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Numero do processo: 10580.720939/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantém-se a parte dispositiva do acórdão recorrido.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Restando incontroverso que a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica o entendimento acima referido.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
ALEGAÇÃO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE, SOBRE RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. CARÁTER TRIBUTÁVEL NOS TERMOS DO RIR E DA LEI N. 7.713/88. IMPOSSIBILIDADE DO EXAME DA CONSTITUCIONALIDADE DE TAIS DISPOSITIVOS NO PRESENTE ADMINISTRATIVO (ART.62 DO REGIMENTO DO CARF) E AUSÊNCIA DE JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL VINCULANTE.
É de se rejeitar a alegação de não-incidência de IRPF sobre juros de mora recebidos pelo contribuinte, sobre rendimentos recebidos a destempo, eis que tais verbas possuem caráter tributário, em razão de disposições expressas contidas no RIR e na legislação em vigor e da ausência de decisões judiciais vinculantes do CARF em sentido contrário.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello, relator. - Relator.
EDITADO EM: 14/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. Mantémse a parte dispositiva do acórdão recorrido. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 09 39 /2 00 9- 19 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. 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(assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello, relator. Relator. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720939/200919 Acórdão n.º 2802002.803 S2TE02 Fl. 128 3 EDITADO EM: 14/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos Andre Ribas de Mello. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2 e ss.), relativo ao IRPF, exercícios de 2005 a 2007, em razão de suposta classificação indevida de rendimentos na DIRPF. Esclareçase que tratase de rendimentos recebidos em razão da Lei complementar estadual baiana de número 20/2003 e dizem respeito a diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração da contribuinte de Cruzeiro Real para URV, pagas mensalmente de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. A Lei estadual em comento estabeleceu a sistemática de pagamento de tais parcelas em virtude da objeto da Ação Ordinária de nº140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias n.. 613 e 614. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 38 e ss., aos seguintes fundamentos: (i) que os rendimentos em questão são isentos de tributação, por seu caráter indenizatório, não havendo a mencionada classificação indevida de rendimentos; (ii) que o dever de retenção do tributo era da fonte pagadora e não da contribuinte; (iii) que a fonte pagadora levou a contribuinte, pelo demonstrativo que lhe forneceu, a classificar como isentos os rendimentos de que ora se trata, não se podendo imputar à mesma responsabilidade por tal fato; (iv) que a lei estadual supracitada expressamente apontou como de natureza indenizatória os valores de que aqui se trata e, se nisso há alguma impropriedade, é de responsabilidade do legislador estadual e não da contribuinte; (v) cita a legislação federal e requer, caso mantida a infração, que seja exonerada do pagamento da multa e de juros moratórios por não ter dado causa à situação de que aqui se trata; (vi) que a aplicação da alíquota vigente no momento da autuação, em caso de rendimentos recebidos a destempo acumuladamente com os rendimentos correspondentes ao mês trabalhado, é causa de nulidade do lançamento, de vez que deveria ter sido aplicada a alíquota vigente ao momento em que os rendimentos deveriam ter sido originariamente pagos e não o foram, bem como deveria ter sido levada em consideração a remuneração à época em que o pagamento deveria ter ocorrido para fins de apuração da base de cálculo do imposto; (vii) cita a jurisprudência de diversos tribunais, de tribunais superiores e do Supremo Tribunal Federal; (viii) cita a jurisprudência administrativa do CARF; Fl. 253DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 (ix) que tratase de receitas de tributo federal que, no entanto, devem permanecer nos cofres estaduais, pela distribuição das receitas tributárias, e se o próprio Estado legislou no sentido do caráter indenizatório de tais valores, renunciou a estas receitas; (x) que, sendo, segundo a jurisprudência, a União parte ilegítima para figurar em relação processual em que servidor estadual pretenda a isenção ou não incidência de IRRF, também não cabe à União exigir do Estado a retenção do imposto, se este não o fez; (xii) que também não há incidência de imposto de renda sobre juros moratórios e assim, ainda que se entenda devido o imposto sobre as diferenças em questão, não incide o mesmo sobre os juros moratórios pagos em razão do lapso temporal decorrido entre o momento em que o pagamento deveria ter sido feito e o momento do efetivo pagamento; (xiii) que o STF fez expedir a Resolução n.245/2002 em razão da qual os magistrados federais não sofreram a incidência do IR no recebimento de verbas de idêntica natureza, havendo violação do princípio da isonomia na tentativa de impor tal exação aos magistrados estaduais; (xiv) que não poderiam ser tributadas parcelas relativas a correção de valores recebidos a título de férias indenizadas e de 13o salário, pela natureza das verbas principais; (xv) que a pretensão do Fisco de receber o valor do imposto supostamente devido acrescido de multa e juros represente quebra do princípio da capacidade contributiva, por resultar em valor muito mais elevado a ser enfrentado pelo contribuinte. Em sessão realizada em 03 de março de 2011 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, a turma julgou PROCEDENTE em parte a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, fundamentando que os argumentos utilizados pelo contribuinte afirmando os atos estavam em acordo com a legislação estadual da Bahia não justificam o recolhimento indevido, pois, deve ser considerada a legislação federal. Quanto ao art. 3º da Lei Complementar 20/2003, do Estado da Bahia, que dispõe expressamente que as diferenças em questão são de natureza indenizatória, cabe lembrar que o imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, tal dispositivo não tem qualquer efeito tributário. Além disso, devese observar que a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica que conceda a isenção, conforme previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora. É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720939/200919 Acórdão n.º 2802002.803 S2TE02 Fl. 129 5 Quanto à alegação de que não caberia a imposição de multa de ofício em razão do impugnante ter agido de boa fé, seguindo informação prestada pela fonte pagadora, cabe observar que a aplicação desta multa no percentual de 75% independe da intenção do agente, conforme estabelecido no art. 136, do CTN. Não se trata da multa qualificada no percentual de 150%, que depende da ocorrência de evidente intuito de fraude, conforme previsto no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Foi alegado, também, que caberia o reconhecimento da isenção com base na Resolução do STF nº 245, de 2002, que reconheceu a isenção do abono vinculado a diferenças de URV conferido aos magistrados federais. Entretanto, tal resolução não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados ou Membros do Ministério Público do Estado da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN, não havendo, pela mesma razão, violação do princípio da isonomia. Quanto à tributação das diferenças de URV de forma isolada, sem que fossem considerados os rendimentos e deduções já declarados, cabe observar que, nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como que já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir prevista em tabela progressiva. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão. Quanto ao não cabimento da tributação de verbas relativas à correção incidente sobre férias indenizadas e 13o salário, a DRJ acolheu a impugnação, desconstituindo em parte o auto de infração para adequálo às corretas alegações do contribuinte. Intimado da supramencionada decisão (fls.137), interpôs tempestivamente o recurso de fl.138, repisando argumentos esgrimidos na impugnação, no sentido de conduzirem todos ao cancelamento do lançamento, salvo quando argui que a DRJ não enfrentou a tese de ilegitimidade da União para exigência do imposto, o que exigiria o retorno dos autos à DRJ para novo julgamento, de forma a não haver supressão de instância. Em sessão de julgamento do dia 28 de setembro de 2011, determinouse o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010, e que ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Com a edição da portaria MF n° 545/2013, foi afastada a necessidade de sobrestamento, razão pela qual o feito é ora apresentado à apreciação deste Colegiado. É o relatório. Voto Fl. 255DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. Preliminarmente, não assiste razão à Recorrente em sua alegação de supressão de instância, na medida em que o Acórdão examinou todas as alegações de defesa suscitadas em sua Impugnação. Outrossim, de logo deve ser pontuado que, inobstante o presente feito ter sido sobrestado por conta de se tratar da tributação de rendimentos recebidos acumuladamente, entendo que à presente hipótese não pode ser aplicado o entendimento manifestado pela Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720939/200919 Acórdão n.º 2802002.803 S2TE02 Fl. 130 7 Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais Neste sentido, o art. 2° da Lei Federal n° 10.477/02 assim dispôs: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Já o art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõem: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Fl. 257DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Fl. 258DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720939/200919 Acórdão n.º 2802002.803 S2TE02 Fl. 131 9 Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 10 De fato, ao apreciar o REsp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a não incidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 35061.001237/2006-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/03/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. ALTERAÇÃO DO RITO PROCESSUAL. RECURSO ESPECIAL ANTERIOR À ALTERAÇÃO.
Não se conhece de Recurso Especial, quando posteriormente à sua interposição ocorre alteração legislativa, excluindo a apreciação da matéria pelo CARF, ressalvando-se que o não conhecimento do apelo não implica na validação da decisão esposada no acórdão recorrido.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.em exercício
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 20/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/03/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. ALTERAÇÃO DO RITO PROCESSUAL. RECURSO ESPECIAL ANTERIOR À ALTERAÇÃO. Não se conhece de Recurso Especial, quando posteriormente à sua interposição ocorre alteração legislativa, excluindo a apreciação da matéria pelo CARF, ressalvando-se que o não conhecimento do apelo não implica na validação da decisão esposada no acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. ALTERAÇÃO DO RITO PROCESSUAL. RECURSO ESPECIAL ANTERIOR À ALTERAÇÃO. Não se conhece de Recurso Especial, quando posteriormente à sua interposição ocorre alteração legislativa, excluindo a apreciação da matéria pelo CARF, ressalvandose que o não conhecimento do apelo não implica na validação da decisão esposada no acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 06 1. 00 12 37 /2 00 6- 71 Fl. 600DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente.em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 20/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata o presente processo, de Ato Cancelatório de Isenção, tendo em vista a prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Em sessão plenária de 13/03/2008, foi julgado o Recurso Voluntário 142.727, prolatandose o Acórdão 20600.595 (fls. 213 a 224), assim ementado: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/03/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. PARECER DA CJ. N° 3272/2004. PROMOÇÃO SOCIAL MANTIDA. NÃO VIOLAÇÃO AO INCISO III DO ART 55. I A entidade assistencial que preste serviços por meio de cessão de mãodeobra, ainda que essa atividade reflita significativamente na sua receita, bem como na própria disponibilidade de seus funcionários, não viola, de forma absoluta, o dever de promover a assistência social que lhe compete, se ainda assim, a entidade execute essa promoção assistencial por outros meios; II — Apenas a demonstração de que não se promove qualquer atendimento voltado para a promoção social, poderia entender que estaria violado o disposto no aventado inciso III do art. 55 da Lei n° 8.212/91, mas nunca pela simples prestação de serviços por cessão de mãodeobra. Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim resumida: Fl. 601DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 27 3 “ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por negar provimento ao recurso.” Cientificada do acórdão em 18/09/2008 (fls. 225), a Fazenda Nacional interpôs, em 22/09/2008 (fls. 228), o Recurso Especial de fls. 229 a 264, com fundamento no inciso II, do art. 56, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes c/c o inciso I, do art. 7º, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nª 147, de 2007. Tratase de Recurso Especial por Contrariedade à Lei ou à Evidência de Prova, em que a Fazenda Nacional alega violação ao art. 2° da LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social (Lei n.° 8.472, de 1993), ao art. 55 e incisos III a V, da Lei n.° 8.212, de 1991, e ao art. 111, inciso II, do CTN. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho 2400 278, de 03/09/2009 (fls. 265 a 268). O apelo contém os seguintes argumentos, em síntese: a) Imunidade: cessão remunerada de mãodeobra não é assistência social – violação ao art. 22 da LOAS a discussão central do processo envolve a análise da imunidade insculpida no art. 195, § 72 da Constituição Federal, verbis: "§ 72 São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei". vêse que a Constituição utiliza o conceito de assistência social como referência para delimitar o tipo de entidade e de receita abrangida pelo beneplácito fiscal; assistência social não é conceito aberto ou ignorado pela Constituição, muito pelo contrário, em seu art. 203, a Carta Magna preceitua o que é assistência social: "Seção IV DA ASSISTÊNCIA SOCIAL. Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II o amparo às crianças e adolescentes carentes; III a promoção da integração ao mercado de trabalho; Fl. 602DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 4 IV a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V a garantia de um salário mínimo de beneficio mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de têla provida por sua família, conforme dispuser a lei". ou seja, a Constituição Federal deferiu à legislação ordinária a formatação da imunidade, com o estabelecimento dos requisitos, porém a Carta Política possui um conceito de assistência social que jamais poderia ser afrontado pelas leis editadas a partir dela; essa definição de assistência social é também o vetor de interpretação que deve nortear o aplicador ao interpretar os requisitos encartados no art. 55 da Lei n 2. 8.212, de 1991; fixadas essas premissas, partese para o exame da violação perpetrada pelo julgado ora atacado à LOAS; um dos pontos suscitados pelo acórdão recorrido foi o de que o exercício preponderante de atividade de cessão remunerada de mãodeobra não desnaturaria o conceito de entidade de assistência social; entretanto, um rápido exame do art. 2º da LOAS (Lei nº 8.274, de 1993) revela que essa atividade realizada pela entidade não caracteriza assistência social: "Art. 2° A assistência social tem por objetivos: I a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II o amparo às crianças e adolescentes carentes; III a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V a garantia de 1 (um) salário mínimo de beneficio mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de têla provida por sua família. Parágrafo único. A assistência social realizase de forma integrada às políticas setoriais, visando ao enfrentamento da pobreza, à garantia dos mínimos sociais, ao provimento de condições para atender contingências sociais e à universalização dos direitos sociais". a leitura da LOAS não deixa dúvida: nem serviço de saúde devidamente remunerado é assistência social, nem a cessão de mãodeobra para prestação desses serviços tampouco, portanto não há, no caso, imunidade albergada pela Constituição Federal; ao contrário, a cessão onerosa de mãodeobra é atividade econômica e, como qualquer outra, deve ser tributada para financiar a Seguridade Social; Fl. 603DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 28 5 a saúde é tratada pela Constituição Federal em seção própria, não podendo se mesclar com a assistência social; ora, se fosse intento do legislador conferir imunidade instituições hospitalares ou de saúde o teria o feito, porém a verdade é que o fez apenas para as entidades de assistência social, que, notadamente, não se confundem com as de saúde e muito menos com prestadoras de serviço de cessão de mãodeobra; em conclusão, cingese que a Constituição Federal adota disciplina absolutamente diversa para saúde e assistência social, os temas contam inclusive com seções próprias e legislação infraconstitucional apartada; não fosse isso o bastante, temse ainda que a atividade prestada pela recorrente de forma remunerada nem mesmo saúde é, mas sim a cessão de mãodeobra para Prefeitura Municipal; essa prática de cessão de mãodeobra remunerada não e assistência social, descabendo falar em direito à imunidade do art. 195, § 7º, da CF, e quando o r. aresto guerreado promove essa equiparação, colide com dispositivos de estatura constitucional e com o art. 2º da Lei nº. 8.472, de 1993 b) Violação ao art. 55, III da Lei nº 2. 8.212, de 1991 caso se entendesse que a atividade de cessão de mãodeobra está englobada no espectro do art. 195, § 7º, da CF – o que, como visto, não está – exsurge que a entidade teria que comprovar a observância dos requisitos do art. 55 da Lei nº. 8.212, de 1991, para fazer jus à imunidade, especialmente do inciso III do citado dispositivo, que em sua redação originária assim dispunha: "Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Vide Lei nº 9.429, de 26.12.1996) (Vide Lei nº 11.457, de 2007) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes;". posteriormente, a Lei nº 9.732, de 1998, modificou a redação do inciso III, do art. 55 da Lei nº. 8.212, de 1991, que passou a gizar o seguinte: "Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Vide Lei nº 9.429, de 26.12.1996) (Vide Lei nº 11.457, de 2007) III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência;(Redação dada pela Lei n 2 9.732, de 11.12.98)". na ADI nº. 20805, o STF suspendeu a eficácia da Lei nº 9.732, de 1998, inclusive da parte que alterou o inciso III, do art. 55 da Lei n 2. 8.212, de 1991, porém, na Fl. 604DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 6 petição inicial da ADI, houve um defeito substancial e não foi questionada a redação originária do inciso III, do art. 55 da Lei 8.212, de 1991; suspensa a redação da Lei 9.732, de 1998, foi acertada a conduta da fiscalização de examinar a lide à luz do teor originário do art. 55, pois como este dispositivo não foi atacado na ADI, está plenamente válido e vigente; com efeito, os argumentos da ADI eram de inconstitucionalidade de índole formal e material, sendo que a liminar deferida rejeitou a alegação formal, enfatizando que as duas teses eram relevantes e que de nada adiantaria acolher esse argumento, afinal não fora impugnada a redação originária do art. 55 da Lei n2. 8.212, de 1991, e, por fim, considerou a tese material relevante e deferiu a medida tãosomente para suspender a Lei nº. 9.732, de 1998; leiase a fundamentação do Ministro Moreira Alves: "Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei", sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorarseia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do "periculum in mora". Referendouse o despacho que concedeu a liminar para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta". assim, observase que não foi acatada a alegação de inconstitucionalidade formal e que não foi impugnada, via ADI, a redação originária da Lei nº. 8.212, de 1991, razão pela qual a questão dos autos foi corretamente tratada com base na legislação primitiva, que exige que a entidade "promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes". de acordo com a dicção originária do art. 55, III, da Lei nº 8.212, de 1991, exsurge que não era obrigatória a gratuidade e a exclusividade integrais, como passou a ser exigido a partir da Lei nº 9.732, de 1998; assim, a entidade descumpriu o requisito da legislação pelo fato de a sua atividade prioritária, preponderante, ter passado a ser a cessão onerosa de mãodeobra; é possível que uma entidade beneficente de assistência social aufira uma receita extraordinária, alheia às doações e provisões que lhe são inerentes, contudo é inadmissível que ela deixe de ser uma entidade filantrópica para ter como foco principal a atividade empresarial de cessão remunerada de mãodeobra; é imperioso transcrever o que a fiscalização disse a respeito da entidade: Fl. 605DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 29 7 "A partir de 03/2005 a entidade tornouse empresa de cessão de miodeobra, realizando seguidos contratos com a Prefeitura de Aracruz – ES. Tais contratos visam unicamente criar uma nova forma de evasão fiscal, as entidades beneficentes utilizam suas vantagens tributárias de isenção de alíquotas patronais e fornecem mãodeobra desonerada aos tomadores de serviço, no caso, a Prefeitura de Aracruz – ES. O número de empregados cedidos em relação ao número de empregados da entidade é superior a 60% atualmente. É importante ressaltar que a entidade não tem sequer o poder de selecionar os candidatos a emprego na cessão de mãodeobra. Isto pode ser observado pelo contrato 023/2005, celebrado com a Prefeitura de Aracruz e anexado no segmento deste relatório". de outra parte, não se vislumbra que a cessão de mãodeobra era eventual, como quer fazer crer a recorrida; o contrato supostamente deveria viger para o período de março a maio de 2005, entretanto existem notas emitidas pela Prefeitura de Aracruz em julho de 2005 (fl. 56), demonstrativo de créditos relativos ao contrato no período de agosto de 2005 (lêse, à fl. 70, "créditos referentes ao contrato FHMSC x PMA", ou seja, Prefeitura Municipal de Aracruz), demonstrativo de setembro de 2005 (fl. 76), outubro de 2005 (fl. 83), demonstrativo de novembro de 2005 (fl. 95), folha de pagamento de janeiro de 2006 (fl. 107), fevereiro de 2006 (fl. 116), folha de pagamentos de março de 2006 (fl. 121), abril de 2006 (fl. 127); sobreleva notar que os documentos carreados aos autos evidenciam uma prestação de serviço continuada por mais de um ano, para muito alem do período contratualmente acertado; há permanência e continuidade na cessão de mãodeobra retratada nos autos, o que evidencia a prática reiterada da atividade e a tentativa da entidade de se valer da sua imunidade fiscal para ingressar no mercado com vantagem tributária e, ainda, desfalcar a arrecadação previdenciária relativa a essa prestação de serviço, oferecendo um serviço barato pela dedução dos tributos; no particular, o aresto recorrido, quando admitiu que a imunidade não fosse cancelada, contrariou a prova dos autos indicativa de que a cessão de mãodeobra constituía o objeto social precípuo da entidade; a norma do inciso III, do art. 55 da Lei nº. 8.212, de 1991, não autoriza que a beneficiária pratique atividades assistenciais de modo subsidiário e, ao revés, se transforme em uma empresa de cessão de mãodeobra, com mais de 60% do seu pessoal voltado para essa atividade; é necessário um mínimo de razoabilidade na interpretação dessa norma: se não se acha adequado exigir a gratuidade completa, também, por coerência, não se pode acatar a atividade empresarial quase que integral e continuar pregando que isso é assistência social; sobre a impossibilidade de se considerar válida a prática desse tipo de cessão de mãodeobra contínua, por entidade supostamente filantrópica que se escuda na imunidade para promover atividade empresarial em caráter primordial e prioritário, como fez a Fl. 606DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 8 Fundação Sao Camilo, calha trazer ao lume o Parecer da Consultoria Jurídica do MPAS de nº. 3.272/2004; Pinçase, de inicio, a conclusão inequívoca do parecer: "Ante o exposto concluise que somente poderio realizar cessão de mãodeobra, sem perder a isenção prevista no art. 55 da Lei nº 8.212/91, as entidades que atendam dois critérios, a saber: CARÁTER ACIDENTAL DA CESSÃO ONEROSA DE MÃODE OBRA EM FACE DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA ENTIDADE BENEFICENTE, e MÍNIMA REPRESENTATIVIDADE QUANTITATIVA DE EMPREGADOS CEDIDOS EM RELAÇÃO AO NÚMERO DE EMPREGADOS DA ENTIDADE BENEFICENTE. As entidades que fazem cessão de mãodeobra sem atentar para um destes dois critérios, na forma descrita no corpo do presente parecer, violam a exigência do inciso III do art. 55 da Lei nº 8.212/91 e não fazem jus correspondente isenção". nenhum dos dois critérios foi atendido pela Fundação São Camilo: mais de 60% dos seus empregados estavam direcionados para a cessão de mãodeobra, e, além de tudo, não houve caráter acidental, muito ao contrário, constam nos autos documentos que atestam a prestação de serviço contínua, mês a mês, por mais de um ano, com folha de pagamento fixa estabelecida e demonstrativos mensais; urge, pois, que se transcrevam os preclaros fundamentos adotados pela Consultoria Jurídica do MAPS no aludido Parecer nº 3.272, de 2004: "15. Iniciando o exame da matéria, convém fazer um breve relato da legislação que regula a isenção das contribuições para a seguridade social. Assim, o primeiro dispositivo a ser citado é o art. 195, § 7º, da Constituição, que tem a seguinte redação: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. 16. Em cumprimento ao comando constitucional, foi editado o art. 55 da Lei nº 8.212/91, que estabelece as exigências para a caracterização de entidade beneficente de assistência social com direito à isenção das contribuições para a seguridade social. Veja o que dispõe o artigo 55, em sua redação vigorante: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; Fl. 607DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 30 9 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao • órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei re 9.528, de 10.12.97) § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. 17. Esta é a redação que se pode considerar atualmente em vigor, posto que as alterações promovidas pela Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, foram suspensas pelo STF, por meio de decisão liminar proferida nos autos da ADIN nº 20285, de 20.11.98. 18. Incumbe ao INSS receber, analisar e decidir os pedidos de isenção formulados pelas entidades que se julgam beneficentes de assistência social. A análise destes requerimentos corresponde à verificação dos requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91. 0 descumprimento de qualquer das exigências resulta no indeferimento do pedido de isenção, na medida que a entidade não poderá ser considerada beneficente de assistência social para o fim de gozar da isenção das contribuições previdenciárias. Nessas hipóteses, restarão desatendidas as exigências estabelecidas em lei, na forma do que determina o § 7º do art. 195 da Constituição. 19. Os requisitos previstos nos incisos I e II do art. 55, que tratam, respectivamente, do titulo de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, são estritamente objetivos, cabendo ao INSS, na análise do pedido de isenção, verificar se a entidade tem ou não o titulo e o certificado. Não pode o INSS recusar a concessão da isenção com base no descumprimento dos incisos I e II se a entidade apresentou o titulo e o certificado, ficando a sua atuação, neste aspecto, restrita à elaboração de representação aos órgãos competentes, para o respectivo cancelamento. 20. Já o efetivo cumprimento dos demais requisitos deve ser verificado, diretamente, pelo INSS, inclusive com inspeção in loco e todo o tipo de diligencia cabível. O INSS é o responsável por verificar se a entidade requerente cumpre de forma efetiva as exigências previstas nos incisos III, IV e V do art. 55, decidindo, fundamentadamente, pela concessão ou não da isenção das contribuições para a seguridade social. Enfim, a Fl. 608DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 10 constatação do cumprimento ou não dos requisitos previstos nos incisos III, IV e V requer a realização de juízo de valor, de interpretação das normas e, quando pertinente, de diligências por parte do agente do INSS, o que não ocorre em relação ao CEBAS e ao titulo de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal. 21. Com fulcro nestas afirmações, temse que, para o deslinde da consulta, importam as exigências previstas nos incisos III e V do art. 55 da Lei nº 8.212/91, posto que a verificação dos demais incisos pelo INSS não guarda correlação com a realização de cessão de mãodeobra por parte da entidade que requer a isenção. O inciso IV trata da proibição de se remunerar os diretores. Por sua vez, as exigências para concessão de CEBAS e do titulo de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal não podem ser julgadas pelo INSS (incisos I e II). 22. Quanto ao inciso V, o consulente entende que a entidade que faz cessão de mãodeobra, sem que haja tal previsão em seu estatuto, viola o requisito de aplicação integral do eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais (...). Este inciso não veda a realização eventual de cessão de mãodeobra por parte das entidades beneficentes que não tenham tal previsão em seu estatuto, na medida que, nesta hipótese, de cessão apenas eventual, a entidade estará, tão somente, aproveitando mãodeobra ociosa para obter receita, e não fazendo aplicação de eventual resultado operacional. Por sua vez, se a cessão de mãodeobra não for eventual, e sim habitual, ai sim restará violado o inciso V, bem como o inciso III, ambos do art. 55. A violação nesta hipótese, de cessão onerosa habitual, é muito óbvia e será facilmente visualizada com os argumentos que serão delineados sobre a cessão eventual de mãodeobra. 23. A cessão onerosa de mãodeobra, em regra, desvirtua a promoção de assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes, violando o disposto no inciso III do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Entretanto, quando esta cessão é feita em situações pontuais, de forma eventual, não haverá violação ao inciso III do art. 55, conforme se demonstrará adiante. 25. O Supremo Tribunal Federal, na decisão liminar proferida nos autos da ADIN nº 20285, sinalizou no sentido de que as entidades beneficentes de assistência social podem empreender atividades econômicas para reverter os resultados obtidos em suas atividades assistenciais, ou seja, em seus fins institucionais. É o que se obtém da leitura do seguinte trecho da decisão liminar monocrática proferida pelo Excelentíssimo Sr. Ministro Marco Aurélio nos autos da ADIN nº 20285, verbis: (...). Ora, no caso, chegouse à mitigação do preceito, olvidando se que nele não se contém a impossibilidade de reconhecimento do beneficio quando a prestadora de serviços atua de forma gratuita em relação aos necessitados, procedendo cobrança junto àqueles que possuam recursos suficientes. (...). As exigências estabelecidas em lei não podem implicar verdadeiro Fl. 609DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 31 11 conflito com o sentido, revelado pelos costumes, da expressão "entidades beneficentes de assistência social". Em síntese, a circunstância de a entidade, diante, até mesmo, do principio isonômico, mesclar a prestação de serviços, fazendoo gratuitamente aos menos favorecidos e de forma onerosa aos afortunados pela sorte, não a descaracteriza, não lhe retira a condição de beneficente. 26. Corroborou este entendimento no âmbito do STF o voto do Excelentíssimo Sr. Ministro Moreira Alves que, aprovado por unanimidade pelo plenário, referendou a decisão monocrática proferida pelo Ministro Marco Aurélio. Veja o trecho pertinente do citado voto, verbis: Com efeito, a Constituição, ao conceder imunidade As entidades beneficentes de assistência social, o fez para que fossem a Unido, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios auxiliados nesse terreno de assistência aos carentes por entidades que também dispusessem de recursos para tal atendimento gratuito, estabelecendo que a lei determinaria as exigências necessárias para que se estabelecessem os requisitos necessários para que as entidades pudessem ser consideradas beneficentes de assistência social. E. evidente que tais entidades, para serem beneficentes, teriam de ser filantrópicas (por isso, o inciso II do artigo 55 da Lei 8.212/91 que continua em vigor, exige que a entidade "seja portador do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos"), mas não exclusivamente filantrópica, até porque as que o são não o são para o gozo de benefícios fiscais, e esse beneficio concedido pelo § 7) do artigo 195 não o foi para estimular a criação de entidades exclusivamente filantrópicas, mas, sim, das que, também sendo filantrópicas sem o serem integralmente, atendessem As exigências legais para que se impedisse que qualquer entidade, desde que praticasse atos de assistência filantrópica a carentes, gozasse da imunidade, que é total, de contribuição para a seguridade social, ainda que não fosse reconhecida de utilidade pública, seus dirigentes tivessem remuneração ou vantagens, ou se determinassem elas a fins lucrativos. Aliás, são essas entidades que, por não serem exclusivamente filantrópicas, têm melhores condições de atendimento aos carentes a quem o prestam que devem ter sua criação estimulada para o auxilio ao Estado nesse setor, máxime em época em que, como a atual, são escassas as doações para a manutenção das que se dedicam exclusivamente à filantropia. 27. Obviamente, se é facultado às entidades beneficentes de assistência social mesclar a prestação de serviços, fazendoo gratuitamente aos menos favorecidos e de forma onerosa aos afortunados pela sorte, não há como limitar, a priori, a realização de cessão de mãodeobra por estas entidades, especialmente se considerarmos que grande parte das atividades assistenciais, por sua própria natureza, não suporta cobrança. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 12 28. CONTUDO, TAMBÉM SE REVELA ÓBVIO QUE ESTAS ATIVIDADES EXTRAS, ALHEIAS ÀS FINALIDADES ASSISTENCIAIS DAS ENTIDADES, NÃO PODEM ASSUMIR PROPORÇÕES, NEM FORMAS, QUE DESVIRTUEM A PRÓPRIA NATUREZA DA ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. E nesse sentido que serão traçadas as soluções possíveis para a presente controvérsia jurídica, a fim de delimitar ate onde uma entidade pode ceder mãodeobra, cobrando por seus serviços, com intuito finalístico, nesta atividade, de obter receita, sem que reste suprimida a sua natureza assistencial necessária para o gozo da isenção das contribuições para a seguridade social. 29. O primeiro ponto a ser esclarecido é o de que a cessão onerosa de mãodeobra não atende ao objetivo assistencial de promoção ao mercado de trabalho, previsto no art. 203, III, da Constituição. 30. A pessoa cedida pela entidade para prestar serviços ao tomador não está sendo integrada ao mercado de trabalho em razão da cessão de mãodeobra por um motivo muito simples: ela já é empregada da entidade cessionária, portanto devidamente integrada ao mercado de trabalho. 31. Caso se admitisse que a cessão remunerada de mãodeobra cumpre o objetivo de integração ao mercado de trabalho, toda e qualquer empresa deste ramo de serviços, mesmo voltada para a obtenção de lucro, teria direito à isenção das contribuições para a seguridade social, o que, certamente, não foi intenção do legislador. Esta situação fere, frontalmente, as regras constitucionais e infraconstitucionais de regência da assistência social. 32. A titulo ilustrativo, a integração ao mercado de trabalho pode ser promovida por meio da preparação da pessoa para as exigências do mercado, dotandoa de meios para a obtenção de emprego. O ensino de uma profissão, como a de marceneiro ou mecânico, constitui a mais comum forma de promover a integração de alguém ao mercado de trabalho. 33. Convém elucidar que este objetivo da assistência social integração ao mercado de trabalho pode assumir outras formas de realização, mas é certo que a cessão de mãodeobra não configura, em nenhuma hipótese, a promoção de integração ao mercado de trabalho. Mesmo nas hipóteses em que a entidade ensina a pessoa uma determinada profissão e depois faz a cessão remunerada de sua mãodeobra para terceiros não resta configurada a atividade assistencial de promoção ao mercado do trabalho na cessão de mãodeobra realizada. Somente poderão ser apropriados como assistenciais, conforme o caso, os gastos despendidos na formação profissional desenvolvida pela entidade, caso tenha sido direcionada a pessoas carentes. A cessão de mãodeobra feita posteriormente somente pode ser tida como atividade voltada para a obtenção de receita, portanto alheia à atividade assistencial da entidade. 34. A Divisão de Consultoria de Matéria Tributária da Procuradoria Federal Especializada/INSS, por meio do Parecer/ Fl. 611DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 32 13 CGMT/DCMT nº 18/2003, defendeu bons argumentos no sentido de que a cessão de mãodeobra não configura atividade assistencial, bem como fixou em que situação a cessão de mão deobra não desvirtua a natureza assistencial da instituição. Confira o seguinte trecho do citado parecer, verbis: No pólo oposto, merece ser afastada a imunidade das entidades cuja atividade predominante é a cessão de mãodeobra, sobremodo para o exercício de atividades em nada afetas ao objeto declarado da entidade, em função do qual obteve a isenção, muito menos à própria seguridade social. Nesse ponto sugerese normatização da matéria, até mesmo para que em relação a essas atividades a entidade pague as contribuições pertinentes, pois que a imunidade outorgada pela Constituição Federal, no que toca à contribuição patronal, cingiuse àquela contribuição relativa às pessoas físicas que prestam serviços à própria entidade, de modo a viabilizar a prestação de suas atividades beneficentes, e não a implementação do objeto de terceiros, alheios à benemerência. Isso porque, embora não se negue a faculdade amplamente reconhecida pelo STF de as entidades imunes empreenderem atividades econômicas alheias aos fins assistenciais desde que os resultados assim obtidos sejam revertidos para esses fins, no caso vertente a suposta atividade meio é viabilizada na maioria dos casos exatamente porque prescinde de contribuições para a seguridade social. Tal significa que a entidade, ao ceder trabalhadores desonerados em virtude de esta ser benemerente, não contribui em pecúnia para a seguridade social, tampouco em espécie, porquanto esses trabalhadores fruirão dos benefícios previdenciários, assistenciais e de saúde assegurados pela Constituição Federal sem nada ofertar em contrapartida, senão que uma mãodeobra barata – como decorrência da desoneração – muita vez atuando em searas como limpeza, vigilância e outras alheias à seguridade, beneficiando efetivamente as empresas tomadoras da mãodeobra. HA que se desenhar mentalmente o absurdo da situação para compreender por que os precedentes dos tribunais pátrios aplicamse com cautela extrema à utilização de cessão de mão deobra como forma de angariar fundos para as entidades beneficentes de assistência social, pois não se pode tomar essa máxima para admitir que os recursos para amparar tais entidades decorram de vera evasão fiscal, de burla ao preceito constitucional que atribui a toda a sociedade o custeio da seguridade social, somente desonerando as entidades que beneficentes de assistência social, não as demais, tomadoras da mãodeobra, o que implicaria prejuízo generalizado e afronta ao critério atuarial imperante na previdência social. (...) Deveras, nessa hipótese, patente está a evasão fiscal, eis que a atividade fim, ao invés de ser a benemerência, transmudase em Fl. 612DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 14 atividade meio erigida para viabilizar a atividade fim, qual seja, a cessão de mãodeobra desonerada, clara situação em que se distorce ao propósito da imunidade para permitir que as entidades supostamente imunes impulsionem os negócios de outras empresas através de mãodeobra barata. Leiase: o beneficio é fruído em verdade pelas cessionárias de mãode obra. (...) 3.1. A vista do exposto, por qualquer aspecto que se mire, praticamente insustentável é a imunidade das entidades beneficentes de assistência social que cedem mãodeobra, a não ser naquelas hipóteses pontuais, isoladas, em que não é objeto social da entidade tal atividade, adotando a entidade tal mister em vista da disponibilidade temporária de mãodeobra. 35. Ante o exposto até aqui, concluise que a cessão onerosa de mãodeobra não caracteriza, em nenhuma hipótese, atividade assistencial para o fim de obtenção da isenção das contribuições para a seguridade social. Pelo contrário, é a isenção das contribuições para a seguridade social que atrai as empresas tomadoras de serviços a contratar com as entidades beneficentes, em prejuízo das demais empresas do ramo de terceirização de serviços que pagam contribuição para a seguridade social e não podem oferecer o mesmo preço, o que subverte a finalidade da regra de isenção, que é estimular a realização de assistência social pelos particulares. 36. No fim, quem se beneficia da isenção previdenciária, com a prática de cessão de mãodeobra por entidades beneficentes de assistência social, é a empresa tomadora de serviços, que contrata a cessão a preços menores, e não o público alvo da assistência social. Nesse sentido, a cessão onerosa de mãodeobra, por parte das entidades isentas de contribuição para a seguridade social, deve ser encarada com mais restrição ate do que outras atividades lucrativas que estas entidades venham a realizar, uma vez que o verdadeiro beneficiado nesta operação é a empresa tomadora de serviços, que nada tem de assistencial. 37. A razão de ser do entendimento adotado pelo STF está na necessidade das entidades beneficentes, em face da escassez de doações no Brasil, obterem recurso de alguma outra fonte com vistas ao sustento da atividade beneficente de assistência social. 38. Contudo, a autorização contida na posição da Suprema Corte não é irrestrita a ponto de permitir o desvirtuamento da regra de isenção prevista no art. 195, § 7º, da Constituição. O exame do STF foi muito mais restrito, abarcando aquelas situações bastante comuns de entidades educacionais e de saúde que cobram de alguns alunos e pacientes e prestam serviços gratuitos para outros, em função da situação de carência destes últimos. Não foi autorizada a realização de atividade lucrativa, indiscriminadamente, de forma que as entidades assistenciais pudessem atuar no mercado como qualquer outra empresa com fins lucrativos. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 33 15 39. Conforme salientado, a cessão onerosa de mãodeobra é um exemplo de atividade que não pode ser permitida às entidades beneficentes de assistência social que gozem de isenção previdenciária. Ao menos não de forma livre, sob pena de extensão da garantia prevista no art. 195, § 7º, da Constituição, a toda e qualquer empresa que queira contratar mãodeobra terceirizada das entidades beneficentes de assistência social. 40. Da exposição acima resulta que as entidades que realizam cessão remunerada de mãodeobra não podem, em regra, serem consideradas beneficentes de assistência social, e, portanto, não fazem jus ã isenção prevista no art. 195, § 7º, da Constituição. Entretanto, é possível estabelecer, a partir de um esforço hermenêutico, situações muito especiais em que a cessão onerosa de mãodeobra pode ser feita sem retirar a natureza beneficente de assistência social da entidade. 41. Tais hipóteses passam necessariamente pela verificação de dois critérios, a saber: caráter acidental da cessão onerosa de mãodeobra em face das atividades desenvolvidas pela entidade beneficente; e mínima representatividade quantitativa de empregados cedidos em relação ao número de empregados da entidade beneficente. 42.O primeiro critério está em verificar se a entidade realiza contratações com o objetivo precipuo de fazer a cessão onerosa de miodeobra. Se a entidade realiza a contratação de empregados com vistas, exclusivamente, a realizar cessão de miodeobra destes empregados não fará jus à isenção das contribuições para a seguridade social. Em outras palavras, a entidade beneficente somente pode realizar a cessão de mãode obra em situações pontuais, em que os empregados cedidos tenham função dentro de suas próprias atividades que devem ser assistenciais mas estejam ociosos por motivos alheios à vontade da instituição. Se um ou alguns empregados são contratados, primordialmente, para prestarem serviços a terceiros, a entidade não pode ser considerada beneficente de assistência social, pois esta atividade não será acidental. 43. O segundo critério mínima representatividade quantitativa de empregados cedidos em relação ao número de empregados da entidade beneficente deve ser examinado caso a caso, com atenção aos seguintes fatores: ociosidade eventual, e não provocada, da força de trabalho; existência ou não de prejuízos para as atividades fins da instituição; caráter temporário da cessão onerosa de mãodeobra; e aspecto subsidiário da atividade de cessão de mãodeobra. 44. Os empregados eventualmente cedidos, de forma remunerada, devem estar sem função na entidade assistencial em razão de fatores alheios à. vontade da própria entidade assistencial, como, por exemplo, no caso de redução da demanda. Caso a entidade contrate empregados sem necessidade, ou seja, sem função em suas atividades normais, e, Fl. 614DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 16 logo em seguida, faça a cessão remunerada destes empregados, restará caracterizada a ociosidade desejada da força de trabalho. Nessa hipótese, e em outras situações semelhantes, a entidade não fará jus à isenção prevista no art. 55 da Lei nº 8.212/91, por descumprimento do seu inciso III pois estará visando, primordialmente, a realização de cessão de mãode obra como atividade principal. 45. A cessão de mãodeobra não pode interferir no bom desempenho das atividades fins da entidade, ou seja, a força de trabalho cedida não pode afetar as atividades próprias das entidades beneficentes de assistência social, que não se confundem com a realização de cessão de mãodeobra. A manutenção das atividades assistenciais no mesmo patamar e qualidade anteriores à cessão onerosa da mãodeobra deve ser observada, sob pena de restar configurada a prevalência do intuito lucrativo, contido na cessão, em detrimento do fim assistencial exigível da entidade isenta. 46. A atividade de cessão remunerada de miodeobra não pode prolongarse demasiadamente, com a celebração de novos contratos seguidos um do outro. Como afirmado anteriormente, a cessão tem que ser eventual, celebrada em situações pontuais e isoladas. A sedimentação de um patamar mais baixo de demanda da força de trabalho, para as atividades típicas da entidade, deve ser acompanhada da dispensa dos empregados ociosos, e não da perpetuação da cessão de mãodeobra, na medida que a cessão somente foi autorizada em função da diminuição da quantidade de trabalho nas atividades próprias da entidade. 47. Por fim, devem ser examinados e valorados, no caso concreto, outros fatores quaisquer que indiquem ser a cessão onerosa de mãodeobra a atividade primordial da entidade. A cessão de mãodeobra só é permitida às entidades beneficentes num patamar mínimo em relação ao todo das atividades por elas desenvolvidas, de forma a emprestarlhe sempre um caráter subsidiário na vida da instituição assistencial. 48. Enfim, a realização de cessão de mãodeobra pelas entidades assistenciais tem que ser EVENTUAL, NÃO PREJUDICIAL, TEMPORÁRIA, SUBSIDIARIA, ACIDENTAL e dirigida à manutenção da atividade assistencial da instituição, sob pena de violação do art. 55, III, da Lei nº 8.212/91, e, conseqüentemente, de cancelamento ou indeferimento da isenção das contribuições para a seguridade social. 49. Cumpre esclarecer que o fato do estatuto da entidade prever ou não a cessão de mãodeobra como atividade fim não tem relevância para o exame do pedido de isenção, pois o que importa é se a entidade faz ou não, efetivamente, a cessão onerosa de mãodeobra. Ainda que conste do seu estatuto a previsão dessa atividade, a entidade que ceder mãodeobra fora dos critérios fixados no presente parecer não faz jus â isenção das contribuições para a seguridade social. De outro lado, se constar do estatuto a atividade de cessão de mãodeobra, mas a entidade não a tiver desenvolvido efetivamente, não pode ter o seu pedido negado com base na previsão estatutária. 0 que Fl. 615DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 34 17 importa e deve ser examinado é se foi feita, de fato, a cessão onerosa de mãodeobra. 50. Ante o exposto concluise que somente poderão realizar cessão de mãodeobra, sem perder a isenção prevista no art. 55 da Lei nº 8.212/91, as entidades que atendam dois critérios, a saber: CARÁTER ACIDENTAL da cessão onerosa de mãode obra em face das atividades desenvolvidas pela entidade beneficente; E MÍNIMA REPRESENTATIVIDADE QUANTITATIVA DE EMPREGADOS CEDIDOS EM RELAÇÃO AO NÚMERO DE EMPREGADOS DA ENTIDADE BENEFICENTE. As entidades que fazem cessão de mãodeobra sem atentar para um destes dois critérios, na forma descrita no corpo do presente parecer, violam a exigência do inciso III do art. 55 da Lei nº 8.212/91 e não fazem jus à correspondente isenção. o parecer é claro acertado: a realização de cessão de mãodeobra pelas entidades assistenciais tem que ser eventual, não prejudicial, temporária, subsidiária, acidental, porém nada disso ocorreu no caso em tela, uma vez que a entidade cedeu mais de 60% dos seus empregados e prosseguiu na atividade de cessão por mais de um ano ininterrupto, continuamente exercendo a atividade remunerada; por fim, alem disso, a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes é farta em precedentes que apontam para a pertinência e validade do multicitado art. 55 da Lei nº. 8.212/91, conforme os acórdãos abaixo reproduzidos: "COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. ISENÇÃO. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. Para o gozo da imunidade estatuída pelo art. 195, § 7º, da Constituição Federal, ou da isenção aplicável as instituições de educação e de assistência social, carece sejam obedecidos os requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Recurso negado. [Acórdão n2. 20310818]". "COFINS. IMUNIDADE. As entidades beneficentes que prestam assistência social no campo de educação, para gozarem da imunidade constante do § 7º do art. 195 da Constituição Federal, devem atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. BASE DE CALCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 32 da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Recurso provido em parte. [Acórdão n2: 202 17.484]. há que reconhecer, diante de tudo o que foi explicitado, e, sobretudo, pelas razões do Parecer CJ MPAS nº 3.272/2004, que a entidade deve ter a sua imunidade cancelada e que decisão recorrida operou violação ao art. 55, III, da Lei nº 8.212/91. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 18 c) Descumprimento dos demais requisitos do art. 55 da Lei n°. 8.212191 vislumbrase, outrossim, que a entidade, além de não ter atendido ao requisito do inciso III, do art. 55 da Lei nº 8.212/91, deixou também de observar as demais exigências obrigatórias, a exemplo dos incisos IV e V da mesma norma; assim, importa que essa Col. CSRF não admita a manutenção da imunidade sem o atendimento desses requisitos, reconhecendo, nesse passo, que a r. decisão recorrida colidiu com os demais preceitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, por deferir o beneficio fiscal sem avaliar o seu devido cumprimento; d) Violação ao art. 111 do CTN a afronta ao art. 111 do CTN tem lugar quando, ante os argumentos esposados, a r. decisão recorrida opta por uma interpretação ampliativa de norma que defere beneficio fiscal; diante do exposto, concluise que a entidade não faz jus a imunidade do artigo 195, §7º da Constituição Federal, por não atender aos requisitos legais, devendo ser confirmado o Ato Cancelatório; nos termos do Parecer MPAS n 2. 3272/2004, a cessão de mãodeobra, por parte de entidades assistenciais, deve ser eventual, acidental, e comprometer mínima quantitativa de empregados cedidos em relação ao número de empregados da entidade beneficente, diferentemente do que foi praticado pela Fundação são Camilo; a r. decisão objurgada merece reforma, pois, nos termos em que esta posta, viola a prova dos autos e os seguintes dispositivos legais: art. 2º da LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social (Lei nº 8.472/93); art. 55 e seus incisos III, IV e V. da Lei nº 8.212/91; e art. 111, inciso II, do CTN. Ao final, a Fazenda Nacional pede seja admitido o recurso, pugnando para que, no mérito, lhe seja dado provimento, mantendose o cancelamento da imunidade. Cientificada do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 21/10/2009 (fls. 273), a Contribuinte ofereceu, por meio de correspondência postada em 04/11/2009, as ContraRazões de fls. 276 a 284, contendo os seguintes argumentos, em resumo: o ilustre Procurador da Fazenda Nacional volta a repisar temas já analisados e devidamente rechaçados pelo irreparável teor do Acórdão do então 2° Conselho de Contribuintes; ao contrário do entendimento do ilustre Procurador, o atacado acórdão não faz referência a tal situação, mas, em se pensando nas atividades realizadas pela Contribuinte, é justamente isto o que ela faz, e vem discutindo tal desde o início deste processo quando equivocadamente foi autuada pela zelosa fiscalização; como bem explicitado no acórdão, não existe agressão ao art. 2° da LOAS, ainda que a entidade assistencial preste serviços por meio de cessão de mãodeobra, e ainda que tal atividade reflita significativamente na sua receita, bem como na própria disponibilidade de seus funcionários, considerando o seu dever de promover a assistência social que lhe compete, se ainda assim, a entidade execute essa promoção assistencial por outros meios; Fl. 617DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 35 19 a Contribuinte é uma entidade filantrópica de assistência social, que realmente presta atendimento social na área de saúde a uma população de aproximadamente 120.000 (cento e vinte mil) cidadãos, nas cidades de Aracruz, Ibiragú, João Neiva e Fundão, além de outros que buscam atendimento em suas dependências; desta forma, afirmar ou alegar, como quer o Procurador da Fazenda Nacional, de que foi contrariado o art. 2° da LOAS, é um verdadeiro atentado ao trabalho realizado pela Contribuinte; este, sem dúvida, é um sólido argumento para que seja mantido o venerando acórdão do 2° Conselho de Contribuintes. também não assiste razão ao Procurador da Fazenda Nacional, quando afirma que houve contrariedade ao art. 55 e seus incisos III, IV e V da Lei 8.212, de 1991; tal alegação vem sendo rechaçada desde o início do procedimento, e volta agora a ser levantada pelo Procurador; a Contribuinte já provou e comprovou que tal dispositivo não foi em nenhum momento contrariado, senão vejamos : Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. tanto o fiscal quanta agora o Procurador da Fazenda Nacional, querem fazer crer que a Contribuinte teria mudado sua atividade, deixando de fazer assistência social e se tornando uma empresa de cessão de mãodeobra; tal argumento não prosperou junto ao 2° Conselho de Contribuintes, e também não pode prosperar junto a essa colenda corte; em momento nenhum a cessão de mãodeobra ficou sendo a atividade preponderante da Contribuinte; a condição para que uma empresa possa ser considerada como “cedente de mãodeobra” é explicitada no art. 219 do RPS, onde fica estabelecido que condição é “que o contratado coloque à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos”; Fl. 618DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 20 o contrato que a Contribuinte manteve por um curto espaço de tempo com a municipalidade, em momento nenhum levou a tal escopo, pois a relação contratual estabelecia o “atendimento nas residências e domicílios dos idosos, excepcionais, menores e pessoas carentes”, e jamais no estabelecimento da contratante ou ainda de terceiros; se não houve colocação de segurados nas dependências do contratante, ou ainda em terceiros, não há que se falar em cessão de mãodeobra; não houve por parte da Contribuinte, como quer fazer crer o Recorrente, que aquela passou a exercer atividade empresarial, e isto está robustamente comprovado nos autos do processo; o Parecer da Consultoria Jurídica do MPAS de n° 3.372/2004 (fls 238 e anexo às fls 254), citado pelo Recorrente, é favorável à Contribuinte no sentido de afirmar que: ...somente poderão realizar cessão de mãodeobra, sem perder a isenção prevista no art. 55 da Lei no 8.212/91, as entidades que atendam dois critérios, a saber : 1. CARÁTER ACIDENTAL DA CESSÃO ONEROSA DE MÃODEOBRA EM FACE DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA ENTIDADE BENEFICENTE; e 2. MÍNIMA REPRESENTATIVIDADE QUANTITATIVA DE EMPREGADOS CEDIDOS EM RELAÇÃO AO NÚMERO DE EMPREGADOS DA ENTIDADE BENEFICENTE. o Parecer acima é admitido apenas ad argumentandum tantum à vista de efetivamente como já comprovado nos autos a Contribuinte não haver praticado cessão de mãodeobra; mas, se fosse o caso, o caráter acidental estaria presente, já que foi por um curto espaço de tempo, bem como a questão relativa aos seus empregados, já que todos que trabalhavam com os programas de saúde e fazendo assistência social no domicilio dos cidadãos atendidos. para a Contribuinte parece que equivocouse o ilustre Recorrente, dizer que aquela contrariou os dispositivos dos incisos III, IV e V do Art. 55 da Lei nº 8.212/91; onde teria contrariado? No inciso III? Não, isto já está definitivamente comprovado. Nos incisos IV e V? Muito menos; não dá para entender porque o Sr. Procurador citou tais dispositivos se em seu recurso qualquer menção fez a eles; aliás, são assuntos novos no processo, pois o fiscal autuante não levantou as hipóteses estabelecidas nos incisos IV e V, do art. 55 da Lei n° 8.212/91; mas, mesmo assim, é bom que se registre, tais disposições legais são seguidas à risca pela Contribuinte, já que seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, não recebem ou percebem qualquer remuneração, bem como não usufruem vantagens ou benefícios a qualquer titulo; é bom que se frise também que a Contribuinte aplica integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos Fl. 619DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 36 21 institucionais, apresentando anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades; a Contribuinte é uma entidade beneficente de assistência social na área de saúde, atuando na região polinorte do Estado do Espírito Santo, há mais de 40 (quarenta anos), sendo esta a primeira vez que recebe fiscalização com autuação deste jaez; também por esta razão deve ser mantido o acórdão recorrido; tampouco pode prosperar a alegação do Recorrente que o acórdão contrariou o estabelecido no inciso II do Artigo 111 do CTN; com efeito, o inciso II do Art. 111 do CTN estabelece que a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente; é estranha a alegação do Recorrente, está tudo bem claro na ementa do acórdão guerreado; a legislação foi interpretada desta forma, literalmente, ou seja, do jeito que está escrita; ao contrário do que fazer crer o Recorrente, não houve qualquer interpretação ampliativa, mas a interpretação do 2° Conselho de Contribuintes foi restritiva e dentro do estabelecido na legislação; em que pese a consideração do Ilustre Presidente dessa Egrégia Câmara onde, em seu despacho alegou : “.... verifico que ficou demonstrado, fundamentadamente, em que a decisão recorrida seria contraria à lei ou à evidência dos fatos....” o que se demonstrou nestas ContraRazões é que não assiste razão ao ilustre Procurador, mas que o v. acórdão seguiu no sentido da lei, e da evidência dos fatos; assim, espera e confia o Contribuinte seja desconsiderado o Recurso Especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendose em seu inteiro teor o acórdão recorrido, a uma por não haver a Contribuinte infringido a norma do art. 2° da LOAS; a duas por não haver a Contribuinte desobedecido em qualquer momento a norma dos incisos III, IV e V da Lei n° 8212/91; a três por não haver no acórdão qualquer interpretação que possa ser considerada como ampliativa, mas de acordo com o estabelecido no art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi incluído na pauta de julgamento de 11/05/2011. Nesta oportunidade, o recurso foi retirado de pauta, conforme o Despacho nº 00.254, com o seguinte teor (fls. 296): “Versa o presente processo acerca de cancelamento de isenção de contribuições sociais em relação ao contribuinte em epígrafe. O processo encontrase, com recurso especial interposto pela Fazenda Nacional pendente de apreciação, tendo sido distribuído ao Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior que pediu sua inclusão em pauta na Sessão de julgamento do mês de maio de 2011. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 22 Durante a sessão, o conselheiro Elias Sampaio Freire informou da novel alteração da legislação no tocante aos processos de isenção, destacando a necessidade de sua aplicação. Nesse contexto, em razão do novo regramento jurídico em relação à matéria, qual seja, a Lei n° 12.201/2009 e o Decreto n° 7.237/2010, para processos cuja controvérsia relacionase a isenção das contribuições previdenciárias e que não estejam definitivamente julgados, devese observar as disposições do art. 45 do referido decreto, in verbis: Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato . gerador. Vêse, portanto, que o art. 45 do Decreto.n° 7.237/2010, determina a devolução dos autos ao órgão de origem. Desse modo, remeto este processo à Secretaria para que esta tome as providências necessárias ao atendimento da legislação.” Destarte, o processo foi encaminhado à DRF em Vitória/ES, que direcionou os autos à Fiscalização, para cumprimento da nova legislação. O Auditor Fiscal responsável assim se pronunciou, em 06/09/2011 (fls. 303): “A Auditoria do Contribuinte FUNDAÇÃO HOSPITAL MATERNIDADE SÃO CAMILO foi feita concomitante com Auditoria da PREFEITURA DE ARACRUZ . Em decorrência dos contratos de prestação de serviços feitos pela FUNDAÇÃO HOSPITAL MATERNIDADE SÃO CAMILO com a PREFEITURA DE ARACRUZ é que foi solicitada cancelamento de isenção . Na Auditoria da Prefeitura de Aracruz , encerrada em 16/06/2006, foi incluída uma NFLD — Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de número 35.775.9257. Esta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi emitida para cobrar as contribuições de 21% ( 20 + 1% de RAT ) da Prefeitura de Aracruz. Esta notificação teve por base os Salários de Contribuição dos Segurados Empregados cedidos pela Fundação ã Prefeitura de Aracruz . A fundação já havia recolhido os descontos de Segurados. A Prefeitura de Aracruz não apresentou defesa e parcelou o débito.” Finalmente, o processo foi devolvido ao CARF, com o seguinte despacho, de 30/09/2011 (fls. 304): “1. Tratase o presente processo de cancelamento de isenção de contribuições previdenciárias em relação ao contribuinte acima identificado. 2. O processo foi devolvido à origem para verificação dos requisitos da isenção na forma estabelecida pelo art. 45 do Decreto nº 7.237/2010 c/c o art. 32 da Lei no 12.101/2009. 3. O auditor Jeferson Mergon Vieira, matrícula 0.887.004, em atendimento ao processo emitiu a Informação Fiscal de fls. 303, Fl. 621DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 37 23 onde informa que os créditos previdenciários referentes ao período fiscalizado foram devidamente cobrados. 4. Ao Chefe do SEFIS, sugerindo encaminhamento ao SAPAC/DRF/VIT, para subsidiar futuras fiscalizações na empresa em referência.” Fl. 622DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 24 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando ponderar acerca de demais questões relativas ao seu conhecimento. Tratase de Ato Cancelatório de Isenção, tendo em vista a prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Distribuído o recurso na Câmara Superior de Recursos Fiscais, este foi retirado da pauta de julgamento de 11/05/2011, tendo em vista a superveniência da Lei n° 12.201, de 2009, e do Decreto n° 7.237, de 2010, que assim dispuseram: “Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente.” (Lei nº 12.201, de 2009) “Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador.” (Decreto nº 7.237, de 2010) Assim, o processo foi enviado à DRF em Vitória/ES, para cumprimento da legislação acima, retornando ao CARF com informação da Fiscalização e despacho da DRF, conforme a seguir: Parecer (fls. 303) “A Auditoria do Contribuinte FUNDAÇÃO HOSPITAL MATERNIDADE SÃO CAMILO foi feita concomitante com Auditoria da PREFEITURA DE ARACRUZ . Em decorrência dos contratos de prestação de serviços feitos pela FUNDAÇÃO HOSPITAL MATERNIDADE SÃO CAMILO com a PREFEITURA DE ARACRUZ é que foi solicitada cancelamento de isenção . Na Auditoria da Prefeitura de Aracruz , encerrada em 16/06/2006, foi incluída uma NFLD — Notificação Fiscal de Fl. 623DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO Processo nº 35061.001237/200671 Acórdão n.º 9202003.175 CSRFT2 Fl. 38 25 Lançamento de Débito de número 35.775.9257. Esta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi emitida para cobrar as contribuições de 21% ( 20 + 1% de RAT ) da Prefeitura de Aracruz. Esta notificação teve por base os Salários de Contribuição dos Segurados Empregados cedidos pela Fundação ã Prefeitura de Aracruz . A fundação já havia recolhido os descontos de Segurados. A Prefeitura de Aracruz não apresentou defesa e parcelou o débito.” Despacho (fls. 304): “1. Tratase o presente processo de cancelamento de isenção de contribuições previdenciárias em relação ao contribuinte acima identificado. 2. O processo foi devolvido à origem para verificação dos requisitos da isenção na forma estabelecida pelo art. 45 do Decreto nº 7.237/2010 c/c o art. 32 da Lei no 12.101/2009. 3. O auditor Jeferson Mergon Vieira, matrícula 0.887.004, em atendimento ao processo emitiu a Informação Fiscal de fls. 303, onde informa que os créditos previdenciários referentes ao período fiscalizado foram devidamente cobrados. 4. Ao Chefe do SEFIS, sugerindo encaminhamento ao SAPAC/DRF/VIT, para subsidiar futuras fiscalizações na empresa em referência.” De todo o exposto, depreendese que a matéria objeto dos autos – perda do direito à isenção, mediante a emissão de Ato Cancelatório – está sujeita a um novo rito, que não mais inclui a apreciação por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Por outro lado, o presente Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional antes da alteração da respectiva legislação, encontrase pendente de solução. Nesse passo, não havendo como adentrar ao mérito da matéria, a única solução cabível é o não conhecimento do recurso, que restou sem objeto, ressalvandose que tal posicionamento não implica na convalidação da decisão recorrida. Isso porque, repita se, a matéria em tela hoje comporta novos procedimentos, que não a emissão/cancelamento de atos, mas sim a verificação direta acerca do atendimento aos requisitos necessários à isenção, com a adoção das medidas necessárias à exigência do cumprimento das obrigações tributárias, se for o caso. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, ressalvando que, conforme a informação da fiscalização às fls. 303/304, no presente caso já foi aplicada a nova sistemática relativa à isenção, apurandose crédito tributário objeto de parcelamento, nada mais restando a este Colegiado decidir. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 624DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO 26 Fl. 625DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2 014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA V ALADAO
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Numero do processo: 10580.004860/2002-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 15/05/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 3202-001.177
Decisão: Recurso voluntário não conhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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RESSARCIMENTO Recorrente RIO DOCE MANGANÊS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/05/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 48 60 /2 00 2- 62 Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.004860/200262 Acórdão n.º 3202001.177 S3C2T2 Fl. 1.566 2 Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, que não reconheceu o direito de crédito apresentado pela Recorrente: Tratase de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório do Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT da DRF Salvador/BA n°481, 10/07/2006, fls.119/122, que declarou não homologada a compensação da Cofins dos PA de abril//2002, junho/2002 e novembro/2002, requerida nos Pedidos de Compensação de fls.01, 21 e 39 nos valores de R$201.104,79, R$143.115,66 e R$257.123,94 por considerar desatendidas as exigências especificadas nos atos normativos que regem o ressarcimento/compensação de tributos administrados pela RFB, contida no art.4°, §4° da IN SRF n°23, de 1996; art.8°, §§6° e 7°, art.11 da IN SRF n°21, de 1997; art.9°, caput e §1°, art.11, §4° da IN 23, de 1997, e insuficiente a demonstração do direito alegado ante a não apresentação da documentação necessária à instrução e saneamento do processo que permitisse a apreciação do pleito. Consta no Despacho Decisório que a compensação foi indeferida inicialmente, com base no Parecer n°399/04 — SEORTPJ, de (fls.58/60), em razão de a interessada não ter informado nas declarações de compensação o número do pedido de ressarcimento no campo 3 do formulário, informando em seu lugar, o número do presente processo em epígrafe ( 11.39). Além disso juntou cópia incompleta da DCTF, referente ao 1° trimestre/2002, com apuração do crédito presumido com custo integrado pela Lei n°9.363/96 (fls.14/18), em contradição com o que consta na planilha referente ao 1° trimestre/2002 (11.38), apurada com base na Lei n°10.276, de 2001, acrescida do 3° trimestre/2002 (fl.55). Contudo, através do Acórdão DRJ/Recife n°12.636, de 30/06/2005 (fls.102/107), a decisão foi anulada para que a interessada fosse intimada a apresentar informações necessárias ao exame do mérito. Para instrução do processo a contribuinte juntou os pedidos de ressarcimento de IPI (fls.84, 86, 93, 96 e 99), nos quais omite o trimestre de apuração, mas informa serem retificadoras, bem como as DCOMP de fls.83, 87, 95, no qual informa como origem do crédito o próprio número do processo ora sob julgamento, e às fls.85 e 98, outras DCOMP como retificadoras, mas contendo como origem do crédito o pedido de ressarcimento 10580.004861/200215, estatuto social e ata de assembléia e CND, cópia do LRAIPI, referente ao 2° deandio de maio/2002 (fls.90 e 100), 2° decêndio de julho/2002 (fls.89 e 94) e 2° decêndio de dezembro/2002 (fls.88 e 97). No cumprimento ao determinado pela DRJ/Recife, foram expedidas as intimações de n°450 e 528 (fls.109/110 e fls.117/118, respectivamente, esta última recepcionada pela contribuinte em 19/12/2005, que não logrou prestar qualquer atendimento), solicitando preenchimento do Pedido de Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.004860/200262 Acórdão n.º 3202001.177 S3C2T2 Fl. 1.567 3 ressarcimento de crédito presumido do IPI com valor correspondente ao apurado na DCTF, respectivo trimestrecalendário, preenchimento do campo 4, cópia assinada do LRAIPI do trimestre constante do pedido, cópia do lançamento contábil do estorno do crédito na conta custos, com seus títulos informados. decendios de dezembro/2002, alegando que a manifestação de inconformidade é tempestiva e que formalizou Pedidos de Compensação de débitos da Cofins dos PA de 04, 06 e 11/2002 com créditos de IPI perfazendo R$601.344,39. Contudo, seu pleito foi indeferido sob a alegação de que não atendeu ao §4 0 do art.4° da IN SRF n°23/96, art.8° da IN SRF n°21/97, mas tais alegações não podem prosperar em face do art.74 da Lei n°9.430/96 que não impõe qualquer restrição ao direito do contribuinte, sendo admitida a formalização da compensação com a simples apresentação de pedido de compensação, admitido ainda que este possa ser apresentado após um pedido de ressarcimento, conforme art.12 e §§ da IN SRF n°21/97, demonstrandose sua desnecessidade, pois a apuração do crédito pela contribuinte se dá antes de sua pretensão de compensálo. Não se aplica a IN SRF 210/2002, já em vigência quando da apresentação do pedido de compensação, conforme disposição do art.21. Quanto ao não preenchimento do "campo 4" fica cristalino que o não preenchimento significa que a contribuinte não possuía quaisquer processos administrativo ou judicial que viesse acarretar a redução do seu crédito. Não merece prosperar o argumento de não apresentação de cópia da DCTF com comprovação de efetiva entrega porque em nenhum momento a DCTF foi solicitada interessada, que por cautela apresentou cópia. 0 que se requeria era cópia da DCP, mas a Receita Federal possui meios suficientes para obter as informações necessárias à verificação do direito do contribuinte. Requer a reforma do despacho e homologação da compensação. Quanto ao argumento de que a escrituração da contribuinte não está condizente com a legislação documentação apresentada, há muito possui autorização da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia para emitir seus livros eletronicamente, não se justificando o posicionamento da Receita Federal em não homologar o pleito porque a Administração encontrase adstrita ao principio da busca da verdade material. 0 processo foi encaminhado a DRJ/Salvador tendo em vista o disposto no Anexo V, da Portaria SRF 179, de 13/02/2007, publicada no DOU em 14/02/2007, f1.154, verso. A decisão de fls. 156 e seguintes, proferida pela DRJ de Salvador, foi assim ementada: RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEFERIMENTO A alegação do contribuinte acerca de direito de crédito de IPI deverá ser devidamente fundamentada e acompanhada dos elementos que comprovem a inequívoca e real existência dos créditos. Deve ser indeferido pedido de ressarcimento de créditos do IPI, sem a devida prova documental e escritural e sem amparo na legislação de regência. Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.004860/200262 Acórdão n.º 3202001.177 S3C2T2 Fl. 1.568 4 Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente protocolou recurso voluntário reiterando os termos anteriormente apresentados e juntado mais de dois volumes de documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior Muito embora o Recurso Voluntário apresentado tenha sido tempestivo, não deve ser conhecido em decorrência do pedido de desistência apresentado posteriormente pela Recorrente. Como relatado, a Recorrente apresentou petição em 24/01/2014 informando a desistência, de forma irrevogável, do recurso voluntário, bem como renunciando a qualquer direito sobre o que se fundamenta o presente processo administrativo, tendo em vista o pagamento do débito com os benefícios da Lei nºs 11.941/2009. No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (Portaria MF nº 256, de 2009) em seu Anexo II, verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (grifamos) Ressaltese, que a competência para apreciar/deferir os valores que incluiu, espontaneamente, após a autuação, em pagamento/parcelamento, pertence à unidade de jurisdição da recorrente e o rito processual foge ao Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), por considerarse encerrado o litígio instaurado. Pelo exposto, voto em não conhecer o recurso voluntário. Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10580.004860/200262 Acórdão n.º 3202001.177 S3C2T2 Fl. 1.569 5 É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727399/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/08/2008
ALÍQUOTA GILRAT - BANCOS COOPERATIVOS
Os Bancos Cooperativos devem contribuir com a alíquota de 1%, sobre a remuneração dos segurados empregados para o custeio do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, conforme CNAE 6424-7/01, de acordo com anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, na redação dada pelo Decreto 6.042/2007.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-003.149
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício, que pugnou pela improcedência do lançamento, porquanto o sujeito passivo se enquadra no CNAE 6424-7/01, com alíquota de 1%, como vinha recolhendo, não havendo que se falar em lançamento de qualquer diferença a este respeito.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/08/2008 ALÍQUOTA GILRAT - BANCOS COOPERATIVOS Os Bancos Cooperativos devem contribuir com a alíquota de 1%, sobre a remuneração dos segurados empregados para o custeio do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, conforme CNAE 6424-7/01, de acordo com anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, na redação dada pelo Decreto 6.042/2007. Recurso de Ofício Negado
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Recurso de Ofício Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício, que pugnou pela improcedência do lançamento, porquanto o sujeito passivo se enquadra no CNAE 64247/01, com alíquota de 1%, como vinha recolhendo, não havendo que se falar em lançamento de qualquer diferença a este respeito. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 73 99 /2 01 1- 00 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório O presente processo referese ao Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.333.2955 , relativo às contribuições previdenciárias referentes aos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados nas competências de 06/2007 a 08/2008, e ao Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.333.2963, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s a do período de 06/2007 a 08/2008, a alíquota de 1% do GILRAT, quando deveria ter informado 3%. Os autos de infração foram lavrados em 27/10/2011 e cientificados ao sujeito passivo, através de registro postal em 31/10/2011. O Relatório Fiscal de fls. 12/29, diz que o crédito referese à diferença da alíquota do GILRAT, à razão de 2%, porquanto a partir da competência 06/2007, os Bancos Comerciais com CNAE 64212/00, passaram a recolher a alíquota de 3% para os riscos ambientais do trabalho, conforme disposto pelo Decreto n.º 6.042/2007. Entretanto, a autuada continuou a recolher a alíquota de 1%, gerando o débito ora lançado. A recorrente impugnou a autuação dizendo que por se tratar de Banco Cooperativo a alíquota a ser recolhida para o SAT/RAT é de 1%. Acórdão de fls. 183/187, julgou procedente a impugnação, exonerou o crédito lançado e recorreu de ofício da decisão, com a seguinte ementa: ALÍQUOTA GILRAT. A alíquota a ser aplicada e declarada em GFIP pelos bancos cooperativos no cálculo da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é de 1% sobre a remuneração dos empregados, no período fiscalizado, com base no Decreto 6.042/2007. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.727399/201100 Acórdão n.º 2302003.149 S2C3T2 Fl. 193 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da análise da decisão recorrida, objeto deste Recurso de Ofício, entendo estar correto o procedimento nela adotado. O levantamento referese exclusivamente à diferença na alíquota de GILRAT, porque o Fisco entendeu se aplicar o CNAE 64212/00 , relativo a Banco Comercial, com alíquota de 3%. Ocorre que do exame dos autos e da documentação juntada em sede de impugnação, mais precisamente os Estatutos do Banco Cooperativo do Brasil S/A às fls. 104 a 168, vislumbrouse que o mesmo funciona como banco cooperativo e portanto se enquadra no CNAE 64247/01, com alíquota de 1%, como vinha recolhendo, não havendo que se falar em lançamento de qualquer diferença a este respeito. O anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, na redação dada pelo Decreto 6.042/2007, traz o grau de risco leve para as atividades desenvolvidas pelos bancos cooperativos CNAE 64247/01, fixando a alíquota GILRAT em 1%. Da mesma forma, não há que se falar de descumprimento de obrigação acessória consubstanciada no Auto de Infração lavrado no Código de Fundamento Legal 68, por incorreção na alíquota de GILRAT informada, porquanto foi informada corretamente no período de 06/2007 a 08/2008, na razão de 1%, de acordo com anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, na redação dada pelo Decreto 6.042/2007. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao Recurso de Ofício, que julgou improcedente o lançamento. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 194DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 19395.720288/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
CUSTOS/DESPESAS NÃO NECESSÁRIOS. GLOSA. PROVA.
São indedutíveis custos e despesas que, segundo contratos firmados, constituem obrigações de terceiros.
Numero da decisão: 1302-001.321
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. Designado Redator para o acórdão o Conselheiro Waldir Rocha.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. Designado Redator para o acórdão o Conselheiro Waldir Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior
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GLOSA. PROVA. São indedutíveis custos e despesas que, segundo contratos firmados, constituem obrigações de terceiros. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. Designado Redator para o acórdão o Conselheiro Waldir Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 72 02 88 /2 01 2- 16 Fl. 3160DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.161 2 Trata o presente processo de auto de infração de IRPJ e CSLL, consubstanciando exigências de R$ 4.711.687,00 e R$ 1.732.098,79, respectivamente, acrescidos de juros e multa de 75%. Das diferenças tributáveis apuradas foram deduzidos os prejuízos/bases negativas do próprio período e de períodos anteriores. Conforme descrição dos fatos, as autuações tiveram como fundamento glosa de despesas que totalizam R$ 29.941.444,64 das seguintes contas contábeis: Os fatos apurados e as conclusões alcançadas foram assim sintetizados: Breve Histórico dos Fatos : observase, no mercado das empresas periféricas à Petrobrás, a seguinte prática: uma pessoa jurídica estrangeira, interessada em prestar serviços para a Petrobrás, cria uma empresa segundo as leis brasileiras, com sede em território nacional, da qual detem o controle acionário. a Petrobrás firma contratos distintos, um com a empresa estrangeira, que é de afretamento de embarcações, e o outro, com a empresa nacional, de prestação de serviços. No caso concreto, foi possível apurar as discrepâncias remuneratórias dos contratos de afretamento, onde figuram em conjunto como contratadas pela Petrobrás, as empresas brasileira de navegação, MARÉ ALTA DO BRASIL e a empresa estrangeira JAVA BOAT CORPORATION. em diligência na Petrobrás, a fiscalização solicitou informações sobre os valores pagos no ano de 2008 para cada empresa relativos aos contratos de afretamento e serviços, visto que os contratos apresentados pela fiscalizada não traziam estes valores claramente discriminados, apenas eram estabelecidas em seus anexos as condições gerais de pagamento. pela análise das informações apresentadas, observou a fiscalização que em alguns contratos, a empresa Maré Alta recebeu apenas 10% do valor total dos valores pagos Fl. 3161DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.162 3 pelos contratos de afretamento e serviços, tendo sido destinado à Java Boat 90% do montante total pagos pelo mesmo contrato de afretamento. tomando como exemplo o contrato de afretamento n. 2050.0031525.07.2 envolvendo a embarcação Carline Tide, apurou que foram pagos USD 5.406.982,80 à Java Boat em 2008, enquanto à MARÉ ALTA recebeu apenas R$ 41.002,77. Porém, pelo contrato de serviços vinculado a este de afretamento, a Maré Alta acabou recebendo R$ 1.820.753,14. foi possível constatar que os valores destinados à Maré Alta como pagamento pelos contratos de afretamento e serviços representaram, na média geral com relação aos contratos firmados com a Petrobrás no ano de 2008, cerca de 20% dos valores remetidos ao exterior pela Petrobrás para a empresa Java Boat pelos contratos de afretamento. segundo a fiscalização, o propósito deste arranjo negocial, é a saída de recursos nacionais, sem a incidência do IRRF. Mediante esta estratégia adotada, vultosos valores saem do País, sem retenção na fonte, para pagamento de afretamentos (por força de alíquota zero), enquanto valores contratuais com menor relevo ficam no País, consignados na escrita contábil e fiscal de empresas, que sempre dão prejuízo, implicando nenhum recolhimento a título de IRPJ e CSLL, incidentes sobre o faturamento, isto porque os custos dispendidos nas contratações com as empresas estrangeira e brasileira ficam em sua maior parte por conta da empresa brasileira, que os lança como dedutíveis para efeito de apurar o seu resultado, muito embora sejam custos consumidos para gerar receita de afretamento para a empresa estrangeira. o contribuinte foi intimado a apresentar o Contrato Social e Alterações, explicar o desdobramento da rubrica Serviços Prestados pessoa jurídica (linha 30 ficha 4A DIPJ 2009) e desdobramento da rubrica Outros Custos (linha 39 ficha 4A DIPJ 2009). Em resposta apresentou a documentação solicitada. com base na análise dos contratos e das informações prestadas, verificou a fiscalização a seguinte estrutura societária da fiscalizada: a empresa MARÉ ALTA DO BRASIL tem como únicos sócios as empresas Twenty Grand Off Shore, INC., com sede em Nova Orleans, Lousiana, Estados Unidos. Seu capital social é de R$ 2.500.000,00, dividido em 2.500.000 cotas, no valor de R$ 1,00 cada uma, sendo que 2.499.999 cotas pertencem a Twenty Grand Offshore, INC e 1 (uma) cota a Twenty Grand (Brazil). o objeto social da sociedade é a exploração de serviços de navegação marítima, fluvial, lacustre e portuária, através de embarcações próprias ou afretadas de terceiros; operar embarcações próprias ou afretadas de terceiros em apoio a sondas ou plataformas de perfuração de petróleo em águas marítimas; agenciamento marítimo e as atividades de operador portuário; consultoria sobre agenciamento marítimo e/ou operações de embarcação em águas marítimas e a participação em outras sociedades, nacionais ou estrangeiras. Em consulta ao sítio na internet da ANTAQ Agência Nacional de Transportes Aquaviários, apurou o fiscal que consta registro de que a empresa MARÉ ALTA DO BRASIL figura entre as empresas que estão autorizadas a desempenhar a navegação do tipo apoio marítimo. Fl. 3162DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.163 4 as empresas MARÉ ALTA, situada no Brasil, e Java Boat Corporatio BV, situada em Amsterdam, pertencem a um mesmo grupo econômico, chamado “Tide Water Marine Group” cuja companhia controladora principal é a TIDEWATER. a MARÉ ALTA DO BRASIL Ltda tem sede em Macaé, e é proprietária de duas embarcações de apoio marítimo, que foram construídas em estaleiros brasileiros e carregam a bandeira brasileira. em resposta a Intimação, conforme documento juntado, a empresa JAVA BOAT CORPORATION atua na Holanda e a MARÉ ALTA atua no Brasil, de maneira autônoma, com dirigentes próprios e não relacionados, sem ligação ou dependência legal, econômica ou fiscal, embora ambas façam parte do mesmo grupo econômico Tide Water Marine. segundo a fiscalização esta informação não é real, pois verificou que a empresa JAVA BOAT CORPORATION fez diversas remessas de dinheiro à empresa MARÉ ALTA DO BRASIL a título de reembolsar diversas despesas decorrentes dos contratos de afretamento. Tal fato então contradiz a afirmação de ausência de ligação entre as empresas pois o que se inferiu é que a fiscalizada funciona como uma representação no Brasil da empresa JAVA BOAT e foi criada com o escopo de viabilizar e garantir a relação da Java com as empresas brasileiras nos contratos de afretamento em que é contratada. as provas mais contundentes da relação de dependência entre as empresas estão evidentes nas seguintes situações: a) a existência de instrumento de acordo celebrado entre as empresas, que define expressamente, como sendo de responsabilidade da JAVA BOAT, inúmeras obrigações que abrangem a maior parte dos custos e despesas decorrentes dos contratos de afretamento e serviços, contudo na prática quem os assume e lança como dedutíveis na contabilidade para efeito de apurar o seu resultado é a MARÉ ALTA, conforme Instrumento de Acordo. (DOC. 3) b) a MARÉ ALTA juntamente com a JAVA BOAT, de forma solidária, mantém contratos de afretamento de embarcações e de prestação de serviços celebrados com a Petrobrás. Os contratos de afretamento e serviços vigentes em 2008 envolvem ao todo 23 embarcações, dentre as quais apenas duas pertencem à fiscalizada. As demais embarcações pertencem a empresas estrangeiras. Contudo a fiscalizada assume mais de 70% dos dispêndios, custos/despesas, necessários para cumprir as obrigações contratuais, o que lhe causou um prejuízo fiscal no ano de 2008 da ordem de R$ 5.995.881,63, conforme a DIPJ 2009. c) diversos custos e despesas consumidos para gerar as elevadas receitas de afretamento da JAVA BOAT são contabilizados na MARÉ ALTA, porém esta recebe como ressarcimento apenas uma pequena parte dos dispêndios na forma de reembolso, mantendo a maior parte incorporada aos seus reais custos/despesas utilizados como dedutíveis na apuração de resultado do exercício. as transferências de recursos para pagar reembolsos de despesas da JAVA passam pela conta corrente número 1.510.0029 título Contas a receber Intercompanhia. Iintimada para esclarecer a natureza desta conta e seu mecanismo de funcionamento, em resposta às intimações respondeu o seguinte: Fl. 3163DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.164 5 " a conta é utilizada para registrar reembolsos de despesas provenientes das operações efetuadas entre as empresas MARÉ e JAVA, conforme Instrumento Particular de acordo celebrado entre as empresas, conforme contratos mencionados anteriormente que encontramse em anexo." "A MARÉ ALTA, quando atua como agente da JAVA aqui no Brasil, faz pagamentos para os fornecedores da JAVA BOAT e, em seguida, repassa as despesas pagas em seu nome a JAVA BOAT através de notas de reembolso. Na ocasião do pagamento para o fornecedor, é debitada Contas a receber terceiros e creditada Fornecedores . Pela emissão da nota de reembolso a conta 1.510.0029 é debitada e creditada Contas a receber Terceiros. Pelo recebimento da nota de reembolso é debitada a conta 10290065 Bancos e creditada a conta 1.510.0029 Contas a receber Intercompanhia." Da análise dos contratos: segundo a fiscalização, pelos contratos apresentados, de afretamento celebrados com a Petrobrás no ano de 2008, fica claro que as empresas MARÉ ALTA e JAVA BOAT, atuam de forma solidária,já que mantém contratos de afretamento de embarcações e de prestação de serviços com a Petrobrás. Os contratos de afretamento e serviços vigentes em 2008 envolvem ao todo 23 embarcações, dentre as quais apenas duas pertencem à fiscalizada, quais sejam Mílan Tide e Danko Tide. As demais embarcações pertencem a empresas estrangeiras, na maior parte empresas do grupo Tide Water, as quais são exploradas pela Java. Os contratos de afretamento e serviços apresentados pela MARÉ ALTA constam anexos a este Termo de Verificação. (DOC.4) pelos contratos de afretamento apresentados e seus anexos, verificou a fiscalizaçaõ que eles seguem um determinado padrão, e que consta nos contratos de afretamento apresentados uma cláusula prevendo que estes seriam executados simultaneamente com o contrato de serviços, celebrados e assinados na mesma data. Assim, mediante Termo de Intimação n. 02, foi solicitado à empresa tal contrato de serviços e anexos, cujas cópias foram juntadas a este AutodeInfração. no contrato de afretamento, via de regra, as empresas MARÉ ALTA e JAVA BOAT são designadas como CONTRATADAS, e são solidariamente responsáveis pelas obrigações contratuais assumidas. A empresa MARÉ ALTA recebe a denominação de FRETADORA e JAVA BOAT de CONTRATADA, ambas conjuntamente designadas por CONTRATADAS na redação do contrato de afretamento. conforme cláusula primeira do contrato de afretamento, constitui objeto do contrato o afretamento da embarcação pelas CONTRATADAS, para uso nas áreas em que a Petrobrás for concessionária, com finalidade de apoio às unidades de produção e perfuração. de acordo com a cláusula segunda, 2.2.1, a embarcação deverá estar à disposição da Petrobrás em condições operacionais. Portanto, a obrigação que decorre do contrato abrange não só o bom estado das embarcações, mas tabém o material humano. nos termos da cláusula 2.2.1.2 o contrato de afretamento sempre terá execução simultânea com um contrato de prestação de serviços. A rescisão de um acarreta a rescisão do outro, conforme cláusula décima terceira 13a e seguintes. Fl. 3164DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.165 6 a remuneração dos contratos de afretamento foi estipulada a partir de uma taxa diária paga em dólares às contratadas (JAVA BOAT e MARÉ ALTA), não havendo discriminação específica acerca das quantias destinadas a cada uma delas. intimada a esclarecer tais montantes não o fez e diante da sua negativa, foi aberta diligência junto à Petrobrás. Apurou que a parcela referente à taxa diária de afretamento paga em moeda estrangeira é muito superior à taxa de afretamento nacional. Para se ter uma idéia da discrepância, tomouse como exemplo o contrato de afretamento da embarcação Carline Tide, onde o valor total de pagamento referente à parcela de taxa de afretamento em moeda estrangeira foi equivalente a R$ 22.865.488,00, pagos à Java Boat, enquanto o valor oa parcela referente à taxa de afretamento nacional totalizou R$ 153.459,65, pagos à MARÉ ALTA. na cláusula 17 e seguintes, foi estabelecida a possibilidade da Petrobrás aplicar multas às contratadas no caso de descumprimento do contrato. Assim, diante de qualquer problema que ocorra em relação à operação da embarcação, a Petrobrás cobra diretamente da contratada brasileira. diante da discrepância da remuneração destinada a cada contratada, e a falta de clareza quanto às obrigações assumidas por cada uma, no contrato de afretamento, e, tendo em vista que as condições operacionais englobam uma vasta gama de prestações a serem cumpridas, abrangendo não só a condição física das embarcações, bem como o material humano necessário para operálas, questionouse a existência de um contrato entre as empresas. em atendimento à intimação, foi apresentado o instrumento particular de acordo (DOC 3) entre as empresas, datado de janeiro de 2002, onde a JAVA BOAT é descrita como uma empresa estrangeira afretadora de embarcações de apoio marítimo, apta a operar na operação de barcos de apoio às unidades de pesquisa, produção e perfuração de hidrocarbonetos. A MARÉ ALTA é definida como empresa brasileira de navegação, devidamente licenciada, e com experiência necessária para o afretamento ou operação de embarcações no mar territorial brasileiro. o contrato reza, que a JAVA BOAT e a MARÉ ALTA celebram CONTRATOS para o fornecimento de embarcações de apoio para empresas que se dedicam à exploração e produção de petróleo, que atuem na plataforma continental brasileira, e que ambas têm o interesse comum de oferecer colaboração técnica e profissional com a finalidade de cumprir as obrigações específicas destes CONTRATOS. O objeto deste instrumento de acordo é o atendimento aos CONTRATOS para a prestação de serviços de apoio a empresas que atuam na plataforma continental brasileira. na cláusula 4 do referido instrumento de acordo, constam as seguintes obrigações assumidas pela Java Boat em relação aos CONTRATOS firmados por ambas contratadas, Java e Maré: 4 A. operar e manter os barcos em bom estado no que concerne a casco e máquinas e adequadamente equipados, de acordo com os contratos, para o apoio às operações de exploração e produção de hidrocarbonetos (petróleo e gás) na plataforma continental brasileira; Fl. 3165DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.166 7 4B. Manter no B.asil em base(s) própria ou de terceiros estoque mínimo de peças de reposição s jficientes para manter a operação normal dos barcos em águas brasileiras; 4C Através de terceiros devidamente contratados, manter bases de operações de barcos e escritórios no Brasil, empregar pessoal operacional, administrativo e auxiliar (brasileiro) que seja necessário ou exigido á luz de uma avaliação comercial prudente ou por força de leis locais , e arcar com todos os custos e despesas pagáveis no Brasil relativamente à operação de tais bases e escritórios de apoio; 4D. Suprir, mediante contrato de trabalho entre agente local e o empregado, o pessoal embarcado brasileiro, ficando acordado que o pessoal brasileiro jamais será tido como sendo empregado da Maré Alta; 4E. Providenciar a compra de alimentos, material de limpeza e todos os artigos de consumo não pagos ou proporcionados pelos contratos; 4F. Empreender e custear qualquer manutenção e reparo dos barcos, seja ela de pequena monta ou de vulto; 4G. Recolher os barcos a dique seco para reparos, inspeções e manutenção, conforme ditem uma marinhagem prudente, leis e regulamentos aplicáveis e os requisitos de sociedades classificadoras de embarcações; 4H. Executar e custear quaisquer alterações ou melhoramentos de vulto nos barcos porventura exigidos pelos Contratos, para ulterior reembolso, ou de outro modo ditados por boas razões comerciais; 41. Proporcionar oficiais expatriados para barcos no número e nos postos exigidos por leis ou regulamentos aplicáveis aos contratos ou, então, por práticas comerciais sensatas, sendo responsável pelo custo engajamento desse pessoal expatriado embarcado, inclusive o custo de suas gratificações por manuseio de âncora (se houver) e suas despesas de viagem e benefícios incluindo assistência médica, ficando acordado que o pessoal embarcado jamais será tido como sendo empregado pela Maré Alta; 4J. Mobilizar e desmobilizar os barcos aos respectivos portos de entrega/devolução, e arcar com o custo de tais mobilizações e desmobilizações; 4K. Proporcionar e/ou custear o combustível e os lubrificantes consumidos pelo barcos durante tais mobilizações e desmobilizações, durante períodos extraaluguel e em todas as demais ocasiões em que o combustível e os lubrificantes para os barcos não sejam proporcionados ou custeados pelo cliente conforme estabelecido nos contratos; 4L. Providenciar e pagar seguro de casco e máquinas, seguro de "P&l" para os barcos, assim como quaisquer outras espécies de cobertura de seguros exigidas pelos contratos ou razões comerciais prudentes com respeito aos barcos. na cláusula 3, figuram como obrigações e responsabilidades da Maré Alta do Brasil: 3 A.P ara fins de atendimento aos Contratos no âmbito deste acordo, a Maré Alta poderá afretar, através de contrato específico, ("Contrato de Afretamento"), as Fl. 3166DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.167 8 embarcações cujas características se enquadrem às requeridas nos referidos Contratos. As embarcações acima são doravante designadas de Barcos; 3B. Os contratos de afretamento entre a Maré Alta e a Java Boat serão listados no Anexo B do presente acordo e o anexo A Contratos em Vigor será específico e abrangente e será atualizado semore que houver inclusão, exclusão ou modificação dos contratos especificados; 3C. A Maré Alta, a pedido da Java Boat, poderá ser responsável por registrar em seu nome o Contrato de Afretamento no módulo RDEROF do banco Central do Brasil, bem como efetuar e registrar as remessas de valores relativas ao Contrato de Afretamento para a Java Boat; jD a Maré Alta, a pedido da Java Boat, atuará como simples agente da Java Boat no Brasil a fim de providenciar os devidos trâmites e registros juntos aos órgãos oficiais competentes para regularização da entrada e permanência dos Barcos no Brasil; 3E. Quando solicitada a Maré Alta, às expensas da Java Boat, proporcionará aos Barcos da Java Boat no Brasil o apoio logístico relativo às obrigações atribuídas à Java Boat que a mesma não possa, no todo ou em parte, cumprir em razão de limitações de ordem legal ou prática; 3F. A Maré Alta debitará à Java Boat e por ela será reembolsada dos valores incorridos e devidamente comprovados através de notas de débito específicas dos valores desembolsados com a finalidade de manutenção junto aos órgãos oficiais do Brasil da permanência legal dos Barcos da Java Boat no Brasil, listados no Anexo B Contratos de Afretamento em Vigor apenso a este acordo. a partir das cláusulas do acordo firmado entre as contratadas JAVA BOAT e MARÉ ALTA, podese constatar que todo e qualquer custo e/ou despesa referente às obrigações contidas nas cláusulas 4 são de responsabilidade da JAVA BOAT. restou acordado no sobredito Instrumento, ser obrigação da empresa estrangeira operar as embarcações, ou seja, prover as condições operacionais exigidas pela Petrobrás, enquanto à MARÉ ALTA ficou designado o papel de mera agente da empresa estrangeira no Brasil e responsável pelos trâmites e registros necessários para que os contratos de afretamento possam ser celebrados com as empresas brasileiras. outro dado que evidencia a natureza de fato da relação entre as empresas, de ser a MARÉ ALTA uma representante da estrangeira JAVA BOAT no Brasil, está demonstrado na cláusula 5 do referido acordo, onde fica estipulado o preço que cabe a cada uma nos contratos celebrados: 5A. I Quando o contrato for exclusivo entre o cliente e a Java Boat a mesma pagará à Maré Alta o percentual de 2,5% para contratos com período de duração igual ou inferiores a 30 dias, e 1,25% para contratos mais longos, por embarcação e durante a vigência deste acordo. II Quando o contrato abranger o cliente, a JAVA BOAT e MARÉ ALTA, a MARÉ ALTA será remunerada em 0,5% e este percentual será destacado especificamente no contrato. 5B Este percentual incidirá sobre a taxa diária contratual estipulada nos contratos e incluirá os reajustamentos contratuais estipulados nos mesmos. diante do pactuado pelas empresas no Acordo, é incabível à fiscalizada proceder como o fez: lançar os custos enumerados na cláusula 4 como dedutíveis na apuração de seu resultado. Estes custos necessários para viabilizar as condições operacionais das Fl. 3167DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.168 9 embarcações e colocálas aptas para as atividades de apoio marítimo não são seus. Até porque os referidos dispêndios foram consumidos na obtenção de receitas para a empresa estrangeira. no caso particular das embarcações que são de propriedade da MARÉ ALTA ou quanto às por ela administradas, contratadas com empresas que não a Petrobrás, os custos para operar as embarcações são imputáveis à MARÉ ALTA DO BRASIL, agindo esta de modo adequado ao leválos à apuração de seu resultado. O contrato de serviços celebrado pela Petrobrás e a empresa MARÉ ALTA têm como objeto a prestação de serviços de operação da embarcação, abrangendo a função de tripular, realizar a operação náutica e efetuar manutenção preventiva dos barcos. neste contrato, via de regra, há uma cláusula contratual, 2.2.1.2, que expressamente o vincula ao contrato de afretamento, prevendo que serão firmados na mesma data e que, a rescisão do afretamento, acarreta a rescisão do sobredito contrato. pelo exposto anteriormente em relação ao objeto do contrato de afretamento e a metodologia aplicada na contratação das empresas JAVA e MARÉ ALTA pela Petrobrás, observase que todas as obrigações descritas no contrato de serviços na verdade já estão contidas no contrato de afretamento, no qual a JAVA BOAT e a MARÉ ALTA são partes contratadas para disponibilizar as embarcações afretadas em condições operacionais. deste modo, considerando o objeto do contrato de afretamento; considerando o Instrumento de acordo existente entre as contratadas, onde fica a JAVA BOAT como responsável por operar as embarcações e, de fato é com ela que o contrato de afretamento é celebrado, haja vista que a maior parte da receita de afretamento é para ela destinada; considerando que o referido Instrumento restringe a atuação da MARÉ ALTA à condição de representante e agente da empresa estrangeira no Brasil, constatou a fiscalização que estes contratos de serviço tem a mera natureza de viabilizar os contratos de afretamento, possibilitando à contratante Petrobrás ter meios de exigir o cumprimento do afretamento diretamente da MARÉ ALTA, sem precisar demandar a JAVA BOAT Corporation, bem como facilitar o ressarcimento, caso sejam descumpridos os contratos de afretamento. a Maré Alta recebe como remuneração pelo agenciamento prestado, o valor estipulado nos contratos de serviços e os valores estipulados como Preço no Instrumento de Acordo existente entre a JAVA BOAT e MARÉ ALTA. que os contratos de prestação de serviços possuem um aditivo onde a empresa fiscalizada cede, com anuência da contratada Petrobrás, todos os direitos e obrigações inerentes aos contratos de serviços celebrados à empresa Pan Marine do Brasil Ltda. A cedente e cessionária respondem solidariamente pelas obrigações assumidas. a empresa Pan Marine do Brasil, também empresa do grupo Tide Water Marine, fica como responsável pela alocação da mãodeobra operacional das embarcações e também administrativa da fiscalizada. Na ocasião do Termo de Intimação n.4, onde foi solicitada a folha de pagameneo da MARÉ ALTA, esta respondeu que não possui funcionários, razão peia qual, não emite folhas de pagamento. Todos os funcionários alocados pela MARÉ ALTA na consecução das suas atividades são empregados da Pan Marine do Brasil, havendo entre elas um instrumento de contrato de prestação de serviços, cuja cópia encontrase anexa a este Auto. assim, para atender os contratos de serviços celebrados com a Petrobrás, a fiscalizada contratou a empresa Pan Marine do Brasil, que funciona como uma simples agente da MARÉ ALTA. A MARÉ ALTA paga uma taxa de agenciamento, lançada na conta Fl. 3168DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.169 10 contábil 6.055.0300, à Pan Marine a título de remuneração pelos serviços de agenciamento marítimo prestados. analisando o contrato de prestação de serviços firmado entre a MARÉ ALTA e Pan Marine, verificouse que as obrigações da Pan Marine são idênticas às obrigações que cabem à JAVA BOAT constantes do acordo firmado entre a MARÉ ALTA E JAVA BOAT. Tal dado é mais um reforço à evidência da relação de fato que existe entre a empresa estrangeira JAVA BOAT e a brasileira MARÉ ALTA de que esta atua como uma representante da empresa estrangeira no Brasil, portanto intermedeia as contratações com a Petrobrás feitas pela JAVA BOAT e confere garantia a estas. É por este mecanismo que a empresa MARÉ ALTA viabiliza condições para a JAVA BOAT operar suas embarcações. A seguir enumerase algumas obrigações assumidas pela Pan Marine no contrato firmado com a MARÉ ALTA do Brasil: I)cuidar dos trâmites e registros junto aos órgãos públicos para regularização e permanência das embarcações no Brasil; II)empregar pessoal operacional e administrativo, seja brasileiros ou estrangeiros III) providenciar apoio logístico para os barcos afretados pela Petrobrás, entre outros, cujos custos com salário, encargos sociais etc, são debitados diretamente à MARÉ ALTA, através de notas de débitos. notase que na prática a empresa Pan Marine foi contratada pela MARÉ ALTA para servir principalmente às embarcações com contrato de afretamento entre Petrobrás e JAVA BOAT, haja vista que ao todo são 23 barcos, quando apenas dois pertencem à contratante MARÉ ALTA. Mesmo assim, o total dos custos decorrentes desta contratação é debitado em nome da contratante MARÉ ALTA, que posteriormente é reembolsada pela JAVA BOAT apenas com uma pequena parcela. estes fatos evidenciam que o contrato de prestação de serviços celebrado entre a MARÉ ALTA e a Petrobrás, quando estabelece que seu objeto é para que a MARÉ ALTA opere a embarcação, na verdade quer dizer tão somente para que esta viabilize a operação da embarcação, que de fato é feita pela empresa estrangeira JAVA BOAT, conforme demonstrado com o Instrumento de Acordo entre a JAVA BOAT e a MARÉ ALTA, onde a MARÉ ALTA assume a obrigação de representar a empresa estrangeira no Brasil, e de que a remuneração pela viabilização da operação da embarcação acordado com a JAVA BOAT é paga pela contratante Petrobrás, mediante o contrato de Prestação de Serviços o contrato de prestação de serviços celebrado entre a MARÉ ALTA e a Petrobrás surge, portanto, meramente para viabilizar a operação das embarcações afretadas; a obrigação de operar a embarcação propriamente dita foi assumida pela JAVA BOAT perante a MARÉ ALTA no acordo interpartes. O contrato de prestação de serviços também tem o escopo de ser a remuneração que a MARÉ ALTA recebe por intermediar as relações da JAVA BOAT com a Petrobrás, obrigação esta assumida pela MARÉ ALTA perante a JAVA BOAT, no mesmo Instrumento de Acordo uma prova que este contrato com a Petrobrás é de viabilização de operação da embarcação pela JAVA BOAT é a subcontratação da Pan Marine, cujos serviços são pagos pela JAVA BOAT mediante reembolso de despesas, conforme Instrumento Particular de acordo mencionado anteriormente. Da Glosa de Custos e Seus Motivos: ficou assim, segundo a fiscalização, comprovado que o contribuinte considerou como dedutíveis, compras de materiais e pagamentos por conta de serviços Fl. 3169DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.170 11 prestados por terceiros que não guardam quaisquer liames com as transações ou operações exigidas pela real atividade da sociedade empresária, custos estes lançados em sua contabilidade, os quais estão identificados na coluna C da planilha abaixo. na planilha a seguir, constam informações extraídas da contabilidade (SPED), na qual estão identificados na coluna (C), a totalidade dos custos apurados pela Fiscalizada na apuração do resultado de exercício e os custos glosados coluna (D). observase que os custos discriminados na coluna C foram Informados pela fiscalizada em sua DIPJ 2009 e checados com sua escrituração contábil. Os valores constantes da coluna D, onde foram considerados os custos dispendidos pela MARÉ ALTA referente às contratações das embarcações que não são de sua propriedade e que foram contratadas com a Petrobrás, foram obtidos pela contabilidade da empresa SPED e pelos balancetes por centro de custo por embarcação que foram fornecidos pela fiscalizada no decorrer da auditoria. A escrituração contábil da empresa considera cada embarcação como um centro de custo, sendo portanto, possível identificar os custos contidos nas contas abaixo referentes às embarcações que não são de propriedade da MARÉ ALTA e que foram contratadas com a Petrobrás. Foram anexados a este Autodelnfração: a relação apresentada pela empresa dos barcos que tiveram contratos em 2008, a relação discriminada de cada centro de custo/cada embarcação e os balancetes identificados por centro de custo/embarcação (DOC 5). os custos imputáveis à fiscalizada, e, portanto possíveis de serem levados ao seu resultado, são aqueles cuja natureza decorre da sua atividade como agente da empresa estrangeira no Brasil, quais sejam Outros custos de embarcação conta 60550010; Hard/Softw/Manutenção conta 60550200; Comunicação Embarcação 60550220; Agenciamento60550300 e os decorrentes da operação das suas próprias embarcações (Danko Tide e Milan Tide) e dos barcos em que ela assume a obrigação de operar através de contratos firmados com empresas que não são a Petrobrás (embarcações Cumbria Service, Faridah Tide, Lester Pollack e Herbet Tide). A B C D NOME CUSTOS CONTA RES/EXERC CUSTOS GLOSA Serv. Prest. P. Jurídicas 60000040 13.000.411,11 13.000.411,11 Afretamento a Casco nu 60400020 8.553.236,69 0,00 Despesas de viagem 60060080 2.774.945,56 2.770.050,35 Alimentação e Lavanderia 60100010 1.763.611,76 1.763.611,76 Encargos s/ serv. Prestados PJ 60040410 5.250.304,76 5.250.304,76 Seguro de vida 60040400 61.325,16 61.325,16 Despesas Médicas 60040010 1.103.885,04 1.096.173,63 Desp. Médicas Rateio 60040015 2.398,56 2.132,06 Reparo 60160030 2.917.205,63 0,00 Outros custos de embarcação 60550010 2.152.158,48 0,00 Hard/SOFTW/Manutenção 60550200 60.799,81 0,00 Comunicação Embarcação 60550220 189.228,29 0,00 Agenciamento 60550300 3.267.874,06 0,00 Reparo e manutenção geral 60150030 2.534.136,34 1.661.095,01 Combustível 60250010 2.707.085,28 2.626.946,18 Lubrificante 60250020 1.709.394,62 1.709.394,62 Depreciembar/software 61002210 9.407.162,79 0,00 SOMA DOS CUSTOS 29.941.444,64 Fl. 3170DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.171 12 Custos glosados: Serviços prestados pessoa jurídica conta 60000040: glosa de R$ 13.000.411,11. Estes custos lançados nesta conta referemse aos valores pagos pela alocação de mãodeobra contratados com a Pan Marine, nos navios que não são de propriedade da empresa MARÉ ALTA e que foram contratados com a Petrobrás, conforme notas fiscais de prestação de serviços cujas cópias encontramse anexas. Tais custos são de responsabilidade da empresa JAVA BOAT, conforme cláusulas 4C e 4 D do Instrumento de Acordo entre as empresas MARÉ ALTA e JAVA BOLT transcritas anteriormente. Despesas de viagem conta 60060080: glosa de R$ 2.770.050,35. Custos de responsabilidade da JAVA BOAT dispendidos com o pessoal aplicado para operar as embarcações que não são de propriedade da fiscalizada nos contratos firmados com a Petrobrás. Estes custos estão abrangidos pelas clausulas 4C e 4D do mencionado Instrumento de Acordo existente entre as empresas brasileira e estrangeira, no qual a responsabilidade pelo pagamento é imputada à JAVA BOAT; Alimentação e Lavanderia conta 60100010: glosa de R$ 1.763.611,76. Estes custos foram suportados pela MARÉ ALTA e lançados ao seu resultado, porém não estão relacionados à atividade produtiva da empresa, que é de agenciamento e representação da empresa JAVA BOAT no Brasil. Referemse a custos de alimentação e lavanderia com o pessoal aplicado nas embarcações que não são de propriedade da MARÉ ALTA, nos contratos firmados com a Petrobrás. Tais dispêndios, por força do que foi pactuado pela JAVA BOAT e MARÉ ALTA na cláusula 4E do Instrumento de Acordo, que rege as relações entre ambas, são de responsabilidade da empresa estrangeira. Como foi mencionado anteriormente, a MARÉ ALTA não tem empregados. Todos o pessoal alocada nas embarcações são contratados com a Pan Marine, portanto as despesas de alimentação e lavanderia se referem a este pessoal, cujos valores dispendidos competem à JAVA BOAT arcar; Encargos s/ serv. Prestados PJ conta 60040410: Foi glosado o valor de R$ 5.250.304,76. Tais custos estão relacionados aos custos lançados na conta 6000040, Serviços prestados pessoa jurídica, e referemse aos encargos trabalhistas (FGTS, INSS, entre outros, conforme especificados nas folhas de pagamento) do pessoal alocado nas embarcações que não são de propriedade da MARÉ ALTA nos contratos firmados com a Petrobrás. Estes custos, por força do contido na cláusula 4C do Instrumento de Acordo entre as empresas MARÉ ALTA e JAVA BOAT,são de responsabilidade da JAVA BOAT. Foram anexadas a este Auto as folhas de pagamento das embarcações, comprovando que estes encargos se referem ao pessoal aplicado nos contratos com a Petrobrás, nas embarcações que não são da MARÉ ALTA; Seguro de Vida conta 60040400: Glosa do valor de R$ 61.325,16. Custos cuja responsabilidade de pagamento é imputada à JAVA BOAT, por força da cláusula 4C do Instrumento de Acordo. Custos também relacionados ao pessoal aplicado nas embarcações contratadas pela Petrobrás e cuja propriedade não é da MARÉ ALTA; Despesas médicas conta 60040010 e despesas médicas rateio conta 60040015: Glosa do valor de R$ 1.098.305,69, haja vista que os custos aqui envolvidos, de despesas médicas com pessoal aplicado na operação das embarcações que não são de propriedade da MARÉ ALTA e contratadas pela Petrobrás, são abrangidos pela cláusula 4C do Instrumento de Acordo entre as empresas MARÉ ALTA e JAVA BOAT, e portanto são de responsabilidade da JAVA BOAT; Reparo e Manutenção geral conta 60150030: Glosa do valor de R$ 1.661.095,01. Tais custos, por força do que está prenisto nas cláusulas 4A e 4F do Instrumento de Acordo entre as empresas MARÉ ALTA e JAVA BOAT, e aqui não importa o vulto do reparo a ser realizado nas embarcações que não são de propriedade da MARÉ ALTA, são imputáveis à JAVA BOAT e, deste modo, cabem a esta a responsabilidade do pagamento; Fl. 3171DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.172 13 Combustível conta 60250010: Glosa do valor de R$ 2.626.946,18, que corresponde aos gastos com combustível as embarcações que não são de propriedade da MARÉ ALTA e que foram contratadas com a Petrobrás, cujo pagamento do combustível utilizado não foi custeado por esta. Nos termos da cláusula 4K do Instrumento de Acordo entre as empresas MARÉ ALTA e JAVA BOAT, estes custos são obrigação da JAVA BOAT, portanto devendo ser pagos e assumidos por esta; Lubrificante conta 60250020: Glosa do valor de R$ 1.709.394,62. Por força da cláusula 4K do instrumento de Acordo entre as empresas MARÉ ALTA e JAVA BOAT, tais custos são de obrigação da contratada JAVA BOAT, portanto, considerados indedutíveis para apuração do resultado da empresa brasileira e devendo ser glosado. foi solicitada a apresentação de Notas fiscais relativos aos lançamentos na conta 60150030 Reparo e Manutenção Geral, superiores a R$ 4.000,00, o que significa uma amostra representativa de 70% do montante total da conta. As notas apresentadas fazem menção às embarcações a que se referem os reparos, e deste modo, confirmam que os valores dispendidos lançados nesta conta referemse a reparos realizados em embarcações que não são de propriedade da fiscalizada e portanto não poderiam ter sido assumidos por ela (DOC 6). foram solicitadas a apresentação das notas fiscais da conta 60000040 Serviços Prestados Pessoa Jurídica, para que fosse possível confirmar a natureza e titularidade dos custos ali consignados (DOC 7). estes documentos encontramse em anexo a este Termo de Verificação Fiscal. Dessa forma, o contribuinte fiscalizado ao deduzir custos/despesas de responsabilidade da sociedade empresarial JAVA BOAT, na apuração do Lucro Real, fez reduzir a base de cálculo do imposto devido mediante o abatimento de custos/despesas não necessárias, infringindo o disposto no Decreto n°. 3.000/99. desse modo, os gastos para os quais não restar provada que a natureza do dispêndio atende aos critérios de usualidade, necessidade e normalidade, a lei veda que sejam deduzidos no cálculo do lucro real, já que não integraram a produção do bem ou serviço. face ao exposto, foi efetuada a glosa dos custos de responsabilidade da JAVA BOAT, no valor de R$ 29.941.444,64, considerado indevidamente como dedutíveis na apuração do resultado da fiscalizada, respeitando a parte cabível a esta. Inconformada, a interessada impugnou o auto de infração, argumentando em sintese o seguinte: que o auto de infração foi fundamentado em acusações injuriosas e genéricas, com longa exposição da opinião do fiscal autuante. É uma pça carregada de raiva e emoção. que o trabalho fiscal foi minuncioso e sua conclusão consumiu 16 meses de trabalho, tempo em que a Interessada respondeu pronta e fielmente a 11 intimações. que ao contrário do afirmado pela fiscalização a empresa não atua nem nunca atuou na prospecção, perfuração, avaliação, complementação e workover. a empresa atua apenas em serviço de apoio marítimo, não só de embarcações estrangeiras afretadas pela Petrobrás de empresas do mesmo grupo econômico, como também de embracações próprias, construídas no Brasil (de bandeira brasileira). Fl. 3172DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.173 14 que a Petrobrás que impôs e adota de dois contratos entrelaçados, um de afretamento, com a empresa estrangeira, que representa 80% da soma dos dois contratos, e outro de prestação de serviços, com a empresa criada no Brasil, que representa os outros 20%. Que as minutas são incluídas no convite internacional de licitação e as partes interessadas apenas apresentam a oferta de preços, a repartição da soma dos dois contratos é estabelecida pela Petrobrás. que a proporção da divisão feita não é fixa de 80/20%, dependendo do contrato ela pode ser de 70/30, 75/25 ou 50/50%. Os licitantes vencedores são obrigados a apresentar, a partir da comunicação do resultado da licitação, um envelope com dois documentos: "Demonstrativo de Formação de Preços Afretamento" e Demonstrativo de Formação de Preços Serviços". Os custos são assim, justificados, antes da assinatura do contrato com aquele que vencer a licitação. que no contrato de afretamento com a empresa estrangeira, a empresa nacional também é parte, e entra como responsável por algumas obrigações, como obter licenças para operação da embarcação estrangeira. Para isto uma pequena parte do custo de afretamento é destinado a empresa brasileira, como se fosse uma agente, sempre de acordo com o previsto nos Convites. que junta como comprovação do afirmado os documentos referentes à embarcação CARLINE TIDE: Convite Internacional, e o Adendo Instruções para apresentação de Demonstrativo de Formação de Preços, Afretamento, bem como o Demonstrativo de Formação de Preços, Serviços, nos quais se tem o que foi considerado para formar a Taxa Diária de Afretamento para Empresa Estrangeira, a ser pago em USD (EE), e o que foi considerado para formar a Taxa Diária de Prestação de Serviços de Operação (EBN). que desta forma, resta claro que é a Petrobras que faz a "engenharia jurídica", aplica a "metodologia dos contratos bipartidos de serviços a serem prestados" e os interessados sequer podem discutir as clausulas, é como um contrato de adesão. sendo assim a acusação de que o propósito da metodologia adotada de contratos é o escoamento para o exterior da maior parte dos valores envolvidos, não deveria ser dirigida aos afretadores e sim a Petrobrás. que, porém, a Petrobras consulta os demais órgãos reguladores federais como Antaq e a RFB, antes de decidir a modelagem das suas licitações internacionais e os empresários limitamse a cotar seus preços (afretamento e serviços), em conformidade com os Convites Internacionais. que as licitações são de "menor preço", e fiscalizadas, não só pelos muitos próprios ofertantes como também pelo Tribunal de Contas da União. que a Petrobras limita o quanto possível a remessa de pagamentos ao exterior, não só determinando a parceria empresa estrangeira/empresa nacional, como limitando as remessas ao exterior. que sendo assim, resta claro o equívoco da conclusão a que a fiscalização chegou de glosar as despesas não porque sejam indevidas, mas porque a metodologia adotada, na sua opinião, serve para beneficiar as partes e prejudicar os interesses nacionais. Fl. 3173DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.174 15 a Fiscal Autuante, em suma, diz que: a) Apurou "discrepância remunatória dos contratos de afretamento entre a Petrobras, a MARÉ ALTA e a JAVA BOAT; b) Em alguns contratos de afretamento a JAVA BOAT recebeu 90% e a MARÉ ALTA 10% do valor total dos valores pagos pelos contratos de afretamento e serviços, c) Tomando como exemplo o contrato de afretamento do CARLINE TIDE, "foram pagos USD 5.406.982,80 a JAVA BOAT no ano de 2008, enquanto apenas R$ 41.002,77 pagos a MARÉ ALTA. Fica notória esta diferença abissal pelo contrato de serviços vinculado a este de afretamento, em que a MARÉ ALTA recebeu o valor de R$ 1.820.753,14 d) Nos contratos com a Petrobras em 2008 a média geral em relação ao total, foi de 80% de pagamentos à empresa estrangeira e 20% para a empresa nacional. quanto a (a) acima: Não houve "discrepância remunertatória" nos contratos de afretamento e serviços. Por discrepância só se pode entender remuneração diversa da que foi contratada, desbalanço entre o valor pago ao estrangeiro e o valor pago à prestadora de serviços nacional. quanto a (b) acima: Em nenhum dos contratos fiscalizados a proporção foi de 90/10%. A Fiscal autuante está equivocada, vide tabela abaixoque contem apenas os contratos com a Petrobras de afretamento e serviços de embarcações estrangeiras. PETROBRÁS – CONVITES INTERNACIONAIS E CONTRATOS ASSINADOS % Convite Internacional %Contratos Assinados BARCO Afretamento/serviço Inclui Fretadora/Armadora (EBN) no Contrato de Afretamento Afretamento (empresa estrangeira) Afretamento (empresa nacional) Prestação de Serviço (empresa nacional) Adam Tide 60/40 60.0% 0.0% 40.0% Carline Tide 75/25 0.5% a 5% 74.5% 0.5% 25.0% CE Laborde Jr 80/20 80.0% 0.0% 20.0% Chesapeak Seahorse 70/30 0.5% a 5% 64.5% 0.5% 35.0% Collins Tide 75/25 0.5% a 5% 75.5% 0.5% 25.0% Gallusturm 60/40 Mínimo 40% 60.0% 40.0% 0.0% Goliath Tide 70/30 70.0% 0.0% 30.0% Goux Tide 60/40 Mínimo 40% 60.0% 40.0% 0.0% Guard Tide 60/40 Mínimo 40% 60.0% 40.0% 0.0% Huntetor 75/25 0.5% a 5% 74.5% 0.5% 25.0% Kehoe Tide 75/25 0.5% a 5% 74.3% 0.7% 25.0% Mammoth Tide 70/30 70.0% 0.0% 30.0% Marion Tide 50/50 Mínimo 50% 50.0% 50.0% 0.0% Mire Tide 60/40 60.0% 0.0% 40.0% Oil Onyx 60/40 Mínimo 40% 60.0% 40.0% 0.0% Oil Tracer 75/25 0.5% a 5% 74.5% 0.5% 25.0% Oil Trader 60/40 Mínimo 40% 60.0% 40.0% 0.0% Oil Vibrant 70/30 70.0% 0.0% 30.0% Pardee Tide 70/30 70.0% 0.0% 30.0% Seeker 70/30 63.0% 2.0% 35.0% pelo exposto, vêse que a fiscalização se equivocou mais uma vez em relação ao contrato de afretamento relativo à embarcação Carline Tide, na medida que a Fl. 3174DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.175 16 proporção da remuneração da Petrobrás, não foi de 80/20% como afirmado e sim de 71 % para a empresa estrangeira e 29% para as nacionais (MARÉ ALTA e Pan Marine). Vide tabela abaixo: Contratos Assinados – Embracação Estrangeira – Anexo II Contratos Afretamento Valor – Taxa Diária – USD$ (R$ convertido a USD$ na data da lictação) Barco Afretamento empresa estrangeira Afretamento empresa brasileira Prestação de serviço empresa brasieleira Adam Tide $ 8.994,00 $ $ .996,00 Carline Tide $14.676,50 $ 8,50 $ .925,00 CE Laborde Jr $34.600,00 $ $8.650,00 Chesapeak Seahorse $4.031,25 $ 1,25 $2.187,50 Collins Tide $13.335,50 $89,50 $4.475,00 Gallusturm $4.774,26 $1.240,00 $ Goliath Tide $6.580,00 $ $2.820,00 Goux Tide $3.684,00 $2.456,00 $ Guard Tide $4.410,00 $2.940,00 $ Huntetor $10.348,05 $69,45 $3.472,50 Kohoe Tide $25.844,05 $258,44 $8.672,50 Mammoth Tide $6.405,00 $ $2.745,00 Marion Tide $1.862,50 $ $1.862,50 Mire Tide $4.662,00 $ $3.134,00 Oil Onyx $ $ $ Oil Tracer $13.968,75 $93,75 $4.687,50 Oil Trader $4.662,00 $ $3.108,00 Oil Vibrant $9.100,00 $ $3.900,00 Pardee Tide $5.425,00 $ $2.325,00 Seeker $7.717,50 $245,00 $4.287,50 $185.119,33 $7.521,89 $67.247,99 71% 3% 26% Total Taxa Diária USD $259.889,21 100% portanto, a proporção em USD não é alterada pelas partes, varia somente em função de variação cambial ou monetária quando porventura prevista nos contratos de serviços. que os equívocos apontados possivelmente se devem pelo desconhecimento da fiscalização de como os contratos funcionam em conjunto e que eles são inseparáveis. pelo contrato de afretamento, o proprietário (JAVA BOAT) freta a embarcação a tempo, parcialmente tripulada, para a MARÉ ALTA, uma empresa brasileira de navegação (EBN), para prestar serviços à Petrobras. a obrigação do dono do barco (JAVA BOAT) em um contrato deste tipo, é de fornecer o barco em condições próprias de navegabilidade, e parcialmente tripulado. a empresa brasileira, por sua vez, recebendo o barco em afretamento, para o fim especifico de prestar serviços à Petrobras, se obriga a atender o barco em tudo que disser respeito às autoridades brasileiras, providenciando as licenças cabíveis e exigidas para o barco poder trabalhar em aguas jurisdicionais brasileiras (AJB). Fl. 3175DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.176 17 por este serviço, a empresa brasileira faz juz a uma remuneração, como a de um agente marítimo. É a parcela destacada do contrato de afretamento do CARLINE TIDE, a que refere a Fiscal Autuante no trecho acima transcrito do Termo de Verificação Fiscal. Este serviço, no caso do CARLINE TIDE, rendeu para a Maré Alta em 2008, R$ 41.002,77. Nada mais que honorários de agenciamento. que o normal seria que este valor estivesse embutido no custo de afretamento cobrado pelo dono do navio, pois é uma despesa do dono do navio, e assim seria remetido para o exterior. Mas a Petrobras, paga diretamente esta parcela, no Brasil. Por isso aparece o pagamento em reais, à Maré Alta, e no contrato de afretamento, de R$ 41.002,77. pelo segundo contrato, de serviços, a empresa brasileira (MARÉ ALTA), se obriga a operar o barco, provisionando tudo o que for necessário para a prestação do serviço. Isto inclui a contratação e pagamento de tripulação brasileira (exigência da lei brasileira, o barco necessariamente terá pelo menos 2/3 de brasileiros em sua tripulação), prover alimentação, plano de saúde, despesas de manutenção e pequenos reparos de manutenção, combustíveis, e em geral tudo que for necessário para operar o barco em serviço da Petrobras. Neste contrato a remuneração é contratada em reais e paga pela Petrobras no Brasil. os dois contratos, assim são conexos, só podem funcionar em conjunto, são inseparáveis. então perguntase: porque não um só contrato ? Simplesmente porque é necessário separar o que será pago com remessa ao estrangeiro, em USD, do que será pago em Reais no Brasil. Para ficar bem claro, transparente e fácil de fiscalizar e impedir justamente o que a Fiscal autuante achou que estaria ocorrendo. Que nada alem do estritamente devido seja enviado para o exterior. neste particular a Fiscal Autuante entra numa contradição: glosa varias despesas que devem ser pagas no Brasil, e autua assim a empresa pelo lucro que teria se tais despesas fossem ressarcidas pela empresa estrangeira. se as despesas fossem responsabilidade da empresa estrangeira, é obvio que seriam incluídas no calculo do valor cobrado, aumentariam este valor, embutido na taxa diária, que seria paga pela Petrobras. E o valor seria remetido isento de taxas. em resumo, a Autuada está sendo punida exatamente por não fazer o que a Fiscal Autuante considera que seria o intento criminoso da Petrobras e seus prestadores de serviços, remeter dinheiro sem pagar taxas para o exterior. Portanto, para se verificar o balanceamento dos contratos impossível examinarse os contratos separadamente. deve se verificar quanto recebe a empresa estrangeira pelo afretamento, em USD, e quanto no total recebe a empresa brasileira pelos serviços (no contrato de afretamento, a remuneração de agente, e no contrato de serviços, a remuneração pela operação do barco), em reais. a realidade, em conclusão, de quanto recebeu a JAVA BOAT, e quanto recebeu a MARÉ ALTA, em relação aos contratos dos barcos estrangeiros com a Petrobras, cujos contratos bipartidos foram examinados pela Fiscal Autuante, e a proporção entre os Fl. 3176DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.177 18 pagamentos em USD esta no quadro que se vê na página 11. (Demontrativo das Taxas Diárias de acordo ao Anexo II dos Contratos de Afretamento e Serviços assinados entre as partes). e porque a autuante concluiu pelos números que colocou em sua acusação resumida no item (c) acima? Isto é, segundo a Fiscal autuante, no contrato referente ao CARLINE TIDE, enquanto a JAVA BOAT recebeu USD USD 5.406.982,80, em 2008, a MARÉ ALTA recebeu R$ 41.002,77 e "pelo contrato de serviços vinculado a este de afretamento, a MARÉ ALTA recebeu o valor R$ 1.820.753,14." que a autoridade autuante não atentou (embora tivesse recebido os contratos e os seus aditamentos), para o fato de que pelo aditamento nº 02 ao contrato de serviços assinado com a Petrobrás em 26/05/2008, que a MARÉ ALTA cedeu todos os direitos e obrigações do contrato referente à embarcação CARLINE TIDE, à empresa coirmã Pan Marine do Brasil Ltda, para quem, a partir de julho de 2008 a Petrobrás passou a pagar a taxa diária pela prestação dos serviços. é evidente que para aferir o montsnte pago em reais, os pagamentos realizados à PAN MARINE nos 6 meses depois da cessão devem ser adicionados ao total pago em reais no Brasil, conforme tabela anexa: Caroline Tide – Jan a Dez 208 em R$ Empresa Receita Bruta % Estrangeira Java Boat R$ 9.537.448,50 70,15% Brasileira Mare Alta R$ 1.687.804,64 12,41% Pan Marine R$ 2.371.447,34 17,44% Total Emp. Brasileiras R$ 4.059.251,98 29,85% Total R$ 13.596.700,48 100,00% em conclusão, a Fiscal autuante, erra, ao afirmar que a empresa estrangeira recebe 80% e a brasileira 20% na soma dos dois contratos de cada barco com a Petrobras. A proporção varia de barco a barco. Quanto maior, mais sofisicado o barco, maior será a proporção da empresa estrangeira, desde que os custos da empresa brasileira, para o serviço de operar o barco, varia menos em relação ao tamanho do barco. como visto na verdade a proporção era de 70/30% no caso da embarcação Caroline Tide e não de 90/10% como afirmado pela fiscalização, que nunca existiu. quanto à acusação de que: "valores contratuais fícam no país, consignados na escrita contábil e fiscal das empresas, que sempre dão prejuízo, implicando nenhum recolhimento a titulo de IRPJ e CSLL, incidentes sobre o faturamento, isto porque os custos dispendidos nas contratações com as empresas estrangeira e brasileira ficam em sua maior parte por conta da empresa brasileira, que os lança Fl. 3177DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.178 19 como dedutíveis para efeito de apurar o seu resultado, muito embora sejam custos consumidos para gerar receita de afretamento para a empresa estrangeira" também é equivocada. como se verá na impugnação às glosas, os custos que são lançados como custos dedutíveis, são custos que pela letra dos contratos e de acordo com o usual em contratos de afretamento e de serviços de operação de navios, são custos a cargo da empresa que contratou para prestar os serviços de operação dos barcos, no caso a MARÉ ALTA. estes custos constam expressamente como da MARÉ ALTA, no "Demonstrativo de Formação de Preços" de todos os barcos contratados pela Petrobras. se estivessem incluidas no Demonstrativo de Formação de Preços de Afretamento, portanto por conta da JAVA BOAT, é lógico que acresceriam o valor a ser pago em dolares, o valor desses custos seriam remetido para o exterior. Não seria esta, sem duvida, a melhor alternativa para o pais, aumentar o valor a ser remetido para o exterior, como já dito. a proporção do contrato do CARLINE TIDE era de 75/25%, conforme abaixo. Descrição Empresa USD % Afretamento Java Boat $ 14,676.50 74.5% Afretamento (Fretadora) Mare Alta $ 98.50 0.5% Serviços Mare Alta $ 4,925.00 25.0% Total (Afretamento e Serviços) $ 19,700.00 100% «0.0% que os custos glosados constam do “demonstrativo de formação de preços” da MARÉ ALTA e não do “demonstrativo de formação de preços de afretamento”, imputável à JAVA BOAT. que de fato, a MARÉ ALTA paga despesas da JAVA BOAT, como sua agente marítima no Brasil, e delas pede reembolso, o que confirma, apesar do entendimento contrário da fiscalização, a independência econômica e administrativa entre as duas pessoas jurídicas. que não foram apresentadas provas de efetiva ligação entre a MARÉ ALTA e JAVA BOAT, além de serem as mesmas pertencentes ao mesmo grupo econômico. que nada significa o fato de, em 2008, a interessada ter apurado prejuízo. O lucro é eventual e depende de os barcos estarem atuando como planejado. que é incorreta a afirmação de que apenas parte das despesas pagas pela MARÉ ALTA, em nome da JAVA BOAT, são reembolsadas. que a afirmação de que a MARÉ ALTA teria "sido criada com o escopo de viabilizar e garantir a relação da JAVA com as empresas brasileiras nos contratos de afretamento" é uma conclusão exagerada. Fl. 3178DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.179 20 a MARÉ ALTA é uma empresa de navegação brasileira, como dito e possui três barcos, construídos no Brasil, e que são operados em contratos com as empresas petrolíferas, sem qualquer participação ou ingerência de qualquer outra empresa, inclusive da JAVA BOAT. que a existência de acordo celebrado entre as empresas [MARÉ ALTA E JAVA BOAT], demonstram que as empresas são independentes e se relacionam mediante contratos e que são solidarias em contratos com a Petrobras nos quais cada uma tem sua própria responsabilidade, indepedente da outra. que os diretores, gestores, gerentes e funcionários da JAVA BOAT não pertencem aos quadros de dirigentes, gestores e funcionários da MARÉ ALTA não têm qualquer relação ou mesmo comunicação com a JAVA. quando a Fiscal autuante diz que "a fiscalizada assume mais de 70% dos dispêndios, custos/despesas, necessários para cumprir as obrigações estabelecidas nos contratos, o que lhe causou um prejuízo fiscal no ano de 2008 na ordem de R$ 5.995.881,63", mostra desconhecer a realidade do negócio, e sua vissicitudes. ao cotar o preço do afretamento e dos serviços para a Petrobras, vêse nos ' Demonstrativos de Formação de Preços" tanto no afretamento como nos serviços, que as empresas estimam um lucro. acontece que a Petrobras paga a taxa diária enquanto o barco está à sua disposição e se por qualquer motivo, geralmente problemas mecânicos, o barco é retirado do serviço, para reparos ou por qualquer outra razão, a Petrobras cessa o pagamento do aluguel diário para o dono do barco estrangeiro, e dos serviços para a empresa Brasileira, além de cobrar aos dois contratantes uma multa pela indisponibilidade, 15% da taxa diária de aluguel e 15% da taxa diária de serviços de operação. E durante o período de suspensão de pagamentos, tanto o proprietário do barco, como o Armador brasileiro, continuam pagando os tripulantes e os custos de manutenção e combustíveis. o lucro, portanto, depende de os barcos estarem funcionando como planejado. Em certos anos, é o caso de 2008, o número de dias perdidos é mais elevado que em outros. Daí o prejuízo naquele ano. para uma melhor compreensão vejase abaixo a tabela constando o resultado fiscal de 7 anos, desde 2002, quando a MARÉ ALTA iniciou seu funcionamento, até 2008. Em alguns anos houve lucro e em outros prejuízo. A soma dos dois, no entanto, mostra um resultado positivo, lucro fiscal de R$ 7.927.576.00 no período. Ano Lucro/Prejuizo 2002 R$ 976.208,00 Lucro 2003 R$ (2.560.759,00) Prejuizo 2004 R$ (10.134.941,00) Prejuizo 2005 R$ 9.171.473,00 Lucro 2006 R$ 14.920.229,00 Lucro 2007 R$ 1.551.248,00 Lucro 2008 R$ (5.995.882,00) Prejuizo Total R$ 7.927.576,00 Lucro Fl. 3179DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.180 21 quanto ao prejuízo operacional de 2008, os quadros abaixo indicam a razão: vese na relação o numero de barcos que ficaram fora de operação naquele ano, pagando multa à Petrobras e suportando as despesas sem faturamento. MARÉ ALTA DO BRASIL NAVEGAÇÃO LTDA. Re ultado Operacional em 2008 . flores em Reais R$ (sem centavos) Quantidade Resultado Operacional em 2008 de Barcos R$ 2008 Barcos com Lucro 16 R$ 10,661,998.89 Barcos com Prejuízo 17 R$ (13,299,455.97) Resultado Operacional| RS (2,637,457.08)1 Quantidade Prezuízo Operacional em 2008 de Barcos R$ 2008 % Barcos com Prejuízo acima de R$ 1 milhão 5 R$ (10,781,885.73) 81% Barcos com Prejuízo abaixo de R$ 1 milhão 12 R$ (2,517,570.24) 19% Barcos com Prejuízo RS (13,299,455.97)1 100% demosntrase pelo quadro acima, que o resultado operacional negativo se deu, principalmente, em decorrência da paralização de 17 barcos em razão de reparos. Cinco destes barcos apresentaram em 2008, prejuízo operacional acima de R$ 1 milhão, que somados representaram 81% (R$ 10.781.885,73) do total do prejuízo operacional de (R$ 13.29.455,97). enquanto em em reparos no estaleiro, alem da perda das receitas e das despesas necessárias à manutenção de suas operações, os barcos são penalizados na razão de 15% dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, a saber: a empresa estrangeira é penalizada na razão de 15% da taxa diária prevista no contrato de afretamento e arca com os custos considerados de vulto associados com o reparo. a empresa brasileira é penalizada na razão de 15% da taxa diária prevista no contrato de serviços e arca com os custos não considerados como sendo de vulto e não diretamente associados ao reparo principal que levou a embarcação ao status de "Downtime", assim como também arca com os demais custos inerentes e previstos no contrato de prestação de serviços como por exemplo despesas de viagem, suprimentos, etc... o calculo gerencial abaixo demonstra o quanto representou para a Mare Alta as perdas de vendas nesses cinco contratos e assim como o correspondente efeito em multas contratuais gerados em função dos dias em "downtime": Calculo Gere.icial Valores em Reais R$ (sem centavos) Barco Taxa Daria Mare Alta USD Taxa Diária Mare Alta R$ ■ Convertidos ao cambio medio de 2008 de R$1.80 Das em Dow ntime Perda de Receitas Multa Contratual (15%) Cruz Tide $ 6,960.79 R$ 12,529 (206) R$ (2,581,059) R$ (387,159) Guard Tide $ 2,940.00 R$ 5,292 (70) R$ (370,440) R$ (55,566) Huntetor $ 3,541.95 R$ 6,376 (365) R$ (2,327,061) R$ (349,059) Oil Onyx S 4,781.25 R$ 8,606 (362) R$ (3,115,462) R$ (467,319) Oil Trader $ 3,108.00 R$ 5,594 (139) R$ (777,621) RS (116,643) Fl. 3180DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.181 22 Total $ 21,332 R$ 38,398 (1,142) R$ (9,171,644) R$ (1,375,747) Total Perdas de Receitas e de Multas Contratuais| R$ (10,547,390)| durante 2008, além destes barcos, outros apresentaram períodos de “downtime”, o que contribuiu negativamente para o resultado operacional naquele período. a Fiscal autuante não levou em consideração a existência dos dois contratos interligados. Assim a "pequena parte dos dispêndios na forma de reembolso" são as despesas pagas por conta da JAVA BOAT pela MARÉ ALTA, como agente marítimo. a "maior parte incorporado aos seus reais custos/despesas" são na verdade os custos e despesas de responsabilidade da MARÉ ALTA no Contrato de Serviços, custos estes que estão estimados perfeitamente no Demonstrativo de Formação dr Preços – Serviços. Para cobrir este custos/despesas, ao que acresce uma parcela de seu lucro, a MARÉ ALTA recebe da Petrobras a taxa diária de serviços. Da análise dos contratos: que os subparágrafos 4.1 a 4.4.1. estão corretos. Nada a comentar. No sub parágrafo 4.4.2. a Fiscal autuante considera que "condições de operar abrangem não só o bom estado das embarcações, mas também o material humano, ambos necessários para que as embarcações estejam aptas a cumprir as atividades de apoio marítimo para as quais são contratadas." engano. A proprietária (no Contrato de Afretamento, a que se refere a Fiscal autuante neste subparágrafo) é obrigada a entregar uma embarcação em condições, apta a operar. Não equipada para operar. Nem poderia, desde que o contrato de serviços estabelece que a operação será feita pela empresa brasileira, que contratará os tripulantes brasileiros, pelo menos 2/3 da tripulação do barco. a responsabilidade da empresa estrangeira, proprietária do barco, é entregálo em condições, "seaworthy". Como ocorre em um carro alugado: a locadora entrega um carro em condições de ser usado. Não fornece o motorista (salvo se o contrato inclui expressamente que a locadora fornecerá o motorista). no subparágrafo 4.4.3, a Fiscal autuante volta a mencionar que, em sua opinião, no afretamento do CARLINE TIDE, "a taxa de afretamento em moeda estrangeira foi equivalente a R$ 22.865.488,00 pagos à JAVA BOAT, enquanto o "valor da parcela referente à taxa de afretamento nacional totalizou R$ 153.459,65, pagos a Maré Alta". A acusação referente ao CARLINE TIDE já foi impugnada e respondida icima, à qual a Impugnante se refere. cabe lembrar, apenas que segundo informações obtidas em registros contábeis, a Java Boat faturou dólares equivalentes a R$ 9.537.448,50 (e não R$ 22.865.488,00), e as empresas brasileiras R$ 4.059.251,98 ("taxa de afretamento nacional", agenciamento, no Contrato de Afretamento, mais taxa de prestação de serviços da Maré Alta e de sua cessionária Pan Marine), no Contrato de Serviços, conforme se vê na tabela abaixo, já apresentada mas que se repete para facilidade do leitor. Carline Tide Jan a Dez 2008 em R$ Empresa Receita Bruta % Fl. 3181DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.182 23 Estrangeira Java Boat ( a ) R$ 9,537,448.50 70.15% Brasileira Mare Alta Pan Marine R$ 1,687,804.64 R$ 2,371,447.34 12.41% 17.44% Total Emp. Brasileiras R$ 4,059,251.98 29.85% Total R$ 13,596,700.48 100.00% Nota ( a ) : Valor em dólares convertido para Reais (R$) pelo cambio médio para o ano de 2008 de R$ 1.80. em seguida a Fiscal autuante discorre longamente sobre o "instrumento particular de acordo, entre a JAVA BOAT e a MARÉ ALTA, transcrevendo, nas páginas 7 e 8 do Termo de Verificação Fiscal, as cláusula 3 e 4 onde, na sua opinião, constam as obrigações de cada uma das partes em contratos como os com a Petrobras e concluiu que os custos alocados pela MARÉ ALTA como seus, seriam custos de responsabilidade da JAVA BOAT. Mais um engano da Fiscal autuante. o "instrumento particular de acordo" que levou em consideração, é um acordo de 18/01/2002. Ano em que a MARÉ ALTA iniciou seu funcionamento. Os contratos, de afretamento e de serviços foram assinados em data posterior, o do CARLINE TIDE, por exemplo, em 30/04/2007. os contratos com a Petrobras, estabelecem as obrigações das partes, em particular o Contrato de Serviços claramente estabelece as obrigações da MARÉ ALTA, em sua prestação de serviços de armadoraoperadora dos barcos. Ambos contratos, de Afretamento e de Serviços foram assinados pela JAVA BOAT e pela MARÉ ALTA e com a Petrobras. é evidente que ao aceitarem as tarefas/obrigações como constam nos contratos posteriores, de 2007, revogaram, por novação, aquelas que estavam ajustadas no instrumento particular de 2002. E mais, as duas empresas em todos os contratos apresentaram o "Demonstrativo de Formação de Preços", "Afretamento" pela JAVA BOAT, e "Serviços" pela Maré Alta. dos demonstrativos apresentados na licitação do CARLINE TIDE, que serve de exemplo e é similar em todas as licitações, anexados (ANEXO 2.2 e 2.3), lêse em "custos diretos" (valores em dolares no demonstrativo da Java Boat em USD no original, convertidos em reais na tabela junto, cambio medio de 2008 R$ 1,80/USD: 1.1 CUSTOS DIRETOS JAVA BOAT MARÉ ALTA Seguro Supervisão Técnica Manutenção Depreciação Juros Salários e Benefícios Alimentação e Viagem Manutenção de Rotina Diesel e Lubrificantes Outros Custos R$ 16.833,60 / dia 72% R$ 6.472,00/dia 28% DOS CUSTOS (CUSTOS DIRETOS + CUSTOS INDIRETOS + IMPOSTOS S/LUCRO Fl. 3182DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.183 24 R$ 20.962,80/dia 69% R$ 6.472,00/dia 31% diante do exposto e provado, toda a argumentação da Fiscal autuante, do subparágrafo 5.1, na página 6, e páginas 7, 8, 9 e 10, do Termo de Verificação Fiscal, pelo qual invocou clausulas do "instrumento particular de acordo entre a JAVA BOAT E MARÉ ALTA, de 2002, nada valem, desde que o referido instrumento particular de acordo entre a JAVA BOAT e a MARÉ ALTA, foi substituído pelas cláusulas e condições dos contratos de 2007, baseados, por sua vez, nas condições impostas pelo Convite Internacional e pelos Demonstrativos de Formação de Preços Afretamento e Serviços. estes últimos documentos, agora apresentados no Anexo 2, não foram solicitados ou vistos pela Fiscal autuante. Se o tivessem sido não teria glosado os custos apropriados pela MARÉ ALTA, custos de responsabilidade contratual da MARÉ ALTA, como veremos com mais detalhes a seguir. Da Glosa de Custos e Seus Motivos: esta a parte vital do auto de infração, cuja impugnação agora se faz uma a uma, conforme relacionado no quadro a fis. 11 do citado documento, sob o titulo "Contabilidade Nome dos Custos" (tecnicamente "descrição das contas contábeis"). para facilidade e melhor compreensão copiase, abaixo, o quadro de fis. 11 do Termo de Verificação Fiscal, com a lista das contas contábeis glosadas: A B c D CONTABILIDADE NOME DOS CUSTOS CONTAS RES / EXERCÍCIO CUSTOS GLOSADOS Serv. Prest. P. Jurídicas 60000040 13.000.411,11 13.000.411,11 Afretamento a Casco nu 60400020 8.553.236,69 0,00 Despesas de viagem 60060080 2.774.945,56 2.770.050,35 Alimentação e Lavanderia 60100010 1.763.611,76 1.763.611,76 Encargos s/ serv. Prestados PJ 60040410 5.250.304,76 5.250.304,76 Seguro de vida 60040400 61.325,16 61.325,16 Despesas Medicas 60040010 1.103.885,04 1.096.173,63 Desp. Medicas Rateio 60040015 2.398,56 2.132,06 Reparo 60160030 2.917.205,63 0,00 Outros custos de embarcação 60550010 2.152.158,48 0,00 Hard/SOFTW/Manutenção 60550200 60.799,81 0,00 Comunicação Embarcag5o 60550220 189.228,29 0,00 Agenciamento 60550300 3.267.874,06 0,00 Reparo e manutenção geral 60150030 2.534.136,34 1.661.095,01 Combustível 60250010 2.707.085,28 2.626.946,18 Lubrificante 60250020 1.709.394,62 1.709.394,62 Depreciembar/software 61002210 9.407.162,79 0,00 Soma dos custos 29.941.444,64 A seguir as razões de impugnação de cada uma das glosas: (a) Serviços prestados pessoa juridica – conta 60000040 – R$ 13.000.411,11 Fl. 3183DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.184 25 como corretamente explica a fiscalizção, esta conta registra o pagamento pela MARÉ ALTA, em reembolso, da mão de obra de funcionários da Pan Marine, marítimos tripulantes atuando nos barcos cujo serviços de operação são de responsabilidade da Maré Alta. o Contrato de Serviço, celebrado entre a Petrobras, MARÉ ALTA e JAVA BOAT (como solidária) (contrato no. 2050.0031527.07.2, do CARLINE TIDE, tomado como exemplo, redação idêntica dos outros contratos de serviço dos outros barcos), a MARÉ ALTA comparece como "ARMADORA". Como é sabido, ARMADORA é a empresa que arma, equipa a embarcação, no caso com os tripulantes brasileiros. a Cláusula Terceira Obrigações da Armadora, relaciona tudo o que por força do contrato é de responsabilidade (de providenciar e óbvio de pagar), da Armadora, no caso a MARÉ ALTA. A clausula 3.5. dispõe: "3.5. Tripular adequadamente a EMBARCAÇÃO com mão de obra contratada sob a égide da legislação brasileira, equipandoa para o apoio às operações de pesquisa e lavra de hidrocarbonetos, e atividades correlatas na Plataforma Continental Brasileira, compatíveis com o seu tipo e porte, na forma dos citados ANEXOS III e IIIA." mais adiante, sob o titulo Quanto à Tripulação, o mesmo Contrato de Serviços lista em 19 itens ou subcláusulas, as obrigações da ARMADORA (MARÉ ALTA), com relação à tripulação contratada pela ARMADORA. Copiase algumas subcláusulas,auto eplicativas: Quanto a Tripulação 3.11. Providenciar tripulação qualificada, adequada e suficiente para o integral cumprimento das disposições do presente CONTRATO, da legislação brasileira pertinente, e, em particular, aquelas estabelecidas nos itens 3.5, 3.6 e 3.18, arcando com todos e quaisquer encargos decorrentes da legislação trabalhista e previdenciária. 3.11.1. Contratar diretamente os tripulantes necessários ao atendimento do Cartão de Lotação da EMBARCAÇÃO. É vedada a contratação de Cooperativas. 3.11.12. A ARMADORA assegura que os tripulantes embarcados, terão passado por exames médicos executados por hospitais / médicos qualificados, certificando que eles estão preparados para serviço a bordo 3.11.14 Responsabilidade pelo pagamento de salários e qualquer reivindicação e/ou indenização salarial e/ou diferenças e/ou disputas advindas do contrato de trabalho como acordado entre a ARMADORA e o tripulante deve permanecer com a ARMADORA. A PETROBRAS não é responsável por qualquer ordem ou requisição de qualquer autoridade nacional ou internacional ou instituição oficial com respeito a pagamento de taxas e/ou Fl. 3184DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.185 26 encargos sociais relativos à tripulação suprida e empregada pela ARMADORA. 3.11.16. A ARMADORA providenciará e custeará o embarque e desembarque de tripulantes contratados, incluindo passagens, refeições, e acomodações, inclusive no reinício de operação da EMBARCAÇÃO. a fiscal entendeu que o custo com tripulação brasileira seria da Java Boat, segundo clausulas do Instrumento de Acordo entre a Mara Alta e Java Boat, conforme exposto acima, e pelas razões também antes exposta, que se pode sintetizar da seguinte maneira. o referido instrumento particular é de 18/01/2002 é evidente que as condições do contrato com a Petrobras, de 30/04/2007, inovam, prevalecem sobre quaisquer contratos anteriores envolvendo as mesmas partes. Lembrase que o contrato de serviços com a Petrobras, foi assinado pela MARÉ ALTA e JAVA BOAT. Nada mais justo que a fornecedora de serviço brasileira seja a responsável pela contratação de brasileiros. a Java Boat contrata, e paga no exterior, a tripulação estrangeira. A legislação brasileira exige uma porcentagem de tripulantes brasileiros (2/3), em todo e qualquer barco estrangeiro que tenha autorização de trabalhar no Brasil (Resolução Normativa 72/2006, do Conselho Nacional de Imigração, Ministério do Trabalho e Emprego). A tripulação brasileira é contratada pelo Amador brasileiro. Portanto a locação do custo da mão de obra de tripulantes brasileiros na MARÉ ALTA está correta e não deve ser glosada. (b) Despesas de viagem Conta 60060080 glosa de R$ 2.770.050,35 o Contrato de Serviços acima citado, nas obrigações da MARÉ ALTA, quanto à Tripulação, estabelece: "3.11.16. A ARMADORA providenciará e custeará o embarque e desembarque de tripulantes contratados, incluindo passagens, refeições e acomodações, inclusive no reinicio de operação da EMBARCAÇÃO." sem duvida estes custos estão bem alocados como custos da MARÉ ALTA e não podem ser glosados. (c) Alimentação e Lavanderia. Conta 60100010 glosa de R$ 1.763.611,76 a Clausula 3.8. do Contrato de Prestação de Serviço estabelece como responsabilidade da Maré Alta: 3.8. Providenciar e fornecer, por sua conta, alimentação para os tripulantes da EMBARCAÇÃO. Fl. 3185DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.186 27 (d) Encargos s/serv Prestados PJ R$ 5.250.304,76 são os encargos trabalhistas (FGTS e INSS) recolhidos diante do pagamento dos tripulantes brasileiros. O acessório segue o principal. Despesa contratualmente por conta da MARÉ ALTA. (e) Seguro de Vida R$ 61.325,16 também é despesa acessória de encargos trabalhistas ou relacionadas com os tripulantes brasileiros pagos pela MARÉ ALTA, devida como determinado em ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) com os Sindicatos das categorias dos tripulantes brasileiros. Esta glosa não pode prosperar. (f) Despesas Médicas R$ 1.096.173,63 (g) Desp. Médicas Rateio R$ 2.132,06 são despesas de atendimento médico a tripulantes de vários barcos que não podem ser alocadas a um barco, estas despesas são rateadas por toda a frota e contabilizada nesta conta. Sendo assim a glosa nestas contas não podem prosperar. (h) Reparo e manutenção geral R$ 1.661.095,01 quanto a Manutenção, a clausula 3.15 do Contrato de Serviços estabelece ser de responsabilidade da MARÉ ALTA, como segue: "Quanto a Manutenção 3.15. Ecarregarse da manutenção e reparo da EMBARCAÇÃO, arcando com o custo de reposição dos seus equipamentos, materiais, acessórios e sobressalentes, bem como das despesas resultantes da realização de reparos de qualquer natureza." como em qualquer contrato de afretamento, a manutenção decorrente do uso do barco é por conta do afretador (no caso a MARÉ ALTA), beneficiária do uso. Não se confunde com "manutenção" os reparos de vulto, em estaleiro, não resultantes do uso do barco, estes por conta do dono do barco. a esta manutenção cujo custo é de responsabiidade da MARÉ ALTA, a Petrobras, no formulário Demonstrativo de Formação de Preço Serviços, chama de "Manutenção de Rotina" e por isso a glosa desta conta também não pode ser mantida. (i) Combustível R$ 2.626.946,18 (j) Lubrificante R$ 1.709.394,62 Fl. 3186DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.187 28 a cláusula 4.1 estabelece que a Petrobrás é responsável pelo fornecimento de água e combustível necessários a operação da embracação, ou seja é ela quem fornece o combustível. De tempos em tempos, a quantidade de combustível existente a bordo é verificada, aplicandose então o que dispõe a clausula 3.22.3. do contrato. além disso, quando em downtime o barco consome combustível. Tanto que no Demonstrativo de Formação de Preços (doc. 1.3, anexo) vêse que faz parte dos custos diretos do prestador de serviços, "Diesel e Lubrificantes". outros artigos do Contrato de Serviços indicam a Maré Alta como responsável por esta conta, quando o barco não está servindo a Petrobras '3.22. Arcar com os custos de aquisição e de reposição de materiais de operação e consumíveis em geral, necessários à operação da EMBARCAÇÃO. 3.22.1. Arcar com o custo do combustível fornecido à EMBARCAÇÃO, no stermos do item 4.1, que exceder ao consumo básico a ser definido no inicio do CONTRATO pela PETROBRAS." as despesa com combustível e lubrificantes apropriadas nesta conta são, portanto, de responsabilidade da MARÉ ALTA e a glosa não pode ser mantida. diante de todo o exposto, provado que a Auditora autuante equivocouse ao glosar os custos que constam da coluna D, da tabela à página 11 do Termo de Verificação Fiscal, eis que tais custos são de responssabilidade da Impugnante, conforme estabelecido no Contrato de Serviços com a Petrobras, inclusive previstos como tal nas Condições do Convite Internacional e no Demonstrativo de Formação de Preços Serviços, requer a anulação do Auto de Infração. A 6ª Turma da DRJ/RJ1, pelo do Acórdão nº 1255.116, unanimemente, negou provimento a impugnação, conforme ementa a seguir: GLOSA DE DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. São indedutíveis despesas que, segundo contratos firmados, constituam obrigações de terceiros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTOS CONEXOS Na ausência de especificidades, aos lançamentos formalizados a partir da mesma base fática aplicase o mesmo julgado. Intimada em 07/05/2013, a interessada apresentou recurso voluntário em 06/06/2013, reiterando os argumentos de impugnação e acrescentando em síntese o seguinte: que os contratos com a Petrobrás dispõe que todas as despesas glosadas são de responsabilidade da MARÉ ALTA, enquanto o fiscal e a DRJ entenderam que o contrato de agenciamento marítimo deve prevalecer e tendo a MARÉ ALTA agido como mera Fl. 3187DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.188 29 agente marítimo da JAVA BOAT, as depesas glosadas teriam sido pagas pela MARÉ ALTA em nome da JAVA BOAT, e assim deveriam ser ressarcidas pela JAVA BOAT, e não escrituradas como despesas da MARÉ ALTA. que a decisão da DRJ parte do pressuposto que três contratos devem ser considerados: o primeiro entre a Petrobrás e a MARÉ ALTA (afretamento), onde a JAVA BOAT também é designada fretadora; o segundo, vinculado ao primeiro, onde a MARÉ ALTA é deignada armadora, se comprometendo a tripular, realizar operações náuticas, fornecer alimentação e serviços médicos a tripulação,.....; e o terceiro entre a MARÉ ALTA e a JAVA BOAT, onde a MARÉ ALTA atuaria como mera agente da JAVA no Brasil, tomando todas as providencias mediante reembolso. que a DRJ deixou de mensionar parte integrante dos contratos que estipulavam “Demonstrativos de Formação de Preço”. no exemplo apresentado, o primeiro demonstrativo, indica o valor/dia (USD 14.677.00) que a Petrobras pagará, diretamente à JAVA BOAT, em dólares. O segundo demonstrativo, indica o valor/dia (R$ 10.721,00) que a Petrobras pagará, à MARÉ ALTA, no Brasil, em reais. Em ambos demonstrativos, o lucro esperado está declarado, demonstrando total transparência na operação. na planilha da MARÉ ALTA, encarregada de operar o barco, anexada, está claro quais as verbas que assumiu pagar, por isto formando o preço cobrado à Petrobras em reais. que o "instrumento particular entre empresas", datado de jan/2002, assinado entre a MARÉ ALTA e JAVA BOAT já não estava em vigor em 2008, ano da autuação. Além disso, o contrato de 2002 era de agenciamento e nada a ver com o contrato de prestação de serviços em vigor em 2008. em 2002 a MARÉ ALTA não tinha ainda a outorga de EBN (Empresa Brasileira de Navegação de Apoio Marítimo). Funcionava como agente marítimo, o Armador era o dono do barco. que a recorrente definitivamente não atuou como "agente" do proprietário estrangeiro. Atuou como armadora, aprestando e operando o barco estrangeiro afretado. que foi, portanto, contratada, como uma EBN para operar as embarcações e por estas tarefas e custos a ela associados, a Petrobras pagou em reais pelo “conteúdo local", incluindo as despesas que o fisco pretende glosar. que caindo a interpretação errada de que o contrato de agencia marítima teria o condão de derrogar as disposições posteriores nos contratos com a Petrobras, terseá como resultado a improcedência das glosas. A Fazenda Nacional apresentou contrarazões ao recurso voluntário, aduzindo basicamente o seguinte: as referidas empresas de forma solidária, em 2008, mantinham contratos de afretamento de embarcações e prestação de serviços com a Petrobrás. Fl. 3188DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.189 30 que tais contratos de afretamento seguiam um determinado padrão, deles constando, que seriam executados em conjunto com outro contrato, de prestação de serviços, realizado entre a Petrobrás e a MARÉ ALTA. A rescisão de um dos contratos acarretaria, também a rescisão do outro. assim eram firmados dois contratos com a Petrobrás: 1) de afretamento e prestação de serviços, tendo como contratadas a MARÉ ALTA e JAVA BOAT; e, 2) de prestação de serviços, celebrado apenas com a MARÉ ALTA. que segundo o contrato de afretamento, as embarcações seriam disponibilizadas à Petrobrás em condições de operar, abrangendo todos os custos (manutenção, pessoal,...). que os acordos de 2008 envolviam 23 embarcações, das quais apenas 2 pertenciam à empresa brasileira, que, contudo, assumia 70% dos custos/despesas, abatendoos de suas bases tributáveis. A fim de reembolsar as despesas arcadas pela empresa nacional, a Java Boat realizava remessas financeiras que transitavam em conta específica. a remuneração dos contratos de afretamento foi estipulada a partir de uma taxa diária paga em dólares às contratadas (JAVA BOAT e MARÉ ALTA), não havendo discriminação específica acerca das quantias destinadas a cada uma delas. Foi, então, realizada diligência junto à Petrobrás, que informou, para o ano de 2008, pagamento de R$ 22.865.488,00 à JAVA BOAT e de R$ 153.459,65 à Maré Alta. questionada acerca da discrepância entre o rateio de despesas e o de receitas, além da falta de clareza dos contratos de afretamento, no que tange à divisão de tarefas entre a pessoa jurídica estrangeira e a brasileira, esta última esclareceu que haveria um instrumento particular entre ambas datado de janeiro de 2002. que reza o referido instrumento que os custos inerentes à disponibilização das embarcações em condições operacionais seriam da Java Boat, aí incluídos: reparações técnicas em geral, operação das embarcações, emprego de pessoal, fornecimento de alimentos, material de limpeza e combustíveis, realização de seguros etc. À MARÉ ALTA ficou designado apenas o papel de mera agente da empresa estrangeira no Brasil, responsável pelos trâmites necessários para que os contratos de afretamento pudessem ser executados. já o contrato de prestação de serviços celebrado entre a Petrobrás e a Maré Alta tinha como objeto a operação das embarcações, incluindo as funções de tripular, realizar a operação náutica e a manutenção das embarcações. Todavia, tais obrigações já estavam contidas no contrato de afretamento, uma vez que nele a JAVA BOAT e a MARÉ ALTA assumiram, de forma solidária, a obrigação de disponibilizar as embarcações em condições operacionais. Ademais, a MARÉ ALTA, com anuência da Petrobrás, cedeu a PAN MARINE do Brasil todos os direitos e obrigações inerentes aos contratos de serviços com ela pactuados, passando a responder solidariamente por todos direitos e obrigações. que na prática, diante do contrato com a PAN MARINE do Brasil, esta assumiu todos os encargos que, no contrato entre a interessada e a JAVA BOAT, haviam sido destinados a esta última. Tal fato seria, segundo relatado, mais um reforço à evidência da relação de fato que existe entre a empresa estrangeira JAVA BOAT e a empresa brasileira Maré Alta, de que esta atua como uma representante da empresa estrangeira no Brasil, Fl. 3189DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.190 31 portanto, intermedeia as contratações com a Petrobrás feitas pela JAVA BOAT e confere garantia a estas. que portanto, seriam ilegítimas as deduções, por parte da interessada, na apuração de seu lucro real, de despesas que estariam fora de sua incumbência e que, na verdade, seriam geradoras de receitas para a JAVA BOAT. Não obstante a maior parte da receita do contrato de afretamento pertencer à JAVA BOAT, os custos e dispêndios das obrigações foram concentrados na empresa brasileira, reduzindo indevidamente sua base tributável. segundo entendimento adotado pela fiscalização, a autuada poderia apenas deduzir despesas inerentes às embarcações de sua propriedade a questão é: as estipulações e obrigações de pagamento devidas pelas partes (JAVA BOAT e MARÉ ALTA), regemse pelos contratos de afretamento e de serviços assinados com a Petrobrás (em 2008), ou por um contrato particular de agenciamento marítimo, entre a JAVA BOAT e a MARÉ ALTA, assinado em 2002? na licitação internacional, a Petrobrás estabeleceu os parâmetros mínimos e máximos a serem necessariamente atendidos pelos licitantes, entre o valor diário a ser pago em dólares, ao dono do barco estrangeiro, e o valor diário a ser pago em reais, ao armador brasileiro. como exemplo, temse um primeiro demonstrativo (afretamento) que indica o valor/dia (USD 14.677.00) que a Petrobrás pagou, diretamente, à JAVA BOAT, em dólares. O segundo demonstrativo (serviços) indica o valor/dia (R$ 10.721,00) que a Petrobrás pagou à MARÉ ALTA, no Brasil, em reais Na planilha da MARÉ ALTA, encarregada pelo contrato de serviços de operar o barco, está claro quais as verbas que assumiu pagar, por isto formando o preço cobrado à Petrobrás em reais. E tais encargos são exatamente os que foram estabelecidos no contrato de serviços. que nos termos do artigo 299 do RIR/99, para que um dispêndio seja considerado despesa operacional dedutível, ele deve atender a certos requisitos, como efetividade, necessidade e normalidade no contexto das transações do contribuinte. a despesa operacional é o desembolso necessário à atividade da empresa e à manutenção de sua fonte produtora. Tratase de uma atividade planejada, um dispêndio realizado com vistas à obtenção de receitas que o compensem. dos instrumentos analisados resta clara a responsabilidade da Java Boat pela maior parte dos custos decorrentes do afretamento. Contudo, a MARÉ ALTA lançou tais despesas como dedutíveis em sua contabilidade. A fiscalizada assumiu mais de 70% dos dispêndios dos contratos com a Petrobrás, o que lhe causou um prejuízo fiscal no ano de 2008 de R$ 5.995.881,63. As receitas, por outro lado, estavam todas concentradas na empresa JAVA BOAT. ora, se os custos decorrentes das contratações geraram receitas para a empresa estrangeira, eles não podiam ser deduzidos pela MARÉ ALTA. A fiscalização corretamente concluiu que os custos possíveis de serem levados ao seu resultado eram os seguintes: Fl. 3190DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.191 32 a) aqueles cuja natureza decorre da sua atividade como agente da empresa estrangeira no Brasil (outros custos de embarcação conta 60550010, Hard/softw/manutenção conta 60550200, comunicação embarcação conta 60550220, agenciamento conta 60550300); b) os decorrentes da operação das suas próprias embarcações (Danko Tide e Milan Tide); e c) dos barcos em que ela assume a obrigação de operar por meio de contratos firmados com empresas que não são da Petrobrás (embarcações Cumbria Service, Faridah Tide, Lester Pollack e Herbert Tide). as despesas glosadas pela fiscalização são as seguintes: a) serviços prestados pela pessoa jurídica (conta 60000040): valores pagos pela alocação de mãodeobra contratada com a Pan Marine, nos navios que não são de propriedade da recorrente e que foram disponibilizados à Petrobrás. Tais custos são de responsabilidade da Java Boat, conforme acordo firmado entre a recorrente e a empresa estrangeira, cláusulas 4C e 4D; b) despesas de viagem (conta 60060080): custos de responsabilidade da Java Boat, conforme cláusulas 4C e 4D. Despesas com o pessoal aplicado para operar as embarcações que não são de propriedade da fiscalizada nos contratos firmados com a Petrobrás; c) alimentação e Lavanderia (conta 60100010): custos de alimentação e lavanderia com o pessoal aplicado nas embarcações que não são de propriedade da recorrente. Os valores são de responsabilidade da empresa estrangeira, conforme cláusula 4E do instrumento de acordo. d) encargos s/ serv. prestados PJ (conta 60040410): encargos trabalhistas do pessoal alocado nas embarcações que não são de propriedade da recorrente. Custos de responsabilidade da Java Boat (cláusula 4C). e) seguro de vida (conta 60040400) e despesas médicas (60040010): custos também relacionados ao pessoal alocados nas embarcações que não são de propriedade da recorrente (responsabilidade da Java Boat cláusula 4C). f) reparo e manutenção geral (conta 60150030): tais custos, por força das cláusulas 4A e 4F do instrumento de acordo, são imputados à Java Boat. g) combustível (conta 60250010) e lubrificante (conta 60250020): gastos com combustível e lubrificante das embarcações que não são de propriedade da Maré Alta e que foram contratadas com a Petrobrás. Responsabilidade da Java Boat, conforme cláusula 4K do instrumento. Fl. 3191DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.192 33 que das provas dos autos, vêse que a recorrente, efetivamente, deduziu despesas que não tinham qualquer relação com as atividades prestadas por ela. Por essa razão, a fiscalização corretamente realizou a glosa dos valores, não devendo ser alterado o auto de infração. É o relatório. Voto Vencido Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Relator. O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70235/72, razão porque, dele conheço. A Recorrente demonstrou em sua impugnação que as despesas objeto de glosa eram de sua responsabilidade, Armadora, e não da proprietária dos barcos, JAVA BOAT CORPORATION B.V., por força do disposto em contratos de afretamento e de prestação de serviços firmados com a Petrobras, vigentes em 2007/2008. A decisão de 1a instância entendeu que tais depesas cabiam à proprietária dos barcos, JAVA BOAT, em resumo por entender que deveria prevalecer o disposto no contrato entre a MARÉ ALTA e a JAVA BOAT, de agenciamento marítimo, firmado em 2002. A questão em debate, portanto, é esta: As estipulações e obrigações de pagamento devidos pelas partes (JAVA BOAT e MARÉ ALTA), regemse pelos contratos de afretamento e de serviços assinados com a PETROBRAS, vigentes em 2008, ou por um contrato particular de agenciamento marítimo, entre a JAVA BOAT e a MARÉ ALTA, assinado em 2002 ? Segundo a fiscalização apurou, é prática comum de mercado, empresas estrangeiras que prestam serviços para a Petrobrás, criarem empresas brasileiras, da qual detêm o controle acionário. Com isso elas escoam para o exterior, recursos liberados de retenção na fonte, remetidos a título de “receitas de afretamento de embarcações” e acumulam as despesas na empresa nacional, reduzindo seus lucros de forma artificial. Apurou a fiscalização que no presente caso, as empresas Maré Alta e Java Boat pertencem a um mesmo grupo econômico, denoinado “ Tide Water Marine Group” e que as referidas empresas, de forma solidária, mantêm contratos de afretamento de embarcações e prestação de serviços com a Petrobrás, e que os contratos de afretamento seriam executados em conjunto com um outro contrato de prestação de serviços, realizado entre a Petrobrás e a Maré Alta, ou seja a mesma prática acima indicada. Os contratos com a Petrobrás dispõe que todas as despesas glosadas são de responsabilidade da MARÉ ALTA, enquanto a Autoridade autuante e depois a julgadora, entenderam que o contrato de agenciamento marítimo deve prevalecer com o que a MARÉ ALTA teria agido como mera agente marítimo da JAVA BOAT, e portanto as depesas glosadas teriam sido pagas pela MARÉ ALTA em nome da JAVA BOAT, e assim deveriam ser ressarcidas pela JAVA BOAT, e não escrituradas como despesas da MARÉ ALTA. Fl. 3192DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.193 34 Onde está o erro de apreciação da fiscalização e da DRJ? A meu ver ambos partiram do pressuposto de que deveriam ser considerados três contratos: o primeiro, intitulado "contrato de afretamento", onde consta de um lado, a ' Petrobrás e de outro a Recorrente, designada fretadora, juntamente com a JAVA BOAT, ambas solidariamente responsáveis pelas obrigações assumidas perante a Petrobrás; o segundo, vinculado ao primeiro por cláusula expressa, consiste num "contrato de prestação de serviços entre a Petrobrás e a MARÉ ALTA do Brasil" no qual a "armadora", se compromete a tripular, realizar operações náuticas, fornecer alimentação e serviços médicos à tripulação, manutenção, reparos e docagem e, ainda, a suprir a embarcação dos materiais de consumo necessários; e, o terceiro contrato denominado "instrumento particular entre empresas" pactuado entre a Recorrente e a JAVA BOAT, onde ficou estipulado que a Recorrente seria mero agente da JAVA BOAT no Brasil, providenciando, mediante posterior reembolso, trâmitres e registros, apoio logístico, manutenção e reparos, tripulação, alimentação, docagem, materiais de consumo em geral, despesas medicas etc." Porém, tanto a fiscalização quanto a DRJ, deixaram de incluir, entre as disposições relevantes a serem consideradas, os "Demonstrativo de Formação de Preços" parte integrante dos contratos com a Petrobrás. A "engenharia jurídica" estabelecida pela Petrobras, ao contrário do vislumbrado pela fiscalização e pela DRJ visou minimizar o quanto possível o valor a pagar ao proprietário do barco, estrangeiro, em dólares, a titulo de afretamento do barco, no Brasil em admissão temporária, pelo regime do REPETRO e maximizar o quanto possível o valor a pagar à empresa brasileira (EBN), por salários e insumos pagos ou comprados no país, pagamento a ser feito em reais, sem remessa de dólares ao estrangeiro. Para regular ou restringir os interessados a seguirem esta política da Petrobras, ela estabeleceu na licitação internacional os parâmetros minímos e máximos a serem necessariamente atendidos pelos licitantes, entre o valor diário a ser pago em dólares, ao dono do barco estrangeiro, e o valor diário a ser pago em reais, ao Armador brasileiro (contratado pelo Contrato de Prestação de Serviços) como condição sine qua non para serem contratados, obedecido ainda o critério de menor preço. A divisão de valores (dolares/reais) fica registrada no "Demonstrativo de Formação de Preços", apresentado pelos licitantes com suas propostas. Estes demosntrativos foram juntados pela Recorrente junto com a impugnação e recurso: o primeiro indica o valor/dia (USD 14.677,00) que a Petrobrás pagaria diretamente a JAVA BOAT em dólares e o segundo o valor/dia (R$ 10.721,00) que a Petrobrás pagaria a Recorrente, ou seja, nos dois demonstrativos o lucro esperado está préestabelecido. Na planilha da MARÉ ALTA, Armador brasileiro, encarregado pelo Contrato de Serviços de operar o barco, está claro quais as verbas que assumiu pagar, por isto formando o preço cobrado à Petrobras em reais. E tais encargos são exatamente os que foram estabelecidos no Contrato de Serviços,corretamente descriminados pela Autoridade julgadora, ao descrever o contrato 2, a saber: "2 o segundo, vinculado ao primeiro por cláusula expressa, consiste num "contrato de prestação de serviços entre a Petrobras e a MARÉ ALTA do Brasil" no qual esta, designada "armadora", se compromete a tripular, realizar operações náuticas, fornecer Fl. 3193DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.194 35 alimentação e serviços médicos à tripulação, manutenção, reparos e docagem e, ainda, a suprir a embarcação dos materiais de consumo necessários." Não fosse o malsinado contrato 3 incluído pela Autoridade julgadora fiscal como também a ser considerado, o contrato de agente marítimo, datado de vários antes dos demais contratos com a Petrobras, não haveria duvida, disputa: todas as verbas glosadas são de encargos da MARÉ ALTA, conforme contratos em vigor em 2008. A autoridade julgadora entendeu (a nosso ver flagrantemente em engano) que o contrato 3, de agencia marítima, estaria em vigor, e seria aplicável, derrogando a distribuição de obrigações/encargos claramente estabelecidas nos dois contratos assinados com a Petrobras e nos respectivos Demonstrativos de Formação de Preços. Com o seguinte raciocínio, que se lê à página 12 do acórdão: "2. Validade do chamado "instrumento particular entre empresas". Conforme exposto, a tese defendida pela autoridade autuante é a de que, apesar dos dispêndios correspondentes aos custos e despesas glosados, referentes a ) aparelhamento da embarcação, terem sido efetivados pela autuada, eram arcados, de fato, pela pessoa jurídica estrangeira, por constituírem obrigação desta última. Neste sentido, a empresa sediada em território nacional agiria em nome da outra, como mero agente ou representante. Tal versão dos fatos tem como base o contrato intitulado "instrumento particular entre empresas". Em sua defesa, afirma a interessada que o acima referido "instrumento particular entre empresas", datado de jan/2002, já não estava em vigor em 2008, ano objeto da autuação. Segundo informa, naquele ano aquele primeiro contrato já havia sido substituído por outro, de prestação de serviços entre a Petrobras e a MARÉ ALTA, que estabelece que os custos gerais inerentes à operacionalização correriam por conta da MARÉ ALTA do Brasil, fato este que legitimaria a dedutibílidade dos mesmos. Sobre seu prazo de vigência o contrato apontado como inválido pela impugnante assim dispunha: Das cláusulas acima referidas constatase que não foi especificado termo inicial e final de validade. O acordo se renovava automaticamente, conforme fossem inseridos no referido "Anexo A"novos afretamentos, não havendo sido juntados aos autos qualquer counicação por escrito, conforme clausula 2C acima, que tenha expressamente posto fim ao vínculo contratual." Sem razão a autoridade julgadora em sua tese, de que os contratos de fretamento e de serviços, assinados pela JAVA BOAT e pela MARÉ ALTA, não valeriam no que c ^ntrariassem as disposições do contrato de agencia marítima. Em resumo, pelas seguintes razões de fato e de direito: 1. As clausulas e condições de contrato posterior prevalece às cláusulas e condições de contrato anterior entre as mesmas partes (principio de que a norma nova derroga a anterior). Fl. 3194DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.195 36 Um contrato é, antes de tudo, e principalmente, o instrumento de registro da vontade entre as partes. A vontade é que forma o contrato, não o seu instrumento. As partes são livres de acordar, por mútuo acordo, de maneira diversa do que anteriormente tinham acordado. O novo entendimento automaticamente abroga o anterior. Como nas leis (e o contrato é lei entre as partes), a lei nova revoga a lei anterior, sem necessidade sequer de nominar as que serão canceladas, bastando a simples expressão genérica: revogamse as disposições em contrário. A disposição no contrato antigo, que seria necessário notificação da outra parte para seu término, é lógico que funciona para a terminação por vontade unilateral, de uma das partes. Se as duas partes estão de acordo, simplesmente entram no novo contrato, o antigo estará automaticamente cancelado. É também evidente que as partes (JAVA BOAT e MARE ALTA) eram competentes para contratar com a Petrobras. E estavam livres para fazelo. Não se concebe que um contrato anterior (e para outro fim especifdico, de agenciamento marítimo), pudesse tornar nulas as obrigações assumidas entre as duas partes (responsabilidade solidária) e a Petrobras, no que se refere aos encargos de cada uma no afretamento e na prestação de serviços contratada. O contrato de 2002 era um contrato para agenciamento, nada a ver com o contrato de prestação de serviços, armação do barco, em vigor em 2008. Em 2002 a MARÉ ALTA não tinha ainda a outorga de EBN (Empresa Brasileira de Navegação de Apoio Marítimo). Funcionava como agente marítimo, o Armador era o dono do barco. Pelos contratos com a Petrobras, vigentes em 2008, a MARÉ ALTA atuou como Armadora, em sua qualidade de EBN. Armava os barcos em seu nome, não como agente do armador estrangeiro. A própria autoridade julgadora invoca a Resolução 192 da Antaq, que estabelece que a embarcação estrangeira só pode operar no Brasil sob a égide de uma EBN. Por isso mesmo a Petrobras estabeleceu a engenharia jurídica de dois contratos: o de operação, prestação de serviços, é com uma EBN nacional, no caso a MARÉ ALTA. A MARE ALTA, definitivamente não atuou como "agente" do proprietário estrangeiro. Atuou como armadora, aprestando e operando o barco estrangeiro afretado. Invoca a autoridade julgadora o art 2o da Lei 9432/97, para concluir que seria do fretador, no caso a JAVA BOAT, em contrato de afretamento a tempo entregar a embarcação armada e tripulada, isto é pronta para a exploração comercial. Não percebeu, a autoridade julgadora, que o artigo ressalva que o afretador pode receber a embarcação armada ou tripulada, OU PARTE DELA, óbvio que toda ou parcialmente armada e tripulada, e para, o afretador a recebe para OPERÁLA por tempo determinado. Fl. 3195DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.196 37 Por operação de uma embarcação entendese administrar a embarcação, explorala na sua finalidade, que é a navegação. O que explora chamase no Brasil de ARMADOR, e só uma EBN poderá operar, ser o armador, de uma embarcação empregada na navegação de apoio marítimo. A MARÉ ALTA, portanto, foi contratada, como uma EBN (empresa brasileira de navegação) para operar as embarcações referidas neste processo, para armalas, contratar e pagar os 2/3 de tripulantes brasileiros, equipala, e mais todas as tarefas próprias de sua qualidade e relacionadas, corretamente, pela autoridade julgadora ao descrever o 2o contrato, o que vale a pena se repetir: "2 o segundo, vinculado ao primeiro por cláusula expressa, consiste num "contrato de prestação de serviços" entre a Petrobras e a MARÉ ALTA do Brasil no qual esta, designada "armadora", se compromete a tripular, realizar operações náuticas, fornecer alimentação e serviços médicos à tripulação, manutenção, reparos e docaqem e, ainda, a suprir a embarcação dos materiais de consumo necessários." Por estas tarefas e custos a ela associados a Petrobras pagou em reais, em vez de pagar ao dono do barco em dólares, pagou pelo "conteúdo local", incluindo as despesas que o fisco pretende glosar. Com a devida vénia, o fisco, neste caso, está na contramão dos interesses nacionais de prestigiar o "conteúdo local". De qualquer maneira, caindo a interpretação errada de que o contrato de agencia marítima teria o condão de derrogar as disposições posteriores nos contratos com a Petrobras, terseá como resultado a improcedência das glosas, com a reforma da decisão ora atacada, e declarada a procedência da impugnação ao Auto de Infração fiscal. A vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa. Passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegou o Colegiado. As discussões no presente processo giram em torno da glosa de custos e despesas, diante do entendimento do Fisco de que seriam desnecessárias às operações da autuada. Os gastos estariam relacionados à atividade da Java Boat, que seria contratualmente e de fato a responsável pelos dispêndios. Os custos/despesas glosados alcançaram vinte e três Fl. 3196DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.197 38 embarcações que não são de propriedade da interessada e são objeto de contratos com a Petrobrás. Em se tratando da dedutibilidade de custos/despesas, é pacífico que o ônus da prova recai sobre aquela que apropria dos gastos e deles se beneficia, reduzindo a base tributável. No caso, a interessada Maré Alta do Brasil Navegação Ltda. Pois bem. Ainda no curso do procedimento fiscal, foi constatada a sobreposição (ou, na melhor das hipóteses, uma falta de definição) de atribuições nos contratos firmados entre a Petrobrás e as contratadas Java Boat e Maré Alta (solidárias), quando comparados aos contratos firmados entre a Petrobrás e a Maré Alta, na qualidade de armadora. Os contratos eram simultâneos, diziam respeito sempre à mesma embarcação e um fazia menção ao outro, mas não restava clara a divisão de atribuições entre as contratadas. Intimada a prestar esclarecimentos, a própria Maré Alta apresentou ao Fisco o Instrumento Particular de acordo entre empresas, datado de janeiro/2002, firmado entre Java Boat e Maré Alta. Tal contrato, naquele momento dado por válido pela própria Maré Alta, definia com clareza quais encargos e atribuições recairiam sobre cada uma das partícipes. Especificamente, à Java Boat eram atribuídos todos os custos e obrigações relativos à operacionalização das embarcações. Além disso, o contrato estabelecia renovação automática, sempre que fossem inseridos no “Anexo A” novos afretamentos, e dispunha que o fim do vínculo contratual deveria ser objeto de comunicação por escrito (cláusula 2C). O Fisco também identificou várias transferências de recursos da Java Boat para a Maré Alta, a título de reembolso de diversas despesas decorrentes dos contratos de afretamento e que haviam sido pagas pela Maré Alta, inclusive com notas fiscais emitidas em nome da Maré Alta. Após a autuação, a Maré Alta passou a afirmar que o Instrumento Particular de acordo entre empresas não mais estaria em vigor, tendo sido derrogado pelos contratos de afretamento firmados posteriormente, nos quais a atribuição dos encargos entre as contratadas disporia de modo diferente. No entanto, ao analisar as alegações das partes e os documentos trazidos aos autos, entendeu o Colegiado que a interessada não se desincumbiu adequadamente do ônus de provar que as despesas em questão seriam suas, por contrato. Inicialmente, como bem já havia pontuado o acórdão recorrido, o Instrumento Particular de acordo entre empresas não foi expressamente revogado, por escrito, conforme suas próprias disposições. Por certo se poderia, em tese, admitir que o contrato houvesse sido revogado tacitamente, desde que as partes contratantes houvessem passado a agir de modo diferente, sem qualquer oposição da outra parte. Mas não há prova disso nos autos. As glosas abrangeram custos/despesas de 23 embarcações, mas somente foram trazidos aos autos os contratos do navio Carline Tide, pelo que não é possível daí extrair conclusões para os demais. Além disso, mesmo a análise dos contratos dessa única embarcação não esclarece as dúvidas suscitadas pelo Fisco. O único documento que dispõe com clareza acerca das obrigações e encargos para operacionalização das embarcações é o Instrumento Particular de acordo entre empresas. A linha de defesa da recorrente deveria estar lastreada em prova detalhada e inconteste, baseada em seus assentamentos contábeis e documentação de suporte, para todas as Fl. 3197DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19395.720288/201216 Acórdão n.º 1302001.321 S1C3T2 Fl. 3.198 39 23 embarcações, de que os custos e despesas por ela contabilizados foram de fato incorridos, em decorrência de operações que geraram receitas próprias (e não da Java Boat), e que os vários repasses de numerário recebidos da Java Boat não se destinaram ao ressarcimento de gastos por ela adiantados mas que, de fato, seriam de responsabilidade da outra empresa do grupo econômico. E essa prova não encontro nos autos. Além da ausência dos contratos e das incertezas mencionadas, também foi trazido pelo Fisco o contrato firmado entre Maré Alta e Pan Marine, mediante o qual a primeira cede à segunda todos os direitos e obrigações decorrentes do contrato com a Petrobrás. Tal contrato especifica que seus efeitos se dariam de forma retroativa a partir de 04/07/2007. Ora, ainda que hipoteticamente se pudesse admitir que a Maré Alta fosse a titular de obrigações diante da Petrobrás, tais obrigações teriam sido cedidas (juntamente com os direitos) à Pan Marine. Também nessa hipótese, os encargos contabilizados como custos seriam indedutíveis. E também essa questão não foi adequadamente esclarecida e comprovada pela recorrente. Diante de tudo isso, a constatação de que a Maré Alta assumiu mais de 70% dos dispêndios relacionados aos contratos com a Petrobrás, enquanto as receitas deles decorrentes estavam concentradas na Java Boat assume grande relevância. Se os custos decorrentes das contratações geraram receitas para a empresa estrangeira, tais custos não poderiam ser apropriados ao resultado da Maré Alta. Ao trazer aos autos contratos de apenas uma das embarcações (ao passo que a glosa atingiu 23), não provar que o Instrumento Particular de acordo entre empresas foi revogado, ainda que tacitamente, e não fazer a prova detalhada anteriormente mencionada, as alegações da recorrente quedam sem suporte, e não se há de fazer reparo ao acórdão recorrido. Por todo o exposto, a decisão do Colegiado foi no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 3198DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 15/05/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, A ssinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10920.721539/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO
Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
MULTA POR FALTA DE DECLARAÇÃO NA GFIP. CUMULAÇÃO COM MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM.
Para as competências anteriores a entrada em vigor das alterações promovidas na Lei n. 8.212/1991 pela MP n. 449/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009, havia a possibilidade de aplicação conjunta de multa por descumprimento da obrigação principal com a multa por omissões na GFIP, sem que isso viesse a caracterizar bis in idem.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório.
Recursos de Ofício Negado e Voluntário Negado.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social.
Numero da decisão: 2401-003.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso de ofício; II) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas no recurso voluntário; e III) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. MULTA POR FALTA DE DECLARAÇÃO NA GFIP. CUMULAÇÃO COM MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. Para as competências anteriores a entrada em vigor das alterações promovidas na Lei n. 8.212/1991 pela MP n. 449/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009, havia a possibilidade de aplicação conjunta de multa por descumprimento da obrigação principal com a multa por omissões na GFIP, sem que isso viesse a caracterizar bis in idem. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Negado. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social.
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E OUTROS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÃO FLORESTA EM PÉ. NÃO CARACTERIZAÇÃO PRODUÇÃO PRÓPRIA. O regime substitutivo inscrito no artigo 22A da Lei n° 8.212/91, introduzido pela Lei n° 10.256/2001, contempla a tributação da agroindústria, que se caracteriza como o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção rural própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver suas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. De conformidade com a jurisprudência firmada neste Colegiado, a simples aquisição de floresta em pé, prontas ou semiprontas para o corte, não tem o condão de atrair a condição de agroindústria à empresa, não caracterizando produção própria. DIVERGÊNCIA ENTRE O ENTENDIMENTO DO FISCO E AQUELE EXARADA EM SOLUÇÃO DE CONSULTA FISCAL. INOCORRÊNCIA. O entendimento do fisco acerca do enquadramento da empresa como agroindústria está em perfeita consonância com a Solução de Consulta formulada pelo sujeito passivo, a qual não considera produção própria a aquisição de florestas maturadas para utilização no processo industrial, nem enquadra com agroindústria as empresas que têm produção rural própria ínfima em relação à matériaprima adquirida de terceiros. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. NÃO COMPROVAÇÃO DE FRAUDE DOLO OU SIMULAÇÃO. AFASTAMENTO. Não deve prevalecer a qualificação da multa, quando o fisco deixa de comprovar que o sujeito passivo incorreu em fraude, dolo ou simulação. A AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 15 39 /2 01 2- 10 Fl. 2745DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 mera divergência de interpretação da norma tributária não tem o condão de qualificar a multa. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AÇÃO FISCAL REGULARMENTE PROCESSADA. ATROPELO AO PRINCÍPIO DA IMPESSOALIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não deve ser acatada a alegação de atropelo ao princípio da impessoalidade, quando a ação fiscal que deu ensejo ao lançamento foi realizada em conformidade com as normas procedimentais aplicáveis e o sujeito passivo não consegue comprovar que a Autoridade Lançadora se desviou da finalidade pública prevista na Lei. ERRO MATERIAL NA CITAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não deve ser reconhecido o cerceamento ao direito de defesa em razão de erro material na citação da fundamentação legal da multa, quando o fisco indica corretamente os fatos geradores e a matéria tributável, além de apresentar o Relatório de Fundamentos Legais com a correta menção da base legal. REQUERIMENTO DE NOVAS PROVAS. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de dilação probatória quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Fl. 2746DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.746 3 Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. MULTA POR FALTA DE DECLARAÇÃO NA GFIP. CUMULAÇÃO COM MULTA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. Para as competências anteriores a entrada em vigor das alterações promovidas na Lei n. 8.212/1991 pela MP n. 449/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009, havia a possibilidade de aplicação conjunta de multa por descumprimento da obrigação principal com a multa por omissões na GFIP, sem que isso viesse a caracterizar bis in idem. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso de ofício; II) rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas no recurso voluntário; e III) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2747DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Recorre de ofício a 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis em face do Acórdão n. 0731.305, que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelas empresas arroladas no polo passivo, ao reconhecer a decadência das competências 01 a 04/2007 e afastar a qualificação da multa. Dessa decisão também recorreram a autuada e as demais empresas colocadas pelo fisco na condição de solidárias pelo cumprimento das obrigações tributárias. O processo em questão contempla dois lançamentos, a saber: a) Auto de Infração – AI n. 37.345.1652: exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados; b) Auto de Infração – AI n. 37.345.1660: imposição de multa pela falta de declaração da totalidade das contribuições na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. A autuação decorreu do desenquadramento da empresa da condição de agroindústria, tendo entendido o fisco que não caberia a substituição das contribuições previdenciárias previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei n. 8.212/1991, pelas dos incisos I e II do art. 22A da mesma Lei, na redação dada pela Lei n. 10.256/2001. A principal motivação do fisco para efetuar o enquadramento de ofício da atividade da empresa decorreu da suposta constatação de que a sua produção rural própria seria ínfima em relação ao total de matéria prima utilizada no processo produtivo. A empresa autuada iniciou seu recurso relatando os fatos processuais e depois passou a alegar, em apertadas síntese, que: a) as autuações são nulas, por violação ao princípio de impessoalidade da administração, uma vez que o Agente Fiscal desenvolveu a sua auditoria com o claro propósito de impor as lavraturas à recorrente; b) a perseguição fica nítida quando se percebe que o mesmo Auditor já havia autuada a empresa pelos mesmos fatos, conforme processo n. 13976.000364/200799, o qual encontrase no CARF para julgamento; c) devese reconhecer que o AI é nulo em razão de erro na capitulação da multa, fato que viola o princípio do contraditório e da ampla defesa. É que o fisco fundamentou a multa na alínea “c” do inciso II do art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, quando o correto seria citar a alínea “a” do mesmo dispositivo; d) as competências de 01 a 04/2007 foram alcançadas pela decadência; e) o seu enquadramento na condição de agroindústria tomou como base soluções de consulta emanadas da própria administração tributária, assim, o fisco ao adotar Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.747 5 entendimento contrário ofende frontalmente ao que dispõe o art. 100 do Código Tributário Nacional – CTN; f) a recorrente atende aos requisitos legais para o enquadramento como agroindústria posto que: 1) é produtor rural; 2) possui produção rural própria e se dedica ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria; 3) não modifica a natureza química da madeira ou a transforma em pasta celulósica; e 4) adquire produção rural de terceiros, a qual também é industrializada; g) no seu objeto social consta as atividades de florestamento, reflorestamento, extração de madeira e agricultura para uso próprio ou comercialização; h) agiu corretamente ao não declarar em sua DIPJ o resultado da atividade rural, posto que não possui qualquer resultado dessa atividade, uma vez que toda madeira produzida é utilizada no seu processo produtivo; i) o fato de não ter informado na GFIP o código FPAS 833 para os trabalhadores do setor industrial e o código 604 para os trabalhadores do setor rural, representa mero descumprimento de obrigação acessória, não podendo acarretar no seu desenquadramento da condição de agroindústria; j) a partir do momento em que adquiriu as árvores de uma propriedade, independentemente da fase de plantio ou maturação, toda e qualquer madeira obtida neste empreendimento é considerada produção rural da própria; k) ao adquirir a produção das fazendas continuou a cuidar da plantação até a sua utilização no processo industrial, não havendo qualquer vedação legal a essa operação que possa descaracterizar o produto obtido do conceito de produção rural contido no art. 22A da Lei n.º 8.212/1991; l) o próprio CARF já afastou a alegação de que não configura produção própria a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada de trato cultural, como se pode verificar do julgamento do processo n. 13976.000364/200799; m) apresenta jurisprudência judicial em que se firmou o entendimento de que a empresa que industrializa produção rural é agroindústria independentemente da origem da matériaprima; o) inexiste na legislação que trata da matéria limite mínimo de produção própria para que uma empresa seja considerada agroindústria. Sobre essa questão o CARF já se debruçou no processo já citado, tendo concluído que não descaracteriza a condição de agroindústria o fato da produção rural adquirida de terceiros superar a produção própria; p) a decisão recorrida é contraditória, posto que ora afirma que a autuada não possuía produção própria e ora indica que a autuada iniciou plantio em propriedades disponíveis; q) qualquer requisito para caracterização de agroindústria que não esteja na Lei n.º 8.212/1991 representa afronta ao princípio da legalidade; Fl. 2749DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 r) não se sustenta a aplicação da multa qualificada, posto que o fisco não demonstrou a ocorrência de fraude, dolo ou simulação por parte da autuada; s) a multa pelo descumprimento de obrigação acessória, fixada em 100% do tributo não declarado, possui efeito de confisco; t) é ilógico exigir que a autuada declarasse em GFIP contribuições que entendia não serem devidas, posto que se enquadrava como agroindústria; u) a multa punitiva representa bis in idem, posto que houve aplicação de multa pelo descumprimento da obrigação principal decorrente dos mesmos fatos geradores; v) observese que em ação fiscal anterior, o fisco lançou as contribuições, todavia, não aplicou multa por descumprimento de dever instrumental. Esse fato mostra a fragilidade e incoerência do trabalho fiscal; w) deve ser declarado improcedente o indeferimento do pedido da recorrente para produção de todos os meio de provas admitidos, em respeito ao princípio da verdade material. Ao final requereu a declaração de improcedência das lavraturas e o julgamento conjunto com processo n. 10920.721540/201244. As codevedoras AAW EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, LED EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, RS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA e MX IMPORTADORA E EXPORTADORA S/A apresentaram recurso voluntário único, no qual, além dos argumentos lançados pela autuada, afirmam que a solidariedade que lhes foi imputada ofende à Constituição Federal (art. 146, III) e o Código Tributário Nacional (art. 128). Asseveram que o inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 seria formalmente inconstitucional, posto que somente lei complementar poderia alargar a responsabilidade tributária para atingir terceiros não vinculados ao fato gerador. Para que fosse cumprido o desiderato do CTN, o fisco deveria demonstrar que as pessoas arroladas no polo passivo participaram da concretização da hipótese de incidência tributária ou tiveram vinculação com os fatos que fizeram nascer a obrigação tributária. Não há o que se falar em responsabilidade tributária posto que as recorrentes não descumpriram com qualquer dever de colaboração com a Administração Tributária, tampouco contribuíram para o inadimplemento das obrigações fiscais exigidas. É esse o entendimento predominante na jurisprudência do STF. A gestão das empresas é autônoma e o órgão de direção do grupo concentra as decisões empresariais, mas não desce ao nível do desenvolvimento concreto do objeto social das sociedades integrantes, não se vinculando aos fatos geradores realizados, muito menos ao cumprimento das obrigações tributárias. É o relatório. Fl. 2750DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.748 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, posto que o valor exonerado (principal e multa) foi de R$ 1.678.387,48 (um milhão, seiscentos e setenta e oito mil e trezentos e oitenta e sete reais e quarenta e oito centavos), portanto acima do valor mínimo fixado pela Portaria MF n.º 03, de 03/01/20081. Os recursos voluntários merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Recurso de Ofício O recurso necessário interposto pela DRJ decorreu da desoneração das competências 01 a 04/2007 no AI n. 37.345.1652, em razão da decadência, bem como do afastamento da qualificação da multa para as competências 12/2008 e 13/2008. a) decadência Quanto à decadência, é cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Fl. 2751DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Foi acertada a decisão da DRJ em aplicar a regra do § 4. do art. 150 do CTN para contagem do prazo decadencial, uma vez que a empresa efetuava o recolhimento das contribuições tomando como base o valor da receita bruta da comercialização da sua produção rural, verificandose, portanto, recolhimentos antecipados. Assim, devese manter a exclusão das competências 01 a 04/2207, posto que a ciência do lançamento ocorreu em 30/05/2012, conforme fl. 10. b) multa qualificada A DRJ justificou o afastamento da qualificação da multa de 75% para 150% em razão do fisco não haver demonstrado a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, inexistindo o motivo que pudesse dar ensejo à aplicação do § 1. do art. 44 da Lei n. 9.430/1996. De fato, observandose o relato da auditoria não vislumbramos a ocorrência das circunstâncias que pudessem caracterizar os ilícitos fiscais acima mencionados, mas apenas divergência de interpretação das normas tributárias. Andou bem a DRJ quando excluiu a qualificação da multa por falta de motivo, merecendo transcrição a fundamentação do voto condutor do acórdão: “No caso em concreto, da análise das alegações trazidas ao autos pela autoridade fiscal, entendo que, a simples constatação pela fiscalização de que durante o período fiscalizado a requerente informava em GFIP o seu enquadramento como agroindústria, sujeitandose ao regime de tributação diferenciado destinado a produtores rurais pessoas jurídicas que industrializam sua produção rural, não é motivo suficiente para a aplicação da multa de 150%, pois tal circunstância não figura entre suas hipóteses de incidência. Tampouco caracteriza fraude tributária o fato da impugnante, a partir da informação do código FPAS 833, em GFIP, deslocar a Fl. 2752DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.749 9 tributação da folha de pagamento para uma receita bruta decorrente da comercialização da produção rural industrializada, ainda que esta produção rural, na realidade, seja quase que exclusivamente adquirida de terceiros. Bem como, ainda que a conduta ora analisada já tenha sido objeto de fiscalização, em 2006, sobre os mesmos argumentos, como o referido lançamento não transitou em julgado, não há como se vislumbrar nesta condição a prática reiterada da infração, tal com, o entende a autoridade lançadora. Portanto, em que pese as alegações da autoridade fiscal no intuito de justificar a intenção de sonegar, fraudar do contribuinte, diante da falta de provas materiais, há a ausência inegável do elemento subjetivo do ilícito, devendo, nas competências 12 e 13 de 2008, há que se reduzir a multa de ofício qualificada para multa de ofício regular de 75%..” Diante do exposto, devese negar provimento ao recurso de ofício tanto na conclusão relativa à decadência, quanto àquela relativa ao afastamento da qualificação da multa. Nulidades a) violação ao princípio da impessoalidade A recorrente suscita como causa de nulidade dos lançamentos o desrespeito ao princípio da impessoalidade cometido pela auditoria. Para justificar sua alegação, afirma que o Agente Fiscal, o mesmo que autuou a empresa em ação pretérita, teria atuado, não para verificar a sua regularidade fiscal, mas com intuito único de efetuar as lavraturas. Assevera ainda que uma auditoria de apenas cinco meses não seria suficiente para que fosse analisada com o rigor necessário toda a documentação apresentada pela empresa. O princípio da impessoalidade é um dos principais pilares em que se funda o Direito Administrativo. Para o Mestre Hely Lopes Meirelles2 este princípio, que mereceu referência na Constituição de 1988, nada mais é que o tão propalado princípio da finalidade, o qual impõe que o administrador somente pratique o ato para o seu fim legal, o qual se caracteriza como aquele indicado pela lei como objetivo do ato, de forma impessoal. Vale a pena transcrever as palavras do Administrativista: “O que o princípio da finalidade veda é a prática de ato administrativo sem interesse público ou conveniência para a Administração, visando unicamente a satisfazer interesses privados, por favoritismo ou perseguição dos agentes governamentais, sob a forma de desvio de finalidade. Esse desvio de conduta dos agentes públicos constitui uma das mais insidiosas modalidades de abuso de poder...” Os fatos narrados pelo sujeito passivo, a meu ver, não comprovam que a Autoridade Lançadora se desviou da conduta em que deveria se pautar um agente da Fazenda 2 Meirelles, Hely Lopes, Direito Administrativo Brasileiro, 26 ed.,São Paulo: Malheiros Editores, 1974, p. 85. Fl. 2753DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Nacional. Inexiste nos autos qualquer evidência de que o lançamento tenha sido perpetrado para satisfazer um capricho pessoal do agente ou mesmo no intuito de perseguir o administrado. A ação fiscal foi desencadeada mediante o regular Mandado de Procedimento Fiscal e o Auditor designado, sem dúvida, possuía a competência necessária a constituir o crédito tributário. Não há qualquer impedimento legal para que um mesmo Agente Fiscal possa efetuar fiscalizações sucessivas num mesmo contribuinte. Essa situação até milita em favor do princípio da eficiência da Administração Pública, posto que, aquele Auditor que já conhece a realidade da empresa, em tese, será mais ágil nos trabalhos de verificação fiscal. Na situação que nos é posta, verificase que o fisco encontrou na empresa as mesmas irregularidades verificadas no procedimento pretérito, sendo seu dever, sob pena de responsabilização funcional, lavrar os autos de infração cabíveis. Ao contrário do que afirmaram as recorrentes, inexistiu desvio de finalidade, uma vez que os lançamentos constituem a essência da concretização do interesse público, que se revela na exigência de valores necessários ao equilíbrio financeiro da Seguridade Social. Não tem consistência a alegação de que o exíguo tempo gasto na apuração fiscal revelaria irregularidade na ação fiscal. As modernas técnicas de auditoria em que a documentação é apresentada em arquivos digitais reduz sobremaneira o tempo gasto na apreciação dos elementos fornecidos pelo sujeito passivo. Mais ainda quando o fisco, por já haver fiscalizado a empresa anteriormente, conhecia a sua estrutura organizacional. Assim, a preliminar de nulidade decorrente do desrespeito ao princípio da impessoalidade não merece acolhida, posto que as recorrentes não trouxeram aos autos qualquer evidência deste fato. b) erro na capitulação da multa – cerceamento ao direito de defesa O alegado cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo em razão de menção do fisco a dispositivo legal incorreto para fundamentar a aplicação da multa não merece acolhida. De fato, notase que, quando a Autoridade Lançadora mencionou em seu relatório o dispositivo para aplicação da multa de 24%, cometeu o lapso de indicar a alínea “c” do inciso II do art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, quando o correto seria a alínea “a” do mesmo dispositivo. Todavia, entendo que esse erro material não é causa de nulidade do lançamento, até porque o percentual da multa efetivamente imposto está em consonância com a legislação. Seria formalismo ao extremo inquinar de nulidade o lançamento em razão desse descuido na citação do fundamento da multa, uma vez que os fatos geradores foram perfeitamente identificados e as razões que levaram o fisco a concluir pela ocorrência de infração à legislação estão expressas com clareza e precisão. É de se ressaltar que o Relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito especifica a contento toda a legislação que serviu de base para a lavratura, apresentando inclusive tópico específico para os acréscimos de juros e multa, onde se nota o total acerto na fundamentação apresentada. Fl. 2754DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.750 11 Assim, por entender que o relatório fiscal e seus anexos propiciaram aos sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do amplo direito de defesa, deixo de acolher a preliminar de nulidade decorrente de erro na citação da base legal da multa aplicada. c) produção de novas provas Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de novas provas, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela procedência da lavratura. Contradição entre os lançamentos e Soluções de Consulta emanadas da Administração Tributária Afirmam as recorrentes que o fisco atropelou o art. 100 do CTN ao aplicar nas lavraturas entendimento diverso daquele manifestado pela própria Administração Tributária em soluções de consulta formuladas pela empresa autuada. Nos termos do dispositivo citado, as práticas reiteradas das autoridades administrativas têm natureza jurídica de normas complementares da legislação tributária e, o § único do mesmo artigo diz que a observância dessas normas pelos contribuintes impede a imposição de penalidades e a aplicação de juros. O § 2. do art. 161 do CTN também afasta a fluência de juros ou imposição de penalidades na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Por outro lado, o princípio da segurança jurídica aplicado às consultas tributárias impõe, conforme art. 146 do CTN, que a alteração no entendimento veiculado pela Administração Tributária mediante solução de consulta somente passa a produzir efeitos para fatos geradores futuros, não podendo alcançar situações ocorridas sob a égide do critério jurídico anteriormente estabelecido. Ocorre que, ao contrário do que afirmaram as empresas, a Autoridade Lançadora não se desviou do entendimento exarado nas soluções de consulta mencionadas, mais especificamente na de n. 310/2004, proferida pelo então Serviço de Arrecadação da Gerência Executiva do INSS em Joinvile (SC). Fl. 2755DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 A interpretação jurídica dada pelo fisco amoldase inteiramente àquela firmada na solução de consulta mencionada. Vale a pena transcrever os termos do ato administrativo sob enfoque: “6. Cotejandose os dispositivos transcritos com as informações prestadas pela consulente , depreendemos, S.M.J., que as atividades por ele desenvolvidas o caracterizariam, nos termos da legislação previdenciária, como empresa agroindustrial, desde que as operações rurais e industriais estejam devidamente segmentadas em departamentos , divisões ou setores, bem assim observadas as considerações registradas nos itens seguintes (7 e 8). 7. Competenos então, acrescentar que o INSS, mais especificamente sua Diretoria da Receita Previdenciária, consolidou, por meio da Consulta Técnica nº. 270, concluída em 26/05/2003, o entendimento de que a floresta adquirida não é considerada produção própria e, portanto, na hipótese de a empresa não ser proprietária de área sobre a qual se assente a fonte dos insumos, não deverá ser tida como agroindustrial. 8. Do entendimento firmado, inferimos que a ocorrência dos fatos geradores das contribuições estabelecidas pela Lei nº. 10.256/01 estará condicionada ao momento em que as florestas agregadas às suas propriedades atinjam a maturação e, em razão disso, sejam abatidas e industrializadas.” Conforme veremos mais adiante, os principais motivos que levaram o fisco a desconsiderar o autoenquadramento da autuada como agroindústria foi o fato de não se acatar o entendimento de que a aquisição de florestas maturadas poderia ser considerada produção própria, além de se vedar o enquadramento como agroindústria para empresas com produção própria ínfima em relação à matériaprima adquirida de terceiros. Assim, não merece razão o inconformismo da autuada e das corresponsáveis, uma vez que o entendimento do fisco está em perfeita consonância com a solução de consulta n. 310/2004. Do enquadramento de ofício da atividade da autuada O fisco afirma que em fiscalização realizada anteriormente, que tratou dos mesmos fatos geradores, constatouse que a fiscalizada não poderia ser enquadrada como agroindústria, posto que não teria industrializado produção própria no período auditado. Ressalta ainda que a autuada teria justificado o seu enquadramento com agroindústria baseada em processo de consulta formulado ao INSS, todavia, a solução de consulta cingiuse aos dados apresentados pelo sujeito passivo, os quais divergiram da situação verificada durante a ação fiscal. O fisco adverte que contexto encontrado no procedimento fiscal realizado no ano 2006 mantémse atualmente, ou seja, a produção rural aplicada no processo produtivo da fabricação de móveis decorre da aquisição de árvores originárias da produção rural de terceiros, através de compra específica da madeira em pé e de compra de fazendas com reflorestamentos implantados em fase de colheita, ou em adiantada fase de maturação. A empresa, segundo o Auditor, não declarou na GFIP nenhum empregado vinculado à atividade rural. Sustenta ainda que inexiste a possibilidade de no período Fl. 2756DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.751 13 fiscalizado a empresa haver utilizado matériaprima de produção própria, posto que da época do plantio das árvores até a sua colheita são necessários pelo menos vinte anos e não há na contabilidade da empresa qualquer registro de florestamento/reflorestamento próprio antes de 2002. É apresentado quadro detalhando fazendas adquiridas pela autuada, cuja extração de toras de madeira ali já existentes foram consideradas como produção própria. Mencionase também os casos em que a fiscalizada computou como reflorestamento próprio a compra de árvores em pé. Sustenta o fisco que essa operação jamais pode ser considerada produção própria da autuada, posto que a relação comercial existente é de mera compra e venda de mercadoria, ficando a cargo da compradora apenas os custos de extração e transporte. Outra observação lançada no relato fiscal é que parte do reflorestamentos implantados pela Artefama, os quais teriam servido para justificar o seu enquadramento com agroindústria, foram alienados em fase incipiente de produção. Citase ainda um caso de contrato firmado pela autuada, pelo qual ela produziria árvores para vendêlas à contratante. O que, segundo o fisco, também não justifica a utilização do benefício fiscal previsto pela Lei n. 10.256/2001. A Autoridade Lançadora sustenta que, mesmo quando se considera produção própria as áreas rurais adquiridas com árvores com dez anos do plantio, essa parcela da matériaprima (toras) é insignificante em relação ao volume necessário ao processo produtivo da autuada. A seguir demonstrase que para cada exercício do período fiscalizado o percentual de produção própria de toras (considerandose a aquisição de árvores em pé): ANO PRODUÇÃO PRÓPRIA (%) 2007 3,74% 2008 7,94% 2009 2,22% 2010 15,7% 2011 7,49% O fisco assevera ainda que os dados acima dizem respeito à aquisição de toras de madeira, sendo que na fabricação de móveis a autuada ainda utiliza outros insumos de madeira, tais como madeira serrada verde, madeira serrada seca, laminados, painéis de madeira, etc, sendo esta aquisição efetuada diretamente de terceiros. Conclui que o percentual efetivo de madeira própria é ainda menor do que aquele apresentado no quadro acima. Outro ponto ressaltado no relatório do fisco é que a própria empresa, ao ingressar com ação judicial contra a exigência de contribuição ao INCRA (processo n. 2001.72.01.004350, 3.ª Vara Judicial de Joinville/SC), declarouse não fazer parte da relação jurídicotributária por não exercer atividade rural. A empresa, por seu turno, alega que cumpre todos os requisitos legais para se enquadrar com agroindústria, posto que é produtor rural, dedicandose ao florestamento/reflorestamento para utilização no processo de produção de móveis, além de que Fl. 2757DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 no seu objeto social consta as atividades de florestamento, reflorestamento, extração de madeira e agricultura para uso próprio ou comercialização. A falta de declaração de empregados do setor rural na GFIP representa mero descumprimento do obrigação acessória não sendo suficiente para acarretar no seu desenquadramento da condição de agroindústria. Ao adquirir a produção das fazendas continuou a cuidar da plantação até a sua utilização no processo industrial, não havendo qualquer vedação legal para essa operação que possa descaracterizar o produto obtido do conceito de produção rural contido no art. 22A da Lei n.º 8.212/1991. Inexiste na legislação que trata da matéria limite mínimo de produção própria para que uma empresa seja considerada agroindústria. Sobre essa questão o CARF já se debruçou em processo da própria empresa, tendo concluído que não descaracteriza a condição de agroindústria o fato da produção rural adquirida de terceiros superar a produção própria. Passemos às nossas considerações. A Lei n. 10.256/2001, inseriu o art. 22A na Lei n.º 8.212/1991, de modo a alterar a base de incidência das contribuições sociais para o segmento das agroindústrias. Essas empresas que se sujeitavam às regras atinentes às empresas em geral (contribuição sobre a folha de salários), passaram a recolher sobre um percentual de sua receita bruta. Eis o dispositivo em questão: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 1o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 2o O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 22 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 3o Na hipótese do § 2o, a receita bruta correspondente aos serviços prestados a terceiros será excluída da base de cálculo da contribuição de que trata o caput. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). Fl. 2758DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.752 15 § 4o O disposto neste artigo não se aplica às sociedades cooperativas e às agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 5o O disposto no inciso I do art. 3o da Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 6o Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria mediante a utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 2003). § 7o Aplicase o disposto no § 6. ainda que a pessoa jurídica comercialize resíduos vegetais ou sobras ou partes da produção, desde que a receita bruta decorrente dessa comercialização represente menos de um por cento de sua receita bruta proveniente da comercialização da produção. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 2003). Observese que os requisitos legais para que o sujeito passivo possa se beneficiar desse regime de recolhimento é que seja agroindústria, assim considerada o produtor rural que industrialize a produção própria, podendo ainda utilizar na sua atividade industrial produção rural adquirida de terceiros. É nítida a intenção do legislador em reduzir a carga tributária dos produtores rurais que utilizam na atividade rural a maior parte da sua força de trabalho, de modo a reduzir a informalidade no setor e favorecer a fixação do homem no campo. No caso sob apreciação, vemos que a autuada tem como atividade principal a fabricação de móveis e que secundariamente exerce atividade rural. Essa questão fica bem nítida quando se observa os dados das declarações ao Fisco, mormente a DIPJ e a GFIP. Na primeira não foi declarada a receita da atividade rural e na segunda não se informou um empregado sequer que atuasse no setor agrícola. Outro fato que milita em favor do entendimento do fisco de que a autuada é na verdade uma empresa industrial é a declaração da própria perante a Justiça Federal, no sentido de que não seria empresa rural, descabendo o seu recolhimento da contribuição ao INCRA. Mas quando se olha a sistemática utilizada pela empresa para suprir o seu processo fabril da principal matériaprima, a madeira, é que se percebe claramente a existência de planejamento tributário voltado para se beneficiar da substituição de base de cálculo introduzida pela Lei 10.256/2001. Fl. 2759DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 A empresa fiscalizada até a competência 06/2004 enquadravase perante a Previdência Social como indústria, passando a partir de então a se declarar como agroindústria, com recolhimento sobre a comercialização da produção rural industrializada. Para justificar a sua condição de empresa agroindustrial iniciou a aquisição de fazendas com árvores em fase de corte ou em avançado estado de maturação, responsabilizandose pela colheita e transporte da matéria prima. Embora a Lei não fixe a fase de desenvolvimento de uma determinada cultura para que o adquirente a possa tratar como produção rural própria, não há dificuldade em se concluir que as operações de extrações e transporte da matériaprima até o estabelecimento industrial em absoluto podem ser consideradas atividades rurais para os fins pretendidos pelo legislador quando instituiu a desoneração prevista no art. 22A da Lei n.º 8.212/1991. O segmento da silvicultura exige do produtor uma sequencia de atividades que vai desde a pesquisa do solo e a sua preparação, passando pelo plantio e tratamento das plantas até o corte das árvores, não sendo razoável que a compra de fazendas cuja cultura esteja em adiantado estado de maturação possa tornar o adquirente um produtor rural, conforme exige a legislação. Caso se admita como produção da autuada as florestas prontas para o corte adquiridas de terceiros a razão de ser do benefício fiscal estará irremediavelmente comprometida, posto que a desoneração será estendida a empresas industriais que chegam ao campo apenas para buscar o produto rural em sua fase de colheita, não participando de todas as etapas que constituem a atividade primária. Assim, é de se concluir que não deve ser considerada como produção rural própria a matériaprima decorrente da aquisição de fazendas cujas as árvores se encontrem em adiantado processo de maturação ou prontas para o corte. Quando essa Turma de Julgamento teve que decidir sobre recurso apresentado pela recorrente no processo n. 13976.000364/200799 (período de 07/1998 a 12/2005), por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso na parte que tratava da possibilidade de se considerar como produção própria as árvores maduras compradas de terceiros. O Acórdão n. 240101.964, foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2005 (...) CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. “Para o enquadramento na condição de Agroindústria, fazse necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. Mesmo considerando como produção rural própria a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural , mesmo assim, tal produção é ínfima em relação àquela Fl. 2760DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.753 17 adquirida de terceiros e por essa razão não há como considerar como correto o enquadramento da Recorrente como agroindústria" Esse processo encontrase com embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional, questionando apenas a conclusão da Turma acerca da contagem do prazo decadencial. Além disso, mesmo que se considere como produção própria as florestas adquiridas com mais de dez anos do plantio, ainda assim a matériaprima comprada pela autuada é em média 90% do total utilizado na sua produção. Sobre essa questão é bom que se diga que o art. 22A da Lei n.º 8.212/1991 é cristalino ao definir o que deve ser considerada como sendo Agroindústria ao exigir cumulativamente a ocorrência dos seguintes requisitos, a saber: ser Produtor Rural Pessoa Jurídica e industrializar produção própria, além da industrialização da produção de terceiros, se for o caso. Por certo, a legislação previdenciária tem clara intenção de fazer incidir a contribuição substitutiva prevista para as agroindústrias sobre as empresas que possuam efetivamente esta característica, ou seja, um produtor rural que também industrialize sua produção. Nesse sentido, buscase incentivar ao produtor rural que realize o beneficiamento de sua produção (e eventualmente de terceiros), agregandolhe valor comercial. Não fosse assim, poderia uma pessoa jurídica, como é o caso da autuada, eminentemente voltada para atividade industrial, com o objetivo de beneficiarse da tributação diferenciada destinada à agroindústria, realizar alguma atividade rural a fim de se enquadrar na hipótese legal, praticando, assim, artifício de fuga da tributação, a qual não podemos admitir. Na última sessão de julgamento do ano passado essa turma se debruçou sobre o tema, chegando mais uma vez à conclusão de que a aquisição de árvores em pé não supre a existência legal de produção rural própria para fins de enquadramento como agroindústria, visando o recolhimento das contribuição com esteio no art. 22A da Lei n.º 8.212/1991. Eis a ementa do decisório exarado por essa Turma: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. NÃO ENQUADRAMENTO. INDUSTRIALIZAÇÃO PRODUÇÃO PRÓPRIA INEXISTENTE E/OU ÍNFIMA. AQUISIÇÃO FLORESTA EM PÉ. NÃO CARACTERIZAÇÃO PRODUÇÃO PRÓPRIA. O regime substitutivo inscrito no artigo 22A da Lei n° 8.212/91, introduzido pela Lei n° 10.256/2001, contempla a tributação da Agroindústria, assim considerado o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção rural própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver suas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distinto, não abarcando Fl. 2761DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 àquele contribuinte que não detém produção própria ou mesmo quando insignificante se comparada com a adquirida de terceiros, o qual deverá ser considerado como Indústria, hipótese que se vislumbra no caso vertente. De conformidade com a jurisprudência firmada neste Colegiado, a simples aquisição de floresta em pé, prontas ou semiprontas para o corte, não tem o condão de atrair a condição de agroindústria à empresa, não caracterizando produção própria. (Acórdão 2401003.255, de 19/11/2013, recurso negado por unanimidade, Relator Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Diante das considerações acima, encaminho meu voto pela impossibilidade da empresa recorrente se enquadrar como agroindústria, mantendo o que ficou decidido pelo órgão de julgamento da Receita Federal. Multa por descumprimento de obrigação acessória Apesar do inconformismo da recorrente, é procedente o lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória, uma vez que a mesma efetuou o incorreto enquadramento de sua atividade perante a Seguridade Social, incorrendo em declaração incorreta da GFIP quanto às contribuições devidas. Essa conduta contraria o art. 32, IV, da Lei n.º 8.212/1991 que fixa a obrigação dos fatos geradores e das contribuições devidas na GFIP. Ao agir de forma contrária à legislação, o sujeito passivo deve se sujeitar à multa imposta, independentemente da interpretação que dê aos dispositivos aplicáveis. Duplicidade na aplicação das multas Acusa o sujeito passivo a ocorrência de bis in idem, caracterizado pela aplicação de multa por descumprimento da obrigação principal com a multa relativa ao descumprimento da obrigação acessória, esta imposta no patamar de 100% da contribuição não declarada. Esse raciocínio não se coaduna com as disposições do Código Tributário Nacional. É que no seu texto está bem nítida a distinção entre a obrigação tributária principal, que consiste no adimplemento do dever de pagar o tributo e a obrigação tributária acessória, vinculada às prestações positivas e negativas no interesse da arrecadação e fiscalização dos tributos e cuja desobediência dá ensejo à aplicação de penalidade pecuniária. Eis as disposições do referido Codex sobre o tema: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 2762DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.754 19 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Verificase, portanto, que a multa imposta pelo não recolhimento do tributo tem natureza jurídica distinta daquela aplicada pelo não cumprimento de um dever instrumental (obrigação acessória). Somente caberia a interpretação de que ocorrera bis in idem se as causas jurídicas para aplicação das duas multas se confundissem, fato que não se verifica na espécie, posto que é diversa a incidência, uma decorre do descumprimento das obrigações tributárias principais (obrigação de dar, recolher tributos) e a outra tem razão de ser no inadimplemento da obrigação acessória (obrigação de fazer). Esse raciocínio é corroborado em decisão proferida pelo STJ no Resp 1182354/PE, in verbis: “STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1182354 PE 2009/01734755 (STJ). Data de publicação: 30/06/2010 Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. ART. 32 DA LEI 8.212 /1991. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282 /STF. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (ENTREGA DE GFIP). MULTA PELO INADIMPLEMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA (OBRIGAÇÃO PRINCIPAL). BIS IN IDEM. NÃO OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 283 /STF. (...). 3. Hipótese em que foram aplicadas quatro multas, cujos fatos geradores são: a) ausência de entrega de declaração dos valores pagos a clubes de futebol, decorrentes de contratos de publicidade; b) inadimplemento das respectivas contribuições previdenciárias incidentes; c) ausência de declaração, na GFIP, dos salários pagos aos empregados do recorrido; e d) inadimplemento do tributo incidente sobre a referida folha de salários. 4. Não se confundem as multas impostas em razão do descumprimento das obrigações tributárias principal (recolher tributos) e acessória (inobservância da legislação tributária que impõe prestações positivas – como entregar declarações sobre a ocorrência de situações tributáveis – ou negativas, instituídas no interesse da arrecadação ou fiscalização). (grifei). 5. A título exemplificativo, são plenamente cumuláveis as multas impostas pelo inadimplemento do Imposto de Renda (obrigação principal) e pelo atraso na entrega da Declaração Anual de Ajuste (obrigação acessória). Fl. 2763DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 6. Em conseqüência, merece reforma o acórdão que se fundamentou na vedação do bis in idem para excluir as multas cominadas pelo descumprimento das obrigações acessórias. (...). 8. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (...).” Há de se ressaltar que atualmente, com a introdução do art. 35A na Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela MP n. 449/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009, nos lançamentos de ofício, a multa pelo descumprimento do dever de recolher o tributo encontrase reunida com aquela relativa à falta de apresentação da GFIP ou sua apresentação com omissões/incorreções. Aplicandose penalidade única pelos dois fatos. Todavia, essa sistemática não foi aplicada na ação fiscal sob enfoque, por ter se mostrado mais gravosa ao sujeito passivo, conforme esclarecido pelo fisco no relatório fiscal de aplicação da multa. Deixo de acolher, assim, o argumento de bis in idem tributário suscitado pela recorrente. Multa – caráter confiscatório Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 07, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF3. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. 3 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 2764DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.755 21 Responsabilidade Solidária As empresas colocadas pelo fisco no polo passivo na condição de devedoras solidárias buscam afastar esse encargo inicialmente suscitando a inconstitucionalidade formal do inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, sob a alegação de que a extensão da responsabilidade tributária a terceiros somente poderia ser veiculada por lei complementar, em atenção ao que dispõe o art. 146, III, da Carta Magna. Para enfrentar essa alegação é necessário uma análise da constitucionalidade de dispositivos legais aplicados pelo fisco, daí, é curial que, a priori, façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. O Decreto n.º 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal no âmbito da União, prescreve: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Nessa linha de entendimento, a própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou Fl. 2765DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF4. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. Diante do exposto, vejome impossibilitado de enfrentar a alegação de inconstitucionalidade do inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Para afastar a solidariedade as recorrentes também alegaram que não se vincularam aos fatos geradores, além de que o comando do grupo empresarial atemse a apenas às decisões estratégicas, não havendo interferência na rotina operacional das empresas componentes, descabendo a responsabilização solidária firmada pela auditoria fiscal. Pois bem, a responsabilidade solidária está prevista no CTN, que no seu art. 124 assim determina: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. A Lei de Custeio da Seguridade Social (Lei n.º 8.212/1991) estabelece o vínculo de solidariedade para as empresas integrantes de grupo econômico, nos seguintes termos: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; 4 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 2766DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10920.721539/201210 Acórdão n.º 2401003.469 S2C4T1 Fl. 2.756 23 (...) Verificase de acordo com o texto acima que ocorre a solidariedade nas situações em que se configure a formação de grupo econômico, seja ele de fato ou de direito. Inspirada no § 2.º do art. 2.º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT5, a IN SRP n.º 971/2009, vigente na data dos fatos geradores, assim dispõe sobre grupo econômico Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Pois bem, a existência do grupo econômico de fato restou demonstrada pela auditoria nos termos do Relatório Fiscal, onde se informa que a Indústrias Artefama S/A, fundada em 10/02/1945, é uma sociedade anônima de capital fechado, cujos principais acionistas são três empresas denominadas holdings, pertencentes aos seus Diretores, hoje qualificados como membros do Conselho de Administração: a. AAW Empreendimentos e Participações Ltda CNPJ 00.357.643/000197; b. RS Empreendimentos e Participações Ltda CNPJ 00.357.646/000120; c. LED Empreendimentos e Participações Ltda CNPJ 00.357.649/000164; Tendose em conta que a administração da Artefama cabe aos membros do Conselho de Administração, os quais são proprietários das holdings que detêm o controle acionário da empresa autuada, é inegável a configuração de grupo de empresas. Verificase que mediante a criação das holdings que possuem a maior parte da titularidade da companhia, os antigos sócios mantêmse no seu comando, mediante eleição para o Conselho de Administração, observandose claramente a interligação entre as empresas. Quanto a empresa MX Importadora e Exportadora S/A (cujo nome comercial anterior era ARTEFAMA COMERCIAL EXPORTADORA), verificase que é controlada diretametne pelas Indústrias Artefama S/A, que detém 99,7211% do capital votante. O restante da participação acionária pertence a AAW, LED e RS, as quais, por força do controle direto das Indústrias Artefama S/A, detêm, também, o poder de mando da MX Importadora e Exportadora S/A, de forma indireta. Percebese, assim, que na situação dos autos a solidariedade decorre da lei, sendo descabida a pretensão das recorrentes de se livrarem do cumprimento das obrigações previdenciárias, posto que alcançadas pelas disposições do inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. 5 § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Fl. 2767DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 Conclusão Voto por negar provimento ao recurso de ofício, por afastar as preliminares de nulidade e a decadência suscitas no recurso voluntário e, no mérito, por lhe negar provimento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 2768DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 26/03 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11965.000074/2010-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 02/03/2010
EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. MULTA.
Configura embaraço à fiscalização a tentativa de abandonar o recinto aduaneiro após ter recebido ordem da autoridade aduaneira para que permanecesse na fila para cadastramento e fiscalização das mercadorias.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-003.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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MULTA. Configura embaraço à fiscalização a tentativa de abandonar o recinto aduaneiro após ter recebido ordem da autoridade aduaneira para que permanecesse na fila para cadastramento e fiscalização das mercadorias. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de auto de infração para exigir a multa de R$ 5.000,00 por embaraço à fiscalização, com fulcro no art. 107, IV, "c", do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 5. 00 00 74 /2 01 0- 44 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Embora a autuada tenha se recusado a assinar o auto de infração, a ciência ocorreu no dia 02/03/2010, mesma data da lavratura do auto de infração, conforme termo de fls. 05, assinado por duas testemunhas do fato. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal: "EMBARAÇAR, DIFICULTAR OU IMPEDIR AÇÃO DE FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA Em fiscalização regular de rotina na Aduana da Ponte Internacional da Amizade (PIA), por volta das 10:00h do dia 02/03/2010, a viajante BEATRIZ TEREZINHA PASQUALOTTO, RG n° 1.382.515, CPF 024.756.48937, estava na fila da Sala "DI" quando foi encaminhada para o cadastramento. Ao ser chamada por uma das digitadoras para um dos guichês, a autuada continuou andando e foi em direção à porta de saída. A digitadora insistiu com a viajante para que retornasse, mas a autuada não parou. A digitadora avisou o vigilante (da empresa terceirizada INTERSEPT VIGILÂNCIA) que estava na porta de saída. Quando a autuada passou pela porta da saída ela começou a correr, tentando EVADIRSE desta Aduana, CONTRARIANDO A DETERMINAÇÃO de ter suas mercadorias fiscalizadas e cadastradas. O vigilante com a ajuda de mais um colega trouxeram de volta a autuada juntamente com suas mercadorias. A autuada já estava na saída desta Aduana. Após isto, foi constatado que a viajante possuía mercadorias no valor de US$ 726,00 (muito acima da cota de isenção de US$ 300,00), o que ensejaria pagamento de imposto. Portanto, a viajante tinha a clara intenção de furtarse ao pagamento dos tributos devidos, além de impedir que sua passagem por esta Aduana fosse registrada. A autuada possui um histórico extenso de passagens por esta Aduana e de termos de lacração/retenção, conforme pode ser visto em anexo. Fazem parte deste auto a cópia do documento de identidade, o testemunho dos servidores que presenciaram o ocorrido e a tela do SCB (Sistema de Controle de Bagagens). ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 107, inciso IV, alínea "c" do DecretoLei n°37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10833/03." Em sede de impugnação, a autuada relatou, em síntese, que trabalha como diarista duas vezes por semana e que como a remuneração por esse trabalho é muito baixa, passou a trabalhar também no Paraguai "passando mercadoria". Disse que exerce essa atividade há mais de 15 anos, três vezes por semana, em conjunto com a atividade de diarista no Brasil. Alegou que não tem outra forma de sobreviver e de prover, sozinha, a subsistência de seus 3 filhos. No dia 02/03/2010 disse que estava "passando uma cota" e foi encaminhada para a fila para pagar o imposto. Como estava com pressa, pediu para um fiscal para ser atendida antes, mas ninguém a ouvia. Disse que a mercadoria que estava passando não custava mais do que US$ 380,00. Como ninguém resolvia nada, achou que poderia ir embora. Quando ouviu o apito do guarda, achou que não era com ela porque havia muitas pessoas caminhando na mesma direção e continuou andando. Foi pega pelo braço e levada para uma sala. Alegou que foi xingada e acusada de estar fugindo com a mercadoria. Disse que não estava fugindo porque a mercadoria era de pouco valor e que ela podia pagar o imposto, como de fato pagou. Disse que voltou ao Paraguai para pedir o dinheiro do imposto ao dono da mercadoria. Quando voltou à aduana para efetuar o pagamento e retirar a mercadoria, recebeu o auto de infração com a multa de R$ 5.000,00. Recusouse a assinar porque não tem como pagar esse valor. Disse que com o que ganha no Paraguai, como diarista e com a pensão do exmarido, aufere cerca de R$ 730,00 por mês. Sentese injustiçada e não sabe por que estão fazendo isso com ela. Reconhece Fl. 46DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11965.000074/201044 Acórdão n.º 3403003.028 S3C4T3 Fl. 3 3 que o que faz é errado, mas não tem condições de sobreviver de outra forma e também não tem como pagar a multa. Por meio do Acórdão 26.465, de 28 de agosto de 2013, a 5ª Turma da DRJ Fortaleza julgou a impugnação improcedente. A turma de julgamento a quo entendeu que houve o descumprimento, por parte da contribuinte, à determinação da autoridade aduaneira para que se submetesse ao procedimento de cadastramento das mercadorias trazidas do exterior e o consequente pagamento dos tributos que viessem a ser apurados. Regularmente notificada em 14/09/2013, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 23/09/2013, no qual reprisou os argumentos de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de reapreciar os mesmos argumentos oferecidos na impugnação. Basicamente a recorrente alega falta de capacidade contributiva subjetiva para arcar com o pagamento da multa e também nega o embaraço à fiscalização porque ao ouvir o apito da segurança não sabia que o sinal sonoro era dirigido a ela. A falta de capacidade contributiva subjetiva não pode ser considerada para exonerar a recorrente do pagamento da multa, pois se tal circunstância fosse admitida como hipótese excludente do crédito tributário, ninguém pagaria um centavo de imposto, já que todos dariam um jeito de alegar falta de recursos financeiros. As alegações no sentido de que as filas estavam enormes e que não pretendeu fugir porque não sabia que o apito da segurança se dirigia à recorrente, também não justificam sua tentativa de abandonar o recinto aduaneiro após ter sido orientada pela autoridade administrativa a permanecer na fila para cadastramento das mercadorias, ou seja, na fila para ser fiscalizada. A recorrente confirma ter recebido a ordem para entrar na fila para "pagar o imposto", mas por iniciativa própria decidiu contrariar a ordem recebida e abandonar o recinto aduaneiro com as mercadorias porque "estava com pressa". Tal conduta se enquadra no 107, IV, "c", do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, pois ao se retirar do recinto aduaneiro após ter recebido a ordem para ser fiscalizada, a recorrente tentou impedir a ação da fiscalização. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 47DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 15586.000995/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO NA ARRECADAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. DESCONTOS EFETUADOS DE FORMA PARCIAL. INFRAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Para que reste configurada a infração a ser imputada nos casos em que o contribuinte deixa de efetuar a arrecadação da contribuição dos segurados a seu serviço, incidentes nos valores que lhe são pagos de remuneração, faz-se necessário que tenha o sujeito passivo deixado de arrecadar a totalidade das contribuições devidas e não apenas parte delas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Igor Araújo Soares Redator Designado
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO NA ARRECADAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. DESCONTOS EFETUADOS DE FORMA PARCIAL. INFRAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Para que reste configurada a infração a ser imputada nos casos em que o contribuinte deixa de efetuar a arrecadação da contribuição dos segurados a seu serviço, incidentes nos valores que lhe são pagos de remuneração, faz-se necessário que tenha o sujeito passivo deixado de arrecadar a totalidade das contribuições devidas e não apenas parte delas. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Igor Araújo Soares Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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OMISSÃO NA ARRECADAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA. DESCONTOS EFETUADOS DE FORMA PARCIAL. INFRAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Para que reste configurada a infração a ser imputada nos casos em que o contribuinte deixa de efetuar a arrecadação da contribuição dos segurados a seu serviço, incidentes nos valores que lhe são pagos de remuneração, fazse necessário que tenha o sujeito passivo deixado de arrecadar a totalidade das contribuições devidas e não apenas parte delas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 95 /2 01 0- 22 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo (relator) e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Igor Araújo Soares – Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15586.000995/201022 Acórdão n.º 2401003.010 S2C4T1 Fl. 273 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 037.503 de lavra da 14.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I, que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.291.9669. A lavratura em questão referese a aplicação de multa em razão da falta de arrecadação da contribuição dos segurados empregados. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 20, a empresa deixou de arrecadar, no período de 01 a 12/2007, as contribuições decorrentes dos seguintes fatos geradores: a) seguro de vida em grupo sem previsão em norma coletiva de trabalho; e b) assistência médica destinada aos dependentes dos segurados. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 21, apresenta a fundamentação legal para imposição da penalidade e os critérios de sua gradação. A empresa ofertou impugnação, fls. 29 e segs., tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, fls. 108 e segs, mantido na íntegra a multa aplicada. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso, fls. 135 e segs., no qual, em apertada síntese, alegou que: a) é equivocado o entendimento da Autoridade Fiscal de que a verba paga a título de seguro de vida em grupo somente poderia ser excluída do saláriodecontribuição, caso estivesse prevista em norma coletiva de trabalho; b) sobre a citada verba não se verifica a ocorrência dos requisitos de retributividade pelo trabalho executado ou habitualidade no pagamento, sem os quais inexiste no mundo fático a hipótese de incidência de contribuições sociais; c) o pagamento do seguro de vida independe dos serviços prestados à empresa, sendo fornecido por esta como mero conforto psicológico para o empregado ou dirigente e a sua família; d) os valores pagos pela empresa a esse título não são recebidos pelo segurado, mas pela seguradora, sendo que o eventual recebimento da indenização somente ocorrerá, caso se concretizem os eventos mórbidos previstos no contrato, afastandose, assim, por completo a sua natureza salarial; Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 e) a jurisprudência é uníssona quando o tema é a não incidência de contribuições sociais sobre os valores relativos a seguro de vida em grupo; f) nem mesmo para fins trabalhistas pode se incluir a referida verba no conceito de salário; g) as exigências para exclusão do seguro de vida em grupo da tributação previdenciária previstas no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, são ilegais, posto que esse ato normativo não poderia inovar no ordenamento, criando empecilhos a fruição de uma benesse, os quais não foram previstos em lei.É esse o entendimento que tem prevalecido no Judiciário; h) do mesmo modo, o oferecimento de planos de saúde pelas empresas aos seus empregados e dependentes não tem finalidade de retribuir o trabalho prestado, sendo considerado um benefício social. Por esse motivo, inadmissível a sua inclusão no saláriode contribuição; i) a jurisprudência tem manifestado reiteradamente o entendimento contrário à natureza salarial do fornecimento de assistência médica aos segurados; j) considerando que a utilização do plano de saúde pelos segurados e dependentes somente ocorre nos casos de doença, afastase da verba sob comento o requisito da habitualidade; k) não havendo habitualidade, não há de se inserir o fornecimento de assistência à saúde no conceito de remuneração, inexistindo incidência de contribuições sobre a mesma; l) nem mesmo a interpretação literal da alínea “q” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 justifica a tributação da verba sob enfoque; m) a jurisprudência do STJ e do TST não faz qualquer distinção entre a natureza jurídica do fornecimento de plano de saúde aos trabalhadores e aos dependentes destes; n) a invocada interpretação literal do dispositivo da Lei n.º 8.212/1991 não se aplica a situação sob comento, posto que não se está diante de norma de isenção, mas clara situação que não se situa no campo de incidência das contribuições sociais; o) mesmo que se considere a norma inserta na alínea “q” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 regra de isenção, devese adotar a interpretação teleológica para afastar a tributação, posto que seria grande a incoerência de se desestimular a concretização do valor fundamental da saúde, que recebeu da Carta Magna a mais alta consideração; p) por outro lado, há de se convir que a regra que exclui a incidência de contribuição sobre a assistência médica fala na concessão ao trabalhador, que engloba a saúde do próprio obreiro, mas também daqueles que dele dependam; q) a jurisprudência tem se inclinado nesse sentido, reconhecendo que não tem natureza de salário nem o plano de saúde ofertado ao trabalhador, tampouco o disponibilizado aos dependentes; Ao final, requer o cancelamento do AI. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15586.000995/201022 Acórdão n.º 2401003.010 S2C4T1 Fl. 274 5 O julgamento do CARF foi convertido em diligência para que fosse verificada a existência de inclusão do crédito em parcelamento. Retornou a esse Colegiado com resposta negativa. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 6 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Ocorrência da infração Há pouco julgamos o AI n.º 15586.000993/201033 (AI n.º 37.291.9650), no qual são exigidas as contribuições não descontadas dos segurados empregados incidentes sobre os valores repassados a título de seguro de vida e assistência médica aos dependentes. Foi negado provimento ao recurso do contribuinte. A Turma concluiu pela procedência do lançamento da obrigação principal, o que nos leva a entender que a infração à norma prevista no inciso I do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991 se configurou. Eis o dispositivo: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (...) Um ponto a ser esclarecido inicialmente é que a falta de arrecadação da contribuição dos segurados deuse apenas em relação as verbas acima tratadas, donde se conclui que a empresa efetuou desconto em relação aos valores que entendeu estarem incluídos na base de cálculo previdenciária. Também há de se ressaltar que o Fisco levou em conta o limite legal do saláriodecontribuição para fins de calcular a contribuição dos segurados, conforme se depreende do processo em que é exigida a referida contribuição. Apresentadas essas particularidades, é bom que se diga que não há unanimidade quanto se analisa à ocorrência de infração para esses casos. A matéria é controversa e, até aqui no CARF, não há um consenso quanto à ocorrência de infração quando a arrecadação da contribuição dos segurados é apenas parcial. Explico. Há uma corrente, que me parece majoritária, defendendo que somente se caracteriza a ofensa à alínea “a” do inciso I do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, quando a empresa nada arrecada a título de contribuição dos segurados. Vejam a redação do dispositivo: Fl. 278DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15586.000995/201022 Acórdão n.º 2401003.010 S2C4T1 Fl. 275 7 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (...) Entendem os defensores da inexistência de infração quando há algum desconto na remuneração dos segurados que o núcleo da conduta o verbo arrecadar foi realizado, posto que não se pode dizer que inexistiu arrecadação. Para essa corrente, somente se o legislador tivesse utilizado a expressão “arrecadar a totalidade das contribuições...” é que estaria caracterizada a infração pela falta de arrecadação integral. Respeito esse posicionamento, do qual, inclusive, fui ferrenho defensor, mas tenho ousado seguir outra trilha na interpretação da alínea “a” do inciso I do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991. Prá começar, enxergo uma dificuldade operacional em considerar como legal a conduta decorrente da arrecadação de parte da contribuição dos segurados devida. É que esse entendimento leva ao absurdo de afastar a penalidade nos casos em que a empresa, por exemplo, pagando salários e gratificação, efetua o desconto apenas sobre o valor do salário, por considerar que a gratificação não compõe a base de cálculo das contribuições sociais. Nessa situação, sem dúvida, observase que o objetivo da norma restou ferido, posto que a arrecadação da contribuição do segurado foi inferior ao que efetivamente deveria ser direcionada aos cofres da Seguridade Social. Por outro lado, o próprio segurado estaria também prejudicado, uma vez que a base de contribuição para cômputo no cálculo de futuros benefícios previdenciários estaria aquém dos valores efetivamente recebidos em razão do trabalho. Por esse motivo, ouso afirmar que a conduta de descontar parcialmente o valor da contribuição da remuneração dos segurados é conduta que fere a norma inserta na alínea “a” do inciso I do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991, sendo causa para aplicação da multa. E por falar em remuneração, vejase que o citado dispositivo, na sua parte final, fala em “...descontandoas da respectiva remuneração”. Ora para fins de aplicação das normas de custeio previdenciário “remuneração” equivale ao que o art. 28, “caput” da Lei n.º 8.212/1991 chama de “saláriodecontribuição”. Vejamos o dispositivo: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo Fl. 279DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 8 tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Ora, se o saláriodecontribuição é a remuneração, a obrigação de descontar a contribuição do segurado somente restará cumprida quando levar em conta todos os rendimentos do trabalhador sujeitos à incidência de contribuições sociais. Tendo concluído que as verbas pagas sob os títulos de seguro de vida em grupo e assistência médica aos dependentes subsumemse ao conceito de saláriode contribuição, por força do art. 30, I, da Lei n.º 8.212/1991, fica evidente a ocorrência da infração. Não há dúvida, portanto, que a falta de arrecadação da contribuição dos segurados sobre as mencionadas rubricas caracterizouse como infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória, sendo legítima a autuação. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15586.000995/201022 Acórdão n.º 2401003.010 S2C4T1 Fl. 276 9 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares, Redator Designado Em que pesem as bem lançadas razões de decidir do Eminente Relator, ouso dele divergir no presente caso. Sobre o assunto, tenho linha de entendimento diferente no que se refere a configuração ou não da ocorrência da infração imputada ao recorrente. Compartilho do entendimento no sentido de que para a configuração da infração indicada na aliena “a” do inciso I do art. 30 da Lei 8.212/91 é necessário que se apure que a recorrente nada tenha arrecadado a título de contribuição dos segurados. Vejamos o que dispõe referido artigo de Lei: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (...) Da leitura do dispositivo, dele depreendo que em se tratando da imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória, há que ser prevista uma conduta que deverá ser considerada como cumprida ou descumprida pelo sujeito passivo da obrigação tributária para que então possa vir a ser materializado o descumprimento à norma. E no presente caso a legislação impõe ao sujeito passivo a obrigação de “arrecadar” contribuições previdenciárias mediante desconto nas remunerações de seus segurados empregados, sem, no entanto, apontar expressamente que tal conduta a obrigue ao desconto da totalidade das contribuições devidas, sobretudo em casos como o presente, no qual se trata do lançamento de verbas que não eram consideradas pela recorrente como bases de cálculo de contribuições previdenciárias. Logo, em meu entendimento, somente se o legislador tivesse utilizado a expressão “arrecadar a totalidade das contribuições...”, como de fato tal expressão é utilizada em outros artigos seja da Lei 8.212/91, como em artigos do próprio Decreto 3.408/99, é que estaria materializa a infração pela falta de arrecadação, agora, integral. Há de se notar que no presente caso, tratase de casos nos quais o fiscal apurou que a recorrente efetuava os descontos das contribuições da remuneração paga aos seus segurados empregados, notadamente sobre as verbas que considerava faziam parte de seu salário de contribuição. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 10 Interessante trazer à lume a necessária menção do relator a tal fato: Um ponto a ser esclarecido inicialmente é que a falta de arrecadação da contribuição dos segurados deuse apenas em relação as verbas acima tratadas, donde se conclui que a empresa efetuou desconto em relação aos valores que entendeu estarem incluídos na base de cálculo previdenciária. Também há de se ressaltar que o Fisco levou em conta o limite legal do saláriodecontribuição para fins de calcular a contribuição dos segurados, conforme se depreende do processo em que é exigida a referida contribuição. Por tais motivos é que peço vênias ao eminente relator, para DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 13116.001416/2008-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 11/12/2007
MULTA ADUANEIRA. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO DE SEGURANÇA.
O integridade do dispositivo de segurança tem caráter assecuratório de que não houve violação da carga ou da unidade de carga, ou seja, a garantia de que, por esse meio, nada foi incluído ou retirado, o que confere estabilidade no sistema de controle.
TRÂNSITO ADUANEIRO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
É inaplicável a denúncia espontânea acerca da violação de dsipositivo de segurança, no âmbito do regime especial de trânsito aduaneiro, uma vez que não há como caracterizar a condição requerida pela denunciação espontânea, haja vista que veículo e a respectiva carga encontram-se sob fiscalização, desde a concessão do regime. O ato que defere o trânsito é, em si mesmo, o ato de controle que será objeto de conclusão na entrada do veículo e carga, no prazo estipulado, no recinto alfandegado de destino.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3101-001.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Roberto Domingo - Relator,Vice-Presidente no exercício da Presidência
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio de Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente) e Luiz Roberto Domingo, Presidente em Exercício, por força do art. 17, § 2°, do Anexo II ao RICARF, em face da ausência do Presidente Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 11/12/2007 MULTA ADUANEIRA. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO DE SEGURANÇA. O integridade do dispositivo de segurança tem caráter assecuratório de que não houve violação da carga ou da unidade de carga, ou seja, a garantia de que, por esse meio, nada foi incluído ou retirado, o que confere estabilidade no sistema de controle. TRÂNSITO ADUANEIRO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É inaplicável a denúncia espontânea acerca da violação de dsipositivo de segurança, no âmbito do regime especial de trânsito aduaneiro, uma vez que não há como caracterizar a condição requerida pela denunciação espontânea, haja vista que veículo e a respectiva carga encontramse sob fiscalização, desde a concessão do regime. O ato que defere o trânsito é, em si mesmo, o ato de controle que será objeto de conclusão na entrada do veículo e carga, no prazo estipulado, no recinto alfandegado de destino. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator,VicePresidente no exercício da Presidência Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Jose Henrique Mauri (Suplente), Glauco Antonio de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 14 16 /2 00 8- 55 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 2 Azevedo Morais, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente) e Luiz Roberto Domingo, Presidente em Exercício, por força do art. 17, § 2°, do Anexo II ao RICARF, em face da ausência do Presidente Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ Fortaleza (fls. 83/91), que manteve a aplicação de multa por violação do dispositivo de segurança (lacre n° H621870) durante a operação de trânsito aduaneiro, DTA n° 07/05227910, conforme relatório da decisão recorrida que transcrevo abaixo: “Tratase de multa prevista no art. 107, inciso VI, do DecretoLei nº 37/1966, com as alterações do art. 77 da Lei nº 10.833/2003. A infração ocorreu em dispositivo de segurança (lacre de nº H621870) aplicado ao veículo de placa DPB 9896, referente a operação de trânsito aduaneiro DTA nº 07/05227910. A multa prevista é de R$ 2.000,00 no caso de violação de volume ou unidade de carga que contenha mercadoria sob controle aduaneiro, ou de dispositivo de segurança. Consta no auto de infração lavrado, que o motorista do veículo transportador, Sr. Maurício Soares Ramalho, em 11/12/2007 ao verificar que o lacre do veículo havia “sido perdido”, registrou ocorrência na Policia Militar de Goiás, conforme Boletim de Ocorrência nº 338801 do 4º BPM/GO (fls. 13 e 14). Registrese que o transporte no regime de trânsito aduaneiro teve como origem o aeroporto de Guarulhos e, como destino, o porto seco de Anápolis. O serviço foi executado pela empresa Fassina Transporte e Comércio Ltda, tendo como importador a APAE — Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Anápolis GO. O recinto alfandegado do Porto Seco Centrooeste, na cidade de Anápolis/GO registrou a chegada da mercadoria e lavrou o termo de ocorrência nº 26 onde constatou a falta do lacre do veículo transportador (fls 15 a 17). A Delegacia da Receita Federal em Anápolis lavrou o auto de infração e o encaminhou para a cidade de Santos/SP, domicílio do autuado. Em 11/07/2008, conforme aviso de recebimento (fls. 18), o autuado teve ciência do auto de infração contra ele lavrado e em 12/08/2008 apresentou impugnação (fls. 20 a 35), com as razões a seguir descritas. Inicialmente, a autuada, através de seu representante legal, faz breve relato, resumindo os passos desde a saída do veículo transportador do aeroporto internacional de Guarulhos em São Paulo até sua chegada ao porto seco de Anápolis. Destaca que “Após chegarem intactas ao Recinto Alfandegado de destino (Porto Seco — DAIA — AnápolisG0.), as referidas mercadorias submetidas ao regime especial de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA n° 07/05227910 (Doc. 03 anexo), foram regularmente nacionalizadas pelo importador, no caso, a "APAE — ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS DE ANÁPOLISGO.", sem que houvesse quaisquer registros de extravio/avaria de tais mercadorias.” Continua a defesa da impugnante, asseverando que o auto de infração lavrado “carece de total respaldo legal, vez que, relativamente a operação de Trânsito Aduaneiro efetuada ao amparo da DTA. n° 07/05227910 (Doc. 03 anexo concluída em 11.12.07), jamais houve a "violação do lacre" aposto pela repartição fiscal de origem no veículo transportador” Fl. 132DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 13116.001416/200855 Acórdão n.º 3101001.646 S3C1T1 Fl. 131 3 A autuada cita o artigo 107, inciso VI, do Decretolei n° 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 77, da Lei n° 10.833/2.003 que determina a aplicação da multa de R$ 2.000,00 (dois mil reais) no caso de violação de volume ou unidade de carga que contenha mercadoria sob controle aduaneiro, ou de dispositivo de segurança. Afirma a defesa da impugnante que o dispositivo legal não se aplica à operação de trânsito aduaneiro efetuada pelo seu cliente, pelas seguintes razões: • A uma, porque não houve violação de volume ou unidade de carga contendo mercadorias sob controle aduaneiro e tampouco a violação do dispositivo de segurança, mas apenas, o rompimento do lacre aposto no veículo transportador pela repartição fiscal de origem quando do início da operação de Trânsito Aduaneiro; • A duas, porque a operação de Trânsito Aduaneiro realizada ao amparo da DTA nº 07/05227910 (Doc.03 anexo), foi regularmente concluída dentro do prazo fixado pela repartição fiscal de origem (ALF.AISPGUARULHOS), sem que houvesse quaisquer irregularidades quanto a integridade dos volumes transportados, o que foi, inclusive, comprovado pela repartição fiscal de destino (EADI PORTO SECO — DAIA — ANAPOLISG0.), quando da lavratura do respectivo Termo de Ocorrência n° 26/2.007, de 11.12.07; • A três, porque as mercadorias submetidas ao Regime de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA.n° 07/05227910 (Doc.03 anexo), foram regularmente nacionalizadas pelo importador, no caso, a "APAE — ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS DE ANÁPOLIS/GO." por meio da Declaração de Importação n° 08/01085343, sem que houvesse quaisquer registros de extravio/avaria de tais mercadorias. • A quatro, porque o que houve, na verdade, foi o extravio/rompimento do lacre aposto no veículo transportador das mercadorias submetidas ao Regime Especial de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA n° 07/05227910 (Doc.03 anexo), durante o percurso rodoviário de São Paulo (AISP GuarulhosSP) até Anápolis GO. (Porto Seco — DAÍ — Anápolis GO.), sem que o motorista/preposto da Requerente, tivesse qualquer culpa pelo ocorrido, que caracteriza, no caso, a hipótese de "caso fortuito ou de força maior", cláusula excludente da responsabilidade de indenizar, a teor do disposto no artigo 595 do atual R.A. aprovado pelo Decreto n° 4.543/2.002 Conclui, então, a defesa da autuada “Portanto, o dispositivo legal citado no Auto de Infração ora impugnado, como embasamento para aplicação da penalidade de multa imposta à ora Requerente (artigo 107, inciso VI, do Decretolei n° 37/66, com a atual redação do artigo 77, da Lei n° 10.833/2.003), não se aplica ao fato ocorrido quando da operação de Trânsito Aduaneiro realizada ao amparo da DTA n° 07/05227910 (Doc.03 anexo), pois como já ressaltado, assim, não houve violação de volume ou unidade de carga, ou de dispositivo de segurança, mas sim, a ocorrência de um fato imprevisível, no caso, o rompimento do lacre aposto no veículo transportador durante o percurso rodoviário, sem que houvesse qualquer violação das mercadorias transportadas sob o regime de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA. n° 07/05227910 (Doc.03 anexo).” A defesa da autuada tece comentários e cita a jurisprudência dos tribunais procurando embasamento para demonstrar que o rompimento do lacre deve ser enquadrado como caso fortuito, fato imprevisível ou de força maior e que a fiscalização estaria violando o princípio da tipicidade, haja vista não existir, segundo a autuada, definição legal para o que ela considera um “rompimento/extravio” e não uma infração definida na Lei ou Regulamento Aduaneiro. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 4 Aduz a defesa da autuada, que “caso fortuito é o acidente causado por força física ininteligente, em condições que não poderiam ser previstas pelas partes, enquanto a força maior é o fato de terceiro, que criou, para inexecução da obrigação, um obstáculo, que a boa vontade do devedor não pode vencer", com a observação de que o traço que os caracteriza não é a imprevisibilidade, mas a inevitabilidade. (Superior Tribunal de Justiça 4°. Turma. Recurso Especial nº 140659RJ. Relator: Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira)” Sustenta ainda que se trata de mera irregularidade formal, passível de ser relevada, conforme previsão legal contida no artigo 654, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002. Argumenta também a defesa da autuada que permanecendo a exigência da multa formalizada no auto de infração “restarão violados, também, os princípio da proporcionalidade e da razoabilidade.” Entende, ainda, a autuada, que as alegações explanadas são suficientes para afastar a aplicação da multa e que “caso assim não entenda essa Egrégia Delegacia de Julgamentos, requer a ora Requerente a conversão do julgamento em diligência junto ao Porto Seco — DAI — AnápolisGO., a fim de que sejam respondidos os seguintes quesitos relacionados com a operação de Trânsito Aduaneiro realizada ao amparo da DTA. n° 07/05227910 (Doc.03 anexo): a) A operação de Trânsito Aduaneiro realizada ao amparo da DTA n° 07/05227910, chegou ao Recinto Alfandegado de destino (Porto Seco — DAI — Anápolis GO.) dentro do prazo fixado pela repartição fiscal de origem (Alfândega AISP Guarulhos)? b) — Em que pese o extravio/rompimento do lacre aposto no veículo transportador das mercadorias submetidas ao regime de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA. n° 07/05227910 (Doc.03 anexo), o Recinto Alfandegado de destino (Porto Seco — DAÍ — AnápolisG0.), constatou se houve violação dos volumes? As mercadorias chegaram intactas ao Recinto Alfandegado de destino? Foi constatada alguma divergência de peso nos documentos que instruíram a referida DTA? c) — Houve por parte do importador pedido de realização de "Vistoria Aduaneira Oficial" para apurar eventual avaria/extravio das mercadorias submetidas ao Regime de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA. n° 07/05227910 (Doc.03 anexo)? Em caso negativo, então não houve extravio e/ou avaria? d) — Poderia o Recinto Alfandegado de destino confirmar se as mercadorias submetidas ao Regime Especial de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA. Nº 07/05227910 (Doc.03 anexo), foram posteriormente nacionalizadas, sem que houvesse quaisquer irregularidades quanto a integridade/inviolabilidade de tais mercadorias ? e) — O fato de ter ocorrido o extravio/rompimento do lacre aposto no veículo transportador, durante o percurso rodoviário das mercadorias submetidas ao Regime de Trânsito Aduaneiro ao amparo da DTA. no 07/05227910 (Doc.03 anexo), causou prejuízo à Fazenda Nacional ? Por fim, solicita que o auto de infração seja julgado totalmente improcedente/insubsistente”. A decisão colegiada recorrida acordou pela manutenção do auto de infração conforme os fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: “MULTA POR VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO DE SEGURANÇA. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 13116.001416/200855 Acórdão n.º 3101001.646 S3C1T1 Fl. 132 5 É pertinente a aplicação da multa por violação de dispositivo de segurança, quando ficar comprovado que o fato previsto na norma efetivamente ocorreu. Cabe à esfera administrativa aplicar as normas nos estritos limite de seu conteúdo. Impugnação Improcedente” Intimada da decisão em 17/01/2013 (fls. 103/104), a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em 18/02/2013, repisando os argumentos da impugnação e requerendo a aplicação do instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Preliminarmente, entendo incabível a denúncia espontânea, já que a mercadoria se encontrava em fiscalização aduaneira desde o momento em que fisicamente aportou no território nacional até seu desembaraço no Porto Seco. É de notarse que o Regime Especial de Trânsito Aduaneiro confere ao veículo transportador e à carga o atributo de “zona primária móvel” que transita pelo território em caráter precário, portanto, tratase de operação que desde a concessão do regime até o desembaraço estará sob fiscalização aduaneira. Apesar de o § 1º do art. 102 do Decretolei nº 37/66, dispor que “não se considera espontânea a denúncia apresentada, após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração” a circunstância do trânsito aduaneiro retira a possibilidade de prática desse ato de ofício. É que, não há como caracterizar a condição requerida pela denunciação espontânea, pois a Recorrente e a respectiva carga transportada encontravamse sob fiscalização, desde a concessão do regime, de modo que o ato que defere o trânsito é, em si mesmo, o ato de controle que será objeto de conclusão na entrada do veículo e carga, no prazo estipulado, no recinto alfandegado de destino. No que tange às diligências requeridas, não restou caracterizada qualquer violação ao contraditório e à ampla defesa, porquanto o indeferimento de tal pleito por ser prescindível ao desfecho da causa comporta expressa previsão normativa (art. 18, Decreto nº 70.235/71) e se trata de juízo exclusivo do julgador administrativo ou do órgão colegiado que decidiu neste sentido, o qual inclusive muito bem fundamentou suas razões no votocondutor do Acórdão (fl. 87). Quanto ao mérito, entendo que o lacre é a garantia de que o conteúdo não será violado. Com o rompimento, sem a presença da fiscalização, não é possível garantir que a mercadoria ou unidade de carga sofreu violação, que mercadoria foi incluída ou mercadoria foi retirada. O dispositivo de segurança, como o próprio nome diz, é que confere a segurança Fl. 135DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO 6 (garantia) suficiente contra eventual desvio da unidade de carga e da integridade do conteúdo tal qual chegou no local de desembarque. Aliás, da mesma maneira que a presença deste dispositivo de segurança confere a presunção de que nada dentro do veículo foi alterado ou subtraído, a ausência ou violação deste implica na presunção em sentido diametralmente oposto. Ademais, a análise do dispositivo infringido demonstra que a atuação da autoridade aduaneira diante do caso concreto foi irrepreensível. Vejamos o que dispõe o art. 107, inciso VI, do DecretoLei n° 37/1966, com a redação dada pela Lei 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) VI de R$ 2.000,00 (dois mil reais), no caso de violação de volume ou unidade de carga que contenha mercadoria sob controle aduaneiro, ou de dispositivo de segurança; A conjunção alternativa “ou” é suficiente para demonstrar que a hipótese normativa restará plenamente preenchida caso haja unicamente a violação do dispositivo de segurança, sendo que a hipótese de violação sobre o “volume ou unidade de carga” consiste em situação alternativa que, ocorrendo, também ensejaria a aplicação desta penalidade, ainda que o lacre estivesse intacto. Desta forma, restam prejudicados os demais argumentos da Recorrente, porque a aplicação de multa não constitui necessário óbice ao desembaraço, além de ser indiferente o estado das mercadorias ou se estas correspondem ou não ao que fora declarado no momento em que houve a colocação do dispositivo. Por fim, a tentativa de furto não é causa excludente por não se caracterizar caso fortuito ou de força maior, uma vez que a atividade do transportador e do depositário congrega o dever de zelo pelo bem e no caso do trânsito aduaneiro, zelar pelo lacre, como forma da presunção de não violação do conteúdo. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 136DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 11080.736547/2012-62
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA MÉDICO / ODONTOLÓGICA. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. PECULIARIDADES, INCLUSIVE LEGISLATIVAS. INAPLICABILIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, QUANDO OBSERVADA A REGRA DISPOSTA NA ALÍNEA Q DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 77 - COSIT.
A 3ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, na assentada de 23 de janeiro de 2014, no julgamento do processo nº 10660.721971/2011-38, reconheceu a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a forma de sociedades cooperativas.
O valor relativo a plano de saúde pago por empresa a cooperativa médica não integra o salário de contribuição, desde que a empresa disponibilize o referido plano à totalidade dos seus empregados e dirigentes, ainda que alguns deles, por motivos particulares, manifestem por escrito que não pretendem participar do plano. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, § 9º, q.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.337
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Carlos Cornet Scharfstein.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA MÉDICO / ODONTOLÓGICA. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. PECULIARIDADES, INCLUSIVE LEGISLATIVAS. INAPLICABILIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, QUANDO OBSERVADA A REGRA DISPOSTA NA ALÍNEA “Q” DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 77 COSIT. 1. A 3ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, na assentada de 23 de janeiro de 2014, no julgamento do processo nº 10660.721971/201138, reconheceu a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a forma de sociedades cooperativas. 2. O valor relativo a plano de saúde pago por empresa a cooperativa médica não integra o salário de contribuição, desde que a empresa disponibilize o referido plano à totalidade dos seus empregados e dirigentes, ainda que alguns deles, por motivos particulares, manifestem por escrito que não pretendem participar do plano. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, § 9º, “q”. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 65 47 /2 01 2- 62 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.736547/201262 Acórdão n.º 2803003.337 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Carlos Cornet Scharfstein. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.736547/201262 Acórdão n.º 2803003.337 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre pagamentos concernentes a serviços que lhe foram prestados, nas competências janeiro de 2009 a dezembro de 2009, por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho (inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 15 de agosto de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EFEITO SUSPENSIVO. A impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário. CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. PERÍCIA. Descabe a realização de perícia, por desnecessária para o deslinde da controvérsia, quando os documentos constantes dos autos mostramse suficientes para o exame das questões deduzidas pela impugnante. ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO DA ÁREA DA SAÚDE. CONTRIBUINTE. Inexistindo faturas individuais emitidas contra os beneficiários do plano de saúde, e havendo a impugnante efetuado o pagamento das faturas correspondentes à totalidade do valor do plano de saúde, faturas estas emitidas em seu nome, é ela a contribuinte da exação estabelecida no artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, e alterações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Fl. 425DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.736547/201262 Acórdão n.º 2803003.337 S2TE03 Fl. 5 4 A RFB lavrou os autos de infração que ora se discute para o fim de constituir crédito tributário de contribuição previdenciária, calculado sobre o valor dos pagamentos feitos pela Recorrente, no ano de 2009, à Unimed Porto Alegre – Sociedade Cooperativa de Trabalho Médico Ltda. Para sustentar tais autuações, a RFB alega que a Recorrente deixou de promover o recolhimento do valor equivalente a 15% das faturas emitidas pela cooperativa de trabalho acima indicada, em infração ao disposto no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/1991. Não se precisa ir longe para concluir que a contribuição criada pela Lei nº 9.876/99 não suporta o enfrentamento com o disposto no art. 195, I, “a” e § 4º, da Constituição Federal. Posto isso, requer: a) Seja provido o recurso, para o fim de cassar o acórdão recorrido e determinar a realização de perícia requerida na pela impugnatória; b) Sucessivamente, na remota hipótese de não ser acolhido o pedido anterior, seja provido o recurso para o fim de desconstituir os créditos tributários vergastado. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.736547/201262 Acórdão n.º 2803003.337 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O lançamento em discussão diz respeito às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre pagamentos concernentes a serviços prestados ao sujeito passivo, por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, conforme as disposições contidas no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Sobre o assunto, a 3ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, na assentada de 23 de janeiro de 2014, no julgamento do processo nº 10660.721971/201138, reconheceu a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a forma de sociedades cooperativas. A decisão referida no parágrafo anterior foi assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2010 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO – NFLD. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇO DE ASSISTÊNCIA MÉDICO / ODONTOLÓGICA. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. PECULIARIDADES, INCLUSIVE LEGISLATIVAS. INAPLICABILIDADE DO INCISO IV DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212/91. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, QUANDO OBSERVADA A REGRA DISPOSTA NA ALÍNEA “Q” DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. 1. Mesmo havendo a intermediação da cooperativa de trabalho, com contrato Armado entre esta e o tomador, o contratado é o cooperado – contribuinte individual – e não a cooperativa. 2. Pela própria natureza jurídica da cooperativa de trabalho, esta não presta serviços a terceiros, senão aos próprios cooperados. 3. Diferentemente das demais empresas, a cooperativa é constituída, exclusivamente, para prestar serviços aos seus cooperados e, por isso, o tomador dos serviços da cooperativa é o próprio cooperado. 4. A parte inicial do art. 293 da então IN SRP nº 03/2005 inova ao fazer referência à cooperativa médica ou odontológica, dispondo, assim, de forma diversa da Fl. 427DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.736547/201262 Acórdão n.º 2803003.337 S2TE03 Fl. 7 6 previsão legal (inciso IV do art. 22 da lei nº 8.212/91), que fala em cooperativa de trabalho. 5. No concernente ao correto enquadramento de que trata estes autos, é de extrema importância para o deslinde da questão, verificar, também, a evolução legislativa, notadamente o art. 1º da Lei nº 12.690, de 19 de julho de 2012, que dispõe sobre a Organização e o Funcionamento das Cooperativas de Trabalho; institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho – PRONACOOP; e revoga o parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. 6. A inovação do legislador infralegal expressa na parte inicial do art. 293 da IN SRP nº 03/2005, como se pode observar, já era prenúncio de radical mudança legislativa futura. 7. O legislador de 2012, ao cuidar especificamente da lei própria das cooperativas de trabalho, já de pronto (parágrafo único do art. 1º da Lei nº 12.690), exclui do âmbito da mencionada lei, I – as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar; II – as cooperativas que atuam no setor de transporte regulamentado pelo poder público e que detenham, por si ou por seus sócios, a qualquer título, os meios de trabalho; III – as cooperativas de profissionais liberais cujos sócios exerçam as atividades em seus próprios estabelecimentos; e IV – as cooperativas de médicos cujos honorários sejam pagos por procedimento. 8. Refletindo sobre as inovações legislativas trazidas pela Lei 12.690/2012, resta totalmente evidenciado que a exclusão do âmbito da lei própria das cooperativas de trabalho abrange as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar. 9. Como se pode observar, o legislador reconheceu que as cooperativas de assistência à saúde na forma da legislação de saúde suplementar não são cooperativas de trabalho nos moldes previstos no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. 10. Aliás, tal reconhecimento já tinha ocorrido em 1998, pela Lei nº 9.656, de 03 de junho de 1998, que dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. 11. De acordo com o inciso II do art. 1º da Lei nº 9.656/98, a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de cooperativa será uma Operadora de Plano de Assistência à Saúde. 12. Tendo em vista que verba constante do lançamento diz respeito à assistência à saúde, disponibilizada aos membros da Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Varginha e Região, por intermédio de convênio saúde, sou obrigado a reconhecer que se trata de matéria abrangida Fl. 428DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.736547/201262 Acórdão n.º 2803003.337 S2TE03 Fl. 8 7 pelo instituto da não incidência, conforme expressamente dispõe a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. 13. Desse modo, efetuar o enquadramento do fato à norma, sob a alegação de que a contratação de serviços por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho determina o recolhimento de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, ex vi do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, sem considerar as disposições contidas na última linha do parágrafo anterior, data vênia, é fazer letra morta o instituto da não incidência previsto na Lei de Custeio da Previdência Social. 14. Reconhecer a não incidência do tributo, nos convênios saúde firmados com operadoras de plano de assistência à saúde, constituídas sob a modalidade de sociedade civil ou comercial ou entidade de autogestão nos moldes estabelecidos pela Lei nº 9.656/98 e não enquadrar as cooperativas também operadoras de plano de assistência à saúde, na mesma situação, é a caracterização de odiosa discriminação contra esse tipo societário. Recurso Voluntário Provido No concernente ao enquadramento do fato à norma dentro do conceito da não incidência condicionada, em 28 de março do corrente ano, a Receita Federal do Brasil, por intermédio da CoordenaçãoGeral de Tributação, na Solução de Consulta nº 77 – Cosit, concluiu que: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PLANO DE SAÚDE DISPONIBILIZADO A TODOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. O valor relativo a plano de saúde pago por empresa a cooperativa médica não integra o salário de contribuição, desde que a empresa disponibilize o referido plano à totalidade dos seus empregados e dirigentes, ainda que alguns deles, por motivos particulares, manifestem por escrito que não pretendem participar do plano. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, § 9º, “q”. O dispositivo legal que trata da não incidência, está assim redigido: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei, exclusivamente: Fl. 429DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.736547/201262 Acórdão n.º 2803003.337 S2TE03 Fl. 9 8 (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. (grifouse e destacouse) Notase, portanto, que no caso ora em discussão, a autoridade administrativa não conseguiu demonstrar que os valores lançados são efetivamente devidos. De mais a mais, estou de acordo com a decisão recorrida, que a constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. Contudo, sobre o argumento de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91 apresentado pelo Recorrente, sabese que em 23/04/2014, no julgamento do RE 595.838 São Paulo, o plenário do STF, por unanimidade, assim decidiu: Diante de tudo quanto exposto, é forçoso reconhecer que, no caso, houve extrapolação da base econômica delineada no art. 195, I, a, da Constituição, ou seja, da norma sobre a competência para se instituir contribuição sobre a folha ou sobre outros rendimentos do trabalho. Houve violação do princípio da capacidade contributiva, estampado no art. 145, § 1º, da Constituição, pois os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus associados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Ademais, o legislador ordinário acabou por descaracterizar a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. A contribuição instituída pela Lei nº 9.876/99 representa nova fonte de custeio, sendo certo que somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, do a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Como se pode observar, a decisão do STF, no RE 595.838 São Paulo, encerra a discussão sobre a matéria. Assim, mantenho meus posicionamentos anteriores a respeito da não incidência (condicionada) do tributo e dou provimento ao recurso aviado pelo contribuinte. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.736547/201262 Acórdão n.º 2803003.337 S2TE03 Fl. 10 9 CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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