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6808995 #
Numero do processo: 10680.721760/2010-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. É de trinta dias o prazo que dispõe o contribuinte para apresentar impugnação, contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal. A petição apresentada fora desse prazo não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem comporta julgamento administrativo quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 2401-004.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS

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2401­004.802  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de maio de 2017  Matéria  IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.  Recorrente  TRANSPORTADORA JÚPITER LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006  IMPUGNAÇÃO  INTEMPESTIVA.  NÃO  INSTAURAÇÃO  DA  FASE  LITIGIOSA.  É  de  trinta  dias  o  prazo  que  dispõe  o  contribuinte  para  apresentar  impugnação, contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal. A  petição  apresentada  fora  desse  prazo  não  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento e nem comporta julgamento administrativo quanto às alegações  de mérito.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 17 60 /2 01 0- 86 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10680.721760/2010­86  Acórdão n.º 2401­004.802  S2­C4T1  Fl. 263          2   Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  em  conhecer  do  recurso e, no mérito, negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier Lazarini ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Cleberson Alex Friess ­ Relator    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier  Lazarini,  Carlos Alexandre Tortato,  Cleberson Alex  Friess,  Luciana Matos  Pereira  Barbosa,  Rayd  Santana  Ferreira,  Denny  Medeiros  da  Silveira  (suplente  convocado),  Andréa  Viana  Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).    Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10680.721760/2010­86  Acórdão n.º 2401­004.802  S2­C4T1  Fl. 264          3   Relatório      Cuida­se  de  recurso  voluntário  interposto  em  face  da  decisão  da  8ª  Turma  da  Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento  em Belo Horizonte  (DRJ/BHE),  cujo  dispositivo tratou de não conhecer a impugnação do contribuinte, por intempestiva, mantendo o  crédito tributário. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 02­31.907 (fls. 211/213):  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006  IMPUGNAÇÃO  INTEMPESTIVA.  ARGUIÇÃO  DE  TEMPESTIVIDADE.  A  impugnação  deve  ser  apresentada  ao  órgão  preparador  no  prazo  de  trinta  dias,  contados  da  data  da  ciência  do  procedimento a ser impugnado..  A impugnação intempestiva somente instaura a fase litigiosa se a  preliminar  de  tempestividade  for  suscitada,  observando­se  que,  não  sendo  acolhida,  deixa­se  de  apreciar  as  demais  questões  argüidas.  Impugnação Não Conhecida  Crédito Tributário Mantido  2.    Extrai­se  do  Relatório  Fiscal  da  Infração,  bem  como  do  Relatório  Fiscal  da  Aplicação da Multa, que a autoridade fiscal procedeu à lavratura do Auto de Infração (AI) nº  37.260.019­0, por ter a empresa infringido o art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212, de 24 de  julho  de  1991,  ao  apresentar  a Guia  de Recolhimento  do  Fundo  de Garantia  por  Tempo  de  Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), nas competências 01/2005 a 12/2006, com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  sociais  previdenciárias (fls. 3/31).   2.1    Lavrou­se  o  auto  de  infração  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória  no  Código de Fundamentação Legal ­ CFL 68.  2.2    Este processo é vinculado, por reflexo, com os processos de obrigação principal  nº 10680.721763/2010­10 e 10680.721764/2010­64.  3.    Cientificado do auto de infração por via postal em 7/7/2010, às fls. 93 e 201, o  contribuinte impugnou a exigência fiscal em 9/8/2010 (fls. 99/141).  4.    Intimada  em  29/2/2012,  por  via  postal,  da  decisão  do  colegiado  de  primeira  instância, conforme fls. 216/217, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 30/3/2012,  pelo  qual  contesta  a  deliberação  de  piso  que  deixou  de  conhecer  da  sua  impugnação,  por  intempestiva (fls. 220/223).  Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10680.721760/2010­86  Acórdão n.º 2401­004.802  S2­C4T1  Fl. 265          4 4.1    A  favor  da  tempestividade,  defende  o  equívoco  da  decisão  recorrida  na  interpretação  dos  dados  do  Aviso  de  Recebimento,  o  qual  atesta  a  data  de  ciência  da  notificação  do  crédito  tributário  ao  sujeito  passivo.  Tendo  em  vista  a  informação  do  documento,  o  auto  de  infração  foi  recebido  em  8/7/2010  (quinta­feira),  e  não  em  7/7/2010  (quarta­feira).  4.2    Logo, a contagem do prazo  iniciou­se no dia 9/7/2010 (sexta­feira), com "dies  ad  quem"  em  7/8/2010  (sábado),  prorrogado  para  o  dia  útil  subsequente,  no  caso,  o  dia  9/8/2010 (segunda­feira).  5.    Esta  1ª  Turma  da  4ª  Câmara  da  2ª  Seção,  por  meio  da  Resolução  nº  2401­ 000.381,  decidiu  converter  o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  Agência  dos  Correios  confirmasse, com base no Aviso de Recebimento, a data da efetiva entrega do auto de infração  no domicílio tributário do sujeito passivo (fls. 240/242).  6.    A  diligência  foi  cumprida,  com  anexação  da  imagem  legível  do  Aviso  de  Recebimento,  em  que  o  carimbo  de  entrega  indica  a  data  de  ciência:  07  JUL  2010  (fls.  246/247).  7.    Concedido prazo para o recorrente manifestar­se sobre o resultado da diligência,  permaneceu inerte (fls. 248/256).  8.    Tendo em vista a renúncia do relator original, Conselheiro Igor Araújo Soares,  foi efetuado novo sorteio para relatoria.      É o relatório.  Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10680.721760/2010­86  Acórdão n.º 2401­004.802  S2­C4T1  Fl. 266          5   Voto             Conselheiro Cleberson Alex Friess ­ Relator  Juízo de admissibilidade  9.    Uma  vez  realizado  o  juízo  de  validade  do  procedimento,  verifico  que  estão  satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo  conhecimento.  Mérito  10.    Nesse momento  processual,  compete  avaliar  a  tempestividade  da  apresentação  da impugnação, visto que a decisão de piso considerou a defesa intempestiva.  11.    O Decreto  nº  70.235,  de  6  de maio  de  1972,  estabelece que  a  impugnação  da  exigência  formalizada  por  escrito  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento,  devendo  ser  apresentada no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que intimado o contribuinte:  (...)  Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.  (...)  Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.  (...)  12.    A  respeito  da  contagem  dos  prazos  na  hipótese  de  intimação  por  via  postal,  prevê o mesmo Decreto nº 70.235, de 1972:  (...)  Art. 23. Far­se­á a intimação:  (...)  II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via,  com  prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito passivo;   (...)  Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10680.721760/2010­86  Acórdão n.º 2401­004.802  S2­C4T1  Fl. 267          6 § 2° Considera­se feita a intimação:  (...)  II  ­  no  caso  do  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  na  data  do  recebimento  ou,  se  omitida,  quinze  dias  após  a  data  da  expedição da intimação.  (...)  § 4º Para fins de intimação, considera­se domicílio tributário do  sujeito passivo:   I  ­  o  endereço postal por  ele  fornecido, para  fins  cadastrais,  à  administração  tributária;  e  (Incluído  pela  Lei  nº  11.196,  de  2005)  II  ­  o  endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo.  (...)  13.    O carimbo aposto no Aviso de Recebimento dos Correios mostra que o sujeito  passivo foi intimado do Auto de Infração em 7/7/2010, quarta­feira, por via postal, sendo­lhe  conferido prazo de trinta dias para interposição da impugnação (fls. 247).   13.1    Com  isso, o  termo do prazo de defesa  iniciou­se em 8/7/2010, quinta­feira,  e  finalizou no dia 6/8/2010, sexta­feira.   14.    Todavia, o sujeito passivo protocolou sua  impugnação em 9/8/2010, ou seja,  depois de transcorrido o lapso temporal previsto em lei para sua apresentação (fls. 99/141).  15.    Alega  a  recorrente  na  petição  recursal,  entretanto,  que  a  intimação  do  auto  de  infração  ocorreu  somente  no  dia  8/7/2010,  quinta­feira.  Quando  da  apresentação  da  impugnação,  também  havia  suscitado  a  tempestividade  da  apresentação  da  contestação,  embora,  naquela  oportunidade,  tenha  afirmado  que  a  ciência  da  autuação  se  efetivou  em  9/7/2010 (fls. 103).   16.    Como  se  percebe,  o  discurso  do  sujeito  passivo  tem  caráter  meramente  protelatório,  porquanto  a  empresa  não  se  esforça  para  trazer  aos  autos  qualquer  indício  de  prova material para o fim de demonstrar os fatos que possui interesse em fazer prevalecer no  processo administrativo.  17.    Por outro lado, o Aviso de Recebimento dos Correios, o qual está juntado às fls.  247,  após  a  realização  de  diligência  pelo  órgão  preparador,  é  elemento  hábil  e  idôneo  a  comprovar que a recorrente foi intimada do Auto de Infração em 7/7/2010.  18.    Oportunizado  o  contraditório  ao  sujeito  passivo  a  respeito  do  resultado  da  diligência, não consta manifestação.  19.    Logo,  uma  vez  suplantado  o  permissivo  legal  para  contestação,  ausente  o  requisito extrínseco da tempestividade, não se instaura a fase litigiosa, devendo ser declarada  intempestiva a impugnação, conforme decisão de primeira instância.  Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10680.721760/2010­86  Acórdão n.º 2401­004.802  S2­C4T1  Fl. 268          7 Conclusão  Ante  o  exposto,  CONHEÇO  do  recurso  voluntário  e,  no  mérito,  NEGO  PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação,  por intempestiva.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Cleberson Alex Friess                              Fl. 268DF CARF MF

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6776045 #
Numero do processo: 10120.902753/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.335
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1829; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 2          1 1  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10120.902753/2011­18  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­003.335  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de março de 2017  Matéria  COFINS/PIS. TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS.  INCIDÊNCIA MONOFÁSICA.  Recorrente  COTRIL MOTORS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  PIS/COFINS.  AQUISIÇÃO  DE  VEÍCULOS  NOVOS  SUBMETIDOS  AO  REGIME  MONOFÁSICO  PARA  REVENDA.  MANUTENÇÃO  DE  CRÉDITO  PELO  COMERCIANTE  ATACADISTA  E  VAREJISTA.  VEDAÇÃO LEGAL.   No regime não­cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por  expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista,  o direito de descontar ou manter crédito  referente às aquisições de veículos  novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador.  A  aquisição  de  veículos  relacionados  no  art.  1º  da  Lei  n°  10.485/02,  para  revenda,  quando  feita  por  comerciantes  atacadistas  ou  varejistas  desses  produtos,  não  gera  direito  a  crédito  do  PIS/COFINS,  dada  a  expressa  vedação,  consoante  os  art.  2º,  §  1º,  III  e  art.  3º,  I,  “b”,  c/c  da  Lei  nº  10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.  CRÉDITOS.  MANUTENÇÃO.  ART.  17  DA  LEI  Nº  11.033/2004.  IMPOSSIBILIDADE.  A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o  alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.  Recurso Voluntário Negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 53 /2 01 1- 18 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10120.902753/2011­18  Acórdão n.º 3301­003.335  S3­C3T1  Fl. 3          2 (assinado digitalmente)  Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri,  Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara  Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto  do Couto Chagas.  Relatório  Trata­se de Pedido Eletrônico de Ressarcimento ­ PER, formulado através do  programa  PER/Dcomp,  por  intermédio  do  qual  a  Recorrente  pleiteia  o  ressarcimento  em  espécie do saldo credor acumulado de COFINS Não­Cumulativa – Mercado Interno. O Pedido  de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado.   A  origem  do  direito  creditório  alegado  seria  o  saldo  credor  acumulado  em  razão  da  aquisição  de  produtos  monofásicos  (veículos  novos).  A  Recorrente  tem  como  atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral,  relacionadas na Lei nº 10.485/02.  A Lei  nº  10.485/02,  no  art.  3º,  §  2º,  I  e  II,  prescreve  que  os  produtos  nela  relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta  auferida por comerciantes atacadistas e varejistas.   A  Recorrente  alega  que  com  a  edição  das  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003,  os  produtos  relacionados  na  Lei  n°  10.485/2002  compõem  a  sua  receita  bruta  para  efeito  de  apuração  de  PIS  e  COFINS  sob  o  regime  da  não­cumulatividade  e  que  a  manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal  o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento  legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005.  Assim,  com  esse  entendimento,  os  créditos  de  COFINS  não­cumulativa,  objeto  do  ressarcimento  deste  processo  fiscal  pela  Recorrente,  têm  origem  exclusiva  na  aplicação direta das  alíquotas previstas nas  leis  10.637/02  (PIS)  e 10.833/03  (COFINS), que  introduziram  a  nova  sistemática  do  regime  da  não­cumulatividade  para  ambas  as  Contribuições,  sobre  o  valor  de  aquisição  dos  produtos  relacionados  na  Lei  n°  10.485/2002  (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses  produtos foi reduzida a 0%.  Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não­ cumulativo,  dos  valores  de  aquisição  dos  produtos  relacionados  na  Lei  n°  10.485/2002  (veículos  automotores  novos),  ou  seja,  crédito  com  origem  nas  aquisições  de  produtos  com  incidência monofásica.  A DRJ  indeferiu a manifestação de  inconformidade nos  termos do Acórdão  06­050.374. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para  o  aproveitamento  do  crédito  das  contribuições  ao  PIS/Pasep  e  à  COFINS,  com  base  na  sistemática  da  não  cumulatividade,  pelas  revendedoras  de  veículos  automotores,  nas  vendas  submetidas à incidência monofásica.  Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10120.902753/2011­18  Acórdão n.º 3301­003.335  S3­C3T1  Fl. 4          3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário,  a  Recorrente  tece  longo  arrazoado  para  justificar  o  seu  direito  ao  creditamento,  para  tanto  interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da não­cumulatividade.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3301­003.248, de  29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/2011­35, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301­003.248):  O  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  legais  de  interposição,  dele,  portanto, tomo conhecimento.  Não há direito ao creditamento, no regime não­cumulativo, dos valores  de  aquisição  dos  produtos  relacionados  na  Lei  n°  10.485/2002  (veículos  automotores novos), conforme se justifica a seguir.   Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem:  Art.  1o.As  pessoas  jurídicas  fabricantes  e  as  importadoras  de  máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00,  84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  TIPI,  aprovada  pelo  Decreto  no 4.070,  de  28  de  dezembro  de  2001,  relativamente  à  receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas  ao pagamento da  contribuição para os Programas de  Integração  Social  e  de  Formação  do  Patrimônio  do  Servidor  Público  ­  PIS/PASEP  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social ­ COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento)  e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente.  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  Art.  3o  As  pessoas  jurídicas  fabricantes  e  os  importadores,  relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I  e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o  PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de:  II  ­  2,3%  (dois  inteiros  e  três décimos por cento) e 10,8% (dez  inteiros  e  oito  décimos  por  cento),  respectivamente,  nas  vendas  para  comerciante  atacadista  ou  varejista  ou  para  consumidores.  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10120.902753/2011­18  Acórdão n.º 3301­003.335  S3­C3T1  Fl. 5          4 §  2o  Ficam  reduzidas  a  0%  (zero  por  cento)  as  alíquotas  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS,  relativamente  à  receita  bruta  auferida  por  comerciante  atacadista  ou  varejista,  com  a  venda  dos  produtos  de  que  trata:  (Incluído  pela  Lei  nº  10.865, de 2004)  Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  TIPI  e  dos  produtos  relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica,  com alíquotas diferenciadas para as pessoas  jurídicas  fabricantes e  importadoras.  O  regime  monofásico  concentra  a  cobrança  do  tributo  em  uma  etapa  da  cadeia  produtiva, desonerando a etapa seguinte.  E  ainda,  a  referida  lei  reduziu  a  zero  as  alíquotas  da  COFINS  incidentes  sobre  as  receitas  auferidas  pelos  comerciantes  atacadistas  ou  varejistas  com  a  venda desses mesmos produtos.  O  regime  monofásico  impõe  que  o  fabricante  ou  importador  dos  produtos  (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada,  bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a  venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores,  atacadistas  e  varejistas).  Então,  não  se  cogita  do  sistema  de  compensação  entre  créditos e débitos.  Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS  no  início  da  cadeia  produtiva,  fabricantes  e/ou  importadores  de  veículos  automotores  e  autopeças,  estabelecendo  alíquota  mais  elevada  nesta  etapa  de  comercialização,  desonerando  a  fase  em  que  se  integram  as  concessionárias,  mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, §  2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº  10.833/03.  A  incidência  monofásica  das  contribuições  discutidas  incorre  na  inviabilidade  lógica  e  econômica  do  reconhecimento  de  crédito  recuperável  pelos  comerciantes  varejistas  e  atacadistas,  pois  inexistente  cadeia  tributária  após  a  venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04,  afigura­se incompatível com este caso.  Ademais,  não  há  crédito  em  relação aos  veículos  classificados  nos  códigos  87.01  a  87.06  da  TIPI  e  aos  produtos  relacionados  nos  Anexos  I  e  II  da  Lei  nº  10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e  art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis:  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos:  (...)  b) no § 1º do art. 2º desta Lei;  Art.  2º  Para  determinação  do  valor  da  COFINS  aplicar­se­á,  sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a  alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento).  Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10120.902753/2011­18  Acórdão n.º 3301­003.335  S3­C3T1  Fl. 6          5 § 1º Excetua­se do disposto no caput deste artigo a receita bruta  auferida  pelos  produtores  ou  importadores,  que  devem  aplicar  as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)  (...)  III  ­  no  art.  1º  da  Lei  nº  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  e  alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI;  (Incluído pela Lei nº 10.865, de  2004)  IV  ­  no  inciso  II  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  no  caso  de  vendas,  para  comerciante  atacadista  ou  varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos  Anexos  I  e  II  da  mesma  Lei;  (Incluído  pela  Lei  nº  10.865,  de  2004)  (...)  Logo,  pela  redação  dos  dispositivos  supracitados,  é  expressamente  vedado  descontar  créditos  calculados  em  relação  aos  veículos  classificados  nos  códigos  87.01  a  87.06  da  TIPI  e  aos  produtos  relacionados  nos  Anexos  I  e  II  da  Lei  nº  10.485, de 2002, adquiridos para revenda.  Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da  Lei nº 11.033/2004:  Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0  (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da  COFINS  não  impedem  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.  Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões:  1­  Refere­se  a  “manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados”  nas  operações de vendas com isenção, alíquota zero ou não­incidência da COFINS, ou  seja, trata­se de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito  está proibido);   2­  É  regra  geral  que  coexiste  com  vedação  ao  creditamento  por  norma  específica e   3­ Não revoga expressa ou  tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da  Lei nº 10.833/03.  Por  fim,  quanto  a  argumentos  de  inconstitucionalidade  da  vedação  ao  creditamento,  por afronta ao  princípio  da  não­cumulatividade,  saliento  que  sobre  esta matéria  o CARF  não  pode  se  pronunciar,  de  acordo  com  a  Súmula  nº  2  (O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária).  Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  Nos  termos  do  entendimento  exarado  no  paradigma,  a  impossibilidade  de  creditamento, no  regime não­cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos  relacionados  Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10120.902753/2011­18  Acórdão n.º 3301­003.335  S3­C3T1  Fl. 7          6 na  Lei  n°  10.485/2002  (veículos  automotores  novos)  aplica­se  tanto  à  Contribuição  para  o  PIS/Pasep quanto à COFINS.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  assinado digitalmente  Luiz Augusto do Couto Chagas                                Fl. 120DF CARF MF

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6822740 #
Numero do processo: 10707.000670/2007-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula nº 1 do CARF.
Numero da decisão: 9101-002.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), que lhe deu provimento integral e os conselheiros Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1669; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T1  Fl. 469          1  468  CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10707.000670/2007­15  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9101­002.585  –  1ª Turma   Sessão de  14 de março de 2017  Matéria  IRPJ  Recorrente  LOJAS AMERICANAS S.A.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2007  CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL.  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,  de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula nº 1 do CARF.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros  do  colegiado,  por maioria  de  votos,  em  conhecer do  Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael  Vidal de Araújo e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheceram do recurso. No mérito,  por maioria de votos, acordam em negar­lhe provimento, vencida a conselheira Daniele Souto  Rodrigues Amadio (relatora), que lhe deu provimento integral e os conselheiros Cristiane Silva  Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento parcial. Designado para redigir o  voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.     (assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Daniele Souto Rodrigues Amadio ­ Relatora       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 06 70 /2 00 7- 15 Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10707.000670/2007­15  Acórdão n.º 9101­002.585  CSRF­T1  Fl. 470          2  (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura ­ Redator Designado    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego,  Cristiane  Silva Costa, André Mendes  de Moura,  Luis  Flávio Neto,  Rafael Vidal  de Araújo,  Daniele  Souto  Rodrigues  Amadio,  Gerson Macedo Guerra  e  Carlos  Alberto  Freitas  Barreto  (Presidente).    Relatório    Trata­se de Recurso Especial interposto pelas LOJAS AMERICANAS S.A. em  face do Acórdão n. 1101­00.063 (E­fls. 274 ss.), proferido pela 1a Turma Ordinária da 1a  Câmara da 1a Seção de Julgamento, para negar­lhe provimento por entender haver renúncia  à instância administrativa em função da concomitância com o processo judicial, aplicando­ se a Súmula n. 1 do CARF.    A autuação fiscal (E­fls. 01 ss.) foi formalizada para a exigência de multa  de  valor  fixo,  equivalente  a  0,02%  por  dia  de  atraso  sobre  a  receita  bruta  do  período,  chegando­se  ao  máximo  de  1%,  pelo  não  cumprimento  do  prazo  estabelecido  para  apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas, capitulada nos artigos 11 e 12, inciso III,  da  Lei  n.  8.212/91,  com  a  redação  dada  pela  Medida  Provisória  n.  2.158­34/2001  e  reedições, com referência aos anos calendários de 2002 a 2005, perfazendo o valor de R$  53.477.206,37 (cinqüenta e três milhões, quatrocentos e setenta e sete mil, duzentos e seis  reais e trinta e sete centavos).    O crédito foi constituído para prevenção de decadência e sua exigibilidade  suspensa em razão de medida liminar deferida pela 7a. Vara Federal da Seção Judiciária do  Rio de Janeiro, no Mandado de Segurança n. 2006.51.01.019728­0 (E­fls. 47 ss.), movido  pela recorrente demonstrando­se as suas dificuldades para a geração e entrega de arquivos  magnéticos à fiscalização diante do volume de suas operações, que determinou a dilação do  prazo por mais 30 dias.    Transcreve­se  trecho  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  para  se  deixar  consignado o entendimento do agente fazendário sobre as circunstâncias sob análise:    “O Termo de Intimação Fiscal foi lavrado no dia 04 de agosto de 2006, no SEMAC/SRRF 7a  — Serviço de Acompanhamento dos Maiores Contribuintes da Superintendência da Receita  Federal da P Região Fiscal. O Termo foi postado nos Correios, com o Aviso de Recebimento  RZ 164778285 BR e foi recebido pelo contribuinte no dia 15 de agosto de 2006.    Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10707.000670/2007­15  Acórdão n.º 9101­002.585  CSRF­T1  Fl. 471          3  Foi dado ao contribuinte prazo de 20 (vinte) dias para atendimento do Termo de Intimação  Fiscal,  nos  termos  do  art.  20  da  Instrução Normativa  da  Secretaria  da  Receita  Federal  n°  86/2001.    O  contribuinte  respondeu  ao  Termo  de  Intimação  em  23  de  agosto  de  2006.  Expôs  suas  dificuldades e solicitou dilação do prazo para atendimento. Foi deferida prorrogação por 20  dias por meio de despacho simples.    Em  26  de  setembro  de  2006,  o  contribuinte  novamente  solicitou  dilação  do  prazo  para  atendimento. Foram deferidos mais 20 dias por meio de reintimação postada pelos Correios,  mediante Aviso de Recebimento RZ164779105 BR.    O  prazo  total  dado  ao  contribuinte  para  apresentação  dos  arquivos  magnéticos  de  sua  contabilidade foi de 60 (sessenta) dias, ou seja, 2 (dois) meses.    A data final fixada foi 16 de outubro de 2006.    No dia  16 de  outubro  de 2006,  o  contribuinte  apresentou  discos  nos  quais  declarou  terem  sido gravados os arquivos de  lançamentos contábeis  (item 4.1.1 do ADE COFIS 15/2001),  saldos mensais (item 4.1.2), cadastro de bens (item 4.1.7), folha de pagamento (item 4.8.1),  cadastro  de  empregados  (item  4.8.2)  e  tabelas  referentes  ao  item  4.9.  Esses  arquivos,  segundo  o  contribuinte,  referem­se  aos  anos­calendário  2001  a  2005.  O  conteúdo  dos  arquivos encontra­se pendente de verificação pelo SEMAC/SRRF07.    Mas  ainda  faltavam alguns  arquivos  a  serem apresentados:  os  arquivos  referentes  às  notas  fiscais  de  emissão  própria  (entradas  e  saídas)  e  as  de  emissão  de  terceiros,  bem  como  o  arquivo de inventário. Esses arquivos são essenciais ao trabalho fiscal.    Ainda  no  dia  16  de  outubro  de  2006  o  contribuinte  apresentou  fotocópias  simples  de  um  pedido  de  liminar  em mandado  de  segurança.  Pelo  que  se  depreende  dessas  fotocópias,  o  contribuinte  ficou  inconformado  com  o  prazo  concedido  administrativamente  e  ingressou  com  pedido  de  medida  liminar  em  mandado  de  segurança  mediante  o  processo  n°  2006.51.01.019728­0 buscando dilatar judicialmente o referido prazo. A ação foi distribuída  na  7a. Vara  Federal  da Seção  Judiciária  do Rio  de  Janeiro. A MM Sra  Juiza  Federal Dra  Maria de Lourdes Coutinho Tavares deferiu o pedido, determinando a prorrogação do prazo  "por mais 30 dies a contar do dia 16 de outubro de 2006".    No dia 16 de novembro de 2006, o contribuinte apresentou mídias em que declare terem sido  gravados os arquivos que estavam faltando. O conteúdo dos arquivos encontra­se pendente  de verificação pelo SEMAC/SRRF07.    Portanto em obediência à  respeitável decisão  judicial  surgida, o Auto de  infração a que se  refere este Relatório Fiscal encontra­se com a exigibilidade suspensa.”      Insurgindo­se contra o  lançamento, a Recorrida apresentou  Impugnação  (E­fls 105 ss.),  também demonstrando a sua leitura dos fatos,  importante de ser transcrita  para que se estabeleça um contraponto no julgamento:    “Inicialmente, cumpre esclarecer que a ora  Impugnante  se enquadra na condição de pessoa  jurídica  de  Direito  Privado,  que  atua  no  ramo  de  comércio,  tendo  enorme  atuação  no  mercado de varejo, possuindo 211 (duzentos e onze) estabelecimentos em todo Pais, mais de  100.000  (cem  mil)  itens  comercializados  e  aproximadamente  4.000  (quatro  mil)  fornecedores,  impondo­lhe,  necessariamente,  a  manutenção  de  uma  imensa  infraestrutura  operacional para o desenvolvimento de suas atividades.    9. Como consequência, ao exercer o seu objeto social (comércio varejista), a ora lmpugnante  realiza  fato  gerador  de  diversos  tributos,  enquadrando­se  na  sujeição  passiva  de  tributos  Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10707.000670/2007­15  Acórdão n.º 9101­002.585  CSRF­T1  Fl. 472          4  federais,  estaduais  e  municipais,  o  que  lhe  impõe  a  obrigação  de  atender  as  exigencies  tributárias principais e acessórias trazidas pela legislação tributária.    10.  Em  17.08.2006,  a  ora  peticionante  foi  intimada  por  agente  da  Superintendência  da  Secretaria  da  Receita  Federal  da  7a  Região  Fiscal  para  apresentar  em  20  (vinte)  dias  os  documentos  e  arquivos  magnéticos  referentes  aos  anos­calendário  de  2001  a  2005,  nos  termos consubstanciados na Instrução Normativa SRF n° 86/01 e no formato previsto no Ato  Declaratório Executivo COFIS n° 15/01 (vide DOC. 03).    11.  O  referido  Termo  de  Intimação  Fiscal,  ao  exigir  a  apresentação  de  documentos  em  arquivos magnéticos, determina que tais arquivos deverão contemplar os seguintes dados:    (A) Arquivos de Registros Contábeis,  (B) Arquivos de Clientes e Fornecedores;  (C) Arquivos de Controle patrimonial;  (D) Arquivos de Notas Fiscais de Emissão Própria (saídas e entradas);  (E) Arquivos de Notas Fiscais (entradas) de Emissão de Terceiros;  (F) Arquivos Relativos a Comércio Exterior;  (G) Arquivos Relativos a Folha de pagamento;  (H) Diversas Tabelas.    12.  Ao  final,  a  fiscalização  registra  que  o  não  atendimento  da  intimação  ensejará  na  aplicação das  sanções previstas no artigo 12, da Lei  n° 8.218/91, o qual  impõe uma multa  pecuniária até o percentual de 1% (um por cento) da Receita Bruta da empresa.    13.  Posteriormente,  a  pedido  da  ora  lmpugnante  (DOC.  4),  em  23.08.2006,  a  fiscalização  ampliou por mais 20 (vinte) dias o prazo para apresentação dos arquivos magnéticos, tendo  em vista a dificuldade técnicas encontradas para consolidação dessas informações.    14. Entretanto, por razões técnicas e em virtude do enorme volume de informações a serem  disponibilizadas  à  fiscalização,  a  ora  Impugnante  encontrou  dificuldade  em  consolidar  e  formatar  os  dados  requeridos  no  exíguo  prazo  concedido  inicialmente,  razão  pela  qual  apresentou novo pedido de dilação de prazo (DOC. 5).    15. Nesse  último  pedido,  com  o  intuito  de  apresentar  toda  a  documentação  requerida  pela  fiscalização dentro de um cronograma considerado exequível, a empresa requereu dilação do  prazo não mais por 20 (vinte) dias, mas com base numa tabela com prazos e metas a serem  atendidas, uma vez que as informações solicitadas pela fiscalização, por serem apresentadas  em  meio  magnético,  demandavam  grande  quantidade  de  tempo  e  pessoal  para  a  sua  preparação.    16. Note­se,  a  bem da  verdade,  que  a  ora  lmpugnante  sempre  aduziu  que  possui  todos  os  arquivos magnéticos  no  formato  exigido  pela  legislação  e  nunca  se  furtou  a  apresentá­los.  Porém, para gerá­los no tempo mínimo concedido, precisaria parar todas as suas atividades  ordinárias  (suas vendas sua contabilidade, seus controles  internos e  tudo mais que dependa  da  informática), para passar a deter a capacidade de memória média necessária a gerar  tais  arquivos. Foi exatamente por este motivo que solicitou a prorrogação de prazo, fazendo um  cronograma extremamente razoável de tempo para apresentar os arquivos de  todos os anos  solicitados pelo Agente Fiscal.    17. Não obstante o requerimento previamente mencionado, em 09.10.2006, a ora Impugnante  recebeu novo Termo de Intimação Fiscal, o qual fixou o derradeiro prazo para a apresentação  da documentação em meio magnético para o dia 16 de outubro de 2006 (DOC. 6), sem que  fosse entendida a razoabilidade do pedido de prorrogação.    18.  Considerando  que  o  prazo  concedido  administrativamente  seria  insuficiente  para  apresentação de todos os arquivos magnéticos exigidos pela Fiscalização (como de fato foi),  não  restou  à  ora  Impugnante  outra  alternativa  que  não  a  impetração  de  mandado  de  segurança  com  pedido  de  medida  liminar,  onde  requereu  à  dilação  do  prazo  por mais  30  (trinta)  dias  a  contar  do  dia  16  de  outubro  de  2006  para  apresentação  dos  arquivos  que,  Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10707.000670/2007­15  Acórdão n.º 9101­002.585  CSRF­T1  Fl. 473          5  porventura, não houvessem sido entregues até aquela data.    19.  Referido  mandamus  foi  distribuído  à  7a  Vara  Federal  da  Seção  Judiciária  do  Rio  de  Janeiro  —  RJ  sob  o  n°  2006.51.01.19728­0  e,  no  dia  16.10.06,  teve  a  medida  liminar  deferida (DOC. 07), cujo conteúdo transcreve­se abaixo:    ‘Afigura­se  óbvio  que  o  extenso  rol  de  dados  referentes  a  um  período  de  cinco  anos,  considerando­se o número  de  estabelecimentos da  Impetrante  apenas  no Estado  do Rio de  Janeiro  —  não  se  cogitando  dos  estabelecimentos  situados  em  outros  Estados  —  em  condições  normais,  não  é  exigível  que  sejam  apresentados  no  exíguo  prazo  imposto  pela  Fiscalização. Falta razoabilidade à fixação do prazo de vinte dias, prorrogado por mais vinte,  sob pena de multa vultosa, em razão da enorme gama de dados exigidos, da forma em que  devem ser apresentados e da ampla e complexa malha de atuação da Impetrante no ramo do  comércio.    O pedido de liminar afigura­se bastante razoável. Não pretende a Impetrante se esquivar de  atender à exigência fiscal, e sim uma dilação do prazo para tanto, o que parece ser bastante  compreensível.    Ante  o  exposto,  DEFIRO  a  liminar,  por  presentes  os  requisites  legais  autorizadores,  para  determinar  à  autoridade  impetrada  que  defira  à  Impetrante  a  prorrogação  do  prazo  para  cumprimento  das  exigências  faltantes  do  Termo  de  Intimação  Fiscal,  de  04  de  agosto  de  2006 (fls. 22/24), por mais trinta dias a contar do dia 16 de agosto de 2006". (posteriormente  retificado pelo juizo para 16 de outubro de 2006). ­ Grifos não constantes do texto original –    20.  Assim,  suportada  pela  medida  liminar  em  comento,  a  ora  lmpugnante  apresentou  os  arquivos  faltantes  no  dia  16.11.06,  conforme  faz  prova  o  recibo  em  anexo  (DOC.  08),  estando devidamente cumprida desde aquela época a obrigação acessória respectiva. Note­se  que a liminar concedida na espécie tem caráter satisfativo da tutela jurisdicional, porque no  tempo não se poderá voltar.    21.  Não  obstante  o  pleno  cumprimento  da  obrigação  no  prazo  deferido  no  provimento  judicial, a Autoridade Fiscal, em 28.05.2007, lavrou o auto de infração ora impugnado, ante  a  necessidade  de  constituir  o  crédito  tributário  referente  aos  anos­calendário  2002  a  2005,  estando o mesmo com a exigibilidade suspensa até que sobrevenha o trânsito em julgado da  decisão do mandado de segurança anteriormente ajuizado.”    A  recorrente  buscou  pontuar  (i)  a  necessidade  de  tempo  para  a  disponibilidade  dos  arquivos  magnéticos  nos  moldes  solicitados  pela  fiscalização,  considerando as dificuldades e o volume de suas operações varejistas,  (ii) a existência de  medida  liminar  que  estendeu  o  prazo  concedido  pelo  agente  fiscal,  (iii)  a  desproporcionalidade e irrazoabilidade da multa, e (iv) que a interrupção da multa de mora  em face da existência de decisão judicial.     No  que  chamou  especificamente  de  mérito,  defendeu  que  a  multa  pelo  atraso na entrega dos arquivos magnéticos possuiria natureza de multa moratória porquanto  se  fundamentaria,  única  e  exclusivamente,  no  retardo  do  cumprimento  da  obrigação  acessória prevista em lei, sendo, inclusive, calculada tendo por base os dias do suposto adio  no cumprimento da exigência fiscal. Assim, deveria sofrer o exato tratamento dispensado à  multa de mora pela legislação (transcreve o artigo 63, parágrafo 2o., da lei n. 9.430/96) no  caso  de  concessão  de medida  liminar,  qual  seja,  interrupção  da  sua  incidência  enquanto  durarem os efeitos da liminar concedida. A esse respeito, consignou:    Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10707.000670/2007­15  Acórdão n.º 9101­002.585  CSRF­T1  Fl. 474          6  “Importante ter­se em mente que, na seara jurídica, os vocábulos ‘interrupção’ e  ‘suspensão’  possuem  significados  totalmente  distintos,  sendo  certo  que,  na  interrupção  (vocábulo  utilizado  pela  lei),  a  multa  de  mora  considera­se  não  ocorrida  enquanto  perdurar  a  vigência  da  medida  liminar.  Como  efeito  dessa  interrupção, depreende­se  claramente  que,  com a  cassação  do  referido provimento  liminar, ai sim, teria início a fluência da multa de mora, caso a obrigação que desse  ensejo à multa não houvesse sido cumprida até 30 (trinta) dias da perda de eficácia  da liminar.  Todavia,  a  causa  ensejadora  da  multa  já  restou  sanada:  todos  os  arquivos  magnéticos,  no  formato  da  IN  SRF  n°  86/2001,  foram  apresentados  até  a  data  deferida na liminar, de sorte que, se o principal já foi cumprido, a multa acessória,  mesmo  se  cassada  a  liminar,  não  poderá  ser  exigida,  em  razão  da  aplicação  dos  estritos termos do §2°, do artigo 63, da Lei n° 9.430196.”    “Assim,  pode­se  afirmar  que  a  finalidade  prevista  em  lei  para  entrega  dos  arquivos  magnéticos ­ qual seja a disponibilização de todas as informações da empresa dos últimos 5  (cinco)  anos  para  fins  de  fiscalização  ­  foi  integralmente  cumprida  pelo  contribuinte,  não  havendo qualquer lesão ao Fisco ou ao procedimento fiscal, uma vez que, desde o dia 16 de  novembro  de  2006,  é  possível  ao Fisco  efetuar  a  análise  de  todos  os  arquivos magnéticos  disponibilizados  o  que,  frise­se,  até  o  presente  momento  não  foi  realizado  por  questões  atinentes  A  própria  administração  tributária.  Ou  seja,  pune­se  por  absolutamente  nada,  porque  a  administração  fazendária,  vários  e  vários  meses  após  ter  recebido  As  midias  magnéticas ainda sequer As analisou; prova que poderia,  sem prejuízo,  ter concedido mais  prazo ao contribuinte, que, de boa­fé, lhe expunha suas dificuldades operacionais de geração  de tais arquivos.”    Na  sequência,  tratou  da  irrazoabilidade  e  desproporcionalidade  da  imposição de multa pelo atraso de 30 dias no valor de R$ 53.477.206,37 (cinqüenta e três  milhões, quatrocentos e setenta e sete mil, duzentos e seis reais e trinta e sete centavos) ou,  ainda, R$ 1.782.573,55 (um milhão, setecentos e oitenta e dois mil quinhentos e setenta e  três reais e cinqüenta e centavos) por dia de atraso, violando os princípios do não confisco e  da capacidade contributiva.    Em  junho  de  2007,  foi  proferida  sentença  judicial  (E­  fls.  220  ss.),  decidindo não ter direito líquido e certo a contribuinte, uma vez que tinha a obrigação de  manter os documentos à diposição da fiscalização e que o prazo de 60 dias concedido seria  suficiente para  a  produção dessa prova,  quando então  se  negou  a  segurança  e  revogou  a  liminar anteriormente concedida em favor da impetrante.     Em seguida, decidiu a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no  Rio de Janeiro I (E­fls. 230 ss.) que (i) haveria concomitância entre os processos judicial,  e administrativo,  implicando  renúncia a este e  (ii)  seria  inaplicável o  artigo 63 de Lei n.  9.430/96 a casos de lançamento de multa por falta e/ou atraso na apresentação de arquivo  magnético.    Em  face  dessa  decisão  que  manteve  o  posicionamento  fiscal,  a  contribuinte  interpôs  Recurso  Voluntário  (E­fls.  243  ss.),  buscando  demonstrar  a  inexistência de concomitância, porque o mandado de segurança teria como objeto apenas a  dilação  do  prazo  para  a  entrega  dos  arquivos  magnéticos,  e  também  os  demais  pontos  Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10707.000670/2007­15  Acórdão n.º 9101­002.585  CSRF­T1  Fl. 475          7  abordados na peça impugnatória.     A  turma a quo então julgou o recurso voluntário, decidindo no Acórdão  n.  1101­00.063  (E­fls.  274  ss.)  negar­lhe  provimento  por  entender  haver  concomitância  entre os processos administrativo e judicial, aplicando­se a Súmula n. 1 do CARF.    A contribuinte opôs Embargos de Declaração  (E­fls.  211  ss.)  alegando  omissão  do  acórdão  recorrido  quanto  (i)  ao  caráter  satisfativo  da  medida  liminar  e  não  caracterização da mora no atraso e (ii) ao aspecto quantitativo da multa (valor) e violação  aos princípios da capacidade contributiva e vedação ao confisco, que foram rejeitados em  despacho (E­fls. 335) o qual manteve o acórdão anterior quanto à concomitância.      Com os  embargos  também  se  teve  notícia  nos  autos  da  interposição  do  Recurso de Apelação (E­fls. 310 ss.) na ação judicial, com pedido de seu recebimento nos  efeitos devolutivo e supensivo.    A  contribuinte  interpôs,  asism,  Recurso  Especial  (E­fls.  379  ss.),  objetivamente,  pleiteando­se  o  reconhecimento  da  inexistência  de  renúncia  à  esfera  administrativa,  afastando­se  a  concomitância,  para  se  analisar  o  mérito  relativo  à  impossibilidade  de  aplicação  da  multa  dos  artigos  11  e  12,  III,  da  Lei  n.  8.212/91  ou,  subsidiariamente, a nulidade do acórdão recorrido e a devolução dos autos para a produção  de  nova  decisão  que  abordasse  o  tema  específico  da  penalidade.  Ao  recurso  foi  dado  seguimento por despacho de admissibilidade (E­fls. 438 ss.).     A Fazenda Nacional  apresentou  contrarrazões  (E­fls.  442  ss.),  tratando  exclusivamente da questão da concomitância e renúncia à instância administrativa.    Passa­se, então, à apreciação do recurso da contribuinte.       Voto Vencido    Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio – Relatora.      PRELIMINARES       Tempestividade do Recurso Especial  Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10707.000670/2007­15  Acórdão n.º 9101­002.585  CSRF­T1  Fl. 476          8      Anteriormente  à  análise  do  mérito,  verificar­se­á  a  tempestividade  do  recurso e o preenchimento dos requisitos para o seu conhecimento.    A respeito do primeiro ponto, identifica­se que a contribuinte foi intimada  do acórdão que julgou o recurso voluntário em 04.03.2015 (AR à e­fl. 341) e protocolizou  Recurso  Especial  no  dia  19.03.2015  (E­fl.  371),  portanto,  dentro  do  prazo  de  15  dias  definido pelo caput do artigo 68 do Regimento Interno do CARF, que assim dispõem:    “Art. 68. O recurso especial, da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado  em  petição  dirigida  ao  presidente  da  câmara  à  qual  esteja  vinculada  a  turma  que  houver  prolatado  a decisão  recorrida,  no  prazo  de 15  (quinze)  dias  contado  da  data  da  ciência  da  decisão.”    Por  essas  razões,  voto  por  conhecer  o  Recurso  Especial  interposto  pela LOJAS AMERICANAS S.A., no que concerne ao critério da tempestividade.        Conhecimento do Recurso Especial    O conhecimento do Recurso Especial condiciona­se ao preenchimento de  requisitos  enumerados  pelo  artigo  67  do Regimento  Interno  deste Conselho,  que  exigem  analiticamente  a  demonstração,  no  prazo  regulamentar  do  recurso  de  15  dias,  de  (1)  existência de  interpretação divergente dada à  legislação  tributária por diferentes câmaras,  turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma  divergente;  (3)  prequestionamento  da  matéria,  com  indicação  precisa  das  peças  processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois  primeiros  paradigmas  no  caso  de  apresentação  de  um  número  maior,  descartando­se  os  demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão  recorrido;  além  da  (6)  juntada  de  cópia  do  inteiro  teor  dos  acórdãos  indicados  como  paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas,  impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da  internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso,  desde que na sua integralidade.     Observa­se  que  a  norma  ainda  determina  a  imprestabilidade  do  acórdão  utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1)  Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103­A da Constituição Federal); (2)  decisão judicial transitada em julgado (arts. 543­B e 543­C do Código de Processo Civil; e  (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF.     Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10707.000670/2007­15  Acórdão n.º 9101­002.585  CSRF­T1  Fl. 477          9  Analisando­se  o  caso  concreto,  VOTA­SE  POR  CONHECER  o  Recurso Especial.    MÉRITO    O  primeiro  ponto  que  foi  levado  à  apreciação  de  mérito  diz  respeito  à  decisão  tomada  no  acórdão  recorrido  quanto  à  renúncia  da  contribuinte  ao  seu  direito  à  discussão  administrativa,  em  função  de  ter  levado  a  questão  à  apreciação  judicial  no  mandando de segurança interposto, configurando concomitância e ensejando a aplicação da  Súmula CARF n. 01:    "Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de  julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial."    Voltando­se  aos  eventos  ocorridos,  verifica­se  que  o  sujeito  passivo,  durante  o  procedimento  fiscalizatório  e  diante  das  dificuldades  encontradas  para  a  preparação  dos  arquivos  magnéticos  nos  moldes  em  que  requisitados  pela  autoridade  fazendária, após seu terceiro pleito administrativo de prorrogação de prazo ser indeferido,  impetrou  Mandado  de  Segurança  objetivando  ordem  judicial  que  determinasse  tal  prorrogação.    De  fato,  a medida  liminar  foi  deferida  e  a dilação  concedida para que  a  recorrente  tivesse  mais  30  dias  de  prazo  para  a  entrega  dos  mencionados  arquivos  magnéticos,  o  que  foi  realizado  tempestivamente  em  16.11.2006.  No  entanto,  após  o  cumprimento da exigência fiscal, foi  lavrado o presente auto de infração para a exigência  da multa prevista nos artigos 11 e 12 da Lei n. 8212/91 em 25.07.2007, com exigibilidade  suspensa, e também proferida sentença judicial negando a segurança e revogando a liminar.    A  sentença  judicial,  além  de  resposta  a  uma  preliminar  de  legitimidade  arguída pela impetrada, trouxe o seguinte conteúdo:    “2.2 — A Impetrante recebeu Termo de Intimação Fiscal (fls. 22); no dia 17 de agosto de  2006, para apresentar arquivos magnéticos de sua contabilidade. O prazo  inicial concedido  para apresentação dos arquivos foi de 20 (vinte) dias, conforme se verifica daquele Termo de  Intimação, na forma disposta no art. 2° da Instrução Normativa SRF, 86/2001, de 22/10/01.  Ela  logrou  adiamento  no  âmbito  administrativo,  para  fins  de  cumprimento  daquela  diligência,  em  duas  oportunidades,  cada  qual  também  no  prazo  de  20  (vinte)  dias,  perfazendo, assim, um total de 60 (sessenta) dias para o atendimento do primeiro Termo de  Intimação (fls. 33).    A  autoridade  requisitante  levou  em  consideração  as  alegações  da  Impetrante  quanto  ao  volume de dados a serem computados, bem como no respeitante ao esforço computacional  Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10707.000670/2007­15  Acórdão n.º 9101­002.585  CSRF­T1  Fl. 478          10  necessário para o atendimento ao Termo de Intimação Fiscal.    2.3. Nesse contéxto, vale transcrever os dispositivos pertinentes essa demanda:    Lei n°8.218, de 29 de agosto de 1991.  Art.  11 —  As  pessoas  jurídicas  que,  de  acordo  com  o  balanço  encerrado  em  relação  ao  período­base  imediatamente  anterior,  possuírem  parimônio  liquido  superior  a  Cr$  250.000.000,00,  e  utilizarem  sistema  de  processamento  eletrônico  de  dados  para  registrar  negócios  e  atividades  econômica,  escriturar  livros  ou  elaborar  documentos  de  natureza  contábil  ou  fiscal  ficarão  obrigadas,  a  partir  do  período  base  de  1991,  a manter,  em meio  magnético ou assemelhado, à disposição do Departamento da Receita Federal, os respectivos  arquivos e sistemas durante o prazo de cinco anos.    Medida Provisória n° 2.158­35, de 24 de agosto de 2001.  Art. 72. Os arts. 11 e 12 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, passam a  vigorar com a seguinte redação:    Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados  para  registrar  negócios  e  atividades  econômicas  financeiras,  escriturar  livros  ou  elaborar  documentos  de  natureza  contábil  ou  fiscal,  ficam  obrigadas  a  manter,  ã  disposição  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  os  respectivos  arquivos  digitais  e  sistemas,  !Del°  prazo  decadencial previsto na legislação tributária."    Instrução Normativa SRF n° 86, de outubro dé 2001 (DOU  23.10.2001).  Art. 1. As pessoas  Jurídicas que utilizarem  sistemas de processamento  eletrônico de dados  para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar  livros ou elaborar  documentos  de  natureza  contábil  ou  fiscal,  ficam  obrigadas  a  manter,  à  disposição  da  secretariada  Receita  Federal  SRF).  os  respectivos  arauivos  digitais  e  sistemas,  pelo  prazo  decadencial previsto na legislação tributária. (grifos do Juizo)    2.4. Diante da análise da legislação acima transcrita, conclui­se que não há o apontado direito  líquido  e  certo  sustentado  pela  Impetrante  no  tocante  a  mais  uma  prorrogação  do  prazo  administrativo para cumprimento das exigências faltantes do Termo de Intimação Fiscal.    Em  verdade,  ela  deveria  manter  à  disposição  da  Secretaria  da  Receita  Federal  toda  documentação, assim como os respectivos arquivos digitais e sistemas a partir de janeiro de  2002,  haja  vista  a  publicação  da  Instrução  Normativa  SRF  N°  86  no  D.O.U.  do  dia  23.10.2001.    2.5. O prazo total de 60 (sessenta) dias foi mais do que suficiente para atender às exigências  ora debatidas. Acolher o pleito autoral redundaria em ferir a isonomia com relação a outros  contribuintes de porte econômico. equivalente, que se encontram na situação análoga e, que  tempestivamente, cumpriram aquelas determinações no prazo administrativo.    2.6. Além disso, vale assinalar que o cumprimento da obrigação acessória em tela no prazo  administrativo questionado não ofende a estabilidade das relações jurídicas, vez que não se  trata de  exigência de  fato novo em suposto  curto prazo. Afinal,  à  luz daquela  legislação a  Impetrante teve o tempo razoável para se adequar aquelas diligências e, não somente aqueles  vint  dias,  que  na  espécie  alcançou  o  cômputo  de  sessenta  dias,  decorrente  de  sucessiva  prorrogação da autoridade fazendária competente.    3. Por tais razões, na presente ação, JULGO IMPROCEDENTE O PEDIDO E DENEGO A  SEGURANÇA, com base no art. 269, I, do CPC e nos termos da fundamentação retro e, por  consequência, REVOGO a liminar constante de fls. 37/38.”     Promovendo­se  um  cotejo  do  resultado  dessa  sentença  judicial  com  o  objeto do Mandado de Segurança, refletido em seus pedidos, compreende­se que se refere à  Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10707.000670/2007­15  Acórdão n.º 9101­002.585  CSRF­T1  Fl. 479          11  necessidade de concessão de dilação de prazo para a apresentação de arquivos magnéticos,  diante da situação fática narrada pela impetrante. Leia­se o pleito deduzido:    “III ­ DO PEDIDO  Por todo o exposto, requer a Impetrante a V.Exa. o seguinte:  a) a concessão de medida liminar que determine a autoridade coatora e/ou seus subordinados  ou  quem  os  substituam,  a  não  aplicarem  qualquer  modalidade  de  sanção  pela  não  satisfação/cumprimento das exigencies formuladas pela fiscalização (entrega de documentos  em meio físico (papel) e meio magnético) no dia 16.10.2006, bem como deferir o prazo de  30 (trinta) dias a contar do dia 16.10.2006 para a Impetrante cumprir com todas as exigencies  faltantes [sic] pela autoridade administrativa;    b) a notificação da autoridade impetrada para apresentar as  informações no decêndio  legal,  nos termos do art. 7°, inciso I, da Lei n° 1.533/51;    c)  acolhendo  os  jurídicos  argumentos  ora  apresentados,  seja  concedida  a  segurança,  confirmando­se  a  medida  liminar  anteriormente  deferida,  bem  como  seja  reconhecido  o  direito  líquido  e  certo  da  Impetrante  de  não  ser  compelida  a  pagar  qualquer  multa  proveniente do não cumprimento das exigências fiscais a serem satisfeitas e apresentadas à  autoridade  administrativa  no  dia  16.10.2006,  em  função  da  dilação  do  referido  prazo  por  mais  30  (trinta)  dias,  em  respeito  ao  principio  da  razoabilidade/proporcionalidade,  moralidade  e  eficiência,  inscritos  nos  artigos  1°;  5°,  inciso LIV e LV;  37,  caput,  todos  da  Constituição Federal.    É  verdade  que  a  leitura  do  final  desse  último  pedido  dá  uma  primeira  impressão  de  que  a  recorrente  estaria  questionando  o  mérito  da  multa  em  si,  mas  se  verificando  todo  o  contexto  em que  inserido  e  os  fundamentos  expostos  no mandado de  segurança, compreende­se que não guarda essa relação.    Diferentemente,  na  defesa  administrativa  apresentada,  como  consta  do  relatório  acima,  tratou  da  (i)  necessidade  de  tempo  para  a  disponibilidade  dos  arquivos  magnéticos  nos  moldes  solicitados  pela  fiscalização,  considerando  as  dificuldades  e  o  volume de suas operações varejistas, (ii) existência de medida liminar que estendeu o prazo  concedido  pelo  agente  fiscal,  (iii)  desproporcionalidade  e  irrazoabilidade  da  multa,  (iv)  interrupção da multa de mora em face da existência de decisão judicial.     No  que  chamou  especificamente  de  mérito,  defendeu  que  a  multa  pelo  atraso na entrega dos arquivos magnéticos possui natureza de multa moratória porquanto se  fundamenta,  única  e  exclusivamente,  no  retardamento  no  cumprimento  da  obrigação  acessória  prevista  em  lei,  sendo,  inclusive,  calculada  tendo  por  base  os  dias  da  suposta  demora  no  cumprimento  da  exigência  fiscal.  Assim,  deveria  sofrer  o  exato  tratamento  dispensado à multa de mora pela legislação (transcreve o artigo 63, parágrafo 2o., da lei n.  9.430/96) no caso de concessão de medida liminar, qual seja, interrupção da sua incidência  enquanto durarem os efeitos da liminar concedida.     Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10707.000670/2007­15  Acórdão n.º 9101­002.585  CSRF­T1  Fl. 480          12  Na  sequência,  tratou  da  irrazoabilidade  e  desproporcionalidade  da  imposição de multa pelo atraso de 30 dias no valor de R$ 53.477.206,37 (cinqüenta e três  milhões, quatrocentos e setenta e sete mil, duzentos e seis reais e trinta e sete centavos) ou,  ainda, R$ 1.782.573,55 (um milhão, setecentos e oitenta e dois mil quinhentos e setenta e  três reais e cinqüenta e centavos) por dia de atraso, violando os princípios do não confisco e  da capacidade contributiva.    Portanto,  entende­se  que  os  objetos  dos  dois  processos,  embora  num  primeiro  momento  possam  levar  a  essa  suspeita  de  identidade,  diferem­se  em  seus  conteúdos,  não  podendo­se  aplicar  a  Súmula  CARF  n.  01,  sobretudo  porque,  como  consequência,  haveria  o  cerceamento  de  defesa  da  contribuinte  e  vedação  ao  acesso  à  apreciação  de  suas  razões,  uma  vez  que  não  foram  parte  da  decisão  judicial  e  também  deixariam de ser da administrativa.    Por  essas  razões,  entende­se  que  deva  ser  desconstituída  a  decisão  de  concomitância  e  concedido  ao  sujeito  passivo  o  direito  à  apreciação  de  sua  defesa  administrativa, devolvendo­se o processo à instância a quo para julgar o mérito na questão  da aplicabilidade da multa.    Por essa razão, vota­se por DAR PROVIMENTO ao recurso e determinar  a devolução dos autos à instância a quo, para que julgue o mérito do recurso voluntário  da contribuinte.    Voto Vencedor  Conselheiro André Mendes de Moura.  Apesar da bem fundamentada exposição da ilustre Relatora, peço vênia para  divergir na matéria concomitância.  Isso porque há pedido da Contribuinte no mandado de segurança no sentido  de não se lançar a multa isolada objeto dos presentes autos.  Vale transcrever a decisão recorrida (e­fl. 274):   Em 04/08/2006 a fiscalização lavrou Termo de Intimação Fiscal,  dando ciência a Recorrente  sobre o  inicio da  fiscalização, bem  como,  intimando­a  a  apresentar  urna  série  de  documentos  em  arquivo magnético no prazo de 20 (vinte) dias. Tendo em vista o  prazo  exíguo  concedido  a  Recorrente  protocolou  2  (dois)  pedidos administrativos de prorrogação de prazo e, em ambos a  fiscalização concedeu  prorrogação de 20  (vinte) dias. Assim,  o  prazo  final para a Recorrente entregar os arquivos magnéticos  solicitados pela fiscalização ocorreu no dia 16/10/2006.  Em  16/10/2006  a  Recorrente  apresentou  a  fiscalização  apenas  parte  dos  arquivos  magnéticos  requeridos  e,  lhe  informou,  Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10707.000670/2007­15  Acórdão n.º 9101­002.585  CSRF­T1  Fl. 481          13  através  de  cópia  simples,  que  havia  impetrado  Mandado  de  Segurança, distribuído sob o n° 2006.51.01.019728­0 perante a  7ª  Vara  da  Justiça  Federal  do  Rio  de  Janeiro,  corn  pedido  de  liminar  deferido  para  que  lhe  fosse  concedido mais  30  (trinta)  dias de prazo pela fiscalização, a contar do dia 16/10/2006, para  apresentar o restante dos arquivos magnéticos.  Assim, no caso vertente, constatei haver concomitância entre as  matérias  tratadas  nos  presentes  autos  e  no  Mandado  de  Segurança  impetrado pela Recorrente, visto que nos presentes  autos  a  Recorrente  se  insurge  contra  a  multa  aplicada  pela  fiscalização em razão da falta de entrega de todos os arquivos  magnéticos no prazo estipulado pela administração, qual seja, o  dia 16/10/2006.  Nesse  passo,  pude  constatar  também  que  um  dos  pedidos  expressos  formulados  pela  Recorrente  nos  referidos  autos  do  mandado  de  segurança  foi  o  reconhecimento  do  seu  direito  liquido  e  certo  de  não  ser  compelida  a  pagar  qualquer  multa  cominada  pela  fiscalização  em  razão  da  não  apresentação  dos  arquivos magnéticos no dia 16/10/2006, conforme se vislumbra  do  item  "c"  do  pedido  do  Mandado  de  Segurança.  (fls.  56).  (grifei)  De  fato,  apreciando­se  o  pedido  do  mandado  de  segurança  em  questão,  verifica­se (e­fl. 58/59):  III ­ DO PEDIDO  Por todo o exposto, requer a Impetrante a V.Exa. o seguinte:  a)  a  concessão  de  medida  liminar  que  determine  a  autoridade  coatora  e/ou  seus  subordinados  ou  quem  os  substituam,  a  não  aplicarem  qualquer  modalidade  de  sanção  pela  não  satisfação/cumprimento  das  exigências  formuladas  pela  fiscalização  (entrega  de  documentos  em  meio  físico  (papel)  e  meio magnético) no dia 16.10.2006, bem como deferir o prazo de  30  (trinta)  dias  a  contar  do  dia  16.10.2006  para  a  Impetrante  cumprir  com  todas  as  exigências  faltantes  pela  autoridade  administrativa;  b)  a  notificação  da  autoridade  impetrada  para  apresentar  as  informações no decêndio legal, nos termos do art. 7°, inciso I, da  Lei n° 1.533/51;  c)  acolhendo  os  jurídicos  argumentos  ora  apresentados,  seja  concedida  a  segurança,  confirmando­se  a  medida  liminar  anteriormente  deferida,  bem  como  seja  reconhecido  o  direito  liquido  e  certo  da  Impetrante  de  não  ser  compelida  a  pagar  qualquer multa proveniente do não cumprimento das exigências  fiscais  a  serem  satisfeitas  e  apresentadas  á  autoridade  administrativa  no  dia  16.10.2006,  em  função  da  dilação  do  referido prazo por mais 30 (trinta) dias, em respeito ao principio  da  razoabilidade/proporcionalidade,  moralidade  e  eficiência,  inscritos nos artigos 1°; 5°, inciso LIV e LV; 37, caput, todos da  Constituição Federal.  Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10707.000670/2007­15  Acórdão n.º 9101­002.585  CSRF­T1  Fl. 482          14  Inevitável, nesse contexto, a aplicação da Súmula CARF nº 1:  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  especial do contribuinte.     (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura                    Fl. 482DF CARF MF

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Numero do processo: 10283.902807/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.176
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA

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3302­004.176  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de maio de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ICMS.  Recorrente  BIC AMAZÔNIA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2006  ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.  O  ICMS  compõe  a  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.  Recurso Voluntário Negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente e Relator  Participaram da  sessão de  julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Domingos  de  Sá  Filho,  Maria  do  Socorro  Ferreira  Aguiar,  Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de  Souza e Walker Araújo.    Relatório  Trata­se de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo  pedido foi indeferido, via despacho decisório.  Inconformada,  a  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  alegando,  em  síntese:  que  o  ICMS  destacado  nas  vendas  não  pode  ser  considerado  como     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 07 /2 01 2- 55 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.902807/2012­55  Acórdão n.º 3302­004.176  S3­C3T2  Fl. 3          2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por  isso, ser incluído na base de cálculo do  PIS  e  da  COFINS;  que  a  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  das  contribuições  em  tela  desrespeita  o  preceito  do  artigo  110  do  CTN;  que  o  STF,  por  meio  do  RE  240.785/MG,  manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS.  Sobreveio,  então,  julgamento  da  DRJ/Belo  Horizonte,  que  indeferiu  a  manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02­059.018.  A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos  da manifestação de inconformidade.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3302­004.158, de  23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/2012­35, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302­004.158):  "1. Dos requisitos de admissibilidade  O  Recurso  Voluntário  foi  apresentado  de  modo  tempestivo,  a  ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso  foi protocolado em 29 de setembro de 2014,  fls. 52. Trata­se, portanto,  de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado.   2. Do mérito  2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e  da COFINS  A controvérsia cinge­se sobre a inclusão ou não do ICMS na base  de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação  que  permeia  os  tribunais  na  atualidade  é  de  dois  posicionamentos  conflitantes quanto à  inclusão ou não do  tributo na base de cálculo do  PIS e da COFINS.  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  no  REsp  1.144.469/PR,  em  sistema de recursos repetitivos assim decidiu:  RECURSO  ESPECIAL  DO  PARTICULAR:  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO.  RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.  Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902807/2012­55  Acórdão n.º 3302­004.176  S3­C3T2  Fl. 4          3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a  inclusão  de  um  imposto  na  base  de  cálculo  de  um  outro  no  art.  155,  §2º,  XI,  ao  tratar  do  ICMS,  quanto  estabelece  que  este  tributo:  "XI  ­  não  compreenderá,  em  sua  base  de  cálculo,  o  montante  do  imposto  sobre  produtos  industrializados,  quando  a  operação,  realizada  entre  contribuintes  e  relativa  a  produto  destinado à  industrialização ou à  comercialização,  configure  fato  gerador dos dois impostos".  2.  A  contrario  sensu  é  permitida  a  incidência  de  tributo  sobre  tributo  nos  casos  diversos  daquele  estabelecido  na  exceção,  já  tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a  incidência:  2.1.  Do  ICMS  sobre  o  próprio  ICMS:  repercussão  geral  no  RE  n.  582.461  /  SP,  STF,  Tribunal  Pleno,  Rel.  Min.  Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011.  2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias  contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da  controvérsia  REsp.  n.  976.836  ­  RS,  STJ,  Primeira  Seção,  Rel.  Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010.  2.3.  Do  IRPJ  e  da  CSLL  sobre  a  própria  CSLL:  recurso  representativo  da  controvérsia  REsp.  n.  1.113.159  ­  AM,  STJ,  Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009.  2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 ­ PR, STJ, Segunda  Turma,  Rel.  Min.  Mauro  Campbell  Marques,  julgado  em  24.08.2010;  REsp.  Nº  610.908  ­  PR,  STJ,  Segunda  Turma,  Rel.  Min.  Eliana  Calmon,  julgado  em  20.9.2005,  AgRg  no  REsp.Nº  462.262 ­ SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins,  julgado em 20.11.2007.  2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN:  recurso  representativo  da  controvérsia  REsp.  n.  1.330.737  ­  SP,  Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015.  3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra,  a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros  tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de  tributo  sobre  tributo  ou  imposto  sobre  imposto,  salvo  determinação  constitucional  ou  legal  expressa  em  sentido  contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio  da capacidade contributiva.  4.  Consoante  o  disposto  no  art.  12  e  §1º,  do  Decreto­Lei  n.  1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de  serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua  receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é  a receita líquida.  5.  Situação  que  não  pode  ser  confundida  com  aquela  outra  decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela  empresa  a  título  de  substituição  tributária  (ISSQN­ST  e  ICMS­ ST).  Nesse  outro  caso,  a  empresa  não  é  a  contribuinte,  o  contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim,  a  própria  legislação  tributária  prevê  que  tais  valores  são  meros  Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902807/2012­55  Acórdão n.º 3302­004.176  S3­C3T2  Fl. 5          4 ingressos  na  contabilidade  da  empresa  que  se  torna  apenas  depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art.  279 do RIR/99.  6.  Na  tributação  sobre  as  vendas,  o  fato  de  haver  ou  não  discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título  de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não  ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço  pago.  Essa  necessidade  somente  surgiu  quando  os  diversos  ordenamentos  jurídicos  passaram  a  adotar  o  lançamento  por  homologação  (informação  ao  Fisco)  e/ou  o  princípio  da  não­ cumulatividade  (informação  ao  Fisco  e  ao  adquirente),  sob  a  técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto  pago sobre imposto devido ou "tax on tax").  7. Tal é o que acontece com o  ICMS, onde autolançamento pelo  contribuinte  na  nota  fiscal  existe  apenas  para  permitir  ao  Fisco  efetivar  a  fiscalização  a  posteriori,  dentro  da  sistemática  do  lançamento  por  homologação  e  permitir  ao  contribuinte  contabilizar  o  crédito  de  imposto  que  irá  utilizar  para  calcular  o  saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade  sob a  técnica de dedução de  imposto sobre  imposto. Não se trata  em momento algum de exclusão do valor do  tributo do preço da  mercadoria ou serviço.  8. Desse modo, firma­se para efeito de recurso repetitivo a tese de  que:  "O  valor  do  ICMS,  destacado  na  nota,  devido  e  recolhido  pela empresa compõe seu faturamento, submetendo­se à tributação  pelas  contribuições  ao  PIS/PASEP  e COFINS,  sendo  integrante  também  do  conceito maior  de  receita  bruta,  base  de  cálculo  das  referidas exações".  9.  Tema  que  já  foi  objeto  de  quatro  súmulas  produzidas  pelo  extinto Tribunal  Federal  de Recursos  ­  TFR  e  por  este  Superior  Tribunal  de  Justiça  ­  STJ:  Súmula  n.  191/TFR:  "É  compatível  a  exigência da contribuição para o PIS com o  imposto único sobre  combustíveis  e  lubrificantes".  Súmula  n.  258/TFR:  "Inclui­se  na  base  de  cálculo  do  PIS  a  parcela  relativa  ao  ICM".  Súmula  n.  68/STJ: "A parcela relativa ao ICM inclui­se na base de cálculo do  PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui­se na  base de cálculo do FINSOCIAL".  10. Tema que  já  foi  objeto  também do  recurso  representativo da  controvérsia REsp. n. 1.330.737  ­ SP  (Primeira Seção, Rel. Min.  Og  Fernandes,  julgado  em  10.06.2015)  que  decidiu  matéria  idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem  ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação  jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015.  11.  Ante  o  exposto,  DIVIRJO  do  relator  para  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  especial  do  PARTICULAR  e  reconhecer a  legalidade da  inclusão do  ICMS na base de cálculo  das  contribuições  ao  PIS/PASEP  e  COFINS.  RECURSO  ESPECIAL  DA  FAZENDA  NACIONAL:  TRIBUTÁRIO.  Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902807/2012­55  Acórdão n.º 3302­004.176  S3­C3T2  Fl. 6          5 RECURSO  REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO.  INCLUSÃO  DOS  VALORES  COMPUTADOS  COMO  RECEITAS  QUE  TENHAM  SIDO  TRANSFERIDOS  PARA  OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº  9.718/98.  NORMA  DE  EFICÁCIA  LIMITADA.  NÃO­ APLICABILIDADE.  12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a  restrição legislativa do artigo 3º, § 2º,  III, da Lei n.º 9.718/98 ao  conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como  receitas  que  tenham  sido  transferidos  para  outras  pessoas  jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de  regulamentação  administrativa  e,  antes  da  publicação  dessa  regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158­35,  de  2001.  Precedentes:  AgRg  nos  EREsp.  n.  529.034/RS,  Corte  Especial, Rel. Min. José Delgado,  julgado em 07.06.2006; AgRg  no Ag  596.818/PR,  Primeira Turma, Rel. Min.  Luiz  Fux, DJ  de  28/02/2005; EDcl no AREsp 797544  /  SP,  Primeira Turma, Rel.  Min.  Sérgio  Kukina,  julgado  em  14.12.2015,  AgRg  no  Ag  544.104/PR,  Rel.  Min.  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  DJ  28.8.2006;  AgRg  nos  EDcl  no  Ag  706.635/RS,  Rel.  Min.  Luiz  Fux,  Primeira  Turma,  DJ  28.8.2006;  AgRg  no  Ag  727.679/SC,  Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no  Ag 544.118/TO, Rel. Min.  Franciulli Netto,  Segunda Turma, DJ  2.5.2005;  REsp  438.797/RS,  Rel.  Min.  Teori  Albino  Zavascki,  Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José  Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003.   13.  Tese  firmada  para  efeito  de  recurso  representativo  da  controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve  eficácia  jurídica,  de  modo  que  integram  o  faturamento  e  também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das  contribuições  ao  PIS/PASEP  e  COFINS,  os  valores  que,  computados como receita, tenham sido transferidos para outra  pessoa jurídica".  14.  Ante  o  exposto,  ACOMPANHO  o  relator  para  DAR  PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL.  (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator  para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no  original)  Já  o  Supremo Tribunal Federal,  no RE 574.706­RG/PR,  julgou,  no dia 15.03.2017, no sentido de que:   O  Tribunal,  por  maioria  e  nos  termos  do  voto  da  Relatora,  Ministra  Cármen  Lúcia  (Presidente),  apreciando  o  tema  69  da  repercussão  geral,  deu  provimento  ao  recurso  extraordinário  e  fixou a  seguinte  tese:  "O ICMS não compõe a base de  cálculo  para a incidência do PIS e da Cofins".   Vencidos  os  Ministros  Edson  Fachin,  Roberto  Barroso,  Dias  Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli  aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017.  Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.902807/2012­55  Acórdão n.º 3302­004.176  S3­C3T2  Fl. 7          6 (grifos não constam do original)  No  âmbito  do  regimento  interno  deste  Egrégio  Tribunal  Administrativo,  existe  previsão  normativa  em  seu  artigo  62,  anexo  II,  sobre  a  obrigatoriedade  de  se  observar  os  precedentes  em  sistema  de  repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos:  RICARF  Art.  62.  Fica  vedado  aos membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.   § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo  internacional, lei ou ato normativo:   (...)  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  (...)  b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior  Tribunal de Justiça,  em sede de julgamento  realizado nos  termos  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da Lei  n  º  13.105,  de  2015  ­ Código  de  Processo  Civil,  na  forma  disciplinada  pela  Administração  Tributária;  (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)   O  RICARF  prevê  o  requisito  da  decisão  definitiva  para  a  obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp  1.144.469/PR  transitou  em  julgado  em  10.03.2017  e  o  RE  574.706­ RG/PR  ainda  espera  a  modulação  de  seus  efeitos,  não  havendo,  portanto,  trânsito  em  julgado.  Logo,  deve­se  observar  a  decisão,  já  transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça.  Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar  o  RICARF,  acima  exposto,  os  argumentos  da  Recorrente  de  desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito  ao  princípio  da  capacidade  contributiva  e  da  impossibilidade  de  considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontram­se,  desde  já,  fundamentados  com  a  aplicação  do  precedente  obrigatório.  Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para  efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado  na  nota,  devido  e  recolhido  pela  empresa  compõe  seu  faturamento,  submetendo­se  à  tributação  pelas  contribuições  ao  PIS/PASEP  e  COFINS,  sendo  integrante  também do  conceito maior  de  receita  bruta,  base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso  voluntário.  3. Conclusão  Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego  provimento."  Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso  voluntário também foi apresentado tempestivamente.  Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10283.902807/2012­55  Acórdão n.º 3302­004.176  S3­C3T2  Fl. 8          7 Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  assinado digitalmente  Ricardo Paulo Rosa                                Fl. 94DF CARF MF

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Numero do processo: 13830.901044/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2009 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à  alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para  examinar  hipóteses  de  violações  às  normas  legitimamente  inseridas  no  ordenamento jurídico.  ALEGAÇÕES  GENÉRICAS.  APLICAÇÃO  DO  ART.  17,  DO  DEC.  N.°  70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete,  em  princípio,  ao  sujeito  passivo,  o  que  lhe  exige  carrear  aos  autos  provas  capazes  de  amparar  convenientemente  seu  direito,  o  que  não  ocorreu  no  presente caso.  Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão  recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17,  do Dec. n.° 70.235/72.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.   (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente e Relator.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 44 /2 01 3- 51 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901044/2013­51  Acórdão n.º 1302­002.198  S1­C3T2  Fl. 3            2  Participaram da  sessão de  julgamento os  conselheiros: Alberto Pinto Souza  Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de  Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).    Relatório  Tratam  os  autos  de  análise  eletrônica  de  Pedido  de  Restituição,  por  intermédio  do  qual  o  contribuinte  pretende  a  restituição  de  suposto  crédito  de  pagamento  indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).  Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo  indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado  como  origem  do  crédito  foi  integralmente  utilizado  para  liquidar  débito  confessado  em  Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF).  Cientificado  da  decisão  o  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins não­cumulativos  não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de  IRPJ  e  CSLL  sobre  tais  créditos  desrespeita  o  princípio  constitucional  da  neutralidade  tributária.  A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris:  ALEGAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  NORMA  TRIBUTÁRIA.  INCOMPETÊNCIA  DO  JULGADOR  ADMINISTRATIVO.  É  o  administrador  um  mero  executor  de  leis  não  lhe  cabendo  questionar  a  legalidade  ou  constitucionalidade  do  comando  legal.  A  análise  de  teses  contra  a  legalidade  ou  a  constitucionalidade de normas  é privativa do Poder Judiciário,  conforme competência conferida constitucionalmente.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Inconformado  com  o  decisium,  o  recorrente  interpôs  Recurso  Voluntário,  alegando,  em  síntese,  os  mesmos  argumentos  da  impugnação,  acrescentando  que  a  Administração não pode eximir­se da competência sobre o controle de constitucionalidade das  leis, decretos e portarias, bem como o  fato de não ser  razoável que a Administração Pública  desconsidere  as  informações  prestadas  pelo  Contribuinte  na  DCOMP,  as  quais  apresentam  presunção de legitimidade.  É o relatório.    Voto             Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.901044/2013­51  Acórdão n.º 1302­002.198  S1­C3T2  Fl. 4            3  Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº 1302­002.134,  de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/2012­26, paradigma ao  qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302­002.134):  O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos  de admissibilidade, portanto, dele conheço.  Conforme  depreende­se  da  leitura  do  Relatório  acima,  o  Recorrente  sustenta  seus  argumentos  com  base  em  supostas  inconstitucionalidades  perpetradas  pela  autoridade  fiscal  e  ratificadas pela decisão recorrida.  Contudo,  é  vedado  ao  julgador  administrativo  negar  aplicação  de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso  administrativo.  Essa  análise  foge  à  alçada  das  autoridades  administrativas, que não dispõem de competência para examinar  hipóteses  de  violações  às  normas  legitimamente  inseridas  no  ordenamento jurídico.   As  autoridades  administrativas,  enquanto  responsáveis  pela  execução  das  determinações  legais,  devem  sempre  partir  do  pressuposto  de  que  o  legislador  tenha  editado  leis  compatíveis  com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional.   Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos  legais  elencados,  no  âmbito  da  Administração  Tributária,  quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre  efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e  atos  atribuídos  ao  sujeito  passivo,  que  ensejam  a  exigência  de  tributos e dos acréscimos  legais pertinentes, desde que referido  lançamento  seja  devidamente  fundamentado  em  regular  procedimento  de  ofício  e  de  acordo  com  os  dispositivos  legais  que regem a espécie.  O  tema  é  pacificado  no  âmbito  deste Conselho Administrativo,  nos termos da Súmula 02:   “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de Lei Tributária”.  Afasto,  portanto,  o  presente  argumento,  por  não  ser  o  CARF  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de  lei tributária.  Noutra  banda,  verifica­se  que  o  recorrente  sem  acostar  documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso  voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a  presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em  Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13830.901044/2013­51  Acórdão n.º 1302­002.198  S1­C3T2  Fl. 5            4  primeira  instância,  sem  com  isto  trazer  objetivamente  os  fundamentos  e  provas  com  base  nas  quais  pede  para  que  seja  homologado o seu pedido de compensação.  Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra  decisão  proferida  pela  DRJ  de  forma  genérica,  fazendo  mera  referência  parte  das  razões  apresentadas  em  sede  da  impugnação  e  a  necessidade  de  observação  das  provas  já  juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte,  não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a  quo.  Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se  extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013­ 45 que  teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como  segue:  "(...)  1.  O  contribuinte,  em  seu  recurso,  no  concernente  à  obrigação principal, limitas­ se a prestar informações genéricas  e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando­ se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972  (Acórdão nº 2803­003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior.  Sessão de 12/08/2014)."  Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  (documento assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado                                Fl. 79DF CARF MF

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6786951 #
Numero do processo: 11080.001457/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 28/02/2003 a 31/05/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPEDIMENTO AO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A verificação de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário não é obstáculo à constituição do crédito respectivo, porquanto se trata de atividade administrativa vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN. DCTF. INSTRUMENTO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF consubstancia confissão de dívida e constitui instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário nela inserto, no entanto, a sua entrega apenas dispensa o lançamento, não o inibindo, por ser atividade administrativa vinculada e obrigatória, devendo-se adotar as cautelas necessárias a evitar a cobrança em duplicidade. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. AÇÃO JUDICIAL. DECISÃO DENEGATÓRIA. Não se mostra válida e eficaz a compensação de tributos com créditos de terceiros quando o Poder Judiciário, em ação patrocinada pelo próprio contribuinte, não acolhe a sua realização. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-003.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário apresentado. O Conselheiro Rodolfo Tsuboi atuou em substituição ao Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que declarou impedimento. O Conselheiro Renato Vieira De Ávila atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou suspeição. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Renato Vieira De Ávila.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

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3401­003.789  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de maio de 2017  Matéria  COFINS  Recorrente  GPC QUÍMICA S/A (NOVA RAZÃO SOCIAL DE SYNTEKO PRODUTOS  QUÍMICOS S/A)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 28/02/2003 a 31/05/2003, 31/08/2003 a 30/09/2003  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE.  IMPEDIMENTO AO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.  A verificação de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário não é  obstáculo à constituição do crédito respectivo, porquanto se trata de atividade  administrativa  vinculada  e  obrigatória,  nos  termos  do  art.  142,  parágrafo  único do CTN.  DCTF. INSTRUMENTO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO.  OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA.  A  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  ­  DCTF  consubstancia confissão de dívida e constitui instrumento hábil e suficiente à  exigência do crédito tributário nela inserto, no entanto, a sua entrega apenas  dispensa  o  lançamento,  não  o  inibindo,  por  ser  atividade  administrativa  vinculada e obrigatória, devendo­se adotar as cautelas necessárias a evitar a  cobrança em duplicidade.  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITOS  DE  TERCEIROS.  AÇÃO  JUDICIAL.  DECISÃO DENEGATÓRIA.  Não  se mostra  válida  e  eficaz  a  compensação  de  tributos  com  créditos  de  terceiros  quando  o  Poder  Judiciário,  em  ação  patrocinada  pelo  próprio  contribuinte, não acolhe a sua realização.  Recurso voluntário negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 14 57 /2 00 8- 71Fl. 392DF CARF MF     2 Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário  apresentado.  O  Conselheiro  Rodolfo  Tsuboi  atuou  em  substituição  ao  Conselheiro  Augusto  Fiel  Jorge  D'Oliveira,  que  declarou  impedimento.  O  Conselheiro  Renato  Vieira  De  Ávila  atuou  em  substituição  ao  Conselheiro  Tiago  Guerra  Machado,  que  declarou  suspeição.  Ausente  justificadamente  o  Conselheiro  Leonardo  Ogassawara de Araújo Branco.    Rosaldo Trevisan – Presidente    Robson José Bayerl – Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Rosaldo  Trevisan,  Robson  José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi,  Fenelon Moscoso de Almeida e Renato Vieira De Ávila.  Relatório  Versa  o  presente  processo  sobre  lançamento  de  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  COFINS,  períodos  de  apuração  fevereiro/2003  a  maio/2003, agosto/2003 e setembro/2003.  Narra  a  fiscalização  que  o  lançamento  objetiva  constituir  crédito  tributário  decorrente  de  valores  informados  em DCTF  e  compensados  com  créditos  de  terceiros,  cuja  discussão se desenvolve na ação judicial 2003.71.00.030183­2/RS e PA 13003.000439/2002­ 24; que  a providência  se  respaldaria em manifestação da DRJ Florianópolis/SC e da própria  Procuradoria da Fazenda Nacional, em processos de interesse do autuado (13003.000314/2001­ 13  e  11080.000197/2008­16),  consoante  a  qual  as  DCOMPs  anteriores  a  31/10/2003  não  constituiriam  instrumento  de  confissão  de  dívida,  não  havendo,  também,  unanimidade  no  âmbito  do  Poder  Judiciário  acerca  desta  qualidade  da  DCTF,  o  que,  por  conservadorismo,  imporia a autuação; que a exigibilidade do referido crédito tributário estaria suspensa por força  da discussão judicial.  Às  fls.  16/41  constam  cópias  do  Acórdão  DRJ/FNS  nº  5.574/2005  (PA  13003.000439/2002­24)  e  decisões  judiciais  exaradas  no  Mandado  de  Segurança  nº  2003.71.00.030183­2/RS  Às fls. 42/47, extrato das DCTFs apresentadas.  Em  impugnação  o  contribuinte  sustentou  a  extinção  do  crédito  tributário  mediante  compensação,  nos  termos do  art.  156,  II  do Código Tributário Nacional,  aduzindo  que o crédito foi adquirido de terceiros, por meio escritura pública, devidamente reconhecidos  por decisão judicial transitada em julgado; que o art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96 estabeleceria o  predito  efeito  extintivo da  compensação;  que haveria  suspensão prescricional para exigência  dos créditos  tributários pelo Fisco; que decisão  liminar proferida no MS 2003.71.00.030183­ 2/RS  sobrestaria  a  análise  do  pedido  de  restituição  e  das  compensações  correspondentes,  albergadas pelo PA 13003.000439/2002­24, dentre as quais  aquelas exigidas nos autos deste  Fl. 393DF CARF MF Processo nº 11080.001457/2008­71  Acórdão n.º 3401­003.789  S3­C4T1  Fl. 11          3 processo;  que  a  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  impediria,  inclusive,  a  sua  constituição  através  de  lançamento;  e,  que  os  valores  lançados  já  estavam  informados  em  DCTF, atendendo aos preceitos do DL 2.124/84, razão porque, seria, também, indevida a multa  de ofício aplicada.  A  DRJ  Porto  Alegre/RS  deu  parcial  provimento  ao  recurso  para  reduzir  a  multa  de  ofício  ao  percentual  de  20%,  relativo  à  multa  moratória,  para  os  meses  de  fevereiro/2003  a  abril/2003,  mantendo­a  para  os  períodos  de  apuração  remanescentes,  em  decisão assim ementada:  “SUSPENSAO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO.  A concessão de medida liminar em Mandado de Segurança que determina a  abstenção  de  decidir/homologar  o  processo  administrativo  de  restituição  cumulado  com  declaração  de  compensação  de  débitos  de  IPI,  em  que  ocorreu desistência do pedido de compensação, não suspende a exigibilidade  do crédito lançado de ofício.  LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE.  Não há duplicidade de  lançamento  quando o Auto de  Infração  formaliza a  exigência  de  tributo  declarado  em DCTFS  com  saldos  devedores  zerados,  fato que poderia inviabilizar a cobrança direta em execução fiscal.  MULTA APLICÁVEL NA COBRANÇA DE DÉBITOS DECLARADOS.  Os  débitos  declarados  em  DCTF  e  não  pagos  no  vencimento  devem  ser  exigidos com juros e multa de mora.  MULTA DE OFÍCIO   Cabível a multa de ofício, por falta de recolhimento de débito informado em  Dcomp, que posteriormente foi objeto de pedido de desistência, deferido pela  DRJ.”  Em recurso voluntário o contribuinte defende a suspensão da exigibilidade do  crédito  tributário,  com  fulcro  no  art.  151,  III  do  CTN,  por  força  da  ausência  de  decisão  definitiva no PA 13003.000439/2002­24, onde discute a compensação objeto da autuação; que  o  lançamento não poderia ser  realizado até que encerrada a discussão administrativa sobre a  compensação  lá  aviada  e  que  os  valores  ora  lançados  já  estavam  informados  em  DCTF  e  extintos por compensação, em argumentação reprisada do recurso inaugural.  É o relatório.  Voto              Conselheiro Robson José Bayerl, Relator  O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual  dele conheço.  Tendo em conta a recorrente referência ao MS 2003.71.00.030183­2/RS e ao  PA 13003.000439/2002­24,  reputo conveniente acostar  informações a respeito do andamento  dos aludidos processos.  Fl. 394DF CARF MF     4 Nesse  passo,  a  ação  judicial  alhures  encontra­se  atualmente  baixada  definitivamente, desde 15/04/2010, conforme consulta ao sítio virtual da Seção Judiciária do  Rio Grande do Sul, Tribunal Regional Federal da 4ª Região1.  Naqueles autos, a decisão que transitou em julgado esta consubstanciada no  REsp 962.096/RS, cuja ementa é a seguinte:  “TRIBUTÁRIO.  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  DE  TERCEIROS.  CESSÃO  DE  CRÉDITOS  SEM  A  PARTICIPAÇÃO  DA  FAZENDA  NACIONAL.  NEGÓCIO JURÍDICO ENTRE PARTICULARES.  1. O § 12, II, a do artigo 74 da Lei n. 9.430 de 1996, veda expressamente a  utilização de créditos de terceiro para fins de compensação.  2. O art. 123 do CTN nega validade aos negócios jurídicos entre particulares  para  produzir  efeitos  sobre  os  fenômenos  da  responsabilidade  pelo  pagamento de tributos.  3. A Lei n. 10637, de 2002, por seu art. 49, somente permite a compensação  de débitos próprios do sujeito passivo com créditos seus.  4. Não há lei autorizando a compensação tributária com crédito de terceiros.  Há, portanto, de se homenagear o princípio da legalidade.  5. No REsp 803.629, a Primeira Turma assentou que a cessão de direitos de  créditos tributários só tem validade para fins tributários quando do negócio  jurídico  participa  a  Fazenda  Pública.  Precedente:  REsp  653553/MG,  Rel.  Denise Arruda.  6.  Recurso  da  Fazenda  Nacional  provido  para  denegar  a  segurança,  impedindo­se, consequentemente, a compensação tributária com créditos de  terceiros.”  Já  o  PA  13003.000439/2002­24,  em  consulta  ao  sistema  e­processo,  em  03/08/2016, constatei que está em fase de acompanhamento de programa de parcelamento, com  o contencioso administrativo encerrado, encontrando­se a decisão administrativa irreformável,  Acórdão 3403­002.534, de 23/10/2013, assim ementada:  “CONCOMITÃNCIA. UNIDADE DE JURISDIÇÃO. SÚMULA CARF N. 1.  Importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual,  antes  ou depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o  mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo, de matéria  distinta da  constante  do  processo judicial.   SENTENÇA  JUDICIAL.  OPÇÃO  ENTRE  RESTITUIÇÃO  VIA  PRECATÓRIO  E  COMPENSAÇÃO.  SÚMULA  STJ  N.  461.  RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.   Sentença  judicial  que  reconhece  substituição  no  polo  passivo  em  relação a crédito decorrente de outra ação transitada em julgado permite ao  substituto  optar entre a  restituição  via  precatório e a  compensação,  cf. Súmula STJ  n.  461. No caso,  incabível a  restituição administrativa, que  equivaleria à execução administrativa da decisão judicial.”                                                              1 https://www2.jfrs.jus.br/, consulta realizada em 03/08/2016.  Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11080.001457/2008­71  Acórdão n.º 3401­003.789  S3­C4T1  Fl. 12          5 Aproveitando o ensejo e para constar, pesquisei o último extrato do processo  e  verifiquei  que  os  débitos  constituídos  neste  processo  não  são  exigidos,  também,  naquele  processo administrativo, o que afasta a possibilidade de duplicidade entre eles.  Feitos os registros iniciais, passo ao exame recursal.  A  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  é  decorrência  da  interposição dos recursos administrativos, nos termos da lei reguladora do processo tributário  administrativo, em âmbito federal, o Decreto nº 70.235/72, ex vi do decantado art. 151, III do  CTN, não necessitando de declaração expressa da autoridade administrativa para deflagração  deste efeito.  Nessa  ordem  de  ideias,  os  débitos  albergados  pelo  presente  processo,  independente  da  conclusão  estampada  nos  processos,  judiciais  ou  administrativos  e  a  ele de  alguma forma imbricados, permanecerão com a sua exigibilidade suspensa até o encerramento  do contencioso administrativo.  Quanto à necessidade de se aguardar o deslinde do PA 13003.000439/2002­ 24, onde se discutiu a compensação, para a constituição do crédito tributário, entendo que não  procede a tese defensiva, eis que não há qualquer norma que impeça a adoção da providência.  Como  realçado  pelas  autoridades  fiscais,  o  lançamento  teve  por  finalidade  formalizar o crédito tributário altercado ante a ausência do caráter de instrumento de confissão  de dívida da declaração de compensação apresentada, pois anterior à legislação que lhe fixou  este atributo, acentuando, ainda, que a DCTF apresentada indicou saldos a pagar “zerados”, o  que, por orientação da PFN, impunha, ou pelo menos recomendava, a constituição do crédito  mediante lançamento, com o desiderato de resguardar os direitos da Fazenda Nacional.  Vale  registrar  que  o  auto  de  infração  foi  lavrado,  ab  initio,  já  com  a  sua  exigibilidade suspensa.  Outrossim,  não  se  pode  confundir  a  suspensão  da  exigibilidade  com  o  impedimento à constituição do crédito tributário respectivo, como defende o recorrente.  A  constituição  do  direito  de  crédito,  como  dito,  além  de  formalizar  a  obrigação tributária, visa resguardar os interesses do erário contra as consequências da fluência  do tempo, no caso, a decadência do direito de lançar e a prescrição do direito de exigir.  A  teor do  art.  142, parágrafo único, do CTN, a  atividade administrativa de  lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.  A exigibilidade do crédito tributário guarda relação com sua correspondente  liquidação e/ou cobrança e não com sua constituição  Logo,  a  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário  não  implica  a  vedação  à  sua  formalização  mediante  lançamento,  como  visto,  atividade  vinculada  e  obrigatória.  Tocante  à  "constituição"  do  crédito  tributário  mediante  entrega  da  DCTF,  também como impeditivo ao lançamento, tenho como equivocado o raciocínio.  Fl. 396DF CARF MF     6 Consoante  art.  5º,  §  1º  do  Decreto­Lei  nº  2.124/84,  o  documento  que  formalizar  o  cumprimento  de  obrigação  acessória,  comunicando  a  existência  de  crédito  tributário, constituirá confissão de dívida e  instrumento hábil e suficiente para exigência do  referido crédito.  Sem  sombra  de  dúvida  a  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais – DCTF satisfaz os  requisitos para  se emoldurar na definição do preceptivo citado,  não sem razão o decreto­lei em tela é textualmente citado na IN SRF 255/2002, que, à época de  sua apresentação, dispunha sobre indigitada declaração, configurando instrumento de confissão  de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário.  Todavia, frise­se, o fato de ser instrumento hábil e suficiente à exigência do  crédito, não é obstáculo à realização do lançamento, que é atividade administrativa vinculada e  obrigatória. Ou seja, a formalização da confissão de dívida apenas dispensa o lançamento, mas  não o proíbe.  O  único  cuidado  a  ser  observado  é  a  adoção  das  cautelas  necessárias  a  se  evitar a cobrança em duplicidade do mesmo crédito tributário.  Da mesma maneira, a apresentação da declaração de compensação, também  instrumento  de  confissão  de  dívida,  por  disposição  legal,  não  tem  o  condão  de  evitar  a  atividade de lançamento.  Nesse  sentido,  a  efetivação  do  lançamento  não  caracteriza  qualquer  vilipêndio  a  direito  do  contribuinte,  muito  menos  “manifesto  e  verdadeiro  confisco”,  como  alegado, não consistindo em cobrança indevida ou abusiva.  Concernente  à  suposta  extinção  dos  créditos  tributários  por  compensação,  com lastro no art. 156, II do CTN, também não assiste razão ao reclamante.  A pretensão do recorrente sobre a matéria foi definitivamente sepultada pelo  REsp  962.096/RS,  no  bojo  do MS  2003.71.00.030183­2/RS,  já mencionado  no  início  deste  voto.  Naquela assentada restou decidido que não há possibilidade de se promover a  compensação de tributos com créditos de terceiros.  De  outra  banda,  a  decisão  administrativa  irreformável  prolatada  no  PA  13003.000439/2002­24,  também  já  reproduzida  e  da  mesma  forma,  não  acolheu  as  compensações formuladas.  Assim,  não  há  que  se  falar  em  extinção  de  crédito  tributário  por  compensação, independentemente da modalidade aventada.  Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.     Robson José Bayerl                Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11080.001457/2008­71  Acórdão n.º 3401­003.789  S3­C4T1  Fl. 13          7               Fl. 398DF CARF MF

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Numero do processo: 10825.721410/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE. RECEITA DECORRENTE DE EXPORTAÇÃO. TRADING COMPANIES. A imunidade constitucional sobre a receita decorrente de exportação alcança somente as operações diretas com o mercado externo, não se aplicando nos casos de exportação realizada via trading companies.
Numero da decisão: 2401-004.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos a relatora e os Conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO

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2401­004.896  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  7 de junho de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  USINA AÇUCAREIRA SÃO MANOEL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS.  IMUNIDADE.  RECEITA  DECORRENTE  DE EXPORTAÇÃO. TRADING COMPANIES.  A imunidade constitucional sobre a receita decorrente de exportação alcança  somente as operações diretas com o mercado externo, não se aplicando nos  casos de exportação realizada via trading companies.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.                       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 14 10 /2 01 1- 17 Fl. 396DF CARF MF     2 Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade,  em  conhecer  do  recurso.  No  mérito,  por  voto  de  qualidade,  negar­lhe  provimento.  Vencidos  a  relatora  e  os  Conselheiros  Carlos  Alexandre  Tortato,  Rayd  Santana  Ferreira  e  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa,  que  davam  provimento  ao  recurso.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro Denny Medeiros da Silveira.      (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier Lazarini ­ Presidente       (assinado digitalmente)  Andréa Viana Arrais Egypto ­ Relatora.      (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira ­ Redator Designado      Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier  Lazarini,  Carlos  Alexandre  Tortato,  Rayd  Santana  Ferreira,  Denny  Medeiros  da  Silveira  (Suplente  Convocado),  Andréa  Viana  Arrais  Egypto,  Luciana  Matos  Pereira  Barbosa,  Cleberson Alex  Friess  e  Claudia  Cristina Noira  Passos  da Costa  Develly Montez  (Suplente  Convocada).                  Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10825.721410/2011­17  Acórdão n.º 2401­004.896  S2­C4T1  Fl. 397          3 Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário  interposto, em face da decisão da 9ª Turma  da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto ­ SP (DRJ/RPO),  que  julgou  improcedente  a  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário  exigido,  conforme  ementa do Acórdão nº 14­57.743 (fls.277/281):  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008  Debcad 37.343.232­1  IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AGROINDÚSTRIA.  EXPORTAÇÃO INDIRETA.  A  imunidade  constitucional  sobre  receitas  decorrentes  de  exportação  alcança  somente  as  operações  diretas  com  o  mercado externo.  A  receita  decorrente  de  comercialização  com  empresa  constituída  e  em  funcionamento  no  País  é  considerada  receita  proveniente  do  comércio  interno  e  não  de  exportação,  independentemente da destinação que esta dará ao produto.  INCONSTITUCIONALIDADE  E  ILEGALIDADE  DE  LEI  OU  ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO.  A  instância  administrativa  é  incompetente  para  se  manifestar  sobre  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade  de  lei  ou  ato  normativo.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  A  fiscalização  lavrou  em  face  do  sujeito  passivo  o  Auto  de  Infração  DEBCAD nº 37.343.232­1 (fl. 03), no valor de R$ 119.844,19 (Incluso juros, multa de ofício e  multa  de  mora),  relativo  às  contribuições,  parte  patronal,  devidas  ao  INSS  e  destinadas  à  Previdência Social, incidentes sobre a receita de exportação da produção rural, realizadas por  intermédio de “Trading Companies”, no período de 09/2008 a 12/2008.  Em  09/09/2011  a  Contribuinte  tomou  ciência  dos  Autos  de  Infração,  pessoalmente, e em 11/10/2011, tempestivamente, apresentou impugnação (fls. 188/203).  Deste ponto em diante, adota­ se parte do relatório da decisão recorrida, que  bem retrata os fundamentos da impugnação:  IMPUGNAÇÃO  Por não concordar com os termos da autuação, a empresa, por  seu  procurador  constituído,  apresentou  impugnação  ao  débito  alegando, em síntese, que:  Fl. 398DF CARF MF     4 ­  Esclarece  inicialmente  que  é  integrante  da  Cooperativa  de  Produtores  de Cana­de­Açúcar,  Açúcar  e  Álcool  do  Estado  de  São Paulo – Copersucar. Descreve que entrega diariamente toda  a  sua  produção  para  a  Copersucar,  a  qual  se  incumbe  de  realizar  a  venda  seja  para  o  mercado  interno  ou  externo.  A  receita das vendas é rateada entre as cooperadas, nos termos do  Parecer  Normativo  CST  nº  66/1986.  A  Copersucar  informa  a  receita  vinculada  a  cada  tipo  de  produto  bem  como  a  comercialização para o mercado interno e externo, neste último  caso, se diretamente ou via trading company;  ­  as  receitas  oriundas  de  vendas  ao  exterior,  seja  por meio  de  trading  company  ou  diretamente  pela  Copersucar  estão  abrangidas por imunidade concedida pela Constituição Federal,  em  seu  artigo  149,  §2o,  I,  não  se  sujeitando  às  contribuições  previstas no art. 22A da Lei nº 8.212/1991;  ­  a  cooperativa  não  pode  ser  considerada  como  intermediária  nas  operações  de  exportação  que  realiza  em  favor  de  suas  cooperadas,  conforme  parágrafo  único  do  art.  79  da  Lei  n°  5.764, de 16/12/1971, e Parecer Normativo CST n° 66/1986;  ­ é ilegítima a restrição e condição previstas no art. 245, §§1° e  2o, da Instrução Normativa SRF n° 03/2005, de modo a afastar a  imunidade  tributária  em  função  das  operações  de  exportação  realizadas por meio de  trading companies, uma vez que  inseriu  distinção não prevista no texto constitucional;  ­ a União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo  – ÚNICA impetrou o mandado de segurança coletivo preventivo  n. 2005.61.00.025130­5, com pedido de  liminar, com o objetivo  de garantir do direito de suas associadas ao não pagamento das  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  as  receitas  de  exportação indireta, realizadas por meio de empresas comerciais  exportadoras  e  trading  campanies,  em  razão  da  imunidade  tributária prevista no art. 149, §2°, I, da Constituição Federal;  ­  a  despeito  da  existência  da  referida  ação  judicial,  há  de  ser  afastada  qualquer  alegação  de  configuração  de  renúncia  ao  direito  da  Impugnante  de  apresentar  defesa,  face  do  presente  auto de infração, conforme ampla jurisprudência deste Tribunal  Administrativo no sentido que o mandado de segurança coletivo  impetrado  por  associação  não  configura  renúncia  à  esfera  administrativa do associado;  ­  a  inexistência  de  ato  mercantil  entre  a  cooperativa  e  suas  associadas  é  amplamente  afirmada  pela  jurisprudência  do  STJ  ao  reconhecer  a  não­incidência  do  PIS/COFINS  sobre  os  atos  cooperativos;  ­ de acordo com o art. 79 da Lei nº 5.764/1971, regime jurídico  das  cooperativas,  inexiste  operação  mercantil  entre  a  cooperativa  e  o  associado;  o  Parecer  Normativo  da  Coordenação do Sistema de Tributação ­ CST nº 66/1986 ratifica  esse entendimento;  ­  o  art.  245,  §2°  da  IN  SRP  03/2005  é  claro  ao  dispor  que  se  considera  receita  proveniente  do  comércio  interno  apenas  aquela "decorrente de comercialização com empresa constituída  Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10825.721410/2011­17  Acórdão n.º 2401­004.896  S2­C4T1  Fl. 398          5 e em funcionamento no País". No caso de ato cooperativo, sem  natureza mercantil,  há  de  ser  afastada  a aplicação da  referida  regra.  O processo foi encaminhado para apreciação e julgamento pela 9ª Turma da  DRJ/RPO,  e  esta,  por  unanimidade  de  votos,  decidiu  pela  IMPROCEDÊNCIA  DA  IMPUGNAÇÃO apresentada, MANTENDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO exigido.  A  Contribuinte  foi  cientificada  da  decisão  de  1ª  Instância,  Acordão  nº  14­ 57.743, via Correio (AR – fls. 284/285), em 18/05/2015.  Inconformados  com  a  decisão  de  1ª  instância,  a Contribuinte  apresenta  em  16/06/2015, tempestivamente, seu Recurso Voluntário (fls. 290/311), onde, em síntese, aduz os  seguintes argumentos para reforma do acórdão recorrido:  A Instrução Normativa SRP nº 3/2005, por meio de seu art. 245, §§ 1º e 2º,  restringiu, indevidamente, a imunidade do art. 149, § 2º, inciso I, da CF/88, violando o art. 110  do CTN e o próprio dispositivo constitucional que instituiu a imunidade tributária;  Há precedentes judiciais e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –  CARF  que  reconhecem  a  abrangência  da  imunidade  prevista  no  art.  149,  §  2º,  inciso  I,  da  CF/88, às receitas de exportação indiretas, realizadas por meio de Trading Companies.  Conclui seu RV requerendo que seja conhecido e dado provimento, a fim de  que seja reformado o acórdão recorrido, e, por conseguinte, seja cancelado o lançamento.  É o relatório.                          Fl. 400DF CARF MF     6 Voto Vencido  Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto ­ Relatora    Juízo de admissibilidade  O  Recurso  Voluntário  foi  apresentado  dentro  do  prazo  legal  e  atende  aos  requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.    Mérito  O  presente  Lançamento  trata  de  auto  de  infração  lavrado  contra  a  ora  Recorrente, relativo às contribuições previdenciárias patronais, inclusive GIILRAT, incidentes  sobre  a  receita  de  exportação  da  produção  rural  realizada  por  intermédio  de  “TRADING  COMPANIES”, do período de 09/2008 a 12/2008.  Segundo  a  acusação  fiscal,  confrontando  as  receitas  declaradas  em DIPJ  –  ficha 64 – Informações Previdenciárias e em GFIP, foi observado que a empresa não efetuou o  recolhimento  de  contribuições  incidentes  sobre  receitas  com  exportações  indiretas,  quando  informou  que  obteve  “Receita  Venda  Prod.  Fabr.  Própria  a  Coml.  Exp.  c/  Fim.  Export.  –  Agroindústr.”,  no  valor  de  R$  6.798.173,61.  Como  a  produção  não  foi  comercializada  diretamente com o adquirente domiciliado no exterior, mas sim via cooperativa, a  imunidade  prevista no artigo 149, § 2º, inciso I, da Constituição, não é aplicável.  Em informações prestadas à Fiscalização (fls. 68/70), a Recorrente esclareceu  que  não  houve  tributação  por  contribuições  previdenciárias  das  receitas  auferidas  pela  Empresa  em  decorrência  da  exportação  de  seus  produtos  por  intermédio  de  Comerciais  Exportadoras  (“tradings”),  ante  os  expressos  termos  do  art.  149,  §  2º,  I  da  Constituição  Federal  que  outorga  imunidade  (em  relação  a  contribuições  sociais)  e  a  estas  receitas.  No  ponto,  a  empresa  coloca­se  à  disposição  de  V.  Sas.  Para  disponibilizar  documentação  comprobatória do  fato de que  todas as operações celebradas  com Comerciais Exportadoras  tiveram  fim  específico  de  exportação  e  as  mercadorias  respectivas  foram  efetivamente  exportadas.  Cabe, inicialmente, esclarecer a operação comercial efetuada pela Recorrente.   Conforme descrito no item 8.1 do Relatório Fiscal (fl. 17), bem como no item  16  do  Recurso  Voluntário  (fls.  294/296),  a  empresa  atua  como  cooperada,  integrante  da  Cooperativa  de  Produtores  de  Cana  de  Açúcar  e  Álcool  (COPERSUCAR),  que  detém  o  conhecimento e a expertise necessários para melhor colocação da sua produção nos mercados  consumidores  internos  e  externos.  Na  condição  de  cooperada,  juntamente  com  outros  produtores,  entrega  à  cooperativa  a  sua  produção  para  fins  de  comercialização  no mercado  interno  e  externo,  conforme  contrato  de  cooperativa  (fls.  359/370),  cabendo  a  Copersucar  efetuar o rateio das receitas às cooperadas com a indicação do montante das receitas vinculadas  ao tipo de produto, bem como o mercado em que o produto foi comercializado e, no caso de  exportação, se ocorreu de forma direta ou através de trading companies.  Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10825.721410/2011­17  Acórdão n.º 2401­004.896  S2­C4T1  Fl. 399          7 Em  alegações  recursais  a  Recorrente  defende  que  as  receitas  oriundas  de  vendas  ao  exterior,  por  meio  de  trading  companies  ou  diretamente  pela  Copersucar,  estão  abrangidas por imunidade concedida no artigo 149, §2º, I, da Constituição Federal.  Convém ainda  trazer  à  colação que  a Delegacia de  Julgamento manteve na  íntegra o lançamento e entendeu que o Mandado de Segurança Coletivo nº 2005.61.00.025130­ 5 impetrado pela União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo, ao qual a autuada  é  filiada, não  representa  renúncia  ao contencioso administrativo, por não haver manifestação  direta da autuada no processo.  Destarte, conforme se destaca no Relatório Fiscal, a controvérsia do presente  processo administrativo reside no fato das vendas para o mercado externo terem sido efetuadas  por meio  de  cooperativa  e  através  de  trading  companies,  e  assim,  como  a  produção  não  foi  comercializada  diretamente  com  o  adquirente  domiciliado  no  exterior,  não  estaria  albergada  pela imunidade.  Importante  nesse  ponto  destacar  o  que  dispõe  o  art.  149,  §  2º,  inciso  I,  da  Constituição Federal:  Art.  149.  Compete  exclusivamente  à  União  instituir  contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de  interesse  das  categorias  profissionais  ou  econômicas,  como  instrumento de  sua atuação nas  respectivas áreas, observado o  disposto  nos  arts.  146,  III,  e  150,  I  e  III,  e  sem  prejuízo  do  previsto  no  art.  195,  §6º,  relativamente  às  contribuições  a  que  alude o dispositivo.  (...)  §2º  As  contribuições  sociais  e  de  intervenção  no  domínio  econômico  de  que  trata  o  caput  deste  artigo:  (Incluído  pela  Emenda Constitucional nº 33/2001)  I – não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;  (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001)  Como  se  vê,  o  texto  constitucional  é  claro  ao  estabelecer  que  as  receitas  decorrentes da exportação são imunes à incidência das contribuições sociais.   Assim,  se  a  norma  imunizante  exclui  da  abrangência  tributária  as  receitas  decorrentes  de  exportação  e  se  os  produtos  comercializados  pela  Recorrente  foram  efetivamente  exportados,  por  meio  da  cooperativa  adquirente  da  produção  e  de  trading  companies,  conforme exposto na  acusação  fiscal,  constata­se que  as  receitas  repassadas pela  cooperativa à cooperada são decorrentes de exportação.  Importante trazer à colação decisão proferida no âmbito do Supremo Tribunal  Federal, por ocasião do julgamento do RE 627.815/PR, de relatoria da Ministra Rosa Weber,  julgado sobre a sistemática da repercussão geral, em que se discutiu a abrangência das “receitas  decorrentes  de  exportação”  a  que  se  refere  o  art.  149,  §  2º,  I,  da  Lei  Maior,  firmando  entendimento,  ao qual me  filio,  no  sentido de que a questão da hermenêutica  constitucional  aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar­ Fl. 402DF CARF MF     8 lhe  abrangência  maior,  com  escopo  de  assegurar  à  norma  supralegal  máxima  efetividade.  Vejamos a ementa a seguir transcrita:  EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  IMUNIDADE.  HERMENÊUTICA.  CONTRIBUIÇÃO  AO  PIS  E  COFINS.  NÃO  INCIDÊNCIA.  TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA.  OPERAÇÃO DE  EXPORTAÇÃO.  I  ­  Esta  Suprema  Corte,  nas  inúmeras  oportunidades  em  que  debatida  a  questão  da  hermenêutica  constitucional  aplicada  ao  tema  das  imunidades,  adotou a  interpretação  teleológica do  instituto, a emprestar­lhe  abrangência  maior,  com  escopo  de  assegurar  à  norma  supralegal  máxima  efetividade.  II  ­  O  contrato  de  câmbio  constitui  negócio  inerente  à  exportação,  diretamente  associado  aos  negócios  realizados  em  moeda  estrangeira.  Consubstancia  etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços,  pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem  a efetivação de uma operação cambial,  consistente na  troca de  moedas.  III  –  O  legislador  constituinte  ­  ao  contemplar  na  redação  do  art.  149,  §  2º,  I,  da  Lei  Maior  as  “receitas  decorrentes  de  exportação”  ­  conferiu  maior  amplitude  à  desoneração  constitucional,  suprimindo  do  alcance  da  competência impositiva federal todas as receitas que resultem da  exportação,  que  nela  encontrem  a  sua  causa,  representando  consequências  financeiras  do  negócio  jurídico  de  compra  e  venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a  de  desonerar  as  exportações  por  completo,  a  fim  de  que  as  empresas  brasileiras  não  sejam  coagidas  a  exportarem  os  tributos  que,  de  outra  forma,  onerariam  as  operações  de  exportação,  quer  de  modo  direto,  quer  indireto.  IV  ­  Consideram­se  receitas  decorrentes  de  exportação  as  receitas  das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de  imunidade  e  afastar  a  incidência  da  contribuição  ao  PIS  e  da  COFINS. V ­ Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading  case,  a  tese  da  inconstitucionalidade  da  incidência  da  contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da  variação  cambial  positiva  obtida  nas  operações  de  exportação  de  produtos.  VI  ­  Ausência  de  afronta  aos  arts.  149,  §  2º,  I,  e  150,  §  6º,  da  Constituição  Federal.  Recurso  extraordinário  conhecido e não provido, aplicando­se aos recursos sobrestados,  que versem sobre o tema decidido, o art. 543­B, § 3º, do CPC.  (RE  627815,  Relator(a):  Min.  ROSA  WEBER,  Tribunal  Pleno,  julgado  em  23/05/2013,  ACÓRDÃO  ELETRÔNICO  REPERCUSSÃO  GERAL  ­  MÉRITO  DJe­192  DIVULG  30­09­ 2013 PUBLIC 01­10­2013)   Resta evidente que a norma constitucional  imunizante visa garantir  a maior  eficácia de valores inseridos na Constituição a fim de que sua abrangência não se torne inócua.  A  interpretação  deve  ser  feita  de modo  evoluído,  à  luz  dos  anseios  albergados  na  Carta  da  República  que  confirma  as  políticas  voltadas  ao  fomento  da  exportação.  Daí  a  razão  da  desoneração tributária das contribuições sociais sobre as receitas de exportação.  Ora,  no  presente  caso,  o  fato  da  Recorrente  repassar  a  sua  produção  à  cooperativa para fins de comercialização no mercado interno e externo, em virtude de questões  comerciais  relacionadas  ao melhor conhecimento do mercado, ao  custo,  à  logística,  em nada  Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10825.721410/2011­17  Acórdão n.º 2401­004.896  S2­C4T1  Fl. 400          9 desnatura o caráter de venda destinada à exportação, bem como a natureza das receitas delas  decorrentes.  Nesse diapasão, ressai lógico e razoável que empresas ligadas ao agronegócio  efetivem as vendas destinadas ao exterior através de cooperativas ou trading companies como  forma de viabilizar a venda ao mercado exterior.  Assim, tendo em vista que o lançamento se refere à exigência de contribuição  decorrente da receita de exportação decorrente da comercialização de produtos rurais, realizada  através  de  cooperativa  ou  trading  companies,  entendo  que  deve  ser  exonerado  o  crédito  tributário em virtude da imunidade tributária prevista no art. 149, §2°, I, da Constituição.    Conclusão  Ante o  exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário,  para,  no mérito DAR­ LHE provimento.    (assinado digitalmente)  Andréa Viana Arrais Egypto                              Fl. 404DF CARF MF     10 Voto Vencedor  Conselheiro Denny Medeiros da Silveira ­ Redator Designado.  Com a maxima venia, divirjo da Relatora quanto à imunidade em relação às  exportações realizadas via trading companies.  Segundo  consignado  em  seu  Voto,  a  Relatora  entende  que  a  "receita  de  exportação decorrente da comercialização de produtos rurais, realizada através de [...]  trading  companies,"  estaria  abarcada  pela  "imunidade  tributária  prevista  no  art.  149,  §2°,  I,  da  Constituição”, porém, discordo desse entendimento.  Vejamos, primeiramente, o que diz a Carta Republicana:  Art.  149.  Compete  exclusivamente  à  União  instituir  contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de  interesse  das  categorias  profissionais  ou  econômicas,  como  instrumento de  sua atuação nas  respectivas áreas, observado o  disposto  nos  arts.  146,  III,  e  150,  I  e  III,  e  sem  prejuízo  do  previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que  alude o dispositivo.  [...]    §  2º  As  contribuições  sociais  e  de  intervenção  no  domínio  econômico de que trata o caput deste artigo:   I ­ não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;   (Grifo nosso)  Conforme se observa na transcrição acima, o texto (grifado) é claro ao dizer  que as contribuições sociais, que compõe o objeto do presente lançamento, não incidirão sobre  as receitas decorrente de exportação.  Ora, se o produtor rural vende sua produção, internamente, para uma empresa  (no caso, uma trading company) para que esta, posteriormente, revenda o produto no mercado  externo, obviamente, a receita auferida pelo produtor não será decorrente de exportação e, por  conseguinte, não estará abrangida pela imunidade. Simples assim.  Nessa linha é a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/09:  Art. 170. Não incidem as contribuições sociais de que trata este  Capítulo  sobre  as  receitas  decorrentes  de  exportação  de  produtos,  cuja  comercialização  ocorra  a  partir  de  12  de  dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do  art.  149  da  Constituição  Federal,  alterado  pela  Emenda  Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001.  § 1º Aplica­se o disposto neste artigo exclusivamente quando a  produção  é  comercializada  diretamente  com  adquirente  domiciliado no exterior.    Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10825.721410/2011­17  Acórdão n.º 2401­004.896  S2­C4T1  Fl. 401          11 §  2º  A  receita  decorrente  de  comercialização  com  empresa  constituída e em funcionamento no País é considerada receita  proveniente  do  comércio  interno  e  não  de  exportação,  independentemente da destinação que esta dará ao produto.  § 3º O disposto no caput não se aplica à contribuição devida ao  Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), por se  tratar  de  contribuição  de  interesse  das  categorias  profissionais  ou  econômicas.  (Grifo nosso)   Tomamos  a  liberdade  de  citar,  ainda,  o  seguinte  trecho  do  Parecer  PGFN/CAT nº 1.724, de 2012:  30.  O  cerne  da  imunidade  é  a  receita  de  exportações.  A  princípio, a contribuição do produtor rural, substituindo a folha  de salários, volta­se para o resultado da venda de sua produção  com  a  finalidade  precípua  de  financiar  a  Previdência  Social.  Quando, no entanto, esta receita, por se direcionar ao mercado  externo, passa indubitavelmente a integrar o rol das receitas de  exportação, não pode ser objeto de tributação.  31.  É  importante  frisar  que  apenas  as  receitas  dirigidas  diretamente ao mercado externo estarão imunes. Por isso faz­se  necessário o exame da natureza das operações, se se constituem  em compra e venda no mercado interno ou exportação.   32. Por exemplo, a natureza das operações realizadas no Brasil  entre as tradings e os produtores rurais é, em termos fiscais, de  compra  e  venda  no mercado  interno,  razão  pela  qual  não  são  favorecidas  pela  imunidade  da  contribuição  do  produtor  rural  pessoa física. [...]  Portando,  diante  desse  quadro,  devem  ser  mantidas  as  contribuições  incidentes sobre a receita auferida na venda da produção para trading companies.  Conclusão  Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira                   Fl. 406DF CARF MF

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Numero do processo: 14751.000202/2009-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PRESUNÇÃO LEGAL. DECISÃO DA TURMA A QUO. NÃO APRECIAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA POTENCIALMENTE APTA PARA DESCONSTITUIR PARTE DA PRESUNÇÃO. Decisão da turma a quo que não analisou documentação probatória apresentada pela parte em recurso voluntário, potencialmente apta para desconstituir parte de lançamento de presunção legal, é eivada de vício insanável, vez que restou caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Necessária declaração de nulidade formal da decisão e de retorno dos autos para a turma a quo realizar um novo julgamento. CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE E MÉRITO. ETAPAS DISTINTAS. MOMENTO DE RECONHECIMENTO DE NULIDADE. O mérito do recurso especial, e eventual nulidade, só podem ser apreciados caso seja superado o exame de admissibilidade, primeira etapa e estreito filtro processual. Caso não seja demonstrada divergência na interpretação da legislação tributária nos termos do regimento interno, consolida-se coisa julgada administrativa, fazendo com que não seja possível reconhecer a nulidade de ofício durante a etapa do exame de admissibilidade. Apenas na etapa seguinte, no exame do mérito, quando se aplica o direito, em que o julgador tem plena liberdade de firmar sua convicção e não fica restrito aos fundamentos das partes, que se pode, ao identificar a situação de vício insanável, reconhecer eventual nulidade ou aplicar entendimento sumular.
Numero da decisão: 9101-002.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para declarar a nulidade do Acórdão nº 1103-000.712, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 13/06/2012, e determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para novo julgamento, levando-se em consideração a documentação probatória acostada no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego e Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA

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Acórdão nº  9101­002.871  –  1ª Turma   Sessão de  6 de junho de 2017  Matéria  IRPJ ­ SALDO CREDOR DE CAIXA  Recorrente  FREE CARNES COMÉRCIO VAREJISTA DE CARNES LTDA  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004  PRESUNÇÃO  LEGAL.  DECISÃO  DA  TURMA  A  QUO.  NÃO  APRECIAÇÃO  DE  DOCUMENTAÇÃO  PROBATÓRIA  POTENCIALMENTE  APTA  PARA  DESCONSTITUIR  PARTE  DA  PRESUNÇÃO.  Decisão  da  turma  a  quo  que  não  analisou  documentação  probatória  apresentada  pela  parte  em  recurso  voluntário,  potencialmente  apta  para  desconstituir  parte  de  lançamento  de  presunção  legal,  é  eivada  de  vício  insanável, vez que  restou caracterizado o  cerceamento do direito de defesa.  Necessária declaração de nulidade formal da decisão e de retorno dos autos  para a turma a quo realizar um novo julgamento.  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO ESPECIAL.  ADMISSIBILIDADE E MÉRITO. ETAPAS DISTINTAS. MOMENTO DE  RECONHECIMENTO DE NULIDADE.  O mérito do recurso especial, e eventual nulidade, só podem ser apreciados  caso seja superado o exame de admissibilidade, primeira etapa e estreito filtro  processual.  Caso  não  seja  demonstrada  divergência  na  interpretação  da  legislação  tributária  nos  termos  do  regimento  interno,  consolida­se  coisa  julgada  administrativa,  fazendo  com  que  não  seja  possível  reconhecer  a  nulidade de ofício durante a etapa do exame de admissibilidade. Apenas na  etapa  seguinte,  no  exame  do mérito,  quando  se  aplica  o  direito,  em  que  o  julgador tem plena liberdade de firmar sua convicção e não fica restrito aos  fundamentos  das  partes,  que  se  pode,  ao  identificar  a  situação  de  vício  insanável, reconhecer eventual nulidade ou aplicar entendimento sumular.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 02 02 /2 00 9- 10 Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 14751.000202/2009­10  Acórdão n.º 9101­002.871  CSRF­T1  Fl. 1.860          2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar­lhe provimento parcial, para  declarar  a  nulidade  do  Acórdão  nº  1103­000.712,  proferido  pela  3ª  Turma  Ordinária  da  1ª  Câmara  da  Primeira  Seção,  na  sessão  de  13/06/2012,  e  determinar  o  retorno  dos  autos  ao  colegiado  de  origem  para  novo  julgamento,  levando­se  em  consideração  a  documentação  probatória  acostada  no  recurso  voluntário,  vencidos  os  conselheiros Adriana Gomes Rego  e  Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento.    (assinado digitalmente)  Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em Exercício    (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura ­ Relator    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego,  Cristiane  Silva Costa, André Mendes  de Moura,  Luis  Flavio Neto,  Rafael Vidal  de Araújo,  Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão  (Presidente em Exercício).    Relatório  Trata­se de Recurso Especial  interposto pela FREE CARNES COMÉRCIO  VAREJISTA DE CARNES LTDA (e­fls. 1752/1772) em face da decisão proferida no Acórdão  nº 1103­000.712 (e­fls. 1732 e segs), pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção,  na sessão de 13/06/2012, no qual foi negado provimento recurso voluntário da Contribuinte.  Resumo Processual  A  autuação  fiscal,  relativa  ao  ano­calendário  de  2004,  tratou  das  infrações  tributárias  (1)  presunção  de  omissão  de  receitas  ­  saldo  credor  de  caixa  e  (2)  presunção  de  omissão de  receitas  ­ depósitos bancários não contabilizados,  razão pela qual  foram  lavrados  autos de  infração de  IRPJ  e CSLL  (e­fls.  4/35),  e  em  razão da nova apuração  realizada pela  autoridade  fiscal  foi  lançada  multa  isolada  de  IRPJ  por  insuficiência  de  recolhimento  de  estimativa mensal. Também foi apurada infração de IRRF (auto de infração de e­fls. 36/42), (3)  pagamentos a beneficiários não identificados/pagamentos sem causa.   A  Contribuinte  apresentou  impugnações  (e­fls.  724/737  e  747/760).  A  primeira  instância  julgou  os  lançamentos  procedentes.  Irresignada,  a  Contribuinte  interpôs  recurso voluntário, no qual foi negado provimento pela segunda instância (turma ordinária do  CARF).  Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 14751.000202/2009­10  Acórdão n.º 9101­002.871  CSRF­T1  Fl. 1.861          3 Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (e­fls. 1752/1772), no qual  foi  admitido  para  a matéria  relativa  à  infração  1  (presunção  de  omissão  de  receitas  ­  saldo  credor  de  caixa).  O  despacho  de  reexame  de  admissibilidade  (e­fls.  1847/1850)  manteve  a  decisão  do  despacho  de  exame  de  admissibilidade  (e­fls.  1838/1846).A  PGFN  apresentou  contrarrazões (e­fls. 1852/1856).  A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa.  Da Autuação Fiscal  Transcrevo a descrição do relatório da DRJ, objetivo e preciso:  De  acordo  com  o  Relatório  de  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal  às  fls.  04  a  22,  foram  constatadas  as  seguintes infrações:  01­ Omissão de Receitas. Saldo Credor de Caixa.  Omissão  de  Receitas  caracterizada  pela  ocorrência  de  saldo  credor de  caixa,  conforme detalhado na descrição dos  fatos às  fls. 04 a 18 e valores constantes das planilhas  'Contabilidade ­  Razão ­ Conta Caixa ­ Lançamentos de cheques compensados à  débito  sem  correspondência  de  crédito',  fls.  49  a  86  e  `Levantamentos  —  Bases  de  Cálculo  dos  Tributos',  fl.87.  Foi  efetuado  lançamento para os  fatos geradores relacionados à  fl.  19 com respectivo enquadramento legal.  02­  Omissão  de  Receitas.  Depósitos  Bancários  não  contabilizados.  Omissão  de  Receita  Operacional  caracterizada  pela  falta  de  contabilização  de  depósitos  bancários,  conforme  detalhado  na  descrição  dos  fatos,  fls.  04  a  18,  e  valores  constantes  das  planilhas  'Extratos  Bancários  ­  Créditos  depurados  não  encontrados na contabilidade', fls. 459 e 460 e 'Levantamentos ­  Bases de Cálculo dos Tributos'  fl. 87. Foi  efetuado  lançamento  para  os  fatos  geradores  relacionados  à  fl.  20  com  respectivo  enquadramento legal.  03­ Multa Isolada. Falta de recolhimento do IRPJ sobre base de  cálculo estimada  Multa apurada em decorrência da  falta de pagamento do  IRPJ  sobre  base  de  cálculo  estimada  em  função  da  receita  bruta  e  acréscimos  e/ou  balanços  de  suspensão  e  redução,  conforme  detalhado  na  descrição  dos  fatos,  fls.  04  a  18,  e  valores  constantes das planilhas 'Levantamento — Bases de Cálculo dos  Tributos'  , fl. 87 e 'Apuração de Imposto e Contribuições', fl.88.  Foi efetuado lançamento para os fatos geradores relacionados à  fl. 21 com respectivo enquadramento legal.  Em relação à infração de IRRF, transcrevo descrição do auto de infração:  Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 14751.000202/2009­10  Acórdão n.º 9101­002.871  CSRF­T1  Fl. 1.862          4 001  ­  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE  SOBRE  PAGAMENTOS  A  BENEFICIÁRIOS  NÃO  IDENTIFICADOS  /  PAGAMENTOS SEM CAUSA  Importâncias pagas pelas pessoas  jurídicas a beneficiários não  identificados e/ou sem causa, conforme discorrido na descrição  dos  fatos  acima  e  valores  constantes  nas  planilhas  "Extratos  Bancários  ­  DÉBITOS  depurados  não  encontrados  na  contabilidade"  (folhas  461  a  462,  "Contabilidade  ­  Razão  ­  Conta  Caixa  ­  Lançamentos  à  débito  sem  correspondência  de  crédito"  (folhas 49 a 86) e  "Levantamentos  ­ Bases de Cálculo  dos Tributos" (folha 87).  Foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL e IRRF (e­fls. 4/42).  Da Fase Contenciosa  A  contribuinte  apresentou  impugnações  para  o  IRPJ,  CSLL  e  IRRF  (e­fls.  724/737 e 747/760). A 3ª Turma da DRJ/Recife, nos  termos do Acórdão nº 11­26.857 (e­fls.  777/789), julgou os lançamentos procedentes, conforme ementa a seguir.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2004  NULIDADE. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS.  Somente  são  nulos  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente  e  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente  ou  com  cerceamento  do  direito  de  defesa.  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  NULIDADE.  INOCORRÊNCIA.  O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno  de  planejamento  e  controle  das  atividades  e  procedimentos  da  fiscalização.  Eventuais  falhas  desse  instrumento  não  implicam  em nulidade do lançamento.  MATÉRIA  NÃO  IMPUGNADA.  IRRF.  PAGAMENTOS  A  BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO  OU  SEM  CAUSA.  MULTA ISOLADA IRPJ.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente contestada pela impugnante.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2004  ARGÜIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  ESFERA  ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA.  Incabível  a  argüição  de  inconstitucional  idade  na  esfera  administrativa  visando  afastar  obrigação  tributária  regularmente  constituída,  por  transbordar  os  limites  de  Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 14751.000202/2009­10  Acórdão n.º 9101­002.871  CSRF­T1  Fl. 1.863          5 competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista  constitucional.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  SALDO  CREDOR  DE  CAIXA.  RECOMPOSIÇÃO  PELA  EXCLUSÃO  DE  CHEQUES  LANÇADOS A DÉBITO.  Para que se opere a neutralidade da escrita contábil, os cheques  emitidos  pela  empresa,  compensados  por  instituição  bancária,  lançados  a  débito  da  conta Caixa,  deverão  ter  correspondente  registro  a  crédito  desta  conta,  pela  saída  para  a  efetivação  de  pagamentos.  A  falta  desse  registro  legitima  a  exclusão  dos  valores  indevidamente registrados como ingressos, sendo que a  apuração  de  saldo  credor  de  caixa  evidencia  omissão  de  receitas.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  PRESUNÇÃO.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA  Caracterizam­se como omissão de receita, por presunção legal,  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  junto  à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  CUSTOS DE RECEITAS OMITIDAS.  Na tributação da omissão de receita não se cogita da dedução de  custos ou despesas. Em princípio, estes devem ser considerados  como já tendo sido computados pelo sujeito passivo, no cálculo  do  lucro  líquido,  assegurado  àquele  o  direito  de  infirmar  tal  pressuposição  por  meio  da  apresentação  de  provas  em  contrário.  INDEDUTIBILIDADE DO PIS E DA COFINS LANÇADOS DE  OFÍCIO.  O  PIS  e  a  COFINS,  com  exigibilidade  suspensa  em  face  de  impugnação  administrativa,  não  são  dedutíveis  da  base  de  cálculo do IRPJ e da CSLL lançados de oficio.  AUTO REFLEXO. CSLL.  O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica­ se à tributação dele decorrente.  Foi  interposto  recurso  voluntário  (e­fls.  794/818)  pela  Contribuinte,  apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 13/06/2012.  Decidiu  o  Acórdão  nº  1103­000.712  (e­fls.  1732/1745)  negar  provimento  ao  recurso  voluntário, conforme ementa a seguir.  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ  Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 14751.000202/2009­10  Acórdão n.º 9101­002.871  CSRF­T1  Fl. 1.864          6 Ano­calendário: 2004  Ementa:  MATÉRIA  PRECLUSA.  IRRF.  PAGAMENTOS  A  BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO  OU  SEM  CAUSA.  MULTA ISOLADA IRPJ.  A matéria não impugnada não pode ser objeto de recurso.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  SALDO  CREDOR  DE  CAIXA.  RECOMPOSIÇÃO  PELA  EXCLUSÃO  DE  CHEQUES  LANÇADOS A DÉBITO.  Para que se opere a neutralidade da escrita contábil, os cheques  emitidos  pela  empresa,  compensados  por  instituição  bancária,  lançados  a  débito  da  conta Caixa,  deverão  ter  correspondente  registro  a  crédito  desta  conta,  pela  saída  para  a  efetivação  de  pagamentos.  A  falta  desse  registro  legitima  a  exclusão  dos  valores  indevidamente registrados como ingressos, sendo que a  apuração  de  saldo  credor  de  caixa  evidencia  omissão  de  receitas.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  PRESUNÇÃO.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA  Caracterizam­se como omissão de receita, por presunção legal,  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  junto  à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (e­fls. 1752/1364). Reclama  que seja declarada nulidade da decisão da  turma a quo por cerceamento do direito de defesa  vez que não  teriam sido  analisados documentos  apresentados por ocasião da  interposição do  recurso voluntário. Discorre no mérito que o princípio da  legalidade deve prevalecer sobre  a  presunção, e que seria descabida presunção sobre tributo inválido ou inexistente vez que viola  o  artigo  3º  do  CTN,  razão  pela  qual  se  equivoca  o  acórdão  recorrido  ao  entender  que  a  presunção de omissão de  receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada  seria uma presunção legal. Em relação ao saldo credor da caixa, aduz que não haveria infração  porque os cheques objeto da autuação foram emitidos e devidamente compensados, e estavam  destinados  todos  ao  pagamento  de  fornecedores  e outras  despesas,  como  se pode  observar  a  partir  dos demonstrativos  e microfilmagens  constantes nos  autos  e que não  foram analisadas  pela  instância  a  quo,  e  sustentou  ainda  que  a  mera  falta  de  identificação  das  respectivas  contrapartidas  de  lançamentos  a  crédito  (saídas  de  caixa)  não  seria  motivo  suficiente  para  desconsiderar os lançamentos efetuados a débito (ingressos de caixa) de modo a se consumar a  presunção  legal.  Sobre  a  presunção  relativa  aos  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, teria incorrido em erro a Fiscalização ao considerar lucro tudo aquilo que entrou  na conta corrente da empresa, quando, na  realidade, deveria  ser observada a origem de  cada  valor para que só assim pudesse  ser enquadrado  legalmente como  lucro ou não, para  fins de  incidência do imposto.   O despacho de exame de admissibilidade de e­fls. 1838/1846, ratificado pelo  despacho de reexame de exame de admissibilidade de e­fls. 1847/1850, deu seguimento parcial  ao recurso especial da Contribuinte, para a matéria saldo credor de caixa.  Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 14751.000202/2009­10  Acórdão n.º 9101­002.871  CSRF­T1  Fl. 1.865          7 A PGFN apresentou contrarrazões (e­fls. 1852/1856). Discorre que no caso a  contribuinte efetuou registros a débito da conta Caixa de valores referentes a cheques por ela  emitidos,  e  foi  verificado  que  os  cheques  lançados  a  débito  da  conta  foram  objeto  de  compensação bancária e não foram identificados os correspondentes lançamentos a crédito na  mesma  conta,  os  quais  deveriam  indicar  a  destinação  de  tais  recursos.  Se  foram  objeto  de  compensação  bancária,  os  recursos  saíram  do  Caixa  da  empresa.  Contudo,  tais  saídas  não  foram  contabilizadas  como  crédito  na  conta  Caixa.  Por  isso,  procedeu  corretamente  a  autoridade  autuante  ao  recompor  o  saldo  da  conta  Caixa,  e,  uma  vez  excluídos  os  cheques  compensados, apurou­se o saldo credor. Requer pela manutenção do acórdão recorrido.  É o relatório.    Voto             Conselheiro André Mendes de Moura  Admissibilidade.  Há  que  se  apreciar,  inicialmente,  a  admissibilidade  do  recurso  especial  interposto pela Contribuinte.  De  acordo  com  o  despacho  de  exame  de  admissibilidade,  teriam  sido  apresentados  quatro  "pontos"  de  divergência:  (1)  cerceamento  do  direito  de  defesa;  (2)  autuação  lastreada  em  presunção;  (3)  omissão  de  receitas  por  saldo  credor  de  caixa;  (4)  omissão  de  receitas  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada.  Encaminhou  no  sentido  de  dar  seguimento  parcial  ao  recurso  (referendado  pelo  despacho  de  reexame  de  admissibilidade), apenas para o "ponto" 3, omissão de receitas por saldo credor de caixa.   Ocorre que o despacho discorre sobre característica peculiar do recurso:  Aduz a recorrente que o acórdão proferido, ao negar provimento  ao recurso voluntário interposto, “não vislumbrou a ocorrência  de  cerceamento  do  direito  de  defesa,  não  analisou  a  documentação juntada, bem como não reconheceu a inexistência  de omissão de receita.”, e que “consoante restará demonstrado,  a decisão deu  interpretação divergente aos arts.  16,18  e 59 do  Decreto n° 70.235/72, ao art. 3° do Código Tributário Nacional  e ao art. 42 da Lei n° 9.430/96.”  Afirma ainda que tais dispositivos foram devidamente analisados  e  discutidos,  tendo  em  vista  que  foram  objeto  do  recurso  voluntário, caracterizando o prequestionamento.  A  partir  deste  ponto,  o  seu  recurso  está  estruturado  entre  os  itens “III­ Da nulidade do  julgado­Cerceamento do direito de  defesa” e “IV­ Das razões de reforma da decisão”, este último  subdividido em “Da presunção X legalidade”, “Da omissão de  receitas – saldo credor de caixa”, e “Da omissão de receitas –  presunção – depósitos bancários de origem não comprovada”.  Na  verdade  verifica­se  que,  inserida  no  item  que  trata  das  Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 14751.000202/2009­10  Acórdão n.º 9101­002.871  CSRF­T1  Fl. 1.866          8 “razões  de  reforma”,  encontram­se  menções  específicas  à  existência  de  divergência  jurisprudencial  e  indicação  de  paradigmas.  Assim, com algum esforço, busca­se assim sintetizar os pontos  com  relação  os  quais  pretende  a  recorrente  demonstrar  a  existência de divergência: (i) cerceamento do direito de defesa;  (ii)  autuação  lastreada  em presunção;  (iii) omissão de  receitas  por saldo credor de caixa; (iv) omissão de receitas por depósitos  bancários de origem não comprovada. (grifei)  Nos  termos  do Regimento  Interno  do CARF  (RICARF),  o  recurso  especial  deve,  inicialmente,  demonstrar  divergência  jurisprudencial  na  interpretação  da  legislação  tributária,  mediante  apresentação  de  acórdão(s)  paradigma(s).  Em  cotejo  com  a  decisão  recorrida,  realiza­se  o  exame  de  admissibilidade.  Apenas  se  superado  o  exame  de  admissibilidade, passa­se à apreciação do mérito.   Nesse  contexto,  a  peça  recursal  deve  estar  devidamente  instruída  e  estruturada de maneira a  refletir, com clareza e objetividade, o que se pretende ser objeto de  admissibilidade, e depois apreciação de mérito.   O que se observa é que, em relação aos pontos (i) cerceamento do direito de  defesa e (ii) autuação lastreada em presunção, há menção expressa sobre a divergência. Sobre o  primeiro ponto (e­fl. 1762):  NESTE  PONTO  RESIDE  A  INTERPRETAÇÃO  DIVERGENTE  DA  LEI  TRIBUTÁRIA,  JÁ  QUE  OUTRAS  CÂMARAS E A CÂMARA SUPERIOR CONDIDERAM  (sic)  POSSÍVEL  A  JUNTADA  POSTERIOR  DE  DOCUMENTOS  EM  BUSCA  DA  VERDADE  MATERIAL,  QUANDO  O  ACÓRDÃO  RECORRIDO  ENTENDEU  QUE  A  MATÉRIA  ESTARIA PRECLUSA. (grifos originais)  Sobre o segundo ponto (e­fl. 1767):  ASSIM,  EVIDENCIA­SE  A  DIVERGÊNCIA  ENTRE  OS  ÓRGÃOS  JULGADORES, PELO FATO DE QUE A 1ª CÂMARA DO CONSELHO  DE CONTRIBUINTES TER APLICADO ERRONEAMENTE O DISPOSTO  NO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96, HAJA VISTA QUE A PRESUNÇÃO  ALI  CONTIDA  DEVE  SER  AFASTADA  QUANDO  HOUVER  COMPROVAÇÃO  EM  SENTIDO  DIVERSO  NOS  AUTOS.  (grifos  originais)  Registre­se que foram matérias cujo seguimento foi negado pelo despacho de  exame de admissibilidade e despacho de reexame, e aqui mencionadas a título de exemplo.  No que concerne à única matéria no qual foi dado seguimento pelo exame  de  admissibilidade  (3  ­  omissão  de  receitas  por  saldo  credor  de  caixa),  a  Contribuinte  em  nenhum momento manifesta­se expressamente pela divergência,  como se pode observar pelo  inteiro teor do ponto denominado pela Contribuinte "Da Omissão de Receitas ­ Saldo Credor  de Caixa":  Para melhor entendimento dos argumentos tecidos neste item, é  por  demais  necessário  analisar  os  documentos  constantes  nos  Fl. 1866DF CARF MF Processo nº 14751.000202/2009­10  Acórdão n.º 9101­002.871  CSRF­T1  Fl. 1.867          9 autos.  A  decisão  prolatada  no  acórdão  ora  atacado  entendeu  estar configurada omissão de receita, tendo em vista a ausência  de  registro  de  cheques  emitidos  e  compensados,  lançados  a  débito da conta Caixa, que não tinham correspondente registro a  crédito dessa conta.  No  vertente  caso,  não  há  se  vislumbra  a  prática  de  infração  legal,  haja  vista  que  todos  os  chegues  emitidos  foram  devidamente  compensados  e  estavam  destinados  ao  pagamento  de  fornecedores  de  mercadorias,  conta  de  energia  elétrica,  pagamento  de  impostos Municipal,  Estadual  e  Federal,  ICMS,  PIS, COFINS, dentre outros.  Inclusive, estes credores  foram os  sacadores  dos  cheques  lançados  a  débito  da  conta  "CAIXA",  concomitantemente a crédito da mesma conta contábil, conforme  se percebe dos demonstrativos e das microfilmagens constantes  nos  autos  e  que  não  foram  analisadas  pela  instância  a  quo,  limitando­se a reprisar a decisão anterior.  Certo  é  que  a  legislação  de  regência  impõe  certas  e  bem  definidas hipóteses para a presunção de infração à legislação e  a  caracterização  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  fiscal  de  modo  que  meros  indícios  de  faturamento,  desconectados  de  outros  elementos  fáticos  e  contábeis  são  suficientes  para  suportar  a  presunção  legal  de  omissão  de  receitas tributáveis.  Em consonância com essa  linha de pensar, decidiu a Câmara  Superior. Observe­se:  (...)  IRPJ  ­  OMISSÃO  DE  RECEITA  ­  SALDO  CREDOR  DE  CAIXA  ­  A  simples  suspeita  de  que  os  valores  de  determinados  cheques,  objetos  de  compensação  bancária,  debitados  à  conta Caixa,  tiveram  outra  destinação  que  não  suprir a referida conta,  fragiliza a presunção de omissão de  receitas de trata o artigo 180 do RIR/80.  (...)  Desse modo, a simples apuração de eventual omissão de receita,  por si só, não é elemento bastante para caracterizar a infração,  já que inexiste presunção legal que ampare esta imputação.  O fato de não dispor de condições de informar os beneficiários  ou não comprovar a causa é mero indício que indica a possível  ocorrência  de  um  ilícito  fiscal,  o  qual  deverá  ser  apurado  concretamente pela autoridade fiscalizadora, o que não foi feito,  ante a ausência de análise da documentação apresentada.  Além  do  mais,  dentro  dessa  matéria,  impende  frisar  que  o  próprio  fiscal  reconhece  o  valor  como  tipicamente  sem  efeitos  tributários,  o  que  reflete  uma  patente  contradição,  posto  que  mencionada receita foi tributada, certamente por isso é que não  se pode em se tratando de tributos prevalecer a presunção sobre  a legalidade.  Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 14751.000202/2009­10  Acórdão n.º 9101­002.871  CSRF­T1  Fl. 1.868          10 Assim, merece ser provido o presente recurso. (grifei)  Não  obstante  a  ausência  de menção  expressa  da  divergência,  da  leitura  do  conteúdo do texto e, principalmente, do paradigma apontado (CSRF/01­05.258), cuja ementa  reflete interpretação divergente àquela dada pela decisão recorrida, precisamente sobre o saldo  credor de caixa (art. 12, § 2º do Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, base legal para o art. 180 do  RIR/80 e art. 281, inciso I do RIR/99), inclusive tratando de situação similar (cheques objeto  de compensação bancária, debitadas à conta Caixa), entendo que os requisitos previstos no art.  67, Anexo II do RICARF foram atendidos:  Art.  67.  Compete  à  CSRF,  por  suas  turmas,  julgar  recurso  especial interposto contra decisão que der à legislação tributária  interpretação  divergente  da  que  lhe  tenha  dado  outra  câmara,  turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.  §  1º  Não  será  conhecido  o  recurso  que  não  demonstrar  a  legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação  dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)  (..)  §  6º  Na  hipótese  de  que  trata  o  caput,  o  recurso  deverá  demonstrar  a  divergência  arguida  indicando  até  2  (duas)  decisões divergentes por matéria  (...)  §  8º  A  divergência  prevista  no  caput  deverá  ser  demonstrada  analiticamente  com  a  indicação  dos  pontos  nos  paradigmas  colacionados  que  divirjam  de  pontos  específicos  no  acórdão  recorrido. (grifei)  Foi  apresentado  um  acórdão  paradigma  (CSRF/01­05.258),  cuja  ementa  e  argumentação  da  Contribuinte  mostraram­se  suficiente  para  demonstrar  analiticamente  a  divergência.  Portanto,  não há  reparos  a  fazer no despacho de  exame de  admissibilidade,  razão pela qual voto no sentido de dar seguimento parcial do recurso para a matéria   Mérito.  A princípio, mostra­se pertinente  esclarecer a origem das presunções  legais  decorre do fato de que a administração tributária se encontra em uma situação de inferioridade  na produção do conhecimento, considerando que a investigação dos fatos, referentes aos atos  praticados pelo contribuinte no momento da ocorrência do fato gerador, mostra­se praticamente  impossível.   Precisamente em razão deste distanciamento em relação aos fatos praticados  pelo  contribuinte  e  previstos  em  norma,  vale­se  a  autoridade  fiscal  das  provas  diretas  e  indiretas. São valiosos os ensinamentos de FRANCESCO CARNELUTTI:  Pode atribuir sem vacilo à prova indireta uma maior amplitude  do que à prova direta no sentido de que, em primeiro lugar, nem  todos os fatos prestam­se a ser verificados por meio desta última  Fl. 1868DF CARF MF Processo nº 14751.000202/2009­10  Acórdão n.º 9101­002.871  CSRF­T1  Fl. 1.869          11 (não  se  prestam  para  isso,  precisamente,  os  fatos  passados);  além do mais, com  freqüência a verificação imediata por parte  do órgão judicial supõe uma despesa notavelmente superior à da  prova  indireta  (assim  acontece,  em  especial,  quanto  aos  fatos  distantes  ocorridos  a  grande  distância  da  sede  do  ofício).  Do  primeiro destes pontos de vista, compreende­se que a prova do  direito  tem  de  ser  sempre  indireta,  já  que  a  formação  de  uma  norma jurídica, seja de lei, seja de costume, constitui sempre um  fato anterior ao processo.  Na  seara  fiscal,  observa­se  que  a  prova  da  ocorrência  da  hipótese  de  incidência prevista na norma  tributária, na maioria das vezes, dá­se pela produção de provas  indiretas, que, segundo o citado mestre, distinguem­se em histórica ou representativa e crítica  ou presuntiva.  As provas históricas ou representativas são obtidas, por exemplo, pela revisão  da  escrituração  do  contribuinte  e  pela  análise  de  documentos,  comprobatórios  de  despesas,  como  notas  fiscais  e  recibos,  transferências  bancárias.  Por  isso,  cabe  ao  contribuinte  o  cumprimento  de  obrigações  acessórias,  que  permitiriam  um  acompanhamento  das  atividades  econômicas da empresa.  Contudo,  torna­se  comum  o  descumprimento  dos  deveres  instrumentais,  visando  ocultar  a  ocorrência  de  fatos  jurídicos  previstos  na  norma  tributária,  prejudicando  substancialmente  o  trabalho  da  Fiscalização.  Opta  a  contribuinte  por  não  escriturar,  ocultar  documentos,  tudo  para  não  deixar  “rastros”  de  determinada  atividade,  e  lograr  êxito  em  se  esquivar de suas obrigações tributárias.  Nesse  contexto,  a  administração  tributária  vale­se,  cada  vez  mais  freqüentemente, das presunções, que se constituem em provas indiretas críticas ou presuntivas.  Ensina Carnelutti que podem as presunções ser simples, no qual a lei permite  a  livre  apreciação  do  juiz,  ou  legais,  devendo  ser  apreciadas  dentro  de  determinadas  regras,  sendo que, se for absoluto o vínculo, trata­se de presunção legal absoluta (praesumptiones iuris  et de iure), por sua vez, se o fato deduzido estiver submetido a uma prova em contrário, refere­ se a uma presunção legal relativa (praesumptiones iuris tantum).  Nesse  diapasão,  as  presunções  legais  revelam­se,  há  tempos,  matéria  exaustivamente  discutida  na  administração  tributária,  mostrando­se  eficazes  na  tarefa  de  proporcionar ao Fisco as evidências necessárias da ocorrência dos fatos geradores previstos em  norma.  Encontram­se  consolidadas  no  ordenamento  jurídico  pátrio,  com  amplo  respaldo  da  doutrina,  do qual  se mostram esclarecedores  as  observações de MARIA RITA FERRAGUT  1  ao  discorrer sobre o princípio da legalidade:  O desrespeito à legalidade é um dos principais argumentos que  se  tem  contra  a  utilização  das  presunções  para  a  criação  de  obrigações tributárias, tendo em vista que o crédito é constituído  a  partir  da  ocorrência  de  fatos  indiciários  não  tipificados  na  regra­matriz  de  incidência  tributária,  como  sendo  aptos  a  dar  ensejo ao nascimento da obrigação.                                                              1 FERRAGUT, Maria Rita. Presunções no Direito Tributário, 2ª edição. São Paulo : Quartier Latin, 2005, p. 169.  Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 14751.000202/2009­10  Acórdão n.º 9101­002.871  CSRF­T1  Fl. 1.870          12 Ocorre parecer­nos um equívoco afirmar que a obrigação nasce  em  virtude  de  fato  não  previsto  na  regra­matriz  de  incidência  tributária.  Ora,  diante  de  tudo  o  que  já  foi  exposto  até  aqui,  temos  que  as  presunções  constituem­se  em  meio  de  prova  que  contribui para a eficácia jurídica da norma. E, se á assim, não  se trata de alegra que a obrigação decorre de fato não previsto  na  regra­matriz,  as  de  se  reconhecer  que  o  conhecimento  do  evento  descrito  no  fato  jurídico  típico  dá­se  de  forma  indireta,  com base me fatos indiciários graves, precisos e concordantes no  sentido  da  ocorrência  pretérita  do  evento  diretamente  desconhecido.  E  nada  há  de  ilegal  ou  inconstitucional  nisso,  já  que  a  necessidade  da  identificação  da  verdade  material  torna  imperiosa a busca dos fatos presuntivos de riqueza. (grifei)  Prossegue a abalizada doutrina, ao discorrer sobre o passivo fictício 2:  Passivo fictício é o inexistente, e refere­se tanto à não indicação,  na  escrituração,  de  saldo  credor  de  caixa,  como  à  falta  de  escrituração  de  pagamentos  efetuados  e  à  manutenção  no  passivo  de  obrigações  já  pagas  ou  cuja  exigibilidade  não  seja  comprovada  (...).  Implica  saldo  credor  da  empresa,  tornando  provável  ter  havido  mais  saídas  (pagamentos)  que  entradas  oficiais  de  dinheiro,  e  com  isso  o  não  pagamento  dos  tributos  devidos.  (...)  Como  exemplo  de  provas  contrárias  à  presunção  poderíamos  citar  a  demonstração  de  que  a  pendência  de  obrigações,  no  passivo,  compensa­se  com  a  pendência  em  conta  de  ativo,  a  prova  de  que  as  obrigações  foram  pagas  com  cheques  e  que  estes  somente  foram  levados  a  débito  no  mês  seguinte  ao  do  encerramento do balanço. (grifei)  Por  isso  a  presunção  legal  de  omissão  de  receitas,  vez  que  os  lançamentos  contábeis indicam manobra no sentido de ocultar o ingresso de recursos tributáveis.   Constatou  a  autoridade  autuante,  ao  analisar  a  conta  Caixa,  que  vários  lançamentos  a  débito  na  conta  tiveram  como  contrapartida  lançamento  a  crédito  na  conta  Bancos.  Intimada  a  esclarecer  a  situação,  explicou  a  Contribuinte  que  seriam  pagamentos  efetuados  a  fornecedores,  no  qual  teria  adotado  o  seguinte  procedimento:  a  cada  pagamento  efetuado  pelo  banco,  efetuava  dois  registros,  primeiro,  lançava  a  crédito  a  conta  Banco  e  a  débito a conta Caixa, e segundo, lançava a débito a conta Caixa e a débito a conta de obrigação  com o Fornecedor a ser liquidada.  A  autoridade  fiscal  selecionou  os  lançamentos  a  débito  na  conta  Caixa,  a  intimou a Contribuinte a apresentar comprovantes (cópia de cheque, nota fiscal, dentre outros)  aptos a comprovar que os lançamentos a débito tiveram, efetivamente, contrapartida a crédito  em conta de obrigação para pagamento de Fornecedores.                                                               2 FERRAGUT, 2005, p. 239­40.  Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 14751.000202/2009­10  Acórdão n.º 9101­002.871  CSRF­T1  Fl. 1.871          13 A  Contribuinte  apresentou  documentação,  relativa  a  cheques  pagos  para  Fornecedores e efetivamente compensados, aptos a demonstrar o pagamento. Na planilha de e­ fls.  43/51,  denominada  "Contabilidade  ­  Razão  ­  Conta  Caixa  ­  Seleção  de  lançamentos  a  débito  e  a  crédito  com mesmo valor  e na mesma data",  a  autoridade  autuante  consolidou os  lançamentos contábeis devidamente lastreados e que não foram objeto de autuação.  Contudo,  na  planilha  de  e­fls.  52/89,  nas  colunas  de  "A"  até  "M",  foram  consolidados os lançamentos contábeis no qual não foi possível identificar, para o lançamento  a  débito  na  conta  Caixa,  lançamento  a  crédito  na  mesma  conta  com  contrapartida  para  lançamento a débito em conta de obrigação relativa a pagamento para Fornecedores.  Assim, ao excluir da conta Caixa os lançamentos a débito cuja destinação não  foi comprovada, apurou­se um saldo credor.  Entendo não haver reparos ao procedimento adotado pela autoridade fiscal.   A  autuação  fiscal  decorreu  de  constatação  no  qual  se  constatou  movimentação financeira incompatível com a receita declarada para o ano­calendário de 2004.  Diante de situação atípica, no qual um substancioso volume de lançamentos a débito na conta  Caixa tinham como contrapartida lançamentos a crédito na conta Bancos, a Contribuinte foi em  reiteradas  oportunidades  intimada  a  esclarecer  a  situação.  Como  já  dito,  discorreu  que  se  tratavam de pagamentos a  fornecedores.  Intimada a comprovar a ocorrência dos pagamentos,  apresentou documentação apta a demonstrar apenas parte dos lançamentos contábeis.  Assim, diante dos fatos apurados no decorrer da fase inquisitória, identificou  a  ocorrência  de  fatos  indiciários  que  se  amoldaram  perfeitamente  à  hipótese  de  incidência  previstas para a presunção legal do inciso I, art. 281 do RIR/99:  Art.  281.  Caracteriza­se  como  omissão  no  registro  de  receita,  ressalvada  ao  contribuinte  a  prova  da  improcedência  da  presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto­Lei nº  1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40):  I ­ a indicação na escrituração de saldo credor de caixa;  E como  já dito, mediante  exclusão os  lançamentos  a débito na conta Caixa  cuja destinação não foi demonstrada, apurou­se ao final um saldo credor, base para presunção  legal de omissão de receitas.  Em tese, diante de tal constatação, poder­se­ia argumentar que o recurso da  Contribuinte deveria ser negado, tendo em vista que interpretação trazida pela paradigma, em  tese, não teria sido acolhida.  Contudo,  não  há  óbice  para  que  a  Contribuinte,  no  decorrer  da  fase  contenciosa, possa apresentar documentação probatória apta a desconstituir a presunção  legal.  E  na  fase  contenciosa,  por  ocasião  da  apresentação  do  recurso  voluntário,  apresentou a Contribuinte documentação (cópia de cheques), visando demonstrar a efetividade  dos pagamentos aos fornecedores. Apresenta um índice dos documentos nas planilhas de e­fls.  819/830, relacionando o número do cheque, data de lançamento, valor e o fornecedor a quem  Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 14751.000202/2009­10  Acórdão n.º 9101­002.871  CSRF­T1  Fl. 1.872          14 foi efetuado o pagamento. Na sequência, às e­fls. 840/1730, encontra­se as microfilmagens dos  cheques.  Ocorre  que  tal  documentação  foi  solenemente  ignorada  pela  decisão  de  turma  ordinária.  Sequer  há  menção  no  Acórdão  nº  1103­000.712  sobre  a  apresentação  dos  documentos. Limita­se a reproduzir, na íntegra, a decisão proferida pela DRJ, ocasião em que a  documentação probatória complementar ainda não havia sido apresentada.  Restou caracterizado cerceamento do direito de defesa, na medida em que a  turma  a  quo  deixou  de  analisar  a  documentação  acostada  aos  autos  pela  Contribuinte  por  ocasião da interposição do recurso voluntário.  Em  uma  rápida  análise,  observa­se  que  a  documentação  diz  respeito  à  matéria em debate. Por exemplo, na e­fl. 56, em planilha elaborada pela autoridade fiscal para  apurar  a  base  de  cálculo  do  saldo  credor  de  caixa,  o  registro  "VL  DE  N/CHEQUE  N.  0011897",  Banco  Bradesco,  no  valor  de  R$20.473,27,  de  30/01/2004,  do  qual  não  havia,  durante a ação fiscal, sido comprovada a efetividade do pagamento. Por sua vez, na e­fl. 1088,  apresentada  pela  Contribuinte  como  documentação  probatória  junto  ao  recurso  voluntário,  consta microfilme de cheque nº 011897, Banco Bradesco, ao sacador Sadia, de 30 de janeiro de  2004, no valor de R$20.473,27.  Outro exemplo: na e­fl. 59, na mencionada planilha elaborada pela autoridade  fiscal,  consta  o  registro  "VL  DE  N/CHEQUE  N.  0012116",  Banco  Bradesco,  no  valor  de  R$52.086,76,  de  20/02/2004,  do  qual  não  havia,  durante  a  ação  fiscal,  sido  comprovada  a  efetividade do pagamento. Na e­fl.  1062,  apresentada pela Contribuinte  como documentação  probatória  junto  ao  recurso  voluntário,  consta  microfilme  de  cheque  nº  012116,  Banco  Bradesco, ao sacador Perdigão, de 20 de fevereiro de 2004, no valor de R$52.086,76.  Verifica­se  que  restou  caracterizado  cerceamento  de  defesa,  causa  de  nulidade prevista no Decreto nº 7.574, de 2011:  Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59):  I ­ os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.   § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores  que dele diretamente dependam ou sejam consequência.   §  2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento ou solução do processo.  Registre­se  que  a  Contribuinte,  ao  apresentar  o  primeiro  "ponto"  de  divergência  no  seu  recurso  especial,  destacou  precisamente  esta  situação,  pugnando  pelo  reconhecimento da preterição do direito de defesa  tendo em vista que sua documentação não  foi  analisada  pela  turma  ordinária  do  CARF.  E,  como  visto,  não  foi  dado  seguimento  ao  primeiro "ponto" pelo despacho de exame de admissibilidade.  Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 14751.000202/2009­10  Acórdão n.º 9101­002.871  CSRF­T1  Fl. 1.873          15 Ocorre  que,  nos  presentes  autos,  foi  dado  seguimento  para  a  discussão  de  outra matéria,  "saldo credor de caixa", presunção  legal que pode ser desconstituída mediante  apresentação de provas.  E, uma vez  superado o  estreito  filtro da  admissibilidade,  a  cognição para  a  apreciação do mérito se amplia. O art. 1034 do Código de Processo Civil dispõe com clareza:  Art.  1.034.  Admitido  o  recurso  extraordinário  ou  o  recurso  especial, o Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de  Justiça julgará o processo, aplicando o direito.  Parágrafo  único.  Admitido  o  recurso  extraordinário  ou  o  recurso  especial  por  um  fundamento,  devolve­se  ao  tribunal  superior o conhecimento dos demais fundamentos para a solução  do capítulo impugnado. (grifei)  Na  realidade,  conforme  a  abalizada  doutrina  de  NELSON  NERY  JÚNIOR  e  ROSA MARIA DE ANDRADE NERY  3, o dispositivo vem consagrar a súmula do STF nº 456 (O  Supremo Tribunal Federal, conhecendo do recurso extraordinário, julgará a causa, aplicando  o  direito  à  espécie)  e  o  Regimento  Interno  do  STJ,  art.  257  (No  julgamento  do  recurso  especial,  verificar­se­á,  preliminarmente,  se o  recurso é cabível. Decidida a preliminar pela  negativa, a Turma não conhecerá do recurso; se pela afirmativa, julgará a causa, aplicando o  direito à espécie).  Passando­se  pela  primeira  etapa,  o  exame  de  admissibilidade,  a  etapa  seguinte,  apreciação do mérito, demanda a aplicação do direito. Ou seja, não  fica o  julgador  limitado  estritamente  aos  fundamentos  aduzidos  pelas  partes.  Pelo  contrário,  tem  liberdade  para aplicar o direito ao caso concreto, o que lhe permite, inclusive, decidir pela nulidade caso  identifique situação prevista pela legislação.  Cumpre esclarecer que a nulidade no presente caso está sendo reconhecida só  porque o exame de admissibilidade foi superado nos termos previstos no art. 67 do Anexo II do  RICARF.  Foi  apresentada  matéria  no  qual  foi  demonstrada  interpretação  divergente  da  legislação  tributária,  e  por  isso  se passou  para  a  apreciação  do mérito. A  título  de  exemplo,  caso  o  presente  Colegiado,  ao  apreciar  a  admissibilidade  da matéria  saldo  credor  de  caixa,  decidisse  no  sentido  de  não  conhecer  o  recurso  especial,  estaria  consumada  a  coisa  julgada  administrativa, ou seja, não haveria possibilidade de se falar em nulidade.  De  qualquer  forma,  como  foi  admitida  a  matéria  saldo  credor  de  caixa,  presunção  de  omissão  de  receitas,  passou­se  para  a  segunda  etapa,  no  qual,  aplicando­se  o  direito,  é  incontestável que a documentação apta e  idônea pode afastar a presunção  legal. E,  tendo  sido  subtraída  a  apreciação  das  provas  pela  turma  a  quo,  não  há  como  se  deixar  de  identificar a nulidade.  Enfim,  na  eventualidade  de  presente  Colegiado  não  se  sensibilizar  com  a  arguição de nulidade, e resolver se debruçar sobre a apreciação das provas, incorreria em outro  incidente processual: supressão de instância.                                                              3    JÚNIOR, Nelson Nery. Comentários ao Código de Processo Civil. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais,  2015, p. 2173.  Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 14751.000202/2009­10  Acórdão n.º 9101­002.871  CSRF­T1  Fl. 1.874          16 Isso  porque  a  documentação  a  ser  apreciada  demanda  uma  análise  do  qual  pode caber uma eventual contestação. Poderia o presente Colegiado se manifestar sobre provas,  diante  da  perspectiva  de  se  aplicar  o  direito,  desde  que  já  tivesse  havido  uma manifestação  anterior da turma a quo e/ou que a prova fosse contundente/conclusiva (por exemplo, DARF  comprovando  pagamento  para  fins  de  contagem  de  prazo  decadencial,  o  que  tornaria  prescindível eventual retornos dos autos).  No  caso  em  tela,  é  incontroverso  que  a  turma  a  quo  não  apreciou  os  documentos. A partir do momento em que as provas apresentadas foram analisadas, podem ser  objeto  de  contestação  pela  outra  parte,  por  envolverem  microfilmagem  e  documento  preenchido  à  mão  livre  (cheque),  ocasionando  dúvidas  mesmo  quanto  à  identificação  do  tomador do título de crédito (beneficiário do pagamento).  Nesse  contexto,  caso  o  presente  Colegiado  se  manifeste,  perdem  as  partes  uma instância para a análise e contestação da documentação.  De qualquer forma, entendo que prevalece a tutela do cerceamento do direito  de  defesa,  tutela  tão  valiosa  que  se  encontra  prevista  de  maneira  expressa  na  legislação  processual administrativa tributária.  E, sendo o cerceamento do direito de defesa incorrido pela turma a quo vício  insanável, a decisão deve ser declarada nula, por vício formal (art. 59, inciso II do Decreto nº  70.235,  de  1972  ­  PAF),  e  os  autos  devem  retornar  para  a  instância  a  quo  para  novo  julgamento, levando­se em consideração a documentação probatória acostada pela Contribuinte  junto ao recurso voluntário.  Nesse sentido, dou provimento parcial ao recurso especial interposto para a  Contribuinte, para que seja declarada a nulidade do Acórdão nº 1103­000.712, proferido pela 3ª  Turma Ordinária  da  1ª Câmara  da  Primeira Seção,  na  sessão  de  13/06/2012,  e  determinar  o  retorno  dos  autos  para  a  câmara  baixa  do  CARF  para  novo  julgamento,  levando­se  em  consideração a documentação probatória acostada no recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  André Mendes de Moura ­ Relator                                  Fl. 1874DF CARF MF

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Numero do processo: 10120.902780/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.362
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS

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3301­003.362  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de março de 2017  Matéria  COFINS/PIS. TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS.  INCIDÊNCIA MONOFÁSICA.  Recorrente  COTRIL MOTORS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  PIS/COFINS.  AQUISIÇÃO  DE  VEÍCULOS  NOVOS  SUBMETIDOS  AO  REGIME  MONOFÁSICO  PARA  REVENDA.  MANUTENÇÃO  DE  CRÉDITO  PELO  COMERCIANTE  ATACADISTA  E  VAREJISTA.  VEDAÇÃO LEGAL.   No regime não­cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por  expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista,  o direito de descontar ou manter crédito  referente às aquisições de veículos  novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador.  A  aquisição  de  veículos  relacionados  no  art.  1º  da  Lei  n°  10.485/02,  para  revenda,  quando  feita  por  comerciantes  atacadistas  ou  varejistas  desses  produtos,  não  gera  direito  a  crédito  do  PIS/COFINS,  dada  a  expressa  vedação,  consoante  os  art.  2º,  §  1º,  III  e  art.  3º,  I,  “b”,  c/c  da  Lei  nº  10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.  CRÉDITOS.  MANUTENÇÃO.  ART.  17  DA  LEI  Nº  11.033/2004.  IMPOSSIBILIDADE.  A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o  alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.  Recurso Voluntário Negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 80 /2 01 1- 82 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10120.902780/2011­82  Acórdão n.º 3301­003.362  S3­C3T1  Fl. 3          2 (assinado digitalmente)  Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri,  Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara  Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto  do Couto Chagas.  Relatório  Trata­se de Pedido Eletrônico de Ressarcimento ­ PER, formulado através do  programa  PER/Dcomp,  por  intermédio  do  qual  a  Recorrente  pleiteia  o  ressarcimento  em  espécie do saldo credor acumulado de COFINS Não­Cumulativa – Mercado Interno. O Pedido  de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado.   A  origem  do  direito  creditório  alegado  seria  o  saldo  credor  acumulado  em  razão  da  aquisição  de  produtos  monofásicos  (veículos  novos).  A  Recorrente  tem  como  atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral,  relacionadas na Lei nº 10.485/02.  A Lei  nº  10.485/02,  no  art.  3º,  §  2º,  I  e  II,  prescreve  que  os  produtos  nela  relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta  auferida por comerciantes atacadistas e varejistas.   A  Recorrente  alega  que  com  a  edição  das  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003,  os  produtos  relacionados  na  Lei  n°  10.485/2002  compõem  a  sua  receita  bruta  para  efeito  de  apuração  de  PIS  e  COFINS  sob  o  regime  da  não­cumulatividade  e  que  a  manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal  o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento  legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005.  Assim,  com  esse  entendimento,  os  créditos  de  COFINS  não­cumulativa,  objeto  do  ressarcimento  deste  processo  fiscal  pela  Recorrente,  têm  origem  exclusiva  na  aplicação direta das  alíquotas previstas nas  leis  10.637/02  (PIS)  e 10.833/03  (COFINS), que  introduziram  a  nova  sistemática  do  regime  da  não­cumulatividade  para  ambas  as  Contribuições,  sobre  o  valor  de  aquisição  dos  produtos  relacionados  na  Lei  n°  10.485/2002  (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses  produtos foi reduzida a 0%.  Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não­ cumulativo,  dos  valores  de  aquisição  dos  produtos  relacionados  na  Lei  n°  10.485/2002  (veículos  automotores  novos),  ou  seja,  crédito  com  origem  nas  aquisições  de  produtos  com  incidência monofásica.  A DRJ  indeferiu a manifestação de  inconformidade nos  termos do Acórdão  06­050.401. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para  o  aproveitamento  do  crédito  das  contribuições  ao  PIS/Pasep  e  à  COFINS,  com  base  na  sistemática  da  não  cumulatividade,  pelas  revendedoras  de  veículos  automotores,  nas  vendas  submetidas à incidência monofásica.  Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10120.902780/2011­82  Acórdão n.º 3301­003.362  S3­C3T1  Fl. 4          3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário,  a  Recorrente  tece  longo  arrazoado  para  justificar  o  seu  direito  ao  creditamento,  para  tanto  interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da não­cumulatividade.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3301­003.248, de  29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/2011­35, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301­003.248):  O  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  legais  de  interposição,  dele,  portanto, tomo conhecimento.  Não há direito ao creditamento, no regime não­cumulativo, dos valores  de  aquisição  dos  produtos  relacionados  na  Lei  n°  10.485/2002  (veículos  automotores novos), conforme se justifica a seguir.   Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem:  Art.  1o.As  pessoas  jurídicas  fabricantes  e  as  importadoras  de  máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00,  84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  TIPI,  aprovada  pelo  Decreto  no 4.070,  de  28  de  dezembro  de  2001,  relativamente  à  receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas  ao pagamento da  contribuição para os Programas de  Integração  Social  e  de  Formação  do  Patrimônio  do  Servidor  Público  ­  PIS/PASEP  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade Social ­ COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento)  e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente.  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  Art.  3o  As  pessoas  jurídicas  fabricantes  e  os  importadores,  relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I  e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o  PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de:  II  ­  2,3%  (dois  inteiros  e  três décimos por cento) e 10,8% (dez  inteiros  e  oito  décimos  por  cento),  respectivamente,  nas  vendas  para  comerciante  atacadista  ou  varejista  ou  para  consumidores.  (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10120.902780/2011­82  Acórdão n.º 3301­003.362  S3­C3T1  Fl. 5          4 §  2o  Ficam  reduzidas  a  0%  (zero  por  cento)  as  alíquotas  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS,  relativamente  à  receita  bruta  auferida  por  comerciante  atacadista  ou  varejista,  com  a  venda  dos  produtos  de  que  trata:  (Incluído  pela  Lei  nº  10.865, de 2004)  Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  TIPI  e  dos  produtos  relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica,  com alíquotas diferenciadas para as pessoas  jurídicas  fabricantes e  importadoras.  O  regime  monofásico  concentra  a  cobrança  do  tributo  em  uma  etapa  da  cadeia  produtiva, desonerando a etapa seguinte.  E  ainda,  a  referida  lei  reduziu  a  zero  as  alíquotas  da  COFINS  incidentes  sobre  as  receitas  auferidas  pelos  comerciantes  atacadistas  ou  varejistas  com  a  venda desses mesmos produtos.  O  regime  monofásico  impõe  que  o  fabricante  ou  importador  dos  produtos  (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada,  bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a  venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores,  atacadistas  e  varejistas).  Então,  não  se  cogita  do  sistema  de  compensação  entre  créditos e débitos.  Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS  no  início  da  cadeia  produtiva,  fabricantes  e/ou  importadores  de  veículos  automotores  e  autopeças,  estabelecendo  alíquota  mais  elevada  nesta  etapa  de  comercialização,  desonerando  a  fase  em  que  se  integram  as  concessionárias,  mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, §  2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº  10.833/03.  A  incidência  monofásica  das  contribuições  discutidas  incorre  na  inviabilidade  lógica  e  econômica  do  reconhecimento  de  crédito  recuperável  pelos  comerciantes  varejistas  e  atacadistas,  pois  inexistente  cadeia  tributária  após  a  venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04,  afigura­se incompatível com este caso.  Ademais,  não  há  crédito  em  relação aos  veículos  classificados  nos  códigos  87.01  a  87.06  da  TIPI  e  aos  produtos  relacionados  nos  Anexos  I  e  II  da  Lei  nº  10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e  art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis:  Art. 3º Do valor apurado na  forma do art. 2º a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a:  I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos:  (...)  b) no § 1º do art. 2º desta Lei;  Art.  2º  Para  determinação  do  valor  da  COFINS  aplicar­se­á,  sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a  alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento).  Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10120.902780/2011­82  Acórdão n.º 3301­003.362  S3­C3T1  Fl. 6          5 § 1º Excetua­se do disposto no caput deste artigo a receita bruta  auferida  pelos  produtores  ou  importadores,  que  devem  aplicar  as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)  (...)  III  ­  no  art.  1º  da  Lei  nº  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  e  alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI;  (Incluído pela Lei nº 10.865, de  2004)  IV  ­  no  inciso  II  do  art.  3º  da  Lei  nº  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  no  caso  de  vendas,  para  comerciante  atacadista  ou  varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos  Anexos  I  e  II  da  mesma  Lei;  (Incluído  pela  Lei  nº  10.865,  de  2004)  (...)  Logo,  pela  redação  dos  dispositivos  supracitados,  é  expressamente  vedado  descontar  créditos  calculados  em  relação  aos  veículos  classificados  nos  códigos  87.01  a  87.06  da  TIPI  e  aos  produtos  relacionados  nos  Anexos  I  e  II  da  Lei  nº  10.485, de 2002, adquiridos para revenda.  Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da  Lei nº 11.033/2004:  Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0  (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da  COFINS  não  impedem  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.  Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões:  1­  Refere­se  a  “manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados”  nas  operações de vendas com isenção, alíquota zero ou não­incidência da COFINS, ou  seja, trata­se de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito  está proibido);   2­  É  regra  geral  que  coexiste  com  vedação  ao  creditamento  por  norma  específica e   3­ Não revoga expressa ou  tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da  Lei nº 10.833/03.  Por  fim,  quanto  a  argumentos  de  inconstitucionalidade  da  vedação  ao  creditamento,  por afronta ao  princípio  da  não­cumulatividade,  saliento  que  sobre  esta matéria  o CARF  não  pode  se  pronunciar,  de  acordo  com  a  Súmula  nº  2  (O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária).  Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  Nos  termos  do  entendimento  exarado  no  paradigma,  a  impossibilidade  de  creditamento, no  regime não­cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos  relacionados  Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10120.902780/2011­82  Acórdão n.º 3301­003.362  S3­C3T1  Fl. 7          6 na  Lei  n°  10.485/2002  (veículos  automotores  novos)  aplica­se  tanto  à  Contribuição  para  o  PIS/Pasep quanto à COFINS.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  assinado digitalmente  Luiz Augusto do Couto Chagas                                Fl. 119DF CARF MF

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Numero do processo: 13603.724184/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos apontados pelo Relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Tulio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário, contra Acórdão da DRJ/SDR que, por unanimidade, decidiram por manter a integralidade do crédito apurado nos Autos de Infração integrantes do processo nº 13603.724184/2012-00. Por bem retratar o corrido na demanda, adotaremos parte do relatório da decisão recorrida: "Trata-se de processo que inclui o Auto de Infração (AI) lavrado em 23/12/2012 por descumprimento de obrigações tributárias principais, sob o seguinte DEBCAD nº: 37.353.369-1. A ação fiscal foi autorizada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF nº 061.1000.2012.00483, código de acesso 91732816, e iniciada com o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, cientificado pessoalmente pelo contribuinte. Consta ainda do Relatório Fiscal que: O Auto de Infração DEBCAD n° 37.353.369-1 contém os seguintes Levantamentos discriminados a seguir: a) Levantamentos AB e AB2, discriminados na planilha número 2 denominada SALÁRIOS CONFORME DIRF, os quais foram arbitrados pela fiscalização, pois são valores de remunerações declarados pelo sujeito passivo por meio da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF e não incluídos em folhas de pagamento e na GFIP, conforme discriminados no correspondente Discriminativo de Débito - DD; b) Levantamentos AK e AK2, discriminados na planilha número 11 denominada DIRF MAIOR QUE FP SE e no correspondente Discriminativo de Débito - DD; tais remunerações foram arbitradas pela fiscalização, por meio do confronto entre os valores pagos aos segurados empregados apurados por meio do exame das folhas de pagamento de salário exibidas em arquivo digital no formato MANAD, discriminados na planilha e os valores declarados pelo sujeito passivo em DIRF para os mesmos empregados, também discriminados na citada planilha; 2) Os arbitramentos realizados pela fiscalização e descritos nas alíneas acima estão em conformidade com o estipulado no parágrafo 3° do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991. A empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda foi cientificada do lançamento por via postal em 03 de janeiro de 2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 105. Em 01 de fevereiro de 2013, apresenta impugnação, alegando, em síntese, o que se relata a seguir. Da inexistência de solidariedade. A fiscalização, após apurar supostas inconsistências na RAIS, imputou responsabilidade solidária à URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda – ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda, sem, contudo, apontar, na verdade, os motivos jurídicos e fáticos. Simplesmente, o agente fiscalizador entendeu pela existência de um grupo econômico de fato, sob o seu pseudo fundamento de que se estaria diante de um grupo de empresas com direção, controle e administração exercidos direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. O trabalho fiscal deveria ter sido conduzido de maneira mais aprofundada, pautando pela verdade, no sentido de realmente apurar a existência ou não de grupo econômico de fato e, mais, deveria ter procedido à leitura dos fatos à luz das regras tributárias, notadamente o art. 128, do CTN, que é o pilar de sustentação de toda a responsabilização tributária, eis que dele se denota a existência de condição sine qua non à solidariedade - vinculação ao fato gerador praticado. Ou seja, só se pode admitir a imposição de responsabilidade a terceiro quando este necessariamente mantiver vinculação com o fato imponível. Em outras palavras, imputar responsabilidade solidária a determinada pessoa não praticante do fato gerador requer que esse terceiro tenha controle da situação, inclusive para até mesmo impedir a sua prática por parte do sujeito passivo. Em primeiro lugar, como pode haver grupo econômico de fato entre o contribuinte e a URB Mix Concreto Ltda se a mesma não gera faturamento algum desde 2007, não contrata empregados, não realiza qualquer tipo de atividade? Em segundo lugar, a WIR Feira Shopping Ltda possui objeto social completamente distinto do praticado pelo contribuinte, conforme demonstra o seu contrato social. Em terceiro lugar, o Consórcio Urb Topo Marins, como a própria razão social indica, trata-se de uma Sociedade de Propósito Específico - SPE criada finalisticamente para atender um determinado evento (obra específica), que inclusive será formalmente encerrada após a conclusão do contrato. Despiciendo lembrar que “consórcio” é um tipo societário sui generis, já que nesse não há uma corporificação, eis que ambas as empresas consorciada simplesmente envidam esforços mútuos, estrutura e mão de obra próprias para a realização daquela específica atividade. Além disso, o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8212/1991 carece ser interpretado à luz da regra contida no art. 128, do CTN. Nesse sentido, os incisos do art. 124, do CTN, ao dispor sobre a solidariedade, devem ser interpretados à luz da regra insculpida no art. 128, do mesmo Repositório Tributário. Inclusive, o inciso II, que descreve a solidariedade entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deve ser interpretado abstraindo-se quaisquer tipos de interesses econômicos no fato gerador, eis que apenas deverá ser observada a existência ou não da prática de condutas concomitantes. Em outras palavras, somente quando o fato gerador seja praticado por mais de uma pessoa (contribuinte) é que haverá o “interesse comum” exigido pelo inciso II, do art. 124, do CTN. Ademais, salvo nas hipóteses de simulação, fraude ou de qualquer outro ardil, as relações jurídicas travadas por uma sociedade não interferem na esfera jurídica das demais sociedades do grupo. Sim, somente quando presentes os motivos que possam ensejar a superação episódica da personalidade jurídica é que se admite a responsabilização às demais sociedades integrantes do grupo, sem necessidade da presença de outros requisitos, conforme, aliás, já decidiu o STJ (STJ 3ª Turma, REsp 228.357/SP, Rel. Min. Castro Filho, 2003). A sociedade que domine a direção unitária do grupo apenas define questões estratégicas, mas não desenvolvem concretamente o objeto social das demais sociedades, não se vinculando aos fatos geradores realizados. A atribuição de responsabilidade solidária é permitida quando a direção do grupo, além de decidir pela realização do fato gerador em si, igualmente exerce a atividade tributária (cumprimento das obrigações principal e acessória). Portanto, mister se faz a presença da competência decisória concreta e não em função de simplesmente pertencer ao grupo, sob pena de violar o preceito contido no art. 128, do CTN. Simples interesse econômico não justifica a imputação de solidariedade. O ônus de fazer tais provas pertence unicamente ao fisco ex vi do art. 142 e 149, do CTN. E inexiste nos presentes autos qualquer elemento concreto de prova que possa validamente atribuir responsabilidade solidária às empresas retro citadas. Diante dos fatos, é medida imperativa o cancelamento da solidariedade imputada às sociedades URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda– ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda. Do caráter pessoal atribuído às infrações. Outro aspecto que merece destaque é a ilegalidade em se exigir das empresas tidas como solidárias o pagamento da multa pelo não recolhimento tributário. Isso porque a multa nada mais é do que uma sanção (condenação) pelo descumprimento de determinada obrigação. A multa exigida em razão de uma infração tributária não pode validamente ser exigida daquelas empresas que não praticaram de per si o fato gerador, ainda que existisse um grupo formalmente organizado, eis que faltará o nexo de causalidade, motivo pelo qual apenas a sociedade infratora é quem poderá ser apenada. Assim, tendo em vista o caráter pessoal da pena prevista no art. 5º, inciso XLV, da CF/88, em caso de descumprimento de obrigação tributária, tão somente ao contribuinte (aquele que pratica o fato gerador) é que poderá ser imputado o ônus de pagar as multas exigidas pela legislação. Portanto,as multas, se porventura devidas, somente poderão ser exigidas do contribuinte. Da regra do art. 123 do CTN às avessas. A forma com que o fisco está atribuindo responsabilidade solidária às demais empresas nada mais é do que aplicar às avessas a regra estatuída no art. 123, do CTN. Portanto, se, salvo disposição legal em contrário, não podem os contribuintes alterar por convenção particular as regras tributárias relativas à definição legal do sujeito passivo, da mesma forma não pode o fisco se valer pura e simplesmente dos instrumentos societários para sobretudo impingir solidariedade passiva fora pelo princípio da pessoalidade das sanções. Em 05 de fevereiro de 2014 foi solicitada diligência fiscal pela 7ª Turma da DRJ/SDR (fls. 277-278), com a finalidade de justificação do método (aferição indireta) utilizado para a apuração do crédito sob exame. Em atendimento à diligência solicitada, a Fiscalização lavra Informação Fiscal, datada de 06 de março de 2014, aduzindo, em síntese o que segue: 1) No Relatório Fiscal referente ao processo acima mencionado está informado que há salários de contribuições pagos a segurados empregados e a contribuinte individual não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP - itens 2 (fls. 18); 2) A Fiscalização após examinar, como está legalmente autorizada, as DIRF da Autuada e confrontar os valores por ela declarados com os declarados em GFIP e nas folhas de pagamento de salários, constatou divergências entre tais valores; assim a intimou para apresentar os esclarecimentos conforme comprovado por meio do Termo de Intimação Fiscal - TIF n° 01 - item 8, recebido pela autuada em 19/11/2012, conforme cópia do mesmo anexada ao processo acima referenciado (fls. 52). Assim, os créditos arbitrados conforme as remunerações insertas na Declaração do Imposto de Renda - DIRF, só o foram após a intimação citada ter sido atendida sem que a Autuada lograsse esclarecer a respeito das diferenças apuradas; 3) A Fiscalização constatou que a Autuada utiliza para os valores de remunerações declarados em DIRF o regime de caixa e, portanto os valores referentes a pagamentos realizados em 10/2009 são declarados na competência 09/2009 para efeitos previdenciários (folha de pagamento e GFIP) e na competência 10/2009 para a DIRF; 4) Há que se considerar que o arbitramento da remuneração paga, devida ou creditada a empregado justifica-se quando, a partir de informações obtidas em fontes internas (sistemas corporativo da RFB, subsídio fiscal, processos de restituição) e/ou fontes externas confiáveis (Justiça do Trabalho, Sindicatos), o auditor-fiscal firmar convicção de que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos empregados do sujeito passivo ou os documentos do sujeito passivo registram remuneração inferior à efetivamente paga; 5) Há que se considerar que nas empresas em geral, o arbitramento da remuneração de empregados pode ser realizado com fundamento na base de cálculo do imposto de renda retido na fonte obtida na DIRF, sendo que no caso presente o foi apenas após a autuada ter sido intimada a apresentar o motivo de haver divergências de valores (FP X GFIP X DIRF); 6) Há que se considerar que os livros contábeis e fiscais do sujeito passivo e de terceiros geralmente são fontes importantes de comprovação da ocorrência de infração tributária. A infração pode ser verificada diretamente nos livros ou por meio do confronto entre livros e outros documentos. O Auditor-Fiscal deve juntar todos os elementos necessários à comprovação da infração, demonstrando no processo a escrituração feita nos livros ou a omissão de registro obrigatório. A Fiscalização examinou sim a contabilidade da Autuada, tanto que apurou fatos geradores de contribuições não declaradas em GFIP na escrituração contábil, conforme consta no Relatório Fiscal do processo número 13603724043/2012-89. A Fiscalização considerou ser seu dever, além de examinar a escrituração contábil, questionar a Autuada a respeito de possíveis fatos geradores existentes em outras fontes de informações disponíveis e só promover as devidas autuações após ter intimado a empresa sem que a mesma lograsse elidir a existência de fatos geradores não escriturados, não declarados em GFIP e não lançados em folha de pagamento. Em resumo, a fiscalização considera que não pode se omitir, apesar de examinar a escrituração contábil, de apurar fatos geradores existentes em outros livros e documentos e não oferecidos à tributação pela empresa; 7) Há que se considerar que verificada a constatação das diferenças de remunerações, ou seja, fato gerador da contribuição previdenciária, mediante o confronto das folhas de pagamento com as declarações, DIRF e GFIP, e não sendo esclarecidas pela empresa fiscalizada, a autoridade lançadora afirma que agiu com acerto e de acordo com as normas vigentes, vez que o ato administrativo é vinculado, nos termos do que disciplina o artigo 142 do CTN - Código Tributário Nacional; 8) A prova material em que se baseou o lançamento foi o batimento entre a folha de pagamento, a GFIP e a DIRF onde foram encontrados beneficiários que não estavam declarados em GFIP e não constavam das folhas de pagamento. O sujeito passivo foi cientificado do resultado da diligência fiscal em 03/04/2014 (AR à fl. 288). Embora cientificado, o sujeito passivo não se manifestou nos autos." Em seu recurso reprisa os fundamentos da impugnação. Compulsando os autos, verificamos a existência de ofício da PGFN informando a respeito de possível concomitância de processo judicial, porém não juntou as peças para confirmação do alegado. É o relatório. VOTO Conselheiro - Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Partindo da informação apresentada pela PGFN, consultamos o site da Justiça Federal de Minas Gerais - TRF1 e verificando a existência do citado processo. A página de consulta indica que a demanda abrange os processos administrativos tributários de nº 13603724185201246, 13603724037201221, 13603724038201276, 13603724043201289, 13603724181201268, 13603724182201211, 13603724183201257, 13603724184201200, 13603724186201291. Apesar de parecer verossímil a alegação de existência de concomitância informada pela PGFN, por não constar dos autos, deste processo administrativo, as cópias integrais do referido processo judicial ou mesmo da inicial, não é possível, com segurança, afirmar que exista identidade de objeto, causa de pedir e pedido, tendo por conseqüência a declaração de desistência da via administrativa. Considerando que a demanda ora analisada não versa exclusivamente sobre os créditos em si, abrangendo também a questão de existência de solidariedade entre os participantes do grupo econômico, caso a discussão judicial verse apenas quanto aos créditos, sem tratar da discussão de solidariedade, está deverá ser objeto de analise por este colegiado. Ainda, sem as peças não é possível nem mesmo afirmar que existe concomitância, eis que, a mera alegação da PGFN de que a matéria discutida refere-se ao cancelamento dos respectivos lançamentos desacompanhada de provas não é suficiente para formar o convencimento deste relator.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA

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Por bem retratar o corrido na demanda, adotaremos parte do relatório da decisão recorrida: "Trata-se de processo que inclui o Auto de Infração (AI) lavrado em 23/12/2012 por descumprimento de obrigações tributárias principais, sob o seguinte DEBCAD nº: 37.353.369-1. A ação fiscal foi autorizada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF nº 061.1000.2012.00483, código de acesso 91732816, e iniciada com o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, cientificado pessoalmente pelo contribuinte. Consta ainda do Relatório Fiscal que: O Auto de Infração DEBCAD n° 37.353.369-1 contém os seguintes Levantamentos discriminados a seguir: a) Levantamentos AB e AB2, discriminados na planilha número 2 denominada SALÁRIOS CONFORME DIRF, os quais foram arbitrados pela fiscalização, pois são valores de remunerações declarados pelo sujeito passivo por meio da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF e não incluídos em folhas de pagamento e na GFIP, conforme discriminados no correspondente Discriminativo de Débito - DD; b) Levantamentos AK e AK2, discriminados na planilha número 11 denominada DIRF MAIOR QUE FP SE e no correspondente Discriminativo de Débito - DD; tais remunerações foram arbitradas pela fiscalização, por meio do confronto entre os valores pagos aos segurados empregados apurados por meio do exame das folhas de pagamento de salário exibidas em arquivo digital no formato MANAD, discriminados na planilha e os valores declarados pelo sujeito passivo em DIRF para os mesmos empregados, também discriminados na citada planilha; 2) Os arbitramentos realizados pela fiscalização e descritos nas alíneas acima estão em conformidade com o estipulado no parágrafo 3° do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991. A empresa URB Topo Engenharia e Construções Ltda foi cientificada do lançamento por via postal em 03 de janeiro de 2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 105. Em 01 de fevereiro de 2013, apresenta impugnação, alegando, em síntese, o que se relata a seguir. Da inexistência de solidariedade. A fiscalização, após apurar supostas inconsistências na RAIS, imputou responsabilidade solidária à URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda – ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda, sem, contudo, apontar, na verdade, os motivos jurídicos e fáticos. Simplesmente, o agente fiscalizador entendeu pela existência de um grupo econômico de fato, sob o seu pseudo fundamento de que se estaria diante de um grupo de empresas com direção, controle e administração exercidos direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. O trabalho fiscal deveria ter sido conduzido de maneira mais aprofundada, pautando pela verdade, no sentido de realmente apurar a existência ou não de grupo econômico de fato e, mais, deveria ter procedido à leitura dos fatos à luz das regras tributárias, notadamente o art. 128, do CTN, que é o pilar de sustentação de toda a responsabilização tributária, eis que dele se denota a existência de condição sine qua non à solidariedade - vinculação ao fato gerador praticado. Ou seja, só se pode admitir a imposição de responsabilidade a terceiro quando este necessariamente mantiver vinculação com o fato imponível. Em outras palavras, imputar responsabilidade solidária a determinada pessoa não praticante do fato gerador requer que esse terceiro tenha controle da situação, inclusive para até mesmo impedir a sua prática por parte do sujeito passivo. Em primeiro lugar, como pode haver grupo econômico de fato entre o contribuinte e a URB Mix Concreto Ltda se a mesma não gera faturamento algum desde 2007, não contrata empregados, não realiza qualquer tipo de atividade? Em segundo lugar, a WIR Feira Shopping Ltda possui objeto social completamente distinto do praticado pelo contribuinte, conforme demonstra o seu contrato social. Em terceiro lugar, o Consórcio Urb Topo Marins, como a própria razão social indica, trata-se de uma Sociedade de Propósito Específico - SPE criada finalisticamente para atender um determinado evento (obra específica), que inclusive será formalmente encerrada após a conclusão do contrato. Despiciendo lembrar que “consórcio” é um tipo societário sui generis, já que nesse não há uma corporificação, eis que ambas as empresas consorciada simplesmente envidam esforços mútuos, estrutura e mão de obra próprias para a realização daquela específica atividade. Além disso, o art. 30, inciso IX, da Lei nº 8212/1991 carece ser interpretado à luz da regra contida no art. 128, do CTN. Nesse sentido, os incisos do art. 124, do CTN, ao dispor sobre a solidariedade, devem ser interpretados à luz da regra insculpida no art. 128, do mesmo Repositório Tributário. Inclusive, o inciso II, que descreve a solidariedade entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, deve ser interpretado abstraindo-se quaisquer tipos de interesses econômicos no fato gerador, eis que apenas deverá ser observada a existência ou não da prática de condutas concomitantes. Em outras palavras, somente quando o fato gerador seja praticado por mais de uma pessoa (contribuinte) é que haverá o “interesse comum” exigido pelo inciso II, do art. 124, do CTN. Ademais, salvo nas hipóteses de simulação, fraude ou de qualquer outro ardil, as relações jurídicas travadas por uma sociedade não interferem na esfera jurídica das demais sociedades do grupo. Sim, somente quando presentes os motivos que possam ensejar a superação episódica da personalidade jurídica é que se admite a responsabilização às demais sociedades integrantes do grupo, sem necessidade da presença de outros requisitos, conforme, aliás, já decidiu o STJ (STJ 3ª Turma, REsp 228.357/SP, Rel. Min. Castro Filho, 2003). A sociedade que domine a direção unitária do grupo apenas define questões estratégicas, mas não desenvolvem concretamente o objeto social das demais sociedades, não se vinculando aos fatos geradores realizados. A atribuição de responsabilidade solidária é permitida quando a direção do grupo, além de decidir pela realização do fato gerador em si, igualmente exerce a atividade tributária (cumprimento das obrigações principal e acessória). Portanto, mister se faz a presença da competência decisória concreta e não em função de simplesmente pertencer ao grupo, sob pena de violar o preceito contido no art. 128, do CTN. Simples interesse econômico não justifica a imputação de solidariedade. O ônus de fazer tais provas pertence unicamente ao fisco ex vi do art. 142 e 149, do CTN. E inexiste nos presentes autos qualquer elemento concreto de prova que possa validamente atribuir responsabilidade solidária às empresas retro citadas. Diante dos fatos, é medida imperativa o cancelamento da solidariedade imputada às sociedades URB Mix Concreto Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping Ltda– ME, URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais Ltda. Do caráter pessoal atribuído às infrações. Outro aspecto que merece destaque é a ilegalidade em se exigir das empresas tidas como solidárias o pagamento da multa pelo não recolhimento tributário. Isso porque a multa nada mais é do que uma sanção (condenação) pelo descumprimento de determinada obrigação. A multa exigida em razão de uma infração tributária não pode validamente ser exigida daquelas empresas que não praticaram de per si o fato gerador, ainda que existisse um grupo formalmente organizado, eis que faltará o nexo de causalidade, motivo pelo qual apenas a sociedade infratora é quem poderá ser apenada. Assim, tendo em vista o caráter pessoal da pena prevista no art. 5º, inciso XLV, da CF/88, em caso de descumprimento de obrigação tributária, tão somente ao contribuinte (aquele que pratica o fato gerador) é que poderá ser imputado o ônus de pagar as multas exigidas pela legislação. Portanto,as multas, se porventura devidas, somente poderão ser exigidas do contribuinte. Da regra do art. 123 do CTN às avessas. A forma com que o fisco está atribuindo responsabilidade solidária às demais empresas nada mais é do que aplicar às avessas a regra estatuída no art. 123, do CTN. Portanto, se, salvo disposição legal em contrário, não podem os contribuintes alterar por convenção particular as regras tributárias relativas à definição legal do sujeito passivo, da mesma forma não pode o fisco se valer pura e simplesmente dos instrumentos societários para sobretudo impingir solidariedade passiva fora pelo princípio da pessoalidade das sanções. Em 05 de fevereiro de 2014 foi solicitada diligência fiscal pela 7ª Turma da DRJ/SDR (fls. 277-278), com a finalidade de justificação do método (aferição indireta) utilizado para a apuração do crédito sob exame. Em atendimento à diligência solicitada, a Fiscalização lavra Informação Fiscal, datada de 06 de março de 2014, aduzindo, em síntese o que segue: 1) No Relatório Fiscal referente ao processo acima mencionado está informado que há salários de contribuições pagos a segurados empregados e a contribuinte individual não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP - itens 2 (fls. 18); 2) A Fiscalização após examinar, como está legalmente autorizada, as DIRF da Autuada e confrontar os valores por ela declarados com os declarados em GFIP e nas folhas de pagamento de salários, constatou divergências entre tais valores; assim a intimou para apresentar os esclarecimentos conforme comprovado por meio do Termo de Intimação Fiscal - TIF n° 01 - item 8, recebido pela autuada em 19/11/2012, conforme cópia do mesmo anexada ao processo acima referenciado (fls. 52). Assim, os créditos arbitrados conforme as remunerações insertas na Declaração do Imposto de Renda - DIRF, só o foram após a intimação citada ter sido atendida sem que a Autuada lograsse esclarecer a respeito das diferenças apuradas; 3) A Fiscalização constatou que a Autuada utiliza para os valores de remunerações declarados em DIRF o regime de caixa e, portanto os valores referentes a pagamentos realizados em 10/2009 são declarados na competência 09/2009 para efeitos previdenciários (folha de pagamento e GFIP) e na competência 10/2009 para a DIRF; 4) Há que se considerar que o arbitramento da remuneração paga, devida ou creditada a empregado justifica-se quando, a partir de informações obtidas em fontes internas (sistemas corporativo da RFB, subsídio fiscal, processos de restituição) e/ou fontes externas confiáveis (Justiça do Trabalho, Sindicatos), o auditor-fiscal firmar convicção de que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos empregados do sujeito passivo ou os documentos do sujeito passivo registram remuneração inferior à efetivamente paga; 5) Há que se considerar que nas empresas em geral, o arbitramento da remuneração de empregados pode ser realizado com fundamento na base de cálculo do imposto de renda retido na fonte obtida na DIRF, sendo que no caso presente o foi apenas após a autuada ter sido intimada a apresentar o motivo de haver divergências de valores (FP X GFIP X DIRF); 6) Há que se considerar que os livros contábeis e fiscais do sujeito passivo e de terceiros geralmente são fontes importantes de comprovação da ocorrência de infração tributária. A infração pode ser verificada diretamente nos livros ou por meio do confronto entre livros e outros documentos. O Auditor-Fiscal deve juntar todos os elementos necessários à comprovação da infração, demonstrando no processo a escrituração feita nos livros ou a omissão de registro obrigatório. A Fiscalização examinou sim a contabilidade da Autuada, tanto que apurou fatos geradores de contribuições não declaradas em GFIP na escrituração contábil, conforme consta no Relatório Fiscal do processo número 13603724043/2012-89. A Fiscalização considerou ser seu dever, além de examinar a escrituração contábil, questionar a Autuada a respeito de possíveis fatos geradores existentes em outras fontes de informações disponíveis e só promover as devidas autuações após ter intimado a empresa sem que a mesma lograsse elidir a existência de fatos geradores não escriturados, não declarados em GFIP e não lançados em folha de pagamento. Em resumo, a fiscalização considera que não pode se omitir, apesar de examinar a escrituração contábil, de apurar fatos geradores existentes em outros livros e documentos e não oferecidos à tributação pela empresa; 7) Há que se considerar que verificada a constatação das diferenças de remunerações, ou seja, fato gerador da contribuição previdenciária, mediante o confronto das folhas de pagamento com as declarações, DIRF e GFIP, e não sendo esclarecidas pela empresa fiscalizada, a autoridade lançadora afirma que agiu com acerto e de acordo com as normas vigentes, vez que o ato administrativo é vinculado, nos termos do que disciplina o artigo 142 do CTN - Código Tributário Nacional; 8) A prova material em que se baseou o lançamento foi o batimento entre a folha de pagamento, a GFIP e a DIRF onde foram encontrados beneficiários que não estavam declarados em GFIP e não constavam das folhas de pagamento. O sujeito passivo foi cientificado do resultado da diligência fiscal em 03/04/2014 (AR à fl. 288). Embora cientificado, o sujeito passivo não se manifestou nos autos." Em seu recurso reprisa os fundamentos da impugnação. Compulsando os autos, verificamos a existência de ofício da PGFN informando a respeito de possível concomitância de processo judicial, porém não juntou as peças para confirmação do alegado. É o relatório. VOTO Conselheiro - Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Partindo da informação apresentada pela PGFN, consultamos o site da Justiça Federal de Minas Gerais - TRF1 e verificando a existência do citado processo. A página de consulta indica que a demanda abrange os processos administrativos tributários de nº 13603724185201246, 13603724037201221, 13603724038201276, 13603724043201289, 13603724181201268, 13603724182201211, 13603724183201257, 13603724184201200, 13603724186201291. Apesar de parecer verossímil a alegação de existência de concomitância informada pela PGFN, por não constar dos autos, deste processo administrativo, as cópias integrais do referido processo judicial ou mesmo da inicial, não é possível, com segurança, afirmar que exista identidade de objeto, causa de pedir e pedido, tendo por conseqüência a declaração de desistência da via administrativa. Considerando que a demanda ora analisada não versa exclusivamente sobre os créditos em si, abrangendo também a questão de existência de solidariedade entre os participantes do grupo econômico, caso a discussão judicial verse apenas quanto aos créditos, sem tratar da discussão de solidariedade, está deverá ser objeto de analise por este colegiado. Ainda, sem as peças não é possível nem mesmo afirmar que existe concomitância, eis que, a mera alegação da PGFN de que a matéria discutida refere-se ao cancelamento dos respectivos lançamentos desacompanhada de provas não é suficiente para formar o convencimento deste relator.

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2402­000.595  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  04 de abril de 2017  Assunto  SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Recorrente  URB TOPO ENGENHARIA E CONSTRUCOES LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos apontados pelo Relator.     (assinado digitalmente)  Kleber Ferreira de Araújo ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Jamed Abdul Nasser Feitoza ­ Relator    Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo,  Ronnie Soares Anderson, Tulio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário  Pereira  de  Pinho  Filho,  Bianca  Felícia  Rothschild,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci  e  Jamed  Abdul Nasser Feitoza.       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 24 18 4/ 20 12 -0 0 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13603.724184/2012­00  Resolução nº  2402­000.595  S2­C4T2  Fl. 338          2 RELATÓRIO  Trata­se  de  Recurso  Voluntário,  contra  Acórdão  da  DRJ/SDR  que,  por  unanimidade, decidiram por manter a integralidade do crédito apurado nos Autos de Infração  integrantes do processo nº 13603.724184/2012­00.  Por bem retratar o corrido na demanda, adotaremos parte do relatório da decisão  recorrida:  "Trata­se  de  processo  que  inclui  o  Auto  de  Infração  (AI)  lavrado  em  23/12/2012  por  descumprimento  de  obrigações  tributárias  principais,  sob  o  seguinte DEBCAD nº: 37.353.369­1.  A ação fiscal foi autorizada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal ­  MPF nº 061.1000.2012.00483, código de acesso 91732816, e iniciada com o  Termo de  Início  de Procedimento Fiscal  – TIPF,  cientificado  pessoalmente  pelo contribuinte.  Consta ainda do Relatório Fiscal que:  O  Auto  de  Infração  DEBCAD  n°  37.353.369­1  contém  os  seguintes  Levantamentos discriminados a seguir:  a)  Levantamentos  AB  e  AB2,  discriminados  na  planilha  número  2  denominada SALÁRIOS CONFORME DIRF, os quais foram arbitrados pela  fiscalização,  pois  são  valores  de  remunerações  declarados  pelo  sujeito  passivo  por  meio  da  Declaração  do  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  ­  DIRF  e  não  incluídos  em  folhas  de  pagamento  e  na  GFIP,  conforme  discriminados no correspondente Discriminativo de Débito ­ DD;  b)  Levantamentos  AK  e  AK2,  discriminados  na  planilha  número  11  denominada DIRF MAIOR QUE FP SE e no correspondente Discriminativo  de Débito ­ DD;  tais remunerações foram arbitradas pela fiscalização, por meio do confronto  entre  os  valores  pagos  aos  segurados  empregados  apurados  por  meio  do  exame  das  folhas  de  pagamento  de  salário  exibidas  em  arquivo  digital  no  formato  MANAD,  discriminados  na  planilha  e  os  valores  declarados  pelo  sujeito  passivo  em  DIRF  para  os  mesmos  empregados,  também  discriminados na citada planilha;  2) Os arbitramentos realizados pela fiscalização e descritos nas alíneas acima  estão em conformidade com o estipulado no parágrafo 3° do artigo 33 da Lei  n° 8.212/1991.  A  empresa  URB  Topo  Engenharia  e  Construções  Ltda  foi  cientificada  do  lançamento  por  via  postal  em  03  de  janeiro  de  2013,  conforme  Aviso  de  Recebimento à fl. 105.  Em 01 de fevereiro de 2013, apresenta impugnação, alegando, em síntese, o  que se relata a seguir.  Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13603.724184/2012­00  Resolução nº  2402­000.595  S2­C4T2  Fl. 339          3 Da  inexistência  de  solidariedade.  A  fiscalização,  após  apurar  supostas  inconsistências  na  RAIS,  imputou  responsabilidade  solidária  à  URB  Mix  Concreto  Ltda, Consórcio URB Topo Marins, WIR Feira Shopping  Ltda  –  ME, URBENG Engenharia e  Incorporações Ltda e URB Trans Transportes  Gerais  Ltda,  sem,  contudo,  apontar,  na  verdade,  os  motivos  jurídicos  e  fáticos. Simplesmente, o agente fiscalizador entendeu pela existência de um  grupo  econômico  de  fato,  sob  o  seu  pseudo  fundamento  de  que  se  estaria  diante  de  um  grupo  de  empresas  com  direção,  controle  e  administração  exercidos direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. O trabalho  fiscal  deveria  ter  sido  conduzido  de  maneira  mais  aprofundada,  pautando  pela verdade,  no  sentido  de  realmente  apurar  a  existência  ou  não  de  grupo  econômico de fato e, mais, deveria ter procedido à leitura dos fatos à luz das  regras  tributárias,  notadamente  o  art.  128,  do  CTN,  que  é  o  pilar  de  sustentação  de  toda  a  responsabilização  tributária,  eis  que  dele  se  denota  a  existência  de  condição  sine  qua  non  à  solidariedade  ­  vinculação  ao  fato  gerador  praticado.  Ou  seja,  só  se  pode  admitir  a  imposição  de  responsabilidade a terceiro quando este necessariamente mantiver vinculação  com o fato imponível. Em outras palavras, imputar responsabilidade solidária  a determinada pessoa não praticante do fato gerador requer que esse terceiro  tenha  controle  da  situação,  inclusive  para  até mesmo  impedir  a  sua  prática  por  parte  do  sujeito  passivo.  Em  primeiro  lugar,  como  pode  haver  grupo  econômico  de  fato  entre  o  contribuinte  e  a  URB Mix  Concreto  Ltda  se  a  mesma  não  gera  faturamento  algum desde  2007,  não  contrata  empregados,  não  realiza  qualquer  tipo  de  atividade?  Em  segundo  lugar,  a  WIR  Feira  Shopping Ltda possui objeto social completamente distinto do praticado pelo  contribuinte, conforme demonstra o seu contrato social. Em terceiro lugar, o  Consórcio Urb Topo Marins, como a própria razão social indica, trata­se de  uma  Sociedade  de  Propósito  Específico  ­  SPE  criada  finalisticamente  para  atender  um  determinado  evento  (obra  específica),  que  inclusive  será  formalmente  encerrada  após  a  conclusão  do  contrato. Despiciendo  lembrar  que  “consórcio”  é um  tipo  societário  sui  generis,  já  que nesse  não  há  uma  corporificação,  eis  que  ambas  as  empresas  consorciada  simplesmente  envidam esforços mútuos, estrutura e mão de obra próprias para a realização  daquela  específica  atividade.  Além  disso,  o  art.  30,  inciso  IX,  da  Lei  nº  8212/1991 carece ser interpretado à luz da regra contida no art. 128, do CTN.  Nesse  sentido,  os  incisos  do  art.  124,  do  CTN,  ao  dispor  sobre  a  solidariedade, devem ser interpretados à luz da regra insculpida no art. 128,  do  mesmo  Repositório  Tributário.  Inclusive,  o  inciso  II,  que  descreve  a  solidariedade  entre  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal,  deve  ser  interpretado  abstraindo­se  quaisquer  tipos  de  interesses  econômicos  no  fato  gerador,  eis  que apenas deverá ser observada a existência ou não da prática de condutas  concomitantes.  Em  outras  palavras,  somente  quando  o  fato  gerador  seja  praticado  por mais  de  uma  pessoa  (contribuinte)  é  que  haverá  o  “interesse  comum” exigido pelo inciso II, do art. 124, do CTN.  Ademais,  salvo  nas  hipóteses  de  simulação,  fraude  ou  de  qualquer  outro  ardil,  as  relações  jurídicas  travadas  por  uma  sociedade  não  interferem  na  esfera  jurídica  das  demais  sociedades  do  grupo.  Sim,  somente  quando  presentes  os  motivos  que  possam  ensejar  a  superação  episódica  da  Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13603.724184/2012­00  Resolução nº  2402­000.595  S2­C4T2  Fl. 340          4 personalidade  jurídica  é  que  se  admite  a  responsabilização  às  demais  sociedades  integrantes  do  grupo,  sem  necessidade  da  presença  de  outros  requisitos,  conforme,  aliás,  já  decidiu  o  STJ  (STJ  3ª  Turma,  REsp  228.357/SP,  Rel.  Min.  Castro  Filho,  2003).  A  sociedade  que  domine  a  direção  unitária  do  grupo  apenas  define  questões  estratégicas,  mas  não  desenvolvem  concretamente  o  objeto  social  das  demais  sociedades,  não  se  vinculando aos  fatos geradores  realizados. A atribuição de responsabilidade  solidária  é  permitida  quando  a  direção  do  grupo,  além  de  decidir  pela  realização  do  fato  gerador  em  si,  igualmente  exerce  a  atividade  tributária  (cumprimento das obrigações principal e acessória). Portanto, mister se faz a  presença  da  competência  decisória  concreta  e  não  em  função  de  simplesmente pertencer  ao  grupo,  sob pena de violar o preceito  contido  no  art. 128, do CTN. Simples interesse econômico não justifica a imputação de  solidariedade. O ônus de fazer tais provas pertence unicamente ao fisco ex vi  do art. 142 e 149, do CTN. E inexiste nos presentes autos qualquer elemento  concreto de prova que possa validamente atribuir  responsabilidade solidária  às  empresas  retro  citadas.  Diante  dos  fatos,  é  medida  imperativa  o  cancelamento  da  solidariedade  imputada  às  sociedades URB Mix Concreto  Ltda,  Consórcio  URB  Topo  Marins,  WIR  Feira  Shopping  Ltda–  ME,  URBENG Engenharia e Incorporações Ltda e URB Trans Transportes Gerais  Ltda.  Do caráter pessoal atribuído às infrações. Outro aspecto que merece destaque  é a ilegalidade em se exigir das empresas tidas como solidárias o pagamento  da multa pelo não recolhimento  tributário.  Isso porque a multa nada mais é  do  que  uma  sanção  (condenação)  pelo  descumprimento  de  determinada  obrigação.  A multa  exigida  em  razão  de  uma  infração  tributária  não  pode  validamente  ser  exigida  daquelas  empresas  que  não  praticaram  de  per  si  o  fato gerador, ainda que existisse um grupo formalmente organizado, eis que  faltará o nexo de causalidade, motivo pelo qual apenas a sociedade infratora é  quem poderá  ser apenada. Assim,  tendo em vista o caráter pessoal da pena  prevista  no  art.  5º,  inciso XLV,  da CF/88,  em  caso  de  descumprimento  de  obrigação  tributária,  tão  somente  ao  contribuinte  (aquele  que  pratica  o  fato  gerador) é que poderá ser imputado o ônus de pagar as multas exigidas pela  legislação.  Portanto,as  multas,  se  porventura  devidas,  somente  poderão  ser  exigidas do contribuinte.  Da  regra  do  art.  123  do  CTN  às  avessas.  A  forma  com  que  o  fisco  está  atribuindo responsabilidade solidária às demais empresas nada mais é do que  aplicar às avessas a regra estatuída no art. 123, do CTN. Portanto, se, salvo  disposição  legal  em  contrário,  não  podem  os  contribuintes  alterar  por  convenção particular as regras tributárias relativas à definição legal do sujeito  passivo, da mesma forma não pode o fisco se valer pura e simplesmente dos  instrumentos  societários  para  sobretudo  impingir  solidariedade passiva  fora  pelo princípio da pessoalidade das sanções.  Em 05 de fevereiro de 2014 foi solicitada diligência fiscal pela 7ª Turma da  DRJ/SDR  (fls.  277­278),  com  a  finalidade  de  justificação  do  método  (aferição indireta)  Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13603.724184/2012­00  Resolução nº  2402­000.595  S2­C4T2  Fl. 341          5 utilizado para a apuração do crédito sob exame.  Em  atendimento  à  diligência  solicitada,  a  Fiscalização  lavra  Informação  Fiscal, datada de 06 de março de 2014, aduzindo, em síntese o que segue:  1)  No  Relatório  Fiscal  referente  ao  processo  acima  mencionado  está  informado que há salários de contribuições pagos a segurados empregados e  a  contribuinte  individual  não  declarados  em  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social  ­ GFIP ­ itens 2 (fls. 18);  2) A Fiscalização após examinar, como está legalmente autorizada, as DIRF  da Autuada e confrontar os valores por ela declarados com os declarados em  GFIP e nas folhas de pagamento de salários, constatou divergências entre tais  valores;  assim  a  intimou  para  apresentar  os  esclarecimentos  conforme  comprovado por meio do Termo de  Intimação Fiscal  ­ TIF  n° 01  ­  item 8,  recebido pela autuada em 19/11/2012, conforme cópia do mesmo anexada ao  processo acima referenciado (fls. 52). Assim, os créditos arbitrados conforme  as  remunerações  insertas na Declaração do  Imposto de Renda ­ DIRF, só o  foram após a intimação citada ter sido atendida sem que a Autuada lograsse  esclarecer a respeito das diferenças apuradas;  3)  A  Fiscalização  constatou  que  a  Autuada  utiliza  para  os  valores  de  remunerações declarados em DIRF o regime de caixa e, portanto os valores  referentes  a  pagamentos  realizados  em  10/2009  são  declarados  na  competência  09/2009  para  efeitos  previdenciários  (folha  de  pagamento  e  GFIP) e na competência 10/2009 para a DIRF;  4) Há que se considerar que o arbitramento da remuneração paga, devida ou  creditada  a  empregado  justifica­se  quando,  a  partir  de  informações  obtidas  em fontes  internas  (sistemas corporativo da RFB,  subsídio  fiscal, processos  de  restituição)  e/ou  fontes  externas  confiáveis  (Justiça  do  Trabalho,  Sindicatos),  o  auditor­fiscal  firmar  convicção  de  que  a  contabilidade  não  registra o movimento real da remuneração dos empregados do sujeito passivo  ou  os  documentos  do  sujeito  passivo  registram  remuneração  inferior  à  efetivamente paga;  5)  Há  que  se  considerar  que  nas  empresas  em  geral,  o  arbitramento  da  remuneração de empregados pode ser realizado com fundamento na base de  cálculo do  imposto de  renda  retido na  fonte obtida na DIRF,  sendo que no  caso  presente  o  foi  apenas  após  a  autuada  ter  sido  intimada  a  apresentar  o  motivo de haver divergências de valores (FP X GFIP X DIRF);  6) Há que se considerar que os livros contábeis e fiscais do sujeito passivo e  de terceiros geralmente são fontes importantes de comprovação da ocorrência  de  infração  tributária. A  infração pode ser verificada diretamente nos  livros  ou por meio do confronto entre livros e outros documentos. O Auditor­Fiscal  deve  juntar  todos  os  elementos  necessários  à  comprovação  da  infração,  demonstrando  no  processo  a  escrituração  feita  nos  livros  ou  a  omissão  de  registro  obrigatório.  A  Fiscalização  examinou  sim  a  contabilidade  da  Autuada,  tanto  que  apurou  fatos  geradores  de  contribuições  não  declaradas  Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13603.724184/2012­00  Resolução nº  2402­000.595  S2­C4T2  Fl. 342          6 em GFIP  na  escrituração  contábil,  conforme  consta  no Relatório  Fiscal  do  processo  número  13603724043/2012­89. A Fiscalização  considerou  ser  seu  dever,  além  de  examinar  a  escrituração  contábil,  questionar  a  Autuada  a  respeito  de  possíveis  fatos  geradores  existentes  em  outras  fontes  de  informações  disponíveis  e  só  promover  as  devidas  autuações  após  ter  intimado  a  empresa  sem  que  a mesma  lograsse  elidir  a  existência  de  fatos  geradores não escriturados, não declarados em GFIP e não lançados em folha  de pagamento. Em resumo, a fiscalização considera que não pode se omitir,  apesar  de  examinar  a  escrituração  contábil,  de  apurar  fatos  geradores  existentes em outros livros e documentos e não oferecidos à  tributação pela  empresa;  7)  Há  que  se  considerar  que  verificada  a  constatação  das  diferenças  de  remunerações, ou seja, fato gerador da contribuição previdenciária, mediante  o  confronto  das  folhas  de pagamento  com  as  declarações, DIRF  e GFIP,  e  não  sendo  esclarecidas  pela  empresa  fiscalizada,  a  autoridade  lançadora  afirma que agiu com acerto e de acordo com as normas vigentes, vez que o  ato administrativo é vinculado, nos termos do que disciplina o artigo 142 do  CTN ­ Código Tributário Nacional;  8) A prova material em que se baseou o lançamento foi o batimento entre a  folha de pagamento, a GFIP e a DIRF onde foram encontrados beneficiários  que  não  estavam  declarados  em  GFIP  e  não  constavam  das  folhas  de  pagamento.  O  sujeito  passivo  foi  cientificado  do  resultado  da  diligência  fiscal  em  03/04/2014  (AR  à  fl.  288).  Embora  cientificado,  o  sujeito  passivo  não  se  manifestou nos autos."  Em seu recurso reprisa os fundamentos da impugnação.  Compulsando os autos, verificamos a existência de ofício da PGFN informando  a  respeito  de  possível  concomitância  de  processo  judicial,  porém  não  juntou  as  peças  para  confirmação do alegado.  É o relatório.     Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13603.724184/2012­00  Resolução nº  2402­000.595  S2­C4T2  Fl. 343          7 VOTO  Conselheiro ­ Jamed Abdul Nasser Feitoza ­ Relator  Partindo da  informação  apresentada pela PGFN,  consultamos o  site da  Justiça  Federal de Minas Gerais ­ TRF1 e verificando a existência do citado processo.  A  página  de  consulta  indica  que  a  demanda  abrange  os  processos  administrativos  tributários  de  nº  13603724185201246,  13603724037201221,  13603724038201276,  13603724043201289,  13603724181201268,  13603724182201211,  13603724183201257, 13603724184201200, 13603724186201291.  Apesar  de  parecer  verossímil  a  alegação  de  existência  de  concomitância  informada  pela  PGFN,  por  não  constar  dos  autos,  deste  processo  administrativo,  as  cópias  integrais  do  referido  processo  judicial  ou mesmo  da  inicial,  não  é  possível,  com  segurança,  afirmar  que  exista  identidade  de  objeto,  causa  de  pedir  e  pedido,  tendo  por  conseqüência  a  declaração de desistência da via administrativa.  Considerando que a demanda ora analisada não versa exclusivamente sobre os  créditos  em  si,  abrangendo  também  a  questão  de  existência  de  solidariedade  entre  os  participantes do grupo econômico, caso a discussão judicial verse apenas quanto aos créditos,  sem tratar da discussão de solidariedade, está deverá ser objeto de analise por este colegiado.  Ainda,  sem  as  peças  não  é  possível  nem  mesmo  afirmar  que  existe  concomitância,  eis  que,  a  mera  alegação  da  PGFN  de  que  a  matéria  discutida  refere­se  ao  cancelamento  dos  respectivos  lançamentos  desacompanhada  de  provas  não  é  suficiente  para  formar o convencimento deste relator.   Conclusão  Diante  do  exposto,  voto  por  converter  o  julgamento  em  diligência,  a  fim  de  determinar que sejam tomadas as providências necessárias para a juntada aos autos das peças  da Ação Ordinária nº 32699­66.2016.4.601.3800, em especial a sua petição inicial, a sentença,  as eventuais peças recursais, bem como as decisões possivelmente proferidas em grau recursal.,  informando,  ainda,  se  propôs  qualquer  outra  ação  cuja  objeto  possa  coincidir  com  o  objeto  deste processo administrativo.    (assinado digitalmente)  Jamed Abdul Nasser Feitoza   Fl. 343DF CARF MF

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