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Numero do processo: 10680.721760/2010-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA.
É de trinta dias o prazo que dispõe o contribuinte para apresentar impugnação, contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal. A petição apresentada fora desse prazo não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem comporta julgamento administrativo quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 2401-004.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. É de trinta dias o prazo que dispõe o contribuinte para apresentar impugnação, contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal. A petição apresentada fora desse prazo não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem comporta julgamento administrativo quanto às alegações de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
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INTEMPESTIVIDADE. Recorrente TRANSPORTADORA JÚPITER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. É de trinta dias o prazo que dispõe o contribuinte para apresentar impugnação, contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal. A petição apresentada fora desse prazo não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem comporta julgamento administrativo quanto às alegações de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 17 60 /2 01 0- 86 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10680.721760/201086 Acórdão n.º 2401004.802 S2C4T1 Fl. 263 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10680.721760/201086 Acórdão n.º 2401004.802 S2C4T1 Fl. 264 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), cujo dispositivo tratou de não conhecer a impugnação do contribuinte, por intempestiva, mantendo o crédito tributário. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0231.907 (fls. 211/213): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A impugnação deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser impugnado.. A impugnação intempestiva somente instaura a fase litigiosa se a preliminar de tempestividade for suscitada, observandose que, não sendo acolhida, deixase de apreciar as demais questões argüidas. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido 2. Extraise do Relatório Fiscal da Infração, bem como do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, que a autoridade fiscal procedeu à lavratura do Auto de Infração (AI) nº 37.260.0190, por ter a empresa infringido o art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, ao apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), nas competências 01/2005 a 12/2006, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições sociais previdenciárias (fls. 3/31). 2.1 Lavrouse o auto de infração pelo descumprimento de obrigação acessória no Código de Fundamentação Legal CFL 68. 2.2 Este processo é vinculado, por reflexo, com os processos de obrigação principal nº 10680.721763/201010 e 10680.721764/201064. 3. Cientificado do auto de infração por via postal em 7/7/2010, às fls. 93 e 201, o contribuinte impugnou a exigência fiscal em 9/8/2010 (fls. 99/141). 4. Intimada em 29/2/2012, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, conforme fls. 216/217, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 30/3/2012, pelo qual contesta a deliberação de piso que deixou de conhecer da sua impugnação, por intempestiva (fls. 220/223). Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10680.721760/201086 Acórdão n.º 2401004.802 S2C4T1 Fl. 265 4 4.1 A favor da tempestividade, defende o equívoco da decisão recorrida na interpretação dos dados do Aviso de Recebimento, o qual atesta a data de ciência da notificação do crédito tributário ao sujeito passivo. Tendo em vista a informação do documento, o auto de infração foi recebido em 8/7/2010 (quintafeira), e não em 7/7/2010 (quartafeira). 4.2 Logo, a contagem do prazo iniciouse no dia 9/7/2010 (sextafeira), com "dies ad quem" em 7/8/2010 (sábado), prorrogado para o dia útil subsequente, no caso, o dia 9/8/2010 (segundafeira). 5. Esta 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção, por meio da Resolução nº 2401 000.381, decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Agência dos Correios confirmasse, com base no Aviso de Recebimento, a data da efetiva entrega do auto de infração no domicílio tributário do sujeito passivo (fls. 240/242). 6. A diligência foi cumprida, com anexação da imagem legível do Aviso de Recebimento, em que o carimbo de entrega indica a data de ciência: 07 JUL 2010 (fls. 246/247). 7. Concedido prazo para o recorrente manifestarse sobre o resultado da diligência, permaneceu inerte (fls. 248/256). 8. Tendo em vista a renúncia do relator original, Conselheiro Igor Araújo Soares, foi efetuado novo sorteio para relatoria. É o relatório. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10680.721760/201086 Acórdão n.º 2401004.802 S2C4T1 Fl. 266 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 9. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 10. Nesse momento processual, compete avaliar a tempestividade da apresentação da impugnação, visto que a decisão de piso considerou a defesa intempestiva. 11. O Decreto nº 70.235, de 6 de maio de 1972, estabelece que a impugnação da exigência formalizada por escrito instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que intimado o contribuinte: (...) Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) 12. A respeito da contagem dos prazos na hipótese de intimação por via postal, prevê o mesmo Decreto nº 70.235, de 1972: (...) Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10680.721760/201086 Acórdão n.º 2401004.802 S2C4T1 Fl. 267 6 § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (...) 13. O carimbo aposto no Aviso de Recebimento dos Correios mostra que o sujeito passivo foi intimado do Auto de Infração em 7/7/2010, quartafeira, por via postal, sendolhe conferido prazo de trinta dias para interposição da impugnação (fls. 247). 13.1 Com isso, o termo do prazo de defesa iniciouse em 8/7/2010, quintafeira, e finalizou no dia 6/8/2010, sextafeira. 14. Todavia, o sujeito passivo protocolou sua impugnação em 9/8/2010, ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto em lei para sua apresentação (fls. 99/141). 15. Alega a recorrente na petição recursal, entretanto, que a intimação do auto de infração ocorreu somente no dia 8/7/2010, quintafeira. Quando da apresentação da impugnação, também havia suscitado a tempestividade da apresentação da contestação, embora, naquela oportunidade, tenha afirmado que a ciência da autuação se efetivou em 9/7/2010 (fls. 103). 16. Como se percebe, o discurso do sujeito passivo tem caráter meramente protelatório, porquanto a empresa não se esforça para trazer aos autos qualquer indício de prova material para o fim de demonstrar os fatos que possui interesse em fazer prevalecer no processo administrativo. 17. Por outro lado, o Aviso de Recebimento dos Correios, o qual está juntado às fls. 247, após a realização de diligência pelo órgão preparador, é elemento hábil e idôneo a comprovar que a recorrente foi intimada do Auto de Infração em 7/7/2010. 18. Oportunizado o contraditório ao sujeito passivo a respeito do resultado da diligência, não consta manifestação. 19. Logo, uma vez suplantado o permissivo legal para contestação, ausente o requisito extrínseco da tempestividade, não se instaura a fase litigiosa, devendo ser declarada intempestiva a impugnação, conforme decisão de primeira instância. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10680.721760/201086 Acórdão n.º 2401004.802 S2C4T1 Fl. 268 7 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGO PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902753/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.335
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado.
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente COTRIL MOTORS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 53 /2 01 1- 18 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10120.902753/201118 Acórdão n.º 3301003.335 S3C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS NãoCumulativa – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de COFINS nãocumulativa, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.374. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10120.902753/201118 Acórdão n.º 3301003.335 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10120.902753/201118 Acórdão n.º 3301003.335 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10120.902753/201118 Acórdão n.º 3301003.335 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10120.902753/201118 Acórdão n.º 3301003.335 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 120DF CARF MF
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Numero do processo: 10707.000670/2007-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula nº 1 do CARF.
Numero da decisão: 9101-002.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), que lhe deu provimento integral e os conselheiros Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula nº 1 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencida a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), que lhe deu provimento integral e os conselheiros Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 06 70 /2 00 7- 15 Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10707.000670/200715 Acórdão n.º 9101002.585 CSRFT1 Fl. 470 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelas LOJAS AMERICANAS S.A. em face do Acórdão n. 110100.063 (Efls. 274 ss.), proferido pela 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento, para negarlhe provimento por entender haver renúncia à instância administrativa em função da concomitância com o processo judicial, aplicando se a Súmula n. 1 do CARF. A autuação fiscal (Efls. 01 ss.) foi formalizada para a exigência de multa de valor fixo, equivalente a 0,02% por dia de atraso sobre a receita bruta do período, chegandose ao máximo de 1%, pelo não cumprimento do prazo estabelecido para apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas, capitulada nos artigos 11 e 12, inciso III, da Lei n. 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória n. 2.15834/2001 e reedições, com referência aos anos calendários de 2002 a 2005, perfazendo o valor de R$ 53.477.206,37 (cinqüenta e três milhões, quatrocentos e setenta e sete mil, duzentos e seis reais e trinta e sete centavos). O crédito foi constituído para prevenção de decadência e sua exigibilidade suspensa em razão de medida liminar deferida pela 7a. Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro, no Mandado de Segurança n. 2006.51.01.0197280 (Efls. 47 ss.), movido pela recorrente demonstrandose as suas dificuldades para a geração e entrega de arquivos magnéticos à fiscalização diante do volume de suas operações, que determinou a dilação do prazo por mais 30 dias. Transcrevese trecho do Termo de Verificação Fiscal para se deixar consignado o entendimento do agente fazendário sobre as circunstâncias sob análise: “O Termo de Intimação Fiscal foi lavrado no dia 04 de agosto de 2006, no SEMAC/SRRF 7a — Serviço de Acompanhamento dos Maiores Contribuintes da Superintendência da Receita Federal da P Região Fiscal. O Termo foi postado nos Correios, com o Aviso de Recebimento RZ 164778285 BR e foi recebido pelo contribuinte no dia 15 de agosto de 2006. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10707.000670/200715 Acórdão n.º 9101002.585 CSRFT1 Fl. 471 3 Foi dado ao contribuinte prazo de 20 (vinte) dias para atendimento do Termo de Intimação Fiscal, nos termos do art. 20 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 86/2001. O contribuinte respondeu ao Termo de Intimação em 23 de agosto de 2006. Expôs suas dificuldades e solicitou dilação do prazo para atendimento. Foi deferida prorrogação por 20 dias por meio de despacho simples. Em 26 de setembro de 2006, o contribuinte novamente solicitou dilação do prazo para atendimento. Foram deferidos mais 20 dias por meio de reintimação postada pelos Correios, mediante Aviso de Recebimento RZ164779105 BR. O prazo total dado ao contribuinte para apresentação dos arquivos magnéticos de sua contabilidade foi de 60 (sessenta) dias, ou seja, 2 (dois) meses. A data final fixada foi 16 de outubro de 2006. No dia 16 de outubro de 2006, o contribuinte apresentou discos nos quais declarou terem sido gravados os arquivos de lançamentos contábeis (item 4.1.1 do ADE COFIS 15/2001), saldos mensais (item 4.1.2), cadastro de bens (item 4.1.7), folha de pagamento (item 4.8.1), cadastro de empregados (item 4.8.2) e tabelas referentes ao item 4.9. Esses arquivos, segundo o contribuinte, referemse aos anoscalendário 2001 a 2005. O conteúdo dos arquivos encontrase pendente de verificação pelo SEMAC/SRRF07. Mas ainda faltavam alguns arquivos a serem apresentados: os arquivos referentes às notas fiscais de emissão própria (entradas e saídas) e as de emissão de terceiros, bem como o arquivo de inventário. Esses arquivos são essenciais ao trabalho fiscal. Ainda no dia 16 de outubro de 2006 o contribuinte apresentou fotocópias simples de um pedido de liminar em mandado de segurança. Pelo que se depreende dessas fotocópias, o contribuinte ficou inconformado com o prazo concedido administrativamente e ingressou com pedido de medida liminar em mandado de segurança mediante o processo n° 2006.51.01.0197280 buscando dilatar judicialmente o referido prazo. A ação foi distribuída na 7a. Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro. A MM Sra Juiza Federal Dra Maria de Lourdes Coutinho Tavares deferiu o pedido, determinando a prorrogação do prazo "por mais 30 dies a contar do dia 16 de outubro de 2006". No dia 16 de novembro de 2006, o contribuinte apresentou mídias em que declare terem sido gravados os arquivos que estavam faltando. O conteúdo dos arquivos encontrase pendente de verificação pelo SEMAC/SRRF07. Portanto em obediência à respeitável decisão judicial surgida, o Auto de infração a que se refere este Relatório Fiscal encontrase com a exigibilidade suspensa.” Insurgindose contra o lançamento, a Recorrida apresentou Impugnação (Efls 105 ss.), também demonstrando a sua leitura dos fatos, importante de ser transcrita para que se estabeleça um contraponto no julgamento: “Inicialmente, cumpre esclarecer que a ora Impugnante se enquadra na condição de pessoa jurídica de Direito Privado, que atua no ramo de comércio, tendo enorme atuação no mercado de varejo, possuindo 211 (duzentos e onze) estabelecimentos em todo Pais, mais de 100.000 (cem mil) itens comercializados e aproximadamente 4.000 (quatro mil) fornecedores, impondolhe, necessariamente, a manutenção de uma imensa infraestrutura operacional para o desenvolvimento de suas atividades. 9. Como consequência, ao exercer o seu objeto social (comércio varejista), a ora lmpugnante realiza fato gerador de diversos tributos, enquadrandose na sujeição passiva de tributos Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10707.000670/200715 Acórdão n.º 9101002.585 CSRFT1 Fl. 472 4 federais, estaduais e municipais, o que lhe impõe a obrigação de atender as exigencies tributárias principais e acessórias trazidas pela legislação tributária. 10. Em 17.08.2006, a ora peticionante foi intimada por agente da Superintendência da Secretaria da Receita Federal da 7a Região Fiscal para apresentar em 20 (vinte) dias os documentos e arquivos magnéticos referentes aos anoscalendário de 2001 a 2005, nos termos consubstanciados na Instrução Normativa SRF n° 86/01 e no formato previsto no Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15/01 (vide DOC. 03). 11. O referido Termo de Intimação Fiscal, ao exigir a apresentação de documentos em arquivos magnéticos, determina que tais arquivos deverão contemplar os seguintes dados: (A) Arquivos de Registros Contábeis, (B) Arquivos de Clientes e Fornecedores; (C) Arquivos de Controle patrimonial; (D) Arquivos de Notas Fiscais de Emissão Própria (saídas e entradas); (E) Arquivos de Notas Fiscais (entradas) de Emissão de Terceiros; (F) Arquivos Relativos a Comércio Exterior; (G) Arquivos Relativos a Folha de pagamento; (H) Diversas Tabelas. 12. Ao final, a fiscalização registra que o não atendimento da intimação ensejará na aplicação das sanções previstas no artigo 12, da Lei n° 8.218/91, o qual impõe uma multa pecuniária até o percentual de 1% (um por cento) da Receita Bruta da empresa. 13. Posteriormente, a pedido da ora lmpugnante (DOC. 4), em 23.08.2006, a fiscalização ampliou por mais 20 (vinte) dias o prazo para apresentação dos arquivos magnéticos, tendo em vista a dificuldade técnicas encontradas para consolidação dessas informações. 14. Entretanto, por razões técnicas e em virtude do enorme volume de informações a serem disponibilizadas à fiscalização, a ora Impugnante encontrou dificuldade em consolidar e formatar os dados requeridos no exíguo prazo concedido inicialmente, razão pela qual apresentou novo pedido de dilação de prazo (DOC. 5). 15. Nesse último pedido, com o intuito de apresentar toda a documentação requerida pela fiscalização dentro de um cronograma considerado exequível, a empresa requereu dilação do prazo não mais por 20 (vinte) dias, mas com base numa tabela com prazos e metas a serem atendidas, uma vez que as informações solicitadas pela fiscalização, por serem apresentadas em meio magnético, demandavam grande quantidade de tempo e pessoal para a sua preparação. 16. Notese, a bem da verdade, que a ora lmpugnante sempre aduziu que possui todos os arquivos magnéticos no formato exigido pela legislação e nunca se furtou a apresentálos. Porém, para gerálos no tempo mínimo concedido, precisaria parar todas as suas atividades ordinárias (suas vendas sua contabilidade, seus controles internos e tudo mais que dependa da informática), para passar a deter a capacidade de memória média necessária a gerar tais arquivos. Foi exatamente por este motivo que solicitou a prorrogação de prazo, fazendo um cronograma extremamente razoável de tempo para apresentar os arquivos de todos os anos solicitados pelo Agente Fiscal. 17. Não obstante o requerimento previamente mencionado, em 09.10.2006, a ora Impugnante recebeu novo Termo de Intimação Fiscal, o qual fixou o derradeiro prazo para a apresentação da documentação em meio magnético para o dia 16 de outubro de 2006 (DOC. 6), sem que fosse entendida a razoabilidade do pedido de prorrogação. 18. Considerando que o prazo concedido administrativamente seria insuficiente para apresentação de todos os arquivos magnéticos exigidos pela Fiscalização (como de fato foi), não restou à ora Impugnante outra alternativa que não a impetração de mandado de segurança com pedido de medida liminar, onde requereu à dilação do prazo por mais 30 (trinta) dias a contar do dia 16 de outubro de 2006 para apresentação dos arquivos que, Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10707.000670/200715 Acórdão n.º 9101002.585 CSRFT1 Fl. 473 5 porventura, não houvessem sido entregues até aquela data. 19. Referido mandamus foi distribuído à 7a Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro — RJ sob o n° 2006.51.01.197280 e, no dia 16.10.06, teve a medida liminar deferida (DOC. 07), cujo conteúdo transcrevese abaixo: ‘Afigurase óbvio que o extenso rol de dados referentes a um período de cinco anos, considerandose o número de estabelecimentos da Impetrante apenas no Estado do Rio de Janeiro — não se cogitando dos estabelecimentos situados em outros Estados — em condições normais, não é exigível que sejam apresentados no exíguo prazo imposto pela Fiscalização. Falta razoabilidade à fixação do prazo de vinte dias, prorrogado por mais vinte, sob pena de multa vultosa, em razão da enorme gama de dados exigidos, da forma em que devem ser apresentados e da ampla e complexa malha de atuação da Impetrante no ramo do comércio. O pedido de liminar afigurase bastante razoável. Não pretende a Impetrante se esquivar de atender à exigência fiscal, e sim uma dilação do prazo para tanto, o que parece ser bastante compreensível. Ante o exposto, DEFIRO a liminar, por presentes os requisites legais autorizadores, para determinar à autoridade impetrada que defira à Impetrante a prorrogação do prazo para cumprimento das exigências faltantes do Termo de Intimação Fiscal, de 04 de agosto de 2006 (fls. 22/24), por mais trinta dias a contar do dia 16 de agosto de 2006". (posteriormente retificado pelo juizo para 16 de outubro de 2006). Grifos não constantes do texto original – 20. Assim, suportada pela medida liminar em comento, a ora lmpugnante apresentou os arquivos faltantes no dia 16.11.06, conforme faz prova o recibo em anexo (DOC. 08), estando devidamente cumprida desde aquela época a obrigação acessória respectiva. Notese que a liminar concedida na espécie tem caráter satisfativo da tutela jurisdicional, porque no tempo não se poderá voltar. 21. Não obstante o pleno cumprimento da obrigação no prazo deferido no provimento judicial, a Autoridade Fiscal, em 28.05.2007, lavrou o auto de infração ora impugnado, ante a necessidade de constituir o crédito tributário referente aos anoscalendário 2002 a 2005, estando o mesmo com a exigibilidade suspensa até que sobrevenha o trânsito em julgado da decisão do mandado de segurança anteriormente ajuizado.” A recorrente buscou pontuar (i) a necessidade de tempo para a disponibilidade dos arquivos magnéticos nos moldes solicitados pela fiscalização, considerando as dificuldades e o volume de suas operações varejistas, (ii) a existência de medida liminar que estendeu o prazo concedido pelo agente fiscal, (iii) a desproporcionalidade e irrazoabilidade da multa, e (iv) que a interrupção da multa de mora em face da existência de decisão judicial. No que chamou especificamente de mérito, defendeu que a multa pelo atraso na entrega dos arquivos magnéticos possuiria natureza de multa moratória porquanto se fundamentaria, única e exclusivamente, no retardo do cumprimento da obrigação acessória prevista em lei, sendo, inclusive, calculada tendo por base os dias do suposto adio no cumprimento da exigência fiscal. Assim, deveria sofrer o exato tratamento dispensado à multa de mora pela legislação (transcreve o artigo 63, parágrafo 2o., da lei n. 9.430/96) no caso de concessão de medida liminar, qual seja, interrupção da sua incidência enquanto durarem os efeitos da liminar concedida. A esse respeito, consignou: Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10707.000670/200715 Acórdão n.º 9101002.585 CSRFT1 Fl. 474 6 “Importante terse em mente que, na seara jurídica, os vocábulos ‘interrupção’ e ‘suspensão’ possuem significados totalmente distintos, sendo certo que, na interrupção (vocábulo utilizado pela lei), a multa de mora considerase não ocorrida enquanto perdurar a vigência da medida liminar. Como efeito dessa interrupção, depreendese claramente que, com a cassação do referido provimento liminar, ai sim, teria início a fluência da multa de mora, caso a obrigação que desse ensejo à multa não houvesse sido cumprida até 30 (trinta) dias da perda de eficácia da liminar. Todavia, a causa ensejadora da multa já restou sanada: todos os arquivos magnéticos, no formato da IN SRF n° 86/2001, foram apresentados até a data deferida na liminar, de sorte que, se o principal já foi cumprido, a multa acessória, mesmo se cassada a liminar, não poderá ser exigida, em razão da aplicação dos estritos termos do §2°, do artigo 63, da Lei n° 9.430196.” “Assim, podese afirmar que a finalidade prevista em lei para entrega dos arquivos magnéticos qual seja a disponibilização de todas as informações da empresa dos últimos 5 (cinco) anos para fins de fiscalização foi integralmente cumprida pelo contribuinte, não havendo qualquer lesão ao Fisco ou ao procedimento fiscal, uma vez que, desde o dia 16 de novembro de 2006, é possível ao Fisco efetuar a análise de todos os arquivos magnéticos disponibilizados o que, frisese, até o presente momento não foi realizado por questões atinentes A própria administração tributária. Ou seja, punese por absolutamente nada, porque a administração fazendária, vários e vários meses após ter recebido As midias magnéticas ainda sequer As analisou; prova que poderia, sem prejuízo, ter concedido mais prazo ao contribuinte, que, de boafé, lhe expunha suas dificuldades operacionais de geração de tais arquivos.” Na sequência, tratou da irrazoabilidade e desproporcionalidade da imposição de multa pelo atraso de 30 dias no valor de R$ 53.477.206,37 (cinqüenta e três milhões, quatrocentos e setenta e sete mil, duzentos e seis reais e trinta e sete centavos) ou, ainda, R$ 1.782.573,55 (um milhão, setecentos e oitenta e dois mil quinhentos e setenta e três reais e cinqüenta e centavos) por dia de atraso, violando os princípios do não confisco e da capacidade contributiva. Em junho de 2007, foi proferida sentença judicial (E fls. 220 ss.), decidindo não ter direito líquido e certo a contribuinte, uma vez que tinha a obrigação de manter os documentos à diposição da fiscalização e que o prazo de 60 dias concedido seria suficiente para a produção dessa prova, quando então se negou a segurança e revogou a liminar anteriormente concedida em favor da impetrante. Em seguida, decidiu a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (Efls. 230 ss.) que (i) haveria concomitância entre os processos judicial, e administrativo, implicando renúncia a este e (ii) seria inaplicável o artigo 63 de Lei n. 9.430/96 a casos de lançamento de multa por falta e/ou atraso na apresentação de arquivo magnético. Em face dessa decisão que manteve o posicionamento fiscal, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (Efls. 243 ss.), buscando demonstrar a inexistência de concomitância, porque o mandado de segurança teria como objeto apenas a dilação do prazo para a entrega dos arquivos magnéticos, e também os demais pontos Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10707.000670/200715 Acórdão n.º 9101002.585 CSRFT1 Fl. 475 7 abordados na peça impugnatória. A turma a quo então julgou o recurso voluntário, decidindo no Acórdão n. 110100.063 (Efls. 274 ss.) negarlhe provimento por entender haver concomitância entre os processos administrativo e judicial, aplicandose a Súmula n. 1 do CARF. A contribuinte opôs Embargos de Declaração (Efls. 211 ss.) alegando omissão do acórdão recorrido quanto (i) ao caráter satisfativo da medida liminar e não caracterização da mora no atraso e (ii) ao aspecto quantitativo da multa (valor) e violação aos princípios da capacidade contributiva e vedação ao confisco, que foram rejeitados em despacho (Efls. 335) o qual manteve o acórdão anterior quanto à concomitância. Com os embargos também se teve notícia nos autos da interposição do Recurso de Apelação (Efls. 310 ss.) na ação judicial, com pedido de seu recebimento nos efeitos devolutivo e supensivo. A contribuinte interpôs, asism, Recurso Especial (Efls. 379 ss.), objetivamente, pleiteandose o reconhecimento da inexistência de renúncia à esfera administrativa, afastandose a concomitância, para se analisar o mérito relativo à impossibilidade de aplicação da multa dos artigos 11 e 12, III, da Lei n. 8.212/91 ou, subsidiariamente, a nulidade do acórdão recorrido e a devolução dos autos para a produção de nova decisão que abordasse o tema específico da penalidade. Ao recurso foi dado seguimento por despacho de admissibilidade (Efls. 438 ss.). A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (Efls. 442 ss.), tratando exclusivamente da questão da concomitância e renúncia à instância administrativa. Passase, então, à apreciação do recurso da contribuinte. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio – Relatora. PRELIMINARES Tempestividade do Recurso Especial Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10707.000670/200715 Acórdão n.º 9101002.585 CSRFT1 Fl. 476 8 Anteriormente à análise do mérito, verificarseá a tempestividade do recurso e o preenchimento dos requisitos para o seu conhecimento. A respeito do primeiro ponto, identificase que a contribuinte foi intimada do acórdão que julgou o recurso voluntário em 04.03.2015 (AR à efl. 341) e protocolizou Recurso Especial no dia 19.03.2015 (Efl. 371), portanto, dentro do prazo de 15 dias definido pelo caput do artigo 68 do Regimento Interno do CARF, que assim dispõem: “Art. 68. O recurso especial, da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contado da data da ciência da decisão.” Por essas razões, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela LOJAS AMERICANAS S.A., no que concerne ao critério da tempestividade. Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10707.000670/200715 Acórdão n.º 9101002.585 CSRFT1 Fl. 477 9 Analisandose o caso concreto, VOTASE POR CONHECER o Recurso Especial. MÉRITO O primeiro ponto que foi levado à apreciação de mérito diz respeito à decisão tomada no acórdão recorrido quanto à renúncia da contribuinte ao seu direito à discussão administrativa, em função de ter levado a questão à apreciação judicial no mandando de segurança interposto, configurando concomitância e ensejando a aplicação da Súmula CARF n. 01: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Voltandose aos eventos ocorridos, verificase que o sujeito passivo, durante o procedimento fiscalizatório e diante das dificuldades encontradas para a preparação dos arquivos magnéticos nos moldes em que requisitados pela autoridade fazendária, após seu terceiro pleito administrativo de prorrogação de prazo ser indeferido, impetrou Mandado de Segurança objetivando ordem judicial que determinasse tal prorrogação. De fato, a medida liminar foi deferida e a dilação concedida para que a recorrente tivesse mais 30 dias de prazo para a entrega dos mencionados arquivos magnéticos, o que foi realizado tempestivamente em 16.11.2006. No entanto, após o cumprimento da exigência fiscal, foi lavrado o presente auto de infração para a exigência da multa prevista nos artigos 11 e 12 da Lei n. 8212/91 em 25.07.2007, com exigibilidade suspensa, e também proferida sentença judicial negando a segurança e revogando a liminar. A sentença judicial, além de resposta a uma preliminar de legitimidade arguída pela impetrada, trouxe o seguinte conteúdo: “2.2 — A Impetrante recebeu Termo de Intimação Fiscal (fls. 22); no dia 17 de agosto de 2006, para apresentar arquivos magnéticos de sua contabilidade. O prazo inicial concedido para apresentação dos arquivos foi de 20 (vinte) dias, conforme se verifica daquele Termo de Intimação, na forma disposta no art. 2° da Instrução Normativa SRF, 86/2001, de 22/10/01. Ela logrou adiamento no âmbito administrativo, para fins de cumprimento daquela diligência, em duas oportunidades, cada qual também no prazo de 20 (vinte) dias, perfazendo, assim, um total de 60 (sessenta) dias para o atendimento do primeiro Termo de Intimação (fls. 33). A autoridade requisitante levou em consideração as alegações da Impetrante quanto ao volume de dados a serem computados, bem como no respeitante ao esforço computacional Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10707.000670/200715 Acórdão n.º 9101002.585 CSRFT1 Fl. 478 10 necessário para o atendimento ao Termo de Intimação Fiscal. 2.3. Nesse contéxto, vale transcrever os dispositivos pertinentes essa demanda: Lei n°8.218, de 29 de agosto de 1991. Art. 11 — As pessoas jurídicas que, de acordo com o balanço encerrado em relação ao períodobase imediatamente anterior, possuírem parimônio liquido superior a Cr$ 250.000.000,00, e utilizarem sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômica, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal ficarão obrigadas, a partir do período base de 1991, a manter, em meio magnético ou assemelhado, à disposição do Departamento da Receita Federal, os respectivos arquivos e sistemas durante o prazo de cinco anos. Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Art. 72. Os arts. 11 e 12 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, ã disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, !Del° prazo decadencial previsto na legislação tributária." Instrução Normativa SRF n° 86, de outubro dé 2001 (DOU 23.10.2001). Art. 1. As pessoas Jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da secretariada Receita Federal SRF). os respectivos arauivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (grifos do Juizo) 2.4. Diante da análise da legislação acima transcrita, concluise que não há o apontado direito líquido e certo sustentado pela Impetrante no tocante a mais uma prorrogação do prazo administrativo para cumprimento das exigências faltantes do Termo de Intimação Fiscal. Em verdade, ela deveria manter à disposição da Secretaria da Receita Federal toda documentação, assim como os respectivos arquivos digitais e sistemas a partir de janeiro de 2002, haja vista a publicação da Instrução Normativa SRF N° 86 no D.O.U. do dia 23.10.2001. 2.5. O prazo total de 60 (sessenta) dias foi mais do que suficiente para atender às exigências ora debatidas. Acolher o pleito autoral redundaria em ferir a isonomia com relação a outros contribuintes de porte econômico. equivalente, que se encontram na situação análoga e, que tempestivamente, cumpriram aquelas determinações no prazo administrativo. 2.6. Além disso, vale assinalar que o cumprimento da obrigação acessória em tela no prazo administrativo questionado não ofende a estabilidade das relações jurídicas, vez que não se trata de exigência de fato novo em suposto curto prazo. Afinal, à luz daquela legislação a Impetrante teve o tempo razoável para se adequar aquelas diligências e, não somente aqueles vint dias, que na espécie alcançou o cômputo de sessenta dias, decorrente de sucessiva prorrogação da autoridade fazendária competente. 3. Por tais razões, na presente ação, JULGO IMPROCEDENTE O PEDIDO E DENEGO A SEGURANÇA, com base no art. 269, I, do CPC e nos termos da fundamentação retro e, por consequência, REVOGO a liminar constante de fls. 37/38.” Promovendose um cotejo do resultado dessa sentença judicial com o objeto do Mandado de Segurança, refletido em seus pedidos, compreendese que se refere à Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10707.000670/200715 Acórdão n.º 9101002.585 CSRFT1 Fl. 479 11 necessidade de concessão de dilação de prazo para a apresentação de arquivos magnéticos, diante da situação fática narrada pela impetrante. Leiase o pleito deduzido: “III DO PEDIDO Por todo o exposto, requer a Impetrante a V.Exa. o seguinte: a) a concessão de medida liminar que determine a autoridade coatora e/ou seus subordinados ou quem os substituam, a não aplicarem qualquer modalidade de sanção pela não satisfação/cumprimento das exigencies formuladas pela fiscalização (entrega de documentos em meio físico (papel) e meio magnético) no dia 16.10.2006, bem como deferir o prazo de 30 (trinta) dias a contar do dia 16.10.2006 para a Impetrante cumprir com todas as exigencies faltantes [sic] pela autoridade administrativa; b) a notificação da autoridade impetrada para apresentar as informações no decêndio legal, nos termos do art. 7°, inciso I, da Lei n° 1.533/51; c) acolhendo os jurídicos argumentos ora apresentados, seja concedida a segurança, confirmandose a medida liminar anteriormente deferida, bem como seja reconhecido o direito líquido e certo da Impetrante de não ser compelida a pagar qualquer multa proveniente do não cumprimento das exigências fiscais a serem satisfeitas e apresentadas à autoridade administrativa no dia 16.10.2006, em função da dilação do referido prazo por mais 30 (trinta) dias, em respeito ao principio da razoabilidade/proporcionalidade, moralidade e eficiência, inscritos nos artigos 1°; 5°, inciso LIV e LV; 37, caput, todos da Constituição Federal. É verdade que a leitura do final desse último pedido dá uma primeira impressão de que a recorrente estaria questionando o mérito da multa em si, mas se verificando todo o contexto em que inserido e os fundamentos expostos no mandado de segurança, compreendese que não guarda essa relação. Diferentemente, na defesa administrativa apresentada, como consta do relatório acima, tratou da (i) necessidade de tempo para a disponibilidade dos arquivos magnéticos nos moldes solicitados pela fiscalização, considerando as dificuldades e o volume de suas operações varejistas, (ii) existência de medida liminar que estendeu o prazo concedido pelo agente fiscal, (iii) desproporcionalidade e irrazoabilidade da multa, (iv) interrupção da multa de mora em face da existência de decisão judicial. No que chamou especificamente de mérito, defendeu que a multa pelo atraso na entrega dos arquivos magnéticos possui natureza de multa moratória porquanto se fundamenta, única e exclusivamente, no retardamento no cumprimento da obrigação acessória prevista em lei, sendo, inclusive, calculada tendo por base os dias da suposta demora no cumprimento da exigência fiscal. Assim, deveria sofrer o exato tratamento dispensado à multa de mora pela legislação (transcreve o artigo 63, parágrafo 2o., da lei n. 9.430/96) no caso de concessão de medida liminar, qual seja, interrupção da sua incidência enquanto durarem os efeitos da liminar concedida. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10707.000670/200715 Acórdão n.º 9101002.585 CSRFT1 Fl. 480 12 Na sequência, tratou da irrazoabilidade e desproporcionalidade da imposição de multa pelo atraso de 30 dias no valor de R$ 53.477.206,37 (cinqüenta e três milhões, quatrocentos e setenta e sete mil, duzentos e seis reais e trinta e sete centavos) ou, ainda, R$ 1.782.573,55 (um milhão, setecentos e oitenta e dois mil quinhentos e setenta e três reais e cinqüenta e centavos) por dia de atraso, violando os princípios do não confisco e da capacidade contributiva. Portanto, entendese que os objetos dos dois processos, embora num primeiro momento possam levar a essa suspeita de identidade, diferemse em seus conteúdos, não podendose aplicar a Súmula CARF n. 01, sobretudo porque, como consequência, haveria o cerceamento de defesa da contribuinte e vedação ao acesso à apreciação de suas razões, uma vez que não foram parte da decisão judicial e também deixariam de ser da administrativa. Por essas razões, entendese que deva ser desconstituída a decisão de concomitância e concedido ao sujeito passivo o direito à apreciação de sua defesa administrativa, devolvendose o processo à instância a quo para julgar o mérito na questão da aplicabilidade da multa. Por essa razão, votase por DAR PROVIMENTO ao recurso e determinar a devolução dos autos à instância a quo, para que julgue o mérito do recurso voluntário da contribuinte. Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura. Apesar da bem fundamentada exposição da ilustre Relatora, peço vênia para divergir na matéria concomitância. Isso porque há pedido da Contribuinte no mandado de segurança no sentido de não se lançar a multa isolada objeto dos presentes autos. Vale transcrever a decisão recorrida (efl. 274): Em 04/08/2006 a fiscalização lavrou Termo de Intimação Fiscal, dando ciência a Recorrente sobre o inicio da fiscalização, bem como, intimandoa a apresentar urna série de documentos em arquivo magnético no prazo de 20 (vinte) dias. Tendo em vista o prazo exíguo concedido a Recorrente protocolou 2 (dois) pedidos administrativos de prorrogação de prazo e, em ambos a fiscalização concedeu prorrogação de 20 (vinte) dias. Assim, o prazo final para a Recorrente entregar os arquivos magnéticos solicitados pela fiscalização ocorreu no dia 16/10/2006. Em 16/10/2006 a Recorrente apresentou a fiscalização apenas parte dos arquivos magnéticos requeridos e, lhe informou, Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10707.000670/200715 Acórdão n.º 9101002.585 CSRFT1 Fl. 481 13 através de cópia simples, que havia impetrado Mandado de Segurança, distribuído sob o n° 2006.51.01.0197280 perante a 7ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro, corn pedido de liminar deferido para que lhe fosse concedido mais 30 (trinta) dias de prazo pela fiscalização, a contar do dia 16/10/2006, para apresentar o restante dos arquivos magnéticos. Assim, no caso vertente, constatei haver concomitância entre as matérias tratadas nos presentes autos e no Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente, visto que nos presentes autos a Recorrente se insurge contra a multa aplicada pela fiscalização em razão da falta de entrega de todos os arquivos magnéticos no prazo estipulado pela administração, qual seja, o dia 16/10/2006. Nesse passo, pude constatar também que um dos pedidos expressos formulados pela Recorrente nos referidos autos do mandado de segurança foi o reconhecimento do seu direito liquido e certo de não ser compelida a pagar qualquer multa cominada pela fiscalização em razão da não apresentação dos arquivos magnéticos no dia 16/10/2006, conforme se vislumbra do item "c" do pedido do Mandado de Segurança. (fls. 56). (grifei) De fato, apreciandose o pedido do mandado de segurança em questão, verificase (efl. 58/59): III DO PEDIDO Por todo o exposto, requer a Impetrante a V.Exa. o seguinte: a) a concessão de medida liminar que determine a autoridade coatora e/ou seus subordinados ou quem os substituam, a não aplicarem qualquer modalidade de sanção pela não satisfação/cumprimento das exigências formuladas pela fiscalização (entrega de documentos em meio físico (papel) e meio magnético) no dia 16.10.2006, bem como deferir o prazo de 30 (trinta) dias a contar do dia 16.10.2006 para a Impetrante cumprir com todas as exigências faltantes pela autoridade administrativa; b) a notificação da autoridade impetrada para apresentar as informações no decêndio legal, nos termos do art. 7°, inciso I, da Lei n° 1.533/51; c) acolhendo os jurídicos argumentos ora apresentados, seja concedida a segurança, confirmandose a medida liminar anteriormente deferida, bem como seja reconhecido o direito liquido e certo da Impetrante de não ser compelida a pagar qualquer multa proveniente do não cumprimento das exigências fiscais a serem satisfeitas e apresentadas á autoridade administrativa no dia 16.10.2006, em função da dilação do referido prazo por mais 30 (trinta) dias, em respeito ao principio da razoabilidade/proporcionalidade, moralidade e eficiência, inscritos nos artigos 1°; 5°, inciso LIV e LV; 37, caput, todos da Constituição Federal. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10707.000670/200715 Acórdão n.º 9101002.585 CSRFT1 Fl. 482 14 Inevitável, nesse contexto, a aplicação da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 482DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902807/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.176
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 07 /2 01 2- 55 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.902807/201255 Acórdão n.º 3302004.176 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.018. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902807/201255 Acórdão n.º 3302004.176 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902807/201255 Acórdão n.º 3302004.176 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902807/201255 Acórdão n.º 3302004.176 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.902807/201255 Acórdão n.º 3302004.176 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10283.902807/201255 Acórdão n.º 3302004.176 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.901044/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 44 /2 01 3- 51 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901044/201351 Acórdão n.º 1302002.198 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.901044/201351 Acórdão n.º 1302002.198 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13830.901044/201351 Acórdão n.º 1302002.198 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.001457/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/2003 a 31/05/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPEDIMENTO AO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
A verificação de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário não é obstáculo à constituição do crédito respectivo, porquanto se trata de atividade administrativa vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN.
DCTF. INSTRUMENTO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA.
A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF consubstancia confissão de dívida e constitui instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário nela inserto, no entanto, a sua entrega apenas dispensa o lançamento, não o inibindo, por ser atividade administrativa vinculada e obrigatória, devendo-se adotar as cautelas necessárias a evitar a cobrança em duplicidade.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. AÇÃO JUDICIAL. DECISÃO DENEGATÓRIA.
Não se mostra válida e eficaz a compensação de tributos com créditos de terceiros quando o Poder Judiciário, em ação patrocinada pelo próprio contribuinte, não acolhe a sua realização.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi atuou em substituição ao Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que declarou impedimento. O Conselheiro Renato Vieira De Ávila atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou suspeição. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Renato Vieira De Ávila.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 28/02/2003 a 31/05/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPEDIMENTO AO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A verificação de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário não é obstáculo à constituição do crédito respectivo, porquanto se trata de atividade administrativa vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN. DCTF. INSTRUMENTO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF consubstancia confissão de dívida e constitui instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário nela inserto, no entanto, a sua entrega apenas dispensa o lançamento, não o inibindo, por ser atividade administrativa vinculada e obrigatória, devendo-se adotar as cautelas necessárias a evitar a cobrança em duplicidade. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. AÇÃO JUDICIAL. DECISÃO DENEGATÓRIA. Não se mostra válida e eficaz a compensação de tributos com créditos de terceiros quando o Poder Judiciário, em ação patrocinada pelo próprio contribuinte, não acolhe a sua realização. Recurso voluntário negado.
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SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPEDIMENTO AO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A verificação de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário não é obstáculo à constituição do crédito respectivo, porquanto se trata de atividade administrativa vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN. DCTF. INSTRUMENTO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF consubstancia confissão de dívida e constitui instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário nela inserto, no entanto, a sua entrega apenas dispensa o lançamento, não o inibindo, por ser atividade administrativa vinculada e obrigatória, devendose adotar as cautelas necessárias a evitar a cobrança em duplicidade. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. AÇÃO JUDICIAL. DECISÃO DENEGATÓRIA. Não se mostra válida e eficaz a compensação de tributos com créditos de terceiros quando o Poder Judiciário, em ação patrocinada pelo próprio contribuinte, não acolhe a sua realização. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 14 57 /2 00 8- 71Fl. 392DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi atuou em substituição ao Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que declarou impedimento. O Conselheiro Renato Vieira De Ávila atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou suspeição. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Renato Vieira De Ávila. Relatório Versa o presente processo sobre lançamento de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, períodos de apuração fevereiro/2003 a maio/2003, agosto/2003 e setembro/2003. Narra a fiscalização que o lançamento objetiva constituir crédito tributário decorrente de valores informados em DCTF e compensados com créditos de terceiros, cuja discussão se desenvolve na ação judicial 2003.71.00.0301832/RS e PA 13003.000439/2002 24; que a providência se respaldaria em manifestação da DRJ Florianópolis/SC e da própria Procuradoria da Fazenda Nacional, em processos de interesse do autuado (13003.000314/2001 13 e 11080.000197/200816), consoante a qual as DCOMPs anteriores a 31/10/2003 não constituiriam instrumento de confissão de dívida, não havendo, também, unanimidade no âmbito do Poder Judiciário acerca desta qualidade da DCTF, o que, por conservadorismo, imporia a autuação; que a exigibilidade do referido crédito tributário estaria suspensa por força da discussão judicial. Às fls. 16/41 constam cópias do Acórdão DRJ/FNS nº 5.574/2005 (PA 13003.000439/200224) e decisões judiciais exaradas no Mandado de Segurança nº 2003.71.00.0301832/RS Às fls. 42/47, extrato das DCTFs apresentadas. Em impugnação o contribuinte sustentou a extinção do crédito tributário mediante compensação, nos termos do art. 156, II do Código Tributário Nacional, aduzindo que o crédito foi adquirido de terceiros, por meio escritura pública, devidamente reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado; que o art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96 estabeleceria o predito efeito extintivo da compensação; que haveria suspensão prescricional para exigência dos créditos tributários pelo Fisco; que decisão liminar proferida no MS 2003.71.00.030183 2/RS sobrestaria a análise do pedido de restituição e das compensações correspondentes, albergadas pelo PA 13003.000439/200224, dentre as quais aquelas exigidas nos autos deste Fl. 393DF CARF MF Processo nº 11080.001457/200871 Acórdão n.º 3401003.789 S3C4T1 Fl. 11 3 processo; que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário impediria, inclusive, a sua constituição através de lançamento; e, que os valores lançados já estavam informados em DCTF, atendendo aos preceitos do DL 2.124/84, razão porque, seria, também, indevida a multa de ofício aplicada. A DRJ Porto Alegre/RS deu parcial provimento ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 20%, relativo à multa moratória, para os meses de fevereiro/2003 a abril/2003, mantendoa para os períodos de apuração remanescentes, em decisão assim ementada: “SUSPENSAO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. A concessão de medida liminar em Mandado de Segurança que determina a abstenção de decidir/homologar o processo administrativo de restituição cumulado com declaração de compensação de débitos de IPI, em que ocorreu desistência do pedido de compensação, não suspende a exigibilidade do crédito lançado de ofício. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE. Não há duplicidade de lançamento quando o Auto de Infração formaliza a exigência de tributo declarado em DCTFS com saldos devedores zerados, fato que poderia inviabilizar a cobrança direta em execução fiscal. MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS. Os débitos declarados em DCTF e não pagos no vencimento devem ser exigidos com juros e multa de mora. MULTA DE OFÍCIO Cabível a multa de ofício, por falta de recolhimento de débito informado em Dcomp, que posteriormente foi objeto de pedido de desistência, deferido pela DRJ.” Em recurso voluntário o contribuinte defende a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, com fulcro no art. 151, III do CTN, por força da ausência de decisão definitiva no PA 13003.000439/200224, onde discute a compensação objeto da autuação; que o lançamento não poderia ser realizado até que encerrada a discussão administrativa sobre a compensação lá aviada e que os valores ora lançados já estavam informados em DCTF e extintos por compensação, em argumentação reprisada do recurso inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Tendo em conta a recorrente referência ao MS 2003.71.00.0301832/RS e ao PA 13003.000439/200224, reputo conveniente acostar informações a respeito do andamento dos aludidos processos. Fl. 394DF CARF MF 4 Nesse passo, a ação judicial alhures encontrase atualmente baixada definitivamente, desde 15/04/2010, conforme consulta ao sítio virtual da Seção Judiciária do Rio Grande do Sul, Tribunal Regional Federal da 4ª Região1. Naqueles autos, a decisão que transitou em julgado esta consubstanciada no REsp 962.096/RS, cuja ementa é a seguinte: “TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITOS SEM A PARTICIPAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL. NEGÓCIO JURÍDICO ENTRE PARTICULARES. 1. O § 12, II, a do artigo 74 da Lei n. 9.430 de 1996, veda expressamente a utilização de créditos de terceiro para fins de compensação. 2. O art. 123 do CTN nega validade aos negócios jurídicos entre particulares para produzir efeitos sobre os fenômenos da responsabilidade pelo pagamento de tributos. 3. A Lei n. 10637, de 2002, por seu art. 49, somente permite a compensação de débitos próprios do sujeito passivo com créditos seus. 4. Não há lei autorizando a compensação tributária com crédito de terceiros. Há, portanto, de se homenagear o princípio da legalidade. 5. No REsp 803.629, a Primeira Turma assentou que a cessão de direitos de créditos tributários só tem validade para fins tributários quando do negócio jurídico participa a Fazenda Pública. Precedente: REsp 653553/MG, Rel. Denise Arruda. 6. Recurso da Fazenda Nacional provido para denegar a segurança, impedindose, consequentemente, a compensação tributária com créditos de terceiros.” Já o PA 13003.000439/200224, em consulta ao sistema eprocesso, em 03/08/2016, constatei que está em fase de acompanhamento de programa de parcelamento, com o contencioso administrativo encerrado, encontrandose a decisão administrativa irreformável, Acórdão 3403002.534, de 23/10/2013, assim ementada: “CONCOMITÃNCIA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. SENTENÇA JUDICIAL. OPÇÃO ENTRE RESTITUIÇÃO VIA PRECATÓRIO E COMPENSAÇÃO. SÚMULA STJ N. 461. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Sentença judicial que reconhece substituição no polo passivo em relação a crédito decorrente de outra ação transitada em julgado permite ao substituto optar entre a restituição via precatório e a compensação, cf. Súmula STJ n. 461. No caso, incabível a restituição administrativa, que equivaleria à execução administrativa da decisão judicial.” 1 https://www2.jfrs.jus.br/, consulta realizada em 03/08/2016. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11080.001457/200871 Acórdão n.º 3401003.789 S3C4T1 Fl. 12 5 Aproveitando o ensejo e para constar, pesquisei o último extrato do processo e verifiquei que os débitos constituídos neste processo não são exigidos, também, naquele processo administrativo, o que afasta a possibilidade de duplicidade entre eles. Feitos os registros iniciais, passo ao exame recursal. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário é decorrência da interposição dos recursos administrativos, nos termos da lei reguladora do processo tributário administrativo, em âmbito federal, o Decreto nº 70.235/72, ex vi do decantado art. 151, III do CTN, não necessitando de declaração expressa da autoridade administrativa para deflagração deste efeito. Nessa ordem de ideias, os débitos albergados pelo presente processo, independente da conclusão estampada nos processos, judiciais ou administrativos e a ele de alguma forma imbricados, permanecerão com a sua exigibilidade suspensa até o encerramento do contencioso administrativo. Quanto à necessidade de se aguardar o deslinde do PA 13003.000439/2002 24, onde se discutiu a compensação, para a constituição do crédito tributário, entendo que não procede a tese defensiva, eis que não há qualquer norma que impeça a adoção da providência. Como realçado pelas autoridades fiscais, o lançamento teve por finalidade formalizar o crédito tributário altercado ante a ausência do caráter de instrumento de confissão de dívida da declaração de compensação apresentada, pois anterior à legislação que lhe fixou este atributo, acentuando, ainda, que a DCTF apresentada indicou saldos a pagar “zerados”, o que, por orientação da PFN, impunha, ou pelo menos recomendava, a constituição do crédito mediante lançamento, com o desiderato de resguardar os direitos da Fazenda Nacional. Vale registrar que o auto de infração foi lavrado, ab initio, já com a sua exigibilidade suspensa. Outrossim, não se pode confundir a suspensão da exigibilidade com o impedimento à constituição do crédito tributário respectivo, como defende o recorrente. A constituição do direito de crédito, como dito, além de formalizar a obrigação tributária, visa resguardar os interesses do erário contra as consequências da fluência do tempo, no caso, a decadência do direito de lançar e a prescrição do direito de exigir. A teor do art. 142, parágrafo único, do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A exigibilidade do crédito tributário guarda relação com sua correspondente liquidação e/ou cobrança e não com sua constituição Logo, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não implica a vedação à sua formalização mediante lançamento, como visto, atividade vinculada e obrigatória. Tocante à "constituição" do crédito tributário mediante entrega da DCTF, também como impeditivo ao lançamento, tenho como equivocado o raciocínio. Fl. 396DF CARF MF 6 Consoante art. 5º, § 1º do DecretoLei nº 2.124/84, o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência do referido crédito. Sem sombra de dúvida a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF satisfaz os requisitos para se emoldurar na definição do preceptivo citado, não sem razão o decretolei em tela é textualmente citado na IN SRF 255/2002, que, à época de sua apresentação, dispunha sobre indigitada declaração, configurando instrumento de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário. Todavia, frisese, o fato de ser instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito, não é obstáculo à realização do lançamento, que é atividade administrativa vinculada e obrigatória. Ou seja, a formalização da confissão de dívida apenas dispensa o lançamento, mas não o proíbe. O único cuidado a ser observado é a adoção das cautelas necessárias a se evitar a cobrança em duplicidade do mesmo crédito tributário. Da mesma maneira, a apresentação da declaração de compensação, também instrumento de confissão de dívida, por disposição legal, não tem o condão de evitar a atividade de lançamento. Nesse sentido, a efetivação do lançamento não caracteriza qualquer vilipêndio a direito do contribuinte, muito menos “manifesto e verdadeiro confisco”, como alegado, não consistindo em cobrança indevida ou abusiva. Concernente à suposta extinção dos créditos tributários por compensação, com lastro no art. 156, II do CTN, também não assiste razão ao reclamante. A pretensão do recorrente sobre a matéria foi definitivamente sepultada pelo REsp 962.096/RS, no bojo do MS 2003.71.00.0301832/RS, já mencionado no início deste voto. Naquela assentada restou decidido que não há possibilidade de se promover a compensação de tributos com créditos de terceiros. De outra banda, a decisão administrativa irreformável prolatada no PA 13003.000439/200224, também já reproduzida e da mesma forma, não acolheu as compensações formuladas. Assim, não há que se falar em extinção de crédito tributário por compensação, independentemente da modalidade aventada. Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Robson José Bayerl Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11080.001457/200871 Acórdão n.º 3401003.789 S3C4T1 Fl. 13 7 Fl. 398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721410/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. TRADING COMPANIES.
A imunidade constitucional sobre a receita decorrente de exportação alcança somente as operações diretas com o mercado externo, não se aplicando nos casos de exportação realizada via trading companies.
Numero da decisão: 2401-004.896
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos a relatora e os Conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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IMUNIDADE. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. TRADING COMPANIES. A imunidade constitucional sobre a receita decorrente de exportação alcança somente as operações diretas com o mercado externo, não se aplicando nos casos de exportação realizada via trading companies. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 14 10 /2 01 1- 17 Fl. 396DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos a relatora e os Conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada). Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10825.721410/201117 Acórdão n.º 2401004.896 S2C4T1 Fl. 397 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto, em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ/RPO), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1457.743 (fls.277/281): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008 Debcad 37.343.2321 IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AGROINDÚSTRIA. EXPORTAÇÃO INDIRETA. A imunidade constitucional sobre receitas decorrentes de exportação alcança somente as operações diretas com o mercado externo. A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A fiscalização lavrou em face do sujeito passivo o Auto de Infração DEBCAD nº 37.343.2321 (fl. 03), no valor de R$ 119.844,19 (Incluso juros, multa de ofício e multa de mora), relativo às contribuições, parte patronal, devidas ao INSS e destinadas à Previdência Social, incidentes sobre a receita de exportação da produção rural, realizadas por intermédio de “Trading Companies”, no período de 09/2008 a 12/2008. Em 09/09/2011 a Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração, pessoalmente, e em 11/10/2011, tempestivamente, apresentou impugnação (fls. 188/203). Deste ponto em diante, adota se parte do relatório da decisão recorrida, que bem retrata os fundamentos da impugnação: IMPUGNAÇÃO Por não concordar com os termos da autuação, a empresa, por seu procurador constituído, apresentou impugnação ao débito alegando, em síntese, que: Fl. 398DF CARF MF 4 Esclarece inicialmente que é integrante da Cooperativa de Produtores de CanadeAçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo – Copersucar. Descreve que entrega diariamente toda a sua produção para a Copersucar, a qual se incumbe de realizar a venda seja para o mercado interno ou externo. A receita das vendas é rateada entre as cooperadas, nos termos do Parecer Normativo CST nº 66/1986. A Copersucar informa a receita vinculada a cada tipo de produto bem como a comercialização para o mercado interno e externo, neste último caso, se diretamente ou via trading company; as receitas oriundas de vendas ao exterior, seja por meio de trading company ou diretamente pela Copersucar estão abrangidas por imunidade concedida pela Constituição Federal, em seu artigo 149, §2o, I, não se sujeitando às contribuições previstas no art. 22A da Lei nº 8.212/1991; a cooperativa não pode ser considerada como intermediária nas operações de exportação que realiza em favor de suas cooperadas, conforme parágrafo único do art. 79 da Lei n° 5.764, de 16/12/1971, e Parecer Normativo CST n° 66/1986; é ilegítima a restrição e condição previstas no art. 245, §§1° e 2o, da Instrução Normativa SRF n° 03/2005, de modo a afastar a imunidade tributária em função das operações de exportação realizadas por meio de trading companies, uma vez que inseriu distinção não prevista no texto constitucional; a União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo – ÚNICA impetrou o mandado de segurança coletivo preventivo n. 2005.61.00.0251305, com pedido de liminar, com o objetivo de garantir do direito de suas associadas ao não pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as receitas de exportação indireta, realizadas por meio de empresas comerciais exportadoras e trading campanies, em razão da imunidade tributária prevista no art. 149, §2°, I, da Constituição Federal; a despeito da existência da referida ação judicial, há de ser afastada qualquer alegação de configuração de renúncia ao direito da Impugnante de apresentar defesa, face do presente auto de infração, conforme ampla jurisprudência deste Tribunal Administrativo no sentido que o mandado de segurança coletivo impetrado por associação não configura renúncia à esfera administrativa do associado; a inexistência de ato mercantil entre a cooperativa e suas associadas é amplamente afirmada pela jurisprudência do STJ ao reconhecer a nãoincidência do PIS/COFINS sobre os atos cooperativos; de acordo com o art. 79 da Lei nº 5.764/1971, regime jurídico das cooperativas, inexiste operação mercantil entre a cooperativa e o associado; o Parecer Normativo da Coordenação do Sistema de Tributação CST nº 66/1986 ratifica esse entendimento; o art. 245, §2° da IN SRP 03/2005 é claro ao dispor que se considera receita proveniente do comércio interno apenas aquela "decorrente de comercialização com empresa constituída Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10825.721410/201117 Acórdão n.º 2401004.896 S2C4T1 Fl. 398 5 e em funcionamento no País". No caso de ato cooperativo, sem natureza mercantil, há de ser afastada a aplicação da referida regra. O processo foi encaminhado para apreciação e julgamento pela 9ª Turma da DRJ/RPO, e esta, por unanimidade de votos, decidiu pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO apresentada, MANTENDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO exigido. A Contribuinte foi cientificada da decisão de 1ª Instância, Acordão nº 14 57.743, via Correio (AR – fls. 284/285), em 18/05/2015. Inconformados com a decisão de 1ª instância, a Contribuinte apresenta em 16/06/2015, tempestivamente, seu Recurso Voluntário (fls. 290/311), onde, em síntese, aduz os seguintes argumentos para reforma do acórdão recorrido: A Instrução Normativa SRP nº 3/2005, por meio de seu art. 245, §§ 1º e 2º, restringiu, indevidamente, a imunidade do art. 149, § 2º, inciso I, da CF/88, violando o art. 110 do CTN e o próprio dispositivo constitucional que instituiu a imunidade tributária; Há precedentes judiciais e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF que reconhecem a abrangência da imunidade prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da CF/88, às receitas de exportação indiretas, realizadas por meio de Trading Companies. Conclui seu RV requerendo que seja conhecido e dado provimento, a fim de que seja reformado o acórdão recorrido, e, por conseguinte, seja cancelado o lançamento. É o relatório. Fl. 400DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito O presente Lançamento trata de auto de infração lavrado contra a ora Recorrente, relativo às contribuições previdenciárias patronais, inclusive GIILRAT, incidentes sobre a receita de exportação da produção rural realizada por intermédio de “TRADING COMPANIES”, do período de 09/2008 a 12/2008. Segundo a acusação fiscal, confrontando as receitas declaradas em DIPJ – ficha 64 – Informações Previdenciárias e em GFIP, foi observado que a empresa não efetuou o recolhimento de contribuições incidentes sobre receitas com exportações indiretas, quando informou que obteve “Receita Venda Prod. Fabr. Própria a Coml. Exp. c/ Fim. Export. – Agroindústr.”, no valor de R$ 6.798.173,61. Como a produção não foi comercializada diretamente com o adquirente domiciliado no exterior, mas sim via cooperativa, a imunidade prevista no artigo 149, § 2º, inciso I, da Constituição, não é aplicável. Em informações prestadas à Fiscalização (fls. 68/70), a Recorrente esclareceu que não houve tributação por contribuições previdenciárias das receitas auferidas pela Empresa em decorrência da exportação de seus produtos por intermédio de Comerciais Exportadoras (“tradings”), ante os expressos termos do art. 149, § 2º, I da Constituição Federal que outorga imunidade (em relação a contribuições sociais) e a estas receitas. No ponto, a empresa colocase à disposição de V. Sas. Para disponibilizar documentação comprobatória do fato de que todas as operações celebradas com Comerciais Exportadoras tiveram fim específico de exportação e as mercadorias respectivas foram efetivamente exportadas. Cabe, inicialmente, esclarecer a operação comercial efetuada pela Recorrente. Conforme descrito no item 8.1 do Relatório Fiscal (fl. 17), bem como no item 16 do Recurso Voluntário (fls. 294/296), a empresa atua como cooperada, integrante da Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar e Álcool (COPERSUCAR), que detém o conhecimento e a expertise necessários para melhor colocação da sua produção nos mercados consumidores internos e externos. Na condição de cooperada, juntamente com outros produtores, entrega à cooperativa a sua produção para fins de comercialização no mercado interno e externo, conforme contrato de cooperativa (fls. 359/370), cabendo a Copersucar efetuar o rateio das receitas às cooperadas com a indicação do montante das receitas vinculadas ao tipo de produto, bem como o mercado em que o produto foi comercializado e, no caso de exportação, se ocorreu de forma direta ou através de trading companies. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10825.721410/201117 Acórdão n.º 2401004.896 S2C4T1 Fl. 399 7 Em alegações recursais a Recorrente defende que as receitas oriundas de vendas ao exterior, por meio de trading companies ou diretamente pela Copersucar, estão abrangidas por imunidade concedida no artigo 149, §2º, I, da Constituição Federal. Convém ainda trazer à colação que a Delegacia de Julgamento manteve na íntegra o lançamento e entendeu que o Mandado de Segurança Coletivo nº 2005.61.00.025130 5 impetrado pela União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo, ao qual a autuada é filiada, não representa renúncia ao contencioso administrativo, por não haver manifestação direta da autuada no processo. Destarte, conforme se destaca no Relatório Fiscal, a controvérsia do presente processo administrativo reside no fato das vendas para o mercado externo terem sido efetuadas por meio de cooperativa e através de trading companies, e assim, como a produção não foi comercializada diretamente com o adquirente domiciliado no exterior, não estaria albergada pela imunidade. Importante nesse ponto destacar o que dispõe o art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) §2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001) I – não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001) Como se vê, o texto constitucional é claro ao estabelecer que as receitas decorrentes da exportação são imunes à incidência das contribuições sociais. Assim, se a norma imunizante exclui da abrangência tributária as receitas decorrentes de exportação e se os produtos comercializados pela Recorrente foram efetivamente exportados, por meio da cooperativa adquirente da produção e de trading companies, conforme exposto na acusação fiscal, constatase que as receitas repassadas pela cooperativa à cooperada são decorrentes de exportação. Importante trazer à colação decisão proferida no âmbito do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE 627.815/PR, de relatoria da Ministra Rosa Weber, julgado sobre a sistemática da repercussão geral, em que se discutiu a abrangência das “receitas decorrentes de exportação” a que se refere o art. 149, § 2º, I, da Lei Maior, firmando entendimento, ao qual me filio, no sentido de que a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar Fl. 402DF CARF MF 8 lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. Vejamos a ementa a seguir transcrita: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 627815, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 23/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe192 DIVULG 3009 2013 PUBLIC 01102013) Resta evidente que a norma constitucional imunizante visa garantir a maior eficácia de valores inseridos na Constituição a fim de que sua abrangência não se torne inócua. A interpretação deve ser feita de modo evoluído, à luz dos anseios albergados na Carta da República que confirma as políticas voltadas ao fomento da exportação. Daí a razão da desoneração tributária das contribuições sociais sobre as receitas de exportação. Ora, no presente caso, o fato da Recorrente repassar a sua produção à cooperativa para fins de comercialização no mercado interno e externo, em virtude de questões comerciais relacionadas ao melhor conhecimento do mercado, ao custo, à logística, em nada Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10825.721410/201117 Acórdão n.º 2401004.896 S2C4T1 Fl. 400 9 desnatura o caráter de venda destinada à exportação, bem como a natureza das receitas delas decorrentes. Nesse diapasão, ressai lógico e razoável que empresas ligadas ao agronegócio efetivem as vendas destinadas ao exterior através de cooperativas ou trading companies como forma de viabilizar a venda ao mercado exterior. Assim, tendo em vista que o lançamento se refere à exigência de contribuição decorrente da receita de exportação decorrente da comercialização de produtos rurais, realizada através de cooperativa ou trading companies, entendo que deve ser exonerado o crédito tributário em virtude da imunidade tributária prevista no art. 149, §2°, I, da Constituição. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito DAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 404DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Redator Designado. Com a maxima venia, divirjo da Relatora quanto à imunidade em relação às exportações realizadas via trading companies. Segundo consignado em seu Voto, a Relatora entende que a "receita de exportação decorrente da comercialização de produtos rurais, realizada através de [...] trading companies," estaria abarcada pela "imunidade tributária prevista no art. 149, §2°, I, da Constituição”, porém, discordo desse entendimento. Vejamos, primeiramente, o que diz a Carta Republicana: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. [...] § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Grifo nosso) Conforme se observa na transcrição acima, o texto (grifado) é claro ao dizer que as contribuições sociais, que compõe o objeto do presente lançamento, não incidirão sobre as receitas decorrente de exportação. Ora, se o produtor rural vende sua produção, internamente, para uma empresa (no caso, uma trading company) para que esta, posteriormente, revenda o produto no mercado externo, obviamente, a receita auferida pelo produtor não será decorrente de exportação e, por conseguinte, não estará abrangida pela imunidade. Simples assim. Nessa linha é a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/09: Art. 170. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. § 1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10825.721410/201117 Acórdão n.º 2401004.896 S2C4T1 Fl. 401 11 § 2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. § 3º O disposto no caput não se aplica à contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. (Grifo nosso) Tomamos a liberdade de citar, ainda, o seguinte trecho do Parecer PGFN/CAT nº 1.724, de 2012: 30. O cerne da imunidade é a receita de exportações. A princípio, a contribuição do produtor rural, substituindo a folha de salários, voltase para o resultado da venda de sua produção com a finalidade precípua de financiar a Previdência Social. Quando, no entanto, esta receita, por se direcionar ao mercado externo, passa indubitavelmente a integrar o rol das receitas de exportação, não pode ser objeto de tributação. 31. É importante frisar que apenas as receitas dirigidas diretamente ao mercado externo estarão imunes. Por isso fazse necessário o exame da natureza das operações, se se constituem em compra e venda no mercado interno ou exportação. 32. Por exemplo, a natureza das operações realizadas no Brasil entre as tradings e os produtores rurais é, em termos fiscais, de compra e venda no mercado interno, razão pela qual não são favorecidas pela imunidade da contribuição do produtor rural pessoa física. [...] Portando, diante desse quadro, devem ser mantidas as contribuições incidentes sobre a receita auferida na venda da produção para trading companies. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 406DF CARF MF
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Numero do processo: 14751.000202/2009-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PRESUNÇÃO LEGAL. DECISÃO DA TURMA A QUO. NÃO APRECIAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA POTENCIALMENTE APTA PARA DESCONSTITUIR PARTE DA PRESUNÇÃO.
Decisão da turma a quo que não analisou documentação probatória apresentada pela parte em recurso voluntário, potencialmente apta para desconstituir parte de lançamento de presunção legal, é eivada de vício insanável, vez que restou caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Necessária declaração de nulidade formal da decisão e de retorno dos autos para a turma a quo realizar um novo julgamento.
CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE E MÉRITO. ETAPAS DISTINTAS. MOMENTO DE RECONHECIMENTO DE NULIDADE.
O mérito do recurso especial, e eventual nulidade, só podem ser apreciados caso seja superado o exame de admissibilidade, primeira etapa e estreito filtro processual. Caso não seja demonstrada divergência na interpretação da legislação tributária nos termos do regimento interno, consolida-se coisa julgada administrativa, fazendo com que não seja possível reconhecer a nulidade de ofício durante a etapa do exame de admissibilidade. Apenas na etapa seguinte, no exame do mérito, quando se aplica o direito, em que o julgador tem plena liberdade de firmar sua convicção e não fica restrito aos fundamentos das partes, que se pode, ao identificar a situação de vício insanável, reconhecer eventual nulidade ou aplicar entendimento sumular.
Numero da decisão: 9101-002.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para declarar a nulidade do Acórdão nº 1103-000.712, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 13/06/2012, e determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para novo julgamento, levando-se em consideração a documentação probatória acostada no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego e Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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DECISÃO DA TURMA A QUO. NÃO APRECIAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA POTENCIALMENTE APTA PARA DESCONSTITUIR PARTE DA PRESUNÇÃO. Decisão da turma a quo que não analisou documentação probatória apresentada pela parte em recurso voluntário, potencialmente apta para desconstituir parte de lançamento de presunção legal, é eivada de vício insanável, vez que restou caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Necessária declaração de nulidade formal da decisão e de retorno dos autos para a turma a quo realizar um novo julgamento. CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE E MÉRITO. ETAPAS DISTINTAS. MOMENTO DE RECONHECIMENTO DE NULIDADE. O mérito do recurso especial, e eventual nulidade, só podem ser apreciados caso seja superado o exame de admissibilidade, primeira etapa e estreito filtro processual. Caso não seja demonstrada divergência na interpretação da legislação tributária nos termos do regimento interno, consolidase coisa julgada administrativa, fazendo com que não seja possível reconhecer a nulidade de ofício durante a etapa do exame de admissibilidade. Apenas na etapa seguinte, no exame do mérito, quando se aplica o direito, em que o julgador tem plena liberdade de firmar sua convicção e não fica restrito aos fundamentos das partes, que se pode, ao identificar a situação de vício insanável, reconhecer eventual nulidade ou aplicar entendimento sumular. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 02 02 /2 00 9- 10 Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 14751.000202/200910 Acórdão n.º 9101002.871 CSRFT1 Fl. 1.860 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para declarar a nulidade do Acórdão nº 1103000.712, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 13/06/2012, e determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para novo julgamento, levandose em consideração a documentação probatória acostada no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego e Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela FREE CARNES COMÉRCIO VAREJISTA DE CARNES LTDA (efls. 1752/1772) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1103000.712 (efls. 1732 e segs), pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 13/06/2012, no qual foi negado provimento recurso voluntário da Contribuinte. Resumo Processual A autuação fiscal, relativa ao anocalendário de 2004, tratou das infrações tributárias (1) presunção de omissão de receitas saldo credor de caixa e (2) presunção de omissão de receitas depósitos bancários não contabilizados, razão pela qual foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL (efls. 4/35), e em razão da nova apuração realizada pela autoridade fiscal foi lançada multa isolada de IRPJ por insuficiência de recolhimento de estimativa mensal. Também foi apurada infração de IRRF (auto de infração de efls. 36/42), (3) pagamentos a beneficiários não identificados/pagamentos sem causa. A Contribuinte apresentou impugnações (efls. 724/737 e 747/760). A primeira instância julgou os lançamentos procedentes. Irresignada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual foi negado provimento pela segunda instância (turma ordinária do CARF). Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 14751.000202/200910 Acórdão n.º 9101002.871 CSRFT1 Fl. 1.861 3 Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 1752/1772), no qual foi admitido para a matéria relativa à infração 1 (presunção de omissão de receitas saldo credor de caixa). O despacho de reexame de admissibilidade (efls. 1847/1850) manteve a decisão do despacho de exame de admissibilidade (efls. 1838/1846).A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 1852/1856). A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Autuação Fiscal Transcrevo a descrição do relatório da DRJ, objetivo e preciso: De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 04 a 22, foram constatadas as seguintes infrações: 01 Omissão de Receitas. Saldo Credor de Caixa. Omissão de Receitas caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa, conforme detalhado na descrição dos fatos às fls. 04 a 18 e valores constantes das planilhas 'Contabilidade Razão Conta Caixa Lançamentos de cheques compensados à débito sem correspondência de crédito', fls. 49 a 86 e `Levantamentos — Bases de Cálculo dos Tributos', fl.87. Foi efetuado lançamento para os fatos geradores relacionados à fl. 19 com respectivo enquadramento legal. 02 Omissão de Receitas. Depósitos Bancários não contabilizados. Omissão de Receita Operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, conforme detalhado na descrição dos fatos, fls. 04 a 18, e valores constantes das planilhas 'Extratos Bancários Créditos depurados não encontrados na contabilidade', fls. 459 e 460 e 'Levantamentos Bases de Cálculo dos Tributos' fl. 87. Foi efetuado lançamento para os fatos geradores relacionados à fl. 20 com respectivo enquadramento legal. 03 Multa Isolada. Falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada Multa apurada em decorrência da falta de pagamento do IRPJ sobre base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão e redução, conforme detalhado na descrição dos fatos, fls. 04 a 18, e valores constantes das planilhas 'Levantamento — Bases de Cálculo dos Tributos' , fl. 87 e 'Apuração de Imposto e Contribuições', fl.88. Foi efetuado lançamento para os fatos geradores relacionados à fl. 21 com respectivo enquadramento legal. Em relação à infração de IRRF, transcrevo descrição do auto de infração: Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 14751.000202/200910 Acórdão n.º 9101002.871 CSRFT1 Fl. 1.862 4 001 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS / PAGAMENTOS SEM CAUSA Importâncias pagas pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados e/ou sem causa, conforme discorrido na descrição dos fatos acima e valores constantes nas planilhas "Extratos Bancários DÉBITOS depurados não encontrados na contabilidade" (folhas 461 a 462, "Contabilidade Razão Conta Caixa Lançamentos à débito sem correspondência de crédito" (folhas 49 a 86) e "Levantamentos Bases de Cálculo dos Tributos" (folha 87). Foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL e IRRF (efls. 4/42). Da Fase Contenciosa A contribuinte apresentou impugnações para o IRPJ, CSLL e IRRF (efls. 724/737 e 747/760). A 3ª Turma da DRJ/Recife, nos termos do Acórdão nº 1126.857 (efls. 777/789), julgou os lançamentos procedentes, conforme ementa a seguir. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 NULIDADE. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização. Eventuais falhas desse instrumento não implicam em nulidade do lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. MULTA ISOLADA IRPJ. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a argüição de inconstitucional idade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 14751.000202/200910 Acórdão n.º 9101002.871 CSRFT1 Fl. 1.863 5 competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO PELA EXCLUSÃO DE CHEQUES LANÇADOS A DÉBITO. Para que se opere a neutralidade da escrita contábil, os cheques emitidos pela empresa, compensados por instituição bancária, lançados a débito da conta Caixa, deverão ter correspondente registro a crédito desta conta, pela saída para a efetivação de pagamentos. A falta desse registro legitima a exclusão dos valores indevidamente registrados como ingressos, sendo que a apuração de saldo credor de caixa evidencia omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CUSTOS DE RECEITAS OMITIDAS. Na tributação da omissão de receita não se cogita da dedução de custos ou despesas. Em princípio, estes devem ser considerados como já tendo sido computados pelo sujeito passivo, no cálculo do lucro líquido, assegurado àquele o direito de infirmar tal pressuposição por meio da apresentação de provas em contrário. INDEDUTIBILIDADE DO PIS E DA COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO. O PIS e a COFINS, com exigibilidade suspensa em face de impugnação administrativa, não são dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL lançados de oficio. AUTO REFLEXO. CSLL. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação dele decorrente. Foi interposto recurso voluntário (efls. 794/818) pela Contribuinte, apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 13/06/2012. Decidiu o Acórdão nº 1103000.712 (efls. 1732/1745) negar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 14751.000202/200910 Acórdão n.º 9101002.871 CSRFT1 Fl. 1.864 6 Anocalendário: 2004 Ementa: MATÉRIA PRECLUSA. IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. MULTA ISOLADA IRPJ. A matéria não impugnada não pode ser objeto de recurso. OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. RECOMPOSIÇÃO PELA EXCLUSÃO DE CHEQUES LANÇADOS A DÉBITO. Para que se opere a neutralidade da escrita contábil, os cheques emitidos pela empresa, compensados por instituição bancária, lançados a débito da conta Caixa, deverão ter correspondente registro a crédito desta conta, pela saída para a efetivação de pagamentos. A falta desse registro legitima a exclusão dos valores indevidamente registrados como ingressos, sendo que a apuração de saldo credor de caixa evidencia omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 1752/1364). Reclama que seja declarada nulidade da decisão da turma a quo por cerceamento do direito de defesa vez que não teriam sido analisados documentos apresentados por ocasião da interposição do recurso voluntário. Discorre no mérito que o princípio da legalidade deve prevalecer sobre a presunção, e que seria descabida presunção sobre tributo inválido ou inexistente vez que viola o artigo 3º do CTN, razão pela qual se equivoca o acórdão recorrido ao entender que a presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada seria uma presunção legal. Em relação ao saldo credor da caixa, aduz que não haveria infração porque os cheques objeto da autuação foram emitidos e devidamente compensados, e estavam destinados todos ao pagamento de fornecedores e outras despesas, como se pode observar a partir dos demonstrativos e microfilmagens constantes nos autos e que não foram analisadas pela instância a quo, e sustentou ainda que a mera falta de identificação das respectivas contrapartidas de lançamentos a crédito (saídas de caixa) não seria motivo suficiente para desconsiderar os lançamentos efetuados a débito (ingressos de caixa) de modo a se consumar a presunção legal. Sobre a presunção relativa aos depósitos bancários de origem não comprovada, teria incorrido em erro a Fiscalização ao considerar lucro tudo aquilo que entrou na conta corrente da empresa, quando, na realidade, deveria ser observada a origem de cada valor para que só assim pudesse ser enquadrado legalmente como lucro ou não, para fins de incidência do imposto. O despacho de exame de admissibilidade de efls. 1838/1846, ratificado pelo despacho de reexame de exame de admissibilidade de efls. 1847/1850, deu seguimento parcial ao recurso especial da Contribuinte, para a matéria saldo credor de caixa. Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 14751.000202/200910 Acórdão n.º 9101002.871 CSRFT1 Fl. 1.865 7 A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 1852/1856). Discorre que no caso a contribuinte efetuou registros a débito da conta Caixa de valores referentes a cheques por ela emitidos, e foi verificado que os cheques lançados a débito da conta foram objeto de compensação bancária e não foram identificados os correspondentes lançamentos a crédito na mesma conta, os quais deveriam indicar a destinação de tais recursos. Se foram objeto de compensação bancária, os recursos saíram do Caixa da empresa. Contudo, tais saídas não foram contabilizadas como crédito na conta Caixa. Por isso, procedeu corretamente a autoridade autuante ao recompor o saldo da conta Caixa, e, uma vez excluídos os cheques compensados, apurouse o saldo credor. Requer pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Admissibilidade. Há que se apreciar, inicialmente, a admissibilidade do recurso especial interposto pela Contribuinte. De acordo com o despacho de exame de admissibilidade, teriam sido apresentados quatro "pontos" de divergência: (1) cerceamento do direito de defesa; (2) autuação lastreada em presunção; (3) omissão de receitas por saldo credor de caixa; (4) omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada. Encaminhou no sentido de dar seguimento parcial ao recurso (referendado pelo despacho de reexame de admissibilidade), apenas para o "ponto" 3, omissão de receitas por saldo credor de caixa. Ocorre que o despacho discorre sobre característica peculiar do recurso: Aduz a recorrente que o acórdão proferido, ao negar provimento ao recurso voluntário interposto, “não vislumbrou a ocorrência de cerceamento do direito de defesa, não analisou a documentação juntada, bem como não reconheceu a inexistência de omissão de receita.”, e que “consoante restará demonstrado, a decisão deu interpretação divergente aos arts. 16,18 e 59 do Decreto n° 70.235/72, ao art. 3° do Código Tributário Nacional e ao art. 42 da Lei n° 9.430/96.” Afirma ainda que tais dispositivos foram devidamente analisados e discutidos, tendo em vista que foram objeto do recurso voluntário, caracterizando o prequestionamento. A partir deste ponto, o seu recurso está estruturado entre os itens “III Da nulidade do julgadoCerceamento do direito de defesa” e “IV Das razões de reforma da decisão”, este último subdividido em “Da presunção X legalidade”, “Da omissão de receitas – saldo credor de caixa”, e “Da omissão de receitas – presunção – depósitos bancários de origem não comprovada”. Na verdade verificase que, inserida no item que trata das Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 14751.000202/200910 Acórdão n.º 9101002.871 CSRFT1 Fl. 1.866 8 “razões de reforma”, encontramse menções específicas à existência de divergência jurisprudencial e indicação de paradigmas. Assim, com algum esforço, buscase assim sintetizar os pontos com relação os quais pretende a recorrente demonstrar a existência de divergência: (i) cerceamento do direito de defesa; (ii) autuação lastreada em presunção; (iii) omissão de receitas por saldo credor de caixa; (iv) omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada. (grifei) Nos termos do Regimento Interno do CARF (RICARF), o recurso especial deve, inicialmente, demonstrar divergência jurisprudencial na interpretação da legislação tributária, mediante apresentação de acórdão(s) paradigma(s). Em cotejo com a decisão recorrida, realizase o exame de admissibilidade. Apenas se superado o exame de admissibilidade, passase à apreciação do mérito. Nesse contexto, a peça recursal deve estar devidamente instruída e estruturada de maneira a refletir, com clareza e objetividade, o que se pretende ser objeto de admissibilidade, e depois apreciação de mérito. O que se observa é que, em relação aos pontos (i) cerceamento do direito de defesa e (ii) autuação lastreada em presunção, há menção expressa sobre a divergência. Sobre o primeiro ponto (efl. 1762): NESTE PONTO RESIDE A INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE DA LEI TRIBUTÁRIA, JÁ QUE OUTRAS CÂMARAS E A CÂMARA SUPERIOR CONDIDERAM (sic) POSSÍVEL A JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS EM BUSCA DA VERDADE MATERIAL, QUANDO O ACÓRDÃO RECORRIDO ENTENDEU QUE A MATÉRIA ESTARIA PRECLUSA. (grifos originais) Sobre o segundo ponto (efl. 1767): ASSIM, EVIDENCIASE A DIVERGÊNCIA ENTRE OS ÓRGÃOS JULGADORES, PELO FATO DE QUE A 1ª CÂMARA DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TER APLICADO ERRONEAMENTE O DISPOSTO NO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96, HAJA VISTA QUE A PRESUNÇÃO ALI CONTIDA DEVE SER AFASTADA QUANDO HOUVER COMPROVAÇÃO EM SENTIDO DIVERSO NOS AUTOS. (grifos originais) Registrese que foram matérias cujo seguimento foi negado pelo despacho de exame de admissibilidade e despacho de reexame, e aqui mencionadas a título de exemplo. No que concerne à única matéria no qual foi dado seguimento pelo exame de admissibilidade (3 omissão de receitas por saldo credor de caixa), a Contribuinte em nenhum momento manifestase expressamente pela divergência, como se pode observar pelo inteiro teor do ponto denominado pela Contribuinte "Da Omissão de Receitas Saldo Credor de Caixa": Para melhor entendimento dos argumentos tecidos neste item, é por demais necessário analisar os documentos constantes nos Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 14751.000202/200910 Acórdão n.º 9101002.871 CSRFT1 Fl. 1.867 9 autos. A decisão prolatada no acórdão ora atacado entendeu estar configurada omissão de receita, tendo em vista a ausência de registro de cheques emitidos e compensados, lançados a débito da conta Caixa, que não tinham correspondente registro a crédito dessa conta. No vertente caso, não há se vislumbra a prática de infração legal, haja vista que todos os chegues emitidos foram devidamente compensados e estavam destinados ao pagamento de fornecedores de mercadorias, conta de energia elétrica, pagamento de impostos Municipal, Estadual e Federal, ICMS, PIS, COFINS, dentre outros. Inclusive, estes credores foram os sacadores dos cheques lançados a débito da conta "CAIXA", concomitantemente a crédito da mesma conta contábil, conforme se percebe dos demonstrativos e das microfilmagens constantes nos autos e que não foram analisadas pela instância a quo, limitandose a reprisar a decisão anterior. Certo é que a legislação de regência impõe certas e bem definidas hipóteses para a presunção de infração à legislação e a caracterização da ocorrência do fato gerador da obrigação fiscal de modo que meros indícios de faturamento, desconectados de outros elementos fáticos e contábeis são suficientes para suportar a presunção legal de omissão de receitas tributáveis. Em consonância com essa linha de pensar, decidiu a Câmara Superior. Observese: (...) IRPJ OMISSÃO DE RECEITA SALDO CREDOR DE CAIXA A simples suspeita de que os valores de determinados cheques, objetos de compensação bancária, debitados à conta Caixa, tiveram outra destinação que não suprir a referida conta, fragiliza a presunção de omissão de receitas de trata o artigo 180 do RIR/80. (...) Desse modo, a simples apuração de eventual omissão de receita, por si só, não é elemento bastante para caracterizar a infração, já que inexiste presunção legal que ampare esta imputação. O fato de não dispor de condições de informar os beneficiários ou não comprovar a causa é mero indício que indica a possível ocorrência de um ilícito fiscal, o qual deverá ser apurado concretamente pela autoridade fiscalizadora, o que não foi feito, ante a ausência de análise da documentação apresentada. Além do mais, dentro dessa matéria, impende frisar que o próprio fiscal reconhece o valor como tipicamente sem efeitos tributários, o que reflete uma patente contradição, posto que mencionada receita foi tributada, certamente por isso é que não se pode em se tratando de tributos prevalecer a presunção sobre a legalidade. Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 14751.000202/200910 Acórdão n.º 9101002.871 CSRFT1 Fl. 1.868 10 Assim, merece ser provido o presente recurso. (grifei) Não obstante a ausência de menção expressa da divergência, da leitura do conteúdo do texto e, principalmente, do paradigma apontado (CSRF/0105.258), cuja ementa reflete interpretação divergente àquela dada pela decisão recorrida, precisamente sobre o saldo credor de caixa (art. 12, § 2º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, base legal para o art. 180 do RIR/80 e art. 281, inciso I do RIR/99), inclusive tratando de situação similar (cheques objeto de compensação bancária, debitadas à conta Caixa), entendo que os requisitos previstos no art. 67, Anexo II do RICARF foram atendidos: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (..) § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. (grifei) Foi apresentado um acórdão paradigma (CSRF/0105.258), cuja ementa e argumentação da Contribuinte mostraramse suficiente para demonstrar analiticamente a divergência. Portanto, não há reparos a fazer no despacho de exame de admissibilidade, razão pela qual voto no sentido de dar seguimento parcial do recurso para a matéria Mérito. A princípio, mostrase pertinente esclarecer a origem das presunções legais decorre do fato de que a administração tributária se encontra em uma situação de inferioridade na produção do conhecimento, considerando que a investigação dos fatos, referentes aos atos praticados pelo contribuinte no momento da ocorrência do fato gerador, mostrase praticamente impossível. Precisamente em razão deste distanciamento em relação aos fatos praticados pelo contribuinte e previstos em norma, valese a autoridade fiscal das provas diretas e indiretas. São valiosos os ensinamentos de FRANCESCO CARNELUTTI: Pode atribuir sem vacilo à prova indireta uma maior amplitude do que à prova direta no sentido de que, em primeiro lugar, nem todos os fatos prestamse a ser verificados por meio desta última Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 14751.000202/200910 Acórdão n.º 9101002.871 CSRFT1 Fl. 1.869 11 (não se prestam para isso, precisamente, os fatos passados); além do mais, com freqüência a verificação imediata por parte do órgão judicial supõe uma despesa notavelmente superior à da prova indireta (assim acontece, em especial, quanto aos fatos distantes ocorridos a grande distância da sede do ofício). Do primeiro destes pontos de vista, compreendese que a prova do direito tem de ser sempre indireta, já que a formação de uma norma jurídica, seja de lei, seja de costume, constitui sempre um fato anterior ao processo. Na seara fiscal, observase que a prova da ocorrência da hipótese de incidência prevista na norma tributária, na maioria das vezes, dáse pela produção de provas indiretas, que, segundo o citado mestre, distinguemse em histórica ou representativa e crítica ou presuntiva. As provas históricas ou representativas são obtidas, por exemplo, pela revisão da escrituração do contribuinte e pela análise de documentos, comprobatórios de despesas, como notas fiscais e recibos, transferências bancárias. Por isso, cabe ao contribuinte o cumprimento de obrigações acessórias, que permitiriam um acompanhamento das atividades econômicas da empresa. Contudo, tornase comum o descumprimento dos deveres instrumentais, visando ocultar a ocorrência de fatos jurídicos previstos na norma tributária, prejudicando substancialmente o trabalho da Fiscalização. Opta a contribuinte por não escriturar, ocultar documentos, tudo para não deixar “rastros” de determinada atividade, e lograr êxito em se esquivar de suas obrigações tributárias. Nesse contexto, a administração tributária valese, cada vez mais freqüentemente, das presunções, que se constituem em provas indiretas críticas ou presuntivas. Ensina Carnelutti que podem as presunções ser simples, no qual a lei permite a livre apreciação do juiz, ou legais, devendo ser apreciadas dentro de determinadas regras, sendo que, se for absoluto o vínculo, tratase de presunção legal absoluta (praesumptiones iuris et de iure), por sua vez, se o fato deduzido estiver submetido a uma prova em contrário, refere se a uma presunção legal relativa (praesumptiones iuris tantum). Nesse diapasão, as presunções legais revelamse, há tempos, matéria exaustivamente discutida na administração tributária, mostrandose eficazes na tarefa de proporcionar ao Fisco as evidências necessárias da ocorrência dos fatos geradores previstos em norma. Encontramse consolidadas no ordenamento jurídico pátrio, com amplo respaldo da doutrina, do qual se mostram esclarecedores as observações de MARIA RITA FERRAGUT 1 ao discorrer sobre o princípio da legalidade: O desrespeito à legalidade é um dos principais argumentos que se tem contra a utilização das presunções para a criação de obrigações tributárias, tendo em vista que o crédito é constituído a partir da ocorrência de fatos indiciários não tipificados na regramatriz de incidência tributária, como sendo aptos a dar ensejo ao nascimento da obrigação. 1 FERRAGUT, Maria Rita. Presunções no Direito Tributário, 2ª edição. São Paulo : Quartier Latin, 2005, p. 169. Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 14751.000202/200910 Acórdão n.º 9101002.871 CSRFT1 Fl. 1.870 12 Ocorre parecernos um equívoco afirmar que a obrigação nasce em virtude de fato não previsto na regramatriz de incidência tributária. Ora, diante de tudo o que já foi exposto até aqui, temos que as presunções constituemse em meio de prova que contribui para a eficácia jurídica da norma. E, se á assim, não se trata de alegra que a obrigação decorre de fato não previsto na regramatriz, as de se reconhecer que o conhecimento do evento descrito no fato jurídico típico dáse de forma indireta, com base me fatos indiciários graves, precisos e concordantes no sentido da ocorrência pretérita do evento diretamente desconhecido. E nada há de ilegal ou inconstitucional nisso, já que a necessidade da identificação da verdade material torna imperiosa a busca dos fatos presuntivos de riqueza. (grifei) Prossegue a abalizada doutrina, ao discorrer sobre o passivo fictício 2: Passivo fictício é o inexistente, e referese tanto à não indicação, na escrituração, de saldo credor de caixa, como à falta de escrituração de pagamentos efetuados e à manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada (...). Implica saldo credor da empresa, tornando provável ter havido mais saídas (pagamentos) que entradas oficiais de dinheiro, e com isso o não pagamento dos tributos devidos. (...) Como exemplo de provas contrárias à presunção poderíamos citar a demonstração de que a pendência de obrigações, no passivo, compensase com a pendência em conta de ativo, a prova de que as obrigações foram pagas com cheques e que estes somente foram levados a débito no mês seguinte ao do encerramento do balanço. (grifei) Por isso a presunção legal de omissão de receitas, vez que os lançamentos contábeis indicam manobra no sentido de ocultar o ingresso de recursos tributáveis. Constatou a autoridade autuante, ao analisar a conta Caixa, que vários lançamentos a débito na conta tiveram como contrapartida lançamento a crédito na conta Bancos. Intimada a esclarecer a situação, explicou a Contribuinte que seriam pagamentos efetuados a fornecedores, no qual teria adotado o seguinte procedimento: a cada pagamento efetuado pelo banco, efetuava dois registros, primeiro, lançava a crédito a conta Banco e a débito a conta Caixa, e segundo, lançava a débito a conta Caixa e a débito a conta de obrigação com o Fornecedor a ser liquidada. A autoridade fiscal selecionou os lançamentos a débito na conta Caixa, a intimou a Contribuinte a apresentar comprovantes (cópia de cheque, nota fiscal, dentre outros) aptos a comprovar que os lançamentos a débito tiveram, efetivamente, contrapartida a crédito em conta de obrigação para pagamento de Fornecedores. 2 FERRAGUT, 2005, p. 23940. Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 14751.000202/200910 Acórdão n.º 9101002.871 CSRFT1 Fl. 1.871 13 A Contribuinte apresentou documentação, relativa a cheques pagos para Fornecedores e efetivamente compensados, aptos a demonstrar o pagamento. Na planilha de e fls. 43/51, denominada "Contabilidade Razão Conta Caixa Seleção de lançamentos a débito e a crédito com mesmo valor e na mesma data", a autoridade autuante consolidou os lançamentos contábeis devidamente lastreados e que não foram objeto de autuação. Contudo, na planilha de efls. 52/89, nas colunas de "A" até "M", foram consolidados os lançamentos contábeis no qual não foi possível identificar, para o lançamento a débito na conta Caixa, lançamento a crédito na mesma conta com contrapartida para lançamento a débito em conta de obrigação relativa a pagamento para Fornecedores. Assim, ao excluir da conta Caixa os lançamentos a débito cuja destinação não foi comprovada, apurouse um saldo credor. Entendo não haver reparos ao procedimento adotado pela autoridade fiscal. A autuação fiscal decorreu de constatação no qual se constatou movimentação financeira incompatível com a receita declarada para o anocalendário de 2004. Diante de situação atípica, no qual um substancioso volume de lançamentos a débito na conta Caixa tinham como contrapartida lançamentos a crédito na conta Bancos, a Contribuinte foi em reiteradas oportunidades intimada a esclarecer a situação. Como já dito, discorreu que se tratavam de pagamentos a fornecedores. Intimada a comprovar a ocorrência dos pagamentos, apresentou documentação apta a demonstrar apenas parte dos lançamentos contábeis. Assim, diante dos fatos apurados no decorrer da fase inquisitória, identificou a ocorrência de fatos indiciários que se amoldaram perfeitamente à hipótese de incidência previstas para a presunção legal do inciso I, art. 281 do RIR/99: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; E como já dito, mediante exclusão os lançamentos a débito na conta Caixa cuja destinação não foi demonstrada, apurouse ao final um saldo credor, base para presunção legal de omissão de receitas. Em tese, diante de tal constatação, poderseia argumentar que o recurso da Contribuinte deveria ser negado, tendo em vista que interpretação trazida pela paradigma, em tese, não teria sido acolhida. Contudo, não há óbice para que a Contribuinte, no decorrer da fase contenciosa, possa apresentar documentação probatória apta a desconstituir a presunção legal. E na fase contenciosa, por ocasião da apresentação do recurso voluntário, apresentou a Contribuinte documentação (cópia de cheques), visando demonstrar a efetividade dos pagamentos aos fornecedores. Apresenta um índice dos documentos nas planilhas de efls. 819/830, relacionando o número do cheque, data de lançamento, valor e o fornecedor a quem Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 14751.000202/200910 Acórdão n.º 9101002.871 CSRFT1 Fl. 1.872 14 foi efetuado o pagamento. Na sequência, às efls. 840/1730, encontrase as microfilmagens dos cheques. Ocorre que tal documentação foi solenemente ignorada pela decisão de turma ordinária. Sequer há menção no Acórdão nº 1103000.712 sobre a apresentação dos documentos. Limitase a reproduzir, na íntegra, a decisão proferida pela DRJ, ocasião em que a documentação probatória complementar ainda não havia sido apresentada. Restou caracterizado cerceamento do direito de defesa, na medida em que a turma a quo deixou de analisar a documentação acostada aos autos pela Contribuinte por ocasião da interposição do recurso voluntário. Em uma rápida análise, observase que a documentação diz respeito à matéria em debate. Por exemplo, na efl. 56, em planilha elaborada pela autoridade fiscal para apurar a base de cálculo do saldo credor de caixa, o registro "VL DE N/CHEQUE N. 0011897", Banco Bradesco, no valor de R$20.473,27, de 30/01/2004, do qual não havia, durante a ação fiscal, sido comprovada a efetividade do pagamento. Por sua vez, na efl. 1088, apresentada pela Contribuinte como documentação probatória junto ao recurso voluntário, consta microfilme de cheque nº 011897, Banco Bradesco, ao sacador Sadia, de 30 de janeiro de 2004, no valor de R$20.473,27. Outro exemplo: na efl. 59, na mencionada planilha elaborada pela autoridade fiscal, consta o registro "VL DE N/CHEQUE N. 0012116", Banco Bradesco, no valor de R$52.086,76, de 20/02/2004, do qual não havia, durante a ação fiscal, sido comprovada a efetividade do pagamento. Na efl. 1062, apresentada pela Contribuinte como documentação probatória junto ao recurso voluntário, consta microfilme de cheque nº 012116, Banco Bradesco, ao sacador Perdigão, de 20 de fevereiro de 2004, no valor de R$52.086,76. Verificase que restou caracterizado cerceamento de defesa, causa de nulidade prevista no Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Registrese que a Contribuinte, ao apresentar o primeiro "ponto" de divergência no seu recurso especial, destacou precisamente esta situação, pugnando pelo reconhecimento da preterição do direito de defesa tendo em vista que sua documentação não foi analisada pela turma ordinária do CARF. E, como visto, não foi dado seguimento ao primeiro "ponto" pelo despacho de exame de admissibilidade. Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 14751.000202/200910 Acórdão n.º 9101002.871 CSRFT1 Fl. 1.873 15 Ocorre que, nos presentes autos, foi dado seguimento para a discussão de outra matéria, "saldo credor de caixa", presunção legal que pode ser desconstituída mediante apresentação de provas. E, uma vez superado o estreito filtro da admissibilidade, a cognição para a apreciação do mérito se amplia. O art. 1034 do Código de Processo Civil dispõe com clareza: Art. 1.034. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial, o Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça julgará o processo, aplicando o direito. Parágrafo único. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial por um fundamento, devolvese ao tribunal superior o conhecimento dos demais fundamentos para a solução do capítulo impugnado. (grifei) Na realidade, conforme a abalizada doutrina de NELSON NERY JÚNIOR e ROSA MARIA DE ANDRADE NERY 3, o dispositivo vem consagrar a súmula do STF nº 456 (O Supremo Tribunal Federal, conhecendo do recurso extraordinário, julgará a causa, aplicando o direito à espécie) e o Regimento Interno do STJ, art. 257 (No julgamento do recurso especial, verificarseá, preliminarmente, se o recurso é cabível. Decidida a preliminar pela negativa, a Turma não conhecerá do recurso; se pela afirmativa, julgará a causa, aplicando o direito à espécie). Passandose pela primeira etapa, o exame de admissibilidade, a etapa seguinte, apreciação do mérito, demanda a aplicação do direito. Ou seja, não fica o julgador limitado estritamente aos fundamentos aduzidos pelas partes. Pelo contrário, tem liberdade para aplicar o direito ao caso concreto, o que lhe permite, inclusive, decidir pela nulidade caso identifique situação prevista pela legislação. Cumpre esclarecer que a nulidade no presente caso está sendo reconhecida só porque o exame de admissibilidade foi superado nos termos previstos no art. 67 do Anexo II do RICARF. Foi apresentada matéria no qual foi demonstrada interpretação divergente da legislação tributária, e por isso se passou para a apreciação do mérito. A título de exemplo, caso o presente Colegiado, ao apreciar a admissibilidade da matéria saldo credor de caixa, decidisse no sentido de não conhecer o recurso especial, estaria consumada a coisa julgada administrativa, ou seja, não haveria possibilidade de se falar em nulidade. De qualquer forma, como foi admitida a matéria saldo credor de caixa, presunção de omissão de receitas, passouse para a segunda etapa, no qual, aplicandose o direito, é incontestável que a documentação apta e idônea pode afastar a presunção legal. E, tendo sido subtraída a apreciação das provas pela turma a quo, não há como se deixar de identificar a nulidade. Enfim, na eventualidade de presente Colegiado não se sensibilizar com a arguição de nulidade, e resolver se debruçar sobre a apreciação das provas, incorreria em outro incidente processual: supressão de instância. 3 JÚNIOR, Nelson Nery. Comentários ao Código de Processo Civil. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015, p. 2173. Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 14751.000202/200910 Acórdão n.º 9101002.871 CSRFT1 Fl. 1.874 16 Isso porque a documentação a ser apreciada demanda uma análise do qual pode caber uma eventual contestação. Poderia o presente Colegiado se manifestar sobre provas, diante da perspectiva de se aplicar o direito, desde que já tivesse havido uma manifestação anterior da turma a quo e/ou que a prova fosse contundente/conclusiva (por exemplo, DARF comprovando pagamento para fins de contagem de prazo decadencial, o que tornaria prescindível eventual retornos dos autos). No caso em tela, é incontroverso que a turma a quo não apreciou os documentos. A partir do momento em que as provas apresentadas foram analisadas, podem ser objeto de contestação pela outra parte, por envolverem microfilmagem e documento preenchido à mão livre (cheque), ocasionando dúvidas mesmo quanto à identificação do tomador do título de crédito (beneficiário do pagamento). Nesse contexto, caso o presente Colegiado se manifeste, perdem as partes uma instância para a análise e contestação da documentação. De qualquer forma, entendo que prevalece a tutela do cerceamento do direito de defesa, tutela tão valiosa que se encontra prevista de maneira expressa na legislação processual administrativa tributária. E, sendo o cerceamento do direito de defesa incorrido pela turma a quo vício insanável, a decisão deve ser declarada nula, por vício formal (art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235, de 1972 PAF), e os autos devem retornar para a instância a quo para novo julgamento, levandose em consideração a documentação probatória acostada pela Contribuinte junto ao recurso voluntário. Nesse sentido, dou provimento parcial ao recurso especial interposto para a Contribuinte, para que seja declarada a nulidade do Acórdão nº 1103000.712, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 13/06/2012, e determinar o retorno dos autos para a câmara baixa do CARF para novo julgamento, levandose em consideração a documentação probatória acostada no recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Fl. 1874DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.902780/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.362
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente COTRIL MOTORS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 80 /2 01 1- 82 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10120.902780/201182 Acórdão n.º 3301003.362 S3C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS NãoCumulativa – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de COFINS nãocumulativa, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.401. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10120.902780/201182 Acórdão n.º 3301003.362 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10120.902780/201182 Acórdão n.º 3301003.362 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10120.902780/201182 Acórdão n.º 3301003.362 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10120.902780/201182 Acórdão n.º 3301003.362 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.724184/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos apontados pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Tulio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
RELATÓRIO
Trata-se de Recurso Voluntário, contra Acórdão da DRJ/SDR que, por unanimidade, decidiram por manter a integralidade do crédito apurado nos Autos de Infração integrantes do processo nº 13603.724184/2012-00.
Por bem retratar o corrido na demanda, adotaremos parte do relatório da decisão recorrida:
"Trata-se de processo que inclui o Auto de Infração (AI) lavrado em 23/12/2012 por descumprimento de obrigações tributárias principais, sob o seguinte DEBCAD nº: 37.353.369-1.
A ação fiscal foi autorizada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF nº 061.1000.2012.00483, código de acesso 91732816, e iniciada com o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, cientificado pessoalmente pelo contribuinte.
Consta ainda do Relatório Fiscal que:
O Auto de Infração DEBCAD n° 37.353.369-1 contém os seguintes Levantamentos discriminados a seguir:
a) Levantamentos AB e AB2, discriminados na planilha número 2 denominada SALÁRIOS CONFORME DIRF, os quais foram arbitrados pela fiscalização, pois são valores de remunerações declarados pelo sujeito passivo por meio da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF e não incluídos em folhas de pagamento e na GFIP, conforme discriminados no correspondente Discriminativo de Débito - DD;
b) Levantamentos AK e AK2, discriminados na planilha número 11 denominada DIRF MAIOR QUE FP SE e no correspondente Discriminativo de Débito - DD;
tais remunerações foram arbitradas pela fiscalização, por meio do confronto entre os valores pagos aos segurados empregados apurados por meio do exame das folhas de pagamento de salário exibidas em arquivo digital no formato MANAD, discriminados na planilha e os valores declarados pelo sujeito passivo em DIRF para os mesmos empregados, também discriminados na citada planilha;
2) Os arbitramentos realizados pela fiscalização e descritos nas alíneas acima estão em conformidade com o estipulado no parágrafo 3° do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991.
A empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda foi cientificada do lançamento por via postal em 03 de janeiro de 2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 105.
Em 01 de fevereiro de 2013, apresenta impugnação, alegando, em síntese, o que se relata a seguir.
Da inexistência de solidariedade. A fiscalização, após apurar supostas inconsistências na RAIS, imputou responsabilidade solidária à URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda, sem, contudo, apontar, na verdade, os motivos jurídicos e fáticos. Simplesmente, o agente fiscalizador entendeu pela existência de um grupo econômico de fato, sob o seu pseudo fundamento de que se estaria diante de um grupo de empresas com direção, controle e administração exercidos direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. O trabalho fiscal deveria ter sido conduzido de maneira mais aprofundada, pautando pela verdade, no sentido de realmente apurar a existência ou não de grupo econômico de fato e, mais, deveria ter procedido à leitura dos fatos à luz das regras tributárias, notadamente o art. 128, do CTN, que é o pilar de sustentação de toda a responsabilização tributária, eis que dele se denota a existência de condição sine qua non à solidariedade - vinculação ao fato gerador praticado. Ou seja, só se pode admitir a imposição de responsabilidade a terceiro quando este necessariamente mantiver vinculação com o fato imponível. Em outras palavras, imputar responsabilidade solidária a determinada pessoa não praticante do fato gerador requer que esse terceiro tenha controle da situação, inclusive para até mesmo impedir a sua prática por parte do sujeito passivo. Em primeiro lugar, como pode haver grupo econômico de fato entre o contribuinte e a URB Mix Concreto Ltda se a mesma não gera faturamento algum desde 2007, não contrata empregados, não realiza qualquer tipo de atividade? Em segundo lugar, a WIR Feira Shopping Ltda possui objeto social completamente distinto do praticado pelo contribuinte, conforme demonstra o seu contrato social. Em terceiro lugar, o Consórcio Urb Topo Marins, como a própria razão social indica, trata-se de uma Sociedade de Propósito Específico - SPE criada finalisticamente para atender um determinado evento (obra específica), que inclusive será formalmente encerrada após a conclusão do contrato. Despiciendo lembrar que consórcio é um tipo societário sui generis, já que nesse não há uma corporificação, eis que ambas as empresas consorciada simplesmente envidam esforços mútuos, estrutura e mão de obra próprias para a realização daquela específica atividade. Além disso, o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8212/1991 carece ser interpretado à luz da regra contida no art. 128, do CTN. Nesse sentido, os incisos do art. 124, do CTN, ao dispor sobre a solidariedade, devem ser interpretados à luz da regra insculpida no art. 128, do mesmo Repositório Tributário. Inclusive, o inciso II, que descreve a solidariedade entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deve ser interpretado abstraindo-se quaisquer tipos de interesses econômicos no fato gerador, eis que apenas deverá ser observada a existência ou não da prática de condutas concomitantes. Em outras palavras, somente quando o fato gerador seja praticado por mais de uma pessoa (contribuinte) é que haverá o interesse comum exigido pelo inciso II, do art. 124, do CTN.
Ademais, salvo nas hipóteses de simulação, fraude ou de qualquer outro ardil, as relações jurídicas travadas por uma sociedade não interferem na esfera jurídica das demais sociedades do grupo. Sim, somente quando presentes os motivos que possam ensejar a superação episódica da personalidade jurídica é que se admite a responsabilização às demais sociedades integrantes do grupo, sem necessidade da presença de outros requisitos, conforme, aliás, já decidiu o STJ (STJ 3ª Turma, REsp 228.357/SP, Rel. Min. Castro Filho, 2003). A sociedade que domine a direção unitária do grupo apenas define questões estratégicas, mas não desenvolvem concretamente o objeto social das demais sociedades, não se vinculando aos fatos geradores realizados. A atribuição de responsabilidade solidária é permitida quando a direção do grupo, além de decidir pela realização do fato gerador em si, igualmente exerce a atividade tributária (cumprimento das obrigações principal e acessória). Portanto, mister se faz a presença da competência decisória concreta e não em função de simplesmente pertencer ao grupo, sob pena de violar o preceito contido no art. 128, do CTN. Simples interesse econômico não justifica a imputação de solidariedade. O ônus de fazer tais provas pertence unicamente ao fisco ex vi do art. 142 e 149, do CTN. E inexiste nos presentes autos qualquer elemento concreto de prova que possa validamente atribuir responsabilidade solidária às empresas retro citadas. Diante dos fatos, é medida imperativa o cancelamento da solidariedade imputada às sociedades URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda.
Do caráter pessoal atribuído às infrações. Outro aspecto que merece destaque é a ilegalidade em se exigir das empresas tidas como solidárias o pagamento da multa pelo não recolhimento tributário. Isso porque a multa nada mais é do que uma sanção (condenação) pelo descumprimento de determinada obrigação. A multa exigida em razão de uma infração tributária não pode validamente ser exigida daquelas empresas que não praticaram de per si o fato gerador, ainda que existisse um grupo formalmente organizado, eis que faltará o nexo de causalidade, motivo pelo qual apenas a sociedade infratora é quem poderá ser apenada. Assim, tendo em vista o caráter pessoal da pena prevista no art. 5º, inciso XLV, da CF/88, em caso de descumprimento de obrigação tributária, tão somente ao contribuinte (aquele que pratica o fato gerador) é que poderá ser imputado o ônus de pagar as multas exigidas pela legislação. Portanto,as multas, se porventura devidas, somente poderão ser exigidas do contribuinte.
Da regra do art. 123 do CTN às avessas. A forma com que o fisco está atribuindo responsabilidade solidária às demais empresas nada mais é do que aplicar às avessas a regra estatuída no art. 123, do CTN. Portanto, se, salvo disposição legal em contrário, não podem os contribuintes alterar por convenção particular as regras tributárias relativas à definição legal do sujeito passivo, da mesma forma não pode o fisco se valer pura e simplesmente dos instrumentos societários para sobretudo impingir solidariedade passiva fora pelo princípio da pessoalidade das sanções.
Em 05 de fevereiro de 2014 foi solicitada diligência fiscal pela 7ª Turma da DRJ/SDR (fls. 277-278), com a finalidade de justificação do método (aferição indireta)
utilizado para a apuração do crédito sob exame.
Em atendimento à diligência solicitada, a Fiscalização lavra Informação Fiscal, datada de 06 de março de 2014, aduzindo, em síntese o que segue:
1) No Relatório Fiscal referente ao processo acima mencionado está informado que há salários de contribuições pagos a segurados empregados e a contribuinte individual não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP - itens 2 (fls. 18);
2) A Fiscalização após examinar, como está legalmente autorizada, as DIRF da Autuada e confrontar os valores por ela declarados com os declarados em GFIP e nas folhas de pagamento de salários, constatou divergências entre tais valores; assim a intimou para apresentar os esclarecimentos conforme comprovado por meio do Termo de Intimação Fiscal - TIF n° 01 - item 8, recebido pela autuada em 19/11/2012, conforme cópia do mesmo anexada ao processo acima referenciado (fls. 52). Assim, os créditos arbitrados conforme as remunerações insertas na Declaração do Imposto de Renda - DIRF, só o foram após a intimação citada ter sido atendida sem que a Autuada lograsse esclarecer a respeito das diferenças apuradas;
3) A Fiscalização constatou que a Autuada utiliza para os valores de remunerações declarados em DIRF o regime de caixa e, portanto os valores referentes a pagamentos realizados em 10/2009 são declarados na competência 09/2009 para efeitos previdenciários (folha de pagamento e GFIP) e na competência 10/2009 para a DIRF;
4) Há que se considerar que o arbitramento da remuneração paga, devida ou creditada a empregado justifica-se quando, a partir de informações obtidas em fontes internas (sistemas corporativo da RFB, subsídio fiscal, processos de restituição) e/ou fontes externas confiáveis (Justiça do Trabalho, Sindicatos), o auditor-fiscal firmar convicção de que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos empregados do sujeito passivo ou os documentos do sujeito passivo registram remuneração inferior à efetivamente paga;
5) Há que se considerar que nas empresas em geral, o arbitramento da remuneração de empregados pode ser realizado com fundamento na base de cálculo do imposto de renda retido na fonte obtida na DIRF, sendo que no caso presente o foi apenas após a autuada ter sido intimada a apresentar o motivo de haver divergências de valores (FP X GFIP X DIRF);
6) Há que se considerar que os livros contábeis e fiscais do sujeito passivo e de terceiros geralmente são fontes importantes de comprovação da ocorrência de infração tributária. A infração pode ser verificada diretamente nos livros ou por meio do confronto entre livros e outros documentos. O Auditor-Fiscal deve juntar todos os elementos necessários à comprovação da infração, demonstrando no processo a escrituração feita nos livros ou a omissão de registro obrigatório. A Fiscalização examinou sim a contabilidade da Autuada, tanto que apurou fatos geradores de contribuições não declaradas em GFIP na escrituração contábil, conforme consta no Relatório Fiscal do processo número 13603724043/2012-89. A Fiscalização considerou ser seu dever, além de examinar a escrituração contábil, questionar a Autuada a respeito de possíveis fatos geradores existentes em outras fontes de informações disponíveis e só promover as devidas autuações após ter intimado a empresa sem que a mesma lograsse elidir a existência de fatos geradores não escriturados, não declarados em GFIP e não lançados em folha de pagamento. Em resumo, a fiscalização considera que não pode se omitir, apesar de examinar a escrituração contábil, de apurar fatos geradores existentes em outros livros e documentos e não oferecidos à tributação pela empresa;
7) Há que se considerar que verificada a constatação das diferenças de remunerações, ou seja, fato gerador da contribuição previdenciária, mediante o confronto das folhas de pagamento com as declarações, DIRF e GFIP, e não sendo esclarecidas pela empresa fiscalizada, a autoridade lançadora afirma que agiu com acerto e de acordo com as normas vigentes, vez que o ato administrativo é vinculado, nos termos do que disciplina o artigo 142 do CTN - Código Tributário Nacional;
8) A prova material em que se baseou o lançamento foi o batimento entre a folha de pagamento, a GFIP e a DIRF onde foram encontrados beneficiários que não estavam declarados em GFIP e não constavam das folhas de pagamento.
O sujeito passivo foi cientificado do resultado da diligência fiscal em 03/04/2014 (AR à fl. 288). Embora cientificado, o sujeito passivo não se manifestou nos autos."
Em seu recurso reprisa os fundamentos da impugnação.
Compulsando os autos, verificamos a existência de ofício da PGFN informando a respeito de possível concomitância de processo judicial, porém não juntou as peças para confirmação do alegado.
É o relatório.
VOTO
Conselheiro - Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Partindo da informação apresentada pela PGFN, consultamos o site da Justiça Federal de Minas Gerais - TRF1 e verificando a existência do citado processo.
A página de consulta indica que a demanda abrange os processos administrativos tributários de nº 13603724185201246, 13603724037201221, 13603724038201276, 13603724043201289, 13603724181201268, 13603724182201211, 13603724183201257, 13603724184201200, 13603724186201291.
Apesar de parecer verossímil a alegação de existência de concomitância informada pela PGFN, por não constar dos autos, deste processo administrativo, as cópias integrais do referido processo judicial ou mesmo da inicial, não é possível, com segurança, afirmar que exista identidade de objeto, causa de pedir e pedido, tendo por conseqüência a declaração de desistência da via administrativa.
Considerando que a demanda ora analisada não versa exclusivamente sobre os créditos em si, abrangendo também a questão de existência de solidariedade entre os participantes do grupo econômico, caso a discussão judicial verse apenas quanto aos créditos, sem tratar da discussão de solidariedade, está deverá ser objeto de analise por este colegiado.
Ainda, sem as peças não é possível nem mesmo afirmar que existe concomitância, eis que, a mera alegação da PGFN de que a matéria discutida refere-se ao cancelamento dos respectivos lançamentos desacompanhada de provas não é suficiente para formar o convencimento deste relator.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos apontados pelo Relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Tulio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário, contra Acórdão da DRJ/SDR que, por unanimidade, decidiram por manter a integralidade do crédito apurado nos Autos de Infração integrantes do processo nº 13603.724184/2012-00. Por bem retratar o corrido na demanda, adotaremos parte do relatório da decisão recorrida: "Trata-se de processo que inclui o Auto de Infração (AI) lavrado em 23/12/2012 por descumprimento de obrigações tributárias principais, sob o seguinte DEBCAD nº: 37.353.369-1. A ação fiscal foi autorizada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF nº 061.1000.2012.00483, código de acesso 91732816, e iniciada com o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, cientificado pessoalmente pelo contribuinte. Consta ainda do Relatório Fiscal que: O Auto de Infração DEBCAD n° 37.353.369-1 contém os seguintes Levantamentos discriminados a seguir: a) Levantamentos AB e AB2, discriminados na planilha número 2 denominada SALÁRIOS CONFORME DIRF, os quais foram arbitrados pela fiscalização, pois são valores de remunerações declarados pelo sujeito passivo por meio da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF e não incluídos em folhas de pagamento e na GFIP, conforme discriminados no correspondente Discriminativo de Débito - DD; b) Levantamentos AK e AK2, discriminados na planilha número 11 denominada DIRF MAIOR QUE FP SE e no correspondente Discriminativo de Débito - DD; tais remunerações foram arbitradas pela fiscalização, por meio do confronto entre os valores pagos aos segurados empregados apurados por meio do exame das folhas de pagamento de salário exibidas em arquivo digital no formato MANAD, discriminados na planilha e os valores declarados pelo sujeito passivo em DIRF para os mesmos empregados, também discriminados na citada planilha; 2) Os arbitramentos realizados pela fiscalização e descritos nas alíneas acima estão em conformidade com o estipulado no parágrafo 3° do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991. A empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda foi cientificada do lançamento por via postal em 03 de janeiro de 2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 105. Em 01 de fevereiro de 2013, apresenta impugnação, alegando, em síntese, o que se relata a seguir. Da inexistência de solidariedade. A fiscalização, após apurar supostas inconsistências na RAIS, imputou responsabilidade solidária à URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda, sem, contudo, apontar, na verdade, os motivos jurídicos e fáticos. Simplesmente, o agente fiscalizador entendeu pela existência de um grupo econômico de fato, sob o seu pseudo fundamento de que se estaria diante de um grupo de empresas com direção, controle e administração exercidos direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. O trabalho fiscal deveria ter sido conduzido de maneira mais aprofundada, pautando pela verdade, no sentido de realmente apurar a existência ou não de grupo econômico de fato e, mais, deveria ter procedido à leitura dos fatos à luz das regras tributárias, notadamente o art. 128, do CTN, que é o pilar de sustentação de toda a responsabilização tributária, eis que dele se denota a existência de condição sine qua non à solidariedade - vinculação ao fato gerador praticado. Ou seja, só se pode admitir a imposição de responsabilidade a terceiro quando este necessariamente mantiver vinculação com o fato imponível. Em outras palavras, imputar responsabilidade solidária a determinada pessoa não praticante do fato gerador requer que esse terceiro tenha controle da situação, inclusive para até mesmo impedir a sua prática por parte do sujeito passivo. Em primeiro lugar, como pode haver grupo econômico de fato entre o contribuinte e a URB Mix Concreto Ltda se a mesma não gera faturamento algum desde 2007, não contrata empregados, não realiza qualquer tipo de atividade? Em segundo lugar, a WIR Feira Shopping Ltda possui objeto social completamente distinto do praticado pelo contribuinte, conforme demonstra o seu contrato social. Em terceiro lugar, o Consórcio Urb Topo Marins, como a própria razão social indica, trata-se de uma Sociedade de Propósito Específico - SPE criada finalisticamente para atender um determinado evento (obra específica), que inclusive será formalmente encerrada após a conclusão do contrato. Despiciendo lembrar que consórcio é um tipo societário sui generis, já que nesse não há uma corporificação, eis que ambas as empresas consorciada simplesmente envidam esforços mútuos, estrutura e mão de obra próprias para a realização daquela específica atividade. Além disso, o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8212/1991 carece ser interpretado à luz da regra contida no art. 128, do CTN. Nesse sentido, os incisos do art. 124, do CTN, ao dispor sobre a solidariedade, devem ser interpretados à luz da regra insculpida no art. 128, do mesmo Repositório Tributário. Inclusive, o inciso II, que descreve a solidariedade entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deve ser interpretado abstraindo-se quaisquer tipos de interesses econômicos no fato gerador, eis que apenas deverá ser observada a existência ou não da prática de condutas concomitantes. Em outras palavras, somente quando o fato gerador seja praticado por mais de uma pessoa (contribuinte) é que haverá o interesse comum exigido pelo inciso II, do art. 124, do CTN. Ademais, salvo nas hipóteses de simulação, fraude ou de qualquer outro ardil, as relações jurídicas travadas por uma sociedade não interferem na esfera jurídica das demais sociedades do grupo. Sim, somente quando presentes os motivos que possam ensejar a superação episódica da personalidade jurídica é que se admite a responsabilização às demais sociedades integrantes do grupo, sem necessidade da presença de outros requisitos, conforme, aliás, já decidiu o STJ (STJ 3ª Turma, REsp 228.357/SP, Rel. Min. Castro Filho, 2003). A sociedade que domine a direção unitária do grupo apenas define questões estratégicas, mas não desenvolvem concretamente o objeto social das demais sociedades, não se vinculando aos fatos geradores realizados. A atribuição de responsabilidade solidária é permitida quando a direção do grupo, além de decidir pela realização do fato gerador em si, igualmente exerce a atividade tributária (cumprimento das obrigações principal e acessória). Portanto, mister se faz a presença da competência decisória concreta e não em função de simplesmente pertencer ao grupo, sob pena de violar o preceito contido no art. 128, do CTN. Simples interesse econômico não justifica a imputação de solidariedade. O ônus de fazer tais provas pertence unicamente ao fisco ex vi do art. 142 e 149, do CTN. E inexiste nos presentes autos qualquer elemento concreto de prova que possa validamente atribuir responsabilidade solidária às empresas retro citadas. Diante dos fatos, é medida imperativa o cancelamento da solidariedade imputada às sociedades URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda. Do caráter pessoal atribuído às infrações. Outro aspecto que merece destaque é a ilegalidade em se exigir das empresas tidas como solidárias o pagamento da multa pelo não recolhimento tributário. Isso porque a multa nada mais é do que uma sanção (condenação) pelo descumprimento de determinada obrigação. A multa exigida em razão de uma infração tributária não pode validamente ser exigida daquelas empresas que não praticaram de per si o fato gerador, ainda que existisse um grupo formalmente organizado, eis que faltará o nexo de causalidade, motivo pelo qual apenas a sociedade infratora é quem poderá ser apenada. Assim, tendo em vista o caráter pessoal da pena prevista no art. 5º, inciso XLV, da CF/88, em caso de descumprimento de obrigação tributária, tão somente ao contribuinte (aquele que pratica o fato gerador) é que poderá ser imputado o ônus de pagar as multas exigidas pela legislação. Portanto,as multas, se porventura devidas, somente poderão ser exigidas do contribuinte. Da regra do art. 123 do CTN às avessas. A forma com que o fisco está atribuindo responsabilidade solidária às demais empresas nada mais é do que aplicar às avessas a regra estatuída no art. 123, do CTN. Portanto, se, salvo disposição legal em contrário, não podem os contribuintes alterar por convenção particular as regras tributárias relativas à definição legal do sujeito passivo, da mesma forma não pode o fisco se valer pura e simplesmente dos instrumentos societários para sobretudo impingir solidariedade passiva fora pelo princípio da pessoalidade das sanções. Em 05 de fevereiro de 2014 foi solicitada diligência fiscal pela 7ª Turma da DRJ/SDR (fls. 277-278), com a finalidade de justificação do método (aferição indireta) utilizado para a apuração do crédito sob exame. Em atendimento à diligência solicitada, a Fiscalização lavra Informação Fiscal, datada de 06 de março de 2014, aduzindo, em síntese o que segue: 1) No Relatório Fiscal referente ao processo acima mencionado está informado que há salários de contribuições pagos a segurados empregados e a contribuinte individual não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP - itens 2 (fls. 18); 2) A Fiscalização após examinar, como está legalmente autorizada, as DIRF da Autuada e confrontar os valores por ela declarados com os declarados em GFIP e nas folhas de pagamento de salários, constatou divergências entre tais valores; assim a intimou para apresentar os esclarecimentos conforme comprovado por meio do Termo de Intimação Fiscal - TIF n° 01 - item 8, recebido pela autuada em 19/11/2012, conforme cópia do mesmo anexada ao processo acima referenciado (fls. 52). Assim, os créditos arbitrados conforme as remunerações insertas na Declaração do Imposto de Renda - DIRF, só o foram após a intimação citada ter sido atendida sem que a Autuada lograsse esclarecer a respeito das diferenças apuradas; 3) A Fiscalização constatou que a Autuada utiliza para os valores de remunerações declarados em DIRF o regime de caixa e, portanto os valores referentes a pagamentos realizados em 10/2009 são declarados na competência 09/2009 para efeitos previdenciários (folha de pagamento e GFIP) e na competência 10/2009 para a DIRF; 4) Há que se considerar que o arbitramento da remuneração paga, devida ou creditada a empregado justifica-se quando, a partir de informações obtidas em fontes internas (sistemas corporativo da RFB, subsídio fiscal, processos de restituição) e/ou fontes externas confiáveis (Justiça do Trabalho, Sindicatos), o auditor-fiscal firmar convicção de que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos empregados do sujeito passivo ou os documentos do sujeito passivo registram remuneração inferior à efetivamente paga; 5) Há que se considerar que nas empresas em geral, o arbitramento da remuneração de empregados pode ser realizado com fundamento na base de cálculo do imposto de renda retido na fonte obtida na DIRF, sendo que no caso presente o foi apenas após a autuada ter sido intimada a apresentar o motivo de haver divergências de valores (FP X GFIP X DIRF); 6) Há que se considerar que os livros contábeis e fiscais do sujeito passivo e de terceiros geralmente são fontes importantes de comprovação da ocorrência de infração tributária. A infração pode ser verificada diretamente nos livros ou por meio do confronto entre livros e outros documentos. O Auditor-Fiscal deve juntar todos os elementos necessários à comprovação da infração, demonstrando no processo a escrituração feita nos livros ou a omissão de registro obrigatório. A Fiscalização examinou sim a contabilidade da Autuada, tanto que apurou fatos geradores de contribuições não declaradas em GFIP na escrituração contábil, conforme consta no Relatório Fiscal do processo número 13603724043/2012-89. A Fiscalização considerou ser seu dever, além de examinar a escrituração contábil, questionar a Autuada a respeito de possíveis fatos geradores existentes em outras fontes de informações disponíveis e só promover as devidas autuações após ter intimado a empresa sem que a mesma lograsse elidir a existência de fatos geradores não escriturados, não declarados em GFIP e não lançados em folha de pagamento. Em resumo, a fiscalização considera que não pode se omitir, apesar de examinar a escrituração contábil, de apurar fatos geradores existentes em outros livros e documentos e não oferecidos à tributação pela empresa; 7) Há que se considerar que verificada a constatação das diferenças de remunerações, ou seja, fato gerador da contribuição previdenciária, mediante o confronto das folhas de pagamento com as declarações, DIRF e GFIP, e não sendo esclarecidas pela empresa fiscalizada, a autoridade lançadora afirma que agiu com acerto e de acordo com as normas vigentes, vez que o ato administrativo é vinculado, nos termos do que disciplina o artigo 142 do CTN - Código Tributário Nacional; 8) A prova material em que se baseou o lançamento foi o batimento entre a folha de pagamento, a GFIP e a DIRF onde foram encontrados beneficiários que não estavam declarados em GFIP e não constavam das folhas de pagamento. O sujeito passivo foi cientificado do resultado da diligência fiscal em 03/04/2014 (AR à fl. 288). Embora cientificado, o sujeito passivo não se manifestou nos autos." Em seu recurso reprisa os fundamentos da impugnação. Compulsando os autos, verificamos a existência de ofício da PGFN informando a respeito de possível concomitância de processo judicial, porém não juntou as peças para confirmação do alegado. É o relatório. VOTO Conselheiro - Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Partindo da informação apresentada pela PGFN, consultamos o site da Justiça Federal de Minas Gerais - TRF1 e verificando a existência do citado processo. A página de consulta indica que a demanda abrange os processos administrativos tributários de nº 13603724185201246, 13603724037201221, 13603724038201276, 13603724043201289, 13603724181201268, 13603724182201211, 13603724183201257, 13603724184201200, 13603724186201291. Apesar de parecer verossímil a alegação de existência de concomitância informada pela PGFN, por não constar dos autos, deste processo administrativo, as cópias integrais do referido processo judicial ou mesmo da inicial, não é possível, com segurança, afirmar que exista identidade de objeto, causa de pedir e pedido, tendo por conseqüência a declaração de desistência da via administrativa. Considerando que a demanda ora analisada não versa exclusivamente sobre os créditos em si, abrangendo também a questão de existência de solidariedade entre os participantes do grupo econômico, caso a discussão judicial verse apenas quanto aos créditos, sem tratar da discussão de solidariedade, está deverá ser objeto de analise por este colegiado. Ainda, sem as peças não é possível nem mesmo afirmar que existe concomitância, eis que, a mera alegação da PGFN de que a matéria discutida refere-se ao cancelamento dos respectivos lançamentos desacompanhada de provas não é suficiente para formar o convencimento deste relator.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1061; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 337 1 336 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.724184/201200 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.595 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 04 de abril de 2017 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente URB TOPO ENGENHARIA E CONSTRUCOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos apontados pelo Relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Tulio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 24 18 4/ 20 12 -0 0 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13603.724184/201200 Resolução nº 2402000.595 S2C4T2 Fl. 338 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, contra Acórdão da DRJ/SDR que, por unanimidade, decidiram por manter a integralidade do crédito apurado nos Autos de Infração integrantes do processo nº 13603.724184/201200. Por bem retratar o corrido na demanda, adotaremos parte do relatório da decisão recorrida: "Tratase de processo que inclui o Auto de Infração (AI) lavrado em 23/12/2012 por descumprimento de obrigações tributárias principais, sob o seguinte DEBCAD nº: 37.353.3691. A ação fiscal foi autorizada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 061.1000.2012.00483, código de acesso 91732816, e iniciada com o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, cientificado pessoalmente pelo contribuinte. Consta ainda do Relatório Fiscal que: O Auto de Infração DEBCAD n° 37.353.3691 contém os seguintes Levantamentos discriminados a seguir: a) Levantamentos AB e AB2, discriminados na planilha número 2 denominada SALÁRIOS CONFORME DIRF, os quais foram arbitrados pela fiscalização, pois são valores de remunerações declarados pelo sujeito passivo por meio da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e não incluídos em folhas de pagamento e na GFIP, conforme discriminados no correspondente Discriminativo de Débito DD; b) Levantamentos AK e AK2, discriminados na planilha número 11 denominada DIRF MAIOR QUE FP SE e no correspondente Discriminativo de Débito DD; tais remunerações foram arbitradas pela fiscalização, por meio do confronto entre os valores pagos aos segurados empregados apurados por meio do exame das folhas de pagamento de salário exibidas em arquivo digital no formato MANAD, discriminados na planilha e os valores declarados pelo sujeito passivo em DIRF para os mesmos empregados, também discriminados na citada planilha; 2) Os arbitramentos realizados pela fiscalização e descritos nas alíneas acima estão em conformidade com o estipulado no parágrafo 3° do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991. A empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda foi cientificada do lançamento por via postal em 03 de janeiro de 2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 105. Em 01 de fevereiro de 2013, apresenta impugnação, alegando, em síntese, o que se relata a seguir. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13603.724184/201200 Resolução nº 2402000.595 S2C4T2 Fl. 339 3 Da inexistência de solidariedade. A fiscalização, após apurar supostas inconsistências na RAIS, imputou responsabilidade solidária à URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda – ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda, sem, contudo, apontar, na verdade, os motivos jurídicos e fáticos. Simplesmente, o agente fiscalizador entendeu pela existência de um grupo econômico de fato, sob o seu pseudo fundamento de que se estaria diante de um grupo de empresas com direção, controle e administração exercidos direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. O trabalho fiscal deveria ter sido conduzido de maneira mais aprofundada, pautando pela verdade, no sentido de realmente apurar a existência ou não de grupo econômico de fato e, mais, deveria ter procedido à leitura dos fatos à luz das regras tributárias, notadamente o art. 128, do CTN, que é o pilar de sustentação de toda a responsabilização tributária, eis que dele se denota a existência de condição sine qua non à solidariedade vinculação ao fato gerador praticado. Ou seja, só se pode admitir a imposição de responsabilidade a terceiro quando este necessariamente mantiver vinculação com o fato imponível. Em outras palavras, imputar responsabilidade solidária a determinada pessoa não praticante do fato gerador requer que esse terceiro tenha controle da situação, inclusive para até mesmo impedir a sua prática por parte do sujeito passivo. Em primeiro lugar, como pode haver grupo econômico de fato entre o contribuinte e a URB Mix Concreto Ltda se a mesma não gera faturamento algum desde 2007, não contrata empregados, não realiza qualquer tipo de atividade? Em segundo lugar, a WIR Feira Shopping Ltda possui objeto social completamente distinto do praticado pelo contribuinte, conforme demonstra o seu contrato social. Em terceiro lugar, o Consórcio Urb Topo Marins, como a própria razão social indica, tratase de uma Sociedade de Propósito Específico SPE criada finalisticamente para atender um determinado evento (obra específica), que inclusive será formalmente encerrada após a conclusão do contrato. Despiciendo lembrar que “consórcio” é um tipo societário sui generis, já que nesse não há uma corporificação, eis que ambas as empresas consorciada simplesmente envidam esforços mútuos, estrutura e mão de obra próprias para a realização daquela específica atividade. Além disso, o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8212/1991 carece ser interpretado à luz da regra contida no art. 128, do CTN. Nesse sentido, os incisos do art. 124, do CTN, ao dispor sobre a solidariedade, devem ser interpretados à luz da regra insculpida no art. 128, do mesmo Repositório Tributário. Inclusive, o inciso II, que descreve a solidariedade entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deve ser interpretado abstraindose quaisquer tipos de interesses econômicos no fato gerador, eis que apenas deverá ser observada a existência ou não da prática de condutas concomitantes. Em outras palavras, somente quando o fato gerador seja praticado por mais de uma pessoa (contribuinte) é que haverá o “interesse comum” exigido pelo inciso II, do art. 124, do CTN. Ademais, salvo nas hipóteses de simulação, fraude ou de qualquer outro ardil, as relações jurídicas travadas por uma sociedade não interferem na esfera jurídica das demais sociedades do grupo. Sim, somente quando presentes os motivos que possam ensejar a superação episódica da Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13603.724184/201200 Resolução nº 2402000.595 S2C4T2 Fl. 340 4 personalidade jurídica é que se admite a responsabilização às demais sociedades integrantes do grupo, sem necessidade da presença de outros requisitos, conforme, aliás, já decidiu o STJ (STJ 3ª Turma, REsp 228.357/SP, Rel. Min. Castro Filho, 2003). A sociedade que domine a direção unitária do grupo apenas define questões estratégicas, mas não desenvolvem concretamente o objeto social das demais sociedades, não se vinculando aos fatos geradores realizados. A atribuição de responsabilidade solidária é permitida quando a direção do grupo, além de decidir pela realização do fato gerador em si, igualmente exerce a atividade tributária (cumprimento das obrigações principal e acessória). Portanto, mister se faz a presença da competência decisória concreta e não em função de simplesmente pertencer ao grupo, sob pena de violar o preceito contido no art. 128, do CTN. Simples interesse econômico não justifica a imputação de solidariedade. O ônus de fazer tais provas pertence unicamente ao fisco ex vi do art. 142 e 149, do CTN. E inexiste nos presentes autos qualquer elemento concreto de prova que possa validamente atribuir responsabilidade solidária às empresas retro citadas. Diante dos fatos, é medida imperativa o cancelamento da solidariedade imputada às sociedades URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda– ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda. Do caráter pessoal atribuído às infrações. Outro aspecto que merece destaque é a ilegalidade em se exigir das empresas tidas como solidárias o pagamento da multa pelo não recolhimento tributário. Isso porque a multa nada mais é do que uma sanção (condenação) pelo descumprimento de determinada obrigação. A multa exigida em razão de uma infração tributária não pode validamente ser exigida daquelas empresas que não praticaram de per si o fato gerador, ainda que existisse um grupo formalmente organizado, eis que faltará o nexo de causalidade, motivo pelo qual apenas a sociedade infratora é quem poderá ser apenada. Assim, tendo em vista o caráter pessoal da pena prevista no art. 5º, inciso XLV, da CF/88, em caso de descumprimento de obrigação tributária, tão somente ao contribuinte (aquele que pratica o fato gerador) é que poderá ser imputado o ônus de pagar as multas exigidas pela legislação. Portanto,as multas, se porventura devidas, somente poderão ser exigidas do contribuinte. Da regra do art. 123 do CTN às avessas. A forma com que o fisco está atribuindo responsabilidade solidária às demais empresas nada mais é do que aplicar às avessas a regra estatuída no art. 123, do CTN. Portanto, se, salvo disposição legal em contrário, não podem os contribuintes alterar por convenção particular as regras tributárias relativas à definição legal do sujeito passivo, da mesma forma não pode o fisco se valer pura e simplesmente dos instrumentos societários para sobretudo impingir solidariedade passiva fora pelo princípio da pessoalidade das sanções. Em 05 de fevereiro de 2014 foi solicitada diligência fiscal pela 7ª Turma da DRJ/SDR (fls. 277278), com a finalidade de justificação do método (aferição indireta) Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13603.724184/201200 Resolução nº 2402000.595 S2C4T2 Fl. 341 5 utilizado para a apuração do crédito sob exame. Em atendimento à diligência solicitada, a Fiscalização lavra Informação Fiscal, datada de 06 de março de 2014, aduzindo, em síntese o que segue: 1) No Relatório Fiscal referente ao processo acima mencionado está informado que há salários de contribuições pagos a segurados empregados e a contribuinte individual não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP itens 2 (fls. 18); 2) A Fiscalização após examinar, como está legalmente autorizada, as DIRF da Autuada e confrontar os valores por ela declarados com os declarados em GFIP e nas folhas de pagamento de salários, constatou divergências entre tais valores; assim a intimou para apresentar os esclarecimentos conforme comprovado por meio do Termo de Intimação Fiscal TIF n° 01 item 8, recebido pela autuada em 19/11/2012, conforme cópia do mesmo anexada ao processo acima referenciado (fls. 52). Assim, os créditos arbitrados conforme as remunerações insertas na Declaração do Imposto de Renda DIRF, só o foram após a intimação citada ter sido atendida sem que a Autuada lograsse esclarecer a respeito das diferenças apuradas; 3) A Fiscalização constatou que a Autuada utiliza para os valores de remunerações declarados em DIRF o regime de caixa e, portanto os valores referentes a pagamentos realizados em 10/2009 são declarados na competência 09/2009 para efeitos previdenciários (folha de pagamento e GFIP) e na competência 10/2009 para a DIRF; 4) Há que se considerar que o arbitramento da remuneração paga, devida ou creditada a empregado justificase quando, a partir de informações obtidas em fontes internas (sistemas corporativo da RFB, subsídio fiscal, processos de restituição) e/ou fontes externas confiáveis (Justiça do Trabalho, Sindicatos), o auditorfiscal firmar convicção de que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos empregados do sujeito passivo ou os documentos do sujeito passivo registram remuneração inferior à efetivamente paga; 5) Há que se considerar que nas empresas em geral, o arbitramento da remuneração de empregados pode ser realizado com fundamento na base de cálculo do imposto de renda retido na fonte obtida na DIRF, sendo que no caso presente o foi apenas após a autuada ter sido intimada a apresentar o motivo de haver divergências de valores (FP X GFIP X DIRF); 6) Há que se considerar que os livros contábeis e fiscais do sujeito passivo e de terceiros geralmente são fontes importantes de comprovação da ocorrência de infração tributária. A infração pode ser verificada diretamente nos livros ou por meio do confronto entre livros e outros documentos. O AuditorFiscal deve juntar todos os elementos necessários à comprovação da infração, demonstrando no processo a escrituração feita nos livros ou a omissão de registro obrigatório. A Fiscalização examinou sim a contabilidade da Autuada, tanto que apurou fatos geradores de contribuições não declaradas Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13603.724184/201200 Resolução nº 2402000.595 S2C4T2 Fl. 342 6 em GFIP na escrituração contábil, conforme consta no Relatório Fiscal do processo número 13603724043/201289. A Fiscalização considerou ser seu dever, além de examinar a escrituração contábil, questionar a Autuada a respeito de possíveis fatos geradores existentes em outras fontes de informações disponíveis e só promover as devidas autuações após ter intimado a empresa sem que a mesma lograsse elidir a existência de fatos geradores não escriturados, não declarados em GFIP e não lançados em folha de pagamento. Em resumo, a fiscalização considera que não pode se omitir, apesar de examinar a escrituração contábil, de apurar fatos geradores existentes em outros livros e documentos e não oferecidos à tributação pela empresa; 7) Há que se considerar que verificada a constatação das diferenças de remunerações, ou seja, fato gerador da contribuição previdenciária, mediante o confronto das folhas de pagamento com as declarações, DIRF e GFIP, e não sendo esclarecidas pela empresa fiscalizada, a autoridade lançadora afirma que agiu com acerto e de acordo com as normas vigentes, vez que o ato administrativo é vinculado, nos termos do que disciplina o artigo 142 do CTN Código Tributário Nacional; 8) A prova material em que se baseou o lançamento foi o batimento entre a folha de pagamento, a GFIP e a DIRF onde foram encontrados beneficiários que não estavam declarados em GFIP e não constavam das folhas de pagamento. O sujeito passivo foi cientificado do resultado da diligência fiscal em 03/04/2014 (AR à fl. 288). Embora cientificado, o sujeito passivo não se manifestou nos autos." Em seu recurso reprisa os fundamentos da impugnação. Compulsando os autos, verificamos a existência de ofício da PGFN informando a respeito de possível concomitância de processo judicial, porém não juntou as peças para confirmação do alegado. É o relatório. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13603.724184/201200 Resolução nº 2402000.595 S2C4T2 Fl. 343 7 VOTO Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Partindo da informação apresentada pela PGFN, consultamos o site da Justiça Federal de Minas Gerais TRF1 e verificando a existência do citado processo. A página de consulta indica que a demanda abrange os processos administrativos tributários de nº 13603724185201246, 13603724037201221, 13603724038201276, 13603724043201289, 13603724181201268, 13603724182201211, 13603724183201257, 13603724184201200, 13603724186201291. Apesar de parecer verossímil a alegação de existência de concomitância informada pela PGFN, por não constar dos autos, deste processo administrativo, as cópias integrais do referido processo judicial ou mesmo da inicial, não é possível, com segurança, afirmar que exista identidade de objeto, causa de pedir e pedido, tendo por conseqüência a declaração de desistência da via administrativa. Considerando que a demanda ora analisada não versa exclusivamente sobre os créditos em si, abrangendo também a questão de existência de solidariedade entre os participantes do grupo econômico, caso a discussão judicial verse apenas quanto aos créditos, sem tratar da discussão de solidariedade, está deverá ser objeto de analise por este colegiado. Ainda, sem as peças não é possível nem mesmo afirmar que existe concomitância, eis que, a mera alegação da PGFN de que a matéria discutida referese ao cancelamento dos respectivos lançamentos desacompanhada de provas não é suficiente para formar o convencimento deste relator. Conclusão Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, a fim de determinar que sejam tomadas as providências necessárias para a juntada aos autos das peças da Ação Ordinária nº 3269966.2016.4.601.3800, em especial a sua petição inicial, a sentença, as eventuais peças recursais, bem como as decisões possivelmente proferidas em grau recursal., informando, ainda, se propôs qualquer outra ação cuja objeto possa coincidir com o objeto deste processo administrativo. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 343DF CARF MF
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