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Numero do processo: 10166.900061/2006-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
DÉBITOS COMPENSADOS APÓS O VENCIMENTO.
Sobre o débito fiscal objeto de PER/DCOMP transmitido após seu
vencimento, incidem encargos moratórios desde aquela data até a data da compensação.
Numero da decisão: 1103-000.518
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanhou o relator pelas conclusões.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003 DÉBITOS COMPENSADOS APÓS O VENCIMENTO. Sobre o débito fiscal objeto de PER/DCOMP transmitido após seu vencimento, incidem encargos moratórios desde aquela data até a data da compensação.
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Sobre o débito fiscal objeto de PER/DCOMP transmitido após seu vencimento, incidem encargos moratórios desde aquela data até a data da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanhou o relator pelas conclusões. Aloysio José Percínio da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Fl. 78DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Trata o presente processo de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada a respeito da decisão da DRJ que negou a manifestação de inconformidade da contribuinte. Consoante Despacho Decisório emitido eletronicamente em 16/06/2008 (fl. 38), a autoridade competente homologou parcialmente a compensações efetuada pela contribuinte acima identificada, constante do PER/DCOMP transmitido em 08/07/2003, de débito de IRPJEstimativa Mensal relativo a janeiro/2003, vencido em 28/02/2003, no valor original de R$ 201.405,09, com crédito de igual valor original, proveniente de saldo de recolhimento a maior de IRPJ efetuado através de DARF pago em 28/06/2002. Demonstra o detalhamento constante da fl. 39 que o motivo da homologação parcial foi o crédito informado, cujo valor atualizado na data da compensação alcançou R$ 244.848,16, ter sido insuficiente para extinguir o total do débito, atualizado até a mesma data, com incidência de juros de mora e multa, restando o saldo devedor de principal R$ 10.832,11, que está sendo objeto de cobrança, com os acréscimos legais respectivos. Cientificada pessoalmente do despacho denegatório em 26/06/2008 (fl. 38), a interessada apresentou em 10/07/2008 a manifestação de inconformidade acostada às fls. 01/08, discordando da homologação parcial com a seguinte argumentação: a) enquanto vigente a Instrução Normativa SRF nº. 210, de 30/09/2002, não era prevista a cobrança de juros e multa sobre compensação efetivada em data posterior ao vencimento do débito compensado, o que é coerente com o fato de que não há prejuízo para a Fazenda Pública, que já detinha em seu poder o numerário correspondente ao crédito do contribuinte; b) somente após a vigência da Instrução Normativa nº. 323, de 24/04/2003, publicada no DOU de 28/05/2003, foi alterado o art. 28 da Instrução Normativa SRF nº. 210, de 30/09/2002, para determinar atualização do crédito e do débito a serem compensados e incluir a obrigatoriedade de cobrança dos juros e da multa, quando do envio da Declaração de Compensação após o vencimento do débito; c) observese ainda que o formulário denominado Declaração de Compensação, instituído pela Instrução Normativa SRF nº. 210, de 30/09/2002, sequer continha campo apropriado para atualização do crédito e do débito, nem tampouco existia campo apropriado para a multa, no caso de transmissão após o vencimento do débito; d) não obstante a nova redação do art. 28 da Instrução Normativa SRF nº. 210, de 30/09/2002, os juros e multa não podem ser exigidos no caso concreto, porque quando do vencimento do IRPJ do mês de janeiro de 2003, em 28/02/2003, já existia o crédito da ELETROBRÁS, não tendo havido, assim, qualquer mora capaz de respaldar a exigência dos juros e multa; e) não pode ser esquecido que, conforme o art. 105 do Código Tributário Nacional, aplicase ao fato gerador a legislação vigente à data de sua ocorrência, e, no caso, em 31/01/2003, quando se completou o fato gerador do IRPJ de janeiro de 2003, não havia a exigência de juros e multa na compensação, pois vigorava a IN SRF nº. 210, de 2002; e f) ainda que fosse válida a exigência de juros e multa no caso dos autos, estes acréscimos somente poderiam ser exigidos no lapso temporal entre 28/05/2003 (data da publicação da IN SRF nº. 323, de 2003) e 08/07/2003 (data da transmissão do PER/DCOMP), Fl. 79DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.900061/200633 Acórdão n.º 110300.518 S1C1T3 Fl. 2 3 impondose, assim, afastar por completo a exigência dos juros e multa, ou, alternativamente, reduzir o período de sua cobrança. A DRJ decidiu: “DÉBITOS COMPENSADOS APÓS O VENCIMENTO. ENCARGOS MORATÓRIOS. Sobre o débito fiscal objeto de PER/DCOMP transmitido após seu vencimento, incidem encargos moratórios desde aquela data até a data da compensação, assim como, de outra parte, o crédito do contribuinte tem seu valor atualizado.” A contribuinte recorre: Somente após a vigência da Instrução Normativa SRF n° 323, de 24.04.2003, publicada no DOU de 28.05.2003, foi alterado o artigo 28 da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30.09.2002, para incluir a obrigatoriedade de pagamento dos juros e da multa, quando da entrega da Declaração de Compensação. Ressaltese, ainda, que o artigo 105 do Código Tributário Nacional determina que seja aplicada ao fato gerador a legislação vigente no momento de sua ocorrência. E, no caso dos autos, em 31.01.2003, quando se completou o fato gerador do IRPJ de janeiro/2003, não havia a exigência de quitação dos juros e da multa nos casos de compensação, a qual só veio a ser introduzida na legislação em 28.05.2003, com a publicação no Diário Oficial da União da Instrução Normativa SRF n° 323, de 24.04.2003. E isto é quanto basta para que não possam ser exigidos os juros e a multa pelo fato de o PER/DCOMP ter sido enviado posteriormente à data do vencimento do imposto. Na verdade, percebese que o v. Acórdão recorrido, desprovido de argumentos jurídicos plausíveis;limitouse a tentar justificar a incidência de juros e multa na compensação ora discutida, com base em preceitos legais inaplicáveis às compensações, pois referemse apenas a extinção do crédito tributário mediante o pagamento. E, no caso, a extinção do crédito tributário mediante compensação é e sempre foi regida por normas específicas. Outrossim, ad argumentandum tantun, ainda que fosse válida a exigência de juros e da multa no caso dos autos, estes somente poderiam ser exigidos no lapso de tempo entre 28.05.2003, data da publicação da INSRF323/2003, e 08.07.2003, data da transmissão do PER/DCOMP n° 32390.58176.080703.1.3.04 3067 (doc. 02).Outrossim, ad argumentandum tantun, ainda que fosse válida a exigência de juros e da multa no caso dos autos, estes somente poderiam ser exigidos no lapso de tempo entre 28.05.2003, data da publicação da INSRF323/2003, e 08.07.2003, data da transmissão do PER/DCOMP n° 32390.58176.080703.1.3.04 3067 (doc. 02). Em face de todo o exposto, a ELETROBRÁS pede e espera seja dado provimento ao presente recurso voluntário, para o fim de ser reformado o v. Acórdão recorrido, com a finalidade de homologar integralmente a compensação efetivada, bem como afastar por completo a exigência dos juros e da multa ou, alternativamente, exigirse os juros e a multa apenas no período de 28.05.2003 a 08.07.2003. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. O art. 61 da Lei nº. 9.430, de 1996 dispõe: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei) Assim, não resta dúvida, que, no caso concreto, sobre o débito fiscal objeto da compensação, cujo vencimento ocorreu em 28/02/2003, incidem, desde a data do vencimento até a data da transmissão do PER/DCOMP, os acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº. 9.430, de 1996. Quanto à argumentação de que as regras aplicadas foram para débitos extintos por pagamento temos: O art. 161 do CTN, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Ora, querer achar que os débitos extintos por compensação não terão correção, enquanto os extintos por pagamento terão é no mínimo contraditório, pois, ambos são débitos não adimplidos no vencimento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 04 de agosto de 2011 Fl. 81DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10166.900061/200633 Acórdão n.º 110300.518 S1C1T3 Fl. 3 5 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 82DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 16/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/08/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004264/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PAGAMENTO A
DESTEMPO. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. REPERCUSSÃO
GERAL. ARTIGO 543C
DO CPC. ARTIGO 62A
DO RICARF.
O recolhimento de tributo a destempo deve se fazer acompanhado do
acréscimo de multa de mora, segundo ordenamento jurídico vigente, o qual
também prevê a cobrança de ofício da parcela não solvida, integral ou
complementarmente. O instituto da denúncia espontânea (CTN, art. 138) não
exclui a multa de mora quando o fato gerador do tributo encontrase
regularmente consignado nos livros comerciais e fiscais da contribuinte, ou
então, quando a hipótese de incidência do tributo esteja retratada em
documentos fiscais ou de compra e venda no caso de se tratar de
microempresas e empresas de pequeno porte dispensadas de escrituração,
sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório
ou punitivo da sua exigência. Todavia, em face do julgamento havido na
sistemática da repercussão geral no Recurso Especial nº 1.149.022 SP
(2009/01341424),
e no qual o STJ decidiu que conquanto a denúncia
espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa
moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação
declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento à vista
ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do
Fisco, ela configura-se na hipótese em que o contribuinte após efetuar a
declaração parcial do débito tributário sujeito a lançamento por homologação
acompanhado do respectivo pagamento integral retifica antes de qualquer
procedimento da Administração Tributária noticiando a existência de
diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.
Numero da decisão: 1102-000.403
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. PAGAMENTO A DESTEMPO. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 543C DO CPC. ARTIGO 62A DO RICARF. O recolhimento de tributo a destempo deve se fazer acompanhado do acréscimo de multa de mora, segundo ordenamento jurídico vigente, o qual também prevê a cobrança de ofício da parcela não solvida, integral ou complementarmente. O instituto da denúncia espontânea (CTN, art. 138) não exclui a multa de mora quando o fato gerador do tributo encontrase regularmente consignado nos livros comerciais e fiscais da contribuinte, ou então, quando a hipótese de incidência do tributo esteja retratada em documentos fiscais ou de compra e venda no caso de se tratar de microempresas e empresas de pequeno porte dispensadas de escrituração, sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência. Todavia, em face do julgamento havido na sistemática da repercussão geral no Recurso Especial nº 1.149.022 SP (2009/01341424), e no qual o STJ decidiu que conquanto a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco, ela configura-se na hipótese em que o contribuinte após efetuar a declaração parcial do débito tributário sujeito a lançamento por homologação acompanhado do respectivo pagamento integral retifica antes de qualquer procedimento da Administração Tributária noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.
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PAGAMENTO A DESTEMPO. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 543C DO CPC. ARTIGO 62A DO RICARF. O recolhimento de tributo a destempo deve se fazer acompanhado do acréscimo de multa de mora, segundo ordenamento jurídico vigente, o qual também prevê a cobrança de ofício da parcela não solvida, integral ou complementarmente. O instituto da denúncia espontânea (CTN, art. 138) não exclui a multa de mora quando o fato gerador do tributo encontrase regularmente consignado nos livros comerciais e fiscais da contribuinte, ou então, quando a hipótese de incidência do tributo esteja retratada em documentos fiscais ou de compra e venda no caso de se tratar de microempresas e empresas de pequeno porte dispensadas de escrituração, sendo irrelevante à questão a distinção doutrinária entre caráter indenizatório ou punitivo da sua exigência. Todavia, em face do julgamento havido na sistemática da repercussão geral no Recurso Especial nº 1.149.022 SP (2009/01341424), e no qual o STJ decidiu que conquanto a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco, ela configurase na hipótese em que o contribuinte após efetuar a declaração parcial do débito tributário sujeito a lançamento por homologação acompanhado do respectivo pagamento integral retificaa antes de qualquer procedimento da Administração Tributária noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 23/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10980.004264/200784 Acórdão n.º 110200.403 S1C1T2 Fl. 202 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. José Sérgio Gomes Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente), José Sérgio Gomes (Relator), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto e Manoel Mota Fonseca. Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em CuritibaPR que julgou procedente o lançamento efetuado em 21/03/2007 pela Delegacia da Receita Federal em CuritibaPR com vistas a exigência de multa de mora em vista do recolhimento a destempo da antecipação (estimativa) do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do período de dezembro de 2003. A ação fiscal consistiu em revisão sumária da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do quarto trimestre civil de 2003, imputandose a inexistência do acréscimo no recolhimento efetuado em 29/04/2004, cuja obrigação vencera em 30/01/2004. Impugnando o lançamento a contribuinte suscitou a nulidade do auto de infração porque o débito encontravase com exigibilidade suspensa em face a impugnação anterior. Quanto ao mérito, manifestouse no sentido de que o artigo 138 do Código Tributário Nacional afasta a imposição da penalidade em face de ter espontaneamente denunciado o crédito tributário, adimplindoo à vista e com os juros legais. Aquele Colegiado (1ª Turma de Julgamento) admitiu a impugnação, repeliu a aventada nulidade do auto de infração ante o fato de que a anterior impugnação noticiada pela contribuinte se deu contra simples intimação e/ou carta de cobrança e, no mérito, julgou procedente o lançamento ao entendimento de que o instituto da denúncia espontânea não abarca a multa de mora, sempre devida quando restar comprovado que o pagamento do débito foi realizado a destempo, em razão de possuir natureza exclusivamente indenizatória. Ciente do decisório em 23 de março de 2009, fl. 178, a contribuinte apresentou em 17 do mês seguinte o recurso de fls. 181/199, no qual aduz que o artigo 138 do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 23/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10980.004264/200784 Acórdão n.º 110200.403 S1C1T2 Fl. 203 3 CTN não estabelece distinção entre multas, sejam moratórias ou punitivas, consoante precedentes jurisprudenciais colacionados. Assevera que o débito apurado no mês de dezembro de 2003 foi pago através de DARF em 30/01/2004, sendo a DCTF transmitida à Receita Federal em 03/02/2004. No entanto, ao vislumbrar que o valor declarado na DCTF original não correspondia ao efetivamente devido, efetuou o pagamento da diferença acrescido dos juros, em data de 29/04/2004, e transmitiu a DCTF retificadora em 11/10/2004, de sorte que em relação a este complemento há de se aplicar o instituto da denúncia espontânea, consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Ao final, requer a reforma da decisão recorrida, seguindose a improcedência do auto de infração. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Verifico que não há controvérsia quanto ao fato do recolhimento do tributo ter sido efetuado a destempo, cingindose a discussão em questões unicamente de direito, quais sejam, o afastamento da multa de mora em face da denúncia espontânea versada no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN). O invocado preceito possui a seguinte dicção: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Noutro prisma, a exigência para que o pagamento ou o recolhimento de tributo se faça acompanhado de multa de mora em face da realização após o vencimento legal de há muito está prevista em lei. Atualmente, trata do assunto o artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a ver: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 23/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10980.004264/200784 Acórdão n.º 110200.403 S1C1T2 Fl. 204 4 específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Neste contexto, não sendo razoável admitirse que o legislador ordinário estaria confrontando o CTN, tenho que o afastamento do acréscimo não se aplica ao pagamento trazido pela Recorrente, já que não ficou provado tenha ele origem em obrigação tributária à margem da escrituração completa ou simplificada. Com efeito, não há falar na aplicação da excludente no caso em que o fato gerador do tributo encontrase regularmente consignado nos livros comercias e fiscais da contribuinte, ou então, quando a hipótese de incidência do tributo esteja retratada em documentos fiscais ou de compra e venda no caso de se tratar de microempresas e empresas de pequeno porte dispensadas de escrituração, independentemente dessas ocorrências serem ou não trazidas ao conhecimento do Fisco mediante as declarações de cunho obrigatório (DCTF, DIRPJ, SIMPLES, etc). Significa dizer, pois, que ainda inexistentes as declarações, o simples fato da operação econômica praticada pela contribuinte constar em sua escrituração ou em documentos por ela emitidos, suficientes, portanto, para caracterizar o fato gerador do tributo, já se encontra nascida a obrigação tributária, embora pendente de corporificação em forma de crédito público que se deu, na hipótese, com o voluntário pagamento, daí aflorando, inclusive, o primeiro ato tendente ao lançamento por homologação a que alude o artigo 150 do CTN. Portanto, a espontaneidade de que fala o artigo 138 do codex não se aplica, evidentemente, a estas ocorrências, pois seria restringir o conceito de espontaneidade ao ato de levarse ou não ao conhecimento fiscal o tributo retratado na própria escrita contábil ou elementos de cunho fiscal que o valha, quando em realidade a norma instiga o contribuinte a denunciar aquilo que dela foi omitido, a revelar a conduta ilícita ou culposa, beneficiandolhe em forma de exoneração do encargo moratório. Neste sentido sinalizava o próprio Superior Tribunal de Justiça, a ver pelo seguinte julgado: “ I O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que a infração não tenha sido identificada pelo Fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. II. A denúncia espontânea não foi prevista para que favoreça o atraso do pagamento do tributo. Ela existe como incentivo ao contribuinte para denunciar situações de ocorrência de fatos geradores que foram omitidas, como é o caso de aquisição de mercadorias sem nota fiscal, de venda com preço registrado aquém do real etc.. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 23/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10980.004264/200784 Acórdão n.º 110200.403 S1C1T2 Fl. 205 5 ...................................................................................................” (STJ. REsp 516337/RJ. Rel.: Min. José Delgado. 1ª Turma. Decisão: 17/06/03. DJ de 15/09/03, p. 268.) Em decorrência, entendo infrutífera a discussão quanto ao caráter compensatório/indenizatório ou punitivo do encargo legal denominado multa de mora, data venia, pois seria cerrar o debate no efeito em menosprezo à causa. Todavia, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) assim decidiu no Recurso Especial nº 1.149.022 SP (2009/01341424), julgado em 09 de junho de 2010, relator o Ministro Luiz Fux: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 23/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10980.004264/200784 Acórdão n.º 110200.403 S1C1T2 Fl. 206 6 parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Referido julgado, como visto, operouse na sistemática da repercussão geral a que alude o artigo 543C do Código de Processo Civil (CPC). Em decorrência, aplicase a Portaria MF 586, de 22 de dezembro de 2010, a qual introduziu o artigo 62A no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256 de 22 de junho de 2009, e que possui a seguinte dicção: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Consta à fl. 60 o pagamento de IRPJ efetuado com código de receita nº 2362, relacionado ao período de dezembro de 2003, no valor de R$ 4.594,65, ocorrido em data de 30/01/2004, mesma do vencimento legal da obrigação. Este débito fora confessado com a DCTF apresentada em 03/02/2004, fls. 66 e 98. Por sua vez, encontrase encartado à fl. 62 o pagamento objeto da investida fiscal, o qual foi realizado em data de 29/04/2004 pelo valor de R$ 689.725,36 e indica o mesmo tributo, período de apuração e data de vencimento, que se fez acrescido de juros de mora, tão somente. O auto de infração tendente à exigência da multa de mora enuncia que a Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 23/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO Processo nº 10980.004264/200784 Acórdão n.º 110200.403 S1C1T2 Fl. 207 7 DCTF retificadora fora apresentada pela contribuinte em 11/10/2004, sendo que aquela peça fiscal ultimada em 21/03/2007. Portanto, remanesce concluso que dito pagamento suplementar enquadrase na tese esposada pelo STJ. Com tais razões, VOTO pelo provimento do recurso voluntário. José Sérgio Gomes Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 23/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001425/2006-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Data do fato gerador: 11/04/2002
EMPREITADA EXCLUSIVAMENTE DE MÃO DE OBRA. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA.
ATIVIDADE VEDADA.
Empresa que utiliza instalações do único cliente e executa facção de vestuário utilizando equipamentos desse cliente cedidos em comodato, caracteriza, na verdade a empreitada exclusivamente de mão de obra, na qual o resultado é a própria execução do serviço, estabelecendo-se, assim, sua similitude com a locação de mão de obra, vedada ao Simples.
Numero da decisão: 1401-000.456
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Fernando Luis Gomes de Matos
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 11/04/2002 EMPREITADA EXCLUSIVAMENTE DE MÃODEOBRA. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA. ATIVIDADE VEDADA. Empresa que utiliza instalações do único cliente e executa facção de vestuário utilizando equipamentos desse cliente cedidos em comodato, caracteriza, na verdade a empreitada exclusivamente de mãodeobra, na qual o resultado é a própria execução do serviço, estabelecendose, assim, sua similitude com a locação de mãodeobra, vedada ao Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado (assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Viviani Aparecida Bacchmi e Karem Jureidini Dias. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 119120): Trata o processo da exclusão da empresa do Simples, a partir da sua constituição em 11/04/2002, fl. 105, mediante o Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 24, de 28 de fevereiro de 2008, fl. 61, emitido pelo delegado da Receita Federal de Joinville/SC, porque a empresa exerceu atividade de cessão de mãodeobra, vedada ao Simples do art. 9º, XII, f da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996. 2. O processo decorre de Representação Administrativa encaminhada pela extinta Secretaria da Receita Previdenciária de Joniville/SC do Ministério da Previdência Social, atualmente Receita Federal do Brasil (RFB), fls. 1/29, e da análise forinulada às fls. 55/60 pela Seção de Controle e Acompanhamento Tributário Sacat da DRF em Joinville/SC, depois de ter analisado os documentos que a empresa, intimada, apresentou, fls. 38/54. 3. Cientificada em 13/03/2008, fl. 63, tempestivamente, em 11/04/2008, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 37/82, por meio de seu representante legal, fl. 83, acompanhada dos documentos de fls. 84/101. 4. Declara que atua no ramo de confecção de artigos do vestuário facção, entre outros. 5. Discorda a respeito dos motivos pelos quais a RFB concluiu que a empresa exerceria a atividade vedada de locação de mão deobra na prestação de serviços de facção: mãodeobra própria de sócios/empregados registrados no quadro funcional da empresa, sem possibilidade de sublocação; contrato de comodato do maquinário necessário para a execução do serviço; fornecimento de material necessário à fabricação; empresa estabelecida nas instalações da empresa Anbelli. 6. Quanto à acusação de cessão de mãodeobra, afirma que a própria RFB a aceitou no Simples, só vindo a excluíla depois da manifestação do INSS; invoca o art. 31 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e o art. 143 da IN SRP n° 3, de 2005, acerca da conceituação de cessão de mãodeobra como "colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa", ao passo que, argumenta, os serviços prestados pela interessada em nenhum momento o foram nas dependências da contratante ou de terceiros (fora da relação contratual), mas em seu próprio estabelecimento e executado por seus próprios funcionários; destaca que também não aconteceu a colocação dos funcionários da interessada à disposição da empresa contratante, ou seja, em nenhum momento ocorreu subordinação dos seus empregados à Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.001425/200610 Acórdão n.º 140100.456 S1C4T1 Fl. 144 3 contratante, que é condição essencial para caracterizar a cessão de mãodeobra. 7. Também transcreve a conceituação de prestação de serviços dada no art. 2° da Instrução Normativa n° 3, de 1996, do Ministério do Trabalho, e invoca a Solução de Consulta n° 88, de 13 de agosto de 2007, relativa à admissibilidade ao Simples de empresa de facção de roupas, que alega ser o seu caso — prestadora de serviços de facção de roupas , não sujeita à majoração de aliquotas de 50% ao Simples e contribuinte do IPI, sujeitandose ao adicional de 0,5% (meio por cento) previsto no art. 5º, § 2° da Lei n° 9.317, de 1996, e conclui que a sua atividade não é incompatível com a opção pelo Simples. 8. Sobre a mãodeobra própria de sócios/empregados registrados no quadro funcional da empresa, sem possibilidade de sublocação, e o primeiro parágrafo do Parecer Cosit nº 69, de 1999, transcrito no Despacho Decisório, il. 100, afirma que se aplica às pessoas jurídicas que estarão impedidas de exercer a opção pelo Simples, portanto, cabível àquelas empresas e não à interessada, dado que restou claro que não se utiliza de trabalho alheio, mas do de seus sócios e funcionários próprios e que tampouco ocorre a cessão da atividade laborativa a outrem, mas apenas seus funcionários trabalhando para cumprir os contratos de prestação de serviços da interessada. 9. Afirma que inexiste vedação ao Simples para empresa que utilize equipamentos de outra mediante contrato de comodato. 10. Quanto a ser todo o material utilizado para a produção fornecido pela contratante dos serviços, tratase ao produto essencial à produção, ocorrendo "industrialização por encomenda". 11. Quanto a estar localizada nas instalações de outra empresa, a Anibelli, justifica que é empresa de pequeno porte, por isso, por uma questão de competitividade, utilizase do imóvel, por ser localizado no parque fabril, mediante contrato de locação; também entende que a expressão "colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros", da IN SRP n° 3, de 2005, significa em local diverso daquele pré estabelecido contratualmente, e aduz que prestou serviços em seu próprio estabelecimento, com seus próprios funcionários. 12. Reclama que a exclusão da empresa do Simples não pode retroagir a 11/04/2002, haja vista que a RFB é totalmente complacente com o procedimento e atividade exercida pela interessada, até a data em que o INSS levantou a suposição da sua exclusão do Simples; que não é justo ser apenada com exclusão retroativa se vinha recolhendo e declarando regularmente pelo Simples, sem que a RFB tivesse qualquer objeção. 13. Lembra que o art. 2°, XIII, parágrafo único da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, determina que a administração pública deve se reger pelo princípio da segurança jurídica que veda a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 aplicação retroativa de uma nova interpretação das normas, por isso, tendo a manifestante optado pelo Simples de forma legal e aceita como tal durante 6 (seis) anos, não pode agora ser excluída e punida de foram retroativa, o que viola o preceito invocado. 14. Aponta que, tendo tomado ciência da exclusão em 12/03/2008, e sendo a exclusão com efeitos desde 11/04/2002, data de sua opção pelo Simples, somente lhe poderão ser exigidos tributos a partir de 03/2003, ou seja, 5 (cinco) anos retroativos em relação à data da ciência. O AR de fls. 125 não permite identificar a data de ciência do Acórdão. Assim sendo, considerando que a intimação foi expedida em 05/06/09, considerase concretizada a intimação em 20/06/09 (art. 23, § 2º, II do Decreto nº 70.23572). Em 15/07/2009 a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 126140, reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. A solução do presente litígio passa, necessariamente, por uma análise criteriosa da atividade desempenhada pela pessoa jurídica interessada, para que se possa concluir pela possibilidade ou não de sua opção pelo SIMPLES. A atividade exercida pela Recorrente A Representação Administrativa da Secretaria da Receita Previdenciária – SRP, que deu origem à exclusão da interessada do SIMPLES, informa que a atividade exercida pela interessada, ora Recorrente, se resume a “contratar empregados em seu nome e colocálos à disposição da empresa Lunender a quem presta serviços de forma exclusiva, estando estabelecida em instalações da Anbelli (uma empresa do grupo Lunender), não possuindo maquinário próprio (o qual foi cedido em comodato, sem ônus, pela Lunender)”. Os sócios da Recorrente Analisandose os atos constituivos da interessada, constatase que a pessoa jurídica em questão foi constituída em 11/04/2002 (v. fls. 105), com o objetivo social de exploração do ramo de confecções de artigos de vestuário – facção. Em seu quadro societário, constavam os nomes de Pedro Tadeu Arauto CPF 521.925.04853 (51%), José Mario de Rezende CPF 211.261.43120 (24,5%) e Maria de Loudes Kinen CPF 608.832.78987 (24,5%), conforme se observa às fls. 6/20. Posteriormente o sócio Pedro deixou a sociedade, remanescendo os demais sócios, com 50% de participação cada um. Os elementos constantes dos autos revelam que o sócio majoritário da Recorrente, Pedro Tadeu Arauto, era empregado da Lunender, e que foi "demitido" antes de se tornar sócio da MJM. Acrescenta que todo o controle e processamento administrativo, financeiro e contábil da Recorrente é efetuado por empregados da Lunender (cita nomes). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.001425/200610 Acórdão n.º 140100.456 S1C4T1 Fl. 145 5 O citado sr. Pedro Tadeu Arauto, CPF 521.925.04853, recebeu rendimentos do trabalho (DIRF) da Lunender em 1999, aposentadoria (INSS) de 2000 a 2007 e da Lunelli em 2007 e 2008, fl. 106. A sócia Maria De Lourdes Kinen, CPF 3608.832.78987, recebeu rendimentos do trabalho (DIRF) da Lunender em 2000, 2001 e 2002, o que confirma que se trata de funcionários de empresas do grupo empresarial. O sócio José Mário de Rezende, CPF 211.261.431,20, cujo endereço é o próprio domicílio fiscal da MJM, fl. 107, apresentou declarações como isento, fl. 107, não constando DIRF senão da própria MJM. O endereço da Recorrente Conforme consta do CNPJ, fl. 105, a Recorrente está sediada à Rua Friedrich .Wilhelm Sonnenohl, 34, Vila Lalau, CEP 89256320, Jaraguá do Sul/SC. A empresa Lunelli declara o endereço em 28/02/2002, Mal. Deodoro da Fonseca, 429. ap. 602 (89.251701) Jaraguá do Sul/SC; em 30/05/2008 R. Gott Lieb, 205, Amizade, (89.270000) Guaramirim/SC, que é próximo ao endereço antigo da Lunender, na mesma rua de n° 269, Amizade, Guaramirim/SC (89270000), fl. 150. Os endereços consignados no cadastro não coincidem com os da MJM, porém a denúncia especifica e a própria contribuinte confirma que desenvolve suas operações nas instalações da Anbelli, empresa da qual o sócioresponsável é a mesma pessoa que da Lunender, único cliente da litigante. Os fatores de produção empregados pela Recorrente Conclui a citada Representação Administrativa que o único fator de produção relevante para a Recorrente é a mãodeobra; posto que seu capital social é irrisório. Afirma que a Recorrente, apesar de contabilizar entradas e saídas de mercadorias recebidas para industrialização por encomenda, limitase a apenas fornecer mãodeobra, pela qual é remunerada mediante emissão de notas fiscais de prestação de serviços, havendo indícios de que se trata de empresa fictícia constituída com o objetivo de, mediante adesão ao Simples, evitar os encargos previdenciários patronais sobre folha de pagamentos relativos a esses trabalhadores, pela Lunender. O contrato entre a Recorrente e a empresa Luneder S.A. Em 5/04/2002, a empresa firmou Contrato Particular de Prestação de Serviços com a Lunender S/A, fls. 40/44, que a contratou para "executar os serviços de facção de costura de artefatos de malha, de acordo com as especificações técnicas, prazos de entrega e preços previamente acordados entre as partes contratantes e indicadas nas Instruções de Produção", por prazo indeterminado, emitindo notas de serviços, assumindo o risco de refazer o trabalho se o serviço ficar defeituoso, inclusive em relação aos materiais perdidos por má utilização. Constava do aludido do contrato que a contratada fornecerá o serviço executado por mãodeobra própria devidamente registrada e com recolhimento de todos Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 6 encargos trabalhistas e previdenciários, cumprirá os prazos e qualidade especificados nas Ordens de Produção. Não há indícios de que esse contrato tenha sido registrado em cartório. As declarações e informações contábeis da Recorrente Os elementos constantes dos autos revelam, outrossim, que a empresa, ao apresentar as declarações do Simples, declarouse contribuinte do IPI e não contribuinte do ISS. Além disso, declarou as receitas como não decorrentes de prestação de serviços, fls. 33/34, nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005 e 2006, em que tal discriminação passou a existir na declaração. Às fls. 21/26 encontramse cópias de Notas Fiscais série. 1 (ref a industrialização por encomenda) de saída, nº 1.598 a 1.603, emitidas para a Lunender, durante o mês 08/2004, com suspensão do ICMS, em conformidade com o RICMSSC: Art. 27. Fica suspensa a exigibilidade do imposto nas seguintes operações internas e interestaduais: I a saída de qualquer mercadoria, para conserto, reparo ou industrialização, desde que retorne ao estabelecimento de origem, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contados da data da saída, observado o seguinte (Convênios ICM 15/74, 25/81, ICMS 34/90 e 151/94): O balancete de janeiro a dezembro de 2004, fls. 28/29, evidencia que 87,04% do ativo da empresa (R$ 317.547,17) eram créditos de aplicações financeiras (R$ 276.390,47), não constando qualquer bem de ativo permanente e nenhum saldo de crédito a receber, evidenciando recebimentos à vista pela prestação de serviços. Além disso, na Demonstração do Resultado do Exercício de fl 29, observase que 89% do custo do produto vendido se refere a despesas com pessoal. O maquinário utilizado pela Recorrente Encontrase às fls. 45/53, Aditivos de Contratos de Comodato, por meio dos quais a Luneder cede à Recorrente, sem nenhum sem ônus, por prazo indeterminado, máquinas necessárias à realização das atividades fim da empresa. O maquinário utilizado pertence em sua totalidade à empresa Luneder, fato este que não é negado pela interessada. O Acórdão recorrido apresenta uma definição precisa do contrato de comodato, fls.121: Comodato é o contrato unilateral, a título gratuito, pelo qual alguém entrega a outrem coisa infungível, para ser usada temporariamente e depois restituída; inferese dessa definição os traços característicos: contratualidade, visto ser um contrato unilateral, gratuito, real e intuitu personae; infimgibilidade e não consurnibilidade do bem dado em comodato; temporariedade; obrigatoriedade da restituição, da coisa emprestada. Os responsáveis pela contabilidade da Recorrente Fl. 6DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10920.001425/200610 Acórdão n.º 140100.456 S1C4T1 Fl. 146 7 A Representação Administrativa afirma que funcionários da Lunender elaboravam a contabilidade da Recorrente. Este fato está confirmado às fls. 109/110, que Regis Augusto Schimanko, CPF 003.544.45928 elaborou as Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica — DSPJ, da interessada, e também de outras duas empresas na mesma situação: a Neon Indústria de Confecções Ltda (Nome Atual AJD Indústria De Confecções Ltda), CNPJ 06.730.577/0001 35, e a D'Layons Confecções Lida, CNPJ 81.000.564/000126. Augusto Schimanko era funcionário da Lunender S/A, conforme DIRF emitidas por essa empresa. A administração efetiva da Recorrente A Representação Administrativa afirma que a Recorrente, na realidade, era administrada pela Lunender, sua única cliente. Esta alegação fiscal encontra respaldo no contexto da empresa: o sr. Antidio Aleixo Lunelli, CPF 438.634.42920, presidente da Lunender S/A, CNPJ 75.V2.133/000170, fl. 115, ingressou como sócio responsável nas três empresas citadas, partir de 2008, fl. 113 verso (Neon/AJD); fl. 118verso (D'Layons) e fl. 105 (MJM), além de outras empresas, no total de 18, sendo sócio controlador, entre outras: da Anbelli Administração de Participações S/A citada na denúncia de que a MJM utiliza suas instalações (denúncia também efetivada em relação à Néon/AJD e D'Layons, constante dos respectivos processos e igualmente não contestada pela mesma), da Lunender Industrial Têxtil Ltda, CNPJ 08.471.698/000135, e ainda outras empresas de confecções e da Abmoda Participações Ltda, conforme fl. 112verso, que também ingressou como sócia da autuada. No que tange às três empresas citadas, a Recorrente, a Néon/AJD e a D'Layons, a situação é idêntica: todas atuam no mesmo local (cedido pelo grupo contratante), todas utilizam equipamentos cedidos em comodato pela Lunender (única cliente), a contabilidade de todas é feita por funcionário da Lunender, os sócios de todas as empresas possuem ligações com a Lunender; todos os sócios destas empresas são pessoas com baixo poder aquisitivo, fls. 106/108, 116, 11verso. Conclusão acerca da natureza da atividade desenvolvida pela Recorrente Não obstante as robustas provas acima referidas, a Recorrente afirma que a sua atividade não se trata de locação de mãodeobra, mas de industrialização por encomenda na modalidade facção de roupas. Tal alegação não se sustenta. Conforme exaustivamente demonstrado, temos que a Recorrente opera sem equipamento próprio, utilizando maquinário e instalações da sua única cliente (Lunender). Assim sendo, a Recorrente fornece exclusivamente mãodeobra; segundo a cláusula expressa do contrato firmado com a Luneder. Deste conjunto de fatos, concluise que a atividade desempenhada pela Recorrente deve ser classificada como “empreitada exclusivamente de mãodeobra”, atividade esta que, ao lado da “locação de mãodeobra” e da “cessão de mãodeobra”, enquadra no rol de atividades vedadas à opção pelo SIMPLES, conforme art. 9º, XIII, “f” da Lei nº 9.317/96. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 8 Sobre o tema, é bastante elucidativo o Parecer COSIT nº 69, de 10/11/99, transcrito no Acórdão recorrido, fls. 121123. Deixo de transcrever o referido Parecer neste voto, apenas para evitar repetições desnecessárias. No caso concreto, resulta claro que a Recorrente desenvolver empreitada exclusivamente de mãodeobra, razão pela qual está impedida de optar pelo Simples. Exigência de tributos em decorrência da exclusão do SIMPLES A Recporrente argumenta que, tendo tomado ciência da exclusão do SIMPLES em 12/03/2008, e sendo a exclusão com efeitos desde 11/04/2002 (data de sua opção pelo Simples), somente lhe poderão ser exigidos tributos a partir de 03/2003, ou seja, 5 (cinco) anos retroativos em relação à data da ciência da exclusão. Deixo de me manifestar sobre esta matéria, uma vez que o presente processo versa, exclusivamente, sobre a exclusão da Recorrente da sistemática do SIMPLES. Eventuais lançamentos tributários decorrentes da presente exclusão constarão de outros processos administrativos, nos quais a Recorrente terá assegurado o amplo direito à defesa e ao contraditório. Dispositivo Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000568/2004-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF.
Sujeitam-se à tributação através de lançamento de ofício os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, informados em DIRF, não oferecidos à tributação pelo beneficiário, mormente quando este não junta aos autos documentação, hábil e idônea, que possa ilidir o feito fiscal.
Numero da decisão: 2201-001.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade NEGAR provimento
ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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DIRF. Sujeitamse à tributação através de lançamento de ofício os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, informados em DIRF, não oferecidos à tributação pelo beneficiário, mormente quando este não junta aos autos documentação, hábil e idônea, que possa ilidir o feito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 03/10), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, na qual se apurou crédito tributário no valor total de R$ 9.994,16, calculados até dezembro de 2003. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual, apurou omissão de rendimentos de Pessoa Jurídica recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social INSS (R$ 11.087,04) e da Celesc (R$ 19.341,95), bem como diferença do imposto de renda retido na fonte informado. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando que não é verdade que houve omissão, pois os rendimentos do INSS foram declarados como "isentos e não tributáveis" e os decorrentes de ação trabalhista recebidos da Celesc como de "tributação exclusiva". Além do mais, o valor recebido do processo judicial trabalhista já sofreu tributação exclusiva que foi recolhida pela Celesc, em setembro/2001, e que somar novamente a indenização trabalhista geraria dupla tributação. A 4ª Turma da DRJ – Florianópolis/SC julgou integralmente procedente o lançamento, conforme se extrai da transcrição de parte do voto condutor do aresto proferido. Como do relatório se viu, não há discordância quanto aos valores dos rendimentos recebidos pelo contribuinte durante o anocalendário 2001. O contribuinte argúi que os rendimentos de aposentadoria recebidos do INSS seriam isentos ou não tributáveis e os decorrentes de ação trabalhista recebidos da Celesc estariam sujeitos à tributação exclusiva na fonte. O que se discute no presente processo, portanto, é a tributação ou não dos rendimentos do INSS e a forma de tributação dos rendimentos da Celesc, se exclusiva na fonte ou sujeita ao ajuste anual. Quanto aos rendimentos recebidos da Celesc, decorrentes de ação judicial, existem dois momentos bem definidos em que o imposto de renda é exigido. O primeiro, quando do pagamento efetivo do rendimento, e o segundo, quando da apresentação da declaração de ajuste anual. (...) Assim, não havendo determinação expressa da Justiça de que os rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial estariam sujeitos à tributação exclusiva na fonte, competia ao impugnante incluílos na declaração de ajuste anual e apurar o imposto correspondente. É de se esclarecer que no presente caso não se está exigindo o imposto devido na fonte. O que se está exigindo é a tributação dos valores recebidos da Celesc na declaração de rendimentos, omitidos pelo contribuinte, visto que se trata de rendimento tributável e, como tal, deve ser adicionado à base de cálculo do ajuste anual. O fato é que os rendimentos de ação trabalhista são tributáveis e sujeitos ao ajuste anual, podendo o IRRF ser compensado, como Fl. 2DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11516.000568/200479 Acórdão n.º 220101.072 S2C2T1 Fl. 2 3 já efetuado pela autoridade fiscal (v. fls. 7, 8 e 13), portanto, não há que se falar em "dupla tributação". Em relação ao rendimentos recebidos do INSS (R$11.087,04), em decorrência de aposentadoria por tempo de serviço (v. fl. 14), argúi o contribuinte serem eles isentos do imposto de renda. (...) Assim, é que, para que os R$11.087,04 recebidos do INSS fossem excluídos deveriam ser eles, de fato, isentos do imposto de renda, o que não se comprova nos autos. Em face do exposto, manifestome no sentido de considerar procedente o lançamento. Intimado da decisão de primeira instância em 17/09/2007 (fl. 36), Luiz Gonzaga Azevedo apresenta Recurso Voluntário em 17/10/2007 (fl. 37), sustentando, verbis: Uma vez analisada e questionada a procedência do lançamento com relação aos rendimentos do INSS no valor de R$ 11.087,04 lançado em Rendimentos isentos e nãotributáveis, cabeme concordar que o referido valor foi declarado de forma errônea, quando deveria compor os valores recebidos em Rendimentos Tributáveis. • Conforme pode ser observado em minha declaração Exercício 2002, Ano Calendário 2001 em Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva (cópia xérox anexa), foi declarada a importância de R$ 31.905,21 (conforme comprovantes em anexo) valor este recebido por condenação judicial processo trabalhista, portanto valor já tributado. • Causame estranheza a menção do valor de R$ 19.341,95, mencionado no relatório, que Vossas Senhorias mencionam como omissão de rendimentos, uma vez que não recebi da Celesc este valor em nenhuma data, não incidindo portanto nenhuma tributação (cópia do comprovante anexo). A CONCLUSÃO • À Vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Em vista do Recurso Voluntário apresentado o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis emitiu o seguinte despacho: O contribuinte apresentou, em 17/10/2007, recurso voluntário parcial (fls. 37 a 50) referente à decisão de primeira instância que considerou procedente o lançamento constante do Auto de Infração IRPF, exercício 2002. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Em seu recurso questiona apenas o valor apurado como omissão de rendimentos recebidos de ação trabalhista da CELESC (R$ 19.341,95). (...) Diante do exposto, proponho que seja o contribuinte intimado a recolher o crédito tributário não recorrido ... É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos, a controvérsia cingese, nesta segunda instância, a omissão de rendimentos de Pessoa Jurídica recebidos da Celesc Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A que, segundo alega o recorrente, “causame estranheza a menção do valor de R$ 19.341,95, mencionado no relatório, que Vossas Senhorias mencionam como omissão de rendimentos, uma vez que não recebi da Celesc este valor em nenhuma data, não incidindo portanto nenhuma tributação (cópia do comprovante anexo)”. Portanto, afirma o recorrente que não recebeu o valor de R$ 19.341,95 da Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A Celesc. Pois bem, compulsandose os autos verifico, pois, que o valor de R$ 19.341,95, relativo à fonte pagadora Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A Celesc foi de fato recebido pelo recorrente. A Declaração de Imposto de Renda Retido na fonte DIRF, fl.13, informa que o recorrente recebeu a título de rendimentos não especificados – condenações judiciais – Cód. 8045, o valor de R$ 19.341,95, em setembro de 2001, tendo, inclusive, retido imposto de renda na fonte no montante de R$ 3.002,64. Com efeito, consta a fl. 16, DARF recolhimento no valor de R$ 3.002,64, pela Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A – Celesc, com as seguintes observações: Reclamante: Luiz Gonzaga Azevedo 6219.7 RT: 166/94 5ª Vara de Florianópolis. Destarte, de acordo com as provas cantantes dos autos entendo que restou demonstrado que o recorrente efetivamente recebeu da Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A Celesc o valor de R$ 19.341,95, a título de reclamatória trabalhista Ante ao exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 4DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11516.000568/200479 Acórdão n.º 220101.072 S2C2T1 Fl. 3 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 27/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 16/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 30/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002123/2005-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2001
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE.
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor. Aplicação da Súmula n° 2 do CARF.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
O lançamento da multa de oficio no valor de 75% do principal e, ainda, a incidência de juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, estão em conformidade com as regras vigentes. Aplicação da Súmula n° 4 do CARF.
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.561
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao Recurso
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Aplicação da Súmula n° 2 do CARF. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. O lançamento da multa de oficio no valor de 75% do principal e, ainda, a incidência de juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, estão em conformidade com as regras vigentes. Aplicação da Súmula n° 4 do CARF. Recurso conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 19515.002123/200526 Acórdão n.º 120100.561 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Antonio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Regis Magalhães Soares Queiroz, Rafael Correia Fuso e João Bellini Junior. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização federal, que cobra IRPJ, CSLL, PIS e COFIS sobre diferença de receita apurada no ano 2001, visto que a contribuinte deixou de baixar de sua escrita fiscal (conta do passivo) valores que já haviam sido pagos a fornecedores e que constavam ainda pendentes de pagamento na contabilidade da contribuinte (chamado de passivo fictício), incorrendo na presunção de receita dessas diferenças no valor de R$ 193.512,98. Vejamos as transcrições do relatório fiscal: Em 31/12/2001, constava no balanço da contribuinte passivos para com terceiros no total de R$ 2.341.634,17 (dois milhões, trezentos e quarenta e um mil, seiscentos e trinta e quatro reais e dezessete centavos), registrados em seu passivo circulante. Não havia obrigações de longo prazo, sendo, portanto, este o total de seus passivos exigíveis. Deste total, R$ 2.312.380,94 representavam obrigações com fornecedores, assim distribuídos: Saldo com a empresa POLYENKA LTDA, conforme relação R$ 2.287.332,53 Saldo com outros fornecedores, conforme relação R$ 25.048,41 Intimada a apresentar documentos de origem e dos pagamentos desses passivos, a empresa os apresentou completo referentes aos demais fornecedores (R$ 25.048,41), sendo que do montante da empresa Polienka, informou que se encontrava todo em aberto. Diante deste fato e considerando que este montante perfazia 97,68% (noventa e sete vírgula sessenta e oito por cento) do total dos seus passivos exigíveis em 31/12/2001, procedi envio, via AR à empresa POLIENKA LTDA, CNPJ/MF 59.142.745/000138, com sede à Av. Anhanguera, s/n, km 129, Pq. Industrial, Americana, SP, em 25/05/2005, com recepção no destino em 27/05/2005, solicitando confirmação dos títulos detalhados em relação analítica e se os mesmos ainda se encontravam em aberto. Desta forma, e suportado por informação do credor, chegase à diferença de R$ 193.512,98 (cento e noventa e três mil, quinhentos e doze reais e noventa e oito centavos) diferença esta entre o saldo na Nowa de R$ 2.287.332,53 e o saldo na Polyenka de R$ 2.093.819,55 em 31/12/2001, que representa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 19515.002123/200526 Acórdão n.º 120100.561 S1C2T1 Fl. 4 3 obrigação já paga e não baixada na escrita contábil da contribuinte, e por conseguinte, pagamentos efetuados com recursos à margem da escrita contábil, configurandose omissão de receitas em igual valor (R$ 193.512,98). O contribuinte foi intimado do lançamento fiscal em 07.07.2005, apresentou impugnação, alegando em síntese que: a) ressalta que o auto de infração estaria viciado de nulidade, porque foi produzido em computador, na própria repartição pública, e entregue na empresa apenas para coleta de assinatura do seu representante legal, sem motivo relevante que impedisse o AFRF de cumprir as normas do artigo 10, caput e inciso II, do Decreto n° 70.235/1972; b) alega que o auto de infração decorre do exame da escrita contábil e fiscal, atividade privativa de contador habilitado no CRCSP. Se o fiscal não é contador, temse a ineficácia de seus atos, por afrontarem o direito federal positivo que regula a profissão de contador; c) referese a diversos dispositivos da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional, além do PAF (artigo 10), que reputa terem sido desconsiderados; d) menciona que o conceito de renda tributável se iguala ao de lucro, e está contido no artigo 43 do CTN e nos artigos 189 e 191 da Lei das S.A.; e) alega que somente o acréscimo patrimonial efetivo ("plus" acrescido ao patrimônio da empresa) poderia ser submetido à tributação. Desta forma, se o Governo Federal ao invés de tributar renda, tributar o patrimônio, estará cometendo flagrante inconstitucionalidade; f) cita que o legislador ordinário está jungido não apenas à letra da CF/1988 (artigo 131, III) e aos artigos 43 e 44 do CTN: mas, ao seu significado. O lucro possui conceituação própria extraída da doutrina comercial que, baseada na exegese constitucional, entende que o mesmo somente se configura posteriormente à recomposição patrimonial da empresa em razão de eventuais prejuízos acumulados, apuráveis apenas após a extinção da sociedade comercial; g) considera a multa de 75% exorbitante; h) alega ser inconstitucional a incidência de juros moratórios equivalentes à taxa SELIC aos débitos fiscais, como pretende a Lei n° 9.065/1995. E ilegal, também, por contrariar o artigo 161, § 1°, do CTN; i) finaliza requerendo a nulidade do procedimento fiscal, pelos vícios apontados, e em conseqüência nulo e insubsistente o auto de infração, sem prejuízo de nova fiscalização, no prazo decadencial. A DRJ de São Paulo manteve o lançamento fiscal nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 19515.002123/200526 Acórdão n.º 120100.561 S1C2T1 Fl. 5 4 PRELIMINAR. NULIDADE. COMPETÊNCIA DO AGENTE DO FISCO. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é agente competente para efetuar lançamento de oficio de tributos e de contribuições administrados pela RFB, sendo desnecessário o seu registro em qualquer um dos conselhos profissionais. PRELIMINAR. NULIDADE. LOCAL DA LAVRATURA. Não é motivo de nulidade a preparação do auto de infração fora do estabelecimento da autuada, levado pronto para sua ciência. A norma preceitua a lavratura no local da verificação e não da ocorrência da falta. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. PERCENTUAIS APLICÁVEIS. O lançamento da multa de oficio no valor de 75% do principal e, ainda, a incidência de juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, estão em conformidade com as normas vigentes. LANÇAMENTOS RELEXOS. PIS. COFINS. CSLL. A decisão proferida em relação ao lançamento de IRPJ se aplica, no que couber, às exigências dele decorrentes, uma vez baseada nos mesmos elementos de prova. Lançamento Procedente O contribuinte foi intimado da decisão em 28.08.2008, interpôs Recurso Voluntário, em 23.09.2008, alegando apenas a inconstitucionalidade, falta de razoabilidade e proporcionalidade da multa de 75% e a inconstitucionalidade e ilegalidade dos juros Selic, que deveriam ser substituídos por 1% ao mês, acrescido de correção monetária pelo INPC mensal. Este é o relatório. Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto ao mérito, entendo que o passivo fictício foi devidamente demonstrado, sendo que a multa de ofício aplicada está prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 19515.002123/200526 Acórdão n.º 120100.561 S1C2T1 Fl. 6 5 9.430/96, sendo vedado a esse julgador afastar legislação federal por critério de inconstitucionalidade, conforme dispõe a Súmula n° 2 do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Já em relação à inconstitucionalidade e ilegalidade da Selic, além da vedação acima, cumpre destacar que essa Corte já pacificou a matéria, reconhecendo a aplicação da Selic como juros moratórios, nos termos da Súmula n° 4 do CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e no mérito NEGOLHE provimento, mantendo os lançamentos fiscais. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001273/2005-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O Carf é incompetente para apreciar matéria relativa à inconstitucionalidade
de lei.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são
devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
BASE DE CÁLCULO. LEI No 9.718, DE 1998. RECEITAS
FINANCEIRAS.
A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei no 9.718,
de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do
Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-000.888
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Carf é incompetente para apreciar matéria relativa à inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 BASE DE CÁLCULO. LEI No 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei no 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte
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APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Carf é incompetente para apreciar matéria relativa à inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 BASE DE CÁLCULO. LEI No 9.718, DE 1998. RECEITAS FINANCEIRAS. A ampliação do conceito de faturamento às demais receitas pela Lei no 9.718, de 1998, é inconstitucional, segundo decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13603.001273/200547 Acórdão n.º 330200.888 S3C3T2 Fl. 261 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andrea Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 223 a 245) apresentado em 16 de dezembro de 2008 contra o Acórdão no 0219.706, de 03 de novembro de 2008, da 1ª Turma da DRJ/BHE (fls. 212 a 217), cientificado em 21 de novembro de 2008, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de janeiro a dezembro de 2001, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2001 a 31/12/2001 A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria. As multas de ofício são previstas em lei, sendo defeso aos órgãos administrativos o seu relevamento. As normas reguladoras dos juros de mora que determinam a aplicação do percentual equivalente à taxa Selic encontramse disciplinadas em lei. Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 18 de julho de 2005, de acordo com o termo de fls. 14 a 16. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 04/13), relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 662.240,37, incluindo multa e acréscimos regulamentares, correspondente aos períodos de 01/2001 a 12/2001 (fl. 06). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13603.001273/200547 Acórdão n.º 330200.888 S3C3T2 Fl. 262 3 A autuação ocorreu em virtude da falta de recolhimento da contribuição nos citados períodos, tendo a fiscalização efetuado o levantamento da base de cálculo conforme demonstrativo de fls. 17/18, consoante relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 14/16. Como enquadramento legal, citaramse os artigos 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; artigos 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Irresignado, tendo sido cientificado em 18/07/2005 (fl. 05), o autuado apresentou, em 12/08/2005, acompanhadas dos docs. de fls. 185/205, as suas razões de discordância (fls. 172/184), assim resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo, ressalta que a cobrança da contribuição em foco, com fulcro na Lei nº 9.718, de 1998, ao pretender a extensão do conceito de faturamento, de modo a abranger toda receita auferida pela pessoa jurídica, violou diversos dispositivos constitucionais, tais como os princípios da legalidade (inciso I do art. 5º e II do art. 150 da Constituição Federal e 97 do CTN), da isonomia (inciso II do art. 5º e I do art. 150 da C.F.), da capacidade contributiva (§ 1º do art. 145), da anterioridade nonagesimal (art. 6º do art. 195 da C.F.), da hierarquia das leis (art. 59 da C. F.) e dos conceitos do direito privado (art. 110 do CTN). Salientando que nem mesmo com a promulgação da EC nº 20, de 1998, criada na tentativa de regularizar a cobrança dos PIS e da Cofins, de forma a sanar as irregularidades perpetradas, afastouse a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998. Isto porque esta fora editada em data anterior àquela, não gozando a emenda de efeitos retroativos, porquanto, se admitidos tais efeitos, esse entendimento acarretaria a insegurança jurídica plena, decorrente da afronta ao sistema constitucional vigente. Transcreve doutrina e jurisprudência a respeito do assunto, contestando o percentual aplicado da multa de ofício, porque exacerbado, possuindo nítido efeito confiscatório, indo de encontro à disposição contida no artigo 150, IV, da Constituição Federal de 1988, que o veda, portanto inconstitucional, ferindo ainda o princípio da capacidade contributiva, nos termos do § 1º do art. 145 da Constituição Federal, pelo que requer a sua exclusão. Transcrevendo jurisprudência acerca do assunto, prossegue em seu arrazoado, insurgindose contra a possibilidade de aplicar se a taxa Selic, seja como índice de atualização de tributos, seja como taxa de juros, pelo fato de essa possuir caráter estritamente remuneratório de capital, porquanto criada e regulamentada pelo Banco Central do Brasil, regulamentação essa sem força legal, o que contraria o princípio da legalidade, ferindo ainda os mandamentos contidos nos arts. 161, § 1º, do Código Tributário Nacional, (e o § 3º do art. 192 da Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13603.001273/200547 Acórdão n.º 330200.888 S3C3T2 Fl. 263 4 Constituição Federal), que estabelece o limite de juros de 12% ao ano, pelo que requer a sua redução. Por fim, requer seja reconhecida a improcedência da presente autuação, dandose integral provimento às suas razões de defesa ou que sejam excluídos do lançamento os juros calculados com base na taxa Selic, limitados aos termos do art. 161 do CTN, e a multa de ofício, por confiscatória. Eis o relatório do essencial." No recurso, a Interessada alegou que deveriam ser excluídos da base de cálculo os valores que não correspondessem a faturamento, à vista da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pela Lei no 9.718, de 1998. Ademais, a criação de nova fonte de custeio da seguridade social somente poderia ser efetuada por lei complementar, conforme art. 195, § 4º, da Constituição. Contestou também a aplicação da multa, alegando ser confiscatória. Por fim, seria impossível a aplicação da taxa Selic como de juros de mora. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, sobreveio, entre a aprovação da diligência e seu retorno, a declaração de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da Cofins. Inicialmente, é preciso esclarecer que o art. 62 do novo Regimento Interno do Carf, Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009, dispõe o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13603.001273/200547 Acórdão n.º 330200.888 S3C3T2 Fl. 264 5 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Dessa forma, se o STF já houver se pronunciado definitivamente pelo seu plenário a respeito da inconstitucionalidade de lei, o parágrafo único, I, do artigo acima citado permite que a aplicação da lei seja afastada. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. O Acórdão e a ementa tiveram as seguintes redações: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. Ives Gandra da Silva Martins e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente). Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13603.001273/200547 Acórdão n.º 330200.888 S3C3T2 Fl. 265 6 alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Dessa forma, como o presente lançamento ocorreu em função da não observação das disposições da Lei n. 9.718, de 1998, em princípio deveria ser afastada a exigência. A Fiscalização esclareceu, no relatório fiscal, não terem sido declarados e pagos quaisquer valores da contribuição no período a que se refere o auto de infração. A apuração foi efetuada de acordo com o demonstrativo de fls. 17 e 18, que dá conta da inclusão de receita bruta de vendas e de receitas financeiras (descontos obtidos e juros recebidos). Portanto, somente as receitas financeiras acima mencionadas devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Em relação às demais alegações de inconstitucionalidade, o que abrange também a multa, aplicase a Súmula Carf no 2, conforme a Portaria Carf no 106, de 21 de dezembro de 2009: Súmula Carf no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No tocante aos juros, aplicamse as Súmulas Carf nos 4 e 5: Súmula CARF no 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF no 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13603.001273/200547 Acórdão n.º 330200.888 S3C3T2 Fl. 266 7 exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para que sejam excluídas da base de cálculo da contribuição as receitas financeiras. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 11020.001751/2005-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
Ementa:
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA.
GLOSA.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, consoante previsão do Regulamento do Imposto de Renda RIR,
de 1999, em seus arts. 73, 797 e 835. Não havendo comprovação ou justificação por parte do contribuinte, cabível a glosa das deduções efetuadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.096
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 Ementa: IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. GLOSA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, consoante previsão do Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999, em seus arts. 73, 797 e 835. Não havendo comprovação ou justificação por parte do contribuinte, cabível a glosa das deduções efetuadas. Recurso negado.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. GLOSA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, consoante previsão do Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999, em seus arts. 73, 797 e 835. Não havendo comprovação ou justificação por parte do contribuinte, cabível a glosa das deduções efetuadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Fl. 72DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11020.001751/200544 Acórdão n.º 2101001.096 S2C1T1 Fl. 64 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, José Evande Carvalho Araujo (convocado), Maria Paula Farina Weidlich (convocada) e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 58/59) interposto em 3 de abril de 2008 (fl. 58) contra acórdão proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (fls. 49/51), do qual o Recorrente teve ciência em 5 de março de 2008 (fl. 55), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 03/05, lavrado em 13 de junho de 2005, em decorrência de dedução indevida de previdência privada, verificada no anocalendário de 2003. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2004 GLOSA DE DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação. Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis e/ou não comprovadas mediante documentação hábil e idônea, poderão ser glosadas pela autoridade lançadora. Lançamento Procedente” (fl. 49). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 58/59), reiterando que o comprovante de rendimentos juntado aos autos é suficiente para afastar a glosa efetuada. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11020.001751/200544 Acórdão n.º 2101001.096 S2C1T1 Fl. 65 3 Tratase de discussão sobre comprovação de contribuições à previdência privada, deduzidas pelo Recorrente no anocalendário de 2003. De início, cumpre ressaltar que qualquer dedução apontada pelo contribuinte em sua declaração de rendimentos está sujeita a comprovação, a teor do que restou regulamentado no Decreto n.º 3.000/99, em seus arts. 73, 797 e 835, in verbis: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1º. Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. § 2º. As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa. ...” * * * “Art. 797. É dispensada a juntada, à declaração de rendimentos, de comprovantes de deduções e outros valores pagos, obrigandose, todavia, os contribuintes a manter em boa guarda os aludidos documentos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário (Decreto Lei nº 352, de 17 junho de 1968, art. 4º).” * * * “Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 74).” Argumenta o Recorrente que o comprovante de rendimentos juntado aos autos (fls. 40, 46 e 60) seria suficiente para comprovar a contribuição (pagamento) à entidade de previdência privada e respectiva dedução. Analisandose os autos, verificase que o comprovante juntado pelo Recorrente referese, na verdade, aos rendimentos tributáveis recebidos por ele, no valor total de R$ 5.453,43, e que foram devidamente aceitos na declaração de ajuste anual do exercício de 2004. Todavia, o que gerou a autuação e que, até o momento, o Recorrente não comprovou foi o valor supostamente pago lançado no campo “DEDUÇÕES”, subcampo “Contribuição a Prev. Privada e Fapi”, no montante de R$ 4.855,06, e que reduziu a base de cálculo do imposto devido no anocalendário. Tal fato já havia sido constatado pela DRJ ao refutar o documento apresentado pelo contribuinte ao argumento de que “... tal documento já havia sido apresentado a autoridade lançadora, por ocasião da fase preparatória do lançamento e considerado insuficiente para a comprovação visto não constar do mesmo qualquer valor relativo a contribuição a entidade de previdência privada. Ao contrário, tratase, na verdade, Fl. 74DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11020.001751/200544 Acórdão n.º 2101001.096 S2C1T1 Fl. 66 4 de documento que explicita os rendimentos auferidos pelo contribuinte da entidade previdenciária” (fl. 51, grifouse). Concluise, portanto, que o Recorrente não comprovou a efetiva contribuição (desembolso/pagamento) à previdência privada no valor de R$ 4.855,06, o que justifica a glosa da dedução efetuada. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 75DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 10/06/ 2011 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 13707.004726/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2006
MULTA RESPONSABILIDADE OBJETIVA IMPOSSIBILIDADE ABSOLUTA
Apesar de a responsabilidade pelas infrações tributárias não depender da intenção do agente, este não pode ser punido nas hipóteses de impossibilidade absoluta de se comportar em cumprimento da norma impositiva. Não havia ação, em qualquer ponto do percurso de condutas possíveis, que poderia ter sido adotada pelo contribuinte para apresentar a declaração própria à sua atividade no prazo estabelecido pela legislação.
Sendo, desse modo, absolutamente impossível a sua conduta, não faz sentido punir o seu descumprimento com qualquer tipo de sanção.
Numero da decisão: 1201-000.566
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Não havia ação, em qualquer ponto do percurso de condutas possíveis, que poderia ter sido adotada pelo contribuinte para apresentar a declaração própria à sua atividade no prazo estabelecido pela legislação. Sendo, desse modo, absolutamente impossível a sua conduta, não faz sentido punir o seu descumprimento com qualquer tipo de sanção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 13707.004726/200791 Acórdão n.º 120100.566 S1C2T1 Fl. 202 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, João Bellini Júnior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares de Queiroz . Relatório DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Abaixo tomo de empréstimo o relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau acerca das referidas peças de acusação e defesa inaugural: Trata o presente processo de auto de infração de fl. 03, referente a multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada do exercício de 2006, anocalendário de 2005, no valor de R$ 7.911,51. A autuação teve como enquadramento legal o art. 106, II, "c" da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário NacionalCTN; art. 88 da Lei n° 8.981/1995; art 27 da Lei n° 9.532/1997 e art. 70 da Lei n° 10.426 de 24 de abril de 2002. Inconformada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 01/02, onde argüi a tempestividade e alega, em síntese, que, até a entrega da declaração ainda não havia sido deferido seu processo de enquadramento no SIMPLES (n° 13707.000213/200468) não tendo podido, portanto, entregar sua DIPJ 2006 via internet, por erro de transmissão, já que o seu CNPJ não contava como optante pelo SIMPLES. Prossegue afirmando que após varias tentativas sem sucesso, junto ao site da Receita Federal do BrasilRFB, só conseguiu transmitir a declaração na própria RFB, por um servidor que teria senha específica para receber, por isso entendendo que não é passivo de auto de infração, por ter cumprido a obrigação dentro do prazo legal. Encerra pedindo o indeferimento do auto de infração. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 18 a 20) negou provimento à impugnação nos seguintes termos, in verbis: De conformidade com a Instrução Normativa SRF n° 483, de 29 de dezembro de 2004, que versa sobre o programa gerador e as instruções para preenchimento da Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, relativa ao exercício de 2006, temos Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 13707.004726/200791 Acórdão n.º 120100.566 S1C2T1 Fl. 203 3 que a mesma deveria ser apresentada pela Internet, com a utilização do programa de transmissão Receitanet, inexistindo previsão legal para outra forma de apresentação, e até o último dia do mês de maio de 2006. Cumpre, portanto, considerar que a interessada somente apresentou a sua Declaração nos moldes que determinavam a norma retrocitada em 19/07/2007, quando, ao contrário do que protesta em sua impugnação, o prazo para entrega já havia se encerrado em 31/05/2006, ensejando, portanto, a aplicação da multa exigida no auto de infração objeto do presente processo. A impossibilidade de apresentação por não enquadramento da empresa como optante pelo SIMPLES não posterga o prazo para apresentação da Declaração nem afasta a aplicabilidade da multa por atraso na mesma. Destarte, entendo não haver o que reformar no lançamento em análise, devendo ser mantida incólume a exação, para exigir a multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada do exercício de 2006, anocalendário de 2005, no valor de R$ 7.911,51. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 24 a 25, mediante o qual basicamente reiterou as razões apresentadas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes A solução da presente lide não exige maiores perquirições. A Delegacia de Julgamento decidiu sob o fundamento de que a impossibilidade da entrega da declaração não eximiria o cumprimento do dever e, portanto, a aplicação da multa para o caso de descumprimento. Pois bem, o direito possui limitações semânticas, vale dizer, só é dirigido para condutas possíveis. As necessárias (como uma norma que estabelecesse o dever ou a proibição de respirar) e as impossíveis (por exemplo, uma regra que obrigasse ou permitisse viajar para a Lua todos os sábados) estão fora do campo da regulação jurídica. É evidente que a impossibilidade deve ser absoluta, isto é, deve percorrer todo o espectro de condutas do sujeito de direito. Pode ser impossível para uma pessoa alcoolizada deixar de praticar um delito. Isso não significa que ela não deva responder por suas Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME Processo nº 13707.004726/200791 Acórdão n.º 120100.566 S1C2T1 Fl. 204 4 ações. Nesse caso, a conduta deve ser analisada por completo, isto é, ela poderia ter deixado de praticar o ato antijurídico se tivesse sido cautelosa com a bebida. Todavia, se não há conduta possível a ser praticada pelo sujeito, a prescrição jurídica deixa de fazer sentido deôntico. É o caso do presente feito. Não havia ação, em qualquer ponto do percurso de condutas possíveis, que poderia ter sido adotada pelo contribuinte para apresentar a declaração própria a sua atividade no prazo estabelecido pela legislação. Sendo, desse modo, absolutamente impossível a sua conduta, não faz sentido punir o seu descumprimento com qualquer tipo de sanção. Isso posto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 9/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por GUILHERME ADOLF O DOS SANTOS ME
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Numero do processo: 14747.000013/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2005
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. Não se conhece do apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora
de primeira instância, quando formalizado após o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2101-001.155
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 INTEMPESTIVIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. Não se conhece do apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido
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RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. Não se conhece do apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Souza e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Fl. 61DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1129.916, proferido pela 6ª Turma da DRJ Recife (fl. 10), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação ao crédito tributário. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 05, o lançamento decorreu da omissão de rendimentos, conforme exposto abaixo: Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vinculo e/ou sem Vinculo Empregatício. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos it tabela progressiva, no valor de RS 5.309,19 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00." Lançado conforme DIRF apresentada pela UNIPÊ e comprovante apresentado pelo interessado no valor de R$ 5.309,19. Cientificado do lançamento, em 05/01/2007, o Interessado apresentou a impugnação, em 02/02/2007, alegando, em síntese: 1. que a Fiscalização não incluiu os descontos legais originados do lançamento de oficio, ou seja: Previdência Oficial = R$ 432,30; Pensão Alimentícia = R$ 2.609,95; Dai porque o total das deduções passaria para R$ 50.788,78; 2. a base de cálculo do IR passaria para R$ 28.416,04, e não R$ 31.458,29. Logo, o imposto devido seria de R$ 2.737,51. Retirandose a dedução de R$ 2.613,41, restaria imposto suplementar de R$ 124,10. Tais retificações teriam sido feitas em Declaração Retificadora, embora impedida de envio pela Internet (cópia anexada). Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manifestouse nos seguintes termos: Alega o Impugnante que a Fiscalização não incluiu os descontos legais originados do lançamento de oficio, ou seja, Previdência Oficial ( R$ 432,30) e Pensão Alimentícia ( R$ 2.609,95). Passase A. análise dos fatos. Compulsando os autos, fl. 07, encontrase cópia de comprovante de rendimentos, tendo como fonte pagadora o Institutos Paraibanos de Educação IPE, CNPJ 08.679.557/0001 02, informando rendimentos tributáveis de R$ 5.309,19 e contribuição previdenciária oficial de R$ 432,30. Logo, nesse ponto, deve ser incluído no total das deduções o valor de R$ 432,30, passando o Total das Deduções Declaradas de R$ 47.746,53 para R$ 48.178,83. Ainda se constata nos autos a presença de cópia de Declaração de ajuste anual, exercício 2005, como sendo suposta declaração retificadora, inserindo no campo de rendimentos tributáveis os valores recebidos pela referida fonte (Institutos Paraibanos de Educação). No entanto, tal declaração de ajuste não possui nenhum valor legal, tendo em vista que não foi recepcionada pela RFB, por extemporânea. (...) Fl. 62DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 14747.000013/200744 Acórdão n.º 210101.155 S2C1T1 Fl. 29 3 Quanto à pensão alimentícia, de acordo com o conteúdo do comprovante de rendimentos (fonte pagadora Secretaria de FinançasPB), há informação de desconto com pensão alimentícia no valor de R$ 36.133,70, sendo este o valor exatamente informado na declaração de ajuste anual enviada pelo Impugnante. Dai porque deve permanecer o valor originalmente informado pelo contribuinte, a titulo de dedução com pensão alimentícia, no valor de R$ 36.133,70. Salientase, por oportuno, existirem nos autos alguns comprovantes (cópias) de transferências bancárias, mas que, efetivamente, não se vinculam à pensão alimentícia judicial, que é descontada pela própria fonte pagadora. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005 IRPF. RENDIMENTOS. Na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física devem ser incluídas todas as fontes pagadoras da mesma. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. É vedada pela legislação a retificação da Declaração de Ajuste Anual após a notificação do lançamento. Impugnação Procedente em Parte Cientificado da decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 22/25. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, relator. Consta dos autos que o Recorrente tomou ciência da Decisão de primeiro grau em 12/10/2010, uma terçafeira, conforme Aviso de Recebimento à fl. 17. O recurso voluntário para este Conselho de Contribuintes deve ser apresentado no prazo máximo de trinta (30) dias, conforme prevê o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Considerando que o início da contagem do prazo começou a fluir a partir de 13/10/2010, uma quartafeira, dia de expediente normal na repartição de origem, e primeiro dia útil após a ciência da decisão de primeiro grau, o último dia para a apresentação do recurso seria 11/11/2010, uma quintafeira. Acontece que o recurso voluntário foi protocolizado em 12/11/2010 (fl. 22), quando já havia transcorrido o prazo regulamentar. Fl. 63DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Dispõe o artigo 35 do Decreto nº 70.235, de 1972, que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Em face ao exposto, não conheço do recurso, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 64DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13642.000211/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/03/2007
PEDIDO DE REEMBOLSO DE SALÁRIO MATERNIDADE. INDEFERIMENTO. SÓCIA COTISTA. SEGURADA EMPREGADA. IMPOSSIBILIDADE. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PERÍODO DE CARÊNCIA.
É cediço que o sócio pode ser empregado, posto que a sociedade tem personalidade jurídica própria. Entretanto, para que isso ocorra, é necessário que o sócio não possua cotaparte
que lhe assegure posição de destaque na sociedade nem tenha
participação intensa na gestão. O sócio cotista que recebe remuneração decorrente de seu trabalho em empresa
urbana ou rural é contribuinte individual perante o Regime Geral de Previdência Social, nos termos do art. 12, V, alínea “f”, da Lei 8.212/91. Para tanto é preciso observar o período de carência de dez (10) contribuições mensais previstos na legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 2301-002.123
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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INDEFERIMENTO. SÓCIA COTISTA. SEGURADA EMPREGADA. IMPOSSIBILIDADE. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. PERÍODO DE CARÊNCIA. É cediço que o sócio pode ser empregado, posto que a sociedade tem personalidade jurídica própria. Entretanto, para que isso ocorra, é necessário que o sócio não possua cotaparte que lhe assegure posição de destaque na sociedade nem tenha participação intensa na gestão. O sócio cotista que recebe remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural é contribuinte individual perante o Regime Geral de Previdência Social, nos termos do art. 12, V, alínea “f”, da Lei 8.212/91. Para tanto é preciso observar o período de carência de dez (10) contribuições mensais previstos na legislação previdenciária. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 84DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes (VicePresidente), Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzales Silvério. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13642.000211/200713 Acórdão n.º 230102.123 S2C3T1 Fl. 83 3 Relatório 1. Tratamse os autos de pedido de reembolso de salário maternidade requerido pela empresa PAIVA GUERRA DEL REI INFORMÁTICA LTDA, o qual foi indeferido pelo fato de que a sócia cotista SORAIA FERREIRA GUERRA “não atende aos requisitos para enquadramento como segurada do Regime Geral de Previdência Social (RGPS).” 2. Irresignada com a decisão de fls. 73/75, o requerente, em suas razões recursais aduz que a sócia cotista SORAIA FERREIRA GUERRA foi contratada como segurada empregada, nos termos do artigo 12, da Lei 8.212/91, e que foram cumpridos todos os requisitos e obrigações de uma relação contratual (salário, FGTS, contribuição previdenciária, etc), logo, o pedido de reembolso, referente às competências 12/2006 a 4/2007, deve ser deferido. 3. A fiscalização, por sua vez, em suas contrarrazões pugna pela manutenção da decisão recorrida, a qual negou o pedido de reembolso à pessoa jurídica esclarecendo que seu indeferimento não se deu somente em razão da alínea “a”, inciso I, do artigo 12, da Lei 8.212/91, mas também pelo fato de a empresa não ter declarado em GFIP a sócia cotista como contribuinte individual, nos termos do artigo 12, inciso V, alínea “f”, da mesma Lei e, cumulativamente não ter preenchido os 10 meses de contribuições mensais exigidos como período de carência. 4. Após a contrarrazão fiscal, os autos foram encaminhados a este Colegiado para análise do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. REEMBOLSO SALÁRIO MATERNIDADE 2. A controvérsia dos autos cingese ao direito ou não de reembolso do salário maternidade percebido pela sócia cotista SORAIA FERREIRA GUERRA, no período de 12/2006 a 4/2007. 3. De acordo com a fiscalização, a sócia cotista não poderia ser enquadrada como segurada empregada por não preencher os requisitos do artigo 3o da Consolidação das Leis do Trabalho, nem ser considerada contribuinte individual por não perceber remuneração conforme declarações prestadas nas GFIP’s. 4. Em contrapartida, a requerente informa que o pedido de reembolso deve ser deferido, pois a sócia cotista foi contratada como segurada empregada, nos termos do artigo 12, da Lei 8.212/91, e que foram cumpridos todos os requisitos e obrigações (salário, FGTS, contribuição previdenciária, etc) de uma relação contratual. 5. Antes de adentrar ao caso concreto, tecerei alguns breves comentários sobre a matéria em questão, qual seja: salário maternidade. 6. A Carta Magna de 1988, em seu artigo 6o, elenca como direito social a proteção e assegura à mulher a “licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias”, conforme previsto no artigo 7o, XVIII, da referida Carta. 7. No âmbito da legislação infraconstitucional, o benefício do salário maternidade está disciplinado nos artigos 71 a 73 da Lei nº 8.213/ 91, e nos artigos 93 a 103 do atual Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n٥ 3.048, de 1999. 8. Todas as trabalhadoras filiadas ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS – segurada empregada, trabalhadora avulsa, empregada doméstica, contribuinte individual e segurada especial – têm direito ao benefício do saláriomaternidade, observadas as condições legalmente impostas. 9. No que se refere à segurada empregada, o salário maternidade será devido pela previdência social enquanto existir relação de emprego, observadas as regras quanto ao pagamento desse benefício pela empresa, nos termos do artigo 97, do Decreto 3048/99. 10. No mesmo sentido, cabe ressaltar que cabe a empresa o pagamento do salário maternidade a segurada empregada gestante, “efetivandose a compensação, observado o disposto no art. 248 da Constituição Federal, quando do recolhimento das contribuições incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço.” (artigo 72, § 1o, da Lei 8.213/91) Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13642.000211/200713 Acórdão n.º 230102.123 S2C3T1 Fl. 84 5 11. Em síntese, a existência da relação de emprego (empregada e empregada doméstica) ou de contribuições (contribuinte individual e facultativa) é prérequisito necessário para o direito ao saláriomaternidade. 12. E no caso sob exame, verificase que a sócia cotista, detentora de 50% das quotas conforme cláusula 3a do Contrato Social (fl. 08), foi admitida como segurada empregada em 07/03/2006 (fl. 42) e começou a receber o salário maternidade a partir da competência 12/2006, 9 (nove) meses depois. 13. No meu entendimento, o sócio pode ser empregado, posto que a sociedade tem personalidade jurídica própria. Entretanto, para que isso ocorra, é necessário que o sócio não possua cotaparte que lhe assegure posição de destaque na sociedade nem tenha participação intensa na gestão. Em resumo, sob as limitações acima expostas, é possível a coexistência do contrato de trabalho com qualidade de acionista ou sóciocotista. A propósito o TST já decidiu que o empregado que adquire algumas cotas da sociedade empregadora não perde a sua condição de empregado. (RO 00300200410222001, Rel. Desembargador Francisco Meton Marques de Lima, TRT da 22ª Região, Tribunal Pleno, julgado em 22/11/2005, DJT 19/12/2005 p. 19) 14. Dito isso, considero que, no presente caso, a sócia não poderia ser enquadrada como segurada empregada para fins de Previdência Social, vez que possuía cinquenta (50%) por cento das quotas. Além do que consta da cláusula oitava (8ª) do Contrato Social (fl. 09) menção ao recebimento de lucros anuais. 15. Quanto à hipótese de a sócia cotista ser eventualmente enquadrada como contribuinte individual, há previsão legal quando o sócio perceber remuneração decorrente de seu trabalho, nos termos do artigo 12, inciso V, alínea “f”, da Lei 8212/91: “Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: V como contribuinte individual: f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração;” [g.n.] 15. E compulsando os autos, consta da cláusula oitava (8ª) do Contrato Social (fl. 09) menção ao recebimento de lucros anuais por parte dos sócios. Além disso, não foi observado o período de carência previsto em lei, qual seja: 10 (dez) contribuições mensais, conforme disposto no artigo 25, inciso III, da Lei 8.213/91. 16. Feitas essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário para manter o indeferimento do salário maternidade referente às competências 12/2006 a 4/2007, vez que não restou demonstrado que a sócia faria jus ao benefício. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 CONCLUSÃO 17. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/08 /2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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