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7193432 #
Numero do processo: 10580.722471/2008-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. URV. REGIME DE CAIXA. INAPLICABILIDADE. É incabível o regime de caixa para rendimentos recebidos acumuladamente. Aplicável no cálculo do tributo o regime de competência.
Numero da decisão: 9202-006.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES

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9202­006.420  –  2ª Turma   Sessão de  29 de janeiro de 2018  Matéria  IRPF  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  PLINIO CARNEIRO DA SILVA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2004, 2005, 2006  RECURSO  ESPECIAL  DA  FAZENDA  NACIONAL.  RENDIMENTO  RECEBIDO  ACUMULADAMENTE.  URV.  REGIME  DE  CAIXA.  INAPLICABILIDADE.  É incabível o regime de caixa para rendimentos recebidos acumuladamente.  Aplicável no cálculo do tributo o regime de competência.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  e,  no  mérito,  em  negar­lhe  provimento.  Votaram  pelas  conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira,  Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rita  Eliza Reis da Costa Bacchieri.    (Assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício      (Assinado digitalmente)  Ana Paula Fernandes – Relatora     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 24 71 /2 00 8- 16 Fl. 156DF CARF MF     2 Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patrícia  da  Silva,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Ana  Paula  Fernandes,  Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri,  Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).    Relatório  O  presente  Recurso  Especial  trata  de  pedido  de  análise  de  divergência  motivado  pela  Fazenda  Nacional  face  ao  acórdão  2201­002.557,  proferido  pela  1ª  Turma  Ordinária / 2ª Câmera / 2ª Seção de Julgamento.  Trata­se  de  auto  de  infração  relativo  ao  Imposto  de Renda Pessoa Física  –  IRPF  correspondente  aos  anos  calendário  de  2004,  2005  e  2006,  para  exigência  de  crédito  tributário, no valor de R$ 234.987,98, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta  e cinco por cento) e juros de mora.  A  autuação  decorreu  de  omissão  de  rendimentos  recebidos  do  Tribunal  de  Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis)  parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual n°  8.730, de 08 de setembro de 2003.  O Contribuinte apresentou impugnação.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento,  fls. 84/89,  julgou  parcialmente procedente a impugnação.  O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário.  O processo em apreço foi julgado em 15 de agosto de 2012 e os membros da  Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais (CARF), por meio do Acórdão nº 2201001.800, decidiram dar provimento  parcial ao recurso para excluir a multa de ofício.  Entretanto,  constatado  que  os  cálculos  foram  efetuados  com base  na  tabela  vigente na data do pagamento, o processo foi novamente incluído em pauta de julgamento e os  membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, por  meio  do  Acórdão  nº  2201001.950,  de  22  de  janeiro  de  2013,  decidiram  por  acolher  os  Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 2201001.800, de 15 de agosto de 2012, e  sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012.  Em  novo  julgamento  a  1ª  Turma  Ordinária  da  2ª  Câmara  da  2ª  Seção  de  Julgamento, às fls. 89/95, DEU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Ordinário, para que  sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à  época em que os valores deveriam ter sido pagos, bem como excluir da exigência a aplicação  da multa de ofício. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF  Exercício: 2005, 2006, 2007  Ementa:  Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10580.722471/2008­16  Acórdão n.º 9202­006.420  CSRF­T2  Fl. 10          3 IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE.  RESPONSABILIDADE.  SÚMULA  CARF Nº 12.  “Constatada  a  omissão  de  rendimentos  sujeitos  à  incidência  do  imposto  de  renda  na  declaração  de  ajuste  anual,  é  legítima  a  constituição  do  crédito  tributário  na  pessoa  física  do  beneficiário,  ainda  que  a  fonte  pagadora  não  tenha procedido à respectiva retenção”.   IRRF. COMPETÊNCIA.  A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a  competência  tributária  da  União  para  instituir,  arrecadar  e  fiscalizar  o  Imposto sobre a Renda.  IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.  Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas  na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são  de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto  de Renda.  ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.  Inexistindo  lei  federal  reconhecendo  a  isenção,  incabível  a  exclusão  dos  rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda.  IRPF.  PARCELAS  ATRASADAS  RECEBIDAS  ACUMULADAMENTE.  TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62­A DO RICARF.  O  imposto  de  renda  incidente  sobre  os  rendimentos  tributáveis  recebidos  acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes  à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o  Recurso Especial nº 1.118.429/SP,  julgado na forma do art. 543­C do CPC.  Aplicação do art. 62­A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).  IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73.  “Erro  no  preenchimento  da  declaração  de  ajuste  do  imposto  de  renda,  causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza  o lançamento de multa de ofício”.  Às  fls.  97/108,  a  Fazenda  Nacional  interpôs  Recurso  Especial  de  Divergência,  alegando divergência  jurisprudencial  em  relação  a aplicação, aos  rendimentos  recebidos acumuladamente, das tabelas progressivas vigentes à época em que os valores  deveriam  ter  sido  pagos  à  Contribuinte  (entendimento  do  Recurso  Especial  nº  1.118.429/SP). Entendeu o acórdão recorrido que o entendimento fixado pelo STJ em sede de  recurso repetitivo se aplicaria aos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de lei (e  não  de  sentença  judicial),  devendo  a  apuração  do  tributo  ser  efetuada  pelo  regime  de  competência. Os acórdãos paradigmas, por outro lado, entenderam correto o procedimento de  apurar  o  imposto  pelo  regime  de  caixa,  fixando  a  tese,  inclusive,  de  que  aos  rendimentos  recebidos acumuladamente em virtude de lei formal não se aplicaria o precedente do STJ.  Fl. 158DF CARF MF     4 Às fls. 130/136, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de  Admissibilidade  do  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  DANDO  SEGUIMENTO  ao  recurso  em  relação  à  aplicação,  aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente, das tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam  ter sido pagos à Contribuinte (entendimento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP).  Intimado através à fl. 144, o Contribuinte permaneceu inerte, vindo os autos  conclusos para julgamento.  É o relatório.  Voto             Conselheira Ana Paula Fernandes ­ Relatora  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido.   Trata­se  de  auto  de  infração  relativo  ao  Imposto  de Renda Pessoa Física  –  IRPF  correspondente  aos  anos  calendário  de  2004,  2005  e  2006,  para  exigência  de  crédito  tributário, no valor de R$ 234.987,98, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta  e cinco por cento) e juros de mora.  O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao Recurso Ordinário.   O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a  divergência  jurisprudencial  em  relação  à  aplicação,  aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente, das tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam  ter sido pagos à Contribuinte (entendimento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP).  Na  decisão  recorrida,  deu­se  provimento  ao  recurso,  para  cancelar  o  lançamento, devido à impossibilidade de refazimento do lançamento na atual fase processual.  Da análise do tema, observo que assiste razão ao Contribuinte, pois o referido  lançamento  não  pode  prosperar.  Isso  porque  o  art.  12  da  Lei  nº  7.713/88  teve  sua  constitucionalidade afastada.   O  referido  dispositivo  legal  que  era  utilizado  para  a  cobrança  do  IRPF  incidente  sobre  rendimentos  recebidos  de  forma acumulada,  através da  aplicação da  alíquota  vigente  no  momento  do  pagamento  sobre  o  total  recebido,  teve  sua  inconstitucionalidade  reconhecida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nª  614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da Repercussão Geral prevista no artigo 543­B  do Código de Processo Civil, vejamos:  IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES –  ALÍQUOTA.   A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de  alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.  (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO  AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO  REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014.  Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10580.722471/2008­16  Acórdão n.º 9202­006.420  CSRF­T2  Fl. 11          5 Nesse sentido cito aqui voto do Conselheiro Relator Martin da Silva Gesto,  no  processo  11080.731461/2013­24,  julgado  recentemente  (17/02/2016)  já  pela  nova  composição de conselheiros deste Tribunal Administrativo:  De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda  que  seja  aplicado  o  regime  de  caixa  aos  rendimentos  recebidos  acumuladamente pelas pessoas  físicas  (nascimento da obrigação  tributária),  é  necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da  capacidade  contributiva  e  da  proporcionalidade,  que  o  dimensionamento  da  obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota)  dos anos  calendários  em que os  valores deveriam  ter  sido  recebidos,  e não o  foram.   Assim,  considerando  que  o  lançamento  foi  amparado  na  interpretação  jurídica de dispositivo  legal, que foi declarado  inconstitucional pelo STF, é de se  reconhecer  que houve um vício material no lançamento que utilizou fundamento legal inválido, contudo,  como  se  trata  de  recurso  apresentado  pela  Fazenda  Nacional  limito  a  presente  decisão  tão  somente a manutenção do acórdão recorrido que determinou o recálculo com base no regime  de competência e não de caixa.  Registro aqui que este não é o entendimento da maioria do colegiado que  entende  inaplicável  ao  caso  o  regime de  caixa  sendo  correta  a  apuração por  regime de  competência, contudo, não entende haver vício material, devendo haver recálculo da base  de incidência do referido tributo.  Diante  do  exposto  conheço  do  Recurso  interposto  pela  Fazenda  Nacional  para no mérito negar­lhe provimento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Ana Paula Fernandes                                Fl. 160DF CARF MF

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7177307 #
Numero do processo: 10835.722067/2013-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/03/2009 a 31/12/2012 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. VÍCIOS FORMAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios na emissão do Termo de Início de Ação Fiscal ou Mandado de Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. PIS. COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. DESVIO DE ATIVIDADE EMPRESARIAL. AUSÊNCIA DE PROVA. PREVALÊNCIA DA FORMA CONSTITUTIVA DA SOCIEDADE. De acordo com o Decreto n. 5.442/2005, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das contribuições ficam reduzidas a zero. O deságio obtido na aquisição dos títulos de créditos, proveniente da diferença entre o valor pago e o valor de face título creditório, constitui receita financeira para empresas industriais. A Fiscalização não pode, após a constatação de que durante poucos meses tais tipos de receita foram significativas nas atividades empresarias, imputar nova qualificação jurídica à sociedade industrial, tratando-a como factoring e impondo diferente regime jurídico a ser seguido. Caso houvesse fraude, sonegação ou qualquer abuso pela empresa, daí sim poder-se-ia cogitar a alteração de seu regime jurídico, ultrapassando a forma pela qual está constituída. Do contrário, ela deve prevalecer. AUTO DE INFRAÇÃO. DILIGÊNCIA. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Tendo sido comprovado em diligência promovida no decorrer do processo administrativo que o crédito quantum cobrado por meio de auto de infração encontra-se estava equivocado, em razão da base de cálculo ter impropriamente apropriado determinados valores como omissão de receita, deve ser cancelado o montante cobrado equivocadamente da Contribuinte. REMISSÃO DE DÍVIDA. PIS. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente. REINTEGRA. SUBVENÇÃO CORRENTE. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO EM REGIME NÃO CUMULATIVO. Os valores apurados no âmbito do Regime de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadoras (Reintegra) representam receitas da pessoa jurídica beneficiária por tratar-se o regime de espécie de subvenção corrente. Portanto, tais valores integram a base de cálculo da contribuição em regime não cumulativo. PRESUNÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE RECURSOS. PROVA. DÍVIDA SUBMETIDA À PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. AFASTAMENTO DA PRESUNÇÃO. O processo de recuperação judicial tem rito próprio, estabelecido pela Lei n. 11.101/2005, sempre no intuito de viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica. Nestes termos, o pagamento dos credores deve seguir o plano de pagamento votado em Assembleia pelos credores da empresa recuperanda. Tendo as razões pela qual a fiscalização motivou a omissão de receita (não contabilização da dívida e falta de comprovação dos recursos) sido postas de lado pelo resultado da diligência, o qual provou que as dívidas só poderiam ser pagas em momento oportuno (nos termo do plano de recuperação judicial, onde foram incluídas) e o foram, pelo menos em parte, conclui-se que a presunção de omissão de receitas estabelecida pelo artigo 40 da Lei n. 9.430/96 deve ser afastada no presente caso. PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPRA DE PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição tributada à alíquota zero, ou suspensa, de bem para revender ou usar como insumo não gera crédito na sistemática não-cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ERRO DE DIREITO. ARTIGO 146 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. Pela comparação entre os fundamentos originais da autuação e os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal quando da apresentação do relatório de diligência efetuada no decorrer do processo administrativo, constata-se existir inequívoca alteração dos fundamentos do lançamento tributário. Delimitando o que seria passível de mudança no âmbito do lançamento tributário, a doutrina é uníssona no sentido de que o erro da autoridade fiscal que justifica a alteração do ato de lançamento é apenas o erro de fato, e não o erro de direito. Assim, é certo que quando o aplicador do Direito vê no mesmo fato características que antes não foram relevantes para a interpretação a seu respeito, levando a uma nova valoração jurídica desse mesmo fato, estar-se-á direito do erro de direito e, portanto, da limitação imposta pelo artigo 146 do CTN. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. PALETES. EMBALAGEM. CRITÉRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. A respeito de paletes, encontrando-se preenchidos os requisitos para a tomada do crédito das contribuições sociais especificamente sobre esse insumo, quais sejam: i) a importância dos paletes para a preservação dos produtos, uma vez que são utilizados para embalar seus produtos destinados à venda, de modo a garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino final; ii) seu integral consumo no processo produtivo, protegendo o produto, sendo descartados pelo adquirente e não mais retornando para o estabelecimento da contribuinte; deve ser reconhecido o direito ao crédito. Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3402-004.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: a) em relação às receitas decorrentes de deságio na aquisição de títulos e direitos creditório (item 2.1.1 do voto), por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Jorge Olmiro Lock Freire; b) em relação às receitas decorrentes de deságio na aquisição de LTN e NTN (item 2.1.2 do voto), por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Jorge Freire; c) em relação à omissão de receita de perdão/deságio no pagamento de empréstimos bancários (item 2.1.3 do voto), por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; d) em relação à omissão de receitas dos valores de ressarcimento do Reintegra (item 2.2 do voto), por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; e) em relação à omissão de receitas decorrentes de Rapel (item 2.3 do voto), por unanimidade de votos, em dar provimento parcial nos termos informado na diligência fiscal; f) em relação à omissão de receitas de pagamento efetuados com recurso estranho à contabilidade (item 2.4 do voto), por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire; g) em relação à omissão de receitas de remissão de dívidas por fornecedores (item 2.5 do voto), por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; h) em relação à glosa de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero (item 2.6 do voto), por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso; i) em relação à glosa de créditos de produtos adquiridos com suspensão das contribuições - Pessoa Jurídica Preponderantemente Exportadora (item 2.7 do voto), por maioria de votos, em dar provimento parcial nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Jorge Olmiro Lock Freire, que negavam provimento em relação à reversão da glosa das NF 5864 e 7349, emitida pelo fornecedor Manuchar; e j) em relação à glosa de aquisição de crédito sobre aquisição de paletes (item 2.8 do voto), por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Acompanhou o julgamento o Dr. Pietro Figueiredo de Paiva, OAB/DF 27.944. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. (Assinado com certificado digital) Pedro Sousa Bispo - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: a) em relação às receitas decorrentes de deságio na aquisição de títulos e direitos creditório (item 2.1.1 do voto), por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Jorge Olmiro Lock Freire; b) em relação às receitas decorrentes de deságio na aquisição de LTN e NTN (item 2.1.2 do voto), por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Jorge Freire; c) em relação à omissão de receita de perdão/deságio no pagamento de empréstimos bancários (item 2.1.3 do voto), por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; d) em relação à omissão de receitas dos valores de ressarcimento do Reintegra (item 2.2 do voto), por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; e) em relação à omissão de receitas decorrentes de Rapel (item 2.3 do voto), por unanimidade de votos, em dar provimento parcial nos termos informado na diligência fiscal; f) em relação à omissão de receitas de pagamento efetuados com recurso estranho à contabilidade (item 2.4 do voto), por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire; g) em relação à omissão de receitas de remissão de dívidas por fornecedores (item 2.5 do voto), por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; h) em relação à glosa de créditos sobre compras de produtos sujeitos à alíquota zero (item 2.6 do voto), por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso; i) em relação à glosa de créditos de produtos adquiridos com suspensão das contribuições - Pessoa Jurídica Preponderantemente Exportadora (item 2.7 do voto), por maioria de votos, em dar provimento parcial nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Jorge Olmiro Lock Freire, que negavam provimento em relação à reversão da glosa das NF 5864 e 7349, emitida pelo fornecedor Manuchar; e j) em relação à glosa de aquisição de crédito sobre aquisição de paletes (item 2.8 do voto), por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Acompanhou o julgamento o Dr. Pietro Figueiredo de Paiva, OAB/DF 27.944. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. (Assinado com certificado digital) Pedro Sousa Bispo - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/03/2009 a 31/12/2012 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. VÍCIOS FORMAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios na emissão do Termo de Início de Ação Fiscal ou Mandado de Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. PIS. COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. DESVIO DE ATIVIDADE EMPRESARIAL. AUSÊNCIA DE PROVA. PREVALÊNCIA DA FORMA CONSTITUTIVA DA SOCIEDADE. De acordo com o Decreto n. 5.442/2005, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das contribuições ficam reduzidas a zero. O deságio obtido na aquisição dos títulos de créditos, proveniente da diferença entre o valor pago e o valor de face título creditório, constitui receita financeira para empresas industriais. A Fiscalização não pode, após a constatação de que durante poucos meses tais tipos de receita foram significativas nas atividades empresarias, imputar nova qualificação jurídica à sociedade industrial, tratando-a como factoring e impondo diferente regime jurídico a ser seguido. Caso houvesse fraude, sonegação ou qualquer abuso pela empresa, daí sim poder-se-ia cogitar a alteração de seu regime jurídico, ultrapassando a forma pela qual está constituída. Do contrário, ela deve prevalecer. AUTO DE INFRAÇÃO. DILIGÊNCIA. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Tendo sido comprovado em diligência promovida no decorrer do processo administrativo que o crédito quantum cobrado por meio de auto de infração encontra-se estava equivocado, em razão da base de cálculo ter impropriamente apropriado determinados valores como omissão de receita, deve ser cancelado o montante cobrado equivocadamente da Contribuinte. REMISSÃO DE DÍVIDA. PIS. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. A remissão de dívida importa para o devedor (remitido) acréscimo patrimonial (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do ato remitente. REINTEGRA. SUBVENÇÃO CORRENTE. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO EM REGIME NÃO CUMULATIVO. Os valores apurados no âmbito do Regime de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadoras (Reintegra) representam receitas da pessoa jurídica beneficiária por tratar-se o regime de espécie de subvenção corrente. Portanto, tais valores integram a base de cálculo da contribuição em regime não cumulativo. PRESUNÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE RECURSOS. PROVA. DÍVIDA SUBMETIDA À PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. AFASTAMENTO DA PRESUNÇÃO. O processo de recuperação judicial tem rito próprio, estabelecido pela Lei n. 11.101/2005, sempre no intuito de viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica. Nestes termos, o pagamento dos credores deve seguir o plano de pagamento votado em Assembleia pelos credores da empresa recuperanda. Tendo as razões pela qual a fiscalização motivou a omissão de receita (não contabilização da dívida e falta de comprovação dos recursos) sido postas de lado pelo resultado da diligência, o qual provou que as dívidas só poderiam ser pagas em momento oportuno (nos termo do plano de recuperação judicial, onde foram incluídas) e o foram, pelo menos em parte, conclui-se que a presunção de omissão de receitas estabelecida pelo artigo 40 da Lei n. 9.430/96 deve ser afastada no presente caso. PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPRA DE PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição tributada à alíquota zero, ou suspensa, de bem para revender ou usar como insumo não gera crédito na sistemática não-cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. ERRO DE DIREITO. ARTIGO 146 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. Pela comparação entre os fundamentos originais da autuação e os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal quando da apresentação do relatório de diligência efetuada no decorrer do processo administrativo, constata-se existir inequívoca alteração dos fundamentos do lançamento tributário. Delimitando o que seria passível de mudança no âmbito do lançamento tributário, a doutrina é uníssona no sentido de que o erro da autoridade fiscal que justifica a alteração do ato de lançamento é apenas o erro de fato, e não o erro de direito. Assim, é certo que quando o aplicador do Direito vê no mesmo fato características que antes não foram relevantes para a interpretação a seu respeito, levando a uma nova valoração jurídica desse mesmo fato, estar-se-á direito do erro de direito e, portanto, da limitação imposta pelo artigo 146 do CTN. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. PALETES. EMBALAGEM. CRITÉRIOS. DIREITO AO CRÉDITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. A respeito de paletes, encontrando-se preenchidos os requisitos para a tomada do crédito das contribuições sociais especificamente sobre esse insumo, quais sejam: i) a importância dos paletes para a preservação dos produtos, uma vez que são utilizados para embalar seus produtos destinados à venda, de modo a garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino final; ii) seu integral consumo no processo produtivo, protegendo o produto, sendo descartados pelo adquirente e não mais retornando para o estabelecimento da contribuinte; deve ser reconhecido o direito ao crédito. Recurso voluntário parcialmente provido.

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Fiscal  ou  Mandado  de  Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de  ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da  sua defesa.  PIS. COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. DESVIO  DE  ATIVIDADE  EMPRESARIAL.  AUSÊNCIA  DE  PROVA.  PREVALÊNCIA DA FORMA CONSTITUTIVA DA SOCIEDADE.  De acordo com o Decreto n. 5.442/2005, as alíquotas da Contribuição para o  PIS/Pasep  e  da  COFINS  incidentes  sobre  as  receitas  financeiras  auferidas  pelas pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  regime de  incidência não­cumulativa das  contribuições  ficam  reduzidas  a  zero.  O  deságio  obtido  na  aquisição  dos  títulos de créditos, proveniente da diferença entre o valor pago e o valor de  face título creditório, constitui receita financeira para empresas industriais. A  Fiscalização não pode, após a constatação de que durante poucos meses tais  tipos de receita foram significativas nas atividades empresarias, imputar nova  qualificação  jurídica  à  sociedade  industrial,  tratando­a  como  factoring  e  impondo  diferente  regime  jurídico  a  ser  seguido.  Caso  houvesse  fraude,  sonegação  ou  qualquer  abuso  pela  empresa,  daí  sim  poder­se­ia  cogitar  a  alteração  de  seu  regime  jurídico,  ultrapassando  a  forma  pela  qual  está  constituída. Do contrário, ela deve prevalecer.  AUTO DE INFRAÇÃO. DILIGÊNCIA. CANCELAMENTO DO AUTO DE  INFRAÇÃO.  Tendo  sido  comprovado  em  diligência  promovida  no  decorrer  do  processo  administrativo que o crédito quantum cobrado por meio de auto de infração     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 20 67 /2 01 3- 62 Fl. 27326DF CARF MF     2 encontra­se  estava  equivocado,  em  razão  da  base  de  cálculo  ter  impropriamente  apropriado  determinados  valores  como  omissão  de  receita,  deve ser cancelado o montante cobrado equivocadamente da Contribuinte.  REMISSÃO DE DÍVIDA. PIS. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO.  A  remissão  de  dívida  importa  para  o  devedor  (remitido)  acréscimo  patrimonial  (receita  operacional  diversa  da  receita  financeira),  por  ser  uma  insubsistência do passivo, cujo fato imponível se concretiza no momento do  ato remitente.  REINTEGRA.  SUBVENÇÃO  CORRENTE.  BASE  DE  CÁLCULO  DA  CONTRIBUIÇÃO EM REGIME NÃO CUMULATIVO.   Os  valores  apurados  no  âmbito  do  Regime  de  Reintegração  de  Valores  Tributários para Empresas Exportadoras (Reintegra) representam receitas da  pessoa  jurídica beneficiária  por  tratar­se  o  regime de  espécie  de  subvenção  corrente. Portanto, tais valores integram a base de cálculo da contribuição em  regime não cumulativo.  PRESUNÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO  DE  RECURSOS.  PROVA.  DÍVIDA  SUBMETIDA  À  PLANO  DE  RECUPERAÇÃO JUDICIAL. AFASTAMENTO DA PRESUNÇÃO.  O processo de recuperação judicial tem rito próprio, estabelecido pela Lei n.  11.101/2005, sempre no intuito de viabilizar a superação da situação de crise  econômico­financeira do devedor,  a  fim de permitir  a manutenção da  fonte  produtora,  do  emprego  dos  trabalhadores  e  dos  interesses  dos  credores,  promovendo, assim, a preservação da empresa, sua função social e o estímulo  à atividade econômica. Nestes termos, o pagamento dos credores deve seguir  o  plano  de  pagamento  votado  em  Assembleia  pelos  credores  da  empresa  recuperanda.   Tendo as  razões pela qual a  fiscalização motivou a omissão de  receita  (não  contabilização da dívida e falta de comprovação dos recursos) sido postas de  lado pelo resultado da diligência, o qual provou que as dívidas só poderiam  ser pagas em momento oportuno (nos termo do plano de recuperação judicial,  onde  foram  incluídas)  e  o  foram,  pelo  menos  em  parte,  conclui­se  que  a  presunção  de  omissão  de  receitas  estabelecida  pelo  artigo  40  da  Lei  n.  9.430/96 deve ser afastada no presente caso.  PIS.  COFINS.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  COMPRA  DE  PRODUTOS  SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO. DIREITO AO CRÉDITO.  IMPOSSIBILIDADE.   A aquisição tributada à alíquota zero, ou suspensa, de bem para revender ou  usar  como  insumo  não  gera  crédito  na  sistemática  não­cumulativa  da  Contribuição ao PIS e da COFINS, nos termos do artigo 3º, §2º, inciso II das  Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003.  LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  ALTERAÇÃO  DE  CRITÉRIO  JURÍDICO.  ERRO  DE  DIREITO.  ARTIGO  146  DO  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  Pela  comparação  entre  os  fundamentos  originais  da  autuação  e  os  fundamentos  utilizados  pela  autoridade  fiscal  quando  da  apresentação  do  relatório  de  diligência  efetuada  no  decorrer  do  processo  administrativo,  constata­se  existir  inequívoca  alteração  dos  fundamentos  do  lançamento  tributário.   Fl. 27327DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 515          3 Delimitando  o  que  seria  passível  de  mudança  no  âmbito  do  lançamento  tributário, a doutrina é uníssona no sentido de que o erro da autoridade fiscal  que justifica a alteração do ato de lançamento é apenas o erro de fato, e não o  erro  de  direito.  Assim,  é  certo  que  quando  o  aplicador  do  Direito  vê  no  mesmo  fato  características  que  antes  não  foram  relevantes  para  a  interpretação  a  seu  respeito,  levando  a  uma  nova  valoração  jurídica  desse  mesmo  fato,  estar­se­á  direito  do  erro  de  direito  e,  portanto,  da  limitação  imposta pelo artigo 146 do CTN.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  CONTRIBUIÇÃO  AO  PIS  E  COFINS.  INSUMO.  CONCEITO.  PALETES.  EMBALAGEM.  CRITÉRIOS.  DIREITO AO CRÉDITO.  No  regime  não  cumulativo  das  contribuições  o  conteúdo  semântico  de  “insumo”  é  mais  amplo  do  que  aquele  da  legislação  do  imposto  sobre  produtos industrializados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do  imposto  sobre  a  renda  (IRPJ),  abrangendo  os  “bens”  e  “serviços”  que  integram o custo de produção.  A respeito de paletes, encontrando­se preenchidos os requisitos para a tomada  do crédito das contribuições sociais especificamente sobre esse insumo, quais  sejam: i) a importância dos paletes para a preservação dos produtos, uma vez  que são utilizados para embalar seus produtos destinados à venda, de modo a  garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino final; ii) seu integral  consumo  no  processo  produtivo,  protegendo  o  produto,  sendo  descartados  pelo  adquirente  e  não  mais  retornando  para  o  estabelecimento  da  contribuinte; deve ser reconhecido o direito ao crédito.  Recurso voluntário parcialmente provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao Recurso  Voluntário nos seguintes termos: a) em relação às receitas decorrentes de deságio na aquisição  de títulos e direitos creditório (item 2.1.1 do voto), por maioria de votos, em dar provimento ao  recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Jorge Olmiro  Lock  Freire;  b)  em  relação  às  receitas  decorrentes  de  deságio  na  aquisição  de  LTN  e NTN  (item  2.1.2  do  voto),  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso.  Vencidos  os  Conselheiros  Waldir  Navarro  Bezerra,  Pedro  Sousa  Bispo  e  Jorge  Freire;  c)  em  relação  à  omissão de receita de perdão/deságio no pagamento de empréstimos bancários (item 2.1.3 do  voto), por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Relatora,  Diego  Diniz  Ribeiro  e  Carlos  Augusto  Daniel  Neto.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  Pedro  Sousa Bispo;  d)  em  relação  à  omissão de receitas dos valores de ressarcimento do Reintegra (item 2.2 do voto), por maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso.  Vencidos  os  Conselheiros  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Relatora,  Diego  Diniz  Ribeiro  e  Carlos  Augusto  Daniel  Neto.  Designado  para  redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; e) em relação à omissão de receitas  decorrentes de Rapel (item 2.3 do voto), por unanimidade de votos, em dar provimento parcial  nos  termos  informado na diligência  fiscal;  f) em relação à omissão de receitas de pagamento  efetuados com recurso estranho à contabilidade (item 2.4 do voto), por maioria de votos, em  dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire; g) em relação à  Fl. 27328DF CARF MF     4 omissão de receitas de remissão de dívidas por fornecedores (item 2.5 do voto), por maioria de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso.  Vencidos  os  Conselheiros  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Relatora,  Diego  Diniz  Ribeiro  e  Carlos  Augusto  Daniel  Neto.  Designado  para  redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Sousa Bispo; h) em relação à glosa de créditos  sobre  compras  de  produtos  sujeitos  à  alíquota  zero  (item  2.6  do  voto),  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso;  i)  em  relação  à  glosa  de  créditos  de  produtos  adquiridos  com  suspensão  das  contribuições  ­  Pessoa  Jurídica  Preponderantemente  Exportadora (item 2.7 do voto), por maioria de votos, em dar provimento parcial nos termos do  voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Jorge Olmiro  Lock Freire,  que negavam provimento  em  relação à  reversão da glosa das NF 5864  e 7349,  emitida  pelo  fornecedor  Manuchar;  e  j)  em  relação  à  glosa  de  aquisição  de  crédito  sobre  aquisição  de  paletes  (item  2.8  do  voto),  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Acompanhou o  julgamento o  Dr. Pietro Figueiredo de Paiva, OAB/DF 27.944.  (Assinado com certificado digital)  Jorge Olmiro Lock Freire ­ Presidente.  (Assinado com certificado digital)  Thais De Laurentiis Galkowicz ­ Relatora.   (Assinado com certificado digital)  Pedro Sousa Bispo ­ Redator designado  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Jorge  Freire,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Pedro  Sousa  Bispo  e  Carlos  Augusto  Daniel  Neto. Relatório  Trata­se de  recurso  voluntário  interposto  em  face  da  decisão  proferida pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  (“DRJ”)  de  Ribeirão  Preto/SP,  que  declarou  improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de Contribuição ao  PIS  e  de  COFINS  não  cumulativas,  consubstanciada  nos  autos  de  infração  em  questão  (fls  2999 ­ 3117), incluídos principal, juros de mora e multa no percentual de 75%.  Por  bem  consolidar  os  mais  importantes  fatos  que  deram  ensejo  ao  lançamento tributário em questão, bem como os argumentos trazidos pelo contribuinte em sede  de  impugnação,  com  riqueza de detalhes,  colaciono os mais  importantes  trechos  relatório do  Acórdão da DRJ:   Os  enquadramentos  legais  encontram­se  nos  autos  de  infração  juntados às fls. 2999/3117.  De  acordo  com  o  Termo  de  Verificação,  de  fls.2909/2940,  a  fiscalização  apurou  a  falta  de  recolhimento,  conforme  as  seguintes infrações apuradas:  1) Omissão de receitas decorrentes de deságio na aquisição de  títulos ou direitos creditórios   Fl. 27329DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 516          5 A fiscalizada não ofereceu à tributação das contribuições para o  PIS e COFINS as receitas relativas a compra de 209 (duzentos e  nove)  títulos  de  crédito,  classificados  contabilmente  no  Ativo  Realizável  a Longo  Prazo,  nos  períodos  de  03/2009 a  06/2009,  constituída  por  deságio  obtido  em  compras  extremamente  vantajosas  ao  se  pagar  valor  diminuto  em  relação  ao  valor  patrimonial  dos  títulos,  ou  seja, diferença positiva entre o valor  dos  títulos  (valor  de  face/valor  patrimonial)  e  o  custo  de  aquisição (valor pago).  A autoridade fiscal entendeu que o deságio obtido na aquisição  de  precatórios  de  terceiros,  proveniente  da  diferença  entre  o  valor  pago  e  o  valor  do  título  creditório,  gerou  um  ganho  patrimonial, pois os títulos de crédito adquiridos possuíam um  valor  de  face maior  do  que  o  efetivamente  pago.  Esse  ganho  patrimonial  constituiria  receita,  devendo  ser  reconhecida  e  tributada nos termos da legislação de regência.  Também,  concluiu  que  a  aquisição  de  precatórios  alimentícios  de terceiros por valor inferior ao valor do  título creditório não  poderia  significar  outra  coisa  senão  acréscimo  no  ativo  mediante a transação realizada, o qual, efetivamente, gerou um  aumento no patrimônio líquido da empresa uma vez que a saída  de  recursos  financeiros  foi  menor  que  os  direitos  creditórios  adquiridos.  E  assim,  o  deságio  por  ela  obtido  se  refere  a  uma  receita,  a  qual,  por  expressa  previsão  legal,  está  sujeita  à  tributação das contribuições em questão:  Cumpre ressaltar que não há  fundamento  legal para que se  considere  ocorrido  o  fato  gerador  da  receita  somente  no  momento em que os recursos que a ela deram origem sejam  efetivamente recebidos. O fato gerador do PIS e da COFINS  ocorreu no momento em que a receita foi auferida, isto é, no  momento da aquisição dos títulos de crédito de terceiros com  deságio,  independentemente  de  quando  estes  direitos  creditórios  sejam efetivamente recebidos ou negociados. Vê­ se que a diferença entre o valor de face e o valor de aquisição de  títulos  ou  direitos  de  créditos  não  é  receita  financeira,  devendo  integrar a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da  Cofins não­cumulativas no valor dessa diferença.  A fiscalização fez constar no relatório que a fiscalizada também  deixou de oferecer à  tributação das contribuições para o PIS e  COFINS o deságio ocorrido na aquisição de direitos creditórios  relativos a títulos públicos LTN – Letras do Tesouro Nacional e  NTN – Notas do Tesouro Nacional.  O fato gerador das contribuições para o PIS e COFINS ocorreu  na data de aquisição dos títulos da dívida pública (vide escritura  pública), cuja base de cálculo é representada pela diferença entre  o valor de face do título da dívida pública (R$5.000.000,00) e o  custo  da  aquisição  (R$2.500.000,00),  devendo  a  vantagem  econômica  de  R$2.500.000,00  ser  oferecida  à  tributação,  independentemente de ter prosperada a restituição desejada junto  Fl. 27330DF CARF MF     6 à SRFB ou da destinação dada aos títulos, seja nova negociação  ou devolução.  Assim  sendo,  as  receitas  obtidas  pela  fiscalizada  representada  pela  diferença  entre  o  valor  de  face  dos  títulos  ou  direitos  de  crédito e o custo de aquisição, constituem receitas operacionais  e  integram  o  faturamento  mensal,  devendo  compor  a  base  de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS  e  COFINS,  cabendo  a  exigência de ofício para cobrança dos débitos devidos de PIS e  COFINS  nos  PA  03/2009  a  06/2009,  conforme  montantes  especificados na tabela 1 deste Relatório de Fiscalização, e PA  03/2011.  2)  Omissão  de  receitas  de  perdão/deságio  no  pagamento  de  empréstimos bancários   A  fiscalização  levada  à  efeito  informou  que  a  contribuinte  deixou de oferecer à tributação das contribuições para o PIS e  COFINS  as  receitas  decorrentes  da  aquisição  de  títulos  de  créditos  com  enorme  deságio,  representativos  de  dívidas  bancárias  da  própria  fiscalizada  (deságio  da  própria  obrigação),  sob  arguição  de  tratar­se  de  receitas  sujeitas  à  alíquota zero das contribuições para o PIS e COFINS.   O  deságio  ocorrido  é  fruto  da  diferença  entre  o  custo  de  aquisição e o valor patrimonial dos títulos na época da aquisição.  Houve deságio porque o preço de custo dos títulos foi menor que  seu  valor  patrimonial,  verificando­se  compra  extremamente  vantajosa.  A  autoridade  administrativa  enumerou  as  operações  de  pagamento de empréstimo da fiscalizada junto ao Itaú Unibanco  S/A, Banco Citibank S/A e Banco Latinoamericano.  A  fiscalização  concluiu  que  os  negócios  aparentemente  podem  ser uma operação de compra de títulos de créditos com deságio,  no entanto ao se examinar detidamente o conjunto de eventos, ao  invés de individualizadamente cada operação, nota­se que há de  fato  a  exoneração  das  dívidas  de  empréstimos  bancários  e  ainda que:  (...)  3)  Omissão  de  receita  dos  valores  de  ressarcimento  do  REINTEGRA   A  fiscalização  informou  que  a  contribuinte  é  pessoa  jurídica  exportadora beneficiária do Regime Especial de Reintegração de  Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra),  com  o  objetivo  de  reintegrar  valores  referentes  a  custos  tributários  federais  residuais  existentes  nas  suas  cadeias  de  produção,  instituído  pela  Medida  Provisória  nº  540,  de  2  de  agosto de 2011, posteriormente convertida na Lei nº 12.546, de  14 de dezembro de 2011 e alterações.  Nas análises, a fiscalização entendeu que a fiscalizada deixou  de  oferecer  à  tributação  das  contribuições  para  o  PIS  e  COFINS,  não  cumulativos,  os  valores  de  ressarcimento  do  Regime de Reintegração de Valores Tributários para Empresas  Fl. 27331DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 517          7 Exportadora  (Reintegra), que representam receita operacional  a  compor  a  base  de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS  e  Cofins e entendeu:  (...)  4) Omissão de Receitas decorrentes de RAPEL   A  auditoria  realizada  levou  a  fiscalização  a  concluir  que  a  fiscalizada  deixou  de  oferecer  à  tributação  das  contribuições  para  o PIS e COFINS as  receitas  de  concessão  de descontos,  sob a denominação de RAPEL, oferecidos pelo fornecedor Navi  Carnes sobre o preço de compra dos produtos:  A interessada foi intimada, por meio do TIF nº 05, a demonstrar,  com  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea,  o  oferecimento à tributação das receitas decorrentes de "RAPEL",  os  quais  foram  concedidos  pelo  fornecedor  Navi  Carnes  ­  Indústria  e  Comércio  LTDA,  CNPJ  02.982.267/0001­57,  conforme discriminado nos lançamentos contábeis constantes do  SPED  contábil  do  fornecedor,  contabilizado  como  despesa  operacional.  Em  resposta,  a  interessada  informa  que  não  reconhece as referidas receitas.  (...)  5) Omissão  de  receitas  ­  Pagamentos  efetuados  com  recursos  estranhos à contabilidade   A autoridade fiscal  também entendeu que a  fiscalizada omitiu  receitas  caracterizada  pela  inexistência  de  contabilização  de  pagamentos  da  aquisição  de  precatórios  alimentícios,  bem  como  a  falta  de  comprovação  da  origem  dos  recursos  empregados nos pagamentos.   (...)  A  falta  de  registro  contábil  de  pagamentos  dos  pagamentos  na  aquisição de precatórios pela empresa, caracteriza ocorrência de  omissão de receitas, por denotar que os recursos utilizados para  estes  desembolsos,  se  é  que  ocorreram,  foram  provenientes  de  receitas mantidas à margem da tributação.  O total não contabilizado soma R$5.603.343,27.  6) Omissão de receitas de remissão de dívidas por fornecedores   No  relatório  a  autoridade  fiscal  informou  que  fiscalizada  deixou de oferecer à tributação das contribuições para o PIS e  COFINS as receitas decorrentes da remissão de dívidas devidas  a fornecedores.  (...)  7)  Glosa  de  créditos  calculados  sobre  compras  de  produtos  sujeitos à alíquota zero   Fl. 27332DF CARF MF     8 A  fiscalização  informou  que  o  contribuinte  calculou  créditos  indevidamente  das  contribuições  para  o  PIS  e  COFINS  na  aquisição  Sulfato  de  Amônio,  NCM  31022100,  sujeito  à  alíquota zero.  (...)  8)  Glosa  de  créditos  adquiridos  com  suspensão  das  contribuições  –  Pessoa  Jurídica  Preponderantemente  Exportadora   Informou  a  autoridade  que  a  interessada  aproveitou  indevidamente créditos das contribuições para o PIS e COFINS  na  aquisição  de  produtos  com  suspensão  das  contribuições  prevista no art. 40 da Lei 10.865/2004.  A empresa alegou em resposta ao TIF nº 02 que a aquisição, ou  não,  dentro  deste  regime  de  suspensão,  fica  a  critério  do  adquirente, conforme previsto no art. 14 da IN SRF 595/2005.  De acordo com informações constantes das notas fiscais do item  4  do  Anexo  V  do  Relatório  de  Fiscalização,  a  fiscalizada  adquiriu  os  produtos  com  suspensão  da  exigibilidade  das  contribuições,  por  ser  pessoa  jurídica  preponderantemente  exportadora.  Dessa forma, os produtos do item 4 do Anexo V do Relatório de  Fiscalização  adquiridos  com  o  benefício  de  suspensão  da  incidência das  contribuições  estabelecido pela Lei 10.865/2004,  art. 40, não gera direito creditório para a  interessada, cabendo a  glosa  dos  créditos  de  PIS  e  COFINS  aproveitados  indevidamente.  9) Glosa de créditos calculados sobre a aquisição de paletes   Ficou constatado que A interessada calculou créditos de PIS e  COFINS  nas  aquisições  de  paletes  de  madeira  sem  amparo  legal.  A interessada alegou em resposta ao Termo de Intimação Fiscal  nº 02 que o aproveitamento de créditos na aquisição de paletes  está  em  consonância  com  a  legislação  de  regência,  já  que  se  trata  de  material  destinado  à  embalagem  de  couros  semiacabados e acabados destinados a exportação.  Inconformada,  a  autuada  apresentou  a  impugnação  de  fls  3165/3240, na qual inicia alegando como preliminar a nulidade  do  feito,  pois  não  havia  procedimento  de  fiscalização  iniciado  contra a impugnante:  O Termo de Inicio de Procedimento Fiscal amparado pelo MPF  0810500.2013.00953, somente foi recepcionado pela impugnante  no  dia  20/12/2013  (sexta  feira),  iniciando­se  a  partir  de  23/12/2013 (segunda feira), enquanto que o Auto de Infração foi  lavrado em 19/12/2013.  Além  disso,  alega  que  o  novo  exame  deveria  ser  motivado  e  acarretaria a nulidade, pois atropelou o mais basilar princípio  do direito consagrado ao contribuinte, ou seja, cerceamento ao  pleno direito de defesa.  Fl. 27333DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 518          9 (...)  Ainda, quanto à fiscalização,  insurge­se contra o que denomina  “Procedimento  de  Refiscalização”,  alegando  que  seria  necessária  a  motivação  e  que  o  procedimento  deveria  se  enquadrar  no  artigo  149  do  Código  Tributário  Nacional,  fato  que não ocorreu.  (...)  No mérito, a contribuinte enumera sua alegações:  1.Da omissão de Receita de Deságio   1.1  Da  Omissão  de  Receita  Decorrentes  de  Deságio  na  Aquisição de Títulos e Direito Creditórios   (...)  De  inicio  é  de  se  deixar  bem  claro  que  os  precatórios  não  são  títulos de crédito, já que não possuem poder executório, ou seja,  mesmo vencidos não podem ser executados pelo seu credor, pois  já são a materialização de uma execução de sentença.  (...)  Da leitura do excerto acima fica evidente que o i. fiscal autuante  não  compareceu  as  aulas  de  Contabilidade,  pois  está  tomando  Receita como sinônimo de Lucro Líquido, sendo certo que tudo  isso não passa de aleivosias de sua mente fértil.  Alega  que  se  diferencia  precatório  e  títulos  públicos  com  as  aquisições de faturamento pelas empresas de factoring e que não  se tratou de atividade especulativa com intuito de lucro.  Afirma  que  para  PIS  e  Cofins  as  alíquotas  foram  reduzidas  a  “zero” por conta do Decreto nº 5.442/05.  1.2  –  Aquisição  de  Direitos  de  LTN  –  Letras  do  Tesouro  Nacional e NTN – Notas do Tesouro Nacional   Alega que não ocorreu qualquer pagamento, já que este se daria  apenas em caso da utilização daquele crédito.  Como se pode ver, apesar da existência da escritura pública, resta  claro  que  o  negócio  jurídico  não  se  aperfeiçoou,  pois  estava  vinculado  ao  CONTRATO  PARTICULAR  DE  CESSÃO  PARCIAL  DE  ATIVOS  E  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  TÉCNICOS  ESPECIALIZADOS,  firmados  com  o  titular  do  suposto crédito.  Conforme  a  subcláusula  acima  colacionada,  a  impugnante  não  tinha a livre disposição dos ativos.  Ademais,  se  houve  inserção  de  declaração  falsa  em  documento  público  isso  se  deu  por  parte  da  alienação  dos  créditos,  que  ao  fina!, se mostrou inexistente, conforme consulta aos sistemas da  Receita Federal do Brasil.  Fl. 27334DF CARF MF     10 Não tendo havido fato contábil passível de registro, não há que se  falar  em  deságio  e  muito  menos  na  sua  tributação,  já  que,  se  acaso existisse estaria sujeito a incidência de "alíquota zero" por  se tratar de receita financeira.  1.3 – Omissão de Receitas de Perdão/Deságio no Pagamento de  Empréstimos Bancários   Afirma que  a  autuação  está  equivocada,  pois  não  se  tratam de  títulos de crédito e sim de direitos creditórios. Além disso, alega  que os empréstimos bancários não foram quitados.  É  preciso  ainda,  que  fique  claro  que  a  aquisição  dos  direitos  creditórios,  num  primeiro  momento,  foi  feita  pelas  empresas  Brasil Distressed e Blackwood.  Posteriormente,  ditos  direitos  creditórios  foram  adquiridos  pelo  Sr. Nilson Riga Vitale, que apesar de sócio da  impugnante, não  se confunde com esta em respeito ao principio da entidade.  (...)  Como se pode ver pelo Razão das respectivas contas, as receitas  do  deságio  na  aquisição  dos  direitos  creditórios,  foram  devidamente  reconhecidas  e  contabilizadas  de  acordo  com  as  normas  contábeis  vigentes,  porém,  não  podemos  olvidar que se  trata  de  receitas  financeiras  sujeitas  a  incidência  de  "alíquota  zero".  2  –  Omissão  de  Receita  dos  Valores  de  Ressarcimento  do  Reintegra   A  interessada  alega  que  na  subvenção  há  transferência  de  recursos  pelo  Estado,  o  REINTEGRA,  não  tem  a  feição  de  subvenção,  tratando­se,  sim,  de  incentivo  fiscal  instituído  para  diminuir custos tributários, desonerar o exportador produtor de  bens manufaturados, a fim de estimular as exportações.  Cita jurisprudência e entende:  Concluindo, se o objetivo da lei foi desonerar a exportação, não  seria  lógico  permitir  a  tributação,  como  pretende  o  Fisco,  sob  pena de anular parcialmente o beneficio fiscal, ou seja, dar com  uma mão e tirar com a outra.  3 – Omissão de Receitas Decorrentes de Rapel   A impugnante alega que não existe e nunca existiu operação de  "rapel" com aquele fornecedor.  Aqui a douta fiscalização, totalmente desvinculada da realidade,  num grande esforço mental,  entendeu que a  Impugnante deixou  de oferecer à tributação as receitas decorrentes de descontos, sob  a denominação de Rapel, oferecido pelo fornecedor Navi Carnes  Indústria e Comércio Ltda.  O  ilustre  fiscal  autuante,  com  base  na  escrituração  irregular  do  fornecedor,  ignorando  completamente  a  escrituração  da  Impugnante, lançou a exigência tributária.  Fl. 27335DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 519          11 Cita doutrina que entende aplicável e conclui:  Nessa  esteira,  independente  de  ser  desconto  ou  abatimento,  ambos  estão  inseridos  no  conceito  de  receitas  financeiras,  sujeitas à incidência do PIS e COFINS não cumulativo à alíquota  zero.  Além disso, as informações constantes do Anexo II são estranhas  á  escrituração  fisco­contábil  da  Impugnante,  não  podendo,  sem  que haja  robusta comprovação pela  fiscalização, haver qualquer  exigência  fiscal,  restando  impugnadas.  Requer­se  a  improcedência da acusação e exigência fiscal  4  –  Omissão  de  Receitas  –  Pagamentos  Efetuados  com  Recursos Estranhos à Contabilidade   A impugnante se manifesta contrariamente ao contido no termo  de fiscalização:  Esse  é  o  maior  absurdo  dentre  as  acusações  perpetradas  pelo  ilustre autor do feito, que por ausência de capacidade técnica ou  por  pura  má­fé  ou,  ainda,  por  interesses  pessoais  que  não  condizem  com  os  princípios  norteadores  do  serviço  público,  manipula  e  distorce  as  informações  prestadas  pela  impugnante,  conforme  se  extrai  das  respostas  ao  TIF  n°  05,  datadas  de  13/11/2013  e  03/12/2013,  com  o  intuito  de  imputar  exigência  fiscal indevida.  Em momento algum, nas respostas e informações apresentadas a  impugnante  afirma  ou  confirma  a  falta  de  contabilização  dos  valores  apontados  pela  fiscalização,  por  absoluta  impossibilidade, como se verá a seguir.   Como  amplamente  informado  pela  impugnante  e  pelo  Meritíssimo Juízo da 2ª Vara Cível de Presidente Prudente, esta  se  encontra  em  processo  de  recuperação  judicial,  Feito  n°  126/2010 de 29/01/2010.  Pois  bem,  os  valores  e  os  períodos  apontados  pela  fiscalização  não  foram  pagos  ainda,  em  obediência  ao  que  restou  aprovado  pela Assembléia de Credores no Plano de Recuperação Judicial,  não havendo fato contábil passível de contabilização.  5  –  Omissão  de  Receitas  de  Remissão  de  Dívidas  por  Fornecedores   Sobre  a  impugnante  ter  deixado  de  oferecer  a  tributação  das  contribuições para o PIS e COFINS as receitas de remissão de  dividas  devidas a  fornecedores,  na  peça  recursal a  interessada  explica que na atividade da  empresa  é comum a ocorrência de  inconformidades relacionadas à sua matéria prima principal, ou  seja, o couro verde, salgado ou salmorado, principalmente com  relação à qualidade, conservação, peso, etc.  Além  disso,  continua  com  as  informações  e  o  trato  com  os  fornecedores:  Fl. 27336DF CARF MF     12 Algumas  dessas  inconformidades  só  aparecem  após  iniciado  o  processo industrial, sendo um dos motivos pelo qual os descontos  não  são  imediatos  ao  recebimento da mercadoria,  além disso, o  pleito  de  descontos  e  abatimento  encontra  resistência  por  parte  desses  fornecedores,  somente  se  resolvendo  meses  após,  de  forma cumulativa,  resultando nos casos de descontos  superiores  relatados pela fiscalização.  (...)  Nessa  esteira,  independente  de  ser  desconto  ou  abatimento,  ambos  estão  inseridos  no  conceito  de  receitas  financeiras,  sujeitas a incidência do PIS e COFINS não cumulativo à alíquota  zero.  6  –  Glosa  de  Créditos  sobre  Compra  de  Produtos  Sujeitos  à  Alíquota Zero   Quanto  à  autuada  ter  calculado  créditos  indevidamente  das  contribuições  do  PIS  e  COFINS  na  aquisição  de  sulfato  de  amônia, NCM 5102.21.00, sujeito à alíquota zero, a interessada  cita legislação que entende aplicável e conclui que:  Conforme se extrai do art. 4o da Lei n° 6.894/80, bem como do  Decreto  n°  4.954/04,  tanto  as  empresas  que  produzam  ou  comercializem fertilizantes, corretivos,  inoculantes, estimulantes  ou  biofertilizantes,  quanto  os  produtos  estão  obrigados  ao  registro perante o Ministério da Agricultura (MAPA).   Não  basta  simplesmente  o  produto  estar  descrito  na  NCM,  é  necessário o seu registro em conformidade com as disposições do  MAPA. Ainda que vencido esse óbice, deve ser observado que o  adquirente seja fabricante dos produtos descritos na lei.  Essa  conclusão  encontra  suporte  na  própria  definição  legal  de  fertililizante  como  sendo  "a  substância  mineral  ou  orgânica,  natural  ou  sintética,  fornecedora  de  um  ou  mais  nutrientes  vegetais".  O  Sulfato  de  Amônia  somente  será  considerado  fertilizante  se  aplicado na nutrição vegetal, ou seja, se aplicado na lavoura. No  caso da autuada em que é utilizado como insumo no processo de  curtimento de couros, não há que se falar em alíquota zero.  (...)  Portanto,  as  disposições  da  Lei  n°  10.925/04,  não  se  aplica  as  aquisições  de  "Sulfato  de  Amônio",  pois  a  adquirente  não  irá  empregá­lo como fertilizante e sim como insumo no processo de  industrialização  de  Couros  e  Peles,  não  podendo  a  douta  fiscalização  alterar  os  conceitos  legais  apenas  para  efetuar  a  glosa dos créditos da impugnante.  7.  ­ Glosa de Créditos de Produtos Adquiridos com Suspensão  das  Contribuições  ­  Pessoa  Jurídica  Preponderantemente  Exportadora.  A interessada explica que a fiscalização entendeu que a autuada  tomou  crédito  das  Contribuições  ao  PIS  e  COFINS  nas  Fl. 27337DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 520          13 aquisições  de  produtos  com  suspensão  das  contribuições  prevista no art. 40 da Lei n° 10.865/2004.  Entende  que  deveria  constar  na  nota  fiscal  emitida  os  termos  necessários ao esclarecimento do teor da transação realizada:  Ressalte­se  que  a  legislação  de  regência  retro  citada  é  taxativa  quanto  ao  que  deve  constar  na  Nota  Fiscal  de  venda  para  a  empresa preponderante exportadora, e ainda, deixa bem claro que  a  aquisição  ou  não,  dentro  do  regime,  fica  a  critério  da  adquirente.  Não basta que o fornecedor faça constar no corpo da Nota Fiscal  que  se  trata  de  "Saida  com  Suspensão  da  Contribuição  ao  PIS/COFINS",  é necessário que  a  adquirente  tenha manifestado  de forma inequívoca essa intenção e que tenham sido observados  os requisitos previstos na IN­SRF n° 595/04.  Assim, a cada aquisição o adquirente deve manifestar o interesse  em adquirir os produtos com a suspensão, restando ao vendedor a  obrigação  de  proceder  conforme  previsto  na  legislação,  Nesse  caso, antes de efetuar o lançamento, a douta fiscalização deveria,  diligenciar junto ao fornecedor afim de que este comprove, com  documentos hábeis e idôneos, que a venda atende aos requisitos  legais.  Em resumo, a  fiscalização não comprovou que as Notas Fiscais  relacionadas  foram  emitidas  em  conformidade  com a  IN  ­  SRF  595/05 e nem com expressa manifestação da adquirente, então é  licito o aproveitamento dos créditos do PIS e COFINS, devendo  ser afastadas as glosas. É o que se requer.  8. ­ Glosa de Créditos Calculados sobre a Aquisição de Paletes.  A impugnante discorre sobre o alcance da palavra insumo, cita  normas e jurisprudências que entende aplicáveis e conclui que:  Desta feita e em virtude do exposto, há que se considerar como  insumos ou custos para fins de créditos das Contribuições ao PIS  e  COFINS  os  materiais  de  embalagem  representados  pelos  paletes,  de  acordo  com  a  legislação  de  regência  e  apoio  na  doutrina e jurisprudência do CARF.  Finalmente, a impugnante requer que seja acolhida e provida a  presente  Impugnação  e  ainda  que  seja  realizada  perícia  contábil,  indicando  desde  logo  o  Contador,  LEANDRO  ANTÓNIO  MARINI  PIRES,  CRC/SP  n°  185.232/0­3,  CPF  164.617.348­13, com endereço profissional à Rua Dr. Gurgel, n°  1041, Centro, CEP 19015­140 – Presidente Prudente ­ SP, além  de formular quesitos que entende serem pertinentes.  Em  julgamento  datado  de  27  de  junho  de  2014,  a  DRJ  Ribeirão  Preto/SP  negou provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 14­51.554), nos termos da ementa a  seguir colacionada:  Fl. 27338DF CARF MF     14 ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Período de apuração: 31/03/2009 a 31/12/2012   NÃO­CUMULATIVIDADE.  COMPRA  À  ALÍQUOTA  ZERO  PARA  REVENDA  OU  INSUMO.  FORMAÇÃO  DE  CRÉDITO.  IMPOSSIBILIDADE.  Aquisição  tributada  à  alíquota  zero  de  bem  para  revender  ou  usar  como  insumo não gera crédito na sistemática não­cumulativa.  RECEITA. DESÁGIO. AQUISIÇÃO DE PRECATÓRIO.  O  deságio  obtido  na  aquisição  de  precatório  constitui  receita  que  integra  a  base de cálculo da COFINS.  EMPRESA  EXPORTADORA.  LUCRO  REAL.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  VALOR  APURADO  NO  REINTEGRA.  TRIBUTAÇÃO.  O  valor  apurado  no  Regime  de  Reintegração  de  Valores  Tributários  (Reintegra),  objeto  de  ressarcimento  em  espécie  ou  de  compensação  com  tributos  administrados  pela  RFB,  constitui  subvenção  para  custeio  ou  operação, a qual integra a receita sujeita à incidência da Contribuição para a  Cofins.  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS.  Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no  regime  de  incidência  não­cumulativa,  se  incorporados  diretamente  ao  bem  produzido  ou  se  consumidos/alterados  no  processo  de  industrialização  em  função  de  ação  exercida  diretamente  sobre  o  produto  e  desde  que  não  incorporados ao ativo imobilizado.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 31/03/2009 a 31/12/2012   NÃO­CUMULATIVIDADE.  COMPRA  À  ALÍQUOTA  ZERO  PARA  REVENDA  OU  INSUMO.  FORMAÇÃO  DE  CRÉDITO.  IMPOSSIBILIDADE.   Aquisição  tributada  à  alíquota  zero  de  bem  para  revender  ou  usar  como  insumo não gera crédito na sistemática não­cumulativa.  RECEITA. DESÁGIO. AQUISIÇÃO DE PRECATÓRIO.  O  deságio  obtido  na  aquisição  de  precatório  constitui  receita  que  integra  a  base de cálculo da PIS.  EMPRESA  EXPORTADORA.  LUCRO  REAL.  NÃO  CUMULATIVIDADE.  VALOR  APURADO  NO  REINTEGRA.  TRIBUTAÇÃO.  O  valor  apurado  no  Regime  de  Reintegração  de  Valores  Tributários  (Reintegra),  objeto  de  ressarcimento  em  espécie  ou  de  compensação  com  tributos  administrados  pela  RFB,  constitui  subvenção  para  custeio  ou  operação, a qual integra a receita sujeita à incidência da Contribuição para o  PIS/Pasep.  NÃO­CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS.  Fl. 27339DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 521          15 Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no  regime  de  incidência  não­cumulativa,  se  incorporados  diretamente  ao  bem  produzido  ou  se  consumidos/alterados  no  processo  de  industrialização  em  função  de  ação  exercida  diretamente  sobre  o  produto  e  desde  que  não  incorporados ao ativo imobilizado.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Período de apuração: 31/03/2009 a 31/12/2012   RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE. DESCARACTERIZAÇÃO.  Pelo  Princípio  da  Verdade  Material,  se  restar  configurado  que  a  relação  jurídica  formal  apresentada não se coaduna com a relação  fática verificada,  os efeitos tributários devem ser determinados conforme os atos efetivamente  ocorreram.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 31/03/2009 a 31/12/2012 MPF.   ORDEM ESCRITA. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME DE EXERCÍCIO.  Em  relação  ao  mesmo  exercício,  é  possível  um  segundo  exame,  mediante  ordem  escrita  do  Superintendente,  do  Delegado  ou  do  Inspetor  da  Receita  Federal. O Mandato de Procedimento Fiscal é instrumento que consubstancia  a própria autorização, por se tratar de ordem escrita para exame do exercício.  PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.  Estando presentes nos  autos  todos os  elementos de convicção necessários à  adequada  solução  da  lide,  indefere­se,  por  prescindível,  o  pedido  de  diligência ou perícia.  Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido   Irresignado,  o  contribuinte  recorre  a  este  Conselho  (fls.  8963  a  9046)  repisando os argumentos de sua impugnação.   O  caso  foi  pautado  para  julgamento  por  este  Colegiado,  dando  origem  à  Resolução n.  3402­000.811, de 23 de agosto de  2016. Nesta oportunidade, o Colegiado, nos  termos  do  artigo  18  do  Decreto  70.235/72,  julgou  necessária  a  perícia  que  vinha  sendo  requerida  pela  Recorrente  desde  a  sua  impugnação,  para  que  fossem  analisadas  as  provas  e  informações  apresentadas  pelo  contribuinte,  bem  como  quaisquer  outros  documentos  que  se  fizessem necessários.  A  Fiscalização  apresentou  seu  parecer  em  fls  27.260  a  27.292,  tendo  sido  dada ciência à Recorrente sobre o seu conteúdo. Esta, em 06 de outubro de 2017, apresentou  sua manifestação sobre o resultado da diligência (fls 23.301 a 23.311).   É o relatório.   Voto Vencido  Fl. 27340DF CARF MF     16 Os requisitos de admissibilidade dos presentes recursos já foram avaliados e  acatados  por  este  Colegiado  na  Resolução  n.  3402­000.811,  uma  vez  que  constituem  pressupostos processuais a serem inicialmente postos à apreciação no julgamento.  Passo então à análise dos argumentos da defesa.  1. Preliminares de nulidade  1.1. Pela não apreciação de provas  Alega  a  Recorrente  que  apresentou  à  Fiscalização  toda  sua  documentação  fiscal  e  contábil, mas  que  essa  não  teria  sido  devidamente  analisada  e  tomada  em  conta  na  lavratura do auto de infração, o que o macularia, devendo ser decretada sua nulidade.  Entretanto,  analisando  o  Relatório  de  Fiscalização  de  fls  2.909  a  2.939,  constato  que  além  de  a  Recorrente  ter  sido  devidamente  intimada  para  apresentar  ampla  documentação  para  permitir  o  trabalho  de  auditoria  fiscal,  seus  livros,  contratos,  títulos  negociados,  dentre  outros,  foram  devidamente  averiguados  e  sopesados  pela  fiscalização,  levando às conclusões que motivação o ato administrativo de lançamento.   Assim, afasto a nulidade aventada.  1.2. Por vícios no Mandado de procedimento Fiscal (MPF)  Não  assiste  razão  à  Recorrente  quanto  à  alegação  de  nulidade  do  auto  de  infração por suposta afronta ao seu direito de contraditório e ampla defesa, sob o argumento de  que  não  havia  procedimento  de  fiscalização  iniciado  e  ainda  que  o  novo  exame  deveria  ser  motivado.   Afinal, o Termo de Início de Ação fiscal tem a função precípua de comunicar  ao sujeito de que ele se encontra sob fiscalização, informando­ lhe o número do MPF. Este, a  seu  turno,  é  instrumento  que  assegura  maior  transparência  às  relações  entre  o  Fisco  e  contribuinte,  permitido­lhe  certificar  a  autenticidade  do  termo,  além de  consultar  no  sítio  da  Secretaria  da Receita  Federal  a  fiscalização  iniciada. Outrossim,  embora  não  venha  ao  caso  concreto,  a  ciência  do MPF,  por  registrar  o  início  da  fiscalização,  afasta  a  possibilidade  de  utilização dos efeitos da denúncia espontânea por parte do contribuinte (artigo 138 do CTN).   Todavia, eventuais omissões ou incorreções afligindo os citados documentos  instrutórios da fiscalização não tem o condão de culminar na nulidade do lançamento tributário,  disciplinado  pelo  artigo  142  do  CTN.  Somente  na  hipótese  de  o  contribuinte  provar  que  a  presença do vício ocasionou prejuízo em sua defesa é que eventualmente esses vícios poderão  acarretar  na  nulidade  do  crédito  tributário,  conforme  estabelece  a  jurisprudência  dominante  deste  Conselho,  da  qual  destaco  as  ementas  dos  Acórdãos  n.  2301­004.766,  de  12/07/2016,  9303­003.876, de 19/05/2016 e 9101­002.132, de 26/02/2015, respectivamente:  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  DEFICIÊNCIAS.  INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.  O  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  possibilita  ao  contribuinte certificar­se da autenticidade do termo de início de  fiscalização, mediante  acesso  ao  sítio  da  Secretaria da Receita  Federal  do Brasil.  Também gera  efeitos  jurídicos,  para  fins  de  aplicação do  instituto da denúncia espontânea  (art. 138, CTN).  Todavia,  eventuais  omissões  ou  vícios  em  sua  emissão  não  Fl. 27341DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 522          17 acarreta  a  automática  nulidade  do  lançamento  de  ofício  promovido,  se  o  contribuinte  não  demonstrar  o  prejuízo  à  realização da sua defesa. (....)    PROCEDIMENTO  FISCAL.  FALTA  DE  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  INEXISTÊNCIA  DE  NULIDADE  DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal visa o  controle administrativo das ações  fiscais da RFB, não podendo  afastar a  vinculação da autoridade  tributária à Lei,  nos  exatos  termos  do  art.  142  do  CTN,  sob  pena  de  responsabilização  funcional.  O  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  no  pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o  lançamento,  não  podendo  se  esquivar  do  cumprimento  do  seu  dever  funcional  em  função  de  portaria  administrativa  e  em  detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN,  por  isso  que  a  inexistência  de  MPF  não  implica  nulidade  do  lançamento.     MPF – NULIDADE.   Não  é  nulo  o  lançamento  por  prorrogação  de  MPF  além  do  prazo  regulamentar,  quando  não  comprovado  o  prejuízo  à  defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do MPF no prazo  correto,  por  si  só,  não  configura  cerceamento  do  direito  de  defesa e não se equipara à ausência de MPF.   No mesmo sentido, consolidou­se a jurisprudência deste Conselho, conforme  se infere do enunciado da Súmula CARF nº 46: “o lançamento de ofício pode ser realizado sem  prévia  intimação  ao  sujeito  passivo,  nos  casos  em  que  o  Fisco  dispuser  de  elementos  suficientes à constituição do crédito tributário.”  Ainda,  cabe  destacar  que,  conforme  consta  dos  autos  (fl.2471),  o  início  do  procedimento  fiscal  se  deu  em  17/12/2013,  com  o Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  nº0810500.2013.00953. O auto de infração foi lavrado em 19/12/2013, dados que comprovam  a ordem cronológica rigorosa em atendimento ao que a interessada argumenta não ter ocorrido.  Ademais,  quanto  ao  reexame,  este  foi  realizado  com  ordem  escrita  do  Superintendente,  do  Delegado  ou  do  Inspetor  da  Receita  Federal.  Com  base  no  que  havia  sido  constatado  no  procedimento  fiscal,  o  Delegado  da  Receita  Federal  autorizou  o  reexame  dos  períodos  em  comento. Por fim, não cabe confundir o procedimento de refiscalização (ainda não existe um  lançamento pretérito) com a revisão de lançamento tributário (existe um lançamento anterior,  que só pode ser alterado nas situações descritas na lei) disciplinada pelo artigo 149 do CTN.  Por fim, o Relatório Fiscal,  logo em seu início, menciona os procedimentos  de  fiscalização  pretéritos  (fls  2909),1  depois  expõe  todo  o  histórico  dos  fatos  originários  do                                                              1 "O contribuinte VITAPELLI LTDA, CNPJ 03.582.844/0001­56, foi submetido a  ação  fiscal,  MPF­diligência  08105000­2013­00697­3,  MPF­fiscalização  0810500­2013­00953­0,  com  vistas  a  verificar a regularidade da apuração das contribuições para o PIS e COFINS nos períodos de apuração 03/2009 a  06/2009 (reexame de período já fiscalizado), 02/2010 a 12/2010 (reexame de período já fiscalizado) e 01/2011 a  12/2012,  resultando  na  glosa  de  créditos  na  aquisição  de  produtos  e  lançamento  de  ofício  para  cobrança  das  Fl. 27342DF CARF MF     18 trabalho de fiscalização, não havendo que se falar de omissão sobre tais fatos na motivação do  presente lançamento.  Assim, considerando que não há qualquer comprovação de prejuízo à defesa  da Recorrente em decorrência de eventuais vícios na emissão do MPF, haja vista que ela trouxe  aos autos robusta justificação sobre todos os pontos que pertinem ao caso concreto, não há que  se  falar  em  ofensa  ao  2º,  inciso X,  3º  e  38  da Lei  nº  9.784/1999. Assim,  não  há  afronta  ao  artigo 59 do Decreto 70.235/72, de modo que rejeito a preliminar de nulidade do lançamento.   2. Mérito  Já  passando  à  análise  do  mérito  do  caso,  inicialmente  saliento  que  a  Recorrente  é  empresa  constituída  sob  a  forma  de  sociedade  limitada,  cujo  objeto  social  é  a  fabricação de artefatos de couro atualmente sob processo de recuperação judicial, nos  termos  da Lei n. 11.101/2005.  Ao auditar a empresa, a Fiscalização entendeu que teriam ocorrido diversos  eventos,  no  período  compreendido  entre  31/03/2009  a  31/12/2012,  que  culminaram  no  não  pagamento ou pagamento a menor da Contribuição ao PIS e da COFINS. Tais eventos e sua  caracterização  como  infrações  podem  ser  resumidos  nos  seguintes  tópicos,  de  acordo  com o  auto de infração e a defesa elaborada pela Recorrente:   1.Da omissão de Receita de Deságio     1.1  Da  Omissão  de  Receita  Decorrentes  de  Deságio  na  Aquisição  de  Títulos    e Direito Creditórios     1.2  – Aquisição  de Direitos  de  LTN  –  Letras  do  Tesouro Nacional  e NTN  –    Notas do Tesouro Nacional     1.3 – Omissão de Receitas de Perdão/Deságio no Pagamento de   Empréstimos  Bancários   2 – Omissão de Receita dos Valores de Ressarcimento do Reintegra   3 – Omissão de Receitas Decorrentes de Rapel   4  –  Omissão  de  Receitas  –  Pagamentos  Efetuados  com  Recursos  Estranhos  à  Contabilidade   5 – Omissão de Receitas de Remissão de Dívidas por Fornecedores   6 – Glosa de Créditos sobre Compra de Produtos Sujeitos à Alíquota Zero   7. ­ Glosa de Créditos de Produtos Adquiridos com Suspensão das Contribuições ­  Pessoa Jurídica Preponderantemente Exportadora.  8. ­ Glosa de Créditos Calculados sobre a Aquisição de Paletes.  Necessário,  assim,  analisar  cada  uma  das  infrações  separadamente,  com  as  respectivas razões de defesa.                                                                                                                                                                                           contribuições  decorrentes  de  omissão  de  receitas,  tendo  como  consequência  o  reconhecimento  parcial  da  legitimidade de créditos pleiteados em ressarcimento."  Fl. 27343DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 523          19   2.1. Da omissão de Receita de Deságio    2.1.1. Da Omissão de Receita Decorrentes de Deságio na Aquisição de Títulos e  Direito Creditórios      Como bem se sabe, Contribuições ao PIS e COFINS não cumulativas, serão  calculadas com base no seu faturamento, o qual corresponde a totalidade das receitas auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação  contábil,  segundo as Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003.  O  deságio  obtido  na  aquisição  dos  títulos  de  créditos,  proveniente  da  diferença entre o valor pago e o valor do título creditório, gera um ganho patrimonial, pois a  pessoa  jurídica  adquiriu  o  título  por  um  valor  de  face  maior  do  que  efetivamente  pagou.  Embora  seja  discutível  se  tais  valores  são  de  fato  receita  não  operacional  da  Recorrente,  tributáveis  pelas  Contribuições  Sociais,  no  caso  sob  apreço  a  questão  vem  sendo  tratada  de  outro modo. Explico.   Mesmo  que  se  parta  do  pressuposto  que  esse  deságio  normalmente  estaria  sujeito  à  tributação  pelas  Contribuições  Sociais,  para  as  empresas  industriais  como  a  Recorrente,  tal  tipo  de  ganho  configura­se  como  receita  financeira.  Assim  já  decidiu  esse  Conselho,  no  Acórdão  n.  101­95404,  do  qual  destaco  as  seguintes  palavras  do  Conselheiro  Relator:  A meu ver, quer se trate de ganho em negociação com títulos ou  receita  financeira  em  forma  de  deságio,  estaria  esta  parcela  alheia  ao  conceito  de  faturamento  para  fins  de  incidência  das  referidas contribuições.  Pondero,  uma  vez  mais,  que  melhor  me  parece  tratar­se  de  receita  financeira,  pois  referente  a  um  deságio  obtido  na  aquisição  de  um  título.  Afirmo  também  que  tal  assertiva  em  nada conflita com as conclusões acima de que, no presente caso,  não  se  pode  comprovar  a  data  de  aquisição  e  os  valores  despendidos.  A  mim,  basta  a  certeza  de  que  a  recorrente  era  possuidora dos títulos no resgate.  Como  é  consabido,  a  tributação  pela  Contribuição  ao  PIS  e  pela  COFINS  sobre as receitas financeiras foi reduzida a zero durante a vigência do Decreto n. 5.442/2005,  até 2015, o que engloba o período objeto do presente processo.   A Fiscalização, entretanto, transpassou tal questão e cobrou as Contribuições  porque  equiparou  às  atividades  da  Recorrente  às  de  uma  factoring,  para  as  quais  incide  a  Contribuição ao PIS e a COFINS sobre tais valores, que são consideradas como receita bruta,  nos termos dos artigos 3º e 10 do Decreto no 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Justificou tal  equiparação, com os seguintes dizeres:  Os  ganhos  e  acréscimos  patrimoniais  obtidos  na  aquisição  de  títulos  de  crédito  com  enorme  deságio,  no  período  03/2009  a  06/2009,  são  de  grande  importância  para  atividade  da  fiscalizada,  representando  principal  fonte  de  receitas  da  fiscalizada.  Entendo que não há respaldo jurídico para tal conclusão.   Fl. 27344DF CARF MF     20 O  objeto  social  da  Recorrente,  é  "a  indústria,  comércio,  importação  e  exportação de couros e artefatos de couro e a preparação de alimentação" (conforme consta do  seu estatuto social, juntado aos autos). Para desconsiderar tal fato, a Fiscalização não poderia  ter simplesmente, após a constatação de que durante 3 meses tais receitas foram significativas  em suas atividades, imputar nova qualificação jurídica à empresa, a qual implica em diferente  regime  jurídico  a  ser  seguido. Ora,  caso houvesse  fraude,  sonegação ou qualquer  abuso pela  empresa, daí sim poder­se­ia cogitar a alteração de seu regime jurídico, ultrapassando a forma  pela qual está constituída. Do contrário, ela deve prevalecer. Veja que, no limite, o raciocínio  da Fiscalização implicaria em que, num período com taxas de juros e inflação exorbitantes por  ocorrências econômicas, qualquer indústria passaria a ser uma factoring, pois passou a receber  receitas muito mais significativas a esse título.  Dessarte,  entendo que  deve  ser  cancelada  a  autuação  nesse  ponto,  já  que  a  tributação sobre as receitas financeiras decorrentes do deságio de títulos,  in casu, precatórios,  estava reduzida a zero pelo Decreto n. 5.442/2005.  2.1.2.– Aquisição de Direitos de LTN – Letras do Tesouro Nacional e NTN – Notas do  Tesouro Nacional  A  Fiscalização  considerou  que  a  Recorrente  também  deixou  de  oferecer  à  tributação das contribuições para o PIS e COFINS o deságio ocorrido na aquisição de direitos  creditórios relativos a títulos públicos LTN – Letras do Tesouro Nacional e NTN – Notas do  Tesouro Nacional.  O  mesmo  raciocínio  constante  do  item  acima  se  aplica  inteiramente  ao  presente, de forma que também entendo que deve ser cancelada a autuação sobre o deságio dos  títulos, cuja tributação estava zerada pelo Decreto n. 5.442/2005.    2.1.3 – Omissão de Receitas de Perdão/Deságio no Pagamento de Empréstimos Bancários  No  entendimento  da  Fiscalização,  a  Recorrente  deixou  de  oferecer  à  tributação  das  contribuições  para  o  PIS  e  COFINS  as  receitas  decorrentes  da  aquisição  de  títulos  de  créditos  com  enorme  deságio,  representativos  de  dívidas  bancárias  da  própria  fiscalizada  (deságio  da  própria  obrigação).  Analisando  as  operações  da  Recorrente,  2  considerou que os bancos abriram mão de receber a maior parte dos empréstimos em discussão  devido pela fiscalizada, ocorrendo de fato um perdão parcial de dívida, receita que deveria ser  reconhecida como receita operacional, sujeita à tributação das contribuições.  Com  relação  à  possibilidade  de  inclusão  de  valores  relativos  a  perdão  de  dívida na base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins, este Colegiado já se manifestou  no Acórdão CARF nº 3402­004.002, quando o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, como  redator  designado,  bem  pontuou  a  questão,  conforme  os  termos  abaixo  transcritos,  com  os  quais coaduno integralmente:  A  fiscalização  tributária  adotou,  para  fins  de  incidência  tributária, o conceito contábil de receita veiculado, por exemplo,  na Resolução CFC nº 1.374/2011, que qualificaria o "perdão de  dívidas" como espécie de receita:                                                              2 Durante  o  processo  de  aquisição  dos  títulos  de  crédito,  observa­se  o  engendramento  das  seguintes  operações  sucessivas  em  duas  fases:  1)  empresa  intermediária  adquire  títulos  de  créditos  da  fiscalizada  junto  a  bancos  (dívidas de empréstimo da  fiscalizada); 2) em curto  espaço de  tempo a  fiscalizada adquire os  títulos de crédito  (dívidas de empréstimo da fiscalizada) da empresa intermediária com enorme deságio.  Fl. 27345DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 524          21 Reconhecimento de receitas   4.47.  A  receita  deve  ser  reconhecida  na  demonstração  do  resultado  quando  resultar  em  aumento  nos  benefícios  econômicos futuros relacionado com aumento de ativo ou com  diminuição  de  passivo,  e  puder  ser  mensurado  com  confiabilidade. Isso significa, na prática, que o reconhecimento  da  receita  ocorre  simultaneamente  com  o  reconhecimento  do  aumento nos ativos ou da diminuição nos passivos (por exemplo,  o  aumento  líquido  nos  ativos  originado  da  venda  de  bens  e  serviços  ou  o  decréscimo  do  passivo  originado  do  perdão  de  dívida a ser paga).   De  fato, a  fiscalização apontou precisamente um dispositivo de  pronunciamento  do Conselho  Federal  de Contabilidade  que  se  presta a definir a receita, mas olvidou em distinguir que se trata  de  um  reconhecimento  de  receita  "na  demonstração  do  resultado".  Trata­se  de  um  escopo  específico  e  distinto  do  reconhecimento  de  receita  para  fins  de  tributação,  como  expressamente  reconhecimento  no  item  8A  do  Pronunciamento  CPC nº 30, verbis:  8A. A divulgação da receita na demonstração do resultado deve  ser  feita  a  partir  das  receitas  conforme  conceituadas  neste  Pronunciamento. A entidade deve fazer uso de outras contas de  controle  interno,  como  “Receita  Bruta  Tributável”,  para  fins  fiscais e outros.  Como se vê, cai por terra o fundamento contábil da autuação a  partir  do  reconhecimento,  pela  própria  contabilidade,  da  diversidade  entre  o  conceito  de  receita  para  fins  de  demonstração  de  resultado  e  para  fins  de  cálculo  das  contribuições  sociais  devidas  ­  tratam­se  de  finalidades  absolutamente distintas que demandam registros coerentes com  seus próprios escopos.  Resta,  ultrapassada  a  fronteira  de  um  conceito  contábil  de  receita, o enfrentamento de um conceito constitucional e legal de  receita para fins de determinação da hipótese de incidência das  contribuições  sociais,  bem  como  a  delimitação  de  sua  base  de  cálculo.  Em  se  tratando  de  um  conceito  utilizado  pela  Constituição  Federal  e  com  reflexos  nos  textos  do  artigo  1º  das  Leis  nº  10.637/02  e  10.833/03,  que  determinam  a  incidência  do  PIS/Cofins  não  cumulativo  sobre  o  total  das  receitas  auferidas  no  mês  pela  pessoa  jurídica,  "independentemente  de  sua  denominação ou classificação contábil".  Tal  redação  do  dispositivo,  como  explica  o  Professor  Marco  Aurélio Greco,  tem  o  condão  de  desatrelar  da  contabilidade  o  conceito  de  receita  gerando  dois  efeitos  opostos,  mas  complementares:  de  um  lado,  se  contabilmente  algo  não  está  registrado como receita, mas tem essa natureza, as contribuições  devem  incidir;  de  outro  lado,  se  algo  está  registrado  contabilmente como receita, mas não tem essa natureza, não há  Fl. 27346DF CARF MF     22 incidência  das  contribuições. Outro  não  foi  o  entendimento  do  Órgão Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso  Extraordinário  nº  606.107/RS,  sujeito  à  sistemática  de  repercussão geral:  O  conceito  de  receita,  acolhido  pelo  art.  195,  I,  “b”,  da  Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil.  Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei  10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição  ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das  receitas,  “independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação  contábil”.  Ainda  que  a  contabilidade  elaborada  para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das  empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para  a  determinação  das  bases  de  cálculo  de  diversos  tributos,  de  modo algum subordina a tributação.  Como não poderia deixar de ser, não cabe ­ nem deve caber ­ ao  Conselho  Federal  de  Contabilidade  ou  aos  demais  órgãos  definidores  de  regras  contábeis  a  definição  da  hipótese  de  incidência  dos  tributos  brasileiro,  sob  pena  de  subversão  da  sistemática  normativa  de  delimitação  de  competência  pela  Constituição e definição da incidência pelas leis.  Sob  uma  perspectiva  histórica,  o  que  se  pode  constatar  é  a  tentativa  constante  de  União  de  estender  a  hipótese  de  incidência  das  contribuições  sociais,  esbarrando  sempre  no  conceito  constitucional  de  receita  tributável  e  nas  limitações  legais.  Tal  levantamento  é  feito  de  forma  extremamente  competente  pelo  Conselheiro  Antonio  Carlos  Atulim,  em  declaração  de  voto  apresentada  no  Acórdão  nº  3402­003.071,  julgado em Maio de 2016, cujo conteúdo reproduzo abaixo:  Historicamente  essas  contribuições  sempre  incidiram  sobre  o  faturamento,  entendido  como  o  produto  da  venda  de  mercadorias e da prestação de serviços.  A  tentativa  de  a  União  incluir  no  rol  de  incidência  das  contribuições  todas as receitas operacionais da pessoa  jurídica  tornou­se uma odisseia que teve início em julho de 1988, quando  se pretendeu alterar a base de cálculo do PIS por meio da edição  de dois decretos­leis.  O PIS foi instituído por meio da Lei Complementar nº 7, de 7 de  setembro  de  1970,  a  qual  previa  que  as  empresas  privadas  passariam a  contribuir para o  fundo com duas  parcelas,  sendo  uma com base na dedução do  imposto de renda devido e outra  com base no faturamento (arts. 1º e 3º).  Esse  quadro  legislativo  se  manteve  até  julho  de  1988,  quando  foram  editados  os  Decretos­Leis  nº  2.445,  de  29  de  junho  de  1988, e nº 2.449, de 21 de julho de 1988, por meio dos quais as  contribuições  mensais  até  então  devidas  sobre  o  faturamento,  passariam a incidir sobre a receita operacional bruta (art. 1º, V,  do Decreto­Lei nº 2.445/88).  A tentativa de a União ampliar a base de cálculo do PIS por essa  via foi rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento  do  RE  nº  148.754,  por  meio  do  qual  o  Tribunal  declarou  a  Fl. 27347DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 525          23 inconstitucionalidade formal dos Decretos­Leis nº 2.445 e 2.449,  ambos de 1988.  Relativamente ao financiamento da Seguridade Social, a odisseia  teve início com a  instituição do Fundo de Investimento Social ­  FINSOCIAL, por meio da edição do Decreto­Lei nº 1.940, de 25  de  maio  de  1982,  quando  foi  criada  uma  contribuição  devida  pelas empresas equivalente a 0,5% (cinco décimos por cento) do  faturamento (art 1º, § 1º).  Sobreveio então a Constituição Federal de 1988 e com o passar  dos  anos  a  alíquota  inicial  de  0,5%  do  FINSOCIAL  foi  sendo  elevada  ao  mesmo  tempo  em  que  foi  criada  a  Contribuição  Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988).  Houve  contestação  judicial  por  parte  dos  contribuintes  e  o  Supremo Tribunal Federal mais uma vez foi chamado a intervir.  No  julgamento  do  RE  nº  150.764,  o  Tribunal  manteve  a  cobrança do FINSOCIAL com a configuração existente na data  da  promulgação  da  CF/88,  declarando  inconstitucionais  as  majorações procedidas em sua alíquota após o advento da nova  ordem constitucional.  Diante  da  inviabilidade  do  aumento  da  contribuição  ao  FINSOCIAL,  foi  editada  a  Lei  Complementar  nº  70,  de  30  de  dezembro de 1991, por meio da qual foi revogado o FINSOCIAL,  instituindo­se  a  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS,  com  alíquota  de  2%  incidente  sobre o faturamento (art. 2º).  Esse quadro legislativo se manteve até a edição da Lei nº 9.718,  de 27 de novembro de 1998, por meio da qual a União mais uma  vez tentou ampliar as bases de cálculo das contribuições ao PIS  e COFINS redefinindo o conceito de faturamento (art. 3º, § 1º).  E  mais  uma  vez  a  União  viu  sua  tentativa  frustrada,  pois  por  meio do RE nº 390.840 o Supremo Tribunal Federal declarou a  inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98.  Desse  breve  retrospecto  legislativo,  resulta  a  comprovação  da  assertiva  inicial  deste  voto,  no  sentido  de  que  historicamente  essas contribuições sempre incidiram sobre o faturamento e que  a  intenção  da União,  pelo menos  a  partir  de  1988,  sempre  foi  ampliar  o  campo  de  incidência  para  abarcar  a  receita  operacional.  Todas  as  vezes  em  que  a  União  tentou  ampliar  as  bases  de  cálculo  das  contribuições  ao  PIS  e  COFINS  para  alcançar  as  receitas  operacionais  das  empresas,  houve  declaração  de  inconstitucionalidade da norma infraconstitucional.  Esse quadro mudou com o advento da Emenda Constitucional nº  20, de 15 de dezembro de 1998, por meio do qual foi alterado o  texto  do  art.  195,  I,  "b"  da  CF/88,  que  passou  a  prever  a  incidência  das  contribuições  destinadas  ao  custeio  da  seguridade social sobre a "receita ou o faturamento".  Fl. 27348DF CARF MF     24 A  partir  dessa  alteração  constitucional,  passou  a  existir  permissão para que o  legislador  incluísse nas bases de cálculo  das  contribuições  destinadas  ao  financiamento  da  seguridade  social  qualquer  receita  auferida  pela  pessoa  jurídica,  pois  o  texto  constitucional  utilizou  o  vocábulo  "receita"  sem nenhuma  qualificação ou limitação.  Com  lastro  nessa  alteração  constitucional,  foram  editadas  as  Medidas  Provisórias  nº  66,  de  2002  e  135,  de  2003,  que  resultaram na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e na Lei  nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, respectivamente, que nas  suas  redações  originais  definiram  as  bases  de  cálculo  das  contribuições nos seguintes termos:  Lei nº 10.637:  " Art. 1oA contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação ou classificação contábil.  1oPara  efeito  do  disposto  neste  artigo,  o  total  das  receitas  compreende  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações  em  conta  própria  ou  alheia  e  todas  as  demais  receitas auferidas pela pessoa jurídica.  §  2oA  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  é  o  valor do faturamento, conforme definido no caput.  (...)"  Lei nº 10.833  "Art.  1oA  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­ COFINS,  com a  incidência  não­cumulativa,  tem  como  fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua denominação ou classificação contábil.  §  1oPara  efeito  do  disposto  neste  artigo,  o  total  das  receitas  compreende  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações  em  conta  própria  ou  alheia  e  todas  as  demais  receitas auferidas pela pessoa jurídica.  § 2oA base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento,  conforme definido no caput.  (...)"  A  primeira  leitura  desses  dispositivos  legais  aparentemente  autoriza a pretensão  fiscal de  incluir a na base de  cálculo das  contribuições  qualquer  tipo  de  receita,  seja  ela  operacional  ou  não operacional.  Mas  embora  exista  autorização  na  constituição  para  a  tributação da "receita" em geral, o legislador não se valeu dessa  faculdade,  pois  não  só  vinculou  "a  totalidade  das  receitas"  ao  termo  "faturamento",  mas  também  excluiu  expressamente  da  incidência  as  receitas  não  operacionais  nos  parágrafos  3º  dos  arts. 1º dessas duas leis.  Fl. 27349DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 526          25 Nas cabeças dos arts.  1º  de ambas as  leis,  a menção ao  termo  "faturamento",  limita  a  amplitude  do  "total  das  receitas  auferidas"  ao  total  das  receitas  operacionais,  uma  vez  que  as  receitas  não­operacionais  não  se  identificam  com  faturamento,  já  que  não  decorrem  da  execução  do  objeto  social  da  pessoa  jurídica.   Tal  afirmação  parece  ser  confirmada  pelos  parágrafos  3º  dos  dois  dispositivos  citados,  que  se  encarregaram  de  excluir  da  incidência  das  contribuições  as  receitas  não  operacionais,  nos  seguintes termos:  Lei 10.637/2002:  § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo,  as receitas:  I a IV ­ omissis...  V­ referentes a:  a)  vendas  canceladas  ou  aos  descontos  incondicionais  concedidos;  b)  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o  resultado positivo da avaliação de  investimentos pelo  valor do  patrimônio  líquido  e  os  lucros  e  dividendos  derivados  de  investimentos  avaliados  pelo  custo  de  aquisição,  que  tenham  sido computados como receita.  VI–não  operacionais,  decorrentes  da  venda  de  ativo  imobilizado. (incluído pela Lei nº 10.684/2003)  Lei nº 10.833/2003:  § 3oNão integram a base de cálculo a que se refere este artigo as  receitas:  I­ omissis  II­  não­operacionais,  decorrentes  da  venda  de  ativo  permanente;  III e IV­ omissis  V­ referentes a:  a) omissis  b)  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como perda que não representem ingresso de novas receitas, o  resultado positivo da avaliação de  investimentos pelo  valor do  patrimônio  líquido  e  os  lucros  e  dividendos  derivados  de  investimentos  avaliados  pelo  custo  de  aquisição  que  tenham  sido computados como receita.  (...)"  Fl. 27350DF CARF MF     26 Ao  contrário  do  entendimento  de alguns,  esse  rol  de  exclusões  das receitas não operacionais não é exaustivo, pois o legislador,  no  momento  da  elaboração  da  norma,  não  tem  condições  de  prever  todas  as  hipóteses  de  receitas  não  operacionais  que  podem se apresentar no mundo real.  Tanto isso é verdade que com o advento da Lei nº 12.973, de 13  de  maio  de  2014,  houve  alteração  na  técnica  de  redação  dos  artigos 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois ao mesmo  tempo em que o legislador especificou e limitou a incidência às  receitas estabelecidas no art. 12 do Decreto­Lei nº 1.598/77 e no  art.  183,  VIII  da  Lei  nº  6.404/76,  houve  ampliação  do  rol  de  exclusões  de  receitas  não­operacionais  das  bases  de  cálculo,  fato  que  comprova  que  o  rol  de  exclusões  anteriormente  existente  não  era  exaustivo.  Se  fosse  exaustivo,  não  seria  necessário  e  nem  logicamente  possível  que  uma  lei  posterior  viesse a ampliá­lo.  Assim, se historicamente o legislador nunca pretendeu incluir as  receitas não operacionais nas bases de cálculo do PIS e COFINS  e se existe previsão expressa de exclusão dessas receitas nas leis  que  instituíram as  contribuições não cumulativas,  é  incabível a  pretensão da fiscalização tributá­las.  Com  razão  o  Ilustre  Conselheiro  retrocitado.  A  legislação  do  PIS/Cofins  não  cumulativo  vigente  à  época  da  concessão  dos  abatimentos previa em seu artigo 1º o seguinte:  Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação ou classificação contábil.  §  1o  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  o  total  das  receitas  compreende  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações  em  conta  própria  ou  alheia  e  todas  as  demais  receitas auferidas pela pessoa jurídica.  Tal  dispositivo  enseja  uma  leitura  conjunta  com  o  art.  12  do  Decreto­Lei  1.598/77,  que  definia  expressamente  o  conceito  de  faturamento mensal e receita bruta, nos seguintes termos:  Art  12  ­  A  receita  bruta  das  vendas  e  serviços  compreende  o  produto  da  venda  de  bens  nas  operações  de  conta  própria  e  o  preço dos serviços prestados.  Não se está diante, no presente caso, de receita bruta decorrente  da  venda  de  bens  e  serviços,  caracterizado  pela  legislação  de  regência  como  o  conjunto  de  fatos  aptos  a  configurar  a  incidência  do  PIS  e  da Cofins.  É  preciso mais  do  que  simples  "ganho" para que se configura receita tributável, como também  consignou o STF, no mesmo REx 606.107/RS:  Sob  o  específico  prisma  constitucional,  receita  bruta  pode  ser  definida  como  o  ingresso  financeiro  que  se  integra  no  patrimônio  na  condição  de  elemento  novo  e  positivo,  sem  reservas ou condições. (grifo nosso)  Fl. 27351DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 527          27 No  caso  em  tela,  resta  claro  que  o  perdão  de  dívida  ­  considerando aqui o fundamento da fiscalização ­ nunca poderia  ser  tratado  como  receita  para  fins  de  tributação  (apenas  para  fins  de  demonstração  de  resultado  da  empresa),  por  não  configurar ingresso. Ele não se integra ao patrimônio de forma  inaugural  ­  não  há  aquisição  de  disponibilidade  nova,  mas  apenas  eliminação  de  um  comprometimento  patrimonial  existente.   E mais, não se trata de uma distinção que estamos inaugurando  aqui, mas sim de elemento de discrímen não apenas consagrado  jurisprudencialmente como também pela própria legislação, que  não se furtou, em diversas oportunidades, em deixar claro que a  eliminação de um passivo, conquanto represente um ganho, não  deve  ingressar  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  Cofins,  como  no  artigo 1º, §3º, incisos V, "b", X e XII da Lei nº 10637/02:  Art. 1º (...)  § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo,  as receitas:  V  ­  referentes  a:  b)  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como  perda,  QUE  NÃO  REPRESENTEM  INGRESSO DE NOVAS  RECEITAS,  o  resultado  positivo  da  avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os  lucros  e dividendos derivados de participações  societárias,  que  tenham sido computados como receita;  X ­ de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção  ou  redução  de  impostos,  concedidas  como  estímulo  à  implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de  doações feitas pelo poder público;  XII  ­ relativas ao valor do  imposto que deixar de  ser pago em  virtude  das  isenções  e  reduções  de que  tratam as  alíneas “a”,  “b”, “c” e “e” do § 1o do art. 19 do Decreto­Lei no 1.598, de 26  de dezembro de 1977;  A  lei  é  categórica:  sempre  que  estiver  ausente  o  elemento  de  ingresso  financeiro,  o  "ganho"  não  pode  se  enquadrar  na  categoria de "receita tributável" ­ quando muito, no conceito de  receita contábil para fins de demonstração do resultado.  Dessarte, entendo que não pode o "perdão de dívida" ser incluído na base de  cálculo da Contribuição  ao PIS e da COFINS não cumulativo, devendo serem excluídos  tais  valores da presente apuração.  2.2. Omissão de Receita dos Valores de Ressarcimento do Reintegra  Segundo  a  Fiscalização,  a  Recorrente  deixou  de  oferecer  à  tributação  das  contribuições para o PIS e COFINS, não cumulativos, os valores de ressarcimento do Regime  de  Reintegração  de  Valores  Tributários  para  Empresas  Exportadora  (Reintegra),  que  representam  receita  operacional  a  compor  a  base  de  cálculo  das  contribuições.  Em  síntese,  entendeu que os valores configuram subvenção para custeio, nos moldes artigos 392 e 443 do  Fl. 27352DF CARF MF     28 Decreto  nº  3.000,  de  26  de março  de  1999  (Regulamento  do  Imposto  de Renda  – RIR/99),  integrantes da receita operacional.   Com  efeito,  a  Recorrente  é  pessoa  jurídica  exportadora  beneficiária  do  Reintegra, com o objetivo de reintegrar valores referentes a custos tributários federais residuais  existentes  nas  suas  cadeias  de  produção,  instituído  pela Medida  Provisória  nº  540,  de  2  de  agosto  de  2011,  posteriormente  convertida  na  Lei  nº  12.546,  de  14  de  dezembro  de  2011  e  alterações.  Com o advento da Lei nº 12.844, de 19 de  julho de 2013,  foi prorrogada a  aplicação do REINTEGRA às exportações realizadas no período de 04 de junho de 2013 a 31  de dezembro de 2013,  tendo sido incluído, ainda, o § 12 no artigo 2º da Lei nº 12.546/2011,  segundo o qual: "não serão computados na apuração da base de cálculo da Contribuição para o  PIS/Pasep e da Cofins os valores ressarcidos no âmbito do Reintegra".   Nesse contexto, poder­se­ia argumentar que somente com o advento da Lei nº  12.844/2013, vigente a partir de 19 de julho de 2013, é que restou autorizada a exclusão dos  valores ressarcidos no âmbito do REINTEGRA da base de cálculo do PIS e da COFINS, como  fez a Autoridade Lançadora no presente caso.   Todavia, entendo que os créditos provenientes do REINTEGRA configuram­ se como incentivo fiscal, não ostentando, desse modo, natureza de receita ou faturamento, mas  sim  de  redução  de  custos,  motivo  pelo  qual  não  devem  integrar  a  base  de  cálculo  da  Contribuição ao PIS e da COFINS.   Isto porque, como bem se sabe: (i) a hipótese de incidência da Contribuição  ao  PIS  e  a  da  COFINS  é  a  auferimento  de  receitas  (artigos  3º  da  Lei  n.  10.637/2002  e  10.833/2003), vale dizer, remuneração recebida pela pessoa jurídica pelo regular exercício de  suas  atividades;  e  (ii)  os  valores  ressarcidos  no  âmbito  do REINTEGRA  têm  natureza  de  subvenção pública com parcelas relativas à redução de custos fiscais do contribuinte.  Disto  alcança­se  a  inequívoca  conclusão  de  que  os  valores  ressarcidos  no  âmbito do REINTEGRA não são hipótese de incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS.  Ora,  se os valores  ressarcidos no âmbito do REINTEGRA são dispêndios à  menor em incorre a Recorrente por força de se tratar justamente de auxílio para a redução de  custos,  esse montante  não  pode  ser  considerado  receita,  justamente  porque  não  há  ingresso  econômico nenhum ao seu patrimônio. Destarte, não sendo receita, os valores  ressarcidos no  âmbito  do REINTEGRA  não  deve  ser  tributado  pela  Contribuição  ao  PIS  e  pela  COFINS.  Repita­se, tais valores não constituem receita auferida pela pessoa jurídica, pois não decorrem  de negócios jurídicos praticados no exercício de sua atividade comercial. Por conseguinte, não  se submetem à hipótese de incidência das contribuições.  Não é outra a lição de José Antonio Minatel:  “Basta­nos o indicativo da origem, ou seja, ingresso qualificado  como  benefício  governamental  e,  pronto,  estará  à  margem  da  regra de  incidência das  contribuições  cuja base de  cálculo  é a  receita  auferida,  no  sentido  de  proveniente  do  exercício  da  atividade empresarial.”3                                                              3 MINATEL,  José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora.  São Paulo, 2005, p. 240.  Fl. 27353DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 528          29 De  fato,  os  valores  ressarcidos  no  âmbito  do REINTEGRA são  subvenção  pública,  de  forma  que  constitui  renúncia  de  receita  do  Poder Público  em  favor  da  atividade  privada, mas com isso, é claro, buscando o interesse público de fomentar a economia, gerando  melhoramentos  para  a  sociedade.  Mais  especificamente,  trata  de  medida  concedida  pelo  governo para desoneração real das operações de exportação, dando efetividade ao princípio do  destino  da  tributação  internacional,  já  que  as  empresas  exportadores  tendem  a  acumular  créditos, uma vez que suas saídas são imunes.  Nesse  diapasão,  entendimento  no  sentido  de  que  os  valores  ressarcidos  no  REINTEGRA deveriam compor a base de cálculo das Contribuições Sociais em questão iria na  contramão  do  que  finalísticamente  o  incentivo  se  propõe:  permitir  a  real  desoneração  as  exportações. Em outras palavras, o entendimento da Fiscalização coloca a União em posição  inexoravelmente contraditória, pois, de uma  lado, concederia o benefícios  fiscal  por meio do  REINTEGRA, e de outro tributaria tais valores, utilizando a Contribuição ao PIS e a COFINS.  Ora, tal entendimento não pode prosperar, devendo prevalecer o intuito da legislação federal do  REINTEGRA,  que  é  justamente  favorecer  as  empresas  exportadoras,  e  não  criar  nova  base  para sua tributação.   Vê­se que a discussão se relaciona à não incidência tributária, de modo que é  irrelevante a  falta de disposição no sentido da exclusão da base de cálculo dos montantes da  base de cálculo da Contribuição PIS e da COFINS.  Muito  embora  a  questão  não  esteja  ainda  resolvida  no  âmbito  do  Poder  Judiciário,  destacamos  abaixo  julgamentos  do  STJ  e  do  TRF3  que  corroboram  a  tese  aqui  esposada:  Ementa  TRIBUTÁRIO.  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  ICMS.  BASE  DE  CÁLCULO.  PIS  E  COFINS.  NÃO  INCLUSÃO.  REGIME  ESPECIAL DE REINTEGRAÇÃO DE VALORES TRIBUTÁRIOS  PARA AS EMPRESAS EXPORTADORAS ­ REINTEGRA. BASE  DE CÁLCULO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO.  1.  Nos  termos  da  jurisprudência  pacífica  do  STJ,  "os  valores  provenientes  do  crédito  do  ICMS  não  ostentam  natureza  de  receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma  de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das  operações,  de  forma  que  não  integram  a  base  de  cálculo  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS"  (AgRg  no  AREsp  596.212/PR,  Rel.  Ministro  SÉRGIO  KUKINA,  PRIMEIRA  TURMA, julgado em 16/12/2014, DJe 19/12/2014).  2. O art. 1° da Lei 12.546/2011 dispõe que os créditos apurados  no REINTEGRA configuram incentivo fiscal que tem por objetivo  reintegrar às empresas exportadoras valores referentes a custos  tributários  federais  residuais  existentes  nas  suas  cadeias  de  produção.  3.  Os  valores  provenientes  do  REINTEGRA,  assim  como  o  crédito presumido de ICMS, não ostentam natureza de receita  ou  faturamento,  mas  de  recuperação  de  custos  na  forma  de  incentivo  fiscal  concedido pelo governo para desoneração das  Fl. 27354DF CARF MF     30 operações de exportação, de forma que não integram a base de  cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS.  Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl no REsp 1443771  /  RS  AGRAVO  REGIMENTAL  NOS  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  NO  RECURSO  ESPECIAL  2014/0063544­1,  Relator Ministro HUMBERTO MARTINS,  SEGUNDA TURMA,  Data do Julgamento 19/05/2015, Data da Publicação/Fonte DJe  26/05/2015)    Ementa  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PROCESSUAL  CIVIL  TRIBUTÁRIO. AGRAVO RETIDO. REITERAÇÃO. AUSÊNCIA.  NÃO  CONHECIMENTO.  REINTEGRA.  LEI  Nº  12.546/2011.  CRÉDITOS.  PIS  E  COFINS.  NÃO  INCIDÊNCIA.  RECOLHIMENTO.  COMPROVAÇÃO.  CONSECTÁRIOS.  1.  Não  deve  ser  conhecido  o  agravo  retido  não  reiterado  nas  contrarrazões de apelação, a  teor do disposto no art. 523, §1°,  do CPC/1973. 2. Pleiteia a impetrante ver reconhecido direito a  crédito tributário oriundo do indevido recolhimento de PIS e de  COFINS  incidentes  sobre  créditos  do  REINTEGRA,  e  consequentemente,  o  direito  à  compensação  dos  valores  recolhidos a  esse  título.  3. O Regime Especial de Reintegração  de  Valores  Tributários  para  as  Empresas  Exportadoras  ­  REINTEGRA,  foi  instituído pela Lei nº 12.546/2011  (conversão  da  MP  nº  540/2011),  tendo  por  objetivo  reintegrar  valores  referentes  a  custos  tributários  federais  residuais  existentes  nas  suas cadeias de produção (cf. artigo 1º), mostrando­se aplicável  às  exportações  realizadas  até  31  de  dezembro  de  2012,  sendo  certo, porém, que com o advento da Medida Provisória nº 601,  de 28 de dezembro de 2012, o regramento passou a ser aplicável  às  exportações  realizadas  até  31  de  dezembro  de  2013.  Entretanto  a  aludida  medida  provisória  teve  seu  prazo  de  vigência  encerrado  em  03  de  junho  de  2013  (conforme  Ato  Declaratório  nº  36/2013  do  Presidente  da Mesa  do Congresso  Nacional). 4. Sobreveio, então, a Lei nº 12.844, de 19 de julho de  2013,  que  prorrogou  a  aplicação  do  REINTEGRA  às  exportações realizadas no período de 04 de junho de 2013 a 31  de dezembro de 2013, tendo incluído, ainda, o § 12 no artigo 2º  da Lei nº 12.546/2011, segundo o qual: "não serão computados  na  apuração  da  base  de  cálculo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  os  valores  ressarcidos  no  âmbito  do  Reintegra".  5.  Nesse  contexto,  poder­se­ia  argumentar  que  somente com o advento da Lei nº 12.844/2013, vigente a partir  de 19 de julho de 2013, é que restou autorizada a exclusão dos  valores  ressarcidos  no  âmbito  do  REINTEGRA  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS.  6.  Todavia,  firmou­se  o  entendimento  no  sentido  de  que  os  créditos  provenientes  do  REINTEGRA  configuram­se  como  incentivo  fiscal,  não  ostentando,  desse  modo,  natureza  de  receita  ou  faturamento,  mas sim de recuperação de custos, motivo pelo qual não devem  integrar  a  base  de  cálculo  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS.  Precedentes  do  C.  STJ  e  deste  Tribunal.  (...).  (MS  00119616920124036119AMS  ­  APELAÇÃO  CÍVEL  ­  354788,  Relator(a)  DESEMBARGADOR  FEDERAL  MARCELO  Fl. 27355DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 529          31 SARAIVA,  Sigla  do  órgão  TRF3,  Órgão  julgador  QUARTA  TURMA, Fonte e­DJF3 Judicial 1 DATA:31/05/2017)  Portanto,  os  valores  ressarcidos  no  âmbito  do  REINTEGRA  não  estão  sujeitos  à  hipótese  de  incidência  da  Contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS  não  cumulativo,  devendo cancelada a presente autuação fiscal nesse ponto.   2.3. Omissão de Receitas Decorrentes de Rapel  Como  destacado  na  Resolução  n.  3402­000.811,  este  ponto  do  auto  de  infração apresenta clara vinculação com o material probatório produzidos nesses autos. Não foi  por  outra  razão  que  a  própria  DRJ,  sobre  a  “Omissão  de  Receitas  Decorrentes  de  Rapel”,  afirmou que  “neste  item, o material  probatório  a  ser  trazido pela  interessada seria de grande  importância  para  o  deslinde  da  questão.  Contudo,  a  impugnante  preferiu  rebater  os  fatos  narrados  e demonstrados pela  fiscalização  somente com negativa  geral  e  ainda,  imputando à  contabilidade do fornecedor o título de “irregular”.  Como  apontado  pela  Recorrente,  com  a  leitura  do  Termo  de  Verificação  Fiscal (fls 2929) percebe­se que para alcançar a conclusão sobre a existência de operações com  Rapel (desconto que se concede a um cliente por atingir um consumo determinado durante um  período de  tempo estabelecido)  entre  a  fornecedora  e  a Recorrente,  a Fiscalização pautou­se  estritamente  na  contabilidade  da  fornecedora  (Navi  Carnes  ­  Indústria  e  Comércio  LTDA,  CNPJ  02.982.267/0001­57),  sem  apresentar  nenhum  contrato  ou  qualquer  acordo  comercial  entre ambas. A Recorrente, a seu turno, nega existência de tais operações de rapel, apresenta  farta  documentação  (notas  fiscais,  comprovantes  de  pagamento,  comprovantes  de  CNPJ,  Sintegra, correspondência entre as empresas, tickets de pesagem dos produtos, dentre outros –  3679 – 8868).   Respondendo aos quesitos  formulados por este Colegiado a  respeito de  tais  operações, a autoridade fiscal de origem coloca que (fls 27286 a 27290):  Assim sendo, considerando que o fornecedor circularizado Navi  Carnes:  a)  retificou  a  contabilidade  reduzindo  o  montante  das  despesas de vendas, que são a título de Rapel, com a Vitapelli de  R$ 2.028.134,36 para R$ R$ 37.441,90; b) informou ter lançado  incorretamente os valores de Rapel; c) informou ter efetivamente  recebido os valores de venda, com exceção dos novos valores de  Rapel  apurados;  assim  como  a  empresa  financeira  Clari  Participações ter declarado haver recebido os valores de vendas  da Navi Carnes à Vitapelli,  com exceção de R$ 37.441,89, que  são descontos do tipo Rapel; entende­se que o valor de omissão  de  receitas  decorrentes  de  Rapel  deve  ser  reduzido  de  R$  2.028.134,36  para  R$  37.441,90.  A  receita  de  Rapel  é  uma  espécie  de  prêmio,  conforme  Infopédia,  pelo  incremento  das  vendas.  (...)  Assim sendo,  tendo a Vitapelli apresentado os arquivos digitais  de controle das operações e pagamentos com o fornecedor Navi  Carnes,  consistente  no  arquivo  4.2.1  do  Anexo  Único  do  Ato  Declaratório Executivo Cofis nº 15, de 23 de outubro de 2001, o  entendimento é pela redução dos valores de omissão de receita a  Fl. 27356DF CARF MF     32 título de Rapel (valor que representa um prêmio segundo a Navi  Carnes) conforme exposto no tópico anterior.  Assim, e tendo a Recorrente esclarecido que a questão não envolve descontos  (condicionais  ou  incondicionais,  o  que  se  confirma  pelo  relatório  da  fiscalização)  voto  no  sentido de acolher o resultado da diligência com relação as receitas supostamente decorrentes  de Rapel, de forma que o valor de omissão de receitas deve ser reduzido de R$ 2.028.134,36  para R$ 37.441,90.  2.4. Omissão de Receitas – Pagamentos Efetuados com Recursos Estranhos à  Contabilidade   Igualmente  no  item  4  (Omissão  de  Receitas  –  Pagamentos  Efetuados  com  Recursos Estranhos à Contabilidade) a questão probatória era controversa, por isso fez parte da  diligência solicitada por este Conselho.   A Fiscalização entendera que a Recorrente teria omitido receitas porque não  contabilizou  determinados  pagamentos  da  aquisição  de  precatórios  alimentícios  (de Rogério  Mauro D'Ávola e Astri – Assessoria e Consultoria), bem como não comprovou da origem dos  recursos empregados nos pagamentos de tais precatórios que adquiriu. Nesse sentido, o artigo  40  da  Lei  n.  9.430/96  estabelece  que  a  falta  de  escrituração  de  pagamentos  efetuados  pela  pessoa  jurídica,  caracterizam,  também, omissão de  receita. De  seu  lado,  a Recorrente  afirma  que  as  dívidas  decorrentes  da  aquisição  de  precatórios  não  haviam  sido  pagas  na  data  informada  pela  Fiscalização  justamente  porque  assim  restou  determinado  no  processo  de  recuperação judicial.  Em  respostas  às  intimações,  Rogério  Mauro  D’Avola  em  30/03/2010  informou no processo de recuperação judicial que possuía crédito quirografário no montante de  R$ 5.755.960,89. A seu turno, Atlanta Assessoria em 30/03/2010 informou que possuía crédito  no montante de R$ 1.147.397,33.  As conclusões da Fiscalização sobre o ponto foram as seguintes:  Assim  sendo,  conforme  informações  prestadas  por  Rogério  Mauro  D’Avola  e  Atlanta  Assessoria,  as  dívidas  da  Vitapelli  relativas à aquisição de precatórios de Rogério Mauro D’Avola  e Atlanta Assessoria incluídas na Recuperação Judicial eram de  R$ 5.755.960,89 e R$ 1.147.397,33, respectivamente. De acordo  com  o  Plano,  a  Vitapelli  efetuou  os  pagamentos  a  Rogério  Mauro D’avola nas datas e valores relacionados abaixo ou na  resposta ao TDF nº 02. Segundo o plano, as dívidas não existem  mais, conforme será demonstrado a seguir. Não foi apresentado  qualquer  comprovação  e  elementos  de  eventual  acordo  entre  Rogério  Mauro  D’Avola/Atlanta  e  Vitapelli  demonstrando  os  novos  valores  ajustados  (descontos,  abatimentos  etc.)  e  condições de pagamento.  (...)  Ao  examinar  as  cópias  do  processo  judicial  fornecidas  pela  Vitapelli, verifica­se que a última parcela paga pela Vitapelli à  Atlanta  Assesoria  e  Rogério  Mauro  D’Avola  foi  a  de  nº  26  referente a  janeiro de 2015  (vide  comprovantes às  fls.  27170 a  27259 extraídos do processo de  recuperação  judicial). A partir  da 27ª parcela não existe mais no processo judicial pagamentos  à  Atlanta  Assesoria  nem  a  Rogério  Mauro  D’Avola,  fato  que  Fl. 27357DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 530          33 evidencia  que  não  existem  mais  as  dívidas  do  plano  ou  estas  foram  pagas  sem  contabilização,  cujo  último  lançamento  contábil data de 29/04/15, no valor de R$ 35.184,16, em nome de  Rogério Mauro D’Avola. O contribuinte Vitapelli  também não  demonstrou, mediante  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea,  a  exigibilidade  das  obrigações  de  dívidas  nem  seu  montante  atual.  Ao  pesquisar  o  processo  de  recuperação  judicial  não  foram  localizados  documentos  que  comprovam  a  causa do desaparecimento da dívida e/ou seu montante atual.  Ora, o motivo que embasou este tópico do auto de infração foi justamente a  falta de comprovação dos pagamentos das dívidas que a Recorrente assumiu com a compra de  precatórios alimentícios.   Ocorre  que,  como  ficou  demonstrado  na  diligência,  tais  pagamentos  não  ocorreram antes porque foram incluídos no plano de recuperação judicial da Recorrente.   Como  bem  se  sabe,  o  processo  de  recuperação  judicial  tem  rito  próprio,  estabelecido pela Lei n. 11.101/2005, sempre no  intuito de viabilizar a superação da situação  de crise econômico­financeira do devedor, a fim de permitir a manutenção da fonte produtora,  do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores, promovendo, assim, a preservação  da empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica (artigo 47). Nestes termos, o  pagamento  dos  credores  deve  seguir  o  plano  de  pagamento  votado  em  Assembleia  pelos  credores  da  empresa  recuperanda.  Qualquer  pagamento  fora  dos  termos  propostos  no  plano  pode configurar, inclusive, fraude contra os credores habilitados.   Assim, entendo que as razões pela qual a fiscalização motivou a omissão de  receita  (não  contabilização  da  dívida  e  falta  de  comprovação  dos  recursos)  foram  postas  de  lado  pelo  resultado  da  diligência,  que  provou  que  as  dívidas  só  poderiam  ser  pagas  em  momento  oportuno  (nos  termo  do  plano  de  recuperação  judicial,  onde  foram  incluídas)  e  o  foram, pelo menos em parte. Se algumas parcelas da dívida que a Recorrente possui com seus  credores não foi adimplida, no decorrer do tempo em que se arrastou o processo de recuperação  judicial, nada altera a conclusão de que a presunção de omissão de receitas estabelecida pelo  artigo 40 da Lei n. 9.430/96 foi afastada no presente caso.  Nesses  termo,  julgo  que  deve  ser  cancelada  a  autuação  fiscal  sobre  a  "Omissão de receitas ­ Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade".   2.5. Omissão de Receitas de Remissão de Dívidas por Fornecedores   Segundo a autoridade lançadora, a Recorrente deixou de oferecer à tributação  das contribuições para o PIS e COFINS as receitas decorrentes da remissão de dívidas devidas  a fornecedores.  Pela leitura do Termo de Verificação Fiscal, 4 constatamos que a questão aqui  controvertida  é  a  mesma  tratada  por  este  voto  no  item  2.1.3.  desse  voto  a  respeito  da  não  incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre o "perdão de dívida"                                                              4 Nas  plavras  da Fiscalização:  "A  remissão de dívida  importa para o devedor  (remitido)  acréscimo patrimonial  (receita operacional diversa da receita financeira), por ser uma insubsistência do passivo, cujo fato imponível se  concretiza no momento do ato remitente.  Fl. 27358DF CARF MF     34 Assim, mais uma vez faço referência às  razões do Acórdão CARF nº 3402­ 004.002,  julgado  por  este  Colegiado,  no  sentido  de  entender  que  o  perdão  de  dívida  não  caracteriza  receita passível de  ensejar a  referida  tributação, devendo  ser  cancelado o  auto de  infração nesse aspecto.   2.6. Glosa de Créditos sobre Compra de Produtos Sujeitos à Alíquota Zero   A Recorrente sofreu esta parte da autuação porque, no entender da autoridade  fiscal,  calculou créditos  indevidamente das contribuições para o PIS e COFINS na aquisição  Sulfato de Amônio, NCM 31022100, sujeito à alíquota zero.  Em  sua  defesa,  a Recorrente  argumenta  que  o  Sulfato  de Amônia  somente  seria considerado fertilizante se aplicado na nutrição vegetal, ou seja, se aplicado na lavoura.  No caso da autuada em que é utilizado como insumo no processo de curtimento de couros, não  há que se falar em alíquota zero.  Pois bem. O artigo 1º, inciso I, da Lei nº 10.925/2004 estabelece:  Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição  para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da  Seguridade Social ­ COFINS incidentes na importação e sobre a  receita bruta de venda no mercado interno de: (Vigência) (Vide  Decreto nº 5.630, de 2005)  I ­ adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto  os  produtos  de  uso  veterinário,  da  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre Produtos  Industrializados  ­  TIPI, aprovada pelo  Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matérias­ primas;  O Decreto nº 5.630, de 22 de dezembro de 2005, que regulamenta a redução a  zero  das  alíquotas  da  Contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS  de  que  trata  o  artigo  1º  da  Lei  10.925/2004,  estabelece  nos  §§  1º  e  2º  do  artigo  1º,  abaixo  aduzidos,  que  os  produtos  do  capítulo 31 estão beneficiados com a redução a zero da alíquota.  Art.  1º  Ficam  reduzidas  a  zero  as  alíquotas  da  Contribuição  para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da  Seguridade Social ­ COFINS incidentes na importação e sobre a  receita bruta decorrente da venda no mercado interno de:  I  ­  adubos  ou  fertilizantes  classificados  no  Capítulo  31  da  Nomenclatura  Comum  do Mercosul  (NCM)  e  suas  matérias­ primas;  [...]  § 1º A redução de alíquotas de que trata o caput não se aplica à  receita bruta decorrente da  venda de produtos  classificados no  Capítulo 31 da NCM destinados ao uso veterinário.  §  2º  A  redução  a  zero  das  alíquotas  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP e da COFINS, no caso das matérias­primas de que                                                                                                                                                                                           Logo,  a  presente  insubsistência  do  passivo  não  há  de  ser  tratada  como  receita  financeira,  mas  como  receita  relativas a outros resultados operacionais. Assim sendo, os valores lançados na contabilidade a título de descontos  obtidos,  constituem,  de  fato,  pela  falta  de  comprovação,  uma  remissão  parcial  de  dívida  por  parte  dos  fornecedores, que é  receita  tributável das contribuições para o PIS e COFINS, devendo ser exigido de ofício as  diferenças cabíveis de PIS e COFINS nos montantes especificados no Anexo VI do Relatório de Fiscalização"  Fl. 27359DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 531          35 tratam os incisos I e II do caput, aplica­se somente nos casos em  que  a  pessoa  jurídica  adquirente  seja  fabricante  dos  produtos  neles relacionados.  De  acordo  com  a  DACON  do  fornecedor  Plant  Bem  Fertilizantes  S/A,  verifica­se  indubitavelmente  que  seus  produtos  são  vendidos  exclusivamente  com  benefício  fiscal da alíquota zero. Além disso, o referido fornecedor indicou no campo “Informações do  Contribuinte” das Notas Fiscais tratar­se de fertilizantes para uso agrícola.  Dessarte, inexiste na legislação a condição aventada pela Recorrente (sobre a  destinação dos produtos para nutrição vegetal/lavoura) para que o fertilizante seja considerado  hábil para a redução à zero da alíquota da Contribuição ao PIS e da COFINS. Ademais, de toda  forma é descabida a defesa, à medida que restou comprovado pela Fiscalização que as saídas  do produto do fornecedor foram com alíquota zero, fato do qual não se defendeu a Recorrente.  Ora, como não poderia deixar de ser, o artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e da  Lei n. 10.833/2003 determinam que não se pode descontar créditos relativos às contribuições  para o PIS e à COFINS, decorrentes de aquisições de bens ou serviços com alíquota zero:  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  [...]  § 2º Não dará direito a crédito o valor: […]  II ­ da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento  da  contribuição,  inclusive  no  caso  de  isenção,  esse  último  quando  revendidos  ou  utilizados  como  insumo  em  produtos  ou  serviços sujeitos à alíquota 0 (zero),  isentos ou não alcançados  pela contribuição.   Portanto,  não  há  razão  para  a  reforma  a  decisão  recorrida  a  respeito  dos  crédito indevidamente aproveitado, pois relacionados à compras de produtos sujeitos à alíquota  zero.   2.7.  Glosa  de  Créditos  de  Produtos  Adquiridos  com  Suspensão  das  Contribuições ­ Pessoa Jurídica Preponderantemente Exportadora.  Nas  razões  apresentadas  pela  Fiscalização,  ficou  evidenciado  seu  entendimento  no  sentido  de  que  a  Recorrente  aproveitou  indevidamente  créditos  das  contribuições para o PIS e COFINS na aquisição de produtos com suspensão das contribuições  prevista no art. 40 da Lei 10.865/2004, in verbis:  Art.  40.  A  incidência  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS ficará suspensa no caso de venda de matérias­primas,  produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a  pessoa  jurídica  preponderantemente  exportadora.  (Redação  dada pela Lei nº 10.925, de 2004)  [...]  §  2º  Nas  notas  fiscais  relativas  à  venda  de  que  trata  o  caput  deste artigo, deverá constar a expressão "Saída com suspensão  Fl. 27360DF CARF MF     36 da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS",  com  a  especificação do dispositivo legal correspondente.  Nas palavras do Termo de verificação Fiscal:  De acordo com informações constantes das notas fiscais do item  4  do  Anexo  V  do  Relatório  de  Fiscalização,  a  fiscalizada  adquiriu  os  produtos  com  suspensão  da  exigibilidade  das  contribuições,  por  ser  pessoa  jurídica  preponderantemente  exportadora.  Dessa forma, os produtos do item 4 do Anexo V do Relatório de  Fiscalização  adquiridos  com  o  benefício  de  suspensão  da  incidência das contribuições estabelecido pela Lei 10.865/2004,  art. 40, não gera direito creditório para a interessada, cabendo  a  glosa  dos  créditos  de  PIS  e  COFINS  aproveitados  indevidamente  Todavia,  parece  que  a  Recorrente  não  compreendeu  bem  o  motivo  da  autuação, defendendo­se no sentido de que a fiscalização teria glosado o crédito porque não ela  comprovou  que  as Notas  Fiscais  relacionadas  foram  emitidas  em  conformidade  com  a  IN  ­  SRF 595/05.5  Realmente não foi esse o motivo apresentado no lançamento tributário, mas  sim de que empresas exportadoras, por  fazerem aquisições de MP, PI e ME de  fornecedores  que não pagam a Contribuição ao PIS e da COFINS ­ justamente por existir previsão legal de  suspensão da  tributária nas vendas à empresas exportadoras  ­, não  têm direito ao crédito das  contribuições.  Evidentemente  não  poderiam  ter  o  crédito,  pois  não  houve  incidência  dos  tributos na etapa anterior.  Na resposta à diligência solicitada por este Colegiado, restou consignado que  "as  compras  efetuadas  com  suspensão  do  PIS  e  COFINS  na  aquisição  são  lançadas  na  contabilidade com aproveitamento de créditos de PIS e COFINS, isto é, não houve segregação  contábil,  em  contas  específicas,  das  compras  com  suspensão."  Assim,  não  há  nem  a  possibilidade  de  segregar  as  operações  de  compra  pela  Recorrente  que,  não  atingidas  pela  suspensão das Contribuições, poderiam dar direito ao crédito, conforme o artigo 14 da IN SRF  595/056 e da Solução de Consulta 102 de 17 de Abril de 2008. 7                                                              5 Art. 8º A suspensão da exigibilidade das contribuições ocorrerá, em relação às MP, aos PI e aos ME, quando de  sua aquisição por pessoa jurídica  preponderantemente exportadora habilitada ao regime de que trata esta  Instrução Normativa, observado que:  I – a pessoa jurídica adquirente deve declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei que atende a  todos os requisitos estabelecidos, bem assim indicar o número do ADE que lhe concedeu o direito; e  II – nas notas fiscais relativas às vendas de MP, PI e ME, deve constar a  expressão “Saída com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da  COFINS”, acompanhada da especificação do dispositivo legal correspondente,  bem assim do número do ADE a que se refere o art. 6º.  6 Art. 14. A pessoa jurídica habilitada ao regime poderá, a seu critério, efetuar aquisições de MP, PI e ME fora do  regime,  não  se  aplicando,  neste  caso,  a  suspensão  da Contribuição para o PIS/Pasep  e  da Cofins  incidentes  na  venda daquelas mercadorias.  Parágrafo único. As MP, os PI e os ME adquiridos sem o benefício da suspensão geram direito ao desconto de  créditos apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003.    7 SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 102 de 17 de Abril de 2008  ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep   EMENTA: PESSOA JURÍDICA PREPONDERANTEMENTE EXPORTADORA. SUSPENSÃO PARCIAL DA  INCIDÊNCIA.  UTILIZAÇÃO  DE  CRÉDITOS.  Empresa  preponderantemente  exportadora,  regularmente  Fl. 27361DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 532          37 Não  fosse  o  bastante,  avaliando  as  notas  fiscais  dos  fornecedores  da  Recorrente (Basequímica, Agro Química, Cooprocal, Cortume Carioca), constatou que todos,  efetivamente, fizeram as vendas com a suspensão da Contribuição ao PIS e da COFINS.  Isto  corrobora, mais uma vez, a inexistência do direito ao crédito.   Dessarte, não há motivo para a reversão das glosas de crédito da Contribuição  ao PIS e da COFINS indevidamente aproveitados pela Recorrente.   Uma única exceção deve ser feita, que diz respeito ao fornecedor Manuchar,  que levou aos seguintes apontamento da autoridade de origem:   Diante  do  exposto,  as  aquisições  especificadas  acima  do  fornecedor Manuchar através das notas fiscais nº 5864 e 7349  não  dão  direito  ao  aproveitamento  de  créditos  de  PIS  e  COFINS pois trata­se de adubos (fertilizantes) classificados no  Capítulo  31,  sujeitos  a  alíquota  zero.  Quanto  a  aquisição  do  produto  nota  fiscal  nº 5896:  a)  apesar  do  vendedor Manuchar  ter  declarado  na  nfe  de  venda  a  suspensão  do  PIS  e  COFINS  conforme art.  40 da Lei 10865 de 30/04/04; b) da Vitapelli  ter  apresentado  pedido  de  faturamento  das  vendas  com  suspensão  das  contribuições,  o  fornecedor  alegou  ter  reconhecido  a  incidência das contribuições. Assim, as aquisições das nfe 5864  e 7349 não dão direito a créditos por serem relativas a produtos  alíquota zero, todavia a aquisição da nfe 5896 o entendimento é  pela possibilidade de aproveitamento.  A questão levantada pela Fiscalização na resposta à diligência para manter a  glosa, a respeito dos produtos serem sujeitos à alíquota zero, não consta nos motivos elencados  pelo  lançamento  tributário,  que  dizem  respeito  exclusivamente  ao  fato  de  as  compras  serem  feitas com suspensão dos tributos, portanto sem direito ao respectivo crédito.   Pela  comparação  entre  os  fundamentos  originais  da  autuação  e  os  fundamentos  utilizados  pela  autoridade  fiscal  quando  da  apresentação  do  relatório  de  diligência, constata­se existir inequívoca alteração dos fundamentos do lançamento tributário.   Tal  situação não se  coaduna com as hipóteses de  revisão de  lançamento de  ofício traçadas pelo artigo 149 do Código Tributário Nacional (todas as informações requeridas  pela autoridade fiscal foram sempre prontamente prestadas pela Recorrente, não havendo que  se falar em qualquer falsidade, erro ou omissão), muito menos com o procedimento necessário  de lançamento complementar para cobrança de qualquer agravamento, imposto pelo artigo 18,  §3º do Decreto 70.235/1972. 8 Ademais, trata­se nitidamente de afronta à vedação de alteração                                                                                                                                                                                           habilitada ao regime de suspensão da incidência da contribuição para o PIS/Pasep, pode aproveitar os créditos, na  incidência não­cumulativa dessa contribuição, apurados na forma do art. 3o da Lei no 10.637, de 2002, referentes  às aquisições de matérias­primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, nas quais não tenha havido a  suspensão  de  incidência  prevista  pelo  40  da  Lei  no  10.865,  de  2004,  desde  que  sejam  feitos  os  registros  e  controles  discriminando  quais  foram  feitas  com  o  benefício  do  regime  de  suspensão  e  quais  não  o  foram,  de  acordo com o disposto pela IN SRF no 595, de 27 de dezembro de 2005.  8 Sobre o tema, Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López  esclarecem que: “11.44. Auto de Infração  Complementar – Agravamento Ao comentar o  artigo 15, parágrafo único, discorremos  sobre o agravamento da  exigência  por  auto  de  infração  complementar  e  os  limites  à  revisão  de  ofício  do  lançamento  pela  autoridade  administrativa. Já vimos também, que agravar, do latim aggravare significa tornar pior, mais grave, mais pesado,  exacerbar.  Luiz  Henrique  Barros  de  Arruda276  escreve,  com  muita  propriedade,  que  "O  termo  agravar,  na  acepção do Decreto n° 70.235/72, não significa apenas tornar a exigência mais onerosa, mas compreende também  Fl. 27362DF CARF MF     38 de critério  jurídico  retroativamente no bojo de  lançamento  tributário  contra o mesmo  sujeito  passivo, estampada no artigo 146 do próprio CTN.   Delimitando  o  que  seria  passível  de  mudança  no  âmbito  do  lançamento  tributário, a doutrina é uníssona no sentido de que “o erro da autoridade fiscal que justifica a  alteração do ato de lançamento é apenas o erro de fato; nunca o erro de direito.” 9  Embora  haja  enorme  debate  sobre  a  tal  segregação  entre  “erro  de  fato”  e  “erro de direito”, é precisa a verificação de Luis Eduardo Schoueri no sentido de que quando o  aplicador do Direito vê no mesmo  fato  características que  antes não  foram  relevantes para  a  interpretação a seu respeito, levando a uma nova valoração jurídica desse mesmo fato, estar­se­ á direito do erro de direito e, portanto, da limitação imposta pelo artigo 146 do CTN. 10  Não há dúvida que é justamente sobre tal hipótese que nos debruçamos nesse  caso.  Se a  autoridade  fiscal não aprofundou o  trabalho sobre  serem determinadas  compras  sujeitas à alíquota zero no momento do  lançamento  tributário, não cabe agora  fazer  tentativa de  salvar o  lançamento  tributário por  interpretação diversa  (nova valoração  jurídica  dos  fatos  que  sempre  estiveram  presentes  no  caso)  sem motivo  jurídico  e  fático  para  tanto.  Inclusive, nesse sentido decidiu este Colegiado no Acórdão n. 3402­002.987.   Outrossim, é preciso destacar que o fornecedor afirmou e comprovou que as  saídas  dos  produtos  supostamente  tributados  à  alíquota  zero  efetivamente  ensejaram  o  Recolhimento da Contribuição ao PIS e da COFINS. Portanto, evidentemente deve ser dado  direito ao crédito à Recorrente sobre tais aquisições.   Por  esses  motivos  entendo  que  deve  ser  reconhecido  o  direito  ao  crédito  aproveitamento  pela  Recorrente  das  aquisições  do  fornecedor  Manuchar,  que  tenham  sido  comprovadamente  sujeitas  à  incidência  da Contribuição  ao  PIS  e  da COFINS  (NF's  5864  e  7349), bem como daquela já reconhecida como hábil pela autoridade fiscal para dar direito ao  crédito (NF 5896).   2.8. Glosa de Créditos Calculados sobre a Aquisição de Paletes  A  questão  deste  tópico  da  autuação  é  já  amplamente  conhecida  pelos  julgadores do CARF. Trata­se do  conceito de  insumo para  fins de  apropriação de  crédito da  Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade  (artigo 3º,  inciso  II  das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002)  De  qualquer  sorte,  vale  repisar  e  evolução  jurisprudencial  administrativa  sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide.  Quando primeiramente  instado a se manifestar sobre o  tema,  este Conselho  convalidou  o  restritivo  entendimento  esposado  pela  Receita  Federal,  materializado  nas  Instruções  Normativas  SRF  247/02  e  SRF  404/04.  Ou  seja,  transportou­se  o  conceito  de  insumo do IPI para sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia                                                                                                                                                                                           modificar os argumentos que a suportam ou seus  fundamentos, a exemplo do que requer a  lavratura de auto de  infração ou notificação de lançamento complementar, nos termos do artigo 18, parágrafo terceiro." Só quem pode  constituir o crédito tributário por meio do lançamento é quem possui a competência para, em exames posteriores,  realizados no curso do processo, verificadas  incorreções, omissões ou  inexatidões,  proceder ao agravamento da  exigência fiscal (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 2ª edição, 2004, p.262).  9 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito Tributário, Linguagem e Método, p. 445..  10 SCHOUERI, Luis Eduardo. Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 2011, p. 534.  Fl. 27363DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 533          39 que  ao  contribuinte  somente  seria  legítimo  descontar  créditos  referentes  às  aquisições  de  matéria­prima,  material  de  embalagem  e  produtos  intermediários,  os  quais  deveriam  ser  incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados  insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 203­12.469). 11   Num  segundo momento,  já  assumindo  a  impropriedade  de  se  aplicar  como  critério  para  aferir  o  crédito  PIS  e  COFINS  não  cumulativos  aquele  do  IPI  ­  uma  vez  que  materialidades  destas  espécies  de  tributos  são  completamente  distintas,  sendo  a  do  IPI,  circunscrita  ao  âmbito da  industrialização,  enquanto  a das Contribuições,  é mais  abrangente,  por  ser  a  receita  como  um  todo)  ­,  o CARF passou  a  utilizar  as  regras  de  dedutibilidade  de  despesa  constante  na  legislação  do  pelo  imposto  sobre  a  renda  (“IR”)  para  a  definição  de  insumos  (e.g. Acórdão  n.  3202­00.226).  12 Nesse  sentido,  a  jurisprudência  do CARF acabou  conferindo  uma  amplitude  maior  ao  conceito  de  insumo  para  o  direito  de  crédito  da  Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à  consecução do objeto social da pessoa jurídica.  Finalmente,  a  jurisprudência  deste  Conselho  chegou  então  a  um  terceiro  momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da  COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja  tão  extensivo  quanto  aquele  aplicável  ao  IRPJ”.13  Essa  é  a  atual,  e,  a  meu  ver,  correta  orientação do CARF a respeito do tema.  Com isso, constata­se que este Tribunal passou a defender uma abrangência  específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando  em  conta  a materialidade  das  contribuições  (receita),  pelo  que  se  impõe  conceder  o  crédito  relativo a custos  indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita  (e.g. Acórdão n.  3302002.674). 14  Exatamente  neste  sentido,  este  Colegiado  tem  adotado  como  parâmetro  o  conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto  sobre a Renda  ­ RIR/9915  (Acórdão 3402­002.881),  16  para  a  solução dos  casos  controversos  entre contribuintes e Fisco.                                                              11 AC nº 203­12.469, Processo n.º 137.818, rel. Odassi Guerzoni Filho, sessão de 17 de outubro de 2007.  12 AC nº 3202­00.22, Processo nº 11020.001952/2006­22, rel. Gilberto de Castro Moreira Junior, sessão de 08 de  dezembro de 2010.  13 AC nº 9303002.801, Processo nº 13052.000441/200307, rel. Rodrigo da Costa Pôssas , sessão de 23 de janeiro  de 2014.  14  AC  nº  3302002.674,  Processo  nº  13971.720063/200814,  rel.  Fabíola  Cassiano  Keramidas,  sessão  de  19  de  agosto de 2014.  15 Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias­primas utilizadas será determinado com base em  registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim  do período de apuração   §  1º O  custo  de  aquisição  de mercadorias  destinadas  à  revenda  compreenderá  os  de  transporte  e  seguro  até  o  estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação   § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição.  § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal.  Custo de Produção  Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente:  I  ­  o  custo  de  aquisição  de  matérias­primas  e  quaisquer  outros  bens  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  na  produção, observado o disposto no artigo anterior;  II ­ o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações  de produção;  III ­ os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção;  Fl. 27364DF CARF MF     40 Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não  da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, faz­se necessário analisar in casu a  essencialidade dos insumos no processo formativo da receita.  Para  essa  análise,  contudo,  cumpre  salientar  que  o  presente  processo  é  originário  de  auto  de  infração,  e  não  de  pedido  de  reconhecimento  de  crédito  para  compensação pelo contribuinte.   Tal  fato  é  importantíssimo para o deslinde da controvérsia,  à medida que  é  justamente a iniciativa do processo administrativo que determina o ônus da prova (artigo 373  da Lei n. 13.105/2015, o “Novo Código de Processo Civil”).7  Com efeito, este Colegiado, no próprio Acórdão 3402­002.881 citado linhas  atrás, adotou este parâmetro para a solução de caso onde também se julgava auto de infração  em que a Fiscalização glosou créditos tomados pelo contribuinte, por utilizar como fundamento  as Instruções Normativas n. n. 247/2002 e 404/2004, vale dizer, o conceito de insumo de IPI.  Peço  vênia  para  destacar  as  palavras  do  Conselheiro  relator  Antonio  Carlos  Atulim,  plenamente aplicáveis ao sub judice:  “É  certo  que  a  distribuição  do  ônus  da  prova  no  âmbito  do  processo administrativo deve ser efetuada levando­se em conta a  iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou  de  ressarcimento,  onde  a  iniciativa  do  pedido  cabe  ao  contribuinte,  é óbvio que o ônus de provar o direito de  crédito  oposto à Administração cabe ao contribuinte.  Já nos processos  que  versam  sobre  a  determinação  e  exigência  de  créditos  tributários  (autos  de  infração),  tratando­se  de  processos  de  iniciativa  do  fisco,  o  ônus  da  prova  dos  fatos  jurígenos  da  pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art.  9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento  da  DRJ,  pois  o  ônus  da  prova  incumbe  a  quem  alega  o  fato  probando.  Se  a  fiscalização  não  provar  os  fatos  alegados,  a  consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento  em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade.                                                                                                                                                                                            IV ­ os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção;  V ­ os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção.  Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total  dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo   Quebras e Perdas  Art. 291. Integrará também o custo o valor:  I ­ das quebras e perdas razoáveis, de acordo com a natureza do bem e da atividade, ocorridas na fabricação, no  transporte e manuseio;  II ­ das quebras ou perdas de estoque por deterioração, obsolescência ou pela ocorrência de riscos não cobertos  por seguros, desde que comprovadas:  a) por laudo ou certificado de autoridade sanitária ou de segurança, que especifique e identifique as quantidades  destruídas ou inutilizadas e as razões da providência;  b) por certificado de autoridade competente, nos casos de incêndios, inundações ou outros eventos semelhantes;  c)  mediante  laudo  de  autoridade  fiscal  chamada  a  certificar  a  destruição  de  bens  obsoletos,  invendáveis  ou  danificados, quando não houver valor residual apurável.  16  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins  Ano­calendário:  2007  NULIDADES. A existência de motivação clara e explícita do ato administrativo, que rende ensejo à interposição  de defesa  robusta, não  rende ensejo à decretação de nulidade. ÔNUS DA PROVA. Tratando­se de processo de  iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária.  REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS.  INSUMO. CONCEITO. No  regime  não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do  IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o  custo de produção. (...).  Fl. 27365DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 534          41 (...)  É  com  isso  que  lidaremos  no  julgamento  deste  processo:  afastado  o  significado  de  "insumo"  adotado  pelo  fisco,  o  trabalho  deste  colegiado  ao  analisar  as  planilhas  de  glosa  em  espécie se resumirá em confrontar o item glosado com os dados  técnicos trazidos pela defesa para determinarmos se o item está  apto ou não a gerar o crédito. A autuação só será mantida em  relação  aos  itens  que  comprovadamente  não  atendam  aos  requisitos legais para gerarem o crédito.  Especificamente  com  relação  aos  paletes,  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  na  recente  data  de  novembro  de  2017,  proferiu  decisão  que  bem  sintetiza  o  mais  afinado  entendimento  deste  Conselho  a  respeito  do  direito  a  tomada  de  crédito.  Trata­se  do  acórdão n. 9303­005.908, de Relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.  Do  voto  conselheiro  relator,  destaco  os  seguintes  trechos,  que  tratam  justamente do direito ao creditamento relativo aos paletes:  "A última contestação diz com o creditamento com relação aos  seguintes itens: paletes, estrados, ripas e etiquetas.   Segundo  informa  a  contribuinte  (informação  também  não  confrontada),  tais  itens  são  utilizados  para  embalar  seus  produtos destinados à venda, de modo a garantir que cheguem  em  perfeitas  condições  ao  destino  final.  Portanto,  são  integralmente  consumidos no processo produtivo,  e,  depois  de  protegerem o produto até o destino final, são descartados pelo  adquirente,  não  mais  retornando  para  o  estabelecimento  da  contribuinte.   No  ponto,  cabe  assinalar  que  esta  Turma  de  CSRF  vem  entendendo  que  as  embalagens  destinadas  a  viabilizar  a  preservação de suas características durante o  seu  transporte e  cuja  falta  pode  torná­lo  imprestável  à  comercialização  devem  ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que  se  decidiu  no  julgamento  consubstanciado  no  Acórdão  nº  9303­004.174,  de  relatoria  da  il.  Conselheira  Tatiana  Midori  Migiyama, assim ementado:   NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITOS  A  DESCONTAR.  EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO.   É de se considerar as embalagens para transporte como insumos  para  fins  de  constituição  de  crédito  da Cofins  pela  sistemática  não cumulativa. (g.n.)  No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à  sua  tese,  aresto  proferido  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  ­  STJ, o qual abraçou idêntico entendimento:   PROCESSUAL  CIVIL  –  TRIBUTÁRIO  –  PIS/COFINS  –  NÃO  CUMULATIVIDADE  –  INTERPRETAÇÃO  EXTENSIVA  –  POSSIBILIDADE  –  EMBALAGENS  DE  ACONDICIONAMENTO  DESTINADAS  A  PRESERVAR  AS  CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE,  Fl. 27366DF CARF MF     42 QUANDO  O  VENDEDOR  ARCAR  COM  ESTE  CUSTO  –  É  INSUMO  NOS  TERMOS  DO  ART.  3º,  II,  DAS  LEIS  N.  10.637/2002 E 10.833/2003.   1.  Hipótese  de  aplicação  de  interpretação  extensiva  de  que  resulta  a  simples  inclusão  de  situação  fática  em  hipótese  legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita.   Precedentes.   2.  As  embalagens  de  acondicionamento,  utilizadas  para  a  preservação  das  características  dos  bens  durante  o  transporte,  deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no  art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a  operação  de  venda  incluir  o  transporte  das  mercadorias  e  o  vendedor arque com estes custos.   Agravo regimental improvido. (g.n.)  (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº  1.125.253 ­ SC, julgado em 15/04/2010)   Ressaltamos, ainda, o fato de que a própria RFB parece indicar  uma  alteração  de  entendimento,  uma  vez  que,  na  Solução  de  Divergência  Cosit  nº  7,  de  23  de  agosto  de  2016,  após  a  reprodução  dos  atos  legais  e  infralegais  que  disciplinam  o  PIS/Cofins  não  cumulativo,  concluiu  que,  no  conceito  de  insumos,  incluem­se  os  bens  ou  serviços  que  "vertam  sua  utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confira­se:   "!14.  Analisando­se  detalhadamente  as  regras  constantes  dos  atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria,  pode­se  asseverar,  em  termos  mais  explícitos,  que  somente  geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  a  aquisição  de  insumos  utilizados  ou  consumidos  na  produção  de  bens  que  sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e  que, para este fim, somente podem ser considerados insumo:  a) bens que:   a.1)  sejam  objeto  de  processos  produtivos  que  culminam  diretamente  na  produção  do  bem  destinado  à  venda  (matéria­prima);   a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao  tomador do serviço;   a.3)  que  vertam  sua  utilidade  diretamente  sobre  o  bem  em  produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação  de  serviço  (tais  como  produto  intermediário,  material  de  embalagem, material  de  limpeza, material  de pintura,  etc);  ou  a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos  que  promovem a produção de  bem ou a  prestação de  serviço,  desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa  jurídica  (tais  como  combustíveis,  moldes,  peças  de  reposição,  etc);  b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de  bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre:  Fl. 27367DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 535          43 b.1)  pela  aplicação  do  serviço  sobre  o  bem  ou  pessoa  beneficiados pela prestação de serviço;   b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a  prestação  de  serviço  final  disponibilizada  ao  público  externo  (como subcontratação de serviços, etc);   c)  serviços  de  manutenção  de  máquinas,  equipamentos  ou  veículos  utilizados  diretamente  na  produção  de  bens  ou  na  prestação de serviços. (g.n.  Traçadas essas premissas, passemos ao caso concreto.  Tendo em vista os requerimento feitos por este Conselho na Resolução 3402­ 000.811,  a  Recorrente  foi  intimada  em  14/10/2016  por meio  do  TDF  nº  01  a  apresentar  os  elementos e esclarecimentos discriminados a seguir a respeito da utilização dos paletes em seu  processo produtivo, o que foi feito no seguinte sentido:  3.° ­ As matérias primas (couro verde e salgado) são recebidas a  granel,  geralmente  entram  diretamente  no  processo  produtivo,  movimentando­se através de transportador aéreo. (foto 1 e 2)  Durante  o  processo  produtivo  úmido  (ribeira,  caleiro  e  curtimento  wet  blue)  as  peles  são  movimentadas  através  do  transporte aéreo ou caixas. (foto 3 e 4)  Após  o  curtimento  wet  blue  os  couros  são  classificadas  e  paletizadas  para  embarque  ou  direcionadas  para  o  recurtimento/semi­acabado. (foto 5)  Durante o processo de semi acabado os couros são manuseados  em  caixas,  enquanto  úmidas  (foto  4),  e  cavaletes  após  a  secagem.(foto 6, 7 e 8)  Os  couros  em  semi  acabado  são  classificados,  medidos  e  embalados  em pallets  revestidos  de  filme plástico  com destino  ao mercado externo. (foto 9 e 10)  A movimentação entre o semi acabado e acabado é feita sobre os  cavaletes,  em processo  idêntico ao semi acabado.(foto 11, 12 e  13)  Os couros produzidos (wet blue, semi acabado e acabado)  são  embalados  (paletizados)  e  transportados  até  o  Porto  de  Embarque e estufados em containeres com destino ao mercado  externo. (fotos 14, 15,16 e 17)  Outros  insumos  (produtos  químicos)  são  recebidos  paletizados  ou em contêineres (foto 18 e 19)  Disto,  parece  bastante  claro  que  no  caso  da  Recorrente  encontram­se  preenchidos os requisitos para a tomada do crédito das contribuições sociais, quais sejam: i) a  importância  dos  paletes  para  a  preservação  dos  produtos  exportados,  uma  vez  que  são  utilizados para embalar seus produtos (artefatos de couro, cuja delicadeza é de conhecimento  geral) destinados à venda, de modo a garantir que cheguem em perfeitas condições ao destino  final no exterior; ii) seu integral consumo no processo produtivo, protegendo o produto, sendo  Fl. 27368DF CARF MF     44 descartados  pelo  adquirente  e  não  mais  retornando  para  o  estabelecimento  da  contribuinte.  Afinal,  os  produtos  são  exportados,  portanto  não  regressam  os  paletes  para  sua  origem  no  Brasil.  Com  tais  razões,  deve  ser  cancelado  o  lançamento  a  respeito  da  glosa  de  créditos relativos aos paletes.   DISPOSITIVO   Diante  do  exposto,  voto  por  dar  parcial  provimento  ao  recurso  voluntário,  com  relação  à  i)  omissão  de  receitas,  tratadas  nos  tópicos  2.1.1.,  2.1.2.  e  2.1.3.  do  presente  voto; ii) omissão de Receita dos Valores de Ressarcimento do Reintegra (tópico 2.2. do voto);  iii) omissão de receitas "decorrentes de Rapel" (tópico 2.3. do voto); iv) omissão de receitas –  Pagamentos  Efetuados  com  Recursos  Estranhos  à  Contabilidade  (tópico  2.4.  do  voto);  v)  omissão de receitas de remissão de dívidas por fornecedores (tópico 2.5.); vi) glosa de créditos  calculados sobre a aquisição de paletes.    Relator Thais De Laurentiis Galkowicz ­ Relatora    Fl. 27369DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 536          45 Voto Vencedor  Com a devida vênia,  fui designado a  redigir o presente voto vencedor, uma  vez que a maioria do Colegiado não acompanhou o entendimento da eminente Relatora quanto  à não caracterização dos itens a seguir listados como receitas sujeitas a incidência do PIS e da  COFINS:  a)  Perdão/Deságio  no  Pagamento  de  Empréstimos  Bancários  (item  2.1.3);  b)  Valores de Ressarcimento do Reintegra( item 2.2); e  c)  Remissão de Dívidas por Fornecedores (item 2.5).  O principal objeto da  lide quanto a esses  três pontos envolve o conceito de  receita  para  a  legislação  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins  não  cumulativos,  sendo  que  a  Relatora  defendeu  que  os  valores  contabilizados  relativos  a  Perdão/Deságio  no  Pagamento  de  Empréstimos Bancários, Valores  de Ressarcimento  do Reintegra  e Remissão  de Dívidas  por  Fornecedores não possuem a natureza de receita. Segundo o seu entendimento, somente ocorre  a  caracterização  de  receita  quando  há  ingresso  financeiro  de  recursos  que  se  integre  no  patrimônio  na  condição  de  elemento  novo  e  positivo,  fato  que  não  ocorreu  no  caso.ora  anlisado.  A  maioria  da  turma  colegiada,  entretanto,  concordou  com  o  entendimento  da  Autoridade  Tributária  ao  atribuir  natureza  jurídica  de  receitas  operacionais  as  parcelas  em  discussão,  mantendo  a  sua  inclusão  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  conforme  fundamentos a seguir expostos.  Os  itens  “a”  e  “c”  no  presente  voto  serão  analisados  em  conjunto  por  apresentarem identidade de natureza jurídica, caracterizada como remissão de dívidas.   Perdão/Deságio  no  Pagamento  de  Empréstimos  Bancários  e  Remissão  de  Dívidas  por  Fornecedores  Percebe­se  pela  leitura  dos  autos  que  a  recorrente  é  sujeita  ao  regime  não­ cumulativo  das  contribuições  e  aos  comandos  do  artigo  1º  das  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2003, cujas redações em 2009 eram as abaixo transcritas:  Lei nº 10.637/2002:  Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação ou classificação contábil. Produção de efeito   §  1o  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  o  total  das  receitas  compreende  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas  auferidas pela pessoa jurídica.  §  2o  A  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  é  o  valor do faturamento, conforme definido no caput.  Fl. 27370DF CARF MF     46 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo,  as receitas:  I  ­  decorrentes  de  saídas  isentas  da  contribuição  ou  sujeitas  à  alíquota zero;  II ­ (VETADO)  III ­ auferidas pela pessoa  jurídica revendedora, na revenda de  mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da  empresa vendedora, na condição de substituta tributária;  V ­ referentes a:  a)  vendas  canceladas  e  aos  descontos  incondicionais  concedidos;  b)  reversões  de  provisões  e  recuperações  de  créditos  baixados  como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o  resultado  positivo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  do  patrimônio  líquido  e  os  lucros  e  dividendos  derivados  de  investimentos  avaliados  pelo  custo  de  aquisição,  que  tenham  sido computados como receita.  VI – não  operacionais,  decorrentes  da  venda  de  ativo  imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (a Lei nº  10.833/2003  ampliou  a  exclusão  para  "não  operacionais,  decorrentes  da  venda  do  ativo  permanente",  aplicando­se  ao  PIS/Pasep, de acordo com o artigo 15 da referida lei)  Lei nº 10.833/2003:  Art.  1o  A  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o  total  das  receitas  auferidas  no  mês  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação  contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)   §  1o  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  o  total  das  receitas  compreende  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas  auferidas pela pessoa jurídica.   § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento,  conforme definido no caput.   § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo  as receitas:   I ­ isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou  sujeitas à alíquota 0 (zero);   II  ­  não­operacionais,  decorrentes  da  venda  de  ativo  permanente;   III ­ auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de  mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da  empresa vendedora, na condição de substituta tributária;   V ­ referentes a:  Fl. 27371DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 537          47  a)  vendas  canceladas  e  aos  descontos  incondicionais  concedidos;   b)  reversões de provisões  e  recuperações de  créditos baixados  como perda que não representem  ingresso de novas receitas,  o  resultado  positivo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  do  patrimônio  líquido  e  os  lucros  e  dividendos  derivados  de  investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido  computados como receita.   VI ­ decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes  do  Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  ­  ICMS  de  créditos  de  ICMS  originados  de  operações  de  exportação,  conforme  o  disposto  no  inciso  II  do  §  1o  do  art.  25  da  Lei  Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela  Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeito).  Constata­se pela legislação transcrita que a base de cálculo das contribuições  na sistemática não cumulativa é bem ampla,  incluindo todas as receitas auferidas pela pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação  contábil.  Além  disso,  a  legislação  também  prevê  as  exclusões  desta  base  de  cálculo.  Também  não  se  identifica  no  dispositivo legal legal transcrito previsão para a exclusão da remissão de dívidas da incidência  do PIS e da COFINS não cumulativos. Assim, resta verificar se esses valores se subsumem ao  conceito de receita.  A Relatora, em seu voto, insistiu na tese da necessidade de ingresso positivo  de recurso que implique repercussão patrimonial positiva para que o evento seja caracterizado  como receita para quem aufere.  A  maioria  do  Colegiado  discordou  dessa  assertiva  por  entender  que  não  apenas  o  ingresso  de  recursos  na  entidade  com  aumento  do  seu  ativo  (sem  contrapartida  no  passivo)  representa  receita,  mas  também  aqueles  benefícios  econômicos  decorrentes  de  diminuição de passivo, sem contrapartida diminutiva no ativo,  têm efeito positivo patrimônio  líquido da entidade, da mesma forma se caracterizando como receita.   O  Pronunciamento  Técnico  CPC  30  do  Comitê  de  Pronunciamentos  Contábeis confirma esse entendimento na sua definição de receita:  Objetivo    A  receita  é  definida  no  Pronunciamento  Conceitual  Básico  Estrutura  Conceitual  para  a  Elaboração  e  Apresentação  das  Demonstrações  Contábeis  como  aumento  nos  benefícios  econômicos  durante  o  período  contábil  sob a forma de entrada de recursos ou aumento  de  ativos  ou  diminuição  de  passivos  que  resultam  em  aumentos  do  patrimônio  líquido  da  entidade  e  que  não  sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários  da  entidade.  As  receitas  englobam  tanto  as  receitas  propriamente  ditas  como  os  ganhos.  A  receita  surge  no  curso das atividades ordinárias da entidade e é designada  Fl. 27372DF CARF MF     48 por  uma  variedade  de  nomes,  tais  como  vendas,  honorários, juros, dividendos e royalties.    O  objetivo  deste  Pronunciamento  é  estabelecer  o  tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos  de transações e eventos.  (negritos nossos)  Conclui­se que receita é o ingresso econômico representado por um aumento  de  ativo ou diminuição  de passivo que  resulta  em aumento de patrimônio  líquido e que não  sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade.   Nesse sentido, o Perdão/Deságio no Pagamento de Empréstimos Bancários e  a Remissão de Dívidas por Fornecedores possuem natureza jurídica de receitas decorrentes de  ingressos econômicos, caracterizadas por um ingresso econômico decorrente da redução de um  passivo  sem  a  redução  cocomitante  de  um  ativo,  resultando  em  um  acréscimo  de  riqueza  refletida no patrimônnio da entidade.. A não inclusão desses eventos na base de cálculo do PIS  e da COFINS somente seria possível por meio de previsão em lei. Não havendo previsão legal  para tanto, correto está a tributação dessas receitas pelas contribuições em comento.  Estando  evidente  que  as  remissões  de  dívidas  em  comento  se  caracterizam  como  receitas,  resta  apurar  se  são  “receitas  financeiras”  sujeitas  a  alíquota  zero  (art.  1º  do  Decreto nº 5.442, de 09/05/2005, c/c o §2º do art. 27 da Lei nº 10.865, de 30/04/2004), como  pugna a Reclamante em seu Recurso, ou como “outras receitas operacionais”, conforme afirma  a Fiscalização.  Aduz  a  recorrente,  sem  razão,  que,  no  caso  concreto,  estar­se­ia  diante  de  uma situação em que foi concedido um desconto em razão do pagamento antecipado da dívida,  sendo  que  os  descontos  obtidos  quando  do  pagamento  antecipado  da  dívida  estariam  compreendidos dentro do conceito de receitas financeiras.  Equivoca­se a recorrente porque não há elementos suficientes nos autos para  determinar se efetivamente tratam de descontos por antecipação no pagamento de dívida, mas,  ao contrário, os documentos juntados pela fiscalização indicam tratar unicamente de remissão  de  dívidas  obtidas  pela  recorrente.  Os  descontos  financeiros  obtidos  e  classificáveis  como  receitas  financeiras  decorrem,  normalmente,  de  pagamentos  antecipados  de  duplicatas  de  fornecedores  ou  de  outros  títulos,  o  que  não  é  o  caso  dos  valores  recebidos  pela  recorrente,  conforme citado no Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI (Editora Atlas, 2010, p.  515).  c) RECEITAS FINANCEIRAS  Como receitas financeiras, ha:  Descontos  obtidos,  oriundos  normalmente  de  pagamentos  antecipados de duplicatas de fornecedores e de outros titulos.  O voto  recorrido bem  ressaltou que  as  receitas ora analisadas não  guardam  características de receitas financeiras, in verbis:  O  desconto  tem  natureza  de  receita  financeira  quando  há  novação em virtude de uma contraposição de fatores favoráveis  e  desfavoráveis  (pagamento  antecipado  que  gera  uma  redução  de  juros –  recebimento em função do  tempo de recebimento do  Fl. 27373DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 538          49 crédito),  o  que  é  diferente  do  caso  em  tela  que  retrata  uma  remissão  da  dívida  (ato  liberatório  da  credora  em  favor  da  devedora),  pela  qual  houve  um  abandono  do  próprio  capital  (principal).  Trechos  da  Solução  de  Consulta  da  6ª  região  fiscal  também  comfirmam  a  natureza jurídica da remissão de dívida como “Outras Receitas Operacionais”:  SUPERINTENDÊNCIA  REGIONAL  DA  RECEITA  FEDERAL 6a REGIÃO FISCAL   DECISÃO N° 297 de 21 de dezembro de 2000   ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário   EMENTA:  INSUBSISTÊNCIA PASSIVA. À  baixa  de  valor  registrado no passivo,  por  insubsistência da obrigação de  pagar  (insubsistência  passiva)  corresponde  uma  receita  tributável, no momento desta baixa.   11.8.  Até  então,  não  se  discutia  acerca  da  natureza  jurídico­contábil­tributária  do  perdão  de  dívida  a  fim  de  caracterizá­la como "receita financeira" ou como "outras  receitas operacionais". Entretanto, na medida em que tal  questão passa a importar tributariamente, uma vez que a  receita financeira tem alíquota zero para fins de Cofins e  de PIS,  relativamente a empresas  inseridas no regime de  não  cumulatividade  destas  contribuições  (art.  1°  do  Decreto  n°  5.442,  de  09/05/2005,  c/c  o  §2°  do  art.  27  da  Lei n° 10.865, de 30/04/2004), deve­se dissecar tal ato.   11.8.1. A remissão, segundo Maria Helena Diniz, é:  o  perdão  da  dívida  pelo  credor,  colocando­se  este  na  impossibilidade de reclamar o adimplemento da obrigação.  A remissão das dívidas é a liberação graciosa do devedor  pelo credor, que voluntariamente abre mão de seus direitos  creditórios,  com  o  escopo  de  extinguir  a  obrigação,  mediante o consentimento inequívoco ou tácito, do devedor,  desde que não haja prejuízo a direitos de terceiro (CC, art.  385). Para Carvalho de Mendonça (apud Clóvis Beviláqua,  Código  Civil  Comentado,  cit.,  p.  215)  seria  a  "renúncia  gratuita  do  crédito",  incondicionalmente manifestada  pelo  credor em benefício do devedor.   (...)  a  remissão  é  um  direito  exclusivo  do  credor  de  exonerar  o  devedor,  visto  ser  a  extinção  dos  direitos  creditórios pela simples vontade do credor  (DINIZ, Maria  Helena.  Curso  de  Direito  Civil  Brasileiro.  V.  2:  teoria  geral das obrigações. 21. ed. São Paulo: Saraiva, 2006. pp.  377379).  Fl. 27374DF CARF MF     50 12.  Do  exposto,  conclui­se  que  o  perdão  de  dívida  pela  credora  é um ato  jurídico  que  faz  acrescer  o  patrimônio  da devedora, de modo que revela capacidade contributiva  (objetiva),  que,  por  caracterizar  uma  receita  operacional  (diversa  da  receita  financeira),  implica  receita  tributável  pela  Cofins  e  pelo  PIS,  com  a  alíquota  superior  a  zero  (diversamente do que  trata o art. 1° do Decreto n° 5.442,  de  09/05/2005,  c/c  o  §2°  do  art.  27  da  Lei  n°  10.865,  de  30/04/2004).   13.  Não  obstante  o  já  exposto,  o  inciso  II  do  art.  116  do  CTN deixa claro que de uma situação jurídica exsurge uma  obrigação tributária.   Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera­se  ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos:   (...)  II  tratando­se  de  situação  jurídica,  desde  o  momento  em  que  esteja  definitivamente  constituída,  nos  termos  de  direito aplicável.  13.1. Tendo em vista o inciso II acima, não se pode olvidar  da legislação aplicável. Observa­se que no contrato ou nos  registro  do Bacen,  constantes  dos  autos,  não  há  qualquer  referência que o perdão da dívida em comento tivesse sido  em  função  de  uma  doação.  Mas,  mesmo  que  fosse  uma  doação,  também  seria  o  caso  de  tributação  a  contrario  sensu,  por  força  do  art.  443  do  Decreto  n°3.000,  de  17/06/1999  (regulamento  do  imposto  sobre  a  renda  e  proventos de qualquer natureza RIR/99).   Art.443. Não serão computadas na determinação do  lucro  real  as  subvenções  para  investimento,  inclusive  mediante  isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo  à  implantação  ou  expansão  de  empreendimentos  econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde  que (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 38, §2°, e Decreto­ Lei n° 1.730, de 1979, art. 1°, inciso VIII):  I ­ registradas como reserva de capital que somente poderá  ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao  capital  social,  observado  o  disposto  no  art.  545  e  seus  parágrafos; ou   II  ­  feitas  em  cumprimento  de  obrigação  de  garantir  a  exatidão  do  balanço  do  contribuinte  e  utilizadas  para  absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas.   13.2. A remissão de dívida, por representar um acréscimo  patrimonial  para  o  devedor  remitido,  é  tributável  tanto  pelo  IRPJ,  quanto  pela  CSLL,  pela  Cofins  e  pelo  PIS,  uma  vez  que  o  lançamento  contábil  dá­se  forçosamente  mediante  crédito  de  receita  operacional  (distinta  da  Fl. 27375DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 539          51 receita financeira). Para que não fosse tributável haveria  a  necessidade  de  norma  isentiva,  a  qual  deve  ser  interpretada literalmente, segundo o art. 111, II, do CTN.  Nesse  diapasão,  bem  expõe  Sacha  Calmon  ao  dizer  sucintamente que "interpretação literal não é interpretação  mesquinha ou meramente gramatical.  Interpretar  estritamente  é  não  utilizar  interpretação  extensiva"  (COÊLHO,  Sacha  Calmon  Navarro.  Curso  de  direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Forense, 2002.  p. 576).  (...) II outorga de isenção;  13.3.  Tanto  é  assim  que  relativamente  à  doação  recebida  pelas  pessoas  físicas  há  uma  norma  isentiva  no  que  se  refere  ao  donatário,  conforme  o  art.  39,  XV,  do  RIR/99:  "Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XV O  valor  dos  bens  adquiridos  por  doação  ou  herança,  observado  o  disposto  no  art.  119  (Lei  n°  7.713,  de  1988,  art.  6°,  inciso XVI,  e Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de  1997,  art.  23  e  parágrafos)";  o  que não  ocorre  quando a  pessoa jurídica é donatária, salvo o disposto no art. 443 do  RIR/99 (já transcrito).   13.4.  Também  não  se  pode  olvidar  que  a  eqüidade  não  pode  ser  utilizada  para  elidir  o  pagamento  do  tributo,  conforme dispõe o § 2° do art. 108 do CTN ("O emprego da  eqüidade  não  poderá  resultar  na  dispensa  do  pagamento  do tributo devido"). Sacha Calmon bem resume ao escrever  que  "a  eqüidade  é  o  sumo  do  bem  e  da  compreensão  na  aplicação da lei (dura lex sed lex), mas não pode dispensar  o pagamento do tributo devido" (COÊLHO, Sacha Calmon  Navarro.  Curso  de  direito  tributário  brasileiro.  Rio  de  Janeiro: Forense, 2002. p. 570).   Conclusão  17.  A  vista  do  exposto,  conclui­se  que  em  decorrência  da  remissão de empréstimo com prazo de carência:   17.1. (...)   17.2. ii) A remissão de dívida referente ao capital importa  para o devedor  (remitido)  receita operacional, diversa da  receita financeira, o que implica fato imponível tributário  da  Cofins,  do  PIS,  estas  com  alíquota  superior  a  zero  (diversamente do que  trata o art. 1° do Decreto n° 5.442,  de  09/05/2005,  c/c  o  §2°  do  art.  27  da  Lei  n°  10.865,  de  30/04/2004, do IRPJ e da CSLL, concretizado no momento  do  ato  jurídico  remitente,  por  ser  uma  insubsistência  do  passivo (ativa).   Fl. 27376DF CARF MF     52 A receita que  compõe a base de  cálculo dos  tributos  "é o  perdão, e não os juros"; os juros tem seu prazo decadencial  de  cobrança  pelo  credor,  junto  ao  devedor,  e  seu  fato  constitutivo é a fluência das datas de vencimento; ao passo  que os tributos tem como fato gerador o "resultado positivo  caracterizado  pelo  perdão dos  juros  passivos  do  devedor,  no  caso,  o  fiscalizado  Camacácia  Silvopastoril  Ltda,  que  obteve  resultado  positivo  ao  deixar  de  dever  juros  já  em  atraso.  (negritos nosso)  Este  colegiado  também  já  se  pronunciou  em  outras  oportunidades  sobre  a  matéria,  a  teor  dos  Acórdãos  nº  1401­001.114  e  3201002.117,  cujas  ementas  parciais  transcrevem­se, respectivamente:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário: 2004, 2005, 2006, 2007   PERDÃO  DE  JUROS  DE  MORA.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  O valor relativo à redução de dívida decorrente de remissão não  tem natureza de receita financeira, devendo ser registrada como  "outras receitas operacionais".   PERDÃO  DE  JUROS  DE  MORA.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO TRIBUTÁRIO.   A  remissão  de  dívida  importa  para  o  devedor  (remitido)  acréscimo  patrimonial  (receita  operacional  diversa  da  receita  financeira),  por  ser  uma  insubsistência  do  passivo,  cujo  fato  imponível se concretiza no momento do ato remitente.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Exercício: 2002   PERDÃO DE DÍVIDA. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO.  O  perdão  de  dívida  importa  para  o  devedor  acréscimo  patrimonial,  caracterizandose  como  receita  operacional,  cujo  valor deve ser computado na base de cálculo do PIS apurado no  regime não cumulativo.  Recurso Voluntário negado  Assim, as remissões de dívidas no pagamento de Empréstimos Bancários e de  Dívidas por Fornecedores se constituem em receitas tributáveis, decorrentes de um acréscimo  patrimonial para o devedor, pela redução de um passivo, sem correspondente redução do ativo,  que  não  se  qualificam  como  receitas  financeiras,  vez  que  não  decorrem  de  antecipação  de  pagamento  de  dívidas,  mas  sim  de  perdão  concedido  pelos  credores,  estando  corretamente  classificadas como “Outras Receitas Operacionais”, conforme restou comprovado nos autos.  Valores de Ressarcimento do Reintegra  Fl. 27377DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 540          53 O  lançamento  fiscal  foi  motivado  pelo  entendimento  da  Autoridade  Tributária de que a empresa deixou de incluir na base de cálculo das contribuições para o PIS e  COFINS não cumulativos os valores de ressarcimento do Regime de Reintegração de Valores  Tributários  para  Empresas  Exportadora  (Reintegra),  que  representam  receitas  operacionais  tributáveis para as referidas contribuições.  A Recorrente discordou do entendimento quanto a classificação dos valores  ressarcidos  do  Reintegra  como  subvenção,  argumentando  que  se  tratam  de  incentivo  fiscal  instituído  para  diminuir  custos  tributários  e  desonerar  o  exportador  produtor  de  bens  manufaturados, a fim de estimular as exportações.  A melhor forma de se buscar a real natureza jurídica de um benefício fiscal  está na sua origem, ou seja, na lei instituidora e seus dispositivos regulamentares.  O Regime  Especial  de  Reintegração  de Valores  Tributários  (Reintegra)  foi  instituído pela Medida Provisória nº 540, de 2 de agosto de 2011, posteriormente convertida na  Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011, e foi regido por essa lei até dezembro de 2013:  Art.  1o  É  instituído  o  Regime  Especial  de  Reintegração  de  Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra),  com  o  objetivo  de  reintegrar  valores  referentes  a  custos  tributários  federais  residuais  existentes  nas  suas  cadeias  de  produção.  Art. 2o No âmbito do Reintegra, a pessoa jurídica produtora que  efetue exportação de bens manufaturados no País poderá apurar  valor para  fins de  ressarcir parcial ou  integralmente o  resíduo  tributário federal existente na sua cadeia de produção.   (...)  § 12. Não serão computados na apuração da base de cálculo da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  os  valores  ressarcidos  no  âmbito  do  Reintegra.  (Incluído  pela  Lei  nº  12.844, de 2013)”  Art.  3oO  Reintegra  aplicar­se­á  às  exportações  realizadas:  (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)  I  ­  de  4  de  junho  de  2013  até  31  de  dezembro  de  2013;  e  (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013)   II ­ (VETADO).(Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013)”  Observa­se que o § 12 do art. 2º da Lei nº 12.546, de 2011, foi inserido pelo  art. 13 da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, publicada no Diário Oficial da União (DOU)  de  19  de  julho  de  2013,  e  somente  a  partir  dessa  data  excluiu  das  bases  de  cálculo  da  Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os valores ressarcidos no âmbito do Reintegra.  Posteriormente o Reintegra foi reinstituído pela Medida Provisória nº 651, de  9 de julho de 2014, convertida na Lei n° 13.043, de 13 de novembro de 2014, conforme o texto  reproduzido a seguir:  Fl. 27378DF CARF MF     54 Art. 21. Fica reinstituído o Regime Especial de Reintegração de  Valores  Tributários  para  as  Empresas  Exportadoras  ­  REINTEGRA,  que  tem  por  objetivo  devolver  parcial  ou  integralmente  o  resíduo  tributário  remanescente  na  cadeia  de  produção de bens exportados.  Art. 22. No âmbito do Reintegra, a pessoa  jurídica que exporte  os bens de que trata o art. 23 poderá apurar crédito, mediante a  aplicação  de  percentual  estabelecido  pelo  Poder  Executivo,  sobre  a  receita  auferida  com  a  exportação  desses  bens  para  o  exterior.  (...)  § 6o O valor do crédito apurado conforme o disposto neste artigo  não será computado na base de cálculo da Contribuição para o  PIS/Pasep,  da  Cofins,  do  Imposto  sobre  a  Renda  das  Pessoas  Jurídicas ­ IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido  ­ CSLL.  A instituição do benefício visou a reintegração de valores às pessoas jurídicas  exportadoras  referentes  a  custos  tributários  federais  residuais  existentes  em  suas  cadeias  de  produção de bens manufaturados. Conforme os §§ 1º e 2º do art. 2º da Lei nº 12.546, de 2011,  o valor a ser reintegrado corresponde a um percentual, fixado pelo Poder Executivo (entre zero  e  três  por  cento),  aplicado  sobre  a  receita  de  exportação  de  bens  produzidos  pela  pessoa  jurídica. O § 4º do  art.  2º, por  sua vez, estabelece duas possibilidades de utilização do valor  apurado: ressarcimento em espécie ou compensação com débitos próprios relativos a tributados  administrados pela RFB.  Constata­se  pelos  dispositivos  mencionados  que  o  patrimônio  da  empresa  beneficiária é enriquecido com recursos vindos de  fora  sem que  isto  importe na assunção de  uma  dívida  ou  obrigação.  Tais  recursos  concedidos  pela  entidade  governamental,  realizados  por  meio  da  fruição  do  benefício  fiscal,  visam  principalmente  auxiliar  a  empresa  no  financiamento  de  suas  despesas  de  custeio  do  dia  a  dia.  Uma  vez  que  o  valor  apurado  no  Reintegra pode ser utilizado livremente pela Empresa, não estando seus recursos vinculados a  aplicações específicas, resta claro tratar­se de hipótese de subvenção corrente para custeio ou  operação.  Nesse mesmo sentido, transcrevo trecho da Solução de Consulta Cosit nº 240,  de  2014,  publicada  no  DOU  de  30  de  setembro  de  2014,  no  qual  os  valores  apurados  no  Reintegra são caracterizados como receitas decorrentes de subvenção para custeio ou operação  pela Receita Federal:  A caracterização das subvenções como receita é incontroversa, o  que se constata pela simples leitura das manifestações explícitas  do  Comitê  de  Pronunciamento  Técnico,  em  especial  no  Pronunciamento  Técnico  CPC  nº  07  (R1)  –  Subvenções  e  Assistências Governamentais, in fine:  (...)  9.  A  forma  como  a  subvenção  é  recebida  não  influencia  no  método de contabilização a ser adotado. Assim, por exemplo, a  contabilização  deve  ser  a  mesma  independentemente  de  a  subvenção  ser  recebida  em  dinheiro  ou  como  redução  de  passivo.   Fl. 27379DF CARF MF Processo nº 10835.722067/2013­62  Acórdão n.º 3402­004.954  S3­C4T2  Fl. 541          55 (...)  12. Uma  subvenção  governamental  deve  ser  reconhecida  como  receita ao longo do período e confrontada com as despesas que  pretende  compensar,  em  base  sistemática,  desde  que  atendidas  as condições deste Pronunciamento. A subvenção governamental  não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido.   (...)  15.  O  tratamento  contábil  da  subvenção  governamental  como  receita deriva dos seguintes principais argumentos:   (a) uma vez que a subvenção governamental é recebida de uma  fonte  que  não  os  acionistas  e  deriva  de  ato  de  gestão  em  benefício  da  entidade,  não  deve  ser  creditada  diretamente  no  patrimônio  líquido,  mas,  sim,  reconhecida  como  receita  nos  períodos apropriados;   (b)  subvenção  governamental  raramente  é  gratuita. A  entidade  ganha  efetivamente  essa  receita  quando  cumpre  as  regras  das  subvenções  e  cumpre  determinadas  obrigações.  A  subvenção,  dessa  forma,  deve  ser  reconhecida  como  receita  na  demonstração  do  resultado  nos  períodos  ao  longo  dos  quais  a  entidade reconhece os custos relacionados à subvenção que são  objeto de compensação;   (c)  assim  como  os  tributos  são  despesas  reconhecidas  na  demonstração  do  resultado,  é  lógico  registrar  a  subvenção  governamental  que  é,  em  essência,  uma  extensão  da  política  fiscal, como receita na demonstração do resultado.  (grifou­se)  Vê­se  pela  leitura  dos  autos  que  a  recorrente  é  sujeita  ao  regime  não­ cumulativo  das  contribuições  e  aos  comandos  do  artigo  1º  das  Leis  nº  10.637/2002  e  10.833/2003, cuja redação quanto a COFINS em 2009 é a abaixo transcrita:  Art.  1o  A  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS,  com  a  incidência  não­cumulativa,  tem  como  fato gerador o  faturamento mensal, assim entendido o total das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua denominação ou classificação contábil.  §  1o  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  o  total  das  receitas  compreende  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações  em  conta  própria  ou  alheia  e  todas  as  demais  receitas auferidas pela pessoa jurídica.  § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento,  conforme definido no caput.  (negrito nosso)  A base de cálculo das contribuições em comento no regime de apuração não  cumulativa  é  ampla,  alcançando  todas  as  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  Fl. 27380DF CARF MF     56 independentemente de sua denominação ou classificação contábil, salvo aquelas expressamente  excepcionadas pela legislação.  Inexistia  à  época  dos  fatos  geradores  lançados  qualquer  dispositivo  legal  prevendo a exclusão dos valores recebidos do Reintegra da base de cálculo das contribuições  do PIS e da COF|INS não cumulativos, o que leva a conclusão de que o lançamento fiscal está  de acordo com a legislação vigente no período fiscalizado de 31/03/2009 a 31/12/2012.  Somente  a  partir  de  19  de  julho  de  2013  sobreveio  dispositivo  legal,  constante da Lei  nº12.844/2013,  que  excluiu  os  valores  ressarcidos  do Reintegra da  base  de  cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS.   Por  fim, discordando do que afirma a Recorrente,  a  referida  lei  não  guarda  qualquer  característica  de  lei  interpretrativa,  não  possuindo,  portanto,  qualquer  efeito  retroativo.  É como voto.  Assinado Digitalmente  Pedro Sousa Bispo­Redator Designado                  Fl. 27381DF CARF MF

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Numero do processo: 15374.948537/2009-28
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3002-000.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não ser necessária a conversão em diligência. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não ser necessária a conversão em diligência. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves

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3002­000.001  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma Ordinária  Data  22 de fevereiro de 2018  Assunto  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO  Recorrente  WROBEL CONSTRUTORA SA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor  proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não  ser necessária a conversão em diligência.  (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Diego Weis Junior ­ Relator  Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes  Girard  (Presidente),  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões,  Diego  Weis  Junior,  Carlos  Alberto da Silva Esteves  Relatório   Em 10.08.2006 o recorrente transmitiu Declaração de Compensação ­ DCOMP,  objetivando a utilização de crédito oriundo de pagamento indevido de COFINS não cumulativa  referente  ao  mês  de  março/2005,  com  débito  da  mesma  contribuição  relativo  ao  mês  de  julho/2006. (fls. 03 a 07)  Em 11.08.2009  foi  emitido Despacho Decisório  informando  que  o  pagamento  declarado pela empresa foi localizado, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 48 53 7/ 20 09 -2 8 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 15374.948537/2009­28  Resolução nº  3002­000.001  S3­C0T2  Fl. 100          2 PER/DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada, exigindo­se, por  conseguinte, o pagamento do tributo cuja quitação se pretendia fazer por meio da DCOMP em  comento. (fl. 09)  Cientificado do conteúdo do Despacho Decisório em 20.08.2009, o contribuinte  apresentou, em 17.09.2009, Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que:  a)  Equivocou­se  ao  preencher  a  DCTF  do  1º  semestre  de  2005,  informando  débito  de  COFINS  (código  5856)  no  valor  de  R$9.396,57,  quando  o  correto  seria  não  informar  nenhum  valor,  pois  o  valor  do  tributo  devido  nessa  competência foi compensado integralmente com créditos de insumos, conforme  informações constantes da DACON relativa ao mesmo período de apuração;  b)  Constatado  o  equívoco,  entregou,  em  17.09.2009,  DCTF  retificadora  com  exclusão  do  débito  de  COFINS  da  competência  03/2005,  evidenciando  dessa  forma,  aos  sistemas  da RFB,  a  existência  do  crédito  decorrente  do  pagamento  indevido;  c) O pagamento indevido de COFINS, relativo a competência 03/2005 deve ser  considerado  para  a  quitação  do  débito  de  COFINS  referente  ao  mês  de  julho/2006, nos termos da DCOMP apresentada.  d) Anexou cópia: do Despacho Decisório, da DCTF retificadora; das  fichas 13  (março/2005) e 17B da DACON do 1º  trimestre de 2005, e de documentos de  identificação e legitimidade;  A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE ­  DRJ/FOR,  em  sessão  de  28.04.2014,  por  meio  do  Acórdão  nº  08­29.481,  considerou  improcedente a manifestação de inconformidade com a seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA   Ano­calendário: 2005  NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO.  Não  cabe  reparo  a  Despacho  Decisório  que  não  homologou  a  compensação  declarada  pelo Contribuinte  por  inexistência  de  direito  creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do  crédito estava alocado para a quitação de débito confessado.  Descabe reconhecer direito creditório não comprovado nos autos.  DCTF  RETIFICADORA  POSTERIOR  À  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  Modificações  efetuadas  na  DCTF  após  a  ciência  do  Despacho  Decisório Eletrônico,  desacompanhados  dos  elementos  de  prova,  não  têm o condão de tornar as informações originais incorretas.  Manifestação de Inconformidade Improcedente.  Direito Creditório Não Reconhecido.  Fl. 100DF CARF MF Processo nº 15374.948537/2009­28  Resolução nº  3002­000.001  S3­C0T2  Fl. 101          3 A autoridade julgadora de primeira instância consignou em seu voto que:   "...os débitos declarados em DCTF constituem confissão de dívida, por  isso  dispensam  inclusive  lançamento  de  ofício,  para  fins de  inscrição  na Dívida Ativa, quando necessário."  "...prevalece  o  que  foi  confessado  pela  DCTF  Ativa  na  data  do  Despacho Decisório, descabendo o valor informado pela última DCTF  Retificadora, por motivo de esta haver sido transmitida após a ciência  do Despacho Decisório."  "...o  Interessado...  não  trouxe  aos  autos  elementos  suficientes  para  comprovar o direito alegado."  Nos  termos  da  decisão  proferida  pela  DRJ/FOR,  o  contribuinte  não  logrou  comprovar os  requisitos de certeza e  liquidez do crédito  tributário utilizado na compensação,  vez que deixou de anexar documentos probantes do direito creditório pleiteado.  Alegaram  também  os  representantes  do  fisco,  que  a  ciência  do  conteúdo  do  Despacho  Decisório  instaurou  procedimento  fiscal  para  a  cobrança  do  referido  débito,  excluindo  a  espontaneidade  do  Sujeito  Passivo  em  relação  aos  atos  envolvidos  com  as  infrações verificadas.  O acórdão combatido aduz que uma vez instaurado o litígio, com a apresentação  da Manifestação de Inconformidade, devem ser apresentadas as provas documentais do direito  alegado,  nos  termos  do  art.  16,  §4º  do  DeL  70.235/72,  sob  pena  de  preclusão,  excetuado  fundado motivo para não o ter feito naquela oportunidade.  Aduz  ainda  a DRJ/FOR que  embora  a DACON  tenha  sido  instituída,  pela  IN  SRF 387 de 20/01/2004, para fins de o Sujeito Passivo manter controle de todas as operações  que influenciem a apuração do valor devido da COFINS e da contribuição ao PIS, prevalece o  conceito de confissão de dívida exclusivo da DCTF.  Por  fim, conclui pelo não acolhimento da manifestação de  inconformidade por  não  ter  sido demonstrada a  certeza  e  liquidez do direito creditório do manifestante,  requisito  indispensável para que o seu pleito fosse acatado.  O  contribuinte  tomou  ciência  dessa  decisão  em  23.10.2014  por  meio  de  correspondência  registrada,  (fl.  54),  tendo  protocolado  o  presente  Recurso  Voluntário  em  19.11.2014.  Em suas razões de recuso, o sujeito passivo ratifica as razões da manifestação de  inconformidade,  invocando  em  sua  defesa  o  princípio  da  verdade  material,  segundo  o  qual  devem  prevalecer,  no  presente  caso,  as  informações  prestadas  na  DACON,  enquanto  instrumento  hábil  para  a  demonstração  e  controle  de  todas  as  operações  que  influenciam  na  apuração do valor devido a título de COFINS e contribuição ao PIS.  Em  fase  recursal,  o  contribuinte  anexou  documentos  de  identificação  e  legitimidade  dos  recorrentes,  razão  contábil  da  conta  COFINS  a  recuperar,  bem  como  nova  cópia da mesma DACON juntada por ocasião da Manifestação de Inconformidade.  É o relatório.  Fl. 101DF CARF MF Processo nº 15374.948537/2009­28  Resolução nº  3002­000.001  S3­C0T2  Fl. 102          4 Voto  Conselheiro Diego Weis Junior, Relator  O Recurso Voluntário é  tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de  admissibilidade.  No  caso  em  análise,  o  contribuinte  confessou,  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  ter  cometido  equívoco  no  preenchimento  da DCTF do  1º  semestre de  2005  enviada originalmente, onde informou como valor devido a título de COFINS referente ao mês  de  março/2005  o  montante  de  R$9.396,57,  quando  o  correto  seria  não  ter  informado  saldo  devedor desta contribuição para tal mês, haja vista que os débitos do período foram totalmente  compensados com créditos oriundos da aquisição de insumos.  Para comprovar sua alegação, o contribuinte trouxe aos autos, juntamente com a  Manifestação  de  Inconformidade,  cópia  das  fichas  13  e 17B da DACON  relativa  ao mesmo  período, transmitida em 27.09.2005, ou seja, dentro do prazo regulamentar de envio e anterior  a qualquer procedimento por parte do fisco em relação à declaração de compensação em tela.  A DACON carreada aos autos evidencia que o crédito utilizado na compensação  em apreço, advém de saldo credor de meses anteriores.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  não  determinou  análise  da  veracidade  dos  dados  constantes  da  DACON,  limitando­se  apenas  a  informar,  na  única  passagem do voto que faz menção a tal demonstrativo, que  ...embora o citado demonstrativo haja sido instituído pela IN SRF 387  de 20/01/2004, para fins de o Sujeito Passivo manter controle de todas  as  operações  que  influenciem  a  apuração  do  valor  devido  das  Contribuições ao PIS e COFINS, prevalece o conceito de confissão de  dívida exclusivo da DCTF.  Ao  afirmar  que  a  DACON  foi  instituída  para  fins  de  que  o  sujeito  passivo  mantenha o controle de todas as operações que influenciem na apuração das contribuições ao  PIS  e  à  COFINS,  poderia  a  DRJ,  consoante  ao  disposto  no  art.  29  do  DEL  70.235/72,  ter  determinado  diligências  a  fim  de  certificar  a  exatidão  dos  dados  constantes  de  tal  demonstrativo,  em  especial  a  existência  do  saldo  credor  de meses  anteriores,  utilizado  pelo  contribuinte no período de apuração em discussão nestes autos.  A  recorrente, por seu  turno,  já em  fase  recursal,  anexou ao PAF:  a)  cópias do  razão contábil das contas "Cofins a Recuperar ­ Não Cumulativo", "Cofins a Recuperar (Pg. a  maior)"  e  "Cofins  ­  Cód.  5856  ­  Não  Cumulativo";  b)  nova  cópia  da  mesma  DACON  apresentada  juntamente  com  a  Manifestação  de  Inconformidade,  evidenciando  que  tal  demonstrativo permaneceu sem alterações durante todo o período da lide.  Assim,  tendo  em  vista:  a)  a  falta  de  verificação,  pela  autoridade  fiscal  e  pelo  julgador  de  primeira  instância,  dos  créditos  de  períodos  anteriores  constantes  da  DACON  apresentada  como  prova  pelo  contribuinte  em  momento  oportuno;  b)  os  documentos  apresentados  pelo  recorrente  em  seu  último  ato  neste  processo,  que  reforçam  o  contido  na  DACON em  comento, mas  ainda  não  são  suficientes,  por  si  só,  para  comprovar  a  certeza  e  liquidez do crédito utilizado; c) O princípio da verdade material, que deve orientar as ações do  julgador  administrativo  no  sentido  buscar  a  decisão  que melhor  se  coaduna  à  realidade  dos  Fl. 102DF CARF MF Processo nº 15374.948537/2009­28  Resolução nº  3002­000.001  S3­C0T2  Fl. 103          5 fatos,  não  merece  prosperar  a  alegação  de  que  deve  prevalecer  o  conceito  de  confissão  de  dívida  exclusivo  da DCTF  original,  em  detrimento  da  apuração  detalhada  e  controlada  pela  DACON e dos outros elementos constantes dos autos.  Diante de todo o exposto, VOTO por converter o julgamento em diligência, para  que  a  unidade  da  RFB  de  origem:  a)  Intime  o  contribuinte  à  apresentação  de  documentos  hábeis e idôneos, que possam comprovar a certeza e liquidez do crédito escritural de COFINS,  declarado  nas  DACONs  apresentadas  nestes  autos,  inclusive  no  que  diz  respeito  ao  crédito  remanescente do ano de 2004, elaborando parecer conclusivo sobre sua existência, ou não; b)  Intime o contribuinte quanto ao teor do relatório da diligência para, querendo, manifestar­se no  prazo legal, retornando, por fim, os autos ao CARF para julgamento.  Diego Weis Junior ­ Relator  Fl. 103DF CARF MF

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Numero do processo: 12965.000012/2007-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrada a não apropriação em períodos anteriores, o crédito apurado em face da não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes. GASTOS COM FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. É cabível a apropriação de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo desse serviço, suportado pela adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou destinado, mas somente quando não há restrição ao aproveitamento do crédito da contribuição na aquisição do bem transportado. A pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação a bens ou a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Não se vislumbra a hipótese de o frete anterior ao processo produtivo ser considerado como um "serviço utilizado como insumo" na "produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". O creditamento relativo ao custo do frete na aquisição de bens utilizados como insumo ou destinados a revenda não está expressamente previsto na lei, sendo possível somente em decorrência de uma interpretação quanto ao valor da base de cálculo do crédito relativamente ao referido bem, no qual se incluiria o valor das referidas despesas de transporte, de forma que só há o direito ao creditamento relativo ao valor do frete quando também há esse direito para o bem transportado. Como as aquisições de bens de pessoas físicas não geram direito ao crédito da Cofins em face da restrição disposta no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, também não há possibilidade de aproveitamento relativo ao valor do frete nesta aquisição. Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-004.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório de Cofins relativamente às despesas de frete objeto dos Conhecimentos de Carga (CRTC) nºs 7764, 7790, 7867 e 7909, determinando à Unidade de Origem que proceda à compensação no montante correspondente. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que negava provimento ao Recurso. Pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao Recurso quanto às despesas de frete nas aquisições de bens de pessoas físicas. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que davam provimento nessa parte. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrada a não apropriação em períodos anteriores, o crédito apurado em face da não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes. GASTOS COM FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. É cabível a apropriação de crédito das contribuições não cumulativas sobre os fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo desse serviço, suportado pela adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou destinado, mas somente quando não há restrição ao aproveitamento do crédito da contribuição na aquisição do bem transportado. A pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação a bens ou a serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Não se vislumbra a hipótese de o frete anterior ao processo produtivo ser considerado como um "serviço utilizado como insumo" na "produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda". O creditamento relativo ao custo do frete na aquisição de bens utilizados como insumo ou destinados a revenda não está expressamente previsto na lei, sendo possível somente em decorrência de uma interpretação quanto ao valor da base de cálculo do crédito relativamente ao referido bem, no qual se incluiria o valor das referidas despesas de transporte, de forma que só há o direito ao creditamento relativo ao valor do frete quando também há esse direito para o bem transportado. Como as aquisições de bens de pessoas físicas não geram direito ao crédito da Cofins em face da restrição disposta no art. 3º, §3º, inciso I da Lei nº 10.833/2003, também não há possibilidade de aproveitamento relativo ao valor do frete nesta aquisição. Recurso Voluntário provido em parte

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório de Cofins relativamente às despesas de frete objeto dos Conhecimentos de Carga (CRTC) nºs 7764, 7790, 7867 e 7909, determinando à Unidade de Origem que proceda à compensação no montante correspondente. Vencido o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que negava provimento ao Recurso. Pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao Recurso quanto às despesas de frete nas aquisições de bens de pessoas físicas. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto, que davam provimento nessa parte. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2139; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 1.331          1 1.330  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  12965.000012/2007­08  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­004.931  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de fevereiro de 2018  Matéria  Ressarcimento ­ Cofins   Recorrente  BOURBON SPECIALTY COFFEES LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  EXTEMPORÂNEO.  APROVEITAMENTO.  Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo  e demonstrada  a não  apropriação em períodos  anteriores,  o  crédito  apurado  em  face  da  não  cumulatividade  do  PIS  e  Cofins  pode  ser  aproveitado  nos  meses seguintes.  GASTOS  COM  FRETE.  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS.  APROPRIAÇÃO  DE CRÉDITO.   É cabível a apropriação de crédito das contribuições não cumulativas sobre os  fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo desse serviço, suportado pela  adquirente,  é  apropriado  ao  custo  de  aquisição  de  um  bem  utilizado  como  insumo  ou  destinado,  mas  somente  quando  não  há  restrição  ao  aproveitamento do crédito da contribuição na aquisição do bem transportado.  A pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação a bens ou a  serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda.   Não  se  vislumbra  a  hipótese  de  o  frete  anterior  ao  processo  produtivo  ser  considerado  como  um  "serviço  utilizado  como  insumo"  na  "produção  ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda".  O  creditamento  relativo  ao  custo  do  frete  na  aquisição  de  bens  utilizados  como insumo ou destinados a revenda não está expressamente previsto na lei,  sendo possível somente em decorrência de uma interpretação quanto ao valor  da  base  de  cálculo  do  crédito  relativamente  ao  referido  bem,  no  qual  se  incluiria o valor das  referidas despesas de  transporte, de  forma que só há o  direito  ao  creditamento  relativo  ao  valor  do  frete  quando  também  há  esse  direito para o bem transportado.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 5. 00 00 12 /2 00 7- 08 Fl. 1331DF CARF MF     2 Como as aquisições de bens de pessoas físicas não geram direito ao crédito  da  Cofins  em  face  da  restrição  disposta  no  art.  3º,  §3º,  inciso  I  da  Lei  nº  10.833/2003,  também  não  há  possibilidade  de  aproveitamento  relativo  ao  valor do frete nesta aquisição.   Recurso Voluntário provido em parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório de Cofins relativamente às  despesas de frete objeto dos Conhecimentos de Carga (CRTC) nºs 7764, 7790, 7867 e 7909,  determinando à Unidade de Origem que proceda à compensação no montante correspondente.  Vencido  o Conselheiro  Jorge Olmiro  Lock  Freire,  que  negava  provimento  ao Recurso.  Pelo  voto de qualidade, negou­se provimento ao Recurso quanto às despesas de frete nas aquisições  de bens de pessoas físicas. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis  Galkowicz,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne  e  Carlos  Augusto  Daniel  Neto,  que  davam  provimento nessa parte.  (assinado digitalmente)  Jorge Olmiro Lock Freire ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Maria Aparecida Martins de Paula ­ Relatora  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Jorge  Olmiro  Lock  Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais  De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto  Daniel Neto.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento  em Juiz de Fora,  que  julgou parcialmente procedente  a manifestação de  inconformidade da  contribuinte, cuja ementa segue abaixo:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA   Ano­calendário: 2006   CRÉDITO. COFINS.   No pedido de ressarcimento só pode ser incluído as aquisições e  demais insumos relativos ao próprio trimestre.  Constatado  que  a  aquisição  refere­se  a  insumos como definido  na  legislação  de  regência,  o  crédito  a  ela  relativo,  há  que  ser  reconhecido.  Só gera crédito, o frete pago em relação a operação de venda.  Solicitação Deferida em Parte  Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 12965.000012/2007­08  Acórdão n.º 3402­004.931  S3­C4T2  Fl. 1.332          3 A contribuinte transmitiu Pedido de Ressarcimento de crédito de Cofins não  cumulativa, no valor de R$ 179.643,64, sobre receitas de exportação, relativo ao 4º trimestre de  2006.  Posteriormente  transmitiu  outras  DCOMPs  visando  compensar  os  débitos  nelas  declarados, com o crédito acima citado. Essas declarações foram selecionadas para tratamento  manual por meio do presente processo.  A  DRF­Poços  de  Caldas/MG  emitiu  Despacho  Decisório  n°  443/2008,  mediante  o  qual  reconheceu  o  direito  creditório  no  valor  de  R$  161.830,73  e  homologou  parcialmente as compensações pleiteadas, nesses termos:  (...)  18. Desta forma intimamos o contribuinte (intimação 198/2008)  a  apresentar  cópia  das  notas  de  compras  de  bens  utilizados  como  insumos  nos  meses  de  out,  nov  e  dez/2006  bem  como  a  confirmação de pagamento de NF acima de R$ 1.000,00.  19. Da análise da documentação apresentada pela contribuinte,  conforme  planilhas  de  folhas  712  a  729,  constatamos  notas  fiscais  de  períodos  de  apuração  ago/2006  e  set/2006,  e  notas  fiscais,  constantes  das  planilhas  de  excel  apresentadas  pelo  contribuinte,  cuja  cópia  não  foi  apresentada am atendimento  à  intimação 198/2008, e notas  fiscais de produtos não  insumo do  bem de venda (café).  20.  Com  base  nas  planilhas  de  excel  apresentadas  pelo  contribuinte,  foi  elaborada  uma  nova  planilha,  pelo  Fisco  (fls  712  a  729),  onde  foi  acrescida  uma  coluna  a  estas  planilhas  (última coluna de cada planilha) discriminando, nota  fiscal por  nota  fiscal,  o  valor  aproveitado  destas  como  base  de  cálculo  para apuração dos créditos de COFINS, bem como aquelas em  que não houve aproveitamento de crédito pelos motivos descritos  no item acima.  21. Nestas verificações constamos que todas as aquisições e seus  respectivos pagamentos foram comprovados pelo contribuinte.  CONCLUSÃO   22.  Da  análise  feita  conforme  acima,  proponho  o  reconhecimento do seguinte valor, indicado na tabela 01 abaixo,  para créditos de COFINS não cumulativo exportação, para o 4º  trim/2006  passível  de  ressarcimento  e  a  homologação  da  declaração de compensação, até o limite deste crédito, conforme  tabela 02 abaixo:    (...)  Fl. 1333DF CARF MF     4 A  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade,  alegando,  em  síntese, conforme consta na decisão recorrida:  a)  as  notas  fiscais  de  agosto  e  setembro  de  2006  que  foram  glosadas,  deram  entrada  e  foram  registradas  em  outubro  de  2006;  b)  a  nota  fiscal  n°  3.455,  refere­se  a  compra  de  "caixas  café  premiado  spress 250g mais  "hot  dourado", que abrigam o  café  pronto para a revenda, portanto geram crédito;  c) a nota fiscal 11.621, foi glosada por falta de confirmação de  pagamento.  Porém  tal  pagamento  consta  da  contabilidade  da  empresa;  d) as notas fiscais que, segundo o fisco não foram apresentadas,  são as de n°27015, 2414, 2413, 2412, 2411, 2407, 7867, 7909,  19806,  10395,  10402,  10403,  10404,  10405,  10415,  19823,  19822,  19821,  7955  e  10451,  que  referem­se  ao  transporte  de  bens  para  serem  utilizados  como  insumos  na  fabricação  de  produtos destinados a venda, e encontram­se em anexo;  e) os conhecimentos de transportes de n° 2407, 2411, 2412, 2413  e 2414, da Empresa de Transportes Ramos, tratam­se de frete de  café pagos na condição de consignatária da mercadoria;  A Delegacia de Julgamento, após a diligência solicitada, acatou parcialmente  os argumentos da manifestante, sob os seguintes fundamentos:  ­ O pedido de ressarcimento do crédito deve se restringir ao trimestre, não podendo  nele  serem  incluídas  aquisições  de  outros  períodos.  Assim,  o  crédito  relativo  às  notas  fiscais  relacionadas  na  planilha  de  fl.  875,  que  foram  emitidas  nos meses  de  agosto  e  setembro  de  2006  e  deram entrada na empresa no mês de setembro/2006, não pode ser reconhecido à manifestante.  ­ A empresa faz jus ao crédito  relativo à nota  fiscal n° 3455, visto que refere­se a  compra de "caixas café premiado spress 250g mais  "hot dourado"; que abrigam o café pronto para a  revenda,  que  se  constituem  em  material  de  embalagem,  portanto,  devem  ser  considerados  como  insumos.  ­  Em  função  da  informação  da  autoridade  administrativa  na  diligência,  o  crédito  referente à nota fiscal de n° 11.621, também deve ser reconhecido.  ­ Com  relação  aos  conhecimentos  de  transporte  juntados,  que  foram  glosados  por  não terem sido apresentados quando solicitados, a contribuinte não faz jus ao crédito, pois, ou eles se  encontram relacionados na planilha fl. 875, ou são relativos a frete em operação de compra, o que não é  contemplado pelo inciso IX do caput do artigo 3° da Lei 10.833/2003.  A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância  por via postal em 03/07/2009.  Em 22/07/2009,  a contribuinte  apresentou Recurso Voluntário  ao Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando, em síntese:  1. Sobre as notas fiscais do período de apuração de agosto e setembro de 2006  ­  O  art.  21  da  Instrução  Normativa  600/2005  não  veda  o  aproveitamento  em  trimestre posterior de crédito apurado em período anterior. Muito antes pelo contrário, o que a Instrução  veda  é  a  realização da compensação antes do  encerramento do  trimestre­calendário  a que se  refere o  crédito  ( 6°). No presente caso, os meses  (agosto e setembro) em que foram emitidas as notas fiscais  cujos valores foram glosados são imediatamente anterior (e não posterior) ao trimestre­calendário a que  o crédito se refere, pelo que não há óbice ao aproveitamento desses valores.  Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 12965.000012/2007­08  Acórdão n.º 3402­004.931  S3­C4T2  Fl. 1.333          5 ­ E mesmo que assim não fosse, as notas fiscais que o Fisco alega ser de período de  apuração  de  agosto  e  setembro  de  2006  foram  registradas  no  mês  de  outubro,  dentro,  portanto,  do  período em que se deu o crédito pleiteado. Nesse contexto, ressalte­se que o parâmetro a ser usado para  dirimir eventual dúvida em relação à possibilidade de aproveitamento de crédito em mês subseqüente  deve ser a lei, e esta é clara: "Art. 3º (...) § 4° O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­ lo nos meses subseqüentes." (Leis 10.637/02 e 10.833/03)  ­ Com efeito, instrução normativa, cuja função é orientar a aplicação de determinada  lei, não pode inovar para restringir o que a lei não restringe, mormente para suprimir direito, sob pena  de incorrer em ilegalidade e ter prejudicada sua eficácia.  2. Dos créditos referentes a transporte em operação de compra  ­ Os fretes de compras compõem o "custo de aquisição". Por essa razão, é suscetível  de gerar o crédito, não pelo inciso IX do artigo 3° das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, mas pelo inciso  II desse mesmo artigo.  ­  Com  efeito,  de  acordo  com  o  art.  289  e  290  do  RIR/99,  compõe  o  custo  de  aquisição de mercadorias, bem como o custo de produção, (i) o custo das matérias­prima; (ii) o custo do  transporte e do seguro até o estabelecimento do contribuinte; (iii) os  tributos devidos na aquisição ou  importação quando não recuperáveis e (iv) quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos  na produção.  ­  Portanto,  os  gastos  com  fretes  na  aquisição  compõem  o  preço  de  aquisição  e  podem, nos termos do inciso II do art. 30 das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, gerar créditos de PIS e  de  COFINS  não  cumulativos.  A  própria  Receita  Federal  do  Brasil  compartilha  desse  entendimento,  conforme manifestado em inúmeras soluções de consulta.  Mediante a Resolução nº 3402­000.857– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de  15 de dezembro de 2016, este Colegiado resolveu converteu o julgamento em diligência, nos  seguintes termos:  (...)  1.  Sobre  as  notas  fiscais  do  período  de  apuração  de  agosto  e  setembro de 2006   Consta  nos  autos  que  foram  glosados,  por  se  referirem  ao  período de apuração de agosto e setembro de 2006, os créditos  relativos as seguintes notas fiscais:  (...)  Não  obstante  a  legitimidade  do  entendimento  da  autoridade  fiscal  e  do  julgador  de  primeira  instância  de  vedar  o  aproveitamento  de  créditos  extemporâneos  na  forma  pleiteada  pela  contribuinte  em  face  do  disposto  em  Instrução Normativa  da Receita  Federal,  há  precedentes  neste CARF  (Acordãos  nºs  3401­001.577, 3402­002.603 e 3403­002.717) no sentido de que  algumas  formalidades  exigidas para o pedido de  ressarcimento  desse  crédito  podem  ser  relevadas  quando  seja  cabalmente  demonstrada  a  ausência  de  seu  aproveitamento  em  outros  períodos.  Embora seja  incumbência da própria contribuinte comprovar o  direito creditório alegado, no caso, também que não há o duplo  aproveitamento dos créditos extemporâneos, há que se ponderar  que  a  fiscalização  também  não  direcionou  a  fiscalização  nesse  sentido  em  face  da  restrição  disposta  em  Instrução Normativa.  Assim,  entendo  que  trará maior  equilíbrio  entre  as  partes  sob  litígio  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  que  seja  Fl. 1335DF CARF MF     6 oferecida oportunidade à  recorrente para  comprovar perante a  fiscalização que  as  notas  fiscais  glosadas,  relativas ao  período  de agosto e setembro de 2006, não foram objeto de creditamento  no 3º trimestre de 2006.  2. Dos créditos referentes a transporte em operação de compra   Também  em  relação  ao  transporte,  há  também  entendimento  neste CARF no sentido de se admitir a tomada de créditos sobre  despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do  serviço,  suportado  pelo  adquirente,  é  apropriado  ao  custo  de  aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para  revenda. Assim,  resguardando eventual  julgamento  futuro deste  Colegiado nesse  sentido, há de  ser aproveitada a oportunidade  da diligência para tal averiguação pela fiscalização.  Assim,  pelo  exposto,  com  fundamento  no art.  18 do Decreto  nº  70.235/72,  voto  no  sentido  de  converter  o  julgamento  em  diligência para solicitar a DRFPoços de Caldas/MG que:  a)  Intime  a  recorrente  a  apresentar  os  documentos  fiscais,  declarações,  demonstrativos  e  lançamentos  contábeis  correspondentes que comprovem que não houve o creditamento  no  3º  trimestre  de  2006  relativo  às  notas  fiscais do período  de  apuração  de  agosto  e  setembro  de  2006  glosadas  pela  fiscalização,  bem  como  que,  relevando  a  questão  da  extemporaneidade,  tais aquisições dariam direito ao  crédito da  contribuição;   b)  Na  ocasião,  ofereça  oportunidade  à  recorrente  para  comprovar  que  as  despesas  de  transporte  glosadas  se  enquadrariam  como  fretes  pagos  a  pessoas  jurídicas  quando  o  custo  do  serviço,  suportado  pela  adquirente,  é  apropriado  ao  custo de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um  bem para revenda.  c)  Analise  a  documentação  acostada  pela  recorrente  e  emita  parecer conclusivo sobre a  sua potencialidade para  comprovar  as hipóteses descritas nos itens a) e b) acima.  d)  Cientifique  a  recorrente  do  resultado  da  diligência,  concedendo­lhe  o  prazo  de  30  (trinta)  dias  para manifestação,  nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011.  (...)  Mediante  o  TERMO  FINAL  DE  DILIGÊNCIA  SAORT  Nº  115/2017,  a  fiscalização  prestou  as  suas  informações,  concluindo  que  "os  documentos  relacionados  na  planilha de fl. 910 são extemporâneos ao 4º trimestre de 2006 e não deve ser reconhecido o  crédito a eles correspondente".   Salientou  também  a  fiscalização  na  diligência  que  "A  empresa  apresentou  destaque  nos  extratos  do  Livro  Registro  de  Entradas  para  os  CTRCs  10395,  10402,  10403,  10404,  10405,  10415  e  10451  da  empresa  “Antonio  Renato  Carvalho  ME”,  CNPJ  21.782.545/0001­77  (fl.  1.124),  entretanto  esses  conhecimentos  não  foram  apontados  na  planilha de glosa de créditos (fl. 910)".  Em  sua  manifestação,  sustentou  a  recorrente,  em  síntese,  que:  i)  o  Dacon  juntado comprova que as notas fiscais extemporâneas não compuseram a apuração dos créditos  de períodos anteriores ao 4º trimestre de 2006; ii) em nome da verdade material, o que se deve  perquirir no caso é a existência/regularidade do crédito, o que não foi questionado pelo Fisco.  Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 12965.000012/2007­08  Acórdão n.º 3402­004.931  S3­C4T2  Fl. 1.334          7 É o relatório.  Voto             Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora  Atendidos também aos requisitos de admissibilidade,  toma­se conhecimento  do recurso voluntário.  Ao que parece, em face da  redação da Resolução que permitia a dubiedade  interpretativa  em  virtude  dos  dois  significados  do  verbo  "relevar"1  (1  –  dar  relevo  a;  tornar  saliente;  fazer  sobressair;  2  –  dar  alívio  a;  atenuar,  consolar),  houve  a  interpretação  pela  Unidade preparadora  no  sentido  não  desejado  pelo Colegiado,  de  forma que  a  diligência  foi  direcionada  no  sentido  de  dar  ênfase  a  extemporaneidade  e  não  analisar  o  mérito  o  direito  creditório,  quando  o  que  se  desejava  era  que  se  analisasse  o  mérito  independentemente  da  extemporaneidade.  Não  obstante  isso,  os  elementos  que  já  constam  nos  autos  possibilitam  a  análise do recurso voluntário neste momento.  Após  o  julgamento  de  primeira  instância,  remanesceram  ainda  as  glosas  relativas aos créditos das notas fiscais abaixo, por se tratarem de créditos extemporâneos:                                                              1  https://ciberduvidas.iscte­iul.pt/consultorio/perguntas/o­verbo­relevar­e­a­forma­irrelevar/16689  ­  Acesso  em  11/01/2018    O verbo «relevar»  tem, dentre outras, as seguintes acepções, de acordo com o Houaiss: 1 – dar  relevo a;  tornar  saliente; fazer sobressair; 2 – dar alívio a; atenuar, consolar. Insta assinalar que todos os demais léxicos contêm os  sentidos  em  referência. Depreende­se  que  as  acepções  são  antitéticas,  e,  dependendo  da  frase  em  que  o  verbo  estiver inserido, decerto causará perplexidade em leitores, interlocutores etc., dificultando­lhes a escorreita, ou, na  melhor  das  hipóteses,  imediata  intelecção.  A  título  de  exemplo,  na  frase  «você  deveria  relevar  as  atitudes  impensadas de fulano», o sentido tanto pode ser de «dar importância» como o de «não dar importância». Por outro  lado,  o  adjetivo  «relevante»  significa  «importante»,  não  encerrando  a  antítese  apontada,  sendo  seu  antônimo  o  verbete «irrelevante».  (...)  Luiz Fernando Stamile Racco Brasil   Concordamos  com  todas  as  observações  feitas  ao  uso  do  verbo  relevar.  O  verbo  latino  ‘relevare’  significa:  «erguer;  aliviar  a  fome ou a  sede;  repousar;  recrear;  dissipar os  cuidados  ou os  receios». Como  vemos, possui  diversos  significados.  «Dissipar»  é o  caminho para o  actual  significado de:  «tornar  irrelevante». Consideramos  igualmente que a frase «Você deveria relevar as atitudes impensadas de fulano» é ambígua. Devemos, portanto,  evitar esta frase e substituir esta construção por outra que seja mais esclarecedora neste contexto.  (...)  A. Tavares Louro 22 de dezembro de 2005    Fl. 1337DF CARF MF     8   Tendo  em  vista  a  comprovação  pela  recorrente  de  que  não  houve  o  aproveitamento  das  notas  fiscais  extemporâneas  em  períodos  anteriores  ao  4º  trimestre  de  2006, entendo, na esteira dos julgados cujas ementas se transcrevem abaixo, como já adiantado  por  ocasião  da  conversão  do  julgamento  em  diligência,  que  deve  ser  analisado  o mérito  do  direito creditório:  Acórdão nº 3401­001.577  (...)  NÃO  CUMULATIVIDADE.  CRÉDITO.  APROVEITAMENTO  EXTEMPORÂNEO.  DESNECESSIDADE  DE  PRÉVIA  RETIFICAÇÃO DO DACON.  Desde  que  respeitado  o  prazo  de  cinco  anos  a  contar  da  aquisição do  insumo, o crédito apurado não cumulatividade do  PIS  e  Cofins  pode  ser  aproveitado  nos  meses  seguintes,  sem  necessidade  prévia  retificação  do  Dacon  por  parte  do  contribuinte.  (...)    Acórdão nº 3402­002.603  (...)  CREDITAMENTO  EXTEMPORÂNEO.  DACON.  RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO.  Para  utilização  de  créditos  extemporâneos,  é  necessário  que  reste  configurada  a  não  utilização  em  períodos  anteriores,  mediante  retificação  das  declarações  correspondentes,  ou  apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização.  (...)  Observa­se,  no  entanto,  que  grande  parte  dos  créditos  glosados  por  serem  extemporâneos, trata­se de frete na aquisição de café de pessoas físicas, o que não gera direito  ao  crédito  básico  como  insumo  e  também,  como  se  demonstra  abaixo,  não  há  direito  ao  creditamento da despesa com o frete respectivo.  Aproveito os fundamentos expostos em voto proferido no Acórdão nº 3402­ 004.008 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 25 de abril de 2017, que restou vencido por este  Colegiado  em  outra  composição,  no  qual  se  sustentou  que,  na  hipótese  de  fretes  pagos  a  pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pela adquirente, é apropriado ao custo  de  aquisição  de  um  bem  utilizado  como  insumo  ou  de  um  bem  para  revenda,  o  seu  creditamento  depende  da  possibilidade  de  aproveitamento  do  crédito  do  respectivo  insumo,  nestes termos:   (...)  Analisemos  agora  a  eventual  aplicação  do  art.  3º,  inciso  II  da  Lei nº 10.833/2003, o qual dispõe:  Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2ª a pessoa jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  (...)  Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 12965.000012/2007­08  Acórdão n.º 3402­004.931  S3­C4T2  Fl. 1.335          9 II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em  relação  ao  pagamento  de  que  trata  o  art.  2o  da  Lei  no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  devido  pelo  fabricante  ou  importador,  ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi;   (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  (...)  § 3o O direito ao crédito aplica­se, exclusivamente, em relação:  I ­ aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada  no País;    II  ­  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa jurídica domiciliada no País;    III  ­  aos  bens  e  serviços  adquiridos  e  aos  custos  e  despesas  incorridos  a  partir  do  mês  em  que  se  iniciar  a  aplicação  do  disposto nesta Lei.  (...) [negritei]   Como  visto  acima,  as  despesas  sob  análise  foram  incorridas  após o desembaraço aduaneiro relativamente ao armazenamento  de  matéria­prima  importada,  bem  como  ao  transporte  de  insumos  importados  em  depósitos  de  terceiros  até  o  estabelecimento fabril da contribuinte.  Com se sabe o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 trata do  creditamento  relativo  a  um  bem  ou  a  um  serviço  que  seja  utilizado como insumo. Vejamos primeiro a hipótese de "serviço  utilizado  como  insumo".  Poderiam  o  frete  e  o  armazenamento  das  matérias­primas  mencionados  ser  considerados  como  "serviços utilizados  como  insumo"  na  "produção ou  fabricação  de bens ou produtos destinados à venda"? Entendo que não.  Em que pese o CARF não adotar a  interpretação restritiva das  Instruções  Normativas  no  conceito  de  insumo,  é  certo  que  o  inciso  II  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.833/2003  não  abriga  o  creditamento  de  serviços  utilizados  em  etapas  que  não  possam  ser  consideradas  como  "produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda".  Os  referidos  serviços  são  aplicados  somente  nos  próprios  insumos,  que  já  foram  importados  prontos  e  acabados  na  condição  de  insumos,  de  forma que  não  se  poderia  considerar como algo  relacionado a  produção ou  fabricação anterior  desses  insumos,  além disso,  o  dispositivo  legal  exige  que  a  produção  ou  fabricação  seja  de  "bens ou produtos destinados a venda" pela contribuinte, o que  não é o caso.  Analisemos  agora  a  possibilidade  de  creditamento  dessas  despesas  com  frete  e  armazenamento  em  relação  ao  "bem  utilizado como insumo".  Há construção jurisprudencial no CARF no sentido de admitir o  desconto  de  créditos,  no  que  concerne  ao  frete  relativos  aos  insumos,  em  relação  aos  bens  utilizados  como  insumo  e  aos  bens para revenda, relativamente às despesas de fretes pagos a  pessoas  jurídicas  quando  o  custo  do  serviço,  suportado  pelo  adquirente,  é  apropriado  ao  custo  de  aquisição  de  um  bem  utilizado  como  insumo  (inciso  II  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.833/2003) ou de um bem para revenda (inciso I).  Fl. 1339DF CARF MF     10 Entretanto,  importante  dizer  que  o  creditamento  relativo  ao  custo  do  frete  apropriado  ao  valor  do  bem  utilizado  como  insumo  está  condicionado  à  possibilidade  de  creditamento  em  relação  a  tal  bem,  não  se  olvidando  que  nesta  parte  do  raciocínio se lida com o "bem utilizado como insumo", e não do  "serviço  utilizado  como  insumo".  Assim,  quando  não  há  autorização  legal  para  o  creditamento  de  "bem utilizado  como  insumo", como por exemplo, nas hipóteses descritas nos §2º do  art.  3º  da Lei nº 10.833/2003,  também não  se pode conceder o  creditamento relativo ao valor do frete que integraria o preço de  aquisição desse bem.  Não  se  trata  de  estabelecer  restrições  não  previstas  em  lei,  condicionando o creditamento do valor do frete à possibilidade  de creditamento do bem, como afirmam alguns, mas da correta  interpretação do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 no que concerne  ao  direito  do  creditamento  relativo  "bem  utilizado  como  insumo",  cujo  custo  de  aquisição  engloba  o  valor  do  frete  suportado pelo adquirente. Não se poderia  iniciar o argumento  sob  o  pressuposto  de  creditamento  do  "bem  utilizado  como  insumo"  para  concluir  o  raciocínio  no  sentido  de  que  tais  despesas seriam na verdade "serviços utilizados como insumo".  Melhor dizendo, nessa situação, o creditamento relativo ao custo  do frete não está expressamente previsto na Lei, mas somente é  possível  em decorrência  de  uma  interpretação quanto  ao  valor  da  base  de  cálculo  do  crédito  relativamente  ao  "bem  utilizado  como  insumo",  no  qual  se  incluiria  o  valor  das  referidas  despesas,  pois,  como  visto  mais  acima,  não  se  vislumbra  a  hipótese  de  o  frete  anterior  ao  processo  produtivo  ser  considerado  como  um  "serviço  utilizado  como  insumo"  na  "produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda".  Com  efeito,  no  caso  concreto,  relacionado  ao  frete  e  armazenamento  de  insumos  importados  após  o  desembaraço,  sem  analisar  se  efetivamente  o  custo  dos  serviços  foram  suportados  pelo  adquirente  e  foram  apropriados  ao  custo  do  bem  utilizado  como  insumo,  já  se  descarta  a  hipótese  de  creditamento do valor do frete e do armazenamento juntamente  com  o  valor  do  bem  considerado  insumo,  em  face  da  vedação  que  consta  no  art.  3º,  §3º,  I  da  Lei  nº  10.833/2003,  eis  que  os  bens  são  importados,  não  tendo  sido  adquiridos  de  pessoa  jurídica domiciliada no País.  Assim,  sob  qualquer  ponto  de  vista,  não  há  que  se  falar  em  creditamento das despesas  relativas a  frete e a armazenamento  realizadas  após  o  desembaraço  aduaneiro  pela  contribuinte.  Embora haja realmente, como afirmado pela recorrente, muitas  decisões  administrativas  que  entendem  pela  possibilidade  de  tomada  de  crédito  das  despesas  de  frete,  há  que  se  perquirir  sobre qual sua natureza específica para se analisar o direito de  creditamento em face do processo produtivo da contribuinte.  A  propósito,  em  situação  semelhante  ao  presente  caso,  foi  decidido no mesmo sentido do proposto acima por unanimidade  de  votos  daquele  Colegiado,  sob  a  relatoria  do  Ilustre  José  Fernandes do Nascimento, conforme ementa abaixo:  Acórdão  nº  3302003.212– 3ª  Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária  Sessão de 16 de maio de 2016   Matéria PIS RESTITUIÇÃO   Relator: José Fernandes do Nascimento   Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 12965.000012/2007­08  Acórdão n.º 3402­004.931  S3­C4T2  Fl. 1.336          11 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007   PRODUTO  SEM  DIREITO  A  CRÉDITO.  GASTOS  COM  FRETE.  CUSTO  DE  AQUISIÇÃO.  DIREITO  DE  APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.  Se  para  o  produto  transportado  (mercadorias  adquiridas  de  pessoas físicas, mercadorias adquiridas com o fim específico de  exportação  etc)  é  vedado  o  direito  de  dedução  do  crédito  da  Contribuição para o PIS/Pasep, pelo mesmo motivo, tal vedação  também se estende aos gastos como frete relativos à operação de  transporte  dos  referidos  produtos,  que  a  eles  se  agregam  como  custo de produção.  (...)  Da mesma  forma,  no  presente  caso,  considerando­se  que  as  aquisições  de  pessoas físicas não geram direito ao crédito em face da restrição do art. 3º, §3º, inciso I da Lei  nº  10.833/2003,  também  não  há  possibilidade  de  aproveitamento  do  frete  relativo  a  esta  aquisição.   Como dito, nessa situação, o creditamento relativo ao custo do frete não está  expressamente previsto na Lei, mas somente é possível em decorrência de uma  interpretação  quanto ao valor da base de cálculo do crédito relativamente ao "bem utilizado como insumo",  no qual se incluiria o valor das referidas despesas, pois não se vislumbra a hipótese de o frete  anterior ao processo produtivo ser considerado como um "serviço utilizado como insumo" na  "produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda".  Assim, entendo que não cabe o aproveitamento de crédito sobre as despesas  de  frete  relativas aos CTRC's mencionados nos  itens  (3) e  (5) do Termo Final de Diligência  Saort nº 115/2017, abaixo transcritos, por se tratarem de aquisições de pessoas físicas:   (3) CTRC s 27015 (fl. 326 ), 2414 (fl. 327), 2413 (fl. 328), 2412  (fl. 329), 2411 (fl. 330) e 2407 (fl. 331)  •  Consta  aposição  de  carimbo  do  Departamento  Fiscal  da  Bourbon  com  data  de  entrada  de  05/09/2006  em  todos  os  CTRCs;  • As  NFs  vinculadas  a  esses  CTRCs  pertencem  a  produtores  rurais  Pessoas  Físicas.  Consta  fatura  481/2006  com  a  soma  desses  CTRCs  e  respectivo  comprovante  de  pagamento  (em  18/09/2006) juntados às fls. 523 e 524 do e­2.965.000.017/2006­ 41; [negritei]  •  Não  foi  localizada  a  escrituração  dos  CTRCs  nos  extratos  apresentados pela empresa (fls. 1.112 a 1.193);  •  Consta  registro  dos  CTRCs  no  Razão  Contábil  de  setembro/2016 (fl. 892).  (...)  (5) CTRC  s  19806  (fl.  334),  19823  (fl.  343),  19822  (fl.  344)  e  19821 (fl. 3 45 )  • Consta  aposição  de  carimbo  do  Departamento  Fiscal  da  Bourbon  com  data  de  entrada  de  19/09/2006  para  o  CTRC  19806,  e  data  de  27/09/2006  para  os  CTRCs  19821,  19822  e  19823;  • As NFs  vinculadas  a  esses  CTRCs  pertencem  a  produtores  rurais  Pessoas  Físicas.  Consta  fatura  511/2006  referente  ao  CTRC  19806  e  respectivo  comprovante  de  pagamento  (em  Fl. 1341DF CARF MF     12 29/09/2006)  juntados  às  fls.  560  e  561  do  e­ 12.965.000.017/2006­41.  Consta  fatura  537/2006,  emitida  em  25/09/2006,  referente  aos  CTRCs  19821,  19822  e  19823  e  respectivo comprovante de pagamento juntados às fls. 578 e 579  do e ­12.965.000.017/2006­41; [negritei]  • Não  foi  localizada  a  escrituração  dos  CTRCs  nos  extratos  apresentados pela empresa (fls. 1.112 a 1.193);  • Consta registro do CTRC no Razão Contábil de setembro/2016  (fl. 893).  (...)  De outra parte, com relação às despesas de frete mencionadas nos itens (1),  (2) e (4) do Termo Final de Diligência Saort nº 115/2017, abaixo transcritos, observando­se as  notas  fiscais  das  respectivas  aquisições,  não  se  verifica  a  existência  de  nenhuma  restrição  quanto ao aproveitamento dos insumos:  1) CTRC 7764 (fl. 324)  •  Consta  aposição  de  carimbo  do  Departamento  Fiscal  da  Bourbon com data de entrada de 12/09/2006;  •  A  NF  vinculada  a  esse  CTRC  é  a  de  nº  12.924,  da  empresa  “Grati Indústria e Comércio Ltda.”, CNPJ 53.016.416/0001­64.  Essa NF foi juntada à fl. 250 do e­12.965.000.017/2006­ 41, que  trata  de  pedido  de  ressarcimento  de  crédito  de  COFINS  não  cumulativa vinculado à receita de exportação do 3º trimestre de  2006. O CTRC é documento que deve acompanhar a NF, o que  confirma sua extemporaneidade;  •  Não  foi  localizada  a  escrituração  do  CTRC  nos  extratos  apresentados pela empresa (fls. 1.112 a 1.193);  • Consta registro do CTRC no Razão Contábil de setembro/2016  (fl. 893).  •  Conclusão:  o  CTRC  7764  é  documento  extemporâneo  ao  4º  trimestre de 2006.  2) CTRC 77 90 (fl. 32 5 )  •  Consta  aposição  de  carimbo  do  Departamento  Fiscal  da  Bourbon com data de entrada de 12/09/2006;  •  A  NF  vinculada  a  esse  CTRC  é  a  de  nº  90.031,  da  empresa  “Zaraplast  S/A”,  CNPJ  61.827.663/0008­45.  Essa  NF  foi  juntada  à  fl.  257  do  e­12.965.000.017/2006­41.  O  CTRC  é  documento  que  deve  acompanhar  a  NF,  o  que  confirma  sua  extemporaneidade;  •  Não  foi  localizada  a  escrituração  do  CTRC  nos  extratos  apresentados pela empresa (fls. 1.112 a 1.193);  • Consta registro do CTRC no Razão Contábil de setembro/2016  (fl. 893).  •  Conclusão  :  o  CTRC  7790  é  documento  extemporâneo  ao  4º  trimestre de 2006.  (...)  (4) CTRCs 7867 (fl. 332) e 7909 (fl. 333)  •  Consta  aposição  de  carimbo  do  Departamento  Fiscal  da  Bourbon com data de entrada de 26/09/2006 para o CTRC 7867,  e data de 20/09/2006 para o CTRC 7909;  •  As  NFs  vinculadas  a  esses  CTRCs  são  da  empresa  “Grão  Expresso Com. e Ind. Ltda.”,  CNPJ  67.894.360/0003­17,  a  saber:  NF  25.151  (vinculada  ao  CTRC  7867);  e  NF  25.201  (CTRC  7909).  Essas  NFs  foram  respectivamente  juntadas  à  s  fls.  271  e  275  do  e­  Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 12965.000012/2007­08  Acórdão n.º 3402­004.931  S3­C4T2  Fl. 1.337          13 12.965.000.017/2006­41.  O  CTRC  é  documento  que  deve  acompanhar a NF, o que confirma sua extemporaneidade;  •  Não  foi  localizada  a  escrituração  dos  CTRCs  nos  extratos  apresentados pela empresa (fls. 1.112 a 1.193);  •  Consta  registro  dos  CTRCs  no  Razão  Contábil  de  setembro/2016 (fls. 892/893).  •  Conclusão:  os  CTRCs  7867  e  7909  são  documentos  extemporâneos ao 4º trimestre de 2006.  Assim,  nas  situações  descritas  acima,  relativas  aos  itens  (1),  (2)  e  (4)  do  Termo  Final  de  Diligência  Saort  nº  115/2017,  tendo  sido  o  frete  suportado  pela  recorrente  (adquirente),  entendo  que  deve  ser  reconhecido  do  direito  creditório  sobre  essa  despesa  de  frete,  conforme  construção  jurisprudencial  no  âmbito  do  CARF2  acerca  dos  fretes  pagos  a  pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pela adquirente, é apropriado ao custo  de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda.  Por  fim,  quanto  aos  CTRCs  10395,  10402,  10403,  10404,  10405,  10415  e  10451  da  empresa  “Antonio  Renato  Carvalho  ME”,  CNPJ  21.782.545/0001­77,  por  não  se  tratarem de despesas objeto de glosas no presente processo, como esclareceu a fiscalização na  diligência, a análise de eventual direito creditório foge ao escopo do presente julgamento.  Assim, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para  reconhecer  o  direito  creditório  de  Cofins  relativamente  às  despesas  de  frete  objeto  dos  Conhecimentos de Carga  (CRTC) nºs 7764, 7790, 7867 e 7909, determinando à Unidade de  Origem que proceda à compensação no montante correspondente.                                                              2 Acórdão nº 3402­002.662–4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Relator: Alexandre  Kern  (...)  Em se tratando de serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento tomado sobre o frete pago  quando o serviço de  transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem  destinado à venda, com base no inc. II do art. 3°, e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o  ônus for suportado pelo vendedor, cfe. inc. IX. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos  sobre  despesas  com  fretes  pagos  a  pessoas  jurídicas  quando  o  custo  do  serviço,  suportado  pelo  adquirente,  é  apropriado ao de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda,  isso em razão de o  valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito  decorrente  da  aquisição  de  bem  para  revenda  ou  para  utilização  como  insumo. Há  ainda  uma  quarta  hipótese,  defendida na  jurisprudência deste Colegiado, decorrente do conceito de  insumo que  se adota, no caso de  fretes  pagos  a  pessoa  jurídica  para  transporte  de  insumos  ou  produtos  inacabados  entre  estabelecimentos,  dentro  do  contexto do processo produtivo da pessoa jurídica.  O transporte de produto acabado isso é, depois de concluído o processo produtivo – não se enquadra em qualquer  dessas hipóteses permissivas. Se do ponto de vista logístico pode ser compreendido como etapa da futura operação  de venda, juridicamente, não.  Esse entendimento está plasmado, por exemplo, no voto condutor do Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos  Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012:  “Porque  na  sistemática  da  não  cumulatividade  do  PIS  e  da  COFINS,  os  dispêndios  da  pessoa  jurídica  com  a  contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese  específica de creditamento, referida pelo art. 3°, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais  de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito  em razão do previsto no artigo 3°, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre  unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como  insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3°.  De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista  logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente  falando  não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido.”  (...)  Fl. 1343DF CARF MF     14 É como voto.  (Assinatura Digital)  Maria Aparecida Martins de Paula ­ Relatora                             Fl. 1344DF CARF MF

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7193765 #
Numero do processo: 15504.725305/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. CONCEITO DE ALIENAÇÃO. RESTRIÇÃO. DESCABIMENTO. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. ISENÇÃO. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS RESIDENCIAIS. REQUISITOS O artigo 39 da Lei nº 11.196/2005 prevê isenção para o ganho de capital obtido com a alienação de imóveis residenciais nos casos em que o alienante, no prazo de cento e oitenta dias, aplique o produto da alienação na aquisição de outros imóveis residenciais. ISENÇÃO. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEIS RESIDENCIAIS. ALIENAÇÃO POSTERIOR A isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital prevista no artigo 39 da Lei nº 11.196/2005 não se aplica quando a alienação do imóvel que gerou o ganho de capital for posterior à compra do imóvel na qual se pretende utilizar os recursos.
Numero da decisão: 2401-005.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA

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2401­005.292  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  06  de março de 2018  Matéria  IRPF  Recorrente  MARCELO SIGAUD FERREIRA FILHO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2009, 2010, 2011  GANHO  DE  CAPITAL.  ALIENAÇÃO  DE  IMÓVEIS.  CONCEITO  DE  ALIENAÇÃO. RESTRIÇÃO. DESCABIMENTO.  Na  apuração  do  ganho  de  capital  serão  consideradas  as  operações  que  importem  alienação,  a  qualquer  título,  de  bens  ou  direitos  ou  cessão  ou  promessa de  cessão de direitos à sua aquisição,  tais como as  realizadas por  compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento,  doação, procuração em  causa própria,  promessa de  compra  e venda,  cessão  de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins.  ISENÇÃO.  GANHO  DE  CAPITAL.  IMÓVEIS  RESIDENCIAIS.  REQUISITOS   O  artigo  39  da  Lei  nº  11.196/2005  prevê  isenção  para  o  ganho  de  capital  obtido com a alienação de imóveis residenciais nos casos em que o alienante,  no prazo de cento e oitenta dias, aplique o produto da alienação na aquisição  de outros imóveis residenciais.  ISENÇÃO.  GANHO  DE  CAPITAL.  IMÓVEIS  RESIDENCIAIS.  ALIENAÇÃO POSTERIOR   A isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital prevista no artigo 39  da Lei nº 11.196/2005 não se aplica quando a alienação do imóvel que gerou  o  ganho  de  capital  for  posterior  à  compra  do  imóvel  na  qual  se  pretende  utilizar os recursos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso e, no mérito, negar­lhe provimento.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 53 05 /2 01 2- 76 Fl. 657DF CARF MF     2       (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier ­ Presidente        (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira ­ Relator         Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier,  Cleberson  Alex  Friess,  Andrea  Viana  Arrais  Egypto,  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa,  Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.  Fl. 658DF CARF MF Processo nº 15504.725305/2012­76  Acórdão n.º 2401­005.292  S2­C4T1  Fl. 3          3   Relatório  MARCELO  SIGAUD  FERREIRA  FILHO,  contribuinte,  pessoa  física,  já  qualificado  nos  autos  do  processo  em  referência,  recorre  a  este  Conselho  da  decisão  da  7a  Turma  da  DRJ  em  Brasília/DF,  Acórdão  nº  03­69.410/2015,  às  e­fls.  601/630,  que  julgou  procedente  o  Auto  de  Infração  concernente  ao  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  ­  IRPF,  decorrente  da  constatação  de  omissão  de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  física  e  omissão  ganhos de capital na alienação de bens e direitos, em relação aos anos­calendário 2009 a 2011,  conforme  peça  inaugural  do  feito,  às  e­fls.  02/13,  e  demais  documentos  que  instruem  o  processo.  Trata­se  de  Auto  de  Infração,  lavrado  em  22/01/2013  (AR  e­fl.  539),  nos  moldes  da  legislação  de  regência,  contra  o  contribuinte  acima  identificado,  constituindo­se  crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes dos seguintes  fatos geradores:  a) RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. OMISSÃO DE  RENDIMENTOS  DO  TRABALHO  SEM  VÍNCULO  EMPREGATÍCIO  RECEBIDOS  DE  PESSOA FÍSICA. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho  sem vínculo empregatício, sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório, conforme relatado no  Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração.  b)  GANHOS  DE  CAPITAL  NA  ALIENAÇÃO  DE  BENS  E  DIREITOS.  OMISSÃO/APURAÇÃO INCORRETA DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE  BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS. Omissão de ganhos de capital auferidos na  alienação de imóveis, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante  e inseparável do presente Auto de Infração.  Conforme o “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 14 a 48, as infrações foram  constatadas  em  fiscalização determinada no Mandado de Procedimento Fiscal nº 06.1.01.00­ 2012­00355­7, cujo escopo era verificar o cumprimento pelo contribuinte de suas obrigações  legais  referentes ao imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF) dos anos­calendário 2009,  2010 e 2011, mediante conferência dos resultados auferidos nas operações de venda de imóveis  realizadas.  De  posse  de  toda  documentação  apresentada  pelo  contribuinte  ou  pelas  demais  pessoas  físicas  e  jurídicas  intimadas  no  curso  do  procedimento  fiscal,  a  Fiscalização  efetuou  a  conferência  da  apuração  dos  ganhos  de  capital  auferidos  em  2009  e  2010  pelo  contribuinte nas alienações dos  seguintes  imóveis:  apartamento nº 502,  situado à Rua Ernani  Agrícola, 475, bairro Buritis, em Belo Horizonte, MG; e apartamento nº 1200, situado na Rua  Lauro Ferreira, 163, bairro Buritis, em Belo Horizonte, MG.  Assim, examinando todos os documentos e fatos relatados acima, concluiu a  Fiscalização  que:  (i)  muito  embora  o  referido  contrato,  assinado  em  10/12/2008  pelo  contribuinte e seu cônjuge com a CA Cançado, permitisse à vendedora optar por permutar o  apartamento 2.501 do Edifício Atlantic (prometido à venda no contrato) pelo apartamento 502  do Edifício Acácia e pelo apartamento 1.200 do Edifício Lourdes Rocha Pereira,  essa opção  Fl. 659DF CARF MF     4 não foi exercida; (ii) de fato, o cumprimento do aludido contrato não redundou em operação de  permuta,  com  torna,  do  apartamento  502  do  Edifício  Acácia  ou  do  apartamento  1.200  do  Edifício  Lourdes  Rocha  Pereira  pelo  apartamento  2.501  do  Edifício  Atlantic.  e,  caso  se  houvesse constituído juridicamente, tal operação deveria estar lastreada por escritura pública de  permuta, em que figurassem como permutantes, em um pólo, o contribuinte e seu cônjuge, e,  em  outro,  a  CA  Cançado;  (iii)  Diferentemente,  o  fiscalizado  preferiu  vender  os  imóveis  constituídos  pelo  apartamento  502  do Edifício Acácia  e  pelo  apartamento  1.200  do Edifício  Lourdes  Rocha  Pereira  a  terceiros  não  envolvidos  no  contrato  pertinente  à  compra  do  apartamento 2.501 do Edifício Atlantic, em datas posteriores à de assinatura desse contrato e,  em  seguida,  entregar  os  recursos  obtidos  nas  vendas  à  CA  Cançado,  para  quitação  de  sua  dívida decorrente do instrumento em tela.  Destacou que o apartamento 502 do Edifício Acácia foi vendido nos termos  do “Contrato Particular de Promessa de Compra e Venda” assinado em 04/12/2009, pelo preço  total de R$ 315.000,00 (trezentos e quinze mil reais), pago da seguinte forma: R$10.000,00 em  espécie,  em  04/12/2009;  R$30.000,00  via  transferência  eletrônica,  em  07/12/2009;  R$110.000,00  via  transferência  eletrônica,  em  21/12/2009;  e R$165.849,15  via  transferência  eletrônica, em 21/01/2010 (perfazendo um total de R$315.849,15).  Em  relação  ao  apartamento  1.200  do  Edifício  Lourdes  Rocha  Pereira,  ressaltou que este  foi  vendido nos  termos do “Contrato de Promessa de Compra e Venda de  Imóvel  com Opção de Permuta  com Torna  e Outros Ajustes”  assinado  em 02/02/2010,  pelo  preço total de R$ 459.500,00 (quatrocentos e cinqüenta e nove mil e quinhentos reais), pago da  seguinte  forma: R$179.500,00 e R$80.000,00, mediante depósito em conta de titularidade da  CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda., em 02/08/2010; R$31.950,00 também mediante  depósito  em  conta  de  titularidade  da  CA  Cançado  Engenharia  e  Edificações  Ltda.,  em  05/07/2011;  e  R$168.050,00,  mediante  depósito  em  conta  de  titularidade  da  CA  Cançado  Engenharia e Edificações Ltda., em 01/08/2011.  Ressaltou  ainda  que  a  entrega  das  chaves  do  aparamento  nº  1.200  à  CA  Cançado, para que  esta  se  responsabilizasse pela venda do  imóvel em nome do contribuinte,  amparada por procuração que lhe outorgou poderes para a prática de tal ato, representa mero  acordo entre as partes, eis que a situação jurídica efetivamente que se constituiu foi a de venda  do bem ao senhor José Góes Júnior e sua esposa, no ano de 2010, e não a de sua permuta com  CA Cançado, “(...) como sinal de pagamento na compra da fração ideal da unidade na planta  correspondente  ao  apartamento  2501  do  Edifício  Atlantic  (...)”,  como  invocado  pelo  interessado.  Diante do  exposto, a Fiscalização procedeu à apuração do ganho de capital  conforme  já mencionado  (data  de Aquisição:  03/11/2003,  custo  de Aquisição:  R$22.088,04,  data  da Alienação:  18/06/2010  e  valor  da Alienação:  459.500,00),  chegando  a  um  resultado  tributável no valor de R$310.816,07 (fl. 52).  Tendo  em  vista  que  se  tratou  de  alienação  a  prazo,  o  imposto  devido  foi  calculado de acordo com as parcelas recebidas, resultando em um imposto devido, referente ao  ganho de  capital  auferido  na  alienação  deste  apartamento,  no  valor  de R$26.328,87  no  ano­ calendário  de  2010  e  R$20.291,99  no  ano­calendário  de  2011,  obedecidas  as  disposições  expressas  no  art.  31  da  Instrução  Normativa  SRF  nº.  84,  de  11  de  outubro  de  2001  e  considerando­se  a  alíquota  de  15%,  sob  a  forma  de  tributação  definitiva,  no  mês  de  cada  recebimento.  Por  fim,  a  Fiscalização  ressaltou  que  a  sujeição  passiva  solidária  da  Sra.  Cássia Maria Rodrigues Pereira Sigaud Ferreira restou caracterizada, nos termos do artigo 124,  Fl. 660DF CARF MF Processo nº 15504.725305/2012­76  Acórdão n.º 2401­005.292  S2­C4T1  Fl. 4          5 inciso I, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), pelo fato de que eram  comuns  ao  casal,  porque  adquiridos  na  constância  do  matrimônio  civil,  os  imóveis  cujas  vendas geraram os rendimentos sujeitos à tributação exclusiva correspondentes aos ganhos de  capital na alienação de imóveis.  Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado  apresentou Recurso Voluntário, às e­fls. 635/654, procurando demonstrar sua  improcedência,  desenvolvendo em síntese as seguintes razões.  Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o  lançamento,  reitera  todas  as  razões  da  impugnação,  alegando  em  síntese  que,  em  relação  ao  imóvel situado à Rua Lauro Ferreira, nº 163, apto. 1.200, Bairro Buritis, objeto da impugnação,  informa que prestou os esclarecimentos  solicitados no curso da  fiscalização e a aquisição do  referido imóvel deu­se por permuta com o Lote 35 da quadra 7, em 03/11/2003.  Esclarece  que  o  imóvel  foi  dado  como  sinal  de  pagamento  na  compra  do  apartamento  nº  2501  do  Edifício  Atlantic  com  a  Construtora  CA  Cançado  Engenharia  e  Edificações  Ltda,  em  10/12/2008,  e  que,  quando  da  efetivação  da  operação  de  alienação  do  apartamento nº 1.200, outorgou procuração à Construtora mencionada para que esta efetuasse  sua venda a terceiros.  Afirma restar comprovada, de forma inequívoca, a operação de alienação do  apartamento  nº  1.200  na  ocasião  do  “Contrato  de  Promessa  de Compra  e  Venda  de  Fração  Ideal e de Construção a Preço de Custo em Regime de  Incorporação com Opção de Permuta  por  Imóvel  Pronto  com  Torna  e  Outros  Ajustes”  firmado  com  a  Construtora  CA  Cançado  Engenharia  e  Edificações  Ltda,  no  qual  consta,  como  “unidade  adquirida”,  o  apartamento  2.501, no valor de R$1.580.000,00, e cujo item 3.4, traz às condições e forma de pagamento.  Aduz  constar  ainda,  no  referido  contrato,  que  “Caso  o  imóvel  descrito  na  letra “e” deste  item não seja entregue à CA Cançado até o dia 30/03/2009, o adquirente está  sujeito  á multa  à  razão  de R$1.100,00 mensais,  ou  a  sua  fração”.  Para  comprovar  de  forma  inequívoca a efetivação da operação de alienação em 13/12/2008, junta recibo de entrega das  chaves  do  apartamento  nº  1200  à  compradora,  em  cumprimento  ao  disposto  nas  cláusulas  acima mencionadas, e ressalta que a entrega das chaves se deu em 20/05/2009, de modo que o  contribuinte teve que arcar com as multas previstas, conforme transferências bancárias (DOCs)  em favor da construtora, nos valores de R$1.100,00 e R$733,33.  Destaca  que  o  disposto  no  parágrafo  4º  do  item  3.4  do  contrato  acima  mencionado  demonstra  que  o  impugnante,  adquirente  do  apartamento  2501,  outorgou  procuração à Conartes Engenharia e Edificações Ltda. para, com poderes absolutos, alienar seu  imóvel  a  terceiros  e  entregar  os  recursos  à  CA  Cançado  Engenharia  e  Edificações  Ltda,  independentemente  de  prestação  de  contas,  o  que  significa  dizer  que  a  alienação  do  apartamento  1200  tornou­se  firma  e  valiosa,  e  a  partir  do  referido  contrato  de  promessa  o  impugnante  passou  a  não  ter  absolutamente  nenhum  interesse  em  relação  ao  referido  apartamento (1200), já que não detinha mais a propriedade do mesmo.  A partir daí, se a venda foi feita a terceiros, resta evidente que a operação foi  por  conta  e  ordem  da  CA  Cançado  Engenharia  e  Edificações  Ltda.,  que  passou  a  ser  proprietária  do  referido  apartamento,  independentemente  do  fato  de  porventura  este  ter  sido  transferido diretamente do impugnante para o terceiro adquirente. Ou seja, o ganho de capital  Fl. 661DF CARF MF     6 apurado  na  alienação  do  apartamento  1200,  objeto  do  presente  recurso,  foi  amparado  por  isenção, conforme previsão legal.  Em  relação  ao  preço  de  custo  utilizado  pela  fiscalização  na  apuração  do  ganho  de  capital  relativo  à  alienação  do  apartamento  1200,  o  contribuinte  não  apresenta  fundamentação,  tendo  em vista  que  este  é  irrelevante  na medida  em que  o  ganho de  capital  correspondente a essa operação encontra­se amparado por isenção, conforme já mencionado.  Refuta  veementemente  os  fundamentos  utilizados  pela  fiscalização  e  alega  que  não  apurou  quaisquer  valores  a  título  de  IR  incidentes  sobre  ganhos  de  capital  porque  efetivamente não realizou operação alguma de alienação do apartamento 1200 para o Sr. José  Góes  Júnior.  Ao  contrário  do  que  afirma  a  fiscalização,  referido  apartamento  já  havia  sido  objeto  de  alienação  por  permuta  com  a  CA  Cançado  em  10/12/2008,  conforme  inequivocamente se comprovou pela juntada do respectivo contrato de promessa.  Alega  que  não  haveria  a  incidência  do  IR,  seja  pela  aplicação  integral  do  produto  da  venda  do  apartamento  1.200  na  aquisição  de  outro  imóvel  residencial  no  prazo  previsto em lei, seja em função da ausência de ganho de capital na operação de permuta.  Discorda  das  afirmações  da  fiscalização  de  que  a  opção  de  permuta  do  apartamento 2501 pelo apartamento 1200 não teria sido exercida, pois para que esta houvesse  sido constituída juridicamente deveria estar lastreada por escritura pública de permuta, na qual  figurassem como permutantes o contribuinte e a CA Cançado, e de que o impugnante preferiu  vender o apartamento 1200 a terceiros em datas posteriores às da assinatura do contrato com a  CA  Cançado,  para  em  seguida  entregar  a  esta  os  recursos  obtidos  com  a  venda,  devendo  prevalecer a verdade material espelhada na operação regularmente celebrada pelo recorrente.  Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar o  cancelamento  do  Auto  de  Infração,  tornando­o  sem  efeito  e,  no  mérito,  sua  absoluta  improcedência.  Não houve apresentação de contrarrazões.  É o relatório.  Fl. 662DF CARF MF Processo nº 15504.725305/2012­76  Acórdão n.º 2401­005.292  S2­C4T1  Fl. 5          7   Voto             Conselheiro Rayd Santana Ferreira ­ Relator  Presente  o  pressuposto  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo,  conheço  do  recurso e passo ao exame das alegações recursais.  DELIMITAÇÃO DA LIDE  Primeiramente,  ressalta­se  que  o  contribuinte  não  questiona  a  infração  de  Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física,  estando  em  litígio  apenas o  ganho de  capital na alienação do apartamento n° 1200.  MÉRITO  GANHO DE CAPITAL   O  Sr.  Fiscal  em  relação  ao  apartamento  1.200  do  Edifício  Lourdes  Rocha  Pereira,  ressaltou  que  este  foi  vendido  nos  termos  do  “Contrato  de  Promessa  de  Compra  e  Venda  de  Imóvel  com  Opção  de  Permuta  com  Torna  e  Outros  Ajustes”  assinado  em  02/02/2010,  pelo  preço  total  de  R$  459.500,00  (quatrocentos  e  cinqüenta  e  nove  mil  e  quinhentos  reais),  pago  da  seguinte  forma: R$179.500,00  e R$80.000,00, mediante  depósito  em  conta  de  titularidade  da  CA  Cançado  Engenharia  e  Edificações  Ltda.,  em  02/08/2010;  R$31.950,00 também mediante depósito em conta de titularidade da CA Cançado Engenharia e  Edificações Ltda., em 05/07/2011; e R$168.050,00, mediante depósito em conta de titularidade  da CA Cançado Engenharia e Edificações Ltda., em 01/08/2011.  Ressaltou  ainda  que  a  entrega  das  chaves  do  aparamento  nº  1.200  à  CA  Cançado, para que  esta  se  responsabilizasse pela venda do  imóvel em nome do contribuinte,  amparada por procuração que lhe outorgou poderes para a prática de tal ato, representa mero  acordo entre as partes, eis que a situação jurídica efetivamente que se constituiu foi a de venda  do bem ao senhor José Góes Júnior e sua esposa, no ano de 2010, e não a de sua permuta com  CA Cançado, “(...) como sinal de pagamento na compra da fração ideal da unidade na planta  correspondente  ao  apartamento  2501  do  Edifício  Atlantic  (...)”,  como  invocado  pelo  interessado.  Diante do  exposto, a Fiscalização procedeu à apuração do ganho de capital  conforme  já mencionado  (data  de Aquisição:  03/11/2003,  custo  de Aquisição:  R$22.088,04,  data  da Alienação:  18/06/2010  e  valor  da Alienação:  459.500,00),  chegando  a  um  resultado  tributável no valor de R$310.816,07 (fl. 52).  Tendo  em  vista  que  se  tratou  de  alienação  a  prazo,  o  imposto  devido  foi  calculado de acordo com as parcelas recebidas, resultando em um imposto devido, referente ao  ganho de  capital  auferido  na  alienação  deste  apartamento,  no  valor  de R$26.328,87  no  ano­ calendário  de  2010  e  R$20.291,99  no  ano­calendário  de  2011,  obedecidas  as  disposições  expressas  no  art.  31  da  Instrução  Normativa  SRF  nº.  84,  de  11  de  outubro  de  2001  e  considerando­se  a  alíquota  de  15%,  sob  a  forma  de  tributação  definitiva,  no  mês  de  cada  recebimento.  Fl. 663DF CARF MF     8 Por sua vez o contribuinte informa que prestou os esclarecimentos solicitados  no curso da fiscalização e a aquisição do referido imóvel deu­se por permuta com o Lote 35 da  quadra 7, em 03/11/2003.  Esclarece  que  o  imóvel  foi  dado  como  sinal  de  pagamento  na  compra  do  apartamento  nº  2501  do  Edifício  Atlantic  com  a  Construtora  CA  Cançado  Engenharia  e  Edificações  Ltda,  em  10/12/2008,  e  que,  quando  da  efetivação  da  operação  de  alienação  do  apartamento nº 1.200, outorgou procuração à Construtora mencionada para que esta efetuasse  sua venda a terceiros.  Afirma restar comprovada, de forma inequívoca, a operação de alienação do  apartamento  nº  1.200  na  ocasião  do  “Contrato  de  Promessa  de Compra  e  Venda  de  Fração  Ideal e de Construção a Preço de Custo em Regime de  Incorporação com Opção de Permuta  por  Imóvel  Pronto  com  Torna  e  Outros  Ajustes”  firmado  com  a  Construtora  CA  Cançado  Engenharia  e  Edificações  Ltda,  no  qual  consta,  como  “unidade  adquirida”,  o  apartamento  2.501, no valor de R$1.580.000,00, e cujo item 3.4, traz às condições e forma de pagamento.  Aduz  constar  ainda,  no  referido  contrato,  que  “Caso  o  imóvel  descrito  na  letra “e” deste  item não seja entregue à CA Cançado até o dia 30/03/2009, o adquirente está  sujeito  á multa  à  razão  de R$1.100,00 mensais,  ou  a  sua  fração”.  Para  comprovar  de  forma  inequívoca a efetivação da operação de alienação em 13/12/2008, junta recibo de entrega das  chaves  do  apartamento  nº  1200  à  compradora,  em  cumprimento  ao  disposto  nas  cláusulas  acima mencionadas, e ressalta que a entrega das chaves se deu em 20/05/2009, de modo que o  contribuinte teve que arcar com as multas previstas, conforme transferências bancárias (DOCs)  em favor da construtora, nos valores de R$1.100,00 e R$733,33.  Destaca  que  o  disposto  no  parágrafo  4º  do  item  3.4  do  contrato  acima  mencionado  demonstra  que  o  impugnante,  adquirente  do  apartamento  2501,  outorgou  procuração à Conartes Engenharia e Edificações Ltda. para, com poderes absolutos, alienar seu  imóvel  a  terceiros  e  entregar  os  recursos  à  CA  Cançado  Engenharia  e  Edificações  Ltda,  independentemente  de  prestação  de  contas,  o  que  significa  dizer  que  a  alienação  do  apartamento  1200  tornou­se  firma  e  valiosa,  e  a  partir  do  referido  contrato  de  promessa  o  impugnante  passou  a  não  ter  absolutamente  nenhum  interesse  em  relação  ao  referido  apartamento (1200), já que não detinha mais a propriedade do mesmo.  A partir daí, se a venda foi feita a terceiros, resta evidente que a operação foi  por  conta  e  ordem  da  CA  Cançado  Engenharia  e  Edificações  Ltda.,  que  passou  a  ser  proprietária  do  referido  apartamento,  independentemente  do  fato  de  porventura  este  ter  sido  transferido diretamente do impugnante para o terceiro adquirente. Ou seja, o ganho de capital  apurado  na  alienação  do  apartamento  1200,  objeto  do  presente  recurso,  foi  amparado  por  isenção, conforme previsão legal.  Em  relação  ao  preço  de  custo  utilizado  pela  fiscalização  na  apuração  do  ganho  de  capital  relativo  à  alienação  do  apartamento  1200,  o  contribuinte  não  apresenta  fundamentação,  tendo  em vista  que  este  é  irrelevante  na medida  em que  o  ganho de  capital  correspondente a essa operação encontra­se amparado por isenção, conforme já mencionado.  Refuta  veementemente  os  fundamentos  utilizados  pela  fiscalização  e  alega  que  não  apurou  quaisquer  valores  a  título  de  IR  incidentes  sobre  ganhos  de  capital  porque  efetivamente não realizou operação alguma de alienação do apartamento 1200 para o Sr. José  Góes  Júnior.  Ao  contrário  do  que  afirma  a  fiscalização,  referido  apartamento  já  havia  sido  objeto  de  alienação  por  permuta  com  a  CA  Cançado  em  10/12/2008,  conforme  inequivocamente se comprovou pela juntada do respectivo contrato de promessa.  Fl. 664DF CARF MF Processo nº 15504.725305/2012­76  Acórdão n.º 2401­005.292  S2­C4T1  Fl. 6          9 Alega  que  não  haveria  a  incidência  do  IR,  seja  pela  aplicação  integral  do  produto  da  venda  do  apartamento  1.200  na  aquisição  de  outro  imóvel  residencial  no  prazo  previsto em lei, seja em função da ausência de ganho de capital na operação de permuta.  Discorda  das  afirmações  da  fiscalização  de  que  a  opção  de  permuta  do  apartamento 2501 pelo apartamento 1200 não teria sido exercida, pois para que esta houvesse  sido constituída juridicamente deveria estar lastreada por escritura pública de permuta, na qual  figurassem como permutantes o contribuinte e a CA Cançado, e de que o impugnante preferiu  vender o apartamento 1200 a terceiros em datas posteriores às da assinatura do contrato com a  CA  Cançado,  para  em  seguida  entregar  a  esta  os  recursos  obtidos  com  a  venda,  devendo  prevalecer a verdade material espelhada na operação regularmente celebrada pelo recorrente  Antes  mesmo  de  se  adentrar  ao  mérito  da  questão,  cumpre  trazer  à  baila  alguns trechos da Lei n° 7.713/88 e da Lei n° 8.981/95, que regulamentam a matéria.  Lei nº 7.713/88   Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir  de  1º  de  janeiro  de  1989,  por  pessoas  físicas  residentes  ou  domiciliadas  no Brasil  serão  tributados  pelo  imposto  de  renda  na  forma  da  legislação  vigente,  com  as  modificações  introduzidas por esta Lei.  Art.  3º  O  imposto  incidirá  sobre  o  rendimento  bruto,  sem  qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta  Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90)  (...)  §  2º  Integrará  o  rendimento  bruto,  como  ganho  de  capital,  o  resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de  alienação  de  bens  ou  direitos  de  qualquer  natureza,  considerando­se como ganho a diferença positiva entre o valor  de  transmissão  do  bem  ou  direito  e  o  respectivo  custo  de  aquisição  corrigido monetariamente,  observado  o  disposto  nos  arts. 15 a 22 desta Lei.  (...)  Lei nº 8.981/de 1995   Art.  21.  O  ganho  de  capital  percebido  por  pessoa  física  em  decorrência  da  alienação  de  bens  e  direitos  de  qualquer  natureza sujeita­se à incidência do Imposto de Renda, à alíquota  de quinze por cento.  §  1º O  imposto  de  que  trata  este  artigo  deverá  ser  pago  até  o  último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos.  §  2º  Os  ganhos  a  que  se  refere  este  artigo  serão  apurados  e  tributados  em  separado  e não  integrarão  a  base  de  cálculo  do  Imposto  de  Renda  na  declaração  de  ajuste  anual,  e  o  imposto  pago não poderá ser deduzido do devido na declaração.  Fl. 665DF CARF MF     10 Veja­se,  portanto,  que  a  legislação  estabelece  que  o  ganho  de  capital  decorrente  da  alienação  de  bens  e  direitos  de  qualquer  natureza  sujeita­se  à  incidência  do  Imposto  de  Renda,  à  alíquota  de  quinze  por  cento,  devendo  ser  considerado  como  tal  a  diferença  positiva  entre  o  valor  de  transmissão  do  bem  ou  direito  e  o  respectivo  custo  de  aquisição.  No  caso  em  tela,  como  já  relatado,  o  contribuinte  alega  que  o  ganho  de  capital apurado pela Fiscalização, relativo à alienação do apartamento nº 1.200, situado à Rua  Lauro Ferreira,  nº 163, Bairro Buritis  (doravante denominado  simplesmente  “apartamento nº  1.200”),  estaria  isento  de  tributação  porque  teria  sido  entregue,  por meio  de  permuta,  como  parcela  do  pagamento  correspondente  à  aquisição  do  apartamento  nº  2.501  do  Edifício  Atlantic,  situado  no  Condomínio  Green  Garden  Residence  Park  (doravante  denominado  simplesmente “apartamento nº 2.501”), em contrato firmado com a Construtora CA Cançado  Engenharia e Edificações Ltda, em 10/12/2008.  Tendo  em  vista  a  alegação  do  contribuinte,  cumpre,  primeiramente,  transcrever o art. 39 da Lei n.º 11. 196/2005:  Art.  39. Fica  isento do  imposto de  renda o ganho auferido por  pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais,  desde  que  o  alienante,  no  prazo  de  180  (cento  e  oitenta)  dias  contado da celebração do contrato, aplique o produto da venda  na aquisição de imóveis residenciais localizados no País.  § 1º No caso de venda de mais de 1 (um) imóvel, o prazo referido  neste  artigo  será  contado  a  partir  da  data  de  celebração  do  contrato relativo à 1a (primeira) operação.  §  2º  A  aplicação  parcial  do  produto  da  venda  implicará  tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não  aplicada.  § 3º No caso de aquisição de mais de um  imóvel, a  isenção de  que  trata  este  artigo  aplicar­se­á  ao  ganho  de  capital  correspondente  apenas  à  parcela  empregada  na  aquisição  de  imóveis residenciais.  §  4º  A  inobservância  das  condições  estabelecidas  neste  artigo  importará  em  exigência  do  imposto  com  base  no  ganho  de  capital, acrescido de:  I  ­  juros  de  mora,  calculados  a  partir  do  2º  (segundo)  mês  subseqüente ao do recebimento do valor ou de parcela do valor  do imóvel vendido; e II ­ multa, de mora ou de ofício, calculada  a  partir  do  2º  (segundo)  mês  seguinte  ao  do  recebimento  do  valor  ou  de  parcela  do  valor  do  imóvel  vendido,  se  o  imposto  não  for  pago  até  30  (trinta)  dias  após  o  prazo  de  que  trata  o  caput deste artigo.  § 5º O contribuinte somente poderá usufruir do benefício de que  trata este artigo 1 (uma) vez a cada 5 (cinco) anos.  A aplicação do dispositivo acima transcrito foi disciplinada pelo o art. 2.º da  Instrução Normativa SRF n.º 599, de 28 de dezembro de 2005, o qual enuncia que:  Art.  2º  Fica  isento  do  imposto  de  renda  o  ganho  auferido  por  pessoa física residente no País na venda de imóveis residenciais,  Fl. 666DF CARF MF Processo nº 15504.725305/2012­76  Acórdão n.º 2401­005.292  S2­C4T1  Fl. 7          11 desde  que  o  alienante,  no  prazo  de  180  (cento  e  oitenta)  dias  contados da celebração do contrato, aplique o produto da venda  na aquisição, em seu nome, de  imóveis  residenciais  localizados  no País.  §  1º No  caso  de  venda  de mais  de  um  imóvel,  o  prazo  de  180  (cento e oitenta)  dias referido no caput deste artigo será contado a partir da data  de celebração do contrato relativo à primeira operação.  §  2º  A  aplicação  parcial  do  produto  da  venda  implicará  tributação do ganho proporcionalmente ao valor da parcela não  aplicada.  § 3º No caso de aquisição de mais de um  imóvel, a  isenção de  que  trata  este  artigo  aplicar­se­á  ao  ganho  de  capital  correspondente  apenas  à  parcela  empregada  na  aquisição  de  imóveis residenciais.  § 4º A opção pela isenção de que trata este artigo é irretratável e  o contribuinte deverá informá­la no respectivo Demonstrativo da  Apuração  dos  Ganhos  de  Capital  da  Declaração  de  Ajuste  Anual.  § 5º O contribuinte somente poderá usufruir do benefício de que  trata este artigo uma vez a cada cinco anos, contados a partir da  data  da  celebração  do  contrato  relativo  à  operação  de  venda  com  o  referido  benefício  ou,  no  caso  de  venda  de mais  de  um  imóvel residencial, à primeira operação de venda com o referido  benefício.  § 6º Na hipótese do § 1º, estarão isentos somente os ganhos de  capital auferidos nas vendas de imóveis residenciais anteriores  à primeira aquisição de imóvel residencial.  § 7º Relativamente às operações realizadas a prestação, aplica­ se  a  isenção  de  que  trata  o  caput,  observado  o  disposto  nos  parágrafos precedentes:  I ­ nas vendas a prestação e nas aquisições à vista, à soma dos  valores recebidos dentro do prazo de 180 (cento e oitenta) dias,  contado da data da celebração do primeiro contrato de venda e  até  a(s)  data(s)  da(s)  aquisição(ões)  do(s)  imóvel(is)  residencial(is);  II ­ nas vendas à vista e nas aquisições a prestação, aos valores  recebidos à vista e utilizados nos pagamentos dentro do prazo de  180  (cento  e  oitenta)  dias,  contado  da  data  da  celebração  do  primeiro contrato de venda;  III  ­  nas  vendas  e  aquisições  a  prestação,  à  soma  dos  valores  recebidos e utilizados para o pagamento das prestações, ambos  dentro do prazo de 180  (cento e oitenta) dias,  contado da data  da celebração do primeiro contrato de venda.  (...)  Fl. 667DF CARF MF     12 § 10. O disposto neste artigo aplica­se, inclusive:  I ­ aos contratos de permuta de imóveis residenciais;  II ­ à venda ou aquisição de imóvel residencial em construção ou  na planta.  § 11. O disposto neste artigo não se aplica, dentre outros:  I ­ à hipótese de venda de imóvel residencial com o objetivo de  quitar, total ou parcialmente, débito remanescente de aquisição  a prazo ou à prestação de  imóvel  residencial  já possuído pelo  alienante;  (...)  § 12. A  inobservância das  condições  estabelecidas neste artigo  importará  em  exigência  do  imposto  com  base  no  ganho  de  capital, acrescido de:  I  ­  juros  de  mora,  calculados  a  partir  do  segundo  mês  subseqüente ao do recebimento do valor ou de parcela do valor  do imóvel vendido; e II ­ multa de ofício ou de mora calculada a  partir  do  primeiro  dia  útil  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  recebimento do valor ou de parcela do valor do imóvel vendido,  se  o  imposto  não  for  pago até  trinta  dias  após o  prazo  de 180  (cento e oitenta) dias de que trata o caput deste artigo. (g.n)  Como  se  depreende  da  legislação  acima  transcrita,  é  isento  do  imposto  de  renda o ganho auferido por pessoa física residente no Brasil na venda de imóveis residenciais  desde  que  o  alienante,  no  prazo  de  180  dias  contados  da  celebração  do  contrato,  aplique  o  produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País.  Nesse  ponto,  e  antes  de  se  verificar  a  possibilidade  de  aplicação  da  norma  isentiva acima transcrita ao caso em análise, é preciso destacar que as isenções previstas em lei  devem ser interpretados de forma literal, a teor do que dispõe o artigo 111, inciso II, do Código  Tributário Nacional (CTN):  Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;  II ­ outorga de isenção;  III  ­  dispensa  do  cumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias.  Nessa  esteira,  não  podem,  em  qualquer  hipótese,  ser  relativizadas  as  condições  estabelecidas  nos  dispositivos  anteriormente  transcritos,  com  vistas  à  fruição  da  isenção do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital.  Uma destas condições é que o produto da venda do  imóvel  residencial  seja  aplicado, total ou parcialmente, no prazo de 180 dias, na aquisição de outro imóvel residencial  localizado no país, e, portanto, que a venda do imóvel seja anterior à compra do outro.  É também o que explicita o parágrafo 11 do citado dispositivo, quando dispõe  que  a  isenção  em  comento  não  se  aplica  à  hipótese  de  venda  de  imóvel  residencial  com  o  Fl. 668DF CARF MF Processo nº 15504.725305/2012­76  Acórdão n.º 2401­005.292  S2­C4T1  Fl. 8          13 objetivo  de  quitar,  total  ou  parcialmente,  débito  remanescente  de  aquisição  a  prazo  ou  à  prestação de imóvel residencial já possuído pelo alienante.  Portanto,  a  legislação  somente  autoriza  a  aplicação  da  isenção  a  vendas  de  imóveis que ocorram anteriormente à aquisição do outro imóvel residencial. Acrescente­se que,  nos termos do inciso I do §10 do mesmo dispositivo, a referida isenção também é aplicável no  caso de permuta de imóveis residenciais.  Feitos os esclarecimentos necessários, cumpre verificar se no caso em análise  foram atendidos os requisitos exigidos pela legislação para fins de isenção do ganho de capital.  Relembrando,  no  caso  dos  autos,  o  contribuinte  afirma  que  a  alienação  do  imóvel  em  relação  ao  qual  foi  apurado  o  ganho  de  capital  objeto  do  auto  de  infração  impugnado  (apartamento  nº  1.200)  ocorreu  em  10/12/2008,  por  ocasião  da  compra  do  apartamento  nº  2.501  do  Edifício  Atlantic  com  a  Construtora  CA  Cançado  Engenharia  e  Edificações Ltda.  Em  que  pesem  as  razões  ofertadas  pelo  contribuinte,  seu  inconformismo,  contudo, não  tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que  instruem o processo,  conclui­se  que  o  lançamento,  corroborado  pela  bem  fundamentada  decisão  recorrida,  apresenta­se formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, senão vejamos:  Analisando­se os documentos que constam nos autos, não é possível concluir  que  a  alienação  do  apartamento  nº  1.200  ocorreu  por  permuta,  na  ocasião  de  compra  do  apartamento  nº  2.501,  consubstanciada  no  “Contrato  de  Promessa  de  Compra  e  Venda  de  Fração  Ideal  e  de Construção  a  Preço  de Custo  em Regime  de  Incorporação  com Opção  de  Permuta por Imóvel Pronto com Torna e Outros Ajustes” (fls. 129 a 133).  Referido contrato apenas prevê que parte do pagamento relativo à aquisição  do imóvel nº 2.501 seria quitada com “o produto da venda do apartamento 1.200 do Edifício  Lourdes Rocha Pereira,  do empreendimento denominado Vila Graciosa, de propriedade dos  adquirentes (...)”.  Não significa, contudo, que o apartamento nº 1.200 tenha sido alienado nesta  data, nem tampouco que  tenha sido objeto de permuta com o apartamento nº 2.501,  fato que  autorizaria a aplicação da isenção em comento.  Ressalte­se  que  o  §6º  do  mesmo  contrato  prevê  a  possibilidade  de  que  a  Promitente Vendedora (CA Cançado) opte por permutar o apartamento que prometeu a venda  com  os  imóveis  descritos  nas  letras  “b”,  “e”  e  “f”  (entre  eles  o  apartamento  nº  1.200),  esclarecendo  ainda  que,  exercida  esta  opção,  as  demais  parcelas  pagas  pela  aquisição  serão  computadas como  torna pela permuta, e que o  contribuinte  (adquirente)  arcará  integralmente  com as despesas de ITBI – Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis, registro, escrituras e  outras necessárias à transferência do imóvel permutado.  A  existência  do  parágrafo  acima mencionado  reforça  a  conclusão  de  que  a  permuta envolvendo o apartamento nº 1.200, por ocasião da compra do apartamento nº 2.501,  era apenas uma opção, que poderia, ou não, ser exercida pela Construtora CA Cançado.  Contudo,  não  consta  nos  autos  do  processo  qualquer  documento  que  demonstre que a opção de permuta acima referida tenha sido, de fato, exercida.  Fl. 669DF CARF MF     14 Pelo  contrário:  os  documentos  que  constam  nos  autos  demonstram  que  o  apartamento nº 1.200  foi  alienado pelo  contribuinte  a  José Góes da Silva,  por  intermédio da  empresa  Conartes  Engenharia  (mandatária),  apenas  em  2010,  ou  seja,  posteriormente  à  aquisição do apartamento 2.501.  De fato, o “Contrato de Promessa de Compra e Venda de Imóvel com Opção  de Permita com Torna e Outros Ajustes” acostado às fls. 145 a 147, firmado em 02/02/2010,  trata  justamente  da  alienação  do  apartamento  1.200,  tendo  como  promitente  vendedor  o  contribuinte e sua esposa, representados pela Conartes Engenharia e Edificações Ltda., e como  promitente comprador o Sr. José Góes Júnior e sua esposa.  Da mesma forma, a certidão emitida pelo 1º Ofício de Registro de Imóveis de  Belo Horizonte,  acostada  às  fls.  140/141,  demonstra que  a propriedade  do  imóvel  objeto  do  ganho  de  capital  impugnado  (apartamento  nº  1.200)  foi  transmitida,  em  06/07/2010,  do  contribuinte  e  sua  esposa,  para  o  adquirente  José  Goes  Júnior  e  sua  esposa,  conforme  instrumento particular datado de 18/06/2010, pelo preço de R$459.500,00.  Ou seja, tais documentos corroboram a conclusão de que não houve permuta  envolvendo o apartamento nº 1.200 na ocasião da aquisição do apartamento nº 2.501, e que o  apartamento nº 1.200 continuou em propriedade do contribuinte até a sua efetiva alienação a  José  Góes  Júnior.  Do  contrário,  o  contribuinte  sequer  poderia  constar  como  “Promitente  Vendedor” no contrato de Promessa de Compra e Venda firmado em 02/02/2010.  Da  mesma  forma,  o  fato  de  o  recorrente  ter  outorgado  mandato  por  instrumento público à Conartes Engenharia e Edificações Ltda., e de ser por ela representado  no contrato de Promessa de Compra e Venda do apartamento nº 1.200, firmado em 02/02/2010,  não  autoriza  a  conclusão  de  que,  com  a  outorga  do  referido  mandato,  já  havia  ocorrido  a  alienação do imóvel.  Referida  alienação  somente  se  consubstanciou  por  meio  do  Contrato  de  Promessa  de  Compra  e  Venda  de  fls.  145  a  147,  firmado  em  02/02/2010,  e  cuja  Cláusula  Primeira prevê a transferência da propriedade do apartamento nº 1.200 por meio da assinatura  do  contrato  de  financiamento  imobiliário,  o  que  ocorreu  em  18/06/2010  (fls.  337  a  358),  conforme confirmado também pela certidão do registro do imóvel acostada às fls. 140/141.  Aliás,  o  próprio  contribuinte  continuou  informando o  apartamento  nº  1.200  na relação de bens e direitos integrantes de suas declarações de ajuste até a DIRPF relativa ao  exercício  2011,  ano­calendário  de  2010,  na qual  ele  próprio  indica  que  referido  imóvel,  que  estava em sua propriedade em 31/12/2009, foi “vendido em fevereiro de 2010 ao sr. Jose Goes  Junior  cpf  474.988.626­20,  pelo  valor  de  459.500,00  através  da CA Cançado  e Edificações  Ltda, sendo o produto da venda utilizado para quitar a parcela de financiamento da compra  do apartamento 2501 do ed. Atlantic.”  Ou  seja,  todos  os  elementos  dos  autos  demonstram  que  a  alienação  do  apartamento nº 1.200 ocorreu posteriormente à aquisição do apartamento nº 2.501.  Assim, tendo em vista que o §6º do art. 2º da IN nº 599/2005 esclarece que  somente  estarão  isentos  os  ganhos  de  capital  auferidos  nas  vendas  de  imóveis  residenciais  anteriores  à  primeira  aquisição  de  imóvel  residencial,  e  considerando  que  a  venda  do  apartamento nº 1.200, à qual se pretende aplicar a isenção, ocorreu posteriormente à aquisição  do apartamento nº 2.501, não é possível considerar isento o ganho de capital dela decorrente.  Fl. 670DF CARF MF Processo nº 15504.725305/2012­76  Acórdão n.º 2401­005.292  S2­C4T1  Fl. 9          15 Da  mesma  forma,  o  fato  de  os  recursos  obtidos  com  a  alienação  acima  mencionada  terem  sido  utilizados  como parte  do  pagamento  da  aquisição  do  apartamento  nº  2.501 também não é suficiente para autorizar a aplicação da isenção em comento.  Nesse  ponto,  é  preciso  destacar  que  a  IN  nº  599/2005  determina,  expressamente, no §11, I, de seu art. 2º, que a isenção prevista neste dispositivo não se aplica à  hipótese de venda de imóvel residencial com o objetivo de quitar, total ou parcialmente, débito  remanescente  de  aquisição  a  prazo  ou  à  prestação  de  imóvel  residencial  já  possuído  pelo  alienante.  Diante do exposto, conclui­se que a transação que originou o ganho de capital  objeto do auto de infração recorrido não pode ser abarcada pela norma isentiva.  Por  todo  o  exposto,  estando  o  Auto  de  Infração,  sub  examine,  em  consonância  com  as  normas  legais  que  regulamentam  a matéria, VOTO NO SENTIDO DE  CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO,  e,  no mérito, NEGAR­LHE PROVIMENTO,  pelas razões de fato e de direito acima esposadas.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira                                Fl. 671DF CARF MF

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7182408 #
Numero do processo: 10242.000019/2004-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES Ano calendário: 2003, 2004 INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. A inexistência do Ato Declaratório de exclusão do Simples, bem como de sua notificação ao contribuinte, acarretam a impossibilidade de produção de seus efeitos jurídicos. Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-000.674
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carlos Pelá

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Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: SIMPLES  Ano­calendário: 2003, 2004  INCLUSÃO  RETROATIVA  NO  SIMPLES.  A  inexistência  do  Ato  Declaratório  de  exclusão  do  Simples,  bem  como  de  sua  notificação  ao  contribuinte,  acarretam  a  impossibilidade  de  produção  de  seus  efeitos  jurídicos.  Recurso Voluntário provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente julgado.    (assinado digitalmente)  Albertina Silva Santos de Lima ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Carlos Pelá ­ Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de  Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva,  Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima.       Fl. 221DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10242.000019/2004­07  Acórdão n.º 1402­00.674  S1­C4T2  Fl. 2          2   Relatório  Trata­se  de  requerimento  para  reinclusão  no  Simples  Federal,  apresentado  espontaneamente pelo contribuinte às fls. 01/02. Conta­nos o relatório de fls. 131, que:  a)  Que  fez  opção  pela  forma  de  tributação  denominada  de  Simples,  na  data  de  26.03.1997  e  que  à  época  do  enquadramento,  encontrava­se  em  atraso  com  alguns  tributos  federais,  e  que  por  exigência  legal,  efetuou  parcelamento  do  débito;  b)  Que  por  motivo  de  problemas  de  saúde  de  sua  titular  não  conseguiu  pagar  rigorosamente  em  dia  as  parcelas,  mas  na  medida do possível liquidou totalmente o parcelamento;  c)  Que  desde  o  enquadramento  até  a  presente  data  vem  entregando normalmente suas declarações de Imposto de Renda  nessa modalidade;  d)  Que  ao  tentar  entregar  a  declaração  do  exercício  de  2003,  ano­calendário  de  2002,  foi  surpreendida  pela  rejeição  da  entrega da referida declaração pelo sistema eletrônico, quando  foi informada de que havia sido excluída do Simples, pelo motivo  de  não  ter  pago  o  parcelamento  realizado  quando  de  seu  enquadramento  no  sistema,  e  que  se  esse  foi  o  motivo  já  se  encontra resolvido;  e) Salientou que se encontra nesta situação pelo fato da própria  Receita  Federal  ter  recebido  suas  declarações  dos  anos  subseqüentes  ao  desenquadramento,  pois  conforme  consta  em  documentos  internos  da  Inspetoria  da  Receita  Federal  em  Vilhena, a requerente foi desenquadrada no ano de 2001 e para  comprovar  anexou  cópias dos  recibos  de  entrega e  respectivas  declarações, inclusive a do exercício de 2003, ano­calendário de  2002, fls. 12 a 29, confirmadas pela tela da fl. 56;  f) Finalmente requereu o restabelecimento no enquadramento do  Simples;  g) Fez juntada de cópias de DARF's emitidos pela Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  com  as  respectivas  consultas  dos  processos, fls. 30 a 48, confirmados no Sistema "Sinal", fls. 61 a  65.  Após  isso,  constam  dos  autos  o  despacho  SARAC  nº  068/2008,  que  após  pesquisa nos  sistemas  informatizados da RFB afirmou  restar comprovado que  a  contribuinte  regularizou  sua  situação  em  11/06/2002  (f1.103),  possuindo,  ainda,  inscrições  em  DAU  (fls.91/98), que impediriam a sua permanência na referida sistemática. Assim, afirma que com  base na Lei 9.317/96, o contribuinte deveria ser  reenquadrado no Simples somente a partir de  01/01/2005, ano subseqüente ao da regularização de sua situação na PGFN.  Fl. 222DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10242.000019/2004­07  Acórdão n.º 1402­00.674  S1­C4T2  Fl. 3          3 Nesses  contexto,  sugere  que  o  pedido  do  contribuinte  seja  deferido  parcialmente, tomando­se as seguintes ações:  1 — Inclusão do contribuinte no Simples Federal a partir de 01/01/2005, f1.102;  2 — Exclusão do contribuinte do Simples Federal a partir de 30/06/2007, f1.102.   Acrescenta, ainda, que com a revogação da Lei 9.317/96 pela LC 123/2006,  todas as empresas que eram integrantes do Simples Federal foram excluídas dessa sistemática  em 30/06/2007 para que pudessem migrar para o Simples Nacional, caso não houvesse nenhum  fator impeditivo.  Diante do exposto, intima o contribuinte a apresentar as DIPJ's para os anos­ calendário 2003 e 2004 em outra forma de tributação (Lucro Presumido ou Real).  O contribuinte contesta o despacho às fl. 118/121.  Ato contínuo, a 2ª Turma da DRJ/BEL no acórdão nº 01­12.497 (fl. 130/136)  considerou,  por  maioria  de  votos,  nulo  por  vício  formal  o  despacho  decisório  SARAC  nº  068/2008 (fl. 104) que exclui a contribuinte do Simples.  Isso porque, referido despacho decisório havia sido fundamentado e assinado  por autoridade legalmente incompetente.  Com isso, nova decisão foi emitida (INFORMAÇÃO SARAC N° 002/2009,  datada  de  07.01.2009,  ciência  em  14.01.2009),  com  idêntico  teor  do  despacho  anterior  (SARAC nº 068/2008 as mesmas conclusões do anterior, sanadas as incorreções formais.  No  prazo  legal,  a  contribuinte  apresentou  nova  manifestação  de  inconformidade (fls. 148/161), afirmando, em síntese, que:   1)  Quitou  todos  os  valores  devidos,  ainda  que  com  atraso,  não  tendo  reclamado do fato o órgão competente ao tempo do infortúnio.  2)  Ainda  que  assistisse  razão  ao  fisco  para  que  fosse  regularmente  desenquadrada  do  sistema  a  contribuinte  deveria  ter  sido  notificada  a  sanar  eventuais  irregularidades  se  existente,  o  que  não  fora,  bem  como  se  houve  equívoco  nas  baixas  dos  débitos  a  Receita  deveria  apenas  corrigir  as  informações  e  restabelecer  a  condição  da  contribuinte e não simplesmente desenquadrá­la e exigir­lhe formas diversas de declaração ou  ainda rejeitar as ofertadas.  3) O desenquadramento, segundo informado pela Receita, ocorreu no ano de  2000,  porém  regularmente  neste  ano  e  nos  subseqüentes  a  mesma  colheu  e  aceitou  as  declarações e IRPJ da contribuinte, sem nunca ter­lhe informado dita condição, somente vindo  a conhecer o fato a contribuinte em 2003.   4) Se a exclusão do contribuinte se dera por força de débito junto a União ou  ao  INSS,  como  dão  conta  os  documentos  de  fls.58,  77,  80  e  91/98,  o  fisco  deveria  tê­la  comunicado, na forma do artigo 13, II, 'a' c/c artigo 9º, XV, Lei 9.317/96.  Fl. 223DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10242.000019/2004­07  Acórdão n.º 1402­00.674  S1­C4T2  Fl. 4          4 5)  O  próprio  fisco  confessa  (às  fls.  85)  que  não  houve  remessa  de  comunicação  de Vedação  e Exclusão  do  sistema  Simples,  logo  incontroversa  a  omissão  e  a  existência de nulidade.  6) Se houve débito e quitação em todos os períodos e não houve comunicação  formal do desenquadramento, ou pedido de regularização da situação pelo fisco, é nulo o ato de  exclusão do Simples.  7)  É  necessária  a  notificação  da  empresa  acerca  da  existência  de  fato  conducente à sua exclusão do Simples para oferecimento de defesa prévia sob pena de ofensa  aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Apresenta jurisprudência sobre o tema.  8) A inexistência do Ato Declaratório de exclusão do Simples, bem como de  notificação ao contribuinte acarreta a impossibilidade de produção de seus efeitos jurídicos.  9) O voto vencido no acórdão de fls.130/136 havia apontado a ilegalidade da  exclusão do contribuinte do Simples.  Novo acórdão  foi  proferido  (fls.  176/180), mantendo a decisão SARAC N°  002/2009, por entender que o  contribuinte manteve pendências  junto à PGFN que  impediam  sua permanência no Simples.  Finalmente, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário (fl. 189/199) em que  repisa  os  argumentos  de  suas  peças  impugnatórias,  bem  como  alega  aponta  a  falta  de  fundamentação do acórdão recorrido.  É o Relatório.  Fl. 224DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10242.000019/2004­07  Acórdão n.º 1402­00.674  S1­C4T2  Fl. 5          5   Voto               Conselheiro Carlos Pelá, Relator    O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser  conhecido.    Merece reforma o acórdão recorrido. Peço vênia para transcrever as razões de  decidir do voto vencido no acórdão nº 01­12.497 (fl. 130/136):  Analisando os documentos acostados ao processo verificou que a impugnante  possuía débitos inscritos na Procuradoria da Fazenda Nacional até o dia 02.03.2004,  quando  procedeu  ao  recolhimento  de  débito  tributário  inscrito  na  data  de  24.12.2003, conforme resultado de consulta acostado às fls 91 e92.  Também foram juntadas ao processo as Certidões Negativas quanto à Dívida  Ativa  da União,  emitida  pela  Procuradoria  da  Fazenda Nacional  e  da  Previdência  Social, nas datas de 08.04.2004 e 14.04.2004, respectivamente, fls 71 e 72.  Com  relação  às  declarações  apresentadas  a  tela  de  consulta  de  declarações  demonstra  que  foram  apresentadas  no  prazo  regulamentar  todas  as  declarações  a  partir do ano­calendário de 1997, na modalidade do Simples, inclusive do período de  01.01 a 30.06.2007, fl 89.  Considerando que não se encontra no processo cópia do Ato Declaratório  Executivo  de  Exclusão  e  nem  a  comprovação  de  ciência  ao  contribuinte,  encaminho o meu voto no  sentido de desconsiderar a  exclusão e manter para  todo o período a manutenção do sujeito passivo, na modalidade de tributação  denominada de SIMPLES.    De  fato,  não  existe  nos  autos  cópia  do  Ato  Declaratório  Executivo  de  Exclusão do contribuinte, tampouco de sua ciência.  Pelo contrário, no documento de fl. 85 restou consignado que o "AR" não foi  encontrado  e  que,  no  sistema  informatizado  Sucop,  não  havia meios  de  consultar  a  data  de  recebimento da vedação e exclusão do Simples.  Com efeito,  se o processo baseia­se na  suposta exclusão do contribuinte do  Simples, por tudo quanto exposto nos autos, não está comprovado se efetivamente ocorreu essa  exclusão,  de  que  forma  isso  foi  levado  a  cabo  e,  menos  ainda,  se  foi  dada  ciência  ao  contribuinte.  Logo,  torna­se  inadmissível  a  exclusão  do  contribuinte  do  Simples,  já  que  impedido de exercer os seus direitos à ampla defesa e ao contraditório.   Fl. 225DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10242.000019/2004­07  Acórdão n.º 1402­00.674  S1­C4T2  Fl. 6          6 Acolho  os  argumentos  do  contribuinte  no  sentido  de  que  a  inexistência  do  Ato Declaratório de exclusão do Simples, bem como de notificação ao contribuinte, acarretam  a impossibilidade de produção de seus efeitos jurídicos.  Posto  isso,  voto  pelo  provimento  do  recurso  voluntário  interposto,  para  reformar a decisão de primeira instância, desconsiderar a exclusão e manter a contribuinte na  sistemática de recolhimento do Simples.    (assinado digitalmente)  Carlos Pelá                                Fl. 226DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA

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Numero do processo: 10865.900058/2006-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2003 IRPJ.RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. COMPROVAÇÃO APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.613
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRF de Origem, para que aprecie a DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento, adentrando no mérito, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. Presente no julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira

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TUBESP TUBOS ESPIRAIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003  IRPJ.RECONHECIMENTO  DE  DIREITO  CREDITÓRIO.  ALEGAÇÃO  DE  ERRO  NO  PREENCHIMENTO  DE  DCOMP.  COMPROVAÇÃO  APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar  alegações de defesa, no sentido de que  incorreu em erros de preenchimento  da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa  negativa.  Recurso Voluntário Provido em Parte.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento parcial ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRF de Origem, para que  aprecie a DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento,  adentrando no mérito,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente  julgado.  Ausente  momentaneamente, o Conselheiro Carlos Pelá. Presente no  julgamento, o Conselheiro Sérgio  Luiz Bezerra Presta.    (assinado digitalmente)  Albertina Silva Santos de Lima ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de  Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva,  Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima.         Fl. 46DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10865.900058/2006­32  Acórdão n.º 1402­00.613  S1­C4T2  Fl. 0          2   Relatório  TUBESP TUBOS ESPIRAIS LTDA, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº  70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de  Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou improcedente  seu pleito.   Em  razão  de  sua  pertinência,  transcrevo  o  relatório  da  decisão  recorrida  (verbis):  Trata­se  de  Manifestação  de  Inconformidade  interposta  em  face  do  Despacho  Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por  intermédio  da  qual  a  contribuinte  pretende  compensar  débitos  de  sua  responsabilidade  com  crédito  decorrente  de  Saldo  Negativo  de  IRPJ,  relativo  ao  período de 04 e 05/2003.  Por  meio  de  despacho  decisório,  foi  indeferido  o  pedido,  e  declarada  não  homologada  a  compensação,  ante  constatação  de  que  o  valor  do  alegado  saldo  negativo do  imposto,  informado em PER/DCOMP, diverge daquele  informado em  DIPJ, em relação ao mesmo período de apuração.  Cientificada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega,  em síntese: a) que “conforme documentos em anexo (ficha da DIPJ), a empresa tem  crédito  suficiente  para  quitação  do  débito,  no  qual  a  Receita  pode  constatar  facilmente  por  acesso  a  seus  arquivos  no  processamento”;  b)  que  “em  nenhum  momento  a  Receita  deu  a  chance  para  a  empresa  retificar  a  PER/DCOMP  em  referência, o que poderia e pode sanar a questão facilmente”. Ao final,  requer seja  acolhida  a  manifestação  de  inconformidade,  por  supostamente  demonstrada  a  insubsistência  do  débito,  e  procedida  a  compensação  de  ofício  ou  dada  nova  oportunidade para apresentação de PER/DCOMP retificadora.    A decisão recorrida está assim ementada:  MANIFESTAÇÃO DE  INCONFORMIDADE.  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.  COMPETÊNCIA  DAS  DELEGACIAS  DA  RECEITA  FEDERAL  DE  JULGAMENTO.  A  competência  das  Delegacias  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  para  reexame  de  decisões  sobre  pedidos  de  restituição  e  compensação  limita­se  à  matéria  objeto  do  pedido,  apreciada  pela  autoridade  competente, sob pena de supressão de instância processual administrativa.  DCOMP.  CRÉDITO.  INEXISTÊNCIA.  Demonstrada  nos  autos  a  inexistência  do  crédito  indicado  na  declaração  de  compensação  formalizada,  impõe­se  o  seu  indeferimento.  DIREITO  CREDITÓRIO.  ÔNUS  DA  PROVA.  Incumbe  ao  sujeito  passivo  a  demonstração,  acompanhada  das  provas  hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega  possuir  junto  à  Fazenda  Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez e certeza pela autoridade administrativa.  COMPENSAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  Apenas  os  créditos  líquidos  e  certos  são  passíveis  de  compensação  tributária,  conforme  artigo  170  do  Código  Tributário  Nacional.  Fl. 47DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10865.900058/2006­32  Acórdão n.º 1402­00.613  S1­C4T2  Fl. 0          3 Manifestação de Inconformidade Improcedente    Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário,  no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória  e, ao final, requer o provimento.  É o relatório.  Fl. 48DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10865.900058/2006­32  Acórdão n.º 1402­00.613  S1­C4T2  Fl. 0          4   Voto             Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator.  O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos  legais e regimentais  para sua admissibilidade, dele conheço.  Consoante  relatado,  trata­se  de  pedido  de  reconhecimento  de  direito  creditório  relativo  a  saldo  negativo  de  recolhimentos  do  IRPJ  do  ano  de  2002,  tendo  o  contribuinte informado na DCOMP que seria do ano de 2003.  O pleito do contribuinte foi indeferido pela DRF de origem sob o fundamento  de que o valor originalmente pleiteado nas DCOMP, relativo ao ano 2003 seria inexistente. O  contribuinte  apresentou  então  manifestação  de  inconformidade,  alegando  erro  no  preenchimento da DCOMP, sendo que o direito creditório seria do ajuste anual de 2002.  Vejamos os fundamentos da decisão de 1a. instância:  Vale destacar que a possibilidade de retificação de informações prestadas na  Declaração  de Compensação,  aventada  pela  recorrente,  encontra­se  expressamente  prevista  na  Instrução Normativa  n.º  360,  de  24 de  setembro  de  2003,  e  legislação  posterior, nos termos seguintes:  Art.  6º  O  Pedido  Eletrônico  de  Restituição,  o  Pedido  Eletrônico  de  Ressarcimento  e  a  Declaração  de  Compensação  gerados  a  partir  do  Programa  PER/DCOMP  1.1  (ou  versão  anterior)  e  transmitidos  à  SRF  poderão ser retificados pelo sujeito passivo mediante o preenchimento e envio  à SRF de documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP  1.1,  desde  que  o  pedido  ou  a  declaração  se  encontre  pendente  de  decisão  administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à  Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 7º e 8º.  Verifica­se que o pleito da interessada tem por objeto compensação de Saldo  Negativo de IRPJ, relativo ao período de 01/04/2003 a 30/06/2003, para quitação de  débito(s)  de  IRPJ­estimativa,  apurado(s)  em  04  e  05/2003.  Cabem  aqui  duas  observações.  Primeiramente,  tendo  a  contribuinte  optado,  no  ano­calendário  de  2003,  por  regime  de  apuração  do  IRPJ  pelo  lucro  real  anual,  e  considerando  o  regime  legal  de  apuração  do  imposto,  regulado  pelo  RIR/99,  somente  após  o  encerramento do ano­calendário de 2003, em 31 de dezembro, estaria configurada a  apuração de eventual saldo negativo (ou de imposto a pagar). Há que se considerar  que, na realidade, o alegado indébito refere­se a saldo negativo anual supostamente  apurado  ao  final  do  ano­calendário  de  2003,  e  não  no  período  de  01/04/2003  a  30/06/2003,  como  indicado  em  PER/DCOMP.  Em  segundo  lugar,  verifica­se  que  o(s)  débito(s)  cuja  compensação  se  pleiteia  refere(m)­se  a  estimativa  mensal  do  imposto, concernente ao período de abril e maio do mesmo ano­calendário (2003).  Por  tratar­se  de  mera  antecipação  do  imposto,  que  integra  a  própria  apuração  do  valor devido ao final do ano­calendário, como acima demonstrado, resta evidente a  impossibilidade  lógica  do  pedido  em  exame,  já  que  o  alegado  indébito  (saldo  negativo  de  IRPJ­a/c  2003)  comporta,  em  sua  apuração,  o(s)  débito(s)  que  se  pretende compensar (IRPJ­estimativa, 04 e 05/2003).  De outra parte, na peça impugnatória em exame, a  interessada indica crédito  distinto  daquele  informado  em  PER/DCOMP,  supostamente  apurado  no  ano­ Fl. 49DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10865.900058/2006­32  Acórdão n.º 1402­00.613  S1­C4T2  Fl. 0          5 calendário  de  2002,  conforme  cópia  de  ficha  de  DIPJ  juntada  aos  autos,  o  qual  pretende seja considerado para compensação no presente processo.   Resta  assim  evidenciado  que  o  pleito  da  contribuinte,  manifesto  na  defesa,  não é outro senão o de obter o reconhecimento de direito creditório com fundamento  diverso do  inicialmente postulado, o que  à evidência  constitui  inovação ao pedido  inicial  E, como novo pedido, não deve ser apreciado nesta  instância julgadora, seja  porque  tal  pedido não  fora previamente dirigido  à  autoridade  fiscal,  seja porque é  competência  do  Delegado  da  Receita  Federal  do  Brasil  manifestar­se  quanto  ao  mérito da questão,  ou  seja,  quanto ao valor do direito  creditório  em discussão. Se  assim o fizesse, estaria a autoridade julgadora avocando uma competência que não  lhe é atribuída regimentalmente, pois não se trata apenas de examinar a presença do  direito  em  tese,  mas  também  de  se  verificar  se  o  tributo  reclamado  originou  efetivamente aquele crédito, bem como se referido indébito já não foi liquidado em  autocompensações e se, até mesmo, já não decaiu o direito de a contribuinte pleitear  a restituição do tributo em questão.  Peço  vênia  para  discordar  do  entendimento  do  nobre  Relator  do  Acórdão  Recorrido.  Isso  porque  não  há  impedimento  legal  para  reconhecimento  de  erro  material  cometido no preenchimento de declaração. De  fato,  o  artigo 6o.  da  Instrução Normativa No.  360/2003,  acima  transcrito vedaria    a  retificação de  erros dessa natureza, mas  repito,  não há  vedação legal nesse sentido.  Este  Conselho  já  reconheceu  a  possibilidade  da  comprovação  de  erro  no  preenchimento  de  declarações  no  transcurso  do  processo  administrativo.  Vejamos  alguns  julgados que amparam esse entendimento.  Acórdão 108­08689, de 25/1/2006  IRPJ ­ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO – Uma vez demonstrado  o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a  formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real.  Acórdão 101­94955, de 15/04/2005  IRPJ  ­  AUDITORIA  EM  DCTF­  FALTA  DE  PAGAMENTO.  Comprovado  que  a  diferença apurada na auditoria deveu­se, exclusivamente, a erro no preenchimento  da declaração, cancela­se o auto de infração.  Acórdão 103­21472, de 5/12/2003  CSLL  ­  ERRO O  PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE  RENDIMENTOS  ­  POSSIBILIDADE  DE  RETIFICAÇÃO  DA  MATÉRIA  TRIBUTÁVEL  ­  IMPRESCINDÍVEL COMPROVAÇÃO MATERIAL DO EQUÍVOCO OU DO ERRO  DE FATO ­ A ordem jurídica vigente não permite a cobrança de tributos sem que  seja procedida a determinação da matéria tributável, consoante dispõe o artigo 142  do  CTN.  Entretanto,  nos  casos  em  que  o  contribuinte  não  logra  comprovar,  materialmente,  os  equívocos  ou  erros  de  fato  que  teria  cometido  quando  do  preenchimento  da  declaração  não  vejo  como  não  prevalecer  à  tributação  pretendida  exclusivamente  com  base  no  procedimento  sumário  de  revisão  das  declarações de ajuste (malhas fiscais).    Fl. 50DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O Processo nº 10865.900058/2006­32  Acórdão n.º 1402­00.613  S1­C4T2  Fl. 0          6 No  caso  do  autos  o  erro  no  preenchimento  é  patente:  não  é  crível  que  o  contribuinte pretendesse compensar débitos de estimativas do IRPJ de abril a  junho de 2003,  com saldo negativo de recolhimentos do mesmo tributo naquele periodo (fl. 17). Além disso, o  contribuinte  faz  prova  nos  autos  de  que  apurou  saldo  negativo  de  recolhimento  do  IRPJ  no  ajuste anual de 2002 (fl. 9)  Portanto, cabível a apreciação do mérito pela autoridade administrativa, qual  seja o erro no preenchimento da declaração.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  dar  provimento  parcial  ao  recurso  e  determinar  o  retorno  dos  autos  à DRF de Origem,  para  que  aprecie  a DCOMP,  levando  em  consideração o erro no preenchimento,  adentrando ao mérito.    (assinado digitalmente)  Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira                                  Fl. 51DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE O

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7155741 #
Numero do processo: 15249.000937/2008-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 DCOMP. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA Não compete ao CARF a analise de pedido de cancelamento de Dcomp. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3001-000.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES

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3001­000.190  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  26 de janeiro de 2018  Matéria  Cancelamento de DCOMP  Recorrente  ALVARO DA SILVA CRISTINA & FILHOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003  DCOMP. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA  Não compete ao CARF a analise de pedido de cancelamento de Dcomp.  MATÉRIA  NÃO  CONTESTADA  EM  IMPUGNAÇÃO.  PRECLUSÃO.  OCORRÊNCIA.  Nos  termos  do  art.  17  do  Decreto  nº  70.235/72,  considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  em  impugnação, verificando­se a preclusão consumativa em relação ao tema.  Recurso Voluntário Não Conhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer  do Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Orlando Rutigliani Berri ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Cleber Magalhães ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Orlando  Rutigliani  Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.    Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 24 9. 00 09 37 /2 00 8- 13 Fl. 273DF CARF MF     2 Por  retratar  com  fidelidade  os  fatos,  adoto  o  relatório  produzido  pela  2ª  Turma da DRJ/Porto Alegre (efl. 243 e ss):  O  contribuinte  em  epígrafe  encaminhou  a  Declaração  de  Compensação  (DCOMP)  nº  19528.98817.140404.1.3.040061,  transmitida  em  14/04/04,  onde  alegava  um  crédito  de  R$  6.570,74 a  título de PIS referente à competência de outubro de  2003  (data da arrecadação em 31/10/2003),  conforme  fls. 10 a  15 dos autos.  O valor que estaria  sendo compensado  seria  exatamente de R$  6.570,74, correspondentes ao PIS de outubro de 2003, ou  seja,  mesma competência e contribuição que teria originado o crédito.  O  despacho  decisório  da  DRF  de  origem  homologou  parcialmente  a  compensação,  informando  que  foi  constatada  a  procedência  do  crédito  original  informado  no  PER/DCOMP,  reconhecendo­se  o  valor  pretendido,  mas  que,  no  entanto,  tal  crédito revelou­se insuficiente para quitar os débitos informados  na declaração de compensação (fl. 2).  Ainda  de  acordo  com  essa  decisão  administrativa,  diante  da  mencionada  insuficiência  de  crédito  estaria  sendo  cobrado  do  contribuinte o valor de R$ 1.042,15 a título de principal, mais R$  208,43 como multa e R$ 707,09 como juros.  A  DCTF  original  correspondente  a  esse  período  de  apuração  trazia um valor devido de PIS (Código de Receita 69121) de R$  7.163,30  (fl.  21),  enviada  em  05/02/2004,  enquanto  que  a  retificadora declarou um valor devido de R$ 592,56, enviada em  14/04/2004  (fl.  22).  A  DIPJ  correspondente,  entregue  em  08/06/2004, também declarava um débito de PIS na importância  de R$ 592,56 (fl. 24).  A  ciência  do  despacho  decisório  ocorreu  em  18/09/2008  (fls.  26/27).  A  interessada  apresentou  manifestação  de  inconformidade em 29/09/2008, à fl. 1 dos autos.  O contribuinte alega inconformidade com o Despacho Decisório,  informando ter ocorrido um “erro de fato”, já corrigido. Solicita  o  cancelamento  da  DCOMP  transmitida  em  14/04/2004  19528.98817.140404.1.3.040061.  A DRJ/Florianópolis ementou da seguinte forma:      ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003   DCOMP. CANCELAMENTO. COMPETÊNCIA.  As  Delegacias  de  Julgamento  não  têm  competência  para  apreciar originariamente pedido de cancelamento de DCOMP.  Manifestação  de  Inconformidade  Não  Conhecida  Sem  Crédito  em Litígio  Fl. 274DF CARF MF Processo nº 15249.000937/2008­13  Acórdão n.º 3001­000.190  S3­C0T1  Fl. 3          3 No  Recurso  Voluntário,  a  Recorrente  (efl.  253  e  ss)  repete  o  pedido  de  cancelamento  da  Dcomp  e  apresenta  novos  argumentos  e  pedidos,  relativamente  a  créditos  controlados pelo processo administrativo nº 11080.910.760/2008­66.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Cleber Magalhães – Relator.  O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235,  de 1972, razão pela qual deve ser conhecido.  O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta  salários mínimos, segundo o 23­B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF  nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor  do salário­mínimo nacional é de R$ 937,00, segundo a Lei nº 13.152, de 2015. Dessa forma, o  limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$  56.220,00. Como o valor em litígio é de R$ 1.957,67 (efl. 8), a análise do p.p. está dentro da  alçada das turmas extraordinárias.    Relativamente  aos  argumentos  relativos  a  créditos  controlados  pelo  processo  administrativo  nº  11080.910.760/2008­66,  deixo  de  analisá­los  por  não  tratarem  de  questões  relativas  à  este  processo  em  análise  e  inovarem  em  relação  ao  exposto  na manifestação  de  inconformidade.  Trata­se  de  matéria  não  contestada  em  impugnação.  Ocorre,  assim,  a  preclusão, pois, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar­se­á não impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  em  impugnação,  verificando­se  a  preclusão consumativa em relação ao tema.  Quanto  ao  pedido  de  cancelamento  de Dcomp,  entendo,  inicialmente,  que  não  existe  crédito em litígio. O art. 25 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que compete ao CARF,  em  segunda  instância,  o  julgamento  do  processo  de  exigência  de  tributos  ou  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal.   Assim, não cabe  a  esse  tribunal  a análise de pedido de  cancelamento de Dcomp. Por  outro  lado,  segundo  o  Parecer  Normativo  Cosit  nº  8/2014  (item  48),  a  Portaria  Conjunta  SRF/PGFN nº 1/1999 estabelece que “qualquer débito encaminhado para inscrição em dívida  Fl. 275DF CARF MF     4 ativa pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa da RFB quando o sujeito passivo  apresentar provas inequívocas de cometimento de erro de fato”.     Entendo  que,  no  caso,  já  que  o  Contribuinte,  em  sede  de  Manifestação  de  Inconformidade, insurgiu­se contra o não cancelamento da Dcomp, cabe revisão de ofício, a ser  encaminhada à Unidade de origem da Receita Federal responsável pela análise da questão, ou  seja, a DRF/Porto Alegre.  Pelo  exposto,  voto  por  NÃO  CONHECER  o  Recurso  Voluntário  e  encaminhar  o  presente  processo  à  unidade  de  origem  da  Receita  Federal  do  Brasil,  para  prosseguimento.  (assinado digitalmente)  Cleber Magalhães                               Fl. 276DF CARF MF

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Numero do processo: 11516.001586/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE.A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei 5.869/73). SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA Preenchidos os requisitos legais trazidos pelo Decreto n° 3.724/2001 para obtenção das informações financeiras do contribuinte, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por causa da existência de RMF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA . As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, que se inicia com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não se admite o contraditório. TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1301-002.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: Amélia Wakako Morishita Yamamoto

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE.A LC 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida pelo RE 601.314 (julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei 5.869/73). SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA Preenchidos os requisitos legais trazidos pelo Decreto n° 3.724/2001 para obtenção das informações financeiras do contribuinte, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal por causa da existência de RMF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA . As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa só se manifestam com o processo administrativo, que se inicia com a impugnação do auto de infração. Não existe cerceamento do direito de defesa durante o procedimento de fiscalização, procedimento inquisitório que não se admite o contraditório. TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1948; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 741          1 740  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.001586/2007­11  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1301­002.772  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de fevereiro de 2018  Matéria  SIMPLES ­ OMISSÃO DE RECEITAS  Recorrente  EXPRESSO ESTRELA CATARINENSE LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2003  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO.  PREVISÃO  NA  LEI  COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE.A LC 105/2001  permite  a  quebra  do  sigilo  por  parte  das  autoridades  e  dos  agentes  fiscais  tributários  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em  curso  e  tais  exames  sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa competente. Constitucionalidade da LC 105/2001 reconhecida  pelo  RE  601.314  (julgamento  realizado  nos  termos  do  art.  543­B  da  Lei  5.869/73).  SÚMULA CARF nº 2.  Este  Conselho  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.  REQUISIÇÃO  DE  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA  (RMF).  NULIDADE  DO PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA  Preenchidos  os  requisitos  legais  trazidos  pelo  Decreto  n°  3.724/2001  para  obtenção das informações financeiras do contribuinte, não há que se falar em  nulidade do procedimento fiscal por causa da existência de RMF.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA .  As  garantias  constitucionais  do  contraditório  e  da  ampla  defesa  só  se  manifestam com o processo administrativo, que se inicia com a impugnação  do auto de infração.  Não  existe  cerceamento  do  direito  de  defesa  durante  o  procedimento  de  fiscalização, procedimento inquisitório que não se admite o contraditório.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 15 86 /2 00 7- 11 Fl. 741DF CARF MF Processo nº 11516.001586/2007­11  Acórdão n.º 1301­002.772  S1­C3T1  Fl. 742          2 TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Fernando Brasil de Oliveira Pinto ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  Amélia Wakako Morishita Yamamoto ­ Relatora.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior,  José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de  Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando  Brasil de Oliveira Pinto.    Fl. 742DF CARF MF Processo nº 11516.001586/2007­11  Acórdão n.º 1301­002.772  S1­C3T1  Fl. 743          3 Relatório  EXPRESSO ESTRELA CATARINENSE LTDA, já qualificado nos autos,  recorre  da  decisão  proferida  pela  3a  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento em Florianópolis (SC) ­ DRJ/FNS (fls. 636 e ss), que, por unanimidade de votos,  rejeitou a preliminar de nulidade e manteve os lançamentos.  Do Lançamento  Segundo  o  Termo  de  Verificação  e  Encerramento  da  Ação  Fiscal,  (fls.  134/145), e Relatório do acórdão recorrido, as razões do lançamento foram:   Trata  o  presente  processo  de  impugnação  aos  Autos  de  Infração  de  fls.  375/435,  os  quais  exigem  da  interessada  o  recolhimento  das  seguintes  importâncias,  todas  apuradas sob as regras do Simples, correspondentes ao ano calendário de 2003:  ­ IRPJ ­ SIMPLES ­ R$31.958,26  ­ PIS/Pasep ­ SIMPLES ­ R$31.958,26  ­ CSLL ­ SIMPLES ­ R$50.572,82  ­ COFINS ­ SIMPLES ­ R$101.145,63  ­ INSS ­ SIMPLES ­ R$204.553,88  Houve a incidência de multa de 75% e juros de mora.  Como consta nos Autos de Infração, foi feito o lançamento de oficio a título  de (i) omissão de receitas por conta de depósitos bancários origem não justificada, nos termos  do art.42 da Lei n° 9.430/96 e, também, (ii) por insuficiência de recolhimento dos impostos e  contribuições apurados então pelo Simples.    Do Termo de Verificação Fiscal (fls.357 a 374) tem­se, resumidamente:    Nos  trabalhos  de  auditoria­fiscal  levado  a  efeito  na  contribuinte  em  epígrafe,  os  atos fiscais originaram os seguintes processos fiscais:    1)  N°  11516.001586/2007­11  (AUTO  DE  INFRAÇÃO  —  IMPOSTO  SIMPLES),  relativo ao ano calendário de 2003, onde foi constatada OMISSÃO DE RECEITAS  nas bases de cálculo para apuração dos tributos federais pelo SIMPLES;    2)  N°  11516.001585/2007­76  (EXCLUSÃO  DO  SIMPLES),  no  qual  após  a  expedição  do  Ato  Declaratório  Executivo  DRFB/FNS  n°23  a  contribuinte  foi  excluída do SIMPLES a partir de 01/01/2004, tendo seus lucros arbitrados no ano  calendário  de  2004  e  2005,  após  a  emissão  do MPF Complementar  constante  da  11.385  deste  processo,  uma  vez  que  não  apresentou  livros  contábeis  e  fiscais  obrigatórios para apuração do Lucro Real.  Fl. 743DF CARF MF Processo nº 11516.001586/2007­11  Acórdão n.º 1301­002.772  S1­C3T1  Fl. 744          4 (...)    2—  DOS  PROCEDIMENTOS  INICIAIS  (TERMO  DE  INÍCIO  DE  FISCALIZAÇÃO)  Através  do  Termo  de  Início  de  Fiscalização,  datado  de  17/01/2007,  cuja  ciência  ocorreu  em  01/02/2007,  inauguramos  o  procedimento  fiscal  solicitando  à  contribuinte a apresentação de livros fiscais, cópia do contrato social e alterações,  extratos de contas bancárias e demais documentos contábeis que serviram de base  para escrituração do período fiscalizado.    3— TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL N°001 Neste termo,  a contribuinte foi cientificada, em 13/02/2007, de que seus livros fiscais, relativos a  2003  e  2004,  NÃO  continham  a  escrituração  da  movimentação  financeira  das  contas correntes bancárias do período, ademais NÃO foram apresentados os livros  fiscais  de  2005  e  também NÃO  foram  exibidos  os  extratos  bancários  do  período  fiscalizado.  Assim,  a  empresa  fiscalizada  foi  intimada  a  sanar  as  deficiências  apontadas,  bem  como  apresentar  os  extratos  bancários  e  os  documentos  que  comprovassem a origem dos depósitos efetuados nestas contas correntes.    6 —  TERMO DE  INTIMAÇÃO FISCAL  001  E  TERMO DE REINTIMAÇÃO  FISCAL datado de 30/04/2007  Os  valores  depositados  nas  contas  correntes  bancárias  mantidas  em  nome  da  empresa durante o período fiscalizado foram listados individualmente em planilhas  que  compuseram os anexos 1,  2,  3  e 4 do Termo de  Intimação Fiscal n° 001, um  conjunto de 36 planilhas — 24 relativas a duas contas do Bradesco e 12 do Banco  do Brasil. Foi solicitado que a contribuinte apresentasse documentos contábeis que  revelassem  a  origem  dos  ingressos  nas  suas  contas  bancárias.  Adicionalmente,  foram  fornecidas  fotocópias  dos  extratos  bancários  de  suas  contas  correntes,  obtidas pela Fiscalização junto às instituições bancárias.    7—  DAS  DIFERENÇAS  APURADAS  NAS  BASES  DE  CÁLCULO  DO  SIMPLES — OMISSÃO DE RECEITAS — ANO CALENDÁRIO 2003    Os  valores  depositados  nas  contas  correntes  da  empresa  fiscalizada  devem  ser  justificados mediante apresentação de documentos contábeis conforme preconizado  pelo artigo 42 da Lei 9.430, in verbis:  (...)  Relativamente  ao  ano  calendário  de  2003,  após  consideradas  as  ponderações  trazidas pela contribuinte a aceitas pela Fiscalização nos termos descritos no item 6  acima, a partir das planilhas anexas ao termo de intimação N° 001/2007, foi feita a  consolidação,  por  banco,  de  todos  os  ingressos  das  contas  da  contribuinte,  conforme tabela a seguir:  (...)  A  coluna  "TOTAL  MENSAL"  da  tabela  acima,  constituem­se  em  ingressos  nas  contas  bancárias  da  contribuinte,  que  por  força  do  art.42  da Lei  9.430/96,  serão  considerados  como  receita  auferida  pela  empresa.  Verifica­se  que  a  empresa  fiscalizada, no decorrer do ano calendário de 2003, excedeu o  limite estabelecido  pela  Lei  9.317  e  suas  alterações  posteriores,  devendo  ser  excluída  do  SIMPLES,  conforme será abordado no item 8— DA EXCLUSÃO DO SIMPLES A PARTIR DE  01/01/2004.    Fl. 744DF CARF MF Processo nº 11516.001586/2007­11  Acórdão n.º 1301­002.772  S1­C3T1  Fl. 745          5 A  partir  da  declaração  do  SIMPLES  —  PSJI  2004  (fls.59  a  88  do  proc.  11516.001586/2007­11)  e  a  tabela  acima  foi  apurada,  mensalmente,  a  receita  omitida, conforme a tabela a seguir:  As  diferenças  apuradas,  constantes  da  coluna  'OMISSÃO  APURADA'  da  tabela  acima, constituem­se em valores omitidos nas bases de cálculo que serviram para  apuração de impostos e contribuições federais no calendário de 2003, sendo objeto  de  lançamento  de  oficio  em  auto  de  infração,  em  atendimento  ao  disposto  na  legislação vigente, in verbis:  (...)   Da Impugnação  Nos  termos  da  decisão  da  DRJ,  segue  o  relato  da  Impugnação,  de  fls.  439/554, que aduziu os seguintes argumentos:  (i) houve violação à Lei Complementar n° 105, de 11 de janeiro de 2001 e   (ii) ao sigilo bancário, protegido pela Constituição Federal, que   (iii) está se dando uma interpretação extensiva da Lei 9.311/96, que   (iv) que com a Lei 10.174, de 09 de janeiro de 2001, a SRF dando uma maior  amplitude ao seu poder de fiscalização, onde conclui (fl.449):  Se  foram  feitas  tantas  ressalvas  pela  legislação  complementar,  como  pode  o  legislador  ordinário  passar  por  cima  de  todas  como  que  num  passe  de  mágica,  através  de  verdadeira  interpretação  legiferante,  afim  de  efetivar  o  lançamento  tributário com base nos depósitos efetivados pelos contribuintes como a Impetrante?  Na  verdade  não  pode,  pois  uma  legislação  ordinária  não  pode  revogar  uma  legislação complementar!  Veja­se que a LC 105  (DOU de 11/01/2001) é ainda posterior à Lei Ordinária n.  10.174 (DOU de 10/01/2001) motivo pelo qual não se poderia, sequer, alegar que a  legislação  complementar  seria  "materialmente  ordinária",  como  tem  ocorrido  em  outros  casos,  vez  que  a  lei  posterior  revoga  a  lei  anterior.  Em  conclusão,  em  qualquer dos casos a LC 105/01 deve ser observada, de maneira que sua aplicação  não pode ser mitigada pelas autoridades fiscalizadoras.  Como  vimos  a  nulidade  dos  atos  praticados  pelos  Auditores  da  Secretaria  da  Receita  Federal  decorre  da  ausência  de  previsão  legal  para  que  se  exija  da  Impugnante a apresentação de seus extratos bancários, assim como, lhes impede o  acesso irrestrito às movimentações da Impugnante e por conseqüência a utilização  destes dados para a cobrança de eventuais diferenças encontradas.  Quanto  à  parte  de  sua  impugnação,  que  identifica  como  sendo  de mérito  (item III, fis.449 a 453), discorre a Impugnante acerca da  ilegalidade da imposição da Taxa  SELIC sobre o débito cobrado.  Em  julgamento  realizado  em  09  de  novembro  de  2007,  a  3ª  Turma  da  DRJ/FNS, considerou improcedente a impugnação da contribuinte e prolatou o acórdão 07­11­ 280, assim ementado:   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Fl. 745DF CARF MF Processo nº 11516.001586/2007­11  Acórdão n.º 1301­002.772  S1­C3T1  Fl. 746          6 Ano­calendário: 2003  EXAME  DE  INFORMAÇÕES  BANCÁRIAS.  EMBARAÇO  À  FISCALIZAÇÃO.  Por  força  do  inciso  VII  do  art.  3o  do  Decreto  n°  3.724,  de  2001,  que  regulamenta o art. 6° da LC 105, de 2001, a prática de atos que caracterizam  embaraço  à  fiscalização  (não  fornecimento  de  informações  sobre  movimentação  financeira),  devidamente  conceituados  no  art.  33  da  Lei  n°  9.430, de 1996, autoriza o exame de extratos e demais documentos bancários  dos contribuintes.  SIGILO  BANCÁRIO.  PROCEDIMENTO  DE  OFÍCIO.  SOLICITAÇÃO  REGULAR.  Havendo  procedimento  de  oficio  instaurado,  a  prestação,  por  parte  das  instituições  financeiras,  de  informações  solicitadas  pelos  órgãos  fiscais  tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário,  haja  vista  prestar­se  apenas  a  possível  constituição  de  crédito  tributário  e  eventual  apuração de  ilícito penal,  havendo, na  verdade, mera  transferência  da  responsabilidade do sigilo,  antes assegurado pela  instituição  financeira e  agora mantido pelas autoridades administrativas.  ALEGAÇÕES CONTRA JUROS PREVISTOS EM LEIS VIGENTES.  Estando  os  juros  lançados  em  absoluta  conformidade  com  a  legislação  de  regência,  não  podem  ter  seus  percentuais  reduzidos  aleatoriamente  pelo  julgador  administrativo,  em  virtude  de  alegada  feição  de  inconstitucionalidade da exigência de juros com base na taxa Selic.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2003  Argüições  de  Inconstitucionalidade  e  Ilegalidade  da  Legislação  Tributária.  Limitação.  As  autoridades  administrativas  estão  obrigadas  à  observância  da  legislação  tributária  vigente  no  País,  sendo  incompetentes  para  a  apreciação  de  arguições de  inconstitucionalidade e  ilegalidade de atos  legais  regularmente  editados.  Lançamento Procedente    Do Recurso Voluntário  A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 659 e ss, onde reforça os  argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendo­se aos seguintes pontos:  ­ Da Preliminar ­ Cerceamento de Defesa ­ Quebra do Sigilo Bancário;  ­ Do mérito ­ Da ilegalidade da imposição da Taxa Selic;  Por meio da Resolução n. 1202­000.172, de 07 de março de 2013, a Turma  decidiu por unanimidade, sobrestar o feito, em razão da discussão acerca da quebra do sigilo  bancário, e aguardasse decisão nos autos do processo em razão de repercussão geral.  Fl. 746DF CARF MF Processo nº 11516.001586/2007­11  Acórdão n.º 1301­002.772  S1­C3T1  Fl. 747          7 Recebi os autos, desta feia, por sorteio, em 18/10/2017.  É o relatório. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 11516.001586/2007­11  Acórdão n.º 1301­002.772  S1­C3T1  Fl. 748          8 Voto             Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora  A  contribuinte  foi  autuada,  em  15/06/2007,  para  o  recolhimento  de  IRPJ,  CSLL, PIS, COFINS e INSS no regime simplificado ­ SIMPLES, relativo ao período de 2003,  totalizando o crédito tributário de R$420.263,85, incluindo multa de ofício de 75% e juros de  mora.   Ela  foi  cientificada  do  teor  do  acórdão  da  DRJ/FNS  e  intimada  ao  recolhimento dos débitos em 10/12/2007 (AR de fl. 653), e apresentou em 09/01/2008, recurso  voluntário e demais documentos, juntados às fls. 659 e ss.  Já  que  atendidos  os  requisitos  de  admissibilidade  previstos  no  Decreto  nº  70.235/72, e tempestivo, dele conheço.  A  ação  fiscal  identificou  para  o  ano­calendário  em  discussão,  omissão  de  receitas nas bases de cálculo para apuração dos tributos federais pelo SIMPLES.  1 ­ Preliminares  1.1 ­ Cerceamento de Defesa  Alega  a  recorrente  que  houve  o  cerceamento  de  defesa,  já  que  a  decisão  recorrida  deixou  de  analisar  a  alegação  de  inconstitucionalidade  por  ilegalidade  de  norma  tributária, e em razão disso, teria deixado de analisar todos os argumentos de defesa.  Primeiramente, a alegação de  inconstitucionalidade, de  fato, não é oponível  na esfera administrativa, e nesse ponto, já existe a Súmula CARF n. 02:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Ademais, não vejo que tenha ocorrido cerceamento de defesa, já que todos os  argumentos apresentados na impugnação foram analisados na decisão recorrida, apenas deixou  de analisar questão sob o prisma da constitucionalidade da norma, o que lhe é vedado, assim  como a este órgão.  Assim, afasto a preliminar arguida.  1.2 ­ Violação à Lei Complementar 105/01 ­ quebra sigilo bancário  A recorrente afirma não ser possível a quebra do sigilo bancário pelo Fisco,  sem  autorização  judicial,  e  não  há  qualquer  obrigatoriedade  sua  de  apresentação  de  extratos  bancários à Fiscalização.  De fato, não há obrigatoriedade sua de apresentação dos extratos, porém ela  foi intimada para que justificasse mostrasse o que foi registrado nos livros diário e razão, ou até  alternativamente o Caixa, porém diante da negativa, foi emitido o respectivo RMF.  Fl. 748DF CARF MF Processo nº 11516.001586/2007­11  Acórdão n.º 1301­002.772  S1­C3T1  Fl. 749          9 Razão pela qual, também, a infração, de omissão de receitas, foi realizada de  forma presumida, nos termos do art. 42, da Lei 9.430/96. Obrigatoriedade de apresentação não  há, mas então que justifique os créditos, por documentação hábil e idônea.  Assim, entendo não ter razão a recorrente.  Ademais, o Supremo Tribunal Federal  julgou recentemente essa matéria em  sede  de  Repercussão  Geral.  O  julgamento  se  deu  no  âmbito  do  Recurso  Extraordinário  nº  601.314,  na  sessão  plenária  do  dia  24.02.2016,  publicada  em  no  DJe  nº  37/2016  (em  29.02.2016), e decidiu por maioria de votos a seguinte:  “O  art.  6º  da  Lei  Complementar  105/01  não  ofende  o  direito  ao  sigilo  bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio  da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado  do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese:  “A  Lei  10.174/01  não  atrai  a  aplicação  do  princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  tendo em vista o caráter  instrumental da norma, nos  termos do artigo  144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente,  justificadamente,  a  Ministra  Cármen  Lúcia.  Presidiu  o  julgamento  o  Ministro  Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. ”  Ademais,  transcrevo  o  dispositivo  legal  que  permite  o  acesso  à  movimentação financeira pela Fisco, o art 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de  2001:  Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  somente  poderão examinar documentos, livros e registros de instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa  competente.  Parágrafo  único. O  resultado  dos  exames, as  informações  e  os  documentos  a  que  se  refere  este  artigo  serão  conservados  em  sigilo, observada a legislação tributária.  Assim  também  o  entendimento  da  Profa.  Maria  Rita  Ferragut1:  "O  sigilo  bancário  não  é  absoluto,  e,  no  que  diz  respeito  ao  aspecto  fiscal,  deve  ceder  ao  interesse  público de obter informações que possam se configurar relevantes a tipificar indícios de prática  do  fato  jurídico  tributário.  A  interpretação  do  direito  à  privacidade,  na  forma  ora  proposta,  garante tanto a eficácia na produção de provas tributárias, quanto a concretização da legalidade  e  da  igualdade.  Os  benefícios  parecem,  portanto,  muito  maiores  que  a  prevalência  cega  e  absoluta da privacidade."  Dessa  forma,  correto  o  procedimento  fiscal  embasado  em  dispositivo  legal  em plena vigência.  Alega,  ainda,  a Recorrente,  em  preliminar, matéria  que  se  relaciona  com  o  mérito, assim será analisado à frente.                                                              1 As provas e o direito Tributário, pág. 110.  Fl. 749DF CARF MF Processo nº 11516.001586/2007­11  Acórdão n.º 1301­002.772  S1­C3T1  Fl. 750          10 2 ­ Mérito  Os  lançamentos  apontam  omissão  de  receitas  em  razão  de  depósitos  bancários de origem não comprovada, e falta de recolhimento.  A  recorrente,  devidamente  intimada  a  apresentar  informações  acerca  dos  depósitos bancários em suas contas bancárias não o fez, conforme consta do TVF, fls. 362:  5  —  DA  REQUISIÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA  Decorridos vinte e dois dias após a ciência do Termo de Início de Fiscalização, sem  que  a  contribuinte  sequer  respondesse  por  escrito  ao  solicitado  pela  fiscalização,  tendo  apresentado  livros  sem  documentos  contábeis  que  embasaram  sua  escrituração,  foi  providenciado  junto  às  instituições  bancárias  a  requisição  de  informações sobre movimentação financeira relativas ao período fiscalizado.  Assim, ao invés de justificar a omissão de receitas detectada, preferiu arguir a  impossibilidade  da  administração  de  requisitar  informações  relacionadas  à  movimentação  financeira.  A solicitação de emissão de RMF, conforme inciso VII, do art. 3º do Decreto  3.724/2001, embasada no art. 33, I, da Lei 9.430/96,   Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime  especial para  cumprimento de obrigações,  pelo  sujeito passivo,  nas seguintes hipóteses:  I  ­  embaraço  à  fiscalização,  caracterizado  pela  negativa  não  justificada de exibição de livros e documentos em que se assente  a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo  não  fornecimento  de  informações  sobre  bens,  movimentação  financeira,  negócio  ou  atividade,  próprios  ou  de  terceiros,  quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição  do  auxilio  da  força  pública,  nos  termos  do  art.  200  da  Lei  n°  5.172, de 25 de outubro de 1966;(grifei)  Desta forma, vejo que devidamente embasada e justificada está a requisição  de informações financeiras.  Após isso, não houve por parte da recorrente nenhuma justificativa acerca da  omissão  em  si,  documentações  para  provar  que  a  omissão  não  ocorreu  ou  a  origem  de  tais  receitas.  Assim, de se manter o lançamento.  Taxa Selic  Alega ainda a recorrente a ilegalidade da imposição da Taxa Selic.  Nesse ponto, cabe trazer a Súmula CARF n. 4:  Súmula CARF nº  4: A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  Fl. 750DF CARF MF Processo nº 11516.001586/2007­11  Acórdão n.º 1301­002.772  S1­C3T1  Fl. 751          11 inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Assim, de se afastar o argumento.  CONCLUSÃO  Diante de  todo o  acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário,  rejeitar as preliminares arguidas e no mérito NEGAR­LHE PROVIMENTO.    (assinado digitalmente)  Amélia Wakako Morishita Yamamoto                                Fl. 751DF CARF MF

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Numero do processo: 18471.001560/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1997 a 31/10/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
Numero da decisão: 2201-004.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1485; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 1.511          1 1.510  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  18471.001560/2008­66  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2201­004.081  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  05 de fevereiro de 2018  Matéria  contribuição previdenciária  Recorrente  PETROLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/12/1997 a 31/10/1998  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  MEDIANTE  CESSÃO  DE  MÃO­DE­OBRA.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  DO  CONTRATANTE.  NECESSIDADE  DE  COMPROVAÇÃO  DE  QUE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  OCORREU  MEDIANTE CESSÃO DE MÃO­DE­OBRA  É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de  que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que  haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços  pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se  aplicando,  em  qualquer  hipótese,  o  benefício  de  ordem.  Art.  31  da  Lei  n°  8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.     Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.    (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 60 /2 00 8- 66 Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.512          2   (assinado digitalmente)  Marcelo Milton da Silva Risso ­ Relator.  EDITADO EM: 05/03/2018  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da  Silva  Risso,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra  e  Rodrigo  Monteiro  Loureiro  Amorim.  Ausente  justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.    Relatório  1  –  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  pelo  contribuinte  contra  decisão da DRJ que manteve o lançamento em parte de contribuição previdenciária oriunda da  NFLD  nº  35.469.289­24  (fls.  3/18)  no  valor  de  R$  69.134,31  com  data  de  cientificação  do  contribuinte em 25/09/2002 às fls. 3. 2 ­ Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante  do V. Acórdão da DRJ (fls. 1.379/1.390) por sua clareza e precisão: “LANÇAMENTO Trata­se  de  crédito  lançado  pela  fiscalização  (NFLD  DEBCAD  35.496.289­24  consolidado  em  01/09/2002),  no  valor  de  R$  35.284,62;  acrescidos  de  juros  e  multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal  (fls.  32/35),  refere­se  às  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  correspondentes  à  parte  da  empresa,  dos  segurados,  e  às  destinadas  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrente dos riscos ambientais do  trabalho, referentes  às competências 12/1997 a 10/1998. Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.513          3 2.  As  contribuições  foram  apuradas  com  base  no  instituto  da  responsabilidade  solidária,  decorrente  de  serviços  prestados mediante  cessão  de mão de  obra,  de  acordo  com  o  artigo  31  da  Lei  no  8.212/1991  (anterior  à  Lei  nº  9.711  de  20/11/1998), com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa I M  COMÉRCIO  E  TERRAPLENAGEM  LTDA  ­  CNPJ  08.288.581/0001­10  em  cumprimento ao contrato 161.2.043.95­4. 2.1.  A  descrição  dos  serviços  prestados,  de  acordo  com  o  objeto  do  contrato  encontra­se no item 5 do Relatório Fiscal. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3.  A  PETROBRAS,  notificada  do  lançamento  em  25/09/2002  apresentou  impugnação  em  10/10/2002,  através  do  instrumento  de  fls.  40/45,  alegando,  em  síntese: Da inexistência da “cessão de mão de obra” 3.1. que não houve serviço contínuo e nem os empregados ficaram à disposição da  contratante,  o  contrato  foi  firmado  para  fins  de  realização  de  serviços  determinados,  jamais  para  fornecimento  de  mão  de  obra;  portanto  não  ficou  caracterizada a cessão de mão de obra; 3.2.  o  contrato  em  tela  versou  somente  sobre  uma  prestação  de  serviços  da  empresa contratada para a impugnante, e ressalte­se, pelo prazo necessário para a  consecução do objeto contratado; 3.3. o escopo da lei é abranger aqueles serviços de trato sucessivo, de prestação  permanente,  a  mando  do  tomador.  A  lei  quer  abarcar  os  contratos  em  que  o  próprio  serviço  seja  o  seu  objeto,  e  não  meio  para  obtenção  de  um  resultado  diverso,  os  quais  contam apenas  com a  supervisão  do  tomador  de  serviços, mas  não com seu comando (e é esta a hipótese vertente); 3.4.  assim  a  conclusão  a  que  se  chega,  é  que  não  pode  ser  imputada  uma  responsabilização solidária, levando­se em conta que o contrato que celebrou não  foi de CESSÃO DE MÃO DE OBRA, de acordo com os termos da Lei; Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.514          4 3.5. mesmo que a autarquia vislumbrasse a existência de cessão de mão de obra,  deveria a mesma fazer consignar na notificação o serviço realizado pela empresa  contratada, permitindo o exercício da ampla defesa; Da solidariedade 3.6. afirma o contribuinte que é  inegável a previsão da solidariedade passiva na  Lei, contudo, essa solidariedade pressupõe sempre a configuração da dívida ou da  obrigação, a fim de que o credor possa imputá­la a um dos devedores solidários.  Para  que  o  devedor  solidário  seja  cobrado,  faz­se  necessário  a  declaração  de  existência da obrigação do devedor originário, e a constituição de sua liquidez; 3.7.  deve­se  proceder  ao  lançamento  primeiro  contra  o  contribuinte  e,  somente  após,  constituído  o  crédito  contra  o  devedor  principal  é  que,  também o  devedor  solidário poderá ser cobrado; 3.8.  inexistindo  o  lançamento  contra  a  empresa  devedora  originária,  capaz  de  conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS cobrar da Recorrente,  pelo  simples  motivo  de  que  a  existência  da  obrigação  dos  devedores  não  se  configurou; 3.9. certo é que o lançamento declara a obrigação, mas deve declará­la em face de  todos os devedores reputados solidários; 3.10.  a  autarquia  não  apurou  e  não  lançou  o  tributo  contra  os  devedores  principais, mas está louvando­se do direito de constituir o crédito apenas contra a  impugnante, tomando uma atitude totalmente injurídica; 3.11.  em  relação  à  base  de  cálculo,  cumpre  destacar  que  a  autarquia  equivocadamente  considerou  o  valor  das  notas  fiscais  como  base  de  cálculo  da  contribuição, quando deveria fazê­lo somente sobre o montante dos salários, uma  vez que embutidos no valor das notas fiscais ou da faturas, encontram­se diversos  outros valores, que não se referem à folha de salários da empresa prestadora de  serviços; Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.515          5 3.12. invoca a sua qualidade de ente integrante da administração pública indireta  para concluir que, na presente exação, o governo postula o recebimento de crédito  do próprio governo; 3.13.  por  fim,  requer  o  cancelamento  da  notificação  e  protesta  pela  juntada  de  documentação superveniente. DO ADITAMENTO 4. A PETROBRAS, apresentou aditamento em 03/09/2003,  fls. 1.126, anexando a  documentação de fls. 1.127/1.299. DA IMPUGNAÇÃO DA PRESTADORA DE SERVIÇOS 5.  A  I  M  COMÉRCIO  E  TERRAPLENAGEM,  notificada  do  lançamento,  em  09/12/2002,  fls.  52,  apresentou  impugnação em 23/12/2002,  fls.  54/55, anexando  documentos de fls. 58/1008. DA DILIGÊNCIA 6.  Diante  da  documentação  apresentada,  fls.  58/1008,  os  autos  foram  encaminhados  à  Junta  Notificante,  para  apreciação,  tendo­se  concluído,  em  23/06/2003, fl. 1.011, pela manutenção do débito: “1.  Informamos  que  após  análise  dos  documentos  anexados  às  fls.49  a  970,  concluímos pela não alteração do débito lavrado. 2. O débito em questão refere­se ao contrato 161.2.043.95­4, sendo o período do  débito de 12/97 a 10/98. Anexaram ao processo GRPS's e Folhas de Pagamentos,  porém estes documentos se encontram vinculados aos contratos 161.2.074.97­1 ou  161.2.088.96­8,  abrangendo  inclusive  competências  que  não  fazem  parte  do  débito. 3.  Pelo  exposto,  a  documentação  anexada  nada  tem  haver  com  o  contrato  em  questão e conseqüentemente com o débito, persistindo este integralmente. 4. Ao Serviço de Análise de Defesas e Recursos para prosseguimento.” Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.516          6 DO JULGAMENTO E RECURSO 7. O  Lançamento  foi  julgado  PROCEDENTE  através  da Decisão­Notificação  nº  17.401.4/0772/2003,  de  26/08/2003,  fls.  1.013/1.018.  Devidamente  notificada  a  PETROBRAS  em  04/09/2003  (fl.  1.019)  e  a  J  M  COMÉRCIO  E  TERRAPLENAGEM LTDA notificada em 19/09/2003 (fl. 1.020). 8. A PETROBRAS apresentou Recurso ao Conselho  de Recursos  da Previdência  Social  ­  CRPS,  em  30/09/2003  (fls.  1.023/1.027).  A  empresa  contratada  não  apresentou recurso. DAS CONTRA­RAZÕES 9.  Após  a  elaboração  das  Contra­Razões,  às  fls.  1.032/1.034,  o  processo  foi  encaminhado ao CRPS. 10.  A  2ª  Câmara  de  Julgamento  do  CRPS,  através  Acórdão  0001111,  de  28/06/2004  (fls.  1.036/1.044),  decidiu  anular  a  Decisão  Notificação  –  DN,  por  maioria,  determinando  que  o  INSS  apresentasse  elementos,  com  base  na  contabilidade  do  contribuinte,  que  justificasse  o  procedimento  adotado,  verificasse,  portanto,  a  existência  do  crédito  lançado  na  contabilidade  do  contribuinte prestador de serviços. 11. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que  acarretasse a nulidade da DN, O INSS interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls.  1.046/1.050). 12. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão assim  como do Pedido de Revisão (fls. 1.051 e fls. 1.052), sendo concedido às mesmas,  prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS em  25/10/2004 (fls. 1.055/1.058). 13. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO pela 2ª Câmara de Julgamento,  conforme Acórdão nº 0000690, de 27/05/2005, sob a alegação de que divergência  de  entendimento  não  é  causa  para  revisão  de  julgados  deste  conselho  (fls.  1.062/1.065). Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.517          7 DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 14. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido  de  revisão  ao  reinício  do  Contencioso  Administrativo,  o  entendimento  exarado  pelo CRPS, à época, quanto à necessidade de exame da contabilidade do prestador  do serviço a fim de constatar a existência ou não do crédito tributário, foi alterado  pelo  Conselho  Pleno  do  CRPS,  o  qual  exarou  o  Enunciado  nº  30,  editado  pela  Resolução  nº  1,  de  31/01/2007,  publicada  no  DOU  de  05/02/2007,  passando  a  dispensar tal exigência: Em  se  tratando  de  responsabilidade  solidária  o  fisco  previdenciário  tem  a  prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja  apuração prévia no prestador de serviços. 15.  De  acordo  com  a  Resolução mencionada  é  necessária  apenas  a  verificação  acerca  do  prestador  ter  sido  alvo  de  procedimento  fiscal  com  exame  da  contabilidade  no  período  de  interesse.  Caso  positivo,  incabível  a  lavratura  do  crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 16.  Em  atendimento  ao  determinado  no  Acórdão  do  CRPS  0001111,  de  28/06/2004,  o  Auditor  Fiscal  efetuou  pesquisas  nos  sistemas  informatizados  da  Secretaria da Receita Federal ­ SRFB, fls. 1.071, sendo analisadas as informações  disponíveis  relativas  à  empresa  contratada,  constatando­se  que  não  houve  ação  fiscal com exame de contabilidade englobando o período referente ao lançamento  em  pauta,  e  que  a  empresa  não  aderiu  ao  parcelamento  especial  da  Lei  nº  9.964/2000  –  REFIS,  fls.  1.093,  assim  como  ao  parcelamento  especial  da  lei  nº  10684/2003 – PAES. 17.  Assim  sendo,  a  Petrobras  e  a  prestadora  de  serviços  foram  notificadas  do  Resultado da Diligência de 17/01/2008,  fls.  1.094, assim como da  reabertura do  prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 1262/2010  (Petrobrás  –  fls.  1.100)  em  07/12/2010,  fls.  1.102  e,  através  do  edital  (J  M  Comércio e Terraplenagem) publicado no Diário Oficial da União em 28/05/2012,  fls. 1.110, entretanto não se manifestaram.” Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.518          8 3 – A decisão de piso manteve em parte o lançamento conforme ementa  abaixo indicada:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/10/1998 CESSÃO DE MÃO­DE­OBRA. CARACTERIZAÇÃO. A  previsão  contratual  de  colocação,  à  disposição  do  contratante,  de  segurados  que  realizem  serviços  de  necessidade  permanente,  ainda  que  de  forma  intermitente, é fator essencial à configuração da cessão de mão­de­obra. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO­DE­OBRA. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. A  responsabilidade  solidária  não  comporta  benefício  de  ordem,  podendo  ser  exigido  o  total  do  crédito  constituído  da  empresa  contratante,  sem  que  haja  apuração prévia no prestador de serviços ­ artigo 220 do Decreto nº 3.048/99, c/c  artigo 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional ­ Enunciado 30 do  CRPS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4  –  A  Petrobras  e  a  prestadora  IM  Comércio  de  Terraplanagem  Ltda.,  apresentaram  Recurso  Voluntário  às  fls.  1.398/1.412  e  fls.  1.465/1.478  pugnando  pelo  cancelamento da autuação. 5 – É o relatório do necessário. Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.519          9 Voto             Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso  6 – Ambos os recursos são tempestivos e preenchem os demais requisitos de  admissibilidade. Portanto, deles conheço. 7  –  No  caso  vou  me  ater  ao  reconhecimento  da  nulidade  do  presente  lançamento baseado nos fundamentos do Voto no Ac. 2201003.412 ocasião em que votei pelo  provimento de tal recurso do mesmo contribuinte em vista de serem casos similares com cessão  de mão de obra. 8 – Em suas razões o I. Relator do voto vencedor assim discorre a respeito da  matéria objeto do presente  recurso no qual peço vênia para que suas  razões  incorporar como  fundamento de decidir do presente julgado, verbis: “Aponta o ínclito Relator que, no curso do processo administrativo tributário em  que  se  discute  o  lançamento,  o  antigo  Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social, proferiu, em sede de recurso voluntário, a seguinte decisão (fls 156): "PREVIDENCÁRIO CUSTEIO Solidariedade decorrente de cessão de mãodeobra.  Da  cessão  de  mãodeobra.  É  necessário  que  o  INSS  aponte,  desde  o  Relatório  Fiscal, a forma como evidenciou a existência da cessão de obra. Da Solidariedade.  É necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao  contribuinte  (prestador  dos  serviços).  Somente  diante  da  não  apresentação  ou  apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e  trabalhista  necessária  a  comprovar  a  extinção  da  obrigação  previdenciária,  poderia  o  INSS  arbitrar,  junto  ao  responsável  solidário,  as  contribuições  que  entender devidas. Anular a DN." Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.520          10 Perquirindo  o  voto  condutor  da  decisão  unânime,  encontramos  a  seguinte  motivação (fls. 158): Em recentes decisões está CaJ vem exigindo que o INSS caracterize a existência da  cessão de mão­de­obra, mesmo naquelas atividades arroladas na legislação, sendo  oportuno verificarmos "parte" de manifestação do Sr. Presidente da 2ª CaJ/CRPS,  AFPS Mário Humberto Cabus Moreira: "Todavia, assim como os serviços relacionados nos incisos 1 a IV, do § 41, do art.  31, da Lei n° 8.212191 (na redação atual), aqueles previstos no art. 219 do RPS  devem  ser  demonstrados  e  caracterizados  pelo  Fisco  como  enquadráveis  na  definição  legal,  porque  somente  serão  alcançados  pela  obrigação  tributária  da  retenção,  em  consonância  com  a  lei,  se  tais  serviços  forem  realizados  mediante  cessão.  O  mesmo  dar­se­á  em  relação  ao  período  em  que  vigia  a  obrigação  solidária, no que tange ao referido enquadramento. A meu ver, sem ofensa aos princípios constitucionais tributários e, em especial, ao  princípio da legalidade (CF/88, art. 5 1, II e art. 150, 1), a norma do RPS deve ser  entendida como  tendo caráter  indicativo,  regulação  interpretativa  tendente à  fiel  execução  da  lei,  devendo  sempre  ser  confrontada  em  face  do  conceito  legal  de  cessão de mãodeobra, pois, exigir o cumprimento de uma obrigação tributária sem  passar  pelo  crivo  da  definição  legal,  seria  admitir  obrigação  tributária  que  não  seja  ex  lege.  A  propósito,  a  atividade  administrativa  de  lançamento  requer  a  verificação  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  como  preceitua o CTN, em seu art. 142." (...) O Relatório Fiscal é vago ao se reportar a existência da cessão de mão de obra,  descrevendo  apenas  que  o  objeto  do  contrato,  sem  especificar  os  motivos  que  levaram o INSS a constatar a existência da cessão de mãodeobra." (destaques não constam da decisão) Observo o mesmo vício no lançamento. Vejamos o teor do lançamento fiscal  (fls.  30): Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.521          11 "1­ Referese o presente relatório ao débito, lançado através da Notificação Fiscal  de  Lançamento  de  Débito  NFLD  DEBCAD  n°  35.490.4232,  relativo  a  valores  apurados  por  responsabilidade  solidária  decorrente  de  serviços  executados  mediante  cessão  de  mão­de­obra,  prestados  pela  empresa  PWR  MISSION  INDUSTRIA MECÂNICA LTDA, CNPJ: 42.409.2011000000, conforme contrato(s)  n °:1110.2.002.979.  5­ O débito compõe­se de: contribuição dos segurados empregados, calculada pela  alíquota mínima à época de ocorrência do fato gerador, contribuição a cargo da  empresa,  destinada  à  Seguridade  Social;  contribuição  para  o  financiamento  da  complementação das prestações por acidente de 40 trabalho — SAT até 00!1997, e  para o financiamento dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de  incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho,  incidentes  sobre  o  total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados empregados e trabalhadores avulsos, a partir de 0711997. (...) 5 —  0  débito  referente  ao  presente  contrato  fora  lançado,  a  menor,  através  da  NFLD— Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n ° 35.371.9145,  de  0111112001,  quando  foi  adotado  erroneamente  o  parâmetro  de  quatorze  por  cento (14%) quando deveria ter sido aplicado o parâmetro de quarenta por cento (  40%), conforme justifica o item 14 do presente relatório. Tal equívoco levou a que  o débito lançado naquela ocasião, pela NFLD — 35.371.9145, espelhasse somente  parte  do  valor  que  deveria  ter  sido  lançado  razão  por  que  emite­se  a  presente  NFLD, retratando a diferença não lançada na época 6 — Assim, por ocasião da emissão da NFID original,  de n  ° 35.371.9145,  fora  verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratara com  a  empresa  prestadora,  identificada  no  item  1  deste,  a  execução  de  serviços  mediante  cessão  de  mãodeobra,  em  cumprimento  ao(s)  contratos)  n  °:  110.2.062.979, cujo(s) objeto(s) era(m): EXCUÇÃO DOS SERVIÇOS DE BOMBEAM.ENTO DE FLUIDOS DO INTERIOR  DE POÇOS DE PETRÓLEO ATÉ A ESTAÇÃO COLETORA, EM 16 { POÇOS DE  Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.522          12 PETRÓLEO, UTILIZANDO BOMBEIO ELE! RICO CENTRIFUGO SUBMERSO,  INCLUINDO  DIMEZ~TSIONAlViENT0,  ESPECIFICAÇÃO,  FORNECIlir>  0,  INSTALAÇÃO  E  REITRADA  DOS  CONJUNTOS  DE  BCS  NOS  POÇOS  DE  PETRÓLEO,  BEM  COMO  A  RESPONSABILIDADE  TÉNCICA  PELA.  CONTINUIDADEOPERACIONAL DOA EQUIPAMENTOS INSTALADOS. Ocorre  que  a  empresa  contratante  não  comprovou  o  cumprimento  das  obrigaçóes  da  empresa  contratada para  com a Seguridade Social,  ou  seja,  não houve a devida  comprovação,  através  de  guias  de  recolhimento  específicas  para  o  serviço  contratado,  nem  a  apresentação  de  folhas  de  pagamentos  específicas  dos  segurados empregaáos alocados no serviço." (novamente os destaques não constam do original) Patente  a  ausência  de  comprovação  da  contratação  da  prestação  de  serviços,  ensejadora da responsabilidade solidária, mediante cessão de mão­de­obra. Como consequência da decisão do CRPS  foi anulada a DN, decisão de primeiro  grau, e recomeçado o processo administrativo com elaboração de novo relatório  fiscal. Atentemos para o teor da decisão proferida pelo CRPS (fls. 158): "Assim entendo que o INSS, além de caracterizar a existência da cessão de mão­ deobra, desde o Relatório Fiscal (complementar), deve apresentar elementos, com  base  na  contabilidade  dos  contribuintes,  que  justifique  o  procedimento  adotado.  Caso seja disponibilizada pelo contribuinte a documentação contábil referente às  contribuições lançadas, deverá ela ser analisada com o intuito de se comprovar a  existência do crédito lançado e seu real valor. CONCLUSÃO `  Face  ao  exposto  voto  no  sentido  de  ANULAR  A  DECISAO  NOTIFICAÇAO N.°  17.401.4/065512003, fls. 77184, determinando que se observe o que foi exposto no  voto cima." (destaquei) Em  que  pese  a  total  falta  de  técnica  jurídica  dos  membros  do  Conselho  de  Recursos  da Previdência  Social  ­  posto  que  não  houve  nenhum  vício  na  decisão  recorrida  e  sim  no  lançamento  tributário  como  sobejamente  demonstrado  pelos  Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.523          13 Conselheiros que se manifestaram ­ resta claro que o comando do Colegiado  foi  no  sentido  da  elaboração  de  novo  relatório  fiscal  do  qual  constasse  a  comprovação da prestação de serviços mediante cessão de mão­de­obra além de  elementos  que  permitissem  a  constituição  do  crédito  por  responsabilidade  solidária do contratante. Forçoso reconhecer que  tal decisão expressa,  inequivocamente, a constatação de  que o lançamento tributário padecia de vício em sua constituição. Qualquer outra  inferência  invalidaria  o  comando  expresso,  constante  do  decisum,  do  retorno  do  procedimento  tendente  a  verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  ao  passo  inicial,  ou  seja,  a  busca  pelo  Fisco  dos  elementos  comprobatórios  e  por  isso  constitutivos,  da  obrigação  tributária  decorrente  da  prática,  pelo  sujeito  passivo,  dos  fatos  eleitos  pelo  legislador  como  fato  imponíveis. Imperioso  ressaltar  que  ­  embora  este  Conselheiro  discorde  totalmente  da  necessidade  de  comprovação  pelo  Fisco  da  existência  de  crédito,  ou  impossibilidade  de  constituição  deste  no  devedor  principal,  posto  que  tal  entendimento atingiria mortalmente o instituto da responsabilidade solidária como  posta pelo artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época do lançamento ­ a questão  do lançamento por responsabilidade solidária, por ser questão relativa ao mérito  da discussão, não será por mim aqui enfrentada, vez que entendo que as questões  relativas  ao  lançamento  tributário  são  preliminares  e  prejudiciais  à  análise  do  mérito. Voltando  a  questão  do  lançamento,  uma  vez  anulada  a  DN,  foi  iniciado  novo  procedimento  fiscal  visando  a  elaboração  de  relatório  fiscal  complementar  ­  consoante  se observa  do  despacho do  Serviço  do Contencioso Administrativo  da  Delegacia da Receita Previdenciária RJ ­ Centro, fls. 190 e 195. 11  –  Às  fls.  1.311  encontra­se  o  relatório  da  diligência  da  RFB  em  cumprimento com os termos determinados pela decisão da CRPS: Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.524          14 1­ Trata­se  o  presente  processo  de Notificação Fiscal  de Lançamento  de Débito  lavrada  em  01/09/2002  contra  o  contribuinte  acima  identificado,  referente  às  competências  12/1997  a  10/1998,  no  valor  total  de  R$  69.134,31  (fls.  02/37)  e  sendo atribuído à mesma o DEBCAD de nº 35.496.289­2. Contra a referida NFLD  foram apresentadas defesas (fls. 40/48 e 53/1008). O Serviço Análise de Defesas e  Recursos  ao  analisar  a  documentação  apresentada  na  defesa  emitiu  a  DN  –  Decisão de Notificação nº 17.401.4/0772/2003 (fls. 1013 a 1020), que considerou o  LANÇAMENTO  PROCEDENTE.  Contra  esta  Decisão  de  Notificação  foi  apresentado recurso (fls. 1023/1027), com a implementação de Depósito Recursal  Extrajudicial  por  intermédio  de  Guia  da  Previdência  Social,  com  código  de  pagamento  nº  4995,  recolhida  em  30/09/2003,  com  valor  de  R$  23.009,73  (fls.  1028), já confirmada nos sistemas da RFB (fls. 1029 e 1310). 2  ­  A  2ª  CAJ  –  Segunda  Câmara  de  Julgamento  do  Conselho  de  Recursos  da  Previdência  Social,  no  ato  de  apreciar  o  recurso  apresentado,  decide  por  intermédio  do Acórdão  nº  0001111  (fls.  1036/1044),  de  28/06/2004,  ANULAR A  DECISÃO DE NOTIFICAÇÃO, para que sejam adotadas as cautelas mínimas de  auditoria  fiscal  previdenciária,  para  evitar  a  duplicidade  de  exação,  tendo  por  base a mesma dívida, sob o fundamento de responsabilidade solidária. 3 – Medidas são tomadas em atenção ao solicitado pela 2ª CAJ – Segunda Câmara  de  Julgamento  do Conselho  de Recursos  da Previdência  Social,  sendo  emitida  a  informação  fiscal  de  fls.  1094,  na  qual  consta  que  efetuou­se  pesquisas  nos  Sistemas de Informática da RFB (CNAF/CFE), em relação a empresa contratada e  prestadora dos serviços, e constatou­se que não houve ação fiscal com exame da  contabilidade englobando o período referente ao lançamento em pauta. Procedeu­ se, também, a pesquisa no SISTEMA DE COBRANÇA – MF/RFB – verificando­se  que a empresa não aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9964/2000 – REFIS  – assim como, ao parcelamento especial da Lei nº 10684/2003 ­ PAES. 4  ­ Paralelamente  à  discussão  administrativa  quanto  a  procedência  do  débito,  a  empresa  notificada  obteve  uma  decisão  judicial  para  a  devolução  do  Depósito  Recursal  de  fls.  1028,  conforme Mandado de  Segurança  nº  2007.51.01.004550­1  (fls. 1300 /1309). Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.525          15 12 – Prosseguindo com os fundamentos do Ac. 2201003.412: Patente  a  inovação  do  argumentos  do Fisco  no Relatório Fiscal  Complementar.  Tal  inovação significa ­ na prática ­ a realização de novo lançamento tributário,  posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação  tributária­  no  caso  em  tela  a  contratação  de  empresa  prestadora  de  serviços  mediante cessão de mão­de­obra ­ só restou comprovada por meio do mencionado  relatório aditivo. Inegável o vício esculpido no lançamento original. Necessária a produção de novo  procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. De  fato,  a  decisão  do  CRPS,  átecnica  com  visto,  embora  propugnasse  pela  nulidade da DN, motivou­se pela nulidade do lançamento tributário por ausência  de motivação,  ou  seja,  falta  de  comprovação  da  ocorrência  do  fato  gerador,  da  verificação da ocorrência deste.  Tal conclusão decorre da mera leitura da decisão acostada às folhas 156, acima  transcrita e isso, porque, como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do  Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do  lançamento de ofício,  constituir  o  crédito  tributário,  revisando  nos  casos  de  auto  lançamento,  os  procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência  do  fato  gerador,  identificar  o  sujeito  passivo,  determinar  a  matéria  tributável,  quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender  esforços  na  determinação  do  critério  material  da  regra  matriz  de  incidência  tributária,  base  de  cálculo  do  tributo  e  alíquota  aplicável,  apropriando­nos  dos  ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias já deveria ter sido corretamente efetuada  quando  da  lavratura  do  auto  de  infração.  Pode­se  até  compreender  a  Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.526          16 impossibilidade  do  acerto  em  razão  da  ausência  de  comprovação  por  parte  do  contribuinte, o que, como dito, não se verificou no caso concreto.  Ao  reverso,  o  que  se  observa  é  a  total  ausência  caracterização  de  que  a  a  prestação de serviços contratada se deu mediante cessão de mão­de­obra. Não obstante a omissão do Autoridade Lançadora no  tocante a comprovação do  fato escolhido pelo  legislador para ser ensejador da obrigação  tributária, mister  ressaltar com tintas fortes que a Administração Tributária foi clara em determinar  ­ por meio de um ato que integra a  legislação  tributária ­ como se deve realizar  caracterizar a cessão de mão­de­obra, posto que tal caracterização se encontram  no Regulamento da Previdência Social e nos atos normativos do INSS. Tal rito foi  simplesmente ignorado pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento. O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se  absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado.  Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art.  9o  A  exigência  do  crédito  tributário  e  a  aplicação  de  penalidade  isolada  serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos  para cada  tributo ou penalidade, os quais deverão estar  instruídos com todos os  termos,  depoimentos,  laudos  e  demais  elementos  de  prova  indispensáveis  à  comprovação do ilícito" (destaques nossos) Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato  administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira  de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a  irregularidade dos atos administrativos: ATOS  IRREGULARES  SÃO AQUELES PADECENTES DE VÍCIOS MATERIAIS  IRRELEVANTES,  RECONHECÍVEIS  DE  PLANO,  OU  INCURSOS  EM  FORMALIZAÇÃO  DEFEITUOSA  CONSISTENTE  EM  TRANSGRESSÃO  DE  NORMAS  CUJO  REAL  ALCANCE  É  MERAMENTE  O  DE  IMPOR  A  PADRONIZAÇÃO  INTERNA  DOS  INSTRUMENTOS  PELOS  QUAIS  SE  VEICULAM OS ATOS ADMINISTRATIVOS Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.527          17 Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício  regularizá­lo,  em  face  do  princípio  da  autotutela. Nesse  sentido,  a Lei 9.784,  de  1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício  de  legalidade,  e  pode  revogá­los  por  motivo  de  conveniência  ou  oportunidade,  respeitados os direitos adquiridos. (...) Art.  55.  Em  decisão  na  qual  se  evidencie  não  acarretarem  lesão  ao  interesse  público  nem  prejuízo  a  terceiros,  os  atos  que  apresentarem  defeitos  sanáveis  poderão ser convalidados pela própria Administração."  (grifos nossos) Observa­se  que  a  Lei  que  regula  o  processo  administrativo  federal  cinde  as  irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos  sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos  com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre  o  tema,  a  Professora  Maria  Sylvia  Zanella  Di  Pietro  (Direito  Administrativo,  14ª  ed,  p.  234),  titular  da  inesquecível  Faculdade  de  Direito  do  Largo  São  Francisco,  leciona  que  convalidação  ou  saneamento  "o  ato  administrativo  pelo  qual  qual  é  suprido  o  vício  existente  em  um  ato  ilegal,  com  efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso,  a doutrinadora explicita que nem sempre  é possível  a  convalidação,  pois depende do tipo de vício que atinge o ato.  Os  defeitos  atinentes  à  incompetência  quanto  à  matéria,  quanto  ao  motivo  e  finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente  quanto  a  impossibilidade  de  convalidação,  esclarece  a  Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação."  Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.528          18 O remédio que deve ser  tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da  Lei  nº  9.784/99,  acima  transcrito,:  a  anulação.  Novamente,  recordemos  os  ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracteriza­se hipótese de nulidade  relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem  efeitos  distintos  para  a  Administração  Tributária  em  razão  do  tempo  que  a  lei  determina  para  a  correção  do  lançamento  tributário  viciado.  Se  este  for  convalidável,  por  eivado de  vício  formal,  o  saneamento  deve  ser  realizado  em 5  anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o  lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial  previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo  173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia  Zanela Di Pietro,  lançamentos que contenham conteúdo  ilegal  não  são passíveis  de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse  sentido,  qualquer  ofensa  às  determinações  do  artigo  142  do  CTN  acima  reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o  conteúdo  do  ato,  pois  são  requisitos  do  lançamento,  atributos  intrínsecos  ao  procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação.  Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O  ato  administrativo  de  lançamento  será  declarado  nulo  de  pleno  direito,  se  o  motivo  nele  inscrito  ­  a  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário,  por  exemplo  ­  inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente  daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento  de  IR  (pessoa  física),  lavrado  antes  do  termo  final  do  prazo  legalmente  Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.529          19 estabelecido para que o  contribuinte apresente  sua declaração de  rendimentos  e  bens. Para  a  nulidade  se  requer  vício  profundo,  que  comprometa  viceralmente  o  ato  administrativo.  Seus  efeitos,  em  decorrência,  são  'ex  tunc',  retroagindo,  linguisticamente,  à  data  do  correspondente  evento.  A  anulação  por  outro  lado,  pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva  em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do  ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador: "(...)  não  importa  que  o  ato  administrativo  haja  sido  celebrado  e  que  nele  conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam  conformados às prescrições da lei"  (grifamos) No  caso  em  apreço,  observamos  que  não  comprovou  o  Fisco  a  existência  da  contratação de serviços prestados mediante cessão de mão­de­obra. Como visto é  dever do Fisco anexar ao auto de infração o elementos de prova que embasam a  constituição do crédito tributário.  Tal comprovação não pode ser realizada a posteriori, consoante expressa vedação  do parágrafo 3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, o que  impede  ­  de modo  absoluto  ­  a  conversão  em  diligência  nos  casos  de  novação  do  lançamento,  explicitando se tratar de novo lançamento, complementar ao primeiro. Nesse sentido, forçoso reconhecer que o relatório fiscal complementar, por inovar  no  lançamento,  ou  seja,  por de  fato  realizar novo  lançamento posto que  veio  ao  mundo  jurídico  para  reparar  vício  material,  ou  seja,  vício  insanável,  deve  respeitar  os  prazos  previstos  em  lei  complementar  para  que  o  Estado  possa  constituir seu direito de crédito. Reafirmo.  O  lançamento  representado  pela  NFLD  constante  de  fls.  2,  consubstancia  pelo  Relatório  Fiscal  de  folhas  29,  foi  tacitamente  reconhecido  como nulo pelo CRPS que  ­ ao determinar a nulidade da DN e a elaboração de  Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.530          20 novo  relatório  fiscal  que  explicitasse a  ocorrência  do  fato  gerador  ensejador  da  responsabilidade  solidária  prevista  no  artigo  31  da  Lei  nº  8.212/91,  vigente  à  época  ­  ordenou que se  elaborasse novo  lançamento  consubstanciado em provas  da existência da contratação de serviços mediante cessão de mão­de­obra. Ocorre que  tal  lançamento  ­ repito,  consubstanciado no relatório  fiscal aditivo  ­  relativo às competências 09/98 a 12/98 se aperfeiçoou com a ciência do devedor  em 28 de junho de 2007, fora portanto do lustro permitido pelo artigo 173, inciso I  do CTN. Logo,  extinto  o  direito  de  crédito  do  Fisco  quando  do  lançamento  tributário  representado pelo relatório fiscal aditivo. Por  via  de  consequência,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  reconhecendo  a  nulidade  do  lançamento  tributário  arguída,  pela  ocorrência  de  vício material, em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador  ensejador da obrigação tributária.” 13 – Em vista da referida nulidade indicada alhures, entendo desnecessário a  análise dos demais termos apresentados em ambos os recursos voluntários. Conclusão 14  ­ Diante  do  exposto,  conheço  dos  recursos  e  no mérito  dou  provimento  para reconhecer a nulidade do lançamento tributário por vício material em face da ausência de  comprovação da ocorrência do fato gerador. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso ­ Relator             Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 18471.001560/2008­66  Acórdão n.º 2201­004.081  S2­C2T1  Fl. 1.531          21                   Fl. 1580DF CARF MF

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