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Numero do processo: 10865.003389/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
PRELIMINAR. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. INITMAÇÃO PRÉVIA.
A legislação não exige intimação prévia para aplicação de MAED na hipótese de não apresentação da declaração. A lei prevê intimação para prestar esclarecimentos apenas quando houve a apresentação da declaração, contudo com omissões ou incorreções nas informações prestadas.
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL.
A apresentação de declaração fora do prazo, antes do início de qualquer procedimento fiscal, garante o benefício de redução de 50% nos termos da lei. A denúncia espontânea tem o condão de afastar tão somente a multa moratória sobre os tributos devidos.
Numero da decisão: 1301-003.978
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10865.003391/2007-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. INITMAÇÃO PRÉVIA. A legislação não exige intimação prévia para aplicação de MAED na hipótese de não apresentação da declaração. A lei prevê intimação para prestar esclarecimentos apenas quando houve a apresentação da declaração, contudo com omissões ou incorreções nas informações prestadas. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. A apresentação de declaração fora do prazo, antes do início de qualquer procedimento fiscal, garante o benefício de redução de 50% nos termos da lei. A denúncia espontânea tem o condão de afastar tão somente a multa moratória sobre os tributos devidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10865.003391/200782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 33 89 /2 00 7- 11 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10865.003389/200711 Acórdão n.º 1301003.978 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o auto de infração eletrônico de Multa por atraso na entrega da DCTF, referente ao mês de junho de 2005, entregue apenas em fev/2006, no valor de R$ 59.125,21. Ciente do lançamento, a empresa apresentou impugnação onde alegou: • Nulidade do auto de infração pela falta de prévia intimação da impugnante para esclarecimentos, conforme regra do art. 7º da Lei n. 10.426, de 24 de abril de 2002; • Impossibilidade de se fundamentar o lançamento tãosomente em informações eletrônicas da Receita Federal, pois o auto foi lavrado sem que qualquer auditorfiscal tenha ido até a impugnante para verificar a efetiva ocorrência da infração apontada, ou qualquer outra causa que tivesse impossibilitado o cumprimento da obrigação acessória; • No mérito, impossibilidade de transmissão da DCTF por ausência de certificação digital, requisito essencial para a entrega, conforme § 2° do art. 7º da Instrução Normativa (IN) SRF n° 695, de 2006, pois só conseguiu a liberação de seu certificado digital no começo do ano de 2006, quando tratou de efetuar a transmissão de todas as suas declarações fiscais, sem que houvesse intenção de lesar o Fisco, mas somente a impossibilidade de cumprimento da obrigação acessória; • Descaracterizada a intenção de fraude à fiscalização, resta descaracterizado o critério material de conduta ilícita para aplicação da multa punitiva; • Impossibilidade de aplicação da multa por ocorrência de denúncia espontânea, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 138, pois a declaração foi entregue antes de qualquer intimação de inicio de ação fiscal; • Ausência de prejuízo ao Erário, capaz de incidir a imputação de penalidade, uma vez que apresentou a declaração, ainda que a destempo. A DRJ rejeitou as preliminares e, no mérito, negou provimento à impugnação, em acórdão assim ementado: "ASSUNTO": OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10865.003389/200711 Acórdão n.º 1301003.978 S1C3T1 Fl. 4 3 Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. INTIMAÇÃO PRÉVIA. A multa pelo atraso na entrega de declaração será exigida sempre, independentemente de prévia intimação para que o sujeito passivo entregue a declaração original. MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. "ASSUNTO": PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. IMPEDIMENTO DE APRECIAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O protesto pela juntada posterior de documentação não obsta a apreciação da impugnação, e ela só é possível em casos especificados na lei. PERICIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Ciente da decisão em 20/06/2009, a empresa apresentou Recurso Voluntário em 20/07/2009, no qual reitera argumentos despendidos na impugnação, e argui: Nulidade do auto pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; Impossibilidade de se fundamentar o lançamento tão somente em informações eletrônicas da Receita Federal; Impossibilidade de transmissão da DCTF por ausência de certificação digital; Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10865.003389/200711 Acórdão n.º 1301003.978 S1C3T1 Fl. 5 4 Impossibilidade de Aplicação da Multa por ocorrência de denúncia espontânea; Ausência de prejuízo ao erário. Ao final, o contribuinte requereu provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.977, de 13/06/2019 proferido no julgamento do Processo nº 10865.003391/200782, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1301003.977): Da Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminar de Nulidade Por falta de Intimação Prévia A Recorrente argui nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, posto que não foi previamente intimado para prestar esclarecimentos, nos termos caput do art. 7º da Lei n. 10.426/02, in verbis: Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: O artigo 7º trata de duas infrações distintas. A primeira delas é deixar de apresentar as declarações no prazo fixado, a segunda trata da apresentação da declaração com incorreções ou omissões. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10865.003389/200711 Acórdão n.º 1301003.978 S1C3T1 Fl. 6 5 Na primeira hipótese, o contribuinte deverá ser intimado para apresentar declaração e, no caso da ocorrência da segunda infração, o sujeito passivo é intimado para prestar esclarecimentos. Caso o contribuinte se encontre omisso da apresentação da declaração e o faça espontaneamente, antes da prévia intimação, ele é beneficiado com uma redução de 50% do valor da multa por atraso. E foi justamente o que ocorreu no processo em comento. A Recorrente cometeu a primeira infração (não apresentar declaração) e, antes de ser intimado, em fevereiro de 2006, apresentou espontaneamente a declaração em atraso. Sendo assim, a multa devida seria de R$ 231.714,22, correspondente à seguinte fórmula: Valor Total Declarado em DCTF (R$ 1.158.571,13) x Percentual da Multa/por mês (2%) x Nº de Meses de Atraso (10) = R$ 231.714,22 O valor da multa (R$ 231.714,22) foi reduzido à metade (R$ 115.857,11), em virtude da entrega espontânea da declaração, ainda que com atraso. Não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa, uma vez que a legislação não exige prévia intimação para prestar esclarecimentos nas hipóteses de mera não apresentação da DCTF. Se houver a apresentação prévia a qualquer intimação, terá direito à redução de 50% do valor da multa nos termos do §2º, inciso I do art. 7º da Lei n. 10.426/02: § 2ºObservado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; Logo, voto por rejeitar a preliminar de nulidade por falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos. Do mérito. A Recorrente alega impossibilidade de se fundamentar o lançamento tão somente em informações eletrônicas da Receita Federal. Argumenta que não se pode aceitar a lavratura de lançamento tributário sem que o Fisco tenha efetivamente e materialmente apurado a ocorrência da infração apontada, através da verificação de documentos do contribuinte hábeis a demonstrar tal falta. Acontece que no caso em tela, a materialidade e a efetiva ocorrência do fato gerador podem ser constantas através de simples consultas aos sistemas da Receita Federal para que sejam verificados dois requisitos para a caracterização da infração: 1º data do vencimento do prazo para entrega da DCTF e 2º data da efetiva entrega da declaração. Isto posto, mostrase legítimo o lançamento fundamentado apenas em informações constantes dos sistemas da Receita Federal, quando estas sejam suficientes para provar a ocorrência da infração. Argumenta a Recorrente a impossibilidade de transmissão da DCTF por ausência de certificação digital. Aduz que o §2º, do art. 7º da IN SRF n.695/06 determinava a obrigatoriedade de transmissão da DCTF com assinatura digital, mediante utilização de certificado digital válido. Acrescenta que só obteve certificado digital no começo do ano de 2006, que não houve intenção de lesar o Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10865.003389/200711 Acórdão n.º 1301003.978 S1C3T1 Fl. 7 6 Fisco e, que restaria descaracterizado o critério material de conduta ilícita para aplicação de multa punitiva. Neste caso, a responsabilidade é objetiva e independente da intenção do agente, bastanto para sua imposição a realização do fato gerador, seja por ação ou omissão. Veja o que dispõe o art. 136 do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O art.113 do CTN dispõe que a obrigação tributária é principal ou acessória, e que a obrigação acessória, qual seja, o dever de apresentar DCTF mensalmente, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Não se cogita de dolo ou culpa do agente para fins de caracterizar a ocorrência do fato gerador. Acrescentese que a Recorrente não esclarece as razões pelas quais só obteve o certificado digital em 2006, limitandose a afirmar que não teve intenção de lesar o Fisco e de que agiu de boafé. Portanto, não merece se acolhido o argumento de impossibilidade de não transmissão por ausência de certificado. Com efeito, esta mesma condição, a de apresentação de DCTF com assinatura digital, foi imposta a outros contribuintes que se encontravam em situação semelhante à Recorrente e, certamente a exigência foi cumprida ou lhes foi imputada a multa por atraso na entrega da declaração. Não é possível afastar a penalidade a todos imposta, sob pena de ferir o princípio da isonomia. A Recorrente alega ainda que a multa não poderia ter sido aplicada em razão da ocorrência da denúncia espontânea. O instituto da denúncia espontânea está previsto no art. 138 do CTN, da seguinte forma: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A denúncia espontânea afasta a incidência de penalidade (multa) de caráter moratório, qual seja, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei n.9.430/96: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10865.003389/200711 Acórdão n.º 1301003.978 S1C3T1 Fl. 8 7 O art. 138 do CTN não abarca a multa que tem por fato gerador justamente a entrega de declaração fora do prazo, ainda que seja antes de qualquer procedimento fiscal. Contrário senso, seria reconhecer o art. 7º da Lei n.10.426/02, nas hipóteses de entrega da DCTF antes de iniciado o procedimento fiscal, seria letra morta. É de se ressaltar que estamos tratando de uma penalidade por descumprimento de obrigação acessória, diferentemente do art.138, que trata dos débitos com União pagos fora do vencimento. Portanto, não se aplica o instituto da denúncia espontânea para afastar multas por atraso na entrega de declaração. A Recorrente argui ainda ausência de prejuízo ao erário. A existência de prejuízo ao erário deve ser avaliada pelo sujeito ativo, e não pela Recorrente. É a Receita Federal quem tem a competência para avaliar os prejuízos sofridos pelo atraso na entrega da declaração. Mas é possível, de antemão, citar alguns: o atraso na entrega da DCTF impossibilita o fisco de averiguar a regularidade no recolhimento dos tributos, pode implicar alteração de critérios do contribuinte para fins de enquadramento de seu porte (ME, EPP, contribuinte diferenciado), entre outros. O prejuízo não há de ser aquele meramente financeiro e imediato. Os pontos levantados acima servem apenas para desconstituir a premissa trazida pela Recorrente de que não houve prejuízo ao erário. Como dito, esta declaração haveria de ser dada apenas pelo sujeito ativo. Além disso, a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente e também independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ou seja, a caracterização da infração independe do prejuízo causado ao erário. Conclusão. Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.003884/2003-32
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2002
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA.
Não resta comprovado o dissenso jurisprudencial necessário ao conhecimento do recurso especial quando se constata que os acórdãos recorrido e paradigmas chegaram a conclusões distintas em situações fáticas semelhantes, mas à luz de diferentes normas e contextos jurídicos.
Também não serve como paradigma acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula do CARF.
Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
Numero da decisão: 9101-004.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2002 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não resta comprovado o dissenso jurisprudencial necessário ao conhecimento do recurso especial quando se constata que os acórdãos recorrido e paradigmas chegaram a conclusões distintas em situações fáticas semelhantes, mas à luz de diferentes normas e contextos jurídicos. Também não serve como paradigma acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula do CARF. Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
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CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não resta comprovado o dissenso jurisprudencial necessário ao conhecimento do recurso especial quando se constata que os acórdãos recorrido e paradigmas chegaram a conclusões distintas em situações fáticas semelhantes, mas à luz de diferentes normas e contextos jurídicos. Também não serve como paradigma acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula do CARF. Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Livia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 38 84 /2 00 3- 32 Fl. 134DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.243 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13819.003884/2003-32 Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional (fls. 81-103) em face do acórdão nº 391-00.019 (fls. 74-77), da Primeira Turma Especial do então 3º Conselho de Contribuintes, proferido na sessão de 24 de setembro de 2008, que deu provimento ao recurso voluntário, tendo recebido as seguintes ementa e decisão: Acórdão recorrido: 391-00.019, de 24 de setembro de 2008 Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2002 Simples. A simples recuperação de equipamentos mecânicos (bombas de vácuo e compressores) não se insere dentre as atividades cujo exercício encontraria vedação ao ingresso no regime tributário do SIMPLES, por não guardar semelhança com os serviços de engenharia. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. A partir do Regimento Interno do CARF (RICARF) de 2009, aprovado pela Portaria MF 256/2009, a competência material atinente ao regime do Simples é da 1ª Seção de Julgamento, situação mantida pelo atual RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015. Os autos foram movimentados para a PGFN em 29 de janeiro de 2009 e efetivamente entregues em 4 de fevereiro de 2009, conforme Relação de Movimentação - RM recepcionada nesta data (fl. 80). O Procurador assinou o termo de intimação em 12 de fevereiro de 2009 (fl. 79) e nessa mesma data apresentou o recurso especial (fl. 81), tendo a RM sido assinada no dia seguinte (fl. 123). A Recorrente alega divergência jurisprudencial em relação ao conteúdo dos acórdãos abaixo citados, com relação às matérias (i) "Irretroatividade da Lei Complementar 123/2006", e (ii) "Atividade de manutenção de máquinas e equipamentos. Assemelhada Engenharia. Vedação Simples": Acórdão paradigma: 105-14.110 IRRF - RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI - O instituto da irretroatividade benigna, no âmbito tributário, está relacionado à aplicação de penalidade, não se confundindo com modificações produzidas na determinação da base de cálculo da exigência, onde dispositivos legais posteriores determinaram nova forma de apuração. Acórdão paradigma: 101-94.931 Fl. 135DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.243 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13819.003884/2003-32 [...] CSLL - ANISTIA. MULTA POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA NORMAS TRIBUTÁRIAS. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador e rege-se pela legislação então vigente sujeitando-se à incidência de juros de mora o recolhimento, fora do prazo legal, de multa por lançamento de oficio referente a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994. Nos termos do artigo 106, inciso II, "c", a lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando lhe comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, sendo devidos os juros de mora previstos pela legislação de regência em razão de sua natureza remuneratória. Recurso provido parcialmente. Acórdão paradigma: 302-37.259 SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES. EXCLUSÃO POR ATIVIDADE ECONOMICA. Não pode optar pelo SIMPLES a pessoa juridica que presta serviços de montagem ou manutenção de equipamentos, por serem equiparados a serviços profissionais de engenharia (art. 9o, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96) RECURSO NEGADO. Acórdão paradigma: 301-32.325 SIMPLES VEDAÇÕES À OPÇÃO. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. RECURSO NEGADO. O despacho de admissibilidade de fls. 127-129, de, proferido pelo Presidente da 1a Câmara da 1a Seção, deu seguimento ao recurso especial, observando, in verbis: O voto do relator do acórdão recorrido conclui pela aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006, entendendo que a restrição constante da lei vigente à época do fato julgado, a Lei n° 9.317/96, autorizaria a incidência do art. 106, do CTN. Em sentido inverso é o entendimento dos acórdãos paradigmas, qual seja, da impossibilidade de aplicação retroativa de legislação não disciplinadora de penalidade. Deve-se considerar a atividade exercida pela empresa sob a égide da Lei n° 9.316/97, aplicando-se a restrição da opção ao SIMPLES para pessoas jurídicas que prestem serviços de manutenção de máquinas e equipamentos, pois assemelhada à Engenharia. Intimado em 15 de junho de 2010 (fl. 131), o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.243 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13819.003884/2003-32 Voto Conselheira Livia De Carli Germano, Relatora. Admissibilidade recursal De acordo com o § 9º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972, bem como o artigo 7º, §5º, da Portaria MF 527/2010, o prazo para a interposição do recurso pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional - PGFN será contado a partir da data da intimação pessoal presumida (30 dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN), ou em momento anterior se o Procurador da Fazenda Nacional se der por intimado antes de tal data, neste caso mediante assinatura no documento de remessa e entrega do processo administrativo. Na hipótese, os autos foram movimentados para a PGFN em 29 de janeiro de 2009, o Procurador assinou o termo de intimação em 12 de fevereiro de 2009 (fl. 79) e nessa mesma data apresentou o recurso especial (fl. 81). Assim, é tempestivo o recurso especial. Passo a apreciar os demais requisitos para a admissibilidade recursal. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é instância especial de julgamento com a finalidade de proceder à uniformização da jurisprudência do CARF. Desse modo, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Destaca-se, de início, que o alegado dissenso jurisprudencial se estabelece em relação à interpretação das normas, devendo, pois, a divergência, se dar em relação a questões de direito, tratando-se da mesma legislação aplicada a uma mesma situação fática. Acrescente-se, também, que, se os acórdãos confrontados examinaram normas jurídicas distintas, ainda que os fatos sejam semelhantes, não há que se falar em divergência de julgados, uma vez que a discrepância a ser configurada diz respeito à interpretação da mesma norma jurídica. Fl. 137DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.243 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13819.003884/2003-32 Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, compreendo que a Recorrente não logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois chegou-se a conclusões distintas em situações fáticas semelhantes, mas à luz de diferentes normas e contextos jurídicos. Explico. O primeiro paradigma indicado pela Recorrente, acórdão 105-14.110, não tratou da legislação sobre o SIMPLES, tendo analisado a possibilidade de retroatividade benigna de lei em contexto diverso do dos autos -- especificamente, tratou de lançamento de IRRF e da revogação de dispositivo legal que disciplinava a apuração de base imponível, no caso o art. 43 da Lei 8.541/1992, revogado pela Lei 9.249/1995. Tal precedente não serve de paradigma para o caso dos autos, porque analisou legislação diversa e contexto fático completamente diferente. Da mesma forma, o acórdão 101-94.931 decidiu pela impossibilidade de aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106 do CTN para a cobrança de juros de mora, por estes não terem a natureza de penalidade. O litígio não envolvia qualquer aspecto da legislação sobre o SIMPLES, tendo o voto condutor de tal acórdão mencionado: "No mérito, o litígio versa sobre a cobrança de juros de mora incidentes sobre a multa de ofício lançada por falta de recolhimento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, cujos fatos geradores ocorreram em 30 de novembro e 31 de dezembro de 1994." Assim, considero que, quanto ao tema da (i) "Irretroatividade da Lei Complementar 123/2006", a Recorrente não trouxe paradigmas aptos à admissibilidade do presente recurso especial. Quanto ao tema (ii) "Atividade de manutenção de máquinas e equipamentos. Assemelhada Engenharia. Vedação Simples", ambos os paradigmas apresentados decidiram que a atividade exercida por tais contribuintes estariam vedadas à opção pelo SIMPLES por seu exercício depender de profissional legalmente habilitado. Especificamente, o acórdão 302- 37.257 tratou de contribuinte dedicado à "fabricação de bombas hidráulicas, filtros, moto- bombas" e o acórdão 301-32.325 abordou a situação de empresa que tinha por objeto social "a compra, venda, projetos e instalações de centrais e aparelhos de ar condicionado, exaustores e ventilação industrial, manutenção e assistência técnica, serviços de montagem de rede distribuidora de ar". Nesta matéria, deve-se ter em mente que este CARF aprovou, posteriormente ao despacho de admissibilidade do recurso especial, o enunciado da Súmula CARF n. 57 (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277/2018), que é contrário ao posicionamento dos precedentes indicados como paradigma, por dizer (grifamos): Súmula CARF nº 57 A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. As súmulas do CARF são de observância obrigatória por parte dos Conselheiros, nos termos do artigo 45, VI, do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015. Fl. 138DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.243 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13819.003884/2003-32 Além disso, o artigo 67, § 3º, do anexo II do RICARF/2015 determina que não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. No mesmo sentido, o § 12, III, desse mesmo artigo estabelece que não servirá como paradigma acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar Súmula do CARF. Diante disso, compreendo que o presente recurso especial também não pode ser conhecido quanto à matéria (ii) "Atividade de manutenção de máquinas e equipamentos. Assemelhada Engenharia. Vedação Simples", neste caso porque os acórdãos indicados como paradigma contrariam a Súmula CARF n. 57. Por fim, e apenas subsidiariamente, observo que as razões do recurso especial da Fazenda Nacional não são, por si sós, aptas a alterar a conclusão a que chegou o acórdão recorrido. Isso porque, mesmo que o recurso seja provido quanto às duas matérias nele aduzidas, restaria ainda não contestado um dos argumentos trazidos pelo acórdão recorrido para manter a contribuinte no SIMPLES, qual seja, o da possibilidade de extensão da retroatividade prevista na Lei 11.051/2004 para atividades menos complexas que as ali descritas. De fato, o acórdão recorrido se utilizou de dois argumentos para manter a contribuinte no SIMPLES: além de ter considerado que a Lei Complementar 123 teria aplicação retroativa por aplicação do artigo 106 do CTN (matéria objeto da Súmula CARF 81 1 ), também ressaltou que a Lei 11.051/2004 atenuou as restrições previstas no inciso XIII do artigo 9o da Lei 9.317/1996 de forma expressamente retroativa. Veja-se trecho do recorrido (grifamos): (...) a atividade desenvolvida pela Recorrente que deu ensejo à exclusão, tal como registrada em seus estatutos, refere-se à “recuperação de bombas a vácuo e compressores”. O exercício dessa atividade deu margem a intensa polêmica nessa Corte, sobretudo em relação ao significado e alcance da expressão “manutenção de máquinas e equipamentos", exigindo intervenção do legislador, cujo resultado foi a Lei no. 11.051/04, através da qual atenuou-se as restrições previstas no inciso XIII do art. 9°. da Lei 9.317/96, de forma retroativa. Assim, com o advento dessa norma, deixaram de sofrer restrições os serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados, bem como de veículos automotores e seus acessórios, eletrodomésticos, entre outros. Recentemente, a Lei Complementar no. 123, de 14 de dezembro de 2004, também excluiu expressamente das atividades vedadas aos optantes pelo Simples a prestação de serviços de manutenção de ar condicionado, devendo ser aplicada retroativamente, em face do disposto no art. 106 do CTN. (...) Concluindo, meu entendimento é o de que se a manutenção de veículos automotores não se inclui dentre as restrições previstas no ordenamento jurídico para adesão ao SIMPLES, com maior razão não deve constituir óbice a manutenção de equipamentos de menor complexidade. 1 Súmula CARF 81: É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 139DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.243 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13819.003884/2003-32 Nesse ponto, observo que, de fato, a Lei 11.051/2004 trouxe pequenas mudanças na redação da Lei 10.964, também de 2004, a qual mencionou expressamente algumas hipóteses em que a permissão de optar pelo SIMPLES teria efeitos retroativos. A norma possui a seguinte redação: Lei 10.964, de 28 de outubro de 2004 Art. 4 o A partir de 1 o de janeiro de 2004, ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9 o da Lei n o 9.317, de 5 de dezembro de 1996, observado o disposto no art. 2 o da Lei n o 10.034, de 24 de outubro de 2000, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: I – serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; II – serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; III – serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; IV – serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; V – serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. § 1 o Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, com efeitos a partir de 1 o de janeiro de 2004, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 2 o As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9 o da Lei n o 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos a partir de 1 o de janeiro de 2004, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal - SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. § 3 o Na hipótese de a exclusão de que trata o § 2 o deste artigo ter ocorrido durante o ano-calendário de 2004 e antes da publicação desta Lei, a Secretaria da Receita Federal - SRF promoverá a reinclusão de ofício dessas pessoas jurídicas retroativamente a 1 o de janeiro de 2004. Art. 4 o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9 o da Lei n o 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I – serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II – serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores;(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III – serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV – serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V – serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1 o Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2 o As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9 o da Lei n o 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos retroativos à data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3 o Na hipótese de a exclusão de que trata o § 2 o deste artigo ter ocorrido durante o ano-calendário de 2004 e antes da publicação desta Lei, a Secretaria da Receita Federal – SRF promoverá a reinclusão de ofício dessas pessoas jurídicas retroativamente à data de opção da empresa. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 140DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/LEIS/L9317.htm#art9xiii http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/LEIS/L9317.htm#art9xiii http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/LEIS/L10034.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/LEIS/L10034.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/LEIS/L9317.htm#art9xiii http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/LEIS/L9317.htm#art9xiii http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/LEIS/L9317.htm#art9xiii http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art15 http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art15 http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4i http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4ii http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4ii http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4iii http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4iii http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4iv http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4iv http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4v http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4v http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4§1 http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/LEIS/L9317.htm#art9xiii http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4§2 http://www.planalto.gov.br/CcIVIL_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L11051.htm#art4§3 Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-004.243 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13819.003884/2003-32 Nos casos previstos na norma acima transcrita, sequer seria aplicável a Súmula CARF no. 81, por ser diverso o contexto jurídico, eis que a edição da súmula se baseou em casos em que a legislação não estabeleceu de maneira expressa a possibilidade de aplicação retroativa. Esta peculiaridade foi inclusive ressaltada no voto condutor do acórdão 9101- 001.010 (indicado como um dos paradigmas para a edição da Súmula CARF n. 81), tendo este observado que o tratamento seria diferente caso, naquela oportunidade, estivesse em análise não a Lei 10.684/2003, mas a Lei 10.964/2004. Confira-se: (...) Diante de tal dispositivo [da Lei 10.684/2003], parece-me que o legislador não pretendeu conferir efeitos retroativos à norma sob exame. De fato, além de não conter qualquer prescrição nesse sentido (o que seria de rigor para atribuir efeitos passados ao texto da lei), o art. 29 da Lei n. 10.684/2003 preocupou-se em estabelecer expressamente que alguns dos artigos desta Lei teriam efeitos retroativos e outros teriam apenas efeitos futuros, determinando-se a vigência imediata e prospectiva aos demais dispositivos. Nos expressos termos da Lei n. 10.684/2003, o artigo 24 da Lei entrou em vigor apenas em 31.05.2003. A Lei n. 10.964/04 não infirma o entendimento supra, mas, ao contrário, o confirma. Ao excepcionar outras atividades do rol de operações proibitivas da opção da pessoa jurídica pelo Simples, o legislador naquela oportunidade fez expressa menção à retroatividade dos efeitos dos dispositivos legais, conforme se constata do art. 4°, § 1° a §3o da Lei, o que não ocorre com a Lei n. 10.684/2003. Verbis: (...) No caso dos autos, a exclusão do SIMPLES ocorreu porque a contribuinte se dedicaria à atividade de "manutenção em equipamentos industriais", especificamente à "recuperação de bombas a vácuo e compressores". Ao julgar a matéria, a DRJ observou que tal atividade não estaria dentre as previstas na Lei 10.964/2004 (alterada pela Lei 11.051/2004). Refiro-me ao seguinte trecho da decisão da DRJ (fl. 63): Ressalte-se, por oportuno, que o impedimento atinente à prestação “serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos” foi superado pela edição da Lei n° 10.694, de 28 de outubro de 2004, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Mas, no caso sob exame, não há dúvida de que tal benesse não se aplica a situação do interessado, tendo em conta que esta regra não se estende à atividade de prestação de serviços desempenhados em âmbito extra-doméstico e industrial. Todavia, tal argumento foi rechaçado pelo acórdão recorrido, tendo este considerado que se a Lei 11.051/2004 havia previsto, com efeitos expressamente retroativos, que a manutenção de veículos automotores não estaria incluída dentre as vedações à adesão ao SIMPLES, "com maior razão não deve constituir óbice a manutenção de equipamentos de menor complexidade". Fl. 141DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-004.243 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13819.003884/2003-32 Temos, portanto, o acórdão recorrido, além de ter se fundamentado na retroatividade da Lei Complementar 123/2006 (matéria que posteriormente foi tratada na Súmula CARF 81 de maneira contrária à decisão recorrida), também aplicou a retroatividade da Lei 11.051/2004 ao caso dos autos, por analogia, por considerar que, se aquela lei permitia a opção pelo SIMPLES a atividades mais complexas, a atividade desempenhada pelo contribuinte, de menor complexidade, também estaria permitida com efeitos retroativos. Tal argumento não foi contestado pelo recurso especial, nem sequer consta dos paradigmas apresentados pela Recorrente. Daí porque também constato, no caso, inaptidão recursal, eis que os argumentos trazidos pela Fazenda Nacional em seu recurso especial, mesmo que julgados procedentes, não são suficientes para de alterar o entendimento expresso no acórdão recorrido especificamente quanto à possibilidade de extensão da retroatividade prevista na Lei 11.051/2004 para atividades menos complexas. Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto por não conhecer do recurso especial. (documento assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.002591/2007-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2004
PRECLUSÃO. PREQUESTIONAMENTO. CONHECIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não se caracteriza preclusão quando se verifica contestação da matéria controvertida. Questionada a incidência de imposto de renda sobre verbas pagas em virtude de ação trabalhista, o pedido de aplicação da tributação mês a mês não se traduz em inovação recursal.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
O IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
Numero da decisão: 2301-006.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONHECER EM PARTE do recurso, não conhecendo do pedido de restituição, vencidos o relator e o conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite que não conheceram também da aplicação do regime de competência por não ter sido prequestionada; por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, por maioria de votos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para se aplicar o regime de competência, vencido o relator. Designado para fazer o voto vencedor o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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PREQUESTIONAMENTO. CONHECIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se caracteriza preclusão quando se verifica contestação da matéria controvertida. Questionada a incidência de imposto de renda sobre verbas pagas em virtude de ação trabalhista, o pedido de aplicação da tributação mês a mês não se traduz em inovação recursal. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONHECER EM PARTE do recurso, não conhecendo do pedido de restituição, vencidos o relator e o conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite que não conheceram também da aplicação do regime de competência por não ter sido prequestionada; por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, por maioria de votos, em DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para se aplicar o regime de competência, vencido o relator. Designado para fazer o voto vencedor o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. (assinado digitalmente) João Maurício Vital – Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 25 91 /2 00 7- 86 Fl. 229DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.069 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.002591/2007-86 (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto. Relatório Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercício 2004, em face da omissão de rendimentos decorrentes de reclamação trabalhista. Reproduzo parcialmente o relatório do acórdão recorrido por bem descrever os fatos: Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 16) que houve omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista no valor de R$301.965,17, auferidos pelo titular. Na apuração do imposto devido foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$45.741,25. O contribuinte apresentou defesa em fls. 01/10, alegando, em síntese que: 1. O imposto de renda suplementar cobrado originou-se do valor recebido pelo impugnante, em ação trabalhista da qual foi vencedor; 2. Foi percebido por ele o valor de R$437.617,62, oriundo de um acordo realizado entre a empresa reclamada; 3. A empresa reclamada reteve dele o imposto de renda no valor de R$82.891,67, contudo fez o recolhimento por um valor a menor, sendo que a obrigação pela retenção e recolhimento é da empresa; 4. Percebeu a título de FGTS o total de R$55.397,16 (FGTS + multa de 40%); 5. Informou incorretamente o valor pago e investido em previdência privada que efetivamente é R$40.409,29, conforme comprova nos autos; 6. O valor pago a título de previdência oficial foi de R$30.810,04 e não de R$18.409,49, como consta de sua Declaração de Ajuste Anual 2004; 7. Informa o valor do imposto suplementar do qual entende devedor em fl. 09, conforme demonstrativo lá contido; Ao final, requer o cancelamento da multa aplicada. No recurso voluntário, o sujeito passivo sustentou a natureza isentiva da verba declarada nessa condição, solicitou diligência para corrigir os cálculos, pediu restituição de valor que teria sido retido a maior e pugnou pela aplicação das tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.069 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.002591/2007-86 Voto Vencido Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo. Porém, não conheço da alegação de aplicação do regime de competência para os rendimentos percebidos acumuladamente porque a matéria não foi prequestionada. Também não conheço do pedido de restituição, que não faz parte da lide. O processo encontra bem instruído para ser julgado, motivo pelo quê indefiro o pedido de diligência. Ao fazer a transação com o executado quanto à parte controversa da execução, o reclamante já não percebeu as verbas definidas, mas o valor decorrente do acordo. O recorrente obteve êxito em reclamação trabalhista. Porém, quando da execução da sentença, a reclamada embargou (e-fls. 42 a 59) os cálculos do reclamante por entender incorreta a aplicação dos juros e apresentou, também, agravo de petição (e-fls. 190 a 215). Segundo o reclamante, o valor da execução deveria ser R$ 980.933,56; para a reclamada, o valor correto seria R$ 468.641,10, tudo em valores atualizados até então. O reclamado, diante do que constou dos embargos, solicitou a liquidação da parte incontroversa (R$ 468.641,10), atualizada, mediante levantamento de parte do depósito que garantia a execução (e-fls. 216 e 217). O valor foi recebido em 2002 (e-fl. 219 a 221). Remanesceu em execução parte do valor estabelecido na sentença. As partes, então, celebraram acordo para colocar fim à querela e liquidar a ação trabalhista (e-fls. 18 e 19 e 222 e 223). O acordo foi homologado judicialmente (e-fl. 21 e 224). Pelos termos do acordo, a reclamada autorizou o reclamante a levantar o restante do depósito de garantia; por sua vez, o reclamante deu plena quitação da execução. Esse valor correspondeu a R$ 284.778,97 mais os juros bancários e correção monetária até o dia do pagamento (e-fl. 225), o que resultou em R$ 494.617,62 brutos. O recorrente sustentou que, ao celebrar o acordo, somente abriu mão dos valores que lhe seriam devidos a título de correção monetária, que era o objeto da controvérsia instaurada na execução, mas que as demais verbas não sofreram qualquer alteração (e-fl. 163). Ora, ao celebrar a avença, o reclamante concordou em receber o saldo disponível do depósito, valor que não guarda qualquer relação com as eventuais verbas decididas na sentença. Trata-se de outra grandeza. É impossível decompor o valor levantado pelo reclamante para saber o quanto seria de cada uma das rubricas, porque o acordo não se deu no sentido do pagamento de uma ou outra parcela. Do montante, quanto seriam juros, quanto seriam verbas rescisórias, quanto seriam FGTS? É impossível responder a essas questões porque, na verdade, o valor acordado substituiu essas parcelas por um montante global, que estava disponível, com o propósito de abreviar a solução daquele litígio trabalhista. Assim, entendo que o acórdão recorrido está correto ao afirmar que não se verifica o detalhamento das verbas recebidas pelo interessado na ação trabalhista para se constatar a Fl. 231DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.069 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.002591/2007-86 natureza isentiva. Não há provas de que R$ 358.617,62 declarados como isentos de fato tinha essa característica. O valor dos honorários advocatícios (R$ 57.000,00) foi deduzido da base de cálculo e o IRRF retido (R$ 82.891,57) foi deduzido do imposto devido. Quanto aos juros, o valor recebido em decorrência do acordo não correspondeu aos juros sobre as verbas obtidas na decisão judicial, que têm natureza indenizatória, mas a juros bancários, que remuneraram o depósito dado em garantia desde que foi efetuado, em março de 1999, até o levantamento do saldo final, em novembro de 2003. Por essa razão, se aplica o entendimento do STJ, manifestado no REsp 1.227.133/RS, decidido em sede de recurso repetitivo. Na hipótese de restar vencido quanto ao conhecimento da matéria preclusa, destaco que, sob o mesmo raciocínio já esposado nos parágrafos anteriores, não é possível admitir a aplicação das tabelas vigentes à época a que se referiram os rendimentos. Ora, o valor recebido em razão do acordo não corresponde a parcelas devidas em tempos anteriores, mas um novo valor, e seu recebimento implicou na ocorrência do fato gerador do IRPF na data em que ocorreu a disponibilidade, ou seja, novembro de 2003, considerado todo o montante recebido. Caso fique vencido na questão do pedido de restituição, esclareço que, pelas conclusões deste voto, o indébito sequer existiria porque os valores de IRRF retidos foram devidamente abatidos do imposto apurado. Conclusão Voto por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator Voto Vencedor Conselheiro Antonio Sávio Nastureles – Redator designado. 1. Ao tempo do julgamento, verificou-se divergência quanto a possível inovação recursal relacionada à matéria trazida no tópico intitulado “IV – TRIBUTAÇÃO MÊS A MÊS” (e- fls 168/169) e ao pedido alternativo formulado pelo Recorrente para que eventual imposto “seja calculado considerando-se as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributáveis, bem como seja observada a renda auferida mês a mês, e não o rendimento total acumulado recebido em virtude da Reclamatória Trabalhista” (e-fls. 169). 2. O entendimento exposto no voto do Relator reconhece ter havido nessa parte inovação recursal, já alcançada pela preclusão consumativa. 3. Contudo, após breve exame dos elementos anexados aos autos, a maioria dos conselheiros considerou que, ao tempo da impugnação, houve o questionamento da obrigação Fl. 232DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.069 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.002591/2007-86 tributária principal, e especificamente em relação à incidência do imposto sobre verbas recebidas em decorrência da ação trabalhista, que fazem parte da exigência fiscal. 4. Ilustra-se com a transcrição de trecho da peça impugnatória (e-fls 02): De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, o valor do saldo de imposto a pagar origina-se da não comprovação de que, do montante de R$437.617,62 recebido no processo trabalhista de autos n. 2.917/92 - verbas salariais R$494.617,62 menos R$57.000,00 (relativos a honorários advocatícios) - R$358.965,17, corresponderiam à rendimentos não tributáveis. Diante da suposta falta de comprovação da existência de rendimentos não tributáveis, a impugnada afirma que foi constatada a omissão de rendimentos no montante de R$301.965,17. 5. Em vista de tal circunstância, por considerar que houve contestação expressa da matéria controvertida - a exigência fiscal relativa a incidência sobre verbas pagas em virtude de ação trabalhista - prevaleceu o entendimento de que a alegação e o pedido formulados em segunda instância, com o fim de pedir a aplicação da tributação mês a mês, não se traduz em inovação recursal. 6. Superada a questão do conhecimento do recurso, é preciso avançar na questão de mérito. Consoante o entendimento exposto no voto do Relator, “o valor recebido em razão do acordo não corresponde a parcelas devidas em tempos anteriores, mas um novo valor, e seu recebimento implicou na ocorrência do fato gerador do IRPF na data em que ocorreu a disponibilidade, ou seja, novembro de 2003, considerado todo o montante recebido”. 7. Peço licença, contudo, para discordar de tal posicionamento. A análise dos autos evidencia que o motivo preponderante da notificação de lançamento tem vinculação com o recebimento de verbas trabalhistas reclamadas no processo nº 2917/1992, que tramitou pela Justiça de Trabalho de Campinas, tal como demonstrado nos documentos que acompanham a peça impugnatória. 7.1. A título ilustrativo, segue-se trecho do acordo (e-fls 18) e do documento representativo da homologação judicial do mesmo (e-fls 21) (e-fls 18) Fl. 233DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.069 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.002591/2007-86 (e-fls 21) 8. A maioria do Colegiado, com base nos elementos anexados aos autos, considerou, portanto, que o valor recebido pelo Recorrente, decorreu, inexoravelmente, da ação trabalhista que, por seu turno, envolveu quantias pleiteadas ao longo de período em que se desenvolveu a relação laboral entre o Recorrente e a reclamada. 9. Feitas tais considerações, não obstante a decisão de primeira instância tenha formulado análise técnica a respeito da questão probatória na matéria de fundo (natureza isenta das verbas trabalhistas), é preciso considerar que os rendimentos percebidos no âmbito das ações trabalhistas, tal como verificado nos presentes autos, estão submetidos ao regime de rendimentos recebidos acumuladamente. 10. Sem desnecessária delonga, e consoante o inc. II do § 12 do art. 67 do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, é imperiosa a aplicação do entendimento esposado no RE 614.406, do STF 1 , que, sob o rito de repercussão geral, reconheceu a inconstitucionalidade parcial, sem redução de texto, do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, e estabeleceu o regime de competência para efeito do cálculo do Imposto de Renda sobre RRA. Ou seja, o cálculo deverá observar as tabelas vigentes em cada mês a que se refere o rendimento recebido acumuladamente. 11. Diante do exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e dar parcial provimento para determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos. (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles – Redator designado. 1 O entendimento foi confirmado no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário nº 1.022.792 e a matéria resta reconhecida como de repercussão geral, Tema 368 do STF. Fl. 234DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.069 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.002591/2007-86 Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720069/2010-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CUSTOS. BARRO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os custos com barro constituem insumos do processo produtivo (siderurgia) do contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
CUSTOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. AJUDANTE DE ALTO FORNO. DESCARGA DE CARVÃO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os custos incorridos com serviços prestados por pessoa jurídica, mediante nota fiscal de prestação de serviços, locação de mão-de-obra para ajudar no alto forno e para descarga de carvão, constituem custos dos produtos fabricados/vendidos pelo contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
CUSTOS/DESPESAS. FRETES. TRANSPORTE DE BRITA CALCÁRIA E CALCÁRIO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com fretes para o transporte de brita calcária e calcário utilizados no processo produtivo do contribuinte (siderurgia) integram o custo destes insumos e, portanto, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
Numero da decisão: 9303-008.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CUSTOS. BARRO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com barro constituem insumos do processo produtivo (siderurgia) do contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CUSTOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LOCAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA. AJUDANTE DE ALTO FORNO. DESCARGA DE CARVÃO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos incorridos com serviços prestados por pessoa jurídica, mediante nota fiscal de prestação de serviços, locação de mão-de-obra para ajudar no alto forno e para descarga de carvão, constituem custos dos produtos fabricados/vendidos pelo contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CUSTOS/DESPESAS. FRETES. TRANSPORTE DE BRITA CALCÁRIA E CALCÁRIO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes para o transporte de brita calcária e calcário utilizados no processo produtivo do contribuinte (siderurgia) integram o custo destes insumos e, portanto, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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BARRO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com barro constituem insumos do processo produtivo (siderurgia) do contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CUSTOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LOCAÇÃO DE MÃODE OBRA. AJUDANTE DE ALTO FORNO. DESCARGA DE CARVÃO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos incorridos com serviços prestados por pessoa jurídica, mediante nota fiscal de prestação de serviços, locação de mãodeobra para ajudar no alto forno e para descarga de carvão, constituem custos dos produtos fabricados/vendidos pelo contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CUSTOS/DESPESAS. FRETES. TRANSPORTE DE BRITA CALCÁRIA E CALCÁRIO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes para o transporte de brita calcária e calcário utilizados no processo produtivo do contribuinte (siderurgia) integram o custo destes insumos e, portanto, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 00 69 /2 01 0- 41 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10218.720069/201041 Acórdão n.º 9303008.584 CSRFT3 Fl. 324 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pala Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403001.354, de 24/01/2012, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: "Assunto:Programa de Integração Social – PIS/PASEP Período de Apuração: 4º trimestre de 2005 (de fato 2006) Ementa: PIS/PASEP. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES. REGIME NÃO CUMULATIVO. O direito ao credito de PIS e COFINS sobre aquisições não se limita tão só aos insumos e partes que se desgastam em contato com o produto final, mas também dos componentes desgastados ou destruídos pela ação direta no processo produtivo sem a qual inviabilizaria o produto final." Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, suscitando divergência, quanto ao direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre os custos/despesas com: 1) aquisições de barro; 2) prestações de serviços relativas à locação de mãodeobra de ajudante de alto forno e de descarga de carvão; e, 3) despesas com frete para o transporte de brita calcária e de calcário. Segundo seu entendimento, tais custos/despesas não constituem insumos do processo de produção/fabricação dos produtos vendidos pelo contribuinte, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e, consequentemente, não geram créditos passíveis de dedução do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. Assim, a glosa dos créditos aproveitados indevidamente pelo contribuinte, efetuada pela Fiscalização e revertida no acórdão recorrido, deve ser mantidas. Por meio do Despacho de Admissibilidade às fls. 298e/299e, o Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10218.720069/201041 Acórdão n.º 9303008.584 CSRFT3 Fl. 325 3 Notificado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade, o contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão recorrido pelos seus próprios fundamentos. Em síntese é o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso especial da Fazenda Nacional atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria em discussão, nesta fase recursal, abrange o direito de o contribuinte aproveitar créditos do PIS não cumulativo sobre os custos/despesas incorridos com: 1) aquisições de barro; 2) prestações de serviços relativas à locação de mãodeobra de ajudante de alto forno e de descarga de carvão ; e, 3) despesas com fretes para o transporte de brita calcária e de calcário. A Lei nº 10.637/2002 que instituiu o regime não cumulativo para o PIS, , assim dispunha, quanto aos insumos e ao aproveitamento de créditos, no período dos fatos geradores dos créditos, objeto do ressarcimento/compensação em discussão: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...). IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...). VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; (...)". O contribuinte é uma empresa siderúrgica que tem como objeto econômico, dentre outros, a produção, comercialização e transporte de ferro gusa, de aço, ligas metálicas e peças fundidas de ferro, de aço e ligas metálicas, produção, comercialização, transporte e mineração de calcário; produção, comercialização, transporte de sinter de minérios em geral. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10218.720069/201041 Acórdão n.º 9303008.584 CSRFT3 Fl. 326 4 Os custos com barro e brita calcária constituem insumos do processo de produção de ferro gusa e aço. Tratase de produtos imprescindíveis à produção destes produtos e, portanto, geram créditos nos termos do inciso II do art. 3º, citados e transcritos. Já os custos/ despesas incorridos com prestações de serviços relativos à locação de mãodeobra de ajudante de alto forno e de descarga de carvão, bem como com frete para o transporte de brita calcária e de calcário, enquadramse como insumos, nos termos do inciso II do art. 3º, citados e transcritos anteriormente, na medida que integram o custo dos produtos fabricados. No julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ampliou o conceito de insumos, para efeito de aproveitamento de créditos do PIS e da Cofins, reconhecendo como tal, os custos e despesas empregados direta e indiretamente no processo de produção/fabricação dos bens destinados a venda pelo contribuinte. Consoante a decisão do STJ "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a impossibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Em face da decisão do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF que autoriza seus procuradores a dispensa de contestar e recorrer, com fulcro no art. 19, inc. IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, inc. V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, contra decisão desfavorável à União Federal, quanto ao conceito de insumos e respectivo direito de se aproveitar créditos sobre tais insumos, nos termos definidos no julgamento do referido REsp, observada a particularidade do processo produtivo de cada contribuinte. Dessa forma, a reversão da glosa dos créditos sobre os custos/despesas incorridos com: 1) aquisições de barro; 2) prestações de serviços relativos à locação de mão deobra de ajudante de alto forno e de descarga de carvão; e, 3) despesas com frete para o transporte de brita calcária e de calcário, determinada no acórdão recorrido, deve ser mantida, reconhecendose o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais custos/despesas, tendo em vista sua relevância e importância para o desenvolvimento das atividade do contribuinte. Além disto, por força do disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II, do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 1.221.170/PR, sob o regime repetitivo, art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil e com a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, adotase, para o presente caso, essa mesma decisão, para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Em face do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10218.720069/201041 Acórdão n.º 9303008.584 CSRFT3 Fl. 327 5 Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006964/2003-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
DCTF. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO
Se o contribuinte apresenta pedido de retificação da DCTF na forma de impugnação, ao argumento de que inexiste o débito declarado, por erro, a autoridade fiscal deve receber a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício.
Numero da decisão: 1402-003.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1998 DCTF. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Se o contribuinte apresenta pedido de retificação da DCTF na forma de impugnação, ao argumento de que inexiste o débito declarado, por erro, a autoridade fiscal deve receber a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício.
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ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO Se o contribuinte apresenta pedido de retificação da DCTF na forma de impugnação, ao argumento de que inexiste o débito declarado, por erro, a autoridade fiscal deve receber a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 69 64 /2 00 3- 80 Fl. 97DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração no qual constam débitos de IRRF, relativos ao quarto trimestre de 1998, acrescidos de multa de ofício de demais acréscimos legais. Em 07/08/ 2003 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 3/5 na qual alega que houve erro de preenchimento de DCTF, pois não efetuou o pagamento do prólabore do período e que não foi possível realizar a retificação em virtude da presente autuação. Em 21 de fevereiro de 2008, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) negou provimento à impugnação de acordo com a seguinte fundamentação: A impugnante alega que informou indevidamente a retenção de Imposto de Renda em relação à primeira semana dos meses de novembro e dezembro de 1998 (fls. 14/16). Ocorre, todavia, que a simples apresentação da DIRF e a alegação de que não houve pagamento de rendimentos ou retenção de imposto nos aludidos meses não é suficiente para infirmar a informação, com força de confissão, prestada em DCTF. Nesse contexto, o lançamento deve ser mantido. Cientificada, (AR fls. 53), a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 55/57 no qual reitera as alegações já suscitadas e a documentação juntada quando da impugnação. É o relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora 1) DA TEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, das decisões de primeira instância caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de 30 dias, a contar da ciência da decisão. O artigo 5o deste mesmo diploma esclarece que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Sobre a data da ciência da decisão, o artigo 23 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a intimação pode ser feita via postal ou por meio eletrônico. Neste último caso, considerase feita a intimação 15 dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10980.006964/200380 Acórdão n.º 1402003.932 S1C4T2 Fl. 98 3 no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes deste prazo de 15 dias. Todavia, não foi possível identificar a data no Aviso de Recebimento juntado às fls. 53. Confirase: A servidora Sandra Mitiko Sasazawa, Matrícula 38534, atesta que o referido AR foi juntado aos autos em 12.05.2008. Tendo em vista que o Recurso Voluntário foi apresentado em 26/05/2008 e na ausência de outra informação relativa à notificação considero tempestivo o Recurso Voluntário. 2) DO MÉRITO Em seu recurso voluntário a Recorrente procura explicitar o erro da DCTF que deu origem ao presente lançamento, nos seguintes termos: 2. Tal informação, salientese feita de forma equivocada, foi baseada na continuidade do pagamento de um mesmo valor de remuneração do trabalho assalariado que vinha se mantendo de Janeiro a Setembro/1998. Contudo, nos meses de Outubro (pg. em nov/1998) e Novembro (pg. dez/1998), o valor tinha sido alterado par ao valor de R$ 800,00 para cada sócio, deixando pois de existir a obrigatoriedade do desconto na fonte e por consequência do recolhimento do IRF. Tal informação já foi comprovada através da Declaração de Imposto de Renda na Fonte DIRF do ano calendário (retenção) de 1998, efetivamente entregue em 23/023/1999 e já anexada ao processo; 3. Já informou também que a DCTF que deu origem aos mencionados e supostos débitos a título de IRF somente não Fl. 99DF CARF MF 4 pode ser retificada pelo impedimento cadastral deste órgão, em função da lavratura do presente auto de infração. 4. Serve a presente impugnação como forma de retificar o lançamento presente na DCTF relativamente ao suposto débito do imposto sobre o trabalho assalariado código 0561 relativo aos meses de Novembro e Dezembro de 1.998, para constar como nada a relacionar ou pagar nos respectivos meses; 5. Ressaltese ainda que o instituto da DCTF declaração de tributos federais, apesar de ter forma de constituição do crédito tributário, face ao caráter atribuído pela lei da condição de lançamento por declaração, tem presunção "iuris tantum", ou seja, admitindo prova em contrário, daí por que também se denomina condicional. Tal presunção admite prova em contrário. (grifos nossos e no original) Conforme exposto no trecho acima transcrito, a questão a ser analisada não se refere a qualquer discussão jurídica. O processo limitase à análise da possibilidade de retificação de ofício da DCTF diante dos documentos apresentados pela contribuinte. A retificação dos dados constantes na DCTF era disciplinada pela artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1110, de 24 de dezembro de 2010, nos seguintes termos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10980.006964/200380 Acórdão n.º 1402003.932 S1C4T2 Fl. 99 5 pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento à intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma prevista no art. 7º. § 5º O direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto no relatório, o contribuinte, em sua defesa, se limitou a afirmar que os débitos decorreriam de erro no preenchimento da DCTF erro esse que pretende corrigir por meio da retificação de ofício. De acordo com o artigo 9º da IN nº 1110/2010 o procedimento adequado a esse fim seria a apresentação da DCTF retificadora. Conforme visto no relatório, a decisão recorrida apontou que a documentação juntada da pela Recorrente não era suficiente para comprovar a ausência do débito. Esta, todavia, se limitou a reiterar as razões já expostas quando da Impugnação sem, contudo, apresentar qualquer documento, em fase recursal, para comprovação do alegado. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário (Assinado digitalmente). Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 101DF CARF MF 6 Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.684411/2009-86
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2007
DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A simples retificação de DCTF, para alterar valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A simples retificação de DCTF, para alterar valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 44 11 /2 00 9- 86 Fl. 115DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.684411/2009-86 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: 1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação n° 01424.94228.140607.1.3.04-0437 em 14/06/2007 (fls. 01/02), pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos de CIDE (código de receita 8741), decorridos de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 15/01/2007. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 03, emitido em 23/10/2009, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 05/11/2009 (fl. 05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/12/2009 (fls. 06/09) alegando, em síntese, que: 3.1 Em procedimento de auditoria e verificação interna, verificou-se que a empresa pagou CIDE, calculado sobre remuneração que não envolve transferência de tecnologia (Lei n° 10.168/2000), a maior. 3.2 Como a legislação lhe dá guarida, realizou compensação do valor apurado a maior, com demais tributos a pagar. 3.3 Desta forma, ingressou com Declaração de Compensação de pagamento a maior. 3.4 Cita fundamentação do Despacho Decisório que não homologou a compensação. 3.5 A Receita Federal considerou que o pagamento realizado foi utilizado na quitação de CIDE informado em DCTF, o que não ocorreu. 3.6 A impugnante, ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou DCTF. Desta forma, apropriou-se integralmente do valor recolhido indevidamente. 3.7 A única justificativa da Receita Federal ao proferir tal despacho, foi ter se baseado na DCTF original. Se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação. 3.8 Considerando a retificação da DCTF, requer a homologação da compensação realizada. A 6ª Turma da DRJ em São Paulo I proferiu decisão, negando provimento à impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO - CIDE Ano-calendário: 2007 DCTF. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA. Fl. 116DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.684411/2009-86 A retificação da DCTF pelo contribuinte, que exclui o valor devido de CIDE originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual alega, em síntese: - a existência do direito creditório pleiteado, pois teria efetuado pagamento indevido a título de CIDE, referente ao período de apuração de dezembro de 2006. Neste caso, o débito de CIDE confessado em DCTF não seria devido, pois, segundo a recorrente, estava-se diante de caso de não incidência daquela contribuição, tendo vista o disposto no § 1º - A, do artigo 2° da Lei n° 10.168/00, o qual prevê a não incidência da CIDE sobre remuneração pela "licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia"; - que não deve prevalecer a exigência da decisão recorrida de "juntada de novas provas, eis que a recorrente demonstrou quantum satis que a RFB, em seu despacho decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo supostamente devedor". Sustenta, ainda, que "impõe-se o reconhecimento dos documentos ora apresentados para afastar a indevida argumentação de falta de provas do direito creditório corretamente pleiteado através da PERDCOMP em tela, sob pena de afrontar o direito à ampla defesa e contraditório e causar a correspondente nulidade do julgamento". Não traz, contudo, qualquer documento comprobatório junto ao recurso. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.684411/2009-86 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento desta Turma. Inicialmente, importa lembrar que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito alegado pelo sujeito passivo. Nesse contexto, a comprovação do direito creditório mostra-se fundamental para a efetivação do instituto da compensação. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu o PER/DCOMP descrito no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior da CIDE, período de apuração de dezembro de 2006. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação do débito da contribuição social apurado em DCTF. Foi, então, emitido Despacho Decisório cuja decisão não homologou a compensação declarada. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual sustentou que o débito de CIDE declarado em DCTF original inexiste, pois o pagamento de royalties, naquele caso, consistia em hipótese de não incidência, por força do § 1º - A, do artigo 2° da Lei n° 10.168/00, tendo sido, então, retificada a DCTF, após o despacho decisório, para refletir tal situação. Em sua impugnação, a recorrente deixou de apresentar documentos para comprovar o direito creditório alegado, em especial, o valor da CIDE apurada no período de dezembro de 2006, de maneira que, ao apreciar a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório, nos termos do voto condutor, transcrito, em parte, a seguir (grifei partes): (...) 10. Observe-se, que na forma da legislação específica, eventual crédito passível de restituição ou ressarcimento pode ser utilizado na compensação com débitos do sujeito passivo. Contudo, a homologação da compensação está sujeita ao anterior reconhecimento do direito creditório, tendo em vista que a compensação somente pode ser efetuada com crédito líquido e certo do contribuinte, conforme acima exposto. 11. Desta forma, a não comprovação da certeza e liquidez do crédito alegado obsta a homologação da compensação. E como veremos adiante, no presente caso, o crédito pleiteado não foi comprovado pela defesa. 12. A defesa afirma que o contribuinte pagou CIDE referente ao mês de dezembro de 2006 a maior, e que realizou compensação do valor apurado a maior, com demais tributos a pagar, ingressando com Declaração de Compensação. (...) Fl. 118DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.684411/2009-86 16. O contribuinte, em 04/12/2009, após a emissão do Despacho Decisório, retificou a DCTF referente ao mês de dezembro de 2006 (fls. 35/61), na qual não constam débitos de CIDE, e pleiteia a compensação dos valores supostamente indevidos, ou recolhidos a maior. 17. Ocorre, que a retificadora apresentada, que exclui o valor devido de CIDE, não é suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação hábil que dê suporte à declaração. 18. A defesa apresentou apenas a retificadora de DCTF, porém não acostou aos autos documentos, livros fiscais e contábeis, objetivando respaldar a retificação efetuada. 19. Desta forma, torna-se inconsistente a afirmação do contribuinte de possuir crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. O crédito pleiteado somente fica assegurado, quando respaldado por documentação hábil e idônea.(...) 24. A defesa não apresentou prova documental juntamente com a manifestação de inconformidade, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na declaração de compensação em exame. 25. Portanto, descabe cogitar a respeito de homologação de compensação, em face da falta de demonstração de crédito líquido e certo do sujeito passivo. Da leitura dos excertos transcritos, depreende-se que o aresto recorrido negou provimento à impugnação porque não restou comprovado, por meio de documentação contábil- fiscal, o direito creditório alegado, em especial, o erro da DCTF original, com a apuração da CIDE no período de dezembro de 2006. O colegiado de primeira instância entendeu que meras alegações e a DCTF retificadora não foram suficientes para demonstrar a certeza e liquidez do direito creditório utilizado na declaração de compensação. Analisando os autos, observa-se que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), escrituração contábil-fiscal apta a demonstrar a certeza e liquidez do crédito alegado. Com efeito, pela análise dos documentos então apresentados com a manifestação de inconformidade, não há como afirmar que o débito de CIDE realmente é inexistente, uma vez que estaria relacionado a pagamento de royalties que constitui hipótese de não incidência daquela contribuição, de modo a resultar em crédito por pagamento indevido. Importa lembrar que a compensação tributária, conforme estabelece o art. 170 do CTN, pressupõe a existência créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Em casos como o presente, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente apenas declarações. Faz-se necessário que alegações e declarações sejam embasadas em escrituração contábil-fiscal e documentação hábil e idônea que as lastreiem. Fl. 119DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.684411/2009-86 Há que se lembrar que, em casos de compensação, recai sobre o contribuinte o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito utilizado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, analisei os autos em busca de eventuais documentos apresentados após a impugnação - como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, dando ensejo, assim, à exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os autos, observa-se que a recorrente eximiu-se do ônus de produzir provas cabais para sustentar suas alegações. Não há, junto ao recurso voluntário, documentos para demonstrar a certeza e liquidez dos pretensos créditos de CIDE, originados, segundo a recorrente, de pagamento de tributo indevido. Com efeito, a recorrente não apresentou escrituração contábil-fiscal, com documentos que a lastreie, a fim de demonstrar o suposto equívoco na apuração dos débitos de CIDE informados em DCTF, constituídos, lembre-se, pela referida declaração - de maneira que, para afastá-la, necessário se faz a prova de erro, lembrando, neste caso, que a DCTF retificadora foi transmitida, conforme enunciado no aresto atacado, após o despacho decisório. Sem os registros contábeis e os documentos que os suportam - contratos de serviços e comprovantes de pagamentos, entre outros elementos aptos para comprovar se o pagamento de royalties se refere a hipóteses de não incidência de CIDE - , não há como ser afastada a CIDE constituída na DCTF original. Fl. 120DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.274 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.684411/2009-86 Diante do exposto, considerando a ausência de documentos hábeis e idôneos para demonstrar o suposto erro na apuração da CIDE constante da DCTF sobre a qual se baseou o despacho decisório, entendo que a decisão recorrida deve prevalecer. A recorrente deveria ter trazido documentos pertinentes, suficientes e necessários, a fim de comprovar o crédito utilizado na compensação não homologada: escrituração contábil- fiscal, demonstrando a apuração da CIDE devida no período de apuração de dezembro de 2006, juntamente com todos os demais documentos que suportam sua escrituração - contratos, comprovantes de pagamento, notas fiscais, etc. Não tendo logrado êxito em provar suas alegações, manifesta-se improcedente o pleito da recorrente. Sublinhe-se que, em casos como o presente, em que o direito creditório pleiteado decorre do reconhecimento de equívoco na informação do valor do tributo constituído em DCTF, o mínimo que se espera é que aquele que alega erro demonstre, com a apresentação da escrituração contábil-fiscal e seus documentos de suporte, qual a apuração correta. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.905971/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.010
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação demanda a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .9 05 97 1/ 20 09 -9 7 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13609.905971/200997 Resolução nº 3402002.010 S3C4T2 Fl. 3 2 Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário alegando a procedência de seu pedido de restituição e compensação, pela existência do direito creditório pleiteado, mesmo considerado o erro no preenchimento da DCTF já retificada. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.002, de 21 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13609.905963/200941. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessária a diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.002): "A questão trazida ao julgamento referese a alegado direito creditório decorrente de recolhimento a maior de COFINS, referente a um DARF pago em 31/03/2005, com o objetivo de liquidar o débito de COFINS nãocumulativa (código receita 5856) relativo ao período de apuração março/2005. O valor devido da contribuição para o período em questão, conforme declarado pelo contribuinte na DCTF retificadora, transmitida pelo contribuinte em 07/10/2009, perfaz R$ 125.807,35. Considerando o valor do montante recolhido e o valor do débito informado na DCTF retificadora, o valor original do crédito pleiteado perfaz R$43.048,55 que, acrescidos da correção pela SELIC, totaliza, à época da transmissão, R$66.600,41, montante utilizado na PERDCOMP em apreciação. Segundo o entendimento da recorrente, a origem de seu direito creditório foi devidamente demonstrada através dos seguintes documentos: (i) DCTF retificadora (fls. 122 a 124); (ii) Comprovante de arrecadação (fls. 129); e (iii) planilhas, apresentadas no próprio corpo do recurso. A turma julgadora a quo não reconheceu o direito creditório da recorrente por entender que haveria divergência entre os valores informados na DCTF retificadora e na DACON (R$138.445,35). A recorrente alega que tal divergência jamais existiu, tratandose de erro crasso cometido pela DRJ/BHE quando da análise do processo. Segundo seu entendimento, corroborado com as informações declaradas na DACON, o valor devido de COFINS no montante de R$138.445,35 tratavase da soma dos valores apurados da COFINS nãocumulativa (R$125.807,35) e da COFINS cumulativa Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13609.905971/200997 Resolução nº 3402002.010 S3C4T2 Fl. 4 3 (R$12.638,00), conforme demonstrado no recorte da própria DACON reproduzido em seu recurso: Dessa forma, segundo a alegação da recorrente, os valores devidos de COFINS apurado pelo regime nãocumulativo demonstrado na DACON não divergia do valor da DCTF retificadora (R$125.807,35). Ainda que possa ser dado razão à recorrente acerca dos valores constantes na DACON, entendo que a unidade de origem deve se manifestar acerca da retificação das declarações processadas pelo contribuinte, e o correspondente lastro dos valores declarados com base na escrita contábil e fiscal. Ainda que a recorrente tenha apresentado uma planilha com os valores que entendiam ser devidos, ou seja, a demonstração de seu alegado direito creditório, tal demonstrativo não é suficiente para tal comprovação. Também entendo que é necessário verificar se o valor informado como sendo referente à COFINS cumulativa (R$12.638,00) foi devidamente declarado em DCTF e recolhido/compensado, por integrar ao valor originalmente declarado como devido e recolhido como sendo COFINS nãocumulativa. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) intime a recorrente a apresentar os registros contábeis e fiscais que lastrearam a retificação da DCTF e ampararam os valores objeto da compensação pleiteada; (ii) analise as informações contidas no Recurso Voluntário e manifestese, de forma conclusiva, acerca do alegado direito creditório da recorrente, com relação à retificação das declarações transmitidas pela recorrente, o lastro contábil e fiscal dos valores retificados, o recolhimento/compensação do valor da COFINS cumulativa anteriormente enquadrado como não cumulativo; (iii) apresente um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13609.905971/200997 Resolução nº 3402002.010 S3C4T2 Fl. 5 4 É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) intime a recorrente a apresentar os registros contábeis e fiscais que lastrearam a retificação da DCTF e ampararam os valores objeto da compensação pleiteada; (ii) analise as informações contidas no Recurso Voluntário e manifestese, de forma conclusiva, acerca do alegado direito creditório da recorrente, com relação à retificação das declarações transmitidas pela recorrente, o lastro contábil e fiscal dos valores retificados, o recolhimento/compensação do valor da COFINS cumulativa anteriormente enquadrado como nãocumulativo; (iii) apresente um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13736.001739/2008-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual.
Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado.
A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF nº 68.
Numero da decisão: 2002-001.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF nº 68.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente JOAO BOSCO DE SOUSA CORREIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS Os rendimentos tributáveis sujeitos à tabela progressiva recebidos pelos contribuintes e seus dependentes indicados na declaração de ajuste devem ser espontaneamente oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Na hipótese de apuração pelo Fisco de omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, cabe a adição do valor omitido à base de cálculo do imposto, com a multa de ofício ou ajuste do valor do IRPF a Restituir declarado. A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula CARF nº 68. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 17 39 /2 00 8- 41 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13736.001739/200841 Acórdão n.º 2002001.178 S2C0T2 Fl. 69 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 9/15), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2006. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$6.040,10 para saldo de imposto a restituir de R$89,57. A notificação noticia omissão de rendimentos recebidos do Comando da Marinha, no valor de R$21.638,28, . Impugnação Cientificada ao contribuinte em 21/5/2008, a NL foi objeto de impugnação, em 28/5/2008, às fls. 3/35 dos autos, na qual o contribuinte contestou a autuação, alegando que, a teor da lei nº 8.852, de 1994, os valores recebidos a título de adicional de tempo de serviço e compensação orgânica não seriam tributáveis. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/RJOII que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 45/53): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 18/6/2009 (fl. 57), o contribuinte, em 14/7/2009 (fl. 59), apresentou recurso voluntário, às fls. 59/65, no qual repete o teor de sua impugnação, alegando que os valores recebidos a título de adicional por tempo de serviço e compensação orgânica seriam isentos a teor da Lei nº 8.852, de 1994. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13736.001739/200841 Acórdão n.º 2002001.178 S2C0T2 Fl. 70 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre rendimentos recebidos pelo recorrente do Comando da Marinha, os quais ele alega seriam isentos, fundamentando sua pretensão na Lei nº 8.852, de 1994. Não há reparos a se fazer à decisão de piso. Como esclarecido pelo colegiado de primeira instância, todos os rendimentos, abstraindose de sua denominação, acordos ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não elencados no rol das isenções. A classificação dos rendimentos, para efeitos fiscais, será definida por sua natureza jurídica confrontada com a legislação tributária. As verbas isentas do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física são aquelas expressamente previstas no art. 39 do RIR/1999, então vigente. A Lei nº 8.852, de 1994, dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1º, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1º, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. Nesse sentido, cabe trazer a Súmula CARF nº 68, de observância obrigatória por este colegiado: A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16832.001188/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/08/2005 a 30/09/2005
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. Para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, a PLR paga a empregados deve resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo. O enquadramento sindical deve levar em consideração a base territorial do local da prestação dos serviços.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. É legitimo o pagamento de PLR nos estritos termos da Convenção Coletiva de Trabalho celebrada com Sindicatos que detém competência territorial para representar categoria determinável de empregados.
Numero da decisão: 2301-006.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/08/2005 a 30/09/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. Para que não haja incidência de contribuições previdenciárias, a PLR paga a empregados deve resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo. O enquadramento sindical deve levar em consideração a base territorial do local da prestação dos serviços. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. É legitimo o pagamento de PLR nos estritos termos da Convenção Coletiva de Trabalho celebrada com Sindicatos que detém competência territorial para representar categoria determinável de empregados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos, Wilderson Botto (Suplente convocado em substituição à conselheira Juliana Marteli Fais Feriato), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 11 88 /2 00 9- 05 Fl. 152DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.040 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16832.001188/2009-05 Relatório 1. Trata-se de julgar recurso voluntário (e-fls 124/127) interposto em face do Acórdão nº 12-36.532 (e-fls 112/116), prolatado pela 10ª Turma da DRJ/RJ1, em sessão de julgamento realizada em 5 de abril de 2011. 2. Faz-se a transcrição do relatório1 contido na decisão recorrida: início da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 12-36.532 Trata-se de crédito lançado pela fiscalização (AI DEBCAD 37.215.331-3, consolidado em 28/12/2009), no valor de R$ 2.529,08, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada, que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 39/43 2 ), refere-se às contribuições sociais correspondentes à parte da empresa; bem como às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho. 2. O lançamento teve por fato gerador o pagamento de valores a título de Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com a Lei 10.101/2000. 3. Consoante relatório fiscal, apenas uma pequena minoria dos funcionários era beneficiado com a Participação nos Lucros e Resultados, pelo que tal pagamento passou a ser considerado como complemento dos seus salários. DA IMPUGNAÇÃO 4. A interessada interpôs impugnação às fls. 47/87 3 , alegando em suma: 4.1. Que a ora defendente concedeu a seus empregados, conforme cláusula 12 da Convenção Coletiva Participação nos Lucros, consoante art. 2º, da Lei 10.101/2000; 4.2. Que a referida Convenção se restringe a parte dos empregados que são atingidos por ela, não se estendendo à totalidade dos trabalhadores da empresa que são beneficiados por outras convenções que não a do Sindicato de Duque de Caxias; 4.3. Que não houve o descumprimento do texto legal, eis que todos os empregados abrangidos pela Convenção Coletiva foram beneficiados; 4.4. Que requer produção de prova documental e o acolhimento da presente defesa para que seja declarada a insubsistência do Auto de Infração ora defendido. DA APENSAÇÃO 5. Consoante Termo de Juntada de Processo (fls. 44), foram apensados ao presente processo os de nº 16832.001190/2009-76, 16832.001189/2009-41 e 16832.001192/2009-65. final da transcrição do relatório inserto no Acórdão nº 12-36.532 1 E-fls. 114. 2 E-fls. 44/48. 3 Impugnação: e-fls 52/54, acompanhada da documentação de e-fls 55/102. Fl. 153DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.040 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16832.001188/2009-05 2.1. Ao julgar improcedente a impugnação, o acórdão tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/05/2005 a 30/06/2005, 01/08/2005 a 30/09/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO LEGAL. Tratando-se de parcela cuja não-incidência esteja condicionada ao cumprimento de requisitos previstos na legislação previdenciária, o pagamento em desacordo com a legislação de regência se sujeita à tributação. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação. 3. Interposto o recurso voluntário (e-fls 124/127) este se cinge a repisar as alegações deduzidas na impugnação. 3.1. Diz (e-fls 125): No caso sob exame temos que a Convenção Coletiva que estabeleceu o direito a PLR (participação nos lucros e resultados) foi assinada pelo " Sindicato dos trabalhadores nas indústrias da construção, montagem industrial e do mobiliário de DUQUE DE CAXIAS, ....SITICOMMM" e "Sindicato das empresas de engenharia de montagem e manutenção industrial do Estado do Rio de Janeiro - SINDEMON", sendo aplicável aos empregados abrangidos pelo primeiro Sindicato, não sendo extensível a outras categorias. 3.2. Sustenta ter havido integral observância aos requisitos da Lei nº 10.101/2000. Diz (e-fls 126): Não paira dúvida que o enquadramento da parcela PLR como parte do salário dos empregados que receberam a PLR, não encontra amparo legal, vez que foi paga em inteira observância do disposto na referida Lei 10.101 de 19/12/2000. Realmente o texto legal foi observado na íntegra, vez que todos os empregados abrangidos pela Convenção Coletiva foram beneficiados, conforme se depreende da própria redação do auto de infração. 3.3. Ao final pede o cancelamento de débito fiscal (e-fls 127). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Relator. 4. O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 154DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.040 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16832.001188/2009-05 5. A solução do litígio consiste, em breve síntese, em verificar a possibilidade da Recorrente proceder o pagamento de verbas a título de PLR com base em Convenção Coletiva de Trabalho (e-fls 76/102) ao estipular normas de aplicação exclusiva na base territorial compreendida na chamada “Área da Reduc”. De um lado, a Recorrente sustenta que ter havido integral observância aos requisitos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. De outra parte, a fiscalização, assim como a decisão recorrida, tem entendimento de que a situação fática configura um privilégio a uma parcela dos empregados, e o pagamento em desacordo com a legislação de regência estaria sujeito à tributação. 6. Afigura-se importante trazer uma visão do Relatório Fiscal: (e-fls. 44) (e-fls. 45) 7. Também se mostra elucidativo transcrever trecho do voto inserto na decisão de primeira instância: Da Participação nos Lucros ou Resultados Fl. 155DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.040 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16832.001188/2009-05 11. O direito dos empregados à Participação nos Lucros ou Resultados da empresa é uma garantia constitucional prevista no inciso XI do art. 7º da Carta Maior. No entanto, o direito às referidas parcelas, sem vinculação à remuneração, não é auto-aplicável, como quer parecer a interessada, sendo sua eficácia limitada à edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso apontado, abaixo transcrito: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei”; (grifei) 12. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória n.º 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências. A aludida Medida Provisória foi reeditada várias vezes, culminando na Lei 10.101/2000. 13. Assim, a participação nos lucros estará desvinculada da remuneração, se atender às determinações da lei citada. 14. Nesse contexto, a legislação previdenciária também excluiu da incidência da contribuição previdenciária a participação nos resultados quando paga ou creditada de acordo com a Lei específica, como se observa na alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991. 15. Consoante o Relatório Fiscal (fls. 39/43), da análise da documentação apresentada pela empresa, verificou-se que esta optou por distribuir valores a título de Participação nos Resultados, adotando a modalidade de Convenção Coletiva prevista na Lei nº 10.101/2000. 16. Todavia, a Convenção Coletiva, consoante cópia de fls. 62/88, apenas prevê a participação dos empregados que prestam serviços na base territorial “Área da REDUC”. 17. Ainda que os termos da Convenção Coletiva não tenham sido descumpridos, como alega a impugnante, o art. 2º, “caput”, da Lei 10.101/2000 foi sim maculado, eis que os empregados prestadores de serviços em outras bases territoriais não participaram de qualquer negociação referente a plano de participação nos lucros ou resultados. 18. O dispositivo legal acima mencionado faz referência à negociação feita entre empresa e seus empregados e não entre empresa e parte de seus empregados. Em assim sendo, ao privilegiar apenas os empregados prestadores de serviço da área da REDUC, deixou de se enquadrar na hipótese legal de não- incidência das contribuições previdenciárias, sujeitando o pagamento das verbas a título de participação nos lucros à tributação. 8. Parece-nos que há um equívoco na análise perpetrada pela decisão de primeira instância, destacadamente, nas proposições expostas nos itens 17 e 18 do voto transcrito no item precedente. Fl. 156DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.040 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16832.001188/2009-05 9. Por decorrer de Convenção Coletiva de Trabalho celebrada com os Sindicatos enumerados às e-fls 102 que detém competência territorial para representar os trabalhadores da empresa ora Recorrente, é legitimo o pagamento de PLR nos estritos termos da Convenção assinada. 10. Por esse modo, o pagamento feito aos empregados que prestam serviços na base territorial “Área da REDUC”, amparados pela Convenção Coletiva não descaracteriza a natureza da verba paga a título de PLR. 11. Considero, portanto, adequado o posicionamento adotado pelo Recorrente ao proceder o pagamento somente aos trabalhadores da citada base territorial, pois se optasse por estender o pagamento da verba (PLR) à integralidade dos empregados, aí, sim, haveria inobservância aos preceitos da Lei nº 10.101/2000, situação que já foi muito bem analisada pela instância especial deste CARF. ACORDO DE PLR HOMOLOGADO POR UM SINDICATO EXTENSIVO ÀS DEMAIS LOCALIDADES DA EMPREGADORA ABRANGIDA POR OUTROS SINDICATOS. INADMISSIBILIDADE. Em respeito aos princípios da unicidade sindical, em sua territorialidade, e da interpretação restritiva da legislação que leva à exclusão da tributação, não é aceitável um sindicato reger o acordo de PLR dos trabalhadores da mesma empresa em locais que são territorialmente abrangidos por outro sindicato. (Acórdão 9202-007.292 Data da Sessão 23/10/2018). ACORDO DE PLR HOMOLOGADO POR UM SINDICATO EXTENSIVO ÀS DEMAIS LOCALIDADES DA EMPREGADORA ABRANGIDA POR OUTROS SINDICATOS. INADMISSIBILIDADE. Em respeito aos princípios da unicidade sindical, em sua territorialidade, e da interpretação restritiva da legislação que leva à exclusão da tributação, não é aceitável um sindicato reger o acordo de PLR dos trabalhadores da mesma empresa em locais que são territorialmente abrangidos por outro sindicato. (Acórdão 9202-005.979, Data da Sessão 26/09/2017) 12. Conclui-se que, no caso dos autos, estão satisfeitos os requisitos estabelecidos no artigo 2º, “caput”, da Lei 10.101/2000, não se configurando pagamento de verbas a título de PLR em desacordo com a legislação de regência. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO 13. Em vista do exposto, VOTO por DAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 157DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.040 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16832.001188/2009-05 Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.903554/2008-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. GLOSAS. AUSÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO.
Impossibilidade de aproveitamento de crédito de IPI vinculado a nota fiscal emitida por contribuinte baixado.
Inexistindo direito creditório no período de apuração em análise, não há que se falar em homologação das compensações declaradas.
RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO SELIC.
A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal.
Numero da decisão: 3001-000.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante (relator), que deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. GLOSAS. AUSÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. Impossibilidade de aproveitamento de crédito de IPI vinculado a nota fiscal emitida por contribuinte baixado. Inexistindo direito creditório no período de apuração em análise, não há que se falar em homologação das compensações declaradas. RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO SELIC. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não-cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante (relator), que deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1570; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.903554/200814 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.835 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 11 de junho de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Recorrente GT DO BRASIL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. GLOSAS. AUSÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. Impossibilidade de aproveitamento de crédito de IPI vinculado a nota fiscal emitida por contribuinte baixado. Inexistindo direito creditório no período de apuração em análise, não há que se falar em homologação das compensações declaradas. RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO SELIC. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante (relator), que deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 35 54 /2 00 8- 14 Fl. 204DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. Relatório Adoto, por transcrição, o bem elaborado relatório constante do v. Acórdão recorrido (fls. 164/171), verbis. Tratase de Manifestação de Inconformidade de fls.103/117, contra o Despacho Decisório nº de rastreamento 804846756, da DRF/Santo André, fls.96/102, que deferiu parcialmente o crédito no valor de R$ 76.181,61, o qual fora solicitado através do PER nº 33377.77991.290404.1.1.010560, no valor de R$77.199,09, referente ao 3º trimestre/2003. Ao crédito foram vinculadas as PER/DCOMP's nº 33377.77991.290404.1.1.010560; 05505.18961.260804.1.3.01 8832; 06166.95453.310504.1.3.016618; 17209.11231.260307.1.7.016012 e 35394.56039.090804.1.3.01 0404, e, tendo o crédito solicitado sido inferior ao utilizado, em razão da glosa de créditos considerados indevidos, homologou se parcialmente a compensação objeto da DCOMP vinculada PER/DCOMP 05505.18961.260804.1.3.018832, inexistindo valor a ser ressarcido. O despacho decisório, no demonstrativo da Relação de Notas Fiscais com créditos indevidos – créditos por entradas no período, de fl.99, discriminou a glosa do valor do IPI creditado na nota fiscal 147603, emitida pelo estabelecimento 61.150.561/001133, em 02/07/2003, no valor de R$1.171,58, pelo motivo da irregularidade da notação 4 Estabelecimento Emitente da Nota Fiscal na situação de CANCELADO no cadastrado CNP). A empresa foi cientificada do despacho decisório em 17/11/2008 (fl.158), e em 17/12/2008 (fl.155), postou nos Correios sua manifestação de inconformidade, alegando que: • o estabelecimento emitente da Nota Fiscal ensejadora do crédito da Recorrente promoveu a baixa de seu CNPJ (ate então sob o n° 61.150.561/001133), por ter sido elevado à condição de matriz da pessoa jurídica, conforme comprova a anexa Certidão de Baixa (doc. 06), na condição de matriz, o CNPJ 61.150.561/000161, o qual foi baixado em 30/04/2003 em razão de incorporação, conforme também se verifica pela anexa Certidão de Baixa (doc. 07). Tal incorporação foi procedida pela Indústria Nacional de Aços Laminados INAL S/A, assumindo a anterior razão social da pessoa jurídica em questão, a qual mantém até hoje, conforme Certidão anexa (doc. 08); • quanto a suposta insuficiência dos créditos, tendo em vista que o valor pleiteado de R$77.199,09 (do qual foi reconhecido R$ 76.181,61) é inferior ao somatório dos débitos reportados em Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10805.903554/200814 Acórdão n.º 3001000.835 S3C0T1 Fl. 3 3 DCOMP, verifica que possui o crédito referente ao valor compensado, tendo • consoante se depreende da DCOMP originária do presente processo (doc. 04), o valor pleiteado a titulo de crédito decorre de saldo credor de IPI acumulado no 1º Trimestre do ano de 2004, consoante página 2 do referido documento, mas ao preencher o campo relativo ao n° do PER/DCOMP inicial, a Recorrente acabou informando, apenas, o PER/DCOMP n° 33377.77991.290404.1.1.010560, o qual dizia respeito ao saldo credor de IPI relativo ao 3° Trimestre de 2003; • tal equivoco decorre da circunstância de a Recorrente ter pretendido aproveitar parte do saldo credor do 3° Trimestre de 2003 e o saldo credor do 1° Trimestre de 2004, equivocandose, todavia, quanto à correta forma de preenchimento; • diante de sua pretensão em utilizar parte do saldo credor remanescente do 3° Trimestre de 2003, reportado no PER/DCOMP n° 33377.77991.290404.1.1.010560, e o saldo credor acumulado no 1º Trimestre de 2004, objeto do PER/DCOMP n° 23390.67484.260804.1.1.013231 (doc. 09), a Recorrente procedeu ao preenchimento da DCOMP ora em exame de modo a refletir ambos os processos administrativos; • assim o fez ao preencher da seguinte forma os campos da DCOMP (doc. 04, página 2): — N° do PER/DCOMP Inicial: 33377.77991.290404.1.1.010560 e — N° do Último PER/DCOMP: 23390.67484.260804.1.1.013231; • acreditou que os sistemas da RFB comporiam o crédito mediante levantamento dos valores de ambos os PER/DCOMP informados; • apesar da impropriedade no preenchimento da aludida DCOMP, é detentora de saldo credor suficiente para abatimento integral dos débitos compensados, nos períodos em questão; • conforme reconhece o próprio Despacho Decisório, sobrariam, do PER/DCOMP n° 33377.77991.2290404.1.1.010560, R$ 18.650,49 (sem considerar o crédito da Nota Fiscal indevidamente desconsiderada) para abatimento dos débitos informados na DCOMP em discussão (doc. 05); • após esta compensação, a Recorrente ainda teria mais R$ 75.684,21 de créditos, relativos ao saldo do IPI acumulado no 1º Trimestre de 2004, para abatimento de seus débitos, consoante PER/DCOMP n° 23390.67484.260804.1.1.013231. • embora o procedimento adotado pela Recorrente possa ter causado certa confusão nas autoridades fiscais, é fora de dúvida que se pretendeu, efetivamente, compensar os débitos em questão com créditos relativos ao 3° Trimestre de 2003 e ao 1º Trimestre de 2004, devendo prevalecer a comprovação material da existência do direito creditório em detrimento dos aspectos meramente formais do processo; Fl. 206DF CARF MF 4 • tanto a doutrina especializada, quanto a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes apregoam que o Processo Administrativo Tributário é informado pelo denominado principio da verdade material, conforme excertos que transcreve; • pode a D. Autoridade Julgadora, em homenagem ao principio da verdade material, considerar as razões ofertadas na presente defesa, bem como apreciar os documentos ora colacionados e deliberar sobre a existência ou não do direito creditório da Recorrente, superando, nessa medida, os equívocos existentes quando da entrega da declaração de compensação ora sob análise. • diante de qualquer impasse no tocante a verificação dos créditos compensados, a RFB pode se valer do disposto no artigo 4° da Instrução Normativa SRF n° 600/2005 para exigir da Recorrente documentação complementar ou esclarecimentos que se fizessem necessários, o que não ocorreu; • sendo assim, uma vez demonstrado que no processo administrativo tributário vigora o principio da verdade material, bem como comprovada a existência do crédito utilizado na declaração de compensação sob comento, há que ser homologada a compensação declarada pela Recorrente; • merece ser reformado o Despacho Decisório no tocante a valoração dos créditos a que fazia jus a Recorrente, os quais foram deferidos em seus valores históricos (sem correção monetária), importante esclarecer que no caso a aplicação da Taxa SELIC visa apenas a atualizar o poder de compra da moeda, atingida pelo processo inflacionário, acolhimento da manifestação de inconformidade, homologação da compensação com a consideração do crédito a que faz jus a recorrente. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº453, de 11 de abril de 2013 e no art.2º da Portaria RFB nº1006, de 24 de julho de 2013, conforme definição da Coordenação Geral de Contencioso Administração e Judicial da RFB, o processo foi encaminhado a DRJ Salvador. As pretensões da empresa constante de sua Manifestação de Inconformidade (fls. 104/118) foram indeferidas pelo v. Acórdão recorrido, resumidamente, por três argumentos principais, a saber (fls. 168/171), verbis. a) Em primeiro lugar verificase que consta no Sistema da RFB CNPJ, Consulta, que a empresa de CNPJ 61.150.561/000161 – Indústria Nacional de Aços Laminados INAL S/A está com a situação cadastral BAIXADA, motivo por incorporação, data da situação 30/04/2003. Por sua vez, a filial 001133, fora baixada, por ter sido elevada a categoria de matriz, na data de 31/12/2002. Ambas informações estão exatamente como fora informado pelo interessado. Ocorre que, à data da emissão da nota fiscal nº 147603, emitida pelo estabelecimento 61.150.561/001133, no valor de R$1.171,58, em 02/07/2003, o estabelecimento não mais existia de fato, pois já tinha sido efetuado o cancelamento do CNPJ, e Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10805.903554/200814 Acórdão n.º 3001000.835 S3C0T1 Fl. 4 5 portanto, correta a glosa efetuada, não havendo nenhuma retificação a ser feita, pois incabível considerar nota fiscal de estabelecimento inexistente de direito (fls. 168/169). .........................................(omissis)......................................... b) Com relação a não homologação da compensação em razão da insuficiência do crédito informado, a interessada alegou em sua Manifestação de Inconformidade que cometeu um equívoco no preenchimento da DCOMP, pois de fato pretendeu utilizar parte do saldo credor remanescente do 3° Trimestre de 2003, reportado no PER/DCOMP n° 33377.77991.290404.1.1.01 0560, e o saldo credor acumulado no 1º Trimestre de 2004, objeto do PER/DCOMP n° 23390.67484.260804.1.1.013231. E acrescentou o v. Acórdão em debate (fls. 168), verbis. Em primeiro lugar, deve ser registrado, por relevante, que todos os valores considerados nos PER/DCOMP decorrem das informações contidas nos diversos campos da declaração PER/DCOMP e também dos registros constantes dos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no caso o Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC). Ademais, as conclusões apresentadas seguem a lógica definida pela RFB para a verificação eletrônica da legitimidade dos pedidos de ressarcimento/compensação. As demonstrações do saldo credor apurado devem ser o espelho fiel dos assentamentos contábeis, Livros Registro de Apuração do IPI, Livros Registro de Entrada e Saída de mercadorias, em confronto com os documentos disponíveis. A certificação do crédito compreende o conjunto de operações que objetiva validar o valor a ser ressarcido. .........................................(omissis)......................................... c) Com relação a valoração do crédito, se este fosse passível de ressarcimento, deve ser assinalado que a atualização pela taxa SELIC não se aplica aos pedidos de ressarcimento a norma do art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e alterações. A aludida norma abarca tãosomente as hipóteses de atualização monetária na restituição, nos casos em que menciona, não se aplicando ao ressarcimento (fls. 169/170). Cientificada do teor do Acórdão recorrido através da Intimação nº 387/2014 (fls. 175), conforme ciência eletrônica efetivada em 24 de setembro de 2014 (fls. 181), ingressou a empresa com Recurso Voluntário em 24 de outubro subsequente (fls. 186/200), em que (i) reiterou os argumentos e documentos trazidos com a Impugnação; (ii) suscitou preliminares de violação ao princípio da verdade material (fls. 189), da Motivação (fls. 190), e da prova em segunda instância (1992); e, (iii) no mérito, insistiu na tese de que faz jus aos créditos e às compensações pretendidas, sob três aspectos principais, a saber. 1) não pode prosperar a glosa dos créditos decorrentes da nota fiscal nº 147602, emitida em 02.07.2003, no valor de 1.171,58, posto que, embora cancelado o CNPJ Fl. 208DF CARF MF 6 como filial, esta fora guinada à condição de matriz e, portanto, assumindo, cumulativamente, todos os direitos e obrigações, como resumidamente esclarece a empresa (fls. 196), verbis. Gostaríamos de reforçar que primeiramente houve a transformação à condição de matriz da pessoa jurídica, passando ao CNPJ 61.150.561/000161, o qual foi baixado em 30.04.2003 em razão de incorporação. Na incorporação foi procedida pela Indústria Nacional de Aços Laminados INAL S/A, assumindo a anterior razão social da pessoa jurídica em questão, a qual mantém, até hoje, o seu cadastro perante a Receita Federal do Brasil, conforme certidão apresentada no Doc. 8 da Impugnação; Evidente que estas operações societárias são expressas no Código Civil (Lei nº 10.406/2002) e das Sociedades Anônimas (Lei nº 6.404/76), em que determina que na operação de incorporação, a incorporadora sucede a incorporada em direitos e obrigações. 2) Com relação à alegada insuficiência de saldo, insiste o contribuinte que apenas laborou em erro material meramente formal e já demonstrado na impugnação, onde ficou patente que "os referidos créditos são legítimos e que ocorreu apenas o erro formal de preenchimento da declaração e são suportados em essência contábil, Livros Registro de Apuração do IPI e Livro Registro de Entrada e Saída de mercadorias", e conclui este tópico (fls. 198), verbis. Assim, a recorrente, apesar do inadequado preenchimento da PER/DCOMP é evidente detentora de saldo credor relativo ao 3º trimestre de 2003 e ao 1º trimestre de 2004, devendo prevalecer a comprovação material da existência do direito creditório em detrimento dos aspectos meramente formais do processo, sendo necessária abatimento integral dos débitos compensados, nos períodos em questão (sic). 3) Finalmente, insurgese a recorrente quanto a não incidência de correção monetária dos créditos em debate, sustentando que a aplicação da taxa SELIC visa apenas a atualizar o poder de compra da moeda, atingida pelo processo inflacionário, sendo utilizado pelo fisco na cobrança dos tributos, razão pela qual é direito também do contribuinte relativamente às restituições e compensações, por uma questão de isonomia de tratamento. Em defesa de sua tese, cita o Acórdão nº 20312.004, proferido em 25 de abril de 2007, pela Terceira Câmara deste colegiado (fls. 198), para finalmente pedir a homologação (i) do pedido de ressarcimento eletrônico, PER Nº 33377.77991.290404.1.1.010560, em que consta as notas fiscais nº 147603, emitida pelo estabelecimento 61.150.561/001133, no valor de R$ 1.171,58; (ii) a PER/DCOMP nº 23390.67484.260804.1.1.01.3231, no valor de R$ 75.684,21, relativo ao saldo credor de IPI acumulado no 1º Trimestre do ano de 2004; e (iii) a atualização do crédito pela taxa Selic (fls. 190). É o relatório. Voto Vencido Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10805.903554/200814 Acórdão n.º 3001000.835 S3C0T1 Fl. 5 7 Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Conhecimento O recurso é tempestivo, uma vez que a empresa foi notificada do teor da decisão recorrida no dia 10 de setembro de 2012 e no dia 21 daquele mesmo mês e ano fez protocolar na repartição da Receita Federal o seu Recurso Voluntário, razão pela qual tomo conhecimento do apelo. Considerações introdutórias Como posto no relatório, três são os aspectos discutidos nos autos e que ensejaram a glosa dos créditos e negaram guarida às compensações de débitos oferecidos com os créditos pretendidos, ou seja, (1º) glosa da Nota Fiscal nº147602, emitida em 02.07.2003, no valor de 1.171,58, posto que, embora cancelado o CNPJ como filial, esta fora guinada à condição de matriz e, portanto, assumindo, cumulativamente, todos os direitos e obrigações daquela; (2º) o alegado erro material meramente formal e já demonstrado na impugnação, onde ficou patente que "os referidos créditos são legítimos e que ocorreu apenas o erro formal de preenchimento da declaração e são suportados em essência contábil, Livros Registro de Apuração do IPI e Livro Registro de Entrada e Saída de mercadorias"; e (3º) a não incidência de correção monetária dos créditos em debate. Sopesando os argumentos constantes do v. acórdão recorrido com os fundamentos trazidos à colação no Recurso Voluntário, documentalmente instruído, entendo que a melhor e mais adequada interpretação das normas tributárias postas em confronto encontrase com o contribuinte. Senão, vejamos. Glosa da NF 147602 & Incorporação Com efeito, as normas jurídicas seja no campo do direito constitucional, do direito civil, do direito comercial, do direito administrativo e do direito tributário têm que ser interpretadas de forma integrada, e nunca de forma isolada para este ou aquele ramo do direito. Por isto mesmo que, em 2010, foi alterado o nome da Lei de Introdução ao Código Civil (aprovada pelo DecretoLei nº 4.657/1942), para Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (aprovada através da Lei nº 12.376, de 30 de dezembro de 2010). Ou seja, no dizer dos doutrinadores, a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro é uma norma de 'sobredireito', isto é, uma norma jurídica que visa regulamentar outras normas, razão pela qual deixou de ser uma norma exclusiva do direito civil para passar a vigorar como uma norma infraconstitucional do direito pátrio, com a abrangente denominação de "Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro", excluindose do ordenamento jurídico, consequentemente, qualquer dúvida acerca da amplitude do seu campo de atuação. Posta assim a questão, não se pode desprezar as disposições de que cuidam os arts. 1.116 do novel Código Civil vigente desde 2003 (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002), Fl. 210DF CARF MF 8 conjugadamente com o art. 227 da chamada Lei das Sociedades Anônimas (Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976), verbis. Art. 1.116. Na incorporação, uma ou várias sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo todas aprovála, na forma estabelecida, para os respectivos tipos (Código civil de 2002). (Destaque nosso). Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações (Lei 6.404/1976). (Destaque nosso). Pelos mesmos motivos, na interpretação das normas tributárias também não se pode excluir as expressas recomendações da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, especialmente aquelas transcritas pelos arts. 4º e 5º, verbis. Art. 4º. Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. Art. 5º. Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. Ora, no caso em comento temse como extreme de dúvida que, com a incorporação, os direitos e obrigações da sucedida (GT do Brasil S/A Indústria e Comércio, foram indiscutivelmente transferidos para a sucessora (Indústria Nacional de Aços Laminados INAL S/A, significando dizer que os créditos (direitos) da sucedida foram absorvidos pela nova razão social (sucessora), independentemente do número do CNPJ que, por óbvio, não poderia ser também objeto de sucessão, mantendose o CNPJ da sucessora e baixandose o da sucedida que, por isto mesmo, deixou de existir com a incorporação. Data vênia, não parece lógico, razoável e nem legal que a sucessora seja obrigada a responder por todas as obrigações da sucedida (débitos tributários, obrigações trabalhistas, previdenciária, etc.), mas fique impedida de beneficiarse dos seus direitos, de seus haveres, de seus créditos, dos saldos bancários, etc. Aliás, essa é a regra expressa pelo art. 132 do Código Tributário Nacional, verbis. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. (Destaque nosso). Desta forma, com relação a este item, VOTO no sentido de dar provimento ao apelo do contribuinte, relativamente ao crédito oriundo da Nota Fiscal nº 147602, emitida em 02.07.2003, no valor de 1.171,58. Erro material & verdade material O item seguinte da pendenga diz respeito à alegada insuficiência de saldo, decorrente da não aceitação pelo v. Acórdão recorrido da tese do que a empresa recorrente denominou chamar de "erro material meramente formal", e por ela já demonstrado na impugnação, sobre o qual o contribuinte assim se manifesta, verbis. Assim, a recorrente, apesar do inadequado preenchimento da PER/DCOMP é evidente detentora de saldo credor relativo ao 3º Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10805.903554/200814 Acórdão n.º 3001000.835 S3C0T1 Fl. 6 9 trimestre de 2003 e ao 1º trimestre de 2004, devendo prevalecer a comprovação material da existência do direito creditório em detrimento dos aspectos meramente formais do processo, sendo necessária abatimento integral dos débitos compensados, nos períodos em questão (sic). Como é de todos sabido, tenho sempre me posicionado no sentido de que errar é coisa próprio da pessoa humana (no caso, dos dirigentes e colaboradores da empresa), e que a verdade material deve sempre prevalecer sobre a verdade formal, esta decorrente da literal e intransigente interpretação das normas tributárias. Por isto mesmo, sempre me causou espécie a não aceitação dos erros na interpretação do direito brasileiro, posto que, numa linguagem mais própria do direito processual civil, temos que até aos Juízes, quando da prolação de suas sentenças, é juridicamente permitido corrigir seus erros, seja por iniciativa própria, seja por provocação das partes via embargo declaratórios, nos exatos termos da norma insculpida no inciso I, art. 494, do NCPC, verbis. Art. 494. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterála: I para corrigirlhe, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais ou erros materiais de cálculos. Segundo a melhor exegese do art. 394I do CPC, a doutrina tem defendido que por inexatidão material entendese o erro, perceptível sem maior exame, que traduz desacordo entre a vontade do julgador e a expressa na decisão. Restou assentado na doutrina e na jurisprudência pátrias, inclusive, que em caso de inexatidão ou erro, a correção pode ser feita por despacho retificador, a qualquer tempo, mesmo depois de transitada em julgado a sentença. Ora, Senhores Conselheiros. Se uma sentença transitada em julgado pode ter seus erros corrigidos por mero despacho retificador, por que não se admitir que os erros materiais dos contribuintes não possam também ser corrigidos por outros meios, por outros documentos, posteriormente à sua ocorrência? No caso em análise, temse que o erro da empresa está manifestamente comprovado e reconhecido pela autoridade recorrida. Todavia, o v. Acórdão recorrido entendeu que, encaminhadas as informações pela empresa ao Fisco, estas devem ser definitivas, não se admitindo a sua correção sob o argumento de erro material. Por não aceitar a conclusão desse tipo de interpretação, ouso também discordar do ilustre julgador singular no particular, até mesmo por uma questão de coerência com manifestações anteriores, como por diversas vezes tenho expressado o entendimento de que a VERDADE MATERIAL deve sempre prevalecer sobre a verdade formal (escrita erradamente pelo contribuinte), desde que efetiva e comprovadamente verdadeira, como entendo ser o caso constante deste processo. Registrese, em derradeiro, que tenho posicionamento firmado, no âmbito desta Turma, no sentido de aceitar que, em se tratando de erro material, devase mitigar a aplicação da legislação para priorizar a aceitação da verdade material sobre os aspectos formais. Refirome ao voto constante do Acórdão nº 3001000.731, proferido em 19 de fevereiro de 2019, do qual passo a transcrever trecho pertinente ao tema, verbis. Fl. 212DF CARF MF 10 Cotejando os dois argumentos (do Fisco e do Contribuiinte), entendo que o melhor direito encontrase com a empresa, tendo em vista que em nenhum momento os órgãos da Receita Federal da jurisdição do contribuinte negaram que de fato fora efetuada a retificação através da DACON. O fundamento decisório, pois, reside no fato de que o erro não fora adequadamente corrigido através de uma DCTF retificadora. Todavia, não me parece razoável que um mero erro burocrático (retificar através da DACON ao invés de fazêlo via DCTF) possa ter a força de negar um direito líquido e certo da empresa que, por equívoco, pagou imposto a maior. Consequentemente, entendo razoavelmente demonstrada a pretensão da empresa recorrente, fundamentada em erro material, tal como posta no seu apelo (fls. 96/97) e reiterada no Recurso Voluntário, verbis. Como se vê, absolutamente equivocado o entendimento manifestado pela C. Turma Julgadora. Não obstante, para que dúvidas não pairassem com relação ao direito creditório da ora requerente, esta procedeu à retificação de suas DCTFs (doc. anexo), fazendo refletir nesta declaração, também, os valores efetivamente devidos, fazendo coincidir, exatamente, os valores declarados em ambas declarações, DCTF e DACON. Desta forma, resta cabalmente comprovado que a não homologação do pedido de compensação formalizado nos presentes autos, decorreu de mero equívoco da recorrente no preenchimento de documento fiscal DCTF, eis que a mesma não fora retificada, deixando de refletir os valores efetivamente devidos e declarados em DACON, equívoco posteriormente sanado com a entrega da DCTF retificadora (doc. anexo). Em se tratando, assim, de mero erro no preenchimento da DCTF, absolutamente equivocada a r. decisão proferida pela C. Turma Julgadora, que contraria o entendimento pacificado pelo extinto Conselho de Contribuintes. Os Conselhos de Contribuintes (antecessores deste CARF) também já enfrentaram questões semelhantes, como ressaltado pelo próprio recorrente, merecendo a transcrição de algumas ementas, verbis. DIPJ CONFISSÃO DE DÍVIDA A DIPJ, comunicando a existência do crédito tributário não informado na DCTF, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, devendo, assim, ser afastada a multa de oficio aplicada pela falta de declaração, na DCTF, dos mesmos valores, se já confessados na DIPJ, anteriormente ao lançamento. (1º CC Proc. l0640.003009/200694 Recurso 161290 (Acórdão 10196.464) 1ª Câmara. Rel. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho DOU 13.05.2008 p. 22) DCTFERRO DE PREENCHIMENTO Erros de preenchimento em DCTF s originais e complementares não podem justificar a procedência do auto de infração quando se verifica que o pagamento do crédito tributário foi devidamente efetuado pelo contribuinte. Recurso de ofício negado. (1º CC Proc. 13819002506/200331 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10805.903554/200814 Acórdão n.º 3001000.835 S3C0T1 Fl. 7 11 Rec. 159178 ( 10249301) Rel. Alexandre Naoki Nishioka DOU 10.12.2008 p. 25) DCTF ANO CALENDÁRIO 1997 EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO Comprovado tratarse de mero erro de fato praticado no preenchimento da DCTF, bem como o regular recolhimento do IRRF, afastase o lançamento. Recurso provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, por verificação de erro de fato no preenchimento da DCTF. (1º CC Proc. 10768.00977 1/200214 Rec. 153693 (Ac. 10248770) 2º CC. Rel” Silvana Mancini Karam DOU 08.02.2008 p. 18) Resulta demonstrado, pois, que no entender deste Colegiado, os chamados 'erros materiais escusáveis' por não causarem quaisquer prejuízos às partes, seja ao Fisco, seja ao Contribuinte podem ser relevados para se considerar a verdade real que, neste caso concreto, é a retificação dos valores que resultaram no crédito perseguido e alhures referenciado. .............................................(omissis)............................................. Registrese, por derradeiro, que as recomendações dirigidas aos intérpretes e julgadores e constantes dos arts. 4º e 5º da famosa Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (nova e abrangente nomenclatura que foi atribuída à antiga Lei de Introdução ao Código Civil, através da Lei 12.376/2010), recomendam o uso da analogia, dos costumes e dos princípios gerais de direito, bem assim, que, "na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum". Verificase do exame do processo que a prevalecer o entendimento esposado pelo v. Acórdão guerreado, os aspectos sociais e o bem comum restariam fulminados, na medida em que, por mero erro material escusável, o contribuinte estará deixando de ter reconhecido o seu direito de ser restituído de significativa quantia decorrente de tributo que inolvidavelmente pagou a maior. Assim, também nesta parte VOTO no sentido de dar provimento ao apelo, e considerar comprovado o erro material e, por isto mesmo, privilegiar a verdade material. Correção pela taxa SELIC Finalmente, também discordo da decisão quando negou guarida a pretensão de correção monetária dos valores corroídos pela inflação, no tempo e no espaço, posto que, como reiteradamente já decidiram nossos Tribunais Superiores, a correção monetária e os juros legais não se configuram como multa ou punição, mas tão somente com a reposição do poder de compra da moeda. Com efeito, a aplicação da Taxa SELIC (ou a atualização monetária mais juros de mora) visa apenas a atualizar o poder de compra da moeda, atingida pelo processo inflacionário, sendo utilizado também pelo Fisco na cobrança dos tributos em atraso, não devendo ser negada a mesma faculdade aos contribuintes quando das restituições e/ou das Fl. 214DF CARF MF 12 compensações. Neste sentido, vejamos o que já decidiu a 3ª Câmara do CARF, em julgamento de 25.04.2007, através do Acórdão 20312.004, verbis. RESSARCIMENTO DE IPI. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. PEDIDO POSTERIOR. POSSIBILIDADE. Se o direito ao ressarcimento foi reconhecido em momento anterior ou mesmo em processo administrativo anterior, no qual não houve discussão quanto ao direito à aplicação da taxa SELIC, é cabível que se busque tal direito em pedido subsequente. ...(omissis)... O contribuinte tem direito ao valor da atualização, pela taxa SELIC, que deveria ter sido aplicada sobre o ressarcimento de IPI, quanto ao período compreendido entre a data do protocolo do pedido do processo que pleiteou o ressarcimento e a data em que foi pago o valor do ressarcimento do IPI. A Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, igualmente, também já se pronunciou favoravelmente à incidência de correção pela taxa SELIC (ou pela correção monetária mais juros de mora), a teor dos Acórdãos CSRF Nºs 9303006.521, em sessão de 15 de março de 2018, e 9303002.889, de 20 de fevereiro de 2014, respectivamente, pelos fundamentos sintetizados nas seguintes ementas, verbis. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária pela taxa SELIC deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei nº 11.457/2007), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543 do CPC e da Resolução 8/STJ. CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS NT. COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. .............................................(omissis)............................................ Além disso, deve ser aplicada a taxa Selic aos valores a serem ressarcidos à título de incentivo fiscal, sob risco de se afrontar à própria lei instituidora do benefício, se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. Com efeito, a não aplicação de qualquer índice para recompor o valor de compra da moeda revestese em violação aos princípios da razoabilidade e da isonomia. Portanto, aplicase a taxa Selic desde o protocolo do pedido até seu efetivo pagamento ou até a data da consolidação das compensações a ele vinculadas. (Destaques e grifos nossos). Outro não é o entendimento consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, como se extrai da parte pertinente ao assunto constante da ementa do Agravo Regimental em Recurso Especial nº 433.415/PR (2013/03751506), julgado em 12 de maio de 2015, verbis. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE CUMULAÇÃO COM OUTRO ÍNDICE DE JUROS OU Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10805.903554/200814 Acórdão n.º 3001000.835 S3C0T1 Fl. 8 13 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA Nº 07/STJ. INCIDÊNCIA. I. É pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça, firmado no Recurso Especial n. 1.251.993, sob o rito do art. 543 C do Código de Processo Civil, segundo o qual desde que aplicada isoladamente, isto é, não cumulada com outro índice de juros ou atualização monetária, incide a taxa SELIC na correção do débito tributário. (Destaque do original). Salientese, de outra parte que, a prevalecer o entendimento esposado pelo v. Acórdão recorrido, estarseá permitindo o enriquecimento ilícito, na medida em que, como já frisado, a atualização monetária pela taxa SELIC é uma obrigação legal de ambas as partes, seja do Fisco quando cobra débitos atrasados dos contribuintes, seja destes quando tem haveres a receber do Fisco, a qualquer título. Assim, dou provimento ao apelo, também nesta parte para, reformando o Acórdão recorrido no particular, conceder a pretensão da empresa relativamente à incidência da taxa SELIC sobre os seus créditos para fins de compensação. Conclusão final Diante do exposto, VOTO no sentido de tomar conhecimento para dar provimento integral ao Recurso Voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcos Roberto da Silva Redator designado Considerando o bem redigido voto do ilustre Conselheiro Relator Francisco Martins Leite Cavalcante, ouso divergir do seu entendimento, como será visto a seguir. Conforme descrito no relatório e no voto vencido, a presente demanda versa sobre três pontos a serem abordados no presente voto: 1) Glosa do crédito no valor de R$1.171,58 constante da Nota Fiscal nº 147603, emitida em 02.07.2003 pela filial da Recorrente (CNPJ no 61.150.561/001133); 2) Nãohomologação decorrente de ausência de crédito; e, por fim, 3) a incidência ou não de correção monetária dos créditos. A Recorrente alega em seu Recurso Voluntário que, apesar de a Nota Fiscal nº 147603 ter sido emitido por CNPJ baixado em 30/04/2003, o mesmo foi elevado à condição Fl. 216DF CARF MF 14 de matriz da pessoa jurídica, assumindo a razão social desta e, portanto, gerando direito ao crédito. Não assiste razão à Recorrente. A inscrição no CNPJ no 61.150.561/001133 foi baixado em 31/12/2002, conforme certidão constante da efl. 146, cujo motivo foi a “Elevação a matriz”. Outra certidão de baixa de inscrição no CNPJ, agora do no 61.150.561/000161, constante da efl. 148, e mostra como motivo de baixa “INCORPORAÇÃO” ocorrida em 30/04/2003. Diante destes dados verificase que na data da emissão da nota fiscal em questão, 02/07/2003, nem a filial 61.150.561/001133, emitente da nota, nem a sua matriz 61.150.561/000161 não mais existiam. Portanto, entendo correta a glosa dos créditos correspondentes à nota fiscal nº 147603, devendo ser negado provimento ao Recurso Voluntário neste particular. O segundo ponto sob análise se refere à não homologação de parte da compensação declarada no PER/DCOMP no 05505.18961.260804.1.3.018832, tendo em vista que foi reconhecido o crédito de R$76.181,61 de um total solicitado de R$77.199,09 no PER/DCOMP no 33377.77991.290404.1.1.010560. A Recorrente alega que, apesar da ocorrência do erro formal no preenchimento da PER/DCOMP no 05505.18961.260804.1.3.018832, citando como último PER/DCOMP a de número 23390.67484.260804.1.1.01.3231, deve prevalecer o princípio da verdade material na qual de fato a recorrente possui direito creditório, em detrimento dos aspectos meramente formais. Este Tribunal Administrativo, incluindose o posicionamento desta Turma, tem buscado respeitar o Princípio da Verdade Material. Contudo, com a devida vênia ao entendimento esposado pelo ilustre Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante, o referido princípio não pode ser aplicado de maneira irrestrita. No controle do crédito tributário, a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui um sistema próprio para esta atividade denominado Sistema de Controle de Créditos e Compensações (SCC) que compila os dados informados pelo próprio contribuinte por intermédio dos Pedidos de Restituição, Ressarcimento e Declaração de Tributos Federais (PER/DCOMP). O SCC trata dos pedidos desde a sua validação (recepção e verificação inicial da consistência das informações), passando pela análise do direito creditório pleiteado, editando intimações, conforme o caso, e, por fim, na emissão dos despachos decisórios. Conforme a própria Recorrente reconhece, houve erro na informação prestada por intermédio da PER/DCOMP no 05505.18961.260804.1.3.018832. Com base neste erro, a Receita Federal emitiu um Termo de Intimação (efl. 92) informando que o período de apuração objeto de análise é o 1º Trimestre / 2004 entretanto, no PER/DCOMP indicado como crédito (33377.77991.290404.1.1.010560) o período correspondia ao 3º Trimestre de 2003. Diante desta constatação, intimou a Recorrente nos seguintes termos: Solicitase apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o PER/DCOMP em que o crédito foi detalhado ou, sendo o caso, apresentando o demonstrativo do crédito. Não sendo retificado o PER/DCOMP, será considerado o período de apuração do PER/DCOMP indicado. A Recorrente tomou ciência da intimação em 04/09/2006 conforme aviso de recebimento efl. 94, contudo mantevese inerte. Na análise do direito creditório, a DRF de Santo André emitiu despacho decisório em 07/11/2008 homologando parcialmente a compensação declarada na Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10805.903554/200814 Acórdão n.º 3001000.835 S3C0T1 Fl. 9 15 PER/DCOMP no 05505.18961.260804.1.3.018832, na qual considerou para fins de crédito a ser utilizado nesta compensação tão somente aquele constante da PER/DCOMP no 33377.77991.290404.1.1.010560 tendo em vista que o período de apuração informado corresponde ao crédito constante do 3º Trimestre/2003. Retomando a discussão a respeito da aplicação do princípio da verdade material, no presente caso, aspectos formais são indispensáveis para a análise, apuração e controle do direito creditório. Apesar de poder haver direito creditório no período de apuração 1º Trimestre/2004, formalidades estabelecidas pela própria norma devem ser cumpridas e, dentro deste contexto, corroboro com o entendimento externado pela decisão de piso que assim dispôs: De acordo com a legislação vigente, a apuração do montante dos créditos ressarcíveis deve ser feita por trimestrecalendário e não se admite que o contribuinte pleiteie num mesmo documento, créditos referentes a mais de um trimestrecalendário. Ou seja, cada pedido de ressarcimento é relativo ao trimestre calendário de referência, inexistindo possibilidade de uma mesma declaração de compensação estar vinculada a pedidos de ressarcimento de períodos distintos. A Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, assim dispõe: Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. (...) § 3 º São passíveis de ressarcimento apenas os créditos presumidos do IPI a que se refere o inciso I do §1º, apurados no trimestrecalendário, excluídos os valores recebidos por transferência da matriz, e os créditos relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestrecalendário. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário neste particular. O último ponto a ser debatido neste voto condutor referese à incidência ou não de correção monetária dos créditos de IPI objeto da presente análise, caso fossem passíveis de ressarcimento. Destaquese que a decisão recorrida afirmou que o art. 66, §3º da Lei no 8.383/91 prevê a possibilidade de atualização monetária somente nos casos de restituição de indébito, não sendo possível a sua aplicação para os casos de ressarcimento. Em seu Recurso Voluntário a recorrente afirma o seguinte: Diante da ausência de previsão legal para efetuar a atualização de créditos constantes em pedidos de ressarcimento, não há que se conceder o pedido veiculado pela Recorrente. Adicionalmente a este entendimento, reproduzo posicionamento do STJ constante do REsp nº 1.035.847/RS, de 03/08/2009, com base na sistemática dos recursos repetitivos nos Fl. 218DF CARF MF 16 termos do art. 543C do CPC, de reprodução obrigatória nos julgamentos deste Conselho conforme determinado pelo §2º do art. 62 do RICARF: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp nº 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, Dje: 03/08/2009) Em relação ao que venha a ser considerado oposição ilegítima do Fisco que enseja a incidência da atualização monetária, a CSRF deste Conselho já firmou seu entendimento por intermédio do Acórdão nº 9303006.885, do qual corroboro, no qual restou consignado pelo seu Relator, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que " (...) a oposição estatal ilegítima somente se dá quando uma decisão denegatória da Unidade de Origem é revertida nas instâncias administrativas de julgamento (...)". Portanto, no presente caso não restou caracterizada a reversão da decisão da DRF Santo André, descaracterizando, por conseguinte, a oposição ilegítima que poderia ser invocada para a atualização do pedido de ressarcimento do IPI. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10805.903554/200814 Acórdão n.º 3001000.835 S3C0T1 Fl. 10 17 Fl. 220DF CARF MF
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