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Numero do processo: 13830.001652/2004-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2003
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. COLOCAÇÃO DE ESTRUTURAS METÁLICAS, CALHAS E OUTROS MATERIAIS QUE SE AGREGAM AO SOLO E A OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ART. 9°, INCISO V, §4° DA LEI 9.317/96.
A atividade de comércio com instalação de estruturas metálicas, calhas, e outros materiais, os quais se agregam ao solo e A. obra de construção civil, encontra-se vedada para inclusão da pessoa jurídica no SIMPLES.
Recurso especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9101-001.063
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional a fim de manter o ato declaratório de exclusão do Simples.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. COLOCAÇÃO DE ESTRUTURAS METÁLICAS, CALHAS E OUTROS MATERIAIS QUE SE AGREGAM AO SOLO E A OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ART. 9°, INCISO V, §4° DA LEI 9.317/96. A atividade de comércio com instalação de estruturas metálicas, calhas, e outros materiais, os quais se agregam ao solo e A. obra de construção civil, encontra-se vedada para inclusão da pessoa jurídica no SIMPLES. Recurso especial do Procurador provido.
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Antonio Carl (I oni Fl ho - Relator. CSRF-T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13830.001652/2004-72 Recurso n° 334.172 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-001.063 — la Turma Sessão de 28 de junho de 2011 Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado KAIOBA INDÚSTRIA DE ESTRUTURAS METÁLICAS LTDA Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. COLOCAÇÃO DE ESTRUTURAS METÁLICAS, CALHAS E OUTROS MATERIAIS QUE SE AGREGAM AO SOLO E A OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ART. 9°, INCISO V, §4° DA LEI 9.317/96. A atividade de comércio com instalação de estruturas metálicas, calhas, e outros materiais, os quais se agregam ao solo e A. obra de construção civil, encontra-se vedada para inclusão da pessoa jurídica no SIMPLES. Recurso especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional a fim de manter o ato declaratório de exclusão do Simples. Editado em: 1 2 SET 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Susy Gomes Hoffmann. 1 Relatório Com base no permissivo do Regimento Interno desta Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: "SIMPLES. ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA. A atividade de comércio de forros e pisos, que inclua sua eventual instalação e/ou manutenção, não configura, por si só, atividade abrangida no conceito de atividade auxiliar de engenharia civil vedada ao SIMPLES. Recurso voluntário provido." 0 caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: Adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: "A contribuinte acima qualificada, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) mediante Ato Declaratório Executivo DRF/MRA n° 39 (17.35), de 10 de novembro de 2004, de emissão do Sr. Delegado da Receita Federal em Marilia, em razão de entender aquela autoridade que a atividade econômica desenvolvida pela contribuinte é vedada a op cão ao Simples, "por incurso no inciso V, do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996". Constou do ato declaratório que os efeitos da exclusão seria a partir de 01/01/2002 em obediência ao disposto no inciso II do parágrafo único do artigo 24 da Instrução Normativa (IN) SRF n°355, de 29/08/2003. Ressalte-se, que a exclusão do referido sistema foi motivada. pela Representação Fiscal do INSS (fls. 02 a 04) que informou à Secretaria da Receita Federal que a empresa presta serviços auxiliares da construção civil. rt Foram juntadas à representação as notas fiscais de fls. 15/32, bem assim o contrato social e suas alterações (fls. 07/14). Referida Representação Fiscal 'foi objeto de despacho de fl. 33, proferido pelo Chefe da Sacai daquela DRF, que acatou a representação e propôs a emissão do Ato Declaratório de exclusão. Regularmente cientificada em 30/11/2004 (AR de fl. 41), ingressou em 17/12/2004, com a manifestação de inconformidade de fls. 42/44, firmada pelo Procurador constituído conforme Procuração deft. 45. Alega que a auditora do INSS constou na representação que a empresa está vedada a opção pelo Simples por 2 Processo n° 13830.001652/2004-72 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.063 Fl. 2 exercer serviços auxiliares da construção civil (destaque do original) Entretanto, o preceptivo legal citado no Ato Declaratório de Exclusão, tem redação diversa da empregada pela Auditora Fiscal, pois salienta a vedação ao Simples a pessoa jurídica que se dedique a compra e venda, ao loteamento, incorporação ou a construção civil e não a serviços auxiliares da construção civil. (destaque do original). Acrescenta que a construção civil tem a significacdo de formação ou edificação de algo novo, não existente, mais conhecido pelo termo acessão industrial, enquanto que as benfeitorias, de acordo com o jurista De Plácido e Silva I ya sempre compreendida como os melhoramentos promovidos em um prédio, com a intenção de tomá-lo mais útil ou mais agradável". Alega que todos os serviços prestados são considerados melhoramentos, promovidos em prédios para torná-los mais agradáveis, e que a auditora fiscal do INSS apenas se ateve em analisar documentos e não propriamente se dirigir até o local onde foram prestados os serviços, o que de fato e de direito, a prejudicou intensa e injustamente. Aduz que o fato típico que excluiu a opção licita pelo Simples diz somente na hipótese de construção civil, taxativamente, e só pode ser interpretada restritivamente, e deve seguir : os artigos 5 0, II e 37, "caput", da Constituição Federal, ou seja, a administração pública deve ater-se ao principio da legalidade. É a síntese do essencial." A DRJ em Ribeirao Preto/SP indeferiu a solicitação da contribuinte, em decisão cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES - ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. A prestação de serviços auxiliares da construção civil, veda a opção pelo Simples. Solicitação Indeferida" Justificou sua decisão da seguinte maneira: 0 Contrato Social e suas alterações nos dão conta que o objetivo social da empresa é a "Compra, venda e industrialização de estruturas metálicas, materiais de construção e demais materiais de arte de ferro 3 empregados na indústria da construção civil" (sétima alteração contratual, fls. 11/14). As notas fiscais de prestação de serviços descrevem: "serviços de mão-de-obra executados na chumba ção de bases metálicas; colocação de. calhas e pintura em estrutura metálica; montagem e fabricação de estruturas metálicas; reforma de uma grade existente' e urna porta de correr; uma medição relativa ao fornecimento de mão- de-obra para reforma e revisão com substituição de material em estruturas metálicas em diversos prédios públicos; ,não-de-thra para cobertura de campo de bocha; confecção e instalação de abrigos para passageiros, etc. Necessário que se esclareça que as Montagens de estruturas metálicas ern imóveis enquadram-se no conceito de "execução de obras da construção civil", segundo o magistério de Bernardo Ribeiro de Moraes, em sua "Doutrina e Prática do Imposto Sobre Serviços" (Editora Revista dos Tribunais Ltda., P ed.,' São Paulo, 1978), verbis: "Num sentido genérico, a construção civil abrange as obras de construção, reforma ou reparação relacionadas com os seguintes grupos: g) sétimo grupo: obras de instalações de montagens e de estruturas em geral, abrangendo as obras assentadas ao solo ou fixadas em edificacões" (destacou-se) A Medida Provisória no 1323-7/1997 (D.0.U. de 02/05/1997), convertida na Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, acrescentou ao art. 90 da Lei n° 9.317, de 1996, um novo parágrafo, passando os dispositivos pertinentes a matéria a prescrever: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: V - que se dedique el compra e venda, ao loteamento, a incorporação ou a construção de imóveis; Parag. 4° Compreende-se na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agre2adas ao solo ou subsolo." (grifou-se) Desse modo, restou comprovado que a empresa explora atividades abrangidas por obras e serviços auxiliares e complementares da construção de imóveis, que por tratarem-se de benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo, estão compreendidas como execução de obras de 4 Processo n° 13830.001652/2004-72 CSRF-T1 AcOrdilo n.° 9101-001.063 Fl. 3 construção civil e, portanto, vedada a opção da pessoa jurídica ao Simples, conforme disposto 'no inciso V do art. 9° da Lei n°9.317, de 1996, com a alteração do art. 4° da Lei n°9258, 1997." Ciente da decisão em 17/11/2005 (AR de E. 55), a empresa apresentou recurso voluntário a este Colegiado em 09/12/2005, insistindo nas mesmas razões de impugnação e acrescentando que a MP 1.523-7/1997 está sendo interpretada com distorção, pois somente é aplicável na atividade de construção de imóveis e em nenhum momento ficou demonstrado no curso do processo qualquer tipo de construção de imóveis. Alega que o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 30 padece de vicio insanável, uma vez que inovou na ordem jurídica, estendendo situações que a própria Lei 9.317 não previu, pois, sendo um regulamento, deveria apenas servir para uniformizar e agilizar a fiel execução da Lei. De outra forma, afrontar-se-ia o texto constitucional Requer, ao final, o provimento do recurso, para sua manutenção no Simples. E o relatório." O acórdão acima ementado deu provimento ao recurso voluntário do Contribuinte para cancelar o Ato Declaratório de exclusão do Simples. Segundo o acórdão, (i) a empresa admite que comercializa estruturas metálicas e utiliza mão-de-obra para colocação destas; (ii) é de todo diferente um serviço auxiliar de construção civil de outro exercido por empresa industrial e comercial, que vende estruturas metálicas, peças a serem montadas no local pretendido pelo cliente; (iii) o fabricante de estruturas metálicas, ainda que eventualmente ofereça ao comprador a instalação no local, ou apenas a manutenção dessas estruturas, cuj as peculiaridades exigem mão-de-obra especifica e especializada, está muito mais próximo da empresa que vende material de construção do que da empreiteira de obras. Contra citado acórdão, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 76/80), os quais foram rejeitados pelo Despacho de fls. 82. Em sede de recurso especial, argüi a Fazenda Nacional contrariedade do acórdão recorrido a aresto proferido pela extinta 2' Camara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes (Ac. 302-36.469), o qual assenta o entendimento de que: "a fabricação e colocação de estrutura metálica em construção civil é atividade vedada no SIMPLES. Sustentou, ainda, que consoante o Ato Declaratório Normativo CST n° 30, de 1999, a vedação ao direito de optar pelo Simples de que trata o inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996, alcança obras e serviços auxiliares e complementares de construção civil tais como: construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo etc.. 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 020/2008 (fls.102/104)), ante a configuração do alegado dissenso jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contra-razões. E o relatório. 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial 6 tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Cinge-se a discussão em saber se a Contribuinte desenvolve (ou não) atividade vedada A inclusão no SIMPLES, na forma prevista no art. 9 0, V da Lei n° 9.317/96. Da análise dos autos constatam-se as seguintes descrições das atividades praticadas pelo contribuinte: "CLAUSULA TERCEIRA. A Sociedade tem por objeto mercantil a compra, venda e industrialização de estruturas metálicas, de materiais de construção e demais materiais de arte de ferro empregados na indústria da construção civil ." (fls.07) "02 - 0 objetivo social da empresa é - COMPRA, VENDA E INDUSTRIALIZAÇÃO DE ESTRUTURAS METÁLICAS, MATERIAIS: DE CONSTRUÇÃO E DEMAIS MATERL4IS DE ARTE DE FERRO EMPREGADOS NA INDUSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL (fls. 12). Nada obstante o objeto social da Contribuinte sugira apenas a comercialização de materiais de construção e de estruturas metálicas sem qualquer prestação de serviço a ela atrelada, constam dos autos notas fiscais de prestação de serviços (fls. 15/32) auxiliares ou inerentes A construção civil, tais como: "serviços de mão-de-obra executados na chumba ção de bases metálicas; colocação de calhas e pintura em estrutura metálica; montagem e fabricação de estruturas metálicas; reforma de uma grade existente e uma porta de correr; uma medição relativa ao fornecimento de mão-de-obra para reforma e revisão com substituição de material em estruturas metálicas em diversos prédios públicos; mão-de-obra para cobertura de campo de bocha; confecção e instalação de abrigos para passageiros", entre outros. Com a devida vênia ao entendimento do acórdão recorrido, entendo que as atividades acima descritas estão inseridas na vedação prevista no art. 9, V, §4°, da Lei 9.317/96, que assim dispõe, verbis: "Art. 9° Nei() poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica (.) V - que se dedique a compra e a venda, ao loteamento, à incorporação ou a construção de imóveis; (.) ,¢' 4° Compreende-se na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, 6 Processo no 13830.001652/2004-72 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.063 Fl. 4 demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo". De fato, parece-me que as atividades de chumba ção de bases metálicas; colocação de calhas e pintura em estrutura metálica; montagem de estruturas metálicas; medição relativa ao fornecimento de mão-de-obra para reforma e revisão com substituição de material em estruturas metálicas em diversos prédios públicos; mão-de-obra para cobertura de campo de bocha; confecção e instalação de abrigos para passageiros, configuram benfeitorias agregadas ao solo e/ou a obra de construção civil a que se referem a legislação acima citada. Não por outro motivo a Contribuinte presta serviços a empresas de engenharia, os quais configuram notadamente serviços auxiliares de construção civil, também citados pela norma como impeditivos A opção pela pessoa jurídica ao sistema simplificado de tributação. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional par a/.r- exclusão da Contribuinte do SIM fl provimento a fim de manter o ato declaratório de i. Antonio Ca o uidoni I ilho - Relator 7
score : 1.0
Numero do processo: 10245.001158/2002-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO INTEMPESTIVO
Nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, é de 30 dias o prazo para a interposição de Recurso Voluntário, contados a partir da ciência da decisão de primeira instância. Protocolado o recurso após este prazo, não pode o mesmo ser conhecido, tornando-se
definitiva a decisão recorrida.
Numero da decisão: 2102-001.509
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER do recurso, por perempto.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO INTEMPESTIVO Nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, é de 30 dias o prazo para a interposição de Recurso Voluntário, contados a partir da ciência da decisão de primeira instância. Protocolado o recurso após este prazo, não pode o mesmo ser conhecido, tornando-se definitiva a decisão recorrida.
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Protocolado o recurso após este prazo, não pode o mesmo ser conhecido, tornandose definitiva a decisão recorrida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, por perempto. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 24/08/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/07 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da revisão da DITR entregue para o exercício de 1998, relativamente ao imóvel “Fazenda Trento”. De acordo com os esclarecimentos constantes do Auto, o lançamento decorreu da glosa das áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de reserva legal, por serem “superiores ao permitido pela legislação”. Cientificado do lançamento, o Interessado apresentou a impugnação de fls. 27, por meio da qual alegou que a área informada na DITR 1998 de 7.989,7 hectares como sendo de interesse ambiental e utilização limitada está de acordo com o levantamento ambiental da área, e corresponde a 80% do imóvel. Afirmou ainda que tal área estaria de acordo com o TCARL (Termo de Compromisso para Averbação de Reserva Legal) protocolado e aprovado no Ibama de Roraima. Além disso, a área de preservação permanente corresponderia aos 20% restantes do imóvel, área que seria alagada por boa parte do período do inverno. Anexou os documentos de fls. 28/59. Na análise de tais alegações, os membros da DRJ em Recife decidiram pela integral manutenção do lançamento, ao entendimento de que a apresentação do ADA seria condição obrigatória para a exclusão das referidas áreas da tributação pelo ITR, e que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel também seria uma condição indispensável para a exclusão desta da área tributável pelo imposto, sendo que tal averbação teria que ser feita em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto. Consideraram que os demais documentos apresentados não seriam suficientes à comprovação da existência das referidas áreas. Inconformado com tal decisão, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 74/90, por meio do qual discorre sobre as áreas passíveis de exclusão da tributação do ITR, tratando dos conceitos das mesmas. Concluiu ter sempre cumprido as determinações legais mencionadas, sendo que a imposição legal de preservação da área referente a 80% do imóvel foi devidamente cumprida e averbada. Em seguida discorre sobre as orientações dadas pela Receita Federal para fins de preenchimento da DIAT, alegando que não há sentido administrativo ou fundamento legal na exigência do ADA como condição para a exclusão de determinadas áreas da tributação pelo ITR. Discorre também sobre o ADA, e as normas a ele relacionadas. Como conclusão, afirma que o simples fato de não ter averbado o TCARL não seria suficiente para lhe impor a penalidade da revisão de sua Declaração. Anexou os documentos de fls. 91/106. Como o Recurso não fora acompanhado do depósito recursal então previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, foi negado seguimento ao mesmo através da decisão de fls. 108. Contra ela, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança, no qual obteve êxito, implicando na revogação da referida decisão, com a remessa dos autos a este Conselho para apreciação do Voluntário interposto. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10245.001158/200258 Acórdão n.º 210201.509 S2C1T2 Fl. 172 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator Antes de analisar a matéria em discussão nestes autos, há que se analisar se o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte preenche os requisitos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Tal artigo prevê o prazo de 30 dias para a interposição de Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (sem grifos no original) No caso em exame, o Recorrente fora intimado da decisão recorrida em 13.07.2005, quintafeira (cf. AR de fls. 72), razão pela qual o prazo para a apresentação de seu Recurso Voluntário findaria em 12.08.2005, uma sextafeira. No entanto, o recurso foi apresentado somente em 19.08.2005, ou seja, após o término do prazo preclusivo para a sua apresentação. Por outro lado, o art. 42 daquele mesmo Decreto estabelece que: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) Assim, o recurso é intempestivo e não pode ser conhecido por este Conselho, tendo a decisão de primeira instância se tornado definitiva, nos termos das normas acima transcritas. Diante do exposto, meu voto é no sentido de NÃO CONHECER do recurso. Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 4 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10768.909770/2006-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
Ementa COMPENSAÇÃO — RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP — MOMENTO E ONUS DA PROVA
0 ônus da prova, quanto As compensações efetuadas sob a vigência do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996, cabe ao contribuinte. DCTF retificadora não é suficiente A comprovação do crédito que alega a Recorrente.
Numero da decisão: 1103-000.531
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Cristiane Silva Costa
1.0 = *:*
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 Ementa COMPENSAÇÃO — RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP — MOMENTO E ONUS DA PROVA 0 ônus da prova, quanto As compensações efetuadas sob a vigência do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996, cabe ao contribuinte. DCTF retificadora não é suficiente A comprovação do crédito que alega a Recorrente.
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DCTF retificadora não é suficiente A comprovação do crédito que alega a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos t os do relatório e voto que integram o presente julgado. Silva - Presidente. CUldLt Cristiane Silva Costa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percinio da Silva (Presidente). i. Relatório DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO E MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Trata-se de processo originado por pedido de restituição e declaração de compensação (PER/DCOMP n° 18422.97248.150503.1.3.04-7101), transmitida em 15 de maio de 2003, apontando crédito de saldo negativo de Contribuição Social sobre Lucro Liquido (CSLL) no valor de R$ 2.574,83, originado por incorreção em estimativa mensal declarada em DCTF, com pagamento de DAR_F respectiva no valor de R$ 10.029,99, com débito de Contribuição Social sobre Lucro Liquido (CSLL) no valor de R$ 2.574,83, devido quanto ao mês de fevereiro de 2003, com vencimento em 31 de março de 2003. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (DERAT) no Rio de Janeiro não homologou a compensação, sob os seguintes fundamentos "A partir das características do DARE discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Sendo intimada quanto a esta decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: (i) houve recolhimento de CSLL a maior, tendo pago o valor de R$ 10.029,99 (dez mil vinte e nove reais e noventa e nove centavos), em desconformidade com DCTF retificadora e Declaração de Imposto de Renda apresentada, sendo declarado o débito de R$ 7.455,16 (sete mil, quatrocentos e cinqüenta e cinco reais e dezesseis centavos); (ii) a diferença entre tais valores foi utilizada para compensação em PER/DCOMP; (iii) há direito à repetição de indébito, nos termos do artigo 165, I, do CTN e artigo 5 0, caput, e inciso XXII; (iv) alega a violação à Constituição Federal, ainda, por vedação ao confisco, pelo devido processo legal e pela moralidade administrativa. DA DECISÃO DA DRJ A. 5a. Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (R.1), por maioria de votos, manteve a decisão que não homologou a compensação, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor 2 Processo n° 10768.909770/2006-03 S1-C1T3 Acórdão 1 O 1103-00.531- Fl. 2 pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Compensação não Homologada A Recorrente, intimada quanto a este acórdão em 18 de fevereiro de 2009, interpôs recurso voluntário em 20 de mat-go de 2009. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em razões recursais, a Recorrente alega que: (i) não houve pagamento por estimativa a maior, mas erro no preenchimento relativo ao mês de dezembro de 2002 da DCTF originalmente apresentada; (ii) o equivoco de preenchimento foi corretamente tratado pelo voto vencido em julgamento da DR.1, colacionando trechos deste voto; (iii) as DCTFs retificadoras apresentadas pela Recorrente corrigiram o equivoco cometido, (iv) "embora se tenha efetuado o pagamento no valor de R$ 10.029,99 (..), a intenção da ora Recorrente como configurado na DIPJ era recolher apenas R$ 7.455,16"; (v) a Recorrente formulou pedido de restituição após o encerramento do período de apuração da CSLL, ocorrido em 31 de dezembro de 2002„ já tendo se iniciado o novo ano fiscal quando da apresentação de pedido de compensação, em 15.05.2003; (vi) que há direito à restituição de tributos indevidos, conforme artigo 165, I, do CTN. o relatório. 3 Voto Conselheira Cristiane Silva Costa 0 recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. A compensação é forma extintiva do crédito tributário, como prescreve o artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional. Ademais, prevê o artigo 170, do mesmo Diploma que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir a autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pUblica.". No âmbito federal, considerando os períodos em que efetuadas compensações nestes autos, relevante o artigo 74, da Lei n. 9.430/1996, com redação alterada pela Lei n° 10.637/2002: Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com transito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) lo A compensação de que trata o caput sera efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) sS 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) Com a alteração procedida por meio da Lei n. 10.637/2002, vigente a partir de 10 de outubro de 2002, a compensação de tributos federais passou a ser por meio de declaração de compensação. Desta forma, a apresentação de documentos foi postergada para momento posterior: (a) seja a intimação da DRF para esclarecimentos; (b) seja quando da apresentação de manifestação de inconformidade, caso não ocorrida intimação para esclarecimentos. De qualquer forma, o ônus da prova da existência do crédito cabe ao contribuinte, devendo fazê-lo na primeira oportunidade possível. Se é exigível que o lançamento tributário contenha todos os elementos descritivos da obrigação que pretenda exigir, como prescreve o artigo 142, do CTN, cabendo ao Fisco tal prova; em sentido similar exige-se que o contribuinte comprove os créditos que alega, quando requer a compensação destes créditos. Nesse sentido, é a orientação do antigo Conselho de Contribuintes, em C?‘ acórdão cuja ementa é a seguir reproduzida: 4 Processo n° 10768.909770/2006-03 S1-C1T3 Acórdão n.° 1103-00.531- Fl. 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 1996, 1997, 1998 PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E MOTIVAÇÃO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. Não há que se falar em ausência de fundamentação e/ou motivação da decisão administrativa quando esta se revela clara quanto aos motivos do indeferimento do pedido de restituição. Por decorrência não ha que se falar em cerceamento do direito de defesa, bem como na nulidade da decisão combatida. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÕES CORRESPONDENTES. 0 pedido de restituição não realizado de acordo com as exigências legais não deve ser acatado pela autoridade administrativa, mormente quando o contribuinte não anexa ao pedido, dentre outros documentos e/ou informações, planilha demonstrativa do valor reclamado a titulo de crédito. 0 Onus de provar a liquidez e certeza do direito creditó rio pugnado cabe ao contribuinte. Recurso negado. (1° Conselho de Contribuintes, acórdão 102- 49.447, 2° Camara, processo 13804.002458/00-27, recurso voluntário n°154.680, DJ de 17.12.2008) No caso destes autos, discute-se a existência de saldo negativo de Contribuição Social sobre Lucro Liquido (CSLL) no valor de R$ 2.574,83, originado por incorreção em estimativa mensal declarada em DCTF. Segundo a Recorrente, o equivoco foi sanado quando da apresentação de DCTF retificadora. Inexistindo notificação da Recorrente para esclarecimentos, poderia ser provada a existência de credito em manifestação de inconformidade. Verifica-se que foram juntados à manifestação de inconformidade: procuração, documentos sociais, cópia das declarações de compensação, DCTF original e DCTF retificadora. Ocorre que a DCTF retificadora não é suficiente A. comprovação do crédito que alega a Recorrente, cabendo ao contribuinte demonstrar em sua escrituração a regularidade dos valores lançados em DCTF. Em caso similar, decidiu esta 3a Turma Ordinária, em acórdão de relatoria do Conselheiro Presidente Aloysio José Percinio da Silva, nos autos do processo administrativo n° 16327.002125/2003-82. Diante de tais razões, nego provimento ao recurso voluntário. E o meu voto. Sala das Sessões, em 03 de outubro de 2011 CNJ-tko.)..u. Cristiane Silva Costa - Relatora 5
score : 1.0
Numero do processo: 13706.003760/2003-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DA EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES.
Exercício: 2003
RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se pode conhecer do recurso especial, quando, não obstante o recorrente basear-se na violação à legislação tributária, ataca-se
apenas um dos fundamentos da decisão recorrida.
Numero da decisão: 9101-001.023
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
1.0 = *:*
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DA EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES. Exercício: 2003 RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se pode conhecer do recurso especial, quando, não obstante o recorrente basear-se na violação à legislação tributária, ataca-se apenas um dos fundamentos da decisão recorrida.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
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Exercício: 2003 RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se pode conhecer do recurso especial, quando, não obstante o recorrente basearse na violação à legislação tributária, atacase apenas um dos fundamentos da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 96DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13706.003760/200324 Acórdão n.º 9101001.023 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatora Participaram do julgamentos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alberto Pinto Souza Junior, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann, Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em contrariedade à legislação tributária. O contribuinte foi excluído do Simples em razão da atividade de produção de filmes e vídeo por ele desenvolvida. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 20/22 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento indeferiu a solicitação do contribuinte (fls. 40/45). Interpôsse recurso voluntário (fls. 47/49). A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Exercício: 2003 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. ‘PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA’ LC 123, de 14/12/06. Nos termos da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, artigo 17, §1°, inciso XVIII, as vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput daquele artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente a ‘produção cinematográfica’ ou a exerça em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação. Entendeuse pela não caracterização da atividade vedada ao Simples, bem como pela retroatividade da Lei Complementar n° 123/06, com base no artigo 106, inciso II, ‘a”, do CTN. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com fundamento em contrariedade à legislação tributária, especificamente do artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9317/96, artigos 88 e 89 da Lei Complementar 123/06, artigo 106 do CTN, e artigo 94 dos ADCT.. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13706.003760/200324 Acórdão n.º 9101001.023 CSRFT1 Fl. 3 3 Insurgiuse contra a aplicação retroativa da Lei Complementar, naquilo em que se excluiu do ordenamento a vedação legal ao exercício da atividade desenvolvida pelo contribuinte. Segundo a recorrente: “Notese que no momento da exclusão do SIMPLES, a legislação que se encontrava em vigor era Lei n° 9.317/96, e o desempenho das atividades de promoção de eventos é assemelhada a produtor de espetáculos, portanto impedida de optar pela sistemática do SIMPLES, conforme o art. 9°, inc. XII (...) Observase que a recorrida foi excluída em 07.08.2003, em 26/09/2003 solicitou a revisão de sua exclusão, tanto a época da exclusão como o pedido de revisão vigia a Lei n° 9317/1996. Enquanto, a Lei Complementar do Super Simples foi publicada em 14.12.2006, somente entrando em vigor a partir de 01.07.2007”. Diante disso, postulou pela reforma da decisão recorrida, para que se mantenha a exclusão do contribuinte do Simples. O contribuinte não apresentou contrarazões. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Não preenche, contudo, os demais requisitos de admissibilidade. De fato, a recorrente baseou o presente recurso especial na violação à legislação tributária, atacando, especificamente, a aplicação retroativa da Lei Complementar n° 123/06. É neste sentido todo o teor das razões recursais. Sucede, entretanto, que a decisão proferida pelo órgão a quo não se restringiu a considerar, como seu fundamento, apenas e tãosomente a incidência retroativa daquela lei. Na verdade, o órgão a quo pautouse, também, na avaliação acerca da caracterização da atividade exercida pelo contribuinte como vedada à opção pelo Simples. Neste sentido, tenhase por presente as seguintes passagens, que se extrai da decisão combatida: “Diante disso, cumprenos analisar o objeto social da ora Recorrente. Eis que, consta do Contrato Social de fls. 09 (Cláusula Quarta), que seu objeto social é: Fl. 98DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13706.003760/200324 Acórdão n.º 9101001.023 CSRFT1 Fl. 4 4 "Produção, distribuição, prestação de serviços, comercialização e, exibição de vídeos e filmes em qualquer suporte, de qualquer gênero, com qualquer duração no território nacional e no exterior, produção de shows e espetáculos, locação de equipamentos, instrumentos e componentes diversos, serviços de montagem e manutenção de estádios e cenários, prestação de serviços de direção, produção e edição, criação de roteiros de vídeo e filmes, produção de CD Room, produção de eventos, consultoria técnica, compra e venda de materiais, comercialização e distribuição de qualquer produto constante na NBMNomenclatura Brasileira de mercadoria, inclusive importar e exportar esses produtos, podendo ainda participar como sócio quotista, acionista de sociedades comerciais, ou civis, nacionais ou estrangeiras."(g.n.) ' Destaquese, ainda, que às fls. 50, consta "Declaração", da própria Recorrente, na qual informa que "as totalidades das receitas auferidas pela empresa decorrem da produção cinematografica” Diante disso, analisouse o que vem a ser prestação de serviços cinematográficos, constatando o que segue: “Nesse ínterim, vale observarmos o seguinte conceito, extraído da enciclopédia ‘Wikipedia’: ‘Produção Cinematográfica. Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Produção de cinema requer muito planejamento e organização. Devese fazer um roteiros (sic) de tudo o que será necessário no set, desde alimentação até os equipamentos de iluminação e maquinaria. Entre os processos necessários para criação de um filme estão: criação do roteiro, storyboards com desenhos de todas as cenas para facilitar na preparação do set, planejamento, equipe técnica, elenco, preparação do set, cenários, captação das imagens internas e externas, filmagem, trilha sonora, edição, pósprodução, promoção e distribuição, além de muitos outros."(g.n.) Vêse, destarte, que o acórdão recorrido não se baseou, tãosomente, na retroatividade da Lei Complementar n° 123/06, para dar provimento ao recurso do contribuinte. O recorrente, contudo, resumiuse a atacar aquele fundamento. Diante disso, ainda que fossem acolhidas as razões trazidas à tona pela recorrente, a decisão recorrida restaria íntegra, sob o fundamento acima transcrito. Não se deve, assim, partir para a análise do mérito do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Neste sentido, a súmula n° 283 do STF: Fl. 99DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13706.003760/200324 Acórdão n.º 9101001.023 CSRFT1 Fl. 5 5 “É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assente em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles”. Diante do exposto, não conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 100DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10650.000200/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2003
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios veementes de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços.
Numero da decisão: 2102-001.472
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima (relator) e Roberta de Azeredo Ferrreira Pagetti. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde são documentos hábeis para comprovar a dedução de despesas médicas. Contudo, não se admite a dedução de despesas médicas, quando presente a existência de indícios veementes de que os serviços a que se referem os recibos não foram de fato executados e o contribuinte intimado deixa de carrear aos autos a prova do pagamento e da efetividade da prestação dos serviços. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira Lima (relator) e Roberta de Azeredo Ferrreira Pagetti. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente. Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. Assinado digitalmente Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 77 2 NÚBIA MATOS MOURA – Redatoradesignada. EDITADO EM: 22/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Atilio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 66 a 74, interposto contra decisão da DRJ em Juiz de Fora/MG, de fls. 57 a 62, que julgou procedente o lançamento do IRPF de fls. 03 a 07, relativo ao anocalendário 2003, lavrado em 14/02/2007, com ciência da RECORRENTE em 16/02/2007 (fl. 17). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 4.354,71, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 04 e 05, o presente lançamento teve origem na glosa de deduções relativas a despesas médicas, nos seguintes termos: “001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Glosa de deduções de despesas médicas pleiteadas indevidamente, no valor de R$ 10.000,00, na declaração de. Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2004, ano calendário de 2003, relativas a supostos atendimentos pelo profissional MARCUS AUGUSTO SCALON ANACLETO, CPF 622.926.41615. Em 23/02/2005 foi enviado para a contribuinte o Termo de Intimação Fiscal PDM/0256/2005 solicitando a apresentação, dos recibos originais emitidos pelo profissional, assim como a comprovação do efetivo atendimento e pagamento (fls. 11). Em resposta, a contribuinte apresentou os recibos que totalizavam o valor de R$10.000,00 (fls.14/15), um orçamento emitido pelo profissional (fls. 13) e, além disso, informou que os pagamentos foram efetuados em espécie (fls. 12). Cabe ressaltar que os recibos apresentados não identificam o nome do beneficiário do tratamento, não sendo assim, hábeis Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 78 3 para comprovar a despesa médica, já que a dedução se restringe aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Além disso, apenas um dos recibos apresentados possui o endereço do profissional, ou seja, mais uma vez, os requisitos legais não foram atendidos. Ressaltese ainda que a simples emissão de um orçamento não configura tratamento realizado, ou seja, não houve comprovação do suposto atendimento. Quanto à comprovação do pagamento, nenhum documento hábil foi apresentado (fls. 12). Assim, foi efetuada a glosa do valor correspondente, com aplicação da multa regulamentar de 75%, consoante os Acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes, a seguir transcritos: (...) O presente auto de infração é decorrência de trabalho especial relativo a deduções fraudulentas de despesas médicas (efetuadas com médicos, dentistas, fisioterapeutas, psicólogos e demais profissionais da área de saúde, hospitais e assemelhados), onde constatouse: a) o uso fraudulento de recibos médicos por diversos contribuintes; b) a ausência de comprovação da prestação de serviços e dos pagamentos supostamente efetuados, por parte dos contribuintes intimados; c) a atividade de distribuição de recibos falsos por diversos profissionais da área de saúde. Por isso, foi efetuada a glosa do abatimento, excluindose os valores usados indevidamente. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2003 R$ 10.000,00 75,00 Enquadramento legal: Art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844/43; Arts. 73 e 80 do RIR/99.” A declarações de ajuste anual da RECORRENTE, referentes ao ano calendário 2003, foi acostadas às fls. 08 a 10 dos autos. Em razão das glosas efetuadas pela fiscalização, foi apurado imposto de renda no valor de R$ 1.997,58, que se sujeita à multa de ofício e aos juros de mora, conforme demonstrativo de cálculo de fls. 06 e 07. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 79 4 Em 06/03/2007, a RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 19 a 31, através de procurador habilitado à fl. 32, trazendo as alegações a seguir resumidamente transcritas: “(...) PRELIMINARMENTE DA NULIDADE DO AUTO INFRAÇÃO (...) A requerente foi intimada para apresentação de documentos, antes mesmo de formalizado o Mandado de procedimento fiscal, com a devida vênia, tratase de vicio de formalidade insanável, tendo em vista que o MPF deverá ser formalizado no início do procedimento fiscal, pois a seleção de contribuintes à fiscalização deverá ter caráter objetivo e impessoal, para melhores esclarecimentos, vejamos o início deste acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes: (...) O Código Tributário Nacional, em seu art. 196, preceitua o seguinte, ‘in verbis’: ‘Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização, lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas.’ (...) O contribuinte deverá ser intimado pessoalmente do Mandado de Procedimento Fiscal, para que este tenha validade, esse é o posicionamento dos professores citados acima: (...) Assim sendo, o termo de intimação fiscal no PDM/0256/2005, para apresentação de documentos, não cumpre os requisitos da lei, haja vista que, o mesmo não provém de determinação da autoridade competente, bem como, não estabelece, o inicio e o prazo máximo para a conclusão dos trabalhos, (inteligência do art. 196, CTN). Desse modo, o fisco deixou de observar, formalidade essencial para a instauração do Auto de Infração ora impugnado, pois o Mandado de Procedimento fiscal. deveria ter sido elaborado pela autoridade competente. no inicio do procedimento em 23/02/2005, havendo assim, vício insanável desde o seu nascedouro, impondose por tanto, com a devida vênia, a declaração de sua nulidade, o que desde já o requer. (...) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 80 5 DO MÉRITO: Para espancar qualquer dúvida, quanto, à impugnação do mérito do Auto de Infração em discussão, a requerente apresenta uma declaração assinada pelo profissional prestador dos serviços em questão, da qual consta que os serviços foram executados na própria contribuinte, que o pagamento foi efetuado em parcelas pela própria contribuinte, em moeda corrente, o qual foi, sem dúvida, devidamente oferecido à tributação, pelo beneficiário dos serviços. A Impugnação, no mérito do Auto de Infração, tem ainda, sua fundamentação na tese, de que, como o beneficiário, já ofereceu esse valor a tributação, na sua respectiva declaração de imposto de renda do exercício de 2004, ano calendário 2003, ocorrerá, se mantido o Auto de Infração ora Impugnado, o enriquecimento sem causa, diante de bitributação. (...)” A RECORRENTE apresentou, novamente, os recibos (fls. 53 e 54) bem como o orçamento do tratamento elaborado pelo Dr. Marcus Augusto Scalon Anacleto (fl. 55). A declaração prestada pelo profissional dentista foi acostada à fl. 33. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 57 a 62 dos autos, julgou procedente o lançamento do imposto, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DISPENSA. É dispensada a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal no procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Mantémse o lançamento relativo às despesas médicas para cujos recibos não ficou evidenciada a efetividade do atendimento e pagamentos correspondentes, mormente quanto tal aspecto foi objeto de intimação por parte da autoridade lançadora. Lançamento Procedente” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE, e findou por julgar procedente o lançamento de imposto de renda consubstanciado no auto de infração. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 81 6 DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão em 07/08/2009 (sexta feira), conforme AR de fl. 65 dos autos, apresentou recurso voluntário de fls. 66 a 74 em 08/09/2009. Em suas razões de apelo, reitera todo a alegado em sua impugnação. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Preliminares De início, devo analisar as preliminares razões de defesa da RECORRENTE, que alega nulidade do lançamento tendo em vista que o fisco supostamente deixou de observar formalidade essencial para a instauração do Auto de Infração ora impugnado, pois o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF deveria ter sido elaborado pela autoridade competente no inicio do procedimento em 23/02/2005. De fato, o MPF de fl. 01 é datado de 12/02/2007, enquanto que a RECORRENTE tomou conhecimento da ação fiscal através do Termo de Intimação Fiscal nº PDM/0256/2005 de 23/02/2005 (fl. 11). Ao contrário do exposto pela autoridade julgadora de primeira instância, no documento de fl. 11 não há qualquer indicação de que o procedimento de fiscalização foi relativo a tratamento automático das declarações (malhas fiscais), hipótese em que estaria dispensado a emissão do MPF, conforme prevê o art. 11, inciso IV, da Portaria SRF n° 6.086/2005. O Termo de Intimação Fiscal de fl. 11 expressa que a fiscalização ocorreu em trabalho especial de cruzamento de informações relativas a deduções de despesas médicas e na forma dos artigos 904. Nos termos da descrição dos fatos e enquadramento legal de fl.s 04 e 05, a autoridade fiscal afirma novamente que o lançamento é decorrente de trabalho especial, nos seguintes termos: “(...) O presente auto de infração é decorrência de trabalho especial relativo a deduções fraudulentas de despesas médicas (efetuadas com médicos, dentistas, fisioterapeutas, psicólogos e demais profissionais da área de saúde, hospitais e Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 82 7 assemelhados), onde constatouse: a) o uso fraudulento de recibos médicos por diversos contribuintes; b) a ausência de comprovação da prestação de serviços e dos pagamentos supostamente efetuados, por parte dos contribuintes intimados; c) a atividade de distribuição de recibos falsos por diversos profissionais da área de saúde. Por isso, foi efetuada a glosa do abatimento, excluindose os valores usados indevidamente. (...)” Assim, deveria ter sido expedido o MPF para dar ciência à RECORRENTE do início da fiscalização, o que ensejaria a nulidade do processo administrativo. No entanto, o art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72 prevê o seguinte: “Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta” Sendo assim, passo a analisar o mérito da questão. Mérito Ao comparar as declarações de ajuste do RECORRENTE (fls. 08 a 10) com os recibos de despesas médicas de fls. 14 a 15, a autoridade fiscal efetuou a glosa das seguintes despesas médicas: 1) anocalendário 2003: R$ 10.000,00 pagos ao profissional Dr. Marcus Augusto Scalon Anacleto. No que tange às despesas acima citadas, entendo que deve ser reformado o lançamento, pelas razões adiante expostas. O Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estão sujeitas à comprovação de sua realização, nos seguintes termos: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. § 2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tomar irrecorrível na esfera administrativa. § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 83 8 mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento." Em seu art. 80, o RIR/1999 determina, ainda, o seguinte: "Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1° O disposto neste artigo: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." No caso dos autos, os recibos emitidos pelo profissional dentista (fls. 14 e 15) foram rejeitados pela fiscalização visto que não indicam o nome do beneficiário do tratamento e também não apresentavam o endereço do profissional. A autoridade fiscal entendeu também que o orçamento do tratamento apresentado (fl. 13) não comprovaria a realização do tratamento, e que não foi apresentada qualquer prova inequívoca dos pagamentos correspondentes aos serviços prestados. Quando da apresentação de sua impugnação, a RECORRENTE novamente juntou aos autos os recibos das despesas médicas e o orçamento do tratamento (fls. 53 a 55), bem como declaração prestada pelo profissional dentista, que atesta a efetividade dos serviços odontológicos tomados pela RECORRENTE (fl. 33). Em oposição ao alegado pela autoridade julgadora de primeira instância, entendo que os recibos emitidos pelo profissional dentista, aliados ao orçamento do tratamento e à declaração expedida pelo mesmo profissional, devem sim ser aceitos como comprovação de despesas odontológicas. Após pesquisa no sítio da Receita Federal na internet, constatei que o Dr. Marcus Augusto Scalon Anacleto encontrase com o CPF regular. Em consulta realizada através do sistema “COMPROT”, verifiquei que não existe qualquer processo administrativo em desfavor do referido profissional a partir do anocalendário 2003 (período da ocorrência dos fatos da presente ação), o que já afasta qualquer corelação das glosas com o uso de “recibos fraudulentos”. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 84 9 Para efetuar a glosa de deduções, a autoridade fiscal deve motivar o seu ato, expondo as razões. Contudo, tal ato (glosa de deduções) deve obedecer aos limites fixados em lei, sob pena de o ato administrativo tornarse arbitrário e, portanto, ilegal. Sobre a discricionariedade do ato administrativo, sirvome das lições de Celso Antônio Bandeira de Mello: “89. A situação é bastante diversa quando a lei deixa ao Poder Público certa margem de discricionariedade por ocasião da prática do ato. Assim, considerese o caso da autorização do porte de arma. Se o particular o solicita, a Administração deferirá ou não, posto que a lei não constrange à prática do ato, dado que faculta ao Poder Público examinar no caso se convém ou não atender ao pretendido pelo interessado.(...) 90. Em suma: discricionariedade é liberdade dentro da lei, nos limites da norma legal, e pode ser definida como: ‘ margem de liberdade conferida pela lei ao administrador a fim de que este cumpra o dever de integrar com sua vontade ou juízo a norma jurídica, diante do caso concreto, segundo critérios subjetivos próprios, a fim de dar satisfação aos objetivos consagrados no sistema legal’. 91. Não se confundem discricionariedade e arbitrariedade. Ao agir arbitrariamente o agente estará agredindo a ordem jurídica, pois terá se comportado fora do que lhe permite a lei. Seu ato, em conseqüência, é ilícito e por isso mesmo corrigível judicialmente. (...) 98. Assim, a discricionariedade existe, por definição, única e tãosomente para proporcionar em cada caso a escolha da providencia ótima, isto é, daquela que realize superiormente o interesse público almejado pela lei aplicanda. Não se trata, portanto, de uma liberdade para a Administração decidir a seu talante, mas para decidirse do modo que torne possível o alcance perfeito do desiderato normativo. (...)” (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 22ª ed. rev. São Paulo: Malheiros, 2007. p.413 a 418). Conforme preceitua o art. 73 do RIR/99, as deduções pleiteadas em declaração de ajuste anual estão sujeitas à comprovação do contribuinte. Assim, entendo que os recibos em conjunto com a declaração e o orçamento do tratamento comprovam a efetividade das despesas de serviços odontológicos. Assim, agiu em conformidade com o que determina o art. 73 do Decreto nº 3.000/99, não podendo a autoridade lançadora simplesmente efetuar a glosa de tais despesas, sem motivar o seu ato. Desta forma, o pedido de dedução de tais despesas médicas, formulado pela RECORRENTE, deve ser acatado, tendo em vista que os recibos apresentados aliados à declaração prestada pelo profissional são perfeitamente aptos a comprovar a efetividade do dispêndio. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 85 10 Sobre o tema, importante transcrever ementa de acórdão proferido pela antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, verbis: “GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS — FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. A glosa de dedução de despesas, após a justificativa apresentada pelo contribuinte, deve ser seguida de rigorosa fundamentação que demonstre a inaplicabilidade do art. 242 do RIR/94 às despesas incorridas. A simples alegação, sem contra demonstração fundamentada, por parte da autoridade administrativa, atinge o princípio da motivação dos atos administrativos. (recurso voluntário nº 133791; 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 16/04/2003)” Portanto, deve ser reformado o lançamento no que diz respeito à glosa do valor de R$ 10.000,00 a título de despesas médicas, durante os anocalendário 2003, cancelandose o presente lançamento de imposto de renda. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, restabelecendo as despesas médicas glosadas, no valor de R$ 10.000,00. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 10DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 86 11 Voto Vencedor Divirjo do ilustre Relator somente nas questões de mérito, no que diz respeito às despesas médicas relativas ao profissional dentista Marcus Augusto Scalon Anacleto. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. No presente caso, a contribuinte teve sua Declaração de Ajuste Anual, relativa ao anocalendário 2003, examinada e durante o procedimento fiscal foi intimada a comprovar o efetivo pagamento das deduções pleiteadas a título de despesas médicas, conforme Termo de Intimação, fls. 11. Ao atender a citada intimação, a contribuinte apresentou Fl. 11DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10650.000200/200746 Acórdão n.º 210201.472 S2C1T2 Fl. 87 12 cópias dos recibos e de plano de tratamento odontológico e esclareceu que todos os pagamentos foram realizados em dinheiro. Observase que, a despeito dos recibos e do plano de tratamento odontológico apresentados pela contribuinte, justificase, no caso, a exigência da comprovação do efetivo pagamento, no fato de a contribuinte pleitear dedução de despesas médicas, no valor de R$ 10.000,00, quando o rendimento tributável declarado foi de R$ 38.749,86. Se deste valor for diminuído a contribuição previdenciária (R$ 4.162,21) e o imposto de renda retido na fonte (R$ 1.172,71) o rendimento líquido da contribuinte passa a ser de R$ 33.414,94, o que implica dizer que os gastos com despesas médicas alcançou 30% do rendimento líquido auferido. Destaquese que a soma dos rendimentos isentos e não tributáveis e dos rendimentos sujeitos a tributação exclusiva no referido anocalendário foi de apenas R$ 2.724,18. (Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2004, fls. 08/10). Vale destacar, ainda, que a renda líquida média mensal da contribuinte é R$ 3.229,15 (R$ 38.749,86 / 12), o que implica dizer que houve mês que a contribuinte teria suportado despesa médica que corresponderia a mais de 60% de sua renda, dado que a quantia de R$ 10.000,00 é representada por seis recibos que variam de R$ 1.200,00 a R$ 2.000,00. Causa ainda estranheza o fato de os recibos serem seqüencialmente numerados, de 14 a 19, o que indicaria que a contribuinte seria a única cliente do profissional. E mais, a numeração dos recibos tem ordem inversamente proporcional ao mês de emissão, ou seja, o recibo emitido em janeiro é o de número 19, enquanto o recibo emitido em setembro é o de número 14, quando deveria ser exatamente ao contrário. Já no que se refere à alegação da contribuinte de que efetuou os pagamentos em espécie, vale notar que os rendimentos declarados pela contribuinte são em sua totalidade provenientes de pessoas jurídicas, tais como: Faculdade de Medicina do Triangulo Mineiro e Drogas Cruzeiro Ltda, que comumente fazem os pagamentos de seus funcionários e prestadores de serviço por intermédio de instituições financeiras. Assim, ainda, que prosperasse a argüição de pagamento em espécie, seria de fácil comprovação, mediante a apresentação de extratos bancários, com indicação de saques em datas e valores coincidentes com os recibos. Nesses termos, na falta da comprovação efetiva dos pagamentos, não há como se acatar a dedução de despesas médicas, pleiteada pela contribuinte, devendose manter o lançamento, na forma como consubstanciado no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 12DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 20/10/2011 po r CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por NUBIA MATOS MOURA
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Numero do processo: 37299.006543/2005-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 19/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Não se pode conhecer do recurso especial de divergência quando a decisão recorrida e os acórdãos apontados como paradigmas analisaram realidades fáticas distintas e não comparáveis. A divergência que permite o conhecimento do recurso especial pressupõe a existência de teses diversas na interpretação dos mesmos dispositivos legais, o que não ocorre no caso em apreço.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.597
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por ausência de pressuposto de admissibilidade pertinente à comprovação da divergência jurisprudencial.
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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Não se pode conhecer do recurso especial de divergência quando a decisão recorrida e os acórdãos apontados como paradigmas analisaram realidades fáticas distintas e não comparáveis. A divergência que permite o conhecimento do recurso especial pressupõe a existência de teses diversas na interpretação dos mesmos dispositivos legais, o que não ocorre no caso em apreço. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ausência de pressuposto de admissibilidade pertinente à comprovação da divergência jurisprudencial. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Em face de Right Choose Mão de Obra Temporária e Seleção de Pessoal Ltda foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01/04, objetivando a cobrança de multa pela não apresentação da documentação fiscal comprobatória de determinados lançamentos contábeis constantes de seus livros. A Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 20500.698, que se encontra às fls. 133/137 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 19/12/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO FORMALIZAÇÃO DA REQUISIÇÃO PELO AUDITOR FISCAL. REGRA DO IN DUBIO PRO INFRATOR. Não consta da relação do TIAD, a requisição dos documentos que embasaram o lançamento contábil. Desse modo, entendo inservível o TIAD para sustentar a presente autuação. Ao analisar o Livro Diário, o Auditor entendeu que deveriam ser apresentados os documentos de uma conta especifica, Assim, deveria o Auditor ter solicitado formalmente os documentos por meio de TIAD especifico, até mesmo para embasar uma pretensa autuação por descumprimento de obrigação acessória. Diante do previsto no art. 112 do CTN, regra do in dúbio pro infrator, a autuação do contribuinte impõe ao Fisco prova para poder sustentála. Processo Anulado.” Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 37299.006543/200565 Acórdão n.º 920201.597 CSRFT2 Fl. 2 3 A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, anulou o auto de infração. Intimada pessoalmente do acórdão em 13/11/2008 (fls. 138) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 142/147, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão nº 10707.751 no tocante à obrigatoriedade de apresentação da documentação que ampara os lançamentos contábeis. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 205636, de 23/11/2008 (fls. 150/152). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional a contribuinte apresentou suas contrarazões de fls. 159/166. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente passo ao exame de admissibilidade do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como relatado anteriormente, a decisão proferida pelo v. acórdão foi unânime, tendo a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentado recurso especial de divergência, nos termos do artigo 7º, inciso II, do antigo Regimento Interno desta Câmara Superior. Para comprovar o entendimento divergente que lhe aproveitaria a Procuradoria da Fazenda Nacional indicou como paradigma o acórdão n° 10707.751, assim ementado: "COFINS. ARBITRAMENTO DE LUCROS. LIVRO DIÁRIO EM PARTIDAS MENSAIS. A falta de apresentação de livro auxiliar escriturado como ente complementar ao Livro Comercial escriturado em partidas mensais autoriza o arbitramento do lucro com base na receita bruta declarada. A exigência decorrente deve se amalgamar ao que fora decidido em relação ao tributo principal. IRPJ. LUCRO REAL. DOCUMENTAÇÃO. APRESENTAÇAO PARCIAL. ARBITRAMENTO DE LUCROS. SUBSISTÊNCIA. A falta de apresentação da documentação que ampara a escrituração justifica o arbitramento dos lucros. A escrituração só faz prova a favor do contribuinte quando lastreada em documentos hábeis e idôneos. Não apresentados, ainda que de forma parcial, quedase derruída a pretensão de acolhimento ao rogo recursal ao abrigo dos artigos 18, inciso IV, da Lei n° 8.541/92, e 386 do Código de processo Civil.” Entendo, no entanto, não restar configurada a divergência na medida em que as decisões analisam situações fáticas e aplicação de legislação distintas em cada caso. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 De fato, o v. acórdão recorrido trata da aplicação de multa pelo descumprimento de uma obrigação acessória, qual seja, deixar de apresentar determinados documentos à autoridade fiscal após a apresentação de intimação, tendo a Câmara recorrida considerado insuficiente a prova da intimação apresentada pelo Fisco para ensejar a aplicação da penalidade. O acórdão apontado como paradigma, por sua vez, trata do arbitramento da base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica tendo em vista a ausência de documentação que comprova os lançamentos, afetando diretamente a conformação da obrigação principal. As realidades fáticas tratadas nos acórdãos, embora se toquem tangialmente no que respeita a possíveis consequências da não disponibilização de documentos, são distintas quanto a seus efeitos multa por não apresentação de documentos (obrigação acessória) e arbitramento por contabilidade imprestável (obrigação principal), além do que o fundamento legal aplicável é diferente, não restando caracterizada divergência de teses quanto à interpretação de dispositivos legais a autorizar o conhecimento do presente recurso especial. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Gustavo Lian Haddad (assinado digitalmente) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, 29/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10920.002041/2005-25
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE INTEGRALMENTE SITUADA EM APA. COMPROVAÇÃO VIA LAUDOS PERICIAIS E DECLARAÇÃO DO IBAMA. INEXISTÊNCIA DO ADA. VALIDADE. PRINCÍPIO DA
VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Tratando-se de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudo Pericial e, principalmente, Declaração emitida pelo próprio IBAMA admitindo como tal, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental ADA, impõe-se o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material,
sobretudo quando demonstrado encontrar-se situada integralmente em Área de Proteção Ambiental.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.820
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE INTEGRALMENTE SITUADA EM APA. COMPROVAÇÃO VIA LAUDOS PERICIAIS E DECLARAÇÃO DO IBAMA. INEXISTÊNCIA DO ADA. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudo Pericial e, principalmente, Declaração emitida pelo próprio IBAMA admitindo como tal, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental ADA, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material, sobretudo quando demonstrado encontrarse situada integralmente em Área de Proteção Ambiental. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Henrique Pinheiro Torres. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 31/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório JHJ EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S.A, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 11/07/2005, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2001, incidente sobre o imóvel rural denominado “Serra Dona Francisca” localizado no município de Joinville/SC, cadastrado na RFB sob o nº 49166921, conforme peça inaugural do feito, às fls. 61/70, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário a então Terceira Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0412.353/2007, às fls. 96/98, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara, em 26/03/2009, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 310200.075, sintetizados na seguinte menta: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 ITR. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias, de acordo com os §§ 1º e 2º do artigo 38 da Lei 9.784/99. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. São de preservação permanente as áreas do imóvel ocupadas por florestas e demais formas de vegetação natural, sem destinação comercial, na forma dos artigos 2º e 3º da Lei nº 4.771, de 1965, com Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE Processo nº 10920.002041/200525 Acórdão n.º 920201.820 CSRFT2 Fl. 2 3 alterações da Lei nº 7.803/89. Precedente Ac. DRJ/CGE nº 02.111/03. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. O ato do órgão competente federal ou estadual que declare as áreas de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas tem eficácia como documento probante. Com essa finalidade foi instituído o Ato Declaratório Ambiental relativamente às áreas de utilização limitada. Recurso Voluntário Provido.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 126/135, com arrimo no artigo 7º, inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os dispositivos legais que regulam a matéria, especialmente os preceitos contidos no artigo 111 do CTN; artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000; artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, e § 7°, da Lei n° 9.393/1996; quanto à requisição atempada do ADA, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à contrariedade à lei arguida. No caso dos autos, tratandose do exercício de 2001, com mais razão a exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, se faz presente, sobretudo após a alteração do artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000. Contrapõese ao entendimento da Câmara recorrida, aduzindo para tanto que as áreas de utilização limitada são aquelas definidas pelo Código Florestal em seu artigo 16 e que, para serem consideradas como tal não bastam apenas “existir” no mundo fático, mas devem “existir” também no mundo jurídico quando reconhecidas pelo IBAMA a partir da requisição do ADA, mormente quando referida exigência decorre da legislação de regência, mais precisamente a Lei nº 4.771/65, que deverá ser interpretada literalmente, com arrimo no artigo 111 do Códex Tributário. Defende que para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado na legislação. Infere que a Receita Federal do Brasil já se manifestou por diversas oportunidades a propósito do assunto, firmando o entendimento de que a não incidência de ITR sobre as áreas de utilização limitada está condicionada ao reconhecimento como tal por parte do Poder Público, por intermédio do ADA, devendo existir em cada imóvel informação específica da parte reservada, como estabelecem as normatizações internas da SRF, notadamente o artigo 10, § 4º, inciso I, da IN SRF nº 43/1997, que disciplinou a Lei nº 9.393/1996, com redação do artigo 1º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 67/1997. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE 4 Assim, inexistindo na hipótese dos autos provas de que a contribuinte procedeu à protocolização tempestiva do requerimento do ADA, impõese à manutenção da glosa realizada pela fiscalização. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de terem sido observados os pressupostos para conhecimento do recurso, uma vez tempestivo e por tratarse de decisão não unânime, além da existência do pré questionamento da matéria e contrariedade, em tese, da legislação de regência, relativamente à exigência do requerimento tempestivo do ADA, para fins de isenção do ITR, conforme Despacho nº 21010093/2010, às fls. 137/138. Instada se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 141/147, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, ressaltando a inobservância dos requisitos para conhecimento da peça recursal. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a contrariedade à lei suscitada pela Fazenda Nacional, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende dos autos, em sua DITR de 2001, a contribuinte informou área de preservação permanente na dimensão de 324,00 ha, e de utilização limitada de 756,00 ha. Iniciada a ação fiscal, intimada a apresentar os documentos comprobatórios de referidas áreas, a autoridade lançadora achou por bem lavrar a presente autuação em face da glosa da área de utilização limitada (360,5 ha), admitindo, porém, 719,52 ha de preservação permanente, como se verifica do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 66/69. Interposta impugnação, a 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou procedente o lançamento, mantendo a exigência fiscal em sua plenitude. Em face do Acórdão de 1a instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, o qual fora provido pela Câmara recorrida para admitir a área de 360,5 ha como de preservação permanente, sobretudo em razão de se encontrar totalmente situada dentro da Área de Proteção Ambiental – APA Dona Francisca, criada pelo Decreto n° 8.055, de 15/03/1997, consoante atestado pela Declaração emitida pela Fundação Municipal do Meio Ambiente de Santa Catarina, às fls. 84. Por sua vez, em seu Recurso Especial, pretende a recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram a legislação de regência, uma vez ter afastado a glosa procedida pela fiscalização deixando de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE Processo nº 10920.002041/200525 Acórdão n.º 920201.820 CSRFT2 Fl. 3 5 considerar a ausência do protocolo do requerimento de ato declaratório junto ao IBAMA no prazo legal, capaz de justificar a isenção do ITR na forma inscrita no decisum guerreado. Sustenta, ainda, a PFN que ao afastar a exigência do requerimento tempestivo do ADA para fins da benesse isentiva, a Câmara recorrida contrariou os preceitos contidos no artigo 111 do CTN; artigo 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/81, na redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 10.165/2000; artigo 10, § 1°, inciso II, alínea “a”, e § 7°, da Lei n° 9.393/1996. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Fazenda Nacional não merece acolhimento, por não espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, contrariando a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude, como passaremos a demonstrar. Inicialmente, convém delimitar a matéria posta nos autos, de maneira a possibilitar melhor compreensão dos fatos e facilitar o deslinde da controvérsia. Com efeito, inobstante a glosa realizada pela fiscalização ter sido da área de utilização limitada (interesse ecológico – 360,5 ha), a pretexto da inexistência de Ato do órgão competente federal ou estadual, em caráter particular e específico, a Câmara recorrida entendeu por bem afastar a tributação sobre referido imóvel, tendo em vista a comprovação de se encontrar situada integralmente na APA Dona Francisca, se caracterizando, portanto, como área de preservação permanente. Na esteira desse entendimento, contemplaremos a questão admitindo que o insurgimento da Procuradoria diz respeito ao reconhecimento da área de preservação permanente, para fruição da não incidência do Imposto Territorial Rural – ITR, independentemente da requisição atempada do Ato Declaratório Ambiental. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE 6 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e/ou utilização limitada. Entrementes, afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e/ou de utilização limitada. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, tratando do tema nos seguintes termos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Por outro lado, para os exercícios de 2001 em diante, após o advento da Lei no 10.165, de 28/12/2000, que alterou a Lei no 6.938/1981, entende parte dos julgadores deste Colegiado que a protocolização atempado do ADA passou a ser exclusiva exigência legal, para fins de fruição da isenção em comento. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no Acórdão recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da intempestividade e/ou ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE Processo nº 10920.002041/200525 Acórdão n.º 920201.820 CSRFT2 Fl. 4 7 mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa das áreas de preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludidas áreas, como aqui se vislumbra, sobretudo em face do disposto no artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual estabelece que a isenção em epígrafe sobre tais glebas, independe de prévia comprovação (requisição atempada do ADA), bastando que o contribuinte a declare como tal na DITR, ficando sujeito ao pagamento do imposto devidamente corrigido na hipótese de falsidade na informação. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim emantados: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE 8 Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Em vista deste evidente conflito entre as normas que regulamentam a matéria, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material da área declarada pelo contribuinte como de preservação permanente, o que se constata na hipótese dos autos. Com efeito, como restou circunstanciadamente demonstrado no Acórdão recorrido, a contribuinte trouxe à colação Declaração Fundação Municipal do Meio Ambiente de Santa Catarina, de fl. 84, atestando que toda a área do imóvel rural encontrase situada dentro da Área de Proteção Ambiental – APA Dona Francisca, criada pelo Decreto n° 8.055, de 15/03/1997, sendo, por conseguinte, não aproveitável. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE Processo nº 10920.002041/200525 Acórdão n.º 920201.820 CSRFT2 Fl. 5 9 Não bastasse isso, com o fito de afastar qualquer dúvida em relação à questão, rechaçando o argumento da fiscalização de que a área de 360,5 ha se mostra aproveitável, a contribuinte formulou consulta junto ao IBAMA, a propósito da possibilidade de utilização de referida área, tendo sido negado seu pleito pela Gerência Executiva em Santa Catarina, a pretexto de se tratar, por definição, de Área de Preservação Permanente, como se extrai do Ofício n° 553/03GABIN/SC, de fl. 91, nos seguintes termos: “Prezado Senhor, Com nossos cordiais cumprimentos, fazemos menção a vossa solicitação de manifestação deste Instituto sobre a viabilidade de aprovação de exploração de madeiras em regime de manejo florestal sustentável na APA da Serra Dona Francisca e tem este o objetivo de informar da inviabilidade da solicitação, por tratarse, por definição, de Área de Preservação Permanente.” Diante das razões encimadas, tratandose de área de preservação permanente, devidamente comprovada mediante Declaração do próprio IBAMA, o que prejudicaria, inclusive, a emissão de ADA, ou mesmo substituiria tal exigência, impõese o restabelecimento de referida área, glosada pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 2a Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 08/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MA GALHAES DE
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Numero do processo: 15540.000038/2009-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei n.° 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos em instituições financeiras cuja origem não seja comprovada.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Consoante disposto na Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1301-000.782
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n.° 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos em instituições financeiras cuja origem não seja comprovada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Consoante disposto na Súmula CARF nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Cuidase na espécie de autos de infração lavrado sem desfavor da ora recorrente referente ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (fls. 04 – 07) e o correspondente reflexo no lançamento da Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 44 – 51), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS (fls. 52 – 59), e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls. 60 – 67), referente ao anocalendário de 2005. Verificase consoante Termo de Constatação Fiscal (fls. 08 – 17) que em procedimento de Auditoria específica de movimentação financeira, foram digitados os extratos bancários dos bancos do Brasil, Itaú, Bradesco e Sudameris, sendo que do total dos valores lançados a crédito bancário diversas rubricas que não guardavam relação lógica e objetiva com possíveis receitas da atividade, como, por exemplo: resgate de aplicação financeira; bônus; CPMF; estornos; transferências entre Agências; etc...; que não foram inseridas da relação anexada ao Termo de Intimação. Assentouse ainda, que a recorrente foi intimada a comprovar a origem dos créditos/depósitos não identificados em suas contas bancárias, sendo o prazo prorrogado em virtude de solicitação, mencionandose que a presunção legal em favor do Fisco prevista na Lei 9430/96, art 42, cuida de inverter o ônus da prova quanto à descaracterização do fato presumido omissão de receita, que é do sujeito passivo. Assim, em tendo havido a intimação ao contribuinte para comprovar a origem dos créditos em conta corrente de depósito mantida junto a instituições financeiras e a subsequente falta de comprovação no todo, perfeita estaria a situação fática no que se submete ao antecedente da norma presuntiva, que por sua vez, autoriza a afirmar que os recursos dos depósitos de origem não comprovada são provenientes de atividade produtiva da empresa. Destacou a Fiscalização, que para o lançamento foi utilizado como base de cálculo do IRPJ o total dos valores correspondentes aos depósitos efetuados nas contas corrente do contribuinte fiscalizado, presentes nas Tabelas I a XII, anexo ao Termo de Constatação Fiscal, cuja origem dos recursos não foi comprovada e depois de calculado o imposto foi subtraído o imposto de renda mensal declarado pelo contribuinte e, por consequência, já oferecido à tributação e em decorrência lógica, a caracterização de não oferecimento à tributação do somatório dos valores correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada, como omissão de receitas, conforme disposições dos artigos 25 e 42 da Lei 9430/96, assim como do artigo 528 do RIR199 (Regulamento do Imposto de Renda — Decreto 3000/99) com a consequente geração do Imposto de Renda devido, multa de ofício e Fl. 779DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 15540.000038/200999 Acórdão n.º 130100.782 S1C3T1 Fl. 2 3 juros de mora aplicáveis, juntamente com a apuração reflexa da Contribuição Social, da COFINS, bem como do PIS. A recorrente, cientificada dos lançamentos pelo edital n° 38 de 11/02/2009, afixado na ARF/São Gonçalo em 16/02/2009 (fls. 70), apresentou Impugnação (fls. 443 – 462), acompanhada dos documentos de folhas 463 a 615, alegando em síntese que a referida impugnação fora apresentada tempestivamente, porquanto tomou ciência do lançamento em 11/02/2009, mediante o edital 38. Sustentou a recorrente que os autos de infração padeceriam de nulidade na medida em que a Fiscalização inviabilizou o amplo direito de defesa e ao contraditório, quando aleatoriamente realizou diversas e concomitantes formas de intimar a recorrente do auto de infração, eis que procedeu à intimação via postal na residência de um dos sócios da recorrente, sendo esta recebida pelo funcionário do condomínio onde reside, o que contrariaria o disposto no artigo 23, II do Decreto 70235/72, que determina a intimação no domicílio fiscal do sujeito passivo, afirmando que caso o endereço daquela residência fosse o eleito como domicílio fiscal do sujeito passivo, estaria a referida intimação postal em consonância com o que dispõe a Súmula 9 do 1° Conselho de Contribuintes. Na mesma ordem das ideias, afirmou que concomitantemente o Fisco realizou a intimação via edital, além da intimação via postal, que foi recebida por pessoa desconhecida, no endereço da residência de um dos sócios, sendo a intimação via edital, realizada sem observância do disposto no artigo 23, §1° do Decreto 70.235/72, não havendonos autos prova das circunstâncias ali estabelecidas de forma a legitimar a publicação do edital, tanto que no Termo de Constatação Fiscal, assim como no Termo de encerramento do Auto de Infração constaria que a ciência se daria por edital. Diante disso, aduziu que a concomitância de formas de intimação não lhe permitiria exercer seu direito à ampla defesa e ao contraditório, tendo em vista que não há possibilidade de saber, com precisão e clareza, qual o início e o término do seu prazo de defesa, afrontando assim, o devido processo legal e que tal fato seria ratificado pela falta de indicação, no termo de encerramento, da respectiva data, requerendo a nulidade da autuação. Seguiu arrazoando a nulidade do auto de infração, porquanto presente, ao seu sentir, vício formal visto que o Auditor incluiu outros tributos sem fazer a comunicação eletronicamente no MPF, como determina o artigo 9° da Portaria RFB 11.371 de 2007. No mais, sustentou que a alegada presunção legal em favor do Fisco, prevista na Lei 9430/96, que cuida em inverter o ônus da prova quanto à descaracterização do fato presumido omissão de receita, que é do sujeito passivo, seria uma afronta ao princípio da legalidade que impõe o dever de provar a ocorrência do fato gerador à autoridade tributária. Argumentou que não pode o Fisco utilizar os depósitos bancários para apurar eventual crédito tributário e que os depósitos bancários podem ser utilizados como meros indícios para fins de lançamento e constituição do crédito tributário e que a lei não ampara a tributação unicamente com base em depósitos bancários, eis que falhos, já que os valores podem ser estornados ou mesmo cancelados pela insuficiência de fundos. Aduziu que o Poder Público promulgou o Decreto Lei 2.471 de 1988 em que prevê o cancelamento e arquivamento de procedimentos administrativos que tomaram como Fl. 780DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 base apenas valores constantes de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários e que a jurisprudência pacificou entendimento neste sentido. Destacou que mesmo com a alteração da legislação e o ingresso da Lei 9.430/96, a presunção de legitimidade da autuação e mesmo do CDA é relativa e que a dita lei deixaria claro que depósito não é necessariamente renda, apesar de o Fisco utilizálo sistematicamente para efetuar o lançamento, caberia à Fazenda fazer prova de que o contribuinte se beneficiou do depósito, requerendo a desconstituição do lançamento, por afronta ao princípio da legalidade. Seguiu argumentando que a Fiscalização considerou todos os depósitos realizados aleatoriamente, inclusive os de receitas não tributáveis, como por exemplo, as de exportação, concluindo a partir daí pela ocorrência de omissão de receita, no entanto, argumentou que teria cometido um erro na elaboração de sua contabilidade, tendo em vista que deveria ter optado pelo regime de tributação com base no lucro real e não no presumido, sendo certo que em decorrência de tal equívoco, não ficou clara a origem de algumas receitas não tributáveis creditadas em suas contas bancárias, afirmando, todavia, que tal erro seria afastado na medida em que refaz toda a sua contabilidade, com isso demonstrando a retidão e a efetiva inexistência de omissão. Insurgiuse contra a multa aplicada, arrazoando acerca da vedação ao confisco e requereu a improcedência do lançamento. A 7ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 622 a 636, manteve integralmente as exigências fiscais, destacando que a Impugnação seria considerada tempestiva, contandose da data da afixação do edital, afastando as alegações de nulidade, não constatando qualquer prejuízo ao contraditório. Afastouse também a alegação de nulidade formal, considerandose correta a exigência dos tributos reflexos ao lançamento de IRPJ, que teve sua base de cálculo alterada. No mais, fundamentou a decisão recorrida que o lançamento se deu com base em presunção legal, transferindo o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada como receita omitida, assentando que a declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Autoridade julgadora Administrativa, julgando procedentes os lançamentos acrescidos da multa de ofício e juros de mora com base na taxa SELIC, por expressa determinação legal. Devidamente cientificada (fl. 643), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 647 – 663), alegando em síntese que o lançamento se pautou unicamente em presunção, ferindo o princípio da legalidade porquanto a Fiscalização não teria provado a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Reiterou seus argumentos quanto à impossibilidade de utilização de depósitos bancários para glosarse a base de cálculo do imposto de renda, cintando precedentes e doutrina que entende favoráveis. Defendeu a possibilidade do CARF afastar a aplicação de lei contrária à Constituição Federal, reiterando que deverá prevalecer a verdade material, pela qual se poderá observar que recompôs toda a contabilidade, demonstrando a origem das receitas não tributáveis creditadas em sua conta bancária. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 15540.000038/200999 Acórdão n.º 130100.782 S1C3T1 Fl. 3 5 Insurgiuse contra a multa aplicada, afirmando padecer de inconstitucionalidade, porquanto tendente ao confisco e afrontosa ao princípio da proporcionalidade, pugnando pelo provimento do seu Recurso. É o relatório. Voto Fl. 782DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 6 Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. A questão colocada para análise se relaciona à presunção legal de omissão de receitas, apurada mediante a constatação de depósitos bancários cuja origem, devidamente intimada a fazêlo, a contribuinte não demonstra. Sustenta a contribuinte, como se lê no relatório acima, que os depósitos bancários não têm, por si só, o condão se subsumirem ao conceito de renda, bem como a presunção empregada na autuação, a despeito de basearse em lei, afrontaria princípios constitucionais. O inconformismo da recorrente tem seu cerne, por qualquer ângulo que se queira analisar, no fato de a Fiscalização ter baseado o auto de infração unicamente nos aventados depósitos bancários, afirmando que esses, por não refletirem a real materialidade tributável da contribuinte, não seriam aptos a ensejar o combatido auto de infração. Oportuno registrar, afastando os argumentos da recorrente, que não se desconhece que os depósitos bancários, por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receita. Por outro turno, também não é lícito olvidar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Temse na espécie, portanto, perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação, não foi a simples existência dos depósitos, como sugere a recorrente, o critério legal se dá com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada movimentação financeira, essa sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Para infirmar os trabalhos fiscalizatórios, portanto, cumpria à recorrente afastar o motivo pelo qual se implementou a presunção, que como visto no parágrafo precedente, não era a existência dos depósitos ou sua natureza jurídica incompatível com a definição de receita, consistindo sim, na prova documental das origens de tais depósitos. Nesse passo, vale registrar que cumpria à recorrente demonstrar a origem dos valores depositados, fazendoo por meio de documentação hábil e idônea que evidenciasse, quais receitas seriam tributáveis e quais não o seriam. Assim sendo, não basta a mera refazer a escrituração indicando que os depósitos bancários não teriam natureza tributável, era mister, trazer aos autos, nos precisos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, prova da origem dos aludidos depósitos. Ausente qualquer justificativa quanto à origem dos depósitos considerados pela Fiscalização, está incidir na espécie a presunção legal versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo Fiscal, observado, por exemplo, no verbeto da Súmula CARF nº 26 abaixo reproduzido, pelo qual se observa que o Fisco está dispensado, até mesmo, de comprovar o consumo da renda representada pelos aludidos depósitos, confirase: Fl. 783DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 15540.000038/200999 Acórdão n.º 130100.782 S1C3T1 Fl. 4 7 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. SÚMULAS VINCULANTES Acórdão nº CSRF/04 00.157, de 13/12/2005. Por essas razões, consideramse hígidas e suficientes as imputações realizadas pela Fiscalização, amparadas em presunção disposta na legislação de regência, considerandose suficientemente demonstrada a materialidade tributável apontada e reconhecida pela decisão recorrida. No que toca à sustentada inconstitucionalidade da legislação que estabelece a referida presunção, bem como a aplicabilidade da multa de ofício, andou bem a decisão recorrida ao firmar entendimento dando conta da impossibilidade de tais perquirições na estreita via do julgamento administrativo, adstrito que está ao exame do quadro legal vigente, consagrado tal posicionamento no verbete da Súmula CARF nº. 02. Com essas considerações, conheço do Recurso Voluntário afasto as preliminares suscitadas e no mérito voto por NEGAR provimento. Sala das Sessões, em 24 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 09/02/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
score : 1.0
Numero do processo: 35301.000824/2007-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÃO À DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte.
As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.430
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NECESSÁRIA VINCULAÇÁO Á DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. No presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Recurso especial negado. Vistos, rei dos e discutidos os presentes autos. Acordam os knembros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. i i Elias Sampaio Freire — Relator e Presidente-Substituto EDITADO EM: 26/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Presidente-Substituto), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Alexandre Naold Nishioka (Conselheiro convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ronaldo de Lima Macedo (Conselheiro Convocado). i Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n° 205- 00.847, proferido pela antiga Quinta Camara do 2° CC em 03/07/2008 (fls. 1093/1104), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade A Camara Superior de Recursos Fiscais (fls. 1109/1125), nos termos do art. 7°, inciso I c/c art. 15, ambos do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007. O acórdão recorrido, por maioria de votos, anulou o auto de infração/lançamento. Segue abaixo sua ementa: "DOMICILIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Prevalece o direito a eleição do domicilio tributário que somente pode ser recusado nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização da ação fiscal no domicilio eleito. Processo Anulado." A recorrente afirma que o acórdão proferido merece ser reformado, pois contraria a legislação tributária de regência da matéria, precisamente, o art. 127, §2° do CTN; arts. 9°, §2°, 11, 59, 60 e 61, todos do Decreto n°70.235/72; e, ainda, arts. 2°, IX e 22, da Lei n° 9.784/99. No seu entender contraria também a prova dos autos, no ponto em que interpreta equivocadamente a decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 2a Regido. Explica que não há fundamento jurídico que respalde a decretação de nulidade do auto de infração sob a argumentação de que a autoridade fiscal não demonstrou os motivos que ensejaram a recusa do domicilio fiscal eleito pelo sujeito passivo, ou ainda, que a decisão final do TRF determina a anulação dos autos praticados pela fiscalização no domicilio escolhido para realização dos trabalhos fiscais. Entende que a decisão recorrida, ao anular o presente procedimento fiscal diante de decisão do TRF que declarou que o domicilio fiscal da pessoa jurídica era aquele constante da alteração do contrato social, partiu de premissa equivocada, pois atribuiu ao acórdão em comento um efeito constitutivo de anulação que ele não tem. Desse modo, violou o teor da decisão judicial, prova coligida nos autos. Em seguida, aduz que, se foram confirmadas as razões para a desconsideração do domicilio eleito pela contribuinte, ao anular a autuação a decisão atacada afronta o art. 127, §2° do CTN. Pondera que, A luz do regramento legal pertinente, não subsiste motivo para a anulação da autuação, afinal os procedimentos de fiscalização são válidos mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo. In casu, o auto de infração foi lavrado por servidor competente, muito embora este não fosse lotado no suposto domicilio fiscal da contribuinte. Nesse contexto, o acórdão recorrido viola o art. 9°, §2° do PAF. Alega que, da leitura detida do auto de infração, bem como do Relatório Fiscal e demais termos que acompanham o procedimento fiscal, conclui-se que tudo está em plena conformidade com o que estabelece os arts. 10, 11, 59, 60 e 61 do Decreto n°70235/72 e a Lei n°8212/91. N 2 Processo n°35301.000824/2007-54 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.430 Fl. 2 Em sua opinião, a descrição pormenorizada dos fatos e dos fundamentos legais que sustentam a autuação estão precisamente explicitados nos termos do procedimento fiscal. Assim, todos os elementos essenciais ao ato praticado estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo. Sustenta que o contribuinte em momento algum demonstrou de forma concreta e efetiva o prejuízo advindo da desconsideração do domicilio tributário. Na verdade, teria demonstrado ter pleno conhecimento da origem da autuação, tanto que rebate de forma bem minuciosa o debito. Cita jurisprudência da CSRF segundo a qual, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostra-se incabível a declaração de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso. Nos termos da Informação e Decisão de fls. 1127/1133, negou-se seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Às fls. 1137/1143, a PGFN interpôs agravo em face da Decisão acima descrita. Nos termos do Despacho n°2401-125/2009 (fls. 1145/1147), que reexaminou a admissibilidade do recurso interposto, deu-se seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. 0 contribuinte ofereceu contra-razões As fls. 1154/1185. Inicialmente afirma que, nos termos do art. 7°, §3° do Regimento Interno, o Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional não deve ser admitido, uma vez que o acórdão recorrido apreciou matéria preliminar de nulidade do lançamento, decidindo por anular a decisão de primeira instância, bem como todo o procedimento fiscal. Não deve ser admitido também porque as provas dos autos comprovam a nulidade de todo o procedimento fiscal, viciado desde sua origem. Entende que a legislação tributária estabelece que a recusa ao domicilio deve ser justificada, o que não ocorreu no presente caso. Ressalta que o domicilio da empresa, desde 1995, é sua sede em Rio das Flores. A declaração judicial citada pela recorrente, que confirma tal fato, produz reflexos em relação a uma fiscalização levada a efeito em local diverso do declarado. Explica que se a Fiscalização, embora ciente do local correto a fiscalizar, optou por efetivar o ato fiscal fora do domicilio da empresa e, se ela, empresa, não está obrigada a apresentá-los em local diverso do sell centralizador, não há como se aplicar a aferição indireta. Eis o vicio da fiscalização, em sua opinião. 3 Ressalta que não foi demonstrado qualquer empecilho para a ocorrência fiscal, tanto assim que outros órgãos Municipais, Estaduais e Federais procedem normalmente 'As suas fiscalizações. A empresa apontou o equivoco dos fiscais e indicou o endereço correto para a diligência fiscal, informação desprezada pelo Fisco. Assim, não se justifica a recusa do domicilio fiscal da recorrida. Pondera que o cerceamento de defesa se deu pela ausência de acompanhamento da ação fiscal por técnico habilitado, com a prestação de informações e apresentação de documentos necessários à conferencia da regularidade fiscal da empresa. Ao final, requer que não seja admitido o Recurso Especial interposto pela União e, caso assim não entenda, que seja negado provimento ao mesmo, mantendo-se a decisão que anulou o lançamento em tela. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Saliente-se que, não obstante o aludido recurso não encontrar previsão no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Portaria Ministerial MF n°. 256, de 22 de junho de 2009, em suas disposições transitórias, prevê que os recursos com base no inciso I do art. 70 e do art. 9 0 do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior h. 1° de julho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Por seu turno o inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Camara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade 6. lei. 0 recurso é tempestivo e examinando-se o recurso especial apresentado verifica-se que ele demonstrou, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contrária A. lei, no entendimento da Fazenda Nacional, consoante o disposto no inciso I do artigo 70 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Para melhor elucidação da controvérsia, transcrevo trecho do relato contido no Acórdão da Apelação Civet n.° 2003.51.01.022430-0 da Sétima Turma do Tribunal Regional Federal da 2' Região, de relatoria do desembargador Sérgio Schwaitzer: Trata-se de recurso de apelação inteiposto por MI MONTREAL INORMA rTICA LTDA em ataque a sentença proferida pelo MM. Juizo da 19' Vara Federal desta Cidade, nos autos de ação sob procedimento ordinário movida pela ora Apelante ern .face do INSS. A espécie foi sumariada pelo ilustre sentenciante nos seguintes termos: 4 Processo n° 35301.000824/2007-54 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.430 Fl. 3 "MI. MONTREAL INFORMÁTICA LTDA, qualificada na inicial, ajuiza a presente ação em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, objetivando a declaração de que o domicilio fiscal da autora é o local de sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares, n° 4 — Rio da Flores — RI Postula, ainda, seja determinado que seus requerimentos sejam recebidos e processados pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda, ao qual o Município de Rio das Flores está vinculado, e, ainda, que todos os atos administrativos praticados pelo réu sejam provenientes da referida Gerência Regional de Volta Redonda. Como causa de pedir, alega que tem sua sede fixada na Rua Capitão Soares, n° 4, no Município de Rio das Flores, conforme consta de seu Contrato Social, que foi devidamente registrado. Portanto, este é o seu domicilio fiscal, nos exatos termos do disposto no art. 127, do Código Tributário Nacional, e está ele submetido el fiscalização pela Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Volta Redonda. Entretanto, o Réu insiste em fiscalizá-la na sua filial, situada na Rua Sao José, n° 90, no Centro do Rio de Janeiro. Sustenta a ilegalidade da atuação do réu, que discricionariamente, elegeu filial para efetuar fiscalização impedindo-lhe de realizar seus atos administrativos na Gerência Regional de Volta Redonda, obstando, inclusive, o protocolo dos requerimentos de certidões. Dai o pedido. (..) Ademais, há de se salientar que transitou em julgado a seguinte decisão judicial: "dou provimento ao recurso para, reformando a sentença, julgar procedente o pedido e declarar como domicilio tributário da Autora a sua sede, situada na Rua Capitão Jorge Soares n° 04, Centro, Município de Rio das Flores — RJ.", assim ementada: "ADMINISTRATIVO — ALTERAÇÃO DE SEDE - DOMICILIO TRIBUTÁRIO — RECUSA PELA ADMINISTRAÇÃO - ART. 127, § 2° , DO CTN. I — Da leitura do caput do artigo 127 do CIN verifica-se que, a principio, a eleição de domicilio tributário é prerrogativa do contribuinte. Se o mesmo não o elege, passa a Administração a avaliar as alternativas legais para sua definição, enumeradas nos incisos do referido artigo. Nesta situação, ern se tratando de pessoa jurídica de direito privado, tem-se como domicilio tributário, ex vi do inciso II, o local de sua sede. ii — A autonomia que a pessoa jurídica possui para definir, em seus atos constitutivos, o local de sua sede, não se confunde com o exercício da faculdade de eleição do seu domicilio tributário. O ,sS' 2° do art. 127 do CTN permite que a autoridade administrativa recuse domicilio fiscal apenas quando este tenha sido fixado por eleição, e não em virtude de mudança de sede promovida por conta de alteração de contrato social da empresa. III— Recurso provido." Como se vê, no presente caso há decisão judicial com trânsito em julgado que define o domicilio tributário do contribuinte. As decisões proferidas pelo Poder Judiciário tem prevalência sobre as proferidas pelas autoridades Administrativas, devendo estas cumprirem as determinações judiciais, nos exatos termos em que foram proferidas. Portanto, o tratamento a ser conferido na esfera administrativa há de se vincular ao conteúdo da decisão judicial transitada em julgado cuja conseqüência é sua imperatividade e imutabilidade da resposta jurisdicional. Acerca do tema, assim nos ensina o eminente jurista Luiz Fux em sua obra "Curso de Direito Processual Civil", Ed. Forense, 2001, p. 694/695, da qual se extrai o seguinte excerto: "A imutabilidade da decisão é fator de equilíbrio social na medida em que os contendores obtem a última e decisiva palavra do Judiciário acerca do conflito intersubjetivo e a sua imperatividade da decisão completa o ciclo necessário de atributos que permitem ao juiz conjurar a controvérsia pela necessária obediência ao que foi decidido." A decisão judicial faz lei entre as partes, a ser aplicada ao caso concreto, não cabendo a este Colegiado dar-lhe outro entendimento diferente daquele expresso, sob pena de desobediência à determinação judicial. Neste sentido: "PREVIDENCIÁRIO — CUSTEIO — NFLD — DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL - DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Havendo decisão judicial que determina o domicilio tributário do contribuinte, deve ser esse o domicilio a ser considerado pela autoridade fiscal, salvo se comprovado obstrução ou justificativa para desconsiderá-lo, desde que devidamente justificado. A simples alegação de confronto das informações de GFIP com a verificação fisica não é suficiente para desconsiderar domicilio determinado pela justiça, se não comprovada obstrução. Processo Anulado" (Acórdão CARE no 2401-01.604, Relatora: conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira) Pelo sto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Elias S paio Freire 6
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Numero do processo: 10935.901449/2008-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MESMO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE EM CONJUNTO.
Correto o procedimento da Autoridade Administrativa de analisar em
conjunto as declarações de compensação (DCOMP) que se referem a um
mesmo alegado direito creditório. Todas as declarações mencionam
expressamente que o saldo negativo em questão é do mesmo exercício, pelo que não podem ser aceitas as alegações em contrário.
Numero da decisão: 1301-000.768
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, NEGAR
provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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MESMO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE EM CONJUNTO. Correto o procedimento da Autoridade Administrativa de analisar em conjunto as declarações de compensação (DCOMP) que se referem a um mesmo alegado direito creditório. Todas as declarações mencionam expressamente que o saldo negativo em questão é do mesmo exercício, pelo que não podem ser aceitas as alegações em contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.901449/200865 Acórdão n.º 130100.768 S1C3T1 Fl. 140 2 Relatório COOPERATIVA DOS AVICULTORES DO SUDOESTE, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Cascavel/PR. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o processo de Declarações de Compensação, às fls. 42/64, em que foram declarados crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2003, no valor originário de R$ 1.619,13, e débitos de estimativas de CSLL de períodos dos anos calendários 2003 e 2004. 2. Conforme Despacho Decisório emitido pela DRF/Cascavel, em 23/10/2008, à fl. 38, a autoridade fiscal homologou parcialmente uma das compensações e não homologou as demais. Cientificada da decisão em 17/11/2008, conforme fl. 36, tempestivamente, em 15/12/2008, o contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 01/03, acompanhada dos documentos de fls. 04/35, que se resume a seguir: a. Alega que a Per/Dcomp 15000.39211.160704.1.7.029408 surgiu tendo em vista crédito oriundos de imposto de renda retido na fonte de 2003, da empresa Avibrasil, CNPJ 02.986.723/000137, devidamente declarado em DIRF, conforme documento 1, que foi utilizado para compensar CSLL de 2004 e outros débitos demonstrados em tabela (valor compensado de R$ 666,42 e saldo de crédito de R$ 1.067,67); b. Explica que a Per/Dcomp 37033.42048.310804.1.3.021086 surgiu tendo em vista créditos oriundos de imposto de renda retido na fonte de 2004, da empresa Avibrasil, CNPJ 02.986.723/000137, devidamente declarado em DIRF, conforme documento 2, que foi utilizado para compensar CSLL de 2004, sendo que o saldo foi compensado nas Dcomps 25289.64513.071006.1.7.026057 e 33881.22646.300904.1.3.022004, conforme tabela; c. Esclarece que os créditos da Per/Dcomp 15000.39211.160704.1.7.029408 não tem nenhum vínculo com as de número 25289.64513.071006.1.7.026057, 33881.22646.300904.1.3.022004 e 13870.30209.071006.1.7.025690, que devem ser consideradas em suas finalidades acima demonstrada. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0630.628, de 03/03/2011 (fls. 69/70v), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. DEDUÇÃO DE IRRF. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.901449/200865 Acórdão n.º 130100.768 S1C3T1 Fl. 141 3 Mantémse a decisão que homologou parcialmente as compensações, por insuficiência de crédito de saldo negativo de IRPJ, descabendo alegar dedução de IRRF de período subseqüente, já que as retenções somente podem ser deduzidas do imposto de renda no próprio ano calendário a que se referem as respectivas receitas. Os seguintes excertos do voto condutor do acórdão esclarecem o alcance e os fundamentos da decisão: 5. No despacho decisório de fls. 38/41, fazse menção às seguintes Per/Dcomps: 15000.39211.160704.1.7.029408, 31329.22641.160704.1.3.029628, 37033.42048.310804.1.3.021086, 25289.64513.071006.1.7.026057, 33881.22646.300904.1.3.022004 e 13870.30209.071006.1.7.025690. A reunião das declarações de compensação no presente processo decorre da circunstância de referiremse ao mesmo crédito, qual seja, saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2003, conforme consta expressamente no despacho decisório à fl. 38, bem como no termo “Per/Dcomp Despacho Decisório – Análise do Crédito” de fls. 39/41 que acompanha a decisão. 6. Há que se ressaltar, contudo, que, na Dcomp de número 13870.30209.071006.1.7.025690, o contribuinte ofereceu crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2004. Logo, entendo que, embora essa referida declaração de compensação tenha sido, inexplicavelmente, mencionada na decisão, ela não é objeto do presente processo. Talvez por isso mesmo é que cópia dessa Dcomp não tenha sido juntada aos autos, já que, às fls. 42/64, constam somente as outras cinco. 7. Assim, o presente processo trata das seguintes declarações de compensação: PER/DCOMP TIPO DECLARAÇÃO DÉBITO PERÍODO VALOR VENCIMENTO 15000.39211.160704.1.7.029408 RETIFICADORA 248401 01/04/2004 592,59 31/05/2004 31329.22641.160704.1.3.029628 ORIGINAL 248401 01/03/2003 99,54 30/04/2003 248401 01/06/2003 71,57 31/07/2003 248401 01/12/2003 82,42 30/01/2004 37033.42048.310804.1.3.021086 ORIGINAL 248401 01/07/2004 1.910,52 31/08/2004 25289.64513.071006.1.7.026057 RETIFICADORA 248401 01/11/2004 896,19 30/12/2004 33881.22646.300904.1.3.022004 ORIGINAL 248401 01/08/2004 495,01 30/09/2004 13870.30209.071006.1.7.025690 RETIFICADORA 248401 01/01/2005 377,52 28/02/2005 8. Na decisão atacada, foi reconhecido como crédito somente o valor de R$ 1.559,26, razão pela qual uma das compensações foi parcialmente homologada até esse limite, e as demais não foram homologadas. O exame dos fatos indica que não há reparos a fazer na decisão. 9. Na DIPJ/2004, o contribuinte apurou imposto de renda de R$ 59,87, tendo informado como retenção na fonte o montante de R$ 1.679,00, chegando a um saldo negativo de IRPJ de R$ 1.619,13, conforme impressão de tela juntada à fl. 67 e verso. Contudo, o valor de IRRF, na verdade, corresponde a R$ 1.619,13, conforme documento juntado pela própria impugnante, à fl. 05, e confirmado pela DIRF do informante, juntada à fl. 68. Assim, o crédito do contribuinte é R$ 1.559,26, conforme corretamente mencionado no despacho decisório, e não R$ 1.619,13 como declarou o contribuinte. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.901449/200865 Acórdão n.º 130100.768 S1C3T1 Fl. 142 4 10. Na peça de defesa, a impugnante apresentou demonstrativo em que considera uma retenção no valor de R$ 3.341,24, mas referente ao ano calendário de 2004. Ora, o crédito do contribuinte referese a saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2003, de forma que somente podem ser deduzidos do imposto de renda as retenções ocorridas naquele ano. Não há sentido algum em apurar o valor devido de IRPJ de determinado período, considerando retenções que somente ocorreram em anos posteriores. [...] 11. Em suma, rejeito as alegações do contribuinte, devendo prevalecer a decisão proferida no despacho decisório. Ciente da decisão de primeira instância em 18/03/2011, conforme documento de fl. 78, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 12/04/2011 (registro de recepção à fl. 80, razões de recurso às fls. 80/84), mediante o qual a recorrente insiste em que as vinculações entre as diferentes declarações de compensação não seriam da forma tratada neste processo. Por sua ótica: • O PER/DCOMP nº 15000.39211.160704.1.7.029408 teria como origem créditos de IRRF do anocalendário 2003. Esta declaração não teria qualquer vínculo com as demais declarações do processo. • O PER/DCOMP 37033.42048.310804.1.3.021086 teria como origem créditos de IRRF do anocalendário 2004. A este, estariam também vinculados os PER/DCOMP nº 25289.64513.071006.1.7.026057 e nº 33881.22646.300904.1.3.022004, que utilizariam os mesmos créditos. A recorrente não se manifesta acerca do PER/DCOMP nº 31329.22641.160704.1.3.029628. Conclui que todas as compensações foram realizadas com créditos dos mesmos anos, pelo que pede o provimento de seu recurso e o cancelamento dos débitos fiscais. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. A lide se estabeleceu diante da conclusão da Autoridade Administrativa (fl. 40) de que os PER/DCOMP de números 15000.39211.160704.1.7.029408, 31329.22641.160704.1.3.029628, 37033.42048.310804.1.3.021086, 25289.64513.071006.1.7.026057, 33881.22646.300904.1.3.022004 e 13870.30209.071006.1.7.025690 tratavam todos do mesmo crédito, a saber, o saldo negativo de IRPJ apurado no exercício 2004, anocalendário 2003. A decisão de primeira instância estabeleceu que o PER/DCOMP nº 13870.30209.071006.1.7.025690 tratava de crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.901449/200865 Acórdão n.º 130100.768 S1C3T1 Fl. 143 5 apurado no exercício 2005, anocalendário 2004, não tendo nem mesmo juntado por cópia ao presente processo. Sobre ele também não se manifesta a recorrente, pelo que entendo que esse PER/DCOMP está fora do alcance do litígio em discussão. A recorrente igualmente não se manifesta acerca do PER/DCOMP nº 31329.22641.160704.1.3.029628, pelo que também aqui inexiste litígio. Quanto às demais declarações, a alegação da recorrente é a mesma já trazida em sede de manifestação de inconformidade, ou seja, de que o PER/DCOMP nº 15000.39211.160704.1.7.029408 teria como origem créditos de IRRF do anocalendário 2003. Esta declaração não teria qualquer vínculo com as demais declarações do processo. O PER/DCOMP 37033.42048.310804.1.3.021086 teria como origem créditos de IRRF do ano calendário 2004. A este, estariam também vinculados os PER/DCOMP nº 25289.64513.071006.1.7.026057 e nº 33881.22646.300904.1.3.022004, que utilizariam os mesmos créditos. Compulsando os autos, encontro às fls. 44 e seguintes cópias dos PER/DCOMP acima referidos. De seu exame, extraio as informações abaixo: • PER/DCOMP nº 15000.39211.160704.1.7.029408 (fls. 44/48): transmitido em 16/07/2004, possui o sequencial 001, diz que o crédito não foi informado em processo administrativo anterior nem em outro PER/DCOMP. O crédito alegado é de saldo negativo de IRPJ apurado no exercício 2004, no valor de R$ 1.619,13. Este PER/DCOMP retifica o de nº 04470.70522.010704.1.3.023095 (vide fl. 44) • PER/DCOMP nº 37033.42048.310804.1.3.021086 (fls. 62/66): transmitido em 31/08/2004, possui o sequencial 001, diz que o crédito não foi informado em processo administrativo anterior nem em outro PER/DCOMP. O crédito alegado é de saldo negativo de IRPJ apurado no exercício 2004, no valor de R$ 1.910,52. • PER/DCOMP nº 25289.64513.071006.1.7.026057 (fls. 58/61): transmitido em 07/10/2006, possui o sequencial 001, diz que o crédito não foi informado em processo administrativo anterior, mas que foi informado em outro PER/DCOMP nº 04470.70522.010704.1.3.02 3095 (retificado pelo PER/DCOMP nº 15000.39211.160704.1.7.02 9408). O crédito alegado é de saldo negativo de IRPJ apurado no exercício 2004 (entre 01/01/2003 e 31/12/2003), no valor original de R$ 1.619,13. • PER/DCOMP nº 33881.22646.300904.1.3.022004 (fls. 53/57): transmitido em 30/09/2004, possui o sequencial 001, diz que o crédito não foi informado em processo administrativo anterior nem em outro PER/DCOMP. O crédito alegado é de saldo negativo de IRPJ apurado no exercício 2004, no valor de R$ 495,01. Como se verifica, as alegações da recorrente não podem ser aceitas. Em primeiro lugar, todas as declarações mencionam expressamente que o crédito tem origem em saldo negativo de IRPJ do exercício 2004. O PER/DCOMP nº Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10935.901449/200865 Acórdão n.º 130100.768 S1C3T1 Fl. 144 6 25289.64513.071006.1.7.026057 chega mesmo a especificar o período de apuração entre 01/01/2003 e 31/12/2003. Em segundo lugar, esse mesmo PER/DCOMP nº 25289.64513.071006.1.7.026057 faz constar que o crédito teria sido anteriormente informado no PER/DCOMP nº 04470.70522.010704.1.3.023095 (retificado pelo PER/DCOMP nº 15000.39211.160704.1.7.029408). E este último é aquele que o contribuinte confirma se referir ao exercício 2004, anocalendário 2003. Em terceiro lugar, a recorrente se equivoca ao fazer referência a “créditos de IRRF”. As retenções de IRRF, como regra, constituem mera antecipação dos valores devidos na declaração. O direito creditório, em tese, passível de restituição/compensação é aquele apurado ao final do período de apuração, mediante o confronto entre o imposto devido e as antecipações, inclusive as retenções sofridas na fonte. Em assim sendo, ainda que a interessada pretendesse trazer à compensação créditos referentes ao anocalendário 2004, somente poderia fazêlo após o encerramento do período de apuração anual, em 31/12/2004, nunca ao longo do anocalendário. Observo que esta menção é meramente hipotética, visto inexistir prova nos autos de que esta tenha sido a intenção do contribuinte. Diante do exposto, considero correto o procedimento da Autoridade Administrativa ao analisar conjuntamente declarações de compensação que se referem a um mesmo alegado direito creditório, não faço reparo ao decidido em primeira instância e voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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