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Numero do processo: 10880.660416/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.817
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 16 /2 01 2- 19 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660416/201219 Acórdão n.º 3401004.817 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660416/201219 Acórdão n.º 3401004.817 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660416/201219 Acórdão n.º 3401004.817 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660416/201219 Acórdão n.º 3401004.817 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660416/201219 Acórdão n.º 3401004.817 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660416/201219 Acórdão n.º 3401004.817 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10600.720029/2016-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA. INSUBSISTÊNCIA
O indeferimento do pleito quanto ao pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção.
NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA
O procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, com observância ao art. 142 do CTN, e o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar as razões de defesa, juntada de provas que entendesse necessárias para fundamentar suas alegações. Restou plenamente assegurado o contraditório e a ampla defesa.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho, integrando a remuneração e o salário-de-contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária.
PRÊMIO PRODUTIVIDADE
Quanto ao prêmio de produtividade, não assiste razão à Recorrente quanto às alegações aduzidas da presente matéria, pois pelo contexto fático-probatório resta clara a sua natureza remuneratória.
SEGURADOS OMITIDOS EM GFIP
Caberia ao sujeito passivo a exposição das razões de sua insurgência e carrear provas relacionadas às discordâncias, a teor do que dispõe o artigo 16, III, do Decreto nº 70.235/72. Deveria o contribuinte apontar e provar nos autos a condição de servidor efetivo e/ou aposentado de cada um dos trabalhadores relacionados pela fiscalização nos citados anexos do TVF, o que não foi feito no presente caso.
DA MULTA APLICADA
Quanto à insubsistência da aplicação da multa e a alegação de bis in idem, constata-se que não houve qualquer duplicidade, tendo sido aplicada de forma correta somente a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 2401-005.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que votaram por dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo apurada os pagamentos efetuados a título de adicional de terço constitucional de férias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(Assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA. INSUBSISTÊNCIA O indeferimento do pleito quanto ao pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA O procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, com observância ao art. 142 do CTN, e o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar as razões de defesa, juntada de provas que entendesse necessárias para fundamentar suas alegações. Restou plenamente assegurado o contraditório e a ampla defesa. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho, integrando a remuneração e o salário-de-contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária. PRÊMIO PRODUTIVIDADE Quanto ao prêmio de produtividade, não assiste razão à Recorrente quanto às alegações aduzidas da presente matéria, pois pelo contexto fático-probatório resta clara a sua natureza remuneratória. SEGURADOS OMITIDOS EM GFIP Caberia ao sujeito passivo a exposição das razões de sua insurgência e carrear provas relacionadas às discordâncias, a teor do que dispõe o artigo 16, III, do Decreto nº 70.235/72. Deveria o contribuinte apontar e provar nos autos a condição de servidor efetivo e/ou aposentado de cada um dos trabalhadores relacionados pela fiscalização nos citados anexos do TVF, o que não foi feito no presente caso. DA MULTA APLICADA Quanto à insubsistência da aplicação da multa e a alegação de bis in idem, constata-se que não houve qualquer duplicidade, tendo sido aplicada de forma correta somente a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que votaram por dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo apurada os pagamentos efetuados a título de adicional de terço constitucional de férias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
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PEDIDO DE PERÍCIA. INSUBSISTÊNCIA O indeferimento do pleito quanto ao pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA O procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, com observância ao art. 142 do CTN, e o contribuinte foi devidamente intimado para apresentar as razões de defesa, juntada de provas que entendesse necessárias para fundamentar suas alegações. Restou plenamente assegurado o contraditório e a ampla defesa. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho, integrando a remuneração e o saláriodecontribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária. PRÊMIO PRODUTIVIDADE Quanto ao prêmio de produtividade, não assiste razão à Recorrente quanto às alegações aduzidas da presente matéria, pois pelo contexto fáticoprobatório resta clara a sua natureza remuneratória. SEGURADOS OMITIDOS EM GFIP Caberia ao sujeito passivo a exposição das razões de sua insurgência e carrear provas relacionadas às discordâncias, a teor do que dispõe o artigo 16, III, do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 60 0. 72 00 29 /2 01 6- 71 Fl. 3828DF CARF MF Processo nº 10600.720029/201671 Acórdão n.º 2401005.540 S2C4T1 Fl. 3 2 Decreto nº 70.235/72. Deveria o contribuinte apontar e provar nos autos a condição de servidor efetivo e/ou aposentado de cada um dos trabalhadores relacionados pela fiscalização nos citados anexos do TVF, o que não foi feito no presente caso. DA MULTA APLICADA Quanto à insubsistência da aplicação da multa e a alegação de bis in idem, constatase que não houve qualquer duplicidade, tendo sido aplicada de forma correta somente a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora), Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que votaram por dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo apurada os pagamentos efetuados a título de adicional de terço constitucional de férias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Fl. 3829DF CARF MF Processo nº 10600.720029/201671 Acórdão n.º 2401005.540 S2C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ/RPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o Crédito tributário, conforme ementa do Acórdão nº 1464.944 (fls. 3754/3784): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE CLAREZA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS NO RELATO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Descabida a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o relatório fiscal e seus anexos contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. ADICIONAL DE 1/3 DAS FÉRIAS. Integra o saláriodecontribuição o adicional de 1/3 (um terço) de férias, de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal, enquanto eventual decisão judicial erga omnes não tenha tido seu efeito vinculante reconhecido pelo órgão competente previsto em lei. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PRÊMIO POR PRODUTIVIDADE. ENTE SEM NATUREZA LUCRATIVA. Entendese por salário de contribuição, para o segurado empregado e contribuinte individual, a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades ou prêmios, não se caracterizando participação dos empregados nos lucros ou resultados quando o ente empregador não tem natureza lucrativa ou quando tal direito constitucional não foi previsto para os trabalhadores a ele vinculados. SERVIDORES PÚBLICOS NÃO EFETIVOS. CARGO EM COMISSÃO. VINCULAÇÃO AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. Os servidores públicos ocupantes de cargos comissionados de recrutamento amplo, de livre nomeação e exoneração, não ocupantes de cargos efetivos, devem contribuir para o Regime Geral de Previdência Social RGPS, na qualidade de segurados obrigatórios. Fl. 3830DF CARF MF Processo nº 10600.720029/201671 Acórdão n.º 2401005.540 S2C4T1 Fl. 5 4 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Nos casos de lançamento de ofício deve ser aplicada a penalidade de ofício, aplicandose a multa de mora somente nos casos de recolhimento espontâneo. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas documentais devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não têlo feito naquela oportunidade. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia com o intuito de produzir provas que deveriam ser apresentadas na impugnação. CONTRIBUINTE ENTE FEDERATIVO ESTADUAL. INTIMAÇÕES DIRIGIDAS AO PROCURADORGERAL. Por força da competência estabelecida nas leis de regência, as intimações referentes a contribuinte ente federativo estadual, quais sejam os Estados ou o Distrito Federal, devem ser dirigidas ao correspondente ProcuradorGeral do Estado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata do lançamento de contribuições previdenciárias patronais, incluindo as contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa resultantes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, e de contribuições previdenciárias devidas pelos segurados incidentes sobre parcelas remuneratórias pagas, devidas ou creditadas a segurados a seu serviço, devidas e não recolhidas pelo Contribuinte em época própria, apuradas em Folhas de Pagamento e não declaradas em GFIP (Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), referentes ao período de Janeiro/2012 a Dezembro/2013. O valor do Crédito Tributário apurado: · No Auto de Infração referente à Contribuição da Empresa e do Empregador, consolidado em 01/06/2016, acrescido de juros de mora e multa proporcional, é de R$ 29.336.511,54 (fl. 08). · No Auto de Infração referente à Contribuição Previdenciária dos Segurados, consolidado em 01/06/2016, acrescido de juros de mora e multa proporcional, é de R$ 15.379.999,00 (fl. 24). Fl. 3831DF CARF MF Processo nº 10600.720029/201671 Acórdão n.º 2401005.540 S2C4T1 Fl. 6 5 O Total das Obrigações tributárias lançadas nos dois Autos de Infração é de R$ 44.716.510,54 (fl. 02). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF (Relatório Fiscal), de fls. 33 a 50: 1. O procedimento fiscal abrange, originalmente, os anos calendários de 2010 a 2013. Entretanto, em 23/12/2015, a fiscalização referente aos anos calendários de 2010 e 2011 foi encerrada parcialmente, tendo sido, na ocasião, feita autuação por descumprimento das obrigações tributárias referentes às Contribuições Sociais Previdenciárias (processo n° 10600720.135/201574), com lançamentos de créditos tributários totalizando R$ 20.539.153,31; 2. Durante o procedimento fiscal informações, documentos e esclarecimentos foram solicitados, inclusive arquivos digitais com informações contábeis e da folha de pagamento; 3. Foram analisadas e consideradas todas as informações obtidas através de consultas e extrações provenientes do banco de dados dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive os declarados nas GFIP consideradas válidas; 4. Os fatos geradores apurados correspondem à remuneração de servidores não efetivos, vinculados ao Regime Geral da Previdência Social – RGPS; 5. Da análise das Folhas de Pagamento apresentadas a fiscalização apurou que o valor da remuneração de segurados empregados é superior ao valor declarado em GFIP. Constatou que não foram consideradas algumas rubricas na composição da base de cálculo, dentre as quais se destaca a Gratificação de 1/3 de férias (verba 0152, omitida sistematicamente da GFIP em janeiro de 2010) e o Prêmio de produtividade (rubricas 0399 e 0373); 6. Comparados os valores registrados em folhas de pagamento com os respectivos valores declarados em GFIP, houveram casos onde segurados empregados foram omitidos da GFIP em determinadas competências. Intimado o Contribuinte para justificar as divergências, nada foi apresentada, razão pela qual foi feito o lançamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados omitidos em GFIP (Demonstrativo nas fls. 502/1.090); 7. As alíquotas aplicadas foram: a. De contribuição de segurado: 7,65% a 11%, respeitado o limite máximo do salário de contribuição; b. Patronal: 20%; Fl. 3832DF CARF MF Processo nº 10600.720029/201671 Acórdão n.º 2401005.540 S2C4T1 Fl. 7 6 c. GIRAT: de 1%, conforme enquadramento da atividade preponderante para o CNAE 85201/00 (Ensino Médio); d. FAP de 1,1638 em 2012 e de 1,1852 em 2013. 8. Foram aplicadas Multa de Ofício e de Mora. Em 15/06/2016 o Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração lavrados (fls. 02/03) e, em 04/07/2016, tempestivamente, apresentou sua impugnação de fls. 3720 a 3742. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/RPO para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1464.944, em 17/05/2016 a 10ª Turma julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Em 12/04/2017 o Contribuinte tomou ciência do Acordão (AR – fl. 3793) e, em 17/05/2017, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 3797 a 3821, onde: 1. Preliminarmente: · Disserta sobre tempestividade do Recurso apresentado (fl. 3800); · Argui a nulidade processual mediante o indeferimento do requerimento de Perícia Contábil feito na Impugnação (fls. 3800/3801); · Argui a nulidade do procedimento fiscal por violação ao contraditório e à ampla defesa (fls. 3801/3802); · Fala que o todo o procedimento fiscal é inválido uma vez que o lançamento fiscal foi feito baseado em presunção (fls. 3802/3803); 2. Na eventualidade de não acolhimento de quaisquer das questões preliminares suscitadas, fala da necessidade de reforma do Acórdão recorrido, argumentando que as parcelas não computadas não deveriam, efetivamente, integrar a base de cálculo das contribuições (fls. 3803/3812); 3. Com relação aos segurados empregados omitidos em GFIP, alega restar prejudicado o exercício do seu direito de defesa, violando os princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que no Relatório Fiscal não tem qualquer informação a respeito de quem seriam esses segurados empregados, suas funções e por qual razão eles deveriam ser incluídos (fls. 3812//3819); 4. Alega que foram aplicadas duas multas distintas em função do mesmo fato gerador, evidenciando um bis in idem, razão pela qual entende que deve ser decotada a multa mais gravosa. Complementa dizendo que, no caso de serem mantidas as duas multas, verificase a Fl. 3833DF CARF MF Processo nº 10600.720029/201671 Acórdão n.º 2401005.540 S2C4T1 Fl. 8 7 necessidade de redução dos percentuais adotados, sob pena de evidente confisco de bens do Estado de Minas Gerais (fls. 3819/3820). Conclui o RV requerendo sua admissão e julgamento a fim de: 1. Preliminarmente, declarar nula a decisão recorrida e/ou declarar nulo todo o procedimento fiscal; 2. No mérito, dar provimento ao recurso para reformar a decisão recorrida, cancelar o lançamento efetuado e reconhecer a inexistência do débito; 3. Que, em face da eventualidade de ser mantido o crédito tributário no todo ou em parte, sejam descontadas/reduzidas as multas aplicadas, nos termos definidos no item “2.5” do RV. Não houve requisição dos autos para apresentação de contrarrazões pela PGFN. É o relatório Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminares Nulidade da decisão de primeira instância – Pedido de perícia Pleiteia a Recorrente nulidade da decisão de primeira instância em face do indeferimento na realização de perícia. Cumpre nesse ponto destacar que a perícia tem por finalidade a elucidação de questões técnicas ou fáticas que suscitem dúvidas ao julgador, o qual cabe avaliar a necessidade da produção da prova técnica que exige conhecimento especial. No presente caso, o Relatório Fiscal e seus anexos detalham de maneira clara os critérios utilizados pela fiscalização na forma de apuração do crédito tributário, a partir das diferenças encontradas em Folha de Pagamento, GFIP e arquivos digitais Fl. 3834DF CARF MF Processo nº 10600.720029/201671 Acórdão n.º 2401005.540 S2C4T1 Fl. 9 8 Qualquer demonstração de que existem vícios no lançamento se dá por meio de alegações consistentes lastreadas com as provas documentais diretamente por parte do sujeito passivo. O julgador entendeu que a análise do presente caso prescinde da perfectibilização de prova pericial. Nesse sentido, o Decreto 70.235/1972 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece que ao julgador cabe a determinação das diligências que entender necessárias, pois na apreciação da prova formará livremente a sua convicção: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, diferente do que foi suscitado pela recorrente, entendo que o indeferimento do seu pleito quanto ao pedido de perícia não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. Assim, rejeito a preliminar suscitada pela parte. Nulidade – Falta de motivação e violação ao contraditório e ampla defesa Segundo o Recorrente o lançamento foi imotivado em virtude da ausência de fundamentos para a inclusão da rubrica 1/3 (um terço) de férias, além de não constar quem seriam os segurados empregados omitidos da GFIP, quais as suas funções e por qual motivo deveriam ser incluídos. Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário e observância do contraditório e da ampla defesa. Consoante se verifica, o Auto de Infração fls. 8/31, acrescido com os Demonstrativos de Apuração, descrição dos fatos, enquadramento legal, o Termo de Verificação Fiscal adunado às fls. 33/50 e toda a documentação a qual se lastreou, demonstram a sua clara motivação. Ademais, não há que se falar em lançamento baseado em presunção quando o sujeito passivo foi intimado para apresentar documentação e, com base no conjunto probatório colhido e nas informações transmitidas através dos sistemas eletrônicos com os dados fornecidos pelo contribuinte, foi formalizada a autuação fundamentada nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal para a apuração do crédito tributário, como estabelecido pelo art. 142 do CTN. O procedimento fiscalizatório encontrase subsidiado nos termos dos preceitos normativos atinentes à matéria, sendo o contribuinte devidamente intimado para apresentação das razões de defesa e para juntada de provas que entendesse necessárias para a fundamentação das suas alegações. Restou, portanto, plenamente assegurado o contraditório e a ampla defesa, razão porque afasto a preliminar suscitada. Da Gratificação de 1/3 de férias Fl. 3835DF CARF MF Processo nº 10600.720029/201671 Acórdão n.º 2401005.540 S2C4T1 Fl. 10 9 A Recorrente se insurge contra a exigência da contribuição relativa ao adicional do terço constitucional de férias, nos termos do item 5.1 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 39), nos seguintes termos: Dentre estas rubricas, merecem destaque a gratificação de 1/3 de férias (verba 0152, omitida sistematicamente da GFIP em janeiro de 2010) e o chamado prêmio de produtividade, transitado pelas Folhas de Pagamentos sob as rubricas 0399 e 0373. Tratase a gratificação de 1/3 de férias, rubrica 0152, ou terço constitucional sobre férias gozadas (inciso XVII do art. 7° da CF), de parcela adicional que segue a natureza do pagamento do principal, ou seja, as férias, as quais representam remuneração auferida pelo trabalhador, e, por consequência, passível de incidência de contribuições previdenciárias. Desta forma, tanto quanto em relação às férias, quando o segurado exerce seu direito ao descanso, como em relação ao adicional de 1/3 de férias, haverá incidência da contribuição social previdenciária. [...]. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do REsp 1.230.957 decidido em sede de recurso repetitivo, entendeu que não incide a contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, sobre o aviso prévio indenizado ou sobre os primeiros 15 dias de afastamento que antecedem ao auxíliodoença. Posteriormente, o STF consolidou o entendimento, no RE 565.160, publicado em 23 de agosto de 2017, no sentido de que essa matéria possuía natureza infraconstitucional, razão pela qual deveria prevalecer a decisão firmada no âmbito do STJ sobre a matéria em comento. Destarte, em virtude do que dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015, os Conselheiros deverão reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ no rito dos artigos 543B e 543C do CPC, senão vejamos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, no cálculo do tributo devido, deve ser excluída da base de cálculo os pagamentos efetuados a título de adicional do terço constitucional de férias. Do prêmio de produtividade Fl. 3836DF CARF MF Processo nº 10600.720029/201671 Acórdão n.º 2401005.540 S2C4T1 Fl. 11 10 Segundo alegações de defesa o prêmio produtividade não configura ganho habitual e referese à participação nos resultados aferido por metas estabelecidas em lei estadual (Lei nº 17.600/2000), sendo descabida a sua consideração como salário de contribuição por tratarse de PLR, conforme disposto no art. 28, §9°, alínea "j", da Lei n° 8.212/91. Nesse ponto convém trazer à colação os bens fundamentados trechos do TVF acerca da exigência traduzida no lançamento: A Lei Estadual n° 17.600, de 01/07/2008, veio disciplinar o denominado Acordo de Resultados e conceituar o benefício do Prêmio de Produtividade em seu Capítulo IV nos seguintes termos: [...] O Prêmio por Produtividade configurase, portanto como uma remuneração variável, sendo devido ao servidor desde que atendidas as condições fixadas para o seu pagamento e o resultado das avaliações de desempenho. Para que possa fazer jus ao pagamento, o servidor deve perseguir e alcançar as metas definidas pela Administração Pública e o órgão ou entidade concessor deve obter resultado satisfatório na avaliação de desempenho institucional quanto às metas pactuadas e alcançadas, sendo, também, obrigado a realizar avaliação de desempenho individual permanente de seus servidores. Assim, o Prêmio por Produtividade constitui uma forma de salário vinculada a fatores de ordem pessoal do servidor ou geral de muitos servidores, configurandose como uma contraprestação dos serviços prestados. [...] Cabe ressaltar que a natureza remuneratória de uma determinada parcela independe de sua denominação, conforme se depreende da leitura do Art. 28, I da lei 8.212/91 e outros dispositivos da legislação previdenciária. Tampouco se poderia admitir que tais pagamentos, apesar de sua denominação, tivessem ocorrido sob o amparo da lei nº 10.101, de 19/12/2000, que trata da participação do trabalhador em lucros e resultados, haja vista que tal instrumento é um incentivo à produtividade nas empresas, livremente acordado através de instrumentos de negociação coletiva entre empregados e empregadores e outros requisitos, sendo ainda que a própria lei deixa claro que se trata de um instrumento de integração entre os fatores de produção capital e trabalho, conforme o excerto abaixo: [...] Ora, tais conceitos e institutos são estranhos à própria natureza do Ente Estatal e suas funções, uma vez que a pessoa jurídica de direito público não exerce atividade econômica, não possui objetivo de lucro e nem pode conceituar “resultados” no Fl. 3837DF CARF MF Processo nº 10600.720029/201671 Acórdão n.º 2401005.540 S2C4T1 Fl. 12 11 contexto aplicável às empresas privadas, haja vista que seu desempenho financeiro é vinculado a execução de um orçamento previamente aprovado em lei, não sendo concebível, portanto, a participação em lucros ou resultados contextualizada na bonificação de seus agentes públicos. [...] Portanto, não estando incluído na relação discriminada no § 3° do art. 39 da CF, o direito social contido no inciso XI do art. 7º — participação nos lucros ou resultados das empresas, regulamentado pela Lei nº 10.101/2000 — não se estende, por determinação Constitucional, aos servidores públicos, donde se conclui que os pagamentos efetuados sob as rubricas denominadas 0399 – Prêmio por Produtividade e 0373 – Prêmio por Resultados integram o salário de contribuição para fins de incidência da Contribuição Social previdenciária. Dessa forma, quanto ao prêmio de produtividade, entendo que não assiste razão à Recorrente quanto às alegações aduzidas da presente matéria, pois pelo contexto fático probatório resta clara a sua natureza remuneratória. Dos segurados empregados omitidos em GFIP Segundo o Recorrente foi cerceado o seu direito de defesa pois não consta no lançamento o detalhamento sobre os fundamentos da autuação ou qualquer informação de quem seriam os segurados omitidos em GFIP e quais suas funções. Aduz que pela competência concorrente dos entes federativos pode instituir tributos de seus servidores e que falece competência à Receita Federal para cobrar contribuições previdenciárias dos servidores estaduais não efetivos. Pois bem. Com a publicação da Emenda Constitucional nº 20/1998, que incluiu o § 13 no art. 40 da Constituição Federal, foram introduzidas modificações no regramento jurídico relativo à vinculação dos servidores temporários obrigatoriamente ao RGPS, conforme se destaca a seguir: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) [...] § 13 – Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica Fl. 3838DF CARF MF Processo nº 10600.720029/201671 Acórdão n.º 2401005.540 S2C4T1 Fl. 13 12 se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) A redação estabelecida no § 13 deixa claro que, a partir da publicação da EC nº 20, em 15/12/1998, os servidores ocupantes de cargo em comissão, bem como de cargo temporário, ao lado dos empregados públicos, vinculamse obrigatoriamente ao RGPS. Essa regra foi corroborada com a edição da Lei nº 9.717/1998, através da qual o legislador ordinário concedeu o direito de participação em regimes próprios de previdência social em caráter exclusivo somente aos servidores titulares de cargos efetivos, verbis: Art.1º. Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: [...] V – cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; Destarte, a Constituição da República estabelece a competência privativa da União para legislar sobre a seguridade social (art. 22, XXIII), a qual será financiada por toda a sociedade, mediante recursos provenientes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das contribuições sociais do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, senão vejamos: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; Nesse sentido, a Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre a organização e Plano de Custeio da Seguridade Social, estabelece em seu artigo 15 que considerase empresa, para os fins de aplicação das normas previdenciárias, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional: Art. 15. Considerase: I – empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou Fl. 3839DF CARF MF Processo nº 10600.720029/201671 Acórdão n.º 2401005.540 S2C4T1 Fl. 14 13 não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Destaquese ainda o que a Lei nº 8.212/91 determinou acerca dos segurados obrigatórios e dos que são excluídos do Regime Geral de Previdência Social: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Assim, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN). No presente caso, a fiscalização procedeu ao lançamento das contribuições devidas, lastreada nas informações disponíveis, constantes dos arquivos digitais das Folhas de Pagamento e nas informações prestadas pelo órgão nas GFIP. A auditoria fiscal identificou cada um dos segurados omitidos em GFIP, relacionandoos no anexo “SEGURADOS EM FOPAG NÃO INCLUÍDOS EM GFIP – LEVANTAMENTO F”, onde consta o nome, matrícula e número NIT dos segurados, detalhando, por mês e por segurado, os valores da base de cálculo em Folha de Pagamento, em GFIP, e as diferenças encontradas. Vale ainda destacar que o Recorrente não apresentou qualquer prova de que os servidores relacionados no Anexo “BC EM FOPAG MAIOR QUE EM GFIP – LEVANTAMENTO E”, e anexo “SEGURADOS EM FOPAG NÃO INCLUÍDOS EM GFIP – LEVANTAMENTO F” seriam servidores efetivos vinculados ao RPPS. Caberia ao sujeito passivo a exposição das razões de sua insurgência e carrear provas relacionadas às respectivas discordâncias, a teor do que dispõe o artigo 16, III, do Decreto nº 70.235/72. Necessário ao contribuinte apontar e provar nos autos a condição de servidor efetivo e/ou aposentado de cada um dos trabalhadores relacionados pela fiscalização nos citados anexos do TVF, o que não foi feito no presente caso. Assim, não merece prosperar as alegações do Recorrente. Da aplicação da multa Fl. 3840DF CARF MF Processo nº 10600.720029/201671 Acórdão n.º 2401005.540 S2C4T1 Fl. 15 14 Quanto à insubsistência da aplicação da multa e a alegação de bis in idem, constatase que não houve qualquer duplicidade, tendo sido aplicada de forma correta somente a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Dessa forma, resta incólume o lançamento e a decisão recorrida. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, rejeito as preliminares apontadas e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para que no cálculo do tributo devido seja excluída da base de cálculo os pagamentos efetuados a título de adicional do terço constitucional de férias. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia à I. Relatora para divergir do seu voto, especificamente quanto ao adicional do terço constitucional de férias. Assim como o pagamento do período de férias usufruídas pelo trabalhador, o respectivo acréscimo de um terço no montante devido, com base no inciso XVII do art. 7º da Carta Política de 1988, é destinado a retribuir o trabalho, integrando a remuneração e o salário decontribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária. A respeito da base de cálculo da contribuição previdenciária do segurado empregado, prescreve a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do Fl. 3841DF CARF MF Processo nº 10600.720029/201671 Acórdão n.º 2401005.540 S2C4T1 Fl. 16 15 contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. (...) Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Não há dúvidas que a definição da base imponível pela lei ordinária é abrangente, não ficando limitada aos valores pagos em decorrência do trabalho efetivamente prestado (contraprestação), mas sim ao conceito de remuneração como retribuição pelo trabalho, que justifica a incidência da tributação, inclusive, nas hipóteses de parcelas recebidas quando do afastamento por férias, descanso semanal, enfim, nas hipóteses de interrupção do contrato do trabalho. De mais a mais, o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, não incluiu no rol das exclusões do saláriodecontribuição a parcela recebida pelo trabalhador a título do adicional do terço de férias. Tanto é assim que o § 4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social (RPS), veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, faz expressa alusão à incidência da contribuição previdenciária. Confirase: Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o saláriode contribuição. (...) É certo, por outro lado, que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui jurisprudência consolidada no sentido da não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias gozadas, dada a sua natureza Fl. 3842DF CARF MF Processo nº 10600.720029/201671 Acórdão n.º 2401005.540 S2C4T1 Fl. 17 16 indenizatória/compensatória, segundo o que foi decidido no Recurso Especial (REsp) nº 1.230.957/RS, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Ocorre que houve o sobrestamento dos efeitos da decisão, devido ao reconhecimento de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cujo paradigma é o Recurso Extraordinário (RE) nº 593.068/SC, o qual trata da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, a gratificação natalina, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade. Com efeito, o REsp nº 1.230.957/RS foi sobrestado pelo Tema 163/STF, conforme decisão da VicePresidência do STJ, em 25/07/2015 (Tema/Repetitivo 479). Além disso, a natureza jurídica do terço constitucional de férias, indenizadas e gozadas, para fins de incidência da contribuição previdenciária patronal, foi reputada constitucional, reconhecida a existência de repercussão geral no RE nº 1.072.485/PR, que está pendente de julgamento (Tema 985/STF). Como se observa, a questão em apreço foi elevada ao nível constitucional, não havendo decisão definitiva, devendose aguardar a deliberação da mais alta Corte deste país, de maneira tal que não se impõe a vinculação dos conselheiros ao decidido no REsp nº 1.230.957/RS, tendo em conta a redação do § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e suas alterações posteriores: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (destaquei) Dessa feita, ao integrarem os conceitos de remuneração e o saláriode contribuição do trabalhador, os pagamentos efetuados a título de adicional do terço constitucional de férias devem ser mantidos na base de cálculo da contribuição previdenciária do lançamento fiscal. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 3843DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.691699/2009-45
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
Numero da decisão: 3002-000.248
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 69 16 99 /2 00 9- 45 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.691699/200945 Acórdão n.º 3002000.248 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao período de apuração dezembro/2004, e requer a compensação de R$ 18.960,72 com débitos também de Cofins (fls. 2 a 4). Por meio de despacho decisório à fl. 7, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo decidiu pela não homologação da compensação por concluir que o crédito relativo ao Darf discriminado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito para a realização de compensação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual esclareceu que, em decorrência de fiscalização realizada pela Receita Federal na sede da empresa em meados de 2007, foi orientada a não recolher os valores das contribuições dos regimes cumulativo e não cumulativo no mesmo Darf, como vinha fazendo, e que o erro deveria ser corrigido por meio de declaração de compensação, uma vez que não era possível desmembrar o Darf. O contribuinte informou, ainda, que apresentou a Per/Dcomp, mas se esqueceu de retificar a DCTF do período, o que gerou um débito que não existiria. Com a retificação da DCTF, a incorreção foi sanada, surgindo o crédito a ser utilizado na compensação (fls. 10 a 12). Instruiu sua manifestação de inconformidade com procuração e contrato social (fls. 13 a 32), cópia do Darf (fl. 33), cópia da Dcomp (fls. 34 a 39), cópia da DCTF retificadora (fls. 40 a 44) e cópia do Despacho Decisório (fl. 45). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1634.476 (fls. 84 a 91), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação, uma vez não carreado aos autos documentação hábil, idônea e suficiente para provar o que foi alegado, somado à comprovada incoerência entre as informações prestadas pelo contribuinte em Dacon e DCTF retificadora, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 14/01/2005 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de defeito creditório disponível para fins de compensação. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. ALTERAÇÃO IMOTIVADA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.691699/200945 Acórdão n.º 3002000.248 S3C0T2 Fl. 4 3 preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento e apresentação de DCTF Retificadora desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF anterior. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) ativa na data da transmissão do PER/DCOMP, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 12/12/2011, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 93, e protocolizou seu recurso voluntário em 20/12/2011, conforme carimbo no Recurso Voluntário, à fl. 94. O recurso voluntário é uma cópia da manifestação de conformidade, à qual se soma o argumento de que sua razão de pedir será comprovada pelo Dacon original anexado ao processo, concluindo com o protesto pela juntada de novos documentos e de nova manifestação, se necessário para a comprovação do alegado (fls. 94 a 114). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão que chega a este Colegiado diz respeito à matéria de prova. Nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, o ônus probatório pertence ao requerente, conforme definido nas normas que regem o processo administrativo e o processo civil. Segundo o Código de Processo Civil em seu artigo 373, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, de maneira similar, dispõe o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.691699/200945 Acórdão n.º 3002000.248 S3C0T2 Fl. 5 4 Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) Assim, não resta dúvida de que o ônus probatório recai sobre a recorrente, que jamais alegou o contrário e vem tentando se desincumbir de sua obrigação. A discussão tem se resumido a definir se os elementos apresentados seriam suficientes para demonstrar o que se pleiteia. Relembrando o histórico destes autos, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade acompanhada apenas da DCTF, retificada após o Despacho Decisório. Por sua vez, a DRJ decidiu analisar o Dacon original, transmitido antes do pedido de compensação, e concluiu que ele contradizia a DCTF retificadora e as alegações do sujeito passivo. Na ausência de quaisquer outros documentos probatórios, decidiuse pelo não provimento da manifestação de inconformidade. Por fim, o contribuinte juntou a seu recurso voluntário esse mesmo Dacon analisado pela DRJ, afirmando tratarse de prova suficiente. Contudo, este processo possui uma particularidade que é a natureza da alegação quanto aos motivos de direito: a compensação visaria apenas a fazer um acerto contábil entre a Cofins cumulativa e a nãocumulativa. Não haveria de fato nenhum pagamento a maior ou indevido, mas a alocação equivocada da parcela relativa ao regime cumulativo no código da nãocumulativo no momento do pagamento, um erro de preenchimento de Darf que, aparentemente, estaria presente também na DCTF original. Diante dessa peculiaridade, o relator considerou que, neste caso específico, consideraria suficiente para a demonstração do direito a existência de Dacon original, anterior à transmissão do PER/Dcomp, que confirmasse as retificações promovidas na DCTF. Frisese que o Dacon não foi apresentado pelo contribuinte, mas consultado pelo relator diretamente nos sistemas da Receita Federal, dentro da liberdade relativa da qual dispõe um julgador para definir os documentos necessários para a formação de sua convicção. 7. Neste ponto, importante destacar que o Contribuinte não apresentou em sua Manifestação de Inconformidade quaisquer documentos que pudessem demonstrar a pertinência das alterações efetuadas por meio da DCTF retificadora entregue após o Despacho Decisório. Para os fins pretendidos pela Requerente, permaneceria a necessidade de comprovar, por meio de documentos contábeisfiscais idôneos, a origem dos valores declarados e a composição da base de cálculo dos tributos confessados. 7.1. No entanto, considerando as informações constantes do processo administrativo, há que se ressaltar a característica peculiar do pretendido pelo Contribuinte com a apresentação da presente declaração de compensação: (...) 7.2. Nesses termos, considerando a alegada intenção do Contribuinte em regularizar as declarações entregues à RFB, adotase como suficiente, no presente caso, que a DCTF Retificadora se apresente em consonância com outras Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.691699/200945 Acórdão n.º 3002000.248 S3C0T2 Fl. 6 5 declarações entregues pelo Sujeito Passivo antes da transmissão do PER/DCOMP sob análise, o que demonstraria uma coerência das informações prestadas ao Fisco. 7.3. Nesta linha de raciocínio, uma vez que a apuração do tributo em discussão (Cofins) é demonstrada mensalmente por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), a comparação entre a DCTF Retificadora e o citado demonstrativo forneceriam elementos para a formação de convicção sobre a procedência do quanto solicitado, neste caso específico no qual o Contribuinte pretende a redistribuição entre as sistemáticas cumulativa e nãocumulativa da Cofins. Neste ponto, é importante lembrar que uma declaração, genericamente falando, é um conjunto de informações que espelham – ou deveriam espelhar – fatos reais que, uma vez ocorridos, ensejam o pagamento de tributos. A declaração expressa a visão do declarante sobre um fato. Não é o fato em si, não gera o fato e, por isso, não faz prova inequívoca de sua existência quando apresentada isoladamente, sem documentos idôneos que a sustentem. Igualmente, a constatação de informações idênticas em duas declarações não faz prova irrefutável do fato que elas representam, mas apenas demonstra a existência de coerência entre elas, como apontado pelo relator. Coerência entre declarações não implica necessariamente fidedignidade no seu conteúdo. Significa com certeza um bom indício de correção, pode até ser um indício forte do direito, mas que resta a ser demonstrado, regra geral por meio de documentação contábilfiscal, pois a certeza do crédito é imprescindível para fins de autorização da compensação, assim como a certeza do erro é imprescindível para fins de reconhecimento da alteração em uma confissão de dívida com vistas a reduzir tributo. Por esse motivo, embora compreenda a lógica adotada no julgamento de primeira instância e concorde que ela possa ser utilizada, ouso discordar de sua aplicação neste caso em virtude das inúmeras inconsistências apuradas, sobre as quais discorro a seguir. O contribuinte justifica seu pedido de compensação como decorrente de uma exigência da Fiscalização, mas em nenhum momento comprova que de fato existiu essa demanda. Juntou à manifestação de inconformidade um Darf pago, com anotações à mão do valor a ser transferido de um código de receita para outro, que nada prova. Se o problema era apenas o recolhimento da Cofins no código de receita errado, porque agrupado o valor de dois códigos em apenas um, era de se esperar que a DCTF estivesse correta – o cálculo da contribuição devida em cada regime deveria estar correto. Se não está, então o problema pode ser outro que não a simples alocação de tributo em código errado no Darf. No caso em tela, temos inicialmente divergência entre a DCTF original e o Per/Dcomp, com posterior retificação da DCTF para adequála às informações constantes na compensação. Neste cenário, cabe ao contribuinte submeter à apreciação da Administração Tributária documentos que mostrem quais receitas e despesas o autorizam a afirmar que o débito é menor do que aquele declarado. A DCTF constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124, de 1984. Sua alteração visando a diminuir o tributo deve estar amparada em documentação, como previsto no CTN: Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.691699/200945 Acórdão n.º 3002000.248 S3C0T2 Fl. 7 6 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Além da divergência entre a DCTF original e o Per/Dcomp, o relator do acórdão da DRJ constata que existe também divergência entre a DCTF retificadora e o Dacon. No Demonstrativo, o débito total de Cofins é superior ao que consta na retificadora, o que atesta a incoerência entre as informações prestadas pelo contribuinte. Como não há nenhum outro documento para amparar as alegações do contribuinte, conclui o relator que não pode ser acatada a retificação nem homologada a compensação. Transcrevese o resultado da análise: (a) O DACON foi entregue e recepcionado pelos sistemas à disposição da RFB em 29/10/2004, antes da data de transmissão do presente PER/DCOMP; (b) O Contribuinte apurou, no DACON, um débito de Cofins nãocumulativo no valor de R$ 347.256,36, enquanto declarou na DCTF retificadora (entregue em 04/12/2009) um débito de R$ 74.629,42; (c) O Contribuinte apurou, no DACON, um débito de Cofins cumulativo no valor de R$ 18.960,72, enquanto declarou na DCTF retificadora (entregue em 04/12/2009) um débito de R$ 18.960,72; 7.6. Do exposto, constatase que as informações apresentadas pelo Contribuinte na DCTF retificadora do período de apuração 07/2004 estão em desacordo com o respectivo Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais. 7.7. Assim, considerando as características específicas do presente PER/DCOMP (redistribuição dos valores apurados entre as sistemáticas cumulativa e nãocumulativa da Cofins), comprovada a incoerência entre as informações prestadas pelo Contribuinte em DACON e DCTF Retificadora, e não tendo justificado as alterações produzidas por esta última com documentação hábil, idônea e suficiente, a retificação dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém correta a não homologação da compensação pretendida. (grifado) Considerando o argumento do contribuinte de que a compensação teria sido efetuada apenas para transferir valores entre diferentes códigos de Cofins, o valor total dos débitos de Cofins deveria ser o mesmo, seja na DCTF original, seja na retificadora, seja no Dacon. Em não sendo, deduzimos que a inconsistência já existia desde a transmissão da DCTF original, o que nos impede de saber qual das declarações reflete a realidade. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.691699/200945 Acórdão n.º 3002000.248 S3C0T2 Fl. 8 7 A isso se some que foram distribuídos a esta relatora não apenas este, mas um lote de 10 processos, idênticos, alterandose apenas o período considerado. Na análise do processo nº 10880.691705/200964, vêse que o Dacon foi transmitido apesar de o sistema apontar 12 erros no seu preenchimento, erros não impeditivos da transmissão, mas relevantes quanto ao conteúdo. Nesse Dacon, alocouse a quase totalidade das receitas no regime cumulativo, em contradição com os demais 9 processos, nos quais predominam receitas no regime nãocumulativo, e em contradição com a base de cálculo do PIS/Pasep do mesmo mês, entre outros problemas. É sabido que a base de cálculo das contribuições se compõem das mesmas receitas, não sendo razoável persistir divergência dessa natureza após o aviso de erro dado pelo sistema. Tal constatação sugere um certo desmazelo na prestação de informações para a Receita Federal e acentua a incerteza quanto à fidedignidade do conteúdo das declarações juntadas a estes processos. Do conjunto de inconsistências encontradas nas diversas declarações e processos do sujeito passivo, fica a convicção de que qualquer alegação desprovida de prova documental não pode ter guarida neste julgamento. Surpreendentemente, no recurso voluntário é exatamente o Dacon analisado pelo relator, fundamento para a negativa de provimento, que a recorrente junta a título de prova. Os valores ali constantes demonstram a improcedência das suas alegações, bem como a incoerência entre a retificação da DCTF e o cálculo da contribuição, como apontado pela DRJ. Entretanto, devo frisar que, mesmo que seu conteúdo estivesse em perfeita harmonia com a DCTF retificadora, em meu entendimento não estaria demonstrado o direito, tendo em vista tudo o que se explanou anteriormente. Considerando que nem a DCTF e nem o Dacon respaldam o pedido de compensação e que nenhum outro documento foi trazido a título de prova, não há como autorizála. Quanto ao pedido para a juntada posterior de novos documentos e de nova manifestação, não há previsão legal para tal procedimento. Regra geral, o contribuinte deve demonstrar o seu direito na manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235, de 1972, que assim institui: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.691699/200945 Acórdão n.º 3002000.248 S3C0T2 Fl. 9 8 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (grifado) A recorrente instruiu seu recurso voluntário com o Dacon, que foi conhecido e analisado, já que em primeira instância seu conteúdo havia sido utilizado como fundamento de decidir – alínea “c” do § 4º do art. 16 do PAF. Contudo, não há previsão legal para a produção futura de provas. Uma vez não comprovada a ocorrência de alocação indevida de parcela da Cofins cumulativa no código da nãocumulativa e não justificadas as alterações promovidas na DCTF, não reconheço o direito à compensação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 123DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.904974/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-003.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 49 74 /2 01 0- 14 Fl. 141DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 122 em face da decisão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 103 que manteve o despacho decisório de fls. 2, que reconheceu parcialmente os créditos básicos e presumidos de IPI. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "A contribuinte interessada protocolou declaração de compensação –DCOMP – por meio da qual pretendeu a extinção de débito próprio, tendo por lastro creditório parcela do crédito ressarcível atinente ao 3º trimestre calendário de 2003, conforme indicado na DCOMP nº 06348.58033.290905.1.3.013922 (fls. 94/961). A análise de legitimidade e materialidade do lastro creditório das compensações declaradas encontrase consolidada nos demonstrativos de fls. 81/82 e 93, bem como no termo de verificação fiscal, intitulado "auto de infração", de fls. 83/88, os quais compõem e integram o despacho decisório nº 863951154 (fl. 02, repetido à fl. 80), que reconheceu em parte o lastro creditório e, consequentemente, homologou parcialmente a compensação declarada, conforme abaixo. "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$126.510,18 Valor do crédito reconhecido: R$4.152,32 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11065.904974/201014 Acórdão n.º 3201003.772 S3C2T1 Fl. 142 3 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado". Cientificada do despacho decisório pela via postal em 14/06/2010 (fls. 97/98), a interessada, por meio de procurador legalmente constituído (fls. 45/46 e 91/92), protocolou em 14/07/2010 sua manifestação de inconformidade de fls. 03/44, alegando que: "Normas legais tidas como infringidas 2. Como enquadramento legal, para não homologar referidos pedidos de compensação, a Administração elencou os seguintes fundamentos: Lei nº 9.779/99 art. 11 (...) Lei nº 9.430/96 art. 74 (...) Lei nº 9.363/96 (...) Lei nº 10.276/01 (...) Das presunções 3. Os fundamentos legais do auto de infração anteriormente reproduzidos, não mantêm correlação lógica com a matéria objeto do lançamento tributário. 3.1 Da lavratura do Auto de Infração, merecem ser transcritos os seguintes pontos: '(...) 3.2 Fornecedores com indícios de irregularidades. Durante a análise foi detectado que uma série de fornecedor possuía indícios de irregularidades, conforme relacionados na tabela a seguir. Estes fornecedores possuem movimentação financeira nula ou de no máximo 70% do valor das compras, no período analisado'. (destaques da Peticionária) 3.2 No auto de infração, encontrase rol de fornecedores, cujos nomes não serão reproduzidos por absoluta desnecessidade, por se referirem ao evento que ocasionou a glosa. 3.3 Quanto à idoneidade dos fornecedores, por conseqüência das notasfiscais objeto da glosa, há que ser Fl. 143DF CARF MF 4 examinada decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n. 1.148.444 (...): (...) 4. Desta forma, o primeiro ponto atacado se refere aos indícios e presunção sem motivação, em decorrência da baixa movimentação financeira dos fornecedores, o que não se revela instrumento adequado e capaz de glosar os créditos utilizados. 5. No que se refere a exigência do crédito tributário, se revela ônus do fisco provar o fato constitutivo do seu direito, conforme determina o art. 9 ° do Decreto n. 70.235/72 (...): (...) 6. Nessa linha de argumentação, há que ser examinada manifestação de Marcos Vinicius Neder (...): (...) 7. Portanto, a presunção da qual se utilizou a Administração para embasar o lançamento não tem o condão de mantêlo hígido, por não ter provado o alegado quanto a ausência ou baixa movimentação financeira dos fornecedores, bem como no pertinente à inidoneidade dos mesmos. (...) 8. Igualmente, na fundamentação para glosar a compensação, a Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo se manifestou no seguinte sentido quanto a não homologação da compensação proposta, estando a mesma assim redigida: '(...) O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado'. 9. A manifestação, anteriormente reproduzida, confirma ter havido o exame do lançamento, na modalidade por homologação, onde a autoridade administrativa, de forma expressa, realizou a homologação parcial da extinção do crédito tributário. Mesmo que parcialmente, ocorreu a homologação. Esse ponto revelase sobremaneira importante pelo simples fato dos reflexos que trará quanto a (in)exigibilidade do crédito tributário. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11065.904974/201014 Acórdão n.º 3201003.772 S3C2T1 Fl. 143 5 10. Tendo havido homologação parcial, isto é, extinção parcial do crédito tributário passase a examinar sua exigibilidade quanto ao montante não homologado sob o aspecto da decadência. Da decadência 11. O crédito tributário objeto do auto de infração ora hostilizado corresponde ao primeiro trimestre de 2002 até o primeiro trimestre de 2004, restando referido crédito tributário inexigível, por ter sido atingido pela decadência. 11.1 Igualmente, quanto à materialização do instituto da decadência, o próprio órgão julgador representante da Administração Tributária, tem decidido na mesma linha de entendimento defendida na presente Manifestação de Inconformidade, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada na decisão do processo n. 11610.003223/0011 (...) (...) 12. Tanto é verdadeiro que o crédito tributário foi atingido pela decadência que a Administração, mediante sua fundamentação no auto de infração, se preocupa em buscar o afastamento do instituto, como pode ser comprovado, a fls. 4 dos autos, utilizando a seguinte argumentação: O prazo para que a Administração verifique a legitimidade do crédito utilizado não é de 5 (cinco) anos contados a partir da emissão da nota fiscal, pois se assim fosse, o contribuinte poderia, por exemplo, utilizar o crédito no último dia antes da decadência e a Receita Federal não teria como verificar a legitimidade deste crédito. O prazo legal é de 5 (cinco) contados a partir da utilização do direito creditório que no presente caso encerrarseia apenas no final de 2010, 5 anos após a transmissão do PER/DECOMP , conforme estipula § 5º do art. 74 da Lei n ° 9.430/1996 (todos grifos são nossos) (...) 13. A partir do julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, ficou assentado ser o prazo de cinco anos para constituir, mediante a previsão em lei complementar, quanto para cobrar o crédito tributário, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada no referido julgado (...) Das antinomias 14. Não cabe à lei ordinária legislar sobre matéria reservada à lei complementar, como ficou Fl. 145DF CARF MF 6 demonstrado ao ser reproduzida a ementa da decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, por afrontarem as normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre prescrição e decadência. 14.1 As leis ordinárias utilizadas como fundamento pela Requerida, que tratam sobre prazo para constituição do crédito tributário, se revelam em perfeita antinomia, por desbordar de sua área de competência, uma vez que o instituto da decadência em direito tributário é reservado à lei complementar. (...) 16. Portanto, demonstradas as antinomias, não poderá ser mantido o crédito tributário, por estar totalmente desamparado quanto ao veículo legislativo adequado, isto é, lei complementar, mesmo porque pelo critério da hierarquia das leis, tal instituto não poderá ser aplicado. 17. Ainda, no que se refere a preclusão da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário, importante trazer para apreciação manifestação doutrinária sobre o tema (...). (...) 18. Igualmente, há que ser examinado o montante da pretensão objeto do auto de infração, uma vez que os mesmos não guardam correlação entre si, exigindose portanto a realização de perícia contábil para elucidar o referido montante. (...) 19. Diante do exposto, requer: a) seja recebida, conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade, para assegurar à Requerente o aproveitamento dos créditos glosados, determinando a baixa e arquivamento do Auto de Infração; b) seja apreciado, explicitamente sob o ângulo do pré questionamento a compensação do crédito tributário previsto no art. 156, II; bem como, de sua extinção, inserta no art. 173, ambos da Lei n. 5.172/66." É o relatório." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/MG foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11065.904974/201014 Acórdão n.º 3201003.772 S3C2T1 Fl. 144 7 Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENEGAÇÃO FISCAL DO LASTRO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DA RECLAMANTE. Havendo denegação fundamentada pelo Fisco ao lastro creditório de compensações declaradas em DCOMP, incumbe à interessada transmitente da DCOMP o ônus de demonstrar, na reclamação por ela interposta, por meio de prova material cabal, que aquele lastro creditório revestia se de certeza e liquidez. Em não o fazendo, impossível afastar a denegação fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Em pedidos de ressarcimento de IPI cuja discussão se refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não à constituição de crédito tributário, não se aplicam os prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. De outro lado, o prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da transmissão da declaração de compensação a que se refere. Assim, somente depois de transcorridos cinco anos da transmissão da DCOMP, a compensação está homologada tacitamente por decurso de prazo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia quando os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 147DF CARF MF 8 Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, que reforçou as argumentações da Manifestação de Inconformidade, os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes estabelecidos no regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Sobre o pedido de homologação tácita, verificase que esta não ocorreu, considerando que não se passaram mais de cinco anos do pedido administrativo (29/09/05) até a data do Despacho Decisório de fls 2 (07/06/10), que configura a devida manifestação da União sobre os tributos em controvérsia. Verificase nos autos que o contribuinte solicitou a restituição e compensação de suposto crédito básico de IPI e crédito presumido de IPI e teve parte de seu pedido administrativo homologado. Em defesa da reversão da não homologação parcial, o contribuinte apresentou seus recursos e apresentou suas argumentações, contudo, os documentos comprobatórios dos créditos básicos e crédito presumido de IPI, da parte glosada, deveriam ter sido juntados no autos, mas não foram. Nem mesmo as memórias de cálculo ou NFs. Além disso, a fiscalização apontou que os fornecedores não possuíam movimentação financeira à época das operações, o que leva a crer que as operações não ocorreram. Neste ponto não houve comprovação do contrário, por parte do contribuinte. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11065.904974/201014 Acórdão n.º 3201003.772 S3C2T1 Fl. 145 9 Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.910497/2008-27
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pelo conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Acordam, ainda, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 04 97 /2 00 8- 27 Fl. 89DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 07/11, de n. 20961.78370.150207.1.7.041258, de 15/02/2007, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ (3° trimestre de 2003). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório (efl. 02), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizados. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 1454.130 6ª Turma da DRJ/RPO, efl. 58/63). Pela precisão na descrição dos fatos seguintes, reproduzo a seguir o Relatório constante do Acórdão da DRJ Ribeirão Preto: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) 20961.78370.150207.1.7.04 1258, por intermédio da qual o contribuinte, que apura os tributos devidos com base no lucro presumido, pretende compensar débito de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (cód. 2089), efetuado em 29/10/2003. Em decisão proferida pela DERAT São Paulo em 12/08/2008 (ciência em 21/08/2008), não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não foi homologada a compensação declarada no presente processo, em razão da constatação de que o valor pago foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DComp. Em 11/09/2008, irresignado, interpôs o contribuinte Manifestação de Inconformidade, na qual alega que: Entramos com pedido de Per/DComp, por pagamento a maior de IRPJExcesso, do 3° Trim./ 2003 conforme n° 20961.78370.150207.1.7.041258, e n° do processo 10880 910.497/200827, pleiteando o crédito decorrente desse pagamento. A Empresa foi notificada de despacho decisório n° 781216255 de 12/08/2008, de que o valor pleiteado, era indevido como consta no despacho decisório. Utilizamos o Per/DComp, no valor de R$ 4.685,22 (Quatro mil seiscentos e oitenta e cinco reais e vinte e dois centavos), cujo o protocolo de entrega de no 38.50.80.15.91, e n° da declaração 35139.52575.290104.1.3.048682 de 29/01/2004, e posterior retificação pedida pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, de n° 3271023572 e declaração retificadora n° 20961.78370.150.207.1.7.04.1258 de 15/02/2007, como crédito Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.910497/200827 Acórdão n.º 1001000.598 S1C0T1 Fl. 90 3 para pagamento do IRPJ 4° Trim./ 2003, no valor de R$ 7.001,31 (Sete mil e um reais e trinta e um centavos), informado na DCTF/ 4° Trim./2003 retificadora de 26/10/2004, e recibo de n° 36.82.88.77.94, e assim recolhido conforme o exposto abaixo: Imposto apurado IRPJ 4° Trim./2003 R$ 7.001,31 Per/DComp R$ 4.685,22 Diferença recolhida conforme recibo anexo R$ 2.316,09 Segue anexo xerox de todos os passos dessa solicitação desde, a apuração do IRPJ ate o despacho decisório, comprovando a veracidade do nosso pedido. Orientado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, que o saldo do pagamento, já foi liberado no SIEF, e o despacho decisório já tinha sido emitido, estamos ingressando com MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, e solicitado de V.S. se digne mandar seja acolhido o nosso pedido de crédito, e seu deferimento. É o relatório.. A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis sobre a inexigibilidade do crédito: De posse das informações evidenciadas pelo próprio manifestante em sua DCTF original, a decisão administrativa certificou razões que ensejaram não homologar a compensação declarada, frente à caracterização da inexistência de disponibilidade em relação ao pagamento consignado na DCOMP, porquanto restou configurado sua vinculação integral com o débito confessado em DCTF. O contribuinte retificou a DCTF do período de modo a delinear o crédito pleiteado, portanto, pretende que o indébito fiscal se exteriorize tão somente com os dados declarados em sua DCTF. Malgrado o intento do contribuinte, cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. (...) Cientificada da decisão de primeira instância em 10/11/2015 (efl. 66) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 11/12/2015 (efl. 68), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade sem anexar qualquer documento que já não constasse dos autos. Fl. 91DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Nesse sentido o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação da manifestação de inconformidade, efl. 12) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente pretende trazer pela primeira vez documentos que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto que este alega na manifestação de inconformidade dirigida à DRJ que retificou suas DCTFs. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.910497/200827 Acórdão n.º 1001000.598 S1C0T1 Fl. 91 5 O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 93DF CARF MF 6 Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Na sessão de julgamento do processo em epígrafe, o D. Relator rejeitou em seu voto os documentos apresentados pela Contribuinte por ocasião de seu Recurso Voluntário sob o argumento de que o direito à produção probatória estaria precluído, em estrita aplicação do art. 16, §4º e §5º, do Decreto 70.235/72. Com a devida vênia, discordo do Voto do Relator. Razão pela qual, entendi por bem declarar meu voto, especificando as razões que me levaram a divergir do posicionamento do ilustre Relator. Pois bem, conforme cediço, em nosso sistema jurídico pátrio nenhuma norma paira sozinha no universo, mas, sim, se concilia com todas as demais perfazendo um ordenamento uno, coeso e harmônico. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.910497/200827 Acórdão n.º 1001000.598 S1C0T1 Fl. 92 7 Quer isto dizer que nenhuma norma pode ser interpretada apenas de forma isolada, devendo o hermeneuta, em seu trabalho, extrair de todas as acepções possíveis de determinado texto legal aquelas que permitam aplicação harmoniosa com as demais disposições pertinentes à mesma matéria. Em outras palavras, dentre as várias interpretações possíveis de um dispositivo legal, devese buscar aquela que não entre em conflito com outra norma igualmente válida, sob pena de subversão da ordem jurídica. Fixada essas premissas, cabe voltar a análise as normas vigentes relacionadas à questão da produção probatória. O permissivo legal que fundamentou o Voto do Relator, art. 16 do Decreto 70.235/72, possui a seguinte redação: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 95DF CARF MF 8 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifouse) Uma analise literal e isolada deste dispositivo permitiria concluir rigidamente que haveria a preclusão do direito à produção probatória após a apresentação da Impugnação, salvo nas hipóteses taxativas do §5º. Contudo, tal interpretação não deve ocorrer desta forma, vez que há outros elementos normativos atinentes a matéria que também devem ser considerados. A Constituição Federal, norma de maior hierarquia em nosso ordenamento, estabelece no inciso LV de ser art. 5º os princípios do contraditório e da ampla defesa, nos seguintes termos: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Ao incluir o direito ao contraditório e a ampla defesa "com os meios e recursos a ela inerentes" no rol de direitos e garantias fundamentais, o legislador constituinte elevaos ao mais alto grau de importância dentro de nosso ordenamento, restando claro a preponderância que tais direitos devem ter. E, assim, devem ser observados e operacionalizados pelas demais normas infraconstitucionais. Não por acaso, tais princípios foram observados pela Lei 9.784/99, responsável por regular o Processo Administrativo Federal, que trouxe no bojo de seu art. 2º as seguintes disposições: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.910497/200827 Acórdão n.º 1001000.598 S1C0T1 Fl. 93 9 VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, e à produção de provas à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...)(grifouse) Conforme se extrai, o legislador infraconstitucional não só incorporou expressamente os princípios constitucionais da legalidade, ampla defesa, contraditório e ouros, como elencou uma série de critérios a serem observados na regulamentação e condução dos processos administrativos. Desses critérios expressos acima, temse de forma bastante clara que as formalidades e restrições devem ser limitados ao estrito necessário para garantir a efetividade do processo em atender a finalidade pública. Ora, as regras processuais formais visam dar ordem ao processo, permitindo que este cumpra com seus objetivos de forma eficiente, isto é, dentro da moralidade e proporcionando segurança jurídica no cumprimento do interesse público. Contudo, a norma processual não pode se sobrepor ao próprio objetivo do processo, qual seja, a promoção da legalidade. Por oportuno esclarecese que não se está a sugerir que as regras formais postas sejam mitigadas, mas sim que a interpretação do texto legal seja feita de forma a considerar a finalidade maior do processo, as regras formais não devem ser interpretadas de forma rigorosa a ponto de prejudicar o cumprimento de seu escopo. Ainda, cumpre trazer a colação os termos do art. 38 da mesma Lei 9.784/99, que trata especificamente da produção probatória nos Processos Administrativos Federais: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Notese que o texto legal diz expressamente que é permitido ao interessado apresentar ou requerer a produção de material probatório não só na fase instrutória, mas também antes da tomada da decisão. Outrossim estabelece taxativamente que a prova só poderá ser recusadas quando ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 97DF CARF MF 10 Pois bem, retornando a ideia inicialmente tratada neste Voto de que as normas jurídicas devem ser interpretadas da forma mais harmônica possível, me parece que a interpretação restritiva do art. 16 do Decreto 70.235/72, para recusar de plano toda e qualquer prova apresentada pelo contribuinte após o protocolo da Impugnação/Manifestação de Inconformidade não se coaduna com as demais normativas já expostas. Em verdade, a aplicação tão restrita assim da norma, não só implica na frontal negativa de vigência aos disposto da mais moderna Lei 9.784/99, como destoa até mesmo dos objetivos maiores do Processo Administrativo Federal que é a revisão do ato administrativo fiscal e a garantia de que este se encontra dentro da legalidade. Alias, fazse oportuno lembrar que o Processo Administrativo Fiscal também se rege pelo princípio da busca pela verdade material, ou seja, a preponderância no interesse público é a solução jurídica mais adequada ao caso, independente dos excessos de formalidade. Assim, ao meu ver, a melhor interpretação extraída da conjugação dos disposto quanto ao tema na Constituição Federal, Lei. 9.784/99 e Decreto 70.235/702 é aquela que não impõe óbice na apresentação de provas junto ao Recurso Voluntário, ou até mesmo em momento posterior prévio ao julgamento, desde que as provas não sejam ilícitas ou manejadas de má fé. De forma semelhante tem decidido a 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, em recentes julgados, conforme se colaciona: PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 10880.004637/9929. Rel. ANDRE MENDES DE MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017) PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 16327.001227/200542. Rel. ADRIANA GOMES REGO. Data da Sessão: 08/08/2017) Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.910497/200827 Acórdão n.º 1001000.598 S1C0T1 Fl. 94 11 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. (Processo: 14098.000308/200974. Rel. GERSON MACEDO GUERRA. Data da Sessão: 19/06/2017 ) Para melhor ilustrar, peço vênia para transcrever a parte final da fundamentação do Voto deste último julgado colacionado, de autoria da ilustre Conselheira Cristiane Silva Costa, designada Redatora para o Voto Vencedor: "Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. (...) Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que Fl. 99DF CARF MF 12 a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte." Destarte, diante de todos os argumentos expedindos, entendo que as provas apresentadas em momento posterior ao da Impugnação/Manifestação de Inconformidade, podem, e devem, ser conhecidas, desde que não acarretem qualquer prejuízo processual as partes ou ao bom trâmite processual. Ressalvase que o Julgador ao analisar o recebimento de provas que eventualmente entenda serem ilícitas, meramente protelatórias, ou que sejam manejadas com o intuito de lesar a parte adversa tem o poder e o dever de recusálas. Ou, ainda que não vislumbre qualquer má fé, mas tema por eventual supressão de instância ou direito ao contraditório, sempre pode recorrer a prerrogativa de baixar os autos em diligência para que seja oportunizada as providências necessárias para o resguardo do direito. Nesta linha, considerando que no caso em tela as provas oferecidas pela Recorrente por ocasião do Recurso Voluntário não foram sequer analisadas pelo digno Relator, tampouco pela DRJ de origem, entendo por bem que seja os autos baixados em diligência para que a d. Autoridade Fiscal se pronuncie a respeito. Superada esta questão, cumpre tratar de um segundo ponto que entendo igualmente relevante. No Voto do i. Relator ficou consignado que a consequência da não aceitação de novos documentos seria a presunção de verdade das alegações, o que supostamente impediria o julgador de adentrar nas discussões de mérito. Com a devida vênia, entendo que não cabe esta presunção no presente caso, vez que não está se tratando de matéria não contestada. Neste ponto é bom estabelecer que existe grande diferença entre matéria não impugnada e não comprovação das alegações feitas. Quanto a matéria impugnada o Decreto 70.235, responsável por regular o Processo Administrativo Fiscal, estabelece o seguinte: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Notese que conforme disposto acima, é a apenas ausência de contestação que leva a matéria a ser considerada não impugnada e, portanto, fora dos limites do processo, prejudicando o seu conhecimento e apreciação. Por sua vez a comprovação da veracidade e procedência das alegações é justamente o que será verificado pela autoridade julgadora competente no desenvolvimento de sua função judicante. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.910497/200827 Acórdão n.º 1001000.598 S1C0T1 Fl. 95 13 Ou seja, ainda que o resultado do julgamento seja por entender que as alegações feitas pela Recorrente não foram devidamente comprovadas e, portanto, não devem ser acolhidas, ainda assim elas foram apresentadas, houve efetiva impugnação da matéria. Desta forma, quando determinada prova é recusada o único efeito processual cabível é o não conhecimento do próprio elemento probatório, jamais podendo descaracterizar todas as demais alegações, impugnações e provas já regularmente apresentadas até então no processo. Percebase que mesmo sem considerar as provas recusadas por conta de eventual preclusão, ainda assim é possível que se decida pela revisão da decisão de piso apenas analisando as razões constantes do Recurso Voluntário, os fundamentos da própria decisão e os demais elementos já constantes dos autos. Apenas para ilustrar, é oportuno observar que, conforme ampla jurisprudência não só desta 1ª Turma Extraordinária, mas de todas as demais desta 1ª Seção, quando são realizadas alegações sem apresentação de qualquer comprovação, o resultado típico é a análise e indeferimento por falta de comprovação. Ora, tal situação não é diferente do caso em que as mesmas alegações são feitas, porém o documento comprobatório que se pretendeu juntar foi recusado, restando apenas as alegações. Assim, não vejo razão para que neste segundo caso as próprias alegações sejam igualmente desconsideradas e o julgamento se realize por "presunção". Destarte, com o máximo respeito ao entendimento do i. Relator, entendo que no caso em tela, mesmo com o indeferimento das novas provas apresentadas, as razões apresentadas pela Recorrente deveriam ser diretamente enfrentadas, não cabendo a "presunção de veracidade" da decisão de primeira instância conforme foi proposta. Desta feita, diante de tudo o que foi exposto, peço vênia ao Ilustre Conselheiro Relator para discordar de suas razões e encaminhar o meu VOTO no sentido de converter o presente julgamento em DILIGÊNCIA para que a unidade de origem proceda ao exame dos argumentos e da documentação apresentada junto com o Recurso Voluntário, confrontandoa com os demais já constante dos autos e, ainda, com outros dados disponíveis. Para efetividade desse exame, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos, sem prejuízo de outras providências, a juízo da autoridade diligenciante, assim como consultas a dados e sistemas disponíveis à fiscalização. Ao final, deverá ser elaborado relatório circunstanciado explicitando suas conclusões a respeito da matéria em litígio, do qual se dará ciência à contribuinte para que no prazo de trinta dias, querendo, se manifeste. Decorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuinte, os autos devem retornar ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Fl. 101DF CARF MF 14 Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720672/2012-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
INDEFERIMENTO. DÉBITO. RFB. PRAZO LEGAL. INOBSERVÂNCIA.
Mantém-se o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se o fato que lhe deu causa não foi elidido dentro do prazo legal.
Numero da decisão: 1001-000.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva, Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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DÉBITO. RFB. PRAZO LEGAL. INOBSERVÂNCIA. Mantémse o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se o fato que lhe deu causa não foi elidido dentro do prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva, Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 06 72 /2 01 2- 41 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13971.720672/201241 Acórdão n.º 1001000.586 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 44 a 66) interposto contra o Acórdão nº 1260.967, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro/RJ (fls. 37 a 38), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 INDEFERIMENTO. DÉBITO. RFB. PRAZO LEGAL. INOBSERVÂNCIA. Mantémse o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se o fato que lhe deu causa não foi elidido dentro do prazo legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Tratase do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional nº 00.04.91.82.22, às fls.16, em face de débito cuja exigibilidade não estava suspensa, a saber: PIS (8109): R$ 418,33 (03/2011). Em Manifestação de InconformidadeMI, às fls.2, o interessado alega, em síntese, que "o débito foi quitado no dia 02.02.2012, com os devidos acréscimos legais". Pede o enquadramento no Simples Nacional. Com a MI, vieram os documentos de fls.3/31. A autoridade lançadora proferiu o despacho às fls.32/33. Relatados." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando, em breve síntese, que não realizou o pagamento de seu débito no prazo devido única e exclusivamente por conta de um suposto erro de sistema da administração fazendária, mas providenciou a quitação assim que o sistema voltou a normalidade, portanto, faria jus ao enquadramento no Simples em virtude do princípio da boa fé e razoabilidade. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13971.720672/201241 Acórdão n.º 1001000.586 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Primeiramente, devese estabelecer que é responsabilidade exclusiva de cada contribuinte o controle de seus negócios e o cuidado com o fiel cumprimento de todas as normas tributárias em suas atividades cotidianas. Outrossim, ainda que se acredite na boa fé da Recorrente, é obrigação, deste julgador zelar pela aplicação das normas vigentes, não cabendo a ele abertura de exceções não previstas pela lei, sob pena de descumprimento do princípio maior da legalidade. Em outras palavras, não cabe aos julgadores deste Conselho fazerem considerações de ordem política ou social e pretenderem dizer como a norma "deveria ser", e sim interpretar as normas postas pelas autoridades com competência para tanto, e aplicálas aos casos que lhes são postos à análise. Isto posto, uma vez que não há nos autos qualquer elemento que demonstre a efetiva existência de erro por parte dos sistemas da administração fazendária, não há subsídio para que seja afasta a obrigação de quitar seus débitos até o último dia útil do mês de janeiro, como condição para que a Recorrente realizasse a opção pelo Simples. Destarte, como a própria Recorrente reconhece que só quitou seus débitos no dia 02/02/2012, quando o prazo para regularização já estaria esgotado, não há que se falar em direito à opção. Assim, por economia processual, peço licença para adotar e transcrever os fundamentos já exarados na decisão de primeira instância: "(...) O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, que enumera os débitos que lhe deram causa, tem como fundamento legal o art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que determina: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V – que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) A opção pelo Simples Nacional pôde ser feita até o último dia útil de janeiro 31.01.2012, prazo no qual os débitos com esta RFB deveriam ser regularizados (Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, art.6º e § §). Conforme o próprio interessado afirma, e tal como confirmado pela autoridade lançadora (fls.32/33), o débito que deu causa ao indeferimento só foi pago em 02.02.2012, e, portanto, após o prazo para regularização de pendências Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13971.720672/201241 Acórdão n.º 1001000.586 S1C0T1 Fl. 5 4 impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. Assim, não elidido o fato que lhe deu causa, o indeferimento deve ser mantido. (...)" Conforme apontando, havia débitos sem exigibilidade suspensa, ao final do prazo legal, que justificaram o Indeferimento da Opção pelo Simples. Desta forma, deve ser confirmado o ato praticado pela autoridade administrativa. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725157/2009-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. NATUREZA SALARIAL.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 9202-007.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. NATUREZA SALARIAL. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
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DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. NATUREZA SALARIAL. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 51 57 /2 00 9- 68 Fl. 369DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos exercícios 2005, 2006 e 2007, anoscalendário 2004, 2005 e 2006, para exigência do seguinte crédito tributário: IRPF – R$ 65.173,62; multa proporcional (passível de redução) – R$ 48.880,20; juros de mora (calculados até 31/08/2009) – R$ 26.212,82, totalizando um crédito tributário apurado no valor de R$ 140.266,64 (cento e quarenta mil, duzentos e sessenta e seis reais, sessenta e quatro centavos). Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA julgado a impugnação procedente, mantendo o crédito tributário em sua totalidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 20/11/2013, foi sobrestado “o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012”, de acordo com a Resolução nº 2201000.173 (fls. 188/192), da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10580.725157/200968 Acórdão n.º 9202007.002 CSRFT2 Fl. 3 3 Encerrado o sobrestamento, em sessão plenária de 10/09/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2201002.522 (fls. 193/201), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, bem como excluir da exigência a multa de ofício”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. Fl. 371DF CARF MF 4 “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 07/10/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs em 08/10/2014, portanto, tempestivamente, Recurso Especial (fls. 203/210). Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi negado seguimento, conforme Despachos s/nº da 2ª Câmara, de 14/11/2014 (fls. 220/222) e s/nº da CSRF, de 17/11/2014 (fl. 223), respectivamente, Exame e Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial. A Fazenda Nacional tomou ciência desses despachos em 09/12/2014 sem manifestação. Cientificado do Acórdão nº 2201002.522 em 23/03/2016, o contribuinte opôs em 29/03/2016, portanto, tempestivamente, Embargos de Declaração (fls. 233/237) alegando que o aresto proferido incorre em omissão/contradição, já que não decretou a nulidade da exigência, em razão do cálculo do imposto ter sido efetuado com base no montante global, em afronta ao Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009. Tais embargos foram rejeitados pelo Despacho de Admissibilidade de Embargos, da 2ª Câmara, de 08/06/2016 (fls. 240/241). Cientificado da rejeição dos embargos em 04/07/2016 (AR à fl. 341), o sujeito passivo interpôs o Recurso Especial (fls. 250/284) em 19/07/2016, conforme indica o documento à fl. 248. Constatase que a peça recursal foi protocolada tempestivamente, porém dotada de erro quanto ao número do processo, posto que indicado o de nº 10580.727295/2009 81, que se refere a outro contribuinte (fl. 249). Tal erro foi comunicado pelo sujeito passivo em 21/07/2016 (fl. 246). Em seu recurso visava rediscutir as seguintes matérias: a) violação à Súmula n° 2 do CARF e ao art. 62, do Anexo II, de seu Regimento Interno, em face do afastamento de legislação tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal; b) ilegitimidade ativa da União; c) nulidade do lançamento por erro na sua construção, ao invés da sua revisão após notificado ao sujeito passivo; d) “URV” – parcelas de natureza indenizatória; e e) não incidência de juros de mora sobre o Imposto de Renda cobrado. Ao Recurso Especial do Contribuinte foi dado seguimento parcial em relação às matérias dos itens “c” nulidade do lançamento por erro na sua construção, ao invés da sua revisão após notificado ao sujeito passivo e “d” “URV” – parcelas de natureza indenizatória, conforme Despacho s/nº, da 2ª Câmara, de 07/10/2016 (fls.). Em relação ao item “c” nulidade do lançamento por erro na sua construção, ao invés da sua revisão após notificado ao sujeito passivo,, argumenta: · o contribuinte alega que o lançamento foi feito em uma base de cálculo completamente inadequada, uma vez que a fiscalização, ao invés de ter feito lançamentos isolados em cada valor de “URV” recebido, deveria ter refeito as três DIRFs (2005, 2006 e 2007) do Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10580.725157/200968 Acórdão n.º 9202007.002 CSRFT2 Fl. 4 5 contribuinte, a fim de apurar, mês a mês, os valores de imposto de renda supostamente devidos em conjunto com os salários auferidos, pois é sabido que a legislação de imposto de renda prevê a declaração de ajuste anual, onde o contribuinte tem a possibilidade de excluir da base de cálculo do tributo, por exemplo, determinadas parcelas isentas, passando normalmente a ter imposto a restituir no exercício seguinte. · Salienta que, conquanto o modo de proceder da fiscalização tenha sido ajustado no sentido de que o cálculo do imposto de renda devido não deveria ser sobre a totalidade dos valores recebidos nos anos de 2005, 2006 e 2007, mas sim sobre os valores mensais em que o pagamento seria realizado (1994 a 2001), permanece induvidoso que a forma de constituição do crédito tributário ainda não se mostra adequada posto que desconsiderados os demais rendimentos que foram auferidos naquele período. · Traz várias ementas do STJ no sentido de que o cálculo do imposto de renda deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias da percepção dos rendimentos e acrescenta que não bastaria os lançamentos levarem em consideração apenas os valores que deveriam ter sido recebidos a título de “URV” nos anos de 1994 a 2001, como foi feito, mas também a totalidade da receita mensal do contribuinte, até para que se revelasse que a incidência do imposto era devida ou não; isto porque se for considerado tão somente a parcela de “URV” que deveria ter sido recebida em janeiro de 1995, por exemplo, verificarseia que a fonte pagadora não deveria ter feito retenção, ao menos que fosse levada em consideração a totalidade do recebimento mensal, uma vez que o essa parcela de “URV”, individualmente considerada, estaria isenta conforme tabela da época. Já em relação ao item “d” “URV” – parcelas de natureza indenizatória, argumenta: · o contribuinte alega que o Acórdão recorrido apenas excluiu a multa de ofício do lançamento realizado para os exercícios de 2005/2007, mantendo integralmente a exigência do imposto de renda, desconsiderando os argumentos defensivos, em especial aquele relativo à natureza indenizatória de tal parcela. · Traz trechos do Parecer do Procurador de Estado da Bahia, Dr. Jorge Salomão Oliveira dos Santos, que, segundo o contribuinte, “muito bem analisou os contornos do assunto em exame”, e afirma que a origem dos pagamentos da Lei Estadual nº 8.730/2003 e da Lei Complementar nº 20/2003 foi o desfecho desfavorável à Fazenda Pública Baiana nos autos da AO 613BA e 614BA julgadas pelo STF, de forma que o Estado da Bahia utilizou de sua própria receita originária para compensar seus servidores públicos em razão das diferenças havidas por conta da URV. · Destaca também as conclusões fornecidas pelo Parecer do Jurista Marco Aurélio Greco, tendo tal estudo sido empreendido em resposta Fl. 373DF CARF MF 6 à consulta formulada pelas Associações de Classe dos Membros do Ministério Público, dos Tribunais de Contas e da Magistratura do Estado da Bahia, onde concluiu pela Constitucionalidade da Lei Estadual nº 8.730/2003, ou pela ilegitimidade da União para cobrar e autuar os agentes estaduais pelo não recolhimento do Imposto de Renda, renda esta de titularidade exclusiva do Estado da Bahia. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 01/02/2017 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional apresentou no mesmo dia, portanto, tempestivamente, Contrarrazões (fls. 360/366). · Em relação à incidência do IR sobre as verbas pagas, a Fazenda Nacional traz todo um histórico em relação ao tratamento dado ao abono variável instituído, inicialmente, para a Magistratura Federal e estendido aos Membros do Ministério Público da União, reconhecendo a não incidência tributária sobre os mesmos. · Argumenta que foi reconhecida a não incidência tributária apenas aos membros dessas carreiras e que a contribuinte, no presente caso, não integra o quadro de nenhuma delas. · Diz que não há que se falar em ofensa ao princípio da isonomia. Salienta que seria possível cogitar tal hipótese se, por exemplo, uma vez reconhecida a não incidência para os membros da carreira do Ministério Público Federal, algum Procurador da República porventura fosse excluído do benefício sem motivo aparente; e aí sim seria cabível discutir ofensa ao princípio da igualdade, pois estaríamos diante de situações iguais sendo tratadas de forma distinta; mas que não é esse o caso dos autos, pois a contribuinte é integrante da Magistratura Estadual (BA). · Cita o artigo 150, §6º da CF e os artigos 97 e 111 do CTN – que trazemos abaixo in verbis, que tratam do tema da isenção e diz que a pretensão do contribuinte implica em evidente ofensa aos artigos citados. · Afirma que nenhuma das leis que dispõem sobre o tema tratado (Leis nºs 9.655/98, 10.474/02 e 10.477/02) exime a tributação de imposto de renda sobre a parcela discutida, pois tratamse de leis limitadas a instituir o abono variável e sua forma de cálculo. · Ressalta que, ainda que essas leis dispusessem sobre a não incidência de IRPF sobre o abono variável, devese guardar obediência ao artigo 111 do Código Tributário Nacional, no sentido de que todo dispositivo legal que disponha sobre isenção, suspensão, exclusão de crédito tributário deve receber interpretação restritiva; e, portanto, descabido, conferir às leis mencionadas alcance que não contêm. · Lembra que não há impedimento a que a lei estadual faça referência à lei federal, desde que não haja invasão das esferas de competência constitucionalmente delimitadas; e salienta que se a lei estadual dispusesse sobre a incidência de IRPF, estaria disciplinando matéria afeta à União, o que viola o artigo 153, III da Constituição Federal. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10580.725157/200968 Acórdão n.º 9202007.002 CSRFT2 Fl. 5 7 · Registra que a pretensão da contribuinte também viola a lei tributária, sobretudo se considerado o artigo 3º da Lei 7.713/88: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. · Conclui que o legislador foi claro ao determinar a incidência de IRPF sobre o rendimento bruto, ressalvado o teor dos artigos 9º a 14 da mesma Lei, onde não consta qualquer referência ao abono discutido no caso em apreço; e acrescenta: “Ademais, pouco importa a denominação da parcela tributada, se títulos, direitos, origem, bastando que haja benefício do contribuinte de qualquer forma e a qualquer título”. É o relatório. Fl. 375DF CARF MF 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 343. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito Em face dos pontos trazidos no Recurso especial do Contribuinte e do conteúdo do acórdão recorrido entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a forma de cálculo do tributo devido, em que pleiteia o recorrente a nulidade, bem como em relação a natureza dos valores pagos à título de URV, frente a aplicação de decisão do STJ na sistemática de recurso repetitivo sobre rendimentos relativos aos pagamentos recebidos pelos membros da Magistraturas da Bahia. A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, fls. 193 e seguintes, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10580.725157/200968 Acórdão n.º 9202007.002 CSRFT2 Fl. 6 9 quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Considerando os tópicos apresentados pelo recorrente e os termos do acórdão recorrido, passemos a analisar cada um dos pontos apresentados pelo recorrente: c” nulidade do lançamento por erro na sua construção, ao invés da sua revisão após notificado ao sujeito passivo,, · o contribuinte alega que o lançamento foi feito em uma base de cálculo completamente inadequada, uma vez que a fiscalização, ao invés de ter feito lançamentos isolados em cada valor de “URV” recebido, deveria ter refeito as três DIRFs (2005, 2006 e 2007) do contribuinte, a fim de apurar, mês a mês, os valores de imposto de renda supostamente devidos em conjunto com os salários auferidos, pois é sabido que a legislação de imposto de renda prevê a declaração de ajuste anual, onde o contribuinte tem a possibilidade de excluir da base de cálculo do tributo, por exemplo, determinadas parcelas isentas, passando normalmente a ter imposto a restituir no exercício seguinte. Fl. 377DF CARF MF 10 · Salienta que, conquanto o modo de proceder da fiscalização tenha sido ajustado no sentido de que o cálculo do imposto de renda devido não deveria ser sobre a totalidade dos valores recebidos nos anos de 2005, 2006 e 2007, mas sim sobre os valores mensais em que o pagamento seria realizado (1994 a 2001), permanece induvidoso que a forma de constituição do crédito tributário ainda não se mostra adequada posto que desconsiderados os demais rendimentos que foram auferidos naquele período. · Traz várias ementas do STJ no sentido de que o cálculo do imposto de renda deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias da percepção dos rendimentos e acrescenta que não bastaria os lançamentos levarem em consideração apenas os valores que deveriam ter sido recebidos a título de “URV” nos anos de 1994 a 2001, como foi feito, mas também a totalidade da receita mensal do contribuinte, até para que se revelasse que a incidência do imposto era devida ou não; isto porque se for considerado tão somente a parcela de “URV” que deveria ter sido recebida em janeiro de 1995, por exemplo, verificarseia que a fonte pagadora não deveria ter feito retenção, ao menos que fosse levada em consideração a totalidade do recebimento mensal, uma vez que o essa parcela de “URV”, individualmente considerada, estaria isenta conforme tabela da época. Nesse ponto, entendo que não há reparos no acórdão recorrido. Forma de Cálculo No que tange à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a autoridade lançadora aplicou sobre o total do crédito, a tabela do imposto de renda vigente no mês do recebimento, contudo, essa forma de cálculo foi modificado pelo acórdão recorrido, de forma, a que não merece qualquer reparo a decisão, afastando qualquer espécie de nulidade arguida pelo recorrente De acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), assim como feito pela turma a quo, devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10580.725157/200968 Acórdão n.º 9202007.002 CSRFT2 Fl. 7 11 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Pelo que se vê, o REsp nº 1.118.429/SP versa exatamente sobre o caso dos autos, ou seja, parcelas atrasadas recebidas acumuladamente. Assim, devese aplicar sobre os rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Aliás a leitura do art. 12A da lei 7.713/88, é esclarecedora quanto a forma de cálculo desses rendimentos. Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Assim, como feito pelo acórdão recorrido ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais, baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da lei 7.713/88 e no próprio acordão recorrido. Entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de cálculo aplicável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Vale destacar que no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Fl. 379DF CARF MF 12 Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10580.725157/200968 Acórdão n.º 9202007.002 CSRFT2 Fl. 8 13 forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Com base nas questões levantadas pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Não se trata de alteração de critério jurídico aplicado pela fiscalização, mas de aplicação dos termos de lei, que posteriormente por decisão judicial deixa claro qual a melhor interpretação acerca do regime aplicável. Incidência sobre Valores de Diferenças de URV Natureza da verba Quanto ao mérito, é sabido que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais decorrentes da conversão da remuneração dos servidores beneficiados, quando da implantação do Plano Real. Em função disso, constatase que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao longo dos anos subseqüentes. Nesse sentido, podemos concluir que o objetivo de ações judiciais sob esse fundamento ou mesmo da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, da Bahia (que apenas reconheceu esse direito) foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago, ou seja, diferença de salários. Considerando o nítido caráter salarial diferenças pagas a posteriori, penso que a verba trazida à discussão encontrase sujeita à incidência do IR, conforme dispõe o art. 43 do CTN: Fl. 381DF CARF MF 14 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nesse sentido, estáse diante de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Frente as considerações acima, concordo com os fundamentos adotados pelo julgador da turma a quo para definir a natureza das diferenças de URV. Segundo o acórdão recorrido a verba recebida pelos servidores estaduais possui a mesma natureza daquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação. Entendo, que não há como igualar as situações dos membros do Ministério Público Federal e Magistratura Federal com os pertencentes aos quadros do Estado da Bahia, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Com efeito, o Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Dessa forma, ao contrário do exposto pelo julgador a quo entendo que ao adotar mesmo tratamento tributário, alterando a natureza dos pagamentos, estaria sim, me valendo da analogia para definir fato gerador e base de cálculo de imposto sob a competência da União. A Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002 conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). No mesmo sentido, a PGFN, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e MP Federal, respeitando a interpretação do STF, contudo, tal verba não pode ser confundida com as diferenças decorrentes de URV ora sob análise. Por fim, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10580.725157/200968 Acórdão n.º 9202007.002 CSRFT2 Fl. 9 15 pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. Em relação ao nítido caráter salarial das verbas pagas a título de URV, já se pronunciou este conselho em outras ocasiões acerca do tema, ao qual cito julgados que corroboram com o encaminhamento aqui formulado: Fl. 383DF CARF MF 16 ACÓRDÃO 9202003.659 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 9202.003.585 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 2201002.491 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10580.725157/200968 Acórdão n.º 9202007.002 CSRFT2 Fl. 10 17 “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Fl. 385DF CARF MF 18 Frente as questões colocadas acima, entendo que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de IR, sendo incabível acatar a argumentação de que a natureza salarial da referida verba seja alterada por legislação estadual, qual seja, a Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, ou mesmo que Resolução nº 245 do STF lastreada em Lei federal com destinação específica possa ser aplicada por analogia a outros casos que não os expressamente nela descritos. Bem, conforme foi apreciado acima, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar as contribuições, posto que os valores recebidos, pela análise da legislação aplicável ao caso concreto, quais sejam, CF/88, CTN e legislação do IR incorreto considerar os rendimentos como isentos ou não tributáveis. Assim, esse julgador em momento algum descumpri ou fere dispositivo regimental, pelo contrário, entendo que acatar os argumentos do recorrente pela aplicabilidade da legislação estadual e resolução 245/STF, aí sim, estaria afastando dispositivo legal. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO . É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 386DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.720756/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
EXCLUSÃO DO SIMPLES. APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTOS.
A exclusão do sujeito passivo da sistemática do SIMPLES, com efeitos retroativos, implica em apuração das contribuições de terceiros sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados com base na legislação de regência.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO GFIP. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA.
A omissão de documentos que permitam a apuração do valor do tributo devido à época do suposto recolhimento indevido impossibilita a confirmação dos requisitos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte objeto de compensação.
Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEVEDORES SOLIDÁRIOS. FALTA DE IMPUGNAÇÃO.
Não havendo impugnação não se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal. No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foram-lhe devidamente cientifIcados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa bem assim não há que se falar em nulidade do lançamento.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Não caracteriza cerceamento de direito de defesa, o indeferimento de pedido de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. A realização de diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo.
MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO.
Afasta-se a qualificadora da multa de ofício quando a fiscalização não descreve a conduta que autoriza a sua imposição ao lançamento, nos termos da legislação tributária.
MULTA AGRAVADA. CABIMENTO.
A multa agravada aplica-se aos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 2401-005.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a qualificadora da multa, passando esta ao percentual de 112,5%. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho (relator) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também a multa isolada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES. APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTOS. A exclusão do sujeito passivo da sistemática do SIMPLES, com efeitos retroativos, implica em apuração das contribuições de terceiros sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados com base na legislação de regência. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO GFIP. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. A omissão de documentos que permitam a apuração do valor do tributo devido à época do suposto recolhimento indevido impossibilita a confirmação dos requisitos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte objeto de compensação. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEVEDORES SOLIDÁRIOS. FALTA DE IMPUGNAÇÃO. Não havendo impugnação não se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal. No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foram-lhe devidamente cientifIcados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa bem assim não há que se falar em nulidade do lançamento. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza cerceamento de direito de defesa, o indeferimento de pedido de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. A realização de diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO. Afasta-se a qualificadora da multa de ofício quando a fiscalização não descreve a conduta que autoriza a sua imposição ao lançamento, nos termos da legislação tributária. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. A multa agravada aplica-se aos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a qualificadora da multa, passando esta ao percentual de 112,5%. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho (relator) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também a multa isolada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier
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APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTOS. A exclusão do sujeito passivo da sistemática do SIMPLES, com efeitos retroativos, implica em apuração das contribuições de terceiros sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados com base na legislação de regência. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO GFIP. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. A omissão de documentos que permitam a apuração do valor do tributo devido à época do suposto recolhimento indevido impossibilita a confirmação dos requisitos de certeza e liquidez do crédito do contribuinte objeto de compensação. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEVEDORES SOLIDÁRIOS. FALTA DE IMPUGNAÇÃO. Não havendo impugnação não se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal. No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 07 56 /2 01 4- 43 Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.258 2 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DEVIDO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Havendo comprovação de que o sujeito passivo demonstrou conhecer o teor da acusação fiscal formulada no auto de infração, considerando ainda que todos os termos, no curso da ação fiscal, foramlhe devidamente cientifIcados, que logrou apresentar esclarecimentos e suas razões de defesa dentro dos prazos regulamentares, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa bem assim não há que se falar em nulidade do lançamento. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza cerceamento de direito de defesa, o indeferimento de pedido de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. A realização de diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO. Afastase a qualificadora da multa de ofício quando a fiscalização não descreve a conduta que autoriza a sua imposição ao lançamento, nos termos da legislação tributária. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. A multa agravada aplicase aos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a qualificadora da multa, passando esta ao percentual de 112,5%. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho (relator) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite que davam provimento parcial em maior extensão para excluir também a multa isolada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.259 3 (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier Relatório Cuidamse de recursos voluntários (fls. 289/1212) interpostos em face do Acórdão nº. 0735.372 (fls. 257/285), da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis. Nos autos, consta a exigência de crédito tributário das contribuições sociais devidas às Terceiras Entidades ou Fundos, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas no decorrer do mês, aos segurados empregados, e a Multa Isolada por compensação de contribuições previdenciárias com falsidade, relativamente às competências 01/2010 a 12/2012. REFISC (RELATÓRIO FISCAL) Por bem circunstanciar os fatos do procedimento fiscal, adotase o relatório da decisão de piso que assim resumiu o REFISC (Relatório Fiscal): [...] I DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Informa a autoridade lançadora que a Autuada, optante pelo Regime Simplificado de Tributação – SIMPLES NACIONAL desde 01/01/2009, incorreu em diversas hipóteses de exclusão do referido programa, que restou na lavratura, em 26/09/2013, da Representação Fiscal Administrativa ao Delegado da Receita Federal do Brasil em BrasíliaDF e, por conseqüência, na sua exclusão do SIMPLES NACIONAL, nos termos do disposto no artigo 29, incisos II, III, IV, VIII e IX da Lei Complementar nº 123/2006, com efeito retroativo a 01/01/2007, conforme determinado pelo Ato Declaratório Executivo – ADE nº 71, de 21/10/2013 (D.O.U de 23/10/2013, Seção I). Prossegue relatando os procedimentos adotados para apuração do crédito tributário, ora lançado, conforme a seguir: Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.260 4 a) Da Remuneração Dos Segurados Empregados Durante a ação fiscal foram emitidos 4 (quatro) Termos de Intimação Fiscal para que a Fiscalizada apresentasse os documentos lá solicitados, não tendo havido nenhuma manifestação de sua parte. Não foram apresentadas as folhas de pagamento dos meses de 01 a 03/2010 e 12/2011, inclusive as relativas ao pagamento do décimo terceiro salário dos segurados empregados para os anos de 2010, 2011 e 2012; os registros contábeis (Livro Caixa, ou Livro Diário e Razão); nem as Notas Fiscais de prestação de serviço emitidas no período sob ação fiscal. Esclarece que, em razão da ausência da documentação exigida, a apuração mensal da base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas, composta pela remuneração auferida por seus segurados empregados, tomou como base as informações prestadas pela empresa em suas Guias de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social – GFIP, e que para a obtenção dos valores relativos ao décimo terceiro salário foram utilizadas as informações prestadas na RAIS dos anos de 2010, 2012 e 2013. Esclarecese que, além da Planilha contendo os valores mensais apurados, consta do conjunto de provas, anexo aos autos, em formato digital (Anexo I), os comprovantes de entrega da GFIP com protocolo de envio; os Relatórios “Totais de Vínculos e Massa Salarial RAIS” obtidos no Sistema Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS; e a listagem contendo todas as GFIP´s, utilizadas pela fiscalização na apuração da base de cálculo deste levantamento, por tomador de serviço informado, com respectivo código de controle. b) Da Compensação Indevida Alega que a Autuada, no período fiscalizado, informou em GFIP valores referentes à compensação de retenção para a Previdência Social realizadas por seus tomadores de serviço, relativamente ao fornecimento de mãode obra, principalmente, para as atividades de limpeza, conservação, higienização, portaria diurna e noturna, entre outros. Diz que intimada, por meio dos Termos de Intimação Fiscal nº 02 e 03, este reiterado com envio para a residência do sóciogerente da empresa, para apresentar todas as Notas Fiscais de prestação de serviço emitidas no período de 01/2010 a 12/2012, assim como sua contabilidade, para que fosse verificada a correção dos valores compensados, a Fiscalizada não se manifestou. Por essa razão, promoveu a abertura de Diligências Fiscais em 7 (sete) tomadores de serviço da empresa CENTRO SUL, os quais foram selecionados com base nas informações prestadas, pela mesma, em GFIP, a partir das quais obteve cópias de Contratos de Prestação de Serviço; relação de empregados cedidos; Notas Fiscais de Prestação de Serviço emitidas pela empresa; e Guias da Previdência Social recolhidas. Do exame da referida documentação, constatou que, apesar de a CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA. – ME (CNPJ nº 05.241.315/000144) constar em GFIP como empresa contratada, alguns dos contratos foram firmados, na verdade, pela empresa CS ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS GERAIS LTDA. – EPP (CNPJ nº 01.726.963/000130), pertencente ao mesmo grupo econômico da primeira, que também emitiu as Notas Fiscais de prestação de serviço. Também, restou identificado que as Guias de Recolhimento da Previdência Social Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.261 5 GPS, de código 2631, eram emitidas alternadamente para CNPJ´s distintos, sem haver vinculação direta com o efetivo prestador de serviços. Concluiu que a empresa CENTRO SUL atua, com outras empresas, como um conjunto de sociedades, formando um grupo econômico “de fato”, que por sua vez adota procedimentos internos de controle de faturamento e consequentes compensações de contribuições previdenciárias em descompasso com as normas legais e infralegais existentes, tudo isso aliado à negativa da empresa Fiscalizada, de forma reiterada e não justificada, de exibição de livros e documentos à fiscalização. Desse modo, por falta de comprovação hábil, regular e inequívoca por parte da empresa Autuada, conforme mandamento contido no art. 89, §§ 9º e 10º da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, os valores de contribuição previdenciária foram considerados indevidamente compensados, inclusive com falsidade, tendo sido glosados e cobrados os valores não recolhidos á época da compensação. II DO GRUPO ECONÔMICO Nesse tópico, a fiscalização aponta, do item 50 ao 79 do REFISC, todos as situações apuradas que indicam a formação do grupo econômico “de fato”, denominado, de forma genérica, como “Grupo CS”, o qual é composto pelas seguintes empresas: CNPJ RAZÃO SOCIAL 01.726.963/000130 CS ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS GERAIS LTDA EPP 02.977.647/000101 CS COMÉRCIO DE MATERIAIS DE LIMPEZA LTDA ME 03.614.621/000153 VALQUEL COMÉRCIO DE FIBRA DE VIDRO E CONSTRUÇÃO LTDA 05.241.315/000144 CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA ME 12.523.206/000185 CENTRO EMPREENDIMENTOS, ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS GERAIS LTDA 38.020.806/000114 CS CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA ME 72.651.813/000152 AOS ADMINISTRAÇÃO, COMÉRCIO, CONSTRUÇÃO E SERVIÇOS LTDA ME Colhese, ainda, as seguintes evidencias: a) a outorga de poderes de gerência e administração feita em favor do Sr. Avelar Oliveira Silva pelas empresas CS Empreendimentos, Administração e Serviços Gerais Ltda. (CNPJ nº 12.523.206/000185), AOS Administração, Comercio, Construção E Serviços Gerais Ltda. – ME (CNPJ nº 72.651.813/000152) e Valquel Comercio de Fibra de Vidro e Construção Ltda. (CNPJ nº 03.614.621/000153), deixa claro a existência comprovada de sócio oculto ou “de fato” no comando das diversas empresas; b) a utilização de um mesmo endereço de funcionamento para as diversas empresas do grupo evidencia a utilização de uma mesma estrutura física para seu funcionamento, configura a confusão patrimonial e gerencial; e c) a utilização de força de trabalho comum a todas as empresas. Em resumo, esclarece que os fatos apontados nesse relatório demonstram caracterizada a confusão patrimonial com vinculação gerencial por Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.262 6 coincidência de sócios e administradores, havendo abuso de forma entre as empresas integrantes do agrupamento. Toda documentação, que formam o conjunto de provas para a caracterização do grupo econômico, encontrase anexa aos autos, em formato digital. III DA SUJEIÇÃO PASSIVA Explica que restou configurada, à luz da legislação e dos fatos apontados no REFISC, a constituição e atuação do grupo de empresas, na forma de grupo econômico “de fato”, razão pelo qual todas elas foram incluídas no pólo passivo da relação tributária referente às contribuições previdenciárias, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212, de 1991; do art. 222 do Decreto 3.48/99; do art. 179, inciso I da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14/07/2005, mesma disposição repetida no art. 152 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009. Assim, também, restou responsabilizado o sócioadministrador “de fato” ou oculto da empresa Autuada e das integrantes do “Grupo CS”, na pessoa do Sr. Avelar Oliveira Silva, CPF 394.993.67349, em decorrência da prática dos atos de excesso de poder, infração à Lei e ao contrato social. Esclarece que as empresas serão cientificadas dos créditos tributários, constituídos na presente ação fiscal, por meio da lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária, em conformidade com o art. 495 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. Devendo, portanto, serem responsabilizados tanto o sócioadministrador “de fato” ou oculto quanto as empresas integrantes do “Grupo CS”, na pessoa do Sr. Avelar Oliveira Silva. IV DA MULTA QUALIFICADA E AGRAVADA Por fim, esclarece que em face dos fatos apurados no curso da ação fiscal foi aplicada, concomitantemente, a multa qualificada e agravada de 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), consoante art. 44, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/1996. No caso da compensação indevida, aplicase o disposto no art. 89, § 9º da Lei nº 8.212/91 (Lei de Custeio da Previdência Social). EMENTA DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Cientificado dos Autos de Infração, o sujeito passivo apresentou impugnação, através de seu procurador legalmente constituído, cujo Acórdão nº 0735.372 restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 DEBCAD nº 51.038.4137 COMPENSAÇÃO DE RECOLHIMENTOS. PAGAMENTOS INDEVIDOS PARA O SIMPLES. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com valor recolhido indevidamente para o SIMPLES. MULTA DE OFÍCIO Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.263 7 Sempre que restar configurada uma das situações descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I, do artigo 44, da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. As contribuições em atraso estão sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC. DEBCAD nº 51.038.4145 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. MULTA DE OFÍCIO Sempre que restar configurada uma das situações descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I, do artigo 44, da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. As contribuições em atraso estão sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza são responsáveis solidárias pelas contribuições previdenciárias. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, sob pena de preclusão, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. MULTA. PRINCÍPIO DA BOAFÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multa por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados. Devidamente cientificados do Acórdão nº 0735.372, a devedora principal (Centro Sul Empreendimento e Serviços Ltda/Centro Sul Administradora de Condomínios e Serviços Gerais Ltda) e os 07 (sete) devedores solidários apresentaram recursos voluntários, conforme documentos às fls. 289/1212. Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.264 8 RECURSO VOLUNTÁRIO DA DEVEDORA PRINCIPAL 1) Em seu recurso, a devedora principal primeiramente faz um abordagem do relatório da ação fiscal e do auto de infração, resumindo nos seguintes pontos: 1. a empresa CENTRO SUL Administradora de Condomínio e Serviços Gerais Ltda. ME, ora autuada, tem o nome de fantasia CS Administradora de Condomínio e Serviços Gerais, enquanto que a empresa CS Administração e Serviços Ltda. EPP tem como nome fantasia CENTRO SUL Serviços Gerais. Registra, inclusive, que o próprio auditor ora refere a Autuada como sendo CENTRO SUL Administradora de Condomínio e Serviços Gerais Ltda. ME, ora CENTRO SUL Empreendimentos e Serviços Ltda. ME. 2. O fato de o Sr. Avelar Oliveira Silva, sócio majoritário das referidas empresas, assinar os documentos e gerenciar as empresas não implica em nenhum problema. 3. Prossegue alegando que a multa aplicada de 225%, sobre o valor da cobrança do suposto crédito tributário, é desproporcional e desmedida, porquanto todo montante lançado já está pago e quitado. 4. Aduz que houve um desencontro entre as informações contábeis da empresa e as intimações da fiscalização, uma vez que não foram recebidas pelo responsável apto a prestar esclarecimentos. 5. Os montantes devidos a título de contribuições sobre as remunerações dos segurados empregados, em todo o período fiscalizado, encontramse pagos, mostrandose incorreta e indevida a apuração da base de cálculo feita por mera estimativa, com base em GFIP's e RAIS. 6. requer que os recolhimentos até então efetuados sejam considerados para efeito de quitação integral do tributo devido. 7. Do descabimento do enquadramento da empresa no Grau de Risco 3 (Grave) para Fins de Apuração da Contribuição Previdenciária devida ao SAT, uma vez que existe ATIVIDADE COM risco 01. 8. Da Glosa de Compensações Realizadas. Diz constar do relatório fiscal que as Notas Fiscais de prestação de serviços não foram apresentadas à fiscalização para que fossem verificados se, efetivamente, os valores compensados referemse aos créditos decorrentes do recolhimento de contribuições previdenciárias devidas quando da retenção na Nota Fiscal ou na Fatura, mediante aplicação da alíquota de 11% sobre o valor pago pela tomadoras de serviços. As notas fiscais já forma entregues à fiscalização. 9. Notas Fiscais se encontram disponibilizadas à fiscalização no termo de atendimento ao CAC. 10. O fato de ser a empresa cedente de mão de obra e ter declarado na GFIP e GPS o valor da contribuição previdenciária retida em Nota Fiscal emitida pela contratada, indiscutivelmente, preencheu os requisitos para compensação prevista no art. 31,§1º, da Lei nº 8.212/91. 11. Da Ausência de Grupo Econômico. CS Construções e Serviços Ltda. (CNPJ 38.020.806/000114) sequer estão em nome do Sr. Avelar Oliveira Silva, que se Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.265 9 retirou da sociedade em março/2010, conforme cópia das Certidões Simplificadas anexas. 12. as empresas trabalham em ramos distintos, sendo a sua atividade a de gestão condominial, com limpezas, administração e atividade de vigia de portaria para condomínio residenciais, e as demais empresas atuam com serviços gerais, comércio de fibra de vidros, construção, entre outros ramos. 13. Salienta que o Sr. Avelar responde pelas empresas que criou, assinando como representante legal apenas nas empresas que consta como sócio diretor com função de gerencia, não existindo, portanto, a figura do "sóciooculto". 14. Da Nulidade do Auto de Infração. a) Afirma que ao Auto de Infração deve ser anulado por total desobediência ao comando do art. 142 do CTN, em face dos seguintes motivos: a)o demonstrativo elaborado pelo auditor não relacionou as notas fiscais, os fornecedores e os respectivos valores indevidos no levantamento das notas fiscais retiradas dos tomadores do serviço. (As notas fiscais, corretamente emitidas, não foram consideradas, tendo sido auferido valores aleatórios e genéricos; e b) não foi discriminada a legislação aplicável aos juros e a correção monetária utilizados para cálculo das multas, cerceando o seu direito de defesa. 15. Todos os documentos comprobatórios dos recolhimentos das contribuições previdenciárias exigida no termo de fiscalização estão e estiveram à disposição da fiscalização. 2) Em seguida, prossegue argumentando sobre pontos da decisão recorrida, quanto à exclusão do SIMPLES e a nulidade do lançamento do auto de infração. Ainda que o auditor não relacionou as notas fiscais, os fornecedores e os respectivos valores, o que acabou por originar a apuração de valores indevidos. 3) Cita decisões do CARF, para enfatizar o direito à dedução dos valores recolhidos na sistemática do SIMPLES. Neste contexto, diz que se não for o caso de anular o auto de infração que seja baixado em diligência para ser verificado o quanto foi pago. 4) Declara que o processo chega à segunda instância administrativa sem que a autoridade competente tenha apreciado as notas fiscais corretamente emitidas, os fornecedores e os respectivos valores, sendo que a sua consideração poderia alterar substancialmente o lançamento efetuado. 5) Informa que exerce atividade de administração e gestão de condomínios (contabilidade, gestão de pessoal, limpeza, portaria e higienização). Não bastaria a mera exclusão da recorrente do SIMPLES e, ato contínuo, autuála para pagamento da contribuição SAT/RAT, sem que tenha se provado que, de fato, a sua atividade preponderante seria de "Serviços combinados para apoio a edifícios, exceto condomínios prediais". 6) Aduz que no acórdão recorrido consta que o motivo da glosa das compensações efetuadas "não foi o fato de as mesmas terem sido efetuadas mediante GFIP, mas sim de a Autuada não comprovar a liquidez e certeza dos créditos compensáveis nelas declarados. 7) Sobre o "Grupo Econômico", afirma que a existência do grupo não passa de ficção criada pela autoridade fiscal, portanto, é vazia e carece de provas robustas. Cita decisões do CARF. Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.266 10 Prossegue afirmando que inexiste elementos nos autos que apontem colaboração dos pretensos responsáveis solidários para a ocorrência do fato gerador. 8) Impossibilidade de qualificação das multas. Diz que não se pode deixar que interpretações determinem multas que levam a percentuais abusivos e a conduta criminosas inexistentes. Cita decisões do CARF, para concluir que a multa deve ser reduzida ao percentual de 75%. 9) Não pode a Secretaria da Receita Federal lançar novamente valores declarados. Entende que o recurso deve ser provido para anular o auto de infração e determinar que os valores já declarados e confessados pelo contribuinte sejam excluídos do lançamento. 10) Insiste no aspecto de que o Auto de Infração é nulo por vício material. Assim, no seu entender estamos diante de um vício quanto ao motivo e o objeto. Foi lançado um débito que "NÃO CONSIDEROU QUE OS DÉBITOS JÁ FORAM PAGOS. POR ISSO, O VÍCIO É MATERIAL E TODO O AUTO DE INFRAÇÃO DEVE SER DECLARADO NULO". 11) Solidariedade por interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária principal. Entende que em uma empresa todos os sócios têm como interesse comum o lucro, mas não se pode imputar grupo econômico e solidariedade por vontade do auditor. Cita decisões do CARF. 12) Representação Fiscal para Fins Penais. Aduz ser abusiva o motivo para caracterização de tal medida, não tem fundamento ou qualquer base para que seja indicada a existência de crime contra a ordem tributária. 13) Ao final, requer: a) Que seja anulado o auto de infração por vício material consubstanciado no fato de o auditor fiscal não ter considerado OS VALORES DEVIDAMENTE PAGOS, ensejando que o lançamento não pode ser retificado no seu aspecto quantitativo, sem que isso afete a higidez do seu objeto; b) Que seja anulado o auto de infração por vício formal, determinando que o lançamento seja feito excluindose todos os valores pagos ou retidos pelos tomadores de serviço, determinando a incidência de multa de 20% (vinte por cento); c) Que seja anulado o auto de infração quanto à retroatividade da exclusão do simples; d) Que seja anulado o auto de infração quanto à aplicação de alíquota de 3% para o RAT/SAT; e) Que seja julgado procedente o pedido para que o lançamento exclua todos os valores pagos, RETIDOS, declarados, confessados coma redução da multa para 20% (vinte por cento), tendo em vista que os valores foram pagos ao Fisco; f) Que seja julgado procedente o pedido para exclusão da multa, tendo em vista que os elementos apontam pela inexistência de motivos para a qualificação ou agravamento da multa; g) Que seja julgado procedente o pedido para excluir a solidariedade; Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.267 11 h) Que seja julgado procedente o pedido para excluir a FORMAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO; i) Que seja julgado procedente o pedido para EXCLUIR a CS CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA CNPJ 38.020.806/000114 da responsabilidade solidária e do grupo econômico, tendo em vista que o senhor Avelar saiu da empresa em 2010 e a procuração que funda a relação entre a empresa e o grupo econômico é para assunto específico de uma venda de automóvel, ensejando que os proprietários da empresa não são "laranjas" do senhor Avelar; j) Que seja julgado procedente o pedido para excluir elementos de dolo no presente caso. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Esta turma, por meio da Resolução nº 2401000.601, de 05 de julho de 2017, converteu o julgamento em diligência, para: a) Por qual motivo o AR de fls. 92/93 foi considerado como intimação da devedora principal CENTRO SUL ADMINISTRADORA DE CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS GERAIS CNPJ 05.241.315/000144? b) Apesar da descrição do nome do destinatário e o endereço não serem os mesmos dos constantes na qualificação do sujeito passivo devedor principal do auto de infração à fl. 3, por qual motivo o AR de fls. 92/93 está sendo considerado como a intimação da devedora principal? c) Após, que seja a contribuinte intimada para se manifestar acerca das informações apresentadas pela Receita Federal do Brasil na presente diligência. A informação fiscal em atendimento ao pedido de diligência, Resolução nº 2401000.601, de 05/07/2017, consta do processo principal. Cientificado dos termos da informação, não houve manifestação do sujeito passivo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Admissibilidade dos recursos Constam do presente processo a apresentação de 08(sete) recursos voluntários (fls. 289/1212), sendo 01(um) da devedora principal (Centro Sul Administradora de Condomínios e Serviços Gerais Ltda) e dos 07 (sete) sujeitos passivos solidários, conforme abaixo: 1) CS CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS LTDA. – fl. 289/302; 2) CS ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS GERAIS LTDA. – fls. 303/432; Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.268 12 3) AVELAR OLIVEIRA SILVA – fls. 433/562; 4) VALQUEL COMÉRCIO DE FIBRA DE VIDRO E CONSTRUÇÕES LTDA. – fls. 563/692; 5) CS EMPREENDIMENTOS, ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS GERAIS –fls. 823/952; 6) AOS ADMINISTRAÇÃO, COMÉRCIO, CONSTRUÇÃO E SERVIÇOS GERAIS LTDA. – fls. 953/1082; 7) CS COMERCIO DE MATERIAIS DE LIMPEZA LTDA. fls. 1083/1212. Compulsando os autos, verificase que nenhum dos devedores solidários impugnaram o auto de infração, desta forma, concluise que, nos termos do que dispõe o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972: "Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento", precluiu o seu direito de discutir o crédito tributário que lhes fora atribuído. Também, são essas as disposições do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta, além de outros assuntos, o processo de determinação e de exigência de créditos tributários: CAPÍTULO III DA FASE LITIGIOSA Seção I Da Impugnação Art.56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). [...] §3oNo caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. §4oNa hipótese do § 3o, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que cada um deles tiver sido cientificado do lançamento. [...](grifouse) Neste contexto, não tendo os sujeitos passivos solidários acima relacionados impugnado o lançamento, não instauraram o contencioso administrativo e, portanto, não figuram no presente processo administrativo fiscal. Desse modo, não conheço dos referidos recursos voluntários. Quanto à devedora principal o recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos. Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.269 13 Preliminares Resolução nº 2401000.601 Esclarecimentos sobre a devedora principal (Centro Sul Empreendimento e Serviços Ltda/Centro Sul Administradora de Condomínios e Serviços Gerais Ltda) Em deliberação deste colegiado, com vistas a esclarecimentos sobre a ciência do auto de infração à devedora principal, foi instaurado o procedimento fiscal de diligência MPF nº 01.1.01.002013005020, conforme termos anexos, além de outros pontos, para: a) Por qual motivo o AR de fls. anexa foi considerado como intimação da devedora principal CENTRO SUL ADMINISTRADORA DE CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS GERAIS CNPJ 05.241.315/000144? [...] No início do procedimento fiscal (fiscalização) em 01/03/2013, a autuada (CENTRO SUL ADMINISTRADORA DE CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS GERAIS LTDA) utilizava o nome empresarial CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS. A alteração da razão social para CENTRO SUL ADMINISTRADORA DE CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS GERAIS LTDA, ocorreu em 16/07/2013, no curso do procedimento fiscal, conforme tela do sistema CNPJ, abaixo reproduzida. Salientase que o cadastro único mantevese inalterado, ou seja, o mesmo CNPJ: 05.241.315/000144. Conforme ressaltou a auditoria fiscal, no relatório da diligência, a identificação da empresa com o nome de CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS consta em vários documentos, a exemplo da Procuração lavrada pela sócia em 25/08/2010 (fls.68), Das Declarações Anuais do Simples Nacional DASN e de Informações Socioeconômicas e Fiscais DEFIS (fls.70 a 92), Das Notas Fiscais de prestação de serviço (às fls. 556 a 591) e outros (documentos do processo principal 10166.720755/201407). Como se observa, em todos os documentos transcritos consta o CNPJ nº 05.214.315/000144, cadastro identificador da empresa autuada, CENTRO SUL ADMINISTRADORA DE CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS GERAIS LTDA. Portanto, está claro que seja uma ou outra Razão Social, na realidade, corresponde a mesma empresa. Entendo que está respondido o questionamento da resolução: "a) Por qual motivo o AR de fls. 1022/1023 foi considerado como intimação da devedora Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.270 14 principal CENTRO SUL ADMINISTRADORA DE CONDOMÍNIOS E SERVIÇOS GERAIS CNPJ 05.241.315/000144?" (Documentos do processo principal). Do Pedido de Diligência No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a realização de diligência só tem razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério do colegiado que realiza o julgamento do processo. Neste sentido, é o teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Também, são essas as disposições do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2001, que regula, entre outras matérias, o processo de determinação e de exigência de crédito tributário, in verbis: Seção IV Das Diligências e das Perícias Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o). (grifouse) Da peça recursal, percebese, basicamente, que o sujeito passivo faz referência ao pedido de diligência referente aos seguintes fatos: se não for o caso de ANULAR O AUTO DE INFRAÇÃO deve ser baixado em diligência para se QUANTIFICAR O QUANTO JÁ FOI PAGO. [...] Assim, uma vez que o demonstrativo elaborado pelo auditor, no caso, não relacionou as notas fiscais, os fornecedores e os respectivos valores, o que originou a apuração de valores indevidos, e bem como porque foram consideradas notas fiscais retiradas dos tomadores do serviço, desprezando se as corretamente emitidas, chegandose a valores aleatórios e genéricos, é que espera a recorrente seja convertido o presente julgamento em diligência, instando a autoridade de piso a proceder à apreciação dos referidos documentos, que alterarão substancialmente o conteúdo do lançamento, sob pena de nulidade, nos termos do art. 29 do decreto n. 70.235/72. Ao que se observa, o pedido de diligência tem na sua essência elementos de prova, comprovação de recolhimento de pagamentos (retenção pelos tomadores dos serviços) e análise de documentos apresentados. Neste sentido, entendo desnecessário o pedido de diligência, considerando que os elementos contidos nos autos são suficientes para análise do feito. Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.271 15 Nulidade do lançamento por ausência de formalidades legais e erro material Repisa a recorrente, assim com defendeu na impugnação, que o auto de infração deve ser anulado porquanto deixou de relacionar as Notas Fiscais de prestação de serviços, o seu emitente e os respectivos valores. Conclui ainda pela nulidade do ato administrativo por entender que a razão última do processo administrativo fiscal é a busca da verdade material, o que significa verificar se a hipótese legal (norma abstrata) se adequa rigorosamente ao fato constatado pela autoridade lançadora. Para compreensão do alegado pelo sujeito passivo, necessário situarmos em que contexto ocorreu a ação fiscal. Assim procedeu a auditoria fiscal: 1) A ação fiscal foi instaurada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal MPFF 01.1.01.002013005020 com início em 01/03/2013, data em que o recorrente tomou ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, por via Postal. Outros termos foram emitidos, a exemplos dos termos de intimações e reintimações, anexos as autos do processo principal, todos com ciência ao sujeito passivo; 2) A pessoa jurídica autuada era optante pelo SIMPLES NACIONAL. No curso da ação fiscal, constatouse que o recorrente incorrera em diversas hipóteses de exclusão do referido programa, o que gerou em 26/09/2013 a Representação Fiscal Administrativa do Delegado da Receita Federal em Brasília DF (PAF nº 10166.728329/201322), e que por consequência a mesma foi excluída do SIMPLES NACIONAL, com efeitos retroativo a 01/01/2007, conforme determinado pelo Ato Declaratório Executivo nº 71, de 21/10/2013 ( D.O.U. de 23/10/2013 fls. 202); 3) Na análise dos documentos apresentados pelo sujeito passivo, registra a auditoria fiscal que analisou as folhas de pagamento do sujeito passivo, em meio papel, as Guias de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social GFIP informadas, bem assim as Declarações Anuais, anos calendário 2010 e 2011, e Declaração de Informações Socioeconômicas e Fiscais DEFIS, ano calendário 2012; 4) Quanto às folhas de pagamento, relata que a empresa CENTRO SUL apresentou a documentação de forma deficiente no período compreendido entre 01/2010 a 12/2012, especifica que não foram entregues os meses de 01 a 03/2010 e 12/2011, assim como as relativas ao décimo terceiro salário para os anos de 2010, 2011 e 2012. Tais itens constam do termo de intimação fiscal nº 01, do qual o sujeito passivo tomou ciência em 15/04/2013; 5) Também, cabe esclarecer que os livros contábeis (Livro Caixa ou Livro Diário e Razão) não foram apresentados pelo contribuinte, apesar de reiteradamente ser intimado para tanto, assim como também não foram apresentadas todas as notas fiscais de prestação de serviço por ela emitidas no período da ação fiscal; 6) Em vista da falta de apresentação de alguns documentos contábeis, a fiscalização promoveu a abertura de Diligências Fiscais em 7 (sete) tomadores de serviço da empresa CENTRO SUL, sendo colhidas junto a essas empresas cópias de Contratos de Prestação de Serviço, relação de empregados cedidos, Notas Fiscais emitidas pela empresa e Guias de Previdência Social recolhidas. Constatouse a apresentação de alguns dos contratos em nome da empresa CS ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO GERAIS LTDA, CNPJ 12.523.206/000185, que também Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.272 16 emitiu as Notas Fiscais de prestação de serviço. O mesmo procedimento foi verificado com relação à geração das GPS de código 2631, que eram emitidas alternadamente para CNPJ's distintos sem haver vinculação direta com o efetivo prestador de serviços (documentos anexos aos autos); 7) Considerando a exclusão da empresa da sistemática do SIMPLES, e devido a falta de documentos, a auditoria fiscal procedeu à apuração dos fatos geradores de contribuição previdenciária provenientes de valores pagos, devidos ou creditados pela mesma a seus empregados, conforme remuneração informada na GFIP e na RAIS e efetuou a glosa de valores de contribuições previdenciárias compensados indevidamente pela empresa; 8) Ainda, a fiscalização usou os valores informados pela autuada em suas GFIP, com vistas a apurar, mensalmente as bases de cálculo das contribuições previdenciárias devidas, compostas pela remuneração auferida por seus segurados empregados. Quanto aos valores relativos ao décimo terceiro salário foram obtidos com a utilização das informações prestadas pela empresa na RAIS dos anos 2010, 2011 e 2012; 9) Referente à remuneração dos segurados empregados da autuada, a fiscalização utilizou os levantamentos "RE" e "DT". Os valores estão discriminados, por mês, constante da planilha (Anexo I), assim como os demais documentos utilizados; 10) No que toca à compensação indevida, relata a auditoria que a empresa CENTRO SUL atuou, no período fiscalizado, como prestadora de serviço na área de administração de condomínios residenciais no Distrito Federal, fornecendo mão de obra principalmente para as atividades de limpeza, conservação, higienização, portaria diurna e noturna; 11) Registre que mediante termos de intimações nºs 2 e 3, foi solicitado a empresa a apresentação de todas as notas fiscais de prestação de serviço emitidas no período de 01/2010 a 12/2012. Todavia, conforme salienta a auditoria, o sujeito passivo permaneceu não atendendo as intimações fiscais, deixando de apresentar a documentação solicitada; 12) Por esse motivo, a fiscalização considerou como indevidamente compensados, inclusive com falsidade, os valores de contribuição previdenciária por ela compensados, informados em GFIP. Ficando glosados por falta de comprovação hábil, regular e inequívoca por parte da empresa, conforme mandamento contido nos §§9º e 10º do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. Os valores referentes à compensação glosada considerados pela fiscalização no presente lançamento fiscal foram identificados pelo código de levantamento “GC”. Pois bem. Entendo que deve ser rechaçado o argumento de que houve violação às formalidades legais de constituição do crédito tributário. Percebese que o ato administrativo de lançamento foi devidamente motivado (devido processo legal), não havendo que se falar em vício material, nos termos dos fundamentos e fatos descritos no Auto de Infração, relatório fiscal das infrações e anexos. A empresa recorrente demonstrou conhecer perfeitamente o teor do ato administrativo formulado no auto de infração, pelo que logrou apresentar suas razões de impugnação dentro do prazo legal e com especial profundidade, a demonstrar o perfeito entendimento às matérias que compunham o lançamento, em obediência aos art. 142 do CTN, arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, e a Constituição Federal. Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.273 17 Desta forma, afastase qualquer pretensão de nulidade do procedimento fiscal prévio ao lançamento, e deste propriamente, porquanto não se vislumbra nenhuma evidência de cerceamento ao direito de defesa, em face da ausência de formalidades legais e erro material no lançamento. Mérito Auto de Infração AI/DEBCAD Nº 51.038.4137 No debcad nº 51.038.4137 estão os valores das contribuições destinadas a outras entidades e fundos apuradas a partir da GFIP sobre a remuneração dos segurados empregados, considerando que a autuada apresentou, de forma incompleta, as folhas de pagamento da empresa para o período de 01/2010 a 12/2012. Com relação ao décimo terceiro, os valores foram obtidos coma utilização das informações prestadas pela empresa na RAIS dos anos 2010, 2011 e 2012. (anexo I Remuneração Mensal segurados Empregados). Alega a recorrente, como defendeu na impugnação, que as contribuições de todo o período fiscalizado já teriam sido recolhidas. Discorda ainda da apuração da base de cálculo a partir da GFIP e RAIS. Nesse ponto, deve ser esclarecido que a exclusão do sujeito passivo da sistemática do SIMPLES, com efeitos retroativos a 01/01/2007, implica em apuração das contribuições de terceiros sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados com base no novo regime de tributação. Quanto aos valores recolhidos com base no SIMPLES, entendo que ao caso devese aplicar o enunciado da Súmula CARF nº 76, in verbis: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Pois bem. Observase que podem ser compensados os valores recolhidos na sistemática do SIMPLES de Contribuição Previdenciária Patronal CPP com os valores lançados a esse título (mesma natureza). Compulsando os autos, verificase, por meio das Declarações Anuais do Simples Nacional (fls. 70/92 Processo nº 10166720755201407), que não há informação de valor devido à título de contribuições sociais de terceiros, bem assim não foram juntados aos autos comprovantes de valores recolhidos à título destas contribuições. Ademais, cabe esclarecer que as empresas que exercem atividade de prestação de serviços, prevista no § 5ºC do artigo 18 da Lei Complementar nº 123/2006, estão legalmente obrigadas à tributação prevista no Anexo IV da referida Lei Complementar, cuja alíquota comum do Simples Nacional não contempla a Contribuição Previdenciária Patronal – CPP, que deverá ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes. Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.274 18 Em relação ao lançamento com base na GFIP e RAIS, impende esclarecer que é possível, nos termos do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, a Secretaria da Receita Federal lançar de ofício quando houver, inclusive, a apresentação de documentos com dados incompletos, o que ocorreu no caso concreto. Ainda mais, quando a GFIP, constituise instrumento de confissão de dívida. Portanto, sem razão a recorrente. Mantémse a decisão de primeira instância. Auto de Infração AI/DEBCAD Nº 51.038.4145 O debcad nº 51.038.4145 referese à multa sobre glosa de compensação efetuada indevidamente. Conforme já relatado a autuada, como prestadora de serviços na área de condomínios residenciais no Distrito Federal, informou em GFIP valores referentes à compensação de retenção para a Previdência Social, nos termos do artigo 31, §1º, da Lei nº 8.212, de 1991 (anexo II Glosa de Compensação fls. 493/539). Acontece que após diligências nos tomadores de serviços, considerando que a empresa autuada, regularmente intimada, deixou de apresentar a documentação solicitada, constatouse que valores foram indevidamente compensados. De fato, observase, por exemplo, que contratos foram firmados por outras empresas do mesmo grupo econômico bem como a emissão de notas fiscais (documentos anexos aos autos). Os fundamentos legais do crédito tributário lançado encontramse na Lei nº 8.212, de 1991, art. 89 , parágrafos 9º e 10(com a redação dada pela Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009) e art. 31, parágrafo 1(com a redação dada pela Lei n. 11.933, de 28 de abril de 2009); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, artigos 247 a 249, 251 caput, §2º ao 5º, 253 e art. 219, parágrafos 4. e 9. Lei nº 8.212, de 1991. Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Portanto, à vista da documentação carreada aos autos, sem razão a empresa recorrente. Mantémse a decisão de primeira instância. Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.275 19 Do Grupo Econômico de fato No que toca à responsabilidade solidária, a análise do grupo econômico de fato resta prejudicada considerando que os Recursos Voluntários dos solidários não foram conhecidos, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c o art. 56 do Decreto nº 7574, de 2011. Entretanto, entendo como necessária referida análise para fins de definição da qualificadora da multa de ofício. Durante a ação fiscal, a auditoria em face dos elementos colhidos junto ao sujeito passivo autuado bem assim de outras pessoas jurídicas concluiu pela caracterização de Grupo Econômico. Relata a auditoria que não houve a constituição formal do grupo econômico, nos moldes do que dispõe o art. 265 da Lei nº 6.404, de 1976, in verbis: CAPÍTULO XXI Grupo de Sociedades SEÇÃO I Características e Natureza Características Art. 265. A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Natureza Art. 266. As relações entre as sociedades, a estrutura administrativa do grupo e a coordenação ou subordinação dos administradores das sociedades filiadas serão estabelecidas na convenção do grupo, mas cada sociedade conservará personalidade e patrimônios distintos. Designação Art. 267. O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo único. Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade". Discorrendo sobre a formação de grupos econômicos de fato, peco vênia a i. Conselheira Miriam Denise Xavier para transcrever parte de seu voto vencedor no Acórdão nº 2401004.470, que de forma precisa e clara, assim resumiu: Sobre os "grupos econômicos", têmse os constituídos formalmente (de acordo com a Lei 6.404/76) e os denominados "grupos econômicos de fato", que podem ser regulares ou irregulares. Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.276 20 A Lei 6.404/76, denominada "Lei das Sociedades Anônimas", cuida do "grupo econômico" (que denomina "grupo de sociedade"), legalmente constituído, limitandose a estabelecer as normas aplicáveis nos casos em que uma sociedade controladora e suas controladas deliberada e formalmente constituem um grupo, que se sujeita, portanto, às devidas exigências legais, inclusive registro público. Além dos grupos econômicos formalmente constituídos, são frequentemente encontrados os "grupos de empresas" com direção, controle ou administração exercida direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. Esses "grupos de empresas" são os denominados grupos econômicos de fato, que podem ser regulares ou irregulares. Os grupos econômicos de fato regulares são aqueles que, apesar de não serem dotados de formalização legal, não realizam práticas dissuasivas irregulares, ao serem constituídos. Os grupos econômicos de fato e irregulares também não são dotados de formalização legal, mas apresentam irregularidades ou mesmo ilegalidades na sua constituição, com o objetivo, dentro outros, de se eximir ilegalmente do pagamento de tributos ou de suprimir os meios legais de cobrança. Do Relatório Fiscal das Infrações, extraemse os fatos que motivaram o enquadramento da situação como grupo econômico de fato, conforme excertos transcritos dos autos. 47. A fiscalização constatou a existência de um grupo econômico de fato atuando na área de prestação de serviços e sendo composto por 7 (sete) empresas, incluindo a aqui autuada, todas sob a gerência de um único administrador, o sr. AVELAR OLIVEIRA SILVA, CPF 394.993.67349. [...] 49. Tal grupo é denominado de forma genérica como “Grupo CS”, sendo composto pelas empresas a seguir: 01.726.963/000130 CS ADMINISTRACAO E SERVICOS GERAIS LTDA 02.977.647/000101 CS COMERCIO DE MATERIAIS DE LIMPEZA LTDA 03.614.621/000153 VALQUEL COMERCIO DE FIBRA DE VIDRO E CONSTRUCAO LTDA 05.241.315/000144 CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA 12.523.206/000185 CS EMPREENDIMENTOS, ADMINISTRACAO E SERVICOS GERAIS LTD 38.020.806/000114 CS CONSTRUCOES E SERVICOS LTDA ME 72.651.813/000152 AOS ADMINISTRACAO, COMERCIO, CONSTRUCAO E SERVICOS GERAIS LTDA ME Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.277 21 50. O sr. AVELAR OLIVEIRA SILVA atua ostensivamente como sócio administrador da empresa CS ADMINISTRACAO E SERVICOS GERAIS LTDA – EPP, CNPJ 01.726.963/000130, com 98% de participação de seu capital, porém possui também pequenas participações nas outras empresas, conforme a seguir: [...] 52. A fiscalização teve acesso a documentos que comprovam o afirmado, obtidos em diligências efetuadas em 7 (sete) tomadores de serviço selecionados da empresa CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA – ME, CNPJ 05.241.315/000144 a partir das informações prestadas pela mesma em GFIP e, ainda, em solicitações feitas a diversos Cartórios de Ofícios de Notas situados no Distrito Federal. [...] 54. Apesar de informados em GFIP como contratantes pela empresa CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA – ME, CNPJ 05.241.315/000144, os contratos firmados, as notas fiscais emitidas e as GPS geradas, no período fiscalizado, se referiam a CNPJs diversos, todos referentes a empresas pertencentes ao grupo econômico criado “Grupo CS”, conforme já relatado nos itens 25 a 33 deste relatório. 55. Assim, a partir destes fatos, a fiscalização constatou que a empresa objeto da fiscalização, CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA – ME, CNPJ 05.241.315/000144, foi na verdade constituída de forma simulada com a utilização de interpostas pessoas. 56. A abertura da empresa se deu na data de 11/07/2002, constando de seu Contrato Social (registro JCDF n. 53201151182) os sócios pessoas físicas JOÃO ANTÔNIO FONTENELE DE SOUSA FILHO, CPF 725.662.30110, com 90% de participação no capital social, e JANES CARVALHO SILVA SOUSA, CPF 802.501.06353, com 10% de participação. Ao primeiro sócio foi designada a função de gerência. Tal quadro social se manteve inalterado até a presente data. 57. Ocorre no entanto que, de acordo com informações apuradas pela fiscalização no banco de dados do sistema CNISA, o sr. JOÃO ANTÔNIO FONTENELE DE SOUSA FILHO possuía, na data de constituição da empresa, vínculo formal na condição de segurado empregado com a empresa CS COMERCIO DE MATERIAIS DE LIMPEZA LTDA – ME CNPJ 02.977.647/000101, participante do “Grupo CS”, na ocupação de auxiliar administrativo, Código 4110 da Classificação Brasileira de OcupaçõesCBO, assim permanecendo até a competência 09/2004. A partir de 01/04/2005, transferese como empregado para a mesma empresa em que atua como sócio gerente, CENTRO SUL EMPREENDIMENTOS E SERVICOS LTDA –ME, CNPJ 05.241.315/000144 nas ocupações de auxiliar administrativo, até 01/08/2006, e motorista (CBO 7823/7825). 58. De fato, analisandose as folhas de pagamento da empresa CENTRO SUL no período de 01/2010 a 12/2012 corroborase o afirmado, posto que o sr. JOÃO ANTÔNIO FONTENELE DE SOUSA FILHO consta nestes documentos registrado como segurado empregado, matrícula n. 1516, na função de motorista. Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.278 22 59. Mesma situação ocorreu com a sócia minoritária sra. JANES CARVALHO SILVA SOUSA que, na data de constituição da empresa também mantinha vínculo como segurada empregada na mesma empresa em que trabalhava o outro sócio, CS COMERCIO DE MATERIAIS DE LIMPEZA LTDA – ME CNPJ 02.977.647/000101, na ocupação de zeladora de edifícios (CBO 5141), até 03/2005. A partir de 31/07/2006, transferiuse para a empresa CS ADMINISTRACAO E SERVICOS GERAIS LTDA – EPP, CNPJ 01.726.963/000130, também integrante do grupo, onde exerceu as funções de servente e de administradora de edifícios (CBO 7170 e 5101), sendo neste empregador onde mantém seu vínculo atual. [...] 64. Atestouse também a constituição formal feita em favor do sr. AVELAR OLIVEIRA SILVA, como procurador com outorga de poderes de gerência e administração, pelas empresas CS EMPREENDIMENTOS, ADMINISTRACAO E SERVICOS GERAIS LTD, CNPJ 12.523.206/000185, AOS ADMINISTRACAO, COMERCIO, CONSTRUCAO E SERVICOS GERAIS LTDA – ME, CNPJ 72.651.813/000152 e VALQUEL COMERCIO DE FIBRA DE VIDRO E CONSTRUCAO LTDA, CNPJ 03.614.621/000153, conforme cópias de procurações fornecidas pelo Cartório do 5o. Ofício de Notas do Distrito Federal, em anexo. 65. A utilização de um mesmo endereço de funcionamento para as diversas empresas do grupo também ficou evidenciada. O endereço mantido pela empresa CENTRO SUL no cadastro da Receita Federal (ST C 11, LOTE 08, SALA 203 TAGUATINGA CENTRO, CEP 72.010110), quando do início do procedimento fiscal, não correspondia ao local onde a mesma mantinha suas atividades. 66. O contribuinte somente tomou ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal após a correspondência ter sido enviada para endereço diferente do contido no banco de dados da Receita Federal, que foi encontrado em pesquisa efetuada na internet através do site do chamado “Grupo CS” (http://www.centrosulservicos.com.br/cs/). Neste endereço virtual é indicado como local de funcionamento das empresas do grupo o seguinte logradouro: SCIA QUADRA 14 CONJUNTO 07 LOTE 1 SETOR DE INDÚSTRIAS BRASILIA – DF CEP 71250135 67. Este é o mesmo endereço registrado no cadastro da Receita Federal para as empresas CS EMPREENDIMENTOS, ADMINISTRACAO E SERVICOS GERAIS LTD, CNPJ 12.523.206/000185 e CS CONSTRUCOES E SERVICOS LTDA – ME, CNPJ 38.020.806/000114. 68. Diante disso, a fiscalização realizou visita pessoal, na data de 20/06/2013, no endereço então fornecido pela CENTRO SUL, oportunidade em que verificou, mediante lavratura de competente Termo de Constatação, que referido logradouro na realidade é local de funcionamento da empresa POLOCAL SERVIÇOS, CNPJ 11.842.469/000194, desde o mês 09/2011; que a empresa CENTRO SUL não é conhecida por nenhum funcionário da empresa que atualmente funciona no local. Tais informações foram fornecidas e atestadas pelo sr. Edel Cristiani Martins Ferreira, CPF 534.428.81153. Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.279 23 69. Após a constatação feita pela fiscalização, contudo, a empresa CENTRO SUL promoveu alteração de seu endereço junto à Receita Federal, na data de 16/07/2013, fornecendo o seguinte endereço: SCIA QUADRA 08, CONJUNTO 11, LOTE 13, ZONA INDUSTRIAL( GUARÁ) CEP: 71250725. 70. Tratase, porém, do mesmo endereço constante do cadastro da empresa VALQUEL COMERCIO DE FIBRA DE VIDRO E CONSTRUCAO LTDA, CNPJ 03.614.621/000153, aqui já citada e também integrante do mesmo grupo econômico. 71.A identidade de endereço das empresas evidencia a utilização de uma mesma estrutura física para seu funcionamento, configurando sua confusão patrimonial e gerencial. [...] 75. Também conforme informação coletada pela fiscalização junto às empresas diligenciadas, apurouse que o responsável pela contabilidade dos condomínios prediais, contratantes de empresas do Grupo CS, é o mesmo, qual seja, a empresa INNOVE ADMINSTRADORA DE CONDOMÍNIOS LTDA, CNPJ 14.511.821/0001 05, contadora responsável ZELINA OLIVEIRA SILVA, CRC 550TO/DF. 76. O cadastro da empresa INNOVE junto à Receita Federal do Brasil indica que seu quadro societário é o mesmo da empresa CS EMPREENDIMENTOS, ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS GERAIS LTD, CNPJ 12.523.206/000185, que possui como sócios HOSANA DOURADO SILVA e CAMILA CAROLINE FERREIRA DE AQUINO. 77. A fiscalização também obteve cópias de documentos que indicam que o Grupo CS repassou à INNOVE os serviços contábeis referentes a seus contratos de prestação de serviços e que a mesma funciona com uma “filial” no endereço do Grupo (não há filiais cadastradas para a INNOVE no cadastro da RFB). Outrossim, a contadora responsável indicada, ZELINA OLIVEIRA SILVA, CPF 412.035.69300, foi empregada da empresa CS COMERCIO DE MATERIAIS DE LIMPEZA LTDA – ME CNPJ 02.977.647/000101 até a competência 07/2011, além de ser irmã de AVELAR OLIVEIRA SILVA. Verificase, a partir das situações relatadas nos autos e sintetizadas no Relatório Fiscal das Infrações, uma unidade de interesse jurídico das várias pessoas jurídicas (Grupo CS) envolvidas, configurandose evidente interesse comum nos atos negociais de propriedade e de prestação de serviços. Portanto, entendo como caracterizada a formação do grupo econômico de fato com intuito de se eximir do pagamento de tributos ou de suprimir os meios legais de cobrança. Da multa qualificada de 150% e agravada Dispõe o art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, c/c o §§1º e 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, nos seguintes termos: Lei nº 8.212/91 Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.280 24 ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010). Por seu turno, os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, definem os tipos penais, nos seguintes termos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.281 25 Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Relata a auditoria fiscal que diante dos fatos apurados pela fiscalização aplicouse concomitantemente, o disposto nos art. §§1º e 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, resultando na imposição da multa de ofício como percentual de 225%. Para o enquadramento do ilícito fiscal nos tipos penais previsto dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, imprescindível a presença de dolo na conduta do sujeito passivo, devendo o mesmo praticar intencionalmente a conduta com o propósito de obter o resultado de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo devido. Além dos elementos que dão suporte a aplicação da multa agravada (deixar a empresa de apresentar os devidos esclarecimentos), entendo que está caracterizada a qualificadora da multa de ofício (dolo), considerando o conjunto probatório dos autos, especificamente em relação à formação do grupo econômico de fato. Portanto, sem reforma a decisão de piso. Representação Fiscal para Fins Penais Quanto à Representação Fiscal para Fins Penais, impende esclarecer o seguinte: " Súmula nº 28: o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais ". Conclusão Voto no sentido de NÃO CONHECER dos recursos voluntários em relação aos sujeitos passivos solidários. Quanto à devedora principal, CONHECER do recurso, para, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para divergir do seu voto, especificamente quanto à qualificação da multa de ofício. Segundo o agente fazendário, a empresa apresentou de forma deficiente as folhas de pagamento do período de 01/2010 a 12/2012, lançandose de ofício, por meio do Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10166.720756/201443 Acórdão n.º 2401005.591 S2C4T1 Fl. 1.282 26 Auto de Infração (AI) nº 51.038.4137, os valores referentes às contribuições devidas a entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações pagas/creditadas aos segurados empregados, com base nos dados da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP (fls. 03/14 e 26/29). Sobre o crédito tributário lançado, a fiscalização fez incidir a multa qualificada e a multa agravada, no total de 225% (fls. 34/37) O agente fiscal justificou o agravamento do percentual da multa, aumentado de metade, dado que o sujeito passivo não cumpriu, no prazo marcado, a intimação para prestar esclarecimentos. Porém, com relação à duplicação do patamar da penalidade, até o importe de 150%, a fiscalização é omissa na descrição dos fatos. Evidentemente, a apresentação deficiente de documentação, por si só, não é de molde a justificar a exarcebação da penalidade, que exige a comprovação de sonegação, fraude ou conluio. Do mesmo modo, é insuficiente a constatação da existência de grupo econômico, sem explicar a conexão com a falta de pagamento do tributo lançado. Não é demais recordar que o inadimplemento não autoriza a qualificação da multa de ofício, na linha de entendimento do verbete sumulado nº 14 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Logo, cabe afastar a qualificadora da multa de ofício, reduzindo ao patamar básico de 75%, observado, no entanto, o aumento de metade, em razão do agravamento da penalidade, o que totaliza o percentual de 112,5% (AI nº 51.038.4137). Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, para excluir a qualificadora da penalidade, passando o percentual da multa de ofício para 112,5%. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1282DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720454/2015-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010
PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA
Quando comprovado todo histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS.
A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição à COFINS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010
PIS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS.
A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição ao PIS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Quando comprovado todo histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. COFINS NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição à COFINS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 PIS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição ao PIS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2042; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 456 1 455 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720454/201513 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.384 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria PIS/COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente MANETONI DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS SIDERÚRGICOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Quando comprovado todo histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, uma vez que todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. COFINS NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição à COFINS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 PIS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da Contribuição ao PIS, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 54 /2 01 5- 13 Fl. 456DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 457 2 específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Por bem relatar os fatos e de forma concisa, adoto o relatório da r. decisão vazado nos seguintes termos: Tratase de impugnação apresentada contra os lançamentos das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas sob o regime não cumulativo, referentes às competências de julho a dezembro de 2010. Os lançamentos decorreram de diferenças apuradas entre os valores das contribuições, declarados nas respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs) e os efetivamente devidos, pelo fato de o interessado ter excluído de suas bases de cálculo as receitas contabilizadas sob a rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, sem, contudo, comprovar a efetiva exportação e/ ou vendas para empresas exportadoras com o fim especifico de exportação, conforme consta do Termo de Verificação e de Constatação Fiscal às fls. 321/328, parte integrante de ambos os autos de infração. Intimado dos lançamentos, o interessado impugnouos, alegando, em síntese: Fl. 457DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 458 3 i) em preliminar, a nulidade dos autos de infração, sob o argumento de que a Agente Fiscal fez a entrega, em um único envelope, dos autos e seus anexos, do Termo de Verificação e de Constatação Fiscal e do Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal, contudo, era indispensável que todos os atos praticados por aquele Agente fossem cientificados ao contribuinte ou a seu preposto; a ausência da devida ciência, por escrito, está eivada de vício formal, sendo passível de nulidade processual; e, (ii) no mérito, erro na base de cálculo das contribuições, sob o argumento de que a autuante não levou em conta que vendas equiparadas à exportação podem ser feitas por "Trading Co." e por empresas comerciais, com preponderância em exportações; com o advento da Lei nº 10.996, de 2004, as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM), por pessoa jurídica estabelecida fora daquela zona, foram reduzidas para 0,0 % (zero por cento); suscitou ainda a existência de regimes especiais de incentivos, dentre eles, o de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi), instituído pela Lei nº 11.488, de 2007; de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (Recap), instituído pelo Decreto nº 5.789, de 2006; e de Tributação para Plataforma de Exportação de Serviços de Tecnologia da Informação (Repes), instituído pela Lei nº 11.196, de 2005, que concedem benefícios fiscais, em relação àquelas contribuições, suspendendo suas exigências e/ ou isentando as receitas de vendas de mercadorias enquadradas em tais regimes. Alegou também que os lançamentos foram efetuados com base nos Dacons, contudo tais demonstrativos podem conter erros sanáveis e que todos os créditos sobre insumos, passíveis de aproveitamentos, não foram declarados, e que a autuante fora informada de que aqueles demonstrativos seriam retificados, contudo esta informação não foi considerada por ele; por último alegou que o ônus da prova é de quem acusa, neste caso, do Fisco, e não dele interessado. Para fundamentar a impugnação apresentou extenso arrazoado sobre: "I DOS FATOS; II DO MÉRITO: A) DAS PRELIMINARES: 1) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA; B) DO MÉRITO: 1) DO ERRO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS; 2) O ÔNUS DA PROVA É DE QUEM ACUSA; III) DO PEDIDO", concluindo, ao final, que os lançamentos devem ser cancelados e o processo arquivado, protestando provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. É o relatório. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ em Ribeirão Preto (SP) nº 1461.649, de 28/06/2016, abaixo reproduzida (fls. 406/412): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 458DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 459 4 Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O auto de infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil com a indicação expressa da motivação e das infrações imputadas ao sujeito passivo e respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário e à defesa do contribuinte contra as infrações imputadas a ele. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da contribuição, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO. PROVAS. A exclusão de receitas decorrentes de vendas equiparadas a exportações, da base de cálculo da contribuição, depende da comprovação, mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais, de que tais receitas decorreram de vendas mercadorias para empresas exportadoras com o fim específico de exportação e/ ou destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus e nas Áreas de Livre Comércio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com o resultado da decisão acima, a Recorrente apresentou, oportunamente, o Recurso Voluntário (fls. 424/451), no qual sustenta, em preliminar, a nulidade do acórdão da DRJ, por cerceamento do seu direito de defesa, por entender que o julgador de primeira Instância pretende verdadeira inversão do ônus da prova, Fl. 459DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 460 5 em desrespeito ao art. 142 do CTN, o qual exige que o lançamento esteja devidamente amparado na verdade material a respeito dos fatos. Vejase principais trechos: Nulidade: A decisão recorrida não examinou pormenorizadamente os argumento de defesa em sede de impugnação, a qual é nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, uma vez que a autuação encontrase fundamentada em meras suposições, os quais provocaram equívocos de interpretação acerca dos fatos, resultando numa autuação duvidosa; Cita diversas decisões administrativas da DRJ e do CARF. Cerceamento do Direito de Defesa: Importa ressaltar que a Fiscalização fez a entrega, em um único envelope, dos Autos de Infração e seus anexos, do “Termo de Verificação e de Constatação Fiscal” e do “Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal”, lavrados em 28/05/2015, cujos autos foram recebidos pelo representante legal em 29/05/2015. Importa ressaltar que, dentro do processo administrativo, é indispensável que todos os atos praticados pelo agente fiscal devem ser cientificados, por escrito, à contribuinte ou seu preposto. A ausência da devida ciência, por escrito, está eivada de vício formal, sendo passível de nulidade processual. Tal situação obstou o pleno conhecimento da impugnante sobre a autuação feita, o que implicou em afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Erro na Base de Cálculo do PIS e da COFINS: Em que pese o respeito a Fiscalização, a afirmativa relatada no item 22 do “TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL”, merece um reparo, pois, as VENDAS EQUIPARADAS À EXPORTAÇÃO podem ser feitas por “Trading Co.”, como também, por empresas comerciais com preponderância às exportações. É inegável dizer que o procedimento fiscalizatório foi baseado em valores declarados nos DACON’s, sem que fossem verificados os lançamentos no Livro DIÁRIO, exigência esta obrigatória e imprescindível nesses casos. Com o advento da Lei nº 10.996/2004, que reduziu a zero as alíquotas do PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora daquela área. Ônus da Prova é de quem acusa: O ônus da prova da existência material e fática dos pressupostos exigidos no Código Tributário Nacional, que embasam a cobrança de qualquer tributo, cabe única e exclusivamente ao Fisco. Não se pode transferir ao contribuinte o dever de provar. Diante de todo o exposto, solicita a RECURSANTE, que seja dado provimento ao presente RECURSO, com vistas à reforma do acórdão recorrido, desobrigando a do recolhimento de quaisquer quantias. É o relatório. Voto Fl. 460DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 461 6 Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido pelo Colegiado. 2. Objeto da lide A discussão confinase sobre os lançamentos das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas sob o regime não cumulativo, referentes às competências de julho a dezembro de 2010. Tais lançamentos decorreram de diferenças apuradas entre os valores das contribuições, declarados nas respectivas DCTF's e os efetivamente devidos, pelo fato de o interessado ter excluído de suas bases de cálculo as receitas contabilizadas sob a rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, sem, contudo, comprovar a efetiva exportação e/ ou vendas para empresas exportadoras com o fim especifico de exportação. 3. Preliminar de nulidade do Acórdão Antes de adentrar no mérito do caso, a Recorrente aponta nulidade do Acórdão da DRJ por não ter enfrentado os argumentos trazidos na Impugnação. Peço licença para destacar alguns trechos do recurso da Recorrente nesse sentido: "(...) A r. decisão recorrida não examinou pormenorizadamente os argumento de defesa em sede de impugnação, a qual é nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, como veremos a seguir. A autuação encontrase fundamentada em meras suposições, os quais provocaram equívocos de interpretação acerca dos fatos, resultando numa autuação duvidosa". "(...) Importa ressaltar que o ilustre Auditor Fiscal fez a entrega, em um único envelope, dos Autos de Infração e seus anexos, do “Termo de Verificação e de Constatação Fiscal” e do “Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal”, lavrados em 28/05/2015, cujos autos foram recebidos pelo representante legal em 29/05/2015". "(...) Importa ressaltar que, dentro do processo administrativo, é indispensável que todos os atos praticados pelo agente fiscal devem ser cientificados, por escrito, à contribuinte ou seu preposto. A ausência da devida ciência, por escrito, está eivada de vício formal, sendo passível de nulidade processual. Tal situação obstou o pleno conhecimento da ora impugnante sobre a autuação feita, o que implicou em afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa". Em resumo, alega a Recorrente que suscitou a nulidade dos autos de infração sob o argumento de que o Acórdão recorrido não examinou pormenorizadamente os argumento de defesa em sede de impugnação e que não foi intimado, por escrito, de todos os atos praticados pelo Fisco o que teria implicado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 462 7 Pois bem. Primeiramente cabe resaltar que é certo que o julgador não tem a obrigação de analisar todos os argumentos trazidos pelas partes para alcançar a convicção necessária para julgamento do processo, na esteira da jurisprudência do STJ (REsp nº 874.793/CE e REsp 876.271). Todavia, ele não pode se eximir da análise de argumentos que sejam decisivos para o deslinde do processo. No entanto, discordo da Recorrente neste ponto e peço licença para destacar alguns trechos do Acórdão recorrido (fls. 408 e seguintes): "(...) As questões se restringem à alegação de erro nas bases de cálculo das contribuições lançadas e exigidas e ao ônus da prova. "(...) No entanto, no presente caso, o interessado, em momento algum, apresentou documentos fiscais (notas fiscais de vendas) e/ ou contábeis (livro Razão) comprovando que as vendas contabilizadas na rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, foram efetuadas para empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação nem para consumo e/ ou industrialização na ZFM, e/ ou para empresas beneficiárias de incentivos tributários, em relação às contribuições em discussão. É imprescindível ressaltar que, durante o procedimento administrativo fiscal, o interessado foi intimado a comprovar a natureza das receitas contabilizadas naquela conta e a apresentar documentos fiscais comprovando para quem foram efetuadas tais vendas. Contudo, recebida a intimação, não a atendeu" (...). (Grifei) Portanto, não há que se falar que "a autuação encontrase fundamentada em meras suposições, os quais provocaram equívocos de interpretação acerca dos fatos, resultando numa autuação duvidosa". No processo administrativo tributário, não pode a DRJ ou o CARF simplesmente restarem silentes a respeito da determinado fundamento da defesa apresentada pelo contribuinte que de fato pode culminar no cancelamento da autuação fiscal, sob pena de evidente afronta ao princípio do contraditório e da ampla defesa, da justiça, da equidade, além da busca da verdade material. No entanto, como pode ser visto nos trechos acima reproduzido, não foi o que ocorreu no presente caso. A Recorrente afirma também (em resumo) em seu recurso que não foi intimado, por escrito, de todos os atos praticados pela autuante o que teria implicado cerceamento do seu direito de defesa. Observase que no que se refere à intimação dos Auto de Infração, a própria Recorrente reconheceu expressamente, em seu Recurso, que recebeu os autos Infração e seus anexos, bem como os Termos de Verificação Fiscal e de Ciência dos Lançamentos. Vejase trecho de fl. 429: "(...) Importa ressaltar que o ilustre Auditor Fiscal fez a entrega, em um único envelope, dos Autos de Infração e seus anexos, do “Termo de Verificação e de Constatação Fiscal” e do “Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal”, lavrados em 28/05/2015, cujos autos foram recebidos pelo representante legal em 29/05/2015". O recebimento pela Recorrente dos Autos de Infração e dos seus anexos, principalmente do Termo de Verificação e de Constatação Fiscal nos qual constam a motivação Fl. 462DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 463 8 dos lançamentos, os diplomas legais em que foram fundamentados, as bases de cálculo da contribuição e a indicação dos documentos que foram utilizados para a obtenção das bases de cálculo das contribuições e, consequentemente, para apuração das diferenças lançadas e exigidas, permitiu ao interessado exercer seu direito de defesa, tanto é que o fez, por meio da impugnação e agora no Recurso Voluntário em julgamento. Ademais, para o exercício regular do direito de defesa no procedimento administrativo, ao contribuinte lhe é facultado por Lei a vista dos autos a qualquer momento na Unidade da RFB, podendo, incluísse requerer cópia do inteiro teor do processo. Portanto, os Autos de Infração em discussão foram lavrados por servidor competente para exercer fiscalização de pessoas jurídicas e a empresa foi devidamente intimada em 29/05/2015, conforme documentos de fls. 341/345. Por isso, o pleito de nulidade é improcedente. Os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, estatuem: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifei) Primeiramente, porque o referido Acórdão recorrido foi proferido por autoridade competente, cujo nome, nº de matrícula e cargo: Auditor Fiscal da Receita Federal estão ali identificados. Em segundo lugar, porque o alegado cerceamento de defesa não ocorreu. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. Assim, em que pesem as argumentações da Recorrente acima especificadas, entendese que os argumentos foram enfrentados pela DRJ, inexistindo vício de nulidade apontado e o cerceamento de defesa arguído. Portanto, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa e improcedente é alegação nulidade do feito fiscal. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 464 9 Portanto, afastada a nulidade do Acórdão recorrido, seguese para análise dos demais argumentos de defesa. 4. Quanto ao Mérito dos lançamentos Como já relatado, as questões aqui tratadas se restringem à alegação de ocorrência de erro nas bases de cálculo das Contribuições para o PIS e COFINS lançadas e exigidas e no que se refere ao ônus da prova. Aduz a Recorrente em seu recurso que, "(...) Em que pese o respeito ao zeloso Auditor Fiscal da Receita Federal, sua afirmativa relatada no item 22 – do “TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL”, merece um reparo, pois, as VENDAS EQUIPARADAS À EXPORTAÇÃO podem ser feitas por “Trading Co.”, como também, por empresas comerciais com preponderância às exportações. Com o advento da Lei nº 10.996/2004, que reduziu a zero as alíquotas do PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora daquela área". Em suma, a Recorrente alega que houve erro na apuração da base de cálculo das Contribuições para o PIS e à COFINS, por parte da Fiscalização, sob os seguintes argumentos: (i) que o Fisco não levou em conta: as vendas equiparadas a exportações, dentre elas as efetuadas para "Trading Company."; (ii) as vendas para empresas comerciais com preponderância em exportações, cujas receitas estão sujeitas às alíquotas de 0,0 % (zero por cento); e, (iii) mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM), por pessoa jurídica estabelecida fora daquela zona, cujas receitas são tributadas às alíquotas de 0,0 % (zero por cento); e, iii) vendas para empresas beneficiárias de regimes especiais, cujas vendas são efetuadas com suspensão das contribuições e/ ou com isenção/redução de alíquotas. Pois bem, vejamos, então, o que dispõe a legislação sobre esse tema, vigentes na data do fato gerador: Lei nº 10.637, de 2002 (PIS, não cumulatividade), Lei nº 10.833, de 2003 (COFINS, não cumulatividade) e Lei nº 10.996, de 15 de dezembro de 2004: Lei nº 10.637, de 2002. "Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 465 10 § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; (...). Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...)." Nesse mesmo sentido, dispõe os artigos 1º e 6º da Lei nº 10.833, de 2003, ao tratar da Contribuição à COFINS. Já a Lei nº 10.996, de 15 de dezembro de 2004, dispõe que: "Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. (...)." Conforme pode ser observado dos dispositivos legais acima, resta claro que as receitas decorrentes de vendas para comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, não estão sujeitas às contribuições para o PIS e COFINS. Já as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora dessa zona, estão sujeitas às alíquotas de 0% (zero por cento) e, as receitas decorrentes de vendas para empresas beneficiárias de regimes especiais, as exigências das contribuições são suspensas e/ ou reduzidas às alíquotas de 0% (zero por cento). Por outro lado, consta que a Fiscalização, no item 22 do “Termo de Verificação e Constatação Fiscal” fl. 321/327 (anexo ao Auto de Infração), destaca que (fl. 325): “(...) 22. Da análise da documentação apresentada, constatamos que a empresa mediante lançamentos contábeis estava estornando as receitas de vendas, alegando serem receitas de “VENDAS EQUIPARADAS À EXPORTAÇÃO” conta contábil: 6101011300611113, portanto elas seriam tributadas com alíquota zero para o PIS e COFINS. Porém não constatamos quaisquer documentos que sustentassem esses lançamentos, quer seja nos documentos cadastrais no sistema RADAR, quer seja no SISCOMEX, ou ainda, qualquer documento que evidenciasse alguma transação de venda para o exterior ou para “Trading Company” no ano de 2010. Verificase claramente no histórico de recolhimentos dos tributos, a expressiva diminuição de recolhimentos a partir de Julho/2010, sem que houvesse uma diminuição correspondente das receitas totais de vendas.” Fl. 465DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 466 11 Acrescenta a Fiscalização em seu Relatório que, para afastar qualquer dúvida, foi lavrado em 25/02/2015 o Termo de Intimação Fiscal, intimando o contribuinte a informar se houvera transações de vendas para o comércio exterior no ano calendário de 2010. Posteriormente, lavrouse em 06/03/2015, o Termo de Intimação Fiscal, onde foi relacionado todos os lançamentos contábeis que suscitaram dúvidas, para que a Recorrente apresentasse os documentos hábeis e idôneos que justificassem os referidos lançamentos. Ao final, a Fiscalização consigna que, "Decorrido o prazo concedido sem que houvesse manifestação por parte do sujeito passivo, restou comprovado que as alegadas “Vendas Equiparadas à Exportação” não existiram, portanto serão recompostas na base de cálculos do PIS e da COFINS e objetos de lavratura do Auto de Infração". E, conclui informando que, em relação ao PIS e a COFINS, constatouse que os lançamentos efetuados a débitos na conta “610101020061102: VENDAS A PRAZO” com contrapartidas a créditos na conta: “610101130061113: VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO”, causaram diminuições das Bases Tributáveis das Contribuições e, portanto, foram recompostas às respectivas Bases de Cálculos e tributadas de ofício com a lavratura dos Autos de Infração, conforme reproduzido na Tabela de fl. 326. Como pode ser observado, a Recorrente, mesmo após ter sido Intimada (Termos de Intimação Fiscal fl. 292), consta dos autos que não apresentou os documentos fiscais necessários (notas fiscais de vendas) e/ ou contábeis (Livro Razão) comprovando que as vendas contabilizadas na rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, foram efetuadas para empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação nem para consumo e/ ou industrialização na ZFM, e/ ou para empresas beneficiárias de incentivos tributários, em relação às contribuições em discussão. Vejase os documentos e informações solicitadas: Consta do Termo de Verificação (fl. 324), em seu item 19, que: "Em 06/03/2015, lavramos o Termo de Intimação Fiscal, com ciência nessa mesma data, onde intimamos o contribuinte a esclarecer e comprovar com documentos hábeis e idôneos, os lançamentos contábeis havidos nos meses de Julho a Dezembro de 2010, onde transferia da conta Vendas a Prazo para conta Vendas Equiparadas Exportação, conforme abaixo: D Conta Debitada: 610101020061102 ‐ VENDAS A PRAZO C Conta Creditada: 610101130061113 ‐ VENDAS EQUIPARADAS A EXPORTAÇÃO." Ou seja, a Fiscalização constatou que a MANETONI, mediante lançamentos contábeis, estava estornando as receitas de vendas, alegando serem receitas de “VENDAS EQUIPARADAS À EXPORTAÇÃO”, contabilizada na conta 6101011300611113, portanto elas seriam tributadas com alíquota zero para PIS e COFINS. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 467 12 No entanto, conforme relatado pelo Fisco, mesmo após ser Intimada (e não atender a Intimação), não restou constatado quaisquer documentos que sustentassem esses lançamentos, quer seja nos documentos cadastrais no sistema RADAR, quer seja no SISCOMEX, ou ainda, qualquer documento que evidenciasse alguma transação de venda para o exterior ou para “Trading Company” durante o ano de 2010. 5. Das Informações nos DACON's Aduz a Recorrente em seu recurso que o procedimento fiscalizatório foi baseado em valores declarados nos DACON’s, sem que fossem verificados os lançamentos no Livro DIÁRIO, exigência esta obrigatória e imprescindível nesses casos. Vale dizer que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) é uma declaração acessória em que as pessoas jurídicas informem à Receita Federal sobre a apuração do PIS e COFINS no regime cumulativo e não cumulativo. "(...) Embora os DACON’s sejam obrigatórios está sujeita a retificações em suas bases de cálculos e, consequentemente nos saldos a pagar de PIS e COFINS, de acordo com as informações oriundas da escrita fiscal e contábil, devidamente inseridas no Livro Diário, que nem sequer foram levadas em consideração pelo Fisco". Continua argumentando que no presente caso, os valores declarados nos DACONs, por conterem erros sanáveis, haja vista que não foram informados todos os créditos de insumos, de prestadores de serviços, fretes, energia elétrica e etc., que, sob a ótica da legislação tributária, a contribuinte teria direito de deduzilos e, por isto seriam retificados por uma empresa especializada que as apurou em levantamento. A informação de que seriam retificados os DACON’s, com a inclusão dessas deduções (créditos) foi informada a fiscalização que não a levou em consideração. Quanto essa matéria, restou bem analisada pela decisão recorrida, uma vez que às alegações de erro nos DACON's, mais especificamente, sobre o aproveitamento de créditos sobre custos com insumos, vale destacar que as autuações não decorreram de glosas de tais créditos. Nesse ponto valhome da decisão recorrida como razão de decidir, pois ela, a meu juízo, exauriu a questão. Afirma ela: "Conforme consta do Termo de Verificação e de Constatação, parte integrante de ambos os autos de infração, as contribuições lançadas e exigidas foram calculadas sobre as receitas contabilizadas sob a rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, na contabilidade do interessado. Também, conforme demonstrado, ao contrário do alegado pelo interessado, os lançamentos tiveram como base de cálculo as receitas contabilizadas naquela conta e não os valores lançados nos Dacon". Ou seja, a Fiscalização utilizou como base de cálculo das contribuições lançadas e exigidas apenas e tão somente as receitas operacionais contabilizadas sob a rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, registradas na própria contabilidade da Recorrente. Por fim, especificamente quanto aos alegados erros nos DACON e suas retificações, cabe ao interessado, observada a tempestividade do prazo para suas retificações, Fl. 467DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 468 13 providenciálas perante a RFB de sua circunscrição fiscal e se, apurados saldos credores trimestrais, transmitir os respectivos Pedidos de Ressarcimentos e/ ou Declarações de Compensação (PER/DCOMP). 6. Da alegação que "o ônus da prova é de quem acusa" Alega a Recorrente que, "(...) O ônus da prova da existência material e fática dos pressupostos exigidos no Código Tributário Nacional, que embasam a cobrança de qualquer tributo, cabe única e exclusivamente ao fisco. Não se pode transferir ao contribuinte o dever de prova". Discorre que o Fisco não pode exigir do contribuinte a produção de prova negativa. Só caberia a inversão do ônus probandi se a contribuinte admitindo, reconhecendo ou confessando a alegação do Fisco. Como se vê a Recorrente argui que o ônus da prova dos fatos motivadores do lançamento é de responsabilidade privativa e exclusiva do fisco. Contudo, tratandose de atestar a veracidade dos valores por ela escriturados e declarados, compete à contribuinte comprovar a regularidade de seus registros por meio de documentação idônea, que deve ser mantida obrigatoriamente sob sua guarda pelo prazo definido na legislação e apresentada ao fisco sempre que solicitada. Nesse contexto, impõese observar que não constam dos autos elementos, tais como termo ou outro ato administrativo (com a relação das notas fiscais), a convalidar a arguição acerca da disponibilização ao Fisco de toda a documentação que daria suporte aos lançamentos contábeis, como alega a defesa. Portanto, mesmo que alguns elementos de prova foram desconsiderados pela Fiscalização ou pelo Acórdão recorrido, o fato é que em momento algum houve qualquer tipo de obstaculização à defesa ou à produção de provas necessárias ao balizamento de seus argumentos. Pelo contrário, a Fiscalização intimou o contribuinte, mais de uma vez, para apresentar fatos/documentos que pudessem afastar as acusações, decorrentes de lei, digase, assumidas pela auditoria e que poderia ser apreciado pelo órgão julgador de primeira instância administrativa e também agora em sede de Recurso Voluntário. No entanto não o fez. E mais. Como bem pontuado pela decisão a quo, vejase que ao contrário do entendimento da Recorrente, em momento algum, se exigiu dele qualquer produção de prova negativa, quanto às infrações que lhe foram imputadas. As intimações que lhe foram feitas tiveram como objeto informar porque as receitas contabilizadas sob a rubrica "Vendas Equiparadas à Exportação", conta nº 6101011300611113, não foram oferecidas à tributação do PIS e da COFINS, bem como provar a natureza de tais receitas e para quem foram vendidas tais mercadorias. Assim, como já retratado neste voto, neste caso, a prova de que tais receitas decorreram de vendas para o mercado externo, para consumo ou industrialização na ZFM, e/ ou foram efetuadas para empresas beneficiárias de regimes tributários, deveria ter sido feita pela Recorrente e não pelo Fisco. Tal afirmação decorre da simples aplicação da regra geral, de que àquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram este direito. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 19515.720454/201513 Acórdão n.º 3402005.384 S3C4T2 Fl. 469 14 Como as intimações não foram atendidas e diante da falta de comprovação por parte da Recorrente, a Fiscalização lavrou os respectivos Autos de Infração para exigir as Contribuições nos termos das leis citadas e informadas nos respectivos autos e também neste voto. Portanto, encontrase hígido o lançamento fiscal. 7. Dispositivo Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 469DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660396/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.797
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 96 /2 01 2- 86 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.660396/201286 Acórdão n.º 3401004.797 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 89DF CARF MF
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