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Numero do processo: 10435.002413/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRREGULARIDADE LANÇAMENTO IRPJ/CSLL. OPÇÃO APURAÇÃO.
LUCRO REAL ANUAL.
O Fisco, ao proceder ao lançamento, deve respeitar a opção de apuração efetuada pelo contribuinte. Assim, tendo em vista a opção do contribuinte pela apuração a partir do lucro real anual, bem como que este efetuou o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro, conclui-se que os fatos geradores constantes dos lançamentos de IRPJ e CSLL não podem reportar-se à apurações trimestrais.
PIS/COFINS. OMISSÃO DE COMPRA. DIREITO A CRÉDITO. OPÇÃO
DO CONTRIBUINTE.
O PIS e a Cofins incidem sobre a totalidade das receitas auferidas pela atividade desenvolvida pela empresa, assim todos os gastos e despesas efetuados pela empresa no desenvolvimento de suas atividades devem dar direito à apropriação dos respectivos créditos. Entretanto, compete ao contribuinte a apuração e aproveitamento do crédito.
Numero da decisão: 1201-000.908
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso.
Nome do relator: JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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OPÇÃO APURAÇÃO. LUCRO REAL ANUAL. O Fisco, ao proceder ao lançamento, deve respeitar a opção de apuração efetuada pelo contribuinte. Assim, tendo em vista a opção do contribuinte pela apuração a partir do lucro real anual, bem como que este efetuou o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro, concluise que os fatos geradores constantes dos lançamentos de IRPJ e CSLL não podem reportarse à apurações trimestrais. PIS/COFINS. OMISSÃO DE COMPRA. DIREITO A CRÉDITO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. O PIS e a Cofins incidem sobre a totalidade das receitas auferidas pela atividade desenvolvida pela empresa, assim todos os gastos e despesas efetuados pela empresa no desenvolvimento de suas atividades devem dar direito à apropriação dos respectivos créditos. Entretanto, compete ao contribuinte a apuração e aproveitamento do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 24 13 /2 00 7- 57 Fl. 852DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10435.002413/200757 Acórdão n.º 1201000.908 S1‐C2T1 Fl. 853 2 MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Neto (Presidente substituto), Roberto Caparroz de Almeida, Maria Elisa Bruzzi (Suplente Convocada), João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente), Andre Almeida Blanco (Suplente Convocado) , Luis Fabiano Alves Penteado. . Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 26/12/2007 para constituição de crédito relativo ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referente a fatos geradores ocorridos no ano de 2003, em razão da constatação de omissão de receita decorrente de pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade e compras de mercadorias para revenda omitidas. Consta no auto de infração, na descrição dos fatos, que foi verificada a seguinte infração: “Omissão de Receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos com compras de mercadorias (tecidos). Omissões de registros contábeis de pagamentos de compras de mercadorias, apuradas no curso do ano de 2003. Omissões de compras (pagamentos), constantes do DOSSIÊ INTEGRADO, restaram confirmadas com a notificação dos respectivos fornecedores da pessoa jurídica, com a remessa dos respectivos elementos probatórios (Notas Fiscais e comprovantes de pagamentos)”. Cumpre a transcrição de trechos do termo de verificação e de encerramento de ação fiscal: “(...) 5. Diante da necessidade de ser legalmente apurada a irregularidade fiscal (falta do registro contábil de compras de mercadorias para revenda = omissão de compras) que estava inicialmente indicada através de registros do "dossiê integrado", foi a empresa notificada do início da ação fiscal através das pessoas dos seus sócios AGAMENON GOMES DA SILVA JÚNIOR, CPF n° 742.078.304/72, e JOSÉ ALBERES GOMES DA SILVA, CPF n° 439.373.304/53. (...) 8. Nesse contexto, constava do referido "dossiê integrado" (fls. 044) e dos registros fiscais a informação de que a empresa A G TECIDOS CAPIBARIBE LTDA, CNPJ/MF n° 02.046.739/000160, havia, no ano de 2003, realizado e aquisições de mercadorias (tecidos) dos seguintes fornecedores (indústrias têxteis), quais sejam: ROCHESTER IND. E COM. TÊXTIL LTDA CNPJ n° 49.714.918/000191; COVOLAN Fl. 853DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10435.002413/200757 Acórdão n.º 1201000.908 S1‐C2T1 Fl. 854 3 INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA n° CNPJ n° 56.724.412/000129; CIA DE FIAÇÃO E TECIDOS CEDRO E CACHOEIRA CNPJ n° 17.245.234/000100; COMPANHIA DE FIAÇÃO E TECIDOS SANTO ANTONIO CNPJ n° 25.582.727/000155; GERALDO ARAÚJO TECIDOS LTDA CNPJ n° 08.172.306/000137, INCOMFRAL IND. E COMÉRCIO DE FRALDAS LTDA CPNJ n° 17.245.051/000186 e PERIPAN INDUSTRIAL LTDA — CNPJ n° 16.768.319/000100. Regularmente intimados, referidos fornecedores, em decorrência consta às fls. 164 a 748, apresentaram exaustiva documentação que atesta suficientemente as aquisições/pagamentos das mercadorias, parte delas sem registro contábil. As Planilhas de fls. 135 a 161 trazem o resumo das receitas mensais tidas como omitidas, em face dos pagamentos das compras de mercadorias não contabilizadas (art. 40, da Lei n° 9.430/96), identificando inclusive a base de cálculo mensal dos tributos objeto da ação fiscal (fls. 161). (...) 9. (...) LUCRO REAL Omissão de Receitas Falta de Escrituração de Pagamentos pelo Sujeito Passivo COMPRAS OMITIDAS DA ESCRITURAÇÃO. Deixando a empresa de cumprir regularmente suas obrigações instrumentais relativamente à regularidade dos indispensáveis registros contábeis (DIÁRIO/RAZÃO) e fiscais (Livro de Registro de Entrada de Mercadorias e Livro de Apuração do ICMS), nos meses do ano calendário de 2003, restou apurada, configurada e caracterizada, fundamentalmente em face da farta documentação acostada aos autos, a irregularidade fiscal (omissão de receita, por compras omitidas da escrituração da PJ), ensejando a cobrança dos tributos (IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro CSLL, PIS e COFINS), de que cuidam os autos de infração (lançamentos fiscais) de fls. 002 a 033, incidentes sobre a receita mensal excluída indevidamente da tributação. (...) 11. Desse modo, diante da documentação apresentada pelos fornecedores (cópias das NOTAS FISCAIS, dos comprovantes de entrega das mercadorias e dos comprovantes dos pagamentos) da empresa AG TECIDOS CAPIBARIBE LTDA, CNPJ/MF n° 02.046.739/000160, conforme exclusiva indicação constante do "dossiê integrado", foi possível identificar e quantificar, mensalmente, as compras/pagamentos realizadas pela empresa, sem o respectivo registro contábil e fiscal, que a legislação fiscal (art. 40, da Lei n° 9.430/96), reconhece como recurso marginal, fruto de uma anterior omissão de receitas, agora utilizados para os pagamentos de compras não registradas. Na identificação da omissão mensal foram elaboradas as Planilhas que constam às fls. 135 a 161. Na Planilha de fls. 135 a 138 constam listadas todas as vendas realizadas por cada um dos fornecedores para a empresa A G TECIDOS CAPIBARIBE LTDA, Fl. 854DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10435.002413/200757 Acórdão n.º 1201000.908 S1‐C2T1 Fl. 855 4 CNPJ/MF n° 02.046.739/000160. Nas Planilhas de fls. 154 a 160 constam listadas as NOTAS FISCAIS não contabilizadas pela empresa. Cópia do registro fiscal de entrada, do ano de 2003, consta às fls. 139 a 154. (...) 13. Portanto, apesar de INTIMADA regularmente, deixou a pessoa jurídica de apresentar justificativa efetiva pelos não registros das NOTAS FISCAIS objeto da Planilha que constam às fls. 135 a 161, relativamente aos meses do ano calendário de 2003. Diante do ilícito fiscal verificado, efetivamente deixou a empresa de promover os recolhimentos/declarações dos tributos devidos nos períodos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), restando nesta oportunidade ao poder fiscal, nos termos do artigo 142 e seu parágrafo único, a inevitável formalização, de ofício, dos respectivos lançamentos para que possa a Fazenda Pública exigir formalmente, neste caso, os seus respectivos créditos fiscais, o que se faz por exclusivo dever legal e no resguardo dos interesses inquestionáveis da Fazenda Nacional. Em síntese, a falta de registros contábeis e fiscais da compra de mercadorias autoriza a presunção de que tais aquisições foram pagas com recursos oriundos de receitas mantidas à margem da escrituração (art. 40, da Lei n° 9.430/96). (...)” O contribuinte apresentou impugnação (fls.765/771), argumentando, em síntese, que: (i) o lançamento é insubsistente por falta de indicação com clareza da lei formal infringida (art. 100, IV, do Decreto n° 70.235/72 PAF), maculando o princípio da legalidade e lesionando o direito ao contraditório e a ampla defesa. Além disso, a falta de descrição minuciosa da infração contraria o art. 10 do PAF, o que implica a nulidade do ato, consoante art. 59 do PAF e arts. 109 e 110 do CTN; (ii) a apuração da base de cálculo dos tributos se deu de forma absolutamente aleatória e sem respaldo em qualquer norma legal; (iii) não existe presunção legal que ampare a imputação de omissão de receita decorrente de eventual omissão de compras, havendo que ser provada materialmente. (iv) o lançamento foi constituído a partir de mero indicio (informações de terceiros), não havendo comprovação do recebimento das mercadorias e, principalmente, dos pagamentos; (v) a omissão de compras é mero indício que indica a possível ocorrência de um ilícito fiscal, o qual deverá ser apurado concretamente pela autoridade fiscalizadora; Fl. 855DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10435.002413/200757 Acórdão n.º 1201000.908 S1‐C2T1 Fl. 856 5 (vi) as receitas foram recompostas sem considerar que a empresa era optante do lucro real; (vii) a simples constatação de omissão de compras não autoriza a tributação da omissão de receitas pelo somatório dos valores não escriturados, por irreal a base de cálculo e o período de apuração; (viii) a acusação de omissão de compras se anula pelo custo de igual valor levados à contabilidade da empresa; e reconhecimento pela autoridade julgadora da ilegalidade do lançamento, tendo em vista os atos elaborados estarem em desconformidade com os comandos do sistema positivo; (ix) o crédito fiscal é confiscatório; (x) é ilegal e inconstitucional a aplicação da taxa SELIC. Por fim, pugnou pela improcedência do lançamento. Os membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (PE), por unanimidade de votos, rejeitaram a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, consideraram o lançamento parcialmente procedente, para (i) exonerar o crédito tributário relativo ao IRPJ e a CSLL e (ii) manter, parcialmente, os lançamentos de PIS e COFINS. Quanto à nulidade arguida, restou consignado no acórdão recorrido que o cerceamento do direito de defesa não se caracteriza quando fica evidenciado que o sujeito passivo teve conhecimento dos documentos que embasaram o lançamento de ofício. No mérito, foi afastada a alegação de que inexiste presunção legal que ampare a imputação de omissão de receita decorrente de eventual omissão de compras, pois o lançamento trata de omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos com compras de mercadorias, confirmada com a remessa pelos respectivos fornecedores do contribuinte de notas fiscais e comprovantes de pagamentos. Além disso, consta no acórdão o entendimento de que em vista do que dispõe os artigos 12, §2º, do Decreto Lei 1.598/77 c/c art. 40 da Lei 9.430/96, existe uma presunção legal, razão pela qual cabe ao contribuinte provar que o fisco está equivocado. Desse modo, por entender que foi comprovada a existência de pagamentos, os quais não foram escriturados, presumese legalmente a omissão de receita. Em relação ao argumento de que as receitas foram recompostas sem considerar que a empresa era optante do lucro real anual, verificou – se divergência de entendimento na turma julgadora e o voto vencedor foi no sentido de que, no caso, o contribuinte optou pela apuração anual do imposto, razão pela qual o fato gerador se deu em 31/12/2003 e, dessa maneira, improcedentes os lançamentos do IRPJ e da CSLL, mantendo – se, entretanto, o crédito do PIS e da Cofins, pois sujeitamse à apuração mensal. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10435.002413/200757 Acórdão n.º 1201000.908 S1‐C2T1 Fl. 857 6 Por fim, as alegações de que o crédito fiscal é confiscatório, de ilegalidade e inconstitucionalidade da taxa SELIC, foram afastadas por não competir a alçada da autoridade administrativa tais análises. Houve Recurso de Ofício em razão do crédito tributário exonerado estar acima do limite de alçada fixado no artigo 34, I, do Decreto 70.235/72 (redação dada pelo artigo 67 da lei 9.532/97, c/c a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. O contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 830/846) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos mesmos termos da impugnação apresentada. É o Relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos contra acórdão proferido pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (PE) que, por unanimidade de votos, rejeitaram a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos, consideraram o lançamento parcialmente procedente, para (i) exonerar o crédito tributário relativo ao IRPJ e a CSLL e (ii) manter, parcialmente, os lançamentos de PIS e COFINS. A exoneração do crédito de IRPJ e CSLL se deu tendo em vista que o contribuinte optou pela apuração anual do imposto, razão pela qual o fato gerador se deu apenas em 31/12/2003 e, dessa maneira, improcedentes os lançamentos do IRPJ e da CSLL, com base na apuração trimestral, mantendo – se, entretanto, o crédito do PIS e da Cofins, pois sujeitamse à apuração mensal. Preliminarmente, cumpre a verificação da regularidade do lançamento do IRPJ e da CSLL. No caso dos autos o contribuinte, no ano calendário fiscalizado, era optante pelo lucro real anual para apuração do tributo devido. Nesse ponto é importante observar que a opção por esse tipo de recolhimento deve ser manifestada com o pagamento do imposto de renda correspondente ao mês de janeiro e será considerada irretratável para todo o anocalendário, conforme artigo 222 do RIR/99: “Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Fl. 857DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10435.002413/200757 Acórdão n.º 1201000.908 S1‐C2T1 Fl. 858 7 Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º, parágrafo único).” Tendo em vista a opção do contribuinte pela apuração a partir do lucro real anual, bem como que este cumpriu o requisito previsto no artigo transcrito, qual seja, o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro, concluise que o fato gerador do IRPJ e CSLL se deu em 31/12/2003, Ocorre que, em que pese a opção do contribuinte, os fatos geradores constantes dos lançamentos de IRPJ e CSLL reportamse à apurações trimestrais. Assim, correto o cancelamento do lançamento relativamente ao IRPJ e CSSL. Nesse ponto, nego provimento ao Recurso de Ofício. Em relação ao PIS e à COFINS, cumpre a análise do mérito. Não merece prosperar o argumento de que a acusação de omissão de compras se anula pelo custo de igual valor levados à contabilidade da empresa, isto porque, no caso, entendo que caberia ao contribuinte a indicação dos crédito/débito e a opção de apropriação do crédito, o que não ocorreu no caso em análise. Senão vejamos. É sabido que com a vigência das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, as contribuições para o PIS e a Cofins passaram a ser apuradas pelo regime não cumulativo para as pessoas jurídicas optantes pelo regime de apuração pelo Lucro Real. No caso do PIS e da Cofins, os mesmos incidem sobre a totalidade das receitas auferidas pela atividade desenvolvida pela empresa, assim todos os gastos e despesas efetuados pela empresa no desenvolvimento de suas atividades devem dar direito à apropriação dos respectivos créditos. Entretanto, compete ao contribuinte a apuração e aproveitamento do crédito. Dispõe o artigo 3º, §8º, da lei 10.637/2002 que trata da nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS): “Art.3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou Fl. 858DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10435.002413/200757 Acórdão n.º 1201000.908 S1‐C2T1 Fl. 859 8 II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.” No mesmo sentido dispõe a lei 10.833/2003, que trata da não cumulatividade da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Desse modo, em que pese a possibilidade de apropriação de crédito relativo ao custo, a apuração e aproveitamento do crédito competem ao contribuinte, o que não ocorreu no caso dos autos. Portanto, quanto ao PIS e à COFINS deve ser mantido o lançamento. Nesse ponto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Do exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, para manter a decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) João Carlos de Lima Junior Relator Fl. 859DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 1/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720486/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO.
Há que se considerarem no saldo negativo apenas as retenções na fonte atestadas pelo comprovante de rendimentos e retenções emitido pela fonte pagadora.
APROVEITAMENTO DE IRRF. RENDIMENTOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO.
O aproveitamento de IRRF dá-se para os rendimentos que forem oferecidos à tributação.
Numero da decisão: 1402-003.593
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios exclusivamente em relação à matéria previamente admitida para, com efeitos infringentes, sanar omissões no Acórdão nº 1402-002.198, reconhecendo o direito creditório adicional de R$ 439.258,75.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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SALDO NEGATIVO. Há que se considerarem no saldo negativo apenas as retenções na fonte atestadas pelo comprovante de rendimentos e retenções emitido pela fonte pagadora. APROVEITAMENTO DE IRRF. RENDIMENTOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. O aproveitamento de IRRF dáse para os rendimentos que forem oferecidos à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios exclusivamente em relação à matéria previamente admitida para, com efeitos infringentes, sanar omissões no Acórdão nº 1402002.198, reconhecendo o direito creditório adicional de R$ 439.258,75. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 04 86 /2 01 1- 75 Fl. 2184DF CARF MF Processo nº 16682.720486/201175 Acórdão n.º 1402003.593 S1C4T2 Fl. 2.185 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 16682.720486/201175 Acórdão n.º 1402003.593 S1C4T2 Fl. 2.186 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS, nos termos do art. 65 e segs. do Regimento Interno do CARF. Transcrevo excertos das informações em embargos prestadas e acatadas pelo M.D. Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento quando da admissão dos embargos: "Os Embargos de Declaração, tempestivamente interpostos, foram recebidos nos termos do art. 64, inciso I, do Anexo II da Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF/2015). 2. O Embargante alega contradição e omissão, em face do Acórdão n° 1402002.198, de 7 de junho de 2016, proferido por esta Segunda Turma Ordinária desta Quarta Câmara, sob os seguintes fundamentos, respectivamente: No tocante aos valores de IRRF declarados no anocalendário de 2006, porém referentes ao anocalendário de 2005, o julgado em questão se contradiz ao decidir que a embargante não fez prova do seu crédito para o anocalendário de 2006 sem, contudo, diligenciar a respeito do tratamento dado pela contribuinte ao crédito no ano anterior. A simples análise da DIPJ do ano anterior da embargante (Doe. 11 anocalendário de 2005. exercício de 2006 é prova suficiente de que o IRRF em questão não foi aproveitado naquele ano. Sendo assim, o aproveitamento dos valores de IRRF do ano calendário de 2005 no anocalendário de 2006, tal como constante do PER/DCOMP objeto deste processo e da DIPJ correspondente, é direito da Embargante, cujo embaraço propiciará o enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. [...] Em relação ao IRRF decorrente de receitas de juros sobre o capital próprio, o acórdão em questão é omisso quanto á manifestação da Embargante e dos documentos por ela apresentados antes do julgamento do recurso voluntário de fls. 1497 a 1675, quando lhe fora oportunizado pronunciarse a respeito do resultado da diligência fiscal determinada pelo CARF. Naquela oportunidade, a Embargante já esclarecera que a contabilização da receita de juros sobre o capital próprio, embora Fl. 2186DF CARF MF Processo nº 16682.720486/201175 Acórdão n.º 1402003.593 S1C4T2 Fl. 2.187 4 não tenha afetado o resultado contábil, foi adicionada no resultado, compondo o montante informado na linha 22 da ficha 09A da DIPJ 2007, conforme discriminado no seguinte trecho do LALUR (Doc. 2): Esclareçase, mais uma vez, que a metodologia adotada para a contabilização de tais receitas e sua adição no lucro real, para fins tributários, encontra respaldo no art 29 da IN SRF 93/97 e na Deliberação CVM 207, de 13 de dezembro de 1996. E, a tal respeito, não se encontra nenhuma linha no acórdão recorrido apesar da manifestação da embargante antes do julgamento do recurso voluntário no prazo em que fora intimada a se pronunciar sobre o resultado da diligência fiscal o que configura omissão a ser sanada por este órgão julgador. 3. Da análise dos autos, entendo que devem ser admitidos, em parte, os presentes Embargos de Declaração. 4. Com relação ao primeiro item — "valores de IRRF declarados no ano calendário de 2006, porém referentes ao anocalendário de 2005" —, assim se manifestou a decisão embargada: No que diz respeito ao IRRF referente à PARTEX (CNPJ 05.002.889/000160), em que pese a comprovação da retenção (fls. 16151616), os rendimentos e o IRRF dizem respeito ao ano calendário de 2005 e deveriam, se for o caso, compor o pedido de reconhecimento do crédito referente a tal anocalendário, uma vez que o presente processo diz respeito ao anocalendário de 2006. 5. Como visto, entendeu a decisão embargada que os rendimentos e o IRRF dizem respeito ao anocalendário de 2005 e deveriam, se for o caso, compor o pedido de reconhecimento do crédito referente a tal anocalendário, uma vez que o presente processo diz respeito ao anocalendário de 2006. 6. Ora, se entende o Embargante que o aproveitamento dos valores de IRRF do anocalendário de 2005 no anocalendário de 2006, [...], é direito da Embargante, cujo embaraço propiciará o enriquecimento sem causa da Fl. 2187DF CARF MF Processo nº 16682.720486/201175 Acórdão n.º 1402003.593 S1C4T2 Fl. 2.188 5 Fazenda Pública, estáse diante de matéria suscetível de recurso diverso que não especificamente o de Embargos de Declaração. 7. Já no que se refere ao segundo item — "IRRF decorrente de receitas de juros sobre o capital próprio" —, assim se exprimiu a decisão embargada (destaques do original): O contribuinte foi cientificado da informação fiscal em 14 de abril de 2015 (fl. 1.494), apresentando em 13 de maio de 2015 a manifestação de fls. 14971507. [...] No mérito, e com base no princípio da eventualidade, teceu os seguintes argumentos: em relação aos juros sobre capital próprio, informa que os valores foram devidamente tributados, tendo sido informados na ficha 6A (Demonstração do Resultado), mais especificamente na linha 23 (Resultados Positivos em Participação Societária); a forma de contabilização dos JCP encontraria respaldo na Instrução Normativa RFB 93/97, art. 29, e na Deliberação CVMn° 207/1996, por isso contabilizou em primeiro lugar os JCP como receitas financeiras (orientação da RFB) e, em seguida, debitou a conta de receita financeira em contrapartida à conta de investimentos; [...] A questão controvertida em relação ao IRRF atinente aos JCP resumese à aplicação da Súmula CARF n° 80, assim vazada: "Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto". É importante destacar que não há qualquer mácula aos registros contábeis realizados pela Recorrente em relação aos JCP. Contudo, como ela mesmo informa, após creditar a conta de Receitas Financeiras em razão do recebimento de JCP, realizouse um débito na mesma conta para então creditarse a respectiva conta de investimento. Assim procedendo, o efeito no resultado contábil apurado foi nulo, pois o saldo da conta de Receitas Financeiras teria sido creditado e debitado nos mesmos valores. Também não lhe socorre o suposto registro do JCP informado na ficha 6A da DIPJ (Demonstração do Resultado), mais especificamente na linha 23 (Resultados Positivos em Participação Societária), isso porque o próprio programa da DIPJ já procede à exclusão dos Resultados Positivos em Participação Fl. 2188DF CARF MF Processo nº 16682.720486/201175 Acórdão n.º 1402003.593 S1C4T2 Fl. 2.189 6 Societária na apuração do lucro real, uma vez que tais valores não podem afetar a base de cálculo do IRPJ. Entendo, portanto, não restar comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos atinentes aos JCP, o que, por força da Súmula CARF n° 80, implica a impossibilidade de dedução do IRRF na apuração do IRPJ a pagar, e consequentemente, no cômputo do saldo negativo ora pleiteado. Ocorre, porém, que também foi dito o seguinte pela Embargante, na manifestação de efls. 1.4971.507, mais especificamente de efls. 1.499: "Todavia, a alegação de que a respectiva receita não teria sido oferecida à tributação pela Contribuinte não se sustenta, uma vez que ela fora devidamente considerada na apuração do imposto, compondo o montante informado na linha 22 da ficha 09A da DIPJ_2007, conforme discriminado no seguinte trecho do LALUR: 8. Inexistente, pois, a apontada contradição, porém, existente a alegada omissão. 9. Com fundamento nas razões expendidas, ADMITO, EM PARTE os Embargos de Declaração interpostos." Acatada a proposta, o M.D. Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF devolveu os autos para relato e inclusão em pauta de julgamentos. Fl. 2189DF CARF MF Processo nº 16682.720486/201175 Acórdão n.º 1402003.593 S1C4T2 Fl. 2.190 7 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE Os embargos já foram parcialmente admitidos pelo Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção. 2 DAS OMISSÕES Conforme já relatado, em resumo, o embargante alega contradição e omissão, em face do Acórdão n° 1402002.198. No tocante aos valores de IRRF declarados no anocalendário de 2006, porém referentes ao anocalendário de 2005, o julgado em questão se contradiz ao decidir que a embargante não fez prova do seu crédito para o anocalendário de 2006 sem, contudo, diligenciar a respeito do tratamento dado pela contribuinte ao crédito no ano anterior. Em relação ao IRRF decorrente de receitas de juros sobre o capital próprio, o acórdão em questão é omisso quanto á manifestação da Embargante e dos documentos por ela apresentados antes do julgamento do recurso voluntário. Em resumo entendeuse, no acórdão embargado, que os rendimentos e o IRRF dizem respeito ao anocalendário de 2005 e deveriam, se for o caso, compor o pedido de reconhecimento do crédito referente a tal anocalendário, uma vez que o presente processo diz respeito ao anocalendário de 2006, e não restar comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos atinentes aos JCP, o que, por força da Súmula CARF n° 80, implica a impossibilidade de dedução do IRRF na apuração do IRPJ a pagar, e consequentemente, no cômputo do saldo negativo ora pleiteado. O Despacho de Admissibilidade dos Embargos considerou inexistente a apontada contradição, porém existente a alegada omissão, portanto foram admitidos em parte os Embargos de Declaração Interpostos. Por concordar com as razões e conclusões do referido despacho, passase a pronunciarse somente quanto ao IRRF decorrente de receitas de juros sobre o capital próprio e os respectivos documentos apresentados pela Embargante em sua manifestação quanto às conclusões da diligência. Fl. 2190DF CARF MF Processo nº 16682.720486/201175 Acórdão n.º 1402003.593 S1C4T2 Fl. 2.191 8 Verificase no relatório de Informação em Diligência (fls. 1489 a 1491) que o motivo para não terem sido aproveitadas as retenções de JCP (5706) foi o não oferecimento dos respectivos rendimentos à tributação, conforme os seguintes excertos do relatório: A legislação tributária determina, também, que o aproveitamento de IRRF se dê para os rendimentos que forem oferecidos à tributação, ou no dizer do inciso III do art. 231 do RIR, "sobre receitas computadas na determinação do lucro real", o que não ocorreu com a receita de Juros Sobre Capital Próprio (Linha 20, Ficha 06A da DIPJ 2007). Por esse motivo não aproveitamos as retenções de JCP (5706), ainda que informadas em DIRF ou em informes de rendimentos. Por fim, é de se destacar que não estão incluídas as retenções na fonte de Juros Sobre Capital Próprio (JCP) referente aos declarantes relacionados na tabela 02 a seguir, pelo fato, já mencionado acima, de os rendimentos dessas retenções não terem sido oferecidos à tributação.. Portanto, à luz do que nos vincula a legislação, não podemos aproveitar esses valores como antecipações do imposto devido, daí porque não adicionamos ao total apresentado na planilha Valores_passíveis_aproveitamento_IRRF_2006. Isto posto, estamos certos de termos atendido ao solicitado. Observase na tabela 02, que a diferença entre o Valor Retenção DCOMP e o Valor Aproveitável (Retenção em DIRF ou comprovante) é de R$ 162.809,00 ( R$ 597.809,00 R$ 435.000,00). Essa diferença devese a não confirmação da retenção através de DIRF ou comprovante. O Embargante em sua manifestação ao relatório de diligência alega que a respectiva receita não teria sido oferecida à tributação pela Contribuinte não se sustenta, uma vez que ela fora devidamente considerada na apuração do imposto, compondo o montante informado na linha 22 da ficha 09A da DIPJ_2007, conforme discriminado no LALUR. Fl. 2191DF CARF MF Processo nº 16682.720486/201175 Acórdão n.º 1402003.593 S1C4T2 Fl. 2.192 9 Esclarece que a metodologia adotada para a contabilização de tais receitas e sua adição no lucro real, para fins tributários, encontra respaldo no art 29 da IN SRF 93/97 e na Deliberação CVM 207, de 13 de dezembro de 1996. Como pronunciouse o relator do voto condutor no Acórdão embargado "É importante destacar que não há qualquer mácula aos registros contábeis realizados pela Recorrente em relação aos JCP.". Portanto a questão a ser decidida é se a Receita de Remuneração de Juros s/ Capital Próprio foi ou não oferecida à tributação. Verificase no LALUR apresentado que o valor do lucro real em cada período de apuração é o mesmo valor informado no cálculo do imposto de renda, conforme Ficha 11 da DIPJ 2007, inclusive o valor de R$ 28.937.415.650,29, referente ao período de 31/12/2006. Reproduzse excertos da DIPJ e do LALUR. Fl. 2192DF CARF MF Processo nº 16682.720486/201175 Acórdão n.º 1402003.593 S1C4T2 Fl. 2.193 10 Constatase na apuração de imposto de renda no LALUR em 31/12/2006 a adição da Receita de Remuneração Juros s/ Capital Próprio o valor de R$ 3.985.393,34. Pela análise das alegações e do conjunto dos documentos probatórios apresentados, concluise que foi oferecida à tributação a Receita de Remuneração Juros s/ Capital Próprio o valor de R$ 3.985.393,34. Ressaltase que devem ser considerados no saldo negativo apenas as retenções na fonte atestadas pelo comprovante de rendimentos e retenções emitido pela fonte pagadora. Portanto devem incluídas no valor confirmado as retenções na fonte de Juros Sobre Capital Próprio (JCP) referente aos declarantes relacionados na tabela 02, no montante de R$ 439.258,75. Fl. 2193DF CARF MF Processo nº 16682.720486/201175 Acórdão n.º 1402003.593 S1C4T2 Fl. 2.194 11 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos declaratórios exclusivamente em relação à matéria previamente admitida para, com efeitos infringentes, sanar omissões no Acórdão nº 1402002.198, para reconhecer o direito creditório adicional de R$ 439.258,75. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 2194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004550/2007-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 31/01/2007
SALÁRIO INDIRETO. REEMBOLSO. PROGRAMA VIVA MELHOR. INEXIGÊNCIA DO REQUISITO HABITUALIDADE
A totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, independentemente de serem ou não habituais, encontram-se no campo de incidência das contribuições previdenciárias.
ESTÁGIO. CONTRATO. REGULARIDADE.
Não compõe a base de cálculo das Contribuições Sociais Previdenciárias os valores pagos a título de bolsa de estágio regularmente concedidas, nos termos do art. 28, § 9º, 'i', da Lei nº 8.212/1991.
PLR. ACORDOS COLETIVOS. REGULARIDADE.
Não compõe a base de cálculo das Contribuições Sociais Previdenciárias os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados regularmente concedidos, nos termos da Lei nº 10.101/2000.
JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA.
"A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." (Súmula CARFnº 4).
Numero da decisão: 2202-004.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência do lançamento quanto aos fatos geradores até 05/2002, inclusive. Acordam também, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso com relação aos levantamentos SE8, PLG e P8G, vencidos os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias e Ronnie Soares Anderson, que deram provimento em menor extensão nessa matéria. Acordam ainda, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso no que se refere ao levantamento GRB, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator) e Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento em maior extensão, sendo que, nesse ponto, os conselheiros Martin da Silva Gesto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez acompanharam a divergência pelas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, relativo ao levantamento GRB.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 31/01/2007 SALÁRIO INDIRETO. REEMBOLSO. PROGRAMA VIVA MELHOR. INEXIGÊNCIA DO REQUISITO HABITUALIDADE A totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, independentemente de serem ou não habituais, encontram-se no campo de incidência das contribuições previdenciárias. ESTÁGIO. CONTRATO. REGULARIDADE. Não compõe a base de cálculo das Contribuições Sociais Previdenciárias os valores pagos a título de bolsa de estágio regularmente concedidas, nos termos do art. 28, § 9º, 'i', da Lei nº 8.212/1991. PLR. ACORDOS COLETIVOS. REGULARIDADE. Não compõe a base de cálculo das Contribuições Sociais Previdenciárias os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados regularmente concedidos, nos termos da Lei nº 10.101/2000. JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." (Súmula CARFnº 4).
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REEMBOLSO. PROGRAMA VIVA MELHOR. INEXIGÊNCIA DO REQUISITO HABITUALIDADE A totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, independentemente de serem ou não habituais, encontramse no campo de incidência das contribuições previdenciárias. ESTÁGIO. CONTRATO. REGULARIDADE. Não compõe a base de cálculo das Contribuições Sociais Previdenciárias os valores pagos a título de bolsa de estágio regularmente concedidas, nos termos do art. 28, § 9º, 'i', da Lei nº 8.212/1991. PLR. ACORDOS COLETIVOS. REGULARIDADE. Não compõe a base de cálculo das Contribuições Sociais Previdenciárias os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados regularmente concedidos, nos termos da Lei nº 10.101/2000. JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." (Súmula CARFnº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência do lançamento quanto aos fatos geradores até 05/2002, inclusive. Acordam também, por maioria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 45 50 /2 00 7- 63 Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 10830.004550/200763 Acórdão n.º 2202004.649 S2C2T2 Fl. 1.868 2 de votos, em dar provimento ao recurso com relação aos levantamentos SE8, PLG e P8G, vencidos os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias e Ronnie Soares Anderson, que deram provimento em menor extensão nessa matéria. Acordam ainda, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso no que se refere ao levantamento GRB, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator) e Júnia Roberta Gouveia Sampaio, que deram provimento em maior extensão, sendo que, nesse ponto, os conselheiros Martin da Silva Gesto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez acompanharam a divergência pelas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, relativo ao levantamento GRB. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator ad hoc (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Como Redator ad hoc, sirvome da minuta de acórdão inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF: Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito tributário referente a Contribuições Sociais Previdenciárias. Tendo sido apresentada impugnação, a DRJ julgou parcialmente procedente o lançamento. Ainda inconformada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 11/06/2007 foi lavrado o AI DEBCAD nº 37.100.8492 (fls. 3/202) para constituir crédito tributário referente a Contribuições Sociais Previdenciárias. Conforme o relatório fiscal (fls. 319/328 e docs. anexos fls. 203/318 e 329/354), as bases de cálculo foram apuradas conforme informações constantes nas folhas de pagamentos, resumos de pagamentos, demonstrações de resultados, e lançamentos contábeis. Especificamente, foram bases de cálculo levantamentos referentes a contribuintes autônomos (AUT), salários indiretos constituídos na forma de reembolsos do benefício "Viva Melhor Suplementar" (GRB), prêmios pagos a título de "Estímulo ao Aumento da Produtividade" (BIH), diferença na base de cálculo das folhas de pagamento e o montante recolhido (DIF), remuneração paga a estagiários em desconformidade com a Lei nº 6.494/1977 (SEG e SE8), pagamentos a título de Participação Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 10830.004550/200763 Acórdão n.º 2202004.649 S2C2T2 Fl. 1.869 3 nos Lucros e Resultados não comprovadamente feitos em acordo com a Lei nº 10.101/2000 (PLR, PLG, P8R e P8G), diferença de SAT (SAT). Intimada em 13/06/2007 (fl. 3), a Contribuinte protocolou impugnação parcial em 13/07/2007 (fls. 375/454 e docs. anexos fls. 455/652). Em 27/07/2007 anexou aos autos mais provas (fl. 653 e docs. anexos fls. 654/1.406). Os autos foram então baixados em diligência pelo despacho da DRJ nº 004, de 22/02/2008 (fls. 1.413/1.418). Foram anexadas então respostas aos quesitos formulados (fls. 1.421/1.424). Cientificada a Contribuinte (fl. 1.429), esta se manifestou (fls. 1.431/1.539). Posteriormente, apresentou Memoriais (fls. 1.549/1.572). A DRJ proferiu então o acórdão nº 1731.571, de 06/05/2009 (fls. 1.577/1.627), no qual deu provimento parcial à defesa, e que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 31/01/2007 NFLD DEBCAD: 37.100.8492 PRELIMINAR. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF. Declarada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal STF, nos termos da Súmula Vinculante n° 08, o prazo decadencial passa a ser regido pelo Código Tributário Nacional CTN. CONTRIBUIÇÕES PATRONAIS. SAT / RAT. O contribuinte é obrigado a recolher as contribuições previdenciárias, SAT / RAT, e para Terceiros conveniados, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a seus empregados e contribuintes individuais que lhe prestem serviços. CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS. O contribuinte é obrigado a arrecadar e recolher a contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestem serviços, descontando as das respectivas remunerações. BASE DE CALCULO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias todas as remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer titulo a segurados empregados e contribuintes individuais, com exceção das parcelas expressamente discriminadas pela legislação previdenciária vigente. CARTÕES DE PREMIAÇÃO Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 10830.004550/200763 Acórdão n.º 2202004.649 S2C2T2 Fl. 1.870 4 O pagamento de prêmios por meio de cartões de premiação, como retribuição do trabalho executado por segurados, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. ESTAGIO CURRICULAR REMUNERADO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. A bolsa de complementação educacional de estagiário contratado em desacordo com a Lei 6.494/77 integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Integra o saláriodecontribuição a parcela recebida pelo segurado empregado a titulo de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei especifica. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Constatados fatos geradores sem recolhimento das contribuições previstas na Lei n° 8.212/91, a fiscalização lavrará Auto de Infração para constituição do crédito previdenciário. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Havendo previsão legal da aplicação da taxa SELIC, não cabe A Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência sendo àquela, objeto da decisão. ILEGALIDADE. Não cabe a discussão de ilegalidade ou inconstitucionalidade de legislação vigente, na esfera administrativa. PRECLUSÃO. Preclui o direito de o impugnante apresentar provas documentais em momento processual fora do prazo de impugnação, salvo as situações previstas no art. 16, § 50, do Decreto n° 70.235/72. Lançamento Procedente em Parte Intimada em 17/06/2009 (fl. 1.703), a Contribuinte interpôs recurso voluntário em 16/07/2009 (fls. 1.705/1.791 e docs. anexos fls. 1.792/1.820), argumentando em síntese: Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 10830.004550/200763 Acórdão n.º 2202004.649 S2C2T2 Fl. 1.871 5 · Que pagou a diferença do SAT quando intimado da autuação, e que a DRJ já reconheceu e determinou a retificação da rubrica, porém por lapso o valor não foi excluído do Dscriminativo Analítico do Débito Retificado; · Que 80% do auto de infração encontrase atingido pela decadência, em função da Súmula Vinculante do STF nº 08; · Que o acórdão recorrido equivocouse ao aplicar a regra decadencial do art. 173, I, do CTN; uma vez que se trata de lançamento por homologação com pagamento antecipado, deve ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN; · Que, nos termos do art. 16, § 4º, 'c', do Decreto nº 70.235/1972, juntava aos autos documentos demonstrando que sempre procedeu ao recolhimento das contribuições previdenciárias devidas; · Que não é suficiente presumir que a Contribuinte agiu indevidamente, cabendo à autoridade lançadora provar as suas alegações; · Que o Levantamento AUT foi integralmente fulminado pela decadência; · Que o Levantamento GRB não se configura salário indireto porquanto no seu regulamento está definido que só poderão ser reembolsados gastos com medicina preventiva, terapias preventivas, condicionamento físico e orientação nutricional, o que se enquadra nas hipóteses das alíneas 'q' e 'e', item 7, ambas do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, vez que se referem a questões médicas e que são valores não habituais; · Que o Levantamento BIH teve como base de cálculo os valores pagos pela Contribuinte à empresa Incentive House S.A. Esclarece que esta empresa contratada presta serviços de marketing de relacionamento, incentivos, premiação, fidelização e eventos, de forma que os pagamentos feitos pela Contribuinte foram contraprestação pelos serviços prestados por essa contratada, a qual emitia cartões de premiação, mas também implementava e gerenciava o programa de premiação comentado. Nesse sentido, que não se pode presumir que os prêmios foram recebidos pelos beneficiários de forma habitual e, portanto, não há como presumir que tenham representado salário indireto; · Que o Levantamento DIF é caduco, como já reconheceu a decisão recorrida; · Que o Levantamento SEG é caduco e, mesmo que não fosse, que os pagamentos foram feitos em conformidade com a legislação de regência, sendo que a NFLD apenas presumiu inadequação. Também, que constam nos autos os Termos de Compromisso de Estágio, demonstrando a regularidade do vínculo e o seu caráter não empregatício; · Que os Levantamentos PLR e PLG são caducos e, mesmo que não fossem, que o lançamento é precário, vez que a citada Lei nº Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 10830.004550/200763 Acórdão n.º 2202004.649 S2C2T2 Fl. 1.872 6 10.101/2000, indicada como desrespeitada, não poderia disciplinar os fatos geradores ocorridos em 1997, 1998, 1999 e 2000. Também é precário porquanto não indica quaisquer indícios para atestar o suposto descumprimento da legislação. Ainda, que a Contribuinte apresenta provas da regularidade dos pagamentos feitos sob essa rubrica. Enfim, que o art. 7º, XI, da CF/1988 desvincula o PLR da remuneração; · Que havia um grupo econômico entre a Contribuinte e a sua controladora, HewlettPackard Brasil, de sorte que os Termos firmados por esta têm validade também em favor da Recorrente, vez que o vínculo entre a pessoa física e o grupo econômico presumese uno, mesmo que trabalhem para mais de uma empresa do grupo no mesmo período de trabalho; · Que é incabível a aplicação da taxa SELIC para fins de atualização dos valores devidos; e · Que a jurisprudência, tanto a judicial quanto a administrativa, é fonte de direito. Posteriormente, a Contribuinte informou que incluiu no REFIS, Lei nº 12.865/2013, parte dos créditos contestados, especificamente aqueles referente ao Levantamento BIH, nos períodos de 09/2002, 11/2002, 07/2003 e 10/2003, mantendo a discussão em relação aos demais débitos (fls. 1.826/1.827 e docs. anexos fls. 1/828/1.830). Diante disso, os autos foram apartados, e atualizado o débito em litígio (fls. 1.833/1.863). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Redator ad hoc Como Redator ad hoc, sirvome da minuta de voto inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF, de sorte que o posicionamento abaixo esposado não necessariamente tem a aquiescência deste Conselheiro: O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Delimitação da lide Observase que a Recorrente Impugnou a NFLD apenas parcialmente. Conforme esclareceu em seu Recurso Voluntário, reconheceu o débito referente ao Levantamento SAT, apontando que o pagou e anexou GPS aos autos (fls. 503). Nessa senda, a matéria não vem a discussão, cabendo à autoridade fazendária realizar a imputação do pagamento ao débito. Outrossim, observase que a DRJ já reconheceu a decadência até 11/2001, inclusive, matéria essa que não foi objeto de Recurso de Ofício. Enfim, a Contribuinte informou ter aderido ao REFIS em relação ao Levantamento BIH, desistindo parcialmente do seu recurso. Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 10830.004550/200763 Acórdão n.º 2202004.649 S2C2T2 Fl. 1.873 7 Nessa senda, continuam em discussão exclusivamente, cf. Discriminativo do Débito (fl. 1.841): · Levantamento GRB, período 09/2003 a 01/2007; · Levantamento P8G, período 12/2001 a 06/2003; · Levantamento PLG, período 12/2001 a 12/2006; e · Levantamento SE8, período 12/2001 a 07/2005. Apesar de constar no Discriminativo ainda o Levantamento SAT, período 01/2005 a 01/2007, tal matéria não está em discussão pois, conforme esclarecido acima, a Recorrente expressamente afirma não discordar da questão. Enfim, para que não se argumente omissão, observase que o Recurso Voluntário discorre sobre a relevância do precedente no ordenamento pátrio. Tem razão no que se refere à noção de o precedente ser sim fonte de direito. Entretanto, tal como já esclareceu a DRJ, os precedentes judiciais e administrativos, como regra geral, não se sobrepõem ao texto positivado da Lei, de sorte que não têm, como regra, caráter vinculativo. Em outras palavras, a jurisprudência serve como fonte do direito no sentido de indicar a melhor interpretação, contudo só se torna obrigatório o respeito ao precedente quando assim determinado por Lei em sentido amplo, como nos casos de julgamentos do STF em Repercussão Geral, do STJ em Recurso Repetitivo, e neste e.CARF em relação às Súmulas. Nessa senda, a existência de jurisprudência em determinado sentido, fora dos casos em que a Lei impõe a repetição do entendimento, não vincula o julgador. Decadência Julgando os presentes autos, a DRJ aplicou a Súmula Vinculante do STF nº 08, afastando o art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Outrossim, esclareceu que: "Entretanto, verificase após análise dos relatórios da NFLD (em especial o DAD Discriminativo Analítico de Débito, RDA Relatório de Documentos Apresentados e RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados) que para as competências 12/2001 e de 01/2002 a 05 /2002, inclusive, não constam valores recolhidos por meio de Guias da Previdência Social GPS apropriados no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA (As fls. 90). Portanto, nos termos dos atos acima transcritos, estas competências não estão decadentes com fundamento no art.150, §4°, do CTN." fl. 1.597 Em outras palavras, reconheceu o prazo decadencial quinquenal, porém identificou como marco inicial para a contagem conforme o art. 173, I, do CTN, por não ter identificado a ocorrência de pagamento antecipado. De seu lado, a Recorrente argumenta que se equivocou a DRJ ao utilizar o art. 173, I, do CTN, quando deveria ter sido aplicada a regra do art. 150, § 4º, do mesmo diploma. Segundo esta, houve sim pagamentos antecipados referentes aos períodos que compõem a base de cálculo. Para tanto, junta aos autos provas do pagamento de Contribuições Sociais Previdenciárias referentes aos exercícios em comento. Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 10830.004550/200763 Acórdão n.º 2202004.649 S2C2T2 Fl. 1.874 8 Compulsando as provas constantes nos autos, identificamse Comprovantes de Recolhimento e GPS com autenticação mecânica de pagamento referentes aos exercícios de 12/2001 (fls. 1.793/1.796 e 1.805/1.808), 13/2001 (fls. 1.809/1.812), 01/2002 (fls. 1.813/1.816) e 05/2002 (fls. 1.817/1.820). Também, no Relatório Fiscal é possível observar que a autoridade lançadora foi cristalina ao afirmar que "O contribuinte entregou GFIP no período de 01/1999 a 01/2007 em épocas anteriores ao início deste procedimento fiscal" (fl. 327). De outro lado, é verdade que o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados RADA, citado pela DRJ e que consta nos autos no âmbito da NFLD (fl. 179), não se refere à existência de pagamentos em 12/2001 e 01/2002 a 05/2002. Em verdade, ali só se consigna a ocorrência de pagamento em 12/1997, o que faz sentido vez que só nesse exercício é que a autoridade lançadora apurou "Diferença" de tributo o Levantamento DIF. Diferença essa, frisase, apurada entre a base de cálculo apurada conforme a folha de pagamento e o montante recolhido. Em sentido oposto, se a autoridade lançadora apurou diferença entre a base de cálculo apurada e o montante recolhido apenas em um mês, significa que não encontrou tal diferença em outros meses, implicando que houve recolhimento adequado, quando se toma em consideração a base de cálculo da folha de pagamentos. Em suma, é possível concluir, com base nos GPS apresentados e na informação da autoridade lançadora, que a Contribuinte não apenas declarava débitos e pagava valores a título de Contribuições Previdenciárias. Nesse sentido, o CARF já consolidou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Nessa senda, imperioso dar provimento ao recurso voluntário nessa parte, para retificar o acórdão recorrido e alterar a forma de apuração da decadência para a regra do art. 150, § 4º, do CTN. Nesse caminho, considerando que o Contribuinte foi intimado do lançamento em 13/06/2007 (fl. 3), é necessário reconhecer a decadência até o exercício de 05/2002, inclusive. Do Levantamento GRB A autoridade lançadora compôs o Levantamento GRB com "os reembolsos a título de Benefício 'Viva Melhor Suplementar' concedidos a segurados funcionários, seus dependentes e agregados, por despesas efetuadas com: aulas de tênis, mensalidade de academia, musculação, etc." (fl. 321), entendendo que tais reembolsos se configuram salário indireto, nos termos do art. 28, I, da Lei nº 8.212/1991. Diante da impugnação, a DRJ esclareceu que: que os valores componentes da base de cálculo dessa infração são aulas de tênis e mensalidades de academia de musculação, o que não se enquadra na hipótese de exclusão do saláriodecontribuição. Igualmente, que é possível observar habitualidade nos pagamentos, conforme anexo II ao Relatório Fiscal. Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 10830.004550/200763 Acórdão n.º 2202004.649 S2C2T2 Fl. 1.875 9 Por sua vez, a Contribuinte argumenta que os reembolsos se referem a gastos com medicina preventiva, terapias preventivas, condicionamento físico e orientação nutricional. Nesse caminho, conclui que se enquadra na hipótese do art. 28, § 9º, 'q', da mesma Lei nº 8.212/1991. Outrossim, afirma que não há habitualidade nos pagamentos, de sorte que também se enquadram no disposto no art. 28, § 9º, 'e', 7, do mesmo diploma legal. Compulsando os autos, constatase que no Anexo II (fls. 301/305) ao Relatório Fiscal, a autoridade lançadora pormenoriza a base de cálculo, indicando os valores dos reembolsos, as datas e a descrição do dispêndio. Constatase ali que diversos beneficiários realmente se repetem. Entretanto, há funcionários que aparecem apenas em uma ou duas competências, especificamente: Funcionário Competência Valor (RS) Andrea Gardin 09/2003 146,00 05/2004 240,00 Newton Camargo 06/2004 120,00 Paulo de Souza 05/2004 120,00 Dirlei de Abreu 01/2005 694,00 05/2005 2.024,00 Marcellus Macedo 07/2006 3.497,00 05/2006 396,00 Carem Pereira 08/2006 396,00 Ricardo Pianta 10/2006 394,20 11/2006 59,50 Marcos Feris 12/2006 244,89 Cláudia Pereira 12/2006 396,00 Clarissa Cancherini 01/2007 299,64 Total: 9.027,23 Retornando à Lei nº 8.212/1991, observase o seguinte comando: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos HABITUAIS sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifei) Portanto, na própria definição do conceito de saláriodecontribuição já consta a exigência de que a utilidade seja habitual para o empregado. Se não for habitual, não há que se falar em saláriodecontribuição, sendo desnecessário sequer chegar a analisar as Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 10830.004550/200763 Acórdão n.º 2202004.649 S2C2T2 Fl. 1.876 10 hipóteses de exclusão contidas no § 9º. Ainda que assim não fosse, nesse referido § 9º a Lei reforçou a necessidade de que a utilidade seja habitual, como se observa do item 7 da alínea 'e'. Não assiste razão à Recorrente, entretanto, em relação ao outro ponto. Em relação aos funcionários onde é sim possível identificar habitualidade no reembolso com reembolsos referentes a diversos meses seguidos ou alternados , a Contribuinte não logrou demonstrar a vinculação entre as despesas identificadas pela autoridade lançadora e a assistência médica ou odontológica. Efetivamente, há hipóteses em que não é descrita a natureza do dispêndio reembolsado e, nas que há descrição, se referem a atividades como academia, personal trainer, ginástica etc. Em que pese possam ser despesas decorrentes de necessidades médicas, não é possível automaticamente enquadrálas na hipótese do art. 28, § 9º, 'q', da Lei nº 8.212/1991, onde se trata de despesas com medicamentos, aparelhos ortopédicos etc. Em que pese atividades físicas sejam favoráveis à saúde, seria necessário vincular a despesa incorrida com um tratamento médico específico, o que não logrou fazer. Em suma, ante a ausência de habitualidade no pagamento de utilidades em relação aos funcionários supraidentificados, é necessário excluílos do lançamento. Nesse caminho, deve ser excluído da base de cálculo do levantamento GRB um valor total de R$ 9.027,23. Do Levantamento SE8 Esclareceu a autoridade lançadora que compõem a base de cálculo do Levantamento SE8 as remunerações pagas aos segurados empregados considerados pela Contribuinte como Estagiários. Isso porque a Contribuinte, intimada, não comprovou que os pagamentos obedeceram as regras do Decreto nº 87.497/1982 e, consequentemente, a Lei nº 6.494/1977. A DRJ entendeu ser necessário manter o lançamento desse levantamento, esclarecendo que o art. 28, § 9º, 'i', da Lei nº 8.212/1991 submete a exclusão das bolsas de estágio do saláriodecontribuição ao cumprimento das determinações da Lei nº 6.494/1977, regulamentada pelo Decreto nº 87.497/1982. Segundo esclarece, o estágio é um contrato formal, sendo obrigatória a intervenção da instituição de ensino. Entretanto, no caso concreto identificou que os documentos apresentados pela então impugnante se referiam a pessoa jurídica diversa da autuada, razão pela qual não podiam ser aceitos. A Contribuinte, em seu Recurso Voluntário, argumenta que os Levantamentos são caducos e, mesmo que não fossem, que houve mera presunção de que os valores foram pagos em desacordo com a Lei nº 6.494/1977 e Decreto nº 87.497/1982. Outrossim, insiste que os pagamentos foram feitos de forma regular e esclarece que os documentos foram firmados pela sua controladora, mas que havia um grupo econômico e que os empregados trabalhavam para ambas as pessoas jurídicas a Recorrente e a controladora. Nessa linha, baseandose no art. 2º, § 2º, da CLT, arts. 179, I, e 748, ambos da IN SRP nº 03/2005, bem como na Súmula 129 do TST, conclui que os documentos firmados pela controladora valem também para ela, controlada, e portanto que foram regulares os pagamentos. Cabe analisar, portanto, se a documentação apresentada pela Recorrente é apta a demonstrar a regularidade dos pagamentos. Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 10830.004550/200763 Acórdão n.º 2202004.649 S2C2T2 Fl. 1.877 11 Compulsando os autos, constatase que a Contribuinte realmente anexou uma série de Contratos firmados entre a HewlettPackard Computadores Ltda., diversas instituições de ensino e inúmeros estagiários, em diversos anoscalendário (fls. 511/588 e 655/682). Muitos desses contratos foram firmados, inclusive, com a intermediação da CIEE, o que ratifica a sua regularidade. Tomando por amostragem a lista elaborada pela autoridade lançadora (fls. 307/317), é possível identificar que: · Contratos de estágio de Luiz Gustavo Siqueira, nos quais figuram como concedente do estagio ora a Contribuinte, Hewlett Packard Computadores Ltda., ora a Hewlett Packard Brasil S.A., como instituições de ensino ora o Centro Universitário Unifei, ora a Faculdade de Engenharia Industrial, e ainda como interveniente o Centro de Integração EmpresaEscola CIEE fl. 511/519; · Contrato de estágio de Reinaldo Serrano Goy Villar, nos quais figuram como concedente do estagio a Hewlett Packard Brasil S.A., como instituição de ensino a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo fl. 523/528; · Contrato de estágio de Valeria Pires Nery, no qual figuram como concedente do estagio a Hewlett Packard Brasil S.A., como instituição de ensino a Faculdade de Tecnologia de São Paulo FATEC e ainda como interveniente o Centro de Integração EmpresaEscola CIEE fl. 529/530; e · Contratos de estágio de Melissa Northfleet, no qual figuram como concedente do estagio ora a Contribuinte, Hewlett Packard Computadores Ltda., ora a Hewlett Packard Brasil S.A., como instituição de ensino a Pontificia Universidade Católica do RGS, e ainda como interveniente o Centro de Integração EmpresaEscola CIEE fl. 539/548; É interessante registrar que a mesma pessoa assina pela Hewlett Packard Computadores Ltda. e pela Hewlett Packard Brasil S.A., como se verifica, e.g., das fls. 514, 521, 540 e 542: em todas estas consta o mesmo sr. Alfredo Ribeiro como Gerente de Recursos Humanos. Analisando tais documentos, a DRJ não criticou nenhum de seus requisitos formais ou materiais. Apenas entendeu que não serviriam como prova porquanto foram firmados por outra pessoa jurídica, que não a Recorrente autuada. Como verificado da leitura perfunctória desses instrumentos, constatase que há sim contratos firmados pela controladora, mas também que há contratos firmados pela própria Recorrente. Em diversas hipóteses, o mesmo estagiário firma contrato ora com uma, ora com outra empresa. O mais relevante é, como anotado dois parágrafos acima, que a mesma pessoa assina como Gerente de Recursos Humanos para ambas as pessoas jurídicas. Nessa senda, é necessário reconhecer a validade dos instrumentos firmados para comprovar a natureza do vínculo entre a Contribuinte e os estagiários, inclusive aqueles em que figuram como contratante não a Recorrente, mas sim a sua controladora. Isso porque, Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 10830.004550/200763 Acórdão n.º 2202004.649 S2C2T2 Fl. 1.878 12 como bem anotou em seu Recurso Voluntário, há solidariedade na relação de emprego e os reflexos nas Contribuições Sociais Previdenciárias no âmbito dos grupos econômicos. In casu, há que se registrar que a Hewlett Packard Brasil Ltda. não é apenas controladora: conforme o Contrato Social acostado aos autos (fls. 459/499), é titular de 99,99999885145958 % das quotas. Melhor: a Contribuinte é empresa limitada e, como tal, deve ter no mínimo dois sócios; o capital social é de R$ 87.067.027,00, sendo que a controladora é proprietária de R$ 87.067.026,00, e a sócia é titular de apenas R$ 1,00. Mais, a mesma pessoa física era responsável pelo setor de Recursos Humanos em ambas. Em suma, entendo ser necessário afastar da base de cálculo o Levantamento SE8. Dos Levantamentos PLG e P8G Esclareceu a autoridade lançadora que compõem a base de cálculo do Levantamento PLG e P8G o pagamento a seus segurados empregados a título de PLR. Isso porque, intimada, a Contribuinte "não comprovou, que os pagamentos obedeceram às regras estabelecidas nos parágrafos primeiro e segundo e caput do artigo 2º da Medida Provisória n.º 1.397 de 11/04/1996, reeditada e convertida que foi na Lei n.º 10.101 de 19/12/2000" (fl. 325). A DRJ entendeu ser necessário manter o lançamento desse levantamento, esclarecendo que o art. 7º, XI, da CF/1988 remeteu à Lei a regulamentação da Participação nos Lucros e Resultados, e que a matéria foi regulamentada pela MP nº 794/1994, e suas reedições, até a conversão na Lei nº 10.101/2000. Outrossim, que as parcelas que se enquadrariam nas hipóteses do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a compor o saláriodecontribuição. Enfim, esclarece que no caso em tela a Contribuinte foi intimada ainda durante a fiscalização a comprovar a regularidade dos pagamentos feitos a título de PLR, o que não fez durante a fiscalização e que, em sede de impugnação, anexou aos autos documentos firmados por pessoas jurídicas diversas, logo documentos que não fazem prova em seu favor. A Contribuinte, em seu Recurso Voluntário, argumenta que os Levantamentos são caducos e, mesmo que não fossem, não seria aplicável a Lei nº 10.101/2000 aos períodos anteriores à sua entrada em vigor. Outrossim, insiste que os pagamentos foram feitos de forma regular e esclarece que os documentos foram firmados pela sua controladora, mas que havia um grupo econômico e que os empregados trabalhavam para ambas as pessoas jurídicas a Recorrente e a controladora. Nessa linha, baseandose no art. 2º, § 2º, da CLT, art. 748 da IN SRP nº 03/2005, bem como na Súmula 129 do TST, conclui que os documentos firmados pela controladora valem também para ela, controlada, e portanto que foram regulares os pagamentos. Em primeiro lugar, observase que o período anterior à vigência da Lei nº 10.101/2000 já não mais se encontra em discussão. Os créditos ora sob análise se referem ao período de 05/2002 a 12/2006 (já considerando a decadência conforme as regras do art. 150, § 4º, do CTN). Logo, essa parte do argumento da Recorrente perdeu seu objeto. Cabe analisar, portanto, se a documentação apresentada pela Recorrente é apta a demonstrar a regularidade dos pagamentos. Fl. 1878DF CARF MF Processo nº 10830.004550/200763 Acórdão n.º 2202004.649 S2C2T2 Fl. 1.879 13 Compulsando os autos, constatase que a Contribuinte realmente anexou diversos Acordos Coletivos de Participação nos Resultados da Empresa (fls. 589/652), datando desde 1997 até 2007: · Acordo firmado em julho de 2006 com vigência de 2 anos fls. 589/597; · Acordo firmado em julho de 2004 com vigência de 2 anos fls. 599/613; · Acordo firmado em julho de 2003 com vigência de 1 ano fls. 615/621; · Acordo firmado em fevereiro de 2001 com vigência de 2 anos, e ratificado em novembro de 2001 fls. 623/637; · Acordo firmado em dezembro de 1999 com vigência até abril de 2000 fls. 639/649; e · Comprovante de depósito datado de agosto de 1997 de Acordo fl. 651. Se é verdade que em alguns desses documentos figura exclusivamente da Hewlett Packard Brasil S.A. (ou Ltda.), como no de fls. 629/637, é possível identificar também acordo em que figura a presente Recorrente, a Hewlett Packard Computadores Ltda., como no de fls. 641/648. É relevante ressaltar, por exemplo, a petição de depósito do Acordo Nacional de Participação nos Lucros de 2000, no qual figuram ambas as empresas: "HEWLETT PACKARD BRASIL SA., sociedade brasileria (sic) com sede na cidade de Barueri, na Alameda Rio Negro, 750, Alphaville, CEP: 06454000, Estado de São Paulo, inscrita no CGC/MF sob n° 89.411.771/000185e HEWLETT PACKARD COMPUTADORES LTDA, sociedade brasileria com sede na cidade de Campinas, na Rod. Campinas Paulinia km 116, Bardo Geraldo, CEP: 13084310, Estado de São Paulo, inscrita no CGC/MF sob n° 00.379.771/000131 vem, respeitosamente, à presença do Sr. Presidente da Confederação, em atenção ao artigo 2° da Medida Provisória n° 1.87864, requerer o arquivamento do Acordo Nacional de Participação nos Lucros aplicável a seus empregados." fl. 639. Nessa senda, é imperioso registrar (1) que há sim Acordos Coletivos firmados diretamente pela Contribuinte e (2) ratificase a tese da Contribuinte de que havia um grupo econômico entre ela e a sua controladora. No que se refere à validade também para a controlada do acordo firmado pela controladora, é relevante registrar a solidariedade existente na relação de emprego e os reflexos nas Contribuições Sociais Previdenciárias no âmbito dos grupos econômicos, como bem chamou atenção a Contribuinte. Outrossim, há que se registrar que a Hewlett Packard Brasil Ltda. não é apenas controladora: conforme o Contrato Social acostado aos autos (fls. 459/499), é titular de 99,99999885145958 % das quotas. Melhor: a Contribuinte é empresa limitada e, como tal, deve ter no mínimo dois sócios; o capital social é de R$ 87.067.027,00, sendo que a controladora é proprietária de R$ 87.067.026,00, e a sócia é titular de apenas R$ 1,00. Mais, a mesma pessoa física era responsável pelo setor de Recursos Humanos em ambas, como já anotado no item anterior. Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 10830.004550/200763 Acórdão n.º 2202004.649 S2C2T2 Fl. 1.880 14 Em suma, concluise que foram sim apresentados Acordos Coletivos referentes ao PLR. Da leitura desses acordos, não se identificou nenhuma ofensa à Lei nº 10.101/2000, já vigente em relação ao período de apuração que ainda compõe a base de cálculo. Não se identificou em anexo à NFLD nenhuma tabela indicando os pagamentos tidos como indevidos. Já do Relatório de Lançamentos, os Levantamentos efetuados em relação ao PLG/PLR/P8R/P8G (fls. 143/149), em uma análise perfunctória, não se identificou mais de dois pagamentos no mesmo anocalendário para o mesmo exercício. Isso, associado à descrição do Relatório Fiscal leva a crer que a autoridade lançadora não identificou nenhum vício material no pagamento desses PLR, como o pagamento em mais de duas parcelas, e.g., mas apenas a falta de comprovação de regularidade legal. Assim, uma vez que a Contribuinte apresentou os Acordos Coletivos, os quais indicam critérios claros para a apuração dos valores, bem como determinam que o pagamento ocorra uma vez por semestre, bem como não se identificou pagamentos efetuados em periodicidade irregular, é necessário dar provimento ao recurso nesse ponto. Da Taxa Selic Argumenta a Contribuinte ainda pela impossibilidade de aplicação da taxa Selic para fins de atualização dos valores devidos. A verdade é que esse Conselho Administrativo já consolidou o seguinte entendimento: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Tratase de entendimento de aplicação obrigatória, nos termos do art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF, razão pela qual não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Dispositivo Diante de tudo quanto expostos, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo a integralidade dos Levantamentos SE8 e PLG e P8G, bem como para excluir do Levantamento GRB o valor de R$ 9.027,23. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator ad hoc Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora Designada Fl. 1880DF CARF MF Processo nº 10830.004550/200763 Acórdão n.º 2202004.649 S2C2T2 Fl. 1.881 15 Congratulo o i. Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, pelo brilhantismo com que fundamentou seu voto. Entretanto, peço vênia para divergir de seu posicionamento, quanto à questão da ausência de habitualidade dos pagamentos a alguns segurados, relativos ao lançamento "Viva Melhor Suplementar" (GRB). Colho de seu voto o seguinte trecho: Portanto, na própria definição do conceito de saláriode contribuição já consta a exigência de que a utilidade seja habitual para o empregado. Se não for habitual, não há que se falar em saláriodecontribuição, sendo desnecessário sequer chegar a analisar as hipóteses de exclusão contidas no § 9º. Ainda que assim não fosse, nesse referido § 9º a Lei reforçou a necessidade de que a utilidade seja habitual, como se observa do item 7 da alínea 'e'. [...] Em suma, ante a ausência de habitualidade no pagamento de utilidades em relação aos funcionários supraidentificados, é necessário excluílos do lançamento. Nesse caminho, deve ser excluído da base de cálculo do levantamento GRB um valor total de R$ 9.027,23. Ora, resta claro que referida verba foi paga aos segurados, por sua relação de emprego com a recorrente. Aliás, conforme relato fiscal, os reembolsos eram feitos em função de benefícios concedidos não apenas aos segurados, mas também a seus dependentes e agregados, o que configura salário indireto, sobre o qual incide contribuição previdenciária. Quanto à questão de não ter sido paga com habitualidade, peço vênia para transcrever trecho do voto condutor do Acórdão nº 9202003.044, que explica com acerto, a confusão que tem sido feita entre os conceitos de não eventualidade e habitualidade para fundamentar, a meu ver erroneamente, a não incidência de contribuição previdenciária: Como se vê, da leitura do art. 22, I e do art, 28,1 da Lei n° 8.212/91 e do art. 201, § 1o do RPS, que somente é exigido o requisito da habitualidade no que diz respeito ao "salário in natura", por incluir, expressamente, no conceito de remuneração os "ganhos habituais sob a forma de utilidades", sem fazer menção ao requisito habitualidade para os pagamentos em espécie. Ou seja, no campo de incidência das contribuições previdenciárias encontramse: a) a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, inclusive gorjetas (salário em espécie); e b) os ganhos habituais sob a forma de utilidades (salário in natura/ Podese, então, concluir que a lei, ao definir a hipótese de incidência da contribuição previdenciária, exige o requisito da habitualidade tão somente para o salário in natura. Por seu turno, o art. 28, § 9o , alínea "e", item "7" prevê expressamente que as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais são isentas de contribuições sociais previdenciárias: "Não integram o saláriodecontribuição (remuneração) para os Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 10830.004550/200763 Acórdão n.º 2202004.649 S2C2T2 Fl. 1.882 16 fins desta Lei, exclusivamente: (...)as importâncias: (...)recebidas a título de ganhos eventuais (...)" Assim sendo, podese afirmar que "a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, ou não habituais, encontramse no campo de incidência das contribuições previdenciárias. Entretanto, "as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais " encontramse excluídas da sua base de cálculo por se tratarem de importâncias atingidas pela isenção. Entendo que está sendo criada uma grande confusão ao tentarem comparar os conceitos de "habitualidade com o de não eventualidade" ou o "não habitualidade com o de eventualidade". Para o Dicionário Michaelis, as definições são: Habitual 1 Que acontece ou se faz por hábito. 2 Frequente, comum, vulgar. 3 Usual. Eventual 1 Dependente de acontecimento incerto. 2 Casual, fortuito. 3 Variável. De acordo com o Vocabuário Jurídico de Plácido e Silva: Habitualidade De habitual, entendese a repetição, a sucessividade, a constância, a iteração, na prática ou no exercício de certos e determinados atos, em regra da mesma espécie ou natureza, com a preconcebida intenção de fruir resultados materiais ou de gozo. Eventualidade De evento, significa o caráter e a condição do que é eventual, mostrando assim a possibilidade e a probabilidade do fato, cuja realização é esperada ou aguardada. A habitualidade, como requisito para que a prestação in natura, integre o saláriodecontribuição, diz respeito a freqüência da concessão da referida prestação. Já a eventualidade, como elemento caracterizador da isenção prevista no art. 28, § 9o , alínea "e", item "7", ou seja, que decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, dizem respeito a ocorrência de caso fortuito. No presente caso há de se assinalar, primeiramente, que foram realizados pagamentos em pecúnia, o que afasta a necessidade de se indagar a habitualidade com que o pagamento foi realizado. Portanto, por entender que o requisito da habitualidade não se aplica a pagamentos ocorridos em razão do trabalho, e/ou não efetuados in natura, como no caso da verba em discussão, não há que se discutir se houve ou não habitualidade. Assim, o lançamento deve ser mantido nessa parte. Conclusão Fl. 1882DF CARF MF Processo nº 10830.004550/200763 Acórdão n.º 2202004.649 S2C2T2 Fl. 1.883 17 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso no que se refere ao levantamento GRB. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora Designada Fl. 1883DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.722613/2013-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO.
Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN.
No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário.
COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá-se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96.
Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.984
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá-se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora. Recurso Voluntário negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 26 13 /2 01 3- 06 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11080.722613/201306 Acórdão n.º 3402005.984 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão nº 08033.737 da Delegacia de Julgamento em Fortaleza que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre declaração de compensação, que objetiva compensar pagamento a maior de PIS/Pasep. O despacho decisório reconheceu a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, mas homologou apenas parcialmente a compensação declarada por entender que o direito creditório reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: a) descabimento da aplicação da multa moratória em face da denúncia espontânea; e b) ausência de extemporaneidade no pagamento vez que o crédito e o débito objeto de compensação possuem mesmo vencimento e período de apuração. A Delegacia de Julgamento não acolheu os argumentos da manifestante, sob os seguintes fundamentos: O contribuinte teria até o dia do vencimento do tributo para pagar o tributo ou apresentar a devida declaração de compensação sem nenhuma penalidade. Na espécie, o administrado, optando pela compensação, ingressou com o PER/DCOMP após o vencimento do tributo, pelo que incorreu em multa moratória e juros Selic. O pagamento e a compensação são espécies de extinção do crédito tributário. O art. 138 do CTN dispõe que a denúncia espontânea deve ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido. No caso, o contribuinte informou o débito fiscal, mas não o pagou, tendo apenas compensadoo, o que não contempla o benefício da denúncia espontânea. A compensação só ocorre mediante a entrega da correspondente declaração pelo sujeito passivo, sendo que, antes disso, a parcela do pagamento ainda não alocada a débito físcal permanece indisponível ao Fisco. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11080.722613/201306 Acórdão n.º 3402005.984 S3C4T2 Fl. 0 3 Cientificada, a interessada interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, repisando as alegações da manifestação de inconformidade acerca do cabimento da denúncia espontânea e da não incidência da multa de mora. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.981, de 29 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.720383/201332, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.981) 1: "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Nos termos do art. 156 do CTN, o pagamento (inciso I) e a compensação (inciso II) são modalidades de extinção do crédito tributário, sendo que, no caso da compensação, nos termos do art. 74, §2º da Lei nº 9.430/96, a extinção se dá sob condição resolutória da ulterior homologação da compensação declarada. Na hipótese de não ocorrer a homologação (tácita ou expressa) da compensação declarada, não há que se falar mais em extinção do crédito tributário, sendo cabível a cobrança dos débitos confessados. Na hipótese de lançamento por homologação, tratada separadamente no inciso VII do art. 156 do CTN, o pagamento antecipado somente extinguirá o crédito tributário se for acompanhado da homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte. O Professor Paulo de Barros Carvalho2 bem diferencia o "pagamento" a que se refere o inciso I do art. 156 do CTN do "pagamento antecipado" de que trata o inciso VII, nos seguintes termos: Não obstante o pagamento antecipado seja uma forma de pagamento, a legislação aplicável requer que ele se conjugue ao ato homologatório a ser realizado (comissiva ou omissivamente) pela Administração Pública. Apenas 1 No processo paradigma houve apresentação de Declaração de Voto por parte da Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Como o entendimento esposada nesta declaração foi vencido, deixase de transcrevêlo nos presentes autos, que trazem apenas o entendimento que prevaleceu na decisão colegiada. Íntegra da declaração de voto pode ser consultada no processo paradimga nº 11080.720383/201332. 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 490. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11080.722613/201306 Acórdão n.º 3402005.984 S3C4T2 Fl. 0 4 dessa maneira darseá por dissolvido o vínculo, diferentemente do que ocorre nos casos de pagamento de débito tributário constituído por lançamento, em que a conduta prestacional do devedor tem o condão de por fim, desde logo, à obrigação tributária. No denominado "lançamento por homologação", quando ainda não ocorrida a homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte, constatando o Fisco a inexatidão da atividade prévia por ele exercida, deverá apurar o montante suplementar do tributo devido e constituir o crédito tributário por lançamento de ofício supletivo, nos termos do art. 149 do CTN. Nessa hipótese, obviamente, a parcela do crédito tributário objeto do pagamento antecipado é considerada extinta por pagamento (parcial), vez que excluída do lançamento de ofício supletivo. Dessa maneira, nos incisos I, II e VII do art. 156 do CTN, são descritas três formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, conferir eventualmente o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" está a dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. Nessa mesma linha, no voto vencedor do Redator Designado Fernando Brasil de Oliveira Pinto, no Acórdão nº 1402002.309 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 15 de setembro de 2016, restou esclarecido que às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que a extinção do crédito tributário por pagamento (art. 156, I, do CTN) não se confunde com a extinção por meio de compensação (art. 156, II do CTN): (...) Portanto, embora pagamento e compensação extingam o crédito tributário, cada um o faz com suas características e consequências peculiares: enquanto no pagamento não mais se discute a extinção do crédito tributário, na compensação extinguese o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96), ou seja, a declaração de compensação pode ter seus efeitos revertidos pela autoridade administrativa. O art. 138 do CTN, ao dispor que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, a meu ver, limitou a possibilidade de sua aplicação a uma das modalidades de extinção do crédito tributário, qual seja, o pagamento. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11080.722613/201306 Acórdão n.º 3402005.984 S3C4T2 Fl. 0 5 Quisesse o legislador que outras hipóteses de extinção fossem aplicáveis para fins de denúncia espontânea, assim o teria feito expressamente. Conforme abordado pelo i. Conselheiro Relator, a posição do STJ sobre o tema não é unânime. Tanto assim que, posteriormente ao entendimento firmado no julgamento nos EDcl no AgRg no REsp 1375380/SP, sessão de 20/08/2015, citado no r. voto do i. Conselheiro Relator, a mesma Segunda Turma julgadora do STJ julgadora decidiu de modo divergente na apreciação do AgRg no REsp 1461757 / RS em sessão realizada no mês seguinte, dia 03/09/2015. Vejase sua ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2014/01481347 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 03/09/2015 Data da Publicação/Fonte DJe 17/09/2015 Ementa: (...) 3. "A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". (AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/09/2012, DJe 10/09/2012) 4. Agravo regimental não provido. (...) No mesmo sentido, pronunciouse a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9303006.011– 3ª Turma, de 29 de novembro de 2017, sob voto condutor do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, nestes termos: (...) Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11080.722613/201306 Acórdão n.º 3402005.984 S3C4T2 Fl. 0 6 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (...) VOTO (...) A matéria a ser decidida neste julgamento, como já dito, é somente se compensação (via Declaração de Compensação) equivale ou não a pagamento, para fins de cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de transmissão da DCOMP a destempo, mas antes do início do procedimento fiscal. Para o pagamento, o tema não é mais passível de discussão no CARF (a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno), haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, no RE nº 1.149.022/SP (isto se o pagamento for realizado antes ou concomitantemente à confissão da dívida, conforme Súmula nº 360, também do STJ), em Acórdão submetido à sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/73, antigo Código de Processo Civil. Já para a compensação, não existe decisão judicial ou súmula que vincule este Colegiado. Como bem colocou a PGFN, pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário, conforme estabelece o Código Tributário Nacional (art. 156, I e II, já transcritos), recepcionado como lei complementar, a única capaz de estabelecer normas gerais sobre crédito tributário, como reza a nossa Constituição Federal (grifei): (...) Alega o contribuinte, em suas Contrarrazões, que o pagamento, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação – como a própria denominação desta forma de constituição diz – também está sujeito à condição de sua ulterior homologação. Mas o CTN diz algo mais a respeito (grifei): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio Fl. 70DF CARF MF Processo nº 11080.722613/201306 Acórdão n.º 3402005.984 S3C4T2 Fl. 0 7 exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Assim, na compensação, é o valor confessado em DCOMP está sob condição resolutória de ulterior homologação, enquanto no pagamento, na realidade, é o que não foi quitado. Isto está claro na lei. O § 1º do art. 150 do CTN fala “sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento”, enquanto o § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 fala em “sua ulterior homologação” Em termos simples: “pagou está pago”; se compensou, há cinco anos para a Administração decidir em que dimensão o crédito está extinto, até o limite compensado. Não se pode equiparar, então, homologação do lançamento com homologação da Declaração de Compensação. (...) São formas de extinção distintas, com conseqüências distintas. Não há dúvida. Assim, não se pode aplicar a mesma jurisprudência de uma para a outra – ainda que o STJ já tenha feito isto, mas em decisão não vinculante (Resp nº 1.136.372/RS, citado pelo contribuinte). (...) Ex positis, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (...) Melhor sorte não assiste à recorrente quanto ao argumento de que não teria ocorrido a "extemporaneidade no pagamento" do tributo devido, vez que os débitos e créditos Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11080.722613/201306 Acórdão n.º 3402005.984 S3C4T2 Fl. 0 8 objeto de compensação referemse a tributos atinentes ao mesmo período de apuração e mesma data de vencimento. Ocorre que, na hipótese de compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória, dáse somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (...) Dessa forma, não tendo sido os débitos pagos no prazo da legislação específica, nem tampouco sido considerados extintos antes do vencimento do tributo pela transmissão da declaração de compensação tempestiva, estão sujeitos à multa de mora, nos termos do art. 61 e 74, §§1º, 2º e 14 da Lei nº 9.430/96 e do art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, Fl. 72DF CARF MF Processo nº 11080.722613/201306 Acórdão n.º 3402005.984 S3C4T2 Fl. 0 9 na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002732/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações.
ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF N. 02.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO POR FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. DESCABIMENTO.
Para a imposição da multa de ofício com agravamento em 50% de seu percentual original é preciso que a falta de atendimento tenha caráter de omissão total, ou seja, a contribuinte não forneça qualquer informação, ou procrastine as respostas, sempre de modo a dificultar o procedimento do Fisco; ou, ainda, forneça as informações e respostas evasivamente, sem qualquer conteúdo, em evidente intuito de obstaculizar a ação fiscal.
Numero da decisão: 1401-002.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Sergio Abelson (suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005 QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF N. 02. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO POR FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. DESCABIMENTO. Para a imposição da multa de ofício com agravamento em 50% de seu percentual original é preciso que a falta de atendimento tenha caráter de omissão total, ou seja, a contribuinte não forneça qualquer informação, ou procrastine as respostas, sempre de modo a dificultar o procedimento do Fisco; ou, ainda, forneça as informações e respostas evasivamente, sem qualquer conteúdo, em evidente intuito de obstaculizar a ação fiscal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Sergio Abelson (suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1830; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 843 1 842 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002732/200917 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401002.960 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2018 Matéria IRPJ Recorrentes EMPRESA BRASILEIRA DO HAMBURGUER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005 QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF N. 02. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO POR FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. DESCABIMENTO. Para a imposição da multa de ofício com agravamento em 50% de seu percentual original é preciso que a “falta de atendimento” tenha caráter de omissão total, ou seja, a contribuinte não forneça qualquer informação, ou procrastine as respostas, sempre de modo a dificultar o procedimento do Fisco; ou, ainda, forneça as informações e respostas evasivamente, sem qualquer conteúdo, em evidente intuito de obstaculizar a ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 32 /2 00 9- 17 Fl. 843DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Sergio Abelson (suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratamse de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro (RJ) que julgou procedente em parte a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte. Conforme Termo de Verificação Fiscal – TVF às fls. 620/625 dos autos, exigiuse do Contribuinte “o Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, no valor de R$ 661.747,23; de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no valor de R$ 222.436,76; de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 369.587,28 e de Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS, no valor de R$ 1.026.631,35, todos acrescidos da multa de ofício agravada para o percentual de 112,5%, por motivo da interessada não ter atendido a reiteradas intimações para apresentação de documentos e prestar esclarecimentos, nos termos do inciso I, do § 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e demais acréscimos moratórios, que originaram multa e representação fiscal para fins penais por embaraço à fiscalização (processos nºs 19515.008349/200883 e 19515.008350/200816)”. Ciente da autuação em 17/08/2009, o interessado apresentou IMPUGNAÇÃO ADMNISTRATIVA em 05/08/2013 (fls. 666/694), na qual alegou em síntese: 1. Que “seria nulo o lançamento, uma vez que constaram na base de cálculo valores referentes a empréstimos bancários no total de R$ 1.694.262,40 (planilha de fls. 668/669), R$ 5.630.655,00 de “cheque especial” com o histórico “liberação garantida” (planilha de fls. 5/6), R$ 8.960,00 de transferência entre contas de mesma titularidade através de “DocD” (planilha fl. 672) e R$ 2.479.000,00 através de “TedD” (fls. 7/9)”; Fl. 844DF CARF MF Processo nº 19515.002732/200917 Acórdão n.º 1401002.960 S1C4T1 Fl. 844 3 2. Que “seria inviável o lançamento com base apenas em depósitos bancários, transcrevendo a súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos e Acórdãos do Conselho de Contribuintes dos quais transcreve ementas”; 3. Argui “a inconstitucionalidade da multa no percentual de 112,5% em face de seu caráter confiscatório, transcrevendo jurisprudência que acredita correlata”; 4. Protesta que “não causou qualquer embaraço à fiscalização, pedindo a redução da multa para 75%”; 5. Protesta que “não causou qualquer embaraço à fiscalização, pedindo a redução da multa para 75%”; 6. Argui “a nulidade, em razão da quebra de seu sigilo bancário ter se dado de forma inconstitucional, sem autorização judicial”; 7. Discorre que “o art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e o Decreto nº 3.724/2001 seriam inconstitucionais, em face do art. 5º caput, incisos X, XII, LIV, LV e LVI, e art. 145, § 1º da Constituição Federal, que prevê a inviolabilidade da intimidade das pessoas”; 8. Protesta contra “a correção da multa através da incidência de juros de mora sobre a mesma”; 9. Argui “a ilegalidade e inconstitucionalidade da incidência dos juros Selic, alegando que deveria incidir apenas os juros de 1% ao mês previsto no art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário NacionalCTN), que a taxa de juros Selic tem caráter remuneratório, e não moratório, além de ferir o art. 192, inciso VIII, § 3º da Constituição, que impõe o limite máximo anual de 12% de juros, além do art. 150, inciso IV, por ter caráter confiscatório”. 10. Requereu a declaração de nulidade e a improcedência da cobrança. O Acórdão ora Recorrido (1277.349 2ª Turma da DRJ/RJO) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. LEGALIDADE. Fl. 845DF CARF MF 4 A requisição de informações às instituições financeiras está autorizada em lei, independe de autorização judicial, e não caracteriza violação de sigilo bancário. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. As instâncias administrativas são incompetentes para a análise de inconstitucionalidade e ilegalidade de ato validamente editado e produzido segundo as regras do processo legislativo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos em instituições financeiras cuja origem não seja comprovada pela contribuinte regularmente intimada para tal, devendo ser excluídos aqueles cuja interessada demonstre a origem, mesmo nesta instância de julgamento. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO POR FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. DESCABIMENTO. Para a imposição da multa de ofício com agravamento em 50% de seu percentual original é preciso que a “falta de atendimento” tenha caráter de omissão total, ou seja, a contribuinte não forneça qualquer informação, ou procrastine as respostas, sempre de modo a dificultar o procedimento do Fisco; ou, ainda, forneça as informações e respostas evasivamente, sem qualquer conteúdo, em evidente intuito de obstaculizar a ação fiscal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC BASE LEGAL SÚMULA Nº 4 CARF – CABIMENTO Conforme súmula nº 4 do CARF, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora calculados pela taxa Selic a partir de seu vencimento. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 LANÇAMENTOS DE CSLL, PIS E COFINS. SUPORTE FÁTICO COMUM. Por não apresentarem fato novo que suscite conclusão diversa, devem os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS acompanharem o decidido quanto ao lançamento de IRPJ, por terem suporte fático comum. Fl. 846DF CARF MF Processo nº 19515.002732/200917 Acórdão n.º 1401002.960 S1C4T1 Fl. 845 5 Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Recurso de Ofício às fls. 750 dos autos. Isto porque, segundo entendimento da Turma Julgadora, “cumpre observar que o acesso às informações bancárias não configura, propriamente, quebra do sigilo bancário, haja vista a imposição às autoridades administrativas de seu resguardo durante todo o procedimento, não só em virtude do sigilo fiscal determinado no art. 198 do CTN, como também do disposto no art. 5o, § 5o, e art. 6o, parágrafo único, ambos da LC nº 105, de 2001”. Ademais, “as informações se prestam apenas à constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal. Há, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira e passa a ser mantido pelas autoridades administrativas”. Como se percebe, “podia a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, solicitar às instituições bancárias extratos das contas de depósito do interessado, sem que isso caracterizasse quebra de sigilo bancário (art. 6º da LC nº 105/2001)”. Segundo os autos, “a interessada, durante a fase fiscalizatória, foi regularmente intimada a comprovar a origem dos valores creditados em suas contas correntes bancárias, nada tendo apresentado e, por esta razão, a Fiscalização entendeu, portanto, que os valores que restaram não comprovados configuravam receitas omitidas, procedendo à tributação na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, não cabendo à Fiscalização, no caso de presunções legais, buscar provas que favoreçam a interessada. A omissão de receitas pela manutenção de créditos bancários sem comprovação da origem dos recursos tem jurisprudência administrativa firmada junto ao Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda”. A Turma julgadora deu provimento em parte a Impugnação Administrativa apresentada para MANTER EM PARTE OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, ajustado para o valor de R$ 469.787,73; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, ajustada para o valor de R$ 160.049,95; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, ajustada para o valor de R$ 265.929,15 e Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS, ajustada para o valor de R$ 738.692,09, acrescidos da multa de ofício, ajustada para o percentual de 75%, e demais acréscimos moratórios conforme legislação vigente. A desoneração decorreu, basicamente, da exclusão de valores que não constituíam efetivas receitas do contribuinte (recebimento de empréstimos bancários, entre outros), bem como da desoneração da multa agravada por embaraço à fiscalização. Ciente da decisão do Acórdão 27/08/2015 fls.780, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 28/09/2015 (fls. 782/789), alegando somente as seguintes razões: 1. DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO: Afirma que no presente caso, “a Fiscalização promoveu a quebra do sigilo bancário da recorrente de forma inconstitucional, uma vez que se deu sem Fl. 847DF CARF MF 6 autorização judicial. (...) O sigilo de dados bancários e operações financeiras constituem uma espécie do direito à intimidade, jamais admitindo sua ruptura sem a provocação do judiciário e na forma incondicional. (...) O fundamento dado para a quebra de sigilo, como se viu, é equivocado, ensejando a invalidade da quebra do sigilo bancário ocorrido e, por consequência, do auto de infração, pois a razão para sua lavratura se deu em informações obtidas com a violação do sigilo do contribuinte”. 2. DA DESPROPORCIONALIDADE E DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA: Entende a recorrente que “a multa aplicada pela Fiscalização é totalmente desproporcional e confiscatória com a prática da qual é acusada, pois, se considerarmos que o valor da multa é acrescido dos juros, estamos falando de multa que ultrapassa o valor principal". 3. Requereu a reforma do Acordão recorrido para que a autuação fiscal em questão seja julgada totalmente improcedente. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isto dele conheço. Cumpre ressalvar que o Recurso Voluntário cingese a duas exclusivas razões de mérito: (i) inconstitucionalidade da quebra de sigilo, e; (ii) desproporcionalidade e confiscatoriedade das multas. O patrono da Recorrente não trouxe nenhuma outra argüição relativa ao próprio procedimento de apuração do crédito, limitandose a, tão somente, arguir duas matérias de posição absolutamente conhecidas no âmbito do CARF, para as quais envolvem questões atinentes à constitucionalidade que não são de competência deste tribunal administrativo. No que se refere à alegação de inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário, cumpre ressaltar que dispõe a Súmula CARF nº 2, a qual é de aplicação vinculante: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, não cabe a este colegiado exercer qualquer função de controle de constitucionalidade com redução de texto. Fl. 848DF CARF MF Processo nº 19515.002732/200917 Acórdão n.º 1401002.960 S1C4T1 Fl. 846 7 Outrossim, mesmo que assim não fosse, em que pese este Relator não concorde com o seu resultado, o STF no julgamento da ADI 2390 em 18.02.2016 entendeu ser constitucional a lei que permite ao Fisco o acesso aos dados bancários dos contribuintes. Ademais, diante da ausência de documentos hábeis, face o descumprimento das intimações realizadas, a solicitação de movimentação bancária do contribuinte foi meio absolutamente adequado e que se demonstrou eficaz. Quanto à alegada desproporcionalidade e confiscatoriedade da penalidade aplicável, igualmente, necessário se faz aplicar a Súmula CARF n. 2 diante da ausência de competência de se apreciar questão atinente à constitucionalidade de norma tributária. Outrossim, a penalidade aplicável é a prevista em lei, não podendo este conselho afastar a sua aplicação. Face ao exposto, voto por não dar provimento ao Recurso Voluntário. Quanto ao Recurso de Ofício, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. Parte da desoneração decorreu da exclusão de valores que efetivamente não se enquadram como receita da contribuinte, a exemplo de empréstimos bancários, liberações de garantias de empréstimos e TEDs de mesma titularidade. Neste particular cumpre citar trecho da decisão recorrida: Devem ser excluídos da base de cálculo os créditos elencados pela interessada em sua planilha de fls. 668/669, totalizando R$ 1.694.262,40, uma vez que os seus históricos, transcritos na intimação da Fiscal Autuante (“Lib.Abert.Créd.”, “Lib.Emp.Mútuo” e “Giro Parcelado”), representam valores oriundos de empréstimos bancários, como declara a interessada em sua impugnação, não podendo os mesmos, portanto, serem considerados receitas da interessada, uma vez que restaram demonstradas suas origens. Da mesma forma, os valores com histórico “Liberação Garantida”, elencados pela interessada em sua planilha de fls. 670/671, por serem coerentes as declarações da mesma de se tratarem de liberações de crédito especial pelo Banco Real (mais conhecidas como “cheque especial”), devem ser excluídos do lançamento, com as seguintes ressalvas: O valor de 23 de março foi transcrito na planilha da interessada como R$ 160.000,00, quando o valor correto é R$ 160.900,00; e, O valor da liberação garantida de 28 de dezembro foi de R$ 9.700,00, e não de R$ 97.000,00 como consta na planilha da interessada. Não constaram os valores de R$ 75.000,00 em 30 de junho e R$ 53.500,00 em 13 de julho que a interessada inseriu na planilha de fl. 673 como sendo “Ted D” e não Liberação Garantida, como correto. Fl. 849DF CARF MF 8 Desta forma, o valor a ser excluído deve ser de R$ 5.672.755,00, referente aos R$ 5.630.655,00 protestados pela interessada em sua planilha de fls. 670/671, menos R$ 160.000,00 e R$ 97.000,00 e mais R$ 160.900,00, R$ 9.700,00, R$ 75.000,00 e R$ 53.500,00. Devem ser excluídos, ainda, os valores cujo histórico expressamente faz menção a Documento de Ordem de Crédito DOC ou Transferência Eletrônica DisponívelTED de modalidade “D”, por esta modalidade obrigatoriamente representar transferências entre contas correntes de mesma titularidade. Assim se respeitando o inciso I, do § 3º, do art. 42 das Lei nº 9.430/1996. Tais ajustes também foram feitos na base de cálculo da CSLL exigida. Assim, agiu bem a DRJ. Ademais, a desoneração também decorreu da desoneração da multa agravada por embaraço, por entender não restar configurada hipótese de sua aplicação. Também concordo com a DRJ. No caso concreto não existem provas que justifiquem o agravamento e não vislumbro atos voluntários de embaraço à fiscalização. Ressaltese que o mal atendimento, ou atendimento insuficiente à fiscalização, por si só não podem consistir em embaraço. Por sua vez, compete ao FISCO provar a atuação dolosa do contribuinte, fato que não ocorreu. Assim, face ao exposto, voto pelo não provimento do Recurso de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 850DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003094/2006-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. AUSE^NCIA DE CONCOMITA^NCIA. SÚMULA N. 105 DO CARF.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
Numero da decisão: 9101-003.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, em dar-lhe provimento. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Fla´vio Franco Corre^a, Luis Fla´vio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. AUSE^NCIA DE CONCOMITA^NCIA. SÚMULA N. 105 DO CARF. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
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Numero do processo: 10855.903141/2014-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.503
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) informe, em "relatório conclusivo" o desfecho administrativo definitivo do processo de ressarcimento/compensação, n. 10855.720833/2014-05, juntando a íntegra das peças processuais, o que inclui a decisão que ateste o indeferimento definitivo do direito de crédito; e (ii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "relatório conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) informe, em "relatório conclusivo" o desfecho administrativo definitivo do processo de ressarcimento/compensação, n. 10855.720833/2014-05, juntando a íntegra das peças processuais, o que inclui a decisão que ateste o indeferimento definitivo do direito de crédito; e (ii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "relatório conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) informe, em "relatório conclusivo" o desfecho administrativo definitivo do processo de ressarcimento/compensação, n. 10855.720833/201405, juntando a íntegra das peças processuais, o que inclui a decisão que ateste o indeferimento definitivo do direito de crédito; e (ii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "relatório conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Adotase o relatório do acórdão da DRJ (efls. 98 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 03 14 1/ 20 14 -9 2 Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 10855.903141/201492 Resolução nº 3401001.503 S3C4T1 Fl. 1.398 2 Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Integra ainda o Despacho Decisório, no capítulo Informações Complementares da Análise de Crédito, o seguinte: Para informações adicionais, vide processo nº 10855.720832/2014 52. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: o não reconhecimento do crédito decorre de erro do sistema eletrônico da RFB, cf. se verifica das ‘Informações Complementares da Análise de Crédito’, integrante do despacho decisório, que reconhece a existência do pagamento a maior e expressamente informa que existe saldo disponível para realização da compensação, como melhor explicitados e comprovado a seguir. ... Contudo, o crédito não foi reconhecido por erro do sistema eletrônico da RFB, cf. se verifica da própria documentação anexa ao despacho decisório (...), mais especificamente as ‘Informações Complementares da Análise de Crédito’ que reconhece a existência do pagamento a maior de COFINS e expressamente informa que ele não foi utilizado para nenhum outro pagamento da Requerente (...). Convém esclarecer que o crédito de COFINS utilizado decorre de um pagamento a maior realizado pela Requerente quando da apuração inicial das referidas contribuições no regime não cumulativo. A Requerente simplesmente não considerou os saldos de crédito das contribuições do PIS e COFINS no regime não cumulativo e efetuou o pagamento da guia DARF no valor de R$ 2.482.210,04 (doc. 07). Entretanto, verificado referido lapso e o pagamento a maior da COFINS, a Requerente imediatamente, retificou suas declarações (DACON e DCTF docs. anexos 08 e 09) e apresentou a DCOMP n. 06766.93822.3107131.3.049203. Importante ressaltar que as retificações das declarações (DACON e DCTF) foram realizadas de forma prévia à apresentação da referida DCOMP, isto é, as retificações foram realizadas ANTES de ser efetuada a compensação e ANTES de qualquer intimação ou procedimento de auditoria interna ou fiscalizatório da RFB (...). ... Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 10855.903141/201492 Resolução nº 3401001.503 S3C4T1 Fl. 1.399 3 Dessa maneira, entende a Requerente que o lançamento e cobrança do suposto crédito tributário complementar apontado no despacho decisório, no valor total de R$ 3.466.654,54, deve ser cancelado, uma vez comprovado o pagamento a maior realizado e a existência de crédito suficiente com a homologação da compensação efetuada, uma vez que a Requerente está provendo as autoridades fiscais de todas as informações necessárias para que estas apurem a real verdade dos fatos, em observância, entre outros, ao princípio da legalidade e ao princípio da verdade material. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade Improcedente, cujo substrato resumese na ementa baixo transcrita (efl. 98): DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Intimado da decisão (efl. 108); inconformado, interpôs o presente recurso voluntário (efls. 110 e ss.), tendo como matéria de recurso os mesmos fundamentos já deduzidos na Manifestação de Inconformidade, apresentando também, em julho 2018, cópias de notas fiscais, referente ao crédito de fevereiro de 2009 e planilha desta apuração. É o relatório. Conselheiro André Henrique Lemos, Relator O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida de forma eletrônica em 25/05/2016 (efl. 108), interpondo seu voluntário em 24/06/2016 (efls. 110 e ss.), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais de Cofins que foram objeto da compensação realizada na PER/DCOMP nº 06766.93822.310713.1.3.04 9203, para compensar com débito de IRPJ. Ao que se viu, constatado o recolhimento a maior da COFINS, a Recorrente retificou suas declarações (DACON e DCTF), vindo a apresentar DCOMP; retificações feitas antes da apresentação da DCOMP. Os valores compensados foram no valor de R$ 98.090,30, porém, não homologados, por não haver crédito reconhecido para fins de compensação. O despacho decisório (efl. 138) faz constar que inexiste valor a ser compensado e na efl. 139 traz informações complementares no qual aponta como zero crédito original reconhecido e remete a um outro processo administrativo de nº 10855.720833/2014 05: “ para maiores informações adicionais, vide processo de nº 10855.720833/201405”. A DRJ ao julgar a manifestação de inconformidade fundamenta a manutenção da não homologação da compensação na inexistência do crédito. Traz o decidido no processo Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 10855.903141/201492 Resolução nº 3401001.503 S3C4T1 Fl. 1.400 4 Administrativo Fiscal nº 10855.720833/201405, por meio do qual o ora Recorrente requereu a homologação do crédito que diz existir a título de Cofins no valor de R$ 2.482.210,04. Este crédito não foi homologado por se tratar de crédito extemporâneo de Cofins cuja idoneidade não foi demonstrada. O Recorrente apura a Cofins de forma nãocumulativa e deixou de se creditar de valores de notas fiscais de fornecedores na época oportuna, conforme por ele alegado, corroborado por meio de juntada de notas fiscais e planilha. Todavia, no presente processo não foi trazido cópia do processo 10855.720833/201405, nem pela DRJ, tampouco pelo Recorrente. Temse que o conteúdo do aludido processo, ao se vê é base para a não homologação do crédito no despacho decisório e também da DRJ ao negar provimento a manifestação de inconformidade. Assim, tornase imprescindível para que haja a apreciação do presente recurso que este Colegiado tenha conhecimento do integral conteúdo do processo 10855.720833/2014 05, razão pela qual, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) informe, em "relatório conclusivo" o desfecho administrativo definitivo do processo de ressarcimento/compensação, n. 10855.720833/201405, juntando a íntegra das peças processuais, o que inclui a decisão que ateste o indeferimento definitivo do direito de crédito; e (ii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "relatório conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 1413DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.917081/2012-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO.
Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN.
No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário.
COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá-se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96.
Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.996
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá-se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora. Recurso Voluntário negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1825; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.917081/201202 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.996 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de novembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente HOSPITAL DE CLINICAS DE PORTO ALEGRE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CABIMENTO. Às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. No art. 156 do CTN são descritas formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, eventualmente conferir o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" quer dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. COMPENSAÇÃO. TRANSMISSÃO. APÓS VENCIMENTO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Na compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória dá se somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96. Não tendo sido os débitos fiscais pagos, nem compensados, antes do vencimento do tributo, estão sujeitos à multa de mora. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos, que davam provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 70 81 /2 01 2- 02 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 11080.917081/201202 Acórdão n.º 3402005.996 S3C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão nº 08030.906 da Delegacia de Julgamento em Fortaleza que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre declaração de compensação, que objetiva compensar pagamento a maior de PIS/Pasep. O despacho decisório reconheceu a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, mas homologou apenas parcialmente a compensação declarada por entender que o direito creditório reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: a) descabimento da aplicação da multa moratória em face da denúncia espontânea; e b) ausência de extemporaneidade no pagamento vez que o crédito e o débito objeto de compensação possuem mesmo vencimento e período de apuração. A Delegacia de Julgamento não acolheu os argumentos da manifestante, sob os seguintes fundamentos: O contribuinte teria até o dia do vencimento do tributo para pagar o tributo ou apresentar a devida declaração de compensação sem nenhuma penalidade. Na espécie, o administrado, optando pela compensação, ingressou com o PER/DCOMP após o vencimento do tributo, pelo que incorreu em multa moratória e juros Selic. O pagamento e a compensação são espécies de extinção do crédito tributário. O art. 138 do CTN dispõe que a denúncia espontânea deve ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido. No caso, o contribuinte informou o débito fiscal, mas não o pagou, tendo apenas compensadoo, o que não contempla o benefício da denúncia espontânea. A compensação só ocorre mediante a entrega da correspondente declaração pelo sujeito passivo, sendo que, antes disso, a parcela do pagamento ainda não alocada a débito físcal permanece indisponível ao Fisco. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11080.917081/201202 Acórdão n.º 3402005.996 S3C4T2 Fl. 0 3 Cientificada, a interessada interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, repisando as alegações da manifestação de inconformidade acerca do cabimento da denúncia espontânea e da não incidência da multa de mora. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.981, de 29 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.720383/201332, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.981) 1: "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Nos termos do art. 156 do CTN, o pagamento (inciso I) e a compensação (inciso II) são modalidades de extinção do crédito tributário, sendo que, no caso da compensação, nos termos do art. 74, §2º da Lei nº 9.430/96, a extinção se dá sob condição resolutória da ulterior homologação da compensação declarada. Na hipótese de não ocorrer a homologação (tácita ou expressa) da compensação declarada, não há que se falar mais em extinção do crédito tributário, sendo cabível a cobrança dos débitos confessados. Na hipótese de lançamento por homologação, tratada separadamente no inciso VII do art. 156 do CTN, o pagamento antecipado somente extinguirá o crédito tributário se for acompanhado da homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte. O Professor Paulo de Barros Carvalho2 bem diferencia o "pagamento" a que se refere o inciso I do art. 156 do CTN do "pagamento antecipado" de que trata o inciso VII, nos seguintes termos: Não obstante o pagamento antecipado seja uma forma de pagamento, a legislação aplicável requer que ele se conjugue ao ato homologatório a ser realizado (comissiva ou omissivamente) pela Administração Pública. Apenas 1 No processo paradigma houve apresentação de Declaração de Voto por parte da Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Como o entendimento esposada nesta declaração foi vencido, deixase de transcrevêlo nos presentes autos, que trazem apenas o entendimento que prevaleceu na decisão colegiada. Íntegra da declaração de voto pode ser consultada no processo paradimga nº 11080.720383/201332. 2 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 16. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 490. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 11080.917081/201202 Acórdão n.º 3402005.996 S3C4T2 Fl. 0 4 dessa maneira darseá por dissolvido o vínculo, diferentemente do que ocorre nos casos de pagamento de débito tributário constituído por lançamento, em que a conduta prestacional do devedor tem o condão de por fim, desde logo, à obrigação tributária. No denominado "lançamento por homologação", quando ainda não ocorrida a homologação tácita ou expressa da norma individual e concreta posta pelo contribuinte, constatando o Fisco a inexatidão da atividade prévia por ele exercida, deverá apurar o montante suplementar do tributo devido e constituir o crédito tributário por lançamento de ofício supletivo, nos termos do art. 149 do CTN. Nessa hipótese, obviamente, a parcela do crédito tributário objeto do pagamento antecipado é considerada extinta por pagamento (parcial), vez que excluída do lançamento de ofício supletivo. Dessa maneira, nos incisos I, II e VII do art. 156 do CTN, são descritas três formas distintas de extinção do crédito tributário, sendo, prerrogativa somente do legislador, em situações expressamente especificadas, conferir eventualmente o mesmo tratamento jurídico a tais institutos. Contudo, esse não é o caso do art. 138 do CTN, no qual a referência tão somente ao termo "pagamento" está a dizer que a denúncia espontânea não se aplica às demais modalidades de extinção do crédito tributário. Nessa mesma linha, no voto vencedor do Redator Designado Fernando Brasil de Oliveira Pinto, no Acórdão nº 1402002.309 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 15 de setembro de 2016, restou esclarecido que às declarações de compensação (PER/DCOMP) não se aplica a benesse da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, uma vez que a extinção do crédito tributário por pagamento (art. 156, I, do CTN) não se confunde com a extinção por meio de compensação (art. 156, II do CTN): (...) Portanto, embora pagamento e compensação extingam o crédito tributário, cada um o faz com suas características e consequências peculiares: enquanto no pagamento não mais se discute a extinção do crédito tributário, na compensação extinguese o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96), ou seja, a declaração de compensação pode ter seus efeitos revertidos pela autoridade administrativa. O art. 138 do CTN, ao dispor que a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, a meu ver, limitou a possibilidade de sua aplicação a uma das modalidades de extinção do crédito tributário, qual seja, o pagamento. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11080.917081/201202 Acórdão n.º 3402005.996 S3C4T2 Fl. 0 5 Quisesse o legislador que outras hipóteses de extinção fossem aplicáveis para fins de denúncia espontânea, assim o teria feito expressamente. Conforme abordado pelo i. Conselheiro Relator, a posição do STJ sobre o tema não é unânime. Tanto assim que, posteriormente ao entendimento firmado no julgamento nos EDcl no AgRg no REsp 1375380/SP, sessão de 20/08/2015, citado no r. voto do i. Conselheiro Relator, a mesma Segunda Turma julgadora do STJ julgadora decidiu de modo divergente na apreciação do AgRg no REsp 1461757 / RS em sessão realizada no mês seguinte, dia 03/09/2015. Vejase sua ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2014/01481347 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 03/09/2015 Data da Publicação/Fonte DJe 17/09/2015 Ementa: (...) 3. "A extinção do crédito tributário por meio de compensação está sujeita à condição resolutória da sua homologação. Caso a homologação, por qualquer razão, não se efetive, temse por não pago o crédito tributário declarado, havendo incidência, de consequência, dos encargos moratórios. Nessa linha, sendo que a compensação ainda depende de homologação, não se chega à conclusão de que o contribuinte ou responsável tenha, espontaneamente, denunciado o não pagamento de tributo e realizado seu pagamento com os acréscimos legais, por isso que não se observa a hipótese do art. 138 do CTN". (AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/09/2012, DJe 10/09/2012) 4. Agravo regimental não provido. (...) No mesmo sentido, pronunciouse a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9303006.011– 3ª Turma, de 29 de novembro de 2017, sob voto condutor do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, nestes termos: (...) Fl. 72DF CARF MF Processo nº 11080.917081/201202 Acórdão n.º 3402005.996 S3C4T2 Fl. 0 6 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (...) VOTO (...) A matéria a ser decidida neste julgamento, como já dito, é somente se compensação (via Declaração de Compensação) equivale ou não a pagamento, para fins de cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de transmissão da DCOMP a destempo, mas antes do início do procedimento fiscal. Para o pagamento, o tema não é mais passível de discussão no CARF (a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno), haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, no RE nº 1.149.022/SP (isto se o pagamento for realizado antes ou concomitantemente à confissão da dívida, conforme Súmula nº 360, também do STJ), em Acórdão submetido à sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/73, antigo Código de Processo Civil. Já para a compensação, não existe decisão judicial ou súmula que vincule este Colegiado. Como bem colocou a PGFN, pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário, conforme estabelece o Código Tributário Nacional (art. 156, I e II, já transcritos), recepcionado como lei complementar, a única capaz de estabelecer normas gerais sobre crédito tributário, como reza a nossa Constituição Federal (grifei): (...) Alega o contribuinte, em suas Contrarrazões, que o pagamento, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação – como a própria denominação desta forma de constituição diz – também está sujeito à condição de sua ulterior homologação. Mas o CTN diz algo mais a respeito (grifei): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio Fl. 73DF CARF MF Processo nº 11080.917081/201202 Acórdão n.º 3402005.996 S3C4T2 Fl. 0 7 exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Assim, na compensação, é o valor confessado em DCOMP está sob condição resolutória de ulterior homologação, enquanto no pagamento, na realidade, é o que não foi quitado. Isto está claro na lei. O § 1º do art. 150 do CTN fala “sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento”, enquanto o § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 fala em “sua ulterior homologação” Em termos simples: “pagou está pago”; se compensou, há cinco anos para a Administração decidir em que dimensão o crédito está extinto, até o limite compensado. Não se pode equiparar, então, homologação do lançamento com homologação da Declaração de Compensação. (...) São formas de extinção distintas, com conseqüências distintas. Não há dúvida. Assim, não se pode aplicar a mesma jurisprudência de uma para a outra – ainda que o STJ já tenha feito isto, mas em decisão não vinculante (Resp nº 1.136.372/RS, citado pelo contribuinte). (...) Ex positis, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (...) Melhor sorte não assiste à recorrente quanto ao argumento de que não teria ocorrido a "extemporaneidade no pagamento" do tributo devido, vez que os débitos e créditos Fl. 74DF CARF MF Processo nº 11080.917081/201202 Acórdão n.º 3402005.996 S3C4T2 Fl. 0 8 objeto de compensação referemse a tributos atinentes ao mesmo período de apuração e mesma data de vencimento. Ocorre que, na hipótese de compensação, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória, dáse somente a partir da transmissão ou entrega da correspondente declaração, nos termos do art. 74, §§1º e 2º da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (...) Dessa forma, não tendo sido os débitos pagos no prazo da legislação específica, nem tampouco sido considerados extintos antes do vencimento do tributo pela transmissão da declaração de compensação tempestiva, estão sujeitos à multa de mora, nos termos do art. 61 e 74, §§1º, 2º e 14 da Lei nº 9.430/96 e do art. 28 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 51 e 52 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, Fl. 75DF CARF MF Processo nº 11080.917081/201202 Acórdão n.º 3402005.996 S3C4T2 Fl. 0 9 na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrados pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 76DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.721469/2015-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
RAT. REENQUADRAMENTO DO CNAE. NÃO COMPROVAÇÃO.
A alegação do desacerto no enquadramento efetuado pela Fiscalização, que teria se baseado em documentos apresentados pelo recorrente, deve vir acompanhada da documentação que evidencie o CNAE então pretendido.
PAGAMENTO A SEGURADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO.
Uma vez identificados pagamentos contabilizados como salários e ordenados a pagar, bem como rubricas que integram a folha de pagamento da empresa, compete ao contribuinte, a comprovação de que tais valores estariam elencados em uma das alíneas do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91.
GRATIFICAÇÃO. PRÊMIO. BASE DE CÁLCULO.
A gratificação enquanto prêmio vinculado ao desempenho da atividade laboral do empregado caracteriza-se como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho executado com maior produtividade e/ou perfeição. O fato de só ser percebida se a meta for atingida não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado.
Numero da decisão: 2402-006.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 RAT. REENQUADRAMENTO DO CNAE. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação do desacerto no enquadramento efetuado pela Fiscalização, que teria se baseado em documentos apresentados pelo recorrente, deve vir acompanhada da documentação que evidencie o CNAE então pretendido. PAGAMENTO A SEGURADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO. Uma vez identificados pagamentos contabilizados como salários e ordenados a pagar, bem como rubricas que integram a folha de pagamento da empresa, compete ao contribuinte, a comprovação de que tais valores estariam elencados em uma das alíneas do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91. GRATIFICAÇÃO. PRÊMIO. BASE DE CÁLCULO. A gratificação enquanto prêmio vinculado ao desempenho da atividade laboral do empregado caracteriza-se como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho executado com maior produtividade e/ou perfeição. O fato de só ser percebida se a meta for atingida não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado.
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REENQUADRAMENTO DO CNAE. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação do desacerto no enquadramento efetuado pela Fiscalização, que teria se baseado em documentos apresentados pelo recorrente, deve vir acompanhada da documentação que evidencie o CNAE então pretendido. PAGAMENTO A SEGURADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. NÃO COMPROVAÇÃO. Uma vez identificados pagamentos contabilizados como salários e ordenados a pagar, bem como rubricas que integram a folha de pagamento da empresa, compete ao contribuinte, a comprovação de que tais valores estariam elencados em uma das alíneas do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91. GRATIFICAÇÃO. PRÊMIO. BASE DE CÁLCULO. A gratificação enquanto prêmio vinculado ao desempenho da atividade laboral do empregado caracterizase como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho executado com maior produtividade e/ou perfeição. O fato de só ser percebida se a meta for atingida não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 14 69 /2 01 5- 38 Fl. 262DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foram lavrados Autos de Infração em 14.05.2015, para constituição de Contribuição Previdenciária, como a seguir resumidos: DEBCAD 51.063.0995 Cota Patronal em função dos levantamentos adiante relacionados principal de R$ 3.052.347,24 período de 01/2011 a 12/2012 acrescido de multa de ofício e juros legais Selic; e DEBCAD 51.068.5285 Valor devido a terceiros (SESC, SENAC, INCRA, SEBRAE e FNDE) principal de R$ 66.260,96 período de 01/2011 a 12/2012 acrescido de multa de ofício e juros legais Selic. Para a descrição dos fatos, sirvome do Relatório Fiscal de fls. 53/62: Os fatos geradores do presente lançamento são os pagamentos ou créditos de remunerações efetuados pela empresa aos segurados empregados que lhe prestaram serviços e pagamentos de prólabore indireto aos administradores. As contribuições devidas não foram declaradas em GFIP, ou foram declaradas com alíquotas a menor do devido e não foram recolhidas. O procedimento fiscal culminou com os seguintes levantamentos: Levantamento 03 – Diferença de RAT ( 01/2011 a 12/2012) Levantamento 04 – Pagamentos aos Sócios: (01/2011 a 12/2012) Levantamento 05 Abono Especial ( 01/2011 a 12/2012) Levantamento 06 – Abono Natalino – (01/2011 a 12/2012). Levantamento 07 – Adicional de Transferência ( 01/2011 a 12/2012) Levantamento 08 – Gratificação ( 01/2011 a 12/2012) Levantamento 09 Adicional de Salário ( 01/2011 a 12/2012) Levantamento 10 Bonificação Celso Pontara (01/2011 a 12/2012) Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10980.721469/201538 Acórdão n.º 2402006.658 S2C4T2 Fl. 3 3 Levantamento 11 Bônus (01/2011 a 12/2012) Levantamento 12 – Pagamentos de Comissões (01/2011 a 12/2012) Regularmente intimado, apresentou Impugnação que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 214/226, com a seguinte ementa: PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a impugnante apresentado prova capaz de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõese a improcedência da impugnação. CONTABILIDADE. ÔNUS DA PROVA. Os lançamentos contábeis lastreadores da apuração da base de cálculo têm o condão de fazer prova contra a empresa (Código Civil, art. 226, primeira parte do caput; e Código de Processo Civil, art. 378), devendo ser desconstituídos por prova robusta. GRATIFICAÇÃO. PRÊMIO. BASE DE CÁLCULO. A gratificação enquanto prêmio vinculado ao desempenho da atividade laboral do empregado caracterizase como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho executado com maior produtividade e/ou perfeição. O fato de só ser percebida se a meta for atingida não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado. Em seu Recurso Voluntário às fls. 236/250 aduz, em apertada síntese: Que a alíquota do SAT empregada pela auditoria fiscal, alíquota de 2% é incorreta, porquanto os segurados colocados à disposição dos tomadores de serviço não foram locados na atividade fim da empresa contratante, o que é proibido por Lei, é matéria sumulada pelo Tribunal Superior do Trabalho SUMULA 331. A IN RFB n° 971 foi obedecida em relação ao ambiente da terceirização de serviços. Não está comprovado que o serviço prestado não se refere a serviços administrativos, atividademeio para as contratantes. Os segurados colocados à disposição dos tomadores de serviço não foram locados na atividadefim da empresa contratante. Os serviços contratados e prestados pelos segurados do Impugnante em cessão de mão de obra referemse a atividades administrativas, de logística, sendo correta a alíquota adotada em GFIP. Que as verbas tributadas pela Fiscalização se referem à indenização de transporte, por uso de veículo próprio em função de local sem acesso a transporte público; ou a pagamentos eventuais; ou a despesas de representação, no caso dos pagamentos aos sócios; ou decorrem de dissídio coletivo da categoria. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator Fl. 264DF CARF MF 4 A contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 10.12.2015 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 06.01.2016. Preenchidos os demais requisitos, dele passo a conhecer. Diferença de RAT. Por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, o autuante requisitou ao recorrente fosse apresentado, dentre outros, os contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros e as notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados. Em seguida, a Fiscalização teria apurado que o recorrente se enquadrava, erroneamente, no CNAE 82113/00, que se refere a “atividades administrativas e serviços complementares”, com grau de risco 1, quando, em função do que constou em seu contrato social e documentos fiscais, o correto enquadramento pela atividade da empresa deveria ser no CNAE 78302/00, “fornecimento e gestão de recursos humanos para terceiros”, grau de risco 2, por tratarse de empresa que exerce a atividade de colocação de mão de obra em empresas do ramo automotivo. Em seu recurso, sustenta o contribuinte que teria observado a Instrução Normativa RFB nº 971/2009 e que, além disso, a Fiscalização não teria comprovado que o serviço prestado não se refere a serviços administrativos, com alíquota de l%, já quitada. Ainda em seu recurso, ao final, assentou que os segurados colocados à disposição dos tomadores de serviço não teriam sido locados na atividadefim da empresa contratante. Os serviços contratados e prestados pelos segurados do Impugnante em cessão de mão de obra referemse a atividades administrativas, de logística, sendo correta a alíquota adotada em GFIP. Pois bem, notase que o CNAE imputado pelo fisco tem como Nota Explicativa a seguinte orientação: O fornecimento de recursos humanos e de serviços de gestão de recursos humanos a empresas clientes. Essas unidades são especializadas em uma série de tarefas relacionadas a recursos humanos e administração de pessoal, podendo representar o empregador em questões referentes à folha de pagamento, impostos e outros assuntos relacionados aos recursos humanos, mas não são responsáveis pela direção e supervisão dos empregados na empresa cliente. Destaquei Do excerto acima, concluise que o enquadramento imputado não significa dizer que a mãodeobra cedida estivesse relacionada à atividade fim das contratantes, empresas do ramo automotivo. Nesse sentido, ante o constatado pela Fiscalização, cabia ao recorrente a comprovação, em seus recursos, de que as contratações diziam respeito ao "fornecimento de uma combinação ou de um pacote de serviços administrativos de rotina a empresas clientes, sob contrato, tais como: serviços de recepção, planejamento financeiro, contabilidade, arquivamento, preparação de material para envio por correio, etc.," Assim não procedendo, voto por, neste ponto, manter o lançamento. Pagamento aos sócios. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10980.721469/201538 Acórdão n.º 2402006.658 S2C4T2 Fl. 4 5 Aduz que não se tratariam de pagamentos ou vantagens aos sócios, mas sim de despesas de representação e que os pagamentos relacionados pelo autuante não teriam sido confrontados com os documentos, que não teriam sido requisitados. Notese que por meio do item 5 do Termo Fiscal nº 1 (fls.156), requisitouse ao autuado a apresentação dos documentos de caixa listados na relação que teria seguido em anexo, lançados na conta cód. 80 : "Sócios, Administradores e Pessoas Ligadas. No Relatório Fiscal de fls. 55 constou a seguinte análise documental: No curso da ação fiscal constatouse, a partir da contabilidade (livros Diário e Razão) e documentos que deram sustentação aos lançamentos contábeis apresentados, mediante solicitação específica, que a empresa efetuou às pessoas físicas Élio Nossa Mendes , CPF nº 038.226.81806 , Humberto Fuzeto, CPF 961.658.71968 sócios da empresa Racing Automotive Ltda, com remuneração pelos serviços prestados, conforme consta na Cláusula Décima do contrato social, e a Rosângela Bernardino Camargo, CPF 018.977.62933, cônjuge de Élio Nossa Mendes, diversas transferências de recursos e pagamentos de despesas, com benefícios e vantagens concedidas, tais como pagamentos de escolas, despesas de condomínio, cartões de crédito de titularidade das pessoas físicas dos sócios, despesas com luz, água, compras de materiais de construção, móveis, artigos de decoração, pagamentos de contas de celular do beneficiário, cônjuge e filhos, telefone, IPTU, IPVA, planos de saúde, planos de previdência, pagamentos de prestações de imóveis, despesas médicas e de terapeutas, pagamentos identificados no histórico como “prólabore”, pagamentos de cheques, de mensalidades de escolas e de cursos, pensão alimentícia, pagamentos de custas judiciais, de seguros, de salários e respectivos encargos sociais a empregados ligados a atividades privadas do beneficiário, dentre outros pagamentos que foram escriturados (contabilizados) na conta contábil código 80, intitulada “Sócios, Administradores e Pessoas Ligadas”, nos anos 2011 e 2012. A conta possui natureza contábil de remuneração. Percebese da analise empreendida e da falta de apresentação de prova em contrário que os pagamentos eram, em verdade, salários indiretos pagos aos sócios e que, assim sendo, devem integrar o salário de contribuição, como conceituado no inciso I do artigo 28 da Lei 8.212/91 1 1 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à Fl. 266DF CARF MF 6 Somemse a isso, os históricos dos lançamentos efetuados naquela conta, que sugerem referiremse a vantagens pagas aos sócios Humberto e Elio, além de sua cônjuge Rosângela. (vide fls. 89/105) Na seqüência do recurso, o contribuinte, em algumas de suas justificativas, procura excluir do conceito de salário de contribuição, aquelas verbas que teriam sido pagas em parcela única, esporadicamente ou sem habitualidade. Não lhe assiste razão. O requisito da habitualidade no recebimento da verba não é essencial para ela passe a integrar a base de cálculo do tributo. Da mesma forma, os ganhos recebidos eventualmente, que não a integram 2, não são, necessariamente, aqueles pagos em parcela única, esporadicamente ou sem habitualidade. Sobre o tema, trago à colação excerto da fundamentação do voto proferido no acórdão 9202006.133, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, após citar renomado autor. Confirase: disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; 2 Art. 28, § 9º, "e", 7, da Lei 8.212/91. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10980.721469/201538 Acórdão n.º 2402006.658 S2C4T2 Fl. 5 7 Fl. 268DF CARF MF 8 Posto desta forma, o fato de determinada verba ter sido paga em apenas um, dois ou alguns meses não a retira, por si só, do campo de incidência da exação. Por outro lado, não traz o recorrente elementos que assegurem, comprovadamente, a eventualidade daqueles Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10980.721469/201538 Acórdão n.º 2402006.658 S2C4T2 Fl. 6 9 pagamentos. É dizer, que tenham se dado em função de uma circunstância casual/imprevista ou fortuita e não em decorrência de uma decisão gerencial, alinhada a uma programação de desembolso da empresa, como por exemplo, a decisão ou política de se pagar determinado valor (seja lá o nome que se tenha dado) no mês de dezembro de cada ano. E mais, alguns dos valores tributados pelo Fisco haviam sido contabilizados em conta de " Salários e Ordenados a Pagar". Vale ainda destacar, que o autuado, novamente em algumas de suas justificativas, procura excluir do conceito de salário de contribuição, aquelas verbas que teriam sido supostamente pagas em função da prestação de serviços por seus terceirizados em locais de difícil acesso a transporte público e que seriam relativos à indenização de transporte, por uso de veículo próprio. Da mesma forma, o recorrente não apresentou qualquer prova para demonstrar que se trata de reembolso e nem que os trabalhadores incorreram em dano por conta do alegado trabalho em local de difícil acesso a transporte público ou mesmo se tais pagamentos seriam, em verdade, ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado 3. Ato continuo, passo a análise, verba a verba, das justificativas apresentadas pelo recorrente, à exceção daquelas que quis fazer crer referiremse a i) pagamentos esporádicos, em única parcela ou sem habitualidade e ii) indenização de transporte por uso de veículo próprio, em função do acima exposto. O quadro abaixo procura demonstrar a distribuição das verbas ao longo de 2011/2012. 2011 2012 jan fev mar abr maio jun jul ago set out nov dez jan fev mar abr maio jun jul ago set out nov dez ABONO ESPECIAL ABONO NATALINO COMISSÕES ADICIONAL DE SALÁRIOS ADICIONAL DE TRANSFERÊNCIA BONIFICAÇÃO CELSO PONTARA BÔNUS GRATIFICAÇÃO Abono Especial. Pago em outubro e dezembro de 2011. Sustenta o recorrente que seriam valores pagos esporadicamente e que teriam sido quitados tendo em vista a prestação de serviços por seus terceirizados em locais de difícil acesso a transporte público. Tratarseia de reembolso destas despesas, em serviços prestados a clientes em períodos curtos. 3 art. 28, § 9º, "s", da Lei 8.212/91 Fl. 270DF CARF MF 10 Não traz elementos que comprovem sua não inclusão na base de cálculo, como já dito alhures. Abono Natalino e Pagamento de Comissões. Abono Pago em dezembro de 2011. Comissões Pago de janeiro a dezembro de 2011 e fevereiro a dezembro de 2012, além de ter sido contabilizado na conta "Salários e Ordenados a Pagar". Faz crer que seriam verbas pagas aos segurados empregados terceirizados em clientes em locais de difícil acesso a transporte público, sendo que as empresas tomadoras possuiriam no dissídio coletivo da categoria, o pagamento desta parcela, com cláusula que não incorporaria os valores aos salários. Assim sendo, seria pagamento isento de reflexos segundo os acordos coletivos de trabalho. Nesse ponto, como bem ressaltou o acórdão de piso, a recorrente não carreou aos autos o suposto acordo coletivo e nem ao menos indicou a empresa tomadora e o correspondente sindicato profissional, razão pela qual, em não se evidenciando tratarse de "abonos expressamente desvinculados do salário", tenho que devam integrar o salário de contribuição. Adicional de salário. Pago de janeiro a abril, outubro e dezembro de 2011 e fevereiro, março e junho de 2012. Alega serem valores pagos a segurados com terceirízação em locais sem acesso a transporte público e que seriam relativos à indenização de transporte, por uso de veículo próprio. Não traz elementos que comprovem sua não inclusão na base de cálculo, como já dito alhures. Adicional de Transferência. Pago de outubro de 2011 a setembro de 2012. Informa que o pagamento sempre foi em parcela única e que pelo fato de ter ocorrido em relação a vários empregados, faria supor que seriam pagamentos mensais. Como bem destacado pelo acórdão recorrido, a verba em questão teria sido paga apenas para quatro empregados (Celso Cazuhiro Ikeda, Fernando Augusto Pinto, Luiz Cláudio Soares e Ronaldo Jose De Paula) e praticamente em todos os meses do período de 10/2011 a 09/2012. No mais, não traz elementos que comprovem sua não inclusão na base de cálculo, como já dito alhures. Bonificação Celso Pontara. Pago de janeiro a setembro, novembro e dezembro de 2011 e março a novembro de 2012, além de ter sido contabilizado na conta "Salários e Ordenados a Pagar". Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10980.721469/201538 Acórdão n.º 2402006.658 S2C4T2 Fl. 7 11 Informa que seriam valores pagos a segurado com terceirização em local sem acesso a transporte público e que, assim sendo, o valor seria relativo à indenização de transporte, por uso de veículo próprio. Como já dito alhures, não traz elementos que comprovem sua não inclusão na base de cálculo. Ademais, o fato de em sua contabilidade, registrar tais pagamentos em conta de "salários e ordenados" impõe ao contribuinte a necessidade de que traga provas robustas que tendam a descaracterizar a natureza salarial que lá evidenciou. Bônus. Pago de janeiro de 2011 a março de 2012, maio, julho, novembro e dezembro de 2012, além de ter sido, da mesma forma, contabilizado na conta "Salários e Ordenados a Pagar". A semelhança do informado para a verba acima, aduz que seriam valores pagos a segurado com terceirização em local sem acesso a transporte público e que, assim sendo, o valor seria relativo à indenização de transporte, por uso de veículo próprio. Mais uma vez, não trouxe elementos que comprovassem sua não inclusão na base de cálculo. Ademais, o fato de em sua contabilidade, repisese, registrar tais pagamentos em conta de "salários e ordenados" impõe ao contribuinte a necessidade de que traga provas robustas que tendam a descaracterizar a natureza salarial que lá evidenciou. Gratificação. Pago em fevereiro, março e dezembro de 2011 e abril, maio, agosto, setembro, outubro, dezembro de 2012. Alega que seriam valores pagos eventualmente e que nenhum empregado a percebia continuamente. Constituiria, assim sendo, uma forma de incentivar a produtividade. E prossegue ao considerar que Prêmios e gratificações seriam valores acrescidos ao salário do empregado, vinculados a fatores de ordem pessoal como atingimento de metas, economia de tempo, de matériaprima, assiduidade, eficiência, rendimento e produtividade, dentre outros. Com efeito, seriam liberalidades estabelecidas pelo empregador e que não podem ser suprimidos unilateralmente, como também não podem ser absorvidos pelo salário, salvo concordância do empregado e desde que não o prejudique. Nesse ponto, filiome à conclusão do acórdão recorrido, quando assenta que "a gratificação enquanto prêmio vinculado ao desempenho da atividade laboral do empregado caracterizase como gratificação ajustada (Consolidação das Leis do Trabalho, art. 457, § 1°), a remunerar o trabalho executado com maior produtividade e/ou perfeição. O fato de só ser percebida se a meta for atingida não lhe atribui caráter de ganho eventual, mas de salário condicionado". Após discorrer sobre as verbas, passa o recorrente à tese de que os abonos, gratificações, teriam natureza remuneratória se concedidos em substituição ao reajuste salarial, Fl. 272DF CARF MF 12 por exemplo, ou pagas habitualmente a determinado colaborador, repetidas vezes. Mas, em não sendo, evidente que teria natureza indenizatória. De início, cumpre destacar que as verbas de natureza indenizatória, que não compõem o salário de contribuição, são aquelas expressamente previstas no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91. O fato de determinado valor não ser pago de forma habitual não significa dizer, por si só, que tenha natureza indenizatória. Por derradeiro, impõese ressaltar que o inciso I daquela artigo 28 procurou ser, alinhado ao princípio da solidariedade, o mais amplo possível na determinação daquilo que integraria o salário de contribuição para fins de cobrança do tributo. E mais, quando o legislador admitiu fossem determinadas verbas dele excluídas, cuidou de fazer constar que seriam apenas aquelas. Ou seja, a regra é que se tribute a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho. Uma vez identificados pagamentos contabilizados como salários e ordenados a pagar e rubricas que integram a folha de pagamento da empresa, compete ao contribuinte, a comprovação de que tais valores estariam elencados em uma das alíneas do § 9º daquele dispositivo. Não foi o que se viu nestes autos. Face ao acima exposto, CONHEÇO do recurso apresentado para, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17883.000299/2005-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: Relator Caio Cesar Nader Quintella
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LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 02 99 /2 00 5- 20 Fl. 541DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1402003.540 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 17883.000299/200520 Acórdão n.º 1402003.540 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 543DF CARF MF
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