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Numero do processo: 13629.000191/2010-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
SOCIEDADE CONJUGAL. BENS COMUNS. COMPENSAÇÃO DO IRRF. Apenas pode ser compensado no ajuste anual o imposto retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns do casal, não se enquadrando nesta definição as aplicações em planos de previdência VGBL.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-002.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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BENS COMUNS. COMPENSAÇÃO DO IRRF. Apenas pode ser compensado no ajuste anual o imposto retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns do casal, não se enquadrando nesta definição as aplicações em planos de previdência VGBL. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 01 91 /2 01 0- 54 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Tratase de Recurso Voluntário que pretende a reforma do Acórdão nº 09 38.177 (fl. 29), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o ajuste do imposto a restituir efetuado no lançamento. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados pelo contribuinte foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Em nome da contribuinte acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento, com ciência do sujeito passivo em 05/02/2010, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF exercício 2009, anocalendário 2008, que alterou o imposto a restituir de R$ 1.853,20, apurado em sua Declaração de Ajuste Anual – DAA, para R$ 0,00. Motivou o lançamento de ofício a constatação de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte – IRRF referente às fontes pagadoras REAL TÓKIO MARINE VIDA E PREVIDÊNCIA S/A (R$ 862,59) e BRASILPREV SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A (R$ 990,61), no valor total de R$ 1.853,20. Esclarece a autoridade lançadora, na Descrição dos Fatos, que os rendimentos e o respectivo IRRF foram decorrentes do exercício de direito previsto em contratos VGBL e PGBL, não se tratando portanto de bens comuns, mas sim de direitos, que deveriam ter sido declarados pelo respectivo titular em sua totalidade. Em 18/02/2010 foi protocolada impugnação ao lançamento, concordando inicialmente com a glosa relativa à Real Tókio Marine e Previdência S/A, no valor de R$ 862,59, decorrente de aplicação em PGBL, cujo tratamento tributário se diferencia do rendimento de VGBL. Alega a interessada que, como é casada em regime de comunhão parcial de bens com JOSÉ ONOFRE CHAVES desde 19/12/87, os rendimentos obtidos e os respectivos IRRF retidos relativos ao plano de previdência privada VGBL, da Brasilprev Seguros e Previdência S/A em nome do marido, foram declarados no percentual de 50% para cada cônjuge, pois tais aplicações são bens comuns do casal. Invoca, como argumento para seu entendimento, dispositivos constitucionais e do Código Civil, assim como os artigos 6º e 7º do Decreto 3.000/99 –Regulamento do Imposto de Renda – RIR, que disciplinam a tributação dos rendimentos produzidos pelos bens comuns e a compensação do respectivo imposto retido na fonte nas declarações de ajuste dos cônjuges. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 SOCIEDADE CONJUGAL. BENS COMUNS. COMPENSAÇÃO DO IRRF. Apenas pode ser compensado no ajuste anual o imposto retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns do casal, não se enquadrando nesta definição as aplicações em planos de previdência VGBL. Impugnação Improcedente Em seu apelo ao CARF a contribuinte reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13629.000191/201054 Acórdão n.º 2101002.071 S2C1T1 Fl. 57 3 É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Encontrase em litígio, tãosomente, o direito à compensação de 50% do IRRF referente ao pagamento efetuado pela fonte pagadora Brasilprev Seguros e Previdência S/A (50% de 1.981,23 = 990,61), contratado na modalidade VGBL por José Onofre Chaves (fl. 12), cônjuge da autuada (Certidão de Casamento à fl. 08), e a restituição deste valor, tendo em vista que a contribuinte concordou com a glosa da compensação do IRRF referente ao plano de previdência privada que incidiu sobre os rendimentos auferidos da Real Tókio Marine e Previdência S/A, no valor de R$ 862,59, desistindo do pedido de restituição desta quantia, por entender que o plano contratado sob a modalidade PGBL não é considerado bem comum do casal. Inicialmente, cumpre ressaltar, que a distinção entre PGBL e VGBL tem sentido apenas para fins tributários. Na fase de investimento, o contratante do PGBL em direito de deduzilo da base de cálculo do IRPF, tributando no resgate tanto o capital como os rendimentos produzidos. No VGBL somente os rendimentos são tributados pelo IRPF. A contribuinte alega que é casada em regime de comunhão parcial de bens, fazendo jus à dedução do imposto retido sobre os rendimentos de plano de previdência privada VGBL. Entretanto, tal entendimento não encontra suporte na legislação tributária, conforme dispõe o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, a seguir transcrito, mesmo porque tais planos de aposentadoria consideram aspectos estritamente pessoais do contratante, como, por exemplo a sua idade: Art.6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, § 5º): I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. Art. 7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. § 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 § 2º Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior, o imposto pago ou retido na fonte será compensado na declaração, em sua totalidade, pelo cônjuge que declarar os rendimentos, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, ao tratar da tributação dos “rendimentos comuns”, esclarece que: Art. 4º Os rendimentos comuns produzidos por bens ou direitos, cuja propriedade seja em condomínio ou decorra do regime de casamento, são tributados da seguinte forma: I na propriedade em condomínio, a tributação é proporcional à participação de cada condômino; II na propriedade em comunhão decorrente de sociedade conjugal, inclusive no caso de contribuinte separado de fato, a tributação, em nome de cada cônjuge, incide sobre cinqüenta por cento do total dos rendimentos comuns; III na propriedade em condomínio decorrente da união estável, a tributação incide sobre cinqüenta por cento do total dos rendimentos relativos aos bens possuídos em condomínio, em nome de cada convivente, salvo estipulação contrária em contrato escrito. Parágrafo único. No caso do inciso II, os rendimentos são, opcionalmente, tributados pelo total, em nome de um dos cônjuges. A legislação acima transcrita permite a tributação integral por um dos cônjuges dos rendimentos comuns ao casal ou de 50% (cinqüenta por cento) para cada cônjuge, deduzindose o respectivo IRRF na mesma proporção, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento do imposto. Contudo, os valores recebido em decorrência do Plano de Aposentadoria Brasilprev, consoante Informe de Rendimentos Financeiros à fl. 12, tem natureza pessoal, assim como ocorre com os rendimentos do trabalho e com os proventos de aposentadoria ou pensão. Nos termos do artigo 1659 do Código Civil de 2002, incisos VII, excluemse da comunhão os proventos do trabalho de cada cônjuge e as pensões, meiossoldos, montepios e outras renda semelhantes. De fato, referidos direitos deixam de integrar o patrimônio comum, permanecendo na esfera dos bens particulares de cada cônjuge. A análise realizada na decisão recorrida, portanto, não merece qualquer reparo, tendo em vista que a aplicação em VGBL é um plano de aposentadoria para o contratante, e no caso de falecimento deste, submetese às regras do direito sucessório e não à meação, sendo certo que também o seu resgate é efetuado apenas por quem é o titular, isoladamente, sem qualquer anuência do outro cônjuge. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 60DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13629.000191/201054 Acórdão n.º 2101002.071 S2C1T1 Fl. 58 5 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 10880.935427/2009-62
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram a presente resolução
Flavio de Castro Pontes, Presidente
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes, (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e votos que integram a presente resolução Flavio de Castro Pontes, Presidente (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flavio De Castro Pontes, (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl, Relator
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A DCOMP foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento de dados da Receita Federal do Brasil RFB, que emitiu em 20/04/2009 o Despacho Decisório (N° de Rastreamento) 831723535 (fl. 01), assinado pelo titular da unidade de jurisdição do contribuinte. De acordo com o Despacho Decisório, a compensação não foi homologada, uma vez que o pagamento indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Cientificada do Despacho Decisório a contribuinte apresentou em 26/05/2009 Manifestação de Inconformidade, acompanhada de documentos. A DRJ de São Paulo negou o pedido da contribuinte consubstanciada a decisão na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 23/03/2005 CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. A mera alegação da existencia do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do ddbito decorrente de compensação não homologada. DCOMP. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF. ERRO NO PREENCHIMENTO. VALORES CORRETOS. COMPROVAÇÃO. Consideramse confissões de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento, cuja correção resulte em crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovada mediante documentos contábeis e fiscais que justifiquem as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. ÔNUS DA PROVA. Compete ao interessado ônus da prova a respeito de suposto crédito perante a Fazenda Pública. São os livros fiscais e contábeis mantidos pela contribuinte elementos capazes de fomecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10880.935427/200962 Resolução nº 3801000.450 S3TE01 Fl. 141 3 Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente não homologação das compensações pleiteadas. DA OFENSA À VERDADE MATERIAL, AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE E EFICIÊNCIA. INOCORRÊNCIA. É atribuição do julgador, antes de proferir decisão em processo administrativo fiscal, buscar a verdade material não se contentando apenas com os dados trazidos aos autos pelos sujeitos envolvidos na lide. Não há que se falar em ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e eficiência quando o ato administrativo encontra se revestido das formalidades legais, tendo sido emitido de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada apresentou o presente recurso voluntário que se vale das seguintes alegações: Que o presente requerimento administrativo foi apresentado pela Requerente com o objetivo de ter compensado "valor pago a maior" a título de COFINS no mês 01/2005. Que, mesmo tendo a Requerente retificado a DCTF antes da apresentação do pedido de compensação eis que a DCTF retificadora foi apresentada em 28/07/2009 (doc. 02) e o PER/DCOMP em 19/01/2007, esta não teve homologado seu crédito. Que houve uma evidente distorção frente à situação contábil da Requerente, a qual está scndo compelida, por meio da presente decisão, a efetuar o recolhimento de tributo que, em verdade, foi regularmente compensado em créditos existentes em seu favor, tendo havido sua competente extinção, nos termos do artigo 156, II, do CTN, fato este que impõe ofensa ao Princípio da Verdade Material. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10880.935427/200962 Resolução nº 3801000.450 S3TE01 Fl. 142 4 Que a manutenção da decisão recorrida não leva em conta a verdade material dos fatos, eis que se apega às formalidades para desconsiderar os dados reais da contabilidade da Requerente, culminando numa cobrança desconexa à sua realidade fática e contábil. Que o seu crédito está comprovado no Termo de Verificação Fiscal que anexa aos autos. À final, requer seja homologada a compensação. É o que importa relatar. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL Processo nº 10880.935427/200962 Resolução nº 3801000.450 S3TE01 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Como se pode abstrair do relatório a Recorrente pretende compensar crédito decorrente de recolhimento a maior ou indevido de COFINS (Código de Receita 5856), que teria ocorrido em 23/03/2005, para quitação de débito próprio de IRRF (Códigos de Receita 0561) e para isso apresentou, como prova de seu direito dois documentos: uma DCTF retificadora de fls. 40/43 e um termo de verificação fiscal juntado com o Recurso Voluntário às fls. 103/116. Ambos os documentos estão juntados parcialmente, entretanto demonstram que existe diferença paga a maior. O que é certo é que, do mesmo modo que não existe meia grávida, não existe meia prova, ou se prova, ou não se prova. Não há no presente processo prova adequada quanto ao crédito da contribuinte , nem prova quanto à negativa da fazenda. A verificação fiscal é indício da existência do direito, entretanto em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da contribuição. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem faça o levantamento dos valores dos créditos da contribuinte, com base na escrituração fiscal e contábil cientificandose a Recorrente do resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de trinta dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL
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Numero do processo: 11444.001600/2010-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
DECADÊNCIA.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL ANTERIOR. SÚMULA 48 DO CARF.
Conforme a Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Preliminar rejeitada.
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA 1 DO CARF.
Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA.
É considerada não impugnada a matéria não expressamente contestada pela Recorrente, tornando-se indiscutível no processo administrativo fiscal, conforme artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso de voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. MEDIDA JUDICIAL ANTERIOR. SÚMULA 48 DO CARF. Conforme a Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Preliminar rejeitada. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA 1 DO CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 16 00 /2 01 0- 72 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11444.001600/201072 Acórdão n.º 3202000.648 S3C2T2 Fl. 656 2 Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE CONTESTADA. É considerada não impugnada a matéria não expressamente contestada pela Recorrente, tornandose indiscutível no processo administrativo fiscal, conforme artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso conhecido em parte. Na parte conhecida, recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso de voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, SP (DRJ/RPO), que manteve integralmente a exigência fiscal (fls. 535 a 541) em desfavor de MANFRIM INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA, ora Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do acórdão citado, in verbis: Fl. 656DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11444.001600/201072 Acórdão n.º 3202000.648 S3C2T2 Fl. 657 3 “A empresa qualificada em epígrafe foi autuada para exigência de crédito tributário no valor total de R$ 19.360.826,63 (principal e juros de mora), conforme auto de infração de fls. 02/46, em virtude de duas infrações: a) Ter deixado de destacar, escriturar e recolher o IPI incidente sobre as vendas de rações para cães e gatos para o mercado interno acondicionadas em embalagens de 10 kg, em decorrência de liminar obtida em ações judiciais – mandados de segurança. O Fisco argumentou que as sentenças prolatadas nos autos dos Mandados de Segurança nºs 2009.61.11.0042110 encontramse pendentes de julgamento referente à apelação interposta pela União, ou seja, ainda não transitaram em julgado; b) Glosa de créditos básicos de IPI, relativos a produtos adquiridos da empresa Engeclean Prod. Químicos e Serviços Ltda – EPP, por não se enquadrarem no conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem. Regularmente cientificada, em 24/11/2010, conforme consta do auto de infração, a autuada apresentou impugnação, na qual, em síntese, fez as seguintes considerações: · O crédito tributário em questão encontrase suspenso em virtude de medida judicial. Estando o crédito com exigibilidade suspensa, não há que se falar em auto de infração, tão pouco em prazo para recurso. O único ato possível no presente caso seria uma notificação com a finalidade de interromper a decadência, sem prazo para recurso. As decisões proferidas nos mandados de segurança não deixam margem para este tipo de autuação, devendo o auto de infração ser declarado nulo; · Não cabimento do auto de infração em face dos mandados de segurança ajuizados que contém proibição expressa determinando que a autoridade fiscal não pratique qualquer ato tendente a exigir o IPI, representando os autos ofensa a ordem judicial; · Ilegalidade dos autos em face da única conduta possível ao fisco, em face das decisões judiciais, ser a notificação para interromper a decadência, com a respectiva constituição do crédito tributário; · Nulidade do auto de infração em face da autoridade fiscal ter usado o mesmo auto de infração para glosar créditos que são objetos das ações judiciais (com exigibilidade suspensa) e créditos que não estão com a exigibilidade suspensa (créditos adquiridos da empresa Engeclean Prod. Químicos e Serviços LtdaEPP); · Da não observância do artigo 30 da Lei nº 70.235/72 frente a ação judicial proposta para reclassificar os produtos; Fl. 657DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11444.001600/201072 Acórdão n.º 3202000.648 S3C2T2 Fl. 658 4 · O auto de infração foi lavrado em 18/11/10 e ocorreu a decadência de efetuar o lançamento em relação ao ano de 2005, conforme está disciplinado pelo § 4º do artigo 150 e 151 do CTN; · O artigo 62 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança do tributo, não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente à matéria sobre que versar a ordem de suspensão. Não poderia, assim, a autoridade fiscal ter instaurado procedimento fiscal contra a requerente, pois na data de sua instauração, o crédito tributário em questão encontravase suspenso, em virtude de medida judicial, devendo o auto de infração ser declarado ilegal, por arbitrariedade e abuso de poder; · Além de o auto de infração desrespeitar a sentença, o fiscal ainda abriu prazo para a interposição de recurso, o que demonstra uma aberração, pois a matéria debatida encontrase sub judice e jamais poderia haver prazo para recurso. A jurisprudência do conselho é de que a semelhança da causa de pedir entre o mandado de segurança e o lançamento impede o prosseguimento do lançamento administrativo no tocante aos fundamentos idênticos, prevalecendo a solução do litígio por meio da solução judicial provocada – Concomitância; · O Fisco não se ateve ao fato do laudo do Ministério da Agricultura demonstrar que o alimento fabricado é alimento completo para animais, devendo ser tributado a alíquota zero. O fisco não tem elementos para desqualificar a procedência do laudo. Por fim, solicitou que fossem acatadas as preliminares, declarandose nulo o auto de infração ou a ilegalidade deste.” Em sua decisão, a 8ª Turma da DRJ/RPO houve por bem manter integralmente o auto de infração através do acórdão n° 1432.909, de 15 de março de 2011, cuja ementa foi assim formulada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 MATÉRIA DE FATO NÃO CONTESTADA. A não contestação expressa das glosas apontadas na autuação pressupõe a concordância da impugnante e indica sua indiscutibilidade no âmbito do processo administrativo. MANDADO DE SEGURANÇA. AUTO DE INFRAÇÃO. CABIMENTO. A concessão de medida liminar ou sentença em mandado de segurança não exclui a obrigatoriedade do agente do Fisco de efetuar o lançamento. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11444.001600/201072 Acórdão n.º 3202000.648 S3C2T2 Fl. 659 5 Conforme prevê o CTN, art. 151, V, a liminar/tutela tem somente o efeito de suspender a exigibilidade do crédito tributário já formalizado ou em vias de formalização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário, objetivando sua reforma, alegando, em breve síntese, que: a) em observância ao artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966, do Código Tributário Nacional (CTN), alega a Recorrente que houve a decadência do direito de a fiscalização lançar o crédito tributário relativo ao IPI do anocalendário de 2005, pois o auto de infração foi lavrado apenas em 18 de novembro de 2010; b) o auto de infração é nulo por ter desconsiderado decisão judicial anterior que proibiu qualquer medida no sentido de exigir o tributo, sendo certo que a fiscalização deveria ter efetuado apenas uma notificação para constituir o crédito tributário com o fim de impedir a ocorrência da decadência; c) a fiscalização também descumpriu ordem judicial ao abordar discussão submetida ao Poder Judiciário sobre a classificação de produtos industrializados pela Recorrente conforme a tabela TIPI, bem como contrariou o artigo 30 do Decreto nº 70.235 de 06 de março de 1972; e d) o mesmo auto de infração foi utilizado tanto para glosar créditos que, segundo o fisco, não deveriam ter sido tomados (oriundos de tributo sem a exigibilidade suspensa), como para constituir o crédito tributário relacionado àqueles que estão com a exigibilidade suspensa. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Fl. 659DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11444.001600/201072 Acórdão n.º 3202000.648 S3C2T2 Fl. 660 6 O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. 1. Decadência Preliminarmente, alega a Recorrente ter havido a decadência do direito de a Fazenda efetuar o lançamento do IPI referente ao ano de 2005, uma vez que, segundo o artigo 150, § 4º, do CTN, se a lei não fixar prazo diverso, a homologação se dará contados cinco anos a contar da data do fato gerador do tributo. Findo referido prazo sem pronunciamento da Fazenda Pública, considerase tacitamente homologado o lançamento e extinto o crédito. Argumenta que, como o auto de infração foi lavrado em 18 de novembro de 2010 (fls. 03), não poderia ter ocorrido o lançamento referente ao ano de 2005, visto que já havia se dado a homologação tácita com a consequente extinção do crédito tributário. Razão não assiste à Recorrente, e a própria jurisprudência citada por ela em seu recurso voluntário corrobora nosso entendimento. Vejamos: “TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Embargos de divergência providos. (STJ, EREsp nº 572.603, Ministro Relator Castro Meira, j. 07/06/2005).” (g.n.) Vêse, pelo julgado acima, que haverá aplicação do artigo 150, § 4º em caso de lançamento por homologação com pagamento do tributo, o que acarretará a extinção do crédito tributário. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11444.001600/201072 Acórdão n.º 3202000.648 S3C2T2 Fl. 661 7 O Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “Recursos Repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento Fl. 661DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11444.001600/201072 Acórdão n.º 3202000.648 S3C2T2 Fl. 662 8 antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I, do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11444.001600/201072 Acórdão n.º 3202000.648 S3C2T2 Fl. 663 9 Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Como no caso em questão não ocorreu o pagamento, o entendimento a ser adotado é o do inciso I do artigo 173 do CTN, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do primeiro dia do exercício subseqüente àquele no qual poderia ter havido o lançamento. Concluise, portanto, que não houve a decadência alegada pela Recorrente. Por último, e a título de argumentação, vale destacar que a supramencionada jurisprudência, trazida aos autos pela própria Recorrente, informa que o fato de estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário pela via judicial não impede a fiscalização de proceder à constituição do crédito para prevenção da decadência do direito de lançar, ratificando o entendimento do acórdão recorrido. 2. Nulidade do Auto de Infração por ofensa à Ordem Judicial Alega a Recorrente que, em razão da existência de dois mandados de segurança anteriores ao presente procedimento fiscal, nos quais obteve sentença favorável que a desonerou da carga tributária IPI, o auto de infração que deu origem a este procedimento jamais deveria ter sido lavrado, menos ainda deveria ter sido aberto prazo para recurso, cabendo à fiscalização apenas notificar a Recorrente da constituição do crédito tributário para prevenir a decadência. Traz como fundamento da nulidade o que dispõem os artigos 9º, 11 e 62, todos do Decreto nº 70.235/72. Vale transcrever trechos das referidas sentenças dos mandados de segurança impetrados pela Recorrente. Vejamos: Mandado de Segurança nº 2009.61.11.0042108 (fls. 150 a 157): “(...) ISSO POSTO, julgo procedente o pedido da impetrante MANFRIM INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA. e concedo a segurança pleiteada para, reconhecendo que para os produtos “Special Dog”, “Dog Junior”, “Dog Gold”,”Special Dogs Vegetais”, “Special Cat Carne” e “Special Cat Mix” fabricados pela impetrante, o enquadramento correto na tabela do IPI é o código 2309.90.10, cuja alíquota aplicável é zero e, como consequência, declaro extinto o feito com a resolução do mérito, nos termos do artigo 269, inciso I, do Código de Processo Civil.“ Mandado de Segurança nº 2009.61.11.0042110 (fls. 188 a 199): Fl. 663DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11444.001600/201072 Acórdão n.º 3202000.648 S3C2T2 Fl. 664 10 “(...) ISSO POSTO, julgo procedente o pedido da impetrante MANFRIM INDUSTRIA E COMERCIAL LTDA. e concedo a segurança pleiteada para, reconhecendo que para as rações para cães e gatos por ela produzidos: 1º) que o produto acondicionado em embalagens superiores a 10 kg deve ser considerado como nãotributável, pois o IPI não incide sobre produtos com embalagens de peso superior a 10 kg, em especial as rações que estão descritas no Relatório completo de Produtos emitidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SPECIAL DOG, DOG JUNIOR, DOG GOLD, SPECIAL DOG VEGETAIS, SPECIAL CAT CARNE e SPECIAL CAT MIX), pois a alteração introduzida pelo Decreto nº 89.241/83 no atual RIPI é indevida e não foi recepcionada pela Carta Política, determinando que a autoridade coatora que se abstenha de exigir outro percentual; 2º) declaro a inconstitucionalidade e a ilegalidade “incidenter tantum” das normas que oneram a impetrante, ou seja, do Decreto nº 89.241/83, bem como qualquer ato do Poder Executivo que confronte com o Decretolei nº 400/68; e 3º) determino que a autoridade coatora não pratique qualquer ato tendente a repetir os atos impugnados da impetrante neste mandado de segurança, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado da sentença.” Da leitura das decisões acima expostas percebese que foi afastada da fiscalização a possibilidade de promover atos de cobrança (inscrição em dívida ativa, execução etc.), não havendo nada que limite o direito de a Fazenda constituir o crédito, direito este que se torna ainda mais relevante e urgente diante da possibilidade de ocorrer a decadência do tributo, dada a existência de suspensão da exigibilidade do crédito ora discutido. Como é sabido, o crédito tributário se constitui pelo lançamento (artigo 142, CTN), o qual, por sua vez, é o procedimento administrativo que visa verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Para isto, o auto de infração é o procedimento adequado à constituição do crédito Neste sentido, dispõe os artigos 9º e 11, ambos do Decreto nº 70.235/72, os quais foram invocados pela Recorrente como fundamento da nulidade do auto de infração: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: Fl. 664DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11444.001600/201072 Acórdão n.º 3202000.648 S3C2T2 Fl. 665 11 I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico.” Os artigos supracitados não se prestam a validar as alegações da Recorrente. Informa o artigo 9º que, tanto o auto de infração, quanto a notificação de lançamento são meios hábeis à exigência do crédito tributário, trazendo o artigo 11 os elementos obrigatórios da notificação de lançamento, assim como o artigo 10 traz elementos obrigatórios para a confecção do auto de infração. Não se depreende da leitura destes dispositivos qualquer impedimento à lavratura de auto de infração, e assim não poderia ser, tendo em vista que estes dispositivos dispõem sobre a exigência do crédito tributário (ato posterior ao seu lançamento), que é justamente o ato que a Recorrente quer combater, mas que nunca foi executado pela fiscalização, restando demonstrada certa confusão na argumentação da Recorrente. Já no que concerne à aplicação do artigo 62, do Decreto nº 70.235/72, há de ser adotado o entendimento da DRJ/RPO quanto a sua interpretação. Dispõe referido artigo que: “Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança do tributo, não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão.” O procedimento fiscal a que se refere o artigo de lei é aquele destinado a cobrar do sujeito passivo o crédito tributário já lançado, o que não é o caso da Recorrente. Nesse sentido, vejase entendimento há muito sufragado por este Colegiado: “Também quanto ao art. 62 do Decreto nº 70.235/72 enganase a recorrente. O impedimento ali estabelecido é para que não ocorra procedimento fiscal de cobrança, em face de se encontrar o crédito tributário suspenso por medida judicial. Tanto assim é que o art. 63 da Lei nº 9.430/96, a pretexto de afastar a multa de ofício, determina a constituição do crédito tributário (e o ato privativo da autoridade administrativa para tal fim é o auto de infração) para prevenção da decadência, nos casos dos créditos tributários que se encontrem amparados pelo inciso IV do art. 151 do CTN, ou seja, sub judice. (Segundo Fl. 665DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11444.001600/201072 Acórdão n.º 3202000.648 S3C2T2 Fl. 666 12 Conselho de Contribuintes. Segunda Câmara. Acórdão nº 20217.612, j. 24 de janeiro de 2007, Relatora Maria Cristina Roza da Costa).” Desta feita, não se sustenta a alegação de nulidade do auto de infração por desrespeito ao disposto no artigo 62, do Decreto nº 70.235/72. Ainda, a corroborar este posicionamento está o artigo 63, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a seguir transcrito: “Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício.” Como podemos observar a constituição do crédito tributário previne a decadência quando aquele estiver com a exigibilidade suspensa na forma do artigo 151, incisos IV e V, do CTN. Cumpre ressaltar que restou consignado no auto de infração a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em decorrência das sentenças que favoreceram a Recorrente (fls. 02), contrariando todo o alegado pela Recorrente. Por fim, insta salientar que já foi sumulado por este Órgão o seguinte entendimento: “A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração” (Súmula nº 48 do CARF). Sem fundamento também a indignação demonstrada pelo fato da Fiscalização abrir prazo para interposição de recurso, “impondo auto de infração”. Não se trata, aqui, de ato discricionário da fiscalização que, simplesmente por querer dar ensejo a processo administrativo, decidiu abrir prazo para que o sujeito passivo recorresse. A possibilidade de interposição de recurso deriva do direito constitucional ao contraditório, direito este que não se limita ao âmbito judicial, percorrendo também as vias administrativas. Portanto não há dúvida de que o auto de infração é procedimento adequado à constituição do crédito, não resta assim caracterizada a nulidade, pelas razões acima expostas. 3. Ilegalidade do auto de infração pela inobservância do artigo 30 do Decreto nº 70.235/72 e pela existência de ação judicial sobre o tema. Concomitância. A Recorrente demonstra inconformismo por ter sido lavrado auto de infração sobre produtos que, segundo entende, devem ser classificados na posição NCM/SH 2309.90.10 da TIPI, vez que tal assunto está sendo tratado na via judicial. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11444.001600/201072 Acórdão n.º 3202000.648 S3C2T2 Fl. 667 13 Ademais, alega manifesta ofensa ao artigo 30 do Decreto nº 70.235/72, pois a Fiscalização desconsiderou os laudos de análises técnicas emitidos pelo Ministério da Agricultura, os quais são idôneos para comprovar que o produto fabricado é “alimento completo para animais”, razão pela qual deveria ser tributado à alíquota zero. Reza o referido artigo 30 que: “Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. (...)” Como bem observado pela DRJ/RPO, os laudos de órgãos federais serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência. Dessa forma, o laudo realizado pelo Ministério da Agricultura poderá dispor sobre a composição do produto fabricado, mas não poderá ser considerado no aspecto técnico da classificação fiscal deste produto (Inteligência do § 1º supramencionado). De qualquer sorte, como alega a Recorrente, à vista de o debate sobre a classificação fiscal dos produtos por ela vendidos terse deslocado para o âmbito Judicial, descabe sua análise no âmbito administrativo, visto que, nos termos da Súmula n° 1 do CARF: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Ademais, verifico que o mandado de segurança nº 2009.61.11.0042108, cuja ordem foi concedida para que certos produtos fossem classificados na posição defendida pela Recorrente encontrase pendente de julgamento no Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Em consulta ao extrato de andamento processual daquele Tribunal, vêse que o processo judicial em pauta aguarda desfecho, estando na conclusão desde o dia 13 de novembro de 2012. Isto posto, certo é que uma vez escolhida a via judicial para discussão de determinado assunto, implícita está a renúncia à via administrativa para a solução do mesmo tema, verificandose a concomitância, o que não é admitido em um cenário de jurisdição una como o nosso. Assim, não conheço desta parte e deixo de apreciar a matéria pelos motivos já alegados. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11444.001600/201072 Acórdão n.º 3202000.648 S3C2T2 Fl. 668 14 4. Nulidade por ter sido utilizado o mesmo auto de infração para tratar de créditos tributários de origens diferentes. Alega a Recorrente que o fato de a fiscalização terse utilizado do mesmo auto de infração, tanto para glosar créditos indevidamente aproveitados, onde a suspensão da exigibilidade não se operava, quanto para constituir o crédito tributário relacionado aos débitos do imposto cuja exigibilidade encontravase suspensa, acarretaria nulidade do lançamento. A fiscalização procedeu à glosa dos créditos de IPI que haviam sido tomados pela Recorrente devido à aquisição de materiais da empresa Engeclean Produtos Químicos e Serviços LtdaEPP, por ter considerado que tais materiais não se enquadravam no conceito de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem, no mesmo auto de infração em que constituiu o crédito tributário em virtude do não recolhimento do IPI incidente sobre as vendas de rações para cães e gatos no mercado interno, acondicionadas em embalagens de 10 kg. No entanto, é certo que o § 1º, do artigo 9º, do Decreto nº. 70.235/72 permite que sejam objeto de um mesmo processo os autos de infração e as notificações de lançamento que disserem respeito ao mesmo sujeito passivo, desde que a comprovação dos ilícitos dependa dos mesmos elementos de prova. É sua redação: “(...) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova.” Tal dispositivo brinda o princípio da economia processual, promovendo a celeridade na formação e andamento do processo administrativo fiscal. Os lançamentos efetuados dizem respeito ao mesmo tributo (IPI) e, não fosse a exigibilidade suspensa do crédito tributário relativo ao IPI não recolhido, abrangido pelas decisões judiciais favoráveis à Recorrente, poderia ter sido realizado um único lançamento para todo o crédito tributário, não havendo qualquer nulidade naqueles já efetuados. Não bastasse o lançamento revestirse de todas as formalidades prescritas pela lei, vêse ainda que as glosas de IPI decorrentes de aquisições de materiais da empresa Engeclean Produtos Químicos e Serviços LtdaEPP foram desmembrados para o processo administrativo fiscal nº 13831.000022/201108, conforme informação da unidade da Receita Federal do Brasil (RFB) em Ourinhos (fls. 653), vez que a matéria não foi expressamente contestada pela Recorrente, devendo, então, ser considerada não impugnada, conforme artigo 17 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Fl. 668DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11444.001600/201072 Acórdão n.º 3202000.648 S3C2T2 Fl. 669 15 Assim, à vista de a Recorrente ter deixado de impugnar a glosa dos créditos de IPI do referido fornecedor, acompanho o entendimento plasmado na decisão recorrida de que a matéria referente a essa parte do lançamento deixou de ser contestada, precluindo o direito de fazêlo. Por todo o exposto, conheço em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO, mantendo a decisão a quo conforme razões aduzidas. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 669DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000118/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Data do fato gerador: 29/06/2005, 29/08/2005, 29/09/2005, 13/10/2005, 19/10/2005, 24/11/2005, 29/11/2005, 15/12/2005, 16/12/2005, 21/12/2005, 23/12/2005, 04/01/2006, 12/01/2006, 24/01/2006, 02/02/2006, 15/02/2006, 21/02/2006, 07/03/2006, 22/03/2006, 29/03/2006, 11/04/2006, 20/04/2006, 10/05/2006, 23/05/2006, 30/05/2006, 01/06/2006, 06/09/2006, 28/09/2006,
19/12/2006
Ementa: DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE.
INOCORRÊNCIA. Os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todos os argumentos levantados pela defesa, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4).
JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício, exigida isolada ou juntamente com impostos ou contribuições, relativamente a fatosgeradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997.
IRRF. REMESSA DE RECURSOS A CONTRIBUINTE RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a
pessoa física e jurídica residente ou domiciliada no exterior estão sujeitas à incidência na fonte. Se o beneficiário é residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento, a que se refere o art. 24 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a
alíquota aplicável é de vinte e cinco por cento.
IRRF. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. Tendo a Contribuinte
logrado comprovar que parte do imposto exigido por meio de auto de infração já fora recolhido, afasta-se a exigência correspondente a esta parte.
Preliminar rejeitada.
Recurso de ofício negado.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2201-001.630
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao Recurso de Ofício. Relativamente ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade da decisão de Primeira Instância e, no mérito, pelo
VOTO DE QUALIDADE, DAR PROVIMENTO PARCIAL para excluir da exigência o valor de R$ 251.051,82. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada), que davam provimento parcial para excluir da exigência o imposto, a multa de ofício e os juros de mora posteriores à data do recolhimento do IRPJ. O Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe fará declaração de
voto.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todos os argumentos levantados pela defesa, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício, exigida isolada ou juntamente com impostos ou contribuições, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997. IRRF. REMESSA DE RECURSOS A CONTRIBUINTE RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física e jurídica residente ou domiciliada no exterior estão sujeitas à incidência na fonte. Se o beneficiário é residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por Fl. 43DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 2 cento, a que se refere o art. 24 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a alíquota aplicável é de vinte e cinco por cento. IRRF. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. Tendo a Contribuinte logrado comprovar que parte do imposto exigido por meio de auto de infração já fora recolhido, afastase a exigência correspondente a esta parte. Preliminar rejeitada. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. Relativamente ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade da decisão de Primeira Instância e, no mérito, pelo VOTO DE QUALIDADE, DAR PROVIMENTO PARCIAL para excluir da exigência o valor de R$ 251.051,82. Vencidos os Conselheiros Gustavo Lian Haddad, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada), que davam provimento parcial para excluir da exigência o imposto, a multa de ofício e os juros de mora posteriores à data do recolhimento do IRPJ. O Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe fará declaração de voto. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada). Relatório EMBRAEREMPRESA BRASILEIRA DE AERONÁUTICA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJSÃO PAULO/SPO I (fls. 4347) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 208/263, para exigência de Imposto de Renda na Fonte – IRRF, no valor de R$ 92.072.075,32, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 205.101.114,36. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 2 3 A infração que ensejou o lançamento foi a falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte IRRF sobre rendimentos de domiciliados no exterior, conforme detalhadamente descrito no Termo de Verificação Fiscal que integra o auto de infração. Segundo o relatório fiscal, a Contribuinte fez pagamentos à empresa ECC Insurance, nos anos de 2005 e 2006, no valor aproximado de R$ 280.000.000,00, sendo que nos contratos de câmbio foram informados como naturezas das operações o código 2510250 09590, “SEGURODEMAIS SEGUROS E PRÊMIOS”, tendo sido alterado, posteriormente, quando a Contribuinte já estava sob ação fiscal, para o código 252055009590, "SEGURO RESSEGURO COLOC. NO EXTPREMIOS"; ainda conforme o relatório fiscal, a ECC possuía vínculo estreito com a Embraer e tinha sua atuação voltada para a prestação de garantias contra contingências relacionadas às garantias financeiras. Reproduzo a seguir a descrição dos fatos, que faz um histórico da contratação: Primeiramente, em dezembro de 2001, através do documento FSE535/2001, o então gerente de seguros da Embraer, o Sr. Carlo Cesar Carvalho, solicita ao Diretor Técnico do IRS autorização para verificar, no exterior, a "existência, funcionamento e viabilidade do Seguro Garantia para Valor Residual em Operações de Leasing". O documento DICOM088/2001 e DITEC238/2001 responde ao pleito, concedendo, através dos Diretores Comercial e Técnico do IRB, a autorização pleiteada desde que não fosse gerado nenhum tipo de compromisso referente à desejada cobertura. Em 13 de agosto de 2002, a Embraer encaminhou o documento FSE224/2002 aos já citados diretores do IRB com as seguintes revelações: ...informamos que após consultas feitas aos seguradores/resseguradores internacionais sobre a disponibilidade de cobertura para as obrigações assumidas nos contratos de venda/financiamento de aeronaves, garantindo o valor residual das mesmas durante o período de tal operação, bem como garantias financeiras de primeiras perdas no caso de inadimplemento do financiado e/ou devolução das aeronaves, obtivemos o seguinte resultado:..." (grifo nosso). Grifamos o texto acima de forma a destacar que a intenção da Embraer era contratar coberturas (seguros) para garantir valores residuais de aeronaves e eventuais obrigações financeiras. Continuando a transcrição: "(...) Existem poucos interessados no mercado internacional segurador/ressegurador para garantir tais riscos; e os custos apresentados por este poucos interessados, correspondiam praticamente 100% do Limite Maximo de indenização Fl. 45DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 4 oferecido, tornando impraticável a contratação desta modalidade de seguro. Outra alternativa analisada e considerada viável foi a criação de uma seguradora cativa, totalmente integralizada nos balanços da Embraer para assumirmos 100% do risco.(...)" O último parágrafo traz a já abordada criação da ECC Insurance por parte da Embraer. Cabe ressaltar que, quando intimada, a Embraer nunca fez menção sobre a ECC ser sua seguradora cativa e, tampouco justificou a reorganização empresarial efetuada para que esta operação fosse realizada. A opção em assumir 100% do risco em um Pais com tributação favorecida, não condizente com a intenção inicial da empresa, também não foi abordada ou esclarecida à fiscalização. Mais à frente temos: "(...)Assim sendo, estamos efetuando em Grand Cayman, Cayman Islands, a abertura da ECC Insurance & Financial Company Limited. Face ao acima exposto e considerando a impossibilidade de seguradoras estarem garantindo o risco em questão (anexo cartas da AGF Brasil Seguros, Chubb do Brasil Cia. de Seguros e Zurich Brasil Seguros evidenciando tal fato), solicitamos autorização dessa empresa para contratarmos Seguro Garantia de Obrigações Contratuais Valor Residual (incluindo as primeiras perdas do financiador) junto à ECC Insurance .& Financial Company Limited, nos moldes do "Cover Note" em anexo. (...)" O último parágrafo do texto nos leva a algumas indagações. Se a operação foi interpretada pela empresa como um Resseguro e, no campo tributário, de fato, o foi, por que a Embraer buscou realizar a operação com seguradores no Brasil? Por que não buscou o resseguro com o IRB, então detentor do monopólio do mercado em questão no Brasil? Antes que possamos responder, passaremos aos próximos documentos. A CISECRE n° 378/2002 de 19/08/2002 informa do registro na ata da 33ª Reunido da Diretoria a autorização para a operação solicitada pela Embraer. Por fim, o oficio DICOM049/2002 e DITEC136/2002 comunica à Embraer da decisão: "(...)por se tratar de cobertura não disponível no Pais, este Ressegurador decidiu autorizar a contratação do seguro em referência diretamente no exterior, observados os termos e condições indicados na cover note emitida pela ECC..." A partir deste parágrafo podemos certamente inferir uma resposta simples à indagação feita anteriormente: O IRB, Ressegurador e Regulamentador do mercado brasileiro à época, Fl. 46DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 3 5 define a operação como seguro e, em nenhum momento usa o termo resseguro. Também podemos compreender que o referido Instituto determina que o referido seguro seja realizado nos termos da "cover note", que analisaremos a seguir. A Apólice 2002102 A "cover note", emitida antes da respectiva apólice (2002102), contém a identificação das partes, o tipo do seguro, a descrição da cobertura, a lista das aeronaves contratadas e outras informações. A cobertura contratada pela Embraer está descrita nos itens 1, 2 e 3 da seção de Condições "Conditions" sendo a cobertura sobre a garantia de valor residual a principal delas. A cobertura sobre a Garantia de Valor Residual, "Residual Value Guarantee", conforme descrito, tem como o objetivo cobrir eventuais perdas financeiras nas quais o segurado deva incorrer quando o valor da aeronave for menor do que o garantido. Para melhor entendermos a "Garantia de valor residual", extraímos o seguinte texto do documento Demonstrações Financeiras de 2003, página 52: "(...)A Garantia de Valor Residual fornece a terceiros um valor especifico do ativo garantido, geralmente, ao final do contrato de financiamento. No caso de uma redução no valor de mercado do ativo vinculado, a Empresa deverá suportar a diferença entre o valor especifico garantido e o valor justo de mercado. A exposição da Empresa é minimizada pelo fato de que, para poder se beneficiar da garantia, a parte garantida deve retornar o ativo vinculado em condições especificas. 0 valor garantido tipicamente varia de 18% a 25% do preço de venda do 10º ao 15° ano após a entrega. A Administração, com base em avaliação de terceiros, entende que o valor mínimo residual atualmente pode exceder o valor de avaliação de algumas aeronaves já entregues. Entretanto, a Administração acredita que, considerando o potencial de recuperação do mercado e a melhoria de condições de financiamento no prazo de 1516 anos, não incorrerá em perda relevante. A Empresa efetua pagamentos de prêmios para sua controlada de seguro cativo para assumir tais obrigações. 0 montante do prêmio é considerado suficiente para cobrir as estimativas da Empresa de pagamentos futuros, que poderá incorrer como parte do cumprimento de suas obrigações de garantia.(...)". A apólice celebrada, nos termos da cover note, oficializa a cobertura de seguro. Os valores, as parcelas de pagamento, os valores de indenização, as aeronaves objeto do mesmo e os respectivos endossos corroboram o montante pago a ECC. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 6 Portanto, os pagamentos referemse à amortização de uma divida decorrente da contratação de seguros junto à pessoa jurídica domiciliada no exterior. Concluiu a autoridade lançadora que a operação realizada com a ECC não se caracteriza como resseguro, mas como seguro, ficando afastada a aplicação do art. 26 da Medida Provisória 2.15835/2001. A autoridade lançadora ressaltou, ainda, que a apuração do imposto deveria ser feita em conjunto com as demais remessas de recursos ao exterior, de mesma natureza. Também foi apurado recolhimento a menor de IRRF referente a remessas feitas para a Companhia de Seguros de Crédito Comercial (Crediseguro), sediada na Colômbia. Da mesma forma, a diferença com relação a este item foi apurada em conjunto com as demais remessas. Ainda segundo o relatório fiscal foram apuradas remessas feitas a Sumitomo Mitsui Banking Corp., a título de seguros, sem que tenha sido recolhido o IRRF correspondente; que os valores referentes ao seguro foram remetidos juntamente com valores correspondentes a juros, mas foi recolhido apenas o IRRF referente aos juros, à alíquota de 12,5%. A Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que, embora não seja formalmente uma seguradora acaba por atuar como tal, devido aos tipos de coberturas oferecidas a seus clientes e financiadores, que apresentam todas as características de seguro; que, embora sem tal qualificação, mas em face da necessidade de diluição dos riscos assumidos, acaba por atuar como cedente de riscos, isto é, contratante de resseguro, quando contrata com terceiro a cobertura de parte dos riscos assumidos; que, consequentemente, deve ser reconhecido o acerto do tratamento tributário atribuído pela Impugnante às remessas de rendimentos à empresa ECC Insurance, no exterior, que de fato têm natureza de prêmio de resseguro, sendo, portanto, aplicável a redução de base de cálculo prevista no artigo 26 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, e insubsistente a autuação. A Recorrente insiste que cobra prêmio de seguro para aceitação dos riscos de seus clientes e financiadores, embora reconheça que não é usual a segregarse o valor da aeronave do valor das garantias oferecidas no contrato de compra, venda e financiamento, por razões negociais, e que parcela desses prêmios foi utilizada como prêmio de resseguro, pago à ECC Insurance a fim de que esta, como resseguradora, assumisse de forma secundária os riscos (preponderantemente em moeda estrangeira) inicialmente cobertos pela Empresa; que, portanto, o argumento da suposta ausência de prêmio e seu repasse parcial à resseguradora não pode ser utilizado como fundamento, pela Fiscalização, para descaracterizar as remessas realizadas como sendo prêmios de resseguro. Afirma que as autoridades fiscais basearamse apenas nos aspectos formais dos contratos de seguro/resseguro; que se tivessem seguido a orientação atual da Receita Federal do Brasil e do CARF, de se atentar para a essência das transações, teria percebido, com base nos esclarecimentos apresentados durante a fiscalização, que as remessas realizadas à ECC tinham natureza de prêmio de resseguro, não sendo cabível a cobrança de qualquer diferença de IRRF. Aduz a Impugnante também que, ainda que se tratasse no caso de remessas ao exterior de prêmio de seguro, teria que ser dado o mesmo tratamento conferido dos prêmios de resseguro (incidência do IRRF à alíquota de 15% — 25% apenas para beneficiário domiciliado em pais com tributação favorecida —, com redução da base de cálculo a 8% do prêmio, nos termos do artigo 26 da Medida Provisória n° 2.15835/2001), já que não há Fl. 48DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 4 7 qualquer diferença entre a natureza de rendimento parcial do prêmio de resseguro e do prêmio de seguro. Argumenta que, do contrário, seria inviável a incidência do IRRF sobre prêmios de seguro remetidos ao exterior. Sustenta também que o fato de ter feito remessas de prêmios de resseguro à sua controlada indireta ECC Insurance, domiciliada nas Ilhas Cayman, e têlas submetido à incidência do IRRF com base na alíquota efetiva de 2%, não teve o objetivo de trazer uma economia tributária, o que, de fato, não trouxe; isto porque – acrescenta sendo a ECC Insurance sua controlada indireta, os eventuais lucros auferidos por esta empresa, no exterior, acabariam por ser, de uma forma ou de outra, adicionados aos seus lucros no Pais, e tributados pelo IRPJ e pela CSLL às alíquotas conjuntas de 34%, nos termos do artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01. A Impugnante reconheceu, porém, ter classificado indevidamente, como se prêmios de resseguro fossem, algumas remessas realizadas às empresas Credisseguro e ao Banco Sumimoto, no exterior, que tinham de fato natureza de prêmios de seguro, e procedeu ao recolhimento das diferenças do IRRF exigido referente a essas operações. Por fim, a Impugnante afirma que, ao quantificar o montante de IRRF originalmente recolhido em relação às remessas fiscalizadas, o agente fiscal teria deixado de descontar do valor do principal apurado como diferença devida, o montante de R$ 3.549.142,36 que teria sido recolhido à época das remessas com a utilização do código 0422, e pede que este valor seja excluído da autuação, com os decorrentes impactos nos juros e na multa. O Impugnante também se insurgiu contra a multa de ofício e os juros calculados com base na taxa Selic, referindose especificamente aos juros calculados sobre a multa de ofício, que diz serem indevidos. A DRJSÃO PAULO/SPO I julgou procedente em parte o lançamento para excluir da exigência parte do crédito tributário, conforme detalhadamente descrito no voto condutor do acórdão, tudo com base nas considerações a seguir resumidas. Observou, inicialmente, que o litígio se instaurou apenas quanto ao IRRF sobre as remessas feitas em favor da ECC Insurance & Financial Company Limited e a outros beneficiários, com insuficiência de recolhimento do IRRF. Sobre o mérito da questão, afirma que o legislador conferiu um tratamento diferenciado à atividade de resseguro e que, portanto, o cerne da questão para o deslinde do processo seria a verificação da observância ou não dos requisitos legais para o enquadramento das operações em apreço nas regras definidas pela legislação tributária para a incidência tributária, no caso de resseguro. Referese ao art. 757 do Código Civil, que define a atividade de seguro, e invoca os artigos 24 e 73 do Decretolei nº 73, de 1966 que estabelecer os requisitos para o exercício da atividade de seguradora, e que seriam, em sínteses, dispor de autorização expressa para tanto e a proibição do exercício de qualquer outra atividade, e conclui que a Contribuinte não preenche nenhum dos dois requisitos. Observa, quanto a este ponto, que a exigência desses requisitos não é mera formalidade, mas uma condição essencial para o exercício da atividade, e, portanto, a Fiscalização tributária não poderia ignorála. DRJSÃO PAULO/SPO I observou ainda que se os fabricantes oferecem aos compradores de seus produtos garantias contra determinados riscos, tais coberturas não são consideradas seguros e não podem receber o tratamento tributário previsto para esse tipo de negócio. Registra que sequer ficou demonstrado que, efetivamente, foram celebrados os mencionados contratos de seguro entre a Embraer e os compradores de seus produtos, nem o Fl. 49DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 8 recebimento dos respectivos prêmios; que os documentos 5 e 6, juntados pela autuada, com a finalidade de provar suas alegações, são cópias de cartascontrato que trazem previsão de remuneração na hipótese de uma eventual contratação dessas garantias, conforme informa a própria contribuinte nos itens 55 e 56 da peça impugnatória; que no contrato firmado com a JETBLUE, não há previsão explícita para a garantia RVG, mas há a cobrança de um prêmio de US$ 400,000 para o caso de o adquirente optar pela garantia FLDG4. Portanto, – prossegue – se a Impugnante demonstrou que ofertou garantias aos compradores de suas aeronaves, não juntou documentos que comprovassem que essas garantias foram de fato contratadas como seguro. Ainda quanto a este ponto, a DRJ faz referência a informações coletadas pelo AuditorFiscal Autuante junto ao IRB — BRASIL RESSEGUROS S/A, sociedade de economia mista controlada pela União e vinculada ao Ministério da Fazenda e que detinha à época da celebração da apólice 20021002, que gerou as remessas ao exterior em discussão, o monopólio no mercado de resseguros no Brasil. Sobre as outras remessas, concluiu que era devido o imposto, uma vez caracterizada a falta ou insuficiência da retenção e recolhimento do mesmo, sendo devido, inclusive, o reajustamento da base de cálculo. A DRJ acolheu parcialmente a alegação da defesa quanto ao desconto de valores que teriam sido recolhidos com código de receita diverso, excluindo esses valores da autuação, conforme detalhadamente demonstrado no voto condutor do acórdão recorrido. Finalmente, sobre a multa de ofício e os juros de mora, a DRJ entendeu devidas as exigência, destacando que há previsão legal expressa para tanto, inclusive, quanto à incidência dos juros sobre a multa de ofício. A DRJSÃO PAULO/SPO I recorreu de ofício de sua decisão nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 09/02/2011 (fls. 4372) e, em 04/03/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 4375/4402, no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação, assim resumidos pela própria recorrente: (i) Embora não seja formalmente caracterizada como seguradora, dadas as características das garantias oferecidas a seus clientes e financiadores, obrigações que apresentam todas as características de seguro, a Recorrente acaba por atuar como seguradora. Da mesma forma, embora sem tal qualificação, em face da necessidade de diluição dos riscos assumidos, acaba por atuar como cedente de riscos, isto é, contratante de resseguro, quando contrata com terceiro a cobertura de parte dos riscos assumidos. (ii) Consequentemente, deve ser reconhecido o acerto do tratamento tributário atribuído pela Recorrente às remessas de rendimentos à empresa ECC Insurance no exterior, que de fato têm natureza de premio de resseguro, sendo, portanto, aplicável a redução de base de cálculo prevista pelo artigo 26 da Medida Provisória n° 2.15835/01, e insubsistente a autuação. (iii) Ficou demonstrado que a Recorrente cobra prêmio de seguro para aceitação dos riscos de seus clientes e financiadores, embora não seja usual a segregação entre o valor Fl. 50DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 5 9 da aeronave e o valor das garantias oferecidas, no contrato de compra, venda e financiamento, por razões negociais. Por outro lado, parcela desses prêmios foi utilizada como prêmio de resseguro, pago à ECC Insurance a fim de que esta, como resseguradora, assumisse de forma secundária os riscos (preponderantemente em moeda estrangeira) inicialmente cobertos pela Empresa. Portanto, o argumento da suposta ausência de prêmio e seu repasse parcial resseguradora não pode, em hipótese alguma, ser utilizado como fundamento, pela Fiscalização, para descaracterizar as remessas realizadas como sendo de prêmios de resseguro. (v) Apenas aspectos formais dos contratos de seguro/resseguro levaram a autoridade fiscal a autuar a Recorrente. Caso esta tivesse seguido a orientação atual da Receita Federal do Brasil e do CARF, de atentar para a essência das transações, teria percebido, com base nos esclarecimentos apresentados durante a fiscalização, que as remessas realizadas a ECC de fato tinham natureza de prêmio de resseguro, não sendo cabível a cobrança de qualquer diferença de IRRF, já que foram corretos a classificação e o cálculo realizado pela empresa. (vi) Espera a Recorrente que este E. CARF se mantenha fiel à orientação atualmente vigente, que no caso concreto se mostra adequada e justa, de fazer prevalecer a substância das operações praticadas, sustentada no acervo probatório trazido aos autos e não aspectos meramente conceituais, atentandose para a natureza de prêmio de resseguro das remessas efetuadas, e a correção dos procedimentos adotados pela Recorrente. (vii) Ainda que se estivesse tratando, na hipótese sob análise, de remessas ao exterior de prêmios de seguro, o mesmo tratamento dos prêmios de resseguro teria que ser atribuído (incidência do IRRF à alíquota de 15% — 25% apenas para beneficiário domiciliado em pais com tributação favorecida —, com redução da base de cálculo a 8% do prêmio, nos termos do artigo 26 da Medida Provisória n° 2.15835/01), já que não há qualquer diferença entre a natureza de rendimento parcial do prêmio de resseguro e do prêmio de resseguro. Do contrário, inviável seria a incidência do IRRF sobre prêmios de seguro remetidos ao exterior. (vii) O fato de ter feito remessas de prêmios de resseguro a sua controlada indireta ECC Insurance, domiciliada nas Ilhas Cayman, e têlas submetido à incidência do IRRF com base na alíquota efetiva de 2%, não teve como objetivo, e de fato não trouxe à Recorrente qualquer economia tributária. Isso porque, sendo a ECC Insurance sua controlada indireta, os eventuais lucros auferidos por esta empresa, no exterior, acabariam por ser, de uma forma ou de outra, adicionados aos seus lucros no Pais, e tributados pelo IRPJ e pela CSLL, às alíquotas conjuntas de 34%, nos termos do artigo 74 da Medida Provisória n° 2.158 35/01. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 10 (ix) Com relação aos recolhimentos de IRRF efetuados em código incorreto pela Recorrente, a r. DRJSP1 analisou a documentação juntada na Impugnação e excluiu da autuação o montante principal de R$ 3.052.093,53. A Recorrente juntou documentos adicionais, que pede sejam recebidos por este E. CARF, a fim de demonstrar que alguns valores entendidos pela autoridade julgadora de primeira instância como não recolhidos de fato o foram. Estes valores deverão seguir o mesmo destino, sendo excluídos da autuação, com os decorrentes impactos em juros SELIC e na multa de 75% correspondente, já que haviam sido devidamente pagos pela Recorrente, conforme demonstraram os documentos juntados aos autos. (x) Por fim, a Recorrente rechaça, também, veementemente, a cobrança de multa de oficio de 75% e de juros SELIC que lhe foi imputada no Auto de Infração, manifestandose também absolutamente contraria à exigência de juros SELIC sobre a multa de oficio lançada, por absoluta ausência de previsão legal nesse sentido. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou contrarazões ao recurso voluntário (fls. 4472/4507) em que sustenta, em síntese, que, segundo a definição do Código Civil, uma condição básica para a realização do contrato de seguro é o de que o segurador seja uma “entidade para tal fim legalmente autorizada”; que, portanto, o seguro é uma modalidade típica de contrato, e não basta o oferecimento de garantia por um risco para caracterizálo; que, no caso, a Recorrente não está legalmente autorizara a atuar como seguradora. Especificamente sobre o resseguro, observa que este se realiza entre duas seguradoras, o que também não seria o caso. E contra o argumento de que a Recorrente assumiria riscos ao dar garantias, afirma que “a prevalecer tal raciocínio, todos os contribuintes que fabriquem produtos de consumo de elevado valor também poderiam ser considerados "seguradores , uma vez que também oferecem garantias inerentes às operações de compra e venda aos seus clientes”. Sobre a referência ao art. 26 da MP nº 2.15835/2001, a PFN observa que o dispositivo referese expressamente a operações de resseguro, e anota que o dispositivo veicula um benefício fiscal, e argumenta que não se poderia dar a ele uma “interpretação alargada”, quando o legislador não o fez expressamente; que eventual silêncio do legislador não poderia ser interpretado como permissão para a extensão do benefício a situações não abrangidas pela lei. Sobre a jurisprudência do CARF invocada pelo Recorrente, segundo a qual se desconsidera aspectos formais dos atos e negócio em favor da substância, a Fazenda Nacional observa que os casos referidos tratam de situações diversas, envolvendo a realização de negócios simulados, não aplicável ao caso. Sobre as alegadas diferenças de IRRF recolhido e que não foi acatada pela DRJ, a PFN sustenta a preclusão posto que os elementos de prova deveriam ter sido apresentados na impugnação. Sobre a incidência de juros sobre a multa de ofício, sustenta, com base na análise da legislação aplicável, especialmente os artigos 161, § 1º do CTN , 44, § 1º e 61, § 3º das Lei nº 9.430, de 1996, que a exigência tem previsão legal expressa. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 6 11 Finalmente, sobre os juros calculados com base na taxa Selic, sustenta que se trata de exigência para a qual há previsão legal expressa. É o relatório. Voto Recurso de ofício O Recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, a matéria objeto do recurso de ofício cingese a parte do crédito objeto da autuação em relação à qual a decisão de primeira instância acolheu a alegação da defesa de que o imposto exigido fora recolhido com código de receita incorreto, conforme detalhadamente demonstra no voto condutor do acórdão recorrido. Tratase de questão de fato, facilmente verificável, conforme se pode constatar dos trechos a seguir reproduzidos do voto condutor do acórdão recorrido em que a questão foi apreciada: No dia 29.06.2005, a fiscalizada remeteu à ECC Insurance prêmios de seguro no valor de US$16,827,039.00 que levariam à apuração de IRRF no montante de R$13.366.277,98. A Impugnante juntou, às fls. 499, um comprovante de pagamento de Darf, sob o código 0473, no valor de R$49.793,80, efetuado em 29.06.2005, confirmado pela autoridade fiscal em DCTF e nos sistemas eletrônicos de arrecadação (fls. 236). Assim, cm face da diferença verificada, foi efetuado o lançamento de R$13.316.484,27 de IRRF para o fato gerador ocorrido em 29.06.2005. Entretanto, para esta mesma data de pagamento e de ocorrência do fato gerador do IRRF, de 29.06.2005, a Impugnante também apresentou um comprovante de pagamento de Darf de R$1.069.302,24, mas sob o código 0422 (fls. 498), sendo tal valor idêntico ao IRRF consignado no contrato de câmbio relativo as remessas de US$16,827,039.00 de fls. 579, a titulo de prêmios de seguro, cuja base de cálculo foi indevidamente calculada como se de resseguro fosse, sendo que nessas duas situações, o código de receita é o 0473. Assim, houve um recolhimento do IRRF indevidamente sob o código 0422, razão pela qual o valor de R$1.069.302,24 deve ser deduzido do lançamento do IRRF referente ao código 0473 do dia 29.06.2005. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 12 A contribuinte aponta duas remessas efetuadas no dia 29.09.2005, sujeitas à incidência do IRRF sob o código 0473, mas que fora recolhido mediante o Darf consolidado para o código 0422 (fls. 841). O primeiro pagamento apontado foi feito à Airclaims (fls. 845/850), cujo contrato indica se tratar de remuneração decorrente de prestação de serviço de pesquisa e consultoria para o mercado da indústria aeronáutica em vários países. Esse serviço não se trata de assistência técnica especializada que ensejaria o recolhimento pelo código 0422. Assim, é de se considerar o pagamento como sujeito à retenção pelo código 0473, devendo ser deduzido do lançamento do dia 29.09.2005 o valor de IRRF de R$29.916,14. Às fls. 889, temse o contrato de câmbio relativo às remessas de prêmios de seguro do dia 29.09.2005 A FCC Insurance, onde a contribuinte registrou a base de cálculo indevidamente reduzida e um recolhimento de IRRF de R$1.430.028,92. Essa remessa sujeita retenção do IR pelo código 0473 e tendo em vista que o autuante não identificou para a ECC Insurance remessas para esta mesma data que poderiam estar sujeitas à retenção do IR pelo código 0422, o valor de R$1.430.028,92 deve ser deduzido para o lançamento do dia 29.09.2005. As fls. 489 e 939, a contribuinte apresenta planilha e aponta duas remessas do dia 13.10.2005 — à Cambrige Manufactur e Icao — que também corresponderiam a rendimentos sujeitos ao IRRF sob o código 0473. As faturas e contratos de cambio indicam que se trata de contribuições feitas a entidades no exterior e, portanto, são classificadas como renda ou proventos de qualquer natureza, que não se enquadram no código 0422, mas no 0473. O autuante não identificou outras remessas a esses beneficiários para este dia, cujo código de IRRF poderia ser classificado como 0422. Portanto, face ao engano no preenchimento do código do Darf, deve ser deduzido do lançamento do dia 13.10.20050 valor de R$46.132,65. As fls. 489 e 1109/1115, a contribuinte apresenta planilha, documentos e aponta uma remessa do dia 19.10.2005 à Universal Wheather que corresponderia a rendimentos sujeitos ao IRRF sob o código 0473. As fls. 1211, o contrato de câmbio indica tratarse de remessa de pagamento de frete de transportes, que não se sujeita à retenção do IR pelo código 0422, mas pelo 0473. 0 autuante não identificou outras remessas a esse beneficiário para este dia, cujo código de IRRF poderia ser classificado como o 0422, razão pela qual parte do valor do IRRF referente ao Darf de fls. 1113, de R$51.934,62, deve ser deduzido do lançamento do dia 19.10.2005. As fls. 490 e 1219/1225, a contribuinte apresenta planilha, documentos e aponta uma remessa do dia 15.12.2005 efetuada também à Universal Wheather que corresponderia a rendimentos sujeitos ao IRRF sob o código 0473. As fls. 1434, o contrato de câmbio indica tratarse de remessa de pagamento de frete de transportes. O autuante não identificou outras remessas a esse beneficiário para este dia, cujo código de IRRF poderia ser classificado como o 0422, razão pela qual parte do IRRF Fl. 54DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 7 13 referente ao Darf de fls. 1223, de R$54.259,50, deve ser deduzido do lançamento do dia 15.12.2005. As fls. 490 e 1543/1549, a contribuinte apresenta planilha, documentos e aponta remessas do dia 21.12.2005 a diversas empresas. As fls. 1550/1665, foram juntados contratos de câmbio e faturas que indicam que as remessas feitas à. Embraer Beijing e Embraer Singapore têm natureza de pagamentos relativos a serviços de manutenção de escritório, classificados como proventos em geral, cujo código de receita para o IRRF seria o 0473, mas não o 0422 utilizado pela contribuinte (fls. 1547). Portanto, face ao equivoco no preenchimento do código de receita, R$ 225.101,50 devem ser deduzidos do lançamento do dia 21.12.2005. As fls. 490 e 1666/1670, a contribuinte apresenta planilha, documentos e aponta uma remessa do dia 23.12.2005 à Egideria. Às fls. 1731/1737, foi juntada fatura que indica se tratar de prestação de serviço de pesquisa de mercado, atividade que não é considerada como de assistência técnica, o que afasta o recolhimento do IRRF pelo código 0422. Assim, face ao engano no preenchimento do respectivo Darf (fls. 1671), deve ser deduzido do lançamento do dia 23.12.2005 o valor de R$42.271,79. Às fls. 491 e 2549/2555, a contribuinte apresenta planilha, documentos e aponta duas remessas do dia 02.02.2006, cujos IRRF teriam sido recolhidos indevidamente com o código de receita 0422. As fls. 2667/2672, foram juntados fatura e contrato de câmbio que indicam se tratar de contribuições feita a entidade de ensino localizada no exterior e, portanto, são classificadas como renda ou proventos de qualquer natureza, que não se enquadram no código 0422, mas no 0473. Portanto, face ao engano no preenchimento do código do Darf (fls. 2550), deve ser deduzido do lançamento o valor de R$23.463,53. Às fls. 2683/2686, foram juntados fatura e contrato de câmbio que indicam que a remessa tem natureza de pagamento de aluguel, classificada como renda ou proventos de qualquer natureza que não corresponde ao código do IRRF de número 0422, mas no 0473. Portanto, face ao engano no preenchimento do código do Darf, deve ser também cancelado do lançamento do dia 02.02.20060 valor de R$15.148,05. Às fls. 492 e 2706/2713, a contribuinte apresenta planilha, documentos e aponta remessas do dia 15.02.2006, cujos IRRF teriam sido recolhidos com código incorreto de receita. As fls. 2860/2864, foram juntados fatura e contrato de câmbio que indicam se tratar de remessas para pagamento de contribuições feitas a uma entidade associativa (IATA) e, portanto, são classificadas como renda ou proventos de qualquer natureza, que não se enquadram no código 0422, mas no 0473. Portanto, face ao engano no preenchimento do código do Darf, deve ser cancelado do lançamento o valor de R$15.261,88. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 14 Às fls. 494 e 3173/3179, a contribuinte apresenta planilha, documentos e aponta remessas do dia 10.05.2006, cujos IRRF teriam sido recolhidos com código incorreto de receita 0422. As fls. 3246/3249, foram juntados fatura e contrato de cambio que indicam se tratar de contribuições feitas a uma entidade associativa (ERA) e, portanto, são classificadas como renda ou proventos de qualquer natureza, que não se enquadram no código 0422, mas no 0473. Portanto, face ao engano no preenchimento do código do Darf, deve ser deduzido do lançamento o valor de R$365,71. As fls. 3269/3273, foram juntados fatura e contrato de cambio que indicam se tratar de pagamento de compensações contratuais, e, à mingua de outros elementos que permitam identificar a natureza do respectivo contrato, não restou demonstrado o equivoco no preenchimento do Darf, ficando mantidas as respectivas exigências de IRRF. As fls. 3463/3468, foram juntados fatura e contrato de cambio que indicam se tratar de pagamento relativo a gastos com combustível e, portanto, são remessas classificadas como renda ou proventos de qualquer natureza, que não se enquadram no código 0422, mas no 0473. Portanto, face ao engano no preenchimento do código do Darf, deve ser deduzido do lançamento o valor de R$1.601,90. As fls. 494 e 3546/3550, a contribuinte apresenta planilha, documentos e aponta uma remessa do dia 01.06.2006, cujo IRRF teria sido recolhido com código incorreto de receita. As fls. 3748/3753, foram juntados fatura e contrato de cambio que indicam se tratar de remessa para pagamento de aluguel de imóvel e, portanto, classificada como renda ou proventos de qualquer natureza, que não se enquadra no código 0422, mas no 0473. Portanto, face ao engano no preenchimento do código do Darf (fls. 3547), deve ser deduzido do lançamento o valor de R$31.765,80. Às fls. 495 e 3769/3773, a contribuinte apresenta planilha, documentos e aponta remessa do dia 06.09.2006, cujo IRRF teria sido recolhido com código incorreto de receita. As fls. 3854/3865, foram juntados fatura e contrato de cambio que indicam se tratar de remessa para pagamento de serviços da área de aviação, preponderando o de abastecimento de combustível, sendo classificada como renda ou proventos de qualquer natureza, que não se enquadra no código 0422, mas no 0473. Portanto, face ao engano no preenchimento do código do Darf (fls. 3770), deve ser deduzido do lançamento o valor de R$14.708,28. Em todos os caso, portanto, a DRJ verificou que houve o recolhimento do imposto exigido, porém com outro código de receita. E, como se disse acima, o fato é facilmente verificável, e, reexaminando os elementos carreados aos autos, chego às mesma conclusões. Conclusão Ante o exposto, nego provimento ao recurso de ofício Recurso voluntário Fl. 56DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 8 15 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Inicialmente, embora o recurso voluntário não traga explicitamente arguição de nulidade da decisão de primeira instância, como há questionamento sobrte possível omissão da decisão em examinar determinada questão, alegação reforçada da tributa, examino a matéria. Afirma a recorrente que a decisão de primeira instância deixou de se pronunciar sobre a alegação de que a não retenção do imposto não traria prejuízo ao Fisco porque, sendo a ECC Insurance sua subsidiária integral, o lucro desta seria tributado pela controladora. Ocorre que a decisão de primeira instância foi categórica ao afirmar e fundamentar com base na legislação, referida e transcrita, a obrigatoriedade da retenção do imposto pela fonte pagadora e a alíquota aplicável, esta definida pela caracterização do contrato entre a Impugnante e sua subsidiária como sendo de seguro, que era a questão central em discussão no processo. A autoridade julgadora fixou, portanto, o entendimento sobre a incidência do imposto na fonte e a alíquota aplicável, rejeitando, portanto, qualquer objeção a essa incidência. Por outro lado, a afirmação de que a não retenção não traria prejuízo ao Fisco foi mencionada na impugnação apenas de passagem, como mais um argumento, tanto que sequer foi desenvolvido pelo Impugnante, e, portanto, não reclamava abordagem específica dessa questão. A legislação que rege o processo administrativo fiscal não exige que os julgadores examinem com profundidade cada um dos argumentos levantados pela defesa. Devem, sim, referirse às razões de defesa e fundamentar a decisão. Senão vejamos: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Nesse mesmo sentido é a jurisprudência consolidada no âmbito no Superior Tribunal de Justiça – STJ. Como exemplo, cito decisão no AgRg no AREsp 57508 / RN AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2011/02273110, proferida em 08/03/2012: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. ART. 535 DO CPC. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. 1. De acordo com os precedentes desta Corte, "(...) é de se destacar que os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todas as teses levantadas pelo jurisdicionado durante um processo judicial, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas, em obediência ao que determina o art. 93, inc. IX, da Constituição da República vigente. Isto não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC." (REsp Fl. 57DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 16 1.283.425/MG, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 6/12/2011, DJe 13/12/2011). 2. O fato de a Corte Regional haver decidido a lide de forma contrária à defendida pelo recorrente, elegendo fundamentos diversos daqueles por ele propostos, não configura omissão ou qualquer outra causa de embargabilidade, pelo que se tem por afastada a tese de violação do disposto no art. 535 do CPC. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. Não vislumbro, portanto, nenhum vício na decisão de primeira instância quanto a este ou qualquer outro aspecto que pudesse ensejar sua nulidade. Rejeito, pois, a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Quanto ao mérito, como se colhe do relatório, o que está em discussão no recurso voluntário é qual a alíquota aplicável para a apuração do IRRF sobre as remessas de recursos feitas pela recorrente para a ECC Insurance, sua subsidiária, localizada nas Ilhas Cayman, e o cerne da questão está na caracterização do contrato feito entre a Recorrente e a sua subsidiária como sendo de seguro ou de resseguro. Esta definição é central porque, considerada a operação como resseguro, aplicarseia o disposto no art. 26 da Medida Provisório nº 2.15835, de 2001, que reduz a base de cálculo do imposto a 8% do valor da remessa, que é o que pleiteia a Recorrente. Eis o teor do referido dispositivo legal: MP nº 2.15835, de 2001: Art.26. A base de cálculo do imposto de renda incidente na fonte sobre prêmios de resseguro cedidos ao exterior é de oito por cento do valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido. A autuação, por outro lado, entendendo que a operação entre a Recorrente e sua subsidiária caracterizase como sendo a contratação de um seguro, aplica ao caso o disposto no art. 685 do RIR/99 c/c o art. 8º da Lei nº 9.779, de 1989, a seguir reproduzidos: RIR/99: 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física e jurídica, residente ou domiciliada no exterior, estão sujeitas à incidência na fonte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 100, Lei nº. 3.740, de 1.958, art. 77, Lei nº 9.249, de 1995, art. 23, e Lei nº 9.779, de 1999, arts. 7º e 8º.) Lei nº 9.779, de 1999: Art. 8o Ressalvadas as hipóteses a que se referem os incisos V, VIII, IX, X e XI do art. 1o da Lei no 9.481, de 1997, os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiário seja residente ou domiciliado em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por cento, a que se refere o art. 24 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de vinte e cinco por cento. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 9 17 Pois bem, a própria Recorrente admite que, formalmente, contratou com sua subsidiária um seguro, porém sustenta que, na substância, o negócio é um resseguro, pois as garantias que oferece a seus cientes teriam a natureza de seguro. Sobre este ponto, aliás, convém esclarecer uma questão destacada na argumentação da Recorrente: a de que a jurisprudência do CARF privilegia a substância dos negócios jurídicos em detrimento dos seus aspectos formais, “atribuindolhe efeitos tributários distintos daqueles que, em princípio, decorreriam da forma adotada.” Ocorre que os julgados referidos pela Contribuinte tratam de situações em que há um descompasso entre a natureza dos negócios efetivamente praticados e a forma que lhes foi atribuída, com o objetivo de obter uma vantagem tributária indevida. É disso que cuidam os acórdãos nº 20402.895 e 104 20.915, apontados como exemplo pela Recorrente. Este processo trata de situação distinta. A questão aqui é que o Fisco não reconheceu que a natureza do Contrato entre a Recorrente e seus clientes tem a natureza de seguro, não apenas pelos seus aspectos formais, mas também pela sua substância. O seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal na parte intitulada “A Real Natureza da Operação”, o afirma categoricamente, verbis: Portanto, de acordo com os fatos e argumentos expostos e, apesar do que foi declarado à fiscalização, devemos definir a operação realizada entre a Embraer e a ECC como um Seguro. Ficando assim afastada a aplicação do artigo 26 da Medida Provisória 2.15835/2001. É certo também que, para chegar a essa conclusão, a autoridade lançadora analisou aspectos tais como a natureza jurídica da Recorrente (que não é seguradora), o fato de a Recorrente não ter procurado o IRB para realizar um resseguro, mas empresas seguradoras, a não emissão de apólice de seguro, dentre outros aspectos relevantes. Todavia, quando se afirma que o Contrato de Seguro somente pode ser realizado por empresas especialmente autorizadas para exercer esse tipo de atividade, não se está a referir a um aspecto meramente formal, pois a atividade de prestação de seguro, assim como ocorre com a atividade financeira, entre outras, mereceu um controle social destacado, realizado através de certas restrições e definições, tais como a exigência de que o seu exercício seja realizado por um tipo específico de sociedade, especialmente autorizada para este fim, como neste caso. Não é sem razão que, no caso do Seguro, é o próprio Código Civil Brasileiro que impõe a limitação do exercício da atividade a entidade especialmente autorizadas, a saber: Art. 757. Pelo contrato de seguro, o segurador se obriga, mediante o pagamento do premio, a garantir interesse legitimo do segurado, relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados. Parágrafo único: Somente pode ser parte, no contrato de seguro, como segurador, entidade para tal fim legalmente autorizada. A lei não deixa margem para dúvidas: entidade que não seja especialmente autorizada não pode ser parte em negócio de seguro como seguradora. Isto equivale a dizer que eventual garantia, oferecida por pessoa que não seja legalmente autorizada a atuar como seguradora, não tem a natureza de seguro. Ou seja, que a condição do segurador como entidade autorizada está na própria substância do negócio jurídico. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 18 No caso concreto, a Contribuinte é fabricante e fornecedora ao mercado de um produto, um produto especial, é certo, como destacado pela Recorrente, sofisticado e produzido por poucos no mundo, mas que, sob muitos outros aspectos equivale a tantos outros produtos oferecidos no mercado por fornecedores que oferecem a seus adquirentes, seja por exigência legal, seja por circunstâncias de mercado, certas garantias. E estas garantias certamente integram o custo do produto, mas nada autoriza que se as considerem como seguros, e não é o que efetivamente se observa nas práticas de mercado. O fato de a garantia, no caso, não estar consubstanciada numa apólice de seguros, também não é uma questão meramente de forma, como sugere a Recorrente. É que o seguro é uma modalidade típica de contrato, e, portanto, especialmente regulada em lei que impõe, para a produção dos seus efeitos, a observância de determinados requisitos. Portanto, a obserservância desses requisitos é condição para a própria caracterização e validade do negócio como seguro. Sobre a forma de remuneração das garantias oferecidas, embora a Recorrente afirme que estas, apenas eventualmente, integram o preço do produto, mas que poderiam ser destacadas, o fato é irrelevante para determinar a sua natureza. Vale dizer, se, eventualmente, for destacado do preço final da operação uma parcela correspondente à garantia oferecida, isto não transforma esta garantia em seguro, como quer a Recorrente, pois, como vimos, isto dependeria de outras condições, que não se verificam no caso. De qualquer forma, a Recorrente também não comprova, objetivamente, o tipo de garantia coberta nas operações objeto da contratação do seguro com a ECC. Apenas menciona exemplos de contratos que sequer se sabe se foram levados a termo, ou não. E também não se deve ignorar o fato de que, diferentemente do que ocorre com as garantias oferecidas por seguradoras, neste caso, a Recorrente oferece garantias relacionadas a produtos de sua própria fabricação e, portanto, a garantias relacionadas à qualidade, funcionamento, aproveitamento, e uso dos produtos que vende, o que, da mesma forma, difere do tipo de garantia oferecida pela seguradoras, que cobrem “sinistros”, isto é, ocorrências às quais a seguradora não tem nenhum dever de prevenir. Enfim, não tenho reparos a fazer à decisão recorrida quanto a este aspecto. Sobre a alegação de que a não retenção do imposto não traria prejuízo a Fisco, porque, sendo a beneficiária dos rendimentos sua subsidiária integral os lucros desta integrariam seu resultado e, portanto, seriam tributados, embora a questão tenha sido mencionada apenas de passagem na impugnação e no recurso, merece algumas considerações. Inicialmente, cumpre registrar que se trata aqui se exigência de imposto devido na fonte sobre remessa de rendimentos a beneficiário residente no exterior, como ressaltado acima, e não há nada na legislação que ampare a pretensão da defesa. A incidência do imposto na fonte é devida independentemente da tributação posterior do resultado da beneficiária, podendo, eventualmente, conforme certas circunstâncias especiais, ser compensado o imposto retido. Mas, ainda que se admitisse, por hipótese, que os lucros da beneficiária seriam tributados pela controladora, a Contribuinte não apresenta nenhum dado que comprove que isto de fato ocorreu. Limitase a referirse à possibilidade, genérica e em tese, de tal tributação. É importante ressaltar neste ponto que a beneficiária das remessas, como sede nas Ilhas Cayman, é controlada indireta da Recorrente. É controlada direta de uma empresa com sede na Espanha que, por sua vez, é controlada pela ora Recorrente. Portanto, antes de chegar na ora recorrente, os resultados da beneficiária dos rendimentos passa pela sua controlada na Espanha. E nada foi apresentado que comprove que, como alegado, o resultado da beneficiária foi efetivamente tributado no Brasil. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 10 19 Nessas condições não vejo como acolher a pretensão da Recorrente. A Recorrente, porém, reivindica a exclusão de valores correspondentes a IRRF que teria sido recolhido, mas com código de receita distinto do que informado na DCTF, razão pela qual não foram considerados pela Fiscalização. A questão já havia sido apreciada pela DRJ que aproveitou a maior parte dos recolhimentos, os quais foram objeto do recurso de ofício, já apreciado acima. Porém, alguns deles, devido à insuficiência dos elementos apresentados, não foram acatados. Agora, a Recorrente apresenta novos elementos, que passo a examinar. A Recorrente referese especificamente a remessas efetuadas para JP Morgan no Japão e para Natexis, na França, em 16.12.2005. Sobre estas operações junta os documentos de fls. 4434/4445 que deixam claro tratarse de operações de financiamento à importação e, portanto, não sujeitas ao reajustamento da base de cálculo. Como a única objeção levantada pela decisão de primeira instância com relação a este item era a falta de comprovação da natureza das operações, devese acatar a alegação. Às fls. 247 consta o detalhamento da apuração do valor devido onde fica claro que a autuação, neste ponto, refere se à diferença do reajustamento da base de cálculo, que resultou num valor de R$ 102.372,36. Devese afastar, portanto, da exigência, o valor de R$ 102.372,36. Sobre o valor de R$ 96.291,16, do dia 12/01/2006, referente a pagamento feito ao Citicorp, tratase de alegação de erro na informação do código de receita, que seria 0422, e não 0481. A DRJ não acatou a alegação porque a Contribuinte não teria comprovado, como fez noutros casos, que o valor em questão estaria contido nos valor total do recolhimento referente a esta data. A única objeção, portanto, é quanto à comprovação do efetivo recolhimento do imposto no código 0422. Pois bem, às fls. 4456/4458 consta dois extratos de comprovantes de pagamentos, no valores de R$ 856.593,70 e R$ 139.847,03, totalizando R$ 996.440,23, valor igual ao total apurado no demonstrativo de fls. 4456, que detalha todos os valores contidos na apuração, conforme já fizera a Recorrente as outras situações. Deve ser acatada, portanto, a alegação da defesa quanto a este ponto, e excluído da exigência o valor de R$ 96.291,16, referente ao dia 12.01.2006. A Recorrente também contesta a inclusão no lançamento de valores referentes a pagamentos feitos a Soiciété Generale, nos dias 2/2/2006 e 23/5/2006, nos valores de R$ 27.982,26 e R$ 24.396,06. Observa que a Fiscalização teria invertido os valores e datas destes dois créditos e junta comprovante do recolhimento do imposto no valor de R$ 27.982,26, com o código 0422 e de que o recolhimento do valor de R$ 24.396,04 estava contido no recolhimento feito em dois DARF nos valores de R$ 235.561,02 e R$ 73.756,89, totalizando R$ 309.317,91. De fato, os documentos referidos pela Contribuinte comprovam os recolhimentos, e como a objeção levantada pela decisão de primeira instância foi a falta de comprovação do efetivo recolhimento dos valores em questão, devese excluir da exigência os valores de R$ 27.982,26 e R$ 24.396,04. Assim, em conclusão, deve devem ser excluídos da exigência os valores constantes do quadro abaixo. DATA VALOR (R$) 16/12/2005 102.372,36 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 20 12/01/2006 96.291,16 23/05/2006 24.396,04 02/06/2006 27.982,26 TOTAL 251.051,82 Sobre a incidência de juros, calculados com base na taxa Selic, a matéria já está pacificada no âmbito do CARF que editou a súmula nº 01, a seguir reproduzida: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sobre a possibilidade da incidência dos juros sobre a multa de ofício, já tive oportunidade de examinar esse tema, por exemplo, no acórdão nº 10422.508, de 13/06/2007, quando me posicionei a favor da incidência dos juros sobre a multa de ofício com base, em síntese, nas considerações de que o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora e de que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Entendia que a conclusão era evidente e não necessitava de maiores elaborações, além desta. Ocorre que, longe de se pacificar, a tese da não incidência dos juros sobre a multa de ofício tem sido insistentemente aduzida nos recursos dirigidos a este Conselho, onde já conquistou adeptos. Diante desse quadro, é interessante examinar detidamente a matéria. Como se verá no decorrer desta análise, grande parte da controvérsia gira em torno do sentido, conteúdo e alcance de determinados vocábulos e locuções de textos de lei, aos quais se atribuem diferentes significações, o que reclama uma apreciação preliminar sobre esse tipo de ocorrência. Anoto, de início, que esse tipo de situação não é em absoluto estranho à realidade do Direito, ao contrário, ocorre com freqüência, seja graças às limitações próprias da linguagem, seja por imperfeições técnicas, imprecisões, ambiguidades nos textos legais, decorrência natural da própria característica do processo de produção legislativa. Paulo de Barros Carvalho anota, com propriedade, que a produção legislativa não é o resultado de um trabalho técnicocientífico, posto que envolve uma multiplicidade de agentes, os membros das Casas Legislativas, que, em regimes políticos representativos, são de diferentes procedências e estratos sociais. Remarca, porém, que daí decorre o papel relevante do jurista, “única pessoa credenciada a desvelar o conteúdo, sentido e alcance da matéria legislativa”. Nas suas próprias palavras: A linguagem do legislador é uma linguagem natural, penetrada, em certa porção, por termos e locuções técnicas. Nem poderia ser de outra maneira. Os membros das Casas Legislativas, em países que se inclinam por um sistema democrático de governo, representam os vários segmentos da sociedade. Alguns são médicos, outros bancários, industriais, agricultores, engenheiros, advogados, dentistas, comerciantes, operários, o que confere um forte caráter de heterogeneidade, peculiar aos regimes que se queiram representativos. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 11 21 E podemos aduzir que tanto mais autêntica será a representatividade do Parlamento quanto maior for a presença, na composição de seus quadros, dos inúmeros setores da comunidade social. Ponderações desse jaez nos permitem compreender o porquê dos erros, impropriedades, atecnias, deficiências e ambigüidades que os textos legais cursivamente apresentam. Não é de forma alguma, o resultado de um trabalho científico e sistematizado. Ultimamente, aliás, no campo tributário, os diplomas normativos se sucedem em velocidade espantosa, sem que a cronologia responda a um plano preordenado e com a racionalidade que o intérprete almejaria encontrar. Ainda que as assembléias nomeiem comissões encarregadas de cuidar dos aspectos formais e jurídicoconstitucionais dos diversos estatutos, prevalece a formação extremamente heterogênea que as caracteriza.(Carvalho, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário – 4ª ed. – São Paulo: Saraiva, 1991, pág. 4). Ninguém que milita no Direito, portanto, deveria se surpreender diante de textos de lei que, na sua apreciação meramente gramatical, revelamse imperfeitos, imprecisos, ambíguos. Diante do fato, deve o operador do Direito lançar mão da linguagem científica para extrair desses textos o seu conteúdo normativo. Como assinala Paulo de Barros Carvalho: Mas, enquanto é lícito afirmarse que o legislador se exprime numa linguagem livre, natural, pontilhada, aqui e ali, de símbolos técnicos, o mesmo já não se passa com o discurso do cientista do Direito. Sua linguagem, sobre ser técnica, é científica, na medida em que as proposições descritivas que emite vêm carregadas da harmonia dos sistemas presididos pela lógica clássica, com a unidade do conjunto arrumadas e escalonadas segundo critérios que observam, estritamente, os princípios da identidade, da nãocontradição e do meio excluído, que são três imposições formais do pensamento, no que concerne ás proposições apofânticas.(Carvalho, Paulo de Barros, op. cit. p. 5) É dizer, as eventuais imperfeições gramaticais dos textos legais, decorrentes das limitações da própria linguagem ou de falhas técnicas do processo legislativo devem ser superadas, pelo menos idealmente, com o emprego do rigor técnico e científico com que deve proceder o jurista e os aplicadores especializados do Direito, mormente aqueles que se acham investidos da condição de julgadores. Diante disso e para fixarme, por enquanto, apenas na exegese literal, é oportuno mencionar alguns preceitos recomendados por Carlos Maximiliano sobre como se deve lidar com as limitações da linguagem antes referidas: a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso – vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado;por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da Fl. 63DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 22 mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem como a idéia inserta no dispositivo. b) O juiz atribui aos vocábulos o sentido resultante da linguagem vulgar, porque se presume haver o legislador, ou escritor, usado expressões comuns; porém, quando são empregados termos jurídicos, deve crerse ter havido preferência pela linguagem técnica. Não basta obter o significado gramatical e etimológico, releva, ainda, verificar se determinada palavra foi empregada em acepção geral ou especial, ampla ou restrita; se não se apresenta às vezes exprimindo conceito diverso do habitual. O próprio uso atribui a um termo sentido que os velhos lexicógrafos jamais previram. Enfim, todas as ciências, e entre elas o Direito, têm a sua linguagem própria, a sua tecnologia; deve o intérprete levála em conta; bem como o fato de serem as palavras em número reduzido, aplicáveis, por isso, em várias acepções e incapazes de traduzir todas as graduações e finura do pensamento. No Direito Público usam mais dos vocábulos no sentido técnico; em Direito Privado, na acepção vulgar. Em qualquer caso, entretanto, quando haja antinomia entre os dois significados, prefirase o adotado geralmente pelo mesmo autor, ou legislador, conforme as inferências deduzíveis do contesto. (...) f) Presumese que a lei não contenha palavras supérfluas; devem todas ser entendidas como escritas adrede para influir no sentido da frase respectiva. g) Na dúvida, prefirase o significado que torna geral o princípio em a norma concretizado, ao invés do que importaria numa distinção, ou exceção. (...) i) Pode haver, não simples impropriedade de termos, ou obscuridade de linguagem, mas também engano, lapso, na redação. Este não se presume: Precisa ser demonstrado claramente. Cumpre patentear, não só a inexatidão, mas também a causa da mesma, a fim de ficar plenamente provado o erro, ou simples descuido. j) A prescrição obrigatória achase contida na fórmula concreta. Se a letra não é contraditada por nenhum elemento exterior, não há motivo para hesitação: deve ser observada. A linguagem tem por objetivo despertar em terceiro pensamento semelhante ao daquele que fala; presumese que o legislador se esmerou em escolher expressões claras e precisas, com a preocupação mediata e firme de ser bem compreendido e fielmente obedecido. Por isso, em não havendo elementos de convicção em sentido diverso, atémse o intérprete á letra do texto.(Maximiliano, Carlos – Hermenêutica e Aplicação do Direito – Rio de Janeiro, Forense, 2002. pág. 89/91. Como se pode facilmente perceber, as reflexões acima são por demais pertinentes ao caso ora em exame, que gira em torno da interpretação dos artigos 161 do CTN e Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 12 23 61 da Lei nº 9.430, de 1996 envolvendo, fundamentalmente, as acepções nas quais determinadas palavras foram empregadas nesses textos. Procurarei demonstrar que, tanto num como no outro texto estão presentes impropriedades gramaticais que têm sido exploradas por aqueles que defendem a tese da não incidência dos juros sobre a multa de ofício, e que sustentam que suas interpretações são as que melhor harmonizam os textos. Demonstrarei que, mesmo com a interpretação de que os dispositivos não prevêem a incidência dos juros sobre a multa de ofício, persistiria a impropriedade gramatical; que a interpretação de que ambos os dispositivos autorizam a incidência dos juros sobre a multa de ofício é a que melhor harmoniza as normas que versam sobre a matéria. Feitas essas considerações iniciais, passo então ao exame da matéria em foco, a qual pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a outra envolve a conclusão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a primeira questão, como se disse, o foco da discussão é a interpretação do art. 161 do CTN, o qual tem o seguinte texto: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A indagação a ser respondida é se a multa de ofício integra ou não o “crédito” a que se refere o caput do artigo. A resposta encontrase no próprio CTN, em diversos dispositivos, mas em especial nos artigos 113 e 139 que, combinadamente, definem o que integra o crédito tributário. O primeiro versa sobre a obrigação tributária e incorpora, no que chama de obrigação principal, o pagamento do tributo e penalidade pecuniária, senão vejamos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (...) O art. 139, por sua vez, afirma que “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” Ora, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 24 compreende um e outro. Isso não quer dizer em absoluto que o CTN equipare penalidade pecuniária a tributo, que não tem natureza de sanção. Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. Esse é o entendimento manifestado por Luciano Amaro, que não se desapercebeu dessa incoerência gramatical do texto. Vejase: A circunstância de o sujeito passivo sofrer imposição de penalidade (por descumprimento de obrigação acessória, ou por falta de recolhimento de tributo) não dispensa o pagamento integral do tributo devido, vale dizer, a penalidade é punitiva da infração à lei; ela não substitui o tributo, acrescese a ele, Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 13 25 quando seja o caso. O art. 157 diz que a penalidade não ilide o pagamento integral “do crédito tributário”, mas como, na conceituação dos arts. 113, § 1º, e 142, a obrigação e o crédito tributário englobariam a penalidade pecuniária, o que o Código teria que ter dito, se tivesse a preocupação de manter sua coerência interna, é que a penalidade não ilide o pagamento integral “do tributo”, pois não haveria sequer possibilidade lógica de uma penalidade excluir o pagamento de quantia correspondente a ela mesma.(Amaro, Luciano – Direito Tributário Brasileiro, 10ª ed., Atual – São Paul, pág. 379). Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. A legislação que trata dos juros de mora no pagamento de crédito tributário com atraso passou, nas últimas décadas, por várias mudanças, em grande parte provocadas pela instituição e posterior extinção da correção monetária na apuração e cobrança do crédito tributário, mormente no processo de extinção. Releva, portanto, fazer um breve histórico dessa evolução, iniciando a partir do DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, que disciplinou a matéria nos seguintes termos: Art 1º O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. Parágrafo único. A multa de mora será 30% (trinta por cento), reduzindose para 15% (quinze por cento) se o débito for pago até o último dia útil do mês calendário subseqüente ao do seu vencimento. Art 2º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º. Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 26 juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretoslei nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Art 4º A correção monetária continuará a ser aplicada nos termos do artigo 5º do Decretolei nº 1.704, de 23 de outubro de 1979, ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 2º deste Decretolei. Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. Art 6º Para os fins dos artigos 1º e 2º do Decretolei nº 1.687, de 18 de julho de 1979, tomarseá o valor de que trata o artigo 1º do Decretolei nº 1.699, de 16 de outubro de 1979. Como se percebe, havia previsão de incidência de multa de mora e de juros de mora, estes à razão de 1% ao mês, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, calculados sobre o valor originário do débito, que incluía a multa de ofício, conforme se depreende do exame do artigo terceiro. Registrese, ainda, que sobre esses débitos incidia também correção monetária, instituída desde 1964, pela Lei nº 4.357, de 1964. É interessante notar, inclusive, que o parágrafo único do art. 2º excluía, expressamente, a possibilidade de incidência dos juros sobre a multa de mora, o que seria desnecessário já que o art. 3º, ao se referir às parcelas dos débitos que não integram a base de cálculo dos juros, se referia à multa de mora. Várias outras normas foram editadas após esta versando a mesma matéria. O Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro, de 1987, manteve a incidência dos juros sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e, portanto, também sobre a multa de ofício, com o acréscimo de que o encargo passou a incidir sobre o débito atualizado monetariamente, a saber: Art. 16. Os débitos, de qualquer natureza, para com a Fazenda Nacional e para com o Fundo de Participação PISPASEP, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora,contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior. Na sequência veio a Lei nº 7.738, de 09 de março, de 1989 que inovou ao restringir a aplicação dos juros de mora aos “tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda”, atualizados monetariamente, retirando, assim, da sua base de cálculo, as penalidades pecuniárias. Confirase: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 14 27 § 1º A multa de mora será reduzida a quinze por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que deveria ter sido pago. § 2º O encargo de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 1.025, de 21 de outubro e 1969, será calculado sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. A Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989 tratou da questão e manteve a incidência de juros sobre os tributos e contribuições corrigidos monetariamente, tendo remetido sua aplicação à legislação pertinente, a saber: Art. 74. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que deveria ter sido pago. Pouco tempo depois foi editada a Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, que novamente passou a prever a incidência dos juros de mora sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, não mais à razão de 1% ao mês, mas com base na TRD, confirase: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária – TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e II multa de mora aplicada de acordo com a seguinte Tabela: (...) O art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991, contudo, teve vida curta, aplicandose apenas no período de julho a dezembro de 1991, pois sobreveio a Lei nº 8.383, de 1991 que regulou a matéria, com vigência a partir 1º de janeiro de 1992. A nova lei previu a incidência de juros, agora à taxa de 1% ao mês, incidente sobre os tributos ou contribuições, corrigidos monetariamente, verbis: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 28 § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. Veio então a Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, que deu início a um processo que culminaria com a eliminação da correção monetária dos débitos tributários ao determinar a apuração dos impostos e contribuições, a partir de 1º de janeiro de 1995, em Reais e não mais em Ufir, e alterou normas relativas aos juros de mora e à multa de mora com vistas a adaptar a legislação a essa nova realidade, a saber: Art. 5º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores ocorrerem até 31 de dezembro de 1994, inclusive os que foram objeto de parcelamento, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para Real com base no valor desta fixado para o trimestre do pagamento. Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica também às contribuições sociais arrecadadas pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), relativas a períodos de competência anteriores a 1º de janeiro de 1995. Art. 6º Os tributos e contribuições sociais, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, serão apurados em Reais. (...) Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; II multa de mora aplicada da seguinte forma: a) dez por cento, se o pagamento se verificar no próprio mês do vencimento; b) vinte por cento, quando o pagamento ocorrer no mês seguinte ao do vencimento; c) trinta por cento, quando o pagamento for efetuado a partir do segundo mês subseqüente ao do vencimento. § 1º Os juros de mora incidirão a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, e a multa de mora, a partir do primeiro dia após o vencimento do débito. § 2º O percentual dos juros de mora relativos ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 15 29 § 3º Em nenhuma hipótese os juros de mora previstos no inciso I, deste artigo, poderão ser inferiores à taxa de juros estabelecida no art. 161, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, no art. 59 da Lei nº 8.383, de 1991, e no art. 3º da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993. § 4º Os juros de mora de que trata o inciso I, deste artigo, serão aplicados também às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o patrimônio imobiliário, quando não recolhidos nos prazos previstos na legislação específica. § 5º Em relação aos débitos referidos no art. 5º desta lei incidirão, a partir de 1º de janeiro de 1995, juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração. § 6º O disposto no § 2º aplicase, inclusive, às hipóteses de pagamento parcelado de tributos e contribuições sociais, previstos nesta lei. § 7º A Secretaria do Tesouro Nacional divulgará mensalmente a taxa a que se refere o inciso I deste artigo. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional.(Incluído pela Lei nº 10.522, de 19.7.2002) Uma primeira e importante mudança introduzida pela Lei nº 8.981, de 1995 é a de que, com a apuração dos tributos e contribuições em Reais, a partir de 1º de janeiro de 1995, os débitos tributários deixaram de ser corrigidos monetariamente. Ao mesmo tempo, a Lei cuidou para que sobre esses débitos passasse a incidir juros calculados, inicialmente, com base na taxa de captação pelo Tesouro Nacional da Dívida Mobiliária Federal e, logo em seguida, com base na Selic. Os débitos em geral relativos a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, contudo, continuaram sendo apurados e cobrados em Ufir, e convertidos para Reais apenas quando do pagamento, com base na Ufir vigente no trimestre em que este ocorresse. A partir de 1995, portanto, iniciouse o processo de transição de um sistema com correção monetária dos débitos fiscais para um sistema sem correção monetária, no qual conviviam débitos apurados em Ufir, portanto, sujeitos a correção monetária e juros de 1% ao mês, inclusive sobre a multa de ofício, e débitos apurados em Reais, portanto, sem correção monetária, sujeitos a juros calculados com base na taxa Selic. Pelo texto do artigo 8ª da lei, contudo, os juros com base na taxa Selic seriam aplicados apenas sobre os tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal (caput), as contribuições arrecadadas pelo INSS e os débitos para com o patrimônio imobiliário. Logo em seguida à edição da Lei nº 8.981, de 1985, porém, a Medida Provisória nº 1.110 de 30 de agosto de 1995, a qual, depois de muitas reedições, com várias alterações e acréscimos, foi convertida na Lei nº 10.522, de 2002, acrescentou ao art. 84 da lei o parágrafo oitavo, já incluído no texto transcrito acima, o qual ampliou a aplicação do Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 30 disposto no artigo “aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional.” Como já referido, a lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, definiu que os juros a que se refere o art. 84, I da Lei 8.981, de 1995, e em outros dispositivos legais, passariam a ser calculados com base na taxa Selic, conforme seu artigo 13, in verbis: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Quando da edição da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, estava em vigor a regra contida na Lei nº 8.981, conforme acima apresentado, e que, sem considerar, por enquanto, o seu parágrafo oitavo, não previa a incidência de juros sobre a multa. Sobreveio então a Lei nº 9.430, de 1996, objeto da controvérsia, que disciplinou a matéria nos artigos 43, parágrafo único e 61, a seguir reproduzidos: Art. 43 .Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 62. Os juros a que se referem o inciso III do art. 14 e o art. 16, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, serão calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 16 31 primeiro dia do mês subseqüente ao previsto para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos. Parágrafo único. As quotas do imposto sobre a propriedade territorial rural a que se refere a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, serão acrescidas de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente àquele em que o contribuinte for notificado até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Que a lei prevê a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício exigida isoladamente, não se discute, dada a clareza do texto do artigo 43. A controvérsia é sobre a previsão legal de incidência dos juros sobre a multa exigida conjuntamente com o tributo e gira em torno do sentido e alcance da sentença “Débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. É interessante notar que toda a legislação anterior que versou essa matéria referiuse a débitos de qualquer natureza ou a tributos e contribuições, quando quis fazer incidir os juros sobres os débitos em geral, inclusive multa de ofício, ou apenas sobre os tributos e contribuições, exclusive a multa de ofício. O art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, por seu turno, adotou formato distinto ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, o que acabou suscitando a polêmica da qual nos ocupamos neste momento. Sobre o mérito da questão, insta registrar, como início de discussão, que o verbete decorrente é desses que comportam diferentes significações, tais como advindo, originado, derivado, resultado, nascido, procedente, como se colhe dos dicionários e, portanto, a expressão débitos decorrentes de tributos e contribuições, do ponto de vista gramatical e etimológico, tanto poderia se referir aos próprios débitos do tributo ou contribuição como àqueles relacionados com eles, derivados deles, originado deles, como é o caso da multa pelo seu não pagamento, acepções nas quais, vale ressaltar, a legislação tributária já utilizou essa palavra em outros dispositivos, como demonstrarei mais adiante. Vejome forçado, portanto, a divergir frontalmente da ilustre exConselheira da antiga Primeira Câmara deste Conselho de Contribuintes, Sandra Faroni, que gozava de merecido prestígio, quando afirmava que a expressão em comento não incluiria a multa de ofício, pois esta não decorreria dos tributos ou contribuições, mas do descumprimento do dever legal de pagálo. (Ac. 10195469, de 26/04/2006 e Ac. 10195802, de 19/10/2006). Com a devida vênia, não vislumbro nenhuma base razoável para, diante de diferentes possibilidades semânticas de um vocábulo, assumirse apenas uma delas como ponto de partida da interpretação do texto de uma lei, quando essa acepção deveria ser o ponto de chegada. Sustentam os que defendem a interpretação de que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 dirigese apenas aos tributos e contribuições; que, a se entender que a multa de ofício está contida no termo débitos decorrentes de tributos e contribuições, o dispositivo estaria prevendo a incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. Assim como quando da análise do art. 161 do CTN, aqui, da mesma forma, esse argumento está associado a um critério de interpretação do texto legal com base na leitura que melhor harmoniza, do ponto de vista gramatical, o próprio texto o que, como se viu, não é a melhor forma de se apreciar a questão. Verifico, contudo, que neste caso sequer existe a contradição na forma como apontada e que a interpretação proposta não a soluciona. De fato, ao prever que sobre os débitos incidirá multa de mora, entendendose que a multa de ofício integra o débito, a análise Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 32 meramente gramatical do texto leva à conclusão de que o dispositivo prescreveria a incidência da multa de mora sobre a multa de ofício. Superandose, entretanto, a mera leitura gramatical do texto e examinandoo como parte de um conjunto normativo mais amplo, verseá que tal conclusão não é possível, o que afasta a contradição. É que, como se sabe, a multa de mora e a multa de ofício se excluem mutuamente, de modo que uma não se aplica onde se aplica a outra. Assim, não haveria hipótese de, quando da aplicação da multa de mora, na sua base estar a multa de ofício. Esse fato não pode ser visualizado com a mera leitura isolada dos dispositivos, mas é facilmente percebido quando se examina conjuntamente os artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430, de 1996. O primeiro, prescreve que, nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas multa de ofício de 75% ou 150%, conforme o caso, o que exclui a incidência, nas mesmas hipóteses, da multa de mora. Portanto, não há como se concluir que o art. 61, ao prever a aplicação da multa de mora no caso de pagamento de débitos decorrentes de tributos e contribuições, inclusive a multa de ofício, em atraso estaria determinando a incidência daquela sobre esta. Não é sem razão que os Regulamentos do Imposto de Renda de 1994 e o de 1999, para que não pairassem dúvidas sobre isso, dedicaram um dispositivo especificamente para esclarecer essa questão, senão vejamos. Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994 RIR/94: Art. 985. O imposto que não for pago até a data do vencimento ficará sujeito à multa de mora de vinte por cento calculada sobre o valor do tributo atualizado monetariamente (Lei nº 8.383/91, art. 59). (...) § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.(sublinhei) Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de1996, art. 61). (...) § 3ºA multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.(sublinhei) Portanto, não só não existe a possibilidade de incidência de multa de mora sobre a multa de ofício, como não existe a possibilidade de incidência da multa de mora sobre os tributos e contribuições que serviram de base de cálculo para a multa de ofício, muito embora, neste último caso, o texto da lei, se examinado apenas no seu aspecto gramatical, diga o contrário. É dizer, o argumento de que o caput do artigo não inclui a multa de ofício porque se assim o fizesse haveria contradição com a parte final do mesmo artigo não é válido porque, como se vê, a exclusão da multa de ofício não resolveria essa contradição, pois, como vimos, a Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 17 33 se interpretar o dispositivo pelo seu aspecto estritamente gramatical, seríamos forçados a concluir que a Lei nº 9.430, de 1996 prevê a dupla incidência da multa de ofício e da multa de mora sobre o mesmo débito, o que não se sustenta. E nem se diga que o caput do artigo em apreço, ao se referir a tributos e contribuições, quis alcançar apenas os débitos que não serviram de base para a multa de ofício, pois essa afirmação levaria à conclusão de que o art. 61 da lei não prevê a incidência de juros sobre os tributos lançados de ofício com multa proporcional. Aliás, como pode ser facilmente verificado com o reexame dos textos legais reproduzidos nesta análise, todos os dispositivos legais que tratam da incidência da multa de mora teriam essa mesma impropriedade, mas isso nunca impediu que se os interpretasse corretamente entendendo que os juros incidem sobre os débitos lançados de ofício, o que se fez sempre superando as deficiências da linguagem com a apreciação científica e sistemática do texto. Sendo assim, se é legítimo concluir que os débitos de tributos e contribuições que serviram de base para o lançamento de ofício integram o caput do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, e, portanto, sobre eles incide juros de mora, mesmo sabendo da impossibilidade de incidência de multa de mora sobre esses débitos, não há qualquer razão para não se admitir, sob o argumento da impropriedade gramatical, que a multa de ofício também integra o dispositivo e, portanto, que sobre ela incida juros de mora, pois as situações são absolutamente idênticas. É de se concluir, assim, que o que se tem neste caso é um exemplo claro de uma impropriedade gramatical, decorrência natural das limitações linguísticas e da forma peculiar do processo legislativo, o que por si só desautoriza a pressa em se eleger como “correta” a interpretação que harmonize gramaticalmente o texto, o que, como se viu, neste caso, nem isso se consegue. É certo, contudo, que a simples demonstração da possibilidade de a multa de ofício integrar o caput do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não significa necessariamente que assim seja. É preciso um esforço adicional de análise para afirmar a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Seguindo a recomendação de Carlos Maximiliano, procurei identificar a utilização do termo decorrente em outras normas relativas a tributos e contribuições com a acepção de débitos derivados, relacionados com tributos e contribuições, e não tive dificuldade em encontrar. O próprio art. 5º da Lei nº 8.981, de 1995, já reproduzido acima, referese aos débitos decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, texto que foi reproduzido pelo artigo 29 da Lei nº 10.522, de 2002, introduzido pela Medida Provisória nº 1.542, de 18/12/1996 (e não MP nº 1.62131, de 13 de janeiro de 1998, como referido em alguns votos). Confirase: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 34 § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Ora, embora o dispositivo se refira a débitos decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, claramente quer se referir também à multa de ofício e a outros encargos incidentes sobre o valor do tributo ou, do contrário, seríamos forçados a concluir que essas penalidades não seriam convertidas para Reais quando do seu pagamento, nas hipóteses do art. 5º da Lei nº 8.981, de 1995, e os débitos não pagos ou parcelados não seriam convertidos para Reais em 1º de janeiro de 1997. Já o art 30 da mesma Lei prevê a incidência de juros calculados com base na taxa Selic sobre os débitos referidos no art. 29. Ora, ou bem os débitos decorrentes de contribuições incluem as penalidades e há a incidência de juros sobre estas, ou bem não incluem e não haveria norma determinando a conversão para Reais dos débitos relativos a essas parcelas. Não tenho dúvidas, portanto, de que a primeira opção é a que melhor traduz o sentido e alcance da norma e, neste caso, se verifica situação semelhante à de que se cuida neste processo. É interessante notar, a propósito, que ambos os artigos 29 e 30 da Lei nº 10.522, de 2002, foram introduzidas no nosso ordenamento em dezembro de 1996, com poucos dias de diferença da aprovação da Lei nº 9.430, de 1996. Nessa mesma linha de raciocínio, a recente Lei nº 10.547, de 2007, que criou a Receita Federal do Brasil se refere a “dívida ativa decorrente de contribuições” no contexto em que, evidentemente, se referia à contribuição e seus acréscimos, inclusive multa, como nos §§ 1º e 2º do art. 16, verbis: Art. 16. A partir do 1o (primeiro) dia do 2o (segundo) mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o débito original e seus acréscimos legais, além de outras multas previstas em lei, relativos às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei, constituem dívida ativa da União. § 1o A partir do 1o (primeiro) dia do 13o (décimo terceiro) mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o disposto no caput deste artigo se estende à dívida ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 18 35 da Educação – FNDE decorrente das contribuições a que se referem os arts. 2o e 3o desta Lei. § 2o Aplicase à arrecadação da dívida ativa decorrente das contribuições de que trata o art. 2o desta Lei o disposto no § 1o daquele artigo.(sublinhei) Notese que o caput do artigo, ao se referir aos débitos que passam a ser Dívida Ativa da União DAU, menciona textualmente a contribuição e os acréscimos legais; já nos parágrafos, quando trata da transferência da dívida ativa do INSS e do FNDE, menciona apenas aquela decorrente das contribuições, o que, necessariamente, inclui todos os acréscimos ou, de outro modo, a lei estaria transferindo para a DAU apenas parte da dívida, o que não faz sentido. Situação semelhante se vê no § 2º, ao determinar que a dívida ativa decorrente das contribuições referidas no artigo 2º da lei será destinada ao pagamento de benefícios do Regime Geral de Previdência Social. Enfim, como se pode ver, a palavra decorrente não apenas pode ser utilizada no sentido de derivar, estar relacionado a, advir de, como efetivamente foi utilizada com essa acepção em outras situações semelhantes à que se verifica no art. 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1996. Cabe analisar, por fim, o comando constante dos artigos 29 e 30 da Lei nº 10.522, de 2002, introduzidos pela MP 1.542, de 18 de dezembro de 1996. Esses dois artigos, em conjunto, prevêem a incidência de juros Selic sobre débitos de qualquer natureza cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, o que é invocado às vezes como argumento no sentido de que a lei limitou a incidência dos juros Selic sobre os débitos de qualquer natureza aos fatos geradores ocorrido até 1994. Tal conclusão, todavia, é fruto de uma análise meramente gramatical e isolada dos dispositivos, sem preocupação com a natureza da matéria que se pretende regular. É que os dois artigos claramente regularam uma situação pendente, decorrência desse processo de desindexação dos tributos, relacionada com a Lei nº 8.981, de 1995, em especial com o seu artigo 5º, transcritos acima. Relembrese que a Lei nº 8.981, de 1995 determinou que a partir de 1º de janeiro de 1995, os tributos e contribuições seriam apurados em Reais (art. 6º), e não mais em Ufir, como até então. Mas os débitos relativos aos fatos geradores até 31 de dezembro de 1994, continuavam sendo apurados em Ufir e convertidos para Reais apenas quando do pagamento (art. 5º), e sobre esses incidiam juros de mora de 1% ao mês (art. 84, § 5º). O que a Medida Provisória nº 1.541, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei nº 10.522, de 2002) fez foi regular a situação dos débitos relativos a fatos geradores até 31/12/1994 que, por não terem sido pagos ou parcelados, continuavam sendo controlados e apurados em Ufir, ao mesmo tempo em que determinava que, a partir de 1º de janeiro de 1997, os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994 seriam lançados em Reais. E determinou também que, a partir de 1º de janeiro de 1997, esses mesmos débitos, que antes eram atualizados monetariamente e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, e, a partir de 1º de janeiro de 1997 não mais sofreriam correção monetária, passariam a incidir juros de mora com base na taxa Selic. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 36 Portanto, não há como entender que os artigos 25 e 26 da Medida Provisória nº 1.541, de 1996, estivessem limitando a incidência de juros Selic aos débitos referentes a fatos geradores até 31/12/1994, mas apenas que eles regulavam uma situação específica desses débitos. Ao contrário, o fato de a lei determinar a incidência de juros Selic, a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza, relacionados com fatos geradores até 31/12/1994, denota uma clara tendência de aplicação de juros Selic sobre os débitos em geral. Merece alguns comentários, também, o Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/1998, que da interpretação do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 e da Medida Provisória nº 1.621, convertida na Lei nº 10.522, de 2002, concluiu pela incidência, a partir de 1º de janeiro de 1997, de juros sobre a multa em relação aos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram antes de 31/12/1994 e posteriores a 1º de janeiro de 1997, a saber: 3 (...) Assim, desde 01/01/1997, as multa de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, desde que estejam associados a: a)fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97; b) fatos geradores que tenham ocorrido até 31/12/1994, se não tiverem sido objeto de parcelamento até 31/08/1995. Esse parecer, como transparece claro de seu exame cuidadoso, limitase a interpretar o artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, e os artigos 29 e 30 da Medida Provisória nº 1.621, e, ainda, o art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995, para concluir que quanto aos débitos relativos a fatos geradores ocorridos nos anos de 1995 e 1996 somente havia previsão legal de incidência de juros de mora, sobre o valor dos tributos e contribuições, e que em relação aos períodos anteriores e posteriores a estes, há previsão legal de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Verifico, entretanto, que o Parecer deixou de considerar o § 8º da Lei nº 8.981, de 1995, introduzido pela Medida Provisória nº 1.110, de 30 de agosto de 1995, a conhecida Medida Provisória do CADIN que, após várias e sucessivas reedições, com acréscimos e alterações, veio a ser convertida na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e que estendeu o disposto no artigo 84 da Lei nº 8.981, de 1995 “aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional.” Ora, se o referido dispositivo previa a incidência de juros de mora apenas sobre os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal às contribuições arrecadadas pelo INSS e para com o patrimônio da União, com o parágrafo 8º os juros passariam a incidir sobre todos os débitos mencionados no dispositivo que, por certo, incluem as multas de ofício, conforme se pode extrair da análise das normas que tratam da Dívida Ativa da União e de sua administração e cobrança, a saber: Lei nº 6.840, de 22 de setembro de 1980: Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 19 37 normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. § 1º Qualquer valor, cuja cobrança seja atribuída por lei às entidades de que trata o artigo 1º, será considerado Dívida Ativa da Fazenda Pública. § 2º A Dívida Ativa da Fazenda Pública, compreendendo a tributária e a não tributária, abrange atualização monetária, juros e multa de mora e demais encargos previstos em lei ou contrato. § 3º A inscrição, que se constitui no ato de controle administrativo da legalidade, será feita pelo órgão competente para apurar a liquidez e certeza do crédito e suspenderá a prescrição, para todos os efeitos de direito, por 180 dias, ou até a distribuição da execução fiscal, se esta ocorrer antes de findo aquele prazo. § 4º A Dívida Ativa da União será apurada e inscrita na Procuradoria da Fazenda Nacional. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964: Art. 39. Os créditos da Fazenda Pública, de natureza tributária ou não tributária, serão escriturados como receita do exercício em que forem arrecadados, nas respectivas rubricas orçamentárias. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979). § 1º Os créditos de que trata este artigo, exigíveis pelo transcurso do prazo para pagamento, serão inscritos, na forma da legislação própria, como Dívida Ativa, em registro próprio, após apurada a sua liquidez e certeza, e a respectiva receita será escriturada a esse título. (Parágrafo incluído pelo Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979). § 2º Dívida Ativa Tributária é o crédito da Fazenda Pública dessa natureza, proveniente de obrigação legal relativa a tributos e respectivos adicionais e multas, e Dívida Ativa não Tributária são os demais créditos da Fazenda Pública, tais como os provenientes de empréstimos compulsórios, contribuições estabelecidas em lei, multa de qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias, foros, laudêmios, alugueis ou taxas de ocupação, custas processuais, preços de serviços prestados por estabelecimentos públicos, indenizações, reposições, restituições, alcances dos responsáveis definitivamente julgados, bem assim os créditos decorrentes de obrigações em moeda estrangeira, de subrogação de hipoteca, fiança, aval ou outra garantia, de contratos em geral ou de outras obrigações legais. (Parágrafo incluído pelo Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979). Vale ressaltar que em todas as reedições posteriores da Medida Provisória em questão, inclusive após a Lei nº 9.430, de 1996, o mesmo dispositivo foi repetido, até ser Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 38 finalmente convertida na Lei nº 10.522, de 2002 e o dispositivo em questão ter se transformado no artigo 17 dessa lei. Notese que, do ponto de vista gramatical, dizer que algo “aplicase aos demais créditos” não significa outra coisa senão que se aplica a todos os créditos sobre os quais não se aplicava antes, o que, no contexto que estamos tratando, significa que a os juros com base na taxa Selic incidiria sobre todos os créditos, inclusive os juros de mora. É claro, por tudo o que foi dito até aqui, que há sempre a possibilidade de que a leitura estritamente gramatical não seja suficiente para se extrair do texto da lei o seu conteúdo normativo; que apesar de as palavras denotarem um certo significado, o sentido da norma pode ser outro. Mas, para tanto, é preciso demonstrar, a exemplo do que procurei fazer ao longo de toda esta análise, que esse sentido que se pretende dar é o que melhor harmoniza o sistema de normas, apesar de texto apontar noutra direção. De minha parte, considerando o contexto em que a norma foi editada, durante uma transição que se fazia do sistema com correção monetária para um sistema sem correção monetária, quando se verifica uma inequívoca tendência a se passar a aplicar juros Selic sobre os débitos em geral, não corrigidos monetariamente, não vislumbro como uma interpretação mais restritiva deva prevalecer. Diante disso, não vejo como se pretender uma interpretação do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996 que restrinja a incidência dos juros de mora aos tributos e contribuições relativos a fatos geradores a partir de 1997, atribuindose ao vocábulo decorrente a acepção mais restritiva, quando a mesma lei prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício exigida isoladamente; quando se sabe que, na mesma época foi editada medida provisória prevendo a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir de 1997 sobre débitos em geral, relativos a fatos geradores anteriores a 1994; quando norma em vigor estendia a incidência dos juros Selic aos demais créditos da Fazenda Nacional; quando o parágrafo 8º do art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995, introduzido pela Medida Provisória nº 1.110, de 30 de agosto de 1995 já estendia a todos os demais débitos da Fazenda Nacional o disposto no referido artigo que, entre outras coisas, previa a incidência de juros com base na taxa de captação da Dívida Mobiliária Federal Interna e, posteriormente, com base na Selic. Concluo, assim, no sentido de que há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício exigida isolada ou juntamente com impostos ou contribuições relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da exigência o valor de R$ 251.041,82 (16/12/2005 – R$ 102.372,36, 12/01/2006 – R$ 96.291,16, 2/2/2006 – R$ 27.982,28, R$ 23/5/2006 – 24.396,05) Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 20 39 Declaração de Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Pedi vistas dos autos para melhor analisar o argumento de que houve apenas a postergação do pagamento do tributo e que consequentemente seriam devidos apenas os juros moratórios. Porém, antes de adentrar o mérito devo analisar a preliminar de nulidade da decisão da DRJ. Sustenta a Recorrente que a DRJ não se manifestou expressamente sobre o argumento de mera postergação. A jurisprudência administrativa e judicial é pacífica no sentido de que o julgador não precisa se manifestar expressamente sobre todos os argumentos expostos pelas partes. Contudo, quando o argumento isoladamente for suficiente que decidir a questão de forma autônoma em relação aos demais argumentos deve ser expressamente analisado. É o que ocorre no presente caso. O argumento de mera postergação é autônomo, mesmo que rejeitado os demais argumentos apresentados pela Recorrente o seu acolhimento é suficiente a solução da presente lide. Por outro lado, devemos analisar se a falta de manifestação da DRJ causa prejuízo ao direito de constitucional de ampla defesa, ou mesmo se seria nulidade processual. O Decreto nº 70.235/72 é omisso a esse respeito e desta forma deve ser aplicada subsidiariamente as normas do Código de Processo Civil. No presente caso a norma aplicável é a do artigo 515, in verbis: Art. 515 A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1º Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a sentença não as tenha julgado por inteiro. § 2º Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. § 3º Nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito (art. 267), o tribunal pode julgar desde logo a lide, se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento. (Acrescentado pela L 0010.3522001) § 4º Constatando a ocorrência de nulidade sanável, o tribunal poderá determinar a realização ou renovação do ato processual, intimadas as partes; cumprida a diligência, sempre que possível Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 40 prosseguirá o julgamento da apelação. (Acrescentado pela L 011.2762006) Da leitura dos dispositivos legais supra mencionados verificase não haver prejuízo, nos termos dos §§ 2º e 3º mesmo que a instância inferior não tenha se manifestado sobre um ou mais fundamentos ou mesmo sobre o mérito pode a instância superior julgar a causa sem que com isso haja supressão de instância. Confesso que inicialmente tive dúvidas sobre a nulidade até mesmo porque a tal permissão legal inovou o ordenamento jurídico pátrio em 2001. E mesmo essa casa vem decidindo em alguns casos que a DRJ deve se manifestar expressamente, como nos casos de restituições de IRPF incidente sobre PDV. Contudo, não me filio a tal entendimento posto que a apreciação direta pela instância superior de argumentos não apreciados pela instância inferior se coaduna com o direito fundamental à razoável duração do processo. Assim, rejeito a preliminar e nesse ponto acompanho o Relator. No mérito entendo que o primeiro argumento não prospera. Em que pese o fato de ser a operação inequivocamente uma garantia de uma garantia e na essência ser semelhante a um resseguro, na forma não o é. O resseguro é contrato típico revestido de formalidades indispensáveis tais como a autorização da SUSEP. Neste ponto acompanho o Relator. Por outro lado, como já adiantado, o que chamou a minha atenção foi o argumento de mera postergação do pagamento. Sustenta a recorrente em memoriais que: Fiscalização, inobstante o MPF estivesse direcionado ao IRFonte, solicitou e teve acesso às DIPJs dos respectivos anos fiscalizados. Ou seja, teve conhecimento do que ora se sustenta. E, ainda, o argumento do Sr. Procurador da Fazenda Nacional, em sua sustentação oral, na linha de que eventual crédito de IRPJ, de IRFonte ou de qualquer outra natureza deva ser objeto de pedido de restituição e compensação, não pode ser acatado por ferir diversos preceitos que vêm sendo respeitados por sólida jurisprudência deste E. Conselho, quais sejam (i) não exigir tributo cujo pagamento foi apenas postergado nos termos em que prescreve o PN Cosit nº 2/961 (Acórdãos 10805.145, 107 04.946), (ii) evitar o solve et repete (Acórdão 10514.519) e (iii) obedecer ao princípio da moralidade (Lei 9.784/99, art. 2º; Acórdãos 10617.147). Ademais, não se trata de um crédito tributário para ser compensado nos termos do art. 170 do CTN, mas sim de um IRFonte a ser aproveitado nos termos do art. 231, III do RIR/99, na determinação do saldo a pagar do IRPJ. Enfim, como se vê do que consta dos autos e aqui claramente demonstrado, a Fazenda não deixou de receber o Imposto que Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 21 41 foi lançado a título de IRFonte nas remessas efetuadas pela Recorrente à sua subsidiária em Cayman, ECC. Como se depreende da página 27 do próprio Termo de Verificação Fiscal (“... criação da ECC Insurance por parte da Embraer.”), a ECC é subsidiária integral indireta da Recorrente, sendo que a subsidiária direta da Recorrente e controladora da ECC é a empresa espanhola EMBRAER SPAIN HOLDING CO. SL (“ESH”). (...) Nesse cenário, várias consequências de normas tributárias brasileiras são aplicáveis: 1. O lucro da ESH deve ser reconhecido e tributado pela EMBRAER (art. 74 da MP 2.15835/01); o parecer PwC (Anexo 4) atesta essa tributação, ressaltando que a Embraer não se utilizou da Convenção destinada a Evitar a Dupla Tributação, celebrada entre Brasil e Espanha e promulgada pelo Decreto nº 76.975/76. 2. O lucro da ECC deve ser reconhecido pela ESH (o parecer PwC confirma que isso ocorreu), o que autoriza afirmar que o lucro da ECC foi tributado no Brasil 3. O IRFonte cobrado nas remessas do Brasil em favor da subsidiária no exterior, inclusive em paraíso fiscal (caso da ECC, em Cayman), pode ser aproveitado pela controladora no Brasil (art. 395, par. 8º, RIR/99) 4. A holding no exterior deve concentrar o IRFonte exigido nas remessas em favor de suas subsidiárias (art. 14, par. 6º, IN 213/07) Vejamos a legislação pertinente: Instrução Normativa SRF 213 de 2002 Compensação do imposto pago no exterior com o imposto de renda devido no Brasil Regime de tributação Art. 1º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitos à incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), na forma da legislação específica, observadas as disposições desta Instrução Normativa. (...) § 6º Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 42 filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. Disponibilização de lucros Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. (...) § 6º A filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. RIR/99 Art. 395. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente, computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 15). (...) § 8º O imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados a filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país enquadrado nas disposições do art. 245, poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil quando os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil (Medida Provisória nº 1.8072, de 25 de março de 1999, art. 9º). (obs: Art. 245 trata de países com tributação favorecida ou paraísos fiscais) Por sua vez assim se manifesta a Receita Federal do Brasil em seu “perguntas e respostas, que se baseia em soluções de consultas formuladas pelos contribuintes: PERGUNTAS E RESPOSTAS 2012 – CAPÍTULO OPERAÇÕES INTERNACIONAIS 104 O imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados à filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país enquadrado nas disposições do art. 24 da Lei nº 9.430, de 1996, poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Processo nº 16643.000118/201092 Acórdão n.º 220101.630 S2C2T1 Fl. 22 43 coligada no Brasil quando os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil? Sim. Essa possibilidade foi reconhecida pelo art. 9º da MP 2158 35, de 2001, devendo ser observados os limites para a compensação. Esses limites, estabelecidos no art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, aplicamse, inclusive, no caso de afonte pagadora dos rendimentos ser pessoa jurídica domiciliada no País. Veja ainda: Conceito de país com tributação favorecida: Pergunta 005 deste capítulo. Normativo: Lei nº 9.249, de 1995, art. 26; e MP 215835, de 2001, art. 9º. Diante do exposto não há como chegar a conclusão diversa, não há prejuízo ao Erário Público. Sendo a ECC uma seguradora cativa da Recorrente todo o seu lucro decorre das remessas efetuadas pela Recorrente e tendo esse lucro sido submetido a tributação o Imposto de Renda que deveria ser retido foi pago ao ser tributado pelo IRPJ da recorrente. Se a Recorrente tivesse retido o IRRF como quer a Fazenda Nacional teria direito de compensálo com o IRPJ, reduzindo o imposto a pagar, como não reteve não compensou créditos e consequentemente pagou IRPJ maior. Desta forma, abro divergência para dar provimento parcial para excluir da exigência o imposto, a multa de ofício e os juros de mora posteriores à data do recolhimento do IRPJ. É como voto. Assinatura digital Rodrigo Santos Masset Lacombe Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2ª CAMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 16643.000118/201092 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 220101.630. Brasília/DF, 12 de julho de 2012. ______________________________________ Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: // Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 86DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/ 08/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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Numero do processo: 13770.000525/2003-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO - ESTIMATIVAS NÃO PAGAS.
A falta de recolhimento das estimativas impõe a aplicação da intitulada "multa isolada" e não a constituição do crédito relativo ao imposto acrescido de multa proporcional
Numero da decisão: 1401-000.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso ofício. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro Maurício Pereira Faro.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto,, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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A falta de recolhimento das estimativas impõe a aplicação da intitulada "multa isolada" e não a constituição do crédito relativo ao imposto acrescido de multa proporcional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso ofício. Declarouse impedido de votar o Conselheiro Maurício Pereira Faro. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto,, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 05 25 /2 00 3- 27 Fl. 521DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13770.000525/200327 Acórdão n.º 1401000.895 S1C4T1 Fl. 68 2 Relatório Tratase de recurso de ofício em face do Acórdão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro IRJ.. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratase de processo de auto de infração (fls. 01/10) relativo a débito de CSLL por estimativa dos períodos de janeiro, fevereiro, março e maio de 1998, no valor total de R$ 4.371.976,17, multa de R$ 3.278.982,13 e juros de R$ 4.455.547,24, totalizando R$ 12.106.505,54. O contribuinte vinculou os débitos à compensação com pretensos créditos oriundos da ação judicial n° 94.156944. O auto de infração foi lavrado em virtude da ausência de confirmação do processo judicial (fl. 05/06). A interessada foi cientificada em 07/07/2003 (fl.11) e apresentou impugnação em 06/08/2003 alegando que os débitos estão suspensos por medida judicial. Acrescenta que ingressou com Medida Cautelar n° 94.00.156944 e Ação Ordinária n° 95.00.087464 pleiteando a reposição do expurgo inflacionário ocorrido quando da implantação do Plano Verão, em janeiro de 1989. Alegou que foi efetuado depósito do montante integral e que não é cabível a exigência da multa de ofício. Acrescenta ainda que " Como consequência do método de apuração da CSLL (adiantamentos) alguns valores depositados pela Impugnante posteriormente revelaramse depósitos a maior, pelo que, o saldo de CSLL depositado tornouse superior ao valor necessário para a suspensão da exigibilidade dos débitos de CSLL préexistentes. Posteriormente, no exercício de 1997, quando a impugnante apurou novos débitos de CSLL, o saldo a maior dos depósitos (que não estava vinculado a créditos tributários existentes) foi atribuído aos novos débitos. Não houve novos depósitos, unicamente porque o valor necessário para garantir a suspensão do crédito tributário já estava depositado à disposição da Justiça Federal, em razão da realização dos depósitos a maior.” É o relatório. A DRJ CANCELOU o lançamento, nos termos da ementa abaixo e RECORREU de OFÍCIO: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO L ÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998 AUDITORIA INTERNA. DCTF. LANÇAMENTO DE ESTIMATIVA Após o encerramento do exercício, não é cabível o lançamento da estimativa, somente do imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. É o relatório. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13770.000525/200327 Acórdão n.º 1401000.895 S1C4T1 Fl. 69 3 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. RECURSO DE OFÍCIO A esse respeito a DRJ cancelou o lançamento das estimativas não pagas, nos seguintes termos:: [...] Como visto no relatório, o lançamento foi efetuado em virtude de, em procedimento de auditoria interna na DCTF, não ter sido confirmado o processo judicial que suspendia a exigibilidade dos débitos de estimativa de CSLL relativas aos períodos de janeiro, fevereiro, março e maio de 1998. O regime de estimativa se constitui em mera antecipação de tributo eventualmente devido quando da apuração de sua efetiva base imponível. Após o encerramento do exercício, diante de falta de recolhimento mensal por estimativa, somente seria cabível o lançamento de multa isolada e do imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto de acordo com o previsto no artigo 16 da IN 93/97 Nada a reparar na decisão de piso. É indevido o lançamento de estimativa de CSLL após a apuração definitiva do tributo. As diferenças não pagas ou constituídas de IRPJ/CSLL só são passíveis de lançamento no curso do anocalendário. Ultrapassado esse momento, cabe à autoridade administrativa fiscal apenas constituir o crédito tributário relativo ao 1RPJ/CSLL anual definitivo, ou proceder ao lançamento da multa isolada sobre as estimativas não pagas. Essa é a jurisprudência pacífica deste Colegiada: Ementa: IRPJ — MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO ISOLADAMENTE EXIGIDA. — FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter'sua eficácia, passando a prevalecer a exigência do tributo efetivamente devido, apurado em ação fiscal que tenha por base no lucro real. Não implica cobrança da multa isolada exigida através de lançamento de oficio, por falta de recolhimento de tributo por estimativa, sob pena de dupla incidência de multa de oficio. Recurso conhecido e provido (Recurso: 145974, sessão 07 de dezembro de 2006). Fl. 523DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13770.000525/200327 Acórdão n.º 1401000.895 S1C4T1 Fl. 70 4 Portanto, revisados os autos, constato a correção do Acórdão recorrido, adotando as mesmas razões de decidir do voto condutor. Por todo o exposto, NEGO provimento ao RECURSO DE OFÍCIO . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 524DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10860.002747/00-63
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 Ementa: LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta- se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4% do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 9900-000.283
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 Ementa: LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta- se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4% do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN.
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Ltda Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 Ementa: LANÇAMENTO. HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4% do CTN), que é de cinco anos. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação, é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (Assinado digitalmente) RELATOR – FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR (Assinado digitalmente) EDITADO EM: 01/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Susy Gomes Hoffmann, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Fabiola Cassiano Keramidas, Marcos Aurelio Pereira Valadao, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, Jose Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Francisco Assis de Oliveira Junior, Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas, Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Tratase de Auto de Infração referente a IRPJ, CSLL, COFINS e PIS relativos a créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram nos meses 08, 10 e 11/1994 cuja ciência ao contribuinte se deu em 29/12/2000. A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, fls. 635, mantendo a decisão da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 594), tendo sido acolhida a preliminar de decadência mediante aplicação do prazo previsto pelo § 4º do art. 150 do CTN, exarando o Acórdão de nº 0105.991, de 12/08/2008. Eis a ementa do acórdão recorrido: Assunto : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRP J Exercícios: 1995, 1996 Ementa: DECADÊNCIA. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4 o do CTN. Precedentes da CSRF. Recurso especial negado. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10860.002747/0063 Acórdão n.º 920000283 CSRFPL Fl. 2 3 O artigo 9º do Regimento Interno da Câmara Superior aprovado pela Portaria MF nº 147, de 2007, já revogado, trazia a previsão de seria possível interposição de recurso extraordinário ao Conselho Pleno no tocante a decisões de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que dessem à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Com fulcro nesse dispositivo, a Fazenda Nacional interpôs recurso extraordinário, fls. 646/651, pleiteando a reforma do acórdão proferido pela Primeira Turma, com objetivo de ver aplicado o prazo decadencial cuja contagem tem início no primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado com fundamento no inciso I do art. 173 do CTN, indicando como divergência necessária à interposição do recurso, a recorrente a decisão exarada no Acórdão CSRF/0202.1308, de 12/05/2003, juntado aos autos, assim ementado: Ementa: COFINS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO PRAZO DECADENCIAL. ART. 173, I, CTN. . AMPLIAÇÃO DO PRAZO DECADENCIAL POR MEIO DE LEI ORDINÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Não havendo o Contribuinte recolhido valor algum a título de COFINS, não é possível a ocorrência da homologação tácita, uma vez que não há pagamento antecipado a ser homologado, aplicandose a regra geral para contagem do prazo decadencial do lançamento de oficio, descrita no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, que é de cinco (05) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado. A decadência consubstanciase em garantia fundamental dos contribuintes, razão pela qual se veda ao legislador ordinário fixar prazo superior àquele insculpido no art. 173 do CTN. Recurso negado. Às fls. 655 encontrase despacho do Presidente da CSRF dando seguimento ao recurso extraordinário. O contribuinte apresentou suas contrarrazões, transcrevendo trecho do acórdão que lhe deu provimento como razões para manter a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador. Além disso, acrescenta que o homologar o pagamento é interpretação que distorce o mandamento legal, haja vista o que se homologa é a atividade do contribuinte. Os autos foram a mim sorteados, os quais inclui na presente pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior Fl. 726DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 4 O recurso especial é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, conforme consta do despacho às fls. 655. Inicialmente, destaquese que a tese controversa trazida para apreciação deste colegiado referese à aplicação do prazo de decadência ao crédito lançado e discutido no presente lançamento que, por sua vez, teve como fato gerador o IRPJ, CSLL, COFINS e PIS relativos a créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram nos meses 08, 10 e 11/1994 cuja ciência ao contribuinte se deu em 29/12/2000. No tocante à preliminar decadência, insta observar que para deslinde da questão há de ser considerada também a previsão contida no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, alterado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, abaixo transcrito: “62A – As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infracontitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, no tocante à matéria prazo decadencial, o Superior Tribunal de Justiça, julgando os recursos submetidos à sistemática de repetitivos, proferiu o Acórdão no Resp 973733, pacificando a matéria, cujo ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao Fl. 727DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Processo nº 10860.002747/0063 Acórdão n.º 920000283 CSRFPL Fl. 3 5 lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Nesse sentido, considerando a existência de decisão emanada do egrégio Tribunal, em sede de Recursos Repetitivos, passo a análise do caso concreto. Notese, inicialmente que, diferente da tese dominante nesse Conselho em relação ao fato de que a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo tendente a praticar as ações previstas no art. 142 do CTN, independente de pagamento, seria o objeto da homologação pela autoridade tributária, verificase que a teor da decisão do STJ, o que deve ser homologado é o pagamento eventualmente antecipado pelo sujeito passivo. Inexistem dúvidas quanto ao fato de que todos os membros desde colegiado concordam que a modalidade de lançamento por homologação ocorre quando a legislação que rege determinado tributo determine ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do valor devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Nesses casos, a atuação da administração tributária é posterior, seja ao homologar expressamente o pagamento prévio realizado pelo sujeito passivo, seja de maneira tácita, decorrido o prazo legalmente estabelecido para sua manifestação acerca do recolhimento efetuado pelo obrigado, conforme consta do § 4º do art. 150 do CTN, in verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...) Fl. 728DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR 6 § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” No caso em apreço, o Contribuinte entregou todas as declarações com o QUADRO 09 em branco. Contudo, após informações obtidas junto à PREFEITURA MUNICIPAL DE TAUBATÉ/SP, conforme Ofício 1971/00, expedido pelo Prefeito Municipal em 05/12/2000, anexo, ficou constatado que o sujeito passivo praticou atos negociais com a referida Prefeitura, conforme relacionados no QUADRO 1.1 do ANEXO 1 deste Auto de Infração. Nesse sentido, inexistindo razão para aplicação da norma específica que norteia os lançamentos por homologação, seguese a imperiosa necessidade de aplicação da regra geral esculpida no Código Tributário Nacional nos termos do artigo 173 .. Assim, a conclusão que se impõe é a de que, não havendo pagamento antecipado, o lançamento de tributo sujeito à homologação poderá ser realizado no prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, cujo termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;....” Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, retornando os autos à Câmara a quo para análise de mérito. Francisco Assis de Oliveira Júnior – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 729DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13882.000038/2002-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. Período: 01.05.1997 a 30.09.1997 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelos arts. 10 do Decreto número 70.235/72 e 142 do CTN, impõe, assim, anular o lançamento.
Numero da decisão: 3403-001.705
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. Período: 01.05.1997 a 30.09.1997 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelos arts. 10 do Decreto número 70.235/72 e 142 do CTN, impõe, assim, anular o lançamento. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Fl. 308DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto com o objetivo de modificar a decisão que manteve o auto de infração em razão do não reconhecimento de crédito tributário utilizado em compensação de débitos para a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS período de apuração de 01 de maio a 30 de setembro de 1997. Cuidase de auto de infração eletrônico lavrado por motivo que não se consegue identificar. Motivação totalmente inconclusiva: “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme anexo III”. No anexo III, constatase a existência de duas justificativas para o lançamento. Em relação ao mês de maio de 1997 está consignado “Comp. c/pagto desvinculado pela SRF. Com relação a junho de 1997 está consignado o seguinte:”Comp. C/pagto parcialmente utilizado e na linha inferior “Pgto não localizado”. O presumível crédito utilizado em compensação se refere a diferenças apuradas em recolhimentos procedidos entre a sistemática dos Decretos Lei nºs 2.445/88 e 2.449/88 e aquela prevista pela lei Complementar nº 7/70. A recorrente aduz que os recolhimentos efetuados a titulo de Contribuição ao PIS nos períodos de 1988 a 1995 geraramlhe crédito de R$ 25.350,07, utilizado em compensação com os valores objeto do lançamento, observando o prazo de 10 (dez) anos do recolhimento indevido, conforme interpretação do Superior Tribunal de Justiça. Sustenta que tal compensação foi devidamente informada na Declaração de Contribuições e Tributos Federal — DCTF, conforme documentos anexos. Não obstante, teria sido surpreendida com a presente autuação sob a alegação de "falta de recolhimento ou pagamento do principal e declaração inexata". Diz, ainda: “a Lei Complementar n° 7, de 07 de setembro de 1970 instituiu o Programa de Integração Social, sendo que o seu art. 3° previu que a participação das empresas teria como base o seu faturamento”. Posteriormente, os DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88 alteraram a legislação do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor PúblicoPASEP e do Programa de Integração Social PIS, mudando a base de cálculo, a alíquota e o prazo de recolhimento da contribuição para o PIS. Aduz, também, que a Inconstitucionalidade das Alterações da Legislação do PIS o Senado Federal, através da Resolução n° 49, de 09.10.1995, afastou definitivamente a execução dos Decretoslei nºs. 2.445/88 e 2.449/88, considerando indevida a exigência da contribuição ao Programa de Integração Social calculada com supedâneo naqueles diplomas legais. Declarada a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, prevaleceram as Leis Complementares ns. 07/70 e 17/73. A decisão recorrida deixou de reconhecer o crédito em decorrência de decadência do direito de pleitear por ter sido formulado em prazo superior a cinco anos, contados da data do recolhimento efetuados até 12 de junho de 1992, de acordo com o seu entendimento seria inadmissível a pretensão de utilizálos em compensação a partir de junho de 1997, assim consta da ementa: Fl. 309DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13882.000038/200216 Acórdão n.º 3403001.705 S3C4T3 Fl. 2 3 “Ementa: DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ORIGINADO HA MAIS DE CINCO ANOS DE SUA UTILIZAÇÃO. Extinguese em cinco anos, contados da data do recolhimento, o direito de o contribuinte pleitear a restituição, ou efetivar correspondente compensação, de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido. CRÉDITO. CRITÉRIOS DE CALCULO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Em razão do disposto na Lei Complementar n° 17/73, e tendo em conta a inconstitucionalidade dos DecretosLei n° 2.445/88 e 2.449/88, a Contribuição ao PIS é devida à alíquota de 0,75% a partir do exercício de 1976. MULTA DE OFÍCIO. Em face do principio da retroatividade benigna, exonerase a multa de oficio no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pela Lei no 11.051/2004”. A Autoridade Administrativa constatou a existência dos pagamentos como se vê da informação: “Certificados os recolhimentos de 20/10/88 a 06/12/91 (fls. 191/192), bem como tendo em conta os demais pagamentos efetuados de 01/92 a 03/96, a autoridade preparadora, valendo se dos dispositivos legais apontados A fl. 194, apurou os valores devidos a titulo de Contribuição ao PIS de janeiro/88 a fevereiro/96 (fls. 195/198) e a eles imputou os recolhimentos identificados (fls. 199/205), concluindo pela inexistência de créditos no período & em análise (fls. 206/218”. Em razões recursais mantém forte nos mesmos argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos necessários ao seu conhecimento, motivo pelo qual passo a examinar. Impõe em primeiro plano examinar de ofício a motivação contida no auto de infração. Pareceme a prima face tratarse razões incongruentes com se vê do anexo III. Uma delas se refere à desvinculação do pagamento, sem, contudo, informar se ocorreu a pedido do contribuinte ou de ofício. Está análise se torna de suma importância para saber se a declaração de inexata e a falta de recolhimento foram causadas pelo contribuinte ou decorre da desvinculação do débito. Entretanto, inexiste elementos nos autos que possa esclarecer esta situação. A outra está assentada quanto à existência ou não do pagamento como resta evidente ao ler afirmação do anexo III – “Comp. C/pagto parcialmente utilizado e na linha inferior” “Pgto não localizado”. Como se vê há dois fatos não idênticos e antagônicos. São adversos porque o primeiro fato informa que parte foi utilizada de modo parcial e o segundo afirma de que não houve pagamento localizado. Assim, pareceme que tratam de dois motivos mutuamente excludentes, e, sendo assim, macula o lançamento e torna o crédito tributário duvidoso. Portanto, ao deixar de descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se extrairia o motivo do lançamento. Peço licença para transcrever parte do voto do eminente Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, proferido nos autos do processo de nº 10380.000067/200241: “Em nenhum momento anterior ao auto de infração houve notificação à contribuinte sobre as divergências inicialmente apuradas. O art. 142 do Código Tributário Nacional contém uma definição de lançamento, estabelecendo que” Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível “, acrescentando o seu parágrafo único que” A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional “. A ausência desses elementos ou de algum deles, inquestionavelmente, dá causa à nulidade do lançamento por defeito de estrutura e não apenas por vício formal, caracterizado pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração desse ato jurídico. É lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Sob o pretexto de corrigir o vício detectado no auto de infração, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava Fl. 311DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13882.000038/200216 Acórdão n.º 3403001.705 S3C4T3 Fl. 3 5 definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Destarte, é por meio da descrição dos fatos que se revelam os motivos que levaram à autuação. Não é necessário que a descrição seja extensa, bastando que se articule de modo preciso os elementos de fato e de direito que levaram o auditor ao convencimento de que a infração deve ser imputada à contribuinte. A descrição dos fatos de fl. 5 é totalmente deficiente por não dizer qual é a natureza da inexatidão, estando repleta de “e/ou”, e por remeter o leitor para diversos demonstrativos que também nada dizem a respeito. A fiscalização deveria ter complementado a informação básica do sistema com as peculiaridades do caso concreto. E assim não procedeu. Não nos esqueçamos de que formalidade é, pois, todo o ato ou fato, ainda que meramente ritual, exigido por lei para segurança da formação ou da expressão da vontade de um órgão.1 A informalidade está, dependendo das condições, para o administrado, não para o administrador, que deve preservar as condições estabelecidas na norma. No mais, o procedimento fiscalizatório tem a sua etapa prévia ao “processo” administrativo. Erros ocorridos durante o procedimento de fiscalização não devem ser supridos por quem não detém a competência para o feito. Não há como suprir a etapa inicial, por quem não possui a competência para tanto, na forma prevista nas normas de direito processual administrativo, sob pena de resultar em preterição do direito de defesa da contribuinte. Nesse sentido, à fiscalização compete apurar, determinar a base de cálculo, e, sobretudo, descrever a forma pela qual procedeu aos cálculos (motivação). Já, à autoridade julgadora, cabe a apreciação e análise dos fatos e fundamentos legais, já inseridas no feito legal. Vale dizer, em linguagem mais simples, que o Fisco não pode, durante o procedimento, atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora, já no âmbito do processo, fazêlo acertar no que não viu, subtraindo ao impugnante o direito de opor contrarazões, quaisquer que sejam, sem que isto, pelo menos a meu juízo, resulte na preterição do direito de defesa do contribuinte autuado. A realização de diligências após o lançamento, em primeiro lugar deveria estar consubstanciada em determinação da autoridade superior, o que não se encontra nos autos. Outrossim, uma vez pronto e impugnado o auto de infração, a autoridade lançadora não tem mais competência para alterálo, como tentou fazer, ainda que em decorrência das razões trazidas pela impugnante que, para se defender daquilo que não tinha conhecimento, obrigouse a apresentar argumentos genéricos e não correspondentes à fundamentação legal e descrição contidas no auto de infração. 1 Marcelo Caetano, Manual de Direito Administrativo, 10ª ed., Tomo I, 1973, Lisboa. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Contudo, há que se lembrar que é vedado por lei a alteração do lançamento anterior, a título de “revisão”, só para mudar o critério jurídico adotado no lançamento primitivo. O que vejo na decisão proferida pela DRJ é que ao invés de anular o auto de infração a partir do momento que ficou comprovada a existência da ação judicial indicada pela contribuinte em sua DCTF, para, então, proceder ao lançamento pelos fundamentos jurídicos corretos, na tentativa de “validar” o auto de infração, simplesmente modificouse o critério jurídico. Relativamente à mudança de critério jurídico, peço vênia para introduzir parte do voto proferido pelo I. Conselheiro Neicyr de Almeida, (Ac. 10320.441) que assim dispõe: “Ainda sobre a temática, importa trazer à lume as lições sempre atuais do ínclito tributarista Rubens Gomes de Souza, na percepção aguda do ilustrado mestre Souto Maior Borges, in Lei Complementar Tributária, São Paulo, Ed. Rev. dos Tribs., 1975, acerca da melhor exegese do artigo 146 do C.T.N.: Antecipandose à vigência do CTN, Rubens Gomes de Souza ensinou que se o fisco, mesmo sem erro, tiver adotado uma conceituação jurídica e depois pretender substituíla por outra, não mais poderá fazêlo. E não o poderá porque, se fosse admissível que o fisco pudesse variar de critério em seu favor, para cobrar diferença de tributo, ou seja, se à Fazenda Pública fosse lícito variar de critério jurídico na valorização do “fato gerador”, por simples oportunidade, estarseia convertendo a atividade do lançamento em discricionária, e não vinculada.” Outrossim, somente para complementar o raciocínio, ao modificar o critério jurídico estaria a DRJ a constituir um novo auto de infração com outra motivação”. A jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é farta em decisões nas quais se decretou a nulidade do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e/ou no art. 142 do CTN, bastando citar aqui, a título de exemplo, as seguintes ementas: “NORMAS PROCESSUAIS AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS O ato administrativo deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo artigo 10, do Decreto nº 70.235/72.” (Acórdão 10610.087, de 15/04/1998). “RECURSO "EX OFFICIO" – IRPJ – AUTO DE INFRAÇÃO – ERRO NA ELABORAÇÃO DO LANÇAMENTO – NULIDADE – É nulo o lançamento em que a autoridade fiscal deixa de atender os requisitos essenciais à sua validade, mormente o artigo 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72.” (Acórdão 10707.740, de 12/08/2004). Fl. 313DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13882.000038/200216 Acórdão n.º 3403001.705 S3C4T3 Fl. 4 7 “NULIDADES. Anulase o auto de infração eivado de vício na motivação. Recurso provido.” (Acórdão 20216.967, de 28/03/2006). De modo que havendo macula no lançamento, impõe anular o lançamento ab initio. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 314DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10711.002296/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do Fato Gerador: 25/10/2006
NORMAS PROCESSUAIS. JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL EM MONTANTE INTEGRAL E TEMPESTIVO. NÃO CABIMENTO.
É incabível a incidência de juros de mora quando o contribuinte deposita em juízo o montante integral do crédito litigado, dentro do prazo de vencimento do tributo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3202-000.567
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 25/10/2006 NORMAS PROCESSUAIS. JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL EM MONTANTE INTEGRAL E TEMPESTIVO. NÃO CABIMENTO. É incabível a incidência de juros de mora quando o contribuinte deposita em juízo o montante integral do crédito litigado, dentro do prazo de vencimento do tributo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Resolução nº 320200.016, constante às fls. 262/263, o qual passo a transcrever: “Tratase de recurso interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Brasil em Florianópolis/SC, que decidiu, por unanimidade Fl. 11DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 de votos, considerar procedentes os lançamentos preventivos da decadência no que respeita aos Autos de Infração de exigência do IPI e das contribuições sociais PIS e Cofins incidentes na importação objeto do despacho aduaneiro proposto pela Declaração de Importação 06/12876149, de 25/10/2006. Para historiar os fatos transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Trata o presente processo dos Autos de Infração de fls. 01 a 04, 05 a 08 e 09 a 12 por meio dos quais são feitas as seguintes exigências: fls. 01 a 04 1 R$ 3.171,93 (três mil cento e setenta e um reais e noventa e três centavos) de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); 2 juros de mora fls. 05 a 08 3 R$ 12.522,82 (doze mil quinhentos e vinte e dois reais e oitenta e dois centavos) de Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, nos termos dos arts. 1o; 3o, I; 4o, I; 5o, I; 7o, I; 8o, II; 13, I; 19 e 20, da Lei no 10.865 de 30/04/2004 DOU 30/04/2004 ed. extra; 4 juros de mora fls. 09 a 12 5R$ 2.718,77 (dois mil setecentos e dezoito reais e setenta e sete centavos) de Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação, nos termos dos arts. 1o; 3o, I; 4o, I; 5o, I; 7o, I; 8o, I; 13, I; 19 e 20 da Lei no 10.865 de 30/04/2004 DOU 30/04/2004 ed. extra; 6 juros de mora. Os créditos tributários em questão foram lançados com o efeito de se prevenir a decadência estando com a exigência suspensa, devido a existência do processo judicial no 2006.51.01.0159678, em curso na 19a Vara Federal do Rio de Janeiro RJ, conforme declaração da autoridade fiscal às fls. 02 e 06. Lavrados os autos de infração em tela e intimada a autuada em 07/05/2007 (fl. 37), em 06/06/2007 (fl. 38) ela ingressou com a impugnação de fls. 38 a 61 por meio da qual alega em síntese: nulidade dos lançamentos tendo em vista que os autos de infração omitem os artigos das normas legais especificadas dadas como infringidas limitandose a relacionar de forma genérica, sem motivação, o art. 61, § 3o, da Lei no 9.430/1996; a autoridade fiscal sequer mencionou os índices utilizados para a apuração do suposto débito. A falta de fundamentação, obrigatória conforme disposição do art. 10 do Decreto no 70.235/1972, violou o princípio do contraditório e da ampla defesa, tendo em vista que impediu a peticionária de entender porque estão lhe sendo exigidos os créditos tributários em questão; No mérito apresenta argumentos a respeito da inexigibilidade do IPI, da Cofins e do PIS na importação em questão. Essa questão já foi levada a juízo. A peticionária alega, também, que a aplicação da taxa Selic é ilegal. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.002296/200715 Acórdão n.º 3202000.567 S3C2T2 Fl. 571 3 Pede a anulação dos autos de infração em questão ou, alternativamente, que seja recebida a impugnação para suspender o procedimento administrativo até o julgamento final do mandado de segurança impetrado, com o mesmo objeto.” O julgamento de primeira instância foi realizado pela 2ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, nos termos do Acórdão DRJ/FNS no 0711.400, de 23/11/2007 (fls. 227/230), que rejeitou as preliminares de nulidade do lançamento suscitadas pela recorrente, de que os Autos de Infração omitem os artigos das normas legais dadas como infringidas, bem como os índices utilizados para a apuração dos débitos, tendo em vista que nos quadros referentes ao enquadramento legal constam as legislações que apóiam as exigências fiscais e que, em se tratando de importação, o valor dos tributos têm por base o valor aduaneiro das mercadorias declarado pela importadora, além de não haver atualmente índices de correção monetária de débitos. Quanto à questão de inexigibilidade dos tributos, alegada pela recorrente em razão de a questão já ter sido levada a juízo, o órgão julgador concluiu que a exigibilidade dos débitos está suspensa devido à existência de processo judicial em curso na 19ª Vara Federal do Rio de Janeiro/RJ, aplicandose, no caso, o disposto no Ato Declaratório (Normativo) no 3, de 14/2/96, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da SRF, que estabelece o tratamento a ser dispensado ao processo fiscal que esteja tramitando na fase administrativa quando o contribuinte opta pela via judicial, e que transcreve: “ a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial – por qualquer modalidade processual – antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou a desistência de eventual recurso interposto”. A respeito da formalização do lançamento, acrescentou a DRJ que a existência de medida judicial não impede a constituição do crédito tributário preventivo da decadência e que, ademais, a autoridade fiscal deve obrigatoriamente proceder ao lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Finalmente, quanto à alegação de ilegalidade da exigência de juros de mora com base na taxa Selic, a DRJ acrescentou que não é matéria que se encontre em sua competência de decisão, por se tratar de questionamento acerca da aplicação ou não de mandamento legal regularmente editado. A contribuinte apresenta recurso às fls. 233/250, alegando que: ● a recorrente efetuou os depósitos judiciais dos tributos discutidos no Mandado de Segurança por seus valores integrais; ● é totalmente descabida a incidência de juros moratórios no presente caso, visto que, em caso de decisão final desfavorável à recorrente, o Fisco poderá levantar os valores depositados, devidamente atualizados pelos índices aplicados à espécie; ● em caso idêntico ao presente, a DRJ Florianópolis/SC decidiu pela inexigibilidade dos juros de mora (Acórdão no 0711.343); ● o 3o Conselho de Contribuintes inclusive aprovou a Súmula no 7, de 2006, que estabelece que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, salvo quando existir depósito no montante integral; ● a taxa Selic é imprópria para a cobrança de juros moratórios eventualmente devidos. Requer seja acolhido o recurso e que lhe seja dado integral provimento para reformar a decisão recorrida, a fim de excluir a cobrança dos acréscimos moratórios representados pelos juros e da atualização monetária com base na Selic, por ser ilegal a sua aplicação.” Em sessão de 25 de agosto de 2010, esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência (fls. 262/264v), para que fosse informado o seguinte: Fl. 13DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 (a) se os depósitos judiciais constantes dos DARF de fls. 185/190 dizem respeito ao objeto desta lide administrativa; (b) se os depósitos judiciais foram realizados tempestivamente, isto é, se o valor foi recolhido até a data do respectivo vencimento do tributo sub judice; e (c) se, à época em que foram realizados os depósitos, estes representavam quantia suficiente para satisfazer integralmente o crédito tributário litigado; Cumprida a diligência requerida, retornam os autos a este Colegiado, para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Cuidam os autos de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte CIC – CENTRO DE INVESTIGAÇÕES CARDIOLÓGICAS LTDA, para exigência de IPI e juros de mora, no valor total de R$ 3.298,49, em face da falta de recolhimento do imposto. O auto foi lavrado para prevenir a decadência, restando o lançamento com exigibilidade suspensa, em razão de medida liminar favorável à contribuinte. A exigência do imposto não foi objeto do recurso voluntário, visto que tal matéria está sendo discutida perante o Poder Judiciário, restando, tãosomente a análise da exigência em relação aos juros de mora. Retornando os autos de diligência requerida por esta Turma, temse que a autoridade preparadora informou, à fl. 268, que os depósitos judiciais foram efetuados pela interessada em data anterior ao registro da DI antes, portanto, do vencimento do tributo e que, à época em que foram realizados, representavam quantia suficiente para satisfazer integralmente o crédito tributário litigado. Para se concretizar a hipótese de incidência dos juros de mora, é preciso que sujeito passivo não satisfaça, por qualquer motivo, a obrigação tributária no prazo legal, a teor do artigo 161 do CTN, que assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. In casu, os depósitos judiciais foram efetuados dentro do prazo de recolhimento do tributo e em quantia suficiente para satisfazer integralmente o crédito tributário litigado, não havendo razão, portanto, para que sejam incluídos no auto de infração os juros moratórios. Isto porque, em saindo a Fazenda Pública vencedora do litígio que se põe perante o Poder Judiciário, quando da conversão em renda em favor da União, tais depósitos serão considerados pagamentos à vista na data em que foram efetuados, conforme esclarece o Fl. 14DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10711.002296/200715 Acórdão n.º 3202000.567 S3C2T2 Fl. 572 5 item 23, nota 05, da Norma de Execução CSA/CST/CSF n.º 002/1992. Ora, se os depósitos são considerados pagamentos à vista na data em que efetuados, quando realizados dentro do prazo de vencimento do tributo sub judice, não haverá qualquer mora a justificar a inclusão desses acréscimos legais no auto de infração. Por tal motivo, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir do lançamento os juros de mora. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 15DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 15374.001073/2006-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 30/09/2002 DCOMP. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO- RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. Se o contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DComp, nem por isso a compensação deverá ser não-homologada. Caberá ao contribuinte, entretanto, aproveitar o processo administrativo para produzir prova contábil que demonstre o desacerto das informações prestadas na DCTF, sob pena de não-homologação da DComp.
Numero da decisão: 3403-001.787
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que votou no sentido de prover o recurso para anular o despacho decisório.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 30/09/2002 DCOMP. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO- RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. Se o contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DComp, nem por isso a compensação deverá ser não-homologada. Caberá ao contribuinte, entretanto, aproveitar o processo administrativo para produzir prova contábil que demonstre o desacerto das informações prestadas na DCTF, sob pena de não-homologação da DComp.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.001073/200641 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.787 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2012 Matéria COFINS.COMPENSAÇÃO Recorrente LATASA NORDESTE S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2002 DCOMP. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. Se o contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DComp, nem por isso a compensação deverá ser nãohomologada. Caberá ao contribuinte, entretanto, aproveitar o processo administrativo para produzir prova contábil que demonstre o desacerto das informações prestadas na DCTF, sob pena de nãohomologação da DComp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que votou no sentido de prover o recurso para anular o despacho decisório. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente Fl. 277DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de declaração de compensação (fls. 03/07), transmitida em 15.05.2003, pela qual se pretende a compensação entre créditos da COFINS recolhida a maior no período de apuração 09/2002 e débitos, também da COFINS, do período de apuração 04/2003. A fiscalização não homologou a compensação (fls. 25/29), argumentando que o valor de COFINS recolhido no período 09/2002 corresponde ao valor declarado em DCTF (fl. 20) pela própria recorrente para o mesmo período, por conseguinte não sobejando qualquer crédito. Cientificada, a recorrente manifestou sua inconformidade (fls. 37/48), sustentando que: (a) o valor declarado na DCTF estava equivocado porque a recorrente acrescera indevidamente à base de cálculo da contribuição valores relativos a vendas canceladas, IPI e ICMSST; (b) a COFINS efetivamente devida, apurada após a exclusão de tais valores da base tributável, foi posteriormente informada na DIPJ (fl. 120); (c) o Fisco não poderia indeferir o pleito, não sem violar o princípio da verdade material, apenas em razão do equívoco da DCTF, cabendolhe investigar e apurar o valor correto da COFINS do período. Além da DIPJ, trouxe aos autos uma planilha indicando o cálculo supostamente correto da COFINS (fl. 72). A DRJ julgou improcedente a inconformidade (fls. 157/163). Salientou o órgão julgador que a recorrente não demonstrara o suposto erro cometido na apuração da COFINS para a competência 09/2002, mediante, por exemplo, a juntada da sua escrituração contábilfiscal, tais como o Livro Diário e o Razão, uma vez que uma simples planilha demonstrativa não teria o efeito de afastar informação regularmente prestada em DCTF. A recorrente, então, insatisfeita, maneja o presente voluntário (fls. 201/213), reafirmando seus argumentos e não trazendo quaisquer outros documentos comprobatórios do seu suposto crédito. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 15374.001073/200641 Acórdão n.º 3403001.787 S3C4T3 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele conheço. A matéria não é nova, e resumese em decidir qual o desfecho do pedido de compensação cujo crédito está vinculado a débito confessado em DCTF previamente transmitida e não retificada. A rejeição do pleito amparada apenas na omissão do sujeito passivo em retificar, para baixo, o débito confessado em DCTF é inconsistente e excessivamente formal. Distanciase do princípio da verdade material e ignora que “o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado” (NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3a ed., 2010, p. 305). E digo que é inconsistente porque a retificação prévia da DCTF não é condição necessária ou suficiente para se reconhecer ao sujeito passivo o crédito vindicado. Não é – e não era – condição necessária porque a IN/SRF nº 255/02 vigente à época dos fatos não a exigia como pressuposto da válida formalização da compensação. Não é condição suficiente porque, para convencer da existência e do montante do crédito, é preciso que o interessado o comprove por elementos aos quais a legislação atribua força probatória. E, decididamente, a retificação da DCTF não detém o atributo. Esta imperfeição procedimental, contudo, não é, a meu ver, drástica o bastante para nulificar a decisão. Penso assim porque o processo administrativo serve justamente para que o contribuinte possa provar o seu direito com vistas a alcançarse a tão almejada verdade material aludida acima. A teor dos arts. 74, §11 da Lei nº 9.430/96 e 14 do Decreto nº 70.235/72, é a manifestação de inconformidade que deflagra a fase litigiosa do processo administrativo de compensação, a partir da qual os princípios do contraditório e ampla defesa fazemse mandatórios. Antes da manifestação de inconformidade, vivese a fase inquisitiva do procedimento administrativo, que atende às conveniências da própria Administração apenas. Nesse sentido, a lição precisa de James Marins: “Na etapa fiscalizatória, não há, porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento (...). Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal poderá haver fiscalização com o objetivo de carrear provas ao processo administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of law, confundem momentos logicamente distintos” (in Direito processual tributário brasileiro. São Paulo: Dialética, 2001. p.222). Chamando a etapa inquisitória de “procedimento administrativo”, conclui este mesmo doutrinador: “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte”. É dizer, por mais que a colheita de provas, por iniciativa do Fisco, antes do indeferimento da DComp seja recomendável e até sugerida pelo art. 65 da IN/RFB nº 900/08, tratase de providência sob juízo de conveniência da Administração. Noutro giro, se a DRF erra ao indeferir o pleito compensatório sem investigar o fato gerador, pior erro comete a recorrente ao desperdiçar a oportunidade de, com amparo no artigo 16 do Decreto no. 70.235/72, produzir, a partir da sua manifestação de inconformidade, prova contábil a seu favor. Com efeito, não cuidou a recorrente de fazer nem o mínimo, nem um início de prova que fosse durante todo o processo administrativo. Não trouxe livros fiscais e contábeis ou demonstrações que permitissem aferir o correto montante da COFINS devida em setembro/2002; trouxe tão somente uma singela planilha indicado supostos valores totais de “receita bruta”, “vendas canceladas” e “IPI/ICMS substituição tributária”. Já decidi, em oportunidades a esta similares, baixar os autos em diligência para que a autoridade preparadora confirmasse ou infirmasse as provas contábeis trazidas pelo contribuinte com a manifestação de inconformidade, ou mesmo com o voluntário (v. P.A. 10240.900466/200984, Recurso 518.317, julgado em 28.10.10). Havia, nessas ocasiões, um bom início de prova ofertado pelo contribuinte, que, atento à advertência do art. 16 do Decreto no. 70.235/72, aproveitou o processo administrativo para demonstrar o seu direito. Disso, todavia, a recorrente se furtou, perdendose, tanto no recurso como na manifestação de inconformidade, em elucubrações acerca de suposto cerceamento do contraditório e da ampla defesa. Isso faz toda a diferença, a meu ver. Aqui, não há início de prova que justifique diligências. Aqui, enfim, é o caso de simplesmente manter a decisão recorrida com fundamento no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Consigno, porém, ter recebido em sessão de julgamento documentos protocolados pela recorrente na secretaria deste órgão em 21.09.2012, documentos esses que, consistentes em extratos da escrituração contábil da pessoa jurídica, em tese poderiam servir à prova dos fatos constitutivos do direito. Nesta etapa do procedimento, entretanto, tenho que a iniciativa é extemporânea, em se tratando de elementos de prova produzidos pela recorrente à época dos períodos de apuração em análise. Daí porque, com amparo no artigo 16, §4o do Decreto nº 70.235/72, reconheço a intempestividade da juntada. Nego provimento ao recurso. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 15374.001073/200641 Acórdão n.º 3403001.787 S3C4T3 Fl. 3 5 (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001461/2010-72
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. PRESUNÇÃO PREVISTA EM LEI. CONSEQUENCIAS.
Não merece prosperar a alegação de ter havido presunção de que foram negadas informações de contribuições previdenciárias por insuficiência nas informações contábeis prestada pela contabilidade da empresa para sustentar a autuação.
O próprio recorrente confirma tal situação, quando afirma literalmente que a contabilidade é realizada de forma terceirizada típica de pequenas empresas que ficam à mercê do controle e aconselhamento da assessoria técnica.
Se as pequenas empresas ficam à mercê do controle e aconselhamento da assessória técnica, in casu, da contabilidade, como dito pelo recorrente, a fiscalização não poderá levar em consideração esse tipo de argumento.
No cumprimento do seu dever de ofício, a fiscalização deverá observar as regras legais no momento da constituição do crédito tributário aplicando integralmente as disposições do art. 142 do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. PRESUNÇÃO PREVISTA EM LEI. CONSEQUENCIAS. 1. Não merece prosperar a alegação de ter havido presunção de que foram negadas informações de contribuições previdenciárias por insuficiência nas informações contábeis prestada pela contabilidade da empresa para sustentar a autuação. 2. O próprio recorrente confirma tal situação, quando afirma literalmente que “a contabilidade é realizada de forma terceirizada típica de pequenas empresas que ficam à mercê do controle e aconselhamento da assessoria técnica”. 3. Se as pequenas empresas ficam à mercê do controle e aconselhamento da assessória técnica, in casu, da contabilidade, como dito pelo recorrente, a fiscalização não poderá levar em consideração esse tipo de argumento. 4. No cumprimento do seu dever de ofício, a fiscalização deverá observar as regras legais no momento da constituição do crédito tributário aplicando integralmente as disposições do art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 14 61 /2 01 0- 72 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11070.001461/201072 Acórdão n.º 2803002.016 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11070.001461/201072 Acórdão n.º 2803002.016 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado. A lavratura do auto se deu por arbitramento por aferição indireta, em razão de a empresa ter apresentado o Livro Diário e o Livro Razão de número 01, do período de 01/2008 a 12/2008, sem a escrituração da movimentação financeira dos referidos períodos, mesmo tendo conta corrente em instituição financeira autorizada a funcionar pelo BACEN. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 16 de fevereiro de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 PROVA. MOMENTO DE PRODUÇÃO. LANÇAMENTO ARBITRAMENTO. O momento da apresentação da prova documental dáse na impugnação. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória No arbitramento por aferição indireta, o ônus da prova em contrário dos elementos do lançamento é do sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega o seguinte: A Colenda Turma não considerou procedentes as razões apontadas pela impugnante. Um olhar mais aprofundado sobre a questão, contudo, permite dar razão a ora recorrente. Antes, como argumento liminar, registrese que durante o processamento da impugnação o STF julgou ilegal a quebra do sigilo bancário de contribuinte, ao decidir o Recurso Extraordinário 389808. No caso em tela a autuação se deu com este odioso expediente. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11070.001461/201072 Acórdão n.º 2803002.016 S2TE03 Fl. 5 4 Quanto ao já exposto na impugnação, houve a presunção de que foram sonegadas informações de contribuições previdenciárias por insuficiência nas informações contábeis prestadas pela contabilidade da empresa para sustentar a autuação. A contabilidade é realizada de forma terceirizada típica de pequenas empresas que ficam à mercê do controle e aconselhamento da assessoria técnica. A impugnante nunca omitiu nenhuma contribuição efetivamente devida, sendo que os créditos existentes e pleiteados junto ao fisco decorrem de que o sócio proprietário Paulo Antônio Haupenthal é a principal força de mão de obra da empresa que executa obras para empresas que registram na forma devida o pagamento, gerando, pois, a retenção na fonte de contribuição previdenciária a maior do que o efetivamente gerado. A impugnante não agiu com dolo ou máfé e, na prática, não efetuou nenhuma omissão de contribuição previdenciária devida. Não lhe foi oportunizada a possibilidade de justificação do por que da diferença entre o recolhido na fonte e o devido no final da realização de suas atividades de construção. Eventual equívoco na elaboração dos registros contábeis ou na apresentação junto a este órgão público não podem recair de forma punitiva por sobre a empresa impugnante que, a viger, a punição proposta, dificilmente terá condições de prosseguir suas operações, gerando a partir deste ato tãosó débito fiscal insolúvel, falência e desemprego, Assim sendo, requer, com base na legislação fiscal e previdenciária que regulam a matéria, seja este recurso recebido, conhecido e provido, e, por consequência, declarado improcedente o ato de infração nº DEBCAD 37.269.5758. Requer, outrossim, o direito de produzir prova durante a instrução da presente impugnação, inclusive a oitiva dos dois requerentes e de seu contador Claus Kuss. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11070.001461/201072 Acórdão n.º 2803002.016 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em preliminar o contribuinte alega que durante o processamento da impugnação o STF julgou ilegal a quebra do sigilo bancário de contribuinte, situação essa aplicável ao caso em tela. Rejeito a preliminar, em razão de a matéria não ser objeto do lançamento e, principalmente, por não ter os membros do CARF competência para tratar do assunto, sendo certo que o inconformismo do contribuinte, neste ponto, deverá ser apresentado a outra esfera de decisão, no âmbito de processo próprio. De outra parte, não merece prosperar a alegação de ter havido presunção de que foram negadas informações de contribuições previdenciárias por insuficiência nas informações contábeis prestada pela contabilidade da empresa para sustentar a autuação. Com efeito, o próprio recorrente confirma tal situação, quando afirma literalmente que “a contabilidade é realizada de forma terceirizada típica de pequenas empresas que ficam à mercê do controle e aconselhamento da assessoria técnica”. Ora, se as pequenas empresas ficam à mercê do controle e aconselhamento da assessória técnica, in casu, da contabilidade, como dito pelo recorrente, a fiscalização não poderá levar em consideração esse tipo de argumento. No cumprimento do seu dever de ofício, a fiscalização deverá observar as regras legais no momento da constituição do crédito tributário aplicando integralmente as disposições do art. 142 do CTN. Ultrapassada essa primeira fase, não tendo o contribuinte apresentado a documentação exigida, não resta qualquer dúvida a respeito da possibilidade de o crédito ser apurado por arbitramento por aferição indireta, como é a situação destes autos. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal, não merece prosperar inconformismo do tipo: Eventual equívoco na elaboração dos registros contábeis ou na apresentação junto a este órgão público não podem recair na forma punitiva por sobre a empresa impugnante que, a viger, a punição proposta, dificilmente terá condições de prosseguir suas operações, gerando a partir deste ato tãosó débito fiscal insolúvel, falência e desemprego. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11070.001461/201072 Acórdão n.º 2803002.016 S2TE03 Fl. 7 6 Vêse, pois, que a manifestação do contribuinte acima destacada é prova inequívoca do acerto do trabalho realizado pela autoridade administrativa incumbida do lançamento, bem como dos julgadores da primeira instância administrativa. No que diz respeito ao pedido para produção de provas durante a instrução do recurso, como também na oitiva dos diretores e do contador da empresa, não vislumbro qualquer possibilidade de atendimento do pleito, notadamente em razão de a matéria já ter sido alcançada pelo instituto da preclusão, conforme assevera o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/01/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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