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Numero do processo: 10469.724404/2014-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010, 2011
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-004.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 44 04 /2 01 4- 52 Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 9303004.645 CSRFT3 Fl. 1.225 2 Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3202002.910, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que as subvenções decorrentes de incentivos fiscais do ICMS, concedidos por meio do programa de incentivo e apoio ao desenvolvimento industrial oferecido pelos governos dos Estados do Ceará (PROVIN) e do Rio Grande do Norte (PROADI), não configuram como ingresso de receita, e não devem compor a base de cálculo do PIS/COFINS para fins de tributação. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Trata o presente processo de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Socia lPIS, fls. 03/69, anos calendário de 2010 e 2011, referente a Subvenções decorrentes de incentivos fiscais do ICMS, concedidos por meio de programa de incentivo e apoio ao desenvolvimento industrial oferecido pelos governos dos Estados do Ceará (PROVIN) e do Rio Grande do Norte (PROADI). O Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (PROADI) é regido pela Lei nº 7.075, de 17 de novembro de 1997, e pelo Decreto nº 13.723, de 24 de dezembro de 1997, e tem por objetivo apoiar e incrementar o desenvolvimento industrial do Estado do Rio Grande do Norte através da concessão de financiamento a empresas industriais, sob a forma de contrato de mútuo. Já o Programa Estadual de Incentivos voltados para a Promoção Industrial do Ceará teve início em 1979, tendo sido criado nesse mesmo ano o Fundo de Desenvolvimento Industrial – FDI, pela Lei nº 10.367/79, sendo regulamentado pelo Decreto 22.719 A, de 20 de agosto de l993, Decreto nº 23.113, de 18/03/94, Decreto nº 23.913, de 21/11/95 e Decreto nº 24.670, de 16/10/97, com o objetivo de promover o desenvolvimento das atividades industriais em todo o território do Estado do Ceará. Tratamento Contábil e Fiscal das Subvenções Até a edição da Lei nº 11.638/07, instituidora do Regime Tributário de Transição e Neutralidade Tributária, os valores apropriados a título de subvenção para investimento, para não serem tributados, deveriam ser Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 9303004.645 CSRFT3 Fl. 1.226 3 computados como reserva de capital, empregável, exclusivamente, para absorção de prejuízos ou para aumento do capital social da companhia. Ditos montantes não poderiam, noutras palavras, sob pena de incidência de IRPJ ou de CSLL, ser destinados a outros fins. As reservas de capital, por expressa determinação da legislação societária, só podiam ser empregadas para alguns escopos predeterminados. Mais precisamente, nos moldes do artigo 200 da Lei nº 6.404/76, tais reservas não poderiam ser utilizadas para fins outros que não os de: (a) absorção de prejuízos que ultrapassassem os lucros acumulados e as reservas de lucros; (b) resgate, reembolso ou compra de ações; (c) resgate de partes beneficiárias; (d) incorporação ao capital social e (e) pagamento de dividendos a ações preferenciais, desde que tal vantagem fosse estatutariamente assegurada a esta classe de títulos. Com a superveniência da Lei nº 11.638/07, este panorama foi um pouco alterado. Foi introduzido na Lei nº 6.404/76 o artigo 195A, responsável por determinar, de um lado, que as subvenções para investimento transitassem pela conta de resultados, e, de outro, que estes valores fossem incluídos em reserva específica para incentivos fiscais. Previuse, ainda, na forma do artigo 199 daquele diploma, que os valores em tela só poderiam ser destinados à integralização ou ao aumento do capital social ou à distribuição de dividendos, contanto que os importes reservados ultrapassassem o total do capital social. As subvenções para investimentos constituem transferência de capital, o que significa, em princípio, que não constituem lucro nem estarão disponíveis para distribuição como dividendo, eis que contabilizadas em reservas de capital, conforme disposto na Lei 6.404/76 (antes das alterações introduzidas pela Lei 11.638/07). De se notar que a Lei 11.638/07, ao tempo que revogou o dispositivo que permitia a contabilização desses recursos em conta de reserva de capital, criou, dentre as reservas de lucros, a Reserva de Incentivos Fiscais, numa demonstração clara de que as doações e subvenções governamentais para investimentos não podem ser objeto de distribuição aos acionistas. Ressalte se que, antes dessa norma, um dos requisitos para a não tributação das subvenções era exatamente a não distribuição aos sócios (ex vi do § 2º do art. 38 do Decreto lei nº 1.598/77). Nesse aspecto, nenhuma solução de continuidade. (...). Verificando os assentamentos contábeis do contribuinte, nos anos calendário de 2010 e 2011, constatamos que o procedimento adotado em relação à contabilização dos incentivos financeiros ocorreu da seguinte forma: PROADI (1º) D – 7.1.002.020.0002 ICMS (dedução de vendas) C – 6.1.005.003.0001 ICMS (PC a recolher) (2º) D – 6.1.005.003.0001 ICMS (PC a recolher) C – 7.1.002.020.0002 ICMS (dedução da receita bruta) PROVIN (1º) D – 7.1.002.021.0002 ICMS (dedução de vendas) C – Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 9303004.645 CSRFT3 Fl. 1.227 4 6.1.005.003.0001 ICMS(PC a recolher) (2º) D – 6.1.005.003.0001 ICMS (PC a recolher) C – 7.1.002.021.0002 ICMS (dedução da receita bruta) Ao adotar essa sistemática, o contribuinte reconhece o incentivo financeiro concedido no âmbito dos programas PROADI/PROVIN como uma receita operacional (redução de custos), categoria onde se insere a subvenção para custeio. Sendo assim, não constituiu a Reserva de Incentivos Fiscais, nos termos da Lei 11.941/09, e se apropriou dos recursos subvencionados, distribuindo lucros e dividendos oriundos desses valores. No entanto, aqui, há uma questão de extrema relevância a ser observada: o contribuinte é beneficiário de incentivo fiscal de redução de imposto sobre a renda (75%) calculado com base no Lucro da Exploração do empreendimento industrial. Ao reconhecer em sua contabilidade os incentivos financeiros dos Estados do Rio Grande do Norte e do Ceará como integrantes do resultado operacional submete tais recursos ao benefício da redução do imposto de renda. O Lucro da Exploração e os Incentivos Estaduais – PROADI/PROVIN Em anos anteriores, o tratamento contábil adotado pela empresa ora fiscalizada em relação aos incentivos do PROADI e PROVIN era de receita financeira. Sendo assim, em atendimento às disposições normativas, efetuava do lucro líquido a exclusão desses valores, para efeito de cálculo do Lucro da Exploração. Porém, no anocalendário de 2008, concluiu que o disposto no ADI SRF nº 22/2003 aplicavase ao seu caso. Dessa forma, procedeu à retificação das declarações, a partir do anocalendário 2002, inclusive, refazendo o lucro da exploração, no que resultou em valores substanciais, os quais já foram por ela compensados. A partir de então passou a adotar esse entendimento. No entanto, como veremos, o ADI não disciplina os efeitos fiscais da renúncia parcial (99%) do valor do principal relativo ao financiamento do ICMS concedido pelo Poder Público às pessoas jurídicas, mas apenas da renúncia dos juros e correção monetária. O recebimento do mútuo não pode ser considerado uma redução do ICMS: (i) porque gera uma obrigação de pagar, que somente será resolvida se for implementada determinada condição futura; (ii) porque não está vinculado ao pagamento do ICMS (o valor do ICMS é apenas um parâmetro para aplicação do financiamento. Tanto é assim, que, segundo o disposto no art. 7º, § 3º, da Lei 7.075/97, os recursos convertemse em receita do Tesouro do Estado); (iii) para ser compatível com a linha adotada pelo ADI SRF nº 22/2003, o valor do benefício deverá ser tratado como redução de custo (NÃO OPERACIONAL) no momento do pagamento do mútuo, na medida da redução prevista no contrato estipulado com a instituição financeira, momento em que serão gerados os reflexos no valor do imposto a ser apurado e recolhido. Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 9303004.645 CSRFT3 Fl. 1.228 5 Portanto, ao tratar os recursos do PROADI e PROVIN, consubstanciados na renúncia do valor do principal do financiamento, como dedução direta do ICMS sobre vendas (redutora da receita bruta) reconheceu esse benefício como sendo de natureza operacional, o que não condiz com a realidade. Essa conduta resultou na inclusão no cálculo do Lucro da Exploração de valores cuja natureza jurídica, conforme já salientado, é de resultado não operacional, não foi produto da venda de mercadorias por ela fabricadas, ou seja, essa receita não foi alcançada diretamente com o uso da estrutura operacional, mas oriunda de um agente externo. Por fim, e não menos importante, o fato de ter natureza operacional, se assim o fosse, o que não se aplica ao presente caso, não asseguraria sua inclusão no Lucro da Exploração, haja vista que a legislação se refere ao lucro da exploração do empreendimento e não da empresa como um todo, excluindo, portanto, tudo aquilo que não seja originado dos fatores de produção relacionados ao empreendimento incentivado. O benefício tem natureza objetiva, isto é, a redução do imposto de renda visa à atividade desenvolvida, e não a empresa. Por todos esses motivos, mesmo que custeio fosse não comporia tais recursos o Lucro da Exploração". O Acórdão recorrido, restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011 SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. INVESTIMENTOS. NATUREZA JURÍDICA. NÃO CONFIGURAÇÃO DE RECEITAS. Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, concedidos pelos Governos Estaduais às sociedades empresárias, desde que escriturados em contas de resultados, podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide Cofins apurada no regime não cumulativo sobre subvenções governamentais de investimentos, posto não configurarem receitas da pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010, 2011 SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. INVESTIMENTOS NATUREZA JURÍDICA. NÃO CONFIGURAÇÃO DE RECEITAS. Os incentivos relativos ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, concedidos pelos Governos Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 9303004.645 CSRFT3 Fl. 1.229 6 Estaduais às sociedades empresárias, desde que escriturados em contas de resultados, podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS. INCIDÊNCIA. Não incide Cofins apurada no regime não cumulativo sobre subvenções governamentais de investimentos, posto não configurarem receitas da pessoa jurídica. Recurso Voluntário Provido. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que o acórdão recorrido ao declarar indevida a incidência do PIS/COFINS, sobre os valores relativos a incentivos de ICMS, adotou entendimento divergente daquele que prevaleceu em outras Turmas desse Eg. CARF, além de incorrer em contrariedade à Lei. Quanto ao tratamento contábil e fiscal das subvenções, a Fazenda aduz que: "a fiscalização apurou que a contribuinte, nos anoscalendários de 2010 e 2011, reconheceu a subvenção estatal formulada no âmbito dos programas de incentivo PROADI/PROVIN como Receita OPERACIONAL, enquadrandoa como se tratasse de subvenção para custeio. Deixou, desse modo, de registrar a Reserva de Incentivos Fiscais (reserva de lucros), na forma imposta pela Lei 11.941/2009, a fim de excluir tais valores da incidência tributária. E, por conseguinte, deu destinação diversa daquela disposta para programas de incentivo ao desenvolvimento industrial, apropriandose dos recursos subvencionados como se receita operacional fosse e, conseqüentemente, distribuindo esses valores a título de lucros e dividendos". Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 20401.911 e 20313.200. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência jurisprudência, por meio do Despacho de Admissibilidade de fls. 1184/1190, foi dado seguimento total ao Recurso. "As razões relevantes para admissibilidade do recurso foram a seguir extraídas do citado despacho: No tocante ao ICMS, restituído por meio do contrato de mútuo, a decisão recorrida entendeu que tal ingresso configurou subvenção de investimento, razão por que não deveria integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista nas Leis de Regência da cumulatividade e da não cumulatividade. Argumentou que o PNCST nº 112, de 1978, ao acrescentar novos requisitos para a configuração de uma subvenção de investimento, inovou no ordenamento jurídico. Por conta disso, concluiu que os benefícios em questão, PROADI/PROVIN, são subvenções de investimento, não estando sujeitas à incidência das Contribuições referidas. O Acórdão indicado como paradigma n° 20401.191, em sentido oposto, entendeu que o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estadomembro, em cumprimento ao Programa PROVIN, caracterizase como subvenção para Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 9303004.645 CSRFT3 Fl. 1.230 7 custeio e deve ser registrado contabilmente como receita integrante da base de cálculo da contribuição. Na mesma linha, o Acórdão indicado como paradigma nº 20313.200, apoiandose justamente no PNCST nº 112, de 1978, defendeu que as subvenções para investimento estão sujeitas à incidência da contribuição". Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões fls. 1200/1215, pugna pela não conhecimento do Recurso da Fazenda Nacional, por entender que não houve comprovação de divergência jurisprudencial, e na hipótese do Recurso ser conhecido, seja negado provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. Compulsando os autos, verifico junto ao Acórdão da DRJ, fls. 1026/1044, a motivação e fundamentos contidos na descrição do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal. Transcrevo: "O contribuinte é beneficiário de incentivos fiscais no âmbito dos Governos dos Estados do Ceará e do Rio Grande do Norte, denominados, respectivamente, de Programa de Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (PROADI) e Programa de Incentivo ao Desenvolvimento Industrial (PROVIN). Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 9303004.645 CSRFT3 Fl. 1.231 8 Frente às definições trazidas pelo Parecer 112/78, questionase: os incentivos concedidos pelos Estados do Ceará e do Rio Grande do Norte caracterizamse como subvenção para custeio ou investimento? No nosso entendimento, e aí passaremos a expor, referidos benefícios têm a natureza de SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Tratamento Contábil e Fiscal das Subvenções 72. Até a edição da Lei nº 11.638/07, instituidora do Regime Tributário de Transição e Neutralidade Tributária, os valores apropriados a título de subvenção para investimento, para não serem tributados, deveriam ser computados como reserva de capital, empregável, exclusivamente, para absorção de prejuízos ou para aumento do capital social da companhia. Ditos montantes não poderiam, noutras palavras, sob pena de incidência de IRPJ ou de CSLL, ser destinados a outros fins. As reservas de capital, por expressa determinação da legislação societária, só podiam ser empregadas para alguns escopos predeterminados. Maisprecisamente, nos moldes do artigo 200 da Lei nº 6.404/76, tais reservas não poderiam ser utilizadas para fins outros que não os de: (a) absorção de prejuízos que ultrapassassem os lucros acumulados e as reservas de lucros; (b) resgate, reembolso ou compra de ações; (c) resgate de partes beneficiárias; (d) incorporação ao capital social e (e) pagamento de dividendos a ações preferenciais, desde que tal vantagem fosse estatutariamente assegurada a esta classe de títulos. 74. Com a superveniência da Lei nº 11.638/07, este panorama foi um pouco alterado. Foi introduzido na Lei nº 6.404/76 o artigo 195A, responsável por determinar, de um lado, que as subvenções para investimento transitassem pela conta de resultados, e, de outro, que estes valores fossem incluídos em reserva específica para incentivos fiscais. Previuse, ainda, na forma do artigo 199 daquele diploma, que os valores em tela só poderiam ser destinados à integralização ou ao aumento do capital social ou à distribuição de dividendos, contanto que os importes reservados ultrapassassem o total do capital social. 75. Não é difícil notar, nesses termos, que o tratamento contábil das subvenções para investimento era – e ainda é – rígido, sob pena de incidência do IRPJ e da CSLL. Em outras palavras, os recursos subvencionados, para que não sejam tributados, devem ser mantidas em reservas de capital ou de lucros, conforme o período de apropriação, e só podem ser utilizadas nos estritos lindes da lei. ... 77. As subvenções para investimentos constituem transferência de capital, o que significa, em princípio, que não constituem lucro nem estarão disponíveis para distribuição como dividendo, eis que contabilizadas em reservas de capital, conforme disposto na Lei 6.404/76 (antes das alterações introduzidas pela Lei 11.638/07). 81. De se notar que a Lei 11.638/07, ao tempo que revogou o dispositivo que permitia a contabilização desses recursos em conta de reserva de capital, criou, dentre as reservas de lucros, a Reserva de Incentivos Fiscais, numa Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 9303004.645 CSRFT3 Fl. 1.232 9 demonstração clara de que as doações e subvenções governamentais para investimentos não podem ser objeto de distribuição aos acionistas. Ressalte se que, antes dessa norma, um dos requisitos para a não tributação das subvenções era exatamente a não distribuição aos sócios (ex vi do §2º do art. 38 do Decretolei nº 1.598/77). Nesse aspecto, nenhuma solução de continuidade. (...). ... 86. Assim, como condição para a não tributação, as pessoas jurídicas que obtiverem subvenções para investimento do Poder Público deveriam creditá las à reserva de capital. Com a revogação da alínea d do §1º do art. 182 da Lei 6.404/76, as subvenções governamentais não podem ser creditadas diretamente ao patrimônio líquido. Serão reconhecidas como receita ao longo do período necessário para confrontar com as despesas que a subvenção pretende compensar. 87. A par das modificações perpetradas pela Lei 11.638/2007, foi editada a Medida Provisória nº 449/2008, instituindo um regime transitório de tributação (RTT), até a regulamentação pela legislação fiscal das alterações promovidas pela lei contábil. Mas, no que tange às subvenções para investimentos, a própria MP tratou de estabelecer a disciplina fiscal. Expostos os fatos e sua interpretação, a fiscalização constrói o lançamento a partir da definição das bases de cálculo das contribuições estabelecidas pelas leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Avança a autoridade fiscal para avaliar o tratamento dado pela contribuinte às subvenções recebidas de unidades da federação a partir do disposto no art. 18 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Nesse passo, diz a autoridade autuante que não tendo o contribuinte observado os requisitos estatuídos no art. 18 da Lei 11.941/09, acima transcrito, tornase, evidentemente, tributável o valor das subvenções para investimentos, haja vista a natureza privada (apropriação e disponibilização dos recursos públicos aos acionistas) com que foram tratadas. Continuando sua análise, a fiscalização passa a considerar as receitas integrantes da base de cálculo e as possíveis exclusões, concluindo que: As receitas que não integram a base de cálculo são unicamente as definidas pelas leis acima. E a receita referente à Subvenção governamental ora tratada não se encontra entre as especificadas na norma de regência dessas Contribuições. E mesmo que constasse (a MP nº 627/13, incluiu incisos a esses artigos, dentre eles o inciso X, o qual trata da subvenção para investimentos), pelo fato do contribuinte não observar os requisitos para não tributação (constituição de reserva etc.), conforme já mencionado, sujeitar seia tal valor à incidência das contribuições. Arremata: Portanto, os valores registrados nos anoscalendário de 2010 e 2011 a crédito das contas 7.1.002.020.0010 (jan a out/2010) e 3.1.02.15 ICMS Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 9303004.645 CSRFT3 Fl. 1.233 10 INCENTIVOS FISCAIS (a partir de nov/2010), em relação ao PROADI, 7.1.002.021.0010 (jan a out/2010) e 3.1.02.15 ICMS INCENTIVOS FISCAIS, em relação ao PROVIN". Neste sentido, o lançamento foi efetuado com fundamento de que os incentivos concedidos pelos Estados do Ceará e do Rio Grande do Norte caracterizamse como subvenção de investimento, e que , ao tratar os recursos do PROADI e PROVIN: "consubstanciados na renúncia do valor do principal do financiamento, como dedução direta do ICMS sobre vendas (redutora da receita bruta) reconheceu esse benefício como sendo de natureza operacional, o que não condiz com a realidade. Essa conduta resultou na inclusão no cálculo do Lucro da Exploração de valores cuja natureza jurídica, é de resultado não operacional, não foi produto da venda de mercadorias por ela fabricadas, ou seja, essa receita não foi alcançada diretamente com o uso da estrutura operacional, mas oriunda de um agente externo". Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário mereceu provimento sob o fundamento de que: "O que há, de fato, são opções fiscais (tax options) para o Contribuinte que gozar de subvenções de investimento. A ele é dada, alternativamente, I) a liberdade de escriturar os valores recebidos em conta de reserva de capital, aproveitando o regime previsto no Decreto 1.598/77, excluindo da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores recebidos; ou II) escriturar esse montante em conta de resultado, subsumindose ao regime jurídico da lei 11.941/09, que permite a exclusão dos valores da base de cálculo do PIS e da Cofins. Em síntese, as subvenções de investimento analisadas neste caso podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições desde que escrituradas em conta de resultado, o que se deu no caso concreto". Com efeito, observo que, a decisão indicada como paradigma, acórdão nº 20401.911, analisou tão somente a questão relativa a exigência de PIS cumulativo, referente aos períodos de 1999 a 2001. Acórdão paradigma 20401.911: Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. VALORES DE INCENTIVOS FISCAIS CONCEDIDOS PELO GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ. O valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado do Ceará, em cumprimento ao Programa PROVIN, caracterizase como subvenção para custeio e deve ser registrado contabilmente como receita integrante da base de cálculo da contribuição. Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 9303004.645 CSRFT3 Fl. 1.234 11 Como se vê, as decisões paragonadas laboram a partir de legislações distintas: o Acórdão Recorrido, deu provimento ao apelo voluntário com fundamento nas leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, que instituíram a incidência não cumulativa do PIS e da COFINS, respectivamente, definiram as bases de cálculo das referidas contribuições, como sendo receita bruta da venda de bens e serviços e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, o acórdão paradigma, trata de um sujeito passivo que esta no regime cumulativo do PIS/COFINS, têm por base de cálculo o faturamento, cujo conceito já está consolidado pelo STF no sentido de compreender apenas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços. Desse modo, as subvenções não se consubstanciam em entradas financeiras decorrentes da venda de mercadorias ou serviços, logo, esses benefícios concedidos não integram a base de cálculo do PIS/COFINS na sistemática cumulativa. Neste passo, o acórdão indicado como paradigma não se presta a comprovar divergência jurisprudencial, tratase de regimes jurídicos distintos do PIS e da COFINS, (cumulatividade e não cumulatividade) o acórdão recorrido versa sobre fatos geradores ocorridos em 2010 e 2011, normas posteriores, não há como comprovar dissenso jurisprudencial. Para dirimir qualquer dúvida, resta impossível se comprovar qualquer divergência, quanto a natureza e características das subvenções, consta no Termo de Verificação Fiscal que as subvenções para investimento tem como objetivo transferir o capital, e deveriam transitar pela conta de resultados, bem como ser incluídas em reserva de incentivos fiscais, obedecendo ainda, os requisitos da lei nº 11.941/09. Neste mesmo sentido, a Acórdão recorrido interpretou e fundamentou sua decisão escorado na mesma lei. Já o acórdão paradigma, voto vencedor da lavra do Ilustre Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, fundamenta que o correto enquadramento contábil das subvenções e, por decorrência, à incidência da Cofins pode ser encontrado na norma legal que tratava dos lançamentos contábeis para efeito de exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, antes da edição da Lei n° 6404/76 (Lei das SA), ou seja, a Lei n°4.506/64. Com efeito, é nítida a inexistência de divergência jurisprudencial, até porque, os paradigmas acostados pela Fazenda Nacional versão sobre normas anteriores á aplicada no acórdão recorrido, e ainda, tratam apenas do PIS e do Benefício (PROVIN) enquanto, o acórdão recorrido contempla a COFINS e trata dos benefícios PROADI e PROVIN. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” No que diz respeito ao Acórdão paradigma n° 20313.200, o lançamento foi efetuado para exigência do PIS, referente aos períodos de apuração de 31/01/1999 a Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 9303004.645 CSRFT3 Fl. 1.235 12 30/06/2002, 31/08/2002 a 30/11/2002 e 31/12/2002 a 31/12/2003, na forma híbrida de tributação, regime cumulativo e não cumulativo das referidas contribuições. Vejamos: Período de apuração: 31/01/1999 a 30/09/1999 DECADÊNCIA PIS/PASEP Nos termos da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal, de 20/06/2008, é inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991_ Assim, a regra que define o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários do PIS/Pasep é a do § 40 do artigo 150 do Código Tributário Nacional, ou seja, cinco anos a contar da data do fato gerador. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA . BASE DE CÁLCULO RECEITAS FINANCEIRAS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS RECEITA BRUTA A diminuição de uma obrigação, originada pelo fortalecimento da moeda nacional, em detrimento da moeda estrangeira à qual está indexada tal passivo, deve ser registrada na contabilidade mediante o débito na conta das obrigações e, como contrapartida, o crédito em conta de receitas, não se admitindo que sejam creditadas contas de despesas ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P1S/PASEP Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2003 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BASE DE, CÁLCULO. INCENTIVOS FISCAIS. PROADI PROV1N SUBVENÇÕES fj. PARA INVESTIMENTO . REGIME DE COMPETÊNCIA. Nos termos do Parecer Normativo CST n 0 112, de 1979, subvenções para custeio e para investimento são contabilizadas,/ credito de receitas, operacionais e não operacionais, respectivamente se observai, ainda, o regime de competência para o reconhecimento de tais receitas, ou seja, mensalmente à medida que for sendo usufruído o incentivo, mediante a dedução do ICMS a recolher. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA BASE DE CÁLCULO OUTRAS RECEITAS Conforme o artigo 1" da Lei n" 10637, de 2002, a contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Relatório Tratase de Auto de Infração cientificado pessoalmente à autuada em 29/10/2004, lavrado para a constituição de crédito tributário do PIS/Pasep, na sua incidência cumulativa, relativo aos periodos de apuração de Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 9303004.645 CSRFT3 Fl. 1.236 13 31/01/1999 a 30/06/2002, e 31/08/2002 a 30/11/2002, e na sua incidência não cumulativa, relativo aos períodos de apuração de 31/12/2002 a 31/12/2003, no montante cle RS; 18.781 800.21, nele incluídos juros de mora e a multa de oficio de 75% De acordo com o auto de infração, as diferenças apuradas nas bases de cálculo da contribuição se deveram, para ambos os regimes, à não inclusão de: a) parcelas do ICMS — Substituição Tributária (Protocolo ICMS n° 46/2000, cf autorização do Ato Declaratório Interpretativo SRF n" 19/2004, e Norma de Execução ri 03/2004 do Secretário da Fazenda do Estado do Ceará; b) de variações monetárias ativas conespondentes a ganhos registrados por conta da diminuição de divida indexada em moeda estrangeira; c) subvenções auferidas a título de incentivo fiscal dos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte (Provin e Proadi); e d) outras receitas. Como se observa, a motivação do lançamento do Auto de Infração do Acórdão paradigma, firmase no sentido de que: "diferenças apuradas nas bases de cálculo da contribuição se deveram, para ambos os regimes, à não inclusão de: a) parcelas do ICMS — Substituição Tributária (Protocolo ICMS n° 46/2000, cf autorização do Ato Declaratório Interpretativo SRF n" 19/2004, e Norma de Execução ri 03/2004 do Secretário da Fazenda do Estado do Ceará; b) de variações monetárias ativas correspondentes a ganhos registrados por conta da diminuição de divida indexada em moeda estrangeira; c) subvenções auferidas a título de incentivo fiscal dos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte (Provin e Proadi); e d) outras receitas". 11 1 4 discussão judicial 41 Ao lavrar o presente 411 114 (sie), a autoridade fiscal incluiu valores na base de cálculo do PIS que a impugnante identificouos como possivelmente discutidos em ações judiciais ainda em cuoso Não se pode afirmar com com toda a certeza se que valores fazem referência a estas ações, uma vez que este descritivo não foi apresentado Estão elas às lis 523/594 e lis 597/781, e, segundo o relato feito pela Recorrente no documento de lis. 520/522, que acostou ao Recurso Voluntário em 25/04/2007, versam sobre: a) Mandado de Segurança n° 99.00099079, com trânsito em julgado em 13/03/2006, por meio do R.E n° 409594, no qual foi reconhecida pelo STF a inconstitucionalidade da inclusão na base de cálculo do P1S/Pasep de quaisquer outras receitas que não exclusivamente as decorrentes do faturamento da venda de produtos e serviços; e Mandado de Segurança n" 98 00235213, com trânsito .em julgado em 15/09/2006, por meio do RE n 4841 79, no qual foi reconhecido pelo ST1 a ilegalidade da exigência da inclusão do ICMS Substituição Tributária nas operações de aquisição de mercadorias (trigo e derivados) na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins O item "b" acima referenciado será tratado mais adiante, mas, observem, meus caros pares, que a ação judicial que a autuada estava a se referir quando clamara pelo não reconhecimento da concomitância, descrita na letra "a" acima, versa justamente sobre as mesmas matérias do auto de Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 9303004.645 CSRFT3 Fl. 1.237 14 infração, qual seja, a conhecida tese do "alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins" Ou seja, exceção feita às "três" matérias tributárias esmiuçadas pelo AuditorFiscal no auto de infração, para as quais, embora estejam também diretamente relacionadas com a tese do alargamento da base de cálculo, visto que, efetivamente, não são receitas decorrentes do conceito de faturamento reconhecido pelo Poder Judiciário, mas que envolvem outras discussões sobre a forma de apropriação, as outras, ou seja, as rubricas Outras Receitas Operacionais, correções Monetárias Ativas, Rendimentos de Aplicações Financeiras, Receitas Financeiras Diversas e Receitas de Variações Cambiais, foram atingidas em cheio pela decisão judicial, o que configura, sim, a concomitância de objeto Após as considerações acima, há que se enfrentar o mérito das matérias que merecem ser conhecidas, quais sejam, as constantes do item 11 002" do auto de infração, que tratou do regime da não cumulatividade, portanto, compreendendo os períodos posteriores a novembro de 2002 e sob a égide da Lei n" 10 637, de 2002, perfeitamente identificadas na leitura que faz do auto de infração combinada com os quadros demonstrativos elaborados pelo AuditorFiscal, a saber: 1) Variações cambiais ativas que, por se referirem aos efeitos da oscilação da moeda estrangeira em exigibilidades, provocaram redução da dívida, ou um ganho; 2) Incentivos Fiscais do Provi]] e do Proadi, contabilizados pela empresa como Reservas de Capital, mas consideradas pelo Fisco como receitas sujeitas à incidência da contribuição; 3) Outras Receitas, representadas pelas rubricas contábeis: Outras Receitas Operacionais, Variações Monetárias Ativas, Rendimentos de Aplicações Financeiras, Variações Monetárias Diversas, e Receitas Financeiras Diversas; e 4) Recolhimentos efetuados posteriormente ao início dos trabalhos de fiscalização. Fragmentos do voto paradigma: Para o Fisco, tratase de subvenção concedida correspondente à parte do 1CMS devido pela empresa, sob condição resolutiva, para que tais recursos sejam aplicados no seu capital de giro, conforme, informa, estaria estipulado nas cláusulas do contrato Explica que a empresa recebe o equivalente a 50% 4 e a 75%5 do valor financiado do ICMS, sob a única condição de que tal valor seja pago na data aprazada para o vencimento, o que configuraria as hipóteses dos artigos 116, II e 117, 11, do Código Tributário Nacional, ou seja, a empresa deveria reconhecer tais "ganhos" decorrentes da subvenção por ocasião do financiamento do ICMS e não somente por ocasião da quitação do mesmo, conforme vem procedendo a empresa, e, ainda assim, a crédito de uma conta de Reserva de Capital e não de uma conta de receitas. Da mesma forma, a DRJ, massima venia, analisou o caso levando em conta apenas o teor dos contratos e sob o ponto de vista teórico, já que sua decisão se baseia praticamente no entendimento firmado pela antiga Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal por meio do Parecer Normativo nn 112, de 1979, quanto ao tratamento fiscal a ser dado às subvenções, o qual aqui não se contesta Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 9303004.645 CSRFT3 Fl. 1.238 15 De minha parte, socorrome das considerações especificas sobre o tema "subvenções" contidas no Parecer Normativo CST nº 112, de 1979. Mas, de qualquer modo, o referido Parecer define que as subvenções, sejam elas para custeio ou para investimento, devem compor o resultado da empresa, operacional (custeio) e não operacional (investimentos), o que nos leva a concluir que, invariavelmente, sua contabilização se dá a crédito da conta de receitas. Feitas tais considerações, e levando em conta que o artigo 1 0 da Lei n° 10.637, de 2002, estabelece que o fato gerador da contribuição devida ao PIS/Pasep é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, voto pela manutenção da incidência sobre as receitas decorrentes de subvenções para investimento Verificase que o acórdão recorrido utilizou como fundamento para a incidência do PIS/COFINS, sobre as subvenções, o seguinte: Feitas tais considerações, e levando em conta que o artigo 1º da Lei n° 10.637, de 2002, estabelece que o fato gerador da contribuição devida ao PIS/Pasep é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, voto pela manutenção da incidência sobre as receitas decorrentes de subvenções para investimento. De minha parte, socorrome das considerações especificas sobre o tema "subvenções" contidas no Parecer Normativo CST n" 112, de 1979. Mas, de qualquer modo, o referido Parecer define que as subvenções, sejam elas para custeio ou para investimento, devem compor o resultado da empresa, operacional (custeio) e não operacional (investimentos), o que nos leva a concluir que, invariavelmente, sua contabilização se dá a crédito da conta de receitas". Nada obstante, consta na descrição dos fatos que integra o Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal do Acórdão recorrido, o seguinte: Até a edição da Lei nº 11.638/07, instituidora do Regime Tributário de Transição e Neutralidade Tributária, os valores apropriados a título de subvenção para investimento, para não serem tributados, deveriam ser computados como reserva de capital, empregável, exclusivamente, para absorção de prejuízos ou para aumento do capital social da companhia. Ditos montantes não poderiam, noutras palavras, sob pena de incidência de IRPJ ou de CSLL, ser destinados a outros fins. A par das modificações perpetradas pela Lei 11.638/2007, foi editada a Medida Provisória nº 449/2008, instituindo um regime transitório de tributação (RTT), até a regulamentação pela legislação fiscal das Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 10469.724404/201452 Acórdão n.º 9303004.645 CSRFT3 Fl. 1.239 16 alterações promovidas pela lei contábil. Mas, no que tange às subvenções para investimentos, a própria MP tratou de estabelecer a disciplina fiscal. Avança a autoridade fiscal para avaliar o tratamento dado pela contribuinte às subvenções recebidas de unidades da federação a partir do disposto no art. 18 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Nesse passo, diz a autoridade autuante que: não tendo o contribuinte observado os requisitos estatuídos no art. 18 da Lei 11.941/09, acima transcrito, tornase, evidentemente, tributável o valor das subvenções para investimentos, haja vista a natureza privada (apropriação e disponibilização dos recursos públicos aos acionistas) com que foram tratadas. fls1033. Deste modo, o acórdão paradigma utiliza como fundamento para justificar a incidência do PIS/COFINS, o artigo 1º da lei nº 10.637/2002 e Parecer CST nº 112/1979, por outro lado, o acórdão recorrido fundamenta pela não incidência do PIS/COFINS o artigo 21 da lei n°11.941/09. Com efeito, é nítida a inexistência de divergência jurisprudencial, até porque, o paradigma acostado pela Fazenda Nacional versa sobre normas anteriores á aplicada no acórdão recorrido, e ainda, não trata dos efeitos e do enquadramento contábil contidas na lei nº 11.941/09. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de não conhecer o Recurso interposto pela Fazenda Nacional, em razão de não ter sido comprovada divergência, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016. É como voto é como penso. Demes Brito Fl. 1239DF CARF MF
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Numero do processo: 36032.000280/2006-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 - CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR - INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF
Não houve, no âmbito do RE 363.852/MG, apreciação dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei no. 8.212, de 2001. O fato de constar no resultado do julgamento inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97 não respalda a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, uma vez considerada a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. A Lei no. 10.256, de 2001, conferiu legitimidade à cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física. Ainda, a sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda que se adotasse a argumentação de declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV.
As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário no. 363.852, não existindo questionamento acerca da legitimidade de sua cobrança.
Numero da decisão: 9202-005.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para rejeitar a alegação de inconstitucionalidade, a partir da vigência da Lei n° 10.256, de 2001, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBRROGAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF Não houve, no âmbito do RE 363.852/MG, apreciação dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei no. 8.212, de 2001. O fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não respalda a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, uma vez considerada a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. A Lei no. 10.256, de 2001, conferiu legitimidade à cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física. Ainda, a sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 03 2. 00 02 80 /2 00 6- 20 Fl. 545DF CARF MF 2 que se adotasse a argumentação de declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV. As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário no. 363.852, não existindo questionamento acerca da legitimidade de sua cobrança. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para rejeitar a alegação de inconstitucionalidade, a partir da vigência da Lei n° 10.256, de 2001, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2403001.457, prolatado pela 3a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 21 de junho de 2012 (efls. 475 a 484). Ali, por unanimidade de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/09/2004 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) Fl. 546DF CARF MF Processo nº 36032.000280/200620 Acórdão n.º 9202005.132 CSRFT2 Fl. 546 3 anos, nos termos do art. 150, §4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. INCONSTITUCIONALIDADE DA SUBROGAÇÃO. Diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei n. 8.212/91, no RE n. 363.852/MG, não há que se falar em subrogação da contribuição. INCONSTITUCIONALIDADE DO FUNRURAL. Diante da declaração de inconstitucionalidade dos arts. 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV da Lei n. 8.212/91, no julgamento do RE n. 363.852/MG, não há que se falar em contribuição para o FUNRURAL. Recurso Voluntário Provido Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Enviados os autos à PGFN, para fins de ciência do Acórdão, em 12/09/2012 (efl. 485), esta apresentou, em 26/10/2012 (efl. 503), Recurso Especial (efls. 486 a 498), com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 2a. Turma Ordinária da 4a. Câmara deste CARF, através do Acórdão 2402001.724, prolatado em 11 de maio de 2011, e, ainda, em relação ao decidido pela 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara deste CARF, através do Acórdão 2302001.599, prolatado em 19 de janeiro de 2012, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 2402001.724 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE RECEITA BRUTA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. SUBROGAÇÃO. Na qualidade de responsável tributário na condição de sub rogado, a empresa é obrigada a recolher as contribuições decorrentes da receita bruta de comercialização da produção rural em que foram retidas e não recolhidas à Previdência Social. RECEITA AUFERIDA PELO PRODUTOR RURAL ANTES DA EXPORTAÇÃO REALIZADA PELA COOPERATIVA. Sem condição suspensiva, a subsunção do fato à norma de tributação é definitiva, sendo irrelevante para a relação jurídicotributária ocorrida a existência de fato superveniente alcançado pela imunidade constitucional. Fl. 547DF CARF MF 4 CONTESTAÇÃO JUDICIAL DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PREVIDENCIÁRIA. DIREITO Á COMPENSAÇÃO. NÃO PERMITIDO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a arguição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.Decisão: JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado n° 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado. Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acórdão 2302001.599 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 02/02/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art.12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da Fl. 548DF CARF MF Processo nº 36032.000280/200620 Acórdão n.º 9202005.132 CSRFT2 Fl. 547 5 sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº10.256/2001. GFIP. COOPERATIVA. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA.COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, na condição de subrogadas nas obrigações do produtor rural pessoa física e do segurado especial, são responsáveis pelo recolhimento das contribuições a que se refere o art. 25 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei nº10.256/2001, e são responsáveis também pela informação em GFIP/SEFIP da receita da comercialização da produção no campo Comercialização da Produção PessoaFísica. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. CONSTITUCIONALIDADE. São devidas à Seguridade Social as contribuições sociais destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, na forma estabelecida no art. 22, II da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. IMUNIDADE. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. A imunidade prevista no §2º do art. 149 da CF/88, relativa às receitas oriundas de operações de exportação, direcionase apenas às chamadas exportações diretas, situação em a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos sócios na Relação de Corresponsáveis CORESP não tem o condão de inserilos no polo passivo da relação jurídica tributária. Prestase apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32ADA LEI Nº 8212/91.RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91.Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN,sempre que a norma posterior cominar ao infrator Fl. 549DF CARF MF 6 penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. DIREITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação eregese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por maioria de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II da Lei nº 8.212/91, que na conversão à Lei nº 11.941/2009, foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212/91. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que votou pela procedência total do recurso. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda: a) o fundamento legal que lastreou o lançamento não foi objeto de declaração de inconstitucionalidade. Nos presentes autos, o lançamento foi efetuado com lastro na Lei n° 10.256, de 9 de julho de 2001 (DOU de 10/07/2001). Contudo, enquanto na decisão hostilizada concluiuse pela sua inconstitucionalidade, nos acórdãos paradigmas refutouse tal argumentação, mantendose o lançamento; b) Quanto ao RE 363.852/MG, é possível depreender como determinante à conclusão da Corte Constitucional, no que interessa à presente lide, a necessidade de lei complementar para instituição da contribuição sob análise, à luz do art. 195, §4°, da Constituição. Nesse contexto, o posicionamento da Corte referiuse ao entendimento de que a exigência de lei complementar decorreria do art. 195, §4°, da Constituição (na sua redação original, antes do advento da EC no 20, de 1998), uma vez que a base econômica sobre a qual incide a contribuição não estaria prevista na Constituição na data de sua instituição pela Lei n° 8.540, de 22 de dezembro de 1992. Sendo assim, por se tratar de exercício da competência tributária residual da União, imprescindível a utilização de lei complementar para instituição da contribuição previdenciária. Aduziuse que o texto constitucional, até a edição da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, não previa a receita como base tributável, existindo tão somente a alusão ao faturamento, lucro e folha de salários no inciso I do art. 195. Portanto, como a Lei n° 8.540, de 1992, alterando o disposto no art. 25 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, fixou a base de cálculo da contribuição como sendo a "receita bruta proveniente da comercialização" da produção rural, teria havido afronta ao texto constitucional, "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20, de 1998, venha a instituir a contribuição". Ressalta, assim, que, ali, a Suprema Corte se debruçou sobre a contribuição previdenciária a cargo do produtor rural pessoa física com empregados (Lei 8.212, de 1991, art. 12, V, letra "a"), incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção (art. 25, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991 redação dada pelas Leis n° 8.540, de 1992 e 9.528, de 10 de dezembro de 1997).; c) Assim, apenas foi abordado no julgamento a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991 conferida pela Lei n° 8.540, de 1992 e 9.528, de 1997. Noutros termos, a Lei n° 8.540, editada em 1992, e a Lei n° 9.528, de 1997, alteraram o Fl. 550DF CARF MF Processo nº 36032.000280/200620 Acórdão n.º 9202005.132 CSRFT2 Fl. 548 7 artigo 25 da Lei n° 8.212, de 1991. Modificouse a contribuição devida pelo empregador rural pessoa física, substituindo as contribuições incidentes sobre a folha de pagamento por aquela incidente sobre a comercialização da produção rural. Apenas esse arcabouço, assim, foi objeto da decisão proferida no RE n° 363.852/MG, fundamento da decisão ora recorrida, tendo decidido o Supremo Tribunal Federal pela sua inconstitucionalidade. Ocorre que a Suprema Corte não se pronunciou sobre a atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91 a qual, hodiernamente, dá suporte para a cobrança da contribuição. Portanto, atualmente, a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é recolhida com base na redação do art. 25 da Lei n° 8.212 conferida pela Lei n° 10.256, de 2001 cuja constitucionalidade não foi apreciada pelo STF; d) A declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF abrangeu tão somente a contribuição incidente sobre a comercialização da produção do produtor rural pessoa física empregador, pois, conforme explicitado, essa foi a causa de pedir do mandando de segurança n.° 1998.38.00.0339353, gênese do RE n.° 363.852/MG. Nesse sentido, interpreta se que a declaração de inconstitucionalidade do art. 25 da Lei n.° 8.212/91 foi apenas parcial, nada afetando a contribuição do segurado especial, a qual tem previsão constitucional no art. 195, §8° da CF. Em termos claros: a decisão proferida pelo STF só abrange o produtor rural empregador. Notese que a redação original do art. 25 da Lei n.° 8.212, de 1991 contemplava apenas a contribuição do segurado especial, prevendo a alíquota de 3% sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. A Lei n.° 8.540, de 1992, além de acrescentar ao dispositivo a contribuição do empregador rural pessoa física (caput do art. 25), reduziu a alíquota de contribuição do segurado especial de 3% para 2% (inciso I) e instituiu a contribuição de 0,1% para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho (inciso II). e) Nos termos do RE n° 363.852/MG, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC n° 20 de 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física, em nada afetando o segurado especial. Com a edição da Lei n° 10.256, no ano de 2001, sanouse o referido vício, já tendo sido este último diploma considerado constitucional, consoante jurisprudência emanada dos Tribunais Regionais Federais da 3a., 4a. e 5a. Regiões, anexada aos autos; f) Como é possível perceber da leitura do citado acórdão proferido pela Suprema Corte, a subrogação em si mesma considerada, prevista no art. 30, IV da Lei no. 8.212, de 1991, não foi declarada inconstitucional. O referido dispositivo continua tendo utilidade prática em relação aos tributos recolhidos pelos segurados especiais e dos empregadores rurais depois da edição da Lei no. 10.256, de 2001, que adequou a técnica de tributação à nova redação constitucional; g) No RE no. 363.852/MG, o Supremo Tribunal não estava processualmente autorizado a analisar a manutenção ou não da vigência das Leis no. 8.540, de 1992 e 9.528, de 1997 sob a égide (após) da Emenda Constitucional n°. 20, de 1998, porque o objeto processual analisado no recurso extraordinário era apenas a invalidação das relações jurídicas tributárias inter partes e a declaração apenas incidental de invalidade das normas jurídicas tributárias impugnadas perante o texto originário. A Corte, no referido RE 363.852/MG, também não examinou o art. 25 com a redação dada pelas leis ordinárias posteriores à Emenda Constitucional n° 20, de 1998, porque estas também não integravam o objeto processual delimitado na petição inicial, dentre as quais se insere a Lei no 10.256, de 2001, que Fl. 551DF CARF MF 8 fundamentou o lançamento. Logo, invocado o art. 62, inciso I, do RICARF, era e é nesses precisos limites nos quais deveria gizarse o julgado ora hostilizado; h) Não superada a divergência jurídica na seara judicial, uma vez que a União vem defendendo a possibilidade e a constitucionalidade do instituto da subrogação diante do advento da Lei n° 10.256, de 2001, mesmo após o RE n° 363.852/MG, o que, inclusive, já foi acatado por diversos órgãos julgadores do Poder Judiciário, como é o caso do TRF's da 3a., 4a. e 5a. Regiões, não poderia o Colegiado valerse do disposto no RICARF para estender a declaração de inconstitucionalidade nos termos do acórdão recorrido; Requer, assim, o conhecimento do Recurso e seu provimento para reformar o acórdão recorrido e, conseqüentemente, restabelecer a decisão de primeira instância, mantendose a integralidade do lançamento. O recurso foi admitido, consoante despachos de efls. 505 a 508. Encaminhados os autos ao autuado para fins de ciência, ocorrida em 20/08/13 (efl. 543), o contribuinte apresentou, em 02/09/2013 (efl. 511), contrarrazões de efls. 511 a 536, onde, em breve síntese: a) Entende que vem provando que, na situação sob análise (Aquisição de animais reprodutores), não há nenhuma incidência tributária. Não é caso de subrogação. Os animais adquiridos destinaramse ao aprimoramento do rebanho, cria, engorda e recria, conforme Notas Fiscais juntadas, que comprovaram que foram adquiridos garrotes e bezerros, bem como conforme Certificados de Registro genealógicos anexados aos autos. Não houve nenhuma transformação dos reprodutores e matrizes e muito menos dos garrotes. Como demonstram as Notas Fiscais de Compra, os animais não restaram adquiridos de Produtor Rural Pessoa Física, mas de empresas; b) Alega que a Fiscalização andou dissociada da verdade tributária, visto que inadmissível a teoria de que reprodutores e matrizes bovinos tem idêntica destinação, por exemplo de: gado para corte, cereais, leguminosas, grãos em geral e outros produtos que são plantados ou criados pelo Produtor Rural e destinamse ao consumo imediato ou transformação industrial Na verdade, segue a contribuinte, não existe lei tributária que estipule a exigência ao adquirente de matrizes e reprodutores, cria engorda e recria, seja essa direta ou mesmo por sub rogação. Entende se estar diante da exceção contida no art. 200, §6o., inciso III do Decreto no. 3.048, de 1999. Anexa jurisprudência que suportaria tal alegação. c) Alega que todas as Notas Fiscais apresentadas pela requerente, por ocasião do recebimento da carta n° 02/2007, foram desprezadas. A própria autoridade julgadora de 1a. instância informou que a requerente apresentou cinco notas fiscais relacionadas aos lançamentos contábeis, parecendo que houve confusão por parte daquela autoridade ao manter os lançamentos. Pugna, então, pela exclusão dos lançamentos referente as notas fiscais de Produtor, as quais novamente se invocam, quais sejam as emitidas pela Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso de no.: 570541, 642769, 570568 e 3923238. d) Alega, ainda, que a jurisprudência apresentada no seio do Recurso Especial, se volta para produtos rurais, com natureza e destinação diversa da presente. Assim, não bastaria à Fazenda Nacional recorrente trazer jurisprudência, sendo imperioso que esta guarde conformidade e que possa ser objeto de analogia. Entende, quanto aos paradigmas, que são casos e hipótese distintos, díspares. A Recorrida adquiriu os bovinos, para reprodução, cria, recria e engorda. Somente na eventual venda desses bovinos, em especial os destinados à cria, recria e engorda que no final do ciclo eventualmente são vendidos para frigoríficos e abatedores, é que haveria em tese a incidência da contribuição social; Fl. 552DF CARF MF Processo nº 36032.000280/200620 Acórdão n.º 9202005.132 CSRFT2 Fl. 549 9 e) Cita, ainda, excertos de manuais da Receita Federal que mencionam a reprodução, cria e engorda, bem como faz digressão acerca da metodologia de escrituração contábil da atividade de criação de gado; f) Alega a existência de vício na fiscalização, por suposta deficiência investigativa. Assim, requer a improcedência das peças que ensejaram a NFLD 35.825.249 0. É o relatório. Fl. 553DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, bem como a caracterização de divergência interpretativa, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, assim, dele conheço. Quanto à argumentação de dissimilitude fática dos paradigmas, levantada pelo contribuinte em sede de contrarrazões, faço notar restar, em meu entendimento, perfeitamente caracterizada a existência de divergência interpretativa, uma vez que: a) O Colegiado recorrido entendeu que, para os fatos geradores ainda não abrangidos pela decadência, na forma acima delineada, independentemente de ou de se estar ou não diante da situação prevista no art. 200, §6o., III, do Decreto no. 3.048, de 1999, não teria ocorrido o fato gerador da exação, visto que sua hipótese de incidência foi considerada inconstitucional; b) Já o Colegiado paradigmático rejeita tal inconstitucionalidade da norma, para boa parte dos períodos em litígio (já sob a égide da Lei no. 10.256, de 2001), fazendo com que só se pudesse chegar à conclusão de eventual inocorrência do fato gerador para tais competências através de subsequente análise de mérito (envolvendo, por exemplo, notas fiscais apresentadas). Assim, mesmo que se atingisse um mesmo resultado final no teste de aderência ao se transmudar a presente situação fática ao Colegiado paradigmático, tal resultado decorreria da aplicação de critérios jurídicos díspares. Assim, caracterizada a divergência interpretativa. Antes, todavia, de prosseguir na análise de mérito, destacase que permanecem em litígio somente os seguintes lançamentos, dentre os constantes do Relatório de efls. 14 a 17: Competência Levantamento Lançamento Valor mar/01 PRG PR 1.080,00 jul/01 PRG PR 4.200,00 jul/01 PRG PR 4.834,00 jul/01 PRG PR 2.170,00 jul/01 PRG PR 3.764,25 jul/01 PRG PR 37.000,00 jul/01 PRG PR 103.000,00 jul/01 PRG PR 35.880,00 ago/01 PRG PR 6.050,00 ago/01 PRG PR 5.495,00 Os demais lançamentos ou foram excluídos por motivações diversas, consoante voto de efl. 154 a 169 e quadros de efls. 151 e 152 ou, alternativamente, encontramse abrangidos pela preliminar de decadência, reconhecida pelo Colegiado a quo Fl. 554DF CARF MF Processo nº 36032.000280/200620 Acórdão n.º 9202005.132 CSRFT2 Fl. 550 11 para todos os lançamentos ocorridos para os períodos de 01/1995 a 12/2000, consoante voto à efl. 482, já objeto de trânsito em julgado administrativo. Feita esta delimitação da lide, passo à análise de mérito quanto aos lançamentos supra. Tratase de processo de contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas, correspondente à contribuição devida pelos produtores rurais pessoas físicas, cujo recolhimento foi legalmente subrogado aos adquirentes dos produtos rurais. Analisase, assim, inicialmente, o mérito quanto à ocorrência dos fatos geradores relacionados à tal aquisição, à luz da possível inconstitucionalidade discutida nos autos. 1. Da contribuição do empregador rural e segurado especial subrogada no adquirente e SAT/RAT A propósito, reproduzse, a seguir, os dispositivos legais da Lei no. 8.212, de 1991, de relevância para o caso em questão, com a redação aplicável a data dos fatos geradores em análise: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual:(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) VII como segurado especial: o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais, o pescador artesanal e o assemelhado, que exerçam essas atividades individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos maiores de quatorze anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem, comprovadamente, com o grupo familiar respectivo.(Redação dada pela Lei n° 8.398, de 7.1.92). Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01 Vigência a partir de 01/11/01) I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 555DF CARF MF 12 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento;(Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97, vigência até 22.01.07) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento;(Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (...) O cerne da questão que remanesce nos presentes autos reside na delimitação do alcance da decisão emanada do STF no âmbito do RE 363.852/MG, de ementa abaixo e que ganhou contornos de obediência obrigatória ao ter seu posicionamento identicamente mantido no âmbito do RE 596.177/RS (este último dotado de Repercussão Geral): RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº Fl. 556DF CARF MF Processo nº 36032.000280/200620 Acórdão n.º 9202005.132 CSRFT2 Fl. 551 13 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Naqueles autos, discutese a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991, com redação dada pelas Leis no. 8.540, de 1992 e 9.528, de 10 de dezembro de 1997, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o empregador rural e o produtor rural Pessoa Física, citados nos incisos V, "a" e VII do art 12 da referida Lei n° 8.212, de 1991. Uma excelente digressão bastante abrangente acerca do tema foi realizada pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no âmbito do Acórdão CSRF 9.202 003.707, de 23 de janeiro de 2016, à qual acedo integralmente, verbis: " (...) É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CR). Em face disso, a Lei n° 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial a contribuição com base no valor da venda da produção rural. Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Portanto, de pronto, podemos concluir que a exigência de contribuições sobre a aquisição da produção rural de pessoas físicas até a edição da lei 10.256/2001, ou seja, para lançamentos que envolvem competências até a edição da referida lei, encontrase abarcada pelo manto da inconstitucionalidade conforme decisão proferida pelo STF, acima transcrita. Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas Fl. 557DF CARF MF 14 redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. (...) Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. Confirmando, ainda mais o posicionamento a ser adotado o referido precedente RE 363.852 foi ao depois aplicado em regime de repercussão geral por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil), cuja ementa encontrase abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL –MÉRITO, DJe165 de 29082011) Vale também transcrever posição do Dr. Rafael de Oliveira Franzoni, Procurador da Fazenda Nacional, que em seu artigo: “A CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA: Análise da jurisprudência do STF e do TRF da 4ª Região”, assim conclui acerca das decisões proferidas no âmbito do STF: (...) Ou seja, o que era apenas um precedente tornouse um posicionamento consolidado no âmbito do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista no art. 25 da Lei nº 8.212/1991, inclusive com as alterações decorrentes das Leis nºs 8.540/1992 e 9.528/1997, no que atine ao empregador rural pessoa física. Sendo assim, em face da força persuasiva especial e diferenciada proveniente dos julgamentos proferidos sob a nova sistemática da repercussão geral, é muito provável que seja tal entendimento seja seguido pelos demais órgãos do Poder Judiciário, Fl. 558DF CARF MF Processo nº 36032.000280/200620 Acórdão n.º 9202005.132 CSRFT2 Fl. 552 15 independentemente da não existência de efeito vinculante a qualificar o controle difuso de constitucionalidade. Vale registrar, por oportuno, que a contribuição previdenciária do segurado especial, também regulada pelo art. 25 da Lei nº 8.212/1991, não foi afetada pela decisão da Suprema Corte no Recurso Extraordinário nº 596.177/RS, haja vista que o seu fundamento constitucional é distinto e independente da exação incidente sobre o empregador rural pessoa física. O daquela reside ele no § 8º; ao passo que o desta, no inciso I, ambos do art. 195 do Texto Magno. Se assim é, a declaração de inconstitucionalidade de que se cuida foi parcial, isto é, apenas parte da norma contida no texto do já citado art. 25 foi julgada nula e, portanto, extirpada do ordenamento jurídico. Mas este ponto será mais amiudemente examinado em tópico apartado. Assim, até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Alinhome, assim, aos que entendem que a inconstitucionalidade decretada no âmbito dos REs 363.852/MG e 596.177/RS limitase: a) aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei no. 10.256, de 2001, e b) à contribuição devida pela comercialização da produção do empregador rural pessoa física, não abrangendo o caso do segurado especial previsto no art. 12, VII, da Lei no. 8.212, de 1991, visto que, neste último caso, a contribuição devida foi instituída com fulcro no art. 195, § 8o. da CRFB e não com fulcro no art. 195, I do Texto Maior, conforme muito bem esmiuçado em outro ponto do mesmo artigo citado de lavra do Dr. Rafael de Oliveira, verbis: Fl. 559DF CARF MF 16 (...) Anteriormente, foi aqui afirmado que a inconstitucionalidade de que se cuida foi apenas parcial. E por que parcial? Porque o art. 25 da Lei nº 8.212/1991, na redação atualizada até a Lei nº 9.528/1997, continha em seu bojo duas normas exacionais claramente divisíveis: uma que tinha como contribuinte o empregador rural pessoa física; e outra, o segurado especial. Vejamos: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea “a” do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada a Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II – 0,1 % (um décimo por cento) da recita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho; [...] E com efeito, como bem ensina o Ministro Gilmar Mendes, “o Tribunal somente deve proferir a inconstitucionalidade daquelas normas viciadas, não devendo estender o juízo de censura às outras partes da lei, salvo se elas não puderem subsistir de forma autônoma.” Logo, não havendo fundamento para afastar do mundo jurídico a contribuição incidente sobre o segurado especial, haja vista que a sua tributação encontra respaldo no art. 195, § 8º, da Constituição da República, o resultado dos Recursos Extraordinários nºs 363.852/MG e 596.177/RS foi uma declaração de inconstitucionalidade parcial com redução de texto. A técnica da declaração de inconstitucionalidade com redução de texto ocorrerá “quando for possível, em virtude da redação do texto impugnado, declarar a inconstitucionalidade de determinada expressão, possibilitando, à partir dessa exclusão de texto, uma interpretação compatível com a Constituição Federal”, como assinala Alexandre de Moraes . De tal modo, o Judiciário expurga do ato normativo apenas e tão somente o que dele for incompatível com a Constituição, preservando o que puder ser preservado, desde que esse resíduo também seja conforme a vontade do constituinte e do legislador infraconstitucional. Nessa linha, por exemplo, o Supremo Tribunal Federal já excluiu apenas a palavra desacato do texto do § 2º do art. 7º da Lei nº 8.906/1994 (Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil), julgada inconstitucional por conflitar com a autoridade do magistrado na condução da atividade jurisdicional. O restante do texto e da norma foi mantido em respeito à presunção de constitucionalidade das leis. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 36032.000280/200620 Acórdão n.º 9202005.132 CSRFT2 Fl. 553 17 Nesse quadro, em razão dos seus fundamentos de decidir, e em que pese não pronunciada expressamente pelo Supremo, a redução do texto do art. 25 da Lei nº 8.212, julgado parcialmente inconstitucional foi a seguinte: Art. 25. A contribuição do segurado especial referido no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada a Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II – 0,1 % (um décimo por cento) da recita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho; [...] Destarte, o exato limite da inconstitucionalidade declarada foi este: a supressão no texto do caput do art. 25 da expressão “[...] do empregador rural pessoa física e [...] referidos, respectivamente, na alínea “a” do inciso V [...]”. Preservouse no dispositivo, portanto, texto e norma suficiente para não ferir a contribuição social do segurado especial, arrimada no art. 195, § 8º, da Lei Maior. Por outro lado, embora tenha havido a redução parcial do texto da cabeça do dispositivo inquinado, a declaração de inconstitucionalidade relativamente aos incisos I e II, entretanto, ocorreu sem redução de texto alguma. Isso para que o texto legislativo permanecesse íntegro para com relação à norma exacional incidente sobre o segurado especial. E aqui vale fazer a distinção entre texto e norma. Segundo os ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho, texto é o conjunto de símbolos linguísticos marcados em papel ou outro suporte, expostos em termos prescritivos e em forma técnica; já norma é “o juízo (ou pensamento) que a leitura do texto provoca em nosso espírito”. A norma é a significação do texto. Dito de outro modo, embora a redação dos incisos não tenha sido ferida pela declaração de inconstitucionalidade, como ocorreu com a cabeça, a norma que ali residia o foi, dela se expurgando a contribuição do empregador rural pessoa física. (...) De se notar, ainda, que, perfeitamente em linha com tal posicionamento, o RE 596.177/RS, dotado de repercussão geral e, assim, de obrigatória obediência por parte deste CARF, limitase ao caso do empregador rural pessoa física (cuja contribuição foi instituída com fulcro no art. 195, I da CRFB) para fatos geradores ocorridos antes da Lei no.10.256, de 2001, não havendo que se falar de qualquer violação ao regimento interno deste CARF em seu art. 62A ao se adotar a tese acima delineada de inconstitucionalidade parcial, antes da vigência da Lei no. 10.256, de 2001, à qual, conforme já mencionado, me alinho integralmente. Já para fatos geradores ocorridos posteriormente à vigência da Lei nº 10.256, de 2001, que deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, segue a Conselheira tecendo as seguintes considerações, às quais também acedo aqui integralmente, adotandoas como razões de decidir para o presente caso: Fl. 561DF CARF MF 18 (...) a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento de contribuições, conforme acima descrito e consolidado tal entendimento por decisão proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do RE 585684, senão vejamos (grifei): No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. [grifo nosso] (RE 585684, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011) Isto posto, com a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional nº 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei nº 10.256/01. Ou seja, removida, através da Emenda Constitucional no. 20, de 1998, seguida da edição da Lei no. 10.256, de 2001, a inconstitucionalidade formal que embasou a decisão prolatada no âmbito do REs 363.852/MG e 596.177/RS, de se manter incólume a exação (contribuição sobre a comercialização da produção de empregadores rurais pessoas físicas), para quaisquer fatos geradores ocorridos na vigência da citada Lei no. 10.256, de 2001. Cita a Conselheira, ainda, a seguinte jurisprudência acerca do tema respaldando seu posicionamento, também aqui adotado: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10). Ainda a propósito, de forma consistente com o posicionamento acima, entendo que a melhor interpretação do decisum prolatado no âmbito do RE 363.852/MG, remete à conclusão de que, em nenhum momento, a sistemática da subrogação foi declarada Fl. 562DF CARF MF Processo nº 36032.000280/200620 Acórdão n.º 9202005.132 CSRFT2 Fl. 554 19 como inconstitucional pela Corte, conforme muito bem delineado pelo Conselheiro Arlindo da Costa e Silva no âmbito do Acórdão 230202.445, de 18.04.2013, verbis: (...) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: “Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto ora para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, “deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91”. (...) Ora, caros leitores, o fato de o art. 1º da Lei nº 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea ‘a’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91, nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do mesmo inciso V acima citado para ‘c’, ‘d’ e ‘e’, respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de Fl. 563DF CARF MF 20 inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Aliás, o vocábulo “subrogação” assim como a referência ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91” somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. Como fundamentação adicional, também comungo do entendimento de que, ainda, que, a bem do debate, se entendesse ter sido declarada a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, para fatos geradores abrangidos pela vigência da Lei no. 10.256, de 2001, restaria incólume a responsabilidade de recolhimento prevista no art. 30, III da Lei no. 8.212, de 1991, conforme muito bem delineado também pelo Conselheiro Arlindo da Costa e Silva no Acórdão citado, verbis: (...) A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE nº 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei nº 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. (...) É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, de maneira genérica, a subrogação do adquirente, do consumidor, do Fl. 564DF CARF MF Processo nº 36032.000280/200620 Acórdão n.º 9202005.132 CSRFT2 Fl. 555 21 consignatário e da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos aparentes de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino “lex specialis derogat generali”. (...)" Atendome agora ao caso em questão, consoante delimitação da lide já realizada, se está, aqui, diante de litígio acerca de montantes tributários devidos cujos fatos geradores ocorreram parte sob a vigência das Leis no. 8.540, de 1992 e no. 9.528, de 1997, e parte sob a vigência da Lei no. 10.256, de 2001 (competências em litígio de 03/2001 a 08/2001). Assim, tendo a referida Lei no. 10.256, de 2001, entrado em vigor em 10/07/2001, de se reconhecer a improcedência do lançamento até esta data. Ou seja, com base na fundamentação acima disposta, de se concluir pela inconstitucionalidade da exação objeto de lançamento (visto que abrangida pela decisão prolatada no âmbito do RE 363.852/MG) somente para as aquisições até 06/2001 (mantendose como exonerada, assim, dentre as aquisições em litígio, somente a aquisição de R$ 1.080,00, referente à competência março de 2001). Feita tal digressão, faço notar, todavia, que, tendo em vista o posicionamento do Colegiado a quo aqui revertido, restam como não analisadas por aquele Colegiado, para as competências cuja tributação aqui se mantém, questões de mérito ventiladas em sede Recurso Voluntário (vide Recurso Voluntário de efls. 189/190), tais como: a) Impossibilidade jurídica da tributação de animais adquiridos com o fim especifico de criação pecuária e reprodução, com fulcro no art. 200, §6o., III do Decreto no. 3048, de 1999; b) Desprezo às notas fiscais anexadas às efls. 139, 140, 142 e 143, que demonstrariam ser hipótese de não incidência. c) Retificação do decisum da autoridade de 1a. instância, por confusão entre sua fundamentação e o quadro de efls. 151/152. Acerca de tais matérias de mérito, incabível que esta Turma se manifeste sem prévia apreciação do Colegiado a quo, sob pena de supressão de instância. Fl. 565DF CARF MF 22 Destarte, quanto às contribuições sob análise no presente item, dou provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para rejeitar a alegação de inconstitucionalidade, a partir da vigência da Lei n° 10.256, de 2001, com retorno dos autos ao Colegiado de origem para análise das demais questões postas no recurso voluntário, para as aquisições realizadas já sob a vigência da Lei citada. 2. Quanto à Contribuição ao SENAR Estabelece o art. 6o. da Lei no. 9.528, de 1997: Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212, de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, criado pela Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de 0,1% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Vigência até 01.11.01) Art. 6o A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001, vigência a partir de 01.11.01) Ainda a propósito, na Lei no. 8.212, de 1991: Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, às contribuições que tenham a mesma base utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, ficando sujeitas aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial. § 1o O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, às contribuições que tenham a mesma base utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, ficando sujeitas aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial.(Renumerado pela Lei nº 11.080, de 2004). §2o A remuneração de que trata o caput deste artigo será de 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento) do montante arrecadado pela aplicação do adicional de contribuição instituído pelo §3o do art. 8o da Lei no 8.029, de 12 de abril de 1990.(Incluído pela Lei nº 11.080, de 2004, vigente a partir de 31.12.2004). Fl. 566DF CARF MF Processo nº 36032.000280/200620 Acórdão n.º 9202005.132 CSRFT2 Fl. 556 23 Assim, a partir do disposto no parágrafo único do art. 94 acima reproduzido, posteriormente renumerado para § 1o., também aqui, a partir da delimitação da abrangência do decisum prolatado nos RE 363.852/MG já anteriormente efetuada, de se entender que a também contribuição ao SENAR não foi objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no âmbito daquele Recurso Extraordinário, quando da vigência da Lei no. 10.256, de 2001. Assim, também aqui de se dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, quanto à Contribuição ao SENAR, rejeitar a alegação de inconstitucionalidade, a partir da vigência da Lei n° 10.256, de 2001, com retorno dos autos ao Colegiado de origem para análise das demais questões postas no Recurso Voluntário, no que diz respeito às aquisições realizadas já sob a vigência da Lei citada, em linha com o descrito no item "1" supra. 3. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional, para rejeitar a alegação de inconstitucionalidade, a partir da vigência da Lei n° 10.256, de 2001, com retorno dos autos ao Colegiado de origem para análise das demais questões postas no Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 567DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006502/2005-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do Fato Gerador:28/03/2002
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. A classificação indicada pela fiscalização na NCM tem com base nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI-SH) e em obediência as normas, regras estipuladas na TEC/NCM e TIPI/NCM, vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores, e dos esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e mediante das conclusões dos laudos técnicos oficiais.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA
A empresa submeteu a despacho aduaneiro três mercadorias que tiveram as suas classificações fiscais mudadas pela fiscalização e sobre essas alterações, a mesma não se manifestou expressamente nas suas peças de defesa, tampouco no resultado da diligência, daí, considera-se matéria não contestada.
REVISÃO ADUANEIRA - Por expressa autorização legal, o despacho aduaneiro está sujeito à revisão aduaneira no prazo decadencial, que é de cinco anos, a contar da data da infração, após o qual está extinto o direito da Fazenda de impor penalidade (art. 139 do Decreto-Lei nº 37/66).
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA.
Para que haja mudança de critério jurídico é imprescindível que a autoridade fiscal tenha adotado um critério jurídico anterior, por meio de ato de lançamento de ofício, realizado contra o mesmo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que o primeiro ato de ofício praticado pela autoridade fiscal foi exatamente a lavratura do presente auto de infração. Dessa forma, não constitui modificação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando à apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da alíquota aplicável, fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO. PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI aos produtos dispensados de controle administrativo e licenciamento e ao produto sujeito a licenciamento, porém inexigível novo licenciamento em decorrência da mudança do código tarifário.
MULTA EQUIVALENTE A UM POR CENTO DO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ-FÉ.Por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a infração caracterizada pelo enquadramento tarifário incorreto do produto na NCM, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, independente da existência de dolo ou má-fé do importador.A recorrente, também, não se manifestou expressamente nas suas peças de defesa, daí, considera-se matéria não contestada. Recurso ao qual se dá provimento parcial.
Numero da decisão: 3201-002.603
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em afastar as preliminares e no mérito dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar indevida a exigência da multa por falta da LI.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
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A classificação indicada pela fiscalização na NCM tem com base nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI-SH) e em obediência as normas, regras estipuladas na TEC/NCM e TIPI/NCM, vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores, e dos esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) e mediante das conclusões dos laudos técnicos oficiais. MATÉRIA NÃO CONTESTADA A empresa submeteu a despacho aduaneiro três mercadorias que tiveram as suas classificações fiscais mudadas pela fiscalização e sobre essas alterações, a mesma não se manifestou expressamente nas suas peças de defesa, tampouco no resultado da diligência, daí, considera-se matéria não contestada. REVISÃO ADUANEIRA - Por expressa autorização legal, o despacho aduaneiro está sujeito à revisão aduaneira no prazo decadencial, que é de cinco anos, a contar da data da infração, após o qual está extinto o direito da Fazenda de impor penalidade (art. 139 do Decreto-Lei nº 37/66). MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Para que haja mudança de critério jurídico é imprescindível que a autoridade fiscal tenha adotado um critério jurídico anterior, por meio de ato de lançamento de ofício, realizado contra o mesmo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que o primeiro ato de ofício praticado pela autoridade fiscal foi exatamente a lavratura do presente auto de infração. Dessa forma, não constitui modificação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 122 2 fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando à apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da alíquota aplicável, fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO. PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI aos produtos dispensados de controle administrativo e licenciamento e ao produto sujeito a licenciamento, porém inexigível novo licenciamento em decorrência da mudança do código tarifário. MULTA EQUIVALENTE A UM POR CENTO DO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ-FÉ.Por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a infração caracterizada pelo enquadramento tarifário incorreto do produto na NCM, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, independente da existência de dolo ou má- fé do importador.A recorrente, também, não se manifestou expressamente nas suas peças de defesa, daí, considera-se matéria não contestada. Recurso ao qual se dá provimento parcial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em afastar as preliminares e no mérito dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar indevida a exigência da multa por falta da LI. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 123 3 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de auto de infração formalizando a exigência do recolhimento de multa do controle administrativo das importações e de multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, por meio da declaração de importação nº 02/0273649-5, registrada em 28/03/2002, cópia de fls. 13 a 19, mercadorias que foram descritas e classificadas na TEC/NCM e TIPI/NCM, conforme mostrado no Quadro I. Em ato de conferência física, foram coletadas amostras das mercadorias para análise laboratorial, Pedido de Exame LAB nº 871/GCOF, cópia na fl. 22, cujos resultados são mostrados no Quadro II. Quadro I Classificação Adição/ item Descrição Importador Fiscalização MCA MVA 001 NOME COMERCIAL: INCROQUAT UV-283, QUALIDADE: INDUSTRIAL, MATÉRIA-PRIMA PARA A INDÚSTRIA QUÍMICA 3402.12.10 (II=3,5%; IPI=5%) 2924.29.99 (II=2%; IPI=0%) X X 002 NOME COMERCIAL: SUPER SOLAN, QUALIDADE: INDUSTRIAL, MATÉRIA-PRIMA PARA A INDÚSTRIA QUÍMICA 3402.13.00 (II=15,5%; IPI=5%) 1505.00.10 (II=9,5%; IPI=0%) X X 003 OUTROS ÉSTERES FOSFÓRICOS, NOME COMERCIAL: CRODAFOS CES QUALIDADE: INDUSTRIAL, MATÉRIA-PRIMA PARA A INDÚSTRIA QUÍMICA 3404.90.19 (II=15,5%; IPI=15%) 3404.90.29 (II=15,5%; IPI=15%) X X (*) MO = Multa do Ofício; MCA=Multa do Controle Administrativo; MVA= Multa Proporcional ao V.A. Quadro II Adição/ item Identificação da mercadoria Laudo nº fls. 001 -Solução Aquosa de Cloreto de N,N,N-Trimetil-3-[(1-Oxo-3-Fenil-2- Propenil)Amino]-1-Propanaminium, Outro Composto de Função Carboxiamida, composto de constituição química definida 1627.01 23/26 002 - Lanolina Etoxilada, na forma de grânulos, um Derivado Químico da Lanolina, um Derivado de uma Substância Gorda. 1627.02 27/28 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 124 4 003 - Cera à base de Mistura de Reação constituída de Fosfato de Estearila, Fosfato de Cetila e Álcool Ceto-Estearílico, na forma de grânulos. 1627.03 29/31 Diante do não pagamento do crédito tributário apurado conforme o Demonstrativo de Cálculos de Lançamento Complementar nº 238/05, na fl. 36, foi lavrado o presente auto de infração, formalizando a exigência do recolhimento da multa do controle administrativo das importações, preceituada no art. 169, inciso I, alínea “b” do Decreto-Lei nº 37/66, alterado pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, regulamentado pelo art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, e da multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, capitulada no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24/08/01, totalizando o valor originário de R$ 12.969,55. Cientificado do auto de infração em 27/12/2005 (fls. 39-verso), o contribuinte, por intermédio de sua advogada e procuradora (Instrumento de Mandato de fls. 57 a 59), protocolizou impugnação, tempestivamente, em 26/01/2006, de fls. 40 a 46, alegando, resumidamente, que: 1) é impossível a realização de revisão aduaneira quanto a pretendida reclassificação fiscal, porque houve a decadência do direito do Fisco de revisão da classificação tarifária, em face do disposto no inciso I do art. 149 do CTN e art. 447 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85; 2) a revisão aduaneira poderá ocorrer no prazo decadencial com a finalidade de apurar-se, tão somente, a suficiência do recolhimento dos tributos federais; a conduta permissiva, preceituada no art. 455 do Regulamento Aduaneiro, não possibilitava à autoridade administrativa a desclassificação tarifária da mercadoria importada quando ultrapassado o prazo previsto na legislação aduaneira, qual seja 5 dias úteis do término da conferência; 3) a pretensão da autoridade administrativa de rever o procedimento efetuado pelo contribuinte, com o qual havia concordado, caracteriza-se revisão por erro de direito, o que é vedado em nosso ordenamento jurídico, por configurar mudança de critério jurídico anteriormente adotado; 4) quanto à multa do controle administrativo das importações, da simples análise do dispositivo legal que ampara a autuação, constata-se que não se aplica ao caso, pois a operação de importação da mercadoria realizada pela impugnante estava amparada pelos documentos exigidos pela legislação em vigor; eventual equívoco na classificação do produto não caracteriza ausência de licença de importação ou documento equivalente a ensejar a aplicação de tal penalidade. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 125 5 O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SPOII n° 17-34.149, de 13/08/2009, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo /SP, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 28/03/2002 REVISÃO ADUANEIRA - Por expressa autorização legal, o despacho aduaneiro está sujeito à revisão aduaneira no prazo decadencial, que é de cinco anos, a contar da data da infração, após o qual está extinto o direito da Fazenda de impor penalidade (art. 139 do Decreto-Lei nº 37/66). MULTAS. Cabível a multa do controle administrativo das Importações, capitulada no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, com fulcro na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decreto-Lei nº 37/66, alterado pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, por falta de Licença de Importação, quando a mercadoria não é corretamente descrita na declaração de importação, conforme Ato Declaratório Normativo COSIT nº 12/97. A multa por classificação incorreta da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, capitulada no inciso I do artigo 84 da MP 2.158-35, de 24/08/2001, foi considerada não impugnada por não ter sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97). Lançamento Procedente O julgamento considerou o lançamento procedente. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Em síntese, rebate: -que é incabível a realização de revisão aduaneira posto não ter ocorrido nenhuma das hipóteses que ensejariam a revisão, previstas no art. 149 do CTN; - a alteração da classificação fiscal configura alteração de critério jurídico por parte da Fiscalização, em desobediência ao comando do art. 146 do CTN; - que a decisão recorrida dispõe que o prazo de cinco dias disposto no artigo 447 do Regulamento Aduaneiro aplica-se somente para exigência de crédito tributário no transcorrer do despacho. Entretanto, o mencionado artigo dispõe expressamente acerca de divergência de classificação,de forma que não há na legislação expressa autorização legal que determine que o despacho aduaneiro esteja sujeito ao prazo decadencial. - com relação à exigência da multa disposta no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, verifica-se que a operação de importação estava amparada pelos Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 126 6 documentos exigidos na legislação no momento da ocorrência do fato gerador, o que não ensejaria a aplicação da multa em questão; e - que eventual erro de classificação dos produtos não caracteriza ausência dos documentos ou licença de importação e tampouco causou a Recorrente algum prejuízo ao Fisco. -Ao final, requer a improcedência do lançamento. Em sendo assim, foi convertido o processo em diligência, pela Turma do CARF, através da Resolução de n° 3201-000.214, de 02/03/2011, com o seguinte teor, para que a autoridade preparadora providenciasse a elaboração de aditamento ao laudo a fim de que sejam respondidas as perguntas abaixo: a) O produto Interquat UV-283 é um composto de função carboxiamida ou um composto de função amida do ácido carbônico? Sim ou não. Justifique. a.1) Se respondido sim ao item “a”, trata-se de amida (incluídos os carbamatos) acíclicas e seus derivados, ou sais destes produtos (posição 2924.1)? Sim ou não. Justifique. a.2) Se respondido sim ao item “a”, trata-se de amidas (incluídos os carbamatos) cíclicas e seus derivados, ou sais destes produtos (posição 2924.2)? a.3) Se respondido sim ao item a.2, trata-se o produto de meprobamato (2924.11) - uréias e seus derivados, ou sais destes produtos? (2924.21) - ácido 2-acetamidobenzóico (ácido N-acetilantranílico) e seus sais? (2924.23) - etinamato (DCI)? (2924.24) - outros? (2924.29) Sequenciarei, a partir de agora, as etapas ocorridas na diligência com fins de emissão de aditamento ao laudo do LA Falcão Bauer, conforme demanda da Resolução acima: -consta resposta à fl.100; e -houve ciência, sem manifestação alguma, do resultado da diligência pelo interessado, bem como ciência pela PGFN. O processo foi redistribuído a esta Conselheira, de forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relator Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 127 7 O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. QUANTO ÀS PRELIMINARES SUSCITADAS -DECADÊNCIA -A recorrente se insurge sobre a ocorrência da decadência, em face do disposto no art. 447 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, vigente à época da ocorrência do fator gerador, ou seja, que para a exigência de eventual crédito tributário relativo a classificação fiscal, a legislação conferia ao Fisco apenas o prazo de 5 dias úteis do término da conferência aduaneira para a sua formalização. Ressalte-se que o prazo de 5 dias a que remete ao art. 447 era prazo específico estabelecido dentro do procedimento do despacho aduaneiro, em uma de suas etapas; e aplicava-se para exigência de crédito tributário apurado no transcorrer do despacho. Cabe lembrar que, no caso, uma amostra da mercadoria importada foi coletada, enviada essa amostra para análise laboratorial e liberada, nos termos do art. 39 da IN SRF nº 69/96, comprometendo-se o importador, mediante assinatura de Termo de Responsabilidade a recolher a diferença de tributos, multas e outros encargos fiscais, que viessem a ser apurados em decorrência do resultado da análise. No entanto, o que se verifica é que, intimado a efetuar o crédito apurado conforme Demonstrativo de Cálculos de Lançamento Complementar nº 238/05, recorrente não atendeu à intimação. Quanto à decadência, dispõe o caput e parágrafo 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional-CTN que, nos lançamentos por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a Fazenda Pública tem o prazo de 5 anos, a contar da ocorrência do fato gerador para homologar o lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de fraude ou simulação. Para o imposto de importação, sujeito ao lançamento por homologação, estabelece o artigo 23 do Decreto-lei nº 37/66 que, quando se tratar de mercadoria despachada para consumo, considera-se ocorrido o fato gerador, para efeito de cálculo do tributo, na data do registro da declaração de importação, definindo, portanto, neste caso, o termo inicial do prazo de decadência, em regra geral. Assim, a norma do art. 54 do citado Decreto-Lei 37/66 (revisão aduaneira) tão somente aduz ser o registro da DI-Declaração de Importação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial, não havendo incompatibilidade com o CTN, mas sim complementaridade. Caso haja antecipação de pagamento, aplica-se o art. 150 , § 4º, do CTN, ou seja, a decadência inicia-se do registro da DI e ao art. 173, I, do CTN, quando não houver pagamento do tributo, ou antecipação do imposto. Por outro lado, no que tange à imposição de penalidades administrativas, a contagem do prazo decadencial segue regra distinta. Veja-se, a propósito, o que dizem os artigos 138 e 139 do Decreto-Lei de nº 37, de 1966 : Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 128 8 Art.138 O direito de exigir o tributo extingue-se em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratando-se de exigência de diferença de tributo, contar-se-á o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Depreende-se da leitura dos dispositivos transcritos que o direito de impor penalidade extingue-se em 5 anos, a contar da data da infração. Logo, quanto à aplicação de multas, o artigo 139 do Decreto-Lei nº 37/66 preceitua que se extingue no prazo de cinco anos o direito de a Fazenda impor penalidade, a contar da data da infração. Portanto, se a data do registro da declaração de importação em pauta ocorreu em 28/03/2002 e a ciência ao contribuinte da lavratura do presente auto de infração deu-se em 27/12/2005, ainda não havia transcorrido, a partir da data da infração, o prazo de cinco anos, após o qual a Fazenda não mais teria direito a fazer qualquer exigência relativamente a esta operação de importação, pela ocorrência da decadência. Logo, afasta-se esta preliminar. -REVISÃO ADUANEIRA -A recorrente insurge-se contra a possibilidade de realização de revisão aduaneira relativamente à classificação fiscal da mercadoria, após o desembaraço aduaneiro. Afirma que a revisão aduaneira, que poderá ocorrer no prazo decadencial, tem por finalidade apurar, tão somente, a suficiência do recolhimento dos tributos federais, pois a conduta permissiva, preceituada no art. 455 do Regulamento Aduaneiro, não possibilitava à autoridade administrativa a desclassificação tarifária da mercadoria importada quando ultrapassado o prazo previsto na legislação aduaneira, qual seja 5 dias úteis do término da conferência. Em consonância com o § 4º do artigo 150 do CTN está a Revisão Aduaneira, prevista no artigo 54 do Decreto-Lei nº 37/66, com a redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472/88, dispondo que a “apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos contados do registro da declaração de importação.” O art. 455 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, vigente à época da ocorrência do fato gerador, regulamentando o art. 54 do Decreto-Lei nº 37/66, definia a revisão aduaneira como o “ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade da importação ou exportação quanto aos aspectos fiscais, e outros, inclusive o cabimento de benefício fiscal aplicado”. Portanto, por expressa autorização legal, o despacho aduaneiro está sujeito à revisão aduaneira no prazo decadencial, com a finalidade de verificar não apenas, como alega o recorrente suficiência do recolhimento dos tributos aduaneiros, mas também a exatidão das Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 129 9 informações prestadas pelo importador, a regularidade da importação quanto aos aspectos fiscais, dentre os quais está inserida a classificação fiscal da mercadoria importada. Logo, se no procedimento de revisão aduaneira for apurada diferença de crédito tributário ou a necessidade de aplicação de penalidade, autoridade fiscal está obrigado a realizar o lançamento do tributo ou propor a aplicação da penalidade cabível, nos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilidade funcional. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO - Quanto à alegação de mudança de critério jurídico, não há que se falar em mudança de critério jurídico, quando o reexame da classificação fiscal de uma mercadoria é realizada sob legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador. A legislação a ser observada é a mesma nos dois momentos: quando da importação e da realização da revisão aduaneira. A classificação fiscal de uma mercadoria é feita em consonância com as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI-SH) e em obediência as normas, regras estipuladas na TEC/NCM e TIPI/NCM, vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores, subsidiadas pelos esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). Cabe lembrar que não é possível classificar corretamente uma mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) sem conhecê-la em todos os seus aspectos relevantes para essa nomenclatura. Assim, não foram os critérios jurídicos para classificar a mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que mudaram, como alega o recorrente, mas a correta identificação das mercadorias, após análise laboratorial, é que permitiu, em ato de revisão aduaneira, o correto enquadramento dessas mercadorias na TEC/NCM e TIPI/NCM vigentes quando da ocorrência do fato gerador. Destarte, não constitui modificação de critério, o resultado do procedimento de revisão aduaneira que implique alteração da classificação fiscal do produto na NCM, anteriormente adotada pelo importador, visando à apuração dos impostos incidentes na operação de importação, para fins de determinação da alíquota aplicável, fixadas na Tarifa Externa Comum (TEC) e na Tabela de Incidência do IPI (TIPI). Portanto, não há que se falar em mudança de critério jurídico. Afasta-se, também, esta preliminar. Passo ao mérito. MÉRITO O presente auto de infração formaliza a aplicação de multa por falta de licença de importação e por erro na classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, ambas infrações cometidas quando do registro da declaração de importação, bem como a reclassificação fiscal na NCM, com base nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI-SH) e em obediência as normas, regras estipuladas na TEC/NCM Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 130 10 e TIPI/NCM, vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores, e dos esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). A empresa submeteu a despacho aduaneiro três mercadorias que tiveram as suas classificações fiscais mudadas pela fiscalização e sobre essas alterações, a mesma não se manifestou expressamente nas suas peças de defesa, tampouco no resultado da diligência, daí, considera-se matéria não contestada. Registre-se o art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, in verbis: “Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Em relação à diligência formulada, convém comentar algo, pois, precisamente à mercadoria constante da adição 001, denominada como “Incroquat UV- 283”, não obstante, a recorrente, em seu recurso voluntário, nada questione acerca da classificação fiscal das mercadorias em si, não trazendo qualquer argumento que confirme as classificações por ela adotadas, tampouco refute àquelas pretendidas pelo fisco, entende-se que, em relação à essa mercadoria constante da adição 001, ( “Incroquat UV-283”) (identificada como Cloreto de cinarnidopropil trimetil amónio (solução aquosa)), de fato esta não se enquadra na classificação 3402.12.10, adotada pela contribuinte, tendo em vista que, de acordo com o Laudo à e-fl. 27, a mercadoria, quando misturada com Água na concentração de 0.536 .3 temperatura de 20°C e, em seguida deixada em repouso durante uma hora à mesma temperatura, produz liquido transparente que não reduz a tensão da Água a 45 dinoslam ou menos (61.5 dinas/cm). Desta forma, não resta atendida a condição explicitada na Nota 3 do Capítulo 34 explicitada na NESH, que assim especifica: 3. Na acepção da posição 34.02, os agentes orgânicos de superfície são produtos que quando misturados com água numa concentração de 0,35%, a 20ºC, e deixados em repouso durante uma hora à mesma temperatura: a) originam um líquido transparente ou translúcido ou uma emulsão estável sem separação da matéria insolúvel; e b) reduzem a tensão superficial da água a 4,5X102 N/m (45dyn/cm), ou menos.(negritei) Logo, correta a classificação fiscal apontada pela autoridade fiscal. Em sendo assim, diante das conclusões dos laudos técnicos oficiais, concordo integralmente com todas as classificações adotadas pela autoridade fiscal. Quanto à MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO. Verifica-se, inicialmente, que duas das três mercadorias objeto do presente processo foram descritas simplesmente pelo seu nome comercial (INCROQUAT UV-283 e SUPER SOLAN) e para a mercadoria denominada comercialmente CRODAFOS CES, foi dada uma informação adicional, que tratava-se de Outros Ésteres Fosfóricos. Transcrevo voto do acórdão de nº 3102-00.758, de 27/08/2010, processo de n° 11128.006504/2005-36, de relatoria de José Fernandes do Nascimento, da mesma Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 131 11 empresa, que traduz exatamente o meu entendimento, fazendo os devidos ajustes, por se tratarem de outros produtos: Da multa por falta de licenciamento: considerações gerais. Inicialmente, é oportuno esclarecer que a multa sancionadora da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), que substituiu a Guia de Importação (GI), encontra-se prevista na alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decreto-lei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 6.562/78, com os seguinte dizeres: Art.169 - Constituem infrações administrativas ao controle das importações: I - importar mercadorias do exterior: (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. (...) Na data em ocorreu a operação de importação objeto da presente autuação já se implantado e em operação o Sistema Integrado do Comércio Exterior (Siscomex) – Módulo Importação, no âmbito do qual passou a ser realizado todo o controle aduaneiro, administrativo e cambial das importações brasileiras. Nos termos do § 1º do art. 6º3 do Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992, que instituiu o referido Sistema, a GI foi substituída pela LI, passando a ser este o novo documento base, para fins de controle administrativo das operações de importação. Por essa sistemática, que vigeu até 02 /12 /2003, as operações de importação passaram a ser submetidas a duas modalidades de licenciamento: o licenciamento automático e o licenciamento não automático. O que diferenciava uma modalidade da outra, era a necessidade ou não do controle administrativo prévio ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do início do despacho aduaneiro, conforme o caso, bem como a exigência de emissão de LI. Na primeira modalidade, regra geral, era dispensável a anuência prévia dos Órgão intervenientes no comércio exterior e emissão de LI. A exceção ficavam por conta dos produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais, relacionados na tabela "Tratamento Administrativo" do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para os quais eram exigidos controle administrativo e emissão de LI, previamente ao embarque da mercadoria no exterior, conforme estabelecido nos Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 132 12 arts . 10 e 194 da Portaria Secex nº 21, de 12 de dezembro de 1996, combinado com disposto nos Comunicado Decex nº 37, de 1997, com as alterações introduzidas pelo Comunicado Decex nº 23, de 1998. Em relação ao licenciamento não automático, o controle administrativo prévio dos Órgão anuentes e a emissão de LI eram sempre exigidas. Nessa modalidade, caso importador embarcasse a mercadoria no exterior ou iniciasse o despacho aduaneiro, sem a autorização prévia do órgão anuente e a expedição da LI pela Secex, estaria caracterizada a infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI, sancionada com a mencionada multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. Em complementação ao disposto na legislação de regência, na data do registro da DI objeto da presente autuação, o assunto encontrava-se disciplinado na Portaria Secex nº 21, de 1996, especificamente nos dispositivos a seguir transcritos: 3 "Art. 6° As informações relativas às operações de comércio exterior, necessárias ao exercício das atividades referidas no art. 2°, serão processadas exclusivamente por intermédio do SISCOMEX, a partir da data de sua implantação. § 1° Para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação. (...)" 4 "Art. 10. A SECEX/DECEX, tendo em vista o exame das condições gerais de comercialização, divulgará, por meio de Comunicado público, as operações e produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais que deverão ser observados nos casos de licenciamento automático ou não automático. (...) Art. 19. Quando do interesse do importador, poderá ser solicitado à SECEX/DECEX, mesmo previamente ao embarque, documento de autorização referente a operações sujeitas a licenciamento automático”. Art. 7º O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. § 1° As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT n°291, de 12 de dezembro de 1996. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 133 13 § 2° As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento. (...) Art. 8º Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. Art. 9º Nas importações sujeitas a licenciamento não automático, o importador deverá prestar no Sistema as informações a que se refere o art. 8º, previamente ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do despacho aduaneiro, conforme o caso. Art. 10. A SECEX/DECEX, tendo em vista o exame das condições gerais de comercialização, divulgará, por meio de Comunicado público, as operações e produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais que deverão ser observados nos casos de licenciamento automático ou não automático. (...) Art. 14. A descrição da mercadoria deverá conter o maior número de características identificadoras possíveis, tais como: marca, tipo, cor, acessórios e outras informações relativas ao produto. (grifos não originais) Essa sistemática de licenciamento vigorou até 02 /12 /2003, quando entrou em vigor a Portaria Secex nº 17, de 1º de dezembro de 2003, que introduziu novo sistema de licenciamento para as importações brasileiras, dividido em três modalidades: a) importações dispensadas de licenciamento; b) importações sujeitas a licenciamento automático; e c) importações sujeitas a licenciamento não automático. De acordo com o novo regime de licenciamento, a regra geral passou a ser a dispensa de licenciamento das importações (art. 7º5). O licenciamento automática apenas passou a ser exigido nas operações de drawback e para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex (art. 8º6). Por fim, o licenciamento não automático foi 5 "Art. 7º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão- somente providenciar o registro da Declaração de Importação - DI no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da Secretaria da Receita Federal - SRF". Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 134 14 6 Estão sujeitas a licenciamento automático as seguintes importação: estabelecido para os produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e nas operações de importações definidas no art. 9º da referida Portaria, a seguir transcrito: Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as seguintes importações: I - de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex e também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; II - as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) sujeitas à obtenção de cotas tarifária e não tarifária; b) ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio; c) sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq; d) sujeitas ao exame de similaridade; e) de material usado; f) originárias de países com restrições constantes de Resoluções da ONU; g) sem cobertura cambial nos casos previstos nesta Portaria. (grifos não originais) De acordo com o novo regime de licenciamento, as importações dispensadas de licenciamento estão sujeitas a tão-somente serem registradas na Declaração de Importação - DI no Siscomex, com o objetivo de dar início aos procedimentos de despacho aduaneiro junto à unidade local da RFB. Assim, nessa modalidade de licenciamento, é dispensável a LI. Nas outras duas modalidades (licenciamento automático ou não), o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações da operação de importação previamente ao embarque da mercadoria no exterior, para os produtos relacionados no tratamento administrativo no Siscomex, ou anteriormente ao início do despacho aduaneiro, para as operações definidas no § 1º do art. 10 da nova Portaria, a seguir transcrito: Art. 10. Nas importações sujeitas aos licenciamentos automático e não automático, o importador deverá prestar, no Siscomex, as informações a que se refere o Anexo II da Portaria Interministerial MF/Mict nº 291, de 12 de dezembro de 1996, previamente ao embarque da mercadoria no exterior. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 135 15 § 1º Nas situações abaixo indicadas, o licenciamento poderá ser efetuado após o embarque da mercadoria no exterior, mas I - de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do Siscomex, também disponíveis no endereço eletrônico do Mdic; II - as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) amparo do regime aduaneiro especial de 'drawback'". anteriormente ao despacho aduaneiro, exceto para os produtos sujeitos a controles previstos no Tratamento Administrativo no Siscomex: I - importações ao amparo do regime aduaneiro especial de "drawback" ; II - importações ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio, exceto para os produtos sujeitos a licenciamento; III - sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq. (grifos não originais). Fazendo um paralelo, entre as duas sistemáticas introduzidas pelas Portaria Secex nº 21, de 1996 (revogada) e nº 17, de 2003 (vigente), observa-se que, regra geral, os procedimentos que passaram a ser adotados para as operações dispensadas de licenciamento eram aqueles aplicáveis às operações sujeitas à licenciamento automático na sistemática anterior, com exceção dos produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais, previsto no art. 10 da Portaria Secex nº 21, de 1996, e relacionados no Anexo II do Comunicado Decex nº 37, de 17 de dezembro de 1997, com as alterações posteriores. Assim, comparando as duas sistemáticas de licenciamento tem-se o seguinte quadro comparativo: Port. Secex nº 21, de 1996 (arts. 7º a 10) Port. Secex nº 17, de 2003 (arts. 6º a 10) Licenciamento Automático (LA) - regra geral Dispensado de Licenciamento LA - produtos sujeitos a procedimentos especiais Licenciamento Automático Licenciamento Não Automático Licenciamento Não Automático Em suma, de acordo com a sistemática de licenciamento anterior, as operações de importação sujeitas a licenciamento automático, com exceção dos produtos sujeitos a procedimentos especiais, estavam dispensados de controle administrativo e da emissão de LI, da mesma forma que as operações dispensadas de licenciamento na novel sistemática, enquanto que os produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais (correspondentes aos previstos no tratamento administrativo no Siscomex, na nova sistemática), ainda que integrando a sistemática de licenciamento automático, estavam sujeitos a Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 136 16 controle administrativo prévio, logo, necessitavam de anuência e de licenciamento previamente ao embarque no exterior. Com base nesses esclarecimentos, passo a analisar as hipóteses excludentes de responsabilidade pela infração administrativa ao controle das importações, motivada por errônea classificação tarifária, previstas no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12, de 21 de janeiro de 1997, a seguir transcrito: (...) não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior - SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (grifos não originais). De acordo com o transcrito ADN, somente a operação de importação de mercadoria objeto de licenciamento, cuja classificação fiscal errônea na NCM exija novo licenciamento, automático ou não, caracteriza a infração administrativa ao controle administrativo das importações por falta de LI, sancionada com a multa do inciso II do art. 526 do RA/1985 (que tem como matriz legal a alínea “b” do inciso I do art. 169 do Decreto-lei nº 37, de 1966), a menos que a mercadoria: (i) esteja corretamente descrita, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado; e (ii) não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má-fé por parte do declarante. Logo, a aplicação das hipóteses excludentes de responsabilidade pela prática da infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI, em decorrência de mudança na classificação fiscal, é condição necessária que o produto reclassificado para o código tarifário correto, além de está sujeito a licenciamento, a circunstância exija um novo licenciamento. No regime de licenciamento anterior (vigente na data dos fatos objeto da presente autuação), somente era exigido novo licenciamento, em duas situações: a) se o produto estivesse sujeitos a condições ou procedimentos especiais, no caso de licenciamento automático; ou b) se produto ou operação de importação estivesse sujeita a licenciamento não automático. Dos produtos sujeitos a licenciamento automático. Nos presentes autos, os produtos importados pela Recorrente, de nome comercial “crodamol os”, “crosilk liquid” e “volpo n3”, descritos nas Adições 001, 002, 004/02 da Declaração de Importação (DI) nº 02/1054219-0 (fls. 21/28), como sendo, respectivamente, “ésteres de ácido esteárico”, “glicina e seus Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 137 17 sais” e “agente orgânico de superfície não iônico”, e classificados nos seguintes códigos tarifários da NCM 2915.70.40, 2922.49.10 e 3402.13.00. De acordo com a referida DI, esses produtos estavam sujeitos a licenciamento automático, porém, como não estavam sujeitos a condições ou procedimentos especiais, estavam dispensados de anuência e emissão de LI, previamente ao embarque no exterior. Com base nos Laudos Técnicos da Funcamp de n°s 0519.01 (fl. 31), 0519.02 (fls. 38/39) e 0519.05 (fls. 44/45), os respectivos produtos foram identificados como (i) uma “Mistura de Reação constituída por Palmitato de 2-Etil Hexila e Estearato de 2-Etil Hexila”, (ii) .uma “Solução Aquosa de Matéria Protéica Hidrolisada contendo Cloreto de Sódio” e (iii) um “Álcool Graxo Etoxilado, na forma líquida”, classificados pela autoridade fiscal nos códigos NCM 3824.90.29, 3504.00.90 e 3824.90.29. Analisando o item 002 da Descrição dos Fatos do Auto de Infração de fls. 01/10, verifica-se que não há informação acerca do tipo de licenciamento a que estavam sujeitos os produtos identificados e enquadrados nos novos códigos tarifários, limitando-se a autoridade fiscal em apontar o motivo da aplicação da presente penalidade, com o seguintes termos, in verbis: Isto posto, tratando-se de classificações tarifárias errôneas e a necessidade de novos licenciamentos, automáticos ou não, e considerando, que as mercadorias não foram corretamente descritas, com todos os elementos necessários as suas identificações e aos enquadramentos tarifários, constituiu infração administrativa ao controle das importações (Ato Declaratório Normativo COSIT nº. 12/97), (...). Com base no texto transcrito, infere-se que a aplicação da presente penalidade foi motivada pela classificação tarifária errônea dos produtos na NCM e as suas reclassificações para os novos códigos tarifários, independentemente da nova modalidade de licenciamento ser automática ou não. Entretanto, compulsando os autos, não há qualquer elemento ou informação confirmando que os mencionados produtos, classificados nos novos códigos tarifários, estivessem sujeitos, na data do início do despacho aduaneiro, a condições ou procedimentos especiais, ou sujeito a licenciamento não automático, circunstância que exigiria controle administrativo e emissão de LI, previamente ao embarque no exterior. Em outras palavras, para autoridade fiscal, o simples erro de classificação fiscal foi considerado suficiente para fins de exigência de novo licenciamento independentemente da modalidade de licenciamento a que estavam submetidos os produtos em questão. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 138 18 Não está com a razão a autoridade fiscal, pois os referidos produtos não estavam sujeitos a controle administrativo nem necessitavam da emissão de LI, previamente ao embarque no exterior. Com efeito, segundo o Anexo II do Comunicado Decex nº 37, de 1997, vigente na data do fato gerador do crédito tributário lançado, os produtos objeto da presente autuação não integravam a relação dos produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais, relativos ao licenciamento automático, nem tampouco os produtos sujeitos a licenciamento não automático. Dessarte, tais produtos não estavam sujeitos a controle administrativo nem a licenciamento, previamente ao embarque no exterior. Não é demais lembrar que o erro de classificação fiscal é a conduta típica da infração definida no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, que fora também aplicada no presente procedimento fiscal. Alegou a Recorrente que a multa por falta de licenciamento da importação não se aplicaria ao caso em apreço, pois a mencionada operação de importação “estava amparada pelos documentos exigidos pela legislação em vigor”. Ademais, eventual equívoco na classificação do produto na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) não caracterizava “ausência de guia de importação ou documento equivalente a ensejar a aplicação de tal penalidade”. Ante as prévias considerações, reconheço que a razão está com a Recorrente. De fato, no presente caso, não houve a apontada infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI, pois os mencionados produtos estavam dispensados de controle administrativo e de emissão de LI. Dessa forma, ficou demonstrado que a conduta praticada pela Importadora não se subsume à hipótese da infração em apreço, portanto, inaplicável a penalidade em comento. Do produto sujeito a licenciamento não automático. No caso presente, o produto importado pela Recorrente, de nome comercial “fluilan”, descrito na Adição 007 da Declaração de Importação (DI) nº 02/1054219-0 (fls. 21/28), como “glicina e seus sais” e “agente orgânico de superfície não iônico”, e classificado código 1505.00.90 da NCM. De acordo com a Licença de Importação nº 02/1312163-5 (fls. 29/30), esse produto estava sujeito a licenciamento não automático, portanto, necessitava de anuência do Órgão do Ministério da Saúde e emissão de LI, previamente ao embarque no exterior. Com base no Laudo Técnico da Funcamp de n° 0519.08 (fls. 53/54), o mencionado produto foi identificado como “lanolina na forma líquida, uma substância gorda derivada da Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 139 19 suarda”, e classificado pela autoridade fiscal no código NCM 1505.00.l0. Conforme anteriormente exposto, a aplicação da presente penalidade foi motivada pela classificação tarifária errônea do dito produto na NCM e a sua reclassificação para o novo código tarifário, independentemente da nova modalidade de licenciamento ser automática ou não. De acordo com o ADN Cosit nº 12, de 1997, duas condições são necessárias para caracterizar a infração administrativa ao controle administrativo das importações, por falta de LI, em decorrência de erro de classificação fiscal, a saber: (i) o produto esteja sujeito a licenciamento; e (ii) a nova classificação fiscal atribuída ao produto exija novo licenciamento, automático ou não. De acordo a na tabela "Tratamento Administrativo" do Siscomex, o produto em referência necessitava de anuência prévia do Órgão do Ministério da Saúde e, por conseguinte, de licenciamento não automático. Resta saber ainda, se o produto enquadrado no novo código tarifário exigia a emissão de uma nova LI. Entendo que não, pelas seguintes razões: a) o nome comercial do produto, corresponde ao produto descrito no referido Laudo Técnico oficial e classificado pela autoridade fiscal no código NCM 1505.00.l0; b) o Órgão anuente do produto incluído nesse novo código tarifário é o mesmo que emitiu a citada LI; c) não houve mudança de tratamento administrativo; e d) a única divergência em relação ao código tarifário atribuído pelo Importador e pela autoridade fiscal situa-se em nível de desdobramento nacional, ou seja, de item do código NCM. Por tais considerações, entendo que o caso em tela não exigiria novo licenciamento, portanto, inaplicável a multa por falta LI Pelo exposto, compulsando os autos, não há qualquer elemento ou informação confirmando que os mencionados produtos, classificados nos novos códigos tarifários, estivessem sujeitos, na data do início do despacho aduaneiro, a condições ou procedimentos especiais, ou sujeito a licenciamento não automático, circunstância que exigiria controle administrativo e emissão de LI, previamente ao embarque no exterior. Ou seja, para autoridade fiscal, o simples erro de classificação fiscal foi considerado suficiente para fins de exigência de novo licenciamento independentemente da modalidade de licenciamento a que estavam submetidos os produtos em questão. No caso, limitou-se a autoridade fiscal em apontar o motivo da aplicação da presente penalidade, com o seguintes termos, in verbis: Isto posto, tratando-se de classificações tarifárias errôneas e a necessidade de novos licenciamentos, automáticos ou não, e Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 140 20 considerando, que as mercadorias não foram corretamente descritas, com todos os elementos necessários as suas identificações e aos enquadramentos tarifários, constituiu infração administrativa ao controle das importações (Ato Declaratório Normativo COSIT n° 12/97), motivo pelo qual, intimou-se o contribuinte através do Demonstrativo de Cálculos de Lançamento Complementar n°. 236, de 03/06/05 a recolher a multa capitulada nu artigo 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n".91.030/05. Não atendida a Intimação acima, lavra-se o presente Auto para cobrança. Entendo que conhecendo o nome comercial do produto químico, para quem têm conhecimento técnico da matéria, é possível sim, saber a composição química, bem como a identificação física do produto. Então, a aplicação das hipóteses excludentes de responsabilidade pela prática da infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI, em decorrência de mudança na classificação fiscal, é condição necessária que o produto reclassificado para o código tarifário correto, além de está sujeito a licenciamento, a circunstância exija um novo licenciamento. Dessa forma, a exclusão da multa do controle administrativo das importações, por falta de licenciamento, encontra-se expressamente prevista no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 12, de 21 de janeiro de 1997. Portanto, não assiste razão a autoridade fiscal, pois os referidos produtos não estavam sujeitos a controle administrativo nem necessitavam da emissão de LI, previamente ao embarque no exterior. Portanto, exclui-se a aplicação desta multa ao controle administrativo. Indevida a multa por falta de LI. Em relação à MULTA EQUIVALENTE A UM POR CENTO DO VALOR ADUANEIRO. Por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a infração caracterizada pelo enquadramento tarifário incorreto do produto na NCM, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, independe da existência de dolo ou má-fé do importador, apenas erro na classificação fiscal. O art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, in verbis: “Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Da mesma forma, esta matéria também, não foi contestada. A corroborar o entendimento expresso nesta acórdão, menciono o julgado, através do Acórdão de nº 3102-00.758, de 27/08/2010, processo nº 11128.006504/2005-36, de relatoria de José Fernandes do Nascimento, da mesma empresa, de cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 27/11/2002 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 141 21 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PRODUTO DE NOME COMERCIAL “FLUILAN”. ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. O produto identificado como lanolina, na forma líquida, uma substância gorda derivada da suarda, de nome comercial “Fluilan”, classifica-se no código NCM 1505.00.l0. CONFERÊNCIA ADUANEIRA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. DIFERENÇA DE TRIBUTO OU IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXTEMPORANEIDADE. EFEITOS. LIBERAÇÃO AUTOMÁTICA DA MERCADORIA. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. INOCORRÊNCIA. A eventual não formalização, no prazo de 5 (cinco) dias úteis, contado do término da conferência aduaneira, de exigência do crédito tributário apurado nessa etapa, acarreta apenas o desembaraço ou liberação automática (ou tácita) da mercadoria, sem afetar, contudo, o direito de a fiscalização proceder ao lançamento do crédito tributário apurado na fase de revisão aduaneira, desde que obedecido o referido prazo decadencial. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PREVIAMENTE AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. ERRO DE DIREITO DA AUTORIDADE FISCAL. INOCORRÊNCIA. Se antes da efetivação do desembaraço aduaneiro a autoridade fiscal concluiu o lançamento, obviamente não houve concordância com o procedimento de classificação e apuração do crédito tributário consignado na Declaração de Importação (DI), em decorrência, inadmissível erro de direito nessa circunstância. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. FALTA DE PRÉVIO CRITÉRIO JURÍDICO INTRODUZIDO POR ATO DE OFÍCIO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA. INOCORRÊNCIA. Para que haja mudança de critério jurídico é imprescindível que a autoridade fiscal tenha adotado um critério jurídico anterior, por meio de ato de lançamento de ofício, realizado contra o mesmo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que o primeiro ato de ofício praticado pela autoridade fiscal foi exatamente a lavratura dos presentes autos de infração. MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICABILIDADE. A descrição inexata do produto na Declaração de Importação (DI), acrescida da sua errônea classificação fiscal na NCM, subsume-se à hipótese da infração por declaração inexata, descrita no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. Além disso, por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a configuração da referida infração independente da comprovação da existência de dolo ou má-fé do importador. MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO. PRODUTO DISPENSADO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO E DE LICENCIAMENTO. INAPLICABILIDADE. É condição necessária para a prática da infração administrativa ao controle das importação por falta de Licença de Importação (LI) que produto esteja sujeito ao controle administrativo e ao licenciamento previamente ao embarque no exterior ou ao despacho aduaneiro. Nos presentes autos, inaplicável a multa por falta de LI aos produtos dispensados de controle administrativo e licenciamento e ao produto sujeito a licenciamento, porém inexigível novo licenciamento em decorrência da mudança do código tarifário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.006502/2005-47 Acórdão n.º 3201-002.603 S3-C2T1 Fl. 142 22 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para afastar a multa de 30% do valor aduaneiro, por falta de licença de importação. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama, que foi substituída pelo Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por afastar as preliminares e no mérito dar provimento parcial ao presente recurso voluntário, para considerar indevida a exigência da multa por falta de LI. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Fl. 142DF CARF MF
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Numero do processo: 19706.000078/2007-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/10/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. DECADÊNCIA
Existindo recolhimento antecipado sobre os fatos geradores, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 150, §4o. do CTN. Para fins de caracterização de existência ou não de recolhimento antecipado, deve-se considerar o total da remuneração dos empregados, considerando-se, assim, como antecipação os recolhimentos efetuados para os segurados cujo vínculo empregatício já havia sido reconhecido pela autuada.
Numero da decisão: 9202-005.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1997 a 31/10/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. DECADÊNCIA Existindo recolhimento antecipado sobre os fatos geradores, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 150, §4o. do CTN. Para fins de caracterização de existência ou não de recolhimento antecipado, deve-se considerar o total da remuneração dos empregados, considerando-se, assim, como antecipação os recolhimentos efetuados para os segurados cujo vínculo empregatício já havia sido reconhecido pela autuada.
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. DECADÊNCIA Existindo recolhimento antecipado sobre os fatos geradores, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 150, §4o. do CTN. Para fins de caracterização de existência ou não de recolhimento antecipado, devese considerar o total da remuneração dos empregados, considerandose, assim, como antecipação os recolhimentos efetuados para os segurados cujo vínculo empregatício já havia sido reconhecido pela autuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 70 6. 00 00 78 /2 00 7- 90 Fl. 707DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior – Redator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, nº 35.859.3301, lavrado contra o contribuinte identificado acima, e tem por finalidade apurar e constituir as contribuições previdenciárias, correspondente às contribuições dos empregados, da empresa, do financiamento concedido em razão do grau de incidência laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (antigo SAT) e as destinadas a outras entidades (terceiros), referentes a caracterização de segurado empregado para efeitos previdenciários. O período do lançamento envolve as competências 07/1997 a 10/2004. De acordo com o relatório fiscal, fls. 80 a 88: De acordo com o relatório fiscal, a autoridade administrativa em procedimento de Auditoria, fls. 80 a 88, e anexos, constatou que a notificada contratou os serviços da empresa: FZ PUBLICIDADE PROMOÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA, para,prestação de serviços de assessoria e coordenação de eventos. Relata que o sócio da empresa prestadora, Sr. Fábio Jorge Castelo Zahram, foi empregado da contratante onde exerceu a função de Chefe Administrativo de 02/1981 a 06/1985. A partir desta última competência, o segurado não consta no Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNIS, contudo, continuou a prestar serviços à TV Morena na qualidade de administrador e passou a emitir notas fiscais contra a notificada, sempre em valores fixos, em contrapartida ao pagamento dos serviços prestados. Junta alguns contratos celebrados com terceiros onde o 'segurado subscreve como Diretor Gerente ou como empresário, fls. 97/103. 4. Acrescenta que os serviços, sempre realizados pessoalmente, estavam inseridos dentre as atividade de administração da empresa, que para tanto possuía outros 111 empregados contratados como administradores. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 19706.000078/200790 Acórdão n.º 9202005.157 CSRFT2 Fl. 703 3 5. Constatou que a empresa contratante e contratada possuíam o mesmo endereço, diante disso empreendeu diligência sem, no entanto lograr êxito na localização dos sócios. Após manifestar a intenção de publicação de edital, o contador da notificada declarou ter assumido a responsabilidade pela escrita fiscal da empresa contratada, e assim teve ciência do MPF e foi intimado a apresentar documentos, o que não fez. 6. Relata o falecimento do sócio em 11/2004, ocasião que também cessou a emissão de notas fiscais. 7. Diante dos elementos e circunstâncias de fato, a autoridade administrativa desconsiderou o contrato de prestação de serviço apresentado e concluiu pela tipificação de contrato de natureza trabalhista mascarada pela pactuação de negócio jurídico em que uma empresa é contratada por um valor fixo, não havendo pagamento por serviços específicos, ambas coexistem no mesmo endereço, o • 'agente da prestadora é a pessoa de seu sócio, o qual também é exempregado da contratante e permanece exercendo as mesmas funções de forma contínua, mediante remuneração„ e subordinado à mesma cadeia de comando do quadro societário. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgado o lançamento procedente, fls. 281 e seguintes. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 348/354, o Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado., prolatandose o Acórdão nº 280300.339, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/10/2004 SEGURADO EMPREGADO. ENQUADRAMENTO. Presentes os requisitos legais para a caracterização do segurado na categoria de empregado, a fiscalização deve proceder ao correto enquadramento, com a devida apuração das contribuições devidas. REPRESENTANTES LEGAIS. Todos os representantes legais do sujeito passivo devem constar dos relatórios CORESP e VÍNCULOS, consoante determinações contidas nos normativos legais que tratam da constituição do crédito previdenciário. A mera indicação no relatório não implica em automática responsabilização, apenas traduzindo o que consta dos documentos do contribuinte. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. Fl. 709DF CARF MF 4 O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n 0 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre' as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. INOCORRENCIA. O mandado de procedimento fiscal é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal, não afastando a competência legal do Auditor Fiscal para efetuar os devidos lançamentos. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão proferida, o sujeito passivo, interpôs, tempestivamente, em 20/7/2011, Recurso Especial, fls. 394 cumprindo, portanto, o prazo legal de 15 (quinze) dias estipulado pelo Regimento Interno do CARF (RICARF). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 619/631, de 6/7/2015. Em seu recurso visava a reapreciação das seguintes matérias: a) CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL, b) DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR PESSOAS JURÍDICAS, COADUNANDO O PREVISTO NA LEI Nº 11.196/05; c) DO CONTRATO FIRMADO COM A EMPRESA FZ PUBLICIDADE PROMOÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA; d) NULIDADE – PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. Contudo, só foi dado seguimento a matéria decadência. Em relação a decadência, trouxe como alegações, que: · Afirma que a mesma é regular pagadora das contribuições previdenciárias, posto que mês a mês emite folha de salários, o que teria sido devidamente constatado durante fiscalização. · Pontua que, conforme se verifica dos precedentes citados, o prazo decadencial para efetuar o lançamento das contribuições previdenciárias é de cinco anos, a contar do fato gerador, a teor do art. 150, § 4º, do CTN. · Nesse aspecto, que as decisões paragmáticas demonstraram claramente que essa é a regra a ser aplicada nos casos em que o lançamento é realizado por homologação, em que a declaração e o recolhimento acontecem antecipadamente. · Ao final, requer o provimento do presente recurso. Cientificada do Recurso Especial do contribuinte em 18/11/2015, a PGFN apresentou, tempestivamente, em 30/11/2015, suas Contrarrazões, fls. 694/700, onde alega que: § A questão cingese ao marco inicial para a contagem do prazo decadencial. Fl. 710DF CARF MF Processo nº 19706.000078/200790 Acórdão n.º 9202005.157 CSRFT2 Fl. 704 5 § Vejase que o § 4º do art. 150 do CTN explicita a modalidade de lançamento por homologação, segundo a qual o sujeito passivo apura o montante tributável e antecipa o pagamento § Ora, no presente caso não se operou lançamento por homologação, pois, de acordo com a prova dos autos, a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo. Aliás, foi por conta disto que se procedeu ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173, I, do CTN § Esse entendimento já se encontra pacificado no âmbito do eg. Superior Tribunal de Justiça, que, por meio da nova sistemática processual dos recursos repetitivos, reconheceu em caráter definitivo que, inexistindo pagamento parcial, o prazo decadencial deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado, tal como previsto no art. 173, I, do CTN § No caso específico das contribuições sociais, a existência ou de pagamentos parciais não pode ser analisada em conjunto. § Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de verificarse se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. § Requer seja negado provimento ao recurso especial do sujeito passivo.. É o relatório. Fl. 711DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial de divergência apresentando pelo sujeito passivo é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 619. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. DO MÉRITO A questão objeto do recurso, referese ao acatamento da preliminar referente ao prazo de decadência, para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, considerando que a Câmara a quo aplicou a regra decadência a luz do art. 173, I do CTN. Antes mesmo de apreciar a correta aplicação da regra decadencial no acórdão recorrido, passemos a considerações acerca do tema. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 712DF CARF MF Processo nº 19706.000078/200790 Acórdão n.º 9202005.157 CSRFT2 Fl. 705 7 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior, acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito no relatório deste voto, tratase de lavratura de NFLD com o objetivo de apurar e constituir as contribuições previdenciárias, face a caracterização da condição de segurado empregado de pessoa física contratada como Pessoa jurídica, contudo, pela análise da prestação de serviços, caracterizouse o vínculo de emprego Fl. 713DF CARF MF 8 Dessa forma, entendo correto o encaminhamento dado pelo acórdão recorrido, alinhadose com a tese esboçada pela Procuradoria da FAzenda Nacional de, em inexistindo recolhimento antecipado, a decadência deve ser operada a luz do art. 173, I do CTN,. No caso, entendo que os argumentos do recorrente de que existem recolhimentos antecipados sobre sua folha, o que ensejaria a aplicação da regra decadencial vertida no art. 150, §4º do CTN, não se mostra a mais adequada ao caso concreto. Realmente, quando apuradas diferenças de contribuições sobre um mesmo fato gerador para um mesmo segurado, ou mesmo, lançamento de contribuições previdenciárias sobre rubricas de pagamentos realizadas a segurados da previdência social, em que promoveu o sujeito passivo o recolhimento sobre a remuneração básica do segurado, podemos entender pela existência de antecipação de pagamento, todavia, não é o que encontramos no presente lançamento. O lançamento em questão, conforme descrito anteriormente, referese a caracterização de vínculo de emprego para efeitos previdenciários em relação a segurado contratado como Pessoa Jurídica, ou seja, não existia recolhimento de contribuições previdenciárias para esse segurado, sob qualquer forma, razão pela qual entendo correta a aplicação do art. 173, I do CTN. No caso, o recolhimento efetivado pelo contribuinte, inclusive descrito nos relatórios de apresentação de documentos, não se prestam a conferir guarida a tese do art. 150, §4º do CTN, justamente porque o contribuinte não descrevia o segurado como integrante do sistema da previdência social, nem mesmo figurou em sua folha de pagamento, seja na condição de empregado ou contribuinte individual, o que pode ser ratificado pela ausência de informação em GFIP desse segurado, o que demonstra não ter, em momento algum, composto a base de cálculo das contribuições recolhidas pelo sujeito passivo. Ainda, destaco que não seria o caso de aplicação da súmula n. 99 do CARF, tendo em vistas Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 28/3/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 3/4/2006. Os fatos geradores omitidos referemse ao período de 07/1997 a 10/2004, , encontrarseiam decadentes as multas aplicadas pelos fatos geradores até 11/2000 fato esse já considerado pelo acórdão recorrido. Isto posto, não há qualquer reparo a ser feito no julgado. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO, para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 714DF CARF MF Processo nº 19706.000078/200790 Acórdão n.º 9202005.157 CSRFT2 Fl. 706 9 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, Redator designado Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, ouso discordar de seu posicionamento quanto à necessidade de existência de antecipação de pagamento específica para os segurados aqui caracterizados como empregados, para fins de adoção da contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, § 4o. do Código Tributário Nacional. Explico. A propósito, noto que o instituto da decadência referese à perda do direito de constituição do crédito tributário, decorrente da fluência do prazo assim denominado decadencial, remetendose assim, tal instituto, necessariamente, à ocorrência, no mundo dos fatos, do descrito na hipótese de incidência (ou seja, à ocorrência do fato gerador). Assim, entendo que também a adoção de uma ou outra forma de contagem do prazo decadencial deve se remeter à hipótese de incidência, assim, devendose caracterizar se houve ou não recolhimento antecipado, para fins de aplicação da regra decadencial, para cada um dos fatos geradores que pode ensejar a constituição do crédito tributário de ofício através do lançamento. Feita tal digressão, entendo que, na seara de contribuições previdenciárias, e, destarte, também mais especificamente no que diz respeito as hipóteses de incidência objeto da presente autuação, sempre se está a remeter, nas hipóteses de incidência, ao total das remunerações pagas aos segurados empregados, sendo, assim, de se reconhecer como antecipação de pagamento o recolhimento realizado sobre a folha de pagamento dos empregados cujo vínculo se reconheceu, mesmo quando se está a lançar contribuições devidas referentes à posterior caracterização de vínculo de empregados inicialmente não pertencentes à referida folha. No caso em questão, verifico ter havido, na forma de efls 54/55 recolhimento sobre a folha de pagamento de empregados para as contribuições sob análise nas competências objeto de litígio (12/00 a 03/01), devendose assim (considerandose ter o lançamento sido cientificado ao contribuinte somente em 03/04/2006), reconhecer a decadência para tais competências, com fulcro na contagem estabelecida pelo art. 150, §4o. do CTN. Assim, voto por dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, a fim de que, uma vez constatada a existência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial seja contado na forma do art. 150, §4o. do CTN, reconhecendose, desta forma, a decadência para as competências de 12/00 a 03/01. É como voto (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 715DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.907652/2009-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.920
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Fl. 63DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de PERDCOMP eletrônico (fls. 01/05), transmitido em 23/08/2007, pelo qual pretende a interessada a compensação de débito de estimativa de IRPJ de agosto/2006, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL apurada no mês de agosto de 2006 (recolhimento em setembro/2006), no valor de R$ 52.970,42, baixado para tratamento manual neste processo. Pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl. 06 a compensação pleiteada foi não homologada, ao fundamento de não haver crédito disponível para compensação pois o valor do indébito pleiteado já estaria alocado a outro débito. Na impugnação apresentada (fls. 08/10) a interessada alegou, entre outros aspectos: A empresa recolheu o IRPJ e a Contribuição Social estimado durante o ano de 2006, quando da elaboração do Balanço patrimonial encerrado em 31.12.2006, apurouse Contribuição Social e IRPJ a recolher, a Contribuição Social a pagar, foi totalmente compensada restando ainda valor pago a maior a compensar, o IRPJ foi compensado parcialmente, restando o valor a recolher de R$ 296.888,97 até 31.03.2007, valor este que foi compensado conforme PER/DCOMP apresentado em 23/08/2007 no valor de R$ 52.970,42, alterando o pagamento por estimativa no exercício de 2006. Apreciando o litígio a DRJ em Juiz de Fora/MG indeferiu o pleito ao argumento de que o art. 10 da IN SRF 600/2005 determina que os recolhimentos indevidos ou a maior de estimativa de IRPJ ou de CSLL somente podem ser utilizados ao final do período de apuração como dedução do devido a título de imposto ou contribuição, ou para composição do saldo negativo porventura apurado (fls. 33/35). Cientificada, em 13/09/2011, do acórdão, apresentou a interessada, em 13/10/2011, o recurso voluntário de fls., no qual, após tecer considerações a respeito da legislação que rege o assunto, observa que a não homologação da compensação com fundamento no art. 10 da IN SRF 600/2005, por ser ato infralegal, fere o princípio da legalidade. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907652/200934 Acórdão n.º 180100.920 S1TE01 Fl. 64 3 No mérito alega que houve erro no preenchimento do PERDCOMP na indicação do tipo de crédito. Afirma ter efetuado o recolhimento de estimativas mensais de CSLL no ano de 2006 no total de R$ 390.315,10 e que de acordo com a Ficha 17 da respectiva DIPJ, depois de deduzidos os valores pagos por estimativa mensal, teria permanecido com um saldo total de R$ 437.492,14 de CSLL a compensar, de modo que haveria crédito suficiente para a homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A primeira questão que se coloca para análise nestes autos referese à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário gerando um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão já foi dirimida nesta Turma de julgamento, como se verifica dos trechos abaixo reproduzidos, extraídos do Acórdão 1801000.486, de relatoria desta mesma Conselheira: “... Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] Fl. 66DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907652/200934 Acórdão n.º 180100.920 S1TE01 Fl. 65 5 § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 § 12. (...) (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907652/200934 Acórdão n.º 180100.920 S1TE01 Fl. 66 7 §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ ou da CSLL – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, uma vez que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907652/200934 Acórdão n.º 180100.920 S1TE01 Fl. 67 9 § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, Fl. 71DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzi los por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de Fl. 72DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907652/200934 Acórdão n.º 180100.920 S1TE01 Fl. 68 11 janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. ...” No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar as estimativas mensais de CSLL do anocalendário 2006. Afirma ter efetuado o recolhimento de estimativas mensais de CSLL no ano de 2006 no total de R$ 390.315,10 e que de acordo com a Ficha 17 da respectiva DIPJ, depois de deduzidos os valores pagos por estimativa mensal, teria permanecido com um saldo total de R$ 437.492,14 de CSLL a compensar. De fato, compulsandose os autos, verificase que na DIPJ do exercício 2007 Ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – foi deduzida, da CSLL apurada como devida, de R$ 182.260,87, estimativas mensais totais recolhidas no mesmo valor de R$ 182.260,87, o que não teria gerado qualquer valor a pagar ou a restituir de CSLL no ano calendário de 2006 (fls. 31/32). Contudo, à fl. 30, encontrase extrato do sistema de pagamentos SINAL 06, que demonstra que houve recolhimentos de estimativa de CSLL (código 2484), no decorrer do anocalendário 2006, que totalizam R$ 302.371,12. Também na cópia do Livro Razão n º 05, apresentado pela interessada, e anexada à fl. 19, encontramse registrados recolhimentos de estimativas mensais de CSLL de janeiro a dezembro de 2006 e na cópia da DCTF à fl. 29, débitos de CSLL declarados e valores vinculados, como se verifica do quadro resumo a seguir: Mês Sinal DCTF Razão Débitos Créditos janeiro 20.471,12 20.471,12 fevereiro 31.152,44 31.152,44 março 23.403,63 23.403,63 abril 25.061,07 25.061,07 maio 37.115,50 37.115,50 junho 16.545,94 16.545,94 julho 44.442,50 44.442,50 44.442,50 44.442,50 agosto 52.970,42 52.970,42 52.970,42 52.970,42 setembro 51.208,50 51.208,50 51.208,50 51.208,50 outubro 41.315,30 41.315,30 41.315,30 novembro 44.628,68 44.628,68 44.628,68 dezembro 2.000,00 2.000,00 2.000,00 Totais 302.371,12 236.565,40 236.565,40 390.315,10 Verificase, pois, que existe a possibilidade de a contribuinte ter operado com erro, na apuração e pagamento das estimativas de CSLL do ano de 2006. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Entretanto, a autoridade julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. E isto porque, em verdade, o único fundamento da decisão foi a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados. Tal fundamento porém, não permite concluir pela integridade da formação do crédito.. Superada, neste voto, a questão da possibilidade jurídica do pedido, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente quanto aos demais requisitos para homologação da compensação, ainda que o indébito deva ser tratado como saldo negativo de CSLL. Isto porque, dada a grande quantidade de processos formados a partir de PERDCOMP apresentados pela interessada com a indicação de indébitos de estimativas de CSLL de todo o anocalendário 2006 conforme relação ao final do voto todos julgados da mesma forma pela autoridade julgadora de 1a. instância – DRJ – é necessária uma análise conjunta de todos e, se for o caso, da reunião dos processos em único, para melhor controle da administração tributária. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação pleiteada por ausência de análise do mérito pela autoridade julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, bem quanto à homologação ou não das compensações, observandose, se for o caso, a necessidade de reunião dos processos. Relação de Processos PERDCOM CSLL – anocalendário 2006: 10675.907651/200990 10675.907652/200934 10675.907653/200989 10675.907654/200923 10675.907655/200978 10675.907656/200912 10675.907657/200967 10675.907658/200910 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 74DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10675.907652/200934 Acórdão n.º 180100.920 S1TE01 Fl. 69 13 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10660.900089/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO.
CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. EXISTÊNCIA
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver contradição, omissão ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Identificado tal pressuposto, cabíveis os embargos, de forma parcial e nesta parte, com efeitos infringentes. Embargos Parcialmente Acolhidos.
Numero da decisão: 3201-002.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. EXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver contradição, omissão ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Identificado tal pressuposto, cabíveis os embargos, de forma parcial e nesta parte, com efeitos infringentes. Embargos Parcialmente Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
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LTDA) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. EXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver contradição, omissão ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Identificado tal pressuposto, cabíveis os embargos, de forma parcial e nesta parte, com efeitos infringentes. Embargos Parcialmente Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 00 89 /2 00 9- 32 Fl. 356DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de despacho para apreciar a admissibilidade de embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015, em face do acórdão n° 3802004.046, de 28/01/2015, que foi assim ementado: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 30/11/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A Declaração de Compensação é uma confissão de dívida, não há como anular o débito nela confessado, salvo se comprovada a ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISPOSIÇÕES NORMATIVAS. Não há como acolher o pleito de conversão do pedido de compensação como pedido de restituição, por falta de competência para tal. Recurso ao qual se nega provimento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Em relação ao pedido de restituição cujo processo foi apensado ao presente, deverá o mesmo ser desapensado para análise do pleito de restituição pela unidade de origem. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, convocado para atuar provisoriamente na 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Acompanhou o julgamento a Dra. Lívia Maria Marques Melo, OAB/DF 33.534. Versa o presente processo de pleito de compensação, através de Declaração de Compensação Eletrônica – DCOMP nº 28016.32084.100106.1.3.041261, transmitida em 09/01/2006, cujo objeto é a compensação de débito de Confins, período de apuração 12/2005, no valor total de R$ 44.770,71, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de Cofins (código 5856), PA 30/11/2005, no valor de R$ 165.671,49. O valor total do crédito original utilizado nesta DCOMP é de R$ 44.327,44. Por sua vez, a DRF/Varginha/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de inexistência do crédito, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente o pedido da Recorrente somente para cancelar o débito que seria objeto de pedido de compensação – (DCOMP nº 28016.32084.100106.1.3.041261 e indeferir a restituição em razão da ausência do respectivo Pedido Eletrônico de RessarcimentoPER. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10660.900089/200932 Acórdão n.º 3201002.602 S3C2T1 Fl. 357 3 O sujeito passivo apresentou, tempestivamente, os embargos de declaração, alegando vícios (omissão, contradição e obscuridade) a serem sanados, da seguinte forma: Frisese que, em momento algum, discutiuse no referido Recurso Voluntário questão relativa à existência dos débitos declarados, mas tão somente a existência dos créditos pleiteados e a possibilidade de conversão do PER/DCOMP em Pedido de Restituição. Portanto, o objeto dos recursos ficou limitado aos pontos discutidos pela REQUERENTE. Importante destacar também que o citado acórdão não foi objeto de interposição de Recurso de Oficio, de modo que a existência e cobrança dos débitos compensados restou definitivamente solucionada pela DRJ de Juiz de Fora, jamais tendo a questão sido levada ao E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"). Em outras palavras, restou definitivo o entendimento de que inexistem os débitos que seriam quitados mediante a compensação. Dessa maneira, a carta de cobrança encaminhada juntamente com o acórdão proferido pelo E. CARF é indevida, razão pela qual, na execução da referida decisão, devem ser cancelados no sistema da Receita Federal do Brasil ("RFB") os débitos constantes das declarações de compensação, desapensandose os pedidos de restituição protocolados, para que estes sejam analisados pela autoridade competente. A Turma (Especial) de julgamento, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário e em relação ao pedido de restituição cujo processo foi apensado ao presente, deixou consignado que deverá o mesmo ser desapensado para análise do pleito de restituição pela unidade de origem. Cientificada da referida decisão, o sujeito passivo, tempestivamente, interpôs embargos de declaração, onde alega omissão/obscuridade ou contradição, cujos embargos devem ser conhecidos e portanto, fazendose necessária a admissibilidade dos mesmos para enfrentamento das matérias a serem analisadas (inexistência de débito reconhecido pela DRJ/possibilidade de pedido de conversão do PER/DCOMP em Pedido de Restituição). Diante do exposto, requer seja dado provimento aos embargos de declaração. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão do Presidente da Turma, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Fl. 358DF CARF MF 4 A embargante, inconformada com a decisão no julgamento em apreço, opõe embargos, argumentando alega omissão/obscuridade ou contradição, cujos embargos devem ser conhecidos e portanto, fazendose necessária a admissibilidade dos mesmos para enfrentamento das matérias a serem analisadas (inexistência de débito reconhecido pela DRJ/possibilidade de pedido de conversão do PER/DCOMP em Pedido de Restituição). Verificase que o julgamento de primeira instância foi no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade no sentido de indeferir a restituição em razão da ausência do respectivo Pedido Eletrônico de RessarcimentoPER (preliminar), bem como cancelar a exigência do débito da Dcomp de nº 28016.32084.100106.1.3.041261. Como concluiu no voto: Pelo exposto, voto por julgar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade no sentido de indeferir a restituição em razão da ausência do respectivo PER, mas cancelar a exigência do débito da Dcomp nº. 28016.32084.100106.1.3.041261 . Portanto, de fato esta sacramentado a exigência de débito na Dcomp acima, não há que se votado em segunda instância, tendo em vista não se tratar de recurso de ofício, pelo exposto, a embargante tem toda razão e os embargos devem ser acolhidos nesta parte. Houve de fato um equívoco por esta relatora. Enfim, restando, apenas em sede de recurso voluntário, a questão de análise, de discussão resumir, portanto, sobre possibilidade de a Recorrente “converter” o seu pedido de compensação em pedido de restituição. Neste ponto, não assiste razão à embargante, pois a análise foi tratada, em preliminar no voto original, que reproduzo: Antes de adentrar no mérito, há que se analisar o pedido de compensação apresentado que seja considerado como pedido de restituição, inclusive motivo de apensação do respectivo processo (de restituição) para deslinde da questão, como solicita a recorrente. Observase o que preceituam o § 1º do art. 3º e o art. 27 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005: Art. 3º § 1º A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Art. 27. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela SRF caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante Pedido de Restituição ou Pedido de Ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional. (grifos não são do original) Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10660.900089/200932 Acórdão n.º 3201002.602 S3C2T1 Fl. 358 5 Em sendo assim, e após observação no processo de restituição, falta competência para conversão do pedido de compensação em pedido de restituição. Além do mais, caracterizaria supressão de instância, pois não há nem despacho decisório. Logo, não há como acolher este pleito de conversão do pedido de compensação como pedido de restituição, por total incompetência na apreciação e alertese que o processo apensado deve ser desapensado para seguir o seu próprio rito. Por todo o exposto, nesta parte não há contradição, nem omissão no julgamento. Em sendo assim , a ementa do voto deverá constar o seguinte: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 30/11/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISPOSIÇÕES NORMATIVAS. Não há como acolher o pleito de conversão do pedido de compensação como pedido de restituição, por falta de competência para tal. Recurso ao qual se nega provimento. Recurso Negado E no voto, apenas a parte relativa ao pleito de análise sobre a conversão do pedido de compensação em pedido de restituição, dessa forma: O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a decisão a quo concordou com a alegação do contribuinte da inexistência do débito indicado na Dcomp, devendo ser cancelada a sua cobrança. A discussão, portanto, cingese à possibilidade de a Recorrente “converter” o seu pedido de compensação em pedido de restituição. Antes de adentrar no mérito, há que se analisar o pedido de compensação apresentado que pode ser "considerado como pedido de restituição", inclusive motivo de apensação do respectivo processo (de restituição) para deslinde da questão, como solicita a recorrente. Observase o que preceituam o § 1º do art. 3º e o art. 27 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005: Art. 3º § 1º A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição Fl. 360DF CARF MF 6 constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Art. 27. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela SRF caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante Pedido de Restituição ou Pedido de Ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional. (grifos não são do original) Em sendo assim, e após observação no processo de restituição, verificase que falta competência para conversão do pedido de compensação em pedido de restituição. Além do mais, caracterizaria supressão de instância, pois não há nem despacho decisório sobre este fato, inclusive. Logo, não há como acolher este pleito de conversão do pedido de compensação como pedido de restituição, por total incompetência na apreciação e alertese que o processo apensado deve ser desapensado para seguir o seu próprio rito, se for o caso. Conclusão Portanto, feitas as considerações supra, e sem maiores delongas, nego provimento ao recurso voluntário protocolizado pela Recorrente. Alertese mais uma vez, a necessidade de desapensamento do processo de restituição (para seguir rito próprio). Da conclusão dos Embargos Diante do exposto, voto para que seja acolhido parcialmente o recurso formulado pela embargante, para afastar a exigência dos débitos referentes à compensação, nos termos da decisão da primeira instância. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 361DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.910532/2012-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.695
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 05 32 /2 01 2- 05 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10480.910532/201205 Acórdão n.º 3302003.695 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11040.583. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10480.910532/201205 Acórdão n.º 3302003.695 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 25/06/2013, apresentação do RV em 01/07/2013). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10480.910532/201205 Acórdão n.º 3302003.695 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.910508/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.681
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 05 08 /2 01 2- 68 Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10480.910508/201268 Acórdão n.º 3302003.681 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.555. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10480.910508/201268 Acórdão n.º 3302003.681 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10480.910508/201268 Acórdão n.º 3302003.681 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 214DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.010263/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1983 a 31/12/1997
CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. VIGÊNCIA DO BENEFÍCIO FISCAL. PRECEDENTES DO STF E DO STJ.
Em conformidade com o quanto decidido no Recurso Extraordinário nº 577.348 com repercussão geral reconhecida, pelo Supremo Tribunal Federal, e no Recurso Especial nº 1.111.148, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, o beneplácito fiscal do crédito-prêmio de IPI teve vigência até 04/10/1990 (inclusive), quando fulminado pelo preceptivo normativo do § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição Federal de 1988.
CRÉDITO-PRÊMIO DO IPI. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS CONTADOS DA EFETIVA EXPORTAÇÃO DA MERCADORIA.
A prescrição para se realizar o pedido de ressarcimento do Crédito-Prêmio do IPI é regida pelo art. 1º do Decreto nº 20.910/1932, prescrevendo o direito em cinco anos a contar da data da efetiva exportação da mercadoria (dies a quo).
Numero da decisão: 3401-003.459
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente), e Hélcio Lafetá Reis (suplente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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VIGÊNCIA DO BENEFÍCIO FISCAL. PRECEDENTES DO STF E DO STJ. Em conformidade com o quanto decidido no Recurso Extraordinário nº 577.348 com repercussão geral reconhecida, pelo Supremo Tribunal Federal, e no Recurso Especial nº 1.111.148, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça, o beneplácito fiscal do crédito prêmio de IPI teve vigência até 04/10/1990 (inclusive), quando fulminado pelo preceptivo normativo do § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da Constituição Federal de 1988. CRÉDITOPRÊMIO DO IPI. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS CONTADOS DA EFETIVA EXPORTAÇÃO DA MERCADORIA. A prescrição para se realizar o pedido de ressarcimento do CréditoPrêmio do IPI é regida pelo art. 1º do Decreto nº 20.910/1932, prescrevendo o direito em cinco anos a contar da data da efetiva exportação da mercadoria (dies a quo). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 02 63 /2 00 8- 73 Fl. 170DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente), e Hélcio Lafetá Reis (suplente). Relatório 1. Tratase pedido de restituição de créditoprêmio de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), concedido a título de incentivo à exportação, com fundamento no art. 1º do DecretoLei nº 49/1969, restabelecido pelo DecretoLei nº1.894/1981 e confirmado pela Resolução do Senado Federal nº 71/2005, situado às fls. 02 a 03, com período de apuração compreendido entre abril de 1983 a dezembro de 1997, formulado em 09/10/2008, no valor histórico de R$ 54.146.450,29. 2. O pedido foi indeferido pelo despacho decisório sem número DRF/JUN/SEORT de 21/10/2008, situado às fls. 93 a 97, sob o fundamento de que: (i) o benefício se extinguiu em 30/06/1983, em conformidade com o DecretoLei nº 1.658/1979, que determinou a sua redução gradual até a sua extinção, prevista para ocorrer na data em referência; (ii) a Resolução do Senado Federal nº 71/2005 não tem interferência sobre o DecretoLei nº 1.658/1979; (iii) os créditos a que porventura a contribuinte teria direito estariam atingidos pela decadência, em conformidade com o art. 1º do Decreto nº 20.910/1932; (iv) o pedido formulado não se enquadra em nenhuma das hipóteses de ressarcimento de créditos de IPI previstos no art. 1º do DecretoLei nº 491/1969; e (v) o AtoDeclaratório nº 31/1999 esclarece que não se enquadra "(...) nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação, previstas pela Instrução Normativa SRF nº 21, de 10/03/1997, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 73, de 15/09/1997, o 'créditoprêmio' instituído pelo DecretoLei nº 491/1969", em conformidade com a ementa abaixo transcrita: BENEFÍCIO FISCAL EXTINTO. INDEFERIMENTO. Períodos de apuração: abril/1983 a dezembro/1997 Ementa: Deve ser liminarmente indeferido o pedido de ressarcimento cujo direito creditório alegado tenha por base O "créditoprêmio" instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969. Dispositivos legais: Decretolei n° 1.658/79, § 1° do art. 1° e § 2° do art. 1°, na redação dada pelo Decretolei n° 1.722/79. PEDIDO INDEFERIDO. 3. A contribuinte, cientificada por meio de aviso postal em 12/12/2008, conforme aviso de recebimento situado à fl. 99, apresentou, em 23/12/2008, manifestação inconformidade, situada às fls. 100110, argumentando, em síntese, que: (i) apesar de ter sido gradativamente até a sua ulterior extinção pelo DecretosLei nº 1.658/1979, 1.722 e 1724/1979, todos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, o créditoprêmio do IPI foi restaurado integralmente pelo DecretoLei nº 1.894/1981, sem definição de prazo; (ii) a Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.010263/200873 Acórdão n.º 3401003.459 S3C4T1 Fl. 532 3 Resolução do Senado Federal nº 71/2005 declarou mantida a vigência do art. 1º do DecretoLei nº 491/1969 e suspendeu a execução da expressão “ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir” constante no artigo 1° do Decreto Lei n° 1.724/79 e das expressões “reduzilos" e “suspendêlos ou extinguilos" do artigo 3° do Decreto Lei n° 1.894/81", declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal; e (iii) a autoridade fiscal, ao utilizar a Instrução Normativa nº 600/2005 para indeferir o pedido de ressarcimento formulado, é imotivado e extrapola os limites da legalidade e do direito de petição. 4. Em sessão de 02/06/2010, foi proferido o Acórdão DRJ nº 14 29.410, situado às fls. 112 a 129, e proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), sob a relatoria do AuditorFiscal Marcelo de Camargo Fernandes, que decidiu, por votação unânime, julgar improcedente a manifestação de inconformidade intentada, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS (sic) O Período de apuração: 01/01/1983 a 31/12/1997 CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. Indeferese a solicitação de crédito prêmio relativo a período não mais abrigado por este incentivo. Referido beneficio fiscal não está enquadrado nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 5. A contribuinte, cientificada por meio de aviso postal em 15/10/2010, conforme aviso de recebimento situado à fl. 131, interpôs, em 09/11/2010, recurso voluntário, situado às fls. 132151, no qual reiterou as razões defendidas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 172DF CARF MF 4 Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 7. O presente caso consubstancia pedido de ressarcimento, protocolado em 09/10/2008, de IPI recolhido de maneira indevida referente a exportações realizadas pela contribuinte no período de 01/04/1983 a 31/12/1997, cabendo a este colegiado, em primeiro lugar, decidir sobre a vigência do chamado créditoprêmio no interregno em disputa. 8. A questão, no entanto, já foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal com reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 577.302/RS, substituído pelo Recurso Extraordinário nº 577.3485∕RS: EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E DESPROVIDO. I O créditoprêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial de que trata o do art. 41, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição. II Como o créditoprêmio de IPI não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, após a publicação da Constituição Federal de 1988, segundo dispõe o § 1º do art. 41 do ADCT, deixou ele de existir. III O incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial. IV Recurso conhecido e desprovido. 9. Após a manifestação do Supremo Tribunal Federal, este Conselho se manifestou no sentido de que o créditoprêmio vigorou até 05/10/1990, em conformidade com o Acórdão CARF nº 3202001.032, sob a relatoria do Conselheiro Luis Eduardo Garossino Barbieri, proferido em sessão de 28/11/2013: IPI. CRÉDITOPRÊMIO À EXPORTAÇÃO. EXTINÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. RESOLUÇÃO N. 71/2005 DO SENADO DA REPÚBLICA. Nos termos do art. 62ª do Regimento Interno do CARF aplicase ao caso concreto a interpretação fixada pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 561.485, com caráter de repercussão geral, no sentido de que o créditoprêmio à exportação vigorou até 05/10/1990 e que a Resolução do Senado nº 71, de 27/12/2005, ao preservar a vigência do que remanesce do art. 1º do DecretoLei nº 491, de 05/03/1969, se referiu à vigência que remanesceu até 05/10/1990, pois o STF não emitiu nenhum juízo acerca da subsistência ou não do crédito prêmio à exportação ao declarar a inconstitucionalidade do artigo 1º do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.010263/200873 Acórdão n.º 3401003.459 S3C4T1 Fl. 533 5 DecretoLei nº 1.724, de 07/12/1979 e do inciso I do artigo 3º do Decreto Lei nº 1.894, de 16/12/1981.. 10. O Superior Tribunal de Justiça, por sua vez, confirmou tal entendimento no julgamento, sob a sistemática dos recursos repetitivos, do Recurso Especial nº 1.111.148/SP, sob a relatoria do Ministro Mauro Campbell: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. Recurso Especial representativo de controvérsia (art. 543C, § 1º, do CPC). pedido de desistência. Indeferimento. violação ao art. 535, do CPC. INOCORRÊNCIA. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491∕69 (ART. 1º). VIGÊNCIA. PRAZO. EXTINÇÃO. PRESCRIÇÃO. 1. É inviável o acolhimento de pedido de desistência recursal formulado quando já iniciado o procedimento de julgamento do Recurso Especial representativo da controvérsia, na forma do art. 543C do CPC c∕c Resolução n.º 08∕08 do STJ. Precedente: QO no REsp. n. 1.063.343RS, Corte Especial, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 17.12.2008. 2. O Poder Judiciário não está obrigado a se manifestar expressamente a respeito de todas as teses jurídicas trazidas pelas partes para a solução de um determinado caso concreto. Basta a existência de fundamentação apta e razoável a fazêlo no decisório, havendo que ser consideradas rechaçadas as demais teses levantadas e não acolhidas. Ausente a violação ao art. 535, do CPC. 3. Relativamente ao prazo de vigência do estímulo fiscal previsto no art. 1º do DL 491∕69 (créditoprêmio de IPI), três orientações foram defendidas na Seção. A primeira, no sentido de que o referido benefício foi extinto em 30.06.83, por força do art. 1º do Decretolei 1.658∕79, modificado pelo Decretolei 1.722∕79. Entendeuse que tal dispositivo, que estabeleceu prazo para a extinção do benefício, não foi revogado por norma posterior e nem foi atingido pela declaração de inconstitucionalidade, reconhecida pelo STF, do art. 1º do DL 1.724∕79 e do art. 3º do DL 1.894∕81, na parte em que conferiram ao Ministro da Fazenda poderes para alterar as condições e o prazo de vigência do incentivo fiscal. 4. A segunda orientação sustenta que o art. 1º do DL 491∕69 continua em vigor, subsistindo incólume o benefício fiscal nele previsto. Entendeuse que tal incentivo, previsto para ser extinto em 30.06.83, foi restaurado sem prazo determinado pelo DL 1.894∕81, e que, por não se caracterizar como incentivo de natureza setorial, não foi atingido pela norma de extinção do art. 41, § 1º do ADCT. 5. A terceira orientação é no sentido de que o benefício fiscal foi extinto em 04.10.1990, por força do art. 41 e § 1º do ADCT, segundo os quais "os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas Fl. 174DF CARF MF 6 cabíveis", sendo que "considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei". Entendeuse que a Lei 8.402∕92, destinada a restabelecer incentivos fiscais, confirmou, entre vários outros, o benefício do art. 5º do DecretoLei 491∕69, mas não o do seu artigo 1º. Assim, tratandose de incentivo de natureza setorial (já que beneficia apenas o setor exportador e apenas determinados produtos de exportação) e não tendo sido confirmado por lei, o créditoprêmio em questão extinguiuse no prazo previsto no ADCT. 6. Prevalência do entendimento no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o créditoprêmio do IPI, previsto no art. 1º do DL 491∕69, não se aplica às vendas para o exterior realizadas após 04.10.90. Precedente no STF com repercussão geral: RE nº. 577.3485∕RS, Tribunal Pleno, Relator Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 13.8.2009. Precedentes no STJ: REsp. Nº 652.379 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 396.836 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para o acórdão Min. Castro Meira, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 738.689 PR, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 27 de junho de 2007. 7. O prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do crédito prêmio do IPI, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910∕32, é de cinco anos. Precedentes: EREsp. Nº 670.122 PR Primeira Seção, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 10 de setembro de 2008; AgRg nos EREsp. Nº 1.039.822 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24 de setembro de 2008. 8. No caso concreto, tenho que o mandado de segurança foi impetrado em 27 de fevereiro de 2004, portanto, decorridos mais de cinco anos entre a data da extinção do benefício (5 de outubro de 1990) e a data do ajuizamento do writ, encontramse prescritos eventuais créditos de titularidade da recorrente. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8∕2008. 11. A posição firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, acima referenciada, tem sido corretamente aplicada por este Conselho, em conformidade com o Acórdão CARF nº 3402003.224, proferido pela 2ª Turma desta Câmara em sessão de 24/08/25016, de relatoria do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que, por votação unânime, decidiu que o créditoprêmio de IPI teve vigência até 04/10/1990, nos termos da ementa abaixo transcrita: CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. VIGÊNCIA DO BENEFÍCIO FISCAL. PRECEDENTES DO STF E DO STJ. Segundo precedente firmado em Recurso Extraordinário com repercussão geral (RE n. 577.348) e Recurso Especial julgado sob o rito de recursos Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.010263/200873 Acórdão n.º 3401003.459 S3C4T1 Fl. 534 7 repetitivos (REsp n. 1.111.148), o créditoprêmio de IPI teve vigência até 04 de outubro de 1990, por força do prescrito no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988. 12. Uma vez estabelecido que o estímulo fiscal previsto no art. 1º do DecretoLei nº 491/1969 vigorou até 04/10/1990, quando extinto por disposição do art. 41 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). 13. Concluise, assim, que as exportações da contribuinte recorrente realizadas entre 05/10/1990 e 31/12/1997, ou seja, quando já revogado o programa, não fazem jus ao créditoprêmio de IPI, sendo de rigor se analisar o período anterior a este marco temporal, compreendido entre 01/04/1983 a 04/10/1990, quando vigente o benefício. 14. Ocorre que as exportações contempladas pelo art. 1º do DecretoLei nº 491/1969, no caso em apreço, ocorreram entre 1983 e 1990, e o pedido de ressarcimento foi realizado pela contribuinte apenas em 09/10/2008, praticamente 18 anos depois da derradeira exportação suscetível ao créditoprêmio. 15. Com efeito, as dívidas passivas da Fazenda Nacional prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem, em conformidade com o art. 1º do Decreto nº 20.910, de 1932: Decreto nº 20.910/1932 Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. 16. Assim, ainda que reconhecida a vigência do beneplácito fiscal naquelas operações realizadas até 04/10/1990, o período se encontra fulminado pelo manto prescricional, e, portanto, tampouco sob este aspecto assiste razão à recorrente. 17. Neste sentido, o Acórdão nº 204003.705, proferido em 04/02/2009 pela 4ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que teve como redator ad hoc o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, uma vez que o relator original, o Conselheiro Ali Zraik Jr., não formalizou o acórdão antes de renunciar ao seu mandato: Assunto: IPI. RESSARCIMENTO Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1993 Ementa: CRÉDITOPRÊMIO DO IPI. PRESCRIÇÃO A prescrição relativa ao pedido de ressarcimento do CréditoPrêmio do IPI regese pelo Decreto 20.910/1932, prescrevendo o direito em cinco anos entre a data do efetivo embarque da mercadoria e a data do protocolo da requisição. Fl. 176DF CARF MF 8 18. Com idêntico teor, o supedâneo do Acórdão CARF nº 3403003.136, proferido em sessão de 24/07/2014, sob a relatoria do Conselheiro Presidente Antonio Carlos Atulim, por votação unânime da turma: CRÉDITO PRÊMIO À EXPORTAÇÃO. PRESCRIÇÃO. A teor do art. 1º do Decreto nº 20.910/32, prescreve em cinco anos o direito ao aproveitamento do créditoprêmio à exportação. Precedentes do STJ. CRÉDITOPRÊMIO À EXPORTAÇÃO. EXTINÇÃO. O art. 1º do DecretoLei nº 491/69 perdeu eficácia a partir de 05 de outubro de 1990, por força do art. 41, § 1º, do ADCT da CF/88. Precedentes do STF. 19. Quanto a este específico ponto da controvérsia, ademais, pronunciou se expressamente o Superior Tribunal de Justiça no "Item 7" da ementa do acórdão do Recurso Especial nº 1.111.148/SP, acima transcrito, no qual citou, ainda, precedentes da própria Corte nesta idêntica toada: 7. O prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do crédito prêmio do IPI, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910∕32, é de cinco anos. Precedentes: EREsp. Nº 670.122 PR Primeira Seção, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 10 de setembro de 2008; AgRg nos EREsp. Nº 1.039.822 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24 de setembro de 2008. 20. Desta feita, não se reconhece o direito creditório da contribuinte recorrente, devendo ser mantida a parte dispositiva do Despacho Decisório DRF/JUN/SEORT de 21/10/2008, situado às fls. 93 a 97 do presente processo administrativo. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 177DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.000243/2009-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
Embargos. Omissão/contradição/obscuridade.
Identificada a existência de omissão/contradição/obscuridade no julgado embargado, tais vícios deverão ser sanados.
Embargos declaratórios acolhidos, com efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora, para fins de alterar o resultado do julgado para recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3301-003.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios opostos, com efeitos infringentes, para: (a) integrar o voto proferido fazendo consignar a negativa da atualização pela taxa SELIC dos valores a serem ressarcidos; (b) corrigir o acórdão no sentido de que reste consignado que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, admitindo-se a integralidade do crédito pleiteado, contudo, sem atualização pela taxa SELIC; (c) integrar o voto proferido fazendo constar a impossibilidade de o Poder Executivo restringir o direito creditório do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente).
Nome do relator: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 EMBARGOS. OMISSÃO/CONTRADIÇÃO/OBSCURIDADE. Identificada a existência de omissão/contradição/obscuridade no julgado embargado, tais vícios deverão ser sanados. Embargos declaratórios acolhidos, com efeitos infringentes, nos termos do voto da Relatora, para fins de alterar o resultado do julgado para recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios opostos, com efeitos infringentes, para: (a) integrar o voto proferido fazendo consignar a negativa da atualização pela taxa SELIC dos valores a serem ressarcidos; (b) corrigir o acórdão no sentido de que reste consignado que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, admitindose a integralidade do crédito pleiteado, contudo, sem atualização pela taxa SELIC; (c) integrar o voto proferido fazendo constar a impossibilidade de o Poder Executivo restringir o direito creditório do contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 02 43 /2 00 9- 85 Fl. 543DF CARF MF 2 Fl. 544DF CARF MF Processo nº 16366.000243/200985 Acórdão n.º 3301003.262 S3C3T1 Fl. 544 3 Relatório A presente demanda versa sobre pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa do 4º trimestre de 2007. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR reconheceu apenas parcialmente o montante pleiteado, estando a parte controvertida relacionada à taxa de seguro de mercadorias. Inconformado com o indeferimento parcial do seu pleito, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente, com base nos seguintes fundamentos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de Apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO. INSUMOS. DESPESAS COM ARMAZENAGEM DE PRODUTOS. TAXA DE SEGURO DE MERCADORIAS. Por falta de previsão legal, não dá direito ao crédito o gasto com seguro de mercadorias, ainda que cobrado juntamente com despesas de armazenagem. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC É incabível a incidência de juros compensatórios com base na Taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos das contribuições ao PIS e à Confins. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido Insatisfeito com o conteúdo desta decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, através do qual pleiteou que fosse deferido integralmente o Pedido de Ressarcimento apresentado, referente à COFINSExportação do 4o trimestre de 2007, bem como reconhecido o direito à incidência de juros compensatórios de 1% e de correção monetária, por meio da Taxa SELIC, sobre o crédito concedido em favor da Recorrente, nos termos do artigo 39, §4°, da Lei 9.250 de 27.dez. 1995 c/c o art. 66, §3° da Lei n° 8.383 de 31.12.1991 e art. 108 do Código Tributário Nacional. Em sessão de julgamento realizada em 31 de janeiro de 2013, a 3a Turma Especial deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pela EXPORTADORA E IMPORTADORA MARUBENI COLORADO LTDA., nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRITÉRIO MATERIAL DIVERSO DAQUELE DO IPI.INSUMOS.TAXA DE SEGURO. Fl. 545DF CARF MF 4 Inexiste coincidência entre o regime não cumulativo do IPI e o da COFINS, pois os fatos tributários são diferentes já que esta última incide sobre a totalidade das receitas e aquele sobre a operação de industrialização de bens. Ademais, a legislação federal confere direito ao contribuinte em utilizar serviços como insumo na produção de bens destinados à venda e por isso não cabe ao Poder Executivo restringir este benefício. Tendo em vista a importância para a solução da presente lide, transcrevo a íntegra do voto proferido pelo Relator naquela oportunidade: Conselheiro Juliano Lirani O recurso voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. A empresa tem como objeto social e finalidade principal o comércio, importação, exportação, beneficio de café, adquiridos de terceiros, conforme 31ª Alteração do Contrato Social e Contrato Social Consolidado, sendo que consta nos autos a informação de que a empresa tem registrado no sistema de comércio exterior da receita federal os valores de suas exportações. Na realidade a contribuinte tem direito ao crédito presumido destinado a empresas que tenham por atividade a agropecuária, conforme previsto no art. 29 da Lei 11.051/2004, sendo que o cerne da questão está justamente na interpretação do conceito de insumo. Analisando o caso concreto, compreendo que a DRJ realizou uma interpretação por demais restritiva para o art. 3º da Lei n.º 10.833/2003, que possui a seguinte redação. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 22 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O CARF no PAF n.º 13053.000112/200518 Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do Acórdão n.º 930301.740, julgado em 09.11.2011 – 3ª Turma, tem sinalizado para uma interpretação menos restritiva para o conceito de insumo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (grifo) Fl. 546DF CARF MF Processo nº 16366.000243/200985 Acórdão n.º 3301003.262 S3C3T1 Fl. 545 5 Conforme extraise do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional. Além do que, é sabido que a não cumulatividade é uma técnica, com o objetivo de dimensionar o montante da exigência e de evitar a incidência em cascata e ela deve estar atrelada à materialidade do tributo. Logo, o critério material da tributação deve estar condicionada a outros aspectos do tributo, inclusive a técnica de não cumulatividade. Com efeito, reconheço o direito ao creditamento em relação a despesa com seguro, uma vez que o conceito de insumo não pode ser o mesmo utilizado para fins do IPI, quando as materialidades da tributação são distintas – produto e receita –, assim os conceitos de insumos também deveriam ser distintos e por esse motivo que é insumo para geração de receita não é exatamente a mesma coisa do que é insumo para a industrialização de um produto, sendo que neste sentido cito a o Acórdão nº 320200.226, sessão de 08/12/2010, 2ª Câmara, 2ª Turma Ord., 3ª Seção. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. O conteúdo desta decisão foi incluído no eprocesso em 15/03/2013, após assinatura do Relator, Juliano Lirani, e do Presidente da Turma, Alexandre Kern. Ato contínuo, em 16/03/2013, o Conselheiro Alexandre Kern, com fulcro no art. 65 do Regimento Interno do CARF, apôs embargos declaratórios com base nos seguintes fundamentos: (i) Omissão quanto à correção do valor ressarcido pela aplicação da taxa SELIC. Aponta o Embargante que consta do último parágrafo do relatório que o recorrente teria requerido expressamente "... a aplicação da atualização monetária e juros sobre os valores a serem ressarcidos", mas que o Relator teria, "olimpicamente", passado ao largo dessa questão. (ii) Obscuridade quanto à possibilidade de o Poder Executivo restringir o benefício. Neste ponto, aponta o Embargante que na ementa do julgado a turma teria consignado que "a legislação federal confere direito ao contribuinte em utilizar serviços como insumos na produção de bens destinados à venda e por isso não cabe ao Poder Executivo restringir este benefício". Todavia, no voto do relator, essa possibilidade não teria sido enfrentada, tendo o voto se apoiado em tese distinta para dar provimento ao recurso. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de julgamento dos referidos Embargos Declaratórios opostos. É o relatório. Fl. 547DF CARF MF 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Os embargos são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Consoante acima narrado, o então Presidente de Turma opôs embargos declaratórios em face do Acórdão em questão, com base em omissão e obscuridade, as quais serão devidamente analisadas a seguir. Inicialmente, apontou que teria havido omissão do acórdão embargado quanto à correção do valor ressarcido pela aplicação da taxa SELIC. Aponta o Embargante que consta do último parágrafo do relatório que o recorrente teria requerido expressamente "... a aplicação da atualização monetária e juros sobre os valores a serem ressarcidos", mas que o Relator teria, "olimpicamente", passado ao largo dessa questão. Constato, então, que, de fato, houve pedido expresso do contribuinte no sentido de que fosse reconhecido o direito à incidência de juros compensatórios de 1% e de correção monetária, por meio da Taxa SELIC, sobre o crédito concedido em favor da Recorrente, nos termos do artigo 39, §4°, da Lei 9.250 de 27.dez. 1995 c/c o art. 66, §3° da Lei n° 8.383 de 31.12.1991 e art. 108 do Código Tributário Nacional. Verifico, ainda, que o voto constante da decisão recorrida não traz uma linha sobre este tema, o que confirma a omissão apontada nos embargos ora analisados. Constato ainda, que, neste caso específico, a ementa tampouco tratou deste tema. Apesar do acima exposto, verifico que nos autos do Proc. n. 16366.000242/200931, que trata sobre a mesma matéria aqui analisada, sendo diverso apenas o período de apuração, constou da ementa do julgado o seguinte: RESSARCIMENTO. JUROS. TAXA SELIC A legislação federal não prevê a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos das contribuições ao PIS e à Cofins. Ou seja, com base no que constou da ementa supra transcrita, ainda que inserta em processo diverso do presente, entendo que a conclusão a que chegou a Turma Julgadora naquela oportunidade foi de que "a legislação federal não prevê a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos das contribuições ao PIS e à COFINS". Ocorre, contudo, que o Relator deixou de trazer em seu voto, ou mesmo na ementa do presente processo, os fundamentos que levam a tal conclusão. Passo, então, a sanar tal omissão, cujas razões de decidir deverão integrar a decisão recorrida. Entendo que a Turma Julgadora concluiu pela inaplicabilidade da taxa SELIC no caso vertente tendo em vista o entendimento deste Conselho no sentido de que inexiste amparo legal tal concessão em casos de ressarcimento de valores de PIS e COFINS. Nesse Fl. 548DF CARF MF Processo nº 16366.000243/200985 Acórdão n.º 3301003.262 S3C3T1 Fl. 546 7 sentido, transcrevo a seguir fundamentos constantes do voto proferido no Proc. n. 10510.000367/200540 (Acórdão n. 3201002.433 de 25 de janeiro de 2017): Quanto à esta matéria devese consignar que de fato não existe amparo legal para a correção monetária conforme pleiteada pela Recorrente, restando correta a conclusão do resultado da diligência fiscal neste ponto. A atualização monetária autorizada por lei, relativamente à restituição ou compensação de indébitos, não abrange o ressarcimento de valores de PIS e Cofins retidos pelas fontes pagadoras, órgãos públicos. A hipótese tratada nos autos, referese a ressarcimento, uma vez que houve uma permissão concedida por instrução normativa vigente à época, conforme ressaltado pela própria Recorrente, para se compensar valores retidos com impostos e contribuições da mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Ou seja, não se trata aqui de valores pagos indevidamente ou a maior, hipótese de que trata o Art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250 de 1995, que diz respeito a casos que envolvem compensação ou restituição, mas não abordou a hipótese de ressarcimento. Dispõe o § 3º do art. 66 da Lei nº 8.383 de 30 de dezembro de 1991, que: “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes. § 1º (...) § 2º (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR.” (Grifouse). Dentro dos princípios da hermenêutica jurídica, a interpretação do conteúdo de um parágrafo deve ser efetuada em conjunto com o caput do artigo e não isoladamente. Assim, o parágrafo completa o sentido do artigo ou acrescenta exceções ao seu enunciado. Verificase, portanto, que, ao estabelecer que a compensação ou restituição será efetuada pelo valor corrigido, o § 3º está completando o sentido do caput do art. 66, que trata exclusivamente de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos e contribuições federais. O art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. 1º (VETADO) Fl. 549DF CARF MF 8 2° (VETADO) 3° (VETADO) 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” (Grifouse). Assim, ao se reportar ao art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, e dentro dos princípios da hermenêutica jurídica, verificase que o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 1995, é aplicável apenas nos casos de pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e contribuições federais, o que não é a hipótese tratada nos presentes autos. Devese ainda esclarecer que, ao contrário do que afirma a Recorrente, não existe, no aludido Decreto nº 2.138, de 29 de janeiro de 1997, qualquer dispositivo que declare, expressamente, que os institutos da restituição e do ressarcimento estariam equiparados. Tal decreto dispõe sobre a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, regulamentando o disposto nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Da mesma forma, o citado Parecer AGU nº CQ96 também tratou especificamente de repetição (restituição) de indébito, o que, como já visto, não se aplica à hipótese tratada nos autos. Finalmente, cabe informar que atualmente existe norma expressa na Lei nº 10.833, de 29/12/2003 (conversão da MP 135, de 31/10/2003, que tratou da cofins nãocumulativa), vedando, para o ressarcimento da Cofins e do PIS a correção monetária e a aplicação dos juros de mora. Confirase (grifo nosso): “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. ... Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3o do art. 1o, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3o, nos §§ 3o e 4o do art. 6o, e nos arts. 7o, 8o, 10, incisos XI a XIV, e 13.” Nesse contexto, vêse que os artigos 39, §4°, da Lei 9.250/1995, 66, §3° da Lei n° 8.383/1991 e 108 do Código Tributário Nacional, indicados pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, não o socorrem em seu pleito de aplicação da atualização monetária com base na taxa SELIC. Ademais, consoante também constou do voto supra transcrito, é cediço que, desde 2003, há previsão expressa vedando a aplicação da taxa SELIC no caso de ressarcimento do PIS e da COFINS. Destaquese, ainda, que as decisões colacionadas pelo contribuinte em seu Recurso tampouco o socorrem em seu pleito, visto que estão relacionadas à matéria estranha à presente demanda, por versarem sobre ressarcimento relativo a crédito presumido de IPI. No Fl. 550DF CARF MF Processo nº 16366.000243/200985 Acórdão n.º 3301003.262 S3C3T1 Fl. 547 9 sentido da inaplicabilidade da extensão do entendimento relativo ao IPI para o PIS e à COFINS, trazse à colação decisão deste Colegiado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. ORIENTAÇÃO DO STJ PARA O IPI. INAPLICÁVEL. Especificamente no caso da contribuição ao PIS e da Cofins apuradas pelo regime não cumulativo, o ressarcimento de saldos credores não se sujeita à remuneração pela Taxa Selic em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida nos artigos 13 e 15 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, sob o rito do artigo 543C do anterior CPC, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há a vedação de atualização monetária expressa em lei ordinária, o que não ocorre para o IPI. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PER/DCOMP. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXONERAÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. A compensação tributária, efetivada pelo contribuinte por meio de PER/DCOMP, constitui sistemática que acarreta num encontro de contas, tendo como resultado a extinção de duas obrigações contrapostas: relação jurídica tributária, em que o contribuinte tem débito perante o Fisco; e relação jurídica de restituição de indébito ou ressarcimento, na qual o contribuinte tem direito a crédito a ser pago pelo Fisco (artigo 170, CTN e artigo 74 da Lei n. 9.430/96). Há, portanto, concomitante pagamento de tributo e restituição do indébito ou ressarcimento do tributo. Ou seja, na compensação tributária há sim pagamento, de modo que é figura passível de ser abrangida pelo benefício da denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos termos do artigo 138 do CTN. Recurso Voluntário provido em parte. Diante de todo o exposto, concluiuse que o pedido constante do Recurso Voluntário de atualização do montante a ser ressarcido com base na taxa SELIC deve ser indeferido. É importante que se reconheça, outrossim, que a decisão recorrida incorreu ainda em contradição neste mesmo ponto, a qual precisa ser sanada nesta oportunidade. Isso porque, embora conste do acórdão a informação de que os membros do colegiado teriam acordado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator, o indeferimento relativo à atualização pela taxa SELIC, no meu entender, leva ao provimento apenas parcial do recurso. Sendo assim, entendo que deverá ser sanada a omissão/contradição acima apontada, para fins de: (a) integrar o voto proferido, no sentido de trazer os fundamentos que Fl. 551DF CARF MF 10 levaram à negativa da atualização pela taxa SELIC dos valores a serem ressarcidos, conforme razões acima expostas; (b) corrigir o acórdão no sentido de que reste consignado que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, admitindose a integralidade do crédito pleiteado, contudo, sem atualização pela taxa SELIC. Apontou, ainda, o Embargante que teria havido obscuridade na decisão recorrida quanto à possibilidade de o Poder Executivo restringir o benefício. Neste ponto, aponta o Embargante que na ementa do julgado a turma teria consignado que "a legislação federal confere direito ao contribuinte em utilizar serviços como insumos na produção de bens destinados à venda e por isso não cabe ao Poder Executivo restringir este benefício". Todavia, no voto do relator, essa possibilidade não teria sido enfrentada, tendo o voto se apoiado em tese distinta para dar provimento ao recurso. Na ementa do julgado o Relator assim consignou: COFINS.NÃO CUMULATIVIDADE.CRITÉRIO MATERIAL DIVERSO DAQUELE DO IPI.INSUMOS.TAXA DE SEGURO. Inexiste coincidência entre o regime não cumulativo do IPI e o da COFINS, pois os fatos tributários são diferentes já que esta última incide sobre a totalidade das receitas e aquele sobre a operação de industrialização de bens. Ademais, a legislação federal confere direito ao contribuinte em utilizar serviços como insumo na produção de bens destinados à venda e por isso não cabe ao Poder Executivo restringir este benefício. Já em seu voto, o Relator manifestouse da seguinte forma: Conforme extraise do julgado acima, o insumo não deve em hipótese alguma estar restrito às matériasprimas, aos produtos intermediários e aos materiais de embalagem e outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, em razão do caráter restritivo não imposto pela lei e pelo Texto Constitucional. Além do que, é sabido que a não cumulatividade é uma técnica, com o objetivo de dimensionar o montante da exigência e de evitar a incidência em cascata e ela deve estar atrelada à materialidade do tributo. Logo, o critério material da tributação deve estar condicionada a outros aspectos do tributo, inclusive a técnica de não cumulatividade. Com efeito, reconheço o direito ao creditamento em relação a despesa com seguro, uma vez que o conceito de insumo não pode ser o mesmo utilizado para fins do IPI, quando as materialidades da tributação são distintas – produto e receita –, assim os conceitos de insumos também deveriam ser distintos e por esse motivo que é insumo para geração de receita não é exatamente a mesma coisa do que é insumo para a industrialização de um produto, sendo que neste sentido cito a o Acórdão nº 320200.226, sessão de 08/12/2010, 2ª Câmara, 2ª Turma Ord., 3ª Seção. (Grifos apostos). Ou seja, o Relator discorre em seu voto, na linha de inúmeras decisões proferidas por este Conselho, que o conceito de insumos para fins creditamento de IPI é diverso do conceito de insumos para fins de creditamento de PIS/COFINS. Em seguida, conclui em seu voto pelo reconhecimento do direito ao creditamento relativo à despesa com seguro, "uma vez que o conceito de insumo não pode ser o mesmo utilizado para fins do IPI". Fl. 552DF CARF MF Processo nº 16366.000243/200985 Acórdão n.º 3301003.262 S3C3T1 Fl. 548 11 De outro norte, na ementa, concluiu que não caberia ao Poder Executivo restringir o direito do contribuinte em utilizar serviços como insumos. Neste ponto, entendo que a obscuridade mencionada pelo Embargante diz respeito à ausência de indicação no voto do Relator do fundamento relativo à tal impossibilidade, o que passo a sanar nesta oportunidade. Embora não tenha o Relator discorrido expressamente em seu voto sobre a impossibilidade do Poder Executivo de restringir o direito creditório do contribuinte, entendo que esta impossibilidade decorre da própria interpretação do conceito de insumos feita pelo Relator. Ora, tendo em vista o conceito mais alargado do conceito de insumos para fins de crédito de PIS/COFINS, comparado com o conceito para fins de crédito de IPI, entendeu o Relator que possuía o contribuinte direito ao ressarcimento no montante integral pleiteado. E, com base na sua interpretação do conceito de insumos, o contribuinte possuía previsão legal para usufruir do crédito relativo à despesa com seguro. Logo, não cabia ao Poder Executivo restringir o direito creditório em questão, o qual encontra previsão na legislação do PIS/COFINS, conforme interpretação dada pelo Relator. Sendo assim, no intuito de sanar a obscuridade apontada pelo Embargante, entendo que as razões acima expostas também deverão integrar os fundamentos do voto proferido pelo Relator ao julgar o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso. Diante do acima exposto, acolho os Embargos Declaratórios opostos, com efeitos infringentes, para fins de sanar a omissão/contradição/obscuridade acima indicadas, no sentido de: (a) integrar o voto proferido com os fundamentos acima dispostos no que tange à negativa de atualização pela taxa SELIC dos valores a serem ressarcidos; (b) corrigir o acórdão no sentido de que reste consignado que foi dado parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, admitindose a integralidade do crédito pleiteado, contudo, sem atualização pela taxa SELIC; (c) integrar o voto proferido com as razões acima dispostas, relativas à impossibilidade de o Poder Executivo restringir o direito creditório do contribuinte. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 553DF CARF MF 12 Fl. 554DF CARF MF
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