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4620977 #
Numero do processo: 19615.000517/2004-31
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - LANÇAMENTO - NULIDADE - Não é nulo o auto de infração, lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. APRECIAÇÃO DA CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS EM VIGOR - As DRJ, assim como o Conselho de Contribuinte, não são competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes). IRPJ - ARBITRAMENTO DO LUCRO - CABIMENTO - FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO - A não-apresentação dos livros e documentos da escrituração, pela pessoa jurídica que apura lucro real, enseja o arbitramento do lucro. Os valores de omissão de receita devem ser computados na determinação da base de cálculo do imposto. LANÇAMENTO DE OFICÍO - APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC - ARTIGO 44, INCISO I, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de recolhimento ou declaração do débito, correta a lavratura de auto de infração para exigência do tributo, aplicando-se a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. PRELIMINAR REJEITADA. RECURSO NEGADO.
Numero da decisão: 101-96.893
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,por unanimidade de votos,REJEITAR a preliminar de nulidade e,no mérito,NEGAR provimento ao recurso,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.Ausente justificadamente o conselheiro Aloysio José Percinio da Silva.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - LANÇAMENTO - NULIDADE - Não é nulo o auto de infração, lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. APRECIAÇÃO DA CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS EM VIGOR - As DRJ, assim como o Conselho de Contribuinte, não são competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes). IRPJ - ARBITRAMENTO DO LUCRO - CABIMENTO - FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇÃO - A não-apresentação dos livros e documentos da escrituração, pela pessoa jurídica que apura lucro real, enseja o arbitramento do lucro. Os valores de omissão de receita devem ser computados na determinação da base de cálculo do imposto. LANÇAMENTO DE OFICÍO - APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E JUROS DE MORA À TAXA SELIC - ARTIGO 44, INCISO I, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de recolhimento ou declaração do débito, correta a lavratura de auto de infração para exigência do tributo, aplicando-se a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. PRELIMINAR REJEITADA. RECURSO NEGADO.

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Numero do processo: 10845.000742/2001-46
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 108-00.446
Decisão: RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro

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Recorrente : TEN FEET COMÉRCIO DE VESTUÁRIO LTDA. Recorrida : i a TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Sessão de : 24 DE MAIO DE 2007 RESOLUÇÃON°. 108-00.446 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por TEN FEET COMÉRCIO DE VESTUÁRIO LTDA. RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. • _ And( • U LONle - -. IDE • O ERCÍCIO DA PRESIDÊNCIA -fr M • • • -AS PESSOA MONTEIRO ELATO FORMALIZADO EM: J8 JUN 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NELSON LÓSSO FILHO, KAREM JUREIDINI DIAS, MARGIL MOURA° GIL NUNES, JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA, ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO e ARNAUD DA SILVA (Suplente Convocado). MINISTÉRIO DA FAZENDA .1, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES V .r.f> OITAVA CÂMARA Processo n°. :10845.000742/2001-46 Resolução n°. :108-00.446 Recurso n°. :149.452 Recorrente : TEN FEET COMÉRCIO DE VESTUÁRIO LTDA. RELATÓRIO Trata-se de lançamento para o Imposto de Renda Pessoa Jurídica — R$ 22.950,30; PIS — R$ 12.509,10; COFINS — R$ 38.489,68 e CSLL — R$ 18.360,24, conforme "Termo de Verificação e Constatação Fiscal" (fls.25/26), por constatação de saldos credores de caixa nos anos-calendário de 1996 e 1997. Enquadramento legal nos respectivos termos. Impugnação de fls. 80/96, alegando que no ano-calendário de 1996 a fiscalização no quadro (doc.03, fls.102), considerou o ingresso de duplicatas a receber no valor de R$ 103.613,99, quando o montante desta conta foi de R$ 135.991,96 conforme se verificaria pela cópia do razão (doc. 04, fls.103 a 127). Conforme conta diária "10100 — Duplicatas a Receber" e as contrapartidas a débito das contas "Banco" e "Caixa". Desta forma o saldo positivo neste mês atingiu o valor de R$ 78.550,87 e não o valor de R$ 43.148,29 apontado pela fiscalização. Mesmo engano cometido nos meses subseqüentes, razão do novo "fluxo de caixa" (doc. 05, fls.128) com base nos dados corretos da conta "Duplicatas a Receber" (Doc. 04), onde ficara demonstrado que não houve saldo credor de caixa em nenhum mês do ano de 1996. Mesma situação para 1997. Reclamou da falta de intimação, por escrito, para apresentar a comprovação dos valores ingressados no caixa. A fiscalização solicitou, verbalmente, ao contador para apresentar as documentações comprobatórias dos recebimentos, no que foi prontamente atendido. (Documentação referente a 1995 e 1996, "não contestada em nenhum momento)". 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA j PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ‘› OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10845.000742/2001-46 Resolução n°. : 108-00.446 As vendas à vista seriam irrisórias e a maioria dos recebimentos se faria através de cobrança bancária.A análise da cópia do razão da conta "10017 — Duplicatas a Receber", mostraria que na maioria dos casos a contrapartida do recebimento é lançada na conta banco. Acrescentou: "em nenhum momento deixou de atender qualquer solicitação feita pelo 1. Auditor Fiscal autuante" e que na hipótese em que não tivesse apresentado a documentação, "cabia-lhe lavrar termo de intimação nesse sentido, de modo que, em face de recusa ou do não atendimento (que inexistiu) tivesse condições de consignar tais fatos em outro termo, inclusive promovendo o agravamento da multa, de 75% para 112,5% nos termos do artigo 959 do RIR199". Nessa conformidade elaborou novo "Fluxo de Caixa" (doc. 07 fls.148), onde ficaria demonstrado que não houve apuração de saldo credor de caixa em nenhum mês daquele ano. Reclamou da aplicação de juros de mora em percentuais superiores a 1% ao mês solicitando a realização de diligência oferecendo quesitos. Decisão de fls.215/221, julgou desnecessária a diligência, justificou os juros aplicados, aceitou os valores apresentados, registrados na conta "10017 - Duplicatas a Receber referente aos recebimentos do mês de janeiro de 1996, no valor total de R$ 135.991,96, e dos meses subseqüentes. Para o ano de 1997, embora reclamando da falta de intimação escrita, reconheceu que houvera solicitação verbal. O Auditor em seu "Termo de Verificação e Constatação Fiscal" deixou registrado que solicitou os documentos com a entrega dos fluxos de caixa. 3 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 8",,› OITAVA CÂMARA Processo n°. :10845.000742/2001-46 Resolução n°. :108-00.446 Embora apresentando cópias do razão da conta "10017 — Contas a Receber" e elaborando novo fluxo de caixa com informações obtidas desta conta, não apresentou a documentação que suportasse o lançamento, tal como: cópias de documentos comprovando os recebimentos de duplicatas, cópias do razão das contas bancárias, juntamente com os extratos bancários para demonstrar os reais recebimentos ocorridos; etc. Também não comprovara o real recebimento do valor de R$ 671.040,42 ocorrido em 31/01/1997, conforme contabilizado no livro razão na conta "10005— CAIXA" (fls.36). A fiscalização considerou no seu fluxo de caixa (fls.44) tal valor, mas o glosou pela falta de apresentação dos documentos suporte, restando incomprovado o fluxo de caixa apresentado. Recurso interposto às fls. 230/240, se contrapondo à decisão narrou sua efetiva situação, de fabricar e vender roupas, com prazo médio de recebimento de 90 dias, bem como tais ingressos decorreria de cobrança bancária. Assim: (doc. 3/14 —Diário; docs. 15/42, conta Bradesco, Bamerindus, Noroeste; Caixa (doc.42). Examinando o Diário nos meses de janeiro, março (doc.01/05) sublinhara as contas do Bradesco em vermelho; Bamerindus em azul,caixa em preto. Confrontando-os com os extratos bancários (doc. 15 a 20), em janeiro recebera R$ 235.901,23; em fevereiro R$ 124.986,43 e em março R$ 124.012,93. Os valores recebidos através do Caixa — conta 10005, nesses meses, R$ 26.406,89; R$ 27.231,46 e R$ 72.200,00 se justificaria frente aos pagamentos que realizara para os fornecedores, e outras despesas, com cheques recebidos de cliente, sem descontá-los para não pagar CPMF. Do mesmo modo o demonstrativo de janeiro a dezembro de 1996, elaborado pela fiscalização e constituindo o doc. 03, anexo a impugnação, provaria 4 affi Lits ;2, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4" OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10845.000742/2001-46 Resolução n°. : 108-00.446 que vendera a prazo nos meses de out/96 — R$ 188.823,13; nov/96 — 188.910,00 e dez/96 — R$ 102.350,36 = R$ 480.083,49, que somados os créditos não recebidos nos vencimentos, justificariam o saldo de 31/12/96 e 01/01/97, de R$ 671.040,42. Isto provaria o erro de fato cometido na escrituração e já corrigido, em 30/01/1997, quando o saldo foi lançado a débito do caixa e a crédito de fornecedores, na importância de R$ 625.074,09. Como a conta "Fornecedores" fora creditada nos meses out/96 — R$ 135.873,51; nov/96 —111.959,20 e dez/96 — R$ 234.945,42 = R$ 482.778,13, pela aquisição de insumos, valores também com prazo médio de vencimento de 90 dias, seria evidente que o recebimento de R$ 671.040,42 e subseqüente pagamento de R$ 625.074,09 decorreu de lapso contábil. Sendo optante do lucro presumido estaria desobrigado da escrituração contábil, mas tão somente do Livro Caixa, nos termos do artigo 45§ único da Lei 8981/95.0s valores se coadunariam com o movimento apresentado, fortalecendo os argumentos expendidos. Impossível validar o demonstrativo de fluxo de caixa de janeiro a dezembro — elaborado pelo autuante, no valor de R$ 720.313,62 em fevereiro de 1997, frente aos erros cometidos e as inconsistências verificadas. Como exemplo, na 68 linha (conta/saldo inicial 160004-venda à vista) os valores de 01 — R$ 83.256,62; 02— R$ 53.979,93; 03— R$ 60.057,71), apontados como "vendas à vista" ,corresponderiam a vendas a prazo,conforme razão analítico, conta 10017 — Duplicatas a receber (doc. 43 sublinhadas de vermelho) porque,conforme dito desde as razões impugnatórias as vendas à vista seriam insignificantes. De outro modo, os valores que deveriam contar naquela 6' linha do 1 0 trimestre de 1997, decorreriam dos recebimentos das vendas realizadas em , 1i) v 1" . MINISTÉRIO DA FAZENDA .41 • '1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :10845.000742/2001-46 Resolução n°. : 108-00.446 10/96- R$188.823,13; 11/96 — 188.910,00; 12/96 — 102.350,36 (igual ao subitem 2.1.5 dessas razões). Assim, o valor das duplicatas emitidas em um mês não se prestariam para justificar o fluxo de caixa deste mesmo mês, o que somente se confirma com os valores das duplicatas recebidas nesse mês. A prevalecer a tese do fisco se estaria diante da figura diversa da infração tipificada nos autos, porque: a) a baixa de duplicatas a receber, ainda não efetivamente recebidas, a débito da conta Caixa, para eliminar (ou reduzir) saldo credor desta conta, dando origem ao denominado ativo oculto; b)a omissão na baixa contábil de fornecedores pagos, por falta de saldo escriturai na conta Caixa, de modo a evitar o aparecimento de saldo credor nesta conta, originando o chamado passivo fictício, e; c)lançamento contábil de pagamentos quaisquer (despesas, fornecedores, aquisição de ativos, etc) a crédito da conta caixa, quando há insuficiência de saldo escriturai, dando origem a saldo credor de caixa". A falta de intimação para justificar a diferença gerou uma autuação ilógica, e, portanto, ineficaz, obrigando a administração a rever seu ato. Seguimento conforme despacho de fls. É o Relatório. kl R+ 6 . 4:5 MINISTÉRIO DA FAZENDA '"ep • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ::(4:E5 OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10845.000742/2001-46 Resolução n°. :108-00.446 VOTO Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Remanesceu, após o provimento de primeiro grau, os valores tidos como saldo credor de caixa no ano calendário de 1997. Na decisão combatida a autoridade de primeiro grau aceitou os argumentos expendidos, quanto ao ano de 1996, assim versando: "6. Com relação ao saldo credor do ano-calendário de 1996, aceitamos os valores registrados na conta "10017 - Duplicatas a Receber" referente aos recebimentos do mês de janeiro de 1996 no valor total de R$ 135.991,96 e dos meses subseqüentes. (...) 9. A lmpugnante apresenta cópias do livro razão da conta "10017— Contas a Receber" e elabora novo fluxo de caixa com informações obtidas desta conta. Porém, não apresenta a documentação para dar sustentação ao apresentado como: cópias de documentos comprovando os recebimentos de duplicatas, cópias do razão das contas bancárias, juntamente com os extratos bancários para demonstrar os reais recebimentos ocorridos; etc. 10.Além disso, não comprova novamente, o real recebimento do valor de R$ 671.040,42 ocorrido em 31/01/1997, conforme contabilizado no livro razão na conta "10005 — CAIXA" (fis.36). Cabe destacar que a fiscalização considerou no seu fluxo de caixa (fis.44) tal valor, mas teve que glosar pela não apresentação da documentação suporte, dando origem ao auto de infração nesta parte. Logo, deve ser mantido o lançamento pela não comprovação do efetivo recebimento 7 •ty- MINISTÉRIO DA FAZENDA tpl .::1. 1 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES "1-5. OITAVA CÂMARA Processo n°. : 10845.000742/2001-46 Resolução n°. :108-00.446 deste valor e não apresentação de documentos para dar suporte ao fluxo de caixa apresentado? Na decisão recorrida a Autoridade "a quo" entendeu desnecessária a realização de diligência. Todavia, discordo de tal conclusão, frente aos documentos juntados, ao provimento concedido quanto ao ano de 1996, e o alegado erro de fato na escrituração contábil de fevereiro de 1997. Assim, entendo que o julgamento deverá ser convertido em diligência para que se providencie os esclarecimentos dos pontos seguintes: a) os ingressos da cobrança bancária, doc. 3/14 —Diário; docs. 15/42, conta Bradesco, Bamerindus, Noroeste; Caixa (doc.42) se ratificam; b)confirmar se os lançamentos do Diário, nos meses de janeiro, a março - doc.01/05 - onde sublinhara as contas do Bradesco em vermelho; Bamerindus em azul, caixa em preto, confrontados com os extratos bancários - doc. 15 a 20 - em janeiro recebera R$ 235.901,23; em fevereiro R$ 124.986,43 e em março R$ 124.012,93, se compaginariam com a verdade material; c) igualmente, se os valores recebidos através do Caixa — conta 10005, nesses meses, R$ 26.406,89; R$ 27.231,46 e R$ 72.200,00 se justificaria frente aos pagamentos que realizara para os fornecedores, e outras despesas, com cheques recebidos de cliente, sem descontá-los para não pagar CPMF; d)o demonstrativo de janeiro a dezembro de 1996, elaborado pela fiscalização e constituindo o doc. 03, anexo a impugnação, provaria que vendera a prazo nos meses de ouU96 — R$ 188.823,13; nov/96 — 188.910,00 e dez/96 — R$ 102.350,36 = R$ 480.083,49, que somados os créditos não recebidos nos vencimentos, justificariam o saldo de 31/12/96 e 01/01/97, de R$ 671.040,42; e) se positiva (parcial ou totalmente essas afirmações) restara comprovado o erro de fato cometido na escrituração e já corrigido, em 30/01/1997, quando o saldo foi lançado a débito do caixa e a crédito de fornecedores, na importância de R$ 625.074,09? h) a escrituração do Livro Caixa estaria correta? 8 7) . ' MINISTÉRIO DA FAZENDA •:"If-r PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :10845.000742/2001-46 Resolução n°. :108-00.446 i) refazer o fluxo de caixa, se necessário; i) demais esclarecimentos que a Autoridade designada entender necessários ao deslinde da questão. Após, ciência deverá ser dada a recorrente para se pronunciar nos autos se assim entender necessário. ji Sala d. Sessões - DF, em 24 de maio de 2007. ji ,,; , IV d'.. e A O AS PESSOA MONTEIRO 9 Page 1 _0019200.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019400.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1

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Numero do processo: 11080.005774/2004-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica Ano calendário:1997 SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ acumulado, devidamente apurado e escriturado, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.259
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para afastar o decurso de prazo para apreciar o crédito, determinando se o retorno dos autos à DRF de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima que não afastava o decurso de prazo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS PELA

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Recorrida  5º TURMA DRJ PORTO ALEGRE/RS    Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica  Ano­calendário: 1997  SALDOS  NEGATIVOS  DE  RECOLHIMENTO  DO  IRPJ.  PRAZO  PARA  PLEITEAR  A  RESTITUIÇÃO  E  PARA  EFETUAR  VERIFICAÇÕES  FISCAIS.  O  prazo  para  pleitear  a  restituição  do  saldo negativo de IRPJ acumulado, devidamente apurado e escriturado,  é  de  5  anos  contados  do  período  que  a  contribuinte  ficar  impossibilitada  de  aproveitar  esses  créditos, mormente pela mudança  de  modalidade  de  apuração  dos  tributos  ou  pelo  encerramento  de  atividades.    Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.      ACORDAM os membros  da 4ª  câmara  /  2ª  turma  ordinária  da  primeira   SSEEÇÇÃÃOO   DDEE   JJUULLGGAAMMEENNTTOO,  por  maioria  de  votos,  dar  provimento  ao  recurso  para  afastar  o  decurso de prazo para apreciar o crédito, determinando­se o retorno dos autos à DRF de origem  para  verificar  a  procedência  do  direito  creditório  do  contribuinte.  Vencida  a  Conselheira  Albertina Silva Santos de Lima que não afastava o decurso de prazo, nos termos do relatório e  voto que passam a integrar o presente julgado.   (assinado digitalmente)  Albertina Silva dos Santos Lima ­ Presidente     Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 2          2 (assinado digitalmente)  Carlos Pelá ­ Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de  Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva,  Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima.        Relatório  Cuida­se de Recurso Voluntário,  fls.  95/104,  interposto  contra decisão da 5a  Turma da DRJ de Porto Alegre/RS, de fls. 85/66, que julgou procedente o lançamento efetuado  por meio do despacho decisório de fl. 67.  Com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual, adoto o  relatório proferido pela 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento  de Porto Alegre/RS (fls. 117/126):  “Relatório   A  DRF  jurisdicionante  não  homologou  a  compensação,  porque  entendeu  que  o  direito  à  restituição  ou  compensação  havia  decaído, por terem decorridos mais de cinco anos.     A  interessada  manifestou  sua  inconformidade  com  essa  apreciação, alegando a que o prazo para repetição do  indébito,  com base em construção jurisprudencial do STJ – a chamada tese  dos “cinco mais cinco” – seria de 10 anos.     É o relatório”  Analisando  a  manifestação  de  inconformidade,  a  DRJ  julgou  procedente  o  lançamento efetuado por meio do despacho decisório de fls. 21/22, tendo a seguinte ementa:   “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário   Ano­calendário: 1997     Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 3          3  Ementa: REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DECADÊNCIA. O direito  a  repetir  indébito  tributário  decai  em  cinco  anos  contados  do  pagamento indevido.     Solicitação indeferida”  Inconformado  com  a  decisão  da  DRJ,  a  Recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação.    É o Relatório.    Voto             Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator   Conheço  do  Recurso  por  ser  tempestivo,  por  atender  aos  requisitos  de  admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho.     O  assunto  que  aqui  se  discute  é  o  prazo    decadencial  para  se  protocolar  pedido  de  restituição  de  Saldo  Negativo  de  IRPJ.  O  tributo,  no  caso  em  tela,  sujeita­se  a  lançamento por homologação.    Sem entrar no mérito da tese assim chamada de “5+5”, já abraçada pelo STJ,  durante os debates para a solução deste caso fui convencido que a matéria comporta solução  favorável à contribuinte por outras razões.   Valho­me,  neste  ponto,  da  fundamentação  adotada  pelo  Ilustre Conselheiro  José Antonio Praga, que sustenta:   “A Câmara  Superior  nos  últimos  3  anos,  havia  sedimentado  o  entendimento no sentido que, regra geral, o prazo para pleitear  a  restituição  extingue­se  mesmo  após  5  anos,  contados  do  pagamento, nos termos do art. 168, inciso I, do CTN, conforme  decido no acórdão nº 01­6000, proferido em 12/08/2008.   Especificamente  quanto  ao  saldo  negativo  de  recolhimentos  de  IRPJ e CSLL dos anos­calendário de 1993 a 1997, a 1a. Turma  da CSRF vem decidindo que o início da contagem prazo desloca­ se para a data da entrega da declaração. Nesse sentido cite­se o  seguinte julgado:  Acórdão nº 01­06.047, de 10/11/2009, proferido no recurso 105­ 152.539.  RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO ­ CONTAGEM DO PRAZO  DE  DECADÊNCIA  ­  O  prazo  para  que  o  contribuinte  possa  pleitear  a  restituição  de  tributo  ou  contribuição  pago  Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 4          4 indevidamente ou em valor maior que o devido; extingue­se após  o  transcurso  do  prazo  de  cinco  anos,  contado  da  data  da  extinção do crédito tributário ­ arts. 165 I e 168 I da Lei 5172 de  25  de  outubro  de  1966  (CTN).  No  caso  do  saldo  negativo  de  IRPJ/CSLL  (real  anual),  o  direito  de  compensar  ou  restituir  inicia­se  em  abril  de  cada  ano  (Lei  9.430/96  art.  6°  /  RIR199  ART. 858 § 1° INCISO II).  Recurso especial negado.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  Membros  da  Primeira  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  por  unanimidade  de  votos,  NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório  e voto que passam integrar o presente julgado.  Compus o colegiado em ambos os julgamentos e acompanhei os  relatores,  sendo  que  os  debates  centraram­se  na  contagem  do  prazo  para  interposição  do  pleito,  a  mesma  questão  ora  enfrentada.   Todavia,  desde  a  sessão  da  CSRF  de  agosto/2010,  revisitei  a  matéria  adotando  os  fundamentos  a  seguir,  transcritos  do  Acórdão 910­00.347.  Pois bem, o saldo negativo de recolhimentos do IRPJ e da CSLL  afloram  quando  o  valor  das  antecipações  desses  tributos  –  retenções em fonte ou recolhimentos por estimativa ­ superaram  o  valor  apurado  a  partir  do  lucro  real(IRPJ)  ou  lucro  liquido  ajustado, respectivamente.  Vejamos o que dispõe a legislação do Imposto de Renda Pessoa  Jurídica  e  Contribuição  Social  a  partir  do  ano­calendário  de  1997.  Lei 9.430 de 1996:  Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro  real  poderá  optar  pelo  pagamento  do  imposto,  em  cada  mês,  determinado  sobre  base  de  cálculo  estimada,  mediante  a  aplicação,  sobre  a  receita  bruta  auferida  mensalmente,  dos  percentuais  de  que  trata  o  art.  15.  da  Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29  e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de  1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995.  §  1º O  imposto  a  ser  pago mensalmente  na  forma  deste  artigo  será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo,  da alíquota de quinze por cento.  §  2º  A  parcela  da  base  de  cálculo,  apurada mensalmente,  que  exceder  a  R$  20.000,00  (vinte  mil  reais)  ficará  sujeita  à  incidência  de  adicional  de  imposto  de  renda  à  alíquota  de  dez  por cento.  Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 5          5 § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na  forma  deste  artigo  deverá  apurar  o  lucro  real  em  31  de  dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§  1º e 2º do artigo anterior.  § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou  a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto  devido o valor:  I ­ dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os  limites  e  prazos  fixados  na  legislação  vigente,  bem  como  o  disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de  1995;  II  ­  dos  incentivos  fiscais  de  redução  e  isenção  do  imposto,  calculados com base no lucro da exploração;  III  ­  do  imposto  de  renda  pago  ou  retido  na  fonte,  incidente  sobre receitas computadas na determinação do lucro real;  IV ­ do imposto de renda pago na forma deste artigo.  Art.  6º O  imposto  devido, apurado na  forma do  art.  2º,  deverá  ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se  referir.  § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será:  I ­ pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do  ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º;  II  ­ compensado com o  imposto a ser pago a partir do mês de  abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa  de  requerer,  após  a  entrega  da  declaração  de  rendimentos,  a  restituição do montante pago a maior.  §  2º  O  saldo  do  imposto  a  pagar  de  que  trata  o  inciso  I  do  parágrafo anterior  será acrescido de  juros calculados à  taxa a  que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o  último dia do mês anterior ao pagamento e de um por cento no  mês do pagamento.  § 3º O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao  imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o  último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente.  (...)  Art.  28.  Aplicam­se  à  apuração  da  base  de  cálculo  e  ao  pagamento  da  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido  as  normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a  3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei.  (...)  Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do  imposto  de  renda  na  forma  do  art.  2º  fica,  também,  sujeita  ao  Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 6          6 pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido,  determinada  mediante  a  aplicação  da  alíquota  a  que  estiver  sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e  II do artigo anterior.  Pela  análise  da  sistemática  de  apuração,  recolhimento  e  compensação  do  Imposto  de  Renda  das  Pessoas  Jurídicas  e  Contribuição Social  – Lucro Real  ­  a partir  do ano­calendário  de 1997, sob a égide da Lei 9.430/1996, estou convencido de que  não  há  prazo  para  o  contribuinte  pleitear  a  restituição  do  chamado  saldo  negativo  de  recolhimentos  do  IRPJ  e  CSLL,  devidamente  apurado  e  apurado.  Isso  porque  a  lei  estabeleceu  um conta­corrente.  Art.  64.  Os  pagamentos  efetuados  por  órgãos,  autarquias  e  fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas,  pelo  fornecimento  de  bens  ou  prestação  de  serviços,  estão  sujeitos  à  incidência,  na  fonte,  do  imposto  de  renda,  da  contribuição social  sobre o  lucro  líquido, da contribuição para  seguridade  social  ­  COFINS  e  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP.  §  1º  A  obrigação  pela  retenção  é  do  órgão  ou  entidade  que  efetuar o pagamento.  §  2º  O  valor  retido,  correspondente  a  cada  tributo  ou  contribuição,  será  levado  a  crédito  da  respectiva  conta  da  receita da União.  § 3º O valor do  imposto e das contribuições sociais retido será  considerado  como  antecipação  do  que  for  devido  pelo  contribuinte  em  relação  ao  mesmo  imposto  e  às  mesmas  contribuições.  § 4º O valor retido correspondente ao imposto de renda e a cada  contribuição social somente poderá ser compensado com o que  for  devido  em  relação  à  mesma  espécie  de  imposto  ou  contribuição.  § 5º O imposto de renda a ser retido será determinado mediante  a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre o resultado da  multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o  art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicável à  espécie  de  receita  correspondente  ao  tipo  de  bem  fornecido  ou  de serviço prestado.  § 6º O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser  retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de um  por cento, sobre o montante a ser pago.  §  7º  O  valor  da  contribuição  para  a  seguridade  social  ­  COFINS, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da  alíquota respectiva sobre o montante a ser pago.  Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 7          7 §  8º O  valor  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP,  a  ser  retido,  será  determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota  respectiva  sobre o montante a ser pago.    Instrução Normativa  SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL  ­  SRF nº 93 de 24.12.1997  Apuração Anual do Lucro Real  Art. 23. O imposto devido sobre o lucro real de que trata o §6º  do  art.  2º  será  calculado mediante  a  aplicação  da  alíquota  de  15%  (quinze  por  cento)  sobre  o  lucro  real,  sem  prejuízo  da  incidência do adicional previsto no §3º do art. 2º.   §1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do  lucro líquido com observância das leis comerciais.  §2º  Considera­se  lucro  real  o  lucro  líquido  do  período­base,  ajustado  pelas  adições  prescritas  e  pelas  exclusões  ou  compensações autorizadas pela legislação do imposto de renda .  §3º  Observado  o  disposto  no  §4º  do  art.  2º,  para  efeito  de  determinação do saldo do imposto a pagar ou a ser compensado,  a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor:  a) dos  incentivos  fiscais de dedução do  imposto, observados os  limites e prazos fixados na legislação vigente;  b)  dos  incentivos  fiscais  de  redução  e  isenção  do  imposto,  calculados com base no lucro da exploração;  c) do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre  receitas computadas na determinação do lucro real;  d) do imposto de renda calculado na forma dos arts. 3º a 6º e 10,  pago mensalmente;  e) do  imposto de  renda da pessoa  jurídica pago  indevidamente  em  períodos  anteriores,  ainda  que  compensado  no  decurso  do  ano­calendário  com  o  imposto  de  renda  devido,  apurado  com  base nas regras dos arts. 3º a 6º e 10.   §4º  Para  efeito  de  determinação  dos  incentivos  fiscais  de  dedução do imposto, serão considerados os valores efetivamente  despendidos pela pessoa jurídica.  (...)  Art.  49. Aplicam­se à contribuição social  sobre o  lucro  líquido  as mesmas  normas  de  apuração  e  de  pagamento  estabelecidas  para  o  imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas,  observadas  as  alterações previstas na Lei nº 9.430, de 1996.  IN  SRF  210/02  ­  IN  ­  Instrução  Normativa  SECRETÁRIO DA  RECEITA FEDERAL ­ SRF nº 210 de 30.09.2002  Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 8          8 Restituição  Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas  ao Tesouro Nacional a título de tributo ou contribuição sob sua  administração, nas seguintes hipóteses:  I ­ cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que  o devido;  II ­ erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da  alíquota  aplicável,  no  cálculo  do  montante  do  débito  ou  na  elaboração  ou  conferência  de  qualquer  documento  relativo  ao  pagamento;  III  ­  reforma,  anulação,  revogação  ou  rescisão  de  decisão  condenatória.  Parágrafo  único.  A  SRF  poderá  promover  a  restituição  de  receitas  arrecadadas  mediante  Darf  que  não  estejam  sob  sua  administração,  desde  que  o  direito  creditório  tenha  sido  previamente  reconhecido  pelo  órgão  ou  entidade  responsável  pela administração da receita.  Art. 3º A restituição de quantia  recolhida a  título de  tributo ou  contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada:  I ­ a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a  requerer  a  quantia,  mediante  utilização  do  "Pedido  de  Restituição";  II ­ mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste  Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou  III ­ de ofício, em decorrência de representação do servidor que  constatar o indébito tributário.  (...)  Art.  6º  Os  saldos  negativos  do  Imposto  de  Renda  das  Pessoas  Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido  (CSLL) poderão ser objeto de restituição:  I ­ na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do  ano­calendário  subseqüente ao do  encerramento do período de  apuração;  II  ­  na  hipótese  de  apuração  trimestral,  a  partir  do  mês  subseqüente ao do trimestre de apuração.    Constata­se  que  o  aproveitamento  dos  saldos  negativos  nos  períodos de apuração seguintes independe autorização prévia da  RFB,  muito  menos  está  sujeita  a  apresentação  de  DCOMP.  Trata­se  de  um  verdadeiro  conta­corrente,  a  exemplo  do  que  ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializados.   Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 9          9 A  cada  mês  o  contribuinte  apura  o  tributo  devido,  verifica  o  saldo  de  recolhimento  do período  anterior  (existência  de  saldo  negativo),  bem  como  as  retenções  na  fonte,  e  apura  o  saldo  a  pagar  ou  o  novo  saldo  negativo  de  recolhido.  Trata­se  de  um  procedimento dinâmico, que deve ser controlado no Lalur.   O  contribuinte  deve  manter  em  boa  guarda  todos  os  comprovantes de apuração, retenção e recolhimentos, enquanto  estiver realizando aproveitamento de saldos anteriores,  tal qual  ocorre com o saldo de prejuízos fiscais ou lucro liquido negativo  ajustado.  Enquanto o contribuinte se mantiver no regime de apuração do  lucro  real  poderá  aproveitar  esses  saldos  negativos  de  recolhimento.  Mas  se  encerrar  suas  atividades  ou  mudar  de  regime,  tem  cinco  anos  para  pleitear  a  restituição  ou  compensação desse saldo.  No imposto de renda das pessoas físicas ocorre situação diversa,  mas a diferença a maior entre as retenções em fonte e o imposto  apurado no ajuste anual é restituído na forma da legislação de  regência,  sendo  que  essa  declaração  deve  ser  apresentada  no  prazo de 5 (cinco) anos, caso deseje receber a restituição. Frise­ se  que  o  contribuinte  do  IRPF  não  tem  a  faculdade  de  compensar  espontaneamente  o  imposto  apurado  nos  anos  seguintes,  mesmo  que  tenham  apresentado  a  declaração  de  ajuste. Aliás, é vedado qualquer tipo de compensação, devendo o  contribuinte aguardar a restituição pela RFB.  ...................  Assim,  quanto  a  esta  matéria,  voto  no  sentido  de  afastar  a  alegação  do  decurso  de  prazo  de  5  anos  tanto  para  o  Contribuinte  pleitear  a  Restituição  do  Saldo  Negativo  de  Recolhimentos,  quanto  para  a  Fazenda  Pública  verificar  a  correção do valores pleiteados.  Nunca  é  de  mais  lembrar  que  no  processo  administrativo  predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí  se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador e  se a obrigação teve seu nascimento e regular constituição. Nesse  contexto,  devem  ser  superados  os  erros  e  procedimentos  dos  contribuintes ou da fiscalização que não impliquem em prejuízo  às partes e, por conseqüência ao processo..   É  certo  que  em  seu  despacho  decisório  a  unidade  de  origem  apontou  uma  séria  de  incoerências  e  incorreções  que  podem  implicar no reconhecimento parcial do pleito do contribuinte ou  até  mesmo  em  sua  completa  improcedência.  Todavia,  essa  verificação deve ser feita abstraindo os erros de preenchimento  do pedido e das próprias DIRPJ/DIPJ.  A  análise  deve  partir  da  reconstituição  dos  resultados  do  contribuinte em cada período de apuração, partindo da premissa  que  o  lucro  real  apurado  e  regularmente  declarado  não  pode  mais  ser  objeto  de  auditoria.  Porem,  computando­se  as  Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11080.005774/2004­32  Acórdão n.º 1402­00.259  S1­C4T2  Fl. 10          10 compensações  de  prejuízo,  no  limite  legal    (salvo  se  a  contribuinte  possuir  decisão  judicial  favorável),  os  recolhimentos  por  estimativa,  as  retenções  em  fonte  comprovadas  (cujas  receitas  ou  rendimentos  compuseram  o  resultado  tributável  do  período),  e  demais  procedimentos  relacionados.  Lembro que a contribuinte pode e deve ser intimada a produzir  demonstrativos  desses  valores,  período  a  período,  com  transposição  de  saldos,  devidamente  respaldados  e  acompanhados  da  documentação  contábil  e  fiscal  a  que  está  obrigada a conservar para fazer jus ao pleito, consoante art. 264  do RIR/99.”      Aplicando­se ao caso o raciocínio desenvolvido pelo Conselheiro  Antonio Praga, explicado durante os debates para solução deste processo,  tem­se que razão  assiste a contribuinte, ao pleitear a compensação do saldo negativo ainda não utilizado por  ele.   Desta forma, afastada a decadência, é necessária análise do mérito do direito  creditório quanto aos saldos negativos de IRPJ.     Posto  isso,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  para  afastar  o  decurso  de  prazo  para  apreciar  o  crédito,  determinando­se  o  retorno  dos  autos  à  DRF  de  origem  para  verificar a procedência do direito creditório do contribuinte.       (assinado digitalmente)  Carlos Pelá ­ Relator                              Fl. 10DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA Assinado digitalmente em 26/05/2011 por CARLOS PELA, 02/06/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA

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Numero do processo: 11080.013484/2002-09
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2006
Ementa: CSLL - COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS - LIMITAÇÃO A 30% - INCONSTITUCIONALIDADE – O questionamento sobre a legalidade ou constitucionalidade de comando legal em pleno vigor deve se proceder na seara do Poder Judiciário. CSLL - COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS - LIMITAÇÃO A 30% - A compensação da base de cálculo negativa da CSL, apurada a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, acumulada com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, está limitada a 30% do resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos-calendário subseqüentes, em conformidade com as disposições do artigo 58 da Lei nº. 8.981/95 e do artigo 16 da Lei nº. 9.065/95. Negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 103-22.387
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: Cândido Rodrigues Neuber

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CSLL - COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS - LIMITAÇÃO A 30% - A compensação da base de cálculo negativa da CSL, apurada a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, acumulada com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, está limitada a 30% do resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos-calendário subseqüentes, em conformidade com as disposições do artigo 58 da Lei n°. 8.981/95 e do artigo 16 da Lei nO.9.065/95. Negado provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por MOTOPEL - MOTOR PEÇAS PELOTAS S/A. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do elatório e voto ue inte ram o presente julgado. FORMAOZAD-O-Erv1: O 4 11 I. . . M 1-1 ?()il~ •. .. kOj).;AL0YSI0 JOSÉ PERCíNIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, MAURíCIO PRAD-uD~-;d;OVIElDA-'----'- ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, FLÁVIO FRANCO CORREA e VICTOR Luis DE SALLES FREIRE.~ Processo nO Acórdão nO Recurso nO Recorrente MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11080.013484/2002-09 : 103-22.387 : 145.462 : MOTOPEL - MOTOR PEÇAS PELOTAS S/A. RELATÓRIO MOTOPEL - MOTOR PEÇAS PELOTAS S/A., foi autuada para exigência de crédito tributário de CSLL, no montante de R$ 147.876,60, inclusive os consectários legais, sob a acusação fiscal de compensação indevida de bases de cálculo negativas de períodos-base anteriores na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, superior ao limite de 30% do lucro líquido ajustado, antes das compensações, referente aos fatos geradores dos anos-calendário de 1997 e 1998, com enquadramento legal no art. 58, da Lei n° 8.981/95 e no art. 16, da Lei n° 9.065/95, segundo descrito no auto de infração e seus demonstrativos de fls. 02 a 07. Cientificada do auto de infração em 07/10/2002, fls. 01, a contribuinte ~ apresentou impugnação em 23/10/2002, fls. 109 a 119. Alegou, em síntese, que a limitação à compensação de prejuízos e base de cálculo negativa da CSLL ofende o direito adquirido à compensação integral dos saldos existentes até 31/12/1994 e equivale à imposição de empréstimo compulsório sem observância dos requisitos previstos no artigo 148 da Constituição Federal. Requereu fosse julgado improcedente o auto de infração. A decisão de primeira instância, fls. 128 a 131, julgou procedente o lançamento de ofício, decidindo com base nos seguintes fundamentos: _ alegações pertinentes a vícios de legalidade ou inconstitucionalidade dos dispositivos legais que dão suporte ao lançamento de ofício - como é o caso das teses sugeridas às fls. 111/118 - constituem matéria insuscetível de ser apreciada nesta instância; _ os mecanismos de controle da constitucionalidade das leis estão regulados na própria Constituição Federal, todos passando necessariamente pelo Poder , o e se infere dos arts. 97 e 102 da Carta Magna. Assim sendo, e haja vista que a autoridade administrativa não tem competência legal para decidir sobre tais questões, deve-se manter inalterado o lançamento de oficio. 2CRN _ R145.462 - M%pel- Motor Peças Pelotas S/A. "IRPJ - COMPENSAÇÃO DE PREjuízos FISCAIS - LIMITAÇÃO de 30% - APLICAÇÃO DO DISPOSTO NAS LEIS N°s 8.981 e 9.065 de I 1995. A limitação da compensação de prejuízos fiscaís e da base -.. __o: negativa da CSL, determínada pelas Leís nOs8. 1 e 9.065 de 1995, não _~_-não_obstante_o_decidi9Q, destaco que a matéria atinente à trava na compensação~de prejuízos está paç.i.fiqtda na_~Elara administrativa, conforme reiteraaas'--~I '--, decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de que é exemplo o acóraãb-~' 1 -CSRF70'F03~938-, (emBTlta-a alXO----o-q -e- ' procedimento fiscal; Processo nO Acórdão nO '" ~ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11080.013484/2002-09 : 103-22.387 violou o direito adquirido, vez que o fato gerador do imposto de renda só ocorre após transcurso do período de apuração que coincide com o término do exercício financeiro. A partir do ano calendário de 1995 o lucro líquido ajustado e a base de cálculo positiva da CSLL, poderão ser reduzidos por compensação do prejuizo e base negativa, apurados em períodos bases anteriores em, no máximo, trinta por cento. A compensação da parcela dos prejuizos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, excedente a 30% poderá ser efetuada, nos anos- calendário subseqüentes (arts. 42 e parágrafo único e 58, da Lei nO 8.981/95, arts. 15 e 16 da Lei nO 9.065/95)". I 1 I•• Ciência da decisão de primeira instância em 03/01/2005, segundo "A. R." afixado às fls. 134. Inconformada, a empresa, em 31/01/2005, interpôs recurso voluntário a este Conselho, fls. 135 a 142, instruido com os documentos de fls. 143 a 161. Alega, em síntese, que a matéria é controvertida, porém, nada há ainda de pacificado. Isso porque a referida legislação constante da ementa da decisão que impôs a absurda limitação, contrariou a Constituição Federal, por pretender "ampliar" os conceitos de renda e lucro utilizados nas definições das hipóteses de incidência do imposto da renda e CSLL, ferindo, dessa forma, o principio da capacidade contributiva, da isonomia e da vedação ao confisco e os artigos 43 e 110 do CTN aprovado pela Lei nO5.172, de 25/10/1966. Citou doutrina e jurisprudência judicial que entende coroborar sua tese de defesa. Alfim, pede a reforma do decisum guerreado, para se admitir a compensação integral das bases de cálculo negativas de CSLL, sem qualquer restrição, seja mediante a imposição do limite quantitativo de 30%, seja estabelecendo prazos para o seu exercício. Despacho do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário - SECAT, da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre - RS, fls. 165, informa que a contribuinte arrolou bens, para seguimento do recurso especial, nos termos da IN-SRF nO . ° É o relatório. , L-------------- CRN _ R145.462 - Motopel- Motor Peças Pelotas S/A. 3 Processo na Acórdão na MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11080.013484/2002-09 : 103-22.387 •.- ...-~ VOTO Conselheiro CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, Relator O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A questão litigiosa ora em análise é por demais conhecida dos membros deste colegiado, bem como da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, já tendo sido analisada inúmeras vezes. i 1 1 I I No mérito, a questão ora apreciada encerra no seu cerne a discussão acerca da limitação de 30%, imposta à compensação, em exercícios subseqüentes, de bases de cálculo negativas da CSLL acumuladas, apuradas em exercícios anteriores, como disciplinado no artigo 58, da Lei na. 8.981/95 e no artigo 16, da Lei na 9.065/95. Sobre a matéria venho reiteradamente sustentando que as bases de cálculo negativas da CSLL, apuradas a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, podem ser compensadas, cumulativamente com as bases de cálculo negativas da CSLL apuradas até 31 de dezembro de 1994, com os resultados futuros das pessoas jurídicas, observado o limite máximo de 30% (trinta por cento) do referido lucro líquido ajustado, tal como previsto nas respectivas legislações do IRPJ e da contribuição social. Também não há que se falar em inconstitucionalidade dos referidos dispositivos legais ou em ofensa ao direito adquirido. A questão atinente à inconstitucionalidade de leis deve ser debatida na seara do Poder Judiciário, não na esfera administrativa, aliás, sob esse enfoque, a decisão de primeira instância apreciou o tema com bastante amplitude. A este propósito o Supremo Tribunal Federal, pela sua 1a. Turma, decidiu ser legitima a limitação da compensação, sem que isto implique em ofensa aos principios . ieleele e' Ela iFr8t . ao direito ad uirido, com se vê na seguinte ementa: ~ I. 4 CRN - R145.462 - M%pel- Mo/ar Peças Pelotas S/A. "EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUiÇÃO I SOCIAL. MEDIDA PROVISÓRIA NO. 812, DE 31.12.94, CONVERTIDA -l 1---- ~NJLLElJ!/~. 8.981/95. ARTIGOS 42 E 58, QUE REDUZIRAM A 30% A~.:J...'----. -- --' PARCELAOOS PRE,.Jyízos FISCAIS, DET5(ERCíC70S-A1'JTéRlOOE3, , . SUSCETíVEL DE SER-REDUZJ15A--fJO LOCRO-REAL,-PARA-" APtiRA(fÃtF=eeS-'FR,tfj(jW8=EltiLREEEB - - - , ."- - OFENSA AOS PRINCíPIOS DA ANTERIORIDADE E DA IRRETROA TlVIDADE E DO DIREITO ADQUIRIDO. Diploma normativo que foi editado em 31.12.94, a tempo, portanto, de incidir sobre o resultado do exercicio financeiro encerrado. Descabimento da alegação da ofensa aos principias da anterioridaãfre .- . da irretroatividade, relativamente ao imposto de renda, o mesmo não se Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11080.013484/2002-09 : 103-22.387 dando no tocante à contribuição social, sujeita que está à anterioridade nonagesima/ do art. 195, S 6°., da CF, que não foi observado. Inocorrência de afronta ao direito adquirido. Recurso conhecido, em parte, e nela provido ". (RE-263026/MG. No mesmo sentido RE-232.084-9 e RE-244.293-SC, todos reI. Ministro ILMAR GALVÂO). O fato de que, até a edição da MP nO.812/94, depois Lei nO.8.981/95, as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real pudessem compensar integralmente os seus prejuízos fiscais de um ano com o lucro de até 4 (quatro) anos-calendário subseqüentes, não significa venham elas (as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real) a ter tal possibilidade como direito ilimitado. A lei poderia mudar o critério de compensação dos prejuízos fiscais, o que o fez, aliás, a Lei nO.8.541/92, art. 12, e, posteriormente, a Medida Provisória nO.812/94, entendimento que se aplica igualmente à compensação das bases de cálculo negativas da CSLL. De longa data a regra das compensações dos prejuízos fiscais segue o pnnclplo denominado "tempus regit actum", ou seja: aquele que pretender efetuar a compensação, a legislação aplicável é obviamente aquela do tempo em que esta é realizada. Cumpre destacar, ainda, com relação aos fundamentos acima mencionados, a seguinte jurisprudência do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes: "LEGISLAÇÃO APLICÁ VEL - O valor do prejuízo a ser compensado é determínado pela legislação vígente no exercício de sua apuração e as condições para uso da faculdade são as vigentes no momento da compensação do prejuízo. Interpretação deste artigo" (Acs. 1°. CC - 101- 74.113/83 e 101-75.001/84). "REGRAS PARA COMPENSAÇÃO (EX. 86) - O valor a ser compensado é determinado pela legislação vigente no exercício de sua apuração e as- . compensação dos prejuízos" (Ac. 1°. CC - 105-3.259/89 - DO 27.11.89). "PREJUfZO DE PERfoDO-BASE ANTERIOR A 1977 - Indevida a compensação de prejuízo que não leve em conta a legislação em vigor no ___ e.xer.cicíoJinanceiro correspondente:(,Il.c._1':..~C_C=..103_~5.LL4L83). _ 5CRN - RI45.462- Motope/- Motor Peças Petotas S/A. O entendimento expresso nas ementas acima, reflete, em sua plenitude, a oplnlao-que- e en o-no-presen e-caso---a- uz- a- el-e- am em- 0- IreI o;-por-ser--uma--- matéria que se ajusta ao art. 16 da Lei nO.9.065, de 20/06/1995, estabelecendo que o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos-calendário subseqüentes, só poderia ser reduzido em no máximo 30% (trinta por cento), mesmo que as bases de . - cálculo negativas da CSLL, acumuladas, ficassem aguardando nova base de cálculo positiva .., Processo na Acórdão na ,,","",c . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 11080.013484/2002-09 : 103-22.387 Em síntese, de acordo com o princípio juridico "tempus regit actum': a compensação será efetuada sempre em consonância com a legislação aplicável à época em que o contribuinte optar por sua realização, do mesmo modo que a apuração das bases de cálculo negativas rege-se pela legislação vigente no ano-calendário em que foram geradas. A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, recentemente, dentre outros inúmeros julgados sobre o tema, quando do julgamento do recurso especial na 105-130.758, no processo na 13971.000184/2001-61, acórdão na CSRF/01-05.277, de 20/09/2005, no qual proferi o voto vencedor, corroborou esse entendimento, o qual veste ao presente caso, como luva em mão de dono, sob a seguinte ementa, in verbis: "CSL - COMPENSAÇÃO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS - LIMITAÇÃO A 30% - A compensação da base de cálculo negativa da CSL, apurada a partir do encerramento do ano-calendário de 1995, acumulada com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, está limitada a 30% do resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anos-calendário subseqüentes, em conformidade com as disposições do artigo 58 da Lei na. 8.981/95 e do artigo 16 da Lei na. 9.065/95. Recurso especial negado. ". Por derradeiro, a título meramente informativo, anoto que, num primeiro momento, a jurisprudência administrativa oriunda desta Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, sobre o tema ora em comento, era favorável à tese defendida pelos contribuintes, embora por escassa maioria, cujas decisões objeto de recursos especiais por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional foram todas reformadas pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, inclusive com o concurso do meu voto na Câmara de origem e na CSRF. Contudo, o Cole iado da , e ermlna o momen o, a exemp o também da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, adotou a jurisprudência majoritária das demais Câmaras, também na linha da jurisprudência judicial emanada do STF, já referida neste voto. -----------.Na-esteira-destas-considerações;-oriento-o-meu'Voto no sentidOãe negar provimento ao recurso-voluntário. ._- I ._> CRN - R145.462 - Motopo/- Motor Poças Polotas S/A. 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006

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4619950 #
Numero do processo: 13707.000238/2004-61
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ESTABELECIMENTOS DE ENSINO LIVRE. A Constituição Federal Brasileira adota o modelo de jurisdição única, devendo ser soberanas as decisões emanadas pelo poder judiciário. Desta feita, a decisão proferida no âmbito do Poder Judiciário não poderá ser alterada em processo administrativo, devendo a mesma ser respeitada.
Numero da decisão: 303-34.754
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA

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Numero do processo: 16004.001200/2006-83
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: NULIDADES – DENÚNCIA ANÔNIMA – RESSURGIMENTO DA OITIVA DO AUTUANTE – INOCORRÊNCIA – O procedimento fiscal não se estribou unicamente em documentos trazidos por uma delação anônima. Ao contrário, a delação foi a ponta de um novelo desenrolado em longo e exaustivo trabalho fiscal. Ainda, não se pode dizer que a autoridade autuante se valeu da revogada oitiva fiscal, a uma, porque não houve pronunciamento da autoridade após a apresentação da impugnação; a duas, porque as intimações no curso do procedimento fiscal objetivavam aclarar a matéria tributável a ser lançada. PERÍCIA – NÃO COMPROVAÇÃO DA IMPRESCINDIBILIDADE – REJEIÇÃO - A prova pericial surge como meio para suprir a carência de conhecimentos técnicos do julgador para solução do litígio. Afinal, não é admissível que o julgador seja detentor de conhecimentos universais para examinar cientificamente todos os fenômenos possíveis de figurar na seara tributária. Entretanto, a expressiva quantidade de documentos e informações, por si só, não autoriza o deferimento da perícia. Caso o julgador assim o fizesse, estaria abdicando de sua competência de julgar, devolvendo os autos para novas oitivas da autoridade autuante e do contribuinte. Deve-se lembrar que as câmaras de julgamento do contencioso administrativo fiscal são compostas por julgadores especializados na matéria tributária, notadamente na sua vertente jurídico-contábil, sendo desnecessária a opinião de experto contábil sobre as provas juntadas tempestivamente aos autos. IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN – ANO-CALENDÁRIO 2000 - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTE DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – POSSIBILIDADE DE COEXISTÊNCIA DESSAS DUAS INFRAÇÕES – Não há incompatibilidade entre a infração decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e a apuração em fluxo de caixa que aponta acréscimo patrimonial a descoberto. Entretanto, os rendimentos oriundos dos depósitos bancários devem funcionar como fontes de recursos no fluxo de caixa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – FLUXO DE CAIXA – QUESTIONAMENTO DOS DISPÊNDIOS – EQUÍVOCOS EM VALORES REGISTRADOS – ACERTO PELO JULGADOR ADMINISTRATIVO – AUSÊNCIA DE NULIDADE - Comprovado o equívoco no dispêndio apontado no fluxo de caixa, o julgador administrativo deve proceder a correção no ponto em que o recorrente tenha razão, reduzindo o excesso de aplicações em face das fontes de recursos. Não há qualquer nulidade nesse procedimento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – FLUXO DE CAIXA – CRITÉRIOS DE ALOCAÇÃO DAS APLICAÇÕES - Em caso de dúvidas quanto à efetividade ou momento da ocorrência dos dispêndios no fluxo de caixa que apurou o acréscimo patrimonial a descoberto, deve-se adotar o critério mais favorável ao contribuinte. SALDO CREDOR DE CAIXA – DESPESA DE PESSOA JURÍDICA – IMPOSSIBILIDADE DA IMPUTAÇÃO COMO DISPÊNDIO EM NOME DO SÓCIO COTISTA - O saldo credor de caixa deveria ser considerado como omissão de registro de receita na pessoa jurídica (art. 281, I, do Decreto nº 3.000/99), e não imputado em desfavor do sócio cotista da empresa. IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. DEPÓSITOS BANCÁRIOS REMANESCENTES QUE CONSTARAM EM INTIMAÇÃO PRIMEVA – AUSÊNCIA DE NULIDADE – Os depósitos que constaram no auto de infração não foram uma inovação no momento da autuação. Os depósitos bancários que constaram como rendimentos omitidos estavam na primeira intimação ao recorrente para comprovar a origem dos depósitos bancários. ARBITRAMENTO – CUSTO DE CONSTRUÇÃO COM POSTOS DE COMBUSTÍVEIS – CUB E ORÇAMENTOS DE POSTOS EM CIDADES VIZINHAS – LAUDOS TÉCNICOS APRESENTADOS PELO RECORRENTE QUE RATIFICAM PARTE DOS CUSTOS ARBITRADOS – HIGIDEZ DO PROCEDIMENTO - Os Laudos Técnicos acostados pelo recorrente, então impugnante, ratificaram partes dos custos arbitrados pela fiscalização. Entretanto, há itens de custos que somente constam nos Laudos, bem como outros itens que somente constam no arbitramento. Para os que somente constam no arbitramento, não é possível infirmá-los a partir dos Laudos. ARBITRAMENTO – CUSTO DE AQUISIÇÃO DE IMÓVEIS – ANÚNCIOS DE JORNAL DE GRANDE CIRCULAÇÃO DA LOCALIDADE – ANÚNCIOS CONTEMPORÂNEOS ÀS AQUISIÇÕES – POSSIBILIDADE – Quando o custo de aquisição informado divergiu dos preços normais praticados no mercado imobiliário local, a fiscalização utilizou anúncios classificados contemporâneos à data da aquisição para arbitramento do custo. Para infirmar tais custos, o recorrente deveria contraditar cada valor, trazendo, por exemplo, a comprovação do desembolso que extinguiu a obrigação. A mera alegação de que a alienação não ocorreu pelo valor arbitrado pela fiscalização, sem qualquer elemento de prova que ilida o procedimento utilizado pelo Auditor-Fiscal, não pode prosperar. MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO - MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS – IMPOSSIBILIDADE DA QUALIFICAÇÃO – Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430/96, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Recurso voluntário provido parcialmente.
Numero da decisão: 106-17.053
Decisão: ACORDAM os Membros da Sexta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, INDEFERIR o pedido de diligência e REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acolher a decadência do lançamento do ano-calendário de 2000; reduzir a multa de ofício para 75% e excluir da base de cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto os seguintes valores: i) R$ 84.652,10, no ano-calendário 2001; ii) R$ 58.352,50, no ano-calendário 2002; e iii) R$ 145.228,81, no ano-calendário 2003. Fez sustentação oral pelo recorrente o Sr. Celso Alves Feitosa, OAB/SP nº 24.464.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Giovanni Christian Nunes Campos

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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Sexta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, INDEFERIR o pedido de diligência e REJEITAR as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acolher a decadência do lançamento do ano-calendário de 2000; reduzir a multa de ofício para 75% e excluir da base de cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto os seguintes valores: i) R$ 84.652,10, no ano-calendário 2001; ii) R$ 58.352,50, no ano-calendário 2002; e iii) R$ 145.228,81, no ano-calendário 2003. Fez sustentação oral pelo recorrente o Sr. Celso Alves Feitosa, OAB/SP nº 24.464.

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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: NULIDADES – DENÚNCIA ANÔNIMA – RESSURGIMENTO DA OITIVA DO AUTUANTE – INOCORRÊNCIA – O procedimento fiscal não se estribou unicamente em documentos trazidos por uma delação anônima. Ao contrário, a delação foi a ponta de um novelo desenrolado em longo e exaustivo trabalho fiscal. Ainda, não se pode dizer que a autoridade autuante se valeu da revogada oitiva fiscal, a uma, porque não houve pronunciamento da autoridade após a apresentação da impugnação; a duas, porque as intimações no curso do procedimento fiscal objetivavam aclarar a matéria tributável a ser lançada. PERÍCIA – NÃO COMPROVAÇÃO DA IMPRESCINDIBILIDADE – REJEIÇÃO - A prova pericial surge como meio para suprir a carência de conhecimentos técnicos do julgador para solução do litígio. Afinal, não é admissível que o julgador seja detentor de conhecimentos universais para examinar cientificamente todos os fenômenos possíveis de figurar na seara tributária. Entretanto, a expressiva quantidade de documentos e informações, por si só, não autoriza o deferimento da perícia. Caso o julgador assim o fizesse, estaria abdicando de sua competência de julgar, devolvendo os autos para novas oitivas da autoridade autuante e do contribuinte. Deve-se lembrar que as câmaras de julgamento do contencioso administrativo fiscal são compostas por julgadores especializados na matéria tributária, notadamente na sua vertente jurídico-contábil, sendo desnecessária a opinião de experto contábil sobre as provas juntadas tempestivamente aos autos. IRPF - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO - PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN – ANO-CALENDÁRIO 2000 - A regra de incidência prevista na lei é que define a modalidade do lançamento. O lançamento do imposto de renda da pessoa física é por homologação, com fato gerador complexivo, que se aperfeiçoa em 31/12 do ano-calendário. Para esse tipo de lançamento, o qüinqüênio do prazo decadencial tem seu início na data do fato gerador, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando tem aplicação o art. 173, I, do CTN. O lançamento que não respeita o prazo decadencial na forma antes exposta deve ser considerado extinto pela decadência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTE DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – POSSIBILIDADE DE COEXISTÊNCIA DESSAS DUAS INFRAÇÕES – Não há incompatibilidade entre a infração decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e a apuração em fluxo de caixa que aponta acréscimo patrimonial a descoberto. Entretanto, os rendimentos oriundos dos depósitos bancários devem funcionar como fontes de recursos no fluxo de caixa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – FLUXO DE CAIXA – QUESTIONAMENTO DOS DISPÊNDIOS – EQUÍVOCOS EM VALORES REGISTRADOS – ACERTO PELO JULGADOR ADMINISTRATIVO – AUSÊNCIA DE NULIDADE - Comprovado o equívoco no dispêndio apontado no fluxo de caixa, o julgador administrativo deve proceder a correção no ponto em que o recorrente tenha razão, reduzindo o excesso de aplicações em face das fontes de recursos. Não há qualquer nulidade nesse procedimento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – FLUXO DE CAIXA – CRITÉRIOS DE ALOCAÇÃO DAS APLICAÇÕES - Em caso de dúvidas quanto à efetividade ou momento da ocorrência dos dispêndios no fluxo de caixa que apurou o acréscimo patrimonial a descoberto, deve-se adotar o critério mais favorável ao contribuinte. SALDO CREDOR DE CAIXA – DESPESA DE PESSOA JURÍDICA – IMPOSSIBILIDADE DA IMPUTAÇÃO COMO DISPÊNDIO EM NOME DO SÓCIO COTISTA - O saldo credor de caixa deveria ser considerado como omissão de registro de receita na pessoa jurídica (art. 281, I, do Decreto nº 3.000/99), e não imputado em desfavor do sócio cotista da empresa. IMPOSTO DE RENDA - TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - POSSIBILIDADE - A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. DEPÓSITOS BANCÁRIOS REMANESCENTES QUE CONSTARAM EM INTIMAÇÃO PRIMEVA – AUSÊNCIA DE NULIDADE – Os depósitos que constaram no auto de infração não foram uma inovação no momento da autuação. Os depósitos bancários que constaram como rendimentos omitidos estavam na primeira intimação ao recorrente para comprovar a origem dos depósitos bancários. ARBITRAMENTO – CUSTO DE CONSTRUÇÃO COM POSTOS DE COMBUSTÍVEIS – CUB E ORÇAMENTOS DE POSTOS EM CIDADES VIZINHAS – LAUDOS TÉCNICOS APRESENTADOS PELO RECORRENTE QUE RATIFICAM PARTE DOS CUSTOS ARBITRADOS – HIGIDEZ DO PROCEDIMENTO - Os Laudos Técnicos acostados pelo recorrente, então impugnante, ratificaram partes dos custos arbitrados pela fiscalização. Entretanto, há itens de custos que somente constam nos Laudos, bem como outros itens que somente constam no arbitramento. Para os que somente constam no arbitramento, não é possível infirmá-los a partir dos Laudos. ARBITRAMENTO – CUSTO DE AQUISIÇÃO DE IMÓVEIS – ANÚNCIOS DE JORNAL DE GRANDE CIRCULAÇÃO DA LOCALIDADE – ANÚNCIOS CONTEMPORÂNEOS ÀS AQUISIÇÕES – POSSIBILIDADE – Quando o custo de aquisição informado divergiu dos preços normais praticados no mercado imobiliário local, a fiscalização utilizou anúncios classificados contemporâneos à data da aquisição para arbitramento do custo. Para infirmar tais custos, o recorrente deveria contraditar cada valor, trazendo, por exemplo, a comprovação do desembolso que extinguiu a obrigação. A mera alegação de que a alienação não ocorreu pelo valor arbitrado pela fiscalização, sem qualquer elemento de prova que ilida o procedimento utilizado pelo Auditor-Fiscal, não pode prosperar. MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO - MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS – IMPOSSIBILIDADE DA QUALIFICAÇÃO – Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430/96, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Recurso voluntário provido parcialmente.

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Numero do processo: 10166.017945/96-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 106-01.041
Decisão: RESOLVEM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Luiz Fernando Oliveira de Moraes, Romeu Bueno de Camargo e Wilfrido Augusto Marques.
Nome do relator: Sueli Efigênia Mendes de Britto

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Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de 10166.017945/96-00 117.432 IRPF - EX.: 1995 MARIÂNGELA BARBOZA DE FIGUEIREDO DRJ em BRASíLIA - DF 13 de abril de 1999 R E S O L U ç Â O N°. 106-1.041 • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interpostopor MARIÂNGELA BARBOZA DE FIGUEIREDO. RESOLVEM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Luiz Fernando Oliveira de Moraes, Romeu Bueno de Camargo e Wilfrido Augusto Marques. S DE OLIVEIRADI C7 NTE ~ I. 1/ 11. /;(7)*" ~~lg;_~ITTO FORMALIZADO EM: 2 6 JU 1.1999 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros THAISA JANSEN PEREIRA, ROSANI ROMANO ROSA DE JESUS CARDOZO e RICARDO BAPTISTA CARNEIRO LEÂO. • • Processo N°. Resolução N°. Recurso nO. Recorrente MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIROCONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 117.432 MARIÂNGELA BARBOZA DE FIGUEIREDO RELATÓRIO 2 • • MARIÂNGELA BARBOZA DE FIGUEIREDO, já qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeira instância apresenta recurso objetivando a reforma da mesma. Nos termos do Auto de Infração e seus anexos de fls. 1 a 8, exige-se da contribuinte um crédito tributário total equivalente a 3.020,22 UFIR, decorrente de tributação dos rendimentos auferidos em decorrência de prestação de serviço a Organismo Internacional nos ano - calendário de 1994. Inconformada com a exigência fiscal apresentou a impugnação de fls. 14/20. A autoridade julgadora de primeira instância manteve parcialmente lançamento em decisão de fls.23 a 48, assim ementada: "IMPOSTO DE RENDA - PESSOA FíSICA Exercício 1995, ano calendário 1994. ISENÇÃO: CONVENÇÃO SOBRE PRIVILÉGIOS E IMUNIDADES DAS NAÇÕES UNIDAS. A isenção do imposto de renda sobre rendimentos recebidos do PNUD, da ONU, é privilégio concedido aos funcionários do quadro da ONU, incluindo os nacionais do Brasil com residência no País, nomeados de acordo com o art. 4.1 do % • • Processo N°. Resolução N°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 Estatuto de Pessoal da Organização, que não sejam, cumulativamente, recrutados no Brasil nem remunerados a taxa horária, e que tenham seus nomes relacionados e informados periodicamente ao governo brasileiro pelo Secretário Geral da ONU. Requisitos da isenção não comprovados na impugnação. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS POR PRESTAÇÃO DE SERViÇOS Sujeitam-se à tributação, mensalmente, sob a forma de recolhimento apelidado de "carnê-Ieão'; e, anualmente, por ocasião da entrega da declaração de ajuste, os rendimentos percebidos por residentes ou domiciliados no País decorrentes da prestação de serviços a organismos internacionais de que o Brasil faça parte. IMPOSTO DEVIDO SOB A FORMA DE RECOLHIMENTO MENSAL, NÃO PAGO. O imposto de renda das pessoas físicas devido sob a forma de recolhimento mensal (carnê-Ieão), não pago, sujeita-se à cobrança na forma disciplinada pela IN SRF 46/97. MULTA DE OFíCIO A multa de ofício passa a ser de setenta e cinco por cento, em conformidade com o art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, e tendo em vista o disposto no Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 1/97. " Cientificada em 17/5/98 (AR de fls. 51, verso) , na guarda do prazo legal, seu procurador protocolou o recurso de fls. 52/74, instruído pelos documentos anexados às fls. 78/105. 3 4 • • Processo N° Resolução N°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 As razões apresentadas podem assim serem resumidas: - visando à agilização e à maior integração com a comunidade, os Organismos Internacionais vinculados à ONU incluem, no seu corpo funcional profissionais dos países membros de reconhecida capacidade, que, em etapas anteriores, assimilaram conhecimentos especializados com funcionários da organização das Nações Unidas; - os funcionários desses Organismos passam a trabalhar sujeitos a normas e procedimentos estabelecidos por eles e que não correspondem àqueles vigentes no Brasil em condições e circunstâncias de trabalho; e, assim, são, também, por prerrogativas e privilégios previstos nas Convenções e Acordos firmados pelos Estados Membros; - os rendimentos auferidos estão enquadrados nos moldes do artigo 23, 11 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/94; - a norma legal não fez distinção entre trabalhos de qualquer natureza; - a Receita Federal, em seu manual de orientação aos contribuintes, ao longo dos anos, vem orientando na forma da pergunta 172, página 51, "Perguntas e Respostas do IRPF/95; - apesar do julgador singular concordar que prevalecem sobre a legislação pátria os tratados e as convenções internacionais dos quais o Brasil é signatário, e que o tratamento tributário dispensado pela legislação às Agências Especializadas da ONU aplica-se, também, ao PNUD, torna-se necessário o retorno à interpretação das disposições da legislação internacional aplicável a matéria; - as normas de direito internacional não traçam distinções entre as categorias de funcionários - peritos de assistência técnica - agentes - para efeito da aplicabilidade das disposições constantes da ~ • • Processo N°. Resolução N°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 "Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas"; - o cerne da motivação da referida decisão está na necessidade de serem comprovados dois fatos: o recorrente ser funcionário do organismo internacional e de ter sido nomeado para a função, pois, segundo o julgador de primeira instância, a isenção de impostos ocorre sobre salários e emolumentos recebidos por funcionários nomeados da ONU e conclui, 'em relação ao PNUD, que a isenção atinge "o funcionário brasileiro pertencente ao quadro efetivo" do organismo internacional; - está comprovado nos autos o exercício permanente junto ao organismo internacional, fazendo jus a rendimentos mensais, seguro de vida em grupo, fundo de pensão, poupança compulsória, conforme comprovam documentos anexados ao recurso; - o recorrente cumpre jornada regular de trabalho assina folha de ponto, está subordinado à hierarquia do organismo, somente pode gozar férias por período determinado autorizado pela chefia, viaja representando o PNUD, restando mais do que evidente sua condição de funcionário do organismo internacional e o vínculo empregatício; - os contratos de brasileiros para o desempenho de funções nos organismos internacionais, seja nos projetos vinculados ao PNUD ou não, são ratificados pelo governo brasileiro por intermédio do Ministério das Relações Exteriores; - a norma fixada no inciso 11do art. 23 do RIR/94 não distingue entre nacionais e estrangeiros; - fica caracterizado que é isento o rendimento de trabalho percebido por servidores de organismos internacionais de que o Brasil ~ 5 '. Processo N°, Resolução N°, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 parte e esse entendimento é mantido pela legislação complementar que a própria Receita Federal expendeu (Parecer CST n° 897/73); - a orientação emanada da Receita Federal por intermédio dos Pareceres Normativos, tanto o de n° 717/79 como o Parecer Normativo n° 3/96, é no sentido de que não são abrangidos pela isenção "os funcionários recrutados no local e que sejam remunerados a taxa horária", condições essas cumulativas; - a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas prevê o encaminhamento pelo organismo internacional ao governo brasileiro de "lista" identificando os funcionários atingidos pela isenção de tributos; - a elaboração da "lista" é determinação a ser cumprida pelos organismos internacionais, que se descumprida, não acarreta qualquer responsabilidade a ser imputada aos funcionários das agências especializadas contratados no Brasil; o ônus da prova é do Fisco que, nos presentes autos, não foi cumprido, uma vez que a autoridade fiscal não trouxe as provas de que os rendimentos auferidos pelo recorrente são tributáveis; - analisados os itens 2 e 3 da resposta à pergunta n° 172, do "Perguntas e Resposta/95" , não resta dúvida que qualquer contribuinte nas condições do recorrente - contrato permanente e jornada de trabalho, folha de ponto, recebimento de benefícios, férias regulamentares - está enquadrado no item 2; - a restrição feita pela Receita Federal, exigindo que o contribuinte seja funcionário, exorbita na interpretação de lei, pois o próprio RIR/94 diz taxativamente servidor, e não funcionário; - servidor tem abrangência maior e funcionário é espécie do gênero servidor; "Y8 6 • • Processo N°. Resolução N°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 - nesse sentido são as lições de Aranha Bandeira de Melo e Hely Lopes Meirelles; - o documento, ora anexado, espelha com exatidão a existência de um contrato entre o recorrente e o organismo internacional existindo, portanto, um vínculo empregatício; cumpre registrar que a assertiva de que não há inclusão na lista fornecida pelo Sr. Secretário Geral da ONU do nome do recorrente como beneficiário dos privilégios e imunidades, que o mesmo não ocorreu no ano em questão tendo-se em vista que neste não houve pronunciamento da autoridade competente neste sentido; - o Parecer de n° 719/79, é no sentido de que os benefícios são extensivos à todos os membros do pessoal. Conclui, requerendo o provimento do recurso. ti: Foi anexado à fI. 95, comprovante do deposito de 30% do valor do débito exigido pelo art. 32 da Medida Provisória n° . É o Relatório~ 7 • Processo N°. Resolução N° MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 VOTO • • Conselheira SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, Relatora O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Discute-se nos autos sobre o tratamento tributário a que estão sujeitos os rendimentos oriundos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD, auferidos pelo contribuinte nos anos-calendário de 1993 e 1994, cuja isenção teve seu reconhecimento negado pelo julgador de primeira instância sob o fundamento de que a Convenção sobre Privilégios e Imunidades da Nações Unidas concede a isenção somente a funcionário pertencente ao quadro efetivo do organismo internacional. Sobre a matéria o Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041/94, em seu artigo 23 assim determina: "Art. 5°- Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por: I - Servidores diplomáticos estrangeiros a serviços de seus governos; 11- Servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, o conceder isenção; 111- Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções. 8 • • Processo N°. Resolução N°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIROCONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 Parágrafo único. As pessoas referidos nos itens 11e /li deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no paIs. "(Lei n° 4.506/64, art. 5°, e 7.713/88, art.30) li • li Disso extrai-se que a obrigação de conceder a isenção a servidor de organismo internacional é o tratado ou convênio de que o Brasil seja signatário, portanto, por ser necessário passo a transcrever e analisar as disposições da legislação internacional aplicável à matéria enfocada. O Acordo Básico de Assistência e Cooperação Técnica com a Organização das Nações Unidas, promulgado pelo Decreto n° 59.308, de 23 de setembro de 1966, artigo V, privilégios e imunidades, está assim redigido: "1 - O Governo, caso ainda não esteja obrigado a fazê-lo, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundos e haveres, bem como a seus funcionários, inclusive peritos de assistências técnicas: a) com respeito à Organizaçlio da Naçóes Unidas, a "Convençlio sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas"; b) com respeito às Agências Especializadas, a "Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas"; (grifei) Como visto, o Acordo de Cooperação Técnica segue a mesma orientação da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, aprovada em 13 de fevereiro de 1946, por ocasião da Assembléia Geral das Nações Unidas, cujos termos foram recepcionados pelo direito pátrio através do Decreto n° 27.784, de 16.02.50. Os artigos V e VI da citada Convenção, assim determinam:~ 9 • • • Processo N°. Resolução N°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 "Artigo V (...) Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VII. Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros. (grifei) Seção 18 - Os funcionários da Organização das Nações Unidas: . . b) serão isentos de qualquer imposto sobre os salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas; .................................................................................................................... Seção 19 - Gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas as de que gozam os funcionários das Nações Unidas. Artigo VI Técnicos a serviços das Nações Unidas Seção 22 - Os técnicos (independentes dos funcionários no artigo V) , quando a serviço das Nações Unidas, gozam [ ...} dos privilégios ou imunidades necessárias para o desempenho independente de suas missões. Gozam, em particular dos privilégios e imunidades seguintes: (...) Dentre os privilégios e imunidades indicados não há menção à isenção de impostos. :Jt0 10 • • Processo N°. Resolução N°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10166.017945/96-00 106-1.041 •• • Com isso temos que: o ponto fundamental do litígio centra-se especificamente quanto ao alcance do benefício de isenção previsto no artigo V, Seções 17 e 18, da Convenção aprovada pela Secretaria Geral das Nações Unidas. Pelas disposições constantes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, aos funcionários domiciliados no País, foi estendido isenção do imposto de renda sobre as remunerações pagas pela Representação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil - PNUD . Assim inegável é a isenção sobre remuneração auferida em razão de trabalhos executados para organismos internacionais, quando comprovado o exercício de função na organização com jornada de trabalho regular, conseqüência de um vínculo empregatício, mediante remuneração mensal. Assim e considerando a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 , Código Tributário Nacional que em seu art. 111, normatiza : "Art. 111 - Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (. ..) /I - outorga de isenção;" E, ainda, que as provas juntadas aos autos pela defesa são insuficientes para demonstrar que os rendimentos, aqui discutidos, estão amparados pelo benefício da isenção, proponho que o julgamento seja convertido em pedido de diligência para que a Representação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento do Brasil, pelas vias diplomáticas competentes, informe se o 11 ti , --------------------------------------------, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N°. Resolução N°. 10166.017945/96-00 106-1.041 • recorrente pertence a categoria de servidores de que trata o artigo V, Seções 17 e 18, da mencionada Convenção. Sala das Sessões - DF. em 13 abril de 1999 12 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012

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Numero do processo: 10768.010870/2001-68
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercido: 1999 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO - FALTA DE RETENÇÃO - Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa fisica do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ã respectiva retenção (Súmula 1° CC n° 12). INFORMAÇÃO DOS RENDIMENTOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - DEVER DO CONTRIBUINTE - É dever do contribuinte informar os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado. Desta forma, os rendimentos comprovadarnente omitidos na Declaração de Ajuste Anual, detectados em procedimentos de oficio, serão adicionados, para efeito de cálculo do imposto devido, à base de cálculo declarada. Preliminar rejeitada. Recurso negado.
Numero da decisão: 104-23.548
Decisão: ACORDAM Os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar argüida pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Nelson Mallmann

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I ;,;`: MINISTÉRIO DA FAZENDA •nt:- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processou' 10768.010870/2001-68 Recurso n° 158.810 Voluntário Matéria IRPF Acórdão a° 104-23.548 Sessão de 09 de outubro de 2008 Recorrente ARMANDO BLOCH DA CUNHA VALLE Recorrida 3a TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ II ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercido: 1999 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO - FALTA DE RETENÇÃO - Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário ' na pessoa fisica do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido ã respectiva retenção (Súmula 1° CC n° 12). INFORMAÇÃO DOS RENDIMENTOS NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - DEVER DO CONTRIBUINTE - É dever do contribuinte informar os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado. Desta forma, os rendimentos comprovadarnente omitidos na Declaração de Ajuste Anual, detectados em procedimentos de oficio, serão adicionados, para efeito de cálculo do imposto devido, à base de cálculo declarada. Preliminar rejeitada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ARMANDO BLOCH DA CUNHA VALLE. ACORDAM Os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar argüida pelo Recorrente e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. . . Processo n° 10768.010870/2001-68 CCO I/C04 Acórdão n.• 104-23.548 Fls. 2 jinaliCrTA CARD-185— Presidente /N .IÀ0 i Leilf/t elator FORMAL ADO E : O OUT 2008 / Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros HELOÍSA GUARITA SOUZA, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, ANTONIO LOPO MARTINEZ, PEDRO ANAN JÚNIOR e RENATO COELHO BORELLI (Suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. 2 Processo n° 10768.01087012001-68 CCO I /CO4 Acórdão n.° 104-23.548 Fls. 3 Relatório ARMANDO BLOCH DA CUNHA, contribuinte inscrito no CPF/MF 028.454.077-34, com domicílio fiscal na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, à Rua Quitanda, n° 47 — 40 andar, Bairro Centro, jurisdicionado a DERAT no Rio de Janeiro - RJ, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 35/41, prolatada pela Terceira Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II - RJ, recorre, a este Primeiro Conselho de Contribuintes, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 45/49. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 02/05/01, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 08/12), com ciência através de AR, em 09/08/01, exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 23.806,48 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de oficio normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 1999, correspondente ao ano-calendário de 1998. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de Imposto de Renda, onde a autoridade lançadora entendeu haver omissão de rendimentos iecebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vinculo empregatício recebidos do Tribunal Regional do Trabalho no valor de R$ 58.088,45 e da Junta Comercial do Rio de Janeiro no valor de R$ 20.224,80. Infração capitulada nos artigos 1° ao 3° e 6° da Lei n° 7.713, de 1988; artigos 1° ao 3°, da Lei n° 8.134, de 1990; artigos 1°, 3°, 5°, 6° 11 e 32, da Lei n° 9.250, de 1995 e artigo 21 da Lei n°9.532, de 1997. Irresignado com o lançamento, o autuado, apresenta, tempestivamente, em 06/09/01, a sua peça impugnatória de fls. 01/04, instruído pelos documentos de fls. 05/14, solicitando que seja acolhida à impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que o impugnante ao completar mais de 65 anos de idade, requereu junto ao Tribunal Regional do Trabalho da P Região, vez que recebia e recebe como único rendimento os seus proventos de aposentadoria daquele Tribunal, a isenção do recolhimento do imposto de renda; - que o requerimento foi deferido em s 27/10/97 pelo Presidente do TRF no Rio de Janeiro, amparado pelo § 2° do artigo 153 da Constituição Federal; - que então ao completar mais de 65 anos de idade adquiriu direito a isenção do referido tributo, direito esse reconhecido pela presidência do TRF da l' Região, que só foi revogado aos 23/09/98 por decisão do Supremo Tribunal Federal; - que com base na decisão do presidente do TRF do Rio de Janeiro, o setor de pagamento do Tribunal passou a não mais descontar dos proventos do impugnante o imposto de renda, conforme comprovante de rendimentos pagos e de retenção na fonte, expedido pelo 3 Processo n° 10768.010870/2001-68 CCOI/C04 Acórdão n.° 104-23.548 Fls. 4 TRF da 1 Região, conseqüentemente passou a fazer jus o mesmo aos valores descontados até setembro/98; - que ocorre que aos 09/08/01, o impugnante recebeu a notificação de auto de infração de imposto de renda. Fato esse que veio a modificar a sua declaração de imposto a restituir de R$ 852,00 para imposto suplementar de R$ 11.212,55 acrescidos de multa de oficio e juros de mora, fundamentados no ato de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício; - que se ressalta que o impugnante não poderia concorrer com a referida omissão, já que o mesmo estava beneficiado, naquela ocasião de um ato do presidente do Tribunal Regional do Trabalho que lhe garantia o direito à isenção do imposto de renda além do fato de ter sido orientado pelo fiscal da Receita Federal de como deveria preencher sua Declaração de Imposto de Renda, já que naquele ano o mesmo se encontrava isento do pagamento do tributo, onde foi orientado a fazê-lo nos moldes como fora feita, não existindo, portanto, nenhuma má-fé do impugnante no que tange a missão de rendimentos recebidos. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Terceira Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro II - RJ, concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: - que, inicialmente, esclareça-se que o contribuinte não contestou a parcela do lançamento relativa à omissão de rendimentos recebidos da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro. Assim, considera-se não impugnada essa parte do lançamento, no termos do disposto no art. 17 do Decreto n° 70.235, de 1972, tornando a exigência definitivamente constituída na esfera administrativa; - que a outra parcela do lançamento reporta-se à apuração de omissão de rendimentos recebidos do Tribunal Regional do Trabalho, no valor de R$ 58.088,45, no ano- calendário de 1998; - que o impugnante alegou que os proventos de aposentadoria recebidos do TRT encontravam-se isentos de tributação pelo Imposto de Renda no período de outubro de 1997 a setembro de 1998 e que tal direito foi reconhecido pela presidência do tribunal. A isenção baseou-se no disposto no art. 153, § 2°, da Constituição Federal; - que, de plano, com relação à alegação do contribuinte de que a presidência do TRT havia "reconhecido direito à isenção", cabe esclarecer que toda isenção decorre de lei; - que no que se refere ao artigo do texto constitucional transcrito pelo impugnante (art. 153, § 2°), cumpre esclarecer que tal norma não é auto-aplicável, visto que fica condicionada aos termos e limites fixados em lei. Tais limites foram disciplinados pelo art. 6°, inciso VX, da Lei n°7.713, de 1988; - que de acordo com a informação prestada pelo tribunal Regional do Trabalho — 1* Região, por meio de Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, o contribuinte auferiu no decorrer do ano-calendário de 1998, rendimentos tributáveis no montante de R$ 58.088,45 (fl. 13), exatamente nos termos contidos no Auto de Infração; 4 Processo n° 10768.010870/2001-68 CCOI/C04 Acórdão n.° 104-23448 Fls. 5 - que independente do fato de a fonte pagadora haver ou não efetuado as devidas retenções de imposto ao longo do ano-calendário de 1998, é dever do contribuinte informar os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado. A presente decisão está consubstanciada nas seguintes ementas: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA — IRPF Exercício: 1999 RENDIMENTOS. DECLARAÇÃO. INFORMAÇÃO. DEVER DO CONTRIBUINTE. Independente do fato de a fonte pagadora haver ou não efetuado as devidas retenções de imposto ao longo do Ano-calendário, é dever do contribuinte informar os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual nos campos próprios das correspondentes declarações de rendimentos e, conseqüentemente, calcular e pagar o montante do imposto apurado. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO. LEL Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão de créditos tributários, bem como de dispensa ou redução de penalidades. Lançamento Procedente." Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 17/11/06, conforme Termo constante às fls. 42/43-verso, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (08/12/06), o recurso voluntário de fls. 45/49 no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o Relatório. • Processo n° 10768.01087012001-68 CCOI/C04 Ao5rdão n.° 104-23.548 Eis. 6 Voto Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. A matéria de que trata estes autos se restringe tão-somente aos valores recebidos a título de rendimentos do Tribunal Regional do Trabalho — l Região no valor de R$ 58.088,45 e da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro no valor de R$ 20.224,80 (fls. 20) e consignada, pelo contribuinte, como sendo, em parte, rendimentos isentos ou não tributáveis. Ou seja, o contribuinte declarou R$ 33.048,00 a título de rendimentos tributáveis e R$ 47.963,00 a título de rendimentos isentos e não-tributáveis. Em sua defesa o contribuinte noticia que as verbas apontadas pelo Fisco, como omitidas, referem-se a valores mensais pagos pelo Tribunal Regional do Trabalho — 1' Região e que ao completar 65 anos de idade solicitou a isenção do imposto de renda a qual foi concedida pelo presidente do TRT — i a Região, ao amparo do art. 153, § 2° da Constituição Federal, de 1988, sendo o respectivo Tribunal responsável pela falta de retenção do imposto de renda na fonte. Desta forma, para que haja melhor compreensão no julgamento deste feito, será adotada uma metodologia didática para a apreciação das contestações interpostas pelo Recorrente, cuja abordagem será desenvolvida em função dos prismas a seguir descritos: a) - quanto ao aspecto da ilegitimidade passiva do recorrente; e b) - a responsabilidade de fonte pagadora. Quanto ao aspecto da ilegitimidade passiva do recorrente, tem-se que de uma leitura atenta da peça recursal logo evidencia que o suplicante entende que o imposto de renda na fonte em discussão é típico de imposto por antecipação do devido na declaração e só poderia ser exigido da fonte pagadora. A jurisprudência firmada neste Tribunal Administrativo quanto à matéria, após longo estudo e debate, se desenvolveu no sentido da legalidade de tais lançamentos quando a ação fiscal ocorrer depois de encerrado o ano-calendário. Assim, após a análise da questão em julgamento só posso acompanhar a decisão de Primeira Instância, já que o meu entendimento, acompanhado pelos dos demais pares desta Câmara, sobre o caso é convergente, pelas razões alinhadas na seqüência: Indiscutivelmente, estamos diante de um imposto com característica de imposto, que poderia ter sido exigido na fonte, conhecido como antecipação do devido na declaração. 6 Processo n° 10768.010870/2001-68 CCOI/C04 Acórdão n.° 104-23.548 Fls. 7 O Código Tributário Nacional — CTN reconhece a existência de duas possíveis entidades pessoais no pólo passivo de qualquer relação jurídica tributária, quais sejam: o contribuinte e o responsável (art. 121, parágrafo único). Desta forma, somente pode ser sujeito passivo a pessoa que tenha relação direta e pessoal com o fato gerador — hipótese em que a pessoa é contribuinte -, ou a pessoa que não seja o contribuinte, mas tenha necessariamente algum tipo de vínculo com o fato gerador — hipótese prescrita no art. 128 do CTN para a figura do responsável. O art. 45 do CTN conceitua o contribuinte do imposto de renda como a pessoa que seja titular da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou provento tributável. Como, também, no parágrafo único do mesmo artigo estatui que "a lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam". Assim, aquele que aufere a renda ou o provento é o contribuinte do imposto de renda, por ter relação direta e pessoal com a situação que configura o fato gerador desse tributo, que é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou provento. Por outro lado, a fonte pode ser responsabilizada legalmente pelo cumprimento da obrigação de recolher o imposto de renda porque possui um vínculo com o fato gerador, eis que efetua o pagamento ou crédito que decorre da renda ou do provento tributável, embora não tenha relação natural com o fato sujeito à tributação, já que não é a pessoa titular da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou do provento tributável. Nesta Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Jurisprudência é pacífica no sentido de que quando a fonte tenha efetuado a retenção e fornecido o respectivo comprovante ao beneficiário da renda ou do provento, e caso o imposto seja considerado antecipação do imposto devido pelo beneficiário na declaração de ajuste anual, este tem o direito de compensar o imposto retido, ainda que a fonte não o tenha recolhido, já que a responsabilidade passa a ser exclusiva da fonte pagadora. Da mesma forma, a Jurisprudência é pacífica no sentido de que se a previsão da tributação na fonte se dá por antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual e se a ação fiscal ocorrer após o ano-base da ocorrência do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos, O lançamento, a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, beneficiário do rendimento, exceto no regime de exclusividade do imposto na fonte. Em síntese, a fonte tem o direito de descontar o imposto de renda na fonte quando paga a renda ou provento e por outro lado, o contribuinte tem o direito de receber da fonte o informe de rendimento e retenção, para que possa exercer os efeitos de direito daí eventualmente derivados, inclusive o de compensar o imposto retido na fonte com o imposto que tiver que pagar na declaração de ajuste anual. Assim, é conclusivo que, segundo a lei tributária, para que o contribuinte possa exercer o direito de compensar o imposto pago na fonte com o imposto a pagar sobre os rendimentos na declaração anual de ajuste, é necessário que a fonte lhe forneça o comprovante de retenção. 7 Processo n° 10768.010870/2001-68 CCO I /CO4 Acórdão n." 104-23.548 Fls 8 No caso em análise, é fato inegável que o valor pago para o suplicante tem origem em rendimentos tributáveis sujeitos à retenção na fonte como antecipação do imposto devido na declaração. Por outro lado, tem-se como regra básica que a percepção de rendimentos pode gerar a obrigação de ser pago o tributo correspondente; para tanto, a legislação ordinária fixa os parâmetros que, uma vez atingidos, dão lugar ao nascimento da obrigação tributária. Dentre as regras traçadas pela lei tributária, está a que marca o momento em que se considera ocorrida à disponibilidade da renda ou dos proventos e, conseqüentemente, em que nasce a obrigação tributária correspondente. A responsabilidade pela retenção do imposto, no caso dos autos, nos termos da lei que a instituiu, se dá a título de antecipação daquele que o contribuinte, pessoa fisica, tem o dever de apurar em sua declaração de ajuste anual. A pessoa física beneficiária é o titular da disponibilidade econômica, ou seja, é efetivamente o contribuinte. O fato de a fonte não efetuar a retenção, a título de antecipação do devido na declaração, não exime o contribuinte - pessoa física de incluir os rendimentos recebidos em sua declaração de ajuste anual. Logo, considerando que as pessoas fisicas beneficiárias dos rendimentos pagos, sobre o qual se poderia, na época oportuna, ter-se exigido o imposto de renda da fonte pagadora a titulo de antecipação (antes do encerramento do ano-calendário), encontram-se relacionadas nominalmente na listagem do Tribunal Regional do Trabalho — P Região, cabe a constituição dos lançamentos de oficio junto àqueles contribuintes, uma vez comprovado que os mesmos deixaram de oferecer estes valores à tributação em suas declarações de ajuste anual. No caso de imposto incidente na fonte, a título de redução na declaração, a ausência da retenção não exime o beneficiário de declarar todos os rendimentos recebidos no ano-base, pois a pessoa jurídica ou fisica beneficiária é efetivamente o sujeito passivo - contribuinte, nos exatos termos da lei. • Em face de julgamentos levados a efeito neste Colegiado, constatou-se, ainda, que o Fisco, em lançamento de oficio, ora exigia o imposto de renda junto à fonte pagadora, ora exigia o imposto do beneficiário, pessoa fisica ou jurídica, seja lançando os rendimentos omitidos na declaração, seja deslocando rendimentos declarados como isentos/não tributáveis para rendimentos tributáveis. A legislação regente não dá guarida a essa opção, quanto ao mesmo fato (rendimento). Por ocasião do lançamento, só há um sujeito passivo. A lei não dá guarida ao fisco de eleger, conforme as circunstâncias, ora um, ora outro. Tendo-se a identificação do beneficiário, sobre ele deve recair o imposto, visto ser sujeito passivo - contribuinte da relação jurídica. Dando-se a ação fiscal dentro do ano-base, a exigência há de ser na fonte pagadora, nos exatos preceitos da lei. Qualquer outro procedimento poder-se-ia chegar à situação de se exigir o mesmo imposto tanto da fonte pagadora como do contribuinte pessoa fisica ou jurídica, tipificando bis in iden. Há possibilidades para tanto, por exemplo: fonte pagadora em determinada Região Fiscal e pessoa fisica ou jurídica em outra; pessoa fisica ou jurídica não mais com vínculo com a fonte pagadora, sem que essa possa informar ao beneficiário do 8 • • Processo n° 10768.010870/2001-68 CCOI/C04 Acórdão n.° 104-23.548 fls. 9 rendimento ter sofrido a ação fiscal para recolher o imposto não retido e a pessoa fisica ou jurídica beneficiária também sofrer ação fiscal. Em outra situação, poder-se-ia exigir o imposto na fonte quando o beneficiário sequer estaria sujeito à apresentação da declaração, quando, então, a exigência do imposto na fonte, após o prazo da entrega da declaração, seria improcedente, visto que a incidência, nos termos legais, é tão-somente a título de antecipação. Antecipar o quê se, nesse caso, sequer o beneficiário encontrava obrigado a apresentar a DIRPF. Assim, é que o legislador, nos casos de incidência na fonte, quanto a rendimentos pagos e não sujeitos a ajuste anual, previu ser de inteira responsabilidade da fonte pagadora o recolhimento de imposto não retido. Fala-se, aqui, do Decreto-lei n° 5.844, de 1943, com ênfase aos seus artigos 99, 100 e 103. Referidos artigos encontram-se consolidados nos arts. 574 e parágrafo único, 576 e 576 do RIR/80; 791, 795 e 919 do RIR194; e 717, 721 e 722 do RIR199, citando os dois primeiros a título de ilustração e, o último, em vigência. Apesar de os três Regulamentos acima citados considerarem os dispositivos legais previstos no Decreto-lei n° 5.844, de 1943, como também aplicáveis à obrigação da fonte de reter o imposto quando do pagamento de rendimento sujeitos à incidência na fonte a título de antecipação, não é este o ordenamento jurídico previsto naquele diploma legal. Na sistemática do Decreto-lei n° 5.844, de 1943, no "Título I - Da Arrecadação por Lançamento - Parte Primeira - Tributação das Pessoas Físicas" (arts. 10 a 26) previa-se a incidência de imposto de renda anual, por cédulas, deduções cedulares e abatimentos) e ainda não contemplava a incidência de imposto na fonte sobre os rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual. Na "Parte Segunda - Tributação das Pessoas Jurídicas" do art. 27 a 44. Os artigos 45 a 94 referem-se a casos especiais de incidência de imposto (espólio, liquidação, extinção e sucessão de pessoas jurídicas, empreitadas de construção, atividade rural, transferência de residência para o País, administração do imposto pela entrega da declaração, pagamento do imposto em quotas, meios, local e prazo de pagamento). O Título II - Da Arrecadação das Fontes que interessa à formação de convicção para julgamento do lançamento em questão, desdobra-se em III Capítulos, que são: O Capítulo I envolve os seguintes rendimentos: quotas-partes de multas (art. 95), títulos ao portador e taxas (art. 96), rendimentos de residentes ou domiciliados no estrangeiro (art. 97) e de exploração de películas cinematográficas estrangeiras (art.98). Esses rendimentos sujeitavam-se ao imposto de renda na fonte a alíquotas específicas. O Capítulo H - Da retenção do Imposto determina, no art. 99, o momento em que compete à fonte reter o imposto referente aos rendimentos especificados nos arts. 95 e 96. E, no art. 100, o momento da retenção quanto aos rendimentos tratados nos arts. 97 e 98. O Capítulo III - Do Recolhimento do Imposto disciplina a obrigatoriedade de recolher aos cofres públicos o imposto retido e o prazo desse recolhimento (arts. 101 e 102, respectivamente). E, em seu art. 103, espelha o seguinte ditame legal: 9 Processo e 10768.010870/2001-68 CCOI/C04 Acórdão n.• 104-23.548 fls. 10- "Art. 103. Se a fonte ou o procurador não tiver efetuado a retenção do imposto, responderá pelo recolhimento deste, como se o houvesse retido." Dos dispositivos legais acima, pode-se constatar os seguintes fatos: 1 - No Decreto-lei n° 5.844, de 1943, ainda não havia sido instituído o regime de tributação de imposto na fonte sobre rendimentos do trabalho assalariado e não assalariado, que eram tributados tão-somente na declaração anual; 2 - Os artigos 95 a 98 do referido Decreto-lei contemplam quatro tipos de rendimentos que se sujeitavam ao imposto na fonte e não eram incluídos na declaração anual. Ou seja, embora não expressamente na lei, a incidência era de exclusividade de fonte; 3 - Na seqüência, tratando-se de rendimentos que sofriam a incidência de imposto de renda na fonte quando do pagamento ao beneficiário, sem que aqueles rendimentos se sujeitassem à tributação na declaração anual, sabiamente o legislador, no art. 103, instituiu a figura típica do responsável pelo imposto, caso não tivesse efetuado a retenção a que estava obrigado. Assim, em casos que tais, instituiu-se a figura do substituto, conforme defendido na doutrina. É de notório conhecimento o disciplinamento do inciso III, do art. 97, do CTN, através do qual somente a lei pode estabelecer a definição de sujeito passivo. Ocorre que, ao longo dos anos, o artigo 103 do Decreto-lei n° 5.844, de 1943, equivocadamente, vem constituindo matriz legal de artigo de Regulamento do Imposto de Renda, baixado por Decretos, os quais têm a função de tão-somente consolidar e regulamentar a legislação do imposto de renda. Assim, nos termos do art. 99 do CTN, "O conteúdo e o alcance dos decretos restringem-se aos das leis em função das quais sejam expedidos, ...". Logo, não pode dispositivo regulamentar, baixado por Decreto, estender o conceito de sujeito passivo, no caso de responsável, onde a lei não o fez. A responsabilidade, no caso da fonte pagadora obrigada a reter o imposto de renda, a título de redução daquele a ser apurado na Declaração de Ajuste Anual, se dá tão- somente dentro do próprio ano-base. Cabível, sem, contudo, pretender firmar posição, o entendimento de ser o ato de reter o imposto, na sistemática de antecipação, mera obrigação acessória. Isto porque o fato de a fonte pagadora não efetuar a retenção do imposto na fonte, a título de antecipação, por mero equívoco ou mesmo omissão, não significa que o beneficiário do rendimento esteja desobrigado de incluir esses rendimentos entre aqueles sujeitos na declaração, pois, efetivamente, é ele o contribuinte. Nesse sentido, vasta é a jurisprudência deste Colegiado e também a das demais Câmaras deste Conselho, competentes para julgar a matéria, podendo-se citar os seguintes Acórdãos 102-43.925, 104-12.238 e 106-11.335. Pode-se, pois concluir, o equívoco quanto à eleição da fonte, como sujeito passivo (responsável-substituto), quando a retenção é, por lei, mera antecipação do devido na declaração, e a exigência se dá após o correspondente ano-base. Até porque, perante o órgão 10 Processo n° 10768.010870/2001-68 CCO /CO4 Acórdão n.° 104-23.548 Fls. 11 • fiscalizador e julgador administrativo, em primeiro ou segundo grau, a pessoa fisica ou jurídica são os beneficiários dos rendimentos e, portanto, sujeito passivo/contribuinte na declaração de rendimentos. Daí a firme jurisprudência administrativa no sentido de se manter a exigência do imposto de renda apurado na declaração anual, decorrente da inclusão dos rendimentos que não sofreram a incidência na fonte. A este respeito à própria Secretaria da Receita Federal fez publicar o Parecer Normativo SRF n° 01, de 24 de setembro de 2002, onde se aborda o tema, na mesma linha de pensamento deste Tribunal Administrativo. Qual seja: em se tratando de imposto retido na fonte no regime de antecipação, a responsabilidade do contribuinte é supletiva à do substituto tributário, que passa a ser excluído do pólo da sujeição passiva a partir da data para a entrega da declaração de rendimentos do beneficiário pessoa fisica, ou, após a data prevista para encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, conforme se depreende dos excertos abaixo transcritos: Sujeição Passiva tributária em geral "2. Dispõe o art. 121 do CTN: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: (.). 4. A fonte pagadora, por apressa determinação legal, !astreada no parágrafo único do art. 45 do CTN, substitui o contribuinte em relação ao recolhimento do tributo, cuja retenção está obrigada a fazer, caracterizando-se como responsável tributário. 5.Nos termos do art. 128 do C774, a lei, ao atribuir a responsabilidade pelo pagamento do tributo à terceira pessoa vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, tanto pode excluir a responsabilidade do contribuinte como atribuir a este a responsabilidade em caráter supletivo. 6. A fonte pagadora é a terceira pessoa vinculada ao fato gerador do imposto de renda, a quem a lei atribui a responsabilidade de reter e recolher o tributo. Assim, o contribuinte não é o responsável exclusivo pelo imposto. Pode ter sua responsabilidade excluída (no regime de retenção exclusiva) ou ser chamado a responder supletivamente (no regime de retenção por antecipação). (.). Imposto retido como antecipação 11. Diferentemente do regime anterior, no qual a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é exclusiva da fonte pagadora, no regime de retenção do imposto por antecipação, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, a legislação determina que a apuração definitiva do imposto de renda seja efetuada pelo 11 Processo n° 10768.010870/2001-68 CCOI/C04 Acórdão n.° 104-23.548 Fls. 12 contribuinte, pessoa física, na declaração de ajuste anual, e, pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Responsabilidade tributária na hipótese de não-retenção do imposto 12. Como o dever do contribuinte de oferecer os rendimentos à tributação surge tão-somente na declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, ao se atribuir à fonte pagadora a responsabilidade tributária por imposto não retido, é importante que se fixe o momento em que foi verificada a falta de retenção do imposto: se antes ou após os prazos fixados, referidos acima. 13.Assim, se o fisco constatar, antes do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, que a fonte pagadora não procedeu à retenção do imposto de renda na fonte, o imposto deve ser dela exigido, pois não terá surgido ainda para o contribuinte o dever de oferecer tais rendimentos à tributação. 14. Por outro lado, se somente após a data prevista para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, for constatado que não houve retenção do imposto, o destinatário da exigência passa a ser o contribuinte. Com efeito, se a lei exige que o contribuinte submeta os rendimentos à tributação, apure o imposto efetivo, considerando todos os rendimentos, a partir das datas referidas não se pode mais exigir da fonte pagadora o imposto. Penalidades aplicáveis pela não-retenção ou não pagamento do imposto 15. Verificada, antes do prazo para entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a não-retenção ou recolhimento do imposto, ou recolhimento do imposto após o prazo sem o acréscimo devido, fica a fonte pagadora, conforme o caso, sujeita ao pagamento do imposto, dos juros de mora e da multa de oficio estabelecida nos incisos 1 e lido art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996 (art. 957 do R1R/1999, conforme previsto no art. 9° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, verbis: 12 Processo n° 10768.010870/2001-68 CC01/C04 Acórdão n.° 104-23.548 Fls. 13 16. Após o prazo final fixado para a entrega da declaração, no caso de pessoa física, ou, após a data prevista para o encerramento do período • de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento do imposto passa a ser do contribuinte. Assim, conforme previsto no art. 957 do RIR/1999 e no art. 9° da Lei n°10.426, de 2002, constatando-se que o contribuinte: a) não submeteu o rendimento à tributação, ser-lhe-ão exigidos o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de oficio, e, da fonte pagadora, a multa de oficio e os juros de mora; b) submeteu o rendimento à tributação, serão exigidos da fonte pagadora a multa de oficio e os juros de mora." As decisões prolatadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, tem-se manifestado, sistematicamente, no mesmo sentido, conforme se constata nas decisões abaixo: Acórdão CSRF 01-03.661 — DOU 22/04/03: IRF — ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL — FALTA DE RETENÇÃO — RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA — Constatada pelo Fisco a ausência de retenção do Imposto de Renda na Fonte, a título de antecipação do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, após o término do ano- calendário, incabível a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de Imposto de Renda na Fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento a título de imposto de renda, se for o caso, deverá ser efetuado em nome do contribuinte, o beneficiário do rendimento. Acórdão CSRF 01-04.565 — DOU 12/08/03: IRF — RESPONSABILIDADE — Nas hipóteses de falta de retenção e recolhimento do IR Fonte como antecipação do devido no ajuste anual da pessoa jurídica, o tributo só pode ser exigido da fonte até o fim do ano base, cabendo a partir daí a exigência na pessoa fisica beneficiária, eleita pela lei como contribuinte e que deveria incluir os rendimentos em sua declaração, (Dec. Lei 5.844/43 arts. 76, 77 e 103, Lei n 8.383/91 arts. 8°, 11, 13, § único e 15 inc. II). Acórdão CSRF 01-03.775 — DOU 04/07/03: IRF — ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL — FALTA DE RETENÇÃO — RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA — Constatada pelo Fisco a ausência de retenção do Imposto de Renda na Fonte, a título de antecipação do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, após o término do ano- calendário, incabível a constituição do crédito tributário mediante o lançamento de Imposto de Renda na Fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. O lançamento, a título de imposto de renda se for o caso, deverá ser efetuado em nome dos contribuintes, beneficiários, sobretudo se, sendo estes diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, os benefícios 13 Processo n°10768.010870/2001-68 CCOI/C04 Acórdão o.° 104-23.548 Fls. 14 resultaram de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (CT1V, artigos 135, 137, Te II, e 14). Assim sendo, não tem sentido a argumentação do suplicante para que se exija da fonte pagadora o imposto em questão, já que o mesmo representa simples antecipação do tributo devido pelo suplicante envolvido e o lançamento ocorreu depois de encerrado o período de apuração em que o rendimento deveria ser tributado. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Para o caso dos autos (falta de retenção de IRRF) aplica-se a Súmula 1° CC n° 12: "Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legitima a constituição do crédito tributário na pessoa fisica do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido A respectiva retenção". Quanto ao mérito em si é de se rejeitar o argumento do suplicante no sentido de que os proventos de aposentadoria recebidos do TRT encontravam-se isentos de tributação pelo Imposto de Renda no período de outubro de 1997 a setembro de 1998 e que tal direito foi reconhecido pela presidência do tribunal. A isenção baseou-se no disposto no art. 153, § 2°, da Constituição Federal. Ora, a decisão de primeira instância já esclareceu que a norma constitucional previsto no art. 152, § 2°, não é auto-aplicável, visto que fica condicionada aos termos e limites fixados em lei e que tais limites foram disciplinados pelo art. 6°, inciso VX, da Lei n° 7.713, de 1988, ou seja: "Art. 6° Ficam isentos do Imposto sobre a renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas fisicas: XV — os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de R$ 900,00 (novecentos reais), por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto." Assim, de acordo com a informação prestada pelo tribunal Regional do Trabalho — 1 2 Região, por meio de Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, o contribuinte auferiu no decorrer do ano-calendário de 1998, rendimentos tributáveis no montante de R$ 58.088,45 (fl. 13), exatamente nos termos contidos no Auto de Infração. 14 Processo n° 10768.010870/2001-68 CCO 1/C04 Acórdão n.° 10423.548 Fls. 15 É de se reforçar ainda a observação de que compete à União legislar sobre o imposto de renda incidente sobre os rendimentos e proventos de qualquer natureza. A luz do disposto no § 4° do art. 3 0 da Lei n.° 7.713, de 23 de dezembro de 1988, para fins de tributação independe a titulação que se dê ao rendimento, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Reza o citado dispositivo legal: "Art. 3° - O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos artigos 9° e 14 desta Lei. 4° - A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título." Desta forma não há porque o "quantum" pago ao recorrente a titulo de rendimentos recebidos de forma habitual estar fora do campo da incidência tributária. De conformidade com o prescrito no art. 176 do Código Tributário Nacional, a isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão e, a lei, deve ser interpretada literalmente. Em razão de todo o exposto e por ser de justiça voto no sentido de REJEITAR a• preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 09 de outubro de 2008 So; 4 71 dur-7 15 Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1

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Numero do processo: 13708.002109/94-19
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 105-01.210
Decisão: RESOLVEM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: José Carlos Passuello

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Numero do processo: 10680.015404/2007-24
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IRPJ, CSLL, IRF, PIS E COFINS Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006. Ementa: É nulo o processo a partir da impugnação, por cerceamento do direito de defesa no caso em que o contribuinte está impedido do acesso a seus livros e documentos para se defender e a autoridade de primeira instância mantém o lançamento sem fraquear todos os meios para garantir o amplo direito de defesa.
Numero da decisão: 105-17.364
Decisão: ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ANULAR o processo a partir da impugnação inclusive, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: José Clóvis Alves

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-21T13:38:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-21T13:38:21Z; Last-Modified: 2009-08-21T13:38:21Z; dcterms:modified: 2009-08-21T13:38:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-21T13:38:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-21T13:38:21Z; meta:save-date: 2009-08-21T13:38:21Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-21T13:38:21Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-21T13:38:21Z; created: 2009-08-21T13:38:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; Creation-Date: 2009-08-21T13:38:21Z; pdf:charsPerPage: 1446; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-21T13:38:21Z | Conteúdo => g CCO I /CO5 fls. I -"<té::, MINISTÉRIO DA FAZENDA *fr,;":-.1% PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° 10680.015404/2007-24 Recurso n° 166.714 Voluntário Matéria IRPJ E OUTROS - Ex(s):2003, 2004, 2006 Acórdão n° 105-17.364 Sessão de 17 de dezembro de 2008 Recorrente VIVIANE SANTOS CLASSIFICAÇÃO DE PEDRAS LTDA Recorrida 3' TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG Assunto: IRPJ, CSLL, IRF, PIS E COFINS Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006. Ementa: É nulo o processo a partir da impugnação, por cerceamento do direito de defesa no caso em que o contribuinte está impedido do acesso a seus livros e documentos para se defender e a autoridade de primeira instância mantém o lançamento sem fraquear todos os meios para garantir o amplo direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ANULAR o processo a partir da impugnação inclusive, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ál/(1`I. 4L VIS AL S2 residente e Relator Formalizado em: 19 DEZ 3118 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: WILSON FERNANDES GUIMARÃES, PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, MARCOS RODRIGUES DE MELLO, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, WALDIR VEIGA ROCHA, LUCIANO INOCÊNCIO DOS SANTOS e BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR. Ausentes, justificadamente os Conselheiros ALEXANDRE ANTÔNIO ALKMIM TEIXEIRA e JOSÉ CARLOS PASSUELLO. , Processo n° 10680.015404/2007-24 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105-12.384 Fls. 2 Relatório Viviane Santos Classificação de Pedras Ltda, CNPJ 65.148.207/0001-53, inconformada com a decisão contida no acórdão 02-16.737 de 02 de janeiro de 2008, proferido pela 3' Turma da DRJ em Belo Horizonte MG, interpôs recurso a este Colegiado objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ. Os autos de infração a folhas 4 a 19 exigem o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 12.766.103,59, assim discriminado: TRIBUTO JUROS DE MULTA TOTAL MORA Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) 1.207.216,21 623.973,83 1.810.824,31 3.642.014,35 Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) 2.420.474,48 1.548.534,73 3.630.711,69 7.599.720,90 Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) 8.085,00 3.680,29 12.127,50 23.892,79 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) 460.517,83 239.129,34 690.776,74 1.390.423,91 Contribuição p/ Financiamento da Seg. Social (Cotins) 37.240,00 16.951,64 55.860,00 110.051,64 A - DESCRICÃO DAS INFRACÕES IMPUTADAS I - Auto de infração de IRPJ O autuante, reportando-se ao termo de verificação a folhas 26 a 30, atribui à autuada duas infrações, de cuja descrição adiante se faz uma síntese, segundo o que consta no lançamento. 1. OMISSÃO DE RECEITAS — PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE — Omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização de pagamentos efetuados a Jezzini Minerais Preciosos Ltda. Período de apuração: ano-calendário de 2004. Enquadramento legal: artigo 249, inciso II, artigo 251, parágrafo único, artigos 279, artigo 281, inciso II, e artigo 288, todos do Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999— Regulamento do Imposto de Renda 1999— RIR 1999. 2. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS — GLOSA DE DESPESAS — Glosa de despesas apropriados com base em documentos inidôneos. Períodos de apuração: anos-calendários de 2002, 2003 e 2004. Enquadramento legal: artigo 249, inciso I, artigo 251, parágrafo único, e artigos 300 e 304, todos do RIR 1999. II - Auto de infração ,,, , de PIS 2 Processo n°10680.015404/2007-24 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105-17.364 Fls. 3 Lançamento dito decorrente do de IRPJ descrito no item anterior deste relatório, mas que com este compartilha apenas a primeira das infrações imputadas, isto é, a omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização de pagamentos efetuados a Jezzini Minerais Preciosos Ltda. Período de apuração: julho de 2004. Enquadramento legal: artigos 1°, 30 e 4° da Lei n° 10.637, de 2002. III - Auto de infração de Cofins Lançamento dito decorrente do de IRPJ descrito no item anterior deste relatório, mas que com este compartilha apenas a primeira das infrações imputadas, isto é, a omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização de pagamentos efetuados a Jezzini Minerais Preciosos Ltda. Período de apuração: julho de 2004. Enquadramento legal: artigos I°, 3° e 5° da Lei n° 10.833, de 2003. IV - Auto de infração de CSLL Lançamento dito decorrente do de IRPJ descrito no item anterior deste relatório, e que com este compartilha as mesmas infrações imputadas à autuada, a saber: 1. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS — GLOSA DE DESPESAS — Glosa de despesas apropriados com base em documentos inidõneos. Períodos de apuração: anos-calendários de 2002, 2003 e 2004. Enquadramento legal: artigo 2°, e seus parágrafos, da Lei n°7.689, de 1988; artigo 19 da Lei n°9.249, de 1995. 2. OMISSÃO DE RECEITAS — PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE — Omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização de pagamentos efetuados a Jezzini Minerais Preciosos Ltda. Período de apuração: ano-calendário de 2004. Enquadramento legal: artigo 2°, e seus parágrafos, da Lei n°7.689, de 1988; artigo 24 da Lei n°9.249, de 1995; artigo I° da Lei n°9.316, de 1996; artigo 28 da Lei n°9.430, de 1996; artigo 37 da Lei n° 10.637, de 2002. V - Auto de infração de IRRF Lançamento dito decorrente do de IRPJ descrito no item anterior deste relatório, e que, com base nos mesmos fatos que resultaram na glosa de despesas (item 1 do auto de infração de IRPJ), imputa à autuada a seguinte infração: 1. IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS — Pagamentos sem causa, efetuados a beneficiários não identificados. 3 Processo n° 10680.015404/2007-24 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105-17.364 Fls. 4 Datas do fato gerador: 04.11.2002, 06.11.2002, 02.12.2002, 06.12.2002; 12.12.2002, 18.12.2002, 09.01.2002, 28.02.2003, 31.03.2003, 13.02.2004, 28.02.2004, 20.03.2004, 27.03.2004, 30.03.2004, 30.04.2004, 16.06.2004, 30.06.2004, 11.10.2004. Enquadramento legal: artigo 674 do RIR 1999. Termo de verificação fiscal No termo de verificação fiscal a folhas 26 a 30 o autuante apresenta a motivação do lançamento. Os enunciados seguintes resumem o seu conteúdo. • A fiscalizada adotou o regime do lucro real com apuração anual nos anos- calendários de 2002 a 2004, conforme cópia das DIPJ respectivas, que compõem o anexo 1 dos autos. • A ação fiscal teve início em 08.01.2007 com a intimação para apresentação de livros e documentos da escrituração contábil e fiscal, por meio do termo de início de ação fiscal cuja ciência, pelo sujeito passivo, se deu na pessoa da proprietária Vivianne Albertino Santos, em sua residência, a qual informou que a empresa deixou de funcionar no endereço cadastral em decorrência da Operação Carbono. • Em resposta ao termo de início, foram apresentadas cópias dos atos constitutivos da empresa e informado que era impossível entregar os documentos solicitados pois eles haviam sido apreendidos por ocasião da Operação Carbono, deflagrada pela Polícia Federal em 10.02.2006, na sede da empresa, e no escritório do contador Mateus Ribeiro da Silva, conforme cópia do auto de apreensão apresentado pela fiscalizada. • Tais documentos foram apreendidos pelo Departamento da Policia Federal (e posteriormente repassados a RFB), em cumprimento de mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal e estariam relacionados com o comércio ilegal de diamantes, o qual consiste na exportação, para a Bélgica e para os Emirados Árabes Unidos, de pedras supostamente oriundas da extração em garimpos ilegais nas regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil e até mesmo de lavras situadas em regiões de conflito armado no continente africano. • De acordo com as informações colhidas durante a fase preparatória da Operação Carbono, a empresa obteria notas fiscais de diversas empresas que, em principio, não se dedicavam à extração de diamantes para dar lastro legal à entrada de pedras que posteriormente seriam exportadas utilizando-se de Certificados Kimberley (os quais atestam a origem de diamantes e são necessários para a sua exportação) obtidos de forma irregular. Anexa aos autos acha-se cá ia de artigos jornalísticos sobre a Operação Carbono. 4 Processo n° 10680.015404/2007-24 CCO I /CO5 Acórdão n.° 105-17.364 Fls. 5 • Pelo exame dos livros e documentos apreendidos, constatamos que a empresa possui diário, razão e balancete dos anos sob ação fiscal, embora o diário não se encontre autenticado na Junta Comercial. Cópia do diário e do razão constituem o anexo 2 dos autos. • Solicitamos esclarecimentos à fiscalizada sobre notas fiscais que em sua contabilidade acobertavam custos e pagamentos, uma vez que alguns dos emitentes informaram ao fisco que não mantiveram relacionamento comercial com a fiscalizada, enquanto outros não foram localizados nos endereços constantes dos cadastros da Receita Federal. A fiscalizada respondeu que a negação pelas empresas de relacionamento comercial com ela não tem o condão de elidir as operações comerciais efetivamente realizadas, e que tal constatação careceria de diligências mais aprofundadas. Acrescentou que não tem a obrigação legal de fiscalizar o controle sobre a situação cadastral — especificamente o endereço — das empresas com as quais manteve relações comerciais. • Aprofundando as investigações sobre a idoneidade dos documentos na contabilidade da fiscalizada, junto aos supostos emitentes e nas gráficas emissoras das notas fiscais, constatou-se o que se segue, em relação a cada um deles. Essa investigação comprovou que as notas fiscais encontradas na contabilidade da autuada são documentos inidôneos. Por isso, os custos são glosados, e os pagamentos efetuados são considerados sem causa e a beneficiários não identificados. Mineração São Judas Ltda • Todos os pagamentos foram contabilizados como se tivessem sido efetuados em espécie, o que não é usual em face dos montantes envolvidos. • Em resposta a termo de intimação fiscal, a empresa informou, por seu representante legal que nunca manteve relação de nenhuma natureza com a fiscalizada. • Examinando-se cópia do livro de registro de saídas fornecido pela empresa, não se constata que seja compatível a numeração das notas fiscais por ela emitidas com a numeração das notas fiscais encontradas na contabilidade da fiscalizada. • Intimada a apresentar a cópia da AIDF n° 789, que consta no pé das notas fiscais contabilizadas pela fiscalizada, a Gráfica Olanda respondeu que tal AIDF foi utilizada em dezembro de 1995 para a confecção de notas fiscais para Pedras Preciosas Brasileiras Comércio e Exportação Ltda. Essa informação coincide com a resposta do chefe do Posto Fiscal da Capital — 10— Santana, da Secretaria de Fazenda de São Paulo. 5 Processo n° 10680.015404/2007-24 CC01 /CO5 Acórdão n.° 105-17.384 Fls. 6 Mineração Serra Grande S.A. • Todos os pagamentos foram contabilizados como se tivessem sido efetuados em espécie, o que não é usual em face dos montantes envolvidos. • Em resposta a termo de intimação fiscal, a empresa informou, por seu representante legal que não realizou nenhuma operação de venda nem de prestação de serviço com a fiscalizada. • Examinando-se cópia do livro de registro de saídas fornecido pela empresa, não se constata que seja compatível a numeração das notas fiscais por ela emitidas com a numeração das notas fiscais encontradas na contabilidade da fiscalizada. • Intimada a apresentar a cópia da AIDF n° 483009-1, que consta no pé das notas fiscais contabilizadas pela fiscalizada, a L.L. Gráfica e Editora Ltda apresentou cópia da AIDF, mas informou que não confeccionou essas notas fiscais, pois elas não se encontram de acordo com o modelo aprovado pela legislação de Goiás, conforme modelo anexado a sua resposta. Trata-se de falsificação grosseira, pois os campos são diferentes, as discriminações das vias são feitas separadamente, e a numeração em duas notas contém apenas 4 dígitos, enquanto em outra contém 6 dígitos. H. R. Mineração Ltda • Todos os pagamentos foram contabilizados como se tivessem sido efetuados em espécie, o que não é usual em face dos montantes envolvidos. • A intimação encaminhada por via postal foi devolvida pelos Correios, após tentativas de entrega no endereço indicado no cadastro da Receita Federal. • A empresa entrega declaração de inatividade desde o ano-calendário de 2000, o que abrange o período da nota fiscal constante da escrituração da fiscalizada. • Intimada a apresentar a cópia da AIDF n° 000733982002, que consta no pé das notas fiscais contabilizadas pela fiscalizada, a Gell Gráfica e Editora Ltda apresentou cópia da AIDF, mas informou que não confeccionou essas notas fiscais, pois a referida AIDF foi usada para impressão de notas fiscais para R & V Mineração Ltda, conforme discriminado na AIDF por ela apresentada. • A informação da gráfica coincide com o que se obteve da Secretaria da Fazenda de Minas Gerais, segundo a qual na sua base de dados a H.R. Mineração está suspensa desde 12.07.1995 e que, em conseqüência, a inscrição estadual desta foi cancelada. Acrescenta 6 Processo n° 10680.015404/2007-24 CCO I/CO5 Acórdão n.° 105-17.364 Fls. 7 que apenas uma AIDF foi autorizada em 11.11.1994, com outro número. E confirma que a AIDF mencionada no parágrafo precedente foi emitida para a R & V Mineração Ltda. Minerpal Mineração e Comércio Ltda • Todos os pagamentos foram contabilizados como se tivessem sido efetuados em espécie, o que não é usual em face dos montantes envolvidos. Também não é usual que parte do pagamento da nota fiscal 001123 tenha sido efetuado mais de um ano após a emissão da nota fiscal. • Em resposta a termo de intimação fiscal, a empresa informou, por seu representante legal que nunca manteve relação comercial com a fiscalizada. • Examinando-se cópia do livro de registro de saídas fornecido pela empresa, não se constata que seja compatível a numeração das notas fiscais por ela emitidas com a numeração das notas fiscais encontradas na contabilidade da fiscalizada. • Intimada a apresentar a cópia da AIDF n° 844, que consta no pé das notas fiscais contabilizadas pela fiscalizada, a Gráfica & Editora Cipriani Ltda respondeu que tal número de AIDF é de 1976 e que não foi usado, pois foi considerado como cancelado. Itafort Indústria e Comércio de Minerais Ltda • Pagamento contabilizado como se tivesse sido efetuado em espécie, o que não é usual em face dos montantes envolvidos. • Na emissão das notas fiscais encontradas não foi datilografada a respectiva numeração, de modo que lhes falta um dos requisitos essenciais de um documento dessa natureza. No rigor da lei, portanto, não se trata de notas fiscais. • A intimação enviada por via postal a Itafort retomou, pois não foi procurada pelo destinatário, cujo endereço é na zona rural de Itapeva, SP. O representante da Itafort, do qual o n° de inscrição no CPF é 038.983.906/08, não foi encontrado no endereço que consta do cadastro da Receita Federal. Constatou-se que sua inscrição no CPF foi baixada, de oficio, por multiplicidade de inscrições. • As notas fiscais contabilizadas pela fiscalizada são de outubro e novembro de 2004, mas a Itafort apresentou declaração simplificada quanto ao ano-calendário de 2004, na qual informou ter auferido receitas apenas nos meses de janeiro a maio. Esta foi à última declaração entregue pela empresa, conforme consulta aos sistemas da Receita Federal. 7 Processo n° 10680.015404/2007-24 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105-17.364 ns. 8 • Foi enviada intimação para o responsável pelo preenchimento da declaração mencionada no item anterior, o qual respondeu que a DIPJ 2005 foi apresentada por meio de seu escritório de contabilidade em relação ao movimento fiscal lançado nos livros próprios até maio de 2004, pois desde junho desse ano não tivera mais contato com a empresa nem com os sócios, por se encontrarem em lugar incerto e não sabido. A mesma informação ela já havia dado, em 25.05.2005 à fiscalização estadual paulista. • Intimada a apresentar a cópia da AIDF n° 002687, que consta no pé dos formulários encontrados na contabilidade da fiscalizada, a gráfica LS Formulários Ltda apresentou cópia da mencionada AIDF, relativa a formulário contínuo em cinco vias de numeração 12.501 a 14.500. Esta informação coincide com a resposta do chefe do Posto Fiscal — 10— Sorocaba, da Secretaria da Fazenda de São Paulo. Sólida Construções e Edificações Ltda • Todos os pagamentos foram contabilizados como se tivessem sido efetuados em espécie, o que não é usual em face dos montantes envolvidos. • A Sólida apresentou Declaração de Inatividade de Pessoa Jurídica no ano- calendário de 2004, em que declara ter permanecido sem efetuar nenhuma atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial. • Em resposta a termo de intimação fiscal, a empresa informou, por seu representante legal que não mantém relação comercial com a fiscalizada. • Convidados a prestar esclarecimento, compareceu a DRF/Belo Horizonte, em 13.08.2007, o proprietário da Sólida, Ricardo Siqueira de Moura, o seu advogado, Carlos Alberto Moreira Alves, e a responsável pelo preenchimento da declaração de inatividade, Luiza Salvador de Morais Santiago. Esta declarou que a empresa não tem documentos do ano de 2004 porque estava com as atividades paralisadas. Acrescentou que nem na época nem atualmente a empresa possuía equipamentos e máquinas que possibilitassem a prestação dos serviços descritos nas notas fiscais que lhe foram apresentadas. A informação foi corroborada pelo atual proprietário da Sólida. Jezzini Minerais Preciosos Ltda • A intimação enviada a Jezzini por via postal retomou com a informação de que o contribuinte se havia mudado. • Em consulta no sítio da Secretaria da Fazenda do Paraná, verificou-se que é válida a AIDF constante no pé das notas fiscais emitidas pela Jezzini para a autuada. 8 Processo n° 10680.015404/2007-24 CCO I /CO5 Acórdão n.° 105-17.364 Fls. 9 • A Jezzini apresentou DIPJ para o ano-calendário de 2004 com valores zerados para receitas. • Em diligência realizada pela DRF/Curitiba na Jezzini, seu sócio Khaled Jezzini informou, conforme correspondência anexa, ter recebido da fiscalizada R$ 370.000,00, em 14.07.2004, por transferência bancária (conforme extrato bancário apresentado); e R$ 120.000,00, que alega ter recebido em espécie. Os lançamentos respectivos encontram-se nas folhas 101, 102, 110 e 111 do Diário n° 1 da Jezzini, das quais uma cópia é anexada. • Constatou-se a falta de contabilização pela fiscalizada, no ano de 2004, conforme cópia do diário anexo, desses pagamentos reconhecidos pelo fornecedor. • Intimada a esclarecer a falta de escrituração dos pagamentos, a fiscalizada requereu a dilação do prazo de resposta e permissão para o exame dos documentos de sua escrita fiscal, o que lhe foi facultado na pessoa do seu contador, assim como se lhe concederam mais dez dias para responder. • Em 20.09.2007, a fiscalizada afirmou não reconhecer a autenticidade da transferência da importância de R$ 370.000,00, alegando inconsistências na informação prestada pela Jezzini, pois segundo seu entendimento nos extratos emitidos pelos bancos não consta o nome dos emitentes de transferências. Não tem razão a fiscalizada, pois é fácil comprovar que alguns bancos apresentam em seus extratos informações sobre remetentes e destinatários de valores transferidos, principalmente no caso de somas elevadas, e o Bradesco é um deles. Observe-se que o extrato foi emitido em 26.07.2004, por via da Internet. • A fiscalizada equivocadamente alega também que a nota fiscal n° 0038 apresenta valor incorreto, pois a quantidade vendida corresponde a 105,18 quilates, no valor unitário de R$ 9.514, 77 o que não perfaria R$ 370.000,00. Em verdade, o valor unitário constante da nota fiscal é R$ 3.517,77, o qual, multiplicado por 105, 18, dá R$ 369.999,05, ou R$ 370.000,00, arredondando. • A fiscalizada não apresentou nenhum fato novo que justifique a falta de escrituração dos pagamentos. As notas fiscais foram contabilizadas por ela como custos correspondentes. Ou seja, ela põe em dúvida a idoneidade de documentos encontrados em sua contabilidade e cujos custos foram computados no resultado do exercício e que estão em aberto no seu passivo. Não é também comum a venda de diamantes sem a contrapartida do recebimento de seu valor. Não importa se o pagamento ocorreu em 14.07.2004 ou em 28.07.2004. 9 Processo n° 10680.015404/2007-24 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105-17.364 Fls. 10 • Portanto, deve-se considerar correta a apropriação dos custos correspondentes. Porém, ao não contabilizar os pagamentos, a fiscalizada incorreu em infração da legislação consistente em omissão de receitas caracterizada por pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade. IRRF sobre pagamentos causa ou a beneficiários não identificados • Os pagamentos sem causa ou por operação não comprovada estão sujeitos à incidência do IRRF exclusivamente na fonte, de acordo com o artigo 61, § 1°, da Lei n° 8.981, de 1995. A base de cálculo foi reajustada na forma do artigo 61, § 3°, da Lei n°8.981, de 1995. Prejuízos fiscais e base negativa da CSLL • O contribuinte apurou prejuízos fiscais operacionais em 2002, 2003 e 2004, compensáveis com lucro real. Esses prejuízos não foram ainda utilizados pelo contribuinte, como atesta o sistema Sapli. Da mesma forma, o contribuinte apurou bases de cálculo negativas da CSLL nos mesmos valores dos prejuízos fiscais, as quais também não foram utilizadas nos períodos-bases posteriores. Fez-se a compensação dos prejuízos fiscais e das bases negativas, conforme demonstrativos anexos. Evidente intuito de fraude • Caracterizam o evidente intuito de fraude a que aludem os artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 1964, os fatos que se seguem, em conjunto com tudo o que já foi exposto no termo de verificação fiscal. • A falta de contabilização dos pagamentos e a contabilização dos pagamentos com a ocultação dos reais beneficiários dos recursos, assim como o uso de notas fiscais inidôneas teve, entre outros objetivos, o de reduzir ou suprimir tributo. Nada impediria que a fiscalizada, independentemente de ter praticado os desvios de recursos, calculasse e recolhesse os respectivos tributos. • A fiscalizada praticou voluntária e intencionalmente atos que, analisados objetivamente, compõem percurso notoriamente utilizado para lesar o fisco, visto que o uso de documentos inidôneos leva à convicção de que a fiscalizada se orientou para a realização da infração, além do que, dispunha, em concreto, da capacidade de antecipar e prever as conseqüências do seu modo de agir, o que caracteriza o intuito de tirar proveito em detrimento do fisco. 10 • Processo n° 10680.015404/2007-24 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105-17.364 ns. • Sobre essas infrações aplica-se a multa qualificada prevista no 1° do artigo 44 da Lei n°9.430, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória n° 351, de 22 de janeiro de 2007. • Lavrou-se representação fiscal para fins penais, que tramita no processo n° 10680.015419/2007-92, anexo. • A fiscalizada foi intimada a regularizar sua situação cadastral, tendo em vista que não está em funcionamento no endereço cadastrado na Receita Federal. B - IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO A autuada foi notificada dos lançamentos, pessoalmente por meio de seu procurador, em 10.10.2007. Em 09.11.2007 apresentou uma só impugnação, juntada a folhas 289 a 314. Resumem o seu conteúdo os enunciados seguintes. Do auto de infração • Está sendo exigido IRPJ (fls. 4 a 7, processo n° 10680.015404/2007-24), PIS (fls. 8 e 9, processo n° 10680.015404/2007-24), Cotins (fls. 10 e 11, processo n° 10680.015404/2007-24), CSLL (fls. 12 a 15, processo n° 10680.015404/2007-24), IRRF (fls. 16 a 19, processo n° 10680.015404/2007-24), imposto sobre operações financeiras - IOF (processo n° 10680.015422/2007-14), multa isolada sobre o IRPJ (processo n° 10680.015423/2007-51), multa isolada sobre a CSLL (processo n°10680.015421/2007-61). • No auto de infração de PIS, no campo destinado à descrição dos fatos e do enquadramento legal (fls. 9), o autuante diz que "A descrição dos fatos que originaram o presente auto e os respectivos enquadramentos legais encontram-se em folhas de continuação anexas". Contudo, na cópia fornecida pela repartição competente, não constam a descrição dos fatos, os enquadramentos legais, nem as alegadas folhas de continuação anexas, o que resulta em impossibilidade de a impugnante apreciar o feito e contestar a exigência. O mesmo cabe dizer em relação ao auto de infração de Cofins. • Apesar de as folhas 16 a 19 do processo n° 10680.015404/2007-24 se apresentarem cálculos referentes à cobrança de IRRF, o auto de infração respectivo não consta do processo cujas cópias foram fornecidas à impugnante. Tal como sucedeu com a exigência relativa a Cofins e ao PIS, a fiscalização não esclareceu as razões de exigir IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados, conseqüência óbvia da falta do auto de infração. 11 Processo n° 10680.015404/2007-24 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105-17.384 Fls. 12 • No tocante ao auto de infração de I0F, a própria fiscalização, em seu termo de verificação fiscal (fls. 26 do processo 10680.015422/2007-14), reconhece que a Polícia Federal apreendeu toda a documentação constante dos arquivos da impugnante e posteriormente a transferiu para a Receita Federal. Essa documentação não foi devolvida à impugnante, apesar de constar, como de praxe e rotina, nos termos de encerramento de ação fiscal que a documentação examinada fora devolvida ao contribuinte. A fiscalização não pesquisou a data de restituição dos valores mutuados e nem a impugnante pode fazê-lo, porque toda a documentação continua retida na Receita Federal. Da impugnação • Levando em conta que todos os autos de infração foram gerados em uma única operação fiscal e todos os lançamentos decorrem daquele relativo ao IRPJ, a impugnação, visando a facilitar o exame da matéria como um todo, é elaborada em peça única, a ser aplicada e integrada a todos os processos individuais. Do cerceamento de defesa • À impugnante foi interposta barreira que não só dificulta a defesa, mas a impossibilita. • Não obstante constar no termo de encerramento que a fiscalização devolveu todos os livros e documentos, a impugnante não recebeu nenhum dos documentos que lhe foram apreendidos pela Polícia Federal e depois transferidos para a Receita Federal, como está confirmado pela própria fiscalização no termo de verificação fiscal. • A tentativa feita pela impugnante de obter de volta a documentação para que exercesse seu direito de defesa frustrou-se, porque o Judiciário lhe deu resposta negativa. • A impugnante está impedida de exercer seu direito de defesa, pois lhe é vedado buscar as explicações em seu próprio patrimônio, constituído de sua documentação comercial e fiscal, explicações que se transformariam em comprovações quanto à impropriedade do auto de infração. • Percorrcndo as páginas dos processos, saltam aos olhos inúmeras irregularidades, insanáveis do ponto de vista da defesa da impugnante: estão ausentes as fls. 2 e 10 do termo de verificação fiscal relativo ao processo 10680.015404/2007-24. • Basta pinçar alguns exemplos do processo para constatar a inconsistência da ação fiscal. Não se perquire sobre a utilidade — para fins do lançamento fiscal — da inclusão no 12 Processo n°10680.015404/2007-24 CC01/CO5 Acórdão n.° 105-17.364 Fls. 13 processo de dezenas de páginas de jornal que estão alimentando polêmicas em torno do assunto diamante. O caso da Sólida Construções e Edificações Ltda • A folhas 191 a 197 encontram-se cópias de notas fiscais e faturas emitidas pela Sólida, em janeiro, fevereiro e março de 2004, referentes a serviços prestados à impugnante. A fiscalização intimou a empresa a comprovar a prestação dos serviços, o recebimento dos valores e os registros contábeis relativos (fls. 200). A empresa respondeu que não mantinha relações comerciais com a impugnante (fls. 201). A fiscalização solicitou então a apresentação dos blocos de notas fiscais emitidos no período. A empresa respondeu oferecendo cópia da documentação de julho de 2006 a abril de 2007, e solicitando à "Receita Federal (devido a extravio), cópias das Notas Fiscais emitidas contra a empresa Viviane Santos Classificação de Pedra Ltda. CNPJ 65.148.207/0001-53, para podermos informar ou não se as mesmas são autênticas" (fls. 240). • Luíza Salvador de Morais Santiago, responsável pela declaração da Sólida, foi intimada a apresentar seus livros. Ela respondeu que confirmava estar a documentação extraviada, o que inclui todo o período de sua vida até a junho de 2006, e insiste em ter cópias das notas fiscais emitidas contra a impugnante para as examinar. Ela compareceu à Receita Federal e, mediante termo, declarou que a empresa não tem documentos dos anos de 2004 e 2005, com também não possuía máquinas que pudessem executar os serviços indicados nas notas fiscais. • Apesar de a empresa declarar não poder comprovar o solicitado pela repartição, uma vez que sua documentação se achava extraviada e não obstante a existência de documentário por ela emitida, a fiscalização decidiu que aquele desprovido de documentação merece maior credibilidade que a impugnante e, assim, considerou que o serviço não foi executado. O caso da empresa Jezzini Minerais Preciosos Ltda • A fls. 210 encontra-se a nota fiscal n°0038, emitida pela Jezzini, no valor de R$ 370.000,00, em 28.07.2004. Intimada pela fiscalização, a empresa encaminhou a documentação solicitada (fls. 222), alegando que o valor de R$ 370.000,00 foi recebido da impugnante, conforme fls 3/4 do extrato bancário fornecido. • Efetivamente constam do extrato R$ 370.000,00, mas esse valor nada tem que ver com a referida nota fiscal. Primeiramente, porque a nota fiscal é de 28.07.2004, 13 Processo 10680.015404/2007-24 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105-17.364 Fls. 14 enquanto a movimentação bancária é de 14.07.2004. Não se pode acreditar que a impugnante pagasse o valor duma nota fiscal que seria emitida catorze dias depois. Pergunta-se como vendedor e comprador saberiam que viriam a negociar um lote de diamantes no exato valor de R$ 370.000,00 meio mês mais tarde. • Mais importante ainda é que no extrato apresentado o histórico "transf. ag.dinh. Viviane Santos C. Pedras" estão estornadas no mesmo dia. É evidente o engano existente na conta corrente da empresa Jezzini, porque a impugnante não mantinha conta corrente no Bradesco naquela época e, portanto, não poderia fazer transferência entre agências como consta do histórico. • Além disso, a fls. 230 acha-se cópia do diário da Jezzini, onde se pode ler, no dia exato da nota fiscal n° 0038, de 28.07.2004, o registro da venda, mas não se encontra o registro do recebimento. Deveria haver tal registro, pois no mesmo diário e dia encontra-se venda relativa à nota fiscal n° 0039 e o respectivo pagamento no valor de R$ 120.000,00 (fls. 229). • A fiscalização, apesar de toda a comprovação em contrário, considerou que a impugnante teria recebido o valor e o não consignado em sua contabilidade. Demais exigências fiscais • No momento, a impugnante somente pode evidenciar essas impropriedades por meio do exame do auto de infração e de seus anexos, uma vez que não tem acesso a sua própria documentação. Seguramente, se a tivesse disponível, poderia elidir todas as acusações feitas, de forma improcedente, pela fiscalização. • Contesta-se, com veemência, a pretensão da fiscalização de glosar custos, sob a presunção de inidoneidade das notas fiscais de aquisição. • Protesta-se, com a mesma veemência, contra a aplicação da multa isolada sob a alegação de insuficiência na base de cálculo do IRPJ e da CSLL por estimativa. As pretensas diferenças foram geradas pelo ato fiscal de glosar despesas e de considerar valores não pagos como receitas omitidas, o que evidentemente, é incabível, além de constituir bis in idem, uma vez que a glosa de custos já teria sido gravada com multa. • É descabido ainda aplicar multa agravada sobre parcelas de custos glosadas e, ainda mais, considerar os valores glosados como pagamentos a beneficiários não identificados, sujeitos ao IRRF em bases aju 14 Processo n° 10680.015404/2007-24 CCOI/CO5 Acórdão n.* 105-17.364 Fls. 15 • Ao final, a glosa de custos de aquisição de mercadorias levou ao paradoxo de que a impugnante conseguiu vender mercadorias que não são de sua produção, sem que antes as tivesse adquirido, mercadorias, diga-se de passagem, vendidas sob intensa vigilância, fiscalização e controle dos órgãos federais, um dos quais é a própria Receita Federal. Cerceamento de defesa • O cerceamento de defesa, no caso, é de clarividência solar. Nenhuma oportunidade de defesa foi dada à empresa de se defender adequadamente desde a Operação Carbono. • A magnitude dessa arrasadora operação pode ser medida pelos danos irreparáveis causados à empresa, que de um momento para outro viu-se despojada de seus bens, valores, equipamentos, livros e documentos fiscais, saldos bancários e informações constantes de seus arquivos de back-up que se encontravam nos computadores apreendidos e também nos computadores do seu contador. O episódio equivale a um tsunâmi. A empresa está aniquilada para sempre. • Em mandado de segurança impetrado perante o Tribunal Regional Federal da Primeira Região, com o propósito de conseguir a liberação da documentação fiscal e bens do seu estoque regular, foram expostos fatos e fundamentos que se relacionam com a presente autuação e que se seguem. • A impetrante vem operando há vários anos na exportação de diamantes com absoluta regularidade fiscal e está regularmente inscrita perante as repartições fiscais de todos os três níveis de governo. • No exercício de suas atividades, vem cumprindo religiosamente todas as obrigações tributárias e suas operações pelo critério da rigorosa legalidade, de maneira que não havia motivos para sua inclusão entre os alvos da Operação Carbono. • A obtenção do Certificado 1Cimberley do Departamento Nacional de Produção Mineral — DNPM — do Ministério das Minas e Energia passa obrigatoriamente pela fiel observância da legislação discriminada na impugnação. Sendo assim, todas as exportações de diamantes realizadas pela empresa deste a instituição do Certificado Kimberley, por meio da Lei n° 10.743, de 09.10.2003, foram regulares. • Antes da vigência da Lei n° 10.743, de 2003, a exportação de diamantes sempre foi permitida com menos exigências, desde que cumprida a legislação aduaneira. O 15 Processo n° 10680.015404/2007-24 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105-17.364 Fls. 16 DNPM, a quem competia fiscalizar e controlar as atividades das empresas mineradoras, não participava do processo de exportação. • Em todos as exportações realizadas pela impetrante foram cumpridos os mandamentos legais, de maneira que não houve uma só exportação clandestina. • Nunca houve da parte da impetrante o menor interesse na exportação ilegal de diamantes. Primeiramente, porque os ganhos obtidos com a exportação regular de diamantes para importadores europeus sempre foram considerados suficientes. Em segundo lugar, porque a administradora da impetrante sempre pautou sua vida pela honestidade e legalidade, e logrou ótimo conceito comercial no exterior pela seriedade de suas transações e pela competência demonstrada ao longo de anos na classificação de avaliação de diamantes, além de ser considerada no Brasil e no exterior uma autoridade na classificação de diamantes, qualidade que nem os graduados em geologia têm. • O comércio de diamantes é fiscalizado com muito rigor no exterior, em qualquer parte do mundo, de maneira que se houver diferenças muito grandes, superior em geral a 10%, entre o preço declarado e o avaliado pelo órgão fiscalizador, a mercadoria fica retida. Em conseqüência, é praticamente impossível a utilização da exportação de diamantes para lavagem de dinheiro. O preço do diamante tem um padrão internacional em cada data de acordo com as flutuações de mercado. • Frise-se que, de seis em seis meses, o exportador deve demonstrar suas atividades de exportação perante o Siscomex, para que possa continuar em situação regular. Se a pessoa jurídica perder o prazo para atualizar o cadastro, fica impedida de exportar. • A situação da impetrante perante a Receita Federal só não está totalmente regularizada porque ela ficou impedida de funcionar a partir de 10.02.2006, em virtude da Operação Carbono. Ficou impossibilitada, também, de apresentar declarações de rendimentos dos exercícios de 2006 e 2007. • Não existem débitos inscritos em dívida ativa nem processo instaurado com base em autuação fiscal. Existem débitos que estão sendo pagos por meio de parcelamento, os quais foram apurados pela própria impetrante ao rever suas declarações de rendimentos anteriores ao exercício de 2005. • Com respeito ao Banco Central, a impetrante desconhece a existência de qualquer procedimento investigativo decorrente de movimentações bancárias vinculadas às exportações de diamantes. 16 Processo n° 10680.015404/2007-24 CC0I/CO5 Acórdão n.° 105-17.364 Fls. 17 • Com vistas à comprovação de que nada deve ao Erário Federal, ressalvados os débitos confessados espontaneamente, e firme na convicção de que não incorreu em nenhuma infração no desempenho de suas atividades, a impetrante requereu certidões à Receita Federal e ao Banco Central. • Assim, a apreensão de todos os diamantes, bens, valores e documentos causaram perplexidade e indignação, na consideração de que se trata de ato injusto, arbitrário e sem justa causa. • Como prova de suas afirmações, a impetrante instrui o pedido com cópias de alguns dos processos de exportação, salientando que enfrentou imensas dificuldades para obter as cópias, em virtude da apreensão de todos os seus documentos. Também apresenta os documentos que obteve, com as mesmas dificuldades, da Receita Federal, da Justiça Federal e da empresa credenciada como despachante, em franca demonstração de que empresa é séria e comprometida com a legalidade. • Discriminam-se na impugnação as exportações realizadas entre 15.01.2003 e 18.07.2007, a cópia do processo de alguma das quais, por amostragem, é anexada ao mandado de segurança. • Descreve-se na impugnação os procedimentos observados na exportação de diamantes. • Os diamantes apreendidos em poder de Vivianne Albertino Santos no dia 10.02.2006 fazem parte do estoque regular da empresa, com notas fiscais de entrada. Parte deles compunha o estoque regular da empresa, com notas fiscais de entrada. Outra parte já estava com o processo de exportação iniciado com a obtenção do Certificado Kimberley n° 183, emitido pelo DNPM em 06.02.2006. O valor dessa exportação corresponde a US$ 751.000,00, dos quais foram depositados antecipadamente na conta da impetrante no Bankboston a quantia em real correspondente a US$ 400.000,00. O restante dos diamantes e ouro apreendidos não se destinavam à exportação, e parte deles era proveniente herança deixada pelo pai de Vivianne Albertino Santos. • A impetrante nunca promoveu exportação ilegal de diamantes, nunca teve participação com outros exportadores em nenhuma operação ilegal e nunca praticou lavagem de dinheiro. Os bens que possui foram adquiridos dentro da legalidade, com dinheiro limpo na origem, fruto de suas atividades. 17 Processo n°10680015404/2007-24 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105-17.384 Fls. 18 • Já se passaram 21 meses desde a apreensão. Pedidos de restituição foram feitos e indeferidos pela Justiça Federal. • O cerceamento de defesa é gritante, violento, desumano, injurídico, inconstitucional, ilegal e intolerável. Por esse motivo, as autuações fiscais padecem do vício insanável de nulidade pelo cerceamento de defesa. Conclusão • Considerando: a) que a fiscalização extrapola ao cobrar multa isolada calculada sobre o valor tomado como reajuste do IRPJ e da CSLL originado na glosa dos custos de aquisição; b) que as vendas de mercadorias feitas pela impugnante são examinadas e fiscalizadas pelo DNPM e pela Receita Federal, que atestam a sua ocorrência; c) que a impugnante não é empresa mineradora, mas compra suas mercadorias no mercado; d) que a glosa de custos de mercadorias conduz ao paradoxo de que seja possível vender produto que não tenha sido comprado; e) e tudo mais que consta dos autos; a impugnante protesta pela nulidade do processo, uma vez que não lhe é facultado o amplo direito de defesa. Protesta mais pela forma como foi feita a apuração fiscal e determinadas às bases de cálculo dos tributos. • A impugnante requer que o processo seja declarado nulo, por infringir os preceitos constitucionais das amplas defesas, consubstanciadas no Código Tributário Nacional e em normas reguladoras do processo administrativo fiscal, uma vez que lhe foram negadas as condições mínimas indispensáveis para que pudesse contrapor-se à exigência fiscal. Levado a julgamento a 3a Turma da DRJ em Belo Horizonte através do Acórdão 02-16.737 de 02 de janeiro de 2008 decidiu rejeitar as preliminares argüidas e no mérito manter os lançamentos como realizados. Inconformado o contribuinte apresentou recurso a este Conselho, onde repete as argumentações da inicial e reforça a questão da impossibilidade do exercício pleno da defesa sem que tenha acesso aos livros e documentos apreendidos. É o relatório. 18 Processo n° 10680.015404/2007-24 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105-17.364 Els, 19 Voto Conselheiro JOSÉ CLÓVIS ALVES, Relator. O recurso é tempestivo dele tomo conhecimento. O contribuinte insiste desde a inicial que não teve acesso aos livros, documentos e arquivos eletrônicos apreendidos pela Policia Federal para exercer o seu direito de defesa. A decisão recorrida por sua vez reconhece que os livros e documentos não se encontravam com a autuada, no interregno concedido para a impugnação dos lançamentos realizados e que a devolução não se fez ela mas à empresa mas à autoridade judiciária ou policia e diz que os autuantes colacionaram nos autos todos os documentos comprobatórios das imputações fiscais. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL Art. 5° Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurado o contraditório e amplo defesa, com os meios de defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 59 - São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° - A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2° - Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Após a promulgação da Constituição Federal de 1.988, com o disposto no artigo 5° inciso LV, terminou a discussão se na esfera administrativa seria procedimento ou processo, ficou explicito ser processo tal qual na esfera judicial, e mais, a Lei Máxima, assegurou o contraditório e a ampla defesacom IOS e recursos a ela inerentes. 19 * Processo e 10680.015404/2007-24 CCOI/CO5 Acórdão n.° 105-17.364 F. 20 Tal mandamento tem aplicação automática e a legislação infraconstitucional pretérita já estabelecia a nulidade de despachos e decisões quando há cerceamento do direito de defesa. No presente caso a própria decisão recorrida reconhece que os livros, documentos e arquivos, em papeis e eletrônicos não se encontravam em poder do contribuinte no momento da lavratura dos autos de infrações e no período de 30 dias que teve para apresentar a defesa inicial. Ora a escrituração mantida de acordo com as leis comerciais e fiscais, faz prova a favor do contribuinte. Se ele não teve acesso aos livros e documentos que se encontravam apreendidos não pode conferir sua escrita e seus arquivos para proceder à defesa. O fato de a autoridade fiscal ter trazido aos autos aquilo que no entender da autoridade julgadora está relacionado com a acusação, não pode ser motivo para negar o acesso do contribuinte a todos os meios para exercer sua defesa e no caso de tributação por diferença, como é o caso do lucro real, toda documentação bem como os cálculos realizados são indispensáveis para tal. Entendo não haver nulidade nos lançamentos, porém a partir do momento em que o contribuinte foi cientificado, precisaria ser a ele franqueada, em qualquer lugar que estivesse todos os livros, documentos e arquivos de sua escrita contábil e fiscal para que pudesse se defender. Assim conheço do recurso e anulo a o processo a partir da impugnação, inclusive. Determino que sejam franqueados ao contribuinte, todos os livros, documentos, arquivos, em papéis e eletrônicos, relativos aos períodos objeto das autuações, para que possa apresentar nova impugnação com a garantia constante no artigo 5° inciso LV da Constituição Federal de 1.988. Em seguida nova decisão de Primeira Instância deve ser proferida e assegurado novo recurso voluntário ao contribuinte. Sala 7di. Se es/si, — DF, em 17 de dezembro de 2008 J 11 4, 54 11 S IFES 20 Page 1 _0021200.PDF Page 1 _0021300.PDF Page 1 _0021400.PDF Page 1 _0021500.PDF Page 1 _0021600.PDF Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021800.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022000.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1 _0022200.PDF Page 1 _0022300.PDF Page 1 _0022400.PDF Page 1 _0022500.PDF Page 1 _0022600.PDF Page 1 _0022700.PDF Page 1 _0022800.PDF Page 1 _0022900.PDF Page 1 _0023000.PDF Page 1

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