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Numero do processo: 10480.731825/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 01/08/2012
ATIVIDADE ECONÔMICA CONSTANTE EM CONTRATO SOCIAL MAS NÃO DESEMPENHADA PELO CONTRIBUINTE. INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS NÃO COMPROVADA. DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADE COMERCIAL. REINCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL.
Constatado que embora conste no contrato social da empresa o desempenho de atividade vedada, a atividade efetivamente desenvolvida era de cunho comercial, impõe-se a reinclusão do contribuinte no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1301-002.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a compor o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS NÃO COMPROVADA. DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADE COMERCIAL. REINCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL. Constatado que embora conste no contrato social da empresa o desempenho de atividade vedada, a atividade efetivamente desenvolvida era de cunho comercial, impõese a reinclusão do contribuinte no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a compor o presente julgado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 18 25 /2 01 2- 10 Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 10480.731825/201210 Acórdão n.º 1301002.753 S1C3T1 Fl. 1.245 2 Relatório O presente processo foi alvo da Resolução nº 180100.380 exarada pela 1ª Turma Especial que converteu o julgamento em diligência. Adoto seu relatório, complementandoo ao final: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório DRF/REC/PESSOA JURÍDICA/2012, de 01/02/2013 (fls. 43 a 45), que indeferiu o pedido de inclusão retroativa do contribuinte no Simples Nacional. Consta do Despacho Decisório que em 12/07/2012 a empresa alterou os dados do CNPJ com inclusão de atividade econômica vedada – CNAE 46.133/00 (REPRESENTANTES COMERCIAIS E AGENTES DO COMÉRCIO DE MADEIRA, MATERIAL DE CONSTRUÇÃO E FERRAGENS), que equivale à comunicação obrigatória de exclusão, com efeitos a partir de 01/08/2012, conforme dispõe o art. 74 da Resolução CGSN nº 94, de 2011. Inconformada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando (fls. 50/51): [...] A requerente incluiu INDEVIDAMENTE em seu contrato social a atividade de "representação por conta própria ou de terceiros e correspondentes de serviços de instalação e manutenção", essa alteração contratual foi registrada na JUCEPE e na RFB em 12/07/2012. A requerente jamais exerceu essa atividade, e após constatar o erro efetuou a retificação do contrato social excluído à referida atividade, e registrou JUCEPE e na RFB, em 11/10/2012. II O DIREITO Conforme previsão nos incisos II a XV e XVII a XXVI do art.15 da Resolução CGSN n° 94/2011, a exclusão produzirá efeitos a partir do mês seguinte ao da ocorrência da situação impeditiva, no caso de início de exercício de atividades impeditiva ao ingresso no Simples Nacional. Ocorre que a requerente nunca exerceu a atividade impeditiva, o que houve foi um erro formal, o que pode ser comprovado através da alteração do contrato social, registrada ainda dentro do 2º semestre de 2012, que segue em anexo. [...] Finalmente requer seja reformulada a decisão proferida para manter a empresa como Optante pelo Simples Nacional. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 10480.731825/201210 Acórdão n.º 1301002.753 S1C3T1 Fl. 1.246 3 A Turma Julgadora de 1ª Instância, apoiandose nas disposições da Lei Complementar n º 123, de 2006 (arts. 17,28,30 e 31) manteve a exclusão. Justificou que a mera previsão de atividade vedada, no contrato social, seria suficiente para obstar o ingresso ou a permanência no sistema, sendo irrelevante o fato de a pessoa jurídica exercer, ou não, a atividade vedada, como determinaria o Anexo VI da Resolução CGSN n º 94, de 2011. Cientificada da decisão, em 03/07/2014 (AR efl. 80), apresentou a interessada, em 15/07/2014, recurso voluntário. Em sua defesa afirma que nunca exerceu a atividade vedada, prevista, indevidamente, na alteração contratual. Salienta que seria necessário que o Fisco fizesse prova de que a empresa exerceria a atividade vedada para justificar a manutenção da exclusão da sistemática e que não seria permitida a exigência de prova negativa. Ao final pede pelo provimento do recurso e sua consequente reinclusão no Simples Nacional. Por meio da Resolução 1801000.380, assim decidiu a 1ª Turma Especial: O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Pelo que se verifica do relato, a recorrente formalizou a alteração de dados no CNPJ – porque teria alterado o objeto social previsto em seu contrato social e, conseqüentemente, no CNAE Fiscal. Entendeu a administração tributária, no despacho decisório de exclusão, que a partir da alteração contratual promovida em 12/07/2012, a recorrente passou a dispor da possibilidade de exercer a atividade de “representação por conta própria ou de terceiros”, que é considerada atividade vedada para ingresso e permanência na sistemática do Simples Nacional, pela Lei Complementar nº 123, de 2006. Assinalou que, nesse mesmo sentido, o CGSN, pela Resolução n º 94, de 2011, determinou, no art. 74, que a alteração de dados no CNPJ, informada pela ME ou EPP à RFB, equivalerá à comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional na hipótese de inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional. A recorrente, ao seu turno, informa que apesar de sempre ter constato de seu contrato social, desde a constituição, em 1998, nunca teria exercido a atividade de “representação por conta própria ou de terceiros”, e que já teria providenciado a exclusão da previsão dessa atividade de seu objeto social. Observo que nos autos se encontram anexadas, apenas, cópias do contrato social e alterações contratuais apresentadas pela empresa recorrente. Não há nenhum outro documento ou elemento inserido no presente processo. Esta Turma de Julgamento vem decidido no sentido de que, para manutenção da exclusão de pessoa jurídica do Simples por exercício de atividade vedada, é necessário que fique comprovado que a pessoa jurídica de fato exerceu a atividade proibida. Em face do exposto, voto pela conversão do julgamento na realização de diligências, para que a unidade de jurisdição da recorrente a intime a Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 10480.731825/201210 Acórdão n.º 1301002.753 S1C3T1 Fl. 1.247 4 apresentar (i) as notas fiscais emitidas no período objeto dos autos, devidamente acompanhadas dos respectivos registros contábeis; (ii) contratos porventura celebrados no período; (iii) registros e anotações de empregados, dentre outros necessários a comprovar a real atividade praticada pela interessada. Ao final dos trabalhos deverá ser elaborado relatório circunstanciado e conclusivo das verificações efetuadas, do qual deverá ser cientificado a interessada, com prova de seu recebimento nos autos para, no prazo de trinta dias, a contar da ciência, manifestarse sobre as conclusões da diligência, se assim o desejar, retornandose, posteriormente, os presentes autos a este Colegiado para prosseguimento. Por meio da intimação de fl. 141, o contribuinte foi cientificado em 23/02/2015 (fl. 142) do teor da resolução em questão e intimado a apresentar os documentos elencados no voto condutor do aresto. Analisando a documentação apresentada, a autoridade administrativa elaborou o Relatório Fiscal de fls. 12361237 concluindo que, tendo em vista que o contribuinte não apresentou os contratos celebrados com as empresas fornecedoras, restaria comprometia a determinação de seu grau de dependência com as fornecedoras. Asseverou ainda: Em consulta a internet – telelista.net, verificase que a empresa trabalha no seguimento de decoração: persianas, pisos laminados, cortinas e papel de parede. Trabalha com as marcas: Luxaflex ( Hunter Douglas), Tarkett Fademac, Wallpaper, Orlean, Bucalo, Eucatex, Nobre papel de parede A.G Cardoso Decorações, Art Papier, Garfa revestimentos. Nas Notas fiscais de saída apresentadas aparece como emitente. Também estudamos algumas decisões sobre matéria idêntica e extraímos as seguintes informações: “O Código de Atividade (CNAE) é meramente indicativo e, em tese, como fato jurídico, pode ser desconstituído, desde que a apresentação de fatos jurídicos mais robustos, tais como o contrato social ou notas fiscais (sequenciais e que acobertem largo intervalo de tempo), façam prova em contrário.” “Conceito de representante comercial pode ser extraído da Lei 4.886/65, que no seu art. 1º, dispõe que: "Exerce a representação comercial autônoma a pessoa jurídica ou a pessoa física, sem relação de emprego, que desempenha, em caráter não eventual por conta de uma ou mais pessoas, a mediação para realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos, para transmitilos aos representados, praticando ou não atos relacionados com a execução dos negócios''. Assim, uma vez que a atividade impeditiva sempre fez parte de seu objeto social, e tendo em vista o entendimento do Conselho Gestor, conforme Perguntas e Respostas no Portal do Simples: Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo VI da Resolução Propomos a manutenção da exclusão.o CGSN nº 94, de 2011, seu Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 10480.731825/201210 Acórdão n.º 1301002.753 S1C3T1 Fl. 1.248 5 ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que não exerça tal atividade. [sic] De outra parte, também estará impedida de optar pelo Simples Nacional a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social (ver Pergunta 2.2). Proponho a manutenção da exclusão. Dêse ciência à contribuinte e após a ciência encaminhese ao CARF. O contribuinte foi cientificado desse relatório, mas não consta nos autos qualquer manifestação a esse respeito. É o relatório. Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 10480.731825/201210 Acórdão n.º 1301002.753 S1C3T1 Fl. 1.249 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. Tratase de exclusão do contribuinte do Simples Nacional, de ofício, em razão de constar no contrato social da recorrente atividade impeditiva para opção ou manutenção nesse regime diferenciado de tributação. Consta do Despacho Decisório que em 12/07/2012 a empresa alterou os dados do CNPJ com inclusão de atividade econômica vedada – CNAE 46.133/00 (REPRESENTANTES COMERCIAIS E AGENTES DO COMÉRCIO DE MADEIRA, MATERIAL DE CONSTRUÇÃO E FERRAGENS, o que equivaleria à comunicação obrigatória de exclusão, com efeitos a partir de 01/08/2012, conforme dispõe o art. 74 da Resolução CGSN nº 94, de 2011). Conforme relatado, o presente processo foi alvo de resolução proferida por colegiado extinto do CARF (1ª Turma Especial). Solicitouse que a unidade de origem procedesse a diligência junto a recorrente a fim de verificar se essa exercia ou não a atividade de representante comercial. No cumprimento da determinação da diligência, analisando a documentação do contribuinte e a efetiva atividade por ele desenvolvida, concluiu a autoridade fiscal responsável pela diligência que, à guisa dos contratos firmados entre o recorrente e seus fornecedores, deveria prevalecer o que constava no contrato social, propondo a manutenção da exclusão. Pois bem, compulsando os elementos de prova anexados aos autos, firmei absoluta convicção de que a atividade desenvolvida pela recorrente é estritamente comercial, não havendo que se falar em intermediação de negócios. Em primeiro lugar, chamo a atenção para o Livro de Apuração do ICMS anexado pelo recorrente, por exemplo, a ficha constante à fl. 314. A classificação fiscal de suas operações são todas ligadas a atividades comerciais. Vejase: Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 10480.731825/201210 Acórdão n.º 1301002.753 S1C3T1 Fl. 1.250 7 CFOP DESCRIÇÃO APLICAÇÃO 1.000 ENTRADAS OU AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS DO ESTADO Classificamse, neste grupo, as operações ou prestações em que o estabelecimento remetente esteja localizado na mesma unidade da Federação do destinatário 1.102 Compra para comercialização Classificamse neste código as compras de mercadorias a serem comercializadas. Também serão classificadas neste código as entradas de mercadorias em estabelecimento comercial de cooperativa recebidas de seus cooperados ou de estabelecimento de outra cooperativa. 1.403 Compra para comercialização em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária Classificamse neste código as compras de mercadorias a serem comercializadas, decorrentes de operações com mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária. Também serão classificadas neste código as compras de mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária em estabelecimento comercial de cooperativa. Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 10480.731825/201210 Acórdão n.º 1301002.753 S1C3T1 Fl. 1.251 8 1.411 Devolução de venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária Classificamse neste código as devoluções de vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, cujas saídas tenham sido classificadas como Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária. 1.556 Compra de material para uso ou consumo Classificamse neste código as compras de mercadorias destinadas ao uso ou consumo do estabelecimento. 2.000 ENTRADAS OU AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS DE OUTROS ESTADOS Classificamse, neste grupo, as operações ou prestações em que o estabelecimento remetente esteja localizado em unidade da Federação diversa daquela do destinatário 2.102 Compra para comercialização Classificamse neste código as compras de mercadorias a serem comercializadas. Também serão classificadas neste código as entradas de mercadorias em estabelecimento comercial de cooperativa recebidas de seus cooperados ou de estabelecimento de outra cooperativa. 2.353 Aquisição de serviço de transporte por estabelecimento comercial Classificamse neste código as aquisições de serviços de transporte utilizados por estabelecimento comercial. Também serão classificadas neste código as aquisições de serviços de transporte utilizados por estabelecimento comercial de cooperativa. 2.403 Compra para comercialização em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária Classificamse neste código as compras de mercadorias a serem comercializadas, decorrentes de operações com mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária. Também serão classificadas neste código as compras de mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária em estabelecimento comercial de cooperativa. 2.911 Entrada de amostra grátis Classificamse neste código as entradas de mercadorias recebidas a título de amostra grátis. 5.000 SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO Classificamse, neste grupo, as operações ou prestações em que o estabelecimento remetente esteja localizado na mesma unidade da Federação do destinatário. 5.102 Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros Classificamse neste código as vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para industrialização ou comercialização, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento. Também serão classificadas neste código as vendas de mercadorias por estabelecimento comercial de cooperativa destinadas a seus cooperados ou estabelecimento de outra cooperativa. 5.405 Venda de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, sujeita ao Venda de mercadoria, adquirida ou recebida de terceiros, sujeita ao regime de substituição tributária, na condição de contribuinte Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10480.731825/201210 Acórdão n.º 1301002.753 S1C3T1 Fl. 1.252 9 regime de substituição tributária, na condição de contribuinte substituído substituído. – (Decreto Nº 25.068/2003). a partir 01.01.2003 6.000 SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA OUTROS ESTADOS Classificamse, neste grupo, as operações ou prestações em que o estabelecimento remetente esteja localizado em unidade da Federação diversa daquela do destinatário 6.404 Venda de mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária, cujo imposto já tenha sido retido anteriormente Classificamse neste código as vendas de mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária, na condição de substituto tributário, exclusivamente nas hipóteses em que o imposto já tenha sido retido anteriormente. 6.411 Devolução de compra para comercialização em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária Classificamse neste código as devoluções de mercadorias adquiridas para serem comercializadas, cujas entradas tenham sido classificadas como Compra para comercialização em operação com mercadoria sujeita ao regime de substituição tributária. Corroborando tal entendimento, as notas fiscais emitidas pela recorrente indicam receitas oriundas somente de revenda de mercadorias (fls. 151592), e, na amostra analisada, em quantidades normais para consumidores finais. De igual forma, a Demonstração de Resultado do Exercício (fl. 834), indica a existência de custo de mercadoria vendida, ou seja, a recorrente adquire mercadorias e as revende aos seus clientes: Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 10480.731825/201210 Acórdão n.º 1301002.753 S1C3T1 Fl. 1.253 10 Compulsando ainda as fichas do Livro Razão, a partir da fl. 838, identificase que a recorrente mantém estoque de mercadorias para revenda e que suas receitas advém, conforme indicado no Livro de Apuração do ICMS e nas notas fiscais emitidas, da revenda de mercadorias: fl. 890: Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 10480.731825/201210 Acórdão n.º 1301002.753 S1C3T1 Fl. 1.254 11 fl. 957: Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 10480.731825/201210 Acórdão n.º 1301002.753 S1C3T1 Fl. 1.255 12 Saliento ainda que o valor escriturado em todo o período na conta revenda de mercadorias é absolutamente compatível com o indicado na Demonstração de Resultado de Exercício a título de Receita Operacional Líquida. Além disso, não identifiquei qualquer rubrica que indicasse receitas de comissões, típicas em atividades de representação comercial. Por fim, o Livro Registro de Empregados (fls. 1.1671.226) indica a existência de inúmeros funcionários registrados como vendedores, montadores e instaladores, atividades típicas de empresas comerciais. Com efeito, não há dúvidas que a atividade desempenhada pela recorrente é comercial, não havendo que se falar em intermediação de negócios em razão de representação comercial. Desse modo, ausente qualquer prova de que a recorrente desempenhava atividade vedada, muito antes pelo contrário, tratandose de mera incorreção no preenchimento do CNAE e de inclusão indevida de atividade em contrato social, mostrase incorreta a exclusão do Simples Nacional levada a efeito pela unidade de origem, devendo se restabelecer o direito de a recorrente reenquadrarse nesse regime diferenciado de tributação. Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 10480.731825/201210 Acórdão n.º 1301002.753 S1C3T1 Fl. 1.256 13 CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 1256DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720416/2012-47
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razão que demande tratamento diferenciado, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 9101-003.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de intempestividade suscitada pelo sujeito passivo. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto.
Não foi apresentada a declaração de voto do Conselheiro Luís Flávio Neto no prazo regimental de 15 (quinze) dias (Regimento Interno do CARF; Portaria MF nº 343/2015, Anexo II, art. 63, §§ 6º e 7º).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO VOLKSWAGEN S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A constatação de evidente intuito de fraudar o Fisco, pela intencional prática de atos simulados, enseja a qualificação da multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos e inexistindo razão que demande tratamento diferenciado, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de intempestividade suscitada pelo sujeito passivo. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. Não foi apresentada a declaração de voto do Conselheiro Luís Flávio Neto no prazo regimental de 15 (quinze) dias (Regimento Interno do CARF; Portaria MF nº 343/2015, Anexo II, art. 63, §§ 6º e 7º). (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 16 /2 01 2- 47 Fl. 2782DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 3 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rego. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL em 07/04/2016, nos termos do art. 37, § 2º, II, do Decreto nº 70.235/1972 c/c o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF/2015), em que se alega a existência de divergências jurisprudenciais acerca de matéria relacionada à lide. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1402002.072, por meio do qual os membros da 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiram dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: i) por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e cancelar a exigência de CSLL referente à superveniência de depreciação; e ii) por maioria de votos, reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. A decisão recorrida exonerou a cobrança dos créditos tributários de CSLL lançados pela Fiscalização em relação ao anocalendário de 2008. O lançamento havia sido motivado pelo fato de o contribuinte BANCO VOLKSWAGEN S.A. (doravante denominado apenas de BVW) ter excluído da base de cálculo da contribuição os valores de superveniência de depreciação nas operações de arrendamento mercantil. Conforme será visto mais adiante, tal exoneração não foi objeto do recurso especial fazendário, não sendo tema de discussão no presente julgamento. Já no que tange ao ponto central do mérito, a decisão recorrida manteve os autos de infração lavrados pela Fiscalização. As autuações se fundamentaram no entendimento de que o contribuinte deduziu indevidamente, nos anoscalendário 2008 a 2010, de seu lucro real e da sua base de cálculo da CSLL, despesas relativas à amortização de ágio contabilizado em operações societárias caracterizadoras de planejamento tributário abusivo. A reorganização societária promovida pelo grupo de empresas relacionadas ao contribuinte teria, no entendimento da autoridade tributária, simulado trocas de poder acionário com a motivação exclusiva de gerar artificialmente ágio que pudesse ser posteriormente aproveitado na redução de resultados tributáveis. Fl. 2783DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 4 3 Tais operações de reorganização societária envolveram o contribuinte BVW e várias empresas a ele relacionadas, algumas delas sediadas na Alemanha. Em 17/04/2007, a VOLKSWAGEN LEASING S.A. (citada de agora em diante como VWL) emitiu 727.680.000 ações nominativas com valor unitário de R$ 1,00, que foram subscritas e integralizadas por sua controladora integral, a VOLKSWAGEN FINANCIAL SERVICES AKTIENGESELLSCHAFT (empresa alemã que passa a ser citada apenas como VWFSAG). O valor total de R$ 727.680.000,00 foi remetido ao Brasil por meio de contrato de câmbio e declarado ao Banco Central do Brasil como Investimento Estrangeiro Direto. Nesta mesma data, a VWL utilizou os recursos recebidos para adquirir 70,15% de participação societária no contribuinte BVW (113.357.776 ações). A alienante das ações era a empresa VOLKSWAGEN AKTIENGESELLSCHAFT (doravante VWAG), empresa alemã controladora, de forma direta ou indireta, de todas as empresas que formam o grupo global VOLKSWAGEN. O valor de R$ 726.429.905,13 foi remetido à Alemanha em 02/05/2007, apenas 14 dias após o ingresso dos valores provenientes da VWFSAG para fins de integralização do aumento de capital da VWL. Na operação de compra da participação societária do BVW, a VWL registrou ágio de R$ 228.336.098,32, resultante da diferença entre o valor pago na operação e o valor patrimonial dos 70,15% de participação adquiridos, que era de R$ 498.093.806,81. O sobrepreço pago estaria baseado em laudos de avaliação do valor de mercado do BVW à época, que foi estimado em mais de R$ 1,035 bilhão. Já em 29/02/2008, o BVW incorporou sua controladora VWL a valores contábeis, internalizando em sua contabilidade o ágio que originalmente teria se baseado em sua rentabilidade futura. A partir de então, o contribuinte passou a deduzir das suas bases de cálculo de IRPJ e de CSLL as despesas de amortização do saldo do ágio, sob o argumento de que tal prática estaria albergada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (dispositivos reproduzidos no art. 386 do Regulamento do Imposto de Renda Decreto nº 3.000/1999 RIR/1999). Entendendo que tal dedução não tinha base legal, a Fiscalização lavrou autos de infração relativos ao IRPJ e à CSLL referentes aos anoscalendário de 2008 a 2010, período em que se verificou a dedução entendida como indevida. Além disso, a multa de ofício foi aplicada em sua modalidade qualificada, no percentual de 150%, uma vez que a autoridade tributária considerou que a reorganização societária promovida pelo grupo econômico integrado pelo contribuinte se deu de forma simulada e mediante evidente intuito de fraude, conforme tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/1964. A autuação fora integralmente mantida em sede de julgamento administrativo de primeira instância. Posteriormente, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em julgamento que culminou na prolação do acórdão contra o qual ora se insurge a recorrente, manteve as glosas das despesas relativas à amortização do ágio, mas deu provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício associada à infração, além de exonerar a cobrança de CSLL relacionada à exclusão da superveniência de depreciação. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 2784DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 5 4 Data do fato gerador: 31/12/2008, 31/12/2009, 31/12/2010 APARTAMENTO DO PROCESSO. DESCABIMENTO. Serão objeto de um único processo administrativo as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete interpretar e aplicar a legislação tributária. AUTONOMIA ENTRE EMPRESAS DO GRUPO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Os elementos constantes dos autos demonstram a subordinação jurídica e econômica entre as empresas do grupo. VALOR DE MERCADO. PROVA. As provas coligidas aos autos não são suficientes para demonstrar que o preço praticado na operação seria o mesmo acordado entre partes não relacionadas, envolvidas nas mesmas transações ou em transações similares, nas mesmas condições ou em condições semelhantes, no mercado aberto. SEQUÊNCIA DE OPERAÇÕES. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. O conjunto dos elementos de prova dos autos indicam que as operações societárias não possuem propósito negocial e foram estruturadas com o objetivo de obter vantagens tributárias. MULTA QUALIFICADA. DÚVIDA SOBRE A GRADUAÇÃO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO. Havendo dúvida a respeito da ocorrência de fraude (art. 72 da Lei nº 4.502/64) necessária à qualificação da multa de ofício, e, em se tratando de penalidade, incide o disposto no art. 112, inciso IV, do CTN, ou seja, em caso de dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação, interpretase da maneira mais favorável ao acusado a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE. Não comprovada a duplicidade de lançamento deve ser mantida a exigência. SUPERVENIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. A lei tributária prescreve o regramento contábil além do tratamento tributário, impondo a ativação do bem a ser arrendado no imobilizado da arrendadora e a consequente depreciação com sua despesa nela. Ao assim estatuir, a lei não se limita ao lucro real quanto ao tratamento tributário "decorrente" da contabilização imposta, além do que a lei nem referencia lucro real ao versar sobre a disciplina da arrendadora. Os ajustes de superveniencias e de insuficiências de depreciação das normas do Bacen se prestam para obtenção de resultado de um financiamento conforme os Fl. 2785DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 6 5 fluxos das taxas de juros contratuais o que não se dá pela contabilização imposta pela lei. Para tanto, a lei teria de prever a ativação do bem no imobilizado da arrendatária, e não no da arrendadora o que dispensaria os ajustes das normas do Bacen. Os ajustes de superveniências de depreciação afetam o resultado da arrendadora como receita, mas não geram efeitos tributários: não interferem na base de cálculo da CSLL. Diante da amplitude da lei tributária cabe a inteligência do Ato Declaratório (Normativo) CST 34/87 para a CSLL. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Os juros de mora são devidos sobre os tributos e a multa de ofício desde o seu lançamento. Os autos foram encaminhados eletronicamente à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em 10/03/2016, o que significa que a intimação pessoal presumida do Procurador acerca da decisão darseia em 11/04/2016, nos termos do § 3º do art. 7º da Portaria MF nº 527/2010 e do art. 79 do RICARF/2015. Antes disso, já em 07/04/2016, foi apresentado recurso especial por meio do qual a Fazenda Nacional se insurgiu contra o Acórdão nº 1402002.072, sob a alegação de que ele teria dado à lei tributária interpretação diversa da adotada em outros processos julgados no âmbito do CARF, no que diz respeito ao tema da qualificação da multa de ofício. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2015, a PGFN apontou acórdãos de turmas de câmaras do CARF que teriam dado à matéria recorrida interpretação diversa daquela esposada pelo acórdão recorrido. A recorrente narra que o acórdão recorrido reconheceu, nas operações levadas a cabo pelo grupo econômico que o contribuinte integra, a existência de ágio interno, a falta de propósito negocial e a utilização de empresa veículo, mas ainda assim concluiu pela desqualificação da multa de ofício. Ao assim proceder, o Acórdão nº 1402002.072 teria entrado em conflito com os entendimentos expostos nos Acórdãos paradigmas nº 1301 001.220 e nº 1101000.913. As decisões paradigmas apontadas teriam, segundo a recorrente, analisado situações análogas à apreciada pelo acórdão recorrido, em que igualmente se verificou a artificialidade das operações empreendidas pelos contribuintes em razão da utilização de empresas veículos com nítido objetivo de promover aproveitamento tributário de ágio. Diferentemente da decisão recorrida, contudo, os paradigmas teriam constatado o evidente intuito de fraude e optado pela manutenção da multa qualificada de 150% por força do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Além de defender a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas, a recorrente apresenta ainda uma série de alegações que deveriam, sob seu ponto de vista, provocar a reforma da decisão recorrida. Em suma, argumentase que: A multa de 150% deve ser mantida, uma vez que as operações examinadas pelo acórdão recorrido foram realizadas sem fundamentação econômica e propósito negocial, de modo fraudulento, com o único objetivo de gerar um benefício fiscal indevido, o qual foi Fl. 2786DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 7 6 alcançado por intermédio de um ágio inexistente (artificial), gerado dentro de empresas ligadas (ágio interno), se enquadrando nas situações elencadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964; O conjunto de atos levado a efeito pela autuada corresponde a uma prática deliberada, consciente dos riscos envolvidos, com o objetivo de alcançar, por meio da criação fictícia de ágio e de uma estrutura societária artificial, vantagem fiscal indevida; O fato de tais operações terem seguido formalmente os trâmites legais não retira de seu conjunto o intuito de tão somente criar artificialmente uma despesa que seria dedutível; Por sinal, a obediência aos requisitos formais é imprescindível para as pretensões do contribuinte autuado, sem o que todo o conjunto de operações societárias seria inválido e, portanto, incapaz de criar a situação desejada; O conjunto de fatos verificados no caso concreto colocam em evidência o propósito de construção de uma pretensa realidade formal destinada a mascarar, senão a ocultar, o que de fato se pretendia. Todas as ações envolvidas tinham por único fim a criação de um ágio fictício a ser transformado em benefício fiscal por força de um arranjo societário artificial; Restou perfeitamente demonstrada nos autos a ação dolosa do interessado para possibilitar o aproveitamento indevido de ágio gerado internamente, razão pela qual deve ser restabelecida a qualificação da multa de ofício (150%). A PGFN encerra seu recurso especial com o pedido de que este seja conhecido e provido, nos termos da fundamentação exposta, para reformar o acórdão atacado de modo que a multa de ofício seja restabelecida em ser percentual qualificado de 150%. A irresignação da recorrente foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar o atendimento aos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. As conclusões foram expostas em despacho de 19/04/2016. O aludido despacho considerou cumpridos os requisitos formais de admissibilidade e configurada a divergência jurisprudencial entre a decisão recorrida e os acórdãos paradigmas indicados, conforme arguido pela recorrente. Assim, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção deu seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Em 20/05/2016, o contribuinte BVW foi intimado, por meio de mensagem eletrônica enviada à sua Caixa Postal (Domicílio Tributário Eletrônico), acerca do teor do Acórdão nº 1402002.072, da interposição de recurso especial pela Fazenda Nacional e do despacho que o admitiu, tudo em conformidade com o art. 69 do Anexo II do RICARF/2015. Em resposta, o contribuinte opôs, em 27/05/2016, embargos de declaração tempestivos ao acórdão, arguindo a existência de omissões, obscuridade e contradição, vícios cujo saneamento implicaria no reconhecimento de efeitos infringentes e na consequente modificação da decisão embargada a fim de se dar provimento total ao recurso voluntário. Fl. 2787DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 8 7 Além dos embargos declaratórios, o contribuinte também apresentou, em 06/06/2016, contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional. Assim podem ser resumidas as alegações perfiladas pelo BVW: O recurso especial da Fazenda Nacional não pode ser conhecido porque inexistiria divergência jurisprudencial, requisito de admissibilidade estabelecido pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015, entre o acórdão recorrido e os paradigmas trazidos pela recorrente, de nº 1101000.899 e nº 1301001.220; A impossibilidade de caracterização da aludida divergência jurisprudencial advém do fato de as decisões administrativas tratarem de questões de fato diversas, o que, por si só, justificaria a construção de conclusões opostas. As fundamentações jurídicas dos três julgados seriam, inclusive, as mesmas; A diferença fundamental em relação aos contextos fáticos analisados pelos três acórdãos é que, enquanto nos paradigmas verificaramse situações de patente caracterização de simulação e da fraude tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/1964, no recorrido o voto vencedor declarou ser incabível a qualificação da multa de ofício pois não haveria a mínima dúvida quanto à inexistência de fraude; Ainda que não houvesse tal desatendimento a requisito fundamental de admissibilidade, ainda assim o recurso especial da Fazenda Nacional não poderia ser conhecido, por propor a reapreciação da integralidade dos elementos probatórios para fins de demonstração do caráter simulatório das operações desenvolvidas pelo recorrido, o que não se admite no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais; A multa punitiva de 150% só pode ser aplicada em casos em que restar demonstrada a existência de sonegação, fraude ou conluio, figuras definidas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 e que têm em comum o emprego de artifício doloso, ardiloso e enganoso para reduzir ou suprimir tributos ou impedir os dificultar o conhecimento de seu surgimento; Nenhuma destas situações foi verificada no caso concreto sob análise. As operações condenadas pela Fiscalização tinham o legítimo propósito de separar as empresas automotivas das empresas financeiras, seguindo diretriz mundial do grupo VOLKSWAGEN; Finalizadas as operações de aumento de capital da VWL, de aquisição por esta de 70,15% de participação societária no contribuinte recorrido, e de incorporação da controladora VWL pela controlada BVW, todas devidamente informadas ao Banco Central e regularmente aprovadas, a importância correspondente ao ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura do contribuinte deu origem a ativo diferido cuja dedução no resultado tributável à razão de até 20% ao ano é assegurada pela legislação, nos termos dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (art. 386 do RIR/1999); O aumento de capital da VWL e a compra de participação societária do BVW em montante superior ao valor patrimonial, operações consideradas como simulação pela Fazenda Nacional, se deram não só em vista de razões extratributárias, mas também por força de obediência a exigências legais existentes no Brasil e na Alemanha. Tanto assim que as transações foram aprovadas pelas autoridades monetárias brasileiras de modo prévio à sua implementação; Fl. 2788DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 9 8 Não só não houve prática de ato doloso ou escamoteado (o que seria imprescindível para se falar em fraude punível com a multa de 150%), como, mais sério ainda, o contribuinte recorrido apresentou previamente à sua prática todos os atos à Administração Pública, na pessoa do agente regulador do mercado em que se insere (Banco Central), tendo sido por este aprovados; Não houve qualquer ilícito, omissão, artifício ou ardil com a finalidade de ludibriar o Fisco, mas apenas controvérsia acerca da interpretação dada às legislações regulatória e tributária e de sua aplicação à situação fática resultante do conjunto de atos praticados pelas empresas VWFSAG, VWL, VWAG e BVW no intuito de transferir as participações societárias nas empresas financeiras do grupo VOLKSWAGEN ao braço que tem como holding global a VWFSAG; A mera divergência quanto ao regime tributário cabível ou mesmo o imaginado objetivo exclusivamente fiscal não justifica a imposição de multa qualificada, como indevidamente sustenta a recorrente Fazenda Nacional. Tal tese simplesmente autorizaria a imposição da multa de 150% em qualquer caso de não recolhimento ou pagamento a menor de tributos. Por conta de tudo que expôs, o contribuinte recorrido pede, ao final, que seja mantida a decisão em sede de recurso voluntário que desqualificou a multa de ofício aplicada, seja pelo não conhecimento do recurso fazendário ou, sucessivamente, pelo seu não provimento. Os autos foram então remetidos à CSRF e distribuídos para julgamento do recurso especial. Ato contínuo, identificouse que os embargos de declaração apresentados pelo contribuinte em 27/05/2016 não haviam sido objeto de exame de admissibilidade ou de apreciação pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara. Despacho de saneamento de 23/03/2017 determinou, então, a devolução dos autos à Turma a quo. O Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em despacho de 26/04/2017, rejeitou os embargos de declaração, em caráter definitivo, com base no entendimento de que as alegações de omissão, contradição e obscuridade formuladas pelo embargante revelaramse todas manifestamente improcedentes. Por fim, o processo retornou a esta CSRF para julgamento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Em petição, às fls. 2774/2776, o contribuinte traz preliminar de intempestividade do recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 2789DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conforme foi relatado, o contribuinte trouxe, nas contrarrazões que opôs ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, arguições preliminares de não conhecimento recursal fundamentadas nas alegações de que inexistiria divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas e de que haveria a pretensão de reapreciação de provas. Ademais, apresentou petição alegando intempestividade do recurso especial. Inicio meu voto pelo exame de tais teses. Vencida tal etapa, em caso de rejeição das preliminares, passarei ao exame da única matéria de mérito que foi objeto de recurso especial, atinente ao cabimento ou não da qualificação da multa de ofício imposta nos autos de infração que motivaram a formalização dos presentes autos. 1) Tempestividade/Intempestividade Resumo: O contribuinte BANCO VOLKSWAGEN peticiona requerendo a declaração da intempestividade do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e seu consequente não conhecimento. Os autos, devidamente instruídos com o Acórdão nº 1402002.072, foram eletronicamente movimentados para a PGFN em 10/03/2016 (despacho à efl. 2641). A ciência presumida do Procurador se daria em 30 dias a partir daí, em 11/04/2016 (segundo a PGFN, seria em 08/04/2016), nos termos do art. 79 do Anexo II do RICARF/2015 e do § 3º do art. 7º da Portaria MF nº 527/2010: Fl. 2790DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 11 10 RICARF/2015 Art. 79. O Procurador da Fazenda Nacional será considerado intimado pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN, salvo se antes dessa data o Procurador se der por intimado mediante ciência nos autos. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) PORTARIA MF Nº 527/2010 Art. 7º Para fins de cumprimento dos §§ 8º e 9º do art. 23 do Decreto Nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) poderá encaminhar à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) os autos do processo integralmente digitalizado ou do processo digital. (...) § 3º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN na forma deste artigo. (...) § 5º O prazo para a interposição do recurso será contado a partir da data da intimação pessoal presumida ou em momento anterior, se o Procurador da Fazenda Nacional se der por intimado antes da data prevista no § 3° mediante assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo. O contribuinte defende que a interposição do recurso especial antes da data da ciência presumida somente seria possível se antes o Procurador se desse por intimado mediante ciência os autos (parte final do art. 79 do Anexo II do RICARF/2015) ou assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo (parte final do § 5º do art. 7º da Portaria MF nº 527/2010). Como não existe nos autos a ciência expressa antecipada do Procurador e o recurso especial foi interposto em 07/04/2016, antes, portanto, da data da ciência presumida (11/04/2016 ou 08/04/2016, como a PGFN defendeu na preliminar de tempestividade de seu recurso), o contribuinte defende que a interposição teria se dado de forma intempestiva, o que impediria o conhecimento recursal. Subsidiariamente, o contribuinte pede o saneamento do processo. Análise: Inicio a análise apreciando o pedido de saneamento, pois eventualmente pode tornar desnecessário o julgamento de todas as demais questões. O contribuinte pede que o processo seja retirado da pauta e baixado em diligência à PGFN para que esta junte comprovação da data em que o Procurador foi efetivamente intimado do Acórdão nº 1402002.072, saneando assim o processo e permitindo que se aufira a tempestividade da interposição do recurso fazendário. Quanto à retirada de pauta e baixa em diligência à PGFN para saneamento do processo, o que se busca é que a PGFN faça prova da existência de uma ciência pessoal; que não necessariamente Fl. 2791DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 12 11 existe. Se não existir, como se faz prova de que uma ciência pessoal que não existe? É uma prova que não se produz, mas apenas que se atesta, não existe prova negativa. Vejamos novamente o dispositivo: RICARF/2015 Art. 79. O Procurador da Fazenda Nacional será considerado intimado pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN, salvo se antes dessa data o Procurador se der por intimado mediante ciência nos autos. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) Se não existir ciência pessoal, qual será a conclusão? O não enquadramento na ressalva do art. 79 e a volta a regra: vale a ciência presumida! A recorrida diz: "o fato é que a PGFN deixou de comprovar a tempestividade de seu recurso"; "não há comprovante nos autos a respeito do dia em que, de fato, a PFN foi intimada do teor do acórdão recorrido". Nos casos em que vige o instituto da ciência presumida, não há que se exigir comprovação da tempestividade; a presunção tem o efeito de inverter o ônus da prova, ou melhor, é a desconstituição da presunção que exige prova. A celeuma aqui é que "a prova" da desconstituição da presunção aproveitaria "em tese" à parte que não tem interesse em fazêla. Mas, uma melhor leitura do dispositivo nos permite concluir a desconstituição da presunção ocorre por um fato da vida e não por algo que tenha que ser provado. Se esse fato da vida não ocorreu (não estar nos autos a ciência pessoal), não tenho que provar a sua não ocorrência. Interpretação a contrario sensu do dispositivo: Correto: O enquadramento na exceção implica a não aplicação da regra. Equivocado: O não enquadramento na exceção implica a aplicação da não regra. Se a ciência pessoal não está nos autos, tenho que procurar fora dos autos? Tenho que incluir nos autos uma prova da não existência da ciência pessoal? Entendo que não. Por isso, voto no sentido de se rejeitar o pedido de diligência. Vencida a diligência... volto à premissa do contribuinte: O contribuinte defende que a interposição do recurso especial antes da data da ciência presumida somente seria possível se antes o Procurador se desse por intimado mediante ciência os autos (parte final do art. 79 do Anexo II do RICARF/2015) ou assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo (parte final do § 5º do art. 7º da Portaria MF nº 527/2010). Essa premissa não procede, pois uma coisa é a lógica dos fatos e outra coisa é a construção jurídica da ciência. A lógica nos diz que somente se poderia elaborar o recurso caso se conhecesse do conteúdo da decisão (até aqui tudo bem) e que somente se poderia conhecer caso se tivesse tomado ciência (aqui é que está a impropriedade). A ciência nunca representou e hoje ainda menos representa conhecer do conteúdo da decisão, basta ver que o conteúdo da decisão pode ser obtido do sítio do CARF na internet imediatamente na sua Fl. 2792DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 13 12 data de publicação, ainda que a ciência possa ocorrer vários dias, ou até meses, depois. Antes de os acórdãos estarem publicados no sítio do CARF, a PGFN poderia ter acesso ao conteúdo da decisão apenas consultando o eprocesso, também o contribuinte poderia ter acesso ao conteúdo da decisão por meio do pedido de cópia do processo, mas nenhum desses atos poderiam impactar na ciência formal. Ciência é um instituto jurídico que, apesar do nome, não representa conhecer do conteúdo da decisão, ou seja não é estar "ciente" do conteúdo da decisão, mas sim o termo inicial do momento processual de agir, é o dia no tempo que inaugura a necessidade de movimentação da parte. Daí porque, por ser um instrumento processual, poder se utilizar de ficções e presunções, como é o caso da ciência presumida. Instituto este que deve ser observado. Assim, quando a recorrida diz que "a data da interposição do recurso comprova, sem dar margem a quaisquer dúvidas, que a intimação da PGFN se deu em data anterior à intimação presumida" quer dizer, na verdade, que "a data da interposição do recurso comprova, sem dar margem a quaisquer dúvidas, que a PGFN conheceu do conteúdo da decisão em data anterior à intimação presumida". Uma vez que se deve observar o instituto da ciência presumida, podese verificar que o pretendido pela recorrida ao alegar que "a interposição do recurso especial pela PGFN só poderia ocorrer após a data de sua intimação" é que se declare intempestivo um recurso apresentado antes da ciência (intempestividade prematura). A respeito de recursos interpostos antes da intimação da parte, atualmente aplicase o § 4º do art. 218 do Novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015): Art. 218. Os atos processuais serão realizados nos prazos prescritos em lei. § 1º Quando a lei for omissa, o juiz determinará os prazos em consideração à complexidade do ato. § 2º Quando a lei ou o juiz não determinar prazo, as intimações somente obrigarão a comparecimento após decorridas 48 (quarenta e oito) horas. § 3º Inexistindo preceito legal ou prazo determinado pelo juiz, será de 5 (cinco) dias o prazo para a prática de ato processual a cargo da parte. § 4º Será considerado tempestivo o ato praticado antes do termo inicial do prazo. Há poucos anos, vigorava nos tribunais superiores brasileiros a tese da "extemporaneidade do recurso prematuro", segundo a qual um recurso interposto antes da publicação da decisão contestada deveria ser ratificado após tal publicação, sob pena de ser considerado prematuro e, portanto, intempestivo. O STF, que adotava tal tese, mudou seu jurisprudência a partir do julgamento do AI 703269 AgREDEDEDvED/MG, em 05/03/2015: Ementa: embargos de declaração nos embargos de divergência nos embargos de declaração nos embargos de declaração no agravo regimental no agravo de instrumento. Conversão em agravo regimental. Interposição de embargos de divergência antes da publicação do acórdão embargado. Extemporaneidade. Instrumentalismo processual. Preclusão imprópria para prejudicar a parte que contribui para a celeridade processual. Boafé exigida do estadojuiz. Agravo regimental provido. Fl. 2793DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 14 13 1. A extemporaneidade não se verifica com a interposição de recurso antes do termo a quo e consequentemente não gera a ausência de preenchimento de requisito de admissibilidade da tempestividade. 2. O princípio da instrumentalidade do Direito Processual reclama a necessidade de interpretar os seus institutos sempre do modo mais favorável ao acesso à justiça (art. 5º, XXXV, CRFB) e à efetividade dos direitos materiais (OLIVEIRA, Carlos Alberto Alvaro de. O formalismovalorativo no confronto com o formalismo excessivo. In: Revista de Processo, São Paulo: RT, n.º 137, p. 731, 2006; DINAMARCO, Cândido Rangel. A instrumentalidade do processo. 14ª ed. São Paulo: Malheiros, 2009; BEDAQUE, José Roberto dos Santos. Efetividade do Processo e Técnica Processual. 3ª ed. São Paulo: Malheiros, 2010). 3. As preclusões se destinam a permitir o regular e célere desenvolvimento do feito, não sendo possível penalizar a parte que age de boafé e contribui para o progresso da marcha processual com o não conhecimento do recurso por ela interposto antecipadamente, em decorrência de purismo formal injustificado. 4. Os embargos de declaração opostos objetivando a reforma da decisão do relator, com caráter infringente, devem ser convertidos em agravo regimental, que é o recurso cabível, por força do princípio da fungibilidade. (Precedentes: Pet 4.837ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 14.3.2011; Rcl 11.022ED, rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, DJ 7.4.2011; AI 547.827ED, rel. Min. DIAS TOFFOLI, 1ª Turma, DJ 9.3.2011; RE 546.525ED, rel. Min. ELLEN GRACIE, 2ª Turma, DJ 5.4.2011). 5. In casu, pugnase pela reforma da seguinte decisão: “EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PETIÇÃO DE INTERPOSIÇÃO PROTOCOLADA ANTES DA PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO EMBARGADO. EXTEMPORANEIDADE. INTERPOSIÇÃO DE DOIS RECURSOS CONTRA A MESMA DECISÃO. OFENSA AO POSTULADO DA SINGULARIDADE DOS RECURSOS. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO, DE MANEIRA OBJETIVA, MEDIANTE ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE O ACÓRDÃO PARADIGMA E A DECISÃO EMBARGADA, DA EXISTÊNCIA DO ALEGADO DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NÃO ADMITIDOS”. 6. Agravo regimental provido para cassar a decisão de inadmissão dos embargos de divergência com fundamento na extemporaneidade recursal. (AIAgREDEDEDvED 703269, LUIZ FUX, STF.) Pelo exposto, REJEITO a preliminar de intempestividade do recurso especial. 2) Conhecimento do recurso especial O contribuinte recorrido defende que o recurso especial fazendário não pode ser conhecido porque os acórdãos paradigmas indicados tratariam de questões de fato diferentes daquela abordada pelo Acórdão nº 1402002.072, ora recorrido. A diferença fundamental existente entre os contextos fáticos analisados pelo acórdão recorrido e pelos paradigmas nº 1101000.899 e nº 1301001.220, segundo o recorrido, adviria do fato de os paradigmas tratarem de situações em que a simulação e a fraude tipificada Fl. 2794DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 15 14 no art. 72 da Lei nº 4.502/1964 foram verificadas de forma patente, enquanto a decisão recorrida não trataria de tal constatação. Para corroborar sua afirmação relativa ao acórdão recorrido, o contribuinte aponta que "a Turma julgadora entendeu que faltaria à qualificação da penalidade o dolo, pois não haveria a mínima dúvida quanto à inexistência de fraude". O recorrido alega que as fundamentações jurídicas desenvolvidas nos três julgados seriam, inclusive, as mesmas e que as conclusões opostas neles encontradas deverse iam exclusivamente ao fato de as situações fáticas apreciadas serem distintas. Assim, estaria descumprido o requisito de admissibilidade estabelecido pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015 , que exige a existência de divergência jurisprudencial entre as decisões recorrida e paradigmas para que o recurso especial possa ser conhecido. Além disso, o contribuinte recorrido apresenta, de forma subsidiária, mais um argumento que impediria o conhecimento do recurso fazendário: seu julgamento implicaria em reapreciação de provas, o que é vedado em sede de julgamento de recurso especial pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Entendo não caber razão ao contribuinte em seus argumentos. Primeiramente, fazse necessário apontar que o contribuinte defende a ausência de similitude fática entre os casos analisados pelo acórdão recorrido e pelos Acórdãos nº 1101000.899 e nº 1301001.220, enquanto a Fazenda Nacional indicou como paradigmas os Acórdãos nº 1101000.913 e nº 1301001.220. Ou seja, por conta de aparente equívoco do recorrido, restou não contestada a caracterização de dissídio jurisprudencial entre a decisão recorrida e o paradigma de nº 1101000.913. Tal fato, aliado ao acatamento das razões expostas no despacho de admissibilidade que deu seguimento ao recurso especial, já seria suficiente para rejeitar a preliminar de não conhecimento manejada pelo contribuinte recorrido. Contudo, mesmo que assim não fosse, ainda assim o recurso especial da Fazenda Nacional deveria ser conhecido, uma vez que são improcedentes as alegações do recorrido de ausência de similitude fática ou de inexistência de divergência jurisprudencial entre as decisões cotejadas. Toda a argumentação desenvolvida pelo contribuinte recorrido fundamenta se em uma premissa equivocada. Ao defender que no caso concreto analisado nos presentes autos não teriam sido identificadas simulação ou fraude, o contribuinte aponta que o voto vencedor do acórdão recorrido teria afirmado não haver a mínima dúvida quanto à inexistência de fraude. Nos termos utilizados nas contrarrazões: "Com efeito, no processo sob exame a Turma julgadora entendeu que faltaria à qualificação da penalidade o dolo, pois não haveria a mínima dúvida quanto à inexistência de fraude." (grifo no original) Não é verdadeira a afirmação, como se passa a demonstrar. O i. Conselheiro Relator do Acórdão nº 1402002.072, ora recorrido, teve seu voto aprovado pela Turma a quo quanto à indedutibilidade das despesas de amortização de ágio, mas foi vencido em relação à qualificação da multa de ofício que acompanhou os créditos tributários principais. Fl. 2795DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 16 15 O voto vencedor, que tratou somente do tema da aplicação da multa de ofício qualificada, trouxe as seguintes passagens: "Com a devida vênia, discordo do ilustre Conselheiro Relator em relação à manutenção da multa qualificada. Embora coadune com a opinião de que, em se tratando de ágio interno, possa, em tese, ser mantida a multa qualificada, no caso concreto há um fato que me levou a suscitar dúvidas a respeito do dolo do contribuinte: a independência das empresas do grupo e a obrigatoriedade de avaliação do investimento com base no valor de mercado por exigências das autoridades alemãs. (...) Embora concorde que o ágio formado intragrupo, com mera circulação de recursos entre empresas do grupo não possa ser amortizado, no caso concreto, considero não haver, no mínimo, dúvida a respeito da ocorrência de fraude (art. 72 da Lei nº 4.502/64) necessária à qualificação da multa de ofício, conforme determina o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. E, em se tratando de penalidade, incide o disposto no art. 112, inciso IV, do CTN, ou seja, em caso de dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação, interpretase da maneira mais favorável ao acusado a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades. Assim sendo, voto por reduzir a penalidade aplicada para 75%." (grifouse) Em que pese a redação utilizada pelo i. Conselheiro Redator, no trecho reinterpretado pelo contribuinte recorrido, poder efetivamente levantar dúvidas, a análise da integralidade do voto não as permite: o que se afirmou é que a multa deveria ser desqualificada, por força da aplicação do art. 112 do CTN, uma vez que subsistiriam dúvidas acerca do dolo do contribuinte. Portanto, o que se afirmou não foi a inexistência de dúvida a respeito da inocorrência de fraude, mas a inexistência de absoluta certeza quanto à sua ocorrência. São coisas absolutamente diferentes. O i. Conselheiro Redator expôs o entendimento, acatado pela maioria dos membros da Turma a quo, de que a qualificação da multa de ofício exige a comprovação, acima de qualquer dúvida, de conduta dolosa e fraudulenta por parte do sujeito passivo. Como considerou que tal certeza não estaria caracterizada nos autos (por conta da "independência das empresas do grupo e a obrigatoriedade de avaliação do investimento com base no valor de mercado por exigência das autoridades alemãs"), o voto vencedor concluiu pela aplicação da multa de ofício em seu percentual regular, de 75%. A ementa do Acórdão recorrido não deixa dúvidas acerca desta conclusão, ao dispor: "MULTA QUALIFICADA. DÚVIDA SOBRE A GRADUAÇÃO. INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL AO ACUSADO. Havendo dúvida a respeito da ocorrência de fraude (art. 72 da Lei nº 4.502/64) necessária à qualificação da multa de ofício, e, em se tratando de Fl. 2796DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 17 16 penalidade, incide o disposto no art. 112, inciso IV, do CTN, ou seja, em caso de dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação, interpretase da maneira mais favorável ao acusado a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades." (grifouse) Sendo assim, improcedente a alegação do contribuinte recorrido de que o Acórdão nº 1402002.072 analisaria contexto fático em que claramente estariam ausentes o dolo e a fraude, ao contrário das decisões paradigmas. Na realidade, analisandose os contextos fáticos examinados pelas decisões contrapostas, verificase que existem, sim, significativas semelhanças que possibilitam a caracterização de divergência jurisprudencial apta a provocar o conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Tanto no acórdão recorrido quanto nos paradigmas nº 1101000.913 e nº 1301001.220, a lide gira em torno da dedutibilidade de despesas decorrentes da amortização de ágio criado em operações que envolveram exclusivamente empresas relacionadas entre si, sem circulação de riquezas entre o grupo econômico a que pertencia o sujeito passivo e o mundo exterior, sem propósito negocial ou motivação extratributária, sem alteração efetiva do controle societário das pessoas jurídicas envolvidas e com a utilização de empresas veículos que permitiram a movimentação do ágio até os contribuintes. Tais contribuintes, sob o argumento de que sua situação amoldavase à hipótese legal tipificada nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (art. 386 do RIR/1999), passaram a promover o aproveitamento tributário do ágio por meio da dedução, de seus lucros reais e das bases de cálculo da CSLL, das despesas decorrentes de sua amortização. Diante destes contextos semelhantes, as autoridades tributárias envolvidas em cada procedimento de fiscalização vislumbraram a prática de condutas fraudulentas por parte dos sujeitos passivos e dos grupos econômicos que integravam, imputandolhes a aplicação de multa de ofício qualificada nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Observase que os contextos fáticos são bastante semelhantes no que interessa à discussão jurídica desenvolvida nos processos. Verificase ainda que, ao contrário do que defende o contribuinte em suas contrarrazões, tanto no acórdão recorrido quanto nos paradigmas, as autoridades lançadoras consideraram configurada a fraude no planejamento tributário levado a efeito pelos sujeitos passivos, vindo a qualificar a multa de ofício por esta razão. Não existe, portanto, a alegada diferença fática decorrente de não ter sido verificada, no caso dos presentes autos, fraude na conduta do contribuinte. Rejeito, portanto, a alegação preliminar do recorrido de que o recurso especial da Fazenda Nacional não poderia ser conhecido por conta de inexistência de divergência jurisprudencial entre os julgados. O recorrido defende ainda o não conhecimento do recurso especial alegando que a discussão suscitada obrigatoriamente dependeria da reapreciação da integralidade dos elementos probatórios e que o reexame fático e de provas é vedado em sede de julgamento de recurso especial. Pois bem. Considero improcedente também esta arguição preliminar de não conhecimento do recurso. Fl. 2797DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 18 17 Em grande parte dos casos julgados por esta CSRF, é impossível, na prática, desviar totalmente o olhar do conjunto probatório reunido nos autos e restringir a discussão à pura abstração jurídica. A não ser em discussões já consagradas, como por exemplo aquela que diz respeito ao cabimento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, as deliberações empreendidas nesta Câmara quase sempre resvalam na verificação do conjunto probatório coligido no processo, sem que isso possa ser considerado um "reexame" de fatos ou provas. Tal fato é particularmente verdadeiro quando se trata de julgamentos acerca de planejamentos tributários, que normalmente envolvem mais de uma empresa, várias etapas, múltiplos atos societários e diversos efeitos tributários. A completa avaliação destes cenários, ainda que em julgamento pela instância especial do contencioso administrativo, não pode dispensar totalmente a verificação, ainda que superficial, dos fatos e provas retratados no processo. A correta aplicação do direito ao caso sob discussão demanda necessariamente que se entenda como os fatos se desenrolaram no mundo real, o que só pode ser alcançado por meio do olhar lançado sobre os fatos e provas. E a aplicação do direito é justamente o que se espera de uma instância recursal. É justamente esta a inteligência do art. 1.034 do Novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), em que pese o dispositivo tratar de recursos judiciais: Art. 1.034. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial, o Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça julgará o processo, aplicando o direito. Parágrafo único. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial por um fundamento, devolvese ao tribunal superior o conhecimento dos demais fundamentos para a solução do capítulo impugnado. Assim, a aplicação do direito ao caso concreto não pode e não deve ignorar todo o contexto fático e acervo probatório que foi construído na devida fase processual. Julgo ser exatamente este o caso da presente lide. Da análise do processo, não vislumbro discussão relevante acerca de provas produzidas ou de fatos relatados. Assim, tem se um conjunto probatório estabelecido e passível de valoração jurídica. A Fiscalização e a autoridade julgadora de primeira instância consideraram que tal conjunto probatório era suficiente para se concluir pela configuração da fraude tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/1964 e pela aplicação da multa de ofício em sua modalidade qualificada, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Já a maioria dos membros da Turma a quo, a partir da análise do mesmo conjunto probatório, construiu entendimento diverso, no sentido que dever seia aplicar a penalidade menos gravosa ao contribuinte (multa de ofício de 75%), nos termos do art. 112 do CTN, por conta da existência de dúvida acerca do dolo em sua conduta. Diante disso, verifico que o recurso especial sob análise não tem a pretensão de revolver e rediscutir a coleção de provas reunidas, mas simplesmente de debater a melhor valoração jurídica a ser dada a um conjunto de atos negociais que já são, na presente fase processual, incontroversos. A parte que permanece controvertida, na minha opinião, já se localiza no campo da diversidade de qualificações jurídicas que diferentes mentes podem dar aos mesmos fatos. Em outras palavras, a controvérsia que chega até esta CSRF não mais diz respeito à Fl. 2798DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 19 18 existência ou análise de provas, mas sim à correta interpretação que se deve dar à aplicação da norma jurídica ao caso concreto. Com base nestes argumentos, rejeito também a alegação preliminar do contribuinte recorrido de não conhecimento do recurso especial por alegada pretensão de reexame de provas. Diante de todo o exposto, rejeito todas as arguições formuladas pelo contribuinte e CONHEÇO do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. 3) Qualificação da multa de ofício Rememorando o que foi relatado, o planejamento tributário ilícito que a autoridade tributária atribuiu ao grupo econômico de que faz parte o contribuinte BVW consistiu de algumas etapas que, após finalizadas, propiciaram o surgimento de ágio cuja pretendida amortização propiciou a redução do IRPJ e da CSLL recolhidos aos cofres públicos. Dentre tais etapas destacamse as seguintes: Em 17/04/2007, a VWFSAG, empresa alemã, remeteu à sua controlada VWL, empresa nacional, R$ 727.680.000,00 por meio de contrato de câmbio, para fins de subscrição e integralização de 727.680.000 ações que a pessoa jurídica brasileira acabara de emitir; Ainda em 17/04/2007, a VWL acertou a aquisição, junto à VWAG, empresa alemã controladora do grupo econômico, de 113.357.776 ações do contribuinte BVW (correspondente a 70,15% do seu capital social). Pelas ações, que tinham valor patrimonial de R$ 498.093.806,81, acertouse o pagamento de R$ 726.429.905,13, montante calculado levandose em conta o valor de mercado das ações, estimado por empresa especializada. A diferença entre o valor da alienação e o valor patrimonial da participação societária, de R$ 228.336.098,32, foi registrado na contabilidade da VWL como ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura do BVW; Em 02/05/2007, ou seja, 14 dias após a entrada dos R$ 727.680.000,00 no país para fins de integralização do aumento de capital social da VWL, foi remetido à VWAG montante semelhante, no total de R$ 726.429.905,13, como pagamento da VWL pela aquisição das ações do BVW; Em 29/02/2008, o contribuinte BVW incorporou a VWL, sua então controladora, a valores contábeis. O ágio originalmente registrado na incorporada passou a compor a contabilidade do contribuinte, que iniciou sua amortização e a dedução das despesas correspondentes à razão de 1/60 por mês, sob a alegação de que tal prática estaria autorizada pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (art. 386 do RIR/1999). Diante de tal cenário, a Fiscalização determinou a glosa de tais despesas e o consequente recálculo dos valores devidos de IRPJ e de CSLL nos anoscalendário de 2008 a 2010, constituindo créditos tributários correspondentes à diferença entre os valores devidos e os recolhidos no período. Além disso, determinou também a aplicação de multa de ofício em sua modalidade qualificada, no percentual de 150%, com base na seguinte fundamentação: Fl. 2799DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 20 19 "O negócio jurídico, para traduzirse em um comportamento elisivo, legalmente aceito, não pode fraudar o sistema normativo em que foi erigido. O negócio jurídico indireto é composto por vários negócios jurídicos e é suficiente que apenas um esteja eivado de ilicitude para restar contaminado o resultado pretendido. Pelos motivos expostos, em decorrência da desqualificação da operação de compra e venda de ações com apuração de ágio pelos motivos acima expostos e dos atos a este evento ligados, ficou caracterizada também a ação dolosa da operação recebimento e transferência de recursos com o exterior, pois sem propósito negocial, sem motivação extra tributária, também esta etapa em conjunto com as demais levou a uma única finalidade: diminuição ou não pagamento de tributos, no caso do IRPJ, CSLL e IOF devidos pela VWL e pelo BVW. Restou caracterizado o evidente intuito de fraude, uma vez que, simulada a aquisição de participação societária com ágio e daí para trás simulados também os demais atos encadeados, a saber, o pretenso aumento de capital e as respectivas operações cambiais com a incorreta classificação como Investimento Estrangeiro Direto dos recursos financeiros, a Fiscalizada impediu dolosamente, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do IRPJ, CSLL e do IOF Câmbio de acordo com o art. 72 da Lei n° 4.502, de 30.11.1964, in verbis: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Cabe a interpretação dos fatos não apenas pelo formalismo, mas pelo conteúdo, pela motivação, analisando o conjunto dos atos e não cada etapa separadamente. Esse tipo de ação também envolve a questão da isonomia e capacidade contributiva do contribuinte, pois os demais cidadãos não devem ser prejudicados com atos artificiosos de terceiros. Pelas razões expostas, impõese realizar o presente lançamento de ofício do IRPJ e CSLL, bem como do IOFCÂMBIO, incidente sobre as operações de recebimento e envio de recursos com o exterior, com agravamento da penalidade de multa de ofício para multa qualificada." (grifouse) Verificase, assim, que a autoridade tributária entendeu que a reorganização societária promovida pelo grupo econômico do contribuinte, capitaneada pela controladora alemã VWAG, caracterizou ação dolosa e com evidente intuito de fraude, uma vez que teria simulado operações como o aumento de capital da VWL, a aquisição das ações do BVW pela VWL e a posterior incorporação da VWL pelo BVW, sem outro propósito que não a redução do IRPJ e da CSLL a serem apurados pelo contribuinte nos anoscalendário que se seguiram (a simulação apontada em relação às operações cambiais classificadas inadequadamente teria operado efeitos na diminuição do IOF a ser recolhido, sendo objeto de discussão em outro processo administrativo tributário). Fl. 2800DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 21 20 Diante disso, considerouse que a situação encontrada subsumiase à previsão legal de fraude, tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/1964, o que demandava a qualificação do percentual aplicável à multa de ofício, nos termos do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/1996. Provocada pela impugnação manejada pelo contribuinte, a 8ª Turma da DRJ em São Paulo I manteve a aplicação da multa qualificada, conforme se depreende dos seguintes trechos: "Nos tópicos anteriores demonstramos a ilicitude da conduta da contribuinte, que deduziu indevidamente da base de cálculo do IRPJ e da CSLL valores decorrentes de operações irreais, que não se enquadram na hipótese legal prevista pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Tal dedução indevida acarretou falta de recolhimento de tributo. (...) A impugnante afirma que “a penalidade agravada não se aplica aos casos em que o sujeito passivo age de acordo com suas convicções, deixando todo o seu procedimento às claras. Nessa hipótese afirma que não há tentativa de enganar quem quer que seja. O que pode haver é divergência na interpretação da lei tributária aplicável. Algo que não tem qualquer relação com sonegação, fraude ou conluio, afastando a possibilidade de ser imputada a multa qualificada até por força do disposto no art. 112 do CTN.” O dolo tributário não é caracterizado pelos meios utilizados para obter se o resultado pretendido. Fraude fiscal é violação à norma fiscal pelo contribuinte com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido. O fato de não terem sido utilizado meios fraudulentos não implica necessariamente na inexistência da intenção de escapar ao pagamento do imposto. A meu ver, a análise da sequência das operações, e seus resultados antes e depois de sua ocorrência revelam a existência de uma plano, de um artifício criado para reduzir a carga tributária. Juridicamente, podese definir simulação como a aparência de um negócio jurídico contrário à realidade, destinado a provocar uma ilusão no público, seja por não existir negócio de fato, seja por existir um negócio diferente daquele que se aparenta. Conforme anteriormente demonstrado, a conduta ilícita consistiu na criação artificial da situação prevista nos arts. 7º e 8º, em outras palavras, da simulação da hipótese legal a fim de ser obtida vantagem fiscal. Houve um aparente aumento de capital, seguido de uma aparente operação de compra e venda com base em valor de mercado. Operações aparentes, porque sem substância econômica, por serem pura forma, sem materialidade. Trago à colação voto do Ministro Aliomar Baleeiro proferido no Recurso Ordinário nº 16.050, acerca de um situação artificial criada através de operações que isoladamente seria lícitas (o contribuinte fez um seguro dotal, que na época podia ser deduzido do imposto, com recursos oriundos de empréstimo tomado da seguradora, e após a dedução rescinde o contrato): Fl. 2801DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 22 21 (...) A analogia com o caso concreto destes autos é pertinente. Criase um negócio de compra e venda de participação societária para fazer surgir o ágio. Os recursos do adquirente decorrem de um aumento de capital que não expande as atividades do adquirente. Por último, o adquirente desaparece. Simulase uma operação de compra e venda de participação societária, para no final anular seus efeitos através da extinção do adquirente por incorporação. O ato final de incorporação tem o mesmo efeito da rescisão do seguro no caso analisado por Aliomar Baleeiro. De fato, a contribuinte não escondeu os atos do Fisco nem das autoridades monetárias. Se isto tivesse ocorrido estaríamos falando de sonegação pura e simples, e não da fraude prevista no art. 72. A situação dos autos não pode ser vista como mera divergência na interpretação da legislação aplicável. Aliás, temos um exemplo de divergência de interpretação de dispositivos legais neste mesmo processo, que será analisado logo em seguida. A elaboração de uma sequência de operações desprovida de razões extratributárias não pode ser equiparada ao erro ou dúvida na interpretação de dispositivos legais. Como já anteriormente demonstrado, a obrigatoriedade de aplicação das normas relativas às operações entre coligadas e controladas não serve como justificativa, porque, no caso concreto, não restou comprovado que a aquisição da participação societária ocorreu em condições iguais ou semelhantes às do livre mercado. O objetivo de transferir todas as empresas dedicadas ao segmento financeiro para o controle da VWFSAG não é causa final da sequência de operações porque existiam outros caminhos para atingirse o mesmo objetivo. Paradoxalmente, os dispositivos legais criados com o objetivo de restringir as operações de incorporação, fusão e cisão, “às hipóteses de casos reais”, está sendo aplicado para obter vantagens tributárias a partir da criação de novas hipóteses de casos artificiais, elaboradas em outro contexto. Diante do exposto, deve ser mantida a multa qualificada, uma vez, que o conjunto probatório dos autos revela a intenção de reduzir o tributo de maneira artificial." (grifouse) O acórdão exarado pela DRJ em São Paulo I fundamentou a manutenção da multa de ofício qualificada, portanto, na constatação de que o grupo econômico agiu de forma deliberada e premeditada, praticando operações simuladas de aumento de capital, aquisição de participação societária e incorporação de uma empresa por outra, sem nenhuma outra motivação que não fosse a redução da carga tributária. Assim, considerou aquele Colegiado que a situação enfrentada nos autos efetivamente caracterizava a fraude tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/1964, frisando ainda que tal enquadramento não é incompatível com o argumento apresentado pelo contribuinte de que todas as operações foram declaradas e realizadas às claras. Fl. 2802DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 23 22 Por fim, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF foi instada a se manifestar acerca do assunto em razão da interposição de recurso voluntário. O i. Conselheiro Relator adotou as razões expostas na decisão da DRJ, inclusive transcrevendo extensos trechos desta. Além disso, complementa que seu convencimento decorreu também do teor das contrarrazões que a PGFN opôs ao recurso voluntário do contribuinte, nos seguintes termos: "Por bem resumir a situação, transcrevo os argumentos apresentados pela d.PFN em suas contrarazões, adotandoos no presente voto. (...) Não obstante as razões trazidas pela Recorrente, a despesa amortizada por ele fora criada de forma artificial, por meio de simulação. Como já destacado acima, em que pese a Contribuinte ter tentado dar uma aparência de legalidade ao negócio que originou o ágio posteriormente amortizado, tal operação, na realidade, não era aquilo que aparentava. Embora a Contribuinte tenha declarado que o ágio por ele amortizado decorria de uma verdadeira aquisição de investimento pela empresa que por ele pagou, em operações conduzidas de maneira independente, pelos trabalhos da Fiscalização se evidenciou que não houve investimento nenhum, o ágio foi criado artificialmente com o único e evidente intuito de auferir um benefício fiscal indevido. A ausência de propósito negocial e de substrato econômico, da mesma forma que impedem a existência material do ágio, atestam a simulação praticada pela Contribuinte. Com a demonstração de que não houve nenhuma aquisição de investimento a justificar a existência do ágio, deixase claro que o único intuito do Grupo quando do aumento de capital da VWP, com a participação na VWL, que por sua vez controlava o BVW, com participação avaliada com ágio, fora criar um modo de redução dos impostos a serem pagos. Individualmente, as principais operações societárias realizadas pela Contribuinte não configuram nenhum ilícito cível e tributário. Isoladamente elas são perfeitas. Todavia, ao serem analisadas em conjunto, vêse o evidente intuito doloso nos ilícitos tributários cometidos. O fato de a reorganização societária em tela ter sido planejada em sua integra, desde o início, juntamente com a ajuda de consultoria especializada, reforça ainda mais o evidente intuito da Contribuinte de, com a criação do ágio, reduzir de forma indevida o seu futuro passivo tributário. A simulação resta inequívoca: havia motivos à sua realização (criação de um benefício fiscal indevido), e, com a incorporação, o negócio realizado (aquisição de participação avaliada com ágio) não foi executado materialmente. (...) Fl. 2803DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 24 23 A simulação, correspondida pela atitude dolosa da Contribuinte em reduzir o montante do imposto devido, está mais do que comprovada ante os inúmeros fatos aqui apontados. Assim, por meio da criação de um ágio artificial, a Recorrente reduziu indevidamente o pagamento do IRPJ e da CSLL. Sendo assim, pelos argumentos aqui expostos, demonstrase cabalmente que o negócio praticado pela Contribuinte foi realizado com evidente intuito fraudulento. Por meio de uma aparente sequencia de operações societárias, na verdade, o que a Contribuinte procurou foi a redução da sua carga tributária. A qualificação da multa de ofício, assim, é inevitável. Diante do exposto, deve ser mantida a multa qualificada." (grifouse) Ocorre que o i. Conselheiro Relator foi vencido em seu voto no que tange ao tema da qualificação da multa. Prevaleceu, por maioria de votos, o entendimento consubstanciado no voto elaborado pelo nobre Conselheiro designado Redator: "Com a devida vênia, discordo do ilustre Conselheiro Relator em relação à manutenção da multa qualificada. Embora coadune com a opinião de que, em se tratando de ágio interno, possa, em tese, ser mantida a multa qualificada, no caso concreto há um fato que me levou a suscitar dúvidas a respeito do dolo do contribuinte: a independência das empresas do grupo e a obrigatoriedade de avaliação do investimento com base no valor de mercado por exigências das autoridades alemãs. Nesse sentido, destaco os seguintes excertos do recurso voluntário: (...) Embora concorde que o ágio formado intragrupo, com mera circulação de recursos entre empresas do grupo não possa ser amortizado, no caso concreto, considero não haver, no mínimo, dúvida a respeito da ocorrência de fraude (art. 72 da Lei nº 4.502/64) necessária à qualificação da multa de ofício, conforme determina o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. E, em se tratando de penalidade, incide o disposto no art. 112, inciso IV, do CTN, ou seja, em caso de dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação, interpretase da maneira mais favorável ao acusado a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades. Assim sendo, voto por reduzir a penalidade aplicada para 75%." Percebese que o voto que prevaleceu naquele julgamento pondera que os casos de aproveitamento tributário de ágio criado internamente normalmente caracterizam hipótese de qualificação da multa de ofício. Contudo, no caso específico dos autos haveria um fator que suscita dúvidas acerca do dolo do contribuinte: as exigências, estabelecidas pela legislação da Alemanha, de que as empresas alemãs VWAG (controladora) e VWFSAG (controlada) sejam administradas de forma independente e adotem sempre o valor de mercado para investimentos que venham a transacionar entre si. Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 25 24 Diante da ausência de certeza acerca do dolo na conduta do contribuinte, a maioria dos membros da Turma a quo entendeu que seria aplicável ao caso o art. 112 do CTN, que determinar que "em caso de dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação, interpretase da maneira mais favorável ao acusado a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades". Assim, decidiuse pela desqualificação da multa de ofício. Muito bem. Inicialmente, julgo importante frisar que não foi objeto de recurso especial pelo contribuinte a decisão da Turma a quo pela indedutibilidade das despesas de amortização do ágio gerado nas operações societárias discutidas no processo. Assim sendo, o presente julgamento somente tratará da questão da qualificação da multa de ofício, sendo despicienda a retomada dos argumentos que prevaleceram quanto ao lançamento dos créditos tributários principais. A respeito do tema da qualificação da multa de ofício, examinados os argumentos e as teses expostas por ambas as partes e os posicionamentos das decisões anteriormente proferidas nos presentes autos, concluo pelo seu cabimento no caso sob análise. Acompanho o entendimento do acórdão proferido pela DRJ em São Paulo I, no sentido de que a reorganização societária promovida pelo grupo econômico do contribuinte tinha um único objetivo traçado desde seu início: a fabricação artificial de ágio que pudesse ser objeto de aproveitamento fiscal para fins de redução da carga tributária do contribuinte. Assim, verificase a dissociação entre a vontade declarada pelo contribuinte e sua vontade real, caracterizandose hipótese de simulação apta a caracterizar a fraude tipificada no art. 72 da Lei nº 4.502/1964. Ainda que o grupo VOLKSWAGEN, sob a tutela de sua controladora alemã, estivesse efetivamente promovendo a separação global dos "braços" automotivo e financeiro, isso não justificaria a forma como as operações societárias foram realizadas em território brasileiro. Para atender ao objetivo de que o contribuinte BVW passasse ao controle indireto da empresa alemã VWFSAG, bastaria, como muito bem apontou o Termo de Verificação Fiscal, a transferência do controle acionário ou mesmo a incorporação de uma das empresas brasileiras por outra, a valores contábeis. A concretização de tal objetivo não necessitava, de forma alguma, que a VWL adquirisse, com ágio milionário, as ações do BVW. Inclusive, apenas alguns meses após tal aquisição de participação societária, ocorreu a incorporação inversa da investidora VWL pela investida BVW, que passou ao controle direto da VOLKSWAGEN PARTICIPAÇÕES LTDA (doravante apenas VWP). Tal fato corrobora a desnecessidade da operação que especificamente provocou o surgimento contábil do ágio que se pretendeu amortizável. Outras características observadas na reorganização societária promovida pelo grupo VOLKSWAGEN no Brasil e que permitem concluir que houve efetivamente simulação e evidente intuito de fraude são: a) A empresa VWL funcionou no processo como uma típica empresa veículo: partilhava do endereço e do corpo diretivo do contribuinte BVW; não tinha empregados declarados em 2007; foi extinta por incorporação poucos meses após ter registrado em sua contabilidade um ágio de R$ 228.336.098,32, associado à reavaliação do valor das ações do BVW; Fl. 2805DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 26 25 b) O "investimento" de R$ 727.680.000,00, feito pelo grupo VOLKSWAGEN no Brasil em 17/04/2007 (aumento de capital social da VWL por sua controladora alemã VWFSAG) demonstrouse posteriormente desprovido de propósito negocial, uma vez que o valor praticamente integral foi remetido de volta à Alemanha apenas 14 dias depois (pagamento pela VWL à VWAG, controladora da VWFSAG, relativo à aquisição de 70,15% das ações do BVW). Ou seja, a operação de aumento de capital social da VWL careceu de propósito negocial, uma vez que, encerradas as demais operações societárias, não gerou novas riquezas para nenhuma das empresas brasileiras do grupo; c) Tampouco se verificou circulação de riquezas pelas "fronteiras" do grupo econômico, uma vez que nenhuma empresa não relacionada tomou parte em quaisquer das operações identificadas. Ainda que o contribuinte defenda a independência as atuações das empresas alemãs VWAG e VWFSAG, o fato é que a primeira é controladora da segunda e os recursos que circularam entre Alemanha e Brasil nunca deixaram o grupo econômico; d) No momento da incorporação reversa da VWL pelo contribuinte BVW, os efeitos das operações anteriores foram anulados. Os valores expurgados do patrimônio líquido da VWL no momento da incorporação (baixa dos investimentos recíprocos) equivaleram ao que se tinha adicionado anteriormente a título de aumento de capital social. O único resultado encontrado ao final foi a existência do ágio criado artificialmente, que posteriormente se pretendeu dedutível; e) A remessa de recursos feita à VWL pela VWFSAG em 17/04/2007 foi indevidamente declarada como Investimento Estrangeiro Direto, o que demandaria uma intenção de permanência do investimento que acabou não se confirmando (embora tal fato não tenha repercussão direta na apuração do IRPJ e da CSLL associados à reorganização societária, contribui para a caracterização de todo o processo como uma simulação); f) Houve inconsistência nas datas constantes dos laudos de avaliação: o contribuinte BVW apresentou dois laudos que comprovariam o valor de mercado que foi atribuído a suas ações por ocasião de sua aquisição pela VWL (em 17/04/2007), tendo afirmado que o laudo de data anterior (23/03/2007) teria o objetivo de atualizar o laudo anteriormente apresentado, mas que era datado de 26/03/2007. Existe ainda um fator que, no meu ponto de vista, representa prova cabal da falta de substância econômica da reorganização societária promovida e do real objetivo desejado de mera economia fiscal: nenhuma alteração de fato ocorreu no controle societário da empresa fiscalizada, após encerrada a reorganização. Em 13/12/2005, antes do início da reorganização societária, o contribuinte BVW se encontrava submetido ao controle praticamente integral da empresa alemã VWAG: 25,13% de maneira direta e praticamente 100% se considerada a composição das participações direta e indireta (a VWAG controlava as outras acionistas do BVW: a VWP e a VOLKSWAGEN DO BRASIL LTDA VWB). Em 17/04/2007, a mesma VWAG controlava 70,15% das ações do contribuinte de forma direta e quase 100% delas se considerado também o controle indireto. Já em 02/05/2007, mesmo após a aquisição dos 70,15% pela VWL, ainda assim o controle indireto da VWAG sobre o contribuinte continuava próximo de 100%, se Fl. 2806DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 27 26 levarmos em conta que a VWFSAG, controladora alemã da VWL, também era controlada pela VWAG. Por fim, após 29/02/2008, data em que se concluiu a reorganização societária planejada, o controle de praticamente 100% das ações do BVW ainda pertencia indiretamente à VWAG, uma vez que a VWP e a VWFSAG eram ambas controladas por aquela empresa alemã. Ao defender que o controle acionário sobre o contribuinte jamais se alterou de forma efetiva, já demonstro minha discordância em relação ao entendimento defendido pelo i. Conselheiro Redator do voto vencedor do acórdão recorrido. No meu entender, o fato de a legislação alemã exigir que as empresas VWAG e sua controlada VWFSAG tenham administrações independentes; órgãos de alta administração separados; demonstrações financeiras independentes; ambientes regulatórios diferentes; fluxos de caixa, disponibilidades e resultados apartados; taxas de custo e riscos de mercado diversos; em nada descaracteriza a subordinação jurídica que existia entre elas. Consequentemente, entendo que a mencionada legislação alemã não opera efeitos na conclusão de que a reorganização societária promovida pelo grupo VOLKSWAGEN no Brasil foi simulada e fraudulenta. Os serviços financeiros prestados pela VWFSAG e pelas empresas a ela subordinadas ao redor do mundo relacionamse, inclusive, segundo informações fornecidas pelo próprio contribuinte fiscalizado, às atividades automotivas capitaneadas pela VWAG. Obviamente, se uma empresa é controlada por outra, ainda que formalmente os ocupantes dos órgãos diretivos sejam distintos, sempre haverá uma convergência de interesses. O controle sobre a maioria ou a totalidade do capital da investida sempre garantirá à investidora a palavra final a respeito de todas as decisões relevantes tomadas no âmbito daquela, sejam relativas a estratégias de mercado, diretrizes de atuação, realização de investimentos, lançamentos de novos produtos etc. Assim, não considero que os argumentos apresentados pelo contribuinte e acolhidos pelo voto vencedor do acórdão recorrido (no sentido de levantarem dúvidas acerca da atuação dolosa do autuado) afastem das sociedades VWAG e VWFSAG a característica de empresas relacionadas. Como consequência, concluo que o ágio discutido nos autos é, sim, interno e que o controle acionário sobre o contribuinte BVW não se alterou antes, durante ou após a conclusão das operações societárias analisadas. Tampouco altera meu juízo o outro argumento que o voto vencedor do acórdão recorrido levou em consideração para desqualificar a multa de ofício. O fato de as empresas VWAG e VWFSAG serem obrigadas pela legislação alemã a adotar o valor de mercado para investimentos que vierem a comercializar entre si em nada difere a reorganização societária analisada nos presentes autos de várias outras já julgadas por esta 1ª Turma da CSRF e que envolviam apenas empresas nacionais. É que para contabilizar o ágio nos moldes então previstos na alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977 (fundamentado no valor de rentabilidade de coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros), os contribuintes brasileiros deviam apresentar a demonstração do cômputo de tal valor Fl. 2807DF CARF MF Processo nº 16327.720416/201247 Acórdão n.º 9101003.273 CSRFT1 Fl. 28 27 (normalmente, um laudo elaborado por empresa de consultoria especializada), tomado como valor de mercado da participação societária comercializada. Sempre se exigiu, portanto, para que tal ágio fosse válido e passível de aproveitamento tributário, nos termos dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (caso os demais requisitos legais fossem satisfeitos), que o valor utilizado no cálculo do ágio fosse efetivamente o valor de mercado do investimento adquirido. Neste aspecto, não vislumbro diferença entre a exigência que a legislação alemã faz às empresas VWAG e VWFSAG e a condição que a legislação pátria impõe às pessoas jurídicas brasileiras. Várias destas empresas brasileiras já tiveram, inclusive, autos de infração em que constava a multa de ofício qualificada mantidos por esta CSRF. Assim, diante de todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer a multa de ofício ao seu percentual qualificado de 150%. (Assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 2808DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13657.000767/2007-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INÉPCIA DO RECURSO. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PROCESSUAIS DE VALIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Se o recurso voluntário não contesta os fundamentos da decisão recorrida, o mesmo não preenche os requisitos processuais objetivos de validade, torna-se inepta e não há como dele conhecer.
Numero da decisão: 1001-000.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INÉPCIA DO RECURSO. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PROCESSUAIS DE VALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Se o recurso voluntário não contesta os fundamentos da decisão recorrida, o mesmo não preenche os requisitos processuais objetivos de validade, torna-se inepta e não há como dele conhecer.
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INÉPCIA DO RECURSO. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PROCESSUAIS DE VALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Se o recurso voluntário não contesta os fundamentos da decisão recorrida, o mesmo não preenche os requisitos processuais objetivos de validade, tornase inepta e não há como dele conhecer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 7. 00 07 67 /2 00 7- 41 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13657.000767/200741 Acórdão n.º 1001000.432 S1C0T1 Fl. 149 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora (MG), mediante o Acórdão nº 0940.318, de 23/05/2012 (efls. 103/106), objetivando a reforma do referido julgado. A contribuinte, acima qualificada, teve o seu pedido de inscrição no Simples Nacional, no AC 2007, indeferido por exercer atividade econômica vedada: Design, CNAE: 46192/00 representantes comerciais e agentes de comércio de mercadorias em geral não especializado, com fundamento no art. 17, inciso XI, da Lei Complementar nº 123/2006, conforme Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 10). Em 01/07/2008, mediante Despacho Decisório (efls. 38/39), a Delegacia da RFB em Varginha/MG indeferiu o pedido de inclusão retroativa a Julho/2007 no Simples Nacional (SN), fundamentado na intempestividade da alteração contratual e pela, ainda, presença de atividade vedada em seu contrato social. O mesmo Despacho decidiu pela exclusão daquela sistemática, a partir de 1º/01/2008, por constar em seu contrato social atividade vedada no SN. Em 07/08/2008, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (e fls. 42/46) alegando, em síntese, que "suas atividades exercidas de serviços combinados de escritório e apoio administrativo" são "consideradas apenas complementares nas áreas de Assessoria e gestão ambiental, licenciamento ambiental em geral, acompanhamento em análise de efluentes líquidos e gasosos, gerenciamento de resíduos, segurança do trabalho, assessoria na elaboração de PPRA, PCMSO, levantamento de ruídos, acompanhamento em projetos e construções, levantamento de topografia e assessoria em análises químicas e biológicas, que são executadas somente por profissionais regulamentados". Em 14/12/2011, a Delegacia da RFB em Varginha/MG publicou Ato Declaratório Executivo nº 49, de Exclusão do Simples Nacional (efl. 86) , com efeitos a partir de 01/01/2008, em face de atividade econômica vedada de prestação de serviços decorrentes do exercício de natureza técnica, conforme disposto no inciso XXII do art. 12 da Resolução CGSN nº 4/2007e cancelou o ADE de nº 39, de 28/09/2011 (efl. 85). Em 26/03/2012, apresentou impugnação ao ADE de nº 39 alegando que promoveu a alteração contratual "passando assim para o CNAE 82.11300, sendo assim, perfeitamente apta para o ingresso no Simples Nacional,e não listada como CNAE impeditivo conforme consta da Resolução CGSN n° 06/2007, visto que, as atividades exercidas são unicamente de serviços combinados de escritório e apoio administrativo, sendo amplamente amparada pela Lei". A DRJ analisou tanto a manifestação de inconformidade pelo indeferimento do SN de 2007 quanto a impugnação ao ADE de Exclusão relativo ao AC2008 e considerou ambas improcedentes, com o seguinte fundamento: Na realidade, a legislação considerou como valor maior para o impedimento àquela sistemática, não a efetiva prestação de serviços de natureza intelectual ali prevista, mas a finalidade pactuada nos atos constitutivos e nas respectivas alterações contratuais, mesmo que não tenha havido a respectiva prestação de serviços. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13657.000767/200741 Acórdão n.º 1001000.432 S1C0T1 Fl. 150 3 Assim, é despiciendo debruçar no código CNAE 82113/00 e fundamentar a defesa de que esse não consta em nenhum dos Anexos da Resolução CGSN nº 6/2007. (...) Pelo exposto, VOTO no sentido de considerar improcedentes a manifestação de inconformidade e a impugnação para, respectivamente, manter o indeferimento e a exclusão de ofício operados. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO. VEDAÇÃO Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP que tenha por finalidade, dentre outros, a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual e de natureza técnica. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 23/10/2012, conforme Aviso de Recebimento à efl. 109, a recorrente apresentou recurso voluntário em 20/11/2012 (efls. 110/119), conforme carimbo à efl. 110. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso é tempestivo, porém não atende a requisitos processuais para sua admissibilidade, como se verá. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de possuir em seu contrato social atividade econômica vedada, relativo ao anos calendário 2007 (Indeferimento da Opção) e 2008 (exclusão do Simples Nacional). A base legal do indeferimento foi o inciso XI, do art. 17, da Lei Complementar 123/2006. No recurso interposto, a recorrente alega que "a exclusão da empresa acima qualificada ao SIMPLES NACIONAL, desde o ano de 2009, foi indevida por inoportuno acesso ou pela não verificação aos documentos comprobatórios" e continua mais adiante, à efl. 111: (grifo não consta do original) Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13657.000767/200741 Acórdão n.º 1001000.432 S1C0T1 Fl. 151 4 No nosso modesto entendimento, O JUSTO SERIA A EXCLUSÃO SOMENTE NOS ANOS CALENDÁRIO DE 2007 E 2008 onde já efetuamos todos os pagamentos dos tributos na modalidade do Lucro Presumido, bem como o cumprimento das obrigações fiscais acessórias e principais e a garantia da permanência no Simples Nacional a partir do ano de 2009, já totalmente legalizada, através da referida Alteração Contratual. E ao final a interessada requer: 1 Seja esta INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO recebida e acolhida , e ao final JULGADO IMPROCEDENTE OS PEDIDOS formulados na INTIMAÇÃO, prevalecendo como a empresa OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL, a partir do ano de 2009 até o momento; 2 Cancelamento parcial da Intimação, com a exclusão do Simples nos anos de 2007 e 2008 e sua permanência no Simples Nacional, a partir do ano de 2009. conforme acima exposto, sendo esta á mais pura e lídima. Como se dessume do relatório acima, a contribuinte pretende, no apelo, a sua permanência na sistemática do Simples Nacional a partir de 2009 (?!?) e mais, a mesma concorda com o impedimento da empresa em usufruir do Regime Especial e Diferenciado nos AC 2007 e 2008. Portanto, em nenhuma parte do recurso a recorrente se insurge contra a decisão de primeira instância, o que prejudica o conhecimento da matéria exclusivamente em segunda instância, ex vi dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Outrossim, é cediço que para se conhecer do recurso é necessário que, além do prazo recursal, outros pressupostos ou requisitos devem ser atendidos, constituindose em elementos indispensáveis a: (i) expressa insatisfação com a decisão impugnada, bem como (ii) exposição das razões que levaram ao contribuinte a demonstrar seu inconformismo com a decisão atacada. Assim, não impugnar a decisão recorrida, por exemplo, implica em ofensa ao principio da dialética, segundo o qual pressupõe que o conhecimento do recurso está vinculado à apresentação das razões do recurso, bem como a motivação que levou o recorrente a se insurgir contra a decisão recorrida. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13657.000767/200741 Acórdão n.º 1001000.432 S1C0T1 Fl. 152 5 De outro ângulo, significa dizer que não basta a recorrente manifestar, apenas, a vontade de recorrer; mas, também, deve como interessada dar os motivos pelos quais recorre, alinhando as razões de fato e de direito que embasam sua discordância com a decisão recorrida, daí resultando o pedido de nova decisão, se for o caso. Essa dialeticidade que deve ser constatada no recurso é necessária porque sua ausência, dentre outras implicações, poderá resultar em inobservância ao princípio do contraditório, princípio este fundamental a ampla defesa dos litigantes, de sorte que, ausentes referidos requisitos estará o recurso impossibilitado de ser apreciado. Desta feita, estando evidente a sua inépcia, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16045.720011/2015-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2000
REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP Nº 2.158-35/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE.
O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001).
Numero da decisão: 9303-006.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Procuradoria e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2000 REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP Nº 2.158-35/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Procuradoria e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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CRÉDITO PRESUMIDO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2000 REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP Nº 2.15835/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE. O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Procuradoria e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 72 00 11 /2 01 5- 18 Fl. 400DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402004.086, de 27/04/2017, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2010 a 31/12/2010 REGIME ESPECIAL ART. 56, MP 2.15835/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001). Recurso Voluntário Provido. Irresignada, a PFN se insurgiu contra a inclusão, no cálculo do crédito presumido de que trata o art. 56 da Medida Provisória MP n.º 2.15835, de 2001, da parcela de frete não destacado nas notas fiscais. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 3201002.247. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 357/359. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 368/391). É o Relatório. Voto Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido entendeu caber o direito ao crédito presumido de IPI estabelecido no art. 56 da Medida Provisória MP n.º 2.15835, de 2001, sobre a parcela do frete cobrado pela prestação de serviço de transporte de veículos novos, malgrado não destacado nas notas fiscais (esse é o único tema que se controverte no recurso especial), o paradigma, todavia, em flagrante dissídio jurisprudencial, em situação idêntica e para o mesmo contribuinte, concluiu justamente o contrário. No mérito, melhor analisando a questão neste Colegiado, entendemos que é de se negar provimento ao recurso. Para demonstrálo, passamos a reproduzir o art. 56 da Medida Provisória MP n.º 2.15835, de 2001, que disciplina o regime especial de tributação de que aqui se trata: Fl. 401DF CARF MF Processo nº 16045.720011/201518 Acórdão n.º 9303006.465 CSRFT3 Fl. 401 3 Art. 56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O regime especial: I consistirá de crédito presumido do IPI em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal; II será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: a) sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento industrial; (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) c) compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. § 2o O disposto neste artigo aplicase, também, ao estabelecimento equiparado a industrial nos termos do § 5o do art. 17 da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. § 3o Na hipótese do § 2o deste artigo, o disposto na alínea "c" do inciso II do § 1o alcança o trajeto, no País, desde o estabelecimento executor da encomenda até o local de entrega do produto ao adquirente. § 4o O regime especial de tributação de que trata este artigo, por não se configurar como benefício ou incentivo fiscal, não impede ou prejudica a fruição destes. (Incluído pela Lei nº 12.407, de 2011) Esse regime especial reclama, tendo em vista o que dispõe a própria Lei, a observância dos seguintes requisitos: a) a execução ou contratação do serviço de transporte pelo próprio estabelecimento industrial (no caso, a Recorrente); b) a cobrança juntamente com o preço do produto vendido e, finalmente, c) o transporte do estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. Pois bem. Fl. 402DF CARF MF 4 Dos três requisitos antes mencionados, a controvérsia se instaurou apenas quanto ao segundo. Isso porque, nas notas fiscais emitidas pela contribuinte, não houve, como já adiantamos, o destaque do valor do frete pago no transporte dos veículos. Sustenta a douta PFN que esse fato – a falta de destaque do frete nas respectivas notas ficais – é impeditivo à fruição do benefício do crédito presumido de três por cento sobre o valor do IPI destacado. Não nos parece correta a exigência. Notese que, ao dispor que os serviços de transporte "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos", não se está a dizer que os valores a eles correspondentes sejam cobrados destacadamente na nota fiscal, mas que componham o valor cobrado e pago pelas concessionárias, o que pode se dar na forma pretendida pela fiscalização, ou seja, em separado, ou embutido no preço dos veículos, como ordinariamente ocorre no comércio internacional. Referimonos aos inconterms CRF ou CIF, em que o importador paga o valor da mercadoria, acrescido do frete, no primeiro caso, e do seguro e do frete, no segundo, mas, em ambos, paga um preço só, sem destaque de qualquer valor em separado, já que a responsabilidade da entrega ao porto de destino fica por conta do exportador. Portanto, e como bem pontuado no acórdão recorrido, o valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, mas não quando ele integre, "por dentro", o preço exigido. A Solução de Consulta SRRF09/Disit nº 26, de 7 de fevereiro de 2012, que trata do preenchimento, nas notas fiscais, do valor do frete nas vendas destinadas à exportação, transcrita, em parte, no acórdão recorrido, bem elucida a questão: 10. Entendese por “valor do frete” a quantia paga para transportar as mercadorias discriminadas na Nota Fiscal de um local a outro, dentro do território nacional ou alémfronteira. 11. O preenchimento do campo referente ao valor do frete na Nota Fiscal é necessário ainda que não haja imposto destacado (casos, por exemplo, de isenção, nãoincidência, suspensão), uma vez que a legislação não prevê a dispensa do preenchimento nesses casos. Portanto, o preenchimento do valor do frete e sua condição de pagamento são, por regra, dados de preenchimento obrigatório, ainda que se trate de operação não sujeita ao imposto (IPI ou ICMS). 12. Entrementes, importante ressalva fazse necessária: a obrigatoriedade de preenchimento do valor do frete na Nota Fiscal impõese apenas nos casos em que esse valor for cobrado ou debitado em separado do comprador, hipótese em que o valor do frete será adicionado à base de cálculo do IPI e do ICMS. 13. Com efeito, a Lei nº 7.798, de 1989, por meio de seu art. 15, deu nova redação ao art. 15 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 (que instituiu o IPI), de modo a prescrever que a base de cálculo do IPI “compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário” (destacouse). 14. É de notar que, anteriormente à edição da Lei nº 7.798, de 1989, o art. 14, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964, excluía Fl. 403DF CARF MF Processo nº 16045.720011/201518 Acórdão n.º 9303006.465 CSRFT3 Fl. 402 5 expressamente da base de cálculo do IPI, as despesas de transporte e seguro, desde que debitadas ao destinatário ou comprador e escrituradas em separado, na nota fiscal (art. 63, § 1º, do RIPI/1982). 15. Por seu turno, a Lei Complementar nº 87, de 1996, de forma similar à Lei nº 7.798, de 1989, no seu art. 13, § 1º, inciso II, alíneas “a” e “b”, veio estabelecer que integra a base de cálculo do ICMS o valor correspondente a “seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição”, e o valor correspondente a “frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado” (destacou se). 16. Em suma, constatase que a exigência de indicação do valor do frete e do seguro na nota fiscal está vinculada à hipótese em que essas despesas sejam cobradas separadamente do preço da mercadoria (situação em que, atualmente, tais importâncias compõem a base de cálculo do ICMS e do IPI), razão por que é lícito inferir que essa informação é dispensada quando não ocorra essa hipótese. (grifamos) A seguir, vão exemplos de algumas soluções de consulta e acórdãos de DRJs que adotam o mesmo entendimento – o de que a cobrança conjunta do frete com o preço do produto não necessariamente exige o seu destaque na nota fiscal. Confirase: ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: NOTA FISCAL. SAÍDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. É exigida a informação do valor do frete e do seguro na nota fiscal emitida por estabelecimento sujeito à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no quadro “Cálculo do Imposto”, somente quando essas despesas sejam cobradas separadamente do preço da mercadoria. Nessa hipótese, o valor do frete e o valor do seguro serão somados ao valor total dos produtos para obtenção do valor total da nota. (Solução de Consulta SRRF10/Disit nº17, de 26/01/2012) ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: NOTA FISCAL. SAÍDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. É exigida a informação do valor do frete e do seguro na nota fiscal emitida por estabelecimento sujeito à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no quadro “Cálculo do Imposto”, somente quando essas despesas sejam cobradas separadamente do preço da mercadoria. (Solução de Consulta SRRF10/Disit nº14, de 23/01/2012) Fl. 404DF CARF MF 6 ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: Frete. Inclusão na base de cálculo. Destaque na Nota Fiscal. O valor do frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado, compõe a base de cálculo do IPI. A legislação do IPI é silente quanto ao destaque do valor do frete na nota fiscal. Frete. Produtos NT. Destaque na Nota Fiscal. Para a legislação do IPI, sendo o produto NT fora da incidência do imposto, não é necessário que se destaque o valor do frete na nota fiscal. (Solução de Consulta SRRF09/Disit nº 217, de 26/12/2001) ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração : 12/02/1990 a 30/09/1999 EMENTA: IPI. RESTITUIÇÃO. Incabível a restituição de imposto que não foi pago a maior ou indevidamente. IPI. VALOR TRIBUTÁVEL. Inadmissível a restituição do IPI incidente sobre e fretes e despesas financeiras, ainda que cobrados separadamente na nota fiscal, porque se incluem no valor tributável. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei e dos atos normativos. RESTITUIÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de pleitear restituição de pagamento espontâneo do IPI, reputado indevido pelo contribuinte, se extingue c om o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento. (Acórdão nº 147888, de 27 de Abril de 2005) ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração : 01/01/1993 a 31/12/1998 EMENTA: IPI. RESTITUIÇÃO. Incabível a restituição de imposto que não foi pago a maior ou indevidamente. IPI. VALOR TRIBUTÁVEL. Inadmissível a restituição do IPI incidente sobre fretes e despesas financeiras, ainda que cobrados separadamente na nota fiscal, porque se incluem no valor tributável. IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRESCRIÇÃO. Inadmissível o ressarcimento de créditos prescritos, referentes à aquisição de insumos cuja entrada no es tabelecimento tenha ocorrido anteriormente a cinco anos contados da data de protocolização do pedido. IPI – RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. Inaceitável, por falta de expressa previsão legal, a correção monetária do valor do ressarcimento de crédito de IPI. (Acórdão nº 103699, de 06 de Maio de 2004) Ante o exposto, conheço do recurso especial da Procuradoria e, no mérito, nego lhe provimento. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 16045.720011/201518 Acórdão n.º 9303006.465 CSRFT3 Fl. 403 7 É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 406DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.003662/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL CONSTATADA. SANEAMENTO.
Constatada a existência de inexatidão material em passagem do voto que integra a decisão embargada, tal vício deve ser sanado.
Logo, onde se lê:
"Da conclusão
Por todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos declaratórios opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para fins de esclarecer que a responsabilidade pessoal do Sr. Isaac Vianna deverá ser mantida, face à particularidade do caso concreto aqui analisado, em que se verifica a impossibilidade de substituição do sujeito passivo por eventual espólio.
Leia-se:
"Da conclusão
Por todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos declaratórios opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para fins de esclarecer que o afastamento da responsabilidade pessoal do Sr. Isaac Vianna deverá ser mantida, face à particularidade do caso concreto aqui analisado, em que se verifica a impossibilidade de substituição do sujeito passivo por eventual espólio.
Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3301-004.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL CONSTATADA. SANEAMENTO. Constatada a existência de inexatidão material em passagem do voto que integra a decisão embargada, tal vício deve ser sanado. Logo, onde se lê: "Da conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos declaratórios opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para fins de esclarecer que a responsabilidade pessoal do Sr. Isaac Vianna deverá ser mantida, face à particularidade do caso concreto aqui analisado, em que se verifica a impossibilidade de substituição do sujeito passivo por eventual espólio. Leia-se: "Da conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos declaratórios opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para fins de esclarecer que o afastamento da responsabilidade pessoal do Sr. Isaac Vianna deverá ser mantida, face à particularidade do caso concreto aqui analisado, em que se verifica a impossibilidade de substituição do sujeito passivo por eventual espólio. Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes.
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Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BEBIDA GOSTOSA MG IND. COM. DE ALIMENTOS E EXP. EIRELI EPP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL CONSTATADA. SANEAMENTO. Constatada a existência de inexatidão material em passagem do voto que integra a decisão embargada, tal vício deve ser sanado. Logo, onde se lê: "Da conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos declaratórios opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para fins de esclarecer que a responsabilidade pessoal do Sr. Isaac Vianna deverá ser mantida, face à particularidade do caso concreto aqui analisado, em que se verifica a impossibilidade de substituição do sujeito passivo por eventual espólio. Leiase: "Da conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos declaratórios opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para fins de esclarecer que o afastamento da responsabilidade pessoal do Sr. Isaac Vianna deverá ser mantida, face à particularidade do caso concreto aqui analisado, em que se verifica a impossibilidade de substituição do sujeito passivo por eventual espólio. Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 36 62 /2 01 0- 30 Fl. 415DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos, sem efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10640.003662/201030 Acórdão n.º 3301004.195 S3C3T1 Fl. 416 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 29/11/2010 em face da empresa BEBIDA GOSTOSA MG INDÚSTRIA COMÉRCIO DE ALIMENTOS E EXPORTAÇÃO LTDA. (denominação social da empresa à época), por meio do qual foi lançada de ofício a cobrança da diferença apurada de IPI entre o valor escriturado nos livros RAIPI do sujeito passivo e o valor declarado em DCTF (período de 10/01/2005 a 31/12/2005), no valor total de R$ 23.154.634,66 (vinte e três milhões, cento e cinquenta e quatro mil, seiscentos e trinta e quatro reais e sessenta e seis centavos). O fiscal autuante enquadrou a hipótese nos arts. 24, inc. II, 34, inc. II, 122, 123, 127, 139, 200, inc. IV, 202, inc. II e 204 do Decreto nº 4.544/02. Foi aplicada ainda multa de 150%, com fundamento no art. 80, inciso II, da Lei nº 4.502/64, com redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430/96, tendo constado do Relatório do Trabalho Fiscal que estaria caracterizado, em tese, o dolo do agente (Sr. Isaac Vianna) e a consequente sonegação. Ao Sr. Isaac Vianna foi dada ciência da lavratura do auto de infração, na qualidade de responsável solidário. Em 30/12/2010, foram apresentadas impugnações administrativas em nome de ambos os sujeitos passivos solidários (BEBIDA GOSTOSA MG INDÚSTRIA COMÉRCIO DE ALIMENTOS E EXPORTAÇÃO LTDA. e ISAAC VIANNA). Ato contínuo, em sessão realizada em 29 de abril de 2011, os membros da 3ª Turma da DRJ em Juiz de Fora (MG) entenderam por julgar a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 IPI NÃO DECLARADO/NÃO PAGO. Deve ser exigido, de ofício, o IPI apurado pela própria contribuinte e que não foi declarado nem recolhido, cabendo à autuada comprovar, e não apenas alegar, que a apuração por ela apresentada ao Fisco possui impropriedades, notadamente quanto a créditos do imposto que, supostamente, não teriam sido considerados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é facultado ao contribuinte pleno acesso à documentação que instruiu o procedimento de fiscalização, inclusive com a possibilidade de extração de cópias. DECADÊNCIA. Fl. 417DF CARF MF 4 Na ausência de qualquer antecipação de pagamento do imposto, o prazo decadencial aplicável é o art. 173, I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICADORA. A infração à legislação tributária enquadrada na definição legal de sonegação impõe a aplicação de multa de ofício no percentual de 150%. MULTA DE OFÍCIO E JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Descabe a apreciação, no julgamento administrativo, de aspectos relacionados à inconstitucionalidade ou à ilegalidade de multa de ofício e juros exigidas com amparo em lei vigente. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Cabível a responsabilização do sóciogerente da pessoa jurídica contribuinte quanto aos atos praticados com infração à lei. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Intimada quanto ao teor da referida decisão em 13/03/2012, a BEBIDA GOSTOSA MG INDÚSTRIA COMÉRCIO DE ALIMENTOS E EXPORTAÇÃO LTDA. apresentou em 22/03/2012, tempestivamente, recurso voluntário, por meio do qual pleiteou o cancelamento das exigências objeto deste processo administrativo, alegando, resumidamente, que: (1) teria havido cerceamento do seu direito de defesa parte dos livros teriam ficado retidos e apenas teriam sido apresentados à empresa em 15/12/2010, quando já havia decorrido metade do prazo para impugnação; (2) os valores lançados no livro de registro de apuração do IPI não poderiam ser considerados para fins de apuração da base de cálculo do imposto, visto que o livro não atende aos requisitos formais impostos pela legislação, uma vez que não possui assinatura do contador responsável, bem como em razão da discrepância entre o valor do imposto debitado lançado no livro e o valor dos créditos a que o contribuinte tem direito diversos documentos da recorrente teriam sido roubados, o que suscitou a lavratura do Registro de Ocorrências nº 016/05400/2005, tendo o livro em questão sido preenchido para atender exigência formulada verbalmente pelo agente fiscal, que teria ameaçado impor à recorrente "multa impagável"; (3) a sistemática de tributação adotada pelo fiscal fora equivocada, uma vez que a base imponível deveria ter sido apurada pelo arbitramento do resultado, tal como prevê o art. 530 do Regulamento do Imposto de Renda; (4) o crédito tributário relativo ao período de janeiro a novembro de 2005 teria sido fulminado pelo instituto da decadência, uma vez que seria aplicável ao caso vertente a regra disposta no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional; (5) não se justificaria a aplicação da multa qualificada de 150%, seja porque o dolo não se presume e não haveria nos autos qualquer espécie de Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10640.003662/201030 Acórdão n.º 3301004.195 S3C3T1 Fl. 417 5 comprovação de intuito doloso da contribuinte, seja porque a aplicação de penalidade em tal percentual violaria o princípio constitucional do não confisco; (6) seria inaplicável a taxa Selic, face ao seu caráter "remuneratório" e não "moratório"; (7) não teria sido demonstrado pelo fiscal autuante o ilícito praticado pelo sócio administrador Isaac Vianna, apto a justificar a responsabilização com base no art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Na sessão de julgamento realizada em 14/10/2014, foi determinada a conversão do julgamento em diligência, para que fossem adotadas as medidas necessárias para que o responsável tributário, Sr. Isaac Vianna, também fosse intimado quanto ao teor da decisão da DRJ, para que pudesse interpor recurso voluntário, caso tivesse interesse. Em atendimento à tal determinação, foi constatado que o Sr. Issac Vianna havia falecido em 25/11/2011, conforme atesta a certidão de óbito constante de fls. 354 destes autos, que informa que o mesmo era solteiro, não tinha filhos, sendo ignorada a existência de bens em seu nome. O processo, então, foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para fins de análise do Recurso Voluntário interposto em nome da BEBIDA GOSTOSA MG INDÚSTRIA COMÉRCIO DE ALIMENTOS E EXPORTAÇÃO LTDA., tendo sido proferido o seguinte acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 IPI NÃO DECLARADO/NÃO PAGO Correto o lançamento de ofício do IPI não declarado e não recolhido embasado em apuração realizada pelo próprio contribuinte com base em RAIPI apresentado pelo mesmo. Caberia à autuada comprovar que a apuração por ela apresentada ao Fisco possui impropriedades, o que não ocorreu no caso concreto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte tem acesso a todas as informações necessárias à compreensão das razões que levaram à autuação, tendo apresentado impugnação e recurso voluntário em que combate todos os fundamentos do auto de infração. DECADÊNCIA. Na ausência de antecipação de pagamento do imposto, não há que se falar em aplicação do parágrafo 4º do art. 150 do CTN, devendo ser aplicada a regra geral disposta no art. 173, inciso I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICADORA. Fl. 419DF CARF MF 6 Nos termos da legislação em vigor, a infração enquadrada na definição legal de sonegação, em que a recorrente fora devidamente enquadrada, impõe a aplicação de multa de ofício no percentual de 150%, pelo que deverá ser mantida a multa qualificada neste caso concreto.. MULTA DE OFÍCIO E JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Nos termos da súmula 2 do CARF, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Deverá ser afastada a responsabilização do sóciogerente da pessoa jurídica contribuinte no presente caso, em razão do seu falecimento durante o trâmite do processo administrativo (recurso repetitivo do STJ AGARESP 201300992802). Recurso Voluntário Provido em Parte. Face à tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs embargos declaratórios através dos quais alegou que haveria contradição no julgado, já que o aresto emanado pelo STJ e que foi utilizado como paradigma para o provimento parcial do recurso trataria de caso diverso do analisado nesta contenda. Apontou ainda suposta omissão do julgado, uma vez que a responsabilidade teria sido afastada com fundamento tão somente no falecimento do sócio gerente, sem que tratasse expressamente sobre a ausência de herdeiros ou bens a partilhar. Ao analisar os embargos declaratórios opostos, esta Turma de Julgamento entendeu por acolhêlos em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 EMBARGOS. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO. Identificada a existência de contradição/omissão da decisão embargada quanto à fundamentação que levou ao afastamento da responsabilidade tributária neste caso concreto, tal vício há de ser sanado. Acórdão que passa a ter validade com o seguinte teor: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI IPI NÃO DECLARADO/NÃO PAGO Correto o lançamento de ofício do IPI não declarado e não recolhido embasado em apuração realizada pelo próprio contribuinte com base em RAIPI apresentado pelo mesmo. Caberia à autuada comprovar que a apuração por ela apresentada ao Fisco possui impropriedades, o que não ocorreu no caso concreto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte tem acesso a todas as informações necessárias à compreensão das razões que levaram à autuação, tendo apresentado impugnação e recurso voluntário em que combate todos os fundamentos do auto de infração. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10640.003662/201030 Acórdão n.º 3301004.195 S3C3T1 Fl. 418 7 DECADÊNCIA. Na ausência de antecipação de pagamento do imposto, não há que se falar em aplicação do parágrafo 4º do art. 150 do CTN, devendo ser aplicada a regra geral disposta no art. 173, inciso I, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CIRCUNSTÂNCIA QUALIFICADORA. Nos termos da legislação em vigor, a infração enquadrada na definição legal de sonegação, em que a recorrente fora devidamente enquadrada, impõe a aplicação de multa de ofício no percentual de 150%, pelo que deverá ser mantida a multa qualificada neste caso concreto.. MULTA DE OFÍCIO E JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Nos termos da súmula 2 do CARF, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Neste caso particular em análise, deverá ser afastada a responsabilização do sóciogerente da pessoa jurídica contribuinte, tendo em vista a impossibilidade de substituição do sujeito passivo por eventual espólio, considerando que consta dos autos certidão de óbito do mesmo, com a informação de que o falecido era solteiro, não tinha filhos, sendo ignorada a existência de bens em seu nome. Recurso Voluntário Provido em Parte". Contudo, verificando a existência de inexatidão material constante do voto redigido, a Procuradoria apresentou embargos inominados no intuito de que fosse saneada tal falha. Os embargos foram admitidos pelo presidente desta Turma conforme despacho de fl. 413 dos autos, tendo sido encaminhados a esta Relatora, para fins de julgamento. É o relatório. Fl. 421DF CARF MF 8 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Consoante acima narrado, a Fazenda Nacional opôs embargos inominados no intuito de sanar inexatidão material constante do voto que constou da decisão embargada. Isso porque, ao passo que o acórdão e a fundamentação do voto dispunham acerca da manutenção do afastamento da responsabilidade social do Sr. Isaac Vianna, constou da conclusão do voto, por equívoco, a informação de que teria sido mantida a responsabilidade pessoal do Sr. Isaac Vianna. Assiste razão à Embargante. De fato, houve uma inexatidão quando da redação da conclusão constante do voto proferido. Contudo, como bem reconheceu a Procuradoria da Fazenda Nacional, inclusive em demonstração da sua lealdade processual, da leitura do voto proferido é possível se constatar que toda a fundamentação ali apresentada foi no sentido de manter o afastamento da responsabilidade social do Sr. Isaac Vianna. Este, inclusive, foi o resultado constante da ementa do julgado. Sendo assim, voto no sentido de acolher os embargos apresentados, sem efeitos infringentes, para fins de corrigir a inexatidão material apontada. Nesse contexto, no voto que compõe a decisão recorrida, onde se lê: "Da conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos declaratórios opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para fins de esclarecer que a responsabilidade pessoal do Sr. Isaac Vianna deverá ser mantida, face à particularidade do caso concreto aqui analisado, em que se verifica a impossibilidade de substituição do sujeito passivo por eventual espólio. Leiase: "Da conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos declaratórios opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para fins de esclarecer que o afastamento da responsabilidade pessoal do Sr. Isaac Vianna deverá ser mantida, face à particularidade do caso concreto aqui analisado, em que se verifica a impossibilidade de substituição do sujeito passivo por eventual espólio. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10640.003662/201030 Acórdão n.º 3301004.195 S3C3T1 Fl. 419 9 Fl. 423DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.900432/2012-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO UTILIZADO EM DUPLICIDADE.
Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito de outro Período de apuração.
Numero da decisão: 3001-000.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO UTILIZADO EM DUPLICIDADE. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito de outro Período de apuração.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO UTILIZADO EM DUPLICIDADE. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito de outro Período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 90 04 32 /2 01 2- 55 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13855.900432/201255 Acórdão n.º 3001000.117 S3C0T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/CTA, que não reconheceu do direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 21/09/2009, transmitiu PER/DCOMP nº 06305.09105.210909.1.3.043100 declarando a compensação de débito de PIS/PAPESP (Cód.6912), do P.A. 08/2009 no valor de R$ 3.674,59 com crédito de COFINS (cód. 5856), recolhido a maior que o devido através de DARF da competência 10/2005. Do Despacho Decisório A DRF de Franca/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (eFls. 96), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência do crédito informado, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo de crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 3), pugnando por seu direito à compensação praticada; que retificou suas declarações – DACON, DCTF e DIPJ, onde ficou demonstrado o pagamento a maior que o devido, passível de suportar o débito compensado. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/CTA, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2005 a 31/10/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera alegação de direito desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período não é suficiente para demonstrar que houve recolhimento indevido ou maior que o devido de contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13855.900432/201255 Acórdão n.º 3001000.117 S3C0T1 Fl. 4 3 Do Recurso Voluntário O sujeito passivo, cientificado da decisão de primeiro grau, ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 141), abordando apenas questão de direito nos seguintes termos: “Considerando o direito líquido e certo aos valores em tela conforme se depreendem das declarações bastantes, é a presente manifestação de inconformidade para requerer a VALIDAÇÃO E DEVIDO PROCESSAMENTO DOS CRÉDITOS LEVANTADOS ORIUNDOS DE PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR DEVIDAMENTE DECLARADOS EM DCTFs E DIPJs E UTILIZADOS PARA PAGAMENTOS DE DÉBITOS ENTÃO VINCENDOS NOS TERMOS QUE DEMONSTRAM A DOCUMENTAÇÃO ACOSTADA AOS AUTOS, com a homologação das compensações ora acostadas e confeccionadas com o saneamento dos erros acima apontados, mas que, por impossibilidade de configuração do sistema, não pode ser enviada para análise devida, assim pedese a transmissão das mesmas”. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/CTA tratou adequadamente a matéria, expondo de forma clara e objetiva suas razões de decidir, apontando o fato que impossibilitou convalidar a compensação requerida. As telas (efls. 118 a 122) resumem todos os fatos representativos do crédito alegado e sua utilização, tornando insuficiente para atender o pleito da recorrente, senão vejamos: 1. O débito declarado de COFINS (cód. 5856) para o Período de Apuração out/2005 foi de R$ 77.593,71 com os seguintes créditos vinculados: R$ 9.585,54 por compensação de pagamento indevido ou a maior via PER/DCOMP nº 26185.10501.130406.1.3.044697 (efls. 120); R$ 68.008,17 de principal mais R$ 3.141,97 de multa, pagos via DARF no valor de R$ 75.212,46 (principal R$ 71.891,28 e multa R$ 3.321,17), efls.119/120; 2. Do DARF acima discriminado gerou um crédito de principal no valor de R$ 3.883,12 e multa de R$ 179,20 totalizando R$ 4.062,32. Desse crédito a Recorrente aproveitou o valor de R$ 2.509,97 que atualizado pela SELIC (46,40%) na data de transmissão da PER/DCOMP nº 06305.09105.210909.1.3.043100, resultou em compensado de débito de PIS/PASEP no valor de R$ 3.674,59 do P.A. 08/2009; 3. Ocorre que, conforme se depreende da tela de efls.122, o crédito vinculado de R$ 9.585,54 via PER/DCOMP nº 26185.10501.130406.1.3.044697, foi efetivamente utilizado para compensar um débito de COFINS (cód.5856) do Período de Apuração 01/07/2005; Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13855.900432/201255 Acórdão n.º 3001000.117 S3C0T1 Fl. 5 4 4. Dessa forma, deixa de existir crédito por pagamento a maior que o devido de COFINS na competência 10/2005, tornandose exigível em sua totalidade o débito inadvertidamente compensado. A recorrente sendo detentora de todos os documentos que correspondem as declarações encaminhadas à Receita Federal do Brasil, principalmente aos que deram origem a PER/DCOMP nº 26185.10501.130406.1.3.044697, nada alegou em seu recurso sobre a questão mencionado no item 3 acima, muito menos trouxe qualquer prova documental que pudesse sustentar seu pedido de compensação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter inalterada a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.725910/2014-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativa a Títulos ou Valores Mobiliários (“IOF”), consubstanciada no auto de infração em questão. Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre a concessão de empréstimos entre empresas do mesmo grupo, de janeiro de 2010 a dezembro de 2011, sem o respectivo recolhimento do IOF, no importe de R$ 51.105.893,52, incluídos o principal, multa de ofício e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 25 91 0/ 20 14 -1 9 Fl. 4535DF CARF MF Processo nº 10480.725910/201419 Resolução nº 3402001.255 S3C4T2 Fl. 334 2 Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do acórdão recorrido in verbis: Das Infrações Referentes ao IOF IOF : Anoscalendário de 2010 e 2011. 6) A Fiscalização constatou que a empresa Fiscalizada deixou de cobrar e recolher o IOF de sua responsabilidade, incidente sobre os empréstimos concedidos a outras pessoas jurídicas, conforme a seguir será demonstrado. (...) 9) Em correspondência encaminhada à Fiscalização, recebida em 02/06/2014, a Fiscalizada apresenta demonstrativos (DOC. 30) bem como, esclarecimentos acerca dos recursos contabilizados nas contas neles indicadas. A Fiscalizada apresenta ainda contratos de gestão que anexamos a este Termo (DOC. 29). 10) A partir da contabilidade da Fiscalizada, obtida em meio digital no SPED Sistema Público de Escrituração Digital, foram reproduzidos os Balancetes acostados a este Termo (DOC. 02 e 03), a partir dos quais se constata que os créditos concedidos encontramse registrados nas contas do ativo não circulante, conforme indicadas nas tabelas a seguir: 11) Em relação a conta ativa de controle dos empréstimos concedidos, de nº 13633115 C/C PARTES RELACIONADAS UBA X SORV, a Fiscalização constatou que a mesma foi usada apenas para registro dos saldos de abertura e fechamento de cada mês. Constatouse que os lançamentos que modificam os saldos da referida conta estão registrados na conta 15533115 – CONTA CORRENTE UBR GELADOS X UBA (DOC. 08 e 13). Vale dizer, no início de cada mês a Fl. 4536DF CARF MF Processo nº 10480.725910/201419 Resolução nº 3402001.255 S3C4T2 Fl. 335 3 Fiscalizada promove a baixa dos saldos da conta 13633115 (lançamentos a crédito) com contrapartida a débito na conta 15533115. No final do mês retorna os saldos apurados na conta 15533115 (lançamento a crédito, com contrapartida a débito na conta 13633115). No histórico dos lançamentos nas referidas contas está registrado: “Recl Sld Mútuo Juros Cta Corrente UBA x SORV”. 12) Como resultado da sistemática de contabilização acima referida, temse que a conta ativa de controle dos empréstimos concedidos pela Fiscalizada (13633115) permanece com os saldos zerados no decorrer dos demais dias do mês. Ocorre que, este procedimento adotado pela Fiscalizada repercute na apuração do IOF, visto que o tributo tem como base de cálculo o somatório dos saldos devedores diários, bem como, o somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores, apurados no último dia de cada mês. Como explicado acima, a conta 13633115 não possui os registros dos saldos devedores diários, fato que acarreta distorção na apuração do somatório mensal. 13) Diante do exposto, considerando que os registros e saldos diários dos demais dias do mês, referentes às operações que modificaram os saldos devedores informados na conta 13633115, constam lançados na conta 15533115, a Fiscalização considerou ambas as contas na apuração do IOF devido pela Fiscalizada. Contudo, registrase, os lançamentos de transferências entre as contas não integraram as bases de cálculo do referido tributo. (...) 16) Assim, tendo em vista os contratos de empréstimos e aditivos apresentados (DOC. 28), nos quais consta registrado que a Fiscalizada se compromete a emprestar recursos, podendo ser em parcelas, mas sem definição do valor e vencimento de cada parcela, a Fiscalização adotou como base de cálculo do IOF, em relação aos valores contabilizados nas contas 13602111 / 13602112 / 13633106 / 13633115 / 15533115, o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, bem como, o somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores. Cientificado do lançamento em 20/06/2014, no dia 22/07/2014 o sujeito passivo apresentou impugnação (fls. 907/929) na qual reconhece ser devedor de parte do valor lançado, informa o respectivo pagamento e contesta o restante do lançamento. Inicia sua contestação alegando que o IOF somente poderia incidir em transações envolvendo instituições financeiras. (...) Sustenta, a seguir, que as operações que foram objeto do lançamento não se refeririam a mútuos nem teriam natureza financeira. Tais operações corresponderiam a lançamentos em contas de gestão centralizada de caixa. Afirma: (...) “Isto porque tais operações correspondem a lançamentos em contas de gestão centralizada de caixa. E, conforme já esclarecido durante a fiscalização, a gestão centralizada de caixa tinha origem quando a empresa autuada vendia produtos para a Unilever Brasil LTDA. (distribuidora dos produtos da fiscalizada). A empresa distribuidora, Fl. 4537DF CARF MF Processo nº 10480.725910/201419 Resolução nº 3402001.255 S3C4T2 Fl. 336 4 por sua vez, mantinha consigo os valores relativos ao pagamento dos produtos adquiridos e administrava o caixa de forma centralizada. Vale destacar que a comprovação da gestão centralizada, além de toda a movimentação nas contas das empresas, se dá pelo contrato de gestão de pagamentos e recebimentos apresentado à fiscalização (doc. 7) que, entre outras disposições, permite à Unilever Brasil LTDA. efetuar pagamentos de débitos pertencentes à Impugnante. (...) Para comprovar o ora alegado, a Impugnante apresenta, por amostragem, os documentos que compõem o lançamento diário das operações entre a Impugnante e a empresa Unilever Brasil LTDA, a saber: notas fiscais de venda de mercadorias da Impugnante para a empresa citada (Unilever Brasil Ltda.), com a correspondência entre os valores dos lançamentos e valores das referidas Notas Fiscais, para as seguintes datas: 01/03/10 (doc. 08) 11/02/10 (doc. 09) 19/05/10 (doc. 10) 11/06/10 (doc. 11) 13/12/10 (doc. 12) (...) A seguir, sustenta a necessidade de que os autos sejam baixados em diligência, e apresenta quesitos. (...) Prossegue alegando a inconstitucionalidade “das multas instituídas pela Lei”, que a seu ver teriam “evidente caráter confiscatório”. Discorre exaustivamente sobre o tema, citando doutrina e jurisprudência que entende respaldarem seu ponto de vista. Em outra linha de argumentação, sustenta que a multa seria indevida por que não teria ocorrido infração à legislação tributária. (...) Reafirmando, sem apresentar novos argumentos, a inexistência de base legal para o lançamento, sustenta a “necessidade de exclusão dos valores lançados a título de multa e juros”. (...) Depois, sob alegação de que teria agido de boafé, reitera a necessidade de “exclusão da multa punitiva”. A seguir, sustenta a “inocorrência de sonegação ou lesão ao erário”. Sobreveio então o Acórdão 1454.882, da 16ª Turma da DRJ/RPO, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: Fl. 4538DF CARF MF Processo nº 10480.725910/201419 Resolução nº 3402001.255 S3C4T2 Fl. 337 5 IOF. MÚTUO FINANCEIRO. INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do IOF as operações de crédito correspondentes a mútuo financeiro entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física, independentemente da denominação que a contribuinte dê a tais operações. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de alegações de inconstitucionalidade de diploma legal regularmente inserido no ordenamento jurídico não se encontra na esfera de competência das instância de julgamento administrativo. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, por meio de peça recursal de fls 2007/2030, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. O caso veio para julgamento deste Conselho em 28 de abril de 2016, gerando o pedido de diligência por meio da Resolução n. 3402000.787, para que fosse realizada prova pericial (relativo aos anos de 2010 e 2011, sobre os lançamentos nas Contas do Razão 13633106 e 13602112) para a individualização de eventuais operações efetivamente sujeitas à incidência IOF (mútuo de recursos financeiros), segregandoas dos montantes que configuram simplesmente operações comerciais entre as empresas do grupo, além de responder os demais quesitos formulados pela Recorrente. Ato contínuo veio aos autos a resposta da Fiscalização de (Relatório Fiscal de fls 2185 a 2199), cuja conclusão é a seguinte: "Diante de todo o exposto acima, deixase de proceder a prova pericial requerida pelo CARF e de apresentar o respectivo laudo, bem como de responder os quesitos formulados, relativos aos anos de 2010 e 2011, sobre os lançamentos nas Contas do Razão 13633106 e 13602112, uma vez que o contribuinte (Recorrente/Autuada) não apresentou, para conhecimento da Autoridade fiscal, a integralidade dos documentos que lastrearam os lançamentos contábeis." Ocorreu então a ciência eletrônica do contribuinte em 17/04/2017 (fls. 2.203/2.204), porém sem nenhuma manifestação subsequente de sua parte, de modo que os autos foram devolvidos à 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF para prosseguimento do julgamento. Ato contínuo, a Recorrente trouxe aos autos farta documentação (fls 2258 4534) a respeito das operações analisadas no presente caso. Resolução Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Conforme se depreende do relato acima, o presente processo foi objeto da Resolução n. 3402000.787, por meio da qual se buscava elementos suficientes para alcançar o devido entendimento a respeito dos fatos sob contraditório. Fl. 4539DF CARF MF Processo nº 10480.725910/201419 Resolução nº 3402001.255 S3C4T2 Fl. 338 6 Permaneceuse sem todos esses elementos durante a perícia, uma vez que a Recorrente não apresentou documentação suficiente para permitir que esta fosse realizada. Efetivamente, como relatado acima, a d. autoridade fiscal de origem não conseguiu efetuar tal trabalho. Destaco abaixo os principais pontos do Relatório de Diligência (fls 2185 a 2199), que cuidadosamente tratou do caso: Do Parecer da Fiscalização 13) De posse dos novos elementos trazidos pelo contribuinte no curso desta Diligência, dos elementos já apresentados na impugnação do lançamento, e ainda, após reanálise dos documentos que deram suporte à constituição do crédito tributário, temos a informar: CONTA: 13633106 C/C PARTES RELACIONADAS SORV X UBR (...) 15) Analisando os documentos acostados aos autos, em decorrência da solicitação contida nesta Diligência, constatase que o contribuinte (Recorrente/Autuada) não atendeu ao que foi solicitado pelo CARF e contido no Termo de Intimação Fiscal emitido pela Fiscalização. 16) Os documentos apresentados, referentes aos lançamentos na Conta 13633106 C/C PARTES RELACIONADAS SORV X UBR, acostado aos autos em forma de Arquivo nãopaginável (fls. 2161), contemplam apenas parte da documentação necessária à prova pericial e para elaboração do laudo requerido pelo CARF. 17) O contribuinte apresentou os documentos por amostragens, e não em sua totalidade, conforme se constata nos esclarecimentos encaminhados à Fiscalização, abaixo parcialmente reproduzidos. (...) Confirmase, portanto, que o contribuinte faz uso da sistemática de amostragem, para selecionar os lançamentos sobre os quais deseja apresentar os documentos de comprovação das operações. 21) Não bastasse a falta de apresentação integral dos documentos que lastrearam os lançamentos contábeis na conta 13633106 C/C PARTES RELACIONADAS SORV X UBR, contrariando a determinação da Ilustre Conselheira do CARF, e ao seu próprio pedido na impugnação, o contribuinte (Recorrente/Autuada) se limitou a apresentar amostragens do anocalendário de 2010. Em relação aos lançamentos contábeis d o anocalendário de 2011, nenhum documento sequer foi apresentado. (...) Assim, frisese, esta Fiscalização entende que não cabe ao contribuinte (Recorrente), como parte interessada no resultado da perícia, escolher, a seu critério, quais serão os lançamentos cujos documentos serão submetidos aos crivos da autoridade pericial. Esta escolha, se fosse possível no presente caso, seria do perito, na pessoa da autoridade tributária responsável pela diligência. (...) Fl. 4540DF CARF MF Processo nº 10480.725910/201419 Resolução nº 3402001.255 S3C4T2 Fl. 339 7 29) Observe a Ilustre Conselheira Relatora que a Fiscalização se preocupou em esclarecer estas operações. O contribuinte (Recorrente/Autuada) foi intimado a informar origem, a natureza jurídica e o significado dos lançamentos contábeis cujos históricos continham a expressão “(...omisso...) Registro SOF No. (...omisso...) Trf.Mult.Bco”, contudo, estranhamente, o contribuinte informou como resposta: “Não foi possível apurar as informações solicitas.”. 30) Como se pode ver acima, tratamse de lançamentos contábeis cujos históricos não esclarecem absolutamente nada a respeito das operações. Portanto, tornase inviável a esta Fiscalização emitir juízo de valor acerca das mesmas, sem o devido conhecimento das suas origens e dos seus contornos jurídicos. 31) Além de não comprovar as operações já mencionadas acima, na conta 13633106 C/C PARTES RELACIONADAS SORV X UBR existem inúmeras outras operações sobre as quais o contribuinte (Recorrente/Autuada) não apresentou documentos com vistas a elucidar os seus contornos jurídicos. Ocorre que, depois que o processo já havia sido reencaminhado para este Conselho, e inclusive colocado em pauta para julgamento, a Recorrente trouxe aos autos farta documentação (fls 2258 4534) a respeito das operações analisadas no presente caso, com o intuito justamente de suprir a anterior falta de elementos probatórios. Isto, somado à questão de que a Fiscalização efetivamente não considerou os documentos apresentados pela Recorrente, apegandose ao fato de que não foi apresentada a "integralidade da documentação", faz com que se torne necessária a complementação do trabalho pericial anteriormente efetuado, para dar assim dar efetividade ao princípio da verdade material, que sabidamente rege o processo administrativo fiscal. Dessarte, aproveitando a oportunidade de dar maior efetividade ao contraditório, bem como lapidar a prova técnica que vem sendo efetivada no presente processo tendo sempre em vista o dever de cooperação de todas os sujeitos que participam do processo (artigo 6º do Novo Código de Processo Civil), na busca de uma solução de mérito justa e efetiva , cumpre que haja uma complementação do laudo do Perito da União de acordo com os elementos trazidos pela Recorrente (fls 2258 4534). Assim, voto por converter novamente o processo e diligência, nos termos do artigo 18 caput do PAF, para a conclusão do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, deve o i. agente fiscal responsável pela elaboração do laudo de fls 2185 a 2199, complementálo, no seguinte sentido: i) analisar a habilidade e idoneidade dos documentos de fls 2258 4534, conjuntamente com aquela anteriormente apresentada pela Recorrente, para comprovar que as transações em questão não configuram mútuo, e sim operações comerciais entre empresas ligadas; ii) para tal análise, levar em consideração que é possível que a Recorrente comprove que somente parte das operações efetivamente não configuram operações de mútuo, não sendo necessário que a perícia se atenha à totalidade das operações, podendo trazer assim resultados parciais, a serem analisados e considerados por este Conselho no julgamento do recurso voluntário; Fl. 4541DF CARF MF Processo nº 10480.725910/201419 Resolução nº 3402001.255 S3C4T2 Fl. 340 8 iii) após a diligência, seja aberta vista do processo à Recorrente e à Procuradoria da Fazenda Nacional, tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015).1 Após tais providências, retornem os autos para prosseguimento do julgamento pelo Colegiado. É como voto. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Fl. 4542DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.003014/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÕES.
É devida a contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais (remuneração de autônomos não declarados em GFIP).
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
A Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, estabelece os procedimentos sobre a aplicação retroativa das multa de que tratam os do disposto nos arts. 35 e 35-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.
Numero da decisão: 2401-005.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÕES. É devida a contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais (remuneração de autônomos não declarados em GFIP). DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática do recurso repetitivo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. A Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, estabelece os procedimentos sobre a aplicação retroativa das multa de que tratam os do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 30 14 /2 00 8- 54 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13888.003014/200854 Acórdão n.º 2401005.357 S2C4T1 Fl. 0 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13888.003014/200854 Acórdão n.º 2401005.357 S2C4T1 Fl. 0 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 1425.503 (fls. 58/63) da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2007 DECADÊNCIA. PRAZO. PREVISÃO EM LEI ORDINÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. O artigo 45 da Lei n° 8.212/91 é inconstitucional, consoante súmula vinculante n° 8 do STF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. PRAZO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, existindo antecipação do pagamento, ainda que parcial, a decadência operase com o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, mediante aplicação do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. RELEVAÇÃO DA MULTA APLICADA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O beneficio da relevação da penalidade, previsto no artigo 291, §1.° do Decreto n. 3.048/99. somente alcança a penalidade aplicada por descumprimento de obrigação acessória. Lançamento Procedente em Parte Às fls. 2 e seguintes, consta Auto de Infração (DEBCAD n° 37.135.0476) lavrado para constituição do crédito tributário no valor de R$ 32.673,81 (trinta e dois mil e seiscentos e setenta e três reais e oitenta e um centavos), referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente a parte devida pela empresa. Os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas ou creditadas pela empresa autuada aos segurados contribuintes individuais (autônomos) que lhe prestaram serviços nas competências 01/2003, 03 e 04/2003, 06/2003, 08 a 12/2003, 01 a 04/2004, 07/2004, 03 a 12/2005, 01 a 10/2006, 01 a 06/2007. Do relatório da decisão de piso, extraise, em resumo, os principais argumentos de sua peça impugnatória: O relatório informa que o fato gerador ocorreu com a prestação de serviços e o pagamento/crédito aos segurados, mas não indica os nomes dos servidores, o valor pago e a competência do pagamento, em desacordo com o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13888.003014/200854 Acórdão n.º 2401005.357 S2C4T1 Fl. 0 4 O fiscal lavrou 19 autos de infração, indicando infrações regulamentares, das quais não decorre falta ou insuficiência de tributo, podendo a penalidade ser relevada, conforme dispõe todas as legislações fiscais do país. A fiscalização não considerou que a empresa já foi fiscalizada no período de 12/2004 a 03/2005, lançando valores para o mesmo período, nem observou a decadência do exercício de 2003, conforme art. 174 do Código Tributário Nacional. A obrigação da empresa incluir em folhas de pagamento os valores pagos à profissionais pelos serviços prestados é absurda. Profissionais que prestam serviços fornecem o R.P.A. ou a nota fiscal, não havendo necessidade de elaborar folhas de pagamento. O fiscal informa que formalizará representação para fins de ação penal. No entanto, só há crime contra a Ordem Tributária quando o crédito tributário estiver definitivamente constituído, conforme artigo 60 da Lei n. 9.430/91. Requer a procedência da impugnaçao. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/08/2010 (fls. 78), apresentou Recurso Voluntário em 18/08/2010 (fls. 55). Do qual transcrevo o seu inteiro teor: Weiser Veículos S/A. já qualificada no processo acima, vem com o devido respeito, por seu procurador abaixo, apresentar recurso voluntário, contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pelos seguintes motivos de fato e de direito: 1. Na realidade, foram lavrados 19 (dezenove) autos de infração, tendo por base os mesmos fatos geradores. Alguns, com infração regulamentar simplesmente, e apenas dois com cobrança de contribuição social ao INSS. Os valores foram extraídos de lançamentos que não estavam os pagamentos, sujeitos a essa contribuição social. 2. Salienta ainda, que a empresa foi fiscalizada em 2003 e 2004 e outros lançamentos nesse período, ou somente em relação a 2003, estão abrangidos pela decadência, a teor do artigo 174 de C.T.N. porque os autos são de 2008. 3. A frondosa legislação transcrita nos autos dificulta sobremaneira a impugnação, como reconhecido pela autoridade julgadora. 4. Reitera, que não houve falta de pagamento de qualquer contribuição, pois os arquivos, documentos e livros estiveram à disposição do fiscal autuante, muitos documentos nem foram verificados, tal o volume apresentado. 5. Quanto à multa aplicada e a retroatividade benigna reconhecida no julgamento, deve ser retificado o auto de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13888.003014/200854 Acórdão n.º 2401005.357 S2C4T1 Fl. 0 5 infração e não como foi decidido, prolongando “essa providência para a ocasião do pagamento. Reitera todos os temas da Impugnação, comprovada por documentos. Enfim, são autos destituídos de fundamento, aleatórios e por essa razão requer a sua insubstituência, como medida de inteira Justiça. É o relatório Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13888.003014/200854 Acórdão n.º 2401005.357 S2C4T1 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Preliminar de decadência Alega a recorrente que já fora fiscalizada em 2003 e 2004 e outros lançamento nesse período, ou somente em relação a 2003, estariam abrangidos pela decadência. Pois bem. Quanto ao prazo de constituição do crédito tributário (prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça – STJ consagrou o entendimento de que a regra do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do inciso I do art. 173, nos demais casos. Veja a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13888.003014/200854 Acórdão n.º 2401005.357 S2C4T1 Fl. 0 7 Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Sobre o caráter vinculante da decisão do STJ, a Portaria Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, Regimento Interno do CARF (RICARF), traz as seguintes disposições: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13888.003014/200854 Acórdão n.º 2401005.357 S2C4T1 Fl. 0 8 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Veja, nesse processo estão abrangidas as competências (fatos geradores) de 01/2003, 03 e 04/2003, 06/2003, 08 a 12/2003, 01 a 04/2004, 07/2004, 03 a 12/2005, 01 a 10/2006, 01 a 06/2007, de acordo com o Discriminativo Analítico de Débito (fls. 5/9). Como o sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 31/07/2008, temse, portanto, a seguinte análise: a) em relação às competências 01/2003, 03 e 04/2003 e 06/2003, crédito tributário exonerado em função da decisão do r. acórdão recorrido, nestes termos: No caso em tela, conforme pesquisa realizada junto ao sistema informatizado da Receita Federal, o sujeito passivo efetuou recolhimentos parciais para as competências 01/2003 a 12/2003, acarretando assim a aplicação do prazo decadencial previsto no §4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional para estas competências. O presente crédito previdenciário, relativo a fatos geradores ocorridos no período de 01/2003 a 06/2007, foi constituído, pela formalização do lançamento tributário, devidamente notificado ao sujeito passivo, apenas em 31/07/2008, quando, portanto, já decadente o direito de constituílo em relação ao período de 01/2003 a 06/2003 (grifouse)". b) em relação às competências 08 a 12/2003, 01 a 04/2004, 07/2004, 03 a 12/2005, 01 a 10/2006, 01 a 06/2007, independente de aplicação da regra do § 4º do art. 150 ou inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em decadência do período fiscalizado. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13888.003014/200854 Acórdão n.º 2401005.357 S2C4T1 Fl. 0 9 Esclarece ainda que o art. 174 do CTN dispõe sobre o prazo de prescrição do crédito tributário, ou seja, tratase do prazo de cobrança que se inicia somente após a constituição definitiva do crédito tributário, após a fase litigiosa. Aduz ainda a recorrente ter sido fiscalizada em 2003 e 2004. Esse informação, por si só, não implica em decadência. Nesse sentido, foi a conclusão da decisão de piso: " ... o simples fato da empresa autuada ter sido supostamente fiscalizada em 12/2004 a 03/2005 não implica em decadência do direito do Fisco constituir o crédito previdenciário de qualquer período objeto deste lançamento, nem tão pouco é relevante para o resultado deste julgamento. Apenas o seria se, havendo fiscalização anterior sobre o mesmo período, dela decorresse o lançamento das mesmas contribuições que ora são exigidas, fatos estes que dependem de provas, não produzidas nos autos. Diante do exposto, rejeito a preliminar de decadência do lançamento. Sem razão a recorrente. Mérito Ao contrário do que afirma a recorrente, o auto de infração foi lavrado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para sua feitura, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, dele constando a descrição precisa dos fatos, detalhados no Discriminativo Analítico de Débito, Discriminativo Sintético de Débito, Relatório de Lançamento, Relatório Legais do Débito e Termo de Encerramento da Fiscalização (fls. 2/36). Além disso, o sujeito passivo demonstra com clareza o teor da infração que lhe foi imputada, pelo que logrou apresentar suas razões de defesa dentro do prazo legal e com especial profundidade, a demonstrar o perfeito entendimento às matérias que compunham o lançamento. Portanto, deve ser rejeitada a alegação de que houve ofensa ao art. 142 do CTN. Também, deve ser rechaçado o argumento que os autos estão destituídos de fundamento, aleatórios. Como se observa, nos termos descrito no Relatório Fiscal do AI (fls. 35/36), as bases de calculo foram obtidas mediante arquivos em meio digital entregues pela autuada, contendo todos os registros de Folha de Pagamento do período de 01/2003 a 06/2007 no formato do MANAD Manual Normativo de Arquivos Digitais. Relata a auditoria fiscal que as informações foram validadas por meio de testes, por amostragem, realizados a partir do sistema contábil (módulo 007 Contabilidade Livro Diário), de onde foram extraídos os valores brutos pagos aos segurados citados da conta 5.120.101.001 Serviços Profissionais Pessoa Física, os quais se encontram vinculados ao Código de Levantamento AFG Autônomos fora da GFIP. No Relatório de Lançamento, está discriminado, por competência, os nomes dos segurados e as importâncias pagas. Os valores apurados por meio de registros contábeis, pagamentos aos segurados contribuintes individuais (autônomos), configuram fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas pela empresa a Seguridade Social, nos termos das disposições legais citadas as fls. 26/27. Quanto a Representação Fiscal para Fins Penais, impende esclarecer o seguinte: " Súmula nº 28: o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais ". Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13888.003014/200854 Acórdão n.º 2401005.357 S2C4T1 Fl. 0 10 Como bem pontuado na decisão de piso, a alegação de que foram lavrados autos repetitivos não procede, considerando que cada um deles tem por objeto o lançamento de contribuições ou a aplicação de penalidade distintas, ou seja, não foi lavrado nenhum Auto de Infração em repetição a outro. Em relação à aplicação da multa mais benéfica, retroatividade das alterações da Lei nº 11.941/09 que foi reconhecida no r. acórdão recorrido, necessário esclarecer que o órgão responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deve efetuar o cálculo da multa, nos termos em que está disposto no art. 476 da Instrução Normativa nº 971/09, conforme: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) [...] Também, são essas as disposições da Portaria Conjunta PGFN /RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, estabelece os procedimentos sobre a aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, nos seguintes termos: Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). [...] § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13888.003014/200854 Acórdão n.º 2401005.357 S2C4T1 Fl. 0 11 cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Salientase ainda a necessidade de observância pela unidade local, por ter sido reconhecida a decadência das competências 01 a 06/2003, da conclusão do r. acórdão recorrido, nos seguintes termos: " ...voto pela procedência em parte do lançamento, para o cancelamento do crédito previdenciário relativo às competências abrangidas no período de 01/2003 a 06/2003, retificando o valor originário lançado para R$ 16.988,61 (dezesseis mil novecentos e oitenta e oito reais e sessenta e um centavos), conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado anexo, sem prejuízo dos acréscimos legais devidos". Conclusão Pelo exposto acima, voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a preliminar de decadência, e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923131/2012-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 20/06/2008
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.842
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 20/06/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 20/06/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 31 /2 01 2- 02 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10880.923131/201202 Acórdão n.º 3302004.842 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.306. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10880.923131/201202 Acórdão n.º 3302004.842 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.923131/201202 Acórdão n.º 3302004.842 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.923131/201202 Acórdão n.º 3302004.842 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.923131/201202 Acórdão n.º 3302004.842 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 187DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.923115/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 25/02/2009
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.828
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 25/02/2009 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 15 /2 01 2- 10 Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.923115/201210 Acórdão n.º 3302004.828 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.368. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.923115/201210 Acórdão n.º 3302004.828 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.923115/201210 Acórdão n.º 3302004.828 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.923115/201210 Acórdão n.º 3302004.828 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.923115/201210 Acórdão n.º 3302004.828 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 153DF CARF MF
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