Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10880.660379/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.780
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.660379/2012-49
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878765
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.780
nome_arquivo_s : Decisao_10880660379201249.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10880660379201249_5878765.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7360176
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588389834752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660379/201249 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.780 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 79 /2 01 2- 49 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660379/201249 Acórdão n.º 3401004.780 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660379/201249 Acórdão n.º 3401004.780 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660379/201249 Acórdão n.º 3401004.780 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660379/201249 Acórdão n.º 3401004.780 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660379/201249 Acórdão n.º 3401004.780 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660379/201249 Acórdão n.º 3401004.780 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000776/2006-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
INCLUSÃO RETROATIVA. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA.
O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples.
São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf-Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada.
A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeita-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1003-000.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 INCLUSÃO RETROATIVA. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf-Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeita-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13827.000776/2006-51
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5889311
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.081
nome_arquivo_s : Decisao_13827000776200651.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 13827000776200651_5889311.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7384809
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588432826368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1647; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 55 1 54 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13827.000776/200651 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.081 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 05 de julho de 2018 Matéria SIMPLES Recorrente SILVANIA MARINA DE GODOI REPRESENTAÇÕES ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 INCLUSÃO RETROATIVA. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 07 76 /2 00 6- 51 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13827.000776/200651 Acórdão n.º 1003000.081 S1C0T3 Fl. 56 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Inclusão Retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples em 26.12.2006, fl. 01, a partir do início das atividades, ou seja, de 01.01.2006, ao argumento de que: [...] vem por meio desta solicitar que se digne providenciar ' a inclusão de sua empresa no simples federal com data de 01/01/2006. Esse requerimento se dá por orientação no balcão da devida agência, onde foi constatado que o pedido com código de acesso n° 22.71.00.76.79 não foi atendido em virtude de troca de versão do sistema. Sendo assim, anexa para tanto cópia do requerimento de empresário, cnpj, e documento básico de entrada no cnpj datado de 30/01/2006. Em conformidade com o Despacho Decisório da DRF/Bauru/SP nº 1.633, de 03.12.2007, fls. 1213: Entretanto, verificamos que a declaração entregue no ano calendário de 2006 foi no modelo de tributação através do lucro presumido (fls. 11). Sendo assim; não existe comprovação da intenção de aderir ao Simples Federal. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1421.924, de 12.01.2009, fls. 2427: INCLUSÃO RETROATIVA. Verificado que a empresa entregou sua declaração pelo lucro presumido indeferese o pedido de inclusão retroativa. Solicitação Indeferida Notificada em 16.03.2009, fls. 30, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 03.04.2009, fls. 3132, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. No que diz respeito aos fundamentos do indeferimento da inclusão retroativa no Simples afirma que: 1º O voto (indeferimento) da 1ª Turma de Julgamento afirma que a empresa deveria ter entregue a declaração de imposto de renda da pessoa jurídica através do modelo inerente aos optantes pelo Simples. Declaro que a empresa só não o fez porque o sistema assim não consistiu, conforme prova cópia anexa da tela de transmissão onde demonstra claramente mensagem emitida pela SRF que não seria possível essa transmissão nesse, modelo. Ainda, no mesmo despacho o julgador afirma que outros contribuintes conseguiram tal intento após o Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13827.000776/200651 Acórdão n.º 1003000.081 S1C0T3 Fl. 57 3 reconhecimento pela insistência. Gostaria de afirmar meu descontentamento quanto a tal pronunciamento, pois entendo que essa justificativa não é legal e nem tampouco cabível, ou seja, a insistência não consta de nenhum procedimento legal emitido pela SRF no tocante ao assunto. 2º Parágrafo seguinte a essa alegação, o julgador afirma que faz prova a favor do Simples para inclusão retroativa os recolhimentos em DARFS simples e entrega de declarações em modelo simplificado a teor do ADI SRF n° 16/2002. Novamente declaro meu descontentamento com tal decisão, pois acredito que não houve a preocupação do julgador em verificar em qual código e modelo de DARF houve o recolhimento dos impostos da empresa no período. Outrossim, para que tal fato não ocorra novamente anexo cópia dos recolhimentos em código que prova a opção pelo Simples. 3º Em último despacho o julgador afirma que a opção da empresa foi pelo regime do lucro presumido. Contesto o referido pronunciamento, pois é bem sabido que a opção pelo lucro presumido ou lucro real se dá com o recolhimento e código especifico através de Darf, como isso não ocorreu, não é a DIPJ o documento de opção maior. A empresa ainda dentro do anocalendário manifestou sua opção através do Documento Básico de Entrada no CNPJ data 30/06/2008 conforme cópia em anexo, assumindo a condição de optante pelo Simples através do Evento 301 com data de 01/01/06. Concernente ao pedido expõe que: Sendo assim, tenho que afirmar que o fato da empresa ter entregue a DIPJ não implica e nem a desabona pela opção do Simples, pois é entendido que a mesma gerou mais provas a favor que contra. Então, solicito Prezados acolham tais argumentos como procedentes e julguem favoravelmente a presença no regime do simples no anocalendário 2006. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente afirma que fez a opção nos termos legais. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13827.000776/200651 Acórdão n.º 1003000.081 S1C0T3 Fl. 58 4 A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas.1. Em preliminar, no que se refere à identificação da intenção inequívoca de a Recorrente aderir ao Simples, vale mencionar o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 02 de outubro de 2002, que disciplinou a matéria no seguinte sentido: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Consta no Item 141 das Perguntas e Respostas da RFB de 20052: Pode o Delegado ou Inspetor da Receita Federal retificar de ofício a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no CGC/CNPJ? O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples (ADI SRF n º 16, de 2002). NOTA: Cabe, entretanto, a inclusão retroativa de ofício, para fatos ocorridos até o exercício de 2003 (anocalendário 2002), no caso de o contribuinte comprovar sua intenção de promover a alteração cadastral exigida pela Lei n º 9.317, de 1996. Essa comprovação pode ser feita, nos casos de não apresentação do TO e da não formalização da opção de adesão ao Simples mediante a FCPJ, pela comprovação de entrega das Declarações Anuais Simplificadas ou a apresentação dos comprovantes de pagamento (DarfSimples). Ressaltese que o pagamento efetuado por outro regime de tributação não 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 2 BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria da Receita Federal. Perguntas e Respostas 2005. Disponível em: < http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/dipjdeclaracaode informacoeseconomicofiscaisdapj/anosanteriores2009a1999>. Acesso em 15 jun. 2018. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13827.000776/200651 Acórdão n.º 1003000.081 S1C0T3 Fl. 59 5 caracteriza a intenção de opção pelo Simples ainda que o contribuinte tenha entregue a Declaração Anual Simplificada. Restando positivado que comprovada a ocorrência de erro de fato, a pessoa jurídica pode ser incluída de ofício no Simples quando for possível identificar sua intenção inequívoca de adesão devendo de maneira imprescindível serem evidenciadas as seguintes condições cumulativas de forma objetiva e com provas diretas: (a) efetivação dos pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples); e (b) apresentação da Declaração Anual Simplificada (DAS) Simples. A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 16 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1997). O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no voto condutor do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 14 21.924, de 12.01.2009, fls. 2427: Portanto, o sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil aceita os recolhimentos em DARF's simples (código 6106) e a entrega das declarações no modelo simplificado (DPSI). Por outro lado, como se vê do documento de fl.11, nos anoscalendário de 2004 a 2006 a empresa entregou suas declarações pelo regime de lucro presumido. [...] Tendo em vista que a opção para o lucro presumido é definitiva, consoante a legislação [...] entendo que não há reparos a fazer no Despacho Decisório de fls. 12/13, o qual, com a devida venia, adoto como minhas razões decidir. Analisando as provas produzidas nos autos, verificase que a Recorrente: (a) recolheu por DarfSimples no anocalendário de 2006, fls. 4348; (b) apresentou 28.04.2004 a Declaração Anual Simplificada (DAS) Inativa referente ao anocalendário de 2003, fl. 11; (c) apresentou 22.06.2005 a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) pelo Lucro Presumido referente ao anocalendário de 2004, fl. 11; Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13827.000776/200651 Acórdão n.º 1003000.081 S1C0T3 Fl. 60 6 (d) apresentou 3006.2006 a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) pelo Lucro Presumido referente ao anocalendário de 2005, fl. 11; e (e) apresentou 20.06.2007 a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) pelo Lucro Presumido referente ao anocalendário de 2006, fl. 11. Analisando os dados constantes nos registros da Secretaria da Receitas Federal, verificase que para os anoscalendário de 2004 a 2006 a Recorrente apresentou a Declarações de Informações EconômicoFiscais (DSPJ) pelo regime de tributação com base no lucro presumido, fl. 11. Houve efetivação de pagamentos mensais por intermédio do Darf Simples no anocalendário de 2006, fls. 4348. Logo, não é possível identificar a sua intenção inequívoca de aderir ao Simples pela falta de demonstração inequívoca do erro de fato no preenchimento do Termo de Opção (TO) e da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ) no ano calendário de 2006, caso em que, no período, a Recorrente sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas inclusive no que se refere às obrigações tributárias principais e acessórias. A Recorrente defende que não fez opção pelo Simples por vedação do sistema interno da RFB. Em relação a matéria, o Anexo I do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017, determina: Art. 270. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRF), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro (DemacRJ), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas (Derpf) e às Alfândegas da Receita Federal do Brasil (ALF) compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, gerir e executar as atividades de cadastros, de arrecadação, de controle, recuperação e garantia do crédito tributário, de direitos creditórios, de benefícios fiscais, de atendimento e orientação ao cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas e de planejamento, avaliação, organização e modernização. A recusa do sistema interno da RFB de transmitir a declaração, teve como justificativa o fato de que a Recorrente não constava como optante do Simples no período e por essa razão havia incompatibilidade no procedimento. Houve a orientação para efetuar correção na declaração ou comparecimento em uma Unidade da RFB, fl. 38. Por conseguinte, este argumento não pode suprir as falta do preenchimento da condição de apresentação da Declaração Anual Simplificada (DAS) Simples por falta de previsão legal. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13827.000776/200651 Acórdão n.º 1003000.081 S1C0T3 Fl. 61 7 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000894/2010-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00.
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS NÃO COMPROVADA
Mantida a tributação dos valores lançados como omissão de rendimentos, tendo em vista que o contribuinte não logrou comprovar mediante documentos hábeis e idôneos que os rendimentos efetivamente por ele recebidos seriam oriundos de lucros distribuídos pela empresa da qual é sócio.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula CARF nº 26
Numero da decisão: 2202-004.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006 IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS NÃO COMPROVADA Mantida a tributação dos valores lançados como omissão de rendimentos, tendo em vista que o contribuinte não logrou comprovar mediante documentos hábeis e idôneos que os rendimentos efetivamente por ele recebidos seriam oriundos de lucros distribuídos pela empresa da qual é sócio. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula CARF nº 26
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10315.000894/2010-28
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5895343
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.618
nome_arquivo_s : Decisao_10315000894201028.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 10315000894201028_5895343.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7406560
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588437020672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1981; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1.363 1 1.362 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10315.000894/201028 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.618 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente SEVERINA ROGÉRIA DE LIMA LEITE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS NÃO COMPROVADA Mantida a tributação dos valores lançados como omissão de rendimentos, tendo em vista que o contribuinte não logrou comprovar mediante documentos hábeis e idôneos que os rendimentos efetivamente por ele recebidos seriam oriundos de lucros distribuídos pela empresa da qual é sócio. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula CARF nº 26 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 08 94 /2 01 0- 28 Fl. 1363DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson Relatório Por bem descrever os fatos adoto, resumidamente, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza (CE) (fls. 1276/1278): O presente processo trata de autuação contra a contribuinte acima qualificada, conforme autos de infração de fls. 380/387 no valor de R$ 1.817.057,83 e de fls. 389/395 no valor de 468.759,75 para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios de 2007 e 2006, anoscalendário 2006 e 2005, tudo conforme consta no demonstrativo consolidado do crédito tributário do processo de fl. 02, no valor consolidado de R$ 2.285.817,58, já acrescido dos juros de mora e multa de ofício, calculados de acordo com a legislação de regência, conforme abaixo demonstrado (...) O lançamento de ofício decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela contribuinte, tendo sido constatado omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme consta na descrição dos fatos e enquadramento de fls. 381/383 e 390/392, abaixo transcritos: 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10315.000894/201028 Acórdão n.º 2202004.618 S2C2T2 Fl. 1.364 3 CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta corrente, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme abaixo relatado pela fiscalização No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no curso da ação fiscal no contribuinte acima identificado, CONSTATAMOS a existência de diversos lançamentos a crédito da conta bancária titulada pelo sujeito passivo acima identificado (conta nº 5.6774 — Agência 14826, Banco do Brasil S/A). A tabela de fls. 388 contém a consolidação mensal dos valores creditados na aludida conta bancária. Conforme disposto no § 6° do art. 42 da Lei n° 9.430/96, foi imputado ainda ao sujeito passivo Severina Rogéria de Lima Leite, como cotitular da conta bancária 4685 – Banco do Brasil, a título de omissão de rendimentos, os valores listados às fls. 398. O sujeito passivo, regularmente intimado, não apresentou qualquer justificativa que pudesse comprovar a origem dos recursos creditados, de modo que restou comprovada a presunção legal de Omissão de Rendimentos estatuída no art. 42 da Lei 9.430/96. “(...)” CONCLUSÃO No curso da ação fiscal ficou constatado que a Sra. Severina Rogéria de Lima Leite, CPF: 403.458.82334, manteve, no Banco do Brasil, conta bancária n° 4685 conjunta com seu esposo o Sr. José Ribamar Gonçalves de Oliveira, CPF: 315.140.22320, tendo ambos optado por apresentar declarações de ajuste anual em separado. O MANUAL DE FISCALIZAÇÃO DO IRPF, em seu titulo 16 — OMISSÃO DE RENDIMENTOS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS, capitulo 1 — Depósitos Bancários, dispõe: "Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96, o valor dos rendimentos será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos pela quantidade de titulares (art. 58 da MP 66/02 que acrescentou o § 6° ao art. 42 da Lei n° 9430/96 e art. 1°, § 2° da IN SRF n°246/02)". Fl. 1365DF CARF MF 4 No período compreendido entre 01/01/2005 a 31/12/2006 foram lançados a crédito da conta bancária do contribuinte, sem a devida comprovação de sua origem, o valor de R$ 5.331.574,94 (cinco milhões, trezentos e trinta e um mil, quinhentos e setenta e quatro reais e noventa e quatro centavos), configurando, portanto, uma irregularidade fiscal passível de autuação. Conforme disposto no § 6° do art. 42 da Lei n° 9.430/96, foi imputado ao sujeito passivo Severina Rogéria de Lima Leite, cotitular da conta bancária 4685, a titulo de omissão de rendimentos, os valores listados às fls. 398. Considerando que ainda não foi atingido o termo final do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, foi lavrado, em 27/10/2010, auto de infração referente a omissão de rendimentos imputada a Sra Severina Rogéria de Lima Leite, caracterizada pelos lançamentos a crédito da conta bancária conjunta n°4685 — Banco do Brasil, no valor de R$ 1.817.057,83 (um milhão, oitocentos e dezessete mil, cinqüenta e sete reais e oitenta e três centavos) Em 28/10/2010 foi lavrado auto de infração complementar no valor de R$ 468.759,75 (quatrocentos e sessenta e oito mil, setecentos e cinqüenta e nove reais e setenta e cinco reais) referente a omissão de rendimentos caracterizada pelos lançamentos a crédito da conta bancária nº 5.6774 — Banco do Brasil, titulada individualmente pela Sra Severina Rogéria de Lima Leite. Ambos os autos de infração foram lavrados com multa de oficio agravada para 112,50% (cento e doze e meio porcento), haja vista que o sujeito passivo não atendeu nenhuma das intimações lavradas no curso da ação fiscal. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação em 28/11/2008, fls. 358/378, alegando em síntese que: a) o auto de infração é nulo, posto que foi cerceado o seu direito de defesa, considerando que se fazia necessário, um espaço de tempo maior para que pudesse procurar na sua contabilidade e informar com retidão o motivo dos depósitos da pessoa física na pessoa jurídica que estava sendo intimada. b) de acordo com o art. 150 do CTN Código Tributário Nacional para os fatos ocorridos durante o anobase de 2005, não tem que se falar em lançamento de oficio, pois os mesmos já foram fulminados pela decadência, considerando que já houve o lançamento por homologação e o mesmo foi homologado tacitamente pela Fazenda Nacional. c) que não sabe o motivo e estranha ter sido autuada em 23/02/2006 com o mesmo período de apuração, com o mesmo fato gerador Imposto de Renda Pessoa Física e contra os mesmos sujeitos passivos, titulares da contacorrente. Este procedimento encontrase no processo 10315.000135/200689 o qual está localizado na Procuradoria da Fazenda Nacional Seção de Juazeiro do Norte/CE. Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10315.000894/201028 Acórdão n.º 2202004.618 S2C2T2 Fl. 1.365 5 d)não houve a preocupação do Fiscal em descobrir qual o percentual de cada um dos envolvidos na suposta omissão de rendas, bem como, não houve o rito processual para cada um dos titulares da contacorrente em apreço, apenas procedera a divisão do suposto valor omitido, imputado a cada titular, mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. e) que muitos dos valores incluídos em sua conta bancária estão vinculados à distribuição de lucros recebidos da empresa CNPJ 63.557.342 000127, por conseguinte, são rendimentos isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda, nos termos do art 5º inciso XX da Instrução Normativa SRF n° 15 de 6 de fevereiro de 2001. f) seja o presente Auto de Infração revisado pela autoridade administrativa, visto que, é incabível sua lavratura, em razão da inocorrência do fato gerador do IR, na situação em comento, alem de ser ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos bancários (Sumula 182 do TFR). g) a multa de 75% aplicada ao pretenso crédito tributário, representa a utilização da tributação com efeito confiscatório. h) que a aplicação dos juros de mora com base na taxa Selic é inapropriada aos créditos tributários, visto que esta taxa está sendo aplicada como remuneração de capital e não como juros moratórios, alertando que atualmente inexiste previsão legal para a imposição de correção monetária. Em 25 de junho de 2013, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 1273/1275): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação de cerceamento do direito de defesa, na medida em que o processo em análise, caracterizouse pelo cumprimento de todas as fases e prazos processuais dispostos no Processo Administrativo Fiscal e o interessado, ciente dos depósitos bancários que lastrearam a presente ação fiscal, teve, tanto na fase de autuação, regida pelo princípio inquisitório, quanto na interposição da impugnação, que inaugurou a fase do contraditório, amplo direito ao exercício do contraditório e da ampla defesa, tendo oportunidade de carrear aos autos Fl. 1367DF CARF MF 6 elementos/comprovantes no sentido de tentar ilidir, parcial ou totalmente, a tributação em análise. Preliminar rejeitada. EXTRATO BANCÁRIO. LC Nº 105/2001. A Lei complementar 105, de 10/01/2001, definiu o âmbito de aplicação do conceito de sigilo com relação às informações bancárias, dispensando a administração tributária da autorização judicial para obtêlas, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA Dada sua natureza complexiva, o fato gerador do imposto de renda da pessoa física, que abarca, em regra, a universalidade das rendas auferidas ao longo do anocalendário, incluídos os rendimentos omitidos, caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano, sendo descabida a argüição de decadência mensal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em contabancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RENDIMENTOS ISENTOS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A alegação de que os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, da qual o contribuinte é sócio, são isentos do imposto de renda por serem relativos à antecipação de lucros somente pode ser aceita se restar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que os rendimentos pagos pela empresa se referem a lucros disponíveis regularmente distribuídos aos sócios. SÚMULA 182 DO TFR. FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE. A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não é parâmetro para decisões proferidas relativas a lançamentos fundamentados na Lei nº 9.430, de 1996. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INEXISTÊNCIA. O princípio do não confisco, constitucionalmente expresso, referese aos tributos e não às sanções, além de dirigirse ao legislador e não à Administração Tributária. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 10315.000894/201028 Acórdão n.º 2202004.618 S2C2T2 Fl. 1.366 7 É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. DOUTRINA. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o art. 96 do Código Tributário Nacional, desde que não se traduzam em súmula vinculante nos termos da Emenda Constitucional n° 45, DOU de 31/12/2004. Da mesma forma, não há vinculação do julgador administrativo à doutrina jurídica. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Cientificado em 15/07/2013 o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 1310/1338, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da Impugnação. Fl. 1369DF CARF MF 8 É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES 1.1) DA INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI COMPLEMENTAR 105/01 Alega o Recorrente que a quebra de seu sigilo bancário violaria do seu direito à privacidade resguardado no artigo 5º, incisos X e XII da constituição federal. Em primeiro lugar, tal alegação no pode ser conhecida, uma vez que, de acordo, conforme determina a súmula 2 deste conselho "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Ademais, o procedimento adotado no presente trabalho fiscal foi legalmente autorizado pela nº 105/2001. Nesse sentido, é importante destacar que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. A mencionada decisão recebeu a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 10315.000894/201028 Acórdão n.º 2202004.618 S2C2T2 Fl. 1.367 9 vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (grifos no original) Em face do exposto, improcedentes as alegações suscitadas. 1.2) IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO COM EXCLUSIVAMENTE EM EXTRATOS BANCÁRIOS. O recorrente alega a impossibilidade de lançamento com base exclusivamente em extrato bancário tendo em vista o disposto na súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Improcedentes as alegações do Recorrente. Isso porque a referida súmula tinha como base legislação já revogada à época dos fatos geradores. Como bem exposto na decisão recorrida: Quanto ao argumento de que ao utilizar o extrato bancário para efetuar o lançamento, o Fisco não se ateve aos mandamentos do art. 43 do CTN, devendo ser aplicada a súmula 182 do extinto Fl. 1371DF CARF MF 10 TFR, há que se registrar que a Lei 8.021, editada em 12 de abril de 1990, retro transcrita, teria revogado dispositivo até então vigente, que proibia a ação fiscal embasada exclusivamente em documentos relativos à movimentação bancária dos contribuintes. Pelas novas regras, à época, os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. A omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. (...) Todavia, a exigência ora litigada está embasada em legislação superveniente, que autoriza expressamente a presunção legal invocada pelo Fisco, como se verificará a seguir. A partir de 1997, o assunto em tela passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na nominada Lei 8.021/90, estabelecido, agora, pela Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A seguir se transcrevem os artigos 42 e 88, inc. XVIII, do último diploma legal citado que, conforme art. 150, inc. III, da Constituição Federal c/c o art. 105 do Código Tributário Nacional, aplicarseia, em seus aspectos materiais, aos fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997, ou seja: Dessa forma, o legislador, a partir da referida data, não estabeleceu uma nova hipótese de incidência do imposto de renda, não equiparou, ao arrepio do CTN e da CF, depósitos bancários incomprovados à renda. Simplesmente, agora sim, institui um outro tipo de norma legal: aquela que prevê um novo tipo de presunção legal de omissão de rendimentos, definindo, ao mesmo tempo, as normas balizadoras do “como” se determinará o valor omitido. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Por fim, em relação à alegação do Recorrente de que a fiscalização não teria comprovado o consumo da renda, a matéria se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10315.000894/201028 Acórdão n.º 2202004.618 S2C2T2 Fl. 1.368 11 renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 1.3) DA NATUREZA CONFISCATÓRIA DA MULTA APLICADA Por fim, alega o recorrente que as multas aplicadas ofenderiam os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e proibição do confisco. Todavia, conforme exposto na Súmula CARF nº 2 "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." 1.4 ) DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC Alega a Recorrente que a taxa SELIC não poderia ser aplicada ao presente lançamento em razão da sua natureza remuneratória. A aplicabilidade da taxa SELIC é matéria que já se encontra sumulada no âmbito desse Conselho, conforme se verifica pela Súmula 4 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Improcedente, portanto, a irresignação do recorrente. 2) MÉRITO 2.1) RENDIMENTOS ISENTOS E NÃO TRIBUTADOS DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS Alega o Recorrente que todos os valores arrolados como pagamentos recebidos de pessoas jurídicas são compatíveis com sua declaração de renda, correspondente a origem contábil em que o autuado participava e foram recebidos como antecipação dos lucros ao final do exercício. Todavia, como bem observou a decisão recorrida, tais alegações não restaram comprovadas: Ressaltese que as razões oferecidas pela impugnante, desacompanhadas de provas documentais hábeis e idôneas, não têm o condão de ilidir a tributação. É assim que a alegação da contribuinte de que valores incluídos em sua conta bancária estão vinculados à distribuição de lucros recebidos da empresa CNPJ 63.557.342/ 000127, pela qual é responsável, não pode ser acatada pelo simples fato de que não está acompanhada de documentos que, de forma individualizada, identifique que depósito bancário está associado a que pagamento de distribuição de lucros. Neste caso, caberia a contribuinte trazer elementos de prova a fim de ver afastada a presunção posta, pois meras alegações não tem qualquer valor probante e não afastam a presunção legal de omissão de rendimentos.A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa, precluindo o direito do impugnante que deixar de fazêlo. Fl. 1373DF CARF MF 12 A simples alegação desacompanhada dos meios de prova que a justifiquem não é eficaz, de acordo com o art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, de que o contribuinte recebeu depósitos e eximiuse de comprovar, depósito por depósito, mediante documentação hábil e idônea, a sua origem, fato descrito no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, correta é a autuação. A justificativa para cada depósito deve ser acompanhada de provas a cargo do contribuinte. As alegações apresentadas na Impugnação carecem de elementos probatórios. Não tendo o contribuinte comprovado mediante documentos hábeis e idôneos, por ocasião do procedimento fiscal, impugnação ou recurso voluntário que os valores lançados seriam na verdade lucros a ele distribuídos, na qualidade de sócio da citada empresa, é de se manter a tributação. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 1374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914192/2012-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.883
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.914192/2012-42
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879967
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-003.883
nome_arquivo_s : Decisao_10980914192201242.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10980914192201242_5879967.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7363183
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588443312128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1759; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.914192/201242 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.883 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 41 92 /2 01 2- 42 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10980.914192/201242 Acórdão n.º 3201003.883 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 079.826, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a base de cálculo das contribuições (PIS/Cofins) é o faturamento, que corresponde à receita bruta auferida, não havendo previsão legal para exclusão do valor do ICMS que compõe o preço de venda da mercadoria. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. Arguiu, ainda, que o CARF entende, em observância ao princípio da Verdade Material, ser admissível a juntada de documentos que comprovem os fatos alegados pelo contribuinte após a impugnação e até o momento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.882, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.914262/201262, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.882): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10980.914192/201242 Acórdão n.º 3201003.883 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição do PIS apurado em julho de 2005. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10980.914192/201242 Acórdão n.º 3201003.883 S3C2T1 Fl. 5 4 haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.914192/201242 Acórdão n.º 3201003.883 S3C2T1 Fl. 6 5 declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720028/2012-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS.
As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns.
As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetem-se ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017).
RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas.
A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros.
A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo.
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para utilização de créditos extemporâneos é necessário que reste configurada a não utilização de tais créditos em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou a apresentação de outra prova inequívoca nesse sentido.
INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações.
No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País.
INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.
Numero da decisão: 3402-005.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", ¿serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo". Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. Em primeira votação, reconhecido que os uniformes dos aeronautas se enquadram no conceito de insumo. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange tanto o transporte aéreo de cargas como o transporte aéreo internacional de passageiros. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte aéreo de cargas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12585.720028/2012-64
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5885676
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.331
nome_arquivo_s : Decisao_12585720028201264.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 12585720028201264_5885676.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", ¿serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo". Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. Em primeira votação, reconhecido que os uniformes dos aeronautas se enquadram no conceito de insumo. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange tanto o transporte aéreo de cargas como o transporte aéreo internacional de passageiros. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte aéreo de cargas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7372897
ano_sessao_s : 2018
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetem-se ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas. A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros. A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos é necessário que reste configurada a não utilização de tais créditos em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou a apresentação de outra prova inequívoca nesse sentido. INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações. No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588491546624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 45; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2075; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.638 1 1.637 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.720028/201264 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.331 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria PIS/PASEP Recorrente TAM LINHAS AÉREAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas. A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”. A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 00 28 /2 01 2- 64 Fl. 1638DF CARF MF 2 restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos é necessário que reste configurada a não utilização de tais créditos em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou a apresentação de outra prova inequívoca nesse sentido. INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações. No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.639 3 Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", ¿serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo". Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. Em primeira votação, reconhecido que os uniformes dos aeronautas se enquadram no conceito de insumo. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange tanto o transporte aéreo de cargas como o transporte aéreo internacional de passageiros. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte aéreo de cargas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora Designada Fl. 1640DF CARF MF 4 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, mas manteve o indeferimento do PER e a não homologação das compensações vinculadas. Versa o processo sobre Pedido de Ressarcimento (PER) de nº 09197.05959.180112.1.1.089123 ao qual foi vinculada a Declaração de Compensação (Dcomp) n° 40609.53186.190112.1.3.084393. O ressarcimento solicitado é de créditos de PIS/Pasep não cumulativo, apurados do 1º trimestre de 2010 em relação a suas operações de transporte aéreo internacional, no montante de R$ 4.441.387,82. No procedimento fiscal, em relação ao mesmo período de apuração, foram examinados os Pedidos de Restituição de pagamentos indevido ou a maior nos processos de n°s 12585.720244/201218, 12585.720245/201254 e 12585.720246/201207, relativamente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2010, respectivamente. O pedido de ressarcimento foi indeferido e a compensação não foi homologada pela autoridade administrativa sob os seguintes fundamentos: A empresa possui receitas sujeitas ao regime cumulativo, obtidas com o transporte aéreo de passageiros, e receitas sujeitas ao regime não cumulativo, obtidas com as demais atividades, entre elas o transporte aéreo nacional e internacional de cargas, sujeitas, portanto, ao rateio previsto nos §§ 7°, 8° e 9° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins). O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total para aplicação do rateio proporcional a ser utilizado na apuração de créditos do PIS/Cofins, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas cuja obtenção teve o envolvimento do consumo dos insumos sobre os quais são apurados os créditos, razão pela qual as receitas financeiras e as receitas provenientes da venda de bens do ativo permanente não devem ser consideradas no estabelecimento da relação percentual destinada a apropriação dos créditos. A receita à qual se encontram vinculados os créditos tratados no pedido é a receita do transporte aéreo internacional de cargas, incluída no inciso V do artigo 46 da IN nº 247/2002. As glosas a seguir referemse não apenas aos créditos apurados no 1º trimestre de 2010, mas também aos créditos que, em decorrência da releitura das normas feita pelo contribuinte, foram apurados no período de janeiro de 2007 a março de 2008: • 9.1 Tarifas Aeroportuárias • 9.2 Combustível de Aviação Utilizado no Transporte Internacional • 9.3 Gastos com o Atendimento ao Passageiro • 9.4 Aquisição de Bens Patrimoniais • 9.5 Créditos Extemporâneos • 9.6 Gastos com Importação • 9.7 Gastos com a Estadia de Tripulantes • 9.8 Gastos com o Reparo de Equipamentos Utilizados na Manutenção • 9.9 Gastos não Diretamente Aplicados na Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.640 5 Atividade de Transporte Aéreo • 9.10 Créditos Apurados sobre Pagamentos. Efetuados a Pessoas Físicas • 9.11 Outros Gastos não Classificáveis como Insumo A interessada apresentou manifestação de inconformidade aduzindo, em síntese: 1. A divergência no cálculo dos valores relativos à “Receita Bruta Total” apurada pela fiscalização e calculada pela contribuinte são as seguintes: possibilidade ou não de a “Receita Financeira” compor a “Receita Bruta Não Cumulativa” e a “Receita Bruta Total”; e a possibilidade ou não de a “Receita de Transporte Internacional de Passageiros” compor a “Receita Bruta Não Cumulativa” e a “Receita Bruta Total”. 2. A fiscalização desgarrouse dos ditames legais ao fixar critérios próprios para a identificação das receitas que devem compor a referida fórmula para cálculo do percentual aplicável aos custos, despesas e demais gastos comuns, base para a apropriação de créditos do PIS/Cofins. As receitas financeiras são inquestionavelmente pertencentes ao rol de receitas não cumulativas auferidas pelas pessoas jurídicas contribuintes do PIS/Cofins, de forma que foi correto o procedimento da recorrente de incluílas no cálculo das receitas brutas não cumulativas a que se refere o mencionado inciso II do §8° do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, do mesmo modo que foi correta a sua inclusão no cálculo das receitas brutas totais a que também se refere o aludido dispositivo. 4. As receitas originárias do transporte nacional de passageiros estão incluídas no regime cumulativo do PIS/Cofins, mas, jamais, o internacional. 5. Os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins não devem alinharse às definições de custo e despesas de que trata o RIR/99, mas devem atender aos requisitos de imprescindibilidade à própria obtenção do produto ou serviço prestado e, ainda, devem possuir um estrito relacionamento com os processos de fabricação, produção ou prestação de serviços do contribuinte. Contesta a recorrente em caráter específico todas as glosas. A Delegacia de Julgamento acatou parcialmente as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: Somente podem ser considerados insumos os bens ou os serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, isto é, quando aplicados ou consumidos diretamente na etapa produtiva da empresa requerente do crédito. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional a ser utilizado na apuração de créditos das contribuições, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. Assim, as receitas financeiras, por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento das contribuições, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total. Interessa a análise da espécie de receita citada na 1ª parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Da literalidade do texto, constatase que se trata de norma que alberga dois requisitos: permanecem na cumulatividade das contribuições determinadas receitas (“receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”) se auferidas por determinadas pessoas jurídicas (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”). É de se concluir, portanto, que as empresas devem operar linhas aéreas domésticas, o que equivale a exigir que tais empresas sejam brasileiras. O valor adicional de crédito deferido pela DRJ em face da reversão de algumas glosas não foi suficiente para deduzir toda a contribuição devida do período de apuração. A consequência do deferimento desse crédito adicional ocorrerá no respectivo processo de restituição de Fl. 1642DF CARF MF 6 pagamento indevido, que terá o crédito deferido pela fiscalização aumentado exatamente no valor ora reconhecido. A contribuinte foi formalmente cientificada em 23/09/2016, mas já havia apresentado o recurso voluntário em 30/06/2016, mediante o qual repisou os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescentou outros, sob os seguintes tópicos: I Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas Financeiras pertencem às receitas brutas não cumulativas II Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas de Transporte Internacional de Passageiros Pertencem às Receitas Brutas Não Cumulativas III Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins 1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias 2. Da glosa relacionada aos combustíveis utilizados no transporte 3. Da glosa relacionada aos gastos ao atendimento ao passageiro 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais 5. Da glosa relacionada aos créditos extemporâneos 6. Da glosa relacionada aos gastos com importação 7. Da glosa relacionada aos gastos com estadia de tripulantes 8. Da glosa relacionada aos gastos com o reparo de equipamentos utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos 9. Da glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo 10. Da glosa relacionada aos gastos com pagamentos efetuados a pessoas físicas 11. Da glosa relacionada aos gastos não considerados insumos Bens de uso e consumo 12. Da glosa relacionada aos gastos com importação de bens com alíquota zero 13. Da glosa relacionada a valores ausentes da memória de cálculo É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.641 7 Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. I Rateio Proporcional Receitas Financeiras Como se sabe, os créditos das contribuições do PIS e da Cofins podem somente ser apropriados pela contribuinte em relação à receita bruta não cumulativa, sendo que, na hipótese de a empresa auferir receitas nos dois regimes (cumulativo e não cumulativo), o crédito da contribuição deverá ser apurado em conformidade com o disposto nos arts. 3º, §§7º a 9º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep): Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. [negritei] § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) No caso, a recorrente adota o método do rateio proporcional, sendo o crédito da contribuição determinado pela multiplicação do valor integral do crédito por um percentual obtido pela razão entre a receita bruta não cumulativa e a receita bruta total auferida pela empresa no mês. Sustenta a fiscalização que as receitas financeiras, por não serem relacionadas aos insumos sobre os quais são apurados os créditos, não deveriam ser consideradas no estabelecimento da relação percentual destinada à apropriação dos créditos. No entanto, as receitas financeiras integram, sim, a receita bruta não cumulativa, inclusive, posteriormente aos períodos de apuração sob análise, mediante o Decreto nº 8.426/2015, foram restabelecidas as alíquotas das contribuições de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições. Nessa linha também é a orientação da própria Cosit órgão central da Receita Federal na Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, assim ementada: Fl. 1644DF CARF MF 8 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE APURAÇÃO. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, arts. 10 e 15, V. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (...) Ademais, como se vê nos §§8º dos arts. 3º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep) não há qualquer ressalva a respeito das receitas sujeitas à alíquota zero das contribuições ou da necessidade de ter havido pagamento das contribuições para o cômputo nas receitas brutas. Temse como princípio fundamental da hermenêutica que onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir. A respeito do tema, Carlos Maximiliano afirmou que,"quando o texto dispõe de modo amplo, sem limitações evidentes, é dever do intérprete aplicálo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente; não tente distinguir entre as circunstâncias da questão e as outras; cumpra a norma tal qual é, sem acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas" (in "Hermenêutica e Aplicação do Direito", 17ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 247). 1 Dessa forma, no cálculo do rateio proporcional entre a receita auferida sob o regime não cumulativo em relação ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, devem ser consideradas as receitas financeiras como integrantes dessas outras duas receitas, ainda que tributadas à alíquota zero nos períodos de apuração. Nesse mesmo sentido já decidiu este Colegiado, por unanimidade de votos, no Acórdão cuja ementa se transcreve abaixo, relativamente a consideração das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional das receitas de exportação não cumulativas: Processo nº 16366.000413/200689 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.312– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Maria Aparecida Martins de Paula ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. Caracterizada a omissão sobre ponto que deveria o Colegiado se pronunciar, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração com a apreciação da correspondente alegação. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA TOTAL. O método de rateio proporcional utilizado na apuração dos créditos da Cofins vinculados à exportação consiste na aplicação, sobre o montante de custos, despesas 1 STJ REsp: 853086 RS 2006/01380157, Relator: Ministra DENISE ARRUDA, Data de Julgamento: 25/11/2008, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: <! DTPB: 20090212<br> > DJe 12/02/2009. Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.642 9 e encargos vinculados comumente a receitas brutas não cumulativas do mercado interno e da exportação, da proporcionalidade existente entre a Receita Bruta da Exportação não cumulativa e a Receita Bruta Total no regime não Cumulativo. Não há permissivo legal para a exclusão de qualquer valor, inclusive receitas financeiras, da Receita Bruta da Exportação não Cumulativa ou da Receita Bruta Total no Regime não cumulativo. Embargos acolhidos Também no Acórdão nº 3201002.235– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de junho de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, foi assim decidido: (...) Exclusão das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional O terceiro tema é matéria recorrente neste Colegiado Administrativo. Diz com a exclusão, pela fiscalização, das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional, previsto no art. 3º, § 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. Essa mesma Turma de Julgamento já se posicionou a respeito, entendendo ilegal a exclusão, uma vez que, não falando a lei em receita bruta sujeita ao pagamento da Cofins, mas apenas em receita bruta sujeita à incidência não cumulativa, não caberia ao intérprete restringir o que a lei não restringiu. Eis a ementa da decisão: CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, §8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não cumulativo. (CARF/3ª Seção/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Acórdão n.º 3202000.597, de 28/11/2012). De conseguinte, as receitas financeiras devem, sim, ser consideradas no cálculo do rateio proporcional dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. (...) Assim, cabe reforma na decisão recorrida para que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total e efetuado o correspondente ressarcimento/compensação no montante adicional. II Receitas de Transporte Internacional de Passageiros A matéria controvertida neste tópico envolve a interpretação do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep2, que assim dispõe: 2 [Lei nº 10.833/2003] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Fl. 1646DF CARF MF 10 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, e na Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária (...) VII as receitas decorrentes das operações: (...) XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; (...) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, e as decorrentes da prestação de serviço de transporte de pessoas por empresas de táxi aéreo; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [negritei] (...) Sustenta a autoridade administrativa no item 5.2 do Despacho Decisório que: "O contribuinte, na qualidade de “empresa aérea regular de passageiros”, deve, no entanto, observar o disposto nos incisos XVI do art. 10° e V do art. 15º da Lei N° 10.833/2003, que manteve regime cumulativo as receitas do transporte aéreo de passageiros, tenham elas sido obtidas no mercado doméstico ou no mercado internacional". O julgador a quo, com esteio na Solução de Consulta Interna nº 12 Cosit, de 11 de junho de 2014, interpreta a questão da seguinte forma: No caso ora debatido, interessa a análise da espécie de receita citada na 1ª parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Da literalidade do texto, constatase que se trata de norma que alberga dois requisitos: permanecem na cumulatividade das contribuições determinadas receitas (“receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”) se auferidas por determinadas pessoas jurídicas (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”). O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. Deveras, se o legislador não estabeleceu expressamente, nem implicitamente, diferenciação de tratamento entre as duas modalidades de transporte aéreo citadas, não cabe ao intérprete fazêlo. Se o legislador almejasse estabelecer essa distinção, teria feito de forma clara, como fez no art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ao isentar das contribuições em tela apenas as receitas decorrentes do “transporte internacional de cargas ou passageiros”. V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.643 11 Por outro lado, o segundo requisito estabelecido na primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, para aplicação da cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, versa sobre as pessoas jurídicas que devem auferir as receitas contempladas pela norma: segundo o texto legal, tais receitas devem ser auferidas por “empresas regulares de linhas aéreas domésticas”. É de se concluir, portanto, que as empresas devem operar linhas aéreas domésticas, o que equivale a exigir que tais empresas sejam brasileiras, uma vez que, pela legislação atual, apenas essas podem prestar serviços de transporte aéreo público doméstico. Quanto à menção legal a “empresas regulares”, como condição a ser cumprida pela pessoa jurídica, é de se ressaltar que a legislação estabelece que a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora. Daí porque imperioso concluir que, conquanto se refira a “empresas regulares”, o dispositivo legal em comento quis alcançar as empresas que operam linhas aéreas regulares. Afinal, é ilógica a interpretação de que a qualidade “regular” atribuída ao vocábulo “empresa” tenha objetivado restringir a permanência na cumulatividade das contribuições em estudo às receitas auferidas pela empresa que esteja em situação regular. Apesar da atecnia, o legislador pretendeu apenas estabelecer paralelismo redacional no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, referindose em sua primeira parte às “empresas regulares de linhas aéreas”, para versar sobre o transporte aéreo regular, e às “empresas de táxi aéreo”, para versar sobre o transporte aéreo não regular (conforme art. 220 do CBA, “os serviços de táxiaéreo constituem modalidade de transporte público aéreo não regular”). Diante do exposto, concluise que a primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, determina que permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo aéreo de passageiros, nacional (doméstico) ou internacional, efetuado por empresa que opera linhas aéreas domésticas e regulares. Por tal razão, a pessoa jurídica que opera linhas aéreas domésticas regulares de transporte coletivo não pode apurar créditos previstos na legislação da apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins em relação a custos, despesas e encargos vinculados à prestação de serviços de transporte aéreo internacional de passageiros. [negritei] Como se vê, a estratégia hermenêutica utilizada pela DRJ foi a seguinte: separou a primeira parte do inciso em dois requisitos, quais sejam, “receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” e “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” e conectou as duas com o vocábulo "auferidas", no lugar do vocábulo original "efetuado" do dispositivo legal. Daí, interpretou os dois requisitos de forma independente para juntálos, ao final, com o vocábulo "auferidas". Ocorreu que os pressupostos adotados pelo intérprete da DRJ já direcionaram a interpretação no sentido desejado previamente. Em verdade, no esforço interpretativo, partiu se da hipótese de que os dois requisitos seriam independentes para concluir que eles realmente são independentes, como se depreende do seguinte trecho do Acórdão recorrido: "O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. [negritei] Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. (...)". Ora, não se pode separar a primeira parte do inciso em dois requisitos independentes quando eles estão interligados! Os "dois requisitos" estão justamente ligados no Fl. 1648DF CARF MF 12 pelo vocábulo "efetuado", que concorda em gênero e número com o substantivo "serviço", certamente com a função de restringilo. O dispositivo de interesse poderia ser reescrito com o termo omitido na construção linguística da redação original na seguinte forma: Art. 10 (...) [Lei nº 10.833/2003] (...) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, [quando o serviço for] efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, (...); Ademais, como dito no próprio acórdão recorrido, "a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora", o que é mais um elemento que corrobora no sentido de que o "segundo requisito" (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”) consta na redação do dispositivo para restringir o alcance do termo "serviço de transporte coletivo de passageiros" constante no "primeiro requisito". Seria até um contrassenso entender, no fim das contas, que “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” [negritei] limitaria somente a "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” no que concerne à modalidade de transporte regular aéreo e não quanto ao percurso doméstico, também expressamente referido no dispositivo. Aliás, trata se de mais elemento que corrobora o quanto os dois "requisitos" separados pela DRJ são interdependentes. Segundo o entendimento da fiscalização e da DRJ, a recorrente teria sido alcançada quanto à exclusão do regime não cumulativo porque opera no transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares, sejam elas domésticas ou internacionais, o que se contrapõe à ideia expressa no dispositivo de restringir tanto a modalidade de transporte aéreo regular quanto o percurso doméstico (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas). Também não se coaduna com a boa regra hermenêutica substituir o vocábulo "efetuado", ligado por concordância com o substantivo "serviço", pela palavra "auferidas", que estaria relacionada ao termo "as receitas", como feito no acórdão recorrido. Oportuno, neste ponto, transcrever algumas lições de Carlos Maximiliano3: 114 O processo gramatical exige a posse dos seguintes requisitos: (...) 4) certeza da autenticidade do texto, tanto em conjunto como em cada uma das partes (1). (...) 116 Merecem especial menção alguns preceitos, orientadores da exegese literal: a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase, em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem com idéia inserta no dispositivo" (1). (...) 3 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2001, p. 88/227. Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.644 13 f) Presumese que a lei não contenha palavras supérfluas; devem todas ser entendidas como escritas adrede para influir no sentido da frase respectiva (6). (...) i) Pode haver, não simples impropriedade de termos, ou obscuridade de linguagem, mas também engando, lapso, na redação. Este não se presume: Precisa ser demonstrado claramente. Cumpre patentear, não só a exatidão, mas também a causa da mesma, a fim de ficar plenamente provado o erro, ou o simples descuido (9). (...) Commodissimum est, id accipi, quo res de qua agitur, magis valeat quam pereat: "Prefirase a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade" (3). 304 (...) (...) 343. Não pode o intérprete alimentar a pretensão de melhorar a lei com desobedecer às suas prescrições explícitas. (...) Pelo que se depreende da leitura da Lei nº 10.833/2003, como regra geral, todas as pessoas jurídicas estão sujeitas a não cumulatividade da Cofins e do PIS/Pasep, excepcionandose dessa regra aquelas pessoas expressamente referidas nos incisos I a VI do seu art. 10, as quais permanecem sob o anterior regime cumulativo. De outra parte, cuida também o art. 10 da Lei nº 10.833/2003 de excepcionar algumas receitas da incidência não cumulativa, mesmo que a pessoa jurídica esteja sujeita ao regime não cumulativo. Esse entendimento veio depois ser confirmado na referida Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, nestes termos: (...) 12. A primeira forma de exceção à apuração não cumulativa exclui desse regime determinadas pessoas jurídicas. Assim, em função do objeto social ou de aspectos específicos (por exemplo, imunidade a impostos ou tributação pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido), certas pessoas jurídicas permanecem sujeitas às normas da legislação anterior à instituição da não cumulatividade. 13. A segunda forma de exceção à apuração não cumulativa não se relaciona com nenhuma propriedade das pessoas jurídicas, mas decorre de uma característica do fato gerador das contribuições em questão. Assim, receitas específicas foram excluídas do regime de apuração não cumulativa, devendo, portanto, submeterse ao regime de apuração préexistente à instituição da não cumulatividade. 14. Dessa forma, o sujeito passivo que não se enquadra na primeira exceção, está sujeito ao regime de apuração não cumulativa. A pessoa jurídica não se submete ao regime de apuração cumulativa por auferir alguma das denominadas receitas cumulativas (excluídas do regime de apuração não cumulativa), ainda que essa seja a única receita por ela percebida. (...) Dessa forma, tendo em vista que a recorrente não se enquadra em nenhuma das hipóteses gerais de exclusão do regime, temse, inicialmente, que ela, como pessoa jurídica, está sujeita ao regime não cumulativo das contribuições de PIS/Cofins, sem prejuízo, como dito, de algumas de suas receitas, por disposição legal expressa, serem eventualmente excluídas da incidência não cumulativa. Fl. 1650DF CARF MF 14 No caso, as receitas excluídas pela primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 dizem respeito às "receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", mas somente quando esse serviço seja "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas". Como já delineado acima, esta última expressão tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, de forma que somente estariam excluídos do regime não cumulativo "as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", assim considerado aquele operado em "linhas aéreas regulares domésticas". Há que se observar que no inciso XII do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 foram excluídas "as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros" para as quais não houve qualquer ressalva quanto ao percurso, se nacional ou internacional, a se supor que aqui, diferentemente do inciso XVI sob análise, pretendeuse excluir do regime não cumulativo todos os serviços de transporte coletivo de passageiros, seja dentro ou fora do território nacional. Importante consignar, por fim, que a exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção comporta interpretação restritiva, de forma que, ainda que fosse possível a interpretação sugerida pela DRJ, deveria prevalecer a interpretação mais restritiva da exceção, adotada neste Voto. A interpretação restritiva das regras de exceção foi bem explicada no Recurso Especial do STJ, com apoio também nos ensinamentos de Carlos Maximiliano: RECURSO ESPECIAL Nº 853.086 RS (2006/01380157) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA EMENTA RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM. COMPETÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO. ENFERMEIROS MILITARES. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA DAS REGRAS DE EXCEÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. (...) 9. Ademais, relativamente à Lei 6.681/79, a qual estabeleceu ressalva à fiscalização dos médicos, cirurgiõesdentistas e farmacêuticos militares pelas Forças Armadas, salientese que, em se tratando de regra de exceção, tornase inviável a utilização de exegese ampliativa ou analógica. É inadequada a interpretação extensiva e a aplicação da analogia em relação a dispositivos infraconstitucionais que regulam situações excepcionais, porquanto enseja privilégio não previsto em lei. 10. "As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente " (MAXIMILIANO, Carlos. ob. cit., pp. 225/227). (...) A EXMA. SRA. MINISTRA DENISE ARRUDA (Relatora): (...) Nesse contexto, cabe mencionar a lição de Carlos Maximiliano acerca do "Direito Excepcional " (ob. cit., pp. 225/227), in verbis: "Em regra, as normas jurídicas aplicamse aos casos que, embora não designados pela expressão literal do texto, se acham no mesmo virtualmente compreendidos, por se enquadrarem no espírito das disposições: baseiase neste postulado a exegese extensiva. Quando se dá o contrário, isto é, quando a letra de um artigo de repositório parece adaptarse a uma hipótese determinada, porém se verifica estar esta em desacordo com o espírito do referido preceito legal, não se Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.645 15 coadunar com o fim, nem com os motivos do mesmo, presume se tratarse de um fato da esfera do Direito Excepcional, interpretável de modo estrito. Estribase a regra numa razão geral, a exceção, numa particular; aquela baseiase mais na justiça, esta, na utilidade social, local, ou particular. As duas proposições devem abranger coisas da mesma natureza; a que mais abarca, há de constituir a regra; a outra, a exceção. (...) O Código Civil explicitamente consolidou o preceito clássico Exceptiones sunt strictissimoe interpretationis ('interpretamse as exceções estritissimamente') no art. 6.º da antiga Introdução, assim concebido: 'A lei que abre exceção a regras gerais, ·ou restringe direitos, só abrange os casos que especifica'. O princípio entronca nos institutos jurídicos de Roma, que proibiam estender disposições excepcionais, e assim denominavam as do Direito exorbitante, anormal ou anômalo, isto é, os preceitos estabelecidos contra a razão de Direito; limitava lhes o alcance, por serem um mal, embora mal necessário. (...) Os sábios elaboradores do Codex Juris Canonci (Código de Direito Canônico) prestigiaram a doutrina do brocardo com inserir no Livro I, título I, cânon 19, este preceito translúcido: 'Leges quoe poenam statuunt, aut liberum jurium exercitium coarctant, aut exceptionem a lege continent, strictae subsunt interpretationi' ('As normas positivas que estabelecem pena restringem o livre exercício dos direitos, ou contêm exceção a lei, submetemse a interpretação estrita'). (...) A fonte mediata do art. 6.° da antiga Lei de Introdução, do repositório brasileiro, deve ser o art. 4.º do Título Preliminar do Código italiano de 1865, cujo preceito decorria das leis civis de Nápoles e era assim formulado: 'As leis penais e as que restringem o livre exercício dos direitos, ou formam exceções a regras gerais ou a outras leis, não se estendem além dos casos e tempos que especificam'. As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente. Os contemporâneos preferem encontrar o fundamento desse preceito no fato de se acharem preponderantemente do lado do princípio geral as forças sociais que influem na aplicação de toda regra positiva, como sejam os fatores sociológicos, a Werturteil dos tudescos, e outras. O art. 6º da antiga Lei de Introdução abrange, em seu conjunto, as disposições derrogatórias do Direito comum; as que confinam a sua operação a determinada pessoa, ou a um grupo de homens à parte; atuam excepcionalmente, em proveito, ou prejuízo, do menor número. Não se confunda com as de alcance geral, aplicáveis a todos, porém suscetíveis de afetar duramente alguns indivíduos por causa da sua condição particular. Referese o preceito àquelas que, executadas na íntegra, só atingem a poucos, ao passo que o resto da comunidade fica isenta." (grifouse) Dessa forma, neste tópico, está com razão a recorrente, no sentido de que as "receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo", sendo cabível a apropriação de créditos do PIS/Pasep e da Cofins que por ventura enquadremse no conceito de insumo, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/20044. III Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e a Cofins 4 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 1652DF CARF MF 16 Filiome ao entendimento deste CARF quanto ao cabimento de creditamento de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/995. 5 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.646 17 Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. No caso, entendeu a fiscalização e não discordou a DRJ, que a empresa possuiria receitas sujeitas ao regime cumulativo, obtidas com o transporte aéreo de passageiros (doméstico e internacional), e receitas sujeitas ao regime não cumulativo, obtidas com as demais atividades, entre elas o transporte aéreo nacional e internacional de cargas, sujeitas, portanto, ao rateio previsto nos §§ 7°, 8° e 9° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins). Como visto acima neste Voto, no caso do transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares internacionais, a incidência das contribuições deve se dar de forma não cumulativa, como pretendido pela recorrente, não sendo cabível a exclusão desse regime veiculada pelo inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Assim, para fins deste Voto, sobre as receitas da recorrente a incidência das contribuições de PIS/Cofins dáse na seguinte forma: regime cumulativo transporte aéreo doméstico de passageiros regime não cumulativo transporte aéreo internacional de passageiros; transporte aéreo de cargas nacional e internacional e demais atividades. Dentro desses parâmetros, passase a analisar a glosas especificamente contestadas no recurso voluntário. 1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias Quanto a glosa sobre as tarifas aeroportuárias, decidiu a DRJ que se enquadrariam no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins os serviços prestados pela Infraero e cobrados por tarifas que são devidas pelas companhias aéreas, eis que fazem parte do processo produtivo da TAM Linhas Aéreas, afinal, sem a realização de tais serviços não seria possível fazer o transporte aéreo de cargas e passageiros, contudo determinou a aplicação do percentual de rateio para a reversão da glosa somente em relação ao transporte internacional de cargas. Considerando o conceito de insumo adotado neste Voto, a essencialidade/imprescindibilidade dos referidos serviços na prestação de serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros pela recorrente, é cabível o creditamento correspondente. Assim, além da reversão da glosa das tarifas aeroportuárias proporcionalmente ao transporte internacional de cargas efetuada pela DRJ, cabe reverter neste Voto a parcela da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros. 2. Da glosa relacionada aos combustíveis utilizados no transporte ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 1654DF CARF MF 18 A autoridade administrativa glosou o crédito de combustível consumido no transporte aéreo internacional sob os fundamentos abaixo, o que foi mantido pela DRJ: 9.2.1. A impossibilidade de apuração de créditos do COFINS sobre o valor do combustível consumido no transporte aéreo internacional deuse a partir de 26/09/2008, com a edição, da Lei N° 11.787, de 25/09/2008 – DOU 26.09.2008 – que deu nova redação ao artigo 3° da Lei N° 10.560, de 13/11/2002 – DOU 14.11.2002: Dispõem os artigos 2° e 3° da Lei 10.560, de 13/11/2002 (DOU 14.11.2002): Art. 2° A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, relativamente à receita bruta decorrente da venda de querosene de aviação, incidirá uma única vez, nas vendas realizadas pelo produtor ou importador, às alíquotas de 5% (cinco por cento) e 23,2% (vinte e três inteiros e dois décimos por cento), respectivamente.(redação dada pela lei 10.865/2004) Art. 3° A Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não incidirão sobre a receita auferida pelo produtor ou importador na venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional. (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008) Dispõe o parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 10833/2003 § 2o Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. De outra parte alega a recorrente que não há na Constituição Federal qualquer proibição que diga respeito à vedação da apropriação de créditos relacionados a operações sujeitas à isenção ou qualquer outra hipótese desonerativa. Ocorre que a não cumulatividade das contribuições de PIS/Cofins é instituída por lei ordinária, diferentemente do que ocorre com o IPI e ICMS, cuja não cumulatividade tem previsão constitucional, conforme esclarece Nasrallah6: Muito embora o ICMS e o IPI e o PIS e a Cofins sejam tributos sujeitos à sistemática não cumulativa, existem diferenças muito relevantes entre as duas espécies de não cumulatividade. A não cumulatividade do ICMS e IPI é obrigatória e tem suas principais diretrizes oriundas da Constituição Federal, que enuncia que estes impostos são não cumulativos, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Vale dizer, a não cumulatividade destes impostos ocorre com o creditamento na escrita fiscal do montante do imposto pago e destacado nas notas fiscais de entrada e que sofre nova incidência em etapa posterior da cadeia. Por outro lado, a não cumulatividade da COFINS e do PIS não é obrigatória, pois somente existirá ser for instituída por lei ordinária e pode coexistir com o sistema cumulativo. É tratada pela legislação ordinária, com regras de deduções e estornos próprios, que podem ser alteradas livremente pela lei comum. No caso da recorrente, não há a incidência das contribuições na "venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional", nos termos 3° da Lei 10.560/2002, razão pela 6 NASRALLAH, Amal. Diferenças entre a nãocumulatividade do ICMS e IPI e a do PIS e da Cofins. <http://www.migalhas.com.br> Acesso em 03/06/2018. Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.647 19 qual incabível o correspondente creditamento, conforme determinação expressa do §§2°s, incisos II dos artigos 3°s das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002. 3. Da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro Os créditos pleiteados sob a rubrica gastos com atendimento ao passageiro foram glosados pela fiscalização sob o seguinte fundamento: "9.3.1. Não dão direito ao crédito, por estarem vinculadas ao regime cumulativo, nos termos do disposto no inciso XVI do artigo 10° da Lei N° 10.833/2003, as despesas ligadas exclusivamente à receita do transporte aéreo de passageiros, tais como gastos com o serviço de bordo, atendimento em área de embarque (VIP), hospedagem e alimentação de passageiros". Tal entendimento foi mantido parcialmente pela DRJ, que rebateu os argumentos da manifestante item a item dessa rubrica, abaixo discutidos. a) Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos Segundo a recorrente tratamse de gastos incorridos para disponibilizar uma estrutura física e de pessoal para atender os seus passageiros antes de embarcarem no voo a que se destinam, razão pela qual não há dúvida acerca que são pertinentes e essenciais para o serviço prestado pela recorrente de transporte aéreo de passageiros, e, portanto, geram direito a crédito das contribuições de PIS/Cofins no que concerne ao montante relativo ao transporte internacional de pessoas, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido neste Voto. b) Serviços auxiliares aeroportuários Alegou a então manifestante que os "serviços auxiliares aeroportuários” seriam aqueles regulamentados pelo art. 1° da Resolução n° 116, de 20009, da ANAC, constantes no Anexo da aludida Resolução, o que foi rechaçado pela DRJ nestes termos: A contribuinte, porém, não tem razão. Isso porque, analisandose os itens das notas fiscais glosados pela fiscalização (“Anexo 9.3 – Gastos com atendimento ao passageiro”) constatase que os valores desconsiderados na conta “Serviços Auxiliares Aeroportuários” dizem respeito unicamente à “movimentação de passageiros”, os quais, como já se viu, não geram direito a crédito. A recorrente não apresentou a comprovação em sentido contrário à constatação da DRJ de que tais serviços estão efetivamente vinculados apenas ao transporte de passageiros, apenas repisando que tais serviços seriam aqueles referidos na Resolução nº 116/2009 da Anac, também relacionados ao transporte de cargas. Diante da ausência de demonstração de vinculação das despesas glosadas ao transporte de cargas é de ser mantido o entendimento de que elas estão associadas efetivamente ao transporte de passageiros. Dessa forma, entendo que deve ser revertida a glosa de serviços auxiliares aeroportuários no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. c) Serviços de handling Os serviços de handling são procedimentos em terra para apoio às aeronaves, passageiros, bagagem, carga e correio, os quais podem ser prestados pelos próprios aeroportos ou por empresas externas, sendo que, quando tal atividade é realizada pelas próprias companhias aéreas, denominase "autohandling”. Fl. 1656DF CARF MF 20 Entendeu a DRJ que é uma despesa que pode estar vinculada tanto à movimentação de passageiros quanto de cargas, de forma que tais gastos gerariam direito ao crédito da não cumulatividade apenas em relação à parte relacionada ao transporte de cargas. Assim, como nos casos precedentes, deve ser revertida também a parcela da glosa de serviços de handling relativa ao transporte internacional de passageiros. d) Serviços de Comissaria Conforme informado pela recorrente, tratase de serviço de preparo e ou aquisição, transporte por veículo apropriado e colocação no espaço designado na cabine da aeronave de alimentos e bebidas para consumo dos aeronautas, mecânicos e passageiros embarcados. A DRJ manteve tais glosas sob o fundamento de que tais despesas são vinculadas ao sistema cumulativo, ou seja, ao transporte de passageiros. De outra parte, alega a recorrente que tais serviços, além de atenderem os critérios de custo referido no art. 290 do RIR/99, também são pertinentes e essenciais para a prestação do serviço da Recorrente, e, sendo reconhecido o direito da recorrente de incluir as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros no sistema não cumulativo, haverá de se reconhecer também que os serviços de comissaria enquadramse no conceito de insumo para a legislação do PIS e da Cofins. Assim, deve ser revertida a parcela da glosa de serviços de comissaria no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. e) Gastos com equipamentos terrestres Sobre tais gastos assim se pronunciou a DRJ: Em relação aos “gastos com equipamentos terrestres”, diz que são gastos com equipamentos terrestres de apoio ao embarque e desembarque de pessoas e cargas consistem na concretização do serviço de transporte aéreo, através da utilização da rampa de apoio, equipamento indispensável para que se tenha acesso e saída da aeronave. Explica que dispõe de rampas de apoio em solo, mas que, em situações de necessidade, pode também solicitálas de empresas especializadas para complementar sua capacidade operacional (doc. 03) e, neste caso, enquadramse como insumo ou geram direito a crédito com base nos incisos IV dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 (aluguel). A primeira dificuldade, neste ponto, é identificar o denominado “doc. 03”, pois embora a interessada tenha anexado alguns contratos ao recurso, não os relacionou ao nome pelo qual se refere na manifestação de inconformidade. Há nos autos, entretanto, contrato firmado entre a TAM e a Servcarter Internacional Ltda. Tal contrato diz respeito ao fornecimento de refeições para serviços de bordo e são empregados exclusivamente no transporte de passageiros, como se depreende da leitura do Anexo I, nas cláusulas relativas aos procedimentos de overcatering. Por tal razão, entendese que estes serviços não geram direito aos créditos da não cumulatividade. Enfim, a contribuinte não logrou provar que tal serviço diz respeito ao transporte internacional de cargas e que possui docomentação hábil a comprovar o crédito. No recurso voluntário nada foi apresentado em contraposição à falta de documentação para comprovar o crédito alegado levantada pelo julgador a quo, bem como entre os itens mencionados pela recorrente que fariam parte dessa glosa não se inclui o Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.648 21 fornecimento de refeições para serviços de bordo, razão pela qual a decisão recorrida deve ser mantida nesta parte. f) Serviços de transportes de pessoas e cargas Alegou a então manifestante que se trataria de despesas relativas à movimentação de pessoas e cargas para embarque e desembarque; no entanto, apurou a DRJ que as despesas glosadas seriam relativas à contratação de serviços de vans de passageiros, razão pela qual entendeu que não haveria direito ao crédito. No que concerne à ausência de comprovação de vinculação dos gastos ao transporte de cargas, a recorrente nada contrapôs à decisão recorrida, apenas reafirmando seu direito ao crédito com relação ao transporte internacional de passageiros. Assim, revertese a glosa de "serviços de transporte de pessoas e cargas" no montante desses gastos relativo ao transporte internacional de passageiros. g) Gastos com voos interrompidos Em relação a “gastos com voos cancelados, atrasados ou interrompidos”, esclareceu a então manifestante que a ANAC impõe, por meio da Resolução de n° 141/2010, a responsabilidade da companhia aérea em relação à assistência devida aos seus passageiros quando os voos forem interrompidos, cancelados ou estiverem atrasados, de forma que tais gastos seriam essenciais à prestação dos serviços de transporte aéreo, especialmente por serem imposição da ANAC, anexando contrato (doc. 02) que comprovaria a contratação de serviços a fim de cumprir suas obrigações regulamentadas pela ANAC. Tendo a DRJ apurado que se tratam de despesas vinculadas exclusivamente ao transporte aéreo de passageiros, manteve tais glosas. Assim, da mesma forma que nos itens anteriores, revertese a glosa de gastos com voos interrompidos no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. h) Demais glosas Alega a recorrente que o "acórdão recorrido traz ainda um item específico no qual analisa os serviços de aeroporto, despesas com veículos, aluguel e condomínios e luz e força, entendendo não gerarem direito ao crédito por serem despesas vinculadas exclusivamente a gastos com passageiros". Entende que pela "simples análise das glosas é possível verificar que se relacionam com ambos os tipos de transporte, seja de cargas ou de passageiros, motivo pelo qual, ainda que parcialmente, seguindo o raciocínio desenvolvido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deveria ter sido reconhecido o direito creditório da Recorrente". No entanto, à mingua de um esclarecimento maior da recorrente acerca de tais itens não se pode verificar o seu enquadramento no conceito de insumo adotado neste Voto, devendo a decisão recorrida ser mantida. Dessa forma, em resumo deste tópico, da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro devem ser revertidas, no montante relativo ao transporte internacional de passageiros, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido mais acima neste Voto, as seguintes parcelas: "Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos", Fl. 1658DF CARF MF 22 "Serviços auxiliares aeroportuários", "Serviços de handling", "Serviços de comissaria", "Serviços de transportes de pessoas e cargas" e "Gastos com voos interrompidos". 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais Sobre a matéria apurou a DRJ que, no caso do 1º trimestre de 2010, os bens e serviços glosados dizem respeito somente às contas “Comissaria”, “Vestuários e acessórios profissionais”, “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”, tendo assim decidido: Relativamente às despesas com “Comissaria”, conforme já explicado no tópico anterior, não são insumos passíveis de crédito no sistema da não cumulatividade do PIS/Cofins. Igualmente, as despesas com “vestuários e acessórios profissionais” não podem ser creditadas, porque não são despesas vinculadas ao transporte internacional de cargas. São apenas despesas operacionais da interessada que não podem ser considerados insumos na sistemática da não cumulatividade do PIS/Cofins. Em relação às demais glosas, analisandose, especificamente, os itens das notas fiscais glosados na planilha “9.3 – Aquisição de bens patrimoniais”, percebese que se tratam, em verdade, de peças e partes e serviços de manutenção de equipamentos. A contribuinte, por sua vez, possui como atividade a prestação de serviços de manutenção de aeronaves, o que impõe considerar que os bens relacionados nas contas acima descritas são insumos. Ocorre, todavia, que em 23 de junho de 2008, foi publicada a Lei n° 11.727 que alterou a redação do inciso IV do art. 28 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, determinando o seguinte: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: ... IV – aeronaves classificadas na posição 88.02 da Tipi, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e industrialização das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos; Por isso, os bens e serviços de manutenção relacionados nas contas supracitadas não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II do §2º do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ressaltese que tal disposição entrou em vigor em 23/06/2008, conforme dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas estão corretas. De outra parte, no recurso voluntário, a recorrente manifestou concordância com relação às contas de "Gastos com equipamentos terrestres", "Materiais de manutenção em equipamentos" e "Serviços de manutenção em equipamentos", bem como nada acrescentou acerca das demais contas envolvidas nessa rubrica (“Comissaria”, “Vestuários e acessórios profissionais”), razão pela qual a decisão recorrida há de ser mantida por seus próprios fundamentos. 5. Da glosa relacionada aos créditos extemporâneos Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.649 23 O legislador ordinário realmente previu a possibilidade de o contribuinte descontar nos meses subsequentes eventuais créditos oriundos de meses anteriores, nos termos dos §§4° dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003: Art. 3º (...) (...) § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [grifos da relatora] (...) Decorre diretamente desse dispositivo que o aproveitamento posterior ao mês em que os bens ou serviços foram adquiridos (ou as despesas foram incorridas) depende da comprovação por parte da requerente de não aproveitamento anterior pelo contribuinte (entre o mês da aquisição do bem ou serviço e o mês de aproveitamento extemporâneo). Assim, por exemplo, se a aquisição do insumo é do mês março e a requerente pretende apropriálo em setembro do mesmo ano, terá de comprovar que não o fez nos meses de março a agosto. Nesse sentido estão as orientações da Receita Federal quanto à necessidade de retificação dos DACONs e DCTFs originais, como instrumentos próprios para tal comprovação, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento de créditos. Há precedentes desta Seção de Julgamento do Carf, conforme trechos extraídos abaixo dos Votos dos Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan, no sentido de que pode ser admitida a relevação da formalidade de retificação das declarações e demonstrativos desde que demonstrada pela interessada a ausência de utilização do crédito extemporâneo em outros períodos: Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n° 3402002.603 4a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Aproveitamento de Créditos Extemporâneos (...) A matéria no entanto já tem entendimento em sentido contrário, plasmado, por exemplo, no Acórdão n° 3403002.717, de 29 de janeiro de 2014 (Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime), em que quedou assente a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. Admitese a possibilidade de relevar formalidade de retificação das declarações desde que demonstrada conclusiva e irrefutavelmente, a ausência de utilização do crédito extemporaneamente registrado. De se reconhecer, no entanto, que a retificação das declarações é extremamente mais simples. Assim, omitindose em proceder à prévia retificação do Dacon respectivo e sem fazer prova cabal de que não aproveitou o crédito anacrônico, devese manter a glosa. (...) Processo nº 10380.733020/201158 Acórdão n° 3403002.717 4a Câmara / 3a Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2014 Relator: Rosaldo Trevisan Fl. 1660DF CARF MF 24 (...) Cabe destacar de início, que, por óbvio, a ausência de retificação a que se refere o fisco, é referente aos períodos anteriores, pois o que se busca é evitar o aproveitamento indevido, ou até em duplicidade. As retificações, como destaca o fisco, trazem uma série de consequências tributárias, no sentido de regularizar o aproveitamento e tornálo inequívoco. Quanto à afirmação de que a recorrente cumpriu em demonstrar a ausência de utilização anterior dos referidos créditos, indicando genericamente todos os documentos entregues à fiscalização e/ou acostados na impugnação, não logra instaurar apresentar elementos concretos que ao menos instaurem dúvida no julgador, demandando diligência ou perícia. Aliás, a perícia solicitada ao final do recurso voluntário considerase não formulada pela ausência dos requisitos do art. 16, IV do Decreto no 70.235/1972, na forma do § 1o do mesmo artigo. No mais, acordase com o julgador de piso sobre a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. E, ainda que se relevasse a formalidade de retificação das declarações, não restou no presente processo demonstrada conclusivamente, como exposto, ausência de utilização anterior dos referidos créditos. Sobre a afirmação de que a autuação "funda seu entendimento tão somente em uma solução de consulta, formulada por outro contribuinte", é de se reiterar de que forma o fisco utilizou soluções de consulta na autuação (fl. 35 do Termo de Verificação Fiscal): "O segundo requisito diz respeito à necessária retificação, em todos os períodos pertinentes, de todas as declarações (DACONs, DCTFs e DIPJs) cujos valores são alterados pelo recálculo e refazimento da apropriação de créditos de PIS e COFINS. Isto porque este procedimento implica também o recálculo de todos os tributos devidos em cada período de apuração, especialmente o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. É que na sistemática da nãocumulatividade, qualquer apropriação de créditos de PIS e de COFINS, resulta, necessariamente na redução, em cada período de apuração, de custos ou despesas incorridas e, por consequência, na elevação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Há diversas soluções de consulta no âmbito da RFB, que exprimem o entendimento acima, dentre elas citaremos a Solução de Consulta no 14 SRRF/6aRF/DISIT, de 17/02/2011, a Solução de Consulta no 335 SRRF/9aRF/DISIT, de 28/11/2008, e a Solução de Consulta no 40 SRRF/9aRF/DISIT, de 13/02/2009." Assim, patente que as soluções de consulta não são (e sequer constam no campo correspondente) a fundamentação da autuação. (...) Em adição ao que a DRJ estabelece, agregamos somente a possibilidade de, na ausência das retificações, haver comprovação inequívoca do alegado por outros meios, o que não se visualiza no caso dos presentes autos. É de se reconhecer, contudo, que extremamente mais simples é a retificação das declarações. (...) Nesse sentido também foi decidido por este Colegiado, em outra composição, no Acórdão nº 3402002.809, de 10/12/2015, sob minha relatoria: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 (...) CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.650 25 Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. Assim, no caso presente, não obstante se pudesse relevar a formalidade de retificação das declarações e demonstrativos, diante da ausência de demonstração inequívoca, a cargo da recorrente, de que os créditos extemporâneos, referentes à aquisições dos anos de 2005 e 2006, não foram aproveitados em outros períodos, não há como reformar a decisão recorrida. 6. Da glosa relacionada aos gastos com importação Trata este tópico das glosas relativas aos gastos com despachante aduaneiro na importação de bens e o correspondente transporte até o estabelecimento da recorrente. Segundo a recorrente seriam os bens importados máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves, os quais não estariam disponíveis no mercado nacional. A DRJ manteve a glosa dos gastos com despachante aduaneiro, com esteio no Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4/2012 e na Solução de Divergência Cosit nº 7/2012, abaixo transcritos, tendo em vista que não é permitido o desconto de créditos sobre tais dispêndios, os quais não compõem a base de cálculo das referidas contribuições incidentes na importação de mercadorias: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4, de 26 de junho de 2012 DOU de 27.6.2012 “Dispõe sobre a impossibilidade do desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 273 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 a 18 Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, e na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 24 de maio de 2012, declara: Artigo único. Os gastos com desembaraço aduaneiro na importação de mercadorias não geram direito ao desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), por falta de amparo legal. Solução de Divergência nº 7, Cosit, de 24/05/2012 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. GASTOS COM DESEMBARAÇO ADUANEIRO. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, relativos a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, decorrentes de importação de mercadorias, por falta de amparo legal. Dispositivos Legais: Lei nº 10.865, de 2004, art. 7º, I e art. 15 (...) Fl. 1662DF CARF MF 26 19. Portanto, considerandose que os dispêndios com desembaraço aduaneiro devem ser tratados como parte do custo de aquisição das mercadorias importadas, a possibilidade de creditamento em relação ao referido custo deve ser aferida exclusivamente com base na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre as contribuições incidentes na importação. 20. Por outro lado, mostrase absolutamente indevido, em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, qualquer creditamento com base nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que cuidam, respectivamente, de outras contribuições, quais sejam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pelas pessoas jurídicas no mercado interno. 21. Embora dispensável, observase que um mesmo dispêndio não poderá gerar crédito duplamente: na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Ou seja, não é possível a apuração de crédito sob a égide das duas espécies de contribuições em relação a um mesmo fato econômico, visto que ou se está numa “operação de importação” ou numa “operação doméstica”. 22. Exatamente por isso, o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e seu homólogo na Lei nº 10.833, de 2003, limitam o direito de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita exclusivamente “aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País”, e “aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País”. 23. Verificase, portanto, que a análise da possibilidade de se apurar créditos com relação aos gastos com desembaraço aduaneiro deve se basear exclusivamente na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a importação de bens e serviços. 24. O direito ao crédito previsto na Lei retrocitada referese às contribuições efetivamente pagas na importação e corresponde ao valor resultante da aplicação das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes no mercado interno no regime de apuração não cumulativa (1,65% e 7,6%, respectivamente) sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições incidentes na importação, acrescido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando integrante do custo de aquisição. É o que se infere da leitura do § 1º e do § 3º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004: 25. De fato, há que se verificar se os gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada estão incluídos na base de cálculo das contribuições incidentes sobre a importação, pois, caso não estejam, não há que se falar em apuração de crédito para ulterior abatimento do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar incidentes sobre a receita bruta, visto que o crédito só existe em relação às contribuições efetivamente pagas. Em outras palavras, o crédito na importação não pode ser maior do que a Contribuição para o PIS/Pasep Importação e a CofinsImportação pagas pelo contribuinte. ...... 32. Assim, nos termos da legislação em estudo, os gastos com desembaraço aduaneiro não estão incluídos na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep– Importação e da Cofins–Importação por ocasião da importação de mercadorias. Consequentemente, não há contribuição efetivamente paga sobre esses gastos, não sendo, portanto, possível a apuração de crédito sobre os referidos dispêndios. 33. Assim, considerandose as hipóteses de creditamento previstas no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, combinado com o inciso I do art. 7º do referido diploma legal, não há autorização para apuração de crédito em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada. Isto porque, conforme o § 1º do art. 15, o direito ao crédito aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação, pagamento que não ocorre em relação a tais gastos, visto que eles não compõem a base de cálculo das aludidas contribuições. Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.651 27 Conclusão 34. Diante do exposto, solucionase a presente divergência afirmandose que: a) os gastos com desembaraço aduaneiro devem ser considerados como integrantes do custo de aquisição de mercadoria importada; b) em se tratando de operação de importação de mercadoria, utilizada como insumo ou destinada à revenda, devese analisar a Lei nº 10.865, de 2004, para fins de verificação do direito ao desconto de crédito para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; c) os gastos com desembaraço aduaneiro decorrentes de importação de mercadoria não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação, por força do disposto no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865, de 2004; d) não é permitido às pessoas jurídicas submetidas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins descontar créditos em relação a gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada, utilizada como insumo ou destinada à revenda, por falta de amparo legal, consoante disposto no § 1º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. De outra parte, os argumentos apresentados no recurso voluntário não convencem. Alega a recorrente que os gastos com despachantes aduaneiros seriam qualificados como custos dos produtos importados, o que, a seu ver, já justificaria a permissão para apropriar os respectivos créditos. Ora, o que poderia justificar o reconhecimento de um direito creditório é a sua previsão legal, o que inexiste para tais gastos, mormente quando esses valores sequer integram a base de cálculo das contribuições de PIS/Cofins na importação. Também não se poderia dizer que os gastos com despachantes aduaneiros seriam "imprescindíveis para a importação dos mencionados bens pela ora Recorrente", vez que as atividades relacionadas ao despacho aduaneiro de mercadorias também podem ser efetuadas por outras pessoas, inclusive empregado com vínculo empregatício exclusivo, nos termos do art. 5º, §1º do Decretolei nº 2.472/887, atualmente consolidado no art. 809 do Regulamento Aduaneiro/2009. A decisão recorrida deve ser mantida em relação aos gastos com despachantes aduaneiros pelos seus próprios fundamentos. Quanto ao frete nacional dos bens importados, melhor sorte não assiste à recorrente. 7 Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada apor qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excedentes da responsabilidade do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela própria ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado, ou por despachante aduaneiro. (...) Fl. 1664DF CARF MF 28 Os créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, no que concerne aos bens e serviços utilizados como insumo no processo produtivo da contribuinte, estão previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/20048, sendo que, em seu §3º, está definida a base de cálculo do crédito como "o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição". Por sua vez, o art. 7º da Lei nº 10.865/2004 estabelece que a base de cálculo das contribuições será o valor aduaneiro. Nos termos do art. 77 do Regulamento Aduaneiro/2002 ou 2009, integram o valor aduaneiro o custo de transporte e os gastos relativos à carga, descarga e manuseio da mercadoria importada até o ponto de desembaraço no território aduaneiro, bem como o custo do seguro da mercadoria nessas operações. Dessa forma, não há possibilidade de, com fundamento no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, se autorizar o creditamento das despesas com frete e armazenagem incorridas após o desembaraço aduaneiro, que não integram a base de cálculo definida na Lei para o desconto dos créditos. De outra parte, também o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, obviamente, não poderia socorrer a recorrente relativamente a despesas em operações referentes à entrada do insumo, eis que se refere a despesas de frete e armazenagem relativas à operação de venda com o ônus suportado pelo vendedor. Analisemos agora a eventual aplicação do art. 3º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 (ou o correspondente da Lei nº 10.637/2002), o qual dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) 8 Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (...) II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) § 3º O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.652 29 § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) [negritei] Como se sabe, o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou da Lei nº 10.637/2002 trata do creditamento relativo a um bem ou a um serviço que seja utilizado como insumo na processo produtivo, no caso, na prestação de serviços de transporte de passageiros ou cargas. Vejamos primeiro a hipótese de "serviço utilizado como insumo". Poderia o frete dos bens importados (máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves) ser considerado como "serviço utilizado como insumo" na prestação dos serviços de transporte pela ora recorrente? Entendo que não. Em que pese o CARF não adotar a interpretação restritiva das Instruções Normativas no conceito de insumo, é certo que o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 não abriga o creditamento de serviços utilizados em etapas anteriores, que não possam ser consideradas como a prestação do serviço em si (resultado do processo produtivo), no caso, o transporte de pessoas e cargas. Os referidos serviços (frete) são aplicados somente nos próprios insumos, que já foram importados na condição de insumos, de forma que também não se poderia considerar como algo relacionado à produção ou à fabricação anterior desses insumos. O dispositivo legal exige que o serviço (no caso, o frete) seja utilizado como insumo na própria prestação do serviço (transporte de pessoas e cargas), o que não é o caso. Tampouco haveria possibilidade de creditamento dessas despesas com frete em relação ao "bem utilizado como insumo", embora haja construção jurisprudencial no CARF9 no sentido de admitir o desconto de créditos, no que concerne ao frete relativos aos 9 Acórdão nº 3402002.662– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Em se tratando de serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento tomado sobre o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3°, e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, cfe. inc. IX. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, isso em razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo. Há ainda uma quarta hipótese, defendida na jurisprudência deste Colegiado, decorrente do conceito de insumo que se adota, no caso de fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. O transporte de produto acabado isso é, depois de concluído o processo produtivo – não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas. Se do ponto de vista logístico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda, juridicamente, não. Esse entendimento está plasmado, por exemplo, no voto condutor do Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012: “Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese Fl. 1666DF CARF MF 30 insumos, em relação aos bens utilizados como insumo e aos bens para revenda, relativamente às despesas de fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou 10.637/2002) ou de um bem para revenda (inciso I). Em relação ao bem adquirido de pessoa jurídica no exterior não se vislumbra hipótese de creditamento com base nos arts. 3ºs das Leis nºs 10.833/2003 ou 10.637/2002, em face da restrição contida no §3º, I desse dispositivo ("§ 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;") e, em consequência, também não seria possível o creditamento de gastos com o frete nacional vinculados ao creditamento desses bens (apropriado ao custo de aquisição do bem utilizado como insumo). Mais importante é que, como visto, no caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial aplicável ao caso, a qual não prevê a inclusão dos gastos com frete. Assim, sob qualquer ponto de vista, não há que se falar em creditamento das despesas relativas a frete realizadas após o desembaraço aduaneiro, sendo o mesmo raciocínio aplicável aos gastos com despachantes aduaneiros. Em situação semelhante ao presente caso, foi decidido no mesmo sentido do proposto acima por unanimidade de votos daquele Colegiado, sob a relatoria do Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento, conforme ementa abaixo: Acórdão nº 3302003.212– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2016 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Relator: José Fernandes do Nascimento ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições (valor aduaneiro, segundo art. 7º, I, da Lei 10.865/2004), nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003. (...) específica de creditamento, referida pelo art. 3°, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3°, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3°. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido.” Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.653 31 6. Da glosa relacionada aos gastos com estadia de tripulantes Com relação aos gastos com estadia de tripulantes alega a recorrente que: "Não há como desconsiderar a indispensabilidade do gasto com estadia dos tripulantes para que a empresa aérea possa desenvolver suas atividades. Afinal, na atividade de transporte aéreo se pressupõe que os tripulantes percorram longas distâncias para efetivarem a prestação do serviço a que se propõem. E, não raro, por conta da imperiosa necessidade de respeitar a duração da jornada de trabalho do aeronauta, para que este tenha condições de desempenhar seu trabalho, a estadia do tripulante é indispensável à continuidade da prestação do serviço pela companhia". No entanto, os serviços relativos à hospedagem de tripulantes não são utilizados como insumo na prestação de serviços de transporte pela recorrente em si, sendo usufruídos pelos tripulantes em face dos deslocamentos decorrentes da modalidade de trabalho que exercem. Tratamse de despesas que atendem a uma necessidade operacional da empresa, não se enquadrando no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins. Nesse sentido está a Solução de Divergência nº 15, de 30 de Maio de 2008: “Os gastos com passagem e hospedagem de empregados e funcionários, não são considerados “insumos” na prestação de serviços, não podendo ser considerados para fins de desconto de crédito na apuração da contribuição para a Cofins e o PIS nãocumulativo". 7. Da glosa relacionada aos gastos com o reparo de equipamentos utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos Neste tópico assim decidiu a DRJ: No caso do 1º trimestre de 2010, os bens glosados (“Planilha 9.8 – Gastos com o Reparo de Equipamentos Utilizados na Manutenção”) dizem respeito às seguintes contas: “Gastos com Equipamentos Terrestres” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”. Tais contas já foram analisadas no item “II.5.4 DA GLOSA RELACIONADA ÀS AQUISIÇÕES DE BENS PATRIMONIAIS”, tendo o crédito glosado sido indeferido à contribuinte. Pelas mesmas razões lá aduzidas, entendese serem corretas as glosas realizadas. Como dito no tópico 4. a recorrente manifestou concordância com relação às contas "Gastos com equipamentos terrestres" e "Serviços de manutenção em equipamentos", razão pela qual a decisão recorrida há de ser mantida nesta parte. 9. Da glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo Tratase de glosas relativas aos gastos decorrentes da (i) contratação de serviços de comunicação por rádio, (ii) serviços de despachantes, (iii) serviços de segurança patrimonial, (iv) serviços gráficos, (v) serviços gerais de limpeza, (vi) gastos com treinamentos, (vii) serviços de telefonia e banda larga, (viii) serviços de lavagem, (ix) abastecimento de água (QTA) e energia (GPU equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), (x) manutenção de instalações, (xi) aparelhos telefônicos e (xii) de ar condicionado, (xiii) manutenção de extintores e (xiv) de aparelhos de raio X, (xv) cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas, (xvi) rede de dados e voz. Fl. 1668DF CARF MF 32 Entendeu a autoridade administrativa que: "Tais serviços, por mais necessários às atividades desenvolvidas pela contratante, não estão diretamente ligados à atividade de transporte aéreo de cargas, fato que os afasta da conceituação de insumo". Os gastos com comunicação de rádio entre a companhia aérea e a torre de comando são remuneradas por tarifa e já estão incluídos no tópico "tarifas aeroportuárias". Quanto aos serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas, bem como para contato entre as áreas aeroportuárias, entendeu a DRJ que eles são empregados diretamente na prestação dos serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros, concedendo o respectivo crédito no que concerne ao transporte de cargas. Dessa forma, como neste Voto foi considerado que o transporte internacional de passageiros está sujeito ao regime não cumulativo, deve ser aqui revertida a parcela da glosa sobre "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros. Com relação à aquisição de “aparelhos de raio X”, como dito pelo julgador a quo, só poderia gerar créditos de depreciação. Como a recorrente não apresentou qualquer argumento que afastasse tal constatação, a glosa deve ser mantida nessa parte. No entanto, quanto “serviços de operação de equipamentos de raio X”, eles podem estar vinculados tanto ao transporte de passageiros como de carga, devendo a parcela da glosa de tais serviços aplicada no transporte internacional de cargas ou no transporte internacional de passageiros ser revertida. No tocante à segurança patrimonial e aos gastos com aquisição de extintores de incêndio, alega a interessada que ambos estão vinculados à segurança dos passageiros e das cargas transportadas. Tendo em vista a não demonstração pela recorrente de que os extintores de incêndio seriam bens não ativáveis, não se pode reverter essa parcela da glosa, entretanto, os serviços relativos à segurança dos passageiros e das cargas enquadramse no conceito de insumo adotado neste voto, eis que são essenciais e imprescindíveis ao transporte de passageiros e de cargas, devendo a parcela da glosa relativa à "segurança patrimonial" ser revertida relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. A glosa dos créditos relacionados ao fornecimento de energia às aeronaves (GPU: equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), que se refere, na verdade, a gastos com a locação destes equipamentos e não com suas aquisições, foi mantida pela DRJ nos seguintes termos: "Ocorre, todavia, que a empresa não conseguiu demonstrar dois aspectos essenciais para ter direito ao crédito em discussão. Primeiro, provar que também a atividade aérea de transporte de cargas necessita deste tipo de equipamento. Pelo recurso apresentado, parece que tais equipamentos são utilizados apenas no transporte de passageiros que, como já se viu, está sujeito ao regime cumulativo. Além disso, o contrato apresentado pela manifestante (doc. 5), fls. 1.471/1.476, foi assinado em 04/11/2013 e o prazo de vigência, conforme cláusula 2.1 só se iniciou a partir da assinatura do contrato. Portanto, como o crédito é do 1º trimestre de 2010, tal contrato não tem o condão de gerar o crédito pretendido". Assim, como a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo ou extintivo quanto a não vigência do contrato no período analisado, não restou comprovado o direito creditório relativo à locação do equipamento GPU, não cabendo reforma na decisão recorrida. Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.654 33 Quanto aos gastos com treinamento de tripulantes, decidiu a DRJ no sentido de que "não há previsão legal expressa que autorize o creditamento com tal gasto. Por outro lado, tais despesas não se subsumem no conceito de “insumos”, pois não se caracterizam como “bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços” ou “serviços aplicados ou consumidos na prestação do serviço”. De outra parte, alega a recorrente que "as despesas com treinamento de tripulantes são indispensáveis para a aludida execução do serviço de transporte aéreo e estão diretamente relacionadas ao objeto social da Recorrente, razão pela qual as glosas devem ser revertidas por este E. CARF". No entanto, as despesas com treinamento de empregados embora sejam essenciais em qualquer ramo empresarial, não são se tratam de serviços aplicados na prestação de serviços de transporte, objeto social da recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida nesta parte. Quanto aos demais itens deste tópico, em que pesem os argumentos da recorrente, deve ser mantida a decisão recorrida, nos seguintes termos: "é facilmente observável que diversos bens glosados não dizem respeito diretamente ao serviço prestado pela manifestante, sendo apenas despesas operacionais da empresa. Obviamente, serviços gerais de limpeza, serviços de telefonia e banda larga, serviços de lavagem, gastos com cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas entre diversos outros, não têm correspondência direta com os serviços prestados pela empresa, não podendo gerar o direito ao crédito. São bens de uso e consumo da empresa, que não geram o direito ao crédito". No que diz respeito a "rede de dados e voz", conforme já decidido por este CARF no Acórdão nº 3401002.857, de 27 de janeiro de 2015, em relação a uma transportadora de cargas, não há o direito ao creditamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:2009, 2010, 2011 (...) DESPESAS COM TELEFONEVOZ E TELEFONEDADOS. VINCULAÇÃO A ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS. NÃO ENQUADRAMENTO COMO INSUMOS. As despesas com telefonevoz e telefonedados, por sua natureza, não se vinculam à prestação de serviço de transporte de cargas e não são indispensáveis a sua execução. Ademais, sua utilização está principalmente vinculada à realização das atividades administrativas da empresa, o que permitiria enquadrálas como necessária nos termos da legislação do IRPJ. Considerando a definição de insumos adotada, que não se confunde com o de despesa necessária do art. 299 do Decreto nº 3000/99, tais despesas não preenchem os requisitos para caracterização como insumo. Deve ser mantida a glosa em relação a estas despesas. Assim, em resumo, devem ser revertidas neste tópico, relativamente à glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo, somente as seguintes parcelas: a) "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e Fl. 1670DF CARF MF 34 b) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. 10. Da glosa relacionada aos gastos com pagamentos efetuados a pessoas físicas A recorrente manifesta concordância com esta glosa. 11. Da glosa relacionada aos gastos não considerados insumos Bens de uso e consumo No tocante a estas glosas, assim decidiu a DRJ: Observase com as glosas levadas a cabo pela fiscalização (Anexo 9.11 – Outros gastos não classificáveis como insumos) que a interessada pretendeu se creditar de todos os gastos que possui. No referido anexo, percebese a glosa de, entre outros, dispêndios com lixas, thinner, fita crepe, rolo de espuma, aplicador de massa, estopa, bobinas, etc. Todavia, não é todo e qualquer custo que gera o crédito da não cumulatividade do PIS/Cofins. Bens de uso e consumo não podem gerar o crédito da não cumulatividade das referidas contribuições, razão pela qual correta as glosas efetividas pela fiscalização. Tais bens são de uso e consumo, não havendo previsão legal para este tipo de creditamento. Além do mais, como a própria interessada consignou em seu recurso, “os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins não devem alinharse às definições de custo e despesas de que trata o RIR/99”. Especificamente, a interessada se insurge contra as glosas de despesas com vestuários e acessórios profissionais, entendidos como os uniformes utilizados pelos funcionários de rampa, aeroporto, os tripulantes, etc. Quanto a estas despesas em específico, vale observar que a Lei n° 11.898, de 08/01/2009, incluiu nos artigos 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 o inciso X, prevendo tal direito a crédito, in verbis: X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Observase, portanto, que as despesas constantes do inciso acima transcrito não proporcionam o crédito indiscriminadamente a qualquer pessoa jurídica. Tais despesas possibilitam o crédito apenas a pessoas jurídicas que explorem a prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Como este não é o caso da manifestante, não há que se falar em direito a crédito em relação a essas despesas. Por fim, a manifestante reclama especificamente sobre as glosas de gastos com materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticas, que são utilizados para a conservação e para a segurança das partes e peças que serão destinadas ou à manutenção ou à própria aplicação nas aeronaves. Tais bens, entretanto, por razões já exaustivamente debatidas neste voto, não se enquadram no conceito de insumo para a empresa em epígrafe, dado o seu objeto social. Afinal, não têm vinculação direta com a prestação de seus serviços. Alega a recorrente que as "despesas com vestuários e acessórios profissionais" seriam custeadas pelo empregador, conforme determinação legal, não havendo como dissociar esse gasto ao conceito de insumo. Não obstante o conceito mais amplo de insumo no âmbito deste CARF, entendo que tais despesas não se enquadram no conceito de insumo, vez que não são aplicadas no transporte de pessoas e cargas, tratandose de despesas operacionais da empresa. No caso de fardamento e uniforme, o legislador ordinário optou por Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.655 35 conceder o creditamento somente às atividades de "prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção", nos termos do art. 3º, IX das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Com relação aos "Materiais de Acondicionamento e Embalagens", embora afirme a recorrente que se tratariam de "materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticos", não se tem prova nos autos de que natureza seriam tais materiais e embalagens ou se seriam não ativáveis, devendo a decisão recorrida ser mantida também nesta parte. 12. Da glosa relacionada aos gastos com importação de bens com alíquota zero e 13. Da glosa relacionada a valores ausentes da memória de cálculo A recorrente manifestou concordância com tais glosas. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário na seguinte forma: a) Determinar à autoridade administrativa que efetue novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total, bem como a inclusão das receitas originadas do transporte internacional de passageiros no regime não cumulativo; e b) Reverter somente as seguintes parcelas das glosas abaixo: i) glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no valor relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; ii) glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro: "Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos", "Serviços auxiliares aeroportuários", "Serviços de handling", "Serviços de comissaria", "Serviços de transportes de pessoas e cargas" e "Gastos com voos interrompidos", no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; iii) gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo: iii.1)"serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e iii.2) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1672DF CARF MF 36 Voto Vencedor Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Redatora Designada Com a devida vênia, ouso divergir da ilustre Relatora no que tange à glosa de despesas com os uniformes dos aeronautas relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. A questão de mérito discutida nestes autos é já amplamente conhecida pelos julgadores do CARF. Tratase do conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade (artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) Embora não seja essa premissa o objeto da minha divergência em relação ao voto da Conselheira Relatora mas sim a sua aplicação sobre uma específica glosa , vale repisar a evolução jurisprudencial administrativa sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide. Quando primeiramente instado a se manifestar sobre o tema, este Conselho convalidou o restritivo entendimento esposado pela Receita Federal, materializado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04. Ou seja, transportouse o conceito de insumo do IPI para sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia que ao contribuinte somente seria legítimo descontar créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469). Num segundo momento, já assumindo a impropriedade de se aplicar como critério para aferir o crédito PIS e COFINS não cumulativos aquele do IPI uma vez que materialidades destas espécies de tributos são completamente distintas, sendo a do IPI, circunscrita ao âmbito da industrialização, enquanto a das Contribuições, é mais abrangente, por ser a receita como um todo , o CARF passou a utilizar as regras de dedutibilidade de despesa constante na legislação do pelo imposto sobre a renda (“IR”) para a definição de insumos (e.g. Acórdão n. 320200.226). Nesse sentido, a jurisprudência do CARF acabou conferindo uma amplitude maior ao conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à consecução do objeto social da pessoa jurídica. Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”.10 Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). 10 AC nº 9303002.801, Processo nº 13052.000441/200307, rel. Rodrigo da Costa Pôssas , sessão de 23 de janeiro de 2014. Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.656 37 Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 (Acórdão 3402002.881), para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Ademais, na recente data de 24 de abril de 2018, foi publicado pelo Superior Tribunal de Justiça o Acórdão relativo ao REsp 1.221.170 / PR, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, que pacifica a tese adotada por este Conselho, in verbis: 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Tal julgamento é de observância obrigatória pelo CARF, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. A Recorrente é concessionária de serviço público que se dedica à prestação de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e objetos postais, assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves, motores, partes e peças de terceiros. Tendo em vista o citado objeto social, a Recorrente trouxe aos autos prova de seus dispêndios com vestuários e acessórios profissionais de seus funcionários. O custeio dessas vestimentas para os aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984 (com a redação mantida pela Lei n. 13.475/2017, a qual dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave, denominado aeronauta; e revoga a Lei no 7.183/1984), in verbis: Art. 46 O aeronauta receberá gratuitamente da empresa, quando não forem de uso comum, as peças de uniforme e os equipamentos exigidos para o exercício de sua atividade profissional, estabelecidos por ato da autoridade competente”. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade da Recorrente, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo Fl. 1674DF CARF MF 38 de produção dos serviços prestados pela Recorrente, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais. Assim tem se manifestado esse Conselho em casos análogos, à medida que o fornecimento de uniformes decorre de imposição de lei específica do setor econômico da empresa. Citamos como exemplo o caso dos uniformes utilizados pelos funcionários em redes de supermercado, conferindo direito ao crédito das Contribuições, haja vista que para cada setor específico das lojas a legislação trabalhista brasileira prevê a obrigatoriedade do fornecimento de equipamentos de proteção individual bem como de uniformes para os seus funcionários (Acórdão n. 3301004.483). Por tudo quanto exposto, voto pela reversão das glosas de créditos pautados em "despesas com vestuário e acessórios profissionais" dos aeronautas, relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.657 39 Declaração de Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz Igualmente devo expressar minha discordância com a Ilustre Relatora no que tange ao direito creditório referente aos gastos com insumos importados, mais precisamente o frete nacional de insumos importados e os serviços aduaneiros. Como já noticiado, a Recorrente é concessionária de serviço público que se dedica à prestação de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e objetos postais, assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves, motores, partes e peças de terceiros, sendo que, para o desenvolvimento destas atividades, tornase imprescindível o uso de máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves, que não estão disponíveis no mercado nacional. Por essa razão, necessita importálas do exterior, assim como transportálas para seus estabelecimentos e armazenálas com terceiros. Desta forma, os referidos gastos com frete nacional dos produtos e despachantes aduaneiros são imprescindíveis para a consecução do objeto social da Recorrente, o que os qualifica como insumos para fins de creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS, de acordo com a legislação que rege o tema, como passo a expor. Tratemos primeiramente do frete nacional de produtos importados. A garantia do direito dos créditos das Contribuições é imperiosa no presente caso, pois os motivos elencados pela Fiscalização e corroborados pela DRJ não se coadunam com a natureza do frete sob análise e, por conseguinte, com a legislação que garante seu aproveitamento. Com efeito, o frete em apreço tratase de frete nacional, e não internacional (custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado, conforme o artigo 77 do Regulamento Aduaneiro Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009). É por esta razão que os argumentos de que "inexiste norma garantidora do direito a tal crédito", e de que "a legislação disciplinadora da Contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre as importações referese ao valor aduaneiro, dentro do qual não estaria incluído o frete", não se aplicam ao presente caso. Explico. Inicialmente, é preciso recordar a diferenciação da incidência/direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre importações ("PISimportação e COFINS importação", ou PIS/COFINSimportação), com a incidência/direito ao crédito das Contribuições ao PIS e da COFINS ("PIS e COFINS") incidentes sobre operações no ocorridas no mercado interno. O PISimportação e a COFINSimportação são exações tributárias disciplinadas pela Lei n. 10.685/04, que em seu artigo 1º, traz a materialidade que é atingida pelas Contribuições: a importação de bens e serviços. Assim, o PIS/COFINSimportação incide uma única vez, no momento da importação de bens e serviços. Fl. 1676DF CARF MF 40 Tratandose de incidência tributária sobre as importações (paralelamente à desoneração na exportação pelos países estrangeiros), o PISimportação e a COFINS importação dão efetividade ao princípio do destino, que rege a tributação do comércio internacional, como decorrência da necessidade de harmonização das legislações entre Estados, como ensina Ricardo Lobo Torres.11 Desse modo, as mercadorias e serviços trazidos do exterior serão sujeitos à incidência dos tributos nacionais sobre o consumo (como o IPI, o ICMS e o ISS), tendo então o mesmo tratamento tributário das mercadorias e serviços produzidos no mercado nacional, com isso respeitando o princípio da não discriminação. Dessarte, o PIS–importação e a COFINS–importação incidem tão somente nas operações nas quais os fornecedores estão domiciliados fora do país, e é a essa situação que a Lei n. 10.685/04 abarcou. Consequentemente, a Lei n. 10.865/04 não trata das operações praticadas em território brasileiro, as quais, como é consabido, são regradas pelas Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003. Todavia, para as pessoas jurídicas que apuram as Contribuições pela sistemática da nãocumulatividade, a importação pode ser a primeira das etapas comerciais, industriais ou de prestação de serviços que ocorrerão em território nacional, a qual eventualmente poderá ser juntar a outros bens ou serviços adquiridos no mercado interno para a consecução das atividades empresarias. Justamente nesse sentido, a Lei n. 10.865/2004, em seu artigo 15, estabeleceu que um dos créditos que podem ser apurados na não cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS (cf. as Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003) corresponde aos valores pagos anteriormente a título de PIS/COFINSimportação. Vejamos Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 11 Assim, a tributação é outorgada para o país onde os bens são consumidos. (O princípio da não cumulatividade e o IVA no direito comparado. In O princípio da nãocumulatividade, coord. Ives Gandra da Silva Martins, p. 161). Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.658 41 § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 1oA. O valor da CofinsImportação pago em decorrência do adicional de alíquota de que trata o § 21 do art. 8o não gera direito ao desconto do crédito de que trata o caput.(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 2o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 3o O crédito de que trata o caput será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no art. 8o sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7o, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição A dicção do caput do artigo 15 da Lei n. 10.865/2004 é clara: concedeserá o direito ao crédito, relativamente às IMPORTAÇÕES, sobre as contribuições efetivamente pagas (§1º), apurado de acordo com as demais normas que regem o PISimportação e a COFINSimportação, dentre elas a utilização do valor aduaneiro sobre da importação de bens (artigo 7º, inciso I). Como é possível perceber desde já, aqui se discute unicamente a incidência e o crédito nas importações. Esse é o marco final da disciplina da Lei n. 10.865/2004, que em nada pode ou deve prejudicar a incidência das Contribuições que ocorrem em momento subsequente (mercado nacional) e o respectivo direito ao crédito. Afinal, não há e nem poderia haver na Lei n. 10.865/2004 vedação à tomada de outros créditos decorrentes de dispêndios posteriores à importação, pois tais momentos não são objeto de sua normatização. Assim é que a discussão sobre o valor aduaneiro e falta de amparo legal, como já adiantado, em nada tangencia o presente caso, no qual o frete é nacional, uma vez que prestado depois do desembaraço aduaneiro. Tratase de serviço contratado pela Recorrente para que possa efetivar suas atividades empresariais. Com relação a tais fretes, é necessário observar o quanto disposto pelas Lei n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, pois estas sim cuidam da incidência e, por conseguinte, do direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS em casos como o presente. São inúmeras as manifestações da Receita Federal sobre o assunto, sempre tendo como pressuposto justamente a diferenciação acima exposta, como se depreende, a título exemplificativo, dos trechos das seguintes Soluções de Consulta: Solução de Consulta nº 113 SRRF09/Disit, datada de 11 de junho de 2012: É que os créditos a que a Leis nº 10.637, de 2002, e a Lei nº 10.833, de 2003, aludem são somente os relativos a aquisições no mercado interno, diferentemente dos créditos relativos à importação de bens e de serviços, que estão no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Solução de Consulta nº 75 SRRF08/Disit Data 27 de março de 2013: 12 Devese ressaltar a notável diferença existente entre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre as Fl. 1678DF CARF MF 42 operações no mercado interno e a Contribuição para o PIS/Pasep–Importação e a Cofins–Importação incidentes sobre as importações de bens e serviços. Tratamse de tributos distintos, que possuem hipótese de incidência, base de cálculo e contribuintes diferentes. 13 De um lado, temse a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita (mercado interno), cuja autorização para sua criação fundase no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal (CF). O regime de apuração não cumulativa das mencionadas contribuições foi instituído pela Lei nº 10.637, de 2002, relativamente à Contribuição para o PIS/Pasep, e pela Lei nº 10.833, de 2003, no que se refere à Cofins. Com efeito, a Receita Federal parte do mesmo pressuposto do adotado no presente voto: há primeiro uma operação de importação de bens, sujeito à incidência do PIS importação e da COFINSimportação, dado direito ao crédito nos moldes do artigo 15 da Lei n. 10.865/2004; posteriormente outras operações passam a existir em âmbito nacional, sobre as quais vai incidir a Contribuição ao PIS e a COFINS nãocumulativas, e os créditos estão disciplinados pelos artigos 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Ocorre que, em razão do restrito juízo administrativo sobre o conceito de insumo no âmbito da Contribuição ao PIS e da COFINS no sentido daquele adotado na legislação do IPI (somente dariam direito ao crédito MP, PI e ME incorporados ao produto), o entendimento que hoje prevalece nas Soluções de Consulta é pela não autorização do direito ao crédito. Por todas, destaco a recente Solução de Consulta nº 121 Cosit, de 8 de fevereiro de 2017, na qual a questão do frete é análoga a que ora se discute: 13. No caso em tela, questionase a possibilidade de desconto de créditos em relação a gastos compreendidos entre o despacho aduaneiro e a revenda do produto, mais especificamente os serviços aduaneiros, o frete relativo ao transporte do produto importado do ponto de entrada no país até o estabelecimento da pessoa jurídica e as despesas com depósito (armazenagem), contratados com pessoa jurídica domiciliada no Brasil. 14. Em relação à despesa com serviços aduaneiros, verificase que não estão incluídas no rol de hipóteses de creditamento constantes do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Em que pese os serviços aduaneiros referiremse à aquisição de mercadorias importadas, também não encontramos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que enumera os créditos decorrentes da importação, hipótese passível de abarcar os referidos serviços. 15. Com relação ao frete concernente ao transporte do produto importado do ponto de entrada no país até o estabelecimento da pessoa jurídica, verificase que, dentre as hipóteses de crédito enumeradas pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, apenas é possível perquirirse acerca da previsão de crédito em relação a frete na operação de venda (inciso IX). No que toca aos gastos com frete na aquisição dos produtos, têmse sedimentado o entendimento de que tal dispêndio pode ser incorporado ao valor do item adquirido e, Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.659 43 caso este se destine à revenda (art. 3º, I, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003) e seja adquirido de pessoa jurídica domiciliada no Brasil (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 3º, I, e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 3º, I), o crédito pode ser apurado pelo valor total (custo de aquisição do item + frete). Como não é o caso, já que a mercadoria importada não é adquirida de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, essa aquisição não dá direito a crédito com base no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Dessa forma, a possibilidade de apuração de crédito, nesse caso, deve ser analisada com base no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, que trata, como mencionado, de produtos importados. A conclusão inarredável é que a Fiscalização somente analisa o direito ao crédito do frete nacional de produto importado à luz do artigo 3º, incisos I e IX das Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003, e não com relação ao artigo 3º, inciso II das mesmas leis, o qual, como se sabe, traz a possibilidade de tomada de crédito das Contribuições sobre bens ou serviços contratados no âmbito de seus processos produtivos. Porém, o assunto dos gastos com fretes e seu consequente direito ao creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS encontrase inserido na questão maior do conceito de insumo para fins do direito ao crédito dessas Contribuições Sociais, o qual teve grande atenção desse Conselho, culminando em jurisprudência já consolidada sobre o tema. Adotandose a linha de entendimento exposta no voto vencedor acima colacionado,12 como vem ocorrendo nas decisões proferidas por este Colegiado, a consequência lógica incontornável é pela necessidade de garantia do direito ao crédito da Recorrente, porque o seu direito sobre o frete nacional de produtos importados é sustentado pelo artigo 3º, inciso II das Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Ademais, é preciso salientar, entendimento diverso significaria tratar a não cumulatividade da Contribuição ao PIS e a COFINS como se fosse técnica de tributos vinculados ao produto. Não é demais repetir, a Contribuição ao PIS e a COFINS incidem sobre a receita, e daí advém o entendimento do CARF que os custos de produção, por serem indispensáveis para as atividades empresariais, devem dar direito ao crédito. É essa a tranquila jurisprudência deste Conselho, conforme se verifica das ementas abaixo colacionadas: Número do processo: 10950.003052/200656 Acórdão nº 3403001.938 Data de Publicação: 03/05/2013 Contribuinte: PLANT BEM FERTILIZANTES S.A. Relator(a): ROSALDO TREVISAN Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins 12 Este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 (Acórdão 3402002.881), para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Fl. 1680DF CARF MF 44 Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. “[...] CRÉDITOS. FRETE DE BENS QUE CONFIGURAM INSUMOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE QUE CONFIGURA INSUMO, INDEPENDENTE DO BEM TRANSPORTADO ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO. O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de transporte não é condicionado a que o produto transportado esteja sujeito à incidência das contribuições. [...] (Processo 13971.005202/200959, Acórdão 3403003.163, j. 20/08/2014, Relator Alexandre Kern) Outrossim, não permitir direito ao crédito do frete nacional (ou qualquer outro custo posterior à nacionalização) do insumo importado significaria o absurdo de que, com relação aquele insumo, nenhum outro gasto incorrerá a empresa em seu processo produtivo, ao fim do qual há a geração de receita, que sofrerá a tributação das Contribuições sociais em questão. Concluise assim que, efetivamente, ao tratamos do trânsito de matérias primas da zona portuária até o estabelecimento do contribuinte (frete nacional), o dispêndio com frete é custo da atividade da Recorrente, e deve ser entendido como insumo, nos termos do artigo 3º, inciso II das Lei n. 10.673 e 10.833, sendo capaz, portanto, de dar direito ao crédito, seja da Contribuição ao PIS, seja da COFINS. Nesse sentido, lembro que no tange à contratação do frete, como destaco alhures, está cumprido o requisito do artigo 3º, §3º inciso I das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, já que o crédito tomado pela Recorrente advém de serviços contratados de pessoas jurídicas domiciliadas no País. Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 12585.720028/201264 Acórdão n.º 3402005.331 S3C4T2 Fl. 1.660 45 Assim, entendo que deve ser concedido o direito ao crédito referente a fretes para o transporte de insumos da zona portuária até o estabelecimento do contribuinte. O mesmo raciocínio, exaustivamente tratado acima, se aplica aos gastos com serviços aduaneiros (despachantes). Nesse ponto, cumpre realçar que os gastos relacionados com despachantes aduaneiros referemse à contratação de pessoas jurídicas conforme contratos anexos à defesa. Esse Colegiado, no julgamento do Processo n. 11080.725358/201183, já entendeu pelo direito ao crédito sobre esse jaez de serviços aduaneiros. No mesmo sentido manifestouse a 1ª Turma da 2ª Câmara dessa Seção de Julgamento no 10976.000158/200871, do qual destaco o seguinte trecho do voto condutor da decisão: “Especificamente sobre os gastos incorridos com despachantes aduaneiros, durante a ação fiscal, a Recorrente apresentou documentos sobre a importação de jogos de cinta de prensagem brilhante para máquina de produção de cartões de plástico laminado marca Melzer (fls. 142/146). No arrazoado sobre o seu processo produtivo, a Recorrente esclareceu à fiscalização que adquire materiais no mercado externo para a confecção de cartões de pvc com tarja magnética, bem como de formulários e cheques. Ora, considerando que a atividade fim da Recorrente não está diretamente relacionada a comércio exterior, é natural que haja a contratação de terceiros para acompanhar esse tipo de operação, sendo desnecessária a contratação de empregados para tanto. Considerando ainda que o despachante aduaneiro contratado é pessoa jurídica, nomeadamente a Internacional Comissaria de Despachos Aduaneiros Ltda. (fls.97, 99, 101, 103, 105 e 107), não se aplica a restrição legal ao crédito decorrente da contratação de pessoas físicas. Com base em todas essas circunstâncias, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada no tocante à glosa de créditos de COFINS oriundos de gastos com serviços de despachante aduaneiro.” (Processo nº 10976.000158/200871 – Acórdão nº 3201000.958 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária –julgado em 24/04/2012 – g.n.) Com esses fundamentos, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas de créditos relativas a frete nacional de insumos importados e gastos com despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 1682DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.940786/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.680
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.940786/2011-28
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878643
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-000.680
nome_arquivo_s : Decisao_10980940786201128.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10980940786201128_5878643.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7360054
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588523003904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 962; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.940786/201128 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.680 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 24 de maio de 2018 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SOCIEDADE PARANAENSE DE ENSINO E INFORMÁTICA SPEI Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 40 78 6/ 20 11 -2 8 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10980.940786/201128 Resolução nº 3301000.680 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de Cofins por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da Cofins. Argumenta que tal dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da Cofins.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de Cofins prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/ 01”. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.940786/201128 Resolução nº 3301000.680 S3C3T1 Fl. 4 3 No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a restituição e homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.653, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934785/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.653): "A teor do relatado, a discussão no presente processo trata da isenção a ser aplicada as instituições de educação e sem fins lucrativos, previsto no art. 14, X da MP 2.15835/2001. Consultando os autos não é possível identificar quais são as receitas que a Recorrente considerou como isentas para justificar o seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. " Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.940786/201128 Resolução nº 3301000.680 S3C3T1 Fl. 5 4 Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.158 35/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000369/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2008 a 30/06/2009
NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal.
ANULAÇÃO DE NFLD POR VÍCIO FORMAL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL PARA LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO PARA A INTIMAÇÃO DO PATRONO DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal as intimações obedecem ao disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, que prevê os modos de intimação dos sujeitos passivos em seu domicílio fiscal, mas não prevê a intimação na figura de seus mandatários, em seu próprio domicílio, em substituição ou adição à intimação dos sujeitos passivos.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO.
Entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as atividades normais da empresa.
Numero da decisão: 2301-005.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar, considerar não ocorrida a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário e dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a quitação parcial dos créditos tributários relativos aos períodos de apuração 01/1998 e 02/1998 e a quitação total do crédito tributário referente ao período de apuração 11/1997, nos termos do voto do relator.
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2008 a 30/06/2009 NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal. ANULAÇÃO DE NFLD POR VÍCIO FORMAL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL PARA LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO PARA A INTIMAÇÃO DO PATRONO DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal as intimações obedecem ao disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, que prevê os modos de intimação dos sujeitos passivos em seu domicílio fiscal, mas não prevê a intimação na figura de seus mandatários, em seu próprio domicílio, em substituição ou adição à intimação dos sujeitos passivos. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO. Entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as atividades normais da empresa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13502.000369/2008-79
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893837
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2301-005.414
nome_arquivo_s : Decisao_13502000369200879.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOAO BELLINI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13502000369200879_5893837.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar, considerar não ocorrida a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário e dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a quitação parcial dos créditos tributários relativos aos períodos de apuração 01/1998 e 02/1998 e a quitação total do crédito tributário referente ao período de apuração 11/1997, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7398974
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588525101056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2017; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.000369/200879 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.414 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CARAÍBA METAIS S/A e OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/09/2008 a 30/06/2009 NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há falar em nulidade no processo administrativo fiscal. ANULAÇÃO DE NFLD POR VÍCIO FORMAL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL PARA LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÕES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO PARA A INTIMAÇÃO DO PATRONO DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal as intimações obedecem ao disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, que prevê os modos de intimação dos sujeitos passivos em seu domicílio fiscal, mas não prevê a intimação na figura de seus mandatários, em seu próprio domicílio, em substituição ou adição à intimação dos sujeitos passivos. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO. Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as atividades normais da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar, considerar não ocorrida a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário e dar parcial provimento ao recurso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 03 69 /2 00 8- 79 Fl. 672DF CARF MF 2 voluntário, reconhecendo a quitação parcial dos créditos tributários relativos aos períodos de apuração 01/1998 e 02/1998 e a quitação total do crédito tributário referente ao período de apuração 11/1997, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da DecisãoNotificação n° 04.401.4/0276/2006, exarada pela Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador (efls. 419 427). O processo administrativo é constituído pela Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) 35.897.5000, de 21/12/2005, que formaliza crédito previdenciário no montante de R$ 25.739,97, relativo à responsabilidade solidária decorrente da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, conforme preceitua o art. 31 da Lei 8.212, de 1991, e à responsabilidade solidária decorrente da contratação de serviços de construção civil, conforme preceitua art. 30, VI, da Lei 8.212, de1991. A contribuinte sob ação fiscal é a Caraíba Metais S.A., sendo responsável tributária a Rust Engenharia Ltda., CNPJ 62.087.242/000383. O relatório fiscal (efls. 85 a 100) informa que: (a) as contribuições apuradas compreendem a contribuição, a cargo da “empresa”, incidente sobre a remuneração de empregados (20%), a contribuição a cargo da “empresa” destinada ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (até 06/97) e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (a partir de 07/97) – SAT/RAT (3%) e a contribuição a cargo dos segurados empregados (7,82% a 8%), previstas no art. 22, I e II e no art. 20 da Lei 8.212, de 1991, todas elas decorrentes do instituto da responsabilidade solidária; (b) a Caraíba Metais foi alvo de ação fiscal no período de 02/03/1998 a 21/01/1999, tendo a NFLD por motivação principal a ocorrência de responsabilidade solidária em relação às contribuições para a seguridade social, decorrentes dos serviços prestados por diversas pessoas jurídicas contratadas pela recorrente; tal ação fiscal abrangeu o período de 02/1993 a 02/1998; (c) o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), em 15/10/2003 considerou nulas todas as NFLD lavradas, oportunizando ao INSS a possibilidade de efetuar novos lançamentos; Fl. 673DF CARF MF Processo nº 13502.000369/200879 Acórdão n.º 2301005.414 S2C3T1 Fl. 3 3 (d) com base no art. 45, II, da Lei 8.212, de 1991, a Secretaria da Receita Previdenciária/Unidade Descentralizada de Salvador, emitiu o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) 09220145 (efls. 48 a 50), do qual a Caraíba Metais foi cientificada em 11/02/2005 (efl. 51), com a finalidade específica de recompor documentos de constituição de créditos anulados pelo CRPS, referentes ao período de 02/1993 a 06/1998; (e) a solidariedade na contratação de serviços mediante cessão de mãode obra se fundamenta nos arts. 124 e 125 do CTN, art. 31 e § 2° da Lei 8.212, de 1991, no art. 46 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado pelos Decretos 356, de 1991 e 612, de 1992), no art. nos arts. 42, § 2º e 3º do ROCSS aprovado pelo Decreto 2.173, de 1997, o item 16 da Ordem de Serviço INSS/DAF n° 83, de 1993 e os §§ 3º e 4º do art. 31 da Lei 8.212, de 1991, acrescentados pela Lei 9.032, de 1995, que dispõem sobre elisão da responsabilidade solidária; (f) a responsabilidade solidária na prestação de serviços de construção civil e sua elisão se fundamenta no art. 30, VI, da Lei 8.212/91, no art. 42, § 1º, do Decreto 612, de 1992, no art. 43, §§ 1º e 2° do Decreto 2.173, de 1997, no item 21 da OS INSS/DARF n° 51, de 19/92 e no item 20 da OS 165, de 1997; (g) constitui fato gerador da NFLD as remunerações contidas nas notas fiscais relativas aos serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, bem como nas notas fiscais relativas à execução de atividades de construção civil exercidos por Rust Engenharia Ltda., no período de 05/1996 a 04/1998; (h) os contratos C081/97, C085/97 e C089/98 têm por objeto a manutenção, enquanto que os contratos C160/97 e C212/97 são relativos à construção civil; há também contratos simplificados na forma de Boletins de Pequenos Serviços (BPS); (i) a NFLD foi lavrada em virtude da não comprovação, pela Caraíba Metais, do recolhimento de todas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída nas notas fiscais correspondentes aos serviços prestados por Rust Engenharia Ltda; (j) com fundamento no art. 33, § 3º, do da Lei 8.212, de 1991, foi aplicado o percentual de 20% sobre o valor bruto das notas fiscais para apuração da remuneração, conforme estabelecido nos arts. 600 a 6o5 da Instrução Normativa SRP n° 03, de 2005, que dispõe sobre aferição indireta da remuneração da mãodeobra contida em nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços; (l) a Caraíba Metais foi intimada a apresentar a documentação necessária à elisão da responsabilidade solidária, através dos TIAD, tendo apresentado guias de recolhimento vinculadas às notas fiscais referentes ao levantamento RUS; para algumas competências, os valores recolhidos foram suficientes para elisão da responsabilidade solidária; em outras, foram apuradas as diferenças entre os valores devidos e os recolhidos (ver DAD); para o levantamento RUT, que trata das contribuições sociais decorrentes da solidariedade na construção civil, não foram apresentadas guias vinculadas às notas fiscais para as competência lançadas na NFLD. A Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador julgou o lançamento procedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: Fl. 674DF CARF MF 4 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. SOLIDARIEDADE NA CONSTRUÇÃO CIVIL. CONSTITUCIONALIDADE. É de 10 anos o prazo para constituição do crédito previdenciário (Art. 45, I e II da Lei 8.212/91). O contratante de serviços executados mediante cessão de mão deobra responde solidariamente com o prestador pelo pagamento das contribuições previdenciárias (Art. 31 da Lei 8.212/91). O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato (Art. 30, VI da Lei 8.212/91). A constitucionalidade de dispositivos legais não se discute no Processo Administrativo Fiscal. A ciência dessa decisão pela Caraíba Matais ocorreu em 26/02/2007 (efl. 430), a qual apresentou, em 28/03/2007, recurso voluntário (efls. 432 a 446), alegando, em síntese: (a) a decadência do crédito tributário; (b) a inexistência de serviço prestado mediante cessão de mãodeobra, pois no conceito de cessão de mãodeobra destacase a natureza contínua do serviço, ficando o pessoal utilizado à disposição exclusiva do tomador que gerencia a realização do serviço; (c) ter efetuado devidamente o recolhimento devido ao INSS durante o período fiscalizado. Solicitou a declaração de nulidade do lançamento e de insubsistência da NFLD; alternativamente, requereu seja a NFLD declarada improcedente e insubsistente quanto ao mérito, com o seu conseqüente cancelamento e arquivamento do respectivo processo administrativo. A responsável solidária Rust Engenharia Ltda. tomou ciência da decisão recorrida por meio de edital em 12/06/2008 (ef1. 473), não se manifestando até 25/07/2008, data na qual os autos foram remetidos ao então 2º Conselho de Contribuintes (ver efl. 473). Em 16 de março de 2011, por meio da Resolução nº 2301000.117, o julgamento foi convertido em diligência, para que a unidade preparadora fizesse o cotejamento das guias apresentadas conjuntamente com o recurso voluntário com o débito apurado, para verificar eventual quitação (efls. 474 a 476). Em 05/12/2001, a unidade da Receita Federal do Brasil (RFB) elaborou o despacho das efls. 487 e 488, reconhecendo a quitação parcial dos crédito tributário relativo ao período de apuração 01/1998 e 02/1998 e a quitação total do crédito tributário referente ao período de apuração 11/1997. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 13502.000369/200879 Acórdão n.º 2301005.414 S2C3T1 Fl. 4 5 Intimada, Paranapanema S.A., sucessora por incorporação universal da Caraíba Metais, apresentou, em 23/03/2012, manifestação de inconformidade (efls. 497 a 519), reiterando a comprovação de recolhimento integral do quanto devido ao INSS pela empresa prestadora do serviço, a decadência do crédito tributário e a não caracterização de cessão de mão de obra. A responsável solidária Rust Engenharia Ltda. tomou ciência do despacho por meio de edital em 16/02/2012 (ef1. 491), não se manifestando. Em 11 de setembro de 2014, por meio da Resolução nº 2301000.470, esta Turma determinou que fosse anexada aos autos cópia integral da NFLD nº 32.615.8430, bem como das decisões nela proferidas (efls. 582 e 583). Em decorrência, “foi juntado por apensação a este processo, o processo nº 18050.002443/200871” (efl. 592) Intimada da Resolução 2301000.470, Paranapanema S.A., sucessora por incorporação universal da Caraíba Metais, peticionou em 17/02/2015, reiterando as razões já aduzidas (efls. 598 a 609). A responsável solidária Rust Engenharia Ltda. tomou ciência da Resolução 2301000.470 por meio de edital afixado em 05/03/2015 (ef1. 636), não se manifestando. Em 03/06/2015, Paranapanema S.A., sucessora por incorporação universal da Caraíba Metais, peticionou solicitando o levantamento do depósito recursal e solicitando que as intimações fossem dirigidas ao seu procurador (efls. 642 a 648). Em maio de 2016, Paranapanema S.A., sucessora por incorporação universal da Caraíba Metais, peticionou reiterando suas razões e solicitando o julgamento conjunto do presente recurso voluntário com os veiculados nos processos 13502.000338/200818, 13502.000374/200881e 13502.000376/200871 (efls. 661 a 668). É o relatório. Voto Conselheiro João Bellini Júnior, relator. O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. Porém, não sendo competência deste CARF gerir os depósitos recursais, não conheço do pedido concernente ao seu levantamento, que deve ser formulado ao órgão da Receita Federal do Brasil (RFB) do domicílio fiscal da contribuinte. A petição das efls. 661 a 668 não pode ser conhecida, em face da preclusão à manifestação da contribuinte. Já o pedido de julgamento conjunto do recurso voluntário veiculado neste processo com os dos processos 13502.000338/200818, 13502.000374/200881 e Fl. 676DF CARF MF 6 13502.000376/200871 (os quais verifiquei que já se encontram distribuídos em outras turmas desta 2ª Seção) não encontra respaldo regimental, uma vez que não restou demonstrado serem conexos, decorrentes ou reflexos; além do mais, o deferimento ou não do pedido não é atribuição desta turma, mas do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo (Ricarf, art. 6º, § 3º). Passo ao enfrentamento das demais matérias. DA NULIDADE DA NFLD Foi solicitada a declaração de nulidade da NFLD em face das inconsistências apontadas. É consabido que no processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) A teor do art. 60 do mesmo diploma legislativo, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das retromencionadas não configuram nulidade, devendo ser sanadas se “resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio”: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No presente caso, não foram apontados nem os atos ou termos lavrados por pessoa incompetente nem despachos ou decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, pelo que não há falar em nulidade. Todas as questões de defesa são de mérito, e serão abordadas a seguir. DA DECADÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO No recurso voluntário é afirmado, em síntese que: (a) Delegacia da Previdência Social em Salvador decidiu pela procedência da lavratura da presente autuação que se refere a débitos cujos fatos geradores ocorreram no período de maio a julho de 1997, uma Fl. 677DF CARF MF Processo nº 13502.000369/200879 Acórdão n.º 2301005.414 S2C3T1 Fl. 5 7 vez que o prazo decadencial para lançamento dos créditos seria de 10 anos, em face do art. 45 da Lei 8.212, de 1991; considerando que a autuação contempla débitos do exercício de 1997, o prazo decadencial teve início em 01.01.1998, encerrando, portanto, em 01.01.2003, concluise pela decadência do direito da Fazenda constituir o crédito tributário, uma vez que o lançamento ocorreu apenas em 2005; o prazo decadencial não restou suspenso após a decisão que anulou, em 24.09.2003, a NFLD por erros formais de lançamento, pois os prazos decadenciais não se interrompem ou suspendem Inclusive o prazo decadencial esgotouse antes da decisão que julgou a improcedência formal da NFLD anterior, proferida em 24/09/2003; Na manifestação de inconformidade de 23/03/2012 é acrescentado mais um argumento: a anulação do primeiro lançamento teria se dado por vício material, dizendo respeito à própria existência da dívida, atraindo a regra decadência presente no art. 173, I, do CTN; tal argumento foi repisado na manifestação de inconformidade de 27/02/2015. Como relatado, trata o presente lançamento de NFLD lavrada em substituição à NFLD n° 32.615.8430, de 18/12/1998, anulada, nos autos do processo administrativo 18050.002443/200871 (anexo ao presente processo) pelo Acórdão 002429, de 15/10/2003, do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) (efls. 676 a 679 do processo administrativo 18050.002443/200871). Naquele lançamento, foram constituídas contribuições previdenciárias no período de 01/1994 a 06/1998 (ver discriminativo do débito consolidado, e fls. 08 e 09 do processo administrativo 18050.002443/200871), cuja ciência ocorreu em 21/01/199 (efl. 40 do processo administrativo 18050.002443/200871). O lançamento foi julgado procedente em parte pela DecisãoNotificação 04 401.4/0098/2001, da Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização em Salvador/BA (efls. 520 a 530 do processo administrativo 18050.002443/200871), cuja decisão restou mantida pelo Acórdão 04/02333/2002, da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS (efls. 646 a 651 do processo administrativo 18050.002443/200871). O citado Acórdão 002429, de 15/10/2003 (efls. 676 a 679 do processo administrativo 18050.002443/200871) decidiu “anular a NFLD, no forma do voto do(a) Relator(a) e de sua fundamentação”. E|m seu voto, o relator considerou presente cerceamento do direito de defesa por não ter sido citado, na NFLS, quais as cláusulas (ou número da folha dos autos) dos contratos (juntados aos autos) que caracterizariam a cessão de mão de obra, no entendimento da fiscalização. Verifiquese os termos do voto: (...) Fl. 678DF CARF MF 8 (...) Transitado em julgado tal acórdão, os autos foram encaminhados ao Serviço de Fiscalização para a lavratura de novo lançamento (efl. 681 do processo administrativo 18050.002443/200871). Em decorrência, em 30/12/2005 (efl. 01) o contribuinte tomou ciência da NFLD substitutiva, presentemente em julgamento, que versa sobre os períodos de apuração 05/1996 a 04/1998 (ver discriminativo sintético de débito, efls. 08 e 09). Por primeiro, reitero que o Acórdão 002429, de 15/10/2003 (efls. 676 a 679 do processo administrativo 18050.002443/200871) transitou em julgado em 2003, estando preclusas as questões que poderiam ter sido nele discutidas, como é o caso da natureza do vício (material ou formal) que levou à nulidade da NFLD originária. Mesmo que assim não fosse, agiu corretamente o Acórdão 002429, ao identificar o vício – ausência de citação das cláusulas (ou o número da folha dos autos) dos contratos, juntados aos autos, que caracterizaria a cessão de mão de obra – como formal, já que em nenhum momento é negada a materialidade da infração; ao contrário, o relator assevera que entende caracterizada a situação caracterizadora da cessão de mão de obra, mas entende irregular a forma com que essa acusação foi cientificada à contribuinte – sem a indicação da cláusula (ou o número da folha dos autos) do contrato que a caracterizaria. Com isso, agiu corretamente em identificar o vício como formal, pelo que aplicável ao caso a regra decadencial do art. 173, II, do CTN, que dispõe: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 13502.000369/200879 Acórdão n.º 2301005.414 S2C3T1 Fl. 6 9 Vejase que a regra do art. 173, II, independe do momento do fato gerador (fato levado em consideração na regra decadencial prevista no art. 173, I, ou 150, § 4º, do CTN). Sendo o termo inicial para o lançamento substitutivo “a data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”, e tendo essa data ocorrido após 15/10/2003 (data de prolação do Acórdão 002429), manifestamente não ocorreu a decadência do lançamento efetuado em 30/12/2005. DA CESSÃO DE MÃO DE OBRA A recorrente alega, em síntese, que: (a) não se caracteriza serviço prestado mediante cessão de mão de obra, pois no conceito de cessão de mão de obra destacase a natureza contínua do serviço, ficando o pessoal utilizado à disposição exclusiva do tomador que gerencia a realização do serviço; afirma que jamais contratou mão de obra e que os contratos celebrados entre si e a sociedade contratada (Rust Engenharia Ltda.) tiveram como objeto a contratação de serviços especializados, de natureza eventual, que foram prestados na forma e condições eleitas pela própria contratada, sem que coubesse a si o direito de exigir o tipo de mão de obra a ser empregada, o horário em que se executariam os serviços, a remuneração contratada entre as empreiteiras e seus empregados, a utilização de materiais específicos, enfim, sem qualquer ingerência da recorrente para desenvolver serviços contínuos. (b) ademais, a contratada efetuou devidamente o recolhimento devido ao INSS durante o período fiscalizado. Caracterização da cessão de mão de obra Como consabido, a caracterização da cessão de mão de obra à época dos fatos é realizada pelo art. 31, § 2º, da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 9.032, de 1995, que transcrevo: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 1995). Fl. 680DF CARF MF 10 § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). (Grifouse.) Ou seja, considerando que os períodos lançados ocorreram entre 05/1996 e 04/1998, é requisito da caracterização de mão de obra a contratação de serviços (a) contínuos e (b) não relacionados diretamente com as atividades normais da empresa. De plano, verificase que o conceito legal de cessão de mão de obra não inclui, como pretende a recorrente, que os segurados/contratados fiquem à disposição exclusiva do tomador dos serviços. A fiscalização realizou a caracterização da cessão de mão de obra mediante os seguintes argumentos: 5.3 O contrato C081/97 tinha como objeto a execução de Serviços de manutenção de tubulações, equipamentos e revestimentos em fibra de vidro. O prazo de vigência original era de 12 (doze) meses com valor estimado de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais). Houve um termo aditivo de 28/4/98 prorrogando o prazo para 14 meses e estimando o valor do contrato em R$ 70.000,00 (setenta mil reais). 5.4 Os serviços foram realizados nas dependências da Caraíba Metais S/A como demonstra a cláusula oitava Encargo da Caraíba: "Fornecer transporte e alimentação aos empregados da CONTRATADA para serviços realizados após o horário administrativo".Caberia ainda à Caraíba Metais S/A, segundo a cláusula 8.3, remunerar a CONTRATADA as horas paradas devido à sua responsabilidade, pela planilha de Hh (homens horas)". 5.5 O objeto do contrato é amplo e não estabelece um serviço específico. Há, portanto, no C081/07, sinais da existência de segurados vinculados à RUST à disposição da Caraíba Metais S/A, tendo em vista que a equipe da prestadora ficava nas dependências da Caraíba Metais aguardando instruções sobre qual serviço de manutenção seria realizado. Além disso, como estatui a cláusula terceira Prazos: "A CONTRATADA obriga se a observar as datas de início e término ou prazo de execução consignados na Autorização de Início de Serviços (AIS) emitidas pela FISCALIZAÇÃO, assim como os prazos parciais definidos no cronograma contratual, quando houver, ou elaborado antes do início dos serviços e aprovado pela CARAÍBA." Cabia portanto à Fiscalização da Caraíba a determinação do lapso de tempo necessário à execução do serviço. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 13502.000369/200879 Acórdão n.º 2301005.414 S2C3T1 Fl. 7 11 5.6 O contrato C085/97 teve por objeto a execução de serviços de manutenção de tubulações, equipamentos e revestimentos em fibra de vidro. Este contrato recebeu um termo aditivo de 4/6/97, alterando o prazo de 12 meses para 15 meses. O seu valor global estimado era de R$ 95.000,00 (noventa e cinco mil reais). Como no caso anterior não há um serviço específico prédeterminado: à medida da necessidade da Caraíba a mãodeobra era deslocada para a execução do serviço. O mesmo raciocínio aplicase ao contrato C089/98, com objeto similar ao do contrato C85/97. 5.7 O contrato C160/97 tinha por fim a execução de serviços de recuperação civil e revestimento piso antiácido nas áreas 561/563 e 564 da eletrólise. Este contrato recebeu um termo aditivo de 10/07/98 aumentando o prazo de 180 (cento e oitenta) para 270 (duzentos e setenta) dias. A análise dos tipos de serviços discriminados nos Anexos 11 a 14, revelam a sua natureza de construção civil. As planilhas de preços fazem referência a "Recuperação Civil". 5.8 O objeto da CartaContrato C212/97 foi a aplicação de revestimento anticorrosivo do piso, paredes e colunas da ampliação do circuito de células de chapas de partidas (CCP). Também uma atividade de construção civil. 5.9 Alguns contratos relacionado a atividades de construção civil foram celebrados sob a forma de Boletins de Pequenos Serviços BPS, que são tipos de contrato simplificados, utilizados para serviços de pequeno montante e duração. São estes: BPS810 130 96 Recuperação de pisos/canaletas com tratamento antiácido. BPS 810 618 1996 Recuperação de piso antiderrapante na área 562; BPS 840 033 98 Revestimento de tanque, canaleta e baia do almoxarifado A continuidade dos serviços contratados é evidente, dada a duração dos contratos: 14 meses, 15 meses, 270 dias. Para a caracterização das atividades da recorrente, transcrevo o relatório fiscal: 1.1 A Caraíba Metais S/A é uma empresa brasileira, fundada em 1969, sediada em Dias D'Ávila, Bahia, no Complexo Petroquímico de Camaçari. É a única metalurgia de cobre eletrolítico do Brasil e uma das principais metalurgias de cobre do mundo. Seus principais produtos são: CÁTODO DE COBRE, VERGALHÃO DE 8 mm DE COBRE ELETROLÍTICO, FIOS TREFILADOS (bobina de fios de cobre de aproximadamente 3 mm) e VERGALHÃO DE COBRE OXYGEN FREE, de 8 mim e com baixíssimo teor de oxigênio. Os subprodutos do processo Fl. 682DF CARF MF 12 industrial da Caraiba Metais S/A são ÁCIDO SULFÚRICO, S03 LÍQUIDO, OLEUM, ESCÓRIA DE COBRE E LAMA ANÓDICA. A natureza dos serviços, não relacionados diretamente com as atividades normais da recorrente/contratante, se evidencia do objeto dos contratos: manutenção de tubulações, equipamentos e revestimentos em fibra de vidro, recuperação civil e revestimento piso antiácido nas áreas 561/563 e 564 da eletrólise revestimento anticorrosivo do piso, paredes e colunas da ampliação do circuito de células de chapas de partidas Recuperação de pisos/canaletas com tratamento antiácido, recuperação de piso antiderrapante na área 562; Revestimento de tanque, canaleta e baia do almoxarifado. Desse modo, entendo caracterizados os requisitos da cessão de mão de obra, pelo que subsiste a responsabilidade solidária da recorrente pelo crédito tributário deste processo. Comprovação de recolhimentos Quanto aos comprovantes de recolhimentos juntados aos autos, objeto da primeira diligência, assumo como razões de decidir, mutatis mutandis, o texto constante no despacho das efls. 487 e 488, reconhecendo a quitação parcial dos crédito tributário relativo ao período de apuração 01/1998 e 02/1998 e a quitação total do crédito tributário referente ao período de apuração 11/1997: Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13502.000369/200879 Acórdão n.º 2301005.414 S2C3T1 Fl. 8 13 Fl. 684DF CARF MF 14 INTIMAÇÕES O requerimento de realizar as intimações no nome e endereço do patrono da recorrente não pode ser deferido, pois no processo administrativo fiscal as intimações obedecem ao disposto no art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, que prevê os modos de intimação dos sujeitos passivos em seu domicílio fiscal, mas não prevê a intimação na figura de seus mandatários, em seu próprio domicílio, em substituição ou adição à intimação dos sujeitos passivos. Conclusão Voto, portanto, por REJEITAR a preliminar de nulidade, e no mérito, considerar não ocorrida a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário ao recurso voluntário e dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a quitação parcial dos crédito tributário relativo ao período de apuração 01/1998 e 02/1998 e a quitação total do crédito tributário referente ao período de apuração 11/1997, nos termos consignados no voto. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 685DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000076/2002-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997, 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE IRRF - POSSIBILIDADE DE CONVOLAÇÃO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IPRJ
A despeito do contribuinte apresentar pedido de restituição de IRRF, que é vedado pela legislação regência, em atendimento à boa-fé, à instrumentalidade e ao princípio do não-confisco, há que se admitir a convolação do pleito em pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ.
IRRF - COMPOSIÇÃO DE SALDO NEGATIVO - RESTITUIÇÃO - SUMULA 80 DO CARF
Para deduzir do IPRJ valores retidos por fontes pagadoras, compete ao contribuinte demonstrar que ofereceu à tributação a receita objeto da aludida retenção.
SALDO REMANESCENTE DE PROCESSO CONEXO - INEXISTÊNCIA
Apurado saldo negativo em processo conexo, apenas o valor remanescente após a compensação com os débitos ali declarados poderá ser usado para quitação de créditos tributários confessados em processo decorrente.
Numero da decisão: 1302-002.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencido o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997, 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE IRRF - POSSIBILIDADE DE CONVOLAÇÃO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IPRJ A despeito do contribuinte apresentar pedido de restituição de IRRF, que é vedado pela legislação regência, em atendimento à boa-fé, à instrumentalidade e ao princípio do não-confisco, há que se admitir a convolação do pleito em pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ. IRRF - COMPOSIÇÃO DE SALDO NEGATIVO - RESTITUIÇÃO - SUMULA 80 DO CARF Para deduzir do IPRJ valores retidos por fontes pagadoras, compete ao contribuinte demonstrar que ofereceu à tributação a receita objeto da aludida retenção. SALDO REMANESCENTE DE PROCESSO CONEXO - INEXISTÊNCIA Apurado saldo negativo em processo conexo, apenas o valor remanescente após a compensação com os débitos ali declarados poderá ser usado para quitação de créditos tributários confessados em processo decorrente.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13851.000076/2002-36
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874620
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.849
nome_arquivo_s : Decisao_13851000076200236.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
nome_arquivo_pdf_s : 13851000076200236_5874620.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencido o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7352563
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588529295360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 576 1 575 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.000076/200236 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.849 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria SALDO NEGATIVO RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO Recorrente FMC TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE IRRF POSSIBILIDADE DE CONVOLAÇÃO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IPRJ A despeito do contribuinte apresentar pedido de restituição de IRRF, que é vedado pela legislação regência, em atendimento à boafé, à instrumentalidade e ao princípio do nãoconfisco, há que se admitir a convolação do pleito em pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ. IRRF COMPOSIÇÃO DE SALDO NEGATIVO RESTITUIÇÃO SUMULA 80 DO CARF Para deduzir do IPRJ valores retidos por fontes pagadoras, compete ao contribuinte demonstrar que ofereceu à tributação a receita objeto da aludida retenção. SALDO REMANESCENTE DE PROCESSO CONEXO INEXISTÊNCIA Apurado saldo negativo em processo conexo, apenas o valor remanescente após a compensação com os débitos ali declarados poderá ser usado para quitação de créditos tributários confessados em processo decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencido o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 00 76 /2 00 2- 36 Fl. 576DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 577 2 (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Este processo já foi objeto de relatório anterior, da lavra do Conselheiro Walmar Fonseca de Menezes, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por ocasião da prolação da Resolução de nº 140100.020, proferida em 19 de junho de 2009, pelo que, e atenção à economia processual, adoto e reproduzo a seguir, complementandoo ao final: Versa o presente processo sobre Pedido de Restituição (fl. 01), apresentado em14/01/2002, no montante de R$ 287.793,63 (decorrente da atualização de um crédito de R$ 117.942,56, referente ao anocalendário de 1997, fl.53, e de um crédito de R$ 56.302,20, referente ao anocalendário de 1999, fl.64), oriundos, na sua maioria, de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre Rendimentos de Aplicações Financeiras, cumulado com Pedido de Compensação (fl.67), formulado na mesma data, do crédito alegado com débitos de COFINS (cód.2172) e PIS (cód.8109) do anocalendário de 2001. Em 14/02/2002, a interessada apresentou novo Pedido de Restituição de Créditos também decorrentes de IRRF sobre Rendimentos de Aplicações Financeiras do anocalendário de 1999, no total de R$ 377.577,86 (resultante da atualização de um crédito de R$ 282.195,71) para fins de compensação com débitos de PIS e COFINS, referentes aos fatos geradores de janeiro e fevereiro de 2002, formalizando o Processo n° 13851.000238/200236 apenso. Inicialmente, cumpre enfatizar que os Pedidos de Compensação em questão são considerados Declarações de Compensação (DCOMP), em conformidade com o disposto no Parágrafo 4 o do art.74 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pelo art.49 da Lei n° 10.637, de 30/12/2002. Em 08/01/2007, o Sr. Delegado da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de JaneiroDERAT/RJ, em seu despacho decisório (11.126), não reconheceu o direito creditório da interessada, não homologando, em conseqüência, as compensações declaradas, por entender que os alegados créditos não estavam dotados da necessária certeza e liquidez. O não reconhecimento se deu com base no Parecer Conclusivo n° 197/2006 (fls.121/125), no qual consta a observação de que Fl. 577DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 578 3 por tratarem de matérias conexas, os (processos de que se trata foram analisados conjuntamente. A análise feita através do mencionado Parecer Conclusivo destaca cada um dos anoscalendário a que se referem os créditos a serem compensados: 1997 e 1999. Relativamente ao anocalendário de 1997, os argumentos constantes da análise feita são, em síntese, os seguintes: Consta somente do processo principal. Por ele constatamos pela DIRPJ (Ficha 08 Cálculo do Imposto de Renda) que a interessada declarou o valor de R$ 133.395,96 como Imposto de Renda Retido na Fonte e o valor de R$ 133.395,96 (saldo negativo) como Imposto de Renda a Pagar. O valor original pedido, como Imposto de Renda Retido na Fonte, é de R$ 117.942,56. Entretanto, através de análise dos extratos do Sistema IRF CONSULTA (REDE SERPRO) concluímos que somente foi comprovado o valor de R$ 112.321,67, havendo a diferença de R$ 5.620,89 que engloba a parcela de 5.584,27 da fonte pagadora UNIBANCO CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS S/A, CNPJ 033.764.366/000196, não encontrada no sistema. Também foi constatado que o total de rendimentos nominais, pelos extratos juntados pelo contribuinte, importa em R$ 927.966,38, enquanto que consta como declarado na DIRPJ do Exercício de 1998, anocalendário de 1997, na Linha 07 da Ficha 06 DEMONSTRAÇÃO DO L. LÍQUIDO o valor de R$ 856.523,05, havendo uma diferença de R$ 71.443,33 a menor. Relativamente ao anocalendário de 1999. os argumentos são, em síntese, os seguintes: Consta do processo principal e do apenso. No principal, verificamos pela DIPJ (Ficha 13A Cálculo do Imposto de Renda sobre a Lucro Real) que interessada declarou o valor de R$ 2.053.941,51 como "Imposto de Renda Retido na Fonte" e o valor de R$ 2.053.941,51 (saldo negativo) como "Imposto de Renda a Pagar" (saldo negativo). Para o DARF recolhido (fls. 65 do processo principal), código da receita 3426, no valor de R$ 56.302,20, relativo ao IRRF de Aplicação Financeira Renda Fixa, não consta como paga ao contribuinte, por instituição financeira, a importância de R$ 281.511,00 (uma vez que a alíquota, nesses casos, seria de 20%, de acordo com o MAFON para o ano de 1999). Pesquisa ao Sistema SINAL (fl.l 12) comprova o pagamento desse valor, entretanto, o Fl. 578DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 579 4 contribuinte reconhece um débito de igual valor em DCTF, conforme extrato de fl.66. Assim temos que, tanto pelo enfoque do Saldo Negativo de IRPJ como pelo pagamento indevido ou a maior, carece o pedido de fundamentação, em termos de documentação hábil e idônea, não fazendo a interessada jus ao reconhecimento do direito creditório pleiteado, uma vez que o crédito não se encontra revestido de liquidez e certeza. Relativamente ao processo em apenso, pela Ficha 07 A Demonstração do Resultado — Linha 21 (Ganho auferido no mercado de renda variável) cf. fl.92, foi declarado o valor de R$ 856.048,70. O Informe de Rendimentos Financeiros (fl.29 do processo apenso) indica que foi pago ao contribuinte, no ano de 1999, o valor de R$ 1.410.978,63 como rendimentos nominais, e R$ 282.195,71, como IRF compensável. Confrontandose os valores percebidos pelo contribuinte e os oferecidos à tributação no valor de R$ 856.048,70 (Linha 07/21 fl.92), verificamos que há inconsistência entre eles, já que somente na operação que deu causa ao pedido de restituição (Aplicação Financeira operação de Swap código 5273), cf fl.29 do processo apenso, o contribuinte teve rendimentos de R$ 1.410.978,63, que geraram ganhos bem superiores ao valor retromencionado que foi oferecido à tributação. Ademais, através de pesquisa no Sistema SIEF/DIRF Resumo do beneficiário, constatamos que, pelo citado código 5273 foi pago ao contribuinte um rendimento bruto de R$ 3.712.698,07, com retenção de R$ 742.539,56, no ano de 1999, o que somente vem (sic) reforçaria inconsistência acima mencionada. Cientificada da decisão da DERATRio de Janeiro, em 09/01/2007, e cobrada os débitos objeto dos pedidos de compensação indeferidos (fls. 133/134), a interessada apresenta, em 08/02/2007, manifestação de inconformidade (fls.141/154), requerendo seja reconhecido o seu direito ao ressarcimento dos créditos nos valores de R$ 287.793,63 e R$ 377.577,86 pleiteados, oriundos dos saldos negativos de IRPJ apurados nos anoscalendário de 1997 e 1999 e, conseqüentemente, homologada a sua compensação com os débitos de PIS e de COFINS referentes aos fatos geradores dezembro de 2001, janeiro e fevereiro de 2002, e alegando: Relativamente ao anocalendário de 1997 a) segundo consta no Parecer n° 197/2006, existiria uma diferença de R$5.620,89, que engloba a parcela de R$ 5.584,27 da fonte pagadora Unibanco Corretora de Valores Mobiliários Fl. 579DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 580 5 S/A, não encontrada no sistema, o que ensejou a conclusão de que o crédito não seria dotado de liquidez e certeza; b) conforme documentação apresentada, foi comprovada a retenção de fonte no montante de R$ 117.942,56; c) vale lembrar que, nos termos do art. 231, III, do RIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999, o contribuinte pode compensar o saldo negativo de IRPJ, se comprovar que os valores deduzidos a título de IRRF foram efetivamente oferecidos à tributação; d) tendo comprovado, por meio da apresentação do respectivo informe de rendimentos, a retenção do IRRF no valor declarado, o fato de o mesmo não constar do sistema, por falhas incorridas pela própria fonte pagadora não pode impedir a sua restituição; e) como exemplo da adoção desse entendimento, apresenta às fls.148/149, acórdãos de Delegacias de Julgamento e do Conselho de Contribuintes; f) ademais, não se pode admitir que seja negada a restituição da integralidade dos valores retidos a título de Imposto de Renda, pela ausência de comprovação de uma parte ínfima dos créditos pretendidos; g) cabe destacar que a Receita Federal vem entendendo, em casos análogos, envolvendo a compensação de saldos negativos de IRPJ, que os contribuintes podem compensar os seus pretendidos créditos na proporção em que comprovarem o seu direito a tanto, conforme acórdãos de fls.149/151; e h) dessa forma, pleiteia seja reconhecido, ao menos, o seu direito à restituição/compensação do montante no valor histórico de R$ 112.321,67. • Relativamente ao anocalendário de 1999 Com relação aos créditos pleiteados no valor de R$ 56.302,20 (no presente processo) e de R$ 282.195,71 (no processo apenso, Processo n° 13851.000238/200236) a decisão recorrida alega, basicamente, que não teria sido comprovada a existência de rendimentos de aplicações financeiras em valores correspondentes às retenções de IRRF efetuadas, entretanto cumpre observar que: a) na mencionada decisão consta que teria sido declarado apenas o valor de R$ 856.048,70, a título de ganhos com aplicações financeiras; b) de fato, o mencionado valor consta na Ficha 07, Linha 21 Demonstração de Resultado Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável, exceto DayTrade) da DIPJ/2000; c) ocorre que, além desse valor, foi declarada, na mesma DIPJ, Ficha 07, Linha 24 Outras Receitas Financeiras, a quantia de R$ 3.469.603,66, o que demonstra, de forma inequívoca, que foi Fl. 580DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 581 6 oferecida à tributação montante suficiente para comportar as retenções cuja restituição está sendo pleiteada. A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita: "Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1997, 1999 CRÉDITOS DE IRRF SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O imposto retido na fonte sobre aplicações financeiras e sobre serviços prestados constitui antecipação do IRPJ devido, não podendo ser compensado diretamente com outros tributos. Somente após o encerramento do período de apuração, e na hipótese de vir a ser apurado saldo negativo do imposto de renda, é que o contribuinte pode, eventualmente, ter um direito líquido e certo de IRPJ passível de utilização para fins de restituição ou compensação com outros débitos. Ademais, cabe ao contribuinte a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que seja aferida, pela autoridade administrativa, sua liquidez e certeza. Rest/Ress. Indeferido — Comp. Não homologada. " Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fl. 428,repisando argumentos. Aquela 1ª Turma Ordinária deste CARF houve por bem converter o julgamento em diligência através da resolução já tratada linhas acima, a fim de determinar à Unidade de Origem de apurar a existência ou inexistência de saldo negativo de IRPJ havidos nos anoscalendário de 1997 e 1999, necessário à verificação do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Foi apresentado o relatório de diligência à efl.523/527 em que se reconheceu em parte, o valor creditório pretendido. Após nova Resolução desta turma (motivada pela falta de intimação do contribuinte sobre o teor do relatório acima mencionado), foi expedido termo eletrônico de intimação, cuja ciência se deu por decurso de prazo em 28/04/2017; logo em seguida, há o registro de abertura do documento pelo contribuinte em 15/05/2017, sem que, contudo, fossem ofertados quaisquer esclarecimentos adicionais ou requerimentos. Este, o relatório Voto Fl. 581DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 582 7 Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Desde logo impende destacar que este processo contem interseção com o PA de nº 10830.007495/0052, cujo objeto era a restituição para posterior compensação de saldo negativo de IRPJ apurado no exercício de 2000, anocalendário 1999. Tendo em conta que o citado processo é anterior a este feito e, mais, a verificação da aludida interseção, nos autos daquele PA determinouse, por resolução, a reunião com este processo para julgamento conjunto. Notem que o resultado daquele feito terá implicação direta e imediata quanto a solução a ser apresentada nesta demanda (e também no processo de nº 13851.000238/2002 36, em apenso), ao menos quanto ano de 1999, em que se postula a restituição de partes de saldo negativo de IRPJ pretensamente apurado no aludido anocalendário. Mais que isso, como aquele processo é anterior ao que ora se analisa, aqui caberá o reconhecimento apenas do saldo remanescente (se houver), já que lá, além da restituição, também se buscou a compensação do valor pretendido pelo contribuinte. Dito isto, passo à análise do mérito. I. Do saldo negativo relativo ano de 1998, anocalendário de 1997. Como descrito no relatório acima, o contribuinte, originariamente, postulou a restituição de IRFonte recolhido ao longo do anocalendário de 1997. Aqui, de antemão, cumpre anotar que, à fl. 102, foi anexada a DIPJ/1998, anocalendário de 1997, em que a empresa informa, na ficha 08, não ter apurado qualquer valor de imposto anual a pagar, tendo, outrossim, registrado na linha 15, um valor de IRRF no importe de R$ 133.395,96, sendo este o montante pleiteado nos pedidos analisados. Como é sabido, o IRRF não é passível de restituição, a teor do que já definiu este Conselho, mormente a partir da Súmula 80; nada obstante, também como largamente admitido por este órgão, e até por respeito aos primados da boafé, da instrumentalidade e do nãoconfisco, temse admitido a convolação de semelhante pleito em pedido de restituição/compensação de saldo negativo de IRPJ desde que atendidos os pressupostos descritos na citada Súmula 80 (desde que se comprove, pois, que as receitas objetos das retenções na fonte, tenha sido ofertadas à tributação). A intenção da 1ª Turma da 4ª Câmara deste Conselho, ao converter o julgamento em diligência, buscava, justamente, identificar tais pressupostos, isto é, se havia comprovação efetiva das retenções noticiadas pelo recorrente e, mais, se as respectivas receitas teriam sido tributadas. Em atendimento à requisição contida na Resolução/CARF de nº 140100.020, a DEMAC/RJO/DIORT, vinculada à Superintência da Receita Federal da 7ª Região fiscal, elaborou o relatório de fls. 523/527, cujas conclusões, quanto ao período análise, foram as seguintes: A soma dos recibos apresentados pelo contribuinte alcançou o valor de R$ 117.942,56. A DRF jurisdicionante, na ocasião, Fl. 582DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 583 8 analisou estes documentos não considerou alguns deles no cálculo do saldo negativo por falta de registros nos arquivos da RFB e não homologou a compensação pretendida (fls.182). (...) O contribuinte que teve imposto retido, não pode ser prejudicado por uma possível omissão da fonte pagadora em não comunicar à RFB a retenção que efetuou. Neste sentido estabelece o § 2º do artigo 943 do RIR: § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). Desta forma, a apresentação do comprovante dá presunção da efetiva retenção, até prova em contrário, o que não ocorreu. Assim, fica garantido ao contribuinte, em princípio, o direito de considerar como saldo negativo do ano de 1997, os R$ 117.942,56, a soma dos comprovantes entregues. (...) Consta nos arquivos da RFB que as fontes pagadoras proporcionaram ao interessado em 1997 a receita financeira de R$ 1.191.043,33 e retiveram R$ 147.737,08 de imposto na fonte (do quadro acima , excluiuse a única receita não financeira encontrada). Alguns dos valores que ela recebeu mas não apresentou recibos se referem a JCP que ela não tributou na DIPJ. O total tributado de outras receitas financeiras mais JCP foi R$ 856.523,05(fls.133). É opcional para o contribuinte considerar o IRRF sobre as receitas que recebeu para a redução do imposto a pagar, entretanto, é obrigatório a tributação das receitas. No presente caso, o contribuinte não declarou algumas retenções (que é permitido) e algumas receitas financeiras (o que não é permitido). Deste modo, ele omitiu receitas. A soma dos rendimentos financeiros do contribuinte, alcança R$ 1.191.043,33, segundo as fontes pagadoras. O somatório das receitas financeiras tributadas (juros sobre capital próprio mais outras receitas financeiras) foi R$ 856.523,05 (Fls.133), ou seja, ele tributou 71,91% do total de receitas financeiras recebidas, declaradas por terceiros Como o contribuinte não ofereceu a totalidade dos rendimentos à tributação, a fonte a ser considerada, deve refletir o que foi oferecido. Assim, o IRRF proporcional às receitas financeiras Fl. 583DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 584 9 tributadas no ano de 1997 é R$ 106.237,73 (71,91% de R$ 147.737,08). Somase a este valor (IRRF sobre receitas financeiras tributadas) o imposto retido sobre serviços (R$ 184,37). Desta forma o saldo negativo de IRPJ do contribuinte em 1997 foi de R$ 106.422,10.. Aqui impende refutar o argumento deduzido pela DRJ no sentido de que a disparidade entre os valores declarados pelo contribuinte a título de IRFonte e aqueles conformados pelos recibos anexados aos autos retiraria a liquidez do crédito pleiteado. O crédito, vejam bem, é perfeitamente líquido uma vez que lastreado em documentos que comprovam a sua origem e valores. Não há, neste particular, fundamentos para se sustentar a sua iliquidez, mas, apenas, o reconhecimento parcial de sua existência. A falta de liquidez exsurgiria se porventura não se pudesse perquerir a sua origem e acuidade. Os recibos juntados e a DIPJ respectiva dão conta do preenchimento efetivo dos pressupostos elencados pela Súmula 80, pelo que há de se reconhecer, em parte, o direito creditório do recorrente, no valor histórico de R$ 106.422,10. I. Do saldo negativo relativo ano de 2000, anocalendário de 1999. Aqui há uma diferença importantíssima a ser considerada. Como dissemos, o recorrente, originariamente, pleiteara a restituição de IRFonte, tomando por base, aí, todos os valores arrecadados por terceiros (receitas financeiras diversas e receitas decorrentes de aplicação em mercados de renda variável). Também como alertamos acima (advertência feita também nos autos do PA de nº 10830.007495/0052), este pedido foi convertido em pedido de restiuição/compensação de saldo negativo; em sua DIPJ (fl. 112), o contribuinte informa não ter apurado imposto a pagar, tendo anotado, contudo, na linha 15 "imposto pago incidente sobre ganhos no mercado de renda variável" um valor correspondente à R$ 2.053.941,51. Este valor resultou, de acordo com a predita DIPJ, num saldo negativo de imposto a pagar de, justamente, R$ 2.053.941,51. Não há, na predita DIPJ, informações sobre retenções oriundas de outras receitas financeiras, de sorte que, a composição do valor informado na aludida linha 15 da Ficha 08 de sua DIPJ/00 , ser, de fato, oriundo de swap. E é aqui que se verifica uma erro de premissas incorrido pela Autoridade Administrativa responsável pela lavratura do relatório de diligência, quando da apuração do saldo negativo do imposto concernente ao anocalendário de 1999. De fato, do predito relatório, extraise as seguintes conclusões: Consta na folha 165 resumo das fontes pagadoras do contribuinte um rendimento financeiro total de cerca de R$ 3.900.000,00 e R$ 779.526,73 retido na fonte. Nesta folha o total retido na fonte (financeiro e não financeiro) é de R$ 989.586,24. A soma das linhas 21 e 24 da DIPJ/2000 (fls.142) implica num total de receitas financeiras oferecidas à tributação de R$ Fl. 584DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 585 10 4.325.652,36 (R$ 856.048,70 + R$ 3.469.603,66), total superior ao que consta nos arquivos da RFB, declarado por fontes pagadoras como rendimentos financeiros (fls.165). Inexistindo provas de outros rendimentos, acatase o total informado pelo contribuinte como receitas financeiras e por consequência o IRRF retido na atividade financeira. Foi declarado um saldo negativo de IRPJ de R$ 2.053.941,51. Descartouse os valores que ele pagou com DARF e alegou ser uma retenção mas não comprovou. Foram considerados todos os valores retidos na fonte oriundos de atividades financeiras. Como já informado, há nos registros do fisco (fls.165) outras retenções além das oriundas de atividade financeiras (R$ 210.059,51). Não se provou no processo que os rendimentos que originaram estas retenções, não tenham sido oferecidos a tributação. Deste modo, este valor tem de ser computado como IRRF do contribuinte. (...) Assim, o total retido na fonte a ser considerado é de R$ 989.586,24, que por consequência do prejuízo apontado pelo contribuinte, fica reconhecido como saldo negativo IRPJ daquele ano. A premissa equivocada adotada pela D. Auditoria repousa exatamente no fato de ter considerado, para fins de apuração de saldo devedor, a integralidade das receitas financeiras declaradas pelo contribuinte (lançadas nas fichas 21 e 24 da DIPJ). Como advertido anteriormente, todavia, o valor de R$ 2.053.941,51, lançado na Linha 15 da Ficha 13A da predita DIPJ, referese tão só às retenções suportadas em relação à receitas advindas de aplicação no mercado de renda variável (swap e hedge). Para, portanto, identificar a tributação efetiva das receitas cujas retenções teriam conformado o saldo negativo, a D. Auditoria somente poderia considerar os valores lançados na linha 21 da Ficha 21 da DIPJ (fl. 142), relativos, digase, à receitas advindas de ganhos obtidos no mercado de renda variável. Se o contribuinte deixou de informar as demais retenções na linha 13, caberia a ele retificar a DIPJ para os lançar ali, mister que não pode recair sobre os ombros do Fisco ou, mesmo, deste Colegiado. E o recorrente, de fato, não retificou a sua DIPJ. Agora, considerando, apenas, as receitas provenientes de tais aplicações (em renda variável), permitome reprisar os argumentos deduzidos nos autos do PA de nº 10830.007495/0052, utilizados para apurar, efetivamente, o saldo negativo de IRPJ verificado no anocalendário de 1999: Continuando, do já redigido e apreciado na Resolução, Passando ao mérito da questão proposta, verifico que às fls. 06 e 44 a recorrente discriminou as fontes pagadoras dos rendimentos advindos de aplicações financeiras, bem como os impostos retidos pelas fontes. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 586 11 São estas: Citibank, Bradesco, CCF do Brasil, Banco Europeu para a América Latina e Banco do Brasil, perfazendo rendimentos percebidos, no ano de 1999, de aplicações financeiras, o total de R$ 4.961.578,41, assim distribuídos: a) R$ 3.719.047,92 a título de swap; b) R$ 1.242.530,49 a título de renda fixa Analiticamente, segundo os informe dos rendimentos: Na DIPJ/00, como a própria recorrente explicita, na Ficha 7A – demonstração de Resultados, há informado pela recorrente as seguintes receitas que interessam ao litígio: _ variação cambial ativa : R$ 29.922.006,41 – linha 20 _ganhos auferidos no mercado de renda variável : R$ 856.048,70 – linha 21 _outras receitas financeiras : R$ 3.469.603,66 – linha 24 A partir destas rubricas e valores, iniciamos a análise da assertiva da recorrente de que as receitas advindas das aplicações financeiras discriminadas às fls. 06 e 44, pela própria contribuinte, foram declaradas e oferecidas à tributação. I) Das “outras receitas financeiras” – resposta da recorrente às fls. 196, in verbis: Fl. 586DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 587 12 Os juros recebidos de clientes, ainda que estes recebimentos hajam gerado IRRF, não podem ser considerados como as receitas correlatas àquele IRFonte especificado nos pedidos de restituição de fls. 01 e 02, objetos deste litígio, pois não são rendimentos provenientes de aplicações financeiras em swap ou renda fixa, consoante os informes de rendimentos acostados aos pedidos pela recorrente. Os valores discriminados sob a rubrica “Anexo”, das “Divisões” “Food TEC” e "CBV”, contabilizados em “DIV’S” (suponho diversas contas contábeis), também não foram relacionados com as referidas aplicações financeiras acima discriminadas, não estando pois as receitas financeiras nesta linha incluídas. Nas folhas do Razão juntadas pela recorrente, fls. 210 a 223, encontramse as seguintes contas, que se referem à “CBV”: “Variação Cambial Dívida (Fam. Vianna) – CBV” e “Variação Cambial IntercoCBV” e, ainda, encontrase a conta “Imposto de Renda – Mútuo CBV FMC”, demonstrando cabalmente que as aplicações financeiras não integraram a linha 24 da Ficha 7A da DIPJ/00. II) Das Variações Cambiais Ativas (receitas) A despeito da recorrente não ter feito a conexão das contas contábeis com as aplicações de hedge que lacunamente induz estarem retratadas nos informes de rendimentos que fundamentam os pedidos de restituição em apreço e haverem sido as receitas contabilizadas em “variações cambiais”, o Razão comprova diversamente às suas alegações. O Razão apresentado pela recorrente possui as seguintes contas contábeis pertinentes a variações cambiais, que notadamente retratam operações de empréstimos, mútuos e outros contratos, como é da natureza das variações cambiais e algumas aplicações de hedge, não coincidentes com os informes de rendimentos vinculados aos pedidos de restituição ora sob análise (sem correlação com valores e identificação de instituição financeira ou espécie de aplicação) – repito, não se visualiza nenhuma operação coincidente com os informes de rendimentos acima especificados. A saber: variação cambial – caixinha / sobre pagamento antecipado de juros correção de IRPJ a compensar pela Selic / empréstimo em U$ I Financ / aplicação U$ EXP NOTES1 / empréstimo U$ 63 Caipira / empréstimo U$ Zero Cupon / aplic U$ hedge – EXP NOTES / INTERCO – CBV / empréstimo Chase – City / dívida empréstimo famVianna – CBV / empréstimo FMC Corp 22kJETWAY. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 588 13 III) Dos ganhos auferidos no mercado de renda variável: As folhas do Razão apresentadas – fls. 210 a 222 não possibilitam verificar as contas pertinentes aos recebimentos das receitas advindas das aplicações financeiras sob análise. Todavia, espelham as contas de IRRF a recuperar/compensar/sobre aplicações financeiras, destacando se, primeiramente, aquelas operações registradas que não se referem às aplicações financeiras atreladas aos pedidos de restituição de fls. 01 e 02 (negritei). Cito cada conta contábil que se refere a IRRfonte que não está relacionado com os informes apresentados (negritei novamente): 1) Conta contábil 0000.1990.00003 57 01.01.05.06.01 “Imposto de renda a compensar” – esta conta aponta para um saldo acumulado de anos anteriores no valor de R$ 226.275,17; não é de aplicação financeira do ano de 1999 – não consta nos informes; 2) Conta contábil 0000.1990.00004 58 01.01.05.06.01 “Imposto de renda a recuperar 1998” – também aponta para um saldo acumulado no valor de R$ 10.388,35, É um título representativo de direitos creditórios de exportação e lastreiase obrigatoriamente em contratos de compra e venda firmados entre o exportador e empresas estrangeiras importadoras. A presença do contrato mercantil de compra e venda é fundamental para a legalidade da operação.que pertence a outros anos; em agosto de 1999 esta conta sofreu um acréscimo de R$ 271.694,35 com histórico de que é concernente a “vr ref IR s/ remessa de juros empréstimo 35M”; portanto este IR também não é pertinente às aplicações financeiras ora discutidas; 3) Conta contábil 0000.1990.00005 617 01.01.05.06.01 – “IR a recuperar – aplic fin 1999” – esta conta merece ser analisada de forma acurada, mês a mês. Apesar da rubrica, há IR retido sobre empréstimos e outras aplicações que não constam nos informes de rendimentos que embasam os pedidos de restituição em questão. Assim estão “fora” dos valores pleiteados: 3.1) Janeiro: as reversões de provisões de IR sobre “empréstimo BEAL 63 Caipira jan/99” (v. variação cambial empréstimo em U$ fls. 222), e das provisões de IR sobre “v monet ativa HEDGE 40 dd e 12 dd” porque os valores ali consignados não conferem com os valores discriminados nos informes de rendimentos e a recorrente não explicitou de que instituição financeira são estas aplicações em hedge, sabendose pelo próprio Razão que há rendimentos declarados em Variação Cambial – EXPORT NOTES; 3.2) Fevereiro: novamente aparecem contabilizações de reversão de provisões de IR sobre empréstimo “BEAL 63 Caipira” – jan e fev/99 – e “CITI”, cujos valores não constam nos informes de rendimentos fornecidos – aliás, observese que, por contraprova, nos referidos informes não há rendimentos Fl. 588DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 589 14 pagos em fevereiro/99, com exceção da aplicação financeira em swap no CCF (Credit Coml France) que gerou um rendimento de R$ 794.397,83 e uma retenção de R$ 158.879,57 não contabilizados no Razão da recorrente e ora pleiteado nos pedidos de restituição; 3.3) Março: novamente é de se excluir a “provisão IR s/ EMPR BEAL 63 Caipira”; 3.4) Abril: só foi novamente contabilizada a “provisão IR s/ EMPR BEAL 63 Caipira”; 3.5) Maio : idem 3.6) Junho : idem; 3.7) Julho : idem, quanto a rubrica “provisão IR s/ EMPR BEAL 63 Caipira” e de igual forma os IR retidos por ocasião dos dois “RESGATE EXPORT NOTES IR RETIDO NA FONTE”, por não se identificar nos informes de rendimentos esta aplicação financeira; 3.8) Agosto : sem movimentação 3.9) Setembro : a retenção de IR registrada está no informe de rendimentos fornecido pelo BEAL (Banco Europeu América Latina) swap – R$ 40.239,95; 3.10) Outubro : sem movimentação 3.11) Novembro : a retenção de IR registrada está no informe de rendimentos fornecido pelo Citibank swap – R$ 12.800,00; 3.12) Dezembro : sem movimentação; 4) os valores registrados nas demais contas contábeis, em dezembro, sob as rubricas a seguir elencadas, não podem ser pleiteados neste processo porque não se referem às aplicações financeiras e retenções objetos dos pedidos ora analisados – a propósito estas contas só aparecem em dezembro e apenas assinalam saldos advindos de outros períodos: 4.1) “I. Renda a Recuperar – JETWAY” – R$ 56.302,00 – (Variação Cambial – empréstimo); 4.2) “I. Renda Mútuo CBVFMC” – R$ 256.205,22; 4.3) “I. Renda a Recup – Aplic Fin – JETWAY” – R$ 226,65. IV) Da análise do Razão e das retenções de IRFonte contabilizadas versus informes de rendimentos A seguir relaciono quais as retenções de IR realizadas pelas fontes pagadoras discriminadas nos informes de rendimentos ora analisados que foram efetivamente contabilizadas pela recorrente, conforme comprovam os assentamentos contábeis do Razão apresentado: Fl. 589DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 590 15 Bem, deste ponto, solicitouse a realização de diligências, conforme relatado. Na diligência requerida, muito importante destacar que, não foram apresentadas as fichas do Livro Razão relativas às receitas correspondentes aos IRRF acima relacionados, consoante requerido na Resolução nº 180100.129/12, nem tampouco a recorrente logrou explicar a diferença entre o valor declarado a título de "ganhos auferidos no mercado de renda varíavel" R$ 856.048,70 (Ficha 7A, linha 21) e a somatória das receitas espelhadas nos informes de rendimentos apresentados junto aos pedidos de restituição (R$ 4.961.578,41); nem tampouco conseguiu explicar o valor de R$ 2.834.817,78 relativo às receitas correspondentes às retenções acima discriminadas, cujos IRRF foram contabilizados. Portanto, temos a seguinte situação neste litígio, em face aos assentamentos contábeis, aos valores declarados em DIPJ, aos informes de rendimentos e ao requerido pela recorrente: i) das receitas declaradas (DIPJ/00) a título de "outras receitas financeiras", no valor de R$ 3.469.603,66, Ficha 7A, linha 24, nenhuma operação registrada no Razão é coincidente com os valores discriminados pela recorrente, ou está registrada a título de operações swap e renda fixa, consoante item I deste voto; ii) das receitas declaradas (DIPJ/00) a título de "variação cambial ativa", no valor de R$ 29.922.006,41 Ficha 7A, linha 20 nenhuma operação registrada no Razão é coincidente com os valores discriminados pela recorrente a título de operações swap e renda fixa, consoante item II; iii) embora a recorrente não tenha exibido os assentamentos contábeis relativos às receitas/rendimentos auferidos, ofereceu à tributação a título de GANHOS AUFERIDOS NO MERCADO DE RENDA VARIÁVEL (Ficha 7A, linha 21), o valor de R$ 856.048,70, pressupondo estarem inseridas nesta rubrica (única que sobrou) as referidas receitas de swap e renda fixa cujos IRRF a recorrente requer nos pedidos de restituição objetos deste litígio. Primeira conclusão é que a recorrente, por absoluta falta de comprovação nos assentamentos contábeis e valores informados na DIPJ/00, não ofereceu à tributação o valor auferido com todas receitas de swap, renda fixa, curto prazo e pre, espelhadas os informes de rendimentos acostados aos autos às efls. 06 a 44, da ordem de R$ 4.961.578,37, sendo incabível a Fl. 590DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 591 16 restituição requerida no valor de R$ 986.169,79 (primeira tabela elaborada neste voto). O segundo ponto, é que os IRRF registrados no Razão, cujas operações estão identificadas por swap, apesar de remontarem o valor de R$ 568.963,49, consoante última tabela acima elaborada, correspondem a uma receita no valor de R$ 2.834.817,78, cujo oferecimento à tributação na DIPJ/00 não foi comprovado pela recorrente; como visto o valor oferecido a título de ganhos auferidos no mercado de renda variável é da ordem de R$ 856.048,70. Verifiquese da tabela abaixo o ora concluído, a partir do requerimento da contribuinte e dos informes de rendimentos apresentados: Diante do exposto, podese concluir que, se da importância de R$ 2.834.817,78, somente foram oferecidos à tributação o valor de R$ 856.048,70 (30,20%), do valor correspondente a R$ 568.963,49, a recorrente faz jus à restituição de IRRF no valor de R$ 171.826,97 (30,20%), incidente sobre aplicações financeiras (operações de swap, renda fixa e outros), refletido no Saldo Negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1999. Em resumo, o saldo negativo apurado no anocalendário de 1999, tal qual como reconhecido no PA de nº 10830.007495/0052 era de R$ 171.826,97; agora, como naquele processo o contribuinte também pleiteou a compensação do aludido saldo com débitos Fl. 591DF CARF MF Processo nº 13851.000076/200236 Acórdão n.º 1302002.849 S1C3T2 Fl. 592 17 de COFINS no importe de R$ 844,075.01 (fl. 05 daqueles autos), nada resta ao contribuinte para utilizar nos pedidos de compensação tratados neste feito e no processo de nº 13851.000238/200236 (em apenso). Não há, pois, direito creditório a ser reconhecer quanto ao anocalendário de 1999. Conclusão. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário a fim de reconhecer um crédito restituível e, portanto, passível de compensação, no importe (histórico) de R$ 106.422,10, a título de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1997, para compensação até o limite do crédito postulado. (assinado digitalmente). Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 592DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.907198/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Relatório
1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância:
O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 36735.78666.130804.1.3.04-0032[...].
A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 29/08/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...].
Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA.
Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE
Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que:
- detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP.
- o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior.
- de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de julho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito.
- quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social.
- no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50.
- a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior.
- o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário.
A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.
2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.171, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo:
ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2004
Retificação da Declaração de Compensação.
A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação.
Manifestação de inconformidade improcedente.
Direito creditório não reconhecido.
3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos:
3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa.
3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato.
3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável.
4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática.
5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas.
É o relatório.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.907198/2008-61
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894709
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.491
nome_arquivo_s : Decisao_10680907198200861.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 10680907198200861_5894709.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7403726
ano_sessao_s : 2018
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 36735.78666.130804.1.3.04-0032[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 29/08/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: - detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. - o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior. - de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de julho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito. - quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social. - no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50. - a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. - o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada. 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.171, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588534538240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1131; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.907198/200861 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.491 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 11 de junho de 2018 Assunto CSLL Recorrente MIRANDA TRANSPORTES E SERVICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 07 19 8/ 20 08 -6 1 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10680.907198/200861 Resolução nº 1201000.491 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 36735.78666.130804.1.3.040032[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 29/08/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior. de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de julho de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do débito. quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social. no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50. a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10680.907198/200861 Resolução nº 1201000.491 S1C2T1 Fl. 4 3 o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.” 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0225.171, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido”. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10680.907198/200861 Resolução nº 1201000.491 S1C2T1 Fl. 5 4 resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.483, de 11/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.903455/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2003 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL recolhida em 29/08/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.483): "6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 8. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10680.907198/200861 Resolução nº 1201000.491 S1C2T1 Fl. 6 5 9. No mais, em homenagem ao princípio da verdade material, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. 10. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 11. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto) (grifos nossos). 12. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 13. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 14. Considero que não há, no presente caso, controvérsia acerca do preenchimento do requisito (i) constante do item 12, mas do (ii) e (iii). 15. No mais, é incontroverso que entre maio de 2003 e novembro de 2003 a Recorrente recolheu o IRPJ por Estimativa relativo às Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10680.907198/200861 Resolução nº 1201000.491 S1C2T1 Fl. 7 6 competências de abril a outubro de 2003 no total de R$277.538,27, conforme demonstrado nas guias de fls. 18/20. 16. Em dezembro de 2003, apurouse prejuízo fiscal e constatouse que não era devido IRPJ para o ano de 2003, daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ no anocalendário de 2003. 17. Ocorre que, a DRJ (fls. 29/32) considerou que o despacho decisório (fl. 4) não merece reformas porque o erro cometido pelo contribuinte é material e, portanto, tratase de vício insanável. 18. Por outro lado, a Recorrente, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em seu Recurso Voluntário, afirma que, apesar de ter errado no preenchimento do formulário de compensação sobre a origem do crédito ao preencher como “pagamento indevido ou a maior” ao invés de “saldo negativo de IRPJ” o crédito decorrente do recolhimento de IRPJ estimativa não deixou de existir. 19. Para comprovar suas alegações, a Recorrente apresenta documentação probatória hábil, tais como: (i) seis DARFs de recolhimento de IRPJ referente ao segundo e terceiro trimestres de 2003 (fls.18/20); (ii) fichas 09A e 17 do ano calendário de 2003 da DIPJ original (fls.13/14); e (iii) a totalização por tributo e contribuição no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2003 da DCTF. 20. A priori, a documentação trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 21. Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 22. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) providencie a juntada aos autos cópia integral da DIPJ 2004, ano calendário de 2003; (iii) verifique as DCTFs apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses para fins de verificação de recolhimentos a maior de estimativa mensal, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (iii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas ao saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2003, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerando se, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 23. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10680.907198/200861 Resolução nº 1201000.491 S1C2T1 Fl. 8 7 24. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.908913/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.242
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10840.908913/2009-84
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894772
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.242
nome_arquivo_s : Decisao_10840908913200984.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10840908913200984_5894772.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7403789
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588537683968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1237; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.908913/200984 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1301003.242 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria CSLL COMPENSAÇÃO Recorrente HOSPITAL SÃO FRANCISCO SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 89 13 /2 00 9- 84 Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10840.908913/200984 Acórdão n.º 1301003.242 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por HOSPITAL SÃO FRANCISCO SOCIEDADE EMPRESÁRIA LIMITADA, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, mantendo o despacho decisório da DRF Ribeirão Preto. No referido despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Na manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que, em procedimento de auditoria interna, constatouse a ocorrência de recolhimento de tributo superior ao devido, em face da majoração da base de cálculo. Tal fato deu ensejo à compensação realizada em dcomp. A DRJ, entretanto, alegando que o direito não tinha sido demonstrado e que não havia certeza, nem liquidez do crédito pleiteado, negou provimento à manifestação de inconformidade. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso, trazendo os mesmos argumentos expostos perante o órgão de primeira instância. Reiterou que a causa do indébito foi erro na base de cálculo da CSLL: "... em procedimento de auditoria e verificação interna da apuração dos tributos, constatouse que o Recorrente recolheu a maior o tributo em questão, face a majoração da base de cálculo. Este fato ensejou a compensação realizada via PER/DCOMP ( ...), visando a quitação dos débitos da CSLL ." Frisou a recorrente que o direito estaria comprovado pelas declarações retificadoras, que, para todos os fins, substituem as originais. Aduziu que, se as declarações retificadoras tivessem sido analisadas, não existiria motivo para não se homologar a compensação. Com esses fundamentos, pugnou pela reforma da decisão recorrida, para reconhecer o direito ao crédito e homologar a compensação. Subsidiariamente, requereu a conversão do julgamento em diligência, para exame dos documentos contábeis que acompanham o recurso. É o relatório. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10840.908913/200984 Acórdão n.º 1301003.242 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.234, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.903677/2009 18, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O crédito analisado no processo paradigma referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, relativo ao período de apuração de maio/2006. No presente processo, o direito creditório analisado tem como origem pagamento indevido ou a maior da CSLL, referente ao período de apuração de 31/12/2007. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.234): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia gira em torno da existência do direito creditório oriundo de pagamento parcialmente indevido de IRPJ apurado por estimativa mensal. A DRFRibeirão Preto não homologou a compensação porque o pagamento se encontrava inteiramente alocado a um débito declarado pela própria recorrente. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade por falta de comprovação do direito. Nos pedidos de restituição e nas compensações, cumpre ao contribuinte, em primeiro lugar, fazer prova do pagamento, vale dizer, demonstrar que o dinheiro entrou nos cofres públicos. Depois, tem de provar que esse pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável, ou seja, provar que houve erro na apuração do tributo, ou provar que o contribuinte não era o devedor, ou que o Fisco não era o credor. O contribuinte não precisa provar que pagou por erro, nem que o erro era escusável. Basta demonstrar que o pagamento se fez em desacordo com a legislação. No caso em exame, a recorrente limitouse a afirmar que o indébito decorreu de "majoração da base de cálculo". Essa expressão é vaga e comporta inúmeras situações. Pode ser a inclusão de receitas isentas ou imunes, de receitas já tributadas ou passíveis de diferimento; pode ser o registro de meros ingressos de caixa como sendo valor tributável. O erro também pode advir da falta de registro de despesas dedutíveis, além de Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10840.908913/200984 Acórdão n.º 1301003.242 S1C3T1 Fl. 5 4 toda sorte de equívocos referentes aos ajustes ao lucro líquido. Em suma, as possibilidade são tantas, que dizer apenas que houve majoração indevida da base de cálculo é quase o mesmo que não dizer nada. Diante dessa imprecisão, tornase ocioso qualquer exame de livros fiscais e contábeis, bem como a determinação de qualquer tipo de diligência, em face da impossibilidade de delimitar o objeto a ser examinado. Ressaltese que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não vale como prova do pretenso direito creditório. Na situação em análise, não há sequer a descrição do fato de que teria se originado o crédito pretendido. A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o ônus de proválo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 297DF CARF MF
score : 1.0
