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Numero do processo: 13896.001807/2003-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário:1998
Ementa: MULTA DE MORA. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA QUE NÃO É OBJETO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO JULGAMENTO DO CRÉDITO ADMINISTRATIVO. A multa de mora não é objeto do lançamento, também não faz parte do litígio, porquanto não deve sobre ela se manifestar o órgão de julgamento.
Numero da decisão: 1401-000.764
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL provimento apenas para desconsiderar a referência feita à multa de mora pela DRJ, prejudicada as demais matérias do recurso.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998 Ementa: MULTA DE MORA. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA QUE NÃO É OBJETO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO JULGAMENTO DO CRÉDITO ADMINISTRATIVO. A multa de mora não é objeto do lançamento, também não faz parte do litígio, porquanto não deve sobre ela se manifestar o órgão de julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR PARCIAL provimento apenas para desconsiderar a referência feita à multa de mora pela DRJ, prejudicada as demais matérias do recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.001807/200325 Acórdão n.º 1401000.764 S1C4T1 Fl. 250 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0533.626, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, lavrado em 12/06/2003 (fls. 40) e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 02/07/2003 (fls. 161), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 101.890,70, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude de não confirmação do processo judicial indicado para fins de compensação do débito declarado sob código 2362 para o período de maio de 1998. Inconformado com a presente exigência fiscal, o contribuinte, por intermédio de seus advogados e procuradores, protocolizou a impugnação de fls. 01/25, em 28/07/2003, juntando os documentos de fls. 26/88 e apresentando, em sua defesa, as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas. Expõe que a impugnação versa tão somente sobre a não incidência de multa e juros de mora, não se confundindo com o objeto da medida judicial proposta em 28/04/1998. Argúi a ocorrência de decadência, dado o decurso do prazo de cinco anos previsto no § 4o do art. 150 do CTN. Defende a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a inaplicabilidade da multa e dos juros de mora, alegando que: a tributação ora debatida está sendo discutida nos autos do Mandado de Segurança n° 98.00165614, impetrado perante a Ia Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo, visando o afastamento da disposição do § 1º do artigo 41 da Lei n° 8.981/95, garantindo seu direito líquido e certo de realizar, nos períodos de 1997 e seguintes, a dedução dos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do artigo 151 do Código Tributário Nacional, pelo regime de competência, na base de cálculo do IRPJ; foi deferida liminar em 30 de abril de 1998, restando suspensa a exigibilidade ocasião em que já havia sido entregue a DIPJ do anocalendário de 2007 acompanhada do respectivo comprovante de recolhimento do imposto devido (doc. 07), resultado da aplicação da alíquota devida sobre a base de cálculo completa, sem as exclusões autorizadas pela decisão proferida; apresentada DIPJ retifícadora, com alteração do montante do imposto devido, foi gerado crédito advindo do recolhimento a maior efetuado na entrega a primeira DIPJ, crédito este utilizado para compensação quando da entrega da DCTF do 2° trimestre de 1998; encontrandose devidamente suspensa a exigibilidade do crédito tributário, não há que se falar em incidência de multa e juros de mora. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.001807/200325 Acórdão n.º 1401000.764 S1C4T1 Fl. 251 3 Reportase a certidão de objeto e pé (doc. 10) e invoca o art. 63 da Lei 9.430/96 para defender que a existência de liminar torna patente que a Impugnante não descumpriu qualquer dever jurídico, não lhe podendo ser imputada qualquer penalidade. Finaliza requerendo o conhecimento da impugnação, a decretação da decadência do direito de efetuar o presente lançamento, ou, se assim não entender, a desconstituição do crédito tributário exigido, notadamente no que concerne aos valores relativos à multa e aos juros de mora, com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração. Após intimar a empresa autuada (fls. 98 e 129) e noticiar a abertura de processo administrativo para acompanhamento do Mandado de Segurança alegado (fls. 154/155), a autoridade preparadora informou às fls. 158/159 o que segue: "O presente processo administrativo referese a uma impugnação referente ao lançamento do crédito tributário pelo auto de infração eletrônico n° 008353 (vide fls. 01/25) onde a requerente afirma que o tributo em questão estava sendo discutido nos autos do Mandado de Segurança n°98.00165614. Em observância ao declarado em DCTF (vide fl. 85) o valor ora debatido fora informado como compensado em função do processo judicial 98.00165614. O contribuinte apresentou DIRPJ retifícadora para o exercício de 1998 (vide fls. 93/94), onde houve alteração do valor informado no campo "OUTRAS ADIÇÕES" de R$ 1.235.462,67para R$ 1.095.379, o que reduziu o valor do IRPJ a pagar de R$ 1.626.7020,61 para R$ 1.594.891,85. Intimado a prestar informações sobre a alteração acima apontada (vide fl. 95), o contribuinte justificou que em razão de decisão judicial favorável, proferida nos autos do MS n° 98.00165614, a intimada apresentou DIPJ retifícadora para reduzir o saldo da Linha 14 da Ficha 07, referente a "Outras Adições " (vide fl. 136). Formalizado o processo administrativo n° 13603.001461/201032 para acompanhamento da ação judicial citada, há que se informar que em 30/04/1998 fora deferida liminar no Mandado de Segurança assegurando ao impetrante o direito de deduzir os tributos e contribuições, cuja exigibilidade estivesse suspensa nos termos dos incisos II e IV do art. 151 do CTN, pelo regime de competência na base de cálculo do IRPJ, para o períodobase de 1997 e seguintes (vide fl. 154). Posteriormente adveio sentença publicada em 10/01/2007, denegando a segurança, revogando então a liminar concedida (vide fl. 154). Atualmente a ação encontrase em recurso de Apelação distribuída à Sexta Turma do TRF em 19/12/2007 sob o n°2007.03.99.0514126 (vide fl. 156). Com a cassação da liminar, FIAT SERVIÇOS TÉCNICOS EM ADMINISTRAÇÃO LTDA. recolheu em 31/08/2007 o DARF referenciado ao presente processo administrativo, no valor total de RS 95.302,18 (vide fl. 151). Cumpre observar que o recolhimento fora efetivado sem multa, contrariando o disposto no § 2o do art. 63 da Lei 9.430/96, ou seja, o mencionado pagamento fora efetuado após trinta dias da publicação da sentença que caçara a liminar, restando um saldo a cobrar do contribuinte. Há que se atentar que o presente processo de impugnação ainda se encontra pendente de julgamento... Fl. 251DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.001807/200325 Acórdão n.º 1401000.764 S1C4T1 Fl. 252 4 Por meio do despacho de fls. 161, foi o processo encaminhado para julgamento. A DRJ, manteve em parte o lançamento, cancelando a multa de ofício em face da retroatividade benigna, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. DECADÊNCIA. Incabível discutir o prazo para formalização do lançamento, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. ESTIMATIVA DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO. PAGAMENTO APÓS O LANÇAMENTO. Diante do pagamento do valor principal lançado, inexiste litígio acerca desse valor a ser apreciado no âmbito do julgamento administrativo. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensação não comprovada, apurada em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. MULTA DE MORA. JUROS DE MORA. A indenização pelo atraso no cumprimento das obrigações tributárias submetese à gradação definida no art. 61 da Lei n° 9.430/96, e sujeita o contribuinte, concomitantemente, à multa e aos juros de mora. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.001807/200325 Acórdão n.º 1401000.764 S1C4T1 Fl. 253 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de auto de infração referente a débito de estimativa de IRPJ do período de maio/1998 declarado em DCTF como compensado por processo judicial, que foi lançado com acréscimo de multa de ofício e juros de mora. Entretanto, o valor principal exigido, de R$ 37.458,44, fora recolhido em 31/08/2007 (fls. 158/159 e fls. 152), após o lançamento, com acréscimo apenas de juros de mora. Assim, em face do pagamento, conforme já colocado pela DRJ: (...) restam prejudicados os argumentos relacionados ao valor principal (no sentido de que estaria sendo discutido judicialmente, tanto que a impugnação restringese à inaplicabilidade de multa e juros), impondose a sua manutenção, atentandose para a necessidade de, anteriormente à cobrança, proceder a alocação do pagamento. A DRJ, por sua, exonerou a multa de ofício não em face da suspensão da exigibilidade, mas, sim, por conta da superveniência de legislação que tornou inócua a presença da multa de ofício. Por outro lado comandou a alocação do pagamento ao débito lançado. Nesse contexto, ficam prejudicadas as demais questões de mérito, inclusive quanto à decadência. Não teria nada reparar em tese quanto ao Acórdão da DRJ recorrido quanto à incidência da multa de mora, uma vez que é automática nos casos de tributo pago em atraso. Porém, a multa de mora não é objeto de lançamento de ofício, mas paga espontaneamente ou imposta automaticamente no próprio procedimento executivo fiscal. Portanto, referida matéria não faz parte do litígio administrativo não devendo ter sido abarcada pela decisão de piso. Este tipo de crédito tributário só se sujeita à multa de mora quando de sua eventual liquidação/execução. Esse é inclusive o entendimento da CSRF através do Acórdão nº 9101 00.759, de 13 de dezembro de 2012: MULTA DE MORA. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA QUE NÃO É OBJETO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO JULGAMENTO DO CRÉDITO ADMINISTRATIVO. A multa de mora não é objeto do Fl. 253DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13896.001807/200325 Acórdão n.º 1401000.764 S1C4T1 Fl. 254 6 lançamento, também não faz parte do litígio, porquanto não deve sobre ela se manifestar o órgão de julgamento. Por todo o exposto, DOU provimento PARCIAL ao recurso, apenas para afastar manifestação da decisão de piso sobre a multa de mora, por não fazer parte do litígio, estando prejudicada as demais matérias em função do recolhimento efetuado com os acréscimos legais de juros selic. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 254DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.000671/2010-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Exercício: 2009
SÚMULA CARF Nº 2
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE.
O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.112
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2009 SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1550; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 75 1 74 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.000671/201075 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.112 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2012 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Recorrente INDEL INDUSTRIA ELETRONICA LTDA Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2009 SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 30/08/2012 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.000671/201075 Acórdão n.º 2102002.112 S2C1T2 Fl. 76 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 59 a 61: O auto de infração de fls. 0411, exige do contribuinte já identificado, R$ 24.265,25 de Imposto de Renda Retido na Fonte sobre trabalho assalariado, acrescido de multa de ofício à razão de 75% e juros de mora, relativo aos fatos geradores ocorridos em 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008 e 31/12/2008. 2. O lançamento está amparado nos artigos 620, 621, 624, 625, 626, 636, 637, 638, 641 e 646 do Decreto nº 3.000 de 1999, combinado com o disposto no artigo 1º da Lei nº 9.887, de 1999. 3. Os fatos que originaram a lavratura do auto de infração estão minuciosamente descritos no Termo de Verificação da Ação Fiscal de fls. 1216. Cientificado da exigência, em 02/03/2010 (fl.17), apresentou impugnação tempestiva ao feito, fls. 3541, onde inicialmente faz um histórico da autuação para, ao final, pedir a anulação da exigência. 4. Alega, em preliminar que o auto de infração é nulo, por ofensa aos princípios constitucionais e à legislação emanada da própria Receita Federal, em particular a Portaria nº 11.371, de 12/12/2007, que regula a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela RFB e que impõe que o auto de infração deve ser precedido do competente Mandado de Procedimento Fiscal MPF, a ser emitido por via eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, conforme disposto no art. 4º da referida Portaria. 5. Sustenta que no presente caso não ocorreu obediência a tal preceito, tendo o auto de infração sido lavrado sem ser precedido do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Transcreve manifestações jurisprudenciais sobre a necessidade da emissão daquele documento e afirma que sua situação não se enquadra em nenhuma das hipóteses elencadas no artigo 10 da Portaria nº 11.371/2007, razão pela qual o MPF se torna indispensável. Pede a nulidade do auto de infração. 6. Na seqüência, alega ofensa ao princípio constitucional da legalidade, posto que no seu entender a falta do MPF caracterizaria exemplo de ditadura fiscal e, ao princípio da segurança jurídica, uma vez que o contribuinte deve ser protegido contra intemperanças do poder público, o que justifica o pedido de anulação do auto de infração. 7. Ao final requer a nulidade do auto de infração: i) por ofensa ao princípio da legalidade; ii) por ofensa ao princípio da segurança jurídica e; iii) por ofensa ao art. 2º da Portaria RFB nº 11.371, de 1007. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação Fl. 93DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.000671/201075 Acórdão n.º 2102002.112 S2C1T2 Fl. 77 3 unânime, afastou as preliminares argüidas e no mérito julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Data do fato gerador: 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRRF. A falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte enseja o seu lançamento de ofício, com os devidos acréscimos legais pertinentes, multa de ofício e juros de mora. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008 MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REVISÃO DE DECLARAÇÃO. DESNECESSIDADE. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. AUSÊNCIA. Afastase a alegação de ofensa a princípios constitucionais posto que nos procedimentos de revisão interna de declarações dos contribuintes fica dispensada a emissão de MPF, conforme disposição expressa na Portaria nº 1.265, de 1999, que instituiu o referido veículo como controle da administração sem restrição à competência do auditor fiscal da RFB. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 66 a 72, repetiu os argumentos de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. MPF. DA MANIFESTA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Ocorre, contudo, que no presente caso não há obediência aos preceitos acima delineados. Em arrepio às normas que reqem a execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o Auto de Infração foi lavrado sem ser precedido de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); II. DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS VIOLADOS. a) O principio da legalidade, na medida em que há inobservância do estabelecido na Portaria n°. 11.371/2007. Verdadeiramente, na lei não se atribui à autoridade administrativa poderes para dispor de forma ampla e livre de quaisquer restrições. b) O principio da segurança jurídica (art. 50, inciso XXXVI, da CF) e III. DOS PEDIDOS. a) Anular o Auto de Infração n°. 10950.000671I201075, por ofensa ao principio da legalidade; b) Anular o Auto de Infração n°. 10950.000671/201075, por ofensa ao principio da segurança jurídica e c) Anular o Fl. 94DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.000671/201075 Acórdão n.º 2102002.112 S2C1T2 Fl. 78 4 Auto de Infração n°. 10950.000671/201075, por ofensa ao art. 2° da Portaria RFB n°. 11.371, de 12 de dezembro de 2007. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Limitouse o recorrente a repetir alegações de inconstitucionalidades e ilegalidades no procedimento administrativo fiscal. Em relação as inconstitucional ides, essa matéria não mais suscita dissídio jurisprudencial, tratada em súmula deste Conselho: SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não há como prosperar nesse julgamento as referidas alegações. MANDATO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) As demais alegações de ilegalidades são relativas ao Mandato de Procedimento Fiscal. O auto de infração teve origem em procedimentos de revisão interna de malha fiscal, portanto, dispensada a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal pelo artigo 11 da Portaria nº 3007, de 26 de novembro de 2001, in verbis: Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: (...) IV relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). (g.n) Oportuno ressaltar que, mesmo não sendo o caso da dispensa supra, a falta do MPF inicial não acarreta a nulidade do procedimento, mas tãosomente uma irregularidade administrativa. Neste sentido, filiome ao entendimento majoritário expressado em diversos acórdãos dos Conselhos de Contribuintes MPF – FALTA DE RENOVAÇÃO NO PRAZO REGULAMENTAR – NULIDADE – INOCORRÊNCIA – O desrespeito à renovação do MPF no prazo previsto na Portaria Fl. 95DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.000671/201075 Acórdão n.º 2102002.112 S2C1T2 Fl. 79 5 SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores. Recurso voluntário negado. (CSRF/0105.189, Sessão de 14/03/2005). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscal. EXIGÊNCIA FISCAL. FORMALIZAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem nos arts. 7º, 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. (ACÓRDÃO 20308483, Sessão de 16/10/2002) NULIDADE INOCORRÊNCIA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. (Acórdão 10808091, Sessão de 01/12/2004). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Port. SRF nº 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mão deobra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central. Não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7° do Lei n° 2.354/54 c/c o Dec.lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos artigos 950, 951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional. (Acórdão 10707756, Sessão de12/08/2004) Assim, o MPF é instrumento administrativo que não impede o lançamento e sua falta não o torna nulo. Dessa forma, não há como acatar a nulidade argüida. Verificase que a contribuinte contestou, contudo, não apresentou qualquer documento ou sequer indicou quaisquer valores que tenham sido transportados equivocadamente ou erros de cálculo. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a Fl. 96DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10950.000671/201075 Acórdão n.º 2102002.112 S2C1T2 Fl. 80 6 contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências autuadas. Concluo assim que a impugnante apresentou alegações acerca de vícios que estariam presentes na autuação, contudo, da análise dessas alegações, verificase que nada de concreto foi realmente apresentado ou comprovado. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 31/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 16403.000250/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Exercício: 2004
Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ALEGADO. PROVA. Ausente a demonstração inequívoca do direito de crédito alegado pelo Contribuinte em
declaração de compensação, impõe-se o indeferimento do pedido respectivo.
Recurso voluntário não provido.
Numero da decisão: 1102-000.728
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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CRÉDITO ALEGADO. PROVA. Ausente a demonstração inequívoca do direito de crédito alegado pelo Contribuinte em declaração de compensação, impõese o indeferimento do pedido respectivo. Recurso voluntário não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. EDITADO EM Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Plínio Rodrigues Lima e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Relatório Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 2 Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba – PR assim ementado, verbis: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF N° 600, DE 2005. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA AO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE CSLL. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF n° 600, de 2005, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de CSLL paga indevidamente ou a maior na dedução da contribuição devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE CSLL. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de CSLL como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP n° 22877.34474.110208.1.3.046337 (fls. 01 05), relativa à compensação do débito de Cofins (código de receita 2172) do mês de dezembro/2003, acrescido de multa e juros de mora, totalizando R$ 7.616,65, com utilização do direito creditório de R$ 4.760,11 oriundo do pagamento indevido ou a maior da estimativa de CSLL (código de receita 2484) do mês de novembro/2003, recolhimento este efetuado em 31/03/2004 (R$ 4.760,11). 2. A DRF/Ponta Grossa, por meio do Despacho Decisório n° 928/2009 (fls. 0910), proferido em 11/12/2009, não homologou a compensação declarada em 11/02/2008 em face da inexistência do direito creditório indicado, haja vista entender que o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poderia ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período, conforme previsto no art. 10 da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, que manteve a restrição anteriormente prevista na IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, art. 10. 3. Regularmente cientificada em 18/05/2010 (fl. 15), a reclamante apresentou, em 17/06/2010, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 1721, instruída com os documentos de fls. 2266, cujo teor é sintetizado a seguir: a) aduz que em 31/03/2004 recolheu indevidamente R$ 4.760,11 de estimativa de CSLL; que o pagamento indevido ocorreu em Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16403.000250/200993 Acórdão n.º 110200.728 S1C1T2 Fl. 2 3 face de o Departamento Financeiro da AFEPON, diante das guias emitidas por escritório de contabilidade externa, com base nas notas fiscais do período, ter efetuado mencionado pagamento; b) que o DARF foi recolhido indevidamente em face de não haver declarado débito algum em DCTF; que não apurou saldo negativo de CSLL na DIPJ 2004 e nem utilizou valores pagos por estimativa como dedução da contribuição devida; c) que tem direito à repetição do valor indevidamente recolhido e que a compensação requerida constitui a melhor forma de apurar e reaver este crédito; d) junta relatório de auditoria externa, demonstrando que durante a gestão anterior, no período de 2001/2004, ocorreram pagamentos indevidos à Receita Federal; e) requer a reforma da decisão de não homologação da declaração de compensação, com reconhecimento do direito à restituição do valor indevidamente recolhido, conforme arts. 165 do CTN e 876 do Código Civil, corrigido monetariamente consoante jurisprudência pacífica dos tribunais superiores. O acórdão acima ementado rejeitou a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, sob o fundamento de que: (i) não restou comprovada nos autos a existência do alegado pagamento indevido ou a maior, mediante apresentação dos balanços/balancetes de suspensão/redução levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário, mormente considerando que a reclamante informou que as estimativas de CSLL foram apuradas por escritório de contabilidade externa com base nas notas fiscais do período (com base na receita bruta); e (b) mesmo se assim não fosse, “a indicação dessa estimativa de CSLL como direito creditório configura descumprimento da regra constante do art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005, em vigor à dada da transmissão da declaração de compensação em análise, o que acaba por prejudicar o exercício desse direito, conforme disposto no art. 170 do CTN”. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas razões de impugnação, no sentido de que teria direito à restituição dos valores pretendidos, por intermédio de compensação, pois o DARF em referência teria sido recolhido indevidamente em face de não haver declarado débito algum em DCTF; não ter apurado saldo negativo de CSLL na DIPJ 2004 e nem ter utilizado valores pagos por estimativa como dedução da contribuição devida. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 4 O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Entendo que os valores recolhidos pelo contribuinte a título de antecipação (estimativa) de IRPJ e CSLL podem ser restituídos e compensados, mesmo dentro do respectivo anocalendário, desde que o sujeito passivo comprove cabalmente que os montantes recolhidos a esse título eram indevidos na data do respectivo recolhimento (v.g., quando o contribuinte faz prova de ter recolhido valores de estimativas acima dos montantes fixados em lei para tanto). Ausente tal comprovação, os valores em referência obrigatoriamente representarão mera antecipação do tributo devido ao final do anocalendário, sendo que eventual indébito (rectius: saldo negativo) apenas poderá ser apurado (compensado ou restituído) após o encerramento do respectivo anocalendário e entrega da declaração de ajuste pelo contribuinte. Citado entendimento foi acolhido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se depreende de ementa de acórdão abaixo transcrita, verbis: “RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a título de estimativa que supera o valor devido a título de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido do tributo.” (1a Turma da CSRF, Processo n. 14.033.000222/200572; Rel. Antonio Carlos Guidoni Filho, sessão de 30 de setembro de 2009) No caso, verificase dos autos que a Contribuinte declarou na Ficha 16 Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa (com base na receita bruta e acréscimos) da DIPJ 2004 (ND 0881654), apresentada em 29/06/2004 (fls. 7479), não ter apurado débito de estimativa de CSLL para o mês de competência novembro/2003. Contudo, na DCTF original do 4º trimestre/2003 (ND 0000.100.2004.51769975), apresentada em 13/02/2004, foi confessado débito de R$ 3.859,04 de estimativa de CSLL para esse mês (fl. 80), cujo valor foi retificado para zero em DCTFs retificadoras apresentadas em 24.09.2007 (ND 0000.100.2007.32145132, fls. 81) e em 05/03/2008 (ND 0000.100.2008.12392541, fls. 82). Como bem asseverado pelo acórdão recorrido, não há prova nos autos de que os valores recolhidos pela Contribuinte a título de estimativa eram indevidos na data do respectivo recolhimento, o que seria fundamental para o reconhecimento do alegado pagamento indevido ou a maior. Ao contrário, a Contribuinte informa ter débitos de (estimativa) de CSLL em períodos anteriores no próprio anocalendário de 2003 (cf. DIPJ/2004) e não trouxe aos autos provas de que tais valores tenham sido tempestivamente anteriormente quitados (como antecipação do tributo devido ao final do ano calendário), a fim de que os valores de estimativa recolhidos fossem efetivamente um indébito. Além disso, a Contribuinte confessou originariamente dever à Fazenda o valor que ora pretende ver restituído, não trazendo aos autos os elementos de prova indispensáveis para comprovar a correção da declaração retificadora por ela própria apresentada. O fato de a Contribuinte eventualmente não ter se utilizado de valores de estimativa na apuração do resultado respectivo, o que se admite apenas para fins de argumentação já que também não há prova cabal nesse sentido, não altera a natureza jurídica dos montantes recolhidos (estimativas) e não transforma o valor devido (na data do recolhimento) em indevido. Conforme determina a legislação vigente, ao final do ano calendário, a Contribuinte deveria (i) ter deduzido o montante recolhido a título de estimativas Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16403.000250/200993 Acórdão n.º 110200.728 S1C1T2 Fl. 3 5 do valor do tributo apurado definitivamente; e caso aquele (estimativas) excedesse a este (tributo devido), (ii) ter pleiteado a restituição/compensação do saldo (negativo) respectivo. Ao assim deixar de proceder a Contribuinte, impõese a rejeição de seu pleito de compensação. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso especial da Contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO
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Numero do processo: 10166.722307/2010-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2803-000.129
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor redator Helton Carlos Praia de Lima, para que os autos sejam encaminhados à 1ª turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, ou turma responsável, para julgamento em conjunto, com base no art. 9°, § 1°, do Decreto n° 70.235/72 e tendo em vista a competência de alçada decorrente do valor do crédito tributário objeto do processo n° 10166.016223/2008-15 (NFLD). Vencido Conselheiro Natanael Vieira dos Santos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor redator Helton Carlos Praia de Lima, para que os autos sejam encaminhados à 1ª turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, ou turma responsável, para julgamento em conjunto, com base no art. 9°, § 1°, do Decreto n° 70.235/72 e tendo em vista a competência de alçada decorrente do valor do crédito tributário objeto do processo n° 10166.016223/200815 (NFLD). Vencido Conselheiro Natanael Vieira dos Santos. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, André Luís Mársico Lombardi. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722307/201014 Resolução n.º 2803000.129 S2TE03 Fl. 343 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa ADLER – ASSESSORAMENTO EMPRESARIAL REPRESENTAÇÕES LTDA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte e manteve a penalidade por ter a empresa deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. 2. O presente auto de infração é referente a um lançamento substitutivo, uma vez que o auto de infração que consolidou o crédito constituído na NFLD n. 35.675.4189 ter sido anulado por vício formal, conforme narra o relatório fiscal, in verbis: “4. Os fatos que ensejaram esta atuação têm como base documentos já existentes no autodeinfração original anulado (AI DEBCAD no. 35.675.4189), lembrando ter ido este anulado por vício formal. 5. E esclarecemos que, conforme informação já constante no AI anulado, a empresa, no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002, apresentou GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, conforme apurado e demonstrado nas planilhas em anexo”. Ainda, constam do relatório fiscal da aplicação da multa (f.11): 3. Em relação às circunstancias agravantes da penalidade registrase que a empresa, objetivando, EM TESE, a sonegação de tributos e contribuições sociais, empregou, conforme detectado pela fiscalização anterior, métodos fraudulentos e dolosos, caracterizados pelos seguintes atos: • Calçar ou espelhar notas fiscais, isto é, emitir estes documentos consignando valores diferentes nas diversas vias, sendo o valor real da operação na via do destinatário e um valor inferior nas vias destinadas à contabilidade e ao fisco; • Omitir em folhas de pagamento e na contabilidade os lançamentos corretos da remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, mantendo controle paralelo (EM TESE, caixa dois), fato este comprovado pelos arquivos digitais constantes no HARD DISK (HD) apreendido pela Polícia Federal no inquérito policial SR/DPF/DF n. 04.560/2002. Observação; Cabe destacar que os fatos aqui alegados, inclusive os arquivos digitais mencionados, integram, como anexos a NFLD (COMPROT 10166016223200815 / DEBCAD 356754219). E para que seja possível um melhor entendimento de quais são os documentos existentes, em particular na NFLD citada, juntamos como anexo uma cópia do índice de documentos existentes naquela NFLD. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722307/201014 Resolução n.º 2803000.129 S2TE03 Fl. 344 3 3. A referida decisão de segunda instância proferida em 14/12/2005, pela então 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social considerou o débito nulo uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF estava vencido. 4. A fiscalização informou que na presente autuação foram efetuados lançamentos idênticos aos feitos na NFLD original. 5. Há relatos da fiscalização acerca de métodos fraudulentos e dolosos cometidos pela empresa, para “em tese”, sonegar tributos e contribuições sociais, como consta no relatório fiscal da aplicação da multa (f.12). 6. Diante da ciência do novo lançamento, a empresa apresentou impugnação tempestiva e ao julgar a peça impugnatória apresentada, o Colegiado de primeira instância considerou a impugnação improcedente, e por consequência manteve o crédito tributário em sua totalidade. A decisão a quo restou ementada nos termos que hora transcrevo: DEIXAR DE LANÇAR, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, FATOS GERADORES DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, constitui infração à legislação previdenciária.. Impugnação improcedente. Crédito Tributário Mantido”. (f. 327). 8. Após a intimação da referida decisão, irresignado o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, às ff. 335/340, no qual aduz em síntese: a) que existe conexão entre o presente Auto de Infração e os demais lavrados pelo fisco, e assim entende necessário que se promova a os atos administrativos necessários para a conjunta tramitação de todos os autos de infração; b) que a autuação é irregular, tendo em vista que as insinuações fiscais extraídas do contexto da NFL 4219 estão desprovidas de razoabilidade; c) não reconhece como legítimas as diversas conclusões fiscais atualmente em discussão na conexa NFLD; d) que a mensuração do saláriodecontribuição lançado na conexa NFLD fica prejudicada pela generalização do vinculado vínculo laboral e pelos critérios de aferição de que se valeu fisco previdenciário. 9. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722307/201014 Resolução n.º 2803000.129 S2TE03 Fl. 345 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. PRELIMINAR DE CONEXÃO 2. Considerando que foi apresentada preliminar de conexão de processos, manifesto meu voto contrário. Entendo que cada processo deve ser instruído com os documentos e fundamentos necessários à sua análise. 3. O artigo 9º, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, aplicável à época do lançamento, determina: “a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito”. 4. E o recente Decreto n.º 7.574, de 29 de setembro de 2011, manteve a necessidade de que cada processo (autos de infração ou notificações) seja instruído de maneira que possa ser analisados separadamente: “Art. 38. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, art. 25). §1º Os autos de infração ou as notificações de lançamento, em observância ao disposto no art. 25, deverão ser instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do fato motivador da exigência.” 5. A conexão é o fenômeno processual que determina a reunião de duas ou mais ações, para o julgamento em conjunto, a fim de evitar a existência de sentenças conflitantes. Em processo civil, consideramse conexas aquelas ações que possuem o mesmo objeto e a mesma causa de pedir. 6. É importante ressaltar que a conexão dos processos não implica necessariamente em vantagem para o contribuinte, pois ela somente irá garantir que as ações tenham o mesmo julgamento. 7. E os dados constantes dos processos devem ser suficientes para o deslinde da controvérsia, o que afasta a necessidade de apreciação conjunta com outros processos lavrados contra o mesmo sujeito passivo. 8. Tornase necessário, ainda, que seja observado o princípio da celeridade processual trazido pelo inciso LXXVIII, do artigo 5º, da Constituição Federal, o qual dispõe Fl. 345DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722307/201014 Resolução n.º 2803000.129 S2TE03 Fl. 346 5 que “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. 9. Assim, com base no referido princípio, devese buscar a solução dos conflitos suscitados no processo da forma mais breve possível, evitando, assim, as dilações indevidas. E como os processos já se encontram distribuídos à relatoria de diferentes conselheiros, a pausa em seus julgamentos para a redistribuição dos autos poderia acarretar em um atraso desnecessário. 10. Evidentemente que em alguns casos a conexão será necessária, por considerar fato importante para o deslinde da controvérsia constante em processo diverso, contudo, a análise será delimitada pelo julgador caso a caso. 11. Por fim, ressalto que, ainda que reconhecesse a conexão dos processos em comento, todos os processos já foram devidamente apensados e estão sendo julgados pelo mesmo Conselheiro, evitando decisões diversas, dessa forma foram cumpridas todas as exigências suscitadas pela empresa no recurso, restando prejudicada a preliminar. 12. Afasto, portanto, esta preliminar. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA 13. A recorrente faz negativa genérica da regularidade da presente autuação, sem apresentar prova de suas alegações em relação a valores pagos a educação e reembolso de despesas. Porém, o ônus da prova incumbe ao contribuinte que, em sua defesa, alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo da pretensão tributária, afastando desse modo, a infração e sua conseqüente penalidade conforme art. 16, II, do Decreto n. 70.235/72, c/c o art. 333, II do CPC. 14. Nesse sentido, é apropriada a conclusão de Fabiana Del Padre Tomé(A prova no Direito Tributário, 2008, p. 234): “Em processo tributário,(...) se o Fisco afirma que houve determinado fato jurídico, apresentando documento comprobatório, ao contribuinte cabe provar a inocorrência do alegado fato, apresentando outro documento, pois a negativa se resolve em uma ou mais afirmativas”. 15. E não basta apenas juntar um documento ou um conjunto de documento, ainda que volumoso. É preciso estabelecer uma relação entre os documentos e o fato que se pretende provar. Mais uma vez nos valemos das lições de Fabiana Del Padre Tomé(A prova no Direito Tributário, 2008, p. 179): “Isso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. È preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o fato probando.” 16. Assim, provar por meio de documentos não se encerra na apresentação destes, mas exige que estes sejam apresentados juntamente com uma argumentação que estabeleça uma relação de implicação entre os documentos e o fato que se pretende provar. A Fl. 346DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722307/201014 Resolução n.º 2803000.129 S2TE03 Fl. 347 6 simples juntada de documentos não produz prova, ou seja, não resulta no reconhecimento do fato que se pretende provar, o que também não foi feito pela recorrente. 17. Sem que a recorrente tenha se desincumbido do ônus de provar os fatos modificativos ou extintivos que alega, não há como acatar seus argumentos em relação a educação e reembolso de despesas, tornando oportuna a lembrança do brocardo jurídico allegatio et non probatio, quasi non allegatio , ou seja, alegar sem provar equivale a não alegar. A legislação de regência do Processo Administrativo Fiscal prevê que: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” 18. Cumpre ressaltar ainda que a recorrente questiona os critérios da aferição feita pela fiscalização. Todavia também não acosta aos autos nenhuma prova de que os valores aferidos estão errados, caberia ao recorrente no intuito de apontar erros na fiscalização, no mínimo, acostar cálculos dos valores corretos, coisa que também não o fez. 19. Da mesma forma vem decidindo este Conselho a respeito da matéria: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/05/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FOLHAS DE PAGAMENTO A inobservância da obrigação tributária acessória, mais especificamente, não apresentação de livros contábeis, é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. INCONSTITUCIONALIDADES DE EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES ARGUMENTOS NÃO RELACIONADOS COM A AUTUAÇÃO NÃO APRECIAÇÃO. A apreciação dos argumentos apontados pelo recorrente devem ficar restritos as alegações que possuem relação com os fatos que ensejaram a autuação. Recurso Voluntário Negado. 20. Diante disso, dada a falta de provas do recorrente e a ausência de impugnação específica da recorrente, de cada item a que julga ter direito, entendo que não lhe assiste razão nesse ponto. CONCLUSÃO 21. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e NEGARLHE PROVIMENTO mantendo o crédito tributário nos termos exarados pela fiscalização. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722307/201014 Resolução n.º 2803000.129 S2TE03 Fl. 348 7 É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator Fl. 348DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722307/201014 Resolução n.º 2803000.129 S2TE03 Fl. 349 8 Voto Vencedor Em que pese a plausibilidade da argumentação tecida pelo Relator em seu respeitável voto, manifestome pelo acatamento da preliminar de conexão de processos e o faço pelas razões que se seguem. Verificase da defesa apresentada pelo contribuinte e dos memoriais apresentados em sessão que, do procedimento fiscal que originou o presente Auto de Infração AI, também decorreu a lavratura de dois outros AI´s e de três Notificações Fiscais de Lançamentos de Débitos – NFLD´s, dentre as quais a referente ao debcad n° 35.675.4219 (processo n° 10166.016223/200815). Notese que a aludida NFLD foi lançada por aferição indireta da base de cálculo e que se encontra em diligência determinada pela 1ª turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF. Quanto aos AI´s, as autuações decorrem das seguintes condutas do contribuinte: 1 não inclusão em GFIP´s dos fatos geradores de contribuições previdenciárias (processo n° 10166.722302/01083); 2 – apresentação de GFIP’s com informação incorreta, em campo não relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias (processo n° 10166.722300/201094); e 3 deixar de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos (processo n° 10166.722307/201014). É preciso considerar que, além dos AI´s e a da referida NFLD terem sido lavrados no contexto de um mesmo procedimento fiscal, as condutas descritas nas autuações (AI´s) podem consubstanciar o próprio suporte ou fundamento fático do lançamento da obrigação principal (NFLD). Ademais, a análise do lançamento da obrigação principal pode influenciar decisavemente quanto ao valor e à própria procedência das autuações (AI´s), de sorte que entendo ser forçoso o julgamento em conjunto dos três AI´s e da NFLD referida. Como se vê, há íntima relação entre a autuação em comento, os outros dois Autos de Infração (AI´s) e o lançamento referente à obrigação principal (NFLD debcad n° 35.675.4219), não havendo, assim, como se analisar, com segurança, o recurso relativo à autuação de que tratam os presentes autos sem o julgamento em conjunto de todos os lançamentos. Os outros dois AI´s também estão sendo objeto de voto à parte, pelas mesmas razões aqui expostas. CONCLUSÃO Portanto, voto em converter o julgamento em diligência para que os autos sejam encaminhados à 1ª turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF para julgamento em conjunto, com base no art. 9°, § 1°, do Decreto n° 70.235/72 e tendo em vista a competência de alçada decorrente do valor do crédito tributário objeto do processo n° 10166.016223/200815 (NFLD). É como voto. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Conselheiro Fl. 349DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000147/2006-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Exercício: 2002
Ementa: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM
CAUSA. É ilegítima a incidência de IRRFonte, sob acusação fiscal de
“pagamento sem causa” (Lei n. 9.430/96, art. 61), na hipótese em que resta comprovado que os recursos utilizados pela Contribuinte para tal pagamento jamais lhe pertenceram de fato.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1102-000.643
Decisão: ACORDAM os membros da 2a Turma Ordinária da Primeira Câmara da
Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, vencida a Conselheira Elisa Bruzzi Boechat que dava provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2002 Ementa: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. É ilegítima a incidência de IRRFonte, sob acusação fiscal de “pagamento sem causa” (Lei n. 9.430/96, art. 61), na hipótese em que resta comprovado que os recursos utilizados pela Contribuinte para tal pagamento jamais lhe pertenceram de fato. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2a Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, vencida a Conselheira Elisa Bruzzi Boechat que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente à época do julgamento), Gilberto Baptista, Antonio Carlos Guidoni Filho, Leonardo de Andrade Couto, Maria Elisa Bruzzi Boechat. Ausente o Conselheiro Gleydson Kleber Lopes de Oliveira. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso de ofício de interesse de VV EDITORA LTDA. interposto em face de acórdão proferido pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO DE CAMPINAS SP, assim ementado: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001 Decadência. Imposto sobre a Renda Retido na Fonte. Pagamentos a Beneficiário não Identificado ou sem Causa. Nas hipóteses de incidência de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa não se sustenta a aplicação do prazo decadencial do §4º do art. 150 do CTN, visto que a lei não atribuiu ao sujeito passivo o dever de apurar e pagar o IRRF devido, antes de qualquer procedimento de ofício, mas, pelo contrário, atribuiu ao Fisco o dever de efetuar o lançamento de ofício, quando apurada qualquer daquelas hipóteses de incidência descritas na norma jurídica. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Data do fato gerador: 03/08/2001 Pagamento a Beneficiário não Identificado ou sem Causa. Sujeição Passiva. Desvio de Recursos. Comprovado que se trata de recursos desviados do patrimônio de instituição financeira, por fraude perpetrada por seus dirigentes, que são os responsáveis também pela constituição das “empresas” de fachada, beneficiárias dos pagamentos, configurase indevido o lançamento de IRRF por pagamento sem causa contra cliente do banco. Nos termos da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, os clientes da instituição financeira eram utilizados como meros intermediários nas comprovadas operações de desvio fraudulento de recursos em favor de “empresas” não financeiras, inexistentes de fato, constituídas e controladas indiretamente pelos próprios dirigentes do banco. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Omissão de Receitas. Depósito Bancário. Falta de Comprovação da Origem. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, Fl. 551DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 3 3 mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recomposição da Base de Cálculo. Em face da apuração de prejuízo Fiscal no período fiscalizado, impõese a recomposição da base de cálculo do IRPJ. Compensação de Prejuízos Fiscais. A compensação de prejuízos fiscais de períodos anteriores, observado o limite máximo de trinta por cento do lucro líquido ajustado, somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para compensação. Multa agravada. Falta de Atendimento à Intimação. Caracterizada a falta de atendimento às intimações, sem qualquer justificativa oportunamente apresentada, procedente a imputação da multa agravada. Lançamento procedente em parte.” O caso foi assim relatado pela Delegacia Regional de Julgamentos recorrida, verbis: “Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas –IRPJ, do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, e das Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS e o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, lavrados em 17/07/2006, que constituíram o crédito tributário no montante de R$ 9.458.072,07, incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo em conta a apuração, no anocalendário de 2001, das seguintes irregularidades descritas no Termo de Verificação e Constatação de fls. 120/129, parte integrante da peça acusatória: No exercício das funções de AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL, em conformidade com o disposto nos artigos 904, 907, 911, 926, 927 e 928, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/99, em cumprimento ao RPF nº 2005000870 (Operação 91231 Movimentação Financeira incompatível com Receita Declarada P3 e Operação 50151 IRRF Pagamentos a Beneficiários não Identificados/Sem Causa ou por Operação não Comprovada) junto ao contribuinte em epígrafe, CONSTATEI as irregularidades na apuração do IRPJ abaixo discriminadas, as quais determinam a constituição de crédito tributário através do competente Auto de Infração, a saber: Pagamentos a Beneficiários Não Identificados/Sem Causa ou por Operação Não Comprovada Fl. 552DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 4 4 Movimentação Financeira Incompatível com Receita Declarada A DOS FATOS O contribuinte tomou ciência do Mandado de Procedimento FiscalFiscalização e do Termo de Início de Fiscalização em 21/03/2005. Pelo Termo de Início de Fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar, referente ao anocalendário 2.001: ∙ Livro Diário; ∙ Livro Razão; ∙ Extratos Bancários; ∙ Contrato Social, e alterações posteriores; ∙ Documentos bancários, que comprovam a movimentação bancária. O contribuinte apresentou todos os documentos, com exceção dos Extratos Bancários, sendo então reintimado a fazêlo, conforme Termo de Reintimação Fiscal, enviado por via postal, com AR, de 10/05/2005 e novamente não fomos atendidos. Em face da não apresentação dos extratos bancários, emitimos o Termo de Embaraço à Ação Fiscal, entregue em 15/08/2005. Em seguida, solicitamos os extratos de contacorrente diretamente às instituições financeiras, a saber: ∙ Banco ABN AMRO Real S/A; ∙ Santos S/A. De posse dos extratos bancários, constatamos a existência dos seguintes lançamentos: BANCO SANTOS S/A 02/08/2001 Liberação de empréstimo R$ 5.019.649,34 03/08/2001 DOC "D" remetido R$ 5.019.649,34 BANCO ABN AMRO REAL S/A 03/08/2001 DOC D recebido R$ 5.019.649,34 03/08/2001 Cheque compensadoR$ 5.000.000,00 20/11/2001 DOC recebido R$ 1.349.360,00 Verbalmente, o representante legal da empresa informou que o cheque, no valor de R$ 5.000.000,00, tratavase de aplicação financeira feita junto à empresa Quality Negócios e Participações Ltda. (CNPJ nº 04.149.804/000108). Fl. 553DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 5 5 Em 06/12/2005, o contribuinte foi intimado a comprovar com documentação hábil a natureza do gasto efetuado com a empresa Quality Negócios e Participações Ltda. Em resposta foi esclarecido que: “o produto adquirido da empresa QUALITY NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., no valor de R$ 5.000.000, 00 (cinco milhões de reais) foi uma cessão de crédito de exportação, conforme instrumento particular de contrato de cessão de crédito de exportação datado de 02 de agosto de 2001, em anexo”. Em 21/12/2005, intimamos o contribuinte a apresentar: 1Comprovante do Contrato de Empréstimo com o Banco Santos S/A; 2Comprovante da transferência do numerário através TED do Banco Santos S/A para o Banco Real S/A; 3Comprovante do pagamento feito à firma QUALITY, conforme instrumento particular; 4Comprovante do pagamento ou autorização de débito feito ao Banco Santos S/A por empréstimo; 5Informar por escrito e comprovar mediante documento idôneo a origem do DOC recebido no Banco Real S/A no valor de R$ 1.349.360,00, em 20/11/2001. Como resposta, o contribuinte apresentou: ∙ cópia do Contrato de Mútuo celebrado com o Banco Santos S/A; ∙ cópia da carta ao Banco Santos S/A, solicitando a transferência, por meio de DOC, no valor de R$ 5.019.649,34, da conta corrente nº 104333, para o Banco Real, contacorrente nº 17095916 (agência 0544); ∙ cópia do cheque emitido pela fiscalizada em favor da firma QUALITY; ∙ cópia de carta em que a fiscalizada entrega, em caução, ao Banco Santos S/A, a totalidade das aplicações em EXPORT NOTE que possuía junto a empresa Quality Negócios e Participações Ltda; ∙ cópia de “Relatório de DOCS recebidos”, no valor de R$ 1.349.360,00, emitido pelo Banco Real. Nesta oportunidade, o contribuinte informou que a transferência através do DOC nº 040935, no valor de R$ 1.349.360,00 (hum milhão, trezentos e quarenta e nove mil, trezentos e sessenta reais) era do Banco Santos para o Banco Real. B Do Direito Fl. 554DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 6 6 Da análise dos documentos apresentados podemos constatar o que se segue: Preliminarmente, houve a liberação, pelo Banco Santos S/A, de um empréstimo no valor de R$ 5.019.649,34. Esta mesma quantia foi transferida, no dia seguinte, para o Banco Real. Também na mesma data, foi emitido um cheque, no valor de R$ 5.000.000,00, a favor da empresa Quality para a aquisição de crédito de exportação, conforme Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Crédito de Exportação, celebrado em 02/08/2001. Neste momento, cabe esclarecer que o Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia contra o excontrolador do Banco Santos S/A, Sr. Edemar Cid Ferreira e outros 18 ex dirigentes da mesma instituição, pela prática de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e gestão fraudulenta, que foi aceita pelo juiz Sr. Fausto de Sanctis da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Por esta denúncia (doc. fls. 118 a 124), fruto de investigações e depoimentos dos envolvidos, fica claro que o Banco Santos vinculava a concessão de financiamentos e empréstimos a outras operações que o empresário deveria, necessariamente, realizar com o banco. Essas práticas são usualmente denominadas de operações recíprocas, operações mútuas ou operações casadas e configuram ilícitos administrativos, civis e penais. Os empresários eram atraídos por menores taxas de juros ou melhores condições de pagamento em relação às normalmente encontradas no mercado financeiro. As operações casadas propiciavam rendimentos que acabariam por pagar por si só o custo do investimento principal, garantindo com isso a anuência dos cl ientes que acabavam por se beneficiar com a operação, obtendo dinheiro a baixo custo ou a custo zero. A denúncia confirma a existência de um elevadíssimo número de casos de reciprocidade relativos às operações de repasse do BNDES, com exigência de aplicação de títulos de emissão de empresas não financeiras. A fim de tornar mais obscuras tais operações recíprocas, que supostamente deveriam ser realizadas com a própria instituição financeira, estas eram concretizadas com empresas estranhas à estrutura oficial do conglomerado financeiro, embora fossem apresentadas aos clientes como integrantes do “Grupo Banco Santos S/A”. Visando dificultar a vinculação das tais operações recíprocas ao Banco Santos S/A, criaramse várias empresas “de fachada”, também conhecidas como “paper companies” (companhias que Fl. 555DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 7 7 existem apenas no papel), entre elas a Quality Negócios e Participações Ltda. As pessoas cujos nomes aparecem nos contratos sociais das empresas “de fachada”, no caso da Quality, Sr. Joaquim Gomes de Almeida e Ângela Marcondes Barros, foram ouvidas e declararam que cederam seus nomes, a pedido de Edemar Cid Ferreira ou dos demais integrantes do comitê executivo informal do banco e que recebiam periodicamente para tanto. Como se observa, a fiscalizada recebeu um empréstimo no valor de R$ 5.019.649,34 do Banco Santos e no dia seguinte transferiu a mesma quantia para o Banco Real e, na mesma data, emitiu um cheque no valor de R$ 5.000.000,00 em favor da Quality. O Instrumento Particular de Contrato de Cessão de Crédito de Exportação celebrado entre a fiscalizada e a Quality, não se reveste das formalidades legais exigidas para serem considerados válidos juridicamente perante terceiros ou que assegurem a sua anterioridade, visto que não identifica os signatários quer da Quality, quer da fiscalizada, não estão registrados, além de não apresentarem a anuência dos verdadeiros titulares dos créditos de exportação (Sílex Trading S/A e o fabricante dos produtos a serem exportados pela Sílex) e que, por essa razão, poderia ser confeccionado a qualquer tempo. Por todo o acima exposto, concluímos que não foi comprovada a causa do pagamento, no valor de R$ 5.000.000,00, efetuado mediante a emissão do cheque nominal à empresa Quali ty, já considerada pelo MPF como sendo empresa “de fachada” e cujos documentos comprobatórios apresentados não se mostraram hábeis e idôneos, fato que configura pagamento sem causa , tipificado nos artigos 674 e 675 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n0 3.000, de 26/03/1999) RIR/99. No tocante ao DOC recebido no Banco Real, no valor de R$ 1.349.360,00, não restou esclarecido, pelos documentos acostados aos autos pelo contribuinte, a origem da quantia recebida, configurando depósito de origem não comprovada, com infração ao disposto nos artigos 287, 288 e 849 do RIR/99. C DA BASE DE CÁLCULO Os valores tributáveis no anocalendário de 2.001, montam as importâncias relacionadas abaixo: 1) Depósito de Origem não Comprovada Valor Tributável: R$ 1.349.360,00 2) Pagamento sem Causa, com base reajustada Valor: R$ 7.692.307,69(*) Fl. 556DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 8 8 (*) Rendimento Bruto Reajustado (RBR) RBR RT/(1X), onde: RT = Rendimento Tributável Original = R$ 5.000.000,00 X = Alíquota de 35% D ENCERRAMENTO Do que, para constar e surtir os efeitos legais, lavrei o presente termo em três vias de igual forma e teor, assinadas por mim, Auditor Fiscal da Receita Federal e pelo contribuinte ou seu representante legal, que neste ato recebe uma das vias. Cientificada do lançamento em 07/08/2006, a contribuinte, por intermédio de seu advogado e bastante procurador (Instrumento de Mandato de fls. 162), protocolizou a impugnação de fls. 155/161 (PIS), 186/199 (IRRF), 229/235 (Cofins), 260/266 (IRPJ) e 291/297 (CSLL), em 06/09/2006, alegando em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito. Contraditando a imputação de que a empresa teria recebido, em 20/11/2001, um depósito (na verdade DOC), no valor de R$ 1.349.360,00, sem origem comprovada, afirma a defesa que em 02/08/2001 teria efetuado com o Banco Santos um contrato de mútuo – fls. 71 dos autos, no valor de R$ 5.019.649,34, importância creditada em sua conta corrente na mesma data, conforme comprovado pelo extrato de fls. 89. Em 03/08/2001, conforme extratos de fls. 89 e 100, teria sido efetuado um DOC para o Banco Real no mesmo valor do empréstimo, remessa autorizada pela Impugnante, mediante carta de 02/08/2001 (fls. 75). Na mesma data, em 03/08/2001, a Impugnante teria emitido o cheque do Banco Real conta corrente nº 10.4333, no valor de R$ 5.000.000,00, conforme cópia de fls. 76/77 e extrato de fls. 100, para pagamento de aplicação em export notes junto a QUALITY NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., como comprovado pelo instrumento particular de cessão de crédito de exportação de fls. 65/66 e pelo próprio cheque de fls. 76/77, no qual consta no verso a anotação “Ref. Aplicação em Export Notes”. Tais títulos teriam sido dados como garantia do empréstimo celebrado com o Banco Santos, conforme carta de fls. 78. E explica: “Usando de autorização que foi concedida pela Impugnante através da carta anexa (doc 2) carta essa que foi efetuada sem data e recebida pelo Banco Santos através de seu gerente Eduardo de Souza, conforme assinatura de protocolo datada de 03/08/2001, em 19/11/2001, o Banco Santos promoveu o resgate das Export Notes, com valor de R$ 1.349.360,00 enviado através de DOC para o Banco Real, conforme extrato de fls. 103, e R$ 4.529.118,28 creditado na conta da Impugnante no Banco Santos, conforme extrato de fls. 89. A comprovação de que Fl. 557DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 9 9 aquela remessa foi mesmo efetuada pelo Banco Santos encontra se no documento de fls. 79, fornecido pelo Banco Real em atendimento à solicitação efetuada conforme carta de fls. 80, onde consta claramente os dados da remessa e o do Banco remetente, no caso Banco nº 702, ou seja, o Banco Santos”. Conclui que assim se encontraria claramente demonstrada a origem do DOC recebido em 20/11/2001, no valor de R$ 1.349.360,00, conforme extrato de fls. 103, não podendo prevalecer a presunção de omissão de receitas. No mérito, requer a improcedência do feito por não ter sido reconstituída a base de cálculo do IRPJ no anocalendário de 2001, haja vista que a contribuinte teria apurado prejuízo fiscal, e por não ter sido efetivada a compensação de prejuízos fiscais acumulados de períodos anteriores. Requer a juntada de demonstrativo do controle de prejuízos fiscais existentes nos cadastros da SRF. Protesta contra o agravamento da multa, em face da ocorrência de embaraço à fiscalização (termo de fls. 62), tendo em conta que a empresa teria apresentado toda a documentação exigida pelo Fisco, com exceção dos extratos bancários, porque deles não dispunha. Não caberia o agravamento da multa porque extrato bancário não seria documento contábil, definido como aquele que dá suporte ao lançamento contábil e corresponde a cada operação realizada, tais como, cheques, depósitos, empréstimos, etc. As mesmas razões de defesa são apresentadas contra os lançamentos de CSLL, Cofins e PIS. No que respeita ao lançamento de IRRF, além das razões acima expendidas contra o agravamento da penalidade, preliminarmente invoca a decadência do crédito tributário, nos termos do art. 150, §4º do CTN. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes no mesmo sentido. Contra a imputação de pagamento a beneficiário não identificado, em 03/08/2001, no valor de R$ 5.000.000,00, afirma estar perfeitamente identificada a QUALITY NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. (empresa inscrita no CNPJ sob nº 04.149.804/000108, estabelecida à Avenida Dom Pedro II, nº 125, sala 23, Barueri/SP), como beneficiária do pagamento. Reafirma novamente que o pagamento teria sido efetivado por conta de contrato de cessão de crédito de exportação, cf. doc. de fls. 65/66, com recursos obtidos mediante empréstimo no valor de R$ 5.019.649,34, obtido junto ao Banco Santos (contrato de mútuo de fls. 71/73). Afirma haver contradição na descrição dos fatos contida no lançamento e no termo de verificação e constatação: no primeiro, a exigência teria por fundamento a apuração de pagamento a beneficiário não identificado; no segundo, o fundamento seria a apuração de pagamento sem causa. No Fl. 558DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 10 10 entender da Impugnante tratarseiam de fatos distintos e inconfundíveis. Protesta contra o documento de fls. 113 a 119, utilizado para provar a existência irregular QUALITY, por falta de valor jurídico, na medida em que se trata de uma notícia extraída de páginas da internet da revista Consultor Jurídico, sem identificação de autoria. Em suas palavras: “Se o Fisco alega que o documento apresentado pela Impugnante não merece crédito por falta de identificação dos representantes legais das empresas que assinaram o documento, muito maior razão haverá para não se considerar o documento de fls. 113/119 para qualquer efeito, muito mais para se exigir o pagamento da absurda atuação constante destes autos”. Contesta também a afirmação de que “as pessoas cujos nomes aparecem nos contratos sociais das empresas ‘de fachada’, no caso da Quality, Sr. Joaquim Gomes de Almeida e Ângela Marcondes Barros, foram ouvidas e declararam que cederam seus nomes, a pedido de Edemar Cid Ferreira ou dos demais integrantes do comitê executivo informal do banco e que recebiam periodicamente para tanto”. Conforme comprovado pela Ficha Cadastral emitida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo – Jucesp (doc. 2), os Srs. Joaquim Gomes de Almeida e Ângela Marcondes Barros não integravam o quadro societário da Quality. Defende que a suposta denúncia contra o Sr. Edemar Cid Ferreira não se constituiria em prova de ser a Quality uma empresa de fachada, tendo em conta que sequer contra os indiciados haveria qualquer condenação. Nas palavras da defesa: “Uma empresa de negócios não precisa possuir existência física de forma que esta possa ser identificada. É uma situação diferente de um estabelecimento comercial ou industrial dos quais se exige que o comprador constate a sua efetiva existência antes de qualquer negociação. Já no caso de uma empresa de negócios isso não seria possível pois a mesma poderia estar instalada em um escritório sem qualquer identificação. De qualquer forma, não pode o Fisco alegar que a Quality não se encontra em situação regular uma vez que, nesta data (data da elaboração desta impugnação) sua si tuação perante a fiscalização é declarada como ativa” [destaques do original]. Remetese ao doc. 03, emitido a partir do sítio da Secretaria da Receita Federal – SRF e relativo à inscrição da Quality perante o CNPJ na situação ATIVA, contestando assim a imputação de pagamento a beneficiário não identificado. Diz que a Impugnante, assim como o Banco Central, não teria tido conhecimento, à época das operações, das irregularidades que estavam sendo cometidas pela diretoria do Banco Santos. E continua: Fl. 559DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 11 11 “Assim não pode o fisco pretender que a Impugnante soubesse à época da negociação da existência de situações tão secretas que a própria Receita Federal, por manter a inscrição no CNPJ da empresa em situação Ativa e o Banco Central, por possuir todos os meios de fiscalização, não lograram constatar”. Reputase vítima, tanto quanto outros prejudicados, das irregularidades cometidas pelos dirigentes do Banco Santos, e não culpada. Contesta a desconsideração do documento de fls. 65/66 por não identificar o nome dos signatários (representantes legais das partes), não estar registrado ou não apresentar anuência dos titulares do crédito. Para que o documento tenha valor jurídico não seria necessária a observância de tais requisitos. Reconhece que a sua inobservância poderia caracterizar indício de irregularidade, mas a prova da falsidade seria do Fisco, fato que não teria ocorrido. No entender da defesa, o registro contábil da operação seria suficiente para provar a sua existência. Não admite também a imputação fiscal de que o documento poderia ter sido elaborado a qualquer época, na medida em que existiria um vínculo entre aquele documento e o cheque de fls. 76/77, emitido e compensado à época, no qual já constava no verso a anotação: ‘ref. Aplicação em Export Notes’. Destaca também a desnecessidade de anuência das empresas exportadoras, pois a cessão poderia ter sido feita para a Quality em documento apartado. Requer o cancelamento das autuações. Em 1º de novembro de 2006, esta Turma converteu o julgamento do processo em diligência para que fossem juntados aos autos cópias da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, contra o Sr. Edemar Cid Ferreira e outros, junto à 6ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo/SP, assim como, dos elementos de prova constantes do processo judicial e que teriam amparado as conclusões do Ilmo. Representante do Ministério Público Federal de ser a Quality Negócios e Participações Ltda uma empresa de fachada ou inexistente de fato. Conforme Ofício nº 0013 da DRF Guarulhos de 16/01/2007 (fls. 348), foram solicitadas ao MPF cópias da denúncia e dos elementos de prova constantes da ação criminal em apreço. Em resposta datada de 02/03/2007, mediante Ofício nº 3966 (fls. 349), foram encaminhadas cópias da denúncia (fls. 350/393) e informado que o processo criminal já teria sido sentenciado com a condenação de seis réus.” No que interessa a esta instância recursal, entendeu o acórdão que não seria legítima a exigência de IRRF face à Contribuinte por alegado pagamento sem causa, visto que os recursos respectivos não teriam sido desviados de seu patrimônio, mas sim do patrimônio de instituição financeira (Banco Santos) em decorrência de fraude perpetrada por seus dirigentes, Fl. 560DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 12 12 que eram os responsáveis também pela constituição das “empresas” de fachada, beneficiárias dos pagamentos. Segundo o acórdão, “as disposições do art. 61 da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995, têm por escopo a tributação dos pagamentos, contabilizados ou não, efetuados a beneficiário não identificado ou sem causa, de forma a obstar justamente o desvio indevido de recursos do patrimônio da pessoa jurídica ou a utilização de recursos mantidos à margem da escrituração”. Em assim sendo, tratandose de recursos desviados do patrimônio do Banco Santos (apesar de o pagamento sem causa ter sido efetuado pela Interessada), haveria incorreta identificação do sujeito passivo de IRRF por pagamento sem causa. Quanto aos lançamentos de IRPJ e CSLL, o acórdão determinou apenas a recomposição das bases de cálculo dos citados tributos, no anocalendário de 2001, tendo em vista a apuração de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa para o mesmo período, ambos no valor de R$ 487.078,89, conforme DIPJ 2002 acostada a fls. 27/59. Em que pese tenha sido intimada por Edital (fls. 463) após o insucesso da intimação via postal (fls. 431/435 e fls. 465/466), a Interessada não interpôs recurso voluntário. Em exame ao citado recurso de ofício, a extinta Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão n. 10323.490, pelo qual (i) prejudicouo, na parte relacionada ao IRRFonte, ante o acolhimento da preliminar de decadência pela aplicação ao caso do art. 150, § 4o do CTN; e (ii) negoulhe provimento, na parte relativa à recomposição da base tributável de IRPJ e CSLL por força de prejuízos fiscais e bases negativas da Contribuinte relativas a períodos anteriores aos tributos lançados. Contra referido acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial para “reformar a decisão recorrida no ponto em que reconheceu a decadência do direito da Fazenda Nacional de lançar os valores referentes ao IRRF até 06 de agosto de 2001, determinandose o retorno dos autos à Câmara a quo para que seja apreciado o mérito da demanda no particular”. Em sessão de 14.12.2010, a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu acórdão, pelo qual, por maioria de votos de seus integrantes, deu provimento ao citado recurso especial para afastar a preliminar de decadência do IRRFonte, determinando se o retorno dos autos à Câmara a quo para apreciação da questão de mérito respectiva. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Relator O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Cingese a controvérsia em saber se é legítima a incidência de IRRFonte, sob acusação fiscal de “pagamento sem causa” (Lei n. 9.430/96, art. 61), na hipótese em que resta Fl. 561DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 13 13 comprovado que os recursos utilizados pela Contribuinte para tal pagamento jamais lhe pertenceram e por ela apenas transitaram para viabilizar prática de crime ao sistema financeiro nacional (transferência irregular de recursos do (e pelo) Banco Santos a empresa a ele ligada). Entendo que não. Conforme fortes correntes doutrinária e jurisprudencial contemporânea, incumbe à Fiscalização (e ao julgador administrativo, em última análise) identificar a substância econômica (rectius: conteúdo econômico) das sucessivas operações realizadas pelos contribuintes para, apenas partir desta, atribuirlhe os efeitos jurídicos (tributários) que lhe são próprios. Para fins tributários, a própria Fazenda Nacional defende veementemente a tese de que a análise dos fatos e relações entre particulares deve ser prioritariamente material (conteúdo) e contextual para identificação de suas conseqüências jurídicas; e não mais eminentemente formal e individualizada, tal como ocorria em passado recente. De fato, a Fazenda Nacional, assim como a própria jurisprudência atual desta Corte, não admite como válidos e regulares planejamentos tributários embasados em operações societárias sucessivas, sem substância econômica, ainda que o contribuinte atendesse ao rigor e publicidade das formas aplicáveis à espécie. Em sentido contrário, por coerência, pareceme inadequado considerar fatos ou operações realizadas pelo contribuinte apenas em seu sentido formal, desprezandose seu efetivo conteúdo, causas e finalidades, tal como ocorre no caso em apreço. No caso, conforme bem assinalado pelo acórdão recorrido, os recursos utilizados no pagamento que justificaram a tributação jamais integraram de fato o patrimônio da Contribuinte. Citados recursos sempre pertenceram (e, de fato, pertencem) ao Grupo Econômico do Banco Santos. Apesar de o repasse em referência ter sido efetuado formalmente pela Contribuinte, é certo que o propósito (conteúdo econômico) da operação jamais foi de “pagamento” de obrigação a empresa ligada ao Banco Santos, mas sim, exclusivamente, de instrumento para transferência de recursos do próprio Banco Santos a empresa de seu Grupo Econômico (o que é vedado por norma do sistema financeiro nacional). De fato, o Banco Central do Brasil apurouse ser prática comum no Banco Santos, condicionar a liberação dos recursos aos seus correntistas à realização de uma operação casada de reciprocidade, por meio da qual o cliente comprava um ativo em geral debêntures ou export notes emitidas por diversas empresas ligadas, formal ou informalmente, ao Grupo Santos – com recursos oferecidos pelo próprio banco. Vejase, sobre o tema, trecho do relatório da Comissão de Inquérito do Banco Central do Brasil, pelo qual se constatou que era reiterada e generalizada a prática de operações casadas pelo Banco Santos, verbis: “3.5. Empréstimos para Clientes com Exigência de Aplicações em Empresas Formal ou Informalmente Ligadas. 1. Pelo menos, desde o ano de 1998, os administradores do Banco Santos passaram a exigir de seus clientes ‘reciprocidades’, (conhecidas internamente como operações ‘M’), para a concessão de créditos, em quaisquer modalidades, inclusive empréstimos, contas garantidas, adiantamentos sobre contratos de câmbio e repasses de recursos do BNDES. A título de ‘reciprocidade’ grande parte dos recursos de operações de Fl. 562DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 14 14 crédito, teoricamente concedidas pelo Banco a seus clientes, era destinada para empresas ligadas, formal ou informalmente, aos exadministradores do Banco por meio de aplicações dos clientes em papéis daquelas empresas. Com a quebra do banco os clientes de tais operações assumiram claramente a condição de devedores do banco e de credores das empresas ligadas aos exadministradores do Banco. (...) 3. Apurouse ser prática comum no Banco Santos, condicionar a liberação dos recursos à realização de uma operação casada de reciprocidade, por meio da qual o cliente comprova um ativo em geral debêntures emitidas por diversas empresas ligadas, formal ou informalmente, ao Grupo Santos. Segundo definição interna da instituição (Fls. 12.272 12.282) a estratégia de usar terceiras empresas fora do Banco como principais receptoras das reciprocidades exigidas dos clientes traria vantagens como, por exemplo, uma execução mais fácil, além da não incidência de recolhimento de depósito compulsório (o que ocorreria se a reciprocidade exigida fosse a manutenção de saldos médios ou de aplicações no próprio Banco). (...) 5. Havia diversos casos em que a reciprocidade em determinada operação era de 100% em geral como condição para liberação ou manutenção de outras operações em condições favoráveis. Através dessas negociações, o Banco obtinha um incremento substancial de suas operações ativas e, em contrapartida, transferia recursos expressivos para as empresas pertencentes formal ou informalmente ao Controlador do Grupo Santos. (...)” (grifos nossos) Tal fato não passou despercebido pela Fiscalização e pelo acórdão recorrido, ao qual se pede vênia para transcrever o seguinte trecho, verbis: Quanto ao mérito da exigência de IRRF, é importante fazer remissão às cópias da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, em face de Edemar Cid Ferreira e outros, na qual consta a apuração dos seguintes fatos relevantes para a solução do presente litígio: "Ademais, tornando ainda mais obscuras e reprováveis, condutas já consideradas ilícitas, tais operações recíprocas que supostamente deveriam ser realizadas com a própria instituição financeira, eram, na verdade, concretizadas com empresas estranhas à estrutura oficial do conglomerado financeiro, embora fossem apresentadas aos clientes como integrantes do 'Grupo Banco Santos S.A. Assim visandose dificultar a vinculação de tais operações recíprocas ao Banco Santos S.A., criaramse várias empresas 'de fachada', também conhecidas como paper Fl. 563DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 15 15 companies (companhias que só existem no papel) nacionais, a saber: • • (...) • Quality Negócios e Participações Ltda. Os nomes dessas empresas aparecem na planilha intitulada "Garantias 'M' em Vigência" (fls. 127611290), na coluna "Tp.Aplic", ou seja, "Tipo de Aplicação". Essa planilha, encontrada após a intervenção nos computadores do Banco Santos S.A. e requisitada pelo Juízo ao interventor, mostra os percentuais de exigibilidade das operações recíprocas realizadas com centenas de clientes. Os elementos a seguir indicados demonstram porquê essas empresas eram apenas instrumentos criados para a perpetração de fraudes: a) A maioria das pessoas cujos nomes aparecem nos contratos sociais das empresas supracitadas foi ouvida. Elas declararam que cederam seus nomes a pedido de Edemar Cid Ferreira ou dos demais integrantes do comitê executivo informal do Banco. Não são, na realidade, `laranjas' na acepção restrita do termo, uma vez que eram pagos periodicamente para tanto. Nesse sentido são os depoimentos de Pedro Paulo Sena Madureira (fls. 849: procurador da Quality (...), Joaquim Gomes de Almeida e Angela Marcondes de Barros (fls. 2073 a 2075, respectivamente: sócias ou procuradores da Quality (...); b) Muitas das empresas estão sediadas em endereços que, embora existentes, correspondem aos denominados 'escritórios virtuais', salas de poucos metros quadrados 'ocupadas' por centenas de paper companies. Esses endereços, que correspondem as caixas postais das empresas off shore, estão localizados, em sua grande maioria, e provavelmente devido às menores alíquotas e tributos municipais, em Barueri, na Grande São Paulo. 0 relatório policial de fls. 1537/1549 trata, inclusive de maneira fotográfica, dos domicílios de algumas dessas empresas e de seus supostos sócios. No entanto, outras empresas, como a Naga, por exemplo, apresentam como domicílios, endereços de residências na periferia da cidade e, como tais, incompatíveis com suas supostas atividades, volume de operações e recursos movimentados. c) Muitas das empresas foram constituídas sob a orientação do mesmo advogado. ............................................................................................ Fl. 564DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 16 16 As empresas acima relacionadas foram utilizadas, então, na engenharia de diversos mecanismos de operações casadas, a seguir descritos: A. Operações com debentures Exigiase do cliente, como condição para a liberação dos recursos de um financiamento ou empréstimo, que parte dele fosse destinada a compra de debêntures emitidas por empresas nacionais que, como já se mencionou acima, eram apresentadas como integrantes do Grupo Banco Santos S.A. Assim depositado o valor correspondente ao financiamento concedido na conta do cliente, este imediatamente transferia o montante relativo a compra de debêntures para uma conta corrente indicada pelo Banco Santos S.A. e dava em penhor as debêntures adquiridas como garantia da operação realizada. Assim, como a compra de debêntures comportase como um empréstimo que o comprador do titulo faz à empresa emissora, na verdade, o Banco Santos S.A. estava repassando valores a empresas não financeiras que, na realidade, eram controladas por ele, utilizandose do cliente como intermediário na operação. .................................................................. B. Operações com export notes Indicavase ao cliente, como condição para a liberação dos recursos de um financiamento ou empréstimo, que parte dele fosse destinada à aquisição de export notes, também conhecidas como contratos de cessão de crédito de exportação das empresas (...), Oualitv, (...), entre outras. Assim, depositado o valor correspondente ao financiamento concedido na conta do cliente, este imediatamente transferia o montante relativo à aquisição de export notes para uma conta corrente indicada pelo Banco Santos S.A. Assim, a compra, consubstanciada na export notes, de direitos creditícios associados a uma futura operação de exportação, mostravase como outro mecanismo simulado destinado a desviar recursos da instituição financeira. Os valores correspondentes ao pagamento das supracitadas operações de compra de debentures, export notes ou CPRs, e depositados pelos clientes em contas indicadas pelos denunciados eram, em seguida, fragmentados e transferidos, utilizandose de transferências eletrônicas disponíveis — TEDs — para contas correntes de diversas pessoas físicas e jurídicas, pulverizandose o montante desviado. Tal fragmentação de valores pode ser observada na tabela elaborada pela comissão de inquérito do Banco Central cis fls. 1254/1257 dos autos. As fls. 2370/2377 dos autos principais, a comissão de inquérito instalada para apurar as atividades do Banco informou que Fl. 565DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 17 17 além das empresas destinatárias de tais recursos não apresentarem atividades econômicas que justificassem tais recebimentos, as respectivas transferências de valores eram realizadas por meio de inúmeras transações diárias para várias contas, abertas pelo mesmo destinatário em diferentes bancos, sugerindo ter havido estruturação de transferências para evitar que fossem identificadas como atípicas ou incompatíveis. ..................................................................................... As investigações demonstraram que várias das empresas que receberam tais créditos em suas contas correntes pertencem ou operam com doleiros ou empresas de factoring. ............................................................................................... É de se observar, ainda, como mais um indicio da simulação das operações de compra de créditos consubstanciados em debêntures, export notes e CPRs, que os valores relativos a CPMF debitados na conta do cliente por ocasião das transferências de recursos para as contas das empresas emitentes dos títulos eram posteriormente estornados, no sentido de não haver ônus adicional para o cliente do Banco. ....................................................................... B. Concessão de empréstimos de difícil liquidação Conforme descrito no procedimento administrativo do Banco Central n° Pt 0401260430, protocolado na Procuradoria da República em São Paulo sob n° 1.34.001.000733/200513 e que se encontra no apenso 28, os denunciados, entre janeiro e abril de 2004, concederam créditos no montante de R$ 282.999.000,00 (...), valor que correspondia, a época, a cerca de 49% (...) do patrimônio liquido da instituição financeira, a quatro empresas (Oualitv Negócios e Participações Ltda., Delta Serviços e Participações Ltda., Creditar Negócios e Participações Ltda. e Omega Serviços e Participações Ltda.) que investigações policiais posteriores constataram ser paper companies utilizadas pelos denunciados para a perpetração de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional, conforme se pode observar pelos elementos a seguir relacionados: a) Todas as empresas possuem (fls. 35/39, 125/131, 182/187 e 235/241 dos autos n° 28 em apenso) como sócios majoritários empresas off shore (Arletti Investimets Incorporated, Lessard Investing Corp., Bluecrown International Corp. e Omega Capital Management Inc.) sediadas em paraísos fiscais (respectivamente, llhas Virgens Britânicas, Panamá e Bahamas). b) (...) c) Todas as empresas estão sediadas em endereços que, embora existentes, correspondem aos denominados 'escritórios virtuais', salas de poucos metros quadrados 'ocupadas' por Fl. 566DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 18 18 centenas de paper companies, no mesmo edifício (Alameda Araguaia, 933 em Barueri). d) Os contratos sociais das quatro empresas foram elaborados mediante a assessoria jurídica da mesma advogada, a saber, Glória Maria C. M. C Porchat, que também participou da confecção do contrato social da Maremar Empreendimentos e Participações Ltda., empresa que, a principio, tinha como sócios Edenzar Cid Ferreira e seu sobrinho Ricardo Ferreira de Souza e Silva (fls. 15/23 do apenso n°80 — vol. I). e) Em janeiro de 2004 (fls. 10 dos autos em apenso), a Quality transferiu recursos para a Omeza. Por seu turno, em fevereiro de 2004, a Creditar transferiu recursos para a Delta e para a Quality, o que demonstra o relacionamento entre as empresas. f) (...) g) (...) h) A Quality apresenta, nos bancos de dados da Receita Federal, o telefone de contato 31713972, cujo titular do direito de uso era, a época, o Banco Santos S.A. Na tabela a seguir podese observar os nomes e CNPJs das empresas, os valores mutuados e as datas dos contratos: (...) Os recursos foram liberados através de contratos de limite de crédito/conta garantida (CCG), cédulas de crédito bancário (CCB) e contratos de mútuo tendo sido vários desses contratos assinados por Alvaro Zucheli Cabral (fls. 50/51, 53154, 61164, 76178, 138/140, 145/146, 148/149, 151/152, 193/195, 209/211, 215/217 e 245/247 dos autos n°29 em apenso). Como as supracitadas 'paper companies' foram criadas por determinação dos integrantes do comitê executivo da instituição, os créditos foram concedidos sem qualquer análise econômicofinanceira sendo, ademais, o risco de recuperação do crédito classificado nos níveis A e AA (fls. 256/258), somente atribuíveis a empresas de grande porte e financeiramente saudáveis. De maneira a iludir a autarquia, o público e os investidores em geral, os créditos foram comunicados à Central de Risco de Crédito do Banco Central (fls. 277/280) como tendo sido concedidos a empresa de porte e cujos respectivos CNPJs em nada se assemelhavam aos das reais mutuárias a saber: BRASKEM S.A. (CNPJ 42.150.391/000170), COSIPA (CNPJ 02.790.893/000141), CIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO (CNPJ 47.508.411/000156) e ODEBRECHT S.A. (CNPJ 15.105.588/000115), o que descarta a ocorrência de um reiterado e conveniente equivoco na transmissão das informações. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 19 19 Com essa falsa comunicação, evitavase a exigência do Banco Central no sentido de que houvesse provisionamento de recursos para fazer frente a inadimplência das empresas mutuárias. ................................................................ Assim, além de se operar desvios de recursos no montante de quase duzentos e oitenta e três milhões de reais, estes foram contabilizados e divulgados como ativos correspondentes a créditos de fácil liquidação, o que bem demonstra, mais uma vez, o comportamento ardiloso dos denunciados. ................................................................................................ 3. Do retorno ao Pais de parte do capital desviado Conforme relatório (fls. 2339/2363) elaborado pelo contador da Policia Federal baseado no relatório RCA11/1131D — Cambio Liquidado, fornecido pelo Sistema de informações do Banco Central — DEINF, temos, na tabela seguir, o resumo dos contratos de câmbio liquidados pelas empresas que compõem o 'Grupo Banco Santos': .............................................................................. Desta forma, parte dos valores desviados do Banco reingressaram no Pais para manter o fluxo financeiro e lastrear, através de operações simuladas, o balanço da instituição, realizar pagamentos de officers e diretores, pagar despesas estranhas ao objeto social da instituição financeira, como as relacionadas a própria manutenção da mansão de seu presidente, e realizar investimentos em imóveis e objetos de arte e decoração, completandose, assim, nessa fase de integração de capitais, o ciclo de lavagem de valores oriundos da gestão financeira da instituição financeira. Pelo acima exposto: 1. Os denunciados: a) ao se associarem em quadrilha para o fim de cometer crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e de lavagem de capitais, incorreram no art. 288 do Código Penal; b) Préajustados e com unidade de designios, ao gerirem fraudulentamente instituição financeira mediante os artifícios abaixo relacionados, incorreram no art. 4° caput da Lei n° 7.492/86 c/c art. 25 do mesmo diploma e art. 29 do Código Penal; b1) subordinar a concessão de crédito à realização de outra operação financeira, conduta tipificada no art. 5°, II da Lei 8.137/90; b2) manter e movimentar valor paralelamente a contabilidade exigida pela legislação, conduta tipificada no art. 11 da Lei n° 7.492/86; Fl. 568DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 20 20 b3) promover, sem autorização legal, a saída de moeda para o Exterior, conduta tipificada no art. 22, § único, primeira figura da Lei n° 7.492/86; b4) fazer inserir elemento falso em demonstrativo contábil, conduta tipificada no art. 10 da Lei n° 7.492/86; b5) manter em erro investidor relativamente à situação financeira, prestadolhe informação falsa, conduta tipificada no art. 6° da Lei n° 7.492/86; b6) deferir, utilizandose de clientes como intermediários em operações recíprocas, empréstimos a empresas cujos controles eram exercidos pela direção do banco, conduta tipificada no art. 17 da Lei n° 7.492186; b7) aplicar, em finalidade diversa da prevista em Lei, recursos provenientes do BNDES, conduta tipificada no art. 20 da Lei n° 7.492/86; c) Préajustados e com unidade de desígnios, ao dissimularem a origem e a propriedade de valores provenientes de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, utilizandose, entre outros mecanismos, da conversão de parte desses valores em ativos lícitos, a saber, imóveis e obras de arte, incorreram no art. 1°, VI e VII da Lei n° 9.613/98 c/c §4° do mesmo dispositivo e a Lei n°9.034/95". Pois bem, diante de tais evidências, ou bem se reconhece que os recursos em referência jamais pertenceram à Contribuinte (e, portanto, jamais poderiam ensejar a tributação de IRRFonte por “pagamento sem causa”, tal como reconhecido pelo acórdão recorrido); ou bem se reconhece que o pagamento em referência teve por causa a aquisição de export notes pela Contribuinte que poderiam lhe trazer resultados positivos, o que também, de per si, afastaria por completo a acusação de pagamento sem causa feita pela Fiscalização e, por conseguinte, o próprio lançamento tributário. O que não se pode admitir, no meu entender, é destacar de toda esta operação apenas uma de suas etapas, para, desprezandose todo o seu contexto, atribuirse efeitos tributários tão somente a esta etapa. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso de ofício para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 569DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000147/200621 Acórdão n.º 110200.643 S1C1T2 Fl. 21 21 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 07/11/2012 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10805.002271/2004-20
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/08/2001 a 30/09/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO ENTRE O VOTO CONDUTOR E A EMENTA. NECESSIDADE DE CORREÇÃO DA EMENTA. MATÉRIA NÃO ENFRENTADA.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre o teor do voto e a ementa do acórdão embargado. Retifica-se a ementa com a exclusão da parte que trata de matéria não enfrentada.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3801-001.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO ENTRE O VOTO CONDUTOR E A EMENTA. NECESSIDADE DE CORREÇÃO DA EMENTA. MATÉRIA NÃO ENFRENTADA. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre o teor do voto e a ementa do acórdão embargado. Retificase a ementa com a exclusão da parte que trata de matéria não enfrentada. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 22 71 /2 00 4- 20 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10805.002271/200420 Acórdão n.º 3801001.068 S3TE01 Fl. 11 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10805.002271/200420 Acórdão n.º 3801001.068 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional contra termos parciais em que foi proferido o Acórdão nº 380100.997, de 2 de setembro de 2011, sob o argumento da existência de contradição entre a ementa do julgado e o voto condutor. Em síntese, sustenta que a matéria relativa à incidência da Cofins sobre receitas de prestação de serviços cancelados é matéria estranha ao litígio, não havendo motivos, pois, para constar da ementa do acórdão. Argumenta, ainda, ainda que o referido vício também pode ser considerado como erro material, que, de qualquer forma, segundo abalizada doutrina e jurisprudência, autoriza o manejo dos aclaratórios. Por fim, requereu que os embargos de declaração fossem conhecidos e acolhidos, a fim de sanar/retificar os vícios acima apontados e prequestionar as matérias que não foram objeto de análise expressa pelo Colegiado. É o relatório. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10805.002271/200420 Acórdão n.º 3801001.068 S3TE01 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Como será demonstrado, assiste razão à embargante. De fato, existe a contradição apontada, pois o teor da ementa conflita com o voto condutor. Conforme o alegado, o colegiado entendeu que as receitas de serviços cancelados não compuseram a base de cálculo da Cofins. Com efeito, a matéria receitas de prestação de serviços cancelados não foi enfrentada ante a ausência de litígio, conforme excerto abaixo do voto condutor: Em remate, não há litígio a ser apreciado por este colegiado, visto que as receitas de prestação de serviços cancelados não compuseram a base de cálculo da contribuição Cofins.(grifo nosso) Deste modo, verificase que este relator involuntariamente incorreu em uma contradição, pois se a matéria não foi enfrentada por ausência de litígio, ela não deveria ser mencionada na ementa. Em remate, constatada a contradição, devemse acolher os embargos no sentido de excluir da ementa a seguinte parte: COFINS. BASE DE CÁLCULO. SERVIÇOS CANCELADOS. EXCLUSÃO. Excluemse da base de cálculo da contribuição Cofins as receitas de prestação de serviços cancelados, nos termos do inciso I, § 2º, do art. 3º da Lei 9.718/98. Tenhase presente que a retificação da ementa em nada altera o resultado da decisão anteriormente proferida, isto é, o lançamento foi julgado improcedente. Em face do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração e retificar a ementa do Acórdão n° 380100.097, excluindose da ementa a parte relativa as receitas de prestação de serviços cancelados, sem alterar, contudo, as conclusões do acórdão embargado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 396DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10805.002271/200420 Acórdão n.º 3801001.068 S3TE01 Fl. 14 5 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/01/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 18471.002461/2004-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NULIDADE – ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO –
EMPRESA INCORPORADA A empresa citada no lançamento extinguiuse
por incorporação pela empresa sucessora em 2001. O lançamento efetuado em 2004 deveria ter-se dirigido à empresa sucessora, padecendo de nulidade por erro na identificação da empresa extinta por incorporação como sujeito passivo
Numero da decisão: 1302-000.617
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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ementa_s : NULIDADE – ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO – EMPRESA INCORPORADA A empresa citada no lançamento extinguiuse por incorporação pela empresa sucessora em 2001. O lançamento efetuado em 2004 deveria ter-se dirigido à empresa sucessora, padecendo de nulidade por erro na identificação da empresa extinta por incorporação como sujeito passivo
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O lançamento efetuado em 2004 deveria terse dirigido à empresa sucessora, padecendo de nulidade por erro na identificação da empresa extinta por incorporação como sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 2 Em 23/12/2004, a empresa Abbott foi cientificada de lançamento fiscal formalizado contra a empresa Knoll Quim e Farm Ltda., que havia sido incorporada pela empresa Abbott Laboratórios do Brasil Ltda. no ano de 2001. Impugnado o lançamento, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I verificou que ... “De fato, conforme Relatório Sistema CNPJ/CONS/SRF (fl. 105/110), foi comunicado à SRF em 21/10/2003 que a empresa Knoll Produtos Químicos e Farmacêuticos CNPJ 33.258.450/000138, foi incorporada pela empresa Abbott Laboratórios do Brasil Ltda,, CNPJ 56.998.701/000116, em 30/08/2001, com domicílio fiscal no município de São Paulo.” Nessa medida, em 300508, a DRJ proferiu sua decisão, entendendo que o lançamento anterior era nulo por erro na identificação do sujeito passivo. Entendeu a DRJ que “extinguindose a incorporada, responde a incorporadora, na qualidade de sucessora, pelos tributos devidos pela sucedida até a data do evento, devendo aquela ser notificada do lançamento na qualidade de responsável.” Verificando que referido lançamento não foi objeto de decisão deste Conselho de Contribuintes, cabendo recurso de ofício, o Delegado da Receita Federal solicitou, em despacho de 28052009, a remessa do processo para o Conselho para julgamento do recurso cabível (fls. 370). Ocorre que à ocasião já fora lavrado lançamento corretivo contra a empresa Abbott Laboratórios do Brasil Ltda., sucessora por incorporação de Knoll Quim e Farm Ltda.. A empresa foi citada em 25112008 do auto de infração de IRPJ contra ela lavrado em 241108, relativo ao fato gerador concluído em 31121999 (fls. 295 e seguintes). O teor de ambos os lançamentos é semelhante. A autoridade fiscal entendeu que a empresa incorporada, no anocalendário de 1999, destinou equivocadamente parte de seu IRPJ a incentivo fiscal FINOR, pois, na data da análise do Pedido de Incentivo Fiscal, a empresa possuía débitos federais. Assim, foi emitido extrato reconhecendo saldo zero de incentivo fiscal para a interessada, que teria até 28022003 para apresentar seu Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC). Na ausência de manifestação, a autoridade fiscal entendeu que o valor pago a título de incentivo fiscal seria excesso de destinação, convertido em subscrição voluntária da contribuinte, não passível de abatimento do imposto de renda devido. Nessa medida, a autoridade efetuou o lançamento do valor de IRPJ que assim deixou de ser pago. Neste processo, tratase do recurso de ofício diante do Acórdão DRJ n° 12 19.448 – 8ª. Turma da DRJ/RJOI, Sessão de 30 de maio de 2008, que declarou nulo o primeiro lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. A contribuinte apresentou contra razões alegando nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, alegando que estava regular e sem débitos federais, conforme provas apresentadas no processo, merecendo o gozo do incentivo fiscal, protestando contra o desenquadramento de sua destinação de incentivo fiscal e contra o lançamento de IRPJ que foi devidamente quitado e pago. Militou a interessada contra a insegurança jurídica que a culminação de dois lançamentos tributários sobre o mesmo tema gera, sem que tenha havido o trânsito em julgado da primeira discussão. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI Processo nº 18471.002461/200478 Acórdão n.º 1302000.617 S1C3T2 Fl. 408 3 Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade e dele conheço. A incorporação extingue a empresa incorporada, de acordo com o art. 227, §3º da Lei nº 6.404/76: Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. § 1 0 A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante versão do seu patrimônio liquido, e nomear os peritos que o avaliarão. § 2° A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar protocolo da operação, autorizará seus administradores a praticarem os atos necessários à incorporação, inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora. § 3° Aprovados pela assembléiageral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. (grifo nosso) Nessas circunstâncias, o art. 132 do Código Tributário Nacional esclarece que a incorporadora sucede os tributos devidos pela incorporada até a data do ato da incorporação. Da análise dos artigos 142 do CTN e 10, II, do Decreto 70.235, concluise pela falta de um dos requisitos essenciais à constituição do crédito tributário, a correta qualificação do sujeito passivo: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá obrigatoriamente: (...) Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI 4 II – Qualificação do Autuado Como a Knoll no ano de 2004 já não mais existia, não é válido o ato jurídico que a visa colocar em pólo passivo de qualquer tipo de obrigação constituída em 2004. Segundo o CTN, o sujeito passivo correto da obrigação tributária, à altura do lançamento fiscal, era a incorporadora Abbott. A Receita Federal tomara ciência da incorporação em 2003, como comprovadamente atestou a DRJ, logo, não poderia se furtar a identificar corretamente o sujeito passivo da obrigação. O erro na identificação do sujeito passivo é vício fundamental que acarreta a nulidade do Auto. Nessa medida, não merece reparo a decisão da DRJ que assim deliberou, cancelando a exigência do crédito tributário em questão. Nesse sentido, nego provimento ao recurso de ofício. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEI, Assinado digitalmente e m 05/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES D E ALMEIDA NOGUEI
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Numero do processo: 11516.000003/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 30/11/2001 a 31/05/2007
RETENÇÃO. EMPRESAS ENQUADRADAS NO SIMPLES Verificando no caso concreto que o enquadramento no Simples se deu posteriormente ao período objeto do lançamento, não há razão para a inexigibilidade da retenção.
PROVA DE PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PELAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS.
Com o advento da Lei nº 9.711/98 o regime jurídico que era de responsabilidade solidária foi alterado para o de substituição tributária, sendo de exclusiva responsabilidade do tomador de serviços, ex vi do que fora decidido em recurso repetitivo pelo E. STJ no Recurso Especial nº 1.131.047, a retenção e o recolhimento da contribuição.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11% SOBRE O VALOR DA NOTA FISCAL. NÃO CONFIGURAÇÃO DA CONTINUIDADE DO SERVIÇO OU DA SUBORDINAÇÃO.
As empresas tomadoras de serviços mediante empreitada ou cessão de mão de obra encontram-se obrigadas a reter e recolher 11% do valor da nota fiscal (art. 31 da Lei nº 8.212/1991). Para que o serviço se enquadre como cessão de mão de obra, é necessário que seja prestado em caráter contínuo (necessidades contínuas da empresa), com subordinação das pessoas físicas prestadoras a tomadora dos serviços e que esteja expressamente arrolado no rol previsto no art. 31, §4 o da Lei nº 8.212/1991 ou do art. 219, §2 o do Decreto nº 3.048/1999, sem o que não lhe será aplicado o regime jurídico previsto no caput do art. 31 da Lei nº 8.212/1991.
MULTA. RETROATIVDADE BENIGNA Há de se aplicar o artigo 35 caput da Lei 8.212/91, com a redação da Lei nº 11.941/09 em homenagem ao princípio da retroatividade benigna, se essa for mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-002.685
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, mantendo no lançamento somente os valores oriundos dos contratos com as empresas Back Serviços de Vigilância e Segurança Ltda e Enluz Instalações Elétricas Ltda, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Bernadete de Oliveira Barros, que negavam provimento ao recurso; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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EMPRESAS ENQUADRADAS NO SIMPLES Verificando no caso concreto que o enquadramento no Simples se deu posteriormente ao período objeto do lançamento, não há razão para a inexigibilidade da retenção. PROVA DE PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PELAS EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. Com o advento da Lei nº 9.711/98 o regime jurídico que era de responsabilidade solidária foi alterado para o de substituição tributária, sendo de exclusiva responsabilidade do tomador de serviços, ex vi do que fora decidido em recurso repetitivo pelo E. STJ no Recurso Especial nº 1.131.047, a retenção e o recolhimento da contribuição. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11% SOBRE O VALOR DA NOTA FISCAL. NÃO CONFIGURAÇÃO DA CONTINUIDADE DO SERVIÇO OU DA SUBORDINAÇÃO. As empresas tomadoras de serviços mediante empreitada ou cessão de mão de obra encontramse obrigadas a reter e recolher 11% do valor da nota fiscal (art. 31 da Lei nº 8.212/1991). Para que o serviço se enquadre como cessão de mão de obra, é necessário que seja prestado em caráter contínuo (necessidades contínuas da empresa), com subordinação das pessoas físicas prestadoras a tomadora dos serviços e que esteja expressamente arrolado no rol previsto no art. 31, §4o da Lei nº 8.212/1991 ou do art. 219, §2o do Decreto nº 3.048/1999, sem o que não lhe será aplicado o regime jurídico previsto no caput do art. 31 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 MULTA. RETROATIVDADE BENIGNA Há de se aplicar o artigo 35 caput da Lei 8.212/91, com a redação da Lei nº 11.941/09 em homenagem ao princípio da retroatividade benigna, se essa for mais benéfica ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, mantendo no lançamento somente os valores oriundos dos contratos com as empresas Back Serviços de Vigilância e Segurança Ltda e Enluz Instalações Elétricas Ltda, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Bernadete de Oliveira Barros, que negavam provimento ao recurso; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Leonardo Henrique Pires Lopes – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Damião Cordeiro de Moraes (vicepresidente), Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de NFLD nº 37.052.8433, cientificada ao contribuinte em 09/01/2008, a qual exige contribuição previdenciária referente à retenção de 11% (onze por cento) calculada sobre o valor bruto das Notas Fiscais referentes a serviços contratados mediante cessão de mãodeobra. O sujeito passivo apresentou sua impugnação alegando, em breve síntese o seguinte: i) decadência parcial do crédito tributário, com base no artigo 173, inciso I do CTN; ii) nulidade do auto de infração, em virtude da não caracterização da cessão de mãodeobra; iii) impossibilidade de retenção quando os serviços são prestados por pessoas jurídicas inscritas no Simples; iv) há prova de que as empresas prestadoras dos serviços pagam suas contribuições previdenciárias. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.000003/200815 Acórdão n.º 2301002.685 S2C3T1 Fl. 533 3 A DRJ de Florianópolis determinou a conversão do julgamento em diligência para que fosse demonstrada “a forma de execução dos serviços contratados pela notificada”. Para a realização da diligência a fiscalização expediu Termo de Intimação Fiscal requerendo a apresentação das Notas Fiscais emitidas, bem como dos contratos celebrados com os prestadores de serviços. Coletada a documentação, assim concluiu o Fisco: 2.1. Quanto aos serviços prestados 'pela empresa BACK SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA., os mesmos referemse a serviços de vigilância, prestados de forma continua por empregados da empresa contratada (BACK), nas dependências da empresa contratante (BADESC). São serviços executados mediante cessão de mãodeobra, previstos no art. 31 da Lei n° 8.212/1991 e alterações posteriores. 2.1.1. — 0 lançamento referese As diferenças de R$ 6.706,20 nas bases de cálculo da retenção, no período de 08/2006 a 03/2007, não consideradas pela prestadora de serviço, quando do destaque nas notas fiscais e pela contratada (BADESC), pois efetuou a retenção e o recolhimento da contribuição somente sobre a base de cálculo de R$ 33.531,00. Todas as notas fiscais do período foram emitidas no valor de R$ 40.237,20, onde a empresa prestadora destacou o valor de R$ 3.688,41 a titulo de retenção de 11% para a Seguridade Social. Para comprovação, foram juntadas As fls. 313 a 324, cópias do Contrato e das Notas Fiscais Faturas emitidas. 2.2. Os serviços prestados pelas demais empresas, presentes no lançamento e relacionadas a seguir, referemse a serviços executados mediante empreitada de mãodeobra nos serviços de limpeza, conservação e zeladoria e nos serviços de construção civil, também previstos na lei n° 8212/1991 (art.31 e parágrafos) e no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048/1999 (art.219, I e III do §2° e §3°). Ainda, foram observados no lançamento, os dispositivos contidos nas Instruções Normativas vigentes A época da ocorrência dos fatos geradores. 2.2.1. TELETRO ENGENHARIA ELÉTRICA LTDA. Tratase de serviços de instalações elétricas, classificados como de construção civil, compreendidos no subgrupo "45.411 talações Elétricas" e subclasse correspondente da tabela CNAE — Classificação Nacional de Atividades Econômicas integrante das instruções normativas. Juntadas As fls. 325 a 353, cópias das Notas Fiscais de Prestação de Serviços e Propostas de Comercialização. 2.2.2. ENAR AR CONDICIONADO LTDA. Tratase de serviços de manutenção preventiva e corretiva nos sistemas de refrigeração da sede da empresa, classificados como serviços de construção civil, no subgrupo "45.420 — Instalações de Sistemas de Ar Condicionado, de ventilação e refrigeração" e correspondente subclasse. Para _comprovação dos referidos serviços, foram juntadas, As fls. 354 a ,383, cópias do Contrato Fl. 577DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 BADESC n° 024/2002, e Notas Fiscais de Serviço (amostragem). 2.2.3. PRÉSTICOM PRESTAÇÕES E SERVIÇOS E COMERCIO LTDA ME. Tratase de serviços, de limpeza de terrenos; e, serviços, de construção civil, compreendidos na citada tabela CNAE, tais comó:4 .'elétricos, pintura e demolição. Juntadas As fIS:' 384 a 397, cópias de todas as Notas Fiscais de Serviço bem como de diversos orçamentos. 2.2.4. CRIMATEC CRICIUMA MANUTENÇÃO E CONSERVAÇÃO LTDA ME. Tratase de diversos serviços de construção civil, discriminados na proposta da contratada, cuja cópia, juntamente com a Nota Fiscal de Serviço, foi juntada As fls. 398 a 399. 2.2.5. BECKER COMÉRCIO E SERVIÇOS EM TELECOMUNICAÇÕES LTDA. Tratase de serviços na rede telefônica, classificados como de construção civil, conforme tabela CNAE já citada, na subclasse "45.411/00 Instalação e manutenção elétrica em edificações, inclusive elevadores, escadas, esteiras rolantes e antenas (cuja subclasse compreende também a colocação de cabos para instalações telefônicas)". Juntadas as cópias das Notas Fiscais de Serviço As fls. 400 a 402. 2.2.6. CONSTRUTORA E INCORPORADORA DESTERRO LTDA. Tratase de serviços de construção civil relativos A restauração de prédio de propriedade do BADESC, conforme contrato BADESC n° 001/2006, cuja cópia, juntamente com a Nota Fiscal Prestação de Serviço foi anexada As fls. 403 a 428. 2.2.7. SP SERVIÇOS ELÉTRICOS LTDA. Tratase de serviços elétricos classificados na tabela CNAE como de construção civil, cujas cópias de todas as Notas Fiscais de Serviços foram juntadas As fls. 429 a 471. 2.2.8. LABTEC TELECOMUNICAÇÕES INDÚSTRIA E COM. LTDA. Tratase de serviços de manutenção preventiva e corretiva na rede telefônica da empresa, classificados como de construção civil na tabela CNAE já citada, conforme Contrato BADESC 025/07, cuja cópia, juntamente com as Notas Fiscais de Serviços, foram juntadas as fls. 472 a 479. 2.2.9. ENLUZ INSTALAÇÕES ELÉTRICAS LTDA. Tratase de serviços de instalação elétrica, classificados com de construção civil, na referida tabela CNAE, cuja cópia da Nota Fiscal de Prestação de Serviço foi anexada A fl. 480. 2.2.10. DSD ENGENHARIA LTDA. Tratase de serviços de manutenção preventiva e corretiva no sistema elétrico da empresa, classificados como de construção civil, conforme tabela CNAE. Cópia do CONTRATO BADESC n° 061/06 e das Notas Fiscais de Serviços, juntadas As fls. 481 a 489. O autuado, intimado do resultado da diligência, quedouse silente. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.000003/200815 Acórdão n.º 2301002.685 S2C3T1 Fl. 534 5 A primeira instância administrativa acolheu a preliminar de decadência, para nos termos do artigo 150, § 4º excluir do lançamento o período de 11/2001 a 12/2002, mantendo a autuação no restante. O autuado, inconformado, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos suscitados em sede de impugnação, exceto em relação à preliminar de decadência. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Empresas enquadradas no Simples Argui a recorrente que as empresas Presticom e SP Serviços Elétricos, por estarem enquadradas no Simples não poderiam sofrer a retenção de 11% sobre os serviços prestados. O E. Superior Tribunal de Justiça, nos autos do REsp 1.112.467, julgado sob a sistemática de recurso repetitivo entendeu que as empresas submetidas ao regime diferenciado de tributação do Simples não estavam sujeitas à retenção aqui debatida. Esse Colendo Conselho, por meio do seu regimento interno (artigo 62A), determina que sejam aplicadas as decisões definitivas do mencionado Tribunal Superior aos casos ora em julgamento. Ocorre que, no caso em questão, a empresa Presticom, segundo consulta ao sítio do Simples Nacional passou a ser optante por esse regime de tributação a partir de 01/01/2008, portanto, fora do período objeto da autuação. Situação análoga ocorre com a empresa SP Serviços de Instalações, a qual segundo consulta ao sítio do Simples Nacional passou a ser optante por esse regime de tributação a partir de 01/07/2007. Em que a data retro estar compreendida no período objeto da autuação, verifico que diante dos documentos apresentados pelo autuado no curso da diligência fiscal, essa empresa lhe prestou serviços no ano de 2005 e 2006, antes, portanto, do enquadramento no Simples. Logo, não procedem as razões suscitadas no recurso nesse tocante. Prova de pagamento das contribuições previdenciárias pelas empresas prestadoras de serviços Fl. 579DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, nos autos do REsp 1.131.047 decidiu, no regime de recurso repetitivo, o qual deve ser aplica nas decisões proferidas pelo CARF (artigo 62A do Regimento Interno) que o artigo 31 da Lei nº 8.212/91, a partir das alterações promovidas pela Lei nº 9.711/98 passou a definir regime de substituição tributária, segundo a qual o contribuinte substituto tem o dever legal de antecipar parte do pagamento devido pelo substituído. Em outras palavras é obrigação do tomador dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra reter e recolher aos cofres públicos o valor resultado da aplicação da alíquota de 11% sobre o valor bruto da Nota Fiscal de prestação de serviços. Nesse sentido a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FORNECEDOR E TOMADOR DE MÃODEOBRA. ART. 31 DA LEI 8.212∕91, COM A REDAÇÃO DA LEI 9.711∕98. 1. A partir da vigência do art. 31 da Lei 8.212∕91, com a redação dada pela Lei 9.711∕98, a empresa contratante é responsável, com exclusividade, pelo recolhimento da contribuição previdenciária por ela retida do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, afastada, em relação ao montante retido, a responsabilidade supletiva da empresa prestadora, cedente de mãodeobra. 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. A situação postulada pela recorrente diz respeito a regime jurídico anterior à Lei nº 9.711/98, quando o artigo 31 da Lei nº 8.212/91 até a redação dada pela Lei nº 9.528/97 veiculava o instituto da responsabilidade solidária. Nessa situação, se uma das partes comprovasse o recolhimento das contribuições, a extinção do débito aproveitava a outra. Daí porque, na presente autuação, cujo período albergado está sob o regime jurídico da substituição tributária do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, não há que se falar em prova dos recolhimentos efetuados pelos prestadores de serviços, pois tal fato não exime a autuada de cumprir o dever de reter e repassar o valor que a legislação lhe obriga. Prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra e nulidade do auto de infração. Entendo que a preliminar de nulidade do auto de infração confundese com o próprio mérito da questão e, por essa razão, passo a examinálas em conjunto. A controvérsia cingese acerca da aplicação do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, cuja redação é a seguinte: “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). Fl. 580DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.000003/200815 Acórdão n.º 2301002.685 S2C3T1 Fl. 535 7 § 1o O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” Fl. 581DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 Segundo o dispositivo legal surge a obrigação de efetuar a citada retenção e recolhimento quando o tomador contrata serviços executados mediante cessão de mãodeobra. Para que dúvidas não restassem acerca do alcance do termo “cessão de mão deobra” o legislador veiculou seu conceito no § 3º como sendo aquela em que é colocada à disposição do contratante segurados que realizem os serviços, sejam esses ligados ou não à atividade fim da empresa, exercidos ou não em suas dependências. O § 4º, por sua vez, arrola alguns serviços que segundo a lei enquadramse na situação de cessão de mãodeobra, ou seja, há uma presunção juris tantum, até porque não poderia ser jure et jure haja vista o princípio da tipicidade cerrada que permeia os escaninhos do direito tributário, de que aquelas atividades, por si só exercidas, revelam a ocorrência de colocar segurados à disposição de um dado contratante para a realização dos serviços pretendidos. Tenho ressalvas, diante do principio da legalidade insculpido no artigo 150, inciso I, da Carta Magna, acerca da delegação prevista no já mencionado § 4º, segundo a qual decreto regulamentador poderia inserir serviços, não previstos em lei, que, presumidamente, revelam a ocorrência da cessão de mãodeobra. Contudo, como esse E. CARF não tem competência, conforme Sumula CARF nº 02, para fazer o cotejo de relação de pertinencialidade da norma com a Constituição Federal, não há que se levar a diante essa questão. Diante dessa delegação normativa, o artigo 219 do Decreto nº 3.048/99 ampliou a lista de serviços que, presumidamente, implicam em haver a colocação de segurados à disposição do contratante para a sua realização, in verbis: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.000003/200815 Acórdão n.º 2301002.685 S2C3T1 Fl. 536 9 VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de cargas e passageiros; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde; e XXV telefonia, inclusive telemarketing. Diante desse quadro normativo, cabe à fiscalização, quando da lavratura do auto de infração verificar a ocorrência dos serviços discriminados e apurar se o contribuinte, diante da prestação de serviços efetuou a retenção e o repasse dos valores. Friso que a despeito de haver uma lista prévia de serviços cuja legislação entende haver cessão de mãodeobra isso não exime o Fisco de comprovar o fato gerador, como determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. Ocorre que, no caso da cessão de mãodeobra, a fiscalização diante da ocorrência de alguns dos serviços acima listados não necessita, a meu ver, de produzir prova da efetiva disponibilização de segurados ao contratante, mas tão somente do serviço prestado. Essa prova se resume, no mais das vezes, à juntada aos autos do(s) contrato(s) firmado(s) entre tomador e prestador, além de Notas Fiscais, de modo a verificar a prestação dos serviços. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 10 Contudo, esse documento, por outro lado, pode, eventualmente, pender para o lado do contribuinte, isto é, demonstrar que para a realização daquele serviço não houve “a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa.” No caso dos autos, inicialmente, o Fisco não havia produzido prova nesse sentido, porém a DRJ de Florianópolis, para formar a sua convicção, determinou a conversão dos autos em diligência para que a autoridade administrativa colhesse documentos que demonstrassem suas convicções. Nessa esteira o autuado foi intimado para trazer os contratos firmados com as prestadoras de serviços, bem como as respectivas Notas Fiscais, o que foi atendido na integralidade. Da análise desses documentos verifico que foram prestados serviços contínuos por terceiros de limpeza, segurança, zeladoria, construção civil (restauração de prédio da autuada) manutenção de instalações em rede elétrica, em rede de telefonia e de refrigeração (arcondicionado), cujas notas fiscais e contratos revelam a cessão de mãodeobra para a realização dos serviços. Ainda que o contrato ou a Nota Fiscal não mencione expressamente o termo “cessão de mãodeobra” a legislação, como visto, presume a sua ocorrência devido à própria natureza da prestação dos serviços, os quais demandam colocar à disposição pessoas (segurados) que realizem a tarefa pretendida. A recorrente, não trazendo aos autos, outros elementos de convicção que coloquem em xeque a premissa legislativa, há de se concluir pela caracterização da situação prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91 e, portanto, correto o lançamento. Multa Ressaltase que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de Fl. 584DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.000003/200815 Acórdão n.º 2301002.685 S2C3T1 Fl. 537 11 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, de modo que seja aplicada, se mais benéfica ao contribuinte, a multa prevista no art. 35 caput da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, sendo que no mais fica mantida a r. decisão recorrida. Adriano Gonzales Silvério Relator Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Redator Designado Tratase de Recurso Voluntário interposto por BADESC AGENCIA DE FOMENTO DO ESTADO DE SANTA CATARINA S/A em face de acórdão proferido que reconheceu a procedência de lançamento fiscal referente às contribuições previdenciárias relativas à retenção de 11% (onze por cento) calculada sobre o valor bruto das Notas Fiscais referentes a serviços contratados mediante cessão de mãodeobra, prevista no artigo 31 da Lei 8.212/91, que dispõe: “Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos) (Grifo meu) No entender do Relator, seria devida pela Recorrente a referida contribuição, não havendo razões para se questionar a procedência do lançamento pelo Fisco realizado, em Fl. 585DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 12 razão de ter sido configurado o suporte fático que dá causa a incidência da contribuição previdenciária em comento. É que, de acordo com os autos, foram prestados, por terceiros, serviços contínuos de limpeza, segurança, zeladoria e construção civil, além de uma série de outras atividades que, presumidamente, implicam na existência de colocação de segurados à disposição do contratante, no rastro do conceito de cessão de mãodeobra previsto no §3º do artigo 31 da Lei 8.212/91, que estabelece: § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Estabelece o §4º do referido dispositivo legal, em sua redação mais atualizada, que constitui suporte fático para a configuração da previsão normativa em comento a prestação dos seguintes serviços: 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. Verificase o mesmo teor conceitual para cessão de mãodeobra quando se analisa o Decreto nº 3.048/99, Regulamento da Previdência Social, o qual, em seu artigo 219, não só define a matéria de forma semelhante, como também, complementa o conteúdo do §4º do artigo 31 da Lei 8.212/91, ao enumerar uma série de serviços que, presumidamente, implicam em cessão de mãodeobra, dando causa ao dever de retenção em comento. É o que se depreende da transcrição legal abaixo Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; Fl. 586DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.000003/200815 Acórdão n.º 2301002.685 S2C3T1 Fl. 538 13 II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de cargas e passageiros; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde; e XXV telefonia, inclusive telemarketing. Assim, no entendimento do Relator, as prestações dos serviços descritos nos autos do presente processo implicariam no dever de retenção de 11% sobre o valor das Notas Fiscais previsto no artigo 31 da Lei 8.212/91, sem necessidade de serem produzidas provas da efetiva disponibilização de segurados ao contratante, vez que seria suficiente para a caracterização da obrigação tributária em comento o mero juízo de adequação subsuntiva do serviço prestado no mundo fenomênico a seu correspondente abstrato previsto na lista do §2º do artigo 219 do Decreto nº 3.048/99. Prossegue ainda afirmando que, na remota hipótese de ser necessário qualquer elemento de prova, a simples juntada do contrato firmado entre tomador e prestador, além de Notas Fiscais, seriam suficientes para a configuração do conceito de serviços prestados em cessão de mãodeobra previsto no artigo 31 da Lei 8.212/91, de maneira a ser devida a retenção de 11% nele prevista. Destarte, a partir desses pressupostos, e considerandose o fato de que a Recorrente não trouxe aos autos elementos de prova em contrário ao seu entendimento, chegou o Relator à conclusão de que estava caracterizado o dever de retenção prenunciado no dispositivo legal em comento, não havendo, portanto, neste ponto, qualquer improcedência no lançamento pelo Fisco realizado. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 14 Todavia, não é esta a interpretação mais adequada para a verificação do conceito de cessão de mãodeobra previsto no §3º artigo 31 da Lei 8.212/91, uma vez que para que este seja configurado, de maneira a tornar exigível a retenção de 11% sobre o valor da Nota Fiscal, devem restar incontestavelmente verificados dois imprescindíveis pressupostos: a) A possibilidade de adequação do serviço contratado ao rol de atividades previsto quer no §4º do artigo 31 da Lei 8.212/91 quer no §2º do artigo 219 do Regulamento da Previdência Social; b) A execução dos referidos serviços em conformidade com os requisitos caracterizadores da cessão de mãodeobra, à luz do previsto no §3º artigo 31 da Lei 8.212/91. Diante disso, resta claro que a caracterização do conceito de cessão de mão deobra para fins previdenciários, ao contrário do que entendeu o Relator, exige muito mais que a apresentação do contrato firmado entre as partes ou das Notas Fiscais referentes aos serviços prestados. Ora, o contrato de cessão de mãodeobra tem por objeto a obtenção da própria mãodeobra para a realização de determinada finalidade. Em outras palavras, a mão deobra contratada é a razão nuclear da conclusão do contrato, ao contrário das relações de empreitada, nas quais a mãodeobra é meio para a concretização de obra ou tarefa desejada pelo contratante. Sabese que a empreitada é “o contrato em que uma das partes (empreiteiro) se obriga, sem subordinação ou dependência, a realizar certo trabalho para a outra (dono da obra), com material próprio ou por este fornecido, mediante remuneração global ou proporcional ao trabalho executado.” (PEREIRA, 2006). Tratase, portanto, de contrato oneroso e bilateral, e que, ainda, possui a característica de ser limitado no tempo, pois a empreitada deve ter início, meio e fim. É contratação que já nasce destinada a morrer, quando atinge o fim pactuado pelas partes. O contrato de cessão de mãodeobra, por sua vez, tem objeto diferente, o qual, conforme já afirmado, consiste na disponibilização contínua da própria mãodeobra, em sentido amplo, contratada para realização de um determinado serviço necessário ao salutar e adequado funcionamento da empresa contratante. A título de exemplo, destacase a seguinte situação: uma empresa terceiriza seu serviço de limpeza predial, e, para tal, contrata determinada prestadora de serviço. A prestadora, por sua vez, irá disponibilizar, para a contratante, certo número de pessoas, com o objetivo de realizar o serviço de limpeza, de maneira que o objeto do contrato é a força de trabalho, isto é, a própria mão deobra para que esta fique à disposição da contratante, ou seja, sob o seu poder de comando. A disponibilidade, portanto, é um dos indicativos da existência de prestação de serviços em cessão de mãodeobra, preceito este consagrado na primeira parte do §3º do artigo 31 da Lei 8.212/91, a qual estabelece que,” para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros”. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.000003/200815 Acórdão n.º 2301002.685 S2C3T1 Fl. 539 15 Nesse contexto, é valente destacar que a determinação da disponibilidade como requisito para a caracterização do conceito de cessão de mãodeobra demonstra a atenção do legislador para a lógica que rege a relação contratual em comento. Ora, como o objeto do contrato de cessão consiste na obtenção da própria mãodeobra pelo contratante, é mais do que esperado, para não dizer óbvio, que deverá aquela ficar à disposição deste para a realização do serviço contratado. É este, inclusive, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça – STJ, conforme se depreende do julgado cuja ementa é abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS (LEI 9.711/88). EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO. NATUREZA DAS ATIVIDADES. CESSÃO DE MÃODEOBRA NÃO CARACTERIZADA. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, dos dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai a incidência da Súmula 282 do STF. 2. Para efeitos do art. 31 da Lei 8.212/91, considerase cessão de mãodeobra a colocação de empregados à disposição do contratante (submetidos ao poder de comando desse), para execução das atividades no estabelecimento do tomador de serviços ou de terceiros. 3. Não há, assim, cessão de mãodeobra ao Município na atividade de limpeza e coleta de lixo em via pública, realizada pela própria empresa contratada, que, inclusive, fornece os equipamentos para tanto necessários. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. (STJ, RESP 488027, Rel.: Ministro TEORIA ALBINO ZAVASCKI, Órgão Julgador: PRIMEIRA TURMA, Julgado em: 01/06/2004, DJe: 14/06/2004).(Grifo meu) Bebendo da mesma fonte do Superior Tribunal de Justiça – STJ, o Egrégio Tribunal Regional Federal da Quinta Região, também, já consolidou entendimento jurisprudencial acerca da matéria, conforme se depreende da ementa abaixo colacionada: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS (LEI 9.711/98). CESSÃO DE MÃODEOBRA NÃO CARACTERIZAÇÃO. "Para efeitos do art. 31 da Lei 8.212/91, considerase cessão de mãodeobra a colocação de empregados à disposição do contratante (submetidos ao poder de comando desse), para execução das atividades no estabelecimento do tomador de serviços ou de terceiros." (STJ, Resp. 488.027/SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU 01.06.2004). In casu, verificase que os médicos contratados pela apelante não ficam à disposição do DETRANCE, impondose ressaltar que o objeto do contrato não reside na colocação de médicos à disposição deste último, mas sim na realização de exames médicos de conteúdo e finalidade prédeterminados no contrato. O que se contrata, portanto, é o resultado, e não a disponibilização de uma mão de obra para a realização de um trabalho a ser efetuado. Restou também demonstrado que à empresa recorrente incumbe, por previsão contratual, arcar com as despesas inerentes à prestação do serviço, tendo de adquirir e manter os materiais e os equipamentos médicos necessários à realização dos exames. Apelação provida. (TRF 5, AC 477291, Rel.: Desembargador Federal FRANCISCO WILDO, Órgão Julgador: SEGUNDA TURMA, Julgado em: 17/05/2011, DJe: 26/05/2011) O julgado acima destacado deixa claro o pressuposto segundo o qual, para que seja verificado conceito de cessão de mãodeobra previsto no §3º do artigo 31 da Lei Fl. 589DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 16 8.212/91, é necessário que o serviço contratado seja executado em total consonância com os requisitos previstos naquele dispositivo legal, ainda que o objeto do contrato firmado entre as partes seja passível de adequação ao rol de serviços previsto no §2º do artigo 219 do Regulamento da Previdência Social. Ora, conforme se depreende da decisão em destaque, a simples análise do objeto contratual seria suficiente para dar causa ao dever de retenção de 11% previsto no artigo 31 da Lei 8.212/91, uma vez que, do ponto de vista semântico, há uma adequação terminológica, em sentido amplo, entre o serviço contratado, isto é, prestação de serviços médicos, e o inciso XXIV do §2º do artigo 219 do Regulamento da Previdência Social, qual seja, realização de serviços de saúde. Todavia, extraise, com acerto, do julgado em análise que é a perspectiva pragmática, ou seja, a forma como o serviço é efetivamente executado o critério determinante para a configuração do conceito de cessão de mãodeobra previsto no §3º do artigo 31 da Lei 8.212/91, uma vez que este estabelece uma série de requisitos relativos ao modo de execução do serviço contratado para que seja, de fato, devida a retenção de 11% prevista no artigo 31 da Lei 8.212/91. Destarte, embora o inciso XXIV do §2º do artigo 219 do Regulamento da Previdência Social disponha que a prestação de serviços de saúde enquadrase no rol de serviços passíveis de cessão de mãodeobra, para restar configurado o dever de retenção de 11% calculado sobre o valor bruto da Nota Fiscal referente ao serviço prestado, é necessário que este seja executado à luz dos requisitos previstos no §3º da Lei 8.212/91, ou seja, devem ser colocados à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de forma contínua e relacionada, ou não, com a sua atividadefim. Tais preceitos, no entanto, como deixou clara a decisão judicial em análise, não foram verificados no caso concreto levado à Juízo, não havendo que se falar, portanto, em dever de retenção de 11% por parte da empresa contratante. Outro importante requisito necessário à configuração do conceito de cessão de mãodeobra previsto no §3º do artigo 31 da Lei 8.212/91 é a continuidade do serviço prestado, a qual deve ser analisada sob a ótica da empresa, isto é, a partir da consideração de se os serviços prestados importam, ou não, para o desenvolvimento da sua atividade. Dizse contínuo o serviço de que a empresa depende constantemente, de modo que a mãodeobra empregada não será utilizada apenas um vez ou por um período determinado de tempo. Dessa forma, inexiste continuidade quando o serviço contratado destinase ao atendimento de uma necessidade específica da empresa para determinado momento, não restando configurado, portanto, nestes casos, o conceito de cessão de mãodeobra previsto §3º do artigo 31 da Lei 8.212/91. Se o caráter contínuo na prestação relacionase com a essencialidade do serviço contratado para o andamento regular das atividades da empresa, podese afirmar que a continuidade do serviço é uma consequência lógica da colocação da mãodeobra contratada à disposição do contratante. Dessa forma, é necessário que esteja sempre disponível a mãodeobra contratada para a execução de um determinado serviço, não só em virtude do fato de que é ela Fl. 590DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.000003/200815 Acórdão n.º 2301002.685 S2C3T1 Fl. 540 17 própria o objeto do contrato firmado entre as partes, mas também devido à essencialidade da prestação continuada daquele serviço, pela mãodeobra contratada, para o desenvolvimento regular das atividades da empresa contratante. Todavia, a verificação da efetiva prestação continuada do serviço contratado demanda uma análise meticulosa a partir das peculiaridades do caso concreto, uma vez que, embora seja pressuposto da caracterização da continuidade prevista no §3º do artigo 31 da Lei 8.212/91, a não utilização única, eventual ou por um determinado período de tempo da mão obra contratada, não se pode olvidar que o negócio jurídico contratual realizado entre as partes poderá ser extinto pelas várias formas de extinção de contratos previstas em nosso ordenamento jurídico, por exemplo, o advento do termo final do prazo entre elas convencionado. Ora, o contrato movimentase na direção indicada por seu fim, ou seja, a satisfação do interesse do contratante. No caso da cessão de mãodeobra, considerada dentro da ótica do direito previdenciário, essa faceta teleológica é verificada na colocação da mãode obra contratada à disposição do contratante para a execução de um serviço essencial à empresa de forma não eventual. Assim, não resta caracterizada a continuidade, para fins de cessão de mãode obra, à luz do previsto no §3º do artigo 31 da Lei 8.212/91 quando, por exemplo, em um contrato de prestação de serviços com prazo de duração de 12 meses, o obreiro responsável pela manutenção das instalações elétricas da empresa contratante apenas procede com a execução do serviço diante de um problema pontual nas referidas instalações ou limitase a ir às dependências da contratante uma única vez no mês. Nesse contexto, portanto, não há que se falar em dever de retenção, uma vez que, embora esteja a manutenção de instalações elétricas expressamente prevista no §2º do artigo 219 do Regulamento da Previdenciária, a prestação do serviço pela mãodeobra contratada se deu, neste caso, de maneira preponderantemente eventual, o que contraria a melhor interpretação do conceito de continuidade previsto no §3º do artigo 31 da Lei 8.212/91. Reiterese que a verificação da continuidade, ou não, na prestação do serviço pela mãodeobra contratada não pode se dar, unicamente, à luz do prazo de duração do contrato firmado entre as partes, visto que o estabelecimento de um termo final é uma característica comum à celebração de grande parte dos negócios jurídicos, em especial, as relações contratuais. Assim, para que esteja efetivamente configurado o dever de retenção previsto no §3º do artigo 31 da Lei 8.212/91, deve o caráter contínuo do serviço contratado ser analisado a partir de considerações fáticas, dentro da perspectiva pragmática, considerandose, sobretudo, a sua maneira de execução, no mundo fenomênico, pela mãodeobra contratada, isto é, de forma contínua e nãoeventual. Destarte, para efeitos previdenciários, a expressão “serviços contínuos”, relacionase, intrinsecamente, com a realização de atividades consideradas de necessidade contínua pela empresa contratante, razão pela qual carecem de mãodeobra que fique a sua disposição para a execução do serviço tido como necessário. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 18 Todavia, não é requisito para a configuração da continuidade legalmente exigida a contratação constante de uma determinada empresa, como também não é necessário que sejam sempre os mesmos funcionários os responsáveis pela prestação dos serviços contratados. O que se exige, portanto, é a disponibilização contínua da própria mãode obra, em sentido amplo, contratada para realização de um serviço, e não a do prestador ou de determinado trabalhador, razão pela qual podem ser, por exemplo, efetuadas trocas do próprio prestador ou dos trabalhadores envolvidos, desde que seja mantido, na essência, o serviço anteriormente prestado, restando caracterizada, portanto, a continuidade legalmente exigida. Do pressuposto acima destacado, podese afirmar, ainda, que existe outro requisito, não expressamente previsto no §3º do artigo 31 da Lei 8.212/91, necessário à configuração do conceito previdenciário de cessão de mãodeobra, qual seja, a impessoalidade na execução do serviço contratado, uma vez que a realização deste não leva em conta a pessoa do responsável pela sua execução, como é típico nas relações empregatícias. E diferente não poderia ser, pois, consoante o já afirmado, a cessão de mão deobra tem por objeto apenas a obtenção da própria mãodeobra para a realização de determinada finalidade, não se considerando, portanto, as qualificações pessoais do prestador de serviços, o qual pode, por uma série de razões, ser intermitentemente substituído por outro trabalhador ao longo da concretização dos serviços pactuados. Destarte, podese afirmar que o contrato de cessão de mãodeobra tem por característica a fungibilidade pessoal dos responsáveis pela concretização dos serviços contratados, uma vez que não se leva em consideração a pessoa do obreiro, tendo por conteúdo exclusivo a colocação de prestadores de serviços sob o poder de comando da pessoa contratante para a execução, em suas dependências ou nas de terceiros, de serviços contínuos relacionados ou não com a atividadefim da empresa. Quanto ao local de execução, o §3º do artigo 31 da Lei 8.212/91 deixa claro que os serviços contratados devem ser prestados nas dependências da empresa contratante ou nas de terceiros, compreendendo estas os locais indicados pela contratante, que não sejam seus próprios e que, também, não pertençam à empresa contratada. Dessa forma, para que seja devido o dever de retenção de 11% sobre o valor bruto da Nota Fiscal referente ao serviço prestado previsto no artigo 31 da Lei 8.212/91, devem ser analisados, de forma conjunta e dinâmica, os requisitos caracterizadores do conceito de cessão de mãodeobra previsto no §3º do referido legal. Assim, é insuficiente para a efetiva configuração do conceito em comento a mera apresentação do contrato ou das Notas Fiscais referentes aos serviços prestados, vez que tais documentos não têm o condão de provar, de maneira satisfatória, o efetivo preenchimento dos requisitos do conceito de cessão de mãodeobra previsto no §3º da Lei 8.212/91. Tais documentos, consoante o já afirmado, não trazem, na maioria das vezes, informações detalhadas acerca da maneira como o serviço contratado é executado, preceito este imprescindível para determinar se é devida, ou não, a retenção de 11%. Dessa forma, para que seja legítimo o lançamento referente à exação fiscal em análise, não pode o Fisco limitar sua atividade à simples análise de meros documentos Fl. 592DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.000003/200815 Acórdão n.º 2301002.685 S2C3T1 Fl. 541 19 nominativos representantes dos serviços contratados, devendo, na verdade, buscar a maneira como, efetivamente, aqueles foram executados de forma a restarem incontestavelmente preenchidos os requisitos previstos no §3º do artigo 31 da Lei 8.212/91. Tal preceito, dentro da ótica do procedimento e do processo administrativo tributário, está em total harmonia com o princípio da verdade material, o qual corresponde “à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência.” (MARINS, 20003). Destarte, deve o Fisco pautar suas ações em busca da verdade material, isto é, deve apurar e lançar com base nesse pressuposto. Trazendo essa importante lição para o caso em análise, vêse que a obediência ao princípio da verdade material se dá a partir do momento em que se exige a verificação efetiva, no mundo fenomênico, do preenchimento dos requisitos necessários à configuração do conceito previdenciário de cessão mãodeobra, os quais se relacionam intimamente com o modo de execução dos serviços contratados, sendo insuficiente, portanto, a simples análise do contrato firmado entre as partes ou a apresentação das Notas Fiscais a eles referentes. Ora, consoante o já afirmado, não se verifica a efetiva configuração do conceito de cessão de mãodeobra previsto no §3º da Lei 8.212/91 na prestação de um serviço que, embora esteja previsto expressamente em algum dos incisos do §2º do artigo 219 do Regulamento da Previdência Social, por exemplo, não seja executado de forma contínua ou ainda que seja prestado levando em consideração as características e qualificações pessoais do obreiro. É neste quadro, portanto, que deve imperar a busca pela verdade material, uma vez que, embora haja a identidade lógica entre o serviço descriminado no contrato firmado entre as partes e seu respectivo correspondente legal, não há que se falar em dever de retenção por parte da empresa contratante, pois a execução do serviço no plano fático se deu de maneira incompatível com os requisitos caracterizadores do conceito previdenciário de cessão de mão deobra. Destarte, diante do exposto, não houve a concretização da hipótese normativa prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, não havendo que se falar em dever de retenção, pela empresa contratante, de 11% sobre o valor bruto das Notas Fiscais referentes aos serviços prestados, exceto em relação aos serviços de vigilância prestados pela BACK Empresa de Vigilância e Segurança LTDA e Enluz Instalações Elétricas Ltda, posto que se trata de serviços contínuos (cujo prestador laborará fisicamente 24 horas por dia ao contratante) e sujeitos ao seu poder de comando. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 14041.000212/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.326
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedida a conselheira Ana Maria Bandeira.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ronaldo de Lima Macedo Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1215; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000212/200961 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.326 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de janeiro de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente VIA ENGENHARIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Declarouse impedida a conselheira Ana Maria Bandeira. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ronaldo de Lima Macedo– Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 21 2/ 20 09 -6 1 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000212/200961 Resolução nº 2402000.326 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), referente ao período de 03/1996 a 11/1996. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 23/31), este lançamento foi efetuado em decorrência da anulação das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087 pelo Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 37/66) requerendo a total improcedência do lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília/DF – por meio do Acórdão no 0335.290 da 7a Turma da DRJ/BSB (fls. 70/81) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, entendendo que: (i) na hipótese de lançamento substitutivo, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior; (ii) as decisões administrativas só são validas a partir da ciência do interessado; (iii) as duas empresas respondem solidariamente e sem benefício de ordem; (iv) é regular a notificação somente em face da Via Engenharia; (v) a Recorrente poderia ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o fez, é correta a aplicação da aferição indireta; (vi) é devida a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas; e (vii) as decisões colacionadas não constituem normas complementares de direito tributário. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 83/92) argumentando que: (i) o prazo decadencial contase 5 anos após a lavratura do acórdão que anulou os lançamentos anteriores por vício formal; (ii) o crédito já decaiu para o legítimo contribuinte; (iii) a autoridade tributária arbitrou quem seria o responsável pelo tributo e discricionariamente perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a incidência da multa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Brasília/DF informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 94/95). É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000212/200961 Resolução nº 2402000.326 S2C4T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isto porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à possível decadência do crédito tributário, levando em consideração o prazo previsto no art. 173, II, do CTN. Para que a contagem do prazo decadencial possa ser devidamente realizada, é mister que se tenha devidamente definido no processo qual a data em que o contribuinte foi notificado da decisão que anulou o lançamento anterior. No entanto, até o presente momento, tal data não foi devidamente comprovada. De acordo com o item 2 do Relatório Fiscal, a data da ciência da decisão que anulou o lançamento anterior teria ocorrido a partir de 18/02/2004, posto que esta data se refere à data da carta encaminhada pelo INSS à empresa, e não à efetiva data que esta obteve a ciência. “2. Cumpre observar que a ciência à Via Engenharia S.A da anulação das NFLDs mencionadas ocorreu a partir de 18/02/2004 (data da carta encaminhada pelo INSS/Serviço de Or. Gerenciamento de Recuperação de Créditos).” – destacouse Assim, é mister que o processo baixe em diligência para que a autoridade competente junte no processo cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Requerse também que a carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 do Relatório Fiscal, seja anexada ao processo. Caso a preliminar de decadência seja superada após a análise dos documentos apresentados pela fiscalização, poderá ser necessário analisar também o teor das notificações anuladas, bem como as decisões que as anularam. Assim, fazse oportuno requerer a juntada de cópia integral das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Em síntese, requerse: (i) cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087; (ii) cópia da carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 no Relatório Fiscal; e (iii) cópia integral dos autos relativos às NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Por fim, após as providências solicitadas, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e da sua manifestação, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/02/20 13 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13887.000210/2005-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 PER/DCOMP. FORMALIDADE ESSENCIAL. A pessoa jurídica que apurar crédito relativo a tributo administrado RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer destes tributos, desde que observe a formalidade essencial de entregar Per/DComp que extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação e constitui confissão de dívida.
Numero da decisão: 1801-001.166
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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FORMALIDADE ESSENCIAL. A pessoa jurídica que apurar crédito relativo a tributo administrado RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer destes tributos, desde que observe a formalidade essencial de entregar Per/DComp que extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação e constitui confissão de dívida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000210/200534 Acórdão n.º 180101.166 S1TE01 Fl. 57 2 Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl. 02, com a exigência do crédito tributário no valor de R$1.000,00 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 31.10.2006 das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) dos segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2002, cujos prazos finais eram, respectivamente, 15.08.2002 e 14.11.2002. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 3º do art. 113 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, Instrução Normativa SRF nº 73, de 19 de dezembro de 1996 e Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998. Cientificada em 28.06.2005, fl. 32, a Recorrente apresentou a impugnação em 21.07.2005, fl. 01, alegando que DOS FATOS Conforme Auto de Infração por atraso na entrega de duas DCTFs, ficou demonstrado multa integral de R$500,00 para cada Declaração, totalizando R$1.000,00, com redução de 50% para pagamento até 02/08/2005 ou 40% para parcelamento. A requerente fez em 31/08/2003 Pedido de Parcelamento Especial (PAES) nos termos da Lei 10.684, de 30 de Maio de 2003 para liquidação da multa originária no atraso de duas DCTFs, referente ao segundo e terceiro trimestres de 2002. Diante do pedido de parcelamento, começamos, de imediato, a fazer o pagamento das parcelas sendo que primeira foi paga em 29/08/2003 com valor inicial de R$100,00 (cem reais) e assim sucessivamente, sem interrupção, totalizando 10 (dez) parcelas, ou seja, sem considerar os juros foi recolhido nos dez meses um total de R$1.000,00 (mil reais). DO PEDIDO São estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta impugnação. â vista do exposto requer que seja acolhida a presente impugnação. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1421.513, de 21.11.2008, fls. 4851: “Lançamento Procedente”. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. PAES. Correto o lançamento da multa por atraso na entrega da DCTF quando restar sem comprovação a inclusão das multas no parcelamento especial (Paes). Fl. 61DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000210/200534 Acórdão n.º 180101.166 S1TE01 Fl. 58 3 Notificada em 30.03.2009, fl. 39, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 27.04.2009, fls. 4041, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta Ocorre que, tínhamos que esses pagamentos estavam sendo considerados para pagamento das DCTFs, o que na verdade não ocorreu, o que ocorreu na realidade é que foi apresentado um valor consolidado de impostos relativo ao PAES que tinha dois meses em aberto do imposto Simples, código 6106, referente ao meses de janeiro e fevereiro de 2000, para nossa surpresa, pois em 15/07/2003 apresentamos à Receita Federal do Brasil, Declaração de Compensação, tendo em vista que foi recolhidos indevidamente, impostos na modalidade do Lucro Presumido, (Darf anexo) sendo que a empresa era optante do Simples Federal, ou seja, pedimos a compensação desses DARFs, com o valores do Simples de Janeiro e Fevereiro de 2000, que somados os recolhimentos do impostos na modalidade do Lucro Presumido, era maior que o imposto Simples, o que na realidade ocorreu, tanto é verdade que esses valores estavam em cobrança na Procuradoria e após a nossa manifestação, o processo foi arquivado (cópia anexa) em virtude da insubsistência da cobrança pelos motivos já expostos. Em síntese o que está ocorrendo é uma consolidação indevida de valores de impostos no PAES, que apresentada valores já compensados, e também o pagamento do parcelamento do PAES que não foi vinculado a liquidação das multas da duas DCTFs, tendo em vista que as DCTFs foram entregues em 31/10/2003. Conclui À vista do todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, que seja, portanto utilizado o valor recolhido no PAES para esta finalidade. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. A Recorrente concorda expressamente com o crédito tributário constituído pelo lançamento nos presentes autos. Requer a compensação deste valor com um direito creditório supostamente existente. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 1º de outubro de 2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e Fl. 62DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13887.000210/200534 Acórdão n.º 180101.166 S1TE01 Fl. 59 4 débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30 de dezembro de 2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Esta é uma formalidade essencial ao ato de compensar sem a qual o direito não pode ser exercido. Para que o direito creditório seja reconhecido a pessoa jurídica deve comprovar, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado, de acordo com o procedimento especial previsto em lei1. Para que seu suposto direito creditório seja reconhecido é imprescindível que a Recorrente observe a formalidade essencial de entregar Per/DComp em rito próprio. Nos presentes autos de exigência de crédito tributário esta matéria não pode ser examinada. Ademais, o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso voluntário interposto2. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal: § 2º do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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