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Numero do processo: 13854.000221/2002-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1997
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS.
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN.
No caso de recolhimento de tributo a destempo espontaneamente pelo sujeito passivo, após constatar o equívoco, antes de qualquer procedimento fiscal e antes mesmo da declaração das informações prestadas na DCTF, é de se promover a invocação do instituto da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN.
Numero da decisão: 9303-004.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte (1) quanto à nulidade do auto de infração, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram. Acordam, ainda, (2) quanto à incidência da multa de mora, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, em dar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao não conhecimento da nulidade do auto de infração, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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REQUISITOS. É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CTN. No caso de recolhimento de tributo a destempo espontaneamente pelo sujeito passivo, após constatar o equívoco, antes de qualquer procedimento fiscal e antes mesmo da declaração das informações prestadas na DCTF, é de se promover a invocação do instituto da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte (1) quanto à nulidade do auto de infração, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram. Acordam, ainda, (2) quanto à incidência da multa de mora, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, em darlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao não conhecimento da nulidade do auto de infração, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 02 21 /2 00 2- 59 Fl. 399DF CARF MF Processo nº 13854.000221/200259 Acórdão n.º 9303004.677 CSRFT3 Fl. 400 2 (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 330200.023, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3º Seção de Julgamento que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 PAGAMENTO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INSUFICIÊNCIA. ART. 138 do CTN O pagamento em atraso de tributos não caracteriza a denúncia espontânea, relativamente a valores declarados em DCTF.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Foi autuado sob a alegação de que deixou de recolher o valor referente a multa de mora sobre o pagamento atrasado de COFINS referente à apuração do quarto trimestre de 1997; · O Auto de Infração nº 0000981 foi lavrado em maio de 2002 para se exigir o recolhimento da multa de mora, excetuandose os juros – pois o pagamento do tributo deuse no mesmo mês do vencimento resultando no montante de R$ 5.869,71; · O recolhimento em atraso, feito em 27.11.1997, constitui a denúncia espontânea inserta no artigo 138 do Código Tributário Nacional, o que debela a incidência da multa de mora; · A denúncia espontânea perfazse concretamente quando o sujeito passivo efetua o pagamento da exação em atraso antes de qualquer procedimento fiscal; Fl. 400DF CARF MF Processo nº 13854.000221/200259 Acórdão n.º 9303004.677 CSRFT3 Fl. 401 3 · In casu, o recolhimento da COFINS, vencido em 10.11.1997, foi efetivado em 27.11.1997, tendo sido a DCTF referente aquele período de apuração entregue em 3.2.1998, como consta no auto de infração – de maneira que nenhum tipo de fiscalização, informação ou auditoria foi praticado antes da prestação atrasada; · O Acórdão proferido pela 3ª Câmara da 3ª' Seção de Julgamento equivocouse quanto ao fato, tendo afirmado que a entrega da DCTF se deu antes do pagamento e, por isso posicionouse a favor da cobrança de multa de mora, elidindo a configuração da denúncia espontânea; · Quanto à necessária nulidade do auto de infração pelo descumprimento de formalidade essencial, houve ausência de descrição especificada sobre a causa geratriz da autuação, com afronta direta às disposições do artigo 10, inciso III do Decreto 70.235/72, e admitir que tal menoscabo sobreviva sob a justificativa de que a defesa ocorreu é comungar com o desrespeito aos princípios constitucionais supracitados, aí inserta a ampla defesa, que reside no conhecimento das imputações feitas em qualquer jurisdição; · E o vício intrínseco foi tal que até mesmo a primeira instância julgadora, ao afirmar a ausência de defeito, apontou que nada impedia o entendimento de que a autuação versa sobre recolhimento de IRRF. A autuação, porém, referese à COFINS. E o Acórdão atacado fundamentou se expressamente nessa decisão ao expor que "conforme fundamentado no Acórdão de primeira instancia, cujas razões de decidir adoto." Por fim, requer o sujeito passivo que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, a fim de afastar o Acórdão 330200.023 e, consectariamente, o Auto de Infração lavrado, reconhecendose a existência da nulidade naquele lançamento ou/e confirmando a denúncia espontânea praticada, o que elide a multa de mora cobrada, nos termos da fundamentação acima expendida. Em Despacho às fls. 357/359, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido, após apreciação do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho em exercício à época – que, por sua vez, salientou (Grifos meus): “Outro detalhe importante é que, no caso dos autos, o pagamento foi realizado em data anterior àquela fixada para apresentação da DCTF do trimestre a que se refere o débito.” Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo, em breve síntese, no que tange: · À discussão acerca da nulidade do lançamento: ü Na hipótese em apreço, restou evidenciado que não houve qualquer malferimento às normas legais apontadas para o tema, sendo de se considerar, ademais, que não houve qualquer prejuízo à ampla defesa e ao contraditório; ü Neste ponto, caso constatado tal vicio, deveria o Colegiado ter concluído pela necessidade de anulação parcial do lançamento por vicio formal quanto às retenções; Fl. 401DF CARF MF Processo nº 13854.000221/200259 Acórdão n.º 9303004.677 CSRFT3 Fl. 402 4 ü Com efeito, não há que se confundir falta de motivo com falta ou deficiência de fundamentação/motivação. A primeira representa a exposição dos motivos, ou seja, a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato que justificam o ato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades que ensejam a formação do ato. No caso em debate, o voto condutor é veemente ao afirmar que a descrição não é clara o suficiente para exercício do direito de defesa do contribuinte, em razão da não comprovação dos requisitos caracterizadores da cessão de mão de obra. Tratase, portanto, de motivação deficiente do ato administrativo. Portanto, vicio de forma; · À denúncia espontânea, que independentemente de quaisquer considerações sobre se o tributo devido foi declarado pelo contribuinte em instrumento com caráter de confissão de dívida ou não, é cediço que a denúncia espontânea não dispensa o contribuinte do pagamento da multa de mora em função de atraso no recolhimento do tributo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. O que concordo com a manifestação dada em Despacho às fls. 357/359, vez que em ambos os temas – os acórdãos recorrido e paradigma tratam de situações semelhantes e entendimentos divergentes. Ventiladas tais considerações, passo a analisar as discussões acerca: · Da Nulidade do Auto de Infração por descrição genérica; · Da Incidência da multa de mora quando o sujeito passivo realiza o pagamento do débito previamente a qualquer procedimento da administração tributária. Contrarrazões devem ser consideradas, vez que tempestivas. Primeiramente, quanto à discussão acerca da nulidade do Auto de Infração por descrição genérica – importante trazer o que contemplou o Auto de Infração: “9 Contexto O presente Auto de Infração originouse da realização de Auditoria Interna na (s) DCTF discriminada (s) no quadro 3 (três), conforme IN SRF n° 045 e 077/98. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 13854.000221/200259 Acórdão n.º 9303004.677 CSRFT3 Fl. 403 5 Fo(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF' (Anexos Ia ou Ib), e /ou "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos IIa ou IIb), e/ou no "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (Anexo III) e/ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor" (Anexo IV). Para efetuar o pagamento da (s) diferença (s) apurada (s) em Auditoria Interna, objeto deste Auto de Infração, o contribuinte deve consultar as "Instruções de Pagamento" (Anexo V).” “Fatos e Enquadramento legal FALTA OU INSUFIÊNCIA DE PAGAMENTO DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS (Multa de Mora parcial e/ou Juros de Mora, parcial ou total), conforme Anexo IV" DEMONSTRATIVO DE MULTA E/OU JUROS A PAGAR. NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR", em anexo. JUROS: ART 160 L 5172J66; ART 1 L 9249/95; ART 43 L 9430/96. MULTA: ART 160 L 5172/66; ART 1 19249/95; ARTS 43 E 61 E PARS 1 E 2 L 9430/96.” Conforme podese notar – o sujeito passivo ao recepcionar o auto de infração teve de se esforçar para inferir que se tratava de falta de recolhimento de Cofins e que o cerne do auto era justamente a falta de recolhimento da multa de mora, e não de eventual equívoco na apuração dos juros de mora, vez que não estava bem descrito no campo “Fatos e Enquadramento Legal” Sendo assim, ainda que não tenha causado prejuízo ao sujeito passivo que deduziu corretamente o auto de infração ao tratar em sua impugnação a falta de recolhimento da multa de mora, invocando a tese da denúncia espontânea, é de se respeitar os termos do art. 10, inciso III, do Decreto 70.235/72, in verbis: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: [...] III a descrição do fato; [...]” O que, por conseguinte, considero que tal falha na descrição dos fatos e enquadramento legal é passível de nulidade do lançamento, por se tratar de vício material. Ora, veja que até mesmo a DRJ/RPO teve dificuldade ao apreciar a lide do processo, vez que pensou tratar de IRRF, e não de Cofins – o que, para melhor elucidar, transcrevo o voto constante do acórdão 1412.877 (Grifos meus): Fl. 403DF CARF MF Processo nº 13854.000221/200259 Acórdão n.º 9303004.677 CSRFT3 Fl. 404 6 “Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço da impugnação. A impugnante alega, em preliminar, a nulidade da autuação por descrição genérica do fato praticado pela impugnante, que configura a infração, e por imprecisa capitulação legal. Com relação a tal argumentação, há que se considerar, de plano, que no corpo do auto de infração de fls. 23/24, constam expressamente a descrição dos fatos, o enquadramento legal, bem como o demonstrativo sintético do crédito tributário, o qual é complementado pelos demonstrativos analíticos as fls. 25/26. A partir de tais informações, resta inequívoca a situação fática que ensejou a lavratura do auto de infração recorrido, qual seja, o recolhimento a destempo de débitos de IRRF, com insuficiência em relação à multa de mora prevista no art. 61 da Lei n.° 9.430, de 1996 (dispositivo legal infringido), que implicou a exigência da diferença não recolhida. Fica assim evidenciada a correspondência da autuação com o disposto no art. 10 do Decreto n.°70.235/72, notadamente em relação aos incisos III e IV. De outra parte, revelase inaplicável, ao caso, o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, que, embora tenha por efeito excluir a responsabilidade por ilícito tributário (infração), não tem o condão de afastar a indenização de caráter moratório, prevista em Lei. Ante o exposto, voto no sentido de declarar procedente o lançamento recorrido. [...]” Vêse que a descrição defeituosa do fato, bem como do enquadramento legal torna o auto de infração defeituoso, prejudicando o contraditório regular e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, prerrogativas constitucionais insculpidas no inciso LV do art. 5º da CF/88, aplicáveis por expressa remissão ao procedimento administrativo fiscal. Vêse ainda que o auto de infração não descreve os fatos alegadamente praticados pelo sujeito passivo, remetendo a folha de continuação. E, na referida folha de continuação, encontramse apenas descrições genéricas de hipóteses fáticas, não exatamente o fato supostamente praticado pela impugnante que configura infração, bem como sua precisa capitulação legal. Sendo assim, nessa parte, voto por dar provimento ao sujeito passivo, declarando a nulidade do auto de infração. No que tange à discussão acerca da invocação da denúncia espontânea, é de se recordar os seguintes fatos: · O pagamento da Cofins com data de vencimento de 10.11.97 foi efetuado em 27.11.97; · A DCTF referente àquele período foi apresentada em 3.2.98; · O Auto de Infração foi lavrado em 9.5.2002. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 13854.000221/200259 Acórdão n.º 9303004.677 CSRFT3 Fl. 405 7 Considerando os eventos descritos, tenho que assiste razão ao sujeito passivo ao invocar a denúncia espontânea preceituada no art. 138 do CTN para suportar a não imputabilidade da multa de mora no r. pagamento, eis que tal situação resta perfeitamente enquadrável naquela definida pelo STJ, em sede de recurso de repetitivo, como sendo de per si legítima denúncia espontânea. Ora, o pagamento da diferença apurada foi recolhido a destempo espontaneamente pelo sujeito passivo, após constatar o equívoco, antes de qualquer procedimento fiscal e antes mesmo da declaração das informações prestadas na DCTF. Como se sabe, a denúncia espontânea de infração é prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, transcrito in verbis: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." A literalidade do dispositivo acusa que o limite temporal para o sujeito passivo denunciar “espontaneamente” sua infração é o momento anterior a qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionada com a infração. A fruição da denúncia espontânea pressupõe a observância da apresentação (“denúncia”) do equívoco pelo sujeito passivo e recolhimento complementar da contribuição devida com acréscimo dos juros de mora – antes de qualquer procedimento fiscal. Ademais, importante lembrar que atualmente a argumentação de que a multa de mora teria apenas caráter compensatório perdeu consistência, sendo consolidado em sentido contrário – por nossos tribunais, inclusive administrativos. Notese ainda que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se manifestou de que o CTN não faria distinção entre a multa moratória ou punitiva – ou seja, que o recolhimento do tributo com juros de mora, antes de qualquer procedimento fiscal, não impõe a aplicação de nenhuma penalidade ao contribuinte. Quanto ao pagamento do tributo devido em relação ao momento da confissão do débito tributário, cabe lembrar a Súmula n° 360 do Superior Tribunal de Justiça, publicada em 2008, que dispõe que o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Ou seja, por esta Súmula, após a informação em DCTF não mais seria aplicável a denúncia espontânea. Para o Superior Tribunal de Justiça, a fruição do benefício somente seria válida caso o sujeito passivo pagasse o tributo devido e depois ou concomitantemente comunicasse ao fisco a existência de fato gerador que ocorreu, mas sem terem sido apurados os seus elementos por qualquer tipo de lançamento. Frisese tal entendimento a jurisprudência firmada pelo STJ quando da apreciação do REsp 1149022/SP, em sede de recurso especial repetitivo, verbis (Grifos meus): Fl. 405DF CARF MF Processo nº 13854.000221/200259 Acórdão n.º 9303004.677 CSRFT3 Fl. 406 8 ‘PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea Fl. 406DF CARF MF Processo nº 13854.000221/200259 Acórdão n.º 9303004.677 CSRFT3 Fl. 407 9 na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010)’ Cabe também trazer os dizeres do Parecer PGFN/CRJ 2124/2011 (Grifos meus): “A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, com fulcro no art. 543 – C do CPC. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. [...] 6. Dimana da leitura das decisões acima transcritas, com o regime previsto no art. 543C do CPC, a firme posição do STJ, contrária ao entendimento da Fazenda Nacional acerca da matéria. 7. De se notar que a questão não tem natureza constitucional, pois se trata de indiscutível interpretação de norma infraconstitucional, motivo pelo qual não caberá ao Supremo Tribunal Federal manifestarse sobre a mesma. 8. Nesses termos, não há dúvida de que futuros recursos que versem sobre o mesmo tema, apenas sobrecarregarão o Poder Judiciário, sem nenhuma perspectiva de sucesso para a Fazenda Nacional. Portanto, continuar insistindo nessa tese significará apenas alocar os recursos colocados à disposição da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em causas nas quais, previsivelmente, não se terá êxito. 9. Outrossim, devese buscar evitar a constituição de novos créditos tributários que levem em consideração interpretação diversa daquela adotada pelo STJ nessa matéria. 10. Cumpre, pois, perquirir se, em face do sobredito, e tendo por fundamento o disposto no art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 19.07.2002, e no art. 5° do Decreto nº 2.346, de 10.10.97, é o caso de ser dispensada a interposição de recursos e a desistência Fl. 407DF CARF MF Processo nº 13854.000221/200259 Acórdão n.º 9303004.677 CSRFT3 Fl. 408 10 dos já interpostos, bem como a dispensa de apresentação de contestação. Ora, os artigos citados têm o seguinte teor: “Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: ... II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. ” “Art. 5º. Nas causas em que a representação da União competir à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional havendo manifestação jurisprudencial reiterada e uniforme e decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em suas respectivas áreas de competência, fica o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional autorizado a declarar, mediante parecer fundamentado, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, as matérias em relação às quais é de ser dispensada a apresentação de recursos”. 11. Decorre dos dispositivos legais acima reproduzidos que a possibilidade de ser dispensada a interposição de recurso ou a desistência do que tenha sido interposto, bem como a autorização para não contestar, desde que inexista outro fundamento relevante, pode ser exercida pela Procuradora Geral da Fazenda Nacional, mediante ato declaratório, a ser aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, observados os seguintes requisitos: a) a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional tenha competência para representar, judicialmente, a União, nas respectivas causas; e b) haja decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em suas respectivas áreas de competência. 12. Examinandose a hipótese vertente, desde logo, concluise que: I) nas causas em que se discute a caracterização da denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente, a competência para representar a União é da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, já que se trata de matéria fiscal (art. 12 da Lei Complementar nº 73, de 1993); e Fl. 408DF CARF MF Processo nº 13854.000221/200259 Acórdão n.º 9303004.677 CSRFT3 Fl. 409 11 II) a decisão, no regime do art. 543C do CPC, já citada neste Parecer, manifesta a firme posição do STJ no sentido de caracterização da denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 13. Destarte, há base legal para a edição de ato declaratório da Senhora ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional, a ser aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, que dispense a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional da interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, bem como de apresentar contestação, acerca da matéria ora abordada. 14. Por fim, merece ser ressaltado que o presente Parecer não implica, em hipótese nenhuma, o reconhecimento da correção da tese adotada pelo STJ. O que se reconhece é a pacífica jurisprudência desse Tribunal Superior, a recomendar a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, eis que os mesmos se mostrarão inúteis e apenas sobrecarregarão o Poder Judiciário e a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. 15. Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 19.07.2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10.10.97, recomendase sejam autorizadas pela Senhora ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que discutam a caracterização de denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. [...]” E, por fim, destacase o Ato Declaratório 8/2011, in verbis (Grifos meus): “A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2124 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de Fl. 409DF CARF MF Processo nº 13854.000221/200259 Acórdão n.º 9303004.677 CSRFT3 Fl. 410 12 recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a caracterização de denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente”. JURISPRUDÊNCIA: RESP 1.149.022/SP, REL. MINISTRO LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, JULGADO EM 9/6/2010, DJE 24/6/2010 Brasília, 20 de dezembro de 2011” Sendo assim, em síntese, temse que a denúncia espontânea da infração exclui o pagamento de qualquer penalidade, tenha ela a denominação de multa moratória ou punitiva — que tem, a nosso ver, o mesmo sentido, sendo devido apenas juros de mora, que não possuem caráter punitivo, constituindo mera indenização decorrente do pagamento fora do prazo, ou seja, da mora, como aliás consta expressamente no artigo 138 do CTN. Nos termos do art. 138 do CTN, para caracterização da denúncia espontânea, bastaria que o sujeito passivo, antes de qualquer procedimento fiscal, revelasse, denunciasse, anunciasse ou divulgasse o tributo devido. Ou seja, exigese apenas que a confissão não seja precedida de processo administrativo ou de fiscalização tributária, porque isso lhe retiraria a espontaneidade, que é exatamente o que legislador tributário buscou privilegiar ao editar o art. 138 do CTN. Os requisitos presentes no art. 138 do CTN para exclusão da multa, inclusive a de mora, são a denúncia da infração antes de iniciado procedimento fiscal e o pagamento do tributo devido e dos juros de mora antes de iniciado procedimento fiscal. Ou seja, a literalidade do dispositivo acusa que o limite temporal para o sujeito passivo denunciar “espontaneamente” sua infração é o momento anterior a qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionada com a infração. O que, por conseguinte, tendo o sujeito passivo, nesse caso, efetuado o pagamento antes de se confessar em DCTF o débito e antes de haver medida de fiscalização, é de se promover a invocação do instituto da denúncia espontânea para afastar a multa em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo e darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 410DF CARF MF Processo nº 13854.000221/200259 Acórdão n.º 9303004.677 CSRFT3 Fl. 411 13 Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Fui incumbido de explicitar as razões que levaram o colegiado a restringir a admissibilidade do recurso apenas ao segundo ponto deduzido. Afastamola quanto à alegação de nulidade do lançamento por descrição genérica, na medida em que não identificamos nos paradigmas apresentados a similitude mínima requerida pelo regimento. De fato, o recorrido cuida de mais um dos malfadados lançamentos "eletrônicos" decorrentes de revisões da DCTF entregue, e com eles partilha a exiguidade da descrição dos fatos. Neste, apontase ausência ou insuficiência da multa de mora em recolhimento fora de prazo. Como sempre nesses lançamentos, isso é feito por meio da múltipla remissão: a descrição remete a um demonstrativo, que, por sua vez, remete a outro quadro resumo. É só neste último que se consegue entender do que se trata o lançamento. Mas se consegue. Apesar de ser patente que essa "técnica" está longe de ser das melhores, e que dificilmente seria adotada não fosse o "auditor" uma mera máquina, é ela, de todo modo, uma descrição, o que afasta o primeiro dos paradigmas colacionados, que, segundo sua ementa, enfrentou caso em que ausente aquele requisito indispensável. Ademais, embora extremamente sucinta, a descrição aponta a infração (única) cometida e a sua consequência, contemplando, pois, "a totalidade das matérias nele consignadas", diversamente do segundo paradigma. Em suma, podese acusar a descrição presente no lançamento de ser excessivamente lacônica; daí, porém, não se conclui ser ela inexistente ou incompleta. Esses os motivos que nos levaram a não aceitar o especial quanto ao ponto. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.014209/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do Fato Gerador: 19/11/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 42 09 /2 00 7- 61 Fl. 809DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2803002.761, proferido pela 3ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração – AI, com DEBCAD 37.138.6241, fls. 68, objetivando a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, que consistiu em apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º, também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 01. O contribuinte apresentou impugnação, às fls. 34/44, a qual foi considerada tempestiva, fls. 149/150. O órgão julgador de primeiro grau baixou os autos em diligência Despacho nº112 – 6ª Turma da DRJ/REC, fls. 155/156. A diligência não foi cumprida e tal situação foi esclarecida pela Informação Fiscal, de fls. 158/160, sendo que a recorrente se recusou a atender à fiscalização e obteve no judiciário federal em MS liminar e sentença de mérito, para suspender a ação fiscal, fls. 161/168. Os autos foram devolvidos a DRJ/REC, fls. 169. A DRJ suspendeu o curso do PAF e devolveu os autos a DRF para aguardar a solução do MS. O TRF5, conforme consta às fls.182/187, deu provimento a apelação da fazenda e a remessa oficial. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10380.014209/200761 Acórdão n.º 9202005.279 CSRFT2 Fl. 10 3 A diligência finalmente foi cumprida, fls. 188/324, e elaborada IF à DRJ/REC, fls. 326/327. O órgão julgador de primeiro grau prolatou o Acórdão Nº 1132.030 7ª Turma, datado de 29/11/2010, fls. 328/337, por intermédio da qual considerou a impugnação improcedente. No entanto, o crédito foi retificado em razão do reconhecimento de oficio da decadência, tendo sido excluídas do débito as competências 11/2001 e anteriores. O Contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, às fls. 692/730 (345/364 – numeração manual), requerendo, ao final, a) improcedência dos autos, pois era mera intermediária da relação; b) que os autos fossem julgados improcedentes; c) direito de prova por todos os meios admitidos em direito, inclusive, com a juntada posterior de provas; d) que as intimações fossem efetuadas em nome dos advogados e no endereço declinado, sob pena de nulidade. A 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 741/746, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/11/2007 AÇÃO JUDICIAL. MATÉRIA DECIDIDA EM OUTRA ESFERA. CONHECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. MATÉRIA DIFERENCIADA. CONHECIDA E AFASTADA. SALVO QUANTO AO NOVO PATAMAR DE MULTA. APLICAÇÃO DE OFÍCIO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 751/763, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à regra aplicável à multa na aferição da retroatividade benigna, afirmando serem análogas as hipóteses em análise porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração, por descumprimento de obrigação acessória, em que também se lavrou NFLD em decorrência da mesma ação fiscal. Explicou que, naquela ocorrência, consignouse que o dispositivo legal a ser aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Turma a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A da Lei 8.212/91, sob pena de bis in idem. Às fls. 781/782, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação ao cálculo da multa. Devidamente cientificado à fl. 787, o Contribuinte apresentou Contrarrazões às fls. 789/793, arguindo que o recurso interposto não contrapõe qualquer fundamento àqueles adotados no Acórdão recorrido, na parte em que, de ofício, reconheceu ser aplicável a multa mais benéfica ao contribuinte. Alegou, ainda, que o cálculo mais benéfico não pode ser Fl. 811DF CARF MF 4 afastado, transcrevendo jurisprudência. Requereu, ao final, o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela União. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração – AI, com DEBCAD 37.138.6241, fls. 68, objetivando a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, que consistiu em apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º, também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, fls. 01. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante ao cálculo da multa. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10380.014209/200761 Acórdão n.º 9202005.279 CSRFT2 Fl. 11 5 aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Fl. 813DF CARF MF 6 Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10380.014209/200761 Acórdão n.º 9202005.279 CSRFT2 Fl. 12 7 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 815DF CARF MF 8 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10380.014209/200761 Acórdão n.º 9202005.279 CSRFT2 Fl. 13 9 Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei Fl. 817DF CARF MF 10 nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10380.014209/200761 Acórdão n.º 9202005.279 CSRFT2 Fl. 14 11 Fl. 819DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.720444/2013-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços à empresa.
RESCISÃO DE CONTRATO. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não integram o salário-de-contribuição as indenizações pagas a segurados com estabilidade provisória, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, pois, não havendo habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária sobre tais verbas.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INEXISTÊNCIA DE ACORDO PRÉVIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
A inexistência de acordo prévio à aquisição do direito para pagamento de participação nos lucros e resultados, desatende ao art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000, fazendo com que incidam contribuições sociais sobre a verba em comento.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. INCIDÊNCIA.
Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições, por não haver norma que determine a sua exclusão do salário-de-contribuição.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
O art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
PLANOS DE OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
1. Incidem contribuições previdenciárias sobre os ganhos que os segurados obtêm pelo exercício do direito de compra de ações quando se caracteriza a inexistência de risco para o beneficiário.
2. No caso sob apreço, inexistia qualquer desembolso quando do fechamento dos contratos de opção entre a empresa e seus diretores e estes poderiam ao final do período de carência exercer as opções a valor simbólico, estando isentos de qualquer risco de perda.
3. A ocorrência do fato gerador para a verba em questão se dá quando da transferência das ações ao patrimônio dos beneficiários, que se concretiza no momento do exercício do direito de compra.
STOCK OPTIONS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPÇÃO NO MOMENTO DA OUTORGA. EQUÍVOCO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
O entendimento do Fisco no sentido de mensurar a base de cálculo levando em conta o valor justo da opção no momento da outorga traduz-se em equívoco da autoridade lançadora cuja correção extrapola os limites do julgamento administrativo, devendo ser cancelado o respectivo lançamento.
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso tem objetivo de reformar a decisão de primeira instância, que circunscreve as matérias que podem ser objeto do inconformismo do sujeito passivo. Desse modo, a matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
Numero da decisão: 2402-005.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para: a) denegar o pedido de conexão com o processo no 13603.720891/2013-08, b) rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida, e, c) excluir do lançamento: c.1) as contribuições incidentes sobre as verbas decorrentes de acidente de trabalho/doença; c.2) as contribuições incidentes sobre planos de opções de compra de ações; c.3) integralmente os lançamentos relativos às cooperativas (levantamentos AT e AS); c.4) contribuições dos segurados apuradas nas planilhas 38 a 55 AI; c.5) a contribuição do segurado no valor de R$ 41,44, competência 01/2009, levantamento AF; c.6) o rol de responsáveis a empresa Cerâmica São Caetano LTDA. c.7) excluir da base de cálculo as parcelas pagas a segurados com estabilidade provisória, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho. Votou pelas conclusões em relação ao item c.2 o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Vencidos os conselheiros: i) Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, que davam provimento em maior extensão; e, ii) Túlio Teotônio de Melo Pereira (Relator), Ronnie Soares Anderson e Mário Pereira de Pinho Filho que negavam provimento em relação ao item c.7. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
(assinado digitalmente)
Theodoro Vicente Agostinho - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: Ronaldo de Lima Macedo
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços à empresa. RESCISÃO DE CONTRATO. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Não integram o salário-de-contribuição as indenizações pagas a segurados com estabilidade provisória, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, pois, não havendo habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária sobre tais verbas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INEXISTÊNCIA DE ACORDO PRÉVIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A inexistência de acordo prévio à aquisição do direito para pagamento de participação nos lucros e resultados, desatende ao art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000, fazendo com que incidam contribuições sociais sobre a verba em comento. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. INCIDÊNCIA. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições, por não haver norma que determine a sua exclusão do salário-de-contribuição. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. O art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. PLANOS DE OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. 1. Incidem contribuições previdenciárias sobre os ganhos que os segurados obtêm pelo exercício do direito de compra de ações quando se caracteriza a inexistência de risco para o beneficiário. 2. No caso sob apreço, inexistia qualquer desembolso quando do fechamento dos contratos de opção entre a empresa e seus diretores e estes poderiam ao final do período de carência exercer as opções a valor simbólico, estando isentos de qualquer risco de perda. 3. A ocorrência do fato gerador para a verba em questão se dá quando da transferência das ações ao patrimônio dos beneficiários, que se concretiza no momento do exercício do direito de compra. STOCK OPTIONS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPÇÃO NO MOMENTO DA OUTORGA. EQUÍVOCO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. O entendimento do Fisco no sentido de mensurar a base de cálculo levando em conta o valor justo da opção no momento da outorga traduz-se em equívoco da autoridade lançadora cuja correção extrapola os limites do julgamento administrativo, devendo ser cancelado o respectivo lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso tem objetivo de reformar a decisão de primeira instância, que circunscreve as matérias que podem ser objeto do inconformismo do sujeito passivo. Desse modo, a matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
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REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços à empresa. RESCISÃO DE CONTRATO. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. INDENIZAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Não integram o saláriodecontribuição as indenizações pagas a segurados com estabilidade provisória, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, pois, não havendo habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária sobre tais verbas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INEXISTÊNCIA DE ACORDO PRÉVIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A inexistência de acordo prévio à aquisição do direito para pagamento de participação nos lucros e resultados, desatende ao art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000, fazendo com que incidam contribuições sociais sobre a verba em comento. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. INCIDÊNCIA. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições, por não haver norma que determine a sua exclusão do saláriodecontribuição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 04 44 /2 01 3- 41 Fl. 33824DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. O art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. PLANOS DE OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS). CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. 1. Incidem contribuições previdenciárias sobre os ganhos que os segurados obtêm pelo exercício do direito de compra de ações quando se caracteriza a inexistência de risco para o beneficiário. 2. No caso sob apreço, inexistia qualquer desembolso quando do fechamento dos contratos de opção entre a empresa e seus diretores e estes poderiam ao final do período de carência exercer as opções a valor simbólico, estando isentos de qualquer risco de perda. 3. A ocorrência do fato gerador para a verba em questão se dá quando da transferência das ações ao patrimônio dos beneficiários, que se concretiza no momento do exercício do direito de compra. STOCK OPTIONS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPÇÃO NO MOMENTO DA OUTORGA. EQUÍVOCO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. O entendimento do Fisco no sentido de mensurar a base de cálculo levando em conta o valor justo da opção no momento da outorga traduzse em equívoco da autoridade lançadora cuja correção extrapola os limites do julgamento administrativo, devendo ser cancelado o respectivo lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso tem objetivo de reformar a decisão de primeira instância, que circunscreve as matérias que podem ser objeto do inconformismo do sujeito passivo. Desse modo, a matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 33825DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, para na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para: a) denegar o pedido de conexão com o processo no 13603.720891/201308, b) rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida, e, c) excluir do lançamento: c.1) as contribuições incidentes sobre as verbas decorrentes de acidente de trabalho/doença; c.2) as contribuições incidentes sobre planos de opções de compra de ações; c.3) integralmente os lançamentos relativos às cooperativas (levantamentos AT e AS); c.4) contribuições dos segurados apuradas nas planilhas 38 a 55 AI; c.5) a contribuição do segurado no valor de R$ 41,44, competência 01/2009, levantamento AF; c.6) o rol de responsáveis a empresa Cerâmica São Caetano LTDA. c.7) excluir da base de cálculo as parcelas pagas a segurados com estabilidade provisória, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho. Votou pelas conclusões em relação ao item c.2 o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Vencidos os conselheiros: i) Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, que davam provimento em maior extensão; e, ii) Túlio Teotônio de Melo Pereira (Relator), Ronnie Soares Anderson e Mário Pereira de Pinho Filho que negavam provimento em relação ao item c.7. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator (assinado digitalmente) Theodoro Vicente Agostinho Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 33826DF CARF MF 4 Relatório Temse em pauta processo administrativo fiscal lavrado em face do contribuinte identificado em epígrafe, relativo ao período de 01 a 12/2009, constituído dos seguintes autos de infração: · AI no 51.001.2825: para a exigência de contribuições patronais (parte da empresa e SAT/RAT); · AI no 51.001.2833: para a exigência de contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, pelas quais a empresa é responsável pelo recolhimento. No relatório da decisão recorrida (fls. 33531/33601), assim foi descrito o lançamento: I) Auto de Infração DEBCAD n.° 51.001.2825. O AI n.° 51.001.2825 abarca contribuições, destinadas à Previdência Social, patronais do período de 1/2009 a 13/2009 (competência relativa ao décimo terceiro salário), conforme discriminado a seguir: a) Contribuições incidentes sobre salários pagos a segurados empregados, não declarados em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), identificados por meio dos levantamentos AA AB AC AD AE AF AG AH Al AJ AK AM AU AV AX AZ BA BB BC BD BE BF e BG, discriminados nas planilhas de números 2 a 37, 56 a 84, 87, 94 e 115 a 137 denominadas respectivamente: ESTABILIDADE RESCISÃO (2 a 10); ADICIONAL NOTURNO ESTABILIDADE (11 a 16); MÉDIA HORAS EXTRAS ESTABILIDADE (17 a 23); DIFERENÇA DE 13° SALÁRIO (24); MÉDIA ADICIONAL NOTURNO (25); HORAS EXTRAS COM 75% (26); DIFERENÇA MÊS ANTERIOR (27); HORAS ACIDENTE DE TRABALHO (28 a 34); DÉCIMO TERCEIRO INTEGRAL ACIDENTE DE TRABALHO (35 A 37); DIRF MAIOR QUE FP (56 a 83); APURAÇÃO REMUNERAÇÃO DIRETORES EMPREGADOS CONFORME DIPJ (84); OPÇÃO DE AÇÕES BASES DE CÁLCULO E CONTRIBUIÇÕES (87); e SALÁRIOS ARBITRADOS ESTAB 0031 (94); PRV (115 a 137), conforme as folhas de pagamentos de salários exibidas pelo sujeito passivo (SP), por meio de arquivo digital no formato MANAD, as Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), acessadas por meio dos sistemas internos da Receita Federal do Brasil (RFB), a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), anobase 2009 do SP, acessada por meio dos sistemas internos da RFB, a contabilidade do SP, acessada por meio do SPED contábil, e os correspondentes Discriminativos de Débito (DD); a.1) a fiscalização decidiu por considerar sujeitos a incidência das contribuições previdenciárias os pagamentos das Fl. 33827DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 4 5 remunerações descritas acima e realizados pelo SP, conforme demonstrado no AI ora lavrado. Inicialmente o SP foi instado por meio do Termo de Informação Fiscal (TIF), número 1, a esclarecer a respeito da não consideração como sujeitas à incidência tributária, de diversas rubricas discriminadas em planilha entregue por ocasião da intimação, bem como, sendo o caso, a anexação de documentos que fundamentassem o entendimento do SP quanto a não considerar tais rubricas como sujeitas à incidência. Ao atender tal intimação foi apresentada planilha número 1 RESPOSTAS SP RUBRICAS, na qual a empresa reconhece como sujeitas a incidência as rubricas DIFERENÇA DE 13° SALÁRIO (planilha 24), DIFERENÇA MÊS ANTERIOR (planilha 27) e HORAS EXTRAS COM 75% (planilha 26), ou seja, a resposta corrobora o entendimento da fiscalização ao considerar tais pagamentos como sujeitos à incidência de contribuição previdenciária; as demais rubricas estão discriminadas na planilha número 1A denominada RUBRICAS COM INCIDÊNCIA TODOS OS ESTABELECIMENTOS com a demonstração do entendimento fiscal em confronto com o entendimento da empresa. Pela análise de tal planilha a fiscalização constatou que a empresa pagou remunerações referentes à rubrica ESTABILIDADE RESCISÃO e as considerou como indenizações. Todavia as indenizações sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias estão previstas em lei e são exclusivamente as previstas no inciso I, do artigo 10, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; as relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; recebidas a título de indenização de que trata o artigo 479 da CLT (contratos por termo estipulado); a que trata da contratação por produtor rural pessoa física de trabalhador rural; recebidas a título de incentivo à demissão; recebidas a título de abono de férias; recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; recebidas a título de licençaprêmio indenizada; referente à dispensa de empregado, sem justa causa, no período de 30 (trinta) dias que anteceda a data de sua correção salarial. A exibição da documentação por parte do SP não provou à fiscalização que tal rubrica e seus acessórios tenham sido pagos em conformidade com quaisquer das situações acima descritas. Serão sempre consideradas remunerações e, portanto, serão sempre bases de incidência de contribuição previdenciária: ADICIONAL NOTURNO; HORAS EXTRAS e DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. No que concerne a rubrica HORAS ACIDENTE DE TRABALHO e suas acessórias, a legislação determina que elas integrem a remuneração exclusivamente para fins de cálculos dos valores a serem recolhidos ao FGTS quando tal remuneração se referir a que seria devida ao empregado afastado por motivo de acidente de trabalho. Fl. 33828DF CARF MF 6 Os créditos apurados pela fiscalização referentes a tais rubricas e seus acessórios (planilhas 28 a 37) o foram em competências em que tal remuneração foi paga juntamente com remunerações de horas trabalhadas, adicionais noturnos e outras rubricas comprobatórias que em tais competências não havia o afastamento, o que significa que o SP em tais competências e para os trabalhadores referenciados pagou tal remuneração sem que houvesse afastamento por acidente de trabalho e, em conseqüência, sujeita a incidência de contribuição previdenciária. A fiscalização ilustra como exemplos de tais irregularidades os pagamentos feitos aos segurados empregados André Luiz Brasil Carlos Pedro de Souza Henrique da Silva Soares João Batista Armond Mauro Sergio Mendes da Silva e Romerilton Ribeiro Pessoa, nas competências julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro, conforme as cópias de seus recibos de pagamento de salários obtidos do arquivo digital MANAD, fornecido pelo SP, e apresentados na planilha número 37A denominada RECIBOS DE SALÁRIOS COM HORAS DE ACIDENTE DE TRABALHO, por meio dos quais se verifica que a fiscalização só apurou créditos previdenciários nas situações em que o SP efetivamente incorreu na irregularidade de não tributar tal rubrica quando não ficou comprovado o afastamento, como por exemplo no que concerne ao segurado empregado CARLOS PEDRO DE SOUZA, que teve tal rubrica lançada nos recibos de agosto a dezembro e a fiscalização considerou sujeita a tributação as remunerações de agosto e do décimo terceiro salário de 2009; a.2) a fiscalização apurou que o SP declarou em DIRF valores de remunerações de segurados empregados maiores que os constantes nas folhas de pagamento de salários, conforme demonstrado nas planilhas 56 a 83, nas quais a fiscalização considerou os respectivos prazos cumpridos pela empresa, regime de competência no que concerne as folhas de pagamento de salários e regime de caixa no que concerne as DIRF; assim, obedecendo ao regime de caixa (DIRF) usado pelo SP, os valores declarados a maior foram arbitrados e tributados; a.3) a fiscalização constatou que para os diretores empregados EDUARDO FRANCISCO LOBO e LUIS RODOLFO M. BITTENCOURT foram declarados valores de remunerações na DIPJ superiores aos declarados em GFIP; em conseqüência, conforme demonstrado na planilha número 84 e, após dedução de valores apurados como pagos a tais diretores na rubrica de programa de remuneração variável PRV, foram lançados os valores de totais anuais não declarados em GFIP (coluna G) os quais divididos pelas treze competências do ano fiscalizado resultaram nos valores mensais também arbitrados a sofrerem incidência de contribuições previdenciárias conforme discriminado na coluna H da planilha citada; a.4) a fiscalização constatou a existência de lançamento contábil com a conta de despesa número 0051101008 denominada OPÇÃO DE AÇÕES OUTORGADAS, conforme demonstrado na planilha número 86 denominada OPÇÃO DE AÇÕES; intimado, Termo de Intimação Fiscal n.° 2, a esclarecer a natureza de tal Fl. 33829DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 5 7 lançamento, bem como apresentar a sua documentação e a relação dos beneficiários dos pagamentos de tal despesa, o SP apresentou a Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 24 de março de 2008, conforme PLANILHA 87A denominada PLANO DE OPÇÕES DE AÇÕES OUTORGADAS, que deliberou sobre o plano de outorga de opção de ações em favor de seus administradores, empregados e prestadores de serviços, com anexação do plano aprovado. Também apresentou a relação dos beneficiários, discriminada na planilha n.° 87B denominada BENEFICIÁRIOS AÇÕES OUTORGADAS. Após a análise de tais documentos juntamente com a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) de 2009, contido na planilha 87C denominada de DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DO EXERCÍCIO, a fiscalização decidiu por arbitrar as remunerações pagas a segurados empregados na modalidade de opções de ações outorgadas reconhecidas, pelos motivos a seguir expostos: a.4.1) a ata da assembléia e o plano anexo, descritos acima comprovam a existência do plano em favor dos segurados empregados do SP; a.4.2) está demonstrado que a conta acima mencionada é de resultado e de despesa conforme a classificação da empresa, sendo conta do subgrupo SALÁRIOS E ORDENADOS (5.1.1.01) compondo o também subgrupo 5.1 GASTOS COM PESSOAL, do grupo DESPESAS OPERACIONAIS; a.4.3) a empresa deve reconhecer os produtos ou os serviços recebidos ou adquiridos em transação de pagamento baseada em ações, quando ela obtiver os produtos ou à medida que receber os serviços; a.4.4) normalmente uma despesa surge do consumo de produtos ou serviços e os mesmos são consumidos imediatamente e, nesse caso, a despesa é reconhecida em contrapartida aos serviços prestados; a.4.5) a própria empresa conforme descrito acima apresentou a relação dos beneficiários do plano em 2009, conforme contido na planilha 87B; a.4.6) na Demonstração de Resultado do Exercício obtida por meio do acesso à contabilidade do SP, através do SPED contábil, a conta acima mencionada é apresentada como redutora do lucro bruto; a.4.7) o exame do Relatório da Administração 2009 da empresa (planilha 87D) comprova a natureza de remuneração sujeita a incidência tributária por meio da análise de parte das notas explicativas da administração, contidas nas folhas e itens a seguir discriminados: "q" fl. 40: "A companhia oferece a executivos planos de remuneração com base em ações, liquidados em ações da Companhia, segundo os quais a Companhia recebe os serviços como contraprestações das Fl. 33830DF CARF MF 8 opções de compra de ações"; na fl. 44: Remuneração do pessoal chave "A remuneração dos membros do Conselho de Administração e da Diretoria no ano de 2009 correspondeu a R$ 5.723 (R$ 2.620 em 2008). Adicionalmente, encontrase registrado no resultado do exercício o valor justo das opções de compra de ações outorgadas no montante de R$ 2.418 (R$ 2.449 em 2008); em notas explicativas da administração às demonstrações financeiras dos exercícios findos em 31 de dezembro de 2009 e de 2008 fl. 57 item (c) "Opções de ações outorgadas: Corresponde ao valor das opções de compra de ações da Companhia outorgadas a administradores conforme previsto no CPC 10/2008. Em 2009 foi constituída em contrapartida a despesa reconhecida no resultado do exercício, no valor de R$ 2.418 (2008 R$ 3.061)"; e a.4.8) em geral, ações, opções de ações ou outros instrumentos patrimoniais são concedidos aos empregados como parte da remuneração destes, adicionalmente ao salário e outros benefícios concedidos. Assim, considerando que o fato gerador ocorreu quando da representação da perda patrimonial para a empresa (ocorrência da despesa) e a base de cálculo é o valor que representou tal despesa, a fiscalização elaborou a planilha número 87 denominada OPÇÃO DE AÇÕES BASES DE CÁLCULO E CONTRIBUIÇÕES, na qual foram arbitradas de forma individual as remunerações de cada segurado, com base na relação apresentada pelo SP na planilha n° 87B acima citada, a qual relacionou os segurados sem as respectivas remunerações individuais; a.5) a fiscalização constatou que a empresa declarou saídas de produtos do estabelecimento de Betim CNPJ 08.684.547/0031 80 na DIPJ no valor de R$ 3.555.790,52 em 2009 página 257 ficha 22 e como não houve exibição de GFIP referente a tal estabelecimento, houve a intimação por meio do Termo de Intimação Fiscal (TIF) n.° 2 para a autuada apresentar relação nominal das pessoas físicas e/ou jurídicas que tivessem exercido atividades de qualquer natureza no citado estabelecimento, pois se a autuada declarou ter havido saída de produtos na DIPJ é óbvio que segurados tivessem trabalhado no estabelecimento; a empresa respondeu por intermédio de declaração assinada de 11 de julho de 2012 planilha 94A denominada DECLARAÇÃO INATIVIDADE ESTAB 0031, que não consta em seu banco de dados pessoas físicas e/ou jurídicas que tivessem exercido atividades de qualquer natureza de janeiro a dezembro de 2009 no estabelecimento referenciado. Assim, considerando não ser possível haver saídas de produtos sem que pessoas tenham exercido quaisquer atividades, a fiscalização decidiu por arbitrar as remunerações de segurados empregados em tal estabelecimento e o concretizou por meio do cálculo a seguir discriminado na planilha 94 denominada SALÁRIOS ARBITRADOS ESTAB 003: foi calculada a porcentagem do total de salários declarados na GFIP do estabelecimento matriz sobre o total de saídas (R$ 47.605.338,07/R$ 1.198.416.932,33) que resultou em índice de 3,97, a seguir esse índice foi aplicado sobre o valor das saídas declaradas em DIPJ pelo SP para o estabelecimento referenciado (R$ 3.555.790,52) que resultou em remuneração de Fl. 33831DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 6 9 segurados empregados anual no valor de R$ 141.164,88, a qual dividida pelas treze competências resultou em remuneração arbitrada mensal de R$ 10.858,83; os arbitramentos realizados pela fiscalização nos itens a.2 a.3 a.4 e a.5 acima para obtenção dos valores das respectivas remunerações estão em conformidade com o estipulado nos parágrafos 3° e 4° do artigo 33, da Lei n° 8.212/1991; a.6) no que concerne ao pagamento da rubrica PROGRAMA DE REMUNERAÇÃO VARIÁVEL PRV a fiscalização apesar de haver intimado o SP por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF) e do Termo de Intimação Fiscal (TIF) n.° 6 a exibir os acordos e convenções coletivas de trabalho vigentes em 2009, não foram apresentados os referentes à rubrica acima citada dos estabelecimentos de: Conceição do Pará/MG Poços de Caldas/MG Uberaba/MG Onça de Pitangui/MG Itamarandiba/MG Esmeraldas/MG Candeias/BA Sento Se/BA Santa Luz/BA João Monlevade/MG e Piracicaba/SP; assim o SP não provou ter atendido à legislação vigente para que fossem considerados regulares os pagamentos de tais rubricas nesses estabelecimentos e em conseqüência todos os valores das remunerações pagas aos segurados empregados sob tal rubrica foram consideradas como sujeitas a incidência das contribuições previdenciárias, conforme demonstrado nas planilhas números 116 a 122, 124 a 126, 128 e 132. Os acordos e convenções coletivas de trabalho exibidos pela empresa estão incluídos por cópias na planilhas números 95A a 95J denominadas ACT. a.6.1) no que concerne ao estabelecimento Brumado/BA planilha 95A, a autuada apresentou acordo coletivo de trabalho firmado em 22/12/2008 no qual não há entre as suas vinte e três cláusulas nenhuma que preveja o pagamento de tal rubrica, o que tornou sem base legal o mesmo levando a fiscalização a fazer incidir contribuições previdenciárias; desnecessariamente foi exibido acordo coletivo de trabalho 2009/2010, firmado em 19/1/2010 com previsão de pagamento da remuneração até 31/5/2010, conforme previsto no programa anexo, ou seja fora do período fiscalizado e tributado (2009); a.6.2) no que concerne ao estabelecimento Ipatinga/MG, a apresentação do acordo firmado em 22/12/2008 planilha 95C e a verificação do contido na cláusula oitava desse acordo, principalmente na sua alínea "b", na qual o estabelecimento com vinte e quatro empregados deveria se enquadrar em confronto com os valores contidos na planilha 127 fica comprovado que o pagamento da rubrica referenciada o foi em desacordo com a legislação vigente por não estar em conformidade com o estabelecido no acordo; a.6.3) no que concerne aos estabelecimentos de Serra/ES planilha 95E, a autuada apresentou Convenção Coletiva de Trabalho 2008/2009, de 18/12/2008, na qual não há quaisquer Fl. 33832DF CARF MF 10 cláusulas que autorizem o pagamento da rubrica PRV e, como agravante de tal omissão, a cláusula 4a faz menção ao fato de que o sindicato da categoria continuará desenvolvendo esforços no sentido de estimular as empresas representadas a negociarem, uma participação nos lucros ou resultados prevista na legislação, ou seja, é no próprio documento que as partes afirmam que não existe a fundamentação legal para o pagamento; em conseqüência a fiscalização decidiu por considerar sujeita à incidência tributária, todos os pagamentos de remunerações feitos sob a rubrica referenciada; a.6.4) no que concerne ao estabelecimento Volta Redonda/RJ planilha 95H o SP apresentou o acordo coletivo de trabalho 2008/2009, firmado em 23/6/2008 que não tem entre as suas quarenta e duas cláusulas nenhuma que preveja o pagamento de PRV; desnecessariamente o SP apresentou acordo coletivo de trabalho firmado em 16/12/2009 no qual a sua cláusula sexta parágrafo terceiro item I e no seu programa anexo determinou a efetivação do pagamento da rubrica até 31/5/2010, ou seja, fora da abrangência da presente fiscalização (2009); assim fica comprovado que o pagamento da remuneração referente a mesma foi realizado em desacordo com a legislação vigente e, em conseqüência, a fiscalização decidiu por fazer incidir contribuições previdenciárias sobre todos os pagamentos realizados, conforme discriminado na planilha 131; a.6.5) no que concerne ao estabelecimento Timóteo/MG, a autuada apresentou acordo coletivo de trabalho PRV 2009 planilha 95F, com programa anexo, firmado em 9/9/2009, o qual autorizou o pagamento da remuneração referenciada em 31/5/2010, ou seja, fora do período fiscalizado, assim a fiscalização decidiu por tributar o pagamento de todas as remunerações sob o título PRV, no período fiscalizado (2009), conforme descrito na planilha 133; a.6.6) após o exame da documentação apresentada pelo SP, a fiscalização decidiu por considerar sujeita a incidência tributária todos os pagamentos da rubrica PRV de todos os estabelecimentos para todos os segurados empregados com cargos de gestores (coordenadores diretores gerentes superintendentes presidente vicepresidente) em virtude do a seguir discriminado: a.6.6.1) em todos os anexos do programa exibidos há a exclusão de ocupantes de cargos de gestão dos parâmetros estabelecidos para cálculo da remuneração variável o que infringe a legislação, a qual determina que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, com os critérios e condições de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa e programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente; assim ao excluir parte dos trabalhadores dos parâmetros (os gestores), a empresa não poderia ter efetuado o pagamento da rubrica para esses trabalhadores; em reforço a fiscalização constata que em todos os anexos citados acima, há sempre a afirmação de a Fl. 33833DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 7 11 "ELEGIBILIDADE" e a "PARTICIPAÇÃO", são exclusivas dos colaboradores ocupantes dos cargos operacionais e Técnico/Administrativo; há inclusive cláusula segunda alínea "c" de acordo coletivo de trabalho 2009/2010, firmado em 25/1/2010 planilha 95G que estabelece que os parâmetros não são aplicáveis aos colaboradores pertencentes aos cargos de coordenação, gerência, superintendência e diretoria e que para tais profissionais a empresa divulgará oportunamente as condições e critérios para pagamento das respectivas participações nos lucros e resultados (PPR/PRV), ou seja, ainda em 2010, a autuada não havia incluído nos parâmetros para cálculo da remuneração referida, os ocupantes dos cargos de gestores; a.6.6.2) uma das provas de não ter havido estabelecimento dos critérios exigidos pela legislação é o fato de, apesar de o acordo coletivo para os empregados lotados na sede, escritórios e fábricas na Cidade Industrial, Contagem (Praça Louis Ensch, 240) e em Belo Horizonte (Av. Raja Gabaglia, 1781), firmado em 25/8/2008 planilha 95J estabelecer em sua cláusula sexta a data de pagamento para março/2009, ou seja, parcela única, a fiscalização constatou o pagamento para o gestor Eduardo Francisco Lobo em duas parcelas conforme demonstrado nas planilhas 96 e 97 denominada RECIBOS EDUARDO FRANCISCO LOBO MAIO E DEZEMBRO 2009. Assim fica comprovado que o SP desrespeitou no pagamento ao citado gestor, o acordo e infringiu a legislação pois tais pagamentos demonstram o não cumprimento da mesma, pois há em conseqüência dos mesmos a prova de tais pagamentos não serem resultados de aplicação de quaisquer parâmetros, muito menos os estabelecidos pela empresa; a.6.6.3) a fiscalização demonstra por meio das análises demonstradas nas planilhas 98 a 113 que os pagamentos da rubrica PRV aos gestores de cada unidade considerada foram muito superiores aos pagos aos empregados ocupantes de cargos subordinados. Tal análise reforça o entendimento da fiscalização na planilha 114 denominada PRV RESUMO FATOR PRV GESTORES E NÃO GESTORES que demonstra que o fator PRV para os gestores das unidades analisadas somou 93,18 contra 32,70 para os demais empregados; a.6.6.4) em conseqüência a fiscalização decidiu por tributar todos os pagamentos da referida rubrica feitos aos gestores em todos os estabelecimentos da empresa, conforme demonstrado nas planilhas 115 134 135 136 e 137 denominadas respectivamente PRV PARA GESTORES ESTAB 00001 ESTABELECIMENTO CONTAGEM A ESTABELECIMENTO CONTAGEM B ESTABELECIMENTO OURO BRANCO ESTABELECIMENTO CUBATÃO. b) incidentes sobre salários de contribuições pagos a segurados contribuintes individuais, não declarados em GFIP, identificados por meio dos levantamentos AL A N AO AP e AQ, discriminados nas planilhas números 85 86 87 88 89 90 e Fl. 33834DF CARF MF 12 91 denominadas respectivamente: APURAÇÃO REMUNERAÇÃO DIRETORES NÃO EMPREGADOS CONFORME DIPJ OPÇÃO DE AÇÕES OPÇÃO DE AÇÕES BASES DE CÁLCULO E CONTRIBUIÇÕES PAGAMENTOS A DIRETORES NÃO EMPREGADOS CONF. FP RELAÇÃO DE PAGAMENTOS A AUTÔNOMOS FORNECIDA PELA EMPRESA PAGAMENTOS A AUTÔNOMOS CONF DECLARAÇÃO DA EMPRESA NÃO DECLARADOS EM GFIP e PAGAMENTOS A AUTÔNOMOS COM BASE DIRF SEM GFIP, conforme as folhas de pagamentos de salários exibidas pelo SP, por meio de arquivo digital no formato MANAD, as Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF acessadas por meio dos sistemas internos da Receita Federal do Brasil RFB, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ anobase 2009 do SP, acessada por meio dos sistemas internos da RFB, a contabilidade do SP, acessada por meio do SPED contábil e nos correspondentes Discriminativos de Débito DD. Após análise de tais documentos a fiscalização decidiu por apurar créditos previdenciários conforme descrito a seguir. b.l foi constatado por meio do exame da DIPJ a declaração de pagamentos de remunerações aos diretores não empregados Luis Carlos Nepomuceno da Silva Maurício Lustosa de Castro Roberto Bento Vital e Wagner Mariano Sampaio, conforme demonstrado na planilha no 85. De tais pagamentos a fiscalização deduziu os valores de remunerações para os citados dirigentes declarados em GFIP; com a verificação da quantidade de competências em que tais dirigentes prestaram serviço à empresa (coluna E), o total da diferença contido na coluna D (DIPJGFIP) pode ser calculado por competência (coluna F) que permitiu a discriminação das remunerações arbitradas por competências discriminadas na parte inferior das colunas A e B; b.2) a fiscalização constatou a existência de lançamento contábil com a conta de despesa número 0051101008 denominada OPÇÃO DE AÇÕES OUTORGADAS, conforme demonstrado na planilha número 86; intimado por meio do Termo de Intimação fiscal no2 a esclarecer a natureza de tal lançamento, bem como apresentar a sua documentação e a relação dos beneficiários dos pagamentos de tal despesa, o SP apresentou a Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 24 de março de 2008 planilha 87A denominada PLANO DE OPÇÕES DE AÇÕES OUTORGADAS que deliberou sobre o plano de outorga de opção de ações em favor de seus administradores, empregados e prestadores de serviços, com anexação do plano aprovado. Também apresentou a relação dos beneficiários, discriminada na planilha no 87B denominada BENEFICIÁRIOS AÇÕES OUTORGADAS. Após a análise de tais documentos juntamente com a Demonstração do Resultado do Exercício DRE de 2009, contido na planilha 87C denominada DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DO EXERCÍCIO a fiscalização decidiu por arbitrar as remunerações pagas a segurados contribuintes individuais na modalidade de opções de ações outorgadas reconhecidas, pelos motivos já expostos anteriormente. Fl. 33835DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 8 13 b.3) a fiscalização constatou o pagamento de remunerações aos diretores não empregados Peter Paul Lourenço Estermann e João Aparecido de Lima, incluídas em folha de pagamento de salários, conforme descritas na planilha no 88, a qual foi elaborada a partir do fornecimento pela autuada das folhas de pagamento de salários do Conselho de Administração planilha 88A denominada FP CONSELHO DE ADM; b.4) a fiscalização apurou o pagamento de remunerações a contribuintes individuais autônomos conforme relação de pagamentos fornecida pela empresa, contida na planilha 89 RELAÇÃO DE PAGAMENTOS A AUTÔNOMOS FORNECIDA PELA EMPRESA, da qual derivou a planilha 90 PAGAMENTOS A AUTÔNOMOS CONF. DECLARAÇÃO DA EMPRESA NÃO DECLARADOS EM GFIP resultado do confronto da planilha 89 com a GFIP e a conseqüente constatação de não declaração em GFIP de parte das remunerações contidas na planilha 89; e b.5) a fiscalização constatou o pagamento de remunerações a segurados contribuintes individuais autônomos declaradas em DIRF, conforme demonstrado na planilha no 91 PAGAMENTOS A AUTÔNOMOS COM BASE DIRF SEM GFIP e decidiu por arbitrar os mesmos como sujeitos a incidência tributária; Os arbitramentos realizados pela fiscalização nos itens b.1 b.2 e b.5 acima para obtenção dos valores das respectivas remunerações estão em conformidade com o estipulado nos parágrafos 3° e 4o do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991. c) referente a contribuições destinadas à Previdência Social, relativas à parte da empresa incidentes sobre valores pagos a cooperativas de trabalho, conforme notas fiscais exibidas pelo SP, discriminadas na planilha n.° 92A denominada NF DE COOPERATIVAS, e também na planilha número 92 denominada PAGAMENTOS COOPERATIVAS CONF. NOTAS FISCAIS, incluídos no levantamento AT e no correspondente Discriminativo de Débito DD. d) referente a contribuições destinadas à Previdência Social, relativas à parte da empresa incidentes sobre valores pagos a cooperativas de trabalho, conforme valores declarados em DIRF pela empresa incluídos no levantamento AS, discriminados na planilha número 93 denominada PAGAMENTOS A COOPERATIVAS CONF DIRF, incluídos no levantamento AS e no correspondente Discriminativo de Débito (DD). II) Auto de Infração DEBCAD n.° 51.001.2833. Contribuições destinadas à Previdência Social, relativas à parte dos segurados, não descontadas pelo SP, no período de janeiro ao décimo terceiro salário de 2009, conforme discriminado a seguir. Fl. 33836DF CARF MF 14 Contribuições a cargo de segurados empregados incidentes sobre salários de contribuições, não declarados em GFIP, identificados por meio dos levantamentos, também incluídos nos correspondentes Discriminativos de Débitos (DD): a.1) AR, discriminado nas planilhas números 38 a 55 denominadas respectivamente: DIFERENÇA CONTRIBUIÇÃO DOS SE ESTAB 0001 0012 0018 0020 0023 0026 0029 0030 0032 0033 0034 0035 0036 0038 0040 0041 0042 e 0049, as quais contêm as contribuições acima citadas calculadas com base nas remunerações contidas nas planilhas números 2 a 37 identificadas na alínea "a" do item I acima, ou seja, as rubricas de remunerações não declaradas em GFIP pelo SP, como sujeitas à incidência tributária e assim consideradas pela fiscalização; a.2) AF AG AH Al e AJ discriminados nas planilhas números 56 a 83 denominadas respectivamente DIRF MAIOR QUE FP ESTABELECIMENTOS MATRIZ 0003 0006 0007 0012 0013 0015 0016 0018 0020 0023 0025 0026 0027 0028 0029 0o j 0032 0033 0034 0035 0036 0037 0038 0040 0041 0042 e 0049 E DIVERSOS, as quais contêm valores de remunerações de segurados empregados declarados em DIRF maiores que os constantes nas folhas de pagamento de salário e sobre os quais incidiram as contribuições a cargo dos mesmos; a.3) AK discriminado na planilha n.° 84 denominada APURAÇÃO REMUNERAÇÃO DIRETORES EMPREGADOS CONF. DIPJ, a qual contém os valores de remunerações arbitrados pela fiscalização e declarados pelo SP na citada DIPJ, sobre as quais incidiram as contribuições a cargo dos segurados empregados; a.4) AM discriminado na planilha n.° 87 denominada OPÇÃO DE AÇÕES BASES DE CÁLCULOS E CONTRIBUIÇÕES, a qual contém os valores de remunerações arbitrados pela fiscalização referentes a opções de ações para empregados, sobre os quais incidiram as contribuições a cargo desses segurados; a.5) AU discriminado na planilha 94 denominada SALÁRIOS ARBITRADOS ESTAB 0031, a qual contém valores de salários arbitrados pela fiscalização sobre os quais incidiram as contribuições a cargo de segurados empregados; a.6) AV AX AZ BA BB BC BD BE BF e BG , discriminados nas planilhas números 115 a 137 denominadas respectivamente PRV PARA GESTORES ESTAB 0001 0003 CONCEIÇÃO DO PARÁ 0006 POÇOS DE CALDAS 0007 UBERABA 0012 ONÇA DE PITANGUI 0013 UBERABA 0014 ITAMARANDIBA 0016 ESMERALDAS 0020 BRUMADO 0023 CANDEIAS 0027 SENTO SE 0028 SANTA LUZ 0029 IPATINGA 0036 JOÃO MONLEVADE 0038 SERRA 0041 SERRA 0042 VOLTA REDONDA 0049 PIRACICABA 0037 TIMÓTEO PARA GESTORES ESTABELECIMENTO CONTAGEM A e CONTAGEM B PARA GESTOR ESTABELECIMENTO OURO BRANCO e PARA GESTORES Fl. 33837DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 9 15 ESTABELECIMENTO CUBATÃO, conforme as folhas de pagamentos de salários exibidas pelo SP, por meio de arquivo digital no formato MANAD, as Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF acessadas por meio dos sistemas internos da Receita Federal do Brasil RFB, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ ano base 2009 do SP, acessada por meio dos sistemas internos da RFB, a contabilidade do SP, acessada por meio do SPED contábil e nos correspondentes Discriminativos de Débito (DD). Para facilitar o entendimento do presente procedimento fiscal foram elaboradas e estão anexas ao Relatório Fiscal as planilhas que contém os valores das bases de cálculo e das contribuições apuradas com os respectivos levantamentos, por estabelecimento. Tais planilhas são as de números 138 a 168. Na mesma ação fiscal foi lavrado o Auto de Infração de Obrigações Principais AI DEBCAD n.° 51.001.284, PROCESSO COMPROT n.° 13603.720891/201308. Constatação da existência de grupo econômico de fato. A fiscalização constatou a existência de Grupo Econômico de Fato após exame de documentos disponibilizados, haja vista que se está diante de um grupo de empresas com direção, controle e administração exercidos direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. Também ficou constatado que a empresa fiscalizada tem mais de duas empresas coligadas e controladas, conforme comprovado no Relatório Fiscal. Grupos econômicos de fato são resultado de decisões legítimas de seus controladores, que, não pretendendo dar à sua organização as características do "grupo de sociedade" da Lei n.° 6.404, de 15/12/1976, promovem a constituição de empresas, interligadas entre si e controladas direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas. Neste caso, ainda que "de fato", o grupo econômico assume pública e ostensivamente a sua condição de "grupo". Assim, resta comprovado o afirmado, ou seja, a existência de uma organização de empresas, interligadas entre si e controladas diretamente ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas, constituindo um grupo econômico de fato. O lançamento foi cientificado ao sujeito passivo que apresentou impugnação integral. Na Delegacia de Julgamento, a impugnação foi julgada procedente em parte para: (a) afastar o lançamento incidente sobre verbas decorrentes de acidente de trabalho, para os segurados cujo afastamento foi comprovado; (b) decotar do lançamento relativo a diretores o valor de R$ 403.111,11, que já havia sido declarado em GFIP; (c) excluir do lançamento relativo a contribuintes individuais os valores pagos a Jorge Santos, por ter sido comprovado ser pagamento a pessoa jurídica, e a Valdecy Moraes, por ter sido comprovado que consistia em aluguéis; (d) excluir os lançamentos relativos a segurados empregados e contribuintes individuais que já contribuíam pelo teto; e (e) excluir os lançamentos relativos aos segurados Maurício Pinho e Eduardo F. Lobo. A ementa do julgado restou redigida nos seguintes termos: Fl. 33838DF CARF MF 16 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços à empresa. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços à empresa. "STOCK OPTIONS". PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. REMUNERAÇÃOUTILIDADE. Atuando a empresa para garantir uma efetiva vantagem econômica aos segurados a seu serviço, mitigando os riscos e os custos do exercício de opção de compra de ações, os ganhos configuram remuneraçãoutilidade. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. A partir da competência 3/2000, é devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA DE ADMINISTRADORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A participação dos diretores não empregados nos lucros e resultados da Companhia, prevista na Lei n.° 6.404/1976, sofre a incidência de contribuições previdenciárias, por caracterizar contraprestação aos serviços prestados, e por não se enquadrar em nenhuma hipótese de exclusão prevista em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a prova apresentada pelo contribuinte o condão de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõese a improcedência da impugnação. Fl. 33839DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 10 17 GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Configurado o grupo econômico, nos termos do inciso IX, do art. 30, da Lei n.° 8.212, de 1991, as empresas que o integram respondem solidariamente pelo recolhimento das contribuições previdenciárias. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte teve ciência da decisão em 07/10/2014 (fl. 33607). Os demais responsáveis também foram cientificados do acórdão DRJ em 07/10/2014: CNPJ 02497342000194 (fl. 33612); CNPJ 08730895000121 (fl. 33608); 20466512000155 (fl. 33609); e CNPJ 00592603000120 (fl. 33611). Inconformado, o autuado interpôs recurso voluntário (fls. 33668/33741), em 22/10/2014, aduzindo, em síntese, as seguintes teses: 1. Requer que todas as intimações deste processo sejam encaminhadas ao endereço da matriz da empresa, sob pena de nulidade; 2. parcelas que não podem ser exigidas tal como lançadas (parte dos levantamentos AA, AB, AC, AD e AE): na impugnação, a Magnesita informou que as parcelas diferença de 13o. Salário, média adicional noturno, horas extras com 75% e diferença mês maior não seriam impugnadas com relação ao mérito, mas deveriam ser excluídas porque foram lançadas em conjunto com outras parcelas que seriam rebatidas e que impossibilitava a mensuração individualizada de cada uma delas o que é causa de nulidade formal do lançamento; 3. rubricas relacionadas ao levantamento estabilidade rescisão (levantamentos AA, AB, AC, AD e AE) têm nítido caráter indenizatório, pois são pagas em função da rescisão do contrato de trabalho com garantia provisória e sem que haja a devida contraprestação; 3.1. rubricas relacionadas ao acidente de trabalho (levantamentos AA, AB, AC, AD e AE) não são tributáveis. o fiscal reconheceu o erro mas a DRJ manteve o lançamento para 8 empregados, contrariando a fiscalização e as provas (doc. 6 da impugnação); 4. levantamento DIRF maior que folha de pagamento (levantamentos AF, AG, AH, AI e AJ): 4.1. ausência de divergência entre DIRF e folha de pagamento: a empresa adianta o salário do mês no dia 20 e paga o restante até o dia 5 do mês seguinte. A DIRF, feita pelo regime de caixa, contempla parcela salarial do mês corrente (paga no dia 20) e do mês anterior (saldo pago no dia 05); 4.2. o auditor cometeu o erro para todos os casos das planilhas da fiscalização n.o. 56 a 83 e, quando da diligencia, acaba concordando com as alegações deduzidas na impugnação; 5. subsidiariamente: impossibilidade de utilização do arbitramento. O pressuposto autorizativo é a ausência ou imprestabilidade dos documento, conforme art. 148 do CTN Fl. 33840DF CARF MF 18 e, no presente caso, os documentos não só existem como são hábeis a provar a ausência de divergência entre DIRF e folha de pagamento; 6. nulidade do acórdão ao não analisar as provas dos autos: 6.1. o acórdão prossegue no erro do fiscal autuante quando insiste em afirmar que a folha de pagamento de maio/2009 do empregado paulo teixeira arruda só aponta pagamento de R$ 872,96, quando deveria apontar R$ 1.239,60. vide doc. 08 da impugnação; 6.2. o acórdão se pautou em documentos estranhos à lide, quais sejam, CNIScidadão e que, por não terem sido juntados neste processo, não chegaram a ser analisados pela recorrente, em total desrespeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, causa de anulação; 7. Do levantamento "apuração remuneração diretores conforme DIPJ (levantamento AK e AL): 7.1. invalidade de apuração de verba salarial por meio de DIPJ. Impossibilidade de arbitramento: 7.2. Indevida inclusão das PLR´s (PRV´s) pagas aos diretores não empregados na base de cálculo: 8. Quanto ao plano de opção de compra de ações stock options (levantamentos AM e NA): 8.1. a opção de compra não remunera serviços prestados e a contabilização como despesa não significa remuneração pelos serviços, inexistindo previsão legal para sua tributação; 8.2. o valor das ações são estimados no momento de lançamento do programa e não reflete o valor das ações nos momentos seguintes; 9. Erro na apuração da remuneração paga ao sr. João Aparecido Lima. Não incidência sobre ajuda de custo paga ao sr. Peter Esteman (levantamento AO); 10. Participação nos lucros e resultados (PLR) em programas de remuneração variável PRV (levantamentos AV, AX, AZ, BA, BB, BC, BE, BF e BG): existência de acordo coletivo para todos os estabelecimentos, impossibilitando a tributação. Os acordos incluem cargos de gestão; 11. pagamentos realizados a cooperativas (levantamentos AT e AS): a tributação desta verba foi declarada inconstitucional pelo STF; 12. contribuições sobre salários arbitrados para o estabelecimento 0031 (levantamento AU): na filial Betim (/0031) funciona somente um armazém, onde são depositados os produtos finais fabricados no estabelecimento matriz, cujos funcionários operam o depósito, de acordo com a necessidade de armazenagem e retirada do depósito. Os empregados prestaram declaração nesse sentido (doc. 38 da impugnação); 13. contribuições relativas a autônomos (levantamentos AP e AQ): 13.1. dos alguns casos, listado na primeira tabela da fl. 33728, houve pagamento, conforme GPS (doc. 39 da impugnação). Para os casos da segunda tabela da fl. 33728, o lançamento aponta uma competência que não corresponde àquelas em que o houve prestação de serviços; Fl. 33841DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 11 19 13.2. para os casos indicados na tabela da fl. 33729, os pagamentos correspondem a compra de bem (vide NF anexa ao doc. 40 da impugnação); locação de imóvel (doc 41 da impugnação); ou incentivo à cultura (doc. 42 da impugnação); 14. Levantamento AR (AI no 51.001.2833): 14.1. segundo o fisco, este AI exige a contribuição dos segurados, apuradas nas planilhas 38 a 53, incidentes sobre as mesmas parcelas pagas pela empresa apuradas nas planilhas 2 a 37. Contudo, tal identidade não existe, visto que as parcelas constantes das planilhas 38 a 53 não são as mesmas das planilhas 2 a 37; 14.2. nulidade do AI já que a afirmação do relatório fiscal não é corroborada pelas planilhas e o recorrente não consegue identificar quais são as infrações; 15. excessos e duplicidades exigidos no AI no 51.001.2833: (fl. 33732 p.65): o lançamento não respeitou o limite máximo do saláriodecontribuição para os segurados levantamentos AR, AF, AK e AM. O acórdão não se manifestou sobre as inúmeras multiplicidades cometidas na elaboração das planilhas 56 a 83, que embasam o levantamento AF; 16. impossibilidade de cobrança da contribuição do segurado não descontada pela empresa: inexistência de previsão legal de responsabilidade tributária; 17. exclusão das empresas colocadas como solidárias: incorporação de quatro delas; 18. nulidade do acórdão: a recusa injustificada do acórdão em apreciar as provas da impugnação induz à sua nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto no 70.235/72. Requer a anulação do acórdão, para apreciar novamente os documentos carreados ao processo e, subsidiariamente, reformar o acórdão para anular integralmente os lançamentos. Com o recurso, juntou cópias de: procuração e atos constitutivos (fls. 33742/33767); comprovante de intimação (fls. 33768/33770); contracheque de maio/2009 do diretor Roberto Bento Vidal (fls. 33771/33772). A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou contrarazões (fls. 33776/33810) nos seguintes termos: a) das rubricas relativas à rescisão antecipada de empregado no gozo de estabilidade provisória: acertado o lançamento pois referidas verbas têm natureza salarial, pois consistem no pagamento dos salários que seriam devidos, por força da garantia da estabilidade, ao empregado dispensado, os quais não foram pagos em virtude da dispensa imotivada; b) da participação estatutária paga aos diretores: a participação nos lucros paga aos diretores não empregados não se enquadra na previsão do art. 7o, XI, da CF/1988 e Lei no 11.101/2000, normas que visam conferir proteção ao trabalhador subordinado. O recorrente não se desincumbiu do ônus probatório do atendimento dos requisitos do §1o, do art. 152, da Fl. 33842DF CARF MF 20 Lei das Sociedades Anônimas, levando à convicção de que se trata de remunerações a título de prólabore; c) plano de opções de compra de ações: 1. a fiscalização não criou hipótese de incidência mas tão somente enquadrou o benefício recebido na norma do art. 22 da Lei no 8.212/91, que contempla como remuneração qualquer acréscimo patrimonial que seja propiciado pela empresa aos empregados e contribuintes individuais a seu serviço; 2. não se pode confundir as stock options mercantis, ativos financeiros derivativos, negociados em bolsa de valores ou mercado de balcão, com as chamadas employee stock options , verdadeira ferramenta de política de remuneração; 3. as stock options são oferecidas como vantagem adicional à remuneração básica, como um atrativo para que os executivos trabalhem ou continuem trabalhando na companhia, quer dizer, são oferecidas para o trabalho. As opções não eram objeto de compra e venda entre a companhia e os beneficiários, sendolhe graciosamente outorgadas. É retribuição econômica em decorrência do trabalho prestado que, por consequencia, deve sofrer os efeitos fiscais. Requer que seja negado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Fl. 33843DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 12 21 Voto Vencido Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso, apresentado no trintídio assinalado pelo art. 33 do Decreto no 70.235/72, é tempestivo. Presentes os demais requisitos, deve ser conhecido. Da intimação No processo administrativo fiscal, a intimação se dá conforme prescreve o art. 23 do Decreto no 70.235/1972. No §4o deste artigo, temse a definição do domicílio tributário, para fins de intimação: Art. 23. Farseá a intimação: (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Logo, em cumprimento do comando legal, as intimações serão feitas no endereço postal fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária ou no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária. Do pedido de conexão O sujeito passivo requer o julgamento conjunto do presente processo com o autuado sob no 13603.720891/201308. Este processo encontrase no CARF, pronto para distribuição. Com efeito, o art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF no 343/2015, possibilita a vinculação de processos conexos para o julgamento conjunto. De conformidade com o §3o do mesmo dispositivo, requerida a distribuição, a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou Seção de Julgamento. Logo, impossível conhecer dessa parte do recurso. Fl. 33844DF CARF MF 22 Nesses termos o pedido do contribuinte foi encaminhado ao conhecimento da Presidente da Quarta Câmara, da Segunda Seção de Julgamento, que rejeitou o pedido de distribuição, conforme despacho de fls. 33.817. Naquele despacho, a Presidente informa que, o referido art. 6o, há que ser interpretado conjuntamente com aqueles que estabelecem a forma de distribuição de processos por sorteio no âmbito do CARF. Assim, não tendo sido realizada a vinculação dos processos ainda no setor de distribuição, os demais processos devem ser normalmente distribuídos por sorteio, assegurando a impessoalidade e transparência do procedimento. Uma vez que o presente processo encontrase regularmente instruído, contendo todos os elementos necessários ao seu julgamento, não se observa a necessidade de reunião com outros processos. Nesses termos, havendo a possibilidade de julgar individualmente o processo sob exame, não é possível deferir o pedido de julgamento conjunto, conforme exposto no despacho da presidente da 4.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF (fl. 33817). Da análise das provas O recorrente requer que seja declarada a nulidade do acórdão recorrido em razão da recusa injustificada em apreciar as provas da impugnação, o que induz à sua nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto no 70.235/72. Ao contrário do que afirma o recurso a decisão recorrida examinou as provas trazidas com a impugnação, fazendo referência expressa a tais provas e havendo, inclusive, determinado a realização de diligência fiscal para analisálas. Ademais, as provas trazidas pelo Autuado levaram a diversas retificações no lançamento promovidas pelo acórdão guerreado. Assim, não havendo indicado especificamente quais documentos deixaram de ser apreciados pela decisão recorrida, impossível dar provimento à alegação genérica de não apreciação de provas. Recurso negado na matéria. Das parcelas: 13o salário, média adicional noturno, horas extras com 75% e diferença mês anterior (incluídas nos levantamentos AA, AB, AC, AD e AE) Na impugnação (fl. 2188), o sujeito passivo expressamente informou que as parcelas diferença de 13o. salário, média adicional noturno, horas extras com 75% e diferença mês anterior não seriam impugnadas com relação ao mérito. Logo, é incontroversa a exigência relativa a tais parcelas. No entanto, o recorrente pede a exclusão destas verbas, sob argumento de que nem o discriminativo do débito nem tampouco os documentos que embasaram o relatório fiscal permitiriam que os valores individualizados das parcelas com as quais concorda fosse conhecido. Sem razão a argumentação nesse ponto. Fl. 33845DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 13 23 Embora referidas parcelas tenham sido totalizadas conjuntamente com outras constantes das folhas de pagamentos no discriminativo do débito (fls. 3/116), a Fiscalização cuidou de identificálas individualmente, por segurado, nas planilhas que acompanham o lançamento. Assim, a parcela "diferença de 13o. salário" está demonstrada na planilha 24 (fl. 267), "média adicional noturno" está demonstrada na planilha 25 (fl. 268), "horas extras com 75%" está demonstrada na planilha 26 (fl. 269) e "diferença mês anterior" está demonstrada na planilha 27 (fl. 270). Desse modo, os lançamentos foram individualmente identificados, possibilitando a conferência e impugnação do sujeito passivo. Portanto, não se observando qualquer causa de nulidade do lançamento, rejeitase o pedido de exclusão das referidas parcelas. Das verbas pagas em razão de rescisão de contrato de trabalho de empregados estáveis (incluídas nos levantamentos AA, AB, AC, AD e AE) Aos empregados arrolados nas planilhas 02 a 23 que instruem o auto de infração, foram pagas verbas em razão de rescisão de contrato de trabalho de empregados que gozavam de estabilidade. As rubricas pagas foram: (a) estabilidade rescisão, (b) média horas extra estabilidade e (c) adicional noturno estabilidade. O recorrente alega que as verbas têm nítido caráter indenizatório, pois são pagas em função da rescisão do contrato de trabalho com garantia de estabilidade provisória e sem que haja a devida contraprestação. Argumenta que a rescisão implica em dano, que a verba é paga somente uma vez, indicando a eventualidade e que não tem contrapartida em prestação de serviços. Aduz que estaria abarcada pela isenção conferida pelo §9º, alínea e, item 7 do art. 28 da Lei no 8.212/91, por ser eventual. Contudo, a argumentação não merece prosperar. Ocorre que as indenizações que não sofrem a incidência de contribuição previdenciária estão previstas em lei, o que não é o caso das verbas sob exame. Nessa esteira, a Lei no 8.212/91 expressamente afasta da incidência as indenizações previstas em lei. Vejamos: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) (...) e) as importâncias: (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; Fl. 33846DF CARF MF 24 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; (...) 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Para os empregados integrantes de comissão interna de prevenção de acidente (CIPA)1 e para os empregados que sofreram acidente de trabalho2, objeto desta parte do lançamento, o ordenamento jurídico prevê a estabilidade provisória, e não indenização. Observase, portanto, que não há previsão na legislação para excluir as indenizações pagas pela empresa ao empregado estável provisoriamente. Logo, devem se sujeitar à incidência das contribuições previdenciárias. No mesmo sentido, o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999 assim estabelece: Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) I (...) V as importâncias recebidas a título de: a) (...) m) outras indenizações, desde que expressamente previstas em lei; Nesses termos, não estando previstas em lei, deve ser mantido o lançamento incidente sobre as verbas sob exame. Recurso rejeitado na matéria. Das rubricas relacionadas a acidente de trabalho (levantamentos AA, AB, AC, AD e AE) O recorrente informa que os valores relativos a “horas acidente de trabalho” e acessório “13º integral acidente de trabalho” são pagos a empregados afastados por acidente de trabalho, listados nas planilhas 28 a 37 do AI. Aduz que o fato de haver cumulação de pagamentos por horas trabalhadas com horas de afastamento por doença/acidente decorre do início ou final do afastamento do empregado no decorrer do mês e que este fato não autoriza a tributação do auxílio acidente/doença. 1 Cf. art. 10, inciso II, alínea a, do Ato Das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), da Constituição Federal de 1988. 2 Cf. art. 118, da Lei n.° 8.213/91. Fl. 33847DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 14 25 Acrescenta que o fiscal reconheceu o erro na informação fiscal da diligência. No entanto, a DRJ manteve o lançamento para 8 empregados, ao argumento de que o recorrente não teria comprovado o recebimento do benefício previdenciário advindo do afastamento por doença/acidente. Aduz, ainda, que a manutenção contraria a fiscalização e não atentou para as provas (doc. 6 da impugnação). Com razão o recorrente na matéria. Reproduzimos a informação fiscal (fl. 33.383) em resposta ao pedido de diligência relativo à matéria sob exame: Logo, não havendo qualquer restrição na informação fiscal, deve ser excluído do lançamento as contribuições incidentes sobre as verbas decorrentes de acidente de trabalho/doença, pelo que dou provimento ao recurso na matéria. Da possibilidade de arbitramento Com relação ao levantamento fiscal de remuneração na DIRF maior que na folha de pagamento (levantamentos AF, AG, AH, AI e AJ), o recorrente aduz a impossibilidade de utilização do arbitramento. Diz que o pressuposto autorizativo seria a ausência ou imprestabilidade dos documento, conforme art. 148 do CTN e, no presente caso, os documentos não só existem como são hábeis a provar a ausência de divergência entre DIRF e folha de pagamento. Acresce que, na resposta da diligência, o fiscal confessa que a autuação se deu sem base probatória, pois não examinou a contabilidade, análise esta que é pressuposto do arbitramento. Afirma no item 2.3 da diligência que a única verificação foi a comparação entre a DIRF e GFIP. Vejamos a dicção do art. 148 do CTN: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Do dispositivo, temse que são diversos os motivos que justificam o arbitramento: (a) as declarações sejam omissas; (b) as declarações não mereçam fé; (c) os esclarecimentos prestados sejam omissos; (d) os esclarecimentos prestados não mereçam fé; (e) Fl. 33848DF CARF MF 26 os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou terceiro legalmente obrigado sejam omissos; (f) os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou terceiro legalmente obrigado não mereçam fé. Dessa forma, diferentemente do que pretende o recurso, o arbitramento não é autorizado somente pela ausência ou imprestabilidade dos documento, mas também pela omissão em prestar informações. Nessa esteira, a Lei no 8.212/91, no §3o do art. 33, estabelece que: Art. 33 (...) 3.o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O regulamento da Previdência Social define o que é documento deficiente: Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. No caso dos autos, a divergência entre as remunerações constantes da DIRF e das folhas de pagamentos caracterizam os documentos como deficientes, por conterem informações diversas da realidade. O sujeito passivo apresentou documentos deficientes e foi intimado para prestar informações acerca das divergências de remuneração da DIRF e na GFIP. Ao se recusar a prestar os esclarecimentos, a empresa submetese ao arbitramento, conforme autorizado pelo §3o, do art. 33. da Lei no 8.212/91. Ao contrário do que acusa o recurso, a autuação tem base documental, pois se alicercça nas DIRFs apresentadas pelo sujeito passivo, sendo prescindível, nesse caso, o exame da contabilidade. Ressaltese, ainda, que os documentos apresentados com a impugnação não foram hábeis a explicar a divergência de remuneração entre DIRF e folha de pagamento, não aproveitando como prova em contrário. Recurso rejeitado na matéria. Da remuneração na DIRF maior que na folha de pagamento (levantamentos AF, AG, AH, AI e AJ) Fl. 33849DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 15 27 O recorrente alega ausência de divergência entre DIRF e folha de pagamento. Informa que a empresa adianta o salário do mês no dia 20 e paga o restante até o dia 5 do mês seguinte. A DIRF, feita pelo regime de caixa, contempla parcela salarial do mês corrente (paga no dia 20) e do mês anterior (saldo pago no dia 05). Assim, os valores da DIRF junho/09, por exemplo, devem ser comparados com os valores das folhas emitidas em junho/09, as quais compreenderão uma parte da massa salarial de maio/09 (não pagas adiantadamente) e o adiantamento de junho/09. Diz que o auditor cometeu o erro para todos os casos das planilhas da fiscalização no 56 a 83. Aduz, ainda, que o fiscal, quando da diligencia determinada pela DRJ, acaba concordando com as alegações deduzidas na impugnação. Contudo, esta afirmação deve ser de logo afastada. Na informação fiscal, a auditoria não concordou com as alegações deduzidas na impugnação mas, ao contrário, opinou pela manutenção do lançamento na matéria, como se vê do trecho transcrito (fl. 33386): Inicialmente, necessário lembrar que, uma vez constatadas as divergências de remunerações declaradas em DIRF e em GFIP, a Fiscalização intimou o contribuinte a explicá las. Uma vez que o sujeito passivo não justificou as divergências, a Fiscalização lançou as diferenças por arbitramento. Logo, correto o procedimento fiscal, com suporte no art. 33, §3o, da Lei no 8.212/19913. No tocante ao argumento de que as diferenças seriam provenientes do regime de pagamento da remuneração (adiantamento + saldo), aliado à declaração pelo regime de caixa da DIRF, os documentos trazidos ao feito pelo sujeito passivo não confirmam suas afirmações. Vejamos. O recorrente traz, novamente no recurso, o exemplo do segurado Paulo Teixeira Arruda, competência 05/2009. Para este segurado, no lançamento, a auditoria fiscal levantou, na planilha 58 (fl. 414): Remuneração em Folha: R$ 872,96 Remuneração em DIRF: R$ 1.765,75 Diferença de remuneração: R$ 892,79 A remuneração em folha de pagamento (R$872,96), confere com a constante do demonstrativo trazido pelo contribuinte com a impugnação (fl. 11.312). No entanto, o sujeito passivo não conseguiu demonstrar a que se refere o valor de R$ 1.765,75, declarado na DIRF 06/2009. Pela sua argumentação, deveria corresponder ao saldo de salário de 05/2009, no valor de R$ 366,64 (fl. 11.312) somado ao adiantamento de 06/2009. Como o segurado foi demitido nesta competência (fl. 11.319), teve remuneração de R$ 225,28 (fl. 11.314) que, 3 Art. 33 (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 33850DF CARF MF 28 somado ao saldo de 05/2009 (R$ 366,64), totaliza R$ 591,92, que diverge do valor informado na DIRF. Tomemos outro caso. Para o segurado Nivaldo Pereira do Nascimento, competência 06/2009, a fiscalização efetuou a seguinte apuração, constante da planilha 57 (fl. 415): Remuneração em Folha: R$ 897,60 Remuneração em DIRF: R$ 1.456,71 Diferença de remuneração: R$ 892,79 Tendo em conta o regime de caixa, a auditoria tomou a DIRF da competência 07/2009 na comparação (R$ 1.456,71). Pela explicação da empresa, nessa DIRF deveriam ter sido declarados o somatório do saldo de salário (não adiantado) de 06/2009, no valor de R$ 520,61 (fl. 14.337) com o adiantamento da remuneração de 07/2009, no valor de R$ 138,23, totalizando R$ 658,54. Concluise, mais uma vez, que os documentos trazidos aos autos pelo impugnante NÃO comprovam sua alegação. Constatase, portanto, que o contribuinte não demonstrou a origem da remuneração declarada na DIRF. Além disso, do exame dos documentos em conjunto com a explicação dada pelo sujeito passivo, não conseguimos chegar ao valor da remuneração declarada em DIRF. Assim, uma vez que o contribuinte não justificou as divergências apontadas pelo Fisco como motivo para o arbitramento, nem apresentou provas que contrariassem os valores apurados pela auditoria, impossível cancelar o lançamento. Pedido rejeitado na matéria. Dos documentos constantes dos autos O contribuinte novamente pleiteia a nulidade do acórdão por supostamente não haver analisado as provas dos autos. Diz que o acórdão prossegue no erro do fiscal autuante quando insiste em afirmar que a folha de pagamento de maio/2009 do empregado paulo teixeira arruda só aponta pagamento de R$ 872,96, quando deveria apontar R$ 1.239,60. Acrescenta que o acórdão se pautou em documentos estranhos à lide, quais sejam, CNIScidadão e que, por não terem sido juntados neste processo, não chegaram a ser analisados pela recorrente, em total desrespeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, causa de anulação. Argumenta que o somatório das verbas salariais declarada na CNIScidadão não bate com o declarado em DIRF muito provavelmente pelo fato de que a CNIS é expedida pelo regime de competência. Entretanto, as razões do contribuinte não têm êxito. No tocante ao segurado Paulo Teixeira Arruda, na competência 05/2009, o sujeito passivo apresenta documento (fl. 11.312) onde consta: total de proventos R$ 872,96; desc. adto. salarial R$ 366,64. Impossível, como pretende o recorrente, somar o valor total de proventos com o desconto, pago no mês anterior, para chegar ao total de R$ 1.239,60. Logo, correta a apuração fiscal, não se compreendendo a insatisfação do contribuinte. Fl. 33851DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 16 29 Ao contrário do que acusa o recurso, os documentos apresentados com a impugnação foram examinados, tendo sido, inclusive, objeto de diligência fiscal, resultando na proposta de manutenção do lançamento. O sujeito passivo, por sua vez, alegou que a diferença de valores decorreria do fato de pagar uma antecipação de salário dentro da competência e o saldo da remuneração na competência seguinte. No entanto, não trouxe, dentre as provas, um demonstrativo dos valores declarados em DIRF, individualizado por segurado, para comprovar suas alegações. Limitouse a juntar documentos e apresentar o exemplo de um único segurado em uma única competência, o que não é suficiente para confirmar suas alegações. Da análise dos documentos apresentados, observase que, somando o saldo de remuneração da competência anterior com o adiantamento de salário da competência corrente, não se chega aos valores da remuneração declarados em DIRF. Vejamos alguns exemplos: Lançamento Segurado Comp. Remuneração em folha Remuneração em DIRF Diferença de remuneração fl. A B C D E=DC F MARCOS CALDAS DA CRUZ jan/09 8.602,31 16.248,80 7.646,49 360 MANUEL GUSTAVO LUTKENHAUS fev/09 9.112,00 17.305,44 8.193,44 365 28.338 GIVANILDO PEREIRA CARDOZO mar/09 3.992,44 5.839,99 1.847,55 372 28.824 Documentos da impugnação comp. Adiantamento Remuneração Vlr. Adiant. Remun. fl. comp. saldo Remuneração Vlr. Saldo Remun. fl. Soma adiant. + saldo G H I J L M N=H+L fev/09 3.612,97 2516 jan/09 5.982,91 3990 9.595,88 mar/09 3.827,04 4503 fev/09 6.337,40 7275 10.164,44 abr/09 517,44 7759 mar/09 902,10 10859 1.419,54 De acordo com a explicação do contribuinte, a coluna N da segunda tabela corresponderia ao valor declarado em DIRF. No entanto, como se observa, nestes exemplos os valores declarados em DIRF (coluna D da primeira tabela), não conferem com os valores da coluna N. Assim, os documentos apresentados com a impugnação infirmam as alegações do sujeito passivo. Ademais, embora o acórdão aponte verbas salariais constantes do CNIS, o fez apenas para confirmar as divergências apuradas, não sendo este o fundamento para o lançamento ou para a decisão. Devese observar que o lançamento decorreu, repitase, das divergências entre as remunerações declaradas em DIRF e aquelas constantes das folhas de pagamentos, Fl. 33852DF CARF MF 30 tudo demonstrado nas planilhas 56 a 83 que integram o auto de infração. Com a notificação do lançamento, o contribuinte teve ciência das planilhas e foi aberto o contraditório, respeitando o devido processo legal. Logo, não houve qualquer mácula quanto ao seu direito de defesa. Rejeitase, portanto, recurso na matéria. Das remunerações de diretores apuradas em DIPJ (levantamentos AK e AL) O recorrente reclama a invalidade de apuração de verba salarial por meio de DIPJ e a impossibilidade do arbitramento. Sustenta que a DIPJ cumpre a obrigação acessória de declarar os tributos previstos na IN SRF no 127/1998, dentre os quais não se insere a contribuição previdenciária. Que na sua ficha 61A são declarados os rendimento de dirigentes, conselheiros, sócios ou titular para cientificar o fisco das informações econômicas da contribuinte e que os valores declarados nesta ficha contemplam verbas que não têm natureza salarial ou que não integram o saláriodecontribuição. Sustenta que a folha de salários é o único documento que tem força suficiente para comprovar o quão foi pago a cada trabalhador, e que inexiste previsão na legislação que atribua à DIPJ a força probatória para utilizar os valores como base de cálculo. Reclama que sequer foram decotados do cálculo os valores que não têm natureza salarial, a exemplo da PRV, conforme comprova planilha 85 anexa ao lançamento. Acrescenta que a única observação feita pelo acórdão quanto à irregularidade dos documentos diz respeito aos contracheques do sr. Roberto Bento Vidal, que apontaria divergência GFIP x DIRF. Contudo, isso não abre a via de aferição indireta porque (a) a soma dos contracheques não é R$ 386.465,50 como afirma o acórdão, mas R$ 371.440,24 (doc. 10 da impugnação e doc. 04 do recurso); (b) dos valores recebidos, somente verba indenizatória de R$ 60.000,00 paga em abril/2009 não teria sido incluída em GFIP, justamente a diferença entre GFIPxDIRF. No recurso, assevera ainda ser indevida inclusão das PLR´s (PRV´s) pagas aos diretores não empregados na base de cálculo. Diz que, tratandose de diretores não empregados, os pagamentos de PLR estão de acordo com as normas da Lei no 6.404/76, motivo pelo qual atende aos requisitos de isenção da Lei no 8.212/91. Ressalta que o caso julgado pelo STJ (AgRg 1.023.721/RS), citado pelo acórdão, não guarda a mínima relação com o caso analisado, pois o julgado trata do imposto de renda. Mais uma vez, enganase o recorrente na sua defesa. O sujeito passivo apresentou informações que não merecem fé, visto a contradição entre a remuneração declarada em DIPJ e a constante da GFIP. Intimado para explicar as divergências, o contribuinte não prestou esclarecimentos. Logo, restou configurada a hipótese para o arbitramento, nos termos do §3o, do art. 33, da Lei no 8.212/1991. No caso do arbitramento, cumpre à auditoria realizar o lançamento, devendo se utilizar dos elementos de que disponha, justamente porque o contribuinte falhou no seu dever de colaboração. Fl. 33853DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 17 31 Ademais, ao contrário do que pretende o recorrente, não há norma que diga que a folha de salários é o único documento que tem força para comprovar o quanto foi pago a cada trabalhador. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, conforme prescreve o art. 29, do Decreto no 70.235/1972. Desse modo, todas as provas lícitas são válidas no processo administrativo fiscal, e o julgador é livre para apreciálas e formar sua convicção devendo, no entanto, fundamentar a decisão com as razões que levaram ao seu convencimento. Devese ressaltar, mais uma vez, que foi o contribuinte que deu causa ao procedimento de arbitramento, não podendo, após se negar a prestar esclarecimentos, aproveitarse da sua própria torpeza. Na espécie, entendemos que o Fisco procedeu corretamente no arbitramento, visto que se utilizou das remunerações espontaneamente declaradas pelo contribuinte em DIPJ. O sujeito passivo, por sua vez, teve diversas oportunidade de explicar a origem das divergências sem, no entanto, ter aproveitado essa faculdade. Logo, deve submeter se aos ônus da sua conduta. Para os diretores empregados, a auditoria deixou claro no relatório fiscal (fl. 122) que foram excluídos os valores do programa de remuneração variável (PRV), fato esse facilmente confirmado na leitura da apuração na planilha 84 (fl. 897). Não havendo demonstrado a inclusão na base de cálculo de outras parcelas que não integram o saláriodecontribuição, impossível fazer qualquer reparo no lançamento. No tocante à participação nos lucros e resultados, parcela PRV, somente não integra o saláriodecontribuição dos segurados empregados, por previsão expressa no art. 7o XI da Constituição Federal, combinado com o art. 2o da Lei no 10.101/2000 e art. 28, §9o, alínea "j", da Lei no 8.212/91. O pagamento de participação nos lucros para os administradores, previsto no §1o, do art. 152, da Lei no 6.404/76, constitui remuneração e não está abrangida pela regra de nãoincidência. Ademais, o recorrente sequer comprovou que os valores correspondem àqueles previstos na Lei das S.A.. Logo, para os diretores nãoempregados, segurados contribuintes individuais, não há previsão para exclusão da parcela da base de cálculo. O entendimento de que a não incidência somente abrange a participação nos lucros paga aos segurados empregados restou enunciado de forma expressa no Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999: Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: I (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifouse) Fl. 33854DF CARF MF 32 Dessa maneira, temse por acertada a decisão recorrida, que não merece qualquer reforma. Mais uma vez, gizese que o lançamento decorre da divergência entre as remunerações declaradas em GFIP e DIPJ para as quais, intimado, o sujeito passivo não apresentou justificativa. Também aqui, foi citada no acórdão DRJ o valor da remuneração observada nos contracheques do diretor não empregado Roberto Bento Vidal apenas para ressaltar a divergência de informações nos documentos apresentados pelo sujeito passivo. Despiciendo, no caso, analisar as informações dos contracheques, visto que o lançamento se funda na divergência entre GFIP e DIPJ, devidamente intimada ao sujeito passivo e para as quais nada foi explicado. Recurso rejeitado na matéria. Do plano de opção de compra de ações (levantamentos AM e AN) Quanto ao plano de opção de compra de ações stock options, argumenta o recorrente que a opção de compra não remunera serviços prestados e a contabilização como despesa não significa remuneração pelos serviços. Diz que o lançamento foi baseado em presunção não prevista na legislação e destoante da realidade dos fatos. Alerta que os valores utilizados como despesas (CPC 10) referemse ao valor justo das ações mediante uma estimativa no momento do oferecimento da opção, e não ao valor das ações efetivamente emitidas de acordo com o valor do plano. Portanto, o valor dessa despesa nada tem a ver com as ações que foram efetivamente emitidas de acordo com o valor do plano. Prossegue afirmando inviável o raciocínio da fiscalização de dividir o valor da despesa pelos supostos beneficiários, como feito na planilha 87, visto que diversas pessoas listadas na planilha 87 da fiscalização não eram beneficiários do primeiro e segundo programas de outorga de opção de compra de ação, conforme indicado ao final da folha 33702 do recurso (docs. 15 e 19 da impugnação). Portanto, até 12/2009 não podiam receber qualquer ação da companhia. Acrescenta que o lançamento é inválido em relação aos srs. Wagner Mariano e Luis Rodolfo, que realizaram a opção não por meio de compra das ações diretamente da companhia, mas sim por incluir na sua opção as ações adquiridas no mercado (doc. 18 da impugnação). Aduz que a opção de compra não necessariamente envolvia uma transação da empresa com o beneficiário, ou seja a companhia nada entregava ao beneficiário, o que impede afirmar que exista pagamento. Alega a inexistência de remuneração por serviços prestados visto que o plano de outorga de opção de compra de ações constitui contrato comercial de compra e venda de ações, com existência de riscos assumidos pelo empregado, não caracterizando remuneração. Argumenta que a emissão de ações não é habitual (pagamento em somente duas competências) e inerente ao período pelo qual o trabalho foi prestado, pelo que atrai a regra de isenção prevista no art. 28, §9o, item 7, da Lei no 8.212/91. Fl. 33855DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 18 33 Diz que estão presentes os requisitos para não considerar a verba como remuneração: incerteza e risco comum às aplicações financeiras e que o investimento seja suportado pelo trabalhador. Quanto ao lançamento contábil de despesa em razão da compra de ações, o recorrente diz que as determinações da ciência contábil não são capazes de alterar a norma jurídica de tributação. A determinação de contabilizar como despesa tem caráter meramente informativo ao mercado e futuros acionistas, não representando contraprestação pelo trabalho. Inicialmente, devemos analisar a viabilidade da incidência de contribuições previdenciárias sobre os ganhos obtidos com os programas de opção de compra de ações oferecidos pela empresa aos segurados. Essa matéria já foi objeto de exame por esse colegiado em voto bem conduzido pelo relator Kleber Ferreira de Araujo, acórdão no 2401005.392 4.ª Câmara / 2.ª Turma Ordinária, do qual adotamos os fundamentos que passamos a transcrever: b) incidência de contribuições sobre os ganhos obtidos com os planos de "stock options" Inicio minha fundamentação, lançando comentários sobre a legislação que regula a cobrança de contribuições para financiamento da Seguridade Social. As contribuições incidentes sobre as remunerações pagas às pessoas físicas com e sem vínculo empregatício encontram fundamento máximo de validade no art. 195, alínea “a” do inciso I e art. 201, § 11, ambos da Constituição Federal de 1988, com redação dada pela EC n.º 20/1998: "Art.195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei Fl. 33856DF CARF MF 34 (...)" Observese que a Lei Maior, a princípio permite a exação para a Seguridade Social sobre pagamentos efetuados pelo empregador a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, com ou sem vínculo de emprego, sendo irrelevante o fato da quantia ter sido paga ou creditada ao trabalhador. Especificamente para o trabalhador empregado, a Carta Magna deu natureza remuneratória a todos os ganhos habituais, independente da denominação que lhes seja dada. Assim, para o legislador constitucional, a base de cálculo das contribuições previdenciárias inclui os valores pagos ou creditados pela empresa a pessoas físicas pela prestação de serviço, sendo que, para aqueles que mantém vínculo de emprego, são incluídos, além do salário, outros ganhos habituais. A Lei n.º 8.212/1991 conferiu eficácia às citadas determinações constitucionais, tratando da contribuição patronal sobre as remunerações disponibilizadas aos segurados contribuintes individuais nos seguintes termos: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...)" Essa mesma fórmula que carrega o conceito previdenciário de remuneração, o chamado saláriodecontribuição, também é tratada para os segurados contribuintes individuais no inciso II do art. 28 da Lei n.º 8.121/1991, nestes termos: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...)" Como se pode observar, para os trabalhadores sem vínculo de emprego, como é o caso dos diretores não empregados, a princípio, qualquer rendimento pago em retribuição ao trabalho, qualquer que seja a forma de pagamento, enquadrase como base de cálculo das contribuições previdenciárias. A existência de pagamento vinculado a uma prestação de serviço a contribuinte individual concretiza a hipótese de incidência de contribuições sociais, independentemente da denominação que se dê ao pagamento que lhe é repassado. Fl. 33857DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 19 35 Verificase, assim, que descabe o argumento do sujeito passivo de que inexistiria norma específica que incluísse os valores recebidos a título de "stock options" na base de cálculo. A hipótese de incidência é aquela do inciso III do art. 22 no caso dos trabalhadores sem vínculo de emprego. O fisco apresentou seus argumentos para tratar as outorgas de STO como remuneração e mencionou os dispositivos da Lei de Custeio da Previdência Social para fundamentar a lavratura, por isso, não devemos dar razão a empresa quando afirma que a autoridade lançadora utilizouse de argumentos rasos para exigir tributo não previsto em lei. O que houve foi a conclusão fundamentada da autoridade lançadora de que as parcelas em questão se subsumem ao conceito de saláriodecontribuição. É exatamente sobre esse tema que passaremos a discorrer daqui por diante, de modo a concluir se os ganhos com o plano de opção de compra de ações criado pela recorrente podem ou não ser caracterizados como base de cálculo das contribuições. Opções de compra de ações, são direitos conferidos a um adquirente para que, numa data futura, compre ações um preço préestabelecido. No ambiente laboral esta prática inicialmente surgiu nos EUA e depois em outras partes do mundo, quando as empresas passaram a incluir nos benefícios concedidos aos diretores e empregados a opção de compra de suas ações e de outras empresas do mesmo grupo econômico. No ordenamento pátrio, este procedimento encontrase previsto na Lei n.º 6.404/1976, nos seguintes termos: "Art. 168. O estatuto pode conter autorização para aumento do capital social, independente de reforma estatutária. ............................................................................................... Parágrafo 3º. O estatuto pode prever que a companhia, dentro do limite do capital autorizado, e de acordo com o plano aprovado pela assembléia geral, outorgue opção de compra de ações a seus administradores ou empregados, ou a pessoas naturais que prestem serviços à companhia ou à sociedade sob seu controle." Para operacionalizar esta forma de bonificação, as empresas aprovam um plano de opções de compra de ações, o qual apresenta, dentre as principais, as seguintes diretivas: a) a quantidade de ações que serão disponibilizadas para o plano; b) as pessoas que serão contempladas e a quantidade de ações a que terão direito; c) o período de carência (vesting); d) o preço do exercício; Fl. 33858DF CARF MF 36 e) as condições para aquisição do direito. As "stock options" representam uma forma das empresas oferecerem um ganho futuro e condicional aos seus diretores e empregados, de forma a mantêlos fidelizados, além de comprometidos com o crescimento do negócio. Os beneficiários das opções, escolhidos pelo órgão designado no plano, geralmente, só podem exercer o seu direito de adquirir as ações após um período de maturação (vesting) e desde que satisfeitas outras condições previamente fixadas. Em geral as opções de compra de ações direcionadas aos colaboradores das empresas se diferenciam daquelas disponibilizadas ao público em geral. A principal diferença reside no fato de que os diretores e empregados no momento da assinatura do contrato nada desembolsam e, via de regra, recebem um desconto maior no preço do exercício. Também se observa que para os colaboradores inexiste a possibilidade de transferirem o direito a terceiros, além de que o exercício só será possível se o beneficiário ainda mantiver o vínculo com a empresa. Há até casos em que o plano estabelece metas a serem alcançadas pelos diretores e empregados para que façam jus ao benefício das "stock options". O fato de não haver qualquer desembolso no momento da opção elimina o risco que teria o beneficiário, posto que se a aquisição das ações não for interessante financeiramente para o titular, este simplesmente deixa de exercitar a sua opção, não experimentando assim qualquer perda. Essa configuração revela a existência de uma bonificação fornecida aos colaboradores da empresa, para que mantenham o vínculo com esta e se sintam estimulados a contribuir para o alcance das metas fixadas pela sua direção. Se há um ganho para o segurado decorrente de sua prestação laboral, o qual é suportado pela empresa com que mantém vínculo, inegavelmente ocorre a hipótese de incidência prevista no art. 22, III, da Lei n.º 8.212/1991. Nesse tipo contrato, via de regra, as opções de compra de ações são ofertadas em condições privilegiadas apenas aos diretores e empregados da empresa, desde que cumpram determinadas condições e permaneçam na empresa pelo prazo de carência. Os beneficiários, por outro lado, nada desembolsam na formalização do contrato, além de que o preço do exercício é fixado com deságio em relação ao valor de mercado. De outra banda, não interessa o ganho ou prejuízo que terá o participante do plano após o exercício da opção. A partir de então, as utilidades, em forma de valores mobiliários, já deixaram o patrimônio da empresa e passaram à titularidade do beneficiário. Sendo que qualquer variação no preço da ação, a partir deste marco, não poderá ser atribuída a relação empresa trabalhador. Feito o exercício das opções o risco é suportado apenas pelo trabalhador, todavia, o ganho já houve Fl. 33859DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 20 37 anteriormente quando da incorporação dos bens mobiliários ao patrimônio do beneficiário. Feitas essas considerações, já é possível apresentar as características do plano da autuada e avaliarmos se, nos casos apontados pelo fiscalização, concretizouse a hipótese de incidência prevista na Lei n.º 8.212/1991. No caso sob exame, a auditoria juntou aos autos cópia de ata da assembléia (fls. 903/904) que aprovou o plano de outorga de opção de ações anexo (fls. 905/911). Da análise do referido plano, destacamos os pontos a seguir. Na opção pelo plano de compra de ações não há qualquer desembolso por parte do beneficiário. Essa condição elimina o risco que teria o beneficiário, dado que se a aquisição das ações não for interessante financeiramente para o titular, este simplesmente deixa de exercitar a sua opção, não experimentando assim qualquer perda. Além disso, observase que o programa de opção de compra de ações poderá estabelecer um percentual de acréscimo ou decréscimo do número base de opções outorgadas a cada beneficiário, com base no atendimento de metas globais e/ou individuais de desempenho, conforme cláusula 4.1.1 (fl. 906). Constatase, assim, que o programa de opção de compra está vinculado ao contrato de trabalho/emprego e ao desempenho do trabalhador. Ainda, de acordo com a cláusula 5.1.1., pode ser concedido ao beneficiários um desconto de até dez por cento no preço do exercício. Verificase, portanto, que o preço do exercício é fixado com deságio em relação ao valor de mercado e em condições privilegiadas para que os beneficiários cumpram determinadas condições e permaneçam na empresa pelo prazo de carência. Por fim, merece destaque, como relatado pela auditoria, que diversos trechos do relatório da administração/2009, reconhecem o plano de opção de compra de ações como plano de remuneração e como contraprestação pelos serviços prestados pelos beneficiários: Do exposto, concluise que os planos de opção por ações foram concedidos como forma adicional de remuneração e consistiam na alienação de ações a preços subsidiados, em razão do contrato de prestação de serviço que os beneficiários tinham com a empresa. No seu relatório, a administração reconhece, inclusive, seu caráter contraprestativo, que também se revela na possibilidade de estabelecimento de metas para os beneficiários fazerem jus às opções. Também não deve ser aceita a afirmação de que os ganhos seriam eventuais e, por esse motivo, excluídos do saláriodecontribuição, conforme dispõe o art. 28, § 9.º, Fl. 33860DF CARF MF 38 alínea "e", item 7, da Lei n.º 8.212/1991. Uma vez estabelecido o plano, a opção pela aquisição das ações confere uma expectativa de direito ao beneficiário, sempre que configuradas as condições estabelecidas. O próprio plano prevê que "O Conselho de Administração criará, periodicamente, programas de opção de ações..." (cláusula 4.1, fl. 906). Assim, temse que a vantagem é habitual, não sendo necessário para tanto, que tenha periodicidade mensal. Ao fim, restou certo para mim que os ganhos advindos do plano de "stock options" da recorrente possuem caráter remuneratório devendo integrar a base de cálculo das contribuições lançadas. Superada a questão da incidência, passamos ao exame do momento do fato gerador e da apuração da base de cálculo. Consoante relatório fiscal, a auditoria considerou (fl. 124) que o fato gerador ocorreu quando da representação da perda patrimonial para a empresa (ocorrência da despesa) e como base de cálculo o valor da despesa. A empresa, por sua vez, alega que os valores utilizados como despesas (CPC 10) referemse ao valor justo das ações mediante uma estimativa no momento do oferecimento da opção, e não ao valor das ações efetivamente emitidas de acordo com o valor do plano. Neste ponto, entendemos ter razão a recorrente. Ocorre que, no momento da outorga de opções, as ações não estão liberadas para exercício dos direitos de compra, podendo, inclusive, o beneficiário não exercer a opção, por vontade própria ou por não atender às condições para tanto (em caso de desligamento, por exemplo). Com a oferta da opção, o beneficiário passa a ter uma expectativa de benefício futuro, o qual poderá se materializar ou não, haja vista que o mesmo está vinculado ao cumprimento de carências e condições. O potencial benefício econômico para o beneficiário, será apurado no futuro, quando implementadas todas as condições. Do ponto de vista financeiro, o benefício só se materializará após o cumprimento das carências e exercício de compra, mediante pagamento pelo beneficiário do preço de exercício fixado. Dessa forma, concluise que no momento da oferta do plano, embora a empresa reconheça por estimativa a sua despesa, nenhum bem ou direito é transferido aos beneficiário. Assim, no momento da oferta nasceria uma mera expectativa de direito, sem ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, haja vista as condições suspensivas trazidas pelo programa, prevendo que o exercício pelo beneficiário somente poderá ser realizado depois de determinado período de tempo. Sendo assim, não resta dúvida de que a ocorrência do fato gerador se verifica na data do efetivo exercício da opção pelo empregado, momento em que houve a aquisição e transferência patrimonial das ações para o titular, com a emissão dos certificados de ações. Quanto à determinação da base de cálculo, observo que o fisco utilizou o valor justo das ações, que corresponde ao valor adotado contabilmente como despesa para empresa, no momento da oferta da opção aos beneficiários. No entanto, a vantagem para o beneficiário que caracteriza a sua remuneração consiste na diferença entre o valor da ação no mercado e o valor estabelecido para exercício das opções.Verificase, assim, um descompasso entre o momento do fato gerador (data do exercício da opção), e o momento da fixação da base de cálculo, que sendo o valor justo, foi calculado na data da outorga. Fl. 33861DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 21 39 Desse modo, entendo que o momento do fato gerador e a identificação da base de cálculo não foram corretamente determinados pelo fisco, acarretando vício material impossível de correção em sede de julgamento. Assim, dou provimento ao recurso para cancelar integralmente os levantamentos AM e AN , restando prejudicada a análise dos demais argumentos recursais nessa matéria. Das remunerações pagas a João Aparecido Lima e Peter Esteman (levantamento AO) Segundo o sujeito passivo, a fiscalização afirma que o sr. João Aparecido Lima recebeu pagamentos em setembro e outubro/2009 nos valores de R$ 31.488,00 e R$ 29.5200,00, discriminados na planilha 88. Nos contracheques (doc. 27 da impugnação) do sr. João Aparecido Lima consta a remuneração no valor de R$ 29.520,00 (setembro/2009) e R$ 20.992,00 (outubro), mesmos valores constantes das GFIPs, não havendo diferença. Argúi, ainda, que os valores que constam na planilha 88 relativos ao sr. Peter Esteman são os mesmos que constam nos seus contracheques a título de ajuda de custo. A DRJ entende tributável por tratarse de contribuinte individual. No entanto, não há controvérsia sobre a natureza da verba, tratandose de parcela paga para o trabalho, de caráter indenizatório, pelo que não pode ser tributada. Vejamos, no acórdão da DRJ, como foi enfrentada a situação do segurado João Aparecido Lima (fl. 33.589): Do exame das folhas dos autos citada na decisão recorrida (fl. 1.032 e fl. 1.037), observase que consta as seguintes remunerações para o segurado: fl. 1.032 período 01/08/2009 a 31/08/2009 Proventos R$ 31.488,00 fl. 1.037 período 01/09/2009 a 30/09/2009 Proventos R$ 29.520,00 Constatase, portanto, erro de fato no levantamento fiscal, que apurou como se fosse da competência 09/2009 a remuneração de R$ 31.488,00 (fl. 1.032), quando, em verdade, esta é a remuneração da competência 08/2009. De igual sorte, a remuneração de R$ 29.520,00 referese à competência 09/2009 e, equivocadamente, a auditoria apurou como se fosse da competência 10/2009. Comparando os valores das remunerações, observase que foram declaradas em GFIP. Assim, merece provimento o recurso nesse ponto, não havendo divergência entre as remunerações que justificasse o lançamento. Quanto à ajuda de custo, vejamos a previsão da Lei no 8.212/91: Fl. 33862DF CARF MF 40 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (grifouse) Da leitura do dispositivo, apreendese que somente não integra o saláriode contribuição a ajuda de custo paga na forma do art. 470 da CLT, ao segurado empregado portanto. Considerando que interpretase literalmente a legislação tributária que dispõe sobre outorga de isenção (CTN, art. 111, inciso II), resulta impossível estender a benesse fiscal ao sr. Peter Esteman, por ser segurado contribuinte individual, sendo impossível prover o recurso nesse ponto. Assim, no levantamento AO, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir os seguintes valores relativos ao segurado João Aparecido Lima, mantendo os demais valores lançados: Competência Remuneração Contribuição 09/2009 1.968,00 216,48 10/2009 8.528,00 708,16 Da participação nos lucros e resultados (levantamentos AV, AX, AZ, BA, BB, BC, BE, BF e BG) No seu recurso, o sujeito passivo repisa os argumentos já expedidos com a impugnação. Alega a existência de acordo coletivo para todos os estabelecimentos: (a) nos municípios de Conceição do Pará/MG, Poços de Caldas/MG, Uberaba/MG, Onça do Pitangui/MG, Itamarandiba/MG e Esmeraldas/MG, inexiste sindicato municipal, e o acordo foi feito com o sindicato do estado de Minas Gerais (doc. 29 da impugnação) que tem base estadual (doc. 30 da impugnação); (b) Os municípios de Candeias e Sento Sé são abrangidos pelo acordo celebrado com o Sindicato de Brumado (doc. 31. da impugnação e doc. 32); (c ) para os estabelecimentos nos municípios de Santa Luz/BA, João Monlevade/MG, e Piracicaba/SP, há acordo específico (doc. 34 da impugnação); (d) Brumado/BA, Ipatinga/MG, Serra/ES, Volta Redonda/RJ e Timóteo/MG possuem acordo coletivo específico para pagamento de PLR (doc. 34 da impugnação). Esclarece que os acordos foram firmados em 2008, com previsão de pagamento de PLR em 2009 e que houve a inclusão dos cargos de gestão (levantamentos AV, BD, BE, BF e BG). Que os anexos do acordo coletivo firmado com o sindicato (doc. 29 da Fl. 33863DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 22 41 impugnação) contam com assinatura do representante sindical e menciona os detentores de cargo de gestão, estabelecendo de forma específica e clara as metas e critérios de pagamento. Aduz que, para os municípios de Contagem/MG e Ouro Branco/MG, há acordo abrangendo cargos de gestão, razão por que o lançamento é inválido. Acrescenta que inexiste vedação na Lei no 10.101/2000 para o estabelecimento de critérios em função da categoria e cargo. Argumenta que a lei permite o pagamento da PLR duas vezes no ano civil, caso do diretor Eduardo Francisco Lobo. Por fim, diz que, no que tange ao único empregado com cargo de diretor da unidade de Cubatão/SP (doc. 35 da impugnação), constante da planilha 137, apesar de a empresa não ter conseguido encontrar o anexo relativo ao gestor, o acordo tem previsão expressa de abranger todos os empregados (cláusula primeira). Nessa matéria devese notar que, consoante relatório fiscal, o lançamento incidiu (i) sobre as participações nos lucros e resultados dos trabalhadores dos estabelecimentos para as quais não foi apresentado acordo coletivo e (ii) para os estabelecimentos cujos acordos não previam o pagamento da participação. No entanto, embora referido no recurso diversos anexos (supostos doc. 29, 30, 31, 32 e 34 da impugnação), não se encontra nenhum acordo coletivo dentre os documentos juntados com a defesa (fls. 2.288/33.371), fato este já declinado na decisão recorrida. Com o recurso voluntário, o sujeito passivo também não juntou os acordos coletivos que supostamente dariam sustentação às suas razões. Logo, ausente qualquer comprovação, restaram improcedentes as alegações e prejudicada a análise dos demais argumentos na matéria, devendo ser mantida a decisão a quo. Recurso rejeitado. Pagamentos a cooperativas (levantamentos AT e AS) Compulsando os autos, é de se ver que o levantamento referese à contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999: Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 33864DF CARF MF 42 Entretanto, tal dispositivo foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n° 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. O dispositivo já teve, inclusive, a sua execução suspensa, nos termos do art. 52, inciso X da Constituição Federal, conforme Resolução do Senado Federal no 10/2016: O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, declarado inconstitucional por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 595.838. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. De acordo com o artigo 62, §2o do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF no 343/2015, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. Portaria MF n° 343 (Regimento Interno do CARF): Art. 62. (...) § 2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, uma vez declarada inconstitucional a exigência pelo STF, assiste razão ao recorrente, pelo que o lançamento relativo às cooperativas (levantamentos AT e AS) deve ser integralmente cancelado. Recurso provido. Contribuições do estabelecimento Betim (/0031) levantamento AU Consoante termo de verificação, a fiscalização constatou que houve declaração de saídas de produtos do estabelecimento de Betim CNPJ 08.684.547/003180, na DIPJ de 2009, no valor de R$ 3.555.790,52, com envio eletrônico de GFIPs zeradas em todo o período. O sujeito passivo foi intimado (TIF n.° 2) para explicar e/ou apresentar relação nominal de pessoas físicas e/ou jurídicas que tivessem exercido atividades de qualquer natureza no citado estabelecimento, tendo respondido que, para o mencionado estabelecimento não constam, em seu banco de dados, pessoas físicas e/ou jurídicas que tivessem exercido atividades de qualquer natureza de janeiro a dezembro de 2009. Para a Fiscalização, se houve saída de produtos do estabelecimento, decorre que segurados laboraram no local. Assim, constituiu o crédito tributário por arbitramento. Fl. 33865DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 23 43 No recurso, o sujeito passivo argumenta que, na filial Betim (/0031), funciona somente um armazém, onde são depositados os produtos finais fabricados no estabelecimento matriz, cujos funcionários operam o depósito, de acordo com a necessidade de armazenagem e retirada do depósito. Aduz que os empregados prestaram declaração nesse sentido (doc. 38 da impugnação). Em que pese o esforço argumentativo, o contribuinte trouxe, à guisa de prova das suas alegações, somente a declaração de dois empregados da matriz, de que teriam trabalhado no referido estabelecimento. Além da fragilidade da prova, tendo em conta que os empregados estão submetidos ao poder diretivo do empregador, dois empregados não seriam suficientes para comprovar a movimentação de mercadorias no volume apurado pela auditoria. Conforme já assentado no acórdão DRJ, não é verossímil que, num depósito regular e de tamanha magnitude, não exista segurança particular, mesmo que terceirizada, recepção, operadores de máquinas, e pessoal administrativo, e, em contrapartida, ocorra a efetivação de saída de mercadorias em valor superior a R$3.500.000,00. Desse modo, ausentes outras provas das alegações da empresa, considero acertado o procedimento fiscal de apurar as contribuições por arbitramento, pelo que deve ser rejeitado o recurso na matéria. Contribuições relativas a autônomos (levantamentos AP e AQ) O sujeito passivo reclama da tributação das verbas pagas aos autônomos. Argúi, inicialmente, que para os segurados listados na primeira tabela do item 12.1 do recurso (fl. 33728), teria havido pagamento, conforme GPS (doc. 39 da impugnação). Para os segurados indicados na segunda tabela do item 12.1 do recurso (fl. 33728), argumenta que o lançamento aponta uma competência que não corresponde àquelas em que o houve prestação de serviços. Retificandose a competência, comprovase o pagamento (doc. 39 da impugnação). Prossegue dizendo que não deve haver incidência de contribuição sobre os valores pagos aos segurados indicados na primeira tabela do item 12.2 do recurso (fl. 33729), porque: os pagamentos correspondem a compra de bem (vide NF anexa ao doc. 40 da impugnação); locação de imóvel (doc 41 da impugnação); ou incentivo à cultura (doc. 42 da impugnação). Reconhece que as parcelas relativas aos prestadores Jorge Barbosa dos Santos e Valdecy Fonseca Moraes foram excluídas pelo acórdão, restando somente o segurado Carlos Pinto Nunes, que diz ter sido pago a título de incentivo à cultura. Por fim, diz que também os pagamentos aos segurados indicados na segunda tabela do item 12.2 do recurso (fl. 33730) não são base de incidência, e que os documentos probatórios da natureza dos pagamentos seriam apresentados durante diligência fiscal. Sem razão as teses recursais, como se demonstrará. Inicialmente, mister observar que, nas guias de recolhimento da Previdência Social (GPS), somente constam campos para os valores das contribuições, não indicando a Fl. 33866DF CARF MF 44 quais fatos geradores se referem os recolhimentos. A vinculação dos recolhimentos aos fatos geradores somente ocorre com a respectiva declaração em GFIP. Logo, as informações apostas pelo sujeito passivo no rodapé das GPS (fls. 33.163/33.178), fora dos campos demarcados, não são inseridas nos sistemas de processamento de dados e não têm repercussão na apropriação dos valores aos fatos geradores o que, repitase, somente ocorre com a declaração em GFIP. Assim, os valores recolhidos em GPS são apropriados aos fatos geradores declarados em GFIP, sendo lançadas somente as contribuições para as quais não houve declaração, objeto dos autos de infração sob exame. Assim, as guias trazidas pelo sujeito passivo foram apropriadas, até o limite declarado em GFIP, não podendo ser utilizadas novamente para cancelar o presente lançamento. No tocante às supostas divergências na indicação das competências em que houve a prestação de serviços, do cotejo com as provas dos autos, temse que os valores apurados pelo Fisco na planilha 90 (fls. 1054/1058) foram lançados nas exatas competências constantes da relação de pagamentos a autônomos fornecida pela empresa (fl. 1053). Uma vez que o recorrente não trouxe qualquer elemento que pudesse demonstrar o erro na relação fornecida à Fiscalização, impossível acolher sua argumentação. Quanto à alegação de que parte dos pagamentos se referem a incentivo à cultura, em nome de Carlos Pinto Nunes, o valor consta da relação de pagamentos a autônomos fornecida pela empresa (fl. 1053). Além disso, a empresa não trouxe outros documentos que pudessem comprovar tratarse de patrocínio, e não de prestação de serviços, pelo que devem ser mantidos o lançamento e a decisão recorrida. Por fim, devese dizer que, de acordo com o art. 15, do Decreto no 70.235/1972, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrada umas das hipóteses do §4o mesmo dispositivo. Em decorrência, não se justifica que o sujeito passivo não tenha apresentado os documentos comprobatórios da natureza dos pagamentos indicados na segunda tabela do item 12.2 do recurso (fl. 33730), nem na impugnação nem com o recurso, pelo que deve ser rejeitado o seu pedido de diligência. Recurso rejeitado na matéria. Das contribuições dos segurados empregados (levantamento AR AI no 51.001.2833) O contribuinte reclama de divergências entre as planilhas preparadas pelo Fisco para apurar a base de cálculo (planilhas 2 a 37) e aquelas que indicam a contribuição dos segurados (planilhas 38 a 53). Diz no recurso que, segundo o fisco, este AI no 51.001.2833 exige a contribuição dos segurados, apuradas nas planilhas 38 a 53, incidentes sobre as mesmas parcelas pagas pela empresa apuradas nas planilhas 2 a 37. Contudo, tal identidade não existe, visto que as parcelas constantes das planilhas 38 a 53 não são as mesmas das planilhas 2 a 37. De fato, a apuração fiscal das bases de cálculo para este auto de infração foi feita nas planilhas 2 a 37, do qual deveriam decorrer as contribuições listadas nas planilhas 38 a 53, conforme relato fiscal (fl. 132): Fl. 33867DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 24 45 Neste auto (AI no 51.001.2833), o Fisco optou por somente indicar, nas planilhas 38 a 55, o valor da contribuição dos segurados que deveria ser calculada com base nas remunerações apuradas nas planilhas de 2 a 37. No entanto, compulsando os demonstrativos elaborados pelo Fisco, não se verifica a correspondência das planilhas 38 a 55 com as planilhas 2 a 37. Tomemos, por exemplo, os 5 primeiros segurados constantes da planilha 38 (fl. 301): Examinando as planilhas 2 a 37, não localizamos nenhuma informação sobre as remunerações dos segurados Marlene Barcelos Oliveira, Luiz Cornelio T do Nascimento, Mario Marcio Figueiredo Moraes, Nissho Muto e Ismar Marcelino na competência 01/2009. Logo, impossível verificar qual a base de cálculo que levou à contribuição calculada pelo Fisco. Observese, também, a planilha 39 (fl. 326): Contém um único segurado, Raimundo Mendes Soares. Sua contribuição de R$ 138,47 deveria ter sido calculada sobre a remuneração constante da Planilha 3 (fl. 245): Fl. 33868DF CARF MF 46 No entanto, tomandose os proventos de R$ 239,58 e aplicando a alíquota máxima da contribuição do segurado (11%) chegase ao valor de R$ 26,35, e não à contribuição calculada pelo Fisco de R$ 138,47. Tomandose, como exemplo, o primeiro segurado de cada planilha seguinte, temos as seguintes Para as planilhas a seguir, não há informação de base de cálculo para o segurado nas planilhas 2 a 37: planilha 40, primeiro segurado ANTONIO EUSTAQUIO AMORIM, 01/2009 (fl. 327); planilha 41, primeiro segurado ODIVALDO BERNARDINO ALVES, competência 01/2009 (fl. 330); planilha 42, único segurado JANUARIO PINTO DOS REIS, competência 02/2009 (fl. 333); planilha 43, primeiro segurado ADIMILSON DE ALMEIDA CAMPOS, competência 02/2009 (fl. 334); planilha 44, único segurado GERALDO MAGELA PINTO, competência 02/2009 (fl. 335) e não existe informação sobre a base de cálculo para este segurado nas planilhas 2 a 37; planilha 45, primeiro segurado JAIR AVELAR DA SILVA, competência 02/2009 (fl. 336) e não existe informação sobre a base de cálculo para este segurado nas planilhas 2 a 37; planilha 47, primeiro segurado ANTONIO ACACIO NETO, competência 02/2009 (fl. 339); planilha 48, primeiro segurado ELIEZER TORRES, competência 01/2009 (fl. 340); planilha 49, primeiro segurado JONAS NASCIMENTO DA SILVA, competência 02/2009 (fl. 341); planilha 50, primeiro segurado GERALDO HENRIQUE DA MATA, competência 02/2009 (fl. 342); planilha 51, primeiro segurado ADEMAR CORREA FILHO, competência 01/2009 (fl. 343); planilha 52, primeiro segurado CARLOS EDUARDO MOALLI POITENA, competência 01/2009 (fl. 349); planilha 53, primeiro segurado NILSON ROSA LYRA, competência 01/2009 (fl. 351); planilha 54, JOSE NAZARENO RIBEIRO, competência 02/2009 (fl. 351); e planilha 55, MARCO AURELIO ROMAO, competência 02/2009 (fl. 352). Na planilha 46, o levantamento fiscal aponta o primeiro segurado ADILSON PIRES DE MIRANDA, competência 01/2009, contribuição calculada R$ 41,25 e diferença R$ 33,64. A remuneração apurada para este segurado, nesta competência, na planilha 7 (fl. 249) é de R$ 394,68. Aplicando a alíquota mínima 8% (R$ 31,57) ou máxima 11% (R$ 43,41) não se chega à contribuição calculada. Assim, é de se concluir que assiste razão ao recorrente ao apontar as inconsistências nas planilhas de apuração da contribuição dos segurados. Desse modo, não sendo possível identificar as bases de cálculo das contribuições dos segurados apuradas pelo fisco nas planilhas 38 a 55 (levantamento AR), os valores devem ser excluídos do lançamento, por impossibilitar a defesa do Autuado, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto no 70.235/1972. Do limite máximo do saláriodecontribuição O recorrente reclama que o lançamento não teria respeitado o limite máximo do saláriodecontribuição (levantamentos AR, AF, AK e AM) para os segurados. Diz que o acórdão não se manifestou sobre as inúmeras multiplicidades cometidas na elaboração das planilhas 56 a 83, que embasam o levantamento AF. Entende que a DRJ deveria ter determinado a realização de diligência fiscal, já que tais planilhas somam 543 páginas, o que torna impossível individualizar todos os equívocos. Sem razão o recurso na matéria. Fl. 33869DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 25 47 O limite máximo do saláriodecontribuição dos segurados foi novamente verificado por ocasião do julgamento de primeira instância que, encontrando alguns problemas, determinou a retificação do lançamento, indicando os segurados, para os quais não houve respeito ao limite e os valores retificados, conforme planilhas anexas (fls. 33598/33601). Uma vez que constam dos autos a individualização dos segurados e contribuições exigidas, com todas as informações necessárias à contestação por parte do contribuinte, não se justifica a realização da diligência. As planilhas totalizam 543 páginas em razão do grande número de segurados contratados pelo Autuado e para os quais não houve a declaração em GFIP. Logo, não pode agora o sujeito passivo apontar o grande volume de informações como empecilho à sua defesa, dado que ele mesmo deu causa ao lançamento. Não havendo indicado especificadamente no recurso outros segurados para os quais não foi respeitado o limite do saláriodecontribuição, nada mais há que retificar no lançamento. Nego provimento ao recurso na matéria. Da obrigação de retenção das contribuições dos segurados O contribuinte reclama da impossibilidade de cobrança da contribuição do segurado não descontada pela empresa e omissão do acórdão em se pronunciar acerca desse ponto. Defende que não há sujeição passiva tributária visto que o dever de retenção é administrativo, podendo o seu descumprimento gerar penalidade, mas não a sujeição passiva solidária. Entende que inexiste previsão legal de responsabilidade tributária. Aduz, ainda, a invalidade da exigência junto a empresa por contribuição não descontada do empregado. Aponta ofensa ao art. 128 do CTN, à capacidade econômica e à característica sinalagmática da contribuição do trabalhador. Sem razão o recurso na matéria. O dever de a empresa arrecadar a contribuição dos segurados a seu serviço, mediante desconto da remuneração, tem previsão legal, como se observa: [Lei no 8.212/1991] Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (grifouse) [Lei no10.666/2003] Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado Fl. 33870DF CARF MF 48 juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (grifouse) Além disso, há presunção legal de que o desconto da contribuição foi feito regulamente: Art. 33 (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Da leitura do §5o do art. 33 da Lei no 8.212/91, temse que a empresa fica diretamente responsável pela importância, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento. Constatase, portanto, que existe norma legal estabelecendo a sujeição passiva da empresa, nos termos do art. 121, parágrafo único e inciso II do CTN4, como responsável pelas contribuições que deveria arrecadar, por autorização do art. 128 do CTN5. Logo, ao contrário do que defende o recurso, é possível a cobrança da contribuição do segurado, ainda que não descontada pela empresa, por expressa determinação legal. Desse modo, havendo norma legal que autoriza a exigência, cumpre à autoridade administrativa a sua execução, não havendo que se cogitar de ofensa à capacidade econômica e à característica sinalagmática da contribuição do trabalhador. Recurso sem provimento na matéria. Da solidariedade O recorrente informa que as empresas Massambaba Mineração S/A, Magnesita Service LTDA, MSA Agropecuária LTDA foram extintas por incorporação por parte da recorrente, que já está providenciando a baixa dos respectivos CNPJs. Já a Cerâmica São Caetano LTDA, além de ter sido incorporada, já foi baixada no CNPJ. 4 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. 5 Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Fl. 33871DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 26 49 No tocante à Cerâmica São Caetano LTDA, já devidamente baixada no CNPJ (fls. 94/95), tem razão o recorrente. Extinta a sociedade, não há como se manter a sua solidariedade. Quanto às empresas Massambaba Mineração S/A, Magnesita Service LTDA, MSA Agropecuária LTDA, o recorrente juntou ao feito protocolo de incorporação das empresas pela Magnesita Refratários S. A. (Autuada) e atas de assembléias aprovando a incorporação (fls. 33.324/33.371). No entanto, sabese que a incorporação não ocorre em um ato único, mas decorre de uma série de passos até ser concluída. Assim, a personalidade das pessoas jurídicas incorporadas somente se extingue com a averbação da dissolução no registro público, o que não foi comprovado nos autos. Assim, mantémse as demais empresas como responsáveis solidárias. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer em parte do recurso, afastar as preliminares e, no mérito, darlhe provimento parcial para: 1. denegar o pedido de conexão com o processo no 13603.720891/201308; 2. excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre as verbas decorrentes de acidente de trabalho/doença; 3. excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre planos de opções de compra de ações ; 4. excluir integralmente os lançamentos relativos às cooperativas (levantamentos AT e AS); 5. exluir as contribuições dos segurados apuradas nas planilhas 38 a 55 AI ; 6. excluir do rol de responsáveis a empresa Cerâmica São Caetano LTDA; 7. manter o restante do lançamento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Fl. 33872DF CARF MF 50 Voto Vencedor Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho Em consonância com a CF/88, a Lei 8.212 de 1991, assim como o Decreto 3.048 de 1999, definem, em linhas gerais que a contribuição previdenciária devida pelas empresas em geral incide sobre o total da remuneração paga ou creditada a qualquer título ao segurado empregado e demais trabalhadores sem vínculo empregatício. Ainda nesta linha, a Lei 8.212/91 define, como base de cálculo da contribuição previdenciária, o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Naquilo que recai sobre a NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, o parágrafo 9o. do artigo 28, da Lei no 8.212/91 elenca as verbas de natureza nitidamente indenizatória, bem como sobre as verbas que estiverem expressa e taxativamente indicadas como isentas no dispositivo mencionado. Especificamente com relação aos pagamentos efetuados a título de ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de Lei, o artigos 28 da Lei 8.212/91 e o 214 do Decreto 3.048/99 os excluem da base de cálculo da contribuição previdenciária. Ademais, o artigo 201, da CF/88, em seu parágrafo 4o, determina que somente ganhos habituais devem incorporar o salário, ou seja, somente neste casos deverá ter a incidência (Fato Gerador) da contribuição previdenciária. Vale ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, já declarou que as gratificações eventuais, sem habitualidade, não integram a remuneração. (STJ, Rec. Esp. n° 107.441MG, 2a Turma, rel. Min. Ari Pargendler, DJ 1.3.1999). No mesmo raciocínio, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre o pagamento do bônus eventual Acórdão n° 2403002.244, 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento do CARF). In Casu , chegouse a conclusão de que a ocorrência de três pagamentos mensais a título de bônus gerencial em um período de cinco anos evidencia a EVENTUALIDADE dos Fl. 33873DF CARF MF Processo nº 13603.720444/201341 Acórdão n.º 2402005.781 S2C4T2 Fl. 27 51 mesmos, razão pela qual não há que se falar do FATO GERADOR da CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Por fim, concluo então, que no âmbito previdenciário, deve haver a exclusão da base de cálculo das parcelas pagas a segurados com estabilidade provisória, por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, pois a habitualidade configurase como principal pressuposto para a incorporação de um pagamento no salário do empregado e, por conseqüência, é o ponto nevrálgico para definir se haverá ou não a incidência de contribuição. (assinado digitalmente) Theodoro Vicente Agostinho Fl. 33874DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.006838/2008-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
CONTRIBUIÇÕES. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final.
Numero da decisão: 3401-003.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para acolher o resultado da diligência, e seu impacto redutor nas glosas efetuadas em relação a industrialização por encomenda, e para afastar as glosas referentes a despesas de manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que divergiu em relação a manutenção e conservação e tratamento de efluentes. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, por divergirem em relação à afirmação de que a diligência não pode suprir deficiência probatória a cargo da postulante ao crédito.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007 CONTRIBUIÇÕES. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final.
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RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 CONTRIBUIÇÕES. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para acolher o resultado da diligência, e seu impacto redutor nas glosas efetuadas em relação a industrialização por encomenda, e para afastar as glosas referentes a despesas de manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 68 38 /2 00 8- 44 Fl. 927DF CARF MF 2 linha, material de laboratório e dedetização, vencido o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que divergiu em relação a manutenção e conservação e tratamento de efluentes. Os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos votaram pelas conclusões, por divergirem em relação à afirmação de que a diligência não pode suprir deficiência probatória a cargo da postulante ao crédito. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Rodolfo Tsuboi. Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento, cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), de fls. 2 a 91, com protocolo de 04/11/2008, demandando créditos de Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa referentes ao 4o trimestre de 2007, no valor de R$ 72.770,50, dos quais R$ 72.062,67 foram utilizados em compensação. Na Informação Fiscal de fls. 247 a 255, a fiscalização se manifesta pelo parcial deferimento do pedido (no valor de R$ 16.134,74), que se dá com fundamento no artigo 16 da Lei no 11.116/2005 e no artigo 17 da Lei no 11.033/2004, para aquisições à alíquota zero das contribuições (venda de lite e bebidas e compostos lácteos destinados ao consumo humano), pelos seguintes fundamentos: (a) não se incluem no custo dos insumos o IPI incidente na aquisição, quando recuperável pelo comprador, como nas remessas para industrialização por terceiros que retornam ao encomendante, não podendo a empresa tomar créditos na aquisição dos insumos e também no retorno deles do industrializador por encomenda (notas fiscais glosadas relacionadas às fls. 252/253); (b) não se enquadram no conceito de insumos as despesas com manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização, ainda que sejam necessárias à atividade da empresa; e (c) na linha “outros créditos a descontar”, a empresa defendeu que havia valores de “recuperação PIS e COFINS referente venda de bebida láctea tributada indevidamente”, de junho a setembro de 2007, conforme artigo 32 da Lei no 11.488/2007, mas a forma de cômputo adotada foi equivocada, devendo a empresa promover as retificações de DCTF e DACON, reapurando as contribuições. O Despacho Decisório de fl. 257, emitido em 27/01/2009, acata integralmente a informação fiscal, homologando parcialmente a compensação. Ciente da decisão da unidade local da RFB, a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade em 04/03/2009 (fls. 259 a 275), na qual alega, em síntese, que: (a) os insumos glosados (referentes a despesas de manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização) são contabilizados 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10920.006838/200844 Acórdão n.º 3401003.784 S3C4T1 Fl. 928 3 como custo de produção, e são obrigatórios e essenciais para a fabricação dos produtos comercializados pela empresa, o que pode, inclusive, ser comprovado por perícia, em nome da verdade material; (b) no que se refere a industrialização por encomenda, o crédito declarado na “aquisição do serviço de industrialização”, ainda que incorretamente apurado, não foi, de fato, utilizado, e as notas relacionadas como glosadas não ensejaram efetiva apuração de crédito, o que também pode ser comprovado por perícia contábil, em nome da verdade material; (c) no que se refere ao erro formal apontado, este não ocorreu, pois foram transmitidos os pedidos de restituição em 22/01/2008, seguidos das DCOMP respectivas, em 23/01/2008, em consonância com a normativa vigente, e não se pode sacrificar a verdade material para atender a formalidade; e (d) a empresa não incidiu em qualquer irregularidade, sendo nula a cobrança de multa e juros sobre eventual crédito remanescente de compensação. A decisão de primeira instância, proferida em 29/04/2011 (fls. 477 a 487) foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, pelos seguintes fundamentos: (a) a empresa não comprova suas alegações sobre as industrializações por encomenda, não se desincumbindo de seu ônus de afastar os resultados da fiscalização que foi feita a partir dos documentos apresentados pela própria empresa; (b) o pedido de perícia, sem indicação precisa dos requisitos demandados no Decreto no 70.235/1972 é considerado não formulado; (c) o conceito de insumo, na legislação que rege as contribuições, é extraído das Lei no 10.637/2002 e no 10833/2003, e das Instruções Normativas SRF no 247/2002 e no 404/2004, não abrangendo “insumos indiretos”, como os glosados; (d) sobre os valores referentes a “recuperação PIS e COFINS”, a retificação de DCTF e DACON é imprescindível, e não mera formalidade, pois ela é que atesta a liquidez e a certeza do crédito; e (e) o despacho decisório, que é a decisão recorrida, não estabeleceu a incidência de multa e juros. Após ciência da decisão da DRJ, em 27/05/2011 (AR de fl. 489), a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 490 a 524, em 27/06/2011, reiterando os argumentos expressos na manifestação de inconformidade (de que os insumos glosados são obrigatórios e essenciais para a fabricação dos produtos comercializados pela empresa, colacionado jurisprudência em seu favor; de que o crédito declarado na “aquisição do serviço de industrialização”, ainda que incorretamente apurado, não foi, de fato, utilizado, anexando planilha derivada do arquivo magnético apresentando dando conta de que houve equívoco na apuração fiscal; e de que não houve erro na demanda de créditos referentes a pagamentos indevidos de meses anteriores, também anexando planilha a fim de comprovar suas afirmações). Por fim, reitera a alegação referente à incidência de multa e juros, tendo em vista o DARF que acompanhou o despacho decisório, e que, alternativamente, seja procedida igualmente a atualização do crédito, e a demanda por perícia em relação a insumos e a aproveitamento de crédito nas notas fiscais glosadas. No CARF, o julgamento foi convertido em diligência, de forma unânime, pela Resolução no 3401000.733 (fls. 548 a 552), para que a unidade local da RFB: (a) calculasse o crédito da recorrente, com base nas notas fiscais constantes no arquivo magnético apresentado; (b) após o cálculo, analisasse se o valor dos créditos encontrado no arquivo magnético é o mesmo valor declarado na DACON; (c) em caso de não mais possuir a unidade o arquivo magnético, intimasse a recorrente a reapresentálo; (d) elaborasse relatório com as conclusões da diligência, informando qual o valor do crédito encontrado com base na análise do arquivo magnético, se ele é o mesmo valor pleiteado pela recorrente, e mais alguma informação que a autoridade fiscal julgue pertinente; (e) caso seja o valor encontrado no cálculo das notas fiscais do arquivo magnético diferente do declarado na DACON, fosse informado qual a inconsistência encontrada e o que originou a divergência; e (f) após a Fl. 929DF CARF MF 4 conclusão do relatório, intimasse a recorrente a se manifestar acerca da conclusão no prazo de trinta dias. No Relatório referente à diligência (fls. 909/910), informa a fiscalização que os valores de créditos pleiteados no DACON não coincidem com os valores informados nos arquivos digitais, havendo pequenas diferenças em cada mês analisado, e que tais inconsistências decorrem dos valores informados pelo próprio contribuinte em seus arquivos digitais. A fiscalização esclarece que a análise foi efetuada em arquivos já corrigidos pela empresa, que zerou os valores de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS sobre os quais não teria direito a crédito, ficando desta forma os valores de tais arquivos digitais equivalentes aos créditos apropriados pela empresa. Anexa ainda o fisco as planilhas (arquivos não pagináveis) sobre a análise efetuada. Ciente do resultado da diligência em 04/02/2015 (AR à fl. 913), a empresa apresentou manifestação (fls. 915 a 918) no sentido de que as bases de cálculo apresentadas pela autoridade fiscalizadora na planilha colacionada no Relatório de diligência não estão corretas, deixando de considerar “despesas de aluguéis”, “despesas de depreciação”, ficando a indicação de valores registrados na coluna DACON da referida tabela exatamente com a exclusão destas rubricas, e de que, além disso, foram desconsideradas na base de cálculo as “notas fiscais de serviços” (que estavam na planilha auxiliar apresentada). O processo retornou de diligência ao relator original em 09/03/2015, foi enviado a distribuição em 20/07/2016, e distribuído a mim, por sorteio, em setembro de 2016. Em março e abril de 2017, o processo foi indicado para a pauta, mas não incluído pelo presidente, em função do número de processos a julgar. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. São, basicamente, três os temas contenciosos: (a) o cômputo de créditos em relação a industrialização por encomenda; (b) as glosas referentes a insumos; e (c) o aproveitamento, em DCOMP, de créditos referentes a períodos anteriores, sem que tenha sido promovida sua verificação. Das glosas de notas fiscais referentes a industrializações por encomenda Em relação ao o cômputo de créditos nas industrializações por encomenda, ensejador da conversão em diligência, reconhece a empresa que errou em sua contabilização, mas que jamais tomou efetivamente tais créditos. Quando instada a fiscalização a se manifestar sobre as perguntas efetuadas na diligência, mormente no sentido de que se calculasse o crédito da recorrente, com base nas Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10920.006838/200844 Acórdão n.º 3401003.784 S3C4T1 Fl. 929 5 notas fiscais constantes no arquivo magnético apresentado, comparando o resultado com o cálculo derivado do DACON, a resposta foi externada nas tabelas de fl. 910: Após a diligência, a empresa questiona, nas tabelas, apenas a ausência de cômputo, nas bases de cálculo, de “despesas de aluguéis” e “despesas de depreciação”, e ausência de cômputo de “notas fiscais de serviços”, que figuravam na planilha auxiliar. Não traz a recorrente demonstração pormenorizada de tais diferenças (apresentando apenas tabelas com valores diversos dos indicados pela fiscalização), mas afirma que, diferentemente da autoridade diligenciante, que apurou diferenças de R$ 271,01, verificou tãosomente diferença de R$ 5,74. Parecia antever a própria recorrente que a ausência de detalhamento mais aprofundado das discordâncias em relação à diligência operaria em seu desfavor, sopesando até a pequena monta dos valores envolvidos, ao final de sua manifestação sobre o relatório de diligência (fl. 918): Acato, assim, o resultado da diligência, não afastado a contento pela recorrente, no que se refere às notas fiscais glosadas, referentes a industrialização por encomenda. É sempre importante recordar que nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Fl. 931DF CARF MF 6 Em relação às negativas de créditos decorrentes das glosas de notas fiscais de fls. 252/253, então, temos que devem ser revistas, a partir dos valores apurados em diligência, afastandose as glosas de notas fiscais que sequer ensejaram utilização de créditos. Das glosas referentes a insumos O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Concluise, então, que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem também unanimemente decidindo este CARF: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando Fl. 932DF CARF MF Processo nº 10920.006838/200844 Acórdão n.º 3401003.784 S3C4T1 Fl. 930 7 legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) "NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...)." (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) Isto posto, caberia analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI (como parece defender a fiscalização, com fundamento em instruções normativas) nem com a do IR (como parece sustentar a empresa, abarcando custos indiretos). No presente processo, as glosas resumemse a despesas de manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização. E a própria fiscalização reconhece que tais despesas são necessárias à atividade da empresa (fls. 288/289): A DRJ também atribui a tais despesas a característica de “insumos”, ainda que seguida da palavra “indiretos”, reconhecendo a relação das despesas com a produção (fl. 485), mas a impossibilidade de crédito em face das referidas instruções normativas: Fl. 933DF CARF MF 8 Não temos dúvidas de que todas as despesas glosadas são necessárias ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. As justificativas são bem delineadas, nesse aspecto, pela defesa, que sustenta não só a necessidade, mas a obrigatoriedade, diante de normas sanitárias, entre outras, a incorrer em tais despesas. Em relação a algumas de tais despesas (serviços de limpeza e dedetização), já tive a oportunidade de me manifestar recentemente, com acolhida unânime da turma, com composição quase idêntica à atual: “Quanto ao mérito, deuse parcial provimento, da seguinte forma: ... por maioria de votos, deuse parcial provimento para admitir o creditamento sobre serviço limpeza geral em instalações, serviço dedetização, serviço reforma pallets PBR, serviço de aplicação de strecht pallet, serviço de repaletização e serviço de carregamento de aves para venda, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que restringiam o crédito ao serviço limpeza geral em instalações e serviço dedetização, e os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que reconheciam o crédito em maior extensão; (...)” (grifo nosso) (Acórdão no 3401003.400, de 26 jan. 2017) Portanto, devem ser afastadas as glosas em relação a tal item. Das glosas referentes a aproveitamento de créditos de períodos anteriores, não verificados Afirma a fiscalização que, na linha “outros créditos a descontar”, a empresa defendeu que havia valores de “recuperação PIS e COFINS referente venda de bebida láctea tributado indevidamente”, de junho a setembro de 2007, conforme artigo 32 da Lei no 11.488/2007, mas a forma de cômputo adotada foi equivocada, devendo a empresa promover as retificações de DCTF e DACON, reapurando as contribuições. Em sua defesa, sustentou a empresa que não ocorreu erro formal, pois foram transmitidos os pedidos de restituição em 22/01/2008, seguidos das DCOMP respectivas, em Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10920.006838/200844 Acórdão n.º 3401003.784 S3C4T1 Fl. 931 9 23/01/2008, em consonância com a normativa vigente, e que não se poderia sacrificar a verdade material para atender a formalidade. Apesar de não concordarmos com a decisão de piso no sentido de que as retificações de declarações sejam óbice instransponível ao gozo do crédito, temos que é adequada e correta a observação do julgador da DRJ no sentido de que a recomposição poderia atestar a liquidez e a certeza do crédito. No entanto, tal certeza e liquidez poderiam ainda ser atestadas de outra forma, pela recorrente. Mas, nesse aspecto falha a defesa, que traz apenas planilhas que sequer são suficientes para que o CARF demande esclarecimentos adicionais por diligência, como havia feito em relação ao primeiro item. Não se pode aqui acolher créditos que sequer se referem ao trimestre em análise, mas foram nele simplesmente inseridos por não promover a recorrente as alterações que deveria ter efetuado em sua escrituração, com impactos incertos sobre a liquidez e a certeza do montante demandado em ressarcimento. Como já se destacou neste voto, nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. E, em relação ao presente item, tal ônus, a cargo do postulante, não foi cumprido a contento, pelo que devem ser mantidas as glosas fiscais. E não se pode (como parece desejar a empresa em sua peça recursal) suprir deficiência probatória a cargo do postulante com diligência. Nesse sentido vem decidindo unanimemente este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) Fl. 935DF CARF MF 10 "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) Das considerações finais Questionou ainda a empresa, em sua manifestação de inconformidade, a incidência de juros e de multa sobre os débitos que teriam restado em aberto em virtude da insuficiência de créditos decorrente da homologação apenas parcial da compensação. A DRJ rebate a alegação informando que a decisão recorrida não estabeleceu a incidência de multa e juros, versando somente sobre indeferimento do direito de crédito e não homologação das compensações. No recurso voluntário, a empresa retoma o tema, tendo em vista o DARF que acompanhou a decisão, e demanda, alternativamente, seja procedida igualmente a atualização do crédito. Sobre o tema, é de se informar que a incidência de juros e de multa sobre quantias não pagas decorre de expressa determinação legal (Lei no 9.430/1996), que não pode ser afastada administrativamente, ainda que sob alegação de inconstitucionalidade, como consagra a Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. E o pleito alternativo não faz sentido, visto que o crédito nesta decisão reconhecido será abatido do montante principal do débito, sucumbindo os consectários a ele atrelados, e o débito que eventualmente remanescer sem compensação não encontrará crédito a ser atualizado para lhe fazer frente. Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para acolher o resultado da diligência, e seu impacto redutor nas glosas efetuadas em relação a industrialização por encomenda, e para afastar as glosas referentes a despesas de manutenção e conservação, tratamento de efluentes, higienização de linha, material de laboratório e dedetização. Rosaldo Trevisan Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10920.006838/200844 Acórdão n.º 3401003.784 S3C4T1 Fl. 932 11 Fl. 937DF CARF MF
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Numero do processo: 10976.000754/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
Incide em descumprimento de obrigação acessória deixar de preparar folhas de pagamentos de todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 2201-003.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Relator
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Incide em descumprimento de obrigação acessória deixar de preparar folhas de pagamentos de todos os segurados a seu serviço de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 07 54 /2 00 9- 32 Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201003.622 S2C2T1 Fl. 412 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão da DRJ de Belo Horizonte, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada, mas com a manutenção do crédito tributário para desconstituir o seguinte lançamento: Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória por ter a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. A interessada apresentou impugnação, julgada pela DRJ, qual foi julgada procedente em parte, mas com a manutenção integral do crédito tributário. Inconformada com a decisão da qual foi cientificada em 13/07/2011, a recorrente apresentou recurso voluntário, tempestivamente, em 11/08/2011, onde alega, em síntese, que: Impossibilidade da incidência das contribuições previdenciárias sobre marketing de incentivo. Retenção do pró labore dirigentes não são contribuintes obrigatórios e o fisco não pode exigir a retenção e recolhimento por parte da empresa sem verificar se os próprios contribuintes (pessoas físicas) já efetuaram os recolhimentos. Anexa cópias das GPS’s recolhidas . Abono previsto em convenção coletiva. Ocorreu simples equívoco ma utilização de código para a folha de pagamento da recorrente, o que está registrado como abono é reembolso (“não há como se comprovar, mediante documentos ou quaisquer outros meios probatórios que o equívoco ocorreu. Tal fato pode ser facilmente constatado quando a recorrente respondeu à intimação entregando as folhas de pagamento, como dito acima”). Impossibilidade de tributação de verbas pagas a título de educação e formação profissional Reembolso Contrato Newton Paiva. O curso foi oferecido a todos, mas apenas alguns se interessaram, fato que ocorre normalmente em qualquer empresa. O fato de a bolsa ser parcial (30%) contribuiu para esse fato. Tributação de cooperativas inconstitucionalidade.. Retenção cessão de mão de obra/empreitada: Inexistência da obrigação de reter contrato de administração de obra (SGO Construções LTDA). Todos funcionários que trabalharam diretamente na obra são empregados da própria recorrente, submetidos ao controle da SGO. SGO recolheu a totalidade das contribuições por ela devidas. Caso persista o lançamento configuraria caso de duplicidade de tributação. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201003.622 S2C2T1 Fl. 413 3 Exigências indevidas de retenção locação de equipamentos e instalação de antena coletiva. Retenções não computadas pela fiscalização. Cumulação de penalidades. Princípios da vedação ao confisco e capacidade contributiva Penalidades. Princípio da proporcionalidade/razoabilidade Penalidades. Impossibilidade da aplicação da multas agravada. SELIC. O julgamento foi convertido em diligência, através da Resolução nº 2403 000.090 4a Câmara / 3a Turma Ordinária, que foi exarada nos seguintes termos: Inicialmente, cumpre ressaltar, conforme relatado, que o sujeito passivo desistiu parcialmente da defesa apresentada e incluiu em parcelamento as contribuições lançadas nas competências 01/2005 a 12/2007. Disso resultou totalmente incontroversos os levantamentos , que, por essa razão, não serão apreciados neste julgamento: PR1 — PRÊMIO A SEGURADOS C11, C21 — PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS CO1 — PAGAMENTO A COOPERATIVAS Outro ponto que cabe destaque é que o lançamento é específico da contribuição a cargo da empresa, isto é, não contém contribuição de pessoas físicas. Após o julgamento de primeira instância ficam mantidos os seguintes levantamentos e competências: PL1 PRO LABORE A SÓCIOS 12/2004 F21 e F31 FRETES A CONTRIB INDIV. 12/2004 AB1 ABONO CCT 2007, 2009 FILIAL 08 —08/2006 ED1 REEMBOLSO CONTRATO N PAIVA — 01/2005 a 01/2007 RA a RM RETENÇÃO NÃO EFET NF FATURA — 12/2004 a 12/2005 MA a MP RETENÇÃO A MENOR NF FAT — 12/2004 a 01/2006 S1 RETENÇÃO NÃO EFET RECIBO 12/2004 a 06/2005 S2 RETENÇÃO NAO EFET NF SGO 12/2004 a 01/2006 Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201003.622 S2C2T1 Fl. 414 4 Em razão do recurso apresentado, entendo necessário alguns esclarecimentos por parte da fiscalização. Para tanto, utilizo abaixo, como referência a itemização utilizada no Recurso Voluntário. IV.6.1 Dos pagamentos efetuados para a SGO CONSTRUÇÕES LTDA Várias notas fiscais contém discriminado “Taxa de Administração”. Informar qual a relação entre essa “Taxa de Administração” e o serviço de administração da obra. IV.6.2 Da exigência indevida de retenção sobre atividades não sujeitas a essa sistemática. Identificar se existe algum lançamento referente a: locação de caçamba locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de mãodeobra prestação de serviço com cessão de mão de obra onde a utilização de equipamento é inerente à execução dos serviços contratados. IV.6.3 Das notas fiscais cuja retenção não foi computada pela fiscalização Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão. IV.6.4 Impossibilidade de exigência das contribuições previdenciárias decorrentes de serviços não sujeitos à retenção. Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão. A Recorrente solicitou a vinculação deste processo às demais autuações sofridas na mesma ação fiscal (processos 10976.000752/200943, 10976.000754/200932, 10976.000755/200987, 10976.000757/2009 76,10976.000770/200925 e 10976.000758/200911). Observo que por economia processual, restringirei a diligência a este processo, utilizando as manifestações também nos demais. Da diligência deve ser dada ciência à recorrente oportunizando manifestação. A Informação Fiscal em cumprimento à diligência determinada pelo CARF dormita às fls. 2450/2472, cujas passagens mais relevantes correspondem aos excertos abaixo: Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201003.622 S2C2T1 Fl. 415 5 Preliminarmente, elaborouse o demonstrativo abaixo discriminado, com todas a funções dos funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme cópia, por amostragem de Folhas de Pagamento e Rescisões, apresentadas pelo sujeito passivo em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 016/2009, datado de 01/01/2013, e, que constam das folhas de 1323 a 1602, dos presentes autos, a saber: Ainda, de acordo com o descrito nos itens 3.1.6.4.2, 3.1.6.4.3 e 3.1.6.4.3.1, do Relatório Fiscal, restou demonstrado que as obras de construção do Centro de Distribuição CD, foram executados sob a forma de contratação de EMPREITADA PARCIAL, haja visto, que as diversas empresas sub contratadas, discriminadas no item 3.1.6.4.2, faturaram seus serviços diretamente para o proprietário CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, em consonância com o disposto no inciso IV § 2° do art. 413, da IN SRP 03/2005, acima descrito. O Contrato de Prestação de Serviços, descrito parcialmente no item 3.1.6.4.1 do Relatório Fiscal, na Cláusula Quinta, Parágrafo Segundo, outorga a CONTRATADA SGO CONSTRUÇÕES LTDA, mandato para poder subcontratar com terceiros (subempreiteiros), a construção por administração ou empreitada de serviços, tendo inclusive a própria SGO CONSTRUÇÕES LTDA prestado serviços de mão de obra, faturando por esses serviços, além da taxa de administração prevista contratualmente, o que por si descaracteriza a modalidade única de “administração”, a teor da definição preconizada no inciso XXX, art. 413, da IN SRP 03/2005, transcrito, acima descrito. Tendo em vista a descaracterização da forma contratação das obras de construção do Centro de Distribuição consoante elementos probatórios elencados no Relatório Fiscal, de empreitada TOTAL para empreitada PARCIAL, o Contrato de Prestação de Serviços – SGO CONSTRUÇÕES LTDA CNPJ: 16.548.646/000148, passou a ter tratamento de empreitada parcial, igualmente aos demais prestadores de serviços, e, sujeito, portanto, a retenção sobre os valores brutos das Notas Fiscais/Faturas ou recibos, emitidas diretamente contra a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA. 4.2. Inferese que a presente indagação acerca da relação entre a “taxa de administração” e serviço de administração da obra, levase a crer que ambos conceitos são similares, porém, no contexto que se apresenta, caracterizamse serem meramente parte integrante da descrição de serviços medidos a serem consignados em campo próprio da Nota Fiscal/Fatura, a uma porque a SGO CONSTRUÇÕES LTDA, não se limitou tão somente à administração da obra de construção, a teor do conceito de “contrato por administração” descrito no inciso XXX do art. 413 da IN retro mencionado, e a duas por ter faturado remuneração de mão de obra a título de reembolso Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201003.622 S2C2T1 Fl. 416 6 de mão de obra e encargos sociais diretamente para a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, corroborando dessa forma a descaracterização de contrato, exclusive, por administração, para contrato por empreitada PARCIAL. 4.2.1. Portanto, a mera descrição de serviços medidos em Nota Fiscal/Fatura, a qualquer título, pertinente a contrato de empreitada PARCIAL, não tem o condão de elidir as obrigações legais previdenciárias quanto à exigência de destaque da retenção dentre outras, nem tampouco validar o contrato de prestação de serviços, exclusivamente, como sendo por administração, pelas razões acima minudenciadas. IV.6.2 DA EXIGÊNCIA INDEVIDA DE RETENÇÃO SOBRE ATIVIDADES NÃO SUJEITAS A ESSA SISTEMÁTICA Locação de caçamba. Locação de máquinas, de ferramentas, de equipamentos ou de outros utensílios sem fornecimento de mãodeobra. Prestação de serviço com cessão de mão de obra onde a utilização de equipamentos é inerente à execução dos serviços contratados. 5. Preliminarmente, não foram identificados nos lançamentos, a atividade de locação de caçamba, sendo as Notas Fiscais/Faturas ora sob exame, tratarem, exclusivamente, de locação de equipamentos/maquinas, a saber: retroescavadeira, motoniveladora, trator e caminhão pipa. 5.1. Na execução de serviços de terraplenagem, ou seja, a movimentação de terra corte/aterro para a implantação de empreendimento/edificação, os equipamentos/maquinas: retro escavadeira, motoniveladora, trator e caminhão pipa, são inerentes à execução dos serviços contratados e a execução dos trabalhos prescinde de mão de obra cedida/empregada, realizada por profissionais especializados(operadores/motoristas habilitados) dadas as especificidades e peculiariadades de cada equipamento. Em face ao julgado no Acórdão 0232.558 8a Turma da DRJ/BHTE, de 01/06/2011, às fls. 2301 ‘ ‘... Para as competências de 03/2004 a 11/2004 ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, devendo as mesmas ser excluídas do lançamento. “ restou aplicado o instituto de decadência relativo as competências setembro/2004 e novembro/2004, sendo, portanto, os valores lançados naqueles meses, passíveis de plano de retificação, anulandose os valores lançados. 5.4. Com relação a competência 12/2004, verificase que houve um lapso de digitação relativa a NF 000183, de 13/12/2004, constante do Anexo: RA A RM RETENÇÃO NÃO EFETUADA S/NOTAS FISCAIS FATURAS de fls. 525 , sendo lançado o Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201003.622 S2C2T1 Fl. 417 7 valor incorreto de 48.372,00 ao invés do valor correto de R$ 1.518,50. 5.4.1. Sendo assim, os valores lançados no Anexo RA A RM, no tocante as referidas Notas Fiscais ficam retificados conforme discriminados abaixo: 5.4.2. Em relação à totalidade das Notas Fiscais remanescentes relativas às competências 12/2004 a 06/2005, foram expedidos os Ofícios n°s. 234/2013/Saort/DRFCON e 235/2013/Saort/DRF CON,( anexados ao processo) para as empresas R. & R. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA ME CNPJ: 02.150.945/000115 e LOCAÇÃO DE MAQUINAS JM LTDA ME CNPJ: 19.695.683/000177, respectivamente, e, remetidos aos endereços dos sujeitos passivos constantes dos sistemas informatizados da RFB, com a seguinte solicitação de documentação e/ou esclarecimentos, a saber: • Ofício n° 234/2013/Saort/DRFCON R. & R. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LTDA ME: • Ofício n° 235/2013/Saort/DRFCOM LOCAÇAO DE MAQUINAS JM LTDA ME: “a) Copia do Contrato de Prestação de Serviços, exclusivamente, do período de emissão das Notas Fiscais acima discriminadas, com a CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, e, em caso negativo, esclarecer o motivo; Informar, se os serviços prestados e discriminados, foram executados com o emprego equipamentos/máquinas e pessoal (operadores) da LOCAÇAO DE MAQUINAS JM LTDA ME;ou, se trata de aluguel, exclusivamente, de equipamentos/máquinas. Outros esclarecimentos que entender necessários e pertinentes ao assunto. 4. Anexo: cópias da(s) Nota(s) Fiscal(ais) n°(s): 000533, 000535, 000539, 000542, 000544, 000545, 000547, 000549, 000552 a 00560, 000562 a 000569, 000601 a 000603 e 000607.” Citado Ofício n° 234/2013/Saort/DRF/CON, endereçado à R & R LOCAÇAO DE EQUIPAMENTOS LTDA, foi devolvido pelos Correios em 04/06/2013, mediante AR n° RA 70500918 1 BR, com motivo classificado como “ Mudouse”. Conforme explicitado no item 3.1.6.5.1.2 do Relatório Fiscal, inexistindo, portando, a formalização contratual de serviços celebrados com terceiros, reconhecida pela própria CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, a base de cálculo da retenção será o valor bruto da nota fiscal, fatura ou do recibo de prestação de serviço, consoante legislação previdenciária pertinente de regência. Restou, mantido o crédito lançado, relativo às Notas Fiscais acima alencadas no Oficio n° 234/2013/Saort/DRFCON, e, Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201003.622 S2C2T1 Fl. 418 8 constantes do Anexo: RA A RM, integrante dos presentes Autos, por ter a Impugnante afirmar que não possuía contratos com os empreiteiros em resposta ao TIF 014/2009, de fls. 376 a 380, na qual aduz às fls. 381: “2) No que se refere ao item 1b, a relação com as empresas ora listadas ocorria de forma, fornecedor consumidor, onde fazia se a aquisição e/ou a locação do bem mediante a emissão da nota fiscal, e, seguida efetuavase o pagamento. Em resumo, não foi elaborado nenhum tipo de regulamento/contrato para usufruto ou aquisição de quaisquer serviço ou compra entre a Cema e as referidas empresas.” 5.4.3. Em resposta ao Ofício n° 235/2013/Saort/DRF/CON, o sujeito passivo apresentou correspondência (anexada ao processo) com as alegações seguintes, transcritas, parcialmente: Contagem, Minas Gerais, representado neste ato pelo seu sócio administrador, Aguimar Braga, portador da Carteira de identidade número MG.3.958.170 e CPF.771.235.57620, vem através desta e após ter enviado por email no dia 05 de junho de 2013, a mesma declaração, seguindo a solicitação do auditor por telefone, para formalização da resposta, declarar que: As Notas de números, 533, 535, 539, 542, 544, 545, 547, 549, 552, 553, 554, 555, 556, 557, 558, 559, 560, 562, 563, 564, 565, 566, 567, 568, 569, 601, 602, 603, 607 emitidas ao cliente CEMA CENTRAL MINEIRA ATACADISTA LTDA, entre os períodos de 01/12/2004 até 26/06/2005, tem seus valores totais representando exclusivamente o valor da Locação de Equipamentos. Declaro ainda não existe contrato formal desta prestação de serviços.” 5.4.3.1 Ressaltase que, a despeito das argumentações trazidas pela Locação de Maquinas JM Ltda, o equipamento Retro escavadeira, somente, pode ser por operado por pessoal especializado neste tipo de equipamento, fato este não provado, tampouco pela Impugnante, restando a certeza de que o equipamento foi utilizado nas Obras com o emprego de mãode obra especializada, o que caracteriza de plano a incidência das alíquotas de retenção previstas na legislação previdenciária 5.4.3.2. Em face dos esclarecimentos insuficientes prestados pela Locação de Maquinas JM Ltda, notadamente a ausência de contrato formal daquela prestação de serviços, e, a constatação de que a Impugnante não possuía em seu quadro de funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme demonstrativo, por amostragem, discriminado no item 3 retro, empregados classificados com a função de Operador de Retro escavadeira, fica mantido o crédito lançado, relativo às Notas Fiscais acima alencadas no Oficio n° 235/2013/Saort/DRF CON, e, constantes do Anexo: RA a RM, integrante dos presentes Autos. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201003.622 S2C2T1 Fl. 419 9 IV.6.3 DAS NOTAS FISCAIS CUJA RETENÇÃO NAO FOI COMPUTADA PELA FISCALIZAÇÃO Solicito manifestação conclusiva acerca de cada uma das notas fiscais apontadas pela recorrente, se o alegado no recurso é procedente e se não, por qual razão 6. Transcrevese, a seguir a tabela de notas fiscais relacionadas pela Impugnante, tida como Das Notas Fiscais Cuja Retenção Não Foi Computada pela Fiscalização: Em face ao julgado no Acórdão 0232.558 8a Turma da DRJ/BHTE, de 01/06/2011, às fls. 2301 ‘ ‘... Para as competências de 03/2004 a 11/2004 ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, devendo as mesmas ser excluídas do lançamento. “ restou aplicado o instituto de decadência relativo as competências setembro/2004 e novembro/2004, sendo, portanto, os valores lançados naqueles meses, relativo às Notas Fiscais n°s. 002856, 002864 e 002887, passíveis de plano de retificação, anulandose os valores lançados. Sendo assim, os valores lançados no Anexo: RA A RM, no tocante as referidas Notas Fiscais ficam retificados conforme discriminados abaixo(...) 6.2. No tocante, a Nota Fiscal n ° 000079 emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141, em 11/01/05 valor R$ 4.590,00, resulta que a Impugnante apresentou no curso do procedimento fiscal à Fiscalização, a Nota Fiscal n° 000079 às fls. 1151, cuja originalidade foi atestada pela autoridade notificante conforme carimbo aposto para fins de instrução do processo e na qual não consta qualquer destaque de retenção previdenciária. Diferentemente, em seu recurso voluntário, a Impugnante, faz juntada da mesma Nota Fiscal n° 000079 às fls. 2069, com a “inclusão manual e EXTEMPORÂNEA” logo abaixo do valor total, a expressão manuscrita “INSS (11%) 504,90 e ISSQN (2%) 91,80” e juntando GPS sem autenticação no valor de R$ 504,90. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatase que o suposto valor de retenção “destacado” tardiamente de forma manuscrito, não foi declarado em GFIP pela emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME, nem tampouco, houve a vinculação de segurados à matrícula CEI 40.990.03248/78 da Obra do Centro de Distribuição CEMA, consoante exigência na legislação previdenciária de regência. 6.2.21. Na tela CCORGFIP (anexada ao processo), a empresa FERRAZ AMARAL PRESTAÇAO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141,declarou na competência janeiro/2005, o montante de retenção da Lei n° 9.718, o valor de R$ 3.161,11; Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201003.622 S2C2T1 Fl. 420 10 Na tela DATAPREV/ CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais Tomador de Serviço GFIP(anexada ao processo), consta o seguinte detalhamento do montante de R$3.161,11, declarado à título de retenção na competência janeiro/2005, a saber: Restou demonstrado que não houve o suposto equívoco da Fiscalização assinalado pela Impugnante em sua peça recursal, e, sim o comportamento inadequado da Impugnante ao oferecer ao Fisco, em seu Recurso Voluntário ao CRPS, documentação “rasurada”, com o intuito de elidir de suas obrigações legais a seu tempo. Fica, portanto, mantido na integralidade os valores lançados à título de retenção relativo à Nota Fiscal n ° 000079 emitente FERRAZ AMARAL PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS LTDA ME CNPJ: 04.856.314/000141, em 11/01/05 valor R$ 4.590,00. 6.3 No tocante, a Nota Fiscal n ° 000041 emitente A & R EMPREITEIRA LTDA ME CNPJ: 02.969.081/000168, em 01/03/05 valor R$ 846,00, resulta que a Impugnante, apresentou no curso do procedimento fiscal à Fiscalização, a referida Nota Fiscal n° 000041 às fls. 1164, na qual não consta qualquer destaque de retenção previdenciária. Diferentemente, em seu recurso voluntário, a Impugnante, faz juntada da mesma Nota Fiscal às fls. 2071, com a “inclusão manual EXTEMPORÂNEA” logo abaixo do valor total, a expressão manuscrita “INSS (93,06) e ISSQN (16,92)” e juntando GPS sem autenticação no valor de R$ 213,51. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatase que o suposto valor de retenção “destacado” tardiamente de forma manuscrito, não foi declarado em GFIP pela emitente A & R EMPREITEIRA LTDA ME, nem tampouco, houve a vinculação de segurados à matrícula CEI 40.990.03248/78 da Obra do Centro de Distribuição CEMA, consoante exigência na legislação previdenciária de regência. Restou demonstrado que não houve o suposto equívoco da Fiscalização assinalado pela Impugnante em sua peça recursal, e, sim o comportamento inadequado da Impugnante ao Fisco documentação rasurada. (...) Ressaltase que, a despeito das argumentações trazidas pela Real Guindastes e Equipamentos Ltda, o equipamento Guindaste, somente, pode ser por operado por pessoal especializado neste tipo de equipamento, fato este não provado, tampouco pela Impugnante, restando a certeza de que o equipamento foi utilizado nas obras com o emprego de mãode obra especializada, o que caracteriza de plano a incidência das alíquotas de retenção previstas na legislação previdenciária. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201003.622 S2C2T1 Fl. 421 11 Em face dos esclarecimentos insuficientes prestados pela Real Guindastes e Equipamentos Ltda, notadamente, não ter como afirmar se a locação do Guindaste teve ou não o concurso de mão de obra, e, a constatação de que a Impugnante não possuía em seu quadro de funcionários alocados na Obra do Centro de Distribuição, conforme demonstrativo, por amostragem, discriminado no item 3 retro, empregados classificados com a função de Operador de Guindaste, fica mantido o crédito lançado, relativo à Nota Fiscal n° 0004580, constante do Anexo: RA a RM, integrante dos presentes Autos. Com relação a NF 000269, de 28/06/05, foi emitido OFÍCIO N° 239/2013/Saort/DRF/CON, datado de 22/05/2013(anexado ao processo), para a empresa ADVANCED SERVIÇOS LTDA ME, intimando o sujeito passivo os seguintes elementos discriminados abaixo(...) De conformidade com a descrição dos serviços discriminados na NF 000269 acima mencionados, restou comprovado que os serviços de instalação de pararaios e aterramento não estão contemplados como serviços não sujeitos à retenção, ficando mantido o crédito lançado, relativo à Nota Fiscal n° 000269, constante do Anexo: RA A RM, integrante dos presentes Autos. Com relação à NF 000847, de 22/11/05, de fls. 1229, a empresa ENGEFUROS Engenharia e Furos em Concreto Ltda CNPJ: 04.658.491/000113, reconhece a incidência da retenção e discrimina no campo próprio da Nota Fiscal, da seguinte forma: Locação de perfuratriz diamantada dd 160 p/execução furos em concreto 97,50 MãodeObra 52,50 Retenção INSS 11% 5,78 Reconhece, ainda, nas Notas Fiscais de sua emissão, de n°s. 000730, 000737, 000751 e 000827, de fls. 1225 a 1228, respectivamente, a incidência da retenção, mantendo a mesma discriminação dos serviços, acima descrita. A constatação da incidência da retenção está em consonância com o disposto no art. 170, da IN SRP 03/2005 (e IN/INSS/DC n° 100/2003), que não contempla a execução de furos em concreto como não sujeitos a retenção. A citada Nota Fiscal 000847, consta do Anexo: MA A MP RETENÇÃO A MENOR EFETUADA S/NFS/FATURAS, de fls. 539, pelo fato de não ter sido apresentado o Contrato de Prestação de Serviços, restando a incidência sobre o valor bruto da citada Nota Fiscal, sobejando saldo de retenção a menor, objeto do Auto de Infração. Diante do exposto, fica mantido o lançamento do crédito relativo à Nota Fiscal n° 000847, constante do Anexo: MA A MP, integrante dos presentes Autos. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201003.622 S2C2T1 Fl. 422 12 Atendida a solicitação de fls. 2410, com os esclarecimentos e considerações do Auditor notificante, bem como a concessão de prazo de 30(trinta dias), para manifestação da Impugnante, a partir da ciência do presente Termo. Cientificada do teor da Informação Fiscal supra, a recorrente apresentou manifestação, alegando, em síntese, que: Com registro dos trabalhadores da obra em seu nome, fica ainda mais inquestionável a validade do contrato e das notas fiscais que não divergem quanto ao ponto de se tratar de obra realizada mediante a administração da SGO CONSTRUÇÕES LTDA. A SGO simplesmente intermediou a terceirização de alguns serviços, sendo reembolsada pela CEMA dos respectivos valores, o que, sem sombra de dúvidas, não transforma administração em empreitada parcial, como equivocadamente pretende a d. Fiscalização. Por fim, cumpre lembrar que a SGO recolheu devidamente todas as contribuições que lhe competia, conforme comprovado nos autos, sem descontar qualquer montante a título de retenção. Dito de outro modo, todas as contribuições foram recolhidas direta e integralmente pela SGO, sendo que caso a Recorrente também fosse condenada a recolher supostas parcelas que não foram retidas, não há dúvidas de que se trataria de dupla incidência sobre exatamente os mesmos fatos geradores, fato que juridicamente não se pode admitir. O Auto de Infração exige a incidência de contribuições previdenciárias sobre locação de máquinas e equipamentos (retroescavadeira, motoniveladora etc.), ou seja, sobre atividades em que não ocorre o fato gerador das referida exações. Todavia, a d. Fiscalização, ao invés de responder objetivamente a questão, insiste em sua tese de desconsideração dos contratos e notas fiscais relativas a obra realizada pela Recorrente e o que é pior, por mera suposição (sem qualquer suporte fáticoprobatório). As autoridades autuantes consertaram alguns erros constantes do trabalho fiscal, reduzindo valores lançados a maior com relação à algumas notas fiscais, mas quanto ao cerne da discussão jurídica mantiveram seu posicionamento a respeito da tributação sobre aluguel de máquinas e equipamentos. Nesse sentido, duas foram as empresas locadoras que concentraram as notas fiscais autuadas: (i) R & R Locação de Equipamentos Ltda. ME e (ii) Locação de Máquinas JM Ltda. Pois bem, a fim de tentar comprovar sua suposição de que, na verdade, não houve mera locação de equipamentos, mas locação com cessão de mão de obra, o Fisco emitiu intimação para cada uma dessas empresas a fim de que elas esclarecessem se a locação teria sido feita com ou sem o fornecimento de pessoal (operadores). Conforme se verifica dos autos, a JM expressamente afirmou que os valores recebidos da Recorrente decorrem exclusivamente da locação de equipamentos. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201003.622 S2C2T1 Fl. 423 13 Em relação às notas fiscais cuja retenção não foi considerada pela Fiscalização restaram atingidas pela decadência o crédito tributário até a competência 11/2004. Sobraram, então, as notas fiscais de nºs 000079 e 000041. Com relação a tais documentos fiscais, em suma, o Fisco acusa o Recorrente de ter incluído informações posteriores sobre a retenção das contribuições previdenciárias, rasurando os documentos depois de sua apresentação ao processo. Afirma, ainda, que as GPSs apresentadas não possuíram autenticação bancária, bem como que não teriam sido identificados os pagamentos informados pelo Contribuinte. Quanto a esse ponto, o que a Recorrente tem a dizer é que realmente as informações sobre a retenção foram incluídas à mão, mas de forma alguma tal procedimento foi realizado posteriormente para elidir suas obrigações fiscais “a seu tempo”. O que pode ter ocorrido é que as primeiras cópias juntadas aos autos foram retiradas das notas originais, portanto sem as informações sobre a retenção. O importante é que efetivamente houve retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias relativas às notas fiscais em comento, não havendo dúvidas sobre a impossibilidade de autuação nesse tocante. As cópias das GPSs em anexo comprovam efetivamente o recolhimento das referidas contribuições e, inclusive, comprovam que tais contribuições foram recolhidas tempestivamente, o que afasta qualquer tese de que o Contribuinte teria agido com máfé. Por fim, reitera a Recorrente todas as suas alegações constantes do Recurso Voluntário, notadamente no que tange a improcedência do lançamento efetuado. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Considerações iniciais do pedido de parcelamento A desistência à impugnação ou recurso na esfera administrativa foi efetuada de forma apenas parcial, eis que apenas parte dos valores lançados foi incluída em parcelamento. Dessa forma, não há definitividade dessa autuação na esfera administrativa. Assim sendo, o recurso voluntário deverá ser julgado normalmente. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201003.622 S2C2T1 Fl. 424 14 Da decadência Em relação à decadência, cumpre ressaltar que em se tratando de multa por descumprimento de obrigação acessória, o lançamento deve ocorrer no prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a infração poderia ter sido conhecida nos termos do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.175, de 25 de outubro de 1.966: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A ciência do presente lançamento se deu em 01/2010, portanto, não há que se falar em decadência, além do que já for reconhecido pela decisão de piso. Cumpre ressaltar que apesar do reconhecimento de decadência parcial pela decisão de piso, a multa foi mantida em sua integralidade, uma vez que basta uma conduta para a infração persistir, o que ocorreu em relação às competências não abrangidas pela decadência. Da alegação de imputação de dupla penalidade A recorrente repetiu os argumentos esposadas por ocasião da interposição do recurso voluntário objetivando desconstituir os autos de infração lavrados por descumprimento da obrigação principal. Tais argumentos já foram refutados por ocasião do julgamento dos citados recursos. Não obstante o provimento parcial, não há consequência para os processos em que se discute a multa por descumprimento da obrigação acessória. No presente caso, é incontroversa a conduta de apresentação de GFIP com informações omissas ou incompletas, tanto assim que foram apresentadas posteriormente as GFIP retificadoras. Em relação à possibilidade da aplicação da penalidade por descumprimento da obrigações acessórias de forma autônoma à obrigação principal, vale tecer as seguintes considerações. A obrigação tributária possui duas espécies, principal e acessória, sendo a primeira sempre de dar e a segunda podendo ser fazer, não fazer, tolerar algo no interesse público da fiscalização dos tributos, tendo o ente tributante, direito de constituir crédito em desfavor do particular . O art. 113 do Código Tributário Nacional define que “a obrigação tributária é principal ou acessória”, sendo que a principal, conforme seu § 1°, “surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente” e a acessória, conforme § 2°, “decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”, cabendo ainda uma conversão da acessória em principal, sempre que aquelas versarem sobre penas pecuniárias, no tocante ao § 3°, do art. 113 do mesmo diploma legal. Eis o disciplinamento legal: Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201003.622 S2C2T1 Fl. 425 15 Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. No que concerne ao fato gerador da obrigação principal, temos como uma situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Ocorrendo a situação, surge a obrigação recolher aos cofres públicos o tributo devido. De outro lado, o fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que impõe a prática de ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Estabelece o CTN: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Pelas definições acima, não há dúvida de que a obrigação principal e a obrigação acessória são autônomas e podem coexistir de forma independente. Para essa seara do direito tributário, não vale a máxima de que o acessório segue o principal, como sustenta o arrazoado recursal. É definida como acessória, qualquer de obrigação imposta pela legislação tributária que não seja recolher tributos.Tais obrigações formais, ditas de acessórias, não dependem da efetiva existência de uma obrigação principal. Nesse sentido, tinha o sujeito passivo o dever instrumental de elaborar folhas de pagamento incluindo todos os segurados que lhe prestaram serviços em cada mês. Deixando de fazêlo, incorreu no descumprimento da obrigação acessória de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10976.000754/200932 Acórdão n.º 2201003.622 S2C2T1 Fl. 426 16 Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 426DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11522.000280/2003-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003, 2004, 2005
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.
Havendo determinação judicial no caso específico quanto aos índices de atualização monetária, esses que devem ser aplicados pela administração.
Recurso negado.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2003, 2004, 2005
PIS - CÁLCULO NOS TERMOS LC 07/70
Conforme a Súmula nº 15 do CARF, a qual tem natureza vinculante, a base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3402-004.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: 1 - que o cálculo para apuração de eventuais indébitos de PIS seja feito considerando a base de cálculo desse tributo, na vigência da Lei Complementar 07/70, o valor nominal (portanto, sem qualquer atualização monetária) do faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador; e 2 - feitos os cálculos, tanto em relação ao Finsocial como em relação ao PIS, eventual crédito apurado (repetível) deve ser atualizado monetariamente seguindo o mandamento judicial, desde de a data de seu recolhimento até o efetivo ressarcimento, nos seguintes termos: a) ORTN (de 1964 a fevereiro/86); b) OTN (de março/86 a janeiro/89); c) BTN (de fevereiro/89 a fevereiro/91); d) INPC (de março/91 até dezembro/1991); e) após janeiro/1992, a aplicação da UFIR, nos moldes estabelecidos pela Lei nº 8.383/91; e f) a partir 01/01/1996, a correção monetária deve ser calculada exclusivamente pela taxa SELIC. Vencida a Conselheira Thais de Laurenttis Galkowicz que deu provimento em maior extensão.
assinado digitalmente
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003, 2004, 2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Havendo determinação judicial no caso específico quanto aos índices de atualização monetária, esses que devem ser aplicados pela administração. Recurso negado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2003, 2004, 2005 PIS - CÁLCULO NOS TERMOS LC 07/70 Conforme a Súmula nº 15 do CARF, a qual tem natureza vinculante, a base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Recurso parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: 1 - que o cálculo para apuração de eventuais indébitos de PIS seja feito considerando a base de cálculo desse tributo, na vigência da Lei Complementar 07/70, o valor nominal (portanto, sem qualquer atualização monetária) do faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador; e 2 - feitos os cálculos, tanto em relação ao Finsocial como em relação ao PIS, eventual crédito apurado (repetível) deve ser atualizado monetariamente seguindo o mandamento judicial, desde de a data de seu recolhimento até o efetivo ressarcimento, nos seguintes termos: a) ORTN (de 1964 a fevereiro/86); b) OTN (de março/86 a janeiro/89); c) BTN (de fevereiro/89 a fevereiro/91); d) INPC (de março/91 até dezembro/1991); e) após janeiro/1992, a aplicação da UFIR, nos moldes estabelecidos pela Lei nº 8.383/91; e f) a partir 01/01/1996, a correção monetária deve ser calculada exclusivamente pela taxa SELIC. Vencida a Conselheira Thais de Laurenttis Galkowicz que deu provimento em maior extensão. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim - Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003, 2004, 2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Havendo determinação judicial no caso específico quanto aos índices de atualização monetária, esses que devem ser aplicados pela administração. Recurso negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2003, 2004, 2005 PIS CÁLCULO NOS TERMOS LC 07/70 Conforme a Súmula nº 15 do CARF, a qual tem natureza vinculante, a base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: 1 que o cálculo para apuração de eventuais indébitos de PIS seja feito considerando a base de cálculo desse tributo, na vigência da Lei Complementar 07/70, o valor nominal (portanto, sem qualquer atualização monetária) do faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador; e 2 feitos os cálculos, tanto em relação ao Finsocial como em relação ao PIS, eventual crédito apurado (repetível) deve ser atualizado monetariamente seguindo o mandamento judicial, desde de a data de seu recolhimento até o efetivo ressarcimento, nos seguintes termos: a) ORTN (de 1964 a fevereiro/86); b) OTN (de março/86 a janeiro/89); c) BTN (de fevereiro/89 a fevereiro/91); d) INPC (de março/91 até dezembro/1991); e) após janeiro/1992, a aplicação da UFIR, nos moldes estabelecidos pela Lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 02 80 /2 00 3- 34 Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 11522.000280/200334 Acórdão n.º 3402004.063 S3C4T2 Fl. 1.163 2 nº 8.383/91; e f) a partir 01/01/1996, a correção monetária deve ser calculada exclusivamente pela taxa SELIC. Vencida a Conselheira Thais de Laurenttis Galkowicz que deu provimento em maior extensão. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente processo de declarações de compensação em que o crédito é oriundo de decisão judicial em mandado de segurança coletivo impetrado pela ACISA (Associação Comercial, Industrial de Serviços e Agrícola do estado do Acre,) que reconheceu direito à restituição das contribuições de PIS e Finsocial, apuradas nos períodos de 12/1989 a 04/1995, e de 12/1989 a 03/1992, respectivamente, as quais teriam sido recolhidas indevidamente com base nos DecretosLeis n.° 2445, de 29 de junho de 1988 e n.° 2.449, de 21 de julho de 1988, no caso do PIS, e art. 7° da Lei n° 7.787/89, art. 1° da Lei n° 7.894/89 e art. 1° da Lei n° 8.147/90 em se tratando do FINSOCIAL, declarados inconstitucionais pelo STF. Tais créditos foram compensados com débitos do SIMPLES, referentemente aos períodos 03/2002 a 06/2005. Em suma, a controvérsia girou acerca da questão dos valores de Finsocial recolhidos acima de 0,5% e a semestralidade do PIS. O SAORT da DRF Rio Branco/AC emitiu Parecer (fls. 434/445, vol 2), em 04/09/2006, em relação a todos processos de compensação (arrolados à fl. 435), reconhecendo crédito de Finsocial no montante de R$ 9.381,02, atualizado até 31/08/2006, declarando prescritos os valores recolhidos anteriormente a 10/10/1990, consoante decisão judicial. Porém, não reconheceu valor algum de PIS, e não homologou as compensações, uma vez que na decisão judicial que transitou em julgado, do TRF1 (fls. 137/153), prevaleceu o entendimento de que os créditos eventualmente apurados somente poderiam ser compensados exclusivamente com débitos vincendos da própria contribuição, nos seguintes termos (fl. 149): "...cumpre assinalar, a propósito, que, nos termos da iterativa jurisprudência do colendo Superior Tribunal de Justiça e desta Corte, os valores recolhidos indevidamente a titulo de PIS e Cofins não podem ser compensados com outros tributos federais, por terem destinações constitucionais diversas, Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 11522.000280/200334 Acórdão n.º 3402004.063 S3C4T2 Fl. 1.164 3 consoante, aliás, expressamente consignado na r. sentença monocrática." (grifei) A decisão judicial determinou, ainda, a atualização monetária na forma abaixo (fl. 150), porém ressaltou ficar "assegurado à Administração Pública a fiscalização e controle do procedimento efetivo de compensação". (fl. 153) Assim sendo, o critério de cálculo deve ser aquele cuja fórmula esteja contida no Manual de Orientação de Procedimento para os Cálculos na Justiça Federal —Resolução n°242, de 03/07/01, nos casos de repetição de indébito, como na espécie: a) ORTN (de 1964 a fevereiro/86); b) OTN (de março/86 a janeiro/89); c) BTN (de fevereiro/89 a fevereiro/91); d) INPC (de março/91 até dezembro/1991); e) após janeiro/1992, a aplicação da UFIR, nos moldes estabelecidos pela Lei nº 8.383/91; e f) a partir de janeiro de 1996, a correção monetária deve ser calculada exclusivamente pela Taxa SELIC. Já o referido Parecer calculou o indébito nos seguintes termos: Assim, utilizandose o sistema da Receita Federal denominado CTSJ — • Crédito Tributário Sub Judice, o qual permite a visualização do Demonstrativo de apuração dos débitos à alíquota de 5% (meio por cento) (fls.135), confrontadose com o Demonstrativo de Pagamentos efetuados pelo contribuinte (fls 139/143), o Demonstrativo das Vinculações Auditadas de Pagamentos (fls. 152/164) e o Demonstrativo de Amortizações (fls. 165/181), podese verificar a existência de crédito perante a Fazenda Nacional no valor de R$ 9.381,02 (nove mil, trezentos c oitenta e um reais e dois centavos), atualizados até 31/08/2006, referentes ao período de 01/11/1990 a 12/03/92 (fls. 244/245), decorrente de pagamento a maior da contribuição para o FINSOCIAL, haja vista as parcelas terem sido recolhidas com fulcro nas Leis n°7.787/89, n°7.894/89 e n° 8.147/90 eivadas de inconstitucionalidade. Dessa decisão o contribuinte manifestou sua inconformidade (fls. 461/480), alegando, em síntese, que a base de cálculo do PIS seria o faturamento nominal do sexto mês anterior ao período de apuração, portanto sem qualquer correção monetária. Quanto ao Finsocial, consignou que a decisão judicial não teria sido cumprida quanto aos índices de atualização monetária, e, por fim, alegou ser possível a compensação dos créditos com o SIMPLES, uma vez que a legislação sobre compensação foi alterada pela Lei 10.637/2002, que deu nova redação ao art. 74 da lei 9.430/96, e que foi disciplinada pela IN 600/2005, editada "após o ajuizamento da ação judicial", tendo sido permitida a compensação entre tributos de espécies diferentes. A DRJ Belém, em 28/11/2007, baixou o processo em diligência (fls. 1008/1013) para o seguinte fim: a.1) proceder aos cálculos para a liquidação dos valores do PIS, na forma acima definida (Súmula 15 do 2º CC A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 11522.000280/200334 Acórdão n.º 3402004.063 S3C4T2 Fl. 1.165 4 monetária), podendo ainda realizar novas diligências ou solicitar a apresentação de documentos; a.2) confirmar se os índices de atualização utilizados são aqueles estabelecidos na decisão judicial e, caso não sejam, refazer a atualização conforme a sentença; a.3) consolidar, em relatório circunstanciado, as informações prestadas em atendimento à presente diligência; a.4) apresentar quaisquer outras informações e anexar outros documentos que se considere úteis ou necessários ao prosseguimento do julgamento do presente processo; b) Dar ciência ao contribuinte do resultado da diligencia; c) Conceder ao impugnante o. prazo de 30 (trinta) dias para manifestarse sobre o resultado da diligencia; Em 08/08/2008, relatório de diligência da DRF Belém (fls. 1096/1097), o qual, no que interessa, averbou o que segue: Convém salientar que, tanto para o cálculo de créditos de PIS, quanto para o cálculo anteriormente efetuado para créditos de Finsocial (fls. 244), a correção obedece a sistemática da Norma de Execução n° 08/1997 e Selic após 01.01.1996, conforme tabelas apresentadas nos autos (fls. 996/1.016), atendendo assim aos ditames da decisão judicial. Sobre o resultado da diligência a empresa manifestouse na petição de fls. 1098/1105. Sobreveio a decisão da DRJ Belém (fls. 1109/1113) que julgou, em 30/10/2008, improcedente a manifestação de inconformidade. Contra aquela foi interposto recurso voluntário (fls. 1116/1129), no qual, em suma, o contribuinte argui: 1 que o cálculo do PIS, declarada a inconstitucionalidade dos DL 2.445 e 2.449, de 1988, deve ser feito nos moldes da LC 7/70, ou seja, a contribuição deve ser exigida à alíquota de 0,75% incidente sobre o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, sem que esta base imponível sofra qualquer atualização monetária, nos moldes do que preceitua o parágrafo único do art. 6º da LC 07/70, acostando escólio jurisprudencial administrativo que vai ao encontro de sua assertiva; 2 que a Norma de Execução 08/1997, não teria incorporado em seus índices os expurgos inflacionários, devendo o crédito ser atualizado consoante decidido judicialmente, que transcreve no ponto, vale dizer, "deve ser elaborada com base na variação dos índices do IPC e do INPC, ambos editados pelo IBGE, índices oficiais de inflação como a UFIR no período de jan/1992 a dez/1995 e pela taxa SELIC, a partir de 01/01/1996; 3 por fim, ser possível a compensação de quaisquer tributos administrados pela RFB, sob o fundamento de que a legislação sobre compensação foi alterada pela Lei 10.637/2002, regulamentada pelas IN SRF 210/2002 e 600/2005, que entende deva "ser aplicada no momento da declaração de compensação à época do pedido". Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 11522.000280/200334 Acórdão n.º 3402004.063 S3C4T2 Fl. 1.166 5 Vieramme os autos em sorteio realizado em 22/07/2016. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Quanto à impossibilidade de compensação de créditos de PIS/Finsocial, a decisão afrontada, bem como a decisão local, estão corretas, pois elas fizeram o que foi determinado pela decisão judicial que transitou em julgado, a qual foi expressa nesse tópico, consoante transcrito alhures no relatório. E nela restou perfeitamente determinado que os créditos que viessem a ser apurados pela Administração só poderiam ser compensados com contribuições da mesma espécie, o que, por óbvio, exclui a possibilidade de compensação com débitos do SIMPLES. Ou seja, houve apenas a aplicação do decidido judicialmente. Portanto, a questão sob análise não tem a ver com a legislação superveniente ao ajuizamento da ação judicial, como quer fazer crer a recorrente, nem tampouco com a legislação vigente ao tempo do pedido administrativo. Isso porque, in casu, o pleito de reconhecimento de crédito, e compensação, teve como título uma decisão judicial, a qual o Fisco tem o dever de seguíla em todos seus contornos. Em consequência, mantenho a não homologação das compensação que tiveram o crédito decorrente da referida decisão judicial, pois que esta só permitiu que compensação dos valores ressarcíveis só pudessem ser objeto de compensação com tributos de mesma natureza, no caso contribuições previdenciárias. Assim, dessumese que a decisão judicial, lei entre as parte, não permitiu compensação de eventual valor repetível com o SIMPLES, sistema de tributação simplificado que abarca vários tributos. Mas, gizese, a contradição da recorrente, que quando lhe convém, como em relação aos índices de atualização monetária, postula, corretamente, a aplicação da decisão judicial, mas quando não, quer que a Administração a descumpra com base em norma que já vigia quando da decisão trânsita em julgado, para que lhe seja homologada a compensação com o SIMPLES, ao arrepio daquele decisum. PISFATURAMENTO Quanto ao cálculo dos valores a serem eventualmente ressarcíveis de PIS faturamento, até porque passados mais de 13 anos do protocolo do presente pedido, a questão hoje está totalmente pacificada no âmbito deste sodalício, inclusive estando por este sumulada conforme os termos abaixo transcrito, a qual é vinculante, pelo que deve ser, obrigatoriamente, seguida por toda Administração Tributária. Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Portanto, é de ser provido o recurso para que a autoridade local refaça os cálculos, nos termos da Lei Complementar 07/70, considerando como base de cálculo dos períodos de apuração sob análise o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem incidência de qualquer índice de correção monetária, ou, em outros termos, pelo valor nominal do faturamento do sexto mês anterior. Tudo conforme o enunciado da transcrita Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 11522.000280/200334 Acórdão n.º 3402004.063 S3C4T2 Fl. 1.167 6 súmula. Refeito os cálculos nesses termos, restando crédito a ressarcir, os mesmos devem ser atualizados monetariamente conforme na sequência se determina. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS Como relatado, os valores foram corrigidos monetariamente conforme o teor da Norma de Execução RFB COSIT/COSAR 08/1997. De sua feita, a decisão judicial determinou a atualização monetária de possíveis indébitos com os seguintes índices: a) ORTN (de 1964 a fevereiro/86); b) OTN (de março/86 a janeiro/89); c) BTN (de fevereiro/89 a fevereiro/91); d) INPC (de março/91 até dezembro/1991); e) após janeiro/1992, a aplicação da UFIR, nos moldes estabelecidos pela Lei nº 8.383/91; e f) a partir de janeiro de 1996, a correção monetária deve ser calculada exclusivamente pela Taxa SELIC. Verificase, portanto, que, para efeitos de atualização monetária dos créditos sujeitos à restituição/compensação ora em questão, a autoridade administrativa utilizouse dos índices específicos instituídos por meio da Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar nº 8, de 1997. Acontece, porém, que essa matéria foi tratada no Parecer PGFN/CRJ nº 2.601, aprovado pelo PGFN em 20/11/2008, o qual submetido à apreciação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda, sendo por este aprovado, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, do que decorreu a expedição do Ato Declaratório nº 10, de 1/12/2008, do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, que assim dispõe, verbis: “(...) DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: ‘nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução no 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007.’” Assim, a questão foi posteriormente alterada em favor do contribuinte, mesmo no âmbito administrativo. Contudo, como a repetição teve por fundamento decisão judicial, é nos termos específicos desta que deve ser feita a atualização monetária quer de eventuais valores de Finsocial, quer de valores de PIS (nos termos suso expostos). Ante o exposto, dou provimento parcial ao recurso para: 1 que o cálculo para apuração de eventuais indébitos de PIS seja feito considerando a base de cálculo desse tributo, na vigência da Lei Complementar 07/70, o valor nominal (portanto, sem qualquer atualização monetária) do faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador; 2 feitos os cálculos, tanto em relação ao Finsocial como em relação ao PIS, eventual crédito apurado (repetível) deve ser atualizado monetariamente seguindo o mandamento judicial, desde de a data de seu recolhimento até o efetivo ressarcimento, nos seguintes termos: a) ORTN (de 1964 a fevereiro/86); b) OTN (de março/86 a janeiro/89); c) BTN (de fevereiro/89 a fevereiro/91); d) INPC (de março/91 até dezembro/1991); e) após Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 11522.000280/200334 Acórdão n.º 3402004.063 S3C4T2 Fl. 1.168 7 janeiro/1992, a aplicação da UFIR, nos moldes estabelecidos pela Lei nº 8.383/91; e f) a partir 01/01/1996, a correção monetária deve ser calculada exclusivamente pela taxa SELIC. É como voto. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1168DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000759/2005-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003, 31/07/2003, 31/10/2003, 30/01/2004, 30/04/2004, 30/07/2004, 31/10/2004, 10/02/2005
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL.
É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.158-35/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001.
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/ 2001.
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-004.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à Unidade de Origem verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à Unidade de Origem verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune”, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.15835/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIF PAPEL IMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 59 /2 00 5- 33 Fl. 226DF CARF MF Processo nº 19515.000759/200533 Acórdão n.º 9303004.953 CSRFT3 Fl. 227 2 reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à Unidade de Origem verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 330200.519, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, o qual deu parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, para cancelar o lançamento em face do erro no fundamento da multa aplicada relativo ao atraso na entrega da DIFPapel Imune. O acórdão recorrido entendeu que, antes da edição da MP 451/2008, aplicavase a multa do art. 507 do RIPI/2002 e não a prevista no art. 505, também do RIPI, como foi o caso dos autos. Transcrevo a ementa do referido Acórdão: (...) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CRIADA PELA RFB. PENALIDADE APLICÁVEL. Antes da edição da Medida Provisória n° 451/2008, a falta de apresentação de DIF Papel Imune no prazo estabelecido na legislação enseja a aplicação da multa prevista no art. 507 do RIPI/2002 e não a prevista do art. 505, também do RIPI/02. Recurso Voluntário Provido. Irresignada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso, sustentando que o descumprimento de obrigações acessórias enseja a aplicação da multa prevista no art. 505 do RIPI/02, com fundamento legal no art. 57, I, da Medida Provisória 2.15835/2001. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade às fls. 217 a 219. É o Relatório. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 19515.000759/200533 Acórdão n.º 9303004.953 CSRFT3 Fl. 228 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF (Despacho de admissibilidade às fls. 217 a 219). A recorrente alega divergência em relação à imposição da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune, apresentando como paradigmas os Acórdãos 20403.437 e 20218.446. Enquanto o acórdão recorrido entendeu que, antes da edição da MP 451/2008, aplicavase a multa do art. 507 do RIPI/2002 e não a prevista no art. 505, também do RIPI, o paradigma decidiu de forma diversa: a não apresentação, ou a apresentação da DIF Papel Imune após os prazos estabelecidos para a entrega dessa declaração sujeitaria o contribuinte à imposição da multa prevista no art. 57 da MP n° 2.15835, ou seja, àquela penalidade prevista no art. 505 do RIPI/2002. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da multa de ofício pelo atraso na entrega da declaração DIFPapel Imune. No presente processo o sujeito passivo foi autuado pelo descumprimento de obrigação acessória, correspondente à apresentação de DIFPapel Imune. Verificada a omissão, a fiscalização calculou a multa aplicável em função do número de meses de atraso de cada declaração, conforme determina o art. 57, inciso I, da MP 2.15835/2001 c/c art. 16 da Lei 9.779/99. Não há que se falar em erro material no lançamento efetuado. O Auto de Infração utilizou como fundamento legal o art. 57, I, da Medida Provisória n. 2.15835/2001 (art. 505 do RIPI/2002), combinado com o art. 16 da Lei n° 9.779/98 (art. 212 do RIPI/02). Também não há a especificidade alegada pelo acórdão a quo do art. 368, que prevaleceria sobre a legislação que alcança toda e qualquer obrigação acessória. O referido artigo regulamentar não dispõe especificamente sobre a obrigação de apresentação de DIF Papel Imune no prazo legal, mas apenas de informações adicionais, não havendo, assim, que se falar em prevalência da norma especial sobre a norma geral. Concluise, portanto, pela inexistência de qualquer erro material no lançamento efetuado. A matéria já é bastante conhecida nesta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, inclusive com um voto de minha lavra (Acórdão nº 9303003.399), no sentido de aplicar o instituto da retroatividade benigna com redução da multa, nos moldes do art. 1º, § 4º, inciso II, da Lei 11.945/09. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 19515.000759/200533 Acórdão n.º 9303004.953 CSRFT3 Fl. 229 4 A presente controvérsia deve ser analisada sob o ponto da legalidade dos atos normativos e por consequência da multa aplicada. Transcrevese abaixo a fundamentação legal que ampara a autuação perpetrada: Lei nº 9.779, de 19/01/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória 2.15835/2001 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Instrução Normativa/SRF nº 71, de 24/08/2001 Art. 1° Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. (...) Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (...) Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 19515.000759/200533 Acórdão n.º 9303004.953 CSRFT3 Fl. 230 5 Instrução Normativa/SRF nº 159, de 15/05/2002 Art. 2° A apresentação da DIF Papel Imune deverá ser realizada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações referentes a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica que operarem com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Parágrafo único. A apresentação da DIFPqpel Imune é obrigatória, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. (grifei) Portanto, se a contribuinte adquire e utiliza o papel imune, ela estaria obrigada a apresentar as informações solicitadas pela Receita ao amparo do disposto no art. 16 da Lei nº 9.779/99, acima transcrito. Descumprindo esta obrigatoriedade, estaria sujeita à aplicação da multa prevista no art. 57 da MP nº 2.15835/ 2001. Confirmase, assim, que a multa aplicada possui todo um arcabouço legal a lhe dar fundamento de validade. Discussões a respeito de eventuais inconstitucionalidades dos dispositivos legais acima citados, como pede o contribuinte, não são permitidas a este corte de julgamento, a teor do que dispõe a súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No entanto, a Lei nº 11.945/2009 trouxe substancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial referente ao controle das operações realizadas com papel imune. Dispõe o seu art. 1º: Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1º A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2º O disposto no § 1º deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2º do art. 2º e no § 15 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 19515.000759/200533 Acórdão n.º 9303004.953 CSRFT3 Fl. 231 6 § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5º Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º deste artigo será reduzida à metade. A nova legislação alterou a sistemática de aplicação da penalidade, afastando a imposição da penalidade aplicada por mês calendário de atraso, como previa o art. 57 da MP nº 2.15835/2001, passando a cominar multa única no caso de falta de apresentação da DIF Papel Imune no prazo estabelecido. O art. 1º da Lei nº 11.945, de 4/6/2009, produziu efeitos a partir de 16/12/2008. No entanto, tendo em vista que o presente processo encontrase pendente de julgamento, há que se considerar a norma benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que, ao tratar da aplicação da legislação tributária, dispõe, verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei 11.945/2009, resultando na manutenção de multas para cada uma das DIFs Fl. 231DF CARF MF Processo nº 19515.000759/200533 Acórdão n.º 9303004.953 CSRFT3 Fl. 232 7 PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, cabendo à unidade preparadora verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/ EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 232DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.724677/2013-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros deste Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros deste Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 24 67 7/ 20 13 -6 8 Fl. 6545DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Resolução nº 1301000.298 S1C3T1 Fl. 12 2 Relatório Tratase de auto de infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 5.494 a 5.501), lavrado para formalização de exigência de crédito tributário no montante de R$ 18.930.455,73 (valores de principal, multa e juros). O presente auto de infração foi apartado do processo nº 19647.010752/201091, no qual são tratados os lançamentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL), por determinação da DRJ/Recife (fls. 6.354/6.355). Aquela Delegacia de Julgamento justificou sua determinação informando que, de acordo com o Relatório da Auditoria Fiscal (fls. 5.503/5.513), ainda que não tivesse ocorrido a suspensão da isenção tributária do IRPJ e da CSLL, a fiscalizada estaria irregular em relação à Cofins porquanto suas receitas seriam oriundas de atividades não próprias e, em decorrência, sujeitas à incidência da contribuição. Entretanto, a empresa nada declarou nem pagou, além de ter entregado os Dacon’s zerados. Sendo assim, embora os lançamentos decorram dos mesmos fatos, entendeu aquele órgão julgador ser o caso de apartação dos autos. A Contribuinte foi cientificada dos lançamentos em 16/03/2010 (conforme Aviso de Recebimento, fl. 5.548) e apresentou uma única peça impugnatória em 15/04/2011, reproduzida nas fls. 5.551/5.593, em decorrência da apartação. No presente Voto, serão tratadas as razões de impugnação que interessam ao lançamento da Cofins, sob controle no presente processo. As demais razões de impugnação, de interesse exclusivo da suspensão de isenção e, eventualmente, dos lançamentos de IRPJ e CSLL, foram tratadas no processo nº 19647.010752/201091, no bojo do qual são discutidas tais matérias. Os fundamentos da peça recursal que interessam ao lançamento em exame são, em síntese, os seguintes: • Nos termos do art. 150 § 4º c/c art. 156, IV, ambos do Código Tributário Nacional, parte do crédito tributário relativo à Cofins (Períodos de Apuração Janeiro/2006 e Fevereiro/2006) está alcançada pela decadência, vez que o lançamento foi cientificado em 16/03/2011. • A FADE é responsável somente pela gestão administrativa e financeira dos recursos provenientes dos contratos, convênios e acordos ou outros instrumentos jurídicos firmados com instituições privadas e/ou públicas para execução de atividades técnicas e acadêmicas. Os serviços que são objetos desses contratos/convênios são realizados, na quase sua totalidade, pelo corpo docente, técnico e discente da UFPE. • Portanto, nem todos os recursos que nela ingressaram, no ano calendário de 2006, podem ser considerados como receitas próprias. Fl. 6546DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Resolução nº 1301000.298 S1C3T1 Fl. 13 3 • Na qualidade de interveniente dos convênios/contratos, a FADE procura gerir os recursos provenientes desses mesmos convênios/contratos; tendo como concedente a entidade contratante e executor, a UFPE. • O Autuante entendeu que os rendimentos de aplicações financeiras efetuadas em conta bancária vinculada à efetivação do convênio/contrato seriam de titularidade da FADE quando, na realidade, são receitas vinculadas e pertencentes aos convênios/contratos e, como tal, não são rendimentos da FADE, que atua apenas como intermediária entre a instituição financeira e a entidade a que diz respeito o convênio/contrato. • As receitas financeiras oriundas das aplicações dos recursos dos convênios/contratos têm finalidade específica, qual seja, a execução do objeto dos mesmos, por isso não podem ser entendidas como receitas da Impugnante. • A fiscalização não teria compreendido o modus operandi da FADE, especialmente no que concerne aos aspectos contábeis que envolvem suas operações. • Por não ter entendido o funcionamento das contas contábeis, a autoridade fiscal teria cometido erros na determinação da base de cálculo decorrente de rendimentos de aplicações financeiras, considerando em duplicidade tais rendimentos. • O Autuante adiciona na planilha “Demonstrativo dos Resultados Trimestrais Apurados pela Fiscalização”, na linha 05, “serviços de informática”, mas tais valores já compõem a conta 40103 – Receitas de Convênios, o que resulta, também, em duplicidade. A DRJ/DELO HORIZONTE (MG) decidiu a matéria consubstanciada no Acórdão 0249.427, de 30 de setembro de 2013, julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO DECADENCIAL. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que não há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia ter sido realizado. COFINS. FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO. ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Estão isentas de COFINS somente as receitas relativas às atividades próprias das fundações de direito privado, assim Fl. 6547DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Resolução nº 1301000.298 S1C3T1 Fl. 14 4 entendidas as receitas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, nas quais não se incluem as receitas de prestação de serviços que têm caráter contraprestacional. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS APURADOS SOBRE INSUMOS DIRETAMENTE APLICADOS NA PRODUÇÃO/PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DIREITO AO DESCONTO. CONDIÇÃO. O aproveitamento de créditos na sistemática não cumulativa requer a demonstração de sua liquidez e certeza, pelo sujeito passivo, segundo as condições legais de apuração e desconto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2006 COFINS.TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IRPJ. DECISÃO. CONEXÃO. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. NEGAÇÃO. Negase o pedido de perícia/diligência quando prescindível à solução da lide. É o relatório. Fl. 6548DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Resolução nº 1301000.298 S1C3T1 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Relator O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Constatase do relatório e voto recorrido que a contribuinte/recorrente teve contra si Ato Declaratório Executivo que determinou sua suspensão da isenção tributária e, autos de infração exigindo IRPJ, CSLL e COFINS no ano calendário de 2006, em decorrência da própria suspensão da isenção. O presente processo trata especificamente da exigência relativa à COFINS. De se ressaltar que, inicialmente todas as exações compunham o processo nº 19647.010752/201091. Não obstante, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife determinou o desmembramento do auto de infração da COFINS para este processo, justificando que de acordo com o Relatório da Auditoria Fiscal, ainda que não tivesse ocorrido a suspensão da isenção tributária do IRPJ e da CSLL, a fiscalizada estaria irregular em relação à Cofins porquanto suas receitas seriam oriundas de atividades não próprias e, em decorrência, sujeitas à incidência da contribuição. Pois bem. Preliminarmente, fazse necessário investigar a competência para julgamento por esta Corte Administrativa de acordo com a especialização por matéria, nos termos expressos na atual Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF). Compulsando os autos, verificase que 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, mediante o acórdão nº 3401002.830, de 11/12/2014 (fls. 6541/6542), decidiu nestes autos por “não conhecer do recurso voluntário para declinar, em favor da Primeira Seção de Julgamento, para onde os autos devem ser encaminhados em conformidade com sua a competência de julgálo". Seu fundamento para assim decidir foi o inciso IV do art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF então em vigor (aprovado pela Portaria MF nº 256/2009). Para maior clareza, transcrevo, a seguir, o mencionado dispositivo do regimento pretérito: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em Fl. 6549DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Resolução nº 1301000.298 S1C3T1 Fl. 16 6 fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; [...] Ocorre que sobreveio alteração nessa delimitação da especialização por matérias, em face do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Eis o novo teor do inciso IV do art. 2º do Anexo II: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; (g.n) [...] Observese a diferença entre a redação pretérita e a atual: antes, para a caracterização da COFINS como reflexo do IRPJ (e, portanto, submetido à especialização por matéria da 1ª Seção) somente se requeria que a exigência estivesse lastreada nos mesmos fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação de IRPJ. Por outro lado, a nova redação é expressa ao determinar, além da base nos mesmos elementos de prova, que as exigências estejam formalizadas em um mesmo processo administrativo fiscal. Em outras palavras, não se admite a “atração” da COFINS quando se trata de processos administrativos fiscais distintos. Diante disso, concluo que o processo sob análise não se inclui entre as competências desta Primeira Seção de Julgamento, mas sim, entre aquelas da Terceira Seção de Julgamento, ex vi do inciso I do art. 4º do Anexo II do RICARF atualmente em vigor: Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: I Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, inclusive quando incidentes na importação de bens e serviços; (...) Ressalto, finalmente, que entendo não se tratar de conflito negativo de competência, em face da superveniência de novo regimento interno, dispondo sobre a matéria de modo diferente. Fl. 6550DF CARF MF Processo nº 10480.724677/201368 Resolução nº 1301000.298 S1C3T1 Fl. 17 7 Por todo o exposto, voto no sentido do encaminhamento do processo para a Terceira Seção de Julgamento deste CARF, para o julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 6551DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001817/2003-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2001, 31/05/2001, 31/07/2001, 28/02/2002
31/03/2002
COFINS. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO.
Tendo o sujeito passivo obtido decisão transitada em julgado - norma individual e concreta, cabe à autoridade administrativa respeitar o que restou decidido de forma definitiva no Poder Judiciário - que, por sua vez, concluiu pela constitucionalidade da incidência da Cofins sobre as receitas decorrentes de venda e locação de imóveis, considerando a atividade do sujeito passivo e pela inconstitucionalidade da incidência da Cofins sobre outras receitas que não decorrentes exclusivamente da venda de mercadorias e da prestação de serviços.
Numero da decisão: 9303-005.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. Tendo o sujeito passivo obtido decisão transitada em julgado norma individual e concreta, cabe à autoridade administrativa respeitar o que restou decidido de forma definitiva no Poder Judiciário que, por sua vez, concluiu pela constitucionalidade da incidência da Cofins sobre as receitas decorrentes de venda e locação de imóveis, considerando a atividade do sujeito passivo e pela inconstitucionalidade da incidência da Cofins sobre outras receitas que não decorrentes exclusivamente da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 17 /2 00 3- 75 Fl. 633DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 220100.075, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2001, 31/05/2001, 31/07/2001, 28/02/2002, 31/03/2002 LANÇAMENTO EFETUADO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DEPÓSITOS JUDICIAIS. ARTIGO 63 DA LEI 1\1° 9.430/96. ARTIGO 49 DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 449/2008. APLICAÇÃO DE LEI Nº NOVA A FATOS PRETÉRITOS. REGRA DO ARTIGO 106 DO CTN, INCISO I. A lei aplicase a ato ou fato pretérito em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa e, em se tratando de ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão. No caso, o lançamento fora efetuado apenas para prevenir a decadência, em face de ação judicial por meio da qual a autuada efetuara depósitos em seu montante integral, e a lei nova diz que não mais necessário o lançamento de oficio para prevenir a decadência. ” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Quanto à aplicação do art. 49 da MP 449/2008, entendese que seus efeitos, segundo as noções de direito intertemporal, alcançam tão Fl. 634DF CARF MF Processo nº 18471.001817/200375 Acórdão n.º 9303005.281 CSRFT3 Fl. 655 3 somente as DCTF'S apresentadas após a sua vigência, não abrangendo as declarações prestadas em período anterior à sua edição; · Assim, a DCTF, na qualidade de obrigação tributária acessória que impõe uma prestação positiva do contribuinte, constituise em verdadeiro ato jurídico que se consuma no momento da sua apresentação a fiscalização, quando se transmuda em ato jurídico perfeito; · Nesse sentido, é lógico entender que às declarações consignadas na DCTF se aplicam as disposições da legislação tributária vigentes à época da sua apresentação fiscalização; · Assim, os lançamentos formalizados com base em diferenças apuradas em DCTF devem ser mantidos, não lhes atingindo as novas disposições do art. 49 da MP 449/2008; · Entendimento contrário, ou seja, pelo cancelamento de tais lançamentos sob o argumento de que haveria retroatividade do citado art. 49, contraria todo o sistema jurídico vigente, especialmente a garantia de segurança na estabilidade das relações jurídicas prevista no art. 6º da LICC. Em Despacho às fls. 556/557, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido, após apreciação do Presidente da 4ª Câmara em exercício à época. Contrarrazões foram apresentadas pela Multiplan Empreendimentos Imobiliários S.A., trazendo, em breve síntese, que: · O acórdão recorrido trouxe que o r. art. 49 seria aplicável ao caso em razão de ter caráter meramente interpretativo, nos termos do que dispõe o inciso I, do art. 106, inciso I, do CTN: “Art. 106. A Lei aplicase a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” · E, ainda antes do advento da MP 449/08, o entendimento pacífico do STJ era no sentido de que o depósito judicial do tributo devido Fl. 635DF CARF MF 4 corresponde a um ato de constituição do respectivo crédito tributário e, por conta disso, já previne a decadência do direito de a Fazenda Nacional em exigir o referido tributo. · O art. 49 da MP 449/08 não criou uma regra nova, mas simplesmente interpretou o art,. 63 da Lei 9.430/96 em conformidade com o entendimento já pacificado pelo STJ no sentido de que, na medida em que o depósito judicial configura modalidade de lançamento, seria descabido lançamento de ofício para constituir débitos tributários objeto de depósito judicial Requer, por fim, o sujeito passivo, que: · Seja julgado improcedente o Recurso Especial da Fazenda nacional; · Senão isso, sejam os autos do processo remetidos à 3ª Seção do CARF, para que esta aprecie o argumento de mérito que restou prejudicado quando do julgamento do seu recurso voluntário. Posteriormente, traz o sujeito passivo que: · O auto foi lavrado com exigibilidade suspensa por conta de depósitos judiciais efetuados no Mandado de Segurança (MS) na 99.00064542, por meio do qual discute a incidência do PIS sobre as receitas decorrentes de venda e locação de imóveis e quaisquer outras receitas que não configurem vendas de mercadorias e serviços, em razão do alargamento da base de cálculo da referida contribuição pelo art. 3º da Lei 9.718/98; · Em 05.03.2009, por meio do acórdão 220100.076, a lª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, decidiu pelo cancelamento do AUTO, por entender que a existência de depósito judicial dos valores nele lançados tornaria desnecessária a sua lavratura.; · Contra o referido Acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, cujo julgamento por esta E. 3ª Turma da CSRF foi pautado para próxima quartafeira (dia 07.12.2016); · Ocorre que o auto reconhece que a Cofins estava com exigibilidade suspensa por conta de depósitos judiciais efetuados no MS Fl. 636DF CARF MF Processo nº 18471.001817/200375 Acórdão n.º 9303005.281 CSRFT3 Fl. 656 5 99.00059328, por meio do qual se discutiu a incidência da Cofins sobre as receitas de aluguel e outras que não estariam abarcadas como faturamento; · Em razão do referido transito em julgado, já foi determinada a conversão em renda a favor da União dos valores depositados. · Ocorre que: a) em 09.02.2009, transitou em julgado a decisão final proferida nos autos do MS; b) em razão do referido transito em julgado, já foi determinada a conversão em renda a favor da União dos valores depositados, assim como a expedição de alvará de levantamento de eventual saldo remanescente pela PETICIONÁRIA. Considerando tal documento, essa Conselheira emitiu Despacho, trazendo, entre outros: “[...] Em atenção ao Recursos Especial e visando melhorar a transparência dos autos a todas as partes envolvidas para o deslinde das questões envolvendo o auto de infração lavrado, tendo em vista que houve a juntada de documentos (decisão transitada em julgado proferida nos autos do mandado de segurança nº 99.00064542) essenciais, segundo o sujeito passivo, a resolução da questão, vez que concluiu: (i) Pela constitucionalidade da incidência do PIS sobre as receitas decorrentes de venda e locação de imóveis, e (ii) Pela inconstitucionalidade da incidência do PIS sobre outras receitas que não decorrentes exclusivamente da venda de mercadorias e da prestação de serviços E, inclusive, já foi determinada a conversão em renda a favor da União dos valores depositados e expedição de alvará de levantamento de saldo remanescente. PROPÕESE que os autos RETORNEM à Secretaria da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais para vistas à PGFN a fim de se manifestar, se for o caso, acerca dos novos documentos juntados. [...]” A Fazenda Nacional, em análise, traz: “[...] Qualquer ato ou fato que possa ocasionar a desistência ou mesmo a prejudicialidade do recurso especial já interposto e admitido (ainda que Fl. 637DF CARF MF 6 preliminarmente) tem que restar cabalmente comprovado nos autos e de forma idônea, consoante a legislação que rege a matéria. E isso não ocorreu no presente caso. Assim, considerada a extemporaneidade da comunicação (em 2016 quando os fatos ocorreram entre 2009 e 2010 segundo os documentos juntados pelo recorrido), a falta de declaração de autenticidade pelo advogado das reproduções colacionadas a este feito, e a falta de correlação entre os documentos juntados e a causa, a Fazenda Nacional RATIFICA o recurso especial outrora interposto e pugna pelo seu regular processamento. [...]” É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que deva ser conhecido, eis que se trata de recurso especial fundado no artigo 7°, inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais — RICSRF, aprovado pela Portaria MF 147/07 c/c art. 4° da Portaria MF 256/09, vigente à época, interposto em face do acórdão nº 220100.075, proferido em 5.3.09, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, por aplicação do disposto no art. 106, inciso I do CTN, em face da superveniência do art. 49 da Medida Provisória n° 449/2008. Recordase que o aresto foi decidido por maioria de votos, um dos requisitos desta modalidade recursal à época vigente, e, respeitante à violação de disposições legais, a peça manejada, segundo a autoridade fazendária, arrola atos legais inobservados no julgado sob vergasta, atendendo, também, ao pressuposto de contrariedade â lei exigido para seu cabimento. É de se atentar que tal regra de admissibilidade, ainda que não previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343/2015, especificamente no art. 67 do Anexo II, deve ser observado, nos termos do art. 3º da Portaria 343/2015, in verbis: Fl. 638DF CARF MF Processo nº 18471.001817/200375 Acórdão n.º 9303005.281 CSRFT3 Fl. 657 7 “Art. 3º Os recursos com base no inciso I do caput do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento.” Sendo assim, o recurso especial deverá, nos termos do art. 3º daquele ato normativo, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria n° 147, de 25/06/2007 (RICSRF). Ventiladas tais considerações, passo a analisar o cerne da lide – qual seja, se: · O art. 49 da MP 449 não seria aplicável ao caso, vez que a legislação aplicável aos débitos informados na DCTF é aquela vigente à época de sua apresentação; · O art. 49 da MP 449/08 não poderia justificar o cancelamento de ato jurídico perfeito consolidado com base na legislação vigente à época de sua constituição, ainda que a legislação permitisse sua aplicação retroativa; · A limitação das hipóteses em que o ato de lançamento pode ser realizado deve ser sempre feita restritivamente, em razão de ser ele ato administrativo vinculado e obrigatório. Para melhor elucidar os fatos, importante ressurgir que a autoridade fazendária lavrou auto de infração para constituir crédito tributário correspondente à diferença entre a Cofins escriturada e os valores por ela declarados em DCTF, relativas aos meses de janeiro, maio e julho de 2001 e fevereiro e março de 2002. A lavratura do auto se deu exclusivamente para prevenir decadência e sem a incidência de multa de oficio, já que a Cofins nele lançada está com sua Fl. 639DF CARF MF 8 exigibilidade suspensa por força de depósitos efetuados nos autos do Mandado de Segurança nº 99.00059328. No que tange aos depósitos efetuados, tenho que a existência de depósito judicial dos valores lançados torna desnecessária a lavratura do auto de infração, nos termos do art. 49 da MP 449/08 (convertida na Lei 11.941/09), in verbis (Grifos meus): “Art. 49. Para efeito de interpretação do art. 63 da Lei no 9.430, de 1996, prescinde do lançamento de ofício destinado a prevenir a decadência, relativo ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, o crédito tributário cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso II do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional.” Inegável que, com tal dispositivo, restou claro que se há depósito integral do tributo discutido em demanda judicial – estará obstada a lavratura do auto de infração – o que, por conseguinte, é de se entender que tal depósito judicial encerra verdadeiro lançamento tributário do valor depositado. Quanto ao seu efeito, impossível ignorar a literalidade da norma “Para efeito de interpretação do art. 63 da Lei nº 9.430” – o que resta acompanhar o entendimento proferido pelo colegiado do acórdão recorrido. Frisese esse entendimento o disposto na exposição de motivos dessa Medida Provisória: “46. O art. 49 procura pacificar as discussões doutrinárias e jurisprudenciais sobre a necessidade de lançamento de ofício para evitar a decadência tributária, nas hipóteses em que há depósito judicial em montante integral. O novel dispositivo perfilase com decisões reiteradas dos tribunais superiores, de forma a evitar que várias ações judiciais sejam propostas desnecessariamente.” Ademais, é de se mencionar que tal entendimento está condizente com o emitido pela Procuradoria da Fazenda Nacional – Parecer PGFN/CAT 968/2011 – o que peço licença para transcrever trechos: “[...] Fl. 640DF CARF MF Processo nº 18471.001817/200375 Acórdão n.º 9303005.281 CSRFT3 Fl. 658 9 28. Abramse parênteses para analisar o depósito integral do montante da exação devida. O C. Superior Tribunal de Justiça entende que “os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exeqüendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta”. (STJ, REsp no 1.140.956/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 03/12/2010). [...] À vista do aduzido, concluise que: [...] h) quanto ao depósito integral do montante da exação devida em demanda judicial, o STJ entende que, se houve ajuizamento desta anteriormente à execução fiscal, está obstada a própria lavratura do auto de infração, o que tem correspondência no entendimento de que tal depósito judicial encerra verdadeiro lançamento tributário do valor depositado. [...]” Vêse ainda que o próprio art. 63 da Lei 9.430/96 ao trazer a possibilidade de constituição de crédito tributário pela autoridade fazendária para prevenir a decadência não contempla a hipótese do art. 151, inciso II, do CTN – que trata do depósito integral. Sendo assim, ainda que na conversão da MP 449/08 na Lei 11.941/09 tal dispositivo não mais tenha sido contemplado, pois se tratava de mera norma interpretativa, é de se considerar que o depósito judicial integral obsta a lavratura do auto de infração. Fl. 641DF CARF MF 10 No que tange à DCTF, importante trazer que a retificação da DCTF adequando a informação do crédito tributário foi efetivamente considerado no sistema da Receita Federal do Brasil, o que resta também considerar tal informação. Nessa seara, entendo que a informação do crédito lá apresentado constitui definitivamente o crédito tributário, em respeito ao art. 5º, § 1º, do Decreto 2.124/84: “Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito.[...]” Frisese tal entendimento o decidido em Recurso Especial 1.120.295/SP – sede de repetitivo que traz que a entrega de DCTF constitui o crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência. Eis o que segue (Grifos meus): “EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO DE O FISCO COBRAR JUDICIALMENTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE FORMALIZAÇÃO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE (IN CASU, DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS). PAGAMENTO DO TRIBUTO DECLARADO. INOCORRÊNCIA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECLARADA. PECULIARIDADE: DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS QUE NÃO PREVÊ DATA POSTERIOR DE VENCIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, UMA VEZ JÁ DECORRIDO O PRAZO PARA PAGAMENTO. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 18471.001817/200375 Acórdão n.º 9303005.281 CSRFT3 Fl. 659 11 CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL A PARTIR DA DATA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. 1. O prazo prescricional qüinqüenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário contase da data estipulada como vencimento para o pagamento da obrigação tributária declarada (mediante DCTF, GIA, entre outros), nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que, não obstante cumprido o dever instrumental de declaração da exação devida, não restou adimplida a obrigação principal (pagamento antecipado), nem sobreveio quaisquer das causas suspensivas da exigibilidade do crédito ou interruptivas do prazo prescricional (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 658.138/PR, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministra Eliana Calmon, julgado em 14.10.2009, DJe 09.11.2009; REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008; e AgRg nos EREsp 638.069/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 25.05.2005, DJ 13.06.2005). 2. A prescrição, causa extintiva do crédito tributário, resta assim regulada pelo artigo 174, do Código Tributário Nacional, verbis : "Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva . Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I pela citação pessoal feita ao devedor; I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (Redação dada pela Lcp nº 118, de 2005) II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor." Fl. 643DF CARF MF 12 3. A constituição definitiva do crédito tributário, sujeita à decadência, inaugura o decurso do prazo prescricional qüinqüenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito tributário. 4. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação), é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 5. O aludido entendimento jurisprudencial culminou na edição da Súmula 436/STJ, verbis : "A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco." [...]” Tal decisão há de ser observada pelos Conselheiros, conforme art. 62, § 2º, Anexo II, do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Dessa forma, votaria por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e negarlhe provimento. Não obstante, é de se considerar que houve decisão transitada em julgado nos autos do MS ora impetrado – o que se reveste de norma individual e concreta, devendo ser obrigatoriamente observada por essa Conselheira. Sendo assim, tendo a decisão concluído: Fl. 644DF CARF MF Processo nº 18471.001817/200375 Acórdão n.º 9303005.281 CSRFT3 Fl. 660 13 · Pela constitucionalidade da incidência da Cofins sobre as receitas decorrentes de venda e locação de imóveis, considerando a atividade do sujeito passivo e · Pela inconstitucionalidade da incidência da Cofins sobre outras receitas que não decorrentes exclusivamente da venda de mercadorias e da prestação de serviços E, inclusive, já determinando a conversão em renda a favor da União dos valores depositados e expedição de alvará de levantamento de saldo remanescente. Sendo assim, considerando a decisão transitada em julgado, cabe a autoridade administrativa respeitar o que restou decidido de forma definitiva no poder Judiciário. Lembrando que, haja vista que os débitos objeto do lançamento ora discutido foram objeto de conversão em renda a favor da União, devem ser considerados pela DRF para fins de se considerar, se for o caso, extintos, nos termos do art. 156, inciso VI, do CTN. Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 645DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.903213/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA
O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O não-atendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a não-homologação da compensação declarada.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE
Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do DARF pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, embora intimada a fazer, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência.
Numero da decisão: 1301-002.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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VALOR CORRETO DECLARADO EM DIPJ. INTIMAÇÃO. OCORRÊNCIA O descumprimento da obrigação de retificar a DCTF não enseja a perda do direito creditório, desde que o verdadeiro valor devido possa ser confirmado pela fiscalização através de outros meios que estivessem à disposição da Fiscalização e após intimação regular da interessada para realizar retificação de suas declarações. O nãoatendimento pelo contribuinte desta intimação, gera a nãohomologação da compensação declarada. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE Ao indicar como crédito um pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do DARF pleiteado, sem proceder a qualquer retificação, embora intimada a fazer, não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, sendo desnecessária a diligência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 32 13 /2 00 9- 65 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10860.903213/200965 Acórdão n.º 1301002.410 S1C3T1 Fl. 159 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 0539.195, proferido pela 4ª Turma da DRJ/CPS, em 23 de outubro de 2012, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente, não conhecer o pedido de retificação, não reconhecer o direito creditório e não homologar as compensações trazidas a litígio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP nº 09203.49701.240206.1.3.044911, por meio da qual a contribuinte em epígrafe buscou extinguir débito de CSLL, código 24841, referente ao período de apuração janeiro de 2006, cujo valor seria R$ 26.962,81, valendose de crédito referente a pagamento indevido ou a maior de CSLL, arrecadado em 24/02/2006, na parcela original de R$ 22.470,88, integrante de DARF recolhido no valor de R$ 26.962,81. Nos sistemas informatizados da RFB verificase que, em 25/01/2009, foi emitida intimação (nº de rastreamento 816453685) de fls. 06, vinculada à DCOMP referida, nos termos abaixo: O DARF indicado abaixo não foi localizado nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Verifique se todos os dados da Ficha DARF informados no PER/DCOMP conferem com os dados do DARF objeto do crédito. No caso de REDARF, as informações devem ser constantes da retificação. A data de arrecadação é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária. DARF informado: Se houver qualquer divergência, solicitase transmitir o PER/DCOMP retificador. Caso contrario, compareça à unidade da Secretaria da Receita Federal Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10860.903213/200965 Acórdão n.º 1301002.410 S1C3T1 Fl. 160 3 de sua Jurisdição com esta Intimação e o(s) DARF original(ls) e eventuais REDARF, no prazo Indicado. Em atendimento à referida intimação, apresenta a contribuinte a petição de fls. 10/14, alegando ter incorrido em erro quando da transmissão da DCOMP. Informa que, diferente do que consta da DCOMP em análise, o crédito pleiteado referirseia a saldos negativos oriundos dos anos calendário 2002 e 2005, supostamente cumulados, e não pagamento indevido ou a maior de estimativa de janeiro de 2006. A utilização dos referidos créditos teria se dado da seguinte forma: A autoridade fiscal da DRF/ Taubaté, através da Intimação Saort nº 72/2009, aponta os procedimentos adequados para que a contribuinte efetue as devidas retificações dos instrumentos apresentados. Quais sejam: Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10860.903213/200965 Acórdão n.º 1301002.410 S1C3T1 Fl. 161 4 Em 23/04/2009, nova petição é apresentada pela empresa Pilkington, agora defendendo ser inviável proceder às alterações requeridas pela DRF Taubaté, tendo em vista o disposto no art. 34, §3º da IN nº 900 de 2008, abaixo reproduzido: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) IX o débito relativo ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL apurados na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Alega, ainda, que caberia à autoridade fiscal realizar a retificação de ofício quando patente o erro por ela cometido. Nada sendo feito e subsistindo tais inconsistências, foi emitido, em 20/04/2009, despacho decisório nº de rastreamento 831692507 pela DRF Taubaté NÃO HOMOLOGANDO a compensação, tendo em conta a não localização do DARF indicado na PER/DCOMP objeto do presente litígio. Cientificada do ato de não homologação da compensação, em 05/05/2009, e discordando da cobrança dos débitos compensados, em 02/06/2009 a contribuinte , por meio de seus advogados e bastante procuradores, apresenta a manifestação de inconformidade de fls. 69/74, afirmando ter incorrido em equívoco quando da apresentação da DCOMP em comento. Alega a contribuinte que a DCOMP apresentada, na verdade, objetivava compensar débitos de estimativas de CSLL de janeiro de 2006 com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, no valor de R$ 971.356,81, disponível para utilização a partir de janeiro de 2003. Defende a Manifestante que o erro de fato constante na Declaração Eletrônica de Compensação apresentada pela Recorrente, é facilmente identificado, bastando para tanto, analisar simultaneamente tal Declaração com a DIPJ apresentada, para se concluir que não se trata de saldo credor decorrente de pagamento indevido, mas de saldo negativo de IRPJ. Encerra requerendo a improcedência do despacho decisório combatido, sendo homologada a compensação em análise. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10860.903213/200965 Acórdão n.º 1301002.410 S1C3T1 Fl. 162 5 Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA INDICAÇÃO DOS CRÉDITOS. NÃO RETIFICAÇÃO. EXAME ORIGINÁRIO PELA DRJ. IMPOSSIBILIDADE. A correção de erro na DCOMP quanto à natureza do crédito deve se dar mediante apresentação de declaração retificadora, a qual não pode ser apreciada originariamente pela DRJ, que se manifesta apenas em grau de recurso, reexaminando decisão de mérito proferida pelo órgão de origem. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não deve ser homologada a compensação quando inexistente o crédito informado na respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. DA PRELIMINAR DE NULIDADE ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO Alega a recorrente que a decisão recorrida inovou ao trazer critério jurídico inexistente na peça acusatória (despacho decisório), ao dizer que seria inviável o pleito relativo Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10860.903213/200965 Acórdão n.º 1301002.410 S1C3T1 Fl. 163 6 à cumulação de pedidos de saldos negativos de IRPJ referentes a períodos diferentes em uma mesma DComp. Em que pese suas razões, não há como concordar com as elas. Isso porque, não há inovação por parte da DRJ, quando alega ser inviável o pleito relativo à cumulação de saldos negativos., sob o argumento que a despacho decisório nada tratou desse tema. Concordase com a recorrente que a autoridade fiscal que primeiro analisou o pleito da recorrente não se referiu a cumulação de saldos negativos, mesmo porque, naquela ocasião , não existia a mencionada cumulação. O referido despacho tratou do reconhecimento ou não do direito creditório mencionado em DComp, transmitida em 24/02/2006, e, sendo indicado pelo contribuinte como crédito unicamente um pagamento indevido de CSLL, não há que se falar ou alegar em cumulação de saldos negativos. Após o despacho decisório e de sua ciência que é aberto prazo para o contribuinte apresentar manifestação de inconformidade, fase esta em que lhe é proporcionado devidamente o contraditório e a ampla defesa. Nesse rumo, apenas com a apresentação da manifestação de inconformidade é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte. E, ao dizer que seu crédito decorreria da cumulação de saldos negativos, ao invés de pagamento indevido, tal como declarado, o contribuinte aguardava uma manifestação da DRJ sobre o ponto, tal como ocorreu, em atendimento à legislação que a rege o Processo Administrativo Fiscal. Nesses termos, afasto a argüição de nulidade. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Suscita a interessada, em seu recuso, conversão do julgamento em diligência, de forma que reste comprovado o direito creditório perseguido, decorrente do saldo negativo do IRPJ anocalendário 2002 e 2005, indica assistente técnico e apresenta os seguintes questionamentos, para serem respondidos quando da diligência/perícia: a) se apurou, no anocalendário de 2002 e 2005, saldos credores de IRPJ? Se sim, em que valor? b) se o valor do saldo credor e apurado no anocalendário de 2002 e 2005 foi corretamente transcrito nas respectivas DIPJs entregues? c) se eventual erro de preenchimento, informando tais créditos como originados de "pagamento indevido ou a maior", em vez de "saldo negativo de IRPJ", afetou o valor dos mesmos, seja o original ou o saldo remanescente das compensações efetuadas? d) se eventual erro de preenchimento, informando tais créditos como originados de "pagamento indevido ou a maior", em vez de "saldo negativo de IRPJ", afetou o valor das compensações efetuadas pela recorrente? e) o procedimento adotado pela recorrente, ainda que com a ocorrência de eventual erro de fato no preenchimento dos PER/Dcomp, resultou no não recolhimento de tributo, ou trouxe qualquer outro? Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10860.903213/200965 Acórdão n.º 1301002.410 S1C3T1 Fl. 164 7 Tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ e DCOMP, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações, de modo que a exigência prevista no artigo 170A do CTN, no que se refere à exigência de certeza e liquidez do direito creditório apresentado, não seja desnaturado para impedir a apreciação material do pleito formulado pelo contribuinte. Entendo que a fiscalização não pode limitar sua análise apenas nas informações prestadas em Dcomp, já que existem informações provenientes de outras declarações nos bancos de dados da Receita que permitem a análise quanto ao crédito pleiteado. Isto é, cabe à fiscalização, ao menos, questionar a divergência existente entre as declarações (DIPJ e DComp) e proceder a intimação do contribuinte para retificar um delas. Nessas circunstâncias, sem ocorrer intimação do contribuinte, tenho adotado o entendimento de converter o julgamento em diligência, para que seja realizada a transmutabilidade de pagamento indevido para compensação de saldo negativo, pela Delegacia de Origem, em face do desprezo por parte da autoridade julgadora pelas informações registradas em DIPJ apresentada pelo contribuinte, e verificar a certeza e a liquidez do direito creditório alegado. Porém, no caso, verificase que a empresa transmitiu a Dcomp com o alegado erro e foi regularmente intimada, permaneceu inerte e não providenciou sua retificação, limitandose a apresentar a petição de fls. 11/15, alegando ter incorrido em erro quando da transmissão da DCOMP. Deveria a interessada, ao invés de apresentar petição, cancelar ou retificar a declaração transmitida. Assim, insistindo em manter válida a indicação de crédito originado de pagamento indevido, destacando, inclusive, as informações constantes do DARF pleiteado, sem que procedesse a qualquer retificação ou cancelamento, também não há como transmudar a vontade expressa na Dcomp transmitida, e, por esse motivo, entendo desnecessária a conversão do julgamento em diligência. Passo a análise do mérito. DO MÉRITO Alega a recorrente erro de preenchimento do Perd/Comp transmitida, possibilidade de identificar o citado erro em vistas das provas existentes nos autos, e que não houve prejuízo ao erário. Consoante relatado, por meio da DCOMP nº 09203.49701.240206.1.3.044911, a contribuinte informou a existência de crédito correspondente a pagamento indevido de CSLL, arrecadado em 24/02/2006, no valor original de R$ 26.962,81. Deste montante, teria utilizado na DCOMP a parcela original de R$ 22.470,88 para liquidar débito de estimativa de CSLL de janeiro de 2006.. E, intimada a adotar as providências pertinentes em razão de o DARF não ter sido localizado, limitouse a afirmar que errou ao declarar a natureza do crédito a ser compensado, a qual seria “saldo negativo” de IRPJ, e não “pagamento indevido ou a maior” de CSLL, conforme informado no instrumento de compensação.. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10860.903213/200965 Acórdão n.º 1301002.410 S1C3T1 Fl. 165 8 Informada da inviabilidade de se proceder de ofício à retificação pleiteada, alegou a contribuinte ser inviável a retificação ou cancelamento das DCOMP em litígio, pois vedadas pela legislação (art 34, §3º, inciso IX da IN 900 de 2008). De plano, fazse aqui elogios a atuação da DRF Taubaté, quando informa a necessidade de cancelar, inicialmente, a DCOMP transmitida de forma equivocada, para que seja apresentada uma DCOMP nova, declarando o crédito que efetivamente desejava compensar. Ocorre que a Dcomp., na forma em que apresentada, não informa que se trata de saldo negativo de IRPJ dos anoscalendários de 2002 e 2005: os dados inseridos na Dcomp referentes ao tipo de crédito, às datas de arrecadação e vencimento, ao valor do principal e por fim ao tributo. Confirase: Como se verifica das informações por ela apresentadas à RFB, valor apontado como crédito original de CSLL em sede de DCOMP (R$ 26.962,81) não coincide com o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002 (R$ 971.356,81) ou mesmo com o de 2005 (R$ 1.166.388,16) ou o valor cumulado disponível à época, como apontado na Manifestação de Inconformidade (R$ 925.098,88).. Além disso, o período de apuração informado na ficha crédito da DCOMP em litígio (31/01/2006) não guarda relação com os saldos negativos do anocalendário 2002 (31/12/2002) e 2005 (31/12/2005). Embora ter alegado erro, o fato é que a recorrente não apresentou uma outra declaração de compensação, inclusive após regularmente intimada, utilizandose do saldo negativo mencionado para compensar seus débitos. Ao invés, preferiu a correção de sua declaração através deste Processo Administrativo Fiscal. Assim, a pretensão deduzida no recurso voluntário deve ser indeferida. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10860.903213/200965 Acórdão n.º 1301002.410 S1C3T1 Fl. 166 9 José Eduardo Dornelas Souza Fl. 166DF CARF MF
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