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Numero do processo: 10865.720497/2014-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010, 01/01/2011 a 31/03/2013
CRÉDITO . INSUMOS.
Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação.
SUSPENSÃO.
Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornar-se-á imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse.
Numero da decisão: 3401-005.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente Conselheiro Cassio Schappo.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. SUSPENSÃO. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente Conselheiro Cassio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 04 97 /2 01 4- 73 Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 571 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório que consta no acórdão DRJ recorrido: Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a empresa acima identificada, tendo sido constituído crédito tributário total de R$ 1.545.092,85, incluídos nesse valor o IPI, juros de mora, multa proporcional, multa isolada incidente sobre o imposto não lançado por haver cobertura de crédito, além de multa regulamentar aplicada em decorrência de pedido de ressarcimento indeferido, esta última decorrente dos processos que serão julgados em conjunto com o presente. 2. Segundo Relatório Fiscal de fls. 02/09, a ação fiscal decorreu da análise dos pedidos de ressarcimento dos períodos compreendidos entre o segundo trimestre de 2010 e o primeiro trimestre de 2013, tendo sido apuradas as seguintes irregularidades: a) Saídas com suspensão do IPI, com fundamento no art. 29, § 1º, I, da Lei nº 10.637, de 2002, sem as declarações das empresas adquirentes de que as mesmas são empresas que se dedicam, preponderantemente, à elaboração dos produtos relacionados no caput do artigo; b) Saídas com erro de alíquotas do IPI, tendo havido destaque a menor; c) Utilização indevida de créditos de aquisições de materiais destinados a reformas e construções, os quais não se caracterizam como insumos do processo produtivo. 3. Diante das constatações acima citadas, a Autoridade Fiscal reconstituiu a escrita do estabelecimento, decorrendo disso o indeferimento total dos pedidos de ressarcimento do 2º T/2010 ao 1º T/2012 e indeferimento parcial dos restantes, além do lançamento do imposto não coberto com crédito, juntamente com multa proporcional e de multa isolada sobre o imposto não lançado por haver cobertura de crédito. 4. Cientificada em 26.03.2014, a interessada apresentou, tempestivamente, em 24.04.2014, impugnação na qual apresenta as alegações abaixo: “.........Por outro lado, importante destacar que a fiscalização não é clara nem conclusiva, no que concerne ao por que não reconheceu o credito pretendido, praticando com isto cerceamento ao direito da contribuinte de saber, com segurança, porque foi autuada. Se o Fisco entende que ocorreram erros na classificação fiscal dos produtos – NCM, para os quais foram utilizadas incorretamente a alíquota do IPI (item SAÍDAS COM ERRO DE Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 572 3 ALÍQUOTA), deveria demonstrar comparativamente o critério adotado pela autuada e aquele entendido como correto pelo Fisco. Ensejando, portanto, nulidade no processo administrativo fiscal, em conformidade com previsto no an. 59 do Decreto nº 70.235/72: ......... SAÍDAS SEM DÉBITO DO IPI – SUSPENSÃO.......... Não consta da acusação outro ponto que possa ensejar a manutenção do auto de infração, a não ser este. E, este facilmente poderia ser cumprido ou complementado se a fiscalização tivesse notificado a autuada dentro do processo de ressarcimento para exibir estes documentos ou transformar em diligência o pedido para que fossem intimada as destinatárias a fazêlo. Não obstante, a autuada tenha sido intimada a apresentar as declarações de preponderância, tratandose de obrigação que envolve terceiros e que. podem ser cumpridas a qualquer momento. pois não são ensejadoras de confissão de falta praticada, a não ser que efetivamente inexistentes, a autuada está buscando junto aos terceiros adquirentes, tais documentos ensejadores do beneficio pretendido, pois, efetivamente, as operações praticadas com estas empresas admitem e estão amparadas pelo beneficio pretendido. Portanto, com a devida vênia, entende a autuada que, tratando se de prova, e estando buscando com os terceiros tais documentos, isto não impede que o Fisco pudesse ter intimado tais terceiros, para que, em diligência, dentro do processo de ressarcimento, confirmasse ou não a preponderância antes de ser lavrado esta auto de infração. Independentemente, a autuada está buscando tais documentos e os apresentará quando os obtiver (doc. 2 e 3). Por todo o exposto, pela ausência da caracterização de procedência da acusação deste item do AI, por estar calcado cm presunção, deve ser esta acusação afastada. CRÉDITOS BÁSICOS INDEVIDOS..... No que concerne a acusação de que a contribuinte teria se creditado de imposto de IPI. contido em materiais que vieram a ser utilizados em reforma ou construção da própria autuada, quais sejam BRONZE, AÇO 1010, AÇO 1020, AÇO 1045, ALUMÍNIO, COBRE, AÇO A36, AÇO VC131, AÇO 4340, AÇO D2. AÇO VC131, AÇO 8620, AÇO VW3, entende a contribuinte que a acusação é inconsistente. ....... Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 573 4 A sua atividade contratual é a fabricação de peças e acessórios para veículos cm geral, estamparia, serviços de usinagem, fabricação de ferramentas industriais (ferramentaria), serviços de cessão de mão de obra terceirizada de atividades industriais, desenvolvimento de projetos industriais e comercio de metais, importação e exportação. Neste contexto, a autuada apresenta detalhamento do seu processo produtivo (doc. 4) e esclarece que os produtos glosados são produtos intermediários que se encontram relacionados com o produto final e todos, sem exceção, têm vida útil interior a 12 meses (a maioria apenas alguns meses), não detendo característica essencial para a sua caracterização como bem do ativo permanente. ....... Não existe nos autos prova cabal de que este fato, levantado pela fiscalização proceda, visto que tratando se ‘de reforma ou construção’, estes valores deveriam ler sido levados as contas próprias e nada se sabe a respeito. No momento em que a autuada se creditou do imposto contido nestes materiais, não significa dizer que eles ‘todos’ estejam irregulares, pois seria necessário mostrar, o Fisco, que tantos e tantos por cento de determinada compra teria sido ‘desviado’ para a citada reforma ou construção, ou seja, deveria ficar demonstrado através de planilha fiscal, para que pudesse a autuada contrapor em perícia espontânea contábil, que tais valores pudessem ter sido ou não efetivamente utilizados nas citadas reforma e construção ou que tais valores integraram os produtos finais fabricados pela contribuinte. ......... MULTA DE OFÍCIO ........ Repitase, desde logo, que o Auto de Infração questionado foi lavrado com base cm documentos e livros apresentados espontaneamente pela autuada quando de seu pedido de ressarcimento de imposto pago a maior, ou seja, não se trata de acusação formulada com base na ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Diante do acima exposto, no caso dos autos, não devem prosperar as infrações descritas no AI, consequentemente, as multas calculadas no AI devem ser canceladas, tendo em vista que, conforme as provas constantes desta peça, restaram corretos os procedimentos adotados pela autuada, não havendo qualquer irregularidade ou até mesmo valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, que possam ensejar multa. DA INDEVIDA APLICAÇÃO DE JUROS SOBRE MULTA........ Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 574 5 A multa de ofício aplicada não está sujeita aos juros de mora pela taxa SELIC, pelo fato do que a multa de oficio não é débito decorrente de tributos e contribuições. Sua origem decorre dos termos do artigo 43 da lei n 9.430/96, de forma a que descabe a aplicação da SELIC sobre multa. ....... DA VIOLAÇÃO DOS POSTULADOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE Os valores expressivos das multas (de oficio e regulamentar) apresentamse totalmente dissociados da finalidade pretendida com sua aplicação, fazendose com que, no caso vertente, não se verifique a necessária relação de proporcionalidade entre o meio adotado (multa) e o respectivo fim pretendido pela norma punitiva. ......... Com efeito, a acusação fiscal lavrada de forma ilegal e arbitrária, impõe multa com nítido caráter confiscatório e notadamente desproporcional. ............... DO PEDIDO A vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. E, caso assim, não seja entendimento, pede prazo para exibição das declarações de preponderância, ou intimação dos terceiros para que a apresentem. E, no tocante a multa, a sua relevação ou redução em razão da ocorrência da espontaneidade.” A DRJ Belém, julgou o processo, Acórdão nº 0133.441, em 10/01/2017, julgando procedente em parte a impugnação e cancelando em parte o crédito tributário exigido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010, 01/01/2011 a 31/03/2013 CRÉDITO . INSUMOS. Somente geram direito ao crédito do imposto os materiais que se enquadrem no conceito jurídico de insumo, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. SUSPENSÃO. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 575 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea é princípio consagrado pelo art. 138 do Código Tributário Nacional, segundo o qual a responsabilidade do infrator é excluída pela comunicação voluntária da infração antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a mesma. Importante notar que o citado artigo impõe ainda que a denúncia seja acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou ainda do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. MULTA DE OFÍCIO. A formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, conforme art. 142 do CTN, decorre do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximir se de efetuálo. MULTA REGULAMENTAR. RESSARCIMENTO INDEFERIDO. Deixase de aplicar a multa isolada prevista nos §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, revogados pela Medida Provisória nº 656, de 7 de 2014, e pela Medida Provisória nº668, de 30 de 2015, convertida na Lei A empresa apresentou Recurso Voluntário: 1) Não indicação da NCM que o fisco entendeu correta para demonstração que a alíquota utilizada pelo contribuinte está equivocada; 2) Das saídas com suspensão do IPI. Ausência de intimação dos terceiros para apresentação das declarações. Presunção insuficiente para afastar a suspensão; 3) créditos básicos (bronze, aço 1010, aço 1020, aço 1045, alumínio, cobre, aço a36, aço vc131, aço 4340, aço d2, aço 8620 e aço vw3). Produtos intermediários: possibilidade de crédito de IPI. Parecer normativo CST 65/79, solução de consulta Disit nº 7/2004 e solução de consulta Cosit nº 24/2014; 4) impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa. Inexistência de fundamento legal expresso. Posicionamento do carf; 5) desproporcionalidade e desarrazoabilidade das multas impostas. Efeito confiscatório. É o relatório. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 576 7 Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. 1) Não indicação da NCM que o fisco entendeu correta para demonstração que a alíquota utilizada pelo contribuinte está equivocada A recorrente alega que alega que a fiscalização trouxe relação de notas fiscais de saídas com diferença de alíquota, onde houve a apresentação da nova alíquota TIPI por considerar que a utilizada pela empresa estava equivocada, mas em nenhum momento trouxe a base legal que utilizou para determinar a alíquota correta, qual seja, o código NCM que entendia ser correto. No item 3.2 do relatório fiscal consta que algumas vendas de produtos tributados foram efetuadas em desacordo com a legislação vigente, e a relação de notas fiscais em que foi apurado o erro no destaque do IPI encontrase às fl. 413 a 420: 3.2 – SAÍDAS COM ERRO DE ALÍQUOTA => O sujeito passivo realizou vendas de produtos tributados em desacordo com a legislação vigente, ou seja, com o destaque a menor do IPI por erro de alíquota em relação à TIPI, conforme “Relação das Notas Fiscais de Saídas com Diferença de Alíquota” (em anexo). Não houve reclassificação fiscal dos produtos na NCM mas apenas apuração da alíquota correta que estava vigente à época da emissão das notas ficais. No auto de infração, fls. 13 a 15 consta a fundamentação legal utilizada pela fiscalização para aplicar a alíquota correta do IPI, com a indicação de quais os diplomas legais que foram utilizados para se apurar a alíquota vigente à época: 0002 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA DO IPI Falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados com falta de lançamento de imposto, por erro de alíquota, conforme Relatório Fiscal em anexo. ... Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/04/2010 e 31/05/2010: Art. 24, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 577 8 Arts. 15, 16, 17, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, caput e parágrafo único, 130, 200, inciso IV, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 1º da Lei nº 8.850/94, com as alterações introduzidas pelo art. 12, inciso I, da Lei nº 11.933/09; Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 8º da Lei nº 11.774/08; Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 11.933/09; Fatos geradores ocorridos entre 01/09/2010 e 31/03/2013: Art. 24, inciso II, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Arts. 15, 16, 17, 35, inciso II, 181, 182, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 186, §§ 2º e 3º, 189, 259, 260, inciso IV, 262, inciso III, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Portanto, não merece prosperar a alegação da recorrente, pois está perfeitamente delineado no auto de infração e relatório fiscal qual o enquadramento legal utilizado, e diferentemente do que foi alegado não houve reclassificação fiscal das mercadorias, apenas identificação de que foi utilizada a alíquota incorreta. 2) Das saídas com suspensão do IPI. Ausência de intimação dos terceiros para apresentação das declarações. Presunção insuficiente para afastar a suspensão. Alega a recorrente que o Fisco prendeuse “ao fato da autuada não ter apresentado as declarações de preponderância das empresas adquirentes relativamente às notas fiscais relacionadas no Auto de Infração” e ao fato de ter a ora Recorrente apresentado referida declaração de uma das empresas sem a devida assinatura. O artigo 29 da Lei nº 10.637/2002, prevê o seguinte: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. § 1o O disposto neste artigo aplicase, também, às saídas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, quando adquiridos por: I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 578 9 a) componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002; b) partes e peças destinadas a estabelecimento industrial fabricante de produto classificado no Capítulo 88 da Tipi; c) bens de que trata o § 1oC do art. 4o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; ... § 7o Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos.” (grifouse) O tema já foi analisado em voto de minha relatoria, acórdão nº 3401005.100, de 20/06/2018, com quase a mesma composição que a atual, os membros do colegiado, por maioria de votos, negaram provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Cássio Schappo. Na ocasião discorri que da leitura do dispositivo legal depreendese que alguns são os requisitos que devem ser atendidos pelo produtor e pelo adquirente: 1 – saída de estabelecimento industrial; 2 destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos citados; 3 – atendimento dos termos e condições estabelecidos pela RFB; e 4 – declaração do adquirente ao vendedor que atende aos requisitos estabelecidos. No presente caso após intimação da fiscalização a empresa não apresentou as declarações de todas empresas adquirentes relativamente às notas fiscais que constam nos anexos ao relatório fiscal. Apresentou a declaração de uma empresa adquirente Faurecia Emoissions Control Technologies Limeira Ltda. CNPJ nº 08.515.211/000179 sem a devida assinatura, ou seja, sem validade nenhuma para amparar as operações. Entendo que conforme disciplinado pelo RIPI/02 a saída dos produtos dos estabelecimentos industriais devem seguir as normas expressas no RIPI e as expedidas pela RFB, e quando não forem satisfeitos os requisitos para a suspensão o imposto tornase imediatamente exigível como se a suspensão não existisse. Art. 40. Somente será permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do imposto quando observadas as Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 579 10 normas deste Regulamento e as medidas de controle expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art.42. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. § 1º Se a suspensão estiver condicionada à destinação do produto e a este for dado destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a suspensão não existisse. § 2o Cumprirá a exigência: I o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinação diferentes dos que condicionaram a suspensão; II o remetente do produto, nos demais casos. Claro que só se pode exigir o imposto daquele que deixou de recolhêlo. Assim é que a empresa adquirente declara que irá cumprir os requisitos da lei, por isso a empresa produtora vende os produtos com base nessa declaração e dá saída nos produtos com suspensão. Mas em procedimento de fiscalização se ficar comprovado que os produtos não foram utilizados conforme determina a legislação devese retroagir na cadeia e cobrar daquele que deu saída com suspensão. Esse entendimento está confirmado pela Solução de Consulta nº 199, de 17/11/2003 e o acórdão nº 20174603, de 22/05/2001: ASSUNTO: Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI EMENTA: IPI. SUSPENSÃO. DESATENDIMENTO DE NORMAS E REQUISITOS. RESPONSABILIDADE. As pessoas que desatenderem as normas e requisitos a que estiver condicionada a suspensão de IPI estão obrigadas ao pagamento do imposto. ACÓRDÃO 20174603 – 2º Conselho. EMENTA : IPI SUSPENSÃO ART. 3o DA LEI N° 8.402/92 E DECRETO N° 452/88 – RESPONSABILIDADE Descumprindo o adquirente da mercadoria requisito de suspensão da incidência do IPI, sujeitase ao recolhimento imediato do imposto, a teor do artigo 35, I, do RIPI/82. Recurso Negado. No caso em análise não foram apresentadas as declarações, diferentemente do acórdão citado de minha relatoria, em que foram apresentadas declarações que não condiziam com a realidade. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 580 11 A recorrente alega que está providenciando os documentos, que não apresentou até o momento, e que já encontrase precluso seu direito de apresentálos. Também reclama da falta de intimação dos terceiros envolvidos. Ora a Lei é clara ao dispor que as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor que atendem aos requisitos da lei. Assim é que a recorrente que deveria ter diligenciado para ver cumprido os requisitos da Lei e não usufruir os beneplácitos legais sem a contrapartida imposta legalmente. Quanto a declaração que conseguiu juntar acompanho o já decidido pela DRJ: 11. Com referência às declarações apresentadas, temse que na “Relação das Notas Fiscais de Saídas sem Amparo da Declaração da Preponderância da Produção”, elaborada pela fiscalização (fls. 42/145), não consta saída para o CNPJ nº 08.515.211/000179 (existente até 30.12.2011). Já no que diz respeito à declaração de fl. 483, a mesma foi feita em período posterior aos da ação fiscal, sem identificação do signatário, não podendo ser reconhecida sua validade. 3) Créditos básicos (bronze, aço 1010, aço 1020, aço 1045, alumínio, cobre, aço a36, aço vc131, aço 4340, aço d2, aço 8620 e aço vw3). Produtos intermediários: possibilidade de crédito de IPI. Parecer normativo CST 65/79, solução de consulta Disit nº 7/2004 e solução de consulta Cosit nº 24/2014. A recorrente alega ser seu processo produtivo preponderante o fornecimento de peças e acessórios para veículos e que a fabricação de ferramentas industriais é parte integrante do processo, e sem as mesmas não é possível a fabricação das referidas peças e acessórios. Para ela essas ferramentas constituem produto intermediário relacionado ao produto final, e possuem vida útil inferior a 12 meses, não sendo bens de ativo permanente. E para fabricação de ferramental são utilizadas matérias primas, tais como: bronze, aço 1010, aço 1020, aço 1045, alumínio, cobre, aço A36, aço VC131, aço 4340, aço D2, aço VC131, aço 8620. Para efeitos do crédito do IPI o regulamento determina a inclusão de matériasprima, produtos intermediários e material de embalagem, mesmo os que não se integrando o produto final sejam consumidos no processo de industrialização. É certo que o insumo aceito para fins de creditamento do IPI deve ser aquele que tem ação direta sobre o produto produzido. Assim é que o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, embora antigo é o que ainda esclarece a matéria: 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 581 12 ... 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, alem dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. Ora os insumos glosados foram consumidos na fabricação de ferramentas utilizadas no processo produtivo. E não existe previsão legal no regulamento do IPI para se aproveitar esses créditos. Assim, não se admite o crédito dos produtos excluídos pela fiscalização (fls. 421/424), pois não se enquadram no conceito de MP, PI, ou ME. Ou seja, o termo “insumo” para fins de IPI possui conceito jurídico, e não contábil ou econômico. Como foi seguido estritamente o direito a crédito relativo a MP, PI e ME adquiridos para emprego na industrialização, portanto, não há que se falar em violação ao art. 25, inciso I, da Lei n° 4.502, de 1964. 4) Impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa. Inexistência de fundamento legal expresso. Posicionamento do carf. Quanto a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício entendo cabível conforme tenho votado e consta de pronunciamento não unânime dessa turma. Os juros moratórios incidem sobre o crédito tributário não integralmente pago, no intuito de corrigir os valores devidos, sem se configurar em penalidade. A pena pelo Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 582 13 atraso no pagamento é resolvida pela multa de mora. O juro não possui caráter punitivo. Reproduzo o esclarecimento do Dr. Paulo de Barros Carvalho: Instituídos em lei e cobrados mediante atividade administrativa plenamente vinculada, distam de ser equiparados aos juros de mora convencionados pelas partes, debaixo do regime da autonomia da vontade. Sua cobrança pela Administração não tem fins punitivos, que atemorizem os retardatários ou o desestimule na prática da dilação do pagamento. Para isso atuam as multas moratórias. Os juros adquirem um traço remuneratório do capital que permanece em mãos do administrado por tempo excedente ao permitido. Essa particularidade ganha realce, na medida em que o valor monetário da dívida se vai corrigindo, o que presume manterse constante com o passar do tempo. Ainda que cobrados em taxas diminutas (1% do montante devido, quando a lei não dispuser sobre outro valor percentual), os juros de mora são adicionados à quantia do débito, e exibem, então, sua essência remuneratória, motivada pela circunstância de o contribuinte reter consigo importância que não lhe pertence. A previsão para a cobrança dos juros de mora consta do art. 161 do Código Tributário Nacional: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A multa de ofício é lançada em conjunto com o principal fazendo um crédito único. Não ocorrendo o pagamento, a Fazenda Pública deixa de receber todo o crédito tributário que a ela era devida, e assim, faz jus a receber juros de mora sobre este montante. O CTN define como sujeito a multa de mora, o crédito não integralmente pago no vencimento, não existindo nenhuma determinação legal para excluir do conceito de créditos não integralmente pagos, a multa de ofício. Destarte não há como separar a multa de ofício do total do crédito exigido. Ademais foi publicada recentemente a súmula CARF tornando obrigatória a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. 5) Desproporcionalidade e desarrazoabilidade das multas impostas. Efeito confiscatório. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10865.720497/201473 Acórdão n.º 3401005.805 S3C4T1 Fl. 583 14 Quanto desproporcionalidade e desarrazoabilidade das multas impostas, a sua imposição está prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” E o art. 44 da Lei nº 9.430/96 não permite qualquer mitigação, sendo categórico em determinar a incidência do percentual fixo de 75% (setenta e cinco por cento) aos casos de falta de pagamento de tributos nos casos de lançamento de ofício. E cabe lembrar que às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não é dada a atribuição de apreciar questões que tanjam à constitucionalidade de qualquer lei ou ato normativo. Esse assunto já restou sumulado pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 583DF CARF MF
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Numero do processo: 10467.900337/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.995
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem que indeferira o pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI e não homologara a compensação declarada, em razão do fato de que os créditos do IPI se referiam a aquisições de insumos empregados na produção de águas minerais, classificadas na TIPI como NT (Não Tributadas), tratandose de produto fora do campo de incidência do imposto. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte reiterou seu pedido de ressarcimento, com base no princípio da não cumulatividade, inclusive na saída de produtos imunes, conforme doutrina e julgados que citou. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 67 .9 00 33 7/ 20 11 -5 6 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10467.900337/201156 Resolução nº 3301000.995 S3C3T1 Fl. 3 2 A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que não alcançava os insumos empregados em mercadorias não tributadas (N/T) o direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em que repetiu os argumentos incluídos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.992, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10467.900230/201299, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.992): Os autos foram instruídos com o Despacho Decisório n° 022397195 (fl. 24), em que consta um número de processo de crédito diferente do número do presente processo, qual seja, 10467900.232/201288. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário combatem um outro Despacho Decisório, o de número 022397178 (fls. 27 e 46 manifestação de inconformidade), no qual, porém, consta como processo de crédito o número do presente: 10467.900230/201299. Os valores dos créditos e correspondentes débitos (considerados como não liquidados, em razão das glosas) são distintos (fl. 24 R$ 14.230,94 / R$ 10.363,10, e fl. 46 R$ 16.942,93 / R$ 15.794,67), porém dizem respeito a ressarcimento de créditos de IPI do 2° trimestre de 2007. O Acórdão da DRJ (fls. 79 a 86) trata da controvérsia, sem, todavia, citar o número do Despacho Decisório ou da folha dos autos em que se encontrava ou mesmo do valor do crédito em discussão. Isto posto, proponho que o presente julgamento seja convertido em diligência, para que o presente processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares (ex: informação fiscal, relatório de auditoria fiscal etc.) concernentes ao presente processo (10467.900230/201299). Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo para manifestações. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10467.900337/201156 Resolução nº 3301000.995 S3C3T1 Fl. 4 3 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja devidamente instruído com o Despacho Decisório e eventuais informações complementares (ex: informação fiscal, relatório de auditoria fiscal etc.) concernentes ao presente processo. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo para manifestações. Findo o prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 137DF CARF MF
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Numero do processo: 15375.003881/2009-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. VÍCIO FORMAL.
Eventual deficiência do instrumento de autuação quanto à descrição do critério empregado na aferição indireta da base de cálculo da contribuição configura vício formal, e não material.
Numero da decisão: 9202-007.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. VÍCIO FORMAL. Eventual deficiência do instrumento de autuação quanto à descrição do critério empregado na aferição indireta da base de cálculo da contribuição configura vício formal, e não material.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado D'EL REY SERVIÇOS GERAIS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. VÍCIO FORMAL. Eventual deficiência do instrumento de autuação quanto à descrição do critério empregado na aferição indireta da base de cálculo da contribuição configura vício formal, e não material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 5. 00 38 81 /2 00 9- 86 Fl. 1051DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 240202.029. proferido na sessão de 28 de setembro de 2011, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002 ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL E NO CÁLCULO DO MONTANTE DEVIDO. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A matéria tributável e o cálculo do montante devido constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A adoção de métodos que resultem em base de cálculo incerta e duvidosa constitui ofensa aos elementos substanciais do lançamento, motivo pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para nulidade do lançamento por vício material. O recurso visava rediscutir a nulidade do lançamento e, alternativamente, a natureza do vício que ensejou essa nulidade, se formal ou matéria. E exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF deu parcial seguimento ao recurso, apenas relativamente à segunda matéria. Em suas razões recursais, quanto à matéria que teve seguimento, a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que o vício é formal quando a declaração da vontade traduzida no ato administrativo de processa com a preterição de alguma formalidade essencial ou que o ato não se revista da forma legal; que no caso sob análise o lançamento foi anulado porque reconheceu que houve falha no cálculo do montante devido. Cientificada do Acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 25/09/2013 (AR, efls. 137) a contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 15375.003881/200986 Acórdão n.º 9202007.407 CSRFT2 Fl. 3 3 O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, como se colhe do relatório, o recurso prosseguiu apenas quanto à definição da natureza do vício que ensejou o lançamento, se formal ou material. O Recorrido declarou a nulidade do lançamento por vício material sob o fundamento de que este incorreu em erro no cálculo do tributo devido, conforme o seguinte excerto do voto condutor do julgado. Entendo, contudo, que o procedimento adotado pela fiscalização para calcular a contribuição devida está equivocado. Isso porque, as informações levantadas pela fiscalização evidenciam apenas que havia valores devidos no mês de 06/1997, os quais somente poderiam ser lançados por arbitramento neste mesmo mês, caso ainda não fosse possível chegar à base de cálculo “direta” utilizandose apenas as notas fiscais que foram encontradas sem correspondência nas folhas de pagamento. A fiscalização jamais poderia ter se utilizado de dados relativos a um único mês (06/1997) para lançar por aferição indireta contribuições de diversos períodos (01/1999 a 03/2002) que sequer possuem conexão com aquele, mormente quando não restou demonstrado o motivo pelo qual foram reputados como devidos os mesmos valores em todos os meses autuados, não sendo possível sequer afirmar que a contabilidade da empresa, em qualquer um desses períodos, era imprestável a ponto de permitir a adoção deste método excepcional. [...] Destarte, em que pese ser plausível a adoção do procedimento de aferição indireta para o período de 06/1997 (considerando que não haviam notas fiscais individualizadas), não foi demonstrado qualquer nexo entre referido período com os demais ora autuados, o que leva à conclusão de que a forma de cálculo utilizada para efetivar o arbitramento foi totalmente equivocada. Entendo que a fiscalização, ao atuar dessa forma, utilizou indevidamente o procedimento de aferição indireta previsto no art. 33, § 3º, da Lei nº 8.212/1991, calculando valores estimados sem o devido amparo documental, maculando elementos intrínsecos do lançamento, quais sejam, a matéria tributável e o cálculo do montante devido, previstos no art. 142 do CTN2. [...] Assim, quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, a matéria tributável e o cálculo do montante devido), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável Fl. 1053DF CARF MF 4 ao cálculo do montante devido, ou à determinação do fato gerador, etc.), importando na existência de um vício material. Como se vê, o que se rejeitou no Recorrido foi o critério adotado pela Fiscalização para o cálculo da contribuição por aferição indireta. , conforme o seguinte fragmento do voto condutor do julgado: 10. Assim, constatado que a Del Rey Serviços Gerais Ltda não apresentou informações e documentos solicitados, de interesse do Instituto Nacional do Seguro Social, impõese à fiscalização efetuar lançamento por meio de arbitramento, como forma de apuração do valor das contribuições para o órgão previdenciário, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, conforme determinação do artigo 148 do Código Tributário Nacional, do artigo 33, § 3.° da Lei 8.212/91, do artigo 233 do Decreto 3.048/99. 11. Metodologia seguida para o arbitramento. A planilha do item 8 demonstra que houve 146 tomadores de serviço na competência 06/97 e a planilha de item 7 demonstra que houve 86 folhas de pagamento em 06/97 contendo 124 códigos de tomadores de serviços, logo em 06/97 houve 22 tomadores de serviço sem folha de pagamento. Assim, será feito levantamento por arbitramento de contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor equivalente ao produto da média salarial/tomador pelo número de tomadores sem folha, que foram apurados na competência 06/97, porque a Lei 9.032 que alterou a Lei 8.212/91, exige a elaboração de folhas de pagamento distintas para cada tomador de serviço. No trecho acima a Fiscalização expôs com clareza os critérios adotados para a aferição indireta, utilizando como base as informações disponíveis, que é o que caracteriza a aferição indireta. Ora, não cabe ao órgão julgador administrativo questionar o critério de aferição indireta adotado pela Fiscalização e muito menos inquinar de nulo o lançamento por discordar do critério adotado. O processo administrativo fiscal visar o exame da legalidade do lançamento à luz do contraditório. Nesse sentido, caberia ao julgador decidir sobre a legalidade ou ilegalidade da utilização da aferição indireta para o lançamento e, neste caso, o acórdão recorrido não apontou essa ilegalidade. A aferição indireta justificase exatamente pela ausência de elementos suficientes para se apurar a contribuição com base na “aferição direta”, em regra pela não apresentação desses elementos pelo sujeito passivo. E isso foi dito e demonstrado na autuação. Portanto, nesse aspecto o lançamento é absolutamente regular. Contudo, como a discussão sobre a nulidade ou não do lançamento não foi devolvida a este colegiado, mas apenas a natureza do vício que ensejou o lançamento, na esteira da posição que vem sendo assumida neste Colegiado de considerar formal o vício que ensejou a declaração da nulidade do lançamento quando não se verifica essa nulidade, concluo pela natureza formal do vício. Caberia, portanto, à autoridade lançadora, no caso de refazimento do lançamento apenas melhor explicitar os critérios de cálculo, aspecto meramente formal, sem alteração no valor apurado. Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 15375.003881/200986 Acórdão n.º 9202007.407 CSRFT2 Fl. 4 5 Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, doulhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 1055DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000268/2010-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB tome as seguintes providências: (i) manifeste-se sobre o documento novo (laudo da Escola Superior da Agricultura da USP); (ii) verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação culminaram em efetivas exportações, ou se foram apenas realizadas vendas no mercado interno; (iii) analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal e dos extemporâneos, para que se possa aferir se constituem insumos ou não, com a devida quantificação; (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e (v) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendo-lhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual devem ser os autos remetidos ao CARF, para julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB tome as seguintes providências: (i) manifeste-se sobre o documento novo (laudo da Escola Superior da Agricultura da USP); (ii) verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação culminaram em efetivas exportações, ou se foram apenas realizadas vendas no mercado interno; (iii) analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal e dos extemporâneos, para que se possa aferir se constituem insumos ou não, com a devida quantificação; (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e (v) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendo-lhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual devem ser os autos remetidos ao CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB tome as seguintes providências: (i) manifestese sobre o documento novo (laudo da Escola Superior da Agricultura da USP); (ii) verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação culminaram em efetivas exportações, ou se foram apenas realizadas vendas no mercado interno; (iii) analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal e dos extemporâneos, para que se possa aferir se constituem insumos ou não, com a devida quantificação; (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e (v) cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual devem ser os autos remetidos ao CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 85 .0 00 26 8/ 20 10 -8 7 Fl. 6937DF CARF MF Processo nº 12585.000268/201087 Resolução nº 3401001.551 S3C4T1 Fl. 6.938 2 Relatório Versam os autos sobre análise e acompanhamento de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de créditos de COFINS nãocumulativa, vinculados a receitas de exportação relativas ao 2o trimestre de 2009 e de Declarações de Compensação (DCOMP) onde se pretendem compensar vários débitos com o crédito oriundo do ressarcimento. Após realizar as devidas análises e verificações, a DERAT/SP exarou Despacho Decisório, indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando as compensações declaradas, vinculadas ao pretenso crédito. Desafiando o referido Despacho Decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, juntado documentos, e argumentando que: 1) Índice de rateio proporcional relativamente às receitas de exportação e do mercado interno: A fiscalização alterou o índice de rateio proporcional dos créditos da Cofins calculados sobre custos e despesas comuns à receita do mercado, interno e de exportação. Seu entendimento era de que o momento do embarque da mercadoria é o parâmetro a ser considerado para a apuração dos valores exportados a cada mês, conforme o art.1º do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 22, de 5 de novembro de 2002. Considerou como receita de exportação os valores constantes no SISCOMEX conforme a data de embarque das mercadorias, extraindo os dados do sistema DWAduaneiro. Contudo, resta totalmente equivocado o entendimento fiscal, quer em razão de que o ADI SRF nº 22/2002 não é aplicável na apuração de créditos de COFINS nãocumulativa, quer por este entendimento não possuir base legal, bem como violar as normas de apuração da contribuição. Ademais, a interpretação fiscal colidiria com o §3º do art.6º, c/c§8º do art.3º da Lei nº 10.833 de 2003, que dispõe que o rateio será proporcional ao auferimento de receitas, sem impor que tenha havido o embarque da mercadoria ao exterior para que as receitas auferidas fossem consideradas exportação. 2) Momento de apuração de créditos decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos: no DD foram glosados créditos de COFINS ao fundamento de que a empresa teria reconhecido o crédito fora do período de sua apuração. A Fiscalização sustenta que a data da emissão da Nota Fiscal é o parâmetro correto para a apuração mensal dos créditos (...) referentes a bens e serviços utilizados como insumo. No entanto, no momento da emissão de uma NF não há como sustentar que o bem foi adquirido pela empresa, pois esta aquisição somente se dará no momento da efetiva entrega material do bem, quando ocorre a tradição da coisa, sendo manifestamente ilegítimo considerar este momento como sendo a data em que se adquire o bem, notadamente para fins tributários. O procedimento da empresa está correto ao reconhecer o crédito da COFINS no regime da não cumulatividade no momento da entrada em seu estabelecimento do insumo adquirido, quando efetivamente recebe a NF emitida pelo vendedor. É nesse momento que há a efetiva tradição da coisa, podendo ser considerado o bem adquirido. No que tange aos serviços, somente após a efetiva conclusão dos serviços é que o prestador passa a ter o direito à retribuição que é imanente a este tipo de contrato. Apenas com a prestação encerrada é que se pode considerar como adquiridos os serviços. No caso concreto, a empresa reconheceu o crédito de eventuais serviços no momento em que recebeu do prestador a NF demonstrando a conclusão do trabalho. É neste momento que o serviço é adquirido pelo contratante e surge para o prestador o direito de receber a retribuição. Antes do trabalho finalizado somente existe uma expectativa de direito sobre a prestação de serviços, até porque em caso de inadimplência o contratante não poderá exigir do contratado Fl. 6938DF CARF MF Processo nº 12585.000268/201087 Resolução nº 3401001.551 S3C4T1 Fl. 6.939 3 a obrigação de fazer, mas tão somente uma indenização. Desta forma, o procedimento da empresa atendeu de forma precisa a legislação em comento, razão pela qual deve ser acolhida sua manifestação de inconformidade. 3) Aproveitamento do crédito em meses subsequentes Desnecessidade de retificação de DACON e DCTF: o Fisco nega a possibilidade de aproveitamento do crédito em período subsequente, denominando aproveitamento de créditos extemporâneos. Depois diz ser possível esse aproveitamento, condicionandoo, entretanto, à retificação de DACON/DCTF pela empresa. Neste particular o equívoco da autuação é manifesto. As leis da nãocumulatividade em momento algum fixaram período para o contribuinte exercer o direito potestativo de descontar o crédito. Não há obrigação de realização do desconto/aproveitamento no mesmo mês de referência de determinação do crédito. A referência a determinado mês (§ 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003) delimita apenas o valor do crédito apurado naquele mês, mas não limita o aproveitamento do crédito mediante o desconto com o débito àquele mês. A norma legal é expressa ao dizer que o aproveitamento do crédito pode se dar em determinado mês, sendo este o mês de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumo – quando efetivamente surge o direito ao crédito – ou, se não utilizado naquele mês, poderá sêlo nos meses subsequentes. Não há nenhuma regra determinando a escrituração e, consequentemente, o aproveitamento do crédito em determinado mês. Simplesmente não existe norma jurídica neste sentido. Na nãocumulatividade não se pode dizer que há aproveitamento extemporâneo de créditos, visto que inexiste um período definido para o aproveitamento, podendo este se dar no mês em que surgiu o direito ao crédito, no mês de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumo, ou em meses subsequentes, dependendo dos contribuintes. Além disso, o DACON, por ser de natureza declaratória e não constitutiva, não pode restringir o direito da empresa ao crédito, razão pela qual deve ser acolhida a manifestação da empresa. 4) Glosa de créditos sobre bens e serviços utilizados como insumos: a) inaplicabilidade das INs SRF nºs 247/2002 e 404/2004 (...) b) créditos sobre bens/serviços insumos (...) c) insumos glosados indevidamente: (...) d) crédito sobre a formação de florestas – ativo imobilizado exaustão: (...) e) crédito decorrente de produtos adquiridos de terceiros (...) f) crédito sobre fretes: (...) 5) Créditos vinculados à receita de exportação: (...) 6) Conclusões: a) é inaplicável ao caso o ADI SRF nº 22/2002 para apuração do índice de rateio proporcional no que tange às receitas de exportação e mercado interno, haja vista que referida norma trata de norma isentiva; b) a empresa reconheceu créditos de bens e serviços utilizados como insumo no seu processo produtivo no momento oportuno, ou seja, no momento da entrada em seu estabelecimento, do insumo adquirido, pois operouse a tradição da coisa; c) ainda que assim não fosse, a legislação faculta ao contribuinte a possibilidade de aproveitar os créditos de bens e serviços em meses subsequentes (§ 4º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), o que foi desconsiderado pelo Fisco; d) é inaplicável ao caso as IN SRF nº 247/2002 e 404/2004, pois trazem em seu bojo equivoco conceito de insumo relativo a nãocumulatividade do IPI, restringindo, sem qualquer base legal, o direito creditório da empresa; e) a empresa tem direito a créditos de PIS/COFINS, seja em razão dos bens e serviços serem parte indispensável do processo produtivo (insumos), seja em razão Fl. 6939DF CARF MF Processo nº 12585.000268/201087 Resolução nº 3401001.551 S3C4T1 Fl. 6.940 4 das reservas florestais, mesmo estando classificadas contabilmente como ativo imobilizado, sujeitos à exaustão, pois quando da sua utilização, serão também insumos; f) também ensejam créditos aqueles bens ou serviços adquiridos de terceiros, inclusive no caso vertente; g) os fretes suportados durante todo o processo de produção ensejam direito ao crédito, inclusive aqueles destinados à aquisição de matériaprima, destinados à transporte dos produtos em fase de produção entre os estabelecimentos da própria empresa, bem como aqueles que foram realizados durante o processo de formação das reservas florestais que compõe o ativo imobilizado, pois esses se constituem custos de produção; h) todos os custos vinculados à receita de exportação, considerando que se trata de empresa exportadora de pasta de celulosa, conferem crédito de PIS/COFINS. 7) Pedidos: a) requer a realização de diligência e perícia, nos termos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Tal diligência/perícia é necessária para a comprovação da real natureza de cada bem/serviço adquiridos pela empresa, como eles são empregados no processo produtivo, que estes são efetivamente usados nos estabelecimentos produtores e industriais, que são custos de produção, que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis para assegurar o direito ao crédito, bem como buscar a verdade material. Indica peritos e formula quesitos; b) diante da robusta comprovação de que os gastos realizados pela empresa são efetivamente indispensáveis, necessários à produção de seus bens destinados à venda, requer, em preliminar, a nulidade do DD e, por conseguinte, o acolhimento de sua manifestação. Devem ser reconhecidos na integralidade os créditos que foram glosados, seja com fundamento no valor de aquisição dos bens/serviços utilizados como insumos para a produção da celulosa, seja baseado nos encargos de exaustão, ou no conceito de insumo, analogicamente. E assim restou ementado o Acórdão exarado pela DRJ/PORTO ALEGRE, sobre o contencioso: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de perícia/diligência quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Restando consignado no Despacho Decisório, de forma clara e concisa, o motivo do não reconhecimento do direito creditório pleiteado, bem como da não homologação das compensações tencionadas, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS E MANIFESTAÇÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. Fl. 6940DF CARF MF Processo nº 12585.000268/201087 Resolução nº 3401001.551 S3C4T1 Fl. 6.941 5 As referências a entendimentos de segunda instância administrativa ou a manifestações da doutrina especializada, não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Para ser considerado insumo, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de ressarcimento/compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno (tributadas e NT). REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS PARA FORMAÇÃO DE FLORESTAS. INCORPORAÇÃO AO ATIVO IMOBILIZADO. DESCONTO DE CRÉDITO COMO EXAUSTÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos de formação de floresta são incorporados ao valor desse bem registrado no ativo imobilizado, valor que, na medida da utilização da floresta, deve ser objeto de encargos de exaustão, que não dão direito a crédito por falta de previsão legal. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. Inconformada com a r. decisão, a empresa, após ter ciência do Acórdão em 28/05/2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, interpôs Recurso Voluntário, em 29/06/2015, no qual reiterou seus argumentos da manifestação de inconformidade, combatendo ponto a ponto a decisão de piso e especificando a essencialidade de cada insumo glosado. Juntou laudo técnico da Escola Superior de Agricultura da USP, que descreve todo o processo produtivo da operação florestal e da fase de indústria da celulose, tratando as duas como interdependentes. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o Fl. 6941DF CARF MF Processo nº 12585.000268/201087 Resolução nº 3401001.551 S3C4T1 Fl. 6.942 6 mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. O Recurso Voluntário reúne os pressupostos legais para interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A matéria a ser enfrentada no presente processo já o foi em outro processo (PAF 12585.000259/201096), onde a Primeira Turma Ordinária da 3ª Câmara deste CARF decidiu, à unanimidade de votos, que fosse o julgamento convertido em diligência (Resolução nº 3301 000.808). Em ambos os processos se tem a empresa Fibria Celulose S/A como Recorrente e a Fazenda Nacional como Recorrida. Também há identidade quanto ao objeto, qual seja Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de créditos de PIS/Cofins nãocumulativa, vinculados a receitas de exportação. Também os argumentos e discussões e documentos trazidos em ambos os processos são os mesmos. Diferem apenas com relação à competência, pois o processo já analisado se refere ao 4º trimestre de 2006. Conforme relatado, diversos foram os motivos das glosas dos créditos pleiteados pela Recorrente, as quais são resumidas em 4 (quatro) grandes grupos: (i) Método de Apropriação de Custos – Rateio proporcional; (ii) Momento de apuração dos insumos e serviços como créditos; (iii) Aproveitamento de créditos extemporâneos; e (iv) Insumos da nãocumulatividade. Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS e da COFINS. Para corroborar seus argumentos sobre a essencialidade à tomada de créditos, a descrição do processo produtivo, desde a sua operação florestal até a entrega da madeira para a indústria, e ainda, a fase industrial da celulose e do papel, a Recorrente juntou, como já se disse, laudo técnico elaborado pela Escola Superior de Agricultura da USP, o que, na assentada da referida Resolução, entendeuse ser um fato novo, demandando a manifestação da autoridade fiscal, em respeito ao princípio do contraditório. Comungase da decisão tomada na aludida Resolução, fazendo esta, parte integrante do presente, evitando a repetição dos referidos fundamentos. Pelo exposto, assim como já definido na Resolução 3301000.808, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem: (i) manifestese sobre o documento novo (laudo da Escola Superior da Agricultura da USP); (ii) verifique se as receitas decorrentes de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação culminaram em efetivas exportações, ou se foram apenas realizadas vendas no mercado interno; (iii) analise a origem dos créditos registrados fora da competência da emissão da nota fiscal e dos extemporâneos, para que se possa aferir se constituem insumos ou não, com a devida quantificação; (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados; e (v) Fl. 6942DF CARF MF Processo nº 12585.000268/201087 Resolução nº 3401001.551 S3C4T1 Fl. 6.943 7 cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, após o qual devem ser os autos remetidos ao CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 6943DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16007.000044/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.664
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 07 .0 00 04 4/ 20 09 -5 6 Fl. 361DF CARF MF Processo nº 16007.000044/200956 Resolução nº 3401001.664 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 362DF CARF MF Processo nº 16007.000044/200956 Resolução nº 3401001.664 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 363DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.900259/2008-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
DIREITO CREDITÓRIO.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1103-000.564
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSÉ SÉRGIO GOMES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Mário Sérgio Fernandes Barroso e Marcos Shigueo Takata. Relatório Fl. 52DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10469.900259/200874 Acórdão n.º 110300.564 S1C1T3 Fl. 2 2 Em foco recurso voluntário contra decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em RecifePE que não acolheu a solicitação de reforma do despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em NatalRN, o qual não reconheceu o direito creditório contra a Fazenda Nacional por conta de apontado indébito no recolhimento efetuado em 20/08/2002 a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado sob o regime do lucro presumido no segundo trimestre civil do ano de 2002 e, consequentemente, deixou de homologar a compensação inserta na declaração de compensação (Dcomp) transmitida pela internet à central de dados da Receita Federal do Brasil em data de 30 de abril de 2004 visando extinguir débito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) apurada em novembro de 2003. Analisando a declaração de compensação concluiu a Delegacia da Receita Federal do Brasil em NatalRN que seria improcedente o apontado indébito fiscal em razão do pagamento, presumidamente realizado de forma indevida ou a maior que o devido, ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, nada restando para a compensação pretendida. Inconformada, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade prevista no artigo 74, § 7º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, argumentando que incidiu em erro material ao não retificar sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) para adequar as informações às constantes em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ). Aduziu, também, que vinha aplicando sobre o faturamento mensal o percentual de presunção de 32% (trinta e dois por cento) quando deveria ter utilizado o percentual de 8% (oito por cento) previsto no art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 em razão de sua condição de prestadora de serviço hospitalar, surgindo, por conseguinte, crédito oriundo de recolhimento a maior. Juntou aos autos, como comprovantes da existência do crédito pretendido, cópia da declaração de compensação, incluindo recibo, e de seu contrato social. Por fim, requereu a procedência da manifestação de inconformidade e conseqüente homologação da compensação. Aquela 3ª Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e concluiu pelo acerto do decisório da autoridade fiscal em vista da contribuinte ter retificado sua DCTF apenas em 11 de junho de 2008, após a ciência daquela decisão. Registrou, mais, que a contribuinte pretendeu o indébito fiscal tão somente com os dados declarados em DCTF e que não trouxe a prova do alegado pagamento indevido ou a maior que o devido, desatendendo ao disposto no artigo 16, III, do Decreto nº 70.235/72. Ciente do decisório em 30 de março de 2011, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 29 do mês seguinte no qual aduz que não é o erro material no preenchimento da DCTF, ou tampouco o retardo na correção do vício, que faz sucumbir o direito ao crédito e sua respectiva utilização mediante compensação e assim assevera: as meras informações prestadas pelo particular em DCTF não têm o condão de fundamentar o indeferimento do pleito deduzido pelo contribuinte, porquanto o direito à compensação não se encontra, não se materializa a partir das declarações efetuadas no corpo de DCTF, mas sim no mundo dos fatos, com o efetivo recolhimento a maior de tributo. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10469.900259/200874 Acórdão n.º 110300.564 S1C1T3 Fl. 3 3 Ao final, requer o provimento do recurso a homologação da compensação. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Cediço que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Em resumo: a verificação da liquidez e certeza do crédito é operação que exige provas e contas, mesmo porque o pagamento foi efetuado na sistemática do lançamento conhecido por homologação, definido no artigo 150 do Código Tributário Nacional como sendo aquele em que o próprio contribuinte exerce a atividade de apuração do montante realmente devido, de sorte tal que, até prova em contrário, goza da presunção de acerto. Nesse diapasão, a certeza e liquidez de direito creditório a favor do sujeito passivo, por conta de recolhimento a maior que o devido de IRPJ pago sob o regime de apuração do lucro presumido, não se apura em razão do quantum do lucro ou do tributo declarado no ano calendário pelo instrumento da DIPJ, ou do tributo confessado em DCTF, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos e a DCTF meros elementos da composição. Noutras palavras: por si só não exprimem a figura do indébito fiscal, pois, atos unilaterais, não têm o condão de formatar crédito contra a Fazenda Nacional. A declaração encontrase provada, sem dúvida, não assim os fatos nela consignados. Daí porque é necessário que aos autos viessem provas contábeis, é dizer, os lançamentos constantes nos livros exigidos pela legislação do tributo. Como exemplo, a contabilização das receitas que ensejaram a aplicação do percentual de presunção do lucro e/ou os documentos (notas fiscais ou recibos) que lastrearam ditos registros, de sorte a se apurar a natureza jurídica desses ingressos, é dizer, se derivam, total ou parcialmente, de efetivo atendimento hospitalar, ponto de partida para a discussão quanto ao direito de utilização de percentual reduzido de presunção de lucro. No caso dos autos a contribuinte busca reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional calcada em mera alegação de erro no dimensionamento da quantia devida, nada ofertando quando do inconformismo à autoridade julgadora de primeira instância, oportunidade em que se instaurou o litígio e na qual, por aplicação dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 c/c artigo 74, § 11, da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996, lhe foi aberta a apresentação do arcabouço probatório. Com o recurso voluntário endereçado a esta Corte continuou invocando seu direito alicerçado na premissa de que a simples comparação entre o valor recolhido (DARF) e Fl. 54DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10469.900259/200874 Acórdão n.º 110300.564 S1C1T3 Fl. 4 4 aquele indicado na DIPJ ou DCTF seria suficiente para exteriorizar pagamento a maior que o devido. Rogando venia e levandose em conta a regra basilar extraída do artigo 333, inciso I, do estatuto processual civil pátrio, tenho que a certeza e liquidez de um crédito não se realizam num universo dessa simplicidade. É certo que a Administração deve se pautar pelos princípios do não enriquecimento sem causa, razoabilidade e verdade material, implicando no dever de reconhecer erros praticados pelos Administrados, porém, o erro há de ser demonstrado e o indébito deve se materializar verdadeiro. Com tais razões, VOTO pelo improvimento do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 55DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000794/2009-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO- APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito.
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Em nome do princípio da verdade material, foi atendido o pleito do Recorrente, procedendo-se assim à análise dos documentos pela Delegacia de origem. Reconhecimento parcial do direito ao ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-006.309
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório estabelecido na diligência fiscal.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DOCUMENTOS. NÃO- APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Em nome do princípio da verdade material, foi atendido o pleito do Recorrente, procedendo-se assim à análise dos documentos pela Delegacia de origem. Reconhecimento parcial do direito ao ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte
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DOCUMENTOS. NÃO APRESENTAÇÃO. INDEFERIMENTO. O postulante de direito creditório deve apresentar todos os livros fiscais e contábeis, arquivos digitais e demais documentos ou esclarecimentos solicitados pelo Fisco, necessários à análise do direito creditório postulado, sob pena de indeferimento do pleito. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Em nome do princípio da verdade material, foi atendido o pleito do Recorrente, procedendose assim à análise dos documentos pela Delegacia de origem. Reconhecimento parcial do direito ao ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório estabelecido na diligência fiscal. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 07 94 /2 00 9- 64 Fl. 620DF CARF MF Processo nº 11516.000794/200964 Acórdão n.º 3302006.309 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Ressarcimento de parcelas da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins). Segundo a autoridade administrativa de origem, embora reiteradamente intimado, o interessado não apresentou arquivos digitais representativos dos documentos fiscais, previstos na Instrução Normativa SRF n° 86/2001 e no Ato Declaratório Executivo Cofis ADE n° 15/2001, não permitindo, por conseguinte, a verificação dos valores informados nos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais Dacon e tornando qualquer verificação do crédito pleiteado igualmente inconsistente. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou o seguinte: a) conforme despacho decisório, somente alguns arquivos digitais foram apresentados com as supostas inconsistências; b) em atenção às diversas intimações, apresentou inúmeras vezes os arquivos digitais requisitados, elaborados de acordo com os parâmetros estipulados pelo ADE Cofins n° 15/2001 e seus anexos; c) os arquivos digitais apresentados foram devidamente validados mediante Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais SVA, bem como passados pelo SINCO, não contendo nenhuma ressalva ou problema; d) os arquivos digitais foram abertos de forma integral e sem apresentar nenhuma falha ou inconsistência nos computadores da empresa, indicando alguma incompatibilidade com os equipamentos utilizados pelo agente fiscalizador; e) apresentou todas as informações requisitadas, estando os arquivos devidamente validados, e respeitando os parâmetros do ADE n° 15/01, assim, caberia à autoridade fiscal procurar verificar se seus equipamentos se encontravam atualizados e compatíveis, ou ainda, requisitar os arquivos digitais em outros formatos, ou mesmo a apresentação dos documentos físicos para verificação do crédito; f) o ADE n° 15/01 e a Instrução Normativa n° 86/01 não informam qual a extensão do arquivo a ser apresentado ou mesmo a versão do programa; g) a falta de indicação da classificação das mercadorias em alguns arquivos digitais não poderia representar óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, uma vez que o direito de crédito estava constitucional e legalmente assegurado, não podendo ser negado quando configuradas as hipóteses previstas na legislação e muito menos ser preterido em função de supostas inconsistências na visualização de arquivos digitais validamente apresentados; Fl. 621DF CARF MF Processo nº 11516.000794/200964 Acórdão n.º 3302006.309 S3C3T2 Fl. 4 3 h) por força do princípio da verdade material, se os créditos existem, a autoridade fiscal não pode se furtar em reconhecêlos, uma vez que os documentos apresentados comprovam de forma cabal a existência dos créditos requeridos; i) todas as informações necessárias para a verificação da existência dos créditos requeridos pela empresa estavam à disposição do agente fiscalizador, sendo que eventuais problemas de compatibilidade entre alguns dos arquivos digitais apresentados pela empresa e os equipamentos da fiscalização não poderiam servir de óbice ao reconhecimento dos créditos requeridos, especialmente porque a cooperativa dispõe de todos os documentos físicos (livros devidamente escriturados, notas fiscais, entre outros) para a verificação dos créditos. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, reafirmando a conclusão do despacho decisório e considerando a ausência de efetiva comprovação do direito creditório pleiteado, cujo ônus fora atribuído ao contribuinte pela legislação de regência. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, ratificando os argumentos da Manifestação de Inconformidade e apontando contradição na decisão recorrida, dada a efetiva apresentação de inúmeros arquivos digitais em resposta às intimações da fiscalização, com observância dos requisitos exigidos pela legislação (art. 65 da IN SRF 900/08), com pequenas inconsistências em alguns dos dados fornecidos. Segundo o Recorrente, mostrouse desproporcional e desarrazoado o indeferimento da totalidade do crédito quando apenas uma pequena parte suscitara dúvidas à fiscalização, situação essa a exigir a realização de diligências para a verificação da existência dos créditos, encontrandose a sua escrita fiscal, com todas as informações necessárias à comprovação do crédito garantido pelo ordenamento jurídico, à disposição da fiscalização. Em 31 de janeiro de 2013, através da Resolução n° 3801000.424, a 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência, com as seguintes determinações à unidade de origem: a) receba os arquivos apresentados no recurso voluntário, efetue sua autenticação e validação nos sistemas da RFB; b) caso constate inconsistências nos arquivos magnéticos, intime o contribuinte para no prazo de 20 (vinte) dias a solucionálas; c) a partir dos arquivos magnéticos e com base na escrituração fiscal e contábil, não havendo inconsistências impeditivas, apure eventual valor passível de ressarcimento com base na legislação de regência; d) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de vinte dias. É o relatório. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 11516.000794/200964 Acórdão n.º 3302006.309 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.300, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 11516.000785/200973, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.300): Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 17 fevereiro de 2012, às folhas 594. O recurso voluntário foi apresentado em 19 de março de 2012, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. Foram apresentados os seguintes pontos no Recurso Voluntário: O Pedido de Ressarcimento de créditos da COFINS de incidência nãocumulativa apurados no 4° trimestre do ano calendário de 2005; O fato de tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida ignorar a vasta documentação apresentada e a existência do crédito, e simplesmente negálo por completo, em virtude de algumas inconsistências nos arquivos magnéticos apresentados. Passase à análise. Como relatado, em 31 de janeiro de 2013, através da Resolução n° 3801000.415, a 1a Turma Especial da 3a Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência para a Delegacia de origem. A resposta à Resolução foi apresentada às folhas 1.181 e 1.182, que reproduzimos: Verificação reiniciada em cumprimento da Sentença do Mandado de Segurança n° 500916742.2017.4.04.7200/SC, que concedeu a segurança para determinar ao impetrado Delegado da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, o cumprimento do disposto nas Resoluções da 1a Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 11516.000794/200964 Acórdão n.º 3302006.309 S3C3T2 Fl. 6 5 Os pedidos de ressarcimento de crédito de PIS/PASEP e COFINS relacionados na inicial do impetrante Cooperativa Agroindustrial Cooperja, foram inicialmente indeferidos, entretanto, o julgamento foi convertido em diligência para permitir a realização de novas verificações com base nos arquivos apresentados no recurso voluntário. No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e atendendo a solicitação de redistribuição dos processos, conforme demonstrado na Informação Fiscal de fls. 1156 a 1179, foi apreciado o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER de créditos da COFINS de incidência nãocumulativa apurados no 2° trimestre de 2005. Na tabela abaixo são demonstrados o PER, o valor de crédito solicitado, a data de transmissão, o respectivo processo administrativo, o tipo de crédito e o período de apuração. Da Requerente O contribuinte, com sede no município de Jacinto Machado SC, apresenta como atividade preponderante o beneficiamento de arroz. Do amparo legal do ressarcimento de créditos do PIS/PASEP. A nãocumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) é regulamentada pela Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002. O Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação eram regulamentados pela Instrução Normativa SRF n° 460, de 17 de outubro de 2004. A Secretaria da Receita Federal editou as Instruções Normativas SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002 e n° 404, de 12 de março de 2004, que descrevem quais os créditos que a pessoa jurídica pode descontar na apuração das referidas contribuições e estabelecem, ainda para aplicação das normas em apreço, o conceito de insumo. A Lei n°10.925/2004, e redações posteriores, reduz a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS e da COFINS incidentes sobre venda no mercado interno de diversos produtos, entre eles os classificados nos códigos 1006.20 e 1006.30 . Já a manutenção do crédito da Contribuição para o PIS e da COFINS nas vendas efetuadas com alíquota zero está prevista no artigo 17 da Lei n°11.033, de 21 de dezembro de 2004. Do Direito Creditório Tendo em vista a quantidade de demandas judicias recebidas e o cumprimento do prazo exíguo assinalado pela Justiça Federal, realizamos verificação fiscal por amostragem, onde foram confrontados os valores constantes nos PER com as informações contidas nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais Dacon, nos arquivos entregues pelo contribuinte e nos demais dados disponíveis nos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 11516.000794/200964 Acórdão n.º 3302006.309 S3C3T2 Fl. 7 6 Dos gastos apresentados, constam embalagens, energia elétrica, bens para revenda, combustíveis, fretes, máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado e demais insumos aplicados na produção. As verificações da documentação apresentada corroboram a procedência do pleito do contribuinte. Conclusão O Pedido de Ressarcimento é tempestivo (art. 1° do Decreto n.° 20.910, de 6 de janeiro de 1932) e está formalizado de conformidade com a Instrução Normativa SRF n° 460, de 17 de outubro de 2004. Os créditos da contribuição foram apurados na forma do art. 3° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Ante todo o exposto, concluímos pelo reconhecimento do direito ao ressarcimento no valor pedido de R$33.861,69. Desse modo, atendendo o pleito do Recorrente, procedeuse a análise dos documentos pela Delegacia de origem. Com estas considerações, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo o direito ao ressarcimento nos termos da diligência fiscal. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito ao ressarcimento nos termos da diligência fiscal. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 625DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001656/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009
OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. DEIXAR DE INFORMAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES.
1. A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
2. A obrigação instrumental decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação ou fiscalização.
Numero da decisão: 2402-006.903
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009 OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. DEIXAR DE INFORMAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. 1. A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. 2. A obrigação instrumental decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação ou fiscalização.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva.
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ARBITRAMENTO. TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE Recorrente SANTAMÁLIA SAÚDE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009 OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. DEIXAR DE INFORMAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. 1. A empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. 2. A obrigação instrumental decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação ou fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 56 /2 00 9- 14 Fl. 445DF CARF MF Processo nº 19515.001656/200914 Acórdão n.º 2402006.903 S2C4T2 Fl. 446 2 (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da DRJ, que julgou improcedente a impugnação apresentada em face de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, lavrado por ter a empresa deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, incidentes sobre remunerações de empregados. Segue acórdão e ementa da decisão: Acórdão: Acordam os membros da 14” Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Ementa: [...] Período de apuração: 22/05/2009 INFRAÇÃO. Constitui infração deixar de informar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores das contribuições, quantias descontadas, contribuições da empresa e totais recolhidos. Art. 32, II, da Lei 8.212/91. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. Relatou a acusação fiscal que a empresa não teria contabilizado em títulos próprios, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Além disso, a empresa não teria contabilizado separadamente os empregados sujeitos à aposentadoria especial dos demais empregados, e teria Fl. 446DF CARF MF Processo nº 19515.001656/200914 Acórdão n.º 2402006.903 S2C4T2 Fl. 447 3 registrado valor diverso do que deveria ter registrado de acordo com as informações constantes das folhas de pagamento e das GFIPs. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 08/02/2011 (fl. 164) e interpôs recurso voluntário em 01/03/2011, no qual basicamente reiterou os mesmos termos de sua impugnação, mais especificamente a alegação de que não haveria necessidade de apresentação da GFIP, pois os valores que supostamente deveriam ser declarados seriam relativos a outro tributo, o que seria comprovado nas impugnações relativas aos autos de infração lavrados por descumprimento das obrigações principais. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 No mérito São incontroversas as alegações de que a empresa não teria contabilizado, em títulos próprios da contabilidade, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, e que também não teria contabilizado separadamente os empregados sujeitos à aposentadoria especial, dos demais empregados, e teria registrado valor diverso do que deveria ter registrado de acordo com as informações constantes das folhas de pagamento e das GFIPs. Ora, ao contrário do que alega a recorrente, este lançamento não decorre do descumprimento das obrigações principais controladas nos processos administrativos fiscais 19515.001660/200982, 19515.001659/200958 e 19515.001661/200927, mesmo porque, como referido acima, grande parte das infrações foram constatadas nas próprias folhas de pagamento, nas GFIPs, nos totais recolhidos e descontados, etc. Lembrese que, na dicção do § 2º do art. 113 do CTN, a obrigação acessória (ou instrumental) decorre da legislação tributária (compreendendo as leis, os tratados, as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares) e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação ou fiscalização. A doutrina do professor Luciano Amaro1 assim ensina: 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 249. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 19515.001656/200914 Acórdão n.º 2402006.903 S2C4T2 Fl. 448 4 A acessoriedade da obrigação dita "acessória" não significa (como se poderia supor, à vista do princípio geral de que o acessório segue o principal) que a obrigação tributária assim qualificada dependa da existência de uma obrigação principal à qual necessariamente se subordine. Por essa razão, grande parte dos doutrinadores a denomina de obrigação instrumental, ao invés de obrigação acessória, convindo transcrever os seguintes ensinamentos do professor Luís Eduardo Schoueri: Aliás, pode haver "obrigação acessória" mesmo em casos em que não haja "obrigação principal" (portanto, fora da própria relação tributária). Basta considerar que entidades imunes estão obrigadas a entregar declarações, prestar informações e quejandas, justamente para que a fiscalização possa assegurar se da imunidade. Vejase, a esse respeito, o que dispõe o art. 14 do Código Tributário Nacional: 2 [...] Vêse, pelos exemplos acima, que a obrigação "acessória" não se vincula à obrigação principal. A acessoriedade, no caso, nada tem a ver com sua subordinação a uma "obrigação principal"; a expressão é empregada, antes, para identificar seu caráter instrumental, já que tem por finalidade assegurar o cumprimento daquela. 3 Não se pode negar que, se fossem insubsistentes as acusações fiscais formuladas nos processos administrativos principais, os fatos geradores lá constatados realmente não teriam que ser contabilizados em títulos próprios como remuneração. Todavia, as acusações fiscais formuladas neste processo são distintas, o que passou despercebido à recorrente, mas não à instância de origem. Vejase: De toda forma, e ademais, no PAF principal este colegiado votou por negar provimento ao recurso voluntário. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 509. 3 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 510. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 19515.001656/200914 Acórdão n.º 2402006.903 S2C4T2 Fl. 449 5 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 449DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.970247/2011-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT).
A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996 e 1º da Lei nº 10.276 de 2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. PREJUDICIALIDADE.
Tendo em vista que não foi reconhecido o direito ao ressarcimento dos créditos apurados a partir dos insumos adquiridos para fabricação e produtos não tributáveis exportados, em razão de estes não serem tributados, é despicienda a comprovação da apuração desses créditos.
Numero da decisão: 9303-007.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran,Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996 e 1º da Lei nº 10.276 de 2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. PREJUDICIALIDADE. Tendo em vista que não foi reconhecido o direito ao ressarcimento dos créditos apurados a partir dos insumos adquiridos para fabricação e produtos não tributáveis exportados, em razão de estes não serem tributados, é despicienda a comprovação da apuração desses créditos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran,Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "nãotributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996 e 1º da Lei nº 10.276 de 2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. PREJUDICIALIDADE. Tendo em vista que não foi reconhecido o direito ao ressarcimento dos créditos apurados a partir dos insumos adquiridos para fabricação e produtos não tributáveis exportados, em razão de estes não serem tributados, é despicienda a comprovação da apuração desses créditos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 02 47 /2 01 1- 41 Fl. 917DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran,Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento eletrônico de créditos de IPI (PER/DCOMP nº 24209.44478.051109.1.1.019078, às efls. 03 a 16), transmitido em 05/11/2009, no montante originário de R$ 12.915.975,24, referente ao terceiro trimestre do ano de 2008. O pedido foi denegado pelo despacho decisório eletrônico nº 031081755, da DERAT em São Paulo, que não reconheceu a integralidade do crédito, em 04/09/2012, à efl. 17. A denegação teve fulcro no Termo de Informação Fiscal de efls. 334 a 339, que concluiu que a empresa estava pleiteando ressarcimento de crédito presumido de IPI como créditos de PIS e Cofins em relação às receitas sujeitas ao regime da cumulatividade. Dessa forma deveria o sujeito passivo apresentar memória de cálculo que possibilitasse separar a parcela do crédito que se refere ao crédito presumido do IPI vinculado às receitas sujeitas ao regime não cumulativo daquela que se refere à receita submetida ao regime cumulativo. A contribuinte não logrou apresentar memória de cálculo ou controles contábeis que permitissem concluir inequivocamente a respeito do valor do crédito presumido,por isso foram glosados os valores solicitados em ressarcimento. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 345 a 362, para que fosse anulado e refeito o despacho decisório para que se restituísse o valor pleiteado, acrescido da taxa Selic desde a data do protocolo do pedido até a do efetivo ressarcimento, em razão do óbice colocado pelo Fisco. A 4ª Turma da DRJ/SDR, em 13/11/2013, apreciou as manifestações da contribuinte, resultando o acórdão nº 1534.051, às efls. 659 a 669, considerando improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão da DRJ a contribuinte, interpôs recurso voluntário, em 23/12/2013, às efls. 762 a 784. Em síntese, o recurso trouxe as seguintes alegações, reproduzidas a partir do relatório do acórdão sobre o qual aqui se controverte, à efl. 800: 1. Preliminarmente, o recebimento dos embargos de declaração protocolados, para anular a decisão recorrida e devolver prazo para interposição de recurso voluntário; 2. No mérito, que apresentou toda a documentação necessária para apuração do direito creditório na manifestação de inconformidade, que houve erro de preenchimento do Dacon, que os arquivos txt foram entregues completos, em oposição à afirmação da fiscalização de que tais arquivos estavam incompletos; 3. Que caberia à fiscalização aprofundar a auditoria; 4. A necessária correção monetária à taxa Selic sobre os créditos pleiteados, desde o protocolo do pedido administrativo; 5. A determinação de realização de diligência, caso entendase necessário. Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 9303007.914 CSRFT3 Fl. 918 3 O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 28/07/2017, resultando no acórdão nº 3302004.637, que tem as seguintes ementas: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Cabe ao contribuinte o ônus de provar a existência e a qualidade do seu direito creditório, não cabendo transferir esse mister à atividade fiscalizatória. O princípio da verdade material implica a flexibilização do procedimento probante, mas não serve para suprimir o descuido do contribuinte em provar seu direito, em especial quando intimado na fase fiscalizatória para cumprir com este ônus. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO. O julgador formará livremente sua convicção na apreciação das provas, devendo informar na decisão os motivos que levaram ao seu convencimento, podendo determinar diligências, se for o caso. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei nº 10.276/2001, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, não estando, por conseguinte, alcançados pelo benefício, os produtos não tributados (NT), conforme entendimento pacífico consubstanciado na Súmula CARF n° 20. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Recurso especial da contribuinte Cientificada (efl. 811) do acórdão nº 3302004.637 em 09/10/2017 (efl. 817), a contribuinte interpôs recurso especial de divergência às efls. 821 a 840, em 19/10/2017 (efl. 819). O recurso especial da Procuradora estabeleceuse sobre duas matérias: a) o ônus da prova do contribuinte versus obrigação do Fisco em efetuar a análise do direito creditório; e b) a possibilidade de utilização das receitas de produtos NT no cálculo do crédito presumido de IPI da Lei 10.276/2001. No que concerne a matéria a), apresentou dois acórdãos paradigmas, de nº 3401003.754 e nº 1302002.083. O primeiro deles, para situação similar à deste processo entendeu que caberia ao Fisco a busca da verdade material e a produção de provas posteriormente ao acórdão da DRJ que informava a necessidade de mais provas, enquanto o segundo paradigma, para caso de lançamento de IRPJ, concluiu pela anulação do acórdão de primeira instância quando este não encaminhou diligência para apuração e compreensão das provas trazidas com a impugnação. No tocante à matéria b), novamente são apresentados dois arestos paradigmáticos, de nº 3402004.309 e nº 9303002.889. O primeiro paradigma afirma que beneficio do crédito presumido independe de efetiva tributação pelo IPI da entrada ou da saída dos produtos. Já o segundo trata da determinação da relação percentual entre a receita de Fl. 919DF CARF MF 4 exportação e a receita operacional bruta, para a qual incluise o valor correspondente à exportação de produtos NT. Com base nisso viu a divergência para com o recorrido que só considera possível o benefício para produtos que estejam dentro do campo de tributação pelo IPI. O Presidente da 2ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte, no despacho de efls. 898 a 901, em 04/04/2018, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento apenas em relação às duas matérias. Contrarrazões da contribuinte A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada (efl. 902) do despacho de admissibilidade do despacho de efls. 898 a 901, em 11/05/2018, e apresentou contrarrazões em 17/05/2018, às efls. 903 a 914. Em resumo, a Procuradora reafirma a posição do acórdão a quo, quanto ao ônus probatório do direito ao crédito a ser ressarcido e, quanto ao crédito presumido, afirma que a desoneração de parcela do PIS e da Cofins pretendida pela legislação visa apenas aos produtos industrializados buscando incentivar a exportação de produtos elaborados de maior valor agregado, logicamente por pessoas jurídicas submetidas à tributação pelo IPI. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e voto por conhecêlo. Mérito Da possibilidade de utilização das receitas de produtos NT no cálculo do crédito presumido de IPI da Lei 10.276/2001 Inicio a apreciação do recurso especial da contribuinte nessa matéria, considerando que a forma de cálculo adotada pela contribuinte foi aquela prevista na Lei nº 10.276/2001. O pleito da contribuinte era pelo reconhecimento de créditos presumidos sobre insumos vinculados às receitas de exportação de álcool para fins carburantes. O acórdão recorrido indicou, à efl. 807, que o álcool para fins carburantes, classificado no Ex 01 da posição 2207.10.00 da TIPI, tem notação NT, estando fora do campo de incidência do IPI. Os fundamentos legais sobre os quais a recorrente faz seu pleito são: Lei nº 9.363/1996: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 9303007.914 CSRFT3 Fl. 919 5 contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. A forma de cálculo pela qual optou a contribuinte foi a da Lei nº 10.267/2001. Lei nº 10.276/2001: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) A criação do crédito presumido ora em discussão se deu pela Medida Provisória nº 948 de 23/03/1995, convertida finalmente na Lei nº 9.363 de 13/12/1996. A Lei nº 10.276 de 10/09/2001, veio apenas a trazer forma alternativa de calcular o crédito presumido anteriormente estabelecido. Não há como ver na Lei nº 10.276/2001 a instituição do benefício. Também nesse sentido já se manifestou o Conselheiro Rodrigo Pôssas em argumentos para fundamentação de seu voto no acórdão nº 9303006.802: A Lei nº 10.276/2001, ao contrário do que alguns pensam, não criou um novo benefício,mas tãosomente: 1) Passou a admitir a inclusão na base de cálculo, além dos insumos para industrialização, no conceito da legislação do IPI (MP, PI e ME), gastos com energia elétrica, combustíveis e serviços de industrialização por encomenda; 2) Alterou a forma de cálculo. Fl. 921DF CARF MF 6 Em nada estas mudanças afetaram a“essência” do benefício, cujo objetivo é desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia produtiva (no caso, PIS/Cofins), ainda que de forma presumida (pois cada produto exportado tem uma cadeia distinta, na qual incidem as contribuições com menor ou maior reflexo no custo), para aumentar a competitividade dos produtos nacionais no mercado globalizado – ou, ao menos, buscar uma maior equiparação (diminuindo o chamado“Custo Brasil”). O que aqui se discute é justamente se a empresa faria jus ao benefício, não mais se foi correta a apuração, uma vez que o acórdão recorrido negou o próprio direito e sobre essa matéria admitiuse o recurso especial de divergência da contribuinte. Por essas razões, entendo que a análise feita em relação às mercadorias a serem exportadas são aplicáveis tanto a uma quanto a outra das citadas Leis. As condições para a existência do direito (certeza) ao crédito presumido é a mesma, pois originária da Lei nº 9.363/1996, a forma de calcular (liquidez) é distinta e escolhida pela contribuinte. Assim, no que toca a análise do direito, toda a argumentação que se use para entendêlo aplicável na dicção da Lei 9.363/1996 é válida para a Lei nº 10.267/2001. Nesse sentido, o direito ao crédito presumido com relação a exportação de produtos classificados como NT com base na Lei nº 9.363/1996 foi diversas vezes apreciado no CARF e a partir de tais questionamentos chegouse à elaboração da Súmula CARF nº 124: Súmula CARF nº 124 A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "nãotributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Logo, não se pode reconhecer o direito ao crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de ressarcimento. Ônus da prova do contribuinte versus obrigação do Fisco em efetuar a análise do direito creditório Tendo em vista a conclusão que não há crédito gerado pelas aquisições de insumo para a exportação de produtos nãotributados, fica prejudicada a questão do ônus da prova para apuração dos pretendidos créditos. Logo, despicienda a análise do recurso especial da contribuinte nessa matéria. De qualquer sorte, penso que andou bem o acórdão a quo. Entendo que o ônus probatório em casos de ressarcimento ou restituição é claramente da contribuinte, o pleito é dela, o onus probandi também o é; isto está claramente disposto no voto condutor do aresto recorrido, às efls. 801 a 804, que me furtarei de reproduzir, tendo em vista a prejudicialidade deste ponto citada no parágrafo anterior. Dessarte, nessa matéria também não há que se dar provimento ao recurso especial da contribUinte. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte para negarlhe provimento. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10880.970247/201141 Acórdão n.º 9303007.914 CSRFT3 Fl. 920 7 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 923DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722689/2013-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 26 89 /2 01 3- 11 Fl. 71DF CARF MF 2 Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 27 a 32), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 8.696,22, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 19 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Cientificada da exigência em 04/04/2013 (fl. 33), a contribuinte apresentou, em 08/04/2013, impugnação acostada à fl. 3, em que discorda da glosa efetuada, sob a alegação de que se trata de despesa própria. Por fim, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 11/11/2014, no acórdão 0364.574, às efls. 37 a 41, julgou a impugnação parcialmente procedente. Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 55 a 66, no qual alega, em resumo, que as despesas com GEAP Autogestão em Saúde podem ser deduzidas da base de cálculo do Imposto de Renda a pagar. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 05/02/2015, efls. 52, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 04/03/2015, efls. 35, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A contribuinte foi autuada pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10166.722689/201311 Acórdão n.º 2002000.628 S2C0T2 Fl. 72 3 · Radio – Radiodiagnóstico em Odontologia Ltda: R$ 196,00 · GEAP Fundação de Seguridade Social: R$ 2.986,16 A decisão da DRJ afastou a glosa da primeira dedução acima apontada, mantendo a segunda. Segue excerto da decisão: Com efeito, a Nota Fiscal de Serviços emitida por Radio Radiodiagnótico em Odontologia S/S Ltda, à fl. 5, comprova a despesa realizada, no valor de R$ 196,00, motivo pelo qual a respectiva dedução deve ser restabelecida na Declaração de Ajuste Anual. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades Fl. 73DF CARF MF 4 que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10166.722689/201311 Acórdão n.º 2002000.628 S2C0T2 Fl. 73 5 (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo Fl. 75DF CARF MF 6 “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10166.722689/201311 Acórdão n.º 2002000.628 S2C0T2 Fl. 74 7 seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Às efls. 56 resta claro que a contribuinte é a beneficiária do plano de saúde contratado. Ja às efls. 57 a 66 há os extratos de participação com o detalhamento dos serviços utilizados. Tais documentos, juntamente com os comprovantes de pagamento de efls. 06 a 19, são provas suficientes para o afastamento da glosa pela dedução da despesa médica. Diante do exposto, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
