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Numero do processo: 10073.720376/2008-08
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-002.711
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1508; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 146 1 145 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.720376/200808 Recurso nº 938.153 Voluntário Acórdão nº 2801002.711 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de setembro de 2012 Matéria ITR Recorrente SÔNIA ALVES DINIZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 03 76 /2 00 8- 08 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10073.720376/200808 Acórdão n.º 2801002.711 S2TE01 Fl. 147 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento às fls. 01/04, onde está o fisco a exigir o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 11.916,70, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2005, referente ao imóvel denominado “Fazenda Cazunga” (NIRF 5.129.0375), localizado no Município de Itatiaia (RJ), e com área declarada de 456,0 ha. Após o exame da documentação apresentada pela contribuinte em resposta à intimação fiscal, o agente autuante concluiu que não restou comprovada a existência de Área de Preservação Permanente – APP no citado imóvel rural, razão pela qual efetuou a glosa da área declarada na DITR (228,0 ha). A descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração, da multa de ofício, e dos juros de mora, constam às fls. 02 a 04 dos autos. Cientificada do lançamento a interessada apresentou impugnação, às fls. 81/87, acompanhada de documentação, às 88/105, onde argumentou, em síntese, que: apresentou ADA protocolizado junto ao IBAMA em 25/09/2007, além de Laudo Técnico referente à Área de Preservação Permanente, elaborado por engenheiro florestal, que comprovou a existência de 100,21 ha de APP e 212,26 ha de floresta nativa, localizada no entorno do Parque Nacional do Itatiaia e que não pode ser desmatada; a RFB não levou em consideração a APP de 228,0 ha declarada pela impugnante e tributou 456,0 ha da área, ou seja, a área total do imóvel; a realidade fática da propriedade, de acordo com Laudo Técnico, é a seguinte: 491,54 ha de área total, 100,21 ha de APP, além de 212,26 ha de área de interesse ecológico em razão do imóvel ser vizinho do Parque Nacional de Itatiaia; a cobrança do ADA pela RFB é ilegal, pois vai de encontro com o estabelecido pela Lei nº 9.393/1996, a qual dispõe que as áreas de preservação permanente, reserva legal, interesse ecológico e as comprovadamente imprestáveis não integram a base de cálculo do ITR; caso não seja acatado o formulário com data de 29/09/2007, nem seja essa exigência considerada ilegal, a ausência de um formulário meramente burocrático não pode servir de fato gerador do imposto; a Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, esclareceu ainda mais essa questão, pois previu que as áreas ambientais não estariam sujeitas à prévia comprovação; houve tremenda injustiça, pois se tributou área de preservação permanente devidamente declarada. Ao final da peça impugnativa a contribuinte solicitou que fosse acolhida a preliminar de nulidade da Notificação de Lançamento; fossem juntados os anexos e julgada Fl. 147DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10073.720376/200808 Acórdão n.º 2801002.711 S2TE01 Fl. 148 3 procedente a impugnação com base nos estudos técnicos, alterandose a área de preservação permanente para 100,21 ha, a área de interesse ecológico para 212,26 ha e a tributável para 179,01 ha; e, na pior das hipóteses, fosse considerada para cobrança do tributo somente a área tributável declarada inicialmente de 227,0 ha. Na sequência, após apreciar o litígio, a 1a Turma de Julgamento da DRJ/Brasília/DF decidiu, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/BSB nº 0345.280, de 28/09/2011, às fls. 108/116. Notificada do resultado do julgamento a quo em 13/12/2011 (AR Aviso de Recebimento à fl. 122), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 17/01/2012, conforme documentação às fls. 124/134. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. De início, cabe apreciar a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado pela interessada em face da decisão proferida em primeira instância. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, assim dispõe: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da Fl. 148DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10073.720376/200808 Acórdão n.º 2801002.711 S2TE01 Fl. 149 4 expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (grifei) No caso, a ciência à contribuinte do Acórdão da 1a Turma de Julgamento da DRJ/Brasília/DF se deu em 13/12/2011 (terçafeira), conforme Aviso de Recebimento – AR à fl. 118 dos autos. Ocorre que, somente em 17/01/2012, após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias para interposição de recurso a este Conselho, foi apresentada petição, sem discussão quanto à sua tempestividade. O término do prazo para apresentação de Recurso Voluntário se deu em 12/01/2012 (quintafeira). Deste modo, está caracterizada a intempestividade da defesa apresentada, face o disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, acima transcrito. Isto posto, VOTO por não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 149DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 10314.002287/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 04/01/2005 a 28/04/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. TEMAS NÃO ENFRENTADOS PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO - LAUDO DE INSTITUTO ESPECIALIZADO.
Toda a matéria suscitada na impugnação (inclusive laudo de Instituto especializado) deve ser enfrentada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (art. 30 do Decreto nº 70.235/72), pois a omissão a respeito de quaisquer das matérias cogitadas em tal expediente enseja a nulidade da decisão exarada ao ensejo do exame da defesa do contribuinte. Toda a extensão da defesa do contribuinte merece exame e definição, por força da previsão do artigo 31 do Decreto nº 70.235/72. A nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) implica em retorno do processo administrativo para tal órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado com vistas a não ensejar supressão de instância. Inteligência do artigo 25, I e II, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3402-001.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos deu-se provimento parcial ao recurso para anular a decisão da DRJ.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 04/01/2005 a 28/04/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. TEMAS NÃO ENFRENTADOS PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO - LAUDO DE INSTITUTO ESPECIALIZADO. Toda a matéria suscitada na impugnação (inclusive laudo de Instituto especializado) deve ser enfrentada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (art. 30 do Decreto nº 70.235/72), pois a omissão a respeito de quaisquer das matérias cogitadas em tal expediente enseja a nulidade da decisão exarada ao ensejo do exame da defesa do contribuinte. Toda a extensão da defesa do contribuinte merece exame e definição, por força da previsão do artigo 31 do Decreto nº 70.235/72. A nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) implica em retorno do processo administrativo para tal órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado com vistas a não ensejar supressão de instância. Inteligência do artigo 25, I e II, do Decreto nº 70.235/72.
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Recorrida DRJ SÃO PAULO II SP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/01/2005 a 28/04/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. TEMAS NÃO ENFRENTADOS PELA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO LAUDO DE INSTITUTO ESPECIALIZADO. Toda a matéria suscitada na impugnação (inclusive laudo de Instituto especializado) deve ser enfrentada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (art. 30 do Decreto nº 70.235/72), pois a omissão a respeito de quaisquer das matérias cogitadas em tal expediente enseja a nulidade da decisão exarada ao ensejo do exame da defesa do contribuinte. Toda a extensão da defesa do contribuinte merece exame e definição, por força da previsão do artigo 31 do Decreto nº 70.235/72. A nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) implica em retorno do processo administrativo para tal órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado com vistas a não ensejar supressão de instância. Inteligência do artigo 25, I e II, do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos deuse provimento parcial ao recurso para anular a decisão da DRJ. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 22 87 /2 00 8- 98 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recursos de Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o v. Acórdão/DRJ/SP2 nº 1755.321 de 17/11/11 (fls. 301/305) exarado pela 2ª Turma da DRJ de São Paulo SP que, por unanimidade de votos, houve por bem julgar procedentes os lançamentos originais consubstanciado nos Autos de Infração COFINS Importação (fls. 04, 21/77 ; COFINS R$ 1.874,87; juros de mora R$ 763,71; Multa 75% R$ 1.406,15) e PIS/PASEP Importação (fls. 05, 77/151 PIS R$ 407,00, juros de mora R$ 164,92; Multa 75% R$ 305,25), notificados em 20/03/08 (AR fls. 258) e lavrados em complementação ao processo 10314.006895/200791 (Autos de Infração de II e IPI), que acusou a ora Recorrente de falta de lançamento e recolhimento dos referidos tributos no período de 04/01/05 a 28/04/05, em virtude da reclassificação fiscal de sensores fotoelétricos retroreflexivos, sensores fotoelétricos de fibra óptica, sensores de segurança/cortina de luz, sensores de proximidade ultrassônicos, sensores de proximidade capacitivos e sensores de proximidade indutivos para o código 8536.50.90, relativo a interruptores, seccionadores ou comutadores, sendo que suas partes e peças foram também reclassificadas pela fiscalização no código 8538.90.90, relativo a partes destinadas aos aparelhos da posição 85.35,85.36 ou 85.37. Reconhecendo expressamente que a impugnação oportunamente apresentada atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 301/305 da 2ª Turma da DRJ de São Paulo SP, houve por bem julgar procedentes os lançamentos originais consubstanciado nos Autos de Infração COFINS Importação (fls. 04, 21/77) e PIS/PASEP Importação (fls. 05, 77/151), aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO:CLASSIFICAÇÃODEMERCADORIAS Períododeapuração:04/01/2005a28/04/2005 INTERRUPTORESESECCIONADORES. Aparelhos elétricos de fotodetecção, utilizados para interrupção ou seccionamento apresentam correta classificação tarifária8536.50.90 e suas partes e peças classificamse como 8538.90.90. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida por cerceamento ao direito de defesa que desconsiderou o laudo do Instituto Nacional de Tecnologia (juntado como doc. 5 de sua impugnação) e a prova juntados no processo nº 10314.006895/200791 (Autos de Infração de Fl. 425DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.002287/200898 Acórdão n.º 3402001.972 S3C4T2 Fl. 3 3 II e IPI) e nos presentes autos que foram totalmente desconsiderados pela r. decisão recorrida; b) no mérito, com base no referido laudo defende a correção da classificação utilizada nas importações excogitadas e a correção dos tributos oportunamente recolhidos. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário reúne as condições de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Preliminarmente, acolhese a preliminar de cerceamento de defesa, eis que de início verificase que a r. decisão recorrida efetivamente deixou de apreciar o laudo de Instituto especializado juntado à impugnação, atestando a regularidade da classificação fiscal dos produtos importados, sob o evasivo pretexto de que o “novo laudo pericial” seria “desnecessário tendo em vista que o Laudo constante dos autos” seria “claro ao dizer que os aparelhos inspecionados são de fotodetecção, elétricos, utilizados para interrupção ou seccionamento (fl.185)” (cf. r.. decisão recorrida).. Omitindose sobre ponto fundamental do contraditório instalado, a r. decisão recorrida, desatende aos requisitos essenciais que os artigos 31 e 59, inc. II do Decreto nº 70.235/72 enumeram como condição de sua validade, ensejando nulidade por preterição aos direitos da defesa, como tem reiteradamente proclamado a Jurisprudência da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos Conselhos de Contribuintes como se pode ver das seguinte ementas: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Configurandose omissão de ponto sobre o qual a Turma devia se pronunciar, é de se acolher os Embargos interpostos, conforme determina o art. 27, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA DO CONTRIBUINTE NULIDADE Tendo a câmara recorrida deixado de decidir sobre matéria trazida no recurso voluntário do contribuinte, configurase preterição do direito de defesa e, conseqüentemente, a nulidade do acórdão recorrido. Embargos de declaração acolhido.” (Ac. da 3ª Turma da CSRF no Recurso de Divergência nº 301122696, Proc. nº 13149.000230/9605 em sessão de 17/05/05 Acórdão de CSRF/0304.421, Rel. Cons. Paulo Roberto Cucco Antunes, em nome de VIAÇÃO XAVANTE LTDA.) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL . NULIDADE. TEMA NÃO ENFRENTADO PELA DELEGACIA DA RECEITA Fl. 426DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 FEDERAL DE JULGAMENTO. IMPUGNAÇÃO DEDUZIDA POR CONTRIBUINTE. Toda a matéria suscitada em impugnação deve ser enfrentada pela delegacia da receita federal de julgamento, pois a omissão a respeito de quaisquer das matérias cogitadas em tal expediente enseja a nulidade da decisão exarada ao ensejo do exame da defesa do contribuinte. toda a extensão da defesa do contribuinte merece exame e definição, por força da previsão do artigo 31 do Decreto nº 70.235/72. A nulidade da decisão proferida pela delegacia da receita federal de julgamento implica em retorno do processo administrativo para tal órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado com vistas a não ensejar supressão de instância. inteligência do artigo 25, I e II, do Decreto nº 70.235/72. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive.” (cf. Ac. n. 20309919, da 3ª Câm do 2º CC, Rec. n. 122925, Proc. nº 10830.005027/9776, Rel. Cons. César Piantavigna, em sessão de 02/12/2004, em nome de MIRACEMA NUODEX S/A INDÚSTRIAS QUIMÍCAS) Decisão: Por unanimidade de votos, anulouse o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive. “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU NULIDADES A OMISSÃO NO EXAME DE MATÉRIA POSTA NA PEÇA IMPUGNATÓRIA DETERMINA A NULIDADE DA DECISÃO ASSIM PROFERIDA. Preliminar acolhida, declarada nula a decisão de primeiro grau. (DOU 11/10/01)” cf. Ac. n. 10320570, da 3ª Câm. do 1º CC, Rec. nº 124874 Proc. nº 10820.000854/0004, Rel. Cons. Márcio Machado Caldeira, em sessão de 19/04/2001, em nome de COLOR VISÃO DO BRASIL INDÚSTRIA ACRÍLICA LTDA.) Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para, acolhendo a preliminar suscitada pela recorrente, declarar a nulidade da decisão "a quo" e determinar a remessa dos autos à repartição para que nova decisão seja prolatada. A contribuinte foi defendida pelo Dr. Ives Gandra da Silva Martins, inscrição OAB/SP nº 11.178. “PROCESSO ADMINISTRATIVO – NULIDADE – OMISSÃO DO JULGADOR NA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – Caracterizase cerceamento do direito de defesa a falta de análise e pronunciamento pela autoridade julgadora acerca de documentos e argumentações apresentadas na impugnação pelo sujeito passivo, implicando na declaração de nulidade da decisão, com fundamento no art. 59, II, do Decreto 70235/72. Declarada nula a decisão singular. “ (cf. Ac. nº 10805949, da 8ª Câm. do 1º CC, Rec. n. 120305, Proc. n. 13971.000266/9868, Rel. Cons. José Henrique Longo, em sessão de 08/12/1999) Decisão: Por unanimidade de votos, DECLARAR a nulidade da decisão de primeiro grau. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10314.002287/200898 Acórdão n.º 3402001.972 S3C4T2 Fl. 4 5 No caso releva ressaltar que, versando sobre ato administrativo que nega ou limita o direito do administrado, era absolutamente imprescindível (art. 50, I, e § 1º da Lei 9.784/99) que a decisão examinasse a prova oportunamente juntada da ora Recorrente em prol de sua defesa e sua eventual inconsistência, pois como já assentou a Jurisprudência judicial “o motivo é requisito necessário à formação do ato administrativo e a motivação, alçada à categoria de princípio, é obrigatória ao exame da legalidade, da finalidade e da moralidade administrativa (cf. AC. da 6ª Turma do STJ no AgRg no RMS nº 15350DF, Reg. nº 2002/01214348, em sessão de 12/08/03, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, publ. in DJU de 08/09/03 p. 367) e que sua “apreciação sem a devida motivação de questão levantada” em processo administrativo, “caracterizase como cerceamento de defesa do acusado, ensejando anulação do processo (cf. Ac. da 5ª Turma do STJ no RMS nº 19409PR, Reg. nº 2004/01848486, em sessão de 07/02/06, Rel. Min. FELIX FISCHER, publ. in DJU de DJ 20/03/06 p. 309) razões pelas quais, tem reiteradamente proclamando a nulidade dos atos administrativos que não explicitam os motivos ou não apresentam exposição detalhada dos fatos concretos e objetivos em que se embasou para chegar à conclusão ato (cf. AC. da 1ª Seção do STJ no MS nº 9944DF, Reg. nº 2004/01224610, em sessão de 25/05/05, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 13/06/05 p. 157). Finalmente, também já assentou a Jurisprudência Administrativa que, a nulidade da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal, implica em retorno do processo administrativo para o órgão julgador, a fim de que novo provimento seja exarado, de modo a não ensejar supressão de instância (cf. Ac. n. 20309919, da 3ª Câm do 2º CC, Rec. n. 122925, Proc. nº 10830.005027/9776, Rel. Cons. César Piantavigna, em sessão de 02/12/2004, em nome de MIRACEMA NUODEX S/A INDÚSTRIAS QUÍMICAS). Finalmente releva notar que os Laudos Técnicos do Instituto de Nacional de Tecnologia tem sido reiteradamente acolhidos por este E. Conselho como prova idônea e suficiente para fins de afastar as reclassificações fiscais como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “Classificação Fiscal. Laudo Técnico do Instituto Nacional de Tecnologia. Identificação de mercadoria importada de forma diversa da apontada pela fiscalização. O Acórdão recorrido adota o Laudo Técnico como supedâneo, razão pela qual é impossível se falar em contrariedade à evidência das provas, prevista no inciso I, do artigo 5° do regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso negado.” (cf. Acórdão n° CSRF/0304.147 da 3ª Turma da CSRF/MF, Proc. n.° 10410.002077/9699, Rec. n° 302 118909, em sessão de 08/11/04, Rel. Cons. Nilton Bártoli) Portanto, preliminarmente voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para anular a r. decisão recorrida, a fim de que outra seja proferida com a análise pormenorizada do laudo apresentado, e indicação das razões de sua rejeição nos termos do art. 30 do Decreto nº 70.235/72. É como voto. Sala das Sessões, em 29 de novembro de 2012 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 429DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/01/2013 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.012354/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos.
Na hipótese, as despesas médicas comprovadas já foram reconhecidas na decisão recorrida.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas com instrução os montantes efetivamente pagos para custear a educação pré-escolar, de primeiro, segundo ou terceiro grau do próprio contribuinte e de seus dependentes.
Dispêndios com cursos pré-vestibulares não são despesas dedutíveis.
PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas com previdência privada/FAPI os valores comprovadamente despendidos pelo contribuinte para tais fins, por meio de documentação hábil e idônea.
Na hipótese, as despesas comprovadas já foram reconhecidas na decisão recorrida.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Havendo rendimentos tributáveis comprovadamente percebidos pelo contribuinte e não informados na declaração de ajuste anual, deve ser o lançamento de ofício. Não ficando comprovado o alegado erro na DIRF da fonte pagadora dos rendimentos, mantém-se o lançamento da diferença omitida.
DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTE. INFORMAÇÕES PRESTADAS. COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A autoridade fiscalizadora está autorizada a solicitar do contribuinte a comprovação das informações prestadas em sua declaração anual de ajuste. Caso elas não sejam comprovadas, o contribuinte fica sujeito ao lançamento de ofício, tal como sucedeu na hipótese.
Numero da decisão: 2101-002.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Na hipótese, as despesas médicas comprovadas já foram reconhecidas na decisão recorrida. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas com instrução os montantes efetivamente pagos para custear a educação préescolar, de primeiro, segundo ou terceiro grau do próprio contribuinte e de seus dependentes. Dispêndios com cursos prévestibulares não são despesas dedutíveis. PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas com previdência privada/FAPI os valores comprovadamente despendidos pelo contribuinte para tais fins, por meio de documentação hábil e idônea. Na hipótese, as despesas comprovadas já foram reconhecidas na decisão recorrida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Havendo rendimentos tributáveis comprovadamente percebidos pelo contribuinte e não informados na declaração de ajuste anual, deve ser o lançamento de ofício. Não ficando comprovado o alegado erro na DIRF da fonte pagadora dos rendimentos, mantémse o lançamento da diferença omitida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 23 54 /2 00 9- 12 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTE. INFORMAÇÕES PRESTADAS. COMPROVAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A autoridade fiscalizadora está autorizada a solicitar do contribuinte a comprovação das informações prestadas em sua declaração anual de ajuste. Caso elas não sejam comprovadas, o contribuinte fica sujeito ao lançamento de ofício, tal como sucedeu na hipótese. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Eivanice Canário da Silva, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurada omissão de rendimentos recebidos do Banco do Brasil S/A e foi feita glosa de deduções com: dependentes, instrução, previdência privada/FAPI e com despesas médicas declaradas, por falta de comprovação. Em 13.11.2009, o contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 a 4), alegando, em síntese, que (i) não recebeu, em mãos, o termo de intimação fiscal n.º 2006/601356150131088; (ii) são seus dependentes os seus filhos: Carlos Eduardo de Sousa Oliveira; Alessandro de Sousa Oliveira; Luis Paulo de Sousa Oliveira e Ana Luisa de Sousa Oliveira, e seus tutelados: Renilson da Silva Lima e Silvana da Silva Lima, conforme comprova; (iii) anexa comprovantes de planos de saúde mais alguns complementos em despesas médicohospitalares, bem como de tratamentos odontológicos dos dependentes; (iv) sofreu dedução em seus rendimentos dos pagamentos de contribuição para a Previ, como comprova; (v) fez pagamentos a instituições de ensino superior dos dependentes/filhos e a instituições de ensino fundamental e médio dos filhos menores, bem como a cursinhos pré vestibulares. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10166.012354/200912 Acórdão n.º 2101002.041 S2C1T1 Fl. 3 3 A 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF) julgou o lançamento procedente em parte, por meio do Acórdão n.º 03 046.182, de 28 de novembro de 2011, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REVISÃO. Revisase o lançamento em face da comprovação de que parte dos rendimentos considerados omitidos não fora efetivamente recebidos. DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. São dedutíveis, da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física, os pagamentos de Contribuições para entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social, no valor comprovado mediante documentos hábeis e idôneos e obedecido o limite legal. DEPENDENTES. DEDUÇÕES. REQUISITOS LEGAIS. Comprovado o vínculo de dependência é de se restabelecer a dedução pleiteada na declaração. DEDUÇÃO COM INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. O contribuinte pode deduzir na Declaração de Ajuste Anual, os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação infantil (creche e educação pré escolar), de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes seus e de seus dependentes, até o limite anual individual. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa no restabelecimento das despesas, no valor efetivamente comprovado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O órgão julgador a quo: (i) excluiu da tributação o rendimento de R$ 824,58, por entender que não havia sido omitido; (ii) considerou comprovado o valor de R$ 7.853,40 como dedução a titulo de contribuição à previdência privada; (iii) restabeleceu a dedução com Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 seis dependentes; (iv) entendeu comprovada a dedução de despesas de instrução com dois dependentes e (v) restabeleceu parte das deduções com despesas médicas. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual reitera todos os argumentos de impugnação e pede a reforma da decisão de primeira instância. Alega que não houve omissão de rendimentos, eis que a informação da fonte pagadora é que está equivocada; que a dedução com previdência privada/Fapi está de acordo com a lei e as deduções com despesas médicas devem ser integralmente consideradas. Além do mais, sustenta que o Fisco não comprovou suas alegações. Por esses motivos, imposto e multa lançados e juros de mora não podem ser mantidos. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O lançamento perpetrado neste processo englobou os seguintes itens: 1. dedução indevida com dependentes de R$ 8.424,00; 2. dedução indevida com despesas médicas de R$ 7.110,58; 3. dedução indevida de previdência privada/Fapi de R$ 8.818,38; 4. dedução indevida com instrução de R$ 8.792,00; 5. omissão de rendimentos recebidos do Banco do Brasil S/A no montante de R$ 1.468,45. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, DF, ao apreciar a impugnação apresentada, restabeleceu integralmente a dedução com dependentes e parte das deduções declaradas com despesas médicas, previdência privada/Fapi e instrução. Entendeu não ter havido omissão de parte dos rendimentos considerados omitidos pela Fiscalização. Da dedução com despesas médicas Na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao anocalendário sob análise, o recorrente pleiteou dedução de despesas médicas no montante de R$ 7.110,58, valor este integralmente glosado pela Fiscalização, por falta de comprovação. O interessado carreou aos autos o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte do anocalendário 2005, emitido pelo Banco do Brasil S/A (fls.11), com base no qual o órgão julgador a quo entendeu comprovadas despesas pagas à CASSI – Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, no montante de R$ 1.960,14 (R$ 1.604,84 + R$ 355,30), restabelecendo a dedução correspondente. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10166.012354/200912 Acórdão n.º 2101002.041 S2C1T1 Fl. 4 5 Em sede de recurso, o interessado repisa que as deduções com despesas médicas declaradas devem ser integralmente consideradas. Não comprova, contudo, a realização das demais despesas constantes de sua declaração de ajuste anual, razão pela qual não é possível restabelecer o remanescente da dedução pleiteada. Nesse sentido, não há reparos a fazer na decisão a quo. Da dedução com previdência privada/Fapi Por falta de comprovação, a Fiscalização entendeu indevida a dedução de previdência privada/Fapi, no montante de R$ 8.818,38. Ficou comprovado nos autos o valor de contribuições dedutíveis feitas a Brasilprev no valor de R$ 4.840,79 (fls. 10), mais contribuições à previdência privada no valor de R$ 2.567,16 (fls. 12) e ainda contribuições destinadas a planos de previdência contratados junto à Mongeral Seguros e Previdência no total de R$ 445,45 (fls. 20), com base nos quais a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento restabeleceu as deduções a esse título, no montante de R$ 7.853,40. Em sede de recurso voluntário, o interessado não carreou aos autos qualquer outro documento que viesse comprovar suas alegações. Tendo em vista que o recorrente pleiteou, em sua declaração de ajuste anual do exercício 2006, a dedução de R$ 8.818,38 a título de previdência privada/Fapi e só comprovou a realização de contribuições a plano de previdência privada no valor total de R$ 7.853,40 fica mantida a glosa de R$ 964,98, tal como decidido pelo órgão julgador a quo. Da dedução de despesas com instrução Em sua declaração de ajuste anual do exercício 2006, o recorrente declarou despesas com instrução da ordem de R$ 8.792,00. A Fiscalização glosou a dedução correspondente, por falta de comprovação. As despesas com instrução são dedutíveis desde que correspondam à educação infantil (creches e préescolas), ao ensino fundamental, ao ensino médio, à educação superior (cursos de graduação e de pósgraduação – mestrado, doutorado e especialização) e educação profissional (ensino técnico e o tecnológico) do próprio contribuinte e de seus dependentes. Foram acostados aos autos comprovantes à vista dos quais o órgão julgador a quo restabeleceu a dedução de despesas de instrução com dois dependentes, no montante de R$ 4.396,00. Sobre o tema, assim foi explicitado no voto condutor da decisão recorrida: “Com o objetivo de comprovar as deduções relativas às despesas com instrução declaradas, o interessado apresentou os documentos de (fls. 15/23). Pelo exame dessa documentação, chegamse às seguintes conclusões: UniCEUB – o documento de fl. 15, atesta gastos com instrução do dependente Carlos Eduardo de Sousa Oliveira em valor superior ao limite anual individual. Assim, cabe restabelecer na declaração a cota de instrução correspondente (R$ 2.198,00); Fl. 99DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 UniCEUB – o documento de fl. 17, atesta gastos com instrução do dependente Alessandro de Sousa Oliveira em valor superior ao limite anual individual. Assim, cabe restabelecer na declaração a cota de instrução correspondente (R$ 2.198,00); Quanto aos pagamentos a favor do Galois prévestibular e do Instituto Dinatos Ltda, esses não serão aceitos, por se tratarem de gastos realizados com cursos preparatórios para Vestibulares, sem previsão legal para dedução de tais despesas na declaração de ajuste anual.” Os demais documentos que indicam dispêndios realizados com instrução referemse a curso prévestibular, que não são considerados despesas dedutíveis pela legislação do imposto sobre a renda, conforme visto acima. Como inexiste, nos autos, comprovação de outras despesas com instrução dedutíveis, do próprio contribuinte ou de seus dependentes, não há alterações a fazer na decisão a quo. Da omissão de rendimentos recebidos do Banco do Brasil S/A Em procedimento de revisão da declaração do contribuinte, em confronto com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF, para o titular e/ou dependentes, no anocalendário sob análise, a Fiscalização apurou omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 1.468,45, recebidos do Banco do Brasil S/A. Na documentação apresentada, a DRJ em Brasília (DF) constatou, pelo Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, emitido pelo Banco do Brasil (fls.11), que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis no montante de R$ 61.012,91. Como na Declaração de Ajuste Anual que originou o lançamento o notificado declarou R$ 60.369,04, aquele órgão julgador concluiu ser procedente a omissão de rendimento no montante de R$ 643,87 (R$ 61.012,91 R$ 60.369,04), excluindo, assim, da tributação o valor de R$ 824,58 (R$ 1.468,45 R$ 643,87). O recorrente argumenta que não houve omissão de rendimentos, eis que a informação da fonte pagadora é que está equivocada. Todavia, não anexa aos autos prova de sua alegação, razão pela qual seu argumento não pode ser aceito. Da comprovação das informações declaradas O lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda. Tal dispositivo prevê, in verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10166.012354/200912 Acórdão n.º 2101002.041 S2C1T1 Fl. 5 7 § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." Os dispositivos acima transcritos autorizam a autoridade fiscalizadora a exigir esclarecimentos sobre o conteúdo da declaração de ajuste do contribuinte. Além disso, mais especificamente, o artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, que tem por matriz legal o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, autorizaa a exigir comprovação ou justificação de todas as deduções pleiteadas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste, nos seguintes termos: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). [...]. Conforme se depreende da leitura dos textos da legislação do imposto sobre a renda, a autoridade fiscalizadora está autorizada a solicitar a comprovação das informações prestadas na declaração anual de ajuste do contribuinte. Caso elas não sejam comprovadas, o contribuinte fica sujeito ao lançamento de ofício, tal como sucedeu na hipótese. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.005232/2009-74
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE ESTUDO. REQUISITOS PARA ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA.
Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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REQUISITOS PARA ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre e Tânia Mara Paschoalin. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 52 32 /2 00 9- 74 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11080.005232/200974 Acórdão n.º 2801002.725 S2TE01 Fl. 466 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/POA (Fls. 417), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte retro mencionado foi lavrado Auto de Infração (fls. 02/05) de imposto sobre a renda de pessoa física relativamente aos exercícios de 2006, 2007 e 2008, no qual foi apurado o crédito tributário de R$ 171.400,83, em decorrência de rendimentos classificados indevidamente na declaração de ajuste anual, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal e descritos no Relatório de Ação Fiscal (fls. 12//19). Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 82/102. Suas alegações estão, em resumo, a seguir descritas. As considerações que embasam o lançamento, na análise feita pela AFRF autuante, desconsidera, total e definitivamente, as razões que conduzem ao entendimento da fonte geradora Fundação Médica do Rio Grande do Sul que tais rendimentos são, realmente, BOLSAS DE EXTENSÃO ou PESQUISA, conclusão que deflui, inarredavelmente, do que estabelecem os artigos I o , combinado com o parágrafo 1º do artigo 4º , da Lei 8.958. de 20/12/1994, assim como o artigo I o , c/c o art. 5 o , par. 2°, do Decreto n°5.205, de 14/09/2004, que regulamenta a lei antes referida. Neste contexto, ademais, podese concluir, que a conclusão do fisco federal destoa, frontalmente, do objetivo precípuo e fundamental dessas normas legais, as quais surgiram no mundo jurídico brasileiro exatamente para propiciar um ambiente adequado ao exercício, por funcionários públicos, como os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no desenvolvimento das atividades de uma Fundação de Apoio, umbilicalmente ligada a um HOSPITAL ESCOLA (HCPA), e que exerce o grande papel de impulsionador da pesquisa científica, na área médico assistencial, desse modo propiciando aos profissionais das áreas da saúde o aperfeiçoamento e continuidade de sua formação, com Bolsas de Extensão, mormente na coordenação de ações de formação profissional dos Médicos Residentes. A UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL (UFRGS), prevê, conforme seu Estatuto (Anexo 03), conforme seu artigo 3o , inc. VII: indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, o que é confirmado, como finalidade precípua, no seu artigo quinto. E, conforme estabelece seu artigo 7o, inc. II, faz parte de sua estrutura o HOSPITAL UNIVERSITÁRIO. Neste aspecto, convém ressaltar que o dito 'hospital universitário" se consubstancia no HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE (HCPA), o qual, diversamente Fl. 466DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11080.005232/200974 Acórdão n.º 2801002.725 S2TE01 Fl. 467 3 da totalidade ou maioria dos casos constatados pelo Brasil afora, não é uma entidade componente da própria universidade, mas uma EMPRESA PÚBLICA de direito privado, criada pela Lei n°. 5.604, de 02/09/1970, com patrimônio próprio e autonomia administrativa, vinculada à supervisão do Ministério da Educação. Com a realização das metas dos programas de extensão universitária, voltados, precipuamente, para a preceptoria dos médicos residentes com as Bolsas de Extensão patrocinadas pela Fundação Médica a seus membros (médicos e professores da UFRGS), a Fundação Médica do RGS, atuando junto ao Hospital de Clínicas, faz irradiar para a população por este atendida, a qualificação técnica e cientifica permanente desses profissionais, pois que esta qualificação, decorrente dos programas de extensão, traduzse melhor assistência, maiores e indiscutíveis benefícios à saúde pública e ao tratamento dos pacientes do Sistema Único de Saúde. A Fundação Médica do Rio Grande do Sul e o Hospital de Clínicas de Porto Alegre firmaram Convênios Operacionais para disciplinar as atividades de apoio ao ensino e à extensão. Neste contexto, desde a sua criação e com a sua evolução, a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, com a colaboração de seus membros, entre os quais se insere o impugnante, cumpre importante papel educacional e principalmente social, colaborando com o cumprimento da obrigação constitucional cabível ao Estado, de promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológica, na forma do disposto no Capítulo IV "Dá Ciência e Tecnologia", do Título VIII DA ORDEM SOCIAL, especialmente, no artigo 218 e seus parágrafos, da Constituição da República Federativa do Brasil. Para a realização/consecução de Convênios e seus respectivos programas, portanto, inserese a atuação dos membros da Fundação Médica do R. G. do Sul, que são professores da UFRGS, e que se adaptam ao sistema de bolsistas, uma vez, como funcionários públicos, auferem a sua remuneração com tal vínculo com a Universidade Federal, muitos deles com dedicação exclusiva, não podendo, portanto, manter outros vínculos trabalhistas. Aí se inserem as disposições trazidas pela Lei 8.958/94, especialmente em seu artigo 4o e parágrafos, que define a inexistência de vinculo empregatício de qualquer natureza,... "podendo as fundações contratadas, para sua consecução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão". Como se vê, o exercício das atividades de preceptoria, coordenação e controle de alunos (médicos residentes) não pode ser caracterizado como contraprestação de serviços, sugerida pelo Auto de Infração ora impugnado, visto se tratar de atividades inseridas dentro de um modelo de extensão universitária adequadas às exigências definidas e consideradas capazes de promover o processo educativo e científico. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11080.005232/200974 Acórdão n.º 2801002.725 S2TE01 Fl. 468 4 Não é compreensível, do ponto de vista da repercussão social de uma atividade eminentemente socializante, voltada ao bem comum, como é a do HCPA, atuando em conjunto com a Fundação Médica, que o fisco federal envide esforços no sentido de obter, junto a esta entidade que não possui fins lucrativos, a arrecadação de importâncias de vulto, desfalcando a Fundação Médica daqueles mesmos recursos que advêm do Governo Federal. E o Poder Central dando com uma mão e tirando com a outra, como se discorre popularmente. Não há como se aceitar a informação, trazida pelo Auditor Fiscal, de que a atividade dos bolsistas se volta, diretamente, aos pacientes do Hospital de Clínicas. A atividade dos bolsistas alcança e beneficia, indiretamente, os pacientes do HCPA, através da Fundação Médica, irradiando, através do aperfeiçoamento dos profissionais e otimização dos serviços do Hospital, o bem estar da sociedade. Neste contexto, não há BENEFÍCIO PARA A FUNDAÇÃO MÉDICA, ou para o HCPA, como afirma o autuante, mas benefício para os pacientes do hospital de Clínicas e para todos os que, de algum modo, se beneficiam dos reflexos desta atividade eminentemente de cunho social. (Grifos do original). A Lei n° 8.958/94 e o Decreto n° 5.205/2004 que a regulamentou, (Anexo 16), deferem amplo amparo à participação do servidor das IFES (Instituição Federal de Ensino Superior) na consecução de projetos de pesquisa, ensino e extensão gerenciados pelas fundações de apoio. Essa participação do servidor proporciona o recebimento de bolsas como incentivos a esses servidores, ou seja, aos funcionários da Universidade Federal do Rio Grande do Sul que, como professores participam, na qualidade de membros da Fundação Médica, dos projetos de pesquisa e de extensão. Destarte, para a execução desses contratos ou convênios, no qual denominamos projetos, lícita é a utilização de pessoal da UFRGS, onde se insere o impugnante, corroborado inclusive pelo art. 4º , § 1º , da lei n° 8.958/94, autorização esta repetida no decreto regulamentar. A legislação em foco é cristalina e terminantemente expressa, ao determinar que as bolsas concedidas pelas fundações de apoio são ISENTAS da exação de Imposto de Renda, mostrando se, dessa forma, correto o procedimento do impugnante ao declarar a bolsa de extensão como rendimento não tributável. Ainda que, num conceito mais amplo, a atividade dos médicos membros da Fundação Médica, como o autuado, possa ser entendida como prestação de serviço, visto que a atividade pessoal de qualquer profissional, em qualquer contexto e em qualquer circunstâncias assim possa ser entendida, seja pelo esforço mecânico, seja pelo intelectual, esta precípua prestação se insere num contexto estreito e especifico de realização de PROGRAMAS DE FORMAÇÃO EXTENSIVA, que pode ser vista como CURSOS DE PÓSGRADUAÇÃO, somente definidos, em Fl. 468DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11080.005232/200974 Acórdão n.º 2801002.725 S2TE01 Fl. 469 5 sua essência, em função das normas e dos motivos que lhe dão forma e sustento. E mais, devese gizar e repisar, esta prestação mesmo que consigne u existência de um CONTRATO, como plasmado no nosso Código civil, arts. 538 e seguintes não representa benefício para o doador, de maneira alguma, muito embora a doação pressuponha o exercício de uma atividade do profissional beneficiado (contratante), e muito embora a Fundação Médica não tenha qualquer interesse próprio ou exclusivo nesta DOAÇÃO, ou na sua contrapartida, mesmo porque os recursos que viabilizam tais bolsas advém do Hospital de Clínicas e, de certo modo, representam verbas federais. Ora, o impugnante, na condição de bolsista, recebe os valores transferidos pela Fundação Médica a título de doação, como prescreve a lei civil, realizando a doação como forma de incentivar a pesquisa e extensão que serão empregadas em benefício da sociedade como um todo, pois a transferência de conhecimento e treinamento aos alunos (médicos residentes) feitos através do desenvolvimento do programa de extensão resultará em um melhor atendimento assistencial a pacientes do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, justificandose usufruir o benefício da isenção específica criada para o caso – inexistindo qualquer benefício ou contraprestação em favor da Fundação Médica. Mais, ainda, constatase que a concessão de bolsas não representa, em contrapartida, benefício para o doador, a Fundação, vez que esta está apenas repassando verbas públicas, de cunho orçamentário, e que possuem, o priori, esta destinação específica e integral de cobertura para realização dos programas de extensão universitária. A contraprestação de serviço não está presente, no conceito aplicado pela fiscalização da Receita Federal, pois que o beneficiário da bolsa constituise em mera peça de uma grande engrenagem, inserido no sistema de gerenciamento e realização dos projetos de educação e extensão, vinculados a residência médica, refletindo o interesse do Governo Federal (Comissão Nacional de Residência Médica Resolução n° 02/2006, de 17 de maio de 2006), através do HCPA, mas com a participação permanente e indispensável da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, como a Fundação de Apoio que gerencia a consecução dos programas de extensão da Universidade. Ante todos os argumentos expostos, confiando no elevado senso de justiça dos julgadores no âmbito do processo administrativo fiscal da Receita Federal do Brasil, acreditandose que a presente impugnação será amplamente analisada, temos que é difícil concluirse de forma diversa à argumentação exposta, em face à clareza da norma que ampara o impugnante. Sendo assim, requer o impugnante seja recebida e conhecida a presente Impugnação, propugnando pela sua integral acolhida, tornando nulo ou insubsistente o Auto de Infração acima referido, isentando o impugnante ao pagamento do Imposto de Renda e Fl. 469DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11080.005232/200974 Acórdão n.º 2801002.725 S2TE01 Fl. 470 6 seus acréscimos legais lançados, ante a prova cabal de que se trata de rendimentos isentos ao imposto. Requer ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitido, especialmente, até mesmo a prova pericial, se assim entender necessário ou útil a essa Turma de Julgamento, para se confirmar e consagrar a inexigibilidade da inclusão da bolsa de extensão na apuração tributável do Imposto de Renda, daí decorrendo a desconstituição do crédito tributário objeto do Auto de Infração. Buscando corroborar suas razões de defesa, cita ao longo de sua peça contestatória, ementas de decisões administrativas e judiciais exaradas sobre os temas que desenvolve. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/POA entendeu por bem julgar a Impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: NULIDADE IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS BOLSAS DE EXTENSÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A bolsa de estudo e pesquisa isenta do imposto de renda é aquela recebida exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem vantagem pra o doador e nem importem contraprestação por serviços prestados pelo beneficiário do rendimento. Os valores recebidos por pessoa física a título de bolsa de extensão que importem contraprestação de serviços são tributáveis na fonte e na declaração de ajuste anual do beneficiário. DECISÕES JUDICIAIS EFEITOS As decisões judiciais, à exceção das proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Cientificado em 16/05/2011 (Fls. 435), o recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08/06/2011 (Fls. 437 a 458), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Voto Fl. 470DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11080.005232/200974 Acórdão n.º 2801002.725 S2TE01 Fl. 471 7 Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Não há qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido, pois somente são isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa descritas no art. 26 da Lei no 9.250/95, in verbis: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Como perfeitamente demonstrado pelo acórdão atacado, os rendimentos recebidos pelo contribuinte não atendem aos requisitos descritos no dispositivo legal acima reproduzido, razão pela qual peço vênia para adotar como razões de decidir os fundamentos expostos naquele aresto acerca dessa matéria, que transcrevo a seguir: “Diante do exposto, resta claro que a bolsa de estudo ou da pesquisa será doação civil, negócio de liberalidade, desde que o pagamento feito pelo doador atribuindo o encargo da realização de estudo ou de pesquisa não reverta esse resultado economicamente para ele doador ou para pessoa interposta. Será doação, pois, o pagamento de valor, em pecúnia ou in natura, à pessoa, sob condição de que realize um curso acadêmico ou uma pesquisa para o domínio, sem que o resultado do estudo ou da pesquisa seja diretamente aproveitado economicamente pelo doador. Ao contrário, se o resultado do estudo ou da pesquisa reverter ao doador, estarseá diante de relação de emprego contra salário. A isenção de imposto de renda alcança somente as doações sem encargo e as doações com encargo ou remuneração, desde que a prestação devida pelo donatário não reverta economicamente ao doador. Se a prestação devida pelo donatário reverter, de algum modo, economicamente, para o doador, não será doador, mas emprego com salário, sujeito às normas do imposto de renda devido pela pessoa física. Segundo o artigo 1.165 do Código Civil: “considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra, que os aceita". Desta forma, somente as bolsas de estudo caracterizadas como doação, ou seja, oferecida por liberalidade do doador a uma pessoa, não são tributadas pelo imposto de renda, excluídas aquelas cujo resultado da pesquisa ou do estudo represente vantagem para o doador ou que importe em contraprestação de serviço. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11080.005232/200974 Acórdão n.º 2801002.725 S2TE01 Fl. 472 8 No caso em apreço, o contribuinte, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na qualidade de membro da Fundação Médica do Rio Grande do Sul, CNPJ 94.391.901/000103, desenvolve atividades de preceptoria, "coordenando e controlando as atividades complementares dos alunos residentes, quando estes prestam assistência médica a pacientes do SUS" sob forma de programa de extensão. Nesse aspecto, importante transcrever trechos relevantes do Termo de Compromisso (fls.71/73) lavrado em 01/07/2006, excertos esses que encontram a devida correspondência nos outros Termos constantes do processo: "CLAUSULA PRIMEIRA: O presente instrumento tem por objeto propiciar ao professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, supra nomeado e qualificado, enquanto membro da FUNDAÇÃO MÉDICA, o desempenho de atividades complementares à docência, sob a forma de atividade de extensão nos termos da Resolução 02/94 do COCEP, visando o desenvolvimento e execução dos projetos denominados e [sic] GESTÃO DA INFORMAÇÃO E DA QUALIDADE ASSISTENCIAL NO HCPA" junto ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre HCPA. Parágrafo Primeiro: As atividades de extensão, conforme o caso, compreenderão, atividades de preceptoria e coordenadoria, assim entendidas: a ) Preceptoria: atividades de extensão de supervisão e treinamento e seleção de profissionais de nível superior que sejam alunos de Programa de Residência Médica e outros Programas de Especialização desenvolvidos pelas instituições apoiadas. b ) Coordenador ia: atividades de extensão de coordenação dos Programas e Projetos de Extensão em desenvolvimento pelas instituições apoiadas. Parágrafo Segundo: O desenvolvimento e participação no projeto de extensão, na forma do previsto no artigo 5o, § 2o, do Decreto n° 5.204/04 não cria vinculo empregatício de qualquer natureza, devendo ser desenvolvido sem prejuízo de suas atribuições funcionais. CLAUSULA SEGUNDA: Em contrapartida às atividades de extensão objeto do presente instrumento, complementares às atividades de docência desenvolvidas pelo(a) professor(a) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na forma do disposto no artigo 4o, § Io da Lei n° 8.958/94 e Art. 5o, § 2" e Art. 6 do Decreto n° 5.204/04, a FUNDAÇÃO MÉDICA concederá a(o) professor (a) uma bolsa de extensão, na forma do disposto no "Regulamento para Concessão de Bolsas de Extensão (BE) " devidamente arquivado junto ao Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul — Procuradoria de Fundações, e registrado no Serviço de Registro de Títulos e Fl. 472DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11080.005232/200974 Acórdão n.º 2801002.725 S2TE01 Fl. 473 9 Documentos das Pessoas Jurídicas da comarca de Porto Alegre RS. [...] Parágrafo Segundo: O pagamento da bolsa de extensão será efetivado até o 15 (décimo quinto) dia de cada mês, mediante depósito em conta corrente de titularidade do BOLSISTA em banco credenciado pela FUNDAÇÃO MÉDICA. (...) CLÁUSULA QUINTA: Fica assegurada à FUNDAÇÃO MÉDICA, a qualquer tempo, fiscalizar o andamento do projeto, sugerir a adoção de procedimentos técnicos e operacionais, analisar, enfim tudo o que for necessário para o melhor desenvolvimento e atendimento dos objetivos do programa de extensão. " (Grifos do original) Os documentos sob exame, não obstante denominados de 'Termo de Compromisso", tratam, na verdade, de acordos de vontades contratos estipulados entre a Fundação e o impugnante, determinando direitos e deveres para ambas as partes. A prestação das atividades de preceptoria e coordenadoria, obrigação do contribuinte, corresponde a obrigação da Fundação de pagamento da "bolsa de extensão", durante a vigência do contrato, obrigação essa que possui o nítido caráter de contraprestação. Os projetos realizados, de acordo com o contrato, propiciam ao professor da UFRGS, instituição à qual o HCPA está vinculado, o desempenho de atividades complementares à docência, sob a forma de preceptoria e/ou coordenadoria. Essas atividades se consubstanciam, na realidade, em efetiva prestação de serviços educacionais, médicos ou de consultoria. O Convênio Operacional n° 01/2004 (fls. 241/255), firmado entre o HCPA e a Fundação Médica do Rio Grande do Sul, trata desse programa os posteriores Convênios a ele relacionados simplesmente reiteram os seus termos. Pelo referido Convênio, de acordo com seu item "7", a Fundação Médica tem corno obrigação "desenvolver programa de extensão de preceptoria em residência médica mediante assistência pelos professores e médicos residentes aos pacientes do SUS – Sistema Único cie Saúde, em nível ambulatorial, hospitalar e de diagnósticos, perante o HCPA"(Grifei). Destarte, o Convênio deixa inequívoco que o "preceptor" realiza suas atividades de preceptoria mediante "orientação de médicos residentes no seu treinamento médico" a pacientes do SUS no HCPA. Além disso, importa notar que a Fundação em comento como a leitura dos itens "5" e "7", alínea "e" do Convênio Operacional n° 01/2004 elucida utiliza recursos do SUS para o custeio do Fl. 473DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11080.005232/200974 Acórdão n.º 2801002.725 S2TE01 Fl. 474 10 Programa em foco, por meio de repasse da instituição apoiada, o HCPA. Desse modo, as "bolsas de extensão" relativas a esse projeto são pagas pelo HCPA ao recorrente com recursos do SUS, atuando a Fundação, na prática, como pessoa interposta na mediação desses recursos. Destaquese que o HCPA é diretamente beneficiado com o pagamento das "bolsas de extensão" pela Fundação, pois a atividade do recorrente contribui tanto para que o Hospital realize a prestação de serviços médicos para os pacientes do SUS (do qual recebe verbas federais), quanto para que o HCPA atue como hospital escola da UFRGS. Tais benefícios à pessoa doadora (HCPA) têm, indubitavelmente, clara faceta econômica, desnaturando, conjuntamente com o caráter de prestação de serviços das atividades desenvolvidas sob o programa, a pretensão à isenção com relação às "bolsas de extensão" concedidas pela Fundação ao contribuinte. No que diz respeito ao documento emitido pelo TCU, relativo ao processo 001.622/20102, juntado aos autos pelo interessado, constatase que o mesmo informa que os pagamentos efetuados pela Fundação Médica a seus associados, em forma de bolsas de extensão e pesquisa, referente aos convênios ou contratos celebrados, caracterizamse como bolsas, não criando vínculo empregatício de qualquer natureza. Destarte, o fato de inexistir vínculo empregatício entre a Fundação Médica e os professores bolsistas não tem o condão de classificar as referidas bolsas como rendimentos isentos, não sujeitos à incidência do imposto de renda. Acrescentese, mais uma vez, que a isenção depende de lei específica, conforme estabelece o § 6o do artigo 150 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 3, de 17/03/93.” (páginas 425 a 427 dos autos) Diante do exposto acima os rendimentos recebidos pelo contribuinte submetemse à tributação do imposto de renda, nos termos do art. 43 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, in verbis: Art.43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769, de 1998, arts. 1ºe 2º): I salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários; (grifo meu) Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 11080.005232/200974 Acórdão n.º 2801002.725 S2TE01 Fl. 475 11 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 475DF CARF MF Impresso em 24/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 28/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 10580.727202/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 14/09/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 72 02 /2 00 9- 19 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727202/200919 Acórdão n.º 2102002.208 S2C1T2 Fl. 11 2 Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 14/09/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 89 a 95: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 124.087,28, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontra se em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727202/200919 Acórdão n.º 2102002.208 S2C1T2 Fl. 12 3 b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestado se pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727202/200919 Acórdão n.º 2102002.208 S2C1T2 Fl. 13 4 considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 99 a 136, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Cuidase de processo idêntico a outro já apreciado nesta Turma, razão porque peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ConselheiroPresidente Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102001.606, de 24/10/2011, que em tudo se aplica ao presente caso: Antes de tudo, tratase de matéria já debatida por este colegiado, em processos similares, assistindo razão ao recorrente. Assim, não se apreciará a preliminar de ilegitimidade passiva da União para constituir o crédito tributário discutido nestes autos. Na sessão de 08 de junho de 2011, esta Turma de julgamento prolatou o Acórdão nº 2102001.337, unânime, na relatoria deste Conselheiro, quando se apreciou a tributação da diferença de URV paga a um membro do Ministério Público da Bahia, em caso juridicamente similar ao aqui em discussão (somente alterar a Lei complementar da Bahia nº 20/2003 pela Lei do Estado da Bahia nº 8.670/2003), que ora se toma como razão de decidir e abaixo se colaciona as razões lá deduzidas (em itálico): Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727202/200919 Acórdão n.º 2102002.208 S2C1T2 Fl. 14 5 Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação – artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios – artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 – artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União – artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727202/200919 Acórdão n.º 2102002.208 S2C1T2 Fl. 15 6 Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I – apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II – o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I – o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II – o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727202/200919 Acórdão n.º 2102002.208 S2C1T2 Fl. 16 7 Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/20031 tem a mesma natureza daqueles pagos ao 1 LEI COMPLEMENTAR Nº 20, DE 08 DE SETEMBRO DE 2003. Dispõe sobre os vencimentos dos Membros do Ministério Público do Estado da Bahia e dá outras providências. O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Fica fixado como vencimento básico do Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia, a partir de 31 de julho de 2003 e até que seja editada a Lei prevista no art. 48, inciso XV, da Constituição Federal, o valor de R$ 6.943,86 (seis mil, novecentos e quarenta e três reais e oitenta e seis centavos). § 1º A remuneração decorrente desta Lei inclui e absorve a Gratificação de Nível Universitário e a Parcela Autônoma de Equivalência, previstas na Lei Complementar nº 16, de 12 de setembro de 2001. § 2º Fica criada a vantagem de representação correspondente a 60% (sessenta por cento) do vencimento básico de cada nível. § 3º O escalonamento entre os diversos níveis da remuneração dos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, hoje fixado em 10% (dez por cento), será reduzido, gradativamente, no percentual de 1% (um por cento) ao ano, até alcançar, em janeiro de 2008, o percentual de 5% (cinco por cento), tendo como referência a remuneração, de caráter permanente, percebida por Procurador de Justiça da Bahia. Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. Art. 4º As despesas decorrentes da aplicação desta Lei correrão à conta dos recursos orçamentários próprios, ficando o Poder Executivo autorizado a promover as alterações que se fizerem necessárias. Art. 5º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Art. 6º Revogamse as disposições em contrário. PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, em 08 de setembro de 2003. PAULO SOUTO Governador Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727202/200919 Acórdão n.º 2102002.208 S2C1T2 Fl. 17 8 Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado da Bahia – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Ainda, pelo entendimento da não tributação das diferenças de URV percebidos por magistrados estaduais, vêse o REsp nº 1187109, relatoria da Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, sessão de 17/08/2010, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727202/200919 Acórdão n.º 2102002.208 S2C1T2 Fl. 18 9 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. E para concluir, esta Turma de Julgamento apreciou a mesma matéria em debate nestes autos, referente aos valores das diferenças de URV percebidos por magistrado do Estado da Bahia, quando prolatou o Acórdão nº 210201.565, sessão de 28/09/2011, na relatoria da Conselheira Núbia Matos Moura, assim ementado: RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.727202/200919 Acórdão n.º 2102002.208 S2C1T2 Fl. 19 10 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000489/00-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1988, 1989
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DIVERSIDADE DE SITUAÇÕES FÁTICAS.
Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Especial, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade.
Numero da decisão: 9101-001.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Junior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Suzy Gomes Hoffmann, Albertina Silva Santos de Lima (suplente convocada) e Valmir Sandri.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DIVERSIDADE DE SITUAÇÕES FÁTICAS. Nos casos em que não há similitude fática entre os acórdãos comparados não deve ser conhecido o Recurso Especial, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial requisito de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Junior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Suzy Gomes Hoffmann, Albertina Silva Santos de Lima (suplente convocada) e Valmir Sandri. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 04 89 /0 0- 72 Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 2 Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 462/504) interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria MF 256, de 22/06/2009. O processo administrativo se refere a pedido de restituição cumulado com pedido de compensação do crédito decorrente da apuração de saldo negativo de CSLL, crédito este reconhecido judicialmente. A Receita Federal indeferiu o pedido por entender ser o mesmo impossível administrativamente e, ainda, determinou que as compensações pleiteadas fossem desconsideradas, bem como que o valor do crédito confessado (referente às compensações) fosse cobrado com os acréscimos legais. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 400/414. Em primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, às fls. 418/431, indeferiu a manifestação do contribuinte e afirmou que, no caso, o prazo para ingressar com o pedido de restituição foi expirado em 31/12/1994 e isto porque houve decurso do prazo de 5 (cinco) anos a contar do encerramento do último ano calendário examinado, ou seja, a data de 31/12/1989. O acórdão foi assim ementado: O prazo para o contribuinte pleitear a restituição e a compensação de tributo ou contribuição pago indevidamente ou a maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme arts. 165, I e 168, I do CTN, c/c o Ato Declaratório SRF n° 96/99. Solicitação Indeferida. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 434/446. Sobreveio o acórdão nº 1805 00.027, de 19/03/2009 (fls. 453/457), ora recorrido, proferido pela 5º turma especial da primeira seção de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, afastou a decadência do direito do contribuinte de pleitear a restituição/compensação do indébito tributário oriundo de pagamentos indevidos ou a maior de CSLL ocorridos no período de 1988/1989. O acórdão foi assim ementado: O prazo para o contribuinte pleitear a restituição e a compensação de tributo ou contribuição pago indevidamente ou a maior que o devido, extinguese após o prazo de 5 (cinco) anos, contados do trânsito em julgado da medida judicial, nos termos da IN 21/97 com as alterações da 1N 73/91. Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional, apresentou Recurso Especial e sustentou que há divergência jurisprudencial porque o acórdão recorrido considerou que o termo inicial para contagem do prazo decadencial do contribuinte para pleitear a restituição da CSLL é o trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o crédito, enquanto de acordo com o acórdão paradigma, em vista dos artigos 165, I e 168, I, ambos do CTN, o direito do sujeito passivo Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 13984.000489/0072 Acórdão n.º 9101001.479 CSRFT1 Fl. 1.062 3 para pleitear a restituição total ou parcial do tributo pago indevidamente extinguese com o decurso do prazo de 5 cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Trouxe aos autos, como paradigma, o acórdão 930300080, assim ementado: O dies a quo para a contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia e que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. O Recorrido apresentou contrarrazões (fls. 511/515) sustentando que a argumentação do Recurso Especial da União é evasiva, não trata da questão discutida nos autos e sequer o acórdão paradigma é capaz de justificar a aplicação do entendimento esposado. Por fim, pugnou pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior Relator O presente recurso especial é tempestivo, entretanto não preenche os demais requisitos de admissibilidade. Com efeito, não se caracterizou a divergência jurisprudencial suscitada pela Fazenda Nacional, senão vejamos. No acórdão recorrido, restou consignado o entendimento de que o prazo para o contribuinte pleitear a restituição e a compensação de tributo ou contribuição pago indevidamente ou a maior que o devido, extinguese após o prazo de 5 (cinco) anos, contados do trânsito em julgado da medida judicial, nos termos da IN 21/97 com as alterações da IN 73/91. Por outro lado, o acórdão paradigma foi no sentido de que o dies a quo para a contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Desta forma, temse que as questões enfrentadas em ambos os acórdãos cotejados são diversas, isto porque a decisão recorrida trata de prazo de prescrição quando há ação judicial, enquanto o paradigma trata da prescrição a partir da 31/08/95 quando passou a existir no mundo jurídico o direito à restituição do indébito pleiteado de Finsocial com a edição da MP 1110/95, portanto o caso tratado no acórdão paradigma não é o de prescrição quando há ação judicial. Situações fáticas diferentes. Não há, portanto, como se reconhecer por caracterizada a divergência jurisprudencial. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 4 É nesse mesmo sentido o entendimento adotado por este Conselho, conforme julgados cujas ementas seguem transcritas: RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS COTEJADOS. Não se conhece de recurso especial, se os acórdãos comparados não tratam da mesma questão fática. (Acórdão nº 9202001.784, de 28/09/2011) RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido. (Acórdão nº 9101001.314, de 24 de abril de 2012) Do exposto, não comprovada a divergência jurisprudencial, voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. João Carlos de Lima Junior Relator Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 1/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
score : 1.0
Numero do processo: 13855.000698/2009-09
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
Qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais vigentes a época dos fatos geradores, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN.
Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2803-001.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de reformar a decisão a quo e decretar a nulidade do lançamento por vicio material. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima e André Luís Marsico Lombardi.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2086; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 295 1 294 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.000698/200909 Recurso nº 13.855.000698200909 Voluntário Acórdão nº 2803001.736 – 3ª Turma Especial Sessão de 14 de agosto de 2012 Matéria Obrigações Acessórias Recorrente Curtume Belafranca Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Qualquer lançamento de crédito tributário deve conter todos os motivos fáticos e legais vigentes a época dos fatos geradores, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, sob pena de nulidade por vício material obedecendo o art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de reformar a decisão a quo e decretar a nulidade do lançamento por vicio material. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima e André Luís Marsico Lombardi. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 06 98 /2 00 9- 09 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13855.000698/200909 Acórdão n.º 2803001.736 S2TE03 Fl. 296 2 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.272 e seguintes) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 256 e seguintes do processo digital), que manteve o crédito tributário oriunda da aplicação de multa por descumprimento do disposto no art. 32, IV, § 2o , da Lei n. 8.2121991, por ter deixado de informar compensações realizadas no período de 01.2004 a 12.2004, por ter informado fatos geradores de contribuições previdenciária, referentes à fornecimento de alimentação (inclusive tícket alimentação – períodos de 01/2004 a 12/2004) e abonos (05/2004). Sendo que o fundamento da multa foi aplicado diretamente o que está disposto no art. 32A, II, da Lei 8.212/1991, na redação da Medida Provisória 449/2008 (anteriormente à Lei n. 11.941/2009). A ciência do auto de infração inaugural foi em 16.03.2009 (fls. 188). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: a nulidade do auto de infração por não ter motivado o lançamento no que dispos o art. 32, par. 5o., da 8.212/1991, que era a redação vigente a época dos fatos geradores, antes da alteração da redação pela à MP 449/2008, a não incidência de contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de auxílioalimentação, e sobre o abono emergencial não eventual pagos aos funcinários na competência 05/2004. Esse é o relatório. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13855.000698/200909 Acórdão n.º 2803001.736 S2TE03 Fl. 297 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. Entendo que a decisão a quo e a autoridade lançadora equivocaramse pois, pois desconsiderou a legislação vigente à época dos fatos imponíveis, pois o lançamento deveria antes de aplicar o que dispõe o art. 32A, I ou II, incluído pela MP 449/2008 na Lei n. 8.212/1991, deveria ter apoiadose no texto vigente à época dos fatos (art. 32, par. 5o.). Fato esse que deveria ter sido observado inclusive em razão do que dispõe o art. 106, do CTN, quanto à aplicação mais benéfica ao sujeito passivo. Conforme o que dispõe o art. 142, do CTN, c/c art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/2010, o lançamento tributário deve ser demonstrar claramente quais são os seus fundamentos fáticos e jurídicos vigentes à época dos fatos geradores, sob pena de nulidade. Isso inclui o ônus probatório e motivacional da Administração em trazer elementos probantes e legais que subsidiem a constituição do crédito tributário, para em um segundo momento demonstrar de forma clara o fenômeno da subsunção da norma aos eventos por eles representados (art. 9º, do Dec. 70.235/172). O lançamento objeto da decisão recorrida deve preenche os requisitos da legalidade impostos pelo art. 142, do CTN, bem como da legislação ordinária, em especial o art. 33 e 37 da Lei n. 8.212/1991 e Decreto n. 70.235/1971. Tais determinações são necessárias inclusive para que haja o real respeito à garantia de contraditório e ampla defesa e ao devido processo legal (art. 5, LV da CF/1988) “sendo, o lançamento, o ato através do qual se identifica a ocorrência do fato gerador, determinase a matéria tributável, calculase o montante devido, identificase o sujeito passivo e, em sendo o caso, aplicase a penalidade cabível, nos termos da redação do art. 142 do CTN, certo é que do documento que formaliza o lançamento deve constar referência clara a todos estes elementos, fazendose necessário, ainda, a indicação inequívoca e precisa da norma tributária impositiva incidente” (PAUSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 3ª ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2001, p. 706 ). Revendo posicionamentos anteriores, pelas razões acima, observase que a norma individual e concreta em que não demonstra todas as suas facetas, prejudica a sua aplicação e a possibilidade de defesa do contribuinte perante o Fisco (art. 59, I, do Dec. 70.235/1972). A deficitária construção da norma individual e concreta do tributo ou da sanção, algo além da mera formalidade extrínseca do ato de constituição do crédito, afetando o seu âmago. Conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes: Fl. 297DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13855.000698/200909 Acórdão n.º 2803001.736 S2TE03 Fl. 298 4 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. ratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que alta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese reincidência." (1° Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº132.213 — Acórdão n°10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) Dessa forma, está claro que com meras alegações circunstanciais, e com os documentos probantes na forma apresentada nos autos, não se poderia constituir o crédito tributário impugnado contra a Recorrente. Isso posto, meu voto é para CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, CONCEDENDO TOTAL PROVIMENTO, no sentido de reformar a decisão a quo e decretar a nulidade do lançamento por vicio material. Sala de Sessões, 14 de agosto de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 298DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003434/2009-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/07/2007
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - RESPONSABILIDADE - PROPRIETÁRIO - EMPREITADA TOTAL - REQUISITOS - NÃO CUMPRIMENTO - DESCARACTERIZAÇÃO
A obrigação pelo recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre mão de obra utilizada em obra de construção civil é do proprietário. Tal responsabilidade só pode ser transferida no caso de execução da obra por empreitada total contratada com empresa construtora que é aquela cujo objeto social seja a indústria de construção civil e seja registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA). Além disso, a empresa construtora deve assumir a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material, como também pela matrícula da obra
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.091
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Ana Maria Bandeira- Relatora.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 31/07/2007 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - RESPONSABILIDADE - PROPRIETÁRIO - EMPREITADA TOTAL - REQUISITOS - NÃO CUMPRIMENTO - DESCARACTERIZAÇÃO A obrigação pelo recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre mão de obra utilizada em obra de construção civil é do proprietário. Tal responsabilidade só pode ser transferida no caso de execução da obra por empreitada total contratada com empresa construtora que é aquela cujo objeto social seja a indústria de construção civil e seja registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA). Além disso, a empresa construtora deve assumir a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material, como também pela matrícula da obra Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Ana Maria Bandeira- Relatora. Júlio César Vieira Gomes Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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Tal responsabilidade só pode ser transferida no caso de execução da obra por empreitada total contratada com empresa construtora que é aquela cujo objeto social seja a indústria de construção civil e seja registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA). Além disso, a empresa construtora deve assumir a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material, como também pela matrícula da obra Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 34 34 /2 00 9- 99 Fl. 31DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Ana Maria Bandeira Relatora. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.003434/200999 Acórdão n.º 2402003.091 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 16/18), o autuado protocolou em julho/2007 Declaração e Informação sobre Obra de Construção Civil DISO nº 546/2007, solicitando regularização de obra junto ao órgão. Em 20/07/2007, foi emitido o Aviso de Regulação de Obra – ARO 12062, com ciência ao contribuinte na mesma data. Em 06/03/2009, o contribuinte foi intimado a apresentar os comprovantes de recolhimento referentes à obra e não o fez. Foi efetuado o lançamento tomando por base além do DISO e do ARO, os projetos arquitetônicos protocolados sob nº 2.243, de 22/04/1996 e 6.326, de 28/06/2007, bem como o Habitese nº 151/07, de 04/07/2007. O autuado teve ciência do lançamento em 17/04/2009 e apresentou defesa (fls. 27/30) onde alega que pelo contrato nº 012/96, de 25/01/1996, contratou a construção de uma casa préfabricada sob o regime de empreitada global, com a empresa R2 Business – Serviços, Comércio e Construtora Ltda. Informa que segundo disposição contratual, correriam por conta da empresa todas as despesas decorrentes da exata e integral observância da legislação trabalhista, previdenciária e fiscal. Argumenta que como a empresa contratada não recolheu os valores previdenciários, o autuado pleiteou um parcelamento dos débitos ao tomar conhecimento do fato. Posteriormente, o imóvel teria sido vendido à Sra Rosalertte Soeiro Meirelles que assumiu a obrigação do pagamento de todos os débitos relativos a ele. Ressalta que a propriedade plena do imóvel foi transmitida pelo autuado à compradora em 20/06/2008, por força de escritura pública lavrada no Cartório de Notas de Louveira/SP. Entende que não poderia ser penalizada por infração cometida por terceiros, no caso a empresa contratada. Além disso, a obrigação agora caberia à adquirente do imóvel, em razão da transferência do direito de propriedade. Pelo Acórdão nº 0533.352 (fls. 82/83), a 6ª Turma da DRJ Campinas considerou a autuação procedente. Contra tal decisão, o autuado apresenta recurso tempestivo (fl. 99/102), onde efetua repetição das alegações de defesa Fl. 33DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O recorrente argumenta que não seria responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a mão de obra utilizada na obra de construção civil em questão. Inicialmente alega que a responsabilidade seria da empresa contratada para edificação da obra, R2 Business – Serviços, Comércio e Construtora Ltda, cuja contratação se deu por empreitada global. A princípio, a responsabilidade pelas contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados que prestaram serviços em uma obra de construção civil é do proprietário que, inclusive, é equiparado à empresa, conforme se verifica do trecho de Decreto nº 3.048/1999, abaixo transcrito: Art.12. Consideramse: Iempresaa firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; e IIempregador domésticoaquele que admite a seu serviço, mediante remuneração, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único.Equiparamse a empresa, para os efeitos deste Regulamento: (...) IVo proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço A responsabilização deixa de ser do dono da obra quando este efetua um contrato por empreitada total com empresa construtora que passa a ser responsável pelo recolhimento das contribuições devidas. No entanto, para que se caracterize uma empreitada total, alguns requisitos devem ser cumpridos. A Instrução Normativa SRP nº 03/2005, vigente à época do lançamento, estabelecia o conceito de empreitada total, no art. 413, inciso XXVIII, alínea “a” Fl. 34DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.003434/200999 Acórdão n.º 2402003.091 S2C4T2 Fl. 4 5 Art, 413 – Considerase: (...) XXVIII contrato de construção civil ou contrato de empreitada (também conhecido como contrato de execução de obra, contrato de obra ou contrato de edificação), aquele celebrado entre o proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para a execução de obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, podendo ser: a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XX, que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; b) parcial, quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na área de construção civil, para execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material; Já o inciso XX mencionado, assim definia empresa construtora: XX empresa construtora, a pessoa jurídica legalmente constituída, cujo objeto social seja a indústria de construção civil, com registro no CREA, na forma do art. 59 da Lei nº 5.194, de 1966; Assim, só há que se retirar a responsabilidade do proprietário ou dono da obra se este efetuar um contrato de empreitada total com empresa construtora, passando esta a responder pela obra. No caso em tela, apesar de o contrato mencionar que seria de empreitada global, o item 16.7 é claro no sentido de quem seria a responsabilidade pela obra, conforme pode ser visto do trecho transcrito: 16.7 É de inteira responsabilidade do Contratante a matrícula da obra no INSS, bem como o pagamento dos encargos devidos Além disso, o recorrente ainda tenta transferir a responsabilidade pelas contribuições relativas à obra à Sra Rosalertte Soeiro Meirelles que teria assumido a obrigação do pagamento de todos os débitos e que a propriedade plena do imóvel foi transmitida pelo autuado à compradora em 20/06/2008, por força de escritura pública lavrada no Cartório de Notas de Louveira/SP. No entanto, o que o recorrente junta aos autos às folhas 40/42 é apenas um Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda, não contendo sequer o reconhecimento de firma dos interessados e registro em cartório, ou seja, não demonstra que o negócio efetivamente se concretizou. Haja vista que o recorrente não demonstrou ter transferido a propriedade do imóvel a outra pessoa, tornase desnecessário discutir sobre a transferência do ônus tributário ao adquirente. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 36DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16095.000175/2010-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA.
De acordo com o posicionamento da Secretaria da Receita Federal, consoante. Solução de Consulta Interna nº 15, de 20 de maio de 2005, a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo, em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias, aplica-se retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo.
DCTF RETIFICADORA. DISPENSA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
É pacífico na jurisprudência do STJ que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição formal do crédito tributário. Precedente: Recurso Especial representativo de controvérsia n.º 962.379/RS.
Numero da decisão: 3302-001.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 31/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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APLICAÇÃO RETROATIVA. De acordo com o posicionamento da Secretaria da Receita Federal, consoante. Solução de Consulta Interna nº 15, de 20 de maio de 2005, a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo, em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias, aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. DCTF RETIFICADORA. DISPENSA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É pacífico na jurisprudência do STJ que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição formal do crédito tributário. Precedente: Recurso Especial representativo de controvérsia n.º 962.379/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 01 75 /2 01 0- 25 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 EDITADO EM: 31/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Amauri Amora Câmara Júnior, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Ribeirão PretoSP: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no Auto de Infração de fls. 088/093, cientificado em 19/04/2010, totalizando o credito tributário de R$ 966497,03, inclusos multa de ofício e juros de mota. Segundo a descrição dos fatos no Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidade (fls.. 084/087), na execução de procedimento fiscal de revisão da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e da Declaração de Informações EconômicoFiscais das Pessoas .Jurídicas (DIP.J), relativo ao anocalendário 2005, exercício 2006, foram identificados valores de IPI (saldos devedores) não recolhidos que foram lançados por meio do auto de infração originário do presente processo. Foram utilizados como fonte de informação, dentre outros, os registros do Livro Registro de Apuração do IPI (fls.. 023/048). O valor lançado é originário da apuração de saldo devedor decorrente da apuração de débitos de IPI incidente sobre produtos industrializados saídos do estabelecimento do contribuinte e não recolhidos na sua totalidade. A fundamentação legal para o lançamento consta dos autos às fls.. 090 vciso e 092 verso. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intetmédio de seu representante legal, protocolizou, em 17/05/2010, a tempestiva impugnação de fls.. 096/110 aduzindo em sua defesa as iazoes que se seguem. 1. De pronto, afirma que reconhece os créditos tributários declarados nas DCTF retificadoias com números de recibo 10.15 18..65..8222 e 19.75.98.33.3982 e que os mesmos já foram objeto de parcelamento, conforme os recibos de Pedido de Parcelamento da Lei n° 11..941 (fls. 383/390) 2.. Alega que o Auto de Inflação é totalmente indevido por todo o débito já ter sido incluído em parcelamento antes de sua emissão. 3. Proclama que a impugnação não pode ser tomada como causa impeditiva paia se permanecer no "Refis", pois a autuação se Fl. 496DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16095.000175/201025 Acórdão n.º 3302001.752 S3C3T2 Fl. 496 3 deu em data posterior ao parcelamento e cobra valores ali já incluídos. 4.. Afirma ser ilegal a obrigatoriedade da renúncia, conforme entendimento majoritário, pois a Lei n° 11.941/2009 não menciona desistência de impugnação ou recurso administrativo e a exigência de ial renúncia a direitos seria inconstitucional. 5. Sustenta que a retificação das DCTF foi espontânea e tempestiva, pois o procedimento fiscal iniciouse em 19/08/2009 e somente foi novamente impulsionado cm 05/01/2010 por nova mtimação, tendo se passado o prazo de 60 dias estabelecido nas normas pata a realização da ação fiscal ou a sua prorrogação sem que a contribuinte houvesse recebido qualquer comunicação nesse sentido. Ial comunicação seria obrigatória em função do princípio da publicidade explicitado no art 37 da Constituição Federal e, se oconeu, padeceu da ausência de formalização.. Apresenta jurisprudência.. Aduz que a motivação da retificação não teria sido a ação fiscal iniciada, mas o prazo final para a formalização do parcelamento da Lei n° 11.941/2009, que era exatamente 30/09/2009, data da enüega das retificações. Ressalta também que havia ocorrido mudança no quadro societário cm 10/2008 e que tal lato teve relação direta com as regularizações realizadas.. Logo, considerando esse caráter espontâneo, teiia ocorrido o autolançamento do crédito tributário por meio das DCTF retificadoras, que são passíveis de execução, afastando o lançamento de acessórios (atualizações monetárias, juros dc mora e multa) ao crédito tributário ali declarado. 6. Solicita que todas as notificações e correspondências sejam encaminhadas ao escritório dos patronos da impugnante. Conclui pedindo o recebimento da presente impugnação, seu julgamento como totalmente procedente e que seja declarada a milidade do auto de infração, para o fim de reconhecer1 o auto lançamento por meio das DCTF. O processo foi a julgamento em 26/10/2010 e os membros desta 8'1 turma decidiram, por meio da Resolução n° 1.445 (fls 399/400), convertêlo em diligência paia que, em síntese: 1. a autoridade autuante informasse sobre a existência de atos escritos formalizando o prosseguimento dos trabalhos de fiscalização além das intimações presentes nos autos; e 2,. a unidade de origem informasse se os débitos declarados nas DCTF dos autos foram de fato regularmente recolhidos ou parcelados. Em resposta, as autoridades competentes informaram, e m suma, às fls 402, 407 e 409, o que se segue: 1. que ínexistem outros atos escritos formalizando o prosseguimento dos trabalhos de fiscalização além das intimações presentes nos autos, sendo que o auto de infração teria sido constituído em corrfoimidade com o art. 11, § 2o , Fl. 497DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 inciso III, da IN 695/2006, c o art. 11, § 2º , incis oIII, da IN 786/2007; 2. que os débitos declarados nas DCTF dos autos foram recolhidos por meio dos pagamentos juntados ao presente processo, os quais já se encontram alocados aos valores da DCTF retificadoia apresentada em 30/11/2009 e já foram levados em conta na elaboração do Auto de Infração; além disso, foi informado que a contribuinte formalizou, cm 30/11/2009, pedido do parcelamento instituído pela Lei n° 11.941, que, em tese, abrangeria os débitos declarados em DCTF, porém não há como dizer que os débitos estão parcelados, tendo em vista que ainda não houve a consolidação dos parcelamentos; e 3. que os autos de infração não poderiam está sendo questionados, pois a consolidação prevista na Lei n° 11.947 impõe a desistência de impugnação ou iecuiso administrativo, conforme a Poitaria ConjuntaPGFN/RFB n° 15, de 1º de setembro de 2010. A contribuinte, cientificada da diligência e de seus resultados, veio aos auto às fls.. 414/430 para: 1. novamente reconhecidos créditos tributários declarados nas DCTFs dos autos e reafirmar que já foram parcelados; 2. reforçar a espontaneidade da retificação das DCTFs e a conseqüente constituição do crédito tributário pois esse instrumento, em valor idêntico ao lançado no auto de infração, por todos os motivos já apontados na impugnação, o que impede o lançamento de ofício do credito e de seus acessórios por meio de auto de infração; e 3. reafirma a ilegalidade da imposição de desistência de impugnação ou recurso administrativo como condição para o paiceiamento da Lei n° 11.941/2009. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem julgar improcedente a impugnação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUIOS INDUSTRIALIZADOS IPI Peiíodo de apuração: 01/01/200.3 a 31/12/2005 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase como não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada, AUDITORIA DE DECLARAÇÕES DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Cientificado o sujeito passivo de divergências detectadas cm procedimento de auditoiia de declarações, não cabe a alegação de denúncia espontânea. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16095.000175/201025 Acórdão n.º 3302001.752 S3C3T2 Fl. 497 5 ESPONTANEIDADE.. REAQUISIÇÃO. DENÚNCIA DA INFRAÇÃO NECESSIDADE DE PAGAMENIO INTEGRAL DO TRIBUTO. O instituto da espontaneidade implica: (a) como o próprio nomen júris sugere, na espontaneidade da denúncia da infração em geral, por meio de declaração retificadora; (b) no pagamento integral do tributo denunciado, quando for o caso Sem essas duas providências, não há que se falar cm reaquisição da espontaneidade pelo sujeito passivo. COMUNICAÇÃO DOS ATOS PROCESSUAIS.. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO DO SUJEITO PASSIVO. As notificações e intimações devem ser enviadas ao domicílio tributátrio eleito pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário, onde são reprisados os argumentos lançados na Manifestação de Inconformidade apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, a matéria principal a ser tratada no presente processo diz respeito a legimitimidade das DCTFs retificadoras apresentadas por estabelecimento filial da Recorrente após este ter sido intimdado do Termo de Inicio de Fiscalização. Para melhor entendimento dos acontecimentos, elenco os principais fatos e datas relacionados ao tema aqui tratado: 19/08/09 Termo de Inicio de Fiscalização 28/08/09 Retificação das DCTFs (primeira) 31/08/09 Entrega de documentos à Fiscalização 30/11/09 Nova Retificação das DCTFs 05/01/10 Termo de Intimação para apresentação de Docs. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES 6 18/04/10 Lavratura de Auto de Infração. Importante destacar que a DRJ Ribeirão Preto efetuou questionamento a autoridade preparadora, por meio de diligência, a fim de verificar a existência de outros atos praticados pela autoridade administrativa que, porventura, não estivessem juntados ao processo. Como resultado constatou que os atos praticados pela autoridade administrativa no decorrer da fiscalização foram datados de 18/08/2009 (Termo de Inicio de Fiscalização), 05/01/2010 (Termo de Intimação para apresentação de Docs) e 18/04/2010 (Auto de Infração). Este fato também está devidamente reconhecido no acórdão recorrido, senão vejamos: “A ação fiscal correspondente ao lançamento sob análise iniciouse em 19/08/2009, conforme Termo de Intimação Fiscal (fl, 002), cientificado à contribuinte naquela data. De acordo com os autos, c confirmado pela diligência solicitada por meio da Resolução n° 1.444, o ato seguinte comunicando por escrito à contribuinte o prosseguimento da ação fiscal é o Termo de Intimação Fiscal cientificado em 05/01/2010” O art. 7o do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, assim normatiza o procedimento fiscal: Art. 7 o O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1 o O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2 o Para os efeitos do disposto no § 1 o, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Ou seja, passados 60 dias sem a prática de qualquer ato que indique o prosseguimento dos trabalhos de fiscalização fica restabelecida a espontaneidade do sujeito passivo da obrigação tributária. No presente caso, inquestionavelmente ocorreu o lapso temporal superior a 60 dias entre a data do Inicio da Ficalização, 19/08/2009, e o ato seguinte, que no caso foi a intimação para apresentação de Livros contábeis, que somente ocorreu em 05/01/2010, ou seja, 140 dias após. Neste contexto, readiquirida a espontaneidade pela Recorrente, esta poderia retificar as DCTFs, informando assim os débitos como de fato ocorreu. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16095.000175/201025 Acórdão n.º 3302001.752 S3C3T2 Fl. 498 7 Nem se diga que o fato de as DCTFs terem sido entregues dentro do prazo dos sesseta dias contados do incio da Fiscalização afastaria a possibilidade de tais retificações serem consideradas espontâneas, uma vez que que a espontaneidade retroage seus efeitos, alcançado osprocedimentos efetuados dentro do prazo de 60 dias. O antigo Conselho de Contribuintes, ao analisar esta matéria assim se pronunciou: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (§ 32 do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, acrescentado pelo art. 1 2 da Lei n2 8.748/1993). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO RETROATIVA. De acordo com o posicionamento da Secretaria da Receita Federal, consoante Solução de Consulta Interna nº 15, de 20 de maio de 2005, a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo, em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias, aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. CABIMENTO. De acordo com o disposto no art. 90 da Medida Provisória n 2 2.158/2001, serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Excluise integralmente a multa de oficio lançada, pela aplicação retroativa do caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN. Recurso provido em parte. (Recurso 124.479. Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Relator Antônio Zomer.) Do voto do eminente Relator Antônio Zomer, destaco trecho que bem analisa questão análoga a colocada nos presentes autos: Como as DCTFs normais e retificadores foram apresentadas todas no mesmo dia, em 11/07/2001, dentro do período de 60 (sessenta) dias contados do termo de intimação, datado de 19/06/2001, à primeira vista, estaria correta a interpretação dada à questão pela decisão recorrida, que considerou extemporânea a entrega das referidas declarações. Entretanto, a Solução de Consulta Interna nº 15, de 20 de maio de 2005, ao tratar da recuperação da espontaneidade com o decurso do prazo de sessenta dias, firmou o entendimento de que Fl. 501DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES 8 tal recuperação retroage à data da ciência do último ato expedido pela autoridade fiscal, conforme decisão sintetizada na seguinte ementa: "EMENTA : A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. O pagamento do tributo deve ser acrescido de juros e multa de mora. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 138 da Lei n't 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, e art. 72 do Decreto t 9 70.235, de 6 de março de 1972." No mesmo sentido já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão n2 CSRF/0201.913, de 12/04/2005, quando apreciou recurso interposto pela Fazenda Nacional contra decisão proferida pela Primeira Câmara deste Segundo Conselho de Contribuintes ao julgar o Recurso n 2 121.198. Considerandose como corretas as declarações retificadoras apresentadas pela Recorrente, deve o auto de infração ser cancelado, uma vez que a apresentação da DCTF que informa débito não recolhido afasta a necessidade de constituição formal do credito tributário, devendo os valores declarados serem inbscritos em dívida ativa imediantamente após vencidos os prazos de recolhimento e conbrança adminitrativa. Esta inclusive é a posição pacificada do Superior Tribunal de Justiça por decisão exarada nos termos do art. 543 C do CPC, como noticia a decisão abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO DEVIDAMENTE. 1. É pacífico na jurisprudência desta Corte que a declaração do tributo por meio de DCTF, ou documento equivalente, dispensa o Fisco de proceder à constituição formal do crédito tributário. Precedente: Recurso Especial representativo de controvérsia n.º 962.379/RS1. 2. Não obstante, tendo o contribuinte declarado o tributo via DCTF e realizado a compensação nesse mesmo documento, também é pacífico que o Fisco não pode simplesmente desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte e, sem qualquer notificação de indeferimento da compensação, 1 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (Resp. nº 962.379 RS (2007/01428689) RELATOR MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI) Fl. 502DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 16095.000175/201025 Acórdão n.º 3302001.752 S3C3T2 Fl. 499 9 proceder à inscrição do débito em dívida ativa, negandolhe certidão negativa de débito. Precedentes: REsp 1.140.730/RS (Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 21.06.2011); AgRg no REsp 1.241.892/PR (Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 20.05.2011); AgRg no REsp 892.901/RS (Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJU de 07.03.08) e REsp 999.020/PR (Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 21.05.2008). 3. Agravo regimental não provido. No presente caso não estamos tratando de créditos tributários vinculados a compensações, é bom ressaltar. Tratase apenas de débitos declarados por meio de DCTFs retificadoras que não foram recolhidos e que estão parcelados nos termos da Lei nº 11.941/09, de acordo com o que se pode apurar das informações constantes do presente processo. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 503DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10510.903637/2009-08
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/10/2006
PRECLUSÃO DA DEFESA. RECURSO INTEMPESTIVO. DEFESA NÃO CONHECIDA.
Segundo o Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve protocolar sua defesa no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão. Corrido esse prazo, precluso está o direito do contribuinte de se defender na esfera administrativa.
Numero da decisão: 1802-001.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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RECURSO INTEMPESTIVO. DEFESA NÃO CONHECIDA. Segundo o Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve protocolar sua defesa no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência do acórdão. Corrido esse prazo, precluso está o direito do contribuinte de se defender na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 36 37 /2 00 9- 08 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903637/200908 Acórdão n.º 1802001.473 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. A interessada transmitiu o PER/DCOMP eletrônico (folhas 1 a 5), visando utilizar um crédito no valor original de R$ 3.744,40, código 6106, decorrente de pagamento supostamente indevido do Simples do Período de Apuração (PA) de 30/11/2002, para compensação de débito de mesma rubrica, referente ao PA de 30/09/2006. A DRF/Aracaju emitiu Despacho Decisório eletrônico, onde não homologou a compensação, argumentando que o pagamento já havia sido integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a desejada compensação (fl. 10). Irresignada, a contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde alegou que foi excluída do Simples no anocalendário 2002, ficando obrigada a apurar os impostos pelo lucro presumido, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ entregue em 16/09/2003. Porém, como apresentara em 27/05/2003 a Declaração Simplificada DSPJ, "cancelada" em virtude da apresentação da DIPJ, houve erro nos sistemas da RFB ao continuar vinculando o DARF do crédito à declaração anterior. Ante o exposto, solicita a desvinculação do Simples pago, referente ao AC/2002, para que o PER/DCOMP acima mencionada seja homologada e suspenso o débito cobrado no referido despacho decisório, por ser improcedente. A DRJ de Salvador (BA) julgou improcedente a manifetação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 20/10/2006 COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903637/200908 Acórdão n.º 1802001.473 S1TE02 Fl. 38 3 Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 10/06/2011 (sextafeira), a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/07/2011, onde argumenta a existência de erros contábeis que não foram levados em conta pelo fiscal e ao fim requer a anulação do auto de infração. Este é o Relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903637/200908 Acórdão n.º 1802001.473 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é intempestivo, portanto dele não tomo conhecimento. Conforme podemos observar no AR acostado às fls. 33, a contribuinte tomou ciência do acórdão nº 1526.916, da 4ª Turma da DRJ/SDR, no dia 10 de junho de 2011, sexta feira. O Recurso Voluntário que chega a nossa apreciação foi protocolado no dia 14 de julho de 2011. Sendo de 30 (trinta) dias o prazo para a interposição do recurso voluntário, de acordo com o Decreto nº 70.235/72, art. 33, contados na forma do art. 5º do mesmo diploma legal, a contagem do prazo iniciouse no dia 13 de junho de 2011, tendo seu término ocorrido em 12 de julho de 2011. A entrega após essa data é considerada intempestiva, havendo portanto a preclusão do direito da contribuinte de se defender na esfera administrativa. “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx “Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903637/200908 Acórdão n.º 1802001.473 S1TE02 Fl. 40 5 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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