de interpostas pessoas físicas e jurídicas para realizar fraudes não somente contra o Fisco Federal, mas também contra o Sistema Tributário Nacional. Em tese, é uma organização criminosa (lei nº 12.850, de 2 de agosto de 2013), que inclusive interage com outras organizações (GRUPO VILA ALPINA, FRUPO MRM e GRUPO RNA) para se utilizar das notas fiscais inidôneas emitidas por um sem números de CNPJs fraudulentos e assim poder dar lastro fiscal às mercadorias adquiridas de terceiras pessoas físicas e jurídicas sem nota fiscal, além de Fl. 15203DF CARF MF 20 utilizar os créditos gerados para protocolar PERDCOMPs visando o ressarcimento junto à Receita Federal." 5.18.1. Foi constatado ainda: a) trânsito de mercadorias desacompanhadas de notas fiscais; b) utilização de notas fiscais inidôneas (emitidas pelas NOTEIRAS), mediante a "compra" por 1% ou 1,5% do seu valor de face; c) emissão pelo GRUPO ICA de notas fiscais para operações fictícias, mediante a "venda" por 3% do seu valor de face; d) as fábricas do GRUPO ICA não teriam capacidade operacional para produzir tão expressivo volume de LINGOTES DE ALUMÍNIO nos anos de 2013 e 2014. 5.18.2. "O GRUPO ICA, bem como dos contadores e controladores das NOTEIRAS, possuíam absoluta ciência dos fatos narrados no presente Termo de Verificação Fiscal. Em relação aos contadores, os elementos são gritantes, pois recebiam um percentual do valor de crédito protocolado por meio dos PERDCOMPs, além de serem também contadores de algumas NOTEIRAS (GRUPO RNA e IG COMERCIAL)". 5.18.3. A fiscalização concluiu pela qualificação da multa em virtude da ocorrência dolosa de SONEGAÇÃO, FRAUDE e CONLUIO, nos termos da legislação de regência, § 1º inciso I, art. 44, da Lei nº. 9.430, de 27/12/1996. Expõe resumidamente os casos em que ocorrem cada uma das hipóteses legais: (...) 5.19. Foi aplicada a multa regulamentar, constante do inciso II, do art. 572 do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, nos casos relatados no TVF nos quais houve o recebimento pelo GRUPO ICA de notas fiscais que relatam operações fictícias, bem como nos casos nos quais houve a emissão de notas fiscais que relatam operações fictícias pelo GRUPO ICA. "A legislação aplica penalidade gravíssima a estes dois comportamentos: 1. UTILIZAREM, RECEBEREM ou REGISTRAREM notas fiscais que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente em proveito próprio. 2. EMITIREM notas fiscais que corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente. " 5.19.1. Foram identificados os seguintes valores consolidados de notas fiscais recebidas e registradas pelas empresas do GRUPO ICA e que relatam operações fictícias (anexos 171 a 190): (...) 5.19.2. Foram identificados os seguintes valores consolidados de notas fiscais emitidas pelas empresas do GRUPO ICA e que relatam operações fictícias (anexos 191 a 202): (...) 5.19.3. "Na tabela a seguir, procedemos à apuração mensal dos valores consolidados das notas fiscais RECEBIDAS e EMITIDAS pelo GRUPO ICA, constantes dos demonstrativos de cálculo do Auto de Infração, bem como dos ANEXO 219, ANEXO 220 e ANEXO 221:" (...) Fl. 15204DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.195 21 5.20. A fiscalização constatou diversos pagamentos realizados a terceiros e sem documentação instrutiva. "O próprio contribuinte indicou pagamentos vinculados a notas fiscais que relatam operações fictícias. Ora, se as notas fiscais relatam operações fictícias, por via de consequência, tais pagamentos realizados a TERCEIROS estão desamparados de documentação regular." Houve a comprovação por parte da autoridade fiscal do efetivo pagamento, pois o próprio contribuinte indiciou os pagamentos e a equipe fiscal os validou na conta bancária do contribuinte. Consolida em tabela os valores de pagamentos sem causa (anexos 226 a 248) e destaca trechos de termos de declarações. 5.20.1. "No total, identificamos R$ 33.180.695,16 (R$ 28.821.720,46 + R$ 4.358.974,70) em pagamentos realizados a terceiros sem causa ou documentação instrutiva lícita entregue ao Fisco. Todos os pagamentos foram individualizados e constam do ANEXO 249." Os valores totalizados mês a mês foram: (...) 5.21. A fiscalização apurou a sujeição passiva solidária, nos termos dos artigos 124 e 135 do CTN e art. 819 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, conforme abaixo: (...) 5.21.1. ICA RIO e ICA LIGAS – Por conclusão da própria configuração de grupo econômico, uma vez que para fins de lançamento foram consideraram os três CNPJs em conjunto. Configurado o INTERESSE COMUM na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal relativa ao IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IRRF e multa regulamentar, responsabilizadas as seguintes pessoas jurídicas com base no inciso I do art. 124 do CTN: ICA RIO METAIS INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. – ME, CNPJ 08.972.883/000103, e I.C.A. LIGAS DE ALUMINIO LTDA, CNPJ 04.749.817/000118. 5.21.2. IRINEU PERETTO JUNIOR, CPF 063.383.40845 – Foi constatada a participação ativa do controlador do GRUPO ICA nas fraudes perpetradas. É o principal beneficiário com amplos poderes de decisão sobre as situações fáticas ilícitas identificadas. Era IRINEU quem determinava a emissão das notas fiscais das operações fictícias, assumia o papel de "comprador" das mercadorias acobertadas por notas fiscais inidôneas e decidia a quem realizar as transferências bancárias. "É patente que IRINEU, MARCOS ROBERTO MONTEIRO, HENRIQUE (GRUPO RNA) e EVERALDO, trabalhavam rotineiramente na perpetração de fraudes fiscais". Houve "a prestação de informações falsas no curso do procedimento fiscal o que é uma INFRAÇÃO À LEI (inciso I, art. 1º da Lei 8.137 /1.990). Tal fato é gravíssimo e comprova o dolo das pessoas Fl. 15205DF CARF MF 22 físicas integrantes da organização. As informações falsas prestadas eram assinadas por IRINEU e por EVERALDO." Responsabilização com base no inciso I do art. 124 do CTN (INTERESSE COMUM) e com base no inciso III do art. 135 do CTN (INFRAÇÃO À LEI) pelos créditos ora apurados referentes IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IRRF e multa regulamentar. 5.21.3. MARILI ELISABETE MAINARDI PERETTO, CPF 157.690.75899 –Cônjuge de IRINEU, sob o regime de comunhão parcial de bens. Foi constatado que ela assinou diversos cheques para a aquisição de mercadorias e recebeu em 2013 e 2014 transferências bancárias num montante total de R$ 1.792.518,97. Responsabiliação com base no inciso I do art. 124 do CTN (INTERESSE COMUM). 5.21.4. SEASTERS PARTICIPACOES E EMPREENDIMENTOS LTDA (CNPJ 24.197.917/000196), MELISSA MAINARDI PERETTO (CPF 419.401.178 36) – O Sr. IRINEU, controlador do GRUPO ICA, se utilizou de suas filhas MELISSA e NATHALIA para blindar o seu principal bem, qual seja, o prédio da fábrica de lingotes de alumínio. Para tal simulou doação em dinheiro, a venda dos terrenos da fábrica para MELISSA e posterior criação da empresa SEASTERS com a integralização de participação através dos imóveis. Ficou caracterizada a falsidade ideológica, art. 299 do Código Penal, perpetrada por MELISSA, em prejuízo do Fisco, já que a empresa SEASTERS não existe, pois é um CNPJ constituído exclusivamente para abrigar a propriedade da fábrica da ICA COMERCIO. Não há de fato operações imobiliárias, mas condutas e simulações para blindar o patrimônio do GRUPO ICA. Fica caracterizada a INFRAÇÃO À LEI. Responsabilização de MELISSA MAINARDI PERETTO, CPF 419.401.178 36, e SEASTERS PARTICIPACOES E EMPREENDIMENTOS LTDA., CNPJ 24.197.917/000196, com base no inciso I do art. 124 do CTN (INTERESSE COMUM), e ainda MELISSA MAINARDI PERETTO com base no inciso II do art. 135 do CTN (INFRAÇÃO À LEI). 5.21.5. MEIRE YUMI KIMURA RANGEL, CPF 145.258.928 38 – Foi constatado que MEIRE era a responsável pelo setor financeiro do GRUPO ICA e possuía plena ciência das fraudes perpetradas. Juntamente com ESMERIA (secretária de MARCOS ROBERTO MONTEIRO, o chamado “Dr. Marcos”) tratavam diariamente da “conta corrente” mantida entre os Grupos ICA e MRM. Responsabilização com com base no inciso I do art. 124 do CTN (INTERESSE COMUM) e com base no inciso II do art. 135 do CTN (INFRAÇÃO À LEI) pelos créditos ora apurados referentes IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IRRF e multa regulamentar. 5.21.6. EDUARDO DA CRUZ, CPF 105.228.60893 – EDUARDO era o responsável pelo setor fiscal do GRUPO ICA e possuía plena ciência das fraudes fiscais, bem como domínio sobre as operações da ICA RIO. Emprestou seu nome a outro CNPJ controlado por MARCOS ROBERTO MONTEIRO e foi remunerado por isso. Responsabilização com base no inciso I do Fl. 15206DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.196 23 art. 124 do CTN (INTERESSE COMUM) e com base no inciso II do art. 135 do CTN (INFRAÇÃO À LEI) pelos créditos ora apurados referentes IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, IRRF e multa regulamentar. 5.21.7. EVERALDO DE CARVALHO GOMES (CPF 805.034.54915), ROBERTO LEITE (CPF 099.541.85860) e CARLOS DONIZETI LEITE (CPF 073.409.22881) – São os sócios da empresa de contabilidade ACESP. Foi constatada "a relação próxima entre EVERALDO, HENRIQUE, MARCOS ROBERTO MONTEIRO e IRINEU. EVERALDO era contador da IG COMERCIAL (noteira de MARCOS), da RNA – RECUPERADORA (CNPJ de HENRIQUE) e das empresas ICA COMERCIO e ICA LIGAS. ROBERTO LEITE era contador da RNA – COMERCIO." EVERALDO e CARLOS assinavam as contabilidades entregues ao Fisco. Os contadores tinham pleno domínio de toda a cadeia fraudulenta, tendo, inclusive, recebido um porcentual sobre os créditos gerados pelas notas fiscais inidôneas contabilizadas pelo GRUPO ICA. "Em relação ao enquadramento no art. 135 do CTN, como já relatado, EVERALDO, CARLOS e ROBERTO LEITE infringiram a lei, especificamente os arts. 72 e 73 da lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, por fraude e conluio, o art. 2º da lei nº 12.850, de 2 de agosto de 2.013, por organização criminosa, em tese, e o art. 1º da lei 8.137, de 27 de dezembro de 1.990, por crime contra a ordem tributária". Responsabilização dos contadores EVERALDO, ROBERTO LEITE e CARLOS com base no inciso I do art. 124 do CTN, com base no inciso II do art. 135 e com base no art. 819 do Regulamento do Imposto de Renda. 5.21.8. CONTROLADORES DAS NOTEIRAS – Foi constatado que houve a constituição de diversos CNPJs para a emissão de notas fiscais que relatavam operações fictícias. Foram identificadas pessoas físicas controladoras e responsáveis de fato por tais CNPJs fraudulentos que emitiram notas fiscais que tiveram como destinatário as empresas do GRUPO RNA. A emissão de notas fiscais que relatam operações fictícias pelas noteiras, proporcionou que o GRUPO ICA aumentasse dolosamente seus custos e deixasse de recolher IRPJ e CSLL, além de se beneficiar indevidamente dos créditos de PIS/COFINS. "As pessoas físicas identificadas por esta equipe fiscal e que foram responsáveis pela emissão de notas fiscais que relatam operações fictícias tinha plena consciência do caráter ilícito de tal prática, bem como do resultado a ser atingido. Enfim, possuíam pleno domínio do fato". A fiscalização "procedeu à responsabilização dos controladores dos CNPJs noteiros por ficar caracterizado o elemento animador da conduta, qual seja, o interesse no atingimento do resultado esperado (redução ou supressão do tributo de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS)". Não houve a responsabilização referente à aplicação de MULTA REGULAMENTAR e da autuação pelo PAGAMENTO SEM CAUSA. 5.21.9. ALICE PANGOS PASSOS, CPF 030.465.82862 – Foi constatado que ALICE era controladora das empresas Fl. 15207DF CARF MF 24 KIMETAL, MORMET, HRMAX10 e MALBEC. Responsabilização pelos créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apurados pelo presente Auto de Infração, com base no inciso I do art. 124 do CTN. 5.21.10. IVONE APARECIDA MONTEIRO DE MORAES, CPF 011.812.19876 – Foi constatado que IVONE era controladora das empresas KIMETAL, MORMET, HRMAX10 e MALBEC. Responsabilização pelos créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apurados pelo presente Auto de Infração, com base no inciso I do art. 124 do CTN. 5.21.11. ROBSON RABELO DA SILVA, CPF 296.574.49839 – Foi constatado que ROBSON era controlador das empresas KIMETAL, OURO VERDE, MORMET, HRMAX10 e MALBEC. Responsabilização pelos créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apurados pelo presente Auto de Infração, com base no inciso I do art. 124 do CTN. 5.21.12. ZENILDA ANTUNES, CPF 156.378.90862 – Foi constatado que ZENILDA era controladora das empresas OURO VERDE, MORMET e MALBEC. Responsabilização pelos créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apurados pelo presente Auto de Infração, com base no inciso I do art. 124 do CTN. 5.21.13. HENRIQUE LUIS FONSECA DE MENESES, CPF 021.551.38865– Foi constatado que HENRIQUE era controlador das empresas RNA RECUPERADORA e RNA COMERCIO. Responsabilização pelos créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apurados pelo presente Auto de Infração, com base no inciso I do art. 124 do CTN. 5.21.14. MARCOS ROBERTO MONTEIRO, CPF 118.038.69810 – Foi constatado que MARCOS era controlador das empresas IG – COMERCIAL, C.S.I COMERCIO, AZA PAPEIS e METALPAPER. Responsabilização pelos créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS apurados pelo presente Auto de Infração, com base no inciso I do art. 124 do CTN. 5.22. Sobre o lançamento, assim conclui a fiscalização: Fl. 15208DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.197 25 6. Ciência do auto de infração ao contribuinte e aos responsáveis solidários conforme abaixo: Impugnação – ICA COMÉRCIO 7. O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fls. 14470/14512), conforme síntese e trechos (em itálico) abaixo: 7.1. Preliminarmente alega: 7.1.1. A nulidade do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – TDPF, que veio a substituir o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, pelo fato de ter sido emitido abrangendo tão somente do IRPJ, no período de 01/2013 a 12/2014. Reproduz jurisprudência do CARF sobre o tema. 7.1.2. Erro na capitulação da infração, pois a fiscalização utilizouse da lei do IPI para proceder à autuação com indicação incorreta do enquadramento legal, gerando vício formal do Fl. 15209DF CARF MF 26 lançamento, insanável. Reproduz textos legais, doutrina e jurisprudência do CARF sobre o tema. 7.1.3. Erro no montante tributável e na identificação do sujeito passivo, pois no TVF (pág 118) consta que o montante de NF emitidas é de R$ 424.250.664,96 e não R$ 579.301,862,67 e não poderia a fiscalização "aglutinar" os três CNPJ do Grupo ICA no CNPJ da ICA Comércio, "sem razão plausível e/ou fundamentação legal", uma vez que as três empresas possuem existência legal, devidamente formalizada. "Caso fosse possível escolher um único CNPJ para os três existentes, que também seria irregular e ilegal, a escolha deveria recair sobre a I.C.A. LIGAS que detém 80% da somatória de notas fiscais emitidas das três empresas, Além de que, o descrito no Termo de Verificação Fiscal, os procedimentos fiscalizatórios foram direcionados em sua plenitude à I.C.A. LIGAS DE ALUMÍNIO LTDA. e, pouquíssimo comentouse sobre a I.C.A. COMÉRCIO E SERVIÇOS DE LOGÍSTICA.". Assim, houve erro na identificação do sujeito passivo, considerado um típico "erro de direito", situação essa que acarreta a nulidade do lançamento. Reproduz textos legais e jurisprudência do CARF em seu favor. Continua alegando que a ICA Comércio emitiu notas fiscais de venda no montante de R$ 3.450,00 (AC 2013) e R$ 1.549.858.60 (AC 2014), conforme o TVF. Não houve "juntada aos autos das notas fiscais eletrônicas de saída, ficando tal alegação restrita ao campo imaginário.(...) A fixação do Valor Apurado que serviu de base para a imposição da Multa Regulamentar foi feita por mera presunção,...". Conclui "considerase que o ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO é insubsistente, eivado de equívocos e de nulidades, deve, dessa maneira, ser anulado.". 7.2. No mérito aduz que a fiscalização utilizouse da legislação do IPI para aplicar a multa regulamentar, porém, esta legislação, ao ser recepcionada pelo CTN, apenas "se refere ao tributo específico disciplinado pela lei respectiva, ou seja, o IPI.(...) Assim, uma lei federal, no caso, a lei do IPI, não poderia irradiar efeitos de norma geral a outros tributos. (...) Nesse contexto, a equipe de Auditores Fiscais ao aplicar a MULTA REGULAMENTAR prevista na legislação do IPI a outros tributos que não o do IPI. carece de fundamentação legal portanto, deve ser cancelada.". Argui a necessidade da observância do princípio da tipicidade (ou legalidade tributária específica), da verdade real ou material, da moralidade e da eficiência. Assevera que a fiscalização efetuou o lançamento com base em simples presunção. Reproduz doutrina sobre o tema. 7.3. Finaliza pedindo "o cancelamento do auto de infração MULTA REGULAMENTAR e, portanto, o arquivamento do processo administrativo fiscal." Impugnação – EVERALDO DE CARVALHO GOMES e ROBERTO LEITE 8. EVERALDO DE CARVALHO GOMES e ROBERTO LEITE, na condição de responsáveis solidários, apresentaram impugnações ao lançamento (fls. 14433/14447 e Fl. 15210DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.198 27 14451/14464) subscritas pelo advogado e procurador Aparecido Alves Ferreira, conforme síntese e trechos (em itálico) abaixo: 8.1. Faz breve relato da autuação, discordando de sua condição de responsável solidário e do teor do auto de infração. 8.2. Argui que houve cerceamento de defesa, alegando que: a) "os auditores responsáveis pelo lançamento, teceram um emaranhado de suposições, a maioria sem qualquer documento probante da assertiva"; b) os documentos que fundamentaram o lançamento são desconhecidos do autuadosolidário; c) não possui vínculo com o contribuinte. 8.3. Alega que o "interesse comum" apurado pela fiscalização como fundamento da responsabilidade solidária é inexistente, uma vez que não houve o auferimento de proveito com a falta de recolhimento do tributo. Reproduz doutrina e jurisprudência do CARF e STJ sobre o tema. 8.4. Alega o impugnante que não tinha qualquer poder na administração da sociedade e que o art. 135 do CTN prevê que a "responsabilidade tributária do administrador da sociedade não é solidária nem subsidiária em relação à sociedade, mas sim pessoal no sentido de ser exclusiva, configurandose quando este praticar ato do qual decorra a obrigação tributária, que seja doloso e seja perpetrado em infração à lei societária, estatuto ou contrato social, praticado à revelia da sociedade". Continua: "o impugnante exerceu temporariamente a condição de contador, responsável por escriturar os documentos que a autuada lhe entregava, sem cometer rasuras, omissões, ou qualquer outro vício que possa lhe atribuir a responsabilidade solidária. Eventual erro de escrituração poderia no máximo ensejar a determinação de sua correção e não de sua responsabilização de forma solidária. Igualmente, é impossível que tenha cometido infração ao contrato social ou estatuto, já que nele não figura.". 8.5. Por fim, requer: "que seja julgado improcedente o lançamento contra este impugnante, liberandose o Impugnante de qualquer responsabilidade ou pagamento ao Erário, sem prejuízo, se for o caso, dos demais pedidos alternativos ou complementares, pois: a) Seja declarado o cerceamento à ampla defesa, e desconsiderados todos os documentos obtidos sem o conhecimento deste autuadosolidário, eis que qualquer possibilidade de defesa integral foi tolhida; b) O impugnante não se reveste da condição de responsável tributário em nenhuma das situações previstas no CTN, bem como jamais foi administrador ou responsável da autuada, além de não ter infringido o contrato social da autuada, nem agido em nome da mesma para obtenção de qualquer vantagem para si ou para outrem." Fl. 15211DF CARF MF 28 Impugnação – CARLOS DONIZETI LEITE, EVERALDO DE CARVALHO GOMES e ROBERTO LEITE (Responsabilidade Solidária) 9. CARLOS DONIZETI LEITE, EVERALDO DE CARVALHO GOMES e ROBERTO LEITE, na condição de responsáveis solidários, apresentaram impugnações ao lançamento (fls. 14515/14524, 14558/14567 e 14635/14644), conforme síntese e trechos (em itálico) abaixo: 9.1. Arguem que não cabe a responsabilidade tributária, alegando que: a) "os nobres Auditores Fiscais entendem, erroneamente, que o interesse comum para a configuração da responsabilidade tributária seria a de prestação de serviços de contabilidade e que por isso tinham INTERESSE COMUM na situação que constitua o fato gerador, mas também pela coordenação das operações ilícitas dos contadores"; b) prestavam serviços de contabilidade à ICA COMÉRCIO (conforme contrato de prestação de serviços), nunca trabalharam administrativamente nem foram procuradores desta; c) "A solidariedade tributária fundada no art. 124. I do CTN somente pode existir entre sujeitos que figurem no mesmo polo de relação obrigacional, pois só assim o interesse poderá ser considerado como comum."; d) Deve haver "um interesse jurídico, não sendo relevantes para gerar a solidariedade tributária os interesses de ordem econômica, moral ou social(...)o interesse jurídico se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo lado da relação jurídica que consista no fato gerador do tributo.". Reproduzem doutrina e jurisprudência sobre o tema. 9.2. Por fim, requer "o cancelamento da RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA da pessoa física em questão." Impugnação – EDUARDO DA CRUZ 10. EDUARDO DA CRUZ, na condição de responsável solidário, apresentou impugnação ao lançamento (fls. 14542/14551), conforme síntese e trechos (em itálico) abaixo: 10.1. Argui que não cabe a responsabilidade tributária, alegando que: a) "os nobres Auditores Fiscais entendem, erroneamente, que o interesse comum para a configuração da responsabilidade tributária seria a de ser funcionário do setor fiscal da I.C.A. Comércio e Serviços de Logística."; b) foi admitido, em 08/08/2016, como funcionário da empresa lCA COMÉRCIO, para exercer a função de Auxiliar de Escrita Fiscal (conforme ficha de registro de empregado anexada), nunca foi procurador ou geriu os negócios da empresa; c) "A solidariedade tributária fundada no art. 124. I do CTN somente pode existir entre sujeitos que figurem no mesmo polo de relação obrigacional, pois só assim o interesse poderá ser considerado como comum."; d) Deve haver "um interesse jurídico, não sendo relevantes para gerar a solidariedade tributária os interesses de ordem econômica, moral ou social(...)o interesse jurídico se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo lado da relação jurídica que Fl. 15212DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.199 29 consista no fato gerador do tributo.". Reproduz doutrina e jurisprudência sobre o tema. 11. Por fim, requer " o cancelamento da RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA da pessoa física em questão." Impugnação – MARILI ELISABETE MAINARDI PERETTO 12. MARILI ELISABETE MAINARDI PERETTO, na condição de responsável solidária, apresentou impugnação ao lançamento (fls. 14586/14596), conforme síntese e trechos (em itálico) abaixo: 12.1. Argui que não cabe a responsabilidade tributária, alegando que: a) "os nobres Auditores Fiscais entendeu, erroneamente, que o interesse comum para a configuração da responsabilidade tributária seria a de ser cônjuge de IRINEU PERETTO JÚNIOR, tendo em vista que são casados pelo regime da comunhão parcial de bens, ou seja, todos os bens adquiridos após a data do casamento se tornam comuns ao casal."; b) MARILI é cônjuge de IRINEU, nunca foi procuradora ou ocupou cargo de direção ou admininstração na ICA COMÉRCIO e possuía conta bancária conjunta com IRINEU, o qual a movimentava quase que exclusivamente; c) "A solidariedade tributária fundada no art. 124. I do CTN somente pode existir entre sujeitos que figurem no mesmo polo de relação obrigacional, pois só assim o interesse poderá ser considerado como comum."; d) Deve haver "um interesse jurídico, não sendo relevantes para gerar a solidariedade tributária os interesses de ordem econômica, moral ou social(...)o interesse jurídico se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo lado da relação jurídica que consista no fato gerador do tributo.". Reproduz doutrina e jurisprudência sobre o tema. 12.2. Por fim, requer "o cancelamento da RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA da pessoa física em questão." Impugnação – MEIRE YUMI KIMURA RANGEL 13. MEIRE YUMI KIMURA RANGEL, na condição de responsável solidária, apresentou impugnação ao lançamento (fls. 14601/14610), conforme síntese e trechos (em itálico) abaixo: 13.1. Argui que não cabe a responsabilidade tributária, alegando que: a) "os nobres Auditores Fiscais entendeu, erroneamente, que o interesse comum para a configuração da responsabilidade tributária seria a de ser funcionária do setor financeiro do GRUPO ICA e por isso possuía plena ciência das fraudes fiscais."; b) foi admitida, em 01/08/2006, como funcionária da empresa ICA COMÉRCIO, para exercer a função de Assistente Administrativo (conforme ficha de registro de empregado anexada), nunca foi procuradora ou geriu os negócios da empresa; c) "A solidariedade tributária fundada no art. 124. I do CTN somente pode existir entre sujeitos que figurem no mesmo polo de relação Fl. 15213DF CARF MF 30 obrigacional, pois só assim o interesse poderá ser considerado como comum."; d) Deve haver "um interesse jurídico, não sendo relevantes para gerar a solidariedade tributária os interesses de ordem econômica, moral ou social(...)o interesse jurídico se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo lado da relação jurídica que consista no fato gerador do tributo.". Reproduz doutrina e jurisprudência sobre o tema. 14. Por fim, requer " o cancelamento da RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA da pessoa física em questão." Impugnação – MELISSA MAINARDI PERETTO 15. MELISSA MAINARDI PERETTO, na condição de responsável solidária, apresentou impugnação ao lançamento (fls. 14618/14628), conforme síntese e trechos (em itálico) abaixo: 15.1. Argui que não cabe a responsabilidade tributária, alegando que: a) "os nobres Auditores Fiscais entendeu, erroneamente, que o interesse comum para a configuração da responsabilidade tributária seria: prática de blindagem patrimonial pelo GRUPO ECONÔMICO ICA para proteger o principal imóvel, qual seja a fábrica automatizada e que apresenta maior produção."; b) MELISSA foi admitida, em 01/02/2016, como funcionária da empresa ICA COMÉRCIO, para exercer a função de Assistente Financeira (conforme ficha de registro de empregado anexada), nunca foi procuradora ou geriu os negócios da empresa; c) "Melissa Mainardi Peretto, em 03/09/2014. adquiriu dois terrenos, que foi registrada no Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabeliães de Notas de Igarata/SP. Essa operação imobiliária, realizada no ano calendário de 2014. muito antes da ação fiscal, em nada relacionase a possível blindagem patrimonial"; d) "A solidariedade tributária fundada no art. 124. I do CTN somente pode existir entre sujeitos que figurem no mesmo polo de relação obrigacional, pois só assim o interesse poderá ser considerado como comum."; e) Deve haver "um interesse jurídico, não sendo relevantes para gerar a solidariedade tributária os interesses de ordem econômica, moral ou social(...)o interesse jurídico se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo lado da relação jurídica que consista no fato gerador do tributo.". Reproduz doutrina e jurisprudência sobre o tema. 15.2. Por fim, requer "o cancelamento da RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA da pessoa física em questão." Impugnação – SEASTERS PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA 16. SEASTERS PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, na condição de responsável solidária, apresentou impugnação ao lançamento (fls. 14661/14670), conforme síntese e trechos (em itálico) abaixo: 16.1. Argui que não cabe a responsabilidade tributária, alegando que: a) "os nobres Auditores Fiscais entendeu, erroneamente, que o interesse comum para a configuração da responsabilidade tributária da SEASTERS PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA possuir em seu quadro social as Fl. 15214DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.200 31 sócias MELISSA MAINARDI PERETTO e NATHALIA MAINARDI PERETTO, que são filhas de IRINEU PERETTO JÚNIOR, sócio da I.CA. COMÉRCIO E SERVIÇOS DE LOGÍSTICA."; b) "empresa SEASTERS PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA., nunca manteve relações comerciais com a I.CA. COMÉRCIO E SERVIÇOS DE LOGÍSTICA ou com qualquer outra empresa do chamado GRUPO ICA"; c) "A solidariedade tributária fundada no art. 124. I do CTN somente pode existir entre sujeitos que figurem no mesmo polo de relação obrigacional, pois só assim o interesse poderá ser considerado como comum."; d) Deve haver "um interesse jurídico, não sendo relevantes para gerar a solidariedade tributária os interesses de ordem econômica, moral ou social(...)o interesse jurídico se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo lado da relação jurídica que consista no fato gerador do tributo.". Reproduz doutrina e jurisprudência sobre o tema. 16.2. Por fim, requer "o cancelamento da RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA da contribuinte em questão." 17. É o relatório A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife julgou improcedente as impugnações, proferindo o Acórdão DRJ/REC n.º 1159.982, de 12/07/2018 (fls. 14712 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013, 2014 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN, assim como os mandatários, prepostos, empregados e dirigentes da pessoa jurídica que tenham praticado de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos nos termos da art. 135, da Lei nº 5.172/66. É legítima a inclusão no feito, na condição de responsáveis tributários. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 MULTA REGULAMENTAR. APROVEITAMENTO DE NOTAS FISCAIS QUE NÃO CORRESPONDEM A EFETIVA SAÍDA. RIPI/2010, ART. 572, II. PENALIDADE IGUAL AO VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. Nos termos do art. 572, II, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 2010, aos que emitem nota fiscal que não Fl. 15215DF CARF MF 32 corresponda à saída efetiva, ou, em proveito próprio ou alheio, utilizam ou registram nota fiscal que não corresponda à saída efetiva das mercadorias nela constantes, aplicase a multa regulamentar equivalente ao valor das mercadorias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 14840 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, aduz que: a) houve erro material na ementa do acórdão recorrido, o que prejudicou o seu direito de defesa; b) inovação pelos julgadores da DRJ (mudança na capitulação legal), e c) não apreciação de todos os argumentos da defesa (não diz quais!). Nas razões de mérito, repete os mesmos argumentos já declinados na sua impugnação. Subscrita pelo sócioadministrador Irineu Peretto Junior, requer o cancelamento da multa da pessoa jurídica autuada e o afastamento de sua responsabilidade solidária. Os demais responsáveis solidários apresentaram, tempestivamente, recursos voluntários, por meio dos quais repetem, grosso modo, as mesmas razões de defesa já encartadas nas impugnações. São eles: Everaldo de Carvalho Gomes (cientificado em 07/08/2018; fl. 14831; RV tempestivo às 15060 e ss.); Carlos Donizeti Leite (cientificado em 30/07/2018; fl. 14816; RV tempestivo às fls. 15028 e ss.); Eduardo Cruz (cientificado em 30/07/2018; fl. 14807; RV tempestivo às fls. 15044 e ss.); Meire Yumi Kimura Rangel (cientificado em 30/07/2018; fl. 14810; RV tempestivo às fls. 15092 e ss.); Marili Elisabete Mainardi Peretto (cientificado em 30/07/2018; fl. 14828; RV tempestivo às fls. 15076 e ss.); Melissa Mainardi Peretto (cientificado em 07/08/2018; fl. 14837; RV tempestivo às fls. 15108 e ss.,); Roberto Leite (cientificado em 07/08/2018; fl. 14837; RV tempestivo às fls. 15124 e ss.); Seasters Participações e Empreendimentos Ltda. (cientificado em 30/07/2018; fl. 14819; RV tempestivo às fls. 15140 e ss.); É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 15216DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.201 33 Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente teve contra si lavrado auto de infração, para a cobrança de multa regulamentar pela emissão de notas fiscais sem a respectiva saída de mercadoria do estabelecimento emitente (saída) e pelo uso e registro de notas fiscais que relatam operações fictícias em sua contabilidade (entrada), relativamente aos fatos geradores ocorridos nos anos calendário 2013 e 2014. Resulta o lançamento de um trabalho de fôlego, no qual a fiscalização relata, em Termo de Verificação de 153 páginas (fls. 2 a 155), acompanhado de documentos que somam mais de catorze mil folhas, que a fraude foi constatada a partir do cruzamento de informações obtidas em várias empresas envolvidas nos ilícitos, de depoimentos de algumas das pessoas físicas a elas vinculadas (sócios, empregados, contadores), de cópias de emails, informações bancárias etc. Em sua defesa, a Recorrente basicamente renova os mesmos argumentos de defesa que já constavam de sua impugnação, julgada improcedente pela DRJ, com base nos fundamentos que a seguir transcrevemos e que passamos adotar – em parte, como se verá ao final –, porque irrespondíveis, como razão de decidir do presente voto. Antes, porém, cumpre consignar que o fato de haver um aparente equívoco, na ementa do acórdão recorrido, quanto aos períodos a que corresponde a autuação em nada o contamina na essência, mesmo porque não pairam dúvidas sobre os períodos a que se refere o lançamento. Vamos à transcrição: Do lançamento fiscal e das impugnações 19. Contra a empresa foi lavrado Auto de Infração – AI onde é cobrada multa regulamentar pela emissão de notas fiscais sem a respectiva saída de mercadoria do estabelecimento emitente e pelo uso e registro de notas fiscais que relatam operações fictícias em sua contabilidade, relativamente aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2013 e 2014, conforme acima descrito no relatório supra. 20. Foram arrolados como responsáveis solidárias: ICA Rio Metais Industria e Comércio Ltda, ICA Ligas de Alumínio Ltda, Irineu Peretto Junior, Marili Elisabete Mainardi Peretto, Seasters Participacoes e Empreendimentos Ltda, Melissa Mainardi Peretto, Meire Yumi Kimura Rangel, Eduardo da Cruz, Everaldo de Carvalho Gomes, Roberto Leite e Carlos Donizeti Leite. 21. Em sua defesa, a autuado alega, em síntese, que: a) o lançamento é nulo pelo fato do TDPF abranger apenas o IRPJ do período de 01/2013 a 12/2014; b) houve erro na capitulação da infração, pois a fiscalização utilizouse da lei do IPI para proceder à autuação com indicação incorreta do enquadramento legal, gerando vício formal do lançamento, insanável; c) houve erro no montante tributável e na identificação do sujeito passivo, Fl. 15217DF CARF MF 34 uma vez que não poderia a fiscalização "aglutinar" os três CNPJ do Grupo ICA no CNPJ da ICA Comércio; d) a multa regulamentar prevista na legislação do IPI não poderia ser aplicada a outros tributos que não o IPI; e) não foram observados os princípios da tipicidade (ou legalidade tributária específica), da verdade real ou material, da moralidade e da eficiência. 22. Os responsáveis tributários, exceto ICA Rio Metais Industria e Comércio Ltda, ICA Ligas de Alumínio Ltda e Irineu Peretto Junior, apresentaram suas impugnações com teor semelhante, alegando, em síntese, que: a) houve cerceamento de defesa, pois a auditoria fiscal teceu suposições desprovidas provas e os documentos que fundamentaram o lançamento são desconhecidos dos autuadossolidários; b) inexiste "interesse comum" dos responsáveis, já que não houve o auferimento de proveito com a falta de recolhimento do tributo; c) não havia qualquer poder na administração da sociedade, além de não terem infringido o contrato social da autuada, nem agido em nome da mesma para obtenção de qualquer vantagem para si ou para outrem; d) a solidariedade tributária fundada no art. 124, I do CTN somente pode existir entre sujeitos que figurem no mesmo polo de relação obrigacional, pois só assim o interesse poderá ser considerado como comum, além de haver necessidade da caracterização do interesse jurídico, que se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo lado da relação jurídica que consista no fato gerador do tributo. Das preliminares de nulidade – abrangência do TDPF, erro na capitulação da infração, no montante tributável e na identificação do sujeito passivo 23. Preliminarmente a defendente argui a nulidade da exação fiscal pelos seguintes motivos: a) o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – TDPF ter sido emitido abrangendo tão somente do IRPJ, no período de 01/2013 a 12/2014; b) houve erro na capitulação da infração, pois a fiscalização utilizouse da lei do IPI para proceder à autuação com indicação incorreta do enquadramento legal; c) houve erro no montante tributável e na identificação do sujeito passivo, uma vez que não poderia a fiscalização "aglutinar" os três CNPJ do Grupo ICA no CNPJ da ICA Comércio. 24. As hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal estão previstas nos arts. 59 a 61 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, Fl. 15218DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.202 35 salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (...) 25. A insuficiência de qualquer elemento formal no auto de infração é reconhecida como motivo de preterição do direito de defesa. Tais requisitos estão estabelecidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. 26. O CTN prescreve: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 27. O auto de infração foi lavrado por pessoas competentes (AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil) e contém todos os requisitos formais indispensáveis. Aliás, os autuantes efetuaram o lançamento porque teriam identificado fatos imponíveis previstos em hipóteses de incidência tributária e porque tinham o dever legal de constituir os créditos tributários. 28. Nenhum dos supostos vícios de procedimentos argüidos pela impugnante se enquadra nas hipóteses referidas no parágrafo precedente, quer seja para efeito de se declarar a nulidade do lançamento, quer seja para se determinar alguma medida saneadora. 29. A primeira nulidade arguida pela Impugnante diz respeito à abrangência do procedimento contemplar apenas o IRPJ. Do cotejo dos autos, encontramos a ciência pelo contribuinte de que as informações referentes ao TDPF (autenticidade, alterações e Fl. 15219DF CARF MF 36 prorrogações) poderiam ser feitas pela internet na página da RFB (fls. 159 e 162/163). Em consulta à página da RFB, acostamos aos autos cópia do TDPF (fls. 14710/14711), onde consta expressamente a abrangência para o presente lançamento, conforme as imagens abaixo: (...) 30. A matéria, à época da ciência do TDPF pelo contribuinte era regida pela Portaria RFB nº 1687, de 17 de setembro de 2014, que dispunha sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos ao controle aduaneiro do comércio exterior e aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Tal normativo asseverava, in verbis: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e ao controle aduaneiro do comércio exterior administrados pela RFB serão instaurados e executados pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na forma do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, observada a emissão de: I – Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPFF), para instauração de procedimento de fiscalização; II – Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Diligência (TDPFD), para realização de diligência; e III – Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal Especial (TDPFE), para prevenção de risco de subtração de prova. (...) Art. 4º Os procedimentos fiscais serão instaurados após sua distribuição por meio de instrumento administrativo específico denominado Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF), previsto no art. 2º do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001. (...) § 3º O TDPF será expedido exclusivamente na forma eletrônica, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. § 4º A ciência do TDPF pelo sujeito passivo darseá no sítio da RFB na Internet, no endereço , com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal, mediante o qual o sujeito passivo poderá certificarse da autenticidade do procedimento. (...) Art. 12. O procedimento fiscal se extingue pela sua conclusão, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo. (GN) 31. Conforme consta dos autos, o contribuinte foi devidamente cientificado quanto ao início do procedimento fiscal, bem assim, Fl. 15220DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.203 37 sobre o código de acesso ao TDPF (fls. 157 e 162/163). Ainda em consulta ao TDPF ora acostado, temos que o mesmo foi prorrogado até 02/02/2018. O procedimento fiscal foi encerrado por meio do Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal (fls. 14354/14355) em 20/10/2017, com ciência pessoal do sujeito passivo em 24/10/2017. Assim, verificase que tanto a lavratura do termo de encerramento, como a sua ciência pelo sujeito passivo, se deram na vigência do TDPF, isto é, antes de 02/02/2018. 32. Segundo a impugnante, a nulidade decorreria da incompetência da autoridade fiscal para a lavratura de autos de infração diversos do IRPJ. Acrescenta que o objeto da fiscalização, constante do TDPF, referese ao IRPJ, não podendo a Autoridade fiscal lavrar auto de infração de tributos diversos daquele que lhe foi conferido, o que ensejaria a nulidade dos lançamentos realizados referentes a esse período. 33. Conforme demonstrado no item 29, temos que o TDPF foi devidamente alterado para abranger a multa regulamentar ora lançada. 34. Além do que, equivocase o impugnante, pois que o lançamento da multa regulamentar teve como origem os mesmos fatos e valores apurados para o lançamento do IRPJ e seus reflexos, nos anoscalendário de 2013 e 2014, por fundaremse nos mesmos elementos de prova. Assim, se havia autorização para a instauração dos procedimentos fiscais para o IRPJ para esses fatos geradores, por decorrência lógica, estão também automaticamente permitidos os lançamentos decorrentes dos mesmos fatos geradores. A restrição ao dever de lançar nesses casos deveria necessariamente ser objeto de norma expressa, o que não é o caso. 35. Mas mesmo que se admitisse que o lançamento da multa regulamentar devesse ser independente, ainda assim, a inexistência de expressa autorização para instaurar procedimentos fiscais para o IPI não implicaria nulidade da ação fiscal levada a efeito. Isto porque não é o TDPF que confere competência ao Auditor Fiscal para lançar tributos, mas apenas representa autorização administrativa, de natureza gerencial, para a instauração do procedimento fiscal. A competência para a constituição do crédito tributário está fixada no artigo 142 do CTN, que estabelece que “Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. E é a Lei nº 10.593, de 06.12.2002, com a redação dada pela Lei nº 11.457, de 16.03.2007, que especifica as atribuições do Auditor Fiscal da Receita Federal para a constituição do crédito tributário. Fl. 15221DF CARF MF 38 36. Por conseguinte, essa arguição de nulidade deve ser rejeitada. 37. Como segunda hipótese de nulidade, a Impugnante argui que houve erro na capitulação da infração, pois a fiscalização utilizouse da lei do IPI para proceder à autuação com indicação incorreta do enquadramento legal, gerando vício formal do lançamento, insanável. 38. Do cotejo dos autos, verificamos que consta no Auto de Infração (fls. 14346/14347), no item Enquadramento Legal: "Art. 572, inciso I do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10)... Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados.". Já no item da infração temos: "OUTRAS INFRAÇÕES AO REGULAMENTO DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. INFRAÇÃO: EMISSÃO OU UTILIZAÇÃO DE NOTA FISCAL IRREGULAR. O estabelecimento ( )emitiu Nota Fiscal que não corresponde a uma saída efetiva do produto nela descrita, ( )utilizou, ( )recebeu, ()registrou a referida Nota em proveito próprio ou alheio...". 39. No TVF (fls. 125/127) temos a reprodução do texto legal que fundamentou e repetição por diversas vezes do enquadramento legal da multa regulamentar aplicada: inciso II do art. 572 do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, conforme excertos abaixo (GN): (...) 40. Conforme acima, temos que, por um lapso, na emissão da capitulação legal do AI constou o Art. 572, inciso I do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10), quando o correto seria inciso II. Porém, em todas as demais partes do presente processo, em especial no próprio AI na descrição da infração e no TVF, temos claramente a indicação do inciso II como enquadramento legal. Assim, não houve qualquer prejuízo para a perfeita compreensão da exação fiscal nem para o exercício do pleno direito de defesa. 41. Assim, também essa arguição de nulidade deve ser rejeitada. 42. Como terceira e última hipótese de nulidade, a Impugnante argui que houve erro no montante tributável e na identificação do sujeito passivo, uma vez que não poderia a fiscalização "aglutinar" os três CNPJ do Grupo ICA no CNPJ da ICA Comércio. A rigor, o erro no montante tributável não deve ser analisado em sede de preliminar, passando a ser visto oportunamente no mérito. Passemos a analisar, neste momento, apenas o erro na identificação do sujeito passivo. 43. Do cotejo dos autos, verificamos que a autuação foi lavrada em nome da ICA COMERCIO E SERVICOS DE LOGISTICA EIRELI – ME, CNPJ nº 11.310.764/000108. No TVF, item 3 DO GRUPO ICA, consta que ICA LIGAS DE ALUMINIO LTDA (ICA RIO), CNPJ 04.749.817/000118, por Fl. 15222DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.204 39 meio do ADE nº 002043446, foi declarada sua INEXISTÊNCIA DE FATO mediante a Representação Fiscal para a Baixa de Ofício (ANEXO 094) constante do processo nº 10872.720.017/201728. O processo nº 16095.720037/201813 trata da Representação para Baixa de Ofício referente à ICA LIGAS DE ALUMINIO LTDA – EPP, CNPJ: 04.749.817/0001 18, por inexistência de fato, com efeitos retroativos a 01/01/2013. 44. No TVF, nos itens 3 DO GRUPO ICA e 3.4 PRODUÇÃO DO GRUPO ICA E CNPJ PRINCIPAL, encontramos a motivação para a aglutinação das operações do GRUPO ICA como uma única entidade a fim de apurar os respectivos tributos devidos e da eleição da ICA COMÉRCIO como CNPJ principal do GRUPO ICA, conforme síntese abaixo: 44.1. Em diligência realizada na ICA RIO foi constatado o "funcionamento" num galpão com sinais de abandono; 44.2. Os três CNPJs do GRUPO ICA possuem o mesmo CNAE principal: 24.52100 fundição de metais nãoferrosos e suas ligas. O processo produtivo abrange a transformação, mediante fundição, da sucata de alumínio em LINGOTES DE ALUMÍNIO; 44.3. Foi constatada uma "confusão patrimonial" entre as empresas do GRUPO ICA (ICA COMÉRCIO, ICA LIGAS e ICA RIO), e as contabilidades dos três CNPJs foram consideradas como imprestáveis. Como exemplos da confusão patrimonial temos: a) pagamento de impostos e notas fiscais uma da outra; b) transferências bancárias entre a ICA LIGAS e a ICA COMÉRCIO, e viceversa, sem documentação necessária a suprir a contabilidade de um ou outro, "realizadas unicamente com o objetivo de suprir necessidades financeiras de uma ou de outra" ; c) o montante de notas fiscais emitidas, recebidas e movimentação financeira da ICA LIGAS representou mais 80% do total do Grupo ICA, quando 75% da capacidade produtiva está instalada na ICA COMÉRCIO, ou seja, não é razoável que a maior planta fabril não tenha a maior movimentação financeira e contábil; d) Foi constatado em diligência fiscal e em resposta do próprio contribuinte, que de fato saiu mais mercadoria da ICA COMÉRCIO do que a ICA LIGAS; 44.4. Na página da internet (www.icaligas.com.br), registrada em nome da ICA LIGAS, os contatos fornecidos são da ICA COMÉRCIO; 44.5. O próprio sócioadministrador, IRINEU, informou, em Termo de Declaração, “Que apesar desta divisão podem ocorrer compras/vendas em nome de uma ou outra”; 44.6. A ICA COMÉRCIO é o CNPJ no qual todos os funcionários estão registrados, mesmo aqueles que "trabalham" para a ICA LIGAS; 44.7. A ICA COMÉRCIO é fisicamente onde estão os funcionários responsáveis pelos setores administrativos Fl. 15223DF CARF MF 40 (recebimento de mercadorias, financeiro, Fiscal, RH) do GRUPO ICA; 44.8. A ICA COMÉRCIO é fisicamente onde está a sala da diretoria e a sala do gerente (Maurício Russo); 44.9. A ICA COMÉRCIO possui 4 fornos automatizados e parque fabril mais relevante do que o parque fabril da ICA LIGAS, que possui apenas um forno; 44.10. Conforme respostas do contribuinte, ICA COMÉRCIO é responsável por aproximadamente 75% da produção do Grupo ICA, frente a 25% da ICA LIGAS, nos ano de 2103 e 2014. 44.11. A ICA COMÉRCIO foi uma fábrica especificamente construída para a produção de LINGOTES DE ALUMINIO, conforme fotos acostadas aos autos. 45. Diante dos argumentos acima listados e da constatação da inexistência de fato da ICA RIO e da ICA LIGAS, resta acertado o procedimento da auditoria fiscal em proceder ao lançamento fiscal do GRUPO ICA de forma consolidada em nome da ICA COMÉRCIO, ora impugnante. 46. Nesse contexto, temos que não há erro na identificação do sujeito passivo e, portanto, rejeitase também essa arguição de nulidade. 47. A nulidade deve ter supedâneo em vício formal que importe em cerceamento do direito de defesa (sic). Definitivamente, isso não ocorreu no presente caso. Todos os requisitos formais exigidos para o auto de infração foram cumpridos, com clareza e precisão na invocação das normas tributárias impositivas, demonstrando a existência de motivação. 48. No Direito vige a máxima de que “não há nulidade sem dano”. O lançamento foi efetuado com base em fatos perfeitamente identificáveis e atribuíveis aos seus responsáveis, não impossibilitam a compreensão integral e completa da incidência tributária. Os valores estão claramente evidenciados e, portanto, sem provocar danos à defesa do(s) sujeito(s) passivo(s). 49. Diante do exposto, entendo improcedente as preliminares de nulidade arguidas. Dos julgados trazidos aos autos pela defesa 50. No tocante à jurisprudência do Poder Judiciário colacionada pela defesa, relembrese que a sentença judicial possui efeitos inter partes, sem atingir terceiros não envolvidos no caso concreto, conforme se infere dos arts. 503 e 506 do Novo Código de Processo Civil (NCPC), instituído pela Lei Nº 13.105, de 16 de março de 2015: Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. ... Fl. 15224DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.205 41 Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. 51. Assim, como o contribuinte não é parte nos processos judiciais citados, as decisões não lhes são aplicáveis. 52. Em relação aos julgados administrativos indicados pela defesa, vale frisar que não têm o condão de vincular esta instância de julgamento. Para que se constituam em normas complementares da legislação tributária, as decisões administrativas necessitam de eficácia normativa a ser atribuída por lei, como determina o art. 100, inciso II1, do Código Tributário Nacional (CTN), instituído pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Sobre o tema, observese a interpretação disposta no Parecer Normativo CST nº 390, de 1971: “(...) 3 Necessário esclarecer, na espécie, que, embora, o Código Tributário Nacional, em seu art. 100, inciso II, inclua as decisões de órgãos colegiados na relação das normas complementares à legislação tributária, tal inclusão é subordinada à existência de lei que atribua a essas decisões eficácia normativa. Inexistindo, entretanto, até o presente, lei que confira a efetividade de regra geral às decisões dos Conselhos de Contribuintes, a eficácia de seus acórdãos limitase especificamente ao caso julgado e às partes inseridas no processo de que resultou a decisão. 4 Entendase aí que, não se constituindo em norma geral a decisão em processo fiscal, proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo que decorreu a decisão daquele colegiado. (...)"53. Dessa maneira, na ausência de lei atribuindo eficácia normativa às referidas decisões, o entendimento nelas exarado, ainda que sirva de reforço para uma determinada tese, produz efeitos apenas entre as partes envolvidas no litígio específico, não se estendendo genericamente a outros casos. Do mérito 54. Conforme descrito detalhadamente no TVF e resumido no relatório, temos que a auditoria fiscal apurou um esquema fraudulento, capitaneado pelo Grupo ICA, cujo sócio administrador era Irineu Peretto Junior, que consistia em: a) “compra” de notas fiscais emitidas por CNPJs fraudulentos (NOTEIRAS) para a geração indevida de créditos tributários e aumento doloso de seus custos, e, por via de consequência, 1 “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa;” Fl. 15225DF CARF MF 42 redução indevida de seu lucro, sonegando IRPJ e CSLL; b) pedidos de ressarcimento junto à Receita Federal visando à obtenção de recursos financeiros de forma ardilosa da sociedade; c) simulação de operações mercantis de venda cobrando um percentual sobre o valor das notas fiscais emitidas, ou seja, “venda” de notas fiscais a terceiros. 55. As infrações apuradas foram: a) Glosa das notas fiscais recebidas – arbitramento da base de cálculo do IRPJ e reflexos da CSLL, do PIS e da COFINS; b) IRRF pagamento sem causa e/ou operação não comprovada – pagamentos realizados a terceiros; c) Multa Regulamentar – pela emissão de notas fiscais sem a respectiva saída de mercadoria do estabelecimento emitente e pelo uso e registro de notas fiscais que relatam operações fictícias em sua contabilidade. Esta última constante do presente processo. 56. Em sua impugnação, no mérito, o impugnante argui que: a) a multa regulamentar prevista na legislação do IPI não poderia ser aplicada a outros tributos que não o do IPI; b) houve erro no montante tributável; c) não foram observados os princípios da tipicidade (ou legalidade tributária específica), da verdade real ou material, da moralidade e da eficiência. 57. Diante das alegações apresentadas, confrontadas com o Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal (TVF) que o integra, restou comprovada a fraude indicada na autuação, pelo que o Auto de Infração deve ser mantido sem qualquer reparo. 58. A multa regulamentar aplicada está prevista no inciso II, do art. 572 do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010. O TDPF, conforme já exposto nos itens 29/36, foi alterado para incluir no procedimento fiscal o tributo IPI. Desta forma, não há que se falar em aplicação da legislação do IPI a outros tributos uma vez que o IPI fez parte do procedimento fiscal. Além do que, conforme também já exposto, não seria a eventual ausência de um tributo no TDPF que acarretaria a invalidade do lançamento, haja vista que a competência para a constituição do crédito tributário está fixada no artigo 42, do CTN. 59. De acordo com os autos, a fiscalização apurou fatos e elementos probatórios harmônicos e robustos das fraudes perpetradas, tais como: levantamento e planilhamento detalhado de todas as notas fiscais inidôneas utilizadas, recebidas ou registradas (anexos 171 a 190); levantamento e planilhamento detalhado de todas as notas fiscais emitidas que relatam operações fictícias (anexos 191 a 202); depoimentos de pessoas envolvidas com os fatos atestando o modus operandi do esquema; cálculos da capacidade produtiva instalada nas fábricas confrontados com o montante de notas fiscais de entradas e saídas, por unidade fabril; fotos e documentos das diligências realizadas; relatórios da fiscalização da SEFAZSP onde foram constatadas as mesmas fraudes no âmbito estadual; planilhamento de conciliação bancária entre os documentos, lançamentos contábeis e registros bancários. Vale destacar que o referenciamento das notas fiscais nas planilhas elaboradas é suficiente para o perfeito entendimento do feito e inexiste obrigação de se acostar cópia de todas as notas aos autos, até Fl. 15226DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.206 43 mesmo porque seria um acúmulo excessivo de páginas. Assim, temos que os fatos narrados no TVF restam suficientemente provados nos autos, não tendo sido levantados por mera presunção, com alega a defesa. 60. A defendente não apresenta qualquer prova quanto à veracidade das operações realizadas nem quanto à efetiva saída das mercadorias supostamente vendidas pelas "noteiras", nem de seus produtos supostamente vendidos. Daí a manutenção desta autuação, cujo pressuposto, nos termos do inc. II do art. 572 do RIPI/2010, é a emissão, o recebimento ou registro de nota fiscal que não corresponda à efetiva saída, em proveito próprio ou alheio. Foi o que aconteceu na situação dos autos, por ter o contribuinte aproveitado os créditos do IPI relativos às notas fiscais em questão. 61. Em relação ao montante tributável, o defendente alega que houve erro por parte da autoridade lançadora, uma vez que do montante apurado (R$ 579.301,862,67), página 128 de 153 do TVF, "deveria ter sido excluída as vendas canceladas e a de simples remessa, o que não foi feito, pois, as informações esposadas em seu Termo de Verificação Fiscal, às páginas 118, se referem a somatória de notas fiscais emitidas, cujos cálculos foram feitos excluindose os valores das vendas canceladas e/ou de simples remessas(...)conquanto, o montante de notas fiscais emitidas, deduzidas as vendas canceladas e/ou de simples remessa, seria de RS 424.250.664.96, cuja diferença de R$ 155.051.197,71". 62. No TVF (fls. 118/120) a fiscalização esclarece que na apuração da Receita Bruta Conhecida (RBC) do Grupo ICA tomouse as notas fiscais emitidas pela ICA – COMERCIO, pela ICA – LIGAS e pela ICA RIO, abrangendo apenas CFOPs de venda, com exclusão das notas canceladas ou de simples remessa e com o expurgo das notas fiscais que relatavam operações fictícias (LATASA, CHANCELER, INBRA, MINAS ZINCO, AZA PAPEIS e CSI) e operações entre os CNPJs do GRUPO ICA. De tal procedimento, chegouse aos seguintes valores de RBC: R$ 118.231.350,85 em 2013, R$ 143.741.368,40 em 2014 e R$ 261.972.719,25 no total. 63. O montante das notas fiscais que relatavam operações fictícias (LATASA, CHANCELER, INBRA, MINAS ZINCO, AZA PAPEIS e CSI) está demonstrado às fls. 119 e corresponde ao constante das fls. 128: R$ 43.213.856,70 em 2013, R$ 114.687.057,81 em 2014 e R$ 157.900.914,51 no total. 64. Às fls. 129 consta a tabela de apuração mensal dos valores consolidados das notas fiscais RECEBIDAS e EMITIDAS pelo GRUPO ICA, cujos totais foram: R$ 177.602.680,35 em 2013, R$ 401.699.182,32 em 2014 e R$ 579.301.862,67 no total, que corresponde ao montante da autuação. Este montante é composto das seguintes parcelas: (...) Fl. 15227DF CARF MF 44 65. Desta forma, temos que o contribuinte, em sua impugnação, faz confusão entre os valores que foram considerados para a apuração da RBC para fins de lançamento do IRPJ e reflexos e os que embasaram a presente autuação. Os valores que foram expurgados da RBC referentes às operações fictícias (LATASA, CHANCELER, INBRA, MINAS ZINCO, AZA PAPEIS e CSI) foram exatamente os que compuseram o presente lançamento, somados ao montante das notas fiscais de entradas fictícias. Assim, conforme demonstrado na tabela acima, está correto o montante tributável levantado pela fiscalização, não havendo reparos a fazer. 66. Por fim, as argüições de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal, assim como a de suposta ofensa aos princípios da tipicidade (ou legalidade tributária específica), da verdade real ou material, da moralidade e da eficiência, constituem matéria que não pode ser apreciada no âmbito deste Processo Administrativo. Somente o Judiciário é competente para julgála, nos termos da Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, “a”, III e §§ 1º e 2º deste último. Assim, não podem tais arguições ser utilizadas como fundamento no presente julgamento. 67. Portanto, acertou a fiscalização na apuração da multa regulamentar referente aos anoscalendário de 2013 e 2014, nos termos inciso II, do art. 572 do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, sendo procedente a autuação. Da sujeição passiva solidária 68. De acordo com o TVF e conforme relatório supra (item 5.21), a fiscalização apurou a sujeição passiva solidária, nos termos dos artigos 124 e 135 do CTN e art. 819 do RIR. Em relação à presente autuação, foram arroladas os seguintes responsáveis solidários com seus respectivos enquadramentos legais e suas impugnações: 68.1. ICA RIO Metais Indústria e Comércio Ltda – ME, CNPJ 08.972.883/000103 – Inciso I do art. 124 do CTN (interesse comum) – Não apresentou impugnação; 68.2. ICA LIGAS de Alumínio Ltda, CNPJ 04.749.817/000118 – Inciso I do art. 124 do CTN (interesse comum) – Não apresentou impugnação; 68.3. IRINEU Peretto Junior, CPF 063.383.40845 – Inciso I do art. 124 do CTN (interesse comum) e inciso III do art. 135 do CTN (infração à lei) – Não apresentou impugnação; 68.4. MARILI Elisabete Mainardi Peretto, CPF 157.690.75899 – Inciso I do art. 124 do CTN (interesse comum) – Impugnação fls. 14586/14596; 68.5. MELISSA Mainardi Peretto, CPF 419.401.17836 – Inciso I do art. 124 do CTN (interesse comum) e inciso II do art. 135 do CTN (infração à lei) – Impugnação fls. 14618/14628; Fl. 15228DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.207 45 68.6. SEASTERS Participações e Empreendimentos Ltda, CNPJ 24.197.917/000196– Inciso I do art. 124 do CTN (interesse comum) – Impugnação fls. 14661/14670; 68.7. MEIRE Yumi Kimura Rangel, CPF 145.258.92838 – Inciso I do art. 124 do CTN (interesse comum) e inciso II do art. 135 do CTN (infração à lei) – Impugnação fls. 14601/14610; 68.8. EDUARDO da Cruz, CPF 105.228.60893 – Inciso I do art. 124 do CTN (interesse comum) e inciso II do art. 135 do CTN (infração à lei) – Impugnação fls. 14542/14551; 68.9. EVERALDO de Carvalho Gomes, CPF 805.034.54915 – Inciso I do art. 124 do CTN (interesse comum), inciso II do art. 135 do CTN (infração à lei) e art. 819 do Regulamento do Imposto de Renda (responsabilidade dos profissionais) – Impugnação fls. 14433/14447 e 14558/14567; 68.10. ROBERTO Leite, CPF 099.541.85860 – Inciso I do art. 124 do CTN (interesse comum), inciso II do art. 135 do CTN (infração à lei) e art. 819 do Regulamento do Imposto de Renda (responsabilidade dos profissionais) – Impugnação fls. 14451/14464 e 14635/14644; 68.11. CARLOS Donizeti Leite, CPF 073.409.22881 – Inciso I do art. 124 do CTN (interesse comum), inciso II do art. 135 do CTN (infração à lei) e art. 819 do Regulamento do Imposto de Renda (responsabilidade dos profissionais) – Impugnação fls. 14515/14524; 69. A existência de sujeito passivo que não tenha impugnado tempestivamente o lançamento que trate de responsabilidade solidária culminará com a preclusão do seu direito de fazêlo, tornandose o mesmo revel. Observese, contudo, que a existência de defesa por parte de outro coresponsável impede a cobrança do crédito, pois o eventual reconhecimento da improcedência do lançamento, ou a declaração de sua nulidade, podem ser aproveitados pelos demais, mesmo que não tenham apresentado impugnação. 70. EVERALDO e ROBERTO apresentaram duas impugnações, sendo as primeiras (fls. 14433/14447 e 14451/14464) de igual teor, onde argumentam, em síntese: 70.1. Cerceamento de defesa, alegando que: a) "os auditores responsáveis pelo lançamento, teceram um emaranhado de suposições, a maioria sem qualquer documento probante da assertiva"; b) os documentos que fundamentaram o lançamento são desconhecidos dos autuadossolidários; c) não possuem vínculo com o contribuinte. 70.2. Que o "interesse comum" apurado pela fiscalização como fundamento da responsabilidade solidária é inexistente, uma vez que não houve o auferimento de proveito com a falta de recolhimento do tributo. Fl. 15229DF CARF MF 46 70.3. Que não tinham qualquer poder na administração da sociedade, não cabendo o enquadramento no art. 135 do CTN, havendo exercido temporariamente a condição de contador, responsáveis por escriturar os documentos que a autuada lhe entregava, sem cometer rasuras, omissões, ou qualquer outro vício que possa lhe atribuir a responsabilidade solidária. 71. As demais impugnações apresentadas são similares e adotam as seguintes argumentações: 71.1. Os defendentes não exerciam a função de administradores, diretores, gerentes ou representantes do Grupo ICA. 71.2. No caso da SEASTERS alega nunca ter mantido relações comerciais com o Grupo ICA. 71.3. O "interesse comum" (art. 124, I do CTN) somente pode existir entre sujeitos que figurem no mesmo polo de relação obrigacional, pois só assim o interesse poderá ser considerado como comum. Deve haver um interesse jurídico, não sendo relevantes para gerar a solidariedade tributária os interesses de ordem econômica, moral ou social. O interesse jurídico se caracteriza pela existência de direitos e deveres iguais entre pessoas que ocupam o mesmo lado da relação jurídica que consista no fato gerador do tributo. 72. Quanto ao cerceamento de defesa alegado por EVERALDO e ROBERTO em suas primeiras impugnações, temos que: a) como já exposto no presente voto e relatório, os fatos apurados pela fiscalização encontramse suficientemente esclarecidos no TVF e demais documentos acostados aos autos, numa descrição detalhada, clara e repleta de provas; b) os documentos acostados foram utilizados para efetuar os lançamentos contábeis, assim, na condição de contadores, caberia a eles o conhecimento documental; c) os defendentes possuíam vínculo contratual para a prestação de serviços contábeis, através da empresa ACESP, conforme suas próprias impugnações. 72.1. Vale destacar que não se pode falar em cerceamento de defesa relativamente ao desconhecimento dos documentos que fundamentaram o lançamento uma vez que estes estão acostados aos autos. No que se refere ao cerceamento do direito de defesa, cabe salientar que o trâmite de um processo administrativo fiscal envolve dois momentos distintos: o momento do procedimento oficioso e o momento do procedimento contencioso. A primeira fase do procedimento, a fase oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária, que busca obter elementos, visando demonstrar a ocorrência do fato gerador e as demais circunstâncias relativas à exigência. 72.2. Na fase oficiosa, portanto, a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe. Já a fase processual contenciosa da relação fiscocontribuinte se inicia com a impugnação tempestiva do sujeito passivo (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972) e se caracteriza pelo conflito de interesses submetido à Administração. À solução desse conflito é que se aplicam as garantias constitucionais da observância do contraditório e da ampla defesa. Fl. 15230DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.208 47 72.3. Como a fase litigiosa só se instaura com a impugnação, fica assegurado ao contribuinte e aos responsáveis solidários, nessa fase, o mais amplo direito de apresentar suas alegações e documentos em sua defesa. 72.4. A despeito das alegações dos responsáveis, constatase que a ação fiscal foi conduzida por servidores competentes, o auto de infração foi devidamente motivado e foi concedido ao sujeito passivo e aos responsáveis solidários o prazo legal para a formulação de impugnação. O AI, os Termos de Verificação Fiscal e de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária, emitidos pelas autoridades lançadoras (com ciência dada aos sujeitos passivos) ainda contêm clara descrição dos fatos geradores da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; assim, não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório do recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. 72.5. Em outras palavras, o Fisco motivou o ato de lançamento e descreveu os elementos comprobatórios da ocorrência dos fatos jurídicos, assim como das circunstâncias em que foram verificados, respaldando, por conseguinte, o nascimento da relação jurídica por meio de suporte na linguagem das provas. 72.6. Resta claro, portanto, que não houve cerceamento do direito de defesa aos responsáveis tributários. Logo, correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, não merecendo prosperar as alegações da defesa. 73. No que se refere à responsabilidade solidária, o CTN assim prescreve: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (GN) Fl. 15231DF CARF MF 48 74. Entendese como prepostos as pessoas que agem em nome de uma empresa ou organização. Como exemplo temos, dentre outros: vendedores, gerentes, contabilistas, o representante comercial. De acordo com o Código Civil, temos o regramento jurídico dos prepostos, dentre eles os contabilistas e outros auxiliares, conforme abaixo: Seção III Do Contabilista e outros Auxiliares Art. 1.177. Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por qualquer dos prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se houver procedido de máfé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele. Parágrafo único. No exercício de suas funções, os prepostos são pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos atos dolosos. (GN) 75. Assim, o que se deve determinar, em relação às pessoas arroladas como responsáveis solidárias, é a existência, ou não, do "interesse comum" e/ou da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos por parte de mandatários, prepostos, empregados e dirigentes da pessoa jurídica, previstos no CTN. 76. A esse respeito, confirase a lição de Rubens Gomes de Sousa, em sua obra clássica Compêndio de Legislação Tributária (Edições Financeiras, 3ª ed., p. 67): São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação por outras palavras (...) pessoa que tira uma vantagem do ato, fato ou negócio tributário. (grifos nossos) 77. Os impugnantes alegam serem descabidas as suas inclusões no polo passivo, pois os mesmos não têm interesse jurídico, já que não ocupam o mesmo lado da relação jurídica que consista no fato gerador do tributo. 78. A responsabilidade tributária, em sentido estrito, “é a submissão, em virtude de disposição legal expressa, de determinada pessoa que não é contribuinte, mas está vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, ao direito do fisco de dirigir a prestação respectiva” 2. O conceito aí enunciado decorre do texto do Código Tributário Nacional, que define “responsável” pelo método da exclusão; 2 Hugo de BRITO MACHADO, Curso de Direito Tributário, 23ª ed., São Paulo, Malheiros, 2003, p. 145. Fl. 15232DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.209 49 vale dizer, define “contribuinte”, que é o sujeito que pratica o verbonúcleo da norma hipotética tributária, e, por exclusão, denomina de “responsável” todo sujeito passivo que responde pela obrigação tributária sem ser “contribuinte”, compondo essas espécies o gênero de “sujeito passivo” – arts. 121 e 128 do CTN. Nesse diapasão, temos que uma pessoa física pode vir a ser responsável por um crédito tributário de uma pessoa jurídica, e viceversa. 79. De mais a mais, o lançamento de ofício deve ser efetuado contra o contribuinte e todos os responsáveis tributários, ressaltandose que o art. 142 do CTN exige a identificação do sujeito passivo, conceito que engloba o contribuinte e o responsável, nos termos do seu art. 121. Demais disso, importante salientar que quando o Decreto n° 70.235/1972 estabelece, em seu art. 10, os elementos do auto de infração; faz referência à qualificação do autuado, podendo se entender que utilizou o termo “autuado” em sua acepção ampla, abrangendo as figuras do contribuinte e responsável tributário. 80. Segundo definição do artigo 121 do CTN, como sujeito passivo da obrigação tributária podemos ter, além do contribuinte, o “responsável”, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorrer expressamente de lei. 81. O artigo 124, inciso I, do CTN dispõe sobre a solidariedade tributária das “pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. 82. E o artigo 142 do CTN atribuiu à autoridade administrativa o poder/dever de, ao constituir o crédito tributário pelo lançamento, também identificar o sujeito passivo, o que inclui eventuais responsáveis, se constatadas situações, no curso do procedimento fiscal, que requeiram essa providência. 83. A fiscalização relata com pormenores como se deu o esquema fraudulento de emissão de notas fiscais (de entrada e saída) referentes a operações fictícias, carreando aos autos vasto conjunto probatório. Restou comprovado nos autos a infração de lei na prática de atos caracterizados como sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, além de crimes contra a ordem tributária previsto no art. 1º da Lei nº 8.137/1990. 84. Não pode ser esquecido, que, em observância às normas legais societárias e tributárias, todas as operações da empresa devem ser praticadas com licitude, documentadas nos assentamentos contábeis e fiscais, assim como declaradas com transparência nas obrigações acessórias apresentadas ao Fisco, com a apuração das obrigações tributárias devidas, o que, em absoluto, não se verificou no caso concreto. Fl. 15233DF CARF MF 50 85. Ora, no presente caso foi aplicada e está sendo mantida a multa qualificada, haja vista estar patente o intuito doloso do Grupo ICA e demais partícipes, ao, reiteradamente, receber e emitir notas fiscais referentes a operações fictícias. É certo que os envolvidos tinham pleno conhecimento dos procedimentos adotados pelo Grupo ICA que preside daí sua responsabilidade solidária nos termos do art. 135 do CTN. 86. Pois bem, nos exatos termos do relatório fiscal, foi atribuída responsabilidade solidária com fundamento no CTN art. 124, inciso I e/ou art. 135, inciso II ou III. 87. Passemos a analisar a condição de cada um dos responsáveis solidários impugnantes, os quais devem permanecer no polo passivo da obrigação tributária: 87.1. MARILI (Inciso I do art. 124 do CTN – interesse comum) – Cônjuge de IRINEU. Responsável pela assinatura de vários cheques e beneficiária de transferências bancárias num montante de R$ 1.792.518,97. Demonstrada sua atuação no esquema e recebimento de quantias em sua conta bancária, beneficiandose diretamente mediante acréscimo patrimonial. 87.2. MELISSA (Inciso I do art. 124 do CTN – interesse comum – e inciso II do art. 135 do CTN – infração à lei) – Filha de IRINEU. Em 03/09/2014, após o início das fraudes, MELISSA supostamente adquiriu os dois terrenos que abrigam a fábrica da ICA COMERCIO. De acordo com as DIRPF, MELISSA recebeu proventos de doações para poder lastrear a "aquisição dos terrenos". Posteriormente constituiu a empresa SEASTERS, em sociedade com sua irmã, onde integralizou capital através dos terrenos. Demonstrada a participação de MELISSA na operação de "blindagem patrimonial" para "transferência" da propriedade do principal bem imóvel do Grupo ICA, obtendo vantagem indevida com a simulação da transação imobiliária (acréscimo patrimonial) além da prática do próprio ato simulado. 87.3. SEASTERS (Inciso I do art. 124 do CTN – interesse comum) – Empresa de MELISSA, filha de IRINEU. Empresa constituída entre as filhas de IRINEU, com o objetivo de "blindar" os terrenos do Grupo ICA, não existindo de fato, sendo apenas "um CNPJ constituído exclusivamente para abrigar a propriedade da fábrica da ICA COMERCIO". Demonstrada a participação da SEASTERS na operação de "blindagem patrimonial", a qual recebeu em "integralização de capital" a propriedade do principal bem imóvel do Grupo ICA, obtendo vantagem indevida com simulação da transação imobiliária (acréscimo patrimonial). 87.4. MEIRE (Inciso I do art. 124 do CTN – interesse comum – e inciso II do art. 135 do CTN – infração à lei) – Empregada e responsável pelo setor financeiro do GRUPO ICA e possuía plena ciência das fraudes. Era responsável pela operacionalização do esquema fraudulento, efetuando, dentre outros, os pagamentos pelas notas fiscais "compradas" dos noteiros, simulação de pagamentos e operações mercantis. Conforme o TVF "o fato de ser funcionária, não a exime de ter Fl. 15234DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.210 51 que cumprir a legislação. Caso contrário, todos os funcionários do Brasil poderiam cometer crimes e ao fim alegar que estavam seguindo ordens dos controladores da empresa". Demonstrada sua atuação como operadora (partícipe) do esquema, com pleno conhecimento dos atos praticados com infração à lei, sendo caracterizada sua responsabilidade pessoal nos termos do art. 135, II do CTN; 87.5. EDUARDO (Inciso I do art. 124 do CTN – interesse comum – e inciso II do art. 135 do CTN – infração à lei) – Empregado e responsável pelo setor fiscal do GRUPO ICA e possuía plena ciência das fraudes. Era responsável pelo envio das notas fiscais inidôneas em valores milionários ao escritório de contabilidade para respectiva escrituração. Além disso, emprestava seu nome a outro CNPJ noteiro, com a percepção de renda mensal (R$ 1.500,00) por isso. Demonstrada sua atuação como operador (partícipe) do esquema, com pleno conhecimento dos atos ilegais praticados, além de ter recebido vantagem econômica ao emprestar seu nome a empresas noteiras. 87.6. EVERALDO, ROBERTO e CARLOS (Inciso I do art. 124 do CTN – interesse comum, inciso II do art. 135 do CTN – infração à lei – e art. 819 do RIR –responsabilidade dos profissionais – Contadores do Grupo ICA e de outras noteiras, sócios do escritório contábil ACESP e coordenadores das operações ilícitas. Elaboravam, transmitiam e assinavam as contabilidades entregues ao Fisco, contemplando lançamentos contábeis sem comprovação documental, com o claro objetivo de reduzir as bases de cálculo dos tributos devidos. Ainda ficou demonstrada a prática ilícita de não individualização dos pagamentos aos fornecedores para encobrir a fraude. Não exigiam a conciliação bancária de seus clientes. A ACESP, mediante o recebimento de 2,5% do montante dos créditos, protocolava pedidos de ressarcimentos (PERDCOMPs), tomando como fundamento os créditos tributários relativos ao PIS/COFINS lastreados nas notas fiscais inidôneas das noteiras. Praticaram infração à lei, notadamente os arts. 72 e 73 da lei 4.502/1964 e o art. 1º da lei 8.137/1990. Demonstrada suas atuações como operadores (partícipes) e beneficiários do esquema, com pleno conhecimento dos atos ilegais praticados, beneficiandose diretamente mediante acréscimo patrimonial. 88. Assim, uma vez demonstrada a necessidade de trazer para o polo passivo da exação os responsáveis tributários legais, cujos fundamentos estão em consonância com o CTN art. 124, incisos I e art. 135, II ou III; as pessoas arroladas devem permanecer como responsáveis tributários solidários. Fl. 15235DF CARF MF 52 Muito embora os motivos que levaram à autuação sejam gravíssimos e não tenham sido respondidos pela Recorrente, discordamos, com a devida vênia, da indicação de algumas das pessoas aqui referidas para figurar como responsável solidário pelo crédito lançado. Antes de dizêlos, cabe ressaltar que a responsabilização solidária com fundamento no art. 124, I, do CTN, reclama a configuração de um interesse comum, não econômico, mas jurídico. E há que se relacionar com os ilícitos jurídicotributários objeto da exação. O tema foi tratado no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 04, DE 10 DE DEZEMBRO DE 2018, assim ementado: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ART. 124, I, CTN. INTERESSE COMUM. ATO VINCULADO AO FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. ATO ILÍCITO. GRUPO ECONÔMICO IRREGULAR. EVASÃO E SIMULAÇÃO FISCAL. ATOS QUE CONFIGURAM CRIMES. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. NÃO OPOSIÇÃO AO FISCO DE PERSONALIDADE JURÍDICA APENAS FORMAL. POSSIBILIDADE. A responsabilidade tributária solidária a que se refere o inciso I do art. 124 do CTN decorre de interesse comum da pessoa responsabilizada na situação vinculada ao fato jurídico tributário, que pode ser tanto o ato lícito que gerou a obrigação tributária como o ilícito que a desfigurou. A responsabilidade solidária por interesse comum decorrente de ato ilícito demanda que a pessoa a ser responsabilizada tenha vínculo com o ato e com a pessoa do contribuinte ou do responsável por substituição. Devese comprovar o nexo causal em sua participação comissiva ou omissiva, mas consciente, na configuração do ato ilícito com o resultado prejudicial ao Fisco dele advindo. São atos ilícitos que ensejam a responsabilidade solidária: (i) abuso da personalidade jurídica em que se desrespeita a autonomia patrimonial e operacional das pessoas jurídicas mediante direção única ("grupo econômico irregular"); (ii) evasão e simulação e demais atos deles decorrentes; (iii) abuso de personalidade jurídica pela sua utilização para operações realizadas com o intuito de acarretar a supressão ou a redução de tributos mediante manipulação artificial do fato gerador (planejamento tributário abusivo). O grupo econômico irregular decorre da unidade de direção e de operação das atividades empresariais de mais de uma pessoa jurídica, o que demonstra a artificialidade da separação jurídica de personalidade; esse grupo irregular realiza indiretamente o fato gerador dos respectivos tributos e, portanto, seus integrantes possuem interesse comum para serem responsabilizados. Contudo, não é a caracterização em si do Fl. 15236DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.211 53 grupo econômico que enseja a responsabilização solidária, mas sim o abuso da personalidade jurídica. Os atos de evasão e simulação que acarretam sanção, não só na esfera administrativa (como multas), mas também na penal, são passíveis de responsabilização solidária, notadamente quando configuram crimes. Atrai a responsabilidade solidária a configuração do planejamento tributário abusivo na medida em que os atos jurídicos complexos não possuem essência condizente com a forma para supressão ou redução do tributo que seria devido na operação real, mediante abuso da personalidade jurídica. Restando comprovado o interesse comum em determinado fato jurídico tributário, incluído o ilícito, a não oposição ao Fisco da personalidade jurídica existente apenas formalmente pode se dar nas modalidades direta, inversa e expansiva. Dispositivos Legais: art. 145, §1º, da CF; arts. 110, 121, 123 e 124, I, do CTN; arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964; Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; arts. 60 e 61 do DecretoLei nº 1.598. de 26 de dezembro de 1977; art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995; arts. 167 e 421 do Código Civil. (g.n.) Nos fundamentos do aludido Parecer, esclareceuse: 15. Apesar de neste parecer concordarse com a linha da consulente no sentido de ser possível a responsabilização pelo inciso I do art. 124 do CTN para situação de ilícitos, em geral, ele não implica que qualquer pessoa possa ser responsabilizada. Esta deve ter vínculo com o ilícito e com a pessoa do contribuinte ou do responsável por substituição, comprovando se o nexo causal em sua participação comissiva ou omissiva, mas consciente, na configuração do ato ilícito com o resultado prejudicial ao Fisco dele advindo. 16. Não é qualquer interesse comum que pode ensejar a aplicação do disposto no inciso I do art. 124 do CTN. O interesse deve ser no fato ou na relação jurídica relacionada ao fato jurídico tributário, como visto acima. Assim, o mero interesse econômico, sem comprovação do vínculo com o fato jurídico tributário (incluídos os atos ilícitos a ele vinculados) não pode caracterizar a responsabilização solidária, não obstante ser indício da concorrência do interesse comum daquela pessoa no cometimento do ilícito. Transcrevese elucidativo trecho de julgado do CARF: “O interesse comum de que trata o artigo 124, inciso I, do CTN é sempre jurídico, não devendo ser confundido com "interesse Fl. 15237DF CARF MF 54 econômico", "sanção", "meio de justiça" etc. O interesse econômico, reconhecemos, até pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. E também não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida. Pelo contrário, a comprovação de que o sujeito tido por solidário teve interesse jurídico, o que se faz com a demonstração cabal da relação direta e pessoal dele com a prática do ato ou atos que deram azo à relação jurídico tributária, é requisito fundamental para fins de aplicação de responsabilidade solidária.” (CARF, Acórdão nº 1201001.974, Rel. Luis Henrique Marotti Toselli.) 17. Ao caracterizar o interesse comum como sendo aquele relacionado com algum vínculo ao fato jurídico tributário, pode se criar a falsa impressão de que neste parecer se alinharia à tese de que o interesse comum seria o que se denominou interesse jurídico, o que não é verdade. 17.1. Em muitas situações, mormente quando se está diante de cometimento de atos ilícitos, estes se configuram na medida em que a essência do verdadeiro fato jurídico esteve artificialmente escondida ou manipulada por determinadas pessoas. Não haveria, assim, propriamente um vínculo jurídico formalizado. Há, isso sim, um vínculo que se torna jurídico, ao menos em âmbito tributário, no momento em que há a imputação de responsabilidade. 17.2. É por isso, ainda, que se é bastante crítico à tese de que o interesse comum seria um interesse jurídico, consubstanciado no fato de as pessoas constituírem do mesmo lado de uma relação jurídica (ambos compradores ou vendedores, por exemplo), não podendo estar em lados contrapostos. Isso seria verdade numa situação normal, ou seja, na ocorrência de um negócio jurídico lícito, cuja forma representa fielmente a sua essência. A partir do momento em que essas partes se reúnem para cometimento de ilícito, é evidente que elas não estão mais em lado contrapostos, mas sim em cooperação para afetar o Fisco numa segunda relação paralela àquela constante do negócio jurídico. 18. Na linha até aqui desenvolvida, devese ter o cuidado de avaliar qual ilícito pode ensejar a responsabilização solidária, pois ele deve repercutir em âmbito tributário. Conforme Andréa Darzé: “No que se refere à responsabilidade tributária, o que se nota é que não é qualquer ilícito que poderá ensejar a atribuição de sanção dessa natureza; deve ser fato que representa obstáculo à positivação da regramatriz de incidência, nos termos Fl. 15238DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.212 55 inicialmente fixados. Descumprido dever que, direta ou indiretamente, dificulte ou impeça a arrecadação de tributos, irrompe uma relação jurídica de caráter sancionatório, consubstanciada na própria imputação da obrigação que inclui no seu objeto o valor do tributo. Com isso, o ordenamento positivo pune o infrator e desestimula a prática de atos dessa natureza.” (DARZÉ, Andréa M. Responsabilidade tributária Solidariedade e Subsidiariedade. São Paulo: Noeses, 2010, p. 96) (grifamos) Feitas essas considerações, passamos à análise dos apontados solidários cuja responsabilidade, a nosso juízo, deve ser afastada, destacando, de início, que os motivos que reclamam o afastamento da responsabilização do sócioadministrador IRINEU PERETTO JUNIOR, expostos no recurso voluntário apresentado pela contribuinte autuada, não serão aqui apreciados, uma vez que este não apresentou impugnação à DRJ, de sorte que precluso o seu direito de fazêlo nesta instância administrativa. MARILI ELISABETE MAINARDI PERETTO, CPF 157.690.75899 Segundo o Termo de Verificação Fiscal, esta pessoa física, esposa do sócio administrador Irineu Peretto Junior, assinou cheques que foram utilizados na aquisição de mercadorias para as fábricas do grupo, bem como recebeu transferências bancárias da ICA LIGAS, em 2013 e 2014, no valor total de R$ 1.792.518,97. Entendemos, contudo, que o fato de ser cônjuge do sócioadministrador, independentemente do seu regime de bens, de ter assinado alguns cheques utilizados na aquisição de insumo, ou mesmo de ter recebidos recursos financeiros de uma das empresas envolvidas no ilícito não atrai a responsabilidade prevista no art. 124, I, do CTN, porquanto nenhuma relação tem com o fatojurídico tributário de cuja ocorrência resultou o lançamento. Nada se atribui à pessoa física aqui referida, além dos fatos apontados, que demonstrasse a sua ingerência nas empresas do grupo, tampouco a sua participação ativa em algumas daquelas que com as primeiras, do Grupo ICA, se relacionaram, de modo a viabilizar a sua responsabilização solidária. MELISSA MAINARDI PERETTO e SEASTERS PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, houve uma operação de blindagem patrimonial para proteger o principal imóvel do GRUPO ECONÔMICO ICA: a fábrica automatizada e que apresenta maior produção. A operação foi assim engendrada: os dois terrenos ocupados pela ICA COMÉRCIO, de propriedade da ICA LIGAS, foram supostamente vendidos à MELISSA MAINARDI PERETTO, filha do sócioadministrador Irineu Peretto Junior e sem renda suficiente para a aquisição. Fl. 15239DF CARF MF 56 Posteriormente, a Melissa e a sua irmã, Nathalia Mainardi Peretto, constituíram a empresa SEASTERS PARTICIPACOES E EMPREENDIMENTOS LTDA., para a qual foram transferidos os imóveis referidos. Aqui também, a nosso juízo, a fiscalização foi além do que permite a melhor interpretação do art. 124, I, do CTN. A despeito de configurar, em tese, fraude à execução – e o questionamento deste ato jurídico pode e deve ser feito, mas noutra sede processual –, não há qualquer relação entre a Melissa e a empresa da qual é sócia, a SEASTERS, nos ilícitos tributários levados a efeito pela Recorrente. Assim, é de se afastar a sujeição passiva das pessoas física e jurídica mencionadas. No que respeita, porém, aos contadores e às pessoas físicas Eduardo Cruz e Meire Yumi Kimura Rangel, este Colegiado Administrativo tem entendido cabível a sua responsabilização, conforme se demonstra com a seguinte ementa de acórdão: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONTADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária aos mandatários, prepostos e administradores de fato da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de ofício decorram de atos daqueles, praticados com infração dolosa à lei. (Acórdão nº 1401001.852, de 12 de abril de 2017). MEIRE YUMI KIMURA RANGEL Todos os atos praticados pela Sra. Meire são, na verdade, de responsabilidade do sócio sócioadministrador IRINEU PERETTO JUNIOR. O fato de ter efetuado pagamentos – repitase, por ordem inequívoca deste –, ainda que em face de notas fiscais falsas, não atrai a sua responsabilidade, senão que apenas autoriza e reforça a do sócioadministrador. A verdade é que, ao menos do que ressai dos autos, tratase de uma mera empregada (assistente administrativo, fazendo, inclusive, pagamentos pessoais do Sr. Irineu, tais como os referentes a cartões de créditos, condomínios e marinheiro), tanto que, no Termo de Verificação Fiscal (fl. 13), afirmou – fato não contestado pela fiscalização, mas por ele corroborado –, que não existia relação entre o financeiro e o recebimento de material e que os pagamentos eram feitos com a ordem do Sr. Irineu e com as fichas de entrada. Assim, não vemos caracterizada a sua responsabilização, quer pelo art. 124, I, quer pelo art. 135, II, do CTN. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO aos recursos voluntários apresentados por Marili Elisabete Mainardi Peretto, Melissa Mainardi Peretto, Seasters Participações e Empreendimentos ltda. e Meire Yumi Kimura Rangel, para afastar a sua responsabilidade solidária pelo crédito tributário lançado, e NEGO PROVIMENTO aos demais recursos. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 15240DF CARF MF Processo nº 16095.720253/201788 Acórdão n.º 3201005.464 S3C2T1 Fl. 15.213 57 Fl. 15241DF CARF MF
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