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Numero do processo: 10140.721629/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. REVISÃO DO LANÇAMENTO.
Em respeito ao princípio da verdade material, cabe a revisão do lançamento de acordo com as provas carreadas aos autos.
Numero da decisão: 2401-004.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA IRRF. Recorrente DAVIS RIBEIRO DE SENA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. REVISÃO DO LANÇAMENTO. Em respeito ao princípio da verdade material, cabe a revisão do lançamento de acordo com as provas carreadas aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 16 29 /2 01 3- 79 Fl. 102DF CARF MF 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF no valor de R$ 4.099,19, acrescido de multa de mora e juros de mora (fls. 22/25), referente a glosa do valor de R$ 4.099,19, indevidamente compensado a título de imposto de renda retido na fonte IRRF, correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras declarado em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf. O contribuinte impugnou o lançamento alegando que está questionando o valor de R$ 540,00, CNPJ 00.394.452/053304, que embora o valor seja indevido, o total de rendimentos também diverge. Diz que concorda com a infração de compensação indevida para o CNPJ 30.822.936/000169. A DRJ/RJO julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento, conforme Acórdão 1269.262, fls. 48/51, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE. Estando o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte emitido pela fonte pagadora em conformidade com a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e com a DAA, não há ajustes a fazer no lançamento quanto aos rendimentos tributáveis. GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. Mantémse a glosa de compensação de IRRF quando não comprovada a sua retenção mediante documentação hábil e idônea. Argumentos desprovidos de provas não podem ser acatados em respeito ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo tributário e ao art. 36 da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo fiscal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PARTE DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada, na forma do art. 17 do Decreto 70.235/72. Consta do voto do acórdão de impugnação: O Impugnante alega que do IRRF compensado referente ao Comando do Exército, CNPJ 00.394.452/053304, no valor de R$ 1.905,01, não estaria correta a glosa de R$ 540,00. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10140.721629/201379 Acórdão n.º 2401004.821 S2C4T1 Fl. 102 3 Contudo, no comprovante de rendimentos fornecido pelo Comando do Exército (fl. 05) esta fonte pagadora confirma o valor de IRRF informado na DIRF, R$ 16.056,21 (fl. 47), ratificandoo e, portanto, confirmase a diferença entre o IRRF declarado em DIRF e o declarado pelo contribuinte em sua DAA, R$ 17.961,22 (fl. 12), confirmandose a correção da glosa de IRRF compensado indevidamente no valor de R$ 1.905,01 (NL fl. 23). Cientificado do Acórdão em 9/4/15 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 72), o contribuinte, representado por sua curadora, apresentou recurso voluntário em 5/5/15, fls. 74/78, que contém, em síntese: Diz que ocorreu um preenchimento equivocado da Declaração de Ajuste Anual DAA 2009/2008, por ausência tempestiva dos documentos das fontes pagadoras. Ressalta que já estava à época acometido dos primeiros sintomas de Parkinson e do mal de Alzheimer, o que dificultou a elaboração da DAA. Esclarece que as divergências mencionadas se referem aos rendimentos recebidos do Comando do Exército e às respectivas deduções, cujos valores foram obtidos à época pela soma dos contracheques e comparativo com a ficha financeira, ao invés do comprovante de rendimentos, que só foi obtido mais tarde. Quanto aos rendimentos recebidos do Banco do Brasil, estes foram equivocadamente lançados como rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica sujeitos ao ajuste anual, quando na verdade eram parte rendimentos isentos e parte rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. Diz haver divergência na base de cálculo. Afirma que vários foram os erros no preenchimento da DAA 2009/2008, incluindo o IRRF do Comando do Exército que foi declarado com igual valor ao da contribuição previdenciária, ambos errados, mas apenas o primeiro corrigido pela malha, a ausência da pensão alimentícia judicial paga a exesposa Nair C. Ribeiro de Sena (documentos de fls. 86/92) e da despesa médica referente à contribuição para uso da estrutura médica do exército e a incorreta classificação dos rendimentos de aplicação financeira. Quanto ao valor efetivamente pago de pensão, consta do comprovante de rendimentos emitido pelo Comando do Exército, o montante de R$ 30.469,00 e nome da beneficiária Nair C. Ribeiro de Sena. Consta também o valor de R$ 449,70 de pagamento de Despesas Médico OdontoHospitalares ao Exército Brasileiro, bem como o correto valor da contribuição previdenciária oficial de R$ 18.981,11. De acordo com as informações do Banco do Brasil, é possível confirmar que não houve rendimentos tributáveis na DAA desta fonte pagadora em 2008, apenas rendimentos isentos e tributados exclusivamente na fonte, com valor e cuja soma é bastante próxima ao equivocadamente declarado como sujeito ao ajuste. Fl. 104DF CARF MF 4 Diz que a utilização de extratos periódicos para o preenchimento da DAA levou à equivocada interpretação de que seriam rendimentos sujeitos ao ajuste, o que foi detectado em malha, que glosou a compensação do IRRF informado, mas não excluiu o respectivo rendimento declarado apesar de sabedora de sua natureza. Apresenta quadro no qual diz apurar a correta base de cálculo e imposto devido e apura saldo de imposto a restituir. Entende que o acórdão recorrido deve ser reformado, conforme documentos acostados aos autos, inclusive o considerado não impugnado. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10140.721629/201379 Acórdão n.º 2401004.821 S2C4T1 Fl. 103 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO Dos documentos juntados aos autos, vêse claramente que o sujeito passivo equivocouse ao fazer sua declaração de ajuste anual, que apresenta erros nos rendimentos tributáveis, isentos e sujeitos à tributação exclusiva, e deixou de informar todas as despesas dedutíveis informou apenas e errado a contribuição previdenciária oficial, e não informou a pensão alimentícia e despesas médicas. No comprovante de rendimentos juntado às fls. 5/6, constam os valores discriminados na tabela 1. Tabela 1 Valores comprovante de rendimentos Rendimentos tributáveis 130.999,11 Despesas dedutíveis contribuição previdenciária 18.981,11 pensão alimentícia 30.469,00 despesas médicas 449,70 imposto retido 16.056,21 Ocorre que a fiscalização, ao efetuar o lançamento cuidou apenas de glosar o imposto retido na fonte declarado a maior, sem refazer a declaração do contribuinte, desconsiderando as despesas dedutíveis e os valores corretos. Diante dos fatos que ora se apresentam, os erros cometidos, o valor das despesas dedutíveis originalmente somados e declarados no campo relativo à contribuição previdenciária, a documentação trazida no recurso voluntário, a moléstia do contribuinte, entendo que o lançamento deve ser revisto, considerando os valores da tabela 1, apurandose o imposto conforme discriminado na tabela 2. Sendo assim, em respeito ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo tributário e ao art. 36 da Lei 9.784/99, com razão o sujeito passivo. Fl. 106DF CARF MF 6 Tabela 2 IRPF apurado Rendimentos tributáveis 130.999,11 Despesas dedutíveis contribuição previdenciária 18.981,11 pensão alimentícia 30.469,00 despesas médicas 449,70 total 49.899,81 Base de cálculo apurada 81.099,30 Imposto apurado 15.716,37 Imposto retido 16.056,21 Imposto a restituir 339,84 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904967/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/03/2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.525
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 15/03/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 15/03/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 67 /2 01 2- 98 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10865.904967/201298 Acórdão n.º 3301003.525 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06043.981. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10865.904967/201298 Acórdão n.º 3301003.525 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10865.904967/201298 Acórdão n.º 3301003.525 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10865.904967/201298 Acórdão n.º 3301003.525 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10865.904967/201298 Acórdão n.º 3301003.525 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10865.904967/201298 Acórdão n.º 3301003.525 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.007633/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/01/2003 a 14/01/2005
Ementa:
DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN.
CREDITAMENTO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DESONERADOS. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STF E SÚMULA 18 DO CARF.
A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem desonerados do IPI não enseja o direito a crédito, conforme precedente vinculativo do STF proferido em sede de repercussão geral (RE n. 398.365), bem como súmula CARF n. 18.
AÇÃO JUDICIAL DE CARÁTER DECLARATÓRIO. APELAÇÃO DO CONTRIBUINTE RECEBIDA NO DUPLO EFEITO E IMPOSSIBILIDADE DE SUSPENDER A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA MANTIDA.
O fato de o contribuinte ter ajuizado ação de caráter declaratório cuja apelação foi recebida no duplo efeito não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. O duplo efeito atribuído ao apelo tem a aptidão para suspender os efeitos processuais da decisão judicial exarada (impedir o cumprimento da sentença para fins de perseguição das verbas sucumbenciais), mas não para fazer incidir o disposto no art. 151, inciso V do CTN.
Recuso voluntário negado. Crédito tributário mantido.
Numero da decisão: 3402-004.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso da seguinte forma: a) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto à decadência. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Jorge Freire; e b) por unanimidade de votos, negou-se provimento quanto às demais matérias
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Jorge Freire - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN. CREDITAMENTO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DESONERADOS. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STF E SÚMULA 18 DO CARF. A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem desonerados do IPI não enseja o direito a crédito, conforme precedente vinculativo do STF proferido em sede de repercussão geral (RE n. 398.365), bem como súmula CARF n. 18. AÇÃO JUDICIAL DE CARÁTER DECLARATÓRIO. APELAÇÃO DO CONTRIBUINTE RECEBIDA NO DUPLO EFEITO E IMPOSSIBILIDADE DE SUSPENDER A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA MANTIDA. O fato de o contribuinte ter ajuizado ação de caráter declaratório cuja apelação foi recebida no duplo efeito não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. O duplo efeito atribuído ao apelo tem a aptidão para suspender os efeitos processuais da decisão judicial exarada (impedir o cumprimento da sentença para fins de perseguição das verbas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 76 33 /2 00 8- 32 Fl. 265DF CARF MF 2 sucumbenciais), mas não para fazer incidir o disposto no art. 151, inciso V do CTN. Recuso voluntário negado. Crédito tributário mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso da seguinte forma: a) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto à decadência. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Jorge Freire; e b) por unanimidade de votos, negouse provimento quanto às demais matérias Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Jorge Freire Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração de IPI no valor de R$ 4.077.772,09, o qual contempla principal, juros e multa agravada, e que tem referência ao período compreendido entre janeiro de 2003 a janeiro de 2005. Segundo a acusação fiscal o contribuinte tomou créditos de IPI indevidamente, já que tais créditos são oriundos de operações desoneradas do imposto (isenção, alíquota zero e NT). 2. Devidamente notificado o contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 151/163, a qual foi julgada parcialmente procedente pela DRJ de Ribeirão Preto (acórdão n. 1424.362 fls. 215/221) para excluir a multa agravada originalmente imposta em prejuízo da Recorrente. É o que se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2003 a 14/01/2005 DECADÊNCIA. IPI. Inexistindo o lançamento por homologação, por se tratar de débito não declarado, nem recolhido, o prazo de decadência para o lançamento de oficio deve ser contado pela regra do art. 173, I do CTN. IPI. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. As decisões do Poder Judiciário prevalecem sobre o entendimento da esfera administrativa, assim, não se discute na esfera administrativa a mesma matéria discutida em processo Fl. 266DF CARF MF Processo nº 19515.007633/200832 Acórdão n.º 3402004.141 S3C4T2 Fl. 243 3 judicial, mas, tão somente, os diferentes objetos, como é o caso do aspecto formal do despacho denegatório e a aplicação e alcance do ADN COSIT n° 03/96. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. AGRAVAMENTO. Se o resultado das decisões judiciais não se enquadrarem em nenhuma das hipóteses de suspensão da exigibilidade previstas do artigo 155 do CTN, cabível é a multa de oficio aplicada no lançamento, tão somente cabendo o agravamento desta se comprovado os casos previstos na legislação e não, apenas, o atraso ou a falta de recolhimento do IPI. Lançamento Procedente em Parte. 3. Contra a referida decisão o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 228/240, oportunidade em que, em síntese, alegou o que segue: (i) que houve homologação tácita de parte dos créditos glosados pela fiscalização o que implica a sua consolidação na escrita fiscal do contribuinte e, por conseguinte, decadência dos débitos lançados; (ii) a juridicidade do aproveitamento de créditos de IPI decorrentes de aquisições desoneradas do imposto; e, por fim (iii) que quando da lavratura do Auto de Infração a exigência em apreço estava com a exigibilidade suspensa, o que se daria em razão da concessão de efeito suspensivo atribuído à apelação interposta pela Recorrente em processo judicial no qual se debatia a possibilidade de creditamento de IPI com operações desoneradas, fato este que deve implicar o afastamento da multa exigida; 4. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Da Decadência 6. Segundo o contribuinte, por tratarse de débito de IPI decorrente da glosa de créditos indevidos, a contagem do prazo decadencial deveria levar como referencial o crédito glosado e, por conseguinte, o seu "prazo para homologação". 7. Assim, ainda segundo o Recorrente, estariam decaídos os lançamentos compreendidos entre o 1° decêndio de janeiro de 2003 e o 2° decêndio de agosto de 2003 (glosados na ação fiscal), haja vista que a notificação do contribuinte em relação ao lançamento só ocorreu em 22 de agosto de 2008. Percebese, pois, que o contribuinte parte da premissa que, para tais períodos, teria ocorrido o pagamento do IPI, conforme estatui o art. 124, III do RIPI/2002. Fl. 267DF CARF MF 4 8. Tive a oportunidade de rever meu posicionamento para essa questão, aderindo ao posicionamento defendido pelo recorrente, quando do julgamento do processo administrativo n. 18470.727907/201371, que redundou no acórdão n. 3402003.769, da lavra do r. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. transcrevo trecho do citado voto com o qual adiro: O art. 124 do RIPI/02 é expresso em equiparar pagamento à compensação: Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; I o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Entendo que a melhor leitura desse dispositivo foi realizada pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em seu voto vencedor no Acórdão CSRF nº 9303003.299, reproduzido abaixo: Considero que o objetivo desse dispositivo é compatibilizar as normas de apuração do imposto, em face do princípio da não cumulatividade, àquelas do Código Tributário Nacional relativas ao lançamento por homologação. Mais claramente, dispor sobre os casos em que o contribuinte nada recolhe (em Darf) simplesmente porque entende nada ter a recolher. Registro, por isso, que só estamos a julgar sob tal dispositivo o período de apuração de agosto de 1999, em que nada foi recolhido em DARF, dado que o montante dos créditos que o contribuinte entendia possuir foi suficiente para "liquidar" todo o débito do período. O mesmo não ocorreu com respeito ao mês de junho de 1999, em que houve saldo devedor, aparentemente recolhido por meio de DARF já que a fiscalização o considerou na apuração que fez (planilha de fls. 199/202 dos autos). Como se sabe, muito discutiu a doutrina acerca da necessidade de efetivo recolhimento para que a decadência se contasse na forma do art. 150. Os opositores a essa corrente sempre apontaram exatamente essa situação em que o sujeito passivo realiza todos os procedimentos que a Lei lhe exige, mas constata, ao final, nada ter a recolher. Isso não era bem resolvido nos tributos cumulativos, a exemplo do PIS e da COFINS, até porque a possibilidade de saldo zero era remota. No caso do IPI, porém, (e também do ICMS estadual) ela é bem real. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 19515.007633/200832 Acórdão n.º 3402004.141 S3C4T2 Fl. 244 5 Por isso, é que leio a equiparação a pagamento prevista no regulamento do IPI como sendo bastante ampla. Com efeito, pareceme que ela procura assegurar que uma vez escriturados os créditos a que o sujeito passivo entenda ter direito (ainda que erradamente) o prazo de que dispõe a Fazenda para revisar os procedimentos adotados é o do art. 150, salvo se em tais procedimentos comprovadamente tiver agido com dolo, fraude ou simulação. Essa leitura soame mais consentânea com a lógica daquele artigo, que transfere ao sujeito passivo responsabilidades que, a todo sentido, deveriam ser do sujeito ativo (porquanto de seu interesse) e apenas lhe traz como bônus a redução do prazo revisional. Assim, a menos que saiba ou deva saber não serem aproveitáveis (admitidos) os créditos que está a escriturar, hipótese em que essa escrituração seria dolosa, o sujeito passivo não pode apenas arcar com o ônus das disposições do art. 150, isto é, proceder a todos os controles e apurações ali previstos e ainda assim poder ter contra si lavrado auto de infração no prazo do art. 173, I. Essa interpretação, aliás, o colocaria na mesma situação de quem não adotasse qualquer daqueles procedimentos, desde que, também a este, não se pudesse imputar dolo. Notese que quando de efetivo recolhimento em Darf se trata, a situação é rigorosamente a mesma: a menos que se tenha viabilizado de forma dolosa, o recolhimento, ainda que a menor que o devido, tem a força de manter o prazo decadencial contado na forma do art. 150. Desnecessário repetir, a fiscalização não fez acusação de atitude dolosa por parte do autuado e, coerentemente, não qualificou a multa aplicada. Entendo que até o poderia porque não há na legislação do IPI qualquer dispositivo que autorize o creditamento de valores a título de "tributos pagos indevidamente", mas a sua ausência implica, a meu sentir, a manutenção das disposições relativas ao lançamento por homologação. (...). (grifos constantes no original). 9. Assim, com base em tais fundamentos, reconheço a decadência para o período compreendido entre o 1° decêndio de janeiro de 2003 e o 2° decêndio de agosto de 2003. II. Do creditamento do IPI decorrente de operações desoneradas 10. Não obstante, quanto ao mérito do crédito glosado e que suscitou na presente autuação, a Recorrente alega que o creditamento aqui perpetrado estaria em sintonia com entendimento consagrado do STF e exarado quando do julgamento do Recurso Extraordinário n. 212.484. Acontece que, como é sabido, referido entendimento foi superado pelo próprio Pretório Excelso quando do julgamento do Recurso Extraordinário n. 398.365, cuja ementa segue abaixo transcrita: Fl. 269DF CARF MF 6 Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. (STF; RE 398.365 RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe188 DIVULG 2109 2015 PUBLIC 22092015). 11. O sobredito julgamento foi submetido à repercussão geral, o que implica a vinculação deste Tribunal em relação à decisão então exarada pelo STF, nos termos do art.62 do RICARF. Não é por acaso, inclusive, que há súmula deste Tribunal tratando do assunto, in verbis Súmula CARF n° 18 A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. 12. Forte em tais premissas, também nego provimento ao recurso neste tópico em particular, haja vista a vinculação deste Tribunal administrativo às decisões proferidas pelo STF em sede de repercussão geral. III. Da exclusão da multa e razão da pretensa suspensão da exigibilidade do crédito tributário 13. Por fim, o último fundamento trazido pela Recorrente de forma subsidiária é no sentido de afastar a multa que lhe fora imposta, uma vez que, segundo a Recorrente, à época em que lavrado o presente Auto de Infração o crédito tributário em comento estaria com sua exigibilidade suspensa. 14. Para chegar a tal conclusão, a Recorrente aduz que ajuizou ação ordinária onde discutia a possibilidade de creditamento de IPI na hipótese de aquisição de produtos decorrentes de operações não oneradas com tal exação. A ação em tela seria aquela autuada sob o n. 2006.61.00.0034232, com trâmite pela 23a. Vara da Justiça Federal de São Paulo, conforme atestaria cópia de extrato processual anexado aos autos as fls. 183/184. 15. Apesar da deficiência do aludido extrato processual para atestar a pretensa suspensão da exigibilidade do crédito tributário em tela, o que já seria suficiente para a manutenção da presente autuação por deficiência probatória, este Relator pesquisou o andamento processual do referido processo para checar tal informação, oportunidade em que se deparou com a informação de que o processo já teria sido baixado para a origem em razão do trânsito em julgado de decisão nele proferida (disponível em: http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=20066 1000034232). 16. O acórdão proferido nos autos foi no sentido de julgar improcedente a apelação interposta pelo contribuinte e, por conseguinte, impedir o creditamento vindicado. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 19515.007633/200832 Acórdão n.º 3402004.141 S3C4T2 Fl. 245 7 Todavia, a questão relevante a saber para o deslinde do presente processo é saber se, à época da autuação, a exigência em questão estava ou não suspensa. 17. Buscando pelos andamentos processuais, bem como pelo teor do acórdão sobredito, não é possível constatar a existência de qualquer decisão no sentido de suspender a exigibilidade do crédito tributário, exatamente como exige o art. 151, inciso V do CTN. Vejamos, pois, o que dispõe o relatório do citado acórdão: Tratase de ação de rito ordinário ajuizada por IKK DO BRASIL IND. E COM. LTDA. com o objetivo de ver declarado seu direito de se creditar do valor do IPI relativo às aquisições de insumos (matériaprima, produtos intermediários e embalagens) não tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produtos sobre os quais há recolhimento do imposto. Valor dado à causa R$ 200.000,00 em 15 de fevereiro de 2006. Da decisão que não concedeu a tutela antecipada pleiteada, a autora interpôs agravo de instrumento, o qual foi convertido em retido. O MM. Juízo a quo julgou improcedente o pedido. A autora foi condenada ao pagamento de honorários advocatícios, fixados em 5% do valor atualizado da causa. Apelou a autora pugnando pela reforma da sentença. Regularmente processado o feito, subiram os autos a este Tribunal. Decido. O feito comporta julgamento nos termos do artigo 557 do Código de Processo Civil. De início, não conheço do agravo convertido em retido, uma vez que não reiterada sua apreciação em razões de apelação, como exige o artigo 523, § 1º do CPC. (...) (grifos nosso). 18. Do relatório extraído do decisum (em especial dos trechos em destaque) é possível concluir que a tutela provisória pleiteada foi indeferida, ou seja, não houve nos autos a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 19. Ocorre que, ainda sim, a Recorrente insiste que à época da lavratura do presente Auto de Infração seu crédito estava com a exigibilidade suspensa em razão da atribuição de efeito suspensivo ao seu recurso de apelação. Nada mais equivocado. 20. A apelação interposta pelo Recorrente foi recebida no duplo efeito já que essa era a regra estabelecida no art. 520 do CPC Buzaid1. Tal norma, todavia, tem caráter 1 "Art. 520. A apelação será recebida em seu efeito devolutivo e suspensivo. Será, no entanto, recebida só no efeito devolutivo, quando interposta de sentença que: I homologar a divisão ou a demarcação; Fl. 271DF CARF MF 8 exclusivamente processual, em especial em uma demanda como aqui tratada, a qual apresentava um caráter declaratório. Ora, se o contribuinte almejava uma tutela de caráter constitutivodeclaratório e esta, por sua vez, é negada, a conclusão que se chega é que o universo fáticojurídico que permeia a demanda permanece intacto, ou seja, sem que haja a autorização do contribuinte gozar do creditamento vindicado em juízo. 21. Assim, neste caso, o efeito suspensivo atribuído ao recurso interposto impede que o vencedor da demanda (Fazenda Pública), de pronto, promova o cumprimento da sentença para exigir o montante atribuído em sentença a título de honorários e demais verbas sucumbenciais. Ademais, tal conclusão leva em conta as particularidades próprias do direito material vindicado na aludida demanda processual, ou seja, leva em consideração que o bem jurídico da vida objeto do litígio tem natureza tributária e, como tal, apresenta regra de direito material própria para fins de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 22. Assim, o disposto no revogado art. 520 do CPC/73 não tinha o condão de afetar regra de direito material (art. 151 do CTN) e, com isso, implicar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. O único ponto de encontro, aqui, é o fato de ambos os dispositivos legais (art. 520 do CPC/73 e art. 151 do CTN) se valerem de um mesmo signo: "suspensão". Os objetos de suspensão, todavia, são absolutamente distintos. 23. E nem poderia ser diferente, já que repitase o contribuinte promoveu uma ação ordinária de caráter declaratório para ver reconhecido seu direito de creditamento de IPI em caso de aquisições com operações desoneradas. Pois bem. Enquanto o contribuinte não se deparar com uma tutela jurisdicional (provisória ou definitiva) em seu favor, o que o contribuinte possui é o não direito de promover o aludido creditamento ou, por outro giro verbal, o dever de não se creditar em tais operações. 24. De forma simplória, até que haja uma decisão favorável ao contribuinte (o que não é o caso dos autos) o contribuinte, sob uma perspectiva de direito material (bem vindicado em juízo), tem direito a nada. Com o advento de uma decisão definitiva que lhe é desfavorável este quadro não se altera, ou seja, o contribuinte continua tendo direito a nada. Logo, sob uma perspectiva material, é bom frisar, uma eventual apelação recebida no duplo efeito suspenderia o que? Nada? Tenho para mim que não, até por que a suspensão de nada é igual a nada. 25. Logo, não havendo causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a exigência tributária aqui debatida é passível de ser acrescida de multa moratória, razão pela qual também nego provimento ao Recurso Voluntário em mais este tópico. Dispositivo 26. Diante de tudo o que fora exposto, conheço o presente Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, reconhecendo, pois, a decadência do período compreendido entre o 1° decêndio de janeiro de 2003 e o 2° decêndio de agosto de 2003. II condenar à prestação de alimentos; III julgar a liquidação de sentença; IV decidir o processo cautelar; V rejeitar os embargos opostos à execução (art. 739)." Fl. 272DF CARF MF Processo nº 19515.007633/200832 Acórdão n.º 3402004.141 S3C4T2 Fl. 246 9 27. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator. Voto Vencedor Jorge Olmiro Lock Freire redator designado Fui designado relator em relação à decadência, pois vencedora minha posição de que no caso não ocorreu a mesma, restando, em consequência, negado provimento ao recurso. Entende o relator, em síntese, que a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, nos termos do regulamento do IPI, considerase pagamento. A meu sentir, equivocado tal entendimento, pois tratandose de créditos ilegítimos, como a seguir se articula, a presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III do RIPI/2002 não pode operar, uma vez esse dispositivo regulamentar se refere expressamente a créditos admitidos pelo regulamento, in verbis: "(...) Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Portanto, com a glosa dos créditos ilegítimos da escrita do contribuinte os saldos credores passaram a ser devedores, em relação aos quais não houve recolhimento prévio ao início do procedimento de ofício. Por tal razão, a regra de contagem do prazo de decadência para o caso concreto é a prevista no art. 173, I do CTN. Tratandose de fatos geradores ocorridos entre o 1° decêndio de janeiro de 2003 e o 2° decêndio de agosto de 2003, sendo que em todos esses meses, após a glosa, restaram sempre saldos devedores, não há que se falar em decadência, pois em relação ao período de apuração mais antigo, o 1° decêndio de janeiro de 2003, o prazo decadencial iniciouse em 01/01/2004, encerrandose em 01/01/2009. Fl. 273DF CARF MF 10 Como a ciência do lançamento deuse em 22 de agosto de 2008 não há que se falar em decadência no presente lançamento, pelo que afasto essa pugnada preliminar de mérito. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire redator designado Fl. 274DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.003064/2001-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL.
Na determinação do saldo negativo da CSLL passível de ser restituído ou compensado, é necessária a comprovação do regular pagamento/compensação das estimativas que compõem o saldo negativo da CSLL.
Numero da decisão: 1201-001.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. Na determinação do saldo negativo da CSLL passível de ser restituído ou compensado, é necessária a comprovação do regular pagamento/compensação das estimativas que compõem o saldo negativo da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 30 64 /2 00 1- 90 Fl. 820DF CARF MF 2 Relatório Adotase o relatório da decisão de primeira instância, complementandoo a seguir: Tratase de pedido de restituição (fl. 01) cumulado com pedidos de compensação (fls. 02, 100, 103, 106, 109, 112 e 113), cujo crédito seria originário do saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ/2000, anocalendário 1999. Inicialmente, a autoridade fiscal competente para a análise do pedido intimou o requerente a apresentar: Cópia dos recolhimentos e/ou demonstrativo das compensações efetuadas dos valores devidos a título de estimativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido nos meses de janeiro a dezembro de 1999 informados em sua declaração de IRPJ do anocalendário de 1999 (caso existam compensações com saldos de períodos anteriores apresentar demonstrativo das mesmas); Demonstrativo dos valores devidos a título de estimativa da Contribuição Social sobre o Lucro nos anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2004 com cópias dos pagamentos e/ou demonstrativos dos créditos das compensações efetuadas. No Despacho Decisório (fls. 406 a 414), relata a auditorafiscal que na documentação acostada aos autos o contribuinte não apresentou o demonstrativo das compensações com saldos de períodos anteriores, limitandose tãosomente a apresentar o documento de fl. 121 informando os saldos credores de CSLL dos períodos de 1995 a 1998. A seguir, realizou análise pormenorizada dos saldos credores da CSLL dos anoscalendário de 1995, 1996, 1997 e 1998 constantes das respectivas declarações, uma vez que o contribuinte efetuou compensações dos saldos credores com estimativas dos anos seguintes. Na DIRPJ/96 verificou que o saldo negativo de CSLL originouse das estimativas informadas no valor de R$251.205,96. No entanto, somente confirmou recolhimentos da ordem de R$82.590,92, que atualizados monetariamente, correspondem à R$93.490,74, que foi integralmente compensado com valores devidos de estimativa do anocalendário seguinte. Na DIRPJ/97 verificou que o saldo credor de CSLL originouse das estimativas informadas no valor de R$230.299,29 que deduzida da CSLL devida de R$44.804,10 resultou em saldo de CSLL a pagar negativo de R$185.495,19. No entanto, confirmou recolhimentos de R$42.198,54 e considerando a comprovação de R$93.490,74 no anocalendário anterior, que após atualização correspondem à R$105.189,15, somente poderia deduzir estimativas no valor de R$147.387,69, resultando em saldo negativo de R$102.583,59, compensados com estimativas do anocalendário seguinte. A mesma análise foi realizada para a DIRPJ/98, que após os ajustes, resultou em saldo credor de R$106.211,00 (contra o montante de R$ 160.583,70 declarados pelo contribuinte) compensados com estimativas do anocalendário seguinte. Igualmente, na DIPJ/99 a autoridade administrativa apurou saldo negativo de CSLL de R$130.464,96 (contra o montante de R$ 234.563,05 declarados pelo contribuinte) compensados com estimativas dos anoscalendário de 1999 e 2000. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 11610.003064/200190 Acórdão n.º 1201001.670 S1C2T1 Fl. 3 3 Na DIPJ/2000, anocalendário 1999, a autoridade administrativa apurou saldo negativo de CSLL de R$188.198,09 contra o montante de R$ 286.200,40 declarados pelo contribuinte e objeto do presente pedido de restituição. No entanto, ao analisar o anocalendário seguinte na DIPJ/2001, verificouse que o contribuinte não recolheu integralmente suas estimativas devidas tendo compensado parte das mesmas com crédito de períodos anteriores. Assim, o crédito comprovado no anocalendário de 1999 e o saldo restante do anocalendário de 1998 foram compensados com as estimativas devidas no anocalendário 2000, não restando saldo credor a ser restituído no anocalendário 1999. Assim, foi indeferido o pedido de restituição e não homologadas as compensações. O contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório em 14/08/2006 (fl. 416) e apresentou em 12/09/2006 a manifestação de inconformidade de fls. 419 a 424, juntamente com os documentos de fls. 425 a 546 alegando, o que se segue: “A Sra. Agente Fiscal de Rendas Federais (Afrf) , diz as folhas 02 , da intimação 2976/2006.(inclusa). “ O contribuinte foi intimado às folhas 118 a apresentar cópias dos Darfs de CSLL recolhidos a título de estimativa e/ou demonstrativo da origem do crédito tributário utilizado para compensação da Contribuição Social sobre o Lucro nos meses de Janeiro a Dezembro de 1999 e demonstrativo dos valores devidos de estimativa " " Na documentação acostada aos autos, o contribuinte não apresentou o demonstrativo das compensações com saldos de períodos anteriores.... " ''Analisando os Impressos do Sistema IRP.I das Fichas 09 e 11 (fls.357) da DIRPJ/96, verificou que o contribuinte optou pela apuração anual, sendo que no fim do anocalendário apurou base de cálculo negativa da CSLL. Declarou Contribuição Social a título de estimativa R$ 251.205.96 (linha 19 da ficha 11), tendo declarado saldo credor de RS 251.205,96. Conforme extrato do Sistema Sinal 08 (fls 358), o contribuinte recolheu a titulo de estimativa o montante de 82.590,82 e, atualizandose monetariamente com base na variação da UFIR verificada entre o trimestre subseqüente ao do pagamento e o trimestre seguinte ao da compensação, chegase ao valor que deveria ter sido informado na linha 19 da ficha 11 de R$93.490.74. Considerando que o contribuinte apurou base de cálculo negativa de CSLL. e que deveria ter informado na linha 19 o valor R$ 93.490,74, apurase saldo credor de 93.490,74, que foi integralmente..." Cumpre informar que entendemos que a solicitação do Sra. Afrf fls. 118 em apresentar cópias dos Darfs de CSLL recolhidos a título de estimativa e/ou demonstrativo da origem do crédito tributário utilizado nos meses de Janeiro a Dezembro de 1999 e não demonstrativo das compensações com saldos posteriores, assim sendo apresentamos no anexo 01 demonstrativo da origem dos saldos dos períodos anteriores que data de Janeiro a Dezembro de 1993, que resultou num saldo credor de 195.100,28 Fl. 822DF CARF MF 4 UFIRs, comprovados pelo declaração de imposto de renda em anexo mais cópias de todos os recolhimentos efetuados por estimativa no período. No exercício de 1995 ano base Janeiro a Dezembro de 1994, no anexo 02 demonstramos os valores recolhidos por estimativa, bem como as compensações com saldos de períodos anteriores e declaração de imposto de renda em anexo mais copias de todos os recolhimentos efetuados por estimativa no período, que gerou um saldo credor de 338.910,02 UFIRs, equivalentes na época à R$ 229.340,41 (Duzentos e vinte e nove mil, trezentos e quarenta reais e quarenta e hum centavos). Quando da entrega da DIRPJ/96, apesar de o contribuinte ter optado pela apuração anual e tendo apurada base de calculo negativo, durante o exercício estava obrigado a efetuar o recolhimento mensal a título de estimativa, sendo que sem considerar as devidas atualizações monetárias com base na variação da UFIR verificada entre o trimestre subseqüente ao do pagamento e o trimestre seguinte ao da compensação, conforme demonstrativo anexo 03 resultou num saldo credor de R$312.230,76 (trezentos e doze mil duzentos e trinta reais e setenta e seis centavos). Verificouse um equivoco nos cálculos, dos valores de créditos dos períodos anteriores não sendo o valor informado pelo contribuinte de R$ 251.205,96.(duzentos e cinqüenta e hum mil duzentos e cinco reais e noventa e seis centavos), também não sendo o valor apurado pela Afrf no valor de R$ 93.490,74 (noventa e treis mil, quatrocentos e noventa reais e setenta e quatro centavos), mas o valor de R$312.230,76 (Trezentos e doze mil duzentos e trinta reais e setenta e seis centavos) sem considerarmos a atualização monetária com base na variação da UFIR. Como os valores de saldos credores de períodos anteriores são cumulativos e apropriados em períodos subseqüentes os cálculos apresentados referente a DIRPJ/97, D1RPJ/98, DIRPJ/99, DIRPJ/00, apresentam vício na sua elaboração. ISTO POSTO, vem mui respeitosamente, manifestar sua inconformidade com os cálculos apresentados e o Indeferimento do Pedido de Restituição e Não Homologação das compensações declaradas e requerer a revisão e elaboração de novos demonstrativos, bem como o Deferimento do Pedido de Restituição e conseqüente homologação das Compensações Declaradas.” Assim, verificouse que o contribuinte não apresentou os demonstrativos das compensações com saldos de períodos anteriores solicitados pela autoridade administrativa na intimação, apresentandoos somente agora em sede de impugnação. E, considerando que os demonstrativos referentes aos anoscalendário de 1993 e 1994, ora apresentados pelo requerente, não foram originariamente apreciados pela autoridade fiscal a quo e que o resultado desta análise poderia comprometer os valores apurados no anocalendário de 1999, objeto da presente lide, retornaramse os autos à EQPIR/DIORT/DERAT/SP. Em atendimento à solicitação, foi exarado o Relatório de Diligência (fls. 664 a 675) cuja ciência foi dada ao contribuinte por meio de Aviso de Recebimento dos Fl. 823DF CARF MF Processo nº 11610.003064/200190 Acórdão n.º 1201001.670 S1C2T1 Fl. 4 5 Correios em 29/04/2011 (AR entre as fls. 674 e 675). Em 26/05/2011, o contribuinte manifestouse mediante o documento de fls. 681 a 683, acompanhado dos demonstrativos de fls. 686 a 700, nos seguintes termos: “Tratase de Pedido de Restituição, cumulado com pedidos de compensação, cujo crédito é originário de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1999. Considerando que os documentos e demonstrativos referentes aos anos calendários de 1993 e 1994, apresentados pela empresa em sede de impugnação, não foram analisados pela autoridade fiscal, o processo foi encaminhado à Equipe DIORT/DERAT/SP, para sua verificação e de possíveis reflexos nos valores apurados dos anos calendários seguintes, até o ano calendário de 2000. Ao apreciar os documentos, concluiuse indevidamente que o direito creditório da empresa seria somente parcial, referente ao saldo negativo de CSLL do ano de 1999, que cobriria apenas parcialmente as compensações solicitadas. Contudo, conforme evolução de valores demonstrada na planilha anexa, a empresa possuí crédito legítimo a validar as compensações realizadas. Referidas informações podem ser validadas pelas declarações da empresa, compatíveis com as transcritas no quadro analítico anexo. Desta feita, considerando que os valores de saldos credores de períodos anteriores são cumulativos e apropriados nos períodos subseqüentes, conforme planilha ora acostada, os cálculos da Fiscalização neste processo administrativo e nos autos do processo n° 11610.003065/200134 apresentam evidente vício na sua elaboração, que distorcem dos números ora apresentados pela empresa. Ainda, não obstante a comprovação e evolução do saldo negativa da empresa, vale consignar que os saldos negativos oriundos destes períodos, relativos aos anos calendários anteriores a 1995, devem ser considerados válidos, posto que o poder de seu exame pela fiscalização encontrase fulminado pela decadência. O presente processo foi iniciado no ano de 2001, enquanto os créditos não reconhecidos pela fiscalização, que teriam implicado no não reconhecimento do saldo credor apontado pelo contribuinte, são anteriores à 1995. Nos termos das normas jurídicotributárias, a partir da entrega da DIPJ pelo contribuinte, o Fisco possui o prazo de 05 anos para validar o crédito que a empresa afirma possuir. Assim sendo, os valores declarados em suas DIPJ's anteriores, são definitivos e por tal razão, reiterase, não podem ser revisitados pela Fiscalização, por meio daquele despacho decisório. Desse modo, ainda que não tenha sido acatada a composição do saldo negativo dos anos anteriores à 1995 demonstrado nesses autos, ou mesmo que não fosse acatada a composição dos valores ora exposta, deve ser considerada válida, tal como apresentada pela empresa, ante a Administração não possuir mais o direito de fiscalizála. Enfim, seja pela necessidade de considerar válidos os saldos credores anteriores à 1995, posto que o direito da fiscalização de homologálos encontrase fulminado pela decadência, seja pela análise dos saldos credores conforme planilha ora acostada, deve ser revista a diligência que reconheceu apenas parte do crédito apurado pela empresa. Fl. 824DF CARF MF 6 Face ao exposto, uma vez declarados legítimos os saldos credores anteriores à 1995, seja pela evidente decadência de sua fiscalização, seja pela análise da evolução analítica de valores, demonstrada na planilha anexa, requer seja totalmente reconhecido o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, a legalidade das compensações realizadas, remetendose o presente processo ao arquivo.” A seguir, o processo retornou à esta Primeira Turma de Julgamento, para prosseguimento. A manifestação foi considerada procedente em parte, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 INSTRUÇÃO PROCESSUAL. PRAZO. NÃO CUMPRIMENTO. Não se conhece da manifestação, interposta pelo contribuinte sobre relatório de diligência quando protocolada em data posterior ao prazo legal estabelecido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Anocalendário: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. Na determinação do saldo negativo da CSLL passível de ser restituído ou compensado, é necessária a comprovação do regular pagamento/compensação das estimativas que compõem o saldo negativo da CSLL. Quando as estimativas são compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, os mesmos deverão estar devidamente comprovados. CSLL. COMPENSAÇÃO. COFINS EFETIVAMENTE PAGA. À época dos fatos geradores, era permitida a compensação de um terço da Cofins efetivamente paga com a CSLL devida em cada período de apuração, limitada ao valor desta. Em recurso voluntário, a contribuinte alega ter direito ao crédito para a compensação, nos termos do artigo 165 do CTN, trazendo demonstrativos dos saldos negativos da CSLL dos anoscalendário 1993 a 2004. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Fl. 825DF CARF MF Processo nº 11610.003064/200190 Acórdão n.º 1201001.670 S1C2T1 Fl. 5 7 Mérito. Como relatado, o pedido de restituição referese ao saldo negativo de CSLL do anocalendário 1999. No recurso voluntário, a contribuinte alega ter direito ao crédito para a compensação, nos termos do artigo 165 do CTN, trazendo demonstrativos dos saldos negativos da CSLL dos anoscalendário 1993 a 2004. Após os autos terem baixado em diligência, na decisão de piso foi analisado todo o período anterior àquele a que se refere o presente processo. A conclusão foi a seguinte (fl. 752): Da diligência realizada concluise que, de fato, o interessado fazia jus aos saldos negativos vindicados para os anos calendário de 1993 (em valor total), 1994 (em valor total ao pleiteado na manifestação), 1995 (valor próximo ao total), 1996, 1997 e 1998 (em valor total). Portanto, quanto às compensações anteriores ao anocalendário em questão (1999), só poderia haver questionamento por parte da contribuinte no que tange ao ano calendário de 1995. Especificamente quanto a esse período, assim se pronunciou a relatora do voto condutor da decisão de primeira instância (fls. 747 e 748): Alegou o requerente que embora houvesse declarado na DIRPJ 1996 que o saldo negativo de CSLL seria de R$251.205,96, o valor correto corresponderia a R$312.230,76, pois não teria considerado no cálculo a variação da UFIR. Contudo, de acordo com o cálculos acima efetuados pela auditorafiscal foram devidamente consideradas a variação da UFIR, conforme estabelecia o art. 19 da IN SRF nº 51/1995, a seguir transcrito, restando apurado o saldo negativo de CSLL do ano calendário 1995 no valor de R$ 247.845,61. Art. 19. O imposto será calculado mediante a aplicação da alíquota de 25% sobre o lucro real, apurado em Reais, sem prejuízo da incidência do adicional previsto no art. 28. (...) § 4º O imposto de renda retido na fonte, ou pago pelo contribuinte, relativo a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1995, correspondente às receitas computadas na base de cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica, poderá, para efeito de compensação com o imposto apurado no encerramento do anocalendário, ser atualizado monetariamente com base na variação da UFIR verificada entre o trimestre subseqüente ao da retenção ou pagamento e o trimestre seguinte ao da compensação. Fl. 826DF CARF MF 8 § 5º A atualização a que se refere o parágrafo anterior alcança inclusive o imposto de renda pago, no decorrer do anocalendário, com base em balanço ou balancete de redução. Considerando que o saldo negativo de CSLL AC 1995 apurado foi de R$ 247.845,61, foi refeita a análise do saldo negativo de CSLL dos anos calendários de 1996 a 2000. Ocorre que no recurso, além da indicação de valores em um quadro, não há nenhuma refutação quanto a qualquer erro eventualmente cometido pela auditorafiscal responsável pela diligência, nem demonstração do cálculo efetuado. Aliás, na manifestação de inconformidade a recorrente indica o valor de saldo negativo de R$ 312.230,76 e no quadro constante no recurso esse valor se altera para R$ 348.738,82 (fl. 761). Quanto ao anocalendário 1999, consta no recurso voluntário (fl. 765): Na decisão de piso, quanto a esse período, constou: Fl. 827DF CARF MF Processo nº 11610.003064/200190 Acórdão n.º 1201001.670 S1C2T1 Fl. 6 9 Saldo Negativo de CSLL AC 1999 O contribuinte declarou na Ficha 30 da DIPJ/2000 AC 1999, fls.607, que o Saldo Negativo de CSLL é de R$286.200,40, conforme quadro a seguir: Por meio de consulta ao Sistema Rede Receita SINAL08, fls.382, foi verificado que o valor total efetivamente pago à título de COFINS, referente a fev/99 a dez/99, foi de R$849.424,24. O contribuinte compensou a CSLL devida no período com 1/3 da COFINS efetivamente paga, conforme facultava o Art. 8º, § 1º e o Art. 17, I da Lei nº 9.718/98. É importante ressaltar, que o Art. 8º, §3° da mesma Lei dispõe que se o valor do 1/3 da COFINS for superior ao valor devido de CSLL, esta diferença não poderá em nenhuma hipótese ser utilizada para compensação em períodos subseqüentes, conforme pode ser observado a seguir: "Art. 8º Fica elevada para três por cento a alíquota da COFINS. § 1º A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. § 2º A compensação referida no § 1°: I somente será admitida em relação à COFIN'S correspondente ao mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 3º Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COFINS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüente. (...) Art. 17. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: Fl. 828DF CARF MF 10 I em relação aos arts. 2º a 8º, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999;" Portanto o valor compensável de COFINS efetivamente pago fica limitado ao valor devido de CSLL, que é de R$ 141.254,22. Nos meses de janeiro a maio recolheu o total de R$ 83.410,70, conforme Sistema – Rede Receita SINAL08, de fls. 358. As estimativas referentes à jan/1999 e parcela de ago/1999 a dezembro/1999, foram compensadas com o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1998, conforme abaixo: Assim, para efeito de apuração do saldo a restituir /compensar, foi confirmada a existência de saldo negativo de CSLL do ano calendário 1999 no valor de R$ 143.497,53. Conforme quadro acima os pagamentos efetuados a maior referente à fev/99 a maio/99 foram utilizados para compensar as estimativas de jun/99, jul/99 e parte de ago/99. Assim, para efeito de apuração do saldo a restituir /compensar, foi confirmada a existência de saldo negativo de CSLL do ano calendário 1999 no valor de R$ 143.497,53. Conforme DCTF, fls.608, a estimativa de jan/2000 no valor de R$ 70.962,58 foi compensada com saldo negativo de CSLL AC 1999. Portanto, conforme Relatório Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes, fl.662, emitido pelo Sistema de Apoio Operacional SAPO, o saldo credor remanescente de CSLL AC 1999 passa a ser de R$74.238,72. Fl. 829DF CARF MF Processo nº 11610.003064/200190 Acórdão n.º 1201001.670 S1C2T1 Fl. 7 11 Ainda, conforme DCTFs, constam estimativas devidas do ano calendário 2003 compensadas com saldo negativo de CSLL AC 1999. Porém de acordo com SIEF verificase que o ano calendário 1999 foi indevidamente informado, tendo em vista que as PER/DCOMPs mencionadas nas DCTFs referemse a compensação de saldo negativo CSLL de anocalendário diverso, conforme quadro abaixo: Desta forma, a autoridade fiscal diligenciante verificou a existência do direito creditório referente ao saldo negativo de CSLL AC 1999, no valor de R$ 74.238,72 (setenta e quatro mil, duzentos e trinta e oito reais e setenta e dois centavos), que cobre apenas parcialmente as compensações solicitadas. Da diligência realizada concluise que, de fato, o interessado fazia jus aos saldos negativos vindicados para os anos calendário de 1993 (em valor total), 1994 (em valor total ao pleiteado na manifestação), 1995 (valor próximo ao total), 1996, 1997 e 1998 (em valor total). Contudo, na apuração do saldo negativo do anocalendário 1999, deduziu a título de “1/3 da Cofins efetivamente paga” montante superior à própria CSLL devida, o que não era permitido, conforme legislação citada vigente à época dos fatos geradores. Além disso, utilizouse do saldo negativo do anocalendário 1999 para compensar a estimativa do mês de janeiro de 2000. Destarte, o crédito reconhecido foi corretamente deduzido destes valores. Do exposto, voto no sentido de considerar procedente em parte a manifestação de inconformidade, mantendo o direito creditório reconhecido no valor de R$74.238,72. Como pode ser visto, o voto condutor da decisão de piso faz minudente explanação de como foi obtido o saldo negativo da CSLL do anocalendário 1999, sem que fosse infirmada pela recorrente que se limita a trazer um quadro com os valores que ela entende que sejam os corretos, sem contudo trazer demonstrativo de cálculo ou indicar erro havido na explanação da auditoriafiscal. Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 830DF CARF MF 12 Fl. 831DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720145/2011-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.774
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente RENAUTO VEÍCULOS E PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 01 45 /2 01 1- 89 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10120.720145/201189 Acórdão n.º 3302003.774 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.289. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10120.720145/201189 Acórdão n.º 3302003.774 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10120.720145/201189 Acórdão n.º 3302003.774 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10120.720145/201189 Acórdão n.º 3302003.774 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10120.720145/201189 Acórdão n.º 3302003.774 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.726495/2011-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Numero da decisão: 9101-002.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
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LIMITE LEGAL. Recorrente ARCELORMITTAL BRASIL S/A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 64 95 /2 01 1- 11 Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 3 2 conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados: I O Auto de Infração às efls.0214, com a exigência do crédito tributário no valor de R$17.635.007,571, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2007. Consta na Descrição dos Fatos: 001 INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO OPERACIONAL SEM OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% Na incorporação e consequente extinção de PJ (Arcelor em 31/08 e UHGASA em 19/12), o sujeito passivo compensou prejuízos fiscais, sem observar o limite de compensação de 30% do Lucro Líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação de regência [...] Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 247, art. 250, inciso III do art. 251, art. 509 e art. 510 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 1543: 5. DOS ASPECTOS LEGAIS. ANÁLISES E CONCLUSÕES 5.1. DA INCORPORAÇÃO E EXTINÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS Sobre as reorganizações societárias descritas e detalhadas nos itens 3 e 4 anteriores envolvendo a cisão total da UHGASA, CNPJ 00.560.366/000115, que após ser incorporada pela SAMARCO (49%) e Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 4 3 ARCELORMITTAL (51%) foi extinta e sucedida pelas mesmas, e incorporação da ARCELOR BRASIL S/A, CNPJ 24.315.012/000173, os artigos 227 e 229 da Lei 6.404 de 15/12/1976, que dispõe sobre as sociedades por ações, estabelecem, dentre outras responsabilidades, que a sucessora de sociedades por incorporação total ou cisão seguida de incorporação lhes suceda também em todos os seus direitos e obrigações, conforme se depreende do disposto a seguir: [...] Na mesma linha, a Lei 5.172, de 25/10/1966, que instituiu o CTN (Código Tributário Nacional) e dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios, estabelece em seu art. 132 que a pessoa jurídica de direito privado resultado da transformação ou incorporação de outra ou em outra (sucessora) será responsável pelos tributos devidos pela sucedida até a data do ato, conforme se depreende do disposto a seguir: [...] 5.2. DA COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA Ao dispor sobre alterações na legislação tributária Federal, a Lei 8.981 de 20/10/1995 instituiu em seu art. 42 que o lucro líquido após adições e exclusões determinadas pela legislação do Imposto de Renda na determinação do lucro real, a partir de 01/01/1995, não poderia ser reduzido num percentual superior a 30% (trinta por cento), norma que passou a ser conhecida como trava de 30%, conforme transcrição a seguir, in verbis: [...] Nos mesmos moldes, o art. 58 da Lei 8.981 de 20/10/1995 estabeleceu a mesma regra para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, conforme transcrição a seguir, in verbis: [...] Posteriormente, a Lei 9.065 de 20/06/1995 estabeleceu em seu art. 12 que o referido art. 42 da Lei 8.981/95 vigoraria apenas até 31/12/1995 e em seu art. 15 deu nova redação aos termos relativos à trava de 30%, prevendo literalmente a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais com o lucro líquido ajustado (lucro real) dentro desse limite, conforme transcrição a seguir, in verbis: [...] Por decorrência, o art. 16 da mesma Lei 9.065 de 20/06/1995 estabeleceu literalmente a possibilidade de compensação da base de cálculo negativa acumulada em períodos anteriores com a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro apurada no exercício dentro do limite da trava de 30%, conforme transcrição a seguir, in verbis: [...] Ao efetuar as reorganizações societárias descritas e detalhadas nos itens 3 e 4 anteriores, quais sejam, a cisão total e incorporação de 51% da USINA HIDRELÉTRICA GUILMANAMORIM S/A, CNPJ 00.560.366/0001 15, e incorporação da ARCELOR BRASIL S/A, CNPJ 24.315.012/000173, as pessoas jurídicas, após cindidas e incorporadas, foram extintas e, conforme já dito, sucedidas pela ARCELORMITTAL 5.2.1. DAS COMPENSAÇÕES EFETUADAS NA EXTINÇÃO DA UHGASA Na extinção da primeira (USINA HIDRELÉTRICA GUILMANAMORIM S/A), a mesma realizou no ano calendário 2007 compensação do saldo de Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 5 4 Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores, sem respeitar a trava legal de 30%, tendo, nesse caso, ainda excedido o saldo disponível de Prejuízo Fiscal, conforme quadros 01 e 02 a seguir, cujos dados foram extraídos dos respectivos Demonstrativos de Compensação de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativa da CSLL do SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativo da CSLL), figuras 06 e 07 a seguir: [...] 5.2.2. DAS COMPENSAÇÕES EFETUADAS NA EXTINÇÃO DA ARCELOR Quanto à extinção da segunda (ARCELOR BRASIL S/A), foi realizado no ano calendário 2007 compensação do saldo de Prejuízo Fiscal e de Base de Cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores também sem respeitar a trava legal de 30%, conforme quadros 03 e 04 a seguir, cujos dados foram extraídos dos respectivos Demonstrativos de Compensação de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativa da CSLL do SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativo da CSLL), figuras 08, 09 e 10 a seguir: [...] A figura 09, a seguir, apresenta o demonstrativo da base de cálculo negativa da CSLL no período de 01/01 a 20/08/2007, ou seja, antes da ARCELOR incorporar a MITTAL, onde se verifica que a ARCELOR não teria como compensar sua base de cálculo negativa acumulada de períodos anteriores (R$ 19.211.393,09), já que apresentava prejuízo fiscal e base de cálculo negativa no ano calendário 2007. [...] Na figura 10, a seguir, após incorporar a MITTAL e acrescer seus resultados positivos ao da ARCELOR, o lucro real e a base de cálculo da CSLL no período de 21/08 a 31/08/2007 se tornaram positivos, motivo que a levou compensar integralmente, baseandose em supostos direitos adquiridos, sua base de cálculo acumulada de períodos anteriores. [...] 5.1. DA JURISPRUDÊNCIA ACERCA DA COMPENSAÇÃO DO PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA ACIMA DA TRAVA DE 30% Sobre compensação de prejuízos fiscais no lucro real e de base de cálculo negativa na base de cálculo da CSLL nos termos e limitações impostas pelos artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95 e 15 e 16 da Lei 9.065/95, o STF (Supremo Tribunal Federal), em recente julgamento do Recurso Extraordinário RE 344.994 realizado em 25/03/2009 e publicado no DJE (Diário de Justiça Eletrônico) de 28/08/2009, ementa transcrita a seguir (negritos nossos), in verbis, decidiu que o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Tal instrumento de política tributária — benefício fiscal —, conclui o STF, pode, portanto, ser revista pelo Estado, não havendo que se falar em direito adquirido. [...] Ratificando a natureza das disposições contidas nos artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95 e 15 e 16 da Lei 9.065/95 como sendo benefício fiscal, que a limitação de 30% é constitucional e que se tratam de instrumento de política tributária que pode ser revisto pelo estado, não havendo, portanto, direito adquirido, apresentase diversas ementas de decisões recentemente prolatadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal), todas elas no mesmo sentido, confirmando manifestação reiterada e evidenciando inequívoca Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 6 5 jurisprudência do órgão máximo, conforme transcrições dispostas a seguir (negritos nossos), in verbis: [...] Portanto, segundo o STF, órgão máximo do Poder Judiciário brasileiro, tratase de benefício fiscal a natureza das disposições contidas nos artigos 42 e 58 da Lei 8.981, de 20/10/1995, e 15 e 16 da Lei 9.065, de 20/06/1995. A Lei 5.172, de 25/10/1966, que instituiu o CTN (Código Tributário Nacional) e dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios, estabelece em seu art. 111 que a legislação tributária será interpretada literalmente sempre que dispor sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção, conforme sua transcrição a seguir, in verbis: [...] Considerandose que os artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95 e 15 e 16 da Lei 9.065/95 tratam de exclusão de crédito tributário, visto que, caso não existisse o benefício, o contribuinte seria obrigado a recolher os tributos (IRPJ e CSLL) referentes à parcela de 30% do lucro real compensada por prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL acumulados, conforme determinação do art. 176 do CTN (Lei 5.172, de 25/10/1966), os mesmo deverão ser interpretados de forma literal, conforme dispõe o art. 111 anterior. Portanto, os referidos artigos citados no parágrafo anterior, ao estabelecerem que a compensação de prejuízos fiscais acumulados de períodos anteriores com o lucro real do exercício somente poderá ocorrer dentro do limite de 30% deste último (art. 42 da Lei 8.981/95 e 15 da Lei 9.065/95) e, da mesma forma, que a compensação da base de cálculo negativa acumulada da CSLL em períodos anteriores com a base de cálculo da CSLL do exercício se dará apenas dentro do limite de 30% desta (art. 58 da Lei 8.981/95 e 16 da Lei 9.065/95), sem, contudo, prever expressamente, em qualquer dos casos, a compensação integral, sem a trava de 30%, seja no caso de extinção da pessoa jurídica ou outro qualquer, obsta definitivamente que se considere tal possibilidade. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: II O Auto de Infração às efls. 0214, com a exigência do crédito tributário no valor de R$6.394.133,46, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2007. Consta na Descrição dos Fatos: 001 INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO OPERACIONAL SEM OBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30% Na incorporação e consequente extinção de PJ (Arcelor em 31/08 e UHGASA e, 19/12), o sujeito passivo compensou prejuízos fiscais, sem observar o limite de compensação de 30% do Lucro Líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação de regência [...] Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 7 6 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 58 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Cientificado, o Sujeito Passivo apresentou a impugnação, efls. 163178. Está registrado no Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0237.500, de 15.02.2012, efls. 300317: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL LIMITE DE 30% Mediante compensação de prejuízo fiscal, somente se permite reduzir em no máximo 30% o lucro líquido ajustado na determinação do resultado tributável, ainda que se trate de pessoa jurídica que faça sua última declaração de ajuste em virtude do encerramento de suas atividades. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA LIMITE DE 30% Mediante compensação de base de cálculo negativa, somente se permite reduzir em no máximo 30% o lucro líquido ajustado na determinação do resultado tributável, ainda que se trate de pessoa jurídica que faça sua última declaração de ajuste em virtude do encerramento de suas atividades. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, parte integrante deste acórdão, em julgar improcedente a impugnação, para manter integralmente as exigências de IRPJ e de CSLL, assim como da multa de ofício e dos juros de mora respectivos. Notificado, o Sujeito Passivo apresentou o recurso voluntário, efls. 325381. Está registrado no Acórdão nº 1301001.543, de 03.06.2014, efls. 399415: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS. EXTINÇÃO EM VIRTUDE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. LIMITE LEGAL. OBSERVÂNCIA. Inexiste amparo para, à luz da legislação que rege a matéria, se proceder, em virtude do desaparecimento da empresa em decorrência de reorganização societária, a compensação dos prejuízos fiscais e bases negativas sem observância do limite de 30% a que se reporta o artigo 15 da Lei nº 9.065, de 1995. No contexto do ordenamento jurídicotributário, em homenagem ao princípio da legalidade, o silêncio da lei não pode ser Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 8 7 preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção, nos diplomas legais que regem a matéria. [...] Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. O Sujeito Passivo foi cientificado da referida decisão em 11.12.2014, efl. 420, termo inicial da contagem do prazo de quinze dias estabelecido no art. 68 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Em 11.12.2014, efl. 421, tempestivamente, foi interposto o recurso especial, efls. 421447 1. Suscita que: Para atender o que dispõe o aludido Regimento (art. 67, §4° e §7°, Portaria MF n° 256/091), instrui o referido recurso com cópia dos acórdãos n° 1103001.058 (doc. 02), CSRF/0304.382 (doc. 03) e 3302002.383 (doc. 04), utilizados como paradigma, apenas de forma exemplificativa e atendo se ao limite de dois acórdãos por matéria conforme determinação do diploma legal acima mencionado, posto que outros tantos precedentes podem ser encontrados sobre a matéria. [...] No caso que ora é submetido ao julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, resta flagrante a divergência entre a interpretação legislativa conferida pela decisão recorrida que negou provimento ao Recurso Voluntário (acórdão n° 1301001.543) e a interpretação conferida pelos julgados em anexo. Ocorre que, conforme pode se extrair do acórdão recorrido, o crédito exigido tem origem em suposta irregularidade na compensação de prejuízo fiscal e base negativa das companhias Arcelor Brasil S.A e Usina Hidrelétrica GuilmanAmorim S.A, extintas no ano de 2007, tendo a sucessora aproveitado o saldo de prejuízo fiscal e base negativa sem a trava de 30% imposta na legislação para os casos ordinários. Desta forma, temos nos autos duas discussões: (i) A discussão central trazida nos autos gira em torno do debate relativo à inaplicabilidade da trava de 30% (trinta por cento) introduzida em nosso sistema normativo pelo art. 42 da Lei n.° 8.981/1995, no caso de encerramento de atividades das respectivas contribuintes, ocorrendo a incorporação societária. (ii) Além desta questão, há ainda, uma discussão específica relativa à validade do montante apurado e aplicado pela contribuinte e pelos agentes de fiscalização a respeito da composição do saldo de prejuízos. Quanto ao primeiro ponto, a questão é objeto de inúmeros debates travados no âmbito administrativo conforme ressaltado no próprio voto vencido, não havendo ainda uma posição unânime. Nos próximos tópicos serão trazidos os fundamentos para a reforma do acórdão recorrido, mas, neste momento, com o intuito de demonstrar de forma analítica a 1 Fundamentação Legal: Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 e Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 9 8 divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão utilizado como paradigma, muito não precisa ser dito. [...] O fundamento utilizado no presente caso para a inadmissão do Recurso Voluntário da Recorrente foi no sentido de que há uma ausência de disposição legal autorizadora. Afirmou o voto vencedor que "não existe amparo na legislação para que o contribuinte, na circunstância versada nos autos, compense de forma integral os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas". Em sentido oposto, são inúmeros os julgados, mas para demonstrar de forma objetiva a divergência de entendimento, requisito para a admissão do presente Recurso Especial, por todos, transcrevese a ementa do recente julgado formalizado por meio do acórdão n.° 1103001.058 1ª Câmara/3ª Turma Ordinária, publicado em 30.09.2014: [...] Demonstrada, portanto, a divergência. Quanto ao segundo ponto, conforme será demonstrado nos próximos tópicos de forma detalhada, o contribuinte, em seu Recurso Voluntário demonstrou a necessidade de se retificar uma pequena divergência cometida quando do preenchimento da sua DIPJ retificadora, uma vez que esta, apesar de ter sido transmitida por outros motivos, alheios à questão dos autos, constou o saldo de prejuízos fiscais de forma equivocada. Para comprovar os reais valores apurados a Recorrente trouxe aos autos documentos fiscais e contábeis que entendia serem o suficiente para fazer esta comprovação, como por exemplo, a DIPJ original, a retificadora e balancetes de verificação (docs. 03 a 05 do Recurso Voluntário). Contudo, o acórdão proferido pelo CARF, sem apresentar qualquer justificativa para tanto, simplesmente não faz referência aos documentos trazidos aos autos no Recurso Voluntário e apenas afirma que a decisão de primeira instância analisou os documentos trazidos na Impugnação ao Auto de Infração e entendeu não ser o suficiente para comprovar as alegações da Recorrente. Ao que parece, toda a documentação trazida pela Recorrente em seu Recurso Voluntário em nenhum momento foi analisada e também não houve qualquer justificativa expressa quanto a este fato. O acórdão recorrido se limita a afirmar que a documentação apresentada não é suficiente e que a Receita Federal considerou os valores apresentados em sua DIPJ. Desta forma, quanto a este ponto, é negado provimento ao Recurso da Recorrente, sob a conclusão que abaixo se transcreve com o objetivo de demonstrar de forma analítica a divergência de entendimento com os acórdãos paradigmas trazidos aos autos: [...] De forma diametralmente oposta se encontra o entendimento desta Eg. Câmara Superior, como pode se observar da ementa e fundamentação do acórdão CSRF/0304.382 [...] No caso do acórdão utilizado como paradigma, o contribuinte, assim como no presente caso, juntou mais provas da insubsistência do crédito exigido no momento de apresentação do seu Recurso Voluntário. O CARF ao analisar as novas provas juntadas entendeu que elas não eram Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 10 9 suficientes para comprovar o seu direito, contudo, como suscitavam dúvidas era necessário a baixa dos autos em diligência para dirimir questões que envolviam a legalidade do lançamento em discussão. No presente caso, o acórdão recorrido não demonstra sequer que os documentos trazidos no Recurso Voluntário foram analisados! Demonstrada portanto, a nítida divergência quanto a este ponto. Para reforçar este entendimento, transcrevese ainda, trechos do voto referente ao outro paradigma trazido, qual seja, o acórdão n.° 3302 002.383: [...] Assim, conforme o entendimento exposto por este tribunal administrativo por meio dos acórdãos acima transcritos, a perquirição da verdade material é requisito indispensável e indeclinável da Administração. Os trechos acima transcritos são perfeitos e encontramse em consonância com a moralidade administrativa, pois não se pode levar a União Federal a uma demanda judicial que será inglória. Seria penalizar os cofres públicos e, como se não bastasse, transformar o processo administrativo (que visa apenas dar definitividade ao lançamento e se forma de autocontrole do ato administrativo do lançamento) em processo judicial, retirandolhe toda serventia. Não pode o fisco simplesmente ignorar argumentos, sob o fundamento de que foram trazidos de forma tardia aos autos. Conforme será demonstrado, com as planilhas e documentos contábeis trazidos aos autos, já era possível ao menos que fosse suscitada dúvida quanto à efetiva existência do crédito, o que levaria necessariamente à baixa dos autos em diligência, com o retorno dos autos à DRF para analisar as provas juntadas e outros documentos necessários. Ante o acima exposto, como restou demonstrado, a decisão recorrida possui flagrante interpretação divergente de julgados de outras Turmas e Câmaras do próprio CARF e da CSRF. Dessa forma, deverá o presente Recurso Especial ser admitido uma vez que comprovada sua tempestividade e a interpretação divergente conferida pelos julgados em anexo. Passase, a seguir, ao relato dos fatos e demonstração, de forma pormenorizada, das razões para a reforma do acórdão recorrido. 3. BREVE RELATO DOS FATOS. Tratase de Auto de Infração lavrado para a cobrança de crédito tributário de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O crédito exigido tem origem em suposta irregularidade na compensação de prejuízo fiscal e base negativa das companhias Arcelor Brasil S.A e Usina Hidrelétrica GuilmanAmorím S.A, extintas no ano de 2007, tendo a sucessora aproveitado o saldo de prejuízo fiscal e base negativa sem a trava de 30% imposta na legislação para os casos ordinários. Por esse motivo, a fiscalização entendeu que o procedimento adotado, contraria a legislação, a qual teria a regra geral da trava de 30% para aproveitamento do prejuízo fiscal. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 11 10 Observese abaixo, os principais argumentos levantados pela fiscalização quando da lavratura do Auto de Infração: (a) Do prejuízo fiscal e da base negativa aproveitados pela Usina Hidrelétrica GuilmanAmorim S.A. Segundo consta do relatório fiscal, a Usina Hidrelétrica Guilman Amorim S.A. (UHGASA), sofreu, em 19.12.2007, um processo de reestruturação societária, cisão total, de modo que todo seu capital social foi integralmente vertido para ARCELORMITTAL BRASIL S.A. e SAMARCO MINERAÇÃO S.A, na proporção do capital social que cada uma detinha na sociedade cindida. Em razão dessa cisão, a UHGASA realizou a compensação do saldo negativo e da base negativa de períodos anteriores sem respeitar, ainda segundo o relatório fiscal, a trava legal de 30% e excedido o saldo disponível de prejuízo fiscal. Numericamente, como se pode depreender da DIPJ Cisão anexado à Impugnação apresentada (doc. 04 da Impugnação), o prejuízo fiscal aproveitado pela Recorrente, quando de sua extinção, assim como informado no relatório fiscal, foi de R$ 53.056.922,54: Da mesma forma se deu com a base de cálculo negativa de CSLL, no valor de R$ 53.512.046,94, valor inferior à base negativa acumulada, que montava em R$ 59.123.365,49 (doc. 05 da Impugnação). (b) Do prejuízo fiscal aproveitado pela Arcelor Brasil S.A. O Auto de Infração relata, ainda, a reestruturação societária demonstrando a extinção da Mittal Steel B.P. S.A. e da Arcelor Brasil S.A. Relata o Auto de Infração que, quando da extinção da Arcelor Brasil S.A, o prejuízo fiscal e a base negativa acumulados foram integralmente compensados também, sem respeitar a trava dos 30%5. Extraise da DIPJ de incorporação que a Arcelor Brasil realmente efetuou a compensação de 100% de seu prejuízo fiscal, ou seja, R$ 19.908.866,14 (doe. 06 da Impugnação). Contudo, conforme se verá demonstrado, entende a recorrente que a trava dos 30% não se aplica aos casos de extinção da sociedade, posto que contraria a própria lógica da instituição da referida limitação, posto que além de não existir dispositivo legal específico para tanto a trava imposta pela legislação não poderia se aplicar a uma empresa com as atividades encerradas, sob pena eternizar a tributação sobre seu patrimônio, ferindo a própria norma de competência posta no Texto Constitucional (art. 153, III) e o Código Tributário Nacional (art. 43, CTN). [...] Da mesma forma, para CSLL (doc. 07 da Impugnação): [...] Pois bem, notificada da lavratura do presente auto, em 19.12.2012 a Recorrente apresentou Impugnação Administrativa quando demonstrou, que o procedimento adotado, tanto pela UHGASA quanto pela Arcelor Brasil S.A, nas respectivas extinções, realmente foi a utilização dos 100% do prejuízo fiscal acumulado, contudo, não há irregularidade em tal procedimento uma vez que a trava dos 30% não se aplica aos casos de encerramento de atividades pela incorporação total, pois não há dispositivo Fl. 586DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 12 11 legal específico para tanto e, como se não bastasse, a trava imposta pela legislação não poderia se aplicar a uma empresa com as atividades encerradas, sob pena eternizar a tributação sobre seu patrimônio, ferindo a própria norma de competência posta no Texto Constitucional (art. 153, III) e o Código Tributário Nacional (art. 43, CTN). Em que pese os fartos e fundamentados argumentos postos pela Recorrente, foi proferido em primeira instância administrativa acórdão julgando improcedente a Impugnação Administrativa, mantendo integralmente as exigências de IRPJ e CSLL, em suma, pelos seguintes motivos: (a) "Uma vez que o legislador teve o cuidado de deixar expressas as exceções que permite à limitação da compensação a 30% do lucro líquido ajustado, devese, necessariamente, entender que a restrição se aplica a todos os demais casos, ainda que sobre eles a legislação não se refira expressamente" (fls. 313) (b) "A eventual impossibilidade de compensar os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas acumuladas em virtude de extinção da pessoa jurídica não viola a definição do fato gerador do imposto sobre a renda" (fls. 314) (c) "A compensação de prejuízo fiscal tem natureza de liberalidade do legislador e constitui um benefício fiscal em favor do contribuinte, sem constituir um direito inerente à determinação do resultado do exercício, ou decorrente da definição do fato gerador do tributo" (fls. 317). (d) Assim, diante de todo o raciocínio desenvolvido, concluiu que"em se tratando de benefício ou favor fiscal, as disposições legais que tratam do assunto devem ser interpretadas de forma literal e estrita, nos termos do art. 111 do CTN". Infelizmente é forçoso ressaltar que qualquer norma que tenha como consequente a redução da carga tributária vem sendo, cada vez mais, classificada pela fiscalização como benefício fiscal. Não se trata disso, mas de tributar ou não o patrimônio, de ultrapassar ou não a norma de competência constante do Texto Constitucional. Esta a vexata quaestio e este o rumo que deve cercar a interpretação do caso posto em análise. A questão aqui tratada é de gravidade ímpar: em que pese a discordância com a decisão do STF, a trava de 30% somente ganhou a aceitação da Suprema Corte porque a mesma legislação previa a imprescritibilidade de compensação dos saldos de prejuízo fiscal, ou seja, entendeuse que não seria tributação sobre patrimônio porque um dia o valor seria compensado.... Como restou demonstrado em sua Impugnação, a compensação não pode ser considerada como um benefício fiscal. Com efeito, como a compensação é decorrência do princípio da capacidade contributiva em sentido objetivo, o aproveitamento do prejuízo fiscal é uma consequência normativa constitucional necessária. E se é uma consequência normativa, não pode ser um benefício fiscal. [...] Pois bem, inconformada com as conclusões expostas na decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, o qual foi Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 13 12 julgado improcedente pelo voto de qualidade. Em síntese, conforme exposto no voto vencedor, entendeu o acórdão recorrido que "o silêncio da lei não pode ser preenchido pelo seu intérprete, mormente na situação em que tal interpretação objetiva assegurar direito não contemplado, nem mesmo pela via de exceção nos diplomas legais que regem a matéria". Conforme restará demonstrado, efetivamente a exclusão da trava na extinção da pessoa jurídica por incorporação não é tema expressamente tratado em lei, cabendo ao julgador pesquisar todo ordenamento como sistema lógico, harmonioso e integrado para encontrar a interpretação adequada ao caso concreto. A particularidade do caso (que envolve a extinção de uma empresa por incorporação) pressupõe a busca pela identificação da mens legis consentânea ao ordenamento jurídico como um todo. O que deve ser observado é que a lei não impediu a compensação do total de prejuízos fiscais. Ela cuidou especificamente de estabelecer regra geral impositiva de limites de valor por período de apuração, permitindo o aproveitamento de saldos remanescentes em etapas futuras. Na prática, optou o legislador por distribuir no tempo o aproveitamento do prejuízo para fins de compensação, procurando assegurar a continuidade da arrecadação tributária. Assim, a aplicação da trava de 30% é justificável enquanto existente a presunção de continuidade da pessoa jurídica. A extinção via incorporação afasta a exigência de observância do limite à compensação. Entendimento contrário significaria negação da faculdade conferida a Recorrente e resultaria no abandono forçado de um ativo seu, de origem tributária, assegurado em lei. Por este e outros motivos a Recorrente insurgese contra a referida decisão e passa a reforçar as razões pelas quais o auto de infração deverá ser anulado. 4. MÉRITO DAS RAZÕES QUE JUSTIFICAM A REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO. 4.1. Das incorreções de valores utilizados pela fiscalização prejuízo fiscal acumulado da UHGASA. Antes de abordar a questão central quanto a limitação ou não da compensação de prejuízos fiscais e bases negativas, há uma questão fática a ser resolvida. Segundo a fiscalização, houve uma inconsistência na compensação do prejuízo fiscal gerando uma diferença no valor de R$5.491.594,61, decorrente de um possível aproveitamento a maior do Prejuízo Fiscal Acumulado. A Recorrente, com o objetivo de comprovar o saldo do prejuízo fiscal compensado, juntou na Impugnação Administrativa a cópia do seu LALUR. Em análise dos documentos apresentados, o acórdão recorrido demonstrou que, em confronto com os dados que constam no sistema da RFB, a divergência de valores se dá apenas no anocalendário de 1997. Afirmou que a UHGASA entregou duas declarações de rendimentos em 28.06.2000, mas que foi retificada e a retificadora entregue em 07.12.2006. Fl. 588DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 14 13 O prejuízo fiscal apurado na declaração original é igual ao montante indicado na cópia do Lalur trazido aos autos, no entanto, estes dados foram substituídos pela declaração retificadora. Assim, o acórdão concluiu que "a despeito dos números registrados no Lalur trazidos aos autos pela impugnante, devem prevalecer os do Sapli, uma vez que eles reproduzem os dados da última declaração de rendimentos entregues pela Uhgasa" (fls. 311). Data venia, a questão foi apurada pela empresa e verificouse o seguinte: a declaração retificadora, transmitida por outros motivos alheios à questão dos autos, constou o saldo de prejuízos fiscais de forma equivocada, conforme comprovam os documentos contábeis trazidos no Recurso Voluntário apresentado (docs. 03 a 05 do Recurso Voluntário). Conforme restou demonstrado, é manifesto que um erro material no preenchimento de uma declaração não pode prevalecer sobre o direito ao crédito, muito mais porque os próprios lançamentos contábeis da empresa registram a verdade material. Contudo, apontando uma inovação da tese de defesa do contribuinte, o acórdão Recorrido não analisou os novos documentos trazidos aos autos e se limitou a reproduzir o entendimento da decisão de primeira instância no sentido de que o contribuinte não teria apresentado documentos suficientes para provar o seu direito. [...] Necessário sempre repetir, a perquirição da verdade material é requisito indispensável e indeclinável da Administração. O trecho da decisão acima transcrito é perfeito e encontra consonância com a moralidade administrativa, pois não se pode levar a União Federal a uma demanda judicial que será inglória. Seria penalizar os cofres públicos e, como se não bastasse, transformar o processo administrativo (que visa apenas dar definitividade ao lançamento e se forma de autocontrole do ato administrativo do lançamento) em processo judicial, retirandolhe toda serventia. Neste sentido, podemos trazer inúmeras decisões desta Eg. Câmara Superior. Por todos: [...] Com os documentos contábeis trazidos aos autos, já era possível ao menos que fosse suscitada dúvida quanto à efetiva existência do crédito, o que levaria necessariamente à baixa dos autos em diligência, com o retorno dos autos à DRF para analisar as provas juntadas e outros documentos necessários. Ante o exposto, tendo em vista o entendimento já pacificado no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde já requer a Recorrente (a) que desde já que sejam analisadas todas as provas trazidas aos autos as quais demonstram de forma clara a existência dos valores utilizados pelo contribuinte sendo acatados os documentos contábeis como corretos e que seja feita a retificação de ofício na DIPJ e nos controles internos da RFB (porque pelo transcurso do prazo não consegue a Recorrente retificar tal declaração), excluindo esta parte do crédito tributário ou, alternativamente, (b) sejam os autos baixados em diligência, para que se comprove, pelos documentos contábeis, o mero erro material na DIPJ retificadora e que se proceda a retificação de ofício. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 15 14 4.2. Da inaplicabilidade do limite de 30% à compensação do saldo de prejuízos fiscais a empresas com atividades encerradas. Pois bem, relata a Fiscalização que as companhias Usina Hidrelétrica GuilmanAmorim S.A e Arcelor Brasil S.A, em suas DIPJ's de Cisão e Incorporação, respectivamente, não respeitaram a trava dos 30% para compensação. A Recorrente demonstrou de forma contundente que o procedimento adotado está de acordo com a legislação fiscal e conforme será demonstrado em seguida, nenhum dos fundamentos levantados pelo acórdão recorrido merecem prosperar. Vejamos. O art. 42 da Lei n°. 8.981/95, fruto da conversão da Medida Provisória n°. 812/94, prevê o seguinte: [...] O permissivo instituiu restrição quantitativa de 30% para fins de compensação da base de cálculo com o saldo de prejuízos fiscais acumulados. Antes desta norma, a legislação previa o direito à compensação integral dos prejuízos fiscais, sem qualquer limitação quantitativa, apenas uma limitação temporal. Logo, a partir da Lei n° 8.981/95, os prejuízos fiscais não atingidos pela decadência passaram a ser compensáveis independentemente de qualquer prazo, mas sujeitos à limitação de 30% do lucro líquido ajustado da pessoa jurídica. A justificativa apresentada para a limitação de 30%, segundo a Exposição de Motivos da MP 812/94, que deu origem à Lei n° 8.981/95, foi o estabelecimento de "uma regra gradual de compensação de prejuízos, tomandose como referência os resultados obtidos em cada ano. Essa alteração permitiria ao Estado um fluxo estável no ingresso de receitas provenientes do imposto de renda." As expressões "resultados obtidos em cada ano" e "fluxo estável no ingresso de receitas" demonstram que o objetivo imediato de arrecadação seria atingido com a limitação quantitativa de 30% e que a expectativa de estabilidade no fluxo das receitas do Estado seria atendida com a revogação da limitação temporal e o correspondente direito dos contribuintes de compensarem os saldos acumulados de prejuízo fiscal sem limite de tempo. [...] A legislação atual visa, portanto, prover o Estado de receitas contínuas de IRPJ pressupondo que a atividade econômica motivadora da renda tributável se conduzirá de forma permanente, sem solução de continuidade, para que o efeito imediato da tributação mínima de 70% do fluxo de renda dos contribuintes seja gradualmente revertido, na medida em que todas as perdas acumuladas absorvam, ao menos, 30% da renda futura. Ora, o Supremo Tribunal Federal, como fundamenta o Auto de Infração, [...] entendeu que a lei poderia sim diferir no tempo o abatimento dos prejuízos fiscais acumulados, mas e se o tempo não mais existe? Ou seja, no caso da cisão total, não mais existindo a empresa, restará uma última apuração, quando finda a sua existência será apurado se ainda existe algum tributo a pagar. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 16 15 Com efeito, o artigo 229 da Lei n°. 6.404/76 deixa muito claro o postulado da continuidade que afeta a operação de cisão total. De acordo com este artigo, a sociedade receptora do patrimônio sucede a todos os direitos e obrigações da empresa cindida, o que incluiria no crédito fiscal decorrente dos prejuízos fiscais acumulados. Ocorre que a legislação veda expressamente a transferência dos prejuízos fiscais acumulados pela sucedida para a sucessora, conforme art. 514, do RIR/99: [...] Ora, se não há continuidade, não há sentido em diferir o saldo de prejuízo fiscal para o futuro. Esta a lógica da regra, pois ela se baseia na continuidade da empresa e seu direito de compensar os prejuízos fiscais acumulados ao longo do tempo futuro; não existindo futuro, não há mais sentido na regra estabelecida! Inclusive este entendimento já foi referendado pelo STJ: [...] Portanto, no caso de empresas cindidas, tal limite de 30% não é aplicável visto que o encerramento das atividades da empresa impede a compensação do prejuízo fiscal apurado nos períodos seguintes. [...] Em nenhum momento a legislação do IRPJ/CSLL veda a compensação de prejuízos fiscais de empresas extintas por cisão acima do limite de 30%, sendo certo que o art. 42 da Lei 8.981/95 se aplica exclusivamente às empresas em atividade. Tal disposição legal reforça o argumento de que o limite de 30% não se aplica no períodobase de encerramento da empresas cindidas, uma vez que importaria na extinção do crédito, o que, como visto, não é a intenção da norma. Pois bem, além de não existir dispositivo legal que impeça o procedimento adotado pela empresa, ainda que houvesse, seria ela de todo inconstitucional. Isso porque a Constituição Federal atribui à União competência para instituir imposto sobre a "renda e proventos de qualquer natureza", em seu artigo 153, III. Da mesma forma, o art. 195, I da Constituição autoriza a União a instituir contribuição, destinada ao custeio da Seguridade Social, cobrada dos empregadores, incidente "sobre a folha de salários, a receita ou faturamento e o lucro". O Código Tributário Nacional, por sua vez, em seu artigo 43, adota um conceito amplo de renda, a saber, "o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos" assim como "os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior". Assim, por meio de lei ordinária e a título de imposto de renda, somente se legitimará a tributação da renda e dos proventos de qualquer natureza, entendida a renda como acréscimo de riqueza, ganho ou aumento advindo do trabalho e do capital (ou patrimônio) em certo período de tempo, que, por decisão da Constituição, é anual. Igualmente, por meio de lei ordinária e a título de contribuições, a Constituição somente autoriza a tributação do lucro (além das outras fontes). Acrescentese ainda que a expressão lucro, utilizada pela Constituição no art. 195, I, é ainda mais específica do que renda e inconfundível com seu Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 17 16 oposto, prejuízo, perda ou redução patrimonial. Configurando um instituto ampla e exaustivamente disciplinado pelo Direito Privado, especialmente pelo Direito Comercial, a noção de lucro não pode ser violentada, profundamente alterada ou negada pelo Direito Tributário, porque foi utilizada pela Carta para definir os limites e as regras de competência atribuídas à União (art. 110, CTN). Ora, se o Supremo Tribunal Federal aceitou a limitação anual do saldo de prejuízos fiscais, o fez ao pressuposto da continuidade, de que o patrimônio não seria tributável, uma vez que aquele saldo existente não teria prazo prescricional para opor a futuros lucros. Jamais autorizou e jamais autorizará que ao fim da empresa não se possa usar 100% do prejuízo acumulado, porque ai o discurso da continuidade que legitimou a trava perde todo o sentido. [...] Portanto, a Lei n°. 8.981/95, ao criar novo sistema limitando quantitativamente a compensação, mas tornando os prejuízos imprescritíveis, deixou de prever expressamente uma norma para as empresas em descontinuidade. Por isso a melhor interpretação que se deva dar ao art. 42 da referida lei é a inaugurada com o Acórdão 10806.682, que revelou a finalidade da lei, pela análise de sua exposição de motivos. Logo, essa interpretação supera a incoerência do sistema, garantindo o alcance do objetivo da nova lei. Por fim, importante frisar o fato de que todas as considerações anteriores demonstram com absoluta clareza, que o direito ao abatimento de prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores não pode ser interpretado como mero instrumento de política tributária expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte, como bem pontuou o voto vencido no presente caso. Ao contrário, ele é uma imposição constitucional decorrente das regras de competência para a instituição do imposto sobre a renda e da contribuição sobre o lucro, dos princípios da igualdade e da capacidade contributiva e do postulado da proibição de confisco. Assim, não resta outro caminho senão o provimento do presente recurso para autorizar a compensação de 100% do Prejuízo Fiscal e Base Negativa, uma vez que a trava dos 30% não se aplica a empresas em encerramento. 5. DO PEDIDO DIANTE DO EXPOSTO, cumpridas as exigências dispostas no Regimento Interno deste Eg. Conselho, a Recorrente requer seja o presente Recurso Especial admitido, conhecido e provido para reformar o acórdão ora recorrido, para que seja reconhecido o direito de compensação de 100% do Prejuízo Fiscal e Base Negativa, uma vez que a trava dos 30% não se aplica a empresas em encerramento. Quanto à divergência apurada nos valores utilizados na compensação integral do prejuízo fiscal, a Recorrente requer (a) sejam acatados os documentos contábeis como corretos e que seja feita a retificação de ofício na DIPJ e nos controles internos da RFB (porque pelo transcurso do prazo não consegue a Recorrente retificar tal declaração), excluindo esta parte do crédito tributário ou, alternativamente, (b) sejam os autos baixados em diligência, para que se comprove, pelos documentos contábeis, o mero erro material na DIPJ retificadora e que se proceda a retificação de ofício. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 18 17 Houve seguimento em parte ao recurso especial do Sujeito Passivo (Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial de 02.07.2015, efls. 501508), uma vez que as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial em relação à "Compensação de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativas da CSLL sem Observância do Limite de 30% do Lucro Líquido Ajustado no Caso de Extinção da Pessoa Jurídica por Incorporação" a partir do exame do paradigma: Acórdão nº 1103001.058, de 07.05.2014. O Despacho de Reexame de Admissibilidade do Recurso Especial de 02.07.2015, efls. 509510, ratifica esse entendimento. Notificada em 06.01.2016, efl. 558, a PGFN apresentou em 12.01.2016, efl. 571, as suas contrarrazões, efls. 559572. Argui que: I – SÍNTESE DOS FATOS Cuidase de recurso dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais, interposto contra o acórdão n. 1301001.543, assim ementado: [...] O Despacho nº 1300/2015 3ª Câmara, de 02 de julho de 2015, ratificado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, deu seguimento parcial ao especial apenas quanto à seguinte matéria: 1) trava para compensação de prejuízos fiscais na extinção da pessoa jurídica. II. DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO O recorrente sustenta que: 1) a circunstância da incorporação com a extinção da personalidade jurídica da empresa incorporada, dado o enceramento de suas atividades, permitiria a compensação integral dos prejuízos fiscais dos anos anteriores na última declaração do exercício; 2) seria impossível a imposição do limite de 30% para a compensação de prejuízos fiscais na hipótese de incorporação com a extinção da incorporada, sob pena de tributar o patrimônio da empresa; 3) o limite de 30% teria sido determinado pelo legislador com o objetivo de escalonar o aproveitamento do crédito no tempo, sem, contudo, impedir a compensação; 4) a legislação não veda a compensação de prejuízos fiscais acima do limite de 30% na hipótese de empresas extintas por incorporação, de tal modo que a trava se aplicaria exclusivamente às empresas em atividade. Data venia, os argumentos do Recorrente não têm o condão de prosperar, pois tanto a legislação que limita a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, bem como a sua natureza (de benefício fiscal, assim determinada pelo eg. Supremo Tribunal Federal) e a jurisprudência consolidada no CARF, não excluem a empresa extinta por incorporação da limitação legal. É o que se passa a expor com detalhes a seguir. O artigo 33 do Decretolei n. 2.341/87 determina: [...] Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 19 18 O art. 514 do RIR/99 também reflete este impedimento, vejamos: [...] A norma é clara e expressa, no sentido da vedação legal de compensação de prejuízos da sucedida pela empresa incorporadora e isto tem sua razão de ser: inibir incorporações que manifestamente têm como único sentido realizar evasão fiscal. Portanto, esta é a primeira premissa a ser observada: a pessoa jurídica sucessora não poderá compensar os prejuízos fiscais da sucedida. A segunda premissa foi a introdução pela Lei 9.065/95, alterando as disposições da Lei 8.981/95, da limitação quantitativa da compensação dos prejuízos fiscais ao patamar de 30% do lucro líquido ajustado. Desta feita o limite que antes era apenas temporal passou a ser quantitativo, com o intuito de, preservando o interesse público e a necessidade de custeio da Sociedade pelo Estado, evitar que se verificasse a ausência total de recolhimento de tributos. Vejamos os dispositivos introduzidos pela Lei 9.065/95, arts. 15 e 16 tanto para o IRPJ quanto para a CSLL: [...] Assim, diante da legislação reguladora do tema em questão temos as seguintes regras para a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculos negativas (doravante denominados simplesmente de prejuízos fiscais): 1) o não aproveitamento pela sucessora dos prejuízos fiscais da sucedida em caso de incorporação; 2) o limite de 30% do lucro líquido ajustado para as compensações introduzido pela Lei 9.065/95 sem exceções quanto às incorporações. Ultrapassado essa restrição quantitativa, a compensação é indevida e o montante incorretamente compensado deve ser glosado. Irresignados com a limitação quantitativa imposta pelo Estado à compensação dos prejuízos fiscais, os contribuintes do IRPJ e da CSLL apresentaram inúmeros questionamentos sobre a constitucionalidade dessa imposição. Como resposta ao pleito judicial apresentado, o Supremo Tribunal Federal, por meio do julgamento do RE 344.994/PR, declarou a constitucionalidade do referido limite, senão vejamos: [...] Tendo o julgado acima citado se referido exclusivamente sobre o IRPJ, idêntico entendimento foi adotado para a CSLL, senão vejamos: [...] No que concerne ao entendimento exposto pelo STF, vale registrar que em ambos os julgados, a Suprema Corte estabeleceu a natureza jurídica da autorização para compensação de prejuízos fiscais como um verdadeiro benefício fiscal concedido pelo Estado aos contribuintes. Sendo uma benesse tributária, fora ressaltado que tal compensação deve ser realizada nos estritos limites impostos pela lei que a prevê. Sobre essa conclusão em especial, calha transcrever as seguintes passagens do voto vista da Ministra Ellen Gracie no RE 344.994/PR: [...] Por fim, outro esclarecimento importante ressaltado pelo STF, e que merece ser citado, se refere ao fato de a compensação de prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores não constituir um direito adquirido dos contribuintes. Tendo em vista o reconhecimento de sua natureza jurídica como um benefício fiscal e o próprio conceito de lucro da atividade Fl. 594DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 20 19 empresarial, os Ministros entenderam que os contribuintes não possuem direito adquirido à compensação de seus prejuízos fiscais; esta autorização dependerá sempre da vontade política externada nas leis, senão vejamos: [...] Vêse, assim, que a autorização para a compensação de prejuízos fiscais acumulados ao longo de exercícios futuros se constitui em inegável benefício fiscal concedido pelo Estado. De acordo com o Sistema Tributário previsto na Constituição Federal de 1988, a União não é obrigada a autorizar essa compensação, reduzindo assim a sua receita fiscal. Ela fora concedida como uma benesse tributária (uma socialização dos prejuízos empresariais), a qual, por isso mesmo, deve se dar nos estritos limites impostos pela legislação que a prevê. Feitas tais considerações, data venia, as argumentações recursais não resistem a um confronto com os motivos determinantes exarados justamente nas decisões do STF nos RE 344.994/PR e RE 545308/SP. Registrese que o julgamento proferido pelo STF no RE 344.999 se apresenta relevante para o deslinde da presente controvérsia, visto que a discussão aqui passa, necessariamente, pela definição da natureza jurídica do direito à compensação de prejuízos fiscais que, como já demonstrado, foi enfrentada pela Corte Suprema e, por isso, merece observância. Ora, sendo a compensação dos prejuízos fiscais de anos anteriores autêntico instrumento de política fiscal, ou seja, benefício fiscal, como fixado pelo STF, por óbvio, submetese ao princípio da legalidade estrita, não comportando interpretação extensiva ou por analogia, nos moldes propugnados no art. 111, do CTN. O artigo 111 do CTN assim prevê: [...] Ora, como pode ser visto da clara redação do CTN, observase que as normas que prevêem benefícios fiscais devem ser interpretadas literalmente, não de forma extensiva. Na concessão de benefícios fiscais, o poderdever do Estado se pauta exclusivamente na literalidade das leis que os prevêem. Admitir uma forma diversa de interpretação significa dispensar ilegalmente pagamento de tributo devido. Nesse sentido, aliás, é a jurisprudência pátria, como se percebe da leitura dos seguintes trechos de acórdãos proferidos pelo Superior Tribunal de Justiça: [...] Sob essa perspectiva, incumbe exclusivamente ao ente público competente pela instituição do tributo delinear os contornos legais do benefício fiscal a ser concedido. Tanto o contribuinte, como a autoridade autuante e o julgador devem se ater os ditames previstos na lei. Viola os princípios basilares da hermenêutica jurídicotributária concluir que, em se tratando de benefício fiscal, eventual silêncio do legislador significaria a permissão para extensão às situações não abrangidas pela lei de regência. Precisamente sob a questão aqui discutida, qual seja, compensação integral dos prejuízos fiscais sem respaldo legal, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse pela impossibilidade da pretensão, justamente considerando a natureza jurídica de benefício fiscal da compensação. [...] Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 21 20 Além disso, não existe no Ordenamento nenhuma norma especial que afaste a obrigação de empresas incorporadas observarem o limite de 30% para compensação dos prejuízos fiscais. Permitir que a incorporada compense integralmente os prejuízos fiscais de anos anteriores, sem qualquer respaldo legal, significaria, pois, criar, por mera exegese, novo benefício fiscal, sem considerar usurpação de competência do ente federativo responsável pela instituição do tributo. Sendo assim, demonstrase que o limite à compensação dos prejuízos fiscais imposto pelas Leis nº 8.981/1995 e 9.065/1995 também se aplica aos casos em que a pessoa jurídica é extinta. Não há nenhum dispositivo legal que preveja, como exceção, a compensação integral nesses casos. Em que pese o Recorrente defender uma interpretação sistemática, histórica e finalística da legislação tributária aplicável, é fato incontroverso nos autos que não há norma expressa que autorize a pretensão do contribuinte. Não havendo norma expressa, não há “norma implícita”, “silêncio eloqüente” ou “redução teleológica” que permita que esse benefício fiscal seja concedido. Pensar de modo diferente implicaria clara violação ao artigo 111 do CTN. Na realidade, o que o Recorrente pretende é usufruir de um benefício fiscal que não existe. Da forma como o Poder Legislativo autorizou a compensação dos prejuízos fiscais, não há autorização para a compensação integral em face da extinção da pessoa jurídica. Se assim o fosse, a norma deveria expressamente dizer. O acolhimento da pretensão do Recorrente demandaria a este Conselho Administrativo agir como legislador positivo, o que colide não somente com os propósitos deste Órgão Julgador Administrativo, cuja competência está atrelada ao controle da legalidade, mas, sobretudo com o disposto no art. 2º da Constituição Federal. E, ainda, o que é mais grave, a não aplicação da “trava” de 30% para a compensação dos prejuízos fiscais, prevista nos artigos 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95, implicaria na decretação de inconstitucionalidade desses preceptivos legais, o que é vedado tanto pelo art. 62 do RICARF, como pelo enunciado da Súmula nº 2 do CARF segundo a qual: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse esteio, vale rememorar que o Supremo Tribunal Federal já fixou entendimento de que, embora um órgão julgador declare expressamente o afastamento de um dispositivo legal, no todo ou em parte, tal decisão significa, na realidade, a declaração da inconstitucionalidade desse dispositivo. É o que diz a Súmula Vinculante nº 10 da Suprema Corte: "Viola a cláusula de reserva de plenário (cf, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." Destacase que, caso se tenha por correta a atitude tomada pela empresa incorporada antes de sua extinção, estarseá admitindo uma fácil maneira de as empresas adiantarem a compensação de seus prejuízos Fl. 596DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 22 21 fiscais à margem da lei que prevê esse benefício fiscal. Por certo, sedimentando essa autorização ilegal, os contribuintes poderão, sem qualquer dificuldade, confabular reorganizações societárias desnecessárias, as quais terão como único objetivo o adiantamento da compensação de seus prejuízos. Com certeza, esse não foi o intuito do legislador ao autorizar essa benesse tributária. Não pode o intérprete conferir à lei uma interpretação aquém da realidade para criar hipótese de exceção à regra prevista, sob o pretexto de que tal regra, nos casos de incorporação, não poderia ser aplicada em razão da impossibilidade de aproveitamento posterior destes prejuízos pela empresa extinta. Isto porque a compensação de prejuízos não pode ser considerada como direito subjetivo das empresas, mas sim como um benefício fiscal tendo em vista precipuamente o caráter extrafiscal da lei. A empresa está sujeita às regras de mercado e, sendo assim, pode auferir tanto lucro como prejuízo, sendo este último um risco inerente daqueles que escolhem trilhar por este caminho. O que a legislação pretendeu com a permissão de compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas não foi criar um direito subjetivo para o contribuinte, mas sim permitir que, em casos de apuração de prejuízos, a empresa não fosse obrigada a arcar com todo o déficit sozinho, até mesmo para fomentar as relações comerciais e impedir eventuais prejuízos irrecuperáveis que levassem ao encerramento de suas atividades. Desta forma, a observância da limitação da trava dos 30% não limita um direito subjetivo da empresa, mas tão somente regula a forma como a compensação permitida pela legislação será exercida. Ora, se a lei não fez qualquer exceção a esta regra para o caso em exame não se pode permitir que no silêncio da lei se crie hipótese de exceção sem qualquer respaldo. A decisão de uma empresa incorporar outra ao seu patrimônio leva em conta questões internas e de planejamento, mas a obrigatoriedade de observar as regras que disciplinam tal transação e cumprilas faz parte do negócio e devem ser avaliadas quando da efetivação do negócio jurídico. Assim, estando plenamente em vigor a limitação dos 30% para a compensação bem como por não existir nenhuma regra que a excepcione para os casos de incorporação, não se pode acolher a pretensão do recorrente. Sobre o tema forçoso colacionar ainda entendimento exposto por este Conselho no Acórdão nº 910100401: [...] Diante destas considerações, mostrase acertado o entendimento do acórdão recorrido que manteve a trava dos 30% para compensação mesmo nos casos de incorporação, tanto de prejuízos fiscais no caso do IRPJ quanto de bases de cálculo negativas de CSLL. III – DO PEDIDO Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 23 22 Ante todo o exposto, pugna a União (Fazenda Nacional) para que seja negado provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, mantendose o acórdão recorrido em sua integralidade. É o Relatório. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 24 23 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Relator Verificase que somente foi dado seguimento ao recurso especial do Sujeito Passivo em relação ao primeiro ponto, a saber " inaplicabilidade da trava de 30% nos casos de compensação de prejuízos fiscais, no caso de incorporação societária, com encerramento das atividades da incorporada". O Acórdão nº 1103001.058, de 07.05.2014, indicado como paradigma foi reformado pelo Acórdão nº 9101002.452, de 22.09.2016, no seguinte sentido. Ocorre que na data da interposição do recurso especial do Sujeito Passivo o Acórdão nº 1103001.058, de 07.05.2014, ainda não tinha sido reformado na matéria que lhe aproveita e por isso deve ser mantido como paradigma (§ 15 do art. 67 do Anexo II do RICARF). Por conseguinte, não cabem reparos ao exame de admissibilidade do recurso especial do Sujeito Passivo, e assim voto por CONHECER o referido recurso. Passo à análise do mérito que se restringe a matéria relativa à compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativas da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado no caso de extinção da pessoa jurídica por incorporação. Mérito Compensação de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativas da CSLL sem Observância do Limite de 30% do Lucro Líquido Ajustado no Caso de Extinção da Pessoa Jurídica por Incorporação O Sujeito Passivo procura demonstrar, em síntese, que a limitação a 30% da compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL não se aplica nas hipóteses de descontinuidade da pessoa jurídica extinta por incorporação. A Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinou a questão da seguinte forma a partir de 01.01.1995: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. [...] Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. O Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 344.994/PR declarou a constitucionalidade do art. 42 e do art. 58 da Lei n.º 8.981, de 1995: Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 25 24 EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. [...] Vale transcrever excertos do VotoVista da Ministra Ellen Gracie: Como sabido, em matéria de Imposto de Renda, a lei aplicável é aquela vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Entendo com a devida vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8.981/95 mera expectativa de direito donde o nãocabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda – RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8.981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não tem ‘crédito’ oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito líquido e certo à ‘socialização’dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. É apenas por benesse da política fiscal – atenta a valores mais amplos como a estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos – que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante par ao exercício que definirá se o benefício será calculado sobre 10, 20 ou 30% ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Pacificando este entendimento, ainda o Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 545.308/SP declarou novamente a constitucionalidade do art. 42 e do art. 58 da Lei n.º 8.981, de 1995: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Fl. 600DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 26 25 Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido. Assim o STF fixou que o direito a compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL tem natureza jurídica de benefício fiscal em favor do contribuinte. Desse modo pode ser revista pelo ente tributante e não se caracteriza direito adquirido, ou seja, direito subjetivo definitivamente incorporado ao patrimônio jurídico do titular (art. 6º do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 e art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988). Por seu turno, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, manteve o benefício fiscal nos mesmos moldes da Lei nº 8.981, de 1995 e assim dispõe a partir de 01.01.1996: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. [...] Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Ademais, nesse mesmo sentido está registrado no enunciado da Súmula CARF nº 3: Para determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social Sobre o Lucro, a partir do ano calendário de 1995, o lucro líquido ajustado pode ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 27 26 Por conseguinte, restou cristalino o entendimento de que a Lei nº 8.981, de 1995 e por inferência também a Lei nº 9.065, de 1995, que tratam da limitação legal de 30% para compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL são constitucionais, mesmo porque não foi declarada a inconstitucionalidade de nenhuma delas pelo Supremo Tribunal Federal (art. 102 da Constituição Federal). Aliás, como se trata de benefício fiscal pode ser revisto a qualquer tempo pelo ente público competente para a instituição do tributo e se restringe às condições fixadas em lei (caput do art. 37 da Constituição Federal). Verificase, por conseguinte, que a mencionada compensação não pode ser considerada como direito adquirido, senão nos limites da legislação que rege a matéria. Nos julgamentos pelo STF do RE 344.994/PR e do RE 545.308/SP, apesar de não ter examinada a questão do limite legal de 30% para compensação de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL em caso de extinção de pessoa jurídica, restou cristalino que a lei aplicável em relação a essa compensação é aquela vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Aliás assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no REsp 1107.518/SC: "A homenagem ao princípio da legalidade tributária exige expressa disposição na lei da conduta a ser praticada pelo ente tributante e pelo contribuinte." Sobre o conceito legal de renda, temse que para fins de IRPJ em seu aspecto material da hipótese de incidência deve ser entendido como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (art. 43 do Código Tributário Nacional CTN). Fica a cargo de lei ordinária federal fixar os demais aspectos da hipótese de incidência, inclusive o temporal, uma vez que a competência para instituir o IRPJ e a CSLL é da União (inciso III do art. 153 e alínea c do inciso I do art. 195, todos da Constituição Federal). A limitação de 30% para compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL não pode ser traduzida em instituição de novo tributo, o que somente poderia ser efetivado nos estritos termos das determinações constantes na Constituição Federal. Tratase tão somente de instrumento de política tributária. Este benefício fiscal, constituído dentro de parâmetros legais, tem natureza jurídica de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em relação a períodos futuros (art. 6º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988). Nada mais é que a utilização delimitada de prejuízos fiscais acumulados ou bases de cálculo negativas de CSLL acumuladas de períodos anteriores. O conceito de renda não foi adulterado, tampouco extravasada a competência tributária da União acarretando tributação do patrimônio. Em relação ao conceito de lucro, cabe explicitar que tem caráter eminentemente legal (art. 6º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988), o que pode não corresponder às perspectivas societárias e econômicas, conforme entendimento do STF esposado no RE 344.994/PR. Reiterese que a limitação de 30% para compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL não tem o condão de criar "artificialmente um lucro nas pessoas jurídicas deficitárias, para tributarlhes o patrimônio", como bem elucidado acima pelo Voto Vista da Ministra Ellen Gracie. Podese concluir que a continuidade da pessoa jurídica não implica um direito adquirido à compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL afastada do limite legal de 30%, o que não desnatura a materialidade da hipótese de incidência do IRPJ e da CSLL, nem o conceito para fins tributários de renda ou de lucro em determinado período de apuração, no sentido preciso de confirmar a independência entre os exercícios. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 28 27 Ainda, o art. 32 e art. 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987, vedaram à pessoa jurídica compensar seus próprios prejuízos se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido modificação de seu controle acionário e do ramo de atividade, bem como vedou a compensação, pela pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão, de prejuízos da sucedida e não estabeleceu exceções a esta regra. A interpretação sistemática da Lei n° 8.981, de 1995, da Lei nº 9.065, de 1995 e do DecretoLei nº 2.341, de 1987, leva a conclusão de que a limitação a 30% da compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL aplicase nas hipóteses de descontinuidade da pessoa jurídica por incorporação, já que inexiste neste contexto norma implícita. Reiterese que não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da pessoa jurídica. Já restou bem esclarecido que o presente litígio abrange questões sobre o direito à compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL em anos futuros, especificamente no que toca às nuances desse direito diante do quadro de continuidade ou não das atividades da pessoa jurídica. Não deixo de reconhecer que a matéria em pauta ainda é objeto de controvérsias no CARF, mas, como já apontado resumidamente acima, eu me filio à interpretação que já há algum tempo vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no sentido de que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por incorporação, ou por qualquer outro evento. Entre as razões de decidir, adoto o brilhante voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto no Acórdão nº 1201000.888, de 09/10/2013, que fez um perspicaz estudo do tema: "Feitas essas considerações iniciais, passemos a examinar os fundamentos da tese proposta pela interessada. Afirma a recorrente que o significado de uma norma jurídica não é aquele que advém diretamente da literalidade do texto normativo, devendo, ao contrário, ser extraído mediante o emprego dos métodos de interpretação aceitos tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência, em especial o histórico, o sistemático e o teleológico. Nesse sentido, explica que a nova sistemática de compensação de prejuízos fiscais introduzida pela Lei nº 9.065/95 há que ser compreendida mediante comparação com o sistema vigente até então. Diz que, na sistemática anterior (Lei nº 8.541/92), era possível a compensação integral de prejuízos, porém com limitação temporal de quatro períodosbase. Alega que a nova sistemática extinguiu o limite temporal, mas manteve o direito à compensação integral, observado o limite de 30% em cada períodobase futuro. Conclui, assim, que no período em que ocorrer incorporação, fusão ou cisão, ainda que parcial, da pessoa jurídica, não sendo mais possível a compensação dos prejuízos em períodosbase futuros, a única solução jurídica possível, consentânea com o preceito contido na Lei nº 9.065/95 de Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 29 28 que o sujeito passivo não perde o direito à compensação, é que o limite de 30% não se aplica. Pois bem, relativamente a essa argumentação é preciso, inicialmente, concordar com a recorrente quando afirma que o significado da norma jurídica deve ser compreendido mediante o emprego dos métodos de hermenêutica jurídica. No entanto, a interpretação histórica empreendida pela recorrente parte de uma premissa equivocada, qual seja, a de que tanto na sistemática de compensação vigente antes do advento da Lei nº 9.065/95, quanto na atual, o sujeito passivo tem direito à compensação integral de prejuízos fiscais. Vejamos. Na sistemática anterior o sujeito passivo tinha o direito à compensação de prejuízos, desde que observado o limite temporal de quatro anos. Exemplifiquemos com duas situações distintas: a) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 200,00, R$ 300,00, R$ 400,00 e R$ 400,00; b) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 100,00, R$ 200,00, R$ 200,00 e R$ 300,00; Na hipótese descrita na situação “a” o sujeito passivo poderá compensar integralmente o prejuízo. Já na hipótese descrita na situação “b” o sujeito passivo não poderá, e, ainda que se diga que isso se deva à imposição do limite temporal, o fato iniludível é que restará uma parcela que não mais será passível de compensação. Em outras palavras, na situação “b” não haverá compensação integral do prejuízo apurado no ano “X”. Portanto, resta claro que a previsão, por lei, de um limite temporal é incompatível com a premissa afirmada pela recorrente de existência de um direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. O que existia na sistemática anterior era algo distinto, qual seja, um direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais, a depender do caso concreto, como ilustrado nas situações “a” e “b” retro. E dizer que a compensação poderá ser realizada até integralmente é algo distinto de dizer que poderá ser realizada integralmente. É que ao estabelecer que a compensação poderá ser realizada até integralmente a lei, desde logo, admite que poderá haver hipóteses em que a compensação não se dará integralmente, conforme visto na situação “b”. Seguindo a trilha da interpretação histórica proposta pela interessada, é de se dizer que a nova sistemática introduzida pela Lei nº 9.065/95, na linha da sistemática anterior, manteve o direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Afastado o limite temporal de quatro anos, e introduzido o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%, o direito à compensação (até integral) passou a poder ser exercido ao longo da existência da pessoa jurídica. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 30 29 A própria exposição de motivos à Medida Provisória nº 998/95, posteriormente convertida na Lei nº 9.065/95, e apontada pela interessada para sustentar a sua tese, expressamente prevê que o sujeito passivo poderá compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Confira sua redação: "Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Mediada Provisória n. 812/94 (Lei n. 8981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo." (Grifamos) Assim, a compensação poderá se dar até integralmente, seja em um mesmo ano, seja em diversos anos ao longo da existência da pessoa jurídica, desde que observado, em cada um desses anos, o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%. Se no ano da extinção da pessoa jurídica, ou da sua cisão parcial, o valor dos prejuízos acumulados for superior a 30% do lucro líquido ajustado, ainda assim o limite deverá ser observado. É que tal como na situação “b” referente à sistemática antiga, também na sistemática atual poderá haver casos, como o retratado nos presentes autos, em que o sujeito passivo não poderá compensar integralmente seus prejuízos acumulados, haja vista a imposição do limite de 30%. E não há nada de ilegal nisso, pois a lei não garante o direito à compensação integral. Na sequência de sua peça recursal a interessada enfatiza o emprego da interpretação sistemática. Argumenta que, ao contrário do que disse a fiscalização, o caso dos autos não é de lacuna no ordenamento jurídico (inexistência de norma), e sim de uma norma jurídica existente, porém implícita. Diz, primeiramente, que o exame conjunto do aludido art. 15 da Lei nº 9.065/95 com o abaixo transcrito art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 conduziria à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo seria a inaplicabilidade do limite de 30% quando da extinção da pessoa jurídica ou de sua cisão parcial. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Também aqui não me parece estar correta a interpretação proposta pela defesa. Vejamos. O art. 15 da Lei nº 9.065/95 veda a compensação de prejuízos em montante que reduza em mais do que 30% o lucro líquido ajustado do período. Não há menção, nesta norma, aos eventos de extinção da pessoa jurídica ou sua cisão parcial. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 31 30 Por sua vez, o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 veda que a sucessora compense prejuízos da sucedida, e, em caso de cisão parcial, limita a compensação, pela própria pessoa jurídica, ao valor de seu prejuízo proporcional à parcela do patrimônio não objeto da cisão. A incidência isolada de cada uma dessas duas normas à hipótese de extinção de pessoa jurídica que possua prejuízos fiscais acumulados em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado conduzirá às seguintes conclusões: a) art. 15 da Lei nº 9.065/95 impossibilidade de compensação, pela pessoa jurídica extinta, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado por força do limite de 30%; b) art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 impossibilidade de compensação, pela sucessora, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado pela sucedida. Já a interpretação conjunta dessas duas normas sobre a mesma situação hipotética acima descrita conduziria, de acordo com a recorrente, à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo afastaria a aplicação do limite de 30% à pessoa jurídica extinta. Ocorre que o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado na hipótese aventada. Dito de outro modo, se as premissas (o art. 15 da Lei nº 9.065/95 e o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) do silogismo lógicodedutivo proposto pela recorrente não conduzem necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado no caso de extinção da pessoa jurídica, então a recorrente deve reconhecer que não logrou êxito em demonstrar a existência da aludida norma implícita. (...) Prossegue a recorrente em sua defesa afirmando, com fundamento nas lições de Karl Larenz, que a já citada norma implícita também pode ser deduzida a partir do silêncio eloquente da lei. No Capítulo V.2 de sua famosa obra (Metodologia da Ciência do Direito, 3a. ed., pg. 524 e ss.), o prestigiado filósofo do direito citado pela recorrente discorre sobre o conceito e espécies de lacunas. Nesse sentido, explica que nem todo silêncio da lei deve ser tido como uma lacuna, conforme trecho a seguir transcrito: "Poderia pensarse que existe uma lacuna só quando e sempre que a lei (...) não contenha regra alguma para uma determinada configuração no caso, quando, portanto, “se mantém em silêncio”. Mas existe também um “silêncio eloquente” da lei." Assim é que, pelas lições de Larenz, nem todo silêncio da lei deve ser compreendido como uma lacuna a ser preenchida pelo aplicador do direito. Casos há em que, embora o legislador haja silenciado sobre determinado assunto, não significa que haja ali uma lacuna, daí porque não pode o aplicador pretender regulála por meio de analogia, princípios gerais do Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 32 31 direito ou qualquer outro método de integração do direito. É o que o autor chama de silêncio eloquente. Pois bem, a idéia de lacuna corresponde à antítese da idéia de existência de norma, seja explicita seja implícita. Em outras palavras, se há norma regulando o caso, ainda que implícita, então não haverá ali uma lacuna. Inversamente, se há lacuna, não há norma regulando o caso, ainda que implícita. A questão do silêncio eloquente da lei, segundo leciona Larenz, está afeto ao campo das lacunas, e não ao campo da existência de normas, sejam estas explícitas ou implícitas. Portanto, ao procurar conectar o problema das normas implícitas à questão do silêncio eloquente da lei a recorrente mistura alhos e bugalhos. Na sequência, a interessada faz uso do princípio da eventualidade alegando que, se for entendido haver lacuna, e não norma implícita, deve ela ser preenchida segundo o espírito da lei. Argumenta que, como o espírito do art. 15 da Lei nº 9.065/95 não foi vedar a compensação integral, qualquer integração só poderá ser produzida no sentido de assegurar a compensação sem a observância do limite de 30%, nas situações em que em virtude de outra norma (art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) a limitação nessas situações frustraria qualquer possibilidade de compensação futura do excedente. Novamente a recorrente traz à baila a questão da compensação integral do prejuízo. Sua argumentação, agora, é que há uma lacuna na Lei nº 9.065/95, a qual deixou de excepcionar o limite de 30% previsto no art. 15 às hipóteses de extinção ou cisão parcial da pessoa jurídica. No entanto, conforme Larenz, nem todo silêncio da lei pode ser tido como uma lacuna. Nesse sentido, o simples fato de a Lei nº 9.065/95 não excepcionar a incidência de seu art. 15 a casos como o dos presentes autos, não nos autoriza concluir que exista uma lacuna naquela lei. Mas, então, quando é que poderseá dizer que existe uma lacuna na lei? A resposta pode ser encontrada também em Larenz (sobre o assunto vide, também, Aleksander Peczenik, in On Law and Reason, pg. 24 e ss.). Haverá uma lacuna na lei quando, com base nos valores albergados pelo sistema jurídico, for possível afirmar que a norma deveria existir. E se o legislador não produziu uma norma que, em razão dos valores presentes no ordenamento jurídico, deveria existir, então o próprio direito autoriza ao aplicador promover a integração da lacuna, por meio de analogia, princípios gerais do direito, equidade, etc. Já vimos anteriormente que não existe norma jurídica, sequer implícita, estabelecendo o direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. Investiguemos agora se essa propalada compensação integral, apesar de não ser um direito formalmente estabelecido, constituise em um valor resguardado pelo ordenamento jurídico. Se a resposta for positiva, então, conforme afirmado pela recorrente, há que se reconhecer a existência de uma lacuna na Lei nº 9.065/95 ao não excepcionar a incidência de seu art. 15 aos casos de extinção ou cisão parcial. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 33 32 A defesa não aponta qual a norma ou conjunto de normas do ordenamento que albergaria esse suposto valor. Certamente não está ele contido no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, pois, como dito outrora, o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado nas hipóteses de extinção ou cisão parcial. Talvez a única norma do ordenamento jurídico em que seria possível vislumbrar a existência do afirmado valor (compensação integral de prejuízos) é a contida no art. 153, III, da Constituição da República, o qual estabelece competir à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Ocorre que o próprio STF, ao examinar por diversas vezes a questão, já afirmou e reafirmou que a limitação de 30% à compensação de prejuízos não ofende o conceito constitucional de renda, daí porque é de se concluir não ser possível dele se inferir a existência do alegado valor concernente à compensação integral de prejuízos." Entendo completamente aplicáveis à discussão desenvolvida nos presentes autos as considerações expostas no voto reproduzido. A tese no sentido de que existiria, no ordenamento atinente ao IRPJ, norma implícita que determina a possibilidade de afastamento da trava de 30% no ano de encerramento das atividades da pessoa jurídica, é devidamente refutada. Demonstrase que a interpretação conjunta dos arts. 15 da Lei nº 9.065/1995 e do art. 33 do DecretoLei nº 2.341/1987 (reproduzido no art. 514 do RIR/1999) não conduz necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado. Assim, improcede a defesa da existência de uma aventada norma implícita. O voto ainda aborda a questão do pretenso direito adquirido das pessoas jurídicas à compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL acumulados ao longo dos exercícios anteriores. A este respeito, concluise que inexiste tal direito adquirido no sistema atualmente adotado para as compensações (limitação quantitativa em cada exercício, sem limite temporal), assim como não existia na regra anterior (limitação temporal de quatro anos para a compensação, sem limite quantitativo para cada exercício). O Acórdão CSRF nº 910100.401, de 02/10/2009 também discute se existe ou não direito adquirido dos contribuintes à compensação de resultados negativos anteriores. Tal decisão representou uma mudança de posicionamento da CSRF a respeito do tema, motivada, entre outras razões, por decisões do próprio Poder Judiciário: "Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO (...) Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 34 33 Recurso Especial nº. 307.389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: (...) Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI Nº 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E 'B", E 5°, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto à interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 5. (...) Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8981/95 mera expectativa de direito donde o não cabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8981/95, que limitou tais Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 35 34 compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito" oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização" dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. E apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o beneficio será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CR, art. 150, III, a e b ) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI). (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie de incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado, eis que as normas que cuidam de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. (...) Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente." Em que pese o RE nº 344.9940 efetivamente não tratar de hipótese idêntica à discutida nos presentes autos (ou no processo em que foi prolatado o Acórdão CSRF nº 9101 00.401), a mencionada decisão judicial joga luz sobre aspectos extremamente úteis à discussão acerca da aplicabilidade da trava de 30% na compensação realizada por empresas prestes a serem incorporadas. De início, estabelecese que a possibilidade de compensação de resultados negativos passados é um benefício fiscal, concedido pelo Estado, mediante lei perfeitamente constitucional, como instrumento de política tributária e econômica. Assim sendo, leis que Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 36 35 limitem a possibilidade de compensação (até totalmente) são igualmente constitucionais. Por fim, entendeu a Suprema Corte que a compensação de eventuais prejuízos fiscais já acumulados revestese da condição de mera expectativa de direito, inexistindo direito adquirido à sua utilização tributária posterior. Trazendose tais conclusões para a discussão travada nos presentes autos, podese construir o entendimento de que não é correta a premissa de que existe um direito sagrado à compensação integral dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL já registrados. Somente tomandose por intocável tal premissa é que se pode defender que a única solução possível para a situação em que uma pessoa jurídica terá suas atividades encerradas, por conta de sua incorporação, é pela dispensa da limitação da compensação a 30% do resultado positivo apurado. Após a prolação do Acórdão nº 910100.401, a CSRF proferiu uma série de outras decisões em que prevaleceu a tese de que a trava de 30% na compensação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, prevista nos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/1995 e arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, é obrigatória mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica. Uma destas decisões é o Acórdão CSRF nº 9101001.337, de 26/04/2012, que faz uma pertinente observação acerca da evolução da legislação que trata da compensação de prejuízos fiscais, ao mesmo tempo em que aborda os aspectos materiais e temporais para a incidência do IRPJ. Com isso, visouse a afastar o argumento de que a negativa da compensação integral de prejuízos fiscais representaria tributação de outra grandeza que não a renda: "Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso discordar do seu tão elaborado voto, por enxergar, nele, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Sustenta o ilustre relator que: “o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação”. Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo ilustre Relator, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir “renda”. Não é razoável imaginar que toda a legislação do Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 37 36 IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu descréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, in verbis: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores..” Data máxima venia, confundese o Relator quando cita o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que “o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores”. Primeiramente, por força do disposto nos arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77 já demonstram, à saciedade, que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Sustenta também o Relator que “a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um beneficio fiscal” e traz jurisprudência do STJ nesse sentido. Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é em sentido contrário, ou seja, que “somente por benesse da política fiscal que se estabelecem mecanismos como o ora analisado, por meio dos quais se autoriza o abatimento de prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados”, conforme dicção da Min. Ellen Gracie ao julgar o RE 344994. Evidencia ainda o caráter de mera liberalidade do legislador ordinário, quando se verifica que, para o IRPF, decidiuse que apenas os resultados Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 38 37 da atividade rural podem ser compensados com prejuízos de períodos anteriores. Ou seja, o benefício de poder compensar prejuízos fiscais foi concedido apenas a uma parte do universo de contribuinte de IRPF. Duas verdades óbvias se deduz de tal entendimento: primeiro, renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei; segundo, a compensação de prejuízo poderia ser totalmente desautorizada pelo legislador ordinário, pois não haveria ofensa ao conceito de renda (art. 43 do CTN). (...) Vale ainda ressaltar que, quando o legislador ordinário quis, ele expressamente afastou a trava de 30%. Refirome ao art. 95 da Lei 8.981/95. Assim, nem mesmo o Poder Judiciário poderia chegar tão longe a ponto de criar, por jurisprudência, uma nova exceção à regra da trava de 30%, sob pena de se estar legislando positivamente." O voto vencedor redigido pelo Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. faz um interessante apanhado das normas concernentes ao imposto de renda, tanto de pessoas jurídicas quanto de físicas, que não permitem(iam) o aproveitamento tributário de resultados negativos anteriores e nem por isso desnaturaram o conceito constitucional de renda. Para corroborar sua tese, traz trecho de julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que declara expressamente que tais resultados negativos anteriores não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda. Seu aproveitamento tributário seria, isso sim, benesse tributária instituída pelo Estado para "minorar a má atuação da empresa em anos anteriores". Após diferenciar o tratamento dado ao tema pelas Ciências Contábeis daquele que interessa à seara tributária ("renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei"), o Redator faz observação relevante para o deslinde da controvérsia aqui examinada: existem exceções, legalmente previstas, à submissão da compensação ao limite de 30% do resultado positivo do período de apuração. E, entre elas, não está a pretendida pelo contribuinte. Em outras palavras: quando o legislador quis estabelecer exceções à regra geral, o fez expressamente. A controvérsia também é abordada no voto vencedor do Acórdão CSRF nº 9101001.760, de 16/10/2013, que trata com profundidade de vários aspectos relevantes para a discussão proposta: "Voto Vencedor Mérito Marcos Aurélio Pereira Valadão Redator Designado (...) Sopesando os argumentos da Fazenda e do Contribuinte, a I. Relatora inicialmente traça um histórico da legislação que rege a matéria da compensação de prejuízos. Peço vênia para reproduzir entre aspas trechos do voto da I. Relatora, porque desta forma se torna mais clara a contraposição de argumentos. A I. Relatora parte da constatação de que "nunca subsistiram limitações temporais e quantitativas concomitantemente" e conclui que isto se deve à razão de ser a compensação de prejuízos um direito do contribuinte, "inerente aos princípios que regem a apuração do IRPJ/CSLL e à lógica contábil que determina os efeitos intertemporais dos Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 39 38 atos das pessoas jurídicas, a qual atribui os critérios de apuração do lucro líquido, ponto de partida para a apuração do IRPJ e da CSLL". Primeiramente, embora nunca tenham subsistido limitações temporais e quantitativas concomitantemente, até 1945, no Direito brasileiro, não existia possibilidade de compensação de prejuízos, ou seja, a limitação era total, assim os prejuízos de um período de apuração não eram transportados para o período seguinte, que eram considerados estanques. Ora, isto era muito pior para o contribuinte, pois não havia limites porque simplesmente não era possível compensar o prejuízo, e a norma não foi considerada inconstitucional. No que diz respeito ao segundo argumento, embora a lógica contábil seja usada para o cálculo da base tributável do IRPJ e da CSLL, a base de cálculo do imposto está sob o império da lei que pode, inclusive, ser diferente, ou mesmo contrária à lógica contábil, que é lastreada em princípios geralmente aceitos, resoluções e pronunciamentos de instituições de Direito Privado, etc... Ocorre que em matéria de direito público, sempre prevalece a lei. Assim, em que pesem argumentos que possam ser procedentes dentro da lógica contábil na qual todo prejuízo deve ser confrontado com os resultados dos períodos seguintes (e imediatamente), esta não é a lógica legal. Na verdade, a lógica da lei tem a ver com dois aspectos essenciais ao caso, a periodização e o fato gerador do imposto de renda. A periodização é importante pois há que se confrontar situações em tempos diferentes para que se identifique se a empresa tem ou não prejuízo, se a empresa tem ou não lucro. Esta lógica contábil existe para se informar ao dono do "equity" acionista ou sócio, como está evoluindo seu patrimônio, o que só tem lógica se forem confrontados períodos distintos. E daí se faz a escolha temporal, que pode ser cinquenta anos, dez anos, um ano, seis meses, três meses, um mês, etc, aquilo que a lógica contábil entender conveniente em termos de mercado, pois como foi dito informar ao dono do capital a situação do seu patrimônio é a função da contabilidade. No caso brasileiro, este prazo está na própria lei comercial (art. 175 da Lei. 6.404/1977, prevê o exercício social de um ano, e em seu Par. Único permite períodos distintos). Daí que em função da continuidade, ou princípio da continuidade, os prejuízos têm que ser levados em conta, pois o acionista ou sócio não olha o seu investimento por períodos equivalentes ao exercício social, mas por todo o período do investimento que planejou, embora tenha que “tomar o pulso” de tempos em tempos (e.g., balanços mensais, semestrais ou anuais, com os prejuízos passando para o período seguinte). Assim, um acionista que tem em perspectiva ações de uma empresa por um determinado período, olha o quanto o investimento vale no início e no final do período; assim, vinculado a uma lógica contábil, todos os ganhos e todas as perdas do período devem ser computados continuamente, é o princípio da continuidade operando, o que lhe dá o resultado final ao longo do período. Vejase que a função da contabilidade, ou pelo menos uma das funções principais, é informar ao dono do capital a situação do seu investimento. Na verdade, está se assumindo o princípio da continuidade e seus efeitos nos lucros, mais no seu sentido econômico, porque no seu sentido contábil mais exato o princípio da continuidade não trata disto, mas sim na forma com que os ativos são avaliados, a depender da continuidade da empresa. Diz a resolução CFC 750/1993 (com redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10), quando trata dos princípios da contabilidade: “Art. 5º O Princípio Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 40 39 da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.” Ou seja, este princípio diz respeito à precificação dos componentes do patrimônio, nada indicando que decorre dele a imposição principiológica do aproveitamento de prejuízos de um período em relação a outro. Mas, ad argumentandum tantum e seguindo a lógica econômica da compensação de prejuízos como decorrência da continuação da empresa, que se presume indefinidamente, os prejuízos e lucros se compensariam contínua e indefinidamente. Mas esta não é a lógica da legislação tributária. Para efeitos tributários, a periodização tem como função firmar o aspecto temporal para efeito de se verificar se entre o momento inicial e momento final houve variação patrimonial positiva (atualmente a lei prevê este lapso em três meses, e opcionalmente de um ano, para o lucro real). Vejase que o fato de a legislação tributária permitir que se transponha o prejuízo de um período para o período seguinte é uma decisão de política tributária. Digase de passagem, uma política correta, mas que obedece aos princípios legais e não aos princípios contábeis. Assim, o aproveitamento de prejuízos é uma decisão de política tributária (em linha com a política econômica), mas não entendo que seja um benefício fiscal, pois não se enquadra neste conceito, mesmo porque é geral. Neste aspecto específico concordo com a posição da I. Relatora. Benefício fiscal ocorre quando a lei tributária concede o aproveitamento integral (sem a trava dos 30%) para algumas atividades, isto porque difere da regra geral da sujeição à limitação dos 30 %. Ou seja, o aproveitamento de prejuízos não pode ser considerado um benefício fiscal, mas tão somente nas situações que se dirijam a atividades específicas em que se permite um tratamento mais benéfico, com o aproveitamento integral (enquanto os outros contribuintes têm a “trava”). Posto de outra forma, decorre de decisão em sede política tributária e econômica que a legislação tributária permita a dedução de prejuízos, mas isto por uma lógica econômica de formação de capital, e não simplesmente por uma lógica contábil. A lógica econômica é que a dedução de prejuízo na verdade implica em um alongamento do período de apuração, permitindo que a empresa se recupere de períodos sem lucro (como é típico do início das atividades, em face de perspectivas futuras). Em suma, a dedutibilidade do prejuízo, embora impacte a base de cálculo do imposto de renda, é matéria legal, não se contrapondo a princípios constitucionais que informam a matéria tributária, como entende a I. Relatora. A lei pode tanto impedir totalmente o aproveitamento do prejuízo, como, de fato, fazia por volta de 68 anos atrás para pessoas jurídicas em geral e assim o faz até hoje, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido ou pelo Simples. Por outro lado, a lei pode permitir o aproveitamento integral, como faz para algumas atividades, como pode impor limites temporais (como fazia até pouco tempo) ou quantitativos (como o faz atualmente), sem que possa ser considerada violadora de qualquer princípio ou regra constitucional. (...) (...) Outro argumento expedido pela I. Relatora, muito semelhante ao primeiro, diz respeito à obediência da norma tributária aos princípios e normas contábeis, no que se refere à apuração da base do IRPJ e da CSLL. Ocorre Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 41 40 que, neste caso, o tratamento dado pela legislação tributária diverge da norma comercial, mas é consentâneo com a própria Lei n. 6.404/1977, a lei comercial e contábil, que prevê em seu art. 177, §7º (redação atual dada pela Lei nº 11.941/ 2009) que tratamento tributário diferente pode ser dado pela legislação tributária, conforme seu art.177, in verbis: (...) Ou seja, a própria lei que dispõe sobre o tratamento tributário da apuração contábil ressalva que a aplicação das normas tributárias com critérios diferentes deve ser observada. Assim, não há contradição entre norma tributária e norma contábil, mesmo porque o tratamento dado à apuração do lucro real direciona justamente à apuração do lucro com base na legislação comercial sucedido pelos ajustes previstos da norma tributária (adições e exclusões), conforme preconiza o art. 6º do Decretolei nº 1.598/1977, e também o art. 17 da Lei nº 11.941/2009 (Lei que tratou das novas normas contábeis) e tributação, introduzindo o denominado regime tributário de transição RTT). Ou seja, a vedação de aproveitamento de prejuízos persiste mesmo no caso de encerramento da empresa, à míngua de previsão legal tributária. Não se pode impor normas e princípios contábeis para alterar a legislação tributária, criando uma situação excepcional onde a norma tributária não prevê exceção. (...) Outra linha argumentativa da I. Relatora se fia na história legislativa do dispositivo que implementou a trava dos 30% (MP n. 998/1995). Todos os argumentos normogenéticos são pertinentes e admissíveis, e é justamente o que se debate aqui, mas a lei não criou exceções. O que a exposição de motivos (EM) noticia é justamente que o aproveitamento não é limitado no tempo, mas não cogita e nem especifica o que ocorreria caso a empresa encerrasse as atividades, assim como não o faz a lei. Tratase de interpretação da exposição de motivos, pois ela, a EM, literalmente não diz que não há trava no enceramento das atividades. Por outro lado, a história legislativa de determinado dispositivo não permite um embargo interpretativo com efeitos legislativos infringentes, mas tão somente teleológicos. (...) Nesta linha de argumentos, durante os debates da sessão foi também foi suscitada a tese de que o prejuízo teria a mesma natureza de patrimônio, isto seria um "ativo". Disto decorreria que haveria tributação sobre o patrimônio (prejuízo), se não fosse permitida sua dedutibilidade. Ocorre que prejuízo (perda), no meu entender não é ativo. A legislação tributária, norma de sopreposição, consentânea com a economia e as bases econômicas da atividade empresarial, concede o aproveitamento dos prejuízos dentro da lógica da continuidade empresarial, mas daí a entender que prejuízo acumulado pode representar patrimônio, é o mesmo que dizer que tanto faz lucro ou prejuízo, o que contrasta com a própria lógica econômica. A empresa distribui lucro ou ativa lucro, não distribui prejuízo, nem ativa prejuízo. Ninguém persegue o prejuízo, a atividade empresarial persegue o lucro. Norma que permite transmutar perda em lucro com base na rationale de que a perda tem valor patrimonial é uma contradição em si mesma. Contudo, é verdade que dada a perspectiva (expectativa) de que o prejuízo fiscal em um dado exercício diminua o tributo devido em um exercicio Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 42 41 posterior, no futuro, há a possibilidade se ativar esta expectativa de direito, a título de ativo fiscal diferido (conforme, e.g., Resolução CFC n. 1189/09). Tratase de perspectiva de impacto patrimonial positivo, como é qualquer redução de custo, ainda que tributário. Assim, o prejuízo fiscal, que difere do prejuízo contábil (podendo haver caso de lucro contábil com prejuízo fiscal, o que não é infrequente) pode ser considerado uma espécie de expectativa de direito com perspectivas de consequências patrimoniais positivas. Contudo, é um argumento puramente contábil e se aplica, na perspectiva puramente contábil. Ou seja, isto tudo é uma questão contábil e que, neste aspecto, nada tem a ver com a limitação legal de aproveitamento de prejuízo fiscal, que só comporta exceções legais. O fato dos prejuízos fiscais acumulados constarem da parte B do Lalur e de reduzirem tributo a pagar no futuro, não lhes dá o condão de patrimônio. (...) Quanto ao argumento relacionado à jurisprudência judicial, o único ponto relevante é que entendo que a decisão do STF de que a trava é constitucional impacta o presente processo ainda que indiretamente. Uma coisa o STF reconhece de pronto, qual seja: o tema é matéria de lei e esta lei não é inconstitucional. Embora o STF não tenha discutido a questão da trava na extinção da empresa especificamente, a decisão é um indicativo claro de que a vedação total no encerramento da empresa é também matéria de lei infensa à questionamento constitucional. De outro lado, se não for assim entendido estaríamos a discutir a inconstitucionalidade de lei, o que regimentalmente não podemos fazer, ou então, haveria uma omissão legal, o que não há. O que corrobora a conclusão de que para se aceitar o afastamento da trava na hipótese em debate teria que haver previsão expressa da lei tributária, o que também não há. (...) Assim, o entendimento que adoto é também consentâneo com a direção que está seguindo a jurisprudência contemporânea do CARF, embora reconheça que haja divergências, as quais respeito, embora divirja. Desta forma, entendo não deve ser admitida exceção não prevista em lei tributária, quando a lei tributária fixa limites para o aproveitamento de prejuízos, devendo ser negada o aproveitamento integral dos prejuízos no enceramento das atividades da empresa, que está limitado a 30%, na forma da legislação tributária." O I. Redator expõe brilhantemente, com notável grau de detalhamento, as razões que prevaleceram naquele julgamento a respeito de vários aspectos relevantes para o debate acerca do afastamento da trava de 30% no caso de empresa extinta: inexistência de direito adquirido à compensação de prejuízos fiscais já registrados; independência da lei tributária em relação às normas contábeis; constitucionalidade das restrições legais à possibilidade de compensação pelos contribuintes. Além disso, aborda também outro tipo de argumentação a meu ver inadequada, que procura defender o entendimento de que a aplicação da trava de 30% à compensação promovida por pessoa jurídica prestes a ser incorporada resultaria no abandono forçado de um ativo seu, de origem tributária, assegurado em lei. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 43 42 Com muita propriedade, o voto transcrito há pouco admite que tal tese pode ser dotada de algum sentido se analisada sob o ponto de vista puramente contábil. Mas não se pode admitir a tentativa de se atribuir ao prejuízo fiscal acumulado a natureza de patrimônio. Tal configuração afrontaria a própria lógica econômica das empresas, uma vez que, de certa forma, estarseia pretendendo transmutar a perda em lucro. Considero que os argumentos que fundamentaram a decisão recorrida foram corroborados pelas decisões administrativas acima referidas, cujas razões de decidir transcritas adoto como minhas. Acrescento ainda, a título de ilustração, que esta CSRF, em seus julgamentos mais recentes, tem se mantido fiel ao entendimento aqui adotado, pela impossibilidade de dispensa do limite legal, para a compensação, de 30% do lucro real (ou da base de cálculo positiva de CSLL), mesmo no encerramento das atividades da pessoa jurídica. Neste sentido os Acórdãos nº 9101002.153, nº 9101002.191, nº 9101002.192, nº 9101002.207, nº 9101 002.208, nº 9101002.209, nº 9101002.210, nº 9101002.211 e nº 9101002.225. A meu ver, o principal aspecto da polêmica em pauta reside no equivocado entendimento de que necessariamente deve haver uma completa comunicação entre os períodos de apuração do IRPJ e da CSLL. É precisamente esse entendimento que dá azo à idéia de que todo o prejuízo ao longo da história da empresa deve ser confrontado com todo o lucro auferido ao longo do tempo. Entretanto, a tributação do IRPJ e da CSLL não se dá dessa forma. Com efeito, o que se tributa é a renda/lucro (acréscimo patrimonial) auferida em um determinado período de apuração, e não a renda/lucro resultante de toda a existência da empresa. No julgamento do já referido RE nº 344994, o STF, apesar de não ter examinado a questão do limite de 30% para compensação de prejuízo fiscal em caso de extinção de empresa, deixou bem claro que a lei aplicável em relação à compensação de prejuízo fiscal é a lei vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Tal pronunciamento veio no sentido preciso de afirmar a independência entre os exercícios, o que também ficou bem evidenciado pelas situações apontadas nas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais transcritas neste voto (em especial, a evolução histórica do instituto e o paralelo com a tributação da renda das pessoas físicas). Nesse mesmo passo, vale ainda observar que não há doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de prejuízos futuros. Contudo, tal hipótese é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. De todo o exposto, podese concluir que a continuidade da empresa não implica em um direito adquirido à compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, independentemente do aspecto temporal para a incidência do imposto/contribuição; que o Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 44 43 referido limite de 30% não desnatura a materialidade do imposto/contribuição (renda/lucro em determinado período de apuração); e que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por cisão/incorporação, ou por qualquer outro evento. Temse que no anocalendário de 2007, houve cisão e incorporação de 51% da Usina Hidrelétrica GuilmanAmorim S/A, CNPJ 00.560.366/000115, e incorporação da Arcelor Brasil S/A, CNPJ 24.315.012/000173, pessoas jurídicas estas que, após cindidas e incorporadas, foram extintas e sucedidas pela Arcelormittal Brasil S/A. Em razão da extinção das referidas pessoas jurídicas, houve compensação do lucro ajustado apurado ao longo de 2007 com os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores, sem a limitação de 30% prevista na legislação tributária. Verificase que a circunstância de as pessoas jurídicas Usina Hidrelétrica GuilmanAmorim S/A. e Arcelor Brasil S/A terem sido incorporadas, com a extinção de suas personalidades jurídicas, não permite a compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL dos anos anteriores sem observância da limitação legal. Restou bastante evidenciado que deve prevalecer a regra geral impositiva para todos os efeitos legais, qual seja, que a limitação a 30% da compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL impõese inclusive no caso de extinção da pessoa jurídica. Nesse passo, devem ser mantidas as autuações fiscais a título de IRPJ e CSLL. Conclusão Desse modo, voto no sentido de: CONHECER o recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo; NEGAR provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo no que se refere à compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativas da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado no caso de extinção da pessoa jurídica por incorporação, mantendose os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10680.726495/201111 Acórdão n.º 9101002.858 CSRFT1 Fl. 45 44 Fl. 620DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000704/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. MERA REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ ANALISADA. REJEIÇÃO.
Não restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se a rejeição dos Embargos de Declaração, sobretudo quando objetiva rediscutir matéria já devidamente debatida por ocasião do julgamento atacado e devidamente inserta no decisum em comento, não prosperando o suposto vício argüido.
Numero da decisão: 2401-004.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos e, por maioria, não acolhê-los. Vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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OMISSÃO NO ACÓRDÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. MERA REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ ANALISADA. REJEIÇÃO. Não restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese a rejeição dos Embargos de Declaração, sobretudo quando objetiva rediscutir matéria já devidamente debatida por ocasião do julgamento atacado e devidamente inserta no decisum em comento, não prosperando o suposto vício argüido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 07 04 /2 00 9- 21 Fl. 211DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos e, por maioria, não acolhêlos. Vencido o conselheiro Denny Medeiros da Silveira (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 15563.000704/200921 Acórdão n.º 2401004.808 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório PERSONAL SERVICE RECURSOS HUMANOS E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lançado Crédito Previdenciário decorrente de glosas de deduções indevidas a título de saláriofamília referente as competências 01/2004 a 12/2004, apuradas mediante batimento entre os valores de Massa Salarial informados por meio da Relação Anual de Informações Social –RAIS, folhas de pagamento e os valores informados em GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2ª Seção de Julgamento do CARF, contra decisão de primeira instância, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em 10/02/2015, por unanimidade de votos, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2401003.880, com sua ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO APLICAÇÃO DO ART. 173, I, CTN NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CONDUTA DOLOSA PELA FISCALIZAÇÃO. O prazo para constituição do crédito tributário, quando originado de dolo, fraude ou simulação, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Entretanto, é necessário que o fiscal autuante demonstre de forma clara e precisa a presença de tais elementos no caso concreto, não sendo suficiente para a caracterização de dolo a simples alegação de erro de declaração em GFIP. DECADÊNCIA TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. As contribuições previdenciárias, como espécie de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, submetemse à regra do prazo decadencial quinquenal previsto no art. 150, § 4º, do CTN, desde que tenha havido o pagamento antecipado, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do prazo decenal veiculado na Lei n.º 8.212/91, nos termos da Súmula Vinculante n.º 08. Havendo recolhimento pelo contribuinte nas competências fiscalizadas, mesmo que parcial, deve o prazo decadencial ter como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, na forma do referido dispositivo, consoante Súmula CARF n.º 99. Fl. 213DF CARF MF 4 SALÁRIOFAMÍLIA GLOSA DE DEDUÇÕES FALTA DE COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DOS ARTS. 67 E 68 DA LEI N.º 8.213/91 LANÇAMENTO MANTIDO Os valores pagos pelo contribuinte a título de saláriofamília podem ser deduzidos das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha, na forma do art. 68 da Lei n.º 8.213, cabendo ao contribuinte, entretanto, comprovar a regularidade dos pagamentos e das deduções realizadas mediante a apresentação dos documentos relativos aos pagamentos, tais como certidão de nascimento do filho do segurado, atestado de vacinação obrigatória e comprovação de frequência escolar. Não tendo sido provada a regularidade das deduções, deve a glosa ser mantida. Recurso Voluntário Provido em Parte." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, à efl. 192/196, com fulcro nos artigos 64 e 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pugnando pela sua reforma em virtude da omissão a seguir exposta. Insurgese contra o Acórdão recorrido, por entender ter havido omissão na sua fundamentação, eis que o colegiado considerou que a caracterização do dolo da contribuinte pela fiscalização teria se dado exclusivamente pela ocorrência de erro reiterado no preenchimento da GFIP. Esclarece que a fiscalização ao caracterizar o dolo se fundamentou em dois motivos – na enorme diferença existente entre os valores de salário família registrados pela contribuinte em folha de pagamento e dos valores informados pela contribuinte em GFIP e na reiteração desta conduta Explicita ter sido o acórdão embargado omisso sobre questão essencial ao deslinde da controvérsia, que é a da caracterização do dolo do contribuinte pela apresentação de informações ao fisco (por meio de GFIP), diferentes daquelas registradas nas folhas de pagamento elaboradas pela própria contribuinte. Submetido à análise de admissibilidade, por parte da nobre Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, esta entendeu por bem acolher o pleito da PGFN inscrito nos Embargos de Declaração, propondo inclusão em nova pauta de julgamento para sanear a omissão apontada, nos termos do Despacho de efls. 206/208. Distribuídos os presentes Embargos, ad hoc, a este Relator já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante Despacho encimado, assim o faço. É o relatório. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 15563.000704/200921 Acórdão n.º 2401004.808 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito suscitadas pela nobre Procuradoria, corroboradas quanto ao conhecimento dos Embargos pela ilustre Presidente desta Turma, peço vênia para manifestar entendimento divergente, quanto a suposta omissão no Acórdão Embargado, capaz de ensejar o conhecimento do pleito da PFN, como passaremos a demonstrar. Em suas razões recursais, pretende a Procuradoria da Fazenda Nacional sejam conhecidos seus Embargos, de maneira a sanear pretensa omissão no decisum guerreado relativamente aos fundamentos utilizados pela fiscalização para justificar a aplicação do prazo decadencial inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Com mais especificidade, sustenta que ao aplicar a decadência do artigo 173, inciso I, do Códex Tributário, a autoridade lançadora atribuiu conduta dolosa à contribuinte, repousando seu entendimento na prática reiterada, em meses, de prestar informações divergentes e em valores elevados relativamente ao Salário Família, enquanto a nobre Conselheira subscritora do Acórdão combatido somente fez referência à conduta reiterada, omitindose, porém, em relação à incongruência de informações. Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, para que a Turma recorrida se pronuncie a respeito da omissão apontada. Não obstante o esforço da ilustre representante da Fazenda Nacional, os presentes Embargos de Declaração não merecem ser acolhidos, senão vejamos. Conforme se depreende da análise das alegações e documentos que instruem o processo, constatase que, muito embora a Embargante procure demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido utilizandose dos mais variados argumentos, a bem da verdade discute se, novamente, o mérito da questão (decadência e dolo), o qual já foi objeto de análise da colenda Turma embargada, inclusive com remissão expressa ao tema sob análise, como segue: "[...] Neste contexto, entendeu que a Recorrente teria praticado conduta dolosa ao repetir tal prática ao longo das competências fiscalizadas, conforme consta do item 4.1 do Relatório Fiscal, às fls. 47, abaixo transcrito na íntegra: 4.1. – Foi usada a decadência anual do art. 173ICTN, pela caracterização de conduta dolosa ao repetir mensalmente o mesmo erro de fazer deduções extremamente superiores a que tinha direito, deixando de recolher o total das contribuições devidas. Essa situação, em tese, configura crime de sonegação de contribuição previdenciária, motivo pelo qual será lavrada Representação Fiscal para Fins Penais. [...]” Fl. 215DF CARF MF 6 Extraise já do início do voto condutor do Acórdão embargado que a Conselheira Relatora fez referência à questão da divergência de valores, em montantes elevados, para fins de imputação de dolo por parte da autoridade lançadora. Mas não é só, segue, ainda, excerto do voto guerreado: “[...] Analisandose o Relatório Fiscal, constatase que este é o único trecho em que a fiscalização demonstra a suposta prática de conduta dolosa, a qual atrairia a aplicação do art. 173, I, do CTN para fins de contagem do prazo decadencial, ao invés do art. 150, § 4º, CTN. A DRJ, por sua vez, seguiu a mesma linha e manteve o lançamento atestando a inexistência de extinção dos créditos tributários objeto do Auto de Infração pela decadência a teor da regra constante do art. 173, I, do CTN, transcrevendo o trecho do relatório fiscal acima mencionado para concluir existirem elementos suficientes à aplicação da citada regra. Entendo, contudo, que tal entendimento não merece prosperar. Com efeito, o caput do art. 150 do CTN consigna que, em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, desde que haja pagamento antecipado. Tratase, portanto, de norma específica aplicável a tributos desta natureza e que apenas deve ser afastada, nos termos ali previstos, se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Neste contexto, incumbia à autoridade lançadora o ônus de comprovar, de forma clara, a ocorrência de tais atos, a fim de afastar a regra específica do art. 150, § 4º e aplicar a regra geral do art. 173, I, ambos do CTN, ao caso concreto. A simples menção, no Relatório Fiscal, ao fato de ter a Recorrente cometido o mesmo erro repetidamente ao declarar equivocadamente os valores de SalárioFamília em GFIP não é suficiente, na visão desta Relatora, para a caracterização do dolo exigido pela lei para afastar a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150 do CTN. Entendimento semelhante possui a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que a mera conduta reiterada do contribuinte não é suficiente para caracterização de conduta dolosa, fraude ou simulação, sendo necessária a demonstração cabal das mesmas, vejamos: IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA E RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA E/OU MONTANTE Fl. 216DF CARF MF Processo nº 15563.000704/200921 Acórdão n.º 2401004.808 S2C4T1 Fl. 5 7 MOVIMENTADO. IMPOSSIBILIDADE DE QUALIFICAÇÃO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera o agravamento da multa, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastros à sua empreitada a simples reiteração da conduta e/ou o volume/montante da movimentação bancária do contribuinte, fundamentos que, isoladamente, não se prestam à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso especial negado. (CSRF. Acórdão 9202003.644 – 2ª Turma. Sessão de 04.03.2015) [...] Ora, o próprio fato de o contribuinte registrar em suas folhas de pagamento o valor supostamente correto do salário família pago depõe contra o entendimento da fiscalização da prática de conduta dolosa visando à sonegação. Não faria sentido que aquele que tem a intenção de lesar o Fisco mediante o recolhimento a menor de contribuições previdenciárias informasse em folha de pagamento o valor correto e, em GFIP, valores superiores ao devidos. Pelo contrário, tal prática apenas reforça o fato de que houve informação incorreta lançada em GFIP, porquanto a Recorrente teria consignado corretamente em suas folhas de pagamento o valor desembolsado a título de saláriofamília no mês e, ao informado em GFIP, laborou em equívoco. A consequência da dedução a maior dos valores pagos a título de saláriofamília é a glosa destas deduções, com a consequente cobrança das contribuições indevidamente não recolhidas, não sendo possível se afirmar, sem outros elementos de prova, a prática de conduta dolosa na dedução além do montante devido. [...]” Verificase da transcrição acima de parte do voto condutor do Acórdão atacado que a Conselheira Relatora e, por conseguinte, a Turma recorrida, de fato, adentrou plenamente e literalmente à análise da imputação da conduta dolosa da contribuinte, para fins de contagem do prazo decadencial. Aliás, trouxe à colação, inclusive, precedente da 2ª Turma da CSRF contemplando os dois temas – reiteração e montante elevado. E mais, certo é que a Turma, à sua unanimidade, afastou aludida imputação em razão de o fiscal autuante não ter demonstrado de maneira cabal ter a contribuinte agido de Fl. 217DF CARF MF 8 maneira dolosa. Tratase, portanto, de análise fática da questão posta nos autos e não simples questão de direito, se o montante é elevado ou a conduta reiterada. O ponto nodal do deslinde da controvérsia posta no bojo do Acórdão recorrido é ausência de demonstração da conduta dolosa, decidindo não ser possível adotar conclusão do Fisco com base nos documentos e fatos aduzidos pela autoridade fazendária. Em outras palavras, a Conselheira Relatora do Acordão guerreado foi por demais enfática ao afirmar que “A consequência da dedução a maior dos valores pagos a título de saláriofamília é a glosa destas deduções, com a consequente cobrança das contribuições indevidamente não recolhidas, não sendo possível se afirmar, sem outros elementos de prova, a prática de conduta dolosa na dedução além do montante devido”. Ou seja, no caso vertente, os elementos de prova utilizados pela fiscalização para atribuir a conduta dolosa à contribuinte não se prestam, isoladamente, para tal fim, seja a dita prática reiterada ou a divergência de valores elevados. Tal conclusão, portanto, abarca quaisquer argumentos utilizados pelo Fisco neste desiderato, os quais não foram suficientes para atingir sua pretensão. Essa foi a conclusão da Turma recorrida, inexistindo razão para se transformar uma análise fática da questão posta nos autos em mera discussão de direito, minimizando toda a decisão em mera análise de dois pontos isolados, enquanto o decisum guerreado é mais profundo em seu exame da lide, atacando os elementos verdadeiramente fáticos. Daí porque, o fato de a Conselheira Relatora ressaltar um ponto ou outro da controvérsia, não quer dizer que seu entendimento esteja escorado isoladamente nesta questão, especialmente quando faz referência expressa no início do voto à plenitude dos argumentos utilizados pela fiscalização ao imputar a conduta dolosa à contribuinte. Em suma, a análise fática da questão é maior e abarca todas as alegações do Fisco ao sugerir a conduta dolosa da contribuinte. Assim, em que pesem as razões lançadas em seus Embargos de Declaração, arguindo a existência de omissão no Acórdão guerreado, em momento algum a Fazenda Nacional logrou comprovar seu argumento, repetindo questões já devidamente debatidas por ocasião do julgamento na Turma recorrida. Com efeito, ao contrário das argumentações da Fazenda Nacional, não vislumbramos qualquer omissão capaz de macular o Acórdão Embargado, mormente quando se mostrou claro em sua fundamentação e conclusão. Vêse, pois, inexistir vício no decisum guerreado, mas tão somente entendimento contrário da ilustre Procuradora, a qual simplesmente pretende rediscutir matéria já devidamente analisada por este Colegiado. E, como é de conhecimento daqueles que lidam com o direito tributário, os Embargos de Declaração não se prestam a atingir tal finalidade. Dessa forma, inobstante as alegações utilizadas pela digna representante da Procuradoria da Fazenda Nacional, seus Embargos de Declaração não merecem prosperar, tendo em vista a inobservância dos requisitos necessários ao seu conhecimento insculpidos no artigo 65 e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, que assim preceitua: “Dos Embargos de Declaração Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e Fl. 218DF CARF MF Processo nº 15563.000704/200921 Acórdão n.º 2401004.808 S2C4T1 Fl. 6 9 os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. § 2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e os rejeitará, em caráter definitivo, nos casos em que não for apontada, objetivamente, omissão, contradição ou obscuridade. § 4º Do despacho que não conhecer ou rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. § 5º Somente os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. § 6º As disposições previstas neste artigo aplicamse, no que couber, às decisões em forma de resolução. § 7º Não poderão ser incluídos em pauta de julgamento embargos de declaração para os quais não haja despacho de admissibilidade. § 8º Admitese sustentação oral nos termos do art. 58 aos julgamentos de embargos. [...]” Como se verifica, a PFN ao formular seus Embargos utilizou como fundamento à sua empreitada o dispositivo legal encimado, especialmente o caput, sem conquanto demonstrar a pretensa omissão, contradição ou obscuridade incorrida no Acórdão atacado, capaz de ensejar a reforma do r. decisório da Câmara recorrida. Assim, escorreito o Acórdão atacado devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso na forma decidida pela Turma Embargada, uma vez que a Embargante não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório combatido, especialmente no que diz respeito aos requisitos para o conhecimento dos Embargos de Declaração. Fl. 219DF CARF MF 10 Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO e NÃO ACOLHÊLOS, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 220DF CARF MF
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Numero do processo: 17546.000174/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.771
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 17546.000174/200792, em face do acórdão nº 0521.474 julgado pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar o lançamento procedente em parte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 75 46 .0 00 17 4/ 20 07 -9 2 Fl. 983DF CARF MF Processo nº 17546.000174/200792 Resolução nº 2202000.771 S2C2T2 Fl. 977 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Tratase de lançamento de crédito previdenciário contra a notificada em referência o qual tem por objeto contribuições sociais incidentes sobre remunerações de segurados empregados, os quais eram considerados pela notificada como segurados autônomos. Informa a Fiscalização que os serviços, não eventuais, eram prestados pessoalmente pelos segurados mediante subordinação jut Mica. A notificada apresentou sua impugnação por meio do instrumento de fls. 128/142 . Alega que decaiu o direito do Fisco de constituir o crédito atinente ao ano de 1996. Informa que profissional autônomo é aquele domina uma técnica, exercendo suas atividades sem subordinação, em caráter eventual e assumindo os riscos da atividade. Argui que os pressupostos do vinculo de empregatício não estão presentes. Salienta que não é possível a relação de emprego com a Administração Pública sem que o servidor tenha sido aprovado em concurso público. Defende que o principio da primazia da realidade não pode ser aplicado contra preceito constitucional. Aduz que os segurados em questão são professores especializados, de notória capacitação, que prestam serviços a outras empresas e entidades, consoante documentos anexos. Os serviços prestados são similares a de palestrantes. Sustenta que a quase totalidade dos profissionais mencionados pela Fiscalização ministrou cursos aos professores do sistema municipal de ensino de Jundiai, objetivandose alcançar as metas tragadas pela Secretaria Municipal de Educação e visando o alargamento da base cultural e cientifica de seus trabalhadores. Arrazoa que a não eventualidade não é caracterizadora do vinculo de emprego. A subordinação é o elemento que permite tal caracterização. Sustenta que o vinculo de emprego só pode ser decidido por um juiz imparcial após profunda e criteriosa investigação. A seu ver, a consideração como segurado empregado não pode ser automática, pois inexiste norma que impeça a Administração de firmar contratos de prestação de serviços com terceiros. Alega que o contratado é responsável pelos encargos trabalhistas e previdenciários. Defende a inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre pagamento a segurados autônomos. Lembra que a lei tributária não pode alterar instituto de direito privado. O Argumenta que a alíquota do SAT exigida em 3% é improcedente. Informa que a grande maioria dos cargos é burocrática, devendo lhe Fl. 984DF CARF MF Processo nº 17546.000174/200792 Resolução nº 2202000.771 S2C2T2 Fl. 978 3 ser aplicada a alíquota de 1%, nos termos do artigo 26 do Decreto no 356, de 7 de dezembro de 1991. Defende que deva ser enquadrada no grau de risco leve, sob o código 801.99(9). Sustenta que o código 801 previsto no grau de risco grave está relacionado aos serviços públicos que encontram similitude com a atividade privada. Informa que a sua posição está respaldada em laudo pericial, no qual se confirma a terceirização de serviços como coleta de lixo, canalização de esgoto, manutenção pesada de máquinas, construção civil, pavimentação de ruas, etc. Salienta que Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1.999, determina a incidência da alíquota de 1%. Sustenta a inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC como juros de mora. A DRJ de origem entendeu pela parcial procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 731/741, reiterando as alegações expostas em impugnação. O contribuinte juntou aos autos cópia dos contratos de prestação de serviço, assim como outros comprovantes de quais foram os serviços prestados pelos contribuintes em questão. Em relação ao mérito, entendeu a DRJ que os valores pagos a Isabel Cristina Gama da Silveira devem ser excluídos, tendo em vista que “no contrato no 572/97, a fls. 336, não obstante o objeto não ser deveras genérico, dando azo à possibilidade de a Municipalidade ditar a maneira como será realizado, não vislumbro que o serviço tenha sido prestado por segurado empregado. Foi contratado um curso de duração de três meses o qual foi pago em duas parcelas. Não há o pagamento mensal que poderia ser indicio de pagamento salarial. Além disso, a Prefeitura não fixou horas de trabalho a serem cumpridas, demonstrando que o serviço irá durar tempo o necessário para a sua realização. Ademais, há cláusula que autoriza a contratada a contar com a colaboração de profissionais de sua confiança, afastando a pessoalidade na prestação do serviço.”(fl.710). Com a chegada dos autos ao CARF, foi proferida a Resolução nº 2403000.268, de Relatoria do Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, onde compreendeuse pela necessidade de diligência fiscal: DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se verificar o inteiro teor dos Acórdãos do CRPS que anularam as NFLDs que foram substituídas pela presente NFLD nº. 35.838.3181 para se determinar se anulação ocorreu por vício material ou vício formal, bem como se houve decadência anterior das NFLDs à luz da Súmula Vinculante nº 8 do STF e também a presença de recolhimentos feitos pela Recorrente. Fl. 985DF CARF MF Processo nº 17546.000174/200792 Resolução nº 2202000.771 S2C2T2 Fl. 979 4 CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente: (i) anexe cópia do inteiro teor dos Acórdãos do CRPS: (i.1) Acórdão CRPS n° 022471, de 28/10/2003, que anulou a NFLD n° 35.386.5559; (i.2) Acórdão CRPS n° 022470, de 28/10/2003 que anulou a NFLD n° 35.181.1877; (i.3) Acórdão CRPS n° 022473, de 28/10/2003, que anulou a NFLD n° 35.181.1800. (ii) informe se nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, como por exemplo nos sistemas Plenus/CCOR ou COGPS, há recolhimentos feitos pela Recorrente na forma de GRPS ou GPS para as competências 07/1995 a 12/1999. (iii) informe, em relação às NFLDs anteriormente anuladas pelo CRPS, quais sejam: NFLD n° 35.386.5559; NFLD n° 35.181.1877; e NFLD n° 35.181.1800: (iii.1) o período objeto da NFLD, por exemplo informado no Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD ou no Relatório Fiscal; (iii.2) a data de ciência do contribuinte em relação ao recebimento de cada NFLD. (iv) informe se há processo judicial na qual a Recorrente seja parte, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do presente processo administrativotributário. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Na Resolução nº 2403000.268, o Conselheiro Relator Paulo Maurício Pinheiro Monteiro falou do seu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN. Ocorre que em razão da superveniência da edição da Súmula Vinculante nº 08 do STF, a fim de se analisar questão da decadência, entendeu a Turma julgadora que seria preciso definir se a anulação das NFLDs pelo CRPS ocorreu em razão de vício formal ou vício material para se definir o critério de aplicação da decadência., além da existência ou não de recolhimentos feitos pelo contribuinte. Segue abaixo o trecho do seu voto, cujo fundamentação também compartilho: "O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos Fl. 986DF CARF MF Processo nº 17546.000174/200792 Resolução nº 2202000.771 S2C2T2 Fl. 980 5 termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão Fl. 987DF CARF MF Processo nº 17546.000174/200792 Resolução nº 2202000.771 S2C2T2 Fl. 981 6 administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal;" Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Ora, em função da superveniência da edição da Súmula Vinculante 08 do STF, a fim de se analisar questão da decadência, é preciso definir se a anulação das NFLDs pelo CRPS ocorreu em razão de vício formal ou vício material para se definir o critério de aplicação da decadência., além da existência ou não de recolhimentos feitos pelo contribuinte." Em resposta a diligência, foi apresentada à fl. 972 a seguinte Informação Fiscal: "Tendo em vista que a resolução do CARF convertida em diligência (fls. 839 840) foi atendida, conforme itens abaixo, proponho o retorno do processo a esse órgão, para prosseguimento: Fl. 988DF CARF MF Processo nº 17546.000174/200792 Resolução nº 2202000.771 S2C2T2 Fl. 982 7 (i) cópias de inteiro teor dos Acórdãos anexadas (fls. 842905); (ii) comprovantes de recolhimento Plenus/CCOR anexados (fls. 906 971); (iv) não identificamos em nossos sistemas processo judicial com o mesmo objeto do presente processo administrativo. O item (i) da diligência não foi cumprido Ocorre que foram solicitadas as cópias do inteiro teor dos Acórdãos do CRPS: (i.1) Acórdão CRPS n° 022471, de 28/10/2003, que anulou a NFLD n° 35.386.5559; (i.2) Acórdão CRPS n° 022470, de 28/10/2003 que anulou a NFLD n° 35.181.1877; (i.3) Acórdão CRPS n° 022473, de 28/10/2003, que anulou a NFLD n° 35.181.1800, no entanto, foram juntados somente "pedidos de revisão", estes protocolizados em decorrência dos acórdãos em questão. Assim, não sendo possível a concluir se a anulação dos lançamentos por vício formal ou material, necessária nova conversão em diligência. Destacase que, por haver recursos (pedidos de revisão) em face dos acórdão supramencioados, necessário que a diligência também apure se os acórdãos em questão se mantiveram em uma superior instância administrativa ou não. Assim, necessário que sejam apresentados eventuais decisões supervenientes a eles, caso tenham caráter modificativo das decisões de 28/10/2003. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade preparadora da Receita Federal do Brasil anexe cópia do inteiro teor dos Acórdãos do CRPS: (a) Acórdão CRPS n° 022471, de 28/10/2003, que anulou a NFLD n° 35.386.5559; (b) Acórdão CRPS n° 022470, de 28/10/2003 que anulou a NFLD n° 35.181.1877; (c) Acórdão CRPS n° 022473, de 28/10/2003, que anulou a NFLD n° 35.181.1800; devendo, também, caso existam, anexar aos autos decisões supervenientes aos acórdãos referidos, que tenham promovido modificação nestes. Após, necessário que seja intimado o contribuinte, no prazo legal para, querendo, se manifestar quanto ao resultado da diligência. Por fim, devem os autos retornarem a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 989DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900355/2014-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/12/2011
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 55 /2 01 4- 18 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13888.900355/201418 Acórdão n.º 3401003.726 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/12/2011 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13888.900355/201418 Acórdão n.º 3401003.726 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13888.900355/201418 Acórdão n.º 3401003.726 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.001495/97-18
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2003
Ementa: FINSOCIAL RESTITUIÇÃO.
INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS – reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte – Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia.
DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – não ocorrência ao caso, face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN . Não aplicação, também, do Decreto nº 92.698/86 e Decreto-lei nº 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória nº 1110/95 e suas reedições, especificamente a Medida Provisória nº 1621-36, de 10/06/98 (DOU de 12/06/98), artigo 18, § 2º, culminando na Lei nº 10.522/02, do art. 77 da Lei nº 9.430/96, do Decreto nº 2.194/97 e da IN SRF nº 31/97, do Decreto nº 20.910/32, art. 1º, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e administrativos e das teses doutrinárias predominantes.
COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES – Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando a sua aplicação uniforme pelos órgãos subordinados, compete aos Conselhos de Contribuintes a aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nos princípios constitucionais, nas leis que regem os processos administrativos e no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da norma posta, consagrados nos comandos da Lei nº 8.429/92, art 4º e Lei nº 9.784/99, art. 2º, caput e parágrafo único).
ANÁLISE DO MÉRITO – Afastada a preliminar de ocorrência da decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para a análise da matéria de mérito no tocante aos acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de cálculo, etc.
Numero da decisão: 301-30.955
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a decadência, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Roberta Maria Ribeiro Aragão e Luiz Sérgio
Fonseca Soares votaram pela conclusão.
Nome do relator: Jose Lence Carluci
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DRJ/CAMPINAS/SP FINSOCIAL RESTITUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DAS MAJORAÇÕES DE ALÍQUOTAS - reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de solução jurídica conflituosa em controle difuso de constitucionalidade de que não foi parte o contribuinte - Extensão dos efeitos pela aplicação do princípio da isonomia. DECADÊNCIA DO DIREITO À RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - não ocorrência ao' caso, face a não aplicação da norma expressa no art. 168 do CTN . Não aplicação, .também, do Decreto nO 92.698/86 e Decreto-lei n° 2.049/83 por incompatíveis com os ditames constitucionais. Aplicação dos princípios da moralidade administrativa, da vedação ao enriquecimento sem causa, da prevalência do interesse público sobre o interesse meramente fazendário, da Medida Provisória n° 1110/95 e suas reedições, especificamente a Medida Provisória nO 1621-36, de 10/06/98 (DOU de 12/06/98), .artigo 18, S 2°, culminando na Lei nO 10.522/02, do art. 77 da Lei n° 9.430/96, do Decreto nO2.194/97 e da IN SRF nO31/97, do DeCreto nO20.910/32, art. 1°, dos precedentes jurisprudenciais judiciais e àdminÍstrativos e das teses doutrinárias predominantes. ' . COMPETÊNCIA DOS CONSELHOS DE CONTRIBUINTES - Ressalvada a competência exclusiva da Advocacia Geral da União e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios para fixar a interpretação das normas jurídicas vinculando.a sua' aplicação unif9.[me pelos órgãos subordinados, compete aos Conselho,s de Contribuintes a . aplicação aos casos sob julgamento do preconizado nÓs"princípios constitucionais, nas leis que regem os processos admipistrativos 'ê' no Direito como integração da doutrina, jurisprudência e da normá ' posta, consagra:dos rios comandos da Lei nO8.429/92, art 4° e Lei nO; , ~ 9.784/99"art. 2°, caput e parágrafo único). ANÁLISK DO MÉRITO - Afastada a preliminar de ocorrência da decadência, devolve-se o processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento para a análise da matéria de mérito n~ tocante aos acréscimos legais, comprovantes de recolhimento, planilhas de cálculo, etc. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA I __ • { ~/_ I RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a decadência, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Roberta Maria Ribeiro Aragão e Luiz Sérgio Fonseca Soares votaram pela conclusão. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ e ROOSEVELT BALDOMIR SOSA. • MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 126.036 301-30.955 DORNBUSCH & CIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. DRJ/CAMPINAS/SP JOSÉ LENCE CARLUCI RELATÓRIO • Trata o presente processo de pedido de compensação da Contribuição para o Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, relativo à parcela recolhida acima da alíquota de 0,5% (meio por cento), referente ao período de apuração de setembro de 1989 a março de 1992. 2. A autoridade fiscal indeferiu o pedido (fls. 28/33), sob alegação de que, além de o pleito já haver sido apreciado no Processo 10875.001251/97-45, o direito do contribuinte pleitear a restituição ou compensação de indébito estaria decaído, pois o prazo para repetição de indébitos relativo a tributo ou contribuição pagos com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no exercício do controle difuso de constitucionalidade das leis, seria de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, nos termos do disposto no Ato Declaratório SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999. 3. A contribuinte impugnou o despacho decisório em 20/04/2001 (fls. 38/42) alegando, em síntese e fundamentalmente .que: 3.1 o prazo de cinco anos para a repetição de indébito de tributo inicia-se quando ele tornou-se indevido, pela declaração de inconstitucionalidade, pela edição de Resolução do Senado Federal ou ato do Poder Executivo ou Legislativo, dispensando a constituição do crédito tributário; . 3.2 a extinção do crédito tributário opera-se com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de 10 (dez) anos: 05 para a homologação tácita e mais 05 para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça; 3.3 requer a improcedência do despacho que determinou o indeferimento do pedido de restituição, restabelecendo seu 2 ., . MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 legítimo direito à restituição e compensação dos valores pagos a maior a título de FINSOCIAL. A DRJ/Campinas - SP indeferiu a solicitação da contribuinte sob alegação de que: "Tratando de processo decorrente, no qual se pleiteia a compensação ao FINSOCIAL, cujo pedido de restituição foi objeto de outro processo, adota-se a decisão prolatada naquele processo matriz". Inconformada com a decisão da DRJ, a .contribuinte impetrou recurso a este Conselho, reiterando os argumentos legais proposto na impugnação alegando e ainda que: • o pagamento antecipado do FINSOCIAL, do caso em tela, ocorreu no período de outubro de 1989 a abril de 1992. Como não houve homologação expressa pela autoridade fiscal, considera-se tacitamente homologado cinco anos após a ocorrência do fato gerador (Art. 150), ou seja, de 31 de outubro de 1994 a meio de 1997. A partir dessa data, começa a contar o prazo prescricional de cinco anos descrito no Art. 165, inciso I, ou seja, o prazo para o pedido de restituição do indébito seria de 31 de outubro de 1999 a 31 de março de 2002; • o pedido de restituição foi formulado em 08 de julho de 1997, portanto, seja na hipótese dos incisos I e 11, do art. 165 do CNT, quanto na hipótese do trânsito em julgado da decisão judicial que declarou a inconstitucionalidade da contribuição, não há que se falar em prescrição do direito. Finalmente, ante o exposto requer que seu Recurso seja conhecido, tendo seu regular processamento, para ser conhecido e provido a fim de se anular a decisão recorrida, que afigura-se totalmente ilegal, uma vez que é direito da Recorrente compensar as quantias que recolheu a maior para as contribuições do FINSOCIAL, não tendo operado na espécie o instituto da decadência ou da prescrição, observando, também, a dispensa do depósito da garantia recursal pelas razões preliminares apresentadas, que, também, se requer, uma vez que suá exigência afigura-se na literal violação dos princípios da ampla defesa e do contraditório, do duplo grau de jurisdição, dentre outros, além de ser incompatível com o art. 151, IH, do CTN, por medida de justiça, decorrente do indeferimento da compensação do FINSOCIAL, que em confronto com as normas legais. - É o relatório. 3 ,, , MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 VOTO • A matéria aqui tratada é por demais polêmica, haja vista a pletora de normas, decisões judiciais e administrativas e vasta elaboração doutrinária nem sempre convergentes, exigindo uma análise aprofundada sob a ótica global do ordenamento jurídico vigente e num enfoque sistêmico desse mesmo ordenamento. Em última análise, o problema cinge-se em fixar juridicamente o dies a quo da contagem do prazo decadencial, para se pleitear a restituição das quantias pagas a título de tributo considerado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Superada que seja essa questão que coloco em sede de preliminar cabe examinar ou não nesta instância a questão de mérito em face da legislação substantiva e adjetiva específica da restituição/compensação de indébitos tributários à vista da documentação acostada aos autos. Assim colocado o problema, apresentarei nos tópicos a seguir os embasamentos jurídicos que, penso, irão orientar meu convencimento e dar sustentabilidade ao meu voto. I - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS ACERCA DOS ARTS. 165 E 168 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (restituição de tributos) O Anteprojeto do Código Tributário Nacional elaborado pelo professor Rubens Gomes de Souza nos trabalhos da Comissão Especial do CTN dispunha sobre a matéria em seus arts. 201 e 204, da seguinte forma: "Art. 201. Observado o disposto no art. 209, o contribuinte terá direito, independentemente de prévio protestó, à restituição total ou parcial do tributo pago, seja qual for a sua natureza ou a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: I. Inconstitucionalidade da legislação tributária ou do ato administrativo em que se tenha fundado a cobrança, declarada por decisão judicial definitiva e passada em julgado, ainda que posterior ao pagamento; II. Cobrança ou pagamento de tributo iq.devido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável e da natureza 4 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 11I. Erro da autoridade administrativa na identificação do contribuinte, no cálculo da alíquota ou da verba, ou na extração ou conferência da guia de pagamento; IV. Cobrança de crédito tributário prescrito; V. Reforma, anulação, revogação ou rescisão da decisão administrativa ou judicial condenatória; VI. Na hipótese prevista nos arts. 136 e 137, parágrafo único, observado o disposto no art. 209. Art. 204. O direito de pleitear a restituição prescreve no prazo de cinco anos contados: I. Na hipótese prevista no inciso I do art. 201, da data em que passar em julgado a decisão nela referida; lI. Nas hipóteses previstas nos incisos lI, 11I e IV do art. 201, da data da extinção do crédito; lU. Na hipótese prevista no inciso V do art. 201, da data em que se tomar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial, que tenha reformado, anulado ou rescindido a decisão condenatória; N. Na hipótese prevista no inciso VI do art. 201, da data da celebração do ato jurídico novo, referido no art. 136." Ao caso interessa-nos o inciso I de ambos os artigos. A Comissão analisou o Anteprojeto e, com referência ~os artigos acima, apresentou a sugestão 446, a seguir: "446. (A) Idem. (B) No art. 201, suprimir o inciso I. (C) A primeira hipótese de restituição, prevista no Anteprojeto (art. 201, item I), parece assentar no pressuposto de que a decisão judicial, declaratória da inconstitucionalidade, prevalece não apenas "inter partes", senão também erga omnes, sendo oponível à Fazenda por todos os possíveis interessados, ainda que estranhos à demanda. Sim, porque a restituição, postulada por quem tenha sido parte no 5 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA • RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 feito, isto é, por quem haja ingressado em juízo está assegurada no item V, do artigo em referência, de sorte que o citado item I, assegura, positivamente, o direito de todos os contribuintes, por força de uma perigosa generalização dos efeitos da "coisa julgada". O assunto, como se vê, afiora um delicado tema de Direito Constitucional, tão proficientemente versado por juristas da estirpe de Pontes de Miranda, Castro Nunes, Francisco Campos, Lucio Bittencourt e outros. Não nos abalançamos a discutir tão magna questão, reservada ao debate dos mais doutos, sendo nosso propósito, tão-somente, tecer rápidas considerações derredor do assunto, tendo em vista certas conseqüências de ordem prática. Discorrendo sobre o assunto, eis como s~ manifesta o provecto Lucio Bittencourt: "É justamente por força da "eficácia natural" da sentença declaratória da inconstitucionalidade, que esta passa a atuar em relação a "todos", sem distinção, tenham ou não sido partes do processo, atingindo em cheio o ato visado, que se torna pela força do decreto judiciário, írrito, insubsistente, inoperante, ineficaz para todos os efeitos. É como se não fosse lei, - diz Black - não confere direitos; não impõe deveres; não fornece proteção - it confers no rights; it imposes no duties; it affords no protection" (O CONTROLE JURISDICIONAL DA CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS - Edição Revista Forense - 1949 p. 42). Não nos convencem, data venia, as razões aduzidas pelo festejado jurista, tanto mais que é o próprio Autor que, linhas atrás, ao falar dos efeitos indiretos da sentença, reconhece não terem os tratadistas americanos, assim como os brasileiros, "tonseguido apresentar fundamento técnico, razoavelmente aceitável, para justificar essa extensão", sendo mister, prossegue o Autor, para explicar esse fenômeno de repercussão indireta da sentença - "partir de um conceito de coisa julgada diverso do dominante". As ponderações do insigne Professor, aliadas ao fato de, entre nqs, incumbir ao Senado Federal "suspender a execução, no todo ou em parte, da lei ou decreto considerados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal" (Constituição Federal, art. 64), bastam a convencer de que os efeitos da "coisa julgada", em matéria de inconstitucionalidade, são os regulares, alcançados apenas os litigantes, reservada que está a outro Poder a incumbência de, suspendendo a execução da lei fulminada pela Suprema Corte, generalizar os efeitos da decisão declaratória da inconstitucionalidade. Este é, com efeito, o mais robusto argumento que se pode opor à perigosa tese da generalização dos efeitos da coisa julgada, pelo só fato da prolação da sentença, argumento que é tanto mais procedente quanto é certo que, se a simples decisão judicial bastasse a invalidar a lei, suspendendo-lhe a execução, 6 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 redundante ou inútil seria a provlsao do art. 64, da Constituição Federal, entendimento que se pode admitir, máxime em se tratando de preceito constitucional, visto como é princípio assente que "verba cum effectu sunt accipienda". Concludente a este respeito, é o raciocínio do Dr. Othon Sidou, o qual, em bem elaborada monografia, recentemente dada à estampa, assim se externa: "Entendemos que se o Constituinte adotou (e já em duas Cartas políticas) a expressão "SUSPENDER A EXECUÇÃO", quis deixar expresso que, só a partir de então, o ato que vinha sendo adotado deixaria de o ser. A menos que incidíssemos no contra-senso de admitir que algum ato suspendesse o que já estivesse suspenso". (INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E REPARAÇÃO DE DANO POR MANDADO DE SEGURANÇA Editora "CÂMBIO" - 1953 - p. 45 ) Acresce que o ato senatorial não é irretratável, definitivo, sabido que, em face de novo pronunciamento do Pretório Excelso, poderá o Senado levantar a suspensão da execução da lei malsinada, que, assim, voltará a figurar no elenco dos diplomas legais sadios, tal como admite o eminente Pontes de Miranda, em seus lúcidos "Comentários à Constituição de 1946" - VoI. 11 - p. 58. Tal circunstância assaz relevante, é de molde a desaconselhar a adoção do dispositivo do art. 201, item I, o Anteprojeto, tendente a compelir a Fazenda a restituir tributos arrecadados com fundamento em lei acaso declarada inconstitucional, mas que, por força de novo pronunciamento, poderá convalescer. (D) Aprovada (111)." Em resultado da análise do Anteprojeto a Comissão aprovou a Sugestão 446 acima, culminando no texto do Projeto do Código Tributário Nacional cujos artigos correspondentes passaram a ser os números 130 e 134, respectivamente, no seguinte teor: "Art. 130. O contribuinte tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de seu pagamento nos seguintes casos: I. Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 11. Erro na identificação da contribuinte, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do tributo, ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 7 '. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 1II. Reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória; IV. Ulterior desaparecimento, modificação ou redução dos resultados efetivos do negócio ou ato jurídico que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal, em conseqüência: a) De nulidade declarada por decisão judicial definitiva; b) Do inadimplemento de condição suspensiva; c) Do implemento da condição resolutória. Art. 134. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de seis meses quando o pedido se baseie em simples erro de cálculo, ou três anos nos demais casos, contados: I. Nas hipóteses previstas nas alíneas I e II do art. 130, da data da extinção do crédito tributário; lI. Na hipótese prevista na alínea III do art. 130, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa, ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória; lU. Nas hipóteses previstas na alínea IV do artigo 130,da data em que transitar em julgado a sentença anulatória, ou em que se verificar o inadimplemento da condição suspehsiva ou o implemento da condição resolutória." Vê-se, então, que pela aprovação da Sugestão 446, a Comissão elaborou o texto definitivo do Projeto, excluindo a hipótese dos incisos I, dos arts. 201 e 204 do Anteprojeto que dispunham sobre a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, declarada por decisão judicial. O Relatório da Comissão esclarece as razões da exclusão e aceitação da Sugestão 446, conforme exposto a seguir: "As hipóteses de restituição enumeradas nas alíneas I a IV do art. 130, correspondem às das alíneas I a VI do art. 201 do Anteprojeto, com as seguintes modificações: 8 '. \- ~ MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 A referência expressa ao tributo inconstitucional (art. 201 n° I) foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido. a hipótese é abrangida pela da alínea 11 do mesmo artigo (art. 130 nOI). Ficou, assim, implicitamente atendida a sugestão 446. (grifos não são do original). Nos arts. 134 e 135, a Comissão modificou o sistema do correspondente art. 204 do Anteprojeto. Este, em concordância com o regime processual que instituía nos Livros VIII e IX, unificava os prazos de caducidade do direito à restituição e de prescrição da ação correspondente aquele direito. Em conseqüência do destaque da matéria processual (supra: 8), a Comissão restabeleceu o sistema do vigente decreto nO 20.910 de 1932, fixando, respectivamente nos arts. 134 e 135, o prazo de caducidade do exercício do direito à restituição, e da prescrição da ação destinada a efetivar aquele direito, quando exercido em tempo hábil. (grifei) No cômputo dos prazos, entretanto, a Comissão, tendo em vista a tendência moderna do direito para o encurtamento dos prazos extintivos, consagrou uma duração total de cinco anos, dividindo assim o prazo atualmente previsto no art. 1° do Decreto nO20.910 citado, à razão de três anos para a caducidade do direito, e de dois anos para a propositura da ação que o efetive. Distinguiu-se ainda, quanto ao primeiro desses prazos, as hipóteses em que a restituição decorra de simples erro de cálculo, a exemplo do que faz o art. 666 da Consolidação das Leis das Alfàndegas (interpretado pelo decreto nO20.230 de 1931), reduzido porém o prazo, em tais hipóteses, para seis meses, o que é suficiente por se tratar de matéria facilmente apurável." (grifei) o Projeto foi encaminhado ao Congresso Nacional resultando na Lei n° 5.172/66, que materializa o Código Tributário Nacional vigente. Como sabemos, a Lei ao ser editada, adentra o mundo jurídico e desvincula-se dos fatos e condições que lhe deram origem, passando a regrar fatos concretos ex nunc. A mens legislatori dá lugar à mens legis. As considerações acima auxiliam a compreensão do texto da lei posta, cuja interpretação será então conforme os ditames do Direito, no magistério dos sempre festejados mestres Carlos Maximiliano e Alípio Silveira. Dessas considerações acima conclui-se que: 9 '. , " MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • • • 126.036 301-30.955 a Comissão do Código Tributário Nacional reconhece que a referência expressa ao tributo inconstitucional, prevista no art. 201, inciso I, do Anteprojeto foi reputada desnecessária, porque, sendo aquele indevido, a hipótese é abrangida pela do inciso 11do mesmo artigo, que corresponde ao art. 130, I, do Projeto e ao art. 165, I do Código Tributário Nacional; inseriu no Código Tributário Nacional o sistema do vigente Decreto nO 20.910/32, fixando o prazo de 5 anos, quando exercido em tempo hábil; o tempo hábil para o exercício desse direito começa a fluir da data em que se originou o direito, conforme prescreve o art. 1° do referido Decreto, ou seja, que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 anos da data do ato ou fato, do qual se originaram. • Esse direito, in casu se ongmou da decl~~ação de inconstitucionalidade. • O Código Tributário Nacional vigente, passou então, a albergar a hipótese de restituição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. fi - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Preambularmente cabe destacar o comando do art. 4° da Lei nO 8.429, de 02/06/92 (DOU de 03/06/92), in verbis: "art. 4° Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, e públicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos." (grifei) E reafirmado no art. 2° da Lei n° 9.784/99, aplicável aos processos administrativos de qualquer natureza, in verbis: "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre. outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." (grifei). 10 v , MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 • A matéria encontra-se com abundante elaboração doutrinária em face da Constituição Federal pelos juristas de escol de nosso País, pelo que me permito transcrever alguns excertos para deles extrair as conclusões para os casos concretos submetidos ao julgamento desta Câmara, a seguir. Quanto à aplicação dos princípios constitucionais pelos Conselhos de Contribuintes assim decidiu a Câmara Superior de Recursos Ficais, no Acórdão n° CSRF/ 01 - 03.620: "MATÉRIA CONSTITUCIONAL - A jurisprudência dos Tribunais Superiores e a Doutrina reconhecem que o Poder Executivo pode deixar de aplicar a lei que contrarie a Constituição do País. Os Conselhos de Contribuintes como órgãos judicantes do Poder Executivo encarregados da realização da justiça administrativa nos litígios fiscais, têm o dever de assegurar ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, analisando e avaliando a aplicação de norma que implique em violação de princípios constitucionais estabelecidos na Lei Maior, afastando a exigência fiscal"baseada em dispositivo constitucional". (grifei). 1-CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE Lenta e gradualmente o Supremo Tribunal Federal consolida-se como autêntica corte constitucional, que não somente possui o monopólio da censura em relação aos atos normativos federais ou estaduais em face da Constituição Federal no âmbito do controle abstrato de normas como também detém a última palavra sobre a constitucionalidade das leis na sistemática do controle incidental, pelo menos em última instância, através de recurso extraordinário . Se se admite que a declaração de inconstitucionalidade proferida no processo de controle abstrato de normas tem eficácia erga omnes, como justificar razoavelmente que a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, no caso concreto, deva ter eficácia limitada às partes? Por que condicionar a eficácia geral dessa decisão a um ato do Senado Federal se se admite hoje, até com certa naturalidade, que o Supremo Tribunal Federal pode suspender liminarmente a eficácia de qualquer ato normativo, inclusive de uma emenda constitucional, no processo de controle abstrato de normas? Os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão ou de impugnação não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade, (Gilmar Ferreira Mendes - Revista Trimestral de Direito Público n° 2/93, pp. 267/276). 11 f- MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 • Pode o poder executivo deixar de cumprir a lei por considerá-la inconstitucional? o problema não é novo e há muito se tem discutido. O eminente Min. Themistocles Brandão Cavalcanti, ex-Procurador-Geral e ex-Consultor-Geral da República, com a sua autoridade em Direito Público, nos ministra, desde 1964, a seguinte lição: "O que se tem admitido é permitir aos responsáveis pela política administrativa, a não aplicação de leis inconstitucionais, usando do processo usual de interpretação, que consiste na aplicação da lei hierarquicamente superior que exclui, desde logo, a aplicação da lei menor que com ela vem colidir. (Do Controle da Constitucionalidade, ed. Forense, Rio, 1966, p. 180) E mais adiante: "Os funcionários de categoria superior, responsáveis pela decisão podem e devem considerar a aplicação das normas, em função de sua categoria hierárquica." E acrescenta: "Nada justifica a aplicação de uma lei inconstitucional. Mesmo em caso de dúvida fundada, esta deve ser afastada por um exame judicial da controvérsia, desde que os interessados se insurjam contra a recusa do Executivo." Decidiu o STF que: "É lícito aos Poderes Legislativo e Executivo anularem os próprios atos, quando inconstitucionais" (recurso extraordinário nO 61.342. relator Min. Eloy da Rocha, in RDA 93/191). Sendo lícita ao Executivo a anulação de atos inconstitucionais, mais lícita será a recusa de praticá-los quando previamente constatada a inconstitucionalidade. (Orlando Miranda Aragão - Revista de Direito Público n° 26, pp.70/72) 2- PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS A doutrina, sobretudo do direito administrativo e do direito tributário, acentua a distinção entre princípio e norma. O princípio é mais importante que a norma. Donde: violar princípio é algo muito mais grave que violar norma. O princípio é descrito por linguagem figurada ou metafórica: norte, vetor, alicerce do sistema constitucional, é dizer: disposição capital diante da qual a exegese das outras normas insertas no sistema há - de conformar-se. (José Souto Maior Borges - Revista Trimestral de Direito Público nO1/93 - p. 143) Ao prefaciar seu admirável Tratado de Direito Privado, averbou Pontes de Miranda que: "os sistemas juridicos são sistemas lógicos, compostos de proposições que se referem a situações da vida, criadas pelos interesses mais 12 , ., MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 • diversos". A função social do Direito é dar valores a estas situações, interesses e bens, e regular-lhes a distribuição entre os homens. Na fecunda formulação de sua teoria tridimensional do Direito, demonstrou Miguel Reale que a norma jurídica é a síntese resultante de fatos ordenados segundo distintos valores. Com efeito, leciona ele. Onde quer que haja um fenômeno jurídico, há, sempre e necessariamente, um fato subjacente (fato econômico, geográfico, demográfico, de ordem técnica, etc.); um valor que confere determinada significação a este fato; e finalmente uma regra ou norma que representa a relação ou medida que integra um daqueles elementos ao outro, o fato ao valor. Pois os princípios constitucionais são precisamente a síntese dos valores principais da ordem jurídica. A Constituição, como já vimos, é um sistema de normas jurídicas. Ela não é um simples agrupamento de regras que se justapõem ou que se superpõem. A idéia de sistema funda-se na harmonia de partes que convivem sem atritos. Em passagem que já se tornou clássica, escreveu Celso Antonio Bandeira de Mello: "Princípio é, por definição, mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicerce dele, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para a exata compreensão e inteligência, exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo, no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico (...)". (grifei) . "Violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma. A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de seus valores fundamentais ..." (Luís Roberto Barroso - Revista Trimestral de Direito Público nO1/93 pp. 171/172). 3 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA A moralidade tem a função de limitar a atividade da administração. Exige-se com base nos postulados, que a forma, que o atuar dos agentes públicos atenda a uma dupla necessidade: a de justiça para os cidadãos e de eficiência para a própria administração, a fim de que consagrem os efeitos-fins do ato administrativo consagrados no alcance da imposição do bem comum. (grifei) 13 , " MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 • Não satisfaz às aspirações da Nação a atuação do Estado de modo compatível só com a mera ordem legal. Exige-se muito mais. Necessário se torna que a administração da coisa pública obedeça a determinados princípios que conduzam à valorização da dignidade humana, ao respeito à cidadania e à construção de uma sociedade justa e solidária. Está, portanto, o administrador obrigado a se exercitar de forma que sejam atendidos os padrões normais de conduta que são considerados relevantes pela comunidade e que sustentam a própria existência social. Nesse contexto, o cumprimento da moralidade além de se constituir num dever que deve cumprir, apresenta-se como um direito subjetivo de cada administrado. (grifei). o que se afirma é que, tanto em situação de normalidade como em estado de anormalidade, o administrador não pode, sob qualquer pretexto, deixar de exercer as suas atribuições longe do princípio da moralidade. Nada justifica a violação desse dogma, por mais iminente que seja a necessidade da entrega da prestação da atividade administrativa. (grifei). Dificuldade maior se apresenta para o administrador, pois, terá que, com base em conceitos axiológicos, examinar qual a posição que deve prevalecer, em face do interesse público. O que é certo é a impossibilidade de praticar o ato com ruptura dos laços que envolvem o princípio da moralidade. (grifei). O valor jurídico do ato administrativo não pode ser afastado do valor moral. Isso implica um policiamento ético na aplicação das leis, o que não é proibido, porque o defendido é a lisura nas práticas administrativas, fim, também contido na norma legal. A administração pública não está somente sujeita à lei. O seu atuar encontra-se subordinado aos motivos e aos modos de agir, pelo que inexiste liberdade de agir. Deve, assim, vincular a gestão administrativa aos anseios e necessidades do administrado, mesmo que atue, por autorização legal, como senhor da conveniência e da oportunidade. Qualquer excesso a tais limites implica adentrar na' violação do princípio da moralidade administrativa sempre exigindo uma correta atividade. A moralidade é um atributo, ao lado da licitude, da possibilidade e da certeza, que deve presidir o nascimento e posterior desenvolvimento de qualquer ato administrativo. Este, conseqüentemente, não deve contrariar nenhum princípio de ordem ética que impere em determinado organismo social, sob pena de não lhe ser reconhecida validade. A função da moralidade administrativa é de aperfeiçoar a atividade pública e de fazer crescer no administrado a confiança nos dirigentes da Nação. Ela visa o homem como administrado, em suas relações com o Estado, contribuindo para o fortalecimento das instituições públicas. 14 , , MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 • A Constituição, sensível aos VICIOS identificados pela Nação na prática da administração pública, não deixou sem solução satisfatória tão grave problema de ajuste do atuar do agente público com a finalidade pública da ação produzida, fazendo com que o direito seja o reflexo de uma nova concepção de justiça compatível com a realidade social a que se destina. O amplo controle da atividade administrativa se exerce, assim, na atualidade, não só pelos administrados diretamente, como, também, pelo Poder Judiciário, em todos os atributos do ato administrativo. A Constituição de 1988, em vários de seus artigos, quer de modo explícito, quer de modo implícito, faz referência ao princípio da moralidade administrativa, sem confundi-lo com o da legalidade. Como idéia de dever para o administrador público e como um direito subjetivo da Nação é que o princípio da moralidade administrativa se impõe no caput do art. 37, da Carta Magna, da forma seguinte: "A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e, também, ao seguinte: ...." A moralidade se apresenta no texto da Carta Magna, conforme visto, com força de princípio imperativo. Pressupõe, conseqüentemente, que o administrador há de pautar, de modo obrigatório e permanente, a sua atuação pela ética da Administração Pública, que visa sempre o bem comum. (grifei). A obediência ao princípio da moralidade administrativa impõe ao agente público que revista todos os seus atos das características de boa fé, veracidade, dignidade, sinceridade, respeito, ausência de emulação, de fraude e de dolo. São qualidades que devem aparecer, de modo explícito, em todos os atos administrativos praticados, sob pena de serem considerados viciados e sujeitos aos efeitos da nulidade. É certo que a Constituição de 1988 percebeu, em atendimento ao coro da Nação, que a administração pública necessita ter a base nuclear dos seus atos na moralidade. Isso significa a negação de apoio para os atos praticados com violação a esse princípio. (grifei). Há, assim, de reconhecer as fronteiras não só do lícito e ilícito, mas, também, do justo e do injusto, tudo visando a que o ato praticado, quer legislativo, quer administrativo, não seja atacado de não-moralidade. (grifei). 15 , . MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 • o exame sistemático dos dispositivos da Constituição Federal que tratam da aplicação do princípio da moralidade administrativa estão a determinar que é necessário que impere na administração pública o referido postulado, exigindo-se de todos os agentes públicos, independentemente do grau hierárquico exercido, de se vincularem a um dever geral de ótima administração, como conseqüência da sujeição ao interesse público. (grifei). A jurisprudência resulta do exame da lei e dos fatos. Indispensável se torna que tudo seja feito de modo que o Juiz faça sua opção pela solução mais justa e consentânea com os valores reclamados pela Nação. Embora não seja a na medida em que fixa entendimento sobre a relação existente entre o fato e a norma. (grifei). No Direito Brasileiro, há de se considerar como relevante a contribuição da jurisprudência para a construção do conceito de moralidade administrativa. Através dos pronunciamentos reiterados dos juízes vêm se formando conceitos que expandem a abrangência dos efeitos do referido princípio, por vir detectando, em determinados dispositivos da Constituição Federal e de legislação hierarquicamente inferior, mesmo implicitamente, a obrigatoriedade do agente público ser fiel ao princípio da moralidade administrativa. o reconhecimento do cidadão ter direito subjetivo a ser exigido do administrador público para que se comporte com sustentáculo no princípio da moralidade administrativa, foi feito pelo então Tribunal Federal de Recursos, em voto da lavra do eminente Ministro Washington Bolívar de Brito, ao julgar o Agravo de Instrumento 44790, DF: "Se é certo que a Constituição assegura a todo cidadão o direito subjetivo ao governo honesto, não menos certo é que os governantes, cujos atos são atacados, em nome da moralidade administrativa, onde e quando essa moralidade for posta em dúvida, que a sua atuação foi inspirada no bem comum e tem amparo legaL além de trazer beneficios, e não lesões à comunidade" Constatada essa realidade constitucionaL resta que se torne eficaz e efetivo o princípio da moralidade administrativa, se exercendo o controle dos atos que o violarem sem quaisquer peias ou amarras. (grifei). (José Augusto Delgado - Revista Trimestral de Direito Público nO1/93 pp. 209/222) 4 - PRINCÍPIO DA MORALIDADE PÚBLICA A tese envolve reconhecimento de que o ordenamento jurídico impõe a compatibilidade da conduta do agente público com determinados parâmetros éticos. A existência de um princípio jurídico da moralidade significa que algumas valorações morais do grupo são recepcionadas pelo Direito Público. 16 . , MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 • A existência de um princIpIo jurídico da moralidade pública não significa a incorporação da Moral pelo Direito. Os preceitos morais têm existência autônoma frente ao Direito, verificando-se apenas uma juridicização parcial deles. Quando se alude a um princípio jurídico da moralidade quer-se afirmar que a qualificação jurídica das condutas externas subordina-se aos parâmetros não só da lei jurídica como também da moralidade. Mas, há peculiaridade que diferencia o prinCIpIO da moralidade pública frente à quase totalidade dos demais princípios jurídicos. Trata-se da referência às vivências éticas predominantes na sociedade. O princípio da moralidade pública contempla a determinação jurídica da observância de preceitos éticos produzidos pela sociedade, variáveis segundo as circunstâncias de cada caso. A apuração do conteúdo jurídico do princípio da moralidade pública envolve, por isso, uma aproximação e uma dinâmica. Há um núcleo axiológico que produz desdobramentos mais ou menos indefinidos. A essência do princípio da moralidade pública consiste na invalidade de todos os atos praticados pelo Estado incompatíveis com a interpretação ética do sistema e das normas jurídicas (constitucionais ou não) Essa pluralidade de significados potenciais da norma jurídica encontra limites no sistema jurídico. Entre nós, o sistema jurídico - constitucional incorporou o princípio jurídico da moralidade pública. Por decorrência, o aplicador do Direito está obrigado a considerar também o fator ético - a moralidade pública - ao definir a interpretação cabível para determinado dispositivo normativo. Entre diversas interpretações possíveis - ou mais precisamente, entre diversas condutas possíveis de ser validadas frente à Constituição - , o aplicador deverá optar por aquela conforme aos princípios jurídicos (inclusive ao princípio da moralidade pública). Enfim, não se concebe, frente à CF/88, uma solução eticamente reprovável, cuja adoção se fundasse em argumentos de técnica jurídica. (grifei). O conteúdo jurídico da princípio da moralidade pública resulta da conjugação de dois conceitos básicos, que são a supremacia do interesse público e a boa-fé. A partir desse núcleo, agregam-se outras vivências consagradas eticamente. Não se confunde interesse público com interesse do aparato estatal. O Estado, como sujeito de direito, pode adquirir certas conveniências, de modo similar ao que se passa com qualquer sujeito de direito. Não significa, porém que tais circunstâncias se caracterizem como interesses públicos, para os fins da aplicação dos princípios ora examinados. Configura-se aqui a diferença apontada por Renato Alessi 17 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 • • entre interesse público primário e interesse secundário, difundida entre nós por Celso Antonio Bandeira de Mello. Enfim, como afirmou Gordillo, "o interesse público não é o interesse da Administração Pública. Deve-se ter em vista que nenhum interesse público se configura como conveniência egoística da Administração Pública. O chamado interesse secundário (Ales si) ou interesse da Administração Pública não são públicos. Aliás, nem ao menos são interesses na acepção jurídica do termo. São meras circunstâncias, alheias ao Direito. Ou seja, o Estado não possui interesses qualitativamente similares. O Estado não se encontra no mesmo plano dos particulares, mas não simplesmente por essa qualidade pessoal. É que a natureza dos interesses que titulariza é diversa dos interesses individuais, particulares, egoísticos. Quando atua na tutela desses interesses, não se pode cogitar de fenômeno similar ao que ocorre com os interesses particulares. Ao aludir-se a moralidade pública, nesse terceiro aspecto, cogita-se da perfeição ética do relacionamento entre o Estado e os cidadãos. A moralidade significa que o Estado é instrumento de realização do bem público e, não de opressão social. A concentração de poderes e a superioridade do interesse público retratam, por assim dizer, a servidão do Estado em face da comunidade. (grifei). Como ensina Bandeira de Mello, o Estado "poderia portanto ter o interesse secundário de resistir ao pagamento de indenizações,' ainda que procedentes, ou de denegar pretensões bem fundadas que os administrados lhe fizessem, ou de cobrar tributos ou tarifas por valores exagerados. Estaria, por tal modo, defendendo interesses apenas "seus", enquanto pessoa, enquanto entidade animada do propósito de despender o minimo de recursos e abarrotar -se deles ao máximo. Não estaria, entretanto, atendendo ao interesse público, ao interesse primário, isto é, àquele que a lei aponta como sendo o interesse da coletividade: o da observância da ordem jurídica estabelecida a título de bem curar o interesse de todos" (Curso de Direito Administrativo, 63 ed., Malheiros, 1995, p. 22). (grifei) .. O Estado de Direito Democrático tal como aquele consagrado pela CF/88, reconhece que a supremacia do interesse público não significa supressão de interesses privados. Um dos mais graves atentados à moralidade pública consiste no sacrificio prepotente, desnecessário ou desarrazoado de interesse privado. O Estado não existe contra o particular, mas para o particular. Mas, além disso, a supremacia do interesse público não conduz à supressão da pluralidade de interesses jurídicos tuteláveis. (grifei). A moralidade pública exclui não apenas os beneficios e vantagens indevidos para os particulares ocupantes da função pública. Exclui. também, a obtenção de vantagens reprováveis ou abusivas pelo Estado para si próprio. Não se torna válida a espoliação dos particulares como instrumento de enriquecimento público. O Estado não existe para buscar satisfações similares às que norteiam a vida dos particulares. A tentativa de obter a maior vantagem possível é válida e lícita, observados os limites do Direito, mas apenas para os sujeitos privados. Não é conduta 18 ; . MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 • admissível para o Estado, que somente está legitimado a atuar para realizar o bem comum e a satisfação geral. O Estado não pode ludibriar, espoliar ou prevalecer-se da fraqueza ou da ignorância alheia. O princípio da moralidade indica sob esse ângulo, lealdade do Estado frente aos cidadãos. A ação e a omissão do Estado devem ser cristalinas, inequívocas e destituídas de reservas, ressalvas ou segundas- intenções. Não se legitima o ardil sob argumento de que se destina a abarrotar de recursos os cofres públicos. "A moralidade pública é compatível com a duplicidade de intentos normativos. Não se concilia com a moralidade que a lei tenha duplo conteúdo: um texto aparente e formalmente compatível com a Constituição e uma efetiva e real mens legis inconciliável com ela. Como asseverou José Eduardo Soares de Melo "A tributação implica intromissão do governo nas atividades dos particulares, mediante substanciais desfalques em seus patrimônios. Assim, compreende-se que a participação financeira - pela via tributária - há que ser certa, precisa, previamente conhecida, como corolário dos princípios da boa-fé e lealdade, que devem presidir a atividade administrativa" (ICMS - Teoria e Prática, Dialética, 1995, p. 98). A moralidade se relaciona, ademais, com a segurança jurídica. Ambos os princípios asseguram a previsibilidade da conduta estatal e a certeza sobre a disciplina normativa. Mas a moralidade representa algo mais, por envolver um conteúdo ético para a disciplina jurídica. Ou seja, não é necessária apenas a segurança jurídica, mas se impõe que a disciplina jurídica (segura porque estável e previsível) seja também compatível com a moralidade. O Estado ao produzir a norma tributária ou ao aplicá-la não pode olvidar os princípios jurídicos nem atender apenas às palavras do texto legaL buscando respaldo em prodígios de raciocínio para justificar desvios éticos. Nesse ponto preciso é que se avoluma a relevância do princípio da moralidade pÚblica. Não permite o Estado condutas viciadas por defeitos éticos. O Estado não esta legitimado a produzir leis imorais nem a aplicar, de modo imoraL uma lei. (grifei). (Marçal Justen Filho - Revista trimestral de Direito Público n° 11/95 pp. 45/58) 5- PRINCÍPIO DO ENRIQUECIMENTO SEM CAUSA É um princípio constitucional implícito que, ao lado do princípio da moralidade administrativa, também se aplica ao caso, impondo à União que o cumpra, restituindo ou compensando o que indevidamente se apropriou do contribuinte a título 19 ". " MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 e tributo posteriormente desconstituído pela Suprema Corte, institucionalmente a competente para dizer a última palavra em matéria constitucional. Cria-se por lei um tributo sob a forma de contribuição, o contribuinte paga espontaneamente sob a presunção de ser a mesma constitucional. Via de regra entre o pagamento e a decisão do Supremo o lapso temporal ultrapassa cinco anos. Fixar-se o dies a quo, como a data do pagamento (crédito tributário) e não a data da publicação de decisão judicial no mais das vezes impossibilita o contribuinte credor de reaver o que legitimamente lhe pertence, revelando-se um enriquecimento ilícito do Poder Público além de afrontar o princípio da moralidade administrativa, traindo a sua boa-fé. Esse fato pode conduzir ao seguinte quadro. Da mesma forma como pode o Fisco lançar o tributo suspenso por uma das hipóteses legais, visando a prevenção da decadência, o contribuinte, em clima de desconfiança gerado, recolhe os tributos, pede a restituição dentro dos 5 (cinco) anos e judicialmente argüi a inconstitucionalidade m FAZENDÁRIO INTERESSE PÚBLICO VERSUS INTERESSE o interesse fazendário não se confunde muito menos sobrepaira o interesse público. Perante o Texto Constitucional, subordina-se ao interesse público e, por isso mesmo, só poderá prevalecer quando em perfeita sintonia com ele. Oportuna, a respeito, a preleção, sempre preciosa, de Celso Bandeira de Mello: "Interesse público ou primário é o pertinente à sociedade como um todo e só ele pode ser validamente objetivado, pois este é o interesse que a lei consagra e entrega à compita do Estado como representante do corpo social. Interesse secundário é aquele que atina tão só ao aparelho estatal enquanto entidade personalizada e que por isso mesmo pode lhe ser referido e nele encarnar-se pelo simples fato de ser pessoa". Estribados em tão sólidas lições doutrinárias, podemos proclamar, com toda a convicção, que o mero interesse arrecadatório - interesse secundário que - não pode fazer tábua rasa à legalidade, à isonomia e aos direitos constitucionais dos contribuintes. No mesmo sentido, Alberto Xavier pontifica: 20 " MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 " ...num sistema econômico que tenha como princípios ordenadores a livre iniciativa, a concorrência e a propriedade privada torna-se indispensável eliminar, no maior grau possível, todos os fatores que possam traduzir-se em incertezas econômicas suscetíveis de prejudicar a expansão livre da empresa designadamente a insegurança jurídica" . Segue-se, pois, que nenhuma justificativa extrajurídica (v.g., o aumento das receitas) poderá validamente subverter os princípios básicos do sistema constitucional brasileiro, iluminados, todos eles, pelo princípio da segurança jurídica. As garantias constitucionais, limitam o poder de tributar e sancionar. O propósito de abastecer de dinheiro os cofres públicos não pode chegar, num Estado de Direito como o nosso, ao ponto de lesar direitos subjetivos das empresas e dos particulares que delas participam. Afinal, predominância do interesse público não é sinônimo de lesão de direitos. Não podemos invocar o interesse fazendário (ou seja- qual for o nome que lhe queiramos atribuir) para justificar qualquer iniciativa, quer no plano fático, que não se contenha estritamente nos lindes do texto constitucional. É que não há interesse maior do que o representado pelo respeito às exigências sistemáticas da ordem constitucional. (Roque Antônio Carrazza - Revista Trimestral de Direito Público n° 13/96, p. 16) O interesse público, no caso, é a realização do Direito e da justiça através da satisfação plena dos princípios constitucionais atrás expostos. O interesse fazendário por certo restará satisfeito, pois, os recursos eventualmente restituídos ao contribuinte certamente retornarão ao erário indiretamente sob a forma de outros tributos, após terem gerado novos investimentos, empregos, etc. Em abono a esta tese vem a própria PGFN em lúcido Parecer n° 877/03, aprovado e publicado no D.O.V. de 02/09/03, in verbis: "Por conseguinte, se, por força da lei, a prescrição fulmina, elimina ou extingue o crédito tributário, vale dizer a "relação tributária", cabe ao administrador, por dever de perseguir o interesse público primário, mesmo atritando com o interesse público secundário, meramente patrimonial do Estado, reconhecer a prescrição no caso concreto posto às suas vistas". (grifei). IV- NASCIMENTO DO DIREITO À RESTITUICÃO /COMPENSACÃO DECORRENTE DE LEI INCONSTITUCIONAL 21 .~ .i MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 o direito à restituição nasce com a declaração de inconstitucionalidade que faz as vezes de lei (norma individual) - não se aplicando, portanto, a norma do art. 165 C/C art. 168 do CTN. O renomado tributarista Hugo de Brito Machado citado no Parecer PGFN n° 1238/99 leciona: "O direito de pleitear a restituição, perante a autoridade administrativa de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional, somente nasce com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF em ação direta. Ou com a suspensão pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. Esta é a lição de Ricardo Lobo Torres, que ensina: "Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com base em decisão proferida incidenter tantum pelo STF" (Restituição de Tributos, Forense, Rio de Janeiro, 1983, p 169). Neste sentido é o Acórdão n° 1999.03.99.074347, do TRF 33 Região 63 T. e o Acórdão nOAMS 95.03.056070-5, da 43 T. do TRF 33 Região, no seguinte teor, que, apesar de se referir ao FINSOCIAL é aplicável pelos seus fundamentos jurídicos: "Quando fundado o pedido em inconstitucionalidade de norma reconhecida incidentalmente pela Corte Suprema, o termo inicial do prazo para fins de determinação do lapso prescricional deverá ser a data de publicação de primeira decisão proferida, posto ser fato inovador da ordem jurídica, suprimindo norma tributária até então válida e cogente, pois com força de lei. No caso, o primeiro aresto do Colendo Supremo Tribunal Federal foi publicado no Dm de 02/04/93, devendo a partir desta data ter início o cômputo do lapso prescricional, pois não se pode considerar inerte o contribuinte que até então, em razão da presunção da constitucionalidade da lei, obedecera a norma indevidamente exigida, já que a inércia é elemento indispensável para configuração do instituto da prescrição. (Acórdão n° 1999.03.074347-5-SP-TRF 33 Região- 63 T. - FINSOCIAL - Compensação tributária - Precedentes do STJ)" "I - Tributário. Finsocial. Majorações da alíquota. Compensação. Espécies tributárias. Cofins. PIS e CSL. 11 - Correção monetária. Critérios utilizados. IPC, INPC, UFIR e Selic. Limitação ao pedido. Aplicação do IPC, BTN e UFIR. IH - Prescrição. Dies a quo. Reconhecimento jurídico do pedido (Decreto nO 1601, de 23 de 22 ' .. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 agosto de 1995 e da Medida Provisória nO1110, de 30 de agosto de 1995 e suas reedições). 1. - É irrecusável a inconstitucionalidade da cobrança do Finsocial tal como reconhecida pelo STF (RE 150.764- 1 PE) e pela própria Administração Pública (Dec. 1.601/95), quanto a majorações da alíquota da contribuição. 2 - A aplicação dos juros, tomando-se por base a taxa Selic, a partir de 1° de janeiro de 1997, nos termos do art. 39 da Lei 9.250/95, afasta a cumulação de qualquer índice de correção monetária ou de outros já que estes fatores de atualização de moeda já se encontram considerados nos cálculos fixadores da referida taxa. 3 - O exercício da compensação deve ser restrito a parcelas de Cofins, PIS E CSL. 4 - O dies a quo do prazo prescricional é a data do reconhecimento jurídico do pedido, manifestado pelo Senhor Chefe do poder Executivo, por meio do Decreto 1601 de 23 de agosto de 1995 e da Medida Provisória 1110, de 30 agosto de 1995 e suas reediçõe.s, com o que dispensa seus procuradores de atuarem, nas matérias ali apontadas, extraindo -se para o presente caso que ausente qualquer ato senatorial principia-se a contar um novo qüinqüênio prescricional para aferir o limite temporal em que a pretensão à repetição do indébito permanece acionável com fulclo no art. 174, inc. IV, do mesmo CTN, tal como aconteceria se houvesse sido editado o ato senatorial. 5. - Matéria preliminar argüida pela impetrante acolhida. Apelação da impetrante parcialmente provida. Apelação da União e remessa oficial às quais se dá parcial provimento." Ac lJo!l da 4° T do TRF da 33 R- AMS 95.03.056070-5 - ReI. Des. Fed. Andrade Martins - j 14.03.01 - Aptes: Trancham S/A Ind. e Com. E União FederallFazenda Nacional; Apdos.: os mesmos_ DJU 02/10/01 p. 159 - ementa oficial" Além disso, houve pagamento indevido de algo que pela declaração de inconstitucionalidade perdeu a natureza de tributo passando a ser um crédito, uma dívida passiva contra a União, passando a se reger pelas normas do CTN que se referem a restituição de créditos tributários por força da inserção nele do sistema do Decreto nO20.910/32 atrás explicitado. Assim, a norma a ser aplicável é a do Dec. nO 20.910, de 06/01/32, vigente há mais de 60 anos, que reza em seu art. 1° que todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas prescrevem em 5 anos da data do ato ou fato do qual (direito) se originaram. Esse direito in casu se originou da declaração de inconstitucionalidade (o ato). O art. 146, inciso IH, alínea "b", da c.F. estabelece que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre "prescrição e decadência" tributárias e o CTN, com status de lei complementar dispõe a respeito nos arts. 165/168. Aplicável, portanto, ao caso, pelas razões acima expostas, apesar de- o montante 23 I. MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 indevidamente pago com a declaração de inconstitucionalidade passar a configurar um crédito financeiro do contribuinte. Tratando-se do FINSOCIAL, comungo com a linha adotada nos inumeráveis arestos do Segundo Conselho de Contribuintes no sentido de que inexistindo Resolução do Senado Federal suspendendo a execução da lei declarada inconstitucional na via indireta há de se fixar o termo inicial como a data da Medida Provisória nO 1110/95 (31/08/95), data essa em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela Administração Tributária, linha essa também adotada pelo TRF da 33 Região, nos Acórdãos acima transcritos. Porém, há ainda um fato a ser considerado, tendo em vista que as Medidas Provisórias mantinham sua eficácia, ou seja, capacidade de produzir efeitos jurídicos durante 30 (trinta) dias a partir de sua edição, perdendo-a se não fossem convertidas em Lei nesse período. Daí, a necessidade de suas constantes reedições, com o mesmo ou outro texto, nesse prazo, até a edição da Lei formal pelo Congresso, concretizada na Lei nO 10.522, de 19/07/02, cujo texto em relação ao FINSOCIAL repete. Ocorre que a MP. n° 1.110/95 e suas reedições posteriores até a MP. 1621 - 35, de 12/05/98 prescreviam que "o disposto neste artigo não implicará restituição de quantias pagas. A partir da edição da MP. n° 1621 -36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98 o parágrafo 2° do artigo 18 passou a ser assim redigido: "s 2° - O disposto neste artigo não implicará restituição "ex officio" de quantias pagas. Ou seja, a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição, formulado pelo contribuinte. A jurisprudência administrativa também tem se conduzido por essa linha jurisprudencial perfilhada pelo Judiciário, conforme se aquilata pelos inumeráveis Acórdãos das Câmaras dos três Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como por exemplo os Acórdãos nOs201.76383,76291, 76382,76363,76258, 76337, 202-14121, 14304, 14337, 13973, 14442,14140, 107- 07031, CSRF/01-03754, entre outros. Já, tratando-se da restituição/compensação da Cota de Contribuição na Exportação do Café, instituída pelo Decreto-lei n° 2.295/86 a situação diverge dos tributos declarados inconstitucionais pela Corte Suprema, no que tange ao dies a quo para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição. 24 I, MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 É que neste caso, não houve declaração de inconstitucionalidade do referido Decreto - lei pelo STF, eis que o mesmo não foi recepcionado pela vigente Constituição Federal, porque, com ela incompatível, face ao seu artigo 146. A declaração de inconstitucionalidade poderia ter evidentemente ocorrido, face à Constituição anterior, se pleiteada. Restou, portanto, revogado o referido dispositivo legal, não adentrando o mundo jurídico a partir da vigente Constituição, razão porque, o STF se absteve de declarar inconstitucional um Decreto-lei que passou à condição de inexistente. Porém, reconheceu o STF sua revogação a partir desta Constituição. Assim, conclui-se que: .' os efeitos desse reconhecimento retro agem, até a data da entrada em vigor da nova Constituição e não até a data da edição do Decreto-lei n° 2295/86, porque, o mesmo não foi declarado inconstitucional; e, por força do art. 34 do ADCT, a retro ação produzirá efeitos a partir de 01103/89 (primeiro dia do quinto mês seguinte a da : promulgação da Constituição). o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o da decisão do STF que reconheceu a não recepção do Decreto-lei 2295/86 pela atual Constituição. v- COMPETÊNCIA PARA INTERPRETARA LEGISLAÇÃO NO ÂMBITO DOS MINISTÉRIOS A Lei Complementar n° 73, de 10/02/93, em seu art. 2° inciso 11, alínea "b", incluiu entre os órgãos de execução da Advocacia-Geral da União, as Consultorias Jurídicas dos Ministérios. No art. 11 da mesma lei foram estabelecidas as competências das Consultorias Jurídicas, em seis incisos dos quais destaca-se o de n° 111,"verbis": "111- fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos a ser uniformemente seguida em suas áreas de atuação e coordenação quando não houver orientação normativa do Advogado - Geral da União." Cabe assinalar que as competências da AGU e das Consultorias Jurídicas dos Ministérios, já foi objeto do Parecer AGU/ :MF -06/98, adotado pelo Advogado Geral da União, aprovado pelo Presidente da República em 15/09/98 e publicado no D.O.V. de 24/09/98. 25 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 07/05/99). 126.036 301-30.955 Há também o Parecer AGU n° 02/99, no mesmo sentido (D.O.V. de • Pela mesma legislação tais Pareceres, uma vez aprovados pelo Presidente da República ou pelos Ministros são normativos, vinculativos e cogentes para os administrados. VI- ANÁLISE DOS PARECERES DA PROCURADORIA- GERAL DA FAZENDA NACIONAL QUE TRATAM DA MATÉRIA A validade jurídica dos Pareceres, seu alcance e vinculatividade aos órgãos e entidades da Administração Pública encontra amparo na Lei Complementar nO73, de 10/02/93, que institui a Lei Orgânica da Advocacia-Geral da União, da qual participa a Procuradoria - Geral da Fazenda Nacional como órgão de direção superior. Neste sentido dispõem os artigos 4° incisos X e XI, 11, inciso IH e arts. 39 a 44 da referida Lei. Os pareceres sob análise são os a seguir enumerados: 1- Parecer PGFN/CAT n° 1538/99, que mantém o Parecer PGFN/CAT n° 678/99. • Parecer PGFN/CAT nO550/99 - termo "a quo" nos casos de leis declaradas inconstitucionais, nos controles difuso e concentrado é a data do pagamento indevido (art. 165, I C/C art. 168 do CTN) divergindo dos entendimentos consagrados no STJ e TRF la Região que é a da publicação do Acórdão do STF em ADIN e a da publicação da Resolução do Senado Federal na via incidental. • Quanto ao item 43, do Parecer, observe-se que há lei dispondo a respeito (Lei nO20910/32). • Conclui pela atenuação ex tune de leis 'declaradas inconstitucionais pelo STF para os casos de decisões judiciais já consolidadas. 2- Parecer PGFN/CRE n° 948/98, que se refere ao PGFN/CRF439/96 • Confirma o entendimento do Parecer PGFN/CRF nO439/96, incluindo também as DRJ, além dos c.c., na obrigação de afastar a aplicação de normas declaradas inconstitucionais. 26 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA 3 - Parecer PGFN/CRJ/ n° 3401/02 - FINSOCIAL • Trata dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade de lei em sede de controle difuso e não suspensa a execução pelo Senado Federal. • RECURSO N° ACÓRDÃO N° • 1) 2) 3) 126.036 301-30.955 Esclarece o alcance da expressão "as decisões do STF que fixem de forma inequívoca e definitiva". constante do art. 1° do Dec. 2346/97, no seguinte sentido: decisão do STF, ainda que única, em ADIN; idem, se a execução for suspensa por Resolução do SENADO; a decisão plenária, transitado em julgado, ainda que única e por maioria de votos, se nele foi expressamente conhecido e julgado o mérito da questão em tela. • As sentenças transitadas em julgado favoráveis à Fazenda Nacional relativamente ao pedido de restituição/compensação de créditos do FINSOCIAL (majoração de alíquotas) são irreversíveis. • • • • • Efeitos da posterior declaração de inconstitucionalidade da norma em outras ações decididas pelo STF, não alcança os casos já definitivamente julgados (com trânsito em julgado de sentença favorável à União). A coisa julgada é imutável, intangível (salvo em caso de ação rescisória). O Senado não conferiu a eficácia erga omnes à decisão do STF proferida no RE 150.764/PE. O Senado não baixou Resolução suspensiva da aplicação de Lei inconstitucional conforme relator em decisão política (repercussão na economia nacional) e também tendo em vista que o acórdão do STF embora do pleno, ocorreu pelo voto de 6 contra 5 de seus membros. Os efeitos erga omnes no caso, só fazem coisá julgada em relação às partes no processo, observada a coisa julgada, que deve ser cumprida favorável ou desfavorável às partes envolvidas. 27 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° • 126.036 301-30.955 o Parecer é vinculativo quanto ao seu objeto exposto nos itens 1° e 2° e 3° supra, apenas, não entrando no mérito do problema de prescrição e decadência. • Da análise dos aludidos Pareceres entendo que nas decisões dos recursos atinentes a matéria, pelos Conselhos de Contribuintes, estes não devem interpretar a legislação que disciplina tal matéria quando há parecer da PGFN dispondo, porém, é de sua obrigação nas decisões aplicar a legislação em vigor, obedecendo aos ditames da Constituição, de seus princípios expressos e implícitos e em especial a Lei 9784/99, aplicável subsidiariamente, que, em seus arts. 2°, parágrafo único, inciso I prescreve: "Art. 2° . Parágrafo único_Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: 11- Atuação conforme a lei e o Direito." Note-se que na expressão "a lei e o direito" contida no art. 2° - supra não há redundância eis que a legislação quer enfatizar que nas decisões não somente a lei (direito positivo) deve ser aplicada mas também a doutrina, a jurisprudência e os princípios que informam e embasam todo o ordenamento jurídico, núcleos que são, do sistema jurídico. Vll- COMPETÊNCIAS INSTITUCIONAIS DOS ÓRGÃOS JUDICANTES ADMINISTRA TIVOS DE PRIMEIRA E SEGUNDA INSTÂNCIAS (Delegacias da Receita Federal de Julgamento e Conselhos de Contribuintes) Via de regra nos julgados das DRJs, acertadamente, afirma-se a vinculatividade das mesmas aos atos emanados no âmbito da Secretaria, da Receita Federal, entre eles, para o caso, o Parecer COSIT n° 58/98 e o Ato Declaratório SRF nO96/99. Além disso, o Dec. nO 2346/98 em seu artAO apresenta uma condicionante, conforme se constata: "Art. 4° Fica o Secretário da Receita Federal e o Procurador - Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal qúe declare a inconstitucionalidade de lei tratado ou ato normativo que: 28 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 I. não sejam constituídos ou que seJam. retificados ou cancelados; • lI. não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III. sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; N. sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal" Ora, o mencionado dispositivo é mandamental, uma Ordem do Chefe do Poder Executivo às autoridades nele mencionadas - Secretário da Receita Federal e Procurador-Geral da Fazenda Nacional - para que cumpram o determinado em seus incisos I a IV cujos lindes se comportam dentro de dois marcos: 1- âmbito de suas competências; 2- base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Penso que o dispositivo acima não comporta discricionariedade, sendo portanto, vinculativo para as autoridades a que se destinam. As competências da Secretaria da Receita Federal como órgão, e do Secretário da Receita Federal como dirigente estão previstas no Regimento Interno da SRF aprovado pela Portaria MF nO227/98 (revogada), artigos 1° e 190, e pela Portaria MF nO259/01, artigos l° e 209. Por elas, vê-se que, no tocante aos procedimentos de determinação e exigências de créditos tributários sua competência fica adstrita ao comando das DRJs, órgãos afetos à sua estrutura administrativa (artigo 1°, inciso V e artigo 209, incisos XXVII e XXVIII, da Portaria MF 259/01), não alcançando a atuação dos órgãos judicantes de Segunda Instância, cuja competência e desvinculação ao SRF foi preservada em homenagem ao princípio de ampla defesa, do artigo 5°, inciso LV, da Constituição Federal, que estabelece o conhecido "tripé"(acusado, acusador e julgador), um dos pilares do Estado Democrático de Direito. Mormente no tocante à restituição de indébitos tributários, que, no rol das competências, a portaria ministerial silencia. No Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, que não se confunde com o da SRF, ambos expedidos pela mesma autoridade hierárquica, a matéria consta em artigos específicos cujos textos determinam a "apreciação de direitos creditórios relativos a tributos e contribuições" de suas competências recurSaIs. 29 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 • Ainda na análise das competências, penso que a decisão da DRJ nesses casos está correta em seu entendimento no sentido de sua "incompetência para atender o pedido ou mesmo analisá-lo sob qualquer outra ótica que não seja aquela preconizada pelo Parecer COSIT n° 58/98", e AD SRF n086/99, uma vez que tal órgão está vinculado aos atos emanados dentro de sua linha hierárquica, revelada através da Portaria SRF n° 3608/94, item IV e do seu Regimento Interno. Isso não impede, entretanto, que os Conselhos possam analisar o problema à luz de todo o ordenamento jurídico, razão de sua existência institucional. VIll- DECLARACÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI NO CONTROLE DIFUSO Uma última palavra acerca dos efeitos das decisões judiciais proferidas incidentalmente pelo Supremo Tribunal Federal e não objeto de Resolução do Senado Federal reconhecendo o efeito erga omnes dessas decisões. A Constituição é um todo orgânico, coerente e consistente, não se admitindo contradições entre seus diversos dispositivos. Assim, quando ela consagra o princípio da igualdade com todos os seus desdobramentos, neles incluída a isonomia, ele é vetor para quaisquer outras normas constitucionais não erigidas à categoria de princípios. Assim, quando o art. 52 da C. F. prescreve que compete privativamente ao Senado Federal suspender a execução de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, isto não significa que a omissão dessa formalidade irá ter o efeito de negar a aplicação do princípio para dar legitimidade a contribuintes que se encontrem na mesma situação daquele que provocou a manifestação do Supremo pela inconstitucionalidade da lei, conforme preceitua o artigo 150, inciso 11, da Constituição Federal. A lei, uma vez declarada inconstitucional pelo órgão que detém a competência exclusiva para tanto, não pode ser inconstitucional para uns e constitucional para outros que se encontrem na mesma situação fática mormente porque as justificativas para a omissão do Senado não se lastreiam em considerações jurídicas, como por exemplo, o fato de em plenário do Supremo a decisão não ter sido tomada por unanimidade e que, portanto, outra decisão em outro caso concreto poderá ser divergente. Enquanto isso não ocorrer a decisão é válida ergcl omnes em homenagem ao princípio da isonomia. (artigo 150,11, da C.F.) Ademais, o efeito erga omnes das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal nas ações em que se argúi a inconstitucionalidade de lei foi confirmado pela Lei n° 9882, de 03/12/99 que conferiu eficácia ao preceito do 9 IOdo art. 102 da Constituição Federal. 30 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 Senão vejamos. • A ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal são processadas e julgadas originariamente pelo Supremo Tribunal Federal na forma da Lei nO9868, de 10/11/99. As causas decididas em única ou última instância quando a decisão recorrida declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal, serão julgadas pelo Supremo Tribunal Federal mediante recurso extraordinário, e, na forma da Lei nO 9882, de 03/12/99, quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição . o ~3° do art. 10, da Lei nO9.882/99 prescreve que a decisão do STF exarada no processo e julgamento da argüição de descumprimento de preceito fundamental nos termos do ~ 1° do art. 102 da C.F. terá eficácia contra todos e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Público. No caso concreto, a inconstitucionalidade da lei declarada pelo STF decorre de argüição, embora incidental, de lesão ou descumprimento de preceito fundamental da C.F. quais sejam os princípios da legalidade, igualdade, moralidade administrativa e vedação ao enriquecimento sem causa. IX - CONSIDERAÇÕES COMPLEMENTARES RELATIVAS ÀFINSOCIAL I -Tributos Lançados por homologação No caso dos tributos lançados por homologação a tese prevalecente tanto no âmbito administrativo, quanto no judiciário é a de que, decorridos 5 (cinco) anos da data da ocorrência do fato gerador decai o direito de o FISCO lançar ou rever o lançamento, tendo em vista ter ocorrido a homologação tácita e .."a condição resolutória inerente a essa modalidade, extinguindo-se o crédito tributário, com o pagamento antecipado. Aplica-se, portanto, ao pleito de restituição, o prescrito no art. 156, inciso VII, do Código Tributário Nacional, combinado com o artigo lOdo Decreto nO20.910/32, ainda vigente e incorporado ao CTN, segundo o qual, todo e qualquer direito contra a Fazenda Nacional Pública, seja qual for a sua natureza, bem assim as dívidas passivas, prescrevem em 5 (cinco) anos da data do ato ou fato, do qual se originaram, quando não se tratar de pleito fundado em lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 11- Necessidade de Lei Complementar 31 MINIsTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA cÂMARA RECURSO N° ACÓRDÃO N° 126.036 301-30.955 • Após o advento da Constituição Federal de 1988, as normas sobre prescnçao e decadências tributárias passaram a ser definidas por lei complementar (art. 146, III, "b"). A Carta Constitucional vigente, em seu art. 149 atribui. competência à União instituir contribuições sociais, observado o disposto no seu artigo 146, inciso III. o FINSOCIAL, instituído pelo Decreto-lei n° 2.049/83, regulamentado pelo Decreto n° 92.698/96, que estabelecia o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de pleitear a restituição de indébito, a partir da vigência da Constituição Federal passou a se amoldar aos ditames do Código Tributário Nacional, que tem o "status"de lei complementar, cujo prazo estabelecido é de 5 (cinco) anos para a prescrição e a decadência. Inaplicável, portanto à referida contribuição o prazo decadencial/prescricional de 10 (dez) anos previsto no Decreto-lei n° 2.049/83 e Decreto nO92.698/86. III - Lei Declarada Inconstitucional Por sua vez, a inconstitucionalidade da majoração de alíquota do FINSOCIAL superior a 0,5%, para as empresas comerciais e mistas, foi declarado, ainda que em controle difuso, pelo STF e reconhecida pela Administração na edição da MP nO1110/95, publicada a 31/08/95, considerando-se que a Administração passou a reconhecer o direito ao pedido de restituição formulado pelo contribuinte, a partir da edição da MP. nO1621 - 36, de 10/06/98, publicada no DOU de 12/06/98.: CONCLUSÃO À vista do acima exposto, cujos fundamentos entendo solidamente lastreados nos princípios constitucionais, nas leis que determinam sua fiel observância, na jurisprudência e nas correntes doutrinárias, voto pelo provimento do recurso voluntário relativo à FINSOCIAL, no sentido de ser acolhida a preliminar de não ocorrência da decadência do pedido de restituição e conseqüente devolução do processo ao órgão prolator da Decisão de Primeira Instância, afastada ..que está a preliminar de decadência pelos seus fundamentos, devendo a mesma autoridade analisar o mérito quanto aos demais aspectos do pedido (pagamentos efetuados, documentos acostados, acréscimos legais, planilhas de cálculo, períodos dy apuração, idoneidade dos documentos, certificação dos recolhimentos, DARFs originais ou não autenticados, créditos já compensados com outros tributos, etc. É como voto. Sala das Sessões, em 03 de dezembro de 2003 32 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028 00000029 00000030 00000031 00000032 00000033
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