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Numero do processo: 17546.000773/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
EMBARGOS. EXISTÊNCIA DE INEXATIDÃO MATERIAL DECORRENTE DE LAPSO MANIFESTO QUANTO À TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES.
Verificada a existência de inexatidão material decorrente de lapso manifesto quanto à tempestividade do recurso voluntário, impõe-se o acolhimento dos embargos com efeitos infringentes.
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui-se infração legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 68. VINCULAÇÃO AO AUTO DE INFRAÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. REPLICAÇÃO DO RESULTADO.
Replica-se no julgamento de auto de infração de obrigação acessória (CFL 68) a decisão que apreciou o lançamento de auto de infração de obrigação principal ao qual àquele se vincula, inclusive quanto à materialidade da hipótese de incidência tributária, reconhecimento parcial de decadência e aplicação da multa mais benéfica.
Numero da decisão: 2402-007.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, conhecendo-se do recurso voluntário e lhe dando provimento parcial, com o reconhecimento da ocorrência da decadência até a competência 11/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que conheceram do recurso voluntário, porém, aplicaram, na apuração da decadência, o art. 173, inciso I, do CTN. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gregório Rechmann Junior.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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EXISTÊNCIA DE INEXATIDÃO MATERIAL DECORRENTE DE LAPSO MANIFESTO QUANTO À TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. ACOLHIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Verificada a existência de inexatidão material decorrente de lapso manifesto quanto à tempestividade do recurso voluntário, impõese o acolhimento dos embargos com efeitos infringentes. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constituise infração legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 68. VINCULAÇÃO AO AUTO DE INFRAÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. REPLICAÇÃO DO RESULTADO. Replicase no julgamento de auto de infração de obrigação acessória (CFL 68) a decisão que apreciou o lançamento de auto de infração de obrigação principal ao qual àquele se vincula, inclusive quanto à materialidade da hipótese de incidência tributária, reconhecimento parcial de decadência e aplicação da multa mais benéfica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 07 73 /2 00 7- 14 Fl. 756DF CARF MF Processo nº 17546.000773/200714 Acórdão n.º 2402007.213 S2C4T2 Fl. 757 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, conhecendose do recurso voluntário e lhe dando provimento parcial, com o reconhecimento da ocorrência da decadência até a competência 11/2001, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que conheceram do recurso voluntário, porém, aplicaram, na apuração da decadência, o art. 173, inciso I, do CTN. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gregório Rechmann Junior. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Tratase de embargos inominados, opostos pela Agência da Receita Federal do Brasil em Mogi Guaçu/SP em face do Acórdão n. 2402006.617 sessão de julgamento de 14 de setembro de 2018 (efls. 725/738), proferido pela 2ª. Turma Ordinária da 4ª. Câmara da 2ª. Seção, que decidiu, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário (efls. 514/604), por intempestividade. No essencial, o embargante (Agência da Receita Federal do Brasil em Mogi Guaçu/SP) aponta existência de inexatidão material decorrente de lapso manifesto quanto à tempestividade do recurso voluntário, que, entretanto, não foram admitidos por falta de prova da legitimidade ativa do servidor que a opôs, conforme consta do Despacho de Admissibilidade (e fls. 747/750). Porém, o Presidente da 2ª. Turma Ordinária da 4ª. Câmara da 2ª. Seção, com amparo no art. 65, § 1º, V, c/c 66, caput, do Anexo II do RICARF, reconheceu de ofício a inexatidão material decorrente de lapso manifesto quanto à tempestividade do recurso voluntário, nos termos do Despacho de Admissibilidade. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. Os embargos em apreço já foram admitidos pelo CARF. Passo à análise. Fl. 757DF CARF MF Processo nº 17546.000773/200714 Acórdão n.º 2402007.213 S2C4T2 Fl. 758 3 O acórdão embargado recebeu a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 31/01/1999 a 30/04/2002, 30/11/2002 a 31/12/2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO QUE SE IMPÕE. O prazo para interposição de Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) é de 30 dias, contados da sua ciência. A Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal é estabelecida pelo Art. 5°, do Decreto n° 70.235/72. A interposição da inconformidade fora deste prazo impõe o não conhecimento do Recurso Voluntário. De plano, verificase a procedência das alegações do Embargante, vez que evidente a existência de inexatidão material decorrente de lapso manifesto no Acórdão n. 2402 006.617 ao considerar intempestivo o recurso voluntário, por ter sido interposto em 15/03/2010, data em que a peça recursal, enviada por via postal, chegou à Unidade da Receita Federal, sendo que, por lapso, não foi constatado, por ocasião do julgamento, que fora postado tempestivamente na data de 12/03/2010, conforme registrado no Sistema de Cobrança (SICOB) efl. 703, reforçado por declaração de servidor da RFB (efl. 705) e comprovante do SEDEX (efl. 744). Com efeito, o sujeito passivo foi cientificado do teor do Acórdão n. 04 18.612 3ª. Turma da DRJ/CGE (efls. 442/502) em 10/02/2010 quartafeira (efl. 512) e apresentou recurso voluntário (efls. 514/604) em 12/03/2010 sextafeira, data da postagem nos Correios (efl. 744), exatamente o último dia previsto para a interposição da referida peça recursal. Destarte, caracterizada a tempestividade, acolho os embargos opostos pelo Senhor Presidente da 2ª. Turma Ordinária/4ª. Câmara/2ª. Seção com efeitos infringentes, no sentido do prosseguimento da análise do recurso voluntário (efls. 514/604). Em apertada síntese, a lide concentrase na irresignação do sujeito passivo em face do lançamento consolidado em 21/12/2006 e constituído em 22/12/2006 mediante o Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 35.968.8772 CFL 68 P.A 01/01/1999 a 31/12/2005 (efls. 02/08), conforme discriminado no relatório fiscal (efls. 10/34). No recurso voluntário, o sujeito passivo esgrime os seguintes argumentos: i) em sede preliminar: a) nulidade do lançamento; e b) cerceamento do direito de defesa: e ii) no mérito: a) inexistência de relação de emprego; b) não redução dos valores já pagos; c) insubsistência dos débitos relativos à "contribuição do segurado"; d) decadência de grande parte dos créditos; e) aplicabilidade de multa com base em lei mais benéfica. Fl. 758DF CARF MF Processo nº 17546.000773/200714 Acórdão n.º 2402007.213 S2C4T2 Fl. 759 4 Preliminares Da análise dos autos verificase que não procedem as alegações de nulidade do lançamento e de cerceamento de defesa, vez que foram observados todos os requisitos para a lavratura da NFLD DEBCAD n. 35.968.8772 (efls. 02/26) previstos no art. 10 do Decreto n. 70.235/72, bem assim resta evidenciado nos autos a ampla participação do sujeito passivo no curso do procedimento fiscal, mediante intimação para apresentação de documentos/esclarecimentos, inclusive a ciência dos documentos que foram examinados pela autoridade lançadora. É dizer, não há que se falar em ofensa ao art. 59, II, do Decreto n. 70.235/72. Mérito Com relação às questões de mérito, cabe esclarecer que o lançamento em litígio trata de multa decorrente de infração tipificada no art. 32, IV, § 5°., da Lei n. 8.212/1991 c/c art. 284, II, do Decreto n. 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social), consubstanciada em apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), com ausência de informações de fatos geradores de contribuições sociais de diretores empregados relativos aos CNPJ 52.736.949/000158 (competências 01/1999, 07/1999, 10/2000, 09/2001, 11/2001, 04/2002) e ao CNPJ 52.736.949/002525 (competências 11/2002, 12/2002, 11/2003, 08/2004, 09/2004, 10/2004, 07/2005 e 12/2005). Assim, o Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 35.968.8772 CFL 68 (efls. 02/08) referese à infração de obrigação acessória vinculado ao Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 35.968.8764, controlado no âmbito do processo administrativo fiscal n. 17546.000774/200751, conforme relatado pelo próprio sujeito passivo, bem assim pela instância de piso. Nessa perspectiva, o lançamento em lide vinculase, por óbvio, ao desfecho do Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 35.968.8764 (processo administrativo fiscal n. 17546.000774/200751), vez que é neste que se encontra a materialidade dos fatos (obrigação principal) que ensejaram a aplicação da multa sob CFL 68. Desta forma, as questões de mérito suscitadas pelo sujeito passivo (inexistência de relação de emprego; não redução dos valores já pagos; insubsistência dos débitos relativos à "contribuição do segurado"; e decadência de grande parte dos créditos) dizem respeito ao processo referente ao lançamento da obrigação principal (AI DEBCAD n. 35.968.8764 processo administrativo fiscal n. 17546.000774/200751), não cabendo discussão em sede de apreciação de lançamento da respectiva obrigação acessória, pois este aquele segue. Ocorre que, em consulta ao sistema eprocesso, verificouse que o Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 35.968.8764, controlado no âmbito do processo n. 17546.000774/200751, foi julgado na sessão de julgamento de 18 de fevereiro de 2014, oportunidade em que foi dado parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão n. 2403002.433, havendo ocorrido trânsito em julgado na esfera administrativa, encontrandose, inclusive, o referido débito atualmente na PGFN. Fl. 759DF CARF MF Processo nº 17546.000773/200714 Acórdão n.º 2402007.213 S2C4T2 Fl. 760 5 Na oportunidade, o Acórdão n. 2403002.433 referendou a decisão da instância de piso que reconheceu a ocorrência de decadência do lançamento em face das competências 01/1996 a 11/2001 com fulcro na regra especial do art. 150, § 4°., do CTN, vez que identificou recolhimentos antecipados de contribuições previdenciárias, conforme excerto abaixo reproduzido, impondose, destarte, a replicação desta decisão neste julgamento: In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, conta se o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Analisando os autos, percebese que os valores presentemente exigidos em parte referemse a diferenças de contribuições previdenciárias, assim como o TEPF, fl. 151, confirma a existência de Comprovantes de Recolhimento, dados, pois, que comprovam a existência de antecipação de pagamento, sendo suficientes para que se aplique o prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN. O período de apuração compreendeu as competências 01/1996 a 02/2006, inclusive o 13º salário. A notificação ocorreu em 22/12/2006, fl. 03. Portanto, temse que a decadência fulminou os créditos previdenciários referentes aos fatos geradores ocorridos entre 01/1996 a 11/2001. Na esteira do entendimento esposado, verificase, então, que procedeu corretamente a DRJ ao reconhecer a parcial decadência do processo em epígrafe, nos moldes do art. 150, § 4º, do CTN, razão pela qual, no que tange a exoneração do crédito tributário consignado pela DRJ, a decisão deve ser mantida e o Recurso de Ofício negado. Assim, há de se reconhecer a decadência em face do lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 35.968.8772 CFL 68 (efls. 02/08) até a competência 11/2001, inclusive. É oportuno observar que, a princípio, a regra de decadência aplicáveis às multas, inclusive de descumprimento de obrigação acessória, que é o caso concreto, é aquela tipificada no art. 173, I, do CTN. Todavia, há de se destacar que advindo decadência parcial do lançamento em virtude de existência de pagamento antecipado (regra especial do art. 150, § 4°., do CTN), depreendese que sequer lançamento deveria ter existido em face do período de apuração atingido pela decadência (obrigação principal), não se vislumbrando assim razão para aplicação Fl. 760DF CARF MF Processo nº 17546.000773/200714 Acórdão n.º 2402007.213 S2C4T2 Fl. 761 6 de multa por não cumprimento de obrigação acessória para aquele mesmo período de apuração, tendo em vista que até da apresentação da escrituração contábil/fiscal relativa aos períodos de apuração atingidos pela decadência o Embargante está desobrigado. Com efeito, é razoável o entendimento de que o AIOA CLF 68, deve guardar conexão e comutatividade com o AIOP ao qual se vincula, inclusive quanto aos períodos de apuração, vez que estes influenciam na apuração da multa objeto do AIOA. Ademais, é relevante ainda destacar que, a persistir a tese da manutenção da multa abrigada no AIOA CFL 68 em face dos períodos de apuração decaídos, seria imprescindível a apreciação da materialidade dos fatos geradores objeto do lançamento especificamente em relação àqueles períodos de apuração, ou seja, se realmente o lançamento seria (ou não) procedente, o que implicaria reanálise de mérito já exaurido no processo do AIOP (que já transitou em julgado na esfera administrativa), com possibilidade, inclusive, de conferirlhe efeitos modificativos, bem assim reabertura da fase litigiosa, com todas as implicações decorrentes. Outrossim, o Acórdão n. 2403002.433 também admitiu o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n. 11.941/2009 (art. 61, da Lei n. 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, conforme excerto abaixo reproduzido, impondose, mais uma vez por reflexo, a aplicação ao caso concreto: Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Nessa perspectiva, considerandose que as circunstâncias fáticas que fundamentam o lançamento consubstanciado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 35.968.8772 CFL 68 (efls. 02/08) encontramse suficientemente caracterizadas pela autoridade lançadora e devidamente abordadas pela decisão de piso, inclusive no que diz respeito à hipótese de incidência tributária, da qual decorre a sanção em apreço, bem assim a procedência parcial do lançamento consubstanciado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 35.968.8764 (processo administrativo fiscal n. 17546.000774/200751) referente à obrigação principal, resta caracterizada a infração ao art. 32, inciso IV, e § 5°., da Lei n. 8.212/91, com a redação dada pela Lei n. 9.528/97, c/c art. 284, II, do Decreto n. 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social), impondose, todavia, ao caso concreto, a aplicação da decisão consubstanciada no Acórdão n. 2403002.433 prolatada quando da apreciação do lançamento abrigado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 35.968.8764, controlado no âmbito do processo n. 17546.000774/200751, inclusive quanto ao reconhecimento da decadência até a competência 11/2001, inclusive, e recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n. Fl. 761DF CARF MF Processo nº 17546.000773/200714 Acórdão n.º 2402007.213 S2C4T2 Fl. 762 7 11.941/2009 (art. 61, da Lei n. 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Ante o exposto, voto por acolher os embargos com efeitos infringentes, reconhecendose a existência de inexatidão material decorrente de lapso manifesto quanto à tempestividade do recurso voluntário, conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares, e, no mérito, darlhe parcial provimento para reconhecer a decadência até a competência 11/2001, inclusive, e o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n. 11.941/2009 (art. 61, da Lei n. 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 762DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.002213/2007-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
Numero da decisão: 2002-000.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEDUÇÃO. Na Declaração de Ajuste Anual poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 22 13 /2 00 7- 50 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13161.002213/200750 Acórdão n.º 2002000.973 S2C0T2 Fl. 166 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 12/16) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2005 (efls. 30/37), onde se apurou: Dedução Indevida de Despesas Médicas. O contribuinte apresentou Impugnação (efls. 25/26), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 44): Em sua impugnação o contribuinte alega, em síntese, que: • Conforme documentos que anexa, as despesas médicas apresentadas estão em conformidade com a declaração apresentada, tendo em vista que conforme recibo apresentado pelo Laboratório Fleury Unidade Paraíso, no valor de R$ 613,34, as despesas médicas lançadas quando da declaração foram pagas conforme prontuário no laboratório ficha n° 6300080933; • Quanto ao lançamento referente à Sul América Seguro Saúde S/A, no valor de R$ 15.405,64, apresenta o recibo de pagamento; • Quanto ao lançamento das despesas médicas pagas junto à Associação Paulista de Medicina, deixa de apresentar o comprovante, pois o mesmo foi extraviado, mas pode ser facilmente constatado na declaração de imposto de renda entregue pela Associação.. Anexa aos autos os documentos de fls. 12 e 13.. A Impugnação foi julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ/CGE em decisão assim ementada (efls. 43/48): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, não podendo ser acolhidos recibos que não indicam o paciente, não tendo sido provados o efetivo pagamento e a prestação do serviço. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13161.002213/200750 Acórdão n.º 2002000.973 S2C0T2 Fl. 167 3 Cientificado do acórdão de primeira instância em 24/11/2009 (efls. 52), o interessado ingressou com Recurso Voluntário em 22/12/2009 (efls. 54/57) com os argumentos a seguir sintetizados. Indica a juntada de documentos idôneos relacionados aos pagamentos efetuados por ele à empresa Sul América Seguro S/A referentes à assistência médica hospitalar de sua esposa, Juliana Nogueira Stabile. Ressalta que esta não consta como sua dependente em razão de exercer atividade empresarial, mas, que a referida despesa não foi por ela declarada. Alega que a despesa relacionada à empresa Associação Paulista de Medicina foi por ele custeada com o objetivo de garantir a saúde da família, sendo a contratante Juliana Nogueira Stabile, sua esposa. Afirma que a comprovação dos pagamentos está em seu extrato bancário, onde constam os débitos mensais realizados em sua conta bancária para o custeio do plano de assistência médica hospitalar. Expõe que a proposta de adesão ao plano de assistência médica hospitalar indica como beneficiários Juliana Nogueira Stabile, Clodomiro Cruz Stabile, Carolina Nogueira Cana Brasil Dias, Mariana Nogueira Stabile e Mauricio Nogueira Stabile, pessoas que compõem o seu grupo familiar. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extraise na Notificação de Lançamento que a autoridade fiscal glosou integralmente as despesas médicas informadas na declaração em exame por não ter o contribuinte atendido à Intimação Fiscal (efls. 14, 33). O julgamento de primeira instância manteve a infração apurada. O litígio a ser analisado por este Colegiado recai somente sobre as despesas médicas declaradas para a Sul América Seguro Saúde S/A e para a Associação Paulista de Medicina, cujas glosas foram contestadas no Recurso Voluntário. No que concerne à despesa com a Sul América, verificase que a decisão recorrida manteve a glosa efetuada no lançamento com base no recibo apresentado pelo contribuinte (efls. 19), conforme trecho a seguir reproduzido (efls. 47): O documento apresentado está em nome de Juliana Nogueira Stabile, a qual não está relacionada como dependente do contribuinte. Além do mais não detalha quais as pessoas que estão cobertas pelo plano e quais as parcelas correspondentes a cada um. Por estas razões, não pode ser aceita a comprovação apresentada. Sobre o assunto, impõese observar que, como regra geral, a dedução de despesas com plano de saúde restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, titular Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13161.002213/200750 Acórdão n.º 2002000.973 S2C0T2 Fl. 168 4 do seguro, relativos às sua próprias contribuições e às contribuições dos dependentes incluídos em sua Declaração de Ajuste Anual. Por conseguinte, tornase imprescindível a comprovação, não só de que os pagamentos foram realizados pelo interessado, mas de que ele ou seus dependentes declarados foram os beneficiários dos serviços prestados. A publicação do Perguntas e Respostas do Imposto Sobre a Renda da Pessoa Física divulgada pela Receita Federal para o exercício 2005 previa também a dedução, pelo titular do plano de saúde, das contribuições de seu cônjuge não informado como dependente se este apresentasse declaração em separado e não utilizasse o valor correspondente como dedução. Ocorre, contudo, que não é esta a situação no presente caso, uma vez que o titular do plano de saúde Sul América não é o contribuinte e sim sua esposa, Juliana Nogueira Stabile, como ele mesmo afirma em seu Recurso. Dessa forma, uma vez que não há dependentes informados na declaração em exame, somente poderia ser deduzida pelo recorrente a parcela do plano de saúde referente às suas próprias contribuições, ainda que ele tenha arcado com o custo total do seguro. Cumpre ressaltar que o interessado reconhece a existência de diversos beneficiários no contrato e que não se verifica nos autos nenhum documento contendo os valores discriminados para a cada um deles, pendência esta já apontada na decisão recorrida Notese que a Proposta de Adesão acostada foi assinada apenas em setembro de 2005 e referese a benefícios iniciados no mês seguinte, como indicado em seu cabeçalho, não podendo ser considerada para o ano calendário objeto do lançamento (efls. 64). Com base em todo o exposto, mantémse a glosa das despesas com a Sul América Seguro Saúde. Quanto à Associação Paulista de Medicina, o recorrente alega que os pagamentos foram realizados com o objetivo de garantir a saúde da família e indica a juntada de extratos bancários contendo os débitos mensais para o custeio do plano de assistência médica hospitalar. Extraise do exame dos documentos juntados aos autos que a referida Associação é a estipulante do plano de saúde Sul América. Não obstante, verificase que o recorrente informou em sua Declaração de Ajuste a despesa com a Sul América, já apreciada neste voto, e outra despesa com a Associação Paulista de Medicina, que não se confunde com a primeira. Dessa forma, caberia ao recorrente demonstrar que o valor pago à Associação também corresponde a despesa médica dedutível, o que não ocorreu no presente caso. Importa registrar que, de acordo com o seu sítio na internet, a entidade tem como objetivo representar os médicos do estado de São Paulo e oferecer a eles benefícios e serviços profissionais e pessoais que englobam, dentre outros, consultoria, seguros, eventos culturais, esporte e laser. A consulta ao seu CNPJ no sítio da RFB corrobora essa informação, indicando como atividades econômicas da associação profissional: edição de revistas, atividades de consultoria, treinamentos e serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas. Assim, não havendo provas inequívocas de que alguma parcela do valor declarado para a Associação Paulista de Medicina consiste especificamente em pagamento de despesas médicas do próprio recorrente, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13161.002213/200750 Acórdão n.º 2002000.973 S2C0T2 Fl. 169 5 Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721071/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO AOS EMPREGADOS. REEMBOLSO DE DESPESAS COM FACULDADE. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO DE INFORMAR EM GFIP.
A legislação previdenciária, na égide da redação dada pela Lei 9.711, de 1998, antes da vigência da Lei 12.513, de 2011, quando inexistir descumprimentos legais imputados pela autoridade fiscal, prevê a exclusão do salário-de-contribuição dos valores pagos aos empregados relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, para custeio com educação, incluindo-se cursos de nível superior de graduação ou de especialização, por ser possível o enquadramento destes no contexto dos cursos de capacitação e qualificação profissionais.
Não sendo caracterizado determinado pagamento como rubrica integrante do salário-de-contribuição inexiste a obrigação de informar em GFIP como verba de natureza salarial.
Numero da decisão: 2202-005.190
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO AOS EMPREGADOS. REEMBOLSO DE DESPESAS COM FACULDADE. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO DE INFORMAR EM GFIP. A legislação previdenciária, na égide da redação dada pela Lei 9.711, de 1998, antes da vigência da Lei 12.513, de 2011, quando inexistir descumprimentos legais imputados pela autoridade fiscal, prevê a exclusão do salário-de-contribuição dos valores pagos aos empregados relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, para custeio com educação, incluindo-se cursos de nível superior de graduação ou de especialização, por ser possível o enquadramento destes no contexto dos cursos de capacitação e qualificação profissionais. Não sendo caracterizado determinado pagamento como rubrica integrante do salário-de-contribuição inexiste a obrigação de informar em GFIP como verba de natureza salarial.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 138 1 137 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721071/201119 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202005.190 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente AZUL COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUXÍLIO EDUCAÇÃO AOS EMPREGADOS. REEMBOLSO DE DESPESAS COM FACULDADE. NÃO INTEGRAÇÃO AO SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÃO DE INFORMAR EM GFIP. A legislação previdenciária, na égide da redação dada pela Lei 9.711, de 1998, antes da vigência da Lei 12.513, de 2011, quando inexistir descumprimentos legais imputados pela autoridade fiscal, prevê a exclusão do saláriodecontribuição dos valores pagos aos empregados relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, para custeio com educação, incluindose cursos de nível superior de graduação ou de especialização, por ser possível o enquadramento destes no contexto dos cursos de capacitação e qualificação profissionais. Não sendo caracterizado determinado pagamento como rubrica integrante do saláriodecontribuição inexiste a obrigação de informar em GFIP como verba de natureza salarial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 10 71 /2 01 1- 19 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 16682.721071/201119 Acórdão n.º 2202005.190 S2C2T2 Fl. 139 2 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 119/126), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 94/97), proferida em sessão de 13/06/2013, consubstanciada no Acórdão n.º 1256.842, da 10.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I (DRJ/RJ1), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente à impugnação (efls. 56/62), mantendo integralmente o crédito tributário lançado de R$ 500,00 (quinhentos reais, efls. 2, 18), cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do lançamento fiscal A essência e as circunstâncias do lançamento, no Procedimento Fiscal n.º 0718500.2011.00109, para fatos geradores ocorridos entre 01/11/2008 a 30/11/2008, com auto de infração lavrado em 19/12/2011 (efl. 18), DEBCAD 51.014.9510 (CFL 78), notificado o contribuinte em 20/12/2011 (efls. 48/49), com Relatório Fiscal juntado aos autos (efls. 07/17), foram bem delineadas e sumariadas no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotálo: Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD n.º 51.014.9510 CFL 78) lavrado em 19/12/2011 contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 500,00. Conforme Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa (fls. 07/17): Constatouse que na competência 11/2008, foram apuradas omissões de informação na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP, Fl. 139DF CARF MF Processo nº 16682.721071/201119 Acórdão n.º 2202005.190 S2C2T2 Fl. 140 3 referentes ao pagamento de Reembolso Faculdade a 35 segurados empregados. Tal conduta constituiu infração ao artigo 32, inciso IV e parágrafo 3.º, da Lei n.º 8.212/1991, acrescentado pela MP n.º 449, de 03/12/2008, (convertida na Lei n.º 11.941, de 27/05/2009). A multa aplicada foi apurada conforme previsto no art. 32A, “caput”, inciso I e §§ 2.º e 3.º, incluídos pela Lei 11.491/2009 e corresponde a R$ 20,00 para cada grupo de até 10 informações incorretas/omitidas (ou fração), observada a multa mínima de R$ 500,00 por competência. Da Impugnação ao lançamento O contencioso administrativo teve início com a impugnação efetivada pelo recorrente, em 18/01/2012 (efls. 56/62), a qual delimitou os contornos da lide. Em suma, controverteuse na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme bem relatado na decisão vergastada, pelo que replico, litteris: A interessada interpôs impugnação às fls. 56/62, alegando em suma: que resta clara a vinculação entre o lançamento ora combatido e aqueles corporificados nos AIs/DEBCADs n.º 37.310.2771, 37.364.0862, 37.364.0870 e 37.364.0889; que deve ser desconstituído o crédito tributário ora combatido, pois o Procedimento Administrativo em que se discute a procedência do lançamento da obrigação principal carece de decisão definitiva; que caso assim não se entenda que requer o sobrestamento do feito até o julgamento final do Procedimento Administrativo n.º 16682.721052/201192, vez que o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal contraria o ordenamento jurídico na medida em que a obrigação acessória não pode subsistir sem a obrigação principal. Do Acórdão de Impugnação A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, primeira instância do contencioso tributário. Ao final, concluiuse pela procedência do crédito tributário constituído, julgandose improcedente o pedido deduzido na impugnação. Do Recurso Voluntário No recurso voluntário, interposto em 17/04/2014 (efls. 102, 119/126), o sujeito passivo, reiterando os termos da impugnação, postula que se cancele o AI / DEBCAD em tela, ou, caso assim não se entenda, seja sobrestado o feito em função do PA n.º 16682.721052/201192. Na peça recursal aborda os seguintes capítulos para devolução da matéria ao CARF: a) Da necessária exclusão da penalidade aplicada; b) Da prejudicialidade externa conexão com o PA 16682.721052/201192; c) Da ausência de infração a justificar a penalidade. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 16682.721071/201119 Acórdão n.º 2202005.190 S2C2T2 Fl. 141 4 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator, em data de 12/03/2019. Consta, ainda, destes autos que houve a apensação ao Processo Administrativo (PA) n.º 16682.721052/201192 (efls. 54/55). É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecêlo. Especialmente, quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 19/03/2014, efl. 100, protocolo recursal em 17/04/2014, efl. 102, e despacho de encaminhamento, efl. 136), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário. Apreciação de prejudicial antecedente a análise do mérito Da prejudicialidade externa Conexão com o PA 16682.721052/201192 Alega a defesa que os presentes autos devem ser sobrestados ou devem seguir anexo ao Processo Administrativo (PA) n.º 16682.721052/201192. Isto porque, este caderno processual cuida da multa (obrigação acessória), enquanto que o PA mencionado trata da obrigação principal discutindo que certas verbas não se sujeitam à incidência de Contribuição Previdenciária, vez que não possuem natureza salarial, razão que justificaria a não declaração em GFIP. Pois bem. Considerando que os processos administrativos já foram apensados, conforme consta destes autos (efls. 54/55), assim como tendo sido pautados para julgamento na mesma sessão e reunião colegiada, entendo que resta resolvida a questão prejudicial. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 16682.721071/201119 Acórdão n.º 2202005.190 S2C2T2 Fl. 142 5 Mérito Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciálo. A defesa relata que estes autos tratam de multa mínima aplicada por omissões na GFIP relativa à competência 11/2008, referente aos não informados pagamentos de reembolso faculdade a 35 segurados empregados. Porém, sustenta que inexistem as alegadas faltas, tendo em vista que os fatos "não declarados" não gerariam contribuições previdenciárias e, por isso, não constaram da GFIP do período. Neste contexto, advogada a necessária exclusão da penalidade aplicada e a ausência de infração a justificar a penalidade. Argumenta, inclusive, que os pagamentos foram, em verdade, feitos diretamente à instituição de ensino. Consta dos autos apensos (PA 16682.721052/201192, efl. 18, item 2.17) que estes pagamentos foram realizados conforme estabelecido nas Convenções Coletivas de Trabalho 2007/2008. No Processo Administrativo (PA) n.º 16682.721052/201192 apenso a este caderno processual (efls. 54/55) consta na decisão da primeira instância de julgamento (Acórdão n.º 1256.841, da 10.ª Turma da DRJ/RJ1, de 13 de junho de 2013) o seguinte quanto ao capítulo do "pagamento de cursos de educação em nível superior": Do pagamento de cursos de educação em nível superior a colaboradores No presente lançamento consideraramse como base de cálculo das contribuições para a Seguridade Social as despesas com educação superior (faculdade) de empregados, não albergadas pela regra isentiva do art. 28, § 9.º, “t”, da Lei 8.212/1991. Em suma a empresa defende a tese de que o custeio dos cursos de capacitação profissional não tem natureza salarial, não se enquadrando no conceito de saláriode contribuição. Ademais, por ter sido paga diretamente a instituição de ensino, não se configuraria em hipótese de incidência da contribuição previdenciária. Primeiramente cumpre ressaltar que a base de cálculo da contribuição previdenciária prevista constitucionalmente é composta não só da folha de salários como também dos demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física (art. 195, I, “a”, CF). Veja se assim que o conceito de salário para fins trabalhistas e o conceito de saláriodecontribuição do direito previdenciário não são sinônimos, ainda que apresentem pontos em comum. (...) (...) O saláriodecontribuição está definido no art. 28, I, da Lei 8.212/1991, in verbis: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I – para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos , devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16682.721071/201119 Acórdão n.º 2202005.190 S2C2T2 Fl. 143 6 serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Como se observa da leitura do dispositivo legal acima, os ganhos habituais sob a forma de utilidades, a exemplo do reembolso de faculdade, são em regra parcelas integrantes do saláriodecontribuição. Ocorre que o art. 28, § 9.º, elencou rubricas que não se incluem no saláriode contribuição além de outras rubricas que somente sob alguma condição são excluídas do referido conceito e da base de cálculo da contribuição previdenciária. Este é o caso por exemplo dos planos médicos e dos educacionais. Assim, se a condição prevista não for atendida, aquela rubrica é considerada integrante do saláriodecontribuição. Ora, no próprio relatório fiscal, restou claro que o custeio de cursos de nível superior não está previsto na regra de não incidência contida no art. 28, § 9.º, da Lei 8.212/1991, já que a educação superior não é considerada, nos termos da Lei 9.394/1996 como sendo educação básica. Por outro lado, a empresa alega que os cursos por ela custeados se destinavam a capacitar profissionalmente seus funcionários, estando portanto abarcados pela norma de isenção, que trata também dos “cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa”. Todavia, dentre os cursos de nível superior, apenas o custeio de cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pósgraduação é que são passíveis de serem considerados como cursos de capacitação e qualificação profissionais e portanto não integrantes do saláriode contribuição. É que tais cursos foram disciplinados na Lei 9.394/1996, na redação dada pela Lei 11.741/2009, em capítulo próprio (Da Educação Profissional e Tecnológica) e diverso do capítulo que trata da educação superior (não tecnológica). Assim, a conclusão não pode ser outra, senão a de que os gastos relativos a educação superior (graduação) de que trata o Capítulo IV, Lei n.º 9.394, de 1996, integram o salário de contribuição para efeito de incidência de contribuição previdenciária, por se tratar de valor pago a “qualquer título”, conforme previsto no inciso I, art. 28 da Lei n.º 8.212, de 1991. Tanto assim que tramita no Congresso Nacional o PLS n.º 1476, de 2007, do Senador Sérgio Zambiasi, e outros projetos apensados, com a finalidade de estabelecer a não incidência de contribuição previdenciária sobre o valor relativo à educação superior. Porém enquanto não existir expressa previsão legal neste sentido, não há como se afastar a aplicabilidade da regra do art. 28, I, da Lei 8.212/1991, no presente caso. Pois bem. A controvérsia jurídica reside no fato da alínea "t" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação, na época dos fatos, dada pela Lei n.º 9.711, de 1998, portar enunciado prescritivo consignando que não integra o saláriode contribuição, exclusivamente, o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16682.721071/201119 Acórdão n.º 2202005.190 S2C2T2 Fl. 144 7 desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Deste modo, a fiscalização e o juízo a quo entenderam que o custeio de cursos de nível superior (graduação) não poderia gozar da regra isentiva, uma vez que não são considerados educação básica, bem como não se enquadrariam como "cursos de capacitação e qualificação profissionais". A despeito do entendimento externado pela 10.ª Turma da DRJ/RJ1, em 13 de junho de 2013, que na mesma assentada apreciou em conjunto estes autos e o Processo Administrativo (PA) n.º 16682.721052/201192, compreendo que os gastos relativos a educação superior (graduação) não integram o salário de contribuição, na forma da alínea “t” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei n.º 9.711, de 1998. De igual modo, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em recente julgamento, compreendeu que os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós graduação) podem ser considerados como "curso de capacitação e qualificação profissional" enquadrandose na hipótese de não incidência, vejase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS. GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO. Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós graduação), podem ser considerados como curso de capacitação e qualificação profissional se enquadrando, portanto, na hipótese de não incidência prevista na alínea “t”, § 9.º, artigo 28, da Lei 8.212/91, desde que não exista nenhum outro descumprimento legal imputado pela autoridade fiscal. (Acórdão 9202007.029, 2.ª Turma, em 24/07/2018, Processo 10283.720090/201314) Noutro prisma, este Colendo Conselho já apreciou matéria similar a presente, inclusive relativa ao mesmo contribuinte, diferenciandose quanto a competência (aqui 2008, lá 2004), naquela assentada tendo decidido, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 (...) AUXÍLIO EDUCAÇÃO AOS EMPREGADOS. REEMBOLSO DE DESPESAS COM FACULDADE. POSSIBILIDADE. O art. 28, § 9.º, “t”, da Lei n.º 8.212/1991 prevê a exclusão do salário de contribuição dos valores pagos aos empregados para custeio de despesas com educação básica e superior, incluindo neste cursos de graduação ou de especialização. (...) Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16682.721071/201119 Acórdão n.º 2202005.190 S2C2T2 Fl. 145 8 (Acórdão 2301002.860, 1.ª Turma Ordinária, 3.ª Câmara, 2.ª Seção, em 19/06/2012, Processo 19740.000672/200845, Contribuinte: Azul Companhia de Seguros Gerais) Demais disto, a fiscalização em nenhum momento alega que os valores dos reembolsos possam ter substituído parcela salarial ou que o benefício não estivesse ao dispor de todos os empregados do sujeito passivo ou que não fossem específicos para a área de atuação profissional do empregado dentro do escopo empresarial da empresa. A fiscalização, também, não específica qual seria a "faculdade" (graduação) destes empregados e o motivo pelo qual não a considera para o contexto de aprimoramento profissional. Outrossim, não esclarece se, eventualmente, não seriam especializações, já que só fala em reembolso faculdade, porém nas chamadas "faculdades", também, observamos, hodiernamente, o desempenho de cursos de pósgraduação. Por último, não verifico nos autos que a fiscalização tenha emitido termo de "intimação fiscal" questionando tais informações, a fim de bem lançar e materializar a constituição do crédito (conferir efls. 27/32 e 35/45). Noutro giro, tenho para mim que o curso de nível superior (graduação) serve de aprimoramento e qualificação profissional para quaisquer funcionários, dando capacitação aprimorada para melhor desempenho de atribuições, enquadrandose como curso de capacitação e qualificação profissional, especialmente no contexto da alínea "t" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212, de 1991, com redação, na época dos fatos (competência 11/2008), dada pela Lei n.º 9.711, de 1998. No mesmo sentido, o Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que: "O STJ entende que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. Precedentes: AgInt no AREsp n. 1.125.481/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 12/12/2017; REsp n. 1.771.668/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 4/12/2018, DJe 17/12/2018." (AgInt no REsp 1.602.619/SE, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/03/2019, DJe 26/03/2019) Ademais, ao tempo dos fatos, competência 11/2008, não estava vigente a redação dada pela Lei n.º 12.513, de 2011, que substituiu a redação "cursos de capacitação e qualificação profissionais" (no qual facilmente podese incluir a graduação superior) pela expressão "educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei n.º 9.394" (no qual se vale a decisão de piso para excluir a graduação de nível superior e manter a autuação). Então, só a partir de 2011, poderseia, por si só, questionar a não inclusão da graduação de nível superior na regra isentiva, pois somente dali em diante passouse a referir ao contexto da Lei n.º 9.394. Por isso, inclusive, não deveria a decisão do processo anexo (PA 16682.721052/201192, Acórdão n.º 1256.841) argumentar o contexto da Lei n.º 12.513, de 2011, para os fins destes autos. Logo, não sendo caracterizados como rubricas integrantes do saláriode contribuição, inexiste a obrigação de informar em GFIP como verba de natureza salarial. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16682.721071/201119 Acórdão n.º 2202005.190 S2C2T2 Fl. 146 9 Sendo assim, com razão o recorrente neste capítulo. Este é o mesmo entendimento dado a solução do Processo Administrativo (PA) n.º 16682.721052/201192. Conclusão quanto ao Recurso Voluntário De livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, entendo por reformar a decisão recorrida, conhecendo do recurso voluntário e, no mérito, dandolhe provimento por entender, com fulcro no art. 28, § 9.º, alínea "t", da Lei n.º 8.212, de 1991, não incidente as contribuições previdenciárias referentes aos pagamentos de Reembolsos Faculdade, de modo que inexistem as omissões em GFIP conforme apontado pela autuação, vez que o valor correspondente aos reembolsos dos 35 segurados empregados, a título de Reembolso Faculdade, não podem ser considerados como salário/remuneração. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.000890/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO EM OUTRA EMPRESA. INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE
Constatada que a situação em que o sócio participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global ultrapassa o limite legal que gerou a exclusão da sistemática do Simples, a reinclusão no sistema somente pode se dar a partir do ano subsequente àquele no qual é concretizada a exclusão daquele sócio do quadro social, mediante o registro da competente alteração contratual na Junta Comercial.
Numero da decisão: 1302-003.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO EM OUTRA EMPRESA. INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE Constatada que a situação em que o sócio participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global ultrapassa o limite legal que gerou a exclusão da sistemática do Simples, a reinclusão no sistema somente pode se dar a partir do ano subsequente àquele no qual é concretizada a exclusão daquele sócio do quadro social, mediante o registro da competente alteração contratual na Junta Comercial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo.
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INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE Constatada que a situação em que o sócio participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global ultrapassa o limite legal que gerou a exclusão da sistemática do Simples, a reinclusão no sistema somente pode se dar a partir do ano subsequente àquele no qual é concretizada a exclusão daquele sócio do quadro social, mediante o registro da competente alteração contratual na Junta Comercial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, substituído pelo conselheiro Marcelo José Luz de Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 08 90 /2 00 5- 61 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10805.000890/200561 Acórdão n.º 1302003.606 S1C3T2 Fl. 102 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0517.724, da lª Turma da DRJ/Campinas/SP, proferido em 1º de junho de 2007, que julgou parcialmente procedente o pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional (ao ano de 2002), deferindoa somente a partir do ano de 2004, conforme sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE . IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário; 2002 PARTICIPAÇÃO DE SÓCIO EM OUTRA EMPRESA. INCLUSÃO. Constatado que o sócio participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e que a receita bruta global ultrapassou o limite legal, é cabível o indeferimento do pedido de inclusão retroativa na sistemática do Simples. Cientificada em 27/06/2007 (AR fls. 80), a recorrente interpôs recurso voluntário em 19/07/2007, no qual alega em síntese: a) que a empresa foi excluída do Simples Federal em face da participação de seu EX sócio em outra sociedade, por não atender aos limites legais para adoção do SIMPLES, considerando que os sócios estariam participando de outra sociedade com capital superior à 10%, sendo requisitos vedados pelo art. 9°, lX da Lei 9.317/03; b) que teria promovido alteração em seu contrato social, em 01/12/1999, mediante a qual o exsócio Sebastião Pereira, que detém participação de mais de 10% em outra sociedade que deu ensejo à exclusão do Simples pela soma da receita global ultrapassar o limite legal, se retirou da empresa, ora recorrente; c) que por um lapso dos sócios a referida alteração não foi levada à registro tal alteração contratual não foram observadas na época, por lapso dos sócios, que presumiram que tivesse sido concretizado e formalizado, passando assim a exercerem suas atividades sociais, principalmente, com relação à inclusão do SIMPLES, visto que suas cotas nas empresas referidas não ultrapassavam os limites estabelecidos pela Lei n° 9.317/06; d) que no momento do recebimento do aviso de exclusão do SIMPLES, os sócios da recorrente foram surpreendidos com o Ato Declaratório Executivo ADE, pois levaram em consideração que o ato jurídico produzido em 1999 encontravase regular, pois tais quotas foram declaradas corretamente na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física dos Sócios, no exercício de 2000, anobase de 1999, ou seja, mesmo antes do recebimento de sua exclusão do SIMPLES; e) que não se discute se a participação deste sócio é superior a décima parte do capital da outra empresa, ou mesmo se a soma da receita de ambas, ultrapassa o limite legal, Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10805.000890/200561 Acórdão n.º 1302003.606 S1C3T2 Fl. 103 3 mas apenas que houve uma alteração contratual em 1999, ocasião que esta pessoa deixou de ser sócio desta empresa e que este fato está devidamente provado através do reconhecimento de suas assinaturas em cartório no ano de 1999 e nas declarações de imposto de renda do exsócio e da pessoa jurídica; f) que o arquivamento da alteração contratual perante as Juntas Comerciais Estaduais produzem efeitos retroativos a assinatura, desde que apresentados dentro de trinta dias, por expressa disposição do artigo 36 da Lei 8934/1994 e que não o fazendo, passa a produzir efeitos a partir do depósito, porém o intuito desta disposição legal é a proteção de terceiros; g) que neste caso não é o ato do arquivamento daquela alteração contratual firmada em 1999 que passa a produzir efeitos perante o fisco federal, pois ele foi corretamente cientificado do desligamento do Sr. Sebastião Pereira do quadro societário desde aquela época, através das declarações de Imposto de Renda Pessoa Física dos exercícios subseqüentes; h) que o Fisco Federal também foi cientificado da retirada do exsócio através das declarações de Imposto de Renda da Pessoa Juridica e desta forma, havendo a prova inequívoca da ciência anterior ao arquivamento do ato na JUCESP, deve produzir seus efeitos desta ciência e não do arquivamento dos atos na Junta Comercial; i) que os sócios não agiram com máfé, nem se aplica o vício de simulação ao presente caso e que o ato praticado não trouxe qualquer prejuízo às partes; invoca ainda a aplicação dos princípio da isonomia e da capacidade contributiva. Na sequência solicita a realização de diligências com vistas à juntada aos autos da Declaração de IRPF do exsócio Sebastião Pereira, à qual não tem acesso, para que fique comprovada a ciência do Fisco de seu afastamento da sociedade. Ao final requer o provimento do recurso, com o cancelamento do ato declaratório executivo de exclusão no simples e a reinclusão a partir de 01/01/2002. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10805.000890/200561 Acórdão n.º 1302003.606 S1C3T2 Fl. 104 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. A recorrente foi excluída do Simples, retroativamente a 01/01/2002, por meio do ADE 474015 (fls. 39), tendo em vista que um dos sócios da recorrente possuía participação em outra sociedade superior a 10% e a receita global das duas sociedades extrapolaram o limite para a opção no Simples, nos termos do inc. IX do art. 9º da Lei nº 9.317/1996. A questão relativa à exclusão do Simples está sendo discutida no processo administrativo nº 10805.001208/200557, também julgado por este colegiado nesta data. Por serem conexos o presente processo foi apensado àqueles autos. As razões recursais apresentadas para solicitar sua reinclusão no regime do Simples a partir de 01/01/2002 não diferem das apresentadas no recurso na qual discutese a sua exclusão. Este colegiado negou provimento ao recurso apresentado no PAF nº 10805.001208/200557, nos seguintes termos: [...] A exclusão do Simples decorreu do fato de um dos sócios da recorrente possuir participação em outra sociedade superior a 10% e de a receita global das duas sociedades extrapolarem o limite para a opção no Simples, nos termos do inc. IX do art. 9º da Lei nº 9.317/1996. A recorrente não discute este fato, mas tão somente argumenta que o sócio já havia se retirado da sociedade por meio de alteração contratual formalizada em 12/1999, porém, por um lapso dos sócio, não foi levada a registro junto à JUCESP no prazo legal. O acórdão recorrido aponta que a ausência de registro da alteração na junta comercial impede a produção dos efeitos pretendidos pela recorrente, verbis: Outrossim, a alteração contratual ocorrida em 01/12/1999 (fls.07/08), na qual o Sr Sebastião Pereira retirouse da sociedade, não tem o condão de beneficiálo, tendo em conta que a referida modificação no contrato social não foi apresentada para arquivamento na JUCESP, razão pela qual não tem eficácia contra terceiros não intervenientes do ato. Ressaltese que o art. 36 da Lei 8.934, de 1994, prevê o prazo de trinta dias para apresentação dos documentos de constituição e alteração contratual, para que surtam efeitos desde a data da assinatura. No caso sob exame, não há como se admitir a alteração contratual já que não consta no documento apresentado o registro efetuado na J UCESP. Desse modo, ao permanecer o sócio Sebastião Pereira na empresa em epígrafe no anocalendário 2001, e tendo em conta que ele participava do quadro societário Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10805.000890/200561 Acórdão n.º 1302003.606 S1C3T2 Fl. 105 5 de outra empresa, GARANTE INDÚSTRIA DE VIDROS Ltda, CNPJ N° 53.578.126/000104, com participação de 95% do capital social, cuja receita bruta corresponde a R$ 2.511.971,81 (fl 95) que somada a receita bruta da empresa Estrutura Ind e Comércio de Vidros Ltda EPP 03.091.223/000108, de R$ 772.425,57 importou no montante de R$ 3.284.397,38, verificase que receita bruta global no anocalendário de 2001 de fato ultrapassou o limite legal permitido pela legislação. A recorrente alega a boafé dos sócios e que o mero lapso do não registro imediato da alteração nenhum prejuízo ao Fisco, que teria sido cientificado da exclusão do sócio Sebastião Pereira da sociedade por meio de sua DIRPF relativa ao anocalendário 1999 e, também, por meio das próprias DIPJ da recorrente apresentadas ao Fisco desde 1999. Ressalta também que a alteração contratual conteria o reconhecimento de firma dos sócios no próprio ano de 1.999. Entendo que, no caso, não há que se discutir a boafé dos sócios, posto que a opção ao Simples está sujeita ao preenchimento aos requisitos legais que, diante dos elementos fáticos juntados aos autos, não foram preenchidos pela recorrente no ano calendário 2002. De qualquer forma, os documentos trazidos aos autos depõem contra a tese da recorrente. A cópia da alteração contratual apresentada (fls. 11/12) não contém qualquer registro de reconhecimento de firma em cartório dos signatários do instrumento. As cópias da Declarações da Pessoa Jurídica juntada aos autos também não favorecem à recorrente. As DSPJ's dos anoscalendário 2002 (fls. 26/30), 2001 (31/35), e a DIPJ´s dos anoscalendário 2000 (fls. 36/66) e 1999 (fls. 67/96) apontam o Sr. Sebastião Pereira como o representante legal da empresa (exceto a de 1999 que tem o contador como representante legal informado) e informa o pagamento de rendimentos e/ou lucros e dividendos nos quadros que informam o Rendimento de Dirigentes, Sócios ou Titular. Com relação à DIRPF do sócio Sebastião Pereira que não foi trazida aos autos e objeto de pedido de diligência para sua juntada aos autos pela recorrente, ainda que espelhasse a informação alegada, a referida declaração não tem o condão de cientificar o Fisco da alteração da situação societária e cadastral da pessoa jurídica, ora recorrente, o que somente se concretiza mediante comunicação de alteração no CNPJ. Pelo mesmo motivo considero inócua a diligência solicitada e voto por indeferila. Com efeito, no presente caso, nem os atos contratuais foram arquivados tempestivamente na Junta Comercial, nem os dados cadastrais no CNPJ foram alterados pela recorrente antes da comunicação de sua exclusão do Simples. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. A decisão de primeiro grau deferiu em parte o requerimento de reinclusão no Simples, reconhecendo o direito a partir do anocalendário 2004, tendo em vista que o impedimento para a opção ao Simples cessou em 13/10/2003, com o efetivo registro da alteração contratual que formalizou a exclusão do sócio que detinha participação em outra empresa (Sr. Sebastião Pereira). Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10805.000890/200561 Acórdão n.º 1302003.606 S1C3T2 Fl. 106 6 Considerando os argumentos trazidos no presente processo para juntificar a inclusão retroativa no Simples a partir de 01/01/2002, são as mesmas objeto do PAF nº 10805.001208/200557 e diante do que foi decidido naquele processo, não há como prover o recurso do contribuinte neste, pelas mesmas razões. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluintário. Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001507/2007-58
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS/COFINS. EMPRESA CEREALISTA.
É beneficiada pelo crédito presumido empresa que realiza processos de limpeza, secagem, padronização, armazenamento e comercialização de cereais, não constando dos autos qualquer documento que permita inferir-se a situação de industrialização, ou seja, não há qualquer indicativo de que a interessada modifique, aperfeiçoe ou, de qualquer forma, altere o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência dos produtos que adquiriu (beneficiamento). Mostra correta a glosa efetivada.
Numero da decisão: 3003-000.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS/COFINS. EMPRESA CEREALISTA. É beneficiada pelo crédito presumido empresa que realiza processos de limpeza, secagem, padronização, armazenamento e comercialização de cereais, não constando dos autos qualquer documento que permita inferir-se a situação de industrialização, ou seja, não há qualquer indicativo de que a interessada modifique, aperfeiçoe ou, de qualquer forma, altere o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência dos produtos que adquiriu (beneficiamento). Mostra correta a glosa efetivada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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EMPRESA CEREALISTA. É beneficiada pelo crédito presumido empresa que realiza processos de limpeza, secagem, padronização, armazenamento e comercialização de cereais, não constando dos autos qualquer documento que permita inferirse a situação de industrialização, ou seja, não há qualquer indicativo de que a interessada modifique, aperfeiçoe ou, de qualquer forma, altere o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência dos produtos que adquiriu (beneficiamento). Mostra correta a glosa efetivada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 15 07 /2 00 7- 58 Fl. 86DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre DRJ/POA, no bojo de procedimento de ressarcimento/compensação (PER/DCOMP), que visa o reconhecimento de créditos presumidos pela atividade de cerealista (beneficiamento de soja, trigo, milho e demais grãos cereais) e por suposta exportação dos bens. Por bem retratar o histórico dos autos, adoto o relatório formulado no acórdão de manifestação de inconformidade: O presente processo foi formalizado pela DRF/Santo Ângelo (RS) visando a análise e acompanhamento de pedido de ressarcimento de créditos de PIS nãocumulativo efetuado mediante PER/DCOMP transmitido eletronicamente em 20/11/2006, relativo ao quarto trimestre de 2003, totalizando o valor de R$ 21.161,99, conforme cópia de declaração nas fls. 02/04. A SAORT da DRF/Santo Ângelo (RS) encaminhou o processo à SAFIS para conferir a procedência do crédito informado pela contribuinte, sendo que essa Seção realizou a necessária fiscalização, emitindo e anexando documentos, tendo produzido o relatório fiscal de fls. 20/21, onde, em especial, assentou: O Contrato Social informa que o objetivo social da empresa será comércio e representações de soja, trigo, milho e canola, importação de soja, trigo, milho e canola, depósito de soja, trigo, milho e canola da própria empresa e de terceiros e beneficiamento de soja, trigo, milho e canola da empresa e de terceiros”,' na Alteração Contratual Úl. 17) foi acrescentado ao objeto social a atividade de transporte rodoviário de cargas. Intimada a informar qual atividade exercida que motivou a apuração de Crédito Presumido 01. 18), declarou que: efetua os processos de limpeza, secagem, padronização, armazenagem e comercialização de cereais ([7. 19). O exposto no presente parágrafo deixa claro que, para fins de cálculo de Crédito Presumido da Contribuição para o PIS, a contribuinte se enquadra como Cerealista (como definido no § 11 do art. 3” da Lei 10.833/2003). (fl. 20) Como já dito o § 11 do art. 3°, da Lei 10,833/2003, acima transcrito, vigorou no período de 02/2004 a 07/2004, não se aplicando aos Fatos Geradores objeto do presente pedido (Jul/2003 a Set/2003). No período anterior à vigência da Lei 10.833/2003 não havia previsão legal para Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11070.001507/200758 Acórdão n.º 3003000.234 S3C0T3 Fl. 3 3 apuração de crédito presumido da Contribuição para o PIS por cerealista. (fl. 21) Nas fls. 24/26 está anexado Despacho Decisório onde a autoridade administrativa de origem, adotando como fundamentos para não reconhecer o direito creditório pretendido, os motivos de fato e de direito expostos no relatório fiscal, indeferiu o pedido de ressarcimento a que se refere o presente processo. Determinou fosse a contribuinte cientificada, inclusive do relatório fiscal. A contribuinte foi cientificada em 18/08/2008 (AR de fl. 27) e, não se conformando com o decidido administrativamente, apresentou, através de procurador, em 16/09/2008 fls. 28/36 sua manifestação contrária (impugnação), onde assenta, em síntese, suas alegações: conforme atestado, ao adquirir cereais de seus fornecedores realiza as operações industriais de secagem, padronização, limpeza, armazenamento e, posteriormente, comercialização; consoante o disposto nos arts. 3° e 4° do RIPI, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 2002, a empresa é produtora de alimentos para consumo cuja matériaprima são os cereais adquiridos de seus fornecedores, razão pela qual faz jus aos créditos de PIS quando da aquisição de cereais, forte no que determina o § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002, na redação dada pelo art. 25 da Lei n° 10.684, de 2003; I pelo entendimento da autoridade fiscalizadora, a empresa não teria direito ao crédito, eis que não haveria autorização legal para a manutenção dos créditos presumidos, sendo que, no entendimento fiscal, tal autorização somente se deu em 01/02/2004 (até 31/07/2004); I a autoridade fiscalizadora, ao fundamentar sua decisão, partiu da premissa de que a empresa apenas realizava atividade de comercialização dos cereais adquiridos dos fornecedores pessoas físicas. A interpretação meramente literal levou a autoridade fiscal a concluir que o pleito e o direito da empresa estariam amparados no § 11 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, sendo que a conclusão errônea dos fatos prejudicou a correta aplicação do direito; 0 a empresa, ao adquirir cereais, em especial o soja, realiza as atividades industriais de secagem, padronização, limpeza e armazenamento, para posterior comercialização. Ao assim proceder, não restam dúvidas de que a empresa Fl. 88DF CARF MF 4 realiza a industrialização dos cereais que adquire de seus fornecedores pessoas físicas; 0 conforme os arts. 3° e 4° do RIPI, os processos de secagem, padronização e limpeza caracterizamse atividades que implicam industrialização dos cereais, na modalidade de beneficiamento, não havendo como negar que a empresa efetua a produção (industrialização por beneficiamento) dos cereais que adquire; 0 a empresa é produtora de mercadorias de origem vegetal destinadas à alimentação, vez que realiza industrialização (beneficiamento), sendo inexorável 0 seu direito ao crédito presumido do PIS, consoante o que dispõe o § 10 do art. 3° da Lei n° 10.637, de 2002; 0 não se deve alegar que a empresa não detém 0 direito ao crédito em face de que exporta seus produtos, tendo em vista que, aplicandose a norma às empresas cerealistas, essas, exportando os cereais adquiridos diretamente de pessoas físicas têm o direito de utilizar o crédito do PIS. Isso porque o direito ao crédito é decorrente da exportação, e não de cerealista; I toda pessoa jurídica, seja ela cerealista ou não, seja ela comercial ou industrial, que vender mercadorias para o exterior, direta (inciso I) ou indiretamente (inciso 111), poderá utilizar 0 crédito apurado na forma do art. 3°; 0 não restam dúvidas acerca do direito da empresa ao crédito presumido do PIS, consoante as razões aduzidas. Ao finalizar, requer: 1. o recebimento e processamento de sua manifestação, com os documentos que a acompanham; 2. seja dado provimento a sua impugnação para o fim de, reformandose o Despacho Decisório: a) sejam homologados os dados inseridos pela empresa e apurados nas DACONs que comprovam o direito ao crédito; b) por conseqüência, seja reformada a decisão proferida, reconhecendose o direito creditório em favor da empresa. I pede deferimento. Junto à manifestação a contribuinte apresentou os documentos de fls. 37/45. A repartição de origem anexou o Termo de Juntada de Documentos de fl. 46 e despachou na fl. 47. A DRJ/POA, ao proferir o acórdão de manifestação de inconformidade, apurou de forma detida a documentação levada aos autos pela Recorrente e, confrontandoa Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11070.001507/200758 Acórdão n.º 3003000.234 S3C0T3 Fl. 4 5 com a legislação vigente entendeu pela total improcedência da Manifestação de Inconformidade. Inconformada a Recorrente apresentou a este Tribunal Administrativo Recurso Voluntário trazendo as exatas mesas razões da Manifestação de Inconformidade. São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO Ao constatar que não há em sede de razões recursais qualquer matéria que não tenha sido apreciada pela Instância de Piso, valhome do artigo 57, §3º do RICARF para adotar como razões de decidir o acórdão da DRJ/POA, pois comungo do entendimento esboçado pelos julgadores de primeira instância. No que se refere ao presente processo se mostra correta a glosa efetivada, ela Fiscalização relativamente ao crédito presumido vinculado a produtos agrícolas adquiridos de pessoas físicas e revendidos na condição de cerealista. Isso porque: I. ao que se infere da manifestação apresentada, a contribuinte entende ser agroindústria e não cerealista. Tal entendimento não pode ser aceito porquanto a empresa, conforme seu contrato social (fl. 16 ~ Cláusula segunda), tem por objeto o comércio, representação, importação, armazenamento e beneficiamento de cereais, seus e de terceiros. Além disso, na Declaração de fl. 19 consta que a interessada realiza processos de limpeza, secagem, padronização, armazenamento e comercialização de cereais, não constando dos autos qualquer documento que permita inferirse a situação de industrialização, ou seja, não há qualquer indicativo de que a interessada modifique, aperfeiçoe ou, de qualquer forma, altere o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência dos produtos que adquiriu (beneficiamento), não se encontrando configurada a hipótese prevista no inciso II do art. 4° do Fl. 90DF CARF MF 6 Decreto n° 4.544, de 2002. No caso, permanece válida a afirmação da Fiscalização assentada na fl. 20: O Contrato Social Úl. 16) informa que o objetivo social da empresa será “comércio e representações de soja, trigo, milho e canola, importação de soja, trigo, milho e canola, depósito de soja, trigo, milho e canola da própria empresa e de terceiros e beneficiamento de soja, trigo, milho e canola da empresa e de terceiros”; na Alteração Contratual (fl. 17) foi acrescentado ao objeto social a atividade de transporte rodoviário de cargas. Intimada a informar qual atividade exercida que motivou a apuração de Crédito Presumido (fl. 18), declarou que: efetua os processos de limpeza, secagem, padronização, armazenagem e comercialização de cereais (fl. 19). O exposto no presente parágrafo deixa claro que, para fins de cálculo de Crédito Presumido da Contribuição para o PIS, a contribuinte se enquadra como Cerealista (como definido no § 11 do art. 3° da Lei 10.833/2003). Isso observado, verificase que a vigente IN SRF n° 660, de 17/07/2006 (art. 3°, § 1°, inciso I), de observação obrigatória pelas Delegacias de Julgamento (DRJs) conforme as determinações contidas no art. 7° da Portaria MF n° 58, de 17/03/2006 (dispõe que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos), define que cerealísta é a pessoa jurídica que exerce cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal, donde se pode inferir que a contribuinte não se enquadra no conceito de agroindústria, como pretende. De ver, ainda, que tal definição constou do art. 8°, § 1°, inciso I, da Lei n° 10.925, de 2004 (com a redação que lhe deu a Lei n° 11.196, de 2005). II. para o período de apuração em questão (4° trimestre de 2003), não havia fundamentação legal para que as cerealistas apurassem crédito presumido decorrente da aquisição de produtos agrícolas diretamente de pessoas físicas. Verificase que a legislação de regência somente permitiu tal apuração a partir de fevereiro de 2004 (até julho de 2004), quando, para as empresas com natureza jurídica de cerealístas, somente era possível a utilização de créditos advindos de compras de produtos de origem vegetal in natura, se as vendas se dessem às chamadas agroindústrias, como bem determinava 0 § 11 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, a seguir transcrito: § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11070.001507/200758 Acórdão n.º 3003000.234 S3C0T3 Fl. 5 7 produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10. 01 a 10. 08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5”, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2° sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. (esse artigo foi posteriormente revogado pela Lei n° 10.925, de 2004) No caso em tela, tal artigo deve ser conjugado com o art. 15 da mesma Lei, mostrandose correto, portanto, 0 entendimento da fiscalização, no sentido de que os mencionados créditos presumidos não podiam ser calculados sobre aquisições realizadas antes de fevereiro de 2004. Como referido, o crédito presumido decorrente da aquisição de produtos agrícolas de origem vegetal, adquiridos diretamente de pessoas físicas residentes no País, teve vigência no período de 1°/02/2004 a 31/07/2004, visto que os §§ 5° e 6° do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, foram revogados pela MP n° 183, de 2004, posteriormente convertida na Lei n° 10.925, de 2004. Assim, a partir de 1°/08/2004, 0 crédito presumido decorrente da aquisição produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas ã alimentação humana ou animal, passou a ser tratado pelo art. 8° da Lei n° 10.925, de 2004 (com a redação dada pelo art. 29 da Lei n° 11.051, de 2004 e art. 63 da Lei n° 11.196, de 2005). Assim, observada a legislação tida pela contribuinte como embasadora de seu pedido (§ 10 da Lei n° 10.637, de 2002, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 10.684, de 2003 fl. 29) e confirmado o entendimento de que essa se referia somente às agroindústrias (... as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal...), temse correta a glosa efetivada pela Fiscalização relativamente aos créditos presumidos apurados relativamente às compras de produtos agrícolas de origem vegetal, adquiridos diretamente de pessoas físicas residentes no País, atentandose que o caso em questão não trata de créditos básicos, estes passíveis de apuração em relação a bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País ou a custos e despesas incorridos, pagos ou creditados à pessoa jurídica domiciliada no País. Fl. 92DF CARF MF 8 Ante o exposto, voto no sentido da improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, com a integral manutenção do Despacho Decisório proferido pela autoridade administrativa a quo. Por fim, no tocante ao requerimento de intimação pessoal para fins de sustentação oral formulado no Recurso Voluntário, indefiro vez que há de se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Pelas razões de decidir acima apostas, voto pela adoção integral do Acórdão de Manifestação de Inconformidade e sua manutenção por expressar o melhor Direito. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e no mérito, negolhe provimento. \ Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.730182/2017-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE
Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
Numero da decisão: 2002-001.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 01 82 /2 01 7- 00 Fl. 75DF CARF MF 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 44 a 48), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 1.465,89, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 43 dos autos, que conforme decisão da DRJ: 2. Cientificada do lançamento em 23/10/2017 (fl. 50), a interessada apresentou, em 17/11/2017 (fl. 2), a impugnação de folhas 4 e 5, alegando, basicamente, que seus rendimentos seriam isentos, "por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão e suas respectivas complementações recebidos por portador de moléstia grave". Com sua impugnação, a interessada trouxe os documentos de folhas 17 e seguintes. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA e, por unanimidade, em 28/02/2018, no acórdão 0661.832, às efls. 55 a 58, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 69 a 71 no qual alega, em síntese, que é moléstia grave desde 2013 e que seus rendimentos são provenientes de aposentadoria, e, portanto faz jus a isenção prevista na legislação. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/05/2018, efls. 65, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 25/02/2018, efls. 69, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sendo ratificado pela DRJ, nos seguintes termos: 8. No presente caso, a interessada sustenta estar na condição de referida isenção e, com o intuito de comprovar essa sua condição, junta a documentação de folhas 17 e seguintes. 9. Todavia, os laudos médicos emitidos pelo serviço médico oficial do Estado de Pernambuco, juntados pela interessada às folhas 18/19 e 23/24, atestam sua condição de portadora de moléstia grave na Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10480.730182/201700 Acórdão n.º 2002001.024 S2C0T2 Fl. 76 3 data de respectiva emissão, ou seja, em agosto de 2016, sem fazerem qualquer menção a uma eventual préexistência da doença. 10. Assim, como os rendimentos de que aqui tratamos foram auferidos no anocalendário de 2015, concluise que a interessada não demonstrou a alegada isenção quanto a eles. Ressaltase que apenas o laudo foi questionado pela fiscalização. Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, Fl. 77DF CARF MF 4 paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10480.730182/201700 Acórdão n.º 2002001.024 S2C0T2 Fl. 77 5 devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Às efls. 17, há laudo constatando que desde 05/05/2013 a contribuinte é acometida de moléstia grave, em que pese tenha sido emitido apenas em 2016 Diante do exposto, conheço do Recurso para, no mérito darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720989/2012-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS FINANCEIRAS. FATURAMENTO. RECEITA BRUTA. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS
As receitas financeiras auferidas por instituição financeira, decorrentes da concessão de crédito, como os juros, as comissões e outras receitas direta ou indiretamente vinculadas à concessão do crédito, constituem serviços de natureza financeira, integrando o faturamento (receita bruta) e, consequentemente, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. PIS/COFINS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/989 não afeta a inclusão das receitas financeiras auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS ou do PIS.
Recurso do contribuinte parcialmente provido.
Numero da decisão: 9303-008.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para declarar a improcedência da decisão recorrida, devendo os autos retornarem à 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª SEJUL (3302) para que adentre ao mérito do recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS FINANCEIRAS. FATURAMENTO. RECEITA BRUTA. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS As receitas financeiras auferidas por instituição financeira, decorrentes da concessão de crédito, como os juros, as comissões e outras receitas direta ou indiretamente vinculadas à concessão do crédito, constituem serviços de natureza financeira, integrando o faturamento (receita bruta) e, consequentemente, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. PIS/COFINS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/989 não afeta a inclusão das receitas financeiras auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS ou do PIS. Recurso do contribuinte parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para declarar a improcedência da decisão recorrida, devendo os autos retornarem à 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª SEJUL (3302) para que adentre ao mérito do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS FINANCEIRAS. FATURAMENTO. RECEITA BRUTA. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS As receitas financeiras auferidas por instituição financeira, decorrentes da concessão de crédito, como os juros, as comissões e outras receitas direta ou indiretamente vinculadas à concessão do crédito, constituem serviços de natureza financeira, integrando o faturamento (receita bruta) e, consequentemente, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. PIS/COFINS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/989 não afeta a inclusão das receitas financeiras auferidas por instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS ou do PIS. Recurso do contribuinte parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial para declarar a improcedência da decisão recorrida, devendo os autos retornarem à 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª SEJUL (3302) para que adentre ao mérito do recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 89 /2 01 2- 71 Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 16327.720989/201271 Acórdão n.º 9303008.440 CSRFT3 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência do Contribuinte (fls. 1322/1336), admitido pelo despacho de fls. 1419/1421, que se insurge contra o Acórdão 3303005.266 (fls. 1265/1297), de 28/02/2018, o qual não conheceu o recurso voluntário, e cuja ementa foi vazada com a seguinte dicção: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento, relator, que lhe negava provimento. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. Recurso Voluntário Negado. O contribuinte (incorporadora do Banco Mercantil S/A), em sua peça recursal, alega que o recorrido divergiu do entendimento desta E Turma no Acórdão 9303 005.051, de 15/05/2017 (cópia anexa às fls. 1338/1353), de relatoria do i. Dr. Demes Brito, prolatado em "processo idêntico ao presente, relativo à mesma ação judicial e tendo por objeto a mesma discussão administrativa, que afastando a suposta renúncia à esfera administrativa apreciou a matéria de mérito das declarações de compensação, merecendo reforma a r. decisão Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 16327.720989/201271 Acórdão n.º 9303008.440 CSRFT3 Fl. 4 3 recorrida". Ambos processos administrativos analisaram matéria referente à mesma ação judicial (2006.61.00.0034220), em que os contribuinte ajuizaram em litisconsórcio. No mérito, entende que houve flagrante desacerto na decisão recorrida, "pois deixou de considerar que é outro litisconsorte daquela mesma ação ordinária (Banco Bradesco S/A) que está a discutir os limites da coisa julgada no processo judicial, não havendo de se falar em renúncia à via administrativa por parte da recorrente". Conclui postulando a declaração de nulidade da decisão recorrida, afastandose a suposta renúncia administrativa, e determinando a devolução do processo à Câmara julgadora a quo para que sejam apreciados todos os argumentos de defesa da recorrente, inclusive seu pedido de sobrestamento do feito como medida de Justiça". Intimada, a Fazenda não contraarrazoou. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que processado. I SÍNTESE DOS FATOS Trata o presente processo de “Declarações de Compensação”, cujo crédito alegado totaliza o valor de R$ 147.961.441,34. O contribuinte declara como origem do suposto crédito pagamento a maior de Cofins dos períodos de apuração de janeiro de 2001 a dezembro de 2005, que teria sido reconhecido na Ação Ordinária nº 2006.61.00.0034220. A Delegacia Especial das Instituições Financeiras, ao interpretar o alcance do provimento judicial, reconheceu a existência de direito creditório no importe de R$ 2.032.693,20 (planilhas de cálculos ás fls. 199/454), considerando como receita bruta da instituição as receitas financeiras, vez que oriundas de suas atividades operacionais próprias, o que, a seu juízo e com arrimo em Parecer da PRFN da 3ª Região (fls. 395/423), aquelas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira). Entendeu a peça vestibular decisória (fls. 476/496) que a decisão no processo judicial em que é parte a ora recorrente seguiu orientação que não difere, sob qualquer aspecto, daquela encampada pelo STF no julgamento dos RE 357.950/RS, 390.840/MG, 358.273/RS e 346.084/PR (que, cediço, declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98), segundo o qual o faturamento das empresas compõese apenas das suas receitas operacionais (ligadas à atividade da empresa), não podendo integrálo o conjunto de suas receitas não operacionais (p. ex renda de aluguel). Entendimento este que vai ao encontro do que consta no Parecer PGFN/CAT nº 2773/2007. Posteriormente, em função do decidido, foi lançada multa de 50% sobre os valores dos créditos de COFINS utilizados nas respectivas DCOMP cujas compensações não foram homologadas (auto de infração fls. 232/240 objeto do PA 16327.721540/201319, em apenso). Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 16327.720989/201271 Acórdão n.º 9303008.440 CSRFT3 Fl. 5 4 Intimado, o contribuinte interpôs recurso voluntário. Após a divulgação da inclusão do processo em pauta para julgamento, o interessado peticionou nos autos para noticiar a prolação de acórdão da Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, no âmbito do processo nº 2015.03.00.0144035 (Agravo de Instrumento), no qual se decidiu “a) cassar a r. decisão agravada; b) avocar os autos nº 2006.61.00.0034220, que se encontram em primeiro grau de jurisdição; c) determinar que, já nesta instância, seja aquele feito reativado como reexame necessário e venham à conclusão”. Ao final, o contribuinte requereu a conversão do julgamento em diligência, a fim de que sejam os presentes autos sobrestados até o trânsito em julgado de decisão final relativa ao agravo de instrumento nº 2015.03.00.0144035 e de eventual nova decisão de mérito que venha a ser proferida nos autos da ação ordinária nº 2006.61.00.0034220. A Segunda Turma da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por meio da resolução nº 3302000.669 (fls. 1229/1237), resolveu converter o julgamento em diligência para que “a Secretaria da Câmara cientifique a PGFN sobre a decisão prolatada no âmbito do Agravo de Instrumento nº 2015.03.00.0144035 (fls. 1189/1209), especialmente, em relação ao eventual efeito sobre a coisa julgada da decisão proferida nos autos da referida ação ordinária e a necessidade ou não de sobrestamento do julgamento dos presentes autos até que seja prolatada a decisão judicial definitiva sobre a matéria”. A Fazenda peticionou (fls. 1239/1261) em relação ao objeto da referida Resolução concluindo pelo prosseguimento do feito e improvimento do recurso voluntário. II MÉRITO A NULIDADE ARGUIDA Alega a recorrente que em outro processo (16327.720996/201272) cuja parte (Banco Bradesco Financiamentos S.A.) era litisconsorte na mesma ação judicial (nº 2006.61.00.0034220) em que arrimou o pedido de restituição/compensação a matéria foi objeto de decisão por esta E. Turma da CSRF nos termos em que decidido no mencionado Acórdão 9303005.051. Com base nessa assertiva, entende que não há que se falar em renúncia à via administrativa nos termos do recorrido, pois deixou de considerar o já decidido em PA relativo ao litisconsorte na mesma ação judicial. Acresce que em ambos processos administrativos a DRJ decidiu no sentido de que nos termos do pedido inicial na ação judicial (a delimitação da lide) estariam excluídas da base imponível apenas as receitas que não se enquadrassem no conceito de faturamento previsto na LC 70/91, de forma que só poderiam ser desconsideradas as receitas financeiras e as de locação de imóveis quando estas não fossem operacionais. Em face dessas alegações, postula a anulação da decisão recorrida. Dúvida não tenho que a controvérsia encartada nestes autos é distinta daquela encartada na ação judicial, pois o que se está a definir nestes autos é o alcance da decisão formada no processo judicial, que, aliás, não transitou em julgado1. 1 Acerca do imbroglio criado no processo judicial, remetese ao discorrido na manifestação da PFN nestes autos às fls. 1239/1261. Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 16327.720989/201271 Acórdão n.º 9303008.440 CSRFT3 Fl. 6 5 Contudo, daí a concluir que a decisão recorrida foi nula, sem que a recorrente apontasse qualquer vício em específico a ensejar a nulidade, nos termos do que define o art. 59 do Decreto 70.235/72, não concordo. Não houve qualquer vício na decisão recorrida a ensejar a decretação de sua nulidade, muito menos prejuízo à defesa. O princípio norteador das nulidades, pas de nullité sans grief, vem sendo aplicável, incluso, em casos de nulidade absoluta. Portanto, neste ponto nego provimento, pois não há que se falar em nulidade da r. decisão. De igual sorte, improcedente o pedido para sobrestamento do feito, pois sem previsão regimental para tanto. A petição da Fazenda em resposta à Resolução é esclarecedora no ponto. Todavia, no mérito, entendo improcedente a decisão vergastada, pois claro a meu juízo que não se aplica a Súmula CARF nº 01. A recorrente, assim como várias outras instituições financeiras, conforme vários julgados que participei2, ajuizaram ações idênticas aquela que deu azo ao pedido inicial encartado nestes autos de restituição cumulado com as referidas compensações. Em todas, como na presente, o que se identifica é um pedido bastante inespecífico postulando, como no item "a" do pedido inicial na ação 2006.61.00.0034220, a declaração da não incidência da Cofins sobre as receitas que não se enquadram no conceito de faturamento, apontando, a título exemplificativo, as receitas de locação de imóveis e receitas financeiras. Todavia, a sentença não discriminou as espécies de receita que deveriam compor o faturamento, silenciando, inclusive, quanto à situação das receitas financeiras. Demais disso, o fato de outra Turma baixa, julgar de forma distinta em relação à mesma ação judicial de terceiro litisconsorte da mesma ação, não é, por si só, vício a ensejar nulidade, como pugna a recorrente. Nos casos analisados por esta Turma o que vimos decidindo, mais recentemente, é que as decisões do STF (suso referidas) que declararam a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98, deixaram patente3 que o alargamento indevido da base de cálculo deve ser em relação a receitas extras que não aquelas que decorram de receita operacional. Assim, as receitas financeiras de instituições financeiras, como temos decidido, são receitas operacionais, e, por tal, devem ser ofertadas à tributação. O certo, na hipótese em comento, é que, ao menos com as informações constante dos autos, não há coisa julgada, o que, em tese, impediria as compensações levadas a efeito, e que em momento algum ficou definido na decisão judicial o que é serviço para as instituições financeiras. Tendo em vista que a jurisprudência do STF exclui da tributação as receitas não operacionais, as receitas financeiras de uma instituição financeira devem, em tese, serem tributadas, pois tratamse de receitas operacionais oriunda da prestação de serviços. O que restou decidido no RE 585.235, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718 em sede de repercussão geral, foi que o legislador ordinário não teria competência para alterar o conceito de receita bruta, que até então a jurisprudência do STF considerava como sinônimo de faturamento. Em outros termos, foi afastado o alargamento da base imponível das contribuições em relação a ingressos financeiros que não caracterizam a atividade operacional da empresa. Não por outra causa que o Recurso Extraordinário nº 609.096 foi afetado como paradigma de controvérsia, estando submetido à repercussão geral e ainda não julgado, 2 A título de exemplo, refirome ao Acórdão 9303007.495, de 16/10/2018. 3 No Acórdão 9303007.495, por mim relatado, analiso as decisões do STF nesse sentido, fazendo referência sobre votos de Ministros sobre o ponto. Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 16327.720989/201271 Acórdão n.º 9303008.440 CSRFT3 Fl. 7 6 uma vez que a questão posta naqueles autos trata, especificamente, sobre a incidência de PIS e COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras. Assim, entendo que as matérias em lide na ação judicial e neste litígio administrativo não são idênticas, não incidindo a Súmula CARF nº 1. Por tal, deve a Turma baixa adentrar no mérito deste processo. Portanto, o recurso deve ser provido parcialmente para declarar a improcedente a decisão recorrida. DISPOSITIVO Ante o exposto, conheço do recurso especial de divergência do contribuinte e doulhe parcial provimento para declarar a improcedência da decisão recorrida, devendo os autos retornarem à 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 3ª SEJUL (3302) para que adentre ao mérito do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 16327.720989/201271 Acórdão n.º 9303008.440 CSRFT3 Fl. 8 7 Fl. 1444DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000711/2009-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR, INCLUSIVE VIA TRADING. IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE.
A imunidade prevista no §2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e as destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros tradings, não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas.
Numero da decisão: 9202-007.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR, INCLUSIVE VIA TRADING. IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE. A imunidade prevista no §2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e as destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros tradings, não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR, INCLUSIVE VIA TRADING. IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE. A imunidade prevista no §2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e as destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros trading’s, não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 07 11 /2 00 9- 73 Fl. 304DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração (DEBCAD n° 37.190.8124), totalizando R$ 969.293,20 e consolidado em 27/11/2009, referente à contribuições devidas pela empresa ao SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, referentes ao período de apuração de 01/2005 a 12/2006. O relatório fiscal ainda destaca que constituíram os fatos geradores das contribuições lançadas: a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural própria, nos termos do art. 22A da Lei nº 8.212/1991, em virtude da glosa de compensações de contribuições destinadas ao SENAR. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de janeiro/RJ julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 08/05/2017, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401004.774, (efls. 211/219) com o seguinte resultado: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento’. O acórdão encontra se assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. COMERCIALIZAÇÃO DESTINADA AO EXTERIOR, INCLUSIVE VIA TRADING. IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE. A imunidade prevista no §2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e as destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros trading’s, não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. AGROINDÚSTRIA. ESTABELECIMENTOS DIVERSOS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. INCIDÊNCIA. O valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção da agroindústria, centralizada na matriz ou distribuídas em diversos estabelecimentos, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária, em substituição à prevista nos incisos I e II do art. 22 da Lei 8.212/91. Inteligência Fl. 305DF CARF MF Processo nº 18088.000711/200973 Acórdão n.º 9202007.578 CSRFT2 Fl. 3 3 do art. 22A do mesmo dispositivo, acrescentado pela Lei 10.256/2001. O processo foi encaminhado para ciência, que ocorreu em 08/06/2017, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. O sujeito passivo, então, interpôs Embargos de Declaração (efls. 231/235) em 12/06/2017, tempestivo portanto. Em Despacho (efls. 240/242) da Presidente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção, os embargos do sujeito passivo foram analisados, mas tiveram o seu seguimento negado. Encaminhados os autos para a ciência do despacho que não admitiu os citados embargos, o sujeito passivo tomou ciência em 13/07/2017 e, nos termos da Portaria MF nº 527/2010, apresentou tempestivamente, em 25/07/2017, Recurso Especial (efls. 251/285). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho da 4ª Câmara, de 22/09/2017 (efls. 290/295), levandose em consideração como paradigma o Acórdão nº 2301004.198. Em seu recurso visa: · A reforma do acórdão recorrido em relação a decisão que não considerou a imunidade prevista no art. 149, parágrafo 2º, I, da Constituição Federal. · A recorrente traz um histórico da criação do SENAR e sua interpretação em relação à destinação, natureza de seus serviços e das contribuições que o mantém. · Em relação ao recurso em tela, traz divergências que considerariam que o SENAR seria, sim, alcançado pela imunidade prevista no art. 149, parágrafo 2º, I, da Constituição Federal. · Afirma ainda que o sujeito passivo é agroindústria, contribuindo para o INSS, tomando por base de cálculo da contribuição previdenciária a receita bruta de comercialização de seus produtos e, como exporta parte de seus produtos, essa operação estaria imune às contribuições sociais, e assim a imunidade alcançando a contribuição devida ao SENAR. · Assevera ainda, que as contribuições ao SENAR seriam destinadas à entidades de serviço social e de formação profissional, que teriam características com os objetivos de ordem social, não podendo estarem enquadradas como espécie de contribuições de categorias profissionais e econômicas. · Vejamos trechos: Com efeito, o Acórdão Paradigma diz que o SENAR é Contribuição Social e, assim sendo, é alcançado pela imunidade prevista no art. 149, § 2.º, I, da Constituição. Fl. 306DF CARF MF 4 [...] A ora Recorrente é sociedade civil por quotas de responsabilidade limitada. Tem por objeto social a produção agrícola de canadeaçúcar e a sua industrialização, na produção de açúcar e álcool e sua comercialização no mercado interno e externo. Como agroindústria, aquela que industrializa a própria produção agrícola, contribui para o INSS tomando por base de cálculo da contribuição previdenciária a receita bruta da comercialização de seus produtos: açúcar e álcool. [...] A Recorrente exporta parte de seus produtos e essa operação de exportação está imune das contribuições sociais, imunidade prevista no art. 149, § 2.º, da Constituição Federal. Entende, pois, que sendo a contribuição ao SENAR também de natureza social, estaria abrangida pela imunidade, motivo pelo qual o Auto de Infração ora combatido não teria fundamento na legislação de regência. [...] “As contribuições sociais gerais destinamse ao financiamento das demais áreas de atuação da União, no campo social, que tem grande abrangência. A Ordem Social é fundada no primado do trabalho e objetiva o bem estar e a justiça social.” Essas contribuições que a doutrina denomina “gerais” são, na verdade, específicas, no sentido de que são destinadas a um fim social especificamente determinado. [...] Não há como enquadrar as contribuições ao SENAR na espécie contribuições de categorias profissionais e econômicas, dada a finalidade a que se prestam, que incontestavelmente é, antes de tudo, social. Não se destinam a custear os interesses próprios de categorias profissionais ou econômicas. (Com os grifos e marcações do original.) · Em suas alegações finais, o sujeito passivo requer que seu Recurso Especial seja provido, devendo ser reconhecida a imunidade do art. 149, parágrafo 2º, I, da Constituição Federal à contribuição ao SENAR. A Fazenda Nacional foi cientificada do Acórdão nº 2401004.774, do Recurso Especial do sujeito passivo e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial do sujeito passivo em 27/09/2017 e apresentou, em 10/10/2017, portanto, tempestivamente, contrarrazões (efls. 297/301). Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional: Fl. 307DF CARF MF Processo nº 18088.000711/200973 Acórdão n.º 9202007.578 CSRFT2 Fl. 4 5 · Contrapõe a argumentação da recorrente, defendendo a manutenção da decisão exarada no acórdão recorrido. · A representante da Fazenda Nacional afirma ainda que os o texto do art. 149, parágrafo 2º, I, da Constituição Federal, é claro e não traz margem para discussões. · Afirma que o acórdão recorrido estaria aderente ao entendimento corrente do STF no que tange à restrição da capacidade ativa tributária, sendo uma interpretação muito mais restritiva do que ampliativa. · Assevera ainda que a imunidade citada do texto constitucional não abrangeria as contribuições de interesse de categorias profissionais ou econômicas, uma vez que não seria o expressado. · Vejamos alguns trechos das contrarrazões da PGFN: Sem necessidade de maior digressão, percebese da literal leitura do texto constitucional que a partir da Emenda Constitucional nº 33/2001, as receitas decorrentes de exportação estão imunes a contribuições sociais, bem como a contribuições de intervenção no domínio econômico. Acerca da interpretação a ser conferida às normas constitucionais que veiculam restrição à capacidade ativa tributária, observase que, como regra, o STF tem adotado uma interpretação mais restritiva em contraposição à interpretação ampliativa. [...] A partir dessas considerações devese analisar a natureza da contribuição ao SENAR. Como bem pontuou a decisão recorrida a contribuição ao SENAR é contribuição de interesse de categorias profissionais, não se enquadrando, portando, na norma do inciso I do §2º do art. 149 da CF. [...] Entretanto, no §2º, inciso I, apenas encontrase prevista a imunidade das receitas de exportação em relação às “contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico”. Logo, resta claro que a imunidade prevista em relação às receitas decorrentes da exportação não abrange as contribuições de interesse de categoria profissionais ou econômicas. (Com os grifos e marcações do original.) · A representante da Fazenda Nacional encerra suas contrarazões requerendo que seja negado o provimento do recurso do sujeito passivo. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 290/295. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Cingese a controvérsia em relação ao Reconhecimento da imunidade do art. 149, parágrafo 2º, I, da Constituição Federal à contribuição ao SENAR. No acórdão recorrido, foi mantido o lançamento da contribuição destinada ao SENAR, ao argumento de que a imunidade prevista no § 2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e as destinadas à intervenção no domínio econômico, não se estendendo, no entanto, ao SENAR. Vejamos como dispôs o acórdão recorrido a respeito: Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão da imunidade quanto as contribuições, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria. Como se sabe, o art. 149 da Constituição Federal determinou a não incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre as receitas decorrentes de exportação. Vejamos o que determina o referido dispositivo constitucional: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;(grifamos) Como se vê, o legislador constitucional estabeleceu que as receitas decorrentes da exportação são imunes à incidência das contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. Notase que o Constituinte foi bastante claro ao delimitar as contribuições que seriam imunes. Tenho o entendimento pessoal de que “contribuição social” é um gênero do qual são espécies as contribuições para custeio da Fl. 309DF CARF MF Processo nº 18088.000711/200973 Acórdão n.º 9202007.578 CSRFT2 Fl. 5 7 intervenção no domínio econômico (CIDE) e as de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Porém, o alcance da norma legal somente terá amplitude a todas as espécies quando o legislador contemplar o termo "contribuição social" em sentido lato, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, onde o constituinte foi por demais enfático ao delimitar as contribuições que estariam sob o manto da imunidade sob análise, quais sejam, as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo, o que rechaça de plano a pretensão da contribuinte ao pretender incluir em aludido benefício fiscal as contribuições destinadas a terceiros – SENAR. In casu, a Constituição Federal não restringiu o conceito de receita de exportação abrangido pela imunidade consagrada pelo inciso I do §2º do seu art. 149. Por sua vez, o Poder Executivo, ao regulamentar esta previsão constitucional, através da IN SRP nº 03/2005, estabeleceu que apenas haverá a imunidade quando a receita de exportação decorrer de comercialização diretamente com o adquirente domiciliado no exterior. Vejamos o teor do §1º do art. 245 do referido ato normativo: Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto.(grifo nosso) Desse modo, verificase que a norma constitucional que institui a imunidade não pode ser mitigada por lei, muito menos por ato normativo expedido pela autoridade administrativa. É preciso, então, que seja respeitada a limitação do exercício da competência imposta pelo legislador constituinte. O entendimento pessoal deste Conselheiro é de que se interpreta de forma teleológica a previsão consagrada no § 2º do art. 149 da CF, no sentido de que a imunidade contemplada neste dispositivo abrange as receitas decorrentes da comercialização de produtos nacionais com destino ao exterior. Portanto, não é razoável excluir da abrangência dessa norma imunizante as operações que possuem o fim específico de exportação, como é o caso das vendas realizadas a empresas comerciais exportadoras cujo destino das mercadorias comercializadas seja unicamente o exterior. Fl. 310DF CARF MF 8 No entanto, em relação à contribuição ao SENAR, que trata o caso concreto, o mesmo entendimento não deve ser aplicado, conforme passo a demonstrar. É assente na doutrina e na jurisprudência que a contribuição ao SENAR possui a natureza jurídica de contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, pois se destina a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, que é o produtor rural, sendo exigida de contribuintes vinculados a este setor e a arrecadação é destinada a ações de formação profissional rural e promoção social de trabalhadores e produtores rurais. Tendo, portanto, a natureza de contribuições de interesse das categorias profissionais, a contribuição ao SENAR não está incluída na regra de imunidade prevista no inciso I §2 º art. 149 da Constituição. Conforme transcrito em linhas acima, o referido artigo prevê em seu caput que “Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais e econômicas”. Como se vê, existem três tipos de contribuições previstas no art. 149 da Constituição, quais sejam: (i) contribuições sociais; (ii) contribuições de intervenção no domínio econômico; e (iii) contribuições de interesse das categorias profissionais e econômicas. Entretanto, no §2º, inciso I, apenas encontrase prevista a imunidade das receitas de exportação em relação às “contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico”. Logo, resta claro que a imunidade prevista em relação às receitas decorrentes da exportação não abrange as contribuições de interesse de categoria profissionais ou econômicas. Neste aspecto, deve ser mantida a incólume a decisão recorrida. (destaques no original) Por outro lado, a recorrente tece considerações a respeito da contribuição ao SENAR e tenta demonstrar que tal contribuição não tem a natureza de contribuição de interesse de categorias profissionais. Sustenta serem imunes ao SENAR as receitas obtidas com suas exportações, quer diretas ou realizadas via tranding company, por ser o SENAR contribuição social devida ao Sistema "S", enquadrandose na imunidade prevista no art. 149, § 2º, Inciso I, da Constituição Federal. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, não lhe confiro razão. Entendo que a imunidade prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal abrange apenas as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. Quanto às contribuições de interesse de categorias profissionais e econônicas, que é o caso do SENAR, o dispositivo constitucional não as inclui de forma expressa. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 18088.000711/200973 Acórdão n.º 9202007.578 CSRFT2 Fl. 6 9 Em recente julgado proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, o assunto foi tratado com bastante propriedade. Assim, com a devida vênia, reproduzo trecho do acórdão 2402006.741, de lavra do Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, a respeito da questão, o qual adoto como raz Observase, assim, que se o referido tributo vier a ser considerado uma contribuição social ou uma contribuição de intervenção no domínio econômico, estará abrigado pela imunidade conferida pelo texto constitucional, não podendo, assim, ser exigido sobre as receitas decorrentes de exportação. De outra banda, na hipótese de se considerar como contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica, restará afastada a norma imunizante, havendo, por consequência, incidência da contribuição sobre as receitas decorrentes da exportação. De se observar que a contribuição em apreço destinase ao financiamento do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei n. 8.315/1991, em cumprimento ao art. 62 do ADCT da CF/88, e regulamentado pelo Decreto n. 566, de 10 de junho de 1992, e tem como objetivo organizar, administrar e executar, em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais. A contribuição devida ao SENAR sobre a receita bruta da comercialização da produção, prevista no art. 3º. da Lei n. 8.315/91, art. 2º. da Lei n. 8.540/92 e na Lei n. 9.528/97, com a redação dada pela Lei n. 10.256/2001, é obrigatória, eis que a mesma possui natureza jurídica distinta e o STF declarou inconstitucional tão somente a contribuição devida à previdência social, não eximindo os produtores rurais pessoas físicas e jurídicas de efetuar o recolhimento da contribuição ao SENAR. É obrigação da empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ser subrrogadas na obrigação de reter e efetuar o recolhimento da contribuição ao SENAR do valor descontado do produtor rural pessoa física, sob pena de responsabilidade, nos termos do art. 11, § 5°., do Decreto n. 566/92, com a redação dada pelo Decreto n. 790/93. A doutrina de Leandro Paulsen (Curso de Direito Tributário:completo, 5.ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2013, p. 4244) assim leciona: Há situações em que o Estado atua relativamente a um determinado grupo de contribuintes. Não se trata de ações gerais, a serem custeadas por impostos, tampouco específicas e divisíveis, a serem custeadas por taxa, mas de ações voltadas a finalidades específicas que se referem a determinados grupos de contribuintes, de modo que se busca, destes, o seu custeio através de tributo que se denomina de contribuições. Não pressupondo nenhuma atividade direta, específica e divisível, as contribuições não Fl. 312DF CARF MF 10 são dimensionadas por critérios comutativos, mas por critérios distributivos, podendo variar conforme a capacidade contributiva de cada um. Designase simplesmente por "contribuições" ou por "contribuições especiais" (para diferenciar das contribuições de melhoria) tal espécie tributária de que cuida o art. 149 da Constituição. Já as subespécies são definidas em atenção às finalidades que autorizam a sua instituição: a) sociais, b) de intervenção no domínio econômico, c) do interesse de categorias profissionais ou econômicas e d) iluminação pública. (grifei) [...] O custeio dentre os integrantes do grupo a que se refere a atividade estatal é característica essencial às contribuições, denominandose referibilidade. Não pressupõe benefício para o contribuinte,mas que a ele se relacione a atividade enquanto integrante de um determinado grupo. [...] A referibilidade é requisito inerente às contribuições, sejam sociais, do interesse das categorias profissionais ou econômicas, de intervenção no domínio econômico ou mesmo de iluminação pública municipal. (grifei) [...] É importante ter em consideração, contudo, que o STJ, embora adotando entendimento que nos parece equivocado, tem diversos precedentes no sentido de que as CIDES não estariam sujeitas ao juízo de referibilidade, diferentemente das contribuições do interesse de categorias profissionais ou econômicas, estas sim sujeitas a tal critério.(grifei) Só não haverá propriamente um juízo de referibilidade condicionando a posição de contribuinte para as contribuições sociais de seguridade social, pois o art. 195 da Constituição, ao impor o seu custeio por toda a sociedade, estabeleceu expressamente uma especial solidariedade entre toda a sociedade, forçando, assim, uma referibilidade ampla ou global de tal subespécie. Pois bem. O art. 149, caput, e § 2°., I, da CF/88, assim se expressa: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (grifei) [...] Fl. 313DF CARF MF Processo nº 18088.000711/200973 Acórdão n.º 9202007.578 CSRFT2 Fl. 7 11 § 2° As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o 'caput' deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional n° 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional n° 33, de 2001) [...] (grifei) De se ressaltar que as contribuições sociais assinaladas no dispositivo constitucional acima transcrito não se confundem com aquelas voltadas à seguridade social, chamadas de contribuições sociais de seguridade social, previstas no art. 195 da CF/88, vez que destinamse a outras finalidades sociais que não a seguridade. São denominadas contribuições sociais gerais, sendo fundamental observar que as contribuições sociais não se esgotam nas de seguridade social, tendo um espectro bem mais largo, tendo em vista que podem ser instituídas para qualquer finalidades que busquem atingir os objetivos da ordem social. Nesse contexto, são contribuições sociais gerais aquelas destinadas à educação, à cultura, ao desporto e ao meio ambiente, por exemplo. Por sua vez, as contribuições de intervenção no domínio econômico (CIDE) visam a corrigir distorções ou a promover objetivos, com repercussão na atuação da iniciativa privada, pontualmente em determinado segmento da atividade econômica, guardando assim, estreita conexão com os princípios estabelecidos no art. 170 da CF/88. Já as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas são também denominadas de contribuições profissionais ou corporativas e compreendem, além das contribuições para os conselhos de fiscalização profissional e a contribuição sindical, também as contribuições ao Sistema S, que é constituído pelo SENAI, SENAC, SESI, SESC, SENAR, SEST, SENAT, SESCOOP e SEBRAE. Nesse sentido, assim preceitua Saul Tourinho Leal Ayres Britto Consultoria Jurídica e Advocacia (Tema Central: O regime constitucional do "Sistema S", 2018. Disponível em: <http://www.migalhas.com.br/arquivos/2018/4/art2018041603. pdf>. Acesso em: 27 de ago. 2018): 5.1. O art. 149 da Constituição confere à União a competência exclusiva para instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas. As contribuições ao Sistema S dimanam deste último grupo. Não são as contribuições sindicais cobradas de empregados e empregadores. Em comum, somente o fato de serem de interesse das categorias profissionais e econômicas. Há Fl. 314DF CARF MF 12 um conjunto de contribuições parafiscais instituídas por diferentes leis. Assim o Sistema se financia.(grifei) No mesmo diapasão, a doutrina de Leandro Paulsen (Curso de Direito Tributário:completo, 5.ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2013, p. 49): Também são consideradas contribuições do interesse de categorias econômicas as contribuições vertidas para os novos serviços sociais autônomos que atendem a setores específicos. São elas, por exemplo, as destinadas ao Serviço Social do Transporte (SEST) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT), criados por força da Lei 8.706/93, bem como a destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP), criado por determinação da MP 1.715/98. (grifei) É oportuno destacar que as contribuições ao SEST, SENAT e SESCOOP são desmembramentos das contribuições ao SESC/SENAC e SESI/SENAI. No âmbito da jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4ª. Região (TRF4), destaco as decisões abaixo colacionadas: TRF4 APELAÇÃO CIVEL AC 50301731720174047100 RS 503017317.2017.4.04.7100 (TRF4) Data de publicação: 08/08/2018 Ementa: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. CRÉDITO CONSTITUÍDO POR AUTO DE INFRAÇÃO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. CONSTITUCIONALIDADE. IMUNIDADE. ART. 149 , § 2º , I DA CONSTITUIÇÃO. 1.Não há decadência do crédito, pois não transcorridos mais de cinco anos entre o primeiro dia do exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado e a data da constituição definitiva do crédito tributário. 2. É devida a contribuição destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, instituída pelo artigo 25 , § 1 , da Lei 8.870 , de 1994, pelo empregador rural pessoa jurídica incidente sobre a comercialização de sua produção rural. 3. A contribuição para o SENAR é uma contribuição de interesse de categoria profissional, instituída com o escopo de executar políticas de ensino da formação profissional rural e de promoção social do trabalhador rural. Portanto, não sendo contribuição social ou de intervenção econômica, não há como fazer elastério da norma imunizante. 4. A imunidade das receitas decorrentes de exportação (art. 149 , § 2º , I , da CF 1988) somente alcança a contribuição social incidente sobre a comercialização da produção rural quando efetuada diretamente com adquirentes estrangeiros, não se estendendo às realizadas indiretamente, através de comerciais exportadoras. (grifei) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INSTITUÍDA PELA LEI Nº 8.870/94. ART. 25, INCISOS I E II. ART. 195, I E § 4º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.OFENSA AO ART. 154, Fl. 315DF CARF MF Processo nº 18088.000711/200973 Acórdão n.º 9202007.578 CSRFT2 Fl. 8 13 I DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL/88 NÃO CARACTERIZADA. SENAR. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DA CATEGORIA ECONÔMICA. 1. O inciso I do art. 154 da CF/88, veda a instituição de contribuições sociais que sejam cumulativas e que tenham o mesmo fato gerador ou base de cálculo próprios daqueles discriminados na Constituição. 2. O § 4º do art. 195 referese à criação de novas espécies tributárias, que venham a instituir fontes de custeio diversas daquelas definidas nos incisos I a III do art. 195.3. O tributo instituído pelo art. 25 da Lei 8.870/94, não se trata de nova hipótese de fonte de custeio sendo apenas mais uma contribuição instituída com base no inciso I do art. 195 da CF, pelo que não está sujeita às limitações do art. 154, inc. I, da Constituição. 4. Restando a contribuição previdenciária sobre folha de salários dos empregadores rurais substituída pela contribuição sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, e tendo o art. 25 da Lei 8.870/94 promovido a mesma substituição em relação à contribuição de interesse da categoria econômica, não há qualquer inconstitucionalidade na contribuição instituída em favor do SENAR nos moldes do § 1º do art. 25 da Lei n.º 8.870/94.(TRF4 AMS: 2628 RS 1999.71.05.0026288, Relator: MARIA LÚCIA LUZ LEIRIA, Data de Julgamento: 18/06/2003, PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJ 16/07/2003 PÁGINA: 54) Em que pese situarse no nicho tributário do Sistema S, conforme já relatado, a contribuição para o SENAR apresenta significativa diferença quanto à base econômica, vez que esta incide sobre o resultado da produção agrícola ou sobre a receita bruta, enquanto que as demais incidem sobre a folha de salários. Nesse sentido, esclarece a i. Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz nos votos condutores dos Acórdãos n. 9202006.510 Sessão de 26/02/2018 2 ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e n. 9202006.595 Sessão de 20/03/2018 2 ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), cujos excertos, por relevantes, transcrevo a seguir: De fato, existem atividades econômicas que precisam sofrer a intervenção do Estado, a fim de que sobre elas se promova um fim fiscalizatório, regulando seu fluxo produtivo para a melhoria do setor beneficiado, não sendo essa a finalidade precípua das contribuições ao SENAR, cujo objetivo é organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais, servindo como fomento da atividade, por meio da educação. Cabe acrescentar que o fato gerador da contribuição debatida é a comercialização da produção rural e ocorre Fl. 316DF CARF MF 14 com a venda ou a consignação da produção rural; a base de cálculo é a receita bruta proveniente da comercialização de tal produção, o que destoa das demais contribuições destinadas ao Sistema S (SESI, SENAI...), as quais incidem sobre as folhas de salários. Nos mesmos acórdãos já referidos, assim conclui a i. Conselheira: Extraise, assim, que a contribuição ao SENAR, sendo esta desenvolvida para o atendimento de interesses de um grupo de pessoas (formação profissional e promoção social do trabalhador rural), inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica. Feitas essas colocações, entendo que; embora reflexamente as contribuições ao SENAR beneficiem a sociedade, no âmbito da educação e assistência aos trabalhadores rurais, bem como causem efeitos na economia, tendo em vista que a educação é pilar relevante no desenvolvimento de um país; em sua essência jurídica tal contribuição se presta, precipuamente, a atender uma categoria econômica específica, qual seja a dos trabalhadores rurais. Na mesma perspectiva, converge o art. 170, § 3°., da Instrução Normativa RFB n. 971/2009: Art. 170. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. § 3º O disposto no caput não se aplica à contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. (grifei) No entendimento da Recorrente existe evidente confronto entre os §§ 1°., 2°. e 3°. do supra referido art. 170 da IN RFB n. 971/2009 com o art. 149, § 2°., I, da CF/88, vez que, nas suas palavras, "os parágrafos subsequentes (1º, 2º e 3º) do dispositivo acima mencionado buscam imprimir um tratamento restritivo à benesse tributária em exame ao estabelecerem que a imunidade Fl. 317DF CARF MF Processo nº 18088.000711/200973 Acórdão n.º 9202007.578 CSRFT2 Fl. 9 15 abrangeria apenas exportações diretas e que, por outro lado, não se aplicaria ao caso da contribuição ao SENAR." Todavia, essa discussão foge ao escopo desta análise, vez que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária, a teor do enunciado de Súmula CARF n. 2. Com fulcro nos argumentos, inclusive doutrinários e jurisprudenciais, ora delineados, entendo que está suficientemente sedimentada a natureza jurídica da contribuição devida ao SENAR como de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, uma vez preenchido o requisito da referibilidade consolidado no objetivo de executar políticas de ensino da formação profissional rural e de promoção social da categoria profissional trabalhador rural o que afasta, no caso concreto, a incidência da imunidade tributária insculpida no art. 149, § 2°., I, da CF/88. (Destaques no original) Assim, após todos os pontos transcritos que muito bem analisaram a impossibilidade de a contribuição ao SENAR estar albergada pela imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, posto que classificada como contribuição de interese das categorias profissionais e econômicas, entendo que não há fundamento para que se afaste a tributação assim como pretendido pelo recorrente. Dessa forma, encaminho por negar provimento ao recurso. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, mantendo o lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 318DF CARF MF 16 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes. Em que pese o brilhante voto da Conselheira relatora ouso discordar de seu posicionamento quanto a natureza jurídica da contribuição ao SENAR e a conseqüente aptidão da mesma em atrair a isenção prevista no texto constitucional. O Contribuinte aponta ofensa ao art. 149, § 2º, I, da CF. Sustenta em sua defesa que o art. 62 do ADCT determinou a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR nos mesmos moldes do SENAI e do SENAC, providência cumprida pela Lei n. 8.315/91. Alega que a análise das funções cometidas ao SENAR (organizar, administrar e executar, em todo o território nacional, o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural) enseja a classificação das contribuições para seu financiamento como contribuições sociais gerais. Pugna, por tais motivos, que a contribuição para o SENAR é alcançada pela imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da CF. A solução da controvérsia requer a análise da natureza jurídica da contribuição destinada a custear o SENAR, tal discussão se encontra pendente de julgamento de RE 796152, perante o STF, que colocará fim a discussão. Enquanto isso não ocorre, minha convicção pessoal é a de que assiste razão ao Contribuinte. Observo que grande parte da jurisprudência já se manifestou neste sentido. O TRF1, reconhece a natureza do SENAR como contribuição Social Geral. TRF1 APELAÇÃO CIVEL AC 212237720104013400 DF 0021223.77.2010.4.01.3400 (TRF1). Data de publicação: 08/11/2013. Ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (FUNRURAL). RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. LEGITIMIDADE ATIVA: PRODUTOR RURAL. PESSOA JURÍDICA. EXIGIBILIDADE DA EXAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. 1. O empregador rural, pessoa jurídica, não se equipara ao empregador rural pessoa física para fins de (não) incidência tributária, o que não significa ferir o princípio da isonomia entre os contribuintes que, digase, não se confundem quanto a direitos e obrigações sociais. 2. A extinção da contribuição ao FUNRURAL não afasta a exação prevista na Lei n. 8.870 /94, devida pelas empresas (pessoa jurídica) produtoras rurais, sobre a comercialização da produção. Precedentes do STJ. 3. In casu, a pessoa jurídica (produtora rural/empresa agropastoril) é responsável tributário pelo recolhimento dacontribuição para o FUNRURAL sobre a comercialização do produto agrícola, tendo legitimidade tão somente para discutir a legalidade ou constitucionalidade da exigência, mas não para pleitear em nome próprio restituição ou compensação do tributo. 4. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 18088.000711/200973 Acórdão n.º 9202007.578 CSRFT2 Fl. 10 17 A contribuição para o SENAR é devida pelo produtor rural no ato da comercialização de sua produção, porque se trata de contribuição social geral, desnecessária, portanto, sua instituição por lei complementar (Precedente: STF, ARE 672.948SC, Min. Cármen Lúcia, publicação em 26/09/2012). 5. Apelação da autora desprovida. 6. Apelação do SENAR provida para condenar a autora em honorários advocatícios no valor de R$ 1.000,00 (mil reais). 7. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, parcialmente providas, apenas para reconhecer a improcedência do pedido de repetição/compensação do indébito formulado pela autora. O STJ confirma tal entendimento no Resp 272.671/ES. Do mesmo modo, em outra oportunidade o STF ao analisar a matéria no RE 138.2848/CE pontuou se tratarem estas de Contribuições Sociais Gerais. Ainda assim, algumas ponderações são necessárias para fundamentar o posicionamento adotado que confronta o voto do ilustre relator: 1. Originalmente quando foi criada, a contribuição ao SENAR incidia sobre a folha de salários igual as demais contribuições do sistema “S”, sua alteração de incidência sobre as receitas foi implementada posteriormente (ano 2001). Por este motivo a alegação do relator de que não se aplica o artigo 240/CF ao SENAR, por que este não incide sobre folha de salários, que é a base de cálculo prevista no artigo constitucional não merece prosperar. Isso por que a alteração da base de cálculo da contribuição não tem o poder de alterar sua natureza jurídica. 2. Ainda, que haja o reconhecimento de que o SENAR, representa interesses da categoria econômica, não muda o fato de que é uma entidade que se dedica a educação e assistência social, que embora direcionada a uma determinada classe, atenderá o interesse público, face a importância dela para toda sociedade. 3. Ressaltese ainda, a similitude do SENAR com os demais serviços sociais, pois além de ter sido apontada na exposição de motivos da norma, ainda, existe ressalva pontual na legislação de que tais verbas (SENAI, SENAC, SENAR), não podem ser cobradas cumulativamente de uma empresa. O que as coloca numa mesma categoria. Diante do exposto, voto no sentido de reconhecer a natureza jurídica do SENAR como de contribuição social geral, conforme se percebe na evolução legislativa atinente a este tributo. Em conseqüência disso, concluo pelo direito do contribuinte em gozar da imunidade prevista no art. 149/CF. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 320DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.901891/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1401-003.768
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.901890/2008-69, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ERRO DE FATO NA DCTF. ÔNUS PROBATÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo comprovar com a escrita contábil e fiscal o erro de fato no preenchimento da DCTF. A ausência de comprovação compromete a liquidez e certeza do crédito pleiteado e impossibilita o provimento do recurso voluntário. INTIMAÇÃO DOS ADVOGADOS. SÚMULA CARF Nº 110. IMPOSSIBILIDADE. Não encontra acolhida a pretensão de que as intimações no processo administrativo fiscal sejam dirigidas aos advogados da parte, conforme Súmula CARF nº 110. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.901890/2008-69, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 18 91 /2 00 8- 11 Fl. 89DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.768 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.901891/2008-11 Relatório Trata o presente feito de PER/DComp por meio do qual a contribuinte pede o reconhecimento de direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL e declara a compensação deste valor com débitos de sua responsabilidade. A unidade da RFB de jurisdição, por meio de Despacho Decisório, indeferiu o pleito creditório. O fundamento para o indeferimento foi a inexistência de saldo disponível tendo em vista a utilização integral do pagamento efetuado, conforme débito declarado em DCTF. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual, em síntese, alegou que: - Cotejando-se os valores declarados em DIPJ com os recolhimentos efetuados e a utilização parcial do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior em outras DComp, resta um saldo a compensar suficiente para a compensação de que trata o presente feito; - Houve um erro de fato no preenchimento da DCTF. Ao invés de declarar o débito de acordo com o apurado na DIPJ, a contribuinte declarou um débito no mesmo montante do pagamento efetuado; - o equívoco no preenchimento da DCTF não pode servir de fundamento para o indeferimento do direito creditório, especialmente em função dos princípios da verdade material, da moralidade e da eficiência e das normas de regência. Ao final, pugnou pela homologação da compensação declarada. Para instruir a impugnação, juntou cópias do PER/DComp, da DIPJ, do DARF e de outras compensações. Requereu, também, a intimação por meio de seus procuradores. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e a ementa do acórdão ora vergastado restou consignada nos seguintes termos, na parte que interessa para o deslinde do presente feito: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. LIQUIDEZ DO CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As provas constantes dos autos não indicam que o pagamento indevido ou a maior foi desconsiderado na apuração anual da CSLL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. UTILIZAÇÃO EM DCOMP. IMPOSSIBILIDADE. A época de transmissão da declaração de compensação era vedada a utilização, em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal CSLL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NORMAS DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. No processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos Fl. 90DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.768 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.901891/2008-11 interessados. A aplicação do principio da verdade material deve se compatibilizar com os demais princípios processuais existentes e as determinações legais especificas. Diante da decisão da autoridade de piso, a contribuinte manejou o recurso voluntário sob análise, por meio do qual, resumidamente, reiterou as alegações esgrimidas na manifestação de inconformidade. Em essência, era o que havia a relatar. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1401-003.767, de 18 de setembro de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10283.901890/2008-69, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401-003.767): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, tomo conhecimento. Mérito. Inicialmente, impende registrar que restou pacificado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o entendimento de que é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa, conforme previsão da Súmula CARF nº 84, que possui efeito vinculante por força da Portaria ME nº 129/2019. Assim, caso restasse comprovado o efetivo pagamento indevido, estaria superado o fundamento adotado pela instância a quo e seria possível reconhecer o direito ao crédito da recorrente oriundo do pagamento indevido de estimativa de CSLL. Contudo, a questão central posta para análise é essencialmente probatória. Vejamos. A questão posta na espécie é a desconstituição de débito declarado por meio de DCTF, que requer a comprovação de qual é o débito condizente com a verdade material. É preciso lembrar o caráter constitutivo do crédito tributário inerente à DCTF. Uma vez constituído o crédito tributário pelo próprio sujeito passivo, a desconstituição deste requer robusta comprovação do erro de fato. Fl. 91DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.768 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.901891/2008-11 Em outras palavras, se o contribuinte equivocou-se na DCTF e declarou débitos maiores do que os devidos, deve comprovar o erro e qual o montante efetivamente devido. Somente com tal comprovação será possível aferir a liquidez e certeza de eventual pagamento indevido. É preciso lembrar que, de acordo com artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve apresentar na impugnação "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". No mesmo sentido, o artigo 373, I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, determina que incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Entretanto, a contribuinte não logrou fazer tal prova. Apresentou tão-somente a DIPJ onde consta o débito que alega ser o correto. A DIPJ não constitui débitos e créditos. Trata-se de uma declaração unilateral de informações que não são sujeitas à revisão de ofício por parte da administração tributária. Para dar suporte à alegação de que o débito de CSLL é inferior ao declarado em DCTF, deve a contribuinte apresentar sua escrituração comercial e fiscal, acompanhada, se for o caso, dos respectivos documentos de suporte. Neste sentido, é recorrente o posicionamento deste Conselho, conforme se pode observar nos seguintes julgados: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este Fl. 92DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.768 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.901891/2008-11 o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) Uma vez que a contribuinte não trouxe aos autos elementos mínimos de prova de que teria havido um erro de fato no valor do débito declarado em DCTF, é de se negar o provimento do recurso voluntário. Intimações encaminhadas aos procuradores. Assim como na manifestação de inconformidade, a recorrente requer que as intimações sejam encaminhadas aos procuradores. Todavia, tal pretensão não encontra respaldo na legislação de regência, especialmente no artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. Neste diapasão, a matéria foi consolidada no âmbito do CARF por meio da Súmula CARF nº 110: No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Conclusão. Indefiro o pedido de intimação dos procuradores e, em face da ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado pela recorrente, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.003237/2004-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2001
IRPF. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RRA. ANO DO RECEBIMENTO.Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429-SP e Resp. 1.470.720-RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Decisão que restou confirmada no ARE 817.409.
2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.118.429-SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte.
3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.470.720-RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 2301-006.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
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RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RRA. ANO DO RECEBIMENTO.Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. DECISÕES DO STJ, TOMADAS NA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS, DETERMINANDO A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO E O MODO DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (Resp. 1.118.429-SP e Resp. 1.470.720-RS). REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. 1. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Decisão que restou confirmada no ARE 817.409. 2. De acordo com o decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.118.429-SP), o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. 3. Conforme decidido pelo STJ na sistemática estabelecida pelo art. 543-C do CPC (Resp. 1.470.720-RS), o valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente. A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 32 37 /2 00 4- 28 Fl. 113DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.452 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.003237/2004-28 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto por ANDRÉ NIASSAMI SASAKI contra o Acórdão de julgamento (e-fls. 91 e seguintes), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II-SP (8ª Turma da DRJ/SP011), que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. O Auto de infração refere-se à Imposto de Renda de Pessoa Física, ano-calendário 2000, exercícios de 2001, no qual se apurou omissão de rendimentos e decorreu da omissão de rendimentos de trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, em razão de ação judicial trabalhista (processo n.º 1.690/92, que tramitou perante a 2ª Vara do Trabalho de São Paulo). Em seu Recurso Voluntário de e-fls. 104 e seguintes, o recorrente alega que não é responsável pelo imposto, uma vez que o fornecimento correto das informações seria de responsabilidade da empresa fonte pagadora. Cita ainda que ainda que tributáveis os rendimentos auferidos no ano de 2000, tal eventual imposto, ou ainda alíquota, deve atender não ao todo indenizado nos autos 1690/92, mas apurados os valores devidos mês a mês. Diante dos fatos narrados, é o breve relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha, Relator. O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo, bem como é de competência desse colegiado. Assim, passo a analisar o mérito. Fl. 114DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.452 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.003237/2004-28 DA RESPONSABILIDADE DO IMPOSTO DE RENDA O recorrente alega que não é responsável pelo IR e sim a fonte pagadora que teria que ter recolhido o tributo devido. Porém, para que fosse possível o acolhimento da argumentação deveria então ter apresentado os comprovantes de recolhimento. O que não foi localizado no processo. Portanto, o responsável pelo imposto é o beneficiário do recebimento dos rendimentos que deveriam ter sido tributados. DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANO-BASE 2009. O tema é pacificado por esse Tribunal, e foi objeto de apreciação pelas Cortes Superiores, e no presente processo, a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, por força de ação judicial, relativos ao ano-calendário de 2009. Nesse sentido, acerca da incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, a Receita Federal do Brasil editou em 07 de fevereiro de 2011 a Instrução Normativa nº 1.127. Destaco o artigo 2º, que assim dispõe: "Art. 2º Os RRA, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, quando decorrentes de: I – aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos estados do Distrito Federal e dos municípios; e II – rendimentos do trabalho. § 1º Aplica-se o disposto no caput, inclusive, aos rendimentos decorrentes de decisões das Justiças do Trabalho., Federal, Estaduais e do Distrito Federal. § 2º Os rendimentos a que se refere o caput abrangem o décimo terceiro salário e quaisquer acréscimos e juros deles decorrentes. Vê-se, portanto, que os rendimentos recebidos acumuladamente antes de 28 de julho de 2010 estão sujeitos às regras previstas no art. 12, da Lei 7.713/88, combinado com o art. 56, do RIR. Com isso reproduzo o voto do respeitado Presidente desta Turma, Conselheiro João Bellini Júnior, em Acórdão julgamento de Recurso Voluntário n.º 2301-004.658, de 10 de maio de 2016, assim redigido: Tal tema já foi objeto de apreciação tanto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quanto pelo Superior Tribunal de Justiça (STF), em processos com decisão definitiva de mérito na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei 5.869, de 1973 (presentemente, arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015). Assim, tais decisões devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho Administrativo, por força do disposto no art. 62, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf). Passemos à análise das referidas decisões. Do STF, temos o julgamento do RE 614.406/RS (com repercussão geral reconhecida) cuja tese restou reafirmada no julgamento do ARE 817.409, cujos trânsito em julgado deram-se respectivamente em 11/12/2014 e 05/06/2015. Em ambos os acórdãos, decidiu-se que o imposto sobre a renda das pessoas físicas (IRPF) sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando- se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência, ou seja, calculados de acordo com o regime de competência. Tal é o entendimento que deve ser reproduzido pelos órgãos deste Carf. Fl. 115DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.452 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.003237/2004-28 O RE 614.406/RS recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de de (SIC) ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Assim, no RE 614.406/RS decidiu-se negar provimento ao recurso extraordinário interposto pela União contra acórdão exarado pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, pelo qual entendeu-se correta a “Incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor - regime de competência - após somado este com o valor já pago, pena afronta aos princípios da isonomia e capacidade contributiva insculpidos na CF/88 e do critério da proporcionalidade que infirma a apuração do montante devido”. Friso que, embora alguns Ministros teçam considerações sobre a inconstitucionalidade do art. 12 da lei 7.713, de 1988 (como é o caso do Min. Marco Aurélio, do Min. Dias Toffoli e da Min. Cármen Lúcia), a discussão que se estabelece no plenário do STF é qual o regime de tributação a ser aplicado ao caso: (a) regime de caixa, posição da Min. Ellen Grace, que dava provimento ao recurso interposto pela União, julgando constitucional o art. 12 da Lei 7.713, de 1988 e (b) regime de competência, posição dos demais ministros, que, em decorrência, negaram provimento ao recurso da União. Desse modo, o limite objetivo da coisa julgada é dado pelo desprovimento da apelação da União contra o acórdão do TRF4, que houvera reconhecido incidentalmente a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713, de 1988 para que o IRPF fosse tributado pelo regime de competência (e não pelo regime de caixa) Tal situação, ou seja, ser o limite objetivo da coisa julgada no RE 614.406/RS a tributação dos rendimento recebidos acumuladamente pelo regime de competência, resta cristalina pela simples leitura da ementa do ARE 817.409: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. MODO DE CÁLCULO. RENDIMENTOS PAGOS EM ATRASO E ACUMULADAMENTE. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA PELO STF. TEMA Nº 368. JULGAMENTO DE MÉRITO NO RE 614.406. ALEGADA INDIFERENÇA NA APLICAÇÃO DO REGIME DE CAIXA OU DE COMPETÊNCIA AO CASO. INCURSÃO NO ACERVO FÁTICO- PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA Nº 279 DO STF. INCIDÊNCIA. 1. Os valores recebidos em atraso e acumuladamente por pessoas físicas devem se submeter à incidência do imposto de renda segundo o regime de competência, consoante decidido pelo Plenário do STF no julgamento do RE 614.406, Rel. Min. Rosa Weber, Redator do acórdão o Min. Marco Aurélio, DJe de 27/11/2014, leading case de repercussão geral, Tema nº 368. (...) No mesmo sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) no julgamento do Acórdão CSRF 9202-003.695, julgado em 27/01/2016, o qual recebeu a seguinte ementa: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Das razões do conselheiro relator, Heitor de Souza Lima Junior, transcrevo: Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão (RE 614.406/RS), de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no . 7.713, de 1988, note-se, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob Fl. 116DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.452 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.003237/2004-28 análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. (...) Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repita-se, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entende-se, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. (...) Se, por um lado, manter-se a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. (...) Como já referido, também o STJ enfrentou a matéria no julgamento de dois recursos especiais sujeitos à sistemática do art. 543-C do CPC, (e, portanto, vinculativos ao CARF em face do disposto no art. 62, § 2º, do Ricarf). Nesses, também restou assentado que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. O primeiro desses julgamentos é o Resp. 1.118.429-SP, julgado em 24/03/2010 e transitado em julgado em 17/06/2010, o qual recebeu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (Grifou-se.) O segundo julgado, Resp. 1.470.720-RS, julgado em 10/12/2014 e transitado em julgado em 04/03/2015, esmiúça a determinação das bases de cálculo do imposto sobre a renda, e recebeu a seguinte ementa: RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA - IRPF. VERBAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. FACDT. SELIC. Fl. 117DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.452 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.003237/2004-28 (...) 2. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como no caso, o FACDT – fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. (Grifou-se.) 3. Sistemática que não implica violação ao art. 13, da Lei n. 9.065/95, ao art. 61, §3º, da Lei n. 9.430/96, ao art. 8º, I, da Lei n. 9.250/95, ou ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, posto que se refere à equalização das bases de cálculo do imposto de renda apurados pelo regime de competência e pelo regime de caixa e não à mora, seja do contribuinte, seja do Fisco. 4. Tema julgado para efeito do art. 543-C, do CPC: "Até a data da retenção na fonte, a correção do IR apurado e em valores originais deve ser feita sobre a totalidade da verba acumulada e pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente, sendo que, em ação trabalhista, o critério utilizado para tanto é o FACDT". (Grifos no original.) 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Transcrevo trechos do Resp. 1.470.720, a fim de aclarar os critérios pelos quais deve ser calculado o imposto sobre a renda: Esta Corte ao julgar recurso representativo da controvérsia decidiu que: "O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente" (REsp. n. 1.118.429/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 24.03.2010). Ou seja, entendeu que o art. 12, da Lei n. 7.713/88 não deve ser interpretado de forma a permitir a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente pelo regime de caixa (tributação considerando as alíquotas, os parâmetros e no mês em que efetivamente pagos os rendimentos de uma só vez), mas sim pelo regime de competência (tributação considerando as alíquotas, os parâmetros e no mês em que deveriam ter sido pagos dos rendimentos mês a mês). Em razão dessa jurisprudência já consolidada, surgiu em inúmeros processos a discussão a respeito do modo com que se daria o cálculo dessa diferença de imposto de renda a ser paga pelo contribuinte ou a ele repetida pelo fisco, nos casos em que o Imposto de Renda incide sobre verbas trabalhistas pagas em atraso de forma acumulada, ou verbas de outra natureza também pagas em atraso de forma acumulada. Esse modo não poderia descurar da forma com que calculado o imposto nas declarações de ajuste, respeitando-se a lógica do imposto e de sua repetição. Dito de outra forma, para respeitar a sistemática de apuração do Imposto de Renda e ao mesmo tempo o regime de competência, havia a necessidade de se estabelecer uma forma retroativa de cálculo do tributo que deveria ter sido pago ao tempo em que deveria ter sido recebido o rendimento (regime de competência) e apurar a diferença em relação ao que retido posteriormente na fonte (regime de caixa), o que carece da aplicação de um critério único de correção monetária, a fim de se equalizar as bases de cálculo do Imposto de Renda através do tempo (a base de cálculo do imposto que deveria ter sido pago sob o regime de caixa deve ser equalizada à base de cálculo do imposto pago sob o regime de competência) e definir a diferença do tributo a pagar ou restituir. Assim, o que se discute é o índice a ser fixado para a correção da base de cálculo do tributo e não do tributo devido ou do indébito a ser restituído. No caso das verbas trabalhistas, sabe-se que a Justiça do Trabalho utiliza para atualização dos débitos (base de cálculo do Imposto de Renda) a chamada Tabela FACDT (Fator de Atualização e Conversão dos Débitos Trabalhistas), que tem por Fl. 118DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.452 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.003237/2004-28 objetivo assegurar, "com base no índice oficial da inflação do mês anterior, o valor monetário dos créditos do trabalhador até o primeiro dia do mês seguinte" (Agravo de Petição n. 718903, TRT4, Sexta Turma, Rel. Juiz João Ghisleni Filho, julgado em 19.11.1998). Sendo assim, sua natureza é de fator de correção monetária, não se tratando de juros de mora, que tem por objetivo punir o devedor pela mora, acrescendo ao débito uma indenização a título de lucros cessantes. Do mesmo modo, no caso de verbas previdenciárias, a Justiça Federal faz uso do IGP- DI e, mutatis mutandis, em outros casos faz-se uso de índices diversos judicialmente fixados e transitados em julgado. A jurisprudência então caminhou para a seguinte forma de cálculo: resgata-se o valor original da base de cálculo (após, portanto, as deduções legais) declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano-calendário a que o rendimento corresponde (A) e adiciona-se o valor do rendimento recebido acumuladamente relativo ao mesmo ano (excluídos atualização monetária e juros) (B). Assim, chega-se ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento tivesse sido percebido na época própria (C = A + B). Sobre esta base de cálculo aplica-se a tabela progressiva vigente no ano a que o rendimento corresponde. Com a aplicação da alíquota da tabela progressiva sobre a base de cálculo (C), chega-se a um resultado de imposto devido à época. Desse resultado se subtrai o imposto efetivamente pago calculado com os valores da época. Essa diferença corresponde ao cálculo da diferença de imposto correspondente (D). Este cálculo deverá ser feito para cada ano-calendário referente aos rendimentos percebidos acumuladamente (Dl, D2, etc). Esta diferença de imposto de renda (D), apurada em cada ano (D1, D2, etc), será atualizada pelo índice que melhor reflita a correção monetária para o débito em questão (no caso de débitos trabalhistas, utiliza-se o Fator de Atualização e Conversão dos Débitos Trabalhistas - FACDT, como visto) a partir de 30 de abril do ano subseqüente ao ano-calendário respectivo. Cada uma das diferenças anuais (Dl, D2) será atualizada pelo índice referido até 30 de abril do ano subseqüente àquele em que ocorreu o recebimento dos valores acumulados e somadas entre si, constituindo o somatório de diferenças de imposto de renda (E =" Dl + D2 + etc.). O montante total das diferenças (E) será compensado com o total do imposto que foi indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa por força do recebimento de rendimentos acumulados, perfazendo o saldo de imposto de renda (F), a pagar (se E > imposto indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa) ou a restituir (se E < imposto indevidamente retido na fonte sob o regime de caixa). Sobre (F), incidirá a taxa SELIC a partir de 1º de maio do ano subsequente ao do recebimento dos rendimentos acumulados porque, ou constitui (F) uma diferença de imposto não pago pelo contribuinte (situação em que incidem o art. 13, da Lei n. 9.065/95 e o art. 61, §3º, da Lei n. 9.430/96), ou constitui um valor de indébito a ser repetido pelo Fisco ao contribuinte (situação em que incide o art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95). (...) De observar que a taxa SELIC não incide em nenhum momento anterior porque antes de 1º de maio do ano subsequente ao do recebimento dos rendimentos acumulados o que ocorre é apenas uma equalização da base de cálculo do imposto de renda e não a mora, seja do contribuinte, seja do Fisco. Assim, em atenção ao disposto no art. 62, § 2º do Anexo II do Ricarf, devem ser aplicadas as disposições do (a) RE 614.406/RS (STF), explicitadas no ARE 817.409 (STF), (b) Resp. 1.118.429-SP (STJ) e (c) Resp. 1.470.720 (STJ)". CONCLUSÃO Fl. 119DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.452 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13884.003237/2004-28 Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e dar-lhe parcial provimento para que o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes no mês em que a parcela foi reconhecida como devida, na decisão judicial, segundo os critérios estabelecidos pelo Resp. 1.470.720 e RE 614.406/RS. (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 120DF CARF MF
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