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Numero do processo: 10680.914881/2008-55
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 30/11/2007
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa, nos termos da Súmula CARF nº 84.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ de origem.
Numero da decisão: 1003-000.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRJ de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp discutido nos autos.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/11/2007 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa, nos termos da Súmula CARF nº 84. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ de origem.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/11/2007 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa, nos termos da Súmula CARF nº 84. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ de origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRJ de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp discutido nos autos. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 48 81 /2 00 8- 55 Fl. 99DF CARF MF 2 Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra Acórdão de nº 0233.260, proferido pela 3ª Turma da DRJ/BHE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por economia processual e por entender suficientes as informações constantes no relatório do acórdão de piso, até então, passo a transcrevêlo abaixo: Contra o interessado acima identificado foi emitido o despacho decisório de fl. 10 por meio do qual a compensação declarada no PER/DCOMP n.° 31658.59537.090804.1.3.042038 transmitido em 09/08/2004, não foi homologada. A não homologação foi motivada pela inexistência do crédito utilizado na compensação pretendida. Tal crédito se refere a recolhimento de CSLL de código 2484 (estimativa mensal), no valor de R$159.618,83, efetuado em 31/05/2004. Consta do despacho decisório, que o pagamento efetuado a esse título foi localizado, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O valor do débito indevidamente compensado é igual a R$ 921,70 (principal). Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A ciência do despacho se deu em 02/10/2008 (fl. 68). Em 31/10/2008 foi apresentada a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 08. Nela constam os seguintes argumentos: • A Impugnante apresentou, perante a RFB, PER/DCOMP sob o n° 31658.59537.090804.1.3.042038 em que pleiteou a compensação de indébito a título de CSLL equivocadamente recolhido em maio de 2004 com débitos próprios a título de Cofins no valor histórico de R$ 1.276,51. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10680.914881/200855 Acórdão n.º 1003000.713 S1C0T3 Fl. 3 3 • A compensação não foi homologada em razão de que a Autoridade Fiscal não reconheceu a existência do crédito em favor da Impugnante para a quitação do débito por ela informado. • A Secretaria da Receita Federal se equivocou ao analisar o valor do PER/DCOMP n° 13359.19850.121207.1.7.040833. A falta da indicação do número do PER/DCOMP inicial em que foi declarado o saldo integral do crédito original não é motivo para o indeferimento da compensação. • A negativa de homologação da compensação deve ser revista, em observância ao princípio da verdade material. • No período de apuração 30/04/2004, a Impugnante recolheu, a título de CSLL, o valor de R$159.618,83, conforme DARF que anexa, quando deveria ter pago o valor de R$77.951,77. • Previamente à apresentação de sua DCTF relativa ao segundo trimestre de 2004, o contribuinte efetuou o recálculo dos valores devidos no trimestre, entre os quais a referida contribuição social. Constatou que o montante por ela recolhido a título de CSLL no período de apuração 30/04/2004 foi superior àquele efetivamente devido em R$81.667,06.v Configurado o indébito apresentou PER/DCOMP onde pleiteou a compensação de parte de seu crédito com débitos em aberto a título de Cofins. • Por meio do Despacho Decisório a Autoridade Fiscal houve por bem não homologar a compensação efetivada, ao argumento de que inexistiria o crédito informado pela Impugnante, pois tal crédito teria sido integralmente utilizado para a quitação dos débitos informados no PER/DCOMP 13359.19850.121207.1.7.040833 no valor de R$81.667,06. • Ocorre que no PER/DCOMP 13359.19850.121207.1.7.04 0833, o valor original utilizado pela Impugnante foi de R$62.627,83 e não R$81.667,06, como restou equivocadamente consignado no Despacho Decisório. • No momento da apresentação do pedido de compensação ora indeferido, o valor do crédito disponível era R$19.039,23. • O mencionado crédito possivelmente não foi reconhecido em razão de escusável equívoco por parte da Impugnante no preenchimento de sua PER/DCOMP inicial, onde constou como origem do crédito o pagamento a maior realizado por meio do DARF no Valor de R$159.618,83. • Todos os documentos apresentados (DCTF, DARF PER/DCOMP original e PER/DCOMP retificador) deixam clara a existência do crédito. • Os fatos e documentos trazidos na presente Manifestação de Inconformidade deverão ser analisados por esta Delegacia de Julgamento em atenção ao princípio da verdade material. Fl. 101DF CARF MF 4 No âmbito do processo administrativo, ao contrário do que ocorre no processo judicial, buscase a verdade real em contraste com a verdade formal. Enquanto nos processos judiciais o juiz deve cingirse às provas indicadas no devido tempo pelas partes, o que se busca no processo administrativo é a verdade substancial para que o controle administrativo possa ocorrer efetivamente, corrigindo eventuais erros que lesem direitos do contribuinte. • O dever de busca da verdade material que pesa sobre a Administração judicante é consequência da legalidade tributária e tem natureza constitucional, para cuja estrutura processual é indispensável o princípio inquisitório. Essa finalidade do processo administrativo tributário tem imediatos efeitos nos princípios ou máximas que o estruturam, para assegurar uma efetiva tutela legal, refletida pelos poderes de cognição dos julgadores na delimitação fática do processo e na natureza e limites do objeto do processo. • Afigurase nula a decisão da esfera administrativa que deixar de apreciar demonstrativos documentais relacionados à matéria em discussão. Sobre o tema transcreve doutrina de James Marins e Alberto Xavier e ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. A Autoridade Julgadora não pode se furtar à análise dos elementos apresentados pela Impugnante, para formar sua convicção, sob pena de proferir decisão em descompasso com a melhor solução aplicável ao caso. Por todo o exposto, requer a Impugnante o reconhecimento do crédito a que faz jus, sob pena de violação ao princípio da verdade material, e a consequente homologação da compensação realizada. Por sua vez, a 3ª Turma da DRJ/BHE ao apreciar a manifestação de inconformidade, entendeu por bem julgála improcedente, ante a não comprovação adequada do crédito informado pela Recorrente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/05/2004 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVA MENSAL PAGA A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10680.914881/200855 Acórdão n.º 1003000.713 S1C0T3 Fl. 4 5 Cientificada da decisão da DRJ, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário que, em síntese, destacou a ausência de dispositivo legal impeditivo à compensação de estimativas de IRPJ e CSLL com débitos próprios da Recorrente, antes, é forçoso concluir que o montante de IRPJ estimativa recolhido a maior do que o efetivamente devido é, de fato, um indébito tributário, cuja restituição ou compensação o contribuinte faz jus imediatamente, nos termos do art. 165 do CTN e da IN nº 900/08. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme relatado, a Recorrente discorda do procedimento fiscal adotado, qual seja, a nãohomologação de compensação declarada por meio de DCOMP eletrônica, transmitida em 09/08/2004. Referida não homologação foi confirmada pela DRJ, sob o argumento de que: (...) "de acordo com o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 460/04, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final ao período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período". Alega, também, que "idêntica disposição foi mantida no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005". Portanto, em suma, o que se discute é a possibilidade legal de a Recorrente utilizar em compensação, via Per/Dcomp, crédito oriundo de estimativas recolhidas indevidamente ou a maior. Defende a Recorrente a correção do seu procedimento de compensação, tendo em vista as provas que acostadas aos autos. Inicialmente, vale ressaltar que sujeito passivo ao apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, tem a possibilidade de utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Fl. 103DF CARF MF 6 Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Destarte, instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré constituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Desta forma, cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. Nestes casos, a Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10680.914881/200855 Acórdão n.º 1003000.713 S1C0T3 Fl. 5 7 O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Assim, somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material1 e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Pois bem, conforme relatado, na decisão de primeira instância de julgamento foi afastada a possibilidade de análise do Per/DComp, sob argumento de que o pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Contudo, entendo de forma diversa amparada pela Súmula CARF nº 84, que é de observância obrigatória pelos membros do CARF2 (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015). Referida Súmula determina que “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa”. Logo, como o pedido inicial da Recorrente referese ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, em meu sentir, ele pode e deveser analisado. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRJ de origem. Ademais, cumpre registrar, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, à Recorrente deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento (Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). 1 Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. 2 Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Fl. 105DF CARF MF 8 Outrossim, os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, impõe, pois, o retorno dos autos a DRJ de origem para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB, nos termos da Súmula CARF nº 84. Ressaltase que todos os documentos constantes nos autos foram analisados. Ante o exposto, VOTO POR DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRJ de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp discutido nos autos. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001698/2010-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005, 2007
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÕES MATERIAIS.
Cabe ser recebido recurso que identifica inexatidões materiais na decisão proferida como embargos inominados, nos termos do art. 66, Anexo II do RICARF, fazendo-se necessária prolação de novo acórdão para providenciar as devidas correções.
Numero da decisão: 9101-004.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados, sem efeitos infringentes, para sanar as inexatidões materiais.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados, sem efeitos infringentes, para sanar as inexatidões materiais. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2007 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÕES MATERIAIS. Cabe ser recebido recurso que identifica inexatidões materiais na decisão proferida como embargos inominados, nos termos do art. 66, Anexo II do RICARF, fazendose necessária prolação de novo acórdão para providenciar as devidas correções. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos Inominados, sem efeitos infringentes, para sanar as inexatidões materiais. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 98 /2 01 0- 18 Fl. 612DF CARF MF Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 9101004.118 CSRFT1 Fl. 613 2 Relatório Tratase de embargos identificados como inominados por despacho de admissibilidade de embargos de efls. 603/607, opostos por SANTANDER SECURITIES (BRASIL) CORRETORA DE VALORES MOBILIARIOS S.A. ("Embargante"), em face do Acórdão nº 9101003.179, de 07 de novembro de 2017, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso especial da ora Embargante. O acórdão embargado apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005,2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Foram opostos embargos suscitando a ocorrência de duas irregularidades, assim descritas pelo despacho de admissibilidade: a) contradição entre as informações contidas no acórdão embargado e aquelas presentes na respectiva ata de julgamento, no que diz respeito, entre outras coisas, ao conselheiro relator, ao impedimento de conselheiro e à quantidade de conselheiros que negou provimento ao recurso especial; b) obscuridade entre as informações contidas no acórdão embargado e aquelas presentes na respectiva ata de julgamento, no que diz respeito a se o julgamento se deu, ou não, pela sistemática de recursos repetitivos. As duas ocorrências foram classificadas pelo despacho de admissibilidade de embargos como inexatidões materiais, razão pela qual o recurso foi identificado como embargos inominados. O recurso foi admitido para que seja submetido à apreciação da turma recorrida as inexatidões materiais apontadas. É o relatório. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 9101004.118 CSRFT1 Fl. 614 3 Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. São embargos classificados como inominados pelo despacho de exame de admissibilidade de embargos de efls. 603/607. De fato, mostrouse precisa a decisão, tendo em vista que as irregularidades apontadas consistem em inexatidões materiais, passíveis de correção por meio da prolação de um novo acórdão, nos termos do art. 66, Anexo II do RICARF: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. As inexatidões materiais consistiram em divergências entre as informações contidas no acórdão embargado e aquelas presentes na correspondente ata de julgamento, no que diz respeito das seguintes ocorrências: (i) a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, equivocadamente indicada como relatora do acórdão embargado, declarouse impedida para participar do julgamento, sendo substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei; (iii) a relatoria, então, ficou à cargo da conselheira Adriana Gomes Rêgo; (iii) este foi retirado do lote de repetitivos, em razão do mencionado impedimento da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio; (iv) foi negado provimento ao recurso por maioria de votos, e não por voto de qualidade como informado no acórdão embargado. (v) apesar de o voto mencionar que o julgamento do processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, trazendo “o acórdão nº 9101003.172, de 07.11.2017, proferido no julgamento do Processo Administrativo nº 10980.726251/201146” em suas razões de decidir, na ata da sessão consta que, na realidade, o processo foi retirado do lote de repetitivos, "devido ao impedimento da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio". Passo ao exame. Primeiro, em relação às inexatidões localizadas no texto do dispositivo da decisão embargada. Assiste razão à Embargante, ao apontar como incorreções no dispositivo do acórdão embargado as informações de que a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio teria participado do julgamento e que teria sido a relatora. De fato, nos termos do consignado Fl. 614DF CARF MF Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 9101004.118 CSRFT1 Fl. 615 4 na ata da sessão, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio não participou do julgamento, e por consequência tampouco foi a relatora do voto. Também assiste razão à Embargante, ao contestar o resultado do dispositivo do acórdão, que informou que, no mérito, teria sido negado provimento ao recurso especial por voto de qualidade. De fato, nos termos do consignado na ata da sessão, foi negado provimento ao recurso especial, por maioria de votos, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra. Segundo, passo a apreciar as inexatidões localizadas no corpo do voto da decisão embargada. Transcrevo excerto do voto: O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.172, de 07.11.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10980.726251/201146. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.172): (...) De fato, assiste razão à Embargante, ao mencionar que o processo foi retirado da sistemática de julgamento de recursos repetitivos, exatamente em razão do impedimento da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. A informação, inclusive, consta na ata da sessão de julgamento: Processo retirado do lote de repetitivos devido ao impedimento da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Assim, devidamente identificadas as inexatidões apontadas, devem ser providenciadas as correções cabíveis. Primeiro, cabe a alteração do texto do dispositivo da decisão embargada, nos termos da tabela na sequência: De: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Adriana Gomes Rêgo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em Exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Fl. 615DF CARF MF Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 9101004.118 CSRFT1 Fl. 616 5 André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Para: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em Exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei e Gerson Macedo Guerra. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Segundo, cabe alterar a redação dos dois parágrafos iniciais do voto da decisão embargada. Transcrevo na tabela a seguir o texto que deve ser alterado: De: O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.172, de 07.11.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10980.726251/201146. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.172): Para: Conheço do recurso especial nos termos do despacho de exame de admissibilidade e passo ao exame do mérito. Terceiro, cabe alterar a redação do último parágrafo da decisão embargada, nos termos da tabela a seguir: Fl. 616DF CARF MF Processo nº 16327.001698/201018 Acórdão n.º 9101004.118 CSRFT1 Fl. 617 6 De: Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no mérito, em negolhe provimento. Para: Diante do exposto, conheço do Recurso Especial e, no mérito, negolhe provimento. Com as correções efetuadas, ficam sanadas as irregularidades apontadas pela Embargante. Diante do exposto, voto no sentido de acolher os embargos como inominados, sem efeitos infringentes, para efetuar as correções das inexatidões materiais nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 617DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.900163/2006-78
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 09825.86871.290903.1.3.032890 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 01 63 /2 00 6- 78 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10660.900163/200678 Acórdão n.º 1003000.631 S1C0T3 Fl. 301 2 em 29.09.2003, fls. 0210, utilizandose do saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor original de R$356.225,90, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2002 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Parecer DRFB/VAR/SAORT nº 0735/2007, fls. 7780, os seguintes fundamentos: Analisando os documentos que instruem os autos, especialmente a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, períodos de apuração 2002 (fls. 12 a 19), mais precisamente a ficha 17 (fl. 19), constatase que foi apurado saldo negativo de CSLL, porém em valor inferior ao declarado pelo interessado, já que o saldo negativo de 2001 confirmado, que fora utilizado para quitar parte das estimativas dos meses de janeiro e junho de 2002, foi insuficiente, restando um saldo devedor em aberto no valor de R$ 33.737,82, referente à estimativa de junho de 2002 (fl. 71). Tal saldo devedor foi glosado do saldo negativo apurado em 2002, conforme se verifica na tabela abaixo: RESUMO DA APURAÇÃO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE VALORES CONFIRMADOS DIFERENÇA Anual Devido R$5.934.179,99 R$5.934.179,99 R$0,00 Estimativas Mensais R$6.290.405,89 R$6.256.668,07 R$33.737,82 Saldo Negativo R$356.225,90 R$322.488,08 R$33.737,82 As estimativas mensais apuradas na ficha 16 (fls. 15 a 18), no valor total de R$ 6.256.668,07, foram quitadas parte por meio de compensação de saldo negativo de CSLL, apurado em 2001, nos meses de janeiro e junho, conforme as DCTF do período (fls. 20 e 25), parte com pagamentos, no restante dos meses; 'confirmados por meio do sistema SINAL (fl. 29). Mister ressaltar que a estimativa de novembro, apurada no valor de R$ 568.975,06 foi quitada por meio de um pagamento de valor R$ 739.529,41. Todavia, a diferença a maior (R$ 170.554,35) foi utilizada na DCOMP n° 22799.41658.290903.1.3.04 6854, para quitar a outra parte do débito de IRPJ do período de apuração de agosto de 2003 (fls. 38 a 49). Para Confirmar a origem do saldo negativo do período de 2001, foi analisada a DIPJ (fls. 50 a 57), bem como a DCTF (fls. 58 a 68) e a tela do sistema SINAL (fl. 69), constatandoseque foi apurado saldo negativo de CSLL, porém em valor inferior ao declarado pelo interessado, já que a estimativa de julho, apurada na DIPJ no valor de R$ 645.351,80 (fl. 55), foi declarada em DCTF no valor de R$ 615.031,35 (fl. 64) e paga no mesmo montante (fl. 69). Esta diferença (R$ 30.320,45) foi glosada do saldo negativo apurado, conforme demonstrado na planilha abaixo: RESUMO DA APURAÇÃO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE VALORES CONFIRMADOS DIFERENÇA Anual Devido R$4.129.277,71 R$4.129.277,71 R$0,00 Estimativas Mensais R$4.292.039,68 R$ 4.261.719,23 R$30.320,45 Saldo Negativo R$162.761,97 R$132.441,52 R$30.320,45 Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10660.900163/200678 Acórdão n.º 1003000.631 S1C0T3 Fl. 302 3 A planilha de fl. 70 resume que foi relatado alhures. Partindo do saldo negativo de 2002 confirmado, foi operacionalizada a compensação no sistema SIEF, amortizando parcialmente o débito objeto da DCOMP n° 09825.86871.290903.1.3.032890, conforme extratos dos sistemas SIEF (fls. 72 a 76). [...] Tendo em vista o Parecer DRFNAR/SAORT n° 0735/2007, que aprovo, HOMOLOGO PARCIALMENTE a DCOMP Eletrônica n° 09825.86871.290903.1.3.032890 na forma em que foi operacionalizada no sistema SIEF (fls 72 a 76). Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/JFA/MG nº 0921.517, de 12.11.2008, fls. 137139: COMPENSAÇÃO O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão da DCOMP. RETIFICAÇÃO DE DCTF: A manifestação de inconformidade não é hábil para tais procedimentos. Solicitação Indeferida Notificada em 03.12.2008, fl. 142, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.12.2008, fls. 143153, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: III.1 DOS FATOS. III.1.1. DIPJ/2001 ANO CALENDÁRIO 2.000. 9. Quando da entrega da DCTF do quarto trimestre do anocalendário de 2.000 não foi percebido pela Requerida que a mesma não havia informado o valor do débito do mês de dezembro, do código 24841, CSLL Contribuição Social s/Lucro Líquido. Entretanto, este valor fora devidamente declarado na DIPJ do ano calendário de 2.000. 10. Diante deste fato, verificouse que esta incorreção gerava algumas inconsistências, visto que, o total declarado em época oportuna para o período de outubro, novembro e dezembro de 2.000 foi de R$ 631.573,32 (R$ 277.215,92, para outubro + R$ 354.357,40 para novembro), quando o correto seria declarar R$ 941.971,60 (R$ 284.233,02, para outubro + R$ 354.357,41 para novembro + R$ 303.381,17, para dezembro). 11. Visando demonstrar matematicamente esse equívoco e que refletia diretamente no teor do despacho decisório, a Requerida houve por bem em reproduzir na tabela abaixo a conciliação dos valores declarados na DCTF do ano calendário de 2.000, com os débitos de CSLL efetivamente apurados e declarados na DIPJ: [...] Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10660.900163/200678 Acórdão n.º 1003000.631 S1C0T3 Fl. 303 4 12. Importante frisar que com base nas conciliações acima e na tabela abaixo, ambas demonstram os débitos devidos, as compensações realizadas e valores de DARFs efetivamente solvidos. Com isto, constatamos que a Requerida nesse ano calendário apurou um saldo de pagamento a maior na liquidação da estimativa de dezembro no valor de R$ 27.924,53 (vinte e sete mil, novecentos e vinte e quatro reais e cinqüenta e três centavos), o qual, é oriundo do DARF no valor de R$ 331.305,70. [...] III.1.2. — DIPJ/2002 — ANO CALENDÁRIO 2.001. 13. Como conseqüência do ocorrido no ano calendário de 2.000, constatamos que no calendário de 2.001, na DCTF do terceiro trimestre, no mês de julho, o valor do débito foi declarado erroneamente, bem como, faltou declarar a compensação efetuada com o saldo de pagamento a maior gerado na liquidação da estimativa do mês de dezembro de 2.000. Assim, e, corrigindo ambas informações, temos: valor do débito apurado R$ 645.351,80 Compensação de pagamento indevido ou a maior R$ 30.320,45. [...] 14. Com essas correções, passase a demonstrar como fica a apuração mensal e anual da CSLL do ano calendário de 2.001: [...] 15. Conforme demonstrado acima, para a compensação da estimativa de CSLL do mês de junho de 2.001 foi utilizado o saldo de pagamento a maior apurado na liquidação da estimativa, de CSLL do mês de dezembro no ano calendário de 2.000, atualizado pela SELIC. 16. Também podemos extrair das tabelas acima que, o valor devido em junho de 2.001 foi de R$ 645.351,80 e o mesmo foi liquidado em parte com o pagamento do DARF no valor de R$ 615.031,35 e outra parte com o saldo de pagamento a maior de CSLL gerado na liquidação da estimativa do mês de dezembro de 2.000 corrigido pela SELIC e no valor de R$ 30.320,45, totalizando assim R$ 645.351,80. 17. Dessa forma, resta demonstrado pontualmente que as inconsistências existem apenas no que tange ao preenchimento de informações equivocadas no ano calendário de 2.000 e no ano calendário de 2.001, vez que, caso estivessem corretas e contemplando os valores ora explanados, e que são passíveis de sua correção de oficio pelo Fisco, comprovam que a diferença de R$ 30.320,45 apresentada na intimação como redução no saldo negativo de CSLL do exercício de 2.001 não procede, sendo o valor correto aquele que foi apresentado na DIPJ entregue, ou seja, de R$ 162.761,97. III.1.3. — DIPJ/2003 — ANO CALENDÁRIO 2.002. 18. Com relação a este ano calendário de 2.002, a Requerida constatou que as DCTFs entregues estão corretas, refletindo corretamente todos os débitos e compensações efetuadas, conforme demonstramos nas apurações mensais e a anual do ano calendário de 2002, que seguem abaixo: [...] 19. Conforme exposto acima, a redução do saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2.002, no valor de R$ 33.737,82 apresentada na intimação também não procede, pois, como já demonstrado, o saldo negativo do ano calendário de 2.001 não teve redução, estando, portanto, correto. 20. Sendo assim, o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2.001 utilizado nas compensações dos meses de janeiro e maio de 2.002 revelamse totalmente suficientes para justificar as compensações em análise. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10660.900163/200678 Acórdão n.º 1003000.631 S1C0T3 Fl. 304 5 III.2 DO DIREITO. 21. Diante dos fatos acima descritos, vislumbramos que, no momento da apresentação de sua manifestação de inconformidade, a Recorrente houve por bem proceder com a retificação da DCTF relativa ao período em que se apurou um recolhimento a maior, o que é perfeitamente possível, nos termos dos artigos 145, inciso I c/c artigo 147, § 1° c/c artigo 165, incisos I e II, todos do Código Tributário Nacional, aliado a jurisprudência firmada por este Egrégio Conselho [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: 22. Portanto, em que pese o fundamento do v. Acórdão recorrido, uma vez procedida a retificação da DCTF pela Recorrente, bem com, comprovado a e existência do pagamento a maior conforme demonstrado na aludida retificação, emerge o direito a Recorrente de proceder com a compensação apresentada relativa ao referido período, no próprio processo de pedido de compensação, vez que a inexistência inicial de crédito ocorreu devido a um erro material no preenchimento da DCTF, restando sanado tal equívoco por ocasião de sua retificação. 23. Com efeito, impõese a reforma do v. Acórdão "a quo", a fim de que seja declarado como inexistente/extinto o débito tributário apurado no despacho originário, bem como ainda, seja deferida a compensação requerida originalmente no processo de DCOMP, com o acolhimento e homologação de sua Declaração de Compensação n° 09825.86871.290903.1.3.032890 nos termos supra apresentados e como conseqüência, que seja cancelado o débito gerado no processo n° 10660.900716/200692 e no montante de R$ 71.867,41 (setenta e um mil oitocentos e sessenta e sete reais e quarenta e um centavos) em 31.01.2008. 24. Por todo o exposto e, por mais que dos autos constam, ao qual pedimos vênia para fazer parte integrante dessas RAZÕES RECURSAIS, pede e espera a recorrente que esse Egrégio Conselho, através dos seus nobres julgadores e, após apreciar a matéria, haja por bem acolher sua fundamentação, dando TOTAL PROVIMENTO AO SEU RECURSO, reformando o v. Acórdão "a quo", nos termos supra mencionados, pois assim fazendo, encontrarseão praticando a mais pura e cristalina JUSTIÇA! (grifos do original) Está registrado no excerto do voto condutor da Resolução da 3ª TE/1ª Seção nº 1003000.014, de 02.10.2018, efls. 174181: Tendo em vista a apresentação das DCTF retificadoras em sede de litígio de Per/DComp nos presentes autos, bem como do início de prova produzido pela Recorrente e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto em converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente cotejar as informações fornecidas pela Recorrente com os registros internos da RFB para aferir a verossimilhança, a clareza, a precisão e a congruência das informações constantes no Per/DComp nº 09825.86871.290903.1.3.032890, fls. 0210, em face da apresentação das DCTF retificadoras dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, cuja cópias devem ser juntadas aos presentes autos, e das orientações constantes no Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10660.900163/200678 Acórdão n.º 1003000.631 S1C0T3 Fl. 305 6 de 2015. Ainda os autos devem ser instruídos, se houver, com a relação dos pagamentos efetuados nos anos calendário de 2000, 2001 e 2002 e os Per/DComp em que foram utilizados os direitos creditórios dos saldos negativos de CSLL dos anos calendário de 2000 e 2001. A autoridade designada para cumprir a diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de saldo negativo de CSLL no valor original de R$356.225,90, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2002. A autoridade administrativa elaborou o Relatório Fiscal, efls. 291295, do qual a Recorrente intimada permaneceu silente. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10660.900163/200678 Acórdão n.º 1003000.631 S1C0T3 Fl. 306 7 natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10660.900163/200678 Acórdão n.º 1003000.631 S1C0T3 Fl. 307 8 documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza1. Tendo em vista as alegações constantes na peça de defesa da Recorrente, que está instruída com os motivos de fato e de direito em que se fundamentava, os pontos de discordância e as razões e provas que possuía, a autoridade julgadora determinou a realização de diligência por entendêla necessária, de acordo com a Resolução da 3ª TE/1ª Seção nº 1003 000.014, de 02.10.2018, efls. 174181 (art. 15 e art. 18 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Consta no Relatório Fiscal, efls. 291295: Lembrando que o relatório, conforme solicitado na Resolução citada acima, se baseia em informações fornecidas pela recorrente em confronto com os dados extraídos dos sistemas internos da RFB, sendo mais específico, em consulta aos sistemas DIPJ, DCTF e SIEF, fls. 184/290. Iniciamos pelo Saldo Negativo de CSLL apurado no anocalendário de 1999, em que, de acordo com os registros dos sistemas da RFB apresentam os seguintes dados: [...] Como se vê, foi um apurado para um anocalendário de 1999, um Saldo Negativo de CSLL no valor de R$ 189.554,75. Para o anocalendário de 2000, formatamos a planilha a seguir: [...] Para este anocalendário, cabe informar que o valor de R$ 194.217,80 utilizado para compensar a estimativa de janeiro, corresponde ao valor do Saldo 1 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10660.900163/200678 Acórdão n.º 1003000.631 S1C0T3 Fl. 308 9 Negativo de CSLL apurado para o anocalendário de 1999, corrigido de acordo com o Ato Declaratório SRF Nº 3, de 07 de janeiro de 2000, [...]. Quanto à compensação do valor de R$ 7.017,11 do período de apuração de outubro de 2000, a mesma corresponde ao recolhimento a maior referente ao período de apuração de setembro de 2000, no montante de R$ 6.947,63, corrigido monetariamente (hum por cento – legislação Selic). Também cabe destacar a diferença entre a DIPJ e a DCTF das estimativas apuradas para setembro e outubro e, ainda, que o valor de R$ 331.305,70 foi recolhido sob o código 6773 (Apuração Anual de CSLL) e se encontra totalmente alocado para esse período. Desse modo, concluímos que a empresa apurou, de acordo com a tabela acima, um Saldo Negativo de CSLL para o anocalendário de 2000 no montante de R$ 27.855,05. Seguindo a descrição dos fatos, elaboramos a planilha abaixo com os dados do anocalendário de 2001: [...] Nesse anocalendário houve uma diferença entre a DCTF e a DIPJ para o mês de julho. O contribuinte utilizou como valor devido o apurado na DIPJ, inclusive, utilizando para complementar o pagamento, uma compensação com o Saldo Negativo do anocalendário de 2000, que corrigido monetariamente alcançou o montante de R$ 30.320,45. Sendo assim, podemos inferir que o contribuinte apurou um Saldo Negativo de CSLL para o anocalendário de 2001 de R$ 162.761,97. Seguindo o mesmo raciocínio, elaboramos a tabela abaixo com os dados do anocalendário de 2002. [...] Algumas considerações a serem feitas: a) A estimativa de janeiro foi quitada com parcela corrigida do Saldo Negativo de CSLL apurada no anocalendário de 2001; b) A estimativa de junho de 2002, foi quitada com o somatório referente ao pagamento de R$ 707.128,78, mais a compensação do valor de R$ 90.000 recolhida a maior referente à estimativa de maio de 2002 e, ainda, com o restante do Saldo Negativo de CSLL apurada no anocalendário de 2001 corrigida de acordo com a legislação já citada. Diante do exposto, chegase à conclusão que o Saldo Negativo de CSLL apurado na DIPJ/2003, anocalendário de 2002, corresponde ao montante de R$ 356.225,93 (trezentos e cinquenta e seis mil, duzentos e vinte e cinco reais e noventa e três centavos). O alegado engano se subsume no conceito de erro material. Verificase que a informação de que há saldo negativo de CSLL no valor original de R$356.225,90, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2002 para compensação dos débitos ali confessados pode ser considerada correta, pois foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciam como acertadas as alegações constantes no recurso voluntário. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10660.900163/200678 Acórdão n.º 1003000.631 S1C0T3 Fl. 309 10 Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 309DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.910764/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 23/12/2011
COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO.
Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.053
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 23/12/2011 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 23/12/2011 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 07 64 /2 01 2- 61 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13888.910764/201261 Acórdão n.º 3401006.053 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, sob o fundamento da integral vinculação do crédito indicado a outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. A decisão de 1ª instância julgou o recurso improcedente ao argumento de que não havia prova exaustiva da liquidez e certeza do crédito vindicado, pois não foram juntados os registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido. O Recurso Voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos autos à unidade de origem para revisão do despacho eletrônico, por força do Parecer Normativo Cosit nº 02/2015; e ratificou as alegações já deduzidas em primeira instância quanto ao direito pleiteado. Foram anexados à peça recursal o ADE nº 53/06 (CARTEPILLAR BRASIL LTDA, admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas. Considerando a documentação carreada aos autos pela Recorrente no Recurso Voluntário, este Colegiado converteu o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse acerca da procedência e quantificação do direito creditório, bem como da disponibilidade e da suficiência do crédito para a compensação pretendida. O processo retornou para julgamento com Informação Fiscal no sentido da procedência, disponibilidade e suficiência do crédito para extinguir o débito declarado no PER/DCOMP. A Recorrente ratifica as razões recursais. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.017, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.910728/201205. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.017): "A controvérsia posta nos autos cingiase à existência de crédito de COFINS decorrente de pagamento a maior no valor de R$ 36.019,17 (competência MAI/2008), recolhido mediante DARF, Fl. 235DF CARF MF Processo nº 13888.910764/201261 Acórdão n.º 3401006.053 S3C4T1 Fl. 4 3 hábil a ser compensado com débito do mesmo tributo no valor de R$ 19.860,91 (competência AGO/2012). O feito tramitou em 1ª instância sem que a Recorrente fizesse prova suficiente do indébito, posto que alegava ser beneficiária da suspensão do tributo por vender mercadorias à pessoa jurídica habilitada no RECOF sem juntar os respectivos documentos contábeis e fiscais que espelhassem as operações. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente supriu tal carência probatório, de modo que este Colegiado resolveu converter o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse conclusivamente acerca da procedência, disponibilidade e suficiência do direito creditório. Assento pois as informações apresentadas pela autoridade fiscal em sede de diligência: 3. Em nossa análise verificamos que o crédito alegado pelo contribuinte na Dcomp (R$ 36.019,17), encontrase disponível para compensação, em nossos sistemas, após as retificações efetuadas na DCTF e DACON, relativas ao período de apuração 05/2008. A emissão Despacho Decisório de nº de Rastreamento 042024158 foi realizada em 03/01/2013 e as retificações citadas foram realizadas em 29/01/2013 e 30/01/2013, respectivamente. Portanto, não havia saldo disponível quando da emissão do Despacho Decisório, o que motivou seu indeferimento inicial. 4. Ademais, da análise do Livro de Registro de Entradas e Saídas, do DACON, dos documentos fiscais apresentados pela recorrente e tendo em vista que as notas fiscais apresentadas são de venda de produtos a empresa beneficiária do RECOF e, por consequência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, dentro das condições previstas no ADE nº 53, de 24 de julho de 2006 e da IN SRF 417/2004 (alterada pela IN SRF 547/2005 e posteriores), concluímos que a manifestante faz jus a compensação dos créditos de R$ 36.019,17, de Cofins (cód. 5856), período de apuração 30/05/2008, demonstrados na Dcomp nº 28653.88994.190912.1.3.046142. Conforme verificamos nos relatórios do Sistema de Apoio Operacional (fls. 198 a 200), o crédito utilizado na Dcomp tratada nesse processo é suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 19.860,91, Cofins (5856), vencido em 25/09/2012). O saldo do crédito não utilizado nessa Dcomp foi utilizado em outra Dcomp relacionada, de nº 04211.25185.270912.1.3.040704, tratada no processo nº 13888.910730/201276, sendo que também nessa Dcomp relacionada o crédito utilizado também foi suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 30.778,44, CSLL (2484), vencido em 28/09/2012), conforme vemos no relatório de fls. 200. (grifo nosso) É de se concluir que, ante a informação de que o crédito existe, está disponível e é suficiente para se homologar a compensação pretendida, cai por terra a matéria antes controvertida, de modo Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13888.910764/201261 Acórdão n.º 3401006.053 S3C4T1 Fl. 5 4 que deve ser acolhido o resultado da diligência para se reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada no PER/DCOMP 28653.88994.190912.1.3.046142. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720497/2015-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora esclareça fundamentadamente, à luz dos argumentos recursais contidos no item subitem 2.2.3 do recurso voluntário (fls. 2135/2138), dos documentos ali referidos, e da escrituração digital e folhas de pagamento do recorrente, juntadas aos autos conforme respectivos comprovantes de entrega, se é cabível a dedução do lançamento, que diz respeito ao ano-calendário 2012, de valores já pagos no 2º semestre de 2011, a título de antecipação da 1ª parcela do PLR/2011, e, sendo o caso, aponte as alterações correspondentes a serem consequentemente realizadas na base de cálculo da autuação. Na sequência, deverá ser facultada oportunidade, via intimação, para o recorrente se manifestar sobre o resultado da diligência, com o posterior retorno ao CARF para prosseguimento do feito.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora esclareça fundamentadamente, à luz dos argumentos recursais contidos no item subitem 2.2.3 do recurso voluntário (fls. 2135/2138), dos documentos ali referidos, e da escrituração digital e folhas de pagamento do recorrente, juntadas aos autos conforme respectivos comprovantes de entrega, se é cabível a dedução do lançamento, que diz respeito ao ano-calendário 2012, de valores já pagos no 2º semestre de 2011, a título de antecipação da 1ª parcela do PLR/2011, e, sendo o caso, aponte as alterações correspondentes a serem consequentemente realizadas na base de cálculo da autuação. Na sequência, deverá ser facultada oportunidade, via intimação, para o recorrente se manifestar sobre o resultado da diligência, com o posterior retorno ao CARF para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora esclareça fundamentadamente, à luz dos argumentos recursais contidos no item subitem 2.2.3 do recurso voluntário (fls. 2135/2138), dos documentos ali referidos, e da escrituração digital e folhas de pagamento do recorrente, juntadas aos autos conforme respectivos comprovantes de entrega, se é cabível a dedução do lançamento, que diz respeito ao anocalendário 2012, de valores já pagos no 2º semestre de 2011, a título de antecipação da 1ª parcela do PLR/2011, e, sendo o caso, aponte as alterações correspondentes a serem consequentemente realizadas na base de cálculo da autuação. Na sequência, deverá ser facultada oportunidade, via intimação, para o recorrente se manifestar sobre o resultado da diligência, com o posterior retorno ao CARF para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andrea de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) DRJ/FOR, que julgou procedente Autos de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 49 7/ 20 15 -1 2 Fl. 2204DF CARF MF Processo nº 15586.720497/201512 Resolução nº 2202000.868 S2C2T2 Fl. 2.199 2 Infração (fls. 03/153) compreendendo os períodos de apuração de 01/01/2012 a 31/12/2012, relativos a obrigações principais e acessórias previdenciárias. Tais autuações se deram frente a constatação de pagamentos de participação nos lucros ou resultados a segurados empregados e contribuintes individuais diretores e membros do conselho de administração em desacordo com a legislação. A instância de piso assim descreve os termos da autuação e da impugnação (fls. 2097/2098): Consta do Relatório Fiscal da Infração, fls. 128/153, que: o contribuinte pagou aos empregados, diretores não empregados e membros do conselho de administração as rubricas 1340 – PLR e 1342 – Antecipação PLR, decorrentes de PLR Participação nos Lucros e Resultados, conforme previsto na Lei 10.101/2000. o contribuinte não apresentou à fiscalização plano de metas ou critérios que justificassem o pagamento de PLR, infringindo o previsto no art. 2º, § 1º, da Lei 10.101/2000. não há previsão de não incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento de PLR a contribuintes individuais – diretores não empregados e membros do conselho de administração , nos termos da Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, “j”. a fiscalização preparou as planilhas I a VI, nas quais detalha os valores pagos a título de PLR, identificando os períodos e os beneficiários. os fatos geradores foram categorizados em levantamentos, de acordo com a natureza da obrigação. foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais diante da ocorrência, em tese, dos crimes de Sonegação de Contribuição Previdenciária e Crime Contra a Ordem Tributária. Cientificado do lançamento por meio de mensagem em caixa postal, esta ocorrida em 26/10/2015, o contribuinte apresentou impugnação em 27/11/2015, na qual alega que: Preliminar 2.1) DA PRELIMINAR DA VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. a fiscalização se limita a afirmar que o pagamento de PLR violou a legislação, mas não esclarece os requisitos que deixaram de ser cumpridos pela empresa. Dessa forma, houve clara violação ao Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa. transcreve decisão do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que trata de nulidade de lançamento por desrespeito ao art. 10 do Decreto 70.235/72 e art. 142 do CTN. Mérito Fl. 2205DF CARF MF Processo nº 15586.720497/201512 Resolução nº 2202000.868 S2C2T2 Fl. 2.200 3 2.2.1) DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (PARTE EMPRESA, SAT/RAT E TERCEIROS) SOBRE A VERBA PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR. a participação nos lucros e resultados não constitui base de cálculo de contribuição previdenciária de empregados ou contribuintes individuais, conforme disposto no art. 7º, Inciso XI, da Constituição Federal e artigo 22, § 2º, da Lei 8.212/1991. transcreve decisão do CARF que trata da extensão da não incidência de contribuição previdenciária sobre PLR paga a segurados não empregados. 2.2.2) DO PAGAMENTO DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DE ACORDO COM A LEI 10.101/2000. a impugnante aderiu nos anos 2011 e 2012 a "CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO SOBRE PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DOS BANCOS", nas quais havia expressa previsão de participação nos lucros, conforme cláusulas 1ª a 3ª dos referidos acordos (fls 1924/1927). a fim de comprovar a existência de regra clara e objetiva de participação nos resultados a impugnante confeccionou demonstrativo de cálculo de PLR nos Exercícios 2011 e 2012. não há necessidade de elaboração de metas individuais. transcreve decisão do CARF abonadora da tese defensiva. 2.2.3) DO PAGAMENTO DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS – PLR NO ANO DE 2012 a fiscalização deixou de compensar a segunda parcela do PLR sobre o lucro da empresa em 2011 e paga apenas em 2012. Não obstante impugnada (fls. 1914/1936), a exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 2095/2104), em decisão cuja ementa a seguir se transcreve: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. O Programa de Participação nos Resultados tem como característica implícita e necessária a fixação de metas objetivas, de modo que o empregado possa identificar os esforços que poderão alcançálas, bem como quando ocorre o seu atingimento. A ausência de especificação de metas para o pagamento de PLR afasta a validade do Programa, de modo que os valores pagos aos empregados devem ser considerados base de cálculo da contribuição previdenciária. O recurso voluntário foi interposto em 20/04/2016 (fls. 2216/2138), sendo nele repisados, em linhas gerais, os argumentos da impugnação. Fl. 2206DF CARF MF Processo nº 15586.720497/201512 Resolução nº 2202000.868 S2C2T2 Fl. 2.201 4 Ainda, com relação à alegada ausência de dedução do adiantamento da PLR, irresignase quanto à adução da decisão contestada no sentido de que a pretensão foi desacompanhada de prova, e refere os documentos juntados por ocasião do procedimento fiscal e à impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Compulsando os autos, verificase que o recurso é tempestivo, porém há certas questões que devem ser esclarecidas antes do prosseguimento do julgamento. O contribuinte vem aduzindo, desde a impugnação, que a fiscalização incorreu em erro na apuração da base de cálculo da infração. Para a aferição dessa base, a auditoria teria considerado a 1ª parcela do PLR/2012, bem como a 2ª parcela do PLR/2011, paga no primeiro semestre de 2012. Porém, com relação a essa 2ª parcela do PLR/2011, não teria sido descontado o adiantamento da mesma PLR que já fora pago no decorrer do 2ª semestre de 2011. A decisão de piso considerou não comprovadas as alegações da impugnação, nos seguintes singelos termos (fl. 2102): A impugnante elaborou planilha informando os valores pagos a título de 2ª parcela de PLR do ano 2011 e paga em 2012, na qual alega que a fiscalização deixou de deduzir a rubrica 2270 (liquidação Adiantamento PLR) para os Diretores não Empregados. Entendo que a impugnante não se desincumbiu de comprovar sua alegação, visto que não anexou à peça defensiva documento de prova, que poderia ser as folhas de pagamento ou registros contábeis. A simples alegação, desacompanhada de prova não tem o condão de desfazer o lançamento, visto que este foi elaborado com base em arquivos digitais fornecidos pelo próprio contribuinte e representa os pagamentos da empresa a título de PLR. No seu recurso voluntário, o autuado aduz que, além de ter circunstanciado de forma ilustrativa via planilhas o ponto controverso, entregou ao Fisco, ao contrário do referido pela decisão de primeiro grau, elementos suficientes para a comprovação de seu direito. Nesse sentido, além de relatórios e planilhas inseridas no corpo do recurso, bem como o acompanhando (fls. 2058/2270), alude à entrega dos arquivos Manad à fiscalização em 02/02/2005 consoante "Recibo de Entrega de Arquivos Digitais" (fls. 952) atesta. Com efeito, não procede a fundamentação da DRJ/FOR nesse aspecto. De acordo com o referido recibo, o contribuinte carreou aos autos os arquivos de folhas de pagamento necessários para o exame de suas razões quanto à suposta não dedução de parte do PLR/2011, pago no 2ª semestre de 2011, do total lançado a esse título no primeiro semestre de 2012. Fl. 2207DF CARF MF Processo nº 15586.720497/201512 Resolução nº 2202000.868 S2C2T2 Fl. 2.202 5 Ademais, os registros contábeis envolvidos também foram apresentados no curso do procedimento fiscal, conforme evidenciado pelos documentos "Requisição de cópia de escrituração contábil digital", às fls. 914 e ss, possibilitando, de maneira ampla, a análise do arrazoado do contribuinte. Entendese que, à vista da argumentação do recorrente, e estando os elementos probatórios a que se refere juntados ao processo desde o procedimento fiscal, impõese o retorno dos autos à autoridade lançadora para que esta se pronuncie acerca das alegações recursais. Ante o exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora esclareça fundamentadamente, à luz dos argumentos recursais contidos no item subitem 2.2.3 do recurso voluntário (fls. 2135/2138), dos documentos ali referidos, e da escrituração digital e folhas de pagamento do recorrente, juntadas aos autos conforme respectivos comprovantes de entrega, se é cabível a dedução do lançamento, que diz respeito ao anocalendário 2012, de valores já pagos no 2º semestre de 2011, a título de antecipação da 1ª parcela do PLR/2011, e, sendo o caso, aponte as alterações correspondentes a serem consequentemente realizadas na base de cálculo da autuação. Na sequência, deverá ser facultada oportunidade, via intimação, para o recorrente se manifestar sobre o resultado da diligência, com o posterior retorno ao CARF para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 2208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725849/2009-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte.
Numero da decisão: 9202-007.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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NATUREZA SALARIAL. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 58 49 /2 00 9- 14 Fl. 294DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte contra o Acórdão n.º 280201.151 proferido 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 26 de outubro de 2011, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 128: IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10580.725849/200914 Acórdão n.º 9202007.816 CSRFT2 Fl. 3 3 No que se refere ao Recurso Especial interposto, fls. 214 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 269 e seguintes, para rediscutir a URV parcelas de natureza indenizatória. Em seu recurso, aduz o Contribuinte, em síntese, que: a) violação da súmula CARF n.º 2 e do artigo 62 do RICARF, devido ao afastamento de legislação tributária fundada em incompatibilidade com artigo da constituição federal; b) ilegitimidade da União para figurar no pólo ativo dessa relação jurídicotributária; c) imprestabilidade da base de cálculo na forma em que se encontra; d) natureza indenizatória da URV, conforme de depreende do Acórdão n.º 2102001.337; e) não incidência dos juros de mora sobre o IR cobrado. Intimada, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, fls. 281 e seguintes, alegando, em síntese: a) nenhuma das leis que dispõem sobre o tema ora tratado (Leis 9.655/98, 10.474/02, 10.477/02) exime a tributação de imposto de renda sobre a parcela discutida; b) não há impedimento a que a lei estadual faça referencia à lei federal, desde que não haja invasão das esferas de competência constitucionalmente delimitadas; c) ainda que a lei estadual dispusesse sobre a incidência de IRPF, estaria disciplinando matéria afeta à União, o que viola o artigo 153, III da Constituição Federal. Aceitar essa possibilidade significaria evidente ofensa à lei tributária; d) o legislador foi claro ao determinar a incidência de IRPF sobre o rendimento bruto, ressalvado o teor dos artigos 9º a 14 da mesma Lei, onde não consta qualquer referência ao abono discutido no caso em apreço. Ademais, pouco importa a denominação da parcela tributada, se títulos, direitos, origem, bastando que haja benefício do contribuinte de qualquer forma e a qualquer título; e) acórdão recorrido merece ser mantido pois o lançamento se encontra em consonância com a legislação tributária. Foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mas foi inadmitido, nos termos do Despacho de Reexame de Admissibilidade de fls. 168 e seguintes. É o relatório. Fl. 296DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os demais requisitos de admissibilidade. Argumenta o Recorrente, em síntese, a não incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV, considerando a natureza indenizatória de tais verbas. A primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser analisado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Entendo que os valores recebidos pelos contribuintes decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Ministério Público da Bahia, foi publicada uma Lei Estadual (LC 20/2003) que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Cabe destacar que a inaplicabilidade da LC 20/2003 não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pela recorrente, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Desse modo, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. Ainda que fosse caracterizada como indenizatória a verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente a incidência do imposto de renda, não havendo lei concessiva de isenção apta a afastar a tributação, nesse caso. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10580.725849/200914 Acórdão n.º 9202007.816 CSRFT2 Fl. 4 5 (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 298DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001453/2005-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Numero da decisão: 1302-003.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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FREIRE DA SILVA C. LTDAME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 14 53 /2 00 5- 05 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10240.001453/200505 Acórdão n.º 1302003.514 S1C3T2 Fl. 103 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em relação ao Acórdão nº 0113.558, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 75 a 77), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2000, 2003 DCTF/2000. PESSOA JURÍDICA ATIVA. Em caso de entrega intempestiva da DCTF, por pessoa jurídica ativa (no período objeto de lançamento), a multa correspondente deve ser mantida. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA/2003. PESSOA JURÍDICA INATIVA. Em caso de apresentação da Declaração Simplificada, por pessoa jurídica inativa (no período objeto de lançamento), a multa correspondente deve ser cancelada." O presente processo decorre de autos de infração relativos a multas por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF, referentes aos quatro trimestres do anocalendário de 2000 (fl. 25) e a multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada de Inatividade referente ao anocalendário de 2003 (fl. 27). O sujeito passivo, por meio do documento de fl. 3, solicitou o cancelamento das referidas declarações, por ter procedido à baixa da pessoa jurídica, em 27/09/2002, e das respectivas multas, bem como a disponibilização dos valores recolhidos a título de multa, para alocação a outros débitos e devolução. Por provocação do Despacho de fl. 69, foi formalizado o processo nº 10240.000172/200799, para tratamento do auto de infração relativo à multa da Declaração Simplificada (fl. 73). A decisão de primeira instância considerou que, como a pessoa jurídica foi extinta apenas em 27/09/2002, era devida a multa por atraso na entrega das DCTF relativas ao ano de 2000, sendo indevida apenas a multa referente à Declaração Simplificada do ano calendário de 2003. Após a ciência, o sujeito passivo principal apresentou o Recurso Voluntário de fls. 83 a 85, no qual alega que as multas relativas à DCTF são indevidas, uma vez que a empresa seria optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Sustenta, ainda, que seriam indevidos todos os pagamentos relativos às multas de que tratam o presente processo, apontando conta bancária para crédito. É o Relatório. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10240.001453/200505 Acórdão n.º 1302003.514 S1C3T2 Fl. 104 3 Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 09 de julho de 2009 (fl. 82), tendo apresentado Recurso Voluntário em 20 de julho de 2009 dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado pelo responsável legal da Recorrente. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso VI, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Ocorre que o cotejo entre a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo (fl. 3) e o recurso ora tratado permite a constatação de que a matéria contida neste último apelo não foi trazida naquela primeira peça. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. É patente que a matéria trazida no recurso de fls. 83 a 85 não se encaixa nas exceções acima tratadas, de modo que se torna imperioso o reconhecimento da preclusão do direito do Recorrente em trazêla aos autos neste momento, quando deveria ter sido alegada na manifestação de inconformidade. Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de Direito .Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10240.001453/200505 Acórdão n.º 1302003.514 S1C3T2 Fl. 105 4 exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." É exatamente o caso dos presentes autos. Se o Recorrente se limitou, em sua Manifestação de Inconformidade, a alegar a ocorrência de baixa, como motivo para estar desobrigado da apresentação das DCTF, não pode, em sede de Recurso ao CARF, inovar completamente o seu argumento de defesa, para trazer matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele primeiro recurso, qual seja a sua suposta opção pelo Simples. A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual o mesmo autor (Curso de Direito Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." Há diversos precedentes, no âmbito de todas as Seções deste Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluem pelo reconhecimento da preclusão consumativa em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo. Apenas para citar algumas mais recentes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Não se conhece de recurso voluntário que traz exclusivamente argumentos novos, não aventados na manifestação de inconformidade.Recurso Voluntário Não Conhecido." (Acórdão nº 1401002.047 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) "ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10240.001453/200505 Acórdão n.º 1302003.514 S1C3T2 Fl. 106 5 MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão." (Acórdão nº 3401004.146 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção, de 24 de outubro de 2017, Relator Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72." (Acórdão nº 9303005.208 3ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 20 de junho de 2017, Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello) Isto posto, voto pelo não conhecimento do recurso do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 17878.000040/2008-09
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000
DILIGÊNCIA. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Deve ser indeferida a diligência que, além de não preencher os requisitos previstos no art. 16, inciso IV, e § 1°, do Decreto 70.235/1972, com redação dada pelo art. 10 da Lei 8.748/1993, também é desnecessária, tendo em vista que para comprovar os fatos alegados na impugnação, bastaria a juntada, aos autos, da documentação comprobatória, nos termos do art. 15 do Decreto n° 70.235/1972.
DIREITO CREDITÓRIO.
Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional).
FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SALDO NEGATIVO.
Não restando comprovado, pelo interessado, o saldo negativo de CSLL informado da DIPJ, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve ser reconhecido o direito creditório e não deve ser homologada a compensação efetuada.
Numero da decisão: 1001-001.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a diligência que, além de não preencher os requisitos previstos no art. 16, inciso IV, e § 1°, do Decreto 70.235/1972, com redação dada pelo art. 10 da Lei 8.748/1993, também é desnecessária, tendo em vista que para comprovar os fatos alegados na impugnação, bastaria a juntada, aos autos, da documentação comprobatória, nos termos do art. 15 do Decreto n° 70.235/1972. DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). FALTA DE COMPROVAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. Não restando comprovado, pelo interessado, o saldo negativo de CSLL informado da DIPJ, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve ser reconhecido o direito creditório e não deve ser homologada a compensação efetuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 87 8. 00 00 40 /2 00 8- 09 Fl. 623DF CARF MF Processo nº 17878.000040/200809 Acórdão n.º 1001001.210 S1C0T1 Fl. 624 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 523/535) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório às folhas 201/203, que não homologou a compensação constante da DCOMP 20744.42441.301003.1.3.034127 (folhas 07/15), de crédito correspondente a saldo negativo de CSLL do anocalendário 2000 no valor de R$ 7.746,53, em virtude de inexistência de direito creditório. Ciência do acórdão DRJ em 21/07/2010 (folha 545). Recurso voluntário apresentado em 11/08/2010 (folha 547). A recorrente, às folhas 547/572, alega, em síntese: I Que o saldo negativo de CSLL do anocalendário em questão decorreu da compensação de estimativas com saldo negativo de CSLL do anocalendário 1996; II Que, intimado a comprovar a composição do saldo negativo de CSLL do anocalendário 1996, anexou "Demonstrativo de Compensação da CSLL", declaração de rendimentos do exercício 1997 e os DARFs relativos às .estimativas do anocalendário; III Que, em relação aos documentos apresentados, assim se pronunciou a fiscalização: comprovouse a quitação apenas das estimativas de janeiro, fevereiro e março de 1996, resultando num saldo negativo daquele ano de R$ 21.953,73, integralmente absorvido por compensações de estimativas do anocalendário de 1997, não restando crédito para compensar qualquer estimativa do anocalendário de 2000; IV Que a DRJ manteve a não homologação porque entendeu que os documentos carreados aos autos não eram suficientes para comprovar que a compensação tenha sido válida; V Que a diligência requerida à DRJ deve ser deferida: a porque negála ofende os princípios do informalismo procedimental, verdade material e ampla defesa; b porque o pedido de diligência não foi realizado sem os requisitos formais previstos no art. 16, IV do Decreto 70.235/1972; VI Que é dever da Administração, no curso do processo administrativo, diligenciar no sentido de arregimentar todos os elementos necessários ao julgamento da lide; VII Que pelo princípio do informalismo procedimental, deve o administrador comunicar ao requerente a necessidade de fornecer outros elementos e documentos; Fl. 624DF CARF MF Processo nº 17878.000040/200809 Acórdão n.º 1001001.210 S1C0T1 Fl. 625 3 VIII Que pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal; IX Que a efetiva aplicação do princípio da verdade material implicaria, OBRIGATORIAMENTE, no fato de a Administração intimar a recorrente para complementar a documentação até então carreada aos autos; X Que a negativa à diligência solicitada, quando expressamente requerida, configurase como indiscutível ofensa ao princípio da ampla defesa; XI Que, diversamente do que parece ter entendido a Delegacia de Julgamento, a recorrente não invocou a seu favor o art. 66 da Lei 8.383/91, mas o art. 39 e, sendo assim, qualquer fundamento de direito invocado para indeferir a compensação realizada que se ampare no art, 66 citado mostrase absolutamente indevido, eis que não aplicável à matéria ora em discussão; XII Que o razão da recorrente também é um documento unilateralmente confeccionado, de forma que é incabível exigilo e negar validade a outros demonstrativos elaborados pela contribuinte, pois só a través de documentos contábeis (notas fiscais de entrada e saída, comprovantes de despesas, documentos relativos a custos de pessoal, etc) seria possível confirmar se há imposto a recuperar ou não; XIII Que a recorrente demonstrou analiticamente toda a compensação realizada desde 1992, sendo os inúmeros documentos carreados suficientes à mensuração do crédito; XIV Que a Fazenda Nacional não pode, em absoluto, questionar a validade da extinção das estimativas de 1996 adimplidas pela via da compensação, eis que, tacitamente, as homologou, minimamente, desde janeiro de 2002. É o relatório. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 17878.000040/200809 Acórdão n.º 1001001.210 S1C0T1 Fl. 626 4 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Após relatar detalhadamente o teor do despacho decisório original de do acórdão recorrido, a contribuinte inicialmente se insurge contra a negativa de seu requerimento de diligência. Entende que a autoridade fiscal tem o ônus de determinar diligências caso a documentação comprobatória acostada pelo sujeito passivo seja insuficiente. Enganase. As razões para que sejam da interessada o ônus e a iniciativa da comprovação dos valores declarados em DCTF e em DCOMP para o contribuinte decorrem da lei, da qual, conforme estabelece o art. 3º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, ninguém se escusa de cumprir, alegando que não a conhece. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I. do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de não homologação. Quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de n° 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação Fl. 626DF CARF MF Processo nº 17878.000040/200809 Acórdão n.º 1001001.210 S1C0T1 Fl. 627 5 de um fato. REsp 924.550SC, Rei. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. Desta forma, não há como acatar a alegação da contribuinte de que a apresentação de documentação comprobatória da liquidez e certeza de seus créditos dependeria de manifestação nesse sentido da autoridade julgadora, e que a ausência desta manifestação representaria cerceamento de seu direito de defesa. Como visto, a obrigação da contribuinte comprovar o direito que pleiteia decorre da lei, da qual pressupõese que ela tenha conhecimento, sendo incabível decisão com o pressuposto inverso. O art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/72 estabelece a possibilidade de determinação, de ofício ou a requerimento do impugnante, por parte da autoridade julgadora, da realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo fundamentadamente as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nas declarações de compensação ou pedidos de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação. O ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito Não se trata, portanto, de hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória do direito alegado por parte da contribuinte recorrente, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a recorrente, o que, em declarações de compensação ou de pedidos de restituição, milita em seu desfavor. A contribuinte empenhase em combater a negativa a seu pedido de diligência, mas não logra trazer aos autos documentos expressamente citados no acórdão a quo. Em especial, em relação ao livro razão, afirma que constitui documento de confecção unilateral tanto quanto os demonstrativos que anexou e, portanto, de mesmo valor probatório. Esquece a recorrente que o caráter obrigatório do livro razão está expresso em lei, e sua inexistência ou incorreções acarretam penalidades legais. Além disso, a juntada de notas fiscais e outros documentos efetivamente comprobatórios seria de sua responsabilidade, conforma já analisado, e a apresentação do livro razão não constitui qualquer impeditivo para que as autoridades fiscais requisitem a apresentação de outros documentos, se entender necessários. Por isso, não parece fazer sentido a insurgência da recorrente em relação à negativa de diligência, acompanhada da omissão em trazer aos autos, por sua iniciativa os documentos que, em tese, comprovariam a liquidez e certeza do crédito que pleiteia. Desta forma, por todos os fundamentos já mencionados, rejeitase o pedido de diligência formulado. A recorrente alega que não invocou a seu favor o art. 66 da Lei 8.383/91, mas o art. 39 e, sendo assim, qualquer fundamento de direito invocado para indeferir a compensação realizada que se ampare no art, 66 citado mostrase absolutamente indevido, eis que não aplicável à matéria ora em discussão. Fl. 627DF CARF MF Processo nº 17878.000040/200809 Acórdão n.º 1001001.210 S1C0T1 Fl. 628 6 Não se vislumbra relação lógica entre o fato da recorrente não ter citado o art. 66 da referida lei e uma suposta impossibilidade da autoridade julgadora utilizálo como fundamento. As menções a tal artigo foram absolutamente pertinentes, pois se referiram à impossibilidade de compensação de tributos distintos à luz daquela legislação. Quanto à suposta impossibilidade da Fazenda Nacional questionar a validade da extinção das estimativas de 1996 adimplidas pela via da compensação, por ter ocorrido homologação tácita em janeiro de 2002, enganase a contribuinte, mais uma vez. O dever da administração é de apurar a certeza e liquidez do crédito tributário (art. 170, CTN). No caso do saldo negativo de CSLL objeto de declaração de compensação, o prazo para apreciação da compensação, com possibilidade de não homologação, é de cinco anos contados da data da entrega da DCOMP, na forma do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Como se trata de Declaração de Compensação, conforme já explicitado, invertese o ônus da prova, cabendo ao contribuinte comprovar seu direito líquido e certo. Dentro do prazo para homologação determinado no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, não há que se falar em decadência do direito de se aferir o pleito de compensação, que exige o cumprimento dos requisitos de liquidez e certeza do crédito informado. Não se pode concluir que a autoridade fiscal deva aprovar o saldo negativo de CSLL demonstrado na DIPJ correspondente, e decidir pela homologação da compensação, sem a verificação prévia da liquidez e certeza do indébito tributário que lhe dá suporte. A norma específica que versa sobre DCOMP não deixa dúvidas quanto à limitação da homologação tácita somente às compensações, e não ao crédito em si. Assim, é dever da autoridade, ao analisar os valores informados em DCOMP para fins de decisão de homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do crédito apurado pelo sujeito passivo. Para tanto, não há como se furtar do levantamento do valor do imposto devido ao final do ano em que foram quitadas as estimativas, mesmo que não seja mais possível o lançamento de eventual diferença apurada nessa verificação. O procedimento de homologação da compensação é iniciado pelo próprio contribuinte, que tem o ônus de provar que possui o respectivo direito creditório, e por isso deve manter a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito, consoante o disposto no art. 264 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, in verbis: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Tal regramento é reproduzido, em essência, no caput do art. 278 do Decreto nº 9.500, de 22 de novembro de 2018: Art. 278. A pessoa jurídica fica obrigada a conservar, em boa guarda, a escrituração, a correspondência e os demais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles Fl. 628DF CARF MF Processo nº 17878.000040/200809 Acórdão n.º 1001001.210 S1C0T1 Fl. 629 7 consignados (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º; e Lei nº 10.406, de 2002 Código Civil, art. 1.194). Desta forma, após transcorrido o prazo decadencial, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, assim como o prazo para homologação de compensação de que trata o art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996 (homologação tácita), há apenas a impossibilidade de lançamento de diferenças do imposto devido. Tal vedação não se aplica à compensação de débitos próprios vincendos que tenha sido homologada tacitamente, quando ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. Todavia, pode a Administração Tributária, dentro do lapso de que esta dispõe (art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996), não homologar a compensação declarada em momento posterior, em que se utilizem créditos de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, inclusive os oriundos de estimativas quitadas por meio de DCOMP homologadas tacitamente, se verificada a inexistência de liquidez e certeza desses créditos. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 629DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.903814/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado.
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 38 14 /2 01 4- 05 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.903814/201405 Acórdão n.º 3301005.882 S3C3T1 Fl. 72 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, no acórdão n° 0270.624, negou provimento ao apelo. Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa de se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Voto Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.903814/201405 Acórdão n.º 3301005.882 S3C3T1 Fl. 73 3 Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.903814/201405 Acórdão n.º 3301005.882 S3C3T1 Fl. 74 4 Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa. Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas indevidamente incluídas na apuração; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as outras receitas, que não compusessem o seu faturamento. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/15. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720096/2017-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
DECADÊNCIA - ART. 173, I DO CTN - SIMPLES NACIONAL - OCORRÊNCIA
Considerando-se que o recolhimento das parcelas concernentes ao Simples Nacional se dava, a teor da Resolução CGSN de 94/11, até o 20º dia subsequente ao mês em que percebidas as receitas, o prazo decadencial contado segundo a regra do art. 173, I, do CTN, se inicia a partir do primeiro dia útil do ano seguinte àquele em que poderia ocorrer o lançamento. Neste diapasão, quanto aos créditos tributários afeitos ano de 2011, a decadência se operou, quanto aos meses de janeiro a novembro, em 1º de janeiro de 2017, exceção feita quanto ao mês de dezembro, cujo decurso do aludido prazo se daria, apenas, em 2018.
OMISSÃO DE RECEITAS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Restando sem comprovação que a receita omitida se refere à locação de bens móveis sem o fornecimento de mão-de-obra, mantém-se a exigência do ISS.
Numero da decisão: 1302-003.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência parcial do lançamento e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 DECADÊNCIA - ART. 173, I DO CTN - SIMPLES NACIONAL - OCORRÊNCIA Considerando-se que o recolhimento das parcelas concernentes ao Simples Nacional se dava, a teor da Resolução CGSN de 94/11, até o 20º dia subsequente ao mês em que percebidas as receitas, o prazo decadencial contado segundo a regra do art. 173, I, do CTN, se inicia a partir do primeiro dia útil do ano seguinte àquele em que poderia ocorrer o lançamento. Neste diapasão, quanto aos créditos tributários afeitos ano de 2011, a decadência se operou, quanto aos meses de janeiro a novembro, em 1º de janeiro de 2017, exceção feita quanto ao mês de dezembro, cujo decurso do aludido prazo se daria, apenas, em 2018. OMISSÃO DE RECEITAS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Restando sem comprovação que a receita omitida se refere à locação de bens móveis sem o fornecimento de mão-de-obra, mantém-se a exigência do ISS.
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Neste diapasão, quanto aos créditos tributários afeitos ano de 2011, a decadência se operou, quanto aos meses de janeiro a novembro, em 1º de janeiro de 2017, exceção feita quanto ao mês de dezembro, cujo decurso do aludido prazo se daria, apenas, em 2018. OMISSÃO DE RECEITAS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Restando sem comprovação que a receita omitida se refere à locação de bens móveis sem o fornecimento de mãodeobra, mantémse a exigência do ISS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência parcial do lançamento e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 00 96 /2 01 7- 15 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10283.720096/201715 Acórdão n.º 1302003.585 S1C3T2 Fl. 221 2 Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente a fim de se lhe exigir crédito concernente aos tributos apurados segundo o regime preconizado pela Lei Complementar 123/06, notadamente, o IRPJ, a CSLL, a contribuição para o PIS, a COFINS, a contribuição previdenciária patronal e o ISSQN. A autuação restou embasada na identificação de depósitos bancários a partir de extratos obtidos mediante emissão do competente RMF. Do relato fiscal, digase, extraise que a empresa teria, de início, sido intimada a apresentar livros e declarações contábeis/fiscais, não tendo, contudo, respondido a esta intimação. Expedido o RMF mencionado alhures, e verificada a existência de depósitos e outras movimentações financeiras, promoveuse nova intimação do contribuinte que, uma vez mais, mantevese silente. A vista da inação da recorrente, promoveuse a lavratura do auto de infração ora polemizado, ocasião em que foi imposto multa qualificada e agravada, além de ter sido expedido o competente termo de sujeição passiva solidária, com espeque nos preceitos do art. 135, III, do CTN, em face do sócio gerente da empresa. Cientificada da autuação supra, apenas a empresa opôs impugnação administrativa por meio da qual, a par de não justificar ou demonstrar a origem dos aludidos depósitos, sustentou ser indevida a exigência do ISSQN ao argumento de que, como desenvolve atividade de locação de bens móveis, não seria contribuinte do aludido imposto. Afirma, outrossim, também não ser devida a cobrança da CPP, tendo em conta a sustentada inexistência, à época, de previsão legal (a LC 123 teria, segundo argui, incluído a predita contribuição dentre o rol de tributos exigíveis pela sistemática do SIMPLES Nacional apenas em 2014). Instada a analisar o caso, a DRJ de Ribeirão Preto houve por bem julgar improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo reproduzida: RECEITA OMITIDA. ALÍQUOTAS. A receita omitida por empresa que exerce atividade de locação de bens móveis é tributada pelas alíquotas constantes no Anexo III da LC nº 123, de 2006. OMISSÃO DE RECEITAS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Restando sem comprovação que a receita omitida se refere à locação de bens móveis sem o fornecimento de mãodeobra, mantémse a exigência do ISS. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10283.720096/201715 Acórdão n.º 1302003.585 S1C3T2 Fl. 222 3 Regularmente intimado do acórdão acima mencionado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que deduz uma preliminar de decadência; particularmente afirma que teria sido cientificado da autuação em 12 de janeiro de 2017 (AR de efl 71). Considerandose que o crédito exigido se refere aos meses de janeiro a dezembro de 2011, afirma que o prazo decadencial teria operado o seu decurso no 1º de janeiro daquele ano de 2017. Passo seguinte, reprisa o argumento concernente à impossibilidade de se exigir o ISSQN, já tratado em sua impugnação. Ao final apenas pontua que o sócio gerente da empresa, ou mesmo seu patrono, nunca teriam deixado de atender à fiscalização, sem, contudo, trazer qualquer pedido ou argumento adicional quanto a este tópico. Este é o relatório Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator De antemão, observase, in casu, a existência de inegável incoerência nos documentos afeitos à intimação do contribuinte sobre o teor do julgamento realizado pela DRJ. Isto porque, depreendese do acórdão recorrido, que o julgamento da impugnação ofertada pela empresa se dera na sessão ocorrida no dia 27 de julho de 2017. Nada obstante, o AR juntado ao processo (efl. 203) dá conta de que o contribuinte teria sido intimado, por carta, em abril de 2017 (?!?!). Outrossim, há uma nota de processo constante dos autos, informando, em 04/08/2017, que a Intimação de nº 103/2017 ainda se encontrava pendente de envio... A recorrente, digase, opôs o seu apelo voluntário em 22/09/2017. Neste passo, a mingua de provas sobre a entrega efetiva da intimação e ante a inexistência de informações, inclusive, quanto a data da própria expedição desta intimação (o documento de e fl. 199/2002 nada diz a respeito), não me resta alternativa senão considerar tempestivas as razões de insurgência, para delas, portanto, tomar conhecimento. I Decadência. Argumenta o contribuinte que os fatos geradores dos tributos exigidos neste feito teriam ocorrido no ano de 2011 e que, ato contínuo, aplicandose a regra encartada no art. 173, I, do CTN, teriam sido extintos por decadência no dia 1º de janeiro de 2017. A premissa fática da tese sustentada pelo recorrente, vejam bem, é de que o início do prazo em questão teria se dado no dia 1º do ano de 2012. E, e de fato, tem razão a empresa, ao menos em parte. Realmente, os créditos apurados através do auto de infração em testilha referemse, todos, ao ano de 2011; a teor do art. 12 da Lei Complementar 123/06, o recolhimento dos tributos segundo a sistemática preconizada pela predita LC se dá de forma Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10283.720096/201715 Acórdão n.º 1302003.585 S1C3T2 Fl. 223 4 mensal, de sorte que a sua cobrança poderia se dar dentro próprio calendário, ao menos, em relação aos meses de janeiro da novembro. E para que não restem dúvidas, atentemse para as disposições do art. 38 da Resolução CGSN de nº 94/11, vigente à época dos fatos aqui narrados: Art. 38. Os tributos devidos, apurados na forma desta Resolução, deverão ser pagos até o dia 20 (vinte) do mês subsequente àquele em que houver sido auferida a receita bruta Evidente, no caso, que o crédito concernente aos meses de janeiro a novembro de 2011 já se encontravam abarcados pela decadência, a teor do s preceitos do art. 173, I, do CTN. O mesmo não se diz quanto a mês de dezembro daquele ano, já que, quanto a ele, o crédito somente poderia ser exigido pela Administração Fazendária após o dia 20 do mês de janeiro de 2012, de sorte que o prazo decadencial, nesta hipótese, teria seu decurso apenas no ano de 2018. Diante disto, tornase premente acolher a preliminar em exame a fim de reconhecer extintos, na forma do art. 156, V, do CTN, os créditos relativos aos meses de janeiro a novembro de 2011. II Da alegada não incidência do ISSQN sobre as receitas omitidas. A questão aqui, vejam bem, é substancialmente simples (pedindose perdão pelo trocadilho infame). Não desconheço, digase, o teor da Súmula 31 do STF, nem tampouco ignoro os ditames do Decreto Municipal de nº 043/09 invocado pelo recorrente. O problema, como muito apropriadamente apontado pela DRJ, é que estamos diante de presunção legal de omissão de receitas, decorrente da identificação de depósitos bancários de origem desconhecida. E, nesta esteira, e tendo em conta a falta de qualquer atendimento, pelo contribuinte, às intimações lavradas ao longo da instrução fiscal, não nos é dado saber a natureza das receitas omitidas. Tal como se extrai do cartão de CNPJ juntado à efl. 180, dentre as atividades desenvolvidas pela contribuinte destacamse, inclusive a prestação de serviços de "Montagem e desmontagem de andaimes e outras estruturas", além do aluguel de máquinas e equipamentos sem operador, "exceto andaimes". Foi justamente a inação do contribuinte que obstou o conhecimento da natureza das receitas omitidas, se relativas à operações de aluguel de máquinas sem operadores ou, por outro lado, se concernentes às demais atividades descritas no aludido cadastro, conformadoras do fato gerador do tributo Municipal. Lembremse, concretizada a hipótese do art. 42 da Lei 9.430/96, o ônus probatório deslocase integralmente para os ombros do contribuinte, sendo inexigível da Administração Fiscal qualquer ato adicional de apuração, como, aliás, preconiza a Súmula/CARF de nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10283.720096/201715 Acórdão n.º 1302003.585 S1C3T2 Fl. 224 5 Ou seja, era mister do recorrente demonstrar, por meio de provas hábeis e idôneas, que as receitas omitidas não se sujeitariam à incidência do ISSQN, mormente quando, viu de se ver, a sua atividade se não restringia ao aluguel de máquinas e equipamentos. Descabe, pois, aqui, a reforma do aresto combatido. III Do tópico "Da Fiscalização do auto de infração" contida no recurso voluntário. Por fim, e apenas para evitar eventual acusação de omissão, esclareço que as informações prestadas pelo contribuinte no último tópico de sua peça de insurgência não se prestam para infirmar a autuação, principalmente porque o recorrente, ali, não pede, diz ou sustenta a ocorrência de uma nulidade ou mesmo de uma improcedência da autuação. Não se infere, das aludidas razões, nem mesmo o seu objeto: pretenderia, ali, a empresa, questionar o agravamento da multa de ofício imposta pelo auto de infração? Lembremse que, se dá descrição dos fatos, não decorre logicamente o pedido, o recurso seria, até mesmo inadmissível, quanto a este ponto. Sem maiores ilações, digase, não há o que prover aqui até porque inexistente um pedido, propriamente. IV Conclusões. A luz do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO a fim de cancelar a exigência dos tributos descritos no auto de infração, em relação aos meses de janeiro a novembro de 2011, com espeque nos preceitos dos .arts. 156, V e 173, I, ambos do CTN. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 224DF CARF MF
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