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Numero do processo: 13708.000340/2004-57
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DEDUÇÃO. DESPESAS DEPENDENTE. INSTRUÇÃO.
Restabelece-se a dedução de pagamentos de despesas com dependente, e com sua instrução, quando o contribuinte provar a relação de dependência, e que realizou tais pagamentos.
DEPENDENTES. SOGRO/SOGRA.
Sogro ou sogra, desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do genro, quando cônjuge ou companheira deste esteja igualmente incluída na referida declaração.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com três dependentes e dedução de despesas com instrução no valor de R$1.044,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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DESPESAS DEPENDENTE. INSTRUÇÃO. Restabelecese a dedução de pagamentos de despesas com dependente, e com sua instrução, quando o contribuinte provar a relação de dependência, e que realizou tais pagamentos. DEPENDENTES. SOGRO/SOGRA. Sogro ou sogra, desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do genro, quando cônjuge ou companheira deste esteja igualmente incluída na referida declaração. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com três dependentes e dedução de despesas com instrução no valor de R$1.044,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 03 40 /2 00 4- 57 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13708.000340/200457 Acórdão n.º 2801003.999 S2TE01 Fl. 78 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/RJOII (Fls. 22), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Foi efetuada notificação de lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, fls. 02/04, em decorrência de apuração de glosa integral dos valores informados pelo Contribuinte na DIRF/2003, a título de dependentes e despesas com instrução. O Contribuinte foi cientificado do lançamento em 22/01/2004 (fl. 17) e apresentou a impugnação de fl. 01 em 05/02/2004, alegando, em síntese, que seus dependentes são esposa, filha sogra e neto e que a despesa com instrução da filha enquadrase na legislação, conforme recibos anexos. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/RJOII entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação; deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentemos argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não têm qualquer relevância na análise dos fatos alegados. Cientificado em 25/05/2011 (Fls. 26), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 20/06/2011 (fls. 27 a 28), argumentando em síntese: (...) IV) A glosa está baseada na falta dos documentos que justifiquem a relação de dependência com a minha esposa Edneuza Campos da Silva, minha filha Daniele Machado da Silva, minha sogra Maria José Batista de Lima e meu neto Lucas Machado Vaz Feitosa; V) Para fundamentar o meu pleito, anexo ao presente os documentos necessários para que possa ser comprovado a legitimidade da minha relação de dependência com os meus dependentes, bem como o documento que comprove a despesa com instrução de minha filha Daniele Machado da Silva, a saber: a) Esposa, Edneuza Machado da Silva: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13708.000340/200457 Acórdão n.º 2801003.999 S2TE01 Fl. 79 3 Anexo ao presente uma cópia autenticada de nossa Certidão de Casamento; b) Filha, Daniele Machado da Silva: Anexo ao presente uma cópia autenticada de sua certidão de nascimento, no qual pode ser constatado que a mesma é minha legítima filha; c) Sogra, Maria José Batista de Lima: Anexo ao presente minha certidão de casamento onde é mencionado que a mesma é mãe de minha esposa; d) Neto, Lucas Machado Vaz Feitosa: Apesar de assumir toda a responsabilidade sobre o seu sustento não temos a guarda judicial; e) Despesa com instrução de minha filha Daniele Machado da Silva: Neste caso, como já pude comprovar que a mesma é minha filha legítima, através das informações do item "b" acima, e que no anobase de 2002 a mesma enquadravase nos requisitos legais da Receita Federal para figurar como dependente, anexo ao presente uma Declaração expedida pelo Colégio Araújo Silva onde pode ser constatado que cursou o ensino médio no ano de 2002, bem como os comprovantes de pagamento efetuados a esta instituição de ensino; IV) Tendo em vista as alegações até aqui apresentadas solicito uma nova revisão de minha DIRPF do exercício de 2003, ano base 2002, visto que a glosa dos itens "a", "b" e "c", já justificados acima é, no meu entendimento, improcedente. Solicito ainda que a referida Declaração possa ser ajustada e lançado o imposto a pagar ou a restituir que espelhem a veracidade de minha interposição. (...) Em 15 de Agosto de 2012, (Fls. 57 a 59) aprouve aos membros do Colegiado desta egrégia 1ª Turma Especial da Segunda Sessão de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora informasse: ● Se a esposa do Contribuinte (Sra. Edneuza Campos da Silva apresentou DIRPF/2003 em separado e se houve indicação de dependentes; ● Se a sogra do Contribuinte (Maria José Batista de Lima) auferiu rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal no anocalendário de 2002, exercício de 2003.. Em 01/08/2014 (Fls.62 ), foi lavrado pela DRF/RJ2 Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário – Dicat, o TERMO DE INTIMAÇÃO nº 2077/2014 com o seguinte conteúdo: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13708.000340/200457 Acórdão n.º 2801003.999 S2TE01 Fl. 80 4 (...) fica o contribuinte acima identificado INTIMADO a apresentar cópia do CPF da Sra Maria Jose Batista de Lima, bem como tomar ciência da diligência proposta pelo CARF. Informo que não consta declaração do exercício 2003 em nome de sua cônjuge: Edneuza Campos da Silva. A informação de rendimentos recebidos de sua sogra depende da apresentação do número do CPF, em virtude de homônimos no sistema da Receita Federal. Às fls 64 se verifica que o Recorrente foi cientificado em 08/11/2014 (fls. 64) , e em resposta à intimação informou às fls. 68 a 71 que: (...) Informolhe que minha sogra, Maria Jo´se Batista de Lima nunca teve C.P.F. e enviolhe em anexo a cópia da Certidão de Óbito. Satisfeita a diligência o processo voltou a pauta de julgamento e foi distribuído a este conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, verifico que resta em litígio glosa com dependentes no valor de R$ R$ 5.088,00 e instrução no valor de R$ 1.134,00. Os julgadores do acórdão recorrido entenderam por negar provimento a impugnação interposta pelo ora recorrente por entender que o mesmo não logrou êxito em comprovar as relações de dependência alegadas. Por esta mesma razão também foi mantida glosa com instrução de dependente. No tocante às dedução das despesas de Edneuza Campos da Silva, esposa do recorrente, entendo que a relação de dependência ficou comprovada com a juntada da certidão de casamento às fls. 40 dos autos, em conjunto com declaração prestada pela Receita Federal de que a mesma não apresentou DIRPF em separado do recorrente (fls. 62). Na constância da sociedade conjugal, a regra geral é apresentação da declaração em separado, devendo cada cônjuge “incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns.” (art. 7º do Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/99). O casal pode optar pela declaração em conjunto, situação em que “o cônjuge declarante poderá pleitear a dedução do valor a título de dependente relativo ao outro cônjuge” Fl. 80DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13708.000340/200457 Acórdão n.º 2801003.999 S2TE01 Fl. 81 5 (art. 8º do RIR/99). Ressaltese que tratase de opção sem qualquer restrição, ficando a cargo dos contribuintes eleger a que lhe for mais conveniente. Desta feita, entendo que ao lograr êxito em comprovar a relação de dependência de sua cônjuge a glosa relativa à despesa com esta dependente deve ser restabelecida. Quanto às deduções realizadas por despesa com a filha Daniele Machado da Silva, entendo que ao fazer juntar aos autos nas fls. 42 a Certidão de Nascimento da mesma, da qual se extrai que esta é, de fato, filha do recorrente, bem como possuía 21 anos à época da declaração, foi devidamente comprovada a relação de dependência, fazendo jus ao restabelecimento da referida glosa com aquela. Em relação à despesa com instrução da dependente Daniele Machado da Silva, o recorrente juntou aos autos, por ocasião de sua impugnação, recibos da instituição de ensino que comprovam o pagamento das mensalidades escolares dos meses fevereiro à agosto e outubro de 2002 (fls. 08 e 09). Fez juntar ainda, quando da interposição de seu recurso, Nota Fiscal em que há comprovação do pagamento das mensalidades escolares dos meses de agosto à dezembro de 2002. Vale ressaltar que a única mensalidade da qual não foi apresentada comprovante de pagamento foi a de janeiro de 2002. Somouse, então, o valor total de R$ 1.044,00 em despesas com instrução da dependente. Devese então restabelecer a referida glosa naquele exato montante, permanecendo, então, glosa no valor de R$ 90,00 referente a mensalidade não comprovada. Por fim, quanto à dependente Maria Batista de Lima, sogra do recorrente, entendo comprovada a relação de parentesco, através da certidão de casamento acostada às fls. 40, donde se extrai que aquela era, de fato, mãe da cônjuge do recorrente. Ao ser solicitado, em diligência, pela DRFB para que fornecesse o CPF da Sra. Maria Batista de Lima para que se pudesse averiguar se a mesma havia auferido rendimentos, o recorrente informou que a mesma jamais possuiu CPF. Razão pela qual se conclui que a Sra. Maria Batista de Lima não auferiu rendimentos tributáveis no ano em questão. Tenho o entendimento de que o pai ou a mãe do cônjuge do declarante, desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do declarante, quando o cônjuge esteja igualmente incluído na respectiva declaração de rendimentos. No presente caso, como já dito, a Sra. Edneuza Campos da Silva, esposa do recorrente, consta na declaração de rendimentos sob análise como cônjuge dependente do declarante, não havendo nos autos qualquer elemento de prova que venha a afastar o vínculo ali informado, ou ainda, que venha a demonstrar a incomunicabilidade do patrimônio relacionado na referida declaração; já tendo, inclusive, sua dependência reconhecida neste acórdão. Configurase, portanto, nos termos ora analisados, um vínculo de afinidade que permite que a Sra. Maria Batista de Lima, sogra do recorrente, seja considerada dependente para fins de dedução do imposto apurado na declaração de rendimentos sob exame Fl. 81DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13708.000340/200457 Acórdão n.º 2801003.999 S2TE01 Fl. 82 6 Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer as deduções com os três dependentes e a dedução de despesas com instrução no valor de R$1.044,00. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 82DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 15956.720043/2013-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
CRÉDITO. IPI. AQUISIÇÕES ISENTAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. DL. 1.435/1975, ART. 6o. REQUISITOS.
A obtenção de crédito de IPI pelo adquirente de produtos da Zona Franca de Manaus a que se refere o art. 6o do Decreto-lei no 1.435/1976 está sujeita basicamente a três requisitos. O produto adquirido (no caso em análise, concentrado), deve: (a) ter sido elaborado por estabelecimentos industriais com projeto aprovado pela SUFRAMA; (b) ter sido elaborado com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados nos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia ou Roraima; e (c) ser empregado como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do IPI.
IPI. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC.
Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62-A do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 3403-003.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, da seguinte forma: 1) pelo voto de qualidade negou-se provimento quanto à questão de mérito, decidindo-se que a isenção do art. 6o do DL no 1.435/75 só alcança produtos elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; quanto à decadência e quanto à exclusão da multa de ofício com base no art. 76 da Lei no 4.502/64. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho (relator), Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, que apresentou declaração de voto. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan; 2) por unanimidade de votos, negou-se provimento quanto à questão da eficácia do mandado de segurança coletivo, considerando-se que ele só alcança os associados domiciliados no Rio de Janeiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ no 48.955 e, pela Fazenda Nacional, a Dra. Bruna Garcia Benevides.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator.
ROSALDO TREVISAN - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho (relator) e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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IPI. AQUISIÇÕES ISENTAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. DL. 1.435/1975, ART. 6o. REQUISITOS. A obtenção de crédito de IPI pelo adquirente de produtos da Zona Franca de Manaus a que se refere o art. 6o do Decretolei no 1.435/1976 está sujeita basicamente a três requisitos. O produto adquirido (no caso em análise, concentrado), deve: (a) ter sido elaborado por estabelecimentos industriais com projeto aprovado pela SUFRAMA; (b) ter sido elaborado com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados nos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia ou Roraima; e (c) ser empregado como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do IPI. IPI. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso, da seguinte forma: 1) pelo voto de qualidade negouse provimento quanto à questão de mérito, decidindose que a isenção do art. 6o do DL no 1.435/75 só alcança produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; quanto à decadência e AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 00 43 /2 01 3- 16 Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 quanto à exclusão da multa de ofício com base no art. 76 da Lei no 4.502/64. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho (relator), Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti, que apresentou declaração de voto. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan; 2) por unanimidade de votos, negouse provimento quanto à questão da eficácia do mandado de segurança coletivo, considerandose que ele só alcança os associados domiciliados no Rio de Janeiro. Sustentou pela recorrente o Dr. Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ no 48.955 e, pela Fazenda Nacional, a Dra. Bruna Garcia Benevides. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO Relator. ROSALDO TREVISAN Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho (relator) e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório A contribuinte, Companhia de Bebidas Ipiranga, interpôs Recurso Voluntário com vistas a modificar a decisão de piso que manteve na íntegra o lançamento de crédito tributário de IPI relativo aos anoscalendários de 2006 e 2007 (no valor original, a título de principal, de R$ 57.645.990,75, conforme Auto de Infração de fls. 1467 a 1494, com ciência em 30/01/2013 fl. 1468)1. A contenda se refere a creditamento de IPI oriundo de aquisição de matérias primas destinadas a confecção de refrigerantes, saídas beneficiadas com isenção do imposto por empresa fabricante instalada no pólo industrial da Zona Franca de Manaus, para empresa estabelecida no Município de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo. Sustenta a Recorrente que a legislação vigente ao tempo dos fatos geradores assegurava, mesmo tratando de produtos isentos da tributação de IPI, ao adquirente o crédito, como se este tivesse sido exigido na operação anterior. Traz toda a legislação que disciplina a matéria e robustece o sustentado com jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Irresigna, também, com desprovimento da alegação de decadência do período de apuração anterior a 30/01/2008, sob alegação de inexistência de pagamento e aplicação da regra do artigo 173 do CTN para afastar o pleito. Os argumentos da defesa deixaram de ser acolhidos sob a fundamentação de que os produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, não são elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais, inclusive as de origem pecuária, de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15956.720043/201316 Acórdão n.º 3403003.491 S3C4T3 Fl. 1.853 3 produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental que cumprem os requisitos do processo produtivo básico fixados em atos normativos. O segundo argumento é de que só são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a insumos onerados pelo imposto e admitidos segundo o entendimento albergado na legislação tributária. E o terceiro argumento se refere ao alcance de sentença transitada em julgado de mandado de segurança interposto por associação da classe produtora: segundo o entendimento do julgador, o provimento jurisdicional somente abrange o objeto da demanda judicial, isso é, restrito ao conteúdo do pedido constante na petição inicial. Com esse contexto glosou os créditos de IPI desonerados por qualificálos como créditos fictícios e de aproveitamento impossível. No caso, a glosa do crédito se refere às aquisições provenientes da empresa RECOFARMA Indústria do Amazonas Ltda, empresa instalada no pólo industrial da Zona Franca de Manaus. Consta do Relatório Fiscal que o Decretolei no 288/1967 não prevê a hipótese de crédito do IPI, como se devido fosse, às aquisições desoneradas. Afirma que somente com o advento da Resolução SUFRAMA no 298, de 11/12/2007, incluiuse o dispositivo do art. 6o do DecretoLei no 1.435, de 16/12/1975, depois dos períodos fiscalizados. Impugnando as acusações, respondeu a empresa que se encontrava amparada pela Resolução SUFRAMA no 298/2007. A conclusão do fisco para glosar e lavrar o auto de infração encontrase escorada no fato de que os produtos industrializados e comercializados pela empresa RECOFARMA e adquiridos pela Companhia de Bebidas Ipiranga, na fase de produção, se utiliza de produtos intermediários adquiridos de terceiros exemplificou: açúcar que é produzido com a matéria prima da canadeaçúcar e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, motivo pelo qual entendeu que a RECOFARMA ao não utilizar somente matériaprima regional deixou de atender os requisitos para gozar do beneficio de isenção, e, consequentemente, a recorrente não poderia se creditar, como se vê da transcrição do item 14 do Termo de Encerramento Fiscal (TEF, fls. 1502/1503): “14 Verificando a legislação, apuramos que, para dar saída aos produtos, que ora foram industrializados, com a isenção prevista no inciso III do artigo 82 do RIPI, a pessoa jurídica deve utilizar, na elaboração dos concentrados de bebidas não alcoólicos, matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, condição essencial para fruição do benefício fiscal previsto no dispositivo legal citado. No entanto, com base nas informações fornecidas pela própria empresa Recofarma, constantes no processo digital 10840.723212/2011 91. páginas 34 e 35, da pág. (467/468) apuramos que está utilizando em sua produção produtos intermediário industrializados “como é o caso do açúcar que é produzido com a matéria prima cana de açúcar” e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Ou seja, a empresa Recofarma não utiliza diretamente matériasprimas de produção regional em seu processo industrial, não podendo, portanto, utilizarse do crédito como se devido fosse, conforme (artigo 175 do RIPI/2002), sobre as aquisições de produtos Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 isentos conforme inciso III do art. 82 do RIPI/2002.” (grifos no original) Em sede recursal mantém os argumentos tecidos na fase impugnatória. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filhio, relator Cuida de recurso tempestivo e que atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. A lide gira em torno do direito de crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados de aquisições de matériasprimas oriundas da Amazônia Ocidental, que não sofreram na primeira etapa incidência do imposto pelo fato do fabricante ser estabelecido Zona Franca de Manaus. A celeuma encontrase circunstanciada na utilização do processo produtivo de açúcar de cana como um dos ingredientes do extrato empregado no produto final da recorrente, bem como no projeto da planta industrial da Recofarma Indústria do Amazonas Ltda e na legislação ao tempo dos fatos, que não autorizava os adquirentes dos produtos oriundos da zona Franca de Manaus a tomar o crédito, no caso, em relação ao IPI. Historicamente, com a edição do DL no 1.435/1975, alterouse a legislação até então vigente e modificouse o mecanismo dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus e da Amazônia Ocidental, com a finalidade de melhor ajustálos ao estágio de desenvolvimento regional e à estratégia industrial adotada até aquele momento. Uma das mudanças foi a inclusão da atividade agropecuária e da agroindústria, com o objetivo de abastecer a região, e a utilização de matériasprimas regionais. A Lei no 5.173/1966, que dispõe sobre o Plano de Valorização Econômica da Amazônia, que extinguiu a superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia SPVEA, e criou a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, ao tratar dessa matéria, no art. 2o, o fez nos termos a seguir: “Art. 2o A Amazônia, para os efeitos desta lei, abrange a região compreendida pelos Estados do Acre, Pará e Amazonas, pelos Territórios Federais do Amapá, Roraima e Rondônia, e ainda pelas áreas do Estado do Mato Grosso a norte do paralelo de 16º, do Estado de Goiás a norte do paralelo de 13º e do Estado do Maranhão a oeste do meridiano de 44º”. A alínea “b” do art. 4o do mesmo diploma legal dá clara noção do objetivo governamental: “definição dos espaços econômicos suscetíveis de desenvolvimento planejado, com a fixação de pólos de crescimento capazes de induzir o desenvolvimento de áreas vizinhas”. Os planos para produção, beneficiamento ou industrialização de mercadorias que pretendem gozar dos benefícios são submetidos à SUFRAMA, que tem competência exclusiva para aprovar ou rejeitar os projetos, atendidos os critérios e procedimentos traçados, tornando apta a empresa, beneficiária, para gozar dos benefícios fiscais. Em assim sendo, cabe Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15956.720043/201316 Acórdão n.º 3403003.491 S3C4T3 Fl. 1.854 5 àquela superintendência atestar se os insumos utilizados no processo produtivo atendem as especificações estabelecidas nos protocolos firmados para as empresas estabelecidas na Amazônia Ocidental. Do TEF, fl. 479 e seguintes, extraise a certeza de que o projeto como um todo é aprovado pela SUFRAMA, conforme excerto que aqui se transcreve (fl. 489): “7.4 de acordo com a Resolução no 409/2002, aprovada pelo conselho administração da SUFRAMA, o projeto industrial da RECOFARMA está autorizada (sic) a produzir "Concentrado para Bebidas não Alcoólicas" com reconhecimento do direito ao gozo dos incentivos previstos nos artigos 7 e 9 do DecretoLei no 288/67 e no artigo 6 do DecretoLei no 1.435/75; 7.5 conforme o artigo 1o da citada Resolução, o reconhecimento do direito está estabelecido de forma genérica, para o produto tal como identificado na tabela de incidência do IPI (TIPI) e; 7.6 ressaltese, ainda, que a legislação que rege o incentivo fiscal do IPI (artigo 6 do decretolei no 1.435/75) não estabelece restrições quantitativas;” Entretanto, a fiscalização, segundo o seu entendimento, constatou irregularidades, que passou apontar no item 12 e seguintes do relatório (fls. 1501 a 1503): “12 Em função dos procedimentos fiscais efetuados e do exposto acima, apuramos que o estabelecimento industrial apropriouse indevidamente, no período de janeiro, a dezembro de 2007, em sua escrita fiscal (livro Registro de Entradas e Livro Registro de Apuração de IPI), de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não permitidos pela legislação aplicável, nas operações de aquisições de matériasprimas isentas do citado imposto, isenção esta condicionada à localização dos fornecedores (Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental). Em decorrência da escrituração de créditos indevidos do imposto, (...) a contribuinte deixou de lançar/declarar valores de saldos devedores de IPI, em diversos períodos de apuração, na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e, conseqüentemente, não recolheu ou recolheu a menor os valores devidos do imposto. (...) 13 A empresa Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. foi intimada pela fiscalização, conforme exposto nos itens 6 a 11, e respondeu entre outras coisas, que está amparada pela Resolução SUFRAMA no 298, de 11 de Dezembro de 2007, (...) 14 Verificando a legislação, apuramos que, para dar saída aos produtos, que ora foram industrializados, com a isenção prevista no inciso III do artigo 82 do RIPI, a pessoa jurídica deve utilizar, na elaboração dos concentrados de bebidas não alcoólicos, matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, condição essencial para fruição do benefício fiscal previsto no dispositivo legal citado. No entanto, com base nas informações fornecidas pela empresa Recofarma, (...) apuramos que esta utiliza em sua produção produtos Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 intermediários industrializados "como é ocaso do açúcar que é produzido com a matériaprima cana de açúcar" e não matériasprimas agrícolas extrativas vegetais de produção regional. Ou seja, a empresa Recofarma não utiliza diretamente matériasprimas de produção regional em seu processo industrial, não podendo, portanto, utilizarse do crédito como se devido fosse, conforme (artigo 175 do RIPI/2002), sobre as aquisições de produtos isentos conforme inciso III do artigo 82 do RIPI/2002”. (grifo nosso) Da leitura do escrito acima, dáse a entender que o açúcar utilizado no processo produtivo não é de origem regional da Amazônia Ocidental. No entanto, continuando a leitura do relatório, verificase que a causa principal da rejeição por parte do fisco, em verdade, se refere ao fato da empresa RECOFARMA adquirir componentes (itens) de terceiros industrializados, pois é o que se vê do relatório, e vender a recorrente “KIT” a serem empregados na fabricação dos refrigerantes, por exemplo o “SPRITE. No entanto, deixou o fisco de declinar se os fornecedores da RECOFARMA estão ou não na Amazônia Ocidental, pois o que importa, na minha visão, é o local em que se encontra a unidade produtora, e, se a matériaprima seja agrícola ou extrativa de produção regional. No caso, a fiscalização lançou dúvida à fabricação do produto e, quando afirma que este foi confeccionado com açúcar produzido a partir de cana, dá a entender que o fato desqualifica o produto, vez que não é obtido de matériaprima extrativa. Tenho que nesse ponto contase com grande valia a opinião de quem está autorizado a desempenhar a autoridade nos assuntos da Zona Franca de Manaus, e detém a competência para aprovar os projetos e dirimir as questões inerentes a Amazônia e dizer o direito e obrigações das empresas instaladas ZFM. Aproveito consulta formulada a SUFRAMA pela empresa PepsiCola como a principal interessada, onde expôs questão a ser dirimida, indagou se “é pressuposto para que haja a aplicação do artigo 9o do Decretolei no 1.435/75 que o estabelecimento industrial utilize matéria prima elaborada com produtos agrícolas e extrativos vegetais da produção de regional”. Disse que a dúvida consistia em saber se: 1) há obrigatoriedade de os extratos serem típicos da região amazônica ou devem apenas ser produzidos localmente e; 2) qual é a área em que podem ser produzidas as matérias primas agrícolas e extrativas vegetais para fins de fruição do incentivo”. Ao completar as indagações menciona: Área de cultivo da matéria prima agrícola Em relação ao segundo aspecto, a dúvida a ser dissipada está relacionada a saber se a área de produção do extrato vegetal deve ser limitar ao território da Amazônia Ocidental (art. 1o, § 4o, do Decretolei no 291/67) ou deve compreender toda a região amazônica, também conhecida como “Amazônia Legal” (art. 2o da Lei no 5.173/68 e art. 45 da LC no 31/77). Notese que não se trata de perquirir onde deve estar localizado o estabelecimento industrial incentivado. É inequívoco que este deve estar na Amazônia Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15956.720043/201316 Acórdão n.º 3403003.491 S3C4T3 Fl. 1.855 7 Ocidental, pressuposto atendido na hipótese em análise”. (fls.406/409) Em conclusão requer esclarecimento: “a) A fabricação de concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas a partir de matéria prima industrializada com extrato vegetal produzido localmente que seja típico da região amazônica (e.g. açúcar de cana) é beneficiada com o incentivo previsto no artigo 6o do Decretolei no 1.435/75? b) O incentivo previsto no artigo 6o do Decretolei no 1.435/75 aplicase ao concentrado, à base e ao edulcorante de bebidas não alcoólicos industrializados a partir de insumos (e.g. corante caramelo) fabricados com extrato vegetal produzido na região amazônica (também conhecida como “Amazônia Legal”)? Em resposta a SUFRAMA disse, por meio do Ofício no 5.637 de 5/07/2012, que: Resposta da questão (a) Sim, uma vez que a legislação dispõe que “Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprima agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, inclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4o do artigo 1o do Decretolei no 291, de 28 de fevereiro de 1967.” Logo, admitese, que a matéria prima regional seja originária de cultivo. A resposta do item “b” “Sim, desde que o insumo, no caso, o corante caramelo, seja produzido por empresa instalada na área definida pelo § 4o do artigo 1o, do Decretolei no 391/67”. É equivocado o entendimento fiscal de que o benefício de que trata o art. 6o do Decretolei no 1.435/1975 não se aplica ao caso aqui tratado pelo fato da aquisição de componentes industrializados, pois não é isso que prevê a legislação, e a interpretação restritiva do texto contraria o interesse público visado. Não há restrição expressa quanto à possibilidade de terceirização ou aquisição de produtos elaborados, desde que, seja por empresa instalada na Amazônia Ocidental e a matériaprima seja agrícola e extrativista da região. É oportuno trazer à baila o texto extraído do Acórdão no 9303.002293, de 18 de junho de 2013, no julgamento de matéria relacionada com os benefícios concedidos a empresas instaladas na região amazônica abrangida pela legislação aqui tratada, quanto à interpretação: “Com efeito, a interpretação literal é aquela que recai sobre o texto normativo, pretendendo dar lhe concreção na exata medida do seu teor. É o método hermenêutico, confundindo se com o gramatical, dos mais pobres, porque, em princípio, exclui a possibilidade de coexistirem ou emanarem, no/de um texto normativo, ou mesmo no/de um texto qualquer, mais de um Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 sentido. Na verdade, não exclui tal possibilidade. Apenas preceitua que se fechem os olhos a ela.” Hugo de Brito Machado, tratando do tema, expõe que: “O elemento literal é de pobreza franciscana, e utilizada isoladamente pode levar a verdadeiros absurdos, de sorte que o hermeneuta pode e deve utilizar todos os elementos da interpretação, especialmente o elemento sistemático, absolutamente indispensável em qualquer trabalho sério de interpretação, e ainda o elemento teleológico, de notável valia na determinação do significado das normas jurídicas. Há quem afirme que a interpretação literal deve ser entendida como interpretação restritiva. Isto é um equívoco. Quem interpreta literalmente, por certo não amplia o alcance do texto, mas com certeza também não o restringe. Fica no exato alcance que a expressão literal da norma permite. Nem mais, nem menos. Tanto é incorreto a ampliação do alcance como sua restrição”. No caso, tratase de interpretação subjetiva e sem amparo na legislação, sendo o obstáculo erguido a vedar o crédito do IPI pela Recorrente fruto de entendimento equivocado. Além do que, reconhecido pela SUFRAMA e aprovado, por quem detém exclusiva competência para se manifestar sobre o Processo Produtivo Básico, é inaceitável a intromissão da autoridade fiscal, porque não lhe foi outorgado poder para desfazer a aprovação daquela que tem o império de dizer sim ou não. Dos documentos trazidos aos autos e examinados pela fiscalização, há o cumprimento do pacto pela empresa RECOFARMA e restaram aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, como consta no relatório, impondose afastar o obstáculo visto pela fiscalização, haja vista que os produtos foram elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais produzidas na região da Amazônia Ocidental por empresa ali estabelecida, cujos projetos reconhecidamente foram aprovados pela SUFRAMA, e, mesmo agraciados pela isenção ao fabricante, asseguram crédito de IPI para o adquirente em conformidade com o que resta disposto no art. 6o, e §§ do DL no 1.435/1975. O documento trazido à colação afasta as dúvidas quanto ao direito assegurado à empresa produtora dos “Kits” fornecidos à recorrente, que faz jus aos incentivos, pois basta que a elaboração do produto seja processada por empresa autorizada estabelecida na área definida pelo parágrafo 4o do artigo 1o do Decretolei no 391/1957. A SUFRAMA detém competência para ditar e reconhecer se as empresas fazem jus aos inventivos fiscais, e, nesse aspecto, impõese que as autoridades fiscais se curvem diante do entendimento natural de quem está habilitado e autorizado por Lei. Se a empresa produtora do produto adquirido pela recorrente atende às exigências traçadas pela legislação regente, isso atestado pela SUFRAMA, ninguém mais pode discordar. Assim, a discussão, a meu ver, que interessa ao deslinde do caso é a da atitude destacada da SUFRAMA que assevera que o requisito preponderante é que o produtor esteja na área da Amazônia Ocidental e se utilize de matériasprimas agrícolas de produção regional, mantendose fiel ao artigo 6o do Decretolei no 1.435/1975, aqui transcrito: Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15956.720043/201316 Acórdão n.º 3403003.491 S3C4T3 Fl. 1.856 9 “Art. 6o Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4o do art. 1o do Decretolei no 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1o Os produtos a que se refere o “caput” deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto.” (grifo nosso) Tenho que é especificamente o caso tratado neste caderno processual: a recorrente, ao adquirir o produto acabado oriundo de estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental, faz jus a creditarse pelo cálculo do imposto como se esse tivesse sido pago na operação anterior por força da norma do parágrafo 1o do art. 6o do Decretolei no 1.435/1975. Com arrimo na posição da SUFRAMA, tenho que o adquirente dos produtos oriundos dos estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental pode sim se creditar do IPI como se pago fosse nos temos em que dispõe o art. 6o do Decretolei no 1.435/1975. Conclusão: A aquisição de produtos elaborados por empresa estabelecida na Amazônia Ocidental, que tem seus projetos básicos reconhecidos e habilitados pela SUFRAMA, gera crédito de IPI para o adquirente estabelecido em outras partes do país. A prevalência da posição da SUFRAMA em relação à autoridade administrativa fiscal é aceita em virtude de não estar interpretando legislação tributária federal, cuja competência é da Secretária da Receita Federal e do CARF. Com esses fundamentos, conheço do recurso e voto no sentido de dar provimento, para reconhecer o direito de a recorrente lançar em sua escrita fiscal os créditos de IPI calculados como se devidos fossem sobre as aquisições de concentrados produzidos pela empresa Recofarma Indústria da Amazônia Ltda, localizada na Amazônia Ocidental. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado, Com a devida vênia, divirjo, no mérito, em relação ao voto externado pelo relator. A discussão travada nos autos é essencialmente jurídica. No plano dos fatos, fisco e recorrente concordam que a recorrente adquiriu mercadorias (concentrados classificados na NCM como 2106.90.10) isentas (sem destaque de IPI, invocando os arts. 69, I e II2; 82, III3; e 341, II4 do RIPI/2002) da empresa RECOFARMA, que, por sua vez, utiliza na produção dos concentrados que fornece “açúcar” e “extrato natural de guaraná” adquiridos de terceiros (e não “canadeaçúcar” ou “semente de guaraná”). As partes acordam não só em relação à situação fática, mas no que se refere à base legal que garante seu direito (cada qual fazendo uma leitura do dispositivo normativo): o art. 6o do Decretolei no 1.435/1975. Tal dispositivo estabelece: “Art. 6o Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4o do art. 1o do Decretolei no 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1o Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. 2 “Art. 69. São isentos do imposto (Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, art. 9º, e Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1º): I os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus ZFM, destinados, ao seu consumo interno, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros; II os produtos industrializados na ZFM, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, que não sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento, destinados a comercialização em qualquer outro ponto do Território Nacional, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes (posições 33.03 a 33.07 da TIPI) se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico; e” 3 “Art. 82. São isentos do imposto: (...) III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 34).” 4 “Art. 341. Sem prejuízo de outros elementos exigidos neste Regulamento, a nota fiscal dirá, conforme ocorra, cada um dos seguintes casos: (...) II "Isento do IPI Produzido na Zona Franca de Manaus", para os produtos industrializados na ZFM, que se destinem a seu consumo interno, ou a comercialização em qualquer ponto do território nacional;” Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15956.720043/201316 Acórdão n.º 3403003.491 S3C4T3 Fl. 1.857 11 § 2o Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA.” (grifo nosso) Não é preciso muito esforço para identificar no texto do artigo os requisitos para o direito de crédito pelo estabelecimento adquirente. O produto adquirido (no caso, o concentrado), deve: (a) ter sido elaborado por estabelecimentos industriais com projeto aprovado pela SUFRAMA; (b) ter sido elaborado com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados nos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia ou Roraima; e (c) ser empregado como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do IPI. Quanto ao primeiro requisito “(a)”, está presente nos autos a Resolução SUFRAMA no 298/2007 (fls. 1854/1855), integralmente reproduzida a seguir: Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 Cumprido, assim, a nosso ver, o primeiro requisito. O projeto da RECOFARMA estava aprovado pela SUFRAMA, devendo ser respeitadas pela empresa as condições impostas no art. 4o da Resolução. A fiscalização, no entanto, verificou que a condição do inciso II do art. 4o da Resolução SUFRAMA no 298/2007 (que é exatamente o requisito aqui apontado como “(b)” utilização de matériaprima regional) não havia sido cumprido (vêse que a própria SUFRAMA, em parecer às fls. 1586 e seguintes, parece ter interpretado equivocadamente a expressão “matériaprima” como sinônima de “insumo”). A RECOFARMA não adquire matériaprima regional (como “canadeaçúcar” e “semente de guaraná”), mas produtos intermediários industrializados (“açúcar” e “extrato natural de guaraná”), descumprindo ainda o Processo Produtivo Básico (PPB) previsto no inciso VIII do art. 5o da Resolução no 202, de 17/05/2006 e na Portaria Interministerial MPO/MICT/MCT no 8, de 25/02/1998 (fl. 1505, pois o concentrado era composto de “vários volumes de partes separadas”, e não por “algo único”). Aqui já se manifesta nossa primeira divergência em relação ao voto do relator, que crê (a nosso ver, de forma equivocada, seguindo a linha da defesa) serem as manifestações da SUFRAMA insuscetíveis de apreciação pelo fisco. A SUFRAMA aprova “projetos”, como deixam claros os textos das normas aqui reproduzidos. Contudo, cabe à empresa que obtém a aprovação (no caso, à RECOFARMA) cumprir os requisitos normativos estabelecidos, entre os quais os de respeitar o PPB e de utilizar matériasprimas regionais de origem vegetal. E o fisco não encontrou na relação de insumos da RECOFARMA “a matéria prima canadeaçúcar e a semente de guaraná” (fl. 1503). Assim, não está o fisco desconsiderando o projeto aprovado pela SUFRAMA (como parece entender a recorrente), mas apreciando o respeito às normas que regem a matéria, especialmente o art. 6o do Decretolei no 1.435/1975, de hierarquia inegavelmente superior à citada Resolução SUFRAMA, e que estabelece como requisitos para fruição não só a aprovação por aquele órgão (que designamos como requisito “a” neste voto vencedor). Aliás, o próprio voto vencido afirma que “a prevalência da posição da SUFRAMA em relação à autoridade administrativa fiscal é aceita em virtude de não estar interpretando legislação tributária federal, cuja competência é da Secretária da Receita Federal Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15956.720043/201316 Acórdão n.º 3403003.491 S3C4T3 Fl. 1.858 13 e do CARF”. No entanto, o que se faz no presente processo é unicamente interpretar legislação tributária federal: o art. 6o do Decretolei no 1.435/1975. E tal dispositivo não deixa muita margem a dúvidas. Se a expressão “matériasprimas” constante no caput do art. 6o tivesse o teor alargado que deseja a recorrente (abarcando produtos intermediários, como o “açúcar” e o “extrato natural de guaraná”), não faria sentido logo no § 1o que o sucede se utilizarem as expressões “matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem” (bastaria que o legislador continuasse a utilizar genericamente a expressão já constante do caput). Ou seja, o legislador não utilizou linguajar leigo. Pelo contrário, inseriu as expressões precisas no texto normativo justamente por se ratar de benefício, que demanda interpretação não alargada. Assim, não tendo a RECOFARMA respeitado o disposto no caput do art. 6o do Decretolei no 1.435/1975 (utilização de “matériaprima” regional), incabível a isenção com tal enquadramento, restando somente o constante no art. 9o do Decretolei no 288/1967, com a redação dada pela Lei no 8.387/1991, que não assegura o crédito na etapa posterior. Por decorrência, não é gerado à recorrente o crédito a que se refere o § 1o do art. 6o do Decretolei no 1.435/1975 (que tem como pressuposto a ocorrência da situação descrita no caput do mesmo artigo 6o). E tal direito creditório não pode ser gerado sob a égide da “boafé” da recorrente (a partir de precedente ligado a situação diversa, relativa ao ICMS), diante do requisito legalmente estabelecido, que não pode ser afastado por este CARF. Em que pese a existência de julgados como o mencionado pela empresa, em sua defesa (RE no 212.484RS, que não vincula o julgamento por este CARF), não há posicionamento assentado do STF sobre a possibilidade de crédito em relação a aquisições de insumos de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus, cabendo ainda recordar que foi reconhecida a repercussão geral do tema no bojo do RE no 592.891SP (também mencionado pela defesa). Não se afigura, assim, o pressuposto de aplicação do citado (pela defesa) Parecer PGFN/CRJ no 492/2011, que espelha entendimento daquele órgão (igualmente não vinculante a este CARF) voltado a situação continuativa específica que não foi devidamente relacionada à ocorrida no presente processo. Assim, divergimos do voto do relator para, no mérito, entender como escorreita a interpretação do art. 6o do Decretolei no 1.435/1975 efetuada pela fiscalização, que leva à inexistência do direito creditório da recorrente demandado sob tal fundamento. No mesmo sentido, apontase julgado recente desta Terceira Turma, que analisou, no mesmo dispositivo legal, o termo “regional”, merecendo destaque a similitude na linha argumentativa: “Por outro lado, se compete à SUFRAMA administrar os incentivos relativos à Zona Franca de Manaus e à Amazônia Ocidental, cabe à Receita Federal a fiscalização do Imposto Sobre Produtos industrializados (art. 91 da Lei no 4.502/64 e arts. 427 e 428 do RIPI/2002). Desse modo, ao contrário do alegado, não há impedimento algum para que a fiscalização e os órgãos administrativos de julgamento, no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, interpretem o alcance do vocábulo "regional" contido no art. 6o do Decreto Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 14 Lei no 1.435/75, uma vez que a Resolução CAS no 356/2007, não se pronunciou a respeito. O contribuinte entende que o objetivo do DecretoLei no 1.435/75 foi o de fomentar a expansão econômica da região com menor desenvolvimento econômico do país e de propiciar a ocupação dessa região. Por tal motivo, o termo “regional” deveria ser entendido como Amazônia Legal. O conceito de Amazônia Legal foi criado apenas para os fins da Lei no 5.173/66 (que instituiu o plano de valorização econômica da Amazônia) e abrange praticamente a metade do território brasileiro. Tanto que o art. 2o da referida lei já inicia a definição de Amazônia Legal da seguinte forma: “A Amazônia, para os efeitos desta lei, abrange a região compreendida pelos Estados do Acre, Pará e Amazonas, pelos Territórios Federais do Amapá, Roraima e Rondônia, e ainda pelas áreas do Estado de Mato Grosso a norte do paralelo de 16º, do Estado de Goiás a norte do paralelo de 13º e do Estado do Maranhão a oeste do meridiano de 44º. (...)”. Quisesse o legislador do DecretoLei no 1.435/75 se referir à Amazônia Legal, teria remetido o leitor do art. 6o à Lei no 5.173/66 e não ao DecretoLei no 291/67. A interpretação pretendida pelo contribuinte é inadmissível, não só em face do art. 111, II, do CTN, mas também por não ser crível que ao instituir uma isenção voltada especificamente ao desenvolvimento e à ocupação das áreas mais inóspitas do território nacional, o legislador tenha pretendido incluir no incentivo metade do território nacional, onde se localizam Estados como Mato Grosso e Goiás, verdadeiros celeiros da produção nacional de grãos. Assim, é evidente que o termo “regional” contido no art. 6o do DecretoLei no 1.435/75 se refere às matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais produzidas na Amazônia Ocidental, tal como definida no art. 1o, § 4o, do DecretoLei no 291/67 e não na Amazônia Legal, que é um conceito meramente político criado exclusivamente para os fins da Lei no 5.173/66. Reforça esta interpretação o texto da exposição de motivos do DecretoLei no 1.435/75, onde se nota claramente que sua edição teve por objetivo corrigir falhas e distorções constatadas nos benefícios concedidos à Zona Franca de Manaus e à Amazônia Ocidental. É evidente que no caso concreto não foi respeitada a condição estabelecida na Resolução CAS 356/2007, pois não foram empregados na fabricação do concentrado matériasprimas de produção regional, uma vez que o açúcar que deu origem ao corante caramelo foi produzido no Mato Grosso e não na Amazônia Ocidental, o que justifica a glosa dos créditos no estabelecimento adquirente para o fim de exigência do IPI. A defesa invocou a isenção prevista no art. 9o do DecretoLei no 288/67, pois os produtos foram produzidos na Zona Franca de Manaus. O direito ao crédito teria sido reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no RE 212.484 e o art. 163 do CTN Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15956.720043/201316 Acórdão n.º 3403003.491 S3C4T3 Fl. 1.859 15 garantiria o direito aos créditos como incentivo. Além disso, o art. 40 do ADCT também garantiria o direito de crédito. A Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal não beneficia a recorrente, pois com no julgamento do RE no 566.819 o STF reformou seu entendimento quanto ao direito de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos. Por outro lado, com o reconhecimento da repercussão geral no RE 592.891, a questão do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM se encontra pendente de julgamento pelo STF, o que retira o caráter de definitividade do RE 212.484, impedindo este colegiado de aplicar o art. 62A do RICARF para estender aquela interpretação ao caso concreto. Não foi por outro motivo que este colegiado sobrestou o julgamento deste recurso enquanto vigeram os §§ 1o e 2o do art. 62A do RICARF. O art. 9o do DecretoLei no 288/67 foi regulamentado pelo art. 69, I e II, do RIPI/2002. Da leitura desses dispositivos legais e regulamentares se constata que não houve previsão expressa do direito ao aproveitamento do crédito ficto. Tendo em vista que nas notas fiscais de aquisição dos concentrados adquiridos com isenção não houve o destaque do imposto, não há direito do contribuinte efetuar o crédito, sendo inaplicável o art. 163, § 2o do RIPI/2002. Por fim, a defesa alegou que não pode ser punida por fatos praticados por terceiros e que ao tomar o crédito agiu de boafé e em consonância com a jurisprudência administrativa. Não tem razão o contribuinte. A teor do art. 136 do CTN a responsabilidade por infrações é objetiva e no caso concreto as decisões citadas no recurso não se enquadram no disposto no art. 100, II, do CTN, devendo ser mantida a multa de ofício da forma posta no lançamento.” (grifos no original) (voto condutor do Acórdão no 3403003.324, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, qualidade, vencidos os mesmos conselheiros que acompanharam o relator no presente processo, sessão de 15.out.2014) Da mesma forma em que não se pode interpretar de forma alargada o termo “regional”, não se pode ampliar a abrangência da expressão “matériasprimas” para contemplar algo que notoriamente não é matériaprima, mas produto intermediárioindustrializado. Tendo prevalecido nosso entendimento divergente no colegiado, fezse necessária a análise, no julgamento, de outros tópicos da defesa que sequer haviam sido enfrentados no voto vencido (e, em certa medida, no próprio relatório): a existência (ou não) de coisa julgada afetando o presente contencioso, a configuração (ou não) de decadência, e a aplicação (ou não) ao caso do comando do art. 76, II, “a” da Lei no 4.502/1964. Em relação à existência de coisa julgada no Mandado de Segurança Coletivo no 91.00477834, considerou a turma unanimemente, durante os debates, que a eficácia da ação era restrita aos associados domiciliados no Rio de Janeiro, acompanhando entendimento que já havia sido expresso em julgado anterior (em relação ao mesmo Mandado de Segurança Coletivo): Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 16 “(...) a defesa alegou que seu direito à isenção está amparado por decisão judicial transitada em julgado no mandado de segurança coletivo impetrado pela Associação dos Fabricantes, enquanto que a decisão de primeira instância e a Procuradoria da Fazenda Nacional contestam essa afirmação. A DRJ entendeu que a decisão judicial é inaplicável à recorrente porque os concentrados foram utilizados na fabricação de produtos diferentes daqueles especificados no mandado de segurança. Já a Fazenda Nacional entende que a eficácia da decisão proferida naquela ação coletiva restringese aos associados localizados sob a jurisdição territorial do órgão judiciário perante o qual foi interposta. Nas fls. 543/561, verificase que o objeto da ação coletiva foi o reconhecimento do direito dos associados “(...) não serem compelidos a estornar o crédito do IPI, incidente sobre as aquisições de matériaprima isenta a fornecedor situado na Zona Franca de Manaus (concentrado código 2106.90 da TIPI) (RIPI, art. 45, XXI), utilizada na industrialização dos seus produtos (refrigerantes código 2202.90 da TIPI), (...)”. Sendo assim, cabe analisar a aplicabilidade dessa decisão ao caso concreto. A DRJ entendeu por sua inaplicabilidade porque no período fiscalizado o estabelecimento produziu refrigerantes fabricados em outros códigos da TIPI, diferentes do código 2202.90, mencionado no pedido do mandado de segurança. Não tem razão a DRJ, pois a ação coletiva foi proposta em 1991, na vigência da TIPI aprovada pelo Decreto no 97.410, de 23/12/1988, na qual os refrigerantes produzidos pelos fabricantes se classificavam na posição 2202. Os fatos geradores objeto do presente lançamento ocorreram entre 2005 e 2009, quando estavam em vigor as Tabelas de Incidência aprovadas pelos Decretos no 4.542, de 26/12/2002 e 6.006, de 28/12/2006, por meio das quais os refrigerantes passaram a ser classificados sob o código 2202.10. Tratamse dos mesmos produtos que na época do ajuizamento da ação eram classificados sob o código 2202.90 e que nas tabelas seguintes passaram a ser enquadrados no código 2202.10. No que concerne aos substituídos na ação coletiva, os documentos juntados aos autos com a diligência de fls. 3791/3855, revelam que (...) o mandado de segurança coletivo foi impetrado no Rio de Janeiro, exclusivamente em face de atos que viessem a ser praticados pelo Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro. (...) A decisão proferida no mandado de segurança coletivo somente beneficia os substituídos domiciliados na circunscrição fiscal da DRF/Rio de janeiro. Esse entendimento, quanto à inaplicabilidade da decisão coletiva aos associados com domicílio fora do Rio de Janeiro, foi ratificado pelo Supremo Tribunal Federal na Reclamação 7781/SP, em relação à associada localizada na cidade de Ribeirão PretoSP, cuja Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15956.720043/201316 Acórdão n.º 3403003.491 S3C4T3 Fl. 1.860 17 decisão foi publicada no DJE no 124/11, conforme se pode verificar em consulta à página de jurisprudência do STF na internet.(https://www.stf.jus.br/arquivo/djEletronico/DJE_20110 629_124.pdf.) Também não socorre à recorrente a Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, pois com no julgamento do RE no 566.819 o STF reformou seu entendimento quanto ao direito de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos.” A ação obteve sentença (trânsito em julgado em 02/12/1999) assegurando aos integrantes da Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola (ABFCC), como a recorrente, o direito de se creditarem do IPI relativo à aquisição de insumo isento (concentrado), adquirido de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e utilizado na industrialização de refrigerantes. E a limitação prevista no art. 2oA da Lei no 9.494/1997, introduzido pela MP no 1.7981/1999 não prevalece em face de decisão judicial específica, nos autos da Reclamação no 7778/SP, efetuada pela recorrente: “AGTE.(S) : COMPANHIA DE BEBIDAS IPIRANGA AGDO.(A/S) : UNIÃO (...) Ementa: Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985. 3. Mandado de segurança coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância. Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4o, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos ‘erga omnes’, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento.” (Rcl 7778 AgR, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 30/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe094 DIVULG 16 052014 PUBLIC 19052014) Assim, a decisão judicial não afeta o presente contencioso administrativo. No que se refere à decadência, sustenta a recorrente que não era possível o lançamento de créditos em relação a período anterior a 30/01/2008 (cinco anos da ciência, que se deu em 30/01/2013), porque a regra do art. 173, I do CTN não se aplica ao caso, e a ausência de recolhimento do IPI não afasta a observância do art. 150, § 4o do CTN, tendo em vista que a legislação do IPI (arts. 19 a 21 da Lei no 4.502/1964) apenas impôs ao contribuinte a obrigação de lançar o imposto, e não de necessariamente pagálo, como fez o CTN. E o lançamento como isento “não descaracteriza o ato de lançamento do contribuinte para fins de IPI”. No entanto, diante da ausência de pagamento antecipado, aplicável é a regra do art. 173 do CTN, conforme entendimento expresso pelo STJ no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 18 administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/6/2009: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15956.720043/201316 Acórdão n.º 3403003.491 S3C4T3 Fl. 1.861 19 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifo nosso) Nesse sentido já decidiu recentemente esta 3a Turma Ordinária de forma unânime (inclusive com cinco dos seis membros da composição atual): “(...) DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF.” (Acórdão no 3403002.298, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria,sessão de 25.jun.2013) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403003.106 e 107, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime,sessão de 23.jul.2014; e o Acórdão no 3403003.305, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria,sessão de 14.out.2014) “IPI. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF.” (Acórdão no 3403003.416, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime,sessão de 13.nov.2014) Afastase, assim, a alegação de decadência. Por fim, em relação à demanda pelo afastamento da multa de ofício com base no art. 76, II, “a” da Lei no 4.502/1964, acompanhei, nos debates, o posicionamento externado em voto proferido em julgamento recente deste colegiado, acolhido de forma unânime na turma (na ocasião, também com cinco dos seis atuais componentes): “Por fim, a defesa pleiteia a exclusão da penalidade com base no art. 76, II, “a” da Lei no 4.502/64, por ter observado as Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 20 decisões administrativas que no passado reconheceram o direito de crédito sobre insumos isentos. Embora esse dispositivo legal realmente autorizasse a dispensa da penalidade em relação àqueles que agiram "(...) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; (...)", ele não mais pode ser aplicado porque encontrase tacitamente revogado desde outubro de 1966. O art. 2o, § 1o da Lei de Introdução ao Código Civil, estabelece que a lei posterior revoga a anterior quando regule inteiramente a matéria que tratava a lei anterior. Ora, no caso concreto, o art. 100, II, do CTN tratou de modo totalmente diferente a dispensa de penalidade em razão da observância de decisões administrativas, passando a exigir que estas possuíssem eficácia normativa. Considerando a revogação tácita da lei anterior e também a inexistência de lei atribuindo eficácia normativa às decisões mencionadas no recurso, deve ser mantida a penalidade sobre o crédito tributário remanescente neste processo.” (Acórdão no 3403003.323, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime,sessão de 15.out.2014) Ademais, como destaca a DRJ, já havia desde agosto de 2007 mudança de entendimento da questão pelo STF. Improcedente, assim, a demanda pelo afastamento da multa. Assim, divergindo da linha adotada pelo relator, voto pela negativa de provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15956.720043/201316 Acórdão n.º 3403003.491 S3C4T3 Fl. 1.862 21 Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti, A presente declaração de voto tem o objetivo de explicitar o meu entendimento a respeito dos seguintes temas: 1. Direito de crédito previsto no art. 82, III, do RIPI/2002 As informações constantes neste acórdão dão notícia de que não há controvérsia a respeito da origem do corante caramelo, do açúcar ou da própria canadeaçúcar, ou seja, não há discussão quanto ao fato de que tais insumos são originados da Amazônia Ocidental. A Fiscalização entendeu que não houve a configuração da hipótese descrita no art. 82, III, do RIPI/2002 porque no caso o contribuinte adquiriu corante caramelo, que seria um produto industrializado, e não um produto agrícola. Acredito que se fez confusão na interpretação do texto normativo: III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI. A norma concede isenção para estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, desde que os produtos sejam elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Ou seja, exigese que na composição dos produtos sejam aplicadas matérias primas agrícolas e extrativas vegetais produzidas na região. A intenção, como parece claro, é a de fomentar a economia local, estimulando a produção desde a atividade agrícola e extrativa. Fica claro que não se pretendeu isentar apenas o primeiro processamento ou industrialização do fruto da natureza, mas que se deve alcançar todo o conjunto de industrialização até o produto final industrializado na forma da legislação. O que se busca, como aparece claro, é a desoneração do produto que contenha matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Por certo que é necessário que o estabelecimento esteja localizado na Amazônia Ocidental, e que tenha o processo produtivo aprovado. Mas a isenção deve alcançar todas as fases de industrialização abrangidas pelo processo produtivo. Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 22 Com efeito, a Lei não restringe a desoneração apenas à primeira etapa de transformação da matériaprima agrícola e extrativa vegetal. Tanto que o processo produtivo básico que foi aprovado pela Suframa para o gozo deste benefício fiscal deixa claro que a matériaprima regional aplicada no processo produtivo seria o açúcar cristal e o açúcar mascavo, deixando claro que seriam produzidos, o primeiro pela empresa Agropecuária Jayoro, localizada no município de Presidente Figueredo AM, e o segundo produzido por produtores rurais do interior do Amazonas, detalhando, ainda, que o açúcar produzido pela Agropecuária Jayoro é adquirido da Recofarma e enviado para a DD Willianson do Brasil para a produção do corante caramelo, que é utilizado na produção dos concentrados. É o que se confere à fl. 1589: Como visto, o processo produtivo expressamente aprovado pela SUFRAMA considera que a utilização da matériaprima agrícola regional é atendido pela aquisição de açúcar produzido a partir da canadeaçúcar , posteriormente transformado em corante caramelo, tendo em vista que é originado e produzido no Amazonas. Ou seja, entendeu a SUFRAMA que a exigência legal de que o produto final concentrado para refrigerante contenha em sua elaboração um produto agrícola regional produzido a partir da canadeaçúcar é atendido em relação a um processo produtivo que considera mais de uma etapa de industrialização, figurando a recorrente na derradeira etapa. Neste passo, entendo que deve ser reiterado, no presente caso, o entendimento manifestado pelo Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos no Acórdão no 204 03.030 (posteriormente mantido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais pelo Acórdão no 9303002.664, ainda não formalizado) de que, “embora entendendo que a melhor interpretação da norma legal é a que foi realizada pelas autoridades fazendárias, a ela não Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15956.720043/201316 Acórdão n.º 3403003.491 S3C4T3 Fl. 1.863 23 posso reconhecer o poder superar aquela que foi expedida pelo órgão regularmente competente. (...) alem daí, somente cassando a Resolução. O que não pode é “reinterpretar” a Portaria Interministerial definidora do processo produtivo Básico, olimpicamente desconsiderando as conclusões da Resolução que autorizou o empreendimento. E foi o que, infelizmente, aqui se fez. Deveras, em nenhum momento a autoridade administrativa afirmou que a empresa não cumprisse o que determinava a Resolução. Afastoua simplesmente, sob a premissa de que ‘estava errada’. E com isso não se pode concordar”. Da mesma forma, neste caso devese prestigiar o processo produtivo expressamente aprovado pela SUFRAMA. Deve ser provido o recurso nesta parte. 2. Coisa julgada O recorrente dá notícia nos autos de que a Associação dos Fabricantes de CocaCola (AFBCC) obteve ordem mandamental, em decisão judicial transitada em julgado, para assegurar aos seus associados o direito de crédito na aquisição de matériasprimas, insumo e produtos intermediários que tenha sido beneficiada por regime jurídico de exoneração tributária, de maneira a respeitar o princípio constitucional da não cumulatividade. A ação judicial, como fica claro, não discute os critérios de cumprimento ou descumprimento do regime jurídico de exoneração tributária. Portanto, a questão jurídica em discussão neste processo administrativo está fora do âmbito de discussão daquela ação judicial. Vale recordar, com efeito, que no presente caso se discute se o processo produtivo do recorrente se enquadra no benefício de isenção do art. 82, III, do RIPI/2002. Este tema não foi tratado na ação judicial. Não procede o recurso no que se refere à alegação de óbice ao lançamento na referida decisão judicial. 3. Exclusão da penalidade por força do art. 76, II, “b”, da Lei no 4.502/64 Entendo que o art. 76, II, “b”, da Lei no 4.502/64 não foi revogado ou derrogado pelo art. 100 do Código Tributário Nacional (CTN), devendo ser aplicado ao presente caso. O art. 100 do CTN dispõe o seguinte: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN 24 II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. O art. 76, II, “b”, da Lei no 4.502/64, que trata especificamente do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), dispõe o seguinte: Art . 76. Não serão aplicadas penalidades: (...) II enquanto prevalecer o entendimento aos que tiverem agido ou pago o impôsto: a) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado; b) de acôrdo com interpretação fiscal constante de decisão de primeira instância, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, em que o interessado fôr parte; c) de acôrdo com interpretação fiscal constante de circulares instruções, portarias, ordens de serviço e outros atos interpretativos baixados pelas autoridades fazendárias competentes. Devese reconhecer que este último dispositivo continua em vigência, por dois motivos: primeiro porque tais comandos têm alcances diferentes e não contraditórios, nem se sobrescrevem, e depois, porque este último dispositivo configura legislação específica do IPI, que deve ser preservada frente à natureza de norma geral veiculada pelo CTN. Isto, aliás, é o que dispõe o art. 2o, § 2o, da Lei de Introdução das Normas do Direito Brasileiro (antiga LICC), ao dizer que “A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior”. Devese, portanto, reconhecer a vigência do art. 76, II, “b”, da Lei no 4.502/64 e sua aplicação no caso concreto. 4. Conclusão Pelas razões expostas, voto pelo provimento do recurso para reconhecer a configuração da hipótese prevista no art. 82, III, do RIPI/2002, bem como, subsidiariamente, a aplicação do art. 76, II, “b”, da Lei no 4.502/64. Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 15956.720043/201316 Acórdão n.º 3403003.491 S3C4T3 Fl. 1.864 25 Ivan Allegretti Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 09/02/2015 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10120.011385/2009-74
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2006
LUCRO ARBITRADO. APLICABILIDADE
O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou a escrituração a que estiver obrigado revelar evidentes erros ou deficiências que a tomem imprestável para a determinação do lucro real.
IRPJ. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE NA ATUAÇAO DA AUTORIDADE FISCAL
O recurso ao arbitramento, nos casos previstos na lei, não é uma faculdade que o Fisco possa, a seu livre critério, exercer ou não. Constatada a ocorrência das hipóteses previstas em lei, a adoção do lucro arbitrado não se sujeita ao juízo discricionário da autoridade fiscal.
LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO BIMESTRAL. NULIDADE.
A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação tributária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal. A legislação não prevê o arbitramento do lucro quando a receita bruta é conhecida em qualquer base que não seja a trimestral.
Numero da decisão: 1802-002.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Darci Mendes de Carvalho Filho que davam provimento parcial para afastar a solidariedade e ajustar o vencimento da obrigação, recalculando os juros de mora. O Conselheiro Nelso Kichel apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Darci Mendes de Carvalho Filho, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2006 LUCRO ARBITRADO. APLICABILIDADE O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou a escrituração a que estiver obrigado revelar evidentes erros ou deficiências que a tomem imprestável para a determinação do lucro real. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE NA ATUAÇAO DA AUTORIDADE FISCAL O recurso ao arbitramento, nos casos previstos na lei, não é uma faculdade que o Fisco possa, a seu livre critério, exercer ou não. Constatada a ocorrência das hipóteses previstas em lei, a adoção do lucro arbitrado não se sujeita ao juízo discricionário da autoridade fiscal. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO BIMESTRAL. NULIDADE. A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação tributária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal. A legislação não prevê o arbitramento do lucro quando a receita bruta é conhecida em qualquer base que não seja a trimestral.
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APLICABILIDADE O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou a escrituração a que estiver obrigado revelar evidentes erros ou deficiências que a tomem imprestável para a determinação do lucro real. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE NA ATUAÇAO DA AUTORIDADE FISCAL O recurso ao arbitramento, nos casos previstos na lei, não é uma faculdade que o Fisco possa, a seu livre critério, exercer ou não. Constatada a ocorrência das hipóteses previstas em lei, a adoção do lucro arbitrado não se sujeita ao juízo discricionário da autoridade fiscal. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CÁLCULO BIMESTRAL. NULIDADE. A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação tributária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal. A legislação não prevê o arbitramento do lucro quando a receita bruta é conhecida em qualquer base que não seja a trimestral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e Darci Mendes de Carvalho Filho que davam provimento parcial para afastar a solidariedade e ajustar o vencimento da obrigação, recalculando os juros de mora. O Conselheiro Nelso Kichel apresentará declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 13 85 /2 00 9- 74 Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Darci Mendes de Carvalho Filho, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10120.011385/200974 Acórdão n.º 1802002.442 S1TE02 Fl. 3 3 Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da DRJ de Brasília (efls. 901 e segs.) que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo dos seguintes autos de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, lavrados em 27/10/2009 e regularmente notificados em 28/11/2009 (Edital às fls. 413), contra a empresa PROPACE INDUSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS S/A, CNPJ: 02.160.034/000179, formalizando lançamento de oficio do crédito tributário a seguir discriminado, relativo ao anocalendário de 2006, incluindo juros de mora calculados até 30/09/2009 e multa proporcional de 75%, assim apurados: (…) Conforme comprova a 22ª alteração contratual registrada na Juceg sob NIRE n° 52051355558, a partir de 11/11/2005 até 06/03/2006, a pessoa juridica passou a ser administrada pelos senhores: 1. Pedro Paulo Gonçalves de Ávila, CPF n° 355.521.15104; 2. José Vicente Vieira, CPF n° 397.162.60172; 3. Milton Rui Jaworski, CPF n° 157.483.83934; 4. Antônio Augusto Femandes Rapetti, CPF n° 392.891.09904; e; 5. Renato Antonio Almeida, CPF n° 539.302.23953. Ante o exposto, com fundamento na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional CTN art. 121 inciso II, art. 124 incisos I e II, art. 128 e art. 134 inciso VII, lhes foi atribuída responsabilidade solidária à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo em epígrafe, efetuouse Lançamento de Oficio, nos termos do art. 926 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. O lançamento foi realizado por arbitramento do lucro, nos termos dos arts. 530, inciso II, alínea "b", inciso III e inciso VI e 535 do RIR, na medida em que a escrituração mantida pelo contribuinte foi considerada, pelo auditor fiscal, imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos seguintes erros e falhas. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL 4 Intimado a apresentar os livros Diário, Razão e Lalur do ano calendário 2006, o contribuinte e seus responsáveis restringiramse a apresentar os dois primeiros relativos ao período de janeiro a março de 2006 e o Lalur totalmente em branco. As contas foram escrituradas no Razão sem qualquer ordenação, enquanto as normas contábeis exigem a apresentação em primeiro lugar das contas do ativo, em ordem decrescente de liquidez. Não há qualquer balancete ou balanço transcrito no Diário. No tocante à opção por regime de tributação lucro real anual, presumido ou arbitrado verificouse que: a) Não houve pagamento de IRPJ relativo a qualquer fato gerador do anocalendário 2006; b) Nenhum débito de IRPJ daquele ano foi parcelado nem compensado; e c) A DCTF restringiuse a informar opção pelo lucro real anual, porém estava preenchida de maneira incorreta, o que não a transforma em instrumento hábil para validar a opção. Assim, não escolhido o regime, tornase aplicável o lucro real trimestral como regra; entretanto, não foram apresentados os livros que permitiriam a apuração, bem como os livros de janeiro a março de 2006 se revelam como imprestáveis para cálculo dos tributos devidos. Também foi apurado o PIS e a Cofins segundo o regime cumulativo. Foi verificada omissão de receitas da venda de produtos de fabricação própria sem oferta à tributação. Esclarece ainda, o auditor fiscal, que a documentação produzida comprova a dificuldade em dar ciência do início da ação fiscal à pessoa jurídica alvo da fiscalização, de modo que se tomou necessário intimar os sócios dirigentes da época de ocorrência dos fatos geradores. Não sendo possível chamar o contribuinte nem os sócios em seu domicílio fiscal, a empresa foi declarada inapta, com efeitos a partir de 19/01/2009, nos autos do processo administrativo n° 10l20.004398/200997. Apenas os exsócios José Vicente Vieira e Pedro Paulo Gonçalves de Avila apresentaram livros e documentos de interesse da fiscalização. APURAÇÃO DO TRIBUTO Constatou o auditor fiscal que os valores recolhidos dos tributos federais não guardam proporção com as vendas efetuadas (conforme comprovam os livros Registro de Saídas e Apuração de ICMS), sendo pagos valores inferiores ao devido. Como a escrituração contábil do contribuinte apresentouse inviável para apuração do lucro real anual ou trimestral, procedeuse ao arbitramento. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10120.011385/200974 Acórdão n.º 1802002.442 S1TE02 Fl. 4 5 Com base no Livro de Apuração do ICMS, selecionouse as saídas onerosas de mercadorias promovidas pelo contribuinte e calculouse a receita bruta mensal e trimestral. Aplicadas as alíquotas de cada tributo e o adicional de imposto de renda, deduziuse os valores confessados em DCTF chegando aos valores lançados de oficio. Os cálculos estão plenamente explicitados no anexo Demonstrativo de Apuração de Tributos. Em face do arbitramento do lucro, o PIS e a Cofins foram apurados segundo o regime cumulativo. IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA PROPACE A empresa apresentou, em 16/12/2009, a sua impugnação acostada às fls. 469 a 497, alegando, em síntese: Resenha da Medida Fiscal Pela leitura do fundamento da autuação depreendese a pretensão de cobrar tributo, juros e multa, incidentes sobre supostos rendimentos arbitrados, apesar da apresentação dos Livros Diário e Razão do exercício autuado. Ocorre que, diferentemente do que fixado na autuação impugnada, a empresa do qual o Impugnante era diretor, não auferiu o lucro arbitrado pela fiscalização. A empresa PROPACE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA. foi incorporada pela PROPACE EMBALAGENS LTDA. em razão de sua frágil situação econômica, o que evidência que o lucro arbitrado pela Fiscalização foge completamente da realidade financeira da empresa em 2006. Outrossim, a fiscalização não esgotou os meios que possuía em busca da verdade material tendo em vista que não realizou nenhuma diligência in loco a fim de analisar os documentos contábeis e limitouse a desconsiderar os livros apresentados pela empresa autuada. Conforme se depreende do relatório do auto de infração, os Livros Diário e Razão foram devidamente apresentados pelo contribuinte autuado, mas sequer foram apreciados pela fiscalização, o que evidencia a improcedência da autuação. Salienta que os diretores que foram indevidamente incluídos no pólo passivo, além de não terem incorrido em nenhuma hipótese de responsabilização dispostas no CTN, não foram sequer intimados a apresentar documentos contábeis ou ao menos participar da fiscalização, o que demonstra o cerceamento de defesa cometido pela Fiscalização e impõe a exclusão desses do pólo passivo da autuação. DAS PRELIMINARES Da indevida inclusão das pessoas físicas no pólo passivo Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL 6 Pela leitura dos fundamentos legais estampados no auto de infração depreendese que a inclusão das pessoas físicas no pólo passivo decorreu do disposto no art. 134, inciso VII do CTN, no entanto, resta claro pela leitura do dispositivo que a responsabilização das pessoas fisicas pressupõe as seguintes situações: 1. Impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte; 2. A responsabilização dos sócios só é possível no caso de sociedade de pessoas. No presente caso não estão configuradas nenhuma dessas situações, pois não há a impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte e não estamos diante de uma sociedade de pessoas a fim de possibilitar a responsabilização pelo inciso VII, do art. 134, do CTN. Conforme se depreende pelo cartão de CNPJ e pela própria autuação, o contribuinte é uma empresa Limitada que foi transformada em Sociedade Anônima em 30.04.2006. Para corroborar seu entendimento colaciona alguns julgados. Destaca o fato de que as pessoas fisicas citadas renunciaram ao cargo em 11.04.2007, razão pela qual o Impugnante não foi intimado a apresentar os documentos contábeis, o que faria certamente. Caso tivesse sido intimado para participar do Mandado de Procedimento Fiscal, o Impugnante certamente poderia esclarecer detalhes sobre sua atuação na empresa e apresentar documentos que demonstrassem sua boafé. Porém, como os livros contábeis de 2006 foram solicitados para diretores que não estavam ocupando o cargo no período autuado, as diligências para apresentação de todos os documentos fiscais não foi feita de forma severa, a fim de comprovar o regular pagamento de tributos. Ressalta que o inciso VII do art. 134 do CTN além de só ser aplicável aos sócios, que não era a situação do Impugnante, só pode ser aplicado subsidiariamente, caso o contribuinte não tenha bens o suficiente para saldar a dívida tributária. Porém, os fiscais sequer compareceram à sede do contribuinte a fim de verificar a existência de bens passíveis de penhora, nem sequer realizaram busca nos estabelecimentos bancários para verificar se existem numerários em nome da empresa, o que impossibilita a imputação de responsabilidade pelo art. 134, inciso VII, do CTN. Outro grave equívoco dos fiscais foi o enquadramento do impugnante como sócio, quando o mesmo ocupava cargo de diretor da empresa autuada, o que evidencia o superficial conhecimento da fiscalização sobre o funcionamento, os administradores e os bens da empresa autuada. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10120.011385/200974 Acórdão n.º 1802002.442 S1TE02 Fl. 5 7 Tornase imperiosa a necessidade de exclusão do impugnante do pólo passivo do presente auto de infração, tendo em vista que a empresa autuada não é uma sociedade de pessoas a fim de possibilitar a responsabilização pelo art. 134 do CTN, além disso, o Impugnante não foi sócio da sociedade autuada para ser enquadrado no inciso VII do art. 134, do CTN. A exclusão do pólo passivo da autuação tornase indispensável em virtude da ausência de comprovação da impossibilidade de pagamento de tributos pelo contribuinte autuado, posto que a responsabilidade tributária insculpida no art. 134, inciso VII do CTN é subsidiária e como não foram realizados atos tendentes a verificar a impossibilidade de pagamento do tributo pela sociedade autuada, resta impossibilidade a imputação de responsabilidade pelo art. 134 do CTN. Portanto, tornase indispensável a exclusão do impugnante da autuação. Da impossibilidade de cobrança de multa de ofício. Pela simples leitura do parágrafo único do art. 134, do CTN verificase que a responsabilidade limitase a multa moratória. Contudo, no presente caso, a fiscalização está imputando a multa de oficio ao Impugnante, o que é manifestamente ilegal. Dessa forma, tornase impossível a cobrança de multa de oficio do Impugnante em virtude da manifesta afronta ao parágrafo único do art. 134, do CTN. Da improcedência do arbitramento A verificação concreta da infração é o primeiro passo que deve dar o fiscal rumo ao seu dever de prestar homenagem ao princ.pio da verdade material. No presente caso, as alegações do fiscal autuante não estão fundadas na verdade material, tendo em vista que não foi realizada nenhuma diligência na sede da empresa autuada a fim de verificar a possibilidade de aferição do lucro real. A fiscalização também não apurou a possibilidade de pagamento de tributos por parte do contribuinte autuado, posto que a responsabilidade ora imputada ao impugnante é subsidiária a do contribuinte, o que demonstra a insubsistência da autuação. A postura passiva e a inobservância do Princípio basilar da verdade material são as principais causas dos equívocos cometidos pelo Fisco, que sequer fiscalizou os livros contábeis do contribuinte autuado ou ingressou na empresa para realizar a busca de documentos que possibilitassem aferir o lucro real, como seu poder de polícia lhe permite. Portanto, caso o presente lançamento fiscal seja mantido sem se esgotarem os meios de que dispõe o Fisco no seu dever de busca da verdade material, restará autorizada uma arma perigosa na Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL 8 mão de fiscais menos diligentes, autorizando que esses se mantenham inertes na apuração da verdade material. Conforme consta do próprio relato do auto de infração, os Livros Diário e Razão de 2006 foram devidamente apresentados para a fiscalização, mas não foram analisados apesar de serem instrumentos que as empresas devem obrigatoriamente escriturar. No que diz respeito ao Livro Razão ressalta que é documento de igual ou maior relevância que a DIPJ, cuja obrigatoriedade de sua escrita decorre do art. 259 do Regulamento do Imposto de Renda, que impõe a sua utilização para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. Conforme se depreende do § 2° do art. 259 do RIR, caso o contribuinte deixe de apresentar o Livro Razão à fiscalização, o seu lucro será arbitrado pelo fisco, o que se trata, efetivamente, de severa penalidade. No presente caso o Livro Razão foi devidamente apresentado à fiscalização, o que torna manifestamente improcedente o arbitramento do lucro realizado, isso porque tal livro é um instrumento eficaz para proceder à fiscalização. Nesse sentido é o entendimento do Conselho de Contribuintes. No presente caso o Livro Razão foi devidamente apresentado à fiscalização, o que torna manifestamente improcedente o arbitramento do lucro realizado, isso porque tal livro é um instrumento eficaz para proceder à fiscalização. Nesse sentido é o entendimento do Conselho de Contribuintes. Concluise que tanto os Livros Diário e Razão instrumentos cuja relevância e seriedade são atribuídas pela própria Receita Federal, não podendo esta, quando lhe convêm, se escusar a aceitálos como provas. Contudo, apesar da apresentação do Livro Razão esse não foi analisado pela fiscalização e o lucro foi equivocadamente arbitrado pela Fiscalização. Diz equivocadamente, pois a empresa autuada passava por péssima situação financeira e mesmo assim a fiscalização conseguiu arbitrar um lucro em relação ao exercicio anterior. A realização do arbitramento apesar da entrega dos Livros Razão e Diário afronta a própria jurisprudência administrativa do Conselho de Contribuintes. Tornase imperiosa a necessidade de julgar improcedente a presente autuação, posto que os fiscais deveriam ter apurado o lucro real com base nos Livros Razão e Diário ou ao menos ter realizado a busca e apreensão de documentos na empresa autuada. Nesse sentido, tendo em vista que os fiscais falharam com o seu dever de apurar a verdade material, o resultado final do lucro arbitrado pela fiscalização é completamente absurdo. Não há qualquer outra demonstração (ou mesmo tentativa) que permita Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10120.011385/200974 Acórdão n.º 1802002.442 S1TE02 Fl. 6 9 a real constatação de acréscimo patrimonial arbitrado pela fiscalização. O fato gerador da obrigação tributária é uma verdade material; que deve ser provada no mundo fático. Não basta, pois, ao Fisco presumir porque o contribuinte não foi até sua sede explicar. O fisco detém o poder de polícia justamente para adentrar portas e buscar todos os documentos necessários para calcular a receita tributável. A atividade do Fisco está condicionada aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade em todos seus espectros, seja na aplicação de alguma penalidade, seja na feitura de alguma exigência. No caso em tela, não há nenhum respeito ao princípio da proporcionalidade, na medida em que a autuação arbitrou um lucro irreal do contribuinte apesar de ter meios de aferir o lucro real tributável. Tal atuação não é razoável, e passa longe de ser proporcional. Não pode o Fisco, revertendo todo o ordenamento jurídico pátrio, simplesmente apontar para o Contribuinte e dizer: todas as receitas advindas de suas vendas caracterizamse como lucro, sem considerar as inúmeras despesas que são de responsabilidade das pessoas jurídicas. Não há qualquer proporcionalidade ou razoabilidade neste agir. Demais disto, a observância dos princípios constitucionais nos processos administrativos, embora de forma até desnecessária, atualmente são imposições legais é o que dispõe o artigo 2° e incisos da Lei 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Irrazoável se mostra a atuaçao do Fisco, que pretende arbitrar tributo supostamente devidos em razão da realização de vendas sem levar em consideração todas as despesas inerentes à atividade da empresa autuada. Conclui que a autuação não possui substrato fático ou jurídico para se manter, constituise ainda em irrazoável e desproporcional, o que é expressamente vedado por nosso ordenamento jurídico. Conclusão Considerando a insubsistência das alegações trazidas no Auto de Infração ora impugnado, requer após sua tramitação normal da presente impugnação, com a devida produção das provas a seguir requeridas, seja: 1. Determinada a exclusão do impugnante do pólo passivo do auto de infração, em razão da disposto no art. 134, inciso VII do CTN aplicarse tão somente no caso de sócios de sociedade pessoas; ou Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL 10 2. Determinada a exclusão do impugnante do pólo passivo do auto de infração, em razão da disposto no art. 134, inciso VII do CTN, somente permitir a responsabilidade subsidiária, o que não restou comprovado; ou 3. Revisto o lançamento a fim de excluir a multa de oflcio, conforme determina o parágrafo único do art. 134 do CTN; ou 4. Julgada improcedente a medida fiscal, por ser totalmente descabida a constituição de crédito tributário mediante o arbitramento quando o contribuinte apresentou os Livros Razão e Diário de 2006. Requer, de toda forma, nos precisos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.239/72, a produção de prova técnica pericial, onde deverá ser demonstrada a origem dos valores apontados na autuação, devendo o Sr. perito nomeado, responder os seguintes quesitos: 1) É possível verificar o lucro da empreso contribuinte mediante a análise do Livro Diário e Razão? 2) A fiscalização apurou se a empresa autuada possuía meios de arcar com O débito tributário antes de imputar a responsabilidade subsidiária do Impugnante? 3) A contabilidade da empresa autuada pode ser refeita? 4) No crédito tributário que está sendo imputado ao Impugnante foi cobrada multa de oflcio em nítida afronta ao parágrafo único do art. 134, inciso VII do CTN? 5) O Sr. Perito pode fazer mais algum comentário sobre as questões formuladas no sentido de fornecer um maior número de elementos para a elucidação do caso? Requer ainda a sua intimação pessoal da decisão, no endereço supra, sendo que a sua intimação por qualquer outro meio, ainda que em Publicação pelo Diário Oficial, acarretará em nulidade absoluta. Neste sentido a lei 9.784/99, que regula, de forma específica, O Processo Administrativo em âmbito federal, indica em seu artigo 26 que deve ser pessoalmente citado quando houver decisão proferida. IMPUGNAÇÃO DE RENATO ANTÔNIO ALMEIDA e ANTÔNIO AUGUSTO FERNANDES RAPETTI Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida apresentaram respectivamente, em 16/12/2009, suas impugnações acostadas às fls. 502/530 e 534/562. Embora sejam duas peças distintas, verificase apenas uma pequena diferença entre as peças impugnatórias quando da indevida inclusão das pessoas fisicas no pólo passivo, ocasião em que aduzem os Impugnantes: Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10120.011385/200974 Acórdão n.º 1802002.442 S1TE02 Fl. 7 11 Além disto, o ora ímpugnante, conforme se verifica pelo próprio auto de infração, em momento algum exerceu a atividade de sócio com poder de decisão. Era, de fato, sócio, todavia sem qualquer poder de decisão. Para comprovar tal alegação, basta verificar o local de seu domicilio e o local onde a empresa exerce a atividade. Quem exercia a atividade de administração da empresa era o Sr. Milton Rui Jaworski (CPF 157.483.83934), e posteriormente o Sr. Cesar Antônio de Paula Silva (CPF 056.087.91134). As demais alegações são as mesmas apresentadas na impugnação ofertada pela empresa PROPACE, razão pela qual a ela nos socorremos. IMPUGNAÇÃO DE PEDRO PAULO GONÇALVES DE ÁVILA e JOSÉ VICENTE VIEIRA PEDRO PAULO GONÇALVES DE ÁVILA e JOSÉ VICENTE VIEIRA apresentaram, em 14/12/2009, a sua impugnação acostada às fls. 423 a 428, alegando, em síntese: O fundamento de direito invocado no lançamento pautouse pelas artigos 121, II; 124, I e II; 128 e 134, VII todos da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional CTN. Os primeiros dispositivos tratam genericamente da responsabilidade tributária e o art 134, VII estabelece a responsabilidade decorrente de dissolução irregular da empresa. Não há menção ao artigo 135 do CTN. Dos fatos Em outubro de 2005 venderam sua participação societária e como a maioria dos compradores permaneciam parte do tempo no Paraná, os instrumentos de compra e venda tiveram que transitar por longos percursos, de modo que resta justificada a alteração contratual n° 23 ter ocorrido somente no inicio de março de 2006. Destarte, o poder decisório se concentrava nas mão dos compradores e os vendedores permaneceram transitoriamente no quadro societário cumprindo o simples dever de repassar conhecimento (colaciona algumas CTPS onde consta assinatura diversa). A sociedade continuou sua atividade econômica, assim, não há que se falar em dissolução irregular. Também não há qualquer elemento nos autos que venha a configurar uso ou excesso de poderes, infração de lei e/ou contrato social fatos dos quais poderia decorrer a transmissão de responsabilidade tributária. Do direito Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL 12 Uma vez adotada a teoria da responsabilidade subjetiva sem presunção de culpa, compete à Fazenda Pública o ônus de provar a dissolução irregular da sociedade, ou o uso de excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social praticada pelos ora apontados como responsáveis. A obrigação de pagar tributos cabe à sociedade e não aos sócios; reforça a tese o fato de a obrigação constar no passivo da sociedade. A transferência da responsabilidade somente é viável, se o agente encobre a ocorrência do fato gerador ou diminui fraudulentamente as garantias do crédito tributário. Para haver a efetiva transferência de responsabilidade amparada nos artigos 134 e 135 do CTN, deve ocorrer de maneira concomitante o exercício da administração ou gerencia pelo sócio e a dissolução irregular da sociedade ou a prática, pelos responsáveis, de atos com excesso de poder e ou infração de lei ou contrato social. Resumo O lançamento restringiuse a apontar a dissolução irregular da sociedade como geradora da transferência da obrigação de pagar tributo. A compra e venda configurou ato licito e a unidade econômica continuou sua atividade no mínimo até dezembro de 2006. Compete Fazenda Pública o ônus de comprovar excesso de poderes ou infração de lei ou contrato social pelos apontados responsáveis e não há qualquer elemento hábil para comprovar ilícito, não configurando tais fatos o mero inadimplemento da obrigação de pagar tributo. IMPUGNAÇÃO DE MILTON RUI JAWORSKI Milton Rui Jaworski apresentou, em 04/01/2010, a sua impugnação acostada às fls. 458 a 465, alegando, em síntese: Das razões da impugnação Quanto a intimação para apresentação dos documentos da pessoa jurídica autuada Está mencionado no contexto da intimação, que a exigência foi direcionada ao ora Impugnante, por que tanto o endereço da pessoa jurídica quanto do diretor administrativo e financeiro não estava servindo para o chamamento do contribuinte a fim de que aquela cumprisse as obrigações tributárias. Em resposta, o Impugnante informou e comprovou, mediante juntada da Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em ll de abril de 2007 e registrada na Junta Comercial do Estado de Goiás sob o n° 52070452202, em 02 de maio de 2007, ter sido acolhida pelos acionistas da sociedade, naquela data, a renúncia feita pelos então diretores, dentre os quais consta o ora Impugnante, oportunidade em que os acionistas deram total quitação aos diretores afastados pela gestão até aquela data. Em razão desse fato relevante, informou não ter a mínima condição de atender a solicitação da fiscalização, no tocante aos Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10120.011385/200974 Acórdão n.º 1802002.442 S1TE02 Fl. 8 13 livros fiscais e contábeis, uma vez que os mesmos ficaram em poder da pessoa jurídica, representada pelos seus atuais sócios e/ou diretores, conforme consta das alterações contratuais carreadas para os autos. Também pouco pode se manifestar sobre as autuações, pois conforme comprovado e demonstrado, desde 11/04/2007 não possui qualquer vinculo com a sociedade, cujo afastamento se deu de forma regular, sem a ocorrência de extinção ilegal da empresa durante a sua gestão, muito menos, prova da prática de atos com excesso de mandato ou infração à lei, contrato social ou estatuto. Quanto a lavratura do Auto de Infração O Impugnante tomou conhecimento das autuações constantes deste processo, sobre as quais pouco pode se manifestar, pois, conforme comprovado e demonstrado, desde 11 de abril de 2007, não possui nenhum vínculo com a sociedade, sendo que, por ocasião de sua renúncia, obteve aprovação integral de sua administração e, ao se afastar da sociedade, o fez de forma regular, não tendo ocorrido extinção ilegal da empresa, pelo menos durante sua gestão, como também, não ficou provado que este praticara atos com excesso de mandato ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Pelo que se constata dos autos, a solicitação de documentos pelo Sr. AuditorFiscal à pessoa do Impugnante, realmente era inviável, posto que estes se encontravam de posse de terceiras pessoas, as quais, acabaram por atender a pretensão fiscal, carreando para os autos todos os documentos solicitados, inclusive, aqueles referentes ao ano de 2006, como entradas e saídas estadual/interestadual, apuração de IPI/ICMS, Livro Diário e Razão. Foi esclarecido pelos exsócios, Srs. José Vicente Vieira e Pedro Paulo Gonçalves de Ávila, “... que não obtivemos todos os documentos solicitados. Pois, no momento em que fomos buscar os documentos, estavam presentes no estabelecimento oficiais de justiça e fiscais realizando apreensão dos bens imobilizados e documentos fiscais e contábeis na sede da Empresa, devido a mesma estar em estado de falência e concordata.” Esta infomração, aliada ao fato de que, pelo menos parte dos documentos terem sido apresentados, por si só desautoriza o arbitramento para efeito de calcular os tributos devidos pela empresa, considerando que o arbitramento é medida extrema, que somente deve ser utilizada quando se está diante de um caso de absoluta impossibilidade de se calcular os tributos de outra forma. E, ao que tudo indica, existem documentos suficientes para fazer uma revisão dos tributos declarados, sendo parte apresentada e outra em poder de oficiais de justiça e fiscais, não sabendo precisar se, neste último caso, eles se referem ao ano de 2006 ou a outro período. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL 14 No entanto, de qualquer forma, caberia o aprofundamento da investigação, e não o arbitramento direto, por ser esta providência sabidamente prejudicial ao contribuinte. Da Responsabilidade tributária atribuída ao Impugnante Conforme se vê no auto de infração, foram considerados como responsáveis tributários: Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Femandes Rapetti, Renato Antônio Almeida e César Antônio de Paula Silva. Está explicitado, ainda, que o Impugnante foi considerado responsável tributário, na qualidade de sócio da época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária, de acordo com os arts. 121, inciso II, art. 124, incisos I e II, art. 128 e art. 134, VII, todos do CTN. Entretanto, o art. 134, VII do CTN somente permite a responsabilidade dos sócios no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Em hipótese alguma poderá se pretender a responsabilização em desfavor daquele sócio ou administrador que, anteriormente à dissolução irregular, já havia se retirado da sociedade. Vêse, então, que o Impugnante, na qualidade de exsócio somente responderia, solidariamente com a sociedade devedora, caso existisse de sua parte, atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Ou seja, a responsabilidade do administrador ou exadministrador não é objetiva, mas sim subjetiva, visto que se deve observar o animus do agente para só então responsabilizalo ou não, solidariamente, por qualquer débito da empresa. Logo, até prova em contrário, não se deve cogitar de co responsabilidade de administrador ou exadministrador, mormente em relação a débitos que não se originaram de sua gestão. Colaciona julgados do Egrégio STJ, cujo teor das ementas representa o entendimento majoritário dos Juízes Singulares e Colegiados, comprovando que está sedimentada e atualizada a tese no sentido de que os sócios, diretores, gerentes e representantes de pessoas jurídicas privadas so respondem pelos creditos tributários que resultem exclusivamente de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Se o sócio/administrador somente pode ser demandado em condições especiais, quanto mais a pessoa física que já fez, não fazendo mais, parte da sociedade. Pelo que consta da Ata de Assembléia geral Extraordinária realizada em 11 de abril de 2007 e registrada na Junta Comercial do Estado de Goiás sob o n° 52070452202, em 02 de maio de 2007, o Impugnante retirouse da administração da sociedade, recebendo quitação pela sua gestão até aquela data. É entendimento majoritário nos tribunais que a responsabilidade dos exsócios deve encontrar limitação nos artigos 1003 do código Civil e ainda no artigo 7° inciso XXIX da C.F., Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10120.011385/200974 Acórdão n.º 1802002.442 S1TE02 Fl. 9 15 concluindo, pois que a responsabilidade do sócio que se retira da sociedade sobrevive por dois anos. Além do mais, o Impugnante possuía apenas 01 (uma cota) de capital, ficando, pois, evidenciado, sua subordinação perante os demais sócios da sociedade. Dessa forma, a exigência feita ao Impugnante no auto de infração impugnado é um verdadeiro absurdo; reside na imputação da responsabilidade sem prova, sem previsão legal, numa flagrante desobediência legal. Do pedido Requer seja a presente impugnação recebida e processada, para, ao final, ser julgada improcedente a ação fiscal, por ausência de infração fiscal, ou por nulidade formal de qualquer forma afastando a responsabilidade tributária do Impugnante, determinandose, de consequência, a exclusão de seu nome, por ser medida de sã e serena justiça. OUTRAS PETIÇÕES Em 10 de outubro de 2011 foram juntados aos autos os Livros Razão de abril a dezembro de 2006, os Livros Diário de janeiro a dezembro de 2006 e balancete contábil de 2006. Já em 12 de abril de 2012 juntou cópias da DIPJ 2007, DCTF 1° e 2° semestres de 2006 e DACON 2006. Segundo o contribuinte PROPACE tais documentos seriam comprobatórios da situação financeira e contábil da empresa à época das autuações e revelam os equívocos da Autoridade Autuante quando do arbitramento que lhes foi impingido. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa PROPACE e pelos Srs. Pedro Paulo Gonçalves de Ávila, José Vicente Vieira, Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antonio Almeida, proferindo o acórdão nº 0348.326 em 18/05/2012, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2006 SUJEITO PASSIVO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RESPONSÁVEL. SOLIDARIEDADE De acordo com a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominado Código Tributário Nacional CTN o sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária na qualidade de responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL 16 São o solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. LUCRO ARBITRADO. APLICABILIDADE O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou a escrituração a que estiver obrigado revelar evidentes erros ou deficiências que a tomem imprestável para a determinação do lucro real. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE NA ATUAÇAO DA AUTORIDADE FISCAL O recurso ao arbitramento, nos casos previstos na lei, não é uma faculdade que o Fisco possa, a seu livre critério, exercer ou não. Constatada a ocorrência das hipóteses previstas em lei, a adoção do lucro arbitrado não se sujeita ao juízo discricionário da autoridade fiscal. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Inacolhíveis são os pedidos de perícia, quando se destinam estes à produção de prova que não demanda conhecimento técnico especializado complementar. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 28/02/2006 LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação ao imposto de renda acompanhar o lançamento da contribuição social a partir da mesma matéria fática. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/02/2006 INTIMAÇAO. DOMICILIO TRIBUTARIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INDEFERIMENTO. De acordo com o Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011 que regulamentou o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, as formas de intimação são: pessoal, por via postal, por meio eletrônico ou por edital. As intimações pessoais, por via postal ou por meio eletrônico, não estão sujeitas a ordem de preferência. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10120.011385/200974 Acórdão n.º 1802002.442 S1TE02 Fl. 10 17 As intimações são endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal, telegráfico ou por qualquer outro meio ou via por ele fornecido, para fins cadastrais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Juntaram recursos voluntários: a) a empresa Propace Indústria e Comércio de Embalagens SA; b) os responsáveis solidários Pedro Paulo Gonçalves de Ávila e José Vicente Vieira apresentaram recurso em conjunto; c) os responsáveis solidários Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antonio Almeida também apresentaram recurso em conjunto. Não foi apresetnado nenhum recurso voluntário pelo responsável solidário Milton Rui Jaworski. Todos os recursos apresentados contra o acórdão da DRJ de Brasília reiteraram os argumentos apresentados anteriormente por ocasião de suas impugnações, senão vejamos: A – Recurso Voluntário apresentado pela Propace Indústria de Embalagens SA, em 22/08/2012 (fls. 916 a 933 e replicado nas fls. 934 a 951) / (efls. 987 e segs.) As alegações da Recorrente em seu recurso voluntário estão no mesmo sentido que havia feito por ocasião de sua Impugnação, onde em apartada síntese é aduzido que: a) diferentemente do que foi fixado na autuação e convalidado pelo acórdão da DRJ em questão, a empresa não auferiu o lucro arbitrado pela fiscalização, sendo que o efetivo lucro pode ser aferido justamente da precitada documentação contábil. b) a empresa PROPACE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS LTDA. foi incorporada pela PROPACE EMBALAGENS LTDA. em razão de sua frágil situação econômica, o que evidência que o lucro arbitrado pela Fiscalização foge completamente da realidade financeira da empresa em 2006. c) a fiscalização não esgotou os meios que possuía em busca da verdade material tendo em vista que não realizou nenhuma diligência in loco a fim de analisar os documentos contábeis e limitouse a desconsiderar os livros apresentados pela empresa autuada. d) cabe ao Fisco buscar sempre a verdade material, porque caso o lançamento fiscal seja mantido sem se esgotarem todos os meios de prova, restará Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL 18 autorizada uma arma perigosa na mão de fiscais menos diligentes, autorizando que esses se mantenham inertes na apuração da verdade material. e) não cabe o arbitramento, pois os Livros Diário e Razão de 2006 foram devidamente apresentados para a fiscalização, mas não foram analisados apesar de serem instrumentos que as empresas devem obrigatoriamente escriturar. Ressalta que o Livro Razão é documento de igual ou maior relevância que a DIPJ, cuja obrigatoriedade de sua escrita decorre do art. 259 do Regulamento do Imposto de Renda, que impõe a sua utilização para as pessoas jurídicas tributadas com base na sistemática do lucro real. f) o Livro Razão foi devidamente apresentado à fiscalização, o que torna manifestamente improcedente o arbitramento do lucro realizado, isso porque tal livro é um instrumento eficaz para proceder à fiscalização. Entende que o Livro Razão foi devidamente apresentado à fiscalização, o que torna manifestamente improcedente o arbitramento do lucro realizado, isso porque tal livro é um instrumento eficaz para proceder à fiscalização. Nesse sentido é o entendimento do Conselho de Contribuintes. g) tornase imperiosa a necessidade de julgar improcedente a presente autuação, posto que os fiscais deveriam ter apurado o lucro real com base nos Livros Razão e Diário ou ao menos ter realizado a busca e apreensão de documentos na empresa autuada. Entende que no caso em tela, não há nenhum respeito ao princípio da proporcionalidade, na medida em que a autuação arbitrou um lucro irreal do contribuinte apesar de ter meios de aferir o lucro real tributável. Junta diversos julgados e ao fim pede a improcedência do auto de infração, ou, alternativamente a conversão do julgamento em diligência para análise dos documentos apresentados. B – Recurso Voluntário apresentado por Renato Antônio Almeida e Antônio Augusto Fernandes Rapetti, em 23/07/2012 (fls. 885 a 915) – (efls. 938 e segs.) As alegações desses Recorrentes em seu recurso voluntário em parte estão no mesmo sentido que havia feito por ocasião de sua Impugnação, restringindo suas alegações a que: a) diferentemente do que foi fixado na autuação e convalidado pelo acórdão da DRJ em questão, a empresa não auferiu o lucro arbitrado pela fiscalização, sendo que o efetivo lucro pode ser aferido justamente da precitada documentação contábil. b) o auto de infração é insubsistente no redirecionamento da autuação, pois estes não podem ser considerados como responsáveis tributários, haja vista que não há, nos autos, comprovação de comportamento fraudulento por parte destes, conforme preconizado pelo art. 135, III, do CTN; Ao fim pleiteiam que caso não sejam acolhidas as suas alegações, que os autos retornem a delegacia de origem para que, com base na verdade material, seja recalculado o lucro com base nos livros fiscais apresentados. C – Recurso Voluntário apresentado por Pedro Paulo Gonçalves de Ávila e josé Vicente Vieira (fls. 965 a 976) – (efls. 1018 e segs.) Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10120.011385/200974 Acórdão n.º 1802002.442 S1TE02 Fl. 11 19 Também em apartada síntese a defesa dos recorrentes vão na linha de que a responsabilidade tributária é subjetiva, ou seja, exige a comprovação de ato praticado com dolo ou culpa. Entende que tal realidade é evidenciada pelos inúmeros julgados proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça, pelas decisões do CARF e pelas orientações constantes dos atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas da RFB e PGFN. D – Diferentemente da fase de impugnação, não foi apresentado qualquer recurso por Milton Rui Jaworski É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, portanto dele conheço. Tratase de processo onde foram lavrados autos de infração em 27/10/2009 de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e regularmente notificados em 28/11/2009, contra a empresa Propace Indústria a Comércio SA, CNPJ nº 02.160.034/000179, formalizando lançamento de oficio do crédito tributário relativo ao anocalendário de 2006, incluindo juros de mora calculados até 30/09/2009 e multa proporcional de 75%. Além disso foram apontados como responsáveis solidários: Pedro Paulo Gonçalves de Ávila, CPF n° 355.521.15104; José Vicente Vieira, CPF n° 397.162.60172; Milton Rui Jaworski, CPF n° 157.483.83934; Antônio Augusto Femandes Rapetti, CPF n° 392.891.09904; e Renato Antonio Almeida, CPF n° 539.302.23953. Tanto o contribuinte quanto os responsáveis solidários foram citados e, quando julgaram oportuno, apresentaram suas defesas contendo suas respectivas alegações. Foi aplicada corretamente a presunção de ter a sociedade encerrado irregularmente suas atividades. Isso porque diversas decisões já foram tomadas e a matéria encontrase pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) através da Súmula n° 435, in verbis: Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicilio ƒiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. No caso em baila, a busca pela verdade material foi o mote do lançamento, considerando que a autoridade fiscal se dirigiu à sede da empresa e não obteve êxito em encontrála, seguindo o rito processual, encaminhou por via postal o Termo de Inicio de Ação Fiscal, que foi devolvido com informação de “mudouse”, ainda que tal endereço constasse do cadastro da RFB junto ao sistema CNPJ. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL 20 O auditor fiscal também intimou, sem sucesso, os sócios constantes do quadro societário da empresa e informados no sistema CNPJ. De sorte que se encontrava desatualizada a situação cadastral da empresa junto a RFB, cuja atualização é de sua única e exclusiva responsabilidade, assim dispõe o Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 213. Quando o contribuinte transferir, de um municipio para outro ou de um para outro ponto do mesmo municipio, a sede de seu estabelecimento, ƒica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 195). Tal mandamento encontrase disciplinado na IN RFB n° 748, de 28 de junho de 2007, vigente à época do procedimento fiscal: Art. 22. É obrigatória a comunicação pela entidade de toda alteração referente aos seus dados cadastrais. § I “No caso de ato sujeito a registro, a comunicação de que trata o caput deverá ocorrer até o último dia útil do mês subsequ ente à data do registro da alteração. (...) Art. 23. A alteração de dados cadastrais da entidade deverá observar o disposto no art. 8°. z Parágrafo único. Na hipótese em que a solicitação se refira à alteração sujeita a registro, deverá ser juntada ao DBE cópia autenticada do ato comprobatório dessa alteração, devidamente registrado. Pelo relato fiscal, o contribuinte mudou de endereço, alterou seu quadro societário, sem, contudo, informar à Receita Federal, de modo que a fiscalização somente pôde prosseguir após o recebimento do oficio n° 0615/2009SG, de 29/01/2009 (fls. 24) onde foram disponibilizadas, pela Junta Comercial do Estado de Goiás, cópias do Contrato Social e alterações, ainda assim, só obteve o retorno dos sócios José Vicente Vieira e Pedro Paulo Gonçalves de Ávila (fls. 56 a 58), ocasião em que deixaram de apresentar os livros de registros de entradas do anocalendário 2006, os livros Diário e Razão do anocalendário 2006 (de abril a dezembro) e as notas fiscais de saída de março de 2005. É de se com concluir que a autoridade fiscal em momento algum deixou de buscar a verdade material. Assim, após as inúmeras tentativas de intimar o contribuinte e seus sócios e tendo recebido apenas parte da documentação solicitada, esta foi, então, analisada, resultando no arbitramento ora efetuado. Veja o relatado: “Razão do arbitramento no(s) período(s): 02/2006 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas abaixo enumeradas: Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10120.011385/200974 Acórdão n.º 1802002.442 S1TE02 Fl. 12 21 Intimado a apresentar os livros Diário, Razão e Lalur do ano calendário 2006, o contribuinte e seus responsáveis restringiramse a apresentar os dois primeiros relativos ao período de janeiro a março de 2006 e o Lalur totalmente em branco. Além disto, as contas foram escrituradas no Razão sem qualquer ordenação, enquanto as normas contábeis exigem a apresentação em primeiro lugar das contas do ativo, em ordem decrescente de liquidez. Não há qualquer balancete ou balanço transcrito no Diário. No tocante à opção por regime de tributação lucro real anual, presumido ou arbitrado verificamos que: a) não houve pagamento de IRPJ relativo a qualquer fato gerador do anocalendário 2006, b) nenhum débito de IRPJ daquele ano foi parcelado nem compensado, c) a DCTF restringiuse a informar opção pelo lucro real anual, porém estava preenchida de maneira incorreta, portanto não se transforma em instrumento hábil para validar a opção. Não escolhido o regime, tornase aplicável o lucro real trimestral como regra; entretanto, não foram apresentados os livros que permitiriam a apuração, bem como os livros de janeiro a março de 2006 se revelam como imprestáveis para cálculo dos tributos devidos. Diante do exposto, com fundamento no art. 530, inciso II, alínea "b", inciso III e inciso VI do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999, arbitramos o lucro da pessoa jurídica fiscalizada, e apuramos o PIS e a Cofins segundo o regime cumulativo. Isto posto, segundo o relato da autoridade fiscal, o arbitramento do Lucro se fez necessário tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte era imprestável para a determinação do Lucro Real. No tocante ao arbitramento, destacamos que conforme determinação expressa pelo CTN (artigo 44) a base de cálculo do imposto de renda é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Assim também define o RIR, vejamos: Art. 219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V, correspondente ao período de apuração (Lei n° 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei n° 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º) Neste diapasão, se a escrituração contábil é imprestável para a determinação do lucro real, se o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL 22 documentos da escrituração comercial e fiscal ou se não mantiver em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas o Livro Razão, manda o RIR que se proceda ao arbitramento do lucro, in verbis: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 19: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 52 7; VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. A obrigação do contribuinte, se quiser manterse dentro dos regimes de apuração do lucro real e do lucro presumido, é a de manter a escrituração nos termos da legislação comercial e fiscal (artigos 251 e 527 do RIR/1999); e tal obrigação não é resultado de mero diletantismo legislativo, mas resultado do fato de que a apuração da matéria tributária, naqueles regimes de tributação, é feita no âmbito, justamente, da escrituração, para depois ser transcrita nas declarações a serem apresentadas ao órgão fazendário. Nunca é demais esclarecer que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Além de vinculada, a atividade administrativa de lançamento é obrigatória, conforme disciplina o art. 142 do CTN, que assim versa: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidadefuncional. Ao lavrar auto de infração, o auditor fiscal fica inteiramente adstrito aos termos da lei, sua liberdade de ação é mínima: verificada a ocorrência de ato ilícito, compete lhe necessariamente proceder à autuação, para que se cumpra a exigência fiscal ou para que se Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10120.011385/200974 Acórdão n.º 1802002.442 S1TE02 Fl. 13 23 lhe impugne no prazo devido. Por conseguinte, a lavratura de auto de infração é forma de exercício do Poder Vinculado, pois é a lei que confere à Administração Pública o poder para a prática de tal ato, determinando os elementos e requisitos indispensáveis à sua fonnalização. Assim se manifestou a 7ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, através do acórdão n° 10709.513: ARBITRAMENTO DO LUCRO FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO O arbitramento dos lucros é medida extrema sim, por isso foi tomado no presente caso, pois apesar das inúmeras intimações à fiscalizada esta somente apresentou parte da documentação solicitada. E em relação à parte apresentada a fiscalização mostra que não reúne as condições necessárias para sustentar apuração pelo lucro real, mormente pela falta de contabilização de expressiva movimentação bancária o que, por si só, já a torna imprestável, nos termos da legislação de regência. 1° Conselho de Contribuintes / 7ª. Câmara / Publicado no DOU em: 24.03.2009. As receitas levadas à apuração do lucro arbitrado foram retiradas de documento do próprio contribuinte (Livros de Apuração do ICMS), documento estes cujo conteúdo o contribuinte não contesta ou contradita em sua impugnação. Sobre o acima exposto, é de se trazer o disposto no art. 532 do RIR, in verbis: Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n" 9.430, de 1996, art. 27, inciso 1). Por todo o exposto até aqui o procedimento de realizar o arbitramento do lucro pela autoridade fiscal estaria correto, contudo não atendeu às próprias disposições de apuração da base de cálculo, gerando a sua nulidade. A autoridade fiscal com intuito de repartir responsabilidades, achou por bem dividir a conduta em dois autos, sendo o segundo tratado no processo administrativo nº 10120.011382/200931 o qual também tramita neste Conselho. O presente compreendeu o período de 01/01/2006 a 28/02/2006, sendo o segundo aplicável ao restante do anocalandário. A repartição do lançamento da forma como foi feita, embora tenha gerado uma praticidade para atribuição de responsabilidade solidária, viola frontalmente o modo como a base de cálculo do lucro arbitrado deve ser apurada nos casos em que a receita bruta é conhecida, a esclarecer, trimestral. O procedimento de fracionar o fato gerador de acordo com as alterações na composição societária da pessoa jurídica não tem respaldo legal. Não há fato gerador bimestral de IRPJ/CSLL, não há fato gerador por lucro arbitrado ocorrido em 28 de fevereiro, e nem há obrigação tributária referente a IRPJ/CSLL sobre lucro arbitrado com vencimento em 30 de março. A data de ocorrência do fato gerador de IRPJ/CSLL está prevista em lei e não pode ser modificada a critério da autoridade lançadora. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL 24 E não cabe ao CARF ajustar/corrigir nem a data do fato gerador objeto de lançamento, nem a data de vencimento da obrigação tributária, que repercute, entre outros aspectos, no cômputo de acréscimos legais. Ainda é oportuno registrar que o próprio critério utilizado pela autoridade lançadora para fracionar o fato gerador de IRPJ/CSLL nos trimestres do anocalendário 2006, visando atribuir responsabilidade tributária a terceiros, ou seja, a alteração da composição societária da pessoa jurídica, não subsistiu no julgamento do processo nº 10120.011382/2009 31, que abrangeu operações realizadas de março/2006 a dezembro/2006, conforme a ementa do acórdão nº 1302001.322: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE LALUR. Tornase inevitável o arbitramento do lucro, quando é apresentado Lalur em branco, o que equivale à sua não apresentação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFASTADA. Sem que se configure as hipóteses do art. 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social), não há como responsabilizar pessoa que já não era sócio da sociedade no momento em que houve a liquidação. Inaplicável o art. 134,VII, do CTN, para responsabilizar sócios se, à época da liquidação, a sociedade já era uma sociedade de capital. Naquele outro processo não foi mantida nem mesmo a responsabilidade tributária de terceiros, que deu causa ao (já) indevido fracionamento do fato gerador. A base legal RIR/99, art. 530 já encontrase transcrita no voto, sendo o caput elucidador para a presente questão. Isso porque, embora não tenha sido suscitado em nenhuma das defesas apresentadas, a falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação tributária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, retirando do crédito o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal. Para que o crédito tributário seja constituído com base na aferição indireta da base de cálculo dos tributos em questão é necessário que a autoridade lançadora motive o procedimento adotado, demonstrando os valores apurados, indicando os critérios e parâmetros utilizados e o fundamento legal que autoriza o arbitramento, bem como mencione o Auto de Infração lavrado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL Processo nº 10120.011385/200974 Acórdão n.º 1802002.442 S1TE02 Fl. 14 25 Declaração de Voto Conselheiro Nelso Kichel. Divirjo do voto condutor do acórdão que, de ofício, declarou a nulidade dos autos de infração do IRPJ e da CSLL (reflexo), exonerando o crédito tributário. Entendo que não há vício no lançamento fiscal que pudesse inquinálo de nulidade. O lançamento tem correta descrição dos fatos, determinação da matéria tributável e enquadramento legal pertinente. Não há nulidade se não há prejuízo à defesa, na linha do adágio pas de nullité sans grief. Vale dizer, o princípio “pas de nullité sans grief” conduz a julgar que as irregularidades formais e materiais, sanadas de algum modo, ou irrelevantes pela sua extensão e natureza, via de regra, não devem anular o ato de lançamento. No caso, a autoridade administrativa de lançamento aplicou o regime de apuração do lucro arbitrado, pela falta de apresentação dos livros contábeis/fiscais por parte do sujeito passivo. O lucro arbitrado é de apuração trimestral. A matéria tributável é a receita bruta do período trimestral. Os autos tratam do lançamento de ofício do período de apuração: 1º trimestre/2006. No regime do lucro arbitrado as despesas são irrelevantes, pois o escopo é a receita bruta. O coeficiente para determinação do lucro arbitrado é aplicado diretamente sobre a receita bruta. Na apuração trimestral, o fato gerador da exação fiscal ocorre no último dia do respectivo trimestre, não se podendo antecipar, nem postergar a data do fato gerador. Entretanto, como as despesas do período não interferem na apuração do IRPJ e da CSLL, pois o que importa são apenas as receitas; logo, nada impede que se possa apurar o lucro arbitrado parcial mensalmente, pois, no final do trimestre, o somatório das parcelas mensais será o próprio lucro arbitrado do trimestre. Como visto, não há empecilho, ou óbice, para que se apure o lucro arbitrado parcial mensalmente, desde que o somatório das parcelas mensais coincida com o somatório do Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL 26 lucro arbitrado do respectivo trimestre, e respeitada a exigência da exação fiscal somente a partir do fato gerador, ou seja, a partir do último dia do respectivo trimestre. Pois é. No caso, houve o lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL com base no lucro arbitrado parcial sobre a receita bruta de janeiro e fevereiro/2006 nos presentes autos, e quanto à receita bruta do mês de março 2006 houve a apuração do lucro arbitrado parcial no processo 10120.011382/200931 (processo conexo). O somatório das parcelas do lucro arbitrado parcial coincide justamente com o lucro arbitrado trimestral. Ora, como demonstrado, está sendo exigido via auto de infração, neste processo e no processo conexo, justamente as parcelas parciais dos valores do imposto e da contribuição que no somatório coincidem com o lucro arbitrado trimestral apurado sobre a receita bruta do 1º trimestre/2006 (fato gerador em 31/03/2006). A única irregularidade existente no lançamento de ofício do crédito tributário objeto destes autos, que é sanável de ofício pelo julgador por se tratar de mera inexatidão material, diz respeito ao prazo de início da contagem dos juros de mora, pois deve ser observado que o fato gerador ocorreu em 31/03/2006, e não 28/02/2006. Quanto à imputação de responsabilidade solidariedade passiva dos antigos proprietários, realmente incabível no caso, pois os responsáveis solidários arrolados deixaram a empresa em fev./2006, e a empresa foi dissolvida irregularmente, anos depois, ou seja, em 2009; logo, não tem plausibilidade jurídica essa imputação de responsabilidade solidária aos antigos sócios, pois não deram causa à dissolução irregular. Por conseguinte, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar a solidariedade passiva e manter os autos de infração do IRPJ e da CSLL. É como voto. Nelso Kichel (assinatura digital) Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 13433.000855/2005-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
IRPF - DECLARAÇÃO RETIFICADORA - PERDA DA ESPONTANEIDADE
O início da ação fiscal, caracterizado pela ciência do contribuinte quanto ao primeiro ato de ofício praticado por servidor competente, afasta a espontaneidade do sujeito passivo em relação a atos anteriores e obsta a retificação das Declarações de Ajuste Anual relacionadas ao procedimento instaurado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
Preliminar rejeitada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencido o Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que acolhia a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. IRPF - DECLARAÇÃO RETIFICADORA - PERDA DA ESPONTANEIDADE O início da ação fiscal, caracterizado pela ciência do contribuinte quanto ao primeiro ato de ofício praticado por servidor competente, afasta a espontaneidade do sujeito passivo em relação a atos anteriores e obsta a retificação das Declarações de Ajuste Anual relacionadas ao procedimento instaurado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). Preliminar rejeitada. Recurso negado.
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. IRPF DECLARAÇÃO RETIFICADORA PERDA DA ESPONTANEIDADE O início da ação fiscal, caracterizado pela ciência do contribuinte quanto ao primeiro ato de ofício praticado por servidor competente, afasta a espontaneidade do sujeito passivo em relação a atos anteriores e obsta a retificação das Declarações de Ajuste Anual relacionadas ao procedimento instaurado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). Preliminar rejeitada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 00 08 55 /2 00 5- 13 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencido o Conselheiro FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT, que acolhia a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt e Antonio Lopo Martinez. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13433.000855/200513 Acórdão n.º 2202002.935 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, JUVENAL CHAVES DE AQUINO, foi lavrado o Auto de Infração de fls.104 a 109, no qual é cobrado o imposto de renda pessoa física (IRPF), relativamente ao ano calendário de 2000, no valor total de R$ 354.717,52 (trezentos e cinqüenta e quatro mil, setecentos e dezessete reais e cinqüenta e dois centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30/11/2005, perfazendo um crédito tributário total de R$ 909.460,24 (novecentos e nove mil, quatrocentos e sessenta reais e vinte e quatro centavos). Foi expedido o Termo de Início de Fiscalização de fls. 85, datado de 08/11/2005, pelo qual foi solicitada ao contribuinte a comprovação da origem dos recursos depositados em sua conta corrente, relacionados às fls. 86 a 88. Houve reiteração da intimação, conforme Termo de fls. 90. De acordo com o referido Termo: Em atendimento, o contribuinte esclareceu, por meio da carta resposta de fls. 92, que os depósitos efetuados se originaram do comércio de gado bovino, conforme informado em sua declaração de ajuste anual retificadora, relativa ao exercício 2001, apresentada em 21/09/2004 (fls. 05 a 07). Afirmou, aditivamente, que a declaração retificadora deveria substituir a declaração de ajuste anual original (fls. 03 a 04), nos termos previstos no Regulamento do Imposto de Renda. A ação fiscal foi precedida de fiscalização do imposto de renda pessoa física, abrangendo as atividades do contribuinte, nos anoscalendário de 1999 e de 2000, conforme representação fiscal de fls. 08 a 10. Consta, às fls. 55, carta resposta do fiscalizado, datada de 27/04/2004, informando que os diversos valores, recebidos de terceiros durante os anoscalendário de 1999 e de 2000, correspondentes aos cheques de fls. 11 a 54, decorreram da venda de gado bovino. Para fins de comprovação, apresentou os recibos de fls. 56 a 72. Às fls. 73 encontrase anexado o Termo de Solicitação de Esclarecimentos, do qual foi cientificado, pessoalmente, o contribuinte, em 20/07/2004. Em resposta ao mencionado Termo, o autuado prestou, em 26/07/2004 e em 26/10/2004, as informações de fls. 74 a 76, reiterando que os rendimentos auferidos se originaram da venda de gado bovino. Aditivamente, constam do processo as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira, encaminhadas à Caixa Econômica Federal, para solicitação dos extratos relativos às contas corrente e de poupança, mantidas pelo contribuinte durante os anos calendário de 1999 e de 2000 (fls. 81 a 84). Relativamente à movimentação financeira ocorrida no ano calendário de 2000, foi apresentado, pelo fiscalizado, o relatório de fls. 78 a 80, por meio da carta resposta de fls. 77, datada de 15/12/2004. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 A autoridade lançadora procedeu, então, à lavratura do Auto de Infração, em virtude de ter sido constatada a seguinte infração, conforme descrição dos fatos e enquadramentos legais de fls. 105 a 106 e Relatório Fiscal de fls. 100 a 103: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA (OMISSÃO NO VALOR DE R$ 1.305.591,00, FATO GERADOR EM 31/12/2000). Ciência do contribuinte em 19/12/2005, conforme aviso de recebimento de fls. 110. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 09/01/2006, a impugnação de fls. 112 a 114, juntamente com a documentação de fls. 116 a 127, alegando, em síntese: que os valores que serviram de base ao lançamento já foram anteriormente tributados, e constam da declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa física, com número de controle 01.52.87.25.23 (fls. 119 a 123); que os mencionados valores foram objeto de pedido de parcelamento, conforme processo n° 13.434000073/200485, da DRF Mossoró, cujos pagamentos encontramse rigorosamente em dia (fls. 124 a 126); que apresentou sua declaração no prazo correto, tendo retificado, posteriormente, com aceitação por parte da autoridade tributária (fls. 127); que nunca deixou de prestar os esclarecimentos e as informações solicitadas, nos prazos legais; que a fiscalização efetuou o lançamento ao arrepio do disposto nos incisos I a III do art. 149 do CTN; que os valores que serviram de base para o lançamento estão consignados e tributados na cédula rural anexa à declaração do impugnante (fls.119 a 123); que todas as origens dos depósitos efetuados na conta corrente e de poupança estão apontadas no "relatório demonstrativo dos depósitos bancários e receita declarada", referente ao ano calendário de 2000 (fls. 116 a 118); que o defendente possui propriedade rural, adquirida em 1993, com quase 100 hectares, para o manuseio, criação e engorda de gado bovino, no alto oeste potiguar; que, nas feiras livres da região nordeste, não são emitidos recibos para aquisição de bens, nem tampouco, exigida a emissão de notas ficais; por fim, pede seja tornado sem efeito o auto de infração e descaracterizado o crédito tributário dele decorrente. A DRJRecife ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13433.000855/200513 Acórdão n.º 2202002.935 S2C2T2 Fl. 4 5 legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APURAÇÃO DO VALOR OMITIDO. A omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada não se confunde com a omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, por se tratarem de infrações distintas, apuradas de formas distintas, pois na primeira não é procedido ao levantamento das origens e aplicações de recursos do contribuinte em cada mês; cada depósito, individualizadamente, deve ser objeto de comprovação pelo contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIO. ALEGAÇÃO DE QUE A ORIGEM ESTÁ VINCULADA A RECEITAS ORIUNDAS DA ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Não há de ser acatada mera alegação de que a origem dos depósitos bancários está associada a receitas decorrentes da atividade rural se desprovida da necessária comprovação por intermédio de documentos usualmente utilizados nesta atividade, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual, além de livro Caixa, mormente quando o contribuinte não informou referidas receitas espontaneamente em suas DLRPF.. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 Ementa: DECLARAÇÃO RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO APÓS O INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A partir da edição do art. 19 da Medida Provisória n° 1.990, de 14/12/1999, o procedimento de retificação de declaração de ajuste independe de autorização, sendo, contudo, inadmissível a apresentação de declaração retificadora após o início de procedimento fiscal. Lançamento Procedente. Insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas razões da impugnação, especialmente: Preliminarmente indica que o Auto de Infração deve ser desconsiderado e nulo os seus efeitos, tendo em vista que os valores que serviram de base ao lançamento já foram tributados, constante na sua Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física, cujo parcelamento já foi efetuado através do processo No. 13.434.000073/200485 da DRF Mossoró; Fl. 163DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 O autuante faltou com a verdade ao declarar que : “o contribuintes, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e edônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”; Ocorre que os valores que serviram de base para a retificação da declaração, são de origem idêntica a do Auto de Infração. Isto é, rendimentos decorrentes da apuração de ofício é idêntico aos decorrentes da Atividade Rural antes não declarados. Caso prospere o Auto de Infração, ocorrerá bitributação sobre os valores que serviu de base aos dois Autos de Infração: A receita decorrente da atividade agropecuária. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13433.000855/200513 Acórdão n.º 2202002.935 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, Fl. 166DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13433.000855/200513 Acórdão n.º 2202002.935 S2C2T2 Fl. 6 9 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. Da Nulidade do Auto de Infração Formula o contribuinte preliminar de nulidade alegando que a autoridade administrativa promoveu um desvio de finalidade no seus atos administrativos, eivando de vício de nulidade o auto de infração. O recorrente entende que o auto de infração deve ser anulado por não ter considerado os valores constantes na sua declaração retificadora. Ocorre que, nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. A autoridade fiscal ao constatar infração tributária tem o dever de ofício de constituir o lançamento. Não havendo que se falar em nulidade no presente caso, rejeito a preliminar argüida pelo contribuinte. Cabe esclarecer primeiramente que a retificação da declaração por iniciativa do próprio contribuinte, quando vise reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de iniciado o procedimento fiscal, requisitos não observados no caso concreto. O recorrente apresentou uma declaração sem rendimentos, depois ao ser notificado onde buscava declarar rendimentos, que acobertariam os depósitos bancários sem comprovação. Ainda que se reconheça que parece verossímil que efetivamente o recorrente teria direito a reconhecer as referidas receitas, não o fez no momento correto, vindo a fazer apenas após iniciado o procedimentos, situação na qual a nossa legislação não autoriza. Com a devida vênia, não concordo que a suposta tentativa de retificação da declaração, tenha a natureza de impugnação. O início da ação fiscal, caracterizado pela ciência do contribuinte quanto ao primeiro ato de ofício praticado por servidor competente, afasta a espontaneidade do sujeito passivo em relação a atos anteriores e obsta a retificação das Declarações de Ajuste Anual relacionadas ao procedimento instaurado. A partir de então, eventual declaração retificadora não pode ser aceita e o contribuinte estará sujeito aos acréscimos legais incidentes sobre o imposto decorrente das infrações constatadas pela autoridade fiscal, dentre eles a multa de ofício prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Do Lançamento baseado em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). No que toca ao aproveitamento dos valores apresentados na declaração retificadora. É razoável entender que não podem os contribuintes, a belprazer, informar dados à RF e, posteriormente, quererem ajustálos sem qualquer justificativa. Os contribuintes ao apresentarem suas DIRPF têm responsabilidade sobre as informações nelas constantes, podem retificálas somente com a comprovação do erro cometido, via documentação hábil e idônea e, mesmo assim, dentro do prazo regulamentar, ou Fl. 168DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13433.000855/200513 Acórdão n.º 2202002.935 S2C2T2 Fl. 7 11 seja, antes do início de qualquer procedimento de oficio adotado pela Fiscalização da RF acerca dessas informações, como prevê o art. 832 do RIR/1999. O contribuinte não apresenta provas convincentes de que os referidos depósitos bancários teriam relação direta com as receitas declaradas, nesse sentido não há como acolher o seu aproveitamento. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 169DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 26/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 11080.915379/2009-74
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MAIS DE UM DIREITO CREDITÓRIO. DESMEMBRAMENTO DO PROCESSO.
Tendo sido devidamente exteriorizada, mediante Declaração de Compensação, embora incorretamente, a intenção da Recorrente de fazer uso de mais de um direito creditório, deve a repartição de origem desmembrar o presente processo em dois autos, cada um tratando de um crédito específico, sendo o segundo crédito aproveitado na parte dos débitos não liquidada pelo primeiro crédito.
Numero da decisão: 1803-002.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MAIS DE UM DIREITO CREDITÓRIO. DESMEMBRAMENTO DO PROCESSO. Tendo sido devidamente exteriorizada, mediante Declaração de Compensação, embora incorretamente, a intenção da Recorrente de fazer uso de mais de um direito creditório, deve a repartição de origem desmembrar o presente processo em dois autos, cada um tratando de um crédito específico, sendo o segundo crédito aproveitado na parte dos débitos não liquidada pelo primeiro crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 53 79 /2 00 9- 74 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.915379/200974 Acórdão n.º 1803002.555 S1TE03 Fl. 214 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.915379/200974 Acórdão n.º 1803002.555 S1TE03 Fl. 215 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 123 – numeração digital ND): A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensações, cujo crédito seria originário de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário 2006. As compensações não foram homologadas porque não foi possível confirmar a apuração do saldo negativo, eis que não identificado o período de apuração (PA) a que se refere o crédito, uma vez que houve entrega de mais de uma DIPJ para o período de apuração demonstrado no PER/Dcomp: uma com PA 1/1/06 a 31/3/06 e outra com PA 1/4/06 a 31/12/06. A interessada alega, em síntese, que o valor do saldo negativo informado no PER/Dcomp (R$ 225.061,92) foi composto pelos saldos de R$ 29.389,67, do período de 1/1/06 a 31/03/06, no qual houve cisão parcial, e o valor de R$ 195.672,25, referente às retenções na fonte do período de 1/4/06 a 31/12/06, informado equivocadamente como saldo negativo, uma vez que se trata de pagamento a maior, eis que o IRPJ devido é R$ 2.417.733,52 e teria recolhido R$ 2.619.794,58. Esclarece que a diferença entre o valor declarado e o efetivamente pago é de R$ 202.061,06. Argumenta que se trata de erros formais e, por fim, pede que seja reformado o despacho decisório, homologandose a compensação. O litígio deste processo corresponde à soma do crédito compensado nos PER/Dcomps, equivalente a R$ 225.061,92. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 122 ND): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. O sujeito passivo tem direito à homologação de compensações declaradas, em relação a débitos regularmente admitidos, até o limite do saldo negativo disponível. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MAIS DE UM CRÉDITO. HIPÓTESE VEDADA. Cada compensação permite a utilização de apenas um crédito, tendo em vista os efeitos jurídicos diferenciados de acordo com a natureza e o período de apuração do crédito, com reflexos no cálculo de juros moratórios e eventualmente na incidência de multa. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Fl. 215DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.915379/200974 Acórdão n.º 1803002.555 S1TE03 Fl. 216 4 3. Cientificada da referida decisão em 02/12/2013 (fls. 150 ND), a tempo, em 12/12/2013, apresenta a interessada Recurso de fls. 153 a 159 ND, instruído com os documentos de fls. 160 a 209 ND, nele argumentando, em síntese: a) que os pedidos de compensação estão sendo indeferidos tão somente por um erro formal quanto à nominação do crédito compensado, em detrimento do crédito líquido e certo da Recorrente; b) que o fato de o acórdão recorrido falar em “hipótese incabível” ou “agressão à essência da compensação” não modifica o fato de que o pedido da Recorrente restou indeferido por simples erro formal de preenchimento, e não pela não existência do crédito ou do direito; c) que a discussão em pauta perdeu o objeto principal, que é o de aferir a existência do crédito líquido e certo para, sobre este, deferir as compensações requeridas pela contribuinte; d) que o crédito é inconteste; logo, a não homologação cingese a questões acadêmicas: ser o crédito saldo negativo ou ser o crédito pagamento indevido ou a maior; e) que, na essência, o crédito tributário da Recorrente existe, quer como saldo negativo, quer como pagamento indevido ou a maior e, nesse contexto, pelo princípio da verdade material, pela justiça tributária e pela não usurpação do crédito tributário da Recorrente, fazse necessária a reforma do acórdão recorrido, com a homologação da declaração de compensação tributária efetuada pela Recorrente; e f) que, em não sendo declarada a homologação das compensações da Recorrente, tendo por base crédito líquido e certo, suportado em eventual formalismo processual (ser o crédito saldo negativo ou ser o crédito pagamento indevido ou a maior), haverá locupletamento ilícito da Administração Pública, o que não pode ser admitido. Em mesa para julgamento. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.915379/200974 Acórdão n.º 1803002.555 S1TE03 Fl. 217 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Como bem observou a decisão recorrida (fls. 123 e 124 ND): Ocorreu cisão parcial da empresa no anocalendário 2006 e, portanto, foram apresentadas duas declarações de IRPJ; uma, de 1/1/06 a 31/3/06, quando do evento de cisão, e outra, de 1/4/06 até 31/12/06. Neste caso, houve duas apurações de IRPJ para o mesmo anocalendário. [...]. A interessada esclarece que apresentou o PER/Dcomp com dados equivocados. Explica que possui créditos de natureza distinta: saldo negativo (PA 1/1/06 a 31/3/06) e pagamento a maior que o devido (PA 1/4/06 a 31/12/06), e que fez constar no PER/Dcomp o valor correspondente à soma de ambos os créditos e o período de apuração de todo o anocalendário. 5. Assim decidiu a respeito a decisão recorrida (fls. 124 ND): Pretenderse que o crédito inicialmente informado no PER/Dcomp, como saldo negativo, seja considerado parte como saldo negativo e parte como pagamento indevido é hipótese incabível. O próprio programa PER/Dcomp veda a inclusão de mais de um crédito. Admitirse tal hipótese implicaria agressão à própria essência da compensação. Em verdade, cada compensação permite a utilização de apenas um crédito, tendo em vista os efeitos jurídicos diferenciados, de acordo com a natureza e o período de apuração do crédito, com reflexos no cálculo de juros moratórios e eventualmente na incidência de multa. Originalmente, a declaração de compensação informou, equivocadamente, um crédito de saldo negativo do ano calendário 2006, no valor de R$ 225.061,92; no entanto, foi identificada a existência de saldo negativo do período de apuração 1/1/06 a 31/3/06 no valor de R$ 29.389,67. Diante do exposto, voto pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório de R$ 29.389,67, referente a saldo negativo apurado em 31/3/06, e autorizar a homologação das compensações propostas até esse limite. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11080.915379/200974 Acórdão n.º 1803002.555 S1TE03 Fl. 218 6 6. Não creio que esta seja a solução mais adequada para o caso. 7. Tendo sido devidamente exteriorizada, mediante Declaração de Compensação, embora incorretamente, a intenção da Recorrente de fazer uso de mais de um direito creditório (relativo aos períodos de 01/01/2006 a 31/03/2006 e de 01/04/2006 a 31/12/2006), deveria a repartição de origem, por óbvio, ter desmembrado o presente processo em dois autos, cada um tratando de um crédito específico (saldo negativo de IRPJ, no primeiro, e pagamento a maior, no segundo), sendo o segundo crédito limitado ao valor de R$ 195.672,25 e aproveitado na parte dos débitos não liquidada pelo primeiro crédito. 8. Afinal de contas, é a própria decisão recorrida que reconhece, explicitamente, que “cada compensação permite a utilização de apenas um crédito”, não sendo cabível, porém, por mero erro formal, a pura e simples desconsideração desse segundo crédito. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que, em novo processo, desmembrado deste, seja analisado o direito creditório pleiteado de R$ 195.672,25, relativo ao período de 01/04/2006 a 31/12/2006, a título de pagamento a maior, para fins de compensação com o saldo em aberto neste processo, devendose considerar, para os efeitos de homologação tácita, a data do protocolo desse novo processo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 218DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.020727/2010-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2202-002.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, tendo em vista a opção pela via judicial.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1). Recurso Voluntário Não Conhecido.
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CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1). Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, tendo em vista a opção pela via judicial. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), MARCO AURÉLIO DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 07 27 /2 01 0- 90 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO. Relatório Foi emitida contra a contribuinte MARIA CÉLIA XAVIER FURTADO notificação de lançamento de fls. 34 a 37, relativa ao exercício 2009 (anocalendário de 2008), em virtude de infração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, no valor de R$ 75.344,76, o que resultou em um imposto suplementar de R$ 247,54. O valor total do crédito tributário lançado foi de R$ 462,54, incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 31/08/2010. A contribuinte foi cientificada do lançamento e apresentou uma Solicitação de Retificação de Lançamento SRL, a qual foi indeferida. Em seguida, ela efetuou a impugnação, com as seguintes alegações, em resumo: – é funcionária aposentada do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e que, em decorrência de um diagnóstico de neoplasia maligna, foi submetida a uma cirurgia de gastrectomia total; à época, conforme Parecer 098/99 DG, o extinto Tribunal de Alçada de Minas Gerais concedeulhe isenção do imposto de renda por período de 05 (cinco) anos. Findo este prazo, pleiteou, administrativamente, a continuidade da isenção e teve seu pedido indeferido equivocadamente; recorreu ao Poder Judiciário, ingressando com a Ação Ordinária n° 0024.05.8754300, em face do Estado de Minas Gerais, com trâmite na 2 a Vara de Feitos Tributários do Estado; seu pedido foi julgado procedente, sendolhe concedida a isenção do imposto de renda e o reconhecimento do direito à restituição de todas as parcelas descontadas indevidamente e que essa decisão transitou em julgado conforme certidão anexa. dispõe de laudo médico e vasta documentação que atesta seu diagnóstico, enquandrandoo nas hipóteses de isenção do IRPF, conforme dispositivo legal; é desnecessária a renovação ou a revalidação de laudo médico oficial para a obtenção ou continuidade da isenção do IR sobre proventos de aposentadoria de portadora de doença grave. Colaciona ementa de julgado do Tribunal Mineiro que entende corroborar sua tese e junta cópia da sentença judicial que concedeulhe a isenção do IR. Ao final, requer o cumprimento da decisão judicial, mediante reconhecimento da isenção e restituição dos valores indevidamente recolhidos, conforme memória de cálculo apresentada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) julgou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos, cuja decisão foi assim ementada: Fl. 242DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.020727/201090 Acórdão n.º 2202002.953 S2C2T2 Fl. 242 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Verificada omissão de rendimentos, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, de ofício, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor dos rendimentos omitidos. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO PERICIAL. A pessoa física portadora de moléstia grave deverá apresentar à fonte pagadora, para fins de gozo da isenção do imposto de renda sobre os valores por ela recebidos a título de complementação de aposentadoria, laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios que contenha informação de que a moléstia é ou não passível de controle e, caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial. Dispositivos Legais: Lei n° 7.713, de 1988, art. 6º , inciso XIV; Lei n° 9.250, de 1995, art. 30; Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), art. 39, inciso XXXIII, §§ 4º , 5º e 6º; Instrução Normativa SRF n° 15, de 2001, art. 5º , inciso XII, §§ 1º , 4º e 5º. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão em 26/03/2012 (fl. 55), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 03/04/2012 (fls. 57 a 60), no qual afirma que entrou com pedido na 2ª Vara da Fazenda Pública para que seja acatado o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais TJMG, transitado em julgado, que lhe dá o direito à continuidade da isenção em virtude de doença, a partir de 2004. Anexa cópia da petição de execução de sentença. Às fls 212 a 238 dos autos, constam documentos que atestam que o contribuinte impetrou mandado de segurança contra ato atribuído ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG, no qual postula o reconhecimento do direito à isenção do imposto de renda, nos termos do acórdão proferido pelo TJMG. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Relator. Constam dos autos documentos que comprovam o ajuizamento de duas ações pelo contribuinte, requerendo que seja reconhecida a isenção do imposto de renda sobre os valores recebidos a título de aposentadoria, a partir de 2004, em virtude de ser portadora de moléstia grave. Por esta razão, cabe apontar uma questão prejudicial. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 A primeira ação, já transitada em julgado, foi ajuizada na Justiça Comum do Estado de Minas Gerais. A segunda é um mandado de segurança impetrado junto à 8ª Vara Federal de Minas Gerais, na qual se postula o reconhecimento da isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria, conforme decisão do TJMG transitada em julgado. Tendo a discussão deste processo sido submetida à apreciação do Poder Judiciário, entendo que esta instância administrativa está impedida de examinála. É o caso de se aplicar a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O contribuinte não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e administrativo. Em havendo coincidência de objetos nos dois processos, é de se afastar a competência dos órgãos administrativos para se pronunciarem sobre a questão. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou seja, desistência de eventual recurso interposto. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, tendo em vista a opção pela via judicial. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 244DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 12585.000064/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
Na forma do art. 3º, § 4o, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre.
As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de Ajustes Positivos de Créditos e de Ajustes Negativos de Créditos, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração.
Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Precedente do CARF.
Tendo a DRF e a DRJ se recusado a apreciar o mérito dos créditos extemporâneos, devem ser anuladas ambas as decisões para evitar supressão de instância e permitir que seja proferido novo despacho decisório.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário da empresa. Vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Fábio Florentino, OAB/SP nº. 222.519.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura De Albuquerque Alves e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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PIS. COFINS. EXTEMPORÂNEO. Recorrente COPAGAZ DISTRIBUIDORA DE GÁS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4o, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Precedente do CARF. Tendo a DRF e a DRJ se recusado a apreciar o mérito dos créditos extemporâneos, devem ser anuladas ambas as decisões para evitar supressão de instância e permitir que seja proferido novo despacho decisório. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário da empresa. Vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 64 /2 00 9- 11 Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Torres Oliveira. Ausente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Fábio Florentino, OAB/SP nº. 222.519. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura De Albuquerque Alves e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (fls. 08/10 a numeração indicada neste ato se refere a do processo digital) e de Declarações de Compensação (fls. 11/204, 207/403, 406/605 e 608/666), em que a interessada pretende compensar débitos tributários com crédito relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) Mercado Interno, referente ao 4º trimestre/2007. Analisando o pedido da contribuinte, foi proferido Despacho Decisório (fls. 716 e ss.), por meio do qual foi negada a maior parte do direito postulado, sob os seguintes argumentos: a) Impossibilidade de formulação de um único PER para ressarcimento de créditos decorrentes de outros trimestrescalendários; b) Vedação ao desconto de créditos sobre insumos, ativos e frete sobre compra para a atividade comercial; c) Proibição à apropriação de créditos sobre armazenagem e frete de venda, para pessoas jurídicas sujeitas à sistemática monofásica de incidência das contribuições; e d) Negativa de crédito em relação à contraprestação de aluguéis de imóveis pagos a pessoas físicas. Cientificada do despacho, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, conforme resume a ementa abaixo (fls. 1.009/ss.): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 3202001.456 S3C2T2 Fl. 1.091 3 PRODUÇÃO DE PROVAS DOCUMENTAIS. As provas devem ser apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade, salvo nos casos previstos no § 4º do artigo 57 do Decreto 7.574/2011. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. Temse por não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atenda aos requisitos previstos na legislação de processo administrativo fiscal. SUSTENTAÇÃO ORAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A sustentação oral é procedimento não previsto no julgamento administrativo de primeira instância. COFINS. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO. O desconto de créditos decorrentes de insumos é direcionado tão somente para as empresas dedicadas à fabricação ou produção de bens, ou à prestação de serviços, não sendo destinado às empresas comerciais. COFINS. CRÉDITOS. FRETES NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIA.TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. É expressamente vedado apurar crédito sobre o frete pago pela pessoa jurídica, na compra de gás liquefeito de petróleo GLP, adquirido para revenda. COFINS. CRÉDITOS. FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE VENDAS E DESPESAS DE ARMAZENAGEM. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. As despesas de armazenagem de mercadorias e de frete pago na venda de GLP não geram crédito. COFINS. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE IMÓVEIS. A lei, ao tratar de locação de imóveis, determina que somente o aluguel de prédios utilizados na atividade da empresa e pagos a pessoas jurídicas dá direito a crédito. COFINS. CRÉDITOS. VENDAS NO MERCADO INTERNO. DIREITO À COMPENSAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL. Nas vendas no mercado interno, a compensação de créditos é permitida apenas em relação aos dispêndios vinculados a operações efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da COFINS. Deve ser segregada a parcela dos custos, despesas e encargos relativos às receitas com tributação prevista no caput do art. 2º da Lei 10/833/2003, cujos créditos Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 podem ser aproveitados exclusivamente para dedução da contribuição apurada. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. Não se reconhece o direito creditório pleiteado, além daquele já legitimado pela unidade administrativa de competência originária. Consequentemente, consideramse não homologadas as compensações em litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não conformada, a empresa interpôs recurso voluntário, pedindo a nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido, porque conteriam diversos pontos confusos e contraditórios que dificultam o exercício do direito de defesa da recorrente. No mérito, a recorrente sustenta que inexiste impossibilidade de formulação de um único PER, em dezembro de 2007, para ressarcimento de créditos para vários trimestres calendários, de 2004 a 2007, por conta do art. 3º, § 4º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Aduz, em seqüência, que inexiste vedação ao desconto de créditos sobre insumos, ativos e frete sobre compra para a atividade comercial (atividade de distribuição de GLP em botijões), assim descrita pela empresa: COPAGAZ atua no seguimento de armazenagem, envasamento, distribuição e comercialização de GLP (gás liquefeito de petróleo), bem como procede ao recondicionainento dos seus recipientes (vasilhames ou botijões) utilizados nestas atividades. Neste contexto, o processo de envasamento realizado pela COPA GAZ não se restringe ao acondicionamento do produto em embalagem/recipiente, mas consiste, também, na mudança de estado do GLP, resultando, por meio de processo de pressurização, na obtenção de 85% (oitenta e cinco por cento) do produto no estado liquido e os 15% (quinze por cento) restantes no estado gasoso, além da adição do enxofre". (g.n Na ótica da recorrente, tampouco haveria proibição à apropriação de créditos sobre armazenagem e frete de venda, para pessoas jurídicas sujeitas à sistemática monofásica de incidência das contribuições. Isso porque, a redação original do artigo 4°, da Lei n° 9.718/98 previa que os produtores/refinarias eram responsáveis pelo recolhimento do PIS e da COFINS devidos pelas distribuidoras de derivados de petróleo, agindo, assim, como substitutos tributários. Tal substituição tributária vigorou até o advento da Lei n° 9.990/00, que modificou a natureza da sujeição passiva dos produtores, passando de substitutos para contribuintes diretos das contribuições, à uma alíquota majorada. Já as distribuidoras, por sua vez, permaneceram na condição de contribuintes do PIS e da COFINS, cabendolhes a tributação à alíquota zero, nos termos do artigo 42, da MP n°2.15835/01. Com o advento da Lei n° 10.865/04, as distribuidoras passaram a se submeter ao regime monofásico não cumulativo, como foi admitido pelo próprio Fisco, onde é permitido o não estorno do crédito, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 3202001.456 S3C2T2 Fl. 1.092 5 Quanto à negativa de crédito em relação à contraprestação de aluguéis de imóveis pagos a pessoas físicas, a recorrente afirma que isso é uma inverdade, pois os locadores seriam pessoas jurídicas, conforme demonstrado na manifestação de inconformidade: GS Administração e Participação Ltda (Doc. 06), ST Administração e Participações Ltda. (Doc. 09) e Guaraçatuba Imóveis Próprios Ltda. (Doc. 11). Adicionalmente, empresa defende que foi equivocada a glosa efetuada pela Autoridade Fiscal, referente ao contrato de arrendamento de área no Complexo Industrial Portuário da SUAPE, pois o conceito de prédio, utilizado pela legislação tributária, abarca esse tipo de imóvel, como define o Direito Civil. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. Preliminar de nulidade Aprecio, primeiramente, a preliminar suscitada pela recorrente, pedindo a nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido, porque conteriam diversos pontos confusos e contraditórios que dificultam o exercício do direito de defesa da recorrente. A preliminar não deve prosperar, pois o que a recorrente chama de pontos confusos e contraditórios, na verdade, são considerações críticas a algumas das interpretações articuladas pelas decisões que redundaram no não reconhecimento de parte dos créditos pleiteados. Créditos extemporâneos Em dezembro de 2007, a empresa protocolou, em um único PER, o ressarcimento de créditos para vários trimestrescalendários, de 2004 a 2007. Apreciando o pedido o despacho decisório, referendado pela DRJ, se recusou a emitir juízo sobre valores não pertinentes ao 4º Trimestre/2007. Confirase (fl. 721): Portanto, temse que o saldo credor remanescente após o encerramento do trimestrecalendário pode ser utilizado para compensação de outros tributos e contribuições administrados pela então SRF ou ser objeto de pedido de ressarcimento, observadas as condições e procedimentos estipulados no art. 22 da IN SRF n° 600/2005, que dispõe, em seu parágrafo 3 o , que cada pedido de ressarcimento deverá referirse ao saldo credor de um único trimestre. Por esta razão é que todos valores não Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 pertinentes ao 4° trimestre/2007 foram excluídos, conforme demonstrativos às fls.683/691. No entanto, entendo que esse entendimento merece reforma. Com efeito, as Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Igualmente, no “Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – (EFDPIS/Cofins)”, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, há previsão expressa de o contribuinte lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Observese: 2.5 BLOCOS DO ARQUIVO Entre o registro inicial e o registro final, o arquivo digital é constituído de blocos, referindose cada um deles a um agrupamento de documentos e outras informações. 2.5.1 Tabela de Blocos BlocoDescrição 0Abertura, Identificação e Referências ADocumentos Fiscais Serviços (ISS) CDocumentos Fiscais I – Mercadorias (ICMS/IPI) DDocumentos Fiscais II – Serviços (ICMS) FDemais Documentos e Operações MApuração da Contribuição e Crédito de PIS/PASEP e da COFINS 1Complemento da Escrituração – Controle de Saldos de Créditos e de Retenções, Operações Extemporâneas e Outras Informações 9Controle e Encerramento do Arquivo Digital [...] 2.6.1.7. Bloco 1 bloco Descrição Registro Nível Ocorrência Obrigatoriedade do Registro 1 Apuração de Créditos extemporâneo – Documentos e operações anteriores – PIS/PASEP 1101 3 1:N O (se VL_CRED_EXT_APU do registro 1100 > 0) 1 Detalhamento do Crédito Extemporâneo, Vinculado a mais de um Tipo de Receita – PIS/PASEP 1102 4 1:1 O (se CST_PIS do registro 1101 for igual a 53, 54, 55, 56, 63, 64, 65 ou 66) [...] bloco Descrição Registro Nível Ocorrência Obrigatoriedade do Registro Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 3202001.456 S3C2T2 Fl. 1.093 7 1 Apuração de Créditos extemporâneo – Documentos e operações anteriores – COFINS 1501 3 1:N O (se VL_CRED_EXT_APU do registro 1500 > 0) 1 Detalhamento do Crédito Extemporâneo, Vinculado a mais de um Tipo de Receita – COFINS 1502 4 1:1 O (se CST_PIS do registro 1501 for igual a 53, 54, 55, 56, 63, 64, 65 ou 66) As sobreditas previsões no DACON e na EFD buscam cumprir o disposto no art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, segundo o qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Além disso, é preciso frisar que a única consequência legal para o preenchimento incorreto do DACON são as multas previstas no art. 7º Lei nº 10.426/2002. Confirase: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; e IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. § 5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6º No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo." Como se vê, o art. 7º Lei nº 10.426/2002 prevê, apenas, multa em caso de incorreções no DACON e a intimação do contribuinte para corrigilas, de modo a reduzir tais sanções. Não há, por conseguinte, previsão legal para glosar os créditos da nãocumulatividade por eventuais equívocos no DACON. Pelo mesmo raciocínio, não é possível indeferir o PER pelo simples fato deste abranger mais de um trimestre, em decorrência da apuração extemporânea, permitida, dos créditos pelo contribuinte. Acrescentese, ainda, que o referido crédito tem por fundamento o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 c/c art. 16 da Lei n° 11.116/2005, podendo ser utilizado tanto na dedução da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno, quanto na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB, observada a legislação específica. Eis os seus termos: (Lei n° 11.033/2004) Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (Lei n° 11.116/2005) Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 3202001.456 S3C2T2 Fl. 1.094 9 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Em tais créditos, colhase os seguintes precedentes do CARF julgados à unanimidade: Processo nº 16349.000033/200814 Relator JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Sessão de 24/07/2014 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido da COFINS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as agroindústrias, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas. COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. O art. 16, da Lei nº 11.116/2005, autoriza a utilização dos créditos do PIS e COFINS nãocumulativos se eles tiverem sido acumulados em razão das vendas dos produtos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/COFINS. [Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente)]. *** Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 Processo 15586.001201/201048 Relator JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/09/2008 CUSTOS DE PRODUÇÃO. CRÉDITOS. Os custos incorridos com serviços de desestiva/produção (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matériasprimas no armazém alfandengado), geram créditos dedutíveis da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou passíveis de ressarcimento. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. SALDO TRIMESTRAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. De acordo com o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, o crédito de um determinado mês pode ser utilizado nos meses subsequentes, e o fato da Lei nº 11.116/2005, autorizar o ressarcimento do saldo de créditos somente no término do trimestre, não quer dizer que não poderão ser aproveitados créditos apurados em outros trimestres. Recurso Voluntário Provido [Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.] Ademais, é dever da fiscalização apurar os créditos e os débitos nos tributos nãocumulativos, refazendo se for o caso cálculos efetuados pelo contribuinte, na forma da legislação tributária. Não pode a fiscalização indeferir o ressarcimento ou glosar os créditos nãocumulativos, por alegado vício formal no preenchimento das obrigações acessórias, sem sequer intimar o contribuinte para retificar os supostos equívocos nem examinar se os créditos procedem ou não, deixando indevidamente de corrigir, de ofício, os erros eventualmente cometidos pelo contribuinte. Acolho, nessa linha, o mesmo entendimento firmado sobre a matéria pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em 01/09/2011, no PAF. nº 13981.000184/200495, cujo Voto da lavra do Ilmo. Conselheiro EMANUEL ASSIS transcrevo abaixo, integrandoo a minha fundamentação: Para mim, na situação em tela não há necessidade de a contribuinte retificar o Dacon antes, para somente após aproveitar os créditos em período seguinte. No curso de uma fiscalização ou diligência, constatado incongruência nos dados do Dacon (ou de outra declaração entregue pelos contribuintes, inclusive a DCTF), os cálculos do tributo devido devem ser refeitos de modo a resultar em lançamento de ofício ou em proveito do sujeito passivo. Na hipótese de incongruência favorável ao contribuinte nada impede que a administração tributária adote as providências cabíveis, dispensandose exigências que podem ser supridas por ato da própria administração. É o que se dá no caso sob análise, já que o processamento do Dacon pode ser refeito pela RFB. Para tanto Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 12585.000064/200911 Acórdão n.º 3202001.456 S3C2T2 Fl. 1.095 11 basta instituir controles nos sistemas eletrônicos, a registrar a alteração feita. Não me parece razoável que, após a contribuinte explicar a apuração do crédito em período seguinte e requerer o aproveitamento extemporâneo, dentro do prazo decadencial, sem que haja dúvida sobre o direito alegado este lhe seja negado sob a justificativa de não ter sido retificada previamente uma obrigação acessória. O fato de o Dacon não ter sido retificado há de ser relevado, por não haver dúvida quanto ao crédito correspondente às aquisições das notas fiscais acima mencionadas. Na linha da interpretação ora adotada, já existe, inclusive, decisão de Superintendência da RFB dizendo da desnecessidade de retificação de DCTF, em hipótese que se afigura semelhante à presente situação. Refirome à Solução de Consulta da Disit da 3ª RF nº 35, de 30/08/2005, com o seguinte teor, verbis: ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. A compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada. DCTF é confissão relativa e que a RFB não pode têla como definitiva, omitindose de realizar a diligências necessárias à apuração na contabilidade e escrita fiscal. Pelos fundamentos acima, e levando em conta o § 4º do art. 3º, tanto da Lei nº 10.637/2002 (PIS) quanto da Lei nº 10.833/2003 (Cofins), segundo o qual o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, dou provimento parcial para admitir os créditos relativos às aquisições das notas fiscais de fornecedores anexadas à Manifestação de Inconformidade e aproveitadas no mês seguinte ao de emissão. Em conseqüência do provimento do recurso voluntário nessa parte, entendo que se faz necessário anular o acórdão recorrido e o despacho decisório, na medida em que nem a DRF nem a DRJ apreciaram o mérito dos créditos da recorrente anteriores ao 4ª trimestre/2007, por julgarem que seria vedado tal possibilidade. Caso julgássemos o mérito dos valores não apreciados pela DRF e pela DRJ, estaríamos suprimindo duas instâncias. Adicionalmente, embora seja possível examinar o mérito do crédito do 4º trimestre/2007 sem supressão de instância, tal procedimento transformaria um processo administrativo em dois. O primeiro seria julgado hoje (4º trimestre/2007) e o outro reiniciaria na DRF (valores anteriores ao 4º trimestre/2007). Essa hipótese é absurda, considerando a legislação que regula o processo administrativo fiscal. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 12 É necessário, portanto, a emissão de novo despacho decisório, para que a DRF possa examinar – além do 4º trimestre/2007 todos os valores constantes do pedido de ressarcimento, dado que o CARF não pode julgálo por partes. Por essa razão, REJEITO a preliminar e DOU PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para, reconhecendo a possibilidade de apuração de créditos extemporâneos, anular o despacho decisório e o acórdão recorrido, determinando à DRF que examine a procedência ou não dos créditos, alusivos aos valores não pertinentes ao 4ª trimestre/2007, emitindo novo despacho decisório. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10283.909678/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 78 /2 00 9- 21 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909678/200921 Acórdão n.º 3202001.546 S3C2T2 Fl. 393 3 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 394DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10980.723316/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro De Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro De Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damião Cordeiro De Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório: Tratase de Auto de Infração, lavrado em 20/09/2010, em desfavor de GARJA COMERCIAL E INDUSTRIAL LTDA., decorrente do não recolhimento da contribuição dos segurados empregados, no período de 01/2006 a 12/2008, inclusive os 13ºs salários dos respectivos anos, sendolhe, em virtude disso, imputada a multa disposta no art. 35A, da Lei nº 8.212/91, no valor de R$ 102.907,41 (Cento e dois mil e novecentos e sete Reais e quarenta e um centavos), tudo conforme o Relatório Fiscal. Diz ainda o referido Relatório, que a autuação teve como fatos geradores as remunerações pagas aos segurados empregados, por serviços prestados, e não declaradas em GFIP. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 23 31 6/ 20 10 -1 1 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.723316/201011 Resolução nº 2301000.257 S2C3T1 Fl. 3 2 Em 13/10/2010 empresa tomou ciência do AI contra ela lavrado e, em 12/11/2010, apresentou defesa administrativa tempestiva. Todavia, foi mantido o lançamento pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, cuja ementa assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 AI Nº 37.298.4630 EXCLUSÃO DO SIMPLES. DISCUSSÃO INCABÍVEL EM PROCESSO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS PELOS SEGURADOS. Tratando o processo de crédito relativo a contribuições previdenciárias devidas pelos segurados incidentes sobre suas remunerações recebidas da empresa, é de todo inoportuna no respectivo processo de lançamento fiscal de ofício qualquer discussão acerca dos motivos que ensejaram a exclusão da empresa do sistema simplificado de tributação, porquanto a exigibilidade dessas contribuições independe da permanência ou não do contribuinte no Simples. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INOCORRÊNCIA. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. A multa pelo recolhimento em atraso da contribuição administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil tem caráter irrelevável, incide de forma automática sobre o débito e, conforme o mês de ocorrência do fato gerador, obedece aos percentuais previstos na legislação aplicável. MULTA MAIS BENIGNA NO MOMENTO DO CÁLCULO A Medida Provisória 449, de 2008, convertida na Lei 11.941, de 2009, alterou o cálculo da multa aplicada por entrega de GFIP com omissão de fatos geradores. Tal alteração atrai para o caso a aplicação do art. 106, II, “c” do CTN, devendo substituir a penalidade pecuniária que for mais benigna para o autuado. PEDIDO GENÉRICO. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Indeferese o pedido genérico de produção de provas em razão da preclusão e do seu evidente caráter protelatório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, o ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 12/03/2012, alegando, em síntese que: Afirma que se encontra enquadrada no Simples Nacional desde 01/07/2007, e mesmo após a expedição do ADE, permaneceu com a opção ao Simples Nacional desde 01/07/2007, conforme atesta o site da Receita Federal do Brasil; Alega que ficou caracterizada a denúncia espontânea, uma vez que confessou o pagamento a menor e recolheu o tributo com juros e multa, antes da lavratura do Auto de Infração, sendo, portanto, indevida a autuação fiscal, bem como a multa de caráter punitivo imposta; Fl. 317DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.723316/201011 Resolução nº 2301000.257 S2C3T1 Fl. 4 3 Afirma que houve cerceamento de defesa, tendo em vista que foi penalizada com a exclusão do regime de tributação e a aplicação de pesadas multas antes de ter a oportunidade de oferecer impugnação administrativa; Defende ser inconstitucional excluir as microempresas e empresas de pequeno porte do SIMPLES NACIONAL pela falta de pagamento de tributos, pois, não era essa a finalidade constitucional destinada para tais empreendimentos, mas sim, dar a eles condições para de desenvolverem e crescerem, cumprindo sua função social; Diz que o Auditor Fiscal penalizou a empresa com a multa disposta no art. 32 A, da Lei nº 8.212/91, levando em consideração sua exclusão do sistema unificado de tributação – Simples Nacional. Entretanto, isto não poderia ocorrer, vez que o contribuinte não violou qualquer dispositivo para ser excluída do regime mais benéfico; Por fim, requer que o cálculo da multa seja feito com fulcro no inciso I, do art. 32A, da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o Auditor fiscal calculoua de forma equivocada ao que determina a legislação, pois considerou inicialmente que o valor mínimo seria de R$ 1.431,79, enquanto que pela nova regra, o valor mínimo é de R$ 20,00; Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso voluntário. É o relatório. Voto: Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Da simples análise dos documentos acostados ao presente auto de infração nº 37.298.4630, percebese facilmente que o lançamento decorreu da exclusão do contribuinte do SIMPLES NACIONAL, através do processo nº 10980.721918/201033, o que ensejou a apuração das contribuições previdenciárias e de multa por descumprimento de obrigações tributárias ocorridas nos períodos posteriores aos efeitos da sua exclusão. Diante desse cenário, verificase que o julgamento por este Conselho depende necessariamente do resultado do julgamento do processo administrativo que analisa a exclusão da empresa do SIMPLES NACIONAL pois, caso o recurso voluntário nele interposto pelo contribuinte seja provido, prejudicado estará o lançamento realizado nos autos do processo em exame. Ocorre que o processo nº 10980.721918/201033, em que pesa tenha sido designado à minha relatoria, foi redistribuído, por decisão desta Turma, à 1ª Seção, órgão competente para apreciar e julgar os recursos relativos à exclusão de empresas dos SIMPLES, nos moldes do art. 2, V do Regimento Interno do CARF: Art. 2º. À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: Fl. 318DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10980.723316/201011 Resolução nº 2301000.257 S2C3T1 Fl. 5 4 (...); V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); Constatada, portanto, a conexão entre este processo e o 10980.721918/201033, que é de competência da 1ª Seção, bem como a prejudicialidade do segundo em relação ao primeiro, deve ser sobestado os processos dependentes, para que sejam julgados somente após a decisão final. O Código de Processo Civil determina no seu art. 265 a suspensão do processo “quando a sentença de mérito depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente”. Entendo que a decisão a ser tomada naqueles autos, pode, sobremaneira, surtir efeitos na decisão aqui a ser proferida por essa Egrégia 1º Turma, motivo pelo qual é prudente emprestar do Código de Processo Civil o instituto jurídico processual previsto expressamente no artigo 265 do CPC, e aplicálo no caso dos presentes autos, analogicamente. Portanto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que sejam os presentes autos remetidos à Delegacia da Receita Federal de origem, onde deverão aguardar o julgamento do processo 10980.721918/201033 pela 1ª Seção deste Conselho, após o que retornarão a esta Turma para julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 319DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 7/04/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIR A
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003016/2010-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2008
NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), Art. 106, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
(Assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente na data da formalização
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho arruda Junior
Relator
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Redator-Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2008 NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), Art. 106, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente na data da formalização (Assinado digitalmente) Manoel Coelho arruda Junior Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator-Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10865.003016/201038 Recurso nº 99.999 Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.252 – 2ª Turma Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria Contribuições previdenciárias Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ASSOCIAÇÃO DE EDUCAÇÃO DO HOMEMDE AMANHÃ DE SÃO JOÃO DA BOA VISTA A.E.H.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2008 NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. LANÇAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), Art. 106, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a antiga em comparação com a determinada pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 30 16 /2 01 0- 38 Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente na data da formalização (Assinado digitalmente) Manoel Coelho arruda Junior Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira RedatorDesignado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10865.003016/201038 Acórdão n.º 9202003.252 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 240301.171, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF em 17/04/2012, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. O acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35, caput da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Segundo a Fazenda Nacional, a decisão recorrida diverge dos paradigmas que apresenta. Seguem abaixo suas ementas: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 08.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso Ido CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2° Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n° 3. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de coresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas fisicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA PAGA EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A parcela foi paga em desacordo com a lei, pois não houve participação do sindicato na negociação. A negativa do sindicato em participar, conforme descrito pelo recorrente, não tomou legitimo o instrumento realizado. Para solução do caso, se entendesse a empresa ou os trabalhadores ser mais benéfico o acordo de participação nos lucros proposto pelo recorrente deveria valerse do disposto na Consolidação das Leis do Trabalho CLT, além do que a própria Lei n 10.101 em seu art. 4° prevê a forma de resolução de controvérsias relativas ao PLR. Recurso Voluntário Negado” (AC 230100.283) “SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA IDe acordo com o artigo 34 da Lei n" 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2° Conselho de Contribuintes. 3Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n"s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN.” (AC 240100.120) Para melhor ilustrar a divergência em comento, destaca os seguintes trechos dos paradigmas: AC 230100.283: “Quanto à possibilidade de retroatividade da multa prevista na Medida Provisória n ° 449 de 2008, entendo que a mesma não se Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10865.003016/201038 Acórdão n.º 9202003.252 CSRFT2 Fl. 4 5 aplica. A retroatividade benigna terá aplicação nas hipóteses de a situação gerada pelo ordenamento novel ser mais benéfica que a anterior. In casu, para lançamento de oficio a situação gerada por meio da Medida Provisória n ° 449 impõe a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, ou seja a multa seria de 75%. A multa moratória prevista no art. 61 da Lei n ° 9.430 somente se aplica para casos de recolhimento não incluídos em lançamento de oficio, o que não é o caso. O fato de ser classificada como multa moratória ou de oficio é irrelevante, o que importa é o comparativo entre situações tendo como referência a nova legislação.” AC 240100.120: “Nesse sentido, devida a contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Portanto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34, da Lei n°8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35, do mesmo Diploma Legal. (...) Com relação à solicitação da recorrente, para a aplicação do disposto na Medida Provisória 449, relativamente à multa de mora, importa salientar que a referida MP, além de alterar o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: "Art.. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996". O inciso Ido art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata Entretanto, se ocorreu o lançamento de oficio que é o presente caso, a multa devida seria de 75%, superior ao índice previsto na antiga redação do art. 35 da Lei n. 8.212/1991, correspondente ao percentual devido após ciência do acórdão da segunda instância. Assim, não há como retroagir, ainda que se considere a multa moratória como penalidade, pois a lei atual não é mais favorável ao contribuinte, pelo menos até essa instância.” Ressalta que os acórdãos indicados como paradigmas, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11941/09 e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei nº 8212/91. Assinala que, embora diante de situações semelhantes, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob fundamento de que o art. 35, caput da Lei 8212/91 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11941/09. Afirma que, como na atual redação há remissão ao art. 61 da Lei nº 9430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20%. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 Pondera que os paradigmas, por outro lado, entenderam que o art. 35 da Lei nº 8212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei 9430/96. Salienta que nos paradigmas a aplicação da retroatividade benigna na forma do art. 61, §2º da Lei 9430/96 foi rechaçada de forma expressa. Ao final, requer o provimento do recurso. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 4ª Câmara, da Segunda Seção prolatou Despacho n. 2400403/2012 que deu seguimento ao Especial interposto: [...]Mediante análise dos autos, vislumbro a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, motivo pelo qual entendo que está configurada a divergência jurisprudencial apontada pela Fazenda Nacional. De fato, em situações semelhantes, os paradigmas aplicaram o art. 35A, enquanto que a decisão recorrida aplicou o disposto no art. 35, caput, ambos da Lei nº 8212/91. III – Da conclusão Pelo exposto, nos termos do art. 68 do RICARF, dou seguimento ao recurso especial de divergência. Encaminhemse os autos ao órgão de origem para que o contribuinte tome ciência do acórdão recorrido, do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e deste despacho e, querendo, apresente contrarazões e recurso especial relativo à parte do acórdão que lhe foi desfavorável, consoante o disposto no art. 69 do RICARF. III — Da conclusão Pelo exposto, nos termos do art. 68 do RICARF, dou seguimento ao recurso especial de divergência. Encaminhemse os autos ao órgão de origem para que o contribuinte tome ciência deste despacho e, querendo, apresente contrarazões e recurso especial relativo â. parte do acórdão que lhe foi desfavorável, consoante o disposto no art. 69 do RI CARF. Intimado a se manifestar, o Autuado apresentou contrarrazões [fls. 123 e ss] que, em síntese, reitera os argumentos do acórdão recorrido e requer, ao final, que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto. É o relatório. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10865.003016/201038 Acórdão n.º 9202003.252 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatadas pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF as divergências suscitadas pela Contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões à respeito da mesma matéria. Multa Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 DISPOSITIVO Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso especial, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10865.003016/201038 Acórdão n.º 9202003.252 CSRFT2 Fl. 6 9 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de seu voto quanto à forma de cálculo da multa. Sobre qual multa deve ser aplicada nos lançamentos de ofício, na análise da questão verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com o acórdão recorrido a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10865.003016/201038 Acórdão n.º 9202003.252 CSRFT2 Fl. 7 11 Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado as penalidades que o sujeito passivo sofreu na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória e principal), com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória e principal). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas e dou provimento ao recurso, nos termos solicitados. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10865.003016/201038 Acórdão n.º 9202003.252 CSRFT2 Fl. 8 13 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, dou provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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