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Numero do processo: 15586.001192/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA CONTÁBIL. DESNECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA CONTÁBIL. DESNECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Negado.
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA CONTÁBIL. DESNECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 11 92 /2 00 8- 71 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001192/200871 Acórdão n.º 2402004.021 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991 e no art. 4° da Lei 10.666/2003, combinados com o art. 216, inciso I e alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço, para as competências 01/2004 a 12/2004. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 13/15), o sujeito passivo deixou de arrecadar, mediante desconto de suas remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuinte individual. Essas contribuições são decorrentes das diferenças de base de cálculo apuradas no auto de infração principal (processos 15586.001134/200847 e 15586.001135/200891). O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 43) informa que foi aplicada em conformidade com os artigos 92 e 102, da Lei 8.212/1991; art. 283, inciso I e alínea “g”, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Os valores foram atualizados pela Portaria MPS n° 77, de 11/03/2008. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 25/08/2008 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 23/35), alegando, em síntese, que: 1. apesar de não inscrita no PAT, fornece alimentação diária aos funcionários no refeitório da empresa, e que de acordo com as Leis 6.321/76 e 8.212/91, os alimentos fornecidos pela empresa nos termos do PAT estão isentos da contribuição previdenciária sobre a folha de salários. A empresa seguia as regras do PAT, ainda que não formalmente inscrita, sendo que esta isenção não pode ser ignorada por não terem sido cumpridas formalidades não prevista em lei. A falha da empresa poderia ter sido sanada ante da emissão do auto de infração. O auxílioalimentação era feito através do fornecimento de refeições, e, mesmo não havendo o desconto da parte do trabalhador, não deve haver incidência de contribuição previdenciária; 2. o contribuinte individual Rubem Daniel Santos Silva não foi incluído em folha de pagamento, e nem a empresa realizou o recolhimento da contribuição de 20% sobre os valores pagos, pois este contribuinte sempre recolheu o INSS pelo teto, e ele mesmo já fazia sua declaração e contribuição, nada havendo a ser declarado pela empresa; Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 3. requer julgada improcedente á autuação, e protesta por todos os meios de prova em direito admitidos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ – por meio do Acórdão 1222.278 da 13a Turma da DRJ/RJO1 (fls. 107/114) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso (fls. 120/132), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que não é devida a contribuição previdenciária incidente sobre remuneração de contribuinte individual e que os valores apurados em decorrência do salário in natura possui natureza indenizatória. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Vitória/ES informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001192/200871 Acórdão n.º 2402004.021 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que o procedimento de auditoria fiscal não cumpriu a legislação de regência para a constituição do lançamento fiscal. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Verificase que a Recorrente, para as competências 11/2004 e 12/2004, documentos de fls. 74/76, deixou de arrecadar as contribuições previdenciárias do segurado contribuinte individual (Sr, Rubem Daniel Santos Silva), mediante desconto de suas remunerações, devidamente delineadas no Relatório Fiscal. Essas remunerações correspondem às diferenças de base de cálculo apuradas no auto de infração principal (processos 15586.001134/200847 e 15586.001135/200891). Com essa conduta a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991 e no art. 4° da Lei 10.666/2003, transcritos abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; ......................................................................................................... Lei 10.666/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009) Esse art. 30, inciso I e alínea “a”, da Lei 8.212/1991, assim como o art. 4° da Lei 10.666/2003, são claros quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Fl. 142DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, conforme dispõe em seu art. 216, inciso I e alínea “a”: DA ARRECADAÇÃO E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES (Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999) Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar a contribuição do segurado empregado, do trabalhador avulso e do contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) (g.n.) Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, percebe se, então, que a Recorrente – ao deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições do segurado contribuinte individual – incorreu na infração disposta no art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991 e no art. 4° da Lei 10.666/2003, combinados com o art. 216, inciso I e alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. A Recorrente insiste que é necessária a realização de perícia contábil para demonstrar a veracidade das suas argumentações expostas na peça recursal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de perícia contábil requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a perícia contábil só deverá ser concedida com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois ela só tem sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de pedido de perícia contábil quando se referir a matéria de fato, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a perícia contábil que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Verificase que a diligência não foi formulada de acordo com as disposições do art. 16 do Decreto 70.235/1972, pois lhe faltam os motivos e a formulação dos quesitos desejados para sua realização. Além disso, a matéria contestada não se refere à irregularidade nos valores apurados que demandasse tal revisão e os autos foram instruídos com os elementos contábeis fornecidos pela Recorrente (fls. 74/76), em que se poderiam extrair eventuais equívocos em que pudesse ter incidido o procedimento de auditoria fiscal. Portanto, caberia a Recorrente demonstrar o contrário por meio de documentos idôneos – tais como folhas de Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15586.001192/200871 Acórdão n.º 2402004.021 S2C4T2 Fl. 5 7 pagamentos, escrituração contábil, recibos de pagamentos, Guias de Recolhimentos (GPS), Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), dentre outros – que os valores declarados nas folhas de pagamento e na contabilidade, devidamente apresentados ao Fisco durante o procedimento de auditoria fiscal, não espelhavam a realidade contábil da empresa. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de procedência, ou não, do lançamento fiscal ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que, nos documentos de fls. 74/76, constam de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em realização de perícia contábil, eis que entendo que essa diligência é descabida no presente lançamento fiscal. Esse fato evidencia que a perícia contábil seja de pronto indeferida e considerada como não formulada. Assim reza o art. 16 da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto 70.235/1972). Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). Tratase de solicitação não necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, o art. 18 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a autoridade julgadora deverá indeferila: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine”. Assim, indeferese o pedido de perícia contábil, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Dentro desse contexto fático, depreendese do art. 113 do CTN que a obrigação tributária é principal ou acessória e pela natureza instrumental da obrigação acessória, ela não necessariamente está ligada a uma obrigação principal e decorre de cada circunstância fática praticada pela Recorrente, que será verificada no procedimento de Auditoria Fiscal. Em face de sua inobservância, há a imposição de sanção específica disposta na legislação nos termos do art. 115 também do CTN. Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal.(g.n.) As obrigações acessórias são estabelecidas no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos, de forma que visam facilitar a apuração dos tributos devidos. Elas, independente do prejuízo ou não causado ao erário, devem ser cumpridas no prazo e forma fixados na legislação. Outro ponto a esclarecer é que essa autuação não é calculada conforme a quantidade de descumprimentos da obrigação acessória, ou em quantos meses a obrigação foi descumprida. Assim, o cálculo é único, bastando um descumprimento para gerar a autuação com o mesmo valor, no caso em tela, as competências 11/2004 e 12/2004 em que a Recorrente deixou de arrecadar, mediante desconto de suas remunerações, as contribuições previdenciárias do segurado contribuinte individual (Sr, Rubem Daniel Santos Silva). Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/04/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11020.720364/2007-72
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. AVERBAÇÃO CARTORÁRIA.
Para exclusão da área de reserva legal da área tributável do imóvel, a reserva legal deve estar averbada no órgão de registro competente com a individualização da área de proteção em data anterior às ocorrências dos fatos geradores.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal com base no SIPT, no entanto é possível a impugnação do valor lançado de ofício com base em Laudo de Avaliação emitido por profissional competente com a respectiva ART/CREA no qual fiquem demonstradas as características individualizadas do imóvel que justificam um valor inferior ao constante no SIPT para o Município no qual está localizado.
MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2.
A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL. AVERBAÇÃO CARTORÁRIA. Para exclusão da área de reserva legal da área tributável do imóvel, a reserva legal deve estar averbada no órgão de registro competente com a individualização da área de proteção em data anterior às ocorrências dos fatos geradores. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal com base no SIPT, no entanto é possível a impugnação do valor lançado de ofício com base em Laudo de Avaliação emitido por profissional competente com a respectiva ART/CREA no qual fiquem demonstradas as características individualizadas do imóvel que justificam um valor inferior ao constante no SIPT para o Município no qual está localizado. MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2. A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 03 64 /2 00 7- 72 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de lançamento de ITR do exercício 2003, referente ao imóvel Fazenda Pinhão, decorrente de glosa parcial da área de Reserva Legal e alteração do VTN com base no Sistema Integrado de Preço de Terras – SIPT. Na impugnação o contribuinte alegou que estava providenciando a averbação da área de Reserva Legal, o que não poderia ser óbice à exclusão dessa área, pois o que importa é a efetiva destinação da área, sustentou que o VTN declarado está de acordo com o valor de mercado e que a multa de ofício é confiscatória. A impugnação foi indeferida, essencialmente, pela falta da averbação da área de Reserva Legal; pelo fato de o laudo apresentado não obedecer as normas da ABNT, pois falta/ou indicar a metodologia adotada, a pesquisa de mercado e a respectiva comprovação; quanto à alegação de que a multa é confiscatória, apontouse que não cabe ao julgador administrativo apreciar alegação de inconstitucionalidade de lei e que a multa aplicada obedeceu a previsão legal. A ciência do acórdão ocorreu em 23/04/2009 e o recurso voluntário foi interposto no dia 21/05/2009. Em síntese, as razões recursais são: a) a área de reserva legal deve ser excluída da área tributável porque é, de fato, de utilização limitada, e não houve averbação à margem do registro do imóvel por mero lapso e/ou impossibilidade, consistindo em questão de forma, o que conforme precedentes deste Conselho, do TITSP e do STJ, não deve impedir o pleito do recorrente; b) a averbação posterior é admitida pela própria Receita Federal no art. 10, §4º, inciso II da IN SRF nº 43/1997 e precedente do TRF da 4ª Região reconhecer ser prescindível a averbação; c) o VTN arbitrado, com base no SIPT, está em desacordo com valor de mercado do imóvel, que se situa na esconsta do Rio das Antas, em região de relevo irregular em solo de difícil cultivo, com grau de utilização agrícola de aproximadamente 20% da área total e os Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11020.720364/200772 Acórdão n.º 2802002.741 S2TE02 Fl. 143 3 documentos apresentado em atendimento à intimação fiscal e quando da intimação comprovam o efetivo preço do imóvel, sem a necessidade de laudo técnico; e d) a multa de ofício de 75% é confiscatória e viola o princípio da razoabilidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. DA RESERVA LEGAL O recorrente reconhece que não fez a averbação da área de reserva legal. A questão gira em torno da interpretação do §8º do art. 16 da Lei 4.771/1965 (incluído pela Medida Provisória 2.16667/2001) com o art. 10 da lei 9.393/1996, transcritos a seguir: "Art. 16 ......................................................................... § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) Lei 9.393/1996. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) §7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) A averbação de Reserva Legal no Registro de Imóveis não é mera formalidade ou ato de efeito declaratório. A natureza extrafiscal do ITR, exige que haja a comprovação da existência da Reserva Legal e sua demarcação antes da ocorrência do fato gerador, sem esses procedimentos não há como assegurar a utilização do tributo como instrumento de defesa do meio ambiente. A existência de julgados que dispensam a averbação prévia indica somente que se está diante de tema controvertido. Tanto que divergências no âmbito desse Conselho foram submetidas a julgamento na Câmara Superior de Recursos Fiscais. No âmbito da CSRF, a 2ª Turma é que detém a competência para julgar a matéria e proferiu o seguinte entendimento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA, A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR com base no ADA, que é o caso das áreas de proteção permanente, este documento passou a ser obrigatório, por força da Lei n° 10,165, de 28/12/2000. Tratandose de reserva legal, deve ser verificada a averbação no órgão de registro competente e a individualização da área de proteção em data anterior às ocorrências dos fatos geradores.Recurso especial negado. (acórdão 920200.987, de 17/08/2010, Relator Conselheiro Júlio César Viera Gomes, grifos acrescidos) O voto condutor do acórdão conteve,entre outros, os seguintes fundamentos: “Área de reserva legal: Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei nº 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Temse que a, ao alterar o art 16 da Lei nº 4.771/65, acrescentoulhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessonos o .§2º, com a seguinte redação, in verbis: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11020.720364/200772 Acórdão n.º 2802002.741 S2TE02 Fl. 144 5 "Art. 16.. §2º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área." Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo. Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts.1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Por essa razão é que o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então sobre aquela área o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei. Tomando a averbação da reserva legal como ato constitutivo podese mencionar também os seguintes acórdãos: nº 920200.988 e 920200.989 de 17 de agosto de 2010, 920201.001, de 17 de agosto de 2010, o acórdão 9202001.306, de 08/02/2011, o de nº 9202001.616, de 11/05/2011, o acórdão 9202001.734, de 26/09/2011 e o acórdão 92020 001.639, de 25/07/2011 que deram provimento ao recurso da PGFN quanto à Área de Reserva Legal (ARL) devido à falta da averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel. Frisese, ainda, que posteriormente àquele acórdão foi proferido o acórdão 9202001.796, de 24/10/2011 no qual foi dado provimento ao recurso especial da PFN considerando que era exigível a apresentação do ADA para excluir não somente a área de preservação permanente mas também a de reserva legal, ainda que houvesse laudo de avaliação e averbação cartorária. Ademais, a natureza de ato constitutivo da averbação da reserva legal também foi reconhecida no Mandado de Segurança nº 22.6889/PB, julgado pelo STF em 03/02/1999. No âmbito da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ também se entende que a averbação é um ato constitutivo da Reserva Legal de forma que somente após a averbação podese reconhecer a exclusão da Reserva Legal. REsp 1027051 / SC RECURSO ESPECIAL2008/00194411 Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS Relator(a) p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Fl. 167DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Data do Julgamento 07/04/2011 Ementa TRIBUTÁRIO E AMBIENTAL. ITR. ISENÇÃO. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO EXTRAFISCAL DA RENÚNCIA DE RECEITA. 1. A controvérsia sob análise versa sobre a (im)prescindibilidade da averbação da reserva legal para fins de gozo da isenção fiscal prevista no art. 10, inc. II, alínea "a", da Lei n. 9.393/96. 2. O único bônus individual resultante da imposição da reserva legal ao contribuinte é a isenção no ITR. Ao mesmo tempo, a averbação da reserva funciona como garantia do meio ambiente. 3. Desta forma, a imposição da averbação para fins de concessão do benefício fiscal deve funcionar a favor do meio ambiente, ou seja, como mecanismo de incentivo à averbação e, via transversa, impedimento à degradação ambiental. Em outras palavras: condicionando a isenção à averbação atingirseia o escopo fundamental dos arts. 16, § 2º, do Código Florestal e 10, inc. II, alínea "a", da Lei n. 9.393/96. 4. Esta linha de argumentação é corroborada pelo que determina o art. 111 do Código Tributário Nacional CTN (interpretação restritiva da outorga de isenção), em especial pelo fato de que o ITR, como imposto sujeito a lançamento por homologação, e em razão da parca arrecadação que proporciona (como se sabe, os valores referentes a todo o ITR arrecadado é substancialmente menor ao que o Município de São Paulo arrecada, por exemplo, a título de IPTU), vê a efetividade da fiscalização no combate da fraude tributária reduzida. 5. Apenas a determinação prévia da averbação (e não da prévia comprovação, friso e repito) seria útil aos fins da lei tributária e da lei ambiental. Caso contrário, a União e os Municípios não terão condições de bem auditar a declaração dos contribuintes e, indiretamente, de promover a preservação ambiental. 6. A redação do § 7º do art. 10 da Lei n. 9.393/96 é inservível para afastar tais premissas, porque, tal como ocorre com qualquer outro tributo sujeito a lançamento por homologação, o contribuinte jamais junta a prova da sua glosa no imposto de renda, por exemplo, junto com a declaração anual de ajuste, o contribuinte que alega ter tido despesas médicas, na entrega da declaração, não precisa juntar comprovante de despesa. Existe uma diferença entre a existência do fato jurígeno e sua prova. 7. A prova da averbação da reserva legal é dispensada no momento da declaração tributária, mas não a existência da averbação em si. 8. Mais um argumento de reforço neste sentido: suponhase uma situação em que o contribuinte declare a existência de uma reserva legal que, em verdade, não existe (hipótese de área tributável declarada a menor); na suspeita de fraude, o Fisco Fl. 168DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11020.720364/200772 Acórdão n.º 2802002.741 S2TE02 Fl. 145 7 decide levar a cabo uma fiscalização, o que, a seu turno, dá origem a um lançamento de ofício (art. 14 da Lei n. 9.393/96). Qual será, neste caso, o objeto de exame por parte da Administração tributária? Obviamente será o registro do imóvel, de modo que, não havendo a averbação da reserva legal à época do períodobase, o tributo será lançado sobre toda a área do imóvel (admitindo inexistirem outros descontos legais). Perguntase: a mudança da modalidade de lançamento é suficiente para alterar os requisitos da isenção? Lógico que não. E se não é assim, em qualquer caso, será preciso a preexistência da averbação da reserva no registro. 9. É de afastar, ainda, argumento no sentido de que a averbação é ato meramente declaratório, e não constitutivo, da reserva legal. Sem dúvida, é assim: a existência da reserva legal não depende da averbação para os fins do Código Florestal e da legislação ambiental. Mas isto nada tem a ver com o sistema tributário nacional. Para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. 10. A questão ora se enfrenta é bem diferente daquela relacionada à necessidade de ato declaratório do Ibama relacionado à área de preservação permanente, pois, a toda evidência, impossível condicionar um benefício fiscal nestes termos à expedição de um ato de entidade estatal. 11. No entanto, o Código Florestal, em matéria de reserva ambiental, comete a averbação ao próprio contribuinte proprietário ou possuidor, e isto com o objetivo de viabilizar todo o rol de obrigações propter rem previstas no art. 44 daquele diploma normativo. 12. Recurso especial provido. O entendimento da 2ª Turma foi ratificado com o acórdão nos Embargos Declaratórios, julgado em 09/08/2011, de forma que não há que se falar em entendimento consolidado no âmbito da 1ª Seção do STJ em sentido diverso ao adotado por este Conselheiro. Em decisão mais recente, publicada no Boletim Informativo do STJ n° 0533 houve novo precedente no sentido aqui proclamado. Vejamos: A isenção de Imposto Territorial Rural (ITR) prevista no art. 10, § 1º, II, a, da Lei 9.393/1996, relativa a área de reserva legal, depende de prévia averbação desta no registro do imóvel. Precedentes citados: EREsp 1.027.051SC, Primeira Seção, DJe 21/10/2013; e EREsp 1.310.871PR, Primeira Seção, DJe 4/11/2013. AgRg no REsp 1.243.685PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 5/12/2013. A exigência da prévia averbação – com a participação do órgão ambiental e delimitação da área de reserva legal deve ser vista como instrumento garantidor da efetividade das medidas extrafiscais de proteção ao meio ambiente, o que torna inaplicável a exegese que toma a existência de área de reserva legal como uma mera fração ideal da área total do imóvel independente de sua averbação. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Nesse sentido foi o voto do Ministro Sepúlveda Pertence no MS 22.688/PB, quando se referiu às áreas de preservação ambiental à luz da Lei 8.629/1993 (lei da Reforma Agrária): “Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que seja conhecidas, as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como não aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação lhe impõe. (...) Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2º do art. 16 da lei nº 4.771/65, não existe a reserva legal” O lançamento reportase à legislação vigente na data do fato gerador (01/01/2003), de forma que é improcedente invocar a IN SRF nº 43/1997, quando já revogada na data do fato gerador. O lançamento do ITR2003 foi disciplinado pela IN SRF 256/2002 e pelo Decreto 4.382/2002. Ausente a averbação prévia, não se deve excluir a área declarada como de reserva legal da área tributável do imóvel. DO VTN Verificase que o arbitramento do VTN baseouse no valor constante do Sistema de Preço de Terra – SIPT, por aptidão agrícola (fls. 08) o que encontra amparo no art. 14 da Lei 9.393/1996. No mesmo sentido, citamse os seguintes precedentes do CARF: Acórdão 2201001.986: (...) ITR. VTN. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. Por determinação legal, o arbitramento do VTN com base nos dados do SIPT deve levar em conta, necessariamente, as informações sobre aptidão agrícola. Não é válido o arbitramento realizado apenas com base nos dados sobre o valor médio declarado para a região, constante do sistema. (...) Acórdão 2802001.728 ARBITRAMENTO. VTN. Cabe à fiscalização arbitrar o VTN com base no SIPT, sempre que os valores apresentados pelo contribuinte não forem confiáveis, resguardado o direito de Fl. 170DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11020.720364/200772 Acórdão n.º 2802002.741 S2TE02 Fl. 146 9 apresentação de Laudo Técnico, com vistas a infirmar o valor arbitrado pelo Fisco. Acórdão 2802002.036 ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. VTN. LAUDO EMITIDO POR ENGENHEIRO HABILITADO. É legítimo o lançamento com base em VTN estabelecido pelo Sistema de Preço de Terras SIPT, se o Laudo de avaliação apresentado pelo recorrente não demonstra, de forma inequívoca, que as características que diferenciam o imóvel das demais terras do município justificam atribuir um VTN a valor de mercado na data do fato gerador inferior ao definido no referido sistema. Acórdão 2202002.115 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. A menos que o contribuinte apresente Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por engenheiro agrônomo ou florestal, com elementos de convicção suficientes para demonstrar que o valor da terra nua é inferior ao valor constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, mantémse o valor arbitrado pela fiscalização Na essência, esse procedimento é similar à prática adotada com base na lei 8.847/1994, quando o preço das terras era fixado por Instrução Normativa da Receita Federal, autorizada pelo art. 3º da referida lei, cuja legalidade foi reconhecida pela jurisprudência, a exemplo do RESP286.268/SP: TRIBUTÁRIO. ITR. 1. A Instrução Normativa nº 59/95 não violou a Lei nº 8.847/94. 2. Os elementos para apuração do valor da terra nua para fins de fixação do ITR, nos termos da Lei nº 8.847/94, são os fixados pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 8.847/94, em combinação com a IN nº 59/95. A autoridade fiscal desconsiderou o laudo apresentado por faltar indicação do grau de fundamentação, pois conforme seção 9.2 c/c seção 10.12 da ABNT NBR 146533 exigese , no mínimo, o grau de fundamentação I. O acórdão recorrido apontou que, na impugnação, nada foi acrescentado, além de consignar que (fls. 110): 0 interessado apresentou laudo técnico, porém, sua elaboração não obedeceu as normas da ABNT. Não foi demonstrada a metodologia utilizada, nem houve pesquisa de mercado, muito menos foi apresentado comprovações. Apenas se atribuiu um valor estimado, razão pela qual esse documento não é eficaz para modificar o VTN. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 No recurso voluntário, o contribuinte afirma que a documentação apresentada é suficiente para demonstrar a erronia do VTN constante no SIPT, sem a necessidade de laudo técnico. Ocorre que para alterar o VTN arbitrado com base no SIPT é necessário que haja laudo técnico de avaliação que permita seguramente demonstrar que o imóvel possui características que justifiquem o preço inferior ao constante do SIPT e que seja possível aferir a metodologia adotada e as fontes de pesquisa que subsidiaram a conclusão sobre o valor do imóvel na data do fato gerador. O laudo apresentado foi adequadamente apreciado pela Fiscalização e pelo Acórdão recorrido. Tratase de laudo no qual não há indicação do grau de fundamentação, nem da metodologia empregada e as fontes de pesquisas foram apenas superficialmente narradas, sem ser possível identificar como se chegou à conclusão sobre o valor do imóvel. DA MULTA DE OFÍCIO O requerente alega existência de confisco e violação ao princípio da razoabilidade, no tocante à multa de ofício. Esta assertiva entra no âmbito de aferição de constitucionalidade de lei, o que é defeso aos Órgãos administrativos. Tratase de matéria objeto da súmula nº 2 deste Conselho: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A multa exigida decorreu de aplicação de lei. A este Conselho compete o controle da legalidade dos atos administrativo e não da constitucionalidade das leis. De todo o exposto, concluise que se deve NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 172DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 24 /03/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11030.904077/2012-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 40 77 /2 01 2- 61 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 66 3 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 67 4 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 68 5 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 69 6 “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 70 7 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 71 8 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 72 9 contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 73 10 Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 74 11 fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 75 12 VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 76 13 Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 77 14 Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 78 15 Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 79 16 Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 80 17 mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 81 18 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. 1 ADC n° 18/DF Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 82 19 Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904077/201261 Acórdão n.º 3803005.515 S3TE03 Fl. 83 20 Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 35464.004554/2006-15
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2000 a 28/02/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD. DECADÊNCIA DE PARTE DO LANÇAMENTO. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. PREMIAÇÃO DE EMPREGADOS SEM PREVISÃO LEGAL. EXCLUSÃO DE JUROS E MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento em 04/12/2006 e que não ficou demonstrado nos autos que ele deixou de recolher a contribuição em relação aos pagamentos normais em sua folha de salários, para efeito do enquadramento às regras do CTN, aplicam-se aquelas dispostas no § 4º do art. 150 do referido diploma legal.
Da análise dos autos não foi possível encontrar elementos que justifiquem a nulidade do trabalho realizado pela autoridade lançadora.
Os prêmios pagos aos empregados da empresa recorrente, ao contrário do alegado, compõem efetivamente a remuneração dos trabalhadores, sendo, portanto, salário-de-contribuição.
Tendo em vista que o lançamento foi realizado em conformidade com a legislação tributária em vigor, não há que se falar em exclusão de juros e multas moratórias ou qualquer outro consectário legal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.031
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. As competências de dezembro de 2000 e anteriores estão fulminadas pela decadência, observada a regra do § 4º do art. 150 do CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2000 a 28/02/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD. DECADÊNCIA DE PARTE DO LANÇAMENTO. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. PREMIAÇÃO DE EMPREGADOS SEM PREVISÃO LEGAL. EXCLUSÃO DE JUROS E MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento em 04/12/2006 e que não ficou demonstrado nos autos que ele deixou de recolher a contribuição em relação aos pagamentos normais em sua folha de salários, para efeito do enquadramento às regras do CTN, aplicam-se aquelas dispostas no § 4º do art. 150 do referido diploma legal. Da análise dos autos não foi possível encontrar elementos que justifiquem a nulidade do trabalho realizado pela autoridade lançadora. Os prêmios pagos aos empregados da empresa recorrente, ao contrário do alegado, compõem efetivamente a remuneração dos trabalhadores, sendo, portanto, salário-de-contribuição. Tendo em vista que o lançamento foi realizado em conformidade com a legislação tributária em vigor, não há que se falar em exclusão de juros e multas moratórias ou qualquer outro consectário legal. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2119; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35464.004554/200615 Recurso nº 35.464.004554200615 Voluntário Acórdão nº 2803003.031 – 3ª Turma Especial Sessão de 19 de fevereiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PEPSICO DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 28/02/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. DECADÊNCIA DE PARTE DO LANÇAMENTO. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. PREMIAÇÃO DE EMPREGADOS SEM PREVISÃO LEGAL. EXCLUSÃO DE JUROS E MULTA. IMPOSSIBILIDADE. 1. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento em 04/12/2006 e que não ficou demonstrado nos autos que ele deixou de recolher a contribuição em relação aos pagamentos normais em sua folha de salários, para efeito do enquadramento às regras do CTN, aplicamse aquelas dispostas no § 4º do art. 150 do referido diploma legal. 2. Da análise dos autos não foi possível encontrar elementos que justifiquem a nulidade do trabalho realizado pela autoridade lançadora. 3. Os prêmios pagos aos empregados da empresa recorrente, ao contrário do alegado, compõem efetivamente a remuneração dos trabalhadores, sendo, portanto, saláriodecontribuição. 4. Tendo em vista que o lançamento foi realizado em conformidade com a legislação tributária em vigor, não há que se falar em exclusão de juros e multas moratórias ou qualquer outro consectário legal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 45 54 /2 00 6- 15 Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35464.004554/200615 Acórdão n.º 2803003.031 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. As competências de dezembro de 2000 e anteriores estão fulminadas pela decadência, observada a regra do § 4º do art. 150 do CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35464.004554/200615 Acórdão n.º 2803003.031 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – (RAT 2%). De acordo com o Relatório Fiscal de fl. 1327, as contribuições lançadas incidem sobre prêmios não transitados pela folha de pagamento e sobre as quais não houve recolhimento de contribuições previdenciárias. O valor apurado compreende as competências de 04/2000 a 02/2005. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 01 de agosto de 2007 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 28/02/2005 Documento: NFLD nº 37.052.7089 de 30/11/2006 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. JULGAMENTO. A propositura de ação judicial antes do lançamento implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria em que os pedidos administrativo e judicial são idênticos, devendo o julgamento aterse à matéria diferenciada. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PRÊMIOS VINCULADOS À PRODUTIVIDADE. CARTÕES DE PREMIAÇÃO “INCENTIVE HOUSE”. Tem natureza salarial, sendo base de cálculo de contribuição previdenciária, o pagamento de verba para estímulo ao aumento de produtividade dos segurados, e, portanto, com característica de prêmio. JUROS. TAXA SELIC. Sobre as contribuições sociais pagas com atraso incidem, a partir de 01.04.1997, juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. O Código Tributário Nacional autoriza a fixação de percentual de juros de mora diverso daquele previsto no § 1º do art. 161. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. O prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35464.004554/200615 Acórdão n.º 2803003.031 S2TE03 Fl. 5 4 do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamento Procedente. Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: O r. acórdão é nulo, por ter se omitido em relação à prova apresentada pela Recorrente, bem como pelo pedido de produção de prova pericial; Quando da lavratura da NFLD, já havia se operado a decadência relativamente a parte dos valores lançados; A contribuição ao SAT é ilegal; Em razão da suspensão da exigibilidade do suposto crédito, a autoridade fiscal não poderia ter procedido ao lançamento dos juros e multa moratórios; Os referidos prêmios não são parte da remuneração dos segurados da Recorrente, razão pela qual o provimento do presente recurso voluntário é, acima de tudo, medida que se impõe; À vista das razões de fato e de direito expostas, a Recorrente requer, como confia e espera, seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, para que: a) Seja declarado nulo o v. acórdão recorrido, devendo os autos serem remetidos à autoridade julgadora de primeira instância para que proceda a um novo julgamento, posteriormente à realização da perícia requerida e apreciação da prova documental; b) Alternativamente, caso assim não se entenda, para fins argumentativos, a Recorrente requer seja reformada a decisão recorrida, para que seja integralmente cancelada a NFLD combatida, tendo em vista que os prêmios pagos a seus empregados não compõem a remuneração dos mesmos, de forma que não integram a base de cálculo das contribuições fiscalizadas e arrecadadas pelo INSS e, ainda, porque a contribuição ao SAT é ilegal, pois viola de forma frontal os princípios da legalidade e da tipicidade tributárias, constantes do artigo 97 do Código Tributário Nacional; c) Ainda, alternativamente, caso se entenda pela exigibilidade dessa contribuição – o que é verdadeiramente inconcebível , requer a Recorrente sejam excluídos da autuação fiscal os montantes correspondentes aos juros e multa moratórios supostamente incidentes, pois, no momento em que foram os mesmos lançados, a exigibilidade do crédito tributário ao qual se referem estava suspensa, como, inclusive, ainda está; d) Por fim, caso não se entenda possível a apreciação a respeito da ilegalidade da contribuição para o SAT nestes autos, a Recorrente requer seja suspenso o presente processo, tendo seguimento somente após a prolação de decisão definitiva a esse respeito em sede judicial. Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35464.004554/200615 Acórdão n.º 2803003.031 S2TE03 Fl. 6 5 Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35464.004554/200615 Acórdão n.º 2803003.031 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Da Preliminar de Decadência No que se refere à decadência de parte do lançamento, razão assiste ao contribuinte, tendo em vista que a Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91. A partir de então, o instituto decadência em matérias previdenciárias passou a ser disciplinado pelas regras do Código Tributário Nacional – CTN. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento em 04/12/2006 e que não ficou demonstrado nos autos que ele deixou de recolher a contribuição em relação aos pagamentos normais em sua folha de salários, para efeito do enquadramento às regras do CTN, aplicamse aquelas dispostas no § 4º do art. 150 do referido diploma legal. Desse modo, reconheço a decadência relativamente à competência dezembro de 2000, bem como para as anteriores. Da Nulidade do Lançamento O contribuinte alega a nulidade do lançamento, em razão de suposta omissão em relação às provas apresentadas, bem como em relação à produção de prova pericial, considerando o indeferimento dessa última. Como bem posto no Relatório Fiscal de fls. 1.327 a 1.334, o lançamento se deu em virtude de o contribuinte ter implantado um sistema de premiação, sem o devido amparo legal, não transitando os valores pela folha de pagamento e, por conseguinte, sem qualquer recolhimento de contribuições previdenciárias. Por achar que a verba não devia ser tributada, o contribuinte elaborou e entregou as GFIPs de 04/200 a 02/2005, sem informar os valores relativos aos prêmios concedidos aos seus colaboradores. No lançamento está bem esclarecido que a autoridade administrativa executou seu mister em absoluta consonância com os regramentos que lhes são afetos, em especial o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. A constatação da falta cometida pela empresa se deu por meio da verificação dos documentos contábeis da empresa. Portanto, não há que se falar em nulidade do lançamento, como pretende o contribuinte. Da Ilegalidade do SAT Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35464.004554/200615 Acórdão n.º 2803003.031 S2TE03 Fl. 8 7 Com relação a este tópico, consta no acórdão recorrido (fls.1.814) que o contribuinte optou pela discussão judicial em relação à alíquota devida ao RAT/SAT, situação que o enquadra no § 3º do art. 126 da lei nº 8.213/91 c/c o art. 307 do Decreto nº 3.048/99, que dispõem sobre a renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. In casu, aplicase também a regra prevista na Súmula CARF nº 1 “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. No ponto, sem razão o contribuinte. Da Suspensão da Exigibilidade O pleito de suspensão da exigibilidade do crédito, sob a alegação de que a autoridade fiscal não poderia ter procedido ao lançamento dos juros e multa moratórios também não merece prosperar. No ponto, acompanho o entendimento contido no acórdão recorrido (fls. 1.814), inclusive no que diz respeito aos ensinamentos de Alberto Xavier, de que a suspensão regulada pelo art. 151 do Código Tributário Nacional paralisa temporariamente o exercício efetivo do poder de execução, mas não suspende a prática do próprio ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, nos termos do artigo 142 do mesmo Código, e necessária para evitar a decadência do poder de lançar. Sobre o tema, diz o Enunciado nº 03 aprovado pelo Pleno e Turmas da CSRF na Sessão de 29.11.2010, in verbis: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Assim, mais uma vez sem razão o contribuinte. CONCLUSÃO. Da análise dos autos não foi possível encontrar elementos que justifiquem a nulidade do trabalho realizado pela autoridade lançadora. Os prêmios pagos aos empregados da empresa recorrente, ao contrário do alegado, compõem efetivamente a remuneração dos trabalhadores, sendo, portanto, saláriode contribuição. Tendo em vista que o lançamento foi realizado em conformidade com a legislação tributária em vigor, não há que se falar em exclusão de juros e multas moratórias ou qualquer outro consectário legal. Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35464.004554/200615 Acórdão n.º 2803003.031 S2TE03 Fl. 9 8 Ao agir em desconformidade com a lei, o contribuinte assumiu riscos, não podendo agora imiscuir de sua responsabilidade. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. As competências de dezembro de 2000 e anteriores estão fulminadas pela decadência, observada a regra do § 4º do art. 150 do CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 3/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 19647.013203/2004-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thome, Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregorio, Joao Carlos de Figueiredo Neto
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thome, Francisco Alexandre Dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregorio, Joao Carlos de Figueiredo Neto RELATÓRIO Com base no permissivo do art. 33 do Decreto n. 70.235/72, HIPERCARD BANCO MÚLTIPLO S.A., sucessora por incorporação de HIPERCARD ADMINISTRADORA DE CARTÃO DE CRÉDITO LTDA., interpõe recurso voluntário em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 13 20 3/ 20 04 -2 1 Fl. 909DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19647.013203/200421 Resolução nº 1102000.162 S1C1T2 Fl. 3 2 face de acórdão proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ/REC), assim ementado, verbis: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando o ato administrativo de lançamento revestido de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais do imposto, calculadas com base em estimativa. O não recolhimento ou recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada prevista no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei 9.430/96. É cabível a aplicação da multa exigida em face do não recolhimento das estimativas mensais, concomitantemente com a multa proporcional referente ao CSLL devido e não pago ao final do período, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ Ano calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE DO ÁGIO PELA INCORPORADORA. A aquisição de participação societária de uma determinada empresa, com ágio, por outra que venha a ser incorporada, não permite a dedução do ágio pago, no cálculo do lucro real, pela incorporadora, haja visa que não se extinguiu o investimento anteriormente realizado. O ágio pago com fundamento em expectativa futura de lucro pode ser amortizado pela investidora, quando esta absorve o patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão desta última, a teor do disposto no inciso III do art. 386 do RIR, de 1999. Também a investida pode amortizar o referido ágio quando absorver o patrimônio da investidora (incorporação às avessas), a teor do inciso II do § 6º do mesmo artigo. EFICÁCIA DOS ATOS JURÍDICOS. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS. PROCEDÊNCIA. Carecem de eficácia os atos jurídicos em que a real intenção das partes não é por eles espelhada. Lançamento procedente.” O caso foi assim relatado pela Turma da DRJ/REC recorrida, verbis: “Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o auto de infração das fls. 21 a 24, formalizandose um crédito no montante de R$ 8.595.988,82, em virtude da constatação de recolhimentos a menor de estimativas mensais da CSLL. Os detalhes da ação fiscal estão descritos no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 32 a 51. Por agora, basta assinalar que o autuante elaborou o demonstrativo das fls. 51/52, considerando os valores apurados pela interessada, relativos à base de Fl. 910DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19647.013203/200421 Resolução nº 1102000.162 S1C1T2 Fl. 4 3 cálculo, incentivos fiscais, imposto de renda retido na fonte, e o IRPJ pago ou declarado em DCTF, ajustados pelos valores das infrações apontadas nos itens 1.2.1, 1.2.2, 2.3.1, 2.3.2, 2.4 e 4.2 do mencionado Termo, as quais, em apertada síntese, descrevemos a seguir: – no anocalendário de 2001, exclusão de R$ 62.155.035,13 no cálculo do lucro real apurado em 31/12/2001, a título de ágio já amortizado na empresa Comercial o Balaio S/A, decorrente de investimento efetuado por esta na empresa BR Participações e Empreendimentos S/A (item 1.2.1 do Termo de Verificação Fiscal); – nos anoscalendário de 2002 e 2003, amortizações de ágio, decorrentes do investimento citado no item anterior, com a contrapartida em conta de (outras) despesas operacionais, no montante de R$ 64.261.985,27 (item 1.2.2 do Termo de Verificação Fiscal); – no anocalendário de 2002, exclusão de R$ 8.077.164,21 no cálculo do lucro real, apurado na DIPJ de 25/09/2002, a título de ágio já amortizado na empresa BPBR Empreendimentos Ltda., decorrente de investimento efetuado por esta na empresa Bompreço S/A Supermercados do Nordeste (item 2.3.1 do Termo de Verificação Fiscal); – nos períodos de maio a agosto e setembro a dezembro do ano calendário de 2002, e no anocalendário de 2003, amortizações de ágio, nos montantes de R$ 2.398.673,01, R$ 2.398.673,03 e R$ 7.196.019,04, respectivamente, decorrentes do investimento citado no item anterior (item 2.3.2 do Termo de Verificação Fiscal); – dedução de despesas financeiras (variação cambial passiva e juros), nos montantes de R$ 169.247.693,34 e R$ 73.436.222,09, no período de abril a setembro do anocalendário de 2002 (item 2.4 do Termo de Verificação Fiscal). –nãoadição ao lucro líquido, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, de provisões do Pis e Cofins, com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (item 4.2 do Termo de Verificação Fiscal). 2. Em virtude de as sobreditas infrações terem absorvido os prejuízos fiscais, apurados pela interessada nos anoscalendário de 2001 a 2002, ele glosou as compensações de prejuízos efetuadas nas DIPJs de 31/03/02 e 31/12/03, nos montantes de R$ 2.189.333,33 e R$ 15.751.048,50, respectivamente (item 2.5 do Termo de Verificação Fiscal). Da mesma forma, glosou as compensações de bases negativas de CSLL apuradas nos períodos encerrados em 31/08/2002 e 31/12/2002 (DIPJs de 25/09/2002 e 31/12/2002), em face das infrações descritas nos itens 1.2.2, 2.3.2 e 2.4 (item 3.2 do Termo de Verificação Fiscal). 3. Devidamente intimada, a interessada apresentou impugnação, às fls. 181 a 226, contrapondo, inicialmente, como preliminar de nulidade, que o procedimento fiscal padeceria de vício insanável, pois, no seu entender, não teria sido “aplicada a legislação pertinente, ocorrendo no caso vertente a existência de bitributação no tocante às multas isoladas, bem como o procedimento fiscal referente à cisão não Fl. 911DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19647.013203/200421 Resolução nº 1102000.162 S1C1T2 Fl. 5 4 observou os requisitos formais expressos na Lei 6.404/76 (Lei de Sociedades por ações), Instrução CVM nº 247/96, §2º do art. 243, art. 386, inc. III, § 6º, inc. II e art. 426 do RIR/99, art. 36 da Lei 8.934/94.” (sic) 4. Acrescentou ainda que teria sido violado o disposto no (sic) “art. 59, I, do CTN c/c Portaria MF nº 3007/2001” (antes, contudo, reportouse ao art. 7º, inciso I, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, art. 100 do CTN e art. 2º da Portaria SRF 1.265, de 22 de novembro de 1999, este transcrito à fl. 117); 5. Quanto ao mérito, alegou, em síntese, que: 5.1 – o autuante teria se equivocado no tocante ao conceito de empresa controladora/controlada, ao conceito de ágio e à eficácia, para fins tributários, dos eventos de reestruturação societária. Nesse sentido, discorreu, didaticamente, sobre tais conceitos, verberando o autuante por ele ter afirmado que a Hipercard era indiretamente controlada pela Comercial o Balaio S/A, (sic) “como se tal fato pudesse descaracterizar a relação controladora/controlada então existente, bem não reconheceu ser a Hipercard coligada da BRPart”; e por ele ter, na sua intelecção, querido vincular os montantes dos ágios vertidos para ela, escriturados em contas do ativo da Comercial o Balaio S/A e da BPBR Empreendimentos ltda, com o valor pago por estas a título de ágio, por ação (quota), quando da aquisição dos respectivos investimentos na BR Participações e Empreendimentos S/A e BPSN – Bompreço Supermercados do Nordeste, sem considera as possíveis mutações nos Patrimônios Líquidos das investidas; 5.2 – não seria verdade que apenas a Comercial o Balaio S/A e a BR Participações e Empreendimentos S/A (1º evento), bem assim a BPBR Empreendimentos Ltda. E a BPSN (2º evento), poderiam beneficiarse do disposto no caput do art. 386 do RIR, de 1999, ou seja, escrituração do ágio em conta do ativo diferido e sua posterior amortização, à razão de 1/60 avos ao mês, vez que, no seu entender (sic) “não é essa a interpretação que se deve extrair desse normativo, quando feita de forma sistemática, dentro do conjunto da legislação fiscal e societária que rege os eventos de reestruturação societária”; 5.3 – nas reestruturações societárias, por fusão, incorporação ou cisão, a pessoa jurídica sucessora assumiria os direitos e obrigações decorrentes, ou seja, a parcela do patrimônio darseia (sic) “a título universal, sendo assim transferidos valores ativos e passivos”, o que afirmou ter ocorrido em relação aos bens, direitos e responsabilidades recebidos por ela por conta dos eventos cisão parcial da Comercial o Balaio S/A e da BPBR Empreendimentos Ltda., à luz do previsto nos §§ 1º e 3º do art. 229 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, c/c o art. 21 da Lei nº 9.249, de dezembro de 1995; 5.4 – o ágio pago pela Comercial o Balaio S/A, quando da aquisição do investimento na BR Participações e Empreendimentos Ltda., teria tido como fundamento econômico a expectativa de resultados futuros dela própria (Hipercard), por conta disso, no seu entender, deveria tal ágio ter o mesmo tratamento dado àqueles pagos em virtude de investimentos diretos. “Ademais, enquadrandose a Balaio S/A, relativamente à Hipercard, no disciplinado pelo inciso II do § 6º do art. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19647.013203/200421 Resolução nº 1102000.162 S1C1T2 Fl. 6 5 386 do RIR/99 e sendo a Hipercard sucessora dos direitos e obrigações contidos na parcela cindida da Balaio S/A e por ela incorporada, não há como, in casu, querer afastar a aplicação do caput desse normativo, reconhecendo como legal a amortização do referido ágio, como fez a impugnante nos anos calendários de 2002 e 2003” (sic). Este mesmo argumento apresentou com relação ao ágio vertido da BPBR Empreendimentos Ltda, amortizado nos anoscalendário de 2002 e 2003. 5.5 – os valores dos ágios por ela excluídos na apuração do lucro real, amortizados na Comercial o Balaio S/A e na BPBR Empreendimentos Ltda, já teriam sido oferecidos à tributação pelas empresas cindidas; que o inciso II do Parágrafo 6º do art. 386 do Decreto 3000, de 1999, reconhecerlheia o direito de deduzir como despesa o ágio não amortizado, e que o autuante não (sic) “poderia diferençar parcela já amortizada contabilmente na sucedida da parcela ainda a ser amortizada contabilmente na sucessora.” Ressaltou que o referido art. 386 determinaria a forma do tratamento fiscal ao ágio pago na aquisição do investimento, não devendo ser confundido “com o conceito de amortização do ágio” (sic), e que a legislação relacionada aos eventos de incorporação, fusão ou cisão trataria apenas e tão somente do ágio na aquisição de investimento, sem levar em consideração o tratamento contábil; 5.6 – por ter, na sua intelecção, observado todos os preceptivos legais concernentes aos atos de cisão, como antes explicado, inexistiria qualquer irregularidade quanto às compensações de prejuízo por ela realizadas; 5.7 – teria protocolizado em tempo hábil, nos termos do art. 36 da Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994, todas suas alterações contratuais, consoante certidão da JUCEPE, às fls. 1.441 e 1.442 do Processo nº 19647.013200/200497, não havendo falar, portanto, no seu entender, em descaracterização dos eventos societários envolvendo a Hipercard, a BPBR Empreendimentos Ltda. e a BR Participações e Empreendimentos S/A; 5.8 – sobressairia da leitura do caput e § 1º e 7º do art. 235 do RIR, de 1999, nas reestruturações societárias os atos praticados passam a ter efeito fiscal a partir da data do evento, considerada como sendo a da deliberação que aprovar a incorporação, fusão ou cisão, não havendo (sic) “na legislação tributária nenhuma alusão à data do protocolo ou registro dos atos societários no órgão público competente”; 5.9 – teriam sido observados todos os preceitos legais estabelecidos pela Lei nº 6.404, de 1976, de modo que não caberia (sic) “ao legislador fiscal, muito menos ao fisco, definir, nos casos de cisão, quais ativos e passivos devem compor a parcela do patrimônio da sociedade cindida a ser vertida para a sucessora.” Tal decisão dependeria, no seu entender, exclusivamente da vontade das partes, como afirmou ter ocorrido no caso em questão. 5.10 – a exigência da multa em questão seria incabível, vez que os ajustes das bases de cálculo do IRPJ, motivo de seu lançamento, também ensejaram o lançamento de multa de ofício prevista no inicio I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996, caracterizando Fl. 913DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19647.013203/200421 Resolução nº 1102000.162 S1C1T2 Fl. 7 6 se tal exigência, portanto, no dizer de suas palavras, “como excesso de exação”. Em seu apoio, trouxe à colação diversas ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes, às fls. 223 a 225. 6. Ante o exposto, solicitou o cancelamento da referida multa. 7. É o que importa relatar” A DRJ/REC, apreciando a impugnação da Autuada, sucedida pela Recorrente, houve por bem negarlhe provimento. As preliminares de nulidade do processo administrativo foram afastadas sob a premissa de inexistência de bitributação, vez que multa isolada (aplicada nestes autos) e multa de ofício (aplicada no lançamento do crédito tributário, em autos apartados) têm por fundamento situações jurídicas distintas, sendo que ambas foram verificadas no caso dos autos; e, ademais, despropositada a alegação de nulidade da autuação pelo contribuinte, com fundamento em referido tema, posto que “os casos de nulidade no âmbito do Processo Administrativo Fiscal são aqueles previstos nos incisos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972”. No mérito, entendeu não impugnadas as multas relativas aos anoscalendário de 1999 e 2000, posto que a irresignação da Autuada se limitou às multas relativas às glosas de IRPJ levadas a cabo pela Fiscalização. Particularmente quanto à glosa das exclusões e deduções relativas ao aproveitamento de ágio nas incorporações de patrimônios cindidos de Comercial O Balaio S.A. e BPBR Empreendimentos LTDA., a insurgência da Autuada, sucedida pela Recorrente, foi afastada pela DRJ/REC com fulcro nos seguintes argumentos: (i)a possibilidade de amortização do ágio na apuração do lucro real nos termos do art. 386, III, do RIR/99 (art. 7º, III, da Lei n. 9.532/97) ocorre no caso em que “a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados de exercícios futuros”; (ii)ademais, de acordo com o disposto no § 6º, inciso II, em consonância com o caput e inciso III de referido art. 386 do RIR/99, apenas a investidora ou a investida poderiam beneficiarse da possibilidade de amortização do ágio na apuração do lucro real, não sendo possível a amortização de ágio relativo a investimento em terceira empresa, detentora de participação na incorporadora (ágio da incorporada relativo a investimento indireto na incorporadora). A insurgência da Autuada, sucedida pela Contribuinte Recorrente, quanto às glosas de despesas financeiras, por sua vez, foi afastada pela Turma da DRJ/REC a quo sob o fundamento de que todos os atos de reestruturação adotados pela Autuada e respectivo grupo societário, não tinham propósito econômico, pois tiveram por única finalidade transferir àquela o ágio que, acreditavase, poderia ser aproveitado, e vultosa dívida, a qual deu origem às despesas financeiras incorridas pela Autuada e glosadas pelo autuante. As multas relativas às demais infrações foram mantidas por entender a DRJ/REC trataremse de reflexos dos demais lançamentos. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19647.013203/200421 Resolução nº 1102000.162 S1C1T2 Fl. 8 7 Por fim, entendeu a DRJ/REC que a concomitância entre multa isolada e multa decorrente do lançamento de ofício não seria suficiente para o cancelamento das multas lançadas nestes autos. Em 04/05/2006 foi postada intimação ao endereço da Autuada constante do registro no CNPJ. Referida intimação foi devolvida à Delegacia de jurisdição da Autuada, em razão de endereço desconhecido (conforme carimbos apostos ao envelope juntado à fl. 266). À fl. 272 dos autos há termo de ciência do contribuinte, o qual registra que procurador da empresa veio aos autos e lhe foi dada ciência da decisão da 3ª Turma da DRJ/REC em 14/09/2006. Em 16/10/2006 a Recorrente protocolizou seu recurso voluntário, no qual sustenta: impossibilidade de concomitância das multas dos incisos I e IV do art. 44 da Lei n. 9.430/96; impossibilidade de exigência de multa isolada após encerrado o anobase, sem a falta de pagamento de imposto; erro de fato na apuração da matéria tributável, posto que a Fiscalização apurou recolhimentos a menor inclusive nos anoscalendário de 1999 e 2000, em meses nos quais não se efetuou qualquer ajuste em relação ao IRPJ e, também, nos anos de 2001, 2002 e 2003, nos quais as diferenças apuradas para fins de cálculo da multa são maiores do que os ajustes de IRPJ efetuados, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal; admitindose que fosse possível a aplicação da multa isolada no caso dos autos, sustenta da Recorrente a prejudicialidade do julgamento dos recursos voluntários interpostos nos Processos n. 19647.013200/200497 e 19647.013201/200431; e por fim, a imprestabilidade da SELIC para efeitos de cômputo dos juros de mora. Às fls. 605/606, parecer do Titular da Delegacia da Receita Federal em Recife dando conta de que o contribuinte não haveria atendido todos os requisitos para o arrolamento de bens. Às fls. 615/736, pedido de reconsideração e documentos. Às fls. 738/739, notícia de que a incorporação da Autuada pela Recorrente fora autorizada pelo Banco Central. À fl. 746, despacho informando a regularidade do arrolamento, em vista da autorização do Banco Central para a incorporação referida. Em sessão de julgamento realizada em 09.07.2010, a Primeira Turma da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF (a) afastou a preliminar de preclusão do direito de impugnar as multas de ofício isoladas relativas aos anoscalendário de 1999 e 2000 e (b) resolveu converter o julgamento em diligência nos seguintes termos, verbis: “Outro ponto que merece destaque sobre o conhecimento do recurso relacionase à multa isolada relativa aos anoscalendário de 1999 e 2000, porquanto o recurso voluntário inova em parte os fundamentos de defesa da Contribuinte contra tais exigências. Tenho assente que as normas processuais que regem o processo administrativo fiscal devem ser interpretadas com menos rigor, especialmente aquelas relacionadas às fases postulatória e instrutória Fl. 915DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19647.013203/200421 Resolução nº 1102000.162 S1C1T2 Fl. 9 8 do procedimento. É de interesse da própria Administração proceder adequadamente ao controle da legalidade dos atos administrativos, pelo que é salutar que sejam flexibilizadas as regras que impeçam as partes (por razões temporais) trazer ao conhecimento do julgador elementos de fato e de direito que permitam melhor exame da controvérsia. Seguindo citada linha de interpretação, entendo que a preclusão de que trata o art. 17 do Decreto n. 70.235/72 deve ser aplicada apenas nas hipóteses em que o contribuinte deixa de contestar a própria tributação (ou melhor, infração) em impugnação e pretende fazêlo apenas via recurso ordinário (voluntário). “Matéria não impugnada” significa, em outros termos, “exigência/infração não contestada”: e é apenas essa a falta que não inicia o contencioso administrativo. A contrario sensu, impugnada a exigência, iniciado está o contencioso administrativo, no qual devem ser apreciados todos os argumentos de defesa apresentados pelo contribuinte em quaisquer de suas instâncias, ainda que não tenham sido suscitados originariamente em impugnação. A preclusão em referência não atinge os “fundamentos de defesa”, mas sim a “defesa” contra determinada exigência ou infração à legislação tributária caso esta não tenha sido feita em primeira instância administrativa. Tratase de aplicação dos princípios da instrumentalidade das formas e do formalismo moderado que informam o procedimento administrativo fiscal. Há precedentes desta Corte Administrativa nesse sentido. Vejase, a título ilustrativo, além do próprio acórdão paradigma colacionado neste recurso, ementa de acórdão proferido pela extinta Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, verbis: (...) Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário também no tocante às razões da Contribuinte de “impossibilidade de exigência da multa isolada após encerrado o ano base sem falta de pagamento do imposto” (item I.2 do recurso) e “erro de fato na apuração da matéria tributável: necessidade de revisão (até de ofício) do lançamento” (item II do recurso), notadamente no que se refere à alegada insubsistência das multas isoladas relativas aos anos calendário de 1999 e 2000. Para exame de tais questões, contudo, pareceme indispensável a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a d. Autoridade Fiscal (i) ateste a autenticidade dos documentos acostados ao recurso voluntário em confronto com as vias originais e escrita contábil da Contribuinte (notadamente fls. 406/493); (ii) ateste a existência (ou inexistência) de resultado positivo (ajuste) nos anoscalendário de 1999 e 2000, e, em caso afirmativo, informar o montante correspondente; (iii) informar o montante da base de cálculo da multa isolada aplicada caso sejam consideradas as alegadas compensações realizadas pela Contribuinte (fls. 52/53 e fls. 303/305), cuja existência também deverá ser atestada na diligência. Das verificações efetuadas, deverá ser lavrado Relatório de Diligência circunstanciado e dele ser dada ciência ao contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, querendo.” Fl. 916DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19647.013203/200421 Resolução nº 1102000.162 S1C1T2 Fl. 10 9 Realizada a diligência, conforme relatório acostado às fls. 763 e seguintes, os autos retornaram ao exame do recurso voluntário. É a síntese do necessário. VOTO Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme salientado no relatório fiscal supra, os lançamentos de multa isolada por não recolhimento de estimativas de CSLL relativos aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003 são reflexo de ajustes procedidos por meio dos autos de infração objeto dos Processos Administrativos n. 19647.013200/200497 e n. 19647.013201/200431, pelo qual foram glosadas deduções na apuração do lucro real da Contribuinte e foram exigidos IRPJ e CSLL, acrescidos de multa de oficio de 75% e juros de mora no período em referência. Em exame ao Processo n. 19647.013200/200497, a Primeira Turma da Segunda Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu acórdão, pelo qual foi dado parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o lançamento de IRPJ e CSLL quanto aos itens 1.2.1 e 1.2.2 e 2.4 do Termo de Verificação Fiscal e de CSLL quanto aos itens 2.3.1 e .2.3.2 do referido termo, determinandose à unidade de os respectivos ajustes no saldo de prejuízos fiscais e bases negativas do contribuinte (itens 2.5, 2.6, 3.1 e 3.2 do referido termo e cancelar a apuração de juros sobre a multa de ofício. Vejase, nesse sentido, ementa e parte dispositiva do acórdão, verbis: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCORPORAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. Não havendo referência no edital sobre a data da respectiva fixação no quadro de avisos da repartição pública, é de se computar o início do prazo recursal a partir do décimo sexto dia contado da data limite para cumprimento desta diligência (fixação). Preliminar de intempestividade do recurso superada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. MATÉRIA RELATIVA À EXECUÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO ABRANGÊNCIA. Nos termos do art. 1º c/c art. 25, II do Decreto n. 70.235/72, a competência do CARF limitase ao julgamento do processo de determinação e exigência do crédito tributário. Deve a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, repartição competente pela cobrança administrativa do crédito discutido, cuidar para que somente sejam exigidos os créditos tributários e respectivas multas lançadas nos autos de infração, e nos limites em que mantidos por este Conselho. IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO EM AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. A autorização para cômputo no lucro real das contrapartidas da amortização do ágio em razão de fusão, cisão ou incorporação, contida no art. 7º, III, e art. 8º da Lei n. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19647.013203/200421 Resolução nº 1102000.162 S1C1T2 Fl. 11 10 9.532/97 restringese ao caso em que patrimônio da sócia/acionista detentora do ágio absorve o patrimônio da sociedade cuja participação societária foi adquirida com ágio, ou viceversa, posto que os arts. 7º, III, e 8º da Lei n. 9.532/97 (e o art. 386 do RIR/99) referemse à absorção do patrimônio de sociedade por outra, entre as quais uma deve deter participação societária de outra (i.e., uma sociedade deve ser sócia/acionista da outra). Ademais, a autorização restringese ao ágio referente à aquisição da participação societária de uma sociedade em outra. Não se admite a amortização de ágio relativo à aquisição de participação societária em terceira sociedade, da qual o patrimônio não foi absorvido em razão de incorporação, fusão ou cisão. CSLL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO EM AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. LIMITE. ÁGIO EFETIVAMENTE PAGO. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial, posto que o art. 25 do Decretolei n. 1.598/77, com a redação dada pelo Decretolei n. 1.730/79, apenas veda o computo das contrapartidas de referida amortização no lucro real. O art. 57 da Lei n 8.981/95 ressalva a manutenção da base de cálculo da CSLL nos modos em que prevista na legislação específica, inexistindo, portanto, identidade entre a base de cálculo da CSLL e a do IRPJ. IRPJ. DEDUÇÃO. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. O art. 47 da Lei n. 4.506/64 e art. 299 do RIR/99 dispõe que são operacionais (e, portanto, dedutíveis para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ) as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações que atendam às necessidades do contribuinte. CSLL. DEDUÇÃO. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL consideradas indedutíveis pela legislação do IRPJ. O art. 47 da Lei n. 4.506/64 dispõe, apenas para a determinação do lucro real, que as despesas cuja dedução é admitida sejam aquelas necessárias à atividade ou à manutenção da fonte produtora do sujeito passivo. O art. 57 da Lei n 8.981/95 ressalva a manutenção da base de cálculo da CSLL nos modos em que prevista na legislação específica, inexistindo, portanto, identidade entre a base de cálculo da CSLL e a do IRPJ. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. Entendimento sumulado no âmbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e referendado pela Sessão Plenária do CARF de 8/12/2009: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INAPLICABILIDADE. Ilegítima a aplicação de juros de mora sobre a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal, exigida conjuntamente com o tributo não pago, posto que se referida penalidade já estivesse incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora Fl. 918DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19647.013203/200421 Resolução nº 1102000.162 S1C1T2 Fl. 12 11 previstos no artigo 161 do CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, não conheceram do recurso voluntário quanto à matéria execução do crédito tributário lançado nos presentes autos, e por unanimidade de votos, conheceram do restante do recurso. No mérito, deram provimento parcial nos termos do relatório e voto do relator, para: i) por unanimidade de votos, deram provimento ao recurso para afastar o lançamento de IRPJ e CSLL quanto aos itens 1.2.1 e 1.2.2 e 2.4 do Termo de Verificação Fiscal e de CSLL quanto aos itens 2.3.1 e .2.3.2 do referido termo, determinandose à unidade de os respectivos ajustes no saldo de prejuízos fiscais e bases negativas do contribuinte (itens 2.5, 2.6, 3.1 e 3.2 do referido termo; ii) pelo voto de qualidade, negaram provimento ao recurso para manter a exigência de IRPJ quanto aos itens 2.3.1 e 2.3.2 do TVF, vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos Vinícius de Barros Ottoni e Walmir Sandri, que davam provimento quanto a estes itens; iii) por maioria de votos, cancelaram a apuração de juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Flávio Vilela Campos.” Por sua vez, quanto ao Processo n. 19647.013201/200431, o Colegiado acima referido proferiu acórdão, pelo qual foi dado parcial provimento ao recurso voluntário apenas para excluir a incidência de juros sobre a multa de ofício aplicada, verbis: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCORPORAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA. NULIDADE. Após a entrega da DIPJ de incorporação, tem a Receita Federal conhecimento do evento societário. Em caso de tentativa frustrada de intimação via postal do sujeito passivo em seu endereço cadastrado no CNPJ, poderia a Receita Federal, com o conhecimento da informação acerca do evento da incorporação, encaminhar a intimação via postal também para o endereço da empresa incorporadora. Se não foram esgotadas as tentativas de intimação pessoal ou postal, não estão preenchidos os requisitos legais autorizadores da intimação por edital. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Por força do disposto no art. 26A do Decreto n. 70.235/72 e art. 62 do Anexo II da Portaria MF n. 256/2009, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. CSLL. PROVISÃO. TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. Os lançamentos contábeis efetuados com tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa caracterizamse Fl. 919DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19647.013203/200421 Resolução nº 1102000.162 S1C1T2 Fl. 13 12 como provisões e assim devem ser adicionados na determinação da base de cálculo da CSLL, em observância à vedação veiculada pelo art. 13, I, da Lei n. 9.249/95. Em vista da natureza dos argumentos aduzidos pela Contribuinte e da notória relação de prejudicialidade entre este processo e os PA´s n. 19647.013200/200497 e n. 19647.013201/200431, notadamente quanto às penalidades de ofício relativas aos anos calendário de 2001, 2002 e 2003, proponho a conversão do julgamento em diligência para que seja determinada a baixa desses autos à Delegacia de Origem para que esta aguarde o julgamento definitivo dos recursos interpostos no PA n. 19647.013200/200497 e no PA n. 19647.013201/200431 e proceda, se o caso, a revisão das bases de incidência das multas de ofício isoladas objeto deste PA. Após tais providências, lavrar Relatório de Diligência circunstanciado e dele dar ciência à Contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, retornandose os autos a esse Colegiado para ulterior julgamento. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Fl. 920DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
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Numero do processo: 10805.720033/2012-18
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010
MULTA QUALIFICADA
Cabível a qualificação da multa de ofício quando o intuito de fraudar se materializar em redução da base de cálculo do imposto e a obtenção indevida de valores expressivos de restituições de imposto de renda, mediante a prática de dedução de contribuições fictícias à previdência privada, apuradas em função da inserção de rendimentos recebidos de pessoas físicas, confessados inexistentes pelo próprio contribuinte, cujos efeitos dessa inserção foram anulados por meio da dedução, também inexistente, de despesas com livro caixa.
Exclui-se a multa qualificada imposta em relação às infrações em que o intuito de fraudar não ficou devidamente comprovado nos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2802-002.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a qualificação da multa de ofício quanto às infrações de n º 1 a 3 e 5 do auto de infração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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Excluise a multa qualificada imposta em relação às infrações em que o intuito de fraudar não ficou devidamente comprovado nos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a qualificação da multa de ofício quanto às infrações de n º 1 a 3 e 5 do auto de infração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 00 33 /2 01 2- 18 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Júnior e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Por bem resumir a situação tratada no presente processo até a fase impugnatória, abaixo transcrevo o relatório extraído do Acórdão nº 1638.050, proferido pela 19ª Turma da DRJ/SP1: Tratase de Auto de Infração (fls. 404/415), referente aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, que resultou no lançamento de um crédito tributário total de R$214.982,27, sendo R$ 77.939,18 de imposto, R$ 20.134,33 de juros de mora e R$116.908,27 de multa de ofício. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 398/403, consta que o contribuinte foi fiscalizado para apuração da legitimidade das deduções pleiteadas nas DIRPF´s relativas aos exercícios de 2008, 2009 e 2010. Intimado a comprovar os referidos abatimentos, o contribuinte pleiteou, inicialmente, prorrogação de prazo, apresentou, posteriormente, parte da documentação solicitada. Intimado a oferecer a documentação faltante, o contribuinte apresentou carta resposta informado que os valores declarados de R$ 700.000,00 no ano de 2008 e de R$ 600.000,00 no ano de 2009 não representam os efetivos recebimentos de pessoas físicas, de sorte que, diferentemente do que constou em DIRPF, não teria despesas nesses mesmos patamares em livro caixa. Também informou que não existiam os valores de FAPI pleiteados como dedução nas declarações citadas. Apresentou nessa mesma oportunidade, diversos recibos médicos, sendo que tais despesas não haviam sido incluídas em DIRPF´s, para os exercícios de 2008 a 2010. Dentre tais valores, constavam até plano de saúde pago por ele no período. Após nova intimação, não demonstrou os pagamentos solicitados, coincidentes em datas e valores, apresentando apenas um fluxo financeiro e extratos bancários de suas contas, alegando que se referiam aos pagamentos sob solicitação. Assim, foram glosadas as despesas com instrução (2007, 2008 e 2009), médicas (2007, 2008 e 2009), com previdência privada (2007, 2008 e 2009), com dependentes (2007, 2008 e 2009), com pensão alimentícia judicial (2007) e de livro caixa (2007 e 2008). Para o anocalendário 2008, o contribuinte apresentou documentação comprobatória referente à legitimidade da dedução de três dependentes e respectivas despesas com instrução, além de parte das despesas médicas, incluídas de ofício na declaração. Quanto ao livro caixa, dos R$ 719.716,00 declarados como dedução, a fiscalização considerou como glosa o montante de R$ 19.716,00, pois os R$ 700.000,00 declarados pelo contribuinte como recebimentos de pessoas físicas não teriam existido, conforme declaração dada pelo contribuinte durante o procedimento fiscal. Por fim, quanto ao anocalendário de 2009, a autoridade fiscal inclui de ofício despesas com dependentes no valor de R$ 5.191,20 e despesas com instrução de R$5.417,88. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10805.720033/201218 Acórdão n.º 2802002.807 S2TE02 Fl. 468 3 Como as despesas foram declaradas de forma sabidamente contrária à realidade dos fatos (dolo), foi aplicada multa qualificada de 150%. Destaca a autoridade fiscal que o contribuinte fez constar em suas declarações valores de rendimentos recebidos de pessoas físicas inexistentes (com a correspondente dedução de livro caixa) tão somente para possibilitar a dedução de alto valor como deduções, também sabidamente inexistentes e indevidas, com previdência privada. Isso porque a legislação limita as referidas deduções a 12% do valor do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a defesa de fls. 422/423, na qual alega não estar de acordo com imposição de multa de 150%, pois tratamse de questões técnicas de não aceitação das despesas apresentadas. As despesas teriam sido comprovadas, assim como a existência de fundos para os respectivos pagamentos, de forma que requer a aplicação da multa no percentual de 75%. Afirma que deferido o pedido de retificação, irá parcelar o pagamento mediante redução da multa de ofício em 40%. A parte não impugnada do débito foi transferida para o processo n° 10805.720281/201251, dandose prosseguimento na cobrança da parte incontroversa. A DRJ em São Paulo julgou improcedente a impugnação, ao argumento de que: Em verdade, não se tratam de meras questões técnicas. O que ocorreu, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 398/403, foi que o contribuinte, de forma sabidamente contrária à realidade dos fatos (dolo), fez constar em suas declarações valores de rendimentos recebidos de pessoas físicas inexistentes (com a correspondente dedução de livro caixa) tão somente para possibilitar a dedução de alto valor de despesas com previdência privada, também sabidamente inexistentes e indevidas. Isso porque a legislação limita as referidas deduções a 12% do valor do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. Além disso, pleiteou outras deduções igualmente inexistentes a título de instrução (2007, 2008 e 2009), de despesas médicas (2007, 2008 e 2009), com dependentes (2007, 2008 e 2009) e com pensão alimentícia judicial (2007). Tudo isso para reduzir o imposto a pagar ou incrementar o imposto a restituir. Portanto, a conduta dolosa do contribuinte resta comprovada até mesmo pela confissão de que referidas despesas inexistem. (...) No caso, o próprio contribuinte, ao confessar a inexistência das deduções pleiteadas, acaba por admitir o dolo de diminuir em DIRPF o tributo devido e, conseqüentemente, pagar menos imposto (anocalendário 2007) ou incrementar a restituição (anoscalendário 2008 e 2009). Cientificado em 02/05/2012, fls. 440, o interessado ingressou recurso voluntário em 28/05/2012, alegado, em síntese, que: há mais de 14 anos realizada suas declarações de rendimentos com o mesmo escritório de contabilidade, informando que este estaria sob investigação; Fl. 470DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 tomou conhecimento do conteúdo de suas declarações de rendimentos após notificação da infração; no período estava em quadro de depressão estando impossibilitado de conferir as tarefas realizadas pelo contador; é pessoa leiga no assunto e por isso contratou os serviços do escritório de contabilidade; não soube explicar os ocorridos, tendo em vista que desconhecia do caso, restando clara sua boa fé em prestar esclarecimentos quanto ao fato ocorrido, não se configurando a conduta dolosa; resta clara a culpa profissional do contador contratado, por sua conduta caracterizada como de negligência, imprudência ou imperícia; entende que a multa é abusiva e exorbitante; requer a exclusão da multa de ofício e demais multas abusivas enquadradas no presente caso; requer ainda que seja aplicada a redução de 40% tendo em vista sua intenção de quitar o débito sob a condição de parcelamento. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O litígio instaurado pelo presente processo se encontra limitado à qualificação da multa de ofício em percentual equivalente de 150% (cento e cinquenta por cento). A respeito do assunto, o Termo de Verificação Fiscal, fls. 402, destacou que a conduta do contribuinte em deduzir contribuições à previdência privada está relacionada ao fato de estas terem sido apuradas a partir da aplicação do limite legal de 12% (doze por cento) incidente sobre os altos valores declarados como rendimentos recebidos de pessoas físicas (R$ R$700.000,00, no anocalendário de 2008, e R$600.000,00, no anocalendário de 2009) que, por sua vez, restaram confessados inexistentes pelo próprio contribuinte. Para proporcionar a dedução dos valores deduzidos de contribuições à previdência privada, o contribuinte se valeu da dedução, também indevida, a título de livro caixa desses mesmos valores confessados inexistentes. Verificase, pois, que para usufruir da dedução indevida de contribuições à previdência privada, o contribuinte precisou equacionar uma operação que consistiu em inserir rendimentos, confessados inexistentes, em contrapartida de deduções, também confessadas inexistentes, realizadas a título de livro caixa. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10805.720033/201218 Acórdão n.º 2802002.807 S2TE02 Fl. 469 5 A meu ver, tal equacionamento deixa evidente a intenção do contribuinte em reduzir deliberadamente a base de cálculo do imposto de renda, caracterizandose, assim, a hipótese de fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, nos seguintes termos: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, esse fato propiciou ao contribuinte o recebimento de importâncias indevidas a título de imposto a restituir nos valores respectivos anoscalendário. Configurado, pois, o intuito de fraude materializado em redução da base de cálculo do imposto e a obtenção indevida de valores expressivos de restituições de imposto de renda, mediante a prática de dedução de contribuições à previdência privada fictícias, apuradas em face da inserção de valores de rendimentos recebidos de pessoas físicas, confessados inexistentes pelo próprio contribuinte, e que tiveram seus efeitos anulados por meio da dedução, também inexistente, de despesas com livro caixa. Ainda sobre o assunto, o recorrente pretende se eximir da responsabilidade pelas infrações sob a alegação de que confiou a terceiros a feitura de suas declarações, no caso um escritório de contabilidade. Nesse aspecto, vale observar que, nos termos do art. 7º da Lei nº 9.250, de 1995, a obrigação pela apuração do saldo de imposto de renda e pela entrega da Declaração de Ajuste Anual é da pessoa física, sujeito passivo da obrigação tributária. Consoante, ainda, disposições expressas no art. 121 e 122 do Código Tributário Nacional – CTN, a responsabilidade pela inexatidão da declaração de ajuste anual do imposto de renda é do próprio beneficiário dos rendimentos, que não pode desconhecêlos e deixar de oferecêlos à tributação. Ademais, seria bom observar que, pela própria definição dada no citado art. 121, do CTN, sujeito passivo é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Daí, descartase a pretensão do recorrente em querer eximirse da responsabilidade pessoal pela prática da dedução de despesas inexistentes que ensejaram a exigência do imposto de renda e a qualificação da multa de ofício aplicada em percentual equivalente a 150% (cento e cinquenta por cento). Portanto, uma vez caracterizada a hipótese de fraude nos presentes autos, correta a aplicação da multa de ofício qualificada pelo § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação data pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, incidente sobre os valores de lançados nos itens 004 e 006 do Auto de Infração, fls. 408/409. Quanto às glosas de deduções lançadas nos demais itens do auto de infração (itens 001 a 003 e 005), verificase do Termo de Verificação Fiscal que a imposição da multa qualificada se deu em virtude do fato de que elas decorreram da falta de comprovação da prestação dos serviços e da falta de documentação, de forma continuada nos anoscalendário fiscalizados. Portanto, nenhum outro elemento foi destacado pela fiscalização que pudesse evidenciar a conduta fraudulenta do contribuinte em relação a essas deduções. Ao contrário, Fl. 472DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 conforme se vê do próprio Termo de Verificação Fiscal, a dedução de tais despesas indevidas restou amenizada mediante o procedimento fiscal que resultou inclusão de ofício da dedução de outras despesas de mesma natureza que não foram consignadas nas respectivas declarações de ajuste anual pelo contribuinte . Tal atitude da fiscalização, a meu ver, enfraqueceu a acusação de existência de dolo, em relação a essa parte do lançamento. Portanto, entendo que deva ser excluída a qualificação da multa impostas aos lançamentos realizados nos itens 001, 002, 003 e 005 do Auto de Infração, reduzindoa ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento). Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa qualificada imposta em relação às infrações lançadas nos itens 001 a 003 e 005 do Auto de Infração. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 473DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10480.729061/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
VALORES INFORMADOS EM DIPJ. DIFERENÇA COM OS DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS.
Legítima a exigência, por lançamento de ofício, de diferença de tributo apurada a partir do confronto dos dados informados na DIPJ com os débitos confessados em DCTF e/ou pagos, se o contribuinte não logra apresentar prova que desconstitua a apuração.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
VALORES INFORMADOS EM DIPJ. DIFERENÇA COM OS DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS
Legítima a exigência, por lançamento de ofício, de diferença de tributo apurada a partir do confronto dos dados informados na DIPJ com os débitos confessados em DCTF e/ou pagos, se o contribuinte não logra apresentar prova que desconstitua a apuração.
Numero da decisão: 1301-001.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausentes justificadamente os Conselheiros, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri e Gilberto Baptista (Suplente convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 VALORES INFORMADOS EM DIPJ. DIFERENÇA COM OS DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS. Legítima a exigência, por lançamento de ofício, de diferença de tributo apurada a partir do confronto dos dados informados na DIPJ com os débitos confessados em DCTF e/ou pagos, se o contribuinte não logra apresentar prova que desconstitua a apuração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL VALORES INFORMADOS EM DIPJ. DIFERENÇA COM OS DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS Legítima a exigência, por lançamento de ofício, de diferença de tributo apurada a partir do confronto dos dados informados na DIPJ com os débitos confessados em DCTF e/ou pagos, se o contribuinte não logra apresentar prova que desconstitua a apuração.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 VALORES INFORMADOS EM DIPJ. DIFERENÇA COM OS DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS. Legítima a exigência, por lançamento de ofício, de diferença de tributo apurada a partir do confronto dos dados informados na DIPJ com os débitos confessados em DCTF e/ou pagos, se o contribuinte não logra apresentar prova que desconstitua a apuração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL VALORES INFORMADOS EM DIPJ. DIFERENÇA COM OS DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS Legítima a exigência, por lançamento de ofício, de diferença de tributo apurada a partir do confronto dos dados informados na DIPJ com os débitos confessados em DCTF e/ou pagos, se o contribuinte não logra apresentar prova que desconstitua a apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausentes justificadamente os Conselheiros, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 90 61 /2 01 1- 11 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 10480.729061/201111 AAccóórrddããoo n.º 1301001.344 SS11CC33TT11 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri e Gilberto Baptista (Suplente convocado). Relatório Em face da empresa Servitium Ltda. foram lavrados autos de infração para exigência de créditos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL do anocalendário de 2008. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal e o Termo de Constatação e Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, os dados referentes ao IRPJ e à CSLL foram obtidos através da DIPJ apresentada pelo contribuinte em confronto com os valores declarados em DCTF e os livros contábeis, conforme demonstrativos à fl. 21/22. A apuração se baseou nos valores de receita escriturados e declarados em DIPJ para os trimestres lançados, com dedução dos valores declarados em DCTF e dos valores pagos, conforme demonstrativos às fls. 21/22. Em impugnação tempestiva a interessada suscitou nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, por falta de clareza no procedimento adotado e pelo não atendimento dos requisitos formais. No mérito alegou suspensão da exigibilidade do crédito tributário lançado porque todos os valores lançados se encontram abrangidos pelo pedido de parcelamento da Lei nº 11.941/2009, e requereu a realização de perícia em sua escrita fiscal para verificação do alegado. Acrescentou ser inaplicável a multa de ofício por sua natureza confiscatória e, afinal, requereu nulidade dos Autos de Infração e improcedência da ação fiscal, caso assim não se entenda, redução da multa aplicada em razão do seu caráter confiscatório. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Recife julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionando plenas condições à interessada de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 10480.729061/201111 AAccóórrddããoo n.º 1301001.344 SS11CC33TT11 Fl. 4 3 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008 VALORES INFORMADOS EM DIPJ. DIFERENÇA COM OS DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS. Quando a impugnante não logra comprovar que improcede o lançamento da diferença de imposto apurada mediante confronto dos dados informados na DIPJ com os débitos confessados em DCTF e/ou pagos, mantémse a exigência correspondente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2008 VALORES INFORMADOS EM DIPJ. DIFERENÇA COM OS DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF E/OU PAGOS. Quando a impugnante não logra comprovar que improcede o lançamento da diferença de contribuição apurada mediante confronto dos dados informados na DIPJ com os débitos confessados em DCTF e/ou pagos, mantémse a exigência correspondente. Impugnação improcedente. Ciente da decisão em 24 de abril de 2013, a interessada ingressou com recurso em 27 de maio seguinte, no qual se limita a repetir que o relatório de fiscalização continha dados incorretos, afirmando ter encontrado várias divergências entre a real situação da empresa com os valores abrangidos pelo parcelamento da Lei nº 11.941/2009, reportandose ao doc. 03 da peça impugnatória. Com isso, insiste ser imprescindível a perícia técnica, seja na área administrativa ou judicial. Alega que a negativa da perícia desrespeita os direitos fundamentais previstos no art. 5] da Constituição, especialmente o do inciso LV. Reafirma a impossibilidade de cobrança por estarem os valores com sua exigibilidade suspensa em razão do parcelamento. Ressalta a impossibilidade de exigência da multa por seu caráter confiscatório e defende a possibilidade dos órgãos administrativos afastarem, Poe inconstitucionalidade, a aplicação de ato normativo. Alega, ainda impossibilidade de utilizar a Selic como taxa de juros moratórios. Requer, afinal o provimento do recurso e cancelamento do lançamento. É o relatório. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 10480.729061/201111 AAccóórrddããoo n.º 1301001.344 SS11CC33TT11 Fl. 5 4 . Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Recurso tempestivo e em conformidade com os pressupostos que o legitimam. Dele conheço. O cerne da defesa consiste em afirmar que na apuração das diferenças objeto de lançamento, não foram considerados os valores constantes do parcelamento da Lei nº 11.941/2009. O Termo de Verificação e Constatação Fiscal que instrui o lançamento relata minuciosamente como foi apurado o valor do crédito cobrado. Entre outras informações registradas pela autoridade fiscal, constam as seguintes verificações por ela feitas, em relação aos tributos objeto do presente lançamento: A contribuinte apresentou DCTF no anocalendário de 2008 com débitos de R$ 586.713,22 de IRPJ e de R$ 414.684,78 de CSLL, e apresentou DIPJ com débito de R$ 1.281.329,98 de IRPJ e de R$ 462.299,45 de CSLL. A Fiscalizada apresentou recibo de negociação de Parcelamento de Dívidas não Parceladas Anteriormente (art. 1º da Lei 11.491/2009), e da análise dos débitos consolidados verificase que foram incluídos neste parcelamento débitos de IRPJ e CSLL declarados em DCTF e referentes ao anocalendário de 2009. Foram verificadas divergências entre os débitos de IRPJ e CSLL declarados em DIPJ e os declarados em DCTF, tendo sido apuradas diferenças de valores que não foram declarados em DCTF nem pagos através de DARF’s. Às fls. 21 a autoridade fiscal faz demonstrativo, no qual consigna o valor do IRPJ e de CSLL devido a cada trimestre, o valor declarado em DCTF a cada trimestre, e a diferença (tributo devido menos tributo declarado em DCTF) que foi objeto de lançamento. O Doc. 3, ao qual a Recorrente se reporta para embasar sua afirmativa de que não foram deduzidos os valores que integraram o parcelamento, consigna os seguintes débitos inseridos no parcelamento, relativos a IRPJ e CSLL do anocalendário de 2008: Período apuração IRPJ (código 2089) CSLL (código 2372) 1º Trimestre 84.053,64 44.810,04 2º Trimestre 113.857,85 91.697,14 3º Trimestre 175.503,76 114.380,63 Tais valores, contudo, já foram deduzidos pela autoridade fiscal ao apurar a diferença a ser cobrada, uma vez que eles estão compreendidos nos valores declarados em Fl. 316DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 10480.729061/201111 AAccóórrddããoo n.º 1301001.344 SS11CC33TT11 Fl. 6 5 DCTF, como se constata no demonstrativo de fls. 21, que indica a dedução dos seguintes valores declarados em DCTF: Período apuração IRPJ CSLL 1º Trimestre 84.053,64 71.935,67 2º Trimestre 113.857,85 91.697,14 3º Trimestre 175.503,76 114.380,63 Quanto à solicitação de perícia, esta só se justifica quando não for possível trazer aos autos a prova do que se pretende demonstrar, o que não é o caso em questão, pois para afastar a exigência bastaria ao contribuinte trazer aos autos a prova de que os valores cobrados encontramse pagos ou confessados (por DCTF ou parcelamento deferido). Esta é uma prova que está ao alcance da Recorrente, não demandando qualquer perícia técnica. Por sua vez, a multa imposta é a prevista na lei vigente, descabendo a este Conselho afastar sua aplicação. Os Conselheiros têm o dever de cumprir o Regimento Interno do CARF, descabendo levar em consideração, em ato de julgamento, as considerações críticas a ele feitas pela Recorrente. Quanto à utilização da taxa Selic para dimensionar os juros de mora, tratase de matéria sumulada neste CARF, de observância obrigatória pelos seus membros, conforme impõe o Regimento: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Isto posto, não tendo a Recorrente alcançado desconstituir a acusação que deu causa ao lançamento, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 317DF CARF MF Impresso em 27/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10925.907246/2012-88
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2003
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÕES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 46 /2 01 2- 88 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) de PIS apurado no regime cumulativo, no valor de R$ 6.057,04, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido efetuado em 14/03/2002. Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907246/201288 Acórdão n.º 3803005.751 S3TE03 Fl. 64 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O direito ä restituição de tributo pago de acordo com o valor confessado em DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro nesta confissão e de que referido pagamento é indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. CONTRIBUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O ICMS, devido por responsabilidade tributária própria, compõe o preço da mercadoria e integra a base de cálculo da contribuição, mesmo numa visão de faturamento estreita à receita de vendas de mercadorias e/ou serviços. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 12 de outubro de 2013, irresignada, apresentou recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907246/201288 Acórdão n.º 3803005.751 S3TE03 Fl. 65 5 A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907246/201288 Acórdão n.º 3803005.751 S3TE03 Fl. 66 7 ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas, cujo ônus é seu. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 25 de março de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11030.904091/2012-65
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2066; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 74 1 73 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.904091/201265 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.528 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Recorrente INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS MARAU LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 40 91 /2 01 2- 65 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 75 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 76 3 art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 77 4 dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 78 5 Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 79 6 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 80 7 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 81 8 I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 82 9 bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 83 10 II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 84 11 desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 85 12 § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 86 13 Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 87 14 É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 88 15 imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 89 16 COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 90 17 AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 91 18 De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. 1 ADC n° 18/DF Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 92 19 Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904091/201265 Acórdão n.º 3803005.528 S3TE03 Fl. 93 20 É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 16045.000492/2010-37
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
PAGAMENTOS NÃO REGISTRADOS NA ESCRITURAÇÃO. COMPRAS DE MERCADORIAS EM NOME DE INTERPOSTA PESSOA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Restando demonstrado pela autoridade de lançamento, mediante procedimento de circularização, que a pessoa jurídica autuada efetuou aquisições de produtos em nome de interposta pessoa (laranja), realizando pagamentos que não foram registrados na escrituração contábil/fiscal e intimada, inclusive, para fazer a comprovação da escrituração dos pagamentos, não logrou êxito na produção de provas, autoriza a presunção legal de que tais recursos são provenientes de receitas omitidas.
O ônus probatório do fisco, nas presunções legais, resume-se à comprovação fato indiciário (fato conhecido) que, por ilação ou por inferência, autoriza a tributação do fato presumido.
Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nas infrações lançadas por presunção legal de que o fato probando ou presumido não ocorreu.
SIMPLES. EXTRAVIO DE LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL/FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
Cabe ao contribuinte guardar e conservar os livros contábeis e fiscais e a documentação com base na qual fez declaração ao fisco pelo Simples Federal.
Na hipótese de extravio/incêndio/inundação/enchente é do contribuinte o ônus da prova do fato no prazo e forma previstos no art. 264, § 1º, do RIR/99.
Independentemente da perda da espontaneidade, é obrigação do contribuinte refazer a escrituração com os elementos disponíveis, de modo a registrar suas operações.
O extravio de livros/documentos contábeis e fiscais não permite à Contribuinte abandonar a escrita contábil/fiscal, mormente quando existem meios de reconstituição dos livros e de apuração da receita bruta pela circularização.
INFRAÇÃO REFLEXA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO SOBRE A RECEITA DECLARADA.
Mantida a infração omissão de receitas, mantém-se a infração reflexa, inexistindo razão fática ou jurídica para decidir diversamente.
FRAUDE/SONEGAÇÃO FISCAL. INTERPOSTA PESSOA. DOLO. MULTA QUALIFICADA.
Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de pagamentos não escriturados e de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada que as compras foram efetuadas em nome de interposta pessoa.
REFLEXO. csll-simples, cofins-simples. pis-simples. contribuição para seguridade social - inss-simples.
Aplica-se às exigências reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente.
Numero da decisão: 1802-002.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 PAGAMENTOS NÃO REGISTRADOS NA ESCRITURAÇÃO. COMPRAS DE MERCADORIAS EM NOME DE INTERPOSTA PESSOA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Restando demonstrado pela autoridade de lançamento, mediante procedimento de circularização, que a pessoa jurídica autuada efetuou aquisições de produtos em nome de interposta pessoa (“laranja”), realizando pagamentos que não foram registrados na escrituração contábil/fiscal e intimada, inclusive, para fazer a comprovação da escrituração dos pagamentos, não logrou êxito na produção de provas, autoriza a presunção legal de que tais recursos são provenientes de receitas omitidas. O ônus probatório do fisco, nas presunções legais, resumese à comprovação fato indiciário (fato conhecido) que, por ilação ou por inferência, autoriza a tributação do fato presumido. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova nas infrações lançadas por presunção legal de que o fato probando ou presumido não ocorreu. SIMPLES. EXTRAVIO DE LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL/FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. Cabe ao contribuinte guardar e conservar os livros contábeis e fiscais e a documentação com base na qual fez declaração ao fisco pelo Simples Federal. Na hipótese de extravio/incêndio/inundação/enchente é do contribuinte o ônus da prova do fato no prazo e forma previstos no art. 264, § 1º, do RIR/99. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 04 92 /2 01 0- 37 Fl. 411DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 412 2 Independentemente da perda da espontaneidade, é obrigação do contribuinte refazer a escrituração com os elementos disponíveis, de modo a registrar suas operações. O extravio de livros/documentos contábeis e fiscais não permite à Contribuinte abandonar a escrita contábil/fiscal, mormente quando existem meios de reconstituição dos livros e de apuração da receita bruta pela circularização. INFRAÇÃO REFLEXA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO SOBRE A RECEITA DECLARADA. Mantida a infração omissão de receitas, mantémse a infração reflexa, inexistindo razão fática ou jurídica para decidir diversamente. FRAUDE/SONEGAÇÃO FISCAL. INTERPOSTA PESSOA. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de pagamentos não escriturados e de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada que as compras foram efetuadas em nome de interposta pessoa. REFLEXO. CSLLSIMPLES, COFINSSIMPLES. PISSIMPLES. CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL INSSSIMPLES. Aplicase às exigências reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 413 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 355/366 contra decisão da 5ª Turma da DRJ/Campinas (efls. 320/344) que julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário lançado pelos autos de infração do IRPJSimples e reflexos, quanto ao anocalendário 2005. Quanto aos fatos, consta que na DRF/Taubaté, em 24/11/2010, foram lavrados pela fiscalização da RFB os Autos de Infração do Simples Federal (IRPJSimples, PISSimples, CSLL – Simples, Cofins – Simples e Contribuição Previdenciária INSS – Simples), anocalendário 2005, em face da imputação das seguintes infrações (efls. 02/60): (...) 001 – OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À ESCRITURAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA PELA FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS DE COMPRAS REALIZADAS MEDIANTE A UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA ("LARANJA"), CONFORME DESCRITO NO RELATÓRIO FISCAL de fls. 242/253. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 2°, § 2°, 3º, § 1°, alínea "a", 5o, 7o, § Io e 18 da Lei n° 9.317/96; Art. 3o da Lei n° 9.732/98; Art. 24 da Lei n° 9.249/95; Art. 40 da Lei n° 9.430/96; Arts. 9°, § 3°, 12, § 2o do Decretolei n° 1.598/77; Art. Io, inc. II do Decretolei n° 1.648/78; Arts. 186, 187, 188, 190, § único, 199, 281, inc. II, 288 e 925 do RIR/99. (...) Valor tributável: receita omitida R$ 542.724,00, assim discriminada: PA RECEITA BRUTA MENSAL DECLARADA (R$) RECEITA OMITIDA (R$) RECEITA BRUTA ACUMULADA (R$) 31/01/2005 41.909,21 27.879,50 69.788,71 28/02/2005 24.079,60 41.790,00 135.658,31 31/03/2005 29.566,62 62.685,00 227.909,93 30/04/2005 30.560,92 31.292,00 289.762,85 31/05/2005 28.308,14 35.803,00 353.873,99 30/06/2005 28.604,87 21.580,50 404.059,36 31/07/2005 20.466,99 51.690,50 476.216,85 31/08/2005 18.860,04 42.765,00 537.841,89 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 414 4 30/09/2005 21.887,29 37.294,50 597.023,68 31/10/2005 29.334,79 55.542,00 681.900,47 30/11/2005 38.270,46 63.248,00 783.418,93 31/12/2005 40.910,22 71.154,00 895.483,15 TOTAL 352.759,15 542.724,00 Obs: 1 – Esses valores mensias de receita omtida constam do Auto de Infração do IRPJ – Simples (efls.18/19) e dos respectivos autos de infração reflexos do Simples. A receita omitida pela F.D.M Transportes Ltda foi apurada conforme pagamentos não escriturados (pagamentos de compras em nome de interposta pessoa – relação de boletos 2005/2006– fls. 63/64) demonstrativo do anocalendário 2005 (efls. 95/96). 2 – Em complento à narrativa dos fatos do Auto de Infração do Simples e reflexos – , infração omissão de receitas, consta do Relatório Fiscal (parte integrante dos lançamentos fiscais), em resumo ( efls. 243/254): 2.1) Diligências junto ao fornecedor: que a COMPHANHIA BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA, CNP: 33.069.766/000181, informou à RFB na DIPJ 2006, anocalendário 2005, que vendera produtos/combustíveis à empresa RIO SANTO LTDA, CNPJ: 04.539.249/000120, no período de janeiro a dezembro/2005, no montante de R$ 10.954.934,50; que, entretanto, a RIO SANTO LTDA informou à RFB, na DIPJ 2006, anocalendário 2005, receita bruta anual ínfima, não chegando a 1,5% desse valor de compras; que a COMPANHIA BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA então foi intimada pela fiscalização da RFB a prestar esclarecimentos quanto às operações comerciais com a RIO SANTO LTDA, e os desdobramentos dos fatos são os seguintes: (i) A IPIRANGA confirmou as vendas para a RIO SANTO LTDA no citado montante, no ano calendário 2005, juntando planilha detalhada, contendo relação de nºs das notas fiscais de venda, data da operação, valor , pagamento por boleto bancário, data de pagamento, banco etc, conforme planilhas (efls. 113/127); (ii) Foi então investigado pela fiscalização da RFB o local de instalação da empresa Rio Santo Ltda; foi constatado que essa empresa não teria porte econômico, e tão pouco capacidade para adquirir, armazenar e consumir tanto combustível, pois sua atividade consistia em levar turistas até o ponto do Rio Paraíba do Sul onde a imagem de Nossa Senhora foi encontrada e que para prestação desse serviço – utiliza uma pequena balsa, percorrendo um curto percurso. Além disso, não foram visualizados tanques que pudessem armazenar até 115 mil litros de óleo que eram adquiridos em um só dia; (iii) A IPIRANGA foi intimada, outra vez, agora para maior detalhamento das citadas venda. Em resposta a IPIRANGA INFORMOU que a RIO SANTO adquiriu, no período de janeiro a dezembro de 2005, produtos no valor, na verdade, de R$ 11.268.677,00 (combustíveis), e que esse valor corresponde a 7.546.000 (sete milhões, quinhentos e quarenta e seis mil) litros de compustíveis (óleo diesel), conforme planilhas dee fls. 133/139; (iv) Pelos indícios apurados pela fiscalização da RFB, a empresa RIO SANTO não seria a real adquirente dos produtos em comento, e que, muito provavelmente, havia sido usada como interposta pessoa ("laranja") para esconder a compra desses produtos (combustíveis); que possivelmente a aquisição desses produtos teria sido realizada com recursos mantidos à margem da escrituração/tributação pelo real adquirente, tornandose imperioso encontrar essa ou essas pessoa(s) física(s) e/ou jurídica(s); (v) Foi efetruada, pela fiscalização da RFB, outra intimação à IPIRANGA, agora para informar o nome e C.P.F. do seu funcionário (vendedor) que, no período de janeiro a dezembro de 2005, atendia a região de Aparecida, Guaratinguetá, Lorena e Roseira (efls. 140/141); Fl. 414DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 415 5 (vi) Na resposta, acostada a efl. 142, foi informado o nome do Sr. Luiz Eduardo Martinez Moreira Filho, C.P.F. n° 041.258.63636, doravante denominado Luiz Eduardo; b) Intimação do funcionário do fornecedor: No dia 03/07/2009, atendendo à intimação, o Sr. Luiz Eduardo compareceu na DRF/Taubaté/SP e firmou o Termo de Declaração de efls. 144/146, DECLARANDO, em síntese, que: a) como assessor comercial da IPIRANGA procurou a pessoa jurídica Extratora Itaguaçu, cujo sócio, conhecido por CLÁUDIO BRAGA, após concordar em incluir a IPIRANGA no rol dos fornecedores da EXTRATORA ITAGUAÇU, apresentou documentação solicitando o cadastro das pessoas jurídicas EXTRATORA ITAGUAÇU, RIO SANTO E CDM junto à IPIRANGA, para que pudessem realizar pedidos de compra de combustíveis e lubrificantes fornecidos por ela; b) reconhece ter realizado vendas ao Sr. CLÁUDIO BRAGA, no ano de 2005, conforme a planilha de fls 147/158 (elaborada com base na informação encaminhada pela IPIRANGA às e fls. 133/139); c) no local da visita ao Sr. CLÁUDIO BRAGA (atrás do Magic Park em Aparecida) funcionavam as empresas RIO SANTO e EXTRATORA ITAGUAÇU, onde existiam tanques aéreos para armazenamento de combustível, duas bombas de combustível e vários caminhões com a logomarca ITAGUAÇU, o que justificaria a compra de combustível por essas empresas; d) que o Sr. Cláudio Braga cadastrou caminhões para retirar o produto diretamente da filial da IPIRANGA em São José dos Campos/SP. c) Identificação dos reais pagadores dos boletos bancários: De acordo com as informações do sistema CNPJ, a empresa RIO SANTO tem seu endereço na Av. Itaguaçu, S/N, conforme declarou o Sr. Luiz Eduardo, mas, ainda no sistema de informação interno da RFB, consta que seus sócios são JEFERSON LUIS LINO DOS SANTOS, C.P.F. 178.161.82830 e CLAUDIA LINO DOS SANTOS MANTOVANI, C.P.F. 050.189.92867, não havendo, portanto, alguém de nome CLÁUDIO BRAGA em seu quadro societário; Com base nesses dados cadastrais levantados em relação à RIO SANTO e considerando o seu diminuto porte e capacidade, levantados pela fiscalização em sua visita ao local (efls. 159/164), restou evidente que a pessoa jurídica RIO SANTO foi utilizada como "laranja" (interposta pessoa), com grande possibilidade da participação do citado Sr. CLÁUDIO BRAGA; Diante disso, o único caminho para chegar ao real ou reais adquirente(s) dos combustíveis/lubrificantes e, sendo o caso fazer o lançamento e a cobrança dos tributos sonegados, seria identificar os REAIS PAGADORES DOS BOLETOS BANCÁRIOS EMITIDOS EM FAVOR DA IPIRANGA CONTRA A RIO SANTO, os quais, segundo informação prestada pela IPIRANGA em resposta à intimação, haviam sido emitidos pelo Banco BRADESCO, por meio de sua Agência 23736, conta corrente n° 13.6662 e de sua Agência 27820, conta Cobrança n° 01011405 (fls. 141) ; A RFB solicitou ao Ministério Público Federal em GuaratinguetáSP que obtivesse, via judicial, junto ao BRADESCO, a identificação da(s) pessoa(s) física(s) e/ou jurídica(s) que realizaram os pagamentos dos boletos bancários emitidos em favor da IPIRANGA contra a RIO SANTO, elencados pela IPIRANGA em sua resposta a intimação de efls. 113/127; Por Ordem Judicial, a resposta do BRADESCO se deu por meio da planilha de efls. 166/180, encaminhada pelo Excelentíssimo Sr. Dr. Procurador da República em GuaratinguetáSP, por meio do Ofício n° 2009.000909/PRM/GRT, de 23/11/2009 (efls. 165), na qual o banco elencou algumas pessoas jurídicas como as REAIS PAGADORAS DOS BOLETOS, dentre as quais a F.D.M TRANSPORTES LTDAME, C.P.N.J.: 05.832.650/000117; Fl. 415DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 416 6 d) Pesquisas complementares: Pesquisa foi realizada nos sistemas da RFB, a qual revelou que a F.D.M TRANSPORTES LTDA ME, C.P.N.J.: 05.832.650/000117, doravante denominada F.D.M, localizada à Av. Juvenal Arantes, n° 710 Jd. Paraiba AparecidaSP, tem como sócios FLAVIO DOAN SANTOS DEL MÔNACO BRAGA, C.P.F. 331.893.64800 e FÁBIO DOAN SANTOS DEL MÔNACO BRAGA, C.P.F. 309.653.85817, FILHOS DE CLÁUDIO DOAN DEL MÔNACO BRAGA, C.P.F. 494.129.49804 e MARIA DE FÁTIMA LINO DO SANTOS BRAGA, C.P.F. 740.553.80887, ESPOSA DE CLÁUDIO DOAN DEL MÔNACO BRAGA E IRMÃ DE CLAUDIA LINO DOS SANTOS MANTOVANI (SÓCIA DA RIO SANTO); Foi verificado pela RFB que os pagamentos realizados pela F.D.M em nome da RIO SANTO totalizaram, no anocalendário de 2005, a importância de R$ 542.724,00 (quinhentos e quarenta e dois mil, setecentos e vinte e quatro reais) (efls.63/64 e 95/96) , enquanto a receita bruta total declarada pela FDM na DSPJ 2006 / 2005 foi de R$ 352.759,15 (trezentos e cinqüenta e dois mil, setecentos e cinqüenta e nove reais e quinze centavos) (efls. 238); Ainda, a IPIRANGA, em 26/11/2009, foi intimada para apresentar cópia das notas fiscais referentes vendas para RIO SANTO (fls.180/182). Como resposta a IPIRANGA apresentou o conjunto das notas solicitadas, do qual, para instruir o presente procedimento, foram extraídas as relativas aos pagamentos efetuados pela FDM (fls. 181/220); Como visto, há um feixe, uma gama de indícios apontando para utilização da RIO SANTO como interposta pessoa ("laranja"), para encobrir a aquisição de combustíveis por parte da F.D.M, com o claro intuito dessa última de OMITIR RECEITAS e SE EXIMIR DO PAGAMENTO DE TRIBUTOS. (...) 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada em decorrência de OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA pela FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS DE COMPRAS REALIZADAS MEDIANTE A UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA (“LARANJA”), CONFORME DESCRIÇÃO NO RELATÓRIO FISCAL de fls. 242/253. (...) Enquadramento legal: Lei nº 9.317/96, art.5º, c/c art. 3º da Lei nº 9.732/98; RIR/99, e arts. 186 e 188. O crédito tributário lançado de ofício, no âmbito do Simples Federal, perfaz o montante de R$ 175.266,48 para o anocalendário 2005, valor na data da lavratura dos autos de infração, que está assim especificado por exação fiscal: Auto de Infração Principal Juros de Mora (calculados até 29/10/2010) Multa qualificada de 150% Total IRPJSimples 2.504,73 1.435,03 3.757,05 7.696,81 PISSimples 2.504,73 1.435,03 3.757,05 7.696,81 CSLL – Simples 5.829,94 3.487,73 8.744,86 18.062,53 CofinsSimples 11.659,83 6.975,48 17.489,71 36.125,02 INSS – Simples 34.194,29 20.199,65 51.291,37 105.685,31 Total 175.266,48 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 417 7 A Contribuinte tomou ciência do lançamento fiscal em 25/11/2010, por intermédio de representante legal, no corpo dos próprios autos de infração; apresentou impugnação em 24/12/2010 (fls.266/291), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que iniciado o procedimento de fiscalização, a Impugnante apresentou os documentos que tinha disponíveis e quanto aos livros foram extraviados por forte enchente; que justificou a falta de apresentação dos livros, mediante Boletim de Ocorrência, publicado em jornal de circulação local, informando a impossibilidade de reconstituição da escrita contábil, em razão do extravio de documentos comerciais; que informou ao fisco que os pagamentos de boletos em nome da empresa RIO SANTO são justificados por mútuos contraídos junto à aquela empresa; que a Rio Santo não é uma empresa “laranja”; que exerce atividade lícita; que utiliza combustível diesel, adquirido da COMPANHIA IPIRANGA, para desempenhar sua atividade econômica, ou seja, para abastecimento dos barcos que transportam tustistas que visitam o local onde a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada; que a empresa Rio Santo tem como sócia a Senhora Cláudia, tia dos sócios da Impugnante, Srs. Flávio Doan Santos Del Mônaco Braga e Fábio Doan Santos Del Mônaco Braga; que a Sra. Cláudia declarou desconhecer a aquisição por sua empresa de combustível da IPIRANGA; que tal desconhecimento é natural, pois, de fato, ela não era a administradora da empresa; que o Sr. Luiz Alberto Mantovani, então sócio da Rio Santo (sócio já falecido) tinha com os Srs. Flávio e Fábio (sócios da Impugnante) diversas relações comerciais e familiares; que havia dívidas (mútuos verbais) entre eles, e entre a empresa Impugnante e a Rio Santo; que o Sr. Cláudio, pai do Srs. Fávio e Fábio (sócios da Impugnante) fez o cadastrado da CDM e da Rio Santo junto à COMPANHIA IPIRANGA, fato natural para empresas familiares; que a Impugnante é uma uma empresa do SIMPLES federal; que à luz do art. 110 do CTN e art. 5º da Lei nº 9.317/96, os valores de receita omitida não subsumem ao conceito contábil de receita bruta (despesas não podem ser equiparadas a receitas); que, logo, o lançamento não deve prosperar; que o pagamento de boletos bancários pela Impugnante (boletos em nome de terceiros) não configura receita bruta o respectivo valor pago, mas sim corresponde a uma despesa; que não há omissão de receitas, no caso; que a presunção não deve prevalecer, pela falta de provas; que não há prova de ingresso de receitas na conta bancária da Impugnante, cujo sigilo bancário restou quebrado por ordem judicial; que receita corresponde a ingresso de numerário e que, no caso, não houve ingresso, mas sim pagamento de despesa (desembolso); que o pagamento dos boletos para a Rio Santo decorreu de quitação de mútuos verbais, entre os sócios da Impugnante e a Rio Santo; Fl. 417DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 418 8 que a fiscalização da RFB não comprovou a omissão de receitas; que o ônus da prova da ocorrência de presunção de omissão de receitas é do fisco; que, em face da existência de dúvida quanto à omissão de receitas, deve ser aplicada o princípio in dubio pro contribuinte (CTN, art. 112, II); que não restou caracterizado o dolo de sonegação fiscal, fraude ou conluio; que é incabível, no caso, a multa qualificada de 150%; que a multa qualificada tem caráter confiscatório, por ser excessiva, desproporcional. Por fim, a Contribuinte pediu a improcedência do lançamento fiscal, reiterando: que os pagamentos de boletos bancários em nome da Rio Santo decorreram de quitação de empréstimos (mútuos verbais) entre sócios das empresas (parentes); que o pagamento de despesa não pode ser equiparada a receitas; que o fisco não comprovou qualquer ingresso de receitas na conta corrente bancária da Impugnante; que o fisco apenas utilizouse de presunção legal; que o ônus da prova da infração imputada é do fisco; que, subsidiarimente, quanto à imputação: a) das infrações não pode prosperar o lançamento fiscal, pois não houve má fé, pelo fato dos livros fiscais e contábeis terem sido extraviados em enchente, pois cumpriu os requisitos legais na legislação de regência, no caso de extravio; b) das infrações, existindo dúvida quanto à materialidade, deve ser aplicado o disposto no art. 112, II, do CTN; c) da multa qualificada, na remota hipótese de manutenção das infrações, seja reduzida para 75% pela inexistência de conduta dolosa; d) protesta, por fim, provar o alegado por todas as provas admitidas em direito. A DRJ/Campinas, enfrentando o mérito do litígio deduzido nos autos, manteve o lançamento fiscal, conforme Acórdão de 26/01/2011 (fls. 320/344), cuja ementa transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 419 9 Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no Art. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se falar de nulidade do lançamento em questão. EXTRAVIO. FALTA DE ESPONTANEIDADE. É obrigação de todo o contribuinte a guarda e conservação de livros e comprovantes, consoante o disposto no art. 264 do RIR/99, cabendo ao mesmo adotar as providências elencadas no parágrafo Io do citado artigo quando do extravio ou destruição dos livros e documentos. Não produzem efeitos as medidas adotadas durante o procedimento fiscal, por não espontâneas. COMPETÊNCIA. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. APRECIAÇÃO DE NORMA GERAL E ABSTRATA. Não cabe ao órgão administrativo de julgamento apreciar a validade de preceitos legais acerca dos efeitos retroativos do ato de exclusão do SIMPLES e do caráter confiscatório das multas de ofício aplicadas, regularmente inseridos no ordenamento jurídico, segundo o processo legislativo constitucionalmente definido. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. EMPRESA DE PEQUENO PORTE. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. Caracterizase omissão de receita a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, que regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, ficando o Fisco legalmente autorizado a proceder ao larçamento de ofício dos tributos devidos sobre os recursos mantidos à margem da escrituração. OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 420 10 Mantémse a aplicação da multa qualificada por ter a contribuinte atuado com dolo na omissão de receitas decorrentes de significativos pagamentos efetuados a título de compras de combustível, utilizandose de interposta pessoa para ocultar tais transações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 25/02/2011 (fl. 354), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 24/03/2011 (fls. 355/366), refutando a decisão a quo, aduzindo: que não houve utilização de "interposta" pessoa, "laranja"; que a Recorrente e a empresa Rio Santo são empresas controladas por familiares, que não utilizam uma ou outra como pessoa interposta. Em razão de laços familiares muito próximos, havia relações comerciais e de mútuos entre elas; que o mútuo para fins civil e fiscal não necessita da forma escrita. O mútuo verbal é admitido pelo Código Civil, não exige forma (art. 586 e seguintes do Código Civil), conforme se observa no julgamento do Tribunal de Justiça do Distrito Federal: JUIZADO ESPECIAL. CIVIL. CONTRATO VERBAL DE MÚTUO. AUSÊNCIA DE PROVA DO PAGAMENTO. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. 1.Se é incontroversa a existência de contrato de mútuo verbal entre as partes, e se não há nos autos qualquer prova do pagamento produzida pela parte ré, merece amparo a pretensão condenatória, corretamente assegurada pelo Juizo de origem. 2.Recurso conhecido e improvido. Sentença mantida por seus próprios fundamentos, com súmula de julgamento servindo de acórdão, na forma do art. 4 6 da Lei n° 9.099/95. Condeno o Recorrente ao pagamento das custas processuais e de honorários advocaticios fixados em 10% (dez) sobre o valor da condenação. (TJDF. 20100710233056ACJ. Relator SANDRA REVÉS VASQUES TONUSSI. PRIMEIRA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS E CRIMINAIS DO DF, julgado em 01/03/2011, DJ 03/03/2011 p. 256). que, se no Direito Civil é admitido o contrato de mútuo verbal, na seara fiscal o mesmo contrato de mútuo verbal não pode ser desconsiderado, exceto se a autoridade fiscal apresentar a norma fiscal que determina o contrário, em conformidade com o Principio da Legalidade (art. 5o, II, da Constituição Federal), no qual o contribuinte somente é obrigado a fazer ou deixar de fazer em virtude de lei. Se não há lei proibindo, o contrato verbal é válido, para fins civis e fiscais; que a Recorrente realizou os procedimentos fiscais estabelecidos no caso de extravio de documentos (art. 264, §1°, do RIR/99); que a própria autoridade fiscal narra que a Fl. 420DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 421 11 Recorrente cumpriu com os procedimentos determinados pela legislação. A autoridade fiscal não pode exigir outros procedimentos fiscais não previstos em lei, com base no Princípio da Legalidade (artigo 5o, II, da Constituição Federal). A legislação fiscal não veda que os procedimentos fiscais de extravio sejam realizados após o início da fiscalização; que a escrituração dos pagamentos em questão não foi comprovada pela Recorrente porque a escrita contábil/fiscal, antes disso, extraviouse; que a Recorrente, não obstante, cumpriu com as determinações legais previstas para a hipótese de extravio, não podendo, assim, ser lhe imputada a falta da escrituração contábil/fiscal; que não houve a utilização de "interposta" pessoa. De modo que inexiste qualquer conduta dolosa praticada pela Recorrente. Os pagamentos dos boletos bancários da sociedade Rio Santo se deram como forma de quitação de mútuos contraídos verbalmente entre os sócios das empresas, familiares próximos. De tal sorte, não havendo dolo, deve ser reduzida a multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) para 75% (setenta e cinco por cento); que não havendo receita tributável comprovada pela fiscalização, e sim meras presunções, não se pode realizar a soma das supostas receitas para fins de tributação no Regime do Simples Federal; que a empresa não foi excluida do Simples, mas no final da autuação a autoridade declarou que seria realizada a competente Representação Fiscal para fins de Exclusão no Simples. A Recorrente está correta em pleitear, em sua Impugnação e neste Recurso, que não seja operada a exclusão do Regime do Simples até que seja prolatada decisão administrativa irrecorrivel; Por fim, a Recorrente pediu, com base nessas razões, a reforma da decisão recorrida, pela improcedência do lançamento fiscal e, subsidiariamente, na eventualidade de manutenção das infrações imputadas, pela redução da multa de 150% para 75%, pela inexistência de caracterização do dolo nessas infrações apuradas pelo fisco. É o relatório. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 422 12 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de lançamento de ofício, mediante autos de infração no âmbito da legislação do SIMPLES Federal (IRPJSimples, PISSimples, Cofins Simples, CSLL Simples e Contribuição Previdenciária –INSS – Simples), quanto ao ano calendário 2005, cujo crédito tributário exigido perfaz o montante de R$ 175.266,48, valor na data da lavratura dos autos de infração (24/11/2010), em face das seguintes infrações imputadas: a) Omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração de pagamentos de compras realizadas mediante a utilização de interposta pessoa (“laranja”); b) diferença ou insuficiência de recolhimentos em relação à receita bruta informada na declaração do SIMPLES Federal (diferença de alíquota pela mudança de faixa de alíquota – infração reflexa da omissão de receitas). Inexistindo preliminar a ser enfrentada, passo a análise do mérito da lide deduzida nos autos. EXTRAVIO DA ESCRITURAÇÃO COMERCIAL/FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE FISCAL. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Nesta instância recursal, a Recorrente alegou: que realizou os procedimentos estabelecidos no caso de extravio de livros e documentos (art. 264, §1°, do RIR/99); que a própria autoridade fiscal narra que a Recorrente cumpriu, ainda que intempestivamente, os procedimentos determinados pela legislação; que a autoridade fiscal não pode exigir outros procedimentos fiscais não previstos em lei; que deve prevalecer o Princípio da Legalidade (artigo 5o, II, da Constituição Federal); que a legislação fiscal não veda a realização de procedimentos com o fim de comprovar o extravio, após ciência do início da fiscalização; que, em face de enchente (intempérie), houve o extravio dos livros contábeis e fiscais, bem como os respectivos documentos de suporte dos lançamentos Fl. 422DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 423 13 contábeis; que não foi possível, destarte, a reconstituição da sua escrituração comercial; que em relação a esse extravio em decorrência da indigitada enchente procedeu na forma do RIR/99; que a escrituração dos pagamentos em questão não foi comprovada pela Recorrente porque a escrita contábil/fiscal, antes disso, perderase (extravio); que a Recorrente, não obstante, cumpriu com as determinações legais previstas para a hipótese de extravio, não podendo, assim, ser lhe imputada a falta da escrituração contábil/fiscal. Não procede a irresignação da Recorrente. Diversamente do alegado pela Recorrente, os procedimentos que efetuou, na tentativa de comprovar a perda/extravio dos livros contábeis/fiscais, não possuem o condão de afastar responsabilidade por infração tributária, pois: a) os procedimentos exigidos pelo art. 264,§ 1º, não dispensam a reconstituição da escrituração contábil/fisal (livros); e, b) foram realizados após ciência do início do procedimento de fiscalização, quando já havia perdido a espontaneidade. A propósito, quanto à alegação da Recorrente de extravio dos livros da sua escrituração contábil/fiscal e perda espontaneidade fiscal, consta do Termo de Verificação Fiscal (efls. 243/254), in verbis: (...) 3 PROCEDIMENTO FISCAL 3.1 INTIMAÇÃO INICIAL COM SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS Instaurado o procedimento fiscal, a fiscalização foi iniciada, em 23/08/2010, mediante ciência pessoal à FDM, doravante denominada também FISCALIZADA, por meio do seu representante legal, do Termo de Início de Procedimento Fiscal de fls. 61/62, pelo qual a pessoa jurídica foi intimada, em relação ao anocalendário de 2005, a apresentar seu Contrato Social e alterações, os Livros Caixa ou Diário e Razão (SIMPLES) acompanhados dos extratos bancários relativos à movimentação financeira realizada no BRADESCO bem como o Livro Registro de Entradas. (...) Em sua resposta de fls. 66/84, apresentada após um pedido de prorrogação de prazo embasado pela alegação de que enchentes no Rio Paraíba do Sul determinaram várias mudanças no local de seu arquivo (fls. 65), a FISCALIZADA juntou, dentre outros documentos, o Contrato Social e Alterações (fls. 68/79) e confirmou ser titular da conta corrente no banco 237 BRADESCO Agência 1976 sob o número 16518 (fls. 66). Quanto aos Livros, deixou de apresentálos alegando, em síntese, que não os conseguiu localizar, provavelmente, por Fl. 423DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 424 14 terem sido inutilizados em decorrência das enchentes ocorridas nos últimos anos na cidade onde está situada, em função da sua localização próxima ao Rio Paraíba do Sul. Juntou, em socorro de sua tese, diversos recortes de jornais versando sobre enchentes na região (fls. 80/84). (...) 3.2 ANÁLISE DA RESPOSTA E DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS (...) 3.2.3 ANÁLISE DAS ALEGAÇÕES E RESPOSTAS APRESENTADAS No que refere à alegação do extravio dos Livros, que teria gerado a impossibilidade de comprovar tanto a regular escrituração dos pagamentos em tela, quanto a origem dos recursos utilizados para a quitação, a FISCALIZADA, em que pese as reportagens sobre enchentes na região acostadas, não comprovou ter adotado os procedimentos previstos na legislação de regência para esses casos, que são contemplados nos §§ Io e 2o, do art. 264, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000/99 (RIR/99). (...) 3.3 NOVA INTIMAÇÃO COM SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS Em decorrência das análises transcritas no subitem 3.2.3 supra, a FISCALIZADA foi novamente intimada, em 14/09/2010, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 01 a fls. 85/86, para, em síntese, COMPROVAR TER ADOTADO TODOS OS PROCEDIMENTOS EXIGIDOS NO ART, 264, §§1º E 2o, DO REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA, APROVADO PELO DECRETO N° 3000/99 (RIR/99); REFAZER O LIVRO CAIXA E O LIVRO REGISTRO DE INVENTÁRIO, NOS MOLDES DA LEGISLAÇÃO COMERCIAL E FISCAL; APRESENTAR TODA DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DOS LANÇAMENTOS REALIZADOS NOS LIVROS REFEITOS e APRESENTAR O CONTRATO DE MÚTUO CITADO NA RESPOSTA AO TERMO DE INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Em sua resposta de fls. 87/93, a FISCALIZADA fez juntar cópias de jornais e de um Boletim de Ocorrência de Autoria Conhecida bem como respondeu aos três itens do citado Termo de Intimação Fiscal n° 01. 3.4 ANÁLISE DA RESPOSTA APRESENTADA 3.4.1 PUBLICAÇÃO NA IMPRENSA E BOLETIM DE OCORRÊNCIA Fl. 424DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 425 15 Os documentos de fls. 89/93 demonstram que a FISCALIZADA, embora tardiamente, fez cumprir, dentro das limitações temporais, as exigências previstas no art, 264, §§ 1º e 2o, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000/99 (RIR/99). 3.4.2 ESCRITURAÇÃO DOS PAGAMENTOS DOS BOLETOS A FISCALIZADA, a fls. 88, DECLAROUSE IMPOSSIBILITADA DE REFAZER O LIVRO CAIXA E O LIVRO REGISTRO DE INVENTÁRIO, alegando, para tanto, o extravio dos documentos comprobatórios que seriam utilizados para a execução dos lançamentos contábeis e fiscais nesses Livros, fato que, segundo o seu entendimento, deixaria nulo e duvidoso, frente às normas contábeis vigentes, qualquer ato documentado nesta situação. (...) Ora, como já dito, no ínicio deste tópico, os procedimentos efetuados pela Recorrente na tentativa de justificar a não apresentação dos livros contábeis/fiscais de sua escrituração do anocalendário 2005, sob pretexto de perda/extravio pela ocorrência de enchentes, não tem, no caso, o condão de afastar a responsabilidade tributária por infração tributária quanto ao período objeto dos autos, pois: a) os procedimentos exigidos pelo art. 264,§ 1º, não dispensam a reconstituição da escrituração contábil/fisal (livros); e, b) além disso, tais procedimentos foram efetuados pela Recorrente após a ciência do termo de início da fiscalização quando a Contribuinte já havia perdido a espontaneidade. No anocalendário 2005, a Contribuinte estava obrigada, pelo menos, a manter o Livro Caixa escriturado com toda a movimentação financeira, inclusive bancária, e Livro Registro de Inventário, conforme art. 527, Parágrafo Ùnico, do RIR/99, in verbis: Art.527.A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº 8.981, de 1995, art. 45): Iescrituração contábil nos termos da legislação comercial; IILivro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; IIIem boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafoúnico.O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Fl. 425DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 426 16 Durante o procedimento de fiscalização, a Contribuinte, como já transcrito anteriormente, foi intimada diversas vezes pelo fisco (de forma insistente), a apresentar livros e documentos de sua escrituração contábil e fiscal, atinente ao anocalendário 2005; porém, a Recorrente negouse a fazer a reconstituição da escrituração, alegando (efls. 88), in verbis: (...) 2. Refazer o Livro Caixa e o Livro Inventário, nos moldes da legislação comercial e fiscal (...) Resposta:Em razão de extravio já mencionado no item anterior, a empresa fica impossibilitada de refazer a contabilidade, pois em os documentos de que comprovam os lançamentos contábeis e fiscais, qualquer ato documento nessa situação, tornase nulo e duvidoso frente às normais contábeis vigentes. (...) Mas, independentemente da perda da espontaneidade, o alegado extravio de livros/documentos contábeis e fiscais não permite à Contribuinte abandonar a escrita contábil/fiscal, mormente quando existem meios de reconstituição dos livros e de apuração da receita bruta, como no caso do anocalendário 2005, período objeto do lançamento fiscal. No caso, o fisco comprou mediante circularização de fornecedor e outras pessaos jurídicas que, além das receitas informadas na declaração do Simples 2006, ano calendário 2005, a Recorrente omitiu receitas, pois utilizouse de fraude/sonegação fiscal, efetuando pagamentos de boletos bancários referente compras em nome de interposta pessoa (“laranja”) – pagamentos não escriturados de compras em nome de “laranja”, implicando omissão de receitas por presunção legal, infração que será, mais adiante, enfrentada, no mérito. Como a Contribuinte estava enquadrada no Simples do anocalendário 2005 (período objeto do lançamento fiscal), não houve o arbitramento do lucro que exige prévia exclusão do Simples (a exclusão do Simples tem efeito para o ano seguinte). Então, houve apenas a cobrança de diferença dos tributos no âmbito da legislação do Simples em decorrência da infração omissão de receitas e respectiva infração reflexa: insuficiência de recolhimentos em relação às receitas informadas no Simples desse anocalendário. Ademais, como razão decidir neste tópico, adoto os fundamentos do voto condutor da decisão recorrida que enfrentou adequadamente a questão da perda da espontaneidade fiscal pela Recorrente e sua responsabilidade pelas infrações imputadas (efls. 320/344), in verbis: (...) DO EXTRAVIO Após constatar definitivamente a titularidade de tais compras, a Fiscalização concedeu várias oportunidades para a Impugnante demonstrar a efetiva escrituração das transações. Entretanto, restringiuse a contribuinte a alegar (fl. 66): Em razão das várias enchentes ocorridas nos últimos anos na cidade, sendo a localização da empresa e de seus arquivos Fl. 426DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 427 17 muito próximos ao Rio Paraíba do Sul, como já mencionado no requerimento de prorrogação de prazo, este motivado pela dificuldade em encontrar os livros, os mesmos não foram localizados, tendo, provavelmente, sido inutilizados face ao enorme volume de água. (...) Notese, sobre a conservação de livros e documentos contábeis e fiscais, o que dispõe o art. 264 do RIR/99: Art. 264.A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a su atividade, ou que refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam a vir a modificar o patrimônio (DecretoLei nº486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição dos livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (Decretolei nº 486/69, art. 10). (...) Como se verifica, as empresas em geral, entre as quais se incluem as optantes pela sistemática do SIMPLES, são responsáveis pela manutenção, em boa guarda e ordem, de todos os livros, documentos e demais papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. No caso de extravio desses documentos, o fato deve ser divulgado em jornal de grande circulação dentro de 48 horas e comunicado ao órgão competente do Registro do Comércio e à Receita Federal da jurisdição da empresa. É de fundamental importância e de exclusivo interesse da contribuinte as providências acima transcritas, sendo imprescindíveis para o resguardo de seus interesses. Entretanto, segundo se depreende dos autos, apenas em 05/10/2010, após termo de Intimação Fiscal (fls. 85/86) requerendo a comprovação da observância aos procedimentos exigidos pelo art. 264, §1° e §2° do RIR/1999, cuja ciência foi dada em 14/09/2010, a Impugnante fez publicar em jornal a suposta perda de seus documentos contábeis (fls. 89), juntamente com a perda dos documentos comprobatórios do mútuo (dito verbal). E, em 05/10/2010, registrou boletim de ocorrência que, segundo afirma, teria se dado o extravio no dia 07 de janeiro, à noite (fls. 92/93). É importante esclarecer que a adoção dos procedimentos previstos no § 10 supra transcrito, apesar de necessária, não é suficiente para excluir a responsabilidade do contribuinte pela Fl. 427DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 428 18 guarda e conservação de seus documentos contábeis e fiscais, principalmente quando adotadas de forma NÃO ESPONTÂNEA. (...) Assim, ainda que as providências previstas no § Io do art. 264 do RIR/99 tivessem sido devidamente tomadas, não estaria o contribuinte eximido da obrigação de reconstituir a sua escrita contábil (ou pelo menos o livro Caixa, no caso das empresas optantes pelo SIMPLES) e, quando intimado, comprovar documentalmente suas operações,(...) Dessa forma, claro está o total descaso da Contribuinte com suas obrigações fiscais, sendo superadas as alegações de impossibilidade de comprovação dos valores escriturados por extravio da documentação. Por tudo que foi exposto, não há reparo a fazer na decisão recorrida, a qual deve ser mantida. PESSOA JURÍDICA. OPERAÇÃO DE MÚTUO VERBAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO E COMPROVAÇÃO. INOPONIBILIDADE CONTRA TERCEIROS, MORMENTE CONTRA O FISCO. A Recorrente alegou: que, em relação às compras de combustíveis pela empresa Rio Santo da fornecedora COMPANHIA IPIRANGA, efetuou respectivos pagamentos (boletos bancários da Companhia Ipiranga emitidos contra a Rio Santo), como forma de saldar débitos contraídos com o sócio da Rio Santo, Sr. Luiz Alberto Mantovani (sócio já falecido), em face de empréstimos (mútuos verbais contraídos) (efls. 268/269 e 352/353); que a empresa Rio Santo tem como sócia a Senhora Cláudia, tia dos sócios da Recorrente, Srs. Flávio Doan Santos Del Mônaco Braga e Fábio Doan Santos Del Mônaco Braga; que a Sra. Cláudia declarou desconhecer a aquisição por sua empresa de combustível da COMPANHIA IPIRANGA; que tal desconhecimento é natural, pois, de fato, ela não era a administradora da empresa; que o Sr. Luiz Alberto Mantovani, então sócio da Rio Santo (sócio já falecido) tinha com os Srs. Flávio e Fábio (sócios da Recorrente) diversas relações comerciais e familiares; que havia dívidas (mútuos verbais) entre eles; que não houve utilização de interposta pessoa ("laranja"); que a Recorrente e a empresa Rio Santo são empresas controladas por familiares, que não utilizam uma ou outra como pessoa interposta. Em razão de laços familiares muito próximos, havia relações comerciais e de mútuos entre os sócios dessa empresa e entre elas. Não merecem guarida as alegações da Recorrente. Os laços familiares dos sócios da Rio Santo com os sócios da Recorrente e o extravio de livros da escrituração comercial e fiscal não servem para justificar o caos ou confusão da escrituração comercial/fiscal e, também, não possuem o condão de afastar a responsabilidade por infração tributária. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 429 19 O patrimônio da pessoa jurídica não se confude com o patrimônio particular dos sócios. As operações da sociedade comercial devem estar, necessariamente, escrituradas e documentadas Caso contrário, não poderão ser objetadas contra terceiros, mormente contra o fisco. Nesse sentido, dispõe o art. 923 do RIR/99, in verbis: Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Assim, alegar mútuos verbais sem comproválos é mesma coisa que não alegálos. Princípio da entidade contábil. O princípio da entidade, em contabilidade, postula que o patrimônio da entidade não se confunde com o de seus sócios ou acionistas ou proprietário individual, sendo que para a empresa tem efeito, tem valor legal, o que está registrado na contabilidade mantida (IUDÍCIBUS, SÉRGIO DE. Teoria da Contabilidade. 9. ED. SÃO PAULO: ATLAS, 2009). Dessa forma, registremse os fatos que afetam o patrimônio da empresa e não o de seus titulares, sócios ou acionistas, reforçando a autonomia patrimonial da empresa, em relação aos seus sócios (GONÇALVES, MARIA GABRIELA VENTUROTI PERRORA RIOS; GONÇALVES, VICTOR EDUARDO RIOS. Direito comercial: DIREITO DE EMPRESA E SOCIEDADES EMPRESÁRIAS. SÃO PAULO: SARAIVA, 2007). Como visto, o princípio da entidade contábil, e ainda o princípio da continuidade da entidade, impõem a separação dos patrimônios dos sócios e da sociedade, pois sem isso não há motivo para serem feitas as demonstrações contábeis e, muito menos, a separação dos referidos patrimônios. São as entidades, para efeito da contabilidade, consideradas como empreendimentos em andamento (IUDÍCIBUS, 2009). Mostra a teoria que os princípios contábeis, não apenas os da entidade e da continuidade, estão em sintonia quando aplicados no caso concreto. Não somente a teoria contábil, mas a Resolução nº 750/1993 do Conselho Federal de Contabilidade define o Princípio da Entidade: "O PATRIMÔNIO DA ENTIDADE NÃO SE CONFUNDE COM AQUELES DOS SEUS SÓCIOS OU PROPRIETÁRIOS, NO CASO DE SOCIEDADE OU INSTITUIÇÃO". DE MANEIRA SEMELHANTE O IBRACON SE PRONUNCIOU: "A CONTABILIDADE É MANTIDA PARA AS ENTIDADES; OS SÓCIOS DESTAS NÃO SE CONFUNDEM, PARA EFEITO CONTÁBIL, COM AQUELAS (...)" (GONÇALVES, 1998). Franco (1997) demonstra a importância do Princípio da Entidade como sustentáculo à aplicação dos demais postulados fundamentais de contabilidade. Salientase, também, que as mudanças ocorridas no patrimônio da entidade somente refletem no patrimônio Fl. 429DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 430 20 dos sócios quando a estes forem atribuídos resultados econômicos, positivos ou negativos (FRANCO, HILÁRIO. CONTABILIDADE GERAL. 23. ED. SÃO PAULO: ATLAS, 1997). Princípio da autonomia da pessoa jurídica. O princípio da autonomia patrimonial da pessoa jurídica recebeu reconhecimento no Código Civil anterior, que em seu artigo 20 asseverava que “as pessoas jurídicas têm existência distinta da de seus membros.” A mesma regra é mantida no direito em vigor, não com os mesmos termos, mas com idêntico conteúdo, posto que o artigo 50 do Código Civil de Reale reconhece os pressupostos da disregard doctrine adotando a Teoria Objetiva baseada na confusão patrimonial, na esteira do proposto por Fábio Konder Comparato em 1977. Por razões lógicocausais a desconsideração pressupõe a consideração, pois não há como desconsiderar o que não existe, portanto a autonomia patrimonial continua existindo como princípio que decorre de norma positivada no sistema privatístico. Dito isto, a pessoa jurídica de direito privado interno não estatal denominada sociedade empresária, justamente por ter personalide jurídica (centro de direito e obrigações) pode fazer tudo o que não estiver proibido, possuindo autorização genérica para a prática de atos jurídicos (CC – Lei 10.406/2002, art. 104), sendo, destarte, sujeito completamente autônomo em relação aos seus sócios. Quem paga, recebe, quita duplicatas, levanta balanços, contrata empregados, desenvolve tecnologia, adquire insumos e pratica os demais atos necessários ao desenvolvimento do objeto social é a pessoa jurídica da sociedade empresária e não os seus sócios. Vale destacar a doutrina de Maria Helena Diniz ensinando que “no momento em que se opera o assento do contrato ou estatuto no Registro competente, a pessoa jurídica começa a existir, passando a ter aptidão para ser sujeito de direitos e obrigações, a ter capacidade patrimonial, constituindo seu patrimônio, que não tem nenhuma relação com os sócios, adquirindo vida própria e autônoma. Todos os atos da pessoa jurídica serão tidos como atos próprios, consequentemente os atos praticados individualmente por seus sócios nada terão a ver com ela. A pessoa jurídica terá nome, patrimônio, nacionalidade e domicílio diversos dos de seus sócios”. Muito bem, como sócios em regra não respondem por dívidas da empresa e esta não responde por dívidas dos sócios, a pessoa jurídica passou a ser, em alguns casos, utilizada para violar direitos, dando início à fase de superação da autonomia patrimonial. O problema vem sendo resolvido através do instituo da desconsideração, aplicável em casos de fraude e abuso de direito. No caso, a Recorrente, como pessoa jurídica optante pelo SIMPLES Federal,, estava obrigada a escriturar o livro Caixa quanto ao anocalendário 2005 (objeto do lançamento fiscal), conforme art. 7º da Lei nº 9.317/96, in verbis: Art. 7º A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3º e 4º. § 1º A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo Fl. 430DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 431 21 decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. § 2º O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento, por parte da microempresa e empresa de pequeno porte, das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária e trabalhista Entretanto, desde o início do procedimento de fiscalização quanto aos fatos geradores do anocalendário 2005, a Recorrente não apresentou os livros Caixa, Inventário e documentos de sua escrituração, sob alegação de que houve enchente do Rio Paraíba do Sul, implicando extavio de livros e documentos da escrituração contábil/fiscal. Mas, não é só isso! Ao largo dessa questão do extravio da escrituração contábil, e olvidando, obliterando, por completo, os princípios da entidade contábil e da autonomia patrimonial da pessoa jurídica, desde o início a Recorrente defende tese da existência de mútuo verbal entre seus sócios e o sócio da Rio Santo, Sr. Luiz Alberto Mantovani, já falecido (que houve empréstimos – mútuos verbais contraídos desse sócio da Rio Santo, e que não foram registrados na escrituração contábilfiscal); que, por conseguinte, o valores pagos pela Recorrente à Companhia Ipiranga, por conta de aquisições de combustíveis efetuadas pela Rio Santo, foram quitação de mútuos verbais (empréstimos verbais contraídos do sócio da Rio Santo, no caso do Sr. Luiz Alberto Mantovani (sócio já falecido). A propósito, a tese dos mútuos verbais, já defendida pela Contribuinte na fase do procedimento de fiscalização, está narrada pela fiscalização no Relatório Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal (autos de infração), porém já foi rechaçada pela sócia da empresa RIO SANTO (efls. 247/252),, in verbis: (...) 3 PROCEDIMENTO FISCAL 3.1 INTIMAÇÃO INICIAL COM SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS (...) 3.2.2 ANÁLISE DA CONTA CORRENTE INFORMADA Conforme se verifica a fls. 66, o número da conta corrente mantida pela FISCALIZADA no BRADESCO Agência 1976 n° 16518, COINCIDE COM AQUELA, INFORMADA PELO Fl. 431DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 432 22 BRADESCO, DE ONDE PARTIRAM OS RECURSOS PARA O PAGAMENTO DOS BOLETOS LISTADOS às fls. 63/64. 3.2.3 ANÁLISE DAS ALEGAÇÕES E RESPOSTAS APRESENTADAS (...) No que tange ao Contrato de Mútuo, que teria sido o motivo dado na resposta à questão 6 do Termo de Início do Procedimento Fiscal, para a FISCALIZADA realizar os pagamentos das compras efetuadas pela RIO SANTO, não foi apresentado qualquer documento que lhe comprovasse a efetividade. 3.3 NOVA INTIMAÇÃO COM SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS Em decorrência das análises transcritas no subitem 3.2.3 supra, a FISCALIZADA foi novamente intimada, em 14/09/2010, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 01 a fls. 85/86, para, em síntese, (...) APRESENTAR O CONTRATO DE MÚTUO CITADO NA RESPOSTA AO TERMO DE INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. (...) 3.4 ANÁLISE DA RESPOSTA APRESENTADA (...) 3.4.3 CONTRATO DE MÚTUO! A FISCALIZADA também não apresentou o contrato de mútuo que teria sido firmado com a RIO SANTO, conforme sua alegação, como também, não trouxe, qualquer documentação hábil e idônea comprobatória tanto do recebimento quanto da devolução do objeto emprestado (fls. 88). 3.5 NOVA DILIGÊNCIA NA RIO SANTO Nesse ponto se mostra oportuno ressaltar que, no interregno do procedimento fiscal, foi realizada uma nova diligência fiscal na RIO SANTO, instaurada pelo MPF n° 08.1.08.0020103720, na qual a sócia Claudia Lino dos Santos Mantovani, em Declaração firmada (fls. 223), afirmou, dentre outras coisas, que a pessoa jurídica NUNCA ADQUIRIU produtos vendidos pela Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga e, por via de conseqüência, NÃO TEM CONHECIMENTO DOS BOLETOS BANCÁRIOS emitidos em seu nome pela IPIRANGA Essa declaração põe por terra a tese da FISCALIZADA, de que os pagamentos dos boletos decorreram em função de um mútuo com a RIO SANTO. 3.6 FALTA DE ESCRITURAÇÃO DOS PAGAMENTOS DOS BOLETOS Fl. 432DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 433 23 Destarte, constatase, com meridiana clareza, que a FISCALIZADA NÃO COMPROVOU, MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA, COINCIDENTE EM DATAS E VALORES, QUE OS PAGAMENTOS DOS BOLETOS BANCÁRIOS emitidos em favor da IPIRANGA contra A RIO SANTO, informados pelo BRADESCO na planilha de fls 166/179 e resumidos na planilha denominada "PAGAMENTOS DE BOLETOS NÃO ESCRITURADOS" a fls. 95/96, totalizando R$ 542.724 (quinhentos e quarenta e dois mil, setecentos e vinte e quatro reais), CONSTAVAM REGULARMENTE REGISTRADOS EM SUA ESCRITURAÇÃO. Portanto, como a FISCALIZADA tampouco COMPROVOU QUE ESTES PAGAMENTOS FORAM REALIZADOS COM RECURSO JÁ OFERECIDOS A TRIBUTAÇÃO DE FORMA EXCLUSIVA OU COM A UTILIZAÇÃO DE RECEITAS NÃO TRIBUTÁVEIS OU, AINDA, QUE OS MESMOS NÃO FORAM EFETIVAMENTE REALIZADOS, INCLUSIVE ISSO ELA NUNCA NEGOU, TANTO QUE CONSTRUIU SUA TESE DE MÚTUO, RESTOU CARACTERIZADA A PRÁTICA DE OMISSÃO DE RECEITAS, conforme presunção legal prevista no art. 281, inc. II do RIR/1999 (Decreto no. 3.000/99) (...) Nesta instância recursal, os alegados mútuos verbais, também, não restaram comprovados. Nesta questão dos alegados mútuos verbais, cabe lembrar que legislação civil e a jurisprudência pátria reconhecem valor jurídico ao mútuo verbal entre as partes signatárias, quando as partes signatárias admitem ou reconhecem que realizaram operação de mútuo verbal. No caso, isso não é possível, pois os sócios da RIO SANTO, em momento algum, admitiram nos autos que pactuaram esse tipo de operação. Pelo contrário, conforme consta do Relatório Fiscal (texto já transcrito anteriomente), e que reproduzo, outra vez, a seguir, a sócia Cláudia Lino dos Santos Mantovani negou qualquer operação com a COMPANHIA IPIRANGA, logo os pagamentos não poderiam ter beneficiado a RIO SANTO (fl. 250), in verbis: (...) 3.5 NOVA DILIGÊNCIA NA RIO SANTO Nesse ponto se mostra oportuno ressaltar que, no interregno do procedimento fiscal, foi realizada uma nova diligência fiscal na RIO SANTO, instaurada pelo MPF n° 08.1.08.0020103720, na qual a sócia Claudia Lino dos Santos Mantovani, em Declaração firmada (fls. 223), afirmou, dentre outras coisas, que a pessoa jurídica NUNCA ADQUIRIU produtos vendidos pela Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga e, por via de conseqüência, NÃO TEM CONHECIMENTO DOS BOLETOS BANCÁRIOS emitidos em seu nome pela IPIRANGA Essa declaração põe por terra a tese da FISCALIZADA, de que os pagamentos dos boletos decorreram em função de um mútuo com a RIO SANTO. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 434 24 (...) Ainda, reproduzo na íntegra as informações prestadas à fiscalização pela Sra. Cláudia Lino dos Santos Mantovani, sócia da empresa Rio Santo, em resposta às perguntas formuladas no Termo de Intimação fiscal de e fls.221/223 (efls.224 ), in verbis: (...) 1 No período de 01 de janeiro de 2005 a 31 de dezembro de 2005 figuravam no quadro societário da empresa RIO SANTO LTDA EPP os seguintes sócios:Luiz Aberto Mantovani e Cláudia Lino dos Santos Mantovani. 2 Somente o sócio Luiz Alberto Mantovani (Administração da sociedade). 3 – Somente o barco e lancha os quais são locados. 4 – No período do anocalendário 2005 somente a embarcação. 5 –Óleo Diesel com consumo médio de 480 lts.(consumo mensal) 6 – O combustível era adquirido através do próprio locador o qual respassava o Diesel para a Rio Santo e cobrava posteriormente. 7 – A empresa nunca adquiriu qualquer tipo de produto junto à Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga com CNPJ 33.069.766/000181; 8 – A empresa não tem conhecimento da aquisição de tais produtos. 9 – O combutível adquirido pela Rio Santo Ltda EPP nunca ficou armazenado em lugar Algum, sendo que o combustível adquirido já era inserido na embarcação para operação nos finais de semana. 10 – A empresa nunca teve conhecimento de autorização nenhuma para entregas de combustível em outro lugar, pois a mesma como respondeu no item 9 adquiria somente o produto para trabalhar em datas específicas. 11 – Os sócios não têm conhecimentos de boletos emitidos pela Companhia Ipiranga, pois não adquiria tais produtos. 12 – A empresa não possui recursos financeiros para aquisição de tais compras, se trata de uma empresa de pequeno porte, sem muita receita, em suma uma empresa familiar. 13 – Como frisado anteriormente os boletos, os pagamentos, as compras não eram de conhecimento da empresa, que nunca teve laços comerciais com a Companhia Ipiranga. (...) Fl. 434DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 435 25 Quanto ao outro sócio da RIO SANTO no anocalendário 2005, o Sr. Luiz Alberto Mantovani, que seria aquele que teria eventualmente concedido valores por empréstimo verbal aos sócios da autuada, nada poderá acrescentar nos autos, pois já faleceu! Portanto, os alegados contratos verbais não restaram comprovados. Além disso, os contratos verbais (mútuos verbais), quando reconhecidos ou admitios pelas partes, só valem entre as partes signatárias, não podem ser invocados para prejudicar terceiros, ou seja, não podem ser objetados contra o fisco, pois a autuada não comprovou a escrituração dos pagamentos de boletos, bem como a origem dos recursos utilizados para esses pagamentos de boletos, embora intimada pela fiscalização. Na verdade, como será demonstrado no tópico seguinte, a RIO SANTO foi utilizada como empresa “laranja” (interposta pessoa), ou seja, os sócios da RECORRENTE utilizaram o nome e o CNPJ da RIO SANTO para aquisições de combustíveis para proveito da empresa autuada, com recursos de origem desconhecida, não registrados na contabilidade. Ademais, ainda neste tópico, como razão de decidir, adoto os fundamentos da decisão recorrida (fls. 135/142), in verbis: (...) Afirma, ainda, o vendedor (da Companhia Ipiranga) não conhecer os sócios da Empresa Rio Santo, (...). Entretanto, não apenas declara ter efetivado transações comerciais com o Sr. Cláudio Doan Del Mônaco Braga, como foi apresentado a sua esposa, sócia da Empresa CDM. Destaquese que o Sr. CLÁUDIO DOAN DEL MÔNACO BRAGA, responsável pelas compras efetuadas junto à empresa Ipiranga, é PAI dos sócios da empresa FDM e administrador da Empresa CDM. Não há como se rechaçar ser o Sr. Cláudio Braga o responsável pelas transações com a empresa Ipiranga. Contudo, alega a Impugnante que a intervenção do Sr. Cláudio em nome da Rio Santo advinha de laços familiares, o que tornava sua "assistência" na compra do combustível algo normal. Além disso, defende que o pagamento pela FDM dos boletos bancários emitidos em nome da Rio Santo (fato confirmado pela Defesa), teria como fundamento a quitação de mútuos verbalmente firmados entre as duas empresas. Ora, como já analisado e demais comprovado, não se vislumbra qualquer possibilidade de a empresa Rio Santo ser a real interessada nas compras efetuadas junto à empresa Ipiranga. Sua atividade, apesar de requerer o uso de diesel, se restringe à utilização de apenas 480 LITROS POR DIA (FL. 223), e não 115.000 LITROS, sem mencionar que, conforme esclarecido pela Fl. 435DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 436 26 Sra. Cláudia Lino, o combustível é fornecido pelo locador das embarcações, não sendo comprado diretamente pela empresa. Dessa forma, não há como sustentar a justificativa de consistirem os pagamentos dos boletos bancários em nome da Rio Santo quitação de mútuo verbal, vez que esta sequer reconhece tais compras. Claramente, as compras efetuadas em nome da Rio Santo tinham como objeto o abastecimento da própria FDM. Além disso, a existência de eventual mútuo, mormente para fins fiscais, necessita de comprovação documental, sendo inócua a alegação de acerto verbal, não passível de confirmação. Assim, tendo em vista os valores discriminados na Planilha denominada "PAGAMENTOS DE BOLETOS NÃO ESCRITURADOS" (fls. 95/96), elaborada com base nas notas fiscais acostadas aos autos nas fls. 184/219 e quitadas pela Impugnante, não restam dúvidas quanto à ocorrência das compras junto à Ipiranga por parte da FDM, no valor de R$ 542.724,00, utilizandose da empresa Rio Santo como interposta pessoa. (...) Portanto, não há reparo a fazer na decisão recorrida, que deve ser mantida. PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTA PESSOA. OMISÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A Recorrente alegou que não houve a utilização de interposta pessoa (“lanranja”); que, inexistindo receita tributável comprovada pela fiscalização, não há omissão de receitas, e sim mera presunção; que o fisco não pode realizar a soma das supostas receitas para fins de tributação no Regime do Simples Nacional. Não merecem prosperar os argumentos aduzidos pela Recorrente. A fiscalização da RFB colheu uma gama de indícios que permitem inferior que a Recorrentete utilizou a empresa RIO SANTO como interposta pessoa (“laranja”). Nesse sentido, transcrevo a narrativa dos fatos constante do Relatório Fiscal (fls.243/252) que autiorizam, por presunção legal, a imputação da infração Omissão de Receitas, in verbis: (...) 2 SELEÇÃO E PREPARO DA AÇÃO FISCAL 2.1 PESQUISAS INICIAIS E DILIGÊNCIAS JUNTO A FORNECEDOR Durante os trabalhos de seleção e preparo realizados pela Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Taubaté/SP Fl. 436DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 437 27 DRF/Taubaté/SP, verificouse, em consultas aos Sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil RFB, que a pessoa jurídica COMPANHIA BRASILEIRA DE PETRÓLEO IPIRANGA, C.N.P.J. 33.069.766/000181, doravante denominada IPIRANGA, havia informado, em sua DIPJ 2006 / 2005, a venda de produtos para a pessoa jurídica RIO SANTO LTDA EPP, C.N.P.J. 04.539.249/000120, doravante denominada RIO SANTO, no período de janeiro a dezembro de 2005, totalizando R$ 10.954.934,50 (Dez milhões, novecentos e cinqüenta e quatro mil, novecentos e trinta e quatro reais e cinqüenta centavos), enquanto a RIO SANTO, em sua DSPJ 2006 / 2005, havia declarado uma Receita Bruta anual muito abaixo, não chegando a 1,5% (um e meio por cento) desse valor. Diante de tal disparidade de valores, foi instaurada Diligência Fiscal na IPIRANGA, por meio do MPF n° 08.1.08.002009 000640. Iniciando o procedimento de Diligência, a IPIRANGA foi intimada a detalhar essas vendas informadas para a RIO SANTO (fls. 97/98). Em sua resposta a fls 99/126, a IPIRANGA apresentou a planilha de fls. 112/126, informando que a RIO SANTO teria adquirido, no período de janeiro a dezembro de 2005, produtos no valor de R$ 10.954.934,50 (dez milhões, novecentos e cinqüenta e quatro mil, novecentos e trinta e quatro reais e cinqüenta centavos) Em face da confirmação das vendas por parte da IPIRANGA e, por conseguinte, da disparidade entre o montante das aquisições feitas e das receitas declaradas pela RIO SANTO, foi investigado o local onde a Rio Santo está instalada, com a finalidade de coletar elementos para subsidiar os trabalhos. Na ocasião, verificouse que a RIO SANTO não teria porte e tampouco capacidade para adquirir, armazenar e consumir essa quantidade de combustível, pois sua atividade consiste em levar turistas até o ponto do rio Paraíba do Sul onde a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada, o que faz utilizando uma pequena balsa percorrendo um curto percurso. Além disso, não foram visualizados tanques que pudessem armazenar os 115.000 (cento e quinze mil) litros de óleo diesel que a RIO SANTO chegava a adquirir da IPIRANGA em um único dia. Dando continuidade aos trabalhos, em 04/05/2009 foi feita nova intimação à IPIRANGA (fls. 127/129), solicitando o detalhamento dessas vendas. Em sua resposta a fls 130/138, a IPIRANGA apresentou a planilha de fls. 132/138, informando que a RIO SANTO teria adquirido, no período de janeiro a dezembro de 2005, 7.546.000 (sete milhões, quinhentos e quarenta e seis mil) litros de combustíveis, com predominância de óleo diesel, totalizando R$ Fl. 437DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 438 28 11.268.667,00 (onze milhões, duzentos e sessenta e oito mil, seiscentos e sessenta e sete reais). Diante de tais indícios, ficava cada vez mais evidente que a RIO SANTO não era a real adquirente dos produtos em comento, e que, muito provavelmente, havia sido usada como interposta pessoa ("laranja") para esconder a compra dos produtos, que deveria ter sido realizada com recursos mantidos à margem da tributação pelo real adquirente, tornandose imperioso encontrar essa ou essas pessoa(s) física(s) e/ou jurídica(s). Assim, foi feita nova intimação à IPIRANGA, agora para informar o nome e C.P.F. do seu vendedor que, no período de janeiro a dezembro de 2005, atendia a região de Aparecida, Guaratinguetá, Lorena e Roseira (fls. 139/140). Na resposta, acostada a fls 141, foi informado o nome do Sr. Luiz Eduardo Martinez Moreira Filho, C.P.F. n° 041.258.636 36, doravante denominado Luiz Eduardo. 2.2 INTIMAÇÃO AO VENDEDOR PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS Dando prosseguimento aos trabalhos, intimouse o Sr. Luiz Eduardo a comparecer na Seção de Fiscalização (Safis) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em TaubatéSP, para prestar esclarecimentos (fls. 142). No dia 03/07/2009, atendendo à intimação, o Sr. Luiz Eduardo compareceu na DRF/Taubaté/SP e firmou o Termo de Declaração de fls. 143/157, DECLARANDO, em síntese, que: a) como assessor comercial da IPIRANGA procurou a pessoa jurídica Extratora Itaguaçu, cujo sócio, conhecido por CLÁUDIO BRAGA, após concordar em incluir a IPIRANGA no rol dos fornecedores da EXTRATORA ITAGUAÇU, apresentou documentação solicitando o cadastro das pessoas jurídicas EXTRATORA ITAGUAÇU, RIO SANTO E CDM junto à IPIRANGA, para que pudessem realizar pedidos de compra de combustíveis e lubrificantes fornecidos por ela; b) reconhece ter realizado vendas ao Sr. CLÁUDIO BRAGA, no ano de 2005, conforme a planilha de fls 146/157 (elaborada com base na informação encaminhada pela IPIRANGA a fls. 132/138); c) no local da visita ao Sr. CLÁUDIO BRAGA (atrás do Magic Park em Aparecida) funcionavam as empresas RIO SANTO e EXTRATORA ITAGUAÇU, onde existiam tanques aéreos para armazenamento de combustível, duas bombas de combustível e vários caminhões com a logomarca ITAGUAÇU, o que justificaria a compra de combustível por essas empresas; d) que o Sr. Cláudio Braga cadastrou caminhões para retirar o produto diretamente da filial da IPIRANGA em São José dos Campos/SP. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 439 29 2.3 REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA FISCAL NA RIO SANTO Objetivando confirmar e registrar a falta de capacidade da RIO SANTO para adquirir e armazenar os combustíveis e lubrificantes adquiridos em seu nome, junto à Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga, foi instaurada na primeira uma diligência fiscal por meio do MPF n° 08.1.08.002009004041. Dessa diligência resultou o Termo de Constatação Fiscal e seus Anexos de fls. 158/163. No Termo, os autores da diligência registraram que a pessoa jurídica RIO SANTO não teria porte e tampouco capacidade para adquirir, armazenar e consumir a quantidade de combustível adquirida da IPIRANGA, justificando com o fato de a atividade da RIO SANTO se limitar a levar turistas até o ponto do rio Paraíba do Sul onde a imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada, o que faz utilizando uma pequena balsa percorrendo um curto percurso, ao custo de R$ 4,00 (quatro reais) por passageiro. Nesse mesmo termo, afirmaram não ter visualizado tanques que pudessem armazenar combustíveis. 2.4 ANÁLISE COM BASE NAS INFORMAÇÕES DO VENDEDOR E NA DILIGÊNCIA De fato, de acordo com as informações do sistema CNPJ, a RIO SANTO tem seu endereço na Av. Itaguaçu, S/N, conforme declarou o Sr. Luiz Eduardo, mas, nesse mesmo sistema, consta que seus sócios são JEFERSON LUIS LINO DOS SANTOS, C.P.F. 178.161.82830 e CLAUDIA LINO DOS SANTOS MANTOVANI, C.P.F. 050.189.92867, não havendo, portanto, alguém de nome CLÁUDIO BRAGA em seu quadro societário. Com base nesses dados levantados em relação à RIO SANTO e considerando o seu diminuto porte e capacidade, levantados pela fiscalização em sua visita ao local, agora ficara evidente que estavam adquirindo combustível utilizando a pessoa jurídica RIO SANTO como interposta ou "laranja", com grande possibilidade da participação do citado Sr. CLÁUDIO BRAGA. 2.5 IDENTIFICAÇÃO DOS REAIS PAGADORES DOS BOLETOS Assim, o único caminho para se chegar ao real ou reais adquirente(s) dos combustíveis/lubrificantes e, sendo o caso, fazerlhe(s) o lançamento e a cobrança dos tributos sonegados, seria identificar os REAIS PAGADORES DOS BOLETOS BANCÁRIOS EMITIDOS EM FAVOR DA IPIRANGA CONTRA A RIO SANTO, os quais, segundo informação prestada pela IPIRANGA em resposta à intimação, haviam sido emitidos pelo Banco BRADESCO, por meio de sua Agência 23736, conta corrente n° 13.6662 e de sua Agência 27820, conta Cobrança n° 01011405 (fls. 141) . 2.6 SOLICITAÇÃO VIA JUDICIAL Fl. 439DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 440 30 Para tanto, foi solicitado ao Ministério Público Federal em GuaratinguetáSP que obtivesse, via judicial, junto ao BRADESCO, a identificação da(s) pessoa(s) física(s) e/ou jurídica(s), que realizaram os pagamentos dos boletos bancários emitidos em favor da IPIRANGA contra a RIO SANTO, elencados pela IPIRANGA em sua resposta a intimação de fls. 112/126. Essa solicitação deu origem à representação judicial n° 2009.61.18.0012660. A resposta do BRADESCO se deu por meio da planilha de fls. 166/179, encaminhada pelo Excelentíssimo Sr. Dr. Procurador da República em GuaratinguetáSP, por meio do Ofício n° 2009.000909/PRM/GRT, de 23/11/2009 (fls. 164), na qual o banco elencou algumas pessoas jurídicas como as REAIS PAGADORAS DOS BOLETOS, dentre as quais a FDM TRANSPORTES LTDAME, C.P.N.J.: 05.832.650/000117. 2.7 PESQUISAS COMPLEMENTARES Diante da informação recebida, uma nova pesquisa foi realizada nos sistemas da RFB, a qual revelou que a FDM TRANSPORTES LTDA ME, C.P.N.J.: 05.832.650/000117, doravante denominada FDM, localizada à Av. Juvenal Arantes, n° 710 Jd. Paraiba AparecidaSP, tem como sócios FLAVIO DOAN SANTOS DEL MÔNACO BRAGA, C.P.F. 331.893.64800 e FÁBIO DOAN SANTOS DEL MÔNACO BRAGA, C.P.F. 309.653.85817, FILHOS DE CLÁUDIO DOAN DEL MÔNACO BRAGA, C.P.F. 494.129.49804 e MARIA DE FÁTIMA LINO DO SANTOS BRAGA, C.P.F. 740.553.80887, ESPOSA DE CLÁUDIO DOAN DEL MÔNACO BRAGA E IRMÃ DE CLAUDIA LINO DOS SANTOS MANTOVANI (SÓCIA DA RIO SANTO). Além disso, foi verificado que os pagamentos realizados pela FDM em nome da RIO SANTO totalizaram, no anocalendário de 2005, a importância de R$ 542.724,00 (quinhentos e quarenta e dois mil, setecentos e vinte e quatro reais) (fls. 63/64), enquanto a receita bruta total declarada pela FDM na DSPJ 2006 / 2005 foi de R$ 352.759,15 (trezentos e cinqüenta e dois mil, setecentos e cinqüenta e nove reais e quinze centavos) (fls. 237). 2.8 OBTENÇÃO DAS NOTAS FISCAIS Nesse ponto dos trabalhos, visando a obtenção das notas fiscais que ampararam as compras em questão, intimou, novamente, a IPIRANGA, em 26/11/2009, para apresentar cópia das notas fiscais referentes às compras em nome da RIO SANTO fls.180/182. Como resposta a IPIRANGA apresentou o conjunto das notas solicitadas, do qual, para instruir o presente procedimento, foram extraídas as relativas aos pagamentos efetuados pela FDM (fls. 184/219). Fl. 440DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 441 31 2.9 CONCLUSÃO DA FASE DE PREPARO E ABERTURA DO PROCEDIMENTO FISCAL Portanto, colheuse um feixe de indícios apontando para utilização da RIO SANTO como interposta pessoa ("laranja"), para encobrir a aquisição de combustíveis por parte da FDM, com o claro intuito dessa última de OMITIR RECEITAS e SE EXIMIR DO PAGAMENTO DE TRIBUTOS, deixando a RIO SANTO, uma pessoa jurídica de patrimônio diminuto, para responder pelos tributos não recolhidos. (...) 3.5 NOVA DILIGÊNCIA NA RIO SANTO Nesse ponto se mostra oportuno ressaltar que, no interregno do procedimento fiscal, foi realizada uma nova diligência fiscal na RIO SANTO, instaurada pelo MPF n° 08.1.08.0020103720, na qual a sócia Claudia Lino dos Santos Mantovani, em Declaração firmada (fls. 223), afirmou, dentre outras coisas, que a pessoa jurídica NUNCA ADQUIRIU produtos vendidos pela Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga e, por via de conseqüência, NÃO TEM CONHECIMENTO DOS BOLETOS BANCÁRIOS emitidos em seu nome pela IPIRANGA Essa declaração põe por terra a tese da FISCALIZADA, de que os pagamentos dos boletos decorreram em função de um mútuo com a RIO SANTO. 3.6 FALTA DE ESCRITURAÇÃO DOS PAGAMENTOS DOS BOLETOS Destarte, constatase, com meridiana clareza, que a FISCALIZADA NÃO COMPROVOU, MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA, COINCIDENTE EM DATAS E VALORES, QUE OS PAGAMENTOS DOS BOLETOS BANCÁRIOS emitidos em favor da IPIRANGA contra A RIO SANTO, informados pelo BRADESCO na planilha de fls. 166/179 e resumidos na planilha denominada "PAGAMENTOS DE BOLETOS NÃO ESCRITURADOS" a fls. 95/96, totalizando R$ 542.724 (quinhentos e quarenta e dois mil,setecentos e vinte e quatro reais), CONSTAVAM REGULARMENTE REGISTRADOS EM SUA ESCRITURAÇÃO. Portanto, como a FISCALIZADA tampouco COMPROVOU QUE ESTES PAGAMENTOS FORAM REALIZADOS COM RECURSO JÁ OFERECIDOS A TRIBUTAÇÃO DE FORMA EXCLUSIVA OU COM A UTILIZAÇÃO DE RECEITAS NÃO TRIBUTÁVEIS OU, AINDA, QUE OS MESMOS NÃO FORAM EFETIVAMENTE REALIZADOS, INCLUSIVE ISSO ELA NUNCA NEGOU, TANTO QUE CONSTRUIU SUA TESE DE MÚTUO, RESTOU CARACTERIZADA A PRÁTICA DE OMISSÃO DE RECEITAS, conforme presunção legal prevista no art. 281, inc. II, do RIR/1999 (Decreto no. 3.000/99) "in verbis": "Ari. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da Fl. 441DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 442 32 presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2o, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40): I (...); II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III (...);” 3.7 CONCLUSÃO ASSIM, É DE SE CONCLUIR QUE OS PAGAMENTOS DOS BOLETOS BANCÁRIOS EFETUADOS PELA FISCALIZADA, NO ANOCALENDÁRIO DE 2005, REFERENTES ÀS COMPRAS EFETUADAS JUNTO À IPIRANGA, CUJAS RESPECTIVAS NOTAS FISCAIS ESTÃO ACOSTADAS AOS AUTOS ÀS FLS. 184/219, OS QUAIS SE ENCONTRAM ELENCADOS NA PLANILHA DENOMINADA "PAGAMENTOS DE BOLETOS NÃO ESCRITURADOS" (fls. 95/96), ELABORADA A PARTIR DA PLANILHA DENOMINADA "PAGAMENTOS DE BOLETOS INFORMADOS PELO BANCO BRADESCO" (fls. 63/64), POR NÃO HAVER SIDO COMPROVADA SUA REGULAR ESCRITURAÇÃO, FORAM FEITOS COM RECURSOS ORIUNDOS DE RECEITAS OMITIDAS NO ANO CALENDÁRIO DE 2005, TOTALIZANDO R$ 542.724 (quinhentos e quarenta e dois mil, setecentos e vinte e quatro reais). (...) No caso, a omissão de receitas imputada decorreu de presunção legal (RIR/99, art. 281, II). A presunção legal é relativa, comporta prova em contrário. Quanto ao ônus da prova, nas presunções legais: a) cabe ao fisco a comprovação do fato indiciário (fato conhecido) que, por ilação ou inferência, presume a ocorrência do fato probando (fato presumido); b) cabe ao contribuinte a comprovação de que o fato presumido ou probando não ocorreu. No caso, conforme demonstrado, o fisco comprovou nos autos, pela circularização do fornecedor, do banco e da interposta pessoa (“laranja”) e outras provas colhidas, a existência de pagamentos efetuados pela Recorrente e não registrados na escrituração contábil/fiscal (recursos de origem não comprovada) – fato indiciário (fato conhecido) que, por inferência ou ilação, implica na ocorrência de fato presumido (fato probando) – Omissão de Receitas. A Recorrente, por sua vez, não se desincumbiu do seu ônus probatório, no sentido de elidir a presunção legal. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 443 33 E o momento adequado para juntada das provas de suas alegações é por ocasião da apresentação da impugnação e complementação das provas, se necessário, nesta instância de julgamento, conforme arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (Grifei) A contribuinte, como frisado, não produziu provas de suas alegações, apenas protestou genericamente pela produção de provas. No processo administrativo é incabível o mero protesto genérico por produção de provas. Portanto, deve ser mantida a infração Omissão de Receitas. Não há reparo a fazer na decisão recorrida, que deve ser mantida. MULTA QUALIFCADA. DOLO. FRAUDE/SONEGAÇÃO FISCAL A Recorrente alegou que não restou caracterizado o dolo de fraude, de sonegação, em relação à infração Omissão de receitas – pagamentos não escriturados e à infração reflexa – insuficiência de recolhimentos. Não merece guarida a alegação da Recorrente. A qualificação das infrações imputadas, ou seja, multa de 150%, está assim narrada no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal (efls. 252/253), in verbis: Fl. 443DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 444 34 (...) 3.8 QUALIFICAÇÃO DA MULTA Por tudo acima exposto, fica COMPROVADO que a RIO SANTO não foi a real adquirente dos produtos junto à IPIRANGA, e que foi USADA, DE FORMA DOLOSA PELA FISCALIZADA, COMO INTERPOSTA PESSOA ("laranja"), com o claro intuito de esconder as suas compras dos produtos junto à IPIRANGA, realizadas utilizando recursos mantidos à margem da tributação, quais sejam suas receitas omitidas, com o claro intuito de SE EXIMIR DO PAGAMENTO DE TRIBUTOS e deixar a RIO SANTO, uma pessoa jurídica de patrimônio diminuto, para, sendo o caso, responder pelos tributos não recolhidos. Cabe salientar, também, o fato, já mencionado neste Relatório, da sócia da RIO SANTO, sra. Claudia Lino dos Santos Mantovani, ser tia dos sócios da FDM. Assim, é de se proceder à QUALIFICAÇÃO DA MULTA prevista no art. 44, inciso I, § Io, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/07, que abaixo se transcreve: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes mídias: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § I a O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei rr 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." Abaixo, transcrevemse os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o Fl. 444DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 445 35 montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. " 3.9 INSUFICIÊNCIA DE VALOR RECOLHIDO EM DECORRÊNCIA DA ELEVAÇÃO DASALÍQUOTAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DECLARADA Em decorrência dessa omissão de receitas apurada, a receita bruta efetiva acumulada, ou seja, a declarada mais a omitida, atinge valores superiores aos declarados originalmente pela FISCALIZADA na DSPJ/2006. Por seu turno, de acordo com o disposto na legislação de regência, as alíquotas do SIMPLES se elevam em função do aumento da receita bruta acumulada auferida, posto que progridem de acordo com a faixa de enquadramento da receita bruta acumulada. Assim, caso a FISCALIZADA não tivesse omitido receitas, a partir do mês de 04/2005 ficaria sujeita a alíquotas para apuração do SIMPLES mais elevadas do que aquelas utilizadas em sua DSPJ/2006. Por esse motivo, sobre a receita bruta mensal declarada na DSPJ/2006 pela FISCALIZADA, a partir do mês de ABRIL/2005, passaram a incidir as alíquotas mais elevadas que efetivamente deveriam ter sido aplicadas, gerando diferenças dos impostos e contribuições em relação aos apurados na DSPJ/2006. Ressaltese, por oportuno, que sobre essas diferenças também deve ser aplicada a multa qualificada, posto que decorreram do fato da FISCALIZADA ter omitido receitas com a utilização de interposta pessoa ("laranja") O dolo de fraude/sonegação fiscal, no caso, é patente, forte e intenso, pois a Recorrente, de forma ardilosa, praticou conduta dolosa, utilizouse de interposta pessoa (“laranja”) para livrar dos tributos federais, arquitetando a aquisição de produtos (combustíveis) da COMPANHIA IPIRANGA em nome de pessoa jurídica interposta (“laranja”), não escriturando os pagamentos efetuados (recursos de origem não comprovada), implicando, por presunção legal, omissão de receitas, e infração reflexa – insuficiência de recolhimento em relação às receitas declaradas. Os precedentes jurisprudencias deste CARF, também, são pela manutenção da qualificação da multa, no caso de utilização de omissão de receitas por fraude/sonegação fiscal, mediante utilização de interposta pessoa (“laranja”), in verbis: MULTAQUALIFICADA.INTERPOSTAPESSOA. Resta caracterizada fraude quando contribuinte se vale de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, sendo devida a multa qualificada (Acórdão nº 2201 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 446 36 002.286, sessão de 20/11/2013, Relatora designada Nathalia Mesquita Ceia). EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE MULTA QUALIFICADA A utilização de pessoa interposta para movimentação bancária e aquisição de bens caracteriza o evidente intuito de fraude e determina a aplicação da multa de ofício qualificada. (Acórdão nº 9202002.767, sessão de 06/08/2013, Relator Gustavo Lian Haddad). MULTA QUALIFICADA Cabível a multa qualificada, pois a utilização de contas bancárias em nome de terceiros para ocultar as operações comerciais do contribuinte evidencia o intuito de fraude, objetivando evitar e ocultar a ocorrência de fato gerador da obrigação tributária.(Acórdão nº 10323.220, sessão de 17/10/2007, Relator Paulo Jacinto do Nacimento). MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. Tendo sido reconhecido pela recorrente a utilização de contacorrente em nome de terceiro para movimentação de recursos mantidos a margem da escrituração, deve ser mantida a multa qualificada prevista no art. 44 da Lei 9.430. (Acórdão nº 130200.050, sessão de 27/08/2009, Relator e Presidente Marcos Rodrigues de Mello). INFRAÇÃO REFLEXA INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES, EM RELAÇÃO À RECEITA DECLARADA: Mantida a infração omissão de receitas, mantémse a infração reflexa – insuficiência de recolhimento sobre a receita informada na declaração do Simples Federal, inexistindo razão fática ou jurídica para decidir diversamente. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLLSIMPLES, COFINSSIMPLES. PIS SIMPLES. CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL INSSSIMPLES. Aplicase às exigências reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJSimples), devido à íntima relação de causa e efeito, e inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente. Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 446DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 16045.000492/201037 Acórdão n.º 1802002.086 S1TE02 Fl. 447 37 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NELSO KICHEL
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