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Numero do processo: 10921.000331/2009-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/12/1998
OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS.
O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado.
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PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 03 31 /2 00 9- 58 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Recurso Voluntario visando modificar decisão de piso que manteve as multas aplicadas relativamente a ausência de apresentação de informações sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações executadas no prazo fixado pela Receita Federal. A recorrente sofreu duas penalidades por ter deixado de apresentar informações no prazo de sete dias decorrentes de dois fatos distintos, o que configuraria descumprimento do comando inserido no art. 37 da IN/SRF n. 28/1994. Assevera a Interessada de que esse prazo é de oito dias, prorrogado para o primeiro dia do expediente no Órgão Público, motivo pelo qual entende tratarse de punição indevida. A discussão gira em torno do prazo de apresentação das informações. Argui se que o prazo iniciase no dia seguinte ao embarque e prorrogado para o dia de expediente da repartição. Argumento rechaçado ao fundamento de que não se trata de prazo processual, e, assim sendo, nesse caso não se emprega o rito do Código Tributário Nacional, em razão de que, esses tipos de informações são prestadas por meio do SISCOMEX, independetemente de atividade no Órgão. Há preliminar de alegação de iligitimidade da Recorrente em razão de ser agente maritimo e não empresa de transporte internacional ou empresa de prestação de serviços de transporte internacional. Alegação essa afastada com a fundamentação de que na qualidade agente é o responsável pelo executor do transporte por empresa internacional. Em síntese a obrigação acessória de prestar informação pertinente ao embarque teria ocorrido após o sétimo dia , de acordo com o julgado. É o relatório. Voto Conselheiro Relator, Domingos de Sá Filho. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de validade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Inicialmente apreciase a preliminar e cabe rejeitala. O Agente Marítimo não é responsável tributário, conforme dispõe o art. 32 do Decretolei 37/66, matéria essa pacificada pela Súmula 192 do TRF. “Súmula 192 – O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do Decretolei n. 37, de 1966”. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10921.000331/200958 Acórdão n.º 3403001.840 S3C4T3 Fl. 6 3 No entanto, a legislação atribui ao agente marítimo a qualidade de responsável quando esse é o representante legal do transportador, armador internacional. É assim que disciplina a norma contida pela letra “b” do inciso II do art. 32 do Decretolei 37/66. Não há como desvincular o Agente Marítimo, nesses casos, do transportador situado no exterior, a relação é pessoal e direta com a situação que constitui a obrigação, desde que não seja contribuitiva. Quando a lei atribui determinado deveres de colaboração para com o Fisco, como é o caso deste caderno processual administrativo, de apresentar informação em relação a carga despachada, essa incumbência é exclusiva do representante no país. A representação é inegável, sendo assim, há relação estreita e direta, diante da legislação pertinente, o que torna inaceitável as escusas da Interessada, pois neste caso não se refere a responsabilidade tributária. Diz a legislação pertinente: Art. 32. É responsável pelo imposto: I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; o depositário, assim considerada qualquer pessoa incumbida da custódia de• mercadoria sob controle aduaneiro. Parágrafo único. Transportador responsável solidário: a) o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; b) o representante no país do transportador estranreiro.(grifei) De modo que, é descabida a preliminar e impõe desse forma rejeitala. Passase o exame do mérito. A contenda centra no modo pelo qual deve ser considerado a contagem do prazo para incluir ao SISCOMEX informações a respeito de embarque da mercadoria. Inst rução Normativa SRF n° 28/94. Art 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 07 (sete) dias, contados da data da realização do embarque”. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Parágrafo II – Na hipótese de embarqie marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo”. O parágrafo II ao fixar o prazo de sete dias remete ao caput do art. 37, que se refere ao modo pelo qual contase o prazo. A segunda parte do dispositivo menciona que deve ser contado da data da realização do embarque. O adjetivo “contado” nesse contexto implica em computado ou calculado. Assim, o legislador secundário quis incluir na contagem da apresentação das informações o dia do efetivo embarque das mercadorias, não há como interpretar diferente. Também não se vislumbra a aplicação da norma processual prevista no art. 210 do CTN, pois tratase especificamente de prazo previsto pelo próprio diploma legal norteador dos procedimentos perante a Receita Federal do Brasil. Importa dizer que as instruções que disciplinam prazos de recolhimentos de tributo, assim como, o de entrega de informações as repartições publicas, não integram os aspectos da hipóteses de incidência, portanto, estão fora da reserva legal. O entendimento pacificado é de que normas que especificam prazos de recolhimentos e apresentação de obrigação acessórias por não se incluir entre as matérias sujeitas à reserva legal do art. 97 do CTN, podem, sim, ser objeto de norma hierarquia inferior, entre essas encontram as Portarias e Instruções Normativas expedidas pelo sujeito ativo da obrigação tributária. De modo que, não há de se falar em ofensa ao disposto pelo art. 210 do CTN. A postergação do início e do final quando coincidem com sábados, domingos e feriados não se aplicam ao caso concreto, pois a norma disciplinadora deixou de fazer ressalva, impõe reconhecer tratarse de prazo contínuo. Verificase dos autos que o primeiro embarque ocorreu em 23 de fevereiro de 2005 e o segundo em 18 de março de 2005, sendo que, averbação das informações relativas ao embarque das mercadorias ocorreram em 03 de março de 2005 e 28 de março de 2005, respectivamente. Em sendo assim, considerando que o prazo inclui o dia do efetivo embarque, e, constatado que ambos os registros só foram inseridos no SISCOMEX nas datas suso menciodas, há de se concluir que ocorreu após o sétimo dia. Diante do exposto, conheço do recurso e negase provimento. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10921.000331/200958 Acórdão n.º 3403001.840 S3C4T3 Fl. 7 5 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10983.905043/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. Júlio César Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve Despacho Decisório eletrônico não homologando compensação constante de PER/DCOMP, cujo crédito tem origem, segundo a contribuinte, em retenções feitas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo o Despacho denegatório o DARF não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O processo retorna a este Colegiado após duas diligências: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 05 04 3/ 20 08 -8 6 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905043/200886 Resolução nº 3401000.605 S3C4T1 Fl. 137 2 a primeira determinou ao órgão de origem se pronunciar sobre a DCTF retificadora e a existência de pagamento a maior ou não, quando a DRF de Florianópolis entendeu não caber qualquer revisão no Despacho Decisório que não reconheceu o crédito e, além do mais, afirmou que o recurso voluntário não devia ser conhecido porque firmado por pessoa sem poderes de representação para tanto; a segunda visou sanar a falha na representação e intimar a contribuinte a se pronunciar sobre o entendimento da DRF FlorianópolisSC, exposto na primeira diligência. Intimado por ocasião da segunda diligência, a contribuinte insiste na compensação, referindose a outros dois processos semelhantes a este – os de nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872 – e afirmando que as telas SIAFI demonstram a retenção pelos órgãos públicos. Requer a reforma do acórdão recorrido ou, então, nova diligência para que se proceda à juntada dos “Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS”, expedidos pelos órgãos públicos pagadores, que são espelhos das telas SIAFI, tal como adotado nos dois processos acima referidos, nos quais o valor compensado decorrente das retenções foi confirmado pela DRF. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator Diante da insuficiência das diligências realizadas até agora, e por ter sido regularizada a representação processual, carece realizar uma nova, desta feita para que a unidade de origem adote procedimentos semelhantes aos realizados nos processos nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872, investigando a fundo a existência de pagamento a maior ou não. Para tanto, deve buscar junto ao SIAFI os dados das retenções e, se necessário, solicitar à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS fornecidos por órgãos públicos (incluindo autarquias e fundações da administração pública federal) a pessoas jurídicas fornecedoras de bens ou prestadoras de serviços, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/96. A Recorrente possui inúmeros processos semelhantes ao presente, sendo em que alguns foram comprovadas, ao menos em parte, as retenções alegadas. Diante dessas comprovações, reforçase a necessidade de nova investigação. Pelo exposto, voto por converter o presente julgamento em nova diligência para que a unidade de origem, primeiro, verifique as retenções alegadas, seja por meio do sistema SIAFI, seja obtendo junto à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, e segundo, emita parecer conclusivo sobre a compensação, respondendo: a) se restaram comprovadas tais retenções, discriminando os seus valores em caso positivo, e b) se houve ou não compensação com os montantes devidos, elaborando demonstrativo com os valores retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.905043/200886 Resolução nº 3401000.605 S3C4T1 Fl. 138 3 Do parecer deve ser dada ciência à contribuinte, abrindoselhe o prazo de trinta dias para, querendo, se manifestar sobre o resultado desta nova diligência. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 138DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 11444.000330/2008-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1997 a 31/10/1997
AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IDENTIDADE DE OBJETOS E DISCUSSÕES. RENÚNCIA CONFIGURADA. SÚMULA CARF. N. 01. No caso da existência de processo judicial no qual a discussão ali travada e os pedidos seja idênticos ao constante nos autos do processo administrativo, sobre eles opera-se a renúncia à esfera administrativa, em homenagem a decisão final a ser proferida pelo Poder Judiciário.
ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo em vista que o v. acórdão de primeira instância manifestou-se sobre todos os pontos de defesa formulados, bem como formulou juízo de valor sobre a documentação juntada aos autos, o mero inconformismo com as suas conclusões não pode gerar a sua nulidade.
LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. De acordo com mansa e pacífica jurisprudência administrativa e judicial sobre o assunto, é permitido à Fazenda Nacional levar a efeito o lançamento para fins de prevenir-se quanto aos efeitos da decadência, ficando a cobrança do crédito tributária suspensa enquanto perdurarem os efeitos da suspensão.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não cabe ao CARF a análise de constitucionalidade da legislação tributária.
PERÍCIA. DESNECESSIDADE. O pedido formulado para realização de perícia ou diligência deve ser afastado quando não se caracterizar como medida necessária ao deslinde da lide administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Igor Araujo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IDENTIDADE DE OBJETOS E DISCUSSÕES. RENÚNCIA CONFIGURADA. SÚMULA CARF. N. 01. No caso da existência de processo judicial no qual a discussão ali travada e os pedidos seja idênticos ao constante nos autos do processo administrativo, sobre eles operase a renúncia à esfera administrativa, em homenagem a decisão final a ser proferida pelo Poder Judiciário. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo em vista que o v. acórdão de primeira instância manifestouse sobre todos os pontos de defesa formulados, bem como formulou juízo de valor sobre a documentação juntada aos autos, o mero inconformismo com as suas conclusões não pode gerar a sua nulidade. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. De acordo com mansa e pacífica jurisprudência administrativa e judicial sobre o assunto, é permitido à Fazenda Nacional levar a efeito o lançamento para fins de prevenirse quanto aos efeitos da decadência, ficando a cobrança do crédito tributária suspensa enquanto perdurarem os efeitos da suspensão. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não cabe ao CARF a análise de constitucionalidade da legislação tributária. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. O pedido formulado para realização de perícia ou diligência deve ser afastado quando não se caracterizar como medida necessária ao deslinde da lide administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 03 30 /2 00 8- 68 Fl. 5740DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. Julio César Vieira Gomes Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Igor Araujo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 5741DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000330/200868 Acórdão n.º 2402002.770 S2C4T2 Fl. 5.741 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ASSOCIAÇÃO DE ENSINO DE MARÍLIA S/C LTDA em face do acórdão fls. 1.024/1.035 que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 35.100.9523 lavrado para a cobrança de contribuições parte empresa, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Terceiros (Salário Educação, INCRA. SENAI. SESI e SEBRAE). Os fatos geradores das contribuições foram os seguintes: a) Os valores dos salários pagos a empregados constantes das Folhas e Recibos de Pagamento, das Rescisões de Contrato de Trabalho e dos Recibos de Férias, discriminados no Discriminativo Analítico de Débito e Relatórios de Fatos Geradores dos Levantamentos FPO e FPG, b) As remunerações pagas a pessoas físicas, na qualidade de empregados sem registros formalizados, constantes dos Recibos de Prestação de Serviço, cujos nomes, serviços executados''3 valores encontramse discriminados no Discriminativo Analítico de Débito, Relatórios de Fatos Geradores dos Levantamentos PSE e EMPe no Relatório de Prestadores de Serviços Pessoas Físicas. c) Os valores pagos a trabalhadores autônomos, constantes dos recibos de prestação de serviço, cujos nomes, serviços executados e valores encontram se demonstrados no Discriminativo Analítico de Débito, Relatório de Fatos Geradores do Levantamento AUT e nas Relações de Trabalhadores Autônomos e de Fretes e Carretos. Ademais, quanto ao lançamento PSE e EMP, assim esclareceu o fiscal autuante: Com a finalidade de atender a seus objetivos, a empresa utilizou os serviços de vários trabalhadores, conforme relacionados no RELATÓRIO DE PRESTADORES DE SERVIÇO PESSOA FÍSICA, anexo ao presente. Os serviços foram executados em diversas áreas de suas atividades, de acordo com suas necessidades, tais como: aulas em diversos cursos, palestras, serviços médicos, assessoria nas áreas de ensino e saúde e vários outros serviços caracterizados como essenciais à atividade fim da empresa, razão pela qual terem sido considerados como empregados para o cálculo das contribuições previdenciárias Consta do relatório fiscal que a recorrente teve cancelada sua isenção às contribuições aqui constituídas através do Ato Cancelatório n° 003/99 com efeitos retroativos a agosto de 1991. emitido pela Delegacia jurisdicionante. Fl. 5742DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Diante disso, a recorrente ingressou com Mandado de Segurança perante a 2a Vara da Justiça Federal em Marília autos n° 1999.61.11.0086505 obtendo a liminar "para o fim de suspender os efeitos do ATO CANCELATÓRIO n° 003/99 (...)', de maneira que se constituiu o presente lançamento fiscal para registrar as contribuições devidas restando o processo administrativo sobrestado até o julgamento final do referido mandado. Cientificada do feito, a recorrente apresentou oficio por meio de representante legalmente constituído no qual afirmou considerar sobrestado o procedimento em face do MS 1999.61.110086502 e protestou pelo oferecimento de defesa oportunamente, se fosse o caso. Posteriormente, o processo foi encaminhado à Procuradoria Federal Especializada para sobrestamento e acompanhamento do deslinde da ação judicial. Na seqüência, em 29/08/2003 foi proferida sentença no MS ajuizado julgando improcedente o pedido e revogando a liminar anteriormente concedida, de sorte que a Procuradoria Federal Especializada retornou as Notificações Fiscais sobrestadas à Delegacia de origem para dar continuidade ao procedimento administrativo, renovação da notificação original e reabertura do prazo para impugnar. Novamente notificada, a recorrente apresentou requerimento no qual informou a concessão de nova liminar, agora na Medida Cautelar n° 2003.03.00.0634309 suspendendo novamente os efeitos do Ato Cancelatório combatido "... até o julgamento do recurso de apelação interposto na ação de origem ", motivo pelo qual fez com que retornassem os autos à Procuradoria Federal para acompanhamento processual. O contribuinte protocolou requerimentos em 12/05/2009 no sentido de que as multas aplicadas às exigências tributárias sejam revistas nos termos do art. 24 da MP 449/08. bem como pela aplicação da Súmula Vinculante n° 8.O que fez gerar Despacho Decisório da Delegacia de origem de n° 253/2009 que decidiu pela aplicação da referida Súmula, retificando a Notificação Fiscal pela exclusão das competências decaídas englobadas no período de 08/1991 a 05/1995, aplicandose ao caso o contido no § 4o do art. 150 do Código Tributário Nacional, emitindose o respectivo anexo Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR, cientificando o sujeito passivo daquela decisão. Em sessão realizada em 07/05/2009 a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3a Região deu parcial provimento à apelação da Impetrante apenas para reconhecer lhe o direito de não se sujeitar aos lançamentos fulminados pela decadência. A recorrente recorreu do acórdão por meio de Embargos de Declaração, os quais foram rejeitados, sendo que em 26/01/2010 a Impetrante apresentou Recurso Especial e Recurso Extraordinário, juntados em 12/02/2010 e recebidos para processamento, situação em que se encontram. O período de apuração compreende a competência 08/91 a 13/98, tendo sido o contribuinte cientificado em 12/06/2000 (fls. 89) Em seu recurso, a recorrente aduziu ser o acórdão de primeira instância nulo de pleno direito, tendo em vista que não foram observados: a integralidade dos argumentos apresentados pela defesa, os pedidos formulados (registrados ao final da impugnação/defesa), e o pedido de diligência formulado e motivado nos termos do art. 17, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, com a finalidade de exaurimento das nulidades apontadas no procedimento fiscal (NFLD), que impediriam seu seguimento. Fl. 5743DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000330/200868 Acórdão n.º 2402002.770 S2C4T2 Fl. 5.742 5 Questionou sobre a Isonomia Constitucional, e acusou o agente fiscalizador de não ter obedecido a legislação vigente, por ter iniciado a fiscalização pelo TIAF e não ter entregue para a Recorrente o resultado obtido juntamente com o TEAF, a saber o prazo para a defesa (artigo 5º , LV, da Constituição Federal de 1988). Mesmo assim, utilizou os dados para cancelar a isenção da recorrente e confeccionar essa NFLD. Aduziu que esta NFLD foi lavrada para respeitar o Princípio da Unicidade Jurisdicional, que no presente caso não se convalidou, posto que o que se discute no MS 1999.61.11.0086505, hoje em trânsito perante o Egrégio Tribunal Federal da 3a Região, é o pedido de nulidade do Ato Cancelatório n° 003/99 e a suspensão da fiscalização do INSS, sendo o último superado pela confecção desta NFLD, conforme requerido pelo próprio Ente Fiscal. Alegou a inexistência de vários documentos nos autos da presente NFLD mencionados no relatório fiscal que serviram de base para o lançamento, o que acarretaria cerceamento ao seu direito de defesa, citando doutrinas e julgados administrativos no sentido de que tais omissões tornariam nulo o feito, além de avocar pela aplicabilidade do Decreto n° 70.235/72 no mesmo sentido. Em outra linha argumentativa mas sob a mesma alegação de cerceamento de defesa a nulificar o procedimento, argui a falta de ciência sobre o resultado da fiscalização que originou o Ato Cancelatório n° 03/99 e determinou a perda da isenção das contribuições aqui lançadas, elaborando questões que pretende ver respondidas, tais como a data do encerramento daquela fiscalização, a data em que foi protocolado os relatórios na sede da Associação com o resultado da fiscalização, quem as teria assinado e qual prazo teria lhe sido deferido para apresentação de recurso. A recorrente alega que o Ato de Cancelamento da Isenção foi emanado por agente incompetente, fato que o macula de nulidade; discute os dispositivos trazidos à baila do ordenamento jurídico pela Lei n° 9.732/98 que deu nova redação ao art. 55 da Lei n° 8.212/91. inquinandoos de inconstitucionalidade e ilegalidade, menciona a existência de liminar obtida no bojo da ADI n° 2028 que suspende a eficácia do art. Io da Lei n° 9.732/98 e tece considerações acerca do princípio constitucional da legalidade; Aduziu ser o efeito retroativo dado ao Ato Cancelatório n° 03/99 algo que ferisse o art. 5º. XXXVI da Constituição Federal/88 bem como o próprio Decreto n° 3.048/99. Igualmente no tocante à segurança jurídica, já que o INSS recebeu e aprovou todos os relatórios de atividades protocolados pela recorrente e que deu ensejo a renovação dos certificados de filantropia nos períodos anteriores, o que igualmente enseja sua nulidade; Afirmou que o INSS valeuse de prova emprestada – auto de infração da Delegacia da Receita Federal – para emissão daquele Ato. A recorrente alega não ter sido dada oportunidade para impugnar o resultado da fiscalização e reafirma a filantropia da recorrente convalidada por atos do FNSS e do CNAS, conforme histórico das certificações obtidas que relata; Ressaltou que já havia requerido o cancelamento dos certificados que ostentava (filantropia e utilidade pública federal, estadual e municipal), passando a recolher todos os impostos devidos em razão da nova natureza jurídica que passou a ostentar (finalidade lucrativa), o que afasta ainda mais a pretensão do INSS de tributar a Recorrente. O INSS havia protocolado os pedidos, por isso temse que é nulo o objeto desta NFLD. Fl. 5744DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Citou trechos do relatório fiscal que culminou com o cancelamento da isenção para concluir que há reconhecimento por parte do próprio órgão à sua condição de isenta e transcreveu a Resolução do CNAS n° 162/1999 para afirmar que o cancelamento não poderia retroagir ao período de dez anos, conforme o Ato Cancelatório atacado e reafirmou sua condição de imune frente ao comando trazido pela Constituição Federal de 1988; Transcreveu parte das conclusões do perito oficial nos autos da ação civil pública intentada contra a Recorrente processo n° 1998.34.00.0212700 – concluindo que não havia provas que poderiam sustentar a pretensão do INSS quando emitiu o AC n° 03/99; Apontou irregularidade da cobrança de multa e juros quando da confecção da NFLD, posto que entendeu que apenas após o transito em julgado do processo n° 2000.61.11.0043810 e sua efetiva notificação para retificação da GFIP poderia se falar em sua aplicação. Durante a mantença da filantropia e isenção que trata o artigo 55, da lei 8.212/1991, todos os Relatórios de Atividades foram recebidos e autorizados pelo INSS, razão pela qual entendemos que esta NFLD não merece prosperar, posto que caso esta NFLD for julgada procedente, a recorrente será tributada como empresa não filantrópica e sem qualquer isenção. Desrespeitando assim, a isonomia tributária prevista na legislação vigente (Artigo 150, II, da Constituição Federal de 1988). Por fim, requereu, sinteticamente que a) o julgamento proferido pela DRJ/POR seja anulado pelos motivos expostos neste recurso; b) no mérito, todas as argumentações registradas, sejam acatadas com o reconhecimento da nulidade desta NFLD, ou o seu julgamento improcedente; Caso não seja esse o entendimento desse r. Conselho de Contribuintes, requereu seja afastada a pretensão do INSS que tenta exigir tributos de período em que a recorrente ostentava o título de filantropia e gozava da isenção que trata o artigo 55 da Lei 8.212/1991, desrespeitando todos os dispositivos constitucionais e infraconstitucionais indicados; Que seja reconhecida/ratificada que os efeitos do cancelamento do Certificado de Fins Filantrópicos da Associação de Ensino de Marília, somente produziram efeito ex nunc, em respeito à segurança jurídica, recepcionado pelo artigo 5o , inciso XXXVI, da Constituição Federal de 1988. Requer, ainda, seja desconstituído o lançamento que compõe a guerreada NFLD, determinandose o arquivamento, julgandoa totalmente improcedente, ante a inexistência de provas, fundamentação legal e fato gerador para a cobrança exigida. Protesta pelo deferimento da diligência requerida, nos termos do artigo 17, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972. Sejam respondidas as perguntas: “ Quando foi encerrada a fiscalização iniciada em 23.07.97 as 15:15 horas, mediante instauração de Termo de Inicio da Ação Fiscal, recebida por José Antônio da Silva? Fl. 5745DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000330/200868 Acórdão n.º 2402002.770 S2C4T2 Fl. 5.743 7 Quando foi encerrada a fiscalização iniciada em 09.10.97 as 14:30 horas, mediante instauração de Termo de Início da Ação Fiscal TIAF, recebida por Emivaldo Alberto? A data em que foi protocolado ambos os relatórios (resultado final das fiscalizações) na sede da Associação de Ensino de Marília? Quem assinou os protocolos contendo o resultado de ambas as fiscalizações? Qual prazo foi deferido, em ambas as fiscalizações, para apresentação de recurso?” Protesta ad cautelam pela adequação dos acréscimos, excluindose a Taxa SELIC e aplicando a multa mais benéfica de acordo com o CTN, caso seja mantida esta NFLD; Caso seja mantida esta NFLD, que os valores gastos com filantropia, no importe de R$248.882.301,29 (Duzentos e Quarenta e Oito Milhões, Oitocentos e Oitenta e Dois Mil, Trezentos e Um Reais e Vinte e Nove Centavos), sejam deduzidos da exigência fiscal, visto que convalidados pelo INSS e CNAS .Quando do recebimento e aprovação de todos Relatórios de Atividades, que durante o período desta NFLD sustentaram a emissão do Certificado de Filantropia desta recorrente. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eng. Conselho. É o relatório. Fl. 5746DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Todavia, não em sua integralidade. Da análise dos argumentos constantes no recurso voluntário, tenho que, em decorrência da supremacia da qual se reveste a decisão judicial, nos casos em que se discute ação judicial com matéria idêntica aquela questionada em âmbito administrativo, operase a renúncia ao campo do contencioso administrativo, tendo em vista que, pelo princípio da unidade jurisdicional.Vejase, a propósito, o quanto disposto na legislação Previdenciária. verbis: Lei n° 8.213/91; Ari. 12ó.(...) § 3a A propositara, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que teu lia por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. " {Parágrafo acrescentado pela Lei n" 9.711, de 20.11.9Sj Decreto n° 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social): Ari. 307. A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Portaria RFB n" 10.875/2007 (disciplina o processo adminsitrativo fiscal relativos às contribuições previdenciárias e sociais): Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia ás instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Parágrafo único. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Por outro lado, a existência de matéria diferenciada determina a competência deste Órgão julgador para apreciála e apenas para esses pontos deve seguir o contencioso administrativo, motivo este que fez com que os autos do presente processo subissem até este Eg. Conselho. Fl. 5747DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000330/200868 Acórdão n.º 2402002.770 S2C4T2 Fl. 5.744 9 Por tais razões, compartilho do entendimento esposado no v. acórdão de primeira instância, no sentido de que todas as alegações acerca do direito da recorrente à isenção das contribuições previdenciárias objeto do presente lançamento, ausência de finalização das fiscalizações que embasaram a cassação de sua isenção, existência de documentação que comprova o cumprimento dos requisitos do art. 55, da Lei 8.212/91, que o agente fiscal que emitiu o Ato Declaratório era incompetente, remetemse ao MS n° 1999.61.110086502, através do qual a contribuinte discute a nulidade do Ato n° 03/99. Logo, deixarão de ser apreciadas por este Relator todas as razões alegadas pelo contribuinte atinentes àquele procedimento, uma vez que coube ao Judiciário decidir a questão, operandose neste tópico o pressuposto da renúncia à via administrativa. Ademais, não enseja o cerceamento de defesa do contribuinte o fato de que documentos que foram analisados para a expedição do Ato Cancelatório não tenham sido carreados ao presente lançamento. O presente lançamento, em verdade, como pontuado até pelo próprio recorrente visa prevenir a Fazenda Nacional dos efeitos da decadência, em decorrência da expedição do Ato Cancelatório. Não cabe neste assentada, pois, que este Conselho venha a analisar se a recorrente cumpriu ou não os requisitos constantes no art. 55 da Lei 8.212/91. Tal providência é máxime do processo de cancelamento de sua isenção. É ali que deve ser demonstrado o cumprimento de tais requisitos. Feito isso e revogado o Ato Cancelatório, certamente não há de prosperar a presente autuação. Logo, toda a documentação que diz a recorrente ter sido carreada aos autos do presente processo, em verdade deve ser objeto de discussão no processo relativo ao Ato Cancelatório, que agora está na justiça. Não obstante, como já ponderado pelo v. acórdão recorrido, a recorrente nem mesmo cita quais sejam os documentos que considera essenciais a juntada. O entendimento acima apontado, tem fundamento na Súmula CARF n. 01, a seguir: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No mais, quanto as alegações de que os arts. 4o, I e 7o da Lei 9.732/98 são irremediavelmente ilegais e inconstitucionais. pois atropelam o art. 14 do CTN e fazem tábua rasa do art. 195, § 7° da CF/88, tenho que nenhuma delas pode ser analisada por este Eg. Conselho, em respeito competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Fl. 5748DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 A imunidade preconizada pelo art. 150, VI, c, não pode ser reconhecida por analogia à recorrente, quando se fala em contribuições previdenciárias. A uma porque naquele dispositivos são tratados os impostos e, por outro lado, na seara previdenciária, a isenção de contribuições decorre de outra norma constitucional, no caso, o art. 195, § 7o da CF, a seguir. Logo, anda resta a prover sobre este ínterim. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Ante todo o exposto voto no sentido de conhecer parcialmente do recurso e na parte conhecida, em NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 5749DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10480.905176/2010-38
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-001.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator EDITADO EM: 31/10/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 51 76 /2 01 0- 38 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e José Fernandes do Nascimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Solon Sehn. Relatório Este processo decorre da não homologação de compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP (retificadora), uma vez que, para a quitação do débito apontado pela suplicante, não foi confirmado o direito creditório por esta alegado, relativamente à COFINS de agosto de 2003, no valor de R$ 379,63. Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade onde alegou que o direito creditório estaria demonstrado na DACON retificadora do período e que, por limitação técnica da Receita Federal, não procedera à correspondente retificação da DCTF. Tais argumentos, todavia, não foram acolhidos pela 2a Turma da DRJ Recife, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, fundamentada, basicamente, na não comprovação do direito creditório alegado (vide fls. 62/68). A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 27/02/2012 (fls. 71). Inconformada, a autuada apresentou, em 21/03/2012, o recurso voluntário de fls. 74/77, onde alega que a receita apontada como “outras receitas” na DIPJ do anocalendário de 2004, trata se exclusivamente de receita financeira, não tendo o contribuinte, no período, nada faturado a título de resultado de sua atividade de prestação de serviços. Ressalta, ainda, que a análise da ficha 06A da DIPJ (que alega anexar) seria suficiente para se chegar à conclusão de que nada recebera pela prestação de serviços (linha 08), portanto, o faturamento e a receita bruta do período corresponderiam a zero. Por sua vez, a receita financeira, indicada na linha 24 da DIPJ, não entraria na composição da Receita Bruta. Defende que a Lei no 11.941/09, ao revogar expressamente o § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/98, mudou o conceito anterior de receita bruta, deixando claro que esta corresponde ao faturamento. Assim, a receita financeira, mera compensação parcial do capital de giro no tempo, não poderia ser confundida com a “receita do faturamento”, a qual decorre principalmente das vendas e revendas de mercadorias e da prestação de serviços. Por todo o exposto, requer seja provido integralmente seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para a sua aceitação. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10480.905176/201038 Acórdão n.º 3802001.353 S3TE02 Fl. 81 3 A discussão diz respeito à existência ou não de direito creditório decorrente de alegado pagamento indevido da COFINS de competência de agosto de 2003 (regime cumulativo). É verdade que a Lei no 11.941, de 27/05/2009, em seu artigo 79, inciso XII, revogou expressamente o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, que ampliara a base de cálculo do PIS e da COFINS. Este dispositivo, contudo, já fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ao entender que o alargamento do conceito de faturamento prescrito pela norma em evidência estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. O alcance desse entendimento, em relação à COFINS regida pelo regime da nãocumulatividade, prevaleceu até a edição da Medida Provisória no 135, de 20/10/2003, posteriormente convertida na Lei no 10.833, de 29/12/2003, que trouxe nova ampliação da base de cálculo da contribuição, agora, sem o vício da inconstitucionalidade, dada a edição da EC no 20, de 15/12/1998. A ampliação da base de cálculo para as empresas submetidas ao novo regime edificado pela norma em evidência – da nãocumulatividade – passou a viger a partir de 1o de fevereiro de 2004. Portanto, referida ampliação da base de cálculo da COFINS, nos termos acima observados, não alcança o período cujo direito creditório é reclamado pela empresa (agosto de 2003). Consequentemente, considerando a natureza jurídica da reclamante – empresa de natureza comercial –, para o mês de agosto de 2003, a exigência da contribuição sobre receitas outras além das originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, em tese, não é legítima. Abstraindose dessa questão, temse, contudo, que a recorrente não comprova o crédito tributário reclamado. A título comprobatório do direito, esta alega anexar a ficha 06A da DIPJ, a qual, segundo defende, seria suficiente para demonstrar que a base de cálculo da contribuição teria sido composta unicamente por receitas financeiras não integrantes da citada base de cálculo. Tal documento, contudo, não foi acostado aos autos e, ainda que o fosse, o mesmo, por si só, não seria suficiente para demonstrar o alegado equívoco e o consequente direito creditório que a suplicante alega fazer jus. Com efeito, a interessada não juntou ao processo nenhuma documentação contábil ou fiscal capaz de confirmar o direito reclamado. Constam dos autos unicamente as DACON original e retificadora, bem como a ficha 26A da DIPJ do período, documentos que são insuficientes para a comprovação do direito. Para tanto, deveria a suplicante, por exemplo, ter apresentado o Livro Razão acompanhado do Livro Diário com os lançamentos que alicerçassem as correções aduzidas como legítimas. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 23 de outubro de 2012. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2012 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 10665.001098/2005-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. CABIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado, correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
Numero da decisão: 3201-001.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 02/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Gudiño.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 02/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice-presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sergio Celani e Daniel Mariz Gudiño.
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score : 1.0
Numero do processo: 10120.903730/2009-06
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
PRESSUPOSTO PROCESSUAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso voluntário apresentado fora do prazo legal não atende a pressuposto de admissibilidade, não podendo ser conhecido.
Numero da decisão: 3803-003.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 PRESSUPOSTO PROCESSUAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário apresentado fora do prazo legal não atende a pressuposto de admissibilidade, não podendo ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário apresentado fora do prazo legal não atende a pressuposto de admissibilidade, não podendo ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 0347.652, da DRJ/Brasília, de 29 de março de 2012, fls. 47/50 do processo digitalizado, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 37 30 /2 00 9- 06 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Os autos são processados a partir da análise da Declaração de Compensação eletrônica nº 09832.68733.150705.1.3.047087, transmitida eletronicamente em 15/07/2005, utilizando crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade SocialCofins. Foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 5, por meio do qual a compensação não foi homologada, por inexistência de crédito, visto que o DARF indicado teve seu pagamento utilizado integralmente. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 1 a 4, a Interessada alegou que: a) inadvertidamente, cometera erro de fato no preenchimento da DCTF do período, não retificada oportunamente; mas que transmitira Dacon retificador que demonstraria o efetivo valor da Cofins devida no período; b) está amparada no princípio da verdade material, tendo requerido, em consequência, a reforma do despacho decisório, a fim de que a compensação declarada fosse integralmente homologada. Em julgamento da lide, a DRJ/Brasília: a) consignou os fundamentos da extinção do crédito tributário por meio de compensação, deles extraindo a necessidade de comprovação, pelo contribuinte, da liquidez e certeza do crédito utilizado; b) pontuou que essa comprovação, no âmbito da lide, há de ser feita com documentos que respaldem as afirmações e há de acompanhar a manifestação de inconformidade, em face do disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, sob pena de preclusão; c) anotou que a simples entrega do Dacon retificador, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua Declaração de Compensação; d) no caso em análise, não foi demonstrada pela Interessada a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme previsto no art. 923 do RIR/99, por intermédio da escrituração contábilfiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, sendo da Contribuinte o ônus da prova, conforme dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333. e) considerou que, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, não há reparo a ser feito na decisão dada pela autoridade administrativa. A decisão restou ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADOR. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10120.903730/200906 Acórdão n.º 3803003.613 S3TE03 Fl. 80 3 Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de demonstrativo retificador, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Cientificada da decisão em 21 de maio de 2012, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 21 de junho de 2012, em que reitera o exato argumento trazido na manifestação de inconformidade, e pleiteia a realização de diligência para o fim de averiguação da escrituração contábilfiscal. É o relatório. Voto Fl. 81DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN 4 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator Conforme relatado a empresa foi cientificada da decisão em 21 de maio de 2012, quartafeira, e apresentou o recurso voluntário em 21 de junho de 2012. Não há, no recurso, preliminar de tempestividade, nem consta a existência de feriado(s), nesse interregno, de que resulte a extensão da contagem do prazo para a sua apresentação na data do recebimento. Portanto, o recurso é intempestivo, deixando de atender a requisito para sua admissibilidade. Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 24 de outubro 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 82DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10120.903730/200906 Acórdão n.º 3803003.613 S3TE03 Fl. 81 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10120.903730/200906 Interessada: HOSPFAR IND E COM DE PRODUTOS HOSPITALARES LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.613, de 24 de outubro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 24 de outubro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10680.724298/2010-79
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS - CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO - INOCORRÊNCIA
Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). A multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Elas configuram penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em concomitância de multas. A multa normal de 75% pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-001.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro relator Gustavo Junqueira Carneiro Leão e os Conselheiros Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Redator.designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS - CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO - INOCORRÊNCIA Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). A multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Elas configuram penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em concomitância de multas. A multa normal de 75% pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro relator Gustavo Junqueira Carneiro Leão e os Conselheiros Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa - Redator.designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2495; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.724298/201079 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802001.396 – 2ª Turma Especial Sessão de 03 de outubro de 2012 Matéria MULTA ISOLADA Recorrente CORVAL CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO INOCORRÊNCIA Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). A multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Elas configuram penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em concomitância de multas. A multa normal de 75% pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro relator Gustavo Junqueira Carneiro Leão e os Conselheiros Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 42 98 /2 01 0- 79 Fl. 385DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.724298/201079 Acórdão n.º 1802001.396 S1TE02 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Redator.designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.724298/201079 Acórdão n.º 1802001.396 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação da contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Contra a Recorrente foi lavrado o Auto de Infração (fls. 04/07), que exige o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 746.953,21, cumulado com multa de ofício no percentual de 75%, multa isolada no percentual de 50% e juros de mora. Foram também formalizados os Autos de Infração a título da Contribuição social sobre o Lucro Líquido (CSLL), exigindo o valor principal de R$ 216.306,98, cumulada com multa de ofício no percentual de 75%; multa isolada no percentual de 50% e juros de mora. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: “IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ. 001 GANHOS E PERDAS DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE AÇÕES, TÍTULOS E/OU COTAS DE CAPITAL Durante o procedimento de fiscalização, constatamos que o contribuinte deixou de incluir na base de cálculo do IRPJ e da CSLL do mês de agosto de 2007 o ganho de capital apurado quando da devolução de capital efetuado pela Bovespa, associação civil da qual detinha um titulo patrimonial. Assim sendo, efetuamos o presente lançamento para constituir o crédito tributário, tudo conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 21/32, que é parte integrante e indissociável de auto de infração. (...) 002 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Durante o procedimento de fiscalização, constatamos que o contribuinte deixou de incluir na base de cálculo do IRPJ de agosto de 2007 o ganho de capital apurado quando da devolução de capital efetuado pela Bovespa, associação civil da qual detinha um título patrimonial. Assim sendo, efetuamos o presente lançamento da multa isolada pela falta de recolhimento da estimativa, tudo conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 21/32, que é parte integrante e indissociável de auto de infração. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.724298/201079 Acórdão n.º 1802001.396 S1TE02 Fl. 5 4 (...) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL. 001 CSLL (FINANCEIRAS} CSLL Durante o procedimento de fiscalização, constatamos que o contribuinte deixou de incluir na base de cálculo do IRPJ e da CSLL do mês de agosto de 2007 o ganho de capital apurado quando da devolução de capital efetuado pela Bovespa, associação civil da qual detinha um título patrimonial. Assim sendo, efetuamos o presente lançamento para constituir o crédito tributário, tudo conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 21/32, que é parte integrante e indissociável de auto de infração. (...) MULTA ISOLADA – CSLL. 001 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA Durante o procedimento de fiscalização, constatamos que o contribuinte deixou de incluir na base de cálculo da CSLL de agosto de 2007 o ganho de capital apurado quando da devolução de capital efetuado pela Bovespa, associação civil da qual detinha um título patrimonial. Assim sendo, efetuamos o presente lançamento da multa isolada pelo falta de recolhimento da estimativa, tudo conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 21/32, que é parte integrante e indissociável de auto de infração”. A fiscalização, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 22/33), fez a seguinte abordagem: “1 – DO OBJETIVO DA AÇÃO FISCAL O objetivo do procedimento fiscal levado a efeito no sujeito passivo foi única e exclusivamente a verificação do cumprimento das obrigações tributárias decorrentes do processo conhecido como "desmutualização" das Bolsas de Valores de São Paulo (Bovespa) e de Mercadorias e Futuros (BM&F) ocorrido em 2007 e do processo de fusão ocorrido em 2008 das empresas resultantes daquelas associações. (...) 7 – APURAÇÃO DOS REFLEXOS TRIBUTÁRIOS 7.1 – Lançamento do IRPJ e CSLL Fl. 388DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.724298/201079 Acórdão n.º 1802001.396 S1TE02 Fl. 6 5 Como visto no tópico 6.2, a fiscalizada recebeu direitos referentes à devolução de capital no processo de desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa, em 28/08/2007, associação sem fins lucrativos, direitos esses decorrentes de títulos patrimoniais, recebidos na forma de ações da Bovespa Holding S/A, entidade com fins lucrativos. Conforme legislação de regência, o ganho de capital relativo à diferença entre o valor recebido e o valor entregue originalmente para a formação do patrimônio da referida associação civil se sujeita à incidência de tributação do IRPJ e CSLL, nos termos do artigo 17 da Lei n° 9.532/97 e, conforme entendimento da Receita Federal expressado nas Soluções de Consulta COSIT n° 10/2007 e SRRF08/Disit n° 520/2007. Considerando que nessa devolução de patrimônio a fiscalizada obteve ganho de capital no valor de R$ 1.168.803,71 e que não efetuou a tributação desse ganho de capital, efetuamos o cálculo do IRPJ e da CSLL conforme abaixo demonstrado e, lavramos os autos de infração, para constituir de ofício os valores das diferenças de IRPJ e da CSLL apurados, efetuados com incidência de multa de oficio determinada pelo art. 44 da Lei n° 9.430/96 (art. 957,1 do RIR/99). (...) 7.2 – Multa Isolada, Falta de Recolhimento de Estimativas Mensais IRPJ e CSLL Tendo em vista que o valor de R$ 1.168.803,71 referente ao ganho de capital decorrente da devolução de patrimônio da Bovespa não foi incluído na apuração da estimativa devida do mês de agosto de 2007, quando ocorreu a desmutualização, tornase cabível a multa isolada de 50% prevista no artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Diante disso, efetuamos o lançamento de ofício para cobrança da multa isolada por falta de recolhimentos de IRPJ e CSLL devidos por estimativa, apurados com base na receita bruta e acréscimos, durante o anocalendário de 2007, conforme demonstrado abaixo: (...) 7 CONCLUSÃO Tendo constatado que o contribuinte deixou de incluir na apuração do IRPJ e da CSLL o valor do ganho de capital na devolução de patrimônio decorrente do "processo de desmutualização” da Bovespa e que em função dessa não inclusão, ocorreu a falta de recolhimento/declaração em DCTF do IRPJ e da CSLL sobre estes valores, efetuamos o cálculo do IRPJ e da CSLL não recolhidos e lavramos os respectivos autos Fl. 389DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.724298/201079 Acórdão n.º 1802001.396 S1TE02 Fl. 7 6 de infração, inclusive da multa pelo não recolhimento das estimativas, conforme legislação de regência, efetuados com incidência de multa de ofício determinada pelo art. 44 da Lei n° 9.430/96 (art. 957,1 do RIR/99)”. Tendo sido dele cientificado, em 16/11/2010, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 15/12/2010 (fls. 264/273). Alegou a inexistência de fundamento legal para a cobrança de multa isolada em concomitância com a multa de ofício decorrente da mesma infração, sob pena de aplicação de penalidade em duplicidade. De resto concordou com a autoridade fiscal, recolhendo aos cofres da União os valores principais dos créditos tributários de IRPJ e CSLL apurados pela fiscalização, acrescidos dos juros de mora e da multa de ofício proporcional de 75%, (com a redução de 50% por ter sido recolhida no prazo da impugnação). A DRJ de Belo Horizonte (MG), por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 Matéria não litigiosa. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 Multa Proporcional e Exigida Isoladamente. Verificada a falta de pagamento do imposto ou da contribuição por estimativa, após o término do ano calendário, o lançamento abrangerá a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; e o imposto e a contribuição apurados em 31 de dezembro, caso não recolhidos, acrescidos de multa de ofício. A lei estabelece que, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa exigida isoladamente, no percentual de 50%, sobre os valores devidos, e não recolhidos, a título das estimativas mensais, estando o contribuinte sujeito à apuração do lucro real anual, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 390DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.724298/201079 Acórdão n.º 1802001.396 S1TE02 Fl. 8 7 Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 15/03/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/04/2012, onde reitera suas argumentações e ao fim requer a reforma da decisão da DRJ. Este é o Relatório. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.724298/201079 Acórdão n.º 1802001.396 S1TE02 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo e atende os requisitos previstos em lei, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado, trata o presente processo de auto auto de infração lavrado contra contribuinte, que exige IRPJ e CSLL, cumulados com multa de ofício no percentual de 75%, multa isolada no percentual de 50% e juros de mora. Chega para análise e decisão desta Turma apenas e tão somente a questão da aplicação da multa isolada aplicada concomitantemente com multa de ofício, considerando que a Recorrente concordou com a autoridade fiscal nos demais pontos, tendo inclusive recolhido e juntado cópia dos DARF’s pertinentes (fl. 310). A esse respeito, entendo ser incabível a aplicação de multa isolada concomitantemente com a multa de ofício decorrentes da mesma infração. A aplicação simultânea dessas multas consiste em duplicação de penalidade, sendo desproporcional ao eventual prejuízo causado. Nessas circunstâncias, julgo que devese manter somente a multa de ofício, a qual incidiria sobre o crédito tributário que deixou de ser recolhido aos cofres públicos. Corroborando com esse entendimento, cito algumas decisões deste Conselho: MULTA ISOLADA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento. (Acórdão 1024693) MULTA ISOLADA CUMULATIVIDADE COM A MULTA DE OFÍCIO Contendo o artigo 44, I, da lei nº 9430, de 1996, norma que alberga a falta, genérica, de pagamento do Imposto de Renda, sua aplicação inibe a eficácia simultânea daquela contida no § 1º, III, desse artigo. (Acórdão 10246375) MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA É incabível, por expressa disposição legal, a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício exigida com o tributo ou contribuição, com multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. (Artigo 44, inciso I, § 1º, itens II e III, da Lei nº 9.430, de 1996). (Acórdão 10421094). Fl. 392DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.724298/201079 Acórdão n.º 1802001.396 S1TE02 Fl. 10 9 CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA COM A DEVIDA POR FALTA DE PAGAMENTO DE TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO Descabe a concomitância da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de que trata o art. 2º da Lei nº 9.430/96 com a multa proporcional ao imposto devido lançado, sob pena de aplicarse dupla penalidade sobre uma mesma infração. (Acórdão 10708001) Ainda nesse sentido, a própria MP nº 303/06, convertida na Lei nº 11.488/07, que revogou o inciso I do § 1º da Lei nº 9.430/96, extinguiu a possibilidade da cobrança da multa isolada juntamente com o IRPJ ou a CSLL quando não tiverem sido anteriormente pagos. A partir da vigência dessa norma passou a ser possivel apenas a cobrança da multa de ofício no percentual de 75% e do tributo eventualmente devido, sem qualquer cumulação com a multa isolada. Com efeito, a exigência da multa isolada, com base no artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, demonstrase incoerente e incompatível com o lançamento de ofício realizado pela fiscalização. O não recolhimento mensal dos valores de IRPJ e de CSLL apurados por estimativa, no anocalendário de 2007, enseja apenas a cobrança desses tributos, acrescidos da multa de ofício no percentual de 75%. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, cancelando a multa isolada. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 393DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.724298/201079 Acórdão n.º 1802001.396 S1TE02 Fl. 11 10 Voto Vencedor Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto à multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais. A previsão dessa penalidade está expressamente contida no art. 44 da Lei 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei 11.488/2007, já vigentes à época dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Ao determinar que a multa isolada será aplicada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”, a norma legal evidencia aspectos importantes. Primeiramente, a clareza do texto não admite outra leitura, senão a de que a referida multa será aplicada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa (...)”. Não há espaço para outra interpretação, a menos que se admita o afastamento de norma legal vigente, tarefa que não compete à Administração Tributária. Além disso, a hermenêutica jurídica ensina que se deve preferir a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade. Nesse caso, um entendimento contrário (de que essa multa não incidira em caso de prejuízo ...) implicaria na supressão ou inutilidade de todo o adendo estabelecido na alínea “b” acima transcrita (ainda que tenha sido apurado prejuízo ...). Vêse também que o texto diz “ainda que tenha sido apurado prejuízo ....” e não “ainda que venha a ser apurado prejuízo...”, numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. Tais aspectos não deixam nenhuma dúvida de que as estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual, em 31 de dezembro. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.724298/201079 Acórdão n.º 1802001.396 S1TE02 Fl. 12 11 Sua natureza jurídica, inclusive, a faz destoar totalmente do padrão traçado pelo art. 113 do CTN (que trata das obrigações tributárias), pois ela é uma obrigação que surge antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Seu pagamento, por outro lado, nada extingue, gerando apenas um registro contábil de crédito a favor do contribuinte, a ser aproveitado no futuro. Além disso, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, essa obrigação subsiste mesmo que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Ou seja, existe ainda que não haja tributo devido no ajuste. Com mais razão, portanto, ela deve existir quando há tributo devido ao final do ano, e é esse o nosso caso. Realmente não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido no ajuste), e, sendo assim, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Ainda que assim não fosse, caberia assinalar que não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. Finalmente, é preciso ressaltar que não há um regime de tributação de IRPJ/ CSLL em que o contribuinte apure o tributo anualmente e o recolha somente no ajuste, com vencimento no último dia útil do mês de março do ano subseqüente. O que há é um regime de apuração anual (opcional) no qual o contribuinte fica obrigado a realizar recolhimentos mensais no decorrer do ano, por meio de estimativas, ressalvada a possibilidade de suspender ou reduzir estes recolhimentos mensais mediante a elaboração de balancetes cumulativos de suspensão ou redução desta obrigação. Fosse o caso de um tributo com fato gerador instantâneo, ocorrido em 31 de dezembro, e com vencimento no mês de março subseqüente, todo o problema relativo ao descumprimento da obrigação estaria resolvido (compensado) pela multa normal de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/1996, com as suas devidas majorações, quando cabíveis. Mas tratandose de tributo com fato gerador complexivo, como é o caso do IRPJ e da CSLL, em que a opção pela apuração anual impõe também a obrigação de recolhimentos mensais (as chamadas “antecipações”), a multa de 75%, embora puna o descumprimento da obrigação vencida em março do ano seguinte (ajuste anual), não resolve todos os problemas, porque ela não compensa o atraso no ingresso dos recursos, que deveriam ter sido recolhidos ao longo do próprio ano. O prejuízo sofrido pelos cofres públicos em relação ao atraso nas “antecipações” ficaria a descoberto, não fosse a multa isolada em questão, que está prevista justamente para preencher esta lacuna, dando eficácia ao regime de apuração anual com estimativas mensais. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.724298/201079 Acórdão n.º 1802001.396 S1TE02 Fl. 13 12 Se não houvesse essa multa isolada, nenhum contribuinte faria recolhimento de estimativas mensais, deixando para recolher todo o tributo de uma só vez, e somente no ajuste, em março do ano seguinte. Vejo com bastante clareza que a multa normal de 75% pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. Com efeito, estamos diante de penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em concomitância de multas. Nestes termos, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 396DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10480.914178/2009-84
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 41 78 /2 00 9- 84 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914178/200984 Acórdão n.º 3801001.694 S3TE01 Fl. 93 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Tratase de manifestação de inconformidade protocolizada em 12/11/2009, em face do Despacho proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE DRF/REC/PE, mediante o qual foi indeferido/nãohomologada Pedido Eletrônico de Restituição/ Declaração de Compensação (PER/DCOMP. . 2. Consoante se verifica às fls. 01/04 , a contribuinte, através de sobredito PER/DCOMP, declarou a compensação do débito descrito em sua página com conjecturado crédito, no montante originário de R$ 90.082,44, que seria derivado de pagamento indevido a título da COFINS, código de receita: 2172, do período de apuração de novembro de 2000, efetuado aos 15/12/2000. 3. Inferese, do Despacho Decisório de fl.05, que, com fundamento nos arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN) e, ainda, no art. 74, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado e, por decorrência, foi não homologada a compensação no qual o pretenso crédito foi utilizado – pois o pagamento vinculado ao suposto indébito foi totalmente aproveitado para a extinção do débito de COFINS do período de apuração de novembro de 2000 . 4. O sujeito passivo, cientificado de enfocado Despacho Decisório aos 21/10/2009 (vide aviso de recebimento de fl.41), interpôs a mencionada manifestação de inconformidade, na qual alega possuir créditos pautados em decisão judicial favorável à Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Pernambuco OAB/PE (à qual a empresa seria (sic) sindicalizada), garantidora da isenção do pagamento da COFINS às empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas, motivo por que teria direito ao reconhecimento do indébito do pagamento da COFINS tratado nos correntes autos e, conseqüentemente, à homologação das compensações realizadas por intermédio do PER/DCOMP aqui examinado. 5. Sustenta a recorrente, ainda, que, de acordo com informações colhidas junto ao Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC da DRF/REC/PE, a conclusão atingida pelo Despacho Decisório censurado se deveria à nãoretificação, para o novo valor apurado, da respectiva Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) circunstância que, na visão da defendente, não anularia a existência do pretendido crédito. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 6. Á manifestação de inconformidade, o sujeito passivo anexou, dentre outros documentos, cópia de acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 5ª Região TRF/5ª Região (fls. 22/37) e de certidão de trânsito em julgado (fl.38). 7. Este julgador juntou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010 (fls.42/53 ); e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls.54/57). A Delegacia de Julgamento em Recife (PE) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11 /2000 a 30/11/2000 SOCIEDADE CIVIL. COFINS. ISENÇÃO RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. SUBSEQÜENTE POSICIONAMENTO DIVERSO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TITULO JUDICIAL. INEXIGIBILIDADE. É inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado que reconhece direito à isenção do pagamento da COFINS a sociedades civis prestadoras de serviços relacionados a profissão legalmente regulamentada, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal, especialmente quando a eficácia da decisão judicial transitada em julgado haja sido desconstituída em ação rescisória. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO FUNDADO EM TÍTULO JUDICIAL INEXIGÍVEL. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. É procedente o Despacho Decisório que não homologa compensações em que é utilizado suposto direito creditório fundado em titulo judicial inexigível, por inexistir crédito líquido e certo a ser compensado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 68 a 73, aduzindo, em síntese. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914178/200984 Acórdão n.º 3801001.694 S3TE01 Fl. 94 5 A decisão da DRF/Recife considerou não homologadas as compensações com base no fato de que os DARF’s aos quais estavam vinculados os créditos estavam totalmente utilizados. A Recorrente baseou sua manifestação de inconformidade em argumentos e fatos que tentavam ilidir a decisão da DRF/Recife, buscando demonstrar a existência dos créditos tributários em favor da empresa. Em sede de julgamento por parte da DRJ/Recife não está ocorrendo apenas a revisão proferida pela DRF/Recife, mas sim uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações, que agora sustentase na apresentação das DCOMP antes do trânsito em julgado da ação, sem que tenha sido oportunizado à empresa a possibilidade de apresentar defesa sobre o assunto. Toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. A decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente nos argumentos sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre novos fatos e informações apresentados ao processo, merece reparos. A argumentação da DRJ/Recife não condiz com a realidade dos fatos. Em seu item 19, a decisão da DRJ/Recife informa que não seria possível a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de COFINS. A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da COFINS já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos ex nunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício isenção da COFINS somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. A liminar é decisão precária e não anulou os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. DO PEDIDO: De todo o exposto e demonstrado nesta, restando provada a existência dos créditos relativos a pagamentos indevidos de COFINS e que a decisão proferida pela DRJ/Recife está em dissonância com a realidade dos fatos, requer que seja processado Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 regularmente o presente Recurso Voluntário, na forma do Decreto nº 70.235/72, de acordo com os mandamentos do art. 74, da Lei nº 9.430/96 e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife, reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título de Cofins e, consequentemente, homologar a compensação realizada no PER/DCOMP relacionado a esse processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914178/200984 Acórdão n.º 3801001.694 S3TE01 Fl. 95 7 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme já relatado, a Requerente teve seu pedido de compensação indeferido em razão do pagamento ter sido integralmente utilizado na quitação do débito declarado em DCTF, não restando saldo disponível a ser aproveitado para compensar com débitos informados no PerDcomp. Em sua Manifestação de Inconformidade, aduz a empresa que estava isenta do pagamento da contribuição para a COFINS na forma do decidido judicialmente, portanto todos os pagamentos realizados a tal título tornaramse indevidos consoante disposição do art. 165, I, do CTN. A Autoridade Julgadora de Primeira Instância, com fulcro no art. 741, II e parágrafo único do Código de Processo Civil, abaixo colacionado, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da DRF/Recife, sob o fundamento de que é inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal. Art. 741. Na execução contra a Fazenda Pública, os embargos só poderão versar sobre: [...] II inexigibilidade do título; [...] Parágrafo único. Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo, considerase também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal. Por seu turno, a Recorrente se contrapõe aos fundamentos da DRJ/Recife, pontuando duas questões, a saber: Cerceamento de defesa em razão da inovação perpetrada pela DRJ/Recife que inovou o conteúdo do indeferimento inicial das compensações sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e alegações apresentadas ao processo. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu dar parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc a decisão e que apenas contra esta decisão do TRF foi proferida a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. I Da preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Protesta a Requerente pela ocorrência de cerceamento de defesa em razão de inovação no conteúdo do indeferimento inicial, consubstanciado na ausência de comunicação prévia dos documentos acostados aos autos e abertura de prazo para manifestação. Passemos à análise do arguido. Da análise dos autos, constatase que foram juntados os documentos de fls. 42 a 57, conforme informação de fls. 58, abaixo colacionada: 7. Este julgador juntou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/ 5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010 (fls.42/53 ); e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls. 54/57). Importante registrar que a juntada dos referidos documentos ocorreu após a apresentação da manifestação de inconformidade pelo Contribuinte. Também, que não há impedimento legal para a juntada de novos documentos pela autoridade administrativa/julgadora, todavia o que não é permitido é inovar em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. No caso presente, além do Contribuinte não ter sido cientificado da juntada de novos elementos ao processo, a razão de decidir estampada no acórdão se deu com fundamento nos novos documentos. Convém aclarar que, nos casos em que a autoridade administrativa/julgadora carrear aos autos documentos após a apresentação da peça impugnatória, é essencial que o contribuinte seja cientificado e aberto prazo para manifestação, se desejar, só assim estará garantido o pleno exercício de seu direito a ampla defesa e ao contraditório, postulados gravados na Constituição Federal e no Processo Administrativo Fiscal. Não obstante, a manifestação de inconformidade é ato que faz nascer o contencioso, repercutindo na mudança do procedimento administrativo preparatório para o de julgamento, comportando ao contribuinte as garantias relativas ao devido processo legal. Resta claro que o Despacho Decisório emanado pela DRF/Recife teve como fundamento a insuficiência de saldo disponível para procederse a compensação, enquanto que a decisão da DRJ/Recife alicerçou –se nos efeitos das decisões judiciais prolatadas nos Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914178/200984 Acórdão n.º 3801001.694 S3TE01 Fl. 96 9 processos (i) AMS nº 80558/PE (2001.83.00.145250); (ii) Ação Rescisória nº 5471/PE (2006.05.00.0442426) e (iii) RCL/6917 – STF – Reclamação. O que não se pode, agora, em segunda instância administrativa de julgamento, é analisar fatos e documentos que não constavam da lide inicial, sob pena de afrontar garantias e princípios processuais, como por exemplo, o do duplo grau de jurisdição. É fato que a Recorrente tem o direito de participação no processo administrativo em relação a todo e qualquer ato ou documento juntado, sendo que a falta de comunicação acarreta cerceamento de defesa pela ausência de contraditório. Desse modo, as normas reguladoras do processo administrativo fiscal outorgam ao contribuinte o direito de ter a matéria litigiosa, seus fundamentos, argumentos e provas analisados pelas duas instâncias administrativas de julgamento, sem o que teríamos como conseqüência a supressão de uma delas. Desse modo, diante das razões acima expostas, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para declarar NULA a decisão da DRJ/Recife, como também todos os atos praticados posteriormente à referida decisão, posto que esta inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. A partir de então, deve o processo retornar à Unidade de Origem para: 1. Cientificar o contribuinte dessa decisão; 2. Cientificar o contribuinte dos documentos de fls. 42 a 57, juntados pela DRJ/Recife; 3. Abrir prazo para manifestação, se assim desejar; 4. Aplicar o rito do PAF. É como voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 21/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15374.930040/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato gerador: 13/09/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Comprovada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado, homologa-se a compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-001.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Declarou-se impedida a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Heyrovsky Torres Rodrigues, OAB/DF 33838.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Jose Adão Vitorino de Morais Redator - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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NULIDADE. Não provada a alegada inovação dos fundamentos da decisão recorrida, em relação ao despacho decisório, afastase a suscitada preliminar de sua nulidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato gerador: 13/09/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Comprovada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado, homologa se a compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Declarouse impedida a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Heyrovsky Torres Rodrigues, OAB/DF 33838. (ASSINADO DIGITALMENTE) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jose Adão Vitorino de Morais – Redator Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 00 40 /2 00 8- 72 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito de PIS, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 04/08, com crédito financeiro decorrente de pagamento a maior desta mesma contribuição, referente à competência de maio de 2002, recolhida em 14/06/2002. A Derat no Rio de Janeiro não homologou a compensação do débito declarado sob o argumento de que o alegado pagamento a maior foi integralmente utilizado para extinguir débitos do PIS declarados, não restando crédito disponível passível de repetição/compensação, conforme despacho decisório às fls. 10. A recorrente descordou daquele despacho e apresentou manifestação de inconformidade (fls. 12/16), insistindo na homologação da compensação do débito declarado, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: “De acordo com a apuração da empresa e os pagamentos realizados, houve um montante recolhido a maior no valor de, no mínimo, R$ 397.777,16. Não houve, por parte da RFB, uma análise mais profunda da existência ou não do crédito. A simples análise da DCTF retificadora demonstra de forma clara a existência de crédito disponível à compensação. Na DCTF ativa (doc. 07), a requerente apurou um débito de PIS para o mês de maio/2002 no montante de R$ 32.240,83. Como forma de pagamento, vinculou este valor a um DARF de valor total R$ 439.366,25 (doc. 06). Este DARF não foi vinculado a nenhum outro pagamento, constituindose um direito creditório de R$ 407.608,69 (R$ 439.366,25 – R$ 32.240,83). Por meio de PER/DCOMP em questão pediu a restituição do pagamento a maior de R$ 413.608,69, utilizou parte deste montante (R$ 397.777,16 – valor histórico) para quitar débito de PIS referente a agosto/2002, no valor de R$ 413.608,69. Já havia utilizado este mesmo crédito para quitação deste mesmo débito, por meio de compensação realizada diretamente em DCTF. Em 20.12.2007 retificou a DCTF do 3º trimestre de 2002 e transmitiu a declaração de compensação eletrônica, como forma de formalizar o procedimento outrora realizado em DCTF. A DCOMP e o débito compensado diretamente em DCTF se referem ao mesmo direito creditório, e compensam débitos do mesmo período de competência. A vinculação entre o DARF utilizado e a compensação em DCTF impediu a visualização da disponibilidade do direito creditório. Entende deva ser abstraída a compensação diretamente realizada em DCTF, uma vez que a DCOMP foi Fl. 288DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.930040/200872 Acórdão n.º 3301001.650 S3C3T1 Fl. 214 3 transmitida posteriormente, como forma de adequação ao procedimento que vigorava por ocasião da retificação da DCTF. Excluindo este pagamento, verificase a origem da disponibilidade do crédito, o que implicaria no seu reconhecimento pela autoridade administrativa. Dispõe dos créditos compensados, tendo sido os mesmos apurados em sua escrita contábil. Ao preencher a DCTF retificadora, deixou de informar o número da DCOMP transmitida, permanecendo a informação de compensação direta em DCTF, sem número de processo. Tal erro não pode prevalecer sobre o direito ao crédito. Ao final requer a juntada posterior de documentos que se façam necessários, visto a impossibilidade de se obter toda a documentação necessária em tempo hábil, face o porte da empresa, do período e por se tratar de crédito de sociedade incorporada pela requerente.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1329.613, datado de 31/05/2010, às fls. 76/80, sob as seguintes ementas: “JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. O contribuinte deve instruir a peça impugnatória com todos os documentos comprobatórios de suas alegações, sob pena de preclusão, exceto em situações específicas previstas na legislação pertinente. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (85/93), requerendo, em preliminar, a sua nulidade, sob o argumento de que esta inovou a fundamentação do despacho decisório; e, no mérito, a sua reforma a fim de que se homologue a compensação do débito declarado, alegando, em síntese, as mesmas razões expendidas na manifestação de inconformidade, de que a documentação apresentada comprova a existência do crédito financeiro declarado. Inovou, ainda, nesta fase recursal, discorrendo sobre tributação de receitas decorrentes de variação cambial, sua escrituração e obrigatoriedade da adoção do regime de competência para sua apropriação, bem como sobre a decadência do direito de o Fisco revisar o lançamento do PIS referente à competência de maio de 2002. É o relatório. Voto Fl. 289DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A suscitada preliminar de nulidade da decisão recorrida sob o argumento de que esta inovou a fundamentação, em relação ao despacho decisório, é equivocada. Ao contrário do entendimento da recorrente, não houve inovação alguma em relação ao despacho decisório. Dele consta expressamente que a não homologação teve como fundamento a inexistência de crédito financeiro disponível para a compensação do débito declarado. O valor recolhido e constante do darf indicado na Dcomp, em discussão, foi integralmente utilizado para quitar débitos do PIS (8109), declarados nas respectivas DCTF, referentes às competências de maio e agosto de 2002, nos valores de R$32.240,83 e R$397.777,16, respectivamente, e o saldo, no valor de R$9.348,26, foi utilizado na Dcomp nº 35044.60022.240904.1.3.043696. Também, a decisão recorrida teve como fundamento a inexistência do crédito financeiro declarado na Dcomp e, ainda, a falta de apresentação de documentos hábeis comprovando o pagamento a maior. Assim, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida por inovação na fundamentação legal, em relação ao despacho decisório. Nesta fase recursal, a recorrente inovou suas razões de mérito, quanto à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado, questionando a tributação das receitas de variação cambial, sua escrituração contábil e obrigatoriedade da adoção do regime de competência, bem como a decadência do direito de a Fazenda Pública revisar o crédito tributário referente à competência de maio de 2002 As razões suscitadas, em relação à receita cambial, constituem matérias preclusas, não opostas à autoridade julgadora de primeira instância. A fase litigiosa do procedimento se instaura com a interposição da manifestação de inconformidade, quando aquela matéria deveria ter sido contestada, conforme estabelece o Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, art. 15. Também, o art. 17, deste mesmo diploma legal, estabelece que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Assim, demonstrado que aquelas matérias não suscitadas na manifestação de inconformidade, não se toma conhecimento delas por ter ocorrido a preclusão temporal do direito de a recorrente fazêlo nesta fase recursal. Já em relação à decadência, embora não tenha sido oposta à autoridade julgadora de primeira instância, por se tratar de matéria de ordem pública, deve ser apreciada nesta fase recursal. Ao contrário do entendimento da recorrente, no presente caso, não houve revisão do lançamento do crédito tributário referente à competência de maio de 2002 pela autoridade administrativa competente. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 15374.930040/200872 Acórdão n.º 3301001.650 S3C3T1 Fl. 215 5 A não homologação da compensação não teve como fundamento a revisão do crédito tributário referente àquela competência, que foi constituído pela própria recorrente, mediante declaração do seu valor na respectiva DCTF, e sim a inexistência do crédito financeiro declarado na Dcomp. Assim, demonstrado que não houve revisão do valor do crédito tributário declarado pela própria recorrente na respectiva DCTF, não há que se falar em decadência do direito de a Fazenda Pública revisar tal débito. Embora, a recorrente tenha suscitado várias matérias, o presente processo trata exclusivamente da homologação da compensação do débito de PIS (81092), no valor de R$413.608,69, vencido na data de 13/09/2002, com crédito financeiro decorrente de pagamento a maior de PIS (8109), na data de 14/06/2002, no valor original de R$397.777,16, declarados na Dcomp às fls. 03/08. Assim, a questão de mérito se restringe à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão, tendo em vista que o débito foi confessado por ela. Segundo, a recorrente o indébito (crédito financeiro) decorreu de pagamento a maior da contribuição referente à competência de maio de 2002, em virtude de erro na apuração do seu valor. Embora errado, o valor foi declarado na respectiva DCTF e pago tempestivamente. Percebido o erro, transmitiu DCTF retificadora informando o valor correto. A retificação da DCTF visando alterar o valor do débito declarado é possível, mediante a comprovação de erro, de fato, na apuração do débito. A comprovação deve ser demonstrada, mediante a apresentação de demonstrativo de apuração do valor correto da contribuição devida, acompanhado dos documentos contábeis, cópia do livro Razão, contendo os lançamentos errados da escrituração das receitas, os estornos dos lançamentos errados e os lançamentos corretos, e fiscais, cópias do livros de saída de mercadorias e de prestação de serviços, contendo as receitas corretas. No presente caso, a recorrente apresentou somente cópia da DCTF retificadora, desacompanhada de quaisquer documentos contábeis e fiscais. A simples apresentação da retificadora, desacompanhada do demonstrativo de apuração do valor correto, com respectiva memória de cálculo e, principalmente, daqueles documentos, não prova o alegado erro nem permite a apuração do valor correto. Nos pedidos de restituição/compensação o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado na Dcomp é do requerente e não do Fisco. A Lei nº 9.784, de 29/01/1999, art. 36, assim estabelece: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Também, segundo a Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil), art. 333, o ônus da prova é de quem alega, assim dispondo: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: Fl. 291DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 (...); II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Dessa forma, não tendo a recorrente demonstrado o erro na apuração do valor do PIS declarado para a competência de maio de 2002, nem apresentado documentos comprovandoo e/ ou necessários à apuração do valor correto, não haveria que se falar em repetição/compensação do indébito reclamado. No entanto, do exame do despacho decisório, verificase que o recolhimento estampado no darf indicado na Dcomp em discussão, no valor de R$439.366,25, foi assim utilizado: R$9.348,26, na Dcomp nº 35044.60022.240904.1.3.043696; R$32.240,83, para quitar o PIS (8109) declarado para a competência de maio de 2002; e o saldo de R$397.777,16 para a quitar o PIS (8109) declarado para agosto de 2002, objeto da Dcomp em discussão. Acrescendo os juros compensatórios, Selic no percentual de 3,98%, àquele saldo, resulta um montante de R$413.608,69, conforme consta da Dcomp, e que foi compensado com o débito do PIS declarado para o mês de agosto de 2002. Dessa forma, demonstrado e provado que o crédito financeiro era líquido e certo, a compensação do débito do PIS, objeto da declaração em discussão, deve ser homologada, nos termos da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, §§ 1º e 2º. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 292DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /11/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11128.000828/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 20/06/2003
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E CONSECTÁRIOS LEGAIS. DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
O erro na classificação fiscal de mercadoria importada, a acarretar falta de recolhimento dos tributos devidos, autoriza o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, aplicados em conjunto e nos percentuais fixados na legislação.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009.
Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, a partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI).
Para a configuração da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), é condição necessária que produto esteja sujeito a licenciamento e que o produto esteja incorretamente descrito. No presente caso, o produto importado estava sujeito a licenciamento não automático, que foi providenciado, não restando configurada, por conseguinte, a infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI.
MULTA EQUIVALENTE A UM POR CENTO DO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ-FÉ.
Por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a infração caracterizada pelo enquadramento tarifário incorreto do produto na NCM, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, independente da existência de dolo ou má-fé do importador.
Numero da decisão: 3401-001.971
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa do controle administrativo aduaneiro. Vencidos os Conselheiros Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça e Fernando Marques Cleto, que davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente, Dr. Daniel Santiago da Silva OAB/BA 16759.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Relator Angela Sartori Relator
Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 20/06/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E CONSECTÁRIOS LEGAIS. DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. O erro na classificação fiscal de mercadoria importada, a acarretar falta de recolhimento dos tributos devidos, autoriza o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, aplicados em conjunto e nos percentuais fixados na legislação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009. Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, a partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). Para a configuração da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), é condição necessária que produto esteja sujeito a licenciamento e que o produto esteja incorretamente descrito. No presente caso, o produto importado estava sujeito a licenciamento não automático, que foi providenciado, não restando configurada, por conseguinte, a infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI. MULTA EQUIVALENTE A UM POR CENTO DO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ-FÉ. Por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a infração caracterizada pelo enquadramento tarifário incorreto do produto na NCM, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, independente da existência de dolo ou má-fé do importador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa do controle administrativo aduaneiro. Vencidos os Conselheiros Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça e Fernando Marques Cleto, que davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente, Dr. Daniel Santiago da Silva OAB/BA 16759. Júlio César Alves Ramos Presidente Relator Angela Sartori Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
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PRODUTO DIQUAT TÉCNICO. PREPARAÇÃO HERBICIDA. CÓDIGO NCM 3808.30.29. Por ser uma preparação herbicida, o produto de nome comercial Diquat Técnico é classificado no código NCM 3824.90.89. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/06/2003 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E CONSECTÁRIOS LEGAIS. DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. O erro na classificação fiscal de mercadoria importada, a acarretar falta de recolhimento dos tributos devidos, autoriza o lançamento de ofício, acrescido da multa e dos juros de mora respectivos, aplicados em conjunto e nos percentuais fixados na legislação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4, DE 2009. Nos termos da Súmula CARF nº 4, de 2009, a partir de 1º de abril de 1995 os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). Para a configuração da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), é condição necessária que produto esteja sujeito a licenciamento e que o produto esteja incorretamente descrito. No presente caso, o produto importado estava sujeito a licenciamento não automático, que foi providenciado, não restando configurada, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 08 28 /2 00 8- 11 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 conseguinte, a infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI. MULTA EQUIVALENTE A UM POR CENTO DO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁFÉ. Por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a infração caracterizada pelo enquadramento tarifário incorreto do produto na NCM, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, independente da existência de dolo ou máfé do importador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa do controle administrativo aduaneiro. Vencidos os Conselheiros Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça e Fernando Marques Cleto, que davam provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela recorrente, Dr. Daniel Santiago da Silva OAB/BA 16759. Júlio César Alves Ramos – Presidente Relator Angela Sartori – Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis – Relator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Trata o presente processo de Auto de infração lavrado em 28/01/2008 para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 367.634,87 (trezentos e sessenta e sete mil seiscentos e trinta e quatro reais e oitenta e sete centavos) sendo o Imposto de Importação no valor de R$ 36.114,86 (trinta e seis mil cento e quatorze reais e oitenta e seis centavos), juros de mora calculados até 28/12/2007 no valor de R$ 24.543,65 (vinte e quatro mil quinhentos e quarenta e três reais e sessenta e cinco centavos), multa proporcional (75%) no valor de R$ 27.086,15 (vinte e sete mil e oitenta e seis reais e quinze centavos), multa do controle administrativo (importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente) no valor de R$ 270.861,50 (duzentos e setenta mil oito centos e sessenta e um reais e cinqüenta centavos) e a multa proporcional ao valor aduaneiro (1%), tendo em vista a incorreta classificação fiscal, no valor de R$ 9.028,71 (nove mil e vinte e oito reais e setenta e um centavos). Fl. 265DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 265 3 Isso porque, o importador solicitou retificação da Declaração de Importação nº 03/05196248, registrada em 20/06/2003, para alteração da modalidade de pagamento na ficha dados cambiais da referida DI. A mercadoria submetida a despacho, ou seja, "Diquat Técnico" foi informada na descrição detalhada da mercadoria da referida Dl como sendo: "DIQUAT TÉCNICO, 511.5 G/L, ESTADO FÍSICO: LIQUIDO, PRODUTO REGISTRADO NO MAPA SOB N° 034283 3"; classificada na Tarifa Externa Comum – TEC no código NCM 2933.99.99 OUTS. COMPOSTOS HETEROCICLICO DE HETEROATOMO DE NITROGENIO. Destacou a fiscalização que a mercadoria importada é efetivamente considerada uma preparação intermediária com propriedades Herbicidas, e, por conseguinte, classifica se, à época do registro da DI, na Tarifa Externa Comum no código NCM 3808.30.29. Para desclassificar referido produto a fiscalização utilizou 3 Acórdãos. Neste sentido dispõe o referido Auto de Infração: “DA DESCLASSIFICAÇÃO DO CÓDIGO NCM/TEC REGISTRADO NA Dl Dada a especificidade do produto em questão, a fiscalização realizou pesquisas quanto à classificação fiscal do produto importado na referida Dl, tendo encontrado entendimento pacificado quanto a sua classificação fiscal, senão vejamos: a) Acórdão DRJ/SPOII N° 1993, de 16 de janeiro de 2003. Ementa: Classificação fiscal. Penalidade tributaria (fls. 51 a 58). "0 produto de nome comercial DIQUAT TÉCNICO se classifica corretamente no código 3808.30.29, por se tratar de uma Preparação Intermediária com propriedades herbicidas.. . " (fls. 51). b) Decisão DRJ/SP N° 1242, de 30 abril de 1999. Ementa. Classificação Fiscal. Produto descrito como Diquat Técnico classificase no código NBM 3808 . 30 . 0199 por ser considerado como uma preparação nos termos da nota 1 a 2. Aplicase a regra 1 das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, (fls.59). c) Conselho de Contribuintes: Recurso Voluntário N° 120067, de 22/02/2000 (2ª Câmara): Ementa: Classificação Fiscal de mercadoria. Solução aquosa de BROMETO de 1,1 ETILENO 2,2 BIPIRIDILIO (DIQUAT) e substâncias inorgânicas à base de Fosfato e Potássio é uma PREPARAÇÃO HERBICIDA e como tal, classificavase no código NBM 3808.30.0199 (NCM 3 8 0 8 . 30 . 29 ) . . . " (fls.60).” Ciente do auto de Infração em 26/02/2008, fls. 72, em 20/03/2008, a autuada apresentou a impugnação de fls. 73/91, onde alegou: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 “ Com o intuito de confirmar a legitimidade da classificação fiscal adotada na importação dos produtos necessários ao andamento de sua atividade, encomendou em meados de 2006, a Análise e Parecer Técnico sobre o produto DIQUAT TÉCNICO ao Instituto Nacional de Tecnologia (INT); O INT através do Relatório Técnico nº 673, Processo INT nº 01240.000298/06, recomenda a inclusão do produto DIQUAT TÉCNICO na posição 2933.99.99, exatamente a classificação adotada pela Impugnante na Dl nº 03/05196248, Objeto da autuação em tela (Doc. 04); (onde se a Recorrente alegou INT se le Luiz Aurélio Alonso, conforme laudo anexo aos autos) Neste ponto, já se verifica a primeira fragilidade da referida autuação, uma vez que a mesma funda – se tão somente no apontamento de 03 (três) julgados administrativos antigos. Em momento algum a Autoridade Administrativa requisitou a elaboração de um Laudo Técnico ou qualquer outra análise técnica competente, sobre o produto DIQUAT TÉCNICO, que lhe desse amparo a desclassificação fiscal efetuada; Se assim tivesse procedido, verificaria que a classificação fiscal na Tarifa Externa Comum (TEC) no código NCM 2933.99.99, adotada pela Impugnante está correta e, que, portanto, a alíquota de Imposto de Importação (II) devida à época dos fatos era, realmente, de 0% (zero por cento). A composição química do DIQUAT TÉCNICO pode ser definida através da seguinte descrição: "Solução Aquosa de Dibrometo de l,l'Etileno2,2' Dipiridilio, Outro Composto Heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio", conforme explicita o laudo de Análise n º 3115/20061", emitido pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer (Doc. 05); O produto DIQUAT TÉCNICO é uma solução concentrada utilizada como princípio ativo na formulação de preparações dos produtos finais (herbicidas) industrializados e comercializados pela Impugnante, tais como o "Reglone" (nº registro MAPA 1768502) e "Smash" (nº registro MAPA 00190), estes sim, herbicidas de uso direto pelos consumidores, na chamada venda a retalho; Consoante atesta a análise técnica do INT, através do Relatório Técnico nº 673, por tratarse de solução aquosa de um composto heterocíclico exclusivamente de heteroátomos de nitrogênio, cuja estrutura contém um ciclo pirazina hidrogenado condensado, a mesma encontra amparo e especificação no Capítulo 29 da NESH, mais especificamente na posição 2933.99.99; A classificação tarifária deve ser feita de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e, uma vez definida, cabe ao Sr. AFRFB tão somente acatála; não pode deixar de impugnar, nesta oportunidade, a pretensão do Sr. AFRFB em alterar, indevidamente, o critério jurídico dessa operação; A Impugnante não pode concordar com a revisão do critério jurídico adotado para classificação fiscal dos produtos por ela importados, seja pela própria natureza do produto (qual seja, composto heterocíclico exclusivamente de Heteroátomos de Nitrogênio), seja vedação contida no CTN; inadmissível que aproximadamente 05 anos após o desembaraço do aludido produto através da Dl n 9 03/05196248, a pretexto de desclassificar operações pretéritas, que a Impugnante seja arbitrariamente autuada; o lançamento, como ato vinculado Fl. 267DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 266 5 da autoridade administrativa, possui caráter definitivo, não podendo ser alterado de ofício, salvo nas hipóteses expressamente previstas no art. 149, do CTN; A Impugnante apresentou na LI características do produto importado: Nomenclatura Comum do MERCOSUL e sua descrição, nome comercial, estado físico, quantidade e o número de registro no Ministério da Agricultura; tais características, ao contrário do alegado pelo Sr. AFRFB, são, sim, elementos suficientes para constar na Licença de Importação, pois demonstram com exatidão qual o produto importado, qual seja, DIQUAT TÉCNICO; a própria Fiscalização, não teve dificuldade alguma para identificar o produto importado pela Impugnante quando da "suposta" pesquisa realizada sobre a classificação tarifaria do mesmo; a Impugnante importou o produto DIQUAT TÉCNICO, o qual foi corretamente descrito na Licença de Importação conforme demonstrado; o fato do Sr. AFRFB discordar, equivocadamente, da classificação fiscal do produto não justifica a desconsideração da descrição (correta) do mesmo na LI, pois, caso contrário, seria um absurdo! Notase, inclusive, que a Fiscalização, em momento algum, ficou com dúvidas a respeito da identificação da mercadoria; Alegou ainda que é o entendimento consolidado do E. 2º Conselho de Contribuintes no sentido de que é incabível a multa ao controle administrativo das importações quando a mercadoria é corretamente descrita na declaração de importação, conforme determinado pelo Ato Declaratório Normativo COSIT n º 12/97; mesmo que se considere válida a exigência da Multa do Controle Administrativo, a mesma não poderia ser exigida cumulativamente com a multa de ofício, haja vista que tal exigência implica dupla imposição de pena ao mesmo fato, o que não se admite. Juntou a jurisprudência do E. 1º CC e da C. CSRF, em casos análogos, (transcreve); considerando que a exigência de Multa do Controle Administrativo representa 30% sobre a mercadoria, ou seja, R$ 270.861,50 e o valor exigido a t í t u lo de II (principal) é de R$ 36.114,86, resta patente a ofensa ao princípio da vedação ao confisco (art 150, IV) e da garantia à propriedade privada (art. 59, XXII), ambos expressamente consagrados na Constituição Federal; a exigência da multa de ofício também não deve prevalecer; a C. CSRF também já decidiu que, mesmo em caso de erro na classificação tarifária, o que não ocorre no presente caso, posto que a Impugnante classificou corretamente a mercadoria importada, não constitui infração punível com a Multa de Ofício (transcreve); O E. 1º Conselho de Contribuintes, diante desses argumentos, em recente julgamento afastou a incidência dos juros de mora sobre o valor da multa aplicada (transcreve); pede e espera a ora Impugnante seja recebida e acolhida in totum a Impugnação.” A DRJ proferiu a seguinte decisão; ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 20/06/2003 Classificação fiscal. Penalidade Tributária. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 O produto de nome comercial DIQUAT TÉCNICO não se classifica no código NCM 2933.99.99, por se tratar de uma Preparação Intermediária com propriedades herbicidas, sendo cabíveis as multas em virtude da não descrição da mercadoria com todos os elementos necessários ao correto enquadramento tarifário. Revisão Aduaneira. Inexistência de Mudança de Critério Jurídico. Não caracteriza mudança de critério jurídico o procedimento fiscal decorrente de revisão aduaneira que apure a classificação fiscal incorreta de mercadorias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade acima transcritos, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Angela Sartori O presente Recurso é tempestivo e segue os demais requisitos de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de análise de classificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, denominada "Diquat Técnico" cuja descrição detalhada na referida DI foi: "DIQUAT TÉCNICO, 511.5 G/L, ESTADO FÍSICO: LIQUIDO, PRODUTO REGISTRADO NO MAPA SOB N° 034283 3"; classificada na Tarifa Externa Comum – TEC no código NCM 2933.99.99 OUTS. COMPOSTOS HETEROCICLICO DE HETEROATOMO DE NITROGENIO. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 267 7 Entendeu a fiscalização que a mercadoria importada é considerada uma preparação intermediária com propriedades Herbicidas, e, por conseguinte, classifica se, à época do registro da DI, na Tarifa Externa Comum no código NCM 3808.30.29. Ocorre que a Recorrente submeteu referida mercadoria a análise que foi objeto de Parecer Técnico 153 sobre o produto DIQUAT TÉCNICO (paginas 41 e seguintes do processo) do Laboratório de Análises Químicas Luiz Aurélio Alonso, que através do Relatório Técnico recomenda a inclusão do produto DIQUAT TÉCNICO na posição 2933.99.99, exatamente a classificação adotada pela Recorrente na DI 03/05196248 Dispõe o referido laudo: “A partir dos estudos realizados tanto na documentação apresentada (catálogos, etc.) como em obras de caráter científico de consenso universal, podemos informar o seguinte: a) o produto em questão, "Diquat", tratase de um composto orgânico de constituição química definida, caracterizandose como um composto heterocíclico contendo exclusivamente heteroátomos de nitrogênio e, mais particularmente, como um composto cuja estrutura contém 2 ciclos piridilos (bipiridilo) este produto apresentase em solução aquosa; b) o composto estudado é conhecido cientificamente como Dibrometo de 1,1' etileno2,2'bipiridilo apresentando a fórmula química bruta C12H12Br2N2.” e) a síntese desse composto ocorre em meio aquoso, sendo utilizado na manutenção/equilíbrio do pH (concentração hidrogeniônica) dessa reação um "buffer", ou seja, um composto químico tampão denominado fosfato de potássio; Obs.: 1) a presença das impurezas contidas nesse produto decorrem da existência de matérias iniciais (reagentes) não convertidas (dibrometo de etileno e 2,2 bipiridilo) e de uma substância utilizada durante a síntese desse composto orgânico | (fosfato de potássio, um "buffer": agente de controle de pH) a qual não reage durante a conversão química do Diquat; 2) a presença dessas impurezas (dibrometo de etileno, 2,2bipiridilo e fosfato de potássio) não tornam o produto apto para uma utilização específica.” A teor do Parecer Técnico P.P 153/98 descrito acima, define o produto em questão, Diquat, como um composto orgânico de constituição química definida, apresentado em solução aquosa, contendo impurezas decorrentes de seu processo de fabricação (síntese orgânica), caracterizandose tecnicamente como um composto heterocíclico contendo exclusivamente heteroátomos de nitrogênio e, mais particularmente, como um composto cuja estrutura contém 2 ciclos piridilos, denominado cientificamente como: dibrometo de 1,1' etileno2,2'bipiridilo. Nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), o teor do Capítulo 29 Produtos Químicos Orgânicos apresenta a Nota 1 a que estabelece, ressalvadas disposições em contrário, as posições do presente Capítulo compreendem apenas: "os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas" Fl. 270DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Essa mesma obra elucida de forma clara que o termo impureza deve ser aplicado exclusivamente às substâncias cuja associação com o composto químico distinto (neste caso, o dibrometo de 1,1'etileno2,2'bipiridilo resulta, exclusivamente e diretamente do processo de fabricação, sendo essencialmente as seguintes: . matérias iniciais não convertidas; . impurezas contidas nas matérias iniciais; . reagentes utilizados no processo de purificação; . subprodutos. Os compostos químicos dibrometo de etileno e 2,2 bipiridilo tratamse de reagentes para a obtenção do composto final "Diquat", que, entretanto, não se convertem integralmente. E o fosfato de potássio tratase de um "buffer" (composto tampão), ou seja, caracterizase como um agente controlador de pH: uma matéria adicionada não reagida/não convertida. AS NESH estabelecem que os compostos orgânicos de constituição química definidas em soluções aquosas, mesmo contendo impurezas, estão incluídos no Capítulo 29 (ver teor na Nota "1d" deste Capítulo) e por tratarse de um composto heterocíclico contendo exclusivamente heteroátomos de Nitrogênio, este composto (dibrometo de 1,1'etileno2,2' bipiridilo) é classificado na Posição 29. Em contraposição, temos que no Capítulo 38, a Nota 1, ‘a’ 2, estabelece que são excepcionados de sua abrangência os produtos químicos de constituição química definida, incluídas no capítulo 29. Neste sentido dispõe a NESH no Capítulo 3808: “ Esta posição não compreende: a) Os produtos usados como inseticidas, desinfetantes, etc., que não preencham as condições atrás referidas. Estes produtos classificamse, segundo a sua natureza, nas suas posições respectivas: 1º) As flores de piretro trituradas (posição 12.11). 2º) O extrato de piretro (mesmo em concentraçãotipo por adição de óleo mineral) (posição 13.02). 3º) O óleo de creosoto mineral (posição 27.07). 4º) O naftaleno, o DDT (ISO) (clofenotano (DCI), 1,1,1tricloro2,2bis (pclorofenil)etano) e outros produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente (ou em soluções aquosas) (Capítulos 28 ou 29).” Passamos então a investigar o texto da posição 38 para verificarmos quais são os critérios que estabelece para sua incidência, vejamos: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 268 9 ‘Inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes, e produtos semelhantes, apresentados em quaisquer formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações ou ainda sob a forma de artigos, tais como fitas, mechas e velas sulfuradas e papel matamoscas.’ Finalmente, dispomos das NESH da posição 3808, apta a trazer preciosos subsídios para nossa interpretação, que dispõem da seguinte forma: ‘3808Inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas.... Os referidos produtos só se incluem nesta posição nos seguintes casos: 1. Quando são apresentados em embalagens para venda a retalho, como desinfetantes, inseticidas etc... 2. Quando tenham características de preparações, qualquer que seja a forma como se apresentam ( os líquidos, as soluções e o pó a granel). Estas preparações consistem em suspensões do produto ativo, em água ou em qualquer outro líquido... ou em misturas de outras espécies. As soluções do produto ativo em solvente que não seja a água também se consideram preparações...Também se incluem nesta posição, desde que já apresentem propriedades inseticidas, fungicidas, etc., preparações intermediárias que precisam ser misturadas para se obter um inseticida, um fungicida, um desinfetante, etc. pronto para uso.’ Portanto, da leitura atenta das normas selecionadas do Sistema Harmonizado, vemos que o vetor que leva um produto químico com propriedades herbicidas ser enquadrado no Capítulo 38, é a forma de sua apresentação, que já estaria apta a ser utilizada pelo consumidor final, ou ‘pronta para uso’, como mencionado nas NESH, ainda que houvesse a necessidade de dissolver o produto em solução aquosa ou de outra natureza. Com efeito, da análise das normas referentes ao Capítulo 38, das mais genéricas, até, finalmente o texto da posição propriamente dito, até os subsídios da NESH, vemos que a ênfase da norma é sempre quanto à apresentação do produto, própria para uso do consumidor final, sendo este o alcance do termo ‘preparação’ no texto de subposição, isto é, a preparação do produto com as características necessárias para que ele possa ser empregado pelo consumidor, ou, que passe por um procedimento simples de formulação, como mistura em água do produto. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Portanto, a interpretação a ser dada à Nota 1, ‘a’, 2 do Capítulo 38 é justamente neste contexto, ou seja, caso o produto químico com propriedades herbicidas não puder ainda ser utilizado diretamente pelo usuário, de constituição química definida deverá ser incluído no Capítulo 29. Diante dos argumentos acima, baseados na NESH bem como em laudo técnico juntado aos autos pela Recorrente e verificando a fragilidade da autuação baseada apenas no apontamento de 03 (três) julgados administrativos antigos, sem ter retirado amostra para elaboração de laudo técnico; me levam a certeza da classificação fiscal adotada pela recorrente, qual seja, a NCM 2933.99.99. Do exposto dou provimento ao Recurso Voluntário interposto. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO ÀS IMPORTAÇÕES POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO No auto de infração foram aplicadas as multa de ofício do Imposto de Importação e do IPI, além da multa relativa ao controle administrativo das importações por falta de LI. Entretanto, ainda que se entendesse pelo cabimento da diferença do crédito tributário decorrente da desclassificação fiscal, não poderiam ser aplicada a multa ao controle administrativo das importações, prescrita no art. 633, inciso II do Regulamento Aduaneiro. De acordo com Ato Declaratório (Normativo) COSIT nº 12, de 21 de janeiro de 1997, que estabeleceu os contornos desta penalidade, não é possível sua aplicação, nas situações em que houve a correta descrição da mercadoria, de forma que o próprio Fisco poderia buscar o enquadramento tarifário que reputasse correto e que, ademais, não fosse detectado intuito doloso do importador, como é o presente caso. Dispõe o Ato Declaratório Normativo COSIT n. 12/1997: "...não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado do Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex"exija licenciamento, automático ou não, desde que o produto seja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante." No caso concreto, a documentação que instruiu os despachos de importação, trouxe as informações necessárias para a correta classificação fiscal da mercadoria “ Diquat Técnico”. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 269 11 Verificase que a Recorrente mencionou o nome correto do produto, o que de acordo com normas da própria administração, é elemento que afasta a aplicação da multa administrativa. De acordo com a Coordenação do Sistema de Tributação, através do Ato Declaratório (Normativo) CST nº 08, de 07/07/82 (DOU 09/07/82), temos definido que: “Nome científico do produto é qualquer denominação de caráter técnicocientífico, pela qual o produto pode ser encontrado na literatura especializada; nome comercial é a denominação de uso exclusivo de determinado fabricante (marca registrada).” Neste sentido é elucidativo os Acórdãos abaixo onde esclarecem que não cabe a multa ao controle administrativo das importações, mesmo que a classificação fiscal esteja incorreta: ACÓRDÃO 30335.624 em 10.09.2008 MULTA DIVERSA Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 08/10/2002 Infração administrativa ao controle de importações. Guia de importação . Licenciamento de importação . Guia e licenciamento de importação , documentos nãocontemporâneos e com naturezas diversas. Este é condição prévia para a autorização de importações; aquela era necessária para o controle estatístico do comércio exterior. A falta de licença de importação não é fato típico para a exigência da multa do artigo 169, I, "b", do Decretolei 37, de 1966, alterado pelo artigo 2º da Lei 6.562, de 1978. Multa por Descumprimento de Obrigação Acessória. Exclusão da Responsabilidade Objetiva. Limites. A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória nº2.15835, de agosto de 2001, inserese no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo. O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12 de 1997 tem sua aplicabilidade restrita à infração nele contemplada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Decisao: Por maioria de votos, deuse provimento ao recurso voluntário, quanto à multa por falta de Licença de importação, vencidos os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator, Celso Lopes Pereira Neto e Anelise Daudt Prieto, que negaram provimento. Designado para redigir o voto o Conselheiro Tarásio Campelo Borges. Por unanimidade de votos, negouse provimento quanto à multa por classificação de mercadoria inexata. ANELISE DAUDT PRIETO Presidente da Câmara. Publicado no DOU em: 17.12.2008 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Recorrente: TUBOZAN INDÚSTRIA PLÁSTICA LTDA. Recorrida: DRJFLORIANOPOLIS/SC Acórdão 3º CC nº 30127247 (DOU de 27/10/93), CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. 1. Na hipótese de serem fornecidas com exatidão informações de fato sobre a mercadoria, inclusive nome comercial registrado e houver indicação incorreta do código tarifário na Guia de Importação, não se aplica a multa do artigo 526, II do RA. 2. Recurso provido. Relator designado: Itamar Vieira da Costa. Acórdão 30232351, DOU 03/11/93: “INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. A imprecisa mas correta descrição da mercadoria na GI não tipifica a infração prevista no art. 526,IX, do Regulamento Aduaneiro. Para a perfeita identificação da mercadoria pode a fiscalização aduaneira recorrer a assistência técnica. Acórdão 30325.697, DOU de 31/07/90: “IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO – DECLARAÇÃO INDEVIDA Constitui declaração indevida a omissão de característica de qualidade do produto, que uma vez conhecidos, daria uma nova classificação ao produto.” Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é remansosa em relação à inaplicabilidade da multa por falta de LI quando o erro cometido pelo contribuinte, não implica em violação ou qualquer ameaça ao controle administrativo das importações. Vejamos: TRIBUTÁRIO – IMPORTAÇÃO – GUIA DE IMPORTAÇÃO – ERRO DE PREENCHIMENTO E POSTERIOR CORREÇÃO – MULTA INDEVIDA. 1. A legislação tributária é rigorosa quanto à observância das obrigações acessórias, impondo multa quando o importador classifica erroneamente a mercadoria na guia própria. 2. A par da legislação sancionadora (art. 44, I, da Lei 9.430/96 e art. 526, II, do Decreto 91.030/85), a própria receita preconiza a dispensa da multa, quando não tenha havido intenção de lesar o Fisco, estando a mercadoria corretamente descrita, com o só equívoco de sua classificação (Atos Declaratórios Normativos Cosit nºs 10 e 12 de 1997). 3. Recurso especial improvido.”(g.n.) (REsp 660682 / PE, Ministra ELIANA CALMONDJ 10/05/2006 p. 174)(g.n.) Portanto, ainda que existisse descrição errônea do produto importado, não há como se falar em dolo ou máfé da Recorrente, posto que a própria Administração chegou a encampar a descrição, o que demonstra realmente que houve o respaldo do Fisco para a descrição utilizada e que efetivamente há dúvidas quanto à classificação fiscal, situação Fl. 275DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 270 13 que por si, já descaracteriza a multa ao controle administrativo das importações por falta de tipicidade. Destarte, de acordo com os Ato Declaratório Normativo COSIT n. 12/1997, para que seja cabível a aplicação desta penalidade no caso de desclassificação fiscal, deve haver incorreta descrição da mercadoria com intuito doloso. Por estes motivos, dou provimento ao recurso voluntário. DA MULTA DE OFÍCIO Quanto às multas de ofício do imposto de importação e IPI, prescritas no art.44 da Lei n. 9430/1996, por “declaração inexata” da mercadoria, da mesma forma são inaplicáveis, pelo mesmo raciocínio expendido anteriormente. a) Ademais, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10 de 16.01.1997, D.O.U.: 20.01.1997, assim prescreve (com grifos nossos): “Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do Imposto de Importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou máfé por parte do declarante. 2Nos casos acima, os tributos devidos em razão de falta ou insuficiência de pagamento, exigidos no curso do despacho ou em ato de revisão aduaneira, serão acrescidos dos encargos legais, nos termos da legislação em vigor, a partir da data do registro da Declaração de Importação, relativamente ao Imposto de Importação, e do desembaraço aduaneiro, relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação.” Conforme já discorremos anteriormente, não há declaração inexata da mercadoria, descaracterizandose as penalidades, posto que além de a Recorrente deixar constar em todos os documentos que instruíram os respectivos despachos de importação, Fl. 276DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 o nome correto da mercadoria importada, é indubitável que não houve máfé, até mesmo porque a descrição utilizada foi até mesmo ratificada pelo próprio Fisco. Ademais, o princípio do in dubio pro contribuinte ou da "interpretação mais benigna", in casu, também milita a favor da Impugnante, ex vi do art. 112 do CTN . É esse o vetor dos seguintes acórdãos: "Acórdão 30128031 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA Produto DIAMINOIMID TORTA 100% Classificação no capítulo 38 pode se tratar de uma preparação química. Tratandose, contudo, de caso de classificação tarifária decorrente de interpretação dada à posição tarifária, não há como prevalecer a exigência da multa prevista no art.4o , inciso I , da Lei 8.218/91. " Acórdão 30233586 "CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. A incorreta indicação do código tarifário nos documentos que compõem o despacho de importação não enseja aplicação de penalidades, se as informações essenciais neles constantes, suficientes para sua correta classificação fiscal, não são contestadas. " "Acórdão 30328550 REVISÃO ADUANEIRA CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA O produto "TOLONATE HDB 75 MX (Poliisocianato Alifático, em solução a 75% dentro de uma mistura de acetato de Metoxiprobil/xileno), por ser uma "preparação endurecedora de resina sintética ( preparação diversa das indústrias químicas ) sua classificação tarifária enquadrase na posição TAB 3823.90.9999. Recurso parcialmente provido, para excluir do crédito tributário os valores correspondentes às penalidades descritas nos artigos 4, I, da Lei 8218/91, bem como do 364, II, do RIPI." Portanto, ainda que no mérito julguese devido o principal, corrigido monetariamente e com incidência dos juros de mora e multa de 1% por erro de classificação fiscal, não há que se cobrar a multa punitiva, por expressamente vedada por nosso ordenamento jurídico. Tendo sido vencida passo a enfrentar a multa por incorreta classificação fiscal de mercadoria. MULTA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO POR INCORRETA CLASSIFICAÇÃO FISCAL Fl. 277DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 271 15 A multa aplicada pela incorreta classificação fiscal está prevista no art. 84, § 2o, da Medida Provisória no 2.15835/2001, conforme abaixo: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou Em se entendendo tratarse de importação de mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul é aplicar a multa por erro de classificação fiscal instituída pela Medida Provisória n.215835 de 2001 acima descrita. No presente caso a responsabilidade é objetiva, independe da intenção do agente ou responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. É o que preceitua o artigo 136 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN). CONCLUSÃO Diante do exposto, entendendo que a classificação fiscal adotada pela Recorrente está correta, portanto dou provimento parcial ao recurso para excluir o Imposto de Importação e consectários legais (multa de ofício e juros de mora) lançados em face da classificação adotada pelo contribuinte, bem como para excluir a multa por falta de LI, mantendo apenas a multa de 1% aplicada com base no art. 84, I, da MP nº 2.158/35/2001. Ângela Sartori (assinado digitalmente) Voto Vencedor Emanuel Carlos Dantas de Assis, designado relator quanto à classificação fiscal e à exigência do Imposto de Importação e consectários legais. Reportandome ao relatório e voto da ilustre Relatora, peço licença para divergir em relação à classificação fiscal do produto Diquat Técnico, que entendo deva ser mantida na posição NCM 3808.30.29, como considerou a fiscalização, bem como à exigência do Imposto de Importação e respectivos consectários legais lançados (multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora conforme a taxa Selic). No mais – multa por falta de Licença de Importação, exonerada, e multa por classificação fiscal incorreta, mantida , acompanho o voto vencido parcialmente. CLASSIFICAÇÃO DO PRODUTO DIQUAT TÉCNICO Para classificar o produto em questão no Capítulo 29, e não no 38, o voto vencido levou em conta as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) desses dois Fl. 278DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 Capítulos, mencionando expressamente a Nota 1 do Cap. 29 segundo a qual as suas posições apenas compreendem "os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas", ressalvadas disposições em contrário e NESH específicas da posição 3808 – segundo as quais esta posição não compreende o naftaleno e outros produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente (ou em solução aquosas), os produtos referidos na posição 3808, dentre os quais os herbicidas, só se incluem nela quando apresentados em embalagens para venda a retalho. Afirma então o seguinte, nas palavras da admirável Relatora: Portanto, da leitura atenta das normas selecionadas do Sistema Harmonizado, vemos que o vetor que leva um produto químico com propriedades herbicidas ser enquadrado no Capítulo 38, é a forma de sua apresentação, que já estaria apta a ser utilizada pelo consumidor final, ou ‘pronta para uso’, como mencionado nas NESH, ainda que houvesse a necessidade de dissolver o produto em solução aquosa ou de outra natureza. (...) Portanto, a interpretação a ser dada à Nota 1, ‘a’, 2 do Capítulo 38 é justamente neste contexto, ou seja, caso o produto químico com propriedades herbicidas não puder ainda ser utilizado diretamente pelo usuário, de constituição química definida deverá ser incluído no Capítulo 29. Para mim, o Diquat Técnico deve ser enquadrado no Capítulo 38 por se tratar de uma preparação herbicida. Ainda que tenha composição química definida, a Nota 1 do Cap. 38 é clara, ao estabelecer o seguinte (negritos acrescentados): 1. O presente Capítulo não compreende: a) os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto os seguintes: 1) a grafita artificial (posição 38.01); 2)os inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas, inibidores de germinação e reguladores de crescimento para plantas, desinfetantes e produtos semelhantes, apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição 38.08; O texto da posição 3808, por sua vez, é o seguinte, verbis (negrito acrescentado): INSETICIDAS, RODENTICIDAS, FUNGICIDAS, HERBICIDAS, INIBIDORES DE GERMINAÇÃO E REGULADORES DE CRESCIMENTO PARA PLANTAS, DESINFETANTES E PRODUTOS SEMELHANTES, APRESENTADOS EM QUAISQUER FORMAS OU EMBALAGENS PARA VENDA A RETALHO OU COMO PREPARAÇÕES OU AINDA SOB A FORMA DE ARTIGOS, TAIS COMO FITAS, MECHAS E VELAS SULFURADAS E PAPEL MATAMOSCAS Segundo a Nota 1 acima transcrita, sendo herbicida a classificação é no Cap. 38, seja qual for a forma ou embalagem, contanto que dentre as previstas na posição 3808. E tais formas ou embalagens são as mais diversas, conforme o texto da 3808 (... apresentados em Fl. 279DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 272 17 quaisquer formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações ou....). Daí a rejeição da classificação no Cap. 29, como entendeu o voto vencido. A corroborar a classificação ora adotada, menciono o Acórdão nº 30234.168, processo nº 1128.004432/9695, sessão de 22 de fevereiro de 2000, cuja ementa transcrevo: Classificação Fiscal de Mercadorias. Solução aquosa de BROMETO de 1,1 ETILENO 2,2 — BIPIRIDILIO (DIQUAT) e substâncias inorgânicos à base de Fosfato e Potássio é uma PREPARAÇÃO HERBICIDA e como tal, classificavase no código NBM 3808.30.0199 (NCM 3808.30.29). Cabe transcrever também o voto do Acórdão acima, da lavra do ilustre Conselheiro Hélio Fernando Rodrigues Silva, que produzindo a melhor interpretação considerou o seguinte: ... o "litígio se resume em decidir se o produto importado se classifica como um produto químico de constituição química definida e isolado do Capítulo 29, como pretende a Impugnante, ou como um herbicida da posição 3808, como entendeu a fiscalização." Creio que, antes de mais nada, devemos recordar e delimitar alguns conceitos de química básica que se inserem na matéria sob análise, a fim de que o que se venha a decidir esteja assentado sobre fatos técnicos corretamente estabelecidos.; Nessa linha, transcrevo a seguir trecho da página 1 do Livro "Estudos de Química", volume dois, de Luciano do Amaral, Editora Moderna, 1ª edição: “...................................................................................................... Quando uma substância se dissemina no seio de outra sob forma de partículas, formase uma dispersão. A substância que se dissemina constitui a fase dispersa e é chamada o disperso. A substância que recebe no seu seio o disperso constitui a fase dispersante e é chamada dispersante ou dispergente. Em função do diâmetro das partículas dispersas, as dispersões podem constituir soluções, (...) e suspensões. Soluções, também chamadas soluções verdadeiras, são as dispersões em que o diâmetro médio das partículas dispersas é inferior a 1 nanômetro (1 nanomêtro é igual a 109 metros (...). As soluções são homogêneas (sistemas monofásicos). As partículas dispersas não são visíveis, não são filtráveis e não sedimentam nem pela centrifugação. Suspensões são as dispersões em que o diâmetro das partículas dispersas é superior a 100 nanômetros. As suspensões são heterogêneas (sistemas polifásicos). As partículas dispersas são visíveis ao microscópio, são filtráveis e se sedimentam. ......................................................................................................... Fl. 280DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 18 Nas soluções, a fase dispersa é chamada soluto ou dissolvido, e a fase dispersante é chamada solvente ou dissolvente. ......................................................................................................” Ainda no desenvolver objetivo do nosso curso relâmpago de química básica, devemos atentar para alguns trechos extraídos das páginas 13, 15, 17 e 18 do livro "Química Curso Completo", de Elie Politi, Editora Moderna, abaixo transcritos: “...................................................................................................... As substâncias puras, substâncias químicas ou ainda espécies químicas, são os difèrentes tipos de matéria, cada uma apresentando composição fixa e características (propriedades) bem definidas e catalogadas. ......................................................................................................... As substâncias puras: são formadas por moléculas quimicamente iguais entre si; apresentam propriedades bem definidas; tem composição química fixa e, portanto, podese estabelecer sua fórmula; As misturas: são formadas por moléculas quimicamente diferentes entre si; têm propriedades variáveis; têm composição variável e, portanto, não têm fórmula química seus componentes mantêm suas propriedades. ......................................................................................................... Quando suas moléculas são constituídas por átomos do mesmo elemento químico, a substância pura é dita simples. ........................................................................................................ Quando suas moléculas são constituídas por átomos de difèrentes elementos químicos, a substância pura é dita composta. .......................................................................................................; Com base no que acima recordamos, concluímos que o produto químico de nome comercial DIQUAT TÉCNICO e fórmula BROMETO de 1,1 ETTLENO 2,2 — BIPIRIDILIO, é uma substância pura composta, ou uma substância química de constituição química definida. Como resultado dessa constatação, em uma primeira análise, considerando que a citada substância pura composta integra uma solução aquosa, juntamente com substâncias inorgânicas à base de Fosfato e Potássio, poderíamos pensar enquadrar essa mercadoria no capítulo 29 da TEC, Produtos Químicos Orgânicos, pois a nota 1, alínea "d", deste capítulo determina Fl. 281DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 273 19 que ali se incluem as soluções aquosas de, entre outras, compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas. Entretanto, em um segundo momento, a constatação de que o produto químico sob exame é o princípio ativo de um herbicida; que a nota 1, alínea a, item 2, do Capítulo 38, estabelece que este capítulo não compreende os produtos de constituição química definida, apresentados isoladamente, exceto, entre outros, "os inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas (...) apresentados nas formas ou embalagens previstas na posição 3808", e, finalmente, que o texto da citada posição 3808 inclui os "(...) herbicidas, (....) apresentados em quaisquer formas ou embalagens para venda a retalho ou como preparações", faz nascer a dúvida de qual é o enquadramento tarifário correto do produto importado pela Recorrente. Ressaltese que a dúvida já instalada, tende a crescer quando se recorda que a Recorrente não importou a mercadoria sob exame para venda a retalho. Em casos como estes, ou seja quando, após aplicarmos a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado n° 1, constatamos que a simples leitura dos textos das notas de capítulo e de posição, por si só, não tem o condão de descortinar a classificação tarifária adequada, o caminho é recorrer as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH. E consultandose a NESH, página 756, nota 2, verificamos que se incluem na posição 3808 os herbicidas quando tenham características de preparações e que essas, conforme se expõe mais adiante na NESH, são constituídas por suspensões ou dispersões do produto ativo, em água ou em qualquer outro líquido, ou ainda, por misturas de outra espécie. Desta forma, considerando o até aqui apurado, é incontroverso que solução aquosa de BROMETO de 1,1 ETILENO 2,2 BIPIRIDTLIO (DIQUAT) e substâncias inorgânicas à base de Fosfato e Potássio, é uma preparação herbicida. Por outro lado, a NESH, também com relação à posição 3808, na página 755, notas 1 e 2, esclarece que os referidos produtos ( inseticidas, rodenticidas, fungicidas, herbicidas etc) só se incluem nesta posição: a) quando acondicionados de forma a não deixar dúvida quanto ao seu destino para venda a retalho; b) quando tenham características de preparações. E, em sendo assim, conforme destacou o julgador a quo, "o acondicionamento para venda a retalho não é uma condição indispensável para que tais produtos se classifiquem na posição 3808", bastando "que eles apresentem características de preparações, mesmo que intermediárias". Como prova de que o que a aqui se infere corresponde aos fatos, tal qual fez o julgador a quo, ressalto que a TEC/NCM, contém dois itens para os herbicidas: Fl. 282DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 20 ......................................................................................................... 3808.30.10 — Herbicidas apresentados em forma ou em embalagens para venda a retalho 3808.30.2 Herbicidas apresentados de outro modo 3808.30.21 À base de 2,4D, de 2,4DB ou de derivados destes produtos 3808.30.22 À base de Atrazina, de Alaclor, de Bentazon, de Diurion ou de EPTC 3808.30.29 – Outros Em conclusão, a solução aquosa de BROMETO de 1,1 ETILENO 2,2 BIPIRIDILIO (DIQUAT) e substâncias inorgânicas à base de Fosfato e Potássio, mesmo não tendo sido importada para venda a retalho, por ser ela uma preparação herbicida, classificase no código NCM 3808.30.29 (NBM 3808.30.0199) — Herbicidas apresentados de outro modo (Outros). IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO, MULTA DE 75% E JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC Também deve ser mantida a multa de ofício aplicada no percentual de 75% sobre o Imposto de Importação devido em face da classificação fiscal incorreta, bem como os juros de mora. Diante da falta de recolhimento apurada pela fiscalização, em face da classificação fiscal errôena da mercadoria importada, restou caracterizada evasão. O procedimento adotado pela contribuinte, ao classificar incorretamente a mercadoria e, consequentemente, não recolher integralmente os tributos devidos, não encontra guarida na lei. Daí a aplicação da penalidade, no percentual da legislação mencionada no auto de infração. Por último a aplicação da Selic como juros moratórios, tema pacífico que, inclusive, já contava com súmulas editadas pelos três Conselhos de Contribuintes, conforme o Anexo II da Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009. Atualmente, a Súmula CARF nº 4, de 2009, informa que “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” CONCLUSÃO Pelo exposto, divergindo da ilustre Relatora nego provimento em relação à classificação fiscal do produto Diquat Técnico, por interpretar que a posição NCM mais adequada é a do código 3808.30.29, bem como em relação à exigência do Imposto de Importação e respectivos consectários legais lançados (multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora conforme a taxa Selic). No que concordo com o voto vencido, também nego provimento para manter a multa por classificação fiscal incorreta, aplicada com base no art. 84, I, da MP nº 2.158/35/2001, e dou provimento parcial tãosomente para cancelar a multa do controle administrativo aduaneiro por falta de Licença de Importação. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11128.000828/200811 Acórdão n.º 3401001.971 S3C4T1 Fl. 274 21 Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 284DF CARF MF Impresso em 27/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 21/01/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 18/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSI S, Assinado digitalmente em 24/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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