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Numero do processo: 10880.679904/2009-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/12/2004
PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de repetição de indébito/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. A mera apresentação de DCTF retificadora, desacompanhada de provas quanto ao valor retificado, não tem o condão de reverter o ônus da prova.
Numero da decisão: 9303-008.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de repetição de indébito/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. A mera apresentação de DCTF retificadora, desacompanhada de provas quanto ao valor retificado, não tem o condão de reverter o ônus da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 99 04 /2 00 9- 02 Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 9303008.691 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de valores recolhidos da CIDE, cujo pagamento deuse em 15/12/2004. De acordo com o contribuinte o valor recolhido não seria devido em decorrência de erro na apuração da contribuição devida sobre remessas efetuadas ao exterior a título de royalties, pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Seu pedido de restituição veio acompanhado de declaração de compensação com valores devidos de outros tributos. Seu pedido foi indeferido por meio de despacho decisório eletrônico, no qual se acusou em síntese a inexistência de crédito a favor do contribuinte. Em sua manifestação de inconformidade ele informa que os créditos não foram localizados em decorrência da falta de retificação de sua DCTF, na qual havia confessado os débitos correspondentes à CIDE. Para suprir esta deficiência, o contribuinte efetuou a retificação de sua DCTF apresentando sua cópia no presente processo. Ao julgar sua manifestação de inconformidade, a 5ª turma da DRJ/SP1, proferiu o acórdão nº 1627.135, de 20/10/2010, efl. 64 e seg., por meio do qual a turma julgadora por unanimidade de votos, indeferiu o pleito do contribuinte. O principal fundamento foi que a simples retificação da DCTF, por si só, não faz prova do indébito tributário. Decidiu ainda que é ônus do contribuinte fazer prova de seu suposto direito de restituição. Apresentado recurso voluntário, com a mesma argumentação posta em sua manifestação de inconformidade, resolveu a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, também por unanimidade de votos, negarlhe provimento. Acórdão nº 3402 004863, de 30/01/2018, cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/12/2004 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 9303008.691 CSRFT3 Fl. 4 3 o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. Inconformado, o contribuinte apresentou então recurso especial de divergência com o objetivo de que fosse reapreciada a seguinte matéria: "ônus da prova dos fatos consignados em DCTF retificadora". Foi indicado como paradigma da divergência o acórdão nº 330201406. O presidente da 4ª Câmara negou seguimento ao recurso especial, em razão de que o recorrente não teria demonstrado a legislação que estaria sendo interpretada de forma divergente. O contribuinte apresentou agravo, o qual foi acatado pela presidente da 3ª CSRF, dando seguimento ao recurso especial. Em contrarrazões a Fazenda Nacional pede o improvimento do recurso especial. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 9303008.691 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Relator O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. Em questões fáticas semelhantes, o acórdão paradigma, que é do próprio contribuinte, acatou a tese de que, com a apresentação da da DCTF retificadora, o ônus de provar a inexistência do indébito é transferido para a administração tributária. Veja como o acórdão paradigma decidiu a questão: (...) O acórdão de primeira instância considerou não demonstrado o direito de crédito, no que tem razão, mas, com a retificadora, o ônus de prova não era mais do sujeito passivo. Dessa forma, tal indébito tem que ser devidamente apurado pela autoridade fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a compensação. Assim, os autos devem retornar à delegacia de origem, para que o fisco apure os indébitos, mediante procedimento de diligência, para, então, o parecer ser submetido ao exame da seção competente da delegacia de origem, que deve novamente apreciar a compensação. (...) Não concordo com a decisão paradigmática. Como relatado, estamos diante de um pedido de restituição. O contribuinte apurou o tributo devido, no caso a CIDE Remessas, confessou em DCTF ser a mesma devida, efetuou o seu pagamento. Passado um tempo, sem que tenha apresentado qualquer elemento comprobatório de que a contribuição não era devida, pede restituição e simutaneamente quita outros tributos devidos. Alertado pelo despacho decisório da inexistência do crédito, sua atitude resumese a efetuar a retificação da DCTF. Alertado novamente, desta vez com veemência, pela decisão da DRJ/SP1, outra vez repete a informação que para comprovar o seu crédito, basta a apresentação da declaração retificadora, ou seja, basta a sua palavra, não precisa de elementos probantes de que a CIDE não era devida. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 9303008.691 CSRFT3 Fl. 6 5 Efetivamente não consigo compreender a razão pela qual o contribuinte tenta obter o reconhecimento de um direito creditório contra a Fazenda Nacional sem a apresentação de provas mínimas do seu direito. As provas decorrem de documentos que deveriam estar na posse do contribuinte. Porquê não apresentálos? Com o devido respeito, até o momento o único elemento apresentado são as declarações que são de sua própria autoria, ou seja, ele quer forçar uma restituição, uma devolução de dinheiro ingressado aos cofres públicos, oferecendo como elemento de prova a sua própria palavra. Por economia processual, adoto ainda como razões de decidir o acórdão nº 9303008146, da lavra do ilustre relator Jorge Olmiro Lock Freire, decidido por unanimidade nesta turma, em sessão de 21/02/2019, no qual a discussão travada era exatamente a mesma em recurso do mesmo contribuinte do presente processo. Transcrevo abaixo o voto: (...) A questão é exclusivamente de direito, e, mais especificamente, em quem recai o ônus da prova em processos de repetição de indébito/compensação. O pleito do contribuinte é absolutamente ilíquido. Vejase o que alegou em sua manifestação de inconformidade, quando restou delimitada a lide: Com efeito, a partir de meados de 2006, a Impugnante constatou ter efetuado o recolhimento a maior de inúmeros impostos e contribuições incidentes sobre operações de remessa ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computados, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004. Assim é que, por possuir elevada quantia creditícia perante a RFB a título de IRRF, CIDE, PISimportação, COFINS importação, a Impugnante optou por quitar débitos de COFINS (código de receita 2172), referentes ao período de apuração do anocalendário de 2006 e 2007, mediante procedimento de compensação com os créditos mencionados. ... Assim, como base nessas alegações absolutamente genéricas quanto aos fatos supostamente ensejadores dos indébitos, o contribuinte, consoante informado em sua peça contestatória vestibular, teria procedido a outros 147 pedidos de repetição/compensação. Ou seja, uma empresa do porte da recorrente alega ter créditos absolutamente ilíquidos, retifica sua DCTF e avisa, Fisco trate de provar o que eu estou declarando. Com a devida vênia, chega a ser risível a postura da recorrente, para dizer o mínimo. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 9303008.691 CSRFT3 Fl. 7 6 Esta Turma tem firme jurisprudência em casos de repetição/ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação, que o ônus da prova é do contribuinte. E isso tem como fundamento jurídico o art. 373 do vigente CPC, que dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; E o contribuinte alega ainda vício no despacho decisório que denegou o pedido justamente pela sua total iliquidez ante a absoluta ausência de comprovação do crédito alegado. Portanto, absolutamente descabido o argumento de que ao retificar a DCTF, desacompanha de qualquer elemento probatório do alegado direito, o ônus probatório fica revertido, tendo o Fisco que provar que o direito alegado é bom. Como já decidimos em variados julgados, nada obsta à retificação das DCTF, mesmo que efetuada após o despacho decisório, mas, porém, ela por si só não tem o condão de comprovar o alegado indébito. Vejase, a propósito, decisão unânime em que a ora recorrente era parte no Acórdão 9303006.937, de 13/08/2018, de relatoria da Dra. Érika Costa Camargo Autran: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. O decidido no Acórdão 9303007.458, de 20/09/2018, de minha relatoria, perfilhou mesmo entendimento. Vejase sua ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDA O PLEITO. Cabe ao interessado a prova dos fatos constitutivos de seu direito em pedido de ressarcimento, cumulado ou não com declaração de compensação. Recurso Especial do Procurador parcialmente provido. Portanto, escorreita a r. decisão, a qual deve ser mantida. (...) Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10880.679904/200902 Acórdão n.º 9303008.691 CSRFT3 Fl. 8 7 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.014479/2002-30
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2000
CPMF. LANÇAMENTO. PROVA. INVERSÃO. INEXISTÊNCIA.
Para efeito do lançamento da CPMF não retida por medida judicial, as informações detalhadas prestadas pelas instituições financeiras são prova suficiente a ensejar a autuação, cabendo ao contribuinte demonstrar a inexistência da ação, da determinação de não retenção ou da inocorrência dos fatos geradores.
MULTA DE OFICIO. CONFISCO. JUROS DE MORA. SELIC.
ILEGALIDADE. MATÉRIAS SUMULADAS. INDEFERIMENTO SUMÁRIO.
Indeferem-se sumariamente as alegações relativas a matérias sumuladas pelo 22-Conselho de Contribuintes.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU
TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA
FINANCEIRA - CPMF
Período de apuração: 01/07/1999 a 31/10/2000
RETENÇÃO POR INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. MEDIDA JUDICIAL
IMPEDITIVA. CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA.
O lançamento da CPMF deve ser efetuado contra o contribuinte que tenha apresentado ação judicial no âmbito da qual tenha sido expedida medida judicial impeditiva da retenção da contribuição pela instituição financeira responsável, em face da responsabilidade supletiva prevista em lei.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2102-000.004
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: JOSÉ ANTONIO FERNANDES
1.0 = *:*
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materia_s : CPMF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2000 CPMF. LANÇAMENTO. PROVA. INVERSÃO. INEXISTÊNCIA. Para efeito do lançamento da CPMF não retida por medida judicial, as informações detalhadas prestadas pelas instituições financeiras são prova suficiente a ensejar a autuação, cabendo ao contribuinte demonstrar a inexistência da ação, da determinação de não retenção ou da inocorrência dos fatos geradores. MULTA DE OFICIO. CONFISCO. JUROS DE MORA. SELIC. ILEGALIDADE. MATÉRIAS SUMULADAS. INDEFERIMENTO SUMÁRIO. Indeferem-se sumariamente as alegações relativas a matérias sumuladas pelo 22-Conselho de Contribuintes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Período de apuração: 01/07/1999 a 31/10/2000 RETENÇÃO POR INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. MEDIDA JUDICIAL IMPEDITIVA. CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. O lançamento da CPMF deve ser efetuado contra o contribuinte que tenha apresentado ação judicial no âmbito da qual tenha sido expedida medida judicial impeditiva da retenção da contribuição pela instituição financeira responsável, em face da responsabilidade supletiva prevista em lei. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-30T11:13:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-30T11:13:50Z; Last-Modified: 2009-09-30T11:13:50Z; dcterms:modified: 2009-09-30T11:13:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-30T11:13:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-30T11:13:50Z; meta:save-date: 2009-09-30T11:13:50Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-30T11:13:50Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-30T11:13:50Z; created: 2009-09-30T11:13:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-09-30T11:13:50Z; pdf:charsPerPage: 1654; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-30T11:13:50Z | Conteúdo => S2-C1T2 - Fl. 100 MINISTÉRIO DA FAZENDA - ''''' VS0 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS . ` iiv) .'-• ,.,,, SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10480.014479/2002-30 Recurso n" 137.270 Voluntário Acórdão n" 2102-00.004 — 1" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 04 de março de 2009 Matéria CPMF Recorrente MONTEIRO E MONTEIRO ADVOGADOS ASSOCIADOS S/C Recorrida DRJ em Recife - PE ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1999 a 31/12/2000 CPMF. LANÇAMENTO. PROVA. INVERSÃO. INEXISTÊNCIA. Para efeito do lançamento da CPMF não retida por medida judicial, as informações detalhadas prestadas pelas instituições financeiras são prova suficiente a ensejar a autuação, cabendo ao contribuinte demonstrar a inexistência da ação, da determinação de não retenção ou da inocorrência dos fatos geradores. MULTA DE OFICIO. CONFISCO. JUROS DE MORA. SELIC. ILEGALIDADE. MATÉRIAS SUMULADAS. INDEFERIMENTO SUMÁRIO. Indeferem-se sumariamente as alegações relativas a matérias sumuladas pelo 22-Conselho de Contribuintes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Período de apuração: 01/07/1999 a 31/10/2000 RETENÇÃO POR INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. MEDIDA JUDICIAL IMPEDITIVA. CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. O lançamento da CPMF deve ser efetuado contra o contribuinte que tenha apresentado ação judicial no âmbito da qual tenha sido expedida medida judicial impeditiva da retenção da contribuição pela instituição financeira responsável, em face da responsabilidade supletiva prevista em lei. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. o Processo n" 10480.014479/2002-30 S2-CIT2 Acórdào n." 2102-00.004 Fl. 101 " ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. 4 eft0AX4°1/ • •SE A MARIA COELHO MARQUES Presidente JO"NIO FRANCISCO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Mauricio Taveira e Silva, Roberto Velloso (Suplente), Ivan Allegretti (Suplente) e Gileno Gudão Barreto. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 73 a 85) apresentado em 17 de março de 2006 contra o Acórdão n2 13.329, de 16 de setembro de 2005, da DRJ em Recife - PE (tis. 59 a 67), do qual tomou ciência a interessada em 16 de fevereiro de 2006 e que, relativamente a auto de infração de CPMF de períodos situados entre julho de 1999 e outubro de 2000, considerou procedente o lançamento. O auto de infração foi lavrado em 23 de outubro de 2002 e, segundo o termo de 11 4, os valores da apuração foram informados pelas instituição financeiras responsáveis pela retenção da contribuição, em face de haver decisão judicial impeditiva da retenção. Na impugnação, a interessada alegou ser ilegal a incidência de CPMF na baixa de aplicações financeiras, ser contiscatória a multa aplicada e ser ilegal a exigência de juros com base na taxa Selic. A primeira instância considerou não ser nulo o auto de infração e haver responsabilidade supletiva do contribuinte em relação à retenção a cujo impedimento tenha dado causa. Ademais, a duplicidade de incidência que ocorreria em face da baixa de aplicação financeira não teria sido demonstrada. No recurso, a interessada alegou que o fato de o Acórdão haver-lhe imputado o ônus de prova sobre o fato que teria dado origem à exigência demonstraria a nulidade da autuação, em face do art. 10, III, do Decreto ri2 70.235, de 1972. 2 Processo n" I 0480.0 I 4479/2002-3(1 S2-CI1'2 Acórdào n." 2102-00.004 Fl. 102 Reafirmou a ilegalidade da incidência sobre o resgate das aplicações, asseverando que os valores seriam objeto de tributação na movimentação relativa à aplicação, e repetiu os argumentos contrários à multa e aos juros de mora. É o Relatório. Voto Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. As alegações da interessada versam sobre a nulidade da autuação, a ilegalidade da incidência da CPMF no resgate de aplicações, a confiseatoriedade da multa, a ilegalidade da exigência de juros com base na Selic e a nulidade do Acórdão de primeira instância, por haver supostamente invertido o ônus da prova sobre os fatos que deram origem à autuação. Muito embora o auto de infração não tenha especificado as ações judiciais, especificou as instituições financeiras que prestaram as informações à Receita Federal. Mas em relação às nulidades, a interessada não fez alegações diretamente contrárias ao que foi afirmado no auto de infração em relação a haver movido ação judicial contra a incidência da contribuição, cujo efeito foi de impedir as instituições financeiras de efetuar as retenções no vencimento legal. Entretanto, uma breve consulta ao sítio da Justiça Federal de Pernambuco na Internet (www.jfpe.gov.br) permite constatar que a interessada apresentou o Mandado de Segurança n2 99.0008399-7 contra a exigência da CPMF, com sentença denegatória da segurança publicada em abril de 2000, o que é compatível com a situação encontrada nos autos. Entretanto, embora conhecesse tais fatos, a interessada não apresentou documentação alguma para demonstrar que os valores devidos da contribuição deixaram de ser recolhidos em função de tal ação judicial ou de outra em que tenha constestado a exigência da contribuição. Ademais, não se trata apenas de inversão de ônus de prova, mas de informação obtida das instituições financeiras, com detalhes a respeito do contribuinte e dos fatos geradores ocorridos, o que exigiria muito mais do que alegações vazias de comprovação para serem contestadas. Em relação ao restante do alegado e especialmente à nulidade da autuação e à responsabiliade supletiva do contribuinte, adoto, com fulcro no art. 50, § 1 52 , da Lei n2 9.784/1999, os demais fundamentos do Acórdão de primeira instância. Quanto à multa de oficio e aos juros de mora, aplicam-se as seguintes súmulas deste 2 9- Conselho de Contribuintes, aprovadas em sessão plenária de 18 de setembro de 2007: 1\ 3 Processo n" 10480.014479/2002-30 S2-C112 Acórdão n." 2102-00.004 Fl. 103 • "Súmula n" 2: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula n°3.' É cabível a cobrança de furos de mora sobre os débitos para CO)?! a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos Jederais.'' À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 04 de março de 2009. A/fe JO‘ NIO FRANCISCO 40k) 4
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001700/2004-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS - São tributáveis os rendimentos recebidos de pessoas físicas a título de honorários, pela
prestação de serviços advocatícios. A efetividade da transferência financeira dos recursos dos contratantes para o contratado não é condição necessária para a comprovação do recebimento de honorários, quando os contratos de prestação de serviços, os recibos fornecidos aos contratantes, bem como as
declarações dos clientes atestam a efetividade da prestação dos serviços e a correspondente remuneração.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.242
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Maria Helena Cotta Cardozo
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A efetividade da transferência financeira dos recursos dos contratantes para o contratado não é condição necessária para a comprovação do recebimento de honorários, quando os contratos de prestação de serviços, os recibos fornecidos aos contratantes, bem como as declarações dos clientes atestam a efetividade da prestação dos serviços e a correspondente remuneração. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora EDITADO EM: 17/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Alexandre Naoki Nishioka, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 197 a 207, tendo em vista a apuração de omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas. O imposto foi cobrado acrescido de multa de ofício de 150% e multa isolada do carnêleão, também no percentual de 150%. Além disso, foram cobradas multas isoladas pela falta de recolhimento do carnêleão, no percentual de 75%, relativamente aos rendimentos declarados pelo contribuinte. A autuação foi assim resumida: “O contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual ano calendário de 1999 informa o valor de R$ 167.000,00 como rendimento tributável recebido de pessoa física. Sendo o contribuinte o patrono da ação de isonomia até o ano de 2002, conforme demonstra a alteração de contrato de honorários, que efetivamente os servidores da DPF sofreram os descontos dos valores ajustados como honorários e que a FENAPF funciona como mera repassadora desses recursos ao contribuinte, este deveria oferecer tais valores a tributação, tendo em vista que o art. 37 do RIR /1999, aprovado pelo Decreto n° 3000, com base legal no art.3°, § 1° da Lei n° 7.713/1988, estabelece que são tributáveis os rendimentos de todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos. Entretanto, ele não o fez, assim caracterizando a omissão de rendimento tributável.” Em sessão plenária de 09/11/2006, a Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes julgou o Recurso Voluntário n° 149.408, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão 10422.036 (fls. 745 a 767— Volume IV), assim ementado: "OMISSÃO DE RENDIMENTOS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS – São Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.001700/200472 Acórdão n.º 920202.242 CSRFT2 Fl. 2 3 tributáveis os rendimentos recebidos de pessoas físicas a titulo de honorários pela prestação de serviços advocatícios. A efetividade da transferência financeira dos recursos dos contratantes para o contratado não condição necessária para a comprovação do recebimento de honorários, quando os contratos de prestação de serviços e os recibos fornecidos aos contratantes atestam a efetividade da prestação dos serviços e a correspondente remuneração. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o descompasso entre o tempo gasto no procedimento fiscal que apurou o crédito tributário lançado e o prazo para impugnação. Não caracterizado o cerceamento do direito de defesa e não provada violação das disposições contidas no art. 142,do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972e não se identificando no instrumento de autuação nenhum outro vicio prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊLEÃO A falta de pagamento do imposto devido a titulo de carnêledo enseja a aplicação da multa de oficio, exigida isoladamente, ainda que não seja apurado imposto devido quando do ajuste anual. MULTA ISOLADA DO CARNELEÃO E MULTA DE OFICIO CONCOMITÂNCIA Incabível a aplicação da multa isolada quando em concomitância com a multa de oficio, ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA QUALIFICADA – SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS INAPLICABILIDADE A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. ('Súmula 1° CC n°14, publicada no DOU em 26, 27 e 28/06/2006). PAGAMENTO DE TRIBUTO COM ATRASO SEM MULTA DE MORA MULTA EXIGIDA ISOLADADAMENTE Aplicase ao ato ou fato pretérito, não definitivamente julgado, a legislação que deixe de definilo como infração ou que lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Recurso parcialmente provido." A decisão foi assim resumida: "ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de oficio, reduzir ao percentual de 50% a multa isolada do carnéleão incidente sobre os rendimentos declarados e desqualificar a Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Remis Almeida Estol (Relator), Heloisa Guarita Souza e Gustavo Lian Haddad, que proviam integralmente o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa." A Fazenda Nacional, por meio de seu Representante, com fundamento no artigo 70, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, interpôs o Recurso Especial de fls. 771 a 793 — Volume IV, ao qual foi negado seguimento, conforme Despacho 104382/2008, de 25/08/2008 (fls. 800 a 804 – Volume V). Cientificado do acórdão em 06/02/2009 (fls. 807 – Volume V), o contribuinte opôs, na mesma data, os Embargos de Declaração de fls. 810 a 816 – Volume V, rejeitados conforme Informação n° 2201149408 — 2 Câmara / 1' Turma Ordinária, de 12/04/2010 , e Despacho 095 — 2ª Câmara / lª Turma Ordinária, de 30/06/2010 (fls. 822 a 824 – Volume V). Às fls. 842 – Volume V, a Autoridade Preparadora informa que houve pedido de parcelamento da Lei nº 11.941. Já às fls. 884/881 – Volume V, consta a informação de que o contribuinte não se manifestou sobre a inclusão do presente processo no referido parcelamento. Ao tomar ciência do acórdão, o contribuinte interpôs o Recurso Especial de fls. 846 a 870 – Volume V, ao qual foi negado seguimento, conforme Despacho n° 2201 00.100 — 2ª Câmara / lª Turma Ordinária, de 17/03/2011 (fls. 885 a 889 – Volume V) e Reexame de fls. 892/893 – Volume V (Despacho n" 920200100 2' Turma). Em 02/04/2012, por meio do Oficio n° 192/PRES/CARFMF (fls. 919 a 925 – Volume V), o Sr. Presidente da Segunda Seção de Julgamento do CARF solicitou o retorno dos autos, tendo em vista que, a despeito da não admissão do Recurso Especial do Contribuinte, a decisão da Justiça Federal proferida no Mandado de Segurança Individual n° 001152916.2012.4.01.3400, proferida por sua Excelência o Juiz Federal Dr. Alaôr Piacini, em 29 de março de 2012, determinou que a Autoridade Administrativa desse seguimento ao Recurso Especial de Divergência. O apelo contém, em síntese, os seguintes argumentos: o lançamento se deu por presumida percepção de rendimentos de honorários advocatícios por serviços prestados à Federação Nacional dos Federais (FENAPEF) na defesa de seus associados (Processo Judicial n° 97.002202330); a ilação fiscal teve como fundamento o oficio do Departamento Geral de Pessoal da Policia Federal (fls. 273/284), onde foram relacionados os descontos de honorários feitos na folha de pagamento dos funcionários (em 12/1998) em favor da contratante (FENAPEF); o Recorrente nega, peremptoriamente, ter recebido qualquer valor na ocasião por conta do referido processo. Tais pagamentos ocorreram anos depois, através da pessoa jurídica da qual o Recorrente participa do quadro societário; a Fiscalização não apresentou qualquer comprovante de que pagamento houve, apenas a partir do fato conhecido, desconto na folha em 12/98, saltou para a presunção de que o mesmo ocorreu em 01/99; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.001700/200472 Acórdão n.º 920202.242 CSRFT2 Fl. 3 5 o acórdão ora recorrido, no entanto, as fls. 19/20, consigna no voto condutor do julgado que: " ....Portanto, há provas robustas nos autos de que o desconto em folha realizado em janeiro de 1999. Como o desconto em folha se deu no inicio do mês de janeiro, é razoável a conclusão de que o beneficiário desses rendimentos recebeu os recursos no mesmo mês " ao contrário do que afirma o voto vencedor, está cabalmente comprovado e demonstrado nos autos que o "desconto em folha" dos honorários ocorreu em Dezembro/1998 e não em Janeiro/1999. confrontado com tal divergência através de Embargos de Declaração, o eminente prolator da decisão recorrida, assim se posicionou: "Ao afirmar que o desconto em folha, portanto, recebimento dos recursos, ocorreu em janeiro de 1999, o voto condutor (vencedor) do acórdão embargado faz referência expressa a diversos (sic) elemento de prova de que se valeu como elemento de convicção. Tratase, portanto, de juízo consciente a respeito das provas e não de erro, como quer o Embargante. Ao afirmar que esta conclusão configura erro o Embargante, na verdade, procura reabrir discussão a respeito do mérito da questão." (fls. 825); no entanto, a dúvida permanece, o voto condutor considera que a prova do recebimento é o desconto em folha ocorrido em 01/99. Por outro lado, o único elemento de prova constante dos autos é o Oficio do Departamento Geral de Pessoal da Policia Federal (fls. 273/284), onde foram relacionados os descontos na folha de pagamento dos funcionários (em 12/98) em favor da contratante (FENAPEF); se é razoável, segundo o voto vencedor, concluir que o beneficiário dos rendimentos teria recebido os valores no mês em que ocorreu o desconto em folha (única prova nos autos na qual se fundamenta a presunção contida no lançamento), o mês indicado no lançamento como sendo o fato gerador não poderia ser 01/99, mas sim 12/98, mês em que os honorários foram efetivamente descontados nos contra cheques dos funcionários; seguindo esta premissa, o lançamento deve ser cancelado, eis que fulminado pela decadência do direito da Fazenda de constituir o credito tributário, tendo como termo inicial 12/98; ao considerar como elemento de convicção, presunção não autorizada em lei, a decisão, ora recorrida, diverge substancialmente de outro posicionamento adotado pelo extinto Conselho de Contribuintes, cuja Jurisprudência é admitida como prova da divergência para o cabimento do presente recurso; com efeito, por ocasião do julgamento do recurso 124.360 em decisão externada através do Acórdão n" 10418.377, o Conselho assim se posicionou: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO — PRESUNÇÕES — Somente admissíveis em matéria tributária as presunções expresso e legalmente autorizadas, amparadas em fatos prescritos em lei, como sustentáculos dos mesmas." naquela ocasião, o Conselho apreciava hipótese na qual, a partir de um fato conhecido – rendimentos glosados da atividade rural — o fisco havia presumido tratar de rendimentos recebidos de pessoa física; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 na presente hipótese, a premissa é a mesma, a partir do fato conhecido — desconto na folha dos funcionários da Policia Federal — o fisco presumiu que os mesmos foram pagos ao Recorrente; o Relator da hipótese apontada como paradigma conclui de forma diversa: "Face aos pressupostos da legalidade estrita e da verdade material, inafastáveis em qualquer processo de determinação e exigência de créditos tributários em favor da União, inequivocadamente equivocados os fundamentos, tanto legais, como materiais da exação em litígio. Sob o prisma legal é ocioso mencionar que a presunção, quando fundamento de imposição tributária, somente pode ser exercida quando expressa e legalmente autorizada. E, nos limites do autorizativo legal. Sempre sob fundamento de fato material que a ampare, igualmente previsto em lei, passível de comprovação pelo fisco. Neste contexto, liminarmente são afastadas quaisquer presunções subjetivas, como a que se fundamenta a presente pendenga. A simples glosa de recibos entre particulares, atinentes a operações .) vinculadas à atividade rural, sem motivação objetiva não tem o condão de descaracterizar sua natureza e origem." da mesma forma, ao apreciar o Recurso n° 162.434, em decisão manifestada através doAcórdão nº 10249.405, a Segunda Câmara assim se pronunciou: "OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ONUS DA PROVA. No lançamento de omissão de rendimentos, o ônus da prova recai sobre a autoridade fiscal, salvo nos casos de presunção legal, em que se transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação." a eminente Relatora da decisão apontada com paradigma também conclui de forma diversa da decisão ora recorrida: "Vale lembrar que no lançamento de omissão de rendimentos, o ônus da prova recai sobre a autoridade fiscal, salvo nos casas de presunção legal, em que se transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação. Nesses termos, há que se convir que é extremante frágil o lançamento calcado, única e exclusivamente, em informação prestada por representante legal do contribuinte, desacompanhada de elementos de prova." neste aspecto, a decisão ora recorrida tem apenas a convicção pessoal de seu eminente Relator, mas não enfrenta o cerne da questão da validade do lançamento em julgamento, ou seja: Onde está a prova do repasse do dinheiro? ainda que se admitisse prova subjetiva do repasse, qual seria o montante repassado (base de cálculo)? Simplesmente não se sabe e, como nos autos não existe nem prova do repasse da FENAPEF para o Recorrente (foi presumido), o que se dirá do valor repassado, restando flagrante a ocorrência de uma situação inadmissível, qual seja "a presunção da presunção"; de fato, essa conduta não é permitida ao fisco à luz do que dispõe o artigo 142 do Código Tributário Nacional, que sinaliza no sentido de que o credito tributário deve Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.001700/200472 Acórdão n.º 920202.242 CSRFT2 Fl. 4 7 estar revestido de elementos capazes de assegurar a necessária certeza e a liquidez da exigência, sendo certo que: “A busca desses requisitos, absolutamente indispensáveis, cabe ao fisco, não se admitindo a inversão do ônus da prova fora dos casos previstos em Lei." mais ainda, no caso em questão, os parâmetros indicados pelo art. 142 do CTN foram completamente ignorados, verdadeiro desprezo pela verdade material na identificação do fato gerador, pois não há nos autos nenhuma resposta que satisfaça as seguintes indagações: Como o fato gerador teria ocorrido (ex: transferência bancária, cheque, dinheiro?). Quando? Data da efetiva ocorrência do fato gerador (ex: dezembro/1998 janeiro/1999 fevereiro/1999 março/1999 etc...?) Quanto? Qual seria o valor do suposto rendimento omitido (Base de Cálculo?). sem essas respostas a autuação não poderia prosperar, sob pena de grave afronta ao princípio da legalidade objetiva, vez que estaríamos diante de uma "construção" aleatória definindo os parâmetros "legais" na constituição de eventual credito tributário; em verdade, inegável que a existência de tantos questionamentos ora dirigidos ao acórdão residem no fato (óbvio) de que o lançamento se deu de maneira equivocada, levando tanto quanto a ilustrada Quarta Câmara, a atropelar os claros e evidentes equívocos da ação fiscal, que, em apertada e singela síntese, são os seguintes: o ilustre auditor, desde o inicio da fiscalização, presumiu o repasse dos valores descontados na folha de pagamento dos associados da FENAPEF (fato nunca provado); partindo dessa espúria presunção, achou por bem constituir o crédito tributário que foi erigido sob a acusação de "omissão de rendimentos sem vínculo empregatício"; ocorre que a tipificação "omissão de rendimentos sem vínculo empregatício” não admite presunção, isto pela simples razão de que as presunções no direito tributário são, obrigatoriamente, originárias da Lei que, sem dúvida alguma, não contempla a hipótese dos autos; com efeito, a autoridade administrativa, em plena, obrigatória e legal atividade vinculada, não só poderia como deveria: 1) ter quebrado o sigilo bancário da FENAPEF para rastrear os valores eventualmente pagos ao Recorrente; 2) ter requisitado os lançamentos contábeis da referida associação, com o mesmo objetivo; e 3) ter realizado, enfim, toda a sorte de diligências para obter (o que não seria difícil) elementos seguros a dar sustentação ao lançamento impugnado; o fato é que a fiscalização se acomodou e, a partir daí, apenas se utilizou de meros, vagos e duvidosos indícios para presumir que o Recorrente teria auferido os rendimentos, e o que é pior, imputando ao sujeito passivo o dever de produzir prova negativa; para finalizar, impossível não citar o voto vencido do Dr. Remis Almeida Estol, constante às fls. 748 a756. Em 04/06/2012, por meio do Despacho 220001.001 — 2ª Câmara, o Recurso Especial do Contribuinte foi cientificado à Procuradoria da Fazenda Nacional, que, na mesma data, ofereceu as contrarazões de fls. 929 a 933, aduzindo o seguinte: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 o recurso, corretamente, não foi conhecido, já que os acórdãos paradigmas apresentados deram provimento ao recurso por diferentes motivos, levando em conta as provas contidas nos respectivos autos; dessa forma, a questão se restringe à análise da prova constante dos autos, o que culmina em não conhecimento do presente recurso em face de não apresentação de divergência específica, muito menos sua demonstração no recurso do contribuinte; ocorre que, apesar da patente ausência de divergência jurisprudencial, diante da concessão de liminar no Mandado de Segurança (n° 1152916.2012.4.01.3400) determinando o seguimento do recurso, a União foi intimada para apresentar contrarazões, o que faz nesta oportunidade; tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte José Francisco da Silva Oliveira, relativo ao exercício de 2000, anocalendário de 1999, para formalização e cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física; em diligência ao TRF 2ª Região, foram obtidas cópias da Procuração da FENAPEF nomeando o Sr. José Francisco Franco da Silva Oliveira seu procurador na ação de isonomia, e cópia da alteração do Contrato de Honorários (fls. 210 e 266) assinada em 08/08/2002, que estabelecia que a parte contratada, apenas o contribuinte sob fiscalização, transferiria os direitos e obrigações contratuais à pessoa jurídica Franco Oliveira Advogados Associados S/C, cabendo a mesma a percepção dos honorários ajustados de 20% sobre as vantagens salariais objeto da ação judicial proposta, restando provado, portanto, que o autuado figurava como patrono da ação de isonomia até 08/08/2002; assim, em 1999, os honorários eram devidos apenas ao ora Recorrente, consoante Contrato de Honorários e Prestação de Serviços, p.ex.fl. 619; com efeito, o conjunto probatório presente nos autos é claro em demonstrar que houve o desconto na folha de salários dos servidores dos valores referentes a honorários advocatícios contratados com o autuado (p. ex. fl. 621) e que a FENAPEF figurou como mera repassadora desses recursos; inclusive, a própria associação admitiu expressamente ser mera repassadora dos honorários advocatícios ao contribuinte, conforme o Oficio n. 468/2004/FENAPEF (fls. 673/674) e os recibos apresentados pelos servidores do Departamento da Polícia Federal — DPF (por ex.fl. 612); nesse sentido, vale a pena transcrever o recibo (p. ex. fl. 608) juntado pelos servidores do DPF, verbis: "Recebemos do(a) Sr(a) MONICA DE BRITO COSTA a importância de R$ 9.123,20 (nove mil cento e vinte e três reais e vinte centavos) referente a honorários advocatícios da ação que pleiteia a isonomia de vencimentos entre os novos e antigos policiais federais no mês de janeiro/1999, onde a FENAPEF funciona como mero repassador ao advogado FRANCO OLIVEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS S/C CNPJ:(...)." cumpre destacar a impossibilidade da Franco Oliveira Advogados S/C ser parte no contrato de honorários, já que apesar de constar nos citados recibos, emitidos no ano calendário de 2004, como contratada, a pessoa jurídica Franco Oliveira Advogados S/C, de Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.001700/200472 Acórdão n.º 920202.242 CSRFT2 Fl. 5 9 acordo com o extrato de fl. 694, só foi constituída em 03/12/1999, posteriormente a percepção dos honorários; dessarte, caberia ao contribuinte a produção de prova contrária, relativamente ao quantum recebido a título de honorários de pessoas físicas, já que o montante auferido dá causa à tributação como rendimentos sujeitos a tributação do carnêleão; entretanto, o contribuinte apenas faz alegações genéricas sem produzir qualquer prova contrária aos fatos evidenciados nos autos, ao contrário, não mediu esforços para impedir, judicialmente, que a fiscalização tivesse acesso a sua movimentação financeira que, inclusive, poderia produzir provas a favor do próprio contribuinte de que os recursos não transitaram por sua conta bancária, se fosse esse o caso; em arremate, transcrevese trecho elucidativo do voto condutor da decisão recorrida: "Ademais, com a devida vênia, não se deve confundir a efetividade da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, com a demonstração do fluxo financeiro. Se assim fosse, em toda ação fiscal, para se caracterizar a ocorrência do fato gerador, a Fiscalização teria que ter acesso à movimentação financeira dos Contribuintes, o que não é razoável. Basta para caracterizar a ocorrência do fato gerador, a demonstração de que o Contribuinte auferiu um rendimento tributável e, neste caso, não há dúvidas de que o Contribuinte prestou serviços pelos quais foi remunerado, e tem nos autos elementos de prova suficientes para se aferir o montante dessa remuneração." enfim, comprovado nos autos que o contribuinte foi o beneficiário dos honorários advocatícios devidos em razão do sucesso em ações judiciais nos quais figurou como patrono, deve ser mantido o lançamento, tendo em vista que os rendimentos não foram oferecidos à tributação, nos termos do art. 8° da Lei n° 7.713/88; dessa forma, não merece reforma, neste ponto, o presente julgado, devendo ser mantida a autuação nos termos nela consignados. em face do exposto, requer a Fazenda Nacional seja negado provimento ao recurso, mantendose, nesta parte, o acórdão proferido pela e. Câmara a quo. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora Tratase de Recurso Especial do Contribuinte, que sobe à Câmara Superior de Recursos Fiscais por força de decisão judicial. Às fls. 842 – Volume V, a Autoridade Preparadora informa que houve pedido de parcelamento da Lei nº 11.941. Entretanto, às fls. 884/881 – Volume V, consta a informação de que o contribuinte não se manifestou sobre a inclusão do presente processo no referido parcelamento. Destarte, entende esta Conselheira que não existe óbice ao presente julgmento. Primeiramente, cabe registrar que o contribuinte, em seu Recurso Especial, efetivamente não comprovou a alegada divergência jurisprudencial. Com efeito, tanto em sede de Embargos de Declaração, como no Recurso Especial, o contribuinte partiu da premissa de que a autuação teria sido levada a cabo por presunção. Entretanto, conforme será demonstrado no decorrer do presente voto, muito pelo contrário, o acórdão recorrido logrou demonstrar que a ação fiscal foi ancorada em consistente conjunto probatório, e não em simples presunção. Assim, partindo da premissa de autuação por presunção, o contribuinte indicou, à guisa de divergência jurisprudencial, paradigmas cujas situações fáticas em nada se assemelhavam à do acórdão recorrido, mas concluíam que somente as presunções legais poderiam ser aceitas. Ora, tal conclusão somente caracterizaria dissídio jurisprudencial se as situações fáticas dos julgados em confronto – recorrido e paradigmas – fossem semelhantes, o que efetivamente não ocorreu. Feitas essas considerações, há que ser cumprida a decisão judicial, razão pela qual se vê agora a Câmara Superior de Recursos Fiscais com a tarefa de reexaminar as provas dos autos. A exigência foi formalizada por meio do Auto de Infração de fls. 197 a 208. Os argumentos contidos no Recurso Especial não deixam dúvidas de que o contribuinte intenta reabrir a discussão sobre as provas carreadas aos autos, em relação às quais o voto condutor do acórdão recorrido já se posicionou, com toda a clareza necessária à formação de convicção. No apelo, o contribuinte insiste em defender a tese de que a autuação teria se dado por presunção, com fundamento apenas no Ofício n° 1326/2004CRH/DGP/DPF, do Departamento Geral de Pessoal da Policia Federal, onde foram relacionados os descontos de honorários feitos na folha de pagamento dos servidores beneficiários das ações judiciais por ele patrocinadas (fls. 273/284). Ora, tratase do fornecimento de informações oficiais, por órgão público cuja seriedade é reconhecida pela sociedade, dando conta dos valores descontados de seus funcionários, com a finalidade específica de pagamento de honorários ao contribuinte. Além desse ofício da Polícia Federal, o conjunto probatório dos autos é vastíssimo, já que a fiscalização trouxe aos autos os recibos comprovando que os pagamentos tinham como destinatário o contribuinte, atuando a FENAPEF como mera repassadora. Ademais, constam dos autos diversas declarações de funcionários da Polícia Federal, no sentido de que foram orientados a declarar, na DIRPF do exercício de 2000, anocalendário de Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.001700/200472 Acórdão n.º 920202.242 CSRFT2 Fl. 6 11 1999, os valores pagos ao contribuinte como pessoa física, a título de honorários advocatícios (fls. 478, 504/505, 508, 516/517, 530, 535, 548 a 551 e 618/619). Assim, resta a esta Conselheira reiterar os argumentos esposados pelo Ilustre Conselheiro Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa, que lançam por terra o argumento de que a autuação teria sido levada a cabo por presunção: “Divergi do bem articulado voto do Ilustre Relator, por entender que o conjunto probatório carreado aos autos é suficiente para demonstrar que o Contribuinte foi beneficiário de rendimentos referentes a honorários advocatícios devidos em razão do sucesso nas ações judiciais n° 1997.00202330 e 90.23297, nas quais atuou como patrono, em que eram titulares servidores do Departamento de Policia Federal. (...) O lançamento tomou por base os valores informados pelo Departamento de Polícia Federal na relação anexa ao Oficio n° 1326/2004CRH/DGP/DPF (fls. 287 em diante) onde aquele órgão informa os valores descontados em folha dos referidos servidores a titulo de honorários advocatícios, referentes às mencionadas ações judiciais. É certo que esses valores descontados não foram entregues diretamente ao Autuado, mas à FENAPEF e que não se tem a informação sobre o momento preciso do repasse desses recursos, fato ao qual se apegou o ConselheiroRelator como fundamento para acolher as alegações do Contribuinte de que não se configurou o fato gerador do imposto. Todavia, os elementos trazidos aos autos são eloquentes no sentido de demonstrar, primeiro, que houve o desconto na folha de salários dos servidores dos valores referentes aos honorários advocatícios, e depois, que a referida associação atuou como mera repassadora desses recursos. Senão vejamos. Consta as fls. 273/384 oficio encaminhado pela Coordenação de Recursos Humanos do Departamento de Policia Federal e planilhas anexas, informando os valores que foram descontados em folha de pagamento dos beneficiários da ação, em janeiro de 1999, a título de honorários advocatícios, valores esses que serviram de base para o lançamento. A Fiscalização teve o cuidado de intimar diversos servidores beneficiários para confirmar o pagamento dos honorários e estes, unanimemente, declararam que os valores descontados em folha, no mês de janeiro, constantes das planilhas acima mencionadas, referemse a honorários advocatícios para o ora Recorrente e que a FENAPEF atuou como mera repassadora desses recursos. Inclusive juntam recibos com esses dizeres, fornecidos pela própria FENAPEF. Como exemplo, transcrevo o recibo de fls. 484: Recebemos do (a) Sr. (a) CARLOS MAGNO DE SOUZA QUEIROZ a importância de R$ 9.327,61 (nove mil e trezentos e Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 vinte sete reais e sessenta e um centavos), referente a honorários advocatícios (ação de isonomia) descontados no contra cheque do mês de Dez/98 onde a FENAPEF funciona como mera repassadora para o advogado Dr. Jose Francisco da S. Oliveira, OAB/RJ, CPF 274.533.16715.Por ser verdade, firmamos o presente dando plena e total quitação do valor supra citado. Nesse mesmo sentido, são os recibos e declarações de fls. 449, 455, 459, 4110 462, 463, 471, 473, 477, 478, 479, 484, 490, 495, 499/500, 501, 505, e outros. Também consta nos autos que o contrato de honorários estabelecia que estes seriam calculados a razão de 20% sobre as vantagens recebidas em decorrência da ação judicial. É o que se extrai, por exemplo, do documento de fls. 266 e 267/271. Portanto, há provas robustas nos autos de que o desconto em folha realizado em janeiro de 1999 destinavase ao pagamento de honorários advocatícios à razão de 20% sobre o valor da vantagem recebida em decorrência do sucesso na ação judicial, e que o beneficiário desses honorários foi o ora Recorrente. Sobre a alegação de que não há prova nos autos do efetivo recebimento desses recursos pelo Recorrente, isto é, de que não há documentos que demonstrem a efetiva transferência dos recursos da FENAPEF para o Recorrente, de fato, não consta nos autos documentos que mostrem a efetiva transferência da conta da FENAPEF para o Recorrente. Entretanto, o conjunto probatório não deixa dúvidas de que houve essa transferência; de que a FENAPEF, em relação aos descontos realizados na folha de pagamento dos servidores beneficiados pelas ações judiciais, atuou como mera repassadora desses recursos, como consta nos recibos fornecidos pela própria FENAPEF aos servidores. Por outro lado, não se pode desconsiderar o fato de que o Contribuinte não mediu esforços para impedir, judicialmente, que a Fiscalização tivesse acesso a sua movimentação financeira, que poderia produzir provas a favor do próprio Contribuinte de que esses recursos não transitaram por sua conta bancária, se fosse esse o caso. E a própria FENAPEF, considerando as várias intimações que a ela foram feitas, também não nega que tenha feito os repasses (...). Portanto, há, sim, provas nos autos de que houve o pagamento de honorários, embora não se tenha a demonstração da operação financeira referente a transferência dos recursos, o que não quer dizer que esta não ocorreu. Diante do conjunto probatório, estou plenamente convencido de que os recursos descontados da folha de pagamento dos servidores do Departamento de Policia Federal, constante da relação fornecida por aquele órgão, foram repassados para o ora Recorrente como honorários. Ademais, com a devida vênia, não se deve confundir a efetividade da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, com a demonstração do fluxo financeiro. Se assim Fl. 12DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.001700/200472 Acórdão n.º 920202.242 CSRFT2 Fl. 7 13 fosse, em toda ação fiscal, para se caracterizar a ocorrência do fato gerador, a Fiscalização teria que ter acesso à movimentação financeira dos Contribuintes, o que não é razoável. Basta para caracterizar a ocorrência do fato gerador, a demonstração de que o Contribuinte auferiu um rendimento tributável e, neste caso, não há dúvidas de que o Contribuinte prestou serviços pelos quais foi remunerado, e tem nos autos elementos de prova suficientes para se aferir o montante dessa remuneração. Como o desconto em folha se deu no início do mês de janeiro, é razoável a conclusão de que o beneficiário desses rendimentos recebeu os recursos no mesmo mês. Mas, ainda que esse repasse tenha se dado em momento posterior, mas dentro do mesmo exercício, isso em nada afetaria a exigência do Imposto quanto ao ajuste anual. De qualquer forma, o Contribuinte não diz em que momento recebeu efetivamente tais rendimentos. Diante desse silêncio, é de se considerar o recebimento dos rendimentos com base nos elementos disponíveis, que, insisto, são suficientes para demonstrar o recebimento dos rendimentos tributáveis em janeiro de 1999. (...) os documentos carreados aos autos são unânimes ao se referirem apenas ao ora Recorrente como titular da ação. Inclusive o contrato de honorários menciona como parte contratada apenas o Recorrente. É o que se extrai do documento de fls. 266 — Contrato de Honorários. Alteração Contratual — onde se lê na cláusula primeira, verbis: 1°) Fica alterado a cláusula referente à pessoa da parte contratada, ora na pessoa física do advogado José Francisco Franco Oliveira, para a pessoa jurídica FRANCISCO OLIVEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS S/C, CNPJ 03.552.058/000136, localizado na Av. Graça Aranha, 416/3° andar, Rio de Janeiro, no ato representada por seu sócio majoritário, o advogado José Francisco Franco Oliveira, já qualificado, pessoa jurídica esta a quem são transferidos todos os direitos e obrigações contratuais (Estatuto da OAB, Lei n° 8.906/94, art. 15 e segts.), cabendo à mesma a percepção dos honorários profissionais ajustados, ou seja, 20% (vinte por cento) sobre as vantagens salariais objeto da ação ordinária n° 97.00.202.330, perante a 9ª VFRJ, ora em grau de recurso perante o E. TRF/2ª Região (AC n° 2001.02.01.0395626). Quer dizer, até 8 de agosto de 2002, data da alteração contratual acima, o contratado era apenas a pessoa física do Sr. José Francisco Franco Oliveira. Portanto, em 1999, os honorários eram devidos apenas ao ora Recorrente. Assim, em conclusão, entendo que resta comprovado nos autos que o Contribuinte recebeu honorários advocatícios relativamente às vantagens obtidas pelos servidores do Departamento de Policia Federal em decorrência de sucesso em ações judiciais nas quais figurou como patrono, o que caracteriza a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária Fl. 13DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 sujeita à exigência mediante lançamento de oficio, uma vez que esses rendimentos não foram oferecidos espontaneamente à tributação” Destarte, o bem articulado voto responde a todas as perguntas apresentadas pelo contribuinte em seu Recurso Especial, não restando qualquer lacuna a ser preenchida: o total dos rendimentos (base de cálculo) é aquele que consta do ofício do Departamento de Polícia Federal, descontado dos servidores especificamente para pagamento dos honorários ao contribuinte; o momento do repasse dos valores objeto do desconto em folha ao contribuinte, em princípio, ocorreu em janeiro de 1999, quando os servidores da Polícia Federal receberam os rendimentos líquidos, correspondentes a dezembro de 1998, já descontados os valores dos honorários; ainda que o repasse não tenha sido imediato, isso em nada influenciaria a autuação, já que o fato gerador do IRPF, no caso de rendimentos sujeitos ao ajuste, considerase ocorrido em 31 de dezembro; e é certo que tais rendimentos foram repassados ao contribuinte durante o anocalendário de 1999, tanto é assim que constam dos autos inúmeras declarações dos servidores da PF, no sentido de que foram orientados e cumpriram tal orientação, no sentido de registrar, na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2000, anocalendário de 1999, os valores descontados a título de honorário pagos ao contribuinte, como pessoa física; há servidores que inclusive apresentaram a própria DIRPF, com o registro do pagamento efetuado. Assim, ainda que não fosse suficiente o robusto arcabouço probatório de que se revestiu a autuação, resta a aplicação do princípio da razoabilidade, que lança por terra os argumentos do contribuinte: se a FENAPEF não lhe repassou os honorários advocatícios descontados dos servidores da Polícia Federal em janeiro de 1999, que seriam seus por direito e por contrato, o contribuinte teria prestado serviços sem a necessária contrapartida do pagamento, o que não é verossímil. Mais inverossímil ainda seria o fato de o contribuinte, não tendo recebidos os honorários a que teria direito em 1999, continuar prestando serviços aos servidores da PF, por meio da FENAPEF, até pelo menos 2002, como prova a alteração contratual constante dos autos. Assim, seja pelas robustas provas colacionadas aos autos, seja pelo princípio da razoabilidade, tudo aponta no sentido de que foi correta a decisão recorrida. Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Especial, interposto pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 14DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 18471.001700/200472 Acórdão n.º 920202.242 CSRFT2 Fl. 8 15 Fl. 15DF CARF MF Impresso em 12/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 12448.921913/2012-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.098
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .9 21 91 3/ 20 12 -3 3 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 12448.921913/201233 Resolução nº 3402002.098 S3C4T2 Fl. 69 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 0272.437, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta, não reconhecendo o direito creditório da Contribuinte, conforme Ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2009 AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. Na ausência de provas, a DCTF e o Dacon retificados após a ciência do despacho decisório não podem ser considerados instrumentos hábeis para conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos ocorridos até aquele momento, transcrevo o relatório da decisão recorrida: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins nãocumulativa, relativo ao fato gerador de 31/08/2009. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual homologa parcialmente a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débito(s) da empresa, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Irresignado, tendo sido cientificado em 14/11/2012 (fl. 31), o contribuinte apresentou, em 12/12/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 8/15, a seguir resumida. Preliminarmente, propugna pelo cabimento da manifestação de inconformidade (art. 74 da Lei nº 9.430/1996 e Decreto nº 70.235/1972), a qual suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, III, do CTN. No mérito, informa que promoveu a compensação de pagamento a maior de Cofins nãocumulativa por meio de Per/Dcomp, em função da revisão de suas bases de cálculo de créditos e débitos, resultando em uma apuração de valores a maior do que os recolhidos. Contudo, não promoveu as alterações nas obrigações acessórias (DCTF e Dacon), de forma a caracterizar o pagamento a maior. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.921913/201233 Resolução nº 3402002.098 S3C4T2 Fl. 70 3 Após o recebimento do despacho decisório, tomou ciência do equívoco, efetuou as alterações e entregou a DCTF e Dacon retificadores (recibos em anexo), passando a demonstrar o pagamento a maior feito de fato. Enfatiza que não foi intimada em nenhum momento a sanar as divergências nas informações prestadas nas declarações. Em seguida, discorre sobre o princípio constitucional da legalidade e cita os arts. 53 e 55 da Lei nº 9.784/1999. Por fim, requer o recebimento e conhecimento da sua defesa; a consideração quanto ao erro cometido, que já foi sanado; e o reconhecimento do crédito informado, com a consequente homologação das compensações e cancelamento do débito ora cobrado. A Contribuinte recebeu a intimação nº 430/2017 pela via eletrônica em data de 15/05/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 45), apresentando o Recurso Voluntário de fls. 4965, pelo qual pede, em síntese, para que seja reconhecido o crédito tributário declarado na DCTF e ratificado pelas informações inseridas no Dacon, com a homologação da compensação informada no PERDCOMP nº 32401.51854.250612.1.3.04 8944. Para tanto, a defesa sustenta os seguintes argumentos: i) Que em 25/06/2012 apresentou o pedido de compensação mediante a entrega da PER/DCOMP nº 32401.51854.250612.1.3.048944, objetivando compensar valor recolhido a maior de Cofins, referente à competência de 08/2009, com débito da própria Cofins, referente ao período de Abril de 2012; ii) Considerando que o saldo credor originário deveria ter sido atualizado desde seu recolhimento, o valor resultante da aplicação da Taxa Selic foi de R$ 28.603,77 (fl.4); iii) Apresentou a DCTF e o Dacon retificadores após o despacho decisório, mas antes do julgamento da manifestação de inconformidade, o que deveria ter sido analisado iv) Como não foi realizada a devida confrontação dos valores informados na DCTF e no DACON, equivocadamente concluiuse tratar de compensação efetuada sem lastro em créditos anteriores; v) A DCTF foi transmitida dentro do prazo legal; vi) A apuração de PIS e Cofins para o período de 31/08/2009 foi consolidada no Dacon, tendo sido apresentada a retificação em 28/11/2012, informando o mesmo valor de R$ 245.810,39, constante na DCTF; vii) Cabe ao fisco apresentar indícios de que os valores não estão corretos; viii) Aplicase o Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28/08/2015, aprovado pelo Despacho RFB Nº SN1, de 28 de agosto de 2015, que possui caráter vinculante ao órgão fazendário, inclusive, trata, exatamente, da possibilidade de retificar a DCTF depois da transmissão do PER/DCOMP e da ciência do despacho decisório. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 12448.921913/201233 Resolução nº 3402002.098 S3C4T2 Fl. 71 4 Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora 1. Pressupostos legais de admissibilidade 1.1. Nos termos do relatório, a Contribuinte foi intimada do Acórdão proferido pela 1ª Turma da DRJ/BHE em data de 15/05/2017, como se comprova através do Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 45, abaixo colacionado: 1.2. Verifico que o Termo de Solicitação de Juntada de fls. 47 está datado de 13/06/2017, igualmente abaixo colacionado: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12448.921913/201233 Resolução nº 3402002.098 S3C4T2 Fl. 72 5 1.3. Observo que consta no histórico de ações sobre o documento a assinatura digital do procurador na mesma data. 1.4. Todavia, foi informado no Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 48 que somente em data de 13/01/2018 foi registrada a Solicitação de Juntada de Documentos referente à "Resposta à Intimação". 1.5. Outrossim, esclareço igualmente que não há informações nos autos de que o recurso tenha sido protocolado por meio físico ou por via postal. 2. Diante da dúvida sobre a tempestividade do recurso e, para correta análise da admissibilidade, fazse necessário propor a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora de Origem esclareça através de Informação Fiscal sobre os fatos acima demonstrados, tornando inequívoca a data do efetivo protocolo, ou seja, 13/06/2017 (Solicitação de Juntada de Documentos de fls. 47) ou 13/01/2018 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 48). 2.1. Cumprida a diligência acima, retornem os autos para julgamento. É a proposta de Resolução. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.002525/2006-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC, SE CARACTERIZADA OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
Não existe previsão legal para incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciado foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência.
Numero da decisão: 9303-008.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC, SE CARACTERIZADA OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciado foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC, SE CARACTERIZADA OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciado foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 25 25 /2 00 6- 70 Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 13804.002525/200670 Acórdão n.º 9303008.568 CSRFT3 Fl. 1.105 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 1.077 a 1.091), contra o Acórdão 3402003.223, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 1.000 a 1.006), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de Apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF n. 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no REsp n. 993.164, julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, § 2° do RICARF. O contribuinte antes havia oposto Embargos de Declaração (fls. 1.016 a 1.019), por omissão, pedindo "que haja manifestação quanto à aplicação da Taxa Selic para atualização monetária, devendo ser aplicada, no mínimo, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito". Os Embargos foram acolhidos (fls. 1.063 a 1.075), da seguinte forma: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PEDIDO TARDIAMENTE REALIZADO PELO CONTRIBUINTE, MAS EM COMPASSO COM PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. OMISSÃO RECONHECIDA. EMBARGOS PROVIDOS. Embora o pedido de correção pela SELIC de ressarcimento de crédito presumido de IPI tenha sido feito pelo contribuinte apenas em sede de embargos de declaração, o que, a priori, implicaria a sua preclusão, é inegável que tal pleito está em compasso com precedente vinculativo do STJ (REsp n. 993.164) o qual, por sua vez, faz convocar em seu favor o disposto nos artigos 489, § 1º, inciso VI, 926 e s.s., todos do CPC/2015, bem como o disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF e, ainda, o prescrito no art. 2º, inciso V da Portaria PGFN n. 502/2016. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO VEDAÇÃO DA IN SRF N. 23/97. TERMO INICIAL PARA A CONTAGEM DA CORREÇÃO PELA SELIC. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 13804.002525/200670 Acórdão n.º 9303008.568 CSRFT3 Fl. 1.106 3 O início da correção do crédito aqui vindicado não deve aguardar o esgotamento do prazo de 360 dias para exame do pedido administrativo de ressarcimento. Tratandose de crédito para o qual já havia restrição de aproveitamento lastreada em ato normativo ilegítimo, a mora do Fisco resta configurada desde o surgimento do crédito, i.e., quando este já poderia ter sido usufruído pelo contribuinte e não foi por conta de indevido impedimento normativo (geral e abstrato). Precedentes do STJ. Embargos conhecidos e providos para sujeitar a Administração Pública ao precedente vinculante do STJ. Direito creditório reconhecido. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 1.094 a 1.098), a PGFN não trata das aquisições a pessoas físicas; somente da atualização monetária, no que se refere ao termo inicial, defendendo a aplicação da Taxa SELIC “a partir do término do prazo de 360 dias contados da data do protocolo do pedido de ressarcimento sobre os valores que foram objeto de indeferimento por ilegítima oposição estatal". O contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito, a jurisprudência majoritária desta Turma está espelhada no recente Acórdão nº 9303007.926, de 24/01/2019, de relatoria do ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal: CRÉDITO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática do s recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 13804.002525/200670 Acórdão n.º 9303008.568 CSRFT3 Fl. 1.107 4 A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Adoto o seu Voto Condutor como razões de decidir: “A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp n° 1.035.847 e no REsp n° 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 13804.002525/200670 Acórdão n.º 9303008.568 CSRFT3 Fl. 1.108 5 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção ...) 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp n° 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO ... CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: Resp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 13804.002525/200670 Acórdão n.º 9303008.568 CSRFT3 Fl. 1.109 6 Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidência da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção dariase somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp n° 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5°, o inciso LXXVIII, in verbis: "a Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 13804.002525/200670 Acórdão n.º 9303008.568 CSRFT3 Fl. 1.110 7 todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes ...) (...) 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 13804.002525/200670 Acórdão n.º 9303008.568 CSRFT3 Fl. 1.111 8 monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Pareceme um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no caso vertente, como houve reversão do direito ao crédito nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas, no âmbito do presente julgamento administrativo, sobre estas parcelas permitese a incidência da taxa Selic a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei n° 9.250/95, o qual, segundo o entendimento de alguns tributaristas, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. O § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei n° 9.363/96. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 13804.002525/200670 Acórdão n.º 9303008.568 CSRFT3 Fl. 1.112 9 O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Portanto em relação à incidência da taxa Selic, dou provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, reconhecendo que o seu termo inicial dáse a partir de 360 dias da data do protocolo do pedido, a incidir somente sobre a parcela do crédito revertida na instância de julgamento administrativo, no caso somente sobre as parcelas decorrentes das aquisições de pessoas físicas e cooperativas.” À vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.902611/2006-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.073
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação declarada de créditos de IOF. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 02 61 1/ 20 06 -8 3 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10880.902611/200683 Resolução nº 3201002.073 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificada do despacho decisório, a contribuinte alegou a legitimidade do direito de crédito aproveitado. Afirma que o pagamento indevido teve origem em erro na apuração do IOF devido sobre mútuo contratado com pessoa jurídica. O mútuo seria controlado por planilha especifica que indicaria o efetivo saldo do contrato e possibilitaria o correto controle do IOF devido mensalmente. Contudo, por equivoco, teria calculado o IOF a pagar no período mediante a aplicação da aliquota de 0,041% sobre o valor mutuado, quando o correto seria 0,0041%, conforme artigo 7° do Decreto n° 4.494, de 2002. Assim, ao perceber o recolhimento a maior, apresentou a declaração de compensação em foco aproveitando o mencionado direito de crédito na quitação de débito. Argumenta que, estando incorreto o valor de IOF indicado em DCTF ao qual se vinculou o pagamento, impõese o reconhecimento do pagamento a maior e a homologação da compensação. Invoca ainda o principio da verdade material que deve nortear o processo administrativo fiscal. Por fim, informa entender que as provas juntadas aos autos seriam suficientes para a comprovação do direito de crédito, solicitando a realização de diligência caso esse não seja o entendimento desta esfera de julgamento. É o relatório A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão que instrui os autos. Inconformada, a ora recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese, que os créditos são provenientes de recolhimento a maior de IOF em razão de erro na aplicação da alíquota que seria de 0,0041% e não 0,041%. Sobre o assunto afirma que demonstrou os fatos por meio de um contrato de mútuo no qual figura como mutuante e por isso faz retenções de IOF. Faz referência a equívoco no preenchimento da DCTF e ao princípio da verdade material. A seu favor cita jurisprudência. Menciona também que o fato de o contrato não estar registrado no cartório em nada altera a evidência da prova. Sustenta ainda cabe a RFB alterar a DCTF de ofício por força do art. 9º, parágrafo 3, IN 1110/10. A Recorrente defende que as provas apresentadas são suficientes para provar seu bom direito aos créditos devidos por recolhimento a maior de IOF. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10880.902611/200683 Resolução nº 3201002.073 S3C2T1 Fl. 4 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201002.071, de 21 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.902612/200628, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201002.071): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. O cerne da questão consiste na discussão acerca da certeza e liquidez dos valores recolhidos para fins de compensação. O tema é recorrente no CARF. No caso em julgamento entendo que cabe o direito da dúvida em favor da Recorrente, pois apresenta documentação parcial que respalda sua argumentação. A forma como as operações foram documentadas parecem indicar a natureza de mútuo. Nesse ponto, constam dos autos os seguintes documentos: a) contrato de Mútuo entre as empresas Editora Abril S/A e Abril Comunica S/A (efls. 63 a 66); e b) planilha de valores do entre Mutuante e Mutuário (efls. 68 a 69). De fato, conforme consta do art. 7º do Decreto nº 4.494 de 2002, a alíquota do IOF incidente sobre o montante do mútuo financeiro era de 0,0041% (quarenta e um décimos de milésimo por cento). A legislação do IOF estabelece que a alíquota de 0,0041% deverá incidir sobre somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês. Entretanto, também cabe razão a autoridade julgadora de primeira instância que se manifestou quanto a ausência de elementos de prova mais robustos, como aqueles que compõem a escrituração comercial. De fato, o contrato de mútuo juntado aos autos, além de não ter sido registrado em cartório, tem como objeto crédito de R$ 10.000,00, valor muito inferior Aquele sobre o qual incidiu o I0F. Ademais, além do citado contrato, a contribuinte apresentou somente planilhas correspondentes a demonstrativos e controles internos de sua própria lavra e não se prestam a atestar o pagamento indevido. Nenhum documento vinculado aos livros que compõem a escrituração comercial veio ao exame desta esfera de julgamento. Não foram exibidas cópias do Razão das contas que registraram o imposto a pagar e o mútuo contratado ou das folhas do Livro Diário onde constassem o registro das alegações. (efl. 77) Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, acredito que a Recorrente teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10880.902611/200683 Resolução nº 3201002.073 S3C2T1 Fl. 5 4 Estabelecem os arts. 16, §§4º e 6 e 29 do Decreto 70.235/72: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância." "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." O CARF possui o reiterado entendimento de ser possível, em casos como o presente, a conversão do feito em diligência. Neste sentido cito os seguintes precedentes desta Turma: "Não obstante, no Recurso Voluntário, a recorrente trouxe demonstrativos e balancetes contábeis. Ainda que não tenha trazido os respectivos lastros, entendo que a nova prova encontra abrigo na dialética processual, como exigência decorrente da decisão recorrida, e por homenagem ao princípio da verdade material, em vista da plausibilidade dos registros dos balancetes. Assim, e com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos balancentes apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respecivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento." (Processo nº 10880.685730/200917; Resolução nº 3201001.298; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 17/07/2018) Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca dos fundamentos utilizados no julgamento de primeira instância para negar o direito ao crédito, ou seja, quanto a falta de liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10880.902611/200683 Resolução nº 3201002.073 S3C2T1 Fl. 6 5 da Recorrente, sem que as questões aventadas quanto a escrituração comercial sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que oportunize a Recorrente o direito de apresentar provas de sua escrituração comercial. Compete a unidade de origem proceder a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresentar documentos de sua escrituração comercial, bem como outros documentos aptos a comprovar o seu direito aos valores pretendidos. Caso apresentado tais documentos, caberá a unidade de origem fazer a reanálise do pedido. Após a diligência, retornem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que oportunize a Recorrente o direito de apresentar provas de sua escrituração comercial. Compete a unidade de origem proceder a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, apresentar documentos de sua escrituração comercial, bem como outros documentos aptos a comprovar o seu direito aos valores pretendidos. Caso apresentado tais documentos, caberá a unidade de origem fazer a reanálise do pedido. Após a diligência, retornem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.725616/2017-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2016
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do disposto no artigo 33, do Decreto nº 70.235. Edital publicado para intimação do contribuinte termo de perempção. Não conhecimento do Recurso.
Numero da decisão: 2201-005.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de tempestividade e não conhecer do recurso voluntário em razão de ter sido formalizado fora do prazo legal.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2016 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do disposto no artigo 33, do Decreto nº 70.235. Edital publicado para intimação do contribuinte termo de perempção. Não conhecimento do Recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de tempestividade e não conhecer do recurso voluntário em razão de ter sido formalizado fora do prazo legal. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente
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INTIMAÇÃO POR EDITAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do disposto no artigo 33, do Decreto nº 70.235. Edital publicado para intimação do contribuinte termo de perempção. Não conhecimento do Recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de tempestividade e não conhecer do recurso voluntário em razão de ter sido formalizado fora do prazo legal. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Débora Fófano Dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernanda Melo Leal (suplente convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente Relatório Trata-se de Recurso Voluntário de fls. 103/111, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), de fls. 57/63, a qual julgou procedente em parte o lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física - IRPF, exercício 2016. Peço vênia para transcrever o relatório produzido na decisão recorrida: Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrada, em 16/10/2017, a Notificação de Lançamento de fls. 40 a 51, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física- AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 56 16 /2 01 7- 08 Fl. 96DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.132 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.725616/2017-08 IRPF, exercício 2016, ano-calendário 2015, que resultou em imposto, no valor de R$ 190.481,46, sujeito à multa de ofício, no valor de R$ 142.861,09, e juros de mora, no valor de R$ 33.715,21 (calculados até 10/2017). Motivou o lançamento de ofício: 1) A omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, no valor de R$ 622.059,13, apurado pela diferença entre constante nos documentos apresentados, no valor de R$ 2.025.151,98, e o declarado pelo contribuinte, no valor de R$ 1.403.092,85: Conforme demonstrativos e planilhas de cálculos apresentadas, o total dos rendimentos tributáveis recebidos (principal + juros) foi de R$ 2.025.151,98. Os juros moratórios acompanham o principal. Contribuinte, intimado, não comprovou o pagamento de honorários advocatícios. 2) A dedução indevida de previdência oficial, no valor de R$ 374.362,80, tendo em vista que: O valor glosado refere-se à Previdência Oficial deduzida dos rendimentos declarados como sujeitos à tributação exclusiva na fonte, conforme opção manifestada pelo contribuinte. Da Impugnação A ciência da Notificação de Lançamento se deu em 25/10/2017 (fl. 52) e o interessado apresentou, por intermédio de seu procurador, impugnação de fls. 04 a 12, em 09/11/2017, discordando do lançamento e anexando documentos para comprovar. Informa que recebeu, de acordo com o alvará, o valor de R$ 1.403.092,85, mas líquido R$ 1.151.324,61, já descontado os honorários advocatícios, no valor de R$ 595.597,58. Que ao INSS teria sido pago o valor de R$ 65.674,14 e o IRRF foi de R$ 183.664,78. Requer, caso se mantenha a omissão, o cancelamento da multa de ofício, tendo em vista sua notória boa-fé, tendo sido orientado por contador e pela Receita Federal. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou o lançamento procedente em parte, conforme constou na parte dispositiva do acórdão (fl. 57): Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, para: a) Eximir o contribuinte do pagamento de R$ 30.949,27, referente ao IRPF – Suplementar, exercício 2016, ano-calendário 2015, bem como dos acréscimos legais; e, b) Exigir do contribuinte o pagamento de R$ 159.532,19, referente ao IRPF – Suplementar, exercício 2016, ano-calendário 2015, sujeito a multa de ofício de 75%, passível de redução, e juros de mora calculados na data do efetivo recolhimento. Do Recurso Voluntário O Recorrente, foi intimado por edital nos termos do disposto no artigo 23 de do Decreto nº 70.235/1972 em 04/05/2018, com data de ciência 21/05/2018. Consta à fl. 73 termo de perempção, pela não apresentação do Recurso Voluntário. Houve novo edital com data de publicação em 31/07/2018 e data de ciência 15/08/2018. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário contando deste segundo edital. Fl. 97DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.132 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.725616/2017-08 Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, Relator. No caso em tela, há preliminar de tempestividade nos seguintes termos: I - DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO O CONTRIBUINTE foi cientificado eletronicamente através de EDITAL na data de 15/08/2018, e, conforme dispõe o Art.23, §1º', inciso III, do Decreto n' 70.235/1972: Art. 23. Far-se-á a intimação: (...) § 1°. O edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. § 2º Considera-se feita a intimação: (...) III - Trinta dias após a publicação ou a afixação do edital, se este for o meio utilizado. O prazo para interposição do presente recurso vai até o dia 14/09/2018. Ou seja, é tempestivo o presente recurso. Intimado da decisão de primeira instância, o recurso cabível para decisão desfavorável ao contribuinte, cabe Recurso Voluntário no prazo de trinta dias da cientificação do acórdão, conforme disciplinado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Entretanto, conforme relatado acima, o Recorrente, foi intimado por edital nos termos do disposto no artigo 23 de do Decreto nº 70.235/1972 em 04/05/2018, com data de ciência 21/05/2018. Conta ainda, à fl. 73 termo de perempção, pela não apresentação do Recurso Voluntário. O que ocorreu no caso, é que o recorrente, intimado para pagamento do tributo, houve a publicação de novo edital com data de publicação em 31/07/2018 e data de ciência 15/08/2018. O contribuinte apresentou o Recurso contando o prazo deste segundo edital, de modo que não conheço do recurso voluntário interposto dada a sua flagrante intempestividade. Conclusão Em razão do exposto, não conheço do recurso voluntário dada sua intempestividade. (documento assinado digitalmente) Fl. 98DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.132 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10469.725616/2017-08 Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720260/2011-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA.
Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda, nele se enquadrando as despesas com frete de matérias-primas entre estabelecimentos.
Numero da decisão: 9303-008.491
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda, nele se enquadrando as despesas com frete de matérias-primas entre estabelecimentos.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda, nele se enquadrando as despesas com frete de matérias primas entre estabelecimentos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 60 /2 01 1- 08 Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 15586.720260/201108 Acórdão n.º 9303008.491 CSRFT3 Fl. 3 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pelo contribuinte, contra o Acórdão 3403002.758, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF. Em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento, a PGFN defende que não há o direito ao creditamento relativo aos gastos com fretes entre estabelecimentos da mesma empresa. O contribuinte apresentou Contrarrazões e, em seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento, aborda a questão de forma bastante genérica, alegando, fundamentalmente, que se deve adotar, para PIS/Cofins, um conceito mais amplo do que o do IPI para definir o conceito de insumos. Tanto é assim, que, no início, diz que “não pode concordar com a manutenção da glosa dos créditos de PIS relativos à aquisição de insumos necessários à sua atividade produtiva, razão pela qual interpõe o presente Recurso Especial”. A PGFN apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.483, de 17 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 15586.720243/201162, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.483): "Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço dos Recursos Especiais. No mérito: 1) Recurso Especial da PGFN (Fretes no transporte de insumos entre estabelecimentos) No mérito, como há tempo já o tem feito, de forma majoritária, o CARF, aqui não se adota o conceito do IPI, tampouco o do IRPJ, mas sim, um intermediário, hoje Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 15586.720260/201108 Acórdão n.º 9303008.491 CSRFT3 Fl. 4 3 consagrado e melhor delineado – ainda que não seja possível, à vista da legislação posta, se chegar a um grau de determinação “cartesiano” – nas mais recentes decisões do STJ (mais especificamente, no REsp nº 1.221.170/PR), que levaram inclusive a que a PGFN e a RFB editassem normas interpretativas, para elas vinculantes, quais sejam, a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF e o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, sendo que transcrevo a ementa deste: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o "critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço": a.1) "constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço"; a.2) "ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência"; b) já o critério da relevância "é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja": b.1) "pelas singularidades de cada cadeia produtiva"; b.2) "por imposição legal". Dispositivos Legais. Lei n° 10.637, de 2002, art. 3°, inciso II; Lei n° 10.833, de 2003, art. 3°, inciso II. Em relação às despesas de transportes de insumos entre estabelecimentos, este próprio Parecer admite – ainda que de forma um tanto “indireta” – o creditamento, conforme se vê no seguinte trecho: 142. Sem embargo, permanece válida a vedação à apuração de crédito em relação a combustíveis consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos utilizados nas demais áreas de atividade da pessoa jurídica Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 15586.720260/201108 Acórdão n.º 9303008.491 CSRFT3 Fl. 5 4 (administrativa, contábil, jurídica, etc.), bem como utilizados posteriormente à finalização da produção do bem destinado à venda ou à prestação de serviço. 143. ... Todavia, não se pode deixar de reconhecer que em algumas hipóteses os veículos participam efetivamente do processo produtivo e, consequentemente, os combustíveis que consomem podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos das contribuições. 144. Diante do exposto, exemplificativamente, permitem a apuração de créditos na modalidade aquisição de insumos combustíveis consumidos em: a) veículos que suprem as máquinas produtivas com matériaprima em uma planta industrial; b) veículos que fazem o transporte de matéria prima, produtos intermediários ou produtos em elaboração entre estabelecimentos da pessoa jurídica; 2) Recurso Especial do Contribuinte (Conceito de insumo) Para fazer esta análise, como indicado pelo próprio recorrente, tomo por base as duas listas de insumos glosados pela Fiscalização que figuram no Relatório às fls. 335 a 344): 2.1) Bens utilizados como insumos na produção. Materiais de Laboratório Despesas de Uniformes Material de Limpeza Suprimentos de Informática Imobilizado Escritório – Bens de Natureza Permanente Materiais de Escritório Escritório – Manutenção e Reparos Escritório – Outras Despesas Postagens Expressas Despesas Médicas Treinamento Funcionários Refeições de Negócios Despesas de Entretenimento Eventos e Feiras – Combustíveis Eventos e Feiras – Veículos Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 15586.720260/201108 Acórdão n.º 9303008.491 CSRFT3 Fl. 6 5 Despesas Copa e Cozinha Alimentação Trabalhador Desta relação, somente os 5 (cinco) primeiros itens poderiam dar margem a discussão, mas o grau de indeterminação é tal que somente um detalhamento maior, acompanhado da devida instrução probante, é que poderia nos levar a alguma conclusão, e, nas razões de decidir do Acórdão recorrido, está claro que efetivamente não há elementos para tal: “O exame das referidas planilhas não permite ao julgador constatar que os bens ali discriminados se enquadram no conceito de insumo que vem sendo adotado por este colegiado. Alguns dos itens glosados definitivamente não integram o custo de produção ... Por outro lado, outros itens poderiam gerar o crédito das contribuições ... Entretanto, a defesa não trouxe aos autos uma descrição do processo produtivo, que permitisse ao julgador correlacionar os materiais glosados com as formas pelas quais são utilizados no processo produtivo. No caso concreto, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para lhe opor o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto à sua existência e líquido quanto ao valor pleiteado. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas consignadas no ANEXO I.” 2.2) Bens utilizados como insumos na prestação de serviços (Pela filial em Santos). Aí a primeira listagem “condensa” as glosas, que depois são “segmentadas” no Relatório Fiscal: Frete Planta/Planta Frete Transf IDT INTRACO Despesas de Limpeza Custo de Navios Manutenção e Reparos Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 15586.720260/201108 Acórdão n.º 9303008.491 CSRFT3 Fl. 7 6 Não faz sentido falar em “intercompany” na prestação de serviços (se fossem referentes a transporte de matériasprimas, já teriam sido revertidas as glosas ao não dar provimento ao recurso da PGFN). Quanto às despesas de limpeza, vale o mesmo que foi dito para os bens. As glosas relativas a Custos de Navios já foram revertidas no Acórdão de Embargos. Para ”Manutenção e Reparos”, vamos agora à segunda listagem: Contrato, Despesa, Análise Laboratoriais Prestação Serviço Análises Laboratoriais Diversas Prestação Serviço Assistência Técnica Calibração e Equipamentos Laboratoriais Contrato, Despesa, Combate a Insetos Prestação Serviço, Representação junto ANEEL, Compra Energia Elétrica Conforme Contrato Prestação, Serviço Água/Esgoto Prestação Serviço Aluguel Toalhas Prestação Serviço, Auditoria/Consultoria Prestação Serviço, Desenho Projetos Técnicos Prestação Serviço Planejamento Engenharia Prestação Serviço, Documentos Collect/Delivery Repiso as mesmas considerações feitas quando da análise da listagem dos bens, e, como bem se diz no Acórdão recorrido (fls. 567), “a própria denominação dos itens glosados permite ao homem médio inferir que eles não são aplicados na prestação de serviços a terceiros”, além do que, logo na seqüência, se afirma que “Se a própria recorrente reconheceu que não se tratam de gastos aplicados diretamente na prestação de serviços a terceiros, então não há direito ao crédito”. Por fim, no que se refere à depreciação do vagões utilizados no transporte da fábrica para o porto, esta discussão foge totalmente à relativa ao conceito de insumo, e, ainda, a depreciação de itens do ativo permanente, prevista no inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 – como também colocado com propriedade no Acórdão recorrido – só é relativa a “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 15586.720260/201108 Acórdão n.º 9303008.491 CSRFT3 Fl. 8 7 utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços de insumos entre estabelecimentos”. À vista do exposto, voto por negar provimento aos Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento aos Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001126/2007-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2003, 2004, 2005
PRELIMINAR DE NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO.
O acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal independe de autorização judicial, não implicando quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais.
SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE n° 601.314, e consolidou a tese: O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realize a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o traslado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. Nos termos do art. 62, do Anexo II, do RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho.
INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA AUTORIZADA JUDICIALMENTE. VALIDADE.
Os órgãos administrativos de julgamento não têm competência para apreciar a validade formal ou material das provas obtidas com autorização judicial, e trasladadas, também por determinação judicial, para o procedimento administrativo fiscal para a constituição de ofício do crédito tributário devido.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.
QUÓRUM MÍNIMO. TURMAS DA DELEGACIA DE JULGAMENTO.
O quórum mínimo para o funcionamento das Turmas das Delegacias de Julgamento é de maioria simples, nos termos do art. 13, da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, vigente à época, não havendo que se falar em nulidade da decisão proferida.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO.
Apurada a omissão de rendimentos advindos de pessoa física e não tendo o recorrente apresentado comprovação que a descaracterize, deve ser mantido o lançamento correspondente.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO SONEGAÇÃO. SIMULAÇÃO. FRAUDE. INTUITO DOLOSO. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2401-006.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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SIGILO BANCÁRIO. O acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal independe de autorização judicial, não implicando quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais. SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE n° 601.314, e consolidou a tese: “O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realize a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o traslado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. Nos termos do art. 62, do Anexo II, do RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA AUTORIZADA JUDICIALMENTE. VALIDADE. Os órgãos administrativos de julgamento não têm competência para apreciar a validade formal ou material das provas obtidas com autorização judicial, e trasladadas, também por determinação judicial, para o procedimento administrativo fiscal para a constituição de ofício do crédito tributário devido. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. QUÓRUM MÍNIMO. TURMAS DA DELEGACIA DE JULGAMENTO. O quórum mínimo para o funcionamento das Turmas das Delegacias de Julgamento é de maioria simples, nos termos do art. 13, da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, vigente à época, não havendo que se falar em nulidade da decisão proferida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 11 26 /2 00 7- 03 Fl. 762DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.671 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001126/2007-03 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Apurada a omissão de rendimentos advindos de pessoa física e não tendo o recorrente apresentado comprovação que a descaracterize, deve ser mantido o lançamento correspondente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO SONEGAÇÃO. SIMULAÇÃO. FRAUDE. INTUITO DOLOSO. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementá-lo (fls. 416/423). Pois bem. Ao fim da ação fiscal em face do contribuinte acima qualificado lavrou- se auto de infração (fls. 123 a 138 e 576), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos- calendário 2002, 2003 e 2004, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 462.445,62 (quatrocentos e sessenta e dois mil, quatrocentos e quarenta e cinco reais e sessenta e dois centavos), sendo R$ 130.444,82 (cento e trinta mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e Fl. 763DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.671 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001126/2007-03 oitenta e dois centavos) referentes ao imposto, R$ 195.667,22 (cento e noventa e cinco mil, seiscentos e sessenta e sete reais e vinte e dois centavos) relativos à multa proporcional, R$ 61.581,86 (sessenta e um mil, quinhentos e oitenta e um reais e oitenta e seis centavos) correspondentes a juros de mora, calculados até 31/08/2007, e R$ 74.751,72 (setenta e quatro mil, setecentos e cinquenta e um reais e setenta e dois centavos) referentes à multa exigida isoladamente. O contribuinte, que tem como principal atividade a prestação de serviços de odontologia, foi autuado por omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas e multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão. A presente fiscalização resultou do trabalho de investigação desenvolvido pelo Escritório de Pesquisa e Investigação (ESPEI) na 7a Região Fiscal a pedido da DEFIC/RJ (Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro), atual DEFIS/RJ. A ação fiscal teve como objetivo verificar a possível omissão de rendimentos tributáveis, tendo em vista a apresentação de sinais exteriores de riqueza por parte do contribuinte não compatíveis com seus rendimentos declarados. Suas DAA (Declarações de Ajuste Anual) referentes aos anos-calendário 2002 e 2004 foram entregues A SRF (Secretaria da Receita Federal), atual RFB (Secretaria da Receita Federal do Brasil) em 01/09/2006 (fls. 4 a 6 e 9 a 11). A DAA referente ao ano-calendário 2003 (fls. 7 e 8), sem qualquer valor de rendimento, foi recepcionada pela SRF em 26/11/2004, porém o contribuinte nega a autoria, afirmando que teria tentado entregar a sua DIRPF Ex 2004/AC 2003 (fls. 100) e que, por impedimentos do sistema da SRF, ele não teria conseguido apresentá- la. O relatório elaborado pelo ESPEI serviu de base para que a Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro solicitasse a expedição de Mandado de Busca e Apreensão em seis endereços relacionados ao contribuinte. Os documentos relacionados ao contribuinte foram encaminhados à equipe fiscal. No início da ação fiscal, o contribuinte foi intimado a apresentar o Livro Caixa utilizado para a elaboração das DIRPF (Declarações de 'Imposto de Renda Pessoa Física) referentes aos anos-calendário 2002 e 2004. 0 intimado apresentou o Livro Caixa referente ao período compreendido entre janeiro de 2002 e dezembro de 2004. Confrontando as DTRPF Ex 2003 e 2005/ AC 2002 e 2004 (fls. 4 a 6 e 9 a 11), no campo específico a acusar os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas (fls. 5 e 10) com os depósitos bancários na conta-corrente 18574-4, agência 1785-0, do Bradesco, conjunta com sua ex-esposa, Andréa Fernandes Lopes (fls. 331 a 396), a autoridade fiscal subtraiu do valor total dos depósitos, cujas origens não foram comprovadas, os rendimentos recebidos de pessoa física oferecidos A tributação anteriormente ação fiscal (fls. 119 a 120) para chegar à base tributável (fls. 124 e 125). Em relação ao ano-calendário 2003, a fiscalização considerou que o contribuinte não havia oferecido rendimento algum recebido de pessoa física sujeito a carnê-leão, considerando a Declaração original (fls. 7 e 8) como válida para efeito de lançamento (fls. 118). Sendo assim todos os depósitos efetuados na conta 18574-4, agência 1785-0, do Bradesco, no ano de 2003, cujas origens não foram justificadas, serviram de base tributável (fls. 119), tendo em vista que, muito embora o contribuinte tenha apresentado o Livro Caixa com escrituração do período, não a refletiu em sua DIRPF EX 2004/AC2003. Fl. 764DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.671 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001126/2007-03 Convém salientar que o próprio autuado admitiu que os depósitos efetivados em sua conta-corrente (conjunta com sua ex-esposa) referem-se a créditos oriundos de sua função como prestador de serviços de odontologia (fls. 47). Sobre a infração apurada calculou-se a multa isolada, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 126 a 128). Tal auto de infração ensejou processo n° 18471.001228/2007-11, de Representação Fiscal para Fins Penais. Cientificado do Auto de Infração em 01/10/2007 (fls.576), o contribuinte protocolizou impugnação em 26/10/2007 (fls 581 a 584), em que apresenta as razões, resumidamente relatadas abaixo: (a) Que ele teria tentado apresentar a DIRPF Ex 2004/ AC 2003 por meio eletrônico (fls. 100 e 593), posteriormente teria tentado entregar esta mesma declaração em papel em um CAC — Centro de Atendimento ao Contribuinte (fls.587 a 590) e como não obteve êxito em nenhuma das duas vezes, ele requereu a juntada de sua DIRPF Ex 2004 / AC 2003 (sem homologação da RFB) para processo criminal em que figura como parte (fls. 591 e 592); argumentando que suas tentativas de entrega da DIRPF em questão se deram quando ainda estava em situação de espontaneidade; (b) Que os rendimentos recebidos de pessoas físicas como remuneração por sua atividade como dentista eram depositados no mesmo seguinte ao da escrituração no livro caixa e por isso os valores não coincidem; (c) Que os rendimentos escriturados no livro caixa devem ser considerados como oferecidos à tributação; (d) Que depósitos referentes a empréstimos de terceiros e cheques pré-datados foram considerados como rendimentos, os quais deveriam ser excluídos da base de cálculo tributável; (e) Que não deveria prosperar a aplicação da multa agravada de 150%, pelo fato de que o impugnante teria apresentado todas as declarações faltantes baseadas em seu livro caixa antes do início do procedimento fiscal e de que também teria apresentado todos os documentos solicitados pela fiscalização. O contribuinte não impugnou a multa isolada. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do Acórdão nº 13-18.152 (fls. 416/423), cujo dispositivo considerou o lançamento procedente, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA. ONUS DA PROVA. Disponibilidades e dispêndios caracterizadores de sinais exteriores de riqueza sem cobertura em rendimentos declarados, tributados, não tributados ou tributados exclusivamente na fonte, autorizam a presunção de omissão de rendimentos, salvo prova em contrário, a cargo do contribuinte. Fl. 765DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.671 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001126/2007-03 IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. A simples alegação desacompanhada dos meios de prova que a justifiquem não é eficaz. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento de ofício exclui a espontaneidade do contribuinte quanto a matéria e períodos fiscalizados e enseja a cobrança de multa de ofício sobre as infrações apuradas do imposto de renda. Não se consideram espontâneas as entregas de declarações (ou tentativas de faze-las) sem a prova efetiva das mesmas. MULTA DE OFÍCIO DEVIDO A OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE 'OU CONLUIO. O lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados que os art. 71 a 73 da lei 4.502/64 elencam como caracterizadores de sonegação, fraude ou conluio, ou mesmo que assumiu o risco de produzi-los. Manutenção da multa 'quando os elementos dos autos fazem prova de tal conduta. Lançamento Procedente Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou, em síntese, os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: Da Base Tributável 1. O impugnante se insurge em relação A não aceitação de sua DIRPF Ex 2004/AC 2003, alegando que isso aconteceu por alguém, que não ele, ter entregado uma DIRPF deste período, em seu nome, em 26/11/2004 (fls.7 e 8). Afirma que tentou apresentá-la, constando com os rendimentos escriturados no livro caixa por meio eletrônico (fls. 100 e 593) e em papel em um CAC — Centro de Atendimento ao Contribuinte (fls. 587 a 590), porém a declaração foi recusada, pois estava em modelo completo, enquanto a primeira estava em modelo simplificado. Sendo assim, ele teria requerido a juntada da DIRPF Ex. 2004 ao juízo (fls. 591 a 592). 2. O contribuinte afirma que tentou retificar a sua declaração original antes do início do procedimento fiscal, porém em nenhuma das duas tentativas (fls. 100 e 587 a 590) há a informação da data em que teriam se dado. Ademais, a juntada de documentos ao processo judicial em nada obriga esta secretaria a homologar tal declaração de imposto de renda, pois não há qualquer decisão exarada pela autoridade judicial que a vincule neste sentido. 3. Portanto, não há certeza de que o contribuinte tentou apresentar a declaração retificadora no período de espontaneidade, ou seja, antes do início do procedimento fiscal. Sendo assim, não dou razão ao contribuinte. 4. O impugnante assevera que os rendimentos recebidos de pessoas físicas relativos à remuneração por sua atividade como dentista eram depositados no mês seguinte ao da escrituração no livro caixa e por isso 'os valores não coincidem. Ele se refere a acórdãos do Conselho de Contribuintes acerca da presunção de omissão de rendimentos para depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 766DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.671 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001126/2007-03 5. Para afastar a presunção de omissão de rendimentos, o contribuinte deveria ter apresentado as provas de suas alegações. 6. Não tendo o contribuinte oferecido tais rendimentos oriundos de sua atividade laborativa à tributação, não há como atribuir a outrem, com base apenas em alegações desprovidas de provas inequívocas, a titularidade dos recursos movimentados. 7. Alega o interessado que os rendimentos escriturados no livro caixa devem ser considerados como oferecidos à tributação. 8. Foram considerados como oferecidos à tributação os valores escriturados no livro caixa e informados nas DIRPF Ex 2005 e 2003. Quanto à D1RPF Ex 2004/AC2003, partindo-se do princípio de que o autuado não a entregou em 26/11/2004 (fls. 7 e 8), também não tentou entregá-la posteriormente, pois não prova a efetiva tentativa, conforme já abordado. 9. Alega o contribuinte que depósitos referentes a empréstimos de terceiros e cheques pré-datados foram considerados como rendimentos, os quais deveriam ser excluídos da base de cálculo tributável. 10. Não procede esta afirmação, tendo em vista que o contribuinte não trouxe aos autos provas de tal alegação. Além disso, ele próprio afirmou durante o procedimento fiscal que os depósitos nesta conta corrente eram provenientes da sua atividade como dentista. Da Multa Agravada 11. O autuado assevera que não deveria prosperar a aplicação da multa agravada de 150%, pelo fato de que o impugnante teria apresentado todas as declarações faltantes baseadas em seu livro caixa antes do início do procedimento fiscal e de que também teria apresentado todos os documentos solicitados pela fiscalização. 12. Ficou caracterizado o evidente intuito de fraude por parte do contribuinte, tendo em vista que não ofereceu à tributação a totalidade de seus rendimentos advindos da sua atividade profissional reiteradamente, nos anos-calendário 2002 e 2004. No ano-calendário 2003 a situação é mais grave, pois não ofereceu qualquer rendimento ao fisco. 13. A exigência da multa qualificada de 150% está fundamentada no art. 44, II da Lei 9430/1996 c/c art. 106, II, "c" da Lei 5172/1966, que prevê o agravamento em 100% da multa de oficio de 75%, nos casos de sonegação, fraude ou conluio. 14. Os documentos dos autos demonstram que o impugnante omitiu dolosamente ao fisco o recebimento de recursos, com o fim de evitar o pagamento de tributos, conforme definido no art. 71 da lei 4.502/64, o que autoriza a aplicação da multa de 150%, por ficar evidenciado o intuito de fraude. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 434/456), Fl. 767DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.671 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001126/2007-03 apresentando, em síntese, os seguintes argumentos, além de anexar os documentos de fls. 457/757: a. O Sr. Heber Lopes teve sua residência violada por policiais armados, para apurar uma suposta possibilidade de Omissão de Rendimento. Uma total violação da constituição! Violaram seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, antes mesmo da instauração do processo administrativo, quando o sigilo bancário de um cidadão só deve ser quebrado quando o interesse da sociedade corre algum risco ou quando há evidência e apuração de atos na Esfera Criminal. b. O Relator se engana ao afirmar que não há provas da tentativa da entrega da DIRF Ex 2004/AC 2003 ao CAC, que já foi apresentado, e de provas materiais que comprovam a entrega da DIRPF Ex 2004/AC 2003, em juízo. Cabe ressaltar que todas as provas materiais estão devidamente datadas (doc. em anexo). c. Foi apresentada prova material comprovando a data da entrega da DIRPF Ex 2004/AC 2003 em juízo, o qual tem Fé Pública (doc. em anexo). d. Também foi apresentada PROVA MATERIAL, com data de 09/2006, da ida do Sr. Heber Lopes ao CAC de Ipanema e de sua tentativa de entregar a DIRPF Ex 2004/AC 2003. e. A DIRPF Ex 2004/AC 2003 foi entregue em Juízo em 22 de novembro de 2006 e deveria ter sido homologada pela Receita Federal. Além do mais, por que o Sr. Heber faria todas as DIRPF referentes aos anos-calendários de 2001 a 2005 e não faria a DIRPF referente ao ano-calendário 2003? f. Todas as datas da entrega das DIRPF são anteriores a 14/12/2006 quando foi instaurado o processo administrativo fiscal contra o Sr. Heber. Por tanto, todas foram entregues "ESPONTANEAMENTE" pelo contribuinte. g. Engana-se novamente o Relator e a Ilma. Auditora Fiscal, pois as origens foram comprovadas, com Prova Material, de que se originavam de sua principal atividade profissional. Foi respondido, pelo contribuinte, no processo administrativo que: "São rendimentos oriundos da escrituração do Livro Caixa dos anos de 2001 a 2004 e dos anos anteriores a estes, de empréstimos pessoais de terceiros, transações de factoring realizadas, rendimentos recebidos de pacientes e trocas de cheques pré-datados do Sr. Heber e de seus pacientes". (doc. em anexo) h. 0 Sr. Heber nunca afirmou que todos os rendimentos eram depositados no mês seguinte ao de sua Escrituração no Livro Caixa, pelo contrário, ele disse que os depósitos não teriam que coincidir com a escrituração no Livro Caixa. i. Na movimentação bancária de uma conta corrente não passa apenas os rendimentos do mês do contribuinte, passa todo dinheiro que o contribuinte possui dos ganhos ao longo de sua vida. j. Porem mesmo a Auditora Fiscal, tendo pleno conhecimento destes fatos, insiste em tributar o contribuinte através de sua movimentação bancária, sob a alegação de que a origem dos depósitos não foi comprovada. Fl. 768DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-006.671 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001126/2007-03 k. A Auditora Fiscal não considerou que o contribuinte pode depositar ou não depositar o dinheiro no mês em que o recebe, sendo de sua total escolha depositá-lo ou não. Considerou como se fosse regra única depositar seus rendimentos em conta corrente, obrigatoriamente, no mês de seus recebimentos e de sua escrituração no Livro Caixa, desta forma o contribuinte está sendo muito prejudicado. l. A Auditora Fiscal não considerou que restou R$ 25.681,88, do rendimento escriturado no livro caixa no mês de Março/2004, que não foi depositado em conta corrente, e que este valor pode ter sido depositado no mês seguinte ou nos meses subsequentes a ele. m. Este é apenas um dos equívocos da Auditora Fiscal, porem caracteriza claramente o que ocorreu e põe fim a sua Teoria de Presunção de Omissão de Rendimentos. n. A Auditora fiscal teria como afirmar em qual mês este Crédito de R$ 25.681,88, referentes aos rendimentos escriturados no mês de março/2004, foi depositado? o. É conhecido por todos que os tribunais só consideram a movimentação bancária como omissão de rendimento quando há evolução patrimonial. p. A DIRPF 2004/ AC 2003, considerada, entregue não é a minha. Foi entregue a R.F. por outra pessoa, com a intenção de prejudicar. Se fosse minha eu teria conhecimentos do que estava acontecendo o Sr. Heber, se não ele não iria até o CAC (Centro de Atendimento ao Contribuinte / Ipanema) para resolver o problema. q. Se a Receita Federal tivesse mais interesse em facilitar a vida do contribuinte ela teria resolvido a situação sem prejudicar o contribuinte. E o mais grave, a Receita Federal está usando os próprios erros contra o Sr. Heber. r. O Sr. Heber Lopes está sendo prejudicado pela limitação da Receita Federal. s. A baixa qualidade dos serviços prestados pela Receita Federal prejudica a vida dos contribuintes. t. Todos os rendimentos foram declarados no Livro Caixa na data de seu recebimento, depois eles foram depositados nas contas, não obrigatoriamente no mesmo mês, muitas vezes eles foram guardados "por anos" e só depois eram depositados em conta. Por esse e outros motivos os depósitos não devem, obrigatoriamente, coincidir mês a mês com os lançamentos realizados no Livro Caixa. Até porque o Sr. Heber Lopes exerce sua atividade há muitos anos e sempre teve rendimentos. u. O Sr. Heber sempre evitou depositar seu dinheiro na conta, ele depositava o suficiente para cobrir os cheques que eram emitidos por ele e depositava os cheques de seus pacientes recebidos como pagamento para compensar e sacava importâncias em espécie com cheques próprios no caixa do Banco. Fl. 769DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-006.671 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001126/2007-03 v. O relator se engana novamente. No documento que PROVA materialmente que a DIRPF 2004/ AC 2003 foi entregue em juízo está autenticada a data que foi impressa pela máquina da Receita Federal. Veja no documento em anexo (datado de 22/11/2006). w. Há data no documento que comprava a tentativa de entregar a DIRPF Ex. 2004/ AC 2003 no CAC (Centro de Atendimento ao Contribuinte) antes do início do processo fiscal (mês 9 de 2006). x. Neste documento aparece a tela do computador da Receita Federal versão de 2006 no mês 09. Por tanto, isso ocorreu antes que se iniciasse o procedimento fiscal. y. Há também a data da entrega das DIRPF referentes aos anos de 2001 a 2005. z. O Livro Caixa das DIRPF 2001 a 2005, que foi encadernado, possui termo de abertura e encerramento com datas anteriores a do início do Processo Administrativo (doc. em anexo). aa. O contribuinte requer que a Receita Federal homologue a DIRPF Ex. 2004/ AC 2003 já entregue em juízo, sem que nenhum ônus recaia sobre ele e que a Receita aceite o parcelamento dos débitos juntamente com os que já foram parcelados. Até porque a Justiça, fatalmente, autorizará a aceitação da DIRPF Ex. 2004/AC 2003. bb. Cabe ressaltar que a Ilma. Auditora Fiscal (ora autora) não comprovou com provas materiais a existência de Omissão de Rendimentos Tributáveis por parte do contribuinte. Por tanto, não cabe ao Réu (o Contribuinte) provar a existência de algum fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. cc. É direito de o contribuinte ser julgado pelos cinco membros da Turma do Julgamento e no caso específico do Sr. Heber apenas dois membros da 3a Turma julgaram o Auto de Infração. Se fosse correto que somente dois membros julgassem o recurso, a turma não seria composta de 5 membros. dd. Impugnação da Multa de 150% sobre o valor do I.R. Já está mais do que provado que não houve a intenção, por parte do Sr. Heber Lopes, de burlar o FISCO estando ele comprovadamente ESPONTÂNEO procurando regularizar a sua Situação Fiscal antes mesmo da Instauração do Processo Fiscal Administrativo. Este Auto de Infração "INCORRETO" está colocando-o em uma situação de irregularidade por ser totalmente IMPAGÁVEL e tornando impossível a regularização de sua Vida Fiscal, Social, Familiar e Profissional. ee. IMPUGNO a cobrança de juros, correção e multas cobrados neste processo, pois ultrapassam os limites permitidos pela Constituição Federal. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 770DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-006.671 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001126/2007-03 Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Preliminares. 2.1. Das alegações de violação aos sigilos bancário e telefônico. Preliminarmente, do que se depreende da confusa peça recursal, o contribuinte alega a violação de seu sigilo bancário que, no seu entendimento, só seria possível quando o interesse da sociedade corre algum risco ou quando há evidência e apuração de atos na Esfera Criminal. Entendo que a insatisfação do recorrente, neste ponto, não merece prosperar. Isso porque, o acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal, além de não depender de autorização judicial, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais. A propósito, o Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE n° 601.314, e consolidou a seguinte tese: “O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o traslado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. Nos termos do art. 62, do Anexo II, do RICARF, essa decisão deve ser repetida pelos Conselheiros. O recorrente também alega a violação ao sigilo telefônico. Contudo, além de não ter notícia nos autos, sobretudo no Termo de Verificação Fiscal (fls. 672/680), a respeito da utilização do referido expediente para o lançamento tributário, cabe destacar que os órgãos administrativos de julgamento não têm competência para apreciar a validade formal ou material das provas obtidas com autorização judicial, e trasladadas, também por determinação judicial, para o procedimento administrativo fiscal para a constituição de ofício do crédito tributário devido. Para além do exposto, constato que o presente lançamento tributário atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, havendo a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, bem como a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte, de modo que restam afastadas quaisquer hipóteses de nulidade do lançamento. O lançamento em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado de relatório fiscal, tudo conforme a legislção. Por fim, cumpre assentar que falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente Fl. 771DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-006.671 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001126/2007-03 ao Poder Judiciário, podendo apenas reconhecer inconstitucionalidades já declaradas pelo Supremo Tribunal Federal, e nos estritos termos do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. 2.2. Da alegação de nulidade da decisão da DRJ por inobservância do quórum mínimo. O recorrente, também em sede de preliminar, alega a nulidade da decisão proferida pela Turma de Julgamento, eis que teria sido composta por apenas dois de seus membros, sendo, no entendimento do recorrente, necessária a participação de pelo menos cinco julgadores. Primeiramente, é preciso pontuar que a decisão de piso, conforme consta na fl. 417, foi proferida por três julgadores, quais sejam: Renata Lins Canito (Relatora); Cristina Rodrigues Leitão Prodanoff (Presidente) e Sérgio Galvão Ferreira Garcia. Constam como ausentes justificadamente os julgadores Maria Celina Soares Silva e Luiz Ernesto Moraes Silva. Assim, entendo que restou plenamente atendido o quórum mínimo de 3 (três) julgadores para a realização da sessão, eis que a deliberação foi tomada com a observância da maioria simples, nos termos do art. 13, da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, vigente à época. 3. Mérito. 3.1. Da Omissão de Rendimentos. Conforme narrado, a acusação fiscal consiste na omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoas físicas, além da multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão. Segundo consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 672/680), tendo em vista que o contribuinte, ao informar em sua DAA, R$ 0,00 como rendimentos recebidos, não houve qualquer valor de dedução correspondente ao desconto simplificado (20% do rendimento declarado), de modo que foi compensado no lançamento o valor de R$ 9.400,00, como desconto simplificado (limite máximo legal para o desconto), conforme art. 2° e 15 da Lei n° 10.451/2002 e art. 62, da Lei n° 10.637/2002. Inicialmente, cumpre destacar que o contribuinte não se insurge contra a multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, sendo essa matéria, portanto, não litigiosa. A respeito da acusação fiscal de omissão de rendimentos, o recorrente insiste na tese, segundo a qual, a não aceitação de sua DIRPF Ex 2004/AC 2003, ocorreu, tendo em vista que, alguém, que não ele, transmitiu uma DIRPF deste período, em seu nome, em 26/11/2004 (fls.7 e 8). Afirma, ainda, que tentou apresentá-la, constando com os rendimentos escriturados no livro caixa por meio eletrônico (fls. 100 e 593) e em papel em um CAC — Centro de Atendimento ao Contribuinte (fls. 587 a 590), porém, a declaração foi recusada, pois estava em modelo completo, enquanto a primeira estava em modelo simplificado. Sendo assim, ele teria requerido a juntada da DIRPF Ex 2004/AC 2003 ao juízo (fls. 591 a 592). Conforme se constata do documento de fl. 395, o contribuinte tomou ciência do lançamento tributário em 01/10/2007, tendo apresentado sua impugnação em 26/10/2007. Ademais, tem-se que, de acordo com o documento de fls. 569/570, o procedimento fiscal em face do contribuinte teve início em 11/12/2006. Quando da impugnação, o contribuinte juntou os seguintes documentos: (i) Cópia da DIRF 2004 efetuada pelo contribuinte (fls. 406/409); (ii) Cópia de solicitação de juntada da Fl. 772DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2401-006.671 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001126/2007-03 DIRPF ao Processo Judicial n° 2005.51.01.538.244 (fls. 410/411); (iii) Cópia da mensagem de transmissão da DIRPF 2004 pelo sistema Receitanet (fl. 412); (iv) Declaração de não reconhecimento de DIRF, com data de 25/10/2007 (fl. 413); (v) Extrato Bancário (fl. 414). Já em seu Recurso Voluntário, colacionou os documentos de fls. 457/553, que, em boa parte, repetem os documentos já apresentados, anteriormente, em sua impugnação. Após analisar a documentação acostada aos autos, tenho posicionamento coincidente com o exarado pela decisão de piso. Caberia ao contribuinte, ao meu ver, apresentar prova de suas alegações, no sentido de que tais rendimentos foram oferecidos à tributação por meio da DIRPF Ex 2004/AC 2003. Contudo, pelo que consta nos autos, notadamente na Declaração de Ajuste Anual Simplificada – 2004 (fls. 563/565), os valores de todos os campos estão zerados, o que significa dizer que o recorrente não ofereceu qualquer valor à tributação. Cabe destacar que o simples fato de determinadas receitas estarem escrituradas no Livro Caixa, não é o suficiente para considerar tais valores como oferecidos à tributação, mormente considerando que a Declaração de Ajuste Anual entregue, conforme visto, está zerada. Ademais, o próprio contribuinte afirmou serem os créditos oriundos de sua função como prestador de serviços em odontologia, motivo pelo qual, reputo como correto o procedimento da Fiscalização de considerar como rendimentos omitidos as diferenças apuradas entre os valores informados no Livro Caixa e os depósitos feitos em conta corrente. Embora o contribuinte alegue que foi impedido de entregar sua DAA/2004 pelo sistema da RFB, conforme esclarecido pela Fiscalização, o óbice ocorre, tendo em vista que a alteração do formulário de simplificado para completo é vedada pela legislação, nos termos do art. 57, da IN SRF n° 15/2001, vigente à época. Ao meu ver, caberia ao contribuinte, antes do início de qualquer procedimento fiscal, retificar sua DAA, em conformidade com os termos da IN SRF n° 15/2001, vigente à época. E, ainda, conforme bem pontuado pela decisão de piso, a juntada da DAA ao processo judicial, não implica na automática homologação da declaração de imposto de renda no sistema da RFB, sem que haja decisão judicial neste sentido, o que não restou demonstrado nos autos. Para além do exposto, conforme pontuado pela Fiscalização, a cópia da tela do sistema da RFB de entrega da Declaração com a informação de que não é possível receber a DAA, não permite estabelecer a data em que foi promovida a tentativa de entrega da nova declaração, de modo que não se pode verificar se o contribuinte estava espontâneo ou não. Dessa forma, considerando que o contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar o oferecimento de tais valores à tributação, não há como afastar a acusação fiscal de omissão de rendimentos de trabalho, sem vínculo empregatício, recebidos de pessoas físicas. 3.2. Da Multa Qualificada de 150%. O recorrente insiste na tese de que a multa de ofício qualificada seria incabível, pois entende que inexiste comprovação, por parte da Autoridade Fiscal, de que a incorreu nas hipóteses legais para a qualificação da penalidade. A multa aplicada in casu foi aquela estabelecida no art. 957, inciso II, do RIR/99, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Fl. 773DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2401-006.671 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001126/2007-03 A justificativa para a imposição da multa qualificada, encontra-se disposta da seguinte forma, conforme Termo de Constatação e Verificação Fiscal (fls. 672/680): 4 – Lançamento e multa de ofício: Assim sendo, foram lançados os valores omitidos apurados nos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004 conforme quadros acima, demonstrando que o procedimento foi adotado de forma repetitiva, nos exercícios de 2003 a 2005. O trabalho desenvolvido pelo ESPEI demonstrou que o contribuinte apresentava um padrão de vida incompatível com os rendimentos declarados. Alem disso, foi apurado por esta fiscalização omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, que somados aos rendimentos declarados estão compatíveis com o padrão econômico do Sr. Heber. A Lei n° 8.137/90 que define os crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo, estabelece em seu artigo 1°: Art. 1° "Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I - omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II - fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III - falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; IV - elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou inexato; V - negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecê-la em desacordo com a legislação. (grilos nossos) Portanto, a omissão apurada por esta fiscalização baseada nas respostas apresentadas pelo contribuinte, suas DAA apresentadas, bem como no Relatório elaborado pelo ESPEI desta SRRFB, está inserida na disposição do artigo 1° da Lei n° 8.137/1990. Levando-se em consideração tudo que foi apurado pelo ESPEI e por esta fiscalização, está caracterizada, em tese, a intenção do contribuinte em omitir rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas, o que demonstra o intuito do contribuinte de eximir-se de pagar os tributos devidos, caracterizando evidente intuito de fraude, cabendo assim a aplicação da multa prevista no inciso II do art. 957 do RIR/99, de 150%. Para a exasperação da multa de ofício é necessária a existência do elemento subjetivo do dolo e a demonstração de emprego de conduta tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Os fatos narrados na acusação fiscal, sobretudo os apurados pelo Escritório de Pesquisa e Investigação (fls. 697/757), ao meu juízo, são motivos suficientes a justificar a exasperação da multa, devendo, portanto, ser mantida no percentual de 150%. Cabe destacar os seguintes excertos: IV. CONCLUSÃO De todo o exposto ao longo do presente relatório, parece evidente em HEBER LOPES a intenção de, por anos a fio, ocultar seus rendimentos e bens da fiscalização federal. Além disso, acredita-se ter demonstrado claramente, e com fartura de evidências, a provável estratégia de blindagem patrimonial posta em prática pelo contribuinte. Fl. 774DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2401-006.671 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.001126/2007-03 Estratégia essa destinada a evitar que seus bens, particularmente imóveis, sejam alcançados pela penhora decorrente das 9 (nove) execuções fiscais em curso contra o contribuinte na Justiça Federal do Rio de Janeiro. Pelo que foi possível apurar, HEBER LOPES teria que contar com a colaboração de ao menos duas pessoas, no sentido de levar a cabo esse estratagema: sua ex-cônjuge ANDREA FERNANDES LOPES, e seu pai ANACLETO LOPES DA ROSA. Este, figurando como proprietário de direito de bens imóveis adquiridos por seu filho, apesar de não apresentar em absoluto condições econômico-financeiras que lhe permitam o aporte de recursos destinados à compra desses bens. Aquela, por permitir transitarem por sua conta bancária os rendimentos oriundos da atividade profissional de HEBER LOPES, bem como por figurar como proprietária também de imóveis dos quais HEBER LOPES aparenta claramente ser o proprietário, como é o caso da cobertura onde este reside e vem efetuando dispendiosas reformas. Os trabalhos realizados lograram verificar ser impossível a auditoria tributária dos rendimentos auferidos nos últimos cinco exercícios por HEBER LOPES, se forem utilizados os métodos usuais de fiscalização. Essa impossibilidade é demonstrada por sua contumaz atitude de desrespeito à legislação tributária. Atitude essa possibilitada pela aparente ineficácia dos instrumentos legais ordinários disponíveis à Fazenda Nacional, que não têm sido eficientes também para executar os inúmeros créditos tributários lançados pela Receita Federal. Também em face dessa constatação é que se conclui pela necessidade da busca de meios de prova por meio de mandado de busca e apreensão, a ser executado nos endereços residencial e comercial de BEBER LOPES, além das residências de ANDREA FERNANDES LOPES e ANACLETO LOPES DA ROSA. As evidências fiscais a serem obtidas nesses mandados decerto serão essenciais na instrução dos procedimentos administrativo-fiscais a serem iniciados no âmbito desta SRF, que deverão abranger essas três pessoas físicas, além da PJ ROSA FERNANDES EDITORA E DISTRIBUIDORA LTDA. Essa PJ, relembre-se, apesar de vir apresentado DIRPJ na qualidade de inativa desde o exercício 2002, tem sido a responsável pelo pagamento do aluguel da clínica ocupada por BEBER LOPES. (...) Dessa forma, entendo que, também neste ponto, não assiste razão ao recorrente. 3.3. Das Alegações de Inconstitucionalidade. Sobre as alegações de inconstitucionalidade aventadas pelo recorrente, sobretudo a respeito da cobrança de juros, correção e multas, que ultrapassariam os limites permitidos pela Constituição Federal, cumpre novamente assentar que falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário, podendo apenas reconhecer inconstitucionalidades já declaradas pelo Supremo Tribunal Federal, e nos estritos termos do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 775DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721103/2008-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
ITR. IMÓVEL DESAPROPRIAÇÃO. IMISSÃO DA POSSE. PERDA DA POSSE ANTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DECRETO CRIADOR DA FLORESTA NACIONAL. PROPRIETÁRIO. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Comprovado nos autos que a área total do imóvel está dentro dos limites da Floresta Nacional criada antes da data de ocorrência do fato gerador do qual decorreu a perda da posse e esvaziamento do conteúdo econômico inerente à exploração do direito de propriedade e tendo sido a gleba integrada a estrutura do IBAMA, deve-se cancelar o lançamento por ilegitimidade passiva do proprietário.
Numero da decisão: 2401-006.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.720663/2007-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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IMÓVEL DESAPROPRIAÇÃO. IMISSÃO DA POSSE. PERDA DA POSSE ANTERIORMENTE À DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DECRETO CRIADOR DA FLORESTA NACIONAL. PROPRIETÁRIO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Comprovado nos autos que a área total do imóvel está dentro dos limites da Floresta Nacional criada antes da data de ocorrência do fato gerador do qual decorreu a perda da posse e esvaziamento do conteúdo econômico inerente à exploração do direito de propriedade e tendo sido a gleba integrada a estrutura do IBAMA, deve-se cancelar o lançamento por ilegitimidade passiva do proprietário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.720663/2007-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 11 03 /2 00 8- 05 Fl. 243DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.523 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721103/2008-05 relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.516, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10283.720663/2007-53, paradigma deste julgamento. “DEDINI S.A. EQUIPAMENTOS E SISTEMAS, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Turma da Delegacia Regional de Julgamento, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural - ITR, em relação ao exercício em questão, conforme Notificação de Lançamento e demais documentos que instruem o processo. Trata-se de Notificação de Lançamento, lavrada nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindo-se crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente da glosa da área de preservação permanente por não restar comprovada e arbitramento do valor da terra nua - VTN. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, discordando da cobrança, por não ser mais de sua propriedade o imóvel em questão, desde a publicação do Decreto n° 2.485/1998, por ter sido desapropriado pelo INCRA e integrado à “Floresta Nacional de Humaitá” no Amazonas. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornando-o sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.516, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10283.720663/2007-53, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.516, de 09 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Fl. 244DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.523 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721103/2008-05 Acórdão nº 2401-006.516 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Conforme se depreende da análise do Recurso Voluntário, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, não ser mais de sua propriedade o imóvel em questão, desde a publicação do Decreto n° 2.485/1998, por ter sido desapropriado pelo INCRA e integrado à “Floresta Nacional de Humaitá” no Amazonas, sendo incabível a cobrança do imposto. Como se observa, sinteticamente, a discussão travada nos presentes autos diz respeito à legitimidade passiva do contribuinte, relativamente ao imóvel rural em comento, em face da suposta desapropriação da terra pelo INCRA. Por sua vez, a Delegacia de Julgamento, o nobre relator do voto condutor do Acórdão recorrido acolheu a pretensão fiscal, entendo que o contribuinte continua sendo o proprietário, ou seja, responsável pelo tributo até a transferência da propriedade para o INCRA ou da imissão prévia da posse. Pois bem! O sujeito passivo do ITR é aquele que possui o animus domini em relação àquele imóvel, capaz de justificar a tributação, na forma que exigem os artigos 1º e 4º, da Lei nº 9.363/1996, in verbis: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. No mesmo sentido, prescreve o artigo 31 do Código Tributário Nacional, senão vejamos: Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Neste ponto, aliás, impende suscitar que os dispositivos retro, alternativamente, são por demais enfáticos ao estabelecerem que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, reforçando o entendimento de que, inobstante haver o "proprietário" do imóvel, se este não deter o domínio útil, afasta-se, assim, sua legitimidade passiva. Com a devida vênia aos que divergem desse entendimento, compartilhamos com aqueles que defendem não caber à autoridade fiscal, discricionariamente, escolher o contribuinte a partir de sua propriedade (uma das hipóteses legais), afastando-se dos elementos que comprovam a inexistência de seu domínio útil e, bem assim, a posse a qualquer título dos invasores (duas das hipóteses legais). No caso concreto, a recorrente junta aos autos a seguinte documentação com o fito de comprovar suas alegações, quais sejam: a) Portaria/DF n° 326 de 03/12/1982, onde o INCRA arrecadou, como terra devoluta, a área denominada “Gleba Boa Esperança", situada no Municipio de Humaitá, Estado do Amazonas, incorporando-a ao patrimônio da União Federal, Fl. 245DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.523 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721103/2008-05 sendo que na referida área encontram-se as áreas relativas às Fazendas “Mogno I", “Mogno II" e “Mogno III" b) Decreto n° 2.485/98, criando a "Floresta Nacional de Humaitá", dentro da qual se encontra a Gleba Boa Esperança, da qual desmembrou-se as Fazendas Mogno I, II e III. c) Cópia da Ação Ordinária de Indenização por Desapropriação Indireta em face da União Federal, através da qual visa a contribuinte ser ressarcida da desapropriação efetuada pelo INCRA. d) Perícia Judicial determinada pelo juízo da ação encimada, através da qual restou comprovado que o imóvel em questão encontra-se dentro da Floresta Nacional de Humaitá, criada pelo Decreto n°. 2.485l1.998, que passou integrar a estrutura do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, em igualdade com as demais Florestas Nacionais, e portal razão o mesmo não pertence à ora Recorrente, mas sim a União Federal. e) Cópia de uma Ação Cautelar Inominada, na qual o referido imóvel foi ofertado á penhora em garantia de débitos tributários, tendo essa oferta, porém, sido recusada tanto pela União Federal, como pelo próprio Juízo, em razão do mesmo não pertencer à ora Recorrente, mas sim ã União Federal. Depreende-se da documentação retro mencionada, ter razão a recorrente ao argumentar não ser mais a proprietária do referido imóvel, em especial pela conclusão levantada pelo perito judicial, senão vejamos: Avaliar que as áreas de terras compreendidas pelas imóveis Mogno I, II e III, anteriormente integrados pela Fazenda Esperança, pertine (originalmente) a patrimônio privado do autor, já que a arrecadação e destinação havida em 1988 foram procedidas ilegalmente, conferindo-se, por tal circunstância, a obrigatoriedade de sua reparação por indenização, à luz do valor indicado de R$44.408.840,77 (Quarenta e quatro milhões, quatrocentos e oito mil, oitocentos reais e setenta e sete reais), que de acordo com pesquisas, métodos e investigação dominial conduzidos, está resumidamente configurado às pág 49 do presente Laudo pericial. No mesmo sentido, vide a manifestação do INCRA nos autos da Ação Cautelar: ...encerrados, referentes aos imóveis rurais denominados "FAZENDA MOGNO I", área 12.000,0 ha, Matrícula 1.405; "FAZENDA MOGNO 2" área 55.005,6 ha, Matrícula 1406; "FAZENDA MOGNO 3" ÁREA 55.005,6 ha, Matrícula 1.407, todos localizados no Município de Jumaitá/AM, tendo sido INDEFERIDA a solicitação de liberação dos CCIR´s, uma vez que as áreas em apreço foram ARRECADADAS pelo INCRA, e com o advento do Decreto n° 2.485 de 02 de fevereiro de 1988 criando a Floresta Nacional de Humaitá, foi integrada a estrutura do IBAMA. Ademais, a natureza da intervenção na propriedade decorrente da criação do Parque Nacional, a meu ver, Floresta Nacional tem o mesmo fim, deve ser compreendida a partir da exegese do §1º e do caput do art. 11 da Lei nº 9.985/2000. Art. 11. O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. § 1o O Parque Nacional é de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a lei. Fl. 246DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.523 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10283.721103/2008-05 Como dito anteriormente, o Fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel rural. Não obstante, o direito de propriedade sem posse, uso ou fruição, na essência deixa de ser direito de propriedade, o que é denominado de uma casca vazia à procura de seu conteúdo e sentido, uma formalidade negada pela realidade dos fatos. Neste diapasão, merece guarida a pretensão da recorrente, devendo ser afastada a sua legitimidade. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto.” Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 247DF CARF MF
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