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Numero do processo: 10218.720232/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante, não há se falar em nulidade.
SUJEIÇÃO PASSIVA. ÔNUS DA PROVA.
Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, a hipótese de ilegitimidade passiva somente pode ser considerada caso o contribuinte demonstrasse de forma inequívoca que deixou de ter a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de área de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 10/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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INOCORRÊNCIA. Quando a decisão de primeira instância, proferida pela autoridade competente, está fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo impugnante, não há se falar em nulidade. SUJEIÇÃO PASSIVA. ÔNUS DA PROVA. Havendo o contribuinte apresentado a DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural, a hipótese de ilegitimidade passiva somente pode ser considerada caso o contribuinte demonstrasse de forma inequívoca que deixou de ter a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de área de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 02 32 /2 00 7- 71 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720232/200771 Acórdão n.º 2102003.156 S2C1T2 Fl. 132 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 10/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra VOLDIMIR MAISTROVICZ foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/03, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Lote Rural 09 Setor F, com área total de 2.442,0ha (NIRF 4.161.1853), relativo ao exercício 2005, no valor de R$ 41.026,19, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/10/2007. As infrações imputadas ao contribuinte foram glosa total da área de reserva legal, por falta da averbação junto à matrícula do imóvel e da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT) – extrato, fls. 65 (R$ 100,00/ha), conforme quadro a seguir: ITR 2005 Declarado Apurado na Notificação 03Área de Utilização Limitada 1.953,6 ha 0,0 ha 16Valor da Terra Nua R$ 46.200,00 R$ 244.200,00 Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 23/29, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/BSA nº 0332.501, de 05/08/2009, fls. 66/79. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720232/200771 Acórdão n.º 2102003.156 S2C1T2 Fl. 133 3 Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 25/09/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 81, o contribuinte apresentou, em 27/10/2009, recurso voluntário, fls. 90/107, trazendo as seguintes alegações: Da nulidade – O pedido de diligência não foi apreciado, motivo que demonstra a nulidade do decisão recorrida. Não pode o julgador a quo não buscar a verdade real, ou seja, no presente caso era dever da administração diligenciar no imóvel objeto do imposto lançado, para verificar a realidade sobre a ocupação. Do sujeito passivo da obrigação tributária – A gleba rural está tomada por posseiros, consoante cópia de denúncia de grilagem no Município de São Feliz do Xingu e de práticas de crimes ambientais, na qual consta a relação dos proprietários denunciantes, dentre eles figurando o recorrente. Portanto, resta claro que o recorrente não tem a posse ou o domínio útil do imóvel rural, motivo pelo qual não pode ser considerado sujeito passivo da obrigação tributária e nem deve ocorrer a constituição do fato gerador da exação fiscal em tela. A legislação define como contribuinte o proprietário, ou o titular do domínio útil ou o possuidor. Contudo, não pode o Fisco escolher, sem qualquer critério, a quem deva recair o ônus da sujeição passiva. Ao considerarse a privação da posse e o esvaziamento dos elementos de propriedade, é inexigível o ITR diante do desaparecimento da base material do fato gerador e da violação dos princípios da razoabilidade, da propriedade, da função social, da boafé objetiva e da proporcionalidade. Das áreas ambientais do imóvel – O recorrente solicitou a averbação da área de reserva legal em meados de 2002, mas não foi atendido, consoante matrícula anexa 2.528 da Comarca de Altamira. O imóvel rural em questão possui duas escrituras, fato que no mínimo faz presunção de que algo não está correto. Inclusive, é de se destacar que na escritura pública de compra e venda há a previsão da área de reserva legal a ser protegida pelo adquirente. Aliás, o registro de 2007 possui natureza declaratória e demonstra que a área sempre existiu e, mesmo que intempestiva, deve ser excluída da base de cálculo do ITR. O ADA não é obrigatório para demonstrar a existência da reserva legal e de áreas de preservação permanente. Do valor da terra nua – O recorrente já em sua impugnação apontou e demonstrou a dificuldade de produzir o Laudo de Avaliação, uma vez que a Pauta de Avaliação de Imóvel Rural pela Prefeitura Municipal de São Félix do Xingu somente ocorreu em 29/08/2007, por intermédio do Decreto Municipal n° 1.170/2007, devidamente anexado nos autos. Tal fato demonstra que o requerimento protocolado em 26/09/2007 na ARF/Apucarana/PR, deveria ter sido analisado e deferido, uma vez que impediu o recorrente de realizar a devida avaliação do seu imóvel. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720232/200771 Acórdão n.º 2102003.156 S2C1T2 Fl. 134 4 Diante do problema verificado, da impossibilidade de o recorrente fazer a avaliação do imóvel e da falta de análise do pedido de dilação de prazo, deve prevalecer o valor venal da terra declarado na DITR/2003, qual seja o valor de R$18,42/ha. É o Relatório. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720232/200771 Acórdão n.º 2102003.156 S2C1T2 Fl. 135 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No que tange à argüição de nulidade da decisão de primeira instância há de se observar o que estabelece o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O Acórdão DRJ/BSA nº 0332.501, de 05/08/2009, fls. 66/79, foi proferido pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, que é, no caso, a autoridade competente para examinar a impugnação apresentada pelo contribuinte. Temse, ainda, que o referido acórdão analisou todas as argüições apresentadas pelo contribuinte em sua impugnação, não se verificando, pois, preterição do direito de defesa do recorrente. Nesse aspecto, importa destacar que o contribuinte não formulou na impugnação nenhum pedido de diligência ou perícia, sendo certo que o pedido de dilação de prazo, referido no recurso, foi encaminhado à autoridade fiscal, durante o procedimento fiscal, não havendo, portanto, razão para a decisão recorrida se manifestar sobre o mesmo. E mais, não assiste razão à defesa quando afirma que a administração teria, no caso, o dever de diligenciar no imóvel em questão, para verificar a realidade sobre a ocupação do mesmo. Veja que o contribuinte é o legítimo proprietário do imóvel, conforme certidão de registro de imóveis e, nesta qualidade, fez a apresentação da Declaração do ITR. Somente quando da impugnação suscitou que não teria a posse do imóvel. Ora, o ônus de comprovar tal alegação é do contribuinte, conforme disposto no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, não havendo que se falar em obrigação de a autoridade julgadora de primeira instância, determinar a realização de diligência com o objetivo de produção de provas, que cabia ao contribuinte trazer aos autos quando da apresentação de sua impugnação. Deste modo, não pode prevalecer a argüição de nulidade da decisão de primeira instância suscitada pelo recorrente. Ainda, preliminarmente, devese apreciar a alegação da defesa de ilegitimidade passiva. Nesse sentido, o contribuinte afirma que o imóvel rural está tomado por posseiros, consoante cópia de denúncia de grilagem no Município de São Feliz do Xingu e de práticas de crimes ambientais, na qual consta a relação dos proprietários denunciantes, dentre eles figurando o recorrente. Assim, entende que não pode ser considerado sujeito passivo da obrigação tributária. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720232/200771 Acórdão n.º 2102003.156 S2C1T2 Fl. 136 6 De imediato, cumpre dizer que o imóvel denominado Lote Rural 09 Setor F é objeto da matrícula nº 3.339 do Cartório de Registro de Imóveis, conforme Certidão, fls. 41, sendo certo que no referido documento o contribuinte consta como proprietário do imóvel e, conseqüentemente, sujeito passivo do ITR incidente sobre o mesmo, conforme determinado no art. 1º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. Ocorre que, conforme já mencionado, o recorrente insiste na tese de ilegitimidade passiva, afirmando que não dispõe da posse do imóvel e para comprovar tal alegação juntou aos autos cópia de denúncia de grilagem no Município de São Feliz do Xingu, fls. 108/114. Todavia, no referido documento, ao contrário do que afirma a defesa, não consta o nome do recorrente, dentre os proprietários denunciantes. Acrescentese que referida denúncia tem data de 05/12/2006, portanto, foi realizada em data posterior ao fato gerador do ITR exigido no lançamento, que é relativo ao exercício 2005, sendo certo que não se tem notícia nos autos de ação judicial para reintegração de posse do referido imóvel. E mais, ainda que prevalecesse a alegação de grilagem, tal fato não teria o condão de retirar o contribuinte do pólo passivo do ITR, posto que conforme disposto no art. 1º da Lei nº 9.393, de 1996, o fato gerador do ITR é a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel. Veja que a lei não faz nenhuma distinção entre o proprietário e o posseiro, de modo que enquanto o recorrente permanecer como proprietário do imóvel será o sujeito passivo do correspondente ITR. Destaquese que, no caso, não restou demonstrado que o contribuinte não fosse detentor da posse do imóvel na data do fato gerador do ITR exigido no lançamento, 01/01/2005. Nessa conformidade, não há como prevalecer a alegação de ilegitimidade passiva suscitada pelo recorrente. No mérito, no que concerne à área de reserva legal, devese dizer de pronto que o contribuinte não demonstrou que tenha feito a apresentação do ADA, que é condição necessária e imprescindível para fruição do benefício da redução do ITR devido, conforme disposto na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 137DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720232/200771 Acórdão n.º 2102003.156 S2C1T2 Fl. 137 7 § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)” (grifei) Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de preservação permanente e de reserva legal. No presente caso, o ITR exigido no lançamento referese ao exercício 2005 e a nãoapresentação do ADA implica em descumprimento dos requisitos necessários para a concessão da isenção. Ademais, temse que a averbação da área de reserva legal, junto ao cartório de registro de imóveis somente se deu em 26/09/2007, conforme certidão, fls. 41, sendo certo que não há nos autos provas de que o requerimento da averbação tenha sido feito pelo recorrente em meados de 2002, conforme afirma a defesa em seu recurso. Nessa conformidade, deve ser mantida a glosa da área de reserva legal, nos termos em que consubstanciado na Notificação de Lançamento, posto que não houve a apresentação do competente ADA e também porque a averbação da referida área somente se deu em 26/09/2007. No que se refere ao arbitramento do VTN, temse que o contribuinte em sua DITR/2005 informou VTN de R$ 46.200,00 (R$ 18,91/ha) e foi intimado a fazer a comprovação de tal valor, durante o procedimento fiscal, conforme Termo de Intimação Fiscal, fls. 06, mediante a apresentação de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com fundamentação e grau de precisão II e anotação de responsabilidade técnica (ART). Encerrado o procedimento, sem que o contribuinte tenha apresentado o laudo solicitado, a autoridade fiscal procedeu ao arbitramento do valor da terra nua. Assim, arbitrou o VTN em R$ 244.200,00 (R$ 100,00/ha), utilizando valor extraído do SIPT, extrato, fls. 65. No recurso, o contribuinte diz que teve dificuldade em produzir o Laudo de Avaliação, uma vez que a Pauta de Avaliação de Imóvel Rural pela Prefeitura Municipal de São Félix do Xingu somente ocorreu em 29/08/2007, por intermédio do Decreto Municipal n° 1.170/2007. Diz , ainda, que sua solicitação para prorrogação do prazo para a apresentação do laudo deveria ter sido apreciada e que em razão da falta de apreciação de tal pedido deve prevalecer o VTN declarado. Ora, tais alegações não podem prevalecer. A uma porque para a confecção de Laudo de Avaliação, nos termos em que solicitado pela autoridade fiscal, não há a necessidade de existência de pauta fornecida pela prefeitura do município onde se localiza o imóvel. A duas porque o contribuinte foi cientificado do Termo de Intimação em 25/07/2007 e o lançamento somente ocorreu em 18/10/2007, sendo certo que até a presente data, outubro de 2014, não foi juntado aos autos o laudo de avaliação. A três porque a falta de apreciação do pedido de prorrogação não impede o contribuinte de fazer a juntada do laudo aos autos. Acrescentese que o VTN de R$ 100,00/ha, adotado pela autoridade fiscal, para proceder ao arbitramento, foi extraído do SIPT, conforme previsto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996 e na Portaria SRF nº 447, de 28 de março de 2002. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10218.720232/200771 Acórdão n.º 2102003.156 S2C1T2 Fl. 138 8 Vale ressaltar que os anexos do Decreto Municipal, juntados aos autos pelo contribuinte não se prestam para descaracterizar o arbitramento efetivado no lançamento, posto que se referem aos preços correntes na data da publicação do Decreto, agosto de 2007. Ademais os valores ali indicados, variam entre R$ 105,00 e R$ 250,00, a depender da distância do imóvel para a sede do município. Como se vê, os valores indicados no decreto são superiores ao valor utilizado para o arbitramento, sendo importante dizer que nos autos não está demonstrada a distância do imóvel para a sede do município. Por fim, vale destacar que o documento hábil para descaracterizar o arbitramento efetivado nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 é o laudo de avaliação do imóvel, elaborados nos termos da NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Nessa conformidade, considerando que o contribuinte não comprovou o VTN declarado, pois deixou de apresentar o laudo de avaliação do imóvel, nos termos da NBR ABNT 146533, há de prevalecer o arbitramento do VTN, nos moldes em que consubstanciado na Notificação de Lançamento. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 139DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 13/11/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 11128.000654/00-23
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
null
Numero da decisão: 9303-002.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Daniel Mariz Gudiño, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: NANCI GAMA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do Fato Gerador: 24/03/1999 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSULTA GENÉRICDA. EFEITOS. AUSÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. POSSIBILIDADE. A apresentação de consulta sobre a correta interpretação da legislação tributária impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da decisão que a soluciona, desde que considerada eficaz. Para ser considerada eficaz, exigese, dentre outros, que a consulta esteja circunscrita a fato determinado, descrevendo suficientemente o seu objeto e indicando as informações necessárias à elucidação da matéria e, ressalvada a hipótese de matérias conexas, não suscite questões sobre mais do que um tributo ou contribuição. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Daniel Mariz Gudiño, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 06 54 /0 0- 23 Fl. 344DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por NANCI GAMA, Assinado digit almente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Nanci Gama Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte em face ao acórdão de nº 30239.223, prolatado pela Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos: (i) rejeitou a preliminar de nulidade do auto de infração afeta aos efeitos da consulta fiscal sobre o lançamento, sob alegação de que “ a consulta a que a recorrente de refere não busca discutir a tributação das mercadorias estrangeiras nas embarcações, mas tão somente aclarar como proceder à tributação”, e, também, sob alegação de que a solução prolatada nos autos do processo de consulta teria sido no sentido de considerála ineficaz, vez que formulada em desacordo com os artigos 2º a 5º da IN SRF 02/97, o que, segundo o artigo 11 da mesma Instrução, não viabilizaria que a mesma produzisse seus efeitos previstos no artigo 48 do Decreto 70.235/72; (ii) rejeitou a preliminar de nulidade do auto de infração por ausência de embasamento legal; (iii) no mérito, negou provimento ao recurso voluntário por entender que a alegação do contribuinte de que recolheu tributo a maior, sob alíquota ad valorem ao passo que o correto seria ter recolhido valor fixo para cada unidade de produto, não teria sido comprovado nos autos e, ainda que houvesse provas, o contribuinte poderia “realizar em procedimento próprio a sua compensação com os créditos aqui apurados”; e, (iv) ainda no mérito, negou provimento ao recurso voluntário por entender que as mercadorias informadas pelo contribuinte como “brindes ou danificadas” devem ser enquadradas como “mercadorias estrangeiras destinadas à venda”, nos termos do inciso II do artigo 5º da IN 137/98 e não, conforme pretende o contribuinte, como “provisões de bordo” previstas no inciso I do artigo 5º da mesma IN, cabendo, portanto, a exigência em comento. Regularmente intimado, o contribuinte opôs embargos de declaração suscitando que o acórdão embargado teria sido (a) contraditório na medida em que constaria, no seu relatório, que “a empresa apresentou consulta sobre a aplicação da IN 137/98” e, no seu voto, que “a consulta a que a recorrente se refere não busca discutir a tributação das mercadorias estrangeiras nas embarcações, mas tão somente aclarar como proceder à tributação”, e (ii) omisso no que se refere à aplicação do artigo 163 do CTN no caso, relativo à necessidade de compensação nos próprios autos. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por NANCI GAMA, Assinado digit almente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000654/0023 Acórdão n.º 9303002.448 CSRFT3 Fl. 317 3 Por meio do acórdão de nº 30239.765, a Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitou os embargos de declaração por entender não ter havido omissão ou contradição no acórdão embargado. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso especial de divergência suscitando que o auto de infração não poderia ter sido lavrado, em 03/02/2000, devido à existência de prévia consulta fiscal sobre a matéria, por sua vez protocolada em 29/12/1998, da qual apenas foi intimado de sua solução em 26/04/2002. Segundo o contribuinte, o mesmo estaria abrangido pelo artigo 48 do Decreto 70.235/72, o qual prevê que “nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência da decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso”. Para tanto, o contribuinte se embasou, dentre outros, no acórdão de nº 303 32.526, proferido em outro processo que ele próprio foi autuado, e com relação ao mesmo processo de consulta mencionado nos presentes autos, o qual restou assim ementado: “II/IPI. NORMAS GERAIS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO SOB MATÉRIA OBJETO DE CONSULTA AINDA PENDENTE DE DECISÃO E/OU DECRETAÇÃO DE INEFICÁCIA. IMPOSSIBILIDADE. AFRONTA AO ARTIGO 48 DO DECRETO 70.235/72. É DE SER DECLARADA A NULIDADE DO PROCESSO ‘AB INITIO’” Suscitou, ainda, divergência quanto à necessidade de observância do artigo 163 do CTN para a compensação dos créditos a maior apurados nos presentes autos com os débitos lançados no auto de infração. Em exame de admissibilidade de fl. 304, o i. Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento parcial ao recurso especial do contribuinte apenas no que se refere à matéria afeta aos efeitos da solução de consulta sobre o lançamento, tendo, por outro lado, negado seguimento quanto à matéria afeta a compensação com valores recolhidos a maior por ausência de divergência. Em reexame de admissibilidade, o i. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais acolheu o exame de admissibilidade anteriormente proferido, restando definitivo o seguimento parcial do recurso especial. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, por meio das quais requereu fosse negado provimento ao recurso especial do contribuinte e mantido o acórdão a quo. É o relatório. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por NANCI GAMA, Assinado digit almente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte é tempestivo, e, quanto à matéria afeta aos efeitos da consulta fiscal sobre o lançamento, entendo terem sido preenchidos os requisitos necessários à sua admissibilidade, razão pela qual o conheço nessa parte. Conforme se infere da própria cópia da solução de consulta juntada aos presentes autos às fls. 114/118, o contribuinte formulou consulta fiscal em 29/12/1998 objetivando a obtenção de “esclarecimentos sobre a forma de apuração do IRPJ, da CSLL, do IRRF, do II e do IPI e das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, devidos em razão das operações praticadas nos navios durante o período de sua permanência no Pais, cujo cálculo e pagamento é de sua responsabilidade, por força do disposto na Instrução Normativa SRF n° 137, de 23 de novembro de 1998”. A consulta, entretanto, foi apreciada como ineficaz pela autoridade administrativa que entendeu que a “inicial está formulada em termos por demais amplos, visando a envolver todos os tributos e contribuições a que se encontra sujeita a consulente nos termos da IN SRF n° 137, de 1998, o que contraria frontalmente a norma processual do art. 5° da IN SRF n° 2, de 1997”, tendo o contribuinte sido cientificado do seu teor em 26/04/2002. A controvérsia cingese em determinar se a consulta fiscal apresentada pelo contribuinte, por sua vez julgada ineficaz, teve o condão de inviabilizar a administração de lavrar o presente auto de infração em 03/02/2000, a teor do disposto no artigo 48 do Decreto 70.235/77, o qual prevê o quanto segue: “Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância.” (grifouse) As hipóteses que podem afastar os efeitos da consulta formulada pelo contribuinte estão previstas no artigo 52 do Decreto 70.235/77, o qual prevê que: “Art. 52. Não produzirá efeito a consulta formulada: I em desacordo com os artigos 46 e 47; II por quem tiver sido intimado a cumprir obrigação relativa ao fato objeto da consulta; III por quem estiver sob procedimento fiscal iniciado para apurar fatos que se relacionem com a matéria consultada; IV quando o fato já houver sido objeto de decisão anterior, ainda não modificada, proferida em consulta ou litígio em que tenha sido parte o consulente; Fl. 347DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por NANCI GAMA, Assinado digit almente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000654/0023 Acórdão n.º 9303002.448 CSRFT3 Fl. 318 5 V quando o fato estiver disciplinado em ato normativo, publicado antes de sua apresentação; VI quando o fato estiver definido ou declarado em disposição literal de lei; VII quando o fato for definido como crime ou contravenção penal; VIII quando não descrever, completa ou exatamente, a hipótese a que se referir, ou não contiver os elementos necessários à sua solução salvo se a inexatidão ou omissão for escusável, a critério da autoridade julgadora.” A meu ver, a declaração de ineficácia da consulta pela autoridade julgadora sob alegação de que os termos da consulta estariam demasiadamente amplos por englobarem “todos os tributos e contribuições a que se encontra sujeita a consulente nos termos da IN SRF n° 137, de 1998” não se mostra enquadrado em qualquer dos incisos do artigo 52 acima transcrito, tendo, muito pelo contrário, a autoridade administrativa demonstrado, ao longo da solução de consulta, compreensão exata sobre a hipótese referida na consulta. Assim, a meu ver, o único requisito restante para que se reste comprovada a necessidade de aplicação dos efeitos da consulta nos presentes autos é a constatação acerca da identidade de objetos. E, tendo o auto de infração objeto do presente processo, excetuandose a parte já cancelada pela decisão de primeira instância, se referido à falta do recolhimento do II e do IPI em decorrência de determinações constantes do parágrafo 3º do artigo 5º e o inciso I do artigo 9º da IN SRF nº 137/98, entendo ser indispensável o reconhecimento da nulidade do auto de infração por desatendimento ao previsto no artigo 48 do Decreto 70.235/77. Para dirimir quaisquer dúvidas sobre a identidade de objetos entre o lançamento objeto dos presentes autos e o processo de consulta formulado, transcrevo o relato do auto de infração: “Falta de recolhimento do II ( imposto de importação) e do IPI( imposto sobre produtos industrializados) em decorrência de acréscimo na quantidade de mercadorias, apurado em ato de conferência documental da D.S.I. ( Declaração Simplificada de Importação) número 099/100.077 ( NAVIO COSTA MARINA), onde o contribuinte declara, folha 05 da referida D.S.I., mercadorias "danificadas e brindes"; sobre estas mercadorias incidem o II (imposto de importação) e o IPI ( imposto sobre produtos industrializados) como determina o artigo 83( Decreto Lei 37/66, artigo 1°,artigo 93),84,85 e 86 do REGULAMENTO ADUANEIRO aprovado pelo Decreto 91.030/85. As planilhas, anexas, fazem parte e instruem o presente auto de infração. As mercadorias foram despachadas para consumo através da Declaração Simplificada de Importação (D.S.I.) número 099/100.077( NAVIO COSTA MARINA), registrada em 04/03/1999; data esta utilizada para conversão dos valores declarados em dolar para real US$ = 2,1308 R$, conforme determina o parágrafo 3° do artigo 5° e o inciso I do artigo 9° Fl. 348DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por NANCI GAMA, Assinado digit almente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 da INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N ° 137/98, combinada com o inciso I do artigo 87 e artigo 112 do REGULAMENTO ADUANEIRO, aprovado pelo Decreto 91.030/85. Sendo assim, cobrase a diferença de imposto, apurada em face de tal incorreção, somado aos acréscimos legais devidos.” (grifouse) Em face do exposto, voto no sentido de conhecer o recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte para, no mérito, darlhe provimento para anular o auto de infração por desatendimento ao disposto no artigo 48 do Decreto 70.235/72. Nanci Gama Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado A teor das informações contidas no Relatório que precede o Voto Vencido1, entendese que o Recurso Especial foi admitido exclusivamente para a matéria relacionada aos efeitos protetivos da consulta apresentada pelo contribuinte. Segundo entendimento da Parte e da i. Relatora do Processo, uma vez que versasse sobre matéria coincidente com a que fundamenta o Auto de Infração, a apresentação da consulta impediria o Fisco de instaurar qualquer procedimento fiscal contra o consulente. De fato, é de sabença que, nos termos da Lei, a consulta eficaz impede a instauração de procedimento fiscal contra o consulente, relativamente à espécie consultada. Para ser considerada eficaz, a consulta deverá, dentre outros requisitos, referirse a dispositivos da legislação tributária aplicáveis a (i) fato determinado, (ii) não definidos em disposição literal de lei, (iii) nem disciplinado em ato normativo. O conceito aberto encontrado no artigo 46 Decretolei 70.235/72 sob o signo “fato determinado” foi especificado no texto da Instrução Normativa nº 02/97, vigente à época, nos seguintes termos. Art. 3º (...) § 1º A consulta será feita mediante petição e deverá atender os seguintes requisitos: (...) III circunscreverse a fato determinado, descrevendo suficientemente o seu objeto e indicando as informações necessárias à elucidação da matéria; IV indicação dos dispositivos que ensejaram a apresentação da consulta, bem assim dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada. 1 Em exame de admissibilidade de fls. 304, o i. Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de julgamento do CARF deu seguimento parcial ao recurso especial do contribuinte apenas no que se refere à matéria afeta aos efeitos da solução de consulta sobre o lançamento, tendo, por outro lado, negado seguimento quanto à matéria afeta a compensação com valores recolhidos a maior por ausência de divergência. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por NANCI GAMA, Assinado digit almente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000654/0023 Acórdão n.º 9303002.448 CSRFT3 Fl. 319 7 (...) Art. 5º Ressalvada a hipótese de matérias conexas, não poderão constar, de uma mesma petição, questões sobre mais de um tributo ou contribuição. Encontrase nos autos a consulta protocolada pela interessada (folhas 106 (121 eProc) e seguintes). Nela buscase esclarecimentos acerca do (i) dever de efetuar os controles forma individualizada ou por concessionário, (ii) requerer tradução juramentada à documentação que suporta as operações (iii) periodicidade da apuração e levantamentos de mercadorias, (iv) forma de tratamento dos serviços prestados a estrangeiros, local de manutenção dos controles e documentos e (v) espécies de despesas dedutíveis. Mais do que um aspecto merece ser examinado. Primeiro, como já se vinha delineando, a teor do disposto no artigo 5º da Instrução Normativa nº 02/97, que, como disse, atribuiu conteúdo normativo específico ao conceito aberto encontrado no Decreto 70.235/72, não poderão constar, de uma mesma petição, questões sobre mais de um tributo ou contribuição. No caso concreto, os diversos Tributos e Contribuições relacionados no artigo 1º, parágrafo 4º, da Instrução Normativa nº 137/98 têm relação de dependência com os questionamentos apresentados na Consulta. A seguir o texto do parágrafo 4º do artigo 1º da IN 137/98: § 4º Os impostos e contribuições devidos em virtude do disposto nesta Instrução Normativa serão pagos mediante Documentos de Arrecadação de Tributos e Contribuições Federais DARF, com os seguintes códigos de receita: a) IRPJ 7756; b) CSLL 7837; c) II 7730; d) IPI 7743; e) PIS/PASEP 7797; f) COFINS 7784; g) IRF 7769. O artigo 10 da Instrução Normativa 02/97, cuja base legal encontrase no artigo 48 do DecretoLei 70.235/72, afasta a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, desde que a consulta seja eficaz, o que, por sua vez, depende da observância do disposto no artigo 5º. Art. 5º Ressalvada a hipótese de matérias conexas, não poderão constar, de uma mesma petição, questões sobre mais de um tributo ou contribuição. (...) Art. 10. A consulta eficaz impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da decisão que a soluciona, desde que o pagamento ocorra neste prazo, quando for o caso. (...) Art. 11. Não produz efeitos a consulta formulada: I com inobservância dos arts. 2º a 5º; Fl. 350DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por NANCI GAMA, Assinado digit almente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Tratase de uma razão material e insofismável a determinar a ineficácia da Consulta interposta, subtraindolhe os efeitos pretendidos. Noutro giro, relendo os questionamentos feitos pela Recorrente na Consulta correspondente, encontro grande dificuldade em não compreendêlos como generalidades, dissociados de uma dúvida específica sobre a legislação tributária aplicável ao caso concreto. Perceboos, em lugar disso, muito mais como indagações acerca da forma de organização apropriada para atender o que determinado na Norma Legal. Quanto a isso, andou muito bem a decisão de origem ao esclarecer porque a consulta interposta pela Recorrente não atendia à condição de eficácia estabelecida na legislação tributária. A seguir excerto extraído do Despacho Decisório SRRF08/Disit, folha 116 (131 – eProc). Primordialmente, há que se considerar que a interessada ora não apresenta propriamente questões sobre a interpretação dos dispositivos da legislação tributária aplicáveis As situações a que se refere na inicial e que, em principio, não lhe seriam claros. Ao contrário, suas indagações, que bem por isso achouse oportuno acima transcrever literalmente, reportamse basicamente a aspectos operacionais, em particular quanto ao registro, escrituração contábil e procedimentos correlatos aplicáveis às operações realizadas a bordo dos navios, expressando apenas suas dificuldades para adaptarse as exigências da IN SRF n° 137, de 1998, adaptação essa, ressaltese, até tardia, pois já há alguns anos deveria estar agindo como previsto naquele diploma. Não são, porém, ressaltese, dúvidas quanto à interpretação da legislação tributária aplicável, descabendo sua apreciação em processo de consulta. Seguindo adiante, quero crer que as questões suscitadas pela Consulente possam também ser reconhecidas como fatos já definidos na legislação tributária2 e no direito privado. Isso pode ser deduzido das considerações finais do Despacho Decisório SRRF08/Disit, quando refere que a escrituração deve obedecer aos princípios aplicáveis ao registro e escrituração contábeis das operações próprias, conforme RIR/99, artigos 268, 269, bem assim, as normas gerais relativas conservação de documentos, papéis e comprovantes em que se fundamentem os referidos registros, conforme RIR/99, artigo 264. Outra ponderação que merece ser feita, é que, a todo rigor, não é o Processo Administrativo Fiscal o expediente apropriado para discutir a condição de eficácia da consulta interposta pelo administrado. Pelo menos é o que depreendo das disposições do artigo 7º da Instrução Normativa nº 02/97. Art. 7º A solução da consulta ou a declaração de sua ineficácia, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, compete à: (Redação dada pela IN SRF n º 83/97, de 31/10/1997) I Superintendência Regional da Receita Federal, exceto nas hipóteses dos incisos II e III; (Redação dada pela IN SRF n º 83/97, de 31/10/1997) II CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, nos casos de consultas formuladas por órgão central da Administração Federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional, exceto na hipótese referida no inciso seguinte; (Redação dada pela IN SRF n º 83/97, de 31/10/1997 ) 2 Art. 52. Não produzirá efeito a consulta formulada: V quando o fato estiver disciplinado em ato normativo, publicado antes de sua apresentação; VI quando o fato estiver definido ou declarado em disposição literal de lei; Fl. 351DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por NANCI GAMA, Assinado digit almente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000654/0023 Acórdão n.º 9303002.448 CSRFT3 Fl. 320 9 III CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro, nos casos de consultas sobre classificação fiscal de mercadorias, formuladas por órgão central da Administração Federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional, independentemente da sua finalidade se relacionar a tributo interno ou sobre o comércio exterior. (Redação dada pela IN SRF n º 83/97, de 31/10/1997 ) Com efeito, o que deve ser decidido aqui diz respeito à regularidade das ações praticadas pelo contribuinte à luz das disposições normativas vigentes à época dos fatos. Se existiam normas que determinassem os procedimentos exigidos pelo Fisco no Auto de Infração e se eles estavam suficientemente esclarecidos na legislação. Salvo melhor juízo, os efeitos em si da consulta ineficaz não podem mais ser revistos. Tratase de outro rito processual. Por fim, necessário acrescentar que a legislação tributária previne a instauração de procedimento fiscal contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada. Segundo informa o Auto de Infração, a Fiscalização Federal apurou a utilização de alíquota incorreta e acréscimo de mercadoria em ato de conferência documental das Declarações Simplificadas de Importação, infrações que não parecem guardar estrita relação com o objeto genérico especificado na consulta interposta. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte. Henrique Pinheiro Torres Fl. 352DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por NANCI GAMA, Assinado digit almente em 08/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10746.904250/2012-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 25 0/ 20 12 -0 1 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904250/201201 Resolução nº 3803000.623 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.898, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano Calendário: 2010 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904250/201201 Resolução nº 3803000.623 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 90DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904250/201201 Resolução nº 3803000.623 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 91DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904250/201201 Resolução nº 3803000.623 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 92DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904250/201201 Resolução nº 3803000.623 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904250/201201 Resolução nº 3803000.623 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópía de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 94DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904250/201201 Resolução nº 3803000.623 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10882.002160/2010-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - COMPENSAÇÃO - GLOSA.
Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa de mora com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.641
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência até a competência 07/2005, inclusive, com base no art. 150, § 4º, do CTN. No mérito por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Marcelo Magalhães Peixoto (ausente).
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 21 60 /2 01 0- 49 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO COMPENSAÇÃO GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa de mora com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002160/201049 Acórdão n.º 2403002.641 S2C4T3 Fl. 214 3 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência até a competência 07/2005, inclusive, com base no art. 150, § 4º, do CTN. No mérito por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Daniele Souto Rodrigues e Marcelo Magalhães Peixoto (ausente). Fl. 215DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 0532.218 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas – SP que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, AIOP nº 37.287.7125, no montante original de R$ 1.030.307,43. Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, o lançamento de contribuições destinadas à Seguridade Social referese às glosas de compensações efetuadas pela empresa em GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, nas competências, no período 01/2004 a 08/2009. Ainda segundo o Relatório Fiscal o auditor autuante esclarece que as contribuições em apreço foram compensadas indevidamente pela empresa, que reduziu diretamente nas GFIP's, os valores das contribuições previdenciárias a recolher sendo, desta forma, glosadas pela fiscalização. Ainda, conforme o Relatório Fiscal, fls. 19 a 23: O Contribuinte apresentou correspondência juntada ao presente informando que é titular de crédito representado pela Escritura Pública Declaratória de Anterior Ocorrência de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios, lavrada no Oficio de Registro Civil de Pessoas Naturais e Tabelião de Notas Distrito de São Novo Sao Roque — SP, Livro 113, págs. 261/262. Na referida escritura consta que adquiriu o crédito de terceiro pagando R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) pelo crédito adquirido de R$ 1.700.000,00 (um milhão e setecentos mil reais). A RF HDTV não comprovou, para a fiscalização, o pagamento do crédito adquirido. iii) os valores exigidos — extraídos do sistema GFIPWEB — constam de planilha anexa, os quais correspondem, a saber: contribuição da empresa incidente sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais; contribuição descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais; contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; e dedução dos salários família e maternidade. A Recorrente em petição juntada aos autos, às fls. 33 a 34,relata: A sociedade SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA CNPJ 42.361.972/000151 obteve decisão favorável nos autos da Ação Ordinária 94.00493690, junto à Fl. 216DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002160/201049 Acórdão n.º 2403002.641 S2C4T3 Fl. 215 5 24a. Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de janeiro, que declarou o direito de a mesma livremente negociar seus créditos previdenciários. A partir da decisão judicial, a empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA fez contrato de cessão desses créditos à Recorrente. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 05, é de 01/2004 a 02/2009. A Recorrente teve ciência do AIOP no dia 27.08.2010, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, às fls. 76 a 96, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: houve omissão de requisitos indispensáveis, consignados na falta da demonstração analítica da constituição do suposto crédito tributário, assim como da disposição legal infringida, o que lhe trouxe grave prejuízo, na medida que não sabe como foi calculado o tributo e multa aplicada; essa situação viola os artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72, assim como os princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal; o Auto de Infração não informa, também, qual a legislação que fundamentou a glosa das compensações regulares que promoveu; o presente deve ser declarado nulo, em atenção ao art. 59 do Decreto n° 70.235/72; o direito de constituir o crédito tributário de 01/2004 a 07/2005 encontrase caducado, nos termos do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional — CTN; ao contrário do entendimento da fiscalização, como se verifica da escritura que junta, a impugnante possui o legitimo direito de utilizar os créditos adquiridos por meio de cessão, afim de promover a compensação com seus débitos, com fundamento no citado art. 89, da Lei n°8.212/91; adquiriu, por escritura pública, da empresa Servport Serviços Participações e Administração de Bens Ltda. — EPP créditos junto ao INSS, decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, proferida pela 24a Vara Federal, na Ação Judicial n° 94.00493690; a multa aplicada de 20% possui caráter confiscatório. A Recorrida, em 21.01.2011, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, emitindo o Acórdão nº 0532.218 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas – SP, fls. 140 a 151, conforme Ementa a seguir: Fl. 217DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2009 COMPENSAÇÃO. LEI ESPECÍFICA. LIMITES E CONDIÇÕES. CRÉDITOS DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. A compensação não é direito subjetivo derivado da Constituição Federal ou do Código Tributário Nacional. É necessária a edição de lei da pessoa política competente, que pode estabelecer limites e condições ao seu exercício. É vedada a compensação de créditos tributários com créditos adquiridos de terceiros. CONTRIBUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. IRREGULARIDADE. GLOSA. Em se tratando de pagamento ou recolhimento devido de contribuição, é irregular a compensação efetuada, o que requer a glosa dos valores correspondentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo, onde combate a decisão de primeira instância e reitera as alegações deduzidas em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Da nulidade do auto de infração lavrado em virtude da forma de levantamento e apuração do crédito tributário; (ii) Da decadência (iii) Da ilegalidade na glosa de compensação efetivada pela Recorrente – direito de compensação dos débitos tributários com créditos adquiridos de terceiros. (iv) da inconstitucionalidade da multa em virtude da natureza confiscatória Observase que às fls. 148 dos autos, é colacionada cópia da tela do Sistema de Cobrança Dataprev/INSS CCADPRO – Consulta dados identificadores de processo – na qual o Recorrente, em relação ao presente AIOP 37.287.7125 se informa que o mesmo está na situação de incluído em 24.11.2009 no Parcelamento Especial da Lei 11,941/2009: Fl. 218DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002160/201049 Acórdão n.º 2403002.641 S2C4T3 Fl. 216 7 Em Sessão de Julgamento realizada em 20.06.2012, esta Colenda Turma de Julgamento do CARF resolveuse por baixar o processo em Diligência nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe se: (1) o AIOP 37.287.7125 está regularmente incluído no parcelamento especial da Lei 11.941/2009; (2) estando o presente AIOP incluído em tal Parcelamento Especial, quais as competências do AIOP estão abrangidas no Fl. 219DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Parcelamento Especial, posto que o período objeto do débito é 01/2004 a 02/2009; (3) o efeito desta inclusão no Parcelamento Especial da Lei 11.941/2009 se materializa na desistência do contribuinte em relação ao presente Recurso Voluntário impetrado; A Diligência realizada pela a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, às fls. 209, retornou ao CARF com a Informação Fiscal de que: Atendendo ao despacho conclusivo de fls. 204 temos a informar que o Auto de Infração em referência encontrase na fase “Aguardando expedição de Acórdão” (vide fls. 207), fase esta, não parcelável. Embora o débito tenha sido marcado automaticamente para inclusão na Lei nº 11.941/09, em virtude da adesão deste contribuinte ao parcelamento tela Lista de Eventos de Processos, juntada às fls. 208 – todas as competências deste não são admitidas à esta Lei, conforme pode ser verificado no despacho de fls. 77, emitido por esta EQPAR/DRF/OSA, o débito em questão não pode ser incluído no Parcelamento Especial da Lei nº 11.941/09 em vista do disposto no §2º do Artigo 1º da Lei nº 11.941/09. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002160/201049 Acórdão n.º 2403002.641 S2C4T3 Fl. 217 9 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 261. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Do não enquadramento em Parcelamento Especial Analisemos. Em Sessão de Julgamento realizada em 20.06.2012, esta Colenda Turma de Julgamento do CARF resolveuse por baixar o processo em Diligência nos seguintes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA, para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte informe se: (1) o AIOP 37.287.7125 está regularmente incluído no parcelamento especial da Lei 11.941/2009; (2) estando o presente AIOP incluído em tal Parcelamento Especial, quais as competências do AIOP estão abrangidas no Parcelamento Especial, posto que o período objeto do débito é 01/2004 a 02/2009; (3) o efeito desta inclusão no Parcelamento Especial da Lei 11.941/2009 se materializa na desistência do contribuinte em relação ao presente Recurso Voluntário impetrado; A Diligência realizada pela a unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da Recorrente, às fls. 209, retornou ao CARF com a Informação Fiscal de que: Atendendo ao despacho conclusivo de fls. 204 temos a informar que o Auto de Infração em referência encontrase na fase Fl. 221DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 “Aguardando expedição de Acórdão” (vide fls. 207), fase esta, não parcelável. Embora o débito tenha sido marcado automaticamente para inclusão na Lei nº 11.941/09, em virtude da adesão deste contribuinte ao parcelamento tela Lista de Eventos de Processos, juntada às fls. 208 – todas as competências deste não são admitidas à esta Lei, conforme pode ser verificado no despacho de fls. 77, emitido por esta EQPAR/DRF/OSA, o débito em questão não pode ser incluído no Parcelamento Especial da Lei nº 11.941/09 em vista do disposto no §2º do Artigo 1º da Lei nº 11.941/09. Diante do exposto, conforme o posicionamento da unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, não ocorreu o enquadramento da Recorrente no Parcelamento Especial instituído pela Lei 11.941/2009. (iv) Alegações de inconstitucionalidade da inconstitucionalidade da multa em virtude da natureza confiscatória Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 222DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002160/201049 Acórdão n.º 2403002.641 S2C4T3 Fl. 218 11 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (i) Da regularidade da autuação Da nulidade do auto de infração lavrado em virtude da forma de levantamento e apuração do crédito tributário; Analisemos. Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 0532.218 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas – SP que julgou procedente em parte o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, AIOP nº 37.287.7125, no montante original de R$ 1.030.307,43. Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, o lançamento de contribuições destinadas à Seguridade Social referese às glosas de compensações efetuadas pela empresa em GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, nas competências, no período 01/2004 a 08/2009. Ainda segundo o Relatório Fiscal o auditor autuante esclarece que as contribuições em apreço foram compensadas indevidamente pela empresa, que reduziu diretamente nas GFIP's, os valores das contribuições previdenciárias a recolher sendo, desta forma, glosadas pela fiscalização. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOP que, conforme definido no inciso III do artigo 460 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura do AIOP) Lei n° 8.212/91 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN RFB n° 971/2009 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002160/201049 Acórdão n.º 2403002.641 S2C4T3 Fl. 219 13 a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); lk. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Fl. 225DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. (ii) Da decadência Analisemos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser Fl. 226DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002160/201049 Acórdão n.º 2403002.641 S2C4T3 Fl. 220 15 provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 227DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Em relação a valores recolhidos pelo contribuinte, temse que no Relatório Fiscal, às fls. 20, e no Anexo do Relatório Fiscal, às fls. 25 a 26, a fiscalização informa que houve recolhimentos feitos pela Recorrente por intermédio de Guias da Previdência Social GPS (recolhimento nas competências 01/2004 a 07/2007 ; 01/2008 e 05/2008): 3.2.1. Os valores das colunas "Recolhido GPS" e "Intimação de Pagamento" foram extraídos do programa PLENUS da DATAPREV. Então, na hipótese dos autos, o Relatório Fiscal, às fls. 20, e no Anexo do Relatório Fiscal, às fls. 25 a 26, informa que houve diversos recolhimentos feitos pelo contribuinte, via Guias da Previdência Social entre as competências 01/2004 a 07/2007, 01/2008 e 05/2008, o que, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte a serem considerados para todo o período objeto da autuação ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com fulcro no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 05, é de 01/2004 a 02/2009. A Recorrente teve ciência do AIOP no dia 27.08.2010, conforme fls. 01. Portanto, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 07/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. (iii) Da ilegalidade na glosa de compensação efetivada pela Recorrente – direito de compensação dos débitos tributários com créditos adquiridos de terceiros. Analisemos. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002160/201049 Acórdão n.º 2403002.641 S2C4T3 Fl. 221 17 A compensação como modalidade de extinção do crédito tributário está prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional. O mesmo diploma legal, artigos 170 e 170A, prevê regras gerais sobre a matéria; as regras específicas são objeto de lei ordinária. Transcrevemos abaixo os artigos do CTN que tratam da compensação: “Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação;” “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) O Plano de Custeio da Seguridade Social, Lei n. 8.212/91, art. 89, que ora transcrevemos, traz comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuição para a Seguridade Social. “Art.89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido”. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) O direito à compensação surgirá após o pagamento indevido de contribuição destinada à Seguridade Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora, observadas as seguintes condições, conforme art. 193 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005: · a compensação deverá ser realizada com contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, excluídas as destinadas para Outras Entidades ou Fundos (Terceiros); · o sujeito passivo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, em relação à NFLD, LDC, AI, LDCG – Lançamento de Débito Confessado em GFIP e DCG Débito Confessado em GFIP, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 · o sujeito passivo deverá estar em dia com as parcelas relativas a acordos de parcelamento, considerados todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil; · somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição; · a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de períodos subseqüentes àqueles a que se refiram os valores pagos indevidamente. Os valores indevidamente compensados devem ser recolhidos pelo contribuinte, sobre os quais incidirão juros e multa de mora. Caso o contribuinte não recolha espontaneamente os valores compensados de forma indevida, cabe ao Fisco a glosa da compensação efetuada. Também cabe referida glosa na hipótese de compensação efetuada sem que houvesse recolhimento ou pagamento indevido; ou atualizada em desconformidade com os índices de correção previstos na legislação previdenciária; ou sem decisão judicial que tenha autorizado a compensação. Por fim, não houve qualquer ato perfeito e acabado, posto que uma compensação indevida não pode ser considerada como um ato jurídico perfeito, já que se sujeita à verificação de sua regularidade pela fiscalização. Como se vê, a compensação entre crédito e débito tributário efetivase por iniciativa do contribuinte, mas com risco para ele. A compensação feita, no âmbito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como no caso, fica a depender da homologação da autoridade fiscal, que pode e deve fiscalizar o contribuinte, examinar seus livros e documentos, verificar os cálculos e efetuar o lançamento de valor de compensação indevida, no todo ou em parte. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 20, a Recorrente informou que: "é titular do crédito representado pela Escritura Pública Declaratória de Anterior Ocorrência de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios, lavrada no Oficio de Registro Civil de Pessoas Naturais e Tabelião de Notas Distrito de São Novo São Roque — SP, Livro 113, págs. 261/262. Na referida escritura consta que adquiriu o crédito de terceiro pagando R$ 300.000,00 (trezentos mil reais) pelo crédito adquirido de R$ 1.700.000,00 (um milhão e setecentos mil reais)". A RF HDTV não comprovou, para a fiscalização, o pagamento do crédito adquirido. Por outro lado, no Recurso Voluntário, a Recorrente informa que adquiriu da empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA EPP, os direitos creditórios junto ao INSS por força de sentença transitada em julgado, nos autos do processo nº 94.00493690 perante a 24ª Vara Federal da Seção Judiciária do RJ. Outrossim, em consulta realizada no dia 10.07.2014, ao site da Justiça Federal no Rio de Janeiro (http://procweb.jfrj.jus.br/portal/consulta/resconsproc.asp), temse que em 12.11.2009 o processo n º 94.00493690 já esteve suspenso em função das “fundadas dúvidas quanto à identidade dos verdadeiros representantes legais da empresa SERVPORT, autora do presente feito:"Isto posto, suspendase o feito até que seja definido, por decisão Fl. 230DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002160/201049 Acórdão n.º 2403002.641 S2C4T3 Fl. 222 19 judicial transitada em julgado, quem são os verdadeiros responsáveis legais da autora, de modo que possa ser avaliada a validade das diversas cessões de créditos noticiadas nos autos”. Em 16.08.2013, a movimentação processual indicou que o processo n º 94.00493690 ficou novamente suspenso em função da tramitação do processo nº 0008740 65.2006.4.02.5101. O Processo nº 000874065.2006.4.02.5101 teve negado Embargos de Declaração opostos por SERVPORT Serviços Portuários e Marítimos Ltda. contra decisão que, em sede de liquidação de sentença, declarou a inexistência de valores a serem executados: Processo n. 000874065.2006.4.02.5101 (2006.51.01.0087400) CONCLUSÃO Nesta data, faço estes autos conclusos ao MM Sr(a). Dr. Juiz da 24ª Vara Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 10/06/2014 13:55 PAULO ROBERTO MOREIRA DE REZENDE Diretor de Secretaria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 1. Relatório. Cuidase de embargos de declaração opostos por SERVPORT Serviços Portuários e Marítimos Ltda. contra decisão que, em sede de liquidação de sentença, declarou a inexistência de valores a serem executados. Em suas razões recursais, a Embargante afirma que a decisão ora impugnada revela vícios de omissão e de contradição. Sustenta, para tanto, que não houve a necessária indicação precisa sobre as graves incorreções dos valores apresentados pela Exequente, sendo necessária a produção de prova pericial contábil. No que interessa à análise do recurso, é o relatório. 2. Fundamentação. Presentes os requisitos de admissibilidade. Conheço dos embargos de declaração. Diferentemente do que asseverado nos declaratórios, inexistem as apontadas omissão e contradição. A decisão ora impugnada reconheceu expressamente e de forma clara, com apoio em trabalho apresentado pela Contadoria do Juízo e pelos Fiscais do INSS, a existência de evidências de incorreções, como também a inexistência de crédito fiscal previdenciário em favor da Postulante. A Embargante, na verdade, insurgese contra a própria justiça da decisão, na medida em que questiona a correção de seus fundamentos, apontando supostos equívocos na interpretação das normas legais aplicáveis. Como cediço, os embargos de declaração não se afiguram vocacionados a modificar a decisão Fl. 231DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 impugnada, como que impregnado de efeitos infringentes. Divergência subjetiva da parte, ou resultante de sua própria interpretação jurídica, não é relevante para a utilização dos embargos declaratórios. 3. Dispositivo. Posto isso, nego provimento aos embargos de declaração. Publiquese. Intimemse. Rio de Janeiro, 10 de junho de 2014. Ademais, conforme o julgado por esta Colenda 3ª Turma Ordinária de Julgamento, em 08.06.2011, no Acórdão nº 240300.599 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária, houve a referência ao processo de execução administrativa de nº 37367.000855/200423 que visou cobrar os valores oriundos da ação fiscal que apurou a insuficiência de créditos para compensação por parte da Empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA: Conforme ainda se corrobora com a conclusão do Relatório Fiscal, às fls. 23 a 25, verificase que não havia saldo a compensar na data da celebração do contrato de cessão de crédito, que autorizasse a empresa SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA efetuar tal cessão. Por conseqüência não restou comprovado nos autos pela Recorrente que a empresa cessionária dispunha de saldo a compensar que lhe autorizasse a efetuar compensações nas competências em questão, afrontando o artigo 253, I, do Decreto 3.048/99 e o art.168, I, do CTN. Art. 253. O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos, contados da data: I do pagamento ou recolhimento indevido; ou Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) Dessa forma, considerando a inobservância das condições de compensação previstas na legislação acima, a glosa realizada pela fiscalização encontrase correta. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DA MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte, até a competência 11/2008, inclusive: Fl. 232DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10882.002160/201049 Acórdão n.º 2403002.641 S2C4T3 Fl. 223 21 A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para em Preliminar, se reconhecer a decadência até a competência 07/2005, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; no Mérito, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 234DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 16/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10882.003540/2007-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2007
Ementa:
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
SÚMULA 99 CARF
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, cartão premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.467
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos do lançamento os fatos geradores ocorridos nas competências de 01/2002 a 11/2002, pela homologação tácita do crédito, com fulcro no disposto pelo artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional.
Fez sustentação oral: Liliane Patrícia Lima OAB/DF 31.749
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2007 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. SÚMULA 99 CARF Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, cartão premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/08/2007 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. SÚMULA 99 CARF Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, cartão premiação, é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 35 40 /2 00 7- 03 Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam excluídos do lançamento os fatos geradores ocorridos nas competências de 01/2002 a 11/2002, pela homologação tácita do crédito, com fulcro no disposto pelo artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional. Fez sustentação oral: Liliane Patrícia Lima OAB/DF 31.749 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10882.003540/200703 Acórdão n.º 2302003.467 S2C3T2 Fl. 1.925 3 Relatório Trata a presente notificação, lavrada e cientificada ao sujeito passivo em 19/12/2007, de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados por meio de cartões eletrônicos com a intermediação das empresas Incentive House S/A., Spirit Marketing Promocional e Alquimia Marketing Ltda. no período de 01/2002 a 08/2007. O relatório fiscal da infração, fls. 59/67, diz que constituem fatos geradores da contribuição previdenciária, os valores concedidos aos segurados empregados por meio de cartões magnéticos utilizados para pagamento de prêmios em campanhas de vendas. Tais pagamentos estavam vinculados a fatores como eficiência e produtividade do empregado. A base de cálculo para aferição da remuneração foi tomada nas notas fiscais emitidas pelas empresas que intermediavam o pagamento, sendo devidamente deduzidas as taxas administrativas. Após a impugnação, Acórdão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) a decadência de parte dos valores lançados frente ao prazo qüinqüenal; b) a desobediência ao artigo 142, do Código Tributário Nacional, porquanto o Fisco não promoveu a subsunção do fato gerador à norma de incidência da contribuição previdenciária; c) que os pagamentos foram efetuados com o objetivo de incrementar a produtividade em claro marketing promocional, o que resultou em aumento das vendas; d) que os pagamentos não são habituais e não estão inseridos no contexto de salário de contribuição previdenciário; e) que não houve contraprestação de serviços pelos pagamentos efetuados; f) que os prêmios pagos não são salário, pois visam o cumprimento de metas em tudo se assemelhando à PLR Participação nos Lucros e Resultados, que não integra o salário de contribuição. g) Por fim, requer a reforma da decisão recorrida para tornar improcedente o lançamento, protestando pelo direito de fazer sustentação oral, para o que quer que se intimem os seus patronos. É o relatório. Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O Recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Das Preliminares Decadência A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi lavrada e cientificada ao sujeito passivo na data de 19/12/2007 e compreende as competências de 01/2002 a 08/2007. A recorrente argúi que parte do lançamento encontrase decadente e com efeito, é de se ver que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 1927DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10882.003540/200703 Acórdão n.º 2302003.467 S2C3T2 Fl. 1.926 5 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII de tal diploma legal. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do Código Tributário Nacional. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Como o presente lançamento se refere a rubrica específica de prêmio incentivo e os demais documentos lavrados na ação fiscal referemse, também, a Notificações Fiscais de lançamento de Débito relativas a rubricas consideradas como salário indireto, além do auto de infração por descumprimento de obrigação acessória de não informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, conforme consta do relatório fiscal, fls.59/67 e TEAF de fls. 385/386, entendo que os recolhimentos normais incidentes sobre a folha de pagamento de salários do contribuinte, foram efetuados, devendo, neste caso, aplicar se o artigo 150§ 4º, do CTN, excluir do lançamento os valores já homologados tacitamente, relativos ao período de 01/2002 a 11/2002: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tal procedimento encontra respaldo na Súmula n.º 99, do CARF: Súmula 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Artigo 142 do Código Tributário Nacional Não vislumbro a tese de desobediência ao artigo 142, do Código Tributário Nacional, pela falta de subsunção do fato gerador à norma de incidência da contribuição previdenciária, porque o relatório fiscal de fls. 59/67, bem explicita a situação encontrada na auditoria fiscal, com o pagamento de valores através de cartões eletrônicos, que não estão ao abrigo das excludentes do salário de contribuição e sendo, tais valores, pagos com o fim de estimular a produtividade, o são pelo trabalho, se prestando a incidência contributiva previdenciária. Tudo isso consta dos autos, e o art. 142 do CTN atribui competência privativa à autoridade administrativa para constituir os créditos, observandose as exigências de especificação do fato gerador, da matéria tributável, calculandose o montante devido e Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10882.003540/200703 Acórdão n.º 2302003.467 S2C3T2 Fl. 1.927 7 corretamente identificandose o sujeito passivo da obrigação. Todas as exigências foram atendidas pela autoridade notificante, a saber: ocorrência do fato gerador: pagamento de remuneração aos segurados empregados, sob o título de prêmio incentivo; matéria tributável : a remuneração dos segurados empregados constitui base de incidência da contribuição previdenciária, por determinação legal, artigo 28, inciso I, da Lei n.º 8.212/91; calcular o montante devido : o que está contido no Discriminativo Analítico do Débito, por competência, fls. 12 a 27 e no Discriminativo Sintético do Débito, fls. 28 a 34; identificar o sujeito passivo da obrigação: a empresa está devidamente identificada às fls. 09, da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e seus responsáveis contam das fls. 55/56, no Relatório de Representantes Legais. De todos os documentos foram entregues as 2ªs. vias para o Gerente Tributário da notificada, que recebeu e assinou a notificação fiscal de lançamento de débito. Portanto, o direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição Federal, não foi maculado em razão do levantamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da notificada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defenderse sem qualquer restrição, eis que são de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Assim,o cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do Mérito Quanto à natureza dos pagamentos A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Seguridade Social, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o pagamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologando o. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o Auditor Fiscal deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa do INSS de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, e art. 33, §§ 3°e 6º da Lei n 8.212/91, conforme já citado em parágrafo anterior. De acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente concedeu premiação a seus empregados no período fiscalizado, através de créditos em cartões eletrônicos efetivada por intermédio da empresa INCENTIVE HOUSE S.A., SPIRIT MARKETING PROMOCIONAL E ALQUIMIA MARKETING LTDA. Os valores pagos através de cartões de premiação foram considerados salário, e passíveis de incidência contributiva previdenciária por se enquadrarem no conceito de salário de contribuição e por não constarem das excludentes legais de tal conceito. "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A Constituição Federal, no seu artigo 195, I, alínea “a”, estabelece: Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10882.003540/200703 Acórdão n.º 2302003.467 S2C3T2 Fl. 1.928 9 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) O dispositivo constitucional transcrito cuida não de “remuneração”, não de “folha de pagamento”, mas fala de “folha de salários”. A “folha de salários” é composta por lançamentos onde constam o nome dos trabalhadores e todas as parcelas devidas a estes em decorrência do serviço executado. Assim, qualquer tipo de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais faz parte da “folha de salários”, que, nos termos da Carta Política de 1988, é a base de incidência da contribuição social devida pelos empregadores. Ainda, para que não restasse dúvidas sobre a amplitude da base de incidência da contribuição social em questão, o dispositivo constitucional transcrito acrescentou “....e demais rendimentos do trabalho”. Além da “folha de salários e demais rendimentos do trabalho”, também integram a base de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do § 11 do artigo 201 da Constituição Federal, os “ganhos habituais do empregado, a qualquer título”. A seu turno, a Lei 8.212, de 24/07/1991, dispõe em seu artigo 22: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação alterada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Assim, todas as parcelas que fazem parte da remuneração, creditadas a qualquer título, são base de incidência constitucional da contribuição em questão, excluídas apenas as arroladas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, face à isenção concedida por lei, entre as quais não se encontram os prêmios concedidos para incremento da produtividade. É inquestionável, portanto, a natureza salarial da verba premial de incentivo à produtividade. Quanto à arguição da recorrente de que o pagamento havido possui natureza indenizatória por não ser habitual, primeiro é de se ver que consta dos autos, pagamento seqüencial no período lançado de 01/2002 a 08/2007. Além disso, é de se ver que a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Nestes termos, notase que a indenização tem como pressuposto a reparação de um dano, seja jurídico ou fático. In casu, os segurados não tiveram um dano causado pelo tomador de serviços que ensejasse uma reparação. As provas contidas nos autos, corroboradas pelas afirmações da recorrente, demonstram que os segurados receberam os valores pelo fato de terem prestado serviços à recorrente. É cediço que para fins de incidência das contribuições previdenciárias não importa o nome jurídico conferido à verba, mas sim a natureza da mesma e os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória, por tudo que já foi explicitado. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados em decorrência do contrato de trabalho e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Os comandos constitucional (art. 201, § 11) e legal (art. 28, I da Lei n ° 8.212/1991) dispõem claramente que os ganhos sob a forma de utilidades é que somente integrarão o saláriodecontribuição caso sejam pagos de forma habitual. A presente verba não foi paga em utilidade, mas sim em pecúnia, portanto independe de ter sido de forma habitual ou eventual para que esta verba integre a remuneração do segurado. Os termos habitual e eventual estão ligados ao lapso temporal e o aspecto temporal de incidência das contribuições previdenciárias é mensal. Assim, se no decorrer do mês houve prestação de serviço remunerada, são devidas as contribuições e a base de cálculo será o montante devido ao segurado. Não importa se durante dez anos o segurado recebeu em um único mês um valor maior, haja vista a apuração das contribuições não ocorrer em período anual, quinquenal, ou decenal. Caso não se adotasse tal entendimento, poderia se chegar à Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10882.003540/200703 Acórdão n.º 2302003.467 S2C3T2 Fl. 1.929 11 construção teratológica de que o empregado que trabalhou somente um mês para a sociedade empresária não teria que contribuir para a Previdência Social. Estando portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Intimação ao Patrono Quanto ao pedido de que as intimações sejam dirigidas ao endereço do patrono da recorrente, verifica se que tal pedido não pode ser acolhido, diante do que estabelece o art. 23 do Decreto nº 70.235/72, bem como art.10, I a IV, §§ 1º a 4º do Decreto nº 7.574/2011, in verbis: Decreto nº 70.235/72 “Art. 23. Farse á a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II § 1° O edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos I e II deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4º Considerase domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Decreto nº 7574/2011 “Art. 10. As formas de intimação são as seguintes: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei n o 9.532, de 1997, art. 67); II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei n o 9.532, de 1997, art. 67); III – por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) no endereço da administração tributária na internet; b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, inciso III, com a redação dada pela Lei n o 11.196, de 2005 , art. 113); ou IV por edital, quando resultarem improfícuos os meios previstos nos incisos I a III do caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, publicado (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 1 o , com a redação dada pela Lei n o 11.941, de 27 de maio de 2009 , art. 25): a)no endereço da administração tributária na Internet; b)em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou c)uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. §1ºA utilização das formas de intimação previstas nos incisos I a III não está sujeita a ordem de preferência (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 3 o , com a redação dada pela Lei n o 11.196, de 2005 , art. 113). § 2ª Para fins de intimação por meio das formas previstas nos incisos II e III, considerase domicílio tributário do sujeito passivo (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 4 o , com a redação dada pela Lei n o 9.532, de 1997, art. 67): I o endereço postal fornecido à administração tributária, para fins cadastrais; e II o endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 4 o , inciso II, com a redação dada pela Lei n o 11.196, de 2005 , art. 113). § 3º O endereço eletrônico de que trata o inciso II do § 2 o somente será implementado com expresso consentimento do Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10882.003540/200703 Acórdão n.º 2302003.467 S2C3T2 Fl. 1.930 13 sujeito passivo, e a administração tributária informarlheas normas e condições de sua utilização e manutenção (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 5 o , com a redação dada pela Lei n o 11.196, de 2005 , art. 113). § 4 o A Secretaria da Receita Federal do Brasil expedirá atos complementares às normas previstas neste artigo (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 23, § 6 o , com a redação dada pela Lei n o 11.196, de 2005 , art. 113). Por todo o exposto, é descabida a pretensão da recorrente para que as intimações, publicações ou notificações sejam efetuadas no endereço do seu patrono, que é diverso do endereço do seu domicílio fiscal. Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, para que sejam excluídos do lançamento os fatos geradores ocorridos nas competências de 01/2002 a 11/2002, pela homologação tácita do crédito, com fulcro no disposto pelo artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10830.720099/2008-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 15/04/2008
CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO.
A presunção relativa de extravio de mercadoria manifestada, emergente dos registros do Sistema MANTRA que apontam para a sua falta na descarga e não armazenamento, pode ser elidida diante da comprovação documental da duplicidade de registro no sistema.
CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS ARBITRAMENTO. BASE LEGAL.
No caso de impossibilidade de identificação das cargas extraviadas, a base legal para o arbitramento da base de cálculo dos tributos devidos é aquela vigente na data do correspondente lançamento de ofício.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3403-003.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 15/04/2008 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. A presunção relativa de extravio de mercadoria manifestada, emergente dos registros do Sistema MANTRA que apontam para a sua falta na descarga e não armazenamento, pode ser elidida diante da comprovação documental da duplicidade de registro no sistema. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS ARBITRAMENTO. BASE LEGAL. No caso de impossibilidade de identificação das cargas extraviadas, a base legal para o arbitramento da base de cálculo dos tributos devidos é aquela vigente na data do correspondente lançamento de ofício. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho.
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CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. A presunção relativa de extravio de mercadoria manifestada, emergente dos registros do Sistema MANTRA que apontam para a sua falta na descarga e não armazenamento, pode ser elidida diante da comprovação documental da duplicidade de registro no sistema. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS ARBITRAMENTO. BASE LEGAL. No caso de impossibilidade de identificação das cargas extraviadas, a base legal para o arbitramento da base de cálculo dos tributos devidos é aquela vigente na data do correspondente lançamento de ofício. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 00 99 /2 00 8- 14 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Ausente o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Relatório O transportador aéreo FEDERAL EXPRESS CORPORATION teve lavrado contra si os autos de infração das fls. 2 e 3 e 5 e 6, para formalizar e a constituição e a exigência de crédito tributário referente ao Imposto de Importação – II e ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e para aplicação da multa cominada no art. 106, inciso II, alínea “d”, do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, no valor total de R$ 3.093.952,64, em decorrência do extravio de mercadoria manifestada., apurado em procedimento fiscal de conferência final de manifesto de carga. O Termo de Descrição dos Fatos das fls. 10 a 24 relata as cargas declaradas pelo autuado no Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento – MANTRA, instituído pela INSRF nº 102, de 1994, que não foram armazenadas, e as providências tomadas a partir dos esclarecimentos fornecidos por transportador aéreo, agente de carga e consignatário da mercadoria: a) 01 (um) volume, peso 3,000 Kg, sob o Termo de Entrada nº 030008956, de 14/03/2003, com o documento de carga HAWB 023 6290 5592 381 0586 4194; no Vôo FDX0040; consignatário: EMBRAER S/A. A Fiscalização observa que o transportador se limitou a informar que a mercadoria não havia desembarcado no país, enquanto o consignatário declarou que havia sido duplamente manifestada, uma vez sob o Máster 023 6290 5592 e outra sob o Máster 023 6290 8720. Tal alegação, todavia, não foi aceita porque (i) os números de house coincidentes não atesta a identidade das cargas, já que o Mantra aceita a inclusão de tais dados sem obstrução; porque (ii) em caso de erro ou duplicidade de informação, cabia ao informante pleitear sua correção à época dos fatos, o que não foi feito; e porque (iii) coincidências quanto ao número de volumes, peso e consignatário constituem fatos corriqueiros numa alfândega. O Fisco, então, procedeu à autuação em face do transportador aéreo. Diante da impossibilidade de estabelecer a média das importações, sob a alegação de que o consignatário não é importador regular, a valoração das mercadorias foi realizada com base no Decreto nº 2.861, de 1998 (art. 22 da Convenção de Varsóvia), que estabelece como responsabilidade do transportador a quantia de 17 Direitos Especiais de Saque por quilograma; b) 02 (dois) volumes, peso 9,100 Kg, sob o Termo de Entrada nº 030009251, de 16/03/2003, com o documento de carga HAWB 023 7064 1012 302385; no Vôo FDX0042; consignatário: DELPHI AUTOMOTIVE SYSTEMS DO BRASIL LTDA. A Fiscalização observa que o transportador se limitou a informar que a mercadoria não havia desembarcado no país. O consignatário não se manifestou. Já o agente de carga concluiu que a carga em questão não havia sido recebida no aeroporto. O transportador aéreo foi igualmente autuado e, nesse caso, diante da impossibilidade de identificação e valoração das mercadorias importadas, a base de cálculo do II foi arbitrada com base no art. 67, caput, e § 1° da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.720099/200814 Acórdão n.º 3403003.377 S3C4T3 Fl. 398 3 c) 33 (trinta e três) volumes, peso 249,930 Kg, sob o Termo de Entrada nº 030010926, de 28/03/2003, com o documento de carga HAWB 023 6302 6795 237 9887 4347; no Vôo FDX0040; consignatário: HEWLETT PACKARD COMPUTADORES LTDA. A Fiscalização observa que, em 15/08/2003, foi formalizado o PAF 10831.008042/200311, pelo qual o transportador solicitou a exclusão do armazenamento da carga, já que esta teria vindo acobertada pelo mesmo máster, porém sob outro house, de número 237 9887 4336. O pedido de exclusão foi indeferido. Considerando que o transportador não logrou provar o alegado, e que coincidências quanto ao número de volumes, peso e consignatário constituem fatos corriqueiros numa alfândega, a carga foi considerada manifestada para todos os efeitos legais. Por conseguinte, o fisco procedeu à autuação em face do responsável tributário, no caso, o transportador aéreo, utilizandose, para valoração das mercadorias, das informações consignadas na fatura comercial I79933, trazida aos autos pelo consignatário. Sobreveio impugnação, fls. 225 a 251., em que o autuado opõe as seguintes razões de defesa: (a) preliminar de nulidade do auto de infração em função da falta de documentos juntados aos autos e que não lhe foram entregues, impedindoo de aferir a correção da exação, cerceandolhe o direito de defesa; (b) preliminar de ilegitimidade passiva, haja vista que sua responsabilidade não ficou comprovada; (c) preliminar de decadência; (d) com relação aos conhecimentos aéreos MAWB 023 6290 5592 HAWB 381 0586 4194 e MAWB 023 6302 6795 HAWB 237 9887 4347, alega ter comprovado que foram manifestados em duplicidade, demonstrando que as cargas que os acompanharam entraram no Brasil, de fato, amparadas por outros conhecimentos aéreos e devidamente desembaraçadas junto à Aduana. Especificamente no segundo caso, esclarece que requereu a exclusão do HAWB duplicado, por meio do Processo 10831.008042/200311, contudo seu pedido foi indeferido; (e) com relação ao conhecimento aéreo MAWB 023 7064 1012 HAWB 302385, alega ter comprovado que, embora manifestados no SiscomexMantra, a carga não chegou ao Brasil, logo, demonstrado que não ocorreu o extravio, é clara a insubsistência do auto de infração, não tendo ocorrido os fatos geradores dos tributos em cobrança; (f) estando evidente que as divergências constatadas no ato de conferência final de manifesto decorrem, única e exclusivamente, de equívoco operacional, é forçosa a conclusão de que descabe responsabilizar a impugnante pelo recolhimento de tributos sobre carga inexistente. Tais equívocos, por não decorrerem de culpa da impugnante, caracterizam casos fortuitos e de força maior, sendo incabível a exigência fiscal nesses casos, conforme jurisprudência administrativa que cita; Fl. 399DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN 4 (g) o arbitramento realizado foi indevido, pois foram prestadas informações e apresentados documentos comprovando a clara natureza dos materiais questionados pelo Fisco, além das demais informações acessíveis ao Fisco por meio da necessária vistoria aduaneira, não realizada no presente caso; (h) o art. 67 da Lei nº 10.833, de 2003, é inaplicável ao caso, haja vista que os fatos geradores objeto de autuação ocorreram no início de 2003; (i) é descabida a exigência do IPI, vez que se apóia em regra matriz de incidência não vigente à época dos fatos, qual seja, o art. 2º, §3º da Lei 4.502, de 30 de novembro de 1964, o qual foi inserido pela Lei nº 10.833, de 2003; A 2ª Turma da DRJ/SP2 julgou a impugnação procedente. O voto condutor da decisão entendeu que, a par das irregularidades cometidas pelo transportador em todo o procedimento, de extravio de mercadorias não se tratava. Especificamente quanto ao MAWB 023 7064 1012 HAWB 302385, o lançamento foi cancelado porque apoiado em legislação equivocada, embora o extravio se tenha caracterizado. O Acórdão nº 1757.660, de 16 de fevereiro de 2012, fls. 354 a 384, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 15/04/2008 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. Comprova o extravio de mercadoria manifestada os registros do Sistema MANTRA que indicam sua falta na descarga e não armazenamento. Todavia, diante da comprovação documental da duplicidade de registro no sistema, não há que se falar em extravio. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. TRANSPORTADOR. Atribuise ao transportador a responsabilidade pelos tributos e multa incidentes sobre o extravio, constatado na descarga, de mercadorias manifestadas. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 67, § 1º, DA LEI Nº 10.833/2003. No caso de impossibilidade de identificação das cargas extraviadas, aplicase o disposto no artigo 67, § 1º, da Lei 10.833/03. Para efeito de cálculo do imposto de importação, considerase ocorrido o fato gerador de mercadoria constante de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira, na data do correspondente lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 400DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.720099/200814 Acórdão n.º 3403003.377 S3C4T3 Fl. 399 5 Data do fato gerador: 15/04/2008 DECADÊNCIA. IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. O prazo para lançamento de ofício é de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido lançado, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando da ausência de recolhimento dos tributos incidentes sobre a importação. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O Presidente da 2ª Turma da DRJ/SP2 recorreu de ofício da decisão, em cumprimento ao que dispõe o art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que crédito tributário exonerado excede o limite de R$ 1.000.000,00, definido na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator A decisão recorrida cancelou integralmente o lançamento referente ao II (R$ 1 1.031 401,26 de principal e R$ 515 700,63 de multa proporcional) e ao IPI (R$ 1.546.850,75 de principal), totalizando R$ 3.093.952,64.. Exonerado o sujeito passivo em valores superiores ao definido na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, conheço do Recurso de Ofício. Extravio da mercadoria manifestada no MAWB 023 6290 5592 HAWB 381 0586 4194 Conforme relatado, transportador aéreo e consignatário da mercadoria foram intimados (TERMO FISCAL DE INTIMAÇÃO E DE INSTRUÇÃO PROCESSUAL GCFM N° 027/2007, fl. 32; EQMAF N° 20/2008 , fl. 46) a esclarecer o que aconteceu com a carga. O transportador informou que a mercadoria não desembarcou no País. A EMBRAER S/A, informou que o HAWB 381 0586 4194, manifestado para o MAWB 023 6290 5592, foi também manifestado para o MAWB 023 6290 8720. Ambas as cargas tratam de 01 volume com 3kg e ambas estão cobertas pelo mesmo Termo de Entrada, conforme comprovariam os documentos das fls. 48 a 70). O volume vinculado ao MAWB 023 6290 8720 foi desembaraçado pela DI nº 03/02466279, enquanto que o volume vinculado ao MAWB 023 6290 5592 entrou com a indisponibilidade 30, documento sem carga. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN 6 O registro no Mantra (fl. 44) revela que o transportador informou o HAWB 023 6290 5592 381 0586 4194, com vôo chegado no dia 14/03/2003, referente a 01 volume com peso de 3 kg, recebendo o Termo de Entrada nº 030008956. Todavia, está registrada a ausência da carga , consignada em 15/03/2003: “documento sem carga”. Por outro lado, o registro no MANTRA das fls. 48 e 49, referente ao MAWB 023 6290 8720 e ao mesmo HAWB 381 0586 4194, trata justamente de 01 volume com peso de 3 kg, referente a vôo chegado no mesmo dia 14/03/2003, cujo Termo de Entrada foi o de mesmo nº 030008956. Esta carga foi objeto de desembaraço por meio da DI nº 03/02466279, registrada em 25/03/2003, instruída pela fatura comercial nº I79933 (fls. 54, 55, 66 e 67). À fl. 69, o AWB 381 0586 4194, discrimina 01 volume com peso de 3 kg. Na fl. 70, há a respectiva fatura comercial nº I79933, que serviu de base para a apuração da base de cálculo dos tributos lançados. Esse conjunto probatório corrobora a conclusão da decisão recorrida de que há identidade entre as mercadorias manifestadas sob o mesmo house nos MAWB 023 6290 5592 e 023 6290 8720 e de que a mercadoria foi recebida pelo consignatário, não havendo falar em extravio. MAWB 023 7064 1012 HAWB 302385: aplicação retroativa do art. 67 da Lei nº 10.833, de 2003, em detrimento do art. VII do Decreto nº 2.861, de 07 de dezembro de 1998, que internalizou a Convenção de Varsóvia A decisão recorrida ratificou a presunção de extravio dos 02 (dois) volumes destinados a DELPHI. Todavia, cancelou o lançamento porque julgou que a base legal sobre a qual se apoiou estava incorreta. O lançamento de ofício foi formalizado em 09052008 (A.R. na fl. 2002). Considerando o disposto no art. 731 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – RA/2002, que considera ocorrido o fato gerador na data de lançamento do crédito tributário, no caso de extravio de mercadoria manifestada apurada em procedimento fiscal, e a norma do § 1º do art. 1442 do CTN, à data da lavratura do Auto de Infração já vigia o art. 67 da Lei nº 10.833, de 2003, que assim dispunha, quanto ao arbitramento da base de cálculo do II na impossibilidade de identificação da mercadoria importada em razão de seu extravio: Art. 67. Na impossibilidade de identificação da mercadoria importada, em razão de seu extravio ou consumo, e de descrição genérica nos documentos comerciais e de transporte disponíveis, serão aplicadas, para fins de determinação dos impostos e dos direitos incidentes, as alíquotas de 50% (cinqüenta por cento) para o cálculo do Imposto de Importação e de 50% (cinqüenta 1 Artº 73 – Para efeito de cálculo do imposto, considerase ocorrido o fato gerador (DecretoLei nº 37/66, artigo 23, parágrafo único) (...) II) no dia do lançamento do respectivo crédito tributário, quando se tratar de: (...) c) mercadoria constante de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira; 2 “Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.720099/200814 Acórdão n.º 3403003.377 S3C4T3 Fl. 400 7 por cento) para o cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados. § 1° Na hipótese prevista neste artigo, a base de cálculo do Imposto de Importação será arbitrada em valor equivalente à média dos valores por quilograma de todas as mercadorias importadas a título definitivo, pela mesma via de transporte internacional, constantes de declarações registradas no semestre anterior, incluídas as despesas de frete e seguro internacionais, acrescida de 2 (duas) vezes o correspondente desvio padrão estatístico. § 2° Na falta de informação sobre o peso da mercadoria, adotarsá o peso líquido admitido na unidade de carga utilizada no seu transporte. Portanto, subscrevo o voto condutor do Acórdão recorrido. Extravio das mercadorias manifestadas no MAWB 023 6302 6795 HAWB 237 9887 4347 O transportador aéreo e consignatário da mercadoria foram intimados (TERMO FISCAL DE INTIMAÇÃO E DE INSTRUÇÃO PROCESSUAL GCFM N° 048/2007, fl. 138; EQMAF N° 22/2008, fl. 152) a esclarecer o que aconteceu com a carga. O transportador alegou que a carga foi importada pelo HAWB 237 9887 4336, fato que seria comprovável pelo confronto dos dados constantes nos HAWB’s, em especial pela descrição, quantidade e peso das mercadorias. Observa que, conforme o extrato do sistema Mantra, a correção dos dados foi prontamente realizada, registrandose a duplicidade do HAWB 237 9887 4347, ao passo que as mercadorias foram desembaraçadas pelo HAWB 237 9887 4336. A HP, por sua vez, informou que não recebeu as mercadorias e negou o registro de DIs para as mercadorias amparadas por esse conhecimento. O registro no Mantra (fl. 136) revela que o transportador informou o HAWB 023 6302 6795 23798874347, com vôo chegando no dia 28/03/2003, referente a 33 volumes com peso de 249,93 kg, com o Termo de Entrada nº 030010926. Todavia, está registrada a ausência da carga , consignada em 15/03/2003: “documento sem carga”. Instrui os autos, nas fls. 158 a 205, cópia do processo administrativo nº 10831.008042/200311, por meio do qual o transportador requereu, ainda em 15/08/2003, a exclusão do armazenamento da carga, bem como a exclusão do HAWB 237 9887 4347 do Mantra, haja vista que a carga referente a ele chegou amparada pelo MAWB 023 6302 6795 HAWB 237 9887 4336 e já havia sido desembaraçada. O pedido foi indeferido pela Receita Federal, com base no art. 73, inciso II, alínea “c”, do RA/2002, sem contudo esclarecer por que motivo foram recusadas as alegações apresentadas pelo contribuinte. Os registros do Mantra, extrato nas fls. 158 e 159, demonstram que o transportador informou o MAWB 023 6302 6795 HAWB 237 9887 4336 no sistema, com vôo chegado no dia 28/03/2003, referente a 33 volumes com peso de 249,93 kg, cuja carga foi desembaraçada por meio da DI nº 03/02725363, registrada em 01/04/2003. Às fls. 149 e 150, os AWB 237 9887 4347 e 237 9887 4336 discriminam os mesmos 33 volumes com peso de 249,93 kg.. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN 8 Esse conjunto probatório corrobora a conclusão da decisão recorrida de que há identidade entre as mercadorias manifestadas nos HAWB 237 9887 4347 e 237 9887 4336. A pesquisa no Siscomex procedida pela Relatora do Acórdão recorrido, AFRFB Francisca A. Almeida Serra Negra, atesta que as mercadorias desembaraçadas por meio da DI nº 03/02725363 compõemse de 33 volumes com peso de 249,93 kg, estão amparadas pelo MAWB 023 6302 6795 HAWB 237 9887 4336, e têm como importador HEWLETT PACKARD COMPUTADORES LTDA. Conclusões Em razão do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Sala de sessões, em 11 de novembro de 2014 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 15504.019477/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de oficio e por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja reconhecida a decadência de parte dos valores lançados pelo artigo 150, 4º do CTN. Ficaram vencidos os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Thiago Taborda Simões que votaram pela exclusão, também, da gratificação paga aos diretores empregados. Apresentará voto vencedor o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
Júlio César Vieira Gomes- Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Carlos Henrique de Oliveira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de oficio e por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja reconhecida a decadência de parte dos valores lançados pelo artigo 150, 4º do CTN. Ficaram vencidos os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Thiago Taborda Simões que votaram pela exclusão, também, da gratificação paga aos diretores empregados. Apresentará voto vencedor o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Júlio César Vieira Gomes- Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Carlos Henrique de Oliveira - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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Recorrentes ANGLOGOLD ASHANTI BRASIL MINERAÇÃO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 94 77 /2 00 9- 10 Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de oficio e por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja reconhecida a decadência de parte dos valores lançados pelo artigo 150, 4º do CTN. Ficaram vencidos os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Thiago Taborda Simões que votaram pela exclusão, também, da gratificação paga aos diretores empregados. Apresentará voto vencedor o conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Carlos Henrique de Oliveira Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Ausente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.019477/200910 Acórdão n.º 2402003.969 S2C4T2 Fl. 1.134 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a Recorrente relativo ao período de 01/2004 a 12/2005, referente aos valores de contribuições previdenciárias a cargo da empresa, decorrente da remuneração de segurados empregados, inclusive contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Nos termos do relatório fiscal de fls. 34/59, o crédito foi constituído pelos seguintes lançamentos: a) AB1 e AB2 – Abono Salarial, valores pagos pelo contribuinte aos segurados empregados, conforme Anexo I, fls. 60/153, consignados nas folhas de pagamento sob o código 45 – Abono Salarial. b) GD1 e GD2 – Gratificação Diretores, valores pagos pelo contribuinte aos diretores, segurados empregados, conforme Anexo II, fls. 154, consignados nas folhas de pagamento sob o código 740 – Gratificação Diretor. c) AE1, AE2, AE3, AE4, AE5 e AE6 – Aposentadoria Especial 15, 20 e 25 anos, remuneração paga pela empresa a segurados empregados a seu serviço, com atividades exercidas em condições especiais que prejudicam a saúde ou a integridade física do trabalhador e permitem a concessão de aposentadoria especial, conforme Anexo III, fls. 155/192. Ainda de acordo com a fiscalização, o abono foi considerado parcela incidente de contribuições previdenciárias por não ter sido pago em virtude de lei específica, mas, tãosomente, conforme definição contida nos acordos coletivos de trabalho de 2004 e 2005. Assinala que a gratificação concedida aos diretores foi paga de forma habitual, não se tratando de ganho eventual. Informa que a sociedade dispõe de minas subterrâneas, onde exerce atividade de extração mineral e metalurgia, visando a produção de ouro, e que ao analisar as informações prestadas em GFIP constatou a existência de segurados empregados submetidos a condição ensejadora do direito à aposentadoria especial sem o correspondente código no documento declaratório. Esclarece que também foi constituído crédito para segurados expostos ao agente físico ruído, acima dos limites de tolerância, fora das atividades de mineração subterrânea, uma vez que a autuada não comprovou a inviabilidade ou insuficiência das medidas de proteção coletiva, além de falhas apuradas na utilização de equipamentos de proteção individual. Intimada da autuação, a Recorrente, às fls. 435/455, que restou parcialmente procedente às fls. 1034/1055, sob os seguintes fundamentos: Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 1) Ao presente caso necessária a aplicação do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN e, portanto, o crédito tributário não foi atingido pela decadência; 2) Acatada a alteração da base de cálculo do abono salarial nos termos da diligência realizada às fls. 984/991; 3) Os abonos salariais foram pagos nos termos dos acordos coletivos de 2004 e 2005, segundo os quais estaria a verba desvinculada do salário conforme disposto no art. 28, § 9°, alínea ‘e’, item 7, da Lei n° 8.212/91. Entretanto, a legislação previdenciária não permite a exclusão do abono salarial da incidência de contribuições por força de acordo coletivo, mas tãosomente por força de lei; 4) O artigo 214, § 9°, V, ‘j’, do Regulamento da Previdência Social, que estabelece que a desvinculação do abono do salário só pode decorrer de lei, está em plena vigência e, enquanto assim permanecer, a autoridade administrativa não pode deixar de lhe obedecer; 5) Quanto à alegação de que o abono não é habitual, ponderase que o mesmo foi pago nas competências 08/2004, 09/2004, 07/2005, 08/2005, 09/2005, 10/2005 e 11/2005; 6) Ao contrário do que alega a Recorrente, as gratificações de diretores foram pagas habitualmente. Não cabe a análise dos pagamentos efetuados por trabalhador; 7) Quanto ao funcionário Pedro César Costa, a Recorrente é contraditória ao alegar que ele não realizava atividade sujeita a aposentadoria especial mesmo após ter apresentado RDT em que informou que o empregado se encontrava submetido aos agentes físicoquímicos em trabalho de mineração subterrânea; 8) Não houve contestação pelo contribuinte sobre os levantamentos AE1, AE2, AE3, AE4, AE5 e AE6, com exceção da contribuição relacionada ao segurado Pedro Cesar Costa, tornandose os créditos referentes a tais levantamentos definitivos; 9) A multa aplicada deve ser retificada no momento do pagamento ou parcelamento, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14/2009; Houve interposição de Recurso de Ofício em razão da exoneração de crédito procedida. Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente, às fls. 1084/1125, alegando, em suma: 1) A Recorrente desconhece as razões pelas quais este processo não foi relacionado para consolidação do REFIS e informa que efetuará os recolhimentos; 2) Houve recolhimento de contribuições sociais previdenciárias pela Recorrente e, portanto, o tributo foi recolhido a menor. Por tal razão, necessária aplicação do disposto no art. 150, § 4° do CTN; Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.019477/200910 Acórdão n.º 2402003.969 S2C4T2 Fl. 1.135 5 3) A disposição do Decreto n° 3.048/99 quanto à necessidade de disposição legal para desvinculação do abono do salário não pode prevalecer, na medida em que a Lei n° 8.212/91 ao dispor sobre a regra de isenção não faz esta ressalva; 4) A Recorrente interpôs Mandado de Segurança de n° 56490 74.2010.04.01.3800 com intuito de impedir as autuações em virtude do entendimento equivocado de que o abono salarial com previsão em acordo coletivo é base de cálculo da contribuição previdenciária. A segurança foi concedida; 5) As gratificações dos diretores foram pagas de forma esporádica, vez que, em alguns casos, os diretores receberam apenas uma vez em 2 anos. Ainda, a fiscalização não estabeleceu critérios para caracterização da habitualidade; Ao final, requer o provimento do Recurso Voluntário. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento dos recursos de ofício e voluntário. É o relatório. Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Vencido Thiago Taborda Simões Relator Os recursos voluntário e de ofício atendem aos requisitos de admissibilidade, inclusive o da tempestividade, razão pela qual voto por seu conhecimento. Recurso Voluntário Decadência Alega a Recorrente a decadência de parte do crédito tributário mediante aplicação do disposto no art. 150, § 4°, do CTN. De acordo com ela, o recolhimento das contribuições previdenciárias é suficiente para configurar o recolhimento a menor a que se refere o dispositivo legal, devendo a contagem do prazo decadencial se iniciar na data dos fatos geradores. Merece guarida a Recorrente. O artigo 150, § 4°, do CTN prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No caso em tela, o lançamento ocorreu em 18/12/2009 e se refere às competências de 01/2004 a 12/2005. Houve recolhimento de contribuições previdenciárias pela empresa no período fiscalizado, sendo, entretanto, excluídas da base de cálculo das contribuições as verbas ora sob análise. O recolhimento das contribuições sobre a folha de pagamentos por si só é suficiente para configurar o recolhimento a menor exigido pela legislação para aplicação do disposto no art. 150, § 4°. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.019477/200910 Acórdão n.º 2402003.969 S2C4T2 Fl. 1.136 7 Sendo assim, verificada a hipótese, reconhecese a decadência do crédito tributário nas competências anteriores a dezembro de 2004, nos termos do art. 150, §4°, do CTN. No Mérito Restaram controvertidos os pontos da fiscalização referentes ao abono salarial e a gratificação dos diretores. Quanto aos abonos, alega a Recorrente que o Decreto n° 3.048/99, ao estabelecer que a desvinculação do salário só pode se dar por força de lei, inovou no mundo jurídico, na medida em que a Lei n° 8.212/91 é silente neste ponto. A Lei n° 8.212/91, em seu artigo 28, § 9°, assim dispõe: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] e) as importâncias: [...] 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Em complemento, o Decreto n° 3.048/99 (RPS), em seu artigo 214, § 9°: Art. 214. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] e) as importâncias: [...] j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; Nos termos dos dispositivos acima mencionados que, ressaltese, encontram se vigentes e sem contestação quanto à sua legalidade ou constitucionalidade, somente por Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 força de lei podese considerar o abono desvinculado do salário e, portanto, isento de contribuição previdenciária. Não cabe aos órgãos administrativos o julgamento de constitucionalidade de qualquer que seja a legislação vigente, uma vez que a esfera administrativa está adstrita à correta aplicação da norma em plena vigência. Registrese que a instância administrativa não possui competência legal para manifestarse sobre questões em que se alega eventual colisão da legislação face à Constituição Federal, tendo em vista ser esta competência exclusiva do Poder Judiciário, nos termos da Constituição Federal (art. 102, I, a, e III, b; art. 103, § 2°; EC n° 3/1993). Na esfera administrativa, portanto, a competência limitase a afastar aplicação de leis já declaradas inconstitucionais definitivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo a determinação do Secretário da Receita Federal. Não obstante, a Recorrente informa a impetração de Mandado de Segurança para discutir a matéria e, por tal razão, renunciou à esfera administrativa para discussão neste aspecto. Sendo assim, necessária a manutenção do crédito referente aos abonos salariais. No que tange às gratificações pagas a diretores, o cerne da questão está na habitualidade em que as gratificações foram percebidas. A fiscalização, assim como a D. Delegacia de Julgamento, entendem pelo descabimento da apuração da periodicidade de forma individualizada – por diretor , vez que isso daria ao contribuinte grandes possibilidades de evasão fiscal. Discordamos. O que se tributa é o pagamento habitual da gratificação dos diretores. Por habitual entendese o pagamento realizado com periodicidade predefinida de forma reiterada. Sob a análise feita pela fiscalização – desconsiderando a habitualidade com que cada diretor recebeu a gratificação e considerando apenas a habitualidade com que a empresa concedeu a gratificação – de fato é possível se concluir pela habitualidade dos pagamentos. Entretanto, sendo o fato gerador da contribuição previdenciária “o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês” (art. 22, caput, Lei n° 8.212/91), necessária a verificação com base dos valores percebidos por cada diretor, individualmente. Conforme verificado pela própria fiscalização, os pagamentos a diretores ocorreram de forma independente. A título de exemplo, as gratificações percebidas pelos diretores João Barradas de Souza, Keith Derek Martin e Pedro Manuel Domingos Alexandre Borrego foram pagas apenas uma vez no período de dois anos. Da mesma forma, os diretores Agostinho Tibério da Costa Marques e Fernando Manuel Castanheira da Cruz Vieira perceberam as gratificações apenas duas vezes no período de dois anos. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.019477/200910 Acórdão n.º 2402003.969 S2C4T2 Fl. 1.137 9 Daí é possível verificar que não há periodicidade predefinida ou constância nos pagamentos das gratificações, razão pela qual não restanos alternativa senão a de reconhecer a eventualidade dos pagamentos e a consequente isenção sobre tais verbas. Recurso de Ofício O Recurso de Ofício foi interposto em razão de créditos exonerados em face da Fazenda Nacional decorrentes de diligência realizada pela própria fiscalização com a finalidade de rever alguns lançamentos. Dessa diligência resultou expressiva redução do valor da autuação e, portanto, tornouse necessário o recurso de ofício para reexame da matéria. Para análise do presente recurso, remetemonos aos termos do voto proferido pela D. Delegacia de Julgamento, de fls. 1034/1055, e acolhemos a retificação da autuação. Conclusão Isto posto, conheço dos recursos, dando parcial provimento ao recurso voluntário e negando provimento ao recurso de ofício. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Voto Vencedor Carlos Henrique de Oliveira Redator Designado. Tratase de auto de infração lançado referente aos valores da quota patronal incidentes sobre verbas remuneratórias pagas como abono salarial e gratificação de diretores, além de e contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, relativas ao período de 01/2004 a 12/2005, tudo nos termos do relatório do Ilustre Conselheiro Thiago Taborda Simões Concordes com o eminente Relator nas preliminares, especificamente quanto à decadência parcial pleiteada com base na aplicação do disposto no § 4º do artigo 150 do CTN, e também no mérito, quanto à manutenção do crédito lançado referente aos abonos salariais pagos, pedimos vênia para discordar da posição do nobre Conselheiro quanto às gratificações pagas aos diretores da recorrente. O cerne da divergência de entendimento se consubstancia na questão da importância da habitualidade como premissa para incidência da contribuição previdenciária nas verbas pagas a título de gratificação aos diretores, qualificados como segurados empregados pela fiscalização Diante dessa premissa, e partilhando da opinião que o Direito Tributário é um direito de superposição, encaminharemos o presente voto com a preliminar análise jurídica da natureza da verba denominada pela recorrente como ‘gratificação’, ou seja, verificaremos se tal verba tem natureza remuneratória. Em caso positivo, avançaremos na verificação se deve compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias, para, enfim, concluir ou não pela procedência do lançamento, consoante as provas acostadas pelo Fisco aos autos. Conveniente lembrar que a base de cálculo da contribuição previdenciária está prevista na Lei 8.212/91 e depende do tipo de segurado da Previdência Social pois a lei tributária classifica a base imponível de acordo com a relação de trabalho mantida pela pessoa física com seu empregador, aqui considerado em sentido amplo, ou seja, todo aquele que contrata pessoa física para que lhe preste serviços. Como bem apontado pelo Relator, a fiscalização caracterizou os diretores da recorrente como empregados, e portanto, devemos observar o que a Lei Tributária Previdenciária define como base de cálculo para esses segurados: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.019477/200910 Acórdão n.º 2402003.969 S2C4T2 Fl. 1.138 11 disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.” Claríssima a disposição legal. A alíquota, referente à contribuição a cargo da empresa, incidirá sobre o total das remunerações pagas, a qualquer título, ao segurado empregado, que tenha sido destinada a retribuir o trabalho ou o tempo a disposição da empresa. Não se verifica na lei tributária qualquer menção à habitualidade como requisito de incidência. Tal possibilidade é preceito constitucional, constante do § 11 do artigo 201 da Carta Magna, como reproduzido abaixo: “§ 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei.” (negritamos) Nesse sentido, a habitualidade deve ser verificada somente no caso de não se poder asseverar que a verba paga tem natureza remuneratória, ou seja, comprovandose que o valor percebido pelo segurado empregado decorre da contraprestação pelo trabalho prestado ou pelo tempo disponibilizado ao empregador, não há que se verificar se tal pagamento foi realizado com determinada frequência ou se foi pago em parcela única. Com um único exemplo se comprova tal entendimento. Se determinado empregador acordar com seu empregado que, se ele atingir determinada meta de desempenho ou de produtividade, receberá determinado valor, e esse empregado só conseguir atingir tal objetivo uma única vez, não se discute que tal verba decorre do trabalho prestado, e portanto integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. A determinação da natureza da verba paga como requisito de incidência é entendimento pacífico no STJ, consoante se verifica por meio do acórdão prolatado no EDcl no REsp 1157849 / RS, julgado em 01/03/2011, tendo como relator o Min Herman Benjamin, cujo trecho fulcral da ementa transcrevemos: “... 7. No mérito, discutese a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos por indústria química e petroquímica pela disponibilidade do empregado no local de trabalho ou nas suas proximidades durante o intervalo destinado a repouso e alimentação, conforme o art. 2º, § 2º, da Lei 5.811/1972, conhecida por "Hora Repouso Alimentação HRA". 8. O TRF acolheu o pleito da contribuinte e afastou a tributação, aplicando, por analogia, o entendimento referente às férias indenizadas. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 9. Ocorre que não há similitude com as férias acima citadas, em que inexiste relação direta entre o pagamento feito e o trabalho realizado pelo empregado. 10. Nas férias indenizadas (totalmente diferente do caso dos autos), o funcionário recebe duas vezes: 1 salário normal pelo mês que trabalhou (quando deveria estar de férias) + 1 "salário indenização" pelas férias que perdeu. A tributação incide sobre o primeiro salário, normalmente (porque é retribuição pelo trabalho), mas não sobre o segundo "salário", cuja natureza é indenizatória, exatamente porque não é retribuição por trabalho ou tempo à disposição da empresa. 11. A "Hora Repouso Alimentação HRA", diversamente, é paga como única e direta retribuição pela hora em que o empregado fica à disposição do empregador. 12. Não há simplesmente supressão da hora de descanso, hipótese em que o trabalhador ficaria disponível 8 horas contínuas para a empresa e receberia por 9 horas (haveria uma "indenização" pela hora suprimida). O empregado fica efetivamente 9 horas ininterruptas trabalhando ou disponível para a empresa e recebe exatamente por este período, embora uma destas horas seja paga em dobro, a título de HRA. 13. A analogia possível é com a hora extra, a remuneração pelo tempo efetivamente trabalhado ou à disposição do empregador e sujeita à contribuição previdenciária. ...” Firmes nesse entendimento, vejamos como se caracteriza a gratificação paga aos diretores, considerados segurados empregados. De plano observamos que a verba em análise é paga por meio de folha de pagamento, com rubrica específica e determinada para tal fim. Ora, tal procedimento demonstra inequivocamente que o pagamento dessa verba apresenta uma regularidade tal que justifica sua inserção no meio de controle usual dos valores pagos pela empresa ao trabalhador. Ademais, consoante se verifica nas folhas de pagamento acostadas aos autos (folhas 228 e seguintes do Volume II), tal rubrica, gratificação (com código 335, 660, 730) também consta das folhas de pagamento demais segurados empregados, aqueles que não ocupam função diretiva, e nesses casos a verba foi oferecida a tributação, consoante se observa, por exemplo, na folha de pagamento de outubro de 2005 (fls 219 do mencionado Volume II). Podemos concluir, portanto, que a recorrente usa a denominação gratificação como verba de natureza remuneratória, paga não só a diretores, como também a outros empregados, dentro de uma política de remuneração definida, e pela qual, as parcelas pagas à diretoria, obviamente de maior vulto, não foram oferecidas à tributação. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15504.019477/200910 Acórdão n.º 2402003.969 S2C4T2 Fl. 1.139 13 Mesmo que assim não fosse, isto é, mesmo que não se pudesse afirmar a natureza remuneratória da verba, o que se argumenta somente por amor ao debate, a parcela em análise deveria – do mesmo modo – sofrer incidência de contribuição previdenciária em face de sua notória habitualidade, como se comprova por sua inclusão nas rubricas da folha de pagamento e de sua ocorrência frequente ao longo do período fiscalizado, conforme restou consignado e comprovado pela autoridade lançadora. Importante ressaltar que, conforme o comprovado, as gratificações em discussão não apresentam a eventualidade típica dos eventos gratuitos, desvinculados de qualquer correlação com a contraprestatividade inerente ao contrato de trabalho, e nesse sentido, não se pode querer a elas aplicar a dicção do inciso 7 da alínea ‘e’ do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei de Custeio da Previdência Social, uma vez que não se tratam de verba percebida como ganho eventual e sim frequente. Do exposto, entendo serem as gratificações pagas aos diretores, parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições devidas pela empresa. Conclusão Em conclusão, voto no sentido de CONHECER o recurso voluntário para darlhe PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecimento da decadência parcial, nos termos do voto do Conselheiro Relator e negando provimento ao recurso de ofício. É como voto. Carlos Henrique de Oliveira. Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 24/11/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, A ssinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10140.720006/2011-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL.
No presente caso, a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991 e o contribuinte foi autuado pela entrega da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com previsão legal no art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212, de 1991.
O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas.
A multa aplicada deve ter como limite o previsto no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício, que é única, no importe de 75%, e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junio, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento e os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gustavo Lian Haddad que davam provimento parcial ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 01/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL. No presente caso, a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991 e o contribuinte foi autuado pela entrega da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com previsão legal no art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212, de 1991. O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas. A multa aplicada deve ter como limite o previsto no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício, que é única, no importe de 75%, e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 00 06 /2 01 1- 17 Fl. 349DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junio, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que negavam provimento e os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gustavo Lian Haddad que davam provimento parcial ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 01/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº. 2403 01.302, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF em 15 de maio de 2012, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para que: (i) em relação aos AIOP nº 37.299.5430 e nº 37.299.5446, se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte; (ii) em relação ao AIOA nº 37.299.5454, se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Segue abaixo a sua ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da Fl. 350DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10140.720006/201117 Acórdão n.º 9202003.318 CSRFT2 Fl. 11 3 inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO TAXA SELIC APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AIOP ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN. Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AIOA ARTIGO 32, IV, §§ 4º e 5º, LEI Nº 8.212/91 APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI Nº 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Nº 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN. Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c art. 32, Fl. 351DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 §§ 4º e 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional alegou duas divergências em seu recurso especial. Quanto à primeira divergência, o seu apelo visa rediscutir a determinação do recálculo da multa de mora. Nesse ponto, apresenta dois acórdãos paradigmas, de nºs 230100.283 e 2401 00.120, assim ementados: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 08.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso Ido CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2° Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n° 3. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de co responsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA PAGA EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A parcela foi paga em desacordo com a lei, pois não houve participação do sindicato na negociação. A negativa do sindicato em participar, conforme descrito pelo recorrente, não tomou legitimo o instrumento realizado. Para solução do caso, se entendesse a empresa ou os trabalhadores ser mais benéfico o acordo de participação nos lucros proposto pelo recorrente deveria valerse do disposto na Consolidação das Leis do Trabalho CLT, além do que a própria Lei n 10.101 em seu art. 4° prevê a forma de resolução de controvérsias relativas ao PLR. Recurso Voluntário Negado” (AC 230100.283). Fl. 352DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10140.720006/201117 Acórdão n.º 9202003.318 CSRFT2 Fl. 12 5 “SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA. I De acordo com o artigo 34 da Lei nº 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, seni que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2° Conselho de Contribuintes. 3 Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n"s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN.” (AC 240100.120). Observa que os acórdãos indicados como paradigmas, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ressalta que a hipótese em análise nos acórdãos paradigmas é idêntica a do acórdão recorrido, ou seja, o que se encontrava em julgamento era exatamente lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social e se travou discussão acerca da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941 (fruto da conversão da MP nº 449/2008) no art. 35 da Lei n°8.212/91. Assinala que, embora diante de situações semelhantes, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob fundamento de que o art. 35, caput da Lei nº 8212/91 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/09. Afirma que, como na atual redação há remissão ao art. 61 da Lei n° 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20%. Pondera que os paradigmas, por outro lado, entenderam que o art. 35 da Lei n° 8.212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. Salienta que nos paradigmas a aplicação da retroatividade benigna na forma do art. 61, §2° da Lei nº 9.430/96 foi rechaçada de forma expressa. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Argumenta que a Lei nº 11.941/2009 (fruto da conversão da MP nº 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A (in verbis), a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais. “Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996". Cita o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". Infere que, tratandose de lançamento de oficio e considerando que não houve no caso a declaração de todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas, nem o recolhimento ou pagamento do tributo devido, a multa a ser aplicada é aquela prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Acrescenta que a tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP 449/2008 (convertida na Lei nº 11.941/2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Quanto à segunda divergência, a Fazenda Nacional visa discutir a multa a ser aplicada no caso de descumprimento de obrigação acessória e apresenta o paradigma cuja ementa se transcreve abaixo: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, § 4º, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO Fl. 354DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10140.720006/201117 Acórdão n.º 9202003.318 CSRFT2 Fl. 13 7 Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” (AC 240100.127). Afirma que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que se reporta no acórdão recorrido, ou seja, o julgamento de um auto de infração por descumprimento de obrigação acessória em que também se lavrou NFLD em decorrência da mesma ação fiscal. Ressalta que o acórdão paradigma consignou que havendo lançamento do tributo, juntamente com a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, o dispositivo legal a ser aplicado seria o art. 35A da Lei 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I, da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Afirma que, havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A, da Lei 8.212/91, sob pena de bis in idem, rechaçado pelo ordenamento jurídico pátrio na aplicação de penalidades tributárias. O Despacho nº 2400413/2012 deu seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões. Afirma que os argumentos apresentados pela Fazenda Nacional em seu recurso são superados de forma taxativa pelos recentes julgados que corroboram a tese que entende ser perfeita a aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, para o cálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei n.11.941/2009 ao art. 35 da Lei n. 8.212/91. Argumenta que não pode prevalecer a tese sustentada pela Fazenda Nacional à luz do que expressa o art. 106, do CTN, no tocante ao presente debate, conforme se infere: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratando se de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Cita, ainda, vários julgados proferidos recentemente pelas Turmas do CARF que desautorizam a prevalência e entendimento diferente do que foi lançado no acórdão recorrido. Ressaltase que o contribuinte também apresentou recurso especial no tocante à parte em que foi vencido, mas o mesmo não foi admitido, de acordo com os Despachos nºs 2400103/2013 e 2400430R/2013. É o relatório. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. No presente caso, a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991 e o contribuinte foi autuado pela entrega da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com previsão legal no art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que a MP n.º 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, ao mesmo tempo em que revogou os referidos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, promoveu nova sistemática de aplicação de multas. Assim dispunha, à época, o no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Fl. 356DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10140.720006/201117 Acórdão n.º 9202003.318 CSRFT2 Fl. 14 9 III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a constatação pelo Fisco de que o contribuinte apresentara declaração inexata ensejaria o direito de aplicação da multa do art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 1991, que poderia corresponder a 100% do valor relativo às contribuições não declaradas, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei 8.212, de 1991. O ponto submetido a apreciação deste colegiado resumese em definir como deve ser aplicada a multa nos termos da atual regência normativa. Na sistemática revogada, caso se verificasse, além da declaração incorreta, a existência de tributo não recolhido, terseia, em acréscimo, a incidência da multa prevista na redação anterior do art. 35, inciso II, da referida lei (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009). Vêse, pois, na sistemática revogada, a existência de multas diversas para fatos geradores igualmente distintos e autônomos: uma, prevista no art. 32, § 5°, que tem natureza de multa por descumprimento de obrigação acessória e, portanto, constituirá o próprio crédito tributário, não guardando vinculação com a obrigação principal de pagamento do tributo devido no prazo de lei; e a outra, consistente em penalidade pecuniária que decorre do não recolhimento do tributo devido dentro do respectivo vencimento, prevista no art. 35, II. Entretanto, o Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 357DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Ou seja, a multa aplicada deve ter como limite o previsto no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício, que é única, no importe de 75%, e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. Isso posto, voto no sentido de conhecer e DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para que se limite o valor das multas aplicadas ao valor da multa prevista no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 358DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10865.002552/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
INFRAÇÃO. GFIP COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA PROPORCIONAL À CORREÇÃO DA FALTA. IMPOSSIBILIDADE.
Para o reconhecimento da relevação da multa é necessária a correção integral da falta.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a relatora. Apresentará voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
Julio Cesar Vieira Gomes- Presidente e Redator Designado
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 INFRAÇÃO. GFIP COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA PROPORCIONAL À CORREÇÃO DA FALTA. IMPOSSIBILIDADE. Para o reconhecimento da relevação da multa é necessária a correção integral da falta. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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FATOS GERADORES Recorrente MOCOCA S/A PRODUTOS ALIMENTÍCIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 INFRAÇÃO. GFIP COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES. RELEVAÇÃO DA MULTA PROPORCIONAL À CORREÇÃO DA FALTA. IMPOSSIBILIDADE. Para o reconhecimento da relevação da multa é necessária a correção integral da falta. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 25 52 /2 00 8- 00 Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a relatora. Apresentará voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Redator Designado Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002552/200800 Acórdão n.º 2402004.216 S2C4T2 Fl. 1.980 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 1430.333 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ Ribeirão Preto SP, f. 19601962, com ciência ao sujeito passivo em 05/03/2012 que julgou procedente em parte a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA lavrado sob o Debcad no 37.157.5095, com ciência ao sujeito passivo em 19/08/2008, f. 2. Transcrevo o relatório da decisão de primeira instância que bem explica os fundamentos de fato e de direito da autuação e os atos processuais praticados até a presente fase: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada (AutodeInfração lavrado em 19/08/2008), referente a descumprimento da obrigação acessória, uma vez que foram apresentadas GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, relacionadas no relatório anexo "Quadro Resumo dos Fatos Geradores não Informados em GFIP", no período 06/2005 a 03/2008, perfazendo o montante de R$ 426.662.60 (quatrocentos e vinte e seis mil e seiscentos e sessenta e dois reais e sessenta centavos) conforme planilha às fls. 21/22 atualizada de acordo com a Portaria MPS/MF n°077 de 11/03/2008. Intimada em 19/08/2008, a interessada, por seu mandatário, fls. 160, ingressou, em 18/09/2008, com a tempestiva manifestação de inconformidade (fls. 145/146), argumentando que a multa deve ser relevada, uma vez que corrigiu a falta e não houve agravantes. Sendo assim, como a autuada enviou GFIPs do período da autuação dentro do prazo de impugnação, os autos foram encaminhados para a fiscalização, para manifestação conclusiva, acerca da correção das faltas (dentro do prazo de impugnação), emitindo Informação Fiscal IF e elaborando, se for o caso, nova planilha demonstrativa do cálculo da penalidade aplicada. A fiscalização informou (fls. 1907/1908), então, que houve correção total das GFIPs das competências 07/2006, 10/2006, 02/2007 e 01/2008 e nas demais competências houve somente correção parcial das GFIPs, conforme planilhas às fls. 1816/1906. Considerando relevável as correções parciais das GFIPs, a fiscalização concluiu que o valor da multa deveria ser alterado para R$ 29.516,49. Em seguida os autos foram encaminhados à autuada para manifestarse acerca das informações fiscais, fls. 1913/1915. Contudo, não houve manifestação da autuada. Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A DRJ julgou a impugnação apresentada procedente em parte e manteve em parte o crédito tributário lançado, relevando a multa aplicada nas competências 07/2006, 10/2003, 02/2007 e 01/2008, e mantendo integralmente a multa aplicada nas demais competências. O julgado restou assim ementado: DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui infração à Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV e §3° apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com informações inexatas ou omissas. A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante Em 04/04/2012 o sujeito passivo, representado por advogado qualificado nos autos, interpôs recurso apresentando suas alegações, f. 19691971, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são, em síntese: Alega que a multa deve ser totalmente relevada porque a recorrente atendeu a todos os requisitos do § 1o do art. 291 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/99, vigente à época dos fatos, inclusive corrigiu totalmente as GFIP das competências 07/2006, 10/2006, 02/2007 e 01/2008 e corrigiu parcialmente as demais competências, de tal modo que a multa deveria ser alterada para R$ 29.516,49. Sustenta que o § 1o do art. 291 do RPS/99 não vincula a relevação da multa à correção da integralidade das faltas/omissões cometidas, de modo que não cabe negar a relevação parcial da multa sob o argumento de que a instrução normativa que a autorizava foi revogada (§6° do art. 656 da Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/2005). Argumenta que o acórdão recorrido, ao indeferir a relevação parcial da multa, violou os arts. 97 e 100 do Código Tributário Nacional (CTN), pois as instruções normativas não podem modificar a Lei, e também contraria o princípio da proporcionalidade, art. 1o e 5o, LIV, da Constituição Federal. Com base no art. 106, II, “c” do CTN, entende que deve ser feita diligência para comparar a multa aplicada com a multa do novel art. 32A da Lei 8.212/91, para, ao final, ser aplicada a mais benéfica, levandose em consideração as correções realizadas pela recorrente em suas GFIPs. Requer que seja dado provimento ao recurso para o fim de se reduzir a multa ao importe de R$ 29.516,49 e que seja feita a comparação da multa prevista no revogado art. 32, parágrafo 5º, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10.12.97, da Lei 8.212, com a multa do dispositivo vigente, artigo 32A, da Lei 8.212/91, aplicandose a mais benéfica. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002552/200800 Acórdão n.º 2402004.216 S2C4T2 Fl. 1.981 5 Voto Vencido Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Relevação da Multa. Correção Parcial O art. 291 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/99, antes de ser revogado pelo Decreto nº 6.727, de 12 de janeiro de 2009, previa a possibilidade de a autoridade administrativa relevar a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória no caso de haver pedido do autuado dentro do prazo de defesa, de o infrator ser primário, ter corrigido a falta e não ter incorrido em nenhuma circunstância agravante: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. §1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. §2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. §3° A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. Esse dispositivo não explicitava o significado da expressão ter o infrator corrigido a falta, mas sua exegese não oferece maiores dificuldades para o intérprete ao se adotar o critério de interpretação literal, o qual permite concluir que a correção da falta nada mais é do que a satisfação, pelo infrator, do objeto da obrigação tributária acessória. Na linha dessa interpretação, a correção da falta consistiria em a empresa entregar as GFIP’s do período da autuação, sem omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Em 18 de setembro de 2008, dentro do prazo de impugnação, a autuada pediu a relevação da multa, juntando GFIPs retificadoras. Constatouse, em diligência fiscal, que a recorrente, visando à correção da falta, entregou a GFIP das competências 07/2006, 10/2006, 02/2007 e 01/2008 sem omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, e, nas demais competências, manteve a omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, mas em menor proporção. Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 A recorrente não contestou o resultado da diligência, de modo que não há controvérsia em relação a este ponto. A questão que deve ser enfrentada é quanto aos efeitos da correção nas competências em que as infrações persistiram em menor proporção, considerando que a multa aplicada nas demais competências foi relevada pela decisão de primeira instância. Cabe, antes de mais nada, fazer breve histórico das orientações expedidas pela Administração Fazendária em relação a este tema. A questão posta foi abordada pela Instrução Normativa INSS/DC n° 100, de 18/12/2003, art. 684, a qual, com relação à infração capitulada no §5° do art. 32 da Lei n° 8.212/91, autorizava a relevação da multa somente quando houvesse correção total na competência em que se verificou a falta, assim entendida como a entrega da GFIP retificadora contendo a totalidade dos fatos geradores omitidos, na forma discriminada no Relatório Fiscal da Infração: Art. 684. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada a correção da falta pelo infrator até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o Auto de Infração. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta na forma do caput e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2º O disposto no § 1º deste artigo não se aplica à multa prevista no art. 286 do RPS e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos do RPS. § 3º Para fins de atenuação ou relevação da penalidade pecuniária prevista no § 4º do art. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, considerase corrigida a falta com a entrega das GFIP referentes ao período objeto da autuação. § 4º Em relação à infração capitulada no § 5º do art. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, somente será concedida atenuação ou relevação da multa se a GFIP for entregue com a totalidade dos fatos geradores omitidos, na forma discriminada no Relatório Fiscal da Infração. (grifo nosso) (...) A Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, revogou a IN INSS/DC 100/2003 e deu nova interpretação ao tema, dispondo que, nos casos de entrega pelo autuado de GFIP informando parte dos fatos geradores omitidos na competência da falta, a atenuação ou a relevação da multa darseia na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados, conforme §6o do art. 656: Art. 656. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada a correção da falta pelo infrator até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o Auto de Infração. §1° A multa será relevada, ainda que não contestada a infração, se o infrator: Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002552/200800 Acórdão n.º 2402004.216 S2C4T2 Fl. 1.982 7 I dentro do prazo de defesa: II for primário; e III não tiver incorrido em circunstância agravante. ... §4° Para fins de atenuação ou relevação da penalidade pecuniária, considerase cada ocorrência, conforme descrito nos arts. 646 a 648, uma falta. §5° A relevação ou a atenuação de que tratam os § § 1° e 2° será aplicada sobre o valor da multa correspondente a cada ocorrência para a qual houve correção da falta. §6° Na hipótese do inciso III do caput do art. 647, a entrega pelo autuado de GFIP informando parte dos fatos geradores omitidos na competência implicará a atenuação ou a relevação da multa na proporção do valor das contribuições sociais previdenciárias relativas aos fatos geradores informados, exceto: (grifos nossos) I os fatos geradores não relacionados no Relatório Fiscal; II a diferença entre o valor total relativo à contribuição não declarada e o limite máximo estabelecido para a aplicação da multa. ... Este entendimento vigorou até 30/04/2007, data da edição da Instrução Normativa SRP nº 23, que revogou o § 6 do art. 656 da IN SRP 03/2005, e introduziu as seguintes alterações: Art. 656. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação do AutodeInfração. (NR dada pela IN SRP n° 23, de 30.04.07) §1° A multa será relevada, ainda que não contestada a infração, se o infrator: I formular pedido dentro do prazo de impugnação e comprovar a correção da falta no prazo referido no caput; (NR dada pela IN n° 23, de 30.04.07) II for primário; e III não tiver incorrido em circunstância agravante. §2° A multa será atenuada em cinqüenta por cento, se o infrator tiver corrigido a falta no prazo referido no caput. § 3° Não se aplica: I o disposto no § 1° deste artigo em relação à multa prevista no art. 286 do RPS; e Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 II o disposto nos §§ 1° e 2° deste artigo em relação à multa nos casos em que esta decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos do RPS, disciplinada nos arts. 496 a 498. (NR dada pela IN n° 23, de 30.04.07) §4° Para fins de atenuação ou relevação da penalidade pecuniária, considerase cada ocorrência, conforme descrito nos arts. 646 a 648, uma falta. §5° A relevação ou a atenuação de que tratam os §§1° e 2° será aplicada sobre o valor da multa correspondente a cada ocorrência para a qual houve correção da falta. §6° (Revogado pela IN n° 23, de 30.04.07) §7° Da decisão que atenuar ou relevar multa decorrente de AutodeInfração deverá ser interposto recurso de ofício ao CRPS, de acordo com o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 366 do RPS, observado o disposto no § 8°. (NR dada pela IN n° 23, de 30.04.07) § 8° Não se aplica o disposto no §7° à atenuação estabelecida como critério para fixação do valor da multa no ato da lavratura do respectivo auto, nos termos do inciso IX do art. 657. (Incluído pela IN n° 23, de 30.04.07) § 9° Não caberá recurso de ofício de decisões ou despachos decisórios relativos a AutodeInfração com valores inferiores aos estabelecidos em ato do Ministro da Previdência Social, nos termos do § 2° do art. 366 do RPS. (Incluído pela IN n° 23, de 30.04.07) § 10. Somente deverão ser interpostos recursos de ofício ao CRPS das decisões e despachosdecisórios proferidos em processos nos quais tenha sido instaurado o contencioso administrativo fiscal, observado o disposto no § 11. (Incluído pela IN n° 23, de 30.04.07) § 11. Nos processos relativos a AutodeInfração em que não tenha sido instaurado o contencioso administrativo fiscal deverá ser dirigido recurso de ofício à autoridade hierarquicamente superior, desde que o valor total exonerado seja superior a vinte mil reais, nos termos do parágrafo único do art. 2° da Portaria MPS n° 158, de 2004. (Incluído pela IN n° 23, de 30.04.07) Assim, a exegese da Administração Fazendária, vigente à época da correção da falta, era no sentido de não ser aplicável a relevação proporcional. Com efeito, o § 5º do inciso IV do art. 32 da Lei 8.212/91, de acordo com a regulamentação do art. 225 do RPS/99, determina que a GFIP deve conter todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias: Lei 8.212/91 IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002552/200800 Acórdão n.º 2402004.216 S2C4T2 Fl. 1.983 9 contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97. ... § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) RPS/99: Art. 225. A empresa é também obrigada a: ... IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (grifos nossos) A negativa da relevação parcial coaduna com a finalidade do instituto da relevação da multa, que foi criado para proteger o interesse da arrecadação (interesse público) por meio da reparação do dano causado pela infração tributária, o que é ainda mais evidente no caso da GFIP, que tem também a função social de alimentar os bancos de dados que servem de informação para concessão dos benefícios previdenciários. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), analisando instituto similar do direito penal, a reparação do dano na figura do arrependimento posterior previsto no art. 16 do Código Penal, tem se posicionado no sentido de que o reconhecimento da minorante do arrependimento posterior não se aplica nos casos de reparação parcial do dano (STJ, REsp 765588/RS, Min. Felix Fischer, 5ª T., DJ 10/04/2006, p. 286). Concluo que o art. 656 da IN SRP 03/2005, na redação da IN SRP 23/2007, realiza seu papel de explicitar o art. 291 do RPS, em harmonia com o disposto no art. 100 do Código Tributário Nacional (CTN), sendo que a revogação do §6o pela própria Administração Tributária foi a medida adequada para invalidar o ato normativo expedido em desconformidade com o Regulamento. Com base em todo o exposto, indefiro o pedido de relevação da multa nas competências em que não houve a correção integral da falta. Alteração Legislativa. Retroatividade da multa mais benéfica Diante das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, a recorrente solicita que seja aplicada a multa mais benéfica mediante comparação entre a multa do revogado art. 32, IV, § 5o da Lei 8.212/91 e a do novel art. 32A. Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 A MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009 alterou profundamente o regime de multas em matéria previdenciária. A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212/911, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário (notificação fiscal de lançamento de débito, inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20092) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20093). 1 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). 2 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 3 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002552/200800 Acórdão n.º 2402004.216 S2C4T2 Fl. 1.984 11 Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1º) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2º) multa para pagamento não espontâneo, incluído em lançamento tributário, chamada de multa de ofício (art. 35A), que é única para três condutas: i) falta de pagamento ou recolhimento de débito; ii) falta de declaração; e iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada um desses institutos: para o primeiro, multa de até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/964; para o segundo, multa de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/965. 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 O revogado art. 35 inciso II da Lei 8.212/91, dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento incluído em lançamento tributário. Era o revogado art. 32 inciso IV §§4o e 5o da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. Portanto, na norma anterior, o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4o e 5o.. A multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação do dado quantitativo resultante do cálculo conforme descrito no parágrafo anterior (vigente à época dos fatos geradores) com o dado quantitativo resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002552/200800 Acórdão n.º 2402004.216 S2C4T2 Fl. 1.985 13 § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991 ,, em sua redação anterior à dada pela Lei n º 11.941, de 2009 , tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei n º 8.212, de 1991 ,, com a redação dada pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) No caso concreto, foi aplicada a multa do art. 32, IV, § 5o da Lei 8.212/91. Entendo que a multa mais benéfica deve ser calculada de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB 971/2009, acima transcrito, e deverá ser apurada no momento do pagamento, nos termos do art. 2o da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e negarlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Redator Designado Multa aplicada É direito da recorrente a retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao seu exame, sobretudo para explicar porque não deve ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002552/200800 Acórdão n.º 2402004.216 S2C4T2 Fl. 1.986 15 Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF, etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparandose com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Ao declarado e não pago é aplicada apenas multa de mora. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa aplicável? Somente a prevista no artigo 32A. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de agravamento) sobre a diferença de R$ 20.000,00 e, independentemente disso, a multa do artigo 32A em relação ao valor não declarado. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a declaração constituiria o crédito tributário por confissão; portanto, sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002552/200800 Acórdão n.º 2402004.216 S2C4T2 Fl. 1.987 17 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002552/200800 Acórdão n.º 2402004.216 S2C4T2 Fl. 1.988 19 a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. Fl. 1998DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10865.002552/200800 Acórdão n.º 2402004.216 S2C4T2 Fl. 1.989 21 §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. Por tudo, voto pelo provimento parcial do recurso para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes. Fl. 1999DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10480.901102/2012-94
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COFINS. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA.
O direito de pleitear a restituição/compensação do indébito tributário relativo a pagamento indevido ou a maior, extingue-se em 5 (cinco) anos (art. 150, § 1º, do CTN), contados a partir do pagamento, nos termos do art. 168 do Código Tributário Nacional - CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação do indébito tributário relativo a pagamento indevido ou a maior, extinguese em 5 (cinco) anos (art. 150, § 1º, do CTN), contados a partir do pagamento, nos termos do art. 168 do Código Tributário Nacional CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 11 02 /2 01 2- 94 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901102/201294 Acórdão n.º 3801004.318 S3TE01 Fl. 116 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 19104740 emitido eletronicamente em 01/03/2012, referente ao PER/DCOMP nº 21798.74403.231009.1.3.043448. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$ 14.170,42, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 15/10/2004. De acordo com o Despacho Decisório, constatouse que, na data de transmissão do documento em análise, já estava extinto o direito de utilização do crédito, por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP. Diante do exposto, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito existe, em razão da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998, e que não foi intimada a prestar esclarecimentos. Pedese, ainda, a reunião dos processos 10480.900902/201298, 10480.900903/201232, 10480.901.102/201294, 10480.901101/201240 e 10480.901785/201280, de modo a haver julgamento conjunto, e posterior juntada de provas, diligência e perícia. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 COMPENSAÇÃO APÓS A EXTINÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901102/201294 Acórdão n.º 3801004.318 S3TE01 Fl. 117 3 de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade e alegando ainda que para que seja verificado o prazo decadencial, devese tomar como base o PER/DCOMP n. 32651.87099.240809.1.3.040540, vez que este sim contém a análise do direito creditório, sendo que o pagamento a maior foi efetuado em 15.10.2004, e a transmissão do PER/DCOMP de análise creditória foi feita em 24.8.2009, respeitandose assim o prazo de cinco anos previsto na legislação. É o Relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901102/201294 Acórdão n.º 3801004.318 S3TE01 Fl. 118 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão envolve dois pontos, quais sejam (i) prazo decadencial para compensação de créditos tributários pagos indevidamente pelo contribuinte e (ii) direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, no que tange à decadência, a repetição de indébito é tratada no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), que determina que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Devemos atentar ainda para o que dispõe os artigos 3o e 4o da Lei Complementar 118/05, que fixou o termo inicial do prazo para a restituição dos valores indevidamente recolhidos, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, na data do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN e com efeitos retroativos, o que equivale dizer que o prazo para restituição/compensação passou a ser de 5 anos, contados da data do pagamento indevido. O STF, por sua vez, no julgamento do RE nº 566.621/RS, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05 e firmou o posicionamento, por maioria dos votos, de que, somente para os processos ajuizados após a entrada em vigor da LC nº 118/2005, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, o prazo para compensação ou repetição do indébito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido No caso em tela, a Declaração de Compensação formalizada no PER/DCOMP n.º 21798.74403.231009.1.3.043448 foi transmitida em 23/10/2009, cujo direito creditório corresponde a pagamento alegadamente indevido ou a maior efetuado em 15/10/2004. Ou seja, o pedido administrativo ocorreu após o início de vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, assim, o prazo previsto na mencionada lei complementar, conforme o posicionamento do STF. Portanto o direito de pleitear a compensação dos pagamentos alegadamente indevidos anteriores a 23/10/2004 já havia sido atingido pela decadência no momento do pedido administrativo. A recorrente alega ainda que para que seja verificado o prazo decadencial, devese tomar como base o PER/DCOMP n. 32651.87099.240809.1.3.040540, vez que este sim contém a análise do direito creditório, sendo que o pagamento a maior foi efetuado em Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901102/201294 Acórdão n.º 3801004.318 S3TE01 Fl. 119 5 15.10.2004, e a transmissão do PER/DCOMP de análise creditória foi feita em 24.8.2009, respeitandose assim o prazo de cinco anos previsto na legislação. Conforme dispõe o § 10 do art. 34 IN RFB nº 900/2008, vigente à época, o sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. No entanto, o PER/DCOMP citado pela recorrente tratase de Declaração de Compensação original, conforme revela o número do PER/DCOMP, ou seja, apesar do pagamento indevido informado ser o mesmo ela pleiteou apenas parte do crédito para compensar débitos naquela DCOMP, não havendo prova nos autos de pedido de restituição que pudesse amparar a apresentação extemporânea de Declaração de Compensação que tenha por objeto o restante do crédito decorrente de pagamento indevido. Podemos verificar pelo caput do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 que só podem ser utilizados na compensação os créditos passíveis de restituição. Uma vez que os pagamentos alegadamente indevidos cujo direito de pleitear a restituição está decaído não são passíveis de restituição estes, portanto, não são passíveis de compensação. Dessa forma, reconhecida a decadência não cabe analisar as demais questões de mérito. Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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