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Numero do processo: 16561.720073/2014-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. DEDUÇÃO.
Inicia-se a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva dedução pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco.
ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÃO COMPLEXA E DE LONGA DURAÇÃO. INVESTIMENTO ESTRANGEIRO. CONTEÚDO ECONÔMICO E OBJETIVOS EMPRESARIAIS CLAROS. AUSÊNCIA DE ILÍCITOS OU ABUSOS.
O simples emprego de companhias holdings em estrutura de aquisição de investimento, ainda que com a finalidade de viabilizar e promover a compra de participações societárias, denominadas empresas veículo, não basta para justificar a glosa do ágio verificado em tais operações.
A alocação de recursos e investimentos em empresa controlada não operacional, principalmente quando procedida por grupos estrangeiros que almejam participar do mercado brasileiro, é manobra não só lícita, como também justificável e costumeira, dentro da dinâmica de um mercado globalizado.
Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento como despesa dedutível, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos.
A reorganização empresarial, procedida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mesmo envolvendo incorporação de empresas veículo e a chamada incorporação reversa, desde que não tenha como resultado o aparecimento de novo ágio, não constitui economia de tributos por meio ilícito ou abuso.
A desconsideração de atos e negócios jurídicos do contribuinte é medida extrema e excepcional. Cabe ao Fisco a demonstração específica, devidamente comprovada, de que determinada vantagem fiscal foi obtida através da prática de atos ilícitos ou simulados, dentro dos moldes dos institutos de Direito Civil e de Direito Comercial brasileiros.
Acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-002.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. DEDUÇÃO. Iniciase a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva dedução pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco. ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÃO COMPLEXA E DE LONGA DURAÇÃO. INVESTIMENTO ESTRANGEIRO. CONTEÚDO ECONÔMICO E OBJETIVOS EMPRESARIAIS CLAROS. AUSÊNCIA DE ILÍCITOS OU ABUSOS. O simples emprego de companhias holdings em estrutura de aquisição de investimento, ainda que com a finalidade de viabilizar e promover a compra de participações societárias, denominadas empresas veículo, não basta para justificar a glosa do ágio verificado em tais operações. A alocação de recursos e investimentos em empresa controlada não operacional, principalmente quando procedida por grupos estrangeiros que almejam participar do mercado brasileiro, é manobra não só lícita, como também justificável e costumeira, dentro da dinâmica de um mercado globalizado. Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento como despesa dedutível, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 73 /2 01 4- 18 Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.060 2 A reorganização empresarial, procedida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mesmo envolvendo incorporação de empresas veículo e a chamada incorporação reversa, desde que não tenha como resultado o aparecimento de novo ágio, não constitui economia de tributos por meio ilícito ou abuso. A desconsideração de atos e negócios jurídicos do contribuinte é medida extrema e excepcional. Cabe ao Fisco a demonstração específica, devidamente comprovada, de que determinada vantagem fiscal foi obtida através da prática de atos ilícitos ou simulados, dentro dos moldes dos institutos de Direito Civil e de Direito Comercial brasileiros. Acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 3061DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.061 3 Relatório Tratase de Recurso de Voluntário (fls. 2844 a 3009) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (fls. 2748 a 2829) que manteve integralmente as Autuações sofridas pela ora Recorrente (fls. 2172 a 2216). O processo versa sobre exações de IRPJ e CSLL, referentes aos anos calendário de 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013, verificadas após Procedimento Fiscal iniciado em 13/01/2012, em face da ora Recorrente, concluindo pela glosa da amortização do ágio decorrente de aquisições de participação societária e incorporações ocorridas em 1996, 1998, 2000, 2003, 2007 e 2008, com a aplicação de multa qualificada de 150%. As Autuações resumemse na verificação por parte da Fiscalização de que o Contribuinte teria realizado operações sem propósito negocial e justificativa econômica, valendose de empresas veículos para propiciar a entrada de investimento estrangeiro no Brasil, sendo as companhias investidoras do exterior as verdadeiras detentoras do ágio percebido nas operações, e empregando outros ardis jurídicos fraudulentos para tanto. A operação colhida, analisada de forma macro, compreende duas grandes suboperações, que podem ser denominadas aquisição KCB e aquisição Kenko, permitindo também estas serem divididas em etapas, que perduraram por alguns anos, havendo uma multiplicidade de negócios societários em cada uma delas. Em ambas as suboperações o Grupo KimberlyClark teria se valido de empresas veículos, as quais foram criadas no Brasil e capitalizadas por empresas estrangeiras, controladoras do Grupo, exclusivamente para viabilizar a aquisição de participações societárias, fato este que demonstraria serem estas empresas internacionais as reais titulares da despesa percebida. Em face da complexidade das operações, sua duração e inúmeros atos e negócios jurídicos colaterais ocorridos, para permitir uma demonstração fiel do entendimento da Fiscalização, bem como garantir uma compreensão mais aprofundada e detalhada dos fatos por trás da presente contenda, colacionase os trechos conclusivos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 2221 a 2299), repetido pelo relatório da DRJ: Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.062 4 Descrição das Infrações (...) Fl. 3063DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.063 5 (...) Ágio percebido e glosado pela Fiscalização Fl. 3064DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.064 6 Na sequência do Termo de Verificação Fiscal, demonstrase, em cada período, como o ágio foi amortizado, as compensações de prejuízo, levando em consideração outros eventos tributários e contábeis de relevância que levaram à formação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos períodos apurados, utilizados para se obter o valor líquido da glosa aplicada na lavratura das Autuações em tela (fls. 2252 a 2263). Ainda, consta do TVF a transcrição de inúmeras respostas formuladas nos 17 Termos de Intimação enviados à Empresa, referentes a esclarecimentos acerca das razões da adoção de tal estrutura, bem como dos motivo de criação e explicações sobre o funcionamento das empresas holdings utilizadas nas operações (fls. 2264 a 2269). Fl. 3065DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.065 7 Conclusão da Análise da MacroOperação Societária Para concluir, em relação à estrutura societária optada pela ora Recorrente, a R. Autoridade Tributária faz os seguintes comentários, mencionando o uso de empresas sem funcionários próprios e sediadas conjuntamente: Fl. 3066DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.066 8 Fl. 3067DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.067 9 Infração Tributária Prossegue o TVF descrevendo a Infração Tributária ocorrida. A Fiscalização, expressamente, adota como premissa que não haveria qualquer propósito negocial nas operações apuradas: Fl. 3068DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.068 10 Igualmente, explica como nasce o ágio em aquisições societárias, transcrevendo o art. 385 do RIR/99. Defende que o ágio seria um desembolso a maior pela empresa investidora na aquisição de empresa investida, em relação ao seu próprio valor contábil, na expectativa de obtenção de receitas futuras, sendo despesa necessária à expansão das atividades e da capacidade lucrativa da empresa investidora. Afirma que é um processo de neutralização de investimento, no sentido de que a realização de rentabilidade da investida não se caracteriza como lucro, mas tão somente como reposição de capital (fls. 2273 a 2276). E acrescenta que: Sustentase que nem sempre é possível, então, o aproveitamento do ágio na alienação do investimento. Traz como exemplo de requisito validador a extinção da sociedade investida por meio de incorporação, verificandose a confusão patrimonial. Explica que, tal mecanismo, teria sido a razão que justificou o legislador permitir e regulamentar, por meio dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, o aproveitamento do ágio, como forma de assegurar a recuperabilidade do ágio sem, no entanto, permitir seu aproveitamento abusivo (fls. 2279). E conclui da seguinte maneira: Fl. 3069DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.069 11 Também citase o reflexo de tal regramento no art. 386 do RIR/99 e pondera ser obrigatória a confusão patrimonial para a amortização do ágio, pela empresa que figurou como investidora, explicando (fls. 2284): (...) Fl. 3070DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.070 12 Diante de tal posicionamento jurídico, considera os fato ocorridos, e faz a seguinte construção (fls. 2286): Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.071 13 Enfim, em relação à infração tributária, são tecidas as seguintes conclusões (fls. 2287 a 2291): (...) (...) Fl. 3072DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.072 14 (...) Assim, em suma, a infração tributária tem como objeto a ausência de propósito negocial, pela utilização, por companhias estrangeiras, de empresas veículos e expedientes simulados, não podendo estas companhias gozarem do ágio, vez que essa seria uma despesa de investimento daquelas outras, domiciliadas fora do Brasil. O TVF se estende, demonstrado a D. Autoridade Tributária, como computou o ágio glosado em adição às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, no período de 2008 a 2013, com fundamento no art. 229 do RIR/99 (fls. 2291 a 2294). Multa Qualificada Ainda, a Fiscalização explica a imperiosidade da aplicação de Multa de Ofício e passa a fundamentar a sua qualificação, elevando sua razão para 150%. Fl. 3073DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.073 15 Alega a ocorrência de fraude na macrooperação societária (2295 a 2297): (...) Fl. 3074DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.074 16 Por fim, intimase o Contribuinte para retificar seu LALUR, atestase a devolução dos documentos, encerando o TVF que acompanha os Autos de Infração (fls. 2298 a 2299). Impugnação Notificada dos lançamentos em tela, a ora Recorrente apresentou Impugnação (fls. 2311 a 2742), pormenorizadamente descrevendo cada uma das operações trazidas no TVF, e alegando, em suma: Que as operação são a concretização da estratégia negocial para a entrada do Grupo KimberlyClark, estrangeiro, no Brasil, planejado no inicio da década de 1990, com implementação a partir de 1996, para participar do mercado de tissues (guardanapos, papel higiênico, toalhas, etc.) operação do Ágio KCB, bem como no mercado de wipes (fraldas, absorventes, lenços umidecidos, etc.) operação Ágio Kenko . Que as operações que sucederam a entrada no Brasil também tiveram o condão de organização societária, em face da saída de outras empresas, desfazimento de joint ventures e outro eventos negociais ocorridos até 2008. Que as operações foram planejadas muito antes e somente se iniciaram concretamente em 1996, então, antes da vigência da Lei nº 9.532/97, a qual permitiu e regulamentou o aproveitamento de ágio naquelas transações. Em relação à operação Àgio KCB, a Recorrente alega e demonstra que esta foi realizada em 2 momentos. Inicialmente celebrou com o Grupo Klabin, nacional, um contrato de investimento, por meio de aumento do capital da empresa Klabin Tissues. Foram emitidas novas quotas, subscritas pela KCTissueB (empresa nacional, criada pelo Grupo Kimberly Clark), que integralizou seu valor em dinheiro. Esse aumento foi objeto de laudo, não sendo o ágio gerado na operação, nem seu valor, fruto de questionamento pelo Fisco. A empresa KCTissueB ficou, então, com 31,375% de participação na empresa investida. O ágio verificado é de R$ 57.730.448,05. Fl. 3075DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.075 17 Em momento posterior, o Grupo KimberlyClark efetuou a aquisição da participação que a empresa Marsbaum detinha na Klabin Tissue. Tal operação não gera ágio, como reconhecido no TVF. Haveria, então, cenário em que o controle da Klabin Tissue (que nesse momento altera o nome para Klabin Kimberly) era dividido, 50% com o Grupo Klabin e 50% com o Grupo KimberlyClark, efetivando, dessa forma, a parceria pretendida para a entrada no mercado nacional de tissues. Tal modalidade de parceria seria comum e largamente aceita no Brasil e no mercado mundial. Alega que tal parceria prevaleceu, com a mesma configuração societária, por mais de 5 anos (até 2003), denotando, inclusive, duração relevante da KlabinTissueB, a primeira holding envolvida na operação com controle pelo Grupo KimberlyClark. Em 2003, o Grupo Klabin decide encerrar a parceria e aliena sua participação com ágio para o Grupo KimberlyClark, através de venda pela empresa Klabin das suas quotas da Klabin Kimberly à KCTissueB. Tal operação foi acompanhada de laudo, sua formação e valor, igualmente, não são questionados na Autuação. Nessa operação, o Grupo Kimberly Clark detém todo o controle da Klabin Kimberly e, portanto, alterouse o nome Klabin Kimberly para KimberlyClark Brasil Indústria e Comércio de Produtos de Higiene Ltda "KCB" (atual denominação da Recorrente).O ágio verificado é de R$ 222.416.919,95. Fl. 3076DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.076 18 Em 2007, 4 anos depois, o Grupo KimberlyClark, diante de situação de controle total da empresa autuada (mesmo sendo empresa do Grupo, a participação da Marsbaum, nessa data, já tinha sido adquirida pela KCTissueB em operação que não gerou ágio), restando a KCTissueB como única sócia, decidiu simplificar sua organização societária efetuando a incorporação da KCTissueB pela KCB. Fl. 3077DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.077 19 Teria, finalmente com esse ato, o ágio anteriormente registrado na conta de investimento da KCTissueB em KCB passado a ser ativo diferido da KCB, sendo, somente então, amortizado com base nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97. Em relação à operação Ágio Kenko, a Recorrente alega e demonstra que esta foi realizada em 3 etapas. Em um primeiro momento, como passo inicial para entrar no mercado nacional de wipes em 1996, constituiuse a empresa Minority Comercial Ltda. Minority e, logo após, a empresa KCC Comercial Ltda. KCC, uma holding do Grupo KimberlyClark no Brasil, promoveu aumento de capital nessa primeira companhia. Na sequência, efetuouse uma permuta de participação societária, entre a KCC e a empresa nacional Brasfanta Indústria e Comércio Ltda. Brasfanta, entregando KCC quotas da Minority e recebendo, da Brasfanta, quotas da empresa Kenko, no equivalente a 51% de participação. Em razão da diferença entre o valor do custo de aquisição das quotas da Minority e o valor da participação da Kenko, verificouse, aqui, o ágio de R$ 66.150.440,30, devidamente arrimado em laudo de avaliação de rentabilidade futura, não questionado pela Fiscalização. Fl. 3078DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.078 20 Em 2000, 4 anos depois, a empresa Fanta Empreendimentos e Participações Ltda. Fanta, holding do Grupo Brasfanta, promove o aumento de capital da empresa Salonicco Participações S/A Salonicco, através da integralização de 10.523.001 quotas da empresa Kenko, sendo essa detenção de capital equivalente a 19% daquela empresa. Fl. 3079DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.079 21 Logo depois, a KCC aporta capital na empresa Salonicco, conferindo o montante de R$ 128.189.175,30. Posteriormente, a KCC retirase da Salonico, recebendo as quotas da Kenko conferidas pela Fanta, momento em que se registrou ágio no montante de R$ 99.420.135,30, baseado em expectativa de rentabilidade futura, o que não foi questionado pela Fiscalização. Já em 2006, valendose de opção prevista em acordo de quotistas, a Fanta cede para a Fonte Farma do Brasil S/A o remanescente das quotas que possuía na Kenko, logo em seguida sendo, novamente, essas quotas transferidas à empresa Alercon Comércio de Produtos Têxteis e Plásticos S/A. Todas essas empresas são do mesmo Grupo Brasfanta. Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.080 22 Igualmente em 2006, o Grupo KimberlyClark decide adquirir toda a participação na empresa Kenko. Assim, a empresa KimberlyClark Holding e Representações do Brasil KCR adquire da Alsercon os 30% remanescentes de participação societária da Kenko. Na aquisição se percebeu o ágio de R$ 185.852.300,00, fundamentado em expectativa rentabilidade futura, que também não foi questionada pela Fiscalização. Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.081 23 Depois de 2 anos, em 2008, o Grupo KimberlyClark, já detendo todo o controle da Kenko, resolve simplificar o modelo societário de gestão, fazendo com que a Kenko incorporasse a KCC e a KCR, contabilizando o ágio, anteriormente gerado, em seu ativo diferido. Por fim, ainda em 2008, como medida de igual otimização societária, a KCB (Recorrente) incorporou a Kenko e deu início à amortização do ágio. Também alega a Recorrente em sua Defesa a decadência do direito do Fisco lançar os tributos ora exigidos. Tanto pela ótica da aplicação do art. 150 § 4º do CTN em relação ao anocalendário de 2008, tanto pela tese de que, independentemente da forma de contagem temporal, não poderia a Fiscalização alcançar fatos ocorridos entre 1996 e 2008, implicando na caducidade total do lançamento. Alega a total validade do ágio, de ponto de vista econômico, tendo como base operações reais e eficazes. Também pugna não ter suporte jurídico o TVF, aduzindo que teria a Fiscalização desvirtuado a interpretação da intenção do Legislador ao permitir a amortização do ágio, tecendo acusações meramente com base no uso de empresas veículos, frisando que as operações perduraram mais de 12 anos. Da mesma forma, contrapõe outras acusações pontuais do TVF, como uso de empresa de gaveta, de que não haviam acionistas minoritários envolvidos, uso de operação casaesepara e outras, referentes ao suposto planejamento tributário abusivo, demonstrando que a Fiscalização teria trazido informações impertinente, bem como indevidamente especulado sobre as reais intenções dos administradores das empresas. Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.082 24 Por fim, refuta a alegação de perpetração de fraude, pleiteando o afastamento da multa qualificada. Acórdão DRJ Devidamente processado o feito, os autos foram encaminhados para julgamento pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (fl. 2748 a 2829), a qual manteve integralmente o crédito tributário exigido. Confirase trechos do julgado a quo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. TERMO A QUO. DATA DE AQUISIÇÃO DO BEM. IRRELEVÂNCIA. Para a contagem do prazo decadencial, importa a data em que o sujeito passivo incorreu na despesa de amortização, e não o momento em que o bem amortizado foi adquirido. DIREITO DE AUTOORGANIZAÇÃO. EXERCÍCIO ABUSIVO. CARACTERIZAÇÃO. INOPONIBILIDADE AO FISCO. PROPÓSITO EXTRATRIBUTÁRIO SUFICIENTE. O direito de autoorganização, como qualquer direito, não tem no Brasil a feição absoluta própria do liberalismo radical. Em nosso ordenamento, os direitos recebem proteção a fim de serem exercidos apropriadamente, em benefício do seu titular, mas também da sociedade. Quando alguém usa do seu direito para alcançar objetivos inusitados e prejudica terceiros, caracterizase o abuso de direito, que é ato ilícito e, como tal, não merece tutela. Dessa forma, como o direito de autoorganização não existe para que os contribuintes paguem menos impostos, deverá ser exercido com algum propósito extratributário, a fim de que eventual redução ou supressão de tributos seja oponível ao Fisco. COMPROVAÇÃO DO PROPÓSITO EXTRATRIBUTÁRIO. VANTAGENS EM ABSTRATO. INSUFICIÊNCIA. Mencionar possíveis vantagens de uma alternativa não comprova que esta foi escolhida em razão daquelas. Cabe Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.083 25 ao contribuinte, para comprovar seu interesse, demonstrar que efetivamente fruiu os benefícios, ou então, esclarecer porque a expectativa de vantagem não se concretizou. NECESSIDADE DE CONFUSÃO PATRIMONIAL OU EXTINÇÃO DE EMPRESA VERSUS SUFICIÊNCIA DE UNIÃO ENTRE RECEITAS E DESPESAS. INCORPORAÇÃO. DISCUSSÃO IMPERTINENTE. É impertinente a discussão quanto à necessidade de confusão patrimonial ou extinção de empresa e a suficiência da união entre as despesas de amortização e as receitas que lhe deram causa, quando a dedução decorre de incorporação, pois nessa alteração ocorrem tanto a extinção de uma das empresas quanto a confusão patrimonial e a união de receitas com despesas. Em outras palavras, quando se trata de incorporação, os três institutos (união, extinção e confusão) ocorrem juntos ou não ocorrem. Portanto, não interessa saber se a união sem confusão nem extinção é suficiente para tornar a amortização dedutível, pois não há união sem confusão ou sem extinção, quando o caso sob análise é de incorporação. EMPRESA USADA COMO VEÍCULO NA CRIAÇÃO DO ÁGIO. INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PARA DEDUÇÃO DAS AMORTIZAÇÕES. A legislação estabelece que se a empresa “A” adquire a empresa “B” com ágio, e, em seguida, “B” incorpora “A”, então o ágio pode ser fiscalmente amortizado. Situação diversa ocorre quando “A” constitui e capitaliza “C”, para que esta adquiria “B”, que vem a incorporar “C”. Em regra, o ágio não é fiscalmente amortizável e só pode ser aproveitado na alienação do investimento, para compor o custo de aquisição. A incorporação representa uma exceção a essa regra porque nela o investimento é extinto e, consequentemente, não pode mais ser alienado. Sendo assim, em virtude da impossibilidade de se alienar o investimento, a legislação autoriza a amortização do ágio. Por outro lado, quando “B” incorpora “C”, subsiste o investimento de “A” em “B”, não se justificando a amortização, posto que a alienação ainda é possível. Além disso, quando a lei estabelece a incorporação da investidora pela investida, ou viceversa, como hipótese para a dedução, está tratando, evidentemente, da real investidora, e não de uma investidora fictícia ou formal, criada para dar passagem ao capital. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. EMPRESA VEÍCULO. CONCEITO. Uma empresa funcionará como veículo em certa operação se receber e repassar algo, em geral um ativo, sem que exista um Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.084 26 propósito extratributário suficiente para explicar essa circulação, independentemente de ter duração efêmera ou não, de ser uma sociedade operacional ou não, de em regra cumprir suas obrigações ou não. Até mesmo uma empresa longeva, operacional e que costuma cumprir suas obrigações, pode ser usada como veículo em certa operação se receber e repassar recursos sem propósito extratributário. Sendo assim, para refutar a acusação de uso de empresaveículo é inócuo comprovar que a referida empresa teve longa duração, era operacional e em regra cumpria suas obrigações, se, por outro lado, não ficar demonstrado que, na operação em questão, havia um propósito extratributário para ela receber e repassar os recursos. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA COM ÁGIO. FALTA DE PROPÓSITO EXTRATRIBUTÁRIO PARA ALGUMA ETAPA. ABUSO DE DIREITO. INCORPORAÇÃO. DESPESA DE AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A falta de propósito extratributário para alguma das etapas da aquisição de participação societária com ágio caracteriza o abuso do direito de autoorganização, que é ato ilícito, de tal forma que, se houver incorporação entre investidora e investida, a despesa com amortização do ágio permanecerá fiscalmente indedutível. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 MULTA QUALIFICADA. INCORPORAÇÃO SIMULADA. A simulação de incorporação da real investidora pela investida constitui fraude, que é punível com multa qualificada. MULTA QUALIFICADA. REGISTROS. TRANSPARÊNCIA VERSUS OCULTAÇÃO. Registros tanto pode servir para dar transparência a fatos quanto para ocultálos. Ocorre a segunda hipótese quando se verifica que os registros não espelham a realidade, pois correspondem apenas a simulações. JUROS. INCIDÊNCIA SOBRE MULTAS. Os juros incidem sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, e não simplesmente sobre tributos e contribuições. Portanto, como a multa decorre do tributo, sobre ela também incidem os juros. Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.085 27 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) CARÊNCIA DE PROPÓSITO EXTRATRIBUTÁRIO 16. Já nos manifestamos sobre a necessidade de um propósito extratributário como condição de oponibilidade ao Fisco para as operações societárias (Ac. 1255.144, de 24/04/2013). 17. Em suma, dissemos que o direito de autoorganização, como qualquer direito, não tem no Brasil a feição absoluta própria do liberalismo radical. Em nosso ordenamento, os direitos recebem proteção a fim de serem exercidos apropriadamente, em benefício do seu titular, mas também da sociedade. Quando alguém usa do seu direito para alcançar objetivos inusitados e prejudica terceiros, caracterizase o abuso de direito, que é ato ilícito e, como tal, não merece tutela. Dessa forma, como o direito de autoorganização não existe para que os contribuintes paguem menos impostos, deverá ser exercido com algum propósito extratributário, a fim de que eventual redução ou supressão de tributos seja oponível ao Fisco. (...) Alegase que a atuação por meio de uma personalidade jurídica brasileira traria inúmeras vantagens ao investidor estrangeiro, como, por exemplo, endereço, receptividade, desburocratização (fl. 2.340). Contudo, ainda que essas vantagens existissem, elas não serviriam como motivação extratributária, pois não esclarecem uma das etapas da aquisição: a circulação do capital pela empresa brasileira, antes de chegar à empresa alvo. Em princípio, para obter as vantagens, bastaria constituir a empresa brasileira, sem ter que necessariamente usála como via de passagem para o capital. (...) 31. Em regra, o ágio não é fiscalmente amortizável e só pode ser aproveitado na alienação do investimento, para compor o custo de aquisição. A incorporação representa uma exceção a essa regra porque nela o investimento é extinto e, consequentemente, não pode mais ser alienado. Sendo assim, em virtude da impossibilidade de se alienar o investimento, a legislação autoriza a amortização do ágio. Por outro lado, quando “B” incorpora “C”, subsiste o investimento de “A” em “B”, não se justificando a amortização, posto que a alienação ainda é possível. Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.086 28 32. Além disso, quando a lei estabelece a incorporação da investidora pela investida, ou viceversa, como hipótese para a dedução, está tratando, evidentemente, da real investidora, e não de uma investidora fictícia, pela qual o capital apenas circulou. 33. Dessa forma, seja por falta de comprovação de um propósito extratributário, seja porque as operações societárias não se subsumem à hipótese de dedução, devese manter as glosas. (...) 47. Por fim, na primeira e segunda etapas de aquisição da Interessada (descritas às fls. 2224/2234 e 2314/2316), assim como na terceira etapa de aquisição da Kenko (fls. 2247/2248 e 2319/2320), os recursos financeiros se originaram de diversas empresas do grupo KC, entre as quais se destacam a KC_Delaware e a KC Holland Holdings BV, e apenas circularam pelas empresasveículo KCTissueB e a KCR. Dessa forma, por meio das incorporações das duas últimas pela Interessada e pela Kenko, se simularam as incorporações das investidoras pelas investidas, embora, de fato, estas tenham incorporado apenas as suas investidoras aparentes. 48. Sendo assim, como houve fraude em todas as operações que geram o ágio amortizado, devese manter a multa qualificada. (...) Inconformado com tal resultado, o Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, ora sob análise, basicamente reiterando suas razões de Impugnação, ainda que de forma mais sintética e considerando os termos do V. Acórdão recorrido (fls. 2844 a 3009). Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.087 29 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como se verifica do relatório, o presente processo tem como objeto a glosa da amortização de ágio procedida pela Recorrente, entre 2008 e 2013, fruto de operações societárias, realizadas entre 1996 e 2008, classificadas como parte de planejamento tributário abusivo. Decadência Considerada matéria preliminar, a Recorrente alega, sob enfoques jurídicos diversos, a suposta ocorrência da decadência do direito do Fisco lançar os tributos sob exigência. Ainda que de maneira breve, alega a Recorrente que já decaiu o direito do fisco de questionar a validade das operações em que os ágios glosados foram formados. Afirma que as operações ocorridas entre 1996 e 2008 estariam fora do alcance da Fiscalização em 2014, quando lavradas as autuações. Para fundamentar sua tese, traz passagens de julgados deste E. CARF e trechos de doutrina jurídica. Não assiste razão à Recorrente nesse ponto. O objeto dessa modalidade de caducidade é a limitação temporal para a constituição do crédito tributário, a contar do nascimento da obrigação tributária, e não a prerrogativa fazendária de análise de eventos e fatos envolvidos na formação dessa obrigação, não havendo base para tal suposta vedação cronológica. Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.088 30 A Infração Tributária descrita no lançamento se reveste de glosa de amortizações da base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos nos anoscalendário de 2008 a 2013, supostamente culminando na redução indevida do montante das obrigações tributárias deste exato período. O fato jurídico tributário colhido pela Fiscalização não é, propriamente, as operações que deram origem a essa despesa, mas seu aproveitamento fiscal, em momento ulterior. Atualmente, existe forte corrente jurisprudencial administrativa, especificamente em relação à decadência em autuações que envolvem o aproveitamento de ágio, restando certo que se inicia a contagem do prazo decadencial a partir da dedução da despesa, podendo livremente o Fisco remeterse a operações anteriores a tal ocorrência. Ilustrando tal posição, confirase trecho do recente Acórdão nº 9101.002.387, proferido pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria do I. Conselheiro Luís Flávio Neto, publicado em 14/09/2106: Ocorre que o prazo de decadência em questão apenas começa a fluir a partir do momento em que o contribuinte realiza a amortização do ágio, pois somente a partir daí é possível cogitar inércia do fisco: a partir da dedução das despesas de ágio da base de cálculo do tributo, caso o fisco discorde, deverá lavrar AIIM para a glosa correspondente, o que não seria possível antes da efetiva amortização ter sido levada a termo pelo contribuinte. Inclusive, alternativamente, a Recorrente também alega a consumação da decadência, mas dentro dos moldes do pensamento acima expresso, defendendo a necessária aplicação da contagem quinquenal contida no § 4º do art. 150 do CTN, o qual excluiria o ano calendário de 2008 do período colhido pela N. Autoridade Tributária. Porém, para a aplicação de tal dispositivo, é necessário afastar a ocorrência de simulação e fraude, suscitada no TVF, o que permitiu a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN na realização do lançamento. Tal assunto, ainda que de total pertinência para a alegação de decadência, compõe a fundamentação meritória das Autuações, que será mais adiante analisada, com a devida detenção e profundidade, aproveitandose a conclusão de ocorrência ou não de tal conduta para a verificação da sua suposta ocorrência, desde já considerando a relação de prejudicialidade com essa matéria preliminar. Fl. 3089DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.089 31 Mérito Inicialmente, cabe ressaltar que o tema amortização de ágio neste E. CARF não é recente e, atualmente, existe prolífera quantidade de autuações, já devidamente processadas e julgadas até seu exaurimento recursal, o que permite, preliminarmente, identificar quais os pontos e assuntos mais sensíveis em relação a tal matéria tributária. Assim, mister verificar, precisamente, no extenso TVF, bem como no v. Acórdão, quais foram os fundamento legais específicos utilizados para o lançamento e sua posterior manutenção, fazendo, assim, o primeiro corte necessário para o julgamento das Autuações. Ainda que a própria Autoridade Fiscal tenha decidido por segregar a descrição dos fatos em 2 (duas) operações societárias, as quais originaram, de forma autônoma, as despesas com ágio, observase no TVF que a fundamentação jurídica e descrição da infração tributária foi feita de maneira única, levando à conclusão de que, ainda que possuindo detalhes e alguns eventos considerados isoladamente, ambas operações societárias descritas padeceriam dos mesmos defeitos e vícios que fundamentam o lançamento de ofício. Nesse sentido, temos que a inexistência de motivação extratributária é tratada pela Fiscalização com o motivo maior, concentrador de toda a fundamentação da atuação. E fica, também claríssimo, que o cerne dessa acusação de ausência de propósito negocial, seria a utilização de empresas holdings no Brasil, pelo Grupo Kimberly Clark, para acobertar as reais investidoras, ambas estrangeiras e únicas titulares de tal ágio, quais sejam, KimberlyClark Wordwide e KimberlyClark Corporation (fls. 2271 e 2272). Comprovando tal constatação, quando versa sobre infração tributária, a Fiscalização parte de tal premissa, abrindo sua fundamentação com o expressão operações societárias maculadas pelo "vácuo negocial" (fls. 2273). No decorrer de seu relato, após digressão sobre a previsão legal da dedutibilidade do ágio, vaise, então, acrescentando detalhes e eventos pontuais em ambas suboperações (incorporações KCB e Kenko), afirmando que não se verificou a requeria união patrimonial (vez que as reais investidoras estão no exterior e não absorveram as investidas, brasileiras), pois direito à amortização do ágio surge da subsunção de situações fáticas às hipóteses previstas na legislação vigente, digase alienação ou liquidação do investimento Fl. 3090DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.090 32 adquirido com ágio (regra geral do art. 391, c/c art. 426 do RIR/99) ou extinção por incorporação da participação da investida pela investidora que efetivamente pagou pelo ágio (ou viceversa), com a ocorrência da "confusão patrimonial" e classifica a macrooperação, como um todo, de engenharia societária abusiva. São estes os fundamentos materiais da infração tributária. Mais adiante no TVF, abordase apenas aspectos da contabilização do ágio, multa de ofício, multa qualificada e retificação do LALUR. Apesar da notória repercussão dos julgados sobre o tema, existe certa disparidade quanto à fixação precisa de todos requisitos de uma operação para permitir o livre aproveitamento do ágio. Mas é plenamente seguro afirmar que se entende relevante e necessário para a verificação objetiva da formação lícita do ágio, nos moldes das prescrições do art. 385 e 386 do RIR/99, a presença dos seguintes elementos: 1) o efetivo sacrifício econômico no momento do investimento que lhe originou; 2) realizado entre partes não relacionadas; 3) arrimado em laudo válido, contemporâneo, exarado por terceiro competente e; 4) nas operações em que há a extinção de pessoa jurídica, a absorção do patrimônio da investida pela investidora (ou vice versa). Frisese que, no presente caso, em momento algum se questionou o real emprego de recursos nas aquisições que formaram o ágio (no sentido de ser uma despesa artificial), sua fundamentação econômica (expectativa de rentabilidade futura, seu montante, a qualidade dos laudos de avaliação e seu registro) ou mesmo a independência das partes celebrantes das operações que geraram a despesa. Apenas um elemento daqueles acima elencados foi questionado pela Fiscalização, qual seja, a absorção patrimonial entre as empresas que transacionaram, vez que através de planejamento tributário abusivo, sem motivação extratributária, teria se mascarado os reais investidores, pela utilização de empresas veículos no Brasil. Ou seja, para a N. Autoridade Fiscal, a confusão patrimonial entre as empresas nacionais do Grupo não bastou para o aproveitamento do ágio. Posto isso, resta clara a circunscrição dos fatos e condutas da Recorrente que teriam dado ensejo à glosa, assim como a matéria a ser enfrentada. Fl. 3091DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.091 33 Essa questão específica sobre o ágio também guarda controvérsia. Contudo, é possível se observar uma evolução de entendimento neste E. CARF, na qual se analisa mais profundamente as circunstâncias no emprego das chamadas empresas veículos e, dentro da correta e necessária racionalização da verificação de provas e fatos envolvidos, permitese a constatação, individual e concreta, da legalidade de tal manobra. Em caso que tratava de acusação muito semelhante, ilustrase de maneira ampla tal entendimento no Acórdão nº 1201.001.267, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, de relatoria do I. Conselheiro Marcelo Cuba Neto, publicado em 18/02/2016: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Inexiste vedação legal para que uma pessoa jurídica, detentora de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial em razão da rentabilidade futura da investida, confira o aproveitamento deste ágio a outra pessoa jurídica por intermédio da absorção de seu patrimônio (art. 7º da Lei nº 9.430/96) ou viceversa (art. 8º). Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo". (...) Pois bem, desde logo devese deixar claro que a fiscalização em momento algum alega que o ágio nasceu de uma operação realizada entre empresas que fazem parte do mesmo grupo econômico. Ao contrário, pelo que se vê no TVF o ágio decorreu de uma transação entre partes independentes e em pé de igualdade (arm's length transaction). Resumindo, não se trata aqui de “ágio interno”. São, como visto acima, duas as razões pelas quais o auditor se convenceu da ilegalidade do aproveitamento do ágio pela fiscalizada: (i) falta de propósito negocial, e; (ii) emprego de empresa veículo. (...) Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.092 34 que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos. Em relação ao emprego da chamada "empresa veículo" cumpre destacar que tal expressão tem sido utilizada pela fiscalização de uma maneira pejorativa, no sentido de um "mal em si mesmo". No entanto, como é cediço, não é possível sustentarse uma autuação fiscal lastreada na simples acusação de emprego de "empresa veículo", até porque o simples emprego de "empresa veículo" não é tipificado como infração à legislação tributária. Caberia então à fiscalização apontar a relação entre o emprego da "empresa veículo" e a prática de alguma infração à legislação tributária. E, no caso dos autos, como o autor da ação fiscal não se desincumbiu de seu ônus, isso já seria razão suficiente para afastarse, de pronto, a autuação. (...) No mesmo sentido temos também o Acórdão nº 1302.001.977, proferido pela C. de 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, de relatoria da I. Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich e voto vencedor o I. Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, publicado em 13/10/2016 e o Acórdão nº 1301.002.111, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, de relatoria do I Conselheiro Waldir Veiga Rocha, publicado em 19/08/2016. Agora, afastada a possibilidade de glosar o ágio aproveitado pela mera constatação do emprego de estrutura que contemple empresas veículo, fazse importante analisar os elementos pelos quais a N. Autoridade Fiscal entendeu serem estas companhias parte de planejamento tributário abusivo, inclusive apurando se foram consideradas, formalmente em si, como argumento de invalidade da estrutura societária, contrariando o entendimento supra apresentado. Quando da demonstração da suposta inexistência de motivação extratributária, após transcrições de perguntas e respostas contidas nos Termos de Intimação Fiscal enviados ao Contribuinte, a Fiscalização faz a seguinte conclusão: 85. Apesar de todas as respostas fornecidas pela fiscalizada, restou inexplicada, a esta fiscalização, a não ser por motivo exclusivamente tributário, a opção de uma multinacional por um esquema com mais de 6 empresas interpostas e intervenientes entre a matriz e suas coligadas (por certo tempo) e controladas, empresa essas sem funcionários, sede ou qualquer propósito negocial, a não ser como condutoras de recursos originados no Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.093 35 exterior, algumas vezes diretamente, outras vezes por supostos empréstimos quitados por outras empresas do mesmo grupo sediadas no exterior, por meio de outras empresas veículos do mesmo grupo; (fls. 2270) (...) 87. Resta claro, portanto que a única motivação da escolha do esquema de empresas veículo interpostas entre as reais adquirentes das participações societárias, a KimberlyClark Wordwide, sediada em Delaware, conhecido paraiso fiscal americano, e a Kimberly Clark COmporation e o trajeto meandrico dos recursos utilizados para adquirir a Kenko e a própria fiscalizada, fazendo parecer, à primeira vista, que os recursos advinham de atividades negociais dessas empresas de fachada é exclusivamente tributária, se valendo a empresa de expedientes tendentes a ocultar a realidade das simplórias operações de compra de participações societárias no Brasil, que poderiam ter sido realizadas de forma clara e objetiva; 88. Ora, empresas não constituem empresas sem motivo relevante. (...) 89. Fato também relevante sobre as holdings interpostas é o de que 3 delas nunca distribuíram dividendos à sua matriz; 90. Salta aos olhos ainda que pelo menos 4 das holdings criadas não possuíam funcionários, nem administradores, além de estarem sediadas no mesmo endereço, ou seja, eram meras cascas vazias, ou empresas veículo, embora tenham tido vida mais longa do que normalmente se constata em casos semelhantes; (fls. 2271) E encerra o item da justificação da ausência de motivação extratributária, com a seguinte conclusão: 92. Portanto fica claro pelos motivos expostos acima que a única real razão para a constituição dessas holdings era para se aproveitar, indevidamente, da amortização do ágio gerado em sua aquisição, ou seja, a empresa se beneficia de seu própria ágio e do ágio originado na operação de compra de outra empresa por terceiras empresas, sediadas no exterior, a KC Delaware e a Kimberly Clark Corporation, onde o ágio deveria estar escriturado. (destacamos) Nessa análise, já fica claro que, efetivamente, a grande razão da ausência de motivação extratributária ou "vácuo negocial" é a utilização de 6 (seis) empresas holdings pela Recorrente na macrooperação societária de entrada do Grupo KimberlyClark no Brasil. Fl. 3094DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.094 36 Como antes mencionado, tal fato não pode, isoladamente, permitir o lançamento tributário pretendido. Aprofundando as acusações da Fiscalização, percebese que se atribui o rótulo de cascas vazias às 6 (seis) holdings, por 4 (quatro) delas não possuírem funcionários, administradores (mas sem efetivamente apontar vício no contrato social, vez que todos estavam regularmente registrados na Junta Comercial competente) e nem sede independente (em outra passagem alegouse simplesmente não possuírem sede). Aparentemente, conferindo todo o respeito ao trabalho da N. Autoridade Fiscal, houve uma má interpretação do conceito de Direito Comercial de empresas holdings, de forma que suas características próprias e plenamente lícitas foram utilizadas como argumento para constatação de sua suposta "inexistência". Permitindose aqui uma tradução livre, o próprio verbo inglês to hold significa "deter", "segurar". Assim, sua própria nomenclatura já indica a sua função primordial: deter participações de outras empresas. O Prof. Modesto Carvalhosa1 define a função e as atividades das empresas criadas sob a rubrica de holding assim: A entidade econômica concentracionista, que surge das coligações e do controle de outras sociedades, encontram na holding o instrumento fundamental de sua organização. As holdings são sociedades não operacionais que têm seu patrimônio composto de ações de outras companhias. São constituídas ou para o exercício do poder de controle ou para a participação relevante em outras companhias, visando, nesse caso, constituir a coligação. Em geral, essas sociedades de participação acionária não praticam operações comerciais, mas apenas a administração de seu patrimônio. (...) Tem assim a sociedade holding como característica diferencial e objetivo principal a participação relevante em uma atividade econômica de terceiros, em vez do exercício de atividade produtiva ou comercial. Possui como características principais: ter seu patrimônio formado de ações emitidas por outras companhias, exercer o 1 Comentários à Lei de Sociedades Anônimas. V. 4. Tomo II. São Paulo: Saraiva, 1998. pp. 14/15. Fl. 3095DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.095 37 controle sobre elas ou delas participar em caráter permanente, com investimento relevante no seu capital. Assim, o objeto social da holding é sempre o de participar do capital de outra sociedade, como controladora ou investidora (coligação). (destacamos) Nesse sentido, essa modalidade empresarial é o instrumento societário mais utilizado para organização e operação interna de grandes grupos, dado a sua simplicidade de constituição, funcionamento e operacionalização. Assim, dentro de sua condição de companhias não operacionais, sem caráter comercial, mercante, a acusação de possuírem as holdings mesma sede ou de não terem funcionários, nada mais faz do que confirmar sua correta classificação societária e natureza jurídica. Em relação a grandes grupos estrangeiros, é extremamente natural se organizarem por meio de tais figuras, principalmente em outros países. Nos primeiros contatos com o novo mercado, é plenamente compreensível a escolha por não criar uma nova estrutura complexa, ou mesmo uma filial, que espelharia, ainda que parcialmente, por razões de políticas internas e compliance, a organização e a configuração institucional de sua matriz, representando, inclusive, um acréscimo injustificável de custos nesse momento inicial. A literatura doutrinaria2, dentro de uma abordagem mais prática e voltada ao empresariado, cita essa vocação da holding para investimentos internacionais: A holding pode ter o caráter de internacionalidade, isto é, manter ações de companhias que não estejam necessariamente no mesmo país. Ela se mostra importante "ponte" controladora de exportação, importação e investimentos estrangeiros. (grifamos) E o fato de não remeter dividendos aos exterior, como citado pela D. Autoridade Fiscal, ilustra apenas uma decisão financeira do Grupo, totalmente de acordo com a estratégia de se constituir e firmar no Brasil, garantindo, em um segundo momento, após a entrada no país, a presença de recursos próprios. Digase até que tal alegação possui certa contraditoriedade, ao passo que inicialmente se apontou para a origem e a detenção estrangeira do capital investido como um 2 LODI, Edna Pires. LODI, João Bosco. Holding. 4ª edição. São Paulo: Cengage Learning, 2001, p. 9. Fl. 3096DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.096 38 motivo para a desconsideração das holdings, inclusive mencionando empréstimos, e, depois, reveste de mácula o fato de não se remeter ao exterior os dividendos aqui percebidos o que, na verdade, evidencia uma independência e destinação doméstica desse capital dentro da operação brasileira do Grupo, legitimando as operações daquelas companhias. Voltando à conclusão primordial da ocultação da reais detentoras do ágio (as controladoras estrangeiras do grupo), podese, agora, concluir que a desconsideração de todas essas empresas holdings (o que, na prática, promoveu a Fiscalização) deuse por fundamentos alicerçados em presunções e condenações dirigidas às figuras e aos negócios societários celebrados. Não pode haver e muito menos prevalecer a criação de uma nova obrigação quanto à forma com que as empresas estrangeiras adentram o país para participar do mercado brasileiro. E uma vez aqui fixadas, seja através de holding, filiais ou promovendo jointventures, deve ser dado o mesmo tratamento fiscal às empresas aqui constituídas e operantes, não podendo simplesmente desconsiderar suas personalidades com base em mera constatação de que são geridas e financiadas por grupos estrangeiros. Fazse também necessário considerar que, seja na operação KCB, ou seja na operação Kenko, a entrada do Grupo no Brasil se iniciou em 1996 (fato registrado e constatado pela própria Fiscalização), o que logicamente leva à conclusão que a decisão empresarial de adquirir participações em empresas do mercado doméstico, dos ramos de wipes e tissues, deu se antes mesmo da edição da Lei nº 9.532/97, prejudicando a afirmação de que toda engenharia societária abusiva visava aproveitar, indevidamente, da amortização do ágio gerado nessas operações. Naturalmente, após a veiculação de tal prerrogativa fiscal pelo legislador, os gestores das empresas controladas por esse grupo internacional, aqui constituídas, passaram a se valer dessa despesa dedutível, naturalmente considerando sua ocorrência na organização de seus negócios, até com base legal no art. 153 da Lei 6.404/763, fato esse que não implica em qualquer ilicitude. Não obstante, as previsões dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/974, consideradas conjuntamente, expressamente autorizam o aproveitamento do ágio percebido pela empresa 3 Art. 153. O administrador da companhia deve empregar, no exercício de suas funções, o cuidado e diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração dos seus próprios negócios. 4 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.097 39 sucessora, até mesmo no caso da incorporação reversa, garantindo a sobrevivência da dedutibilidade desse valor, mesmo após um rearranjo da estrutura organizacional societária de um determinado grupo depois da aquisição pretendida. Corroborando com a posição aqui sustentada, confirase a ementa e trecho de voto que compõem o Acórdão nº 1301.001.505, proferido pela C. 1ª Turma da 3ª Câmara da 1ª II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Fl. 3098DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.098 40 Seção de Julgamento, de relatoria do I. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães e voto vencedor o I. Conselheiro Valmir Sandri, publicado em 25/02/2015: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010 DESPESA. DESNECESSIDADE. GLOSA. PROCEDÊNCIA. Se, por um lado, a Fiscalização reúne argumentos e demonstrativos que indicam a apropriação de dispêndios com pessoa ligada em conta específica, cujos serviços que serviram de fundamento foram contabilizados em rubrica distinta, e, por outro, o contribuinte não aporta aos autos argumentos e documentos capazes de elidir a tese de duplicidade de registros, há de se manter a glosa. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Para fins de dedução, na apuração do resultado fiscal, do gasto incorrido, não basta ao contribuinte descrever as características operacionais de suas atividades e demonstrar a plausibilidade de sua ocorrência no mundo fático, tornase necessário reunir ao processo comprovantes hábeis e idôneos que possibilitem desautorizar a glosa perpetrada pela autoridade fiscal. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA. No contexto das Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 mediante utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (destacamos) E, ainda que acompanhando o Voto vencedor, em Declaração de Voto, acrescenta o I. Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado: Do exame das operações realizadas, entendo que, desta feita, restou evidenciado que não estamos diante da criação do chamado ágio interno, ou seja, aquele criado exclusivamente dentro de um grupo de empresas sem modificação efetiva da participação societária de seus controladores. Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.099 41 No presente caso o Banco Societé Brasil, por meio de uma empresa controlada (Trancoso), adquirida especificamente para esse fim, adquiriu o controle da empresa Cacipar, anteriormente convencionada entre o Banco Societè e os sócios da empresa vendedora. (...) O ágio, portanto, não foi formado em operação interna (intragrupo), mas sim da entrada de capital de um novo investidor no grupo que promoveu a efetiva alteração do controle societário da empresa vendida. A fiscalização apontou uma série de questionamentos formais ao negócio entabulado, tais como: ausência de deliberação interna no Grupo Societé visando transferir a aquisição do investimento por meio da empresa Trancoso; ausência de notificação do vendedor, estabelecida no contrato de compra e venda, quanto à cessão de direitos; erros e inconsistências no Livro de Transferência de Ações do Banco Cacique. Entendo que não obstante tais aspectos formais não são suficientes para invalidar a conclusão de que ocorreu o pagamento de um ágio na aquisição de um participação entre partes não relacionadas. O fato de o negócio ter sido entabulado pela Banco Soceté Brasil e efetivado por meio de um empresa controlada, que recebeu o aporte de capital para fazer o investimento ao meu ver não contamina o negócio, nem desnatura a ocorrência do ágio. Havia inclusive previsão contratual para que ocorresse dessa forma. Ainda que não tenha existido a notificação prévia é certo que os vendedores não se opuseram, tanto que celebraram a venda. Não enxergo simulação neste caso, mas sim a adoção de uma estrutura para as operações societárias compatível com o negócio efetivamente realizado, ainda que evidentemente estruturada com vistas a obtenção dos benefícios futuros de amortização desse ágio, conforme a previsão legal. Entendo que, desta feita estamos no campo daquelas situações em que o contribuinte se valeu licitamente do direito de organizar o seu negócio de acordo com suas necessidades e/ou interesses, inclusive optar pela forma negocial que lhe propiciasse o menor custo ou maior vantagem tributária, obedecidos os ditames legais. (destacamos) No que tange ao presente caso, deve ser acrescentado que, entre a primeira operação que gerou o ágio e seu aproveitamento, passaramse 12 (doze) anos, outro elemento este que, contundentemente, opõese à alegação que toda a engenharia societária foi engendrada com o evidente intuito de "criar" despesas. Fl. 3100DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.100 42 Nesse exato sentido, esta mesma C. 2ª Turma Ordinária, no Acórdão nº 1402.001.409, de votação unânime, com relatoria do I. Cons. Presidente Leonardo de Andrade Couto, publicado em 13/08/2013, julgando caso muito semelhante ao presente, entendeu pela possibilidade do gozo do ágio gerado em operações que utilizaram empresas veículo, apontando o I. Relator para o lapso temporal que demandou a execução da suposta engenharia tributária. Confirase a ementa e trechos de tal julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO. INOCORRÊNCIA. A reorganização empresarial, sob amparo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. (...) O primeiro aspecto digno de nota é o lapso temporal de sete (7) anos entre a criação da empresa e a incorporação pela controlada. Na prevalência da tese do planejamento fiscal orquestrado terseia quase uma exercício de futurologia. Ademais, não vislumbrei nas circunstâncias mencionadas pelo Fisco nenhuma razão legal que impedisse a incorporação em momento anterior. Assim, perguntase: é razoável a montagem de uma estrutura de planejamento em que o benefício tributário almejado só ocorrerá muito tempo depois, em situação empresarial possivelmente diversa e absolutamente imprevisível? (...) Mesmo que se admita a expressão “empresa veículo” aplicável ao caso, o foco da análise não pode ser a prática em si, como decorrência da desconfiança que a expressão suscita, mas as justificativas para fazêlo. Nesse ponto, entendo que as razões apresentadas pela defesa guardam coerência com o conteúdo dos autos e merecem guarida. (...) Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.101 43 Posto isso, a caracterização das holdings como cascas vazias, desprovidas de personalidade, não se sustenta, vez que plenamente justificável a sua criação, desempenhando sua natural e esperada função durante anos, dentro de estrutura empresarial que permitiu um modelo de operação de investimento estrangeiro que perdurou por mais de uma década, superandose, nesse ponto, a constatação de ausência de motivação extratributária e as alegações de simulação e fraude. Também é necessário observar que, aqui, não se trata de um processo que versa sobre lucros no exterior de coligadas e controladas ou a alegações de abuso de tratado, que têm como fundamento maior a tributação sob bases universais, no qual o Legislador, ao derrubar as limitações da territorialidade nacional, permitiu buscar os fatos jurídicos tributários ocorridos no exterior, praticados e percebidos por empresas estrangeiras. Tratase de uma glosa de ágio, percebido em operações ocorridas no Brasil, entre empresas brasileiras. Negar a dedutibilidade de uma despesas de investimento, sob a justificativa de que os seus reais detentores são empresas estrangeiras, desconsiderando anos de operações societárias e parcerias comerciais verdadeiras, ocorridas no Brasil (não foi questionada a legitimidade da parceria com o Grupo Klabin, que perdurou 9 anos, e nem com o Grupo Brasfanta, que perdurou 10 anos), pelo simples fato de o financiamento efetivo de tal investimento advir, originalmente, das controladoras internacionais de um grupo mundial não é razoável e simplesmente ignora o cenário globalizado da economia atual. Se válida essa lógica, toda empresa sediada no Brasil que promoveu uma aquisição, a qual se valeu anteriormente de financiamento de controladora ou coligada estrangeira, não seria titular de suas despesas, bastando apenas o Fisco regredir o necessário no tempo, até encontrar o patrocínio estrangeiro. E uma vez demonstrado que as empresas holdings, brasileiras, estavam regularmente constituídas, dentro de seus propósitos, essas, naturalmente, revestiramse de investidoras quando do dispêndio para uma aquisição societária, devidamente registrando essa sua despesa, inclusive a parcela percebida como ágio, não podendo também manterse a glosa sob a alegação da falta de absorção patrimonial entre investida e investidora. Uma prova disso é que a Recorrente, outrora chamada de empresa veículo, é uma firme personificação societária do Grupo KimberlyClark hoje, no Brasil, movimentando relevantes somas, responsável por boa fatia do mercado, comprovando o alcance econômico e o real propósito extratributário por trás de todas essas operações de entrada, investimentos, Fl. 3102DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.102 44 parcerias e, finalmente, a sua reorganização societária, após o seu definitivo estabelecimento mercadológico. Frisese ainda aqui que, em diversos trechos da descrição dos fatos contida no TVF, apontase para alguns pontuais e instantâneos eventos, como a doação de quotas, empréstimos realizados intragrupo, permuta de participação societária, entre outros, sem que a Fiscalização, especifica e concretamente, tenha demonstrado que haveria ilicitude tributária ou mesmo civil, mas mesmo assim rotulando de abusiva e fraudulenta a gestão do Grupo Econômico. Pertinente dizer que é necessária uma desmistificação no uso da figura dos grupos investidores estrangeiros e da adoção de estratégias empresariais com estruturas societárias, consideradas engenharia complexa, como fundamentos próprios para o lançamento tributário. Em não havendo a demonstração precisa de como determinado ato influenciou na invalidade da formação do ágio ou a prova de sua ilicitude, tais fatos devem ser considerados como a regular prerrogativa organizacional do grupo. A acusação de ausência de propósito negocial é tema da maior importância e sensibilidade para o Direito Tributário brasileiro, posto que praticamente ausente sua regulamentação legislativa, demandando que tal conclusão interpretativa, quando alcançada, seja arrimada em demonstrações robustas, concretas e meticulosamente fundamentadas. Apreciando agora, precisamente, os ágios formados nas operações descritas e os negócios pontuais que foram celebrados, temos o seguinte cenário: Operação KCB Mercado de Tissues 1) Em 1998, aumento de capital Klabin Tissue, subscrevendo novas quotas e integralizando na KCTissueB R$ 133.532.900,00, verificandose o ágio de R$ 57.730.448,05; 2) Em 2003, a Klabin S/A vende o resto de sua participação na Klabin Tissue para KCTissueB, por R$ 335.681.999,61, verificandose o ágio de R$ 222.416.919,95. Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.103 45 Observese que as operação foram realizadas entre o Grupo KimberlyClark e o Grupo Klabin, em um primeiro momento materializando a planejada entrada do conglomerado estrangeiro no ramo de tissues do Brasil e, no segundo momento, o desfazimento da jointventure, com a passagem do controle total para Grupo KimberlyClark, denotando já estar este firmado com sucesso no país. Além das Autuações não apontarem defeitos quanto ao seu valor, avaliação e registro, fica claríssima a legitimidade econômica de tais operações e a patente justificava extratributária. Ou seja, excluída a argumentação de planejamento tributário abusivo pelo emprego de empresa veículos, tais operações nada mais transparecem do que a normalidade. Operação Kenko Mercado de Wipes 1) Em 1996, a KCC efetua permuta de participação societária com a Brasfanta, em face da diferença positiva do custo de aquisição das participações entregues e a expectativa de rentabilidade futura das recebidas, verificandose o ágio de R$ 66.150.440,30; 2) Em 2000, após aportar capital na empresa Salonicco, a KCC retirase da mesma, recebendo quotas da Kenko, em face da diferença positiva entre o valor da sua participação societária inicial e a expectativa de rentabilidade futura da participação recebida, verificandose o ágio de R$ 99.420.135,30; 3) Em 2006, a KCR (do Grupo KimberlyClark) adquire da Alsercon as quotas remanescentes da Kenko, por R$ 205.380.500,00, verificandose o ágio de R$ 185.852.300,00. As operações foram realizadas entre o Grupo KimberlyClark e o Grupo Brasfanta, inicialmente permitindo a entrada do Grupo no mercado nacional, agora de wipes, e num segundo demonstra o aumento de sua participação e, ao final, a consolidação do controle do Grupo KimberlyClark sobre o negócio investido. Da mesma forma, as Autuações não apontam defeitos jurídicos quanto seu valor, avaliação e registro contábil. Cabe aqui comentar e abordar situações tratadas como simulação e fraude, ocorridas na Operação Kenko. Fl. 3104DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.104 46 A permuta de participação societária descrita, ocorrida em 1996, foi rotulada de fraudulenta por diversas vezes no TVF. Fundamenta o Fisco que a permuta seria simulada por travestir a compra e venda como troca. Não procede tal acusação. Primeiramente, a permuta de quotas e ações, encarada de maneira formal e objetiva, é plenamente lícita, não havendo qualquer vedação na Lei Civil ou Comercial em relação a tal manobra. Faz parte da liberdade empresarial. Em se tratando de grandes grupos empresariais, a prática se revela justificada, vez que grande parte de seu valor está fragmentado e organizado em diversas empresas, até dentro de uma multiplicidade de seguimentos mercadológicos, sendo, muitas vezes, mais prático e interessante às partes promover a permuta do que, mutua e simultaneamente, movimentar numerário de seus caixas, o qual atende a inúmeras outras funções. Mais importante é o fato de não ter sido apontado qual seria a vantagem de se travestir uma compra e venda de permuta e qual seria a lesão ao Erário, ainda que mediata. Ora, se hipoteticamente permutase bens de valores diferentes e não se apura um eventual ganho de capital (ou outra forma de incremento patrimonial), tratando estes como de igual valor, haveria, sim, a vantagem indevida nessa camuflagem e, então, a sua ilegitimidade. Não é o caso. Atribuiuse valores distintos aos bens, tanto que se apurou ágio em tal permuta, sendo que o Fisco não questiona o valor das participações permutadas e a documentação que lhe atestou elemento essencial que poderia ser ilegalmente manipulado pelas partes para gerar vantagem. Ainda, a empresa do Grupo da Recorrente recebeu o bem nominalmente menos valioso, de acordo com tal valoração incontroversa, assim, se hipotética e eventualmente houvesse algum ganho suprimido na troca, esse seria da outra parte permutante. Em relação à segunda etapa acima descrita, na Operação Kenko, a Fiscalização aponta para a ocorrência de uma manobra denominada casaesepara, no ano 2000, observada pelo aporte de dinheiro pela empresa KCC na Salonicco, posteriormente, retirandose da mesma com as quotas da Kenko, aportadas originalmente pela Fanta. Fl. 3105DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.105 47 Aqui é aplicável a mesma lógica quanto à acusação anterior de permuta fraudulenta. As operações chamadas de casaesepara, em breve resumo geral, darseiam pela constituição de uma empresa, na qual, quando da integralização dos bens que formam seu capital social, seus sócios incluem bens e direitos a serem, posteriormente, "trocados", quando da sua saída e/ou extinção da mesma. Tais manobras são condenadas pois pode haver a manipulação dos valores do bens, alterandose custos de aquisições, suprimindo eventuais ganhos de capital (ou outra forma de incremento patrimonial). Por força da condenação dos efeitos que podem resultar de tal operação, há de se convir que se tornou famigerada esta "troca" entre sócios, dentro do atual contexto jurisprudencial. Porém, não há vedação na Lei Comercial e na regulamentação societária desta forma de desconstituição de empresas, com o câmbio dos bens aportados. Desse modo, assim como no caso das empresas veículos e da alegada permuta fraudulenta, é necessária a demonstração de como as partes se beneficiaram e, de que modo, fora o Fisco prejudicado. Caso contrário, a manobra deve prevalecer, principalmente se guardar expressão econômica, negocial. Mais uma vez, não foi demonstrado e muito menos comprovada qualquer vantagem para as partes neste suposto casaesepara. O TVF apenas aponta a sua ocorrência e explica, didaticamente, em abstrato, como funciona a operação. Não mostra como teria interferido essa conduta na formação do ágio. Não há qualquer informação, análise ou apontamento acerca de ilícitos, manipulação de valores e, principalmente, de quais vantagens, então, teriam sido obtidas por qualquer um dos sócios da Salonicco. Ao contrário. Novamente, foi apurado ágio na retirada de capital da KCC com as quotas da Kenko, não havendo questionamentos por parte da Fiscalização da sua existência financeira, avaliação e registro contábil, atendose a classificálas como inválidas pela formalidade negocial. Assim, o grande ardil, usualmente por trás da operação casaesepara, não foi demonstrado, não podendo simplesmente se presumir que ocorreu, ainda que adotado o mesmo ritual societário, formal, pelas partes do negócio o que, isoladamente, não basta para configurar infração tributária ou fraude. Fl. 3106DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.106 48 Digase mais, ainda que de maneira meramente argumentativa, mesmo que desconsiderada a operação societária, prevalecendo, então, a acusação da Fiscalização de que foi uma compra e venda, pela imperiosidade do art. 167 do Código Civil5, subsistirá um legítimo negócio de compra e venda para todos os fins jurídicos, como o Legislador de 2002 previu. Nesse sentido, foi alegado e expressamente atestado que a operação casae separa carregava, na sua substância, uma compra e venda, inclusive evidenciando elementos onerosos e típicos dessa operação. Diante disso, o ágio gerado permanece, uma vez que prevalece a mesma diferença positiva entre o valor contábil da participação societária vendida (Grupo Brasfanta) e o valor por ela pago (Grupo KimberlyClark) com base em avaliação de rentabilidade que não foi questionada, denotando seu regular conteúdo econômico e razão de celebração. Inegavelmente tratouse de operação onerosa. Reforçando a validade jurídica dessas operações para a formação e aproveitamento do ágio, não é necessário que se ocorra uma compra e venda, formal e propriamente dita, para seu surgimento válido. Entendese que qualquer forma de sacrifício econômico, no investimento que gera o ágio, sendo ele oneroso (no sentido de representar o desfazimento de uma riqueza para adquirente, em face da expectativa de rentabilidade futura) já basta para validar essa despesa. Confirase trecho do Acórdão nº 9101.001.657, proferido pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria da I. Conselheira Susy Hoffmann, publicado em 14/11/2013: De fato, não havendo distinção na lei, não cabe ao intérprete fazêlo. Por aquisição entendese qualquer forma de absorção a um patrimônio jurídico de algo novo, não tendo, tal absorção, por único meio uma compra e venda. Pode se dar, como na hipótese, pela subscrição de ações novas, o qual se insere, indubitavelmente, no conceito de “participação societária adquirida”. Não se vislumbra, portanto, a alegada violação ao artigo 20 do Decreto Lei n° 1.598/77. Neste dispositivo, também, o termo aquisição não aponta para qualquer restrição do seu significado. 5 Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Fl. 3107DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.107 49 Na mesma linha, o artigo 385 do RIR/99 esclarece o tratamento tributário que deve ser dado pelo contribuinte à participação societária adquirida, qualquer que seja a forma de aquisição, o que inclui a subscrição de capital. Uma vez que a controlada incorpore sua empresa controladora, aplicarseá o disposto na Lei 9.532/97 e o ágio será dedutível. Caso o legislador quisesse excluir cada uma dessas formas de aquisição de participação societária do tratamento tributário disposto nos artigos 385 e 386 do RIR o teria feito na própria Lei. Ocorre que é esperado que a regra legal alcance todas as hipóteses equivalentes de forma homogênea, garantindo um tratamento isonômico aos contribuintes a elas sujeitos. Não é relevante para a amortização do ágio a origem dos recursos investidos: se já estavam na empresa, ou se derivam de subscrição de capital, ou se decorrem da contribuição de bens e direitos em aumento de capital. O que importa é que, em todas essas hipóteses de aquisição de participação societária, a posição patrimonial da investida e da investidora é equivalente e não há razão para não permitir a fruição do benefício de amortização do ágio após realizada a incorporação reversa. (...) Importante salientar que o CARF tem se manifestado, ainda que indiretamente, sobre o tema, com inúmeros julgados, por suas Turmas Ordinárias neste mesmo sentido. Cito, a título de exemplo, os seguintes acórdãos: 1301000.711 (Caso Tele Norte); 140200.802 (Caso Santander); 140200.993 (Caso Cosern); 120100.689 (Caso CELPE); 920200.662; 110100.354; 120100.548 (Caso Ale); 110100354 (Caso Vivo); 10196.125 (Caso Coinbra); 140200.342 (Casp DAS); 110100.708. (destacamos) Naturalmente, para o Fisco colher e analisar as operações, procedeuse a uma desmontagem do filme da entrada de um grande grupo estrangeiro no país e seu desenvolvimento, partindoo em inúmeras fotografias de suas etapas, as quais, ainda que isoladas, demandam seu contexto global e temporal para serem devidamente interpretadas. Aproveitando toda a matéria aqui debatida, é notório que, há mais de uma década, este E. CARF (e o antecessor E. Conselho de Contribuintes) vem adotando tese que prega a prevalência da substância sobre a forma dos negócios jurídicos, ainda que longe de ser uma unanimidade doutrinária, mas prestigiada pela cátedra de respeitáveis Autores. Curiosamente, como já relatado, observase que em algumas conclusões que levaram às desconsiderações que permitiram a lavratura das Autuações e, principalmente, nas acusações de ocorrência de simulação e fraude, privilegiouse o inverso: a verificação das formas utilizadas pela Recorrente, em detrimento à constatação de que essas possuíam Fl. 3108DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.108 50 conteúdo econômico ou razão empresarial seja per si ou, até mesmo, quando inseridas dentro um plano negocial maior e complexo. Em qualquer circunstância, não pode o Fisco desconsiderar negócios, atos e pessoas jurídicas por simples alegações formais e rótulos conceituais sem a devida, concreta e robusta demonstração de vantagem fiscal, real e palpável, por parte do contribuinte, através de ilícitos ou mesmo abusos perpetrados por este, de maneira intencional. Dentro da mencionada tese, seria necessária a conjugação desses elementos. Confirase a lição do próprio Marco Aurélio Greco6: Como diversas vezes afirmado acima, o contribuinte tem o direito de se autoorganizar; e dispor a sua vida como melhor lhe aprouver; não está obrigado a optar pela forma fiscalmente mais onerosa. Porém, o que disse acima é que esta reorganização deve ter uma causa real, uma razão de ser, um motivo que não seja predominantemente fiscal. Sublinhei o termo "predominantemente", pois este é o conceito chave. Se determinada operação ou negócio privado tiver por efeito reduzir a carga tributária, mas se num motivo empresarial, o direito de autoorganização terá sido adequadamente utilizado. Não haverá abuso! O Fisco nada poderá objetar! (...) Com a tese do abuso de direito aplicado ao planejamento fiscal, se o motivo predominante é fugir à tributação, o negócio jurídico será abusivo e seus efeitos fiscais poderão ser neutralizados perante o Fisco. Ou seja, sua aplicação não se volta a obrigar ao pagamento de maior imposto, mas a inibir as práticas sem causa, que impliquem menor tributação. Por outro lado, isto não significa que o Fisco possa simplesmente invocar o abuso para desqualificar o negócio jurídico. Ao contrário, como o negócio jurídico é resultado do exercício de um direito de autoorganização que se apóia no valor liberdade, os negócios lícitos gozam de presunção de não abusividade. Assim, cabe ao Fisco o ônus da prova da finalidade predominantemente fiscal do negócio para que, aí sim, possa justificar a desqualificação. (destacamos) 6 Planejamento Tributário. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2011. p. 204. Fl. 3109DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.109 51 Em acréscimo, especificamente sobre a adoção de padrões infracionais predeterminados, rótulos formais previamente definidos na jurisprudência, comenta Misabel de Abreu Machado Derzi7: Se o modo de pensar que cria padrões e esquemas ou pauta de valores, estabelecendo presunções, não é uma mera interpretação, mas retificação e modificação da própria lei, enfraquecese o Poder Legislativo e esvaziase o conteúdo das leis. Em cada um desses desvios, fortalecese o Poder Executivo, alargase seu campo de atuação, em detrimento do Poder Legislativo que perde o monopólio da produção de leis. Assim, a ausência de proprósito negocial ou da motivação extratributária demandam comprovação individual e concreta, não podendo ser presumidas. Por sua vez, quando da acusação de fraude e simulação, como estampadas no Código Civil ou mesmo como trazida no art. 72 da Lei nº 4.502/648, é certo que precisa ser demonstrado, especificamente, o dolo na intenção do agente e o consequente impedimento ou retardamento do gozo do direito de terceiro ou o seu prejuízo. Carecem de tal demonstração as Autuações, simplesmente valendose da conclusão reiterada de que a macrooperação, lá descrita, visava exclusivamente diminuir ilegalmente sua base tributável (fls. 2296), a qual, como exaustivamente demonstrado, não configurou ilícito e, muito menos, fraude. O v. Acórdão também entende haver a configuração de fraude pelo simples fato das operações envolverem empresas veículo (fls. 2823 a 2825). Por fim, diante de todas essas análises e demonstrações, entende este Conselheiro não se sustentar a acusação de inexistência de motivação extratributária, restando clara a legitimidade das operações que compuseram os planos de entrada e estabelecimento do Grupo KimberlyClark no Brasil, ao longo de sua efetiva execução por mais de 12 anos, sendo plenamente lícito o financiamento estrangeiro por controladoras, mesmo através do uso de empresas veículo na aquisição de participações societárias, bem como a reorganização do Grupo, em momento posterior, quando as circunstâncias empresariais, inclusive das parcerias inicialmente firmadas, alteraramse, não podendo se glosar o aproveitamento da regular despesa de ágio verificada ao longo de tal empreitada. 7 Direito Tributário, Direito Penal e Tipo. 2. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 342. 8 Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 3110DF CARF MF Processo nº 16561.720073/201418 Acórdão n.º 1402002.373 S1C4T2 Fl. 3.110 52 Uma vez esvaziada a fundamentação jurídica das Autuações sob análise, devem estas serem integralmente canceladas, ficando prejudicadas as matérias de caducidade, aplicação de multas e a sua mensuração. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento integral ao Recurso Voluntário, reformandose v. Acórdão recorrido, para afastar o crédito tributário sob exigência. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Fl. 3111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.723036/2013-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se configura cerceamento ao direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de manifestação foram plenamente assegurados.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária.
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não procedem os argumentos de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n. 70.235/72.
RECEITAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. TITULARIDADE. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS SEM ATIVIDADE REAL. GRUPO ECONÔMICO.
A criação de empresas com a única finalidade de evasão tributária impõe a desconsideração desses atos para fins fiscais e a tributação de eventual omissão de receitas deve ocorrer na efetiva prestadora dos serviços.
CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. INDEDUTIBILIDADE.
É legítima a glosa de custos e despesas para os quais o contribuinte não apresenta documentação comprobatória.
ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS.
Nos termos da legislação de regência e do atual entendimento do STJ, o ICMS incidente sobre as vendas integra a base de cálculo do PIS e da COFINS.
MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE.
A multa de ofício possui base legal e tem como fundamento o artigo 44 da Lei n. 9.430/96, devendo ser aplicada quando apurada falta ou insuficiência de recolhimento do imposto.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.
A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
A perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e os dirigentes no que agirem com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE.
Compete à autoridade fiscal, no momento do lançamento, imputar responsabilidade a todos os sujeitos previstos em lei, mediante a lavratura e ciência dos correspondentes Termos de Sujeição Passiva.
Numero da decisão: 1201-001.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários, vencidos os Conselheiros Luiz Paulo e Luis Henrique, que davam parcial provimento aos recursos voluntários, apenas para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento ao direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de manifestação foram plenamente assegurados. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem os argumentos de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n. 70.235/72. RECEITAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. TITULARIDADE. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS SEM ATIVIDADE REAL. GRUPO ECONÔMICO. A criação de empresas com a única finalidade de evasão tributária impõe a desconsideração desses atos para fins fiscais e a tributação de eventual omissão de receitas deve ocorrer na efetiva prestadora dos serviços. CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. INDEDUTIBILIDADE. É legítima a glosa de custos e despesas para os quais o contribuinte não apresenta documentação comprobatória. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Nos termos da legislação de regência e do atual entendimento do STJ, o ICMS incidente sobre as vendas integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa de ofício possui base legal e tem como fundamento o artigo 44 da Lei n. 9.430/96, devendo ser aplicada quando apurada falta ou insuficiência de recolhimento do imposto. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e os dirigentes no que agirem com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE. Compete à autoridade fiscal, no momento do lançamento, imputar responsabilidade a todos os sujeitos previstos em lei, mediante a lavratura e ciência dos correspondentes Termos de Sujeição Passiva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários, vencidos os Conselheiros Luiz Paulo e Luis Henrique, que davam parcial provimento aos recursos voluntários, apenas para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento ao direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de manifestação foram plenamente assegurados. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem os argumentos de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n. 70.235/72. RECEITAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. TITULARIDADE. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS SEM ATIVIDADE REAL. GRUPO ECONÔMICO. A criação de empresas com a única finalidade de evasão tributária impõe a desconsideração desses atos para fins fiscais e a tributação de eventual omissão de receitas deve ocorrer na efetiva prestadora dos serviços. CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. INDEDUTIBILIDADE. É legítima a glosa de custos e despesas para os quais o contribuinte não apresenta documentação comprobatória. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 30 36 /2 01 3- 76 Fl. 5408DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 3 2 Nos termos da legislação de regência e do atual entendimento do STJ, o ICMS incidente sobre as vendas integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa de ofício possui base legal e tem como fundamento o artigo 44 da Lei n. 9.430/96, devendo ser aplicada quando apurada falta ou insuficiência de recolhimento do imposto. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse ao PIS, à COFINS e à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia só se faz necessária quando o procedimento for essencial para a compreensão dos fatos e o convencimento dos julgadores. Quando ausentes tais requisitos, ante a comprovação de que constam dos autos elementos suficientes para a resolução da controvérsia, deve o pedido ser indeferido. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e os dirigentes no que agirem com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. IMPUTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE. Compete à autoridade fiscal, no momento do lançamento, imputar responsabilidade a todos os sujeitos previstos em lei, mediante a lavratura e ciência dos correspondentes Termos de Sujeição Passiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 5409DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 4 3 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos Recursos Voluntários, vencidos os Conselheiros Luiz Paulo e Luis Henrique, que davam parcial provimento aos recursos voluntários, apenas para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados pela decisão de primeira instância, reproduzoa a seguir (grifaremos): O contribuinte teve lavrados contra si autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 4196), Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 4323), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 4306) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 4251). O total do crédito tributário apurado foi de R$ 3.596.080,01, calculado até 09/2013. O relatório da ação fiscal está às fls. 4342/4431. A ciência dos autos de infração ocorreu em 27/09/2013. Foram lavrados termos de sujeição passiva tributária contra os Senhores Vinissius Cagol Gialdi (fls. 4432/4433, retificação às fls. 4478/4479) e Jair Antônio Gialdi (fls. 4460/4461, retificação fls. 4485/4486) e contra a Senhora Carmila Noele Gialdi (fls. 4446/4447, retificação às fls. 4482/4483). Todos foram cientificados da retificação dos termos em 21/10/2013. A pessoa jurídica impugnou as exigências por meio da petição de fls.4490/4585, entregue em 29/10/2013. Em 01/04/2014 houve apresentação de emenda à impugnação, fls. 4958/4971. As pessoas físicas apresentaram impugnação em 20/11/2013. As petições estão às fls. 4635/4738 (Sra. Carmila), 4742/4847 (Sr. Jair) e 4851/4952 (Sr. Vinissius). LANÇAMENTO CONTRA A PESSOA JURÍDICA À pessoa jurídica autuada foram imputadas três infrações tributárias: Fl. 5410DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 5 4 1. Omissão de receitas na prestação de serviços de logística, conforme descrito no item 6 do relatório fiscal; 2. Despesas não comprovadas, gerando as correspondentes glosas, conforme itens 8 e 9 do relatório fiscal; 3. Ausência de declaração do imposto de renda apurado, gerando insuficiência de recolhimento do tributo, conforme item 7 do relatório fiscal. A ação fiscal decorre de solicitação do Ministério Público Federal. Houve a apreensão de documentação em endereços comerciais e residenciais, com autorização judicial. O autuante refere à existência de um grupo empresarial que ele denomina de "Grupo Gialdi", atuando no interesse da "Família Gialdi" com unicidade empresarial. São empresas onde membros da referida família atuam como sócios e/ou administradores. As empresas seriam: Móbile Transporte de Móveis Ltda. (MOBILE/POSICARGO), tem sede em Bento Gonçalves/RS e filiais em Arapongas/PR, Rio de Janeiro/RJ, Osasco/SP, Ubá/MG, São Bento do Sul/SC e Curitiba/PR; Transportes Mobiline (MOBILINE); a sede é em Bento Gonçalves e filiais em Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Itajaí/SC, São Bento do Sul/SC, Cascavel/PR, Arapongas, Ubá, Guarulhos/SP, Joinville/SC e Serra/ES; Mobilog Cargas Expressas Ltda. (MOBILOG), a sede é em Bento Gonçalves e tem filiais em Arapongas, Rio de Janeiro, São Gonçalo/RJ, Curitiba e São Bento do Sul; Pró Service Transportes Ltda., tem sede no Rio de Janeiro e filiais em São Gonçalo, Bento Gonçalves, Ubá, Arapongas, São Bento do Sul e Curitiba; Di Qua Locação e Terceirização de Bens Ltda., tem sede em Bento Gonçalves; Movelsul Transportes Ltda., com sede em Bento Gonçalves. Diz o autuante que essas empresas são administradas pela "Família Gialdi" e elas possuiriam relação em comum, quer pelos sócios, quer pelos endereços ou atividades comuns. A composição da "Família Gialdi" seria: o Sr. Jair Antônio Gialdi (pai), que é casado com a Sra. Romilda Cagol Gialdi (mãe), juntamente com Vinissus Cagol Gialdi e Carmila Noele Gialdi (filhos do casal). As empresas tinham a participação de terceiras pessoas, de confiança da família Gialdi, empregados de alguma das empresas, mas cujos nomes foram utilizados para a constituição de novas empresas nas quais não poderia constar o nome dos componentes da família Gialdi. São eles: Roberto Durante, Fl. 5411DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 6 5 Jolcemar Serafini, Diogo Guerra Schenato, Valdecir José Invernizzi e Clauvir José Bresolin. O minucioso relatório fiscal descreve: as coincidências de endereços entre as empresas, a administração centralizada, as transferências de empregados entre empresas do grupo, o pagamento de empregados de uma por outra empresa; a existência de decisões judiciais na esfera trabalhista reconhecendo a vinculação entre as empresas; o trabalho de motoristas em mais de uma empresa; a existência de empresa com número de motoristas inferiores ao número de caminhões; a criação de empresas tributadas na sistemática do SIMPLES para absorver a folha de pagamentos; a utilização de laranjas para constituição de algumas empresas; a existência de empresas apenas com despesas de pessoal. A empresa Di Qua Locação e Terceirização de Bens Ltda. teria sido utilizada para desviar receita da prestação de serviços de logística realizado pela Mobiline, deixando de oferecer esta receita à tributação pelo lucro real. Diz o autuante: Considerando todos os fatos descritos ao longo do Relatório Fiscal, fica mais que evidente a constatação de que a "engenharia societária" levada a cabo pela fiscalizada não passa de mera SIMULAÇÃO, com o objetivo de obter vantagem tributária indevida, OCASIONANDO VERDADEIRA EVASÃO FISCAL. O autuante resume, às fls. 4399/4402, as razões que o levaram a concluir que houve a utilização de terceiras empresas com o objetivo de obtenção de vantagens tributárias pela família Gialdi: Tendo sido explanado as diversas constatações relativas à composição de cada uma das empresas envolvidas na presente fiscalização e os vínculos entre as mesmas passaremos a demonstrar que, na realidade, a constituição das empresas MOBILOG CARGAS EXPRESSAS LTDA, PRO SERVICE TRANSPORTES LTDA e DI QUA LOCAÇÃO E TERCEIRIZAÇÃO DE BENS LTDA não passa de uma tentativa da família Gialdi de fugir das responsabilidades tributárias incidentes sobre a atividade da empresa que realmente é a responsável por toda a prestação de serviço de transporte, ou seja, a Transportes Mobiline Ltda. Durante a fiscalização foram analisados diversos documentos, arquivos e mensagens obtidas durante o procedimento de MBA. Como resultado desta análise, somado as informações prestadas pelas empresas envolvidas, verificouse a existência de diversos elementos que provam a unicidade do grupo econômico. Conforme amplamente demonstrado nos itens anteriores, constatamos que as empresas MOBILOG CARGAS EXPRESSAS LTDA, CNPJ 09.452.957/000143 e PRO SERVICE TRANSPORTES LTDA, CNPJ 13.041.541/000100, ambas Fl. 5412DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 7 6 optantes pelo SIMPLES NACIONAL previsto na Lei Complementar n° 123/2006, foram criadas única e exclusivamente para registrar os empregados que prestam serviços nas atividades de transporte da empresa Transportes Mobiline Ltda. Restou identificado que quem realmente admite, gerencia e remunera os empregados registrados nas empresas Mobilog e Pro Service é a empresa fiscalizada Mobiline. Os fatos que comprovam esta simulação estão descritos no decorrer deste relatório e resumidamente, são: As empresas MOBILINE, MOBILOG e PRO SERVICE possuem endereços coincidentes, tanto nos estabelecimentos matriz, quanto nas filiais. As empresas compartilham os mesmos recursos como telefone, endereços eletrônicos, caixa postal e que, através dos fatos mencionados contemplam provas evidentes que as instalações físicas, o controle gerencial, financeiro e administrativo das empresas é único e realizado pela TRANSPORTES MOBILINE LTDA. Os sócios da Mobilog e da Pro Service são ou foram empregados da Móbile ou da Mobiline; Na sede da empresa Mobiline, em 11/12/2012, na execução do Mandado de Busca e Apreensão foram apreendidos documentos relativos à Mobilog e a Pro Service. Foram apreendidos cheques assinados e em branco, destas duas empresas. Também foram apreendidos relatórios e resumos de folhas de pagamento contendo informações, conjuntamente, da Mobiline, Mobilog e Pro Service; Foi verificada a transferência de mais de 130 empregados, na mesma data, entre as empresas Mobile e da Mobiline para a Mobilog, e da Mobilog para a Pro Service; Ao verificarmos os lançamentos contábeis da conta 1.1.02.01.16173 Adiantamento a Fornecedores, constatamos mais de 1.200 lançamentos de adiantamentos para as empresas Mobilog e Pro Service, somente no ano de 2011. Dentre estes lançamentos, foi possível a identificação de emissão de cheques da Mobiline para pagamentos de empregados constantes da folha de pagamento da Mobilog e da Pro Service; As reclamatórias trabalhistas movidas por exempregados na Justiça do Trabalho, normalmente vinculam todas as empresas do GRUPO, inclusive a MOBILINE, conforme mencionado anteriormente. Há depoimentos e decisões trabalhistas que reconhecem a vinculação entre estas empresas. Inclusive, o sócio da MOBILOG, Sr. Diogo Guerra Schenato, também ingressou com processo trabalhista contra a MOBILINE; Através dos lançamentos efetuados na conta contábil 1.1.02.01.16172 Adiantamento de Viagens foi possível verificar que OS VEÍCULOS UTILIZADOS NA ATIVIDADE DE Fl. 5413DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 8 7 TRANSPORTE DA MOBILINE SÃO DIRIGIDOS POR MOTORISTAS REGISTRADOS NA MOBILOG E NA PRO SERVICE; A Mobiline possui motoristas em número muito inferior à quantidade de caminhões da sua frota; e a Mobilog e a Pro Service, possuem motoristas, mas não possuem veículos, fato este que também demonstra que os caminhões da Mobiline são utilizados por empregados da Mobilog e da Pro Service; Através das mensagens eletrônicas constantes dos arquivos apreendidos e copiados dos computadores dos Srs. Jair e Vinissius e da Sra. Carmila, demonstrase que tanto a MOBILOG quanto a PRO SERVICE foram criadas para serem EMPRESAS DO SIMPLES NACIONAL, onde seriam registrados os empregados do grupo. Estas mensagens enviadas ou recebidas por eles, comprovam que, na realidade, eram os Srs. Jair e Vinissius e a Sra. Carmila, quem tomavam as decisões destas empresas; que os sócios formais, na realidade, eram "laranjas". E, ainda, através das mensagens eletrônicas, verificamos que o valor da Prestação de Serviço é determinado pela MOBILINE, e que o Sr. Vinissius Gialdi é quem determinava o valor e da data da emissão das Notas Fiscais da MOBILOG e da PRO SERVICE. A Receita Bruta Auferida pela Mobilog e pela Pro Service é totalmente incompatível com os valores da remuneração dos seus empregados registrados; As empresas Mobilog e Pro Service possuem apenas "despesas" com pessoal (Salários, FGTS, vale transporte) e tributárias (Simples Nacional e ISSQN). Não verificamos qualquer outra despesa necessária para o funcionamento de uma "empresa", tal como aluguel, telefone, energia, etc; Foi constatado que tanto na Mobilog quanto na Pro Service há exclusividade na prestação de serviços para a Mobiline; Os endereços, telefones e endereços eletrônicos constantes nas Notas Fiscais emitidas pela Mobilog e pela Pro Service são os mesmos da Mobiline. Inclusive, o aluguel, as contas telefônicas e de energia elétrica, estão em nome e são pagas pela Mobiline; Há procurações públicas nomeando os Srs. Vinissius e Jair como procuradores da Mobilog e da Pro Service, outorgando amplos poderes para que eles administrem estas empresas como bem entenderem. Além desta situação envolvendo a Mobilog e a Pro Service, a família Gialdi também utilizouse de outra empresa do grupo, a Di Qua Locação e Terceirização de Bens Ltda., para a obtenção de vantagens tributárias. Conforme exposto neste relatório, demonstramos que esta empresa foi utilizada para desviar a receita decorrente da prestação de serviços de logística realizado pela Mobiline, conseqüentemente deixando de oferecer esta receita à tributação pelo Lucro Real. Fl. 5414DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 9 8 Considerando todos os fatos descritos ao longo do Relatório Fiscal, fica mais que evidente a constatação de que a "engenharia societária" levada a cabo pela fiscalizada não passa de mera SIMULAÇÃO, com o objetivo de obter vantagem tributária indevida, OCASIONANDO VERDADEIRA EVASÃO FISCAL. Com base nas conclusões antes expostas foram identificadas as infrações abaixo: 1. Omissão de receitas na prestação de serviços de logística Parte da atividade desenvolvida pela Mobiline provém do transporte de móveis, da indústria moveleira até a casa do cliente da loja vendedora. Esse trabalho tem duas etapas: transporte entre a indústria moveleira e o depósito intermediário no local de destino; transporte da mercadoria entre o depósito intermediário e o usuário final; essa atividade é denominada de "logística". Quando realizada a primeira etapa, há a emissão de conhecimento de transporte e reconhecimento da receita. Na segunda etapa, não há emissão de documento fiscal. A autuada não ofereceu à tributação a receita decorrente da prestação de serviços de logística. Essa receita circulava em contas bancárias de terceira empresa pertencente ao grupo, a DI QUA. A Mobiline, por meio da Sra. Carmila Gialdi, fazia o controle das entregas efetuadas para cada loja e emitia o doc de cobrança da logística ao respectivo cliente. A planilha de fls. 4404/4405 mostra a prestação do serviço de logística, correlacionando as notas fiscais, conhecimento de transporte, loja tomadora do serviço e valor do serviço de logística. Abaixo, a título de exemplificação, transcrevo os dados relativos a abril e maio/2009. Fl. 5415DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 10 9 A base de cálculo foi apurada a partir de planilhas de logística mantidas pela Mobiline (fls. 1873 a 3851). Os totais estão compilados na planilha de fls. 4420. Para esta infração houve a aplicação de multa de ofício qualificada de 150%, assim justificada no relatório fiscal: Conforme exposto ao longo deste relatório a conduta adotada pelo sujeito passivo (MOBILINE), juntamente com as empresas MOBILOG, PRO SERVICE e DI QUA, e respectivos administradores, é enquadrada como SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO, caracterizada, em síntese, pela constituição de empresas através de "sócios laranjas", pela não emissão de documentos fiscais com o intuito de reduzir o valor dos tributos devidos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), pela omissão da sua receita auferida e utilização da conta bancária de outra empresa para o recebimento de valores não oferecidos à tributação. Assim, a multa aplicada, sobre estes fatos geradores, é a prevista no inciso I c/c o §1o do art. 44 da Lei n.° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n.° 11.488/2007, ou seja, 150%, pois a conduta dolosa do contribuinte enquadrase no conceito de sonegação, fraude e conluio previsto na Lei n.° 4.502/64, artigos 71, 72 e 73 abaixo transcritos: [...] 2. Despesas não comprovadas, gerando as correspondentes glosas A contribuinte foi intimada e reintimada a comprovar os lançamentos de despesas constantes do quadro abaixo. Fl. 5416DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 11 10 As respostas, invariavelmente, diziam que "pela complexidade da informação declarada, nos encontramos impossibilitados de prestar esclarecimentos ou anexar documentos comprobatórios dos valores apropriados". Também houve a glosa de despesas com prestação de serviços pela DI QUA. Intimada e reintimada, a contribuinte não comprovou o pagamento por tais serviços. Os valores de despesas não comprovadas consta da planilha de fls. 4425/4427. Os valores foram adicionados ao lucro real e a multa de ofício aplicada foi de 75%. 3. Insuficiência de recolhimento de tributo, por ausência de declaração do imposto de renda apurado O contribuinte não efetuou a declaração em DCTF (Declaração de Créditos e Tributos Federias) dos valores devidos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorrentes do Lucro Real Trimestral apurados nos trimestres abaixo relacionados: Os valores acima foram obtidos a partir dos Balancetes Contábeis de 2010 e 2011 (fls. 4.141 a 4.152) apurados através da Escrituração Contábil Digital e nos Livros de Apuração do Lucro Real LALUR apresentados pelo contribuinte (fls. 4.030 a 4.063). Os valores foram lançados, com aplicação de multa de ofício de 75%. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Transcrevo as razões para imposição de sujeição passiva solidária constantes do relatório fiscal (fls. 4428/4430). Fl. 5417DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 12 11 O Código Tributário Nacional estabelece, em seu art. 135, inciso III, a responsabilização pessoal dos sócios administradores pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticadas com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto, como se vê a seguir: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A conduta adotada pelo sujeito passivo em ter omitido a receita decorrente da prestação de serviços de logística, caracteriza a Sujeição Passiva Solidária nos termos dos artigos 124,1 e 135, III, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Tal conduta configura inclusive, em tese, Crime Contra a Ordem Tributária. Diante disso, os administradores da empresa são, também, responsáveis solidários, posto que tem interesse direto na situação que constitui o fato gerador, bem como agiram com infração à lei, a teor das disposições legais contidas no Código Tributário Nacional CTN, artigo 124, inciso I, como prevê abaixo, e o artigo 135 inciso III: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal Fazse necessário, portanto, para fins de garantia do crédito tributário, que os administradores da empresa, abaixo relacionados, sejam nomeados sujeitos passivos solidários, uma vez que agiram com infração à lei, nos termos dos artigos 124, I e 135, inciso III, do CTN, objetivando uma redução nos valores dos tributos devidos (1RPJ, CSLL, PIS e COFINS), pelo que lavramos os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Os sujeitos passivos solidários responsáveis são: NOME : VINISSIUS CAGOL GIALDI CPF: 919.507.32053 ENDEREÇO: Rua da Ladeira, n° 81 apartamento 301 BAIRRO: São Francisco CIDADE : Bento Gonçalves RS CARGO: Sócio Administrador (MOBILINE) PERÍODO DE ATUAÇÃO: Desde 10/08/1999; NOME : CARMILA NOELE GIALDI Fl. 5418DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 13 12 CPF: 013.411.14007 ENDEREÇO: Rua da Ladeira, n° 81 apartamento 302 BAIRRO: São Francisco CIDADE: Bento Gonçalves RS CARGO: Sócio Administrador (MOBILINE) PERÍODO DE ATUAÇÃO: Desde 22/03/2006; NOME: JAIR ANTONIO GIALDI CPF: 255.166.39034 ENDEREÇO: Rua da Ladeira, n° 81 apartamento 302 BAIRRO: São Francisco CIDADE: Bento Gonçalves RS CARGO: Procurador PERÍODO DE ATUAÇÃO: Desde 01/09/2006. Observação: O sujeito passivo TRANSPORTES MOBILINE LTDA nomeou o Sr. Jair Antonio Gialdi como Procurador, através das Procurações Públicas n°s 12.050533 (Livro n° 87, fl. 174) e 38.950768 (Livro 187, fl. 192) respectivamente, do 2o Tabelionato de Notas de Bento Gonçalves e do Io Tabelionato de Notas de Bento Gonçalves, conforme fls. 411 a 415. E, também como podese verificar no decorrer deste relatório, o mesmo participou ativamente da administração da Transportes Mobiline Ltda. Em virtude, do exposto acima, foram emitidos os Termos de Sujeição Passiva Solidária (TSPS) n°s 01, 02 e 03 referentes ao presente processo. IMPUGNAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA MOBILINE As razões de impugnação apresentadas pela MOBILINE vão resumidas adiante. Preliminares Nulidade do Auto de Infração por violação ao contraditório e à ampla defesa, assim como exigüidade do prazo concedido para apresentação da impugnação. Diz que o prazo estabelecido no art. 15, do Decreto nº 70.235/72, viola os seus direitos constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Requer que até a decisão final administrativa seja garantida a juntada de quaisquer documentos que julgue necessários para o presente embate administrativo. Possibilidade de aditamento da peça impugnatória de acordo com o princípio da verdade material. Defende que a produção probatória é livre de formalidades ou limites processuais. Nulidade do procedimento fiscal por vício de motivação. A Receita Federal teria sido usada pelo Ministério Público Federal para perseguir a TRANSPORTES MOBILINE em face de um desafeto (Sr. Diogo), através de inverdades e de fantasias. Diz que o Sr. Diogo por questões passionais (teria tido um relacionamento com a Sra. Carmila) passou a espalhar boatos e rumores contra a família Gialdi, e conseqüentemente contra a empresa impugnante. Fl. 5419DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 14 13 Nulidade do Auto de Infração pelo transcurso injustificável do prazo legal de lavratura. Diz que o art. 11, da Portaria RFB nº 3.014/11 determina que o prazo máximo de validade de um MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) é de 120 dias. Como tal prazo foi extrapolado, tornou ilegais os Autos de Infração ora impugnados por vício formal. Nulidade da peça fiscal em função da ausência de qualificação dos elementos probatórios, em ofensa ao contraditório e à ampla defesa. Diz que para um argumento ser válido teria que estar pautado em lei, e não nas impressões do agente fiscal. Não é apontado de forma válida o parâmetro legal para a constatação da simulação constatada pela fiscalização, ou seja, como se concluiu de que os GIALDI seriam os efetivos proprietários das empresas que lhe prestavam serviços. Qual a norma que impedia que o impugnante fomentasse a criação dessas empresas? Mérito Ausência de comprovação do alegado GRUPO GIALDI. Dever da administração de comprovar as alegações. Entende não existirem nos autos provas desse alegado grupo econômico. Diz que a fiscalização construiu sua pretensão em fatos desconexos e meias verdades. Fala que a criação da MOBILOG e da PRO SERVICE foram oriundas de necessidades do impugnante, e não objetivavam a redução da carga tributária. Concorda que existe uma íntima ligação entre o impugnante e as empresas que lhe prestavam serviço, mas questiona qual seria o limite dessa proximidade. Ataca o protecionismo da Justiça do Trabalho no sentido de que o impugnante responderia pelos funcionários de suas prestadoras de serviço. Imprestabilidade dos documentos apreendidos para comprovação da presunção fiscal. Desqualificação de todos os elementos trazidos pela fiscalização. Não reconhece e rejeita o significado presumido pela fiscalização para os documentos constantes nessa peça fiscal. Fala, na seqüência em rebater todos os tópicos que conteriam elementos de prova: Localização e quadro social das empresas componentes do grupo econômico empresarial (Família Gialdi): desconhece qualquer norma que impeça que duas ou mais empresas possuam o mesmo endereço e dividam custos. Da relação de atividades, endereços e parentesco entre os responsáveis das empresas do grupo econômico (Família Gialdi): nada mais natural que a família e seus membros possuam empresas no ramo de transportes, pois ela sempre atuou nessa área. O mesmo vale para exfuncionários incentivados a se tornarem parceiros. Da coincidência entre os endereços e administração do Grupo Móbile: pergunta porque razão as empresas “formadas dentro da impugnante” deveriam suportar custos desnecessários. Diz que o fato de pagar as despesas relativas a aluguéis, energia Fl. 5420DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 15 14 elétrica e telecomunicações das outras empresas não se verteria em fundamento legal para dizer que elas não existem. Da constatação da unicidade empresarial: o que é chamado de unidade empresarial nada mais seria do que a natural identidade e proximidade das empresas parceiras. Fala que auxiliava suas prestadoras de serviço em questões burocráticas. Por essa razão foram encontrados documentos das outras empresas na sede da impugnante. Complementa que em relação às transferências de funcionários de uma empresa para outra, objetivaria solução para gestão da mãodeobra, e que teria sido observada a legislação trabalhista. Em relação ao adiantamento de viagens e prestação de contas das outras empresas, defende que isso não descaracterizaria a prestação de serviços, mas se deveria a um controle preciso das viagens. A respeito da Justiça do Trabalho afirma que em nenhuma hipótese a Receita Federal pode utilizar de fatos ou eventos daquela esfera para constatações de obrigações fiscais. A respeito do quantitativo de pessoas constante no endereço eletrônico da empresa, não estariam aí computados somente os seus funcionários e empregados, mas também os seus colaboradores, ou seja, considera também os funcionários das suas prestadoras de serviço. Aduz que o seu faturamento ascendente não constitui qualquer ilegalidade em relação à remuneração de seus empregados. Elementos que demonstram que a MOBILOG foi criada e administrada pela Família Gialdi: confirma que de apoio para a criação da empresa não apenas quanto à estrutura física, mas também com a indicação do contador e do apoio administrativo. Os emails juntados aos autos sobre a constituição da MOBILOG e seu enquadramento no SIMPLES não comprovam a ilegalidade na redução da carga tributária. As empresas PRO SERVICE e MOBILOG mesmo sendo enquadradas no SIMPLES não teriam como sócios, proprietários ou administradores nenhum membro da Família Gialdi. Argumenta que apesar dessas empresas MOBILOG e PRO SERVICE serem independentes, o impugnante zelava pela manutenção das mesmas, inclusive, controlando o recolhimento de tributos e a adequação das empresas em face da legislação. Os emails trazidos ao processo não comprovariam que o Sr. Vinissius era dono e geria a MOBILOG. Elementos que demonstram que a PRO SERVICE foi criada e administrada pela Família Gialdi: a PRO SERVICE teve início nas fileiras da impugnante, sendo assessorada em sua criação. Teria sua matriz no Rio de Janeiro, sendo a alegação de que o impugnante a administraria fantasiosa, até mesmo pela dificuldade geográfica. Desconsiderar isso em função de emails trazidos aos autos é arbitrariedade, tratandose de conveniência fiscal em faze da viciada motivação que levou a essa fiscalização. Alegada nulidade do procedimentos fiscal por impossibilidade do arbitramento ou presunção em matéria tributária. Fl. 5421DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 16 15 A fiscalização teria se valido de amostragem para encontrar o suposto crédito omitido. Prova disso está às fls. 62 do auto combatido quando o agente do fisco diz que fez amostragem entre as planilhas de logística frente aos conhecimentos de transporte emitidos. Tal amostragem não seria válida para fins de imposição tributária. A alegação de que quem cuidava da cobrança da parte de logística era a Sra. Carmila, mas a única comprovação é uma mensagem eletrônica, trocada no ano de 2010 e que nada comprova. Também com base no mesmo email o fisco afirmou que a emitente admitiria não haver emissão de documento fiscal em relação às entregas, mas ao contrário há menção expressa no comunicado dizendo que se verificaria a possibilidade de emissão de documentário fiscal. Com tal prova, o email, poderia, no máximo, ser tributada a operação nele referida. A planilha tão valorada pela Fiscalização como elementos cabal da suposta omissão de receita não traz qualquer elemento quanto à eventual recebimento de valores. Tratase de documento de controle interno de custos. Com relação à tabela de preços reajustada, conforme troca de mensagens eletrônicas referidas às páginas 69 a 71, não há nelas qualquer comprovação de omissão de receitas. Seriam apenas debatidas questões operacionais e de custo. Com relação às questões envolvendo a DI QUA, devem ser apuradas em outro procedimento fiscalizatório, ou seja, as questões da DI QUA devem ser tratadas, acaso haja indícios de cometimento de omissão de receitas, em procedimento autônomo e próprio. Se o fisco entender que as empresas devem ser fiscalizadas em conjunto, a DI QUA deve ser chamada ao processo de forma a possibilitar o exercício de seu direito de ampla defesa. Repisa o argumento de que, mantido o entendimento de omissão de receitas, devem ser incluídas nelas somente as operações mencionadas nas mensagens eletrônicas que servem de prova. Diz que a presunção seria inaplicável no direito tributário. Traz doutrina sobre presunções. Conclui o tópico dizendo: Destarte, como se pôde constatar, o auto de infração é lastreado em meras presunções, sem comprovação objetiva dos eventos tributários ocorridos, o que não serve ao Direito Tributário, ramo do Direito Público. Cumpre frisar que as passagens acima transcritas do Relatório Fiscal são meramente exemplificativas, já que o Auto de Infração em quase sua totalidade contempla presunções. Assim, poderseia passar dias debruçados sobre as inúmeras presunções sem as devidas comprovações descritas pelo Fisco. Todavia, em razão da exiguidade do prazo para impugnação, bem como por questões de economia processual, de forma a não Fl. 5422DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 17 16 incorrer em tautologia, concluise que, pelas razões expostas, o Auto de Infração impugnado deve ser desconstituído na sua totalidade. Impugnação com relação ao item 7 do auto de infração. Diz que pode ter havido mero erro de declaração, reservandose o direito de trazer ao processo comprovantes de pagamento de IRPJ e CSLL. Caso algum valor não seja comprovado, a multa a ser aplicada deve ser de a de mora, ou seja, 20%. Impugnação com relação ao item 8 do auto de infração. A impugnante se reserva o direito de trazer documentos oportunamente. Impugnação com relação ao item 9 do auto de infração. Os pagamentos em favor da DI QUA foram efetuados através de depósitos ou por cheques pagos por clientes e repassados diretamente, sem transição por conta bancária. O que não poderia acontecer é a autoridade administrativa glosar despesas sem a devida oitiva da empresa que recebeu os pagamentos. Ausência de comprovação da alegada omissão de receita. Dever da Administração de comprovar as alegações fiscalização não teria conseguido amarrar suas conclusões acerca do suposto subfaturamento. Toda pretensão fiscal tem por fundamento meros indícios de ocorrência de fatos geradores de obrigações tributárias, ou seja, presunções e arbitramentos. O fisco não foi capaz de traçar o liame necessário entre os indícios coletados e a efetiva ocorrência dos fatos geradores. Da nulidade dos Autos de Infração e do direito à avaliação contraditória e a obrigatoriedade da prova pericial. Tendo sido procedido arbitramento é seu direito de contestação a avaliação contraditória. Não se pode permitir um arbitramento unilateral sem qualquer pedido de explicações ou aditamento de documentação por parte do impugnante, impondose a realização de necessária e obrigatória contraprova – perícia – dos documentos que integram a peça fiscal, bem como dos documentos que compõe a contabilidade da empresa. Indica perito e formula os seguintes quesitos: 1) Diga o Sr. Perito qual a vantagem financeira/tributária teria a MOBILINE em supostamente criar outras empresas de logística. 1.1) Se há, qual o valor desta suposta vantagem econômica? 2) Em relação à pg. 62 do Auto de Infração. Qual o valor utilizado em amostragem para determinação da base de cálculo supostamente omitida pela Impugnante? Fl. 5423DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 18 17 2.1) Nos emails juntados e colacionados ao Relatório Fiscal, ainda em relação a suposta omissão de receitas, item 6 do AI, qual o valor destacado naquelas operações? 2.2) E possível destacar quanto supostamente a ora Impugnante omitiu através dos emails referidos pela Fiscalização? 3) Em relação à planilha, ainda item 6 do AI, que supostamente a Sr. Carmila controlaria receitas não levadas à tributação. É possível, com absoluta certeza, determinarse que todos os valores relacionadas naquela planilha tiveram efetivamente recebimento sem documento fiscal competente? 3.1) É possível dizer, com absoluta certeza, que destino tiveram estes recursos supostamente omitidos? 3.2) É possível determinarse que os valores elencados na planilha tratamse de recebimentos ou negociação com clientes, ou podese tratar como planilha de custos interna utilizada pela ora Impugnante? 4) Com relação ao item 7 do Auto de Infração, há documentos fiscais (inclusive declarações) apontado o lucro obtido? 4.1) Se positivo, quais são esses documentos? 4.2) Poderia ter a fiscalização, pelas declarações e obrigações acessórias prestadas pela ora Impugnante antes do início da ação fiscal que culminou no lançamento ora combatido, ter conhecimento do lucro obtido? 4.3) Qual o percentual da multa aplicada por tal infração? 5) Esclareça o Sr. Perito, considerando o suposto Grupo Econômico, qual o montante pago pelas Empresas PRO SERVICE c MOBILOG à guisa de SIMPLES. 5.1) Diga o Sr. Perito se houve algum tipo de amortização dos valores pagos à guisa de SIMPLES. 6) Diga o Sr. Perito se a Impugnante possui prejuízo fiscal acumulado e o seu valor. 6.1) Diga o Sr. Perito se o Lançamento Tributário questionado observou o prejuízo fiscal acumulado e demonstre em forma de cálculo sua utilização. Da possibilidade do enfrentamento pelo Tribunal Administrativo do argumento de inconstitucionalidade de uma norma legal. O Tribunal Administrativo Fiscal tem a função precípua de distribuir a justiça fiscal por meio de processo administrativo. Argumenta que o Órgão Administrativo Julgador deve primeiramente seguir a Constituição Federal, e somente depois as leis e atos infraconstitucionais, e, sendo assim, poderia decidir com fundamento na inconstitucionalidade de um ato administrativo, pois se negar essa possibilidade estaria infirmando o princípio da ampla defesa. O reconhecimento de Fl. 5424DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 19 18 inconstitucionalidade no âmbito do processo administrativo é mais do que uma possibilidade ao julgador, é um dever. Da necessária exclusão do eventual ICMS inserido nas bases de cálculo do PIS e da Cofins, e do atual posicionamento do STF, cujo julgamento ainda não foi concluído. Aduz que é necessário que a lei defina in abstrato todos os aspectos relevantes para que in concreto possa determinar quem e quanto terá que se pagar como tributo, mencionando o princípio da estrita reserva legal. Afirma que embora os montantes de ICMS sejam cobrados do comprador da mercadoria de forma agregada ao preço desta, não se qualificariam como receitas. Diz: Dessa maneira, não constitui o ICMS receita da empresa, nem se inclui no faturamento desta e, portanto, excluído está da base de cálculo da contribuição para a COFINS e PIS. Configurandose como receita de terceiro, não pode ser considerada também da empresa vendedora somente para fins de determinação da base de incidência da exação, eis que representam valores neutros em relação à empresa e assim como não a beneficiam, também não podem vir a onerála. Da inaplicabilidade da multa qualificada e da ausência de comprovação válida de conduta dolosa pelo contribuinte. O ônus da prova cabe ao fisco e este colacionou, no máximo, prova indireta ou presunção probatória. Traz doutrina e jurisprudência sobre ônus da prova. Para aplicação da multa qualificada é necessária prova robusta e a imposição não pode ser fundada meramente em suposições ou mesmo em indícios. Do percentual confiscatório da penalidade aplicada e da ofensa aos princípios administrativos da proporcionalidade e da razoabilidade. As aplicações dos patamares de 150% e 75% são flagrantemente ilegais e inconstitucionais, nulificando os Autos de Infração. O imposto deve ser medido conforme a capacidade contributiva do cidadão e pela justiça fiscal, estando essas multas exigidas fora da razoabilidade e da proporcionalidade. A aplicação dessas multas aumenta o tributo a percentuais que o descaracterizam. A obrigação tornase por demais onerosa, “incumprível” e injustificável. Da inaplicabilidade da Taxa Selic aos supostos débitos como juros de mora e da limitação dos juros de mora definido pelo Código Tributário Nacional. Os juros são sansão pecuniária decorrente da impontualidade do sujeito passivo no adimplemento da obrigação principal. A legislação civil determina que os juros não convencionados pelas partes sejam calculados à taxa de 12% ao ano. Ultrapassar esse limite seria delito de usura. O CTN, em seu art. 161, também determina 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. É ilegal a aplicação dessa taxa sobre os débitos tributários federais, pois excede o fixado pelo art. 161, do CTN. Sendo assim, conclui que Fl. 5425DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 20 19 devem ser excluídos dos débitos as correções trazidas pela Taxa Selic. Da existência de prejuízo fiscal contabilizado, da necessária consideração desses valores para fins de lançamento do IRPJ e CSLL. O lançamento teria desconsiderado a existência de prejuízo fiscal regularmente contabilizado. A exigência não pode prosperar sem o abatimento proporcional de tal prejuízo. Da alternativa do abatimento/amortização dos valores pagos pelo SIMPLES. Diz, apenas em linha alternativa que se entender restar comprovado que as empresas MOBILINE, PRO SERVICE e MOBILOG fizessem parte de um grupo econômico, devem ser abatidos todos os valores pagos à guisa do SIMPLES. O SIMPLES NACIONAL é um regime tributário que engloba inúmeros tributos devendo os recolhimentos amortizarem os valores lançados. Das provas que pretende vir a produzir A defesa requer a produção – dentre outras – de prova testemunhal, com a oitiva das pessoas que menciona e prova pericial (já relatada) Pede, também, a fixação de novo prazo para permitir a apresentação de defesa compatível com a complexidade da causa ou, alternativamente, sejam possibilitados aditamentos e/ou apresentação de documentos a qualquer momento antes da decisão final, tudo em nome do princípio da verdade material. EMENDA À IMPUGNAÇÃO Em 01/04/2014 a contribuinte apresentou emenda à impugnação, adiante resumida. Da possibilidade de aditamento da impugnação. Princípio da verdade real no processo administrativo Para o caso concreto, a fixação do prazo exíguo de 30 dias viola os direitos constitucionais do contraditório e ampla defesa. A própria autoridade fiscal trabalhou por quase um ano nos lançamentos. Também a busca da verdade material determina que, no processo administrativo, a produção probatória deve ser livre de formalidades ou limites processuais, dado que se busca a verdade real. Da existência de prejuízo fiscal contabilizado. Da necessária consideração desses valores para fins de lançamento do IRPJ e CSLL. O lançamento teria desconsiderado o prejuízo fiscal regularmente contabilizado, fazendo com que a tributação incidisse sobre uma base equivocada. Pede que sejam considerados os valores tidos como prejuízo fiscal. Junta Fl. 5426DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 21 20 planilha de fls. 4972, com o cálculo da compensação de prejuízos e cópia de Lalur, fls. 4973/5006. DAS IMPUGNAÇÕES QUANTO À SUJEIÇÃO PASSIVA Os três responsáveis solidários arrolados no Termo de Sujeição Passiva Solidária, também apresentaram suas impugnações tempestivamente. Uma verificação prévia permitiu observar que suas defesas em muito se assemelham, inclusive, com trechos em grande parte idênticos. Faremos a seguir um relato sucinto de todos os tópicos apresentados nessas impugnações: a) CARMILA NOELE GIALDI São tópicos recorrentes na contestação apresentada pelo contribuinte: Nulidade dos Autos de Infração por violação ao contraditório e à ampla defesa, diante da exigüidade do prazo concedido para a apresentação da impugnação. Possibilidade de aditamento da peça impugnatória de acordo com o princípio da verdade material. Nulidade do procedimento fiscal por vício de motivação. Nulidade dos Autos de Infração pelo transcurso injustificável do prazo legal de lavratura. Nulidade da peça fiscal em função da ausência de qualificação dos elementos probatórios, em ofensa ao contraditório e à ampla defesa. Ausência de comprovação do alegado GRUPO GIALDI e do dever da Administração comprovar suas alegações. Da imprestabilidade dos documentos apreendidos para comprovação da presunção fiscal e da desqualificação de todos os elementos trazidos pela fiscalização (localização das empresas; quadro social; parentesco; coincidência de endereços; administração das empresas; unicidade empresarial; criação e administração da MOBILOG; e criação e administração da PRO SERVICE). Alegada nulidade do procedimentos fiscal por impossibilidade do arbitramento ou presunção em matéria tributária. Impugnação aos itens 7, 8 e 9 do auto de infração. Ausência de comprovação da alegada omissão de receita. Dever da Administração de comprovar as alegações. Da imprestabilidade dos documentos apreendidos para comprovação da suposta prática de omissão de receitas. Nulidade dos Autos de Infração e direito à avaliação contraditória. Fl. 5427DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 22 21 Obrigatoriedade de prova pericial. Da possibilidade do enfrentamento pelo Tribunal Administrativo de argumento de inconstitucionalidade de norma legal. Da necessária exclusão do ICMS inserido nas bases de cálculo do PIS e da Cofins e do atual posicionamento do STF. Do abatimento/amortização dos valores pagos ao SIMPLES. Da inaplicabilidade da multa qualificada, visto a ausência de comprovação válida de conduta dolosa pelo contribuinte. Do percentual confiscatório da penalidade aplicada em ofensa aos princípios administrativos da proporcionalidade e da razoabilidade. Da inaplicabilidade da Taxa Selic aos supostos débitos como juros de mora e da limitação desses juros de mora dada pelo Código Tributário Nacional. Da existência de prejuízo fiscal contabilizado. Da necessária consideração desses valores para fins de lançamento do IRPJ e da CSLL. Alternativamente. Amortização das parcelas pagas de simples pelas empresas Pró Service e Mobilog. Das provas que pretende vir a produzir, como provas testemunhais e prova pericial. Acerca da sujeição passiva solidária De se destacar que a impugnante alega impossibilidade da sujeição passiva solidária pretendida pela fiscalização. Nesse sentido apresenta os seguintes argumentos: I) ausência de comprovação de qualquer ato ilegal capaz de gerar obrigação tributária à impugnante; II) desnecessidade de sujeição passiva solidária a terceiros em face da solvência da empresa; III) impossibilidade da Receita Federal do Brasil imputar responsabilidade a terceiros, competência exclusiva da PGFN no âmbito de Ação Executiva Fiscal, entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); IV) e impossibilidade de imputar responsabilidade tributária a sócio não administrador. Requer, entre outros, a concessão de maior prazo para impugnar ou possibilitado o aditamento da defesa, produção de prova testemunhal, documental e pericial. b) JAIR ANTÔNIO GIALDI São tópicos recorrentes na contestação apresentada pelo contribuinte: Fl. 5428DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 23 22 Nulidade dos Autos de Infração por violação ao contraditório e à ampla defesa, diante da exigüidade do prazo concedido para a apresentação da impugnação. Possibilidade de aditamento da peça impugnatória de acordo com o princípio da verdade material. Nulidade do procedimento fiscal por vício de motivação. Nulidade dos Autos de Infração pelo transcurso injustificável do prazo legal de lavratura. Nulidade da peça fiscal em função da ausência de qualificação dos elementos probatórios, em ofensa ao contraditório e à ampla defesa. Ausência de comprovação do alegado GRUPO GIALDI e do dever da Administração comprovar suas alegações. Da imprestabilidade dos documentos apreendidos para comprovação da presunção fiscal e da desqualificação de todos os elementos trazidos pela fiscalização (localização das empresas; quadro social; parentesco; coincidência de endereços; administração das empresas; unicidade empresarial; criação e administração da MOBILOG; e criação e administração da PRO SERVICE). Alegada nulidade do procedimentos fiscal por impossibilidade do arbitramento ou presunção em matéria tributária. Impugnação aos itens 7, 8 e 9 do auto de infração. Ausência de comprovação da alegada omissão de receita. Dever da Administração de comprovar as alegações. Da imprestabilidade dos documentos apreendidos para comprovação da suposta prática de omissão de receitas. Nulidade dos Autos de Infração e direito à avaliação contraditória. Obrigatoriedade de prova pericial. Da possibilidade do enfrentamento pelo Tribunal Administrativo de argumento de inconstitucionalidade de norma legal. Da necessária exclusão do ICMS inserido nas bases de cálculo do PIS e da Cofins e do atual posicionamento do STF. Do abatimento/amortização dos valores pagos ao SIMPLES. Da inaplicabilidade da multa qualificada, visto a ausência de comprovação válida de conduta dolosa pelo contribuinte. Do percentual confiscatório da penalidade aplicada em ofensa aos princípios administrativos da proporcionalidade e da razoabilidade. Fl. 5429DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 24 23 Da inaplicabilidade da Taxa Selic aos supostos débitos como juros de mora e da limitação desses juros de mora dada pelo Código Tributário Nacional. Da existência de prejuízo fiscal contabilizado. Da necessária consideração desses valores para fins de lançamento do IRPJ e da CSLL. Alternativamente. Amortização das parcelas pagas de simples pelas empresas Pró Service e Mobilog. Das provas que pretende vir a produzir, como provas testemunhais e prova pericial. Acerca da sujeição passiva solidária De se destacar a parte em que a impugnante fala sobre a impossibilidade da sujeição passiva solidária pretendida pela fiscalização. Nesse sentido apresenta os seguintes argumentos: I) O impugnante não faz parte do quadro social do sujeito passivo tributário autuado, ou seja, não é sócio e nunca foi da Transporte Mobiline; há impossibilidade de imputar responsabilidade tributária a não sócio II) ausência de comprovação de qualquer ato ilegal capaz de gerar obrigação tributária à impugnante; para responsabilização solidária devem estar preenchidos os requisitos previstos nos arts. 124, inciso I e 135, inciso III, do CTN, mas a conduta do impugnante não está tipificada na medida em que não é sócio da empresa autuada, muito menos obteve qualquer vantagem tributária com o produto da suposta ilegalidade; III) desnecessidade de sujeição passiva solidária a terceiros em face da solvência da empresa; IV) impossibilidade da Receita Federal do Brasil imputar responsabilidade a terceiros, competência exclusiva da PGFN no âmbito de Ação Executiva Fiscal, entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Requer, entre outros, a concessão de maior prazo para impugnar ou possibilitado o aditamento da defesa, produção de prova testemunhal, documental e pericial. c) VINISSIUS CAGOL GIALDI São tópicos recorrentes na contestação apresentada pelo contribuinte: Nulidade dos Autos de Infração por violação ao contraditório e à ampla defesa, diante da exigüidade do prazo concedido para a apresentação da impugnação. Possibilidade de aditamento da peça impugnatória de acordo com o princípio da verdade material. Nulidade do procedimento fiscal por vício de motivação. Nulidade dos Autos de Infração pelo transcurso injustificável do prazo legal de lavratura. Fl. 5430DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 25 24 Nulidade da peça fiscal em função da ausência de qualificação dos elementos probatórios, em ofensa ao contraditório e à ampla defesa. Ausência de comprovação do alegado GRUPO GIALDI e do dever da Administração comprovar suas alegações. Da imprestabilidade dos documentos apreendidos para comprovação da presunção fiscal e da desqualificação de todos os elementos trazidos pela fiscalização (localização das empresas; quadro social; parentesco; coincidência de endereços; administração das empresas; unicidade empresarial; criação e administração da MOBILOG; e criação e administração da PRO SERVICE). Alegada nulidade do procedimentos fiscal por impossibilidade do arbitramento ou presunção em matéria tributária. Impugnação aos itens 7, 8 e 9 do auto de infração. Ausência de comprovação da alegada omissão de receita. Dever da Administração de comprovar as alegações. Da imprestabilidade dos documentos apreendidos para comprovação da suposta prática de omissão de receitas. Nulidade dos Autos de Infração e direito à avaliação contraditória. Obrigatoriedade de prova pericial. Da possibilidade do enfrentamento pelo Tribunal Administrativo de argumento de inconstitucionalidade de norma legal. Da necessária exclusão do ICMS inserido nas bases de cálculo do PIS e da Cofins e do atual posicionamento do STF. Do abatimento/amortização dos valores pagos ao SIMPLES. Da inaplicabilidade da multa qualificada, visto a ausência de comprovação válida de conduta dolosa pelo contribuinte. Do percentual confiscatório da penalidade aplicada em ofensa aos princípios administrativos da proporcionalidade e da razoabilidade. Da inaplicabilidade da Taxa Selic aos supostos débitos como juros de mora e da limitação desses juros de mora dada pelo Código Tributário Nacional. Da existência de prejuízo fiscal contabilizado. Da necessária consideração desses valores para fins de lançamento do IRPJ e da CSLL. Alternativamente. Amortização das parcelas pagas de simples pelas empresas Pró Service e Mobilog. Fl. 5431DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 26 25 Das provas que pretende vir a produzir, como provas testemunhais e prova pericial. Acerca da sujeição passiva solidária De se destacar que a impugnante alega impossibilidade da sujeição passiva solidária pretendida pela fiscalização. Nesse sentido apresenta os seguintes argumentos: I) ausência de comprovação de qualquer ato ilegal capaz de gerar obrigação tributária à impugnante; para responsabilização solidária devem estar preenchidos os requisitos previstos nos arts. 124, inciso I e 135, inciso III, do CTN, mas a conduta do impugnante não está tipificada pois não houve atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nem houve benefício pessoal; II) desnecessidade de sujeição passiva solidária a terceiros em face da solvência da empresa; III) impossibilidade da Receita Federal do Brasil imputar responsabilidade a terceiros, competência exclusiva da PGFN no âmbito de Ação Executiva Fiscal, entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); Requer, entre outros, a concessão de maior prazo para impugnar ou possibilitado o aditamento da defesa, produção de prova testemunhal, documental e pericial. Em sessão de 30 de outubro de 2014, a 5a Turma da Delegacia de Julgamento de Porto Alegre, por unanimidade de votos, decidiu rejeitar as preliminares, indeferir os pedidos de realização de perícia, de oitiva de testemunhas e de prorrogação de prazo para impugnação e, no mérito, julgar improcedentes as impugnações, mantendo o crédito tributário exigido e a atribuição de responsabilidade às pessoas físicas. Com a ciência da decisão a Recorrente e os Responsáveis Solidários apresentaram Recursos Voluntários, nos quais repetiram, basicamente, os argumentos da impugnação. Não houve juntada de novos documentos. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Os recursos são tempestivos e atendem aos pressupostos legais, razão pela qual deles conheço. Fl. 5432DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 27 26 Tendo em vista que foram apresentados quatro Recursos Voluntários, cada qual bastante extenso, faremos a análise tópica dos pontos questionados, aproveitando para analisar os temas comuns às linhas de defesa, conforme segue. Preliminares a) Nulidade da decisão da DRJ, que não teria apreciado questões relativas à legalidade e à inconstitucionalidade suscitadas nas impugnações. Neste tópico, sob a rubrica genérica de cerceamento de defesa, aduz a Recorrente que a decisão de piso deve ser anulada ou reformada por não ter analisado questões relativas à legalidade e à constitucionalidade dos procedimentos. Com efeito, depois de longo arrazoado teórico, entende a Recorrente que a DRJ não enfrentou esses temas ou o fez de forma superficial. De forma diversa, contatase que a decisão de piso concluiu não ser competente para apreciar tais questões, como se depreende do Acórdão exarado, cujo excerto a seguir reproduzimos: Já está pacificado jurisprudencialmente que não cabe à instância julgadora administrativa apreciar a validade da legislação vigente, visto que isso implica em matéria afeta ao Poder Judiciário. A matéria, inclusive, já está sumulada no Carf: Súmula Carf n° 2: O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, é inócuo suscitar alegações de afronta a preceitos constitucionais e/ou ilegalidade de leis na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas motivadoras do lançamento, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. Observase que a posição da Delegacia de Julgamento está em sintonia com o papel dos julgadores administrativos e atende à jurisprudência sumulada deste Conselho, de sorte que não se vislumbra qualquer ofensa ao direito de ampla defesa da interessada, que poderá, se assim desejar, questionar os temas relacionados à constitucionalidade das normas em vigor na esfera judicial. Rejeito, portanto, a preliminar suscitada. b) Nulidade do Auto de Infração, ante o prazo exíguo concedido pelo Decreto n. 70.235/72. Defende a Recorrente que o prazo de 30 dias concedido para a apresentação da impugnação é insuficiente para enfrentar todos os argumentos formulados pela fiscalização e que tal comando deveria ser desconsiderado em favor do caso concreto, para que a interessada pudesse complementar a defesa. Notase, à evidência, que não se trata de hipótese de nulidade, cujos requisitos são expressamente veiculados pelo artigo 59 do Decreto n. 70.235/72: Fl. 5433DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 28 27 Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração ou da decisão de 1a instância. Ademais, prescreve o citado Decreto que: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Numa leitura atenta dos dispositivos acima transcritos, verificase que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo. Antes disso, não há que se falar em litígio ou cerceamento de direito de defesa. Após a ciência do lançamento, o contribuinte tem o prazo de trinta dias para ter vista do inteiro teor do processo no órgão preparador e apresentar impugnação escrita, instruída com os documentos em que se fundamentar, exercitando seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Ainda sobre a exiguidade do prazo, constatase que os interessados não trouxeram aos autos, nos mais de dois anos já transcorridos da decisão de piso e da apresentação dos voluntários, qualquer nova informação, prova ou documento que não constasse da impugnação, de sorte que cai no vazio a alegação de cerceamento do direito de defesa e da garantia ao contraditório, posto que nada de novo há no processo. Nesse contexto, analiso os fatos e argumentos da forma como chegaram a este Conselho e, como consequência, rejeito, portanto, a preliminar suscitada. c) Nulidade por ausência de qualificação dos elementos probatórios. Neste passo, entende a Recorrente que não há base legal para as autuações, que teriam se baseado apenas nas opiniões pessoais da autoridade fiscal. A leitura dos autos demonstra, contudo, que constam do extenso relatório fiscal (mais de 90 páginas) e do Auto de Infração (fls. 4.196 e seguintes) a fundamentação e a capitulação legal das infrações imputadas à Recorrente e aos responsáveis solidários, de sorte que não se sustenta a alegação da interessada. Inexiste qualquer prejuízo à compreensão dos fatos narrados e das imputações legais, cabendo ao julgador a apreciação objetiva dos tópicos autuados, de acordo com as normas de regência e os documentos constantes dos autos. Fl. 5434DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 29 28 Novamente não vislumbro qualquer vício ou nulidade, razão pela qual rejeito todas as preliminares suscitadas. Mérito a) Ausência de comprovação da existência do "Grupo Gialdi". Defende a Recorrente que a autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar a "engenharia fiscal" que teria levado à evasão tributária, embora reconheça a "proximidade" e a "íntima ligação" entre as empresas citadas. Questiona, contudo, quais seriam os limites dessa relação. Aqui temos um ponto crucial para a análise de casos em que há a imputação de grupo econômico, com a consequente solidariedade entre as partes relacionadas e seus administradores. Penso que deve ser demonstrado, pela autoridade fiscal, não apenas a proximidade entre as empresas, mas a evidente e inescapável interconexão entre as entidades, que não poderiam funcionar de forma autônoma ou independente se o arranjo previsto pelos seus controladores fosse substancialmente alterado. Nas hipóteses de grupo econômico constatase, entre outros elementos, o compartilhamento de instalações físicas e funcionários, a dependência econômica entre as empresas, a existência de um controle único e centralizado por detrás das decisões (sem prejuízo da interposição de terceiros) e uma verdadeira confusão patrimonial e financeira nas atividades operacionais, nas quais se percebe a contaminação do fluxo de pagamentos, despesas e custos. No caso em tela, devemos ressaltar que foram apuradas três infrações distintas, sendo que para duas delas é irrelevante a existência ou não do chamado grupo econômico, como bem destacou a decisão de piso: Foram constatadas três infrações. Duas delas – insuficiência de declaração/recolhimento de tributo e glosa de despesas – independem da comprovação de existência ou não da engenharia societária visando à evasão fiscal, identificada pelo agente do fisco. Em outros termos, essas duas infrações são autônomas, a caracterização delas se dá na escrituração da contribuinte. E, até por isso, foi a elas aplicada a menor multa de ofício, de 75%. Já a infração de omissão de receitas na prestação de serviços de logística somente pode subsistir ante a confirmação da utilização da DI QUA para auferimento de receitas que pertenceriam à Mobiline. O ardil alegadamente utilizado determinou a aplicação da multa qualificada de 150%. (grifamos) Vejamos, em primeiro lugar, as infrações autônomas. b) Insuficiência no recolhimento de tributo, por ausência de declaração Portanto, no que se refere à insuficiência no recolhimento de tributo, por ausência de declaração do imposto de renda conforme item 7 do relatório fiscal, conquanto a Fl. 5435DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 30 29 Recorrente expressamente reconheça que não apresentou declaração, circunstância sobre a qual não há controvérsia, pugna a interessada pelo reconhecimento de mero erro e, por consequência, a redução da multa, de 75% para 20%. Todavia, a legislação não acolhe a pretensão, pois o fundamento da autuação foi o artigo 44, I, da Lei n. 9.430/96, expressamente utilizado pela autoridade fiscal, que determina, para as hipóteses de falta de declaração e/ou pagamento: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Como, no caso, existe perfeita subsunção do fato incontroverso à norma sancionatória tributária, o lançamento deve ser mantido. c) Glosa de despesas não comprovadas (itens 8 e 9 do relatório fiscal) Neste ponto, aduz a Recorrente que não lhe foi dada a oportunidade de comprovar a regularidade das despesas. Ainda que isso fosse verdadeiro, o que não se observa da leitura dos autos, constatase que até o presente momento a interessada não trouxe ao processo nenhuma prova em seu favor, assim como nada havia colacionado ao tempo da impugnação. De nada adianta, portanto, alegar o princípio da verdade material para dele não fazer uso, assim como não lhe socorre o pedido de perícia quando verificase que não há documentos ou provas para subsidiar suas alegações. O estado de coisas, portanto, é o mesmo percebido ao tempo da impugnação, de sorte que é forçoso concluir pela correção do entendimento esposado na decisão de piso: A contribuinte, na apuração dos resultados, deduziu as despesas constantes da tabela de fls. 4424, item 8 do relatório fiscal, e intimada, não apresentou qualquer comprovação. Com a impugnação também se limitou a dizer que se reserva o direito de apresentar documentos oportunamente. Compete ao contribuinte provar a veracidade dos dados que lança em sua escrita. E para isso, deve manter documentos que comprovem os atos e operações que contabiliza. O parágrafo único do art. 251 do RIR/99, estabelece que a escrituração dos contribuintes deve abranger todas as operações da empresa. Já o art. 264, do mesmo regulamento, define que cabe à pessoa jurídica conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, caso em que se enquadram as aquisições de bens. Também não veio qualquer documentação com relação ao item 9 do relatório fiscal, que trata da falta de comprovação de Fl. 5436DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 31 30 despesas constantes da escrituração como oriundas de serviços prestados pela DI QUA Locação e Terceirização de Bens Ltda. Com relação aos pagamentos há apenas a alegação de que houve pagamento por meio de depósitos em conta, em moeda corrente e com cheques oriundos de clientes. Tudo sem qualquer suporte documental. As tabelas de fls. 4425/4427 explicitam os valores de despesa glosados. Como a Recorrente não comprovou as despesas que deduziu, não lhe faltando tempo ou oportunidade para tanto, é de rigor manter a glosa efetuada pela autoridade fiscal e os correspondentes lançamentos tributários. Analisadas as questões de apreciação individual, podemos retomar o ponto levantado pela defesa no item a) ao norte mencionado, que destaca a não comprovação, pela autoridade fiscal, da existência do chamado grupo econômico. Entende a Recorrente que, por mera presunção, o autuante considerou que os serviços de logística foram prestados de modo fictício pela empresa DI QUA, o que ensejou a tributação por omissão de receitas. Por seu turno, a autoridade fiscal faz um extenso relato da apreensão dos documentos e computadores, determinada pela Justiça Federal, que originou a presente fiscalização. No Relatório Fiscal, de fls. 4.342 e seguintes, apresentase detalhadamente as características, composição societária e endereços de filiais de todas as empresas do grupo e, no caso da DI QUA, a autoridade fiscal esclarece que: 4.5. A empresa DI QUA Locação e Terceirização de Bens Ltda, CNPJ 03.428.670/000100, doravante denominada DI QUA, iniciou atividades em 14/06/1999, com o objetivo social de locação de veículos e bens, próprios e de terceiros, além da prestação de serviços de manutenção de veículos. O quadro social é composto pelos Srs. Vinissius Cagol Gialdi e Roberto Durante. A administração é exercida unicamente pelo Sr. Vinissius. Em 19/04/2000 o Sr. Roberto Durante retirase da sociedade, transferindo suas cotas para Cartenix Sociedade Anônima, empresa com sede no Uruguai (Contrato Social e Alterações em anexo, fls. 401 a 408). 4.5.1. A sede social da empresa é na Rua Marques de Souza, n° 484/201, em Bento Gonçalves. Este era, na época do início das atividades da empresa, o endereço residencial do Sr. Vinissius Cagol Gialdi, conforme constante no Contrato Social. Acerca da participação dos imputados como responsáveis pelo grupo econômico, a autoridade fiscal fez as seguintes considerações: Dos responsáveis pelas empresas do grupo Econômico (Família Gialdi): Conforme consta dos instrumentos sociais, procurações e demais documentos integrantes do processo, todas as empresas são efetivamente administradas pela família GIALDI. As empresas, Fl. 5437DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 32 31 acima mencionadas, possuem relação em comum, quer pelos sócios, quer pelos endereços ou atividades comuns. No centro de todas as empresas está a família GIALDI, que tem em sua composição: o Sr. Jair Antônio Gialdi (pai), que é casado com a Sra. Romilda Cagol Gialdi (mãe), juntamente com Vinissus Cagol Gialdi e Carmila Noele Gialdi (filhos do casal). 5.1.1 Participações do Sr. Jair Antonio Gialdi nas empresas do grupo: O Sr. Jair Gialdi CPF n° 255.166.39034 (pai de Vinissius e Carmila) participa da empresa MOBILE CNPJ 03.035.359/000192, na função de Diretor Administrativo e Financeiro. Também participa da administração da Transportes Mobiline Ltda, conforme procuração em anexo (fls. 411 a 415). 5.1.2 Participações da Sra. Romilda Cagol Gialdi nas empresas do grupo: Participa da empresa Movelsul Transportes Ltda, sendo sócia responsável a Sra. Romilda Cagol Gialdi (mãe), juntamente com Valdemar dos Santos. Conforme antes mencionado, a empresa não tem atividades desde 2009. 5.1.3 Participações do Sr. Vinissius Cagol Gialdi nas empresas do grupo: O Sr Vinissius Cagol Gialdi participa juntamente com Sr. Roberto Durante (empregado da MOBILE/POSICARGO), da constituição da empresa MOBILINE, CNPJ 03.341.775/000119, em 14/07/1999, sendo administrada pelos dois sócios. Em 22/03/2006, conforme Consolidação Contratual, ocorre a entrada da Sra. Carmila Noele Gialdi (irmã do Sr.Vinissius e filha do Sr. Jair Antonio Gialdi), retirandose o sócio Roberto Durante, ficando a administração da empresa, aos poderes do Sr. Vinissius, sendo que o mesmo, permanece até agora, conforme 10a Alteração e Consolidação Contratual, de 14/09/2012. Participa ainda, como sócio da empresa DI QUA LOCAÇÃO E TERCEIRIZAÇÃO DE BENS LTDA, CNPJ 03.428.670/000100, conforme Contrato Social de 26/08/1999, juntamente com Sr. Roberto Durante. E, na data de 19/04/2000, o Sr. Roberto Durante retirase da sociedade, transferindo integralmente sua participação para CARTENIX SOCIEDAD ANÓNIMA pessoa jurídica de direito privado com sede na República Oriental do Uruguai Montevidéu e, sendo que, conforme a cláusula sexta da Alteração n° 01, é designado o Sr. Vinissius como Administrador, com a participação societária de 15,63% do total das quotas. Além das participações nas empresas, acima relatadas, ressaltamos que, o Sr. Vinissius está registrado como segurado empregado na empresa MOBILE/POSICARGO, com a função de Fl. 5438DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 33 32 Relações Públicas desde 03/06/2002, conforme Ficha de Registro de Empregados n° 24 (fls. 422 e 423). 5.1.4 Participações da Sra. Carmila Noele Gialdi nas empresas do grupo:: Carmila Noele Gialdi, CPF n° 013.411.14007, é sócia da MOBILINE CNPJ 03.341.775/000119, desde 22/03/2006, conforme 6a alteração e consolidação contratual. Embora não conste como administradora nos contratos sociais, ela exerce atividades na função de diretora administrativa, percebendo remuneração pela sua atividade, conforme ficha financeira em anexo (fl. 424). Também foram mencionados diversos terceiros, de algum modo relacionados às empresas, mas que não integram a família Gialdi. A autoridade fiscal demonstra grande movimentação entre os funcionários do grupo, que trocaram de empresa, assim como constata que a remuneração de empregados da MOBILOG e da PRO SERVICE foi feita com cheques da MOBILINE, conforme tabelas presentes no Termo de Verificação Fiscal. Destacase, ainda, o fato de que motoristas das duas primeiras empresas prestam contas de seus deslocamentos e viagens para a Recorrente, com evidente confusão entre os colaboradores e os caminhões utilizados, o que levou a autoridade fiscal a concluir que a MOBILINE não possui motoristas registrados suficientes para a sua frota de caminhões. A fiscalização demonstra, também, que há grande concentração de ativos e faturamento na Recorrente, embora tenha ocorrido um esvaziamento trabalhista na empresa, com o deslocamento de funcionários, no papel, para outras empresas do grupo, cujos gastos com pessoal chegam a ser quase iguais (e num caso específico, superior) à totalidade da receita auferida. Essa constatação tem como subsídio dados presentes no TVF, sintetizados na planilha a seguir: Nesse mesmo sentido, existe farta documentação nos autos para subsidiar as conclusões da fiscalização. A decisão de piso colacionou diversos exemplos de "serviços cruzados", relativos às operações de logística, para concluir que (destacaremos): Indubitável o acerto da conclusão fiscal de que planilha mostra que o serviço de logística é um complemento ao serviço de transporte e que há relação entre a documentação formal da empresa (os conhecimentos de transporte, que foram oferecidos Fl. 5439DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 34 33 à tributação) e a documentação informal (por fora), que são as planilhas de controle do serviço de logística, relacionadas nas fls. 1.873 a 3.851. O autuante elaborou, então, a planilha de fls. 4003 a 4029 onde relaciona a receita da prestação de serviços, depois transferida para os autos de infração. Lá vai aparecer o valor da logística cobrado da Loja Taliana na primeira quinzena de abril/2009: R$ 1.211,09. Notese que não há amostragem ou arbitramento dos valores omitidos. Eles estão embasados nas correspondências trocadas entre as unidades no Rio de Janeiro, São Gonçalo e Curitiba com a Sra. Carmila. Como já dissemos, são quase duas mil páginas com relatórios que identificam os valores cobrados a título de logística, mas omitidos na escrituração da MOBILINE. (...) Estes elementos, somados a outros arrolados pelo autuante no relatório fiscal, todos comprovados documentalmente, demonstram que a Sra. Carmila – diretora da Mobiline – centralizava o controle da parte financeira da logística, tal qual defendido no relatório fiscal. Esses outros elementos são as demais correspondências onde a referida diretora dá instruções para pagamento dos boletos, informa sobre não emissão de documentário fiscal, orienta cobranças, informa sobre emissão e envio dos boletos da DI QUA e MOBILINE. Penso ser incontroverso que a empresa DI QUA não presta os serviços de logística, embora receba em suas contas bancárias os correspondentes valores, pois a Recorrente (MOBILINE) é quem possui a estrutura e os recursos para tal atividade. As mensagens eletrônicas, faturas e documentos presentes nos autos demonstram a inequívoca interconexão entre as empresas, sendo certo que a MOBILINE arca com todas as despesas e alugueis das demais, o que nos leva a concluir, na esteira do que entendeu a DRJ, ser esta a empresa que efetivamente atua e possui capacidade técnica, operacional e financeira, restando forçoso, em meu entendimento, corroborar as conclusões fiscais: Conforme amplamente demonstrado nos itens anteriores, constatamos que as empresas MOBILOG CARGAS EXPRESSAS LTDA, CNPJ 09.452.957/000143 e PRO SERVICE TRANSPORTES LTDA, CNPJ 13.041.541/000100, ambas optantes pelo SIMPLES NACIONAL previsto na Lei Complementar n° 123/2006, foram criadas única e exclusivamente para registrar os empregados que prestam serviços nas atividades de transporte da empresa Transportes Mobiline Ltda. Restou identificado que quem realmente admite, gerencia e remunera os empregados registrados nas empresas Mobilog e Pro Service é a empresa fiscalizada Mobiline. (grifamos) Fl. 5440DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 35 34 Ante o exposto, não há reparos a fazer em relação aos lançamentos por omissão de receita dos serviços de logística. d) Do pedido de perícia No que tange à solicitação de perícia indefiro o pedido, posto que entendo presentes nos autos todos os elementos necessários à análise do caso, com a consequente possibilidade de livre convicção dos julgadores, conforme prescreve o artigo 18 do Decreto n. 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Como já ressaltado, a Recorrente teve tempo e oportunidade para apresentar as provas e documentos que considerasse pertinentes para subsidiar suas alegações, mas não o fez. Percebese que toda a linha de defesa é meramente teórica, sem a apresentação concreta de qualquer fato ou documento que pudesse suscitar dúvida no julgador. Diante de tal cenário, inexiste motivo ou fundamento legal para a realização de perícias ou diligências, simplesmente porque não há o que apreciar. Neste passo, considero que qualquer perícia no caso em tela seria intempestiva, inócua e desnecessária. e) Do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS Conquanto a matéria, em termos teóricos, seja realmente objeto de controvérsia, considero, por enquanto, que não assiste razão à Recorrente. Isso porque o entendimento em vigor nos Tribunais superiores, ao tempo deste voto, indica que o ICMS compõe o preço final da mercadoria que, por sua vez, integra o conceito de faturamento, tributável a título de PIS e COFINS. Nesse sentido o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, editado nas Súmulas n. 68 e 94, ao fixar que a parcela relativa ao ICMS integra o faturamento e, portanto, incluise na base de cálculo do PIS e do FINSOCIAL (este posteriormente substituído pela COFINS, com a edição da Lei Complementar n. 70/1991). Embora não se possa olvidar que o Supremo Tribunal Federal concluiu, em 08/10/2014, o julgamento do RE n. 240.785/MG, decidindo, naquele feito, pela exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, devemos ressaltar que os efeitos da decisão limitamse às partes envolvidas naquele processo, uma vez que consideradas apenas as peculiaridades ali debatidas, tanto assim que o próprio STF não tem aplicado o aludido precedente a outros feitos em que se discute a mesma matéria. Fl. 5441DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 36 35 Por força disso, os Tribunais têm reconhecido a possibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, pela vigência da legislação que dispõe sobre a matéria e das Súmulas exaradas pelo STJ, a exemplo de recente decisão do TRF da 3a Região: EI 000199827.1994.4.03.6100/SP, Rel. Des. Federal MAIRAN MAIA, eDJF3 Judicial 1 DATA:16/04/2015 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS INFRINGENTES. ART. 260, §1º DO REGIMENTO INTERNO DESTA E. CORTE. ALEGAÇÃO DE NULIDADE QUE SE AFASTA. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO LIVRE ACESSO À JUSTIÇA, DO DUPLO GRAU E DO CONTRADITÓRIO QUE NÃO SE VERIFICA NA ESPÉCIE. INCIDÊNCIA DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. VIGÊNCIA PLENA. PRECEDENTES DESTA SEGUNDA SEÇÃO. MATÉRIA PRELIMINAR REJEITADA. RECURSO IMPROVIDO NO MÉRITO. 1 Tendo o juízo de admissibilidade dos embargos infringentes sido realizado pelo relator do acórdão impugnado, verificase o cumprimento do art. 260, § 1º, do Regimento Interno desta E. Corte, restando afastada a alegação de nulidade da decisão agravada. 2 Julgamento monocrático dos embargos infringentes que atendeu aos ditames do art. 557 do Código de Processo Civil, restando afastada a alegação de violação aos princípios do livre acesso à justiça, do duplo grau e do contraditório, sobretudo em virtude da garantia processual conferida ao ora agravante de ver sua irresignação apreciada perante esta Segunda Seção via do presente recurso. 3 Incidência do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS que se mantém em razão da plena vigência das Súmulas 68 e 94 do C. STJ, até que sobrevenha decisão definitiva e com efeito vinculante a ser proferida pelo Supremo Tribunal Federal quanto à matéria. Precedentes desta Segunda Seção. (grifamos) Como os julgamentos da ADC n. 18 (que tem por objeto o art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/98) e do RE 574.706/PR (em cujos autos foi reconhecida a repercussão geral da matéria) não foram concluídos até a presente data, temos que a questão relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS ainda pende de pronunciamento definitivo pelo Supremo Tribunal Federal, razão pela qual descabe, a este Conselho, afastar a legalidade de norma vigente e eficaz, até porque o STJ tem julgado o tema, na esteira das Súmulas n. 68 e 94, favoravelmente à pretensão do Fisco. Ademais, no caso concreto, sequer há a comprovação de que as receitas omitidas e autuadas sofreram a incidência do ICMS, como bem destacou a decisão da DRJ: Fl. 5442DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 37 36 É incabível e impertinente a discussão sobre o eventual direito de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS no caso concreto. Essas contribuições foram calculadas sobre a receita omitida, não oferecida à tributação do IRPJ e CSLL. Em relação a essa receita omitida a defesa não demonstra ter sofrido incidência de ICMS, com apuração e pagamento deste imposto. Assim, não há que se falar em necessidade de exclusão do ICMS. (grifamos) f) Da multa qualificada Em relação à qualificação da multa, o Recurso Voluntário apenas aduz que ante a não comprovação da existência do grupo econômico, esta deve ser revista. Na esteira dos argumentos já expostos neste voto, entendo que restou comprovada a existência do grupo econômico e a intenção deliberada de omitir receitas ao fisco, mediante operações artificiais que foram assim descritas pelo acórdão recorrido: A análise que fizemos ao longo deste voto mostra que a contribuinte auferiu receitas na entrega de produtos a consumidores finais (logística), mas dissimulou o recebimento dos recursos e o auferimento de receitas utilizandose de outra empresa do grupo, a DI QUA. Apesar disso, nenhuma delas tributou as receitas correspondentes. Esse estratagema é parte de uma engenharia societária maior, em que se reparte despesas ou receitas entre empresas criadas especialmente para isso. Resulta disso situações anômalas, como empresas com folha de pagamentos maior do que a receita e outras já referidas neste voto. (grifamos) A constatação do dolo específico desloca a multa de ofício para o § 1o, do inciso I, do artigo 44 da lei n. 9.430/96, que estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. De acordo com as provas trazidas aos autos pela fiscalização entendo correta a qualificação da multa, posto que presentes os critérios de qualificação definidos na legislação tributária (Lei n. 4.502, de 1964), qual seja, a conduta dolosa dos imputados com o objetivo de sonegar tributos mediante omissão de receitas. Fl. 5443DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 38 37 g) Da confiscatoriedade e ilegalidade da multa de 75% A Recorrente, com fundamento em posições doutrinárias e nos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, insurgese contra a aplicação da multa de ofício, de 75%. Já nos posicionamos no sentido de que não compete à autoridade administrativa apreciar arguições desse jaez para declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, posto que tal competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, conforme artigo 102 da Constituição. A vedação do efeito confiscatório é uma limitação dirigida ao legislador, que deve atender aos diversos princípios veiculados pela Constituição. Ante a existência de lei válida e vigente no ordenamento descabe à autoridade fiscal deixar de aplicála, dada a vinculação do ato do lançamento, assim como não se encontra na esfera de competência do julgador administrativo a possibilidade de negarlhe efeitos. A questão está sumulada no âmbito deste Conselho e não exige maiores digressões, razão pela qual não há como acolher a pretensão da interessada. h) Do questionamento sobre a aplicação da SELIC Por fim, no que respeita à utilização da SELIC como taxa de juros, a posição deste Conselho também se encontra sumulada, de modo que não podem prosperar os argumentos aduzidos pela Recorrente: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. i) Do abatimento dos valores pagos ao Simples Pugna a Recorrente pelo reconhecimento de eventuais valores recolhidos pelas empresas na sistemática do Simples Nacional, enfatizando que o pedido formulado na impugnação não se restringe apenas às receitas omitidas, mas a tudo o que foi recolhido. Nesse sentido, protesta pelo retorno do feito à DRJ, que não teria apreciado integralmente a questão. Sobre o assunto, assim se manifestou a decisão de piso: A defesa também pede que, caso mantido o lançamento, seja efetuada a exclusão dos valores que tenham sido recolhidos na sistemática do Simples Nacional pelas empresas do grupo. Fl. 5444DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 39 38 Lembro que neste processo estão sendo tributadas receitas de logística alegadamente prestadas pela DI QUA, mas que foram consideradas como pertencentes à MOBILINE. Um dos pressupostos – não o único – para que se fizesse tal exclusão seria que a DI QUA, optante pelo Simples Nacional, tivesse reconhecido as receitas que neste processo estão sendo tributadas e tivesse recolhido os tributos correspondentes. Ou seja, haveria de se considerar a possibilidade caso a mesma receita que neste processo é tida como omitida, tivesse sido tributada pela DI QUA ou, eventualmente, por alguma outra integrante do grupo empresarial. Acontece que não há qualquer indicativo de que essa tributação tenha acontecido nas outras empresas do referido grupo; tampouco, de que alguma tenha reconhecido a receita de logística nas cidades mencionadas. Notese que das infrações apuradas, a glosa de despesas e falta de declaração/recolhimento de tributos são próprias da MOBILINE, não havendo que se falar, em relação a elas, em aproveitamento de recolhimento dos tributos na sistemática do Simples. Já a omissão de receitas na prestação de serviços de logística não foi tributada na DI QUA, que recebeu os recursos correspondentes em suas contas bancárias. Assim, não há que se falar em excluir neste processo eventuais recolhimentos que tenha efetuado sobre outras receitas. (grifamos) O raciocínio está correto e não merece reparos, até porque inexiste comprovação de que a tributação dos valores aqui em discussão ocorreu em qualquer outra das empresas do grupo. Ademais, a fiscalização lavrou diferentes autos de infração, que constam de processos administrativos distintos, de sorte que descabe, neste caso, resolver acerca de valores que sequer constam dos autos. Poderia a interessada, quiçá, apresentar planilhas e demonstrativos desses supostos valores recolhidos, com a detalhada descrição das origens e receitas tributadas. Como nada fez nesse sentido, não há como acolher a sua pretensão nem tampouco requalificar os supostos montantes recolhidos para aproveitálos em relação aos débitos aqui lançados. Caberá à interessada, se assim desejar, pleitear a restituição ou a compensação dos valores, com a devida comprovação dos recolhimentos, mediante procedimento específico, cujo conteúdo extrapola os limites da lide apreciada nos autos. j) Da responsabilidade solidária Como demonstrado ao longo deste voto, foi imputada responsabilidade solidária aos membros da família Gialdi que efetivamente atuavam como administradores das empresas do grupo: Sr. Jair Antonio Gialdi, Sr. Vinissius Cagol Gialdi e Sra. Carmila Noele Gialdi. Fl. 5445DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 40 39 Todos apresentaram Recursos Voluntários, substancialmente idênticos entre si e também iguais ao interposto pela Recorrente em relação às preliminares e às questões de mérito, cujos tópicos foram integralmente apreciados ao longo deste voto. Especificamente quanto à responsabilidade tributária, os recursos apresentados pelas pessoas físicas aduzem três argumentos de defesa: a) Ausência de comprovação de qualquer ato ilegal capaz de ensejar a responsabilidade do(s) Recorrente(s); b) Desnecessidade de se imputar sujeição passiva solidária a terceiros, face à solvência da empresa; c) Impossibilidade de a Receita Federal imputar responsabilidade a terceiros, o que só poderia ser feito pela PFN no âmbito de ação executiva fiscal. A Sra. Carmila alega, ainda, que não é sócia administradora da Recorrente e que apesar de trabalhar na empresa nunca praticou atos de gestão, que eram de exclusiva competência de seu irmão e sócio Sr. Vinissius, que detém 90% do capital, enquanto que o Sr. Jair alega, também, a impossibilidade de se imputar responsabilidade a alguém, como ele, que não é sócio da empresa. Todos esses questionamentos foram feitos nas respectivas impugnações. Pois bem. Quanto ao primeiro argumento, que é realmente o que interessa para o deslinde da questão, a autoridade fiscal os enquadrou nos artigos 124, I e 135, III, do Código Tributário Nacional, a seguir reproduzidos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; e Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Todas as provas trazidas aos autos demonstram que além do Sr. Vinissius, que era o efetivo administrador da Recorrente, os demais solidários participavam diretamente das atividades que ensejaram a autuação, com pleno conhecimento dos procedimentos utilizados para a obtenção de vantagens indevidas, inclusive a interposição de outras empresas e pessoas. Fl. 5446DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 41 40 Em meu entendimento resta caracterizada a hipótese de responsabilidade solidária de todos os recorrentes, nos termos dos artigos retrocitados, com fundamento, ainda, em diversas questões fáticas, que foram bem apresentadas pela decisão da DRJ: No tocante a ausência de comprovação de qualquer ato ilegal capaz de gerar obrigação tributária ao impugnante, é de se dizer que a simulação identificada nas operações da MOBILINE juntamente com as interpostas do Grupo Econômico já foram devidamente esclarecidas neste voto. Ficou demonstrado que empresas foram criadas pelos integrantes da Família Gialdi. O acervo probatório constante dos autos é enorme (localização das empresas; quadro social; procurações; pagamento das despesas; documentos apreendidos; transferências de empregados; correspondências eletrônicas; adiantamentos; relação dos motoristas; acertos de viagens; propriedade dos ativos; faturamento; orientações de terceiros; correspondências eletrônicas; determinação dos valores das notas fiscais de serviço; reclamatórias trabalhistas; etc.). (grifamos) Como não remanesce qualquer dúvida acerca das atividades e do interesse do Sr. Vinissius, convém relacionar os fatos e provas que levaram à imputação da Sra. Carmila e do Sr. Jair, conforme destacados pela Delegacia de Julgamento: Quanto ao ponto específico da alegação de Carmila Gialdi da impossibilidade de lhe imputar responsabilidade tributária por não ser sóciaadministradora, não há como prosperar, pois a mesma tinha sim poderes de gerência e de administração da MOBILINE, não só como sócia, mas exercendo, inclusive, a função de Diretora Administrativa (fls. 4349/4350): “... a Sra. Carmila possui o cargo de Diretora Administrativa e recebe remuneração pela sua atividade ...”. A ficha funcional, fls. 424, prova que a Sra. Carmila exerce, desde 1/7/2006 essa função de diretor administrativo. Como diretora administrativa e controladora das operações de logística formalmente efetuadas em nome da DI QUA, a Sra. Carmila tinha conhecimento das operações irregulares cometidas pela empresa. E como sócia e diretora administrativa, conseqüentemente exercia as atividades de gerência da MOBILINE, o que acarretaria sua responsabilidade pelos atos praticados pela empresa: (...) Já o responsável solidário Jair Gialdi fala da impossibilidade de imputar responsabilidade tributária a não sócio. Realmente se nos restringirmos somente ao contrato social da empresa, teria razão o senhor Jair. No entanto, a realidade verificada é outra diante da riqueza de elementos juntados a esses autos apontando em caminho contrário, ou seja, que ele exercia sim a gerência e administração dessa e de outras empresas do Grupo Econômico. Tal conclusão é baseada nos seguintes elementos: Fl. 5447DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 42 41 possuía procuração pública com amplos poderes de administração e de gerência da MOBILINE. possuía procuração pública com amplos poderes de administração e de gerência da MOBILOG. possuía procuração pública com amplos poderes de administração e de gerência da PRO SERVICE. era sóciogerente na função de Diretor Administrativo e Financeiro da MOBILE, empresa que compunha o Grupo Econômico. foi o responsável pela abertura da empresa MOBILOG, assim como definiu suas atividades, comprovada essa responsabilidade por diversas correspondências eletrônicas juntadas aos autos. Conforme o Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, a jurisprudência do próprio Superior Tribunal de Justiça define a responsabilidade na condição de gerência, e não na condição de sócio: Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009 “A responsabilidade do dito “sóciogerente”, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de “gerente” (administrador), e não da sua condição de sócio”. Nos casos de Carmila Gialdi e Jair Gialdi vale a pena reproduzir mais alguns trechos do Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009: b) A responsabilidade do administrador, por força do art. 135 do CTN, na linha da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito; c) Para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social. Por fim, vale ainda frisar que Vinissius Gialdi, além de ser sócioadministrador da MOBILINE, também possuía procurações públicas lhe dando amplos poderes de administração e de gerência sobre a MOBILOG e PRO SERVICE. Em que pese a gerência da MOBILINE e os poderes que exercia sobre as outras empresas interpostas, também consta como segurado empregado da MOBILE/POSICARGO na função de Relações Públicas, que tinha como sócioadministrador Jair Gialdi. Dessa forma, bem configurada a caracterização do grupo econômico, ou como consta no relatório fiscal, Grupo Gialdi, atribuindose a responsabilidade solidária àqueles que respondem pelas obrigações tributárias, com poderes de Fl. 5448DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 43 42 gerência, e que tinham conhecimento das irregularidades que foram cometidas: (...) Diante dos fatos e do conjunto probatório entendo que não merece reparos a autuação fiscal em relação aos solidários nem tampouco as conclusões da decisão de piso, que reconheço e acolho. O argumento de que seria desnecessária a sujeição passiva solidária dos responsáveis em razão da solvência da empresa não pode prosperar, posto que a imputação decorre de comando expresso do Código Tributário Nacional, que não comporta exceções. Também entendo que descabe o argumento de que deveriam ser compensados eventuais prejuízos existente, nos termos do que já se manifestou a decisão de piso: A defesa alega que a contribuinte detinha prejuízos fiscais de períodos anteriores à autuação e que esses valores deveriam ser considerados para fins do lançamento. Esse ponto também foi a única razão da entrega de emenda à impugnação (fls. 4958/5006). Foi juntada uma planilha demonstrando o aproveitamento do prejuízo fiscal e o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. Considero que a emenda à impugnação não tem objeto. Isso porque: a) a impugnação inicialmente apresentada já noticiava a existência de prejuízo fiscal e pedia que esses valores fossem considerados no lançamento (item VI da impugnação); b) o LALUR já havia sido juntado ao processo pelo autuante (fls. 4030/4063). Assim, desnecessária a análise da possibilidade ou não do recebimento de emenda à impugnação, se eventual petição nada traz de novo em relação aos argumentos anteriormente apresentados. Quanto ao pedido de aproveitamento do prejuízo fiscal, ele também não tem objeto, visto que o autuante considerou, não só os prejuízos, mas também as bases negativas da CSLL quando do lançamento. Tomo como exemplo o lançamento do IRPJ relativo ao segundo trimestre de 2009. O "demonstrativo de apuração" (fls. 4204), parte integrante do auto de infração, mostra a compensação dos prejuízos do próprio período e também de períodos anteriores. A compensação de prejuízos reduziu o valor tributável das infrações com multa qualificada (150%), de forma a ser mais benéfico para o contribuinte. Vejamos parte desse demonstrativo: Fl. 5449DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 44 43 O procedimento foi efetuado em todos os períodos em que havia prejuízo a aproveitar e também nos casos da existência de bases negativas de CSLL. As planilhas de fls. 4239/4250 e 4294/4305 explicitam respectivamente a compensação de prejuízos no IRPJ e a compensação de bases negativas da CSLL, demonstrando pormenorizadamente o aproveitamento desses créditos. As impugnantes não contestaram nenhum desses números. A defesa partiu do pressuposto de que nada de prejuízo teria sido aproveitado. Mas, como se viu, a alegação não procede. Resta evidente, portanto, a correção dos procedimentos da autoridade fiscal. Por fim, a tese de que não caberia à Receita Federal a atribuição de responsabilidade, mas somente à PFN em sede de execução, ressalto que a discussão é antiga a encontrase superada no âmbito deste Conselho. Aliás, a ciência da condição de responsável solidário já ao tempo do lançamento confere ao imputado o sagrado direito de exercer o contraditório e a ampla defesa, inclusive na esfera administrativa, para que possa, a partir de provas hábeis, afastar tal qualificação. A validade da medida encontra respaldo em princípios constitucionais e já foi referendada pelo STF, a exemplo do que se decidiu no seguinte julgado: AG. RG no Recurso Extraordinário 608.426 – Paraná Relator: Ministro Joaquim Barbosa Os princípios do contraditório e da ampla defesa aplicamse plenamente à constituição do crédito tributário em desfavor de qualquer espécie de sujeito passivo, irrelevante sua nomenclatura legal (contribuintes, responsáveis, substitutos, devedores solidários, etc.). (grifamos) Ante o exposto CONHEÇO dos Recursos Voluntários e, no mérito, voto por NEGARLHES provimento. Fl. 5450DF CARF MF Processo nº 11020.723036/201376 Acórdão n.º 1201001.580 S1C2T1 Fl. 45 44 É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 5451DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.011823/2007-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2003
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/2003 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 18 23 /2 00 7- 97 Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 10680.011823/200797 Acórdão n.º 9202004.830 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 10680.011823/200797 Acórdão n.º 9202004.830 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 10680.011823/200797 Acórdão n.º 9202004.830 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 10680.011823/200797 Acórdão n.º 9202004.830 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 10680.011823/200797 Acórdão n.º 9202004.830 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 10680.011823/200797 Acórdão n.º 9202004.830 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 10680.011823/200797 Acórdão n.º 9202004.830 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 10680.011823/200797 Acórdão n.º 9202004.830 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 10680.011823/200797 Acórdão n.º 9202004.830 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1711DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000844/2003-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 29. MATÉRIA NÃO VENTILADA NA IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO EM GRAU RECURSAL.
1. Ao atribuir a integralidade dos depósitos a um único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o lançamento adotou base de cálculo diversa daquela estabelecida no § 6º do art. 42 da Lei 9.430/1996.
2. Súmula CARF nº 29: Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
3. O Código de Processo Civil vigente, em seu art. 278, parágrafo único, preleciona que a nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade, exceto aquela que o julgador deva decretar de ofício.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, por maioria, dar-lhe provimento, vencido o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente UBIRAJARA FERREIRA DINIZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO TITULARES. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 29. MATÉRIA NÃO VENTILADA NA IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO EM GRAU RECURSAL. 1. Ao atribuir a integralidade dos depósitos a um único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o lançamento adotou base de cálculo diversa daquela estabelecida no § 6º do art. 42 da Lei 9.430/1996. 2. Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. 3. O Código de Processo Civil vigente, em seu art. 278, parágrafo único, preleciona que a nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade, exceto aquela que o julgador deva decretar de ofício. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 44 /2 00 3- 30 Fl. 226DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, por maioria, darlhe provimento, vencido o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, que negava provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 19515.000844/200330 Acórdão n.º 2402005.639 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 127 a 130, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 1998, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 103.115,75, dos quais R$ 42.696,27 referemse a imposto, R$ 32.022,20 correspondem a multa de oficio e R$ 28.397,28 a juros de mora calculados até 28 de fevereiro de 2003. Conforme Termo de Verificação e Constatação de fls. 110 a 113 e complemento de fls. 114 a 123, o procedimento foi instaurado tendo por base as informações relativas à movimentação financeira do contribuinte, prestadas à Receita Federal pelas instituições financeiras em confronto com os dados constantes da Declaração de Rendimentos do contribuinte relativa ao ano calendário 1998. Desta análise foi apurada omissão de rendimentos caracterizada pelos créditos/depósitos no montante anual de R$ 156.416,93, distribuídos mensalmente, cujas origens não foram comprovadas, já descontados os cheques depositados que foram devolvidos, descontada a proporção de 50% por ser conta conjunta com D. Maria Cristina Diniz, bem como o retorno de aplicação para a conta corrente (BB FIX). A fundamentação legal da exigência tributária está devidamente consignada no item Enquadramento Legal da folha de continuação do Auto de Infração e foi aplicada multa de 75% de acordo com o disposto no inciso I, art. 44 da Lei 9.430/96. [...] Cientificado do Auto de Infração em 17/03/2003 (fl. 127), o contribuinte apresentou em 16/04/2003 a impugnação de fls. 135 a 146, alegando o seguinte: Por lamentável e involuntário descompasso, parte da documentação providenciada pelo contribuinte junto aos bancos não foi carreada ao processo, pois foi equivocadamente tida como documentação em duplicidade. Percebeu que entre a documentação que deixou de ser recebida e entregue por estar supostamente em duplicidade encontravamse documentos ainda não apresentados ao Fisco. Assim, mostrase imprescindível a juntada aos autos dos inclusos documentos que demonstram a origem dos créditos cuja falta e oportuna comprovação acabou sendo erroneamente Fl. 228DF CARF MF 4 considerada receita não declarada. Demonstra, abaixo, que muitos créditos não poderiam ser considerados rendimentos omitidos. Dos créditos efetuados na Nossa Caixa Nosso Banco S/A Na Nossa Caixa Nosso Banco não possuía apenas a conta corrente n° 756.0452, possuía também a poupança n° 19.003.5452, cujos recursos lhe pertenciam. Durante o ano de 1998 resgatou o saldo desta poupança, efetuando saques e depositando na conta corrente n° 01.756.0452 e, cotejando os lançamentos de crédito na conta corrente com os saques da poupança constatamos que a maioria dos créditos relacionados as fls. 111 pela autoridade fiscal têm como origem recursos poupados pelo contribuinte e já existiam no ano anterior. Descreve detalhadamente as movimentações que serão comentadas no voto deste acórdão. Dos equívocos cometidos na elaboração do rol de créditos efetuados no Banco do Brasil. No crédito de R$ 12.444,39 no mês de janeiro foi incluído indevidamente o valor de R$ 9.035,40, datado de 08/01/98, proveniente de conta corrente que mantinha no Banespa. Basta confrontar os dois extratos fls. 36 e 49. No Termo de Intimação Três (fls. 21 e 22) a Auditora Fiscal já havia excluído tal crédito. Mesmo erro aconteceu ao relacionar os créditos do Banco do Brasil relativos ao mês de abril. No montante de R$ 4.601,00 foi incluído inadvertidamente o valor de R$ 1.500,00 de 08/04/98 relativo a um depósito de cheque. E dinheiro proveniente de sua conta corrente na Nossa Caixa. Basta confrontar os extratos de fls. 34 e 57, bem como o documento 27. Este crédito também já havia sido excluído pela Auditora Fiscal no Termo de Intimação Três. 0 mesmo ocorreu no crédito do mês de agosto no valor de R$ 9.763,25, relacionados na fl. 120 com base nos extratos de fls. 68 a 70. Foi incluído indevidamente o crédito no valor de R$ 2.500,00 de 05/08/98 relativo a recebimentos, que já havia sido objeto de conciliação bancária e exclusão pela Auditora autuante. Se trata de numerário proveniente da conta que o impugnante possuía na Nossa Caixa, como se observa no extrato de fl. 34 de 05/08/98 e documento 28. No mês de março foi apurado créditos no montante de R$ 21.191,24 (fl. 118), com base, nos extratos de fls. 54 e 56. Ocorre que o crédito no valor de R$ 4.824,84, de 26.03.98 foi incluído em duplicidade. O próprio Banco do Brasil lançou duas vezes o mesmo depósito, que foi prontamente percebido e corrigido (fl. 55), no débito denominado"Est. Aut. RC". Ou seja, o segundo crédito foi estornado, logo é inexistente. Dos Equívocos Cometidos na Elaboração do Rol de Créditos Efetuados no Banco Banespa Fl. 229DF CARF MF Processo nº 19515.000844/200330 Acórdão n.º 2402005.639 S2C4T2 Fl. 4 5 Créditos do Banespa no mês de abril. Conforme relação de fl. 123 e extratos de fl. 40, três créditos no valor de R$ 2.196,14 referemse a dividendos de ações que o contribuinte possuía, adquiridas anteriormente ao ano de 1998, conforme se comprova pela declaração de ajuste do anocalendário 1997 ora juntada — doc 23, portanto também deverão ser excluídos do lançamento. Requer que seja julgada procedente a impugnação, com a insubsistência do auto de infração. Protesta por provar o alegado por todos meios admitidos em direito e requer sejam as intimações encaminhadas à residência do requerente, na Rua Rafael de Araújo Ribeiro, nº 39, Jaraguá, CEP 05181030. Em sessão realizada em 16 de novembro de 2010, a DRJ julgou a impugnação parcialmente procedente, conforme decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O recorrente foi intimado da decisão em 27/05/2013 (fl. 206) e interpôs recurso voluntário em 20/06/2013 (fls. 207 e seguintes), no qual suscitou as seguintes teses de defesa: (a) imprescindível a intimação de todos os cotitulares da conta; (b) ilegalidade de utilização de extratos bancários obtidos sem prévia autorização judicial. Sem recurso de ofício e sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido, inclusive no tocante à matéria a ser analisada no tópico seguinte, conforme se verá. 1.1 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO O recorrente requer a declaração de nulidade do lançamento, por não obedecer a Súmula CARF nº 29, vez que a falta de intimação do cotitular invalida toda a presunção de certeza do crédito tributário. Essa matéria não foi ventilada na impugnação, mas é passível de conhecimento nesta fase em que o processo se encontra. O Código de Processo Civil vigente, em seu art. 278, parágrafo único, preleciona que a nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade, exceto aquela que o julgador deva decretar de ofício. Art. 278. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. Parágrafo único. Não se aplica o disposto no caput às nulidades que o juiz deva decretar de ofício, nem prevalece a preclusão provando a parte legítimo impedimento. O § 5º do art. 337 do Código determina que o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas nos incisos I a XIII, entre as quais a ausência de legitimidade da parte. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: [...] XI ausência de legitimidade ou de interesse processual; [...] § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. Neste caso concreto, há possível ilegitimidade de parte, pois, na dicção do § 6º do art. 42 da Lei 9.430/1996, "na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos Fl. 231DF CARF MF Processo nº 19515.000844/200330 Acórdão n.º 2402005.639 S2C4T2 Fl. 5 7 termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares". Nessa toada, o recurso deve ser conhecido nesse ponto. 2 Da nulidade do lançamento Ultrapassada a fase de conhecimento e adentrandose no exame do recurso, observase, no próprio TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO de fls. 109 e seguintes, que a conta do Banco do Brasil S/A, também objeto de fiscalização e consequente lançamento, era conjunta com a esposa do recorrente, Sra. Maria Cristina Paschoal Diniz (v. fl. 110). E segundo se depreende da Declaração de Ajuste Anual de fls. 7 e seguintes, em especial do campo IDENTIFICAÇÃO DO DECLARANTE, o recorrente apresentou declaração em separado de seu cônjuge. A título ilustrativo, segue imagem: E ainda se vê que o agente autuante entendeu que a base de cálculo do lançamento, no tocante à conta do Banco do Brasil S/A, deveria corresponder a 50% dos créditos bancários, sem, contudo, intimar o cônjuge cotitular antes da lavratura do Auto de Infração. A inexistência, portanto, de intimação do cônjuge cotitular para comprovar a origem dos depósitos efetuados na conta objeto de fiscalização; e o fato de ambos os contribuintes terem apresentado declaração de rendimentos em separado; são circunstâncias materialmente comprovadas nos autos, sendo inteiramente aplicável o verbete sumular CARF nº 29. Verbis: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Da análise dos precedentes que originaram a edição da referida súmula, concluise que, ao atribuir a integralidade dos depósitos a um único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o lançamento adota base de cálculo diversa daquela estabelecida no § 6º do art. 42 da Lei 9.430/1996. Ademais, "a divisão do total de rendimentos ou receitas pela quantidade de cotitulares somente é cabível, quando, intimados os titulares da conta não se obtenha êxito quanto à prova da titularidade dos recursos" (Acórdão 10248.163). Logo, sendo indubitável (a) que uma das contas objeto de fiscalização e lançamento era conjunta; (b) que os seus cotitulares apresentaram declaração em separado; (c) que apenas o recorrente foi intimado para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados; deve ser cancelado o lançamento, diante de sua indubitável nulidade material, por incorreta adoção da base de cálculo. Fl. 232DF CARF MF 8 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.908450/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL.
A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009).
Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.370
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. SELIC. Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 84 50 /2 01 1- 89 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10882.908450/201189 Acórdão n.º 3401003.370 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP cujo direito creditório utilizado na compensação é oriundo de saldo credor do IPI referente ao período de apuração de 01/10/2009 a 31/12/2009. Conforme despacho decisório exarado pelo Seort/DRF/Osasco, apesar de o crédito alegado pela Recorrente ter sido integralmente reconhecido (pelo valor original do saldo credor solicitado em ressarcimento PER), parte das compensações declaradas não foi homologada, pois o montante dos débitos informados para compensação, vinculados ao saldo credor do período de apuração sob análise, superou o valor do crédito solicitado e reconhecido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14053.027, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a atualização monetária dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Dessa decisão, a ora Recorrente foi intimada no dia 16/10/2014, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 14/11/2014, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, "para o fim de reconhecer e deferir o direito de correção monetária dos créditos de IPI, pois deixaram de ser escriturais, bem como aplicar a taxa SELIC, com a posterior homologação das compensações na integralidade", com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito de crédito da Recorrente, por falta de fundamentação e por não ter intimado a Recorrente para esclarecer os motivos de ter pleiteado o ressarcimento; (ii) aplicação da correção monetária pela utilização da taxa SELIC em créditos objeto de pedidos de ressarcimento junto a Receita Federal. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10882.908450/201189 Acórdão n.º 3401003.370 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.340, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10882.908423/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.340): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte coloca duas matérias para exame desse Colegiado: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito creditório da Recorrente; e (ii) aplicação da Taxa Selic para atualização de crédito básico de IPI em pedidos de ressarcimento. Nulidade O Recorrente defende a nulidade da decisão que não homologou as compensações declaradas e indeferiu o pedido de ressarcimento, alegando que a fundamentação da decisão não é adequada, pois não permite à Recorrente conhecer os seus motivos, e que não foi intimada para esclarecer aspectos do pedido de ressarcimento por ela realizado, o que seria determinado à autoridade fiscal pelo artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008. Esse argumento foi rejeitado pela decisão recorrida, pelas seguintes razões: "De plano não constato qualquer irregularidade que possa acarretar a nulidade do Despacho Decisório, claramente foi demonstrado no Despacho Decisório (Divergências na Compensação) que o direito creditório oferecido e reconhecido era inferior ao montante de débitos que a interessada quer compensar. (...) Pois bem, atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o direito creditório pedido com os dados fornecidos pelo interessado na PERDCOMP. Ou seja, a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo contribuinte, que nada mais é que o estrito cumprimento da lei e a obediência ao princípio da verdade material, baseiase nas obrigações acessórias realizadas pelo próprio". Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10882.908450/201189 Acórdão n.º 3401003.370 S3C4T1 Fl. 5 4 No que se refere à fundamentação inadequada do despacho decisório eletrônico que, segundo a Recorrente, não permitiria o pleno conhecimento dos motivos para o indeferimento total do seu pleito, com os prejuízos daí decorrentes para o exercício regular de sua defesa, não vejo como acompanhar a Recorrente. Apesar de o despacho decisório de fls. 75 ser bem objetivo, pelo seu exame, é possível a compreensão dos motivos que levaram à decisão: a Recorrente apurou determinado saldo credor de IPI em seus livros e pleiteou o ressarcimento, que foi deferido até o exato montante do crédito por ela apurado e solicitado, sendo indeferido pelo despacho decisório a compensação de débitos, assim como um pedido de ressarcimento, em montante superior ao crédito solicitado. Desse modo, estando devidamente fundamentada, não há que se falar em prejuízo à defesa da Recorrente que, conhecendo os motivos do indeferimento, apresentou defesa explicando que a divergência entre crédito e débito se deu pela não aplicação da taxa SELIC nos créditos básicos de IPI objeto de ressarcimento que, uma vez, aplicados, segundo a Recorrente, permitiriam a validação de todas as compensações vinculadas ao crédito de IPI. Não há, portanto, qualquer violação ao artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, a ensejar a decretação de nulidade da decisão. Com relação à necessidade de intimação da Recorrente antes de qualquer decisão indeferindo o seu direito creditório, oportuno citar o dispositivo invocado pela Recorrente, que tem a seguinte redação: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". (Instrução Normativa RFB nº 900/2008) Pela leitura do dispositivo, entendo que se trata de um direito da autoridade fiscal, que pode ser exercido ou não, não podendo ser encarado tal dispositivo como uma obrigação da autoridade fiscal de intimar o contribuinte antes de toda e qualquer análise de pedidos de reconhecimento de direito de crédito. A Receita Federal poderá, nas hipóteses em que entender cabível, intimar o contribuinte para apresentar esclarecimentos ou realizar diligências adicionais, para fim de confirmar a existência do direito de crédito pleiteado. Por conseguinte, a ausência de intimação da Recorrente antes do não reconhecimento de crédito por ela pleiteado não implica nulidade da decisão tomada nesse sentido, motivo pelo qual proponho ao Colegiado rejeitar a nulidade também por esse segundo fundamento. Aplicação da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI A Recorrente alega que, se aplicada a correção monetária pela taxa SELIC no saldo credor, as compensações declaradas teriam sido homologadas, não havendo qualquer valor a ser cobrado pela Receita Federal. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10882.908450/201189 Acórdão n.º 3401003.370 S3C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, invoca como fundamento o artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Carta da República, artigo 49 do Código Tributário Nacional ("CTN"), artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, afirmando que, na hipótese de ressarcimento e/ou compensação, "o crédito de IPI deixa de ser crédito escritural e passa a ser um crédito oponível à União Federal para restituição ou compensação, do qual deverá sofrer a incidência da correção monetária, como qualquer outro crédito passível de restituição/compensação". Além disso, defende a Recorrente que "será totalmente inócua a utilização de valores de créditos sem a cobertura do desgaste inflacionário, ou seja, a devida correção monetária entre o período em que houve o acúmulo do crédito até o momento da utilização, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da União Federal", afirmando ser aplicável a taxa SELIC que é a mesma que é aplicada pelo Fisco na correção de seus créditos. A decisão recorrida rejeitou esse argumento da Recorrente, fazendo a distinção entre os casos de ressarcimento de IPI e restituição, conforme a seguir: "(...) a atualização monetária não é aplicável à hipótese vertente, isto é, de crédito escritural suscetível de ressarcimento, pois a norma do art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e alterações, conforme orientação interna transmitida pelo Boletim Central nº 46, de 25 de março de 1992, abarca tãosomente as hipóteses de atualização monetária referentes à restituição, nos casos em que menciona". Ademais, a decisão recorrida fundamenta a impossibilidade de correção monetária no ressarcimento de IPI, com base em normas infra legais como o artigo 38, § 2º, da IN SRF nº 210, de 2002; e artigo 51, § 5º, da IN SRF nº 460, de 2004, sucedida pelo artigo 52 da IN SRF nº 600, de 2005; artigo 72, § 5º, da IN RFB nº 900/2008 e alterações posteriores, manifestandose ainda pela impossibilidade de correção de créditos escriturais de IPI. Sobre o tema, pedido de atualização pela SELIC de valores objeto do pedido de ressarcimento de IPI, oportuno mencionar que já foi pacificado pelo e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cujo acórdão foi submetido ao regime de recursos repetitivos do artigo 543C, do CPC. Essa decisão teve a seguinte ementa: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10882.908450/201189 Acórdão n.º 3401003.370 S3C4T1 Fl. 7 6 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008". (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em julgados mais recentes, o STJ deixou claro que (i) a atualização dos pedidos de ressarcimento de IPI aplicase também aos processos administrativos iniciados antes da vigência da Lei nº 11.457/2007, que estipula em seu artigo 24 que os pedidos administrativos deveriam ser apreciados dentro do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias1; e (ii) o termo inicial para aplicação da SELIC, índice a ser adotado a partir de 1996, é a data de protocolo do pedido de ressarcimento. Nesse sentido, podese citar o precedente abaixo, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DOS PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. 1. Em que pese o julgamento do Recurso Representativo da Controvérsia REsp. n. 1.138.206/RS (Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), onde se definiu que o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os feitos inaugurados antes de sua vigência, o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para o fim do procedimento de ressarcimento não pode ser confundindo com o termo inicial da correção monetária e juros SELIC. "Quanto ao termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o termo inicial da mora. Usualmente, tenho conferido o direito à correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento" (EAg nº 1.220.942/SP, 1 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10882.908450/201189 Acórdão n.º 3401003.370 S3C4T1 Fl. 8 7 Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.04.2013). 2. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1554806/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 05/11/2015) O assunto já foi, inclusive, apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em recente julgado2, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois "especificamente no presente caso, verificase que houve oposição estatal, mas, ou seja, o pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI foi expressamente rejeitado pela autoridade competente (despacho decisório de fls. 480 a 499), o que ocasionou, portanto, oposição injustificada a impedir o gozo do direito. Existindo oposição estatal injustificada, há incidência de atualização pela SELIC do crédito de IPI". Esse posicionamento decorre da distinção entre créditos escriturais de IPI e créditos não escriturais. Os créditos escriturais, ou seja, aqueles recebidos e inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos industrializados em períodos de apuração subseqüentes, não são passíveis de atualização, por ausência de previsão legal. Situação distinta ocorre com os créditos escriturais que passam a ser objeto de pedido de ressarcimento, em razão da impossibilidade de serem utilizados na dedução de débitos de IPI, quando as saídas estão sujeitas à alíquota zero ou à isenção, ou quando a diferença entre o volume de créditos e débitos resulta na acumulação de saldo credor. Nessa hipótese, tais créditos deixam de ser escriturais e passam a ser um direito de crédito do contribuinte contra o Fisco, que deve ser atualizado, desde o protocolo do pedido, pois, caso contrário, haveria um enriquecimento sem causa do Fisco. É que, nessas hipóteses, em que há "pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima" (REsp 1216129/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011), a atrair a aplicação da Súmula STJ nº 411, com a seguinte redação: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Oportuno destacar que a resistência ilegítima fica caracterizada pelo reconhecimento do pedido, com mora, porém, em valor histórico, o que gera uma defasagem no valor do crédito a ser recebido pelo contribuinte, não havendo que se esperar determinado lapso de tempo na apreciação do pedido para que a mora fique caracterizada. 2 Processo nº 13678.000141/0076; Acórdão nº 9303003.253; 3ª Turma; Sessão de 03 de fevereiro de 2015; Matéria TAXA SELIC; Recorrente FAZENDA NACIONAL. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10882.908450/201189 Acórdão n.º 3401003.370 S3C4T1 Fl. 9 8 A respeito, merece destaque a doutrina de Eduardo Domingos Bottallo3, ao tratar da correção monetária nos pedidos de restituição, mas que, pelos mesmos fundamentos, entendo se aplicar aos casos de pedidos de ressarcimento: "A ausência de correção monetária nas obrigações pecuniárias em geral, inclusive, as de índole tributária, acarreta enriquecimento ilícito do devedor, ao que se soma, quando se trata do Poder Público, verdadeiro confisco. Ao revés, sua incidência não configura aumento patrimonial, porém simples mecanismo tendente a retratar, em unidades monetárias atuais, o valor representado por uma quantia identificada no passado. Na antiga lição de Amílcar de Araújo Falcão, ela é a técnica pelo direito consagrada de traduziremse em termos de idêntico poder aquisitivo, quantias ou valores que, fixados pro tempore, se apresentam expressos em moeda sujeita à depreciação. (...) Portanto, se os débitos fiscais ficam sujeitos a atualização monetária a partir do momento que devem ser satisfeitos, o mesmo há de ocorrer com os créditos dos contribuintes, até por força da analogia (ubi eadem ratio, ibi eadem juris dipositio), e da própria regra de isonomia que deve orientar as ações do Poder Público em seu relacionamento com a sociedade: "mais do que ninguém, o administrador público tem o dever de probidade e de seriedade no trato com a coisa pública. Em conseqüência, não pode pensar em não pagar a correção monetária de seus débitos, sob pena de se beneficiar indevidamente com o atraso no pagamento". Como se verifica, se o contribuinte deixa de adimplir sua obrigação tributária dentro do prazo de vencimento está sujeito ao recolhimento do tributo com a aplicação da SELIC, correta a aplicação do mesmo índice para atualização do crédito detido pelo contribuinte contra a Fazenda, pago no âmbito de pedidos de ressarcimento de IPI. Ademais, o artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 prevê que o saldo credor do IPI "poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996", que são as normas que tratam da compensação e restituição de tributos federais. Por sua vez, o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece que "§ 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Desse modo, se a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento de IPI já não tivesse fundamento no princípio da isonomia e no que veda o enriquecimento sem causa, a própria remissão do artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 às normas que tratam de restituição e compensação seria fundamento legal suficiente ao seu reconhecimento. 3 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 136137. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10882.908450/201189 Acórdão n.º 3401003.370 S3C4T1 Fl. 10 9 Contudo, em que pese ter razão, em tese, o Recorrente quando defende a possibilidade de aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento, em seu caso concreto, fixado o entendimento de que a taxa SELIC deve ser aplicada desde a data de protocolo do pedido até o efetivo pagamento do ressarcimento pela Receita Federal, o pedido do Recorrente não merece prosperar. É que no caso da Recorrente não se trata de pedido de ressarcimento em espécie, mas de pedido de ressarcimento para utilização em declarações de compensação contemporâneas ao pedido de ressarcimento. Ora, nesse caso, não há que se falar em oposição injustificada da Receita Federal, pois o valor objeto de ressarcimento é utilizado no exato momento da apresentação do pedido. Em conseqüência, não há qualquer justificativa para a aplicação da taxa SELIC. E, se a Recorrente pretendia a aplicação da taxa SELIC desde a data da escrituração dos créditos nos livros fiscais até a data de apresentação do pedido de ressarcimento, o que não se depreende da defesa apresentada, tratarseia, de qualquer modo, de aplicação da taxa SELIC sobre o crédito escritural de IPI, o que é vedado, por ausência de previsão legal, como já exposto nas linhas acima. Ante o exposto, embora tenha o entendimento pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI, penso que esse entendimento não se aplica ao caso concreto, que trata de declaração de compensação contemporânea ao pedido de ressarcimento, motivo pelo qual voto pelo não provimento do Recurso Voluntário." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira por ter sido apresentada no Acórdão 3401003.340 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento do Conselheiro sobre a questão: "Data vênia do entendimento esposado pelo ilustre relator, a jurisprudência que acomete a atualização SELIC para o ressarcimento do IPI é justificada pela resistência da administração em reconhecer o direito creditório e efetivar o ressarcimento. Mas ela não acolhe a SELIC para os casos em que não se configure essa resistência da administração fazendária. Vejamos trecho das ementas dos citados julgados: (...) Além disso, a contribuinte aproveitou o crédito do ressarcimento do IPI imediatamente por meio de declaração de compensação, não havendo oposição por parte da administração tributária para essa compensação, nem postergação do aproveitamento do crédito por parte da contribuinte. Não houve desrespeito ao prazo de 360 dias posto pela Lei 11.457 de 2007. Não há que se falar em resistência da administração ao caso de modo a se justificar aplicar o entendimento jurisprudencial. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10882.908450/201189 Acórdão n.º 3401003.370 S3C4T1 Fl. 11 10 O texto do artigo 24 da Lei n. 11.457, de 2007, invocado pela contribuinte, não a socorre. Além do fato que o prazo de 360 dias não foi desrespeitado, a simples leitura desse artigo afasta a proposição da contribuinte de que o descumprimento do prazo máximo para a autoridade administrativa decidir implicaria em reconhecimento do seu direito. Essa é uma interpretação equivocada. Basta ler o artigo citado para se ver, indubitavelmente, que esse texto não autoriza a aplicação da taxa SELIC aos casos de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 132DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.002136/2007-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula Carf nº 49).
Numero da decisão: 1803-000.973
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Luiz Bezerra Presta
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula Carf nº 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Relator Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Marcelo de Assis Guerra, Sergio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch Fl. 168DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10725.002136/200717 Acórdão n.º 180300.973 S1TE03 Fl. 169 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Versa este processo sobre o Auto de Infração de fl. 10, lavrado pela DRF/Campos dos Goytacazes, para a exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica— DIPJ, no valor de R$7.084,03. A descrição dos fatos e o enquadramento legal se encontram no Auto de Infração. O interessado apresentou a impugnação de fls. 1/9. Em sua defesa, alega, em síntese, que: "tratase de multa pela entrega intempestiva, porém espontânea da DIPJ"; não houve qualquer pedido de esclarecimento, o que invalida o lançamento; a apresentação espontânea de uma obrigação acessória exclui a aplicação de penalidade, de acordo com o art. 138, do CTN, conforme jurisprudência” A 1ª Turma da DRJ/RIO DE JANEIRO1–RJ, em sessão de 10/12/2009, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 1227.616 onde julgou “improcedente a impugnação, mantendo a exigência de multa por atraso na entrega de declaração, no valor de R$7.084,03”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. E devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo, ainda que espontânea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado da decisão 28/12/2009, interpôs o contribuinte, em 20/01/2010, Recurso Voluntário a este Conselho, onde a Recorrente manteve os mesmos argumentos da peça impugnatória apresentada. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, Relator Fl. 169DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10725.002136/200717 Acórdão n.º 180300.973 S1TE03 Fl. 170 3 O presente é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Por essa razão dele conheço. Porém, não posso concordar com a tese da Recorrente, tendo em vista que tratandose de aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ 2006, relativamente ao ano calendário de 2005, incide, indubitavelmente, a Súmula Carf nº 49, com o seguinte teor: “Sumula 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. No âmbito do Judiciário, a jurisprudência é pacífica em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculadas diretamente do fato gerador da obrigação principal: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA. SÚMULA 83/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Aresto recorrido que se encontra em consonância com a jurisprudência assente do STJ no sentido de que não se mostra desarrazoada a aplicação de multa em razão do atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. Precedentes. 2. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 985.433/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória Fl. 170DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10725.002136/200717 Acórdão n.º 180300.973 S1TE03 Fl. 171 4 autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 19/02/2009)” Por fim, como vem afirmando o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes em diversos julgamentos análogos realizados por essa 3ª Turma Especial “não se afasta a responsabilidade da empresa no caso, porque culpa lhe cabe, tanto na escolha do encarregado da elaboração e entrega das declarações (culpa in eligendo), quanto na fiscalização das suas tarefas (culpa in vigilando)”. Assim, considerando tudo o que consta dos autos, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Sala das Sessões, em (assinado digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Fl. 171DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/08/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 31/0 8/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001893/00-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995
Ementa:
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.
A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal.
Numero da decisão: 9303-004.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 18 93 /0 0- 45 Fl. 544DF CARF MF Processo nº 13811.001893/0045 Acórdão n.º 9303004.669 CSRFT3 Fl. 545 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3102002.005, de 24 de setembro de 2013 (fls.502 a 511) do processo eletrônico, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a prejudicial de decadência e reconhecer o direito à correção monetária mediante a aplicação dos "expurgos inflacionários" , conforme ementado in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 PRAZO DE PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. INDÉBITO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO TOMADA EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em Regime de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para a apresentação do pedido de restituição no caso de pagamento indevido é de 10 anos contados do fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2601/2008. TABELA ÚNICA DA JUSTIÇA FEDERAL. CONCESSÃO. Na restituição de valores indevidamente recolhidos pelo contribuinte, deve ser concedida a correção monetária devida em razão dos expurgos inflacionários, segundo critérios estabelecidos pelo Poder Judiciário na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007. Ato Declaratório nº 10/08. Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601/2008. Recurso Voluntário Provido em Parte A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de restituição da contribuição para o Programa de Integração Social PIS, fl. 01, no valor de R$ 4.780.039,11, Fl. 545DF CARF MF Processo nº 13811.001893/0045 Acórdão n.º 9303004.669 CSRFT3 Fl. 546 3 protocolado em 09/10/2000. Os créditos decorreriam da declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. O Contribuinte apresentou várias declarações de compensação atreladas a este crédito. Examinada a pretensão, a autoridade jurisdicionante emitiu o Despacho Decisório SEORT/DRF/CPS nº 118/11, de 09/02/2011, que deferiu parcialmente o Pedido de Restituição e homologou parcialmente as compensações declaradas. Cientificado, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: Tratase de Pedido de Restituição dos valores recolhidos a título de Contribuição ao PIS, pela sistemática instituída pelos Decretosleis n° 2.445/88 c 2.449/88, relativo aos períodos de apuração compreendidos entre Janeiro de 1988 e Setembro de 1995. Ainda, argumentando que os Decretosleis n.°s 2.445/88 e 2.449/88 foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n°148.754/RJ. Posteriormente, em razão do posicionamento do STF sobre a matéria, o Senado Federal editou a Resolução n° 49, publicada em 10 de outubro de 1995, suspendendo a execução dos referidos Decretosleis. Com a declaração de inconstitucionalidade, surgiu o direito à restituição da diferença entre os valores pagos com base na sistemática instituída pelos Decretosleis (faturamento do mês anterior) c os valores devidos com base no regime instituído pela Lei Complementar n° 07/70 (faturamento do sexto mês anterior). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento, inclusive nos casos de tributos sujeito à homologação ou de declaração de inconstitucionalidade. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 13811.001893/0045 Acórdão n.º 9303004.669 CSRFT3 Fl. 547 4 Inconformado com a decisão de primeira instância o contribuinte apresentou recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual, por unanimidade dos votos do colegiado, foi dado provimento parcial ao recurso. Assim, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 513 a 517) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do Contribuinte, sob o argumento de haver divergência quanto à aplicação dos expurgos inflacionários na atualização dos valores de tributo recolhidos indevidamente. Para comprovar a divergência foi apresentado, como paradigma, os Acórdão nº nº 320100.632, disposto na sua integralidade no corpo do recurso. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido conforme se depreende pelo despacho de fls. 519 a 521, por ter entendido que dissenso jurisprudencial era evidente, pois o acórdão recorrido firmou entendimento no sentido de que são cabíveis os expurgos inflacionários ainda que a decisão judicial não tenha reconhecido esse direito ao contribuinte. Destacase que, apesar de reconhecer que o Judiciário não analisou a questão dos expurgos inflacionários, a Turma prolatora do acórdão recorrido entendeu devida sua aplicação. Mas, divergindo desse entendimento, o acórdão paradigma expõe que é imperiosa a expressa determinação judicial para realizar a correção monetária aplicando os expurgos inflacionários. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 528 a 541, pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para manter a decisão v. Acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à aplicação de índices de correção monetária que contemplem os denominados expurgos inflacionários. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 13811.001893/0045 Acórdão n.º 9303004.669 CSRFT3 Fl. 548 5 Em virtude das decisões prolatadas no AgRg no RESP 935594/SP (DJ 23.04.2008); EDcl no REsp 773.265/SP (DJ 21.05.2008); EDcl nos EREsp 912.359/MG (DJ 27.22.2008); EREsp 912.359/MG (DJ 03.12.2007), foi pacificado o entendimento de que na repetição de indébito tributário, a correção monetária será calculada segundo os índices indicados para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal. Cumpre destacar que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional através do Parecer PGFN/CRJ n.º 2.601/2008 foi dispensada de interpor recursos nas ações que requeiram a inclusão dos índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários, conforme ementa e conclusão abaixo transcritas (grifos meus): "PARECER PGFN/CRJ/Nº 2601/2008 Tributário. Correção Monetária. Inclusão de índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários. Jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. I O escopo do presente Parecer é analisar a possibilidade de se promover, com base no inciso II do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, e no Decreto n.º 2.346, de 10.10.1997, a dispensa de interposição de recursos ou requerimento de desistência dos já interpostos, com relação às decisões judiciais que entendem pela inclusão dos índices expurgados de planos econômicos no cálculo da correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos. 2. Tal Parecer, em face da alteração trazida pela Lei nº 11.033, de 2004, à Lei nº 10.522/2002, terá também o condão de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional sobre a matéria. 3. Este estudo é feito em razão da existência de decisões reiteradas no Superior Tribunal de Justiça – STJ, no sentido de que é devida a aplicação Fl. 548DF CARF MF Processo nº 13811.001893/0045 Acórdão n.º 9303004.669 CSRFT3 Fl. 549 6 dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais, como fator de atualização monetária de débitos judiciais. II 4. O entendimento reiteradamente invocado pela Fazenda Nacional em sua defesa sempre foi no sentido de ser descabida a aplicação dos índices expurgados para fins de correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos, somente sendo possível, para este fim, a aplicação dos índices legalmente estatuídos. 5. Ocorre que o Poder Judiciário entendeu diversamente, tendo sido pacificado no âmbito do STJ o entendimento no sentido de que devem ser incluídos, para cálculo da correção monetária de débitos judiciais, os percentuais dos expurgos inflacionários verificados na implantação dos planos governamentais, sendo esta incidência decorrente de lei (Lei 6.899/81), pelo que se faz desnecessária a expressa menção no pedido formulado em juízo, a teor do que dispõe o art 293 do CPC. 6. No que atine ao critério a ser utilizado para cálculo da correção monetária, firmouse orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007, a saber: (...)" Por fim, em vista a aprovação do parecer acima, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, através do Ato Declaratório n.º 10/2008 determina que é cabível a aplicação dos expurgos inflacionários constantes na Tabela Única da Justiça Federal aprovada pela Resolução n.º 561, de 02/07/2007, do Conselho da Justiça Federal, senão vejamos: “ATO DECLARATÓRIO Nº 10, DE 1º DE DEZEMBRO DE 2008 O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601/2008, desta Procuradoria –Geral da Fazenda Nacional, Fl. 549DF CARF MF Processo nº 13811.001893/0045 Acórdão n.º 9303004.669 CSRFT3 Fl. 550 7 pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelo planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007.” Portanto, cotejando os atos normativos acima transcritos, é possível afirmar que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal. Assim, voto no sentido negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda para que sejam aplicados os índices do Conselho da Justiça Federal. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 550DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.013306/2001-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1997
DESISTÊNCIA DA LIDE, DEVIDO A ADESÃO A PROGRAMA DE PARCELAMENTO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO.
A Embargada requereu a desistência da lide, devido a adesão à programa de parcelamento. Consta informação nos autos de que a contribuinte liquidou totalmente o débito exigido no Auto de Infração antes de o Recurso Voluntário ter sido julgado pelo Colegiado, que proferiu o v. acórdão embargado.
Numero da decisão: 1402-002.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para anular o Acórdão 1402-002.258 e não conhecer do recurso voluntário em função do pedido de desistência.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para anular o Acórdão 1402-002.258 e não conhecer do recurso voluntário em função do pedido de desistência. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1997 DESISTÊNCIA DA LIDE, DEVIDO A ADESÃO A PROGRAMA DE PARCELAMENTO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. A Embargada requereu a desistência da lide, devido a adesão à programa de parcelamento. Consta informação nos autos de que a contribuinte liquidou totalmente o débito exigido no Auto de Infração antes de o Recurso Voluntário ter sido julgado pelo Colegiado, que proferiu o v. acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para anular o Acórdão 1402002.258 e não conhecer do recurso voluntário em função do pedido de desistência. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 33 06 /2 00 1- 19 Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10880.013306/200119 Acórdão n.º 1402002.440 S1C4T2 Fl. 295 2 Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10880.013306/200119 Acórdão n.º 1402002.440 S1C4T2 Fl. 296 3 Relatório Tratase de julgamento de Embargos Inominados (fls.292), opostos pela Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto, face v. acórdão (fls. 267/274) proferido por esta C. 2 Turma Ordinária. De forma resumida, após o v. acórdão embargado ter sido proferido por esta C. Turma Ordinária e os autos terem sido remetidos para a Unidade de Origem (fl. 278), a DRF de Ribeirão Preto, constatou que a Embargada tinha aderido, em 03/12/2009, ao programa de parcelamento previsto na Lei 11.941/2009, consolidado em 29/06/2010 e a dívida liquidada em 04/05/2012, conforme tabelas de fls. 279/291. Como o programa de parcelamento disciplinado na Lei 11.941/09, exige a desistência da lide relativa a matéria que foi aderida, que no caso dos autos engloba todo o Auto de Infração, a DRF de Ribeirão Preto, apresentou r. despacho de fls. 292, requerendo o retorno dos autos ao E. CARF/MF, para a revisão do v. acórdão (fls. 267/274) prolatado em sede de julgamento de Recurso Voluntário, interposto em 28/11/2005. Ato contínuo, o D. Presidente desta C. Turma, acolheu o pedido da DRF e determinou a revisão do v. acórdão embargado. (fl.293) Para afastar qualquer dúvida, relato abaixo, de forma resumida, os fatos que ensejaram o lavratura do Auto de Infração e o andamento do processo: Foi fiscalizada a DCTF, onde constou que a Embargada, responsável pela retenção, pagou o imposto retido na fonte com atraso, sem acréscimos legais (multa moratória). Devido a tal fato, a fiscalização lavrou Auto de Infração aplicando penalidade nos termos do artigo 44, inciso primeiro, da Lei 9.430/96. A Embargada, apresentou impugnação, alegando erro de fato na DCTF, dizendo que apesar de equivocadamente ter indicado a quarta semana do mês de março de 1997, escriturou os fatos geradores (dias das prestações dos serviços) nos dias 25, 26 e 27 de março de 1997, ou seja, na quinta semana de março e, por isso, teria até o dia 2 de abril para pagar o imposto, como fez. Juntou com a impugnação, DARFs onde consta que os fatos geradores ocorreram nos dias 25, 26 e 27 de março, com pagamento no dia 2 de abril de 1997. A Fiscalização, entendeu que os documentos e argumentos da Embargante dispostos na impugnação, não eram suficientes para comprovar o erro de fato relativo ao preenchimento da DCTF e demonstrar que o pagamento do imposto foi feito dentro do prazo estipulado em lei. Ato contínuo, a DRJ decidiu manter o Auto de Infração, por entender que a Embargante não teria comprovado o erro material, bem como, por considerar que a DCTF é confissão de dívida. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10880.013306/200119 Acórdão n.º 1402002.440 S1C4T2 Fl. 297 4 Para melhor expor a descrição dos fatos, colaciono o relatório do v. acórdão, proferido pela DRJ, que manteve o Auto de Infração nos seguintes termos: "Tratase de lançamento consubstanciado em auto de infração, lavrado em 05/11/2001, em virtude de apuração de irregularidades quanto a quitação de débitos declarados em Declaração de Contribuições e Tributos federais (DCTF), para exigir da empresa acima identificada o recolhimento da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), na importância de R$ 6.924,8 1, e também de juros à ordem de R$ 92,31, em face do recolhimento a destempo de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) originado em "rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício", código de receita n° 0588 e em "remuneração por serviços prestados por pessoa jurídica", código de receita n° 1708, apurado na quarta semana de março de 1997, sem o recolhimento dos acréscimos moratórios devidos, no caso a multa de mora e juros de mora. Regularmente cientificada, a autuada ingressou com a impugnação de fls. 01/04, acompanhada dos documentos de fls. 05/12, por meio da qual fustiga a exigência ao argumento, em síntese, de que embora a DCTF mencione como período de apuração a quarta semana de março esta mesma declaração consigna que os fatos geradores ocorreram nos dias 25, 26 e 27 de março, condizentes à quinta semana do mês, de sorte que a obrigação venceu, efetivamente, em 02 de abril. Aduz, ainda, que o erro não teria o condão de legitimar a cobrança da multa e juros uma vez que o crédito tributário decorre de obrigação legal sendo irrelevantes, para o surgimento do vínculo e a quantificação da prestação, a efetiva vontade do sujeito passivo ou suas declarações. A impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto, que intimou a recorrente à apresentação de documentos comprobatórios do alegado erro, fl. 24, vindo a resposta de fl. 26 exteriorizando entendimento de que os próprios DARFs (Documento de Arrecadação de Receitas Federais), originariamente anexados à peça de defesa, já eram suficientes a tanto. Seguiuse despacho da autoridade autuante dando pela inaplicabilidade da revisão de oficio do lançamento a que alude o artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN), ao fundamento de que os documentos apresentados não comprovam o erro de fato, fls.75/76. Finalmente, às fls. 79/81 petição da recorrente ratificando o pedido de julgamento da impugnação aviada. O v. acórdão proferido pela DRJ, registrou a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Período de apuração: 16/03/1997 a 22/03/1997 Ementa: DÉBITO CONFESSADO. AUDITORIA INTERNA NA DCTF. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10880.013306/200119 Acórdão n.º 1402002.440 S1C4T2 Fl. 298 5 As dívidas tributárias declaradas em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Federais reputamse confessadas e dito instrumento aperfeiçoa a exigência fiscal, não sendo necessária a formalização do crédito tributário, por qualquer outro meio, por parte da Administração Fazendária. O recolhimento do tributo a destempo desacompanhado do acréscimo denominado multa de mora enseja a imposição da penalidade prevista no artigo 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996. Lançamento Procedente Inconformada, a Embargada interpôs Recurso Voluntário em 28/11/2005 (fls.93/99), onde repisou os mesmos argumentos da impugnação, juntou cópia do Livro Razão (fls.100) onde, segundo ela, restaria evidenciada a escrituração da retenção de IR no montante de R$ 9.010,78 (R$ 5.633,27+ R$ 3.347,51) em 31/03/1997 e requer que esta C. Turma Ordinária, analise tal documento. (fls. 100) Também afirmou no recurso, que conforme documento acima apontado, restaria evidenciado que teria incorrido em erro ao preencher a DCTF do primeiro trimestre de 1997, sendo tempestivos os recolhimentos do IRRF, não se caracterizando a mora que ensejaria a multa e juros exigidos no Auto de Infração. Alternativamente, pede a exclusão da multa aplicada nos termos do inciso I, do artigo 44, da Lei 9.430/96. Em seguida os autos forma distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. Ato contínuo, após o julgamento ter sido pautado, esta C. Turma Ordinária decidiu dar total provimento ao Recurso Voluntário, cancelando o Auto de Infração em epígrafe, registrando a ementa colacionada abaixo. Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI EXTINÇÃO DE PENALIDADE MULTA DE OFICIO ISOLADA LANÇADA EM DECORRÊNCIA DE PAGAMENTO A DESTEMPO, SEM MULTA DE MORA A partir da Lei n° 11.488, de 2007, cujo artigo 14 deu nova redação ao artigo 44 da Lei n°9.430, de 1996, revogouse a multa de oficio isolada que era exigível na hipótese de recolhimento de tributos em atraso sem o acréscimo da multa de mora. Portanto, as multas aplicadas com base nas regras anteriores devem ser adaptadas às novas determinações, conforme preceitua o art. 106, II, "a", do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10880.013306/200119 Acórdão n.º 1402002.440 S1C4T2 Fl. 299 6 Na seqüência, a Unidade de Execução Delegacia da Receita Federal da Ribeirão Preto, expediu r. despacho de fls.292, requerendo o retorno dos autos para o E. CARF/MF, para revisão do v. acórdão, eis que a Embargada tinha aderido, em 03/12/2009, ao programa de parcelamento previsto na Lei 11.941/2009, o qual foi consolidado em 29/06/2010 e a dívida relativa aos créditos exigidos no Auto de Infração, foi liquidada em 04/05/2012, conforme tabelas de fls. 279/291. Após o retorno dos autos ao E. CARF/MF, o D. Presidente desta C. 2 Turma Ordinária, acolheu o pedido do r. despacho e determinou a revisão do v. acórdão embargado pelo Colegiado. (fl. 293) É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10880.013306/200119 Acórdão n.º 1402002.440 S1C4T2 Fl. 300 7 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Inicialmente, conheço o r. despacho da DRF de Ribeirão Preto (fl. 292), como Embargos de Declaração à Execução do v. acórdão, nos termos do inciso V, do parágrafo primeiro, do artigo 65 do RICARF, abaixo colacionado: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no pr azo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. (Grifo nosso) Sendo assim, de acordo com o determinado no Regimento Interno do E. CARF/MF, o r. despacho de fl. 292, deve ser conhecido como Embargos à Execução do v. acórdão. Mérito: Omissão de fato superveniente: Inicialmente é importante ressaltar que, a informação de que a Embargada tinha aderido, em 03/12/2009, ao parcelamento previsto na Lei 11.941/2009, bem como, de que tinha liquidado o débito em 04/05/2012 (fls. 279/291), não constavam nos autos até a DRF de Ribeirão Preto ter embargado o v. acórdão, em 24/10/2016, impossibilitando qualquer análise em relação a tais fatos por esta C. Turma Ordinária em sede de Recurso Voluntário. Por obvio, também não existia nos autos qualquer informação de que a Embargada tinha desistido da lide, devido a condição imposta pela legislação para sua adesão ao programa de parcelamento. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10880.013306/200119 Acórdão n.º 1402002.440 S1C4T2 Fl. 301 8 Para facilitar o entendimento dos meus pares, descrevo de forma resumida os acontecimentos fáticos dos autos. 1 a Embargada interpôs Recurso Voluntário em 28/11/2005. 2 Aderiu ao programa de parcelamento em 03/12/2009. 3 Em 29/06/2010 foi consolidado o parcelamento. 4 A dívida foi liquidada em 04/05/2012, conforme tabelas de fls. 279/291. 5 O Recurso Voluntário foi posto para julgamento no dia 09/08/2016. 6 Em 24/10/2016, a DRF de Ribeirão Preto apresentou nos autos, r. despacho, informando a existência do parcelamento, com a conseqüente desistência e a liquidação do débito em 04/05/2012. Vejam D. Julgadores, apesar de tais fatos ocorreram antes do julgamento do Recurso Voluntário, só vieram aos autos após a formalização do v. acórdão embargado. A meu ver, tais fatos supervenientes, prejudicam o conhecimento e o julgamento do Recurso Voluntário, e se estivem anexos aos autos antes do julgamento do recurso, provavelmente o resultado do v. acórdão seria outro. Ocorre que não estavam nos autos, impedindo que os Julgadores desta C. Turma analisassem tais documentos. Assim, devido ao fato superveniente intimamente relacionado com a lide, que deveria constar nos autos deste processo antes do julgamento do Recurso Voluntário, entendo que os Embargos devem ser acolhidos, com efeitos infringentes. Este é o entendimento do C. Superior Tribunal de Justiça, que já analisou está matéria em caso análogo, conforme Recurso Especial n.º 1.071.891, onde restou consignado o entendimento de que o fato superveniente pode ser julgado até o ultimo momento da análise do mérito, inclusive em sede de Embargos de Declaração. Além da jurisprudência acima indicada, o artigo 462 do antigo CPC, com redação mantida pelo artigo 493 do CPC/2015, prescreve em seu texto que o julgador pode tomar conhecimento do fato superveniente que deveria constar nos autos do processo e que possa alterar o julgamento da lide, até o ultimo momento em que se pode analisar o mérito. Transportando tal entendimento para o processo administrativo tributário federal, se analisarmos o caput do artigo 65 do RICARF, está previsto em seu texto que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar se a turma.(grifo nosso) No presente caso, apesar de a informação não constar nos autos no momento do julgamento do Recurso Voluntário, o que ensejou na omissão do v. acórdão, esta C. Turma Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10880.013306/200119 Acórdão n.º 1402002.440 S1C4T2 Fl. 302 9 deveria ter se pronunciado sobre a adesão do parcelamento, da desistência e da liquidação do débito exigido no Auto de Infração, pois tais pontos alteram substancialmente o julgamento da lide. Como o Colegiado não pode se manifestar no julgamento do Recurso Voluntário, pois não existia nos autos informação de tais fatos supervenientes; deve pronunciarse agora, em sede de Embargos de Declaração, quando tomou conhecimento de que a Embargada tinha aderido ao programa de parcelamento. Desta forma, devido a omissão dos fatos supervenientes acima apontada, não resta alternativa, senão acolher os Embargos com efeitos infringentes, para alterar o v. acórdão anteriormente proferido por esta C. Turma, para não conhecer/admitir o Recurso Voluntário, devido a sua desistência nos termos do programa de parcelamento, bem como, a informação da DRF de Ribeirão Preto de que o débito foi totalmente liquidado em 04/05/2012. Por fim, por tudo que consta processado nos autos, conheço dos Embargos à Execução opostos pela Unidade de Origem e concedo efeitos infringentes, para alterar o v. acórdão embargado e deixar de conhecer o Recurso Voluntário, devido a desistência da lide e a quitação integral do débito ora exigido por meio deste AI. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 322DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.907665/2009-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.986
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1° instância, para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1938; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 60 1 59 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.907665/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.986 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de abril de 2012 Matéria Restituição / Compensação Recorrente ES REFLORESTAMENTO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à Turma Julgadora de 1a. instância, para se pronunciar sobre a existência do direito crédito reivindicado no PERDCOMP e sobre a homologação das compensações pleiteadas, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 60DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0317.12132.2J40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório Trata o presente processo de PERDCOMP eletrônico (fls. 01/05), transmitido em 26/05/2008, pelo qual pretende a interessada a compensação de débito de estimativa de IRPJ de março/2007, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL apurada no mês de março de 2007 (recolhimento em abril/2007), no valor de R$ 20.667,04, baixado para tratamento manual neste processo. Pelo Despacho Decisório Eletrônico de fl. 06 a compensação pleiteada foi não homologada, ao fundamento de não haver crédito disponível para compensação pois o valor do indébito pleiteado já estaria alocado a outro débito. Na impugnação apresentada (fls. 08/10) a interessada alegou, entre outros aspectos: A empresa recolheu o IRPJ e a Contribuição Social, estimado durante o ano de 2007, quando da elaboração do Balanço Patrimonial encerrado em 31.12.2007, apurouse Contribuição Social e IRPJ a recolher, a Contribuição Social a pagar, foi totalmente compensada restando ainda valor pago a maior a compensar; o IRPJ foi compensado parcialmente, restando o valor a Recolher de R$ 208.869,95 até 31.03.2008, valor este, que foi compensado conforme PER/DCOMP apresentado em 26/05/2008 no valor de R$ 20.667,04, alterando o pagamento por estimativa no exercício de 2007. Apreciando o litígio a DRJ em Juiz de Fora/MG indeferiu o pleito ao argumento de que o art. 10 da IN SRF 600/2005 determina que os recolhimentos indevidos ou a maior de estimativa de IRPJ ou de CSLL somente podem ser utilizados ao final do período de apuração como dedução do devido a título de imposto ou contribuição, ou para composição do saldo negativo porventura apurado (fls. 35/37). Cientificada, em 23/09/2011, do acórdão, apresentou a interessada, em 24/10/2011, o recurso voluntário de fls., no qual, após tecer considerações a respeito da legislação que rege o assunto, observa que a não homologação da compensação com fundamento no art. 10 da IN SRF 600/2005, por ser ato infralegal, fere o princípio da legalidade. No mérito alega que houve erro no preenchimento do PERDCOMP na indicação do tipo de crédito. Afirma ter efetuado o recolhimento de estimativas mensais de CSLL no ano de 2007 no total de R$ 248.572,93 e que de acordo com a Ficha 17 da respectiva DIPJ, depois de deduzidos os valores pagos por estimativa mensal, teria permanecido com um saldo total de R$ 230.180,88 de CSLL a compensar, de modo que haveria crédito suficiente para a homologação da compensação. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0317.12132.2J40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.907665/200911 Acórdão n.º 180100.986 S1TE01 Fl. 61 3 Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A primeira questão que se coloca para análise nestes autos referese à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL no curso do anocalendário gerando um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Tal questão já foi dirimida nesta Turma de julgamento, como se verifica da ementa do Acórdão 1801000.486, abaixo reproduzida, de relatoria desta mesma Conselheira: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Assim, nos termos do voto acolhido no Acórdão acima mencionado, se o contribuinte erra ao apurar e pagar a estimativa de IRPJ ou de CSLL de um determinado período não se vislumbra obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito, interpretação essa que, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Tudo dependerá da prova do erro. Fl. 62DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0317.12132.2J40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 No presente caso, a contribuinte afirma ter efetuado o recolhimento de estimativas mensais de CSLL no ano de 2007 no total de R$ 248.572,93 e que de acordo com a Ficha 17 da respectiva DIPJ, depois de deduzidos os valores pagos por estimativa mensal, teria permanecido com um saldo total de R$ 230.180,88 de CSLL a compensar. De fato, compulsandose os autos, verificase que na DIPJ do exercício 2007 Ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – foi deduzida, da CSLL apurada como devida, de R$ 158.995,22, estimativas mensais totais recolhidas no mesmo valor de R$ 158.995,22, o que não teria gerado qualquer valor a pagar ou a restituir de CSLL no ano calendário de 2007 (fls. 33/34). Contudo, à fl. 32, encontrase extrato do sistema de pagamentos SINAL 06, que demonstra que houve vários recolhimentos de estimativa de CSLL (código 2484), no decorrer do anocalendário 2007. Também na cópia do Livro Razão n º 05, apresentado pela interessada, e anexada à fl. 26, encontramse registrados recolhimentos de estimativas mensais de CSLL de janeiro a dezembro de 2007 e na cópia da DCTF à fl. 31, débitos de CSLL declarados e valores vinculados. Nos demais processos analisados constatouse a existência de pagamentos de estimativa em todos os meses do anocalendário, assim como declaração, em DCTF, dos valores dos débitos de estimativa apurados e respectivas vinculações, conforme quadro resumo a seguir: Mês Sinal DCTF Razão Débitos Créditos janeiro 14.863,25 14.863,25 14.863,25 14.863,25 fevereiro 32.708,33 32.708,33 32.708,33 32.708,33 março 20.667,04 20.667,04 20.667,04 20.667,04 abril 36.411,92 36.411,92 36.411,92 36.411,92 maio 21.144,27 21.144,27 21.144,27 21.144,27 junho 19.291,95 19.291,95 0,00 19.291,95 julho 22.663,85 22.663,85 22.663,85 22.663,85 agosto 10.121,00 10.121,00 10.121,00 10.121,00 setembro 23.223,50 23.223,50 23.223,50 23.223,50 outubro 24.304,82 24.304,82 24.304,82 24.304,82 novembro 23.173,00 23.173,00 23.173,00 23.173,00 dezembro 0,00 0,00 0,00 0,00 Totais 248.572,93 248.572,93 229.280,98 248.572,93 Assim, haveria um saldo negativo de CSLL ao final do anocalendário 2007, composto unicamente pelas antecipações a título de estimativas, que ultrapassarem o valor da CSLL apurada como devida. Verificase, pois, que existe a possibilidade de a contribuinte ter se equivocado no preenchimento do PERDCOMP, na indicação do tipo de crédito que pretende reaver. Entretanto, a autoridade julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade jurídica do pedido de indébito de estimativa, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. E isto porque, em verdade, o único fundamento da decisão foi a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados. Tal fundamento porém, não permite concluir pela integridade da formação do crédito, seja esse a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, seja a título de saldo negativo de CSLL. Assim, necessária a apreciação do mérito pela autoridade Fl. 63DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0317.12132.2J40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10675.907665/200911 Acórdão n.º 180100.986 S1TE01 Fl. 62 5 administrativa competente quanto aos demais requisitos para homologação da compensação, ainda que o indébito deva ser tratado como saldo negativo de CSLL. Isto porque, dada a grande quantidade de processos formados a partir de PERDCOMP apresentados pela interessada com a indicação de indébitos de estimativas de CSLL de todo o anocalendário 2007 conforme relação ao final do voto todos julgados da mesma forma pela autoridade julgadora de 1a. instância – DRJ – é necessária uma análise conjunta de todos e, se for o caso, da reunião dos processos em único, para melhor controle da administração tributária. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação pleiteada por ausência de análise do mérito pela autoridade julgadora da DRJ em Juiz de Fora/MG, com o conseqüente retorno dos autos àquela autoridade, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, bem quanto à homologação ou não das compensações, observandose, se for o caso, a necessidade de reunião dos processos. Relação de Processos PERDCOM CSLL – anocalendário 2007: 10675.907659/200956 10675.907660/200981 10675.907661/200925 10675.907662/200970 10675.907663/200914 10675.907664/200969 10675.907665/200911 10675.907666/200958 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 64DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0317.12132.2J40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Fl. 65DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP15.0317.12132.2J40. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARIA DE LOURDES RAMIREZ em 12/04/2012 16:11:27. Documento autenticado digitalmente por MARIA DE LOURDES RAMIREZ em 12/04/2012. Documento assinado digitalmente por: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH em 17/04/2012 e MARIA DE LOURDES RAMIREZ em 12/04/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA DE FATIMA ALVES DE ALBUQUERQUE em 15/03/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP15.0317.12132.2J40 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10675.907665/2009-11. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10167.001233/2007-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
RECURSO DE OFÍCIO. RETIFICAÇÃO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL.
A retificação de uma Notificação de Lançamento para transferir para outro DEBCAD valores lançados não configura exoneração de crédito tributário a ensejar a propositura de Recurso de Ofício.
Numero da decisão: 2201-003.482
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso de ofício.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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RETIFICAÇÃO DE NOTIFICAÇÃO FISCAL. A retificação de uma Notificação de Lançamento para transferir para outro DEBCAD valores lançados não configura exoneração de crédito tributário a ensejar a propositura de Recurso de Ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 30/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, DEBCAD 35.546.347-4, referente às contribuições sociais patronais, destinadas à Seguridade Social. A C Ó R D Ã O G E R A D O N O P G D -C A R F PR O C E SS O 1 01 67 .0 01 23 3/ 20 07 -6 5 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária março de 2017 março de 2017 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL MUNICIPIO DE SERRANÓPOLIS MUNICIPIO DE SERRANÓPOLIS AA Fl. 498DF CARF MF 2 Os valores lançados decorrem das diferenças apuradas sobre as remunerações pagas a Agentes Políticos (Levantamento APG), autônomos da Câmara e Prefeitura (Levantamento FAG) e de servidores da Câmara (Levantamento FPC), no período de janeiro/199 a dezembro de 2002. Ciente do lançamento em 25 de julho de 2003, o contribuinte formalizou a Impugnação de fl. 127/131, na qual apresentou as seguintes considerações: - que a Notificação não foi acompanhada do necessário Mandado de Procedimento fiscal; - que há decisão judicial que impede o INSS de exigir recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos agentes políticos da Prefeitura a partir de 5 de março de 2001; - que o Município, no ano de 2000, realizou parcelamento de todos os débitos fiscais relativos às contribuições previdenciárias não recolhidas ao INSS, razão pela qual entende que as competências anteriores não poderiam ser constituídas novamente. Em 31 de maio de 2004, os autos foram submetidos à Seção de Fiscalização para esclarecimento sobre a exclusão da Notificação em tela dos fator geradores inseridos no parcelamento, fl. 387. Em resposta, foi emitida a Informação Fiscal de fl. 389, atestando que os débitos lançados não estão inclusos no parcelamento. De tal Informação, foi dada ciência ao contribuinte, fl. 395. Em 10 de junho de 2005, os autos foram novamente encaminhados à Seção de Fiscalização, para retificação do débito com vista á exclusão dos valores relativos à Câmara Municipal, já que a Notificação em questão fora lavrada contra o Município de Serranópolis - Prefeitura Municipal, tudo em respeito ao teor da IN INSS/DC nº 65/2002, fl. 397. Em 14 de setembro de 2006, foi emitida a Informação Fiscal de fl. 401/403, na qual se verifica a retificação da NFLD controlada no presente processo para exclusão dos valores lançados em nova Notificação Fiscal, nº 35.932.010-4, que recebeu todos os débitos objeto dos levantamentos PPG - Folha de Agentes Políticos e PFC - Folha pgto Câmara Servidores e, ainda, parte dos débitos objeto do Levantamento FAG - Folha de Autônomos CAM/PREF. Do teor de tal Informação Fiscal, o contribuinte foi cientificado em 29 de setembro de 2006, fl. 413. Submetida ao Julgamento em 1ª Instância, em 5 de julho de 2007, a 7ª Turma da DRJ em Brasília/DF emitiu o Acórdão de fl. 417/425, cujas conclusões podem ser assim resumidas, as quais foram objeto de Recurso de Ofício: (...) A alegação preliminar de que o MPF-F não consta da NFLD não deve prosperar, uma vez que consta do presente processo, fls. 53, o Mandado de Procedimento Fiscal — F n. 09060378 devidamente assinado pelo contribuinte. (...), a NFLD foi baixada em diligencia fiscal para que fosse retirado o débito relativo à Câmara Municipal, e conforme Informação Fiscal os levantamentos APG — Folha de Agentes Politicos e FPC- Folha de Pagto Camara Servidores são relativos à Camara Municipal, devendo ambos os levantamentos serem excluídos do débito levantado em nome da Prefeitura Municipal. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10167.001233/2007-65 Acórdão n.º 2201-003.482 S2-C2T1 Fl. 499 3 Logo, a alegação do contribuinte de que os levantamentos oriundos da falta de recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos agentes políticos da Prefeitura e/ou da Câmara não podem ser cobrados perdeu relevância, uma vez que estão sendo excluídos os levantamentos APG E FPC, nesta decisão, conforme Discriminativo Analítico do Débito Retificado — DADR. (...) Não deve prosperar a alegação do contribuinte em relação aos parcelamentos efetuados pela Prefeitura no ano de 2000, uma vez que ficou devidamente provado no item 05 da Informação Fiscal que o parcelamento feito dos Lançamentos de Débitos Confessados tratam-se de créditos relativos aos servidores, não incluindo, então, os valores que estão sendo mantidos no presente débito em relação aos prestadores de serviço pessoas físicas (autônomos). Em relação ao levantamento "FAG — Folha de Autônomos CAM/PREF", conforme Informação Fiscal (198-201), refere-se aos pagamentos efetuados aos contribuintes individuais que prestaram serviços tanto a Câmara Municipal como a Prefeitura, sendo que está sendo excluído do presente débito os fatos geradores pertinentes a Câmara, conforme planilha retificadora (fls. 200 e 201). A retificação do débito pode ser verificada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado — DADR. Submetido ao Colegiado de 2ª Instância, o julgamento foi convertido em diligência para que o contribuinte fosse cientificado do Acórdão da DRJ, já que não havia nos autos evidência da efetivação de tal procedimento, fl. 472/474. Promovida a ciência, conforme fl. 477/478, os autos retornaram a este Conselho para prosseguimento. É o relatório Necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Como se observa no relatório acima, o contribuinte não apresentou qualquer manifestação em relação à Decisão da DRJ, razão pela qual versa o presente exclusivamente sobre o julgamento do Recurso de Ofício. O teor da Decisão de Primeira Instância não evidencia exoneração efetiva de quaisquer débitos lançados, mas tão só a exclusão de débitos da NFLD ora em discussão com vistas ao atendimento aos termos do art. 14 da IN INSS/DC nº 65/2002: Art. 14. Os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos no Cadastro Nacional da Pessoa jurídica (CNPJ) da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, quando a Auditoria-Fiscal se desenvolver nos órgãos públicos Fl. 500DF CARF MF 4 da administração direta (ministérios, assembléias legislativas, câmaras municipais, secretarias, órgãos do Poder Judiciário, etc), sendo obrigatória a lavratura de notificação fiscal distinta para cada órgão. Parágrafo único. No campo do documento da notificação fiscal destinado à identificação do sujeito passivo sob ação fiscal, deverá ser consignado o nome da União, do estado, do Distrito Federal ou do município, seguido da designação do órgão notificado. Os débitos excluídos foram transferidos para a Notificação Fiscal nº 35.932.010-4, que recebeu todos os débitos objeto dos levantamentos PPG - Folha de Agentes Políticos e PFC - Folha pgto Câmara Servidores e, ainda, parte dos débitos objeto do Levantamento FAG - Folha de Autônomos CAM/PREF. Tudo conforme Informação Fiscal de fl. 401/403. Sobre o Recurso de Ofício, vejamos o que prevê o Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999: Art. 366. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil recorrerá de ofício sempre que a decisão: (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). I - declarar indevida contribuição ou outra importância apurada pela fiscalização; e (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). II - relevar ou atenuar multa aplicada por infração a dispositivos deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.224, de 2007). Grifou-se. Assim, o Recurso de Recurso em tela não apresenta condições de admissibilidade, pois decorre de excesso de zelo da Autoridade Julgadora, já que nenhum débito lançado foi considerado indevido pela Decisão recorrida. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício. Carlos Alberto Do Amaral Azeredo - Relator Fl. 501DF CARF MF
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