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Numero do processo: 10980.012844/2006-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
NULIDADE. INOCORRÊNCIA
O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.
LUCRO INFLACIONÁRIO E SALDO CREDOR DA DIFERENÇA IPC/BTNF DE 1990 DE EMPRESAS COM PATRIMÔNIO LÍQUIDO NEGATIVO.
Inexiste regra diferenciada de apuração, diferimento ou realização do Lucro inflacionário e da diferença de correção monetária IPC/BTNF de 1990 para as empresas que possuam Patrimônio Líquido negativo.
LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. DECADÊNCIA
Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a lucro inflacionário diferido, deve-se levar em conta o período de apuração de sua efetiva realização ou o período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. (Súmula CARF nº 10)
Numero da decisão: 1402-003.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone e Edeli Pereira Bessa (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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INOCORRÊNCIA O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. LUCRO INFLACIONÁRIO E SALDO CREDOR DA DIFERENÇA IPC/BTNF DE 1990 DE EMPRESAS COM PATRIMÔNIO LÍQUIDO NEGATIVO. Inexiste regra diferenciada de apuração, diferimento ou realização do Lucro inflacionário e da diferença de correção monetária IPC/BTNF de 1990 para as empresas que possuam Patrimônio Líquido negativo. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. DECADÊNCIA Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a lucro inflacionário diferido, devese levar em conta o período de apuração de sua efetiva realização ou o período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. (Súmula CARF nº 10) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 28 44 /2 00 6- 64 Fl. 518DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone e Edeli Pereira Bessa (Presidente) Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em razão da falta de recolhimento da do IRPJ em função da ausência de adição da realização mínima do lucro inflacionário e do lucro inflacionário realizado em virtude de incorporação. De acordo com o relatório fiscal de fls. (234/236), o contribuinte não procedeu a realização mínima do lucro inflacionário acumulado nos exercícios de 2002 a 2005, anoscalendários de 2001 a 2004, equivalentes a 10% do saldo de Lucro Inflacionário Acumulado existente em 31/12/1995. Além disso, não foi computada a realização integral do saldo de lucro inflacionário acumulado em 31/12/2001 da empresa também intitulada HSBC Serviços e Participações Ltda, CNPJ 61.373.684/000161, por força de sua incorporação pela empresa Oura Investimentos e Participações, no anocalendário de 2002. Inconformado o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 243/251) na qual alega, resumidamente, o seguinte: a) Concorda com o lançamento relativo à ausência de realização mínima do lucro inflacionário, tendo realizado o pagamento. b) Em relação à infração relativa ao realização do lucro inflacionário em virtude da incorporação alega: b.1) Nulidade do lançamento por imprecisão da base de cálculo que não permitiria com precisão aferir a matéria tributável, menos ainda o correto cálculo do montante devido. b.2) Suspensão do processo, uma vez que o processo nº 10980.005430/2005 60, que teve origem no auto de infração lavrado em 13/06/2005 para exigência da realização mínima do lucro inflacionário da empresa incorporada nos exercícios de 2000 e 2001 e que a matéria de defesa nele apresentada referese, exatamente, a inexistência do saldo de lucro inflacionário o presente processo deveria ser suspenso até a decisão final daquele. b.3) Que em 1992, quando da apuração do saldo credor da diferença IPC/BTNF de 1990 pela empresa incorporada que gerou o lucro inflacionário autuado, a referida empresa tinha patrimônio líquido negativo, situação esta que perdurou até 1994. Diante dessa situação, afirma ser impossível adicionar o saldo da diferença IPC/BTNF conforme determinado pelo art.3º da Lei nº 8.200/91, sob pena de não ser tributada não mais a sua renda, mas o próprio patrimônio então negativo. b.4) Alega que a diferença IPC/BTNF do ano de 1990 já teria sido atingida pela decadência; Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10980.012844/200664 Acórdão n.º 1402003.879 S1C4T2 Fl. 505 3 Em 08 /12/2008, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. LUCRO INFLACIONÁRIO E SALDO CREDOR DA DIFERENÇA IPC/BTNF DE 1990 DE EMPRESAS COM PATRIMÔNIO LÍQUIDO NEGATIVO. Inexiste regra diferenciada de apuração, diferimento ou realização do Lucro inflacionário e da diferença de correção monetária IPC/BTNF de 1990 para as empresas que possuam Patrimônio Líquido negativo. LUCRO INFLACIONÁRIO. REALIZAÇÃO MÍNIMA OBRIGATÓRIA. DECADÊNCIA. A partir de 1º de janeiro de 1996,a pessoa jurídica deverá realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário existente em 31 de dezembro de 1995, no caso de apuração anual de imposto de renda. Porém, na fixação do saldo do lucro inflacionário acumulado, o fisco deve levar em conta os valores mínimos de realização exigíveis nos períodos anteriores, já alcançados pela decadência, de forma a evitar a transferência de sua tributação para períodos posteriores. Em 22/01/2009, a empresa foi cientificada do teor da decisão acima transcrita (AR fls. 449). Em 04/02/2009 (fls. 451/462) a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 451/817 no qual reitera as alegações já suscitadas. É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) PRELIMINARES Fl. 520DF CARF MF 4 1.1) NULIDADE DO LANÇAMENTO POR IMPRECISÃO DA BASE DE CÁLCULO UTILIZADA Alega a Recorrente que o lançamento é nulo, uma vez que a autoridade fiscal foi contraditória ao afirmar que a empresa possuía, em 31/12/01, o saldo de lucro inflacionário de R$ 130.462,57 e, em seguida, alegar que "Conforme controle eletrônico SAPLI, o saldo do Lucro Inflacionário em 31/12/01, era de R$ 115.576,55, que na data da incorporação deveria ter sido oferecido à tributação". Diante desses fatos, alega que não poderia saber qual o valor correto do lucro inflacionário em 31/12/01, R$ 130.462,57 ou R$ 115.576,55? "Ou, ainda, de R$ 320.468,00 (se levar em cont o contido no Processo Administrativo nº 10980.005430/200506? Tais dúvidas foram devidamente esclarecidas pelas decisão recorrida, conforme se verifica pelas passagens abaixo transcritas: Ao contrário do que afirma a interessada, a base de cálculo, mais precisamente o valor tributável da infração objeto do item 002 da autuação, está plenamente destacado na descrição dos fatos do auto de infração (fls. 234), bem como todo o cálculo do tributo devido, utilizando o montante de R$ 115.576,55 do item 002 somados aos R$ 5.983,74 da autuação do item 001 no ano de 2002, perfazendo o valor tributável de R$ 121.560,29 naquele ano, que foi devidamente esmiuçado no demonstrativo de apuração do auto de infração (fls. 226/230), reiterando o valor de R$ 115.576,55 como sendo o valor tributável do item 002. A equivocada transcrição do valor de R$ 130.462,57 tão somente no texto da descrição dos fatos não teve o condão de confundir a matéria tributável ou modificar o cálculo do montante do tributo devido, não resultando, portanto, em nulidade do lançamento por força do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Já com relação à diferença entre o valor de R$ 115.576,55, constante da autuação do presente processo, e de R$ 320.469,00, constante da autuação do processo nº 10980.005430/200506, como sendo o valor do lucro inflacionário acumulado a realizar em 31/12/2001 (após as realizações dos anos 2000 e 2001 objeto exatamente daquele processo), a mesma se dá em decorrência da exclusão no saldo acumulado de lucro inflacionário do presente processo das realizações periódica mínimas obrigatórias até o ano de 1999, alcançadas pela decadência, como se verá ao final do presente voto. Diante do exposto, improcedentes as alegações de nulidade. 1.2) DA SUSPENSÃO DO PROCESSO EM RAZÃO DO LANÇAMENTO EFETUADO NO PROCESSO Nº 10980.005430/200560 Reitera a Recorrente o pedido de suspensão do presente processo, uma vez que o processo nº 10980.005430/200560, que teve origem no auto de infração lavrado em 13/06/2005 para exigência da realização mínima do lucro inflacionário da empresa incorporada nos exercícios de 2000 e 2001. Sendo assim, a matéria de defesa nele apresentada referese, exatamente, a inexistência do saldo de lucro inflacionário o que determinaria a suspensão do presente processo até a decisão final daquele. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10980.012844/200664 Acórdão n.º 1402003.879 S1C4T2 Fl. 506 5 Nesse ponto, mais uma vez, esclarecedoras as observações da decisão recorrida. O auto de infração do presente processo, mais precisamente seu item de autuação 002, inobstante tratar da mesma matéria (realização do lucro inflacionário), não é decorrente ou reflexo do auto de infração objeto do processo nº 10980.005430/2005 06, lavrado em 13 de junho de 2005, para exigência, dentre outras, da realização do saldo de lucro inflacionário em 2000 e 2001 da empresa incorporada. Na autuação presente, foram, inclusive, consideradas tais realizações de ofício nos anos de 2000 e 200, reduzindo seus valores do valor tributável da autuação no ano de 2002. Desta forma, um possível cancelamento daquela autuação e, conseqüentemente, das realizações dos anos de 2000 e 2001 não prejudicariam a interessada, uma vez que tais valores não constaram da presente autuação e não poderiam mais ser incluídos, permanecendo, portanto, afastada aqui a sua exigência. Além disso, o mencionado pedido perdeu o objeto. Isso porque, ao consultar o andamento do processo 10980.005430/200560 no site do CARF, verificase que o processo já foi julgado 07/08/2012, ao qual foi negado provimento, conforme se verifica pela ementa do Acórdão nº 1301000.802, abaixo transcrita: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2000, 2001 Ementa: COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INSUFICIÊNCIA DE SALDO DE PREJUÍZO. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO. INEXISTÊNCIA DE DECADÊNCIA. LEI 8.541/92: AUSÊNCIA DE OFENSA AO PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA. 1. Na recomposição do lucro inflacionário, deve o fisco levar em conta valores, que a despeito de terem produzido efeitos próprios em períodos já atingidos pela decadência, pela sua natureza, são computados no cálculo de valores cuja repercussão tributária se dá no futuro. 2. A compensação rege se pela norma vigente quando de sua realização, inexistindo, no caso, direito adquirido à compensação futura, quando da apuração do lucro inflacionário. A mencionada decisão foi confirmada no julgamento dos Embargos Declaratórios julgados em 24/11/2014, no Acórdão nº 1301001.530, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 PREJUÍZO FISCAL. ANO CALENDÁRIO DE 1990. UTILIZAÇÃO A PARTIR DE 1995. IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de prejuízo fiscal apurado no ano calendário de 1990, resta vedada a sua utilização a partir do ano de 1995, por força do disposto no parágrafo único do art. 42 da Lei nº 8.981, de 1995. Nos exatos termos da norma em referência, a parcela passível de utilização a partir do ano calendário de 1995 corresponde àquela não compensada em razão do limite de 30%. Fl. 522DF CARF MF 6 Extinto o saldo, haja vista a caducidade imposta pelo art. 64 do DecretoLei nº 1.598/77 e pelo art. 12 da Lei nº 8.541/92, resta evidente que não se pode afirmar que este mesmo saldo subsiste em razão da limitação trazida pelo ato legal superveniente. Atualmente, o mencionado processo encontrase pendente de admissibilidade do Recurso Especial do contribuinte: A orientação desse colegiado é no sentido de que, mesmo nas hipóteses de prejudicialidade, o que, como visto, não é o caso dos autos, a suspensão do processo deve ser mantida até o julgamento de mesma instância. Em face do exposto, rejeito o pedido de suspensão do processo. 2) MÉRITO 2.1) DA IMPOSSIBILIDADE DA EXIGÊNCIA DE REALIZAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO EM VIRTUDE DA INCORPORAÇÃO DE EMPRESA COM PL NEGATIVO. Quanto ao mérito, alega a Recorrente que, em 1992, quando da apuração do saldo credor da diferença IPC/BTNF de 1990 pela empresa incorporada que gerou o lucro inflacionário autuado, a referida empresa tinha patrimônio líquido negativo, situação esta que perdurou até 1994. Diante dessa situação, afirma ser impossível adicionar o saldo da diferença IPC/BTNF conforme determinado pelo art.3º da Lei nº 8.200/91, sob pena de não ser tributada não mais a sua renda, mas o próprio patrimônio então negativo. A correção monetária de balanço era uma sistemática de reconhecimento dos efeitos inflacionários no balanço das empresas, introduzida pela Lei n.º 6.404/76, para fins societários, e pelo Decreto n.º 1.598/77, para efeitos fiscais. A mensuração dos efeitos inflacionários era realizada mediante correção de contas do ativo permanente, representada pelos investimentos, imobilizado e diferido, e pelas contas do patrimônio líquido, formadas principalmente pelos valores do capital social, reservas de capital, de reavaliação,de lucros e dos lucros acumulados. Como esclarece Dirceu Antônio Pastorello: Como se sabe, o patrimônio da pessoa jurídica é constituído de ativos e passivos monetários e não monetários. Os primeiros estão contabilmente classificados no circulante e no patrimônio líquido da pessoa jurídica e sua expressão mais autêntica é a Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10980.012844/200664 Acórdão n.º 1402003.879 S1C4T2 Fl. 507 7 moeda. Sofrem eles, quando não protegidos por cláusula de indexação, perda de poder aquisitivo ou de sua expressão monetária. Entre estes incluise o capital de giro próprio da pessoa jurídica, oriundo de reinvestimento de lucros, novos investimentos de acionistas ou sócios ou empréstimos por parte destes. Já o ativo não monetário compreende os bens materiais ou imateriais de propriedade da pessoa jurídica que se encontram razoavelmente protegidos contra a inflação. No sistema de correção monetária do balanço, um ativo permanente maior que o patrimônio líquido, consideradas na apuração as variações monetárias ativas e passivas, gerava um saldo credor de correção monetária tributável. Ao contrário, se menor, gerava um saldo devedor dedutível. Um ativo permanente maior que o patrimônio líquido significava que a empresa estava financiando o seu ativo permanente com vantagem junto a terceiros. Enquanto que o patrimônio líquido maior significava que a empresa estava se financiando com recursos próprios oriundos de lucros reinvestidos pelos sócios ou acionistas. Daí a dedutibilidade, para fins de imposto de renda, da perda inflacionaria do capital próprio, como forma de desestimular o endividamento e incentivar o reinvestimento de lucros, capitalizando e fortalecendo a empresa. Nesse quadro normativo, entretanto, os juros pagos aos acionistas ou sócios não eram dedutíveis como custo ou despesa operacional (art.49 da Lei nº4.506/64 art. 287 do Decreto nº1.041 de 11194).( PASTORELLO, Dirceu Antônio. "A correção monetária das demonstrações financeiras para apuração da base de cálculo do imposto de renda Revogação pela Lei nº 9.249 de 26 de dezembro de 1995 Consequências" in ROCHA, Valdir de Oliveira (coord) 'Imposto de Renda Alterações Fundamentais, ed. Dialética, 1996, p. 57/76) (grifamos) Dessa forma, o fato da empresa incorporada apresentar patrimônio líquido negativo não significa ausência de substrato fático para tributação do lucro inflacionário acumulado, pois este tinha como pressuposto, exatamente, o financiamento de seu ativo permanente junto a terceiros. Sendo assim, como bem apontou a decisão recorrida, no caso em questão, a contribuinte submetiase à regra geral de tributação aplicável ao lucro inflacionário decorrente do saldo credor de correção monetária de balanço. Isso porque, inexistia previsão legal para isenção de Imposto sobre a renda de pessoa jurídica cujo Patrimônio Líquido se apresentasse negativo, "quão menos de dispensa de apuração de saldo credor de diferença IPC/BTNF de 1990 ou qualquer adição obrigatória ao lucro líquido para apuração do lucro real da mesma, este sim, base de cálculo do IRPJ no caso da empresa em questão." A apuração e realização do saldo credor da diferença IPC/BTNF de 1990 estavam devidamente disciplinadas em lei não havendo como ser afastada tão somente em função da existência de patrimônio líquido negativo. Sua ilegalidade ou inconstitucionalidade deveriam ser discutidas perante ao poder judiciário o qual, inclusive, já se manifestou pela sua adequação ao conceito de renda, conforme noticiado pelo Superior Tribunal de Justiça na ementa do Recurso Especial 802.452/PR, abaixo transcrita: Fl. 524DF CARF MF 8 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. LUCRO INFLACIONÁRIO (LEI 7.799/89, ART. 21). CORREÇÃO MONETÁRIA DAS CONTAS INTEGRANTES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (LEI 6.404/76, ARTS. 178, § 2º, D, E 185; DL 1.598/77, ART. 39, E LEI 7.799/89, ART. 4º). EXCLUSÃO DA BASE DE INCIDÊNCIA DO IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. 1. Visando a "expressar, em valores reais, os elementos patrimoniais e a base de cálculo do imposto de renda de cada períodobase" (art. 3º), a Lei 7.799/89 determinou que a consideração dos efeitos da inflação sobre as demonstrações contábeis se fizesse mediante sua atualização monetária, realizada nos termos ali explicitados e destacada em conta de natureza nãooperacional. O saldo dessa conta, se devedor, constitui encargo dedutível do lucro tributável (art. 4º, III), e, se credor, deve a ele ser adicionado, denominandose "lucro inflacionário" (art. 21). 2. A legitimidade dessa sistemática frente aos conceitos de renda e de lucro da legislação infraconstitucional foi reconhecida pelo STF no RE 201.4656/MG, em que, apreciando o tema da constitucionalidade do art. 3º, I, da Lei 8.200/91, a Corte assentou não haver um conceito ontológico (= pertencente ao mundo dos fatos) de lucro tributável, mas apenas um conceito jurídicoformal, obtido pelo ajuste do resultado do exercício segundo as prescrições (adições, deduções e exclusões) taxativamente estabelecidas em preceitos normativos. 3. Entre as contas cujo valor histórico deveria ser corrigido, integrando a conta especial de correção monetária, estavam aquelas integrantes do patrimônio líquido, arroladas no art. 178, § 2º, d, da Lei 6.404/76, por força do art. 185 da mesma Lei (revogado pela Lei 7.730, de 31.01.1989), o qual continha norma semelhante à posta no Decretolei 1.598/77, art. 39, e na Lei 7.799/89, art. 4º (revogada pela Lei 9.249, de 26.12.1995). 4. Havendo normas legais determinando expressamente a dedução ou a adição, conforme devedor ou credor, do saldo da conta especial de correção monetária do lucro real, não há como salvo mediante a declaração de inconstitucionalidade das referidas normas excluir da base de incidência do imposto de renda o valor correspondente à correção monetária do patrimônio líquido, conta que, também por força de expressa disposição normativa, deve ter seu resultado integralmente corrigido. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido.(grifamos) Além disso, como bem ressalta a decisão recorrida: No caso em litígio, inclusive, somente a título de ilustração, tal adição sequer está sendo exigida nos anoscalendário em que a empresa afirma em sua impugnação ter estado com o Patrimônio Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10980.012844/200664 Acórdão n.º 1402003.879 S1C4T2 Fl. 508 9 Líquido Negativo (até 1994), mas sim em 1998, quando de sua incorporação, quando então seu Patrimônio Líquido montava em valor positivo. Nos períodosbase em que a interessada possuía Patrimônio Líquido Negativo, não estão sendo exigidas quaisquer adições mínimas obrigatórias de lucro inflacionário acumulado, que estão, inclusive, sendo consideradas como realizadas no SAPLI, por força da decadência, como será visto ao final da presente decisão. Improcedentes, portanto, as alegações de ofensa ao conceito de renda. 2.2) DECADÊNCIA Por fim, alega a Recorrente que a diferença IPC/BTNF do ano de 1990 já teria sido atingida pela decadência. Incorreta a alegação da Recorrente. Com relação à realização do valor diferido, o prazo decadencial somente pode iniciar se ocorreu o fato gerador, ou seja, se havia a obrigatoriedade de realização do valor. Não ocorrendo o fato gerador, o fisco não pode proceder a qualquer lançamento sobre a realização a menor. Tal entendimento foi se encontra sumulado no âmbito deste conselho, conforme se verifica pelo teor da Súmula nº 10 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 10 Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a lucro inflacionário diferido, devese levar em conta o período de apuração de sua efetiva realização ou o período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Em face do exposto, improcedente a alegação de decadência. 3) CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 526DF CARF MF 10 Fl. 527DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.914583/2009-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2005
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Tendo sido interrompida a análise do julgado em primeira instância por premissa afastada em sede de recurso voluntário, deve-se retornar o processo à DRJ para que o julgamento do mérito seja efetivamente realizado.
Numero da decisão: 1001-001.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à primeira instância para que seja ali julgado o mérito em sua íntegra.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2005 COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO DE ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Tendo sido interrompida a análise do julgado em primeira instância por premissa afastada em sede de recurso voluntário, deve-se retornar o processo à DRJ para que o julgamento do mérito seja efetivamente realizado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à primeira instância para que seja ali julgado o mérito em sua íntegra. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
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POSSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Tendo sido interrompida a análise do julgado em primeira instância por premissa afastada em sede de recurso voluntário, devese retornar o processo à DRJ para que o julgamento do mérito seja efetivamente realizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à primeira instância para que seja ali julgado o mérito em sua íntegra. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 45 83 /2 00 9- 23 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 15374.914583/200923 Acórdão n.º 1001001.202 S1C0T1 Fl. 189 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 87/89) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 82, que não homologou a compensação constante da DCOMP 17138.32506.291206.1.3,048390 (folhas 37/42), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, tendo em vista que os valores do DARF de período de apuração 30/04/2005, data de vencimento e arrecadação 31/05/2005, código de receita 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL) e valor total de R$ 49.190,37, informado como origem do crédito, foram integralmente utilizados para quitação do débito da contribuinte discriminado no DARF, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade (folhas 12/15), a contribuinte alega, em síntese, que há crédito disponível no DARF no valor original de R$ 230,07. No acórdão a quo, a nãohomologação foi mantida tendo em vista a impossibilidade de utilização de créditos de estimativas pagas a maior em compensações que não tenham como crédito o saldo negativo do referido tributo ao final do período de apuração, determinada pelo art. 10 da IN SRF nº 600/2005. Ciência do acórdão DRJ em 02/12/2011 (folha 92). Recurso voluntário apresentado em 02/01/2012 (folha 94). A recorrente, às folhas 94/98, em síntese, ratifica suas alegações expressas na manifestação de inconformidade quanto ao mérito, que acabaram por não ser totalmente analisadas tendo em vista a adoção da premissa da impossibilidade utilização de indébitos de estimativas em compensações. É o relatório. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 15374.914583/200923 Acórdão n.º 1001001.202 S1C0T1 Fl. 190 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. O acórdão a quo apresenta entendimento ultrapassado quando afirma que somente o saldo negativo do tributo apurado na declaração de ajuste anual poderia ser objeto de restituição, nunca o recolhimento de estimativa. Isto porque, tendo em vista a publicação da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5/12/2011, que homogeneizou o entendimento da RFB a respeito da possibilidade de restituição ou compensação de pagamentos indevidos de estimativas, conforme ementa transcrita a seguir, é cabível a análise da existência do direito creditório pleiteado pela contribuinte na DCOMP em análise. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 15374.914583/200923 Acórdão n.º 1001001.202 S1C0T1 Fl. 191 4 Isto posto, verificase que, pela Solução de Consulta supra, restou decidido pela aplicação do disposto no art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que passou a permitir a compensação de pagamentos indevidos de estimativas, aos processos pendentes de decisão administrativa. Tal entendimento é consolidado na Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Assim, para que não haja supressão de instância no julgamento, deve o processo retornar à DRJ que proferiu o acórdão a quo para que, afastada a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações, seja o mérito analisado na íntegra naquela instância julgadora. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento em parte ao recurso, para aplicação da Súmula CARF nº 84, afastando a premissa de impossibilidade de utilização de crédito de indébito de estimativa em compensações e determinando o retorno do processo à primeira instância para que seja ali julgado o mérito em sua íntegra. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.904932/2009-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
DCOMP NÃO HOMOLOGADA. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF.
Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito.
ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE.
Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito.
Numero da decisão: 3003-000.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 DCOMP NÃO HOMOLOGADA. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurou-se que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito. ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO RECAI SOBRE O CONTRIBUINTE. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 49 32 /2 00 9- 12 Fl. 129DF CARF MF 2 Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão de manifestação de inconformidade em razão de PER/DCOMP transmitida por valor supostamente recolhidos a maior a título de PIS/PASEP no PA 01/03/2005 à 31/03/2005. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela DRJ de Recife (DRJ/REC): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta aos 17/07/2009 em face do Despacho Decisório, proferido eletronicamente pela Unidade de Origem, do qual a contribuinte tomou ciência aos 26/06/2009, que não homologou a compensação objeto da Declaração de Compensação DCOMP tratada nos correntes autos, na qual foi indicado o valor de R$ 923,36 como crédito originário inicial a ser compensado, atinente a suposto pagamento a maior da contribuição para o PIS/PASEP, que foi realizado no montante original de R$ 11.248,03 em relação ao período de apuração de março de 2005. 2. A compensação foi não homologada porque detectado que o citado pagamento fora totalmente aproveitado para quitação do débito da contribuição para o PIS/PASEP devido pela interessada em relação ao mês de março de 2005, não restando saldo para a compensação. 3. No recurso interposto, a defendente diz que apresentou, inicialmente, DCTF com equívoco no valor do débito informado nesta declaração, tendo, contudo, sanado o lapso na DCTF retificadora enviada aos 02/07/2009, na qual foi reduzido para R$ 10.559,94 o débito da contribuição para o PIS/PASEP correspondente ao período de apuração aqui analisado. 4. Ao final, requereu o reconhecimento da exatidão do valo informado na DCTF, e, conseqüentemente, a admissão do crédito de R$ 923,36 objeto da compensação, tendo, ainda, postulado provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada posterior de documentos que se fizerem necessários. A DRJ de Recife entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, pela ementa que transcrevo: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10850.904932/200912 Acórdão n.º 3003000.283 S3C0T3 Fl. 3 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. INDÉBITO. NÃO RECONHECIMENTO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. O não reconhecimento do indébito implica a não homologação da compensação em que ele foi utilizado e a conseqüente cobrança do débito indevidamente compensado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com acórdão proferido pela instância de piso, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando as razões já apostas na manifestação de inconformidade, além de alegar que a retificação da DCTF se deu antes da prolação do acórdão de manifestação de inconformidade, e que pelo princípio da Verdade Material deverseá admitir a juntada de documentos probatórios em Recurso Voluntário. Ao fim pede que seja o Recurso conhecido e provido para que seja homologado o crédito declarado em Dcomp. São os fatos. Fl. 131DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO PROCESSO APENSO De início, ressalto que os presentes autos estão apensos ao PAF de n. 10850.905312/200909, que trata de outra declaração de compensação com referência ao mesmo crédito. Por tratarse de objetos idênticos, uso para ambos as mesmas razões de decidir. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA Alega a Recorrente que utilizou créditos de PIS, oriundo de pagamentos indevidos que resultaram em sobra de valores, referente ao período de apuração 31/03/2005. A Autoridade Fiscal afirma que os créditos utilizados na compensação pretendida pela Recorrente já havia extinguido outro débito tributário, não restando saldo para utilização. Duas, portanto, são as questões a serem enfrentadas: a quem cabe o ônus da prova em processos administrativos cujo objeto é pedido de restituição; se existem provas suficientes ou no mínimo que dêem verossimilhança às alegações da Recorrente. Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da impugnação/manifestação de inconformidade. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10850.904932/200912 Acórdão n.º 3003000.283 S3C0T3 Fl. 4 5 § 2º A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, vez que a obrigação de provar está expressamente atribuída àa Autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Definida a regra que direciona o onus probandi no âmbito do processo administrativo fiscal, resta estabelecer o conceito de prova, sua finalidade e seu objeto. As provas devem ser compreendidas como um meio apto a formar convencimento daquele que avalia determinada situação fática. No caso em testilha, o que deve ser compreendido e elevado ao patamar de prova são quaisquer elementos, aptos a dissuadir o julgador a tomar como verdadeira as alegações enunciadas nos autos. Ao se falar em provas no processo administrativo tributário, o julgador deve aterse, quando houver expressa prescrição legal, a admitir somente os meios que a Lei estabelece como aptos a revelar o fato jurídico tributário. Entretanto, na ausência de prescrição normativa vinculante, o julgador usa da interpretação pautada na boa técnica jurídica e na sistemática existente, tanto nos autos quanto em todo o sistema tributário. Segundo Maria Rita Ferragut, “o evento, por se esgotar no tempo e por deter natureza diversa da única forma possível de transmissão do conhecimento, que é a linguagem, é inatingível, inapreensível. Consequência inarredável dessa premissa é que as provas não são os eventos, mas articulações linguísticas sobre a realidade.” (p. 192). O conceito de prova retirado dos ensinamentos de Moacir Amaral Santos: No sentido objetivo, como os meios destinados a fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Mas a prova no sentido subjetivo é aquela que se forma no espírito do julgador, seu principal destinatário, quanto à verdade desse fatos. A prova, então, consiste na convicção que as provas produzidas no processo geram no espírito do julgador quanto à existência ou inexistência dos fatos. Compreendida como um todo, reunindo seus dois caracteres, objetivo e subjetivo, que se completam e não podem ser tomados separadamente, apreciada como fato e como indução lógica, ou como meio com que se estabelece a existência positiva ou Fl. 133DF CARF MF 6 negativa do fato probando e com a própria certeza dessa existência. Para Carnelutti: As provas são fatos presentes sobre os quais se constrói a probabilidade da existência ou inexistência de um fato passado. A certeza resolvese, a rigor, em uma máxima probabilidade. Dinamarco define o objeto da prova: ....conjunto das alegações controvertidas das partes em relação a fatos relevantes para todos os julgamentos a serem feitos no processo. Fazem parte dela as alegações relativas a esses fatos e não os fatos em si mesmos. Sabido que o vocábulo prova vem do adjetivo latino probus, que significa bom, correto, verdadeiro, seguese que provar é demonstrar que uma alegação é boa, correta e portanto condizente com a verdade. O fato existe ou inexiste, aconteceu ou não aconteceu, sendo portanto insuscetível dessas adjetivações ou qualificações. Não há fatos bons, corretos e verdadeiros nem maus, incorretos mendazes. As legações, sim, é que podes ser verazes ou mentirosas e daí a pertinência de proválas, ou seja, demonstrar que são boas e verazes. Já a finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. Dinamarco afirma: Todo o direito opera em torno de certezas, probabilidades e riscos, sendo que as próprias certezas não passam de probabilidades muito qualificadas e jamais são absolutas porque o espírito humano não é capaz de captar com fidelidade e segurança todos os aspectos das realidades que o circulam. Para entender melhor o instituto “probabilidade” mencionado professor Dinamarco, aduzo importante distinção feita por Calamandrei entre verossimilhança e probabilidade: É verossimil algo que se assemelha a uma realidade já conhecida, que tem a aparência de ser verdadeiro. A verossimilhança indica o grau de capacidade representativa de uma descrição acerca da realidade. A verossimilhança não tem nenhuma relação com a veracidade da asserção, não surge como resultante do esforço probatório, mas sim com referência à ordem normal das coisas. A probabilidade está relacionada à existência de elementos que justifiquem a crença na veracidade da asserção. A definição do provável vinculase ao seu grau de fundamentação, de credibilidade e aceitabilidade, com base nos elementos de prova Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10850.904932/200912 Acórdão n.º 3003000.283 S3C0T3 Fl. 5 7 disponíveis em um contexto dado., resulta da consideração dos elementos postos à disposição do julgador para a formação de um juízo sobre a veracidade da asserção. Desse modo, a certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. Quanto ao exame da prova, defende Dinamarco: (...) o exame da prova é atividade intelectual consistente em buscar, nos elementos probatórios resultantes da instrução processual, pontos que permitam tirar conclusões sobre os fatos de interesse para o julgamento. Já Francesco Carnelutti compara a atividade de julgar com a atividade de um historiador: (...) o historiador indaga no passado para saber como as coisas ocorreram. O juízo que pronuncia é reflexo da realidade ou mais exatamente juízo de existência. Já o julgador encontrase ante uma hipótese e quando decide converte a hipótese em tese, adquirindo a certeza de que tenha ocorrido ou não o fato. Estar certo de um fato quer dizer conhecêlo como se houvesse visto. No mesmo sentido, o professor Moacir Amaral Santos afirma que a prova dos fatos fazse por meios adequados a fixálos em juízo. Por esses meios, ou instrumentos, os fatos deverão ser transportados para o processo, seja pela sua reconstrução histórica, ou sua representação. Assim sendo, a verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Concluise que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar probabilidade às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, A Recorrente não apresentou cópia da DCTF original, cópia da DCTF retificadora e da declaração de compensação (DCOMP). Tanto no Despacho Decisório quanto no Acórdão de Manifestação de Inconformidade foi identificado que o crédito que estava sendo utilizado na compensação por ele pretendida já havia sido aproveitado na extinção de outro tributo. Cabia ao contribuinte demonstrar que essa afirmativa Fl. 135DF CARF MF 8 não refletia a realidade. Não obstante, sua atitude foi de fazer alegações gerais, sem demonstrar as questões de direito que embasavam seu indébito. Também não se preocupou em participar da instrução processual, pois não apresentou nenhum documento probatório. Por fim, somente em Recurso Voluntário, a Recorrente apresentou folhas do livro Diário com o requerimento para que os documentos fossem conhecidos, mesmo que juntados após o momento processual de sua juntada. Antes de adentrar na análise do efeito probatório dos documentos juntados aos autos, por tratarse de despacho decisório proferido eletronicamente, invoco o entendimento desta Corte, que transcrevo em trecho do voto 1ª Turma da CSRF, esboçado no acórdão de n. 9101003.927, de relatoria do eminente Conselheiro André Mendes de Moura: entendo que a interpretação mais adequada não impede a apresentação das provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que esteja m no contexto da discussão da matéria em litígio, ou seja, podem ser apresentadas desde que não disponham sobre nenhuma inovação. Grifos no original. Por mais que seja afastada a preclusão administrativa descrita nos artigos 15 e 16 do Decreto 70.235/1972, ainda assim não é possível a comprovação, pelo menos indiciária, da existência do crédito pleiteado. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, mas apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado. Pela análise das folhas do livro Diário que acompanha o Recurso Voluntário não é possível identificar a demonstração do suposto pagamento indevido alegado em DCOMP. A ausência de evidência probatória conduz para a manutenção da decisão recorrida. Concluo nesta análise que não há nos autos provas que demonstrem a natureza e extensão de eventuais créditos que possam ser objeto de Declaração de Compensação. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito negarlhe provimento. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.721693/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
IRPF. AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE
A forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) sofreu alteração quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF.
O recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
Numero da decisão: 2401-006.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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AJUSTE. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE A forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) sofreu alteração quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º, do RICARF. O recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente deve ser feito com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 16 93 /2 01 1- 82 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13884.721693/201182 Acórdão n.º 2401006.570 S2C4T1 Fl. 58 2 Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 41/45). Pois bem. Contra o contribuinte acima identificado foi emitida, em 18/04/2011, notificação de lançamento de fl.19, relativa ao imposto sobre a renda da pessoa física anocalendário 2008, por meio da qual foi apurada omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social, no valor de R$123.277,61, e compensação do respectivo imposto retido na fonte de R$1.634,39, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl.20. Cientificado do indeferimento da SRL, em 19/09/2011, fl.05, o contribuinte apresentou, em 26/09/2012, a impugnação de fl. 06, alegando, em síntese, que: (a) Os rendimentos recebidos acumuladamente do INSS, devem ser lançados de acordo com a Ação Civil Pública, que determina, que esses valores sejam divididos pelo número de meses relativos ao período atrasado, conforme simulação na folha da Receita, fl. 10. (b) Junta os documentos de fls. 29/31. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), por meio do Acórdão nº 1660.651 (fls. 41/45), de 21/10/2014, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2008 são tributados na fonte no mês de seu recebimento, sujeitandose ao ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. O impugnante alega que os rendimentos recebidos acumuladamente do INSS, devem ser lançados de acordo com a Ação Civil Pública, que Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13884.721693/201182 Acórdão n.º 2401006.570 S2C4T1 Fl. 59 3 determina, que esses valores sejam divididos pelo número de meses relativos ao período atrasado. 2. Ocorre que no anocalendário de 2008, a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente era disciplinada pelo art. 12 da Lei nº 7.713/1988. 3. Por força, contudo, da jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), no uso da competência que lhe é fixada pelo art. 19 da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, emitiu o Parecer PGFN/CRJ nº 287, de 12/02/2009, aprovado por despacho do Sr. Ministro da Fazenda, publicado no DOU de 13/05/2009, que recomendou que “sejam autorizadas pelo Senhor ProcuradorGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. 4. Essa recomendação foi adotada pelo Ato Declaratório (AD) PGFN nº 1, de 27/03/2009, que autorizou a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais mencionadas. 5. No ano seguinte, no entanto, esse ato declaratório foi suspenso pelo Parecer PGFN/CRJ nº 2.331, de 27/10/2010, nos itens 7 e 8. 6. Salientese, por oportuno, que esses pareceres são vinculantes para a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme art. 19, § 4º, da Lei nº 10.522/2002, e Nota PGFN/CRJ nº 489/2007. 7. É importante também observar que a nova sistemática de tributação dos rendimentos dessa natureza, que passou a ser muito mais favorável ao contribuinte, por prever a tributação exclusiva na fonte e o ajuste dos valores da tabela mensal, mediante a multiplicação destes pelo número de meses a que se refiram os rendimentos, somente foi introduzida em nosso ordenamento jurídico em 28/07/2010, com a publicação da Medida Provisória n° 497, de 27/07/2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20/12/2010 (DOU de 21/12/2010), que acrescentou o art. 12A à Lei n° 7.713/1988. 8. O § 7° do art. 12A dispõe, ainda, que esses rendimentos, quando, recebidos entre 1°de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória n° 497/2010, poderão ser tributados na forma desse artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. 9. Como se vê, não há nenhuma previsão de aplicação dessa nova sistemática aos rendimentos recebidos antes de 1° de janeiro de 2010. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13884.721693/201182 Acórdão n.º 2401006.570 S2C4T1 Fl. 60 4 10. Desta forma, e não estando presente no caso nenhuma das hipóteses previstas no art. 106 do mesmo CTN para a retroatividade da lei, não há a possibilidade, em relação aos rendimentos acumulados recebidos no ano calendário 2008, de aplicação da nova sistemática introduzida pela Medida Provisória n° 497/2010. 11. Do mesmo modo, não se há de cogitar a aplicação retroativa da Instrução Normativa RFB n° 1.127, de 07/02/2011, que apenas disciplina o disposto no art. 12A da Lei nº 7.713/1988, conforme determina seu § 9°. 12. Assim, os rendimentos em análise são tributáveis na declaração de ajuste anual, nos termos dos artigos 9°, 10 e 11, da Lei n° 8.134/1990. 13. Assim, e considerando que não há nos autos ordem judicial determinando a tributação de forma diversa, não pode o julgador administrativo decidir em desconformidade com a lei vigente ao tempo da ocorrência do fato gerador. 14. Quanto à ação civil pública de n.º 1999.61.00.0037100 invocada pelo contribuinte em sua defesa, a mesma foi julgada extinta, sendo dado provimento à remessa oficial, reconhecendo a ilegitimidade ativa do Ministério Público Federal, sendo negado provimento ao agravo apresentado. 15. A referida ação foi proposta pelo Ministério Público Federal, para discutir a tributação do imposto de renda sobre o pagamento cumulativo de benefícios previdenciários. 16. Muito embora tivesse sido prolatada sentença de mérito, julgando procedente a ação, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região proferiu decisão monocrática terminativa que deu provimento à remessa oficial, para reconhecer a ilegitimidade ativa do 17. Ministério Público Federal e julgar extinta a ação, e negou provimento ao agravo interposto contra a referida decisão. 18. Assim, não pode prevalecer a alegação do contribuinte de que as verbas seriam de tributação exclusiva de fonte em decorrência da tutela antecipada na ação civil pública de n.º 1999.61.00.0037100, que foi revogada pelo Tribunal Regional Federal. 19. Desta forma, a pretensão do contribuinte não pode ser acolhida, uma vez que os rendimentos recebidos acumuladamente, no anocalendário em questão, são tributados na fonte no mês de seu recebimento, sujeitandose ao ajuste anual. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 50/51), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13884.721693/201182 Acórdão n.º 2401006.570 S2C4T1 Fl. 61 5 a. Vale citar o artigo 105 do CTN, segundo o qual, “a legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116”. b. O artigo 12 da Lei n° 7.713/1988, reformou todo o entendimento, desconsiderando o parecer do STJ e da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que emitiu o parecer n° 287, em 12/02/2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda: “cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. c. Pelos documentos apresentados em anexo, não há dúvida que os valores em questão foram recebidos acumuladamente do INSS, referente a demora da concessão da aposentadoria pretendida na época. d. Gerando somente a dúvida de como esses valores teriam que ser lançados na declaração de imposto de renda de 2009, referente a 2008, voltando a afirmar que a declaração foi transmitida em abril de 2009, data essa posterior ao parecer emitido pelo Ministro da Fazenda em 12/02/2009. e. Requer seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Mérito. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento legal (fl. 20), a acusação fiscal consiste na omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva (Enquadramento Legal: arts. 1° a 3° e §§, 8° e 9° da Lei n° 7.713/88; arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/90; arts. 5°, 6° e 33 da Lei n° 9.250/95; arts. 1° e 15 da Lei n° 10.451/2002; arts. 43 a 45, 47, 49 a 53 do Decreto n° 3.000/99 – RIR/99). Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13884.721693/201182 Acórdão n.º 2401006.570 S2C4T1 Fl. 62 6 O contribuinte alegou, em síntese, que os valores em questão foram recebidos acumuladamente do INSS, referente à demora na concessão da aposentadoria pretendida à época. Dessa forma, entende que no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. A decisão de primeira instância entendeu pela improcedência da impugnação, sob o fundamento de que os rendimentos recebidos acumuladamente, no anocalendário em questão, são tributados na fonte no mês de seu recebimento, sujeitandose ao ajuste anual. Pois bem. Entendo que a decisão de piso merece reparos. Isso porque, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que determinava, para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, a aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido. De acordo com a referida decisão, o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo artigo 12 da Lei nº 7.713/88, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. Dessa forma, é necessário que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendário em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. Em outras palavras, afastando o regime de caixa, o Supremo Tribunal Federal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Dessa forma, entendo que o imposto sobre a renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos no anocalendário de 2008, deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. Não há que se afastar toda a obrigação tributária, mas tão somente ajustar a base de cálculo, o que, ao meu ver, não implica na inovação dos critérios utilizados para motivar o lançamento. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, determinando o recálculo do IRPF relativo ao rendimento recebido acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13884.721693/201182 Acórdão n.º 2401006.570 S2C4T1 Fl. 63 7 que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 11444.000180/2008-92
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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FATO GERADOR: 16/05/2003, 16/09/2003, 15/11/2003, 14/02/2004, 08/10/2005, 08/04/2006, 08/10/2006, 08/04/2007. DCTF. ENTREGA. MULTA. ATRASO.EMPRESA INATIVA. É cabível a cobrança de multa por atraso na entrega de DCTF de empresa que apresentou declaração como inativa e que, como resultado de procedimento fiscalizatório, apurouse que exercera atividade econômica. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 01 80 /2 00 8- 92 Fl. 121DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 1423.205 5a Turma da DRJ/RPO que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra a Notificação de Lançamento que exigiu o crédito tributário, por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais DCTF 2° semestre/06, no valor de R$ 5.308,80, conforme auto de infração acostado aos autos à fl. 06. Resumo, a seguir o relatório: Contra a contribuinte acima identificada lançouse multa por falta de entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) cujos fatos geradores ocorreram nos 1°, 2°, 3° e 4° trimestres de 2003, 1° e 2° semestres de 2005 e 1° e 2° semestres de 2006, folhas 01/09, com exigência de crédito tributário no valor de R$4.000,00. Segundo consta da descrição dos fatos, no âmbito do procedimento de fiscalização instaurado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n. 08 11800 200700283 8, apurouse omissão de receita com base em depósitos bancários de origem não comprovada, que resultou em imposição tributária de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social (Cofins), objeto do processo administrativo n. 11444.000857/200710. Conforme relatou a autoridade fiscal, em face dos rendimentos apurados no procedimento fiscal antes referido a contribuinte enquadrase na situação de obrigatoriedade de apresentação de DCTF. Intimado em duas oportunidades a apresentar ditas declarações a contribuinte mantevese silente; fato que suscitou a lavratura do auto de infração sob análise. Cientificada da imposição tributária a contribuinte apresentou impugnação de folhas 76/77, com a alegação de que durante a ação fiscal apresentou sua escrituração contábil na forma de tributação como optante pelo Simples; conseqüentemente, desobrigada de apresentar DCTF. A recorrente foi cientificada da decisão em 10/07/2009 (fl 111) e apresentou o seu recurso voluntário em 31/07/2009 ( fl 112) Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que não apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu não conheço. A recorrente limitouse a apresentar as seguintes alegações: A empresa esteve sob ação fiscal, processo 11444.000857/200710. No decurso desta ação fiscal, a empresa apresentou sua escrituração contábil, na forma de tributação de empresas optantes pelo SIMPLES. Conforme previsto na legislação, empresas optantes , pelo SIMPLES, estão desobrigadas à apresentarem DCTF DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11444.000180/200892 Acórdão n.º 1001001.145 S1C0T1 Fl. 3 3 DA IMPUGNAÇÃO TOTAL Aqui reiteramos, tudo o que efetivamente ocorre durante o procedimento fiscal e que já havia sido manifestado no recurso tempestivo, que empresa em conformidade com a Lei, está desobrigada de apresentar a DCTF DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS, solicitando portanto, que seja suspenso o Auto de Infração em questão, para que seja feita a mais pura justiça. Como se observa, a recorrente não contestou os argumentos trazidos no acórdão da DRJ, limitandose a reiterar tudo aquilo que alegara, quando de sua impugnação. A DRJ assim decidiu: Conquanto o sistema de cadastro dos dados da contribuinte não registre a opção formal pelas regras do Simples (código de evento 301 — inclusão no Simples por opção da empresa) ela apresentou declarações de rendimentos como optante de tal sistema nos anoscalendário de 2001 e 2002. Para os anoscalendário de 2003, 2005 e 2006, objeto do lançamento ora em debate, a contribuinte apresentou declaração de inativa, conforme pesquisa nos sistemas informatizados, extratos anexados neste ato, sob fls. 101/104. Do que foi exposto, concluiuse que a contribuinte não estava enquadrada na sistemática de tributação pelo Simples pelo fato de que declarara sua condição de inativa. Tampouco dignouse de atender às notificações que lhe foram dirigidas intimando que apresentasse as DCTF, o que motivou o lançamento da multa de que trata o processo em análise, em consonância com a regra estabelecida no art. 7° e § 3° da Lei n. 10.426, de 2002: Art. 7° O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) (.) parag. 3°A multa mínima a ser aplicada será de: () II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Há que se considerar que no âmbito do procedimento de auditoria da movimentação bancária mantida pela contribuinte ficou caracterizado que no período em questão ela exerceu atividade econômica, com movimentação bancária significativa conforme cópia do acórdão n. 1422.190, de 09/02/2009, prolatado por esta Turma de Julgamento, ora anexado aos autos sob fls. 93/100. Ficou caracterizada a existência de movimentação bancária que não fora sequer escriturada nos livros apresentados em atendimento da intimação que lhe fora Fl. 123DF CARF MF 4 dirigida, o que determinou a apuração da base de cálculo do tributo lançado por arbitramento do resultado. Diante de todo o exposto, demonstrada a obrigatoriedade de apresentar DCTF, voto pela manutenção integral do lançamento efetuado. Diante de todos os fatos apresentados nos autos, verificase que a DRF (Marília SP) executou a devida fiscalização consoante o Mandado de Procedimento Fiscal, cuja conclusão está anexada à fl.10. Assim, não há o que acrescentar nem contestar quanto à decisão proferida pela DRJ (como acima transcrita). Assim, peço a devida vênia para a ela aderir, com base no com base no art. 50, da Lei 9.784/99 e parágrafo 3°, ao artigo 57, do RICARF. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13308.000191/2002-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
É ônus do contribuinte provar que o crédito presumido por ele apurado decorre do uso de produto intermediário de fato empregado no seu processo de industrialização, nos termos do art. 373, inciso I do CPC/2015, aqui aplicado de forma subsidiária.
Numero da decisão: 3402-006.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte provar que o crédito presumido por ele apurado decorre do uso de produto intermediário de fato empregado no seu processo de industrialização, nos termos do art. 373, inciso I do CPC/2015, aqui aplicado de forma subsidiária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte provar que o crédito presumido por ele apurado decorre do uso de produto intermediário de fato empregado no seu processo de industrialização, nos termos do art. 373, inciso I do CPC/2015, aqui aplicado de forma subsidiária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 8. 00 01 91 /2 00 2- 77 Fl. 866DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de IPI formulado pelo contribuinte e referente ao 1° trimestre de 2001. Após procedimento fiscal que visou a aferição dos valores pleiteados pela contribuinte, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza opinou pelo indeferimento total do crédito (fls. 216/218). 2. Inconformado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 220/239), a qual foi julgada improcedente pela DRJ de Belém/PA (fls. 250/256) nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RESSARCIMENTO DE IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. O ressarcimento autorizado pelo art.11 da Lei n° 9.779, de 1999, vinculase ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. Na ausência de provas, nos autos, que permitam presumir a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento da pretensão. (grifos nosso). 3. Diante da r. decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 263/283, o qual, submetido à apreciação perante este Tribunal Administrativo, foi convertido em diligência (resolução n. 3402000319 fls. 396/399) conforme proposto pela então Relatora do caso, Conselheira Nayara Bastos Manatta, nos seguintes termos: ...entendo necessário que a fiscalização se pronuncie sobre o cumprimento de cada um dos requisitos previstos na Lei n° 9.363, de 1996, para fruição do beneficio em tela, respondendo, objetivamente, se, a vista dos documentos fiscais e escrita fiscal e contábil da recorrente, é possível, para o período de apuração de que tratam estes autos: a) calcular o valor total das aquisições de MP, PI e ME; e b) descrever detalhadamente o processo produtivo da recorrente; c) determinar a quantidade de insumos empregados na fabricação dos produtos industrializados e saídos, acabados, do estabelecimento da recorrente, por período de apuração; d) registro de créditos relativos as aquisições de insumos devidamente comprovados por meio de documentação hábil, por período de apuração; e) saída de produtos acabados do estabelecimento da recorrente por período de apuração, e o montante do IPI devido correspondente a tais saídas; (...). Fl. 867DF CARF MF Processo nº 13308.000191/200277 Acórdão n.º 3402006.480 S3C4T2 Fl. 867 3 4. Referido processo foi baixado em diligência, oportunidade em que a fiscalização intimou o contribuinte por três vezes consecutivas (fls. 307/310, 332/335 e 352/355) para que este apresentasse documentos contábeis hábeis a apurar a correição do crédito por ele (contribuinte) apontado em seu pedido de ressarcimento. 5. Apenas após a terceira intimação adveio resposta (fls. 376/384), oportunidade em que o contribuinte apresentou apenas parte dos documentos exigidos pela fiscalização. Os documentos então apresentados foram os seguintes: (i) arquivo magnético com planilha das Notas Fiscais de Entrada referentes aos insumos adquiridos com incidência de PIS/PASEP e COFINS e utilizados no processo produtivo de bens exportados para o exterior; (ii) descrição do seu processo produtivo; (iii) relação de outros processos administrativos com o mesmo tema aqui tratado; e (iv) arquivo digital com planilha onde consta parte das notas fiscais de entrada referentes aos insumos adquiridos para emprego na industrialização, bem como planilha com parte das notas fiscais de saída; 6. Nesta mesma oportunidade o contribuinte pleiteou a concessão de prazo para a apresentação dos demais documentos faltantes, o que foi indeferido pela fiscalização, haja vista que na sequência os autos foram remetidos para este Tribunal Administrativo. 7. Não obstante, este colegiado, na sua antiga composição, resolveu novamente converter o julgamento em diligência (resolução n. 3402000.739 fls. 813/820) nos seguintes termos: (...). (i) intimar o contribuinte no endereço constante nos autos4 para que, no prazo improrrogável de 90 (noventa) dias, apresente os documentos faltantes para viabilizar a constatação numérica do crédito aqui debatido; (ii) ato contínuo, que a fiscalização apure, de forma detalhada, qual o montante do referido crédito (inclusive, se possível, com base apenas nos documentos já constantes nos autos) ou fundamente, de forma analítica, a impossibilidade de fazêlo; e, por fim (iii) concluída a diligência, que o contribuinte seja novamente intimado para, querendo, possa se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias. (...). 8. Uma vez intimado, o contribuinte restou inerte, o que redundou no relatório de diligência fiscal de fl. 857. 9. É o relatório. Fl. 868DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 10. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Do ônus probatório no presente caso 11. Não se pode perder de vista que o se analisa aqui é um pedido de ressarcimento de IPI, o que é demasiadamente relevante para a resolução da presente demanda, na medida que é justamente a iniciativa do processo administrativo que determina o ônus probatório, nos termos do que prevê o art. 373 Código de Processo Civil1. Assim já decidiu este colegiado, em sua antiga composição, conforme se observa do seguinte trecho do acórdão n. 3402002.881, da lavra do Conselheiro Antonio Carlos Atulim: (...). É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). (...). 12. Importante destacar que in casu o contribuinte teve oportunidade de apresentar as provas necessárias para atestar seu pretenso crédito, inclusive já na fase processual, haja vista as diferentes oportunidades que lhe foram atribuídas para tanto, conforme se observa das já citadas resoluções 3402000319 (fls. 396/399) e 3402000.739 (fls. 813/820). 13. Acontece que, mesmo sendo concedido prazo mais do que razoável para que o contribuinte atestasse seu direito, este restou inerte, consoante demonstra o documento de fl. 855, assim como também quedou inerte em relação ao relatório de diligência fiscal produzido pela unidade preparadora (fl. 862). Não obstante, os documentos já acostados nos autos pelo contribuinte são insuficientes para atestar seu suposto direito creditório, conforme atesta o relatório de diligência fiscal: Quanto à apuração do crédito pleiteado considerando apenas os documentos constantes nos autos, conforme item ii, fl. 820 da Resolução, temos a informar: as cópias do Livro de Apuração do IPI, fls. 11 e 412, encontramse sem as formalidades legais conforme art. 448 do Dec. 7212/ 2010, art. 373 do Dec. 4544/2002 e art. 349 do Regulamento do IPI/1998; encontramos 1 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 13308.000191/200277 Acórdão n.º 3402006.480 S3C4T2 Fl. 868 5 a nota fiscal de nº 005, fls. 179 e 182, com rasuras e diferenças no preenchimento o que ensejaria uma amostra bem maior. (...). 14. Ademais, o voto recorrido também já havia constatado que: 11. Postas estas inafastáveis premissas, cumpre referir que a Diligência Fiscal perpetrada pelo Serviço competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fortaleza apontou incongruências insuperáveis na documentação exibida pela requerente como comprobatória do direito invocado, conforme se encontra sumariado nas alíneas "a" a "f" do 2° parágrafo deste Voto. Com efeito, encontrase ali referido, como exemplificativo das inconsistências detectadas, que houve saídas de produtos finais do estabelecimento que somente teriam nele reingressado após mais de dois anos e sete meses da saída declarada (fl. 52); não haveriam sido apresentadas informações relativas a industrializações efetuadas por terceiros; haveria ocorrido a venda de mercadorias sem o posterior estorno dos créditos escriturados na entrada; bem como a remessa de insumos sem a devida especificação, além de escrituração em desconformidade com o que dispõe a legislação de regência, dentre outros fatos, cujo conjunto tornaria impraticável a identificação dos insumos empregados no processo de industrialização e, por conseguinte, qualquer aferição acerca de eventuais créditos de que seria detentora a requerente. (...). 15. Resta clara, portanto, a inércia do contribuinte em atestar seu pretenso direito creditório, motivo pelo a decisão recorrida deve ser mantida. Dispositivo 16. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 17. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 870DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.000119/2008-26
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
DEDUÇÕES. DESPESA COM DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DECLARAÇÃO EM SEPARADO.
Devem ser mantidas as glosas referentes aos filhos que apresentam declarações de Imposto de Renda em separado.
Mantidas as glosas de despesas médicas e com instrução referentes a filhos que apresentam declarações em separado.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO.
No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, inclusive os honorários advocatícios, desde que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas.
Pela análise dos autos verifica-se que as despesas com honorários advocatícios já foram deduzidas pela própria recorrente dos rendimentos tributáveis informados em sua declaração.
Tendo em vista que a autoridade fiscal utilizou a própria base de cálculo declarada pelo contribuinte no auto de infração, não merece prosperar a alegação de não terem sido aproveitadas tais deduções no cálculo do auto de infração.
Numero da decisão: 2003-000.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 DEDUÇÕES. DESPESA COM DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DECLARAÇÃO EM SEPARADO. Devem ser mantidas as glosas referentes aos filhos que apresentam declarações de Imposto de Renda em separado. Mantidas as glosas de despesas médicas e com instrução referentes a filhos que apresentam declarações em separado. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, inclusive os honorários advocatícios, desde que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas. Pela análise dos autos verifica-se que as despesas com honorários advocatícios já foram deduzidas pela própria recorrente dos rendimentos tributáveis informados em sua declaração. Tendo em vista que a autoridade fiscal utilizou a própria base de cálculo declarada pelo contribuinte no auto de infração, não merece prosperar a alegação de não terem sido aproveitadas tais deduções no cálculo do auto de infração.
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DESPESA COM DEPENDENTES. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DECLARAÇÃO EM SEPARADO. Devem ser mantidas as glosas referentes aos filhos que apresentam declarações de Imposto de Renda em separado. Mantidas as glosas de despesas médicas e com instrução referentes a filhos que apresentam declarações em separado. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUÇÃO. No caso de rendimentos recebidos em razão de ação judicial, poderão ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda as despesas necessárias ao recebimento desses rendimentos, inclusive os honorários advocatícios, desde que tenham sido suportadas pelo reclamante e estejam devidamente comprovadas. Pela análise dos autos verificase que as despesas com honorários advocatícios já foram deduzidas pela própria recorrente dos rendimentos tributáveis informados em sua declaração. 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De forma sucinta, a fiscalização constatou as seguintes irregularidades, conforme Termo de Conclusão de Procedimento Fiscal: • DESPESAS COM PREVIDÊNCIA OFICIAL A contribuinte pleiteou dedução a titulo de despesas com previdência oficial no anocalendário de 2004 no valor de R$ 3.602,77, porém, conforme descrito nos itens 4 e 5 acima, a contribuinte não apresentou informe de Rendimentos fornecida pela fonte pagadora, donde pudesse comprovar a existência de valores pagos a titulo de previdência oficial. Desta forma o valor de R$ 3.602,77 será objeto de glosa por esta Fiscalização no anocalendário de 2004. • DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA CAIXA DE PREVIDÊNCIA DO BANCO DO BRASIL CNPJ n° 33.754.482/000124 A contribuinte pleiteou dedução a titulo de despesas com previdência privada nos anoscalendário de 2003 e 2004 no valor de R$ 2.664,95 e R$ 8.491,84, porém, conforme descrito nos itens 4 e 5 acima, a contribuinte não apresentou nenhum documento que pudesse comprovar os pagamentos efetuados. Desta forma os valores de R$ 2.664,95 e R$ 8.491,84 referentes aos anoscalendário de 2003 e 2004, serão objeto de glosa por esta Fiscalização. • DESPESAS COM DEPENDENTES LUCAS GONÇALVES MESQUITA CPF n° 223.547.22818 A contribuinte pleiteou dedução a titulo de despesas com dependente, o filho acima identificado, no valor de R$ 1.272,00 em cada um dos anos sob fiscalização, ou seja, anoscalendário 2003 e 2004. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, constatamos que Lucas Gonçalves Mesquita efetuou entrega em Fl. 393DF CARF MF Processo nº 15956.000119/200826 Acórdão n.º 2003000.064 S2C0T3 Fl. 392 3 separado de Declaração de Ajuste Anual Simplificada nos dois anoscalendário, documentos sob número 08/29.700.753 e 08/19.429.112, manifestando desta forma, a sua independência com relação a sua mãe (fls. 45/46). Desta forma o valor de R$ 1.272,00 em cada um dos anos calendário 2003 e 2004, serão objeto de glosa por esta Fiscalização. ALISSA GONÇALVES MESQUITA CPF no 331.219.71808 A contribuinte pleiteou dedução a titulo de despesas com dependente, sua filha acima. identificada, nos anoscalendário de 2003 e 2004 no valor de R$ 1.272,00 em cada ano sob fiscalização. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, constatamos que Alissa Gonçalves Mesquita efetuou entrega em separado de Declaração de Ajuste Anual Simplificada nos dois anoscalendário, documentos sob número 08/27.504.659 e 08/11.740.019, manifestando desta forma, sua independência com relação a sua mãe (fls. 47/48). Desta forma o valor de R$ 1.272,00 em cada um dos anos calendário 2003 e 2004, serão objeto de glosa por esta Fiscalização. SANTINHA ELIZA SERAFIM GONÇALVES CPF no 163.968.19813 e HÉLIO ZEFERINO GONÇALVES CPF no 133.189.18849 A contribuinte pleiteou dedução a titulo de despesas com dependentes, sob código de dependente n° 31, o que nos faz supor que sejam seus pais, porém não apresentou nenhum documento que comprovasse efetivamente essa reação de parentesco, conforme descrito nos itens 4 e 5 acima. Desta forma o valor de R$ 2.544,00 em cada um dos anos calendário 2003 e 2004, serão objeto de glosa por esta Fiscalização. • DESPESAS COM INSTRUÇÃO FACULDADE SÃO LUIZ — CNPJ no 45.337.425/000129 — Nas Declarações de Ajuste Anual — Exercício 2004 e 2005, anoscalendário de 2003 e 2004 a contribuinte declarou ter efetuado pagamentos para sua própria formação, no valor de R$ 2.980,00 e R$ 3.300,00, respectivamente anoscalendário de 2003 e 2004, pleiteando dedução a titulo de despesas com instrução até o limite individual de R$ 1.998,00 em cada ano sob fiscalização. De acordo com o descrito nos itens 4 e 5 acima, a contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse efetivamente os pagamentos efetuados. Desta forma o valor de R$ 1.998,00 em cada um dos anos calendário 2003 e 2004, serão objeto de glosa por esta Fiscalização. Fl. 394DF CARF MF 4 ASSOCIAÇÃO DE ENSINO DE RIBEIRÃO PRETO UNAERP CNP n° 55.983.670/000167 Nas Declarações de Ajuste Anual Exercício 2004 e 2005, anoscalendário de 2003 e 2004 a contribuinte declarou ter efetuado pagamentos para a formação escolar de seus filhos Lucas Gonçalves Mesquita e Alissa Gonçalves Mesquita, no valor de R$ 19.920,00 e R$13.500,00, respectivamente anoscalendário de 2003 e 2004, pleiteando deduções a titulo de despesas com instrução até o limite individual de R$ 1.998,00 em cada ano sob fiscalização. De acordo com o descrito nos itens 4 e 5 acima, a contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse efetivamente os pagamentos efetuados, além de que Lucas Gonçalves Mesquita e Alissa Gonçalves Mesquita apresentaram entrega em separado de Declaração de Ajuste Anual Simplificada nos dois anoscalendário sob fiscalização. Desta forma o valor de R$ 3.996,00 em cada um dos anos calendário 2003 e 2004, serão objeto de glosa por esta Fiscalização. SOCIEDADE DIFUSORA DE ENSINO CNPJ n° 50.384.288/000113 Nas Declarações de Ajuste Anual Exercício 2004 e 2005, anoscalendário de 2003 e 2004 a contribuinte declarou ter efetuado pagamentos para formação escolar de seu cônjuge José Roberto Ferrano Mesquita, no valor de R$1.800,00 e R$ 4.200,00, respectivamente anoscalendário de 2003 el 2004, pleiteando dedução a titulo de despesas com instrução até o limite individual de R$ 1.998,00 em cada ano sob fiscalização. De acordo com o descrito nos itens 4 e 5 acima, a contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse efetivamente os pagamentos efetuados. Desta forma os valores de R$ 1.800,00 e R$ 1.998,00 respectivamente dos anoscalendário 2003 e 2004, serão objeto de glosa por esta Fiscalização. • DESPESAS MÉDICAS CARMEN SITTA PIZZOLATTO CPF no 068.757.40800 A contribuinte pleiteou deduções a titulo de despesas médicas no valor de R$ 1.600,00 e R$ 2.400,00, respectivamente nos anos calendário de 2003 e 2004 porém, de acordo com o descrito nos itens 4 e 5 acima, a contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o efetivo pagamento e a efetiva prestação dos serviços. Desta forma os valores de R$ 1.600,00 e R$ 2.400,00, respectivamente nos anoscalendário 2003 e 2004, serão objeto de glosa por esta Fiscalização. CESAR AUGUSTO GALHARDO CPF n° 399.372.83868 A contribuinte pleiteou dedução a titulo de despesas médicas no anocalendário de 2004 , no valor de R$ 675,00, porém, de acordo com o descrito nos itens 4 e 5 acima, a contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o efetivo pagamento e a efetiva prestação dos serviços. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 15956.000119/200826 Acórdão n.º 2003000.064 S2C0T3 Fl. 393 5 Desta forma o valor de R$ 675,00 será objeto de glosa por esta Fiscalização no anocalendário de 2004. MARIA JOSÉ CHIADE DE PAULA CPF n° 050.457.08899 A contribuinte pleiteou dedução a titulo de despesas médicas no anocalendário de 2004 no valor de R$ 4.200,00, porém, de acordo com o descrito nos itens 4 e 5 acima, a contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o efetivo pagamento e a efetiva prestação dos serviços. Desta forma o valor de R$.4.200,00,será objeto de glosa por esta Fiscalização no anocalendário de 2004. CAIXA DE ASSISTENC1A DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL CNPJ n° 33.754.482/000124 A contribuinte pleiteou dedução a título de despesas com plano de saúde nos anoscalendário de 2003 e 2004 no valor de R$ 1.381,01 e R$ 3.802,64, respectivamente nos anoscalendário 2003 e 2004, porém, de acordo com o descrito nos itens 4 e 5 acima, a contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o efetivo pagamento e a efetiva prestação dos serviços. Desta forma os valores de R$ 1.381,01 e R$ 3.802,64, respectivamente dos anoscalendário 2003 e 2004, serão objeto de glosa por esta Fiscalização. CAIXA DE PECÚLIOS CNPJ n° 33.754.482/000124 A contribuinte pleiteou dedução a titulo de despesas médicas no anocalendário de 2003 no valor de R$ 723,12, porém, de acordo com o descrito nos itens 4 e 5 acima, a contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o efetivo pagamento e a efetiva prestação dos serviços. Cabe ressaltar que pairam dúvidas sobre a efetiva dedutibilidade desta despesa, por que embora enquadrado como sendo despesa médica, smj, esses pagamentos normalmente referemse a pagamentos de prêmios de seguros. Desta forma o valor de R$ 723,12 será objeto de glosa por esta Fiscaliza do no anocalendário de 2003. PARTICIPAÇÕES DE CONSULTAS CNPJ n° 33.754.482/000124 A contribuinte pleiteou dedução a titulo de despesas médicas, na parcela referente a sua participação nos pagamentos de consultas médicas nos anoscalendário de 2003 e 2004 no valor de R$ 158,10 e R$ 2161,90, respectivamente nos anoscalendário de 2003 e 2004, porem, de acordo o descrito nos itens 4 e 5 acima, a contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o efetivo pagamento e a efetiva prestação dos serviços. Desta forma os valores de R$ 158,10 e R$ 216,90, respectivamente dos nos calendário 2003 e 2004, serão objeto de glosa por esta Fiscalização. Fl. 396DF CARF MF 6 IRMANDADE DE MISERICÓRDIA DE JABOTICABAL CNPJ n° 56.896.368/000134 A contribuinte pleiteou dedução a titulo de Assistência Medica Hospitalar/Saúde, no valor de R$ 6.450,00 e R$ 7.300,00, respectivamente nos anoscalendário de 2003 e 2004, porem, de acordo com o descrito nos itens 4 e ,5 acima,, a contribuinte não apresentou nenhum documento que comprovasse o efetivo pagamento e a efetiva prestação dos serviços. Em 07/12/05 dentro da ação fiscal denominada Operação Santa Casa, a instituição em questão foi intimada a comprovar a efetiva prestação de serviços a uma listagem apresentada por esta Fiscalização (fls. 24/25). Em correspondência protocolada junto a Fiscalização em 05/01/2006 a Irmandade de Misericórdia de Jaboticabal apresentou uma listagem onde constam aqueles aos quais prestou serviços ou não, e em caso positivo se o atendimento foi particular ou convênio medico. Por uma questão de SIGILO FISCAL esta Fiscalização destacou somente a parte o correspondente aos dados da contribuinte, onde constatase que a instituição nega ter prestado serviços à mesma (fls. 26 e 30). Procedimento idêntico foi adotado para os valores referentes ao anocalendário de 2004 (fls. 27/29). Desta forma os valores de R$ 6.450,00 e R$ 7.300,00, respectivamente nos anoscalendário de 2003 e 2004 serão objetos de glosa por esta Fiscalização. Nos casos em que restou comprovado o "evidente intuito de fraude" (despesas médicas), nos termos da Lei 4.502/64 (artigos 71 a 73), esta Fiscalização efetuará o lançamento do imposto com a multa de oficio qualificada de 150% (Lei n°8.218/91, art. 4°. e Lei n°9.430/96, art. 44). Fl. 397DF CARF MF Processo nº 15956.000119/200826 Acórdão n.º 2003000.064 S2C0T3 Fl. 394 7 Impugnação Inconformado com a autuação da qual tomou ciência em 20.05.2008 (fl. 130), o contribuinte apresentou impugnação em 19.06.2008 (fls. 134 a 152) alegando em síntese: 2 DO MER1TO: 2.1 DA IMPUGNAÇÃO PARCIAL AO CREDITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO DE 2.003 EXERCÍCIO DE 2.004 PREVIDÊNCIA PRIVADA R.$ 2.664,95 O doc. no 01, anexo, destaca o valor de R.$ 2.664,95 deduzido dos rendimentos percebidos da CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL a titulo de CONTRIBUIÇÃO Á PREVIDÊNCIA PRIVADA FAPI, caracterizando, assim, a legalidade da dedução. DEPENDENTES R.$ 2.544,00 Entende a impugnante que seus dois filhos, são efetivamente seus dependentes econômicos, destarte terem apresentado DIRPF's em separado. Ressaltese que ambas declarações foram apresentadas sem quaisquer valores relativos a rendimentos, servindo, única e somente para manter ativas e regulares suas inscrições no Cadastro de Pessoas Físicas junto a Secretaria da Receita Federal. Ainda que ocorra a entrega de declaração de I.R.P.F por parte de dependentes financeiros, única e exclusivamente com o intuito de manter os CPF's regulares, não pode e não DEVEM SER excluídos da dependência materna, vez que se comprova através de documentos a impossibilidade daqueles de se manterem sem a dependência econômica de sua genitora. Dai o nascedouro da dependência, não sendo simplesmente pelo caráter sanguíneo/afetivo, mas solidificado na própria existência dos dependentes, que sem a dependência financeira daquela, jamais ingressariam e concluiriam curso universitário. Assim, exclusivamente por ser de pleno direito, necessário e de rigor a inclusão dos Filhos Lucas Gonçalves Mesquita (17/12/1991) e de Alissa Gonçalves Mesquita (21/09/1984) como dependentes da Contribuinte recorrente Eva Maria Gonçalves Mesquita. Tanto é correta a assertiva, que o próprio fisco, ao constatar tal equivoco, na Declaração do Ano calendário 2007/Exercício 2008, ajustou o programa do IRPF para que uma vez declarada a dependência, o dito dependente não consegue fazer declaração em separado, e viceversa, caso ocorresse a declaração dos filhos, seus pais não conseguiriam inserilos como dependentes. Ainda há de se aplicar, mesmo que retroativamente, em benefícios da contribuinte os efeitos desta alteração, até porque deve ser considerado os efeitos da anterioridade das declarações, visto que a contribuinte declarouos como dependentes anteriormente as suas declarações. Juntando á presente, copias das DIRPF"s de seus dois dependentes filhos, Fl. 398DF CARF MF 8 (docs. 02 e 03), bem como as duas copias de suas certidões de nascimentos, (does. 04 e 05), a glosa do valor de R.$ 2.544,00 considerada pelo Fisco, deve ser afastada. INSTRUÇÃO R.$ 7.794,00 Os documentos de nos. 06/6A e 07/7A, atestam os pagamentos no ano calendário de 2.003 de mensalidades devidas A UNAERP UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETO relativos aos cursos de Direito e Nutrição realizados por LUCAS GONÇALVES MESQUITA e ALISSA GONÇALVES MESQUITA, filhos e dependentes financeiros da recorrente. Dessa forma, o valor de R.$ 3.996,00 deve ser dedutível, glosandose e levandose à tributação a diferença R.$ 3.398,00. (grifei) MÉDICAS R$ 10.312,23 Deste valor de R.$ 10.312,23, deverá ser destacada e considerada como dedutível as seguintes despesas: a) R.$ 1.381,01 destacada no doc. no. 01, correspondente a pagamento de Plano de Saúde Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil S/A, e b) R.$ 158,10, também destacada no doc. no. 01, correspondente à pagamento de PARTICIPAÇÃO EM CONSULTAS à Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil S/A. Temse, assim, que a diferença de R.$ 8.773,12, deve ser glosada e levada à tributação.(grifei) Por resumo, denotase, que daquele valor inicialmente levantado e glosado pelo Fisco de R.$ 23.315,18, apenas R.$ 12.571,12 deve ser considerado tributável, porquanto as deduções no importe de R.$ 10.744,06, encontramse legalmente comprovadas pelos esclarecimentos e documentos agora trazidos à baila. A recorrente simulou Declaração de Renda do Ano Calendário de 2.003, como se retificadora fosse, (doc. no 08), e concluiu, com as inserções e exclusões devidas, ser devedora aos cofres da União da quantia de R.$ 1.855,55 que, acrescida da importância de R.$ 1.110,00 indevidamente restituída, atinge o Imposto Devido de R.$ 2.965,55. 2.2. DA IMPUGNAÇÃO PARCIAL AO CREDITO TRIBUTÁRIO ANO CALENDÁRIO DE 2.004 EXERCÍCIO DE 2005. PREVIDÊNCIA OFICIAL R.$ 3.602,77 A glosa de R.$ 3.451,86 é totalmente procedente, haja vista tratarse despesa dedutível a titulo de PREVIDÊNCIA PRIVADA, e não PREVIDÊNCIA OFICIAL constada erroneamente na declaração apresentada. Ver documento de no. 09.(grifei) Já a glosa de R.$ 150,91, por tratarse efetivamente de despesa dedutível a titulo de PREVIDÊNCIA OFICIAL, deve ser Fl. 399DF CARF MF Processo nº 15956.000119/200826 Acórdão n.º 2003000.064 S2C0T3 Fl. 395 9 realmente abatida da renda da recorrente para efeito de tributação. Ver documento de n° 10. PREVIDÊNCIA PRIVADA R.$ 8.491,84 Os documentos de nos. 09 e 10, emitidos respectivamente pelas Fontes Pagadoras CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL S/A. e BANCO DO BRASIL S/A., comprovam cristalinamente os valores de R.$ 3.451,86 e R.$ 5.039,98, descontados da recorrente a titulo de PREVIDÊNCIA PRIVADA, constituindose assim despesa devidamente comprovada para abatimento da sua renda tributável. INSTRUÇÃO R.$ 7.992,00 Desprovida de documentação probante a glosa no importe de R.$ 3.996,00, relativa a valores informados como pagos a FACULDADE SÃO LUIZ e SOCIEDADE DIFUSORA DE ENSINO, devem efetivamente ser levada tributação.(grifei) Por outro lado, os documentos de n°s. 1414A e 1515A, atestam os efetivos pagamentos realizados à ASSOCIAÇÃO DE ENSINO DE RIBEIRÃO PRETO SP, relativos às mensalidades dos Cursos de Direito e Nutrição freqüentados pelos dois filhos dependentes da recorrente. Dai a legalidade do abatimento da receita bruta tributável do valor de R.$ 3.996,00. DESPESAS MÉDICAS R.$ 18.594,54 Deste valor de R.$ 18.594,54, deverá ser destacada e considerada como dedutível as seguintes despesas: a)R.$ 1.716,64 destacada no documento de no 09, correspondente a pagamento de Plano de Saúde à Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil S/A., b) R.$ R.$ 216,90 também destacada no documento de no 09, correspondente a pagamento de PARTICIPAÇÃO EM CONSULTAS à Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil S/A., e c)R.$ 2.086,55, constante do documento de no 10, tida corno pagamento de Plano de Saúde à Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil S/A. Dessa forma, simulando Declaração de Renda do Ano Calendário de 2.004, (doc. n° 16), como se retificadora fosse, com as inclusões e exclusões devidas, ou seja, mantendo os abatimentos relacionados aos documentos considerados probantes e excluindo aqueles irregulares, a impugnante concluiu ostentar IMPOSTO A RESTITUIR da ordem de R.$ 18.851,43, que, com o abatimento de R.$ 5.016,90 já lhe restituído, (doc. no 17), ainda lhe remanesce saldo credor de R.$ 13.834,53. Fl. 400DF CARF MF 10 Após a revisão, a impugnante teve a ser favor restituição de R.$ 5.016,90, exsurgindo, assim, diferença de R.$ 20.589,07 em relação ao declarado, que por indícios, já que ignorase o procedimento adotado para a revisão, deve ser resultado da glosa dos dois pagamentos realizados aos advogados ANTONIO LUIZ FERNANDES LIMA CPF 315.902.50125 e JULIA CAMPOY FERNANDES CPF 064.426.12856, respectivamente de R.$ 37.870,00 e R.$ 37.000,00, devida e regularmente declarados sob o CÓDIGO 19 — do campo PAGAMENTO E DOAÇÕES EFETUADOS. Ora, não pode o Fisco, penalizar a Impugnante com redução de Imposto a Restituir , glosando indevidamente valores tidos como legalmente admitidos para abatimentos de valores recebidos, originários de AÇÃO TRABALHISTA. Necessário e de rigor que o trabalho Fiscal seja RE RATIFICADO, não só para ajustar o crédito tributário ao seu efetivo valor, ou seja, com as inclusões dos abatimentos dos valores relativos As despesas realmente dedutíveis e indevidamente glosadas, mas, fundamentalmente, que aqueles dois pagamentos acima mencionados, tidos como despesas dedutíveis a titulo de PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS, também sejam considerados como legalmente abatidos do valor de R.$ 364.457,29, percebidos do Banco do Brasil S/A. via Processo Judicial 121/1999, cujo tramite deuse perante a Primeira Vara do Trabalho de Jaboticabal. O doc. de n° 18, corresponde à GUIA DE RETIRADA JUDICIAL no valor de R.$ 378.726,92, sendo certo que a Impugnante promoveu o levantamento de R.$ 276.917,10, conforme se vê da autenticação bancária do próprio Banco do Brasil S/A., datada de 01.12.2004. obvio que a diferença entre o valor depositado e levantado esta atrelado a descontos tributários, além da CPMF e despesas e custas processuais. Deste valor de R.$ 276.917,10, efetivamente recebido, a impugnante promoveu no mesmo dia 01.12.2004, os seguintes pagamentos: A) Deposito em dinheiro na C/C 62960, Agência 00280 do Banco do Brasil S/A., a favor de JULIA CAMPOY FERNANDES no valor de R.$ 37.000,00; B) TED para crédito da conta corrente n° 475.839 — Banco 104 Agência 2681, de ANTONIO LUIZ FERNANDES LIMA, no valor de R.$ 33.870,00 C) R.$ 4.000,00 entregue em dinheiro para o advogado ANTONIO LUIZ FERNANDES LIMA, perfazendo, assim, o total de R.$ 74.870,00 pagos a Titulo de Honorários Advocaticios, cujo calculo teve por base o valor de R.$ 374.350,00 com aplicação do percentual previamente convencionado de 20%. Do valor efetivamente recebido, deduzindose os honorários pagos, o saldo remanescente de R.$ 202.917,10, foi depositado na conta corrente da impugnante. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 15956.000119/200826 Acórdão n.º 2003000.064 S2C0T3 Fl. 396 11 O documento de no 19 , cuja cópia já se encontra em poder do Fisco, comprovam toda a movimentação bancária acima sem quaisquer traumas a considerar. Dessa forma, aguarda serenamente o cancelamento do Auto de Infração lavrado, ou sua RERATIFICAÇÃO nos termos da impugnação ora apresentada. Acórdão de Primeira Instância A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP2) julgou o lançamento procedente em parte (fls. 307 a 321), ementa reproduzida a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 GLOSA DE DEDUÇÕES DA BASE E CALCULO COM DEPENDENTES, CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL E PRIVADA, COM INSTRUÇÃO, DE DESPESAS MÉDICAS. Só se admitem as deduções de base de cálculo que atendam as condições dispostas no artigo 8° da Lei 9.250/95. A glosa da dedução de contribuição com a Previdência Oficial e Privada deve ser revertida assim como a glosa da dedução com os dependentes comprovados. Não se deve acatar as despesas médicas e com instrução não devidamente comprovadas com os dependentes passíveis de dedução. Lançamento Procedente em Parte Segue também a transcrição da conclusão do voto do relator: CONCLUSÃO Antes de apresentar novo quadro elaborado com base nas afirmações acima convém considerar que os valores relativos a pagamentos de honorários advocatícios não foram objeto da autuação ora examinada, motivo pelo qual não se encontram insertos neste julgamento. Como o Impugnante não contestou o percentual de multa, temse como definitivo, respeitado o artigo 44, incisos e parágrafos da Lei 9.430/96. Desta forma, temos os seguintes ajustes a fazer no lançamento da Autoridade Fiscal, em razão da impugnação apresentada: Fl. 402DF CARF MF 12 Recurso Voluntário Cientificada dessa decisão em 25/02/2009 (fl.331), a contribuinte interpôs em 25/03/2009 Recurso Voluntário (fls. 333 a 343), no qual apresenta as seguintes alegações: 2. DO DIREITO Conforme já deixou declinado na impugnação apresentada a contribuinte entende que o crédito remanescente exigido não.pode prosperar tendo em vista o que estabelece o RIR em relação aos dependentes da Contribuinte. A nobre relatora ao discorrer sobre a glosa dos dependentes da Contribuinte, Os filhos Lucas G. Mesquita e Alissa Gonçalves Mesquita, não obedeceu ao disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR1999, que determina a possibilidade de serem considerados dependentes nos termos dos incisos III e § 20 do artigo 77. Desta forma a dependência estabelecida na lei 9.250/95 e posteriores alterações, não está atrelada ao fato de o filho ou filha, apresentar DIRF;separadamente, inexistindo determinação legal para que não sejam declarados dependentes economicamente de sua genitora. Ademais, o Fisco ao receber a DIRF da contribuinte com todas as informações relativas aos pagamentos comprovados de Ensino Superiores cursado por seus dependentes e efetivamente pagos pela contribuinte, não atentou para a capacidade financeira daqueles, pois conforme declaração de Renda por eles apresentadas, concluise que os mesmos são incapazes de realizar os pagamentos das despesas com instrução, alimentação e as demais inerentes a sobrevivência digna, sem que para isso tenha a sua genitora suportado todo o ônus, e que de forma transparente e lisa demonstrou claramente ao fisco. Deve ser reestabelecida à dedução dos filhos da Contribuinte por serem dependentes econômicos e ter a mesma despesa com a instrução de ambos e em ambos os anos calendários 2003 e 2004;'O que desde já se requer. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 15956.000119/200826 Acórdão n.º 2003000.064 S2C0T3 Fl. 397 13 Por outro lado, embora não fosse matéria de discussão no A.I no. 0810900100866107 os pagamentos dedutíveis, realizados a profissionais da Área Jurídica, pagamentos estes realizados em virtude de Ação Trabalhista de Feito n°. 121199902901500 0, que a contribuinte promoveu contra o Banco do Brasil S/A, que culminou com o pagamento aos profissionais Sr. Antonio Luiz Fernandes Lima e Juliz Campoy Fernandes, respectivamente de R.$ 37.870,00 e R.$ 37.000,00, devidamente declarado no campo pagamento e doações efetuados, não pode ser extirpado . da analise de competente Conselho, o que redundará em crédito a favor da contribuinte. Não se pode admitir que o fisco ao realizar tão minuciosa analise das DIRF's (2003/2004) da contribuinte, não se prestou a efetivamente darlhe o credito devido, ainda que exonerados os valores glosados. Ao negar ao contribuinte analise do pedido de ajuste na DIRF' relativos As despesas dedutíveis dos pagamentos de honorários advocatícios, não esta o fisco a agir com isonomia, aplicase para o caso a disparidade na suas decisões, buscando somente aquilo que lhe de interesse, agindo de forma a prejudicar direito liquido e certo do contribuinte em apreço. Com a conduta da relatora, eximindose de analisar os valores relativos aos pagamentos de honorários advocatícios, por entender que Os mesmos não foram objetos da autuação, equivocase, pois conforme já declinado em tópico da peça de Impugnação, após revisão da declaração do ano calendário 2004, a contribuinte teve a seu favor o valor a restituir de R$ 5.016,90, em substituição ao valor de R.$ 25.605,97 inicialmente declarado, que por simples dedução está atrelado a glosa dos pagamentos realizados aos profissionais da Área Jurídica. Neste caso oportuno juntar cópia do Mandado de Procedimento Fiscal no 081900200800179/8 e M.P.F.D no. 08100900200900323 que pede informações acerca do pagamento realizado para o Dr. Antonio Luiz França de Lima. (DOC 1). "Ad argumentandum tantum", respeitandose a introdução dos dependentes conforme explicitado acima, elaboramos DIRF's dos anoscalendários 2003 c 2004 nos exatos termos da R. Decisão de Primeira Instancia como se retificadora fosse (doc. anexos), o que resultou no valor de R.$ 3.654,03 de Imposto a Pagar no Ano Calendário de 2003 e R.$ 17.177,63 de Imposto a Restituir no AnoCalendário de 2004. Esclarecemos que o Fisco deve atender de forma totalitária e objetiva à ratificação do auto de infração, ou seja, glosou aquilo que entendeu ser devido, porém não considerou aquilo que é um direito da contribuinte, usando 2 (dois) pesos e duas medidas, o que não podemos admitir. Em resumo, significa dizer que se aproveitado os valores pagos a titulo de honorários advocatícios, a contribuinte ora recorrente, ostentará s.m.j, quantia razoável a seu favor, ainda que não se atenda o pedido de inclusão dos dependentes filhos e gastos com instrução destes. Fl. 404DF CARF MF 14 Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminares Não há argüição de qualquer preliminar. Mérito Conforme descrito anteriormente, a recorrente pede em seu recurso o restabelecimento da dedução com dependentes e dedução dos honorários advocatícios pagos em decorrência de rendimentos tributáveis recebidos em ação trabalhista. Dependentes Conforme já deixou declinado na impugnação apresentada, a recorrente pugna pela improcedência da a glosa dos dependentes Lucas G. Mesquita e Alissa Gonçalves Mesquita, seus filhos, pela aplicação do disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR1999, incisos III e § 2o do artigo 77. Alega, ainda, que a dependência estabelecida na lei 9.250/95 e posteriores alterações, não está atrelada ao fato de o filho ou filha, apresentar DIRPF; separadamente, inexistindo determinação legal para que não sejam declarados dependentes economicamente de sua genitora. Para elucidar o assunto, trago aqui questionamentos respondidos no Manual de Perguntas e Respostas do Programa de Declaração de Imposto de Renda 2004: DEPENDENTES 311 Quem pode ser dependente de acordo com a legislação tributária? Podem ser dependentes, para efeito do imposto de renda: (...) 2 filho(a) ou enteado(a), até 21 anos de idade, ou, em qualquer idade, quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; Fl. 405DF CARF MF Processo nº 15956.000119/200826 Acórdão n.º 2003000.064 S2C0T3 Fl. 398 15 3 filho(a) ou enteado(a) universitário ou cursando escola técnica de segundo grau, até 24 anos; (...) Atenção: O fato de os dependentes receberem no anocalendário rendimentos tributáveis ou não, não descaracteriza essa condição, desde que tais rendimentos sejam somados aos do declarante. (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35; RIR/1999, art. 77, § 1º; IN SRF nº 15, de 2001, art. 38). DEPENDÊNCIA DURANTE PARTE DO ANO 319 O contribuinte que passa a ter rendimentos próprios no curso do anocalendário e que apresenta declaração em separado pode ser dependente em outra declaração nesse mesmo ano? Não. Exceto quando a relação de dependência iniciar ou terminar durante o anocalendário (ex.: filho que completa 25 anos e passa a declarar), caso em que a pessoa física pode, simultaneamente, constar como dependente em uma declaração e apresentar declaração em separado.(grifei) Ressaltese que os rendimentos e despesas devem ser declarados pelo valor correspondente ao período de dependência, com exceção do valor de dependente, que pode ser deduzido pelo valor total (R$ 1.272,00). Observese que o cônjuge ou companheiro que passou a ter rendimentos próprios no curso do anocalendário e que apresenta declaração em separado não pode constar como dependente na declaração apresentada pelo outro cônjuge ou companheiro. CÔNJUGE E FILHOS MENORES SÓCIOS DE EMPRESA 084 Cônjuge e filhos menores que são sócios de empresa podem apresentar a declaração de rendimentos em conjunto, ou, sem apresentála, ficar na condição de dependentes do declarante? Sim. O contribuinte casado apresenta declaração em separado ou, opcionalmente, em conjunto. O filho menor, sócio ou quotista, pode ser dependente de um dos pais, desde que preencha os requisitos para tal. No caso de declaração em conjunto, os rendimentos de filho ou cônjuge devem ser somados aos do declarante para efeito de ajuste na declaração anual. A declaração em conjunto supre a obrigatoriedade da apresentação da declaração a que porventura estiverem sujeitos o cônjuge ou filhos. Fl. 406DF CARF MF 16 As regras do Imposto de Renda possibilitam a dedução de uma quantia anual por dependente informado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda. Pela legislação, um dependente não pode constar em mais de uma declaração, salvo em algumas situações específicas: no ano em que o filho perde a condição de dependente ou no caso de divórcio no anocalendário. Desta forma, conforme previsto na legislação do imposto de renda, a Pessoa Física se apresenta de duas formas perante o fisco: como declarante (individualmente ou em conjunto) ou como dependente, uma excluindo a outra possibilidade, não se admitindo que um mesmo contribuinte possa figurar nas duas condições. Desta forma, verificase que foi acertada a decisão de primeira instância, pois ainda que os filhos preencham os requisitos para serem considerados como dependentes, deixaram de sêlo ao optarem por fazer suas declarações em separado. Perderam a condição de dependentes e assumiram perante o fisco a condição de declarantes. Portanto devem ser mantidas as glosas de dedução de dependentes e das despesas com instrução e médicas a eles correlacionadas. Honorários Advocatícios Aduz a recorrente que, embora não fosse matéria de discussão no Auto de Infração em questão, os pagamentos dedutíveis, realizados a profissionais da área Jurídica, realizados em virtude de ação trabalhista que a contribuinte promoveu contra o Banco do Brasil S/A, devidamente declarados no campo pagamento e doações efetuados, não podem ser extirpados da analise deste Conselho, o que redundaria em crédito a favor da contribuinte. Em que pese tal assunto não ter sido objeto do lançamento em discussão, cumpre prestar os esclarecimentos a seguir, a fim de não restarem mais dúvidas quanto ao assunto. Sobre questão, o art. 12 da Lei nº 7.713/1998 e o parágrafo único do art. 56 do RIR/1999, preceituam: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização.(grifei) Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único.Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Cumpre trazer também o disposto no Manual de Perguntas e Respostas do IRPF 2004: ADVOGADOS E DESPESAS JUDICIAIS Fl. 407DF CARF MF Processo nº 15956.000119/200826 Acórdão n.º 2003000.064 S2C0T3 Fl. 399 17 404 Gastos com advogados e despesas judiciais podem ser diminuídos dos valores recebidos em decorrência de ação judicial? As despesas judiciais podem ser diminuídos dos rendimentos tributáveis, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, desde que não sejam ressarcidas ou indenizadas sob qualquer forma. Da mesma maneira, os gastos efetuados anteriormente ao recebimento dos rendimentos podem ser diminuídos quando do recebimento dos rendimentos.(grifei) Os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte devem ser proporcionalizados conforme a natureza dos rendimentos recebidos em ação judicial, isto é, entre os rendimentos tributáveis, os sujeitos a tributação exclusiva e os isentos e não tributáveis. O contribuinte deve informar como rendimento tributável o valor recebido, já diminuído do valor pago ao advogado, independentemente do modelo de formulário utilizado.(grifei) Caso utilize a Declaração de Ajuste Anual no modelo completo, deve preencher a Relação de Pagamentos e Doações Efetuados, informando o nome, o número de inscrição no CPF e o valor pago ao beneficiário do pagamento (ex: advogado).(grifei) (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12; RIR/1999, art. 56, parágrafo único) Da leitura dos dispositivos supra citados podemos concluir que os gastos com advogados e despesas judiciais podem ser diminuídos dos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em decorrência de ação judicial, desde que não sejam ressarcidos ou indenizadas sob qualquer forma. O contribuinte deve informar como rendimento tributável o valor recebido já diminuído do valor pago ao advogado, independentemente do modelo de formulário utilizado e deve preencher a Relação de Pagamentos e Doações Efetuados, informando o nome, o número de inscrição no CPF e o valor pago ao beneficiário do pagamento (ex: advogado), caso opte pelo modelo completo. Compulsando os autos à fl. 235 identificamos que a recorrente recebeu rendimento tributável referente à ação trabalhista no valor de R$ 364.457,29. Fl. 408DF CARF MF 18 Examinando os comprovantes bancários apresentados fl. 279, constatase que houve pagamento de honorários advocatícios no valor de R$ 74.870,00. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 15956.000119/200826 Acórdão n.º 2003000.064 S2C0T3 Fl. 400 19 Analisando a DIRPF anocalendário 2004 (fl. 33), verificase que foi declarado o rendimento tributável recebido acumuladamente por meio da ação trabalhista já deduzido dos honorários advocatícios pagos, ou seja R$ 289.587,29 (=R$364.457,29 R$74.870,00), conforme preceitua a legislação. Na mesma declaração constam dos Pagamentos e Doações Efetuados os honorários advocatícios no valor de R$ 74.870,00 "código 19", que para efeitos de cálculo do imposto, já foram deduzidos do rendimento tributável declarado, não constando, portanto, no somatório das deduções do resumo da declaração, pois caso o fosse, seria considerado duas vezes como dedução. Fl. 410DF CARF MF 20 No Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração (fl. 19), verificase que o auditor utilizou em seu cálculo a mesma base informada na DIRPF, no valor de R$ 301.267,04, que corresponde à soma dos rendimentos tributáveis subtraída das deduções legais (R$ 346.308,19 R$ 45.041,15). Percebase, que nela já estão deduzidos os honorários advocatícios como bem explicitado nos parágrafos antecedentes. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 15956.000119/200826 Acórdão n.º 2003000.064 S2C0T3 Fl. 401 21 Desta forma, não merece guarida a alegação de que o auditor não utilizou em seu cálculo as deduções referentes aos honorários advocatícios, pois conforme muito bem demonstrado, este foi deduzido da base de cálculo informada pela própria contribuinte. Portanto, não há reparos a serem feitos ao cálculo apresentado pela autoridade fiscal. Tendo em vista que não foram apresentadas outras alegações, voto por manter os valores apurados na decisão de primeira instância, quais sejam: Fl. 412DF CARF MF 22 Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 413DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002481/2004-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA
RESSARCIMENTO PIS-PASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO.
A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo
confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do
campo abrangido pela tributação do imposto.
“IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE
PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito
presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos Intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à Relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada refere-se a “valor total” e não prevê qualquer Exclusão.
As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito Presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as Matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art.100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 3101-000.772
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; 2) desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de cooperativas; e 3) determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito.Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: Valdete Aparecida Marinheiro
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E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE/RS “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada refere se a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002481/200499 Acórdão n.º 3101 000772 S3C1T1 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; 2) desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de cooperativas; e 3) determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito.Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Tarásio Campelo Borges e Vanessa Albuquerque Valente. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Luiz Roberto Domingo. . Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 87 a 88 dos autos emanados da decisão DRJ/POA, por meio do voto do relator Carlos Alberto Donassolo, nos seguintes termos: “O estabelecimento acima qualificado formalizou pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI (CP), instituído pela Lei nº. 9.363, de 13 de dezembro de 1996, para se ressarcir das contribuições da Cofins e do PIS/PASEP, incidentes sobre as aquisições , no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, empregados na fabricação de produtos exportados durante o período de 01/10/2001 a 31/12/2001, no valor de R$ 35.037,71, conforme pedido de ressarcimento PER/DCOMP, de fls. 02 e 03. 1.1 A verificação prévia do pedido foi feita pela fiscalização que, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 09 e 10, concluiu que o requerente não teria direito ao ressarcimento pleiteado, em razão de que as exportações efetuadas pelo requerente são referentes a produtos classificados no código 7103.10.00 da TIPI, com a notação NT (não tributável) e, portanto, ditos produtos se encontram fora do campo de incidência do IPI, desatendendo a condição para a fruição do benefício fiscal, prevista no art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996, ou seja, de que o produto deve ser industrializado sujeito à incidência desse imposto. Não bastasse isso, prossegue o agente fiscal, a maior parte das matériasprima adquiridas são provenientes de pessoas físicas, que não sofreram o gravame das contribuições para o Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002481/200499 Acórdão n.º 3101 000772 S3C1T1 Fl. 3 3 PIS/PASEP e Cofins a que o benefício fiscal visa ressarcir e, dessa forma, essas aquisições também não dariam direito ao crédito presumido. 1.2 O Delegado da DRF/Passo Fundo, acolhendo a proposição da Fiscalização, indeferiu integralmente o pedido de ressarcimento, conforme teor do Despacho Decisório, de fls. 12. 2 Regularmente intimado do Despacho Decisório referido, mas discordando daquele entendimento, o requerente apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 17 a 32, alegando, em síntese, o que segue: a) que realiza uma operação de beneficiamento da pedra denominada “ametista”, caracterizada como sendo uma operação típica de industrialização, uma vez que a matéria prima adquirida (ametista) passa por todo um processo de tratamento/acabamento antes de ser comercializada, operação essa caracterizada como sendo de industrialização pelo Regulamento do IPI; b) que no caso da não admissão na base de cálculo das aquisições de insumos de pessoas físicas houve ofensa ao princípio da legalidade estrita, previsto no art. 150, I, da Constituição Federal/88, de forma que a fiscalização não poderia impor restrições na composição do cálculo com base em atos infralegais, posto que tanto o conceito insculpido na Lei nº 9.363, de 1996 quanto na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, estendem o benefício para toda a cadeia produtiva e não somente para a última etapa desta. Transcreve jurisprudência administrativa em apoio à sua tese; 2.1. Finaliza, requerendo a procedência de sua manifestação de inconformidade para que seja reformado o Despacho Decisório e que se defira integralmente o crédito presumido do IPI pleiteado, acrescido de juros pela taxa Selic, desde a protocolização do pedido.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1015.467 de fls. 86 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. Inexiste direito ao crédito presumido do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (nãotributado). IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Não se incluem na base de cálculo do benefício as aquisições de matérias primas de pessoas físicas, por não terem sofrido a incidência das contribuições para o PIS/PASEP e a Cofins. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002481/200499 Acórdão n.º 3101 000772 S3C1T1 Fl. 4 4 ABONO DE JUROS SELIC. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de correção monetária e de juros Selic, aos ressarcimentos de créditos do IPI. Solicitação Indeferida” Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls.95 a 111) onde faz as mesmas alegações antes apresentadas e finalmente requer: a) a reforma do acórdão recorrido, com escopo de que seja declarado o direito integral pleiteado, relativo ao crédito presumido do IPI; b) acrescido da respectiva correção monetária e, por conseguinte, homologada a compensação tributária levada a cabo pela Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cabe destacar que o motivo principal de controvérsia no presente processo se deve ao fato da fiscalização ter considerado que os produtos exportados pelo interessado estariam classificados na TIPI com a notação “NT” (nãotributado), ou seja, são produtos que não são considerados industrializados pela legislação do IPI e, portanto, sem direito ao crédito presumido do IPI. Nesse sentido, a decisão recorrida, analisou a classificação fiscal dos produtos exportados e concluiu “... que se tratam de produtos que se encontram fora do campo de incidência do IPI, ou seja, indicação típica de produtos que não são considerados industrializados pela legislação do IPI e, por essa razão, sem direito ao crédito presumido do IPI pela legislação que trata do benefício fiscal”. Assim, não obstante, demais considerações é importante lembrar que o IPI é um imposto seletivo em virtude da essencialidade do produto, e não cumulativo conforme artigo 153 § 3º da CF/88, logo, por imposição constitucional, o IPI deve ser seletivo, não cumulativo e não poderá incidir sobre produtos industrializados, destinados ao exterior. Esses são os limites mínimos a serem respeitados pelo legislador infraconstitucional. Verificase na TIPI, que inumeros produtos ficaram sem tributação, outros tantos, reduzidos à alíquota zero, outros, ainda, tiveram isenções decretadas por leis específicas. No caso concreto, como o produto exportado está na TIPI como produto não tributado, significa que o objeto encontrase fora do campo abrangido pela tributação, isto é, é Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002481/200499 Acórdão n.º 3101 000772 S3C1T1 Fl. 5 5 o fato de não estar contemplado na norma jurídica definidora do fato gerador da obrigação tributária. Acontece que o fato gerador do IPI é a industrialização e a lei definiu o que seja produto industrializado (artigo 46 do CTN e art. 3º da Lei nº 4.502/64). Assim, uma tabela aprovada por mero decreto ao promover enumeração de produtos não tributados, motivados tãosomente pelo caráter da seletização gradual do imposto, não pode implicar em alteração do fato gerador, a ponto de excluir os produtos não tributados do rol de produtos industrializados, abrangidos pela definição do fato gerador do IPI. Logo, produto classificado na TIPI como NT, não significa necessáriamente tratarse de produto não industrializado. Portanto, o relevante é que a Recorrente tenha exportado produtos industrializados, ainda que esses produtos estejam classificados na TIPI como NT, nada considerável, também, que seus insumos sejam classificados como NT, pois, não estamos tratando de créditos normais de IPI, mas um crédito pressumido, uma ficção, onde as bases para sua apuração estão contempladas pela Lei 9.363/96. Também, a Recorrente pretende ver incluído no seu pedido de ressarcimento crédito referente a aquisições de pessoas físicas e cooperativa e nesse sentido discordando da decisão recorrida, corroboro com o entendimento exposto pelo nosso Presidente Dr. Henrique Pinheiros Torres no Recurso nº 201116199 da CSRF – 2º Turma nos seguintes termos: “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” Diante do todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO determinando afastar a exclusão na receita bruta de exportação, os produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI, por estar afastados do campo de tributação, mas, não afastados do fato gerador do IPI; afastar a glosa dos créditos referentes a aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoa físicas e cooperativas e determinar o retorno do processo ao órgão julgador de primeira instância para análise dos demais pressupostos a garantir o crédito pleiteado. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002481/200499 Acórdão n.º 3101 000772 S3C1T1 Fl. 6 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10707.001219/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
NULIDADE DO ACÓRDÃO A QUO. INCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade do acórdão da DRJ quando este analisou todos os argumentos suscitados pelo contribuinte em impugnação.
NULIDADE DO INTERROGATÓRIO. INOCORRÊNCIA.
O depoimento prestado à autoridade fiscalizadora na fase inquisitorial do Procedimento Administrativo Fiscal é marcado pela informalidade. A presença de advogado é prescindível e não se admite a invocação do direito ao silêncio, eis que o contribuinte tem o dever de cooperar com as autoridades fiscais.
AUDITORES FISCAIS LOTADOS EM DRJ DISTINTA DO DOMICÍLIO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade de auto de infração quanto este é lavrado por auditores fiscais devidamente investidos no cargo, agindo nos limites de sua competência.
O fato de estarem lotados em DRJ distinta do domicílio fiscal do contribuinte não torna os auditores incompetentes para os atos praticados e não prejudica a defesa do contribuinte.
RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DOLO DO CONTADOR. INOPONIBILIDADE.
Uma vez que o contribuinte não outorgou ao contador poderes para praticar atos em seu nome, não pode se eximir do pagamento do crédito tributário sob a alegação de que o profissional agiu com excesso de poderes.
A responsabilidade pelas informações contidas nos documentos apresentados à Receita é exclusivamente do contribuinte, enquanto sujeito passivo da obrigação tributária, sendo inoponível à autoridade fazendária o fato de ter delegado a outrem o preenchimento de suas declarações retificadoras.
Quanto ao argumento de que não se beneficiou com a conduta ilegal do contador, tampouco merece prosperar, uma vez que os elementos de prova juntados aos autos sinalizam no sentido de que efetivamente recebeu as restituições decorrentes da inclusão de despesas fictícias em suas declarações retificadoras.
Numero da decisão: 2202-005.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Leonam Rocha de Medeiros, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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INCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do acórdão da DRJ quando este analisou todos os argumentos suscitados pelo contribuinte em impugnação. NULIDADE DO INTERROGATÓRIO. INOCORRÊNCIA. O depoimento prestado à autoridade fiscalizadora na fase inquisitorial do Procedimento Administrativo Fiscal é marcado pela informalidade. A presença de advogado é prescindível e não se admite a invocação do direito ao silêncio, eis que o contribuinte tem o dever de cooperar com as autoridades fiscais. AUDITORES FISCAIS LOTADOS EM DRJ DISTINTA DO DOMICÍLIO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade de auto de infração quanto este é lavrado por auditores fiscais devidamente investidos no cargo, agindo nos limites de sua competência. O fato de estarem lotados em DRJ distinta do domicílio fiscal do contribuinte não torna os auditores incompetentes para os atos praticados e não prejudica a defesa do contribuinte. RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DOLO DO CONTADOR. INOPONIBILIDADE. Uma vez que o contribuinte não outorgou ao contador poderes para praticar atos em seu nome, não pode se eximir do pagamento do crédito tributário sob a alegação de que o profissional agiu com “excesso de poderes”. A responsabilidade pelas informações contidas nos documentos apresentados à Receita é exclusivamente do contribuinte, enquanto sujeito passivo da obrigação tributária, sendo inoponível à autoridade fazendária o fato de ter delegado a outrem o preenchimento de suas declarações retificadoras. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 12 19 /2 00 8- 98 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10707.001219/200898 Acórdão n.º 2202005.015 S2C2T2 Fl. 168 2 Quanto ao argumento de que não se beneficiou com a “conduta ilegal do contador”, tampouco merece prosperar, uma vez que os elementos de prova juntados aos autos sinalizam no sentido de que efetivamente recebeu as restituições decorrentes da inclusão de despesas fictícias em suas declarações retificadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Leonam Rocha de Medeiros, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SÉRGIO GUIMARÃES contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJOII, que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve a cobrança dos valores consubstanciadas no auto de infração de f. 4/9, lavrado em razão da apuração das seguintes infrações: a) dedução indevida de dependentes; b) dedução indevida de despesas médicas; c) dedução indevida de despesas com instrução; e, d) dedução indevida com previdência privada/FAPI. Por bem sintetizar a querela, colaciono a ementa do acórdão da DRJ (f. 141/142): PRELIMINAR DE NULIDADE. TERMO DE INICIO DE AÇAO FISCAL. PRESENÇA DE ADVOGADO. O fato de o Interessado ter respondido ao Termo de Início de ação fiscal desacompanhado de advogado não toma nulo o procedimento fiscal. PRELIMINAR 'DE NULIDADE. NATUREZA DO TERMO DE INICIO DE FISCALIZAÇÃO. O Termo de Início de Fiscalização não formaliza nenhuma acusação ou restringe a liberdade do Contribuinte, apenas dá ciência do início da ação fiscal e solicita a apresentação de documentos comprobatórios das informações declaradas. PRELIMINAR DE NULIDADE; PORTARIA SRRF07 N° 74/2008. COMPETENCIA PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10707.001219/200898 Acórdão n.º 2202005.015 S2C2T2 Fl. 169 3 A Portaria SRRF07 n° 74, de 2008, ato administrativo de natureza interna corporis, não tem o condão de restringir ou alterar a competência legal para efetuar o lançamento do crédito tributário, não havendo que se cogitar de nulidade de auto de infração lavrado por AuditorFiscal não lotado na repartição do domicílio tributário do Contribuinte. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL. As deduções de dependentes, despesas médicas, com instrução, previdência privada e pensão judicial somente são permitidas quando preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. DECLARAÇÕES DE AJUSTE ANUAL. RESPONSABILIDADE PELO CONTEÚDO. A responsabilidade pelo conteúdo das declarações de ajuste anual apresentadas pertence exclusivamente ao Contribuinte, sujeito passivo de todas as obrigações tributárias decorrentes, mesmo que um terceiro tenha sido contratado para confeccionar e enviar as declarações. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência quando restar comprovado o intento doloso da Contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo a fim de se eximir da cobrança do imposto de renda. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. É vedada pela legislação a retificação de declaração para incluir novas deduções, depois de iniciado o procedimento de ofício. Lançamento Procedente Intimado do acórdão, o recorrente apresentou, em 03/03/2009, recurso voluntário (f. 154/162), sustentando: Preliminarmente I – Nulidade do acórdão recorrido: afirma que, além de não enfrentar em sua totalidade os argumentos apresentados em impugnação, julgou contra as evidências do auto de infração. II – Nulidade do interrogatório: aduz que o interrogatório a que fora submetido teria sido realizado “de surpresa” e sem a observância das formalidades legais prescritas pela CRFB/88 e pelo CPP. Diz que, ao contrário do que consta do acórdão, a sua declaração foi selecionada para fiscalização antes da entrega do termo de início de fiscalização, razão pela qual todo o interrogatório convergiu para seu relacionamento com o contador Paulo. Sustenta não constar dos autos os resultados das investigações realizadas contra o contador Paulo. Por fim, diz que o fato de ter comparecido ao interrogatório como acusado sem ter sido alertado de seus direitos constitucionais torna nulo o auto de infração. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10707.001219/200898 Acórdão n.º 2202005.015 S2C2T2 Fl. 170 4 III – Ausência de juntada da Portaria SRR07 nº 74: narra que a ausência da portaria nos autos o impede de averiguar se houve restrição ou alteração da competência dos auditores fiscais. Explica que a edição da Portaria avocando competência para a SRRF 7ª RF sem a necessária motivação implicou na recusa do domicílio fiscal eleito pelo recorrente, posto que este cumpriu suas obrigações no Rio de Janeiro, não em Niterói. IV – No mérito Responsabilidade pelo crédito tributário: assevera que, por força do art. 155 do CTN, o Sr. Paulo, contador, seria o único responsável pelo crédito tributário, uma vez que teria agido com excesso de poderes. Diz que as autoridades fazendárias falharam em provar ter o ora recorrente ordenado que fizesse o contador deduções inexistentes. Em síntese, arremata dizendo que não ficou demonstrado ter se beneficiado com a conduta ilegal do contador, pois não foram carreados elementos que demonstrem ter efetivamente recebido a restituição indevidamente pleiteada. Requereu o cancelamento da totalidade da exigência fiscal. Registro que o recorrente não renovou sua insurgência contra a multa de ofício qualificada, não pleiteou o restabelecimento das despesas com dependentes e com previdência privada, além de não ter requerido o cancelamento da linha “Deduções B. de Cálculo” do auto de infração – “vide” impugnação às f. 121/136. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. Preliminares I – Da nulidade do acórdão recorrido A lacônica alegação de que a decisão “a quo” é nula (f. 156), não merece prosperar. O acórdão da DRJ, ao contrário do sustentado pelo recorrente, analisou todos os pontos suscitados na impugnação, não havendo, pois, que se falar em cerceamento de defesa ou em supressão de instância. Rejeito a preliminar. II – Da nulidade do “interrogatório” O contribuinte aduz que o interrogatório a que fora submetido “(...) foi realizado de surpresa e sem a observância das formalidades legais prescritas pela Constituição Federal e o Código de Processo Penal” (f. 158). Acrescenta que, tendo “(...) comparecido ao interrogatório como acusado, sem ter sido alertado de seus direitos constitucionais (sendo certo que a própria fiscalização elaborou uma Representação Penal contra o recorrente), merece ser declarado nulo o auto de infração” (f. 158/159). Há de se ter em vista, contudo, que, conforme destacado pelo acórdão da DRJ, a fase inicial do procedimento administrativo tem caráter inquisitorial. Apenas após a Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10707.001219/200898 Acórdão n.º 2202005.015 S2C2T2 Fl. 171 5 formalização e consolidação do crédito tributário é que, de fato, tem início, a fase contenciosa, quando o contribuinte é instado a manifestarse. Não é excessivo rememorar que o Procedimento Administrativo Fiscal é pautado na informalidade, além de a própria legislação tributária determinar o dever de cooperação com as autoridades fiscais, do qual decorre, por exemplo, a obrigação de o contribuinte prestar, quando intimado, informações e esclarecimentos para as autoridades tributárias. Senão, vejase: DECRETO Nº 9.580, DE 22 DE NOVEMBRO DE 2018 Art. 971. As pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, ficam obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda no exercício de suas funções, hipótese em que as declarações serão tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, art. 197; e DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º). Art. 972. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou os esclarecimentos solicitados pelas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123; DecretoLei nº 1.718, de 1979, art. 2º; e Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, art. 197)1. A violação ao dever de cooperação atrai, inclusive, o agravamento da multa do art. 44, § 2º da Lei 9.430/1966: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; (...). Constatase, pois, que o contribuinte não pode se eximir de prestar esclarecimentos ou suscitar seu “direito ao silêncio”. Importante esclarecer, que o termo “interrogatório” foi utilizado de forma atécnica, eis que ultimada mera intimação do recorrente 1 Arts. 927 e 928 do RIR/1999. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10707.001219/200898 Acórdão n.º 2202005.015 S2C2T2 Fl. 172 6 para fornecer informações quanto aos valores constantes de suas declarações de ajuste, o que condiz com o dever de cooperação expresso nos dispositivos supramencionados. Frisese que o procedimento fiscal está voltado ao cumprimento da obrigação tributária e não se confunde com a esfera penal, na qual ocorrerá o interrogatório propriamente dito, em respeito às diretrizes previstas no CPP e na CRFB/88. No PAF, como não há imputação de ilícito penal, apenas de infrações tributárias, vige a informalidade. Por esse mesmo motivo, temse que a presença de advogado é dispensável tanto na fase inquisitorial quanto na fase contenciosa, podendo o contribuinte defenderse autonomamente. O verbete sumular de nº 5 do Pretório Excelso é aplicável, mutatis mutandis, ao caso concreto, porquanto dispõe que “a falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição.” Rejeito, por essas razões, a preliminar. III – Da carência de juntada da Portaria SRRF07 nº 74 e da suposta preterição do direito de defesa O recorrente alega que a Portaria SRRF07 nº 74 avocou competência para a SRRF 7ª RF sem a devida motivação, o que “implicou na recusa do domicílio fiscal eleito pelo recorrente, posto que este cumpriu suas obrigações no município do Rio de Janeiro e não em Niterói” (f. 159). Diz que “(...) a ausência do mencionado ato, além de caracterizar preterição do direito de defesa, não permit[iria] (...) tecer quaisquer considerações se a específica portaria restringiu ou alterou competência dos auditores fiscais” (f. 159). Há de se ter em vista, contudo, que o fato de os auditores fiscais responsáveis pela lavratura do auto de infração estarem lotados na DRJ de Niterói e não na DRJ do Rio de Janeiro não implica vício de lançamento. Nos termos art. 59 do Decreto 70.235/72, são nulos os “atos e termos lavrados por pessoa incompetente”. Todavia, segundo o art. 949 do RIR/18, os auditores fiscais são as autoridades competentes para a realização de procedimentos de fiscalização e para a constituição do crédito tributário, independentemente de onde estejam lotados: Art. 949: Compete, em caráter privativo, aos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda constituir, mediante lançamento, o crédito tributário relativamente ao imposto sobre a renda, executar procedimentos de fiscalização, com objetivo de verificar o cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, e praticar todos os atos definidos na legislação específica, inclusive os relativos à apreensão de livros, documentos e assemelhados (Lei nº 10.593, de 2002, art. 6º, caput, inciso I, alíneas “a” e “c”). Sendo assim, nos casos em que o auto é lavrado por auditor fiscal devidamente investido no cargo, agindo dentro de seus limites de competência, não há que se aventar qualquer vício ou, valendome das palavras do recorrente, “preterição do direito de defesa”. Do escrutínio do auto de infração (f. 15), observase ter sido devidamente assinado pelos auditores fiscais Rita de Cássia Pinel Vieira (matrícula de nº 64.287) e Ângelo Bil Ramos (matrícula de nº 15.497), o que afasta a tese suscitada pelo recorrente. Calha ressaltar que o fato de os auditores estarem lotados na DRJ de Niterói não trouxe qualquer prejuízo à defesa do recorrente, uma vez que ele recebeu todas as intimações em seu endereço e pôde apresentar documentos e prestar depoimento na cidade do Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10707.001219/200898 Acórdão n.º 2202005.015 S2C2T2 Fl. 173 7 Rio de Janeiro – “vide”, a título exemplificativo, os documentos de f. 36, 37, 71, 8283, 96, 98, 101. Por fim, o verbete sumular de nº 102 deste Conselho determina ser “válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo.” Ora, se o julgamento por DRJ distinta é valido, certo é que a lavratura do auto de fiscalização por auditores lotados em outra DRJ, sem qualquer prejuízo à prestação de esclarecimento por parte do contribuinte, também o é. Rejeito, com essas considerações, a preliminar. IV – Mérito: Da responsabilidade do contador Em suas razões, o recorrente argumenta que o responsável pelo crédito tributário é o contador Paulo, “não por conta de uma inexistente ‘convenção particular’, mas sim por força do art. 135, na medida em que restou sobejamente provado que o ‘contador Paulo’ agiu com excesso de poderes”. O art. 135, II do CTN, contudo, não se aplica ao caso. Conforme demonstrado pelo próprio recorrente, não houve convenção conferindo ao contabilista poderes para praticar atos em seu nome. No depoimento feito às autoridades fiscalizadoras, inclusive, o recorrente asseverou que “não deu procuração para o Paulo representálo” (f. 37). Ora, se o contador sequer teria sido contratado, por óbvio, não pode ter agido com excesso de poderes – de que sequer dispunha, frisese. Saliento ainda que fato de o contribuinte ter outorgado a terceiro a tarefa de elaborar e transmitir à Receita as declarações retificadoras não elide sua responsabilidade pelas informações nelas contidas, uma vez que é ele o sujeito passivo da obrigação tributária, não seu contador. A hipótese de o erro ter sido cometido por contador, que procedeu à retificação de sua declaração de imposto de renda, ao seu próprio alvedrio, é fato inoponível às autoridades fiscais. Cabe, portanto, ao recorrente socorrer às vias próprias para responsabilização do profissional. Por fim, sustenta inexistir prova de que teria auferido quaisquer benefícios com a inclusão de despesas fictícias em sua declaração de imposto de renda, o que robusteceria a tese de ausência de responsabilidade pelo ato antijurídico. Entretanto, os elementos de prova constantes dos autos sinalizam no sentido de que os valores foram, sim, auferidos, uma vez que: i) as declarações retificadoras foram entregues; ii) o Termo de Verificação, que goza presunção de legitimidade, indicou os valores restituídos ao contribuinte e os dados bancários da conta em que tais valores foram depositados – “vide” f. 4547, 5456, 6365, 6769. Mantenho a autuação, pois. V– Conclusão Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira – Relatora Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10707.001219/200898 Acórdão n.º 2202005.015 S2C2T2 Fl. 174 8 Fl. 174DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.003583/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. DOLO. FRAUDE SIMULAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO.
No lançamento por homologação de Imposto de Renda Pessoa Física, o prazo decadencial de cinco anos será contado da data do fato gerador, se o contribuinte tiver efetuado antecipação de pagamento e não tiver incorrido em dolo, fraude ou simulação, caso contrário, o prazo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
As informações referentes à movimentação bancária do contribuinte podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, não se constituindo em quebra de sigilo bancário, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA
Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2402-007.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, que foi substituída pelo Conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. DOLO. FRAUDE SIMULAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. No lançamento por homologação de Imposto de Renda Pessoa Física, o prazo decadencial de cinco anos será contado da data do fato gerador, se o contribuinte tiver efetuado antecipação de pagamento e não tiver incorrido em dolo, fraude ou simulação, caso contrário, o prazo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. As informações referentes à movimentação bancária do contribuinte podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, não se constituindo em quebra de sigilo bancário, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 35 83 /2 00 7- 26 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10675.003583/200726 Acórdão n.º 2402007.183 S2C4T2 Fl. 247 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, que foi substituída pelo Conselheiro Wilderson Botto. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 0927.661, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Juiz de Fora/MG, fls. 215 a 225: Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 160/164 com ciência pessoal do sujeito passivo em 16/10/2007, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, exercício 2003, anocalendário 2002, sendo apurados os seguintes valores: Motivou o lançamento de ofício (Relatório Fiscal às fls. 157/159) a constatação de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada por documentação hábil e idônea, após ter sido o contribuinte regularmente intimado a apresentála, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Relatou a autoridade lançadora que a fiscalização teve como objetivo a apuração de rendimentos não oferecidos à tributação, após análise de informações enviadas por instituições financeiras sobre a movimentação bancária do contribuinte no anocalendário 2002. Intimado a apresentar seus extratos bancários (fls. 04), o contribuinte não o fez, autorizando a serem diretamente solicitados às instituições bancárias relacionadas, que os encaminharam, após a devida emissão das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF. De posse dos extratos, a autoridade lançadora consolidou os valores creditados mensalmente nas contas bancárias, excluindo os valores que por sua natureza não seriam objeto de Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10675.003583/200726 Acórdão n.º 2402007.183 S2C4T2 Fl. 248 3 comprovação e aqueles comprovados pelo contribuinte no curso da ação fiscal, lavrando o Auto de Infração com os valores de depósitos cuja origem não foi comprovada, no total de R$ 249.846,16 (planilhas às fls. 153/156). O sujeito passivo apresentou em 19/11/2007 a impugnação de fls. 168/172, alegando em síntese o que se segue. Preliminarmente argumenta que, sendo o imposto de renda sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para a constituição de eventuais créditos e' de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN. E ainda que, conforme o art. 849 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, o fato gerador, no caso de omissão de rendimentos, ocorre no mês em que considerados recebidos ou efetuados os créditos na instituição financeira. Assim, como a ciência do lançamento deuse em 16/10/2007, estaria decaído o direito de lançar o imposto apurado relativo aos meses de janeiro a outubro de 2002. Também como preliminar, argumenta que a autoridade fiscal requereu e obteve, diretamente das instituições financeiras, sem autorização judicial, os extratos bancários das contas movimentadas por ele, o que fere a Constituição Federal, não sendo válidos, portanto, para uso em qualquer situação, instância ou natureza, dada sua origem ilícita. No mérito, alega que a improcedência do lançamento deve ser reconhecida pelo fato de o mesmo basearse exclusivamente em movimentação bancária, com mera presunção, sem provas suplementares válidas da existência de renda tributável, argumentando que inexistiu acréscimo de patrimônio ou mesmo de saldo expressivo em suas contas bancárias ao final do exercício, pressupostos básicos para a cobrança de imposto de renda. Acrescenta que, na qualidade de vendedor autônomo, recebia depósitos para pagamento de mercadorias que enviava a representantes comerciais, sendo que, posteriormente, tais valores eram repassados a seus próprios fornecedores, de quem o impugnante comprava a prazo, separando somente o lucro entre o preço com que comprava a prazo e os valores que aplicava para revenda à vista, não podendo ser presumido que era o titular da integralidade dos depósitos. Ao julgar a impugnação, em 17/12/09, a 6ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência, conforme assim restou ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10675.003583/200726 Acórdão n.º 2402007.183 S2C4T2 Fl. 249 4 DECADÊNCIA. FATO GERADOR. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FISICA. Estando satisfeitas as condições para o lançamento por homologação, o prazo de decadência será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador que, no caso do Imposto de Renda Pessoa Física, se perfaz em 31 de dezembro do ano calendário correspondente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. REQUISIÇÃO Às INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. As informações referentes à movimentação bancária do contribuinte podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, não se constituindo em quebra de sigilo bancário, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para O acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. OMISÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Cientificado da decisão de primeira instância, em 23/3/10, segundo o Extrato do Processo de fl. 244, o Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 233 a 243, em 20/4/10, alegando, em síntese, o que segue: INICIALMENTE Antes de analisar o mérito da questão, e em que pese o entendimento defendido pelo acórdão recorrido, que se apresenta visivelmente equivocado em tal aspecto, necessário insistir no questionamento relativo à prescrição, verificada em relação à maior parte do período apontado no “Auto de Infração" quanto ao fato gerador. Como se verifica da própria autuação, os fatos geradores sobre os quais foram apontadas as supostas irregularidades (que o ora recorrente entende inexistentes) foram apontados no período compreendido entre 31 (trinta e um) de janeiro de 2002 e 31 (trinta e um) de dezembro de 2002. Considerando que o recorrente somente tomou ciência dos fatos e do próprio Auto de Infração na data de 16 (dezesseis) de Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10675.003583/200726 Acórdão n.º 2402007.183 S2C4T2 Fl. 250 5 outubro de 2007, bem como considerando que o prazo prescricional previsto na legislação tributária, no próprio RIR/99 e em toda a matéria pertinente ao IRPF é de 05 (cinco) anos, não se pode deixar de observar que a prescrição, efetivamente, opera diariamente, de forma que toda a matéria apontada no Auto de infração ora questionado, no período de cinco anos passados, encontrase legalmente prescrita, não podendo mais ser questionado, sob pena de se ferir os direitos constitucionais do recorrente. [...] DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO Conforme reconhecido no Acórdão ora recorrido, a Autoridade Fiscal requereu diretamente das instituições financeiras, sem autorização judicial, os extratos bancários relativos as contas movimentadas pelo Recorrente, no que foi prontamente atendida pelas instituições bancárias, conforme declarado no Acórdão às fls. DRJ/JFA 197, verso. O expediente adotado pelo Fisco viola, frontalmente, dispositivo expresso da Constituição Federal, que consagra o direito ã preservação da intimidade e da vida privada, bem como a inviolabilidade de dados, todos estes direitos fundamentais do cidadão, conforme disposto no seu artigo 5°, [...] Portanto, as cópias dos extratos devem ser sumariamente desconsideradas e, efetivamente, retiradas do processo. Com esse desentranhamento dos documentos bancários obtidos diretamente das instituições bancárias, sem a devida autorização judicial, o lançamento se revela totalmente inconclusivo, não merecendo de forma alguma prosperar, devendo, ser extinto o processo sem julgamento do mérito. Caso seja ultrapassada a questão preliminar apontada, o Recorrente pede vênia para declinar sobre as questões de mérito, como passa a fazer. [...] DO DIREITO Inicialmente, cabe destacar que o longo período transcorrido desde o ano de 2002, não favoreceu a localização da documentação, bem como a demora no atendimento das solicitações feitas às instituições financeiras, aliados à mudanças de endereço do Recorrente, foram motivos que dificultaram as respostas e o preenchimento das planilhas que poderiam ter evitado a autuação. Para o esclarecimento das dúvidas suscitadas, é necessário ressaltar que o Recorrente trabalha com serviços gerais, efetuando trabalhos como a representação de empresas na venda de produtos dessas sociedades a clientes selecionados, mediação Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10675.003583/200726 Acórdão n.º 2402007.183 S2C4T2 Fl. 251 6 de operações de compra e venda e, até mesmo, a administração de serviços prestados diretamente a clientes. [...] Ademais, o recorrente ainda prestava serviços a um irmão, sendo que este, no ano de 2005, passou por severas dificuldades financeiras, o que acabou por refletir, diretamente, na situação do recorrente, vez que este irmão lhe conferia trabalhos das empresas que possuía e, com suas dificuldades, restringiu as atividades [...] Assim, o recorrente, além do uso de recursos bancários (cheque especial e empréstimos, conforme registros de sua movimentação financeira) ainda se viu na contingência de buscar diversos empréstimos, disponibilizados pelo seu Pai Sr. Enio de Souza Nery, inscrito no CPFIMF sob o n°. 004.968.12653. É de se ressaltar que o simples fato de serem encontrados depósitos constantes dos extratos bancários, por si só, não constitui, sequer, indício firme de que os valores destes possam configurar omissão de receita, devendo, portanto, ser cancelado o lançamento de imposto a cobrança. A jurisprudência é clara e pacífica a respeito dessa questão. Nesse sentido, vale trazer à colação recente decisão do Colendo Conselho de Contribuintes, extraído do processo no. 10930.007034/200258, [...]. No presente caso, podemos ver, claramente, que tais princípios foram violados, pois, se a legislação puder dar aos depósitos bancários a possibilidade de serem tributados sem que seja concreta e contundentemente comprovado que esses valores provêm de um negócio jurídico, estaria este ato a ferir de morte o que a legislação prevê, colocando em risco todo o sustentáculo que mantém o nosso ordenamento jurídico. Da análise das declarações de IRPF apresentadas pelo recorrente, nos últimos anos e durante todo o período no qual o fisco se baseia para presumir a omissão de receita, baseada nos depósitos bancários, concluímos facilmente que a variação do patrimônio do recorrente se deu para menor, e resta coberta pela renda efetivamente auferida e, consequentemente, declarada. [...] A declaração de bens e direitos constante da DIRPF, evidencia que a evolução patrimonial do Recorrente, no período fiscalizado, permaneceu praticamente inalterada, sem qualquer acréscimo. Então, a pergunta que se faz é a seguinte: onde está a grande fortuna sobre a qual o fisco quer impor tamanha exação? [...] No presente caso, a proposta fiscal não observa os princípios da razoabilidade, da capacidade contributiva e da não Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10675.003583/200726 Acórdão n.º 2402007.183 S2C4T2 Fl. 252 7 confiscatoriedade, é exageradamente onerosa para o sujeito passivo, ultrapassa sua capacidade contributiva, [...]. O lançamento proposto baseiase em mera PRESUNÇÃO, desprovida de comprovantes que lhe assegurem firmeza e robustez. Não pode ainda o Recorrente sofrer a imposição de tão pesada multa (75%), ora intentada pelo Fisco, sob a justificativa de inexatidão ou incorreção dos valores declarados, principalmente, por ter procedido de acordo com o que a legislação estabelece, fazendo constar na declaração os dados por ela solicitados. (Grifos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Da alegada prescrição (decadência) Conforme se percebe em suas alegações recursais, em que pese falar em prescrição, o Recorrente está a falar em decadência, que corresponde ao prazo que a Fazenda Pública tem para exercer o seu direito potestativo de realizar o lançamento tributário. A prescrição diz respeito ao prazo que a Fazenda Pública tem para ingressar com ação de cobrança do crédito tributário definitivamente constituído, nos termos do que dispõe o art. 174 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Em relação à decadência, assim estabelece o CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10675.003583/200726 Acórdão n.º 2402007.183 S2C4T2 Fl. 253 8 prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. [...] Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Conforme se observa, o prazo para a Fazenda Pública apurar e lançar seus créditos é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nas hipóteses em que o tributo obedeça ao regime de lançamento por homologação e desde que haja início de pagamento (antecipação), ainda que parcial (art. 150, § 4º, do CTN), ou a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na hipótese de inexistência de início de pagamento (art. 173, I, do CTN), ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (parte final do § 4º, art. 150, do CTN). Em outras palavras, para que o prazo decadencial possa ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, duas condições precisam ser atendidas: (i) a existência de pagamento antecipado e (ii) a não ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ademais, importa salientar que o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física se apresenta como periódico ou complexivo de periodicidade anual, pois se realiza ao longo de um intervalo de tempo, e só se completa em 31 de dezembro do respectivo ano calendário. Pois bem, compulsando o auto de infração de infração, fls. 177 a 179, constatase que o lançamento em questão diz respeito ao anocalendário de 2002 e que a ciência ao Contribuinte (ora Recorrente) ocorreu em 16/10/07, segundo o Termo de Encerramento de fl. 182. Logo, conforme demonstrado na figura a seguir, tanto pela regra do art. 150, § 4º, do CTN, quanto pela regra do art. 173, inciso I, do mesmo diploma, o crédito não se encontrava atingido pela decadência quando o Recorrente foi cientificado do lançamento: Seguiu nessa linha, inclusive, a decisão recorrida, da qual transcrevemos o seguinte excerto: Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10675.003583/200726 Acórdão n.º 2402007.183 S2C4T2 Fl. 254 9 No caso em comento, ainda que se considere a regra do art. 150, § 4° do CTN, que se afigura a mais benéfica para o contribuinte, não houve a decadência do lançamento. Isto porque, tendo o fato gerador ocorrido em 31/12/2002, o prazo decadencial teve início em 01/01/2003, encerrandose em 31/12/2007. Como o contribuinte foi cientificado em 16/10/2007, resta comprovado que o lançamento de oficio foi realizado dentro do prazo quinquenal, devendo a preliminar de decadência ser afastada. Portanto, temse por improcedente a defesa quanto ao prazo decadencial. Da alegada quebra de sigilo bancário Segundo o Recorrente, o procedimento fiscal teria afrontado a Constituição Federal ao violar o direito à preservação da intimidade e da vida privada, bem como o direito à inviolabilidade de dados, uma vez que a “Autoridade Fiscal requereu diretamente das instituições financeiras, sem autorização judicial, os extratos bancários relativos as contas movimentadas pelo Recorrente”. Todavia, tal alegação não encontra abrigo. Para melhor análise da questão, sejamos, primeiramente, os dispositivos legais vigentes à época dos fatos e que autorizaram a fiscalização a requisitar, das Instituições Bancárias, as informações sobre a movimentação financeira do Recorrente: Lei Complementar nº 105, de 10/1/01 Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munícipios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Decreto nº 3.724, de 10/1/01 Regulamenta o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, relativamente à requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas. [...] Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10675.003583/200726 Acórdão n.º 2402007.183 S2C4T2 Fl. 255 10 [...] § 5º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). [...] Art. 3º Os exames referidos no § 5º do art. 2º somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). [...] VIIprevistas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996; [...] Art. 4º Poderão requisitar as informações referidas no § 5º do art. 2º as autoridades competentes para expedir o MPF. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007). § 1° A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: [...] § 5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. § 6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. [...] § 8º A expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. Lei nº 9.430/96, de 27/12/96 Art. 33. A Secretaria da Receita Federal pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10675.003583/200726 Acórdão n.º 2402007.183 S2C4T2 Fl. 256 11 I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Conforme se observa nos dispositivos transcritos acima, a requisição da movimentação financeira do contribuinte, pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, está devidamente amparada na legislação de regência. No caso em tela, o Recorrente foi intimado a apresentar os extratos das suas contas bancárias, das aplicações financeiras e cadernetas de poupança, porém, não apresentou tais documentos e autorizou a fiscalização a solicitálos diretamente aos bancos. Confirase: TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO – fl. 5 No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal e na forma dos artigos 835, 844, 904, 907, 927 e 928 do Decreto 3000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), fica o contribuinte acima identificado INTIMADO a apresentar os elementos/esclarecimentos abaixo especificados: [...] 2. extratos bancários, fornecidos pela(s) instituição(ões) financeira(s) abaixo especificada(s), em papel e meio magnético, relativos às contas bancárias (contascorrentes, aplicações financeiras e/ou de poupança) movimentadas por V.Sa. e/ou em nome de terceiros, que deram origem ao movimento financeiro realizado no período de Janeiro a Dezembro do anocalendário de 2002: 2.1 BANCO BCN S/A; 2.2 BANCO ITAUBANK S/A; 2.3 BANCO SANTANDER BRASIL S/A; 2.4 CAIXA ECONÔMICA FEDERAL; e 2.5 Outros não especificados. Resposta ao Termo de Início de Fiscalização – fl. 7 Com relação a solicitação contida no item 2 do mesmo Termo de Início de Fiscalização, informo também que diante das dificuldades alegadas pelas instituições bancárias em fornecer os documentos por mim solicitados, deixo de cumprir o prazo estipulado no referido termo de início de fiscalização e, simultaneamente, autorizo essa repartição a solicitar os documentos bancários julgados convenientes, em papel e meio magnético, diretamente às instituições financeiras relacionadas, sobre o movimento financeiro do período de Janeiro a Dezembro do anocalendário de 2002. [...] Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10675.003583/200726 Acórdão n.º 2402007.183 S2C4T2 Fl. 257 12 Ora, se o próprio Recorrente autorizou a fiscalização a solicitar as informações diretamente às instituições financeiras, não há que se falar em quebra de sigilo bancário. Quanto à alegada afronta à Constituição Federal, reproduziremos aqui o entendimento da decisão recorrida com o qual concordamos e mantemos: [...], cumpre esclarecer que, uma vez que existente comando expresso em lei, autorizando o exame de informações bancárias, deve ser acatado e utilizado pelo Fisco, pois não cabe aos agentes públicos questionarem a constitucionalidade da lei vigente mediante juízos subjetivos, dado o Princípio da Legalidade que vincula a atividade administrativa. Ademais, carece de competência a este Conselho para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, ante o exposto, afastamse as alegações quanto à quebra de sigilo bancário. Do rendimento omitido Por fim, ao discorrer sobre algumas dificuldades pelas quais teria passado, o Recorrente alega que simples depósitos constantes de extratos bancários não constituiriam indício de omissão de receita, citando jurisprudência desse Conselho referente ao processo 10930.007034/200258 (Acórdão nº 10614917), bem como que seu patrimônio não teria sofrido acréscimo capaz de justificar a omissão apurada pela fiscalização. Aduz, ainda, que o procedimento fiscal teria se baseado em mera presunção sem comprovantes e que não teria observado os princípios da razoabilidade, da capacidade contributiva e da não confiscatoriedade. Pois bem, via de regra, para alegar a ocorrência de fato gerador, a autoridade tributária deve estar munida de provas. Todavia, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador – nas chamadas presunções legais a produção de provas é dispensada. Essa é a inteligência do art. 374, inciso IV, do atual Código de Processo Civil (CPC), Lei 13.105, de 16/3/15, que reproduz a regra contida no art. 334, inciso IV, do CPC anterior (Lei 5.869, de 11/1/73), vigente a tempo dos fatos: Art. 374. Não dependem de prova os fatos: Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10675.003583/200726 Acórdão n.º 2402007.183 S2C4T2 Fl. 258 13 [...] IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A presunção em foco diz respeito àquela contida no art. 42 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como se vê, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, estando, esta, condicionada apenas à falta de comprovação, por parte do contribuinte, da origem dos recursos que transitaram em sua conta, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova, nem comprovar acréscimo patrimonial ou manifestação de riqueza. Nessa linha, inclusive, é a Súmula Vinculante nº 26 do CARF: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Dessa forma, é função do Fisco, na verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular/responsável das contas bancárias a apresentar os documentos, informações e/ou esclarecimentos. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte, dada a inversão do ônus da prova estabelecida pelo legislador. Logo, tendo o procedimento fiscal observado rigorosamente os ditames legais, não há que se falar em falta de observância aos princípios da razoabilidade, da capacidade contributiva e da não confiscatoriedade. Até porque, nos termos do art. 142 do CTN, a “atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Insta destacar, inclusive, que a jurisprudência citada pelo Recorrente (10930.007034/200258 Acórdão nº 10614917) não advoga a seu favor, pois, como pode ser visto em sua ementa, transcrita a seguir, tal decisão afasta a omissão de rendimentos tão somente quando a origem dos depósitos é comprovada: IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. É de se excluir da base de cálculo do lançamento, o valor dos depósitos bancários de origem comprovada pelo contribuinte. No caso em julgamento, porém, o Recorrente não fez a devida comprovação da origem dos depósitos, devendo, pois, ser mantido o lançamento na forma como realizado Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10675.003583/200726 Acórdão n.º 2402007.183 S2C4T2 Fl. 259 14 pela fiscalização, inclusive no que diz respeito à multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 259DF CARF MF
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