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Numero do processo: 19515.722184/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
Ementa:
DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA.
A contagem do prazo decadencial da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento do carnê-leão submete-se à regra geral estabelecida no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DUPLICIDADE.
Constatada a duplicidade no cômputo de parte dos honorários advocatícios recebidos pelo contribuinte, é cabível a exclusão do valor considerado a maior.
MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. Ao se constatar que o contribuinte atendeu, embora parcialmente, às intimações, apresentando a documentação de que dispunha, correta a decisão de primeira instância que reduziu a multa de ofício, afastando o agravamento.
Numero da decisão: 2201-002.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Luiz Carlos de Andrade Júnior, OAB/SP 258.521.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 27/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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MULTA ISOLADA. A contagem do prazo decadencial da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento do carnêleão submetese à regra geral estabelecida no inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), ou seja, cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DUPLICIDADE. Constatada a duplicidade no cômputo de parte dos honorários advocatícios recebidos pelo contribuinte, é cabível a exclusão do valor considerado a maior. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. Ao se constatar que o contribuinte atendeu, embora parcialmente, às intimações, apresentando a documentação de que dispunha, correta a decisão de primeira instância que reduziu a multa de ofício, afastando o agravamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Luiz Carlos de Andrade Júnior, OAB/SP 258.521. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 84 /2 01 1- 51 Fl. 4877DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2006 e 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 4334/4356, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 38.789.465,49, calculado até 31/10/2007. A fiscalização apurou, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 4336/4345): 1. Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Jurídicas 2. Omissão de Rendimentos de Aluguéis e Royalties Recebidos de Pessoas Jurídicas 3. Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoas Físicas 4. Omissão de Rendimentos de Aluguéis e Royalties Recebidos de Pessoas Físicas 5. Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada 6. Falta de Recolhimento do IRPF Devido a Título de Carnê leão Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do requerimento sintetizado pelo relatório de primeira instância, verbis: 94. requer que sejam reconhecidos: i) a decadência do direito de lançar exigências relativas ao ano de 2006; ii) a nulidade absoluta do auto de infração pois a fiscalização deveria ter autuado a sociedade de fato, ou quando menos, a pessoa jurídica equiparada, aplicando o regime tributário de pessoas jurídicas, tendo em vista a prática pelo Impugnante de atividade econômica voltada ao lucro, em conjunto com seu sócio; iii) a decadência das multas isoladas pelo não recolhimento de carnê leão dos períodos de janeiro a dezembro de 2006 (subsidiariamente) e de janeiro a março de 2007; iv) os equívocos cometidos pela fiscalização e a metodologia ilegítima e ilegal por ela utilizada tornam o lançamento ilíquido e incerto; v) subsidiariamente, o cancelamento, ao menos, da parte Fl. 4878DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 2201002.658 S2C2T1 Fl. 3 3 decorrente da aplicação da média percentual para apuração dos honorários contratuais supostamente omitidos, por representar uma presunção não autorizada por Lei e tributação com base em fato gerador não comprovadamente ocorrido; vi) subsidiariamente, a duplicidade e determinado o cancelamento do auto com relação às exigências apontadas no tópico II.B.2 acima, que somam um imposto indevidamente exigido de R$ 441.638,18 (bem como multas e juros) para 2007 e R$ 953,48 (bem como multas e juros), para 2006; vii) o cancelamento do item 05 do auto de infração, caso os itens ii e iv acima não sejam acolhidos, tendo em vista que as contas bancárias eram de uso comprovado de terceiros e, portanto, os depósitos bancários nelas realizados não podem ser imputados ao Impugnante; viii) que não poderá prevalecer a multa qualificada de 150% e tampouco o seu agravamento em 50%, i.e., reconhecer a ilegitimidade da multa de 225%, tendo em vista a ausência de motivação e tampouco comprovação e constatação da ocorrência de sonegação, fraude e conluio, que justifique a multa qualificada de 150%, bem como que nunca houve o alegado não atendimento à fiscalização, para ensejar o agravamento dessa multa pela metade; ix) a ilegalidade de cobrança de multa isolada concomitante com multa de ofício, pois, de outra forma, haveria bis in idem, com a dupla penalização do Impugnante pela mesma suposta infração; x) que as multas isoladas, caso mantidas, devem ser recalculadas para excluir de sua base os valores que foram considerados como rendimentos recebidos de pessoas físicas, quando, em verdade, foram recebidos de pessoa jurídica, ou, ainda, não houve prova de sua origem; xi) caso alguma multa de ofício (punitiva e isolada) prevaleça, não poderá haver incidência de juros de mora sobre ela, por falta de previsão legal; 95. requer, ainda, que se determine o cancelamento do processo administrativo de arrolamento de bens (PAF n° 19515.720454/201271) e da representação para propositura de medida cautelar fiscal (PAF n° 19515.720404/201293). A 16ª Turma da DRJ em São Paulo/SP1 julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. É de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, o prazo para o lançamento de ofício do imposto sobre a renda da pessoa física cujo pagamento tenha sido antecipado pelo contribuinte. In casu, tendo sido constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme previsto no art. 173, I do CTN. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. Fl. 4879DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 4 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativamente às multas isoladas por falta de recolhimento do carnêleão extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. NULIDADE. LEVANTAMENTO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. IMPROCEDÊNCIA. A eventual existência de incorreções no levantamento da matéria tributável, por parte da autoridade lançadora, não demanda a declaração de nulidade do lançamento como um todo, mas simplesmente sua improcedência (no todo ou em parte). NULIDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA Incabível a preliminar de ilegitimidade passiva, uma vez provada a relação pessoal e direta do contribuinte com a situação que constitua o respectivo fato gerador, tendo em vista que são incluídos na declaração da pessoa física os rendimentos oriundos do exercício da atividade profissional de advogado, ainda que o profissional tenha firma individual registrada e em nome dela receba os rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA DA ORIGEM. A demonstração da origem dos depósitos deve se reportar a cada depósito, de forma individualizada, de modo a identificar a fonte do crédito, o valor, a data e a natureza da transação, se tributável ou não. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ARBITRAMENTO. Nos casos de prestação de serviços de advocacia em que a cobrança dos honorários é feita aplicandose um percentual sobre os valores obtidos pelo autor da ação e quando o contribuinte não apresenta documentos que possibilitem aferir o exato valor do rendimento por ele obtido, é lícito arbitrar os rendimentos OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DUPLICIDADE. Constatada a duplicidade no cômputo de parte dos honorários advocatícios recebidos pelo contribuinte, é cabível a exclusão do valor considerado a maior. MULTA QUALIFICADA. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício sobre o valor do imposto apurado em procedimento de Fl. 4880DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 2201002.658 S2C2T1 Fl. 4 5 ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, independentemente do motivo determinante da falta. No caso em exame, tendo sido comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do pagamento do imposto devido, cabível é a aplicação da multa qualificada. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Incabível a exasperação da multa, uma vez não comprovada, nos autos a recusa do contribuinte em atender às intimações fiscais, ou de haver atendido fora do prazo concedido. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. SIMULTANEIDADE. Estando o contribuinte obrigado ao recolhimento do imposto de renda mensal (carnêleão), o descumprimento desta obrigação tributária impõe a aplicação de multa isolada, incidente sobre o valor do imposto devido, independentemente da exigência da multa de ofício sobre o imposto de renda apurado no lançamento anual (declaração). JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é correta a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. Impugnação Procedente em Parte Diante do valor exonerado, os autos foram encaminhados a este Conselho por força do recurso necessário, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 03/2008. Não foi apresentado Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso de ofício atende os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia, nesta segunda instância, exclusivamente ao exame do recurso de ofício. Ao analisar a impugnação apresentada pelo contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância, assim concluiu: Fl. 4881DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 6 PRELIMINARES DECADÊNCIA (...) Já o lançamento das multas isoladas não acompanha o principal e decorre de uma simples punição ao ato omissivo de não se antecipar o imposto no momento correto. Ainda que na Declaração de Ajuste Anual não tenha sido apurado imposto a pagar, persiste a infração e é aplicável a penalidade (art. 44, § 1.º, inc. III, da Lei n.º 9.430/96). Dessa forma, haja vista que os débitos relativos à multa isolada por falta ou insuficiência de carnêleão são lançados apenas de ofício, não há que se falar em lançamento por homologação por não se tratar de tributo, devendo também ser aplicada a regra estabelecida no art. 173, I, do CTN. Portanto, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para constituir o crédito ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. Para definir este termo, é necessário identificar a data prevista para o recolhimento do imposto, pois é a partir de então que a multa já poderia ter sido lançada. O art 6º, da Lei 8.383/91 estabelece que o imposto relativo aos rendimentos recebidos de pessoa física (art. 8º da Lei 7.713/88) deve ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos rendimentos. Art. 6° O imposto sobre os rendimentos de que trata o art. 8° da Lei n° 7.713, de 1988: (...) II deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos rendimentos. Assim, o prazo para recolhimento do imposto obrigatório mensal (carnêleão) correspondente aos rendimentos recebidos em janeiro de 2006 ocorreu no último dia útil de fevereiro seguinte. Conseqüentemente eventual multa pelo não recolhimento já poderia ter sido lançada em 1º de março subsequente. Isso significa que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial (primeiro dia do exercício seguinte) é 1º de janeiro de 2007. Contados o cinco anos, o direito de a Fazenda lançar a multa relativa a janeiro de 2006 extinguiuse em 31/12/2011. Seguindo o mesmo raciocínio, as multas relativas ao período compreendido entre os meses de fevereiro a outubro de 2006 também já decaíram. Quanto às multas correspondentes aos meses de novembro e dezembro de 2006, o termo inicial é deslocado para 1º de janeiro de 2008, já que as multas só poderiam ter sido lançadas no ano seguinte (2007), em janeiro e fevereiro de 2007, respectivamente, extinguindose em 31/12/2012. Fl. 4882DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 2201002.658 S2C2T1 Fl. 5 7 O mesmo se observa em relação às multas concernentes aos meses de janeiro a março de 2007, cujo crédito poderia ser constituído até 31/12/2012. Como já se viu, o contribuinte foi cientificado em 07/04/2012. Logo, deve ser afastada a preliminar de decadência relativamente às multas isoladas apuradas nos meses de novembro/2006, dezembro/2006 e no período de janeiro e dezembro de 2007. (...) MÉRITO RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS (...) Por outro lado, assiste razão ao impugnante quando afirma que houve duplicidade no cômputo de parte dos honorários advocatícios apurados no anocalendário de 2007. Confrontandose a planilha “Complemento do Demonstrativo de Sucumbências Declaradas Levantadas – AC 2007” (fls. 4231/4236), que também foi elaborada em ordem cronológica pela fiscalização (fls. 4248/4253), com a planilha “Demonstrativo de Créditos Oriundos de Levantamentos Judiciais Lev. Dp. Jud2007Doc3” (fls. 4256/4259) é fácil perceber que há levantamentos de depósitos judiciais considerados em duplicidade. Com bem esclarece o contribuinte, a primeira planilha, “Complemento do Demonstrativo de Sucumbências Declaradas Levantadas – AC 2007”, apurou os honorários advocatícios contratuais à razão de 20% dos levantamentos judiciais, que eram depositados na contacorrente do impugnante, tendo como ponto de partida a planilha de Sucumbências Levantadas 2007 (fls. 1646/1650). Já a segunda planilha, “Demonstrativo de Créditos Oriundos de Levantamentos Judiciais Lev. Dp. Jud2007Doc3”, calculou os honorários advocatícios contratuais a partir da aplicação da média percentual sobre os depósitos efetuados na contacorrente do interessado, o que deu causa à duplicidade mencionada. No anocalendário de 2006, também foi possível constatar a duplicidade em um dos levantamentos judiciais, como se verifica a partir do cotejo entre os demonstrativos “Complemento do Demonstrativo de Sucumbências Declaradas Levantadas – AC 2006” (4220/4222) e “Demonstrativo de Créditos Oriundos de Levantamentos Judiciais Lev. Dp. Jud2006Doc2” (fls. 4239/4247). Desse modo, devem ser excluídos da autuação, os valores decorrentes da aplicação do percentual arbitrado sobre os depósitos bancários, extraídos do Demonstrativo de Créditos Fl. 4883DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 8 Oriundos de Levantamentos Judiciais Lev. Dp. Jud2006Doc2” (fls. 4239/4247), os quais se encontram abaixo listados: DATA HONORÁRIOS ITEM DEMONST. GUIA HONORÁRIOS ITEM DEPÓSITO A EXCLUIR CRÉD. DE LEVANT. DEMONST. DEMONST. LEVANT. JUD. JUDICIAL SUCUMB. SUCUMB. 31/8/2006 3.467,21 700 94995 2.812,23 93 TOTAL/2006 3.467,21 2.812,23 26/1/2007 14,01 769 248/07 12,08 138 26/1/2007 493,74 770 420/07 419,69 3 28/2/2007 151.197,21 788 981/07 161.506,39 185 2/4/2007 1.063,09 818 1787/07 1.071,00 45 2/4/2007 52.224,25 828 1901/07 51.015,97 227 5/4/2007 1.506,56 844 2125/07 1.573,23 94 27/4/2007 779,02 859 2535/07 776,18 223 2/5/2007 897,90 868 2347/07 944,43 220 24/5/2007 352,85 893 2936/07 326,78 36 1/6/2007 17.928,36 907 3018/07 17.587,63 145 4/6/2007 98.384,36 921 3362/07 114.196,64 26 4/6/2007 1.770,69 922 3390/07 1.919,03 172 20/6/2007 403,01 936 3476/07 414,24 79 20/6/2007 22.597,86 937 3451/07 25.369,68 109 20/6/2007 5.655,15 939 3687/07 6.265,02 190 27/6/2007 6.233,83 943 3720/07 6.092,79 255 4/7/2007 278.623,03 969 3993/07 293.805,89 53 13/7/2007 42.787,55 973 4147/07 49.426,66 180 27/7/2007 30.805,49 991 4293/07 29.662,17 250 1/8/2007 20.524,75 995 4413/07 22.418,05 21 1/8/2007 10.175,53 997 4525/07 10.954,92 228 1/8/2007 55.050,35 999 4482/07 60.760,35 149 1/8/2007 8.849,79 1004 4445/07 9.088,14 87 1/8/2007 3.779,43 1007 4339/07 3.062,65 230 3/8/2007 14.178,07 1023 4718/07 13.980,49 237 8/8/2007 17.092,32 1024 4757/07 16.110,39 260 8/8/2007 5.118,84 1028 4770/07 5.309,87 113 15/8/2007 25.480,03 1035 5017/07 23.811,69 150 15/8/2007 4.410,86 1036 4975/07 3.078,43 254 3/9/2007 27.478,99 1055 5195/07 25.862,62 179 3/10/2007 35.814,31 1097 6197/07 34.816,06 192 1/11/2007 3.845,84 1125 6812/07 4.302,14 177 1/11/2007 318.049,42 1129 6797/07 309.304,11 96 7/11/2007 24.577,47 1144 6865/07 22.912,79 120 23/11/2007 61.965,85 1167 7138/07 66.104,02 67 23/11/2007 25.328,77 1168 7056/07 25.907,08 107 23/11/2007 43.842,84 1169 7118/07 42.033,28 98 23/11/2007 38.317,20 1170 7063/07 39.436,27 169 23/11/2007 35.197,39 1171 7058/07 37.934,86 52 23/11/2007 49.098,94 1172 7081/07 48.326,89 165 23/11/2007 1177 7051/07 201 23/11/2007 20.997,32 1181 7143/07 23.277,13 188 26/11/2007 24.547,51 1183 7228/07 23.152,53 164 26/11/2007 1185 7231/07 171 26/11/2007 4.562,57 1187 7237/07 1.679,66 119 28/11/2007 3.615,75 1190 7292/07 3.606,90 49 Fl. 4884DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 2201002.658 S2C2T1 Fl. 6 9 12/12/2007 9.558,89 1199 7555/07 7.889,06 234 TOTAL/2007 1.605.176,99 1.647.505,88 É de se notar que não cabe o expurgo dos honorários advocatícios incidentes sobre os depósitos realizados em 23/11/2007 e 26/11/2007, nos respectivos valores de R$ 601,82 e R$ 171,69, itens 1177 e 1185 (fls. 4259), posto que os mesmos não constaram da planilha “Complemento do Demonstrativo de Sucumbências Declaradas Levantadas – AC 2007” (fls. 4234). (...) MULTA AGRAVADA A fiscalização aplicou a todas as infrações apuradas o agravamento da multa de ofício previsto no art. 44, § 2º, “a”, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, com fulcro nas seguintes razões: “66.1. intimado através dos itens 4.2 e 5 do Termo de Início de Fiscalização a esclarecer e comprovar a destinação dos honorários por ele recebidos dos Autores das ações das quais foi patrocinador, até a presente data não apresentou nenhum dos recibos que emitiu por conta do recebimento de honorários advocatícios por ele emitidos para seus clientes, por ocasião dos repasses das verbas a eles demonstrada como devida, assim como não esclareceu nem comprovou a destinação dos honorários recebidos dos Autores, mesmo possuindo sistema computadorizado denominado "SISTEMA DE GESTÃO DE PROCESSOS SANDOVAL FILHO...", que só corrobora o porquê de em suas DIRPFs não haver preenchimento da coluna LIVRO CAIXA, ou seja, NÃO PRESTAR ESCLARECIMENTO ALGUM QUANTO AOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS EM SEU ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA E AS RELAÇÕES COM SEUS SÓCIOS/PARCEIROS; 66.2. em 14/02/2011, alegando não ter sido possível levantar todos os documentos solicitados, não apresentou documento algum e solicitou prazo suplementar de 30 (trinta) dias; 67. em 24/05/2006, o contribuinte, através de seu procurador, alegando cumprimento ao item 4 do Termo de Reintimação Fiscal de 18/05/2011, apresentou CD que deveria conter a planilha de cálculo dos valores levantados em 2007 a título de honorários de sucumbência, cujo conteúdo tentamos visualizar, na presença de seu preposto Alexei de Albuquerque Weidebach (Estagiário), sem sucesso, tentativa efetuada em mais de um computador. Evidentemente foi utilizado algum tipo de limitação de acesso para retardar o fornecimento de informações e o andamento da fiscalização: 68. em 08/06/2011, mais uma vez apresentou diversos documentos sem os relacionar como solicitado em todos os termos por nós lavrados, objetivando com isto fazer parecer que Fl. 4885DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 10 estariam sendo apresentados todos os extratos, quando na realidade faltava parte dos extratos, inclusive por ele mesmo sendo reconhecido quanto aos extratos do Bradesco, também apresentou extratos do Banco Nossa Caixa S/A., em impresso do Banco do Brasil S/A., sem fazer menção a tal fato; o que percebemos posteriormente tendo em vista que o dígito verificador foi alterado assim como o número da agência que somente após o término do último dos exercícios objeto do presente passou a ser do Banco do Brasil S.A.; 69. ainda em 08/06/2011, apresentou extrato da contacorrente 5265371, emitido pela Internet, que recusamonos a receber, tendo em vista que na imensa maioria das 55 folhas havia diversos lançamentos impressos com falha, estando alguns totalmente ilegíveis; 70. para corroborar o acima indicado, somente em 25/08/2011, o contribuinte apresentou extrato do Banco Citibank,, contendo 53 folhas, emitido por WebGRB Emulator, em cujo rodapé verificase que sua emissão ocorreu em 05/07/2011. mas para tal apresentação juntou carta de solicitação elaborada em 07/07/201 le recepcionada pela funcionária Suellen Campana, em 08/07/2011, que também assinou a primeira das 53 folhas, ou seja, quando da apresentação de documentos e das reclamações feitas quanto a atuação do Banco Citibank em 14/07/2007, eleja dispunha deste extrato só apresentado em 25/08/2011, para o que fora intimado em 24/01/2011 (VIDE ARQUIVO "B CITIBANK CC 526571");” O suplicante, por outro lado, argumenta que, desde o início do procedimento fiscal, colaborou com o agente fiscalizador, atendeu às intimações recebidas e procedeu à entrega de documentos que se encontravam disponíveis por ocasião das solicitações, diligenciando sempre no sentido de obter os dados e elementos pedidos. Assim, entende que deve ser cancelada a multa agravada. Sustenta, ainda, que atuou como advogado em um grande número de processos, sendo que alguns deles já estavam encerrados e arquivados e, por isso, não conseguiu obter a tempo documentos a eles relativos. Portanto, não pode ser penalizado por isso, já que a documentação referente à grande maioria deles foi devidamente entregue e utilizada pela fiscalização. A aplicação da multa agravada está amparada no art. 44, I, § 2º do da Lei nº 9.430/1996, que prevê o agravamento em 50% da multa de ofício de 75%, por falta de atendimento, no prazo estipulado, à intimação. Para elucidar a questão, transcrevese, a seguir, o mencionado dispositivo: “Art. 44. (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Fl. 4886DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 2201002.658 S2C2T1 Fl. 7 11 I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a”, com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b”, com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c”, com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Por exclusão das hipóteses previstas nas alíneas II e III, que não se aplicam ao caso vertente, resta analisar a ocorrência da primeira previsão da norma, qual seja, a não prestação de esclarecimentos no prazo marcado. Em consulta ao Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 5, observase que o vocábulo “esclarecer” pode significar, na acepção pretendida pelo dispositivo legal, dar ou prestar explicação; tornar claro, compreensível; elucidar; aclarar. No caso em exame, compulsandose os autos, verificase que, em nenhum momento, o contribuinte se eximiu de responder às intimações contra ele expedidas, ainda que, em algumas ocasiões tenham solicitado dilação do prazo inicialmente concedido para cumprimento do requisitado. O fato de, por vezes, as respostas apresentadas terem sido genéricas e não esclarecerem todos os pontos suscitados não constitui motivação para o agravamento. De igual modo, o fato de não terem sido apresentados todos os documentos relacionados nos termos de intimação enviados ao contribuinte não pode ser tomado como falta de “esclarecimentos”, sendo, por si só, insuficiente para justificar a imputação da penalidade prevista no art. 44, § 2º, I, da Lei nº 9.430/1996. Se assim o fosse, qualquer infração lançada com base na falta de apresentação de documentos ou livros obrigatórios ensejaria agravamento da multa. Nesse sentido aponta a jurisprudência administrativa: “AGRAVAMENTO DA MULTA – O disposto no inciso III, art. 728, do Regulamento aprovado pelo Decreto 85.450/80, só se aplica quando, mediante formal intimação para prestar esclarecimentos, restar comprovado que ocorreu recusa e/ou resistência por parte do contribuinte em atendêla. Não produz os mesmos efeitos a intimação feita ao contribuinte para apresentar declaração de rendimentos, deixando a seu critério fornecer ou não outros esclarecimentos” (Ac. CSRF/010/392/84 – Resenha Tributária, Jurisprudência Administrativa CSRF, Livro 1.219, pág. 5.241) Especificamente no tocante à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, cabe observar que a totalidade dos extratos bancários foram fornecidos à fiscalização (fls. 253/765). Fl. 4887DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Por outro lado, a falta de atendimento à intimação no que diz respeito à comprovação da origem dos depósitos bancários não trouxe qualquer empecilho à ação fiscal, antes a facilitou, pois a omissão do sujeito passivo em justificar os depósitos representa, justamente, o aperfeiçoamento da presunção contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, qual seja, a caracterização formal da omissão de rendimentos. Assim, nas condições específicas do caso em apreço, a resposta satisfatória do contribuinte às intimações para comprovação da origem dos créditos bancários teria o condão de afastar a autuação. Dessa forma, entendo que resta injustificado o agravamento de 50% da multa de ofício no presente caso, devendo ser aplicada sobre o imposto devido, tão somente, a multa de ofício de 150%, preconizada no § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. Do exposto, verificase que a autoridade recorrida deu parcial provimento à Impugnação apresentada pelo contribuinte, já que reconheceu a decadência parcial da multa isolada por falta ou insuficiência de carnêleão, a duplicidade no cômputo de parte dos honorários advocatícios apurados nos anoscalendário de 2006 e 2007 e, finalmente, afastou o agravamento da multa de ofício no percentual de 50%. Pois bem, quanto ao primeiro provimento, cumpre deixar assentado que o lançamento das multas e juros isolados é privativo da autoridade administrativa, razão pela qual a contagem do prazo decadencial submetese à regra geral estabelecida no inciso I do art. 173 do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Esse entendimento é corroborado por vários precedentes deste Tribunal, citandose como exemplo, alguns julgados que decidiram sobre o prazo de decadência da multa isolada: DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. FALTA DE ESTIMATIVAS. Por não se enquadrar na hipótese de tributo sujeito à homologação, o lançamento de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas obedece à regra decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. (Acórdão no 1202000.656, de 23/11/2011). ... MULTA ISOLADA. A contagem da decadência do direito da Fazenda de constituir a multa isolada é feita do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que seu lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN), ainda que reduzida ao percentual de 20%, por força da retroatividade benigna. (Acórdão no 1302000.742, de 19/10/2011). Fl. 4888DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 2201002.658 S2C2T1 Fl. 8 13 ... CSLL MULTA ISOLADA – DECADÊNCIA – A multa isolada é constituída mediante lançamento de ofício, razão pela qual, aplicandose o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, pacificado em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. (Acórdão no 9101001.200, de 18/10/2011). Citase, outrossim, Súmula CARF nº 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Concluise, assim, que o termo inicial para contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nessa conformidade, correto o entendimento da autoridade recorrida que excluiu da exigência a multa isolada por falta ou insuficiência de carnêleão, referente aos meses de janeiro a outubro de 2006, em face da decadência. No que tange à exclusão da base de cálculo dos valores considerados duplicados no cômputo dos honorários advocatícios apurados nos anoscalendário de 2006 e 2007, comparandose a planilha “Complemento do Demonstrativo de Sucumbências Declaradas Levantadas – AC 2007” (fls. 4231/4236), com a planilha “Demonstrativo de Créditos Oriundos de Levantamentos Judiciais Lev. Dp. Jud2007Doc3” (fls. 4256/4259), verificase a existência de depósitos judiciais duplicados, já que na planilha “Complemento do Demonstrativo de Sucumbências Declaradas Levantadas – AC 2007”, apurouse os honorários advocatícios contratuais à razão de 20% dos levantamentos judiciais, que eram depositados na contacorrente do contribuinte, tendo como ponto de partida a planilha de Sucumbências Levantadas 2007 (fls. 1646/1650). Por sua vez, a segunda planilha, “Demonstrativo de Créditos Oriundos de Levantamentos Judiciais Lev. Dp. Jud2007Doc3”, calculou os honorários advocatícios contratuais a partir da aplicação da média percentual sobre os depósitos efetuados na contacorrente do autuado. Em relação ao anocalendário 2006 o modelo se repete, entretanto, somente em relação ao valor de R$ 3.467,21, datado de 31/8/2006, consoante se observa do cotejo entre os demonstrativos “Complemento do Demonstrativo de Sucumbências Declaradas Levantadas – AC 2006” (4220/4222) e “Demonstrativo de Créditos Oriundos de Levantamentos Judiciais Lev. Dp. Jud2006Doc2” (fls. 4239/4247). Isso posto, igualmente escorreito o trabalho efetuado pela autoridade recorrida que concluiu pela exclusão da base de cálculo as quantias de R$ 3.467,21 e R$ 1.605,176,99, referentes aos anoscalendário de 2006 e 2007, respectivamente. Quanto à multa agravada, analisando detidamente os autos, constatase que o contribuinte não se eximiu de responder, ainda que parcialmente, às intimações feitas pela autoridade fiscal. Nesse sentido, penso que a exclusão da multa agravada seguiu rigorosamente entendimento deste Órgão, consoante as ementas transcritas: MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. O atendimento da intimação, ainda que parcial, não dá ensejo ao agravamento da multa aplicada.... (Acórdão nº 2201001.584) .... Fl. 4889DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH 14 MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. Ao se constatar que o contribuinte atendeu, embora parcialmente, às intimações, apresentando a documentação de que dispunha, correta a decisão de primeira instância que reduziu a multa de ofício, afastando o agravamento. (Acórdão nº 1301000.809) Assim, verificando que a decisão recorrida está fundamenta em elementos de prova, todos eles constantes dos autos, e, estando seus argumentos em perfeita sintonia com a legislação de regência, nego provimento ao recurso de oficio. Ante a todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 4890DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.722184/201151 Acórdão n.º 2201002.658 S2C2T1 Fl. 9 15 Fl. 4891DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 15586.000741/2010-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA . DESCUMPRIMENTO.
Constitui infração deixar a empresa de informar em folha de pagamento a totalidade dos valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente.
Ivacir Júlio de Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente. Ivacir Júlio de Souza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA . DESCUMPRIMENTO. Constitui infração deixar a empresa de informar em folha de pagamento a totalidade dos valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Ivacir Júlio de Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elva e Daniele Souto Rodrigues AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 07 41 /2 01 0- 12 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Li o Relatório a quo, compulsei com os autos , e tendo corroborado, com grifos de minha autoria , abaixo o transcrevo na íntegra: "Tratase de Auto de Infração (AI n° 37.252.6209, CFL 35), lavrado contra a emproa acima identificada, em 26/07/2010, no montante de R$ 28.635,56. 2. Conforme Relatório Fiscal da Infração e Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 50/51: 2.1 embora tenha sido intimada através de Termo de Intimação Fiscal n° 4 TIF (fls. 44), a interessada apresentou com deficiência as relações dos segurados beneficiados por Ticketalimentação, Seguro e Previdência Privada e Assistência Médica, relativas ao período 01/2006 a 12/2007; 2.2 esta conduta caracteriza o descumprimento da obrigação prevista no artigo 32, III, e parágrafo 11, da Lei n°. 8.212/1991, com redação da MP n° 449 de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941 de 27/05/2009, combinado com o artigo 225, III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n°. 3.048/1999; 2.3 a multa aplicada foi apurada conforme previsto nos artigos 92 e 102, da Lei 8.212/1991, combinado com os artigos 283, II, "b" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, atualizada pela Portaria MPS/MF n° 333, de 29/06/2010; 2.4 em ação fiscal anterior, a empresa foi autuada através dos AI Debcad n° 37.153.0962 CFL 30; AI Debcad n° 37.153.0970 CFL 38; AI Debcad n° 37.153.0989 CFL 59 e AI Debcad n° 37.153.0997 CFL 68; 2.4.1 os autos citados acima tiveram o prazo de recurso expirado em 29/05/2009, com exceção do AI 37.153.0997, cujo prazo foi expirado em 25/08/2009, tendo assim incorrido em reincidência pela prática de nova infração a dispositivo legal diferente, motivo pelo qual aplicouse a circunstância agravante expressa no inciso V do artigo 290 do Regulamento da Previdência Social RPS, o que eleva a penalidade em 2 (duas) vezes, de acordo com o previsto no art. 292, inciso IV do RPS. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 157DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000741/201012 Acórdão n.º 2403002.773 S2C4T3 Fl. 3 3 3. A interessada interpôs impugnação às fls. 62/70, anexando os documentos de fls. 71/94, alegando: 3.1 a tempestividade; 3.2 não houve menção de quais critérios foram utilizados para aplicação da penalidade no valor de R$ 28.635,56 (R$ 14.317,78 x 2) e não 6.361,73 (multa mínima); sendo assim, o AI é nulo por violar a ampla defesa do contribuinte e a teoria dos motivos determinantes; 3.3 o auto de infração menciona que, por haver reincidência, a pena da multa deve ser agravada nos termos do art. 292, I, do RPS, entretanto, ao analisar o referido dispositivo verificase que o fiscal autuante entendeu tratar de causa atenuante, ao reconhecer a ausência agravantes; 3.4 assim deveria ter sido aplicada a multa mínima de R$ 6.361,73, motivo pelo anal este auto de infração está eivado de vícios e deve ser anulado; 3.5 se considerar que se trata de causa agravante, o auto estará nulo ante a fundamentação equivocada, pois o fiscal autuante mencionou hipótese de atenuação da pena, quando deveria ter mencionado hipótese de agravamento de pena; 3.6 os decretos jamais podem ampliar ou reduzir o conteúdo legal, mas tão so..xt;nte regulamentálo; 3.7 ocorre que Decreto 3.048/1999 em seu artigo 292, inciso IV, não regula nenhum dispositivo legal, muito pelo contrário, cria uma nova infração (agravante de pena), sem amparo legal; 3.8 o regime jurídicoadministrativo albergado pela Carta Magna de 1988 impõe que somente lei, em sentido formal e material, pode tipificar infração e cominar penalidades e jamais decreto; motivo pelo qual o presente não pode prevalecer, ante o nítido desrespeito à regra da legalidade (art. 5o, inc. II c/c art. 37 da CF); 3.9 requer seja anulado ou julgado improcedente, o auto de infração ora combatido, desconstituindo o tributo apurado, a multa aplicada, bem como os juros. 4. E o relatório " DA IMPUGNAÇÃO As alegações de impugnação, que não lograram êxito na instância a quo, restam apresentadas às fls.87/95. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 10ª Turma da Delegacia da Receito Federal de Julgamento no Rio de Janeiro 1 ( RJ) DRJ/ RJ 1, em 05 de abril de 2011, exarou Acórdão de n° 1236.537 , fls.113 negando provimento à impugnação, mantendo o crédito tributário DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às. fls.127, onde reitera as alegações que fizera em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15586.000741/201012 Acórdão n.º 2403002.773 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Tratase de e matéria que na hipótese de contestação a autuada deva trazer prova inequívoca de que adimplira a obrigação. Aduz que oportunizada a fazêlo , desde em sede de impugnação, não o fez rebatendo tãosomente aspectos da aplicação da multa. Desse modo, corroboro os argumentos da instância a quo para , também negar provimento. CONCLUSÃO Conheço do recurso, para NO MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10865.908900/2009-27
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2004
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada.
Numero da decisão: 3802-003.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes auto.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mercia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2004 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Em processo de compensação, se o sujeito passivo não rebate as razões utilizadas no despacho decisório para negar o direito de crédito, incide o art. 17 do Decreto 70.235/72 por não haver impugnação (entendida como contestação, resistência) à matéria suscitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes auto. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mercia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 89 00 /2 00 9- 27 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorin (Presidente) Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Solon Sehn, Paulo Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão n° 14 30.155, lavrado pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), em que não foi conhecida a Manifestação de Inconformidade da interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados, valendome, por oportuno, do relatório da decisão recorrida, por bem resumir as etapas processuais até então ocorridas e as alegações do sujeito passivo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face doDespacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.908900/200927 Acórdão n.º 3802003.919 S3TE02 Fl. 112 3 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total A presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO) entendeu por não conhecer da manifestação de inconformidade, considerando que é necessário que haja previsão legal para a existência de crédito de PIS/COFINS e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, questionando a decadência suscitada pela DRJ. Com base nesses argumentos, a Recorrente pede pela procedência de seu recurso para que sejam reconhecidos os créditos glosados. Os autos, após negativa de seguimento pela própria DRJ, seguiram ao CARF por odem judicial no Mandado de Segurança 000236188.2011.403.6109, para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pelos motivos abaixo. A Recorrente traz em sua peça recursal os seguintes argumentos: (a) a nulidade da decisão recorrida por preterição do direito de defesa, bem como (b) a ausência de decadência suscitada pela DRJ. Compulsando os autos, verificase que a DRJ não deixou de conhecer a manifestação de inconformidade por decadência do crédito alegado, mas sim por não haver impugnação às razões para negativa de seu crédito em sede de despacho decisório. Assim, não só não há o que se cogitar de nulidade da decisão recorrida, a teor do art. 59 do Decreto 70.235/72, como também é nítido que os argumentos expendidos pelo sujeito passivo não podem ser conhecidos em virtude de determinação expressa do RPAF, que diz em seu artigo 17, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A rigor, foi exatamente pela ausência de impugnação às razões do despacho decisório que a DRJ não acolheu a manifestação de inconformidade, conforme excerto transcrito abaixo: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10865.908900/200927 Acórdão n.º 3802003.919 S3TE02 Fl. 113 5 Porém, conforme relatado, observase que a contribuinte, em sua defesa, elencou argumentos que não tem qualquer ligação nem com o fato, nem com o período de apuração. Há uma extensa argumentação, repleta de jurisprudências e citações de jurisconsultos defendendo o prazo decadencial de 10 anos para pedir restituição, sendo que não há qualquer hipótese de decadência sendo aventada pela Receita Federal do Brasil no despacho decisório que não homologou a declaração de compensação. (...) Argumentou, em outra senda, que a esfera administrativa equivocouse de forma acintosa ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que a recorrente faz jus porque a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998. Ora, o pagamento que a recorrente declarou como indevido no PER/DCOMP é relativo ao período de apuração 28/02/2005, sem nenhuma correlação com o período anterior a outubro de 1998. E seguiu em descompasso fazendo alusão a documentos que não estão nos autos e argumentando que o despacho decisório teria considerado as DCOMPs como não declaradas ou transmitidas. Igualmente por esse descompasso a DRJ equivocadamente negou seguimento ao Recurso Voluntário, que seguiu por acertada determinação judicial para processamento neste Conselho. Aplicase, ao caso em tela, interpretação analógica do art. 17 por se tratar de manifestação de inconformidade. Desta feita, não havendo sido aduzidos na reclamação os argumentos ora sob exame, não podem eles ser objeto de conhecimento em sede de Recurso Voluntário, operandose o fenômeno da preclusão ao caso em tela. Assim, entendo que o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente não pode ser conhecido, pela total ausência de identificação entre suas razões e a decisão que ele pretende combater. Conclusão Isto posto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Fl. 95DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 06/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721215/2011-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
PAGAMENTO POSTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL E ANTERIOR À LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO.
O recolhimento efetuado após o início do procedimento fiscal, não é hábil para caracterizar denúncia espontânea, sendo cabível o lançamento do tributo, acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora. Todavia, os tributos e os acréscimos legais recolhidos sob ação fiscal, relativos à exigência contida no auto de infração, devem ser aproveitados para a quitação parcial do crédito tributário lançado.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 33).
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados.
DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. EXISTÊNCIA DE SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. MULTA QUALIFICADA.
A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício - Súmula CARF nº 40.
JUROS. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O crédito tributário é o vínculo jurídico por intermédio do qual o Estado pode exigir do sujeito passivo o objeto da obrigação principal, vale dizer, o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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O recolhimento efetuado após o início do procedimento fiscal, não é hábil para caracterizar denúncia espontânea, sendo cabível o lançamento do tributo, acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora. Todavia, os tributos e os acréscimos legais recolhidos sob ação fiscal, relativos à exigência contida no auto de infração, devem ser aproveitados para a quitação parcial do crédito tributário lançado. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 33). MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. EXISTÊNCIA DE SÚMULA ADMINISTRATIVA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. MULTA QUALIFICADA. A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício Súmula CARF nº 40. JUROS. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O crédito tributário é o vínculo jurídico por intermédio do qual o Estado pode exigir do sujeito passivo o objeto da obrigação principal, vale dizer, o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária. O crédito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 12 15 /2 01 1- 18 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.721215/201118 Acórdão n.º 2801003.965 S2TE01 Fl. 223 2 tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 11ª Turma da DRJ/SP2. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 02/20, relativo aos anoscalendário 2006 e 2007, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 13.227,95, conforme abaixo: A As infrações apuradas pela Fiscalização, relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, fls. 08, foram Dedução Indevida de Dependentes e Dedução Indevida de Despesas Médicas. Em relação à dedução indevida de dependentes, o motivo da glosa foi o fato de que não houve apresentação de documento comprobatório da relação de dependência para o ano calendário 2006 de Patrícia Pereira da Silva e de Antonio Mizael Batista Silva. As despesas médicas glosadas referemse a Maria José Baldassim –R$ 7.680,00 e a Alexandre Costa Gottschal – R$ 4.580,00 (AC 2006) e R$ 4.120,00 (AC 2007). A glosa das despesas médicas relativas a Maria José Baldassim teve por motivo o fato de que não houve apresentação de documentos comprobatórios das despesas declaradas. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.721215/201118 Acórdão n.º 2801003.965 S2TE01 Fl. 224 3 Em relação à dedução indevida de despesas médicas, relativas ao profissional Alexandre Costa Gottschal, a glosa se deu porquanto os recibos das despesas médicas glosadas foram considerados inidôneos, mediante Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, Processo 10830.003635/201020– Ato Declaratório Executivo nº 006/2010, de 23 de março de 2010, publicado em 25.03.2010, fls. 128. Tendo em vista os fatos apurados relativamente à dedução com Despesas Médicas do profissional Alexandre Costa Gottschal, os quais, em tese, configuram Crime contra a Ordem Tributária, definido pelos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, a autoridade fiscal aplicou a multa qualificada e elaborou Representação Fiscal para Fins Penais. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação em 16.06.2011, por meio do instrumento de fls. 152/162, alegando em breve síntese que: DOS FATOS Para "subsidiar procedimento de fiscalização junto a terceiros", foi intimado por diversas vezes a apresentar esclarecimentos, atendendo prontamente às intimações. Nesse passo, o procedimento de diligência continuou com diversas intimações e respostas até dezembro/2010, conforme o MPFD anexo; A DIRPF 2007 original, transmitida tempestivamente (29/04/2007), indicava Imposto de Renda a restituir no montante de R$ 3.371,17. Porém, durante esse procedimento de diligência fiscal, conforme apontado pela DRF/Campinas na fl. 04 do Termo de Verificação Fiscal, foi induzida a promover retificações da DIRPF, excluindo deduções pleiteadas e, essas retificadoras causaram alteração desse montante da seguinte forma: (i) 07/09/2009 Imposto a restituir R$ 1.259,17; (ii) 20/10/2009 Imposto a restituir R$ 1.976,69; (iii) 25/11/2009 Imposto a restituir R$ 917,19 e, (iv) 25/01/2010 imposto a restituir R$ 0,33; No que tange à DIRPF 2008 original, transmitida tempestivamente (23/04/2008), foi devidamente retificada (29/12/2008) antes do início do procedimento de diligência fiscal, que indicava Imposto a restituir no valor de R$ 764,85. Porém, esta mesma DIRPF foi retificada novamente em 24/11/2009, induzida pela diligência, resultando em Imposto a pagar no valor de R$ 368,15, em razão de exclusão de deduções; Como resultado das Declarações retificadoras, a DRF/Campinas expedia eletronicamente uma Notificação de Lançamento para cada DIRPF retificadora, com o objetivo de exigir a devolução do Imposto sobre a Renda restituído indevidamente acrescido somente de juros de mora, como manda a legislação. Em relação à retificadora da DIRPF 2008, que Fl. 224DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.721215/201118 Acórdão n.º 2801003.965 S2TE01 Fl. 225 4 resultou em Imposto a pagar, a Notificação de Lançamento exigia a devolução e o pagamento do Imposto devido; No mencionado procedimento de diligência, a DRF em Campinas alegou supostas inconsistências nas DIRPFs originais do Impugnante e, em consequência, expediu Termo de início de Fiscalização, solicitando comprovantes das deduções utilizadas, procedimento este agora acobertado por um novo MPF (Doe. 02), expedido em 11/08/2010; Em decorrência dessa fiscalização, a DRF em Campinas lavrou o Auto de Infração ora combatido, com o objetivo de exigir a devolução de parte do Imposto sobre a Renda considerado restituído indevidamente nos anos de 2006 e 2007, bem como o pagamento do saldo de Imposto a pagar apurado no ano de 2007, exigência acrescida de multa de ofício e juros de mora, no montante total de R$ 13.227,95. Para fundamento ao Auto de Infração, todas as DIRPFs retificadas no curso do procedimento fiscal foram desconsideradas, assim como foram considerados indevidos os recolhimentos já efetuados com base nas Notificações recebidas, ao argumento de que não foram feitos de forma espontânea, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal; Há equívoco no Auto de Infração, pois não pode desprezar as devoluções de restituição já efetuadas, ainda mais que em atendimento à Notificação expedida pela própria Receita Federal do Brasil; Também é improcedente o Auto de Infração na medida em que não se trata de matéria tributária, pois não há Imposto a ser exigido no ano base de 2006. A devolução de restituição é matéria financeira, sem oportunidade para imposição de qualquer multa; GLOSA DAS DESPESAS MÉDICAS: INEFICÁCIA Como já registrado, a glosa das despesas médicas não alteram a apuração do Imposto na Declaração de Ajuste, pois continua representando Imposto pago a maior, com direito à restituição no ano base de 2006; Não se pode desconsiderar a iniciativa da Contribuinte, que foi induzida a recalcular a restituição a que tinha direito, em face das Intimações recebidas; Além de tudo, o Auto de Infração está atropelando a Lei, pois despreza conduta amparada em expressa norma vigente; Ainda que se tratasse de exigência de tributo, os recolhimentos efetuados pela Contribuinte estão amparados pela Lei n° 11.941/09, com expressa previsão de dispensa de multa e até redução de juros, conforme se vê do art. 1º e §§1° e 3º, inciso I e art. 7º; Ainda que fosse pertinente a glosa das despesas médicas, a Contribuinte se antecipou recolhendo a diferença de Imposto que Fl. 225DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.721215/201118 Acórdão n.º 2801003.965 S2TE01 Fl. 226 5 lhe fora restituído, com os benefícios da Lei n° 11.941/09, tornando ineficaz a nova cobrança; DOS PAGAMENTOS EFETUADOS COM O OBJETIVO DE DEVOLVER A RESTITUIÇÃO RECEBIDA INDEVIDAMENTE Os pagamentos efetuados em face das Notificações de Lançamento expedidas em nome do Impugnante foram feitos a título de devolução do Imposto sobre a Renda restituído indevidamente, acrescido de juros de mora, como exigia a DRF em Campinas, conforme demonstram as mencionadas Notificações de Lançamento acompanhadas pelos DARFs pagos (Does. 03 e 04); Esses pagamentos foram devidamente localizados pelo Fisco e mencionados no Termo de Verificação Fiscal que acompanha o presente Auto de Infração, no entanto, a Autoridade precipitadamente autuante os desconsidera ao argumento de que não foram espontâneos. Evidente que não foram espontâneos, uma vez que o Contribuinte foi NOTIFICADO pela SRF a fazer essas devoluções de forma compulsória, coercitiva, como consta das NOTIFICAÇÕES anexas; Os pagamentos assim realizados não podem ser considerados indevidos, pois o montante já devolvido corresponde exatamente ao montante exigido no Auto de Infração ora impugnado, senão vejamos: o Auto de Infração exige a devolução de Imposto sobre a Renda na importância de R$ 1.133,00 para o anocalendário 2007 e, o Impugnante efetuou recolhimento mediante DARF no valor de R$ 1.133,00 devidamente acrescido de juros de mora, conforme admite a própria DRF em Campinas nas fls. 5 e 6 do Termo de Verificação Fiscal; Em relação ao anocalendário 2006, como já mencionado, a DRF em Campinas também não considerou a devolução feita no curso do procedimento fiscal e, o Auto de Infração exige a devolução de Imposto sobre a Renda no valor de R$ 4.205,50, no entanto, o Impugnante já efetuou a devolução de R$ 3.371,17 devidamente acrescidos de juros de mora. Neste contexto, forçoso concluir que não há que se falar que as devoluções realizadas pelo Impugnante, mediante recolhimentos de DARFs, são indevidas, pois, como se vê, os valores já devolvidos e os exigidos no Auto de Infração são da mesma natureza e oriundos do mesmo período, portanto, os pagamentos efetuados foram exigidos pelo Fisco e devem ser abatidos do valor novamente exigido a título de mera devolução, sob pena de se perpetrar dupla cobrança claramente indevida; DA NATUREZA DO MONTANTE EXIGIDO NO AUTO DE INFRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO Mister observar que a recomposição da apuração apresentada pela Autoridade autuante na fl. 6 e 7 do Termo de Verificação Fiscal, que trata do anoocalendário 2006 não resulta em Imposto de Renda a pagar e, sim em Imposto sobre a Renda a Fl. 226DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.721215/201118 Acórdão n.º 2801003.965 S2TE01 Fl. 227 6 restituir, portanto, o que ocorreu foi simples diminuição do imposto a restituir; Em relação ao anocalendário 2007, observase que o valor restituído indevidamente já foi integralmente devolvido e o saldo do Imposto sobre a Renda a pagar oriundo de retificação da DIRPF desse período também já fora integralmente pago; Imperioso concluir então, que o Auto de Infração ora combatido, no que se refere ao anocalendário 2006 não possui exigência de natureza tributária e, sim, meramente financeira, cobrando apenas o valor do Imposto sobre a Renda considerado restituído em excesso. Enquanto que, no que se refere ao anocalendário 2007, a exigência é integralmente indevida; Não se tratando de exigência de tributo, é inadequada a menção feita ao art. 44, inciso I, §1° da Lei n° 9.430/96, só aplicável diante de "falta de pagamento ou recolhimento de Imposto ou Contribuição"; Recentemente, o art. 23 da Lei n° 12.249/2010, fruto da conversão em Lei da Medida Provisória n° 472/2009, incluiu o §5° no art. 44, da Lei n° 9.430/96; No entanto, essa previsão legal foi inserida no ordenamento jurídico somente com o advento da Lei n° 12.249/2010 e, como se trata de nova penalidade não prevista anteriormente, seus efeitos não podem retroagir a fatos pretéritos. É o que determina o art. 105 do Código Tributário Nacional (CTN); É inquestionável que a irretroatividade das leis pátrias se insere também no contexto das garantias individuais asseguradas pela Constituição Federal. A irretroatividade de dispositivo legal novo está prevista no artigo 5o, inciso XXXVI; A exigência da multa de ofício prevista no inciso I, do art. 44, da Lei n° 9.430/96, agravada na forma do seu §1° não se aplica ao caso em apreço, vez que: a) não se trata de "falta de pagamento ou recolhimento de Imposto ou Contribuição", pois Auto de Infração exige devolução de Imposto restituído em excesso e já devolvido; b) o Auto de Infração referese aos anoscalendário 2006 e 2007 e, nesse período não havia previsão legal para cominação de penalidade para essa matéria; Diante disso, é evidente o descompasso dessa exigência com a legislação vigente à época dos fatos, motivo pelo qual as multas de ofício de 75% e 150%, indevidamente aplicadas pela DRF em Campinas devem ser prontamente canceladas; MULTA INDEVIDAMENTE AGRAVADA NÃO HÁ FRAUDE Já se demonstrou a improcedência da multa indevidamente aplicada, pois não havia previsão legal de penalidade para essa matéria de cunho financeiro (devolução de restituição); No entanto, em homenagem ao princípio da eventualidade, é preciso rechaçar a acusação de "sonegação", "fraude" ou "conluio", pois não há como tipificar a conduta nos arts. 71, 72 e Fl. 227DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.721215/201118 Acórdão n.º 2801003.965 S2TE01 Fl. 228 7 73 da Lei n° 4.502/64, uma vez que as figuras penais ali previstas têm como nota determinante a redução de tributos, o que não acontece no presente caso; Além disso, reiterase a mencionada anistia concedida para os pagamentos realizados na forma da Lei n° 11.941/09, circunstância suficiente para afastar a pretensão punitiva, consoante o disposto nos seus arts. 1º e 69. SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO: IMPOSSIBILIDADE Pretende manifestar sua repulsa contra a prática de aplicação da taxa SELIC sobre a multa lançada de ofício, procedimento este que, muito embora não encontre qualquer respaldo no ordenamento jurídico, vem sendo teimosamente adotado pelas autoridades administrativas; O termo "débito" empregado no artigo 61 da Lei n° 9.430/96 deve ser interpretado restritivamente, por força do disposto no artigo 112 do CTN; Ao estabelecer a incidência de juros de mora sobre os débitos de que trata o caput do artigo 61, que devem ser calculados à taxa Selic, o legislador tributário previu remuneração ante a demora no recebimento de receita pública esperada pelo sujeito ativo e, portanto, ali pertinente; Não é o caso da multa de ofício, que tem caráter penal, cujo ingresso não é esperado pela Fazenda Pública, pelo contrário, é regra que se pretende nunca ser aplicada. Por essa razão, não é pertinente a incidência de juro remuneratório sobre a multa de ofício, que sequer é mencionada no referido dispositivo, assim como também não é devido o juro sobre a multa de mora, que permanece fixa até a liquidação do principal, a despeito dos longos anos transcorridos; No caso em análise não se trata de exigência de débito ou crédito tributário e, sim de exigência meramente financeira, por se referir a simples devolução de imposto indevidamente restituído; Afastandose totalmente a exigência de multa de ofício, e se esta não é devida, os juros sobre ela se configuram absurdo ainda maior; Da mesma forma que não incidem juros de mora sobre a multa de mora, não devem incidir os mesmos juros sobre a multa de ofício, por absoluta ausência de previsão legal. DO PEDIDO Em face do exposto requer sejam considerados os pagamentos já efetuados para cálculo do montante a ser devolvido de Imposto sobre a Renda restituído indevidamente, bem como o pagamento realizado antecipadamente do saldo de Imposto a pagar indicado na DIRPF 2008 retificadora transmitida em 24/11/2009. Requer ainda, seja cancelada a exigência de multa de ofício de 75% e 150% por ausência de previsão legal vigente à época dos fatos. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.721215/201118 Acórdão n.º 2801003.965 S2TE01 Fl. 229 8 Protesta pela produção de todas as provas admitidas em Direito, especialmente pela posterior juntada de novos documentos capazes de corroborar com as alegações e informações por ele prestadas. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 186/200, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007 Ementa: ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo, sendolhe vedado retificar a declaração de ajuste anual relativa ao exercício sob fiscalização. IRPF. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. Somente poderá ser aceita dedução com dependentes quando comprovada a relação de dependência e quando preenchidos os requisitos legais para a dedução. IRPF. DESPESAS MÉDICAS. Na falta de comprovação das despesas médicas efetuadas no montante pleiteado na declaração de ajuste, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que efetuado. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXISTÊNCIA DE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ. A existência de “Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz” impede a utilização de tais documentos como elementos de prova de serviços prestados, quando apresentados isoladamente, sem apoio em outros elementos. Na falta de comprovação, por outros documentos hábeis, da efetiva prestação dos serviços médicos, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que efetuado. MULTAS DE OFÍCIO. A multa de ofício, no percentual de setenta e cinco por cento, é aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, sendo aplicável a multa de ofício de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic decorre de disposições expressas em lei, não podendo as autoridades administrativas de lançamento e de julgamento afastar sua aplicação. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.721215/201118 Acórdão n.º 2801003.965 S2TE01 Fl. 230 9 PEDIDO DE APRESENTAÇÃO DE NOVAS PROVAS E DOCUMENTOS. A legislação ressalva da preclusão as provas apresentadas a destempo somente quando comprovada a impossibilidade de sua apresentação nas hipóteses ali elencadas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele acórdão em 14/09/2011 (fl. 203), o Interessado interpôs recurso voluntário de fls. 204/217, em 13/10/2011. Em sua defesa, reitera os argumentos expendidos na impugnação. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O Recorrente não logrou comprovar com os documentos hábeis e idôneos solicitados pela Fiscalização a relação de dependência de Patrícia Pereira da Silva e de Antonio Mizael Batista Silva, no anocalendário de 2006, nem as despesas médicas com os profissionais Maria José Baldassim R$ 7.680,00 (AC 2006) e a Alexandre Costa Gottschal R$ 4.580,00 (AC 2006) e R$ 4.120,00 (AC 2007). Portanto, devem ser mantidas as referidas glosas. No que se refere às declarações retificadoras mencionadas pelo Recorrente, verificase que elas foram apresentadas após o início do procedimentos fiscal que ocorreu com ciência da intimação de fls. 81/82, em 31/03/2009. Observase que, no período entre o início do procedimento fiscal (31/03/2009) e a ciência do auto de infração (19/05/2011 –fl. 21), não se ultrapassou o prazo de 60 dias, sem qualquer ato formal da autoridade lançadora que indicasse o prosseguimento dos trabalhos, para que se reputasse como espontâneas as declarações retificadoras apresentadas, conforme previsto no artigo 7º, § 2º do Decreto n.º 70.235/72. Assim, as declarações apresentadas e os recolhimento efetuados após o início do procedimento fiscal não são hábeis para caracterizar denúncia espontânea, sendo cabível o lançamento do tributo, acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora. Neste sentido, cabe trazer à colação a Súmula CARF nº 33, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.721215/201118 Acórdão n.º 2801003.965 S2TE01 Fl. 231 10 Todavia, os tributos e os acréscimos legais recolhidos sob ação fiscal, relativos à exigência contida no auto de infração, devem ser aproveitados para quitação parcial do crédito tributário lançado. Ressaltese, ainda, que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de oficio de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Assim, havendo lançamento de ofício, como neste caso, essa multa é devida para as infrações: glosa de dependentes e glosa de despesas médicas declaradas com a profissional Maria José Baldassim. Tendo em vista que a glosa das despesas odontológicas com o profissional Alexandre Costa Gottschall é decorrente de decisão administrativa que considerou os recibos por ele emitidos como “tributariamente ineficazes”, e que o Contribuinte não fez prova da efetividade da prestação do serviço e do pagamento, é de se manter a multa qualificada, no percentual de 150% do valor da infração, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 40: A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. No que tange à incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício, a primeira observação a fazer é de que em direito tributário tanto o tributo, quanto a multa, são considerados “obrigação principal”, nos termos do que dispõe o § 1º do art. 113 do CTN, assim descrito: Art. 113. (...)§ 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. O dispositivo transcrito revela que o enquadramento de uma obrigação tributária como principal depende exclusivamente do seu conteúdo pecuniário. O legislador optou por adotar essa fórmula com o objetivo de submeter a cobrança de ambos, tributo e multa, a um mesmo regime jurídico. Por outro lado, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (CTN, art. 139). Assim, o crédito tributário é o vínculo jurídico por intermédio do qual o Estado pode exigir do sujeito passivo o objeto da obrigação principal, vale dizer, o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária. Nesse contexto, a alegação do Interessado se mostra em desarmonia com a legislação tributária, porquanto, nos termos do caput do art. 161 do CTN “o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta”. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10830.721215/201118 Acórdão n.º 2801003.965 S2TE01 Fl. 232 11 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 232DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10480.015395/2001-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE ESCRITA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA POR MEIO DE AUTO DE INFRAÇÃO.
A improcedência do auto de infração por meio do qual a fiscalização reconstituiu os saldos do livro de IPI, acarreta automaticamente a procedência do pedido de ressarcimento do saldo credor de escrita, em razão da relação de causa e efeito existente entre os dois processos.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3403-003.615
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE ESCRITA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA POR MEIO DE AUTO DE INFRAÇÃO. A improcedência do auto de infração por meio do qual a fiscalização reconstituiu os saldos do livro de IPI, acarreta automaticamente a procedência do pedido de ressarcimento do saldo credor de escrita, em razão da relação de causa e efeito existente entre os dois processos. Recurso Provido.
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SALDO CREDOR DE ESCRITA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA POR MEIO DE AUTO DE INFRAÇÃO. A improcedência do auto de infração por meio do qual a fiscalização reconstituiu os saldos do livro de IPI, acarreta automaticamente a procedência do pedido de ressarcimento do saldo credor de escrita, em razão da relação de causa e efeito existente entre os dois processos. Recurso Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Domingos de Sá Filho. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Jorge Freire, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 53 95 /2 00 1- 32 Fl. 603DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de pedido de restituição do saldo credor de escrita relativo ao 2º Trimestre de 2001, formalizado em 05/10/2001 com base no art. 11 da Lei nº 9.779/98, cumulado com pedidos de compensação. A autoridade administrativa ao proceder à aferição do direito de crédito constatou que o contribuinte vinha dando saída a seus produtos com erro de classificação fiscal e alíquota. Segundo a fiscalização, o contribuinte vinha dando saída ao produto FORRO DE PVC com alíquota de 5% e classificação fiscal sob o código 3916.20.00 ex01, quando o correto seria classificar este produto sob o código 3925.90.00 com alíquota de 15%. A fiscalização elaborou a reconstituição dos saldos da escrita fiscal e constatou a existência de saldos devedores. Foi lavrado auto de infração por falta de lançamento e de recolhimento do IPI, objeto do processo administrativo 10480.015340/200211 e, ato contínuo, indeferido o ressarcimento solicitado neste processo e não homologadas as compensações solicitadas. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 22/04/2013 (fl. 510) o contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/05/2013, sustentando seu direito ao ressarcimento pleiteado. Tendo em vista o caráter de prejudicialidade do auto de infração em relação a este processo de ressarcimento, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução 3403000.532 (fls. 588/589), a fim de que a autoridade administrativa aguardasse o desfecho do processo 10480.015340/200211 e juntasse a estes autos a cópia da decisão administrativa derradeira que viesse a ser proferida naquele processo. Os autos retornaram ao colegiado com os documentos de fls. 591/599, que atendem ao que foi solicitado na diligência. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Na fl. 174 a fiscalização consignou o seguinte: A fiscalização deixou bem claro que a glosa do ressarcimento decorreu da reconstituição dos saldos da escrita fiscal efetuada no processo 10480.015340/2002, na qual os saldos devedores reconstituídos foram lançados de ofício. Os saldos credores da escrita original do contribuinte desapareceram com a reconstituição promovida pela fiscalização, dando Fl. 604DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.015395/200132 Acórdão n.º 3403003.615 S3C4T3 Fl. 4 3 origem a saldos devedores lançados de ofício. O aumento dos débitos do contribuinte decorreu de saídas com erro de classificação fiscal e alíquota. Sendo assim, a sorte deste processo de ressarcimento ficou umbilicalmente vinculada ao resultado do processo 10480.0015340/200211. Nos documentos anexados com a diligência (fls. 591/599) se pode verificar que aquele auto de infração foi cancelado pelo Acórdão 10.312, de 07/02/2008 da 3ª Turma da DRJBelém e que o recurso de ofício foi negado pelo Acórdão nº 330100.361. Ficou decidido que a classificação fiscal que vinha sendo adotada pelo contribuinte estava correta. Portanto, se o lançamento de ofício foi julgado improcedente, a apuração original do contribuinte deve ser considerada correta, fato do qual decorre a improcedência da glosa do ressarcimento efetuada neste processo. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 605DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/03/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722062/2012-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2010
AIs DEBCADs sob nºs 51.012.2728 e 51.012.2736.
TEMPESTIVIDADE. NULIDADE DA INTIMAÇÃO DA DECISÃO SINGULAR PELO MEIO ELETRÔNICO, e; DA OMISSÃO QUANTO À PRÉVIA INDICAÇÃO AO SUJEITO PASSIVO DOS PROCESSOS SUBMETIDOS AO REGIME DO PROCESSO DIGITAL (e-processo)
Para ser intimado pelo meio eletrônico é necessário que o contribuinte tenha autorizado tal comportamento, segundo inteligência do artigo 23, § 4°, I e II e § 5° do Decreto 70.235/72.
Compulsando os autos não se verifica autorização expressa por parte do Recorrente nenhuma autorização de receber intimação por meio eletrônico. Aliás, não há nem mesmo oferta de tal endereço, razão pela a data inicial da intimação da decisão de piso o dia 03 de junho de 2013 e a data da protocolização o dia 29 do mesmo mês e ano, o que deságua na tempestividade.
LEGÍTIMO ENQUADRAMENTO DA RECORRENTE COMO AGRO-INDÚSTRIA DURANTE A FASE PRÉ-OPERACIONAL.
Desconsideração do objeto social da empresa, face a fase inicial de operação, onde não houve a colheita agrícola e instalação de equipamento. Improcedência da fiscalização para desconsiderar o objeto social da empresa.
Período preparatório que antecede o início efetivo da produção não desfigura e tão pouco descaracteriza a atividade fim, em si mesma, até que ela se torne efetivamente produtiva.
No caso em tela, agroindústria possui uma fase operacional longa, ainda que não tenha problemas externos, como os apontados no presente recurso voluntário, e isto implica em períodos que podem ultrapassar dois ou três anos.
DESCONSIDERAÇÃO DO OBJETO DA EMPRESA
Desconsideração do objeto social da empresa sem demonstrar a efetividade de outra atividade. A fiscalização não pode desconsiderar o objeto social da empresa sem demonstrar o exercício de outra atividade.
No caso em tela, por questões extra-vontade do contribuinte, a efetiva colheita e produção agro-industrial levou cerca de três anos, mas ainda assim a fiscalização desconsiderou ao seu objeto sem demonstrar outra atividade.
MULTA.
NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, devido à conceituação da atividade da empresa, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; III) Por unanimidade de votos: a) em conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Redator: Marcelo Oliveira
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente/Redator Designado
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Correa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Wilson Antonio de Souza Correa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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TEMPESTIVIDADE. NULIDADE DA INTIMAÇÃO DA DECISÃO SINGULAR PELO MEIO ELETRÔNICO, e; DA OMISSÃO QUANTO À PRÉVIA INDICAÇÃO AO SUJEITO PASSIVO DOS PROCESSOS SUBMETIDOS AO REGIME DO PROCESSO DIGITAL (eprocesso) Para ser intimado pelo meio eletrônico é necessário que o contribuinte tenha autorizado tal comportamento, segundo inteligência do artigo 23, § 4°, I e II e § 5° do Decreto 70.235/72. Compulsando os autos não se verifica autorização expressa por parte do Recorrente nenhuma autorização de receber intimação por meio eletrônico. Aliás, não há nem mesmo oferta de tal endereço, razão pela a data inicial da intimação da decisão de piso o dia 03 de junho de 2013 e a data da protocolização o dia 29 do mesmo mês e ano, o que deságua na tempestividade. LEGÍTIMO ENQUADRAMENTO DA RECORRENTE COMO AGRO INDÚSTRIA DURANTE A FASE PRÉOPERACIONAL. Desconsideração do objeto social da empresa, face a fase inicial de operação, onde não houve a colheita agrícola e instalação de equipamento. Improcedência da fiscalização para desconsiderar o objeto social da empresa. Período preparatório que antecede o início efetivo da produção não desfigura e tão pouco descaracteriza a atividade fim, em si mesma, até que ela se torne efetivamente produtiva. No caso em tela, agroindústria possui uma fase operacional longa, ainda que não tenha problemas externos, como os apontados no presente recurso voluntário, e isto implica em períodos que podem ultrapassar dois ou três anos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 20 62 /2 01 2- 46 Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 DESCONSIDERAÇÃO DO OBJETO DA EMPRESA Desconsideração do objeto social da empresa sem demonstrar a efetividade de outra atividade. A fiscalização não pode desconsiderar o objeto social da empresa sem demonstrar o exercício de outra atividade. No caso em tela, por questões extravontade do contribuinte, a efetiva colheita e produção agroindustrial levou cerca de três anos, mas ainda assim a fiscalização desconsiderou ao seu objeto sem demonstrar outra atividade. MULTA. NORMAS GERAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTAS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, a(s) antiga(s) em comparação com a(s) determinada(s) pela nova legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator, devido à conceituação da atividade da empresa, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em manter a multa aplicada, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; III) Por unanimidade de votos: a) em conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Redator: Marcelo Oliveira (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente/Redator Designado (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Correa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Andrea Brose Adolfo, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário anatematizando o Acórdão sob n° 1644.006 exarado pela 12ª Turma da DRJ/SP1 que manteve os lançamentos em sua integralidade. A Autuação fiscal se deu contra a Recorrente, e fora constituído pelos Autos de Infração (AI´s) abaixo: 1. Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 51.012.2728, relativo às contribuições da parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados a seu serviço, destinadas à Seguridade Social, no montante de R$ 57.789.286,91 ( cinqüenta e sete milhões, setecentos e oitenta e nove mil e duzentos e oitenta e seis reais e noventa e um centavos), incluindo juros e multa, abrangendo as competências de 01/2009 a 08/2010; 2. Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 51.012.2736, relativo às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, no montante de R$ 7.735.357,80 (sete milhões, setecentos e trinta e cinco mil e trezentos e cinqüenta e sete reais e oitenta centavos), incluindo juros e multa, abrangendo as competências de 01/2009 a 08/2010. Diz a Fiscalização que a Recorrente é uma empresa onde seu objeto é a fabricação de álcool, como atividade econômica principal e, como atividades econômicas secundárias, o cultivo de canadeaçúcar, e o comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo, exceto lubrificantes, não realizado por transportador retalhista (T.R.R.); Levantamentos: C2 – Contribuição sobre a Folha de Pagamento, onde foram lançadas as contribuições correspondentes à parcela da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre o salário de contribuição constante da folha de pagamento, nas competências 05/2010 a 08/2010; C3 – Contribuição sobre a Folha de Pagamento, onde foram lançadas as contribuições correspondentes à parcela da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, e as destinadas a outras Entidades e Fundos Terceiros, incidentes sobre o salário de contribuição constante da folha de pagamento, nas competências 06/2010 a 08/2010; C4 – Contribuição sobre a Folha de Pagamento, onde foram lançadas as contribuições correspondentes à parcela da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, e as destinadas a outras Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Entidades e Fundos Terceiros, incidentes sobre o salário de contribuição constante da folha de pagamento, nas competências 01/2009 a 06/2010. Considerou a Fiscalização como fato gerador para justificar o lançamento: i) O fato de a Recorrente ter se enquadrado como Agroindústria, como atividade econômica principal a "Fabricação de álcool", cujo CNAE é 19.31400; ii) Que a Recorrente ficou por um longo período contabilizando despesas operacionais como sendo préoperacionais, inclusive as referentes ao pagamento mensal de salários de seus empregados, nas mais diversas funções, durante 03 (três) anos; iii) Que uma parcela muito grande de funcionários da Recorrente, que constam nas folhas de pagamento dela exerce atividades variadas, de natureza administrativa, não relacionadas com o meio rural, recebendo valores altos de salários, não compatíveis com empregado rural, e iv) A Recorrente não demonstrou em sua escrituração contábil, tampouco em suas folhas de pagamento, quais os centros de custo de seus estabelecimentos agrícolas, industriais ou comerciais, separadamente, remanescendo dúvida sobre a natureza da atividade dos correspondentes quadros de funcionários de cada uma de suas projeções. Diz que a Recorrente deixou de informar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP o salário de contribuição de diversos segurados empregados, bem como, em alguns casos, informou valores a menor, em alguns estabelecimentos, e em todos os estabelecimentos utilizou o enquadramento incorreto, fato que resultou em contribuição devida não declarada. Nestas razões a Recorrente infringiu o art. 32, inciso IV, parágrafos 3º e 5º da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, sendolhe aplicada a multa prevista no art. 284, inciso II, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, c/c art. 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97, valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 02, de 06/01/2012 Assim para as infrações ocorridas antes de 04/12/2008, foi observado o princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, inciso II, "c" do CTN, comparando se a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a imposta pela legislação superveniente constatouse que a multa mais benéfica, nas competências 10/2007 a 11/2008, inclusive 13° Salário, é aquela imposta pela lei nº 8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Não houve ocorrência de circunstâncias agravantes. Ao ser intimada apressou em impugnar o lançamento, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificar a autuação. Em 03 de junho de 2013 tomou conhecimento da decisão de piso e no dia 29 de junho do mesmo ano aviou o presente remédio recursivo, com alegações abaixo, cujas quais passamos analisar. É a síntese do necessário. Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator O presente Recurso Voluntário foi aviado dentro do trintídio e acode os demais requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo analise dos argumentos expendidos para, ao final, julgamento deles. TEMPESTIVIDADE. NULIDADE DA INTIMAÇÃO DA DECISÃO SINGULAR PELO MEIO ELETRÔNICO, e; DA OMISSÃO QUANTO À PRÉVIA INDICAÇÃO AO SUJEITO PASSIVO DOS PROCESSOS SUBMETIDOS AO REGIME DO PROCESSO DIGITAL (eprocesso) Consta nos autos a Intimação 504/2013 exarado pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária – DERAT/SPO encaminhada ao Recorrente, com a seguinte redação: INTERESSADO: BRENCO – COMPANHIA BRAS DE ENERGIA RENOVÁVEL CNPJ/CPF: 08.070.566/000100 PROCESSO: 19515.722061/201200 ASSUNTO: AUTO DE INFRACAO ASSUNTOS PREVIDENCIÁRIOS DEBCAD: 37.277.3605, 37.277.3613 e 37.277.3591 Senhor Contribuinte, Pela presente dáse ciência do Acórdão DRJ/SPOI Nº 1644.006, de 21 de fevereiro de 2013, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, cuja cópia segue anexa. Considerase data da ciência, quando por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) do sujeito passivo. Assim, fica o contribuinte supramencionado intimado a recolher, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência desta, o crédito tributário exigido. Para pagamento ou parcelamento do débito, o contribuinte deverá se dirigir ao CAC Centro de Atendimento ao Contribuinte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para a retirada do documento para recolhimento. É facultado recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais dentro do mesmo prazo de 30 (trinta dias) da ciência da Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 intimação. Em caso de interposição de recurso, este deverá ser protocolado no CAC. Transcorrido o prazo acima sem as devidas providências do contribuinte, darseá início a novo prazo de 30 dias para cobrança amigável, findo o qual o processo será encaminhado à cobrança executiva, caso não tenha ocorrido o pagamento. A não regularização implicará na inclusão da empresa no Cadastro Informativo de Débitos não Quitados de Órgãos e Entidades Federais – CADIN. É facultado vista do processo, no órgão emitente, ao interessado ou pessoa por ele legalmente autorizada dentro de igual prazo. MF/RFB/SRRF8ª/DERAT/SPO DICAT/EQCOB EM 04/03/2013 (Assinado Digitalmente) _____________________________ MOSHE PENHA CARNEIRO ATRFB Matr. 1.799.127 Ainda nos autos consta termo de ciência da decisão por decurso de prazo. Nos termos abaixo: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB PROCESSO/PROCEDIMENTO: 19515.722061/201200 INTERESSADO: BRENCO COMPANHIA BRASILEIRA DE ENERGIA RENOVÁVEL DESTINATÁRIO: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 04/03/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 19/03/2013 Acórdão de Impugnação Intimação de Resultado de Julgamento DATA DE EMISSÃO : 24/03/2013 Executar Julgamento/Despacho / RECEITA FEDERAL PARA USO DO SISTEMA EQCOB PROC ORIUNDOS DRJ EQCOB DICATDERATSP DICATDERATSP SP SÃO PAULO DERAT Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 5 7 Como se verifica acima a Unidade Preparadora considerou a ciência da decisão de piso por meio digital. E neste diapasão, como foi disponibilizado em caixa postal no dia 04/03/2013, e, portanto, como termo de início para contagem de prazo seria o dia 19 daquele mês e ano, findaria o trintídio no dia 18 de abril de 2013. Desta forma, como o presente Recurso Voluntário foi interposto no dia 29 de junho de 2013, CERTIFICOU a Unidade Preparadora que o remédio aviado ao CARF é intempestivo. Alega a Recorrente a tempestividade do recurso aviado, eis que o mesmo foi interposto antes do vencimento trintídio, já que tomou conhecimento no dia 03 de junho de 2013 e no mesmo mês e ano, no dia 29, portanto, 26 dias após, aviou o presente remédio, demonstrando a sua tempestividade. Na sua peça recursiva alega que cabe ao CARF decidir sobre a perempção (tempestividade) ou não do recurso, segundo inteligência do artigo 35 do Decreto 70.235/72. ‘In verbis’: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. De fato, há razão a Recorrente quanto a decisão de tempestividade ou não, mas há de se trazer à lume que a Unidade Preparadora, tão somente certificou o seu entendimento de que estava intempestivo o remédio aviado. Quanto a intimação da decisão singular pelo meio eletrônico há de considerar o que determina o Decreto 70.235/72, artigo 23. ‘In verbis’: Art. 23. Farseá a intimação: .... II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) ..... § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (GN) Fl. 1817DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 8 II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (GN) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)(GN) Mas, não é só, pois há violação também ao § 3º do artigo 1º da Portaria SRF sob nº 259/2006, eis que compulsando os autos não se verifica autorização expressa por parte do Recorrente receber intimação por meio eletrônico e nem tão pouco informação ao sujeito passivo de que no mencionado processo é permitida a prática de atos eletrônicos. Aliás, não há nem mesmo oferta de tal endereço. Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006 Art. 1° O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. ( Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009 ) (...) § 3° Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. ( Renumerado com nova redação pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009 ) Assim, não havendo autorização expressa para ser intimado pelo meio eletrônico, a Recorrente não se enquadra item III do artigo 23 do Decreto 70.235/72, bem como por não haver intimação de permissão de atos da forma eletrônica da SRF para o Contribuinte, foi violado o que dispõe sobre a prática de atos e termos processuais, de forma eletrônica, no âmbito da Secretaria da Receita Federal. Vejamos então a data da intimação por outros meios, conforme determina os itens I e II do supramencionado artigo. Além da objurgada intimação por meio eletrônico, consta nos autos uma petição protocolizada pela Recorrente com data do dia 06 de junho de 2013, alegando que não recebe intimações por meio eletrônico e que somente teve acesso aos autos, após a decisão singular, nesta data. De fato, como alhures dito, a intimação por meio eletrônico realizada no presente feito não guarda sintonia com a legislação de regência, mormente porque não: i) não há prévia indicação autorizadora da Recorrente para ser intimada por meio digital; e, ii) não há oferta de endereço eletrônico da Recorrente, por ela indicado. Além disso, a Recorrente manifestou que houve erros quando da tentativa da leitura dos documentos digitais, fato esse que, per se, impediu o acesso pelo meio eletrônico, conforme se observa abaixo [fls. 1.777]: [...] 28. No entanto, referido termo não condiz com a realidade, pois em todas as tentativas de acesso ao conteúdo do Acórdão DRJ/SPOI n. 1644.007 deparouse com avisos de erro nos Fl. 1818DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 6 9 seguintes termos:Há erro nesta página. Talvez o Acrobat não exiba a página corretamente. Entre em contato com a pessoa que criou o documento PDF para corrigir o problema (doc. 04) e ‘Houve um problema ao ler este documento (14)’ (doc. 05). De fato, a cópia do citado acórdão somente foi obtida após a realização de diligência pessoal na DERAT/SP no dia 06/06/2013. Diante disso, nas razões acima considero tempestivo o presente remédio recursivo, entendendo a data inicial da intimação da decisão de piso o dia 06 de junho de 2013, onde o trintídio venceria no dia 06 de julho, e, como a data da protocolização do remédio recursivo foi o dia 29 do mesmo mês e ano, o que deságua na tempestividade. Assiste razão a Recorrente. DA NECESSIDADE JULGAMENTO EM CONJUNTO COM OUTRO PROCESSO Requer o apensamento do presente processo com o de n° 19515.722.062/201246, oriundo da mesma ação fiscal, cujas infrações apontadas decorrem de causa comum e os fatos a elas relacionados são os mesmos. Segundo a Recorrente, evitarseá a prolação de decisões contraditórias entre si, nos termos do art. 6º, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n 256/09. A decisão de piso entendeu que os processos em comento são processos administrativo fiscais autônomos, razão pela qual não foram reunidos e apensados, mas que foram julgados na mesma sessão. Tenho que seria de boa prudência apensar os autos, eis que oriundos de uma mesma ação fiscal, evitarseia decisões contraditórias. Mas, por outro lado, como dito pela decisão singular, são processos autônomos, cujos quais comportam julgamento distintos. Assim, para evitar desperdício de tempo, é de boa prudência que ambos sejam julgados apartados mas na mesma sessão, como ocorre no caso em tela.. Com razão em parte, mas que não há de ser acolhido, até porque não modificará nenhuma decisão. DO LEGÍTIMO ENQUADRAMENTO DA RECORRENTE COMO AGROINDÚSTRIA DURANTE A FASE PRÉOPERACIONAL. Diz que foi fundada em 2006, tendo como objeto social ser uma das maiores produtoras de etanol do país, mediante industrialização de produção própria e de terceiros. Alega que até 31 de maio de 2008 já havia investido aproximadamente 610 milhões de reais dos 1,78 bilhões de reais previstos. Mas, que não pode continuar com este ritmo de investimento, dado a crise mundial financeira, assolado em meados de 2008 e da inesperada queda de oferta de crédito no mercado financeiro, sendo seus planos adiados. Fl. 1819DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 10 Para resolver tal questão procurou parcerias com outras empresas, sendo que em outubro de 2009, cerrou acordo com uma outra empresa, podendo dar continuidade a alguns de seus projetos, como é o caso da implantação de duas unidades industriais no estado de Goiás, Morro Vermelho, onde foi autuada na fase préoperacional, mas que este lançamento é improcedente. Argumenta que a definição dada pela Fiscalização e decisão singular de enquadramento de agroindústria, ou seja, ser ‘conditione sine qua non’, a industrialização de produção própria, não está estampado em nenhum dispositivo de lei que determine esta exigência em fase préoperacional. Diz que esqueceu a Fiscalização que todas as atividades empresariais possuem um período preparatório que antecede o início efetivo da produção, mas, entretanto, isto não desfigura e tão pouco descaracteriza a atividade fim, em si mesma, até que ela se torne efetivamente produtiva. De fato, as despesas de um negócio podem ser de 2 tipos, as iniciais, ou pré operacionais que se dá na fase inicial e num período só, e as despesas operacionais, ou seja, as constantes de manutenção, repetitivas e ou mensais. Em ambas são detalhados os inúmeros gastos da empresa, os custos operacionais antes e durante o desenvolvimento das atividades da empresa, as taxas de franquia ou de seguro, entre outros. No caso em tela, tenho que uma agroindústria pode ter uma fase pré operacional longa, ainda que não tenha problemas externos, como os apontados no presente recurso voluntário, e isto implica em períodos que podem ultrapassar dois ou três anos. DESCONSIDERAÇÃO DO OBJETO DA EMPRESA É cediço que o Sistema Tributário Nacional, além de observar o princípio magno da legalidade, está adstrito, inarredavelmente, à estrita legalidade, a qual impõe ao Poder Legislativo, enquanto órgão expedidor das regrasmatrizes de incidência tributária por excelência, mediante lei, o dever de descrever os seus elementos. Nesse sentido a lição doutrinária de Paulo de Barros Carvalho, na obra Curso de Direito Tributário, 13ª edição, pág. 155 a 156: “O veículo introdutor da regra tributária no ordenamento há de ser sempre a lei (sentido lato), porém o princípio da estrita legalidade diz mais do isso, estabelecendo a necessidade de que a lei adventícia traga no seu bojo os elementos descritores do fato jurídico e os dados prescritores da relação.” Voltando ao caso concreto, a Lei nº. 10.256, de 9 de julho de 2001 ao descrever os dados da relação, ou melhor, ao identificar o sujeito passivo da relação jurídica tributária, a agroindústria, não trouxe qualquer elemento de discrímen relacionado à preponderância, na industrialização, de matériasprimas próprias ou de terceiros, não cabendo à fiscalização fazêlo, sob pena de invadir esfera de competência que não lhe é própria. Basta para o citado dispositivo legal que haja utilização integral de produção própria ou utilização de produção própria e de terceiro, não havendo que se falar, nesse último caso, em preponderância de um ou de outro. O que ocorreu no caso em tela é uma desconsideração não da personalidade jurídica da Recorrente ou de alguma interposta, mas sim do objeto social. Fl. 1820DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 7 11 A desconsideração da personalidade jurídica de uma empresa para configurar o vínculo empregatício de supostos empregados da (s) interposta (s) encontra guarida para análise e decisão dois ramos do direito: i) o Direito Civil admite a desconsideração da personalidade jurídica desde que, esta medida extrema demonstre, nos casos excepcionais, a evidente caracterização de desvio de finalidade, confusão patrimonial ou, ainda, conforme vem entendendo o e. STJ, nas hipóteses de dissolução irregular sem a devida baixa na junta comercial; ii) o Direito do Trabalho, da mesma forma admite a desconsideração da personalidade jurídica se dos empregados da (s) preposta (s) houver com a ‘empresa mãe’ a configuração de vínculo empregatício que se dá pela onerosidade, pessoalidade, continuidade ou habitualidade e ou subordinação. No caso em tela é a desconsideração do objeto social. Que, se não é uma questão nova é de tamanha complexidade para a sociedade contemporânea, que exige especialização no tratamento dos mais variados assuntos. Assim, o direito de empresa, disciplina jurídica plenamente autônoma – embora com alguns aspectos regulados pelo Código Civil, mais do que nunca requer um olhar especializado. Não porque se trate de disciplina mais importante que as demais, mas porque a natureza de sua matéria é determinada e especial. O direito de empresa tem natureza dinâmica, porque assim são as relações a que se propõe regular. Carvalho de Mendonça já alertava para a “força naturalmente expansiva, como produto histórico, imposto pela realidade econômica” do direito comercial. E é esta mesma realidade econômica que acaba por determinar rumos à vida de milhões de pessoa em todo o mundo, mormente num pais que relativamente novo procura desarrolhar um mercado competitivo, sobretudo em matéria de energia, como é a empresa que em tela está. Os grupamentos sociais, ao longo do tempo e ao redor do mundo todo, vêm reconhecendo a possibilidade da limitação dos riscos da atividade empresarial, como forma de incentivo a tal atividade, que agrega a si diversos valores sociais: o emprego, o recolhimento de tributos, o avanço tecnológico, o desenvolvimento para o lugar e o entorno onde se instalam iniciativas empresariais e a facilitação do acesso da população a bens e serviços, com o que a empresa cumpre sua função social, quando regular. Como aperfeiçoamento da limitação da responsabilidade, desenvolveuse a desconsideração da personalidade jurídica, como acima mencionado, cujo objeto, não olvidemos, é coibir o seu mau uso dos fins sociais das empresas, que almejam lucro sem esforços. Feita esta pequena introdução, passemos ao caso concreto, onde a Fiscalização desconsiderou o objeto social da Recorrente alegando que: • o contribuinte foi constituído em 02/2006, tendo como atividade econômica principal a "Fabricação de álcool" CNAE 19.31400; • conforme dispositivos da Lei n° 8.212/91, regulamentada pelo Decreto n° 3.048/99, ao constituirse como empresa, cabe ao contribuinte fazer seu autoenquadramento, para fins de Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 12 informar a utilização correta dos códigos de recolhimento das contribuições previdenciárias; • o legislador estabeleceu, nos mesmos diplomas legais, que a qualquer momento, cabe ao órgão gestor analisar se este auto enquadramento está de acordo com as normas em vigor e aplicadas para cada tipo de atividade. Havendo equívocos, a Secretaria da Receita Federal do Brasil faz os devidos ajustes, nos respectivos códigos (CNAE, RAT, FPAS), e lança os valores que reputar devidos, e que deixaram de ser recolhidos, conforme disposto no art. 202, §§ 5º e 6º do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99; • o contribuinte se autoenquadrou como agroindústria, e recolheu somente as contribuições descontadas dos segurados empregados e as destinadas a outras Entidades e Fundos Terceiros (SalárioEducação e INCRA). Em relação às demais contribuições a seu cargo o mesmo aplicou o instituto da substituição tributária, através do qual é recolhida a contribuição previdenciária incidente sobre a "comercialização da produção rural", valendose da sistemática prevista no artigo 22A da Lei n° 8.212/91. Tal entendimento poderia estar correto, se o contribuinte realmente tivesse industrializado a produção própria e de terceiros, o que de fato não aconteceu; • para que um contribuinte seja enquadrado como agroindústria, é necessário que haja o processo de industrialização, o que não ocorreu, conforme declaração do próprio contribuinte em 09/09/2011, quando informou: "... nos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009 estava em fase préoperacional, uma vez que sua primeira Unidade Industrial denominada Morro Vermelho somente foi inaugurada em 27 de agosto de 2010. Esse fato foi maciçamente noticiado, à época, conforme se depreende de inúmeras notícias veiculadas em diversos meios de comunicação, incluindose a imprensa especializada". O esclarecimento prestado, bem como as notícias apresentadas, encontramse anexos a este relatório; • portanto, ante o exposto pelo próprio contribuinte, concluise que não houve a industrialização no período do presente levantamento, sendo indevido o enquadramento como agroindústria; • até 27/08/2010, data de inauguração de sua primeira usina, o sujeito passivo empregou grande quantidade de trabalhadores, milhares por mês, porém deixou de efetuar o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações a eles pagas, devidas ou creditadas, respaldado na assertiva de que o seu auto enquadramento na condição de agroindústria lhe permitiria efetuar tais contribuições sobre o faturamento; • ademais, uma parcela bastante expressiva dos segurados empregados que constam nas folhas de pagamento do sujeito passivo exerce atividades variadas, de natureza administrativa, não relacionadas com o meio rural. No caso, verificase o pagamento de altos salários, incompatíveis com os salários pagos aos trabalhadores da atividade rural. Significa dizer, Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 8 13 portanto, que o sujeito passivo se prevalece do enquadramento na condição de agroindústria para se elidir do pagamento da contribuição previdenciária incidente sobre os altos salários pagos a trabalhadores que, comprovadamente, desenvolvem suas atividades de natureza técnica e administrativa em outros setores que não os relacionados à atividade rural; • conforme definição legal, expressa no artigo 22 A da Lei n° 8.212/91 e no artigo 201 A, do RPS, aprovado pela decreto n° 3.048/99, agroindústria é o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros; .....’ Em outras e simples palavras, sustentou a Fiscalização que a Recorrente teria realizado equivocado auto enquadramento como agroindústria para fins previdenciários, pois, no período autuado, não teria exercido atividade de industrialização de produção rural ou de terceiros; condição sine qua non para sua caracterização como agroindústria e adoção de regime de substituição da folha de salários pelo “valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção”, nos termos do art. 22A, da Lei n. 8.212/91. Ainda, conforme referido relatório, embora a Fiscalização tivesse tomado conhecimento do fato de que a Recorrente esteve em fase préoperacional durante todo o período autuado, essa entendeu que referida fase préoperacional não estaria configurada, pois “o contribuinte ficou por um longo período contabilizando despesas operacionais como sendo préoperacionais, inclusive as referentes ao pagamento mensal de salários de seus empregados, nas mais diversas funções, durante 03 (três) anos”. Por fim, sustentou a Fiscalização que “a sistemática de enquadramento adotada pelo sujeito passivo, além de incorreta, como já exposto acima, teve como objetivo precípuo criar uma circunstância de elisão absoluta do encargo previdenciário, tendo em vista que, neste caso, estaria obrigado a efetuar o recolhimento incidente sobre a sua receita bruta auferida, mas não o fez (...)”. Alega que “há fortes indícios que o contribuinte vem utilizando um mecanismo de engenharia tributária, objetivando a redução dos encargos previdenciários”. Decorrente disso, a Fiscalização procedeu ao desenquadramento da Recorrente como “pessoa jurídica agroindustrial” e realizou a apuração das contribuições previdenciárias e de terceiros sobre a folha de salários de seus empregados, tal como se a Recorrente desenvolvesse exclusivamente atividades de natureza urbana. Não obstante os argumentos apresentados pela acusação fiscal, entendo que esses não merecem acolhida. Explico. Afirma a Recorrente que foi fundada em 2006 com o claro objetivo de se tornar uma das maiores empresas produtoras de etanol do país, mediante a industrialização de produção própria e de terceiros. E continua [fls. 1.787 e ss]: Desde a sua criação, a Recorrente tinha como metas globais: · A construção de 2 ou 3 pólos energéticos, compostos de 12 módulos industriais; Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 14 · A produção de 3,8 bilhões de litros de etanol; · A potência instalada de geração de 690 MW de energia elétrica; · Atingir até 2015 market share de 15% no Brasil e 4% no mundo; · Atingir até 2015 EBITDA de 1,7 bilhão. 49. Até 31/05/2008, já haviam sido investidos aproximadamente R$ 610 milhões, dos R$ 1,78 bilhões de investimentos totais previstos. 50. No entanto, com a superveniência da crise financeira internacional de 2008 e abrupta na oferta de crédito, a construção e entrada em operação das usinas previstas sofreu atrasos, o que determinou aos controladores a busca de novos parceiros para a continuidade do projeto. 51. Em 08/10/2009, a Recorrente e a ETH Bionergia firmaram acordo de união para a formação da maior produtora de etanol do mundo, com capacidade de moagem de 37 milhões de toneladas de cana por safra, produção de 3 bilhões de litros de etanol por ano e 2.500 GWh de energia elétrica por ano, a partir da biomassa. Tal fato foi amplamente divulgado pela mídia nacional, conforme notícia veiculada pelo Jornal Folha de São Paulo, de 09/10/2009, a qual faz expressa referência às dificuldades financeiras da Recorrente antes de sua união com a ETH Bionergia (docs. anexos à impugnação) (...) 52. Diante desse novo cenário e com a retomada dos investimentos, em meados de 2010, a Recorrente concluiu a implantação de duas unidades industriais – Morro Vermelho (GO) e Alto Taquari (MT), inauguradas em agosto e novembro, respectivamente. Em 2011, entraram em operação as unidades Costa Rica (MS) e Água Emendada (GO). 53. No caso, os autos de infração lavrados abrangem a fase préoperacional da Recorrente, encerrada com o início da operação de sua primeira unidade industrial em 27.08.2010 (GO). Realizandose o cotejo dos argumentos apresentados, constatase que a autoridade lançadora quer fazer crer a existência de elemento subjetivo de simulação ou dissimular a relação jurídica, tendo manifestado tratarse de planejamento tributário. Infelizmente, apenas há uma ilação. Explico. Conforme a lei 8.212/1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social, caberia às empresas, pessoas jurídicas na qualidade de empregadores, contribuir com a organização da Previdência Social com base na sua folha de salário, à razão de vinte por cento, Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 9 15 e de um a três por cento sobre mesma base, como quantia variável, para financiar as prestações devidas no caso de ocorrência de acidente de trabalho (art. 22 e incisos). Tal disposição encontravase, quando inaugurada, de acordo com os preceitos constitucionais adotados à época, que permitiam a incidência de contribuições sociais devidas pelo empregador sobre o faturamento, o lucro e a folha de salários, sendo que o dispositivo constitucional ainda não tinha sido alterado pela EC 20/98: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; (redação anterior à EC 20/98) Contudo, em 15 de abril de 1994, foi editada a lei 8.870(clique aqui), que tinha como finalidade a alteração de vários diplomas legais. Um dos diplomas alterados pela referida lei foi a própria Lei 8.212/91, no que tange à contribuição devida pelo empregador rural pessoa jurídica, que até então se enquadrava na regra geral do citado art. 22 e incisos. A alteração promovida pela lei 8.870/94 consistiu no tratamento do empregador rural, cuja atuação girasse em torno da industrialização de sua própria produção rural ou de terceiros, que não mais teria contribuição calculada sobre a folha de salários, mas sobre o "valor estimado da produção agrícola própria, considerado seu preço de mercado" (art. 25, § 2º da lei 8.870). Houve, portanto, verdadeira substituição de contribuições à Seguridade Social, conforme se depreende da análise do art. 25 da lei 8.870/94: Art. 25. A contribuição prevista no art. 22 da lei 8.212, de 24 de julho de 1991, devida à seguridade social pelo empregador, pessoa jurídica, que se dedique à produção rural, passa a ser a seguinte: I dois e meio por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho. (...) § 2º O disposto neste artigo se estende às pessoas jurídicas que se dediquem à produção agroindustrial, quanto à folha de salários de sua parte agrícola, mediante o pagamento da contribuição prevista neste artigo, a ser calculada sobre ovalor estimado da produção agrícola própria, considerado seu preço de mercado. (grifo nosso) Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 16 Tal dispositivo, contudo, padecia de inconstitucionalidade, principalmente pelo fato de não ser previsto à época, na Lei Magna, a incidência de contribuições sociais sobre a receita bruta, nem sequer sobre, em se tratando de Agroindústria, do "valor estimado da produção agrícola própria". Ademais, tal lei criou nova espécie de contribuição, o que deveria ter sido feito por meio de LC, conforme art. 154, I da Constituição. Por essa e outras razões, foi oposta a ADIn 1.1031/600DF pela Confederação Nacional da Indústria, com base na argumentação de que (i) não havia a previsão de incidência de contribuição sobre receita bruta na carta Constitucional; (ii) de que a lei 8.870/94 possuía status de Lei Ordinária, e que para estabelecer nova contribuição social esta deveria ter sido promulgada por LC, em observância aos arts. 154, I e 195, §4º da Constituição; (iii) havia um atentado ao princípio da equidade, ao onerar a Agroindústria em maior quantia do que os outros empregadores; e (iv) que se buscava criar nova fonte de custeio da seguridade sem esgotar as outras já previstas. O STF deu provimento à ADIn 1.1031/600DF, acolhendo a necessidade de LC para a instituição da referida contribuição, não prevista no texto constitucional, e declarando, portanto, inconstitucional o art. 25, § 2º da lei 8.870/94, nos seguintes termos: EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA À SEGURIDADE SOCIAL POR EMPREGADOR, PESSOA JURÍDICA, QUE SE DEDICA À PRODUÇÃO AGROINDUSTRIAL (§ 2º DO ART. 25 DA LEI Nº 8.870, DE 15.04.94, QUE ALTEROU O ART. 22 DA LEI Nº 8.212, DE 24.07.91): CRIAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO QUANTO À PARTE AGRÍCOLA DA EMPRESA, TENDO POR BASE DE CÁLCULO O VALOR ESTIMADO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA PRÓPRIA, CONSIDERADO O SEU PREÇO DE MERCADO. DUPLA INCONSTITUCIONALIDADE (CF, art. 195, I E SEU § 4º) PRELIMINAR: PERTINÊNCIA TEMÁTICA. 1. Preliminar: ação direta conhecida em parte, quanto ao § 2º do art. 25 da Lei nº 8.870/94; não conhecida quanto ao caput do mesmo artigo, por falta de pertinência temática entre os objetivos da requerente e a matéria impugnada. 2. Mérito. O art. 195, I, da Constituição prevê a cobrança de contribuição social dos empregadores, incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro;desta forma, quando o § 2º do art. 25 da Lei nº 8.870/94 cria contribuição social sobre o valor estimado da produção agrícola própria, considerado o seu preço de mercado, é ele inconstitucional porque usa uma base de cálculo não prevista na Lei Maior. 3.O § 4º do art. 195 da Constituição prevê que a lei complementar pode instituir outras fontes de receita para a seguridade social; desta forma, quando a Lei nº 8.870/94 servese de outras fontes, criando contribuição nova, além das expressamente previstas, é ela inconstitucional, porque é lei ordinária, insuscetível de veicular tal matéria. 4. Ação direta julgada procedente, por maioria, para declarar a inconstitucionalidade do § 2º da Lei nº 8.870/94. (ADI 1103, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MAURÍCIO CORRÊA, Tribunal Pleno, julgado em 18/12/1996, DJ 25041997 PP15197 EMENT VOL186602 PP270) (grifo nosso) Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 10 17 Foi considerado inconstitucional o art. 25, § 2º da lei 8.870/94, devido (i) à sua base de cálculo, o "valor estimado da produção agrícola própria, considerado seu preço de mercado", não estar incluído no conceito de faturamento, uma das bases previstas constitucionalmente, ao mesmo tempo em que não havia previsão de contribuição sobre receita bruta; e (ii) ao fato de que para impor nova base de cálculo ao contribuinte, necessário seria fazêlo por LC, o que não foi feito, tendo em vista que a lei 8.870/94 possuía status de Lei Ordinária. Contudo, posteriormente dois fatores atuaram no ordenamento jurídico brasileiro de modo que tal contribuição, declarada inconstitucional em 1996, retornasse a incidir sobre o contribuinte agroindustrial. O primeiro deles foi o advento da EC 20/98, que alterou o art. 195 da Constituição, incluindo como base de cálculo das contribuições devidas pelo empregador a receita: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro;(grifo nosso) O segundo, por sua vez, foi a edição da lei 10.256/2001 que novamente alterou a lei 8.212/91 ao nela inserir o art. 22A, obrigando a Agroindústria à contribuir, para o financiamento da seguridade social, em percentual calculado sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização de sua produção: "Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros,incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no8.213, de 24 de julho de 1991(clique aqui), e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 18 (...) § 5oO disposto no inciso I do art. 3oda Lei no8.315, de 23 de dezembro de 1991(clique aqui), não se aplica aoempregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR)"(grifo nosso) À Agroindústria está obrigada, com a alteração legal trazida pela Lei 10.256/01, ao invés da contribuição sobre a folha de salários, a prestação de tributo à alíquota de 2,5% sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção para a Previdência e seus custeios, 0,1% para a cobertura dos acidentes de trabalho e 0,25% para o SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural. Para Castro e Lazzari (2005, p. 275) agroindústria: É a pessoa jurídica que industrializa produtos rurais de sua própria produção. A agroindústria explora duas atividades, uma agrária e outra industrial, em um mesmo empreendimento econômico, como, por exemplo: usina de açúcar com lavoura canavieira, frigorífico com pecuária, etc. Consideram também agroindústrias aquelas formadas por produtores rurais pessoas jurídicas que mantenham abatedouros de animais da própria produção. As agroindústrias, poderseia dizer, utilizam os mesmos processos produtivos das indústrias. Uma das diferenças neste processo produtivo são as matériasprimas empregadas nas várias fases da cadeia produtiva. Nas indústrias, a matériaprima não necessariamente precisa ser produtos oriundos diretamente do setor rural. Entretanto, nas agroindústrias a característica fundamental é a transformação de matériasprimas, predominantemente rurais. Com o advento da Lei Complementar 104, publicada em 10 de janeiro de 2001, várias alterações foram introduzidas no Código Tributário Nacional. Indubitavelmente, a que vem causando maiores discussões é a que dispõe o art. 116, parágrafo único: “Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I – tratandose de situação de fato, desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II – tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos do direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.” Fl. 1828DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 11 19 Destarte, depreendese que foram conferidos poderes à autoridade administrativa para atuar em casos de dissimulação da ocorrência do fato gerador por parte do contribuinte, tornando tais atos ou negócios jurídicos como inexistentes. A simulação, nas palavras do Prof° Washington de Barros Monteiro, revela se pelo “intencional desacordo entre a vontade interna e a declarada, no sentido de criar, aparentemente, um negócio jurídico, que, de fato, não existe, ou então, oculta, sob determinada aparência, o negócio realmente querido”. A simulação, uma das espécies de defeitos do negócio jurídico, está prevista no art. 102 do Código Civil Brasileiro. Conforme já salientado, o parágrafo único introduzido no art. 116 do Código Tributário Nacional dispõe acerca do termo dissimulação e não simulação. A aplicação de conceitos de direito privado está prevista no art. 109 do CTN, a saber: “Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas,mas não para a definição dos respectivos efeitos tributários”. (grifo nosso). Ora, não resta dúvida que o Direito Tributário pode lançar mão dos institutos de Direito Civil, mas conforme ressalva o próprio dispositivo legal, o Direito Tributário, como ramo autônomo, tem autonomia para definir os efeitos da aplicação dos institutos. Posicionase a profª Mizabel Abreu Machado Derzi, no sentido de que “mediante a inserção de um parágrafo único no art.116, está autorizada a autoridade administrativa a desconsiderar, tãosomente, atos ou negócios jurídicos dolosamente dissimulados, fraudulentos, ou seja, aqueles que visam a ocultação do fato gerador ou de elementos constitutivos da obrigação.” Logo, não basta a simples alegação por parte do Fisco de que ocorreu o fato gerador, necessário que a Fazenda Pública prove concretamente a existência do fato gerador ou que não sendo possível a exigibilidade de conduta diversa, o fato gerador teria ocorrido de qualquer maneira. Pois bem, com todas as vênias ao trabalho da autoridade fiscal, o que se apresenta na Informação Fiscal não pode ser acolhido por este Órgão Julgador, haja vista que inexiste qualquer alegação e/ou demonstração da ocorrência de simulação, dissimulação ou fraude na relação jurídica existente. Ora, são incontroversas1 as informações da Recorrente quanto ao período preparatório ou préoperacional que antecedeu o início efetivo das operações sociais da 1 CPC: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: I notórios; II afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III admitidos, no processo, como incontroversos; Fl. 1829DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 20 empresa. É certo que uma empresa rural em fase préoperacional continua sendo empresa rural. O mesmo ocorre com a agroindústria2, que, não obstante o início de sua produção agrícola, depende da conclusão de sua planta industrial para ingressar na fase operacional. É certo que as Despesas préoperacionais são despesas registradas (pagas ou incorridas) durante o período que antecede ao início das operações sociais da empresa, necessárias à sua organização e implantação ou ampliação de seus empreendimentos3. Ou seja, todas as despesas necessárias a organização ou ampliação de empresas, inclusive aquelas de cunho administrativo, são despesas préoperacionais. A duração da fase préoperacional depende de uma série de variáveis, tais como o tipo de atividade, a disponibilidade de recursos financeiros, o tamanho do empreendimento, a ocorrência de fatos externos. No caso, noticiou o Jornal “Estado de São Paulo” de 09/10/2009 a situação financeira da Recorrente (em fase préoperacional) e a ETH Bioenergia (já operacional), tendo ficado evidenciado a importância do início das operações da empresa para subsistência do próprio empreendimento [fls. 1.790]: [...] O fato da Brenco ter se concentrado em grandes projetos greenfield, e não contar com um fluxo de caixa constante, deixou a empresa sem liquidez durante a crise financeira de 2008, o que a levou à procura de sócios para tocar o projeto. Até o momento, nenhuma das quatro usinas em construção da Brenco entrou em 2 Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 1o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 2o O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 22 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 3o Na hipótese do § 2o, a receita bruta correspondente aos serviços prestados a terceiros será excluída da base de cálculo da contribuição de que trata o caput. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 4o O disposto neste artigo não se aplica às sociedades cooperativas e às agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 5o O disposto no inciso I do art. 3o da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 6o Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria mediante a utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 2003). § 7o Aplicase o disposto no § 6o ainda que a pessoa jurídica comercialize resíduos vegetais ou sobras ou partes da produção, desde que a receita bruta decorrente dessa comercialização represente menos de um por cento de sua receita bruta proveniente da comercialização da produção. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 2003). 3 http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2012/CapituloVIIRPJLucroReal2012.pdf Fl. 1830DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 12 21 operação, porque a empresa deixou de honrar seus pagamentos com as empresas de máquinas e equipamentos. Razoável, nesse contexto, a afirmação da Recorrente de que foi severamente prejudicada pela indesejada manutenção do seu estado préoperacional causada pela escassez de recursos financeiros, bem como pela necessidade de arcar com o custo relativo aos trabalhadores rurais contratados para lidar com sua produção de canadeaçúcar, que já se encontrava em pleno andamento. Neste ponto, não é razoável supor que a Recorrente [...] tenha investido milhões de reais na criação de um empreendimento, contrataria milhares de empregados para atuar nas áreas rurais, pagandolhes os salários combinados, para, ato contínuo, manter voluntariamente o empreendimento em estado préoperacional, mediante a não implementação de usinas de produção de etanol e cogeração de energia elétrica a partir da biomassa, as quais intuitivamente possuem um potencial de geração de receitas (e de lucro) muito maior do que a mera venda da canadeaçúcar produzida, apenas com o objetivo de reduzir os encargos previdenciários [fls. 1.791]. Em respaldo, salienta a Recorrente que, no período autuado, realizou ações para a implantação de suas usinas para a produção de etanol e cogeração de energia elétrica, como se comprova por meio de contratos firmados desde 2007 para a construção e montagem de suas plantas industriais. Estes contratos evidenciam a convergência dos atos praticados pela Recorrente para o pleno exercício de suas atividades agroindustriais, o que afasta a alegação de que o enquadramento da Recorrente como agroindústria “teve como objetivo precípuo criar uma circunstância de elisão absoluta do encargo previdenciário". Nesse sentido, vejase que o art. 22A, da Lei n° 8.212/91, ao determinar a substituição de recolhimentos sobre folha de salários por contribuições sobre receita bruta para empresas agrícolas e agroindustriais em pleno funcionamento, buscou incentivar tais atividades ante a sazonalidade inerente às atividades agrícolas e agroindustriais. Considerado tal fundamento, não é razoável supor que referido regime de tributação seja afastado durante o período de formação e implementação daquelas mesmas atividades descritas no art. 22A da Lei n° 8.212/91, ou seja, não há sentido econômico em determinar que a empresa agroindustrial ainda em formação (fase préoperacional) seja submetida a regime de apuração de contribuições previdenciárias diverso daquele previsto para a fase operacional. Noutra linha, questionou a Fiscalização em relação à forma de contabilização das despesas da Recorrente durante o período préoperacional, tendo afirmado que "segundo as regras do Conselho Federal de Contabilidade, no subgrupo do Ativo Diferido (que foi extinto com a edição da Medida Provisória n° 449/2008) poderiam ser contabilizadas apenas as despesas para implantação do empreendimento, como as incorridas na elaboração do Estatuto, elaboração de projetos e despesas com treinamento de pessoal. No caso em questão, não se vislumbra este entendimento, pois o contribuinte ficou por um longo período contabilizando despesas operacionais como sendo préoperacionais inclusive as referentes ao pagamento mensal de salários de seus empresados, nas mais diversas funções, durante 03 (três) anos”. Em princípio, o objetivo da existência do ativo diferido era a equivalência, no tempo, da amortização das despesas incorridas pela empresa na fase préoperacional, às receitas decorrentes de referida operacionalização. Assim, quando a empresa incorria em Fl. 1831DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 22 despesas relacionadas ao desenvolvimento, construção e implantação de projetos antes de estes apresentarem receitas, deveriam referidas despesas ser registradas como ativo diferido. No futuro, quando surgissem as receitas referentes a referido ativo diferido, este seria passível de amortização. Segundo o FIPECAFI, em sua versão de 31 de dezembro de 2006, “os ativos diferidos caracterizamse por serem ativos que serão amortizados por apropriação às despesas operacionais (ou aos custos), no período de tempo em que estiverem contribuindo para formação do resultado da empresa. Compreendem despesas incorridas durante o período de desenvolvimento, construção e implantação de projetos, anterior a seu início de operação”. Vejase que o objetivo da escrituração do ativo diferido não era tornar a despesa permanentemente indedutível, mas sim permitir a dedutibilidade do dispêndio quando o projeto que lhe deu causa estiver produzindo receitas. Na verdade, “representam, muitas vezes, gastos cuja dedutibilidade seria como despesas operacionais, caso a atividade a que se referem estivesse já produzindo receitas ou benefícios”. Como exemplo, o FIPECAFI apresenta “o caso de gastos incorridos com pessoal administrativo, outras despesas gerais e administrativas, e demais gastos específicos (desde que não sejam parte do imobilizado), os quais são necessários ao desenvolvimento de um projeto. Pelo fato, entretanto, de os benefícios desse projeto ocorrerem em resultados futuros mediante geração de receitas, tais gastos são ativados para amortização futura, para manter o critério de contraposição de receitas e despesas”. Notese, no entanto, que “A condição para seu diferimento é que, SEMPRE, haja razoável segurança da realização futura desses saldos diferidos por meio de receitas que venham cobrir custos e despesas futuras e gerem margem para atender à amortização desses diferidos e à depreciação dos bens do imobilizado correspondentes.” Com isso, o registro de determinado dispêndio como ativo diferido demandava a identificação de duas condições, a saber: 1º) o dispêndio deve referirse a projetos cuja operação não tenha iniciado; 2º) deve haver razoável segurança da realização de receitas futuras. Todavia, tem razão a Autoridade Autuante, quando remetesse ao texto literal do art. 179, V da Lei das SA (já revogado) ao falar que seriam contabilizadas no ativo diferido as aplicações de recursos em despesas que “contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social”. No entanto, o conceito de “formação do resultado de mais de um exercício social” não se atem ao simples fato de o gasto eventualmente auxiliar um acréscimo no resultado futuro, tendo em vista que isso é decorrência lógica do próprio princípio da continuidade. É dizer: logicamente há diversos gastos que contribuem para o acréscimo no resultado de exercícios futuros, como por exemplo o treinamento interno de pessoal (já que o empregado irá trabalhar melhor e produzir mais) e os gastos com publicidade (tendo em vista que a clientela irá aumentar e se fidelizar). Enfim, há diversos gastos que contribuirão para a formação de exercícios futuros. Todavia, para classificar um gasto no ativo diferido é necessário uma relação direta, identificada e documentada entre os custos e despesas incorridos e as receitas a serem obtidas em períodos futuros. Este é o posicionamento do Instituto dos Auditores Independentes do Fl. 1832DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 13 23 Brasil esboçado por meio da NPC VIII (Normas e Procedimentos de Contabilidade), que trata especificamente do grupo “Diferido” e somente foi revogada em 24/05/2011, tendo em vista a convergência da contabilidade brasileira às normas internacionais. Confirase: O conceito de “formação do resultado de diversos períodos”, que caracteriza os itens classificáveis como ativos diferidos, pode ser definido como uma relação direta, identificada e documentada, entre certos custos ou despesas incorridos em um certo momento, geralmente não identificáveis com ativos físicos, e receitas a serem obtidas em períodos futuros. (...) Neste ponto, é necessário insistir na importância da relação entre as despesas diferidas e as receitas esperadas, para cuja geração essas despesas devem contribuir de forma inequívoca. O conceito de diferimento de despesas nasce com a esperança de se obter receitas em períodos futuros que não se poderiam originar se as despesas diferidas não tivessem sido incorridas. Portanto, não poderão diferirse aqueles itens vinculados a projetos abandonados e que, conseqüentemente, não produzirão receitas, nem tampouco os itens ligados a projetos de viabilidade duvidosa. Neste último caso, a amortização total e imediata das despesas diferidas atende ao principio básico de conservadorismo. Daí é que a interpretação sistemática do dispositivo permite aferir que o conteúdo das contas que integram o Ativo Diferido têm relação a projetos futuros dos quais certamente irão decorrer receitas. Frisase: é necessária a vinculação direta, identificada e documentada entre os gastos que serão diferidos e as receitas que serão auferidas no futuro. Desta forma, é interessante notar que o próprio art. 325 do RIR dá essa idéia, pois o §1º, que dispõe quando deveria iniciar a amortização do ativo diferido, remete ao início das operações do projeto cujas despesas foram registradas sob referida conta. Vejase: Art. 325. Poderão ser amortizados: I o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58): a) patentes de invenção, fórmulas e processos de fabricação, direitos autorais, licenças, autorizações ou concessões; b) investimento em bens que, nos termos da lei ou contrato que regule a concessão de serviço público, devem reverter ao poder concedente, ao fim do prazo da concessão, sem indenização; c) custo de aquisição, prorrogação ou modificação de contratos e direitos de qualquer natureza, inclusive de exploração de fundos de comércio; d) custos das construções ou benfeitorias em bens locados ou arrendados, ou em bens de terceiros, quando não houver direito ao recebimento de seu valor; Fl. 1833DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 24 e) o valor dos direitos contratuais de exploração de florestas de que trata o art. 328; II os custos, encargos ou despesas, REGISTRADOS NO ATIVO DIFERIDO, que contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de apuração, tais como: a) as despesas de organização préoperacionais ou pré industriais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "a"); b) as despesas com pesquisas científicas ou tecnológicas, inclusive com experimentação para criação ou aperfeiçoamento de produtos, processos, fórmulas e técnicas de produção, administração ou venda, de que trata o caput do art. 349, se o contribuinte optar pela sua capitalização (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "b"); c) as despesas com prospecção e cubagem de jazidas ou depósitos, realizadas por concessionárias de pesquisa ou lavra de minérios, sob a orientação técnica de engenheiro de minas, de que trata o § 1º do art. 349, se o contribuinte optar pela sua capitalização (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "b"); d) os custos e as despesas de desenvolvimento de jazidas e minas ou de expansão de atividades industriais, classificados como ativo diferido até o término da construção ou da preparação para exploração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "c"); e) a parte dos custos, encargos e despesas operacionais registrados como ativo diferido durante o período em que a empresa, na fase inicial da operação, utilizou apenas parcialmente o seu equipamento ou as suas instalações (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º, alínea "d"); f) os juros durante o período de construção e préoperação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º, alínea "a"); g) os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais ou de implantação do empreendimento inicial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º, alínea "b"); h) os custos, despesas e outros encargos com a reestruturação, reorganização ou modernização da empresa (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º, alínea "c"). § 1º A amortização terá início (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 3º): I no caso da alínea "a" do inciso II, a partir do início das operações; II no caso da alínea "d" do inciso II, a partir da exploração da jazida ou mina, ou do início das atividades das novas instalações; III no caso da alínea "e" do inciso II, a partir do momento em que for iniciada a operação ou atingida a plena utilização das instalações. § 2º Não será admitida amortização de bens, custos ou despesas, para os quais seja registrada quota de exaustão (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, § 6º). Fl. 1834DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 14 25 Vêse, assim, que não se trata de ativação pura e simples do gasto, mas sim a transmutação provisória de uma de um custo ou despesa (pré) operacional em ativo (diferido), com objetivo de amortização futura. Neste sentido, leiamse precendentes deste Conselho, in litteris: IRPJ PERÍODO PRÉOPERACIONAL. Os custos, encargos ou despesas, registrados no ativo diferido que contribuirão para a formação do resultado de mais de um período de apuração devem ser amortizados a partir do início das operações, independentemente do resultado positivo ou lucro. Quando a implantação da empresa se processar por etapas, cada fase da implantação deve ser bem definida, a fim de que a amortização das despesas préoperacionais fique vinculada a cada etapa (PN/CST nº 110/75). IRPJ LANÇAMENTO OMISSÃO DE RECEITAS. DECLARAÇÃO INEXATA. Quando o contribuinte emite as notas fiscais de serviços e escritura o Livro Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados instituído pela Prefeitura Municipal e estas receitas são contabilizadas a débito da conta Ativo Diferido (Custos/Despesas e Receitas préoperacionais) e não declara receitas, por entender que se encontra em fase préoperacional ou de implantação, está tipificada a infração definida na legislação tributária como de declaração inexata e não a omissão de receita (PN/CST nº 20/84). (acórdão 101.94001) FASE PRÉOPERACIONAL. DIFERIMENTO DAS RECEITAS E DAS DESPESAS. INÍCIO DA ATIVIDADE OPERACIONAL. As receitas e despesas de empreendimentos em fase préoperacional são classificadas no ativo diferido, para amortização no prazo mínimo de 5 anos. O início da atividade operacional se dá quando o equipamento ou instalação passa a operar em sua plena capacidade. (acórdão 103.21933) Nesse sentido, o entendimento da acusação fiscal não encontra respaldo no conceito de ativo diferido previsto no art. 179, V, da Lei n° 6.404/75 (hoje revogado) e, conforme alegado pela Recorrente, não há identidade da abrangência deste com os ajustes introduzidos pela Lei n°. 11.638/07 para atualização das regras contábeis brasileiras e harmonização dessas regras com os pronunciamentos internacionais, em especial os emitidos pelo International Accouting Standards Doard (IASB), por meio dos International Financial Reporting Standards (IFRS). Referidas regras, ao contrário do que se acusou, não determinaram limitação das despesas préoperacionais apenas aos gastos indicados pela Fiscalização, conforme consta da própria Resolução CFC n° 1.159/2009, cujos itens 11 a 17 e 24 a 30 [fls. 1.796 e ss]: Extinção do Ativo Diferido 11. O subgrupo do ativo diferido foi extinto com a edição da MP nº. 449/08, que acrescentou o art. 299A à Lei nº. 6.404/76 (Lei das S/A). Fl. 1835DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 26 12. As entidades em fase préoperacional que continuaram contabilizando os gastos préoperacionais ao longo do exercício de 2008, em conformidade com a Lei nº. 11.638/07, devem, a partir de 5/12/08, realizar os registros contábeis dos referidos gastos, em contas de resultado. [...] 16. Dessa forma, o grupo Ativo Permanente foi extinto e foi criado o grupo Ativo Não Circulante, que passou a ser composto pelo ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. 17. É válido esclarecer que a Lei nº. 11.638/07 promoveu alteração no § 1º (alínea c) do art. 178 da Lei nº. 6.404/76, onde ainda se manteve o grupo Ativo Permanente, dividido em Investimentos, Intangível e Diferido. Esse artigo, entretanto, foi novamente alterado pela MP nº. 449/08, cuja nova redação trouxe a extinção do grupo Ativo Permanente e do subgrupo Ativo Diferido. Dessa forma, as demonstrações contábeis elaboradas na data de 31/12/08 devem observar a última redação dada ao referido art. 178 da Lei nº. 6.404/76. [...] 24. A Lei nº. 11.638/07 restringiu o conceito do Ativo Diferido. A MP nº. 449/08, por sua vez, extinguiu esse subgrupo. 25. Dessa forma, na data de transição (1º/01/08), as entidades devem analisar o saldo existente nesse subgrupo na data de 31/12/07 e, se for o caso, reclassificar: (a) para o ativo imobilizado aqueles gastos vinculados ao processo de preparação e colocação em operação de máquinas e equipamentos. Tais gastos incluem todos os custos vinculados à sua aquisição ou construção e todos os demais necessários a colocálos em condições de funcionamento (transporte, seguro, tributos não recuperáveis, montagem, testes, etc.); (b) para o intangível aqueles gastos que se enquadrarem nesse conceito, em conformidade com a NBC TG 13 Adoção Inicial da Lei nº. 11.638/07 e da Medida Provisória nº. 449/08; e (c) para o resultado do período os demais gastos préoperacionais de treinamento de pessoal administrativo ou de pessoal de vendas ou outros que não se qualifiquem nas alíneas (a) e (b). 26. Após as reclassificações tratadas nas alíneas (a) e (b), as entidades têm a opção de manter os saldos contabilizados até 31/12/2007 dos gastos préoperacionais (que se enquadrarem na alínea (c) acima) como ativo diferido, até a sua total amortização, ou de ajustar o referido saldo à conta Lucros ou Prejuízos Acumulados. 27. Se a entidade optar pela manutenção do diferido como ativo, deve manter o subgrupo Ativo Diferido no grupo Ativo Não Circulante e dar seguimento ao processo de amortização. 28. Em situação de préoperacionalidade, a entidade deve registrar no subgrupo do ativo diferido os gastos pré Fl. 1836DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 15 27 operacionais de treinamento de pessoal, administrativo ou de pessoal de vendas ou assemelhados e as despesas com pesquisa, ou qualquer outro gasto não classificável no imobilizado ou intangível, ocorridos antes da edição da MP nº. 449/08, ou seja, no período compreendido entre 1º/01/08 e 4/12/08. 29. A partir de 5/12/08 (data da publicação da MP nº. 449/08), aqueles tipos de gastos devem, nas entidades em fase pré operacional, ser registrados no resultado como despesa do período. 30. De forma análoga ao procedimento adotado na data de transição (1º/01/08) para o saldo existente em 31/12/07, as entidades em situação préoperacional devem novamente analisar o saldo dos gastos préoperacionais existentes em 4/12/08, podendo optar em manter o referido saldo como ativo diferido, até a sua total amortização, ou optar em ajustálo para o resultado do período. Nesse contexto, deve ser observada a uniformidade na adoção do referido procedimento, considerando a opção feita quanto à data de transição. [Grifo no original] Como bem afirmado pela Recorrente, nos termos do item 25 da referida Resolução CFC n° 1.159/2009, a extinção da conta de Ativo Diferido e a consequente destinação dos saldos existentes para (a) o ativo imobilizado, (b) intangível ou (c) conta de resultado do período, não transformaram os gastos préoperacionais em operacionais, pois determinaram apenas alteração na forma de registro contábil daquelas despesas, sendo equivocada a alegação de que as despesas pré operacionais da Impugnante estariam limitadas apenas à "elaboração do Estatuto, elaboração de projetos e despesas com treinamento de pessoal". Observa ainda que a Fiscalização, embora descaracterize a Recorrente como "agroindústria" durante sua fase préoperacional, não indica claramente qual seria a atividade praticada pela Impugnante neste período ou qual seria seu correto enquadramento, para fins de apuração das contribuições previdenciárias. Nos termos dos autos de infração lavrados o fisco limitase a apurar as contribuições supostamente devidas segundo as regras aplicáveis às empresas urbanas ou exclusivamente industriais. A demonstrar tais fatos, a Recorrente junta aos autos robusta prova documental que comprova o pleno exercício de sua atividade rural, bem como a realização de operações de venda desta produção, tais como: Apresentação Institucional de junho/2008; Plano Diretor Agrícola; Fotos das áreas rurais e maquinados utilizados pela Impugnante; Demonstrativo das áreas plantadas; Contratos de compra e venda de canadeaçúcar; Controle de fluxo contábil/financeiro Contrato cerradinho; Regime Especial de ICMS para operação de venda de canadeaçúcar; Relação de fazendas; Demonstrativo de estimativa de produção por fazenda; Orçamento agrícola Morro Vermelho; Demonstrativo de aplicação de calcário; Análise do custo de valor de produção em relação à canadeaçúcar vendida; Demonstrativo de áreas a colher; Demonstrativo de produção/corte de cana; Demonstrativo de estimativa de produção; Controle de cana (produção própria e terceiros); Demonstrativo de áreas Água Emendada; Demonstrativo de custos; Planejamento agrícola das usinas; Resumo preparo do solo 20092010; Inventário das Operações/Prestações de Serviço; Relatório dos trabalhadores contratados no período autuado com a indicação de sua respectiva função e centro de custo; Fl. 1837DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 28 Demonstrativo de apuração das contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural da empresa; Cópia das GFIPs e respectivas GPSs relativas ao recolhimento previdenciário; Relatório das atividades operacionais da Impugnante no ano base de 2010; Relatório de venda de canadeaçúcar no ano base de 2010. Particularmente em relação aos trabalhadores da Recorrente contratados no período autuado, verificase que se tratam, em sua expressiva maioria, de trabalhadores rurais estritamente ligados às atividades rurais, motivo pelo qual não procede a alegação da Fiscalização no sentido de que a Impugnante teria se prevalecido de sua condição de agroindústria para elidir o pagamento da contribuição previdenciária sobre os salários dos trabalhadores não relacionados à atividade rural. Diante de todos os elementos, argumentos e documentos analisados, entendo que deveria a autoridade fiscal ter fundamentado e provado a suposta existência dos elementos permissivos à desconsideração do negócio jurídico. Ao revés disso e dos instrumentos normativos disponíveis, resolveu trilhar pelo subjetivismo. Portanto, inexistindo vedação legal e não demonstrada a existência de simulação e fraude, não há como acolher a pretensão fiscal. Desta forma, não vejo como desconsiderar o objeto social da Recorrente, a uma porque não encontro na legislação de regência dispositivo autorizador, e tão pouco nos outros ramos do direito autorização ou parâmetros que venham conferir tal medida, como ocorre na desconsideração da personalidade jurídica. E, sobretudo, deixo de desconsiderar o objeto social da Recorrente, eis que não basta ao Fiscal observar que o contribuinte não acode aquele fim, mas, sobretudo, comprovar cabalmente que ele está a exercer outra finalidade, o que não ocorreu no caso em tela. DA MULTA Há de se reconhecer o direito do contribuinte à redução da multa incidente pelo não recolhimento da contribuição previdenciária para 20%, sendo a mesma aplicável a todos os períodos, uma vez que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias, devem seguir o princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, com previsão legal no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, reduzindose o valor da multa aplicada para o percentual de 20%, por aplicação retroativa da Lei nº 9.430/96. O art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional prevê expressamente que a lei nova possa reger fatos geradores pretéritos, desde que se trate de ato não definitivamente julgado, por aplicação do princípio da retroatividade benéfica. Sendo assim, mister que tenhamos em mente que enquanto não preclusa a oportunidade para a oposição algum remédio processual e ou se estes não tiverem transitado em julgado, possível será a aplicação do dispositivo supramencionado, uma vez que não há nada definido juridicamente, ou seja, não há trânsito em julgado. De mais a mais, na lei não há distinção da multa moratória e a punitiva, e por isto mesmo o contribuinte faz jus à incidência da multa moratória mais benéfica, sendo cabível a aplicação retroativa do art. 61, da Lei nº 9.430/96, desde que, como alhures dito, o ato não se encontre definitivamente julgado, como é o caso em tela. Este pensar, da mesma forma vêm se posicionando nossos Tribunais, in verbis’: Fl. 1838DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 16 29 "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COFINS. DCTF. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INTIMAÇÃO DA JUNTADA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROVA PERICIAL INDEFERIDA. MULTA MORATÓRIA. REDUÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 61, DA LEI Nº 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997. POSSIBILIDADE. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. ART. 106, DO CTN. TAXA SELIC. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DECRETOLEI Nº 1.025/69. .... O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, facultando ao contribuinte, com base no art. 106, do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61, da Lei nº 9.430/96 a fatos anteriores a 1997. ... (STJ, REsp 653645/SC, 2a T., Rel. Min. Eliana Calmon, D.J 21/11/2005)" "EXECUÇÃO FISCAL. REDUÇÃO DE MULTA EM FACE DO DEL 2.471/1988. ART. 106, II, "c", CTN. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. 1. O ART. 106, do CTN admite a retroatividade, em favor do contribuinte da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados. Sobrevindo, no curso da execução fiscal, o DL 2.471/1988, que reduziu a multa moratória de 100% para 20% e, sendo possível a reestruturação do cálculo de liquidação, é possível a aplicação da lei mais benigna, sem ofensa aos princípios gerais do direito tributária. Na execução fiscal, as decisões finais correspondem as fases de arrematação, da adjudicação ou remição, ainda não oportunizados, ou, de outra feita, com a extinção do processo, nos termos do art. 794, do CPC. (STJ, REsp 94511/PR, 1a T., Rel. Min. Demócrito Reinaldo, D.J.: 25/11/1996)" Assim, para valer a regra da retroatividade benéfica da lei, estampada no artigo 106 II, C do Código Tributário Nacional, no caso em tela a multa a ser aplicada é aquela que se encontra no artigo 61 da Lei 9.430/1996. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, estando o presente Recurso Voluntário em pleno ajuste com a legislação, inclusive tempestividade, dele conheço para no mérito DARLHE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, aplicandoselhe a multa mais benéfica pela retroatividade que beneficia o contribuinte, sendo a melhor a do artigo 61. da 9.430/96. É como Voto. Fl. 1839DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 30 Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator (assinado digitalmente) Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 17 31 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, redator designado. Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de sua conclusão quanto à multa, acompanhando suas conclusões nas demais questões. Em casos como esse – em que a legislação foi alterada, com novos cálculos e forma de aplicação de penalidades – o Código Tributário Nacional (CTN), determina que a legislação deve retroagir. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar, nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Para tanto, devemos comparar as penalidades aplicadas antes da alteração legislativa com a imposta atualmente. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 32 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 18 33 dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Ocorre que o nobre relator não comparou as penalidades, antigas e novas, quando os mesmos fatos jurídicos forem verificados pelo Fisco (falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata). O relator comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 34 Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria verificar as penalidades que o sujeito passivo sofreu na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 19515.722062/201246 Acórdão n.º 2301004.261 S2C3T1 Fl. 19 35 acessória, nos casos de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória, nos casos de falta de declaração e/ou apresentação de declaração inexata, e por descumprimento de obrigação principal, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento). Conseqüentemente, divirjo do relator e voto pela negativa de provimento do recurso nesta questão, para a manutenção da multa aplicada, pois o cálculo que irá definir se a legislação atual irá retroagir, ou não, como ocorre de ofício pela autoridade executora do acórdão, só deve ocorrer no momento da execução do julgado, conforme determinado pela legislação atual. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acompanho o relator em seu voto, exceto quanto à questão da multa, em que nego provimento ao recurso do sujeito passivo, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 10/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.909669/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 96 69 /2 00 9- 30 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909669/200930 Acórdão n.º 3202001.538 S3C2T2 Fl. 363 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 383DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 14485.003377/2007-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1999 a 30/11/2007
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.916
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências até 11/2002, com base no art. 150, § 4º do CTN. No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1999 a 30/11/2007 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Crédito Tributário Mantido em Parte
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora, aplicada até a competência 11/2008, deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 33 77 /2 00 7- 12 Fl. 540DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, preliminarmente: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências até 11/2002, com base no art. 150, § 4º do CTN. No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003377/200712 Acórdão n.º 2403002.916 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, Acórdão 1618.145 da 11ª Turma, que julgou o lançamento procedente em parte com o reconhecimento da decadência até a cmpetência 11/2001, com base no artigo 173, I do CTN. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: DO LANÇAMENTO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD relativa às contribuições sociais devidas pela empresa — a parte da empresa, a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a outras entidades — incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados a seu serviço, conforme declarado nas folhas de pagamento e nas GFIP — Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, nas competências de 12/1999 a 12/2006, de acordo com o Relatório Fiscal de fl. 16/22. Informa ainda o Relatório Fiscal que todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte foram deduzidos do valor da presente Notificação, assim como os valores dos Lançamentos de Débitos Confessados em GFIP — LDCG 36.115.0466 e 36.115.0474 e também os valores de saláriofamília e salário maternidade. Estão lançadas ainda diferenças de acréscimos legais em recolhimentos efetuados com atraso, nas competências de 02/2001 a 11/2007. O Relatório Fiscal acrescenta que será emitida Representação Fiscal para Fins Penais, pela prática, em tese, das condutas tipificadas no art. 337A do Código Penal, pelo fato de a empresa somente após o início da ação fiscal ter declarado em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Da Representação Fiscal para Fins penais constará também que foram verificadas diferenças a recolher na contribuição retida dos segurados empregados. Tais diferenças foram objeto de recolhimento durante a ação fiscal. O valor devido atinge o montante de R$ 641.899,31 (seiscentos e quarenta e um mil e oitocentos e noventa e nove reais e trinta e um centavos), consolidado em 20/12/2007. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 DA IMPUGNAÇÃO Tempestivamente, a Notificada impugnou o lançamento, através da peça de fl. 129/152 acompanhada de cópias de Contrato Social e procuração (fl. 153/168) e cópias de peças da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (fl. 169/414). Em sua defesa, a Impugnante faz relato da notificação e traz contra ela os argumentos a seguir sintetizados Do Direito 1. Das nulidades constantes na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. Alega que a presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito não contém as peças de instrução obrigatórias elencadas nos art. 640 e 663 da Instrução Normativa SRP n.° 03/2005: não integra a presente Notificação o Termo de Início da Ação Fiscal — TIAF. Esse Termo, bem como o Termo de Encerramento da Ação Fiscal — TEAF, não foram entregues à Impugnante por meio impresso para que pudessem ser assinados. Acrescenta que o Sr. Marcelo Simões Abraão não é sócio da Impugnante, embora conste no Relatório de Representantes Legais — REPLEG como sóciogerente. Por fim, a Notificação desrespeita o art. 142 do Código Tributário Nacional —CTN, porque não traz, em sua descrição, elementos suficientes que demonstrem a natureza da infração, os fatos supostamente infringentes à lei, os elementos configuradores do fato gerador, os fundamentos (de fato e de direito) e a legitimidade da pretensão. Caracterizouse o cerceamento de defesa porque o contribuinte não teve acesso aos relatórios e documentos necessários, e a Notificação não atende os requisitos da Iei. 2. Da perda da espontaneidade. Não deve ser emitida Representação Fiscal para Fins Penais pelo fato de a Notificada somente após o início da ação fiscal ter declarado em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nem pelo fato de ter ocorrido apropriação da contribuição do segurado. A declaração e o pagamento, nos termos do artigo XXX (sic) do Código Penal, extinguem a punibilidade das referidas condutas. 3. Da decadência. Devese considerar decaído o direito do Fisco de lançar créditos referentes a tributos lançados por homologação. Nos termos do §4° do art. 150 do CTN, os fatos geradores ocorridos até 21/12/2002 estão abrangidos pela decadência. Os art. 45 e 46 da Lei n.° 8212/91 são inconstitucionais. Transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Cita o art. 1 ° do Decreto n.° 2345/97, que obriga a administração a observar, em seus julgados, decisões do Supremo Tribunal Federal, e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003377/200712 Acórdão n.º 2403002.916 S2C4T3 Fl. 4 5 4. Da ilegalidade da incidência do juro SELIC sobre créditos tributários. O próprio Superior Tribunal de Justiça decidiu que a aplicação da taxa SELIC sobre débitos tributários é inconstitucional. 5. Do pedido. Requer o recebimento da Impugnação para que seja declarada a nulidade da presente NFLD, reconhecida a decadência dos créditos lançados e a inaplicabilidade dos juros equivalentes à SELIC. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · a nulidade da autuação pela falta dos requisitos necessários para sua constituição; · a decadência dos supostos créditos com base no artigo 150 § 4 º do CTN; · Representação Fiscal para Fins Penais; · a ilegalidade da incidência dos juros SELIC. É o relatório. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE A recorrente alega que não constam TIAF, TIAD o MPF e que a falta desses documentos impressos motiva a declaração da nulidade do lançamento. Outro vício apontado é que o Sr. Marcelo Simões Abrão, qualificado como Sócio Gerente no Relatório de Representantes Legais REPLEG, não é sócio da Recorrente. Não concordo com a recorrente. Consta do processo, folha 09, a indicação que “contém um CD com os anexos da ação fiscal 09394790, NFLD 37.043.6385, Bônus Indústria e Comércio de Confecções Ltda, CNPJ 55.507.834/000180” O MPF, do qual, comprovadamente a recorrente tomou ciência, folhas 10 a 12, especifica que “a partir da ciência deste MPF, encontrase sob AuditoriaFiscal Previdenciária, devendo apresentar os documentos solicitados pela Fiscalização no prazo estabelecido no correspondente Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD).” Entendo assim, que a recorrente foi notificada do início da ação fiscal. Conforme o disposto no art. 1º da Lei nº 11.098 de 13 de janeiro de 2005, fica o sujeito passivo cientificado de que, a partir da ciência deste MPF, encontrase sob AuditoriaFiscal Previdenciária, devendo apresentar os documentos solicitados pela Fiscalização no prazo estabelecido no correspondente Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD). Para a questão do MPF, o CARF tem decidido que a eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo Fl. 545DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003377/200712 Acórdão n.º 2403002.916 S2C4T3 Fl. 5 7 auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. AutoridadeCâmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma TítuloAcórdão nº 40202898 do Processo 10855004133200228 Data28/01/2008 EmentaAssunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2002NULIDADES. AUSÊNCIA DE MPF. A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. Recurso especial provido O TIAD, do qual, comprovadamente a recorrente também tomou ciência, está contido na folha 13. Ademais. a jurisprudência está consolidada no entendimento de que a declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. REsp 1440298 / RS RECURSO ESPECIAL2014/00502676 Data do Julgamento 07/10/2014 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE DE ANÁLISE, NA VIA ESPECIAL, POR ESTA CORTE. INDEFERIMENTO DE PROVA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO MAGISTRADO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. PIS. COFINS. DESONERAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. SÚMULA 284/STF. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE, EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA, NO CASO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO, POR SUJEITO INTEGRANTE DA CADEIA ECONÔMICA, QUE NÃO ESTÁ SUBMETIDO AO PAGAMENTO NÃO Fl. 546DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 CUMULATIVO DO PIS E DA COFINS, NOS TERMOS DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. PRECEDENTES. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO NÃO RESTRITA AO REPORTO. PRECEDENTES. INCOMPATIBILIDADE ENTRE A APURAÇÃO DE CRÉDITO E A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRECEDENTES DO STJ. ... III. O STJ consolidou o entendimento no sentido de que a declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não ocorreu, na hipótese, em observância ao princípio pas de nullité sans grief. Precedentes: STJ, AgRg no REsp 1.294.465/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 26/08/2014; AgRg no REsp 1.434.880/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/08/2014; EREsp 1.121.718/SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, CORTE ESPECIAL, DJe de 01/08/2012. ... Quanto à questão do o Sr. Marcelo Simões Abrão, qualificado como Sócio Gerente no Relatório de Representantes Legais REPLEG, não é sócio da Recorrente. A relação de representantes legais é apenas indicativa dos que possuem ou possuíam poder de mando/direção à época da ocorrência dos fatos geradores. A decisão de primeira instância já relatou que o Sr Marcelo era administrador da empresa. A inclusão do Sr. Marcelo Simões Abraão no Relatório de Representantes Legais — REPLEG como sóciogerente está de acordo com o art. 9° do Instrumento Particular de Re Ratificação e Alteração do Contrato Social. Esse artigo estabelece que a sociedade será administrada por ele, na qualidade de Diretor. Como se trata de uma sociedade limitada, a forma de indicar que ele é o responsável pela gerência do negócio é classificálo, no Relatório de Representantes Legais — REPLEG, como sóciogerente. E embora não seja ele sócio da empresa Notificada, e sócio representante da empresa sócia majoritária da Impugnante, o que o vincula também à notificada. Também aqui não percebo razão para a nulidade. DECADÊNCIA Fl. 547DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003377/200712 Acórdão n.º 2403002.916 S2C4T3 Fl. 6 9 Está pacificada a questão da decadência qüinqüenal, conforme o CTN. Para casos com recolhimento antecipado, ainda que parcial, aplicase a regra do artigo 150, § 4°, do CTN, conforme súmula CARF 99. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. O Relatório Fiscal registra a existência de recolhimentos. 6. Todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte e os Lançamento de Débito Confessados em GFIP — LDCG 36.115.0466 e 36.115.0474 foram considerados no lançamento e deduzidos desta Notificação, bem como, as deduções do saláriofamília e saláriomaternidade, conforme demonstram os anexos: Relatório de Documentos Apresentados RDA e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados — RADA e Discriminativo Analítico de Débito — DAD. O período do lançamento é de 12/1999 a 11/2007. A ciência do lançamento ocorreu em 21/12/2007. Entendo decadentes as competências até 11/2002, inclusive. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Quanto à Representação Fiscal Para Fins Penais, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 28. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. SELIC – SÚMULA Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 549DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 14485.003377/200712 Acórdão n.º 2403002.916 S2C4T3 Fl. 7 11 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por, nas preliminares, reconhecer a decadência das competências até 11/2002, com base na regra do artigo 150, § 4° do CTN. No mérito, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 550DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13817.000216/2002-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LEI NOVA. NATUREZA PROCEDIMENTAL. FATOS ANTERIORES. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A lei de natureza procedimental aplica-se desde logo aos processos pendentes de julgamento, ainda que neles se discutam fatos definitivamente constituídos em data anterior à vigência da lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
O saldo credor de cada trimestre-calendário é calculado com base no saldo inicial do período, somado aos créditos e subtraído dos débitos contabilizados.
Numero da decisão: 3102-002.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Votos que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 14/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luis Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Votos que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 14/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luis Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
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COMPENSAÇÃO. DÉBITOS DE OUTRO ESTABELECIMENTO. MESMA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. A autonomia dos estabelecimentos é um critério basilar do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI; todavia, uma vez que a legislação autorize a compensação dos créditos do estabelecimento com os débitos da pessoa jurídica, não há que se falar em compensação com créditos de terceiros. SALDO CREDOR ACUMULADO. UTILIZAÇÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Por força de Lei, o saldo credor do IPI acumulado em cada trimestre calendário, que o contribuinte não puder compensar com o Imposto devido na saída de outros produtos, pode ser utilizado na restituição ou compensação com débitos próprios de outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O saldo credor de cada trimestrecalendário é calculado com base no saldo inicial do período, somado aos créditos e subtraído dos débitos contabilizados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 JULGAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO. MATÉRIA IMPUGNADA. RECURSO. EFEITO DEVOLUTIVO. A impugnação e o recurso voluntário devolvem ao tribunal administrativo competente para proferir a decisão o conhecimento da matéria em litígio, devendo ser apreciadas e julgadas todas as questões suscitadas e discutidas no processo, independentemente das razões que nortearam a decisão contestada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 7. 00 02 16 /2 00 2- 92 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Os fundamentos e motivos da decisão a quo não fazem coisa julgada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LEI NOVA. NATUREZA PROCEDIMENTAL. FATOS ANTERIORES. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A lei de natureza procedimental aplicase desde logo aos processos pendentes de julgamento, ainda que neles se discutam fatos definitivamente constituídos em data anterior à vigência da lei. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatorio e Votos que integram o presente julgado. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 14/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Luis Feistauer de Oliveira, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de Pedido de Ressarcimento de Créditos de IPI que se refere ao saldo credor do artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, combinado com saídas com suspensão do IPI de que dispõe a Instrução Normativa SRF nº 113/99, no montante de R$ 454.501,78, respeitante ao 1º trimestrecalendário de 2002. As compensações estão nos processos apensados nº 10805.001776/200477 e nº 13654.000150/200241. O Termo de Verificação Fiscal, lavrado em 12/11/2007, assim dispõe sobre o processo em questão: “(...) a) Verificação da correta instrução dos processos e autenticidade dos documentos juntados pelo interessado Inicialmente queremos destacar que os créditos de IPI a serem analisados, relativos aos processos acima citados, têm por fundamento legal a restituição do saldo credor do IPI permitida pelo artigo 11 da Lei No 9.779, de 19 de janeiro de 1999, originados pela saída do estabelecimento industrial, com suspensão de IPI, de Fl. 482DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13817.000216/200292 Acórdão n.º 3102002.360 S3C1T2 Fl. 3 3 produtos fabricados destinados à montagem de veículos automotores (TIPI 8701 a 8705), de acordo com o artigo 5° da Lei No 9.826, de 23 de agosto de 1999, e Instrução Normativa IN SRF No 113, de 14 de setembro de 1999, c/c a saída de produtos fabricados destinados à exportação, que possuem imunidade de acordo com o artigo 18, inciso II, do RIPI/98. (...) b) Verificação da legitimidade dos saldos escriturados b.3) Constatamos que o valor de R$ 454.501,78, relativo ao Pedido de Ressarcimento solicitado pelo fiscalizado através do processo n° 13817.000216/200292, referente ao 1° trimestre calendário do ano de 2002, refere se ao saldo credor do IPI escriturado em 31/03/2002 em seu livro de Registro de Apuração do IPI. Ocorre que no inicio do 1 ° trimestre calendário do ano de 2002 o saldo credor do fiscalizado relativo ao período anterior era de R$ 96.789,44. Desta forma, concluímos que o saldo credor do IPI do fiscalizado, relativo ao 1º trimestre calendário do ano de 2002, a ser analisado é de R$ 357.712,34, correspondente ao saldo credor em 31/03/2002 (R$ 454.501,78) menos o saldo credor em 31/12/2001 (R$ 96.789,44), e não R$ 454.501,78 conforme solicitado pelo mesmo. (...) 3. CONCLUSÃO Após todas as verificações por nós realizadas, anteriormente descritas, e todas as conferências feitas, de acordo com a Comunicação de Serviço n° 10805/001/2000, Ordem de Serviço DRF/SAE No 1, de 12 de maio de 2004, e Ordem de Serviço SRRF08, No 008, de 13 de setembro de 2005, concluímos que o contribuinte em tela faz jus aos valores de ressarcimento abaixo discriminados: (...) • 1 ° trimestre calendário do ano de 2002 Valor do ressarcimento de IPI solicitado: R$ 454.501,78 Processo Administrativo Fiscal N ° 13817.000216/200292 Crédito a ser glosado conforme descrito no item 2.b.3) e planilha anexa citada no item 2.i) deste Termo = R$ 96.789,44 Valor passível de ressarcimento = R$ 357.712,34” (g.m.) O Despacho Decisório, de 27/11/2007, exarado no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André, SP, ratificou a glosa proposta no relatório fiscal e no parecer do ato decisório, com o reconhecimento do direito creditório no importe de R$ 357.712,34 e a homologação das compensações declaradas no processo em apenso até o limite do direito creditório reconhecido. A ciência da interessada, conforme AR nos autos, é de 25/02/2008. Insatisfeita com a decisão administrativa, a interessada ofereceu, em 20/03/2008, manifestação de inconformidade subscrita pelos respectivos patronos da pessoa jurídica, devidamente constituídos por instrumento legal presente nos Fl. 483DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 4 autos, em que aduz, em síntese, que, em caráter preliminar, houve a decadência do direito de lançamento do crédito tributário referente aos pedidos de compensação efetuados, nos termos da Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 5º: “Com efeito, referidos pedidos de compensação se deram em 14/05/2002 (R$ 214.746,45); em 15/05 12002 (R$ 1.315,46); em 20/05/2002 (R$ 63.336,27); em 28/05/2002 (R$ 114.011,48) e em 10/06/2002 (R$ 61.092,12) ou seja, quase 06 (seis) anos antes da prolação do Despacho Decisório ora impugnado.”; tratandose de pedidos de compensação convertidos em declarações de compensação, o prazo de 5 anos para homologação tácita é contado desde a data de protocolo dos pedidos, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, art. 70; tudo conforme vários precedentes administrativos; no mérito, contesta o valor concedido porque o que foi pleiteado (R$ 454.501,78) tem por base o saldo credor acumulado de períodos anteriores; faz um histórico da legislação que trata do ressarcimento de créditos de IPI no caso de saídas com suspensão do imposto, a partir da Lei nº 9.779/99, art. 11, sendo inexistente dispositivo legal que vede o ressarcimento de crédito da maneira como feita pela requerente à época (17/04/2002). Por fim, requer que seja reconhecida a decadência do direito de constituição do crédito tributário relativo às compensações efetuadas tendo em vista o transcurso de quase 6 (seis) anos entre as datas de protocolo dos pedidos de compensação e a data da ciência do Despacho Decisório guerreado; no mérito, que haja o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações informadas no processo nº 10805.001776/200477 e nº 13654.000150/200241. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. FORMA DE APURAÇÃO. Somente os créditos escriturados no trimestrecalendário dão azo a ressarcimento. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. VEDAÇÃO. Reputase como não declarada a compensação de débitos com créditos de terceiros em virtude de vedação normativa. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DE ESTABELECIMENTOS. VIOLAÇÃO. A compensação de débito de um estabelecimento filial com crédito de outro estabelecimento filial da mesma empresa configura transferência de crédito escritural e representa uma violação do princípio da autonomia dos estabelecimentos do IPI. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Desde logo, aponta para irregularidade cometida pela decisão recorrida que, segundo entende, incorreu em reformatio in pejus ao considerar não declarados os pedidos de compensação feitos com créditos de terceiros. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13817.000216/200292 Acórdão n.º 3102002.360 S3C1T2 Fl. 4 5 Que não utilizou créditos de terceiros, mas de um dos estabelecimentos da empresa, e que o procedimento, à época, não era vedado, tal como decidido na Solução de Consulta nº 42, de 19 de março de 2001. Ainda a esse respeito, que pedidos de compensação com créditos de terceiros e outros passaram a ser considerados compensação não declarados apenas a partir da Lei 11.051/04, definição, portanto, introduzida em data posterior aos pedidos de que aqui se fala. Por força dessas circunstâncias, uma vez que não tenha utilizado créditos de terceiros e que suas compensações não podem ser consideradas não declaradas, requer o reconhecimento da decadência de todas as compensações realizadas nos autos dos PTAs nºs 10805.001776/200477 e 13654.000150/200241. Que antes da Instrução de Normativa SRF nº 728/07, que incluiu o § 7º no artigo 16 da Instrução Normativa SRF nº 600/05, não havia qualquer proibição normativa à utilização dos créditos de IPI apurados nos termo da Lei nº 9.779/99 em período diverso do que foi escriturado, assunto sobre o qual manifestouse a Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão nº 202131.015. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. De início, necessário que se diga que não há que se falar em reformatio in pejus pelo fato de a decisão de piso terse baseado em seus próprios fundamentos que, como é de se esperar, não foram, e nem haveriam mesmo de ser, idênticos aos fundamentos do Despacho Decisório. E muito menos se pode cogitar da hipótese de que apenas a Manifestação de Inconformidade e não o pleito do contribuinte é matéria submetida à apreciação da Delegacia de Julgamento. É de sabença que o recurso tem efeito devolutivo. A apelação devolve ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada, onde devem ser apreciadas e julgadas todas as questões suscitadas e discutidas no processo. Observese como dispõe sobre o assunto o Código do Processo Civil, aplicável subsidiariamente às regras próprias do Processo Administrativo Fiscal. Art. 515. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1o Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a sentença não as tenha julgado por inteiro. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 6 § 2o Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. (...) Da mesma forma, dispõe o artigo 469 do Código, ao estabelecer que as razões de decidir não transitam em julgado. Com efeito, inconcebível cogitar que os fundamentos nos quais baseouse o Despacho Decisório, a Decisão DRJ ou de qualquer instância demarquem dali para frente os liames do litígio. Art. 469. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; Il a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença; III a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo. O que não se admite são fatos ou imputações novas. A interpretação desses fatos e das infrações cuja responsabilidade foi imputada ao apenado é livre. Superado isso, passo ao mérito. É fato que apenas com o advento da Lei 11.051/04 as compensações com créditos de terceiros passaram a ser definidas e tratadas como compensações não declaradas. Inobstante, também é verdade que apenas a partir de 1º de outubro de 20021 passouse a falar em homologação tácita das declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal. Às folhas inaugurais do Processo, vêse que na data do protocolo dos Pedidos de Compensação, nenhuma das duas regras vigiam. Nestas circunstâncias, se, como pretende a Parte, não se pode classificar dos Pedidos de Compensação como Compensação não declarada porque a Lei ainda não havia entrado em vigor, também não há razão para que se avente a homologação tácita desses Pedidos. O fato é que tais regras são de natureza procedimental e devem ser aplicadas mesmo aos fatos ocorridos antes da entrada em vigor da Lei que as tenha instituído. É esse o critério consagrado no artigo 1.211 do Código do Processo Civil. 1 Lei 10.637/02 Art. 49. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Art. 68. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1o de outubro de 2002, em relação aos arts. 29 e 49; Fl. 486DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13817.000216/200292 Acórdão n.º 3102002.360 S3C1T2 Fl. 5 7 Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes. E que também está previsto nas disposições normativas presentes no Código Tributário Nacional, ex vi seu artigo 144. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. De fato, a subsunção de fatos pretéritos às novas regras está até mesmo explicitada no texto normativo, tal como se observa no comando insculpido no § 4º do artigo 74 da Lei 9.430, esclarecendo que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. A conclusão a que se chega, com base nesses pressupostos, é que os Pedidos de Compensação protocolados pela Parte, por força do disposto no § 4º do artigo 74 da Lei 9.430/96, converteramse em Declarações de Compensação, mas se a compensação tenha sido intentada com crédito de terceiros, são considerados compensação não declarada, não se lhes aplicando o disposto no §§ 2º e 5º do artigo, conforme a seguir se lê. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) Fl. 487DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 8 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Elucidada a questão, que se diga que, no caso concreto, isso não trará prejuízo ao contribuinte, mas sim ao Fisco. Conforme disposto nos artigos 3º e 5º da Instrução Normativa 21/972, poderão ser objeto de ressarcimento, sob a forma de compensação com débitos do IPI ou de qualquer espécie de tributos ou contribuições administrados pela SRF, os créditos de uma mesma pessoa jurídica decorrentes, dentre outros, de estímulos fiscais do Imposto. Uma vez que exista previsão legal para utilização de créditos do IPI de diferentes estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica para compensação com os débitos dessa pessoa jurídica, não vejo como considerar que tenham sido utilizados créditos de terceiros na compensação em epígrafe. Por força das disposições normativas supra, tais créditos devem ser entendidos como pertencentes a um mesmo contribuinte. E, é claro, não faria mesmo nenhum sentido que se falasse em compensação não declarada quando realizada em conformidade com as determinações legais aplicáveis à matéria. Por outro lado, à luz dos preceitos acima, não tendo sido as compensações realizadas com crédito de terceiros, aplicaselhes o prazo de cinco anos para homologação expressa, sob pena de operarse tacitamente. Por derradeiro, pareceme que também assiste razão à Recorrente no que se refere à possibilidade de utilização de créditos acumulados em períodos anteriores no ressarcimento ou compensação com outros tributos. 2 Art. 3º Poderão ser objeto de ressarcimento, sob a forma compensação com débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da mesma pessoa jurídica, relativos às operações no mercado interno, os créditos: I decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI, inclusive os relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, para os quais tenham sido asseguradas a manutenção e a utilização; II presumidos de IPI, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, instituídos pela Lei n º 9.363, de 1996; III presumidos de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, instituídos pela Medida Provisória nº 1.532, de 18 de dezembro de 1996. (...) Art. 5º Poderão ser utilizados para compensação com débitos de qualquer espécie, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, os créditos decorrentes das hipóteses mencionadas no art. 2º, nos incisos I e II do art. 3º e no art. 4º. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13817.000216/200292 Acórdão n.º 3102002.360 S3C1T2 Fl. 6 9 A base legal que, segundo entendimento do i. Julgador de piso, veda tal utilização para este fim não traz, a meu sentir, essa vedação. A leitura dos enunciados normativos transcritos no voto condutor da decisão recorrida leva à conclusão de que apenas a partir do ano de 2004, com a entrada em vigor da Instrução Normativa SRF nº 460, é que o valor correspondente ao saldo transferido de períodos anteriores deixou de ser passível de ressarcimento (isso, é claro, admitindose que um ato infralegal tivesse o poder de obstar uma forma de utilização autorizada em lei). A proibição contida na IN 460/04 é clara. Observese. Art. 16. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. (...) § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, bem como utilizálos na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. § 4º Somente são passíveis de ressarcimento: (...) II – os créditos relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestrecalendário; e (grifos acrescidos) Até então3, a orientação normativa expedida pela Secretaria da Receita Federal estava alinhada à determinação contida na Lei 9.779/99, que autorizava a utilização, na compensação com outros tributos, do saldo credor do IPI acumulado em cada trimestre calendário, texto que, data maxima venia, não exclui da acumulação o saldo inicial do período. Sem adentrar à legalidade dos Atos que tenham por ventura inibido o direito previsto em Lei, na medida em que as compensações em epígrafe foram protocoladas em data anterior à vedação determinada pelos Atos Normativos expedidos pelo Fisco, VOTO por dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer (i) o direito de uso do saldo credor acumulado em decorrência da transferência de saldo de outros períodos; (ii) o direito de 3 Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999 Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: (...) § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 10 utilização de créditos de outro estabelecimento na compensação de tributos da pessoa jurídica administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou para ressarcimento e (iii) a homologação tácita dos Pedidos de Compensação protocolados em data anterior a 25 de fevereiro de 2003. Sala de Sessões, 29 de janeiro de 2015. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 490DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/03/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 15504.726056/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2402-000.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Maria Anselmo Coscrato dos Santos e Ronaldo de Lima Macedo.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Maria Anselmo Coscrato dos Santos e Ronaldo de Lima Macedo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 26 05 6/ 20 11 -5 5 Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.726056/201155 Resolução nº 2402000.495 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratamse de autos de infração constituídos em 30/11/2011 (fls. 3, 10, 16 e 23), para exigência de: (i) contribuições previdenciárias correspondentes à parte da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados (DEBCAD 37.230.1355); (ii) contribuição dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas pela empresa aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços (DEBCAD 37.230.1371); (iii) contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE) (DEBCAD 37.254.4754); e (iv) multa por apresentação de GFIP’s com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (DEBCAD 37.272.8383), referentes ao período de 01/2008 a 12/2008. A Recorrente apresentou em 10/01/2012 impugnações (fls.695/914) requerendo o cancelamento de todos os lançamentos. A DRJ de Belo Horizonte (MG) manteve integralmente o crédito exigido, sob os argumentos de que: (i) até novembro/2009 o reconhecimento de isenção de contribuições previdenciárias para Entidades Beneficentes de Assistência Social – EBAS dependia de requerimento e prévia manifestação da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 55, § 1° da Lei n° 8.212/91; (ii) inexistindo o reconhecimento à isenção da entidade beneficente, esta passa a contribuir para a Seguridade Social pela sistemática aplicável às demais empresas, razão pela qual estaria obrigada a recolher as contribuições para o SESC e para o SENAC, vez que se trata de empresa prestadora de serviços médicos e hospitalares; (iii) a contribuição ao INCRA é devida inclusive pelas empresas que exercem, com exclusividade, atividades de natureza urbana; (iv) os acréscimos legais e a multa foram aplicadas em conformidade com a legislação vigente. Intimada da decisão DRJ em 09/10/2012 (fl. 996), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08/11/2012 (fls. 1003/1042) visando à reforma da decisão, pois: (i) é entidade filantrópica desde 1973, motivo pelo qual quando da edição da Lei n° 8.212/91 já possuía o reconhecimento do benefício da isenção, estando, portanto, dispensada de realizar o requerimento previsto no art. 55, § 1° da Lei n° 8.212/91; (ii) a exigência de apresentação de requerimento representa excesso de formalismo e burocracia, visto que a Recorrente já atende a um rol extenso de exigências para fazer jus ao Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos; (iii) a exigência prevista no art. 55, § 1° da Lei n° 8.212/91 foi suprimida com a edição da Lei n° 12.101/09, o que demonstra que o próprio legislador entendeu como impertinente essa exigência; (iv) não é sujeito passivo das contribuições ao SESC, SENAC e SEBRAE vez que possui natureza filantrópica, e, portanto, sem fins lucrativos; (v) por ser beneficiária da isenção prevista no art. 55 da Lei n° 8.212/91, é isenta, por consequência, do pagamento de Salário Educação, nos termos do art. 1°, § 1° da Lei n° 9.766/98; (vii) não é contribuinte da contribuição devida ao INCRA por ter direito à imunidade tributária e por não se tratar de entidade vinculada à previdência social. É o relatório. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.726056/201155 Resolução nº 2402000.495 S2C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica no Relatório Fiscal de fls. 363/375, a autoridade administrativa pautou o lançamento no Ato Cancelatório nº 11601.0/002/97, de 05 de setembro de 1997, que cancelou a isenção concedida à Entidade a partir de 06/05/1994, em virtude da cassação do Título de Utilidade Pública Federal e indeferimento do pedido de Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. Segue abaixo trecho do REFISC: “10 Na presente situação foi emitido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte o Ato Cancelatório n.º 11601.0/002/97, de 05 de setembro de 1997, cancelando, a partir de 06/05/1994, a isenção concedida à Entidade com base no disposto no §4º do artigo 30 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado pelo Decreto nº 2173/97. Esse Ato Cancelatório se deu em razão de cassação do Título de Utilidade Pública Federal, conforme Decreto de 05/05/94 e indeferimento do pedido de Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, conforme Resolução CNAS nº45 de 29/03/96, o que constitui infração ao disposto nos incisos I e II do artigo 55 da Lei 8212/91, combinado com os incisos I e III do artigo 30 do ROCSS. Estamos anexando cópia do mesmo no presente relatório.” Estando o presente processo atrelado ao Ato Cancelatório nº 11601.0/002/97, é mister que sejam prestadas informações acerca do mesmo. Assim, deve a autoridade administrativa juntar neste processo as informações acerca do desfecho do referido ato cancelatório, bem com anexar, se possível, cópia integral do respectivo processo administrativo. Ademais, deve ser informado em quais períodos, após a data de emissão do referido Ato Cancelatório, a Recorrente se encontrou abarcada pelo Título de Utilidade Pública Federal e Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso e pela realização de diligência para esclarecimento das questões suscitadas acima. Após a realização da diligência, deve ser aberto prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, em atenção ao princípio da ampla defesa e do contraditório. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 09/03/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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