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Numero do processo: 16327.000365/2004-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997, 1998
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
DENUNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS.
Para que se caracterize a denúncia espontânea, é de se verificar se o contribuinte, além de efetuar os pagamentos juntados aos autos, efetivamente declarou os débitos de forma espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN.
DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
O exame de liquidez e certeza, in casu, deverá ser realizado pela autoridade administrativa, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 08/2014.
Numero da decisão: 1401-003.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a incidência da norma de prescrição em relação aos créditos não alcançados pelo prazo decenal em 17.03.2004, determinando o retorno dos autos à unidade da RFB de origem para exame da liquidez e certeza do crédito pleiteado, com fulcro no disposto no Parecer Normativo Cosit nº 08/2014, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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PRESCRIÇÃO. SÚMULA CARF Nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. DENUNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS. Para que se caracterize a denúncia espontânea, é de se verificar se o contribuinte, além de efetuar os pagamentos juntados aos autos, efetivamente declarou os débitos de forma espontânea, nos termos do artigo 138 do CTN. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O exame de liquidez e certeza, in casu, deverá ser realizado pela autoridade administrativa, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 08/2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a incidência da norma de prescrição em relação aos créditos não alcançados pelo prazo decenal em 17.03.2004, determinando o retorno dos autos à unidade da RFB de origem para exame da liquidez e certeza do crédito pleiteado, com fulcro no disposto no Parecer Normativo Cosit nº 08/2014, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 03 65 /2 00 4- 23 Fl. 200DF CARF MF 2 Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Inicialmente, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I. destaco que as folhas citadas referemse ao processo original em papel. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 122/132) de MAPFRE VERA CRUZ SEGURADORA S/A (denominação anterior: Vera Cruz Seguradora S/A), supra qualificada, apresentada em face do Despacho Decisório de fls. 112/116. Em 17.03.2004, o contribuinte entregou o Pedido de Restituição de fis.01, na qual pleiteia a restituição do valor de R$ 85.946,05 relativo a pretenso crédito de multa de mora recolhida com os DARF de fls. 12 a 81 no período de 1995 a 1998. Os recolhimentos referemse a IRRF (cód. receita 0561, 0588, 1708, 8045 e 3208), IOF (cód. receita 3467) e PIS (cód. receita 4574).. Utilizandose do pretenso crédito acima citado, o contribuinte declarou a compensação de débito de IOF (período de apuração: 2” semana de Março/2004), no valor de R$ 85.946,05, mediante a entrega, em 17.03.2004, da PER/DCOMP n° 28604.84201.170304.l.3.045030 (fls. 83/86). Pelo Despacho Dccisório de fls. 112/116 o contribuinte foi cientificado, em 30.07.2008 (AR às fls. 121), do não reconhecimento do direito creditório, do indeferimento da utilização de tal crédito para compensar o débito indicado pelo interessado e da não homologação da compensação. Foi assim émentado o despacho decisório: ASSUNTO: IRRF, PIS E IOF Declaração de Compensação de créditos relativos a Pagamentos indevidos de multa moratória quando da efetivação do recolhimento destes tributos no período de janeiro/1995 a dezembro/1998, em razão de denúncia espontânea nos termos do art. 138 do CTN, com parte do débito de IOF apurado em março/2004. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 16327.000365/200423 Acórdão n.º 1401003.433 S1C4T1 Fl. 201 3 EMENTA _' Pedido de Compensação Indeferido. Decadência. Extinção do crédito tributário em face do Transcurso do Prazo de 5 (cinco) anos contados da extinção do crédito tributário. Compensação Não Homologada. Legislação aplicada: Artigos 165, inciso I, 167 e 168, inciso 1, todos do CTN Código Tributário Nacional, aprovado pela Lei n” 5.172, de 25/10/1966, art. 49 da Lei n“ 10.637/02, e/e a IN SRF n° 210/02 e PGFN/CAT/N°1.538, de 1999.. Irresignado, o contribuinte apresentou em 22.08.2008 a Manifestaçao de Inconformidade de fls. 122/132, alegando, em apertada síntese, que o crédito há de ser reconhecido, por tratar se de multa de mora indevidamente recolhida, já que os recolhimentos, efetuados espontaneamente, estão amparados pelo art. 138 do CTN. Quanto à decadência, a1ega"que o prazo é de dez anos, pois, nos casos de lançamento por homologação, apenas após cinco an ls considerase extinto o crédito tributário (art. 156, VII, do CTN), a partir de quando se conta o prazo de cinco anos previsto para pleitear a restituição, consoante se extrai das disposições contidas no art. 168, caput, e seu inciso I, do CTN. A autoridade julgadora de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O acórdão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1995, 1996, 1997, 1998 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para repetição de indébito ou para compensação é de 5 (cinco) anos contados da data do pagamento indevido ou a maior. Solicitação Indeferida Irresignada, a contribuinte manejou o recurso voluntário, por meio do qual reeditou as alegações da manifestação de inconformidade. Em essência, era o que havia a relatar. Voto Fl. 202DF CARF MF 4 Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Prescrição. O direito à repetição de indébito, no caso de pagamento indevido ou a maior, é previsto no artigo 165 do CTN, verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. O exercício do direito à repetição do indébito tem limitação temporal determinada pelo artigo 168 do CTN nos seguintes termos: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Para fins de contagem do prazo quinquenal, o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 determinou que, no caso de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação, o termo a quo das hipóteses previstas no artigo 168, I, do CTN seria o momento do pagamento antecipado. A mudança do critério jurídico por meio da LC nº 118/2005 inovou no sistema jurídico e, assim, foi acolhida pelo Poder Judiciário com efeitos prospectivos e não retroativos, conforme se pode depreender do acórdão abaixo, exarado sob a égide do artigo 543B do Código de Processo Civil/73, no qual o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4º do diploma legal citado, que dispunha sobre a aplicação do disposto no artigo 3º a fatos pretéritos: EMENTA DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO Fl. 203DF CARF MF Processo nº 16327.000365/200423 Acórdão n.º 1401003.433 S1C4T1 Fl. 202 5 – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566.621/RS, julgamento em 04/08/2011). (Grifei) A decisão do Supremo Tribunal Federal com fulcro no disposto no artigo 543B do CPC/73 deve ser observada pelos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme determina o artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF. Tal entendimento está consolidado na Súmula CARF nº 91, que tem efeito vinculante de acordo com a Portaria MF nº 277/2018, verbis: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Considerando que os Pedidos de Ressarcimento/Restituição foram feitos em 2004, é de se aplicar o prazo decenal. Fl. 204DF CARF MF 6 Assim, é de se dar provimento, neste ponto, ao recurso voluntário. Liquidez e certeza. Entretanto, destaco que o crédito pleiteado não foi objeto de exame de liquidez e certeza, especialmente em relação aos requisitos para a denúncia espontânea de que trata o artigo 138 do CTN, verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Conforme se pode concluir da dicção do dispositivo legal citado, o instituto da denúncia espontânea não requer apenas o pagamento do tributo acompanhado da multa de mora. Há que se fazer a denúncia espontânea da infração cometida. Tanto a denúncia, quanto o pagamento devem ocorrer antes de iniciado o procedimento de fiscalização. É que, com a denúncia da infração, o sujeito passivo constitui o crédito tributário, que é satisfeito pelo respectivo pagamento. A denúncia feita nesses termos evita que a Administração Tributária, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, tenha de lançar de ofício o crédito tributário correspondente à infração denunciada. Neste diapasão, podese citar o seguinte trecho da Solução de Consulta Interna nº 8 Cosit, de 30 de maio de 2016: De se notar que o dispositivo estabelece como requisitos necessários à caracterização da denúncia espontânea: pagamento do tributo devido e dos juros de mora, se for o caso; comunicação da infração à autoridade antes de qualquer procedimento fiscal. grifei Impende também citar o acórdão exarado pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça no REsp 1149022/SP, sob a sistemática dos recursos repetitivos de que trata o artigo 543C do CPC/73, cuja observância por este Conselho é obrigatória, nos termos do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do RICARF: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito Fl. 205DF CARF MF Processo nº 16327.000365/200423 Acórdão n.º 1401003.433 S1C4T1 Fl. 203 7 tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Fl. 206DF CARF MF 8 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Julgamento em 09/06/2010) grifei. Vejase que a hipótese consagrada pelo STJ é aquela em que o sujeito passivo declara e paga um débito e, posteriormente, verificando que cometeu um erro, retifica a declaração e efetua o respectivo pagamento da diferença antes de iniciado qualquer procedimento de fiscalização. Não se caracteriza, portanto, a denúncia espontânea quando o contribuinte simplesmente efetua recolhimentos desacompanhados da denúncia, ou seja, da correspondente declaração. Compulsando os autos, verifico que não foram juntadas quaisquer declarações da contribuinte que possam configurar as denúncias espontâneas a que faz referência a defesa da contribuinte. Seria necessário, destarte, para o exame de liquidez e certeza do crédito pleiteado, nos termos do artigo 170 do CTN, que se verificasse se tais declarações foram efetivamente prestadas. Ademais, mesmo que se configure a denúncia espontânea, resta a apuração do quantum. Considerando que a pretensão da contribuinte havia sido afastada por prescrição, não se chegou a examinar se os valores pedidos estão corretos. Sem os exames mencionados, não há como verificar a liquidez e certeza do crédito. Entretanto, impende asseverar, que as autoridades julgadoras não detêm competência para a realização de atos primários, como se vê na lição de Gilson Wessler Michels: O que resulta dessa distinção [entre recurso do tipo reexame e recurso do tipo revisão] é que, na medida em que no contencioso administrativo brasileiro foi adotada a separação entre órgãos de lançamento (Administração Ativa) e órgãos de julgamento (Administração Judicante), não sendo dada a esses a competência para praticar os atos primários de que são exemplos o lançamento e o despacho denegatório do pleito repetitório, mas sim a de praticar o ato secundário de reapreciação daqueles atos primários, só podem os órgãos julgadores administrativos prolatar decisões na esfera das quais anulam ou confirmam, parcial ou integralmente, o ato contestado (modalidade revisão), e jamais decisões nas quais substituem tal ato (modalidade reexame). (MICHELS, Gilson Wessler. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Cenofisco, 2018. p 33.) Assim, tenho que devese afastar a incidência da norma prescritiva, nos termos da Súmula CARF nº 91, e retornar os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para que seja feito o exame inaugural de liquidez e certeza nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, uma vez que essa matéria não foi submetida ao contencioso administrativo. Conclusão. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 16327.000365/200423 Acórdão n.º 1401003.433 S1C4T1 Fl. 204 9 Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a incidência da norma de prescrição em relação aos créditos não alcançados pelo prazo decenal em 17.03.2004, determinando o retorno dos autos à unidade da RFB de origem para exame da liquidez e certeza do crédito pleiteado, com fulcro no disposto no Parecer Normativo Cosit nº 08/2014, de acordo com a fundamentação acima. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator Fl. 208DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.004894/2002-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1999
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63/2017. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, majorou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o limite de alçada para interposição de recurso de ofício. Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA.
É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016).
Numero da decisão: 1302-003.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e em não conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
Nome do relator: Maria Lúcia Miceli
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1999 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63/2017. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, majorou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o limite de alçada para interposição de recurso de ofício. Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016).
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ATOS COOPERADOS. TRIBUTAÇÃO Recorrentes SOC COOP SERV MED HOSP CTBA LTDA UNIMED FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA VIGENTE. PORTARIA MF Nº 63/2017. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, majorou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o limite de alçada para interposição de recurso de ofício. Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e em não conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 48 94 /2 00 2- 44 Fl. 739DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa. Relatório Trata o processo de lançamento para constituição de crédito tributário de PIS, no valor de R$ 2.686.388,19, relativo aos períodos de apuração de 01/02/1999 a 30/06/2001, sem aplicação de multa de ofício com fundamento do artigo 63 da Lei nº 9.430/96. De acordo com o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, fls. 212/218, constatouse a falta de recolhimento da contribuição, e que, em face da obtenção de medida liminar em mandado de segurança, no Processo Judicial n° 2000.70.00.0048163, da 7a Vara Federal em Curitiba/PR, o crédito constituído seria apenas para prevenir a decadência relativo aos atos cooperados, encontrandose com sua exigibilidade suspensa, a teor do art. 151, IV, do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966). Tempestivamente, a autuada interpôs impugnação de fls. 220/238, sendo o processo encaminhado para a Delegacia de Julgamento em Curitiba/PR, onde foi constatado que a Ação Judicial em Mandado de Segurança n° 2000.70.00.0048163 (fls. 175/205) referia se exclusivamente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, não justificando o lançamento com exigibilidade suspensa, e sequer sem a exigência da multa do ofício. Assim, devolveuse o processo para fiscalização para que se procedesse ao lançamento complementar e, quanto ao mesmo, fosse reaberto o prazo de impugnação. Em atendimento, foi lavrado, em 02/07/2002, o auto de infração complementar de fls. 275/277, para a constituição de R$ 2.014.791,02 de multa de ofício de 75%, relativa aos períodos de apuração de fevereiro de 1999 a junho de 2001. O lançamento complementar foi tempestivamente contestado, com a apresentação da impugnação de fls. 279/304. Em 15 de agosto de 2002, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba proferiu o Acórdão n° 1.772, às fls. 328/346, pelo qual o lançamento, em face das razões de impugnação, foi, por unanimidade de votos, considerado parcialmente procedente. Desta decisão foi interposto recurso de ofício. Os créditos tributários mantidos foram transferidos deste processo para o Processo Administrativo n° 10980.002024/200311, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário de fls. 371/373, para o qual foi interposto recurso voluntário em 11/10/2002. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10980.004894/200244 Acórdão n.º 1302003.559 S1C3T2 Fl. 740 3 Em 13 de agosto de 2003, ao julgar o recurso de ofício, a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 20309.108, anulou o processo a partir da decisão de primeira instância. O Acórdão está acostado aos autos às fls. 377/385, e possui a seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA — A multa de oficio guarda relação direta com a procedência ou não da exigência principal, do que decorre que alegações que se referem ao principal necessariamente trazem reflexos na penalidade aplicada. Constatada a omissão, por parte da Delegacia de Julgamento, da apreciação de razões de defesa suscitadas na fase impugnatória, nula é a decisão exarada, devendo nova ser prolatada, com a devida intimação da parte. Processo ao qual se anula, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. Em função da anulação da decisão da DRJ, a transferência dos créditos tributários foi revertida, retornando todos os valores lançados para controle neste processo, conforme Extrato do Processo de fls. 394/398. Uma nova decisão foi proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba, que proferiu o Acórdão n° 5.905 na sessão de 7 de abril de 2004, fls. 400/427, julgando parcialmente procedente a impugnação, com a seguinte ementa: "ANULAÇÃO PELO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. REALIZAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Tendo o Conselho de Contribuintes anulado o anterior acórdão de primeira instância, é de se proceder a novo julgamento. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/10/1999 ATOS COOPERATIVOS. NÃOINCIDÊNCIA. Até o período de apuração de outubro de 1999, é incabível a exigência da contribuição para o PIS em relação aos atos cooperativos próprios. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/1999 a 30/06/2001 BASE DE CÁLCULO. A partir do período de apuração de novembro de 1999, as sociedades cooperativas devem recolher a contribuição para o PIS calculada com base na receita bruta mensal auferida, apenas admitidas as exclusões expressamente previstas em lei. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou de conflito de leis. Fl. 741DF CARF MF 4 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/1999 a 30/06/2001 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. São aplicáveis juros de mora equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Presente o pressuposto de exigência, é aplicável a multa de ofício." A turma da DRJ exonerou os lançamentos da contribuição para os meses de fevereiro a outubro de 1999, tendo por base o Ato Declaratório da Receita Federal, nº 88, de 17 de novembro de 1999. Desta decisão foi interposto recurso de ofício. A ciência da decisão ocorreu em 11/08/2004, conforme AR de fls. 433. Em 01/09/2004, foi apresentado recurso voluntário de fls. 437/476, com as seguintes alegações: => Impossibilidade de se tributar os atos cooperativos nos termos dos arts. 79 e 111 da Lei n° 5764/71, art. 146,111, c e 174, §2° da CF; => Inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98; => Ainda que válida a Lei n° 9.718/98 esta não se aplica às cooperativas por possuírem uma disciplina jurídica própria (Lei n° 5.764/71); => Sendo sociedade cooperativa constituída para a prestação de serviços aos seus cooperados, sem finalidade lucrativa, os valores por ela arrecadados, deduzidas as despesas de administração, são transferidos aos seus associados, razão pela qual não possui receita própria e por consequência não pode ser tributada pelo PIS nos moldes da Lei n° 9718/98; => A ausência de receita própria da cooperativa é reconhecida pelo próprio legislador na hipótese de incidência contida no inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212/91; => A ausência de fim lucrativo tem por conseqüência a impossibilidade de ser tributada, à exceção das hipóteses previstas expressamente pela Lei n° 5.764, de 1971; => Nos termos da Lei n° 9.715/98 a contribuição para o PIS só há de ser exigida em relação às receitas decorrentes de operações praticadas com não associados, que, no caso da recorrente, é o objeto de outro processo administrativo, o de n° 10980.004893/2002 08; => A MP 1.8587 de 29.07.99, estabelece nos seus arts. 15 e 16 que o PIS a ser pago pelas cooperativas tem como base de cálculo as receitas decorrentes de operações praticadas com não associados, ou seja atos não cooperativos, e não sobre os atos cooperativos como deseja o Fisco; => A MP 2.158/200135 acrescentou o § 9º ao art. 3º da Lei n° 9.718/98 inovando a tributação das operadoras de plano de saúde, com exceção das cooperativas, permitindo que aquelas ofereçam à tributação do PIS apenas o resultado positivo das operações praticadas e não a receita bruta, e no caso das cooperativas esta lei é meramente interpretativa razão pela qual pode ter aplicação retroativa, nos termos do art. 106 do CTN; Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10980.004894/200244 Acórdão n.º 1302003.559 S1C3T2 Fl. 741 5 => Suscita aplicação do disposto no art. 3°, § 2° da Lei n° 9.718/98 no período de novembro/99 a junho/00, data em que o referido dispositivo foi revogado; => Inaplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora; => Nulidade da Peça Infracional uma vez que não ocorreu a materialidade do fato apontado pela fiscalização. Conforme despacho de fls. 477, o processo foi encaminhado para o então Segundo Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso voluntário. Em 11/05/2005, a recorrente apresentou adendo de fls. 485/486, informando que a competência para o julgamento do processo seria do Primeiro Conselho de Contribuinte, esclarecendo que: => em março de 2002 foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, todos tendo por objeto os mesmos fatos, de forma que a competência para o julgamento do recurso é do Primeiro Conselho de Contribuinte nos termos do artigo 7º do Regimento Interno dos Conselhos. => o auto de infração de IRPJ e CSLL (processo administrativo nº 10980.004895/200299) foi devidamente encaminhado ao Primeiro Conselho. => a Terceira Câmara, ao julgar, em 23.02.2005, um dos autos de infração lavrados em março de 2002, relativo a COFINS, declinou da competência para o Primeiro Conselho, ocorrendo o mesmo com outro auto de infração de PIS. Por meio da Resolução nº 20400.554, fls. 493/501, o julgamento foi convertido em diligência para que fossem juntados aos autos a cópia do(s) auto(s) de infração relativo(s) ao IRPJ, bem como Cópia do termo de Verificação Fiscal constante do processo n° 10980.004895/200299 (relativo ao IRPJ e CSLL, segundo informou a recorrente). Em sessão de julgamento de 05 de março de 2009, a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, prolatou Acórdão nº 220200.042 de fls. 531/541, declinando a competência para o Primeiro Conselho de Contribuinte, com a seguinte ementa: "COMPETÊNCIA. EXIGÊNCIA LASTREADA EM FATOS CUJA APURAÇÃO SERVIRAM PARA DETERMINAR A PRATICA DE INFRAÇÃO A DISPOSITIVOS LEGAIS DO IMPOSTO DE RENDA. Face às normas regimentais, processamse perante o Primeiro Conselho de Contribuintes os recursos relativos a esta contribuição, quando suas exigências estejam lastreadas, no todo ou em parte, em fatos cuja apuração serviram para determinar a prática de infração a dispositivos legais do imposto de renda. " A 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do atual CARF, ao julgar o recurso voluntário, também declinou competência para a Terceira Seção de Julgamento, conforme Acórdão nº 110300.644 de fls. 543/552, de 16 de março de 2012, com a seguinte ementa: Fl. 743DF CARF MF 6 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário:1999, 2000, 2001. Ementa: DECLINAR COMPETÊNCIA. Cabe ao Presidente do CARF dirimir conflitos de competência entre Seções. De acordo o RICARF, artigo 20, inciso IX, o Presidente do CARF prolatou Despacho de fls. 612/614, dirimindo o conflito de competência, concluindo que, nos termos do artigo 2º, inciso IV, Anexo II do RICARF, a análise da lide atinente ao PIS e à COFINS cabe à Primeira Seção quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lúcia Miceli Relatora DO RECURSO DE OFÍCIO O crédito tributário exonerado, referente aos meses 01/02/1999 a 31/10/1999, totaliza R$ 1.294.076,19, incluindo o principal (R$ 739.472,11 ) adicionada a multa de ofício (R$ 554.604,08), inferior ao valor para proposição de recurso de ofício previsto na Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, de R$ 2.500.000,00. Portanto, devese aplicar a Súmula CARF nº 103, que determina observar o limite de alçada vigente na data se sua apreciação em segunda instância, e não quando foi interposto. Do exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. A lide se limita ao lançamento de PIS, para os meses de 01/11/1999 a 30/06/2001, incidente sobre os rendimentos decorrentes de atos cooperados, tendo por base legal arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807, de 28 de janeiro de 1999, e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858, de 29 de junho de 1999, e suas reedições; e arts. 79 e 111 da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Esta matéria já está pacificada no CARF em função dos precedentes do STF, em sede de recurso repercussão geral, do RE 598.085/RJ e RE 599.362/RJ, e do STJ em regime de recursos repetitivos, no REsp. 1.141.667/RS e REsp. 1.164.716/MG, determinando que atos cooperados, aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, não representam atividade empresarial, estando fora do campo de incidência do PIS. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10980.004894/200244 Acórdão n.º 1302003.559 S1C3T2 Fl. 742 7 Portanto, observando o disposto no § 2º do artigo 62 do Anexo I do RICARF, reproduzo as ementas dos citados julgados, que passo a adotar como razões de decidir: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA DE TRABALHO. SOCIEDADE COOPERATIVA PRESTADORA DE SERVIÇOS MÉDICOS. POSTO REALIZAR COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (NÃO COOPERADOS) VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS SUJEITASE À INCIDÊNCIA DA COFINS, PORQUANTO AUFERIR RECEITA BRUTA OU FATURAMENTO ATRAVÉS DESTES ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS. CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE "ATO NÃO COOPERATIVO" POR EXCLUSÃO, NO SENTIDO DE QUE SÃO TODOS OS ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (COOPERADOS), EX VI, PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS TOMADORAS DE SERVIÇO. POSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL (ISENÇÃO DA COFINS) PREVISTO NO INCISO I, DO ART. 6°, DA LC N° 70/91, PELA MP N° 1.8586 E REEDIÇÕES SEGUINTES, CONSOLIDADA NA ATUAL MP N° 2.158 35. A LEI COMPLEMENTAR A QUE SE REFERE O ART. 146, III, "C", DA CF/88, DETERMINANTE DO "ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO ATO COOPERATIVO", AINDA NÃO FOI EDITADA. EX POSITIS,DOU PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. As contribuições ao PIS e à COFINS sujeitamse ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), a recomendar solução uniforme pelo colegiado. 2. O princípio da solidariedade social, o qual inspira todo o arcabouço de financiamento da seguridade social, à luz do art. 195 da CF/88, matriz constitucional da COFINS, é mandamental com relação a todo o sistema jurídico, a incidir também sobre as cooperativas. 3. O cooperativismo no texto constitucional logrou obter proteção e estímulo à formação de cooperativas, não como norma programática, mas como mandato constitucional, em especial nos arts. 146, III, c; 174, § 2°; 187, I e VI, e 47, § 7°, ADCT. O art. 146, c, CF/88, trata das limitações constitucionais ao poder de tributar, verdadeira regra de bloqueio, como corolário daquele, não se revelando norma imunitária, consoante já assentado pela Suprema Corte nos autos do RE 141.800, Relator Ministro Moreira Alves, 1a Turma, DJ 03/10/1997. 4. O legislador ordinário de cada pessoa política poderá garantir a neutralidade tributária com a concessão de benefícios fiscais às cooperativas, tais como isenções, até que sobrevenha a Fl. 745DF CARF MF 8 lei complementar a que se refere o art. 146, III, c, CF/88. O benefício fiscal, previsto no inciso I do art. 6° da Lei Complementar n° 70/91, foi revogado pela Medida Provisória n° 1.858 e reedições seguintes, consolidada na atual Medida Provisória n° 2.158, tornandose tributáveis pela COFINS as receitas auferidas pelas cooperativas (ADI 1/DF, Min. Relator Moreira Alves, DJ 16/06/1995). 5. A Lei n° 5.764/71, que define o regime jurídico das sociedades cooperativas e do ato cooperativo (artigos 79, 85, 86, 87, 88 e 111), e as leis ordinárias instituidoras de cada tributo, onde não conflitem com a ratio ora construída sobre o alcance, extensão e efetividade do art. 146, III, c, CF/88, possuem regular aplicação. 6. Acaso adotado o entendimento de que as cooperativas não possuem lucro ou faturamento quanto ao ato cooperativo praticado com terceiros não associados (não cooperados), inexistindo imunidade tributária, haveria violação a determinação constitucional de que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, ex vi, art. 195, I, b, da CF/88, seria violada. 7. Consectariamente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados) na busca dos seus objetivos institucionais. 8. A Suprema Corte, por ocasião do julgamento dos recursos extraordinários 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 15082006, e 346.084/PR, Relator Min. ILMAR GALVÃO, Relator p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 01092006, assentou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços. 9. Recurso extraordinário interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), com fulcro no art. 102, III, "a", da Constituição Federal de 1988, em face de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 2a Região, verbis: TRIBUTARIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COOPERATIVA. LEI N°. 5.764/71. COFINS. MP N°. 1.858/99. LEI 9.718/98, ART. 3°, § 1° (INCONSTITUCIONALIDADE). NÃOINCIDÊNCIA DA COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS. 1. A Emenda Constitucional n° 20, de 15 de dezembro de 1998 (DOU de 16/12/1998) não tem força para legitimar o texto do art. 3°, § 1°, da Lei n°. 9.718/98, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 28 de novembro de 1998. 2. É inconstitucional o § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG) 3. Prevalece, no confronto com a Lei n°. 9718/98, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins o disposto no art. 2° da Lei n° 70/91, que considera faturamento Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10980.004894/200244 Acórdão n.º 1302003.559 S1C3T2 Fl. 743 9 somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. 4. Os atos cooperativos (Lei n°. 5.764/71 art. 79) não geram receita nem faturamento para as sociedades cooperativas. Não compõem, portanto, o fato imponível para incidência da Cofins. (grifei). 5. Em se tratando de mandado de segurança, não são devidos honorários de advogado. Aplicação das Súmulas 512 do STF e 105 do STJ. 6. Apelação provida. (fls. 120/121). 10. A natureza jurídica dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas e a incidência da COFINS, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de "ato cooperado", "receita da atividade cooperativa" e "cooperado", são temas que se encontram sujeitos à repercussão geral nos recursos: RE 597.315RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 02/02/2012, Dje 22/02/2012, RE 672.215RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 29/03/2012, Dje 27/04/2012, e RE 599.362RG, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Dje13122010, notadamente acerca da controvérsia atinente à possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória n° 2.15833, originariamente editada sob o n° 1.8586, e nas Leis n°s 9.715 e 9.718, ambas de 1998. 11. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido naquilo que declarou inconstitucional o § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 146, III, C, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE IMUNIDADE OU DE NÃO INCIDÊNCIA COM RELAÇÃO AO ATO COOPERATIVO. LEI N° 5.764/71. RECEPÇÃO COMO LEI ORDINÁRIA. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA. MP N° 2.15835/2001. AFRONTA AO PRINCÍPIO DA ISONOMIA. INEXISTÊNCIA. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não Fl. 747DF CARF MF 10 incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei n° 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social "será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei" (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. 9. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10980.004894/200244 Acórdão n.º 1302003.559 S1C3T2 Fl. 744 11 impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração Por todo acima exposto, como os créditos tributários de PIS foram calculados sobre os ingressos relativos aos atos cooperados, não resta outra conclusão que não seja o cancelamento do lançamento. Portanto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Maria Lúcia Miceli Relatora Fl. 749DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.721929/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/01/2012
PIS/COFINS. GÁS NATURAL. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Diversamente do que ocorre na sistemática da substituição tributária pra frente, no tributação monofásica não há previsão de restituição da quantia paga de tributo em etapa anterior da cadeia de circulação ou produção do produto.
Na tributação monofásica, as contribuições são devidas sobre as receitas referentes à etapa em que houve a incidência com alíquota diferente de zero, independentemente de quaisquer outras etapas da mesma cadeia. Nessa situação não há as figuras do fato gerador presumido ou do substituto tributário para o enquadramento na regra do art. 150, §7º da Constituição Federal.
No caso, a supressão de uma das cadeias de comercialização do gás natural, sujeito a tributação monofásica das contribuições de PIS/Cofins, em face da sua aquisição pela requerente diretamente da distribuidora, não enseja a restituição pleiteada.
Recurso Voluntário negado
Direito Creditório não reconhecido
Numero da decisão: 3402-006.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que dava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2007 a 31/01/2012 PIS/COFINS. GÁS NATURAL. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Diversamente do que ocorre na sistemática da substituição tributária pra frente, no tributação monofásica não há previsão de restituição da quantia paga de tributo em etapa anterior da cadeia de circulação ou produção do produto. Na tributação monofásica, as contribuições são devidas sobre as receitas referentes à etapa em que houve a incidência com alíquota diferente de zero, independentemente de quaisquer outras etapas da mesma cadeia. Nessa situação não há as figuras do fato gerador presumido ou do substituto tributário para o enquadramento na regra do art. 150, §7º da Constituição Federal. No caso, a supressão de uma das cadeias de comercialização do gás natural, sujeito a tributação monofásica das contribuições de PIS/Cofins, em face da sua aquisição pela requerente diretamente da distribuidora, não enseja a restituição pleiteada. Recurso Voluntário negado Direito Creditório não reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 19 29 /2 01 2- 21 Fl. 168DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido, apresentado em 23/03/2012, de restituição de PIS recolhido sobre a aquisição de gás natural nos períodos de apuração de 03/2007 a 01/2012 no valor total de R$ 4.316.577,56, sob o fundamento de que teria havido supressão de uma das cadeias de comercialização do gás natural, eis que a requerente adquiriu o gás natural diretamente da distribuidora, de modo que não teria existido o fato gerador presumido entre varejista e consumidor final. O pleito foi indeferido pela autoridade administrativa, sob os seguintes argumentos principais: (...) Em suma, determinou a MP 1.99115/00 que a tributação das refinarias, distribuidoras e varejistas passam a ser absolutamente autônomas. O que é recolhido pela refinaria não mais significa antecipação do que seria devido nas etapas subsequentes. A incidência das contribuições sobre a refinaria e o pagamento feito por esta são definitivos, independendo de qualquer fato posterior. A eficácia das modificações introduzidas pela MP 1.99115/00 verificouse, como dito, desde 01.07.2000, não mais existindo, a partir daí, o regime de substituição em debate. Confiramos a redação do art. 46 da tantas vezes citada MP. (...) Em síntese, no caso da incidência monofásica, ocorre a incidência numa única etapa da cadeia de modo que não há que se falar que a refinaria exerça a condição de substituta tributária das demais etapas. Não existe pagamento relativo a fato gerador presumido a ocorrer em etapa posterior da cadeia não havendo, portanto, a hipótese de ressarcimento. No caso em tela, as contribuições são devidas sobre as receitas referentes à etapa em que houve a incidência, independentemente de quaisquer outras etapas da mesma cadeia. Resta claro então que, desde 1º de julho de 2000, data em que deixou de ser adotada a sistemática de substituição tributária e passouse a adotar a técnica de incidência “monofásica” ou em etapa única, tornouse inaplicável o disposto no art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 6, de 1999, dispositivo este expressamente revogado pela Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002. (...) A interessada apresentou manifestação de inconformidade reiterando o seu direito à restituição em face da não ocorrência do fato gerador presumido entre varejista e consumidor final com base no art. 128 do CTN, no art. 150, §7º da Constituição Federal e na Lei nº 9.718/98. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 13888.721929/201221 Acórdão n.º 3402006.585 S3C4T2 Fl. 169 3 O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: Gás natural (ou somente gás) não se confunde com derivado de petróleo, apesar de ser incluído na indústria e na cadeia produtiva do petróleo. O gás natural não foi abrangido pelo regime de substituição tributária aplicável às Refinarias, desde sua instituição, tendo sido excluído originalmente da tributação concentrada aplicável às Refinarias (regime monofásico) instituída pela MP nº 1.99115, de 2000. Somente com a Lei nº 10.865, de 2004, foi inserido no sistema de tributação concentrada aplicável, agora não às Refinarias, mas sim aos produtores e importadores de derivados de petróleo (regime monofásico), sistema de tributação este, o qual, como já explicado, não se confunde com o regime de substituição. Desta feita, não há de se falar em fato gerador presumido na aquisição de gás natural, relativamente aos recolhimentos feitos pela Refinaria, nem na aplicação do disposto no art. 150, § 7º, da CF/88, no caso concreto, como pretendido pela Recorrente. Cientificada dessa decisão em 01/03/2017, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/03/2017, alegando, em síntese: O instituto da tributação monofásica nada mais é de uma das espécies do gênero substituição tributária, na qual o legislador atribui responsabilidade a terceiro sobre o pagamento de tributos envolvidos em operações comerciais ou de serviços. O fato gerador presumido quanto ao varejista e consumidor final não existiu, ressalvando, contudo que a incidência e recolhimento da contribuição ao PIS feito pela Refinaria abrangeram todas as cadeias, suportando a contribuinte um ônus indevido relativo à “cadeia 03 (operação 03)”, ensejando o direito à restituição em comento. A partir de 01.07.2000, os consumidores finais, ao adquirirem Gás Natural diretamente das distribuidoras, continuam a possuir os mesmos créditos tributários existentes até 30 de junho de 2000, consoante restou demonstrado, tanto pela redação do § 7º do artigo 150 da Constituição Federal como pela redação do artigo 128 do CTN. Não fosse assim, o regime monofásico de tributação encontraria intransponível barreira legal estabelecida no artigo 37 da Lei Complementar n° 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Conforme já explicitado na decisão recorrida e no despacho decisório, à época dos períodos de apuração de 03/2007 a 12/2012, o gás natural estava inserido no sistema de tributação monofásica aplicável aos produtores e importadores de derivados de petróleo, do que a recorrente nem discorda, mas entende que ainda assim lhe assistiria o direito à restituição Fl. 170DF CARF MF 4 pelo valor pago relativamente ao fato gerador inexistente entre o varejista e o consumidor final, eis que adquiriu o gás natural diretamente da distribuidora. No entanto, ao contrário do que entende a recorrente, a tributação monofásica não se trata de uma das espécies do gênero substituição tributária. Embora tenham efeitos econômicos semelhantes, tratase de institutos juridicamente diversos. Na substituição tributária ou responsabilidade por substituição, a sujeição passiva recai desde a ocorrência do fato gerador sobre pessoa diversa (substituto) do contribuinte (substituído). A substituição tributária pra frente tem previsão constitucional no art. 150, §7º da Constituição Federal e deve ser instituída por lei, a qual definirá o substituto tributário em relação ao fato gerador que deva ocorrer em etapa posterior da cadeia de produção ou circulação, sendo assegurado a restituição da quantia paga na hipótese de não se concretizar o fato gerador presumido. A incidência monofásica das contribuições é autorizada pelo art. 149, §4º da Constituição Federal e deve ser instituída por lei ordinária, a qual definirá o seu contribuinte e a etapa da cadeia de comercialização em que se dará a incidência com alíquota diferente de zero. No regime monofásico, as contribuições de PIS/Cofins são apuradas e pagas apenas numa das etapas da cadeia de circulação do produto pelo próprio contribuinte, sendo que, no restante da cadeia, as alíquotas são reduzidas a zero. O CARF tem considerado que, na tributação monofásica, não há possibilidade de restituição de tributos pagos em fase anterior da cadeia de produção ou circulação, eis que não há previsão de fato gerador presumido futuro, conforme ementas abaixo transcritas: Acórdão nº 3201004.054 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Relator: Charles Mayer de Castro Souza ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2007 a 30/06/2012 PEDIDO RESTITUIÇÃO. CRÉDITO DA COFINS CALCULADO SOBRE O CUSTO DE AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CONSUMIDOR FINAL. IMPOSSIBILIDADE. No regime monofásico de tributação não há previsão de restituição de tributos pagos na fase anterior/inicial da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez e, em face dessa característica, não há previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorria no regime de substituição tributária para frente vigente até 30/6/2000 para as operações de comercialização dos citados produtos. (...) Acórdão nº 3302005.144– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Relator: Paulo Guilherme Déroulède ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE REVENDEDOR. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13888.721929/201221 Acórdão n.º 3402006.585 S3C4T2 Fl. 170 5 Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a venda de automóveis e autopeças para o comerciante atacadista ou varejista. (...) Acórdão nº 3801002.929– 1ª Turma Especial Sessão de 25 de janeiro de 2014 Relator: Sidney Eduardo Stahl ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre os combustíveis, incluído o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrada nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exonerada as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Dessa forma, no sistema monofásico, as contribuições são devidas sobre as receitas referentes à etapa em que houve a incidência com alíquota diferente de zero, independentemente de quaisquer outras etapas da mesma cadeia. Não há aqui as figuras do fato gerador presumido ou do substituto tributário (responsável pelo pagamento do tributo que não se reveste da condição de contribuinte) para o enquadramento na regra do art. 150, §7º da Constituição Federal, não havendo, portanto, autorização legal para restituição. No caso, a supressão de uma das cadeias de comercialização do gás natural, sujeito a incidência monofásica, não gera o direito à restituição pleiteado pela recorrente por falta de previsão legal, e não há nisso qualquer lesão ao art. 37 da Lei de Responsabilidade Fiscal, eis que inexistente a antecipação de receita da contribuição, pois, como dito, as contribuições são apuradas e pagas apenas numa das etapas da cadeia de circulação do produto pelo próprio contribuinte, sendo que, no restante da cadeia, as alíquotas são reduzidas a zero. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 172DF CARF MF 6 Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16007.000255/2010-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
IRRF. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO.
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Numero da decisão: 2402-006.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16007.000256/2010- 77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente e Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16007.000256/2010- 77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira- Presidente e Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
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COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Gregório Rechmann Junior. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 16007.000256/2010 77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 7. 00 02 55 /2 01 0- 22 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16007.000255/201022 Acórdão n.º 2402006.955 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.953, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16007.000256/201077, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202006.953 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário (fls. 305 a 316) pelo qual a recorrente se indispõe contra acórdão de manifestação de inconformidade (fls. 284 a 290), onde a autoridade de piso acolheu apenas parcialmente pedido de compensação de IRRF apresentado pela contribuinte. Conforme relatório da decisão recorrida: [...] Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16007.000255/201022 Acórdão n.º 2402006.955 S2C4T2 Fl. 4 3 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16007.000255/201022 Acórdão n.º 2402006.955 S2C4T2 Fl. 5 4 Em razão dos argumentos expostos, a recorrente requer que seja integralmente reconhecido seu direito creditório ao IRRF discutido, de forma a ser homologada na integra a compensação declarada no PER/DCOMP, cancelandose os valores lançados. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, Relator. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.953, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16007.000256/201077, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2402006.953, de 12 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202005.953 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16007.000255/201022 Acórdão n.º 2402006.955 S2C4T2 Fl. 6 5 "Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Das alegações apresentadas Compulsado os autos, verificase que a recorrente reafirma perante este Conselho os mesmos argumentos apresentados à autoridade de piso, em especial, requer que se entenda como elementos de prova (espelhos de notas fiscais) documentos não previstos na legislação relacionada à matéria. Tal possiblidade, porém, esbarra no fato deste Conselho ser um órgão da Administração e, como tal, vinculado à observância estrita das normas legais e infralegais, que possuem presunção de constitucionalidade e legalidade, até que sejam revogadas ou tenham sua aplicabilidade afastada pelo poder competente. Assim, conforme exposto na decisão recorrida, uma vez editada a norma, é dever da Administração aplicála, sem questionar critérios como justiça ou injustiça de seus efeitos, especialmente no que se refere ao lançamento tributário, que sendo uma atividade plenamente vinculada, não permite à autoridade tributária aplicar juízos de valores na constituição do crédito, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do Parágrafo único, do ART 142, do CTN. Art. 142. (...). Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dito isso, por refletir o entendimento aplicado no presente voto, colacionase o seguinte trecho do acórdão recorrido: Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16007.000255/201022 Acórdão n.º 2402006.955 S2C4T2 Fl. 7 6 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido." Ante o exposto, voto por CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003292/2010-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-001.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Honório Albuquerque de Brito (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 32 92 /2 01 0- 01 Fl. 70DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2008, anocalendário de 2007, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário de aproximadamente R$2.749,00, até abril de 2015. Foram constatadas as seguintes irregularidades, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$22.300,00. O interessado foi cientificada da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que juntou todos os documentos comprobatórios de suas despesas médicas, para os quais afirma atenderem os requisitos legais. A DRJ Fortaleza, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte não comprovou quem teria sido o beneficiário dos serviços médicos em apreço. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte junta declaração completa emitida pelos profissionais Thiago de Lima (R$ 16.300,00) e Flávia Lucisano (R$ 6.000,00), ratificando o valor total pago por ele bem como ratifica ser o beneficiário dos serviços médicos em análise. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.003292/201001 Acórdão n.º 2001001.237 S2C0T1 Fl. 3 3 a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou despesas que geraram dúvidas nas autoridades fiscais, dentro do seu dever legal de fiscalização. Assim, solicitou a autoridade fiscal a comprovação do beneficiários dos serviços, eis que não restava claro nos recibos apresentados. O Contribuinte, revestido de postura colaborativa e evidente boa fé, apresentou declaração completa emitida pelos profissionais Thiago de Lima (R$ 16.300,00) e Flávia Lucisano (R$ 6.000,00), ratificando o valor total pago por ele bem como ratifica ser o beneficiário dos serviços médicos em análise. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. Fl. 72DF CARF MF 4 A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseandose na postura claramente colaborativa e evidente boa fé do Recorrente, o qual apresentou declaração completa emitida pelos profissionais Thiago de Lima (R$ 16.300,00) e Flávia Lucisano (R$ 6.000,00), ratificando o valor total pago por ele bem como ratifica ser o beneficiário dos serviços médicos em análise, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário e consideradas como dedutíveis as despesas médicas anteriormente glosadas. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.003292/201001 Acórdão n.º 2001001.237 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.011398/2008-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
EMBARGOS. CONTRADIÇÃO.
Verificada obscuridade ou contradição no julgado face ao não enfrentamento de arguição recursal relevante, cabe a correspondente integração via embargos, sem modificação quanto ao resultado do julgamento
Numero da decisão: 2001-001.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 2001-000.065, sanar a omissão apontada, vale dizer: foi dado provimento ao Recurso Voluntário e o contribuinte deverá ser intimado para, no prazo de 30 (trinta) dias, juntar aos autos as declarações dos prestadores dos serviços e, caso apresente os documentos, o processo deverá retornar à DRJ para novo julgamento. Caso o contribuinte não atenda à intimação, o prazo de recurso estará esgotado na esfera administrativa e será mantida a decisão da DRJ.
(assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Honório Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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CONTRADIÇÃO. Verificada obscuridade ou contradição no julgado face ao não enfrentamento de arguição recursal relevante, cabe a correspondente integração via embargos, sem modificação quanto ao resultado do julgamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 2001000.065, sanar a omissão apontada, vale dizer: foi dado provimento ao Recurso Voluntário e o contribuinte deverá ser intimado para, no prazo de 30 (trinta) dias, juntar aos autos as declarações dos prestadores dos serviços e, caso apresente os documentos, o processo deverá retornar à DRJ para novo julgamento. Caso o contribuinte não atenda à intimação, o prazo de recurso estará esgotado na esfera administrativa e será mantida a decisão da DRJ. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Honório Albuquerque de Brito (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 01 13 98 /2 00 8- 84 Fl. 84DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos Inominados apresentados pela Unidade Executora contra acórdão proferido pela 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção, a qual exarou o Acórdão nº 2001000.065, em 31/10/17, fls. 68 A 72, dando provimento ao Recurso Voluntário, de fls. 44 a 46. A unidade executora, DRF Niterói (RJ), por meio do despacho de fls. 78, apontou inexatidão material no acórdão e solicitou esclarecimento do alcance do julgamento, propondo retorno ao CARF para esclarecer o encaminhamento. O contribuinte deverá ser intimado para, no prazo de 30 (trinta) dias, juntar aos autos as declarações dos prestadores dos serviços? Caso apresente os documentos: o processo deverá retornar à DRJ para novo julgamento? Caso o contribuinte não atenda à intimação: o prazo de recurso estará esgotado na esfera administrativa? A glosa de despesa médica deverá ser mantida e devida a cobrança do crédito tributário? Em face da inexatidão material apontada nos embargos, os referidos despachos foram acolhidos como embargos inominados, nos termos do Art. 66 do RICARF. Assim, tornase necessário que a 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção se manifeste acerca da inexatidão constatada, esclarecendo o alcance do julgado e os procedimentos subseqüentes a serem adotados. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. Foi verificada obscuridade e inexatidão no acórdão acima mencionado por haver divergência entre a parte dispositiva e a conclusão, bem como falta de esclarecimento quanto aos procedimentos a serem adotados caso seja mantido o provimento ao Recurso Voluntário para a apresentação das declarações dos profissionais . Vejamos. O recorrente na parte final do recurso voluntário, às fls. 46, apresentou pedidos para anular ou suspender o acórdão recorrido até o julgamento do processo apenso nº 10.730.001.961/201110; ou que se reforme o acórdão recorrido para determinar nova notificação ao Recorrente para que apresentação das declarações mencionadas no acórdão, em prazo hábil. As declarações mencionadas acima constam na parte final do voto do acórdão da DRJ, conforme abaixo. A conclusão do voto do Acórdão nº 2001000.065, ora embargado, teve o seguinte teor: "Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar, e no mérito, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para determinar a juntada das declarações supra mencionadas, pleiteadas pelo contribuinte." Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10730.011398/200884 Acórdão n.º 2001001.241 S2C0T1 Fl. 3 3 Por sua vez, a parte dispositiva do Acórdão embargado adotou a seguinte redação, conforme abaixo: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário." Verificase no voto que o provimento foi para determinar a juntada das declarações, enquanto a parte dispositiva do Acórdão deu provimento total sem delimitar o alcance da decisão. Notase, ainda, que assiste razão à Unidade Executora quando apresenta suas indagações relativas aos procedimentos subseqüentes ao que foi determinado nas conclusões do voto. Pois bem, primeiramente vale então esclarecer que o que foi dado provimento foi ao pedido do Contribuinte para juntada das mencionadas declarações. Sendo assim, reformo a parte dispositiva para a seguinte redação, exatamente igual á conclusão.: "Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar, e no mérito, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para determinar a juntada das declarações supra mencionadas, pleiteadas pelo contribuinte". Adicionalmente, aproveitase o ensejo para esclarecer os procedimentos subseqüentes ao provimento do Recurso Voluntário. Vale dizer, foi dado provimento ao Recurso Voluntário e o contribuinte deverá ser intimado para, no prazo de 30 (trinta) dias, juntar aos autos as declarações dos prestadores dos serviços. Esclareça que caso apresente os documentos, o processo deverá retornar à DRJ para novo julgamento. Caso o contribuinte não atenda à intimação, o prazo de recurso estará esgotado na esfera administrativa e será mantida a decisão da DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902397/2014-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 23 97 /2 01 4- 50 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10580.902397/201450 Acórdão n.º 3401005.831 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de PIS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10580.902397/201450 Acórdão n.º 3401005.831 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.505. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10580.902397/201450 Acórdão n.º 3401005.831 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10580.902397/201450 Acórdão n.º 3401005.831 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10580.902397/201450 Acórdão n.º 3401005.831 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10580.902397/201450 Acórdão n.º 3401005.831 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10580.902397/201450 Acórdão n.º 3401005.831 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10580.902397/201450 Acórdão n.º 3401005.831 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900718/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Pedido de Restituição de crédito de contribuição não cumulativa, relativamente a alegado pagamento, transmitido através do PER/Dcomp. O referido pleito foi indeferido por despacho decisório eletrônico, sob o seguinte fundamento: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". A interessada apresentou manifestação de inconformidade, sustentando seu direito creditório no fato de que as receitas auferidas pela contribuinte seriam referentes a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 00 71 8/ 20 12 -3 5 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.900718/201235 Resolução nº 3402001.953 S3C4T2 Fl. 3 2 serviços prestados para empresa residente no exterior, e, portanto, estariam fora do campo de incidência do PIS e da Cofins, nos termos do inciso I, §1º do art. 149 da Constituição Federal ou do inciso II do art. 6º da lei nº 10.833/2003. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: A nota fiscal juntada não comprova uma transação internacional, já que nas operações comerciais com partes domiciliadas no exterior, o documento comprobatório é a fatura/invoice. Nos contratos de câmbio apresentados, não há qualquer referência a fatura ou nota fiscal. A interessada não retificou a DCTF, e mesmo que o tivesse feito, a mera retificação não poderia ser aceita como prova. A fim de comprovar a efetiva prestação de serviços para o exterior, ela deveria ter apresentado: fatura de prestação de serviços no exterior (commercial invoice), contrato de prestação de serviços firmado entre ele e a empresa, livros fiscais e contábeis que discriminassem as receitas auferidas pelo contribuinte e os pagamentos recebidos. Cientificada dessa decisão, a interessada apresentou recurso voluntário, repisando que o pagamento foi indevido eis que se trataria de efetiva exportação de serviços, sujeita à imunidade/não incidência das contribuições ao PIS e da Cofins. A fim de esclarecer qualquer dúvida acerca da contratação envolvida, a recorrente acostou o contrato de prestação de serviço, bem como todos os extratos bancários dos períodos objeto dos pedidos de restituição. Subsidiariamente, requereu a recorrente a conversão do julgamento em diligência para que fossem apresentados os documentos julgados necessários à comprovação da prestação do serviço e pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.939, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900705/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.939): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Não obstante a recorrente não tenha retificado a DCTF relativamente ao débito que originaria o alegado pagamento indevido, este CARF tem entendido que: "Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.900718/201235 Resolução nº 3402001.953 S3C4T2 Fl. 4 3 por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado" (Acórdão nº 3301005.595, de 13 de dezembro de 2018, Rel. Salvador Cândido Brandão Junior). Nos termos do art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/761, a recorrente apresentou o contrato de prestação de serviço com a empresa estrangeira reclamado na decisão recorrida e comprovantes dos pagamentos correspondentes. Esses documentos, juntamente com outros que constam nos autos, podem representar um indício de que as receitas tributadas seriam decorrentes de "serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas"; e, consequentemente, estariam beneficiadas pela isenção das contribuições de PIS/Cofins, nos termos do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835 ou do art. 6º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 e do art. 5º, inciso II da Lei nº 10.637/2002. Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, da 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, em sessão de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do CARF tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da documentação acostada. Ademais, a fiscalização pode, caso entenda necessário, proceder ao exame de livros de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes de lançamentos neles efetuados, bem como efetuar intimações à recorrente para apresentação de esclarecimentos e documentos, no intuito de apurar se efetivamente houve erro na DCTF transmitida para o período e o alegado pagamento indevido decorrente da isenção das receitas tributadas. Nessa esteira, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem, independentemente de retificação da DCTF do período de apuração: a) Analise a suficiência da documentação acostada aos autos para comprovar o direito creditório alegado e, sendo o caso, intime a recorrente a apresentar, dentro de prazo razoável, os documentos e esclarecimentos que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.900718/201235 Resolução nº 3402001.953 S3C4T2 Fl. 5 4 comprovar ou não a legitimidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem, independentemente de retificação da DCTF do período de apuração: a) Analise a suficiência da documentação acostada aos autos para comprovar o direito creditório alegado e, sendo o caso, intime a recorrente a apresentar, dentro de prazo razoável, os documentos e esclarecimentos que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar ou não a legitimidade do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.725244/2014-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
DESPESAS COM ALUGUEL E FRETES - OPERAÇÕES DISSIMULADAS
Se o conjunto de provas reunido pela fiscalização demonstra que foram simuladas as operações pelos quais a entidade alugou imóveis e contratou fretes de empresas do mesmo grupo econômico, estão sujeitas a glosa fiscal as importâncias registradas a título de despesas.
MULTA QUALIFICADA.
Comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 72, da Lei 4.502/64, praticadas no sentido de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, com o único intuito de reduzir a carga tributária, correta a qualificação da multa, nos termos definidos pela legislação
LANÇAMENTOS DECORRENTES - CSLL
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO.
Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que o responsabilizado era o principal protagonista no planejamento tributário com a criação de empresas que geravam despesas, reduzindo a carga tributária.
Numero da decisão: 1302-003.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte e em não conhecer do recurso de ofício, nos termos do voto do relator e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário, vencidos Flávio Machado Vilhena Dias (relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ricardo Marozzi Gregório e Gustavo Guimarães da Fonseca, que votaram por afastar a responsabilidade solidária por não se caracterizar o interesse comum. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Lúcia Miceli.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 DESPESAS COM ALUGUEL E FRETES - OPERAÇÕES DISSIMULADAS Se o conjunto de provas reunido pela fiscalização demonstra que foram simuladas as operações pelos quais a entidade alugou imóveis e contratou fretes de empresas do mesmo grupo econômico, estão sujeitas a glosa fiscal as importâncias registradas a título de despesas. MULTA QUALIFICADA. Comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 72, da Lei 4.502/64, praticadas no sentido de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, com o único intuito de reduzir a carga tributária, correta a qualificação da multa, nos termos definidos pela legislação LANÇAMENTOS DECORRENTES - CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que o responsabilizado era o principal protagonista no planejamento tributário com a criação de empresas que geravam despesas, reduzindo a carga tributária.
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MULTA QUALIFICADA. Comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 72, da Lei 4.502/64, praticadas no sentido de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, com o único intuito de reduzir a carga tributária, correta a qualificação da multa, nos termos definidos pela legislação LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que o responsabilizado era o principal protagonista no planejamento tributário com a criação de empresas que geravam despesas, reduzindo a carga tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 52 44 /2 01 4- 78 Fl. 1942DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.942 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte e em não conhecer do recurso de ofício, nos termos do voto do relator e, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário, vencidos Flávio Machado Vilhena Dias (relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ricardo Marozzi Gregório e Gustavo Guimarães da Fonseca, que votaram por afastar a responsabilidade solidária por não se caracterizar o interesse comum. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Lúcia Miceli. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório O presente processo administrativo tratase de Autos de Infração lavrados em face do contribuinte DDA Dinâmica e Indústria de Alimentos e Transportes S/A, ora Recorrente, em que a fiscalização constituiu créditos tributários de IRPJ e CSLL, com aplicação das penalidades inerentes, inclusive multa qualificada, referentes aos anos calendários de 2009 e 2010. Houve, ainda, a imputação de responsabilidade ao Sr. Paulo Cézar Boaventura Brandão pelo pagamento dos créditos tributários constituídos, uma vez que ele seria, aos olhos da fiscalização, "o verdadeiro dono do Grupo PDA, composto por diversas empresas, entre elas a empresa ora fiscalizada, DDA DINÂMICA." Como se depreende do Termo de Verificação Fiscal (fls. 74 e seguintes dos autos), o agente autuante, após discorrer sobre os procedimentos de fiscalização, sobre as intimações enviadas ao Recorrente, sobre as alterações no quadro social da entidade e, em especial, sobre o grupo de empresas ao qual o Recorrente faz parte Grupo PDA demonstrou que houve um planejamento tributário ilícito por parte dos gestores das entidades, que teve como objetivo única e exclusivamente de "reduzir a carga tributária do GRUPO PDA, pois empresas fictícias de transporte, tributadas pelo SIMPLES NACIONAL (tributação mais Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.943 3 benéfica) geram Despesas de Fretes para as empresas tributadas pelo Lucro Real, reduzindo indevidamente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e ainda geram créditos do PIS e de COFINS, reduzindo indevidamente estes tributos também". Neste sentido, a acusação fiscal, primeiramente, discorre sobre a constituição e o quadro societário das empresas que formam o denominado Grupo PDA, que se intitula como o "maior centro de distribuição do Estado da Bahia" e que a Recorrente faz parte como "distribuidora de produtos". Como se observa do TVF, a princípio, a primeira empresa do grupo Paralela Distribuidora de Alimentos foi criada em 1999, com CNAE Fiscal nº 4693100 (Comércio Atacadista de Mercadorias em Geral, sem Predominância de Alimentos ou de Insumos Agropecuários). Posteriormente, no decorrer dos anos, foram criadas várias empresas de transporte, de distribuição e uma patrimonial, sendo que a composição societária destas era de familiares do Sr. Paulo Cézar Boaventura Brandão e/ou de funcionários das entidades, que, em algum momento, foram alçados a sócios das sociedades. As aberturas sucessivas de empresas e as alterações societárias realizadas no decorrer dos anos foram muito bem demonstradas no TVF, pelo agente autuante. Desta feita, após constatar que havia, dentro do grupo econômico, várias empresas com o mesmo objeto social distribuidoras e de transporte a fiscalização demonstrou que, em diligência realizada, restou constatado que "toda a parte operacional das empresas são realizadas pela mesma equipe administrativa, mesma equipe de vendas, mesma equipe de recursos humanos, dentre outros." Vejase o que constou daquele TFV: Em Relatório de Representação para Exclusão do Simples da empresa PDA, conforme processo 10530.724657/201273, o auditorfiscal Pedro Caldeira relata que, em visita ao estabelecimento no endereço Av. Transnordestina nº 2.222, no dia 09/02/2012, ficou comprovado que toda a parte operacional das empresas são realizadas pela mesma equipe administrativa, mesma equipe de vendas, mesma equipe de recursos humanos, dentre outros. Que inicialmente constatou que as sedes das empresas estão localizadas em um grande galpão com edificações e pátios que servem para alocação da administração e estoque de mercadorias. Na fachada do prédio há a logomarca do “GRUPO PDA”. Em nenhum momento se deparou com logomarcas das outras empresas. Na entrada da empresa questionou o porteiro e a secretária sobre quais empresas funcionavam naquele prédio. Foilhe informado que ali era o Grupo PDA, sede das empresas Altogiro, DDA, PDA Logística e Paralela Distribuidora. Adentrando às instalações físicas constatou que não há quaisquer separações entre os trabalhadores das empresas. Em um mesmo espaço físico todas as empresas do grupo são administradas pelas mesmas pessoas em setores distintos. Para servir a todas as empresas do grupo há apenas um setor Fl. 1944DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.944 4 financeiro, um setor contábil, um setor de recursos humanos, um setor de vendas, etc... Questionado sobre quais empresas fazem parte do grupo, o responsável pela contabilidade do grupo, Sr. Juarez Rodrigues da Silva, CPF n° 325.999.43515, informoulhe que ali funcionaria a PDA, Altogiro e Paralela. Porém, a empresa PDA Logística seria apenas a empresa usada como transportadora do grupo. Seria uma prestadora de serviço para as empresas e sua única função seria transportar as mercadorias das empresas distribuidoras. Em visita aos corredores da empresa constatou mais uma vez que nas portas das salas, assim como nos galpões dos estoques e nos pátios de cargas e descargas foram vistas apenas placas de identificação do “GRUPO PDA”. Não há quaisquer referências às empresas separadamente. O Sr. Juarez lhe disse que os estoques das empresas seriam separados em galpões distintos. “Isto não ficou claro”. Entre um galpão e outro havia paredes derrubadas para facilitar o transito de mercadorias e pessoas entre eles. Ademais nestes galpões havia apenas placas de identificação do “GRUPO PDA”. Como complemento ao trabalho de fiscalização efetuado na empresa PDA, devido ao número de empresas envolvidas, a Receita Federal do Brasil efetuou diligência no estabelecimento da empresa DDA DINAMICA, como coleta de informações para subsidiar possível abertura de fiscalização. Na época, a DDA já estava localizada na Av. Deputado Luís Eduardo Magalhães (BR 324), Km 11, Distrito de Humildes, Feira de Santana/BA. Assim, partindo da premissa de que, em verdade, as empresas foram criadas para se gerar despesas e, em consequencia, reduzir a carga tributária incidente sobre as operações realizadas, a fiscalização intimou a Recorrente a comprovar as despesas registradas em sua contabilidade, em especial as despesas incorridas com aluguéis e com fretes. Ao analisar a documentação apresentada pela Recorrente, em resposta aos Termos de Intimação expedidos, a fiscalização demonstrou que (i) algumas das despesas não restaram comprovadas; (ii) outras despesas fretes e alguns aluguéis foram consideradas como inidôneas; (iii) uma despesa com aluguel não teria relação com a atividade da Recorrente. Além da glosa das despesas acima listadas, a fiscalização demonstrou que (iv) houve divergências entre as escriturações dos valores no LALUR e na DIPJ, com os valores declarados em DCTF. Assim, efetuamos o lançamento de ofício do IRPJ escriturado e não declarado nem pago, referente aos três primeiros trimestres do ano de 2011, conforme valores destacados em negrito na tabela abaixo. Quanto à CSLL, efetuamos o lançamento de ofício da CSLL escriturada e não declarada nem paga, referente ao 1º e ao 2º trimestres de 2011. Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.945 5 Com relação ao 3º trimestre de 2011, efetuamos o lançamento de ofício da CSLL escriturada e não declarada, mas aproveitamos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte espontaneamente. O lançamento se faz necessário para que esses pagamentos não fiquem “soltos” no sistema, sem um débito a ser vinculado. Com relação ao 4º trimestre de 2011, aproveitamos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte a título de CSLL, os quais reduziram o valor do crédito tributário apurado no presente auto de infração. Ademais, sustentando fraude praticada pela Recorrente e demais empresas do Grupo PDA, tendo em vista o fato de "criarem empresas transportadoras fictícias, em nome de interpostas pessoas, para geração de despesas com fretes, visando única e exclusivamente a redução das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Da mesma forma a criação da empresa Patrimonial, cobrando Aluguel da empresa ora fiscalizada em valores bastante elevados sem a devida comprovação do seu efetivo pagamento, sendo que tais despesas, da mesma forma, reduziram as bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS", a multa aplicada foi qualificada, nos termos que determina o artigo 44 da Lei no 9.430/96. Por fim, como mencionado, também houve a imputação da responsabilidade tributária ao Sr. Paulo Cézar Boaventura Brandão, com base no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional. Devidamente intimados, o Recorrente e o responsável apresentaram Impugnações Administrativas, cujos argumentos foram sintetizados pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) no acórdão recorrido. Em resumo, podese verificar que o Recorrente, em seu arrazoado (fls. 993 a 1038 destaquese que foram apresentadas duas defesas, umas cada tributo), alega que: (i) o fato de empregados serem sócios de algumas entidades do grupo econômico não pode ser considerado como interposição de pessoas, "mas sim de política de valorização dos funcionários que se destacam, que passam a integrar a empresa, ou até mesmo constituir uma nova, totalmente independente, como no presente caso". (ii) a existência de várias empresas distribuidoras se justifica, na medida em que o Grupo representa grandes marcas, na maioria das vezes multinacionais, que exigem exclusividade nas vendas e distribuição dos seus produtos. Assim, houve a necessidade de se criar "um condomínio empresarial, com a consequente redução de custos com vigilância, portaria e facilidade de entrega, o que se deu com a instalação de todas as empresas em um único lugar, além de se deixar espaço para abrigar outras empresas com interesse em participar do condomínio." (iii) que a elevada e complexa carga tributária no Brasil, levou o Recorrente a elaborar planejamento tributário, mas que "ensejasse a apuração e o recolhimento dos tributos na exata medida do que exige a lei". Contudo, não se pode falar em grupo econômico, em utilização de interpostas pessoas, muito menos em criação de pessoas jurídicas fictícias, "até porque são entes registrados nos órgãos municipais, estaduais e federais, as operações são contabilizadas por todas as partes envolvidas, com os prestadores dos Fl. 1946DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.946 6 serviços emitindo os documentos hábeis em valores compatíveis com a prática do mercado". (iv) no que tange aos aluguéis, estes foram devidamente pactuados, as partes contabilizaram corretamente os valores ("o locador como receita e o locatário como despesa, o que pode ser comprovado mediante procedimento de diligência fiscal nas empresas envolvidas, bem como nas prestadoras dos serviços de fretes pagos pela autuada.") e que a fiscalização não conseguiu comprovar a simulação nas operações. (v) que a criação da empresa EDAP Empreendimentos e Participações Ltda., "se deu com o objetivo de se propiciar a divisão patrimonial ainda em vida, reduzindose os custos tributários e o desgaste que o processo de inventário causaria à família". Assim, não se pode falar em "ocorrência de simulação de operações comerciais de aluguéis de imóveis, até mesmo porque a atividade principal da EDAP Empreendimentos e Participações Ltda é o aluguel de imóveis." (vi) que a empresa EDAP Empreendimentos e Participações Ltda. é administrada pelo sócio Diego Freitas Brandão, sempre assessorado pela contabilidade, não sendo necessária a utilização de funcionários, " em razão de uma política de redução de custos." (vii) no que se refere aos fretes, estes foram realizados de acordo com a legislação, sendo que houve a emissão de documentação fiscal, nos termos exigidos pelo Estado da Bahia. "Portanto, os documentos tidos por inidôneos pela fiscalização não ferem disposição legal, não omitem a perfeita indicação da operação, referindose a uma efetiva prestação de serviços de fretes". (...) " Como elementos de prova, são apresentadas fotocópias dos romaneios, dos CTRC e dos contratos de prestação de serviços de fretes." (viii) Com relação às despesas ditas não comprovada, "é necessário desdobrar em três grupos, pois, estão contidos despesas de aluguel e despesas de fretes, o primeiro tratase de alugueis pagos a Patrimonial Mil Empreendimentos e Participações Ltda. No valor R$ 6.786,84 o segundo tratase de alugueis pagos a empresa Mercante Distribuidora de Materiais Elétricos e de Construção Ltda. No valor total de R$ 80.000,00 e o terceiro tratase de fretes sobre vendas no valor de R$ 33.500,00, não se configuram, consoante provas INCONTESTÁVEIS acostada a defesa, as provas que impugnante chama de incontestáveis são: fotocópias dos contratos de alugueis, dos comprovantes de alugueis e fotocópia frete CTRC N°. 47" (ix) no que tange as despesas consideradas como inidôneas pela fiscalização, "é necessário desdobrar em dois grupos, pois, neles estão contidos despesas de ALUGUEIS e FRETES, o primeiro diz respeito a ALUGUÉIS onde funciona a autuada e como Locadora E.D.A.P. Empreendimentos e Participações Ltda., com base em Contrato de Aluguel firmado entre Locadora e Locatária, houve o pagamento e a contabilização das despesas, portanto, não se configura, ocorrência de despesas inidôneas. O segundo diz respeito a FRETES no qual o prestador de serviços agiu literalmente de Fl. 1947DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.947 7 acordo com a Legislação Estadual aplicável ao caso (Art. 382, II, "a", "b" e "c" do RICMS/BA)". (x) no que se refere a infração indicada no item 0003, " tratase de locação de Imóvel com contíguo alugado no sentido de ampliar o espaço físico". (xi) ainda, no que tange à infração descrita no item 0004, houve a apresentatação de "DCTF retificadora em data anterior a ação fiscal, lançando todos os valores iguais aos apurados e lançados contabilmente." O responsável solidário, em defesa apartada (fls. 976 e seguintes), também impugnou o lançamento. Suas alegações foram igualmente sintetizadas no acórdão recorrido, podendose destacar o seguinte: (i) em sede preliminar, alega a nulidade do lançamento, por supostamente não ter sido intimado Mandado de Procedimento Fiscal, que deu início ao trabalho da fiscalização. (ii) no mérito, invocando o princípio da legalidade, alega que o fisco afrontou diretamente este primado, ao imputar responsabilidade tributária, que não se enquadra em nenhuma "das situações previstas nos artigos 121, 124 e 128 a 135, todos do C.T.N", " por mero indício destituído até mesmo de logicidade, como consta no termo de verificação fiscal Processo Administrativo Fiscal." (iii) afirma, assim, que "o único dispositivo legal em que o Impugnante poderia ser enquadrado como Sujeito Passivo Solidário de Fato seria o art. 135, do Código Tributário Nacional, se tivesse praticado, como gerente ou administrador, algum ato com excesso de poderes ou algum ato ilícito", entretanto, não houve a comprovação de nenhum "ato com excesso de poderes, e muito menos nenhum ato ilícito", por parte da fiscalização. Em analise aos argumentos e documentos apresentados em sede de Impugnação Administrativa, aquela DRJ de Fortaleza (CE) entendeu por bem julgar como parcialmente procedentes os pedidos dos então Impugnantes, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 DESPESAS DE FRETES E DE ALUGUÉIS. EMPRESAS PARTICIPANTES DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. A dedutibilidade dos custos e das despesas operacionais requer não somente que estejam registrados na escrituração do sujeito passivo, mas também que os fatos nela evidenciados sejam comprovados mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, atributos que não se fazem presentes quando as despesas decorrem de alegados pagamentos a empresas do grupo econômico que se encontram domiciliadas no mesmo local e compartilham o mesmo quadro administrativo e funcional, o que torna escorreitas as glosas praticadas pela fiscalização, em Fl. 1948DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.948 8 especial quando a interessada não logra comprovar a efetividade dos pagamentos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 EXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO. SIMULAÇÃO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS. GLOSA DAS DESPESAS. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA. O planejamento tributário corresponde a uma atividade empresarial notoriamente preventiva, voltada para o tributo, objetivando identificar e projetar os eventos tributáveis e seus efeitos no cálculo dos tributos devidos, comparando os resultados esperados para os diversos cenários, de forma que seja adotada a alternativa menos onerosa do ponto de vista fiscal. Todavia, quando as operações foram artificialmente registradas na contabilidade, reduzindo o lucro de forma irregular, dado que não ocorreram no mundo fenomênico, tendo decorrido de fatos simulados, o que se tem é um planejamento tributário abusivo, contra legem, cabendo a desconsideração dos negócios tidos por praticados, a glosa das despesas indevidamente apropriadas e a qualificação da multa de ofício aplicada. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. ÔNUS DA PROVA. A diligência ou a perícia não pode se prestar para a produção de prova com aptidão de ser colhida e carreada aos autos pelo próprio contribuinte, prestandose para a confirmação de tese por ele apresentada, tratandose de encargo de exclusiva responsabilidade da defesa. TRIBUTO CONTABILIZADO E NÃO CONFESSADO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DA TRANSMISSÃO DE DECLARAÇÕES ANTES DO PROCEDIMENTO FISCAL. Confirmandose a versão apresentada pela defesa no sentido de que, em momento anterior à notificação do início do procedimento fiscal, o sujeito passivo apresentou DCTFs retificadoras, em que fez constar os créditos tributários exigidos nas autuações, cumpre que seja acolhido o pedido da interessada, determinandose o cancelamento das cobranças respectivas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011 LANÇAMENTO REFLEXO OU DECORRENTE. Mutatis mutandis, por se tratar de tributação decorrente, aplica se à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) a mesma Fl. 1949DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.949 9 decisão que foi adotada, relativamente ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com as conclusões do acórdão proferido pela DRJ de Fortaleza (CE), ao serem intimados do seu teor, o Recorrente DDA e o responsável tributário apresentaram Recurso Voluntário endereçado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como se depreende do apelo da Recorrente às fls. 1.886 e seguintes dos autos, o contribuinte principal pauta seu Recurso no voto vencido, supostamente proferido nos autos do PA nº 10.530.720035/201438, que, a princípio, teria afastado as mesmas acusações fiscais constante neste processo, que foram imputadas a outra empresa pertencente ao grupo econômico. Entretanto, o Recorrente não trouxe aos autos a íntegra do acórdão nº 16.66432, que foi proferido pela DRJ de São Paulo (SP), em especial as razões de decidir daquele colegiado, uma vez que transcreveu apenas parte do voto vencido. Com base naquele voto vencido, o Recorrente invoca o princípio da legalidade, afirmando que a acusação fiscal não passa de meras presunções da fiscalização. O Recorrente alegou, ainda, em seu Recurso Voluntário, a aplicação, ao presente caso, do princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, sem dizer, contudo, em que medida tais princípios foram descumpridos no caso concreto. O responsável pelo pagamento dos créditos tributários, nos termos indicados no Auto de Infração, também apresentou Recurso Voluntário às fls. 1.914, no qual defende, em síntese, que não restou comprovado pela autoridade fiscal os atos praticados pelo agente, a fim de fundamentar a imputação da responsabilidade tributária com base no artigo 124, I do CTN. Ou seja, no Recurso Voluntário, o responsável repisa os argumentos apresentados em sede de Impugnação Administrativa, sem, contudo, renovar a preliminar de nulidade do lançamento. Como houve exoneração, pela DRJ de Fortaleza (CE), de parte do crédito tributário constituído de ofício pela fiscalização, também foi apresentado Recurso de Ofício a este colegiado. Este é o relatório. Voto Vencido Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias DA TEMPESTIVIDADE DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS. DO NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO. Como se denota dos autos, o Recorrente e o responsável tributário foram intimados do teor do acórdão recorrido, respectivamente, em 20/01/2016 (comprovante fl. Fl. 1950DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.950 10 1883) e em 14/01/2016 (AR de fl. 1884), apresentando ambos Recursos Voluntários em 11/02/2016 (comprovantes às fls. 1886 e 1914), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, são tempestivos os Recursos Voluntários, devendo ser analisados por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que cumprem os demais requisitos de admissibilidade. Por outro lado, como relatado acima, o acórdão recorrido exonerou parte do crédito tributário constituído de ofício, sendo apresentado Recurso de Ofício, com base no que determinava a Portaria MF n° 03/08, que fixava o valor de R$1.000.000,00 para que fosse apresentado o Recurso pela unidade julgadora.. A exoneração foi no valor total de R$1.242.348,61. Contudo, aquela portaria foi revogada pela Portaria MF nº 63/2017, que alterou o valor de alçada do Recurso de Ofício para R$2.500.000,00. Assim, nos termos da súmula CARF nº 103 que determina que, "para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância", não deve ser conhecido o Recurso de Ofício, mantendose o que restou decidido por aquela Turma Julgadora a quo. Para que não haja dúvidas da matéria julgada como procedente pela DRJ e que não será objeto de análise deste colegiado, cumpre ressaltar que o acórdão proferido deu provimento nos seguintes pontos: Custos, Despesas Operacionais e Encargos – Despesas Não Comprovadas (Infração 01): Despesa de aluguel no valor de R$ 6.786,84. Imóvel locado da empresa Patrimonial Mil Empreendimentos e Participações Ltda. IRPJ Não Declarado – Ausência de Declaração ou Declaração Inexata (Infração 04): Débitos confessados em DCTF retificadora, transmitida antes do início da fiscalização. Cancelamento integral da autuação neste ponto. Desta feita, como não houve, nos Recursos Voluntários apresentados a indicação de preliminares, passase a analisar o mérito dos apelos do Recorrente e do responsável tributário, nesta ordem. DO MÉRITO DA DELIMITAÇÃO DO TEMA E DA FIXAÇÃO DE PREMISSAS. Como se denota do relato acima, em breve síntese, a acusação fiscal está arrimada, basicamente, no fato de que houve simulação nas operações realizadas pelas empresas que formam o Grupo Econômico PDA do qual faz parte o Recorrente, com o único objetivo de se ver reduzida a carga tributária, "pois empresas fictícias de transporte, tributadas pelo SIMPLES NACIONAL (tributação mais benéfica) geram Despesas de Fretes para as empresas tributadas pelo Lucro Real, reduzindo indevidamente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, e ainda geram créditos do PIS e de COFINS, reduzindo indevidamente estes tributos também" Fl. 1951DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.951 11 Toda a acusação fiscal parte do pressuposto de que as empresas do Grupo PDA, em que pese terem CNPJ's e sócios diferentes, não poderiam ser distintas, por utilizarem se da mesma estrutura física, terem funcionários em comum e gestão da mesma pessoa, que seria o responsável tributário indicado no TVF. Assim, em análise às despesas incorridas pelo Recorrente, notadamente as relativas a aluguéis e com transportes, a fiscalização entendeu por bem glosar o aproveitamento destas despesas na apuração do IRPJ e da CSLL. Importante ressaltar, neste ponto, que a maioria das despesas glosadas foram incorridas com empresas do Grupo PDA. Uma das despesas com a aluguel que foi assumida com um terceiro, acabou sendo reconhecida como dedutível pela DRJ de Fortaleza e não será objeto de análise no presente voto, tendo em vista que o Recurso de Ofício não foi conhecido, como demonstrado acima. Pois bem. Primeiramente, antes de se analisar os fatos e documentos acostados aos autos e o que restou decidido pela DRJ de Fortaleza (CE), entendese como necessária a fixação de algumas premissas que serão indispensáveis ao deslinde da presente controvérsia. DOS BALIZAMENTOS IMPOSTOS AO FISCO PARA DESCONSIDERAR NEGÓCIOS OU ATOS JURÍDICOS. DA INFRAÇÃO 02 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. Não se pode perder de vista, que, em última análise, a discussão travada entre o Recorrente e o fisco federal perpassa na possibilidade deste poder desconsiderar os negócios e atos jurídicos praticados pelos particulares, para, de acordo com realidade dos acontecimentos, fazer incidir a obrigação tributária. No presente caso, como demonstrado, a fiscalização afirma que as empresas do Grupo PDA não existiam faticamente, sendo criadas tão somente para reduzir a carga tributária incidentes sobre as operações realizadas. De pronto, como não poderia deixar de ser, a presente análise se inicia do texto da Constituição Federal de 1988, que tem diversos dispositivos que dão ao cidadão plena liberdade para realizar os seus negócios, desde que sua atuação não seja contrária ao que dispõem os textos legais, ou seja, desde que não haja nenhuma ilicitude nas ações praticadas. O artigo 1º, inciso IV da CF/88 é claro no sentido de que a livre iniciativa é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil: Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituise em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: (...) IV os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; Já o artigo 5º, inciso II da CF/88 é cristalino, no sentido de que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo, senão em virtude de lei. Vejase: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros Fl. 1952DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.952 12 residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Por outro lado, o constituinte de 1988 foi cristalino, como se depreende da redação do caput do artigo 170, ao afirmar que a ordem econômica será fundada, dentre outros princípios, na livre iniciativa. Vejase a redação do mencionado dispositivo: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) Assim, não é por outro motivo que o Paulo Ayres Barreto leciona pela liberdade dos contribuintes em gerirem seus negócios, desde que atuem de forma lícita. Eis seus ensinamentos: "(...)Salientese que a livreiniciativa consubstancia princípio cujo sentido é amplo, alcançando a liberdade de empresa, de investimento, de organização e de contratação. No âmbito Tributário, o contribuinte tem o direito subjetivo de gerir suas atividades e negócios, buscando a menor onerosidade tributária, desde que atue de forma lícita. Como ensina Aires Barreto, pode o contribuinte atuar dentro de um amplo espectro de alternativas igualmente lícitas, sopesandolhes as vantagens e desvantagens, avaliando os ganhos e perdas que decorrerão de cada qual e, afinal, adotando aquela que mais vantagens ou ganhos lhe possam proporcionar, inclusive no que respeita à carga tributária que deverá surportar. Nesse passo, somente lhe é defeso 'enveredar por trilhas que constituam ilicitude, que envolvam simulação ou fraude'. Logo, desde que se mova por 'comportamentos lícitos, não proibidos, sua atuação constituirá elisão fiscal, perfeitamente admitida, sem risco de ser confundida com a evasão fiscal essa vedada pelo direito'. Em síntese, os contribuintes têm o direito, constitucionalmente assegurado, de estruturarem sues negócios livremente. Tratase de garantia que não pode ser suprimida, nem mesmo por intermédio de emenda constitucional, por força do que dispõe o art. 60, § 4º, IV, da Magna Carta. " (BARRETO, Paulo Ayres. Planejamento tributário: limites normativos. 1ª ed. São Paulo: Noeses, 2016. págs. 103 e 104) Ademais, em que pese não ser o objetivo, neste momento, de se fazer uma reconstrução histórica da legislação pátria, no que tange às tentativas de se limitar a atuação Fl. 1953DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.953 13 dos contribuintes (se é que estes limites realmente existem ou podem existir, se as condutas praticadas se mostram lícitas), não se pode desprezar a redação do parágrafo único do artigo 116 do CTN, que foi introduzido pela Lei Complementar 104/2001, da seguinte forma: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (destacouse) Pela redação do artigo, não há dúvidas de que, mesmo não havendo sido editada a lei ordinária a que faz menção do citado parágrafo, uma vez caracterizada a ocorrência de atos ou negócios dissimulados, estes poderão ser desconsiderados pelo agente fiscal. Contudo, como boa parte da doutrina admite, este dispositivo seria dispensável, uma vez que, dentro do ordenamento jurídico pátrio, já existem outros textos legais, que autorizam a desconsideração (anulação) de atos ou negócios jurídicos realizados com dissimulação. No que tange à simulação, porque interessante ao deslinde do presente caso, o Código Civil, independentemente da redação do parágrafo único do artigo 116 do CTN, preceitua que é nulo o negócio jurídico simulado. Vejase a redação do artigo 167 do CC: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2o Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Fl. 1954DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.954 14 A doutrina civilista entende que a simulação pode ser absoluta ou relativa. O saudoso Caio Mário da Silva Pereira é cirúrgico ao conceituar o instituto. Confirase: "Pode a simulação ser absoluta ou relativa. Será absoluta quando o ato encerra confissão, declaração, condição ou cláusula não verdadeira, realizandose para não ter eficácia nenhuma. Dizse aqui absoluta, porque há uma declaração de vontade que se destina a não produzir resultado. (...) A simulação se diz relativa, também chamada dissimulação, quando o ato tem por objeto encobrir outro de natureza diversa (e.g. uma compra e venda para dissimular uma doação), ou quando aparenta conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem realmente se conferem ou transmitem (e.g. a venda realizada a um terceiro para que este transmita a coisa a um descendente do alienante, a quem este, na verdade, tencionava desde logo transferila). E é relativa em tais hipóteses, porque à declaração de vontade deve seguirse um resultado, efetivamente querido pelo agente, porém diferente do que é o resultado normal do negócio jurídico. O agente faz a emissão de vontade, e quer que produza efeitos; mas é uma declaração enganosa, porque a consequência jurídica em mira é diversa daquela que seria a regularmente consequente ao ato.(...)" (PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Volume 1. Rio de Janeiro, Forense, 2001. pág. 339) (destacouse) Portanto, na simulação relativa ou dissimulação, dois negócios existem: o aparente (o simulado) e o oculto (o dissimulado), sendo este o que as partes efetivamente desejavam realizar. Ainda, na dissimulação, nem tudo é fictício, tendo em vista que o seu objetivo é justamente ocultar a verdadeira natureza do ato praticado. Existe licitude, mas esta não representa o real negócio praticado. Fabiana Del Padre Tomé assim leciona: "Para que haja simulação, é necessário (i) divergência entre a real vontade das partes e o negócio por ela declarados e (ii) intenção de lograr o Fisco. Esses são, por conseguinte, pressupostos indeclináveis da desconsideração das operações jurídicas praticadas pelos contribuintes, devendo estar demonstrado por meio de provas constituídas pela Administração (...)". (TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2008. Pág. 312). (destacouse) Desta feita, a fiscalização, caso demonstre (prove) que houve dissimulação nos negócios jurídicos praticados, poderá desconsiderálos e, com esta desconsideração, imputar obrigações tributárias de acordo com o real negócio praticado (realidade sobre a forma). Todavia, não se pode perder de vista que, como ensina Caio Mário da Silva Pereira, "a prova da simulação nem sempre se poderá fazer diretamente; ao revés, frequentemente tem o juiz de se valer de indícios e presunções, para chegar à convicção de sua existência.". (PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Volume 1. Rio de Fl. 1955DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.955 15 Janeiro, Forense, 2001. pág. 341). De toda forma, mesmo que de difícil caracterização, cabe à fiscalização comprovar a prática de atos simulados, descaracterizandose assim o negócio, para que possa, ao final, constituir créditos tributários de acordo com o real negócio realizado. Ao comentar o disposto no artigo 167 do Código Civil, Paulo Ayres Barreto chega a esta mesma conclusão. Confirase: "Consoante a dicção legal, a simulação pode decorrer (i) da interposição de pessoa(s); (ii) da ocultação da verdade; e (iii) da oposição de data falsa. Por se tratar de hipótese de nulidade, prescreve o art. 168 do CC que a ocorrência de simulação pode ser alegada por qualquer parte interessada ou pelo Ministério Público, quando lhe couber investir. Nessa perspectiva, as Fazendas Públicas, prejudicadas por força da verificação de ato ou negócio simulado, têm legitimidade para pleitear o reconhecimento judicial da simulação perpetrada. " BARRETO, Paulo Ayres. Planejamento tributário: limites normativos. 1ª ed. São Paulo: Noeses, 2016. págs. 143) (destacouse) Assim, fixado o entendimento de que a fiscalização só poderá desconsiderar negócios praticados quando comprovar que houve dissimulação, e que, com esta desconsideração, poderá imputar obrigações tributárias de acordo com o real negócio praticado entre as partes, passase a analisar as imputações da fiscalização e as alegações do Recorrente. DAS ILAÇÕES DA FISCALIZAÇÃO NO QUE TANGE ÀS OPERAÇÕES REALIZADAS. DA SIMULAÇÃO. Como se depreende do Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização trouxe vários elementos para demonstrar que não haveria empresas distintas no Grupo PDA e que as operações, seja de distribuição de mercadorias, seja de transportes ou de aluguel de imóveis, foram realizadas por empresas do grupo apenas para gerar um economia tributária, que, aos olhos da fiscalização, seria ilícita. De pronto, o que se verifica do TVF é que o Recorrente pertence a um Grupo de empresas denominado PDA. Além da Recorrente, o agente autuante cita as seguintes empresas: Paralela Distribuidora de Alimentos e Representações Ltda.; Altogiro Distribuidora de Alimentos e Representações e Transporte S/A; Progresso Logística e Distribuição S/A; Positiva Operadora Logística Ltda.; PDA Logística Transportes e Distribuição Ltda.; E. Dantas dos Santos Transportes ME (nova denominação da empresa Boaventura Locadora de Veículos Ltda.); E. dos Santos Transporte – ME, Fl. 1956DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.956 16 E na construção do TVF, os rearranjos societários realizados são nítidos e, no mínimo, estranhos, na medida em que figuram como cotistas e acionistas das empresas parentes próximos do Sr. Paulo Cezar Boaventura Brandão e funcionários das empresas, que foram alçados à condição de sócios em algum momento daquelas transformações societárias. Por outro lado, prosseguindo na análise da acusação fiscal, evidenciouse que, em visita às instalações das empresas, estas funcionavam em um único local, compartilhando toda sorte de serviços administrativos, de pessoal e de logística, não sendo possível identificar quando começava uma empresa e terminava a outra. Em que pese longo, entendese como necessária a transcrição de trecho daquele TVF neste sentido. Vejase: Em Relatório de Representação para Exclusão do Simples da empresa PDA, conforme processo 10530.724657/201273, o auditorfiscal Pedro Caldeira relata que, em visita ao estabelecimento no endereço Av. Transnordestina nº 2.222, no dia 09/02/2012, ficou comprovado que toda a parte operacional das empresas são realizadas pela mesma equipe administrativa, mesma equipe de vendas, mesma equipe de recursos humanos, dentre outros. Que inicialmente constatou que as sedes das empresas estão localizadas em um grande galpão com edificações e pátios que servem para alocação da administração e estoque de mercadorias. Na fachada do prédio há a logomarca do “GRUPO PDA”. Em nenhum momento se deparou com logomarcas das outras empresas. Na entrada da empresa questionou o porteiro e a secretária sobre quais empresas funcionavam naquele prédio. Foilhe informado que ali era o Grupo PDA, sede das empresas Altogiro, DDA, PDA Logística e Paralela Distribuidora. Adentrando às instalações físicas constatou que não há quaisquer separações entre os trabalhadores das empresas. Em um mesmo espaço físico todas as empresas do grupo são administradas pelas mesmas pessoas em setores distintos. Para servir a todas as empresas do grupo há apenas um setor financeiro, um setor contábil, um setor de recursos humanos, um setor de vendas, etc... Questionado sobre quais empresas fazem parte do grupo, o responsável pela contabilidade do grupo, Sr. Juarez Rodrigues da Silva, CPF n° 325.999.43515, informoulhe que ali funcionaria a PDA, Altogiro e Paralela. Porém, a empresa PDA Logística seria apenas a empresa usada como transportadora do grupo. Seria uma prestadora de serviço para as empresas e sua única função seria transportar as mercadorias das empresas distribuidoras. Em visita aos corredores da empresa constatou mais uma vez que nas portas das salas, assim como nos galpões dos estoques e nos pátios de cargas e descargas foram vistas apenas placas de identificação do “GRUPO PDA”. Não há quaisquer referências às empresas separadamente. Fl. 1957DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.957 17 O Sr. Juarez lhe disse que os estoques das empresas seriam separados em galpões distintos. “Isto não ficou claro”. Entre um galpão e outro havia paredes derrubadas para facilitar o transito de mercadorias e pessoas entre eles. Ademais nestes galpões havia apenas placas de identificação do “GRUPO PDA”. Como complemento ao trabalho de fiscalização efetuado na empresa PDA, devido ao número de empresas envolvidas, a Receita Federal do Brasil efetuou diligência no estabelecimento da empresa DDA DINAMICA, como coleta de informações para subsidiar possível abertura de fiscalização. Na época, a DDA já estava localizada na Av. Deputado Luís Eduardo Magalhães (BR324), Km 11, Distrito de Humildes, Feira de Santana/BA. Em visita efetuada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, Paulo César Vieira de Melo Mota, no dia 15/05/2013, no endereço acima descrito, constatouse que diversas empresas estavam estabelecidas no local, dentre elas destacamos: 1. Positiva Operadora Logística Ltda – empresa operadora logística do Grupo. Foi constituída em 2010 no mesmo endereço da DDA (Av. Transnordestina) e em 2012 também altera seu endereço para Av. Deputado Luís Eduardo Magalhaes Km 11. Sua atividade operacional é Depósitos de Mercadorias para Terceiros. 2. PDA, E. Dantas dos Santos Transportes ME (CNPJ 07.981.636/000100, E. dos Santos Transportes ME (CNPJ 13.747.110/000163) – empresas consideradas de fachada, constituídas por interpostas pessoas, utilizadas para “prestação de serviços de transportes e alocação de mão de obra” para as empresas do Grupo. 2.1 A empresa PDA foi utilizada para alocar parte do quadro funcional do Grupo, pois era empresa optante pelo Simples Nacional e suportava grande parte dos encargos trabalhistas de todo o grupo com o fim específico de reduzir a carga tributária. Como já foi mencionado, a PDA foi excluída do Simples Nacional, conforme processo nº 10530.724657/201273, o motivo de sua exclusão foi o fato da empresa ter sido constituída por interpostas pessoas, que resultou na autuação da mesma de forma a cobrar as contribuições previdenciárias devidas, conforme processo nº 10530.725463/201295. Foi constatado durante os procedimentos de exclusão do Simples e de fiscalização que os gastos com a folha de pagamento chegavam a 66% do faturamento da empresa, no ano de 2008, que a empresa possuía média 113 empregados e um patrimônio de apenas 12 caminhões. O faturamento da empresa teoricamente originário da “prestação de serviço de transporte rodoviário de carga” era feito exclusivamente para as empresas distribuidoras do Grupo (DDA, Altogiro, Paralela e Progresso), mas analisando a contabilidade da PDA, conforme processo nº 10530.725463/201295, o auditor constatou que nenhum dos recebimentos escriturados pela empresa ou creditados em sua Fl. 1958DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.958 18 conta bancária conferia com os valores da C.T.R.C. emitidas pela PDA em favor das empresas distribuidoras do Grupo, dentre elas a empresa ora fiscalizada, DDA DINAMICA. Dessa forma, a PDA gerava despesas com frete para as distribuidoras, optantes pelo Lucro Real, bem como, créditos de PIS e COFINS, decorrentes de Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda, reduzindo indevidamente os tributos federais devidos, além de suportar grande parte da massa salarial do grupo, por ser optante do Simples Nacional e não recolher a parte patronal da contribuição previdenciária, a alíquota RAT e as contribuições sociais de terceiros. 2.2 Já as empresas E. Dantas e E. dos Santos também foram consideradas como de fachada, constituídas por interpostas pessoas, criadas para “prestar serviços de transporte” para as empresas do grupo e, da mesma forma que a PDA, reduzir indevidamente o Lucro Real das distribuidoras com despesas com frete e ainda gerarem créditos de PIS e COFINS, conforme relataremos mais detalhadamente adiante. 3. DDA, Altogiro e Progresso – empresas que têm como atividade o comércio atacadista de mercadorias em geral. Justificaram a criação de várias empresas para esta atividade devido à exigência das empresas representantes dos produtos comercializados, que não permitem a negociação de produtos concorrentes. 4. E.D.A.P. Empreendimentos e Participações Ltda (CNPJ 10.515.515/000188) – empresa patrimonial do Grupo. Na entrada do galpão de armazenagem dos produtos o auditor fiscal constatou que havia relógios de ponto das seguintes empresas: PDA, E. Dantas, E. dos Santos e E.D.A.P. Empreendimentos e Serviços S/A. Esta última seria Controladora da DDA, Altogiro e Progresso, conforme Escrituras Públicas de transformação das companhias em Subsidiária Integral, obtida nos arquivos na Junta Comercial do Estado da Bahia – JUCEB. Destacamos que esta informação não consta no cadastro CNPJ das empresas DDA DINAMICA, nem ALTOGIRO, nem PROGRESSO. Outro fato constatado pelo auditor fiscal, Paulo César, foi que dentro do galpão de armazenagem existiam placas das empresas DDA, Altogiro e Progresso, cada uma possui diversas ruas de pallets utilizados para armazenagem das mercadorias. Nesse ponto, ficou esclarecida a identificação dos endereços das empresas Av. Deputado Luís Eduardo Magalhães, Km 11, ruas 1 a 10. Notase também que a administração do Grupo passou a colocar placas de identificação para cada empresa, após autuação e constatações feitas em decorrência da fiscalização na empresa PDA LOGÍSTICA. Destacamos também o fato do auditor fiscal ter encontrado relógio de ponto da empresa E. DOS SANTOS TRANSPORTES no endereço Av. Deputado Luis Eduardo Magalhães em Feira de Fl. 1959DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.959 19 Santana, sendo que esta empresa possui endereço cadastral na cidade de Vitória da Conquista. Na Impugnação apresentada, que não foi ratificada expressamente pelo Recorrente, este tenta demonstrar a existência real das empresas, justificando, por exemplo, a existência de 03 empresas distribuidoras, no fato de que elas foram criadas por exigência dos clientes, que impunham exclusividade no atendimento dos contratos e que não poderia haver conflito de interesses na distribuição dos produtos. Contudo, o Recorrente não trouxe qualquer documento e/ou elemento que pudesse, de alguma forma, corroborar com as suas alegações. Se havia uma exigência de exclusividade por parte do fornecedor, com tamanha preocupação comercial, como essa exclusividade não estava prevista expressamente em contrato? Como foi essa pactuação? Nestes sentido, são precisas as colocações do acórdão recorrido: A alegação da interessada é que a utilização de três empresas distribuidoras de mercadorias, no lugar de apenas uma, se deu por imposição dos fornecedores dos produtos, geralmente empresas multinacionais, que teriam exigido exclusividade para a comercialização de suas mercadorias, o que não me soa como algo plausível, que normalmente ocorra no mundo dos negócios, até mesmo porque o que se tem em estudo não é o caso da representação de determinada marca, mas da venda de mercadorias em geral, o que pode ser comprovado pelo código CNAE da manifestante, de nº 4691000, que corresponde ao “Comércio atacadista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios”, não havendo com que se falar em exclusividade com determinado fornecedor, que sequer foi nominado pela defesa. Se o motivo para a criação de três empresas comerciais, com funcionamento no mesmíssimo local, foi a inusitada exclusividade na comercialização dos produtos, medida que seria decorrente de exigências contratuais, competia à defesa apresentar os contratos em que estariam contidas as cláusulas contratuais inerentes à alegada exclusividade, ex vi da parte final do inc. III do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972: Ademais, também não se pode acatar o frágil e não comprovado argumento do Recorrente de que os empregados que figuravam como sócios de algumas empresas do grupo (notadamente as de transporte), se tornaram parte da sociedade por uma política de incentivo, tendo em vista modernas técnicas de administração de empresas, que teriam como objetivo final estimular a equipe de funcionários. Ora, seria factível esta afirmação, se o Recorrente, além do argumento, tivesse trazido aos autos documentos que demonstrassem e comprovassem essa forma de condução dos negócios. Mais uma vez, sem reparos o acórdão recorrido, quando afirma o seguinte: Também não tenho como crível que funcionários com desempenho diferenciado sejam alçados ao posto de sócios de empresas, tornandose cotistas em razão do estabelecimento de uma política meritória por parte da empresa contestante. Medida com tal alcance, se de fato existente, deveria se encontrar rigidamente regulamentada, com estabelecimento de Fl. 1960DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.960 20 metas a serem cumpridas em determinado intervalo de tempo, procedimento que não foi comprovado pela impugnante, não podendo ser tido verdadeira a versão apresentada pela defesa. É de se estranhar, ainda, o fato de as empresas de transportes do grupo (03 no total) terem registrado grande número de funcionários, mesmo tendo capital social e operações limitadas. Ademais, os sócios identificados destas empresas seriam todos e funcionários e/ou parentes do controlador do grupo PDA. Como se não bastasse, restou demonstrado no trabalho da fiscalização que todos os CTRC's (Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas) apresentados, para justificar as despesas com fretes, foram preenchidos pela mesma pessoa e não traziam a indicação do destinatário, da natureza das mercadorias e do veículo transportador, o que refuta qualquer hipótese de serem empresas distintas e com autonomia patrimonial e gerencial. No seu Recurso Voluntário, o Recorrente, entretanto, não refutou ou trouxe novos elementos aos autos que pudessem desconstruir o bem fundamentado Termo de Verificação Fiscal e o que restou decidido no acórdão proferido pela DRJ de Fortaleza (CE). Se limitou, tãosomente, a transcrever trecho de voto vencido proferido em outro processo, em que o julgador da DRJ/SPO, ao analisar as operações de aluguel da empresa EDAP Empreendimentos e Participações Ltda., não conseguiu enxergar simulação nas operações praticadas pelas empresas do Grupo PDA. Portanto, não há reparos a se fazer no acórdão recorrido, que além dos trechos citados acima, é bastante claro quando afirma que: Segregar uma empresa em três, por imposição dos fornecedores diz respeito a alegação vazia, sem lógica e sem qualquer comprovação. Como medida adotada para racionalizar custos, é possível, daí o reconhecimento do CARF da legitimidade de um planejamento tributário similar, o que se deu em julgado cuja ementa encontrase acima transcrita. Mas criar empresas transportadoras em nome de antigos funcionários, alçados à condição de sócios em razão de uma alegada política de premiação dos melhores, com funcionamento no mesmo local das distribuidoras, emitindo CTRCs com uma mesma grafia, sem na prática nada especificar e, além de tudo, sem que fosse apresentada a comprovação dos respectivos pagamentos, além de estabelecer uma empresa como a patrimonial do grupo, cobrando aluguéis que passam de R$ 15 mil para R$ 60 mil dentro de um mesmo ano, também sem a comprovação dos pagamentos, tudo isso para que a requerente deduzisse vultosos valores sob a conotação de despesas com fretes e aluguéis, superiores a R$ 5,6 milhões nos anos calendário 2010 e 1011, tais atitudes representam procedimentos que me levam o considerar como abusivo o planejamento tributário impetrado na empresa contestante, calcado que foi em operações simuladas, sem real ocorrência no mundo fenomênico. Desta feita, é patente a dissimulação dos negócios praticados entre as empresas do Grupo PDA, que, na intenção de dar aparente legalidade às operações realizadas e Fl. 1961DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.961 21 ocultar a realidade dos fatos, criou diversas empresas para que houvesse uma redução na carga tributária, que não pode ser aceita, uma vez que ilícita. Há de se ressaltar que esse julgador tem o entendimento de que, como demonstrado alhures e já decidido em outros processos administrativos, a atividade empresarial deve ser pautada na livre atuação dos particulares, até mesmo porque é do empresário o risco do negócio. Contudo, não se pode admitir prática dissimuladas, que tentam esconder da fiscalização a realidade das operações. A existência de um grupo de empresas, cujos sócios são parentes e/ou funcionários das entidades, que compartilham instalações, funcionários, dentre outros serviços, sem qualquer independência nas atividades, não pode ser considerada como empresas distintas, tãosomente para que gerem despesas uma para as outras. Neste sentido, seguindo a linha do acórdão proferido pela DRJ de Fortaleza, VOTASE POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da Recorrente, para se manter, na integralidade, infração 02 (dois) descrita no Termo de Verificação Fiscal. DAS DEMAIS GLOSAS. Como se denota do Recurso Voluntário apresentado, o Recorrente, ao combater o acórdão recorrido, se ateve, em síntese, a transcrever um voto vencido, proferido por um julgador da DRJ de São Paulo, em outro processo, que, a princípio, tratava dos mesmos fatos imputados na presente discussão. Ou seja, o Recorrente sustenta, apenas, a inexistência de simulação nas operações praticadas, o que foi refutado linhas acima. Contudo, no que tange às despesas glosadas pelas fiscalização, o Recurso Voluntário não traz nenhum argumento para combater as ilações do agente autuante e o que restou decidido pela DRJ de Fortaleza no acórdão recorrido. Por outro lado, mesmo invocando a necessidade de aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, o Recorrente, como mencionado no relatório alhures, não demonstrou em que medida tais princípios foram descumpridos no caso concreto. Assim, face a ausência de manifestação expressa do Recorrente neste ponto e estando este relator em concordância com o que restou decidido pela DRJ, invocase o § 3º, do artigo 57 do RICARF, para se transcrever, na literalidade, o que restou decidido pela Turma Julgadora a quo: Custos, Despesas Operacionais e Encargos – Despesas Não Comprovadas (Infração 01) Segundo a autoridade lançadora, as deduções nestes itens consideradas foram glosadas em razão da não disponibilização, durante a fiscalização, da documentação considerada suficiente para respaldar determinadas deduções verificadas em assentamentos contábeis da empresa, no montante de R$ 138.264,67. Na impugnação, fl. 1.052, a requerente alegou a necessidade de desdobrar o lançamento em três grupos. No primeiro, estão contidos os aluguéis pagos à Patrimonial Mil Empreendimentos e Participações Ltda, no valor de R$ 6.786,84. No segundo, a Fl. 1962DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.962 22 destinatária dos aluguéis foi a Mercante Distribuidora de Materiais Elétricos e de Construção Ltda, no valor de R$ 80.000,00. No terceiro, o que se tem são despesas decorrentes de fretes sobre vendas, no valor de R$ 35.500,00. Como elementos de prova, foi informada a apresentação das fotocópias dos contratos de aluguel, dos comprovantes dos pagamentos e dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Carga (CTRC). Passemos, pois, à análise da documentação acostada aos autos pela defendente, fls. 1.706/1.098. Na fl. 1.077 foi apresentada a fotocópia de um recibo de aluguel no valor de R$ 210,00, enquanto no TVF, fl. 102, é possível se verificar que o lançamento que motivou a glosa foi um débito na conta “alugueis de pessoa jurídica” e um crédito na conta “caixa”, registrado no dia 01/06/2010. A despeito de se tratar de um recibo pequeno valor, em que não é de se estranhar o pagamento em espécie, a requerente não demonstrou a que a utilização do imóvel (localizado na Sala 103, à Rua Cledenor Soares, nº 01, Conjunto Doron B, conforme anotado no recibo) se deu na atividade operacional da pessoa jurídica, o que prejudica a dedutibilidade do valor. Na fl. 1.078 o que se tem é a fotocópia de um CTRC emitido por Boaventura Locadora de Veículos Ltda ME, no valor de R$ 33.500,00, o que corresponde no TVF, fl. 102, a um débito na conta “fretes s/vendas” e um crédito a “caixa” neste mesmo valor, datado de 19/11/2010. Ocorre que a Boaventura Locadora nada mais é do que a antiga razão social de E Dantas dos Santos Transportes ME, CNPJ 07.981.636/000100, firma individual existente em nome de Erivaldo Dantas dos Santos, funcionário da família Brandão desde 01/04/1991, quando foi admitido na Comercial de Estivas Brandão, como anteriormente evidenciado, de modo que o documento apresentado não pode ser considerado hábil para a comprovação da operação. Às fls. 1.079/1.085 temse a fotocópia de um contrato de aluguel pactuado entre a impugnante e a Patrimonial Mil Empreendimentos e Participações Ltda, tendo por objeto imóvel comercial situado à Rua Sibéria, nº 20, Bairro de Jurema, em Vitória da Conquista/BA, locado no período de 01/04/2011 a 31/03/2013 pelo valor de R$ 6.786,84, com vencimento do mês posterior à utilização. Na fl. 1.086 temse fotocópia de extrato bancário em que são observados lançamentos a débito, datados de 11/07/2011, nos valores de R$ 6.786,44 e de R$ 1.339,38. Tratase do endereço da filial da contestante, situada na cidade de Vitória da Conquista/BA, criada em agosto de 2008, com funcionamento a partir de abril de 2009. A fiscalização considerou que cópia de extrato bancário sem a identificação do destinatário não pode ser considerado como documento hábil e idôneo para fins de comprovação da despesa, pelo que glosou os valores. Não comungo com o entendimento da autoridade fiscal, pois, a meu ver, os elementos apresentados demonstram, com precisão, Fl. 1963DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.963 23 que o imóvel locado diz respeito à sede do estabelecimento filial da pessoa jurídica cujo contrato apresentado informa que o valor do aluguel é a quantia de R$ 6.786,84, constante do extrato bancário, não havendo motivo para que duvidemos de que o destinatário do pagamento foi realmente a Patrimonial Ltda, empresa que não faz parte do grupo PDA, registrese, por relevante, fundamento com base no qual dou razão à interessada quanto ao valor de R$ 6.786,84, entendimento que não estendo à quantia de R$ 1.339,38 por nela não vislumbrar qualquer vinculação com o contrato de aluguel apresentado pela defesa. Às fls. 1.087/1.090, temse a fotocópia de um contrato de aluguel firmado entre a requerente e a Mercante Distribuidora de Materiais Elétricos e de Construção Ltda, celebrado em 30/11/2010, com vigência de 04 (quatro) meses, do dia 30/11/2010 ao dia 31/03/2011, no valor de R$ 10 mil mensais, tendo por objeto o imóvel comercial situado à Rua da Convenção, nº 270, bairro de Santo Antônio dos Prazeres, Feira de Santana/BA, local para onde foi transferida a sede da empresa autuada, inicialmente localizada à Av. Transnordestina nº 2.222A, Parque Ipê, Feira de Santana/BA. Às fls. 1.091/1.098 estão contidas fotocópias de comprovantes de depósitos bancários, tendo como destinatária a empresa Mercante Ltda, todos no valor de R$ 10 mil, datados de 03/01/2011, 04/04/2011, 03/05/2011, 06/06/2011 e 05/09/2011. O fisco aceitou como dedutíveis somente os pagamentos relacionados aos quatro meses de duração do contrato de aluguel, cujos valores foram escriturados entre os dias 03/01/2011 e 04/04/2011, glosando os demais por estarem fora do prazo contratual. Observandose o que consta da Cláusula Primeira, fl. 1.087, vê se que o prazo de locação realmente vai do dia 30/11/2010 ao dia 31/03/2011, havendo ainda a indicação de que no termo final do contrato a locatária está obrigada a restituir o imóvel completamente desocupado e em perfeito estado de conservação, de forma que agiu corretamente a autoridade lançadora ao glosar as despesas com os aluguéis contabilizadas nos dias 06/06/2011, 11/07/2011, 05/08/2011, 05/09/2011, 29/09/2011, 07/11/2011 e 05/12/2011, cujos históricos dos lançamentos fazem menção expressa aos aluguéis pagos à Mercante Ltda. Assim, quanto à infração neste ponto debatida, tendo em vista a exoneração da quantia de R$ 6.786,84, somente o lançamento de julho de 2011 deverá ser retificado de R$ 18.125,82 para R$ 11.338,98, permanecendo inalterados os valores lançados nos demais meses. Aluguéis Não Relacionados com a Atividade (Infração 03) A autuação, decorrente de glosas no total de R$ 75 mil, emanou de um contrato de aluguel celebrado entre a fiscalizada e a Patrimonial Mil Empreendimentos e Participações Ltda, relativo a um imóvel situado na Rua Formosa, nº 195, bairro da Jurema, Fl. 1964DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.964 24 em Vitória da Conquista/BA, cujo período de locação foi de 01/02/2011 a 31/01/2013, no valor de R$ 7,5 mil mensais, o que se deu pelo fato de o fisco haver constatado não se tratar do estabelecimento de uso comercial da empresa, dado que a matriz fica em Feira de Santana e a filial situada em Vitória da Conquista funciona na Rua Sibéria, nº 202. Instada a esclarecer a situação, durante a fiscalização, a pessoa jurídica informou que se tratava de imóvel usado para a armazenagem das mercadorias, já que o imóvel situado à Rua da Sibéria nº 202 não apresentava espaço para tanto. No entendimento da autoridade fiscal, “a empresa precisa constituir uma filial, cuja atividade seja de depósito, para que as operações sejam consideradas regulares, perante os fiscos federal e estadual”, de modo que proceda às transferências das mercadorias acompanhadas das notas fiscais que demonstrem a origem e o destino dos produtos. Como a empresa fiscalizada não possuía filial estabelecida no endereço expresso no contrato locatício, não havia como a fiscalização comprovar que o imóvel locado se destinava a um fim comercial, o que implicou na glosa das despesas escrituradas, no valor de R$ 7,5 mil mensais de março a dezembro de 2011. Na impugnação é afirmado que as despesas glosadas referemse à locação de um imóvel contíguo à sede da filial localizada em Vitória da Conquista/BA, o que quer dizer que a propriedade localizada na Rua Formosa, nº 195 (objeto do contrato de locação apresentado) faz divisa com o imóvel em que funciona a filial situada na Rua Sibéria, nº 202, estando ambos os imóveis localizados no bairro da Jurema, em Vitória da Conquista/BA, de modo que as mercadorias não precisam circular pelas ruas da cidade, situação que pode ser confirmada em diligência fiscal, procedimento que foi requerido pela interessada. Como elementos de prova, apresentou fotocópias do contrato de aluguel, fls. 1.372/1.378, de comprovantes de transferências bancárias datados de 04/07/2011 e de 01/08/2011, além de relatórios de autorização de depósitos com as datas de 01/09/2011 e 03/10/2011, todos no valor de R$ 7,5 mil, fls. 1.379/1.382. Acontece que a comprovação de se tratarem de imóveis vizinhos poderia ser facilmente demonstrada pela impugnante, bastando para tanto que juntasse aos autos as fotocópias das escrituras dos dois imóveis, documentos que relacionam de forma precisa as divisas de cada um deles, com o que não haveria dificuldade em comprovar que o imóvel da Rua Formosa, nº 195 , seja contíguo ao imóvel da Rua Sibéria, nº 202. Conforme a parte final do inc. III do art. 16 do PAF7, a comprovação da versão constante da impugnação corresponde a encargo da defesa, não havendo por que se deslocar ônus probatório para a autoridade fiscalizadora, fundamento com base no qual indefiro a diligência solicitada e, não havendo, por Fl. 1965DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.965 25 parte da interessada, a comprovação da veracidade da tese da defesa, mantenho incólume a autuação neste tópico debatida. DA MULTA QUALIFICADA Em que pese o Recorrente não ter se insurgido expressamente quanto à imposição de multa qualificada no presente caso, entendese como necessário demonstrar o motivo pelo qual a penalidade imposta pelo agente autuante deve ser mantida. Como se depreende do TVF, o agente autuante assim justificou a qualificação da multa, in verbis: O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com alteração dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/07/2007, dispõe sobre as aplicações de multas nos casos de lançamentos de ofício. Oportuno se faz transcrever tal artigo e os artigos nele mencionados: (...) Portanto, o parágrafo primeiro do art. 44 da Lei no 9.430/96, alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, prevê multa de cento e cinquenta por cento nos casos de sonegação, fraude e conluio. No caso em concreto, a empresa fiscalizada faz parte de um Grupo Econômico denominado GRUPO PDA, que se intitula como o maior centro de distribuição do Estado da Bahia. Este Grupo é composto por diversas empresas, sendo elas: ➔ 03 (três) Distribuidoras = DDA DINAMICA, ALTOGIRO e PROGRESSO (que substituiu a PARALELA, ou seja, esta deixou de movimentar depois da criação da Progresso). ➔ 03 (três) Transportadoras, todas em nome de interpostas pessoas = PDA LOGÍSTICA, E. DANTAS TRANSPORTES e E. DOS SANTOS TRANSPORTES. ➔ 01 (uma) Patrimonial = E.D.A.P. PARTICIPAÇÕES ➔ 01 (uma) Controladora = E.D.A.P. SERVIÇOS, criada para ser única acionista das três Distribuidoras, ou seja, as três Distribuidoras são Subsidiárias Integrais desta. ➔ 01 (uma) empresa responsável pelo Logística do Grupo = POSITIVA O Grupo é gerenciado por PAULO CEZAR BOAVENTURA BRANDÃO, CPF 329.164.77500, e seus familiares, esposa e filhos. No final do ano de 2013 e no início do ano de 2014, o Sr. PAULO CEZAR, que chegou a figurar no quadro societário das três Distribuidoras e das duas E.D.A.P (Participações e Serviços) retirouse do quadro societário de todas as empresas. A fraude apurada na constituição do Grupo Econômico está na constituição de diversas empresas num mesmo endereço, sem distinção de funcionários, setores administrativos, financeiros e Fl. 1966DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.966 26 contábeis. Está no fato de criarem empresas transportadoras fictícias, em nome de interpostas pessoas, para geração de despesas com fretes, visando única e exclusivamente a redução das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Da mesma forma a criação da empresa Patrimonial, cobrando Aluguel da empresa ora fiscalizada em valores bastante elevados sem a devida comprovação do seu efetivo pagamento, sendo que tais despesas, da mesma forma, reduziram as bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Diante dos fatos acima expostos, procedemos à qualificação da multa por se enquadrar no parágrafo primeiro do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (artigo alterado pelo art. 18 da MP 303/2006). Pois bem. Como demonstrado acima, a dissimulação das operações realizadas pelas empresas do Grupo PDA é patente nos autos. Como se demonstrou, de fato, não existiam empresas distintas, sendo que todas as empresas do grupo praticavam as mesmas operações, sendo separadas, tãosomente, para gerar economia tributária de forma ilícita e em desfavor do erário. Como sabido, o parágrafo 1º do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, determina a aplicação da penalidade em dobro quando constatada a prática de alguma das condutas previstas no artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Citase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por sua vez, os dispositivos da Lei nº 4.502/64 que autorizam a qualificação da multa são os seguintes: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.967 27 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72 Não há dúvidas, aos olhos deste julgador, das condutas fraudulentas praticadas pelo Recorrente, no sentido de "excluir ou modificar as características essenciais" do fato gerador, com o único intuito de reduzir a carga tributária, nos exatos termos preconizados pelo artigo 72 da Lei nº 4.502/64. A dissimulação dolosa é patente nos autos e, neste ponto, são precisas as colocações do acórdão recorrido: O que se encontra em cheque é o aspecto material das operações cujas despesas foram glosadas na autuação, sob a alegação de que emanaram de atos simulados, daí a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), cumprindo que se esclareça se as empresas efetivamente prestaram os serviços de frete e de locação de imóvel, recebendo os valores decorrentes dessas operações, o que acaso comprovado implicará na improcedência da autuação, neste particular. Como demonstrado acima, o planejamento fiscal ou tributário pode ser realizado pelas entidades, inclusive se houver a intenção única de reduzir a carga tributária. Contudo, este planejamento não pode ser praticado com simulação (ou dissimulação), com o intuito de dar aparente legalidade a operações que não aconteceram. E chegandose a esta conclusão, não se pode afastar a qualificação da multa, justamente porque, pelo conjunto probatório dos autos, não há dúvidas de que foram feitas operações irreais, em que se tentou dar uma aparente legalidade, que não refletia a realidade do que de fato aconteceu. Desta feita, não há que se falar em afastamento da multa, uma vez que caracterizada as condutas fraudulentas praticadas, nos exatos termos dos dispositivos legais acima transcritos. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Como relatado alhures, o responsável pelo pagamento do crédito tributário indicado pela fiscalização apresentou defesa apartada, em que combate a imputação da responsabilidade, que se deu apenas com base no artigo 124, inciso I do CTN. Em seu apelo, em síntese, afirma que "o único dispositivo legal em que o RECORRENTE poderia ser enquadrado como Sujeito Passivo Solidário seria o art. 135, do Fl. 1968DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.968 28 Código Tributário Nacional, se tivesse praticado, como gerente ou administrador, algum ato com excesso de poderes ou algum ato ilícito". Quando se analisa o TFV, a responsabilidade tributária do Sr. Paulo Cézar Boaventura Brandão foi apontada, uma vez que a fiscalização entendeu que aquele seria como o "real administrador" do grupo econômico e seria o responsável pela formatação do planejamento tributário abusivo. Por outro lado, vejase, neste sentido, o que restou demonstrado no Auto de Infração (fls. 03 a 73), para motivar a imputação de responsabilidade: O contribuinte ora responsabilizado é o verdadeiro dono do Grupo PDA, composto por diversas empresas, dentre elas a empresa ora fiscalizada, DDA DINÂMICA, que foi constituída, em nome de seus filhos, como interpostas pessoas. Posteriormente, em abril de 2011, a empresa foi transformada em Subsidiária Integral de outra empresa do Grupo, a E.D.A.P. EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS S/A, CNPJ 13.408.648/000143, que foi constituída um mês antes, única e exclusivamente para ser controladora das três empresas distribuidoras do Grupo PDA. No quadro acionário da empresa E.D.A.P. SERVIÇOS figurava toda a família Brandão: pai, Sr. PAULO CEZAR BOAVENTURA BRANDÃO, mãe, EVA LUCIA DE FREITAS BRANDÃO e filhos, ERICO SOPHIA BRANDÃO NETO e ANNA PAULA FREITAS BRANDÃO. Neste mesmo ato de transformação da empresa em subsidiária integral ocorre a renúncia dos filhos do quadro da Diretoria da DDA e entra o Sr. PAULO CEZAR e sua esposa, como Diretor Presidente e Diretora Administrativofinanceira, respectivamente. Destacamos que não consta no cadastro CNPJ a empresa E.D.A.P. EMPREENDIMENTOS E SERVIÇOS S/A como única acionista da DDA DINÂMICA. O Sr. PAULO CEZAR BOAVENTURA BRANDÃO saiu da diretoria da DDA em dezembro de 2013, passando a empresa novamente para o nome de seus filhos, mas continua sendo o verdadeiro dono de todas as empresas do Grupo. Restou caracterizado que o Sr. PAULO CEZAR criou empresas Transportadoras em nome de interpostas pessoas (funcionários de suas empresas) para que estas gerassem despesas com Fretes para o sujeito passivo ora fiscalizado, reduzindo as bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Assim como, também foi criada uma empresa Patrimonial do Grupo PDA, a E.D.A.P. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES, que gerou despesas de aluguel para a empresa ora fiscalizada, sem a devida comprovação do seu efetivo pagamento, reduzindo também as bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Pelos motivos acima expostos, responsabilizamos o sujeito passivo com base no artigo 124, inciso I, da Lei nº 5.172/66, por ter interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias da empresa fiscalizada. Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.969 29 Por sua vez, o acórdão recorrido manteve a imputação de responsabilidade, ratificando o argumento de que o Sr. Paulo seria o real administrador do grupo de empresas, como se pode observar da leitura do seguinte trecho: Também restou comprovado que o Grupo PDA é comandado pelo Sr. Paulo Cézar Boaventura Brandão, que inseriu no quadro societário das empresas transportadoras (que geraram despesas com fretes, recordemos) pessoas naturais que não passam de antigos funcionários de suas empresas, tendo as supostas prestadoras dos serviços emitido CTRCs destituídos de qualquer validade jurídica pois foram preenchidos à mão por uma mesma pessoa, não identificaram os veículos transportadores e nem as mercadorias tidas por transportadas, não tendo sido apresentada qualquer documentação bancária comprobatória dos vultosos pagamentos alegados, mas apenas recibos de pagamentos que teriam sido efetivados em espécie, o que não condiz com a prática empresarial. A condição de cabeça pensante do grupo econômico é por esse senhor assumida, ainda que de forma indireta, quando afirma que a chamada empresa patrimonial foi criada para evitar a dilapidação do patrimônio, após a morte dos patriarcas, evitando ainda o desgaste naturalmente sofrido em um processo de inventário, o que sinaliza que referido senhor é quem realmente dita a regra do jogo, comandando toda a engrenagem em torno da qual gravita o Grupo PDA. Pois bem. No que tange à imputação de responsabilidade tributária com base no artigo 124, inciso I do CTN, este julgador tem uma visão mais restrita para a aplicação do dispositivo em comento, que tem a seguinte redação: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; A leitura deste dispositivo leva o intérprete à conclusão de que o "interesse comum" está atrelado ao fato gerador da obrigação tributária. Assim, para ser responsável solidária pelos créditos tributários, a pessoa (seja ela física ou jurídica) tem que ter tido participação no fato que constitui a hipótese de incidência tributária. Ou seja, a expressão "interesse comum" se dirige às pessoas que, de alguma forma, participaram do fato (critério material) descrito no antecedente da regra matriz. Esse entendimento já foi exarado por este colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vejase: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2011 ALIENAÇÃO. PESSOA FÍSICA. SÓCIO, SIMULAÇÃO. As transformações societárias realizadas pelas sócias da autuada e que foram o foco da presente autuação, visaram Fl. 1970DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.970 30 desmembrar parte do acervo operacional da Autuada (incluído o atribuído pela sócia que permaneceu), para ser vendida a outra empresa, pela pessoa física do sócio; o processo de transferência para a pessoa física do sócio envolveu o valor contábil do acervo e a venda pela pessoa física se deu pelo valor de mercado, incidindo a tributação à alíquota de 15% , caracterizando que as operações foram simuladas, dado que o objetivo foi a venda de parte do acervo pela pessoa jurídica. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/03/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. IR RECOLHIDO. DEDUÇÃO. Procede o pleito da autuada e da pessoa física que efetuou os recolhimentos, de que os valores de Imposto de Renda recolhidos pela pessoa física, em relação à mesma transação autuada na pessoa jurídica, sejam deduzidos dos valores de IRPJ exigidos da autuação, antes da aplicação da multa de ofício e dos juros de mora, uma vez que aquela operação foi descaracterizada, porém o imposto foi recolhido espontaneamente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2011 JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como foram os responsáveis pelas operações societárias que resultaram na autuação. VOTO DE QUALIDADE. ART. 112, CTN. Descabe aplicação do art. 112 do CTN, no caso de empate de votação no CARF. (Acórdão nº 1201001.778 Processo nº 16561.720079/201568 Sessão de 21/06/2017) (destacouse) O Superior Tribunal de Justiça também tem entendimento fixado neste sentido, como se observa do julgado, cuja ementa segue citada abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. SUJEIÇÃO PASSIVA. Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.971 31 ARRENDAMENTO MERCANTIL. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. "'Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas' (HARADA, Kiyoshi. 'Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador')" (AgRg no Ag 1.055.860/RS, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 26.3.2009). 2. "Para se concluir sobre a alegada solidariedade entre o banco e a empresa de arrendamento para fins de tributação do ISS, seria necessária a reapreciação do contexto fáticoprobatório, providência inadmissível em sede de recurso especial, consoante a Súmula 7/STJ" (AgRg no AREsp 94.238/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 16/10/2012). No mesmo sentido: AgRg no Ag 1.415.293/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 21/09/2012. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 603.177/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/03/2015, DJe 27/03/2015) (destacouse) Assim, na imputação de responsabilidade com base no artigo 124, inciso I do CTN, é dever do agente que promove a autuação comprovar que os eventuais responsáveis, de alguma forma, tenham "interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal". Neste sentido, entendese, com Andréa M. Darzé, que as hipóteses que autorizam a imputação de responsabilidade com base no artigo 124, inciso I do CTN, são bem restritas. Confirase os ensinamentos daquela professora: "Em estreita síntese, entendemos que o artigo 124, I do CTN, serve como fundamento para imputação de obrigação solidária apenas nos casos em que, i. consistindo o suporte factual do tributo em situação jurídica, exista mais de uma pessoa realizando a sua materialidade, como ocorre, por exemplo, na incidência do IPTU ou do IPVA, em que dois ou mais sujeitos são proprietários do mesmo imóvel ou veículo automotor, respectivamente; ii. nos casos em que o suporte de fato da tributação configura negócio bilateral, caracterizado pela presença de sujeitos em posições adversas e, por isso mesmo, com o objetivos diferentes, a solidariedade poderá instalarse apenas entre as pessoas que integrarem o mesmo polo da relação e tãosomente se estiverem efetivamente praticando o verbo tomado pelo legislador como critério material do gravame. É o que se verifica, por exemplo, 'no ITBI, quando dois ou mais são compradores; no ICMS, Fl. 1972DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.972 32 sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador". (DARZÉ, Andréa M. Responsabilidade Tributária: solidariedade e subsidiariedade. São Paulo: Noeses, 2010. pág. 239) No presente caso, todas as afirmações da fiscalização nos autos são no sentido de que o Sr. Paulo seria o real administrador das empresas pertencentes ao grupo econômico, ou seja, mesmo não figurando mais no quadro social das entidades, participava efetivamente das sociedades (mesmo que de forma oculta) e que tinha gerência sobre os negócios praticados. Contudo, mesmo com esta afirmação, a fiscalização não demonstrou e comprovou minimamente quais os atos praticados pelo Sr. Paulo. E mesmo se tivesse listados os atos praticados pelo "real administrador" das empresas, questionase: qual seria o interesse comum a ensejar a responsabilidade com base no artigo 124, inciso I do CTN? Data venia, a fiscalização não comprava tal interesse. Se o Sr. Paulo era de fato sócio e geria, de alguma forma, as sociedades, a sua responsabilidade deveria ser atribuída com base no artigo 135 do CTN e nunca com base no artigo 124, inciso I do mesmo Código, uma vez que faltam, ao presente caso, os elementos necessários para caracterização do "interesse comum" a que faz alusão aquele dispositivo do Código Tributário Nacional. Desta forma. entendese que o enquadramento legal da responsabilidade artigo 124, inciso I do CTN não é correto, o que enseja, necessariamente, o afastamento da imputação da responsabilidade, uma vez que não é autorizado ao julgador administrativo retificar ("consertar") o lançamento de ofício, que é ato vinculado e de competência exclusiva do agente fiscal. Desta forma, neste ponto, DÁSE PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado, para afastar a imputação de responsabilidade tributária Paulo Cézar Boaventura Brandão, que foi feita, tãosomente, com base no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional. DAS CONCLUSÕES Por todo o exposto ao longo deste acórdão: NÃO SE CONHECE DO RECURSO DE OFÍCIO apresentado pela DRJ de Fortaleza (CE), por o crédito tributário exonerado (R$1.242.348,61) no acórdão recorrido não superar o limite estabelecido na Portaria MF nº 63/2017. NEGASE PROVIMENTO ao Recursos Voluntário apresentado pelo contribuinte principal. DÁSE PARCIAL PROVIMENTO ao Recursos Voluntário apresentado sr. Paulo Cézar Boaventura Brandão, para afastar a responsabilidade tributária a ele atribuída com base no artigo 124, inciso I do CTN, como demonstrado em tópico específico. (assinado digitalmente) Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.973 33 Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 1974DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.974 34 Voto Vencedor Conselheira Maria Lúcia Miceli Redatora Designada Como de praxe, o i. Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias apresentou seu voto bem fundamentado, do qual ouso discordar somente quanto ao provimento ao recurso voluntário do responsável solidário Sr. Paulo Cézar Boaventura Brandão, pelos motivos que passo a expor. Foi imputada a responsabilidade solidária ao Sr. Paulo Cézar Boaventura Brandão, tendo por base o artigo 124, inciso I do CTN, em razão de, após análise do contexto fático em que se deu o planejamento tributário no grupo PDA, a fiscalização concluiu que ele seria o real administrador do grupo econômico e seria o responsável pela formatação dos procedimentos adotados pelas empresas, para fins de redução da carga tributária. O artigo 124, inciso I do CTN assim determina: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; O entendimento da doutrina e jurisprudência ao explicitar o que seria interesse comum na situação foi bem explorada pelo relator deste processo, concluindo que esta expressão se dirige às pessoas que, de alguma forma, participaram do fato gerador. E, da análise do conjunto fáticoprobatório trazido aos autos, concluo que a atuação do Sr. Paulo Cézar Boaventura Brandão se amolda à hipótese prevista no artigo 124, inciso I do CTN. Destaco que não restou dúvidas para este colegiado que o planejamento tributário perpetrado pelo grupo PDA tinha como objetivo gerar despesas para reduzir a carga tributária, criando fictamente diversas empresas que prestavam serviços entre si. E é neste cenário que entra a autuação contundente do Sr. Paulo Cézar Boaventura Brandão, conforme relata o auditor fiscal no TVF: Restou caracterizado que o Sr. PAULO CEZAR criou empresas Transportadoras em nome de interpostas pessoas (funcionários de suas empresas) para que estas gerassem despesas com Fretes para o sujeito passivo ora fiscalizado, reduzindo as bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Assim como, também foi criada uma empresa Patrimonial do Grupo PDA, a E.D.A.P. EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES, que gerou despesas de aluguel para a empresa ora fiscalizada, sem a devida comprovação do seu efetivo pagamento, reduzindo também as bases de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Pelos motivos acima expostos, responsabilizamos o sujeito passivo com base no artigo 124, inciso I, da Lei nº 5.172/66, por ter interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias da empresa fiscalizada. Fl. 1975DF CARF MF Processo nº 10530.725244/201478 Acórdão n.º 1302003.482 S1C3T2 Fl. 1.975 35 Sem a atuação do Sr. Paulo Cézar Boaventura Brandão, na qualidade de real administrador do grupo, não existiriam as empresas que criaram as despesas, inexistindo, portanto, a redução da base tributável do IRPJ e reflexos. Concluo, portanto, que está claro o interesse comum no fato gerador, tanto da autuada quanto do responsável solidário, sendo correta a imputação da responsabilidade solidária. Ratificando esta linha de entendimento de que o Sr. Paulo Cézar Boaventura Brandão é o protagonista principal deste planejamento, transcrevo parte do voto condutor da decisão da DRJ, cuja conclusão é irretocável: A condição de cabeça pensante do grupo econômico é por esse senhor assumida, ainda que de forma indireta, quando afirma que a chamada empresa patrimonial foi criada para evitar a dilapidação do patrimônio, após a morte dos patriarcas, evitando ainda o desgaste naturalmente sofrido em um processo de inventário, o que sinaliza que referido senhor é quem realmente dita a regra do jogo, comandando toda a engrenagem em torno da qual gravita o Grupo PDA. E, neste cenário, não concordo com a alegação do responsável solidário que a imputação da responsabilidade solidária deveria ter como o fundamento tão somente o artigo 135, inciso III do CTN. Da leitura do TVF, com a demonstração cabal do interesse comum na ocorrência do fato gerador, a fundamentação legal mais apropriada para a imputação da responsabilidade solidária é o artigo 124, inciso I do CTN. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário do Sr. Paulo Cézar Boaventura Brandão, mantendoo no polo passivo. Maria Lúcia Miceli Redatora Designada Fl. 1976DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.901975/2015-78
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a liquidez e certeza dos créditos alegados referentes ao período a que se refere o Per/Dcomp em questão e elabore Relatório circunstanciado conclusivo sobre o resultado da verificação, bem como informe se o crédito objeto do pedido foi utilizado em outro processo de compensação.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a liquidez e certeza dos créditos alegados referentes ao período a que se refere o Per/Dcomp em questão e elabore Relatório circunstanciado conclusivo sobre o resultado da verificação, bem como informe se o crédito objeto do pedido foi utilizado em outro processo de compensação. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Rafael Zedral e Marcelo José Luz de Macedo. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/SPO: O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 2/6 (PER/DCOMP nº 20568.52679.310714.1.3.043300), transmitida em 31/07/2014, na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (cód. receita 0220 – IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS BALANÇO TRIMESTRAL) relativo à 1ª quota do período de apuração encerrado em 30/09/2009 (3º RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 01 97 5/ 20 15 -7 8 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10380.901975/201578 Resolução nº 1002000.073 S1C0T2 Fl. 82 2 TRIMESTRE/2009). O valor total do DARF pago em 30/10/2009 foi de R$ 93.084,44. Pelo Despacho Decisório de fls. 7/9 (nº rastreamento 098613314) o contribuinte foi cientificado, em 18/03/2015 (fl. 10), de que: O crédito analisado está limitado ao valor do 'crédito original na data de transmissão' informado no PER/DCOMP, correspondendo a 8.051,55 Valor do crédito original reconhecido: 0,00 A partir das características do(s) DARF discriminado(s) no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/03/2015. PER/DCOMP Despacho Decisório Análise de Crédito Informações Complementares da Análise de Crédito Data da Consulta: 27/4/2015 16:55:11 Nome/Nome Empresarial: LIMA TRANSPORTES LTDA CPF/CNPJ: 06.890.941/000124 PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: 20568.52679.310714.1.3.043300 Número do processo de crédito: 10380901.975/201578 Data de transmissão do PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: 31/07/2014 Tipo de Crédito: Pagamento Indevido ou a Maior Despacho Decisório (Nº de Rastreamento): 098613314 Crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 8.051,55 Crédito reconhecido em valor originário: 0,00 Justificativa: NÃO COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Observação: DIVERGÊNCIA ENTRE DCTF E DIPJ. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher os débitos indevidamente compensados (principal: R$ 9.437,55). Irresignado, o contribuinte apresentou em 17/04/2015 a Manifestação de Inconformidade, de fls. 11/16, alegando, em síntese: i) que efetivamente possui crédito de R$ 24.154,70 de IRPJ referente ao “3º SEM/2009“, correspondendo a R$ 8.051,57 para cada uma das 3 (três) quotas em que foi dividido o total a pagar de R$ 255.098,63; ii) que o valor devido no '3º SEM/2009' de R$ 255.098,63, foi obtido a partir de declaração, na DIPJ/2010, do lucro real de R$ 1.081.690,34; iii) que o crédito pleiteado no presente processo, que se relaciona à PER/DCOMP nº 20568.52679.310714.1.3.043300, é o relativo ao DARF da 1ª quota; iv) que o crédito pleiteado existe, tendo ocorrido apenas um erro no preenchimento da DCTF de setembro/2009, onde foi omitido o valor do débito de IRPJ, 'informação que apenas constou na DCTF de dezembro/2009'; v) que, '8. Apesar do próprio despacho Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10380.901975/201578 Resolução nº 1002000.073 S1C0T2 Fl. 83 3 decisório reconhecer o pagamento feito através de DARF no valor de R$ 93.084,44, o despacho indica que apenas R$ 4.053,54 foram utilizados através da PER/DCOMP nº 17742.64036.051211.1.3.04 3705 (doc.06), deixando de apontar que também foram utilizados R$ 85.032,88 para pagamento da quota de IRPJ, conforme consta na DCTF. 9. Ou seja, do valor do DARF (R$ 93.084,44), foram utilizados R$ 89.086,42 (R$ 4.053,54 + R$ 85.032,88). Não é preciso muita matemática para perceber que essa conta resulta no saldo creditório não utilizado de R$ 3.998,01, mas que equivocadamente não foi indicado pelo sistema em razão da divergência DIPJ x DCTF. 10. Assim, do crédito indicado pelo contribuinte (R$ 8.051,55), devem ser homologados R$ 3.998,01, uma vez que representa o valor pago através de DARF e que não foi utilizado ; vi) que tentou retificar a DCTF de setembro/2009 mas não conseguiu, dado ao esgotamento do prazo decadencial para fazêlo; vii) cita dois acórdãos do CARF que estariam corroborando sua tese da prevalência da verdade material ante a erros cometidos; viii) ao final requer a homologação parcial da compensação indicada na PER/DCOMP nº 20568.52679.310714.1.3.043300, e que as intimações/notificações do presente processo sejam feitas em nome de seu advogado, no endereço profissional do mesmo. O presente processo está sendo apreciado na mesma sessão em que os processos nºs 10380.901977/201567 e 10380.901976/201512 estão sendo julgados, tendo em vista o direito creditório discutido estar relacionado a supostos pagamentos indevidos ou a maior do mesmo débito (IRPJ 3º TRIM/2009 – código de receita 0220). A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/SPO, conforme acórdão n. 1678.974 (efl. 45), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/10/2009 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Não é líquido e certo o crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se não há a devida correspondência deste indébito com as demais declarações oficiais (DCTF, DIPJ), e se a contribuinte não prova, com documentos e livros fiscais e contábeis, o alegado erro no pagamento e o valor correto do débito em questão. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 59), no qual oferece argumentos e fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados. Relata que "Como se pode ver das razões do voto condutor do acórdão que julgou a manifestação de inconformidade da recorrente improcedente, entendeuse que as retificações (DCTF e DIPJ) do período em questão, os DARFs pagos a maior, e demais elementos probatórios não foram capazes de demonstrar o real valor devido de IRPJ do 3º trimestre de 2009." Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10380.901975/201578 Resolução nº 1002000.073 S1C0T2 Fl. 84 4 Salienta que "...a divergência verificada nas declarações da recorrente tem razão de ser pelo fato de que, como se sabe, nos anos de 2007 a 2009 houve uma série de alterações nas normas contábeis, oriundas das Leis nº 11.638/2007 e 11.941/09, com o objetivo de correlacionar as normas contábeis brasileiras às normas internacionais" e que "Entre as alterações ocorridas que trouxeram impactos nos procedimentos e práticas contábeis destacouse o reconhecimento das operações de leasing ou arrendamento mercantil, através do Pronunciamento Técnico CPC nº 06 – Operações de Arrendamento Mercantil, que estabeleceu como as referidas operações passariam a ser reconhecidas e apresentadas contabilmente." Informa que "...com base nas novas normas, a sociedade passou a contabilizar os bens objeto de leasing financeiro no ativo imobilizado, e a contrapartida, no caso a dívida assumida e os juros incidentes conforme contrato foram registrados no passivo", que "Além disso foram contabilizadas no resultado a despesa de depreciação e a despesa financeira do passivo assumido" e que "Ainda em decorrência dos novos padrões adotados, passaram a ser contabilizados os créditos de PIS e COFINS sobre as contraprestações de arrendamento mercantil pagas, conforme art. 3º, inciso V, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03." Aduz que "Posteriormente, a Lei nº 11.941/09 estabeleceu em seu art. 16 que as alterações que modificassem o tratamento contábil empregado às demonstrações contábeis não teriam efeito fiscal para as empresas que aderissem ao RTT." Sustenta que "...foi necessário ajustar o lucro apurado contabilmente através do RTT, expurgandose os valores contabilizados a título de créditos de PIS e COFINS sobre arrendamento mercantil, a despesa de depreciação, e a despesa financeira, incluindose no resultado o valor da contraprestação paga, dedutível para fins de apuração do Lucro Real", que "Após revisão tributária realizada na empresa foi identificado que no 3º trimestre de 2009 o valor referente as contraprestações de leasing que não havia sido considerado como ajuste (exclusão RTT) na apuração do Lucro Real do referido trimestre" e que "Por essa razão é que foi necessário retificar a DIPJ do ano calendário de 2009 considerando o valor de R$1.446.520,87 (um milhão, quatrocentos e quarenta e seis mil, quinhentos e vinte reais e oitenta e sete centavos) referente as contraprestações leasing que não haviam sido consideradas como ajuste RTT no 3º trimestre/2009 na DIPJ original." Entende que "Os valores apontados são facilmente identificados no balancete contábil da empresa (doc. 01 – balancete – 3º trimestre de 2009), apresentados na coluna de Débitos referente aos pagamentos do leasing e encargos financeiros, e também apresentado na Parte A do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR do 3º Trimestre/2009 (doc. 02 – Parte A do LALUR– 3º Trimestre de 2009)." Junta aos autos documentos contábeis/fiscais de efls. 73 a 77. É o relatório do necessário. Voto Embora seja tempestivo e atenda aos demais requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento parcial do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que não se encontra em condições de julgamento, conforme a seguir explicado. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10380.901975/201578 Resolução nº 1002000.073 S1C0T2 Fl. 85 5 Vêse que a improcedência da Manifestação de Inconformidade teve como fundamento principal a falta de comprovação do crédito pretendido. Entretanto, o Recorrente juntou no Recurso Voluntário fichas isoladas de Balancete contábil e de Lalur, que, em princípio e em juízo de delibação, conferem verossimilhança a seus argumentos. A controvérsia, portanto, reduzse à questão da comprovação da liquidez e certeza do crédito vindicado mediante análise dos documentos juntados aos autos. Assim, para que seja possível a formação de juízo conclusivo a respeito da matéria e a conseqüente homologação da compensação, fazse necessária a conversão do julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem elucide se os documentos colacionados são suficientes para comprovação do alegado erro no preenchimento da DCTF. Para deslinde do caso, se necessário, a Unidade de Origem poderá intimar o Recorrente para juntar novos documentos ou prestar esclarecimentos adicionais com o objetivo de comprovar inequivocamente o direito ao crédito postulado. Diante do exposto, voto no sentido de remeter os autos em diligência à Unidade de Origem para que seja verificada a liquidez e certeza dos créditos alegados, referentes ao período a que se refere o Per/Dcomp em questão, devendo aquela Unidade: 1) elaborar Relatório circunstanciado conclusivo sobre o resultado da verificação; 2) informar se o crédito objeto do pedido de compensação foi utilizado em outro processo de compensação; Ao final a Unidade de Origem deverá dar ciência ao Recorrente do resultado da diligência, reabrindolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação quanto ao relatório produzido. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 85DF CARF MF
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