Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10640.003485/2010-91
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para que seja restabelecida dedução de despesas médicas nos valores de R$5.000,00, no ano-calendário 2005, R$9.500,00, no ano-calendário 2006, R$7.980,64, no ano-calendário 2007, R$4.277,00, no ano-calendário 2008 e R$1.881,50, em 2009, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 14/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10640.003485/2010-91
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5285338
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2802-002.466
nome_arquivo_s : Decisao_10640003485201091.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 10640003485201091_5285338.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para que seja restabelecida dedução de despesas médicas nos valores de R$5.000,00, no ano-calendário 2005, R$9.500,00, no ano-calendário 2006, R$7.980,64, no ano-calendário 2007, R$4.277,00, no ano-calendário 2008 e R$1.881,50, em 2009, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
id : 5020295
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174488854528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1973; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 304 1 303 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.003485/201091 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.466 – 2ª Turma Especial Sessão de 14 de agosto de 2013 Matéria IRPF Recorrente SEBASTIAO GREGORIO NEVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para que seja restabelecida dedução de despesas médicas nos valores de R$5.000,00, no anocalendário 2005, R$9.500,00, no anocalendário 2006, R$7.980,64, no anocalendário 2007, R$4.277,00, no anocalendário 2008 e R$1.881,50, em 2009, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 14/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 34 85 /2 01 0- 91 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2006 a 2010, anocalendário 2005 a 2009, respectivamente, devido a glosa de despesas médicas e com instrução. No Relatório da Ação Fiscal foi descrito que a ação fiscal foi motivada pelo fato de o contribuinte utilizar despesas elevadas em nome do psicólogo Carlos Augusto Rezende Araújo, que já fora objeto de fiscalização que culminou com Representação Fiscal para Fins Penais (processo 10640.002870/201000, em que foram demonstrados indícios convergentes e provas documentais comprobatórias da prática fraudulenta de venda e/ou majoração de recibos por parte do citado profissional entre os anos de 2005 e 2009. Os indícios supramencionados foram descritos no Relatório da Ação Fiscal (fls. 13 e ss.), no qual consta excerto da Representação Fiscal para Fins Penais que evidencia a fraude no fornecimento dos recibos emitidos pelo psicólogo Carlos Augusto Rezende. Em apertada síntese os indícios contra o quanto firmado pelo referido profissional : a) patrimônio e movimentação financeira incompatível com os supostos rendimentos correspondentes aos recibos emitidos; b) supostos rendimentos muito superiores ao que seria possível obter em um ano tomando por base os dados médios dos recibos emitidos e número de consultas possíveis no mesmo período; c) a quantidade de consultas de cada suposto paciente é inusitada e nada razoável; e d) diversos outros contribuinte que se utilizaram dos recibos do mesmo profissional declaram que as informações não são verídicas. As despesas declaradas como pagas a esse profissional foram objeto da multa qualificada. Também foram glosadas as despesas referentes aos profissionais Sebastião Luiz Acácio Ladeira, Newton Carlos Abreu Leitão, Janaina M Duarte Vilela, Evandro Plerangueli Vilela, Daniella Miranda Pontes Costa, Rafael Otávio Brun Ferreira, Júlia Cristina de Andrade Vitral, Gilda Maria da Rocha Freez e Raquela Aguiar Gomes. Estas foram glosadas pelo valor integral por falta de comprovação do efetivo pagamento com aplicação da multa de ofício regular (75%), uma vez que foi exigida comprovação com extratos bancários, sendo que o contribuinte somente apresentou extratos de agosto a dezembro de 2009, onde se constatou a utilização rotineira de cheques, mesmo para despesas de pequeno valor, porém não houve qualquer comprovação das despesas médicas, Fl. 305DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10640.003485/201091 Acórdão n.º 2802002.466 S2TE02 Fl. 305 3 cuja glosada estaria fundamentada no §1º do art. 73 do RIR1999 (deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados ou deduções incabíveis). Outras despesas foram glosadas por falta de apresentação de documentação. A glosa das despesas com instrução foi fundamentada na falta de comprovação. Às fls. 21/22 foram discriminadas as despesas glosadas e as mantidas. Na impugnação, em síntese, foram apresentados cópias de prontuários, recibos e declarações de profissionais com o intuito de comprovar as despesas, as quais foram relacionadas no quadro de fls. 132, alegouse, também, que em relação a determinadas despesas não foi possível encontrar a documentação comprobatória. Os documentos apresentados com a impugnação referiamse aos profissionais Sebastião Luiz Acácio Ladeira, Janaina M Duarte Vilela, Evandro Plerangueli Vilela, Júlia Cristina de Andrade Vitral e Gilda Maria da Rocha Freez. O acórdão recorrido restabeleceu a dedução de despesas com instrução declaradas, até o limite individual anual, bem como despesas médicas referentes a Sisbe Caixa Econômica Federal/Caixa Saúde de R$24,15, 411,56 e 3.238,88, nos anocalendário 2005, 2006 e 2009, respectivamente. O fundamento do acórdão recorrido na parte em que indeferiu o pleito impugnatório foi: a) impossibilidade de incluir dedução de despesas (com instrução) não declaradas; b) despesas sem comprovação não podem ser deduzidas; c) os recibos apresentados não são prova absoluta, pois no caso houve dúvida quanto à efetividade dos gastos o que autoriza que a autoridade fiscal solicite elementos adicionais que demonstrem de foram absoluta a efetividade do pagamento; d) declarações (fls. 137,147,153 e 165) assim como recibos não são provas suficientes; e e) os prontuários (fls. 151/152, 154/155, 162/164) ainda que pudessem provar a prestação dos serviços, não são prova da transferência do recurso financeiro nos exatos valores lançados, e para os quais o contribuinte foi intimado a comprovar. Ciência em 17/02/2011. O Recurso voluntário foi interposto no dia 18/03/2011 com alegação de que, em razão das objeções do acórdão recorrido, apresenta extratos bancários para comprovar as despesas, conforme relacionadas às fls. 210/211, referentes a Sebastião Luiz Acácio Ladeira, Fl. 306DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Janaina M Duarte Vilela, Evandro Plerangueli Vilela, Júlia Cristina de Andrade Vitral e Gilda Maria da Rocha Freez e SisbeSistema de Saúde e Bem Estar. Às fls. 289/300 consta petição do contribuinte alusiva a pedido de compensação e habilitação de crédito para fins de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O limite do litígio foi definido pelo rol de despesas que o recorrente almeja ver comprovadas com a documentação já apresentada (recibos, declarações, extrato parcial e prontuários) complementada por novos extratos bancários. Nos autos não há documentação relativa a Carlos Augusto Rezende, Newton Carlos Abreu Leitão, Daniella Miranda Pontes Costa, Rafael Otávio Brun Ferreira e Raquela Aguiar Gomes, nem contestação expressa, tratandose de matéria preclusa, cujo crédito tributário correspondente está definitivamente constituído na esfera administrativa. Em suma, a glosa de tais despesas não integra o litígio. Quanto às despesas médicas relativas a Sisbe Sistema de Saúde e Bem Estar, valem as observações do quadro abaixo AC Valor pleiteado no recurso voluntário Observação 2005 24,15 Já acatado em 1ª instância 2006 411,56 Já acatado em 1ª instância 2007 2.869,64 Não admitido em 1ª instância por falta de documentação. 2009 3.238,88 Já acatado em 1ª instância Nesse ponto, o litígio envolve exclusivamente o anocalendário 2007 no valor de R$2.869,64, cujo único óbice que a Delegacia de Julgamento apontou para a dedução foi a falta de comprovação. Com amparo nos princípios do formalismo moderado e da busca da verdade material e em precedentes desta Turma de Julgamento, o documento de fls. 252 é analisado, concluindose que comprova o pagamento de R$2.869,64 (mensalidades mais escolha dirigida), no anocalendário 2007, e, portanto, esta dedução deve ser restabelecida. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10640.003485/201091 Acórdão n.º 2802002.466 S2TE02 Fl. 306 5 Discutese a dedução das despesas referentes a Sebastião Luiz Acácio Ladeira, Janaina M Duarte Vilela, Evandro Pierangeli Vilela, Júlia Cristina de Andrade Vitral e Gilda Maria da Rocha Freez. A partir da relação de fls. 210/211, passouse a analisar a autuação e os documentos comprobatórios para elaborar a discriminação abaixo: AC Profissional Valor Doc. (fls.) 2005 Sebastião Luiz Acácio Ladeira 5.000,00 Declaração fls. 137 (efls. 141) e recibos fls. 137/139 2006 Sebastião Luiz Acácio Ladeira 4.500,00 Declaração fls. 137 (efls. 141) e recibos fls. 139/141 2006 Janaina M Duarte Vilela 4.000,00 Declaração fls. 147, recibos e fichas odontológicas fls. Seguintes tratamento dos dependentes Janice e Camila 2006 Evandro Pierangeli Vilela 1.000,00 Declaração fls. 153, recibos e fichas odontológicas nas fls. seguintes – tratamento dependentes Janice e Camila 2007 Sebastião Luiz Acácio Ladeira 2.280,00 Declaração fls. 137 (efls. 141) e recibos fls. 142/143 2007 Júlia Cristina de Andrade Vitral 1.746,00 Atestado fls.165, tratamento da dependente Janice 2007 Gilda Maria da Rocha Freez 1.085,00 Recibos fls. 158//159 Fl. 308DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 2008 Júlia Cristina de Andrade Vitral 3.412,00 Recibos a partir das fls. 265, total 3.412,00. Identificação de cheques e extratos correspondentes Atestado fls. 165. 2008 Gilda Maria da Rocha Freez 865,00 3 recibos às fls. 261, idem fls. 160/161, e fichas odontológicas fls. 162/165 2009 Júlia Cristina de Andrade Vitral 1.881,50 Atestado fls.165, valor de 2.172,00 tratamento da dependentes Janice Duas observações em relação ao quadro acima: a) exclusivamente relação à despesa com Gilda Maria da Rocha Freez , no anocalendário 2008, o valor comprovado (865,00) foi inferior ao que foi glosado (1.865,00), essa diferença não foi expressamente contestada, de forma que não integra o litígio; b) no anocalendário 2008, o atestado emitido por Júlia Cristina de Andrade Vitral é de valor inferior à soma dos recibos, pois não inclui um dos recibos, devendo prevalecer a comprovação da soma dos recibos, notadamente pela coincidência com os cheques compensados. Passase ao exame de mérito propriamente dito. Embora a ação fiscal tenha sido motivada pela utilização de recibos do psicólogo Carlos Augusto Rezende Araújo contra o qual paira um forte conjunto de indícios de que fornecia recibos falsos, dois aspectos devem ser ressaltados: a) não há litígio sobre essas despesas envolvendo o profissional carlos Augusto; b) quanto às demais, até a primeria instância de julgamento não consta dos autos qualquer evidência que desabone os recibos e declarções apreciados na primeira instância. Assim, a questão fica resumida à comprovação das deduções de despesas médicas glosadas por falta de comprovação do que as autoridade fiscais comumente vem denominando de “efetivo desembolso”. Em casos desta natureza, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções Fl. 309DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10640.003485/201091 Acórdão n.º 2802002.466 S2TE02 Fl. 307 7 pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direito dever de o fisco intimálo a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. A decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador, tendo como ponto de partida a imputação feita no lançamento. Se por parte da autoridade fiscal não foram apontados indícios em desfavor dos documentos trazidos pelo contribuinte, nem mesmo irregularidade de caráter formal nos recibos, o recorrente desincumbiuse do ônus da prova por meio de um conjunto probatório adequado, compostos recibos, atestados, fichas odontológicas e declarações que suprem as exigências legais (art. 80 RIR1999), cuja análise foi retratada no quadro acima. Portanto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para que seja restabelecida dedução de despesas médicas nos valores de R$5.000,00, no anocalendário 2005, R$9.500,00, no anocalendário 2006, R$7.980,64, no anocalendário 2007, R$4.277,00, no anocalendário 2008 e R$1.881,50, em 2009. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 310DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 15 /08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10620.000403/2003-66
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Aug 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabíveis os embargos de declaração quando demonstrado que o acórdão foi proferido desconhecendo documentos que deveriam constar dos autos na data do julgamento.
ANTERIOR PEDIDO DE DESISTÊNCIA DE RECURSO. ACÓRDÃO CARF. NULIDADE.
A protocolização de pedido de desistência de recurso voluntário, em data anterior ao julgamento, põe fim ao litígio, sendo nulo o acórdão posteriormente proferido.
Embargos Acolhidos.
Acórdão CARF Anulado.
Numero da decisão: 2801-003.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para declarar a nulidade do Acórdão 2801-01.957, de 25/10/2011, por ausência de litígio.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabíveis os embargos de declaração quando demonstrado que o acórdão foi proferido desconhecendo documentos que deveriam constar dos autos na data do julgamento. ANTERIOR PEDIDO DE DESISTÊNCIA DE RECURSO. ACÓRDÃO CARF. NULIDADE. A protocolização de pedido de desistência de recurso voluntário, em data anterior ao julgamento, põe fim ao litígio, sendo nulo o acórdão posteriormente proferido. Embargos Acolhidos. Acórdão CARF Anulado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Sat Aug 17 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10620.000403/2003-66
anomes_publicacao_s : 201308
conteudo_id_s : 5284820
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2801-003.045
nome_arquivo_s : Decisao_10620000403200366.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : TANIA MARA PASCHOALIN
nome_arquivo_pdf_s : 10620000403200366_5284820.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para declarar a nulidade do Acórdão 2801-01.957, de 25/10/2011, por ausência de litígio. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar.
dt_sessao_tdt : Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5017486
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:12:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174519263232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1789; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 204 1 203 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10620.000403/200366 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2801003.045 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de maio de 2013 Matéria ITR Embargante DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM SETE LAGOAS MG Interessado JOSÉ ALTINO SILVA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabíveis os embargos de declaração quando demonstrado que o acórdão foi proferido desconhecendo documentos que deveriam constar dos autos na data do julgamento. ANTERIOR PEDIDO DE DESISTÊNCIA DE RECURSO. ACÓRDÃO CARF. NULIDADE. A protocolização de pedido de desistência de recurso voluntário, em data anterior ao julgamento, põe fim ao litígio, sendo nulo o acórdão posteriormente proferido. Embargos Acolhidos. Acórdão CARF Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para declarar a nulidade do Acórdão 280101.957, de 25/10/2011, por ausência de litígio. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Márcio Henrique Sales Parada, Carlos César Quadros Pierre e Ewan Teles Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 00 04 03 /2 00 3- 66 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10620.000403/200366 Acórdão n.º 2801003.045 S2TE01 Fl. 205 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 05 a 11, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 1999 a 2001, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$15.069,01, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de lançamento de rendimentos não declarados percebidos da Prefeitura Municipal de João Pinheiro (R$11.994,21, R$13.227,86 e R$3.397,43, exercícios 1999 a 2001, respectivamente), da Prefeitura Municipal de Paracatu (R$10.318,85, exercício 2001), bem como de glosas de deduções pleiteadas a título de dependente (R$1.080,00 em cada um dos três exercícios), despesas médicas (R$240,00, R$3.000,00 e R$4.799,90, exercícios 1999 a 2001, respectivamente), Livro Caixa (R$2.285,35 e R$1.144,46, exercícios 1999 e 2000, respectivamente), despesa com instrução (R$1.304,40 e R$180,00, exercícios 1999 e 2000, respectivamente) e dedução do imposto devido (R$70,00, exercício 1999). A 5ª Turma da DRJ Belo Horizonte/MG, conforme Acórdão de fls. 163 a 164, depois de relatar que a parcela não litigiosa foi transferida para o processo de n° 10620.000598/200344, remanescendo em litígio tãosomente glosas de despesas médicas (R$3.000,00 e R$4.799,90 e, referentes aos exercícios 2000 e 2001, respectivamente), julgou procedente o lançamento. Destacou que o comprovante de pagamento de plano de saúde foi emitido sem assinatura e que os recibos emitidos pelo fisioterapeuta não identificavam o paciente atendido. Em 25/10/2011, a 1ª Turma Especial/2ª Seção de Julgamento/CARF, proferiu o Acórdão de nº 280101.957, fls. 181/184, cujo resultado foi por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para acatar dedução de despesas médicas no montante de R$ 4.799,90, relativa ao exercício 2001. A Delegacia da Receita Federal em Sete Lagoas – MG interpôs embargos de declaração contra o Acórdão nº 2801001.957– 1ª Turma Especial, pretendo fosse esclarecida a obscuridade existente no acórdão embargado, tendo em vista que o crédito tributário foi parcelado em 30 de agosto de 2011, conforme tela de fl. 198. Em 02/04/2013, o Presidente da Turma Especial/2ª Seção de Julgamento/CARF, consoante documento de fls. 202/203, acatou os embargos interpostos e determinou a inclusão do processo em pauta para nova apreciação do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. Os embargos são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10620.000403/200366 Acórdão n.º 2801003.045 S2TE01 Fl. 206 3 No caso, o crédito tributário foi parcelado em 30 de agosto de 2011, conforme tela de fl. 198, portanto, a desistência do recurso ocorreu em data anterior ao julgamento do recurso voluntário. Dessa forma, não caberia mais a esse Colegiado apreciar o mérito do litígio, por ausência de litígio. Sendo assim, cabe declarar a nulidade do Acórdão 280101.957, proferido em 25/10/2011 (fls. 181/184). Diante do exposto, voto por acolher os embargos interpostos para declarar a nulidade do Acórdão 280101.957, de 25/10/2011, por ausência de litígio. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 206DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/06/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720338/2010-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional.
DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA.
É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004.
RECEITAS NÃO DECLARADAS
A ausência na declaração do imposto de renda pessoa jurídica (DIPJ/2008) de valores constantes nos conhecimentos de cargas, justificam o lançamento de ofício sobre as receitas não oferecidas a tributação.
LUCRO REAL CUSTO
Na apuração do lucro real, quando a Fiscalização tem conhecimento da contabilidade completa do Contribuinte, deve-se levar em conta os custos contabilizados referentes as receitas auferidas, conforme determina a legislação vigente.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
Numero da decisão: 1401-001.000
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Bezerra Presta, e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. RECEITAS NÃO DECLARADAS A ausência na declaração do imposto de renda pessoa jurídica (DIPJ/2008) de valores constantes nos conhecimentos de cargas, justificam o lançamento de ofício sobre as receitas não oferecidas a tributação. LUCRO REAL CUSTO Na apuração do lucro real, quando a Fiscalização tem conhecimento da contabilidade completa do Contribuinte, deve-se levar em conta os custos contabilizados referentes as receitas auferidas, conforme determina a legislação vigente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10283.720338/2010-96
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5295084
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 30 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1401-001.000
nome_arquivo_s : Decisao_10283720338201096.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MAURICIO PEREIRA FARO
nome_arquivo_pdf_s : 10283720338201096_5295084.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Bezerra Presta, e Mauricio Pereira Faro.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
id : 5089447
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174534991872
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-09-12T13:46:32Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-09-12T13:46:32Z; Last-Modified: 2013-09-12T13:46:32Z; dcterms:modified: 2013-09-12T13:46:32Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:eabcd72b-223e-48b2-9117-cf1c8fe4a5da; Last-Save-Date: 2013-09-12T13:46:32Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-09-12T13:46:32Z; meta:save-date: 2013-09-12T13:46:32Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-09-12T13:46:32Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-09-12T13:46:32Z; created: 2013-09-12T13:46:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2013-09-12T13:46:32Z; pdf:charsPerPage: 2209; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2013-09-12T13:46:32Z | Conteúdo => S1‐C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720338/201096 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.000 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de julho de 2013 Matéria IRPJ Recorrente ACTUAL CARGO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. RECEITAS NÃO DECLARADAS A ausência na declaração do imposto de renda pessoa jurídica (DIPJ/2008) de valores constantes nos conhecimentos de cargas, justificam o lançamento de ofício sobre as receitas não oferecidas a tributação. LUCRO REAL CUSTO Na apuração do lucro real, quando a Fiscalização tem conhecimento da contabilidade completa do Contribuinte, devese levar em conta os custos contabilizados referentes as receitas auferidas, conforme determina a legislação vigente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 03 38 /2 01 0- 96 Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10283.720338/201096 Acórdão n.º 1401001.000 S1‐C4T1 Fl. 3 2 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Bezerra Presta, e Mauricio Pereira Faro. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo Contribuinte e recurso de oficio interposto pelo órgão julgador a quo, por bem resumir a questao, adoto o relatorio da decisao a quo: Tratase de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), referentes ao anocalendário de 2007, com os lançamentos discriminados no quadro 1 a seguir (principal, multa e juros, calculados até 31.05.2010). Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10283.720338/201096 Acórdão n.º 1401001.000 S1‐C4T1 Fl. 4 3 A Recorrente tomou ciência do auto de Infração em 26/06/2010. (fl.464). II– DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 2.1 – RECEITA OPERACIONAL OMITIDA 2.2 – OMISSÃO DE RECEITAS O contribuinte omitiu receitas operacionais apuradas em conformidade com os conhecimentos de transporte emitidos pelo mesmo, na sua atividade de prestação de serviços de transporte de cargas. Os valores foram obtidos através de levantamento de todo o seu faturamento pelas notas fiscais de sua emissão, que no caso são os conhecimentos de transporte de carga. Segue de forma integrante e inseparável ao presente auto de infração todas as planilhas com os indicativos da omissão apurados. Destacamos que a receita oferecida na DIPJ anocalendário 2007 encontrase ZERADA. Destacamos que o contribuinte optou pelo Lucro Real anual e pagamento mensal por estimativa. Ainda diremos que o contribuinte no decorrer dos trabalhos fiscais apresentou despesas pagas a título de transportar as cargas com outras companhias aéreas. Tais despesas não foram e nem poderiam ser deduzidas do faturamento para pagamento de PIS e COFINS. Por outro lado, a DIPJ deste ano calendário 2007 encontrase com seus custos ZERADOS. Assim, o valor total da omissão foi aquele valor apurado pelas notas fiscais da empresa, tendo sido considerado os valores pagos durante o ano a título de IRPJ e CSLL por estimativa. Destacamos que tais valores ENCONTRAMSE EM DCTF. III DA IMPUGNAÇÃO Em 28/07/2010, a Empresa apresentou impugnação ao Auto de infração (fl. 473 a 607), e alega em síntese: 3 – DOS ELEMENTOS DE FATO 3.1 – Ao analisar as planilhas, a Fiscalização, adotou o meio mais oneroso para impugnante, fazendo constar base de cálculo IRREAL, deixando de considerar que a RECEITA DA IMPUGNANTE diz respeito a tão somente 6% (seis por cento) dos valores dos conhecimentos de TRIBUTO IMPOSTO – R$ JUROS DE MORA – R$ MULTA R$ TOTAL – R$ IRPJ 3.673.811,67 875.101,93 2.755.358,75 7.304.272,35 PIS 246.184,15 70.566,87 184.638,06 501.389,08 COFINS 1.133.939,31 325.035,56 850.454,44 2.309.429,31 CSLL 1.317.556,92 313.842,05 988.167,69 2.619.566,66 TOTAL 12.734.657,40 Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10283.720338/201096 Acórdão n.º 1401001.000 S1‐C4T1 Fl. 5 4 transporte. A diferença é repassada para as companhias aéreas, que também é tributada como receitas daquelas empresas; Comprovado com os contratos de agenciamento nos quais estão fixados os percentuais de comissão destinados à empresa ACTUAL CARGO LTDA., ou seja 6% e não a totalidade do valor constante no conhecimento; Logo, estars e á exigindo o pagamento dos mesmos tributos em duplicidade, isto é, a famigerada BITRIBUTAÇÃO – A MESMA BASE DE CÁCULO ESTÁ SENDO SUBMETIDA DUAS VEZES À TRIBUTAÇÃO. 3.2 – Inexistência de omissão de receita – ausência dos elementos caracterizados da omissão da receita – artigo 281, inciso I, II, III. O Fiscal autuante amparou o auto de o auto de infração nos artigos 24, da Lei nº 9.249/95 e artigos 249, incisos II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280 e 288, do regulamento do Imposto de Renda de 1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99: Os artigos da Lei e Decreto indicados no lançamento não tipificam a infração que porventura tenha cometido a Impugnante; Não ocorreram quaisquer das hipóteses previstas nos incisos I, II, III, do artigo 281 do RIR( a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; a falta de escrituração de pagamentos efetuados, e a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.), contrariando o principio da tipicidade tributária, a segurança jurídica e o principio da legalidade que devem ser observados quanto do lançamento tributário. Concluise, portanto, que não há elementos comprobatórios da pratica da omissão da omissão de receita; Não está mencionado no Auto de Infração quais parágrafos ou incisos do artigo transcrito foi adotado para quantificar a suposta omissão (Lei Nº 9.249/95). Ademais, parte dos parágrafos e incisos teve a redação alterada pela Lei nº 11.941/2009, não aplicando ao ano calendário fiscalizado, obediente aos artigos 105 e 106, do CTN, pois os fatos geradores se aperfeiçoaram com o Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10283.720338/201096 Acórdão n.º 1401001.000 S1‐C4T1 Fl. 6 5 pagamento do valor do tributo efetivamente devido ao fisco federal e informados em DCTF; No caso da Impugnante todos os pagamentos feitos no ano calendário Estão escriturados, inclusive as despesas com frete de aeronaves para o transporte de cargas, já que a atividade da Defendente não inclui o transporte aéreo. (grifamos) 3.3 – Todas as Receitas de COMISSÃO no exercício de sua atividade empresarial foram devidamente oferecidas à tributação, conforme comprova a DIPJ na qual estão informados os bens, direitos e obrigação da atividade empresarial. 4 DO ARBITRAMENTO 4.1 Não é cabível o arbitramento pela existência dos livros fiscais e contábeis e arquivos magnéticos: Não poderia ter ocorrido a omissão de receita se foram emitidos todos os conhecimentos de transportes, documento que ampara a receita da empresa. Além do que o Sr. Fiscal teve acesso aos documentos, conforme ele mesmo afirmara. O arbitramento somente é possível quando o sujeito passivo deixa de atender às intimações do Auditor Federal, o que não é o caso, pois os documentos foram exibidos à fiscalização, por conta dos quais foram elaborados os demonstrativos. Não sustenta, portanto a afirmativa de OMISSÃO DE RECEITA E ARBITRAMENTO para amparar o lançamento fiscal, já que os documentos solicitados pelo Auditor foram exibidos e, repitase, os tributos foram pagos em conformidade com a base de cálculo própria da atividade empresarial da Impugnante, ou seja, prestação de serviços de transporte rodoviária de carga, mas não de empresa aérea como que fazer prevalecer o auditor no lançamento ora impugnado. O valor tributável havia sido informado pelo Contribuinte, cujo tributo fora recolhido, conforme demonstrativo no próprio auto de infração, compensando se os pagamentos realizados. Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10283.720338/201096 Acórdão n.º 1401001.000 S1‐C4T1 Fl. 7 6 5 DA APLICAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO EM DESACORDO COM A ATIVIDADE DA IMPUGNANTE. COMISSÃO POR AGENCIAMENTO DE CARGA. ART. 15, § II, LEI Nº 9.249/1995. 5.1 A atividade da empresa é de transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos, intermunicipal, interestadual e internacional (cód: 49.30220): Pela atividade empresarial da Impugnante está sujeita à apuração da BASE DE CÁLCULO dos tributos devidos ao fisco pela alíquota de 8% (oito por cento) e não 32% (trinta e dois por cento), adotada erroneamente pela fiscalização. 5.2 Aplicandose os termos do artigo 15, parágrafo 1º, inciso II, da Lei nº 9.249/95, valor da Base de Cálculo é a seguinte: Receita Bruta R$ 2.536.948,00 X 8% = R$ 202.955,84 (BASE DE CÁLCULO). O Valor calculado fica muito aquém do calculado pelo Sr. Auditor. Ainda que se aplique o arbitramento, o que é inadmissível, conforme demonstrado, o percentual deve ser obedecido, conforme a previsão do artigo 16, da Lei nº 9.249/95. Consta no auto de infração a adoção de percentual para a base de calculo da CSLL, isto é, de 32%, contrariando o art. 20 da Lei 9.249/95. É inquestionável que o auto de infração, por ser um ato administrativo singular, não poderá aumentar a base de cálculo de tributo, o que somente é possível de ocorrer através de Lei (art. 97 do CTN). 6 DA MULTA – EFEITO CONFISCATÓRIO Além de acrescer indevidamente a base de cálculo, a multa de 75% sobre a base de cálculo elevou indevidamente o valor do suposto tributo a pagar. É inaplicável a multa no percentual de 75%, por inexistência de ilícito tributário. A multa de 75% é ilegal, imoral e inconstitucional, pois, não só contraria a Carta Magna, como também os princípios ensejadores da aplicação da multa. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10283.720338/201096 Acórdão n.º 1401001.000 S1‐C4T1 Fl. 8 7 7 – DO PEDIDO DE PERÍCIA – JUNTADA DE DEOCUMENTOS Protesta, ainda, a Impugnante pela juntada posterior de documentos com comprobatórios do alegado, especialmente os conhecimentos de carga, laudo pericial que poderá se elaborado, documentos exibidos pelo fisco estadual, para serem apreciados por Vossa Senhoria ou pela Autoridade Julgadora de segunda instancia. 8 – Para consubstanciar a sua defesa a Impugnante mencionou julgados administrativos. 9 – DA DILIGÊNCIA – PEDIDA PELO RELATOR (fls. 632/636) FUNDAMENTAÇÃO Vejamos o enquadramento legal do lançamento: Art. 24 da Lei nº 9.249/95; Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280 e 288, do RIR/99. O art. 249, II, tratase de adição ao lucro líquido, do período de apuração, os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos no mesmo, para a composição do lucro real. O art. 251,§ único, aborda que a pessoa jurídica sujeito a tributação com base no lucro real, deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, abrangendo todas as operações do contribuinte. O art. 278 define do lucro bruto, como a diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos, e, por conseguinte o art. 280 define a receita líquida como receita bruta menos as exclusões admitidas (vendas canceladas, descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre as vendas). O art. 279 detalha a receita bruta: receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. E para concluir: o art. 24 da Lei nº 9.249/95, que dá redação ao Art. 288 do RIR/99, dá tratamento tributário Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10283.720338/201096 Acórdão n.º 1401001.000 S1‐C4T1 Fl. 9 8 quando verificado a omissão de receita: Verificada a omissão de receita, a autoridade fiscal determinará o valor do Imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida à pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. Observado, a descrição dos fatos do Auto de Infração, o enquadramento legal, a Impugnação em epígrafe, e em busca da verdade material, solicitamos as seguintes providências: PROVIDÊNCIAS Em face do exposto, proponho a realização de diligência, na forma dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, com alterações posteriores, e do artigo 10 da Portaria MF nº 58, de 2006, para as seguintes providências: a) Adotar providências necessárias para que, em sede de Diligência Fiscal, seja apurado o lucro real, considerando os custos e despesas da recorrente relacionados à receita omitida apurada. b) Dar ciência ao sujeito passivo do resultado da Diligência Fiscal, deferindolhe prazo para impugnação no concernente à matéria eventualmente modificada, observado o disposto no art. 18, § 3º, do Decreto nº 70.235, de 1972, incluído pela Lei nº 8.748, de 1993. c) Remeter os autos à DRJ/Belém, após o cumprimento da diligência, para prosseguimento do julgamento administrativo. 10 – DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA – PEDIDA PELO RELATOR Em procedimento de diligência fiscal no contribuinte, acima identificado, e, de acordo com o disposto nos arts. 904, 905, 911 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999(Regulamento do Imposto de Renda 1999), encerramos, nesta data e hora, diligência fiscal iniciada em 06/12/2010, tendo sido adotado as providências solicitadas no processo n° 10283.720.338/201096, fl.. 630 apurandose o lucro real do contribuinte acima qualificado, considerandose os custos e as despesas em função da receita apurada, conforme os livros contábeis e fiscais analisados e amostragem realizada nos comprovantes, sendo anexadas cópias dos demonstrativos de resultado do Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10283.720338/201096 Acórdão n.º 1401001.000 S1‐C4T1 Fl. 10 9 exercício mensal, extraídas do livrodiário n° 06, do livro LALUR e da DIPJ 2008, anocalendário 2007 retificadora apresentada pela empresa. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 02 (duas) vias de igual forma e teor, assinado pelo(s) Auditor(es)Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil e pelo contribuinte/preposto, que neste ato recebe uma das vias.(grifamos) Em face de tais argumentos, entendeu a 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Belém, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação, mantendo parte do crédito tributário lançado, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANO CALENDÁRIO:2007 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores, pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. RECEITAS NÃO DECLARADAS A ausência na declaração do imposto de renda pessoa jurídica (DIPJ/2008) de valores constantes nos conhecimentos de cargas, justificam o lançamento de ofício sobre as receitas não oferecidas a tributação. LUCRO REAL CUSTO Na apuração do lucro real, quando a Fiscalização tem conhecimento da contabilidade completa do Contribuinte, devese levar em conta os custos contabilizados referentes as receitas auferidas, conforme determina a legislação vigente. MULTA DE OFÍCIO CONFISCO. É inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação à aplicação da multa de ofício, que não se reveste do caráter de tributo. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10283.720338/201096 Acórdão n.º 1401001.000 S1‐C4T1 Fl. 11 10 Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. PRECLUSÃO PROBATÓRIA. O prazo para apresentação da impugnação é de trinta dias contados da ciência do lançamento. A apresentação extemporânea de novos argumentos e/ou provas por parte do sujeito passivo deve estar fundamentada na força maior ou na superveniência de fato ou direito. PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia, quando forem prescindíveis ao deslinde da questão a ser apreciada, não sendo o caso de solicitação de realização de perícia para produzir provas que caberia ao autuado apresentar na Impugnação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face do referido acórdão de Primeira Instância, a Actual Cargo LTDA interpôs Recurso Voluntário e o órgão julgador a quo interpôs recurso de ofício. É o relatório. Voto Recurso de ofício Conforme já relatado, trata o presente processo de auto de infraçao de IRPJ, CSL, PIS e COFINS lavrado contra o contribuinte por suposta omissão de receita. De acordo com o voto do Relator “a Fiscalização ter demonstrado ter conhecimento da contabilidade completa do Contribuinte, de tal forma que ao fazer o lançamento considerou o Lucro Real anual, conforme opção do Contribuinte, considerando a receita em sua totalidade, sem levar em conta os custos a que deram origem as tais receitas. Ademais, ao enquadrar legalmente o lançamento menciona o art. 278, define do lucro bruto, como a diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos, e por conseguinte o art. 280 define a receita líquida como receita bruta menos as exclusões admitidas (vendas canceladas, descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre as vendas)”. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10283.720338/201096 Acórdão n.º 1401001.000 S1‐C4T1 Fl. 12 11 Em razão de tal fato, entendeu o órgão julgador a quo por propor a realização de diligência para que fosse apurado o lucro real, considerando os custos e despesas da recorrente relacionados à receita omitida apurada. Em cumprimento a referida diligência a Fiscalização procedeu a Diligência e a encerrou com as seguintes conclusões: Em procedimento de diligência fiscal no contribuinte, acima identificado, e, de acordo com o disposto nos arts. 904, 905, 911 e 927 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999(Regulamento do Imposto de Renda 1999), encerramos, nesta data e hora, diligência fiscal iniciada em 06/12/2010, tendo sido adotado as providências solicitadas no processo n° 10283.720.338/201096, fl.. 630 apurandose o lucro real do contribuinte acima qualificado, considerandose os custos e as despesas em função da receita apurada, conforme os livros contábeis e fiscais analisados e amostragem realizada nos comprovantes, sendo anexados cópias dos demonstrativos de resultado do exercício mensal, extraídas do livro diário n° 06, do livro LALUR e da DIPJ 2008, anocalendário 2007 retificadora apresentada pela empresa. Após o retorno da diligência, entendeu o órgão julgador por dar parcial provimento a impugnação acatando os Livros Fiscais e os resultados apresentados nos Demonstrativos apresentados pela Recorrente e as considerou como base de cálculo (Lucro Real), apontado no LALUR apresentado pela Recorrente de fls. 702 a 729, no valor de R$ 2.678.452,35.( fls. 715 e 728). Dessa forma, acolheu parcialmente a impugnação concernente aos lançamentos dos créditos tributário do IRPJ e da CSLL, e improcedente a Impugnação relativamente ao PIS e a COFINS. Conforme se verifica da narrativa anterior, o fundamento para o acolhimento parcial da impugnaçao decorreu do fato de que a fiscalização ter abstraido os custos incorridos pela Recorrente, apesar de ter tido acesso a toda a contabilidade da empresa. Dessa forma, entendo que andou bem a decisão do órgão julgador a quo ao acolher os resultados da diligência, razão pela qual nego provimento ao recurso de ofício. Irresignado com relação ao auto de infração remanescente, interpôs o contribuinte o recurso voluntário, sustentando a necessidade de cancelamento do auto residual referente ao IRPJ E CSL, bem como o cancelamento do auto referente ao PIS e a Cofins. Nesse ponto, entendo que não assiste razao ao recorrente. No que diz respeito ao saldo remanescente de IRPJ e a CSLL, não trouxe aos autos o contribuinte nenhum argumento que pudesse infirmar o acordao do julgador a quo, haja vista, sobretudo, o resultado da diligência, que restou acolhida pelo acordão recorrido. Com relaçao ao PIS e COFINS, limitouse o contribuinte a sustentar que deveria o acordao recorrido ter acompanhado a reduçao referente a tais tributos. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10283.720338/201096 Acórdão n.º 1401001.000 S1‐C4T1 Fl. 13 12 Todavia, mais uma vez abstevese o contribuinte de enfrentar a questão na perspectiva posta pelo orgao julgador a quo razão pela qual deve ser mantido o r. acordão no que tange a autuaçao de PIS/COFINS. Ante o exposto, nego provimento ao recurso de ofício e nego provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 30/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 26/09/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000553/2006-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
INCONSTITUCIONALIDADE. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras, vez que não decorrem de faturamento. Precedente (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3301-00.796, sessão 03/02/2011).
INCONSTITUCIONALIDADE. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras, vez que não decorrem de faturamento. Precedente (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3301-00.796, sessão 03/02/2011).
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Murilo Marco, OAB/SP nº. 238.689.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente.
Thiago Moura de Albuquerque Alves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras, vez que não decorrem de faturamento. Precedente (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3301-00.796, sessão 03/02/2011). INCONSTITUCIONALIDADE. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras, vez que não decorrem de faturamento. Precedente (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3301-00.796, sessão 03/02/2011). Recurso Voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 19515.000553/2006-94
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5287491
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 03 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3202-000.664
nome_arquivo_s : Decisao_19515000553200694.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
nome_arquivo_pdf_s : 19515000553200694_5287491.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Murilo Marco, OAB/SP nº. 238.689. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente. Thiago Moura de Albuquerque Alves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5044759
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174555963392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2246; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1.572 1 1.571 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000553/200694 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.664 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2013 Matéria Contribuição para o PIS/PASEP Recorrente EDITORA CARAS S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 INCONSTITUCIONALIDADE. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras, vez que não decorrem de faturamento. Precedente (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 330100.796, sessão 03/02/2011). INCONSTITUCIONALIDADE. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras, vez que não decorrem de faturamento. Precedente (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 330100.796, sessão 03/02/2011). Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Murilo Marco, OAB/SP nº. 238.689. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 53 /2 00 6- 94 Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratamse de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança de contribuição ao PIS, fls. 1082/1088, e COFINS, fls. 398/404, cujo valor do principal é de R$ 119.232,84 e R$ 319.896,48 respectivamente, acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora, totalizam crédito no valor de R$ 1.133.187,45; conforme Demonstrativo à fl. 1424. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, que, depois de realizadas diligências, foi julgada procedente em parte pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ competente para manter integralmente o crédito de PIS e anular parcialmente o crédito de COFINS, para reduzir o crédito principal para R$ 162.315,78, e a multa para R$ 121.736,81 (fls. 1421/1437). Efetivamente, a DRJ julgou que a capitulação legal do lançamento de ofício realizado foi correta. Eis suas palavras: (...) ao reproduzir os dispositivos legais em questão, a impugnante mostra ter conhecimento das leis que instituíram os tributos lançados de oficio, bem como da definição do fato gerador da obrigação tributária principal, juntamente com a fixação de alíquotas dos tributos e das suas bases de cálculo, e, ainda, das penalidades que lhe foram cominadas. Logo, não merece prosperar o questionamento relativo à capitulação legal do lançamento de oficio. No que tange a alegação da decadência dos créditos tributários, a DRJ acolheu parcialmente a pretensão da Recorrente para reconhecer que parte do crédito de COFINS foi fulminado pelo referido instituto, nos seguintes termos: No caso em tela, as consultas aos sistemas informatizados da Receita Federal de fls.1377/1380 demonstram que houve recolhimentos de COFINS referentes aos períodos de apuração objeto do lançamento de oficio. Por outro lado, a consulta de fls.1381 informa que não houve recolhimentos de PIS para os períodos ora em análise. Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.000553/200694 Acórdão n.º 3202000.664 S3C2T2 Fl. 1.573 3 Destarte, tendo em vista que os autos de infração foram cientificados à contribuinte em 29/03/2006, há que se reconhecer, nos termos do artigo 150, §4 0, do CTN, que ocorreu a decadência do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário de COFINS relativo aos períodos de apuração de 31/01/2000 a 31/01/2001. Cumpre ressaltar, todavia, que a decadência não alcançou os créditos tributário de PIS. A DRJ, igualmente, negou a alegação de ampliação ilegal/inconstitucional da base de cálculo das referidas contribuições, conforme se observa do seguinte trecho do acórdão: No que concerne A apuração do PIS e da COFINS, a contribuinte foi autuada, corretamente, em face das receitas financeiras, que abrangem as variações cambiais ativas e os juros decorrentes de contratos de mútuo, nos termos dos artigos 2°, 3° e 9° da Lei n° 9.718/98, (...) Quanto A validade das normas supracitadas, há que se observar que não compete A esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas, competência exclusiva do Poder Judiciário, e que a inconstitucionalidade declarada inter partes, no controle difuso, não produz efeitos sendo para aqueles que participaram das ações ajuizadas. (...) Ademais, acerca das alegadas provisões relativas à variação cambial, que segundo a impugnante não teriam sido consideradas pelo Fisco, cumpre notar que o pleito da contribuinte é fundamentado exclusivamente nos Demonstrativos de Resultado referentes aos meses de janeiro de 2000 a dezembro de 2001, conforme documentos de fls.512/589, com cópia às fls.1194/1277. No entanto, não foram apresentados documentos hábeis e idôneos que comprovassem a necessidade de se promover a reversão dos valores em questão. De fato, não há na impugnação qualquer demonstrativo contábil, planilha ou memorial de cálculos que confira subsidio a tal argumento, e, tampouco, a empresa trouxe aos autos quaisquer comprovantes de que haveria constituído as provisões a que faz menção. (...) Da mesma forma falecem, por absoluta falta de comprovação, as alegações da impugnante referentes a pretensos estornos que teriam sido realizados pela empresa com relação As contas contábeis (i) 4113 — Receitas Fullfiment; (ii) 4111901 — lotes; (iii) 4111701 — serviços; e (iv) 4110805 — vendas. Ressaltese ainda que, com relação A conta 4113 — Receitas Fullfiment e à conta 4111901 — lotes, a impugnante trouxe os documentos de fls.617/623, com cópia às fls.1304/1310, identificados pela empresa como lançamentos do razão contábil. (...) Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 Dessa forma, uma vez que não foram exibidas as provas materiais imprescindíveis para sustentação do alegado, devese manter o feito fiscal em relação a esse item. No que diz respeito a aplicação da Taxa SELIC sobre o crédito lançado, o acórdão da DRJ julgou correta sua utilização, em observância das Súmulas 4 do 1º e 3º CC e 3 do 2º CC, publicadas na Portaria CARF nº 106, de 21/12/2009. Do mesmo modo, o pedido de produção de provas da empresa, ora recorrente, foi julgado improcedente, em razão de não restar “demonstrado enquadrarse nos casos de excepcionalidade descritos no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72”. Intimada do acórdão, a contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, pedindo que (fls. 1452/1504): 1) Seja o presente Recurso julgado procedente com a consequente reforma do venerando acórdão recorrido, na parte em que desfavorável à Recorrente, para que seja determinado o cancelamento da autuação consubstanciada no Auto de Infração. 2) a produção de todas as provas em Direito admitidas, especialmente a posterior juntada de documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves: O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser conhecido seu mérito. Considerando que os lançamentos só se referem às receitas financeiras, que não compõem o conceito de faturamento da editora recorrente, o presente voto apreciará apenas a questão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS/COFINS para receita bruta, criada pelo § 1º do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, tendo em vista que os demais temas ventilados são prejudicados pela apreciação da referida matéria. Quanto à alegação de inconstitucionalidade da inclusão das receitas financeiras na base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, a DRJ deixou de afastar a aplicação das normas em razão de ausência de competência para tal exame. Entretanto, em razão do trânsito em julgado das decisões do STF e a atual jurisprudência deste douto CARF, passase a análise da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo pleno do STF e seu reflexo nos presentes autos. Em que pese a incompetência deste Conselho para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária, com supedâneo na autorização contida no art. 77 da Lei n° 9.430/96 e art. 4°, parágrafo único, do Decreto n° 2.346/97, assim dispõe o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/09: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.000553/200694 Acórdão n.º 3202000.664 S3C2T2 Fl. 1.574 5 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou [...] Assim sendo, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 09/11/2005 em sessão plenária, quando do julgamento dos RE n°s 357.950 e 358.273, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, acórdão cuja publicação ocorreu em 15/08/2006 e o trânsito em julgado em 05/09/2006. O acórdão e a ementa registram o seguinte teor: Decisão: Após os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio (Relator), Carlos Velloso e Sepúlveda Pertence, conhecendo do recurso e provendoo, em parte, e dos votos dos Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, provendoo, integralmente, pediu vista dos autos o Senhor Ministro Eros Grau. Falaram, pela recorrente, o Dr. André Martins de Andrade e, pela recorrida, o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Nelson Jobim (Presidente).Presidência da Senhora Ministra Ellen Gracie (VicePresidente). Plenário, 18.05.2005. Decisão: Renovado o pedido de vista do Senhor Ministro Eros Grau, justificadamente, nos termos do § 1º do artigo 1º da Resolução nº 278, de 15 de dezembro de 2003. Presidência do Senhor Ministro Nelson Jobim. Plenário, 15.06.2005. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluzo e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie. Plenário, 09.11.2005. (grifei) CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindo –as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (grifei) Tendo em vista o STF já haver se pronunciado definitivamente através de seu Pleno acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, com fulcro no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256/09, há que se reconhecer o direito de a contribuinte ter excluído do presente lançamento a exigência decorrente de receitas estranhas ao faturamento, receitas financeiras. Ademais, nesse sentido vem decidindo a 3ª Seção do CARF, conforme demonstram as ementas que, parcialmente, se traz à colação: INCONSTITUCIONALIDADE. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras, vez que não decorrem de faturamento. Precedente (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 330100.796, sessão 03/02/2011) ..................................................................................................... INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o Segundo Conselho de Contribuinte aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS sobre outras receitas, inclusive o recebimento de crédito presumido de IPI. .” (Acórdão 20180964; Recurso 139359; Relator Walber José da Silva; Data da Sessão 12/03/08) ................................................................................................... COFINS. LEI Nº 9.718. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. LANÇAMENTO. SUBTRAÇÃO DAS ALTERAÇÕES INCONSTITUCIONAIS. Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19515.000553/200694 Acórdão n.º 3202000.664 S3C2T2 Fl. 1.575 7 Declarada a inconstitucionalidade de lei pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, o lançamento efetuado com base na lei inconstitucional deve ser ajustado à legislação vigente. (Acórdão 20181027;Recurso 140171; Relator José Antonio Francisco; Data da Sessão 14/03/08). ................................................................................................... INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pode o Segundo Conselho de Contribuinte aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS sobre receitas financeiras. Recurso provido. (Acórdão 20180474; Recurso 137543; Relator Walber José da Silva; Data da Sessão 14/08/07). Dessa feita, no presente caso, devese dar provimento ao recurso para anular totalmente os lançamentos, excluindose da base de cálculo do PIS e da COFINS a totalidade das Receitas Financeiras, as quais não se caracterizam como receitas decorrentes do seu faturamento. Deixo de apreciar os demais temas, em função da anulação integral dos lançamentos. Pelas razões expostas, voto para dar provimento ao recurso voluntário. É o voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 03/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 18088.720117/2012-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
ISENÇÃO - ATO CANCELATÓRIO NULIDADE EFEITOS
Não surte efeito Ato Cancelatório eivado de nulidade ao cancelar a isenção usufruída pela entidade, com base na falta de CEBAS, que não era definitiva, porque comprovada nos autos a solicitação de renovação em data anterior ao cancelamento, sendo ainda deferido o documento, através da Medida Provisória n.º 446/2008, abrangendo o período cancelado.
ISENÇÃO - SUSPENSÃO DO DIREITO
Havendo descumprimento de obrigação acessória, na vigência da MP nº 446/2008, posteriormente convertida na Lei nº 12.101/2009, a isenção deverá ser suspensa no período em que esta obrigação deixou de ser cumprida.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada.
MULTA
Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento, válido para as competências até 11/12008. a partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento.
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.743
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, frente ao vício existente na emissão do Ato Cancelatório de Isenção e para excluir os lançamentos relativos às contribuições patronais no período de 01/2008 a 11/2008, referentes aos AIOP's DEBCAD¿s 37.354.473-1 e 37.354.474-0. Quanto ao AIOA DEBCAD 37.354.475-8, deve persistir apenas no que se refere à contribuição da cota do contribuinte individual, no período de 01/2008 a 11/2008, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu por entender que o Ato Cancelatório transitou em julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ISENÇÃO - ATO CANCELATÓRIO NULIDADE EFEITOS Não surte efeito Ato Cancelatório eivado de nulidade ao cancelar a isenção usufruída pela entidade, com base na falta de CEBAS, que não era definitiva, porque comprovada nos autos a solicitação de renovação em data anterior ao cancelamento, sendo ainda deferido o documento, através da Medida Provisória n.º 446/2008, abrangendo o período cancelado. ISENÇÃO - SUSPENSÃO DO DIREITO Havendo descumprimento de obrigação acessória, na vigência da MP nº 446/2008, posteriormente convertida na Lei nº 12.101/2009, a isenção deverá ser suspensa no período em que esta obrigação deixou de ser cumprida. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. MULTA Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento, válido para as competências até 11/12008. a partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 18088.720117/2012-06
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5300921
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2302-002.743
nome_arquivo_s : Decisao_18088720117201206.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LIEGE LACROIX THOMASI
nome_arquivo_pdf_s : 18088720117201206_5300921.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, frente ao vício existente na emissão do Ato Cancelatório de Isenção e para excluir os lançamentos relativos às contribuições patronais no período de 01/2008 a 11/2008, referentes aos AIOP's DEBCAD¿s 37.354.473-1 e 37.354.474-0. Quanto ao AIOA DEBCAD 37.354.475-8, deve persistir apenas no que se refere à contribuição da cota do contribuinte individual, no período de 01/2008 a 11/2008, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu por entender que o Ato Cancelatório transitou em julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
id : 5124454
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174583226368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2171; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 2 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.720117/201206 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.743 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de setembro de 2013 Matéria Isenção Recorrente IRMANDADE SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE ARARAQUARA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ISENÇÃO ATO CANCELATÓRIO NULIDADE EFEITOS Não surte efeito Ato Cancelatório eivado de nulidade ao cancelar a isenção usufruída pela entidade, com base na falta de CEBAS, que não era definitiva, porque comprovada nos autos a solicitação de renovação em data anterior ao cancelamento, sendo ainda deferido o documento, através da Medida Provisória n.º 446/2008, abrangendo o período cancelado. ISENÇÃO SUSPENSÃO DO DIREITO Havendo descumprimento de obrigação acessória, na vigência da MP nº 446/2008, posteriormente convertida na Lei nº 12.101/2009, a isenção deverá ser suspensa no período em que esta obrigação deixou de ser cumprida. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. MULTA Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento, válido para as competências até 11/12008. a partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 01 17 /2 01 2- 06 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, frente ao vício existente na emissão do Ato Cancelatório de Isenção e para excluir os lançamentos relativos às contribuições patronais no período de 01/2008 a 11/2008, referentes aos AIOP's DEBCAD¿s 37.354.4731 e 37.354.4740. Quanto ao AIOA DEBCAD 37.354.4758, deve persistir apenas no que se refere à contribuição da cota do contribuinte individual, no período de 01/2008 a 11/2008, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu por entender que o Ato Cancelatório transitou em julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720117/201206 Acórdão n.º 2302002.743 S2C3T2 Fl. 3 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal engloba três DEBCAD’s, a saber: Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.354.4731, relativo às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais, apuradas através das folhas de pagamento, em razão do cancelamento da isenção usufruída pela entidade, no período de 01/2008 a 12/2008. E, também relativo ao adicional referente aos Riscos Ambientais do Trabalho, informado pelo contribuinte em GFIP, mas não recolhido, no mesmo período. Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.354.4740, referente à alíquota de SalárioEducação incidente sobre a remuneração dos segurados empregados, em razão do cancelamento da isenção usufruída pela entidade no período de 01/2008 a 12/2008. Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.354.4758, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 01/2008 a 12/2008, todos os valores pagos ao segurados contribuintes individuais e, por ter declarado apenas os descontos relativos aos segurados empregados, quando todas as informações deveriam ter sido prestadas, em função do cancelamento da isenção patronal que a autuada usufruía. Os autos de infração foram lavrados e cientificados ao sujeito passivo em 29/03/2012. O relatório fiscal de fls.25/29, traz que o levantamento se deu em função da emissão do ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO n.º 06/2008, fls. 31, por não cumprir com o disposto no inciso II do art. 55, da Lei n.º 8.212/91 e que o levantamento está sustentado, por período de regência nos seguintes dispositivos: Artigo 55 da Lei n.º 8.212/91, para as competências de 01/2008 até 09/11/2008; Artigo 28 da MP n.º 446/2008, de 10/11/2008 até 11/02/2009 (quando foi rejeitada); Artigo 55, da Lei n.º 8.212/91, vigência restabelecida de 12/02/2009 a 29/11/2009; e Lei nº 12.101, de 27/11/2009 vigência a partir de 30/11/2009. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Aduz o relatório, que havendo descumprimento de obrigação acessória, na vigência da Lei nº 12.101/2009 e da MP nº 446/2008, a isenção deverá ser suspensa no período em que esta obrigação deixou de ser cumprida. No caso dos autos, o fisco informa que foram várias as obrigações acessórias descumpridas originando a lavratura dos pertinentes autos de infração. Além da falta de informação em GFIP de todos os fatos geradores, constante deste processo, também foi constatada a falta de elaboração de folha de pagamento nos moldes preconizados pela legislação previdenciária, a falta de apresentação dos Livros Diário 2008/2009, e a falta de contabilização em títulos próprios, relativa aos pagamentos efetuados aos contribuintes individuais. O relatório informa que as últimas infrações fazem parte do PAF n.º 18088.720118/201242, o que comprova que a entidade teve a isenção suspensa, inclusive nos períodos de vigência da MP 446/2008 e Lei n.º 12.101/2009. Após a impugnação, Acórdão de fls. 446/456, julgou o lançamento procedente. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário, arguindo em apertada síntese: a) que o Decreto n.º 7.237, de 20/07/2010, diz que o protocolo de requerimento de renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos – CEBAS, servirá como prova da certificação até o julgamento do processo pelo Ministério competente; b) que a recorrente possui o CEBAS para o período de 23/11/2006 a 22/11/2009; c) que a entidade goza de isenção e imunidade; d) que protocolou em 18/09/2009 pedido de renovação do Certificado junto ao Ministério da Saúde; e) que a novel legislação somente produz efeitos a partir de 01/2010; f) que é entidade de utilidade pública estando em pleno direito de usufruir a isenção tributária; g) que é declarada imune pela Constituição Federal,discorre sobre o assunto, dizendo, por fim, que imunidade não pode ser cancelada, quando muito pode ser suspensa; h) que a Lei n.º 9.532/97 tratou da imunidade das entidades educacionais e assistenciais, tendo como única obrigação recolher os tributos retidos e a contribuição para a seguridade social e cumprimento de obrigações acessórias; i) que a Lei n.º 8.212/91 só lida com isenção, não com imunidade, o que é o seu caso; Fl. 516DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720117/201206 Acórdão n.º 2302002.743 S2C3T2 Fl. 4 5 j) que lei ordinária não pode aumentar o número de requisitos para a fruição de imunidade, pois somente os artigos 9º e 14º do CTN podem suspender os benefícios da imunidade; k) que a entidade sempre desenvolveu trabalhos filantrópicos, o que justifica a adequação da essência em detrimento da forma; l) que oferece pelo menos sessenta por cento dos seus serviços ao SUS, cumprindo com todos os requisitos da isenção; m) que de acordo com o artigo 195,§7º da Constituição Federal há imunidade sobre as contribuições; n) discorre sobre o que vem a ser assistência social e porque se enquadra como entidade beneficente, devendo prevalecer o princípio da verdade material; o) que não foram observados os princípios constitucionais da proporcionalidade, da razoabilidade, da capacidade contributiva e do não confisco, porque a punição é desmedida, sendo patente o confisco frente à multa aplicada. Requer o provimento do recurso para reconhecer a nulidade dos autos de infração. É o relatório Fl. 517DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Preliminarmente, entendo necessário distinguir a aplicação das disposições do art. 14 do Co´digo Tributário Nacional CTN daquelas estabelecidas no art. 55 da Lei n° 8.212/91. As contribuições sociais não foram inseridas no contexto do Código Tributário Nacional, não sendo regidas pelas regras dele emanadas, mormente naquelas relativas à fruição de imunidade ou isenção. Tal fato se comprova no DecretoLei n° 27, editado posteriormente à aprovação da Lei n°5.172, conforme se depreende de seu texto de abertura, verbis: DecretoLei n°27, de 14 de Novembro de 1966 Acrescenta à Lei 5172, de 25 de outubro de 1966, artigo referente às contribuições para fins sociais. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que lhe confere o parágrafo único do art. 31 do Ato Institucional n°2, tendo em vista o Ato Complementar n°31 CONSIDERANDO a necessidade de deixar estreme de dúvidas a continuação da incidência e exigibilidade das contribuições para fins sociais paralelamente ao Sistema Tributário Nacional, a que se refere a Lei número 5.172, de 25 de outubro de 1966; É certo que o Supremo Tribunal Federal afirmou a natureza tributária das contribuições sociais instituídas pela Constituição Federal de 1988. Entretanto, o mesmo Tribunal também reconhece que tais exações não se vinculam integralmente ao texto do referido Código. Assim, o art. 14 do CTN destinase, exclusivamente, a delimitar os requisitos necessários à fruição da imunidade de impostos. A norma do art. 150, VI, "c", da CF/88, disciplinou a imunidade aos impostos, vedando sua incidência sobre as seguintes situações, verbis: "c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Já as contribuições para a seguridade social, a seu turno, têm a imunidade prevista no § 7º do art. 195da Constituição da República, nos seguintes termos: "§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Fl. 518DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720117/201206 Acórdão n.º 2302002.743 S2C3T2 Fl. 5 7 Como já declarado pelo Supremo Tribunal Federal — STF, em diversas oportunidades, dentre elas a ADIN n. 2.0285, quando a Carta Magna utiliza o termo isenção, está, na realidade, tratando de imunidade. Assim, constatase na literalidade dos textos constitucionais acima transcritos que os destinatários da imunidade de impostos não coincidem com os destinatários da imunidade das contribuições sociais. O legislador ordinário cumprindo o comando constitucional quanto às contribuições sociais delineou os requisitos de fruição do beneficio no art. 55 da Lei n. 8.212/91, como segue: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou beneficias a qualquer titulo; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. §1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. A redação acima transcrita encontrase isenta da alteração introduzida pela Lei n. 9.732/98, suspensa por liminar do STF na Ação Direita de Inconstitucionalidade n. 2.0285. Ainda quanto ao assunto, peço vênia para me reportar aos fundamentos insertos no Acórdão nº 1613.990, exarado pela 14a Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos autos do processo administrativo n° 36624.002167/200708, como segue: “ […] Fl. 519DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 4.20. O Contribuinte alega que sendo a imunidade do art. 195, §, da CF, uma limitação ao poder de tributar, os requisitos para o seu gozo somente podem ser instituído por lei complementar, em face do disposto no art. 146, II, razão pela qual o art. 55 da Lei nº 8.212/81, por ser dispositivo de legislação ordinária, seria inconstitucional. Entretanto, entendemos que tal posicionamento não está de acordo com o Sistema Constitucional Brasileiro e, tampouco, com o entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal. 4.21. Vários argumentos há para evidenciar que o dispositivo constitucional não exige lei complementar para sua regulamentação. A interpretação sistemática do disposto no artigo 195, § 7º com o disposto no artigo 146, II da Carta que exige lei complementar para regular as limitações constitucionais ao poder de tributar também não prospera. Senão vejamos: a) O artigo 150, VI, “c”, que regulamenta a imunidade de impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços das entidades de assistência social e de educação sem fins lucrativos, a despeito de ser regulamentado pelo artigo 14 do CTN, igualmente foi regulamentado por uma lei ordinária, a Lei nº 9.532/98, que teve sua constitucionalidade formal questionada na ADIn 1.802, tendo o STF admitido que lei ordinária possa regulamentar a imunidade de impostos: b) A própria Carta criou exceções à regra do artigo 146, II. São elas: i) imunidade de Imposto de Renda, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, à pessoa com idade superior a 65 (sessenta e cinco) anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimento de trabalho (art. 153, § 2º, II da CF, posteriormente revogado pela EC 20); ii) ii) imunidade do Imposto Territorial Rural sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, § 4º da CF, alterado pela EC 42); iii) iii) imunidade do ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, no qual somente incidirá somente o imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro (art. 153, § da CF). Tais leis, que regulam a imunidade do IR, do ITR, e do IOF são ordinárias. A imunidade do IR a do IOF pela Lei nº 7.766 e 8.894/94. c) a Constituição Federal deve ser interpretada de forma ampla, de modo que desapareçam as aparentes contradições entre seus dispositivos quando considerados de forma isolada. Assim, para se fazer esta interpretação sistemática não cabe interpretar somente dois dispositivos constitucionais, e sim todos os que tratem da matéria. Deve ser salientado que contribuições Fl. 520DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720117/201206 Acórdão n.º 2302002.743 S2C3T2 Fl. 6 9 sociais. Estatui o artigo 149 da Constituição Federal: “Compete exclusivamente à União instituir contribuições econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo”. De verse que às contribuições sociais, só tem aplicabilidade o inciso III do art. 146 da Carta Magna, excluindose, portanto, os incisos I e II do dispositivo em foco. d) se fosse necessária lei complementar regulamentadora o artigo 195, § 7º da Carta não teria mencionado expressamente “que atenda requisitos de lei”, visto que, por se tratar de imunidade, teria incidência a regra geral do art.146, II. È evidente que o caso em questão é uma das exceções à regra geral que exige lei complementar em tais hipóteses. e) uma da finalidades da exigência de regulamentação por lei complementar de dispositivo constitucional é estimular na legislação ordinária dos entes federados um mínimo de unidade e coerência. No caso da imunidade das contribuições da Seguridade Social isso não seria sequer necessário, porquanto somente a União pode instituir contribuições para o custeio da seguridade social da empresas privadas, dentre elas as entidades beneficentes. Estados, o Distrito Federal e os Municípios, segundo o artigo 146, § 2º da Carta, somente pedem instituir cobrança de seus servidores para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de seus servidores. Diverso é o caso dos impostos, e que é prevista competência concorrente da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sendo necessário que lei complementar regule as limitações constitucionais ao poder de tributar. 4.22. Por outro lado, em conformidade com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal só é exigível a lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, ou seja, quando a Carta Magna alude genericamente a “lei” para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende toda a legislação ordinária. 4.23. Assim, de acordo com a orientação consolidada pelo STF, quando a Constituição afirma que “são isentas de contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, § 7º), ela está exigindo que a isenção somente ocorrerá se houver efetivamente o cumprimento de requisitos estabelecidos em lei ordinária. Não há que se falar em inconstitucionalidade do art. 55, da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que, conforme foi acima mencionado, leis complementares somente se justificam nas hipóteses expressamente mencionadas no próprio texto constitucional, como sabidamente tem decido, há muito, o Pretório Excelso. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 4.24. No Mandado de Injunção 616SP, o STF discutiu o tema, figurando na relatoria o Ministro Nelson Jobim. Na oportunidade, o STF decidiu que a norma constitucional já havia sido regulamentada pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/91: “EMENTA: CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO”. 4.25. Recentemente, o STF manteve tal posicionamento, conforme pode ser constatado na decisão proferida pelo Ministro Sepúlveda Pertence (AG. REG no Recurso Extraordinário nº 408823), cujo teor é o seguinte: “DECISÃO: Agravo regimental de decisão pela qual, por entender não préquestionada a questão referente à ausência de regulamentação do artigo 195, § 7º, da Constituição Federal, neguei provimento ao recurso extraordinário. Sustenta a agravante que a questão suscitada no RE não é a existência de regulamentação do referido dispositivo constitucional, mas a aplicação, pelo acórdão recorrido, do artigo 14 do CTN como norma regulamentadora, quando deveria ser aplicada o art. 55 da Lei nº 8.212/91. Tem razão o agravante. Reconsidero a decisão de fl. 329, e passo à análise do recurso extraordinário. Decido. RE, a, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, em razão do disposto no art. 195, § 7º da Constituição, reconheceu à inexigibilidade de contribuição previdenciária a entidade de natureza beneficente e assistência social, preenchido os requisitos do artigo 14 do CTN. Alega o RE que, para a concessão de isenção de contribuição social, as entidades beneficentes de assistência social devem preencher os requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98, entende que o acórdão recorrido, ao afastar a aplicação dos referidos dispositivos legais, violou os artigos 97, 146, II, e 195, § 7º, da Constituição Federal. Tem razão o recorrente. O acórdão recorrido dissente da orientação estabelecida pelo Plenário deste Tribunal no julgamento do MI 616, 17.06.2002, Nelson Jobim, assim ementado: Fl. 522DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720117/201206 Acórdão n.º 2302002.743 S2C3T2 Fl. 7 11 ‘CONSTITUCIONAL. ENTIDADE CIVIL, SEM FINS LUCRATIVOS. PRETENDE QUE LEI COMPLEMENTAR DISPONHA SOBRE A IMUNIDADE À TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÃOPARA A SEGURIDADE SOCIAL, COMO REGULAMENTAÇÃO DO ART. 195, § 7º DA CF. A HIPÓTESE É DE ISENÇÃO. A MATÉRIA JÁ FOI REGULAMENTADA PELO ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91, COM AS ALTERAÇÕES DA LEI Nº 9.732/98. PRECEDENTE. IMPETRANTE JULGADA CARECEDORA DA AÇÃO.” Na linha do precedente, dou provimento ao recurso extraordinário (art. 557, § 1A, do C. Pr. Civil). Brasília, 02 de outubro de 2006. “MINISTRO SEPÚLVEDA PERTENCE – RELATOR.” 4.26. O Supremo Tribunal Federal, no agravo de instrumento nº 647933, publicado em 15 de março de 2007, relatado pelo Ministro Marco Aurélio, novamente consolidou esse entendimento: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – MATÉRIA FÁTICA – INVIABILIDADE – DESPROVIMENTO DO AGRAVO. O Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negou provimento ao recurso de apelação, mediante o acórdão de folhas 46 a 55, assim resumido: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL ENTIDADE BENEFICENTE. IMUNIDADE. INOCORRÊNCIA. O § 7º do art. 195 da CF/88 aduz que não estão sujeitas à contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos previstos em lei, parâmetros estes que estão dispostos no art. 55 da Lei nº 8.212/91. É bem verdade que a imunidade constitui uma das formas de limitação constitucional ao poder de tributar, o que, nos termos do art. 146, II, CF, exigiria lei complementar para tratar do tema. Ocorre que, in casu, há regra específica a requerer tãosó lei ordinária (art. 195, § 7º, já mencionado), pois quando a Constituição faz alusão genérica à “lei”, não há necessidade de que a matéria seja disciplinada por lei complementar. Hipótese em que a associação autora não comprovou o cumprimento das exigências insculpidas na cidade lei ordinária, pelo que não merece as benesse constitucional, ainda que se entendesse aplicável ao caso a lei complementar (Código Tributário Nacional, art. 14). Fl. 523DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Apelação improvida. A recorribilidade extraordinária é distinta daquela revelada por simples revisão do que decidido, na maioria das vezes procedida mediante o recurso por excelência a apelação. Atuase em sede excepcional à luz da moldura fática delineada soberanamente pela Corte de origem, considerandose as premissas constantes do acórdão impugnado. A jurisprudência sedimentada é pacífica a respeito, devendose ter presente o Verbete nº 279 da Súmula deste Tribunal: Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário. As razões do extraordinário partem de pressupostos fáticos estranhos à decisão atacada, buscandose, em última análise, conduzir esta Corte ao reexame dos elementos probatórios para, com fundamento em quadro diverso, assentar a viabilidade do recurso. A Corte de origem assentou que não houve a comprovação do enquadramento das atividades desenvolvidas pela recorrente, mesmo que se entendesse aplicável ao caso o artigo 14 do Código Tributário Nacional (folhas 49). Conheço do agravo e o desprovejo. Publiquem. Brasília, 15 de março de 2007. 4.27. Deve ser enfatizado que o art. 14 do CTN regulamenta a imunidade relativa a impostos incidentes sobre o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal. Não é aplicável às contribuições devidas à seguridade social, que não são impostos, muito menos incidentes sobre o patrimônio, a renda e serviços. A imunidade, nos casos destas contribuições, está prevista no art. 195, § 7º, da CF e a sua regulamentação não está sujeita a lei complementar, conforme determinação do próprio legislador constituinte. 4.28. Portanto, ficam afastadas as alegações referentes à aplicação do art. 14 do CTN, no caso em questão, tendo em vista que conforme posicionamento consolidado no Supremo Tribunal Federal, os requisitos a serem cumpridos para o exercício do direito ao benefício fiscal previsto no § 7º, do art. 195, da Constituição Federal, estão previstos no art. 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98. 4.29. Desta forma, para terem direito à isenção das contribuições devidas à seguridade social, às entidades beneficentes de assistência social não basta o cumprimento dos requisitos previstos no art. 14 do CTN. Para tanto, é necessário o cumprimento, de forma cumulativa, dos requisitos previstos no art. 55, da Lei nº 8.212/91, conforme determina a própria Constituição Federal. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720117/201206 Acórdão n.º 2302002.743 S2C3T2 Fl. 8 13 […]” O legislador infraconstitucional acresceu aos requisitos que considerou necessários à imunidade das contribuições sociais as mesmas regras previstas no art. 14 do CTN para os impostos. Tal entendimento está em consonância com aquele já manifestado pela Segunda Turma da CSRF, em 15 de outubro de 2007: Acórdão n° CSRF/0202.808 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 30/06/1997 Ementa: IMUNIDADE. Somente fazem jus à imunidade do art. 195, § 7 º da CF/88 as entidades beneficentes de assistência social que preencham os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Contribuinte Negado. No caso em tela, o levantamento do crédito originouse do cancelamento da isenção usufruída pela recorrente e teve por base os valores contidos nas folhas de pagamento, de forma que se tornam incontroversos, neste aspecto, os valores lançados, até porque não houve questionamento no tocante às bases de cálculo do débito. Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada, não se instaurando, portanto o litígio quanto aos valores lançados. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) A recorrente atemse, na sua peça recursal, a perquirir sobre sua condição de imune/isenta das contribuições previdenciárias patronais, uma vez que diz cumprir com todos os requisitos legais. Em princípio, a argüição da recorrente acerca de sua condição de entidade isenta, apesar da emissão do Ato Cancelatório da isenção patronal das contribuições previdenciárias, não poderia ser apreciada por esta julgadora, posto que não é a questão a ser debatida nesta autuação, que, justamente, se deu por já restar cancelado o benefício no período autuado. Os autos trazem documentos relativos ao ocorrido cancelamento, como o Ato Cancelatório emitido em 23/09/2008, fls. 31, onde se pode observar que a motivação para a suspensão do beneficio legal foi a ausência de comprovação da entidade ser detentora do Fl. 525DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, a partir de 01/01/2001, infringindo o inciso II do artigo 55 da Lei n.º 8.212/91: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Vide Lei nº 9.429, de 26.12.1996) (Vide Lei nº 11.457, de 2007) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos;(Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996) (Vide Medida Provisória nº 2.18713, de 24/8/2001) Desta forma, e em consonância com o preceito contido no artigo 206, parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social, vigente à época do cancelamento, não cabia recurso à instância superior da decisão que cancelasse a isenção por falta dos títulos citados na legislação, tornandose definitiva tal decisão: Art.206. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos :I seja reconhecida como de utilidade pública federal; II seja reconhecida como de utilidade pública pelo respectivo Estado, Distrito Federal ou Município onde se encontre a sua sede; III seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) IV promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anualmente, relatório circunstanciado de suas atividades ao Instituto Nacional do Seguro Social; e VI não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores, ou equivalentes, remuneração, vantagens ou benefícios, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes são atribuídas pelo respectivo estatuto social. VII esteja em situação regular em relação às contribuições sociais. (Inciso acrescentado pelo Decreto nº 4.032, de 26/11/2001) (...) Fl. 526DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720117/201206 Acórdão n.º 2302002.743 S2C3T2 Fl. 9 15 § 9º Não cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social da decisão que cancelar a isenção com fundamento nos incisos I, II e III do caput.(grifei) Cabe ressaltar que o procedimento que culminou com a emissão do Ato Cancelatório, se deu com base no artigo 55 da Lei n.º 8.212/91 para o período até 09/11/2008, anterior à MP 446/2008. Para a competência 12/2008, o Fisco entendeu que a isenção devia ser suspensa pelo descumprimento das obrigações acessórias, que descreve no relatório fiscal, com suporte no artigo 28, da MP 446/2008. Todavia, é de se registrar que embora a emissão do Ato Cancelatório da Isenção tenha se dado dentro dos parâmetros da legislação vigente à época, entendo que deve ser analisado o fato de que às fls. 78, do processo, consta Certidão emitida pela Secretária Executiva do CNAS – Conselho Nacional de Assistência Social, afirmando que a entidade protocolou pedido de Renovação do Certificado de Entidade Beneficente – CEBAS através do processo 71010.003698/200648, em 23/11/2006, e foi publicado o deferimento por força do artigo 37 da Medida Provisória 446, de 07 de novembro de 2008, sendo o período de validade da renovação de 23/11/2006 a 22/11/2009. A Certidão ainda afirma que a situação certificada referese até 21/01/2010, data da última informação constante do Sistema de Informações do CNAS – SICNAS. A Certidão foi emitida em 09/11/2010. Assim, de todo exposto, podemos inferir que foi emitido o Ato Cancelatório da Isenção Previdenciária Patronal em 23/09/2008 sem direito a recurso por parte do contribuinte, o que estava expresso na legislação; mas que em 07/11/2008, a MP 446/2008 deferiu a renovação do CEBAS da entidade, cuja solicitação tinha sido efetuada ainda em 2006, mais precisamente em 23/11/2006. Portanto, é de se ver que quando o Ato Cancelatório foi emitido em 23/09/2008, não era definitiva a falta do Certificado que originou a cassação da isenção. Embora a MP 446/2008, tenha perdido a eficácia, a Constituição Federal prevê tal ocorrência e sua conseqüência, no artigo 62, na redação dada pela Emenda Constitucional nº 32/2001, no seguinte sentido: Art. 62 Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetêlas de imediato ao Congresso Nacional. (...) § 3º As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos §§ 11 e 12 perderão eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes. (...) § 11 Não editado o decreto legislativo a que se refere o § 3º até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia de medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Pela leitura do parágrafo 11, retrocitado, fica claro que, caso não editado o decreto legislativo pelo Congresso Nacional, permanecem incólumes os efeitos dos atos praticados sob a égide da MP tornada ineficaz. Alexandre de Moraes, no seu “Direito Constitucional” (20ª ed. SP: Atlas, 2006, p. 634) reitera e clarifica ainda mais o já suficientemente cristalino normativo constitucional, conforme a seguinte lição : Esse entendimento foi consagrado pela Emenda Constitucional nº 32/01 que, expressamente, determinou no art. 3º do art. 62, que as medidas provisórias perderão eficácia desde a edição, se não forem convertidas em lei no prazo de 60 dias, prorrogável uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorrentes. Caso, porém, o Congresso Nacional não edite o decreto legislativo no prazo de 60 dias após a rejeição ou perda de sua eficácia, a medida provisória continuará regendo somente as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência. Dessa forma, a Constituição permite, de forma excepcional e restrita, a permanência dos efeitos ex nunc de medida provisória expressa ou tacitamente rejeitada, sempre em virtude da inércia do Poder Legislativo em editar o referido Decreto Legislativo. Destarte, por todos os dados constantes do processo, o levantamento que se refere ao período de 01/2008 a 09/11/2008, sustentado por Ato Cancelatório de Isenção, emitido em vista da falta de CEBAS, cuja a renovação foi deferida posteriormente com efeitos retroativos, já que válido para o período de 23/11/2006 a 22/11/2009, na forma da Medida Provisória 446/2008, não tem como se sustentar. Se a isenção foi cancelada pela falta de certificação, é mister que tal fato fosse definitivo. Porém, não consta dos autos qualquer informação que evidencie que a emissão do Ato Cancelatório se deu porque a recorrente definitivamente não detinha a certificação como entidade beneficente de assistência social. Ao contrário, consta do processo a já citada Certidão emitida pelo CNAS, que comprova o pedido de renovação do CEBAS protocolado antes da data de emissão do Ato Cancelatório e o deferimento da renovação pela edição da Medida Provisória 446/2008, abrangendo período de 23/11/2006 a 22/11/2009. Assim, considerando os efeitos da Medida Provisória 446/2008, cujos atos praticados durante a sua vigência permanecem válidos e eficazes, entendo que não pode subsistir o levantamento do crédito patronal das contribuições previdenciárias para o período de 01/2008 a 09/11/2008, tampouco a obrigação acessória de informar em GFIP os dados relativos a estas contribuições, porque a entidade detinha, neste período o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, sendo inapropriado o cancelamento da isenção com base na falta de tal documento. Por isso, embora este processo não trate especificamente do Ato Cancelatório, e aqui faço um parêntese para dizer que sempre tenho me manifestado no sentido de acolher o que já foi decidido em instâncias originárias com respeito aos atos cancelatórios Fl. 528DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720117/201206 Acórdão n.º 2302002.743 S2C3T2 Fl. 10 17 de isenção patronal, cingindose o julgamento apenas ao crédito lançado no auto de infração, sobre o que tão somente me manifesto, penso que, neste caso, não posso agir da mesma maneira, conquanto há vício no procedimento que originou o lançamento. O Ato Cancelatório que sustentou os autos de infração de obrigação principal e acessória, no caso deste PAF, foi emitido sob o pretexto único da falta de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, mas que teve, ainda antes do lançamento do crédito previdenciário, em 29/03/2012, confirmada a renovação de tal certificação para a recorrente , com a edição da MP 446/2008 em 07/11/2008, abrangendo o período de 23/11/2006 a 22/11/2009, quando o crédito lançado, com amparo no Ato Cancelatório referese ao período de 01/2008 a 10/11/2008. Portanto, o Ato Cancelatório emitido em 23/09/2008, está eivado de nulidade ao cancelar a isenção usufruída pela entidade a partir de 01/2001, com base na falta de CEBAS, que não era definitiva, porque comprovado nos autos que a solicitação de renovação, processo 71010.003698/200648, foi efetuada em 23/11/2006, e a entidade teve deferido o documento abrangendo o período de 23/11/2006 a 22/11/2009, através da Medida Provisória n.º 446/2008. Em conseqüência não devem subsistir os lançamentos relativos às contribuições patronais no período de 01/2008 a 09/11/2008, referente aos AIOP’s DEBCAD’s 37.354.4731 e 37.354.4740. O Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.354.475 8, por não declarar em GFIP a remuneração dos segurados empregados e a remuneração dos contribuintes individuais, no período de 01/2008 a 11/2008, deve persistir apenas no que se refere à contribuição de 11% do contribuinte individual, uma vez que a parte dos segurados empregados já foi declarada e a parte patronal não é devida no período de 01/2008 a 09/11/2008. Com relação ao período de 10/11/2008 e 12/2008, temos a vigência da MP 446/2008, que embora rejeitada, continuou regendo somente as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência, como já visto em parágrafos anteriores Desta forma, há de ser aplicada a regulamentação constante da citada Medida Provisória quanto à isenção, conforme disposto nos artigos 28 e 31: Art.28.A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Iseja constituída como pessoa jurídica nos termos do caput do art. 1o; IInão percebam, seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; IIIaplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; Fl. 529DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 IVpreveja, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, a destinação do eventual patrimônio remanescente a entidades sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas; Vnão seja constituída com patrimônio individual ou de sociedade sem caráter beneficente; VIapresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e à dívida ativa da União, certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS e de regularidade em face do Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal CADIN; VIImantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com os princípios contábeis geralmente aceitos e as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; VIIInão distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; IXaplique as subvenções e doações recebidas nas finalidades a que estejam vinculadas; Xconserve em boa ordem, pelo prazo de dez anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem como os atos ou operações realizados que venham a modificar sua situação patrimonial; XIcumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; e (grifei) XIIzele pelo cumprimento de outros requisitos, estabelecidos em lei, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. (...) Art.31.Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o nãoatendimento de tais requisitos para o gozo da isenção.(grifei) §1oO lançamento terá como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. §2oO disposto neste artigo obedecerá ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Do exame dos autos, mais especificamente do Relatório Fiscal, fls. 25/29, podese ver que a recorrente descumpriu várias obrigações acessórias como deixar de declarar Fl. 530DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720117/201206 Acórdão n.º 2302002.743 S2C3T2 Fl. 11 19 em GFIP as contribuições relativas a parte do contribuinte individual; de não elaborar as folhas de pagamento nos padrões estabelecidos pela legislação previdenciária, de apresentar os Livros Diário sem as formalidades extrínsecas e deixar de lançar em títulos próprios da sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Assim a entidade teve sua isenção suspensa, no período de 10/11/2008 a 12/2008, na vigência da MP 446/2008, já que este processo trata das competências até 12/2008. Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35, da Lei n ° 8.212/1991, vigente para as competências até 11/2008. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 531DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99). Ainda é de se notar que o lançamento contempla a multa de ofício para a competência 12/2008, em virtude da aplicação do artigo 35A da citada Lei n.º 8.212/91, introduzido pela MP 449 de 03/12/2008, convertida, posteriormente, na Lei 11.941, de 27/05/2009. A aplicação das penalidades impostas não foram objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando com sua vigência plena. Não cabe ao Contencioso Administrativo apreciar a inconstitucionalidade das leis. A apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia Fl. 532DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720117/201206 Acórdão n.º 2302002.743 S2C3T2 Fl. 12 21 exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Com relação à multa do Auto de Infração de Obrigação Acessória, por não informar todos os fatos geradores em GFIP, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720117/201206 Acórdão n.º 2302002.743 S2C3T2 Fl. 13 23 Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Entretanto, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 535DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, para excluir os lançamentos relativos às contribuições patronais no período de 01/2008 a 11/2008, referentes aos AIOP’s DEBCAD’s 37.354.4731 e 37.354.4740. Quanto ao AIOA DEBCAD 37.354.4758, deve persistir apenas no que se refere à contribuição de 11% do contribuinte individual, no período de 01/2008 a 11/2008, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 536DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/10/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13971.900786/2008-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE ACORDO COM DECTF RETIFICADA APÓS INICIADO O PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA.
Não configura o instituto da denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a após o início do procedimento da Administração Tributária.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201305
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE ACORDO COM DECTF RETIFICADA APÓS INICIADO O PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. Não configura o instituto da denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a após o início do procedimento da Administração Tributária. Recurso Improvido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13971.900786/2008-97
anomes_publicacao_s : 201309
conteudo_id_s : 5290748
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3301-001.845
nome_arquivo_s : Decisao_13971900786200897.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO LISBOA CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 13971900786200897_5290748.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
id : 5056933
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:13:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174597906432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1875; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 84 1 83 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.900786/200897 Recurso nº 01 Voluntário Acórdão nº 3301001.845 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente ELECTRO AÇO ALTONA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE ACORDO COM DECTF RETIFICADA APÓS INICIADO O PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. Não configura o instituto da denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa após o início do procedimento da Administração Tributária. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 07 86 /2 00 8- 97 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Adoto o relatório da DRJ, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, por meio da qual a contribuinte intenta ver compensados débitos seus, competência 03/2004, com crédito relativo a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, apurados em 31/12/2003. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do "DARF discriminado no PER/DCOMP" havia sido "integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada com a não homologação de sua compensação, encaminhou a contribuinte manifestação de inconformidade, onde, inicialmente, no tópico DOS FATOS, diz que a insuficiência de crédito para compensação se deve a erro no preenchimento da DCTF e da DACON. Nesse sentido: explica que o "valor original do pagamento indevido ou a maior" informado no PER/DCOMP diverge do valor consignado na DCTF e na DACON pois não foi, nestas declarações, retificado; e informa que, no intuito de corrigir tal erro, enviou, em 23/06/2008, DCTF retificadora. No tópico intitulado DO DIREITO, a interessada valese do Principio da Verdade Material para alegar que ao fisco cabia buscar esclarecimentos acerca das inconsistências havidas entre DCTF e DACON e o PER/DCOMIP, bem como de apurar o crédito que o contribuinte efetivamente tinha direito. Defende que em assim não procedendo o fisco não estaria autorizado a indeferir a compensação em questão. Com essas razões pede o cancelamento do Despacho Decisório, o reconhecimento do crédito decorrente do pagamento indevido e que seja homologada a compensação efetuada. A decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade não homologando as compensações declaradas, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 2004 DACON. DCTF. DCOMP. ATOS FORMAIS DO SUJEITO PASSIVO PERANTE O FISCO. DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES. COMPENSAÇÃO INVALIDA. Através da DACON e da DCTF o sujeito passivo formalmente apura e declara a contribuição devida à Receita Federal, não sendo obrigação do fisco realizar quaisquer investigações adicionais em relação a eventuais divergências entre as Fl. 85DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13971.900786/200897 Acórdão n.º 3301001.845 S3C3T1 Fl. 85 3 informações prestadas por meio destas declarações e as consignadas em DCOMP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada em 08/06/2010 (AR – fl. 24) a interessada interpôs o recurso voluntário de fls. 26 e seguintes, em 24/06/2010, aduzindo, em síntese, que a falha na apresentação da primeira DCTF não pode justificar, nem ocasionar a inexistência de credito liquido e certo no momento da compensação realizada. Isto porque a Receita já se encontrava desde 12/2003 com o numerário, de forma que a incorreção na DCTF não lhe causou qualquer prejuízo. Ademais, na ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade a recorrente já havia corrigido a DCTF, comprovando a existência dos créditos, demonstrando que fazia jus à compensação e que sua realização não causou qualquer prejuízo ao Erário, pois o valor que deixou de recolher em 03/2004 já havia sido recolhido indevidamente em 12/2003. Assim, dizer que só a partir da apresentação da DCTF corrigida que o crédito passou a ser liquido e certo fere o principio da razoabilidade, da verdade material e também configura um excesso de formalismo. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, e analisando a decisão recorrida, no presente caso não há dúvidas de que a contribuinte retificou sua DCTF, porém o fez em data posterior à apresentação da DCOMP, ou seja, a compensação, que como se sabe opera hoje efeitos imediatos, foi formalizada quando ainda não estava juridicamente firmada a existência do pagamento indevido alegado, o que retira do crédito indicado a liquidez e certeza que a lei impõe a ele para que possa ser objeto de repetição. A situação verificada no presente processo se assemelha à ao tratamento dado pela jurisprudência do colendo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a denúncia espontânea, que se firmou no sentido de configurar o benefício na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa, desde que antes de qualquer Fl. 86DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 procedimento da Administração Tributária, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A jurisprudência desta Corte pacificou orientação, em sede de recursos repetitivos, na forma do art. 543C, do CPC (REsp's n.1.149.022, 962.379 e 886.462), no sentido de que "a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco". Por outro lado, "a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente". Sobre o tema, esta Corte editou a Súmula n. 360, a qual dispõe que: "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Por fim, "a regra do artigo 138 do CTN não estabelece distinção entre multa moratória e punitiva com o fito de excluir apenas esta última em caso de denúncia espontânea" (REsp 908.086/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 16.6.2008). 2. Recurso especial não provido. (grifado). (REsp 1210167/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/12/2011, DJe 09/12/2011) Desta forma não há como considerar a presente situação como denúncia espontânea, ensejando o improvimento do recurso. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de maio de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 87DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13971.900786/200897 Acórdão n.º 3301001.845 S3C3T1 Fl. 86 5 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 13/08/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000566/2010-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/07/2005
PESSOA FÍSICA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA DA MÃO-DE-OBRA PELA SISTEMÁTICA DO CUB. LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES EFETUADO SEM A PRÉVIA EMISSÃO DE ARO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Nos termos das disposições da IN 971/09, antes do lançamento das contribuições devidas pela regularização de obra de construção civil com matrícula CEI é necessária a prévia expedição do competente Aviso de Regularização de Obra - ARO. A ausência da emissão de ARO, deixa o julgador a mercê dos limites do lançamento efetuado, não podendo aferir, à míngua da existência de outras informações no relatório fiscal da infração, qual o período de início e finalização da obra de construção civil, sequer detendo elementos para efetuar a contagem do prazo decadencial.
Recurso voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2005 a 31/07/2005 PESSOA FÍSICA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA DA MÃO-DE-OBRA PELA SISTEMÁTICA DO CUB. LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES EFETUADO SEM A PRÉVIA EMISSÃO DE ARO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Nos termos das disposições da IN 971/09, antes do lançamento das contribuições devidas pela regularização de obra de construção civil com matrícula CEI é necessária a prévia expedição do competente Aviso de Regularização de Obra - ARO. A ausência da emissão de ARO, deixa o julgador a mercê dos limites do lançamento efetuado, não podendo aferir, à míngua da existência de outras informações no relatório fiscal da infração, qual o período de início e finalização da obra de construção civil, sequer detendo elementos para efetuar a contagem do prazo decadencial. Recurso voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 16045.000566/2010-35
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5296702
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2401-002.627
nome_arquivo_s : Decisao_16045000566201035.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : IGOR ARAUJO SOARES
nome_arquivo_pdf_s : 16045000566201035_5296702.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire - Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
id : 5102073
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174648238080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 18 1 17 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16045.000566/201035 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.627 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ADELINA MUNHOZ GAGO LEITE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/07/2005 PESSOA FÍSICA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA DA MÃODEOBRA PELA SISTEMÁTICA DO CUB. LANÇAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES EFETUADO SEM A PRÉVIA EMISSÃO DE ARO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Nos termos das disposições da IN 971/09, antes do lançamento das contribuições devidas pela regularização de obra de construção civil com matrícula CEI é necessária a prévia expedição do competente Aviso de Regularização de Obra ARO. A ausência da emissão de ARO, deixa o julgador a mercê dos limites do lançamento efetuado, não podendo aferir, à míngua da existência de outras informações no relatório fiscal da infração, qual o período de início e finalização da obra de construção civil, sequer detendo elementos para efetuar a contagem do prazo decadencial. Recurso voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 05 66 /2 01 0- 35 Fl. 18DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16045.000566/201035 Acórdão n.º 2401002.627 S2C4T1 Fl. 19 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo ADELINA MUNHOZ GAGO, irresignada com o acórdão de fls. 52/54, que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.317.2001, por meio do qual foram lançadas contribuições sociais não retidas de segurados empregados. O relatório fiscal da presente Auto de Infração faz remissão aos fundamentos do relatório fiscal do AI 37.317.1994. Depreendese daquele relatório fiscal que o fato gerador foi a execução da obra de construção civil do tipo alvenaria residencial, localizada na Avenida Bernardino de Campos 141, executada sob a responsabilidade da recorrente, tendo em vista que o proprietário apresentou projeto, o qual foi matriculado no Cadastro de Obras da Receita Federal do Brasil, e não comprovou a regularização da situação do imóvel após convocação, sendo em conseqüência lavrado o presente auto. Os valores de mãodeobra lançados foram obtidos pela aplicação do CUB vigente em agosto de 2010 e o relatório fiscal apresentou os discriminativos de recolhimentos efetuados e considerados na obra nos períodos de 04/2005 a 07/2005. O lançamento compreende as competências de 04/2005 a 07/2005, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 17/12/2010 (fls. 22). Impugnado o lançamento a autuada asseverou haver equívoco no lançamento pois o endereço Avenida Bernardino de Campos 141, referese a prédio assombrado de propriedade da mesma desde 1974, nos termos da escritura de compra e venda juntada aos autos, imóvel este no qual inclusive reside a recorrente. Acresceu que tal fato originouse de ação da própria recorrente em ter requerido e obtido a aprovação do projeto para reforma e ampliação de seu imóvel de uso comercial sito à Rua Major Oliveira Borges, n" 176/178 Centro Lorena SP, conforme projeto n° 6.600/2004, aprovado em 19/04/2005; matriculada no CEI n" 50.01839641/66 com o endereço errado, fazendo constar o endereço de sua residência, ou seja, Avenida Bernardino de Campos, n° 141 Centro Lorena SP, quando o correto seria Rua Major Oliveira Borges, no 176/178 Centro Lorena SP. À fls. 93, diante das alegações da impugnante no sentido de que a fiscalização utilizouse de endereço e metragem não condizente com a obra da matrícula CEI n. 50.01839641/66, foi determinada a conversão do julgamento em diligência, para que a recorrente apresentasse a documentação que demonstrasse a efetiva vinculação de referida matrícula com o imóvel situado à Raua Major Oliveira. Apresentada resposta, o v.acórdão de primeira instância achou por bem acatar em parte os argumentos da recorrente. Na oportunidade constatou a ocorrência de erro material quanto ao endereço da obra e retificou o lançamento via ARO (expedido após prolatado julgamento de primeira instância), alterando a natureza da obra de residencial para comercial, Fl. 20DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 4 além de alterar a metragem da obra a ser regularizada, fundamentandose nos seguintes argumentos: Todavia, a Certidão de Lançamento de IPTU nº 592/2008 de fl. 132, referindose ao imóvel da rua Major Oliveira Borges, nº 174, 176 e 178, indica a existência já desde 1958, e, portanto, em período abrangido pela decadência, de uma área de 216,00 m2,, e, a partir de vistoria feita em 2008, uma ampliação de 283,95 m2, totalizando 499,95 m2. Dessa maneira, cotejandose esta informação com as áreas informadas no projeto de fl. 150, bem assim , à ART de fl. 123, temos que há que se considerar como decadente os 216,00 m2, mas, considerar como passível de cobrança a ampliação de 283,95 m2 (conforme Certidão de Lançamento do IPTU), a ampliação de 78,73 m2 (constante do projeto aprovado), além da reforma dos 189,40 m2 e da demolição de 9,40 m2. Em relação à área de 644,48 m2 constante do projeto de fl. 150, como já existente, isto não indica que tal área já esteja regularizada, até porque nos documentos cartoriais imobiliários apresentados não há referência a metragem construída de prédio neste imóvel. Assim, se por um lado há que se aceitar a afirmação pública de edificação dos 216,00 m2 já desde o ano de 1958, por outro lado, não se pode automaticamente pressupor que a ampliação constatada pela Edilidade esteja imune de regularização, porquanto, pelos elementos constantes dos autos, nenhuma área é mencionada como averbada ao imóvel. Dessa maneira, do total de 713,81 m2, originariamente objeto de cobrança, como área residencial, há que se retificar o lançamento para (todas áreas comerciais): a) área nova de 362,68 m2 (283,95 m2 + 78,73 m2); b) demolição de 9,40 m2; e, c) reforma de 189,40 m2. Além do mais, considerou como decadentes a área de 216,00m2, por entendêla construída desde 1958. Em seu recurso sustenta que a certidão de lançamento do IPTU n. 0592/2008 considerou que a área total construída é de 499,95m2 e que a ampliação levada a efeito em 2005 de 78,73m2, já estava incluída na área total construída (499,95m2 – 78,72m2 = 421,22m2), de modo que, a área que deveria ter sido regularizada é somente de 205,22m2 (421,22m2 – 216m2 = 205,22m2). Completa argumentando que de acordo com a escritura do imóvel data de 25 de abril de 1984, não existe qualquer descrição em seu bojo de área construída, sendo que a única reforma e ampliação do imóvel ocorreram com a aprovação da planta na prefeitura em 19 de abril de 2005, protocolo 6.600/04, de modo que a área que sustenta a fiscalização deveria ter sido regularizada é a relativa a modificações no imóvel feitas antes de 2005, pelo falecido pai da recorrente, estando abarcada pela decadência. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16045.000566/201035 Acórdão n.º 2401002.627 S2C4T1 Fl. 20 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, merece conhecimento. PRELIMINARMENTE Dantes mesmo de adentrar aos fundamentos constantes no Recurso voluntário, verifico a ocorrência de situação que me causou fundada dúvida quando da análise dos fundamentos do lançamento. Da leitura do relatório fiscal verifiquei que o mesmo não se refere a prévia emissão de ARO – Aviso de Regularização de Obra, para que se procedesse ao lançamento das contribuições devidas pela obra de construção civil inscrita na matrícula CEI n. 50.01839641/66. Ao folhear os autos, também percebi que em momento algum constou a indicação do ARO de modo a demonstrar quais as competências da mão de obra empregada na obra de construção civil, bem como a data considerada pela fiscalização como de início e de finalização da obra de construção civil. Percebi, no entanto, que a recorrente foi intimada a comparecer às dependências da SRFB, munida de documentação da obra, sendo que, “o não comparecimento no prazo de 10 dias ensejará a emissão do aviso de regularização de obra ARO de oficio e o encaminhamento A Seção de Fiscalização para adoção das providências cabíveis.” Mesmo assim, da análise detida dos autos, verifiquei deles não constar a prévia emissão do documento antes do lançamento, de acordo com o que dispõe a IN 971/09, a seguir: Subseção II Do Aviso para Regularização de Obra (ARO) Art. 340. Para as pessoas jurídicas sem contabilidade regular e para as pessoas físicas, a partir das informações prestadas na DISO, após a conferência dos dados nela declarados com os documentos apresentados, será expedido pela RFB o ARO, em 2 (duas) vias, destinado a informar ao responsável pela obra a situação quanto à regularidade das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração aferida, sendo que: I uma via do ARO deverá ser assinada pelo responsável pela obra ou por seu representante legal e anexada à DISO; II uma via será entregue ao responsável pela obra ou ao seu representante legal. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 6 § 1º Havendo contribuições a recolher, e caso o responsável pela obra ou o seu representante legal se recuse a assinar o ARO, o servidor anotará no mesmo o comparecimento e a recusa em assinar, indicando o dia e a hora em que o sujeito passivo tomou ciência do ARO. § 2º No cálculo da remuneração despendida na execução da obra e do montante das contribuições devidas, se for o caso, será considerada como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do ARO, e o valor das contribuições nele informadas deverá ser recolhido até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da sua emissão, antecipando se o prazo de recolhimento para o dia útil imediatamente anterior, se no dia 20 (vinte) não houver expediente bancário. § 3º O ARO deverá ser emitido até o último dia útil da competência seguinte ao da protocolização da DISO, caso em que serão usadas as tabelas do CUB da competência de emissão do ARO referentes ao CUB apurado para o mês anterior. § 4º Caso as contribuições não sejam recolhidas no prazo previsto no § 2º, o valor devido sofrerá acréscimos legais, na forma da legislação vigente. § 5º O contribuinte poderá requerer o parcelamento das contribuições apuradas indiretamente no ARO. § 6º Não tendo sido efetuado o recolhimento nem solicitado o parcelamento espontâneo, o ARO será encaminhado à Delegacia ou Inspetoria da Receita Federal do Brasil para a constituição do crédito, no prazo de 60 (sessenta) dias após a data de sua emissão. Ora, as disposições sobre o tema são claras, no sentido de que em casos como o presente, deveria haver a prévia expedição do ARO, para que, somente então viessem a ser lançadas as contribuições previdenciárias tidas por devidas em relação a obra de construção civil. A ausência do ARO traz fundada dúvida ao lançamento, pois da forma como está fundamentado o relatório fiscal do lançamento, sequer é possível aferirse com certeza, qual é o período de execução da obra de construção civil em questão, ou mesmo a data de seu início ou mesmo aquela considerada pela fiscalização como de seu término. A meu ver, o lançamento efetuado da forma como o foi, sequer tem força suficiente a demonstrar a ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas, em clara ofensa ao que determina o art. 142 do CTN, a seguir: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O relatório fiscal, a meu ver, não possui qualquer descrição precisa acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições e que permita a recorrente exercer a contento sua defesa. Fl. 23DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16045.000566/201035 Acórdão n.º 2401002.627 S2C4T1 Fl. 21 7 Vejamos o que dele consta: “Constitui Fato gerador deste levantamento a execução da obra de construção civil identificada na inicial, executada sob a responsabilidade do contribuinte, tendo em vista que o proprietário apresentou projeto, o qual foi matriculado no Cadastro de Obras da Receita Federal do Brasil, e não comprovou a regularização da situação do imóvel após convocação, sendo em conseqüência lavrado o presente auto. 4. Em análise ao Cadastro de Obra de Construção Civil constante dos arquivos informatizados da Receita Federal do Brasil, considerando o projeto de construção aprovado pela Prefeitura, e à luz da legislação aplicável à matéria, utilizandose a tabela de Custo Unitário Básico — CUB, vigente em agosto de 2010, competência constante do relatório de lançamentos, parte integrante deste Auto, apurouse o custo da mãode obra, e conseqüentemente a contribuição originária devida, conforme levantamento identificado como CC — Construção Civil. 4.1. Abaixo descritivo da apuração de mão de obra da obra em questão, cálculo das contribuições devidas e discriminativo dos valores recolhidos com Atualização: CUB (SP 01): R$ 1.326,03/m 2 : E nada mais explicitou sobre o lançamento, a não ser mencionando que houve recolhimento parcial das competências de 04/2005 a 07/2005. A falta de elementos constantes do relatório fiscal, de fato, não me deixa tomar outra conclusão senão pela sua nulidade, já que percebo que sequer tenho condições de identificar a efetiva ocorrência do fato gerador, seja pela ausência do ARO, seja pelo fato do arbitramento pelo CUB não trazer elementos que demonstrem os fundamentos adotados no lançamento. O lançamento, portanto, carece de substância, de conteúdo, já que a mera indicação dos cálculos pelo CUB, por si só, não demonstra a ocorrência do fato gerador, qual seja mão de obra empregada na obra de forma irregular ou mesmo a menor, diante da metragem dela constante. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 24DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.724888/2012-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007, 2008, 2009
Ementa:
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE COMUNICAÇÃO EXPRESSA. VALIDADE APÓS PORTARIA RFB 3014/11.
É possível a prorrogação do MPF, por meios eletrônicos, após a vigência da Portaria RFB n. 3014/11.
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. OPÇÃO PELO REGIME DE APURAÇÃO DO LUCRO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O contribuinte excluído do Simples Nacional deverá apurar o lucro por uma das formas previstas na legislação do Imposto de Renda, estando obrigado a manter escrituração de acordo com o regime de apuração escolhido. Se a escrituração apresentada não se presta a apuração do lucro real ou presumido, correto o arbitramento do lucro. A lei não determina a intimação prévia do sujeito passivo para que indique o regime de sua preferência, de modo que não há nenhum vício no procedimento, mormente se a fiscalização já havia constatado a imprestabilidade da escrituração apresentada, o que deu causa a exclusão do Simples Nacional.
APURAÇÃO DO LUCRO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. FALTA DE DETALHAMENTO NO LIVRO CAIXA. POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO.
Só é cabível o arbitramento do lucro quando a escrituração apresentar vícios insanáveis, que a torne imprestável. A simples falta de contabilização das movimentações bancárias por si só, não fundamenta o arbitramento do lucro, sendo o arbitramento, a última alternativa para apuração do lucro da pessoa jurídica. No caso dos autos, além de não haver escrituração da movimentação bancária, o livro caixa apresentava outros erros, razão pela qual procede o arbitramento.
PIS/PASEP. COFINS. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Uma vez excluída do regime do Simples, incidem asnormas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 32, caput, Lei Complementar 123/06), inclusive as regras de suspensão tributária (art. 47 e 48 da lei 11.196/2005).
APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA (150%). ENTREGA DE DECLARAÇÃO ACESSÓRIA ZERADA.
É legal a aplicação da multa disposta no art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n. 9.430/1996, desde que seja comprovado o intuito de fraude, o que ocorre quando é entregue declaração zerada. Nos casos de entrega de declaração com informações parciais, é descabida a aplicação da multa qualificada em relação às informações declaradas.
Numero da decisão: 1302-001.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : a) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Marcio Rodrigo Frizzo (Relator) e Cristiane Silva Costa; b) por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Designado redator o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Marcio Rodrigo Frizzo - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007, 2008, 2009 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE COMUNICAÇÃO EXPRESSA. VALIDADE APÓS PORTARIA RFB 3014/11. É possível a prorrogação do MPF, por meios eletrônicos, após a vigência da Portaria RFB n. 3014/11. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. OPÇÃO PELO REGIME DE APURAÇÃO DO LUCRO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O contribuinte excluído do Simples Nacional deverá apurar o lucro por uma das formas previstas na legislação do Imposto de Renda, estando obrigado a manter escrituração de acordo com o regime de apuração escolhido. Se a escrituração apresentada não se presta a apuração do lucro real ou presumido, correto o arbitramento do lucro. A lei não determina a intimação prévia do sujeito passivo para que indique o regime de sua preferência, de modo que não há nenhum vício no procedimento, mormente se a fiscalização já havia constatado a imprestabilidade da escrituração apresentada, o que deu causa a exclusão do Simples Nacional. APURAÇÃO DO LUCRO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. FALTA DE DETALHAMENTO NO LIVRO CAIXA. POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO. Só é cabível o arbitramento do lucro quando a escrituração apresentar vícios insanáveis, que a torne imprestável. A simples falta de contabilização das movimentações bancárias por si só, não fundamenta o arbitramento do lucro, sendo o arbitramento, a última alternativa para apuração do lucro da pessoa jurídica. No caso dos autos, além de não haver escrituração da movimentação bancária, o livro caixa apresentava outros erros, razão pela qual procede o arbitramento. PIS/PASEP. COFINS. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Uma vez excluída do regime do Simples, incidem asnormas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 32, caput, Lei Complementar 123/06), inclusive as regras de suspensão tributária (art. 47 e 48 da lei 11.196/2005). APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA (150%). ENTREGA DE DECLARAÇÃO ACESSÓRIA ZERADA. É legal a aplicação da multa disposta no art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n. 9.430/1996, desde que seja comprovado o intuito de fraude, o que ocorre quando é entregue declaração zerada. Nos casos de entrega de declaração com informações parciais, é descabida a aplicação da multa qualificada em relação às informações declaradas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11080.724888/2012-95
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5298230
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1302-001.159
nome_arquivo_s : Decisao_11080724888201295.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : MARCIO RODRIGO FRIZZO
nome_arquivo_pdf_s : 11080724888201295_5298230.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : a) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Marcio Rodrigo Frizzo (Relator) e Cristiane Silva Costa; b) por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Designado redator o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo - Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
id : 5108828
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174660820992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2435; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 6.567 1 6.566 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.724888/201295 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.159 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de agosto de 2013 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente ANDREA DA CUNHA GUARISE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007, 2008, 2009 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE COMUNICAÇÃO EXPRESSA. VALIDADE APÓS PORTARIA RFB 3014/11. É possível a prorrogação do MPF, por meios eletrônicos, após a vigência da Portaria RFB n. 3014/11. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. OPÇÃO PELO REGIME DE APURAÇÃO DO LUCRO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O contribuinte excluído do Simples Nacional deverá apurar o lucro por uma das formas previstas na legislação do Imposto de Renda, estando obrigado a manter escrituração de acordo com o regime de apuração escolhido. Se a escrituração apresentada não se presta a apuração do lucro real ou presumido, correto o arbitramento do lucro. A lei não determina a intimação prévia do sujeito passivo para que indique o regime de sua preferência, de modo que não há nenhum vício no procedimento, mormente se a fiscalização já havia constatado a imprestabilidade da escrituração apresentada, o que deu causa a exclusão do Simples Nacional. APURAÇÃO DO LUCRO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. FALTA DE DETALHAMENTO NO LIVRO CAIXA. POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO. Só é cabível o arbitramento do lucro quando a escrituração apresentar vícios insanáveis, que a torne imprestável. A simples falta de contabilização das movimentações bancárias por si só, não fundamenta o arbitramento do lucro, sendo o arbitramento, a última alternativa para apuração do lucro da pessoa jurídica. No caso dos autos, além de não haver escrituração da movimentação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 48 88 /2 01 2- 95 Fl. 6567DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.568 2 bancária, o livro caixa apresentava outros erros, razão pela qual procede o arbitramento. PIS/PASEP. COFINS. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Uma vez excluída do regime do Simples, incidem asnormas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 32, caput, Lei Complementar 123/06), inclusive as regras de suspensão tributária (art. 47 e 48 da lei 11.196/2005). APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA (150%). ENTREGA DE DECLARAÇÃO ACESSÓRIA ZERADA. É legal a aplicação da multa disposta no art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n. 9.430/1996, desde que seja comprovado o intuito de fraude, o que ocorre quando é entregue declaração zerada. Nos casos de entrega de declaração com informações parciais, é descabida a aplicação da multa qualificada em relação às informações declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : a) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Marcio Rodrigo Frizzo (Relator) e Cristiane Silva Costa; b) por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Designado redator o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alberto Pinto Souza Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 6568DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.569 3 Relatório Tratase de recurso voluntário e recurso de ofício. O recurso de ofício interposto em razão do provimento parcial da impugnação, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade de votos, exonerar parcialmente a exigência das contribuições de PIS/COFINS, no montante de R$ 595.861,81, que atualizados com juros e multas atinge a cifra de R$ 1.725.135,02. Com fulcro no art. 34, I, do Decreto 70.235, de 1972 e alterações, e Port. MF nº 3, de 2008, como a exoneração do crédito tributário é superior a R$ 1.000.000,00 (PIS/Pasep e Cofins indevidos e multa de oficio de 150%), justificase o presente recurso de ofício. O recurso voluntário foi interposto pela recorrente em razão da rejeição das preliminares de nulidade e da manutenção integral do crédito tributário relativos ao IRPJ e CSLL e da manutenção parcial das exigências do PIS no valor de R$ 3.586,74 e Cofins, no valor de R$ 16.554,14, acrescidos dos juros de mora e multa de oficio de 150%. Na origem, temse um auto de infração, sobre os fatos geradores no período de Julho de 2007 à Junho de 2009, onde se imputa as seguintes exigências fiscais (fls. 6238 a 6306): TRIBUTO IMPOSTO MULTA JUROS DE MORA TOTAL IRPJ R$ 357.042,90 R$ 535.564,37 R$ 137.889,90 R$ 1.030.497,17 CSLL R$ 182.269,31 R$ 273.403,98 R$ 70.208,52 R$ 525.881,81 PIS R$ 109.699,09 R$ 164.548,68 R$ 164.548,68 R$ 317.600,09 COFINS R$ 506.303,60 R$ 759.455,46 R$ 759.455,46 R$ 1.465.846,67 TOTAL R$ 1.155.314,90 R$ 1.732.972,49 R$ 1.732.972,49 R$ 3.339.825,74 Os motivos que ensejaram a constituição do crédito tributário estão dispostos no Relatório da Ação Fiscal de fls. 6307 a 6328. A recorrente tomou ciência formalmente do MPFF 10.1.01.00201100692 3, em 16/05/2011, ocasião que foi intimada a apresentar documentos (fls. 13 e 14), sendo que outros foram exigidos no decorrer do procedimento fiscalizatório. Destacase que o referido MPFF foi prorrogado eletronicamente para 29/12/2011, 27/04/2012 e 24/08/2012 (fls. 2 e 3). No início das atividades, o AFRFB intimou a recorrente exigindo a apresentação dos seguintes documentos: (i) Contrato social e alterações contratuais; (ii) Livros caixa e razão, relativos ao ano calendário 2007, 2008 e 2009, e/ou outros livros contábeis que o contribuinte mantenha escrituração; (iii) Extrato bancário de todas as contas bancárias pertencentes a recorrente e/ou pessoas físicas vinculadas a operações da fiscalizada, do período de 2007, 2008 e 2009. Fl. 6569DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.570 4 A recorrente solicitou prorrogação de prazo para entrega de alguns dos documentos solicitados. Transcorrido o prazo, foi atendida a intimação fiscal. Cabe destaque aos seguintes documentos apresentados: (i) Cópia de todas as notas fiscais de vendas efetuadas de 29/12/2006 à 10/06/2009 (fls. 343 à 2790); (ii) Planilhas de detalhamento de todas as vendas efetuadas, do período das notas fiscais apresentadas (fls. 81 à 91); (iii) Extrato bancário da conta pertencente a recorrente, do período de 29/12/2006 à 31/12/2009, (fls. 92 à 215 e 218 à 341); (iv) Livro Caixa, contemplando informações globais, (um lançamento de cada conta por mês). Mais especificamente, o livro apresentava apenas as seguintes contas: (i) valor mensal de compra e venda; (ii) pagamento de salário e prólabore; (iii) pagamentos de INSS, “todos consolidados em um único lançamento mensal” (fl. 6312). É o que se depreende das fls. 23 à 34. Compulsando os documentos entregues pela recorrente, o AFRFB destacou a ocorrência dos seguintes fatos: (i) O livro caixa da recorrente não apresentava registro das movimentações bancárias e de caixa em sua conta corrente (cc. 65188, ag. 3670, do Banco do Brasil; cc. 129700, ag. 06289, do Banco do Brasil; cc. 000355504, ag. 0429, da Caixa Econômica Federal); (ii) Das receitas totais auferidas pela recorrente eram proveniente de vendas de restos/sobras/resíduos/aparas de papéis, destinados à empresa Astória Papéis e Celulose Irani, respectivamente (fl. 6311), seguintes percentuais: 2007 2008 2009 Total vendas NF 9.179.357,28 8.357.098,09 3.357.731,10 Celulose irani 7.253.125,18 3.928.197,69 1.812.213,80 Astória Papéis 1.742.397,60 3.871.253,60 1.685.939,10 Perc Astoria 18,98 46,32 47,20 perc C Irani 79,02 47,00 50,74 (iii) Nas declarações apuração do simples nacional – DASN (fls. 2928 a 2955), do período fiscalizado não foi informada nenhuma receita, ou seja, foi entregue zerada e consequentemente a recorrente não ofereceu tais receitas à tributação; (iv) A recorrente faz parte de um grupo econômico onde o Sr. Alexandre da Cunha Guarise, irmão da Sra. Adrea da Cunha Guarise, atuava como sócio da recorrente. O AFRFB, após realizar diligências em face dos principais clientes (Astória papéis e Celulose Irani) e as empresas ALEXANDRE DA CUNHA GUARISE – ME e LUIZ Fl. 6570DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.571 5 PARAGUASSÚ RODRIGUES ME, bem como das demais informações que fizeram parte do processo fiscalizatório, deliberou que: (i) A recorrente deveria ser excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES Nacional, com fundamentos no inciso VIII, do art. 29, da lei complementar 123/2006, surtindo efeitos a partir de 01/07/20007. A efetiva exclusão ocorreu em 10/05/2012, (fl. 2962), através do ato declaratório executivo DRF/POA nº 001; (ii) Afirmou AFRFB (fl. 6430), que “em razão da exclusão do simples nacional, no período de junho de 2007 a dezembro de 2009, apuramos os valores de IRPJ e de CSLL, com base no lucro arbitrado, conforme determina à letra “a” do inc. II do art. 530 do decreto nº 3000/1999 (RIR/99), transcrição abaixo, uma vez que escrituração contábil apresentada não satisfaz as condições para fins de apuração no lucro real ou lucro presumido. Foram também apurados os reflexos na contribuição para o PIS e para COFINS”. Destacase que não houve intimação do contribuinte para optar pelo regime de tributação do lucro; (iii) Sobre o crédito tributário constituído incidiram juros moratórios e multa qualificada de 150%, na forma do § 1º, do art. 44 da lei 9.430/1996; (iv) Segundo o AFRFB, o Sr. Alexandre da Cunha Guarisse, CPF nº 448.933.88053, seria sujeito passivo responsável solidário, pelos créditos tributários nos termos do art. 124, I, do CTN, (fls. 6330 e 6331). Referida pessoa foi intimada para ter ciência do presente processo, mas não ofereceu qualquer impugnação ou recurso. Os motivos dessa responsabilidade solidária estão descritos no item 6 do relatório fiscal. A recorrente impugnou os autos de infração tempestivamente por meio de seus advogados. As argumentações apresentadas estão bem sintetizadas no relatório da DRJ, razão pela qual adoto (fls. 6475,6466), alegando, em síntese, o seguinte (fls. 6447 a 6465): (i) “[...] a diligente auditora procedeu à exclusão da Impugnante do [...] SIMPLES NACIONAL, o que fez com base na regra do artigo 29, VIII, da Lei Complementar 123/06, omissão de escrituração válida, mantendo assim a empresa no primeiro semestre de 2007, sob o regime especial de tributação, excluindoa para os períodos posteriores objeto da investigação fiscal. Contudo, na representação fiscal de exclusão do regime especial, dentre as infrações relatadas, a primeira que destaca a diligente fiscal é a ocorrência de omissão de receita [...]”. (fl. 6449); (ii) “Notese que a multa aplicada ao contribuinte foi multa qualificada, de 150% conforme artigo 44 da Lei 9.430/96 com alteração que lhe emprestou o artigo 14 da Lei 11.488/07, indicando conduta fraudulenta, sonegação. Portanto, diante da fundamentação adotada pela fiscalização a hipótese não seria do artigo 29, inciso VIII e sim do inciso XII do mesmo artigo, decorrendo daí a imediata exclusão, id est estaria a Impugnante fora do Regime Especial desde janeiro de 2007, por força do parágrafo 1º do respectivo dispositivo legal. [...] todos os valores que serviram de base para a Fl. 6571DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.572 6 lavratura do auto de infração, foram fornecidos e reconhecidos mediante comprovação documental do próprio contribuinte [...]. [...] coube somente à fiscalização aplicar sobre os valores informados alíquota incidente [...], aplicar multas que entendeu cabível”. (fl. 6450); (iii) “[...] a impugnante foi intimada do início da ação fiscal em 16 de maio de 2011, após essa data não recebeu qualquer outra intimação”. (fl. 6451); (iv) “Assim, por força das regras contidas nos artigos 12, I, da Portaria RFB 4.066/2007 e 11, I, da Portaria RFB 11.371/2007, o MPF originário deveria ser renovado após cento e vinte dias e, posteriormente, a cada sessenta dias, que deve ser informado ao sujeito passivo ex vi, respectivamente, da regra do artigo 13 e 12 das normas referidas. [...] expirou a validade do MPFF originário em setembro de 2011. No entanto, deuse continuidade ao procedimento fiscal sem renovação, ou quiçá esta tenha ocorrido sem qualquer comunicação ao sujeito passivo. Consectário, inválidos os atos praticados após 17 de setembro de 2011”. (fl. 6451). A seu favor recorrente transcreve decisões judiciais sobre o tema, além do art. 196 do CTN e entendimentos doutrinários. A recorrente afirma ainda, que: (i) “[...] excesso de lançamento por inclusão das contribuições ao PIS e COFINS em desatenção à suspensão prevista no artigo 48 da Lei n. 11.196/2005. [...] a base de cálculo dos tributos deu se exclusivamente sobre a venda de aparas de papel [...]. Aliás, essa é a atividade fim, finalidade social da impugnante, comércio de aparas e resíduos de papel. [...] Também restou conhecido no relatório fiscal que no período em exame estas vendas foram realizadas exclusivamente para as empresas Celulose Irani e Astória Papéis. Ambas optante pelo regime de tributação pelo lucro real. Consectário, incide nas espécie as regras esculpidas nos arts. 47 e 48 da Lei nº 11.196, de 2005, é impossível o lançamento das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins”. (fls. 6455 e 6456); (ii) “[...] não se diga que a impugnante não estaria enquadrada nos tipos legais invocados, porque optante pelo regime de tributação “Simples”. Foi a própria fiscalização tributária quem procedeu a desclassificação do regime, e assim o fazendo não poderia exigir a tributação pelo PIS e COFINS, pois efetivamente não se trata de empresa enquadrada no simples. [...] Por outro lado, a cobrança aqui impugnada, na medida em que perpetrada a exclusão do regime Simples, implica bis in idem, pois as contribuições serão recolhidas pela impugnante, quando não houve a faculdade de crédito para os adquirentes da mercadoria, optantes pelo regime da tributação do lucro real”. (fl. 6457). Em apoio aos seus argumentos, a recorrente transcreve ementa de julgado do STF sobre o assunto. Quanto à exclusão do Simples a recorrente alega que: (i) “[...] A impositiva necessidade de exclusão do Regime Especial do SIMPLES a partir de janeiro de 2007. Aplicabilidade da regra do artigo 29, inciso XII, da Lei Complementar 123/06. [...] um Contribuinte que adota absolutamente o mesmo procedimento nos primeiros seis meses do ano de Fl. 6572DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.573 7 2007 e igualmente no segundo semestre desse mesmo ano, repetindoo ipis literis nos anos de 2008 e 2009, não pode ter tratamento diverso para procedimento idêntico. Se a Impugnante é sonegadora no entendimento da fiscalização, para a cobrança de tributos, aplicação de multa e instauração de procedimento penal, a sua exclusão do SIMPLES, também deve seguir o mesmo fundamento. Nesta medida observada a regra do artigo 29, inciso XII, § 1º, da Lei Complementar 123/06, a exclusão do simples deve se dar desde janeiro de 2007 [...]”. (fl. 6458); (ii) “[...] Não pode a diligente auditora fiscal usar de critérios diversos, um para impor sanção e criminalizar, e outro para proceder a exclusão de regime privilegiado, se assim o faz, desatende o princípio da legalidade, bem como da impessoalidade. Nessa medida deve ser declarada a nulidade do auto de lançamento e ato de exclusão quanto a este ponto em específico, para o fim de proceder a exclusão da Impugnante do Regime Especial do Simples a partir de inclusive, de janeiro de 2007, com recálculo dos valores lançados, mormente mediante a exclusão das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, bem como readequação das multas aplicadas”. (fl. 6459). Quanto ao arbitramento do lucro para fins de cálculo do Imposto de Renda e seus reflexos, a recorrente cita o art. 148 do CTN, doutrina e jurisprudência sobre o tema em destaque, para destacar que: (i) “[...], Desnecessidade de arbitramento, aplicação in casu do artigo 516 do Regulamento do Imposto de Renda. [...]as informações prestadas pelo contribuinte, bem como a documentação fiscal ofertada, são irreparáveis, tanto que os cálculos realizados pela diligente auditora fiscal se basearam nas informações e documentos entregues por ocasião do inicio da fiscalização. [...] Com todo o respeito o que fez a fiscal foi simples cálculo aritmético, baseado nos extratos bancários, notas fiscais e livro caixa elaborado pela impugnante.[...] não se trata e hipótese de arbitramento, que somente se faz possível quando necessário à mingua de informação prestada pelo contribuinte [...] O arbitramento somente seria possível mediante a omissão e falsidade, quando a fiscalização não tem outro meio para apurar a base de cálculo do tributo.[...] vedado o arbitramento, o regime aplicável é aquele previsto no Art. 516, do regulamento do imposto de renda, o Lucro Presumido”. (fls. 6459 e 6464). Conclui a recorrente, com os seguintes pedidos: (i) “[...] os Autos de Infrações aqui Impugnados não merecem prosperar, devendo de pronto ser decretada sua nulidade ou invalidade, alternativamente, e por apego a argumentação, uma vez afastada a preliminar, impõe se seu cancelamento para novo lançamento excluindo se de todo o período as contribuições para o PIS e COFINS, e recalculando se para todo o período janeiro de 2007 a junho de 2009, o imposto de renda de pessoa jurídica e a contribuição social sobre o Lucro Liquido, observado o Regime de apuração do Lucro Presumido, consoante regra do artigo 516 do RIR [...]”. (fl. 6465). Fl. 6573DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.574 8 Registrese que as exigências fiscais relativas ao período de apuração de 01/01/2007 a 30/06/2007 (fls. 6192 à 6237), estão sendo discutidas no processo 11080726851/201200. Ou seja, existem dois processos distintos: (i) este, que discute o 2º semestre de 2007 em diante; (ii) o que discute o 1º semestre de 2007. Diante dos fundamentos apresentados pela recorrente em sua impugnação, a 5ª Turma de Julgamento da DRJ/POA proferiu o acórdão nº 1040.109 (fls. 6503 à 6521), com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2007, 2008, 2009 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, com NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento, controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento, especialmente quando sequer foram confirmadas as irregularidades apontadas pela impugnante. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, o lançamento não é nulo. LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO COM ERROS, VÍCIOS OU DEFICIÊNCIAS. O imposto deve ser determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contém vícios, erros ou deficiências, incluindo se a falta de registro da efetiva movimentação financeira, inclusive a bancária, que a tornam imprestável para a apuração do lucro real ou presumido. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS/PASEP, COFINS E CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. PIS/PASEP e COFINS. RECEITAS DE RESÍDUOS OU APARAS DE PAPEL. Desde 1º de março de 2006 está suspensa a incidência dessas contribuições sobre as receitas de vendas de resíduos ou aparas de papel para pessoa jurídica que apure o imposto de renda com base no lucro real. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 6574DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.575 9 A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 04/10/2012 (fl. 6540), tendo interposto recurso voluntário em 05/11/2012 (fls.6542 a 6558), em síntese reiterando os argumentos já trazidos na impugnação, acrescentando os seguintes fundamentos: (i) “[...] Nos termos da douta decisão aqui acatada, foi acolhido à alegação de excesso de lançamento por inclusão das contribuições de PIS e COFINS, em face da regra contida no art. 48 da lei 11.196/2005 [...]. [...] entretanto, restaram desacolhidas, e constituem objeto deste recurso [...] redução de multa, desnecessidade de arbitramento, informações prestadas pelo próprio contribuinte que foram utilizados no originário auto de lançamento. [...] nulidade ou invalidade do auto por desatendimento a Portarias RFB nºs 4.066, de 2007, e 11.371, de 2007 e o artigo 136, parágrafo único do código tributário nacional. (fl. 6547). (ii) Alega ainda a recorrente que “[...] deve ser declarado nulo ou, no mínimo, inválido os atos praticados após 17 de setembro de 2011, eis que ao desabrigo de MPFF válido”. (fl. 6551). (iii) “[...] o que diz a lei, as prorrogações e alterações serão realizadas de forma eletrônica e cientificado o contribuinte [...]. [...] a prorrogação não equivale a cientificar o contribuinte, pois, este não está obrigado ter equipamento e tampouco, acessar o site da receita federal do brasil. Deve ser cientificado, comunicado formalmente”. (fl. 6552). (iv) “[...] a documentação fiscal ofertada, são irreparáveis, tanto que os cálculos realizados se basearam nas informações e documentos entregues à fiscalização”. (fl. 6553). (v) “[...] para o fim de reformar a decisão recorrida, decretada a nulidade ou invalidade do procedimento, alternativamente , recalculandose para todo o período de janeiro 2007 à junho de 2009, o imposto de renda de pessoa jurídica e contribuição social sobre o lucro liquido, observado o regime de apuração do lucro presumido, como única forma de se fazer no caso concreto a almejada e costumeira justiça”. (fl. 6558). É o relatório. Fl. 6575DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.576 10 Voto Vencido Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário e recurso de ofício apresentados são tempestivos e apresentam todos os requisitos de admissibilidade, então deles conheço. Analisados os fatos que norteiam a lide, passo a julgalas no presente ordem. 1. Dos procedimentos fiscais e o mandado de procedimento fiscal A recorrente alega que são inválidos/nulos os atos praticados após 17 de setembro de 2011, haja vista não ter ciência formal das prorrogações. Contrapondose a este entendimento, a DRJ entendeu pela improcedência dos argumentos da recorrente, uma vez que o MPF é simples instrumento de controle da administração tributária. Data vênia aos posicionamentos defendidos por ambos recorrentes, conclui se que não pode ser objeto de nulidade os atos praticados pela AFRFB, porque, estes se deram posteriormente a edição e Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011, conforme se elucida a seguir. É corrente majoritária neste Conselho o entendimento de que o MPF é apenas um instrumento de controle administrativo interno, de modo que os vícios eventualmente verificados não implicam nulidade do auto de infração, como se observa dos seguintes precedentes: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 FALTA DE MPF ESPECÍFICO. NULIDADE. Constituindose o MPF e, por extensão, o Termo de Início de Ação Fiscal nele fundamentado em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração. (...) (CARF. Acórdão 1402001.229. Sessão 6/11/2012). (...) NULIDADE. MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. (...) (CARF. Acórdão 1402001.145. Sessão 08/08/2012). A esta corrente filiase esta Turma, razão pela qual adoto o entendimento acima como razões de decidir, para reconhecer o MPF como elemento de controle interno da administração tributária, cujos vícios não maculam o auto de infração. Fl. 6576DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.577 11 Feitas essas considerações, temse que a recorrente teve ciência do MPFF n. 10.1.01.002011006923, no dia 16/05/2011, com prazo de 120 (cento e vinte) dias para o seu cumprimento, ou seja, com prazo final de 12/09/2011. Outrossim, o MPFF foi prorrogado sucessivas vezes, vindo a validade de suas determinações a serem estendidas para 29/12/2011, 27/04/2012 e 24/08/2012. Não obstante, a regulamentação do mandado de procedimento fiscal era realizada pela Portaria RFB n. 11371/07 até a data de 31/07/2007, quando se exigia a cientificação pessoal do sujeito passivo quando do primeiro ato de ofício. Ocorre que, desde 1º de agosto de 2007, a Portaria RFB n. 3014/11 disciplina que as alterações do MPF serão cientificadas ao contribuinte por meio eletrônico, nos termos do art. 9º e do art. 4º, observese: Art. 9 º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução ou supervisão, bem como as alterações relativas a tributos a serem examinados e a período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade emitente, conforme modelo constante do respectivo Anexo a esta Portaria, cientificado o contribuinte nos termos do parágrafo único do art. 4 º . Art. 4 º O MPF será emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência do MPF pelo sujeito passivo darseá no sítio da RFB na Internet, no endereço < http://www.receita.fazenda.gov.br >, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Portanto, considerando que na presente situação o MPF foi expedido já sob a vigência da Portaria RFB n. 3014/11, não é possível declarar nulidade a autuação efetuada sobre a égide do MPFF 10.1.01.002011006923, pois as prorrogações ocorreram em consonância com a legislação aplicável. 2. Da necessidade de intimar o contribuinte excluído do regime do Simples Nacional para escolher a modalidade de apuração do lucro Segundo a legislação aplicável, ao ser excluído do SIMPLES, é facultado ao contribuinte fazer a opção pela forma de apuração, se pelo lucro real trimestral ou anual ou ainda se pelo lucro presumido, nos termos do art. 32, § 2º da LC 123/06: Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.[...] Fl. 6577DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.578 12 § 2o Para efeito do disposto no caput deste artigo, o sujeito passivo poderá optar pelo recolhimento do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual. (grifo não original) Entretanto, consoante se percebe do Relatório de Ação Fiscal (Simples, IRPJ e Reflexos) (fl. 6307 e ss.), o AFRFB entendeu pelo arbitramento do lucro da recorrente sem antes lhe facultar a opção imposta pelo artigo acima transcrito, observese (fl. 6313): Em razão da exclusão do SIMPLES NACIONAL, no período de junho de 2007 a dezembro de 2009, apuramos os valores de IRPJ e de CSLL com base no Lucro Arbitrado, conforme determina a letra “a” do inc. II do art. 530 do Decreto n. 3000/99 (RIR/99), transcrição abaixo, uma vez que a escrituração contábil apresentada não satisfaz as condições para fins de apuração do Lucro real ou Lucro Presumido.[...] A conduta, sob meu ponto de vista, está em descompasso com a legislação aplicável e, portanto, merece ser reformada, a fim de que se mantenha a integridade do sistema jurídico nacional. Aliás, tratase de observância ao princípio constitucional do devido processo legal (art. 5º, LIV, da Constituição Federal). Isto porque, nos termos do art. 32, §2º, da LC 123/06, o sujeito passivo que for excluído do regime do Simples Nacional possui o direito de optar pela forma de apuração do lucro. Vale dizer, uma vez que não mais goza dos benefícios do regime do Simples Nacional, e justamente por conta da alteração das regras de apuração do lucro, o legislador entendeu por bem conferirlhe tal prerrogativa. Tratase, a meu ver, de um direito inafastável do contribuinte, sobre o qual o AFRFB não possui qualquer ingerência. Em termos técnicos, significa dizer que o contribuinte tem o direito subjetivo de ser ouvido quanto à forma de apuração que será adotada em decorrência de sua exclusão do regime simplificado. Em sendo assim, convém recordar o tratamento dispensado aos direitos subjetivos dentro da doutrina jurídica, o que faço por meio das lições de Maria Helena Diniz: O direito subjetivo, para Goffredo Teles Jr., é a permissão dada por meio de norma jurídica, para fazer ou não fazer alguma coisa, para ter ou não ter algo, ou, ainda, a autorização para exigir, por meio de órgãos competentes do poder público ou por meio de processos legais, em caso de prejuízo causado por violação de norma, o cumprimento da norma infringida ou a reparação do mal sofrido. (...) O direito subjetivo é subjetivo porque as permissões, com base na norma jurídica e em face dos demais membros da sociedade, são próprias das pessoas que as possuem, podendo ser ou não usadas por elas. (....) O direito subjetivo é sempre permissão que tem o ser humano de agir conforme o direito objetivo. (DINIZ, Maria Helena. Direito Civil Brasileiro: 1. Teoria Geral do Direito Civil. 1º VOl. 24ª Ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 12 a 13). Fl. 6578DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.579 13 Das lições da doutrina acima transcritas, se percebe que o efetivo exercício de um direito subjetivo compete única e exclusivamente ao seu titular. Ou seja, não é lícito que nenhuma outra pessoa opte por exercer (ou não) um direito subjetivo que não lhe cabe. Transportando essas lições para ao Direito Público, vêse que a lei outorgou aos contribuintes um direito subjetivo de escolher qual o regime de apuração do lucro quando se ocorrer o fato “exclusão do Simples Nacional”. Ou seja, tratase de uma faculdade do contribuinte optar por um dos regimes. Digo que é uma faculdade porque é possível que o contribuinte fique inerte e não escolha por quaisquer das formas possíveis. Neste caso, caberá ao AFRFB a determinação de qual será a forma de apuração do lucro. Contudo, ressalto, este procedimento deve ser rigorosamente obedecido. Neste contexto, fazendo a conexão entre o conceito acima e as prerrogativas da Administração Pública, consoante preceitua o Direito Administrativo, entendo que o instituto do “direito subjetivo” a favor do contribuinte, imposto por uma norma legal imperativa e inafastável anula a discricionariedade dos agentes públicos, por conta do princípio da legalidade (art. 37, caput, Constituição Federal). Nesse sentido se posiciona, inclusive, José dos Santos Carvalho Filho, que bem destaca diferença entre os atos vinculados e discricionários: (...) Há atividades administrativas cuja execução fica inteiramente definida na lei. Dispõe esta sobre todos os elementos do ato a ser praticado pelo agente. A este não é concedida qualquer liberdade quanto à atividade a ser desempenhada e, por isso, deve submeterse por inteiro ao mandamento legal. O desempenho de tal tipo de atividade é feito através da prática dos atos vinculados, diversamente do que sucede no poder discricionário, permissivo da prática de atos discricionários. O que se distingue é a liberdade de ação. Ao praticar atos vinculados, o agente limitase a reproduzir os elementos da lei que os compõem, sem qualquer avaliação sobre a conveniência e a oportunidade da conduta. O mesmo já não ocorre quando pratica atos discricionários, como visto anteriormente. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo, 22 ed., rev., ampl. e atual. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009. p. 48) A conclusão que se retira é que o direito subjetivo do contribuinte, consoante dito acima, impõe ao AFRFB uma conduta obrigatória, que é tratada pela doutrina administrativa como um ato vinculado, cuja observância determina a validade ou invalidade de sua atuação. Não bastasse o desrespeito a um direito subjetivo do contribuinte, expressamente previsto em lei e que, pelo mesmo fato, impõe uma conduta obrigatória e vinculada ao agente público, é de se observar que a consequência da conduta do AFRFB é o vício no critério quantitativo do lançamento tributário. Melhor esclarecendo. Fl. 6579DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.580 14 A correta determinação da base de cálculo é nada menos do que obrigação funcional do AFRFB, pois, nos termos do art. 142, CTN, o lançamento tributário envolve também o ato de “calcular o montante devido”. Tratase de conduta que determina o critério quantitativo da regramatriz de incidência tributária, que se subdivide em base de cálculo e da alíquota incidente. Evidente, portanto, que a base de cálculo é um elemento de alta relevância no mister do AFRFB. Esse tipo de vício é de tamanha gravidade que nem mesmo pode ser sanado pelas vias recursais administrativas. Seja o DRJ ou o CARF, nenhum desses agentes pode alterar os fundamentos do auto de infração, tendo em vista que apenas realizam o controle de legalidade, nos termos em que já se manifestou este Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 31/05/2004 (...) ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CALCULO DO MONTANTE AUTUADO. USO INDEVIDO DE AFERIÇÃO INDIRETA. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. O cálculo do montante devido constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A adoção de base de cálculo equivocada altera os elementos substanciais do lançamento, motivo pelo qual deve ser reconhecida sua nulidade, por vicio material, EMBARGOS ACOLHIDOS. (CARF. Acórdão 2402 001.319. Rel. Cons. Ronaldo de Lima Macedo. 4ª Câm. 2ª Seção. Sessão em 21/10/2010) Na mesma trilha caminhou este Conselho em diversas outras ocasiões, consoante se percebe dos acórdãos n. 106121501, n. 103196892 e n. 106132123. E mais, pretender modificar este elemento do lançamento (base de cálculo) implicaria em realizar um novo lançamento em novo lançamento (haja vista este ser um critério integrante da regra matriz de incidência tributária), como já decidiu este Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 31/05/2004 (...) ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CALCULO DO MONTANTE AUTUADO. USO INDEVIDO DE AFERIÇÃO INDIRETA. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. O cálculo do montante devido constitui elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A adoção de base de cálculo equivocada altera os elementos substanciais do lançamento, motivo pelo qual deve ser reconhecida sua nulidade, por vicio 1 ERRO MATERIAL NA FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO Comprovado, em grau de recurso, a existência de erro material na base cálculo do imposto lançado, cancelase o auto de infração para que outro seja feito em boa e devida forma. Lançamento cancelado. (CARF. Acórdão 10612150. Rel. Cons. Sueli Efigênia Mendes de Britto. 6ª Câm. 1º Conselho de Contribuintes. Sessão 21/08/2001) 2 PIS/Decorrência Improcedência do Lançamento – Ausência de Previsão Legal para a Autoridade Julgador Inovar o Lançamento No âmbito da Delegacia de Julgamento descabe competência à Autoridade Julgadora para inovar o lançamento a fim de corrigir o dispositivo dado como violado. (CARF. Acórdão 10319689. Rel. Cons. Victor Luís de Salles Freire. Turma Ordinária. 3ª Câm. 1º Conselho. Sessão 14/10/1998) 3 CANCELAMENTO DE LANÇAMENTO – ERRO NA BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA Uma vez identificado erro evidente e essencial na base de cálculo e na alíquota do auto de infração, posto que adotada a alíquota de 100% sobrebase de cálculo, é de se cancelar o lançamento. Recurso provido. (CARF. Acórdão 106 13212. Rel. Cons. Orlando José Gonçalves Bueno. Turma Ordinária. 6ª Câm. 1º Conselho de Contribuintes. Sessão 27/02/2003) Fl. 6580DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.581 15 material, EMBARGOS ACOLHIDOS. (CARF. Acórdão 2402 001.319. Rel. Cons. Ronaldo de Lima Macedo. 4ª Câm. 2ª Seção. Sessão em 21/10/2010) (grifo não original) NORMAS PROCESSUAIS. COMPETÊNCIA. Impossibilidade de o órgão julgador aperfeiçoar lançamento transbordando sua competência. Lançamento decorrente de auditoria interna na DCTF com irregularidades nos créditos vinculados, tendo sido comprovada existência de medida judicial que os suporte. Impossibilidade de se alargar sua existência para se prestar a lançamento destinado a prevenir decadência. Recurso provido. (CARF. Acórdão 20178416. Rel. Cons. Maurício Taveira e Slva. Turma Ordinária. 1ª Câm. 2º Conselho. Sessão 18/05/2008). (grifo não original) No mesmo sentido estão os acórdãos n. 192000154 e 102478295. Em resumo, é evidente que, uma vez excluída do SIMPLES Nacional, a recorrente tinha a opção de escolher entre o lucro presumido, o real trimestral ou anual, opção esta que foi ignorada pela AFRFB. Por isso, é imprescindível que o contribuinte seja intimado para escolher qual o regime de apuração do lucro deverá ser aplicado pelo AFRFB. Após tal ato, o contribuinte pode agir de duas maneiras: (i) ficar inerte, quando então a escolha caberá ao AFRFB; (ii) optar por um dos regimes possíveis, quando então o AFRFB ficará obrigado a obedecer a opção. No caso presente, é de se notar que a recorrente jamais se furtou às intimações do AFRFB, tendo inclusive requerido prazo para a entrega dos documentos exigidos. Ou seja, não é de se duvidar que, houvesse a oportunidade de escolha pela forma de tributação do lucro, a recorrente também iria diligenciar para que fosse possível a apuração pelo método que lhe parecesse mais adequado. Deveria a autoridade fiscal ter seguindo o devido processo legal, e intimado ao contribuinte para escolher o regime triutário, após efetuada esta escolha pelo contribuínte, intimadoo novamente para apresentar os documentos necessários e condizentes com o regime escolhido, e na omissão de qualquer destas manifestações ter escolhido e efetuado o arbitramento. Repisase: em nenhum momento o contribuinte se negou a fornecer qualquer documento que fora requerido, pelo contrário, em todas as intimações respondeu apresentando os documentos e escritos contábeis. Aliás, a recorrente respondeu duas intimações seguindas 4 NULIDADE VÍCIO MATERIAL ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado, em grau de recurso, a existência de erro material na base de cálculo do imposto lançado, resta nulo o Auto de Infração. Preliminar acolhida. (CARF. Ac. 19200015.Rel. Cons. Sidney Ferro Barros. 2ª Turma Especial. 2ª Câm. 1º Conselho. Sessão 08/09/2008) (grifo não original) 5 VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um LANÇAMENTO AUTÔNOMO que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...). (CARF. Acórdão 10247829. 2ª Câm. 1º Conselho. Rel. Cons. José Raimundo Tosta Santos. Sessão 16/08/2006) (grifo não original). Fl. 6581DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.582 16 para apresentar as notas fiscais e, simultaneamente, apresentou também os extratos de sua conta corrente, observese (fl. 63106311): Como o contribuinte apresentou as cópias das notas fiscais emitidas entre o dia 29/12/2006, nota fiscal n. 5476, e o dia 10/06/2009, nota fiscal n. 8100, esta fiscalização emitiu nova intimação em 17/08/2011, solicitando as notas fiscais omitidas no período de 10/05/2009 até 31/12/2009. Em resposta entregue em 24/06/2011, o contribuinte declarou que a Firma Individual Andréa Guarise realizou suas ultimas vendas de mercadorias em junho de 2009, apresentando novamente os extratos ao banco do Brasil anteriormente apresentados, esclarecendo que a Firma Individual segue sem atividade. Todavia, pelo que consta no processo, percebese que o AFRFB claramente entendeu inviável conceder o direito da recorrente constante no art. 32, §2º da LC 123/06 em razão das circunstâncias fáticas do processo, observese (fl. 6313): Em razão da exclusão do SIMPLES NACIONAL, no período de junho de 2007 a dezembro de 2009, apuramos os valores de IRPJ e de CSLL com base no Lucro Arbitrado, conforme determina a letra “a” do inc. II do art. 530 do Decreto n. 3000/99 (RIR/99), transcrição abaixo, uma vez que a escrituração contábil apresentada não satisfaz as condições para fins de auração do Lucro real ou Lucro Presumido. Foram também apurados os reflexos na Contribuição para PIS e para a COFINS. As vendas efetuadas pelo contribuinte, conforme comprovam as notas fiscais emitidas, foram consideradas como base de receita omitida. Os percentuais aplicados sobre as omissões de receita apuradas estão de acordo com o art. 532 do Decreto n. 3000/99. Ainda que o raciocínio do AFRFB esteja adequado faticamente, fato é que o art. 32, §2º, da CL 123/06 não lhe confere esse arbítrio. Vale dizer, não há na lei uma determinação no sentido de que somente se dará a oportunidade de o contribuinte escolher pelo regime de apuração do lucro após a sua exclusão do Simples Nacional se houver a possibilidade de utilização dos métodos de apuração pelo lucro presumido ou real. Esse comando inexiste! Razão pela qual reafirmo, peremptóriamente, que o AFRFB deve sempre intimar o contribuinte para fazer as escolhas que a lei lhe faculta, não lhe sendo devido, jamais, realizar juízos em nome do contribuinte, como parece ter sido o caso de que se trata. O AFRFB distorceu a sistemática prevista na legislação de regência da apuração do Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, pois, sem fundamento fáticojurídico, aplicou um procedimento mais gravoso ao contribuinte que havia feito a opção por apuração diversa. Desta forma, voto pela nulidade do lançamento com base no lucro arbitrado, diante do cerceamento de defesa do contribuinte. Fl. 6582DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.583 17 3. Do Arbitramento do Lucro Consoante esclarecido acima, a Recorrente não foi notificada para optar pelo regime de apuração de seu lucro. Todavia, o AFRFB optou pelo arbitramento. Inobstante essa nulidade, cumpre verificar se o arbitramento era possível ante aos fatos que se apresentavam perante o AFRFB. Segundo o relatório fiscal, o arbitramento do lucro se deu com fundamento no art. 530, II, “a” do RIR/99. O AFRFB, de ofício, arbitrou o lucro da Recorrente em razão da exclusão do Simples Nacional e por entender que a escrituração não apresentava condições para apuração no lucro pelo método do lucro real ou presumido. O disposto no art. 530, II, “a” do RIR/99, possui a seguinte redação: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. (grifo não original) Conforme se abstrai do acordão da DRJ, os motivos que fundamentaram a manutenção do arbitramento do lucro da Recorrente foram assim descritos (fl. 6514): No livro caixa (movimento do caixa) que foi apresentado em 07/07/2011, após a concessão de prazo para escrituração (fls. 2234), constata se o seguinte: a) não há registros da movimentação bancária efetivada, conforme extratos de fls. 92215 e 218341; b) não há detalhamentos e identificação dos documentos comprobatórios dos valores pagos e recebidos; exemplos: “compras de mercadorias neste mês” e “vendas de mercadorias neste mês”; c) os valores escriturados correspondem ao movimento mensal (total) das “contas” registradas. As irregularidades acima descritas não permitem, como deseja defesa, a apuração do lucro pela forma presumida [...]. Percebese que o art. 530, inc. II, do RIR/99 tem aplicação quando “a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária”, hipótese em que haverá o arbitramento do lucro. Fl. 6583DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.584 18 Ou seja, apenas nos casos em que houver fraudes, vícios, erros ou deficiências que impossibilitem a identificação da movimentação financeira ali disposta, o AFRFB poderá se valer do arbitramento de lucro como opção subsidiária. Tenho defendido o entendimento de que a simples omissão de alguma conta corrente (simples omissão prevista no art. 42 da Lei n. 9.430/96), não tem o condão de tornar imprestável a escrita fiscal, ou bancária. Aliás, a própria redação do art. 42 da Lei n. 9.430/96 induz a esse raciocínio. Observese que a redação do dispositivo determina que somente será considerado omissão de receita se o contribuinte não justificar a origem do recurso: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...). Importante esclarecer que existem três situações distintas: (i) receitas omitidas; (ii) forma de tributação e (iii) imprestabilidade da contabilidade. Cada uma dessas etapas não interfere na outra. A omissão de receita é uma presunção independente e absolutamente desconexa do regime de apuração do lucro e da higidez da contabilidade. Deste modo, não se pode afirmar que a não contabilização de algumas contas correntes, supostamente omissão de receita, torne a contabilidade imprestável, até porque a lei sequer vincula essas duas situações. Bem por isso o Conselho Administrativo Fiscal em diversos julgados concluiu pela existência de omissão de receita, em razão de movimentação bancária sem origem comprovada, mas nem por isso entendeu pelo arbitramento do lucro. É o que se nota do seguinte precedente: (...) IRPJ LANÇAMENTO ARBITRAMENTO DE LUCRO Quando o montante da receita omitida pode ser identificada e quantificada, não cabe o arbitramento de lucro face ao disposto no artigo 47, inciso II, da Lei n. 8.891/95. (...) Conselho de Contribuintes. Acórdão 10515756. Cons. José Carlos Passuelo. 5ª Câm. 1º Cons. Sessão 26/07/2006). (...) IRPJ – ARBITRAMENTO DE LUCRO – FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE DEPÓSITOS E/OU CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS INAPLICABILIDADE – Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das conseqüências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A falta de escrituração de depósitos bancários ou mesmo de contas correntes bancárias não são suficientes para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o conseqüente arbitramento dos lucros. (...) (CARF. Acórdão 10196.161. Cons. Paulo Roberto Cortez. Sessão 24/05/2007). Fl. 6584DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.585 19 (...) ARBITRAMENTO DO LUCRO. MEDIDA EXTREMA. NÃO CONTABILIZAÇÃO PARCIAL DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA, INCLUSIVE BANCÁRIA. PRESTABILIDADE DOS LIVROS FISCAIS. O arbitramento do lucro é medida extrema que somente deve ser utilizada pela autoridade lançadora do tributo se comprovadamente inexistirem meios que viabilizem a apuração do lucro real. A simples constatação de contas correntes bancárias não contabilizadas não se constitui, por si só, em motivo bastante e suficiente à desclassificação da escrita e ao consequente arbitramento do lucro. (...) (CARF. Acórdão 1101000.854. Cons. Benedicto Celso Benicio Junior. Sessão 06/03/2013). Só e somente nos casos em que a escrituração se mostre imprestável, que não permita a identificação da movimentação bancária, por conter erros, vícios, fraudes e deficiências, que é possível o arbitramento, hipótese que se demonstra o presente caso. Ocorre que, no caso em tela, todas as contas bancárias foram omitidas, não foi apenas omissão parcial, e somado ainda ao fato de existem lançamento globalizados. Não há detalhamentos de cada lançamento e nem documentos que subsidiem as informações. Assim, fica caracterizada a imprestabilidade da escrituração. A título de exemplo, notese como o registro contábil da Recorrente, estava escriturado de forma globalizada no livro caixa, e sem qualquer referência sobre a movimentação bancária, conforme segue abaixo a movimentação dos meses 07 e 08 de 2007 (fl 25): Como se comprova pela passagem acima transcrita, tanto o lançamento de vendas de mercadorias como os lançamentos de compras das mercadorias não trazem qualquer referência sobre a forma de recebimento ou pagamento, de modo que se torna impossível analisar as movimentações financeiras da Recorrente. Pelo fato de a escrituração da Recorrente não apresentar as condições suficientes para apuração do lucro pelo regime real ou presumido, concluise que sua escrituração apresenta vícios ou fraudes, erros ou deficiências que a torna imprestável, razão pela qual voto pela manutenção do arbitramento do Lucro da Recorrente. Fl. 6585DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.586 20 4. Do Recurso de Ofício Da Exoneração do PIS/Pasep e COFINS Acertadamente decidiu a DRJ ao exonerar a cobrança das contribuições do PIS/Pasep e COFINS sobre o valor da receita oriunda da vendas de aparas/restos/desperdícios de papéis à empresas tributadas pelo lucro real, uma vez que, havendo a exclusão do contribuinte do Simples, passa a incidir um novo regime jurídico. Neste caso, passou a incidir os artigos 47 e 48 da Lei nº 11.196/06, que expressamente prevê a suspensão de PIS/Pasep e Cofins sobre a venda de desperdícios, resíduos e aparas de papel, quando a empresa adquirente for tributada pelo lucro real, observe se: Lei nº 11.196, de 2005 (publicação: DOU de 22.11.2005) Art. 47. Fica vedada a utilização do crédito de que tratam o inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, nas aquisições de desperdícios, resíduos ou aparas de plástico, de papel ou cartão, de vidro, de ferro ou aço, de cobre, de níquel, de alumínio, de chumbo, de zinco e de estanho, classificados respectivamente nas posições 39.15, 47.07, 70.01, 72.04, 74.04, 75.03, 76.02, 78.02, 79.02 e 80.02 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, e demais desperdícios e resíduos metálicos do Capítulo 81 da Tipi. Art. 48. A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda de desperdícios, resíduos ou aparas de que trata o art. 47 desta Lei, para pessoa jurídica que apure o imposto de renda com base no lucro real. Parágrafo único. A suspensão de que trata o caput deste artigo não se aplica às vendas efetuadas por pessoa jurídica optante pelo Simples. Art. 132. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: [...] V a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao da publicação desta Lei, em relação ao disposto:[...] c) nos arts. 47 e 48, 51, 56 a 59, 60 a 62, 64 e 65; Apesar de o parágrafo único, do art. 48, da lei 11.196/2005, dispor que não se aplica o benefício da suspensão à empresa enquadrada no Simples, esta vedação não alcança a recorrente. Repito que, ao ser excluída do regime jurídico do Simples Nacional, os tributos devidos passaram a observar outro regime jurídico, cujo início é 01/07/2007 (v. Ato Declaratório e Exclusão n. 1/2012 – fl. 2962), nos termos do art. 32, caput, da Lei Complementar n. 123/066. 6 LC 123/06. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitar seão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. (...). Fl. 6586DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.587 21 Acertadamente, atuou a DRJ, ao dar provimento parcial e exonerar a cobrança de PIS/COFINS sobre as receitas comprovadamente destinadas às empresas tributadas pelo regime do lucro real, bem como manter a cobrança das referidas contribuições sobre as receitas que não foram comprovada a sua destinação a empresas tributadas pelo regime do lucro real, conforme se extrai do acordão 1040.109, 5ª Turma da DRJ/POA: “[...] contribuintes apresentaram declarações (fls. 6467 e 6468) informando que nesses anos calendário adotaram o regime de tributação do lucro real, fato que está confirmado no sistema de registro da RFB (portal IRPJ). Assim, a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins está suspensa sobre as vendas efetuadas a esses adquirentes. (fl. 6516). “[...] No entanto, relativamente às vendas a outros clientes, abaixo relacionados, não há provas no processo que essas pessoas jurídicas atendam às disposições do art. 48 acima transcrito. Consequentemente, sobre essas receitas há incidência das contribuições. [...] Manter parcialmente as exigência do PIS/Pasep e Cofins, [...]. [...]Sobre os valores do imposto e das contribuições mantidas devem ser acrescidos os juros de mora e a multa de oficio de 150%”. (fls. 6517 a 6521). Relativamente à exigência dos créditos tributários de PIS COFINS, voto no sentido de manter o provimento parcial da DRJ, afastando exigência das contribuições sobre as receitas comprovadamente oriundas de vendas a empresas tributadas pelo regime do lucro real, bem como manter a cobrança das referidas contribuições sobre as receitas que não foram comprovadas a sua destinação a empresas tributadas pelo regime do lucro real, bem como seus acréscimos legais. 5. Da Aplicação da Multa de Ofício correspondente a 150% do Valor do Tributo Quanto a aplicação da multa qualificada de 150%, cabe esclarecer que no caso em tela a aplicação desta multa de ofício tem como base legal o artigo 44, inciso II, da Lei n. 9.430/1996 (com a redação anterior da alteração legislativa da Lei n. 11.488/2007), in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: [...] II – cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Insta destacar que o disposto no art. 71 da Lei n. 4.502/1964 é causa ensejadora para a aplicação de multa de ofício qualificada em 150%, in verbis Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 6587DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.588 22 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Com o advento da Lei n. 11.488/2007, a multa de ofício qualificada em 150% se manteve, nos termos do art. 44, inciso I, e § 1°, da Lei n. 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Assim, a aplicação da multa de ofício qualificada em 150% é legal e deve ser mantida. No caso concreto, a recorrente apresentou a declarações zeradas de apuração do simples nacional – DASN (fls. 2928 a 2955) no período de julho 2007 a dezembro de 2009; entretanto, auferiu receita bruta conforme se comprova nas notas fiscais de vendas ofertados a fiscalização. (fls. 343 a 2790). Ressalto que somente mantenho a multa majorada em virtude todas as declarações terem sido entregues em branco, ou zerada. Estivesses elas preenchidas, mesmo que parcialmente, entendo que seria o caso de afastamento da multa qualificada, por caracterizar simples omissão. Porém neste caso, nos anos de 2007, 2008 e 2009, o Recorrente auferiu receita bruta, entretanto, apresentou as declarações que se obrigava zerada à administração pública federal, quando na verdade tinha operações comerciais a serem declaradas, ou seja, dolosamente omitiu renda, tendo evidente intuito de impedir o conhecimento da autoridade fiscal federal da ocorrência do fato gerador da incidencia tributária (Simples Nacional ou PIS, COFINS, IRPJ e CSLL). Portanto, tratase de evidente caso de sonegação, pois a recorrente prestou falsa declaração à autoridade fiscal, visando dolosamente impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, uma vez que declarações zeradas, mesmo tendo movimentação. Logo, constato a presença de elementos suficientes, para declarar cabível e legal a aplicação de multa de ofício qualificada em 150%. 6. CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, para manter a exoneração de parcela do crédito de PIS/Pasep e Cofins relativamente às receitas Fl. 6588DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.589 23 advindas de vendas de a empresas tributadas pelo lucro real. Em relação ao recurso voluntário, voto para negar provimento integral, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 6589DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.590 24 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator designado 1. Da Preliminar de nulidade da autuação por falta de intimação do sujeito passivo para manifestar sua opção por uma das formas de apuração. O relator reconheceu de ofício preliminar de nulidade do auto de infração, ao argumento de que a autoridade lançadora procedeu ao lançamento, com base em arbitramento do lucro, sem antes ter facultado à recorrente fazer a opção pela forma de apuração, se pelo lucro real trimestral ou anual ou ainda se pelo lucro presumido, nos termos do art. 32, § 2º da LC 123/06, in verbis: Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. [...] § 2o Para efeito do disposto no caput deste artigo, o sujeito passivo poderá optar pelo recolhimento do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual. (grifo não original) Sustenta o d. Relator que: A conduta, sob meu ponto de vista, está em descompasso com a legislação aplicável e, portanto, merece ser reformada, a fim de que se mantenha a integridade do sistema jurídico nacional. Aliás, tratase de observância ao princípio constitucional do devido processo legal (art. 5º, LIV, da Constituição Federal). Isto porque, nos termos do art. 32, § 2º, da LC 123/06, o sujeito passivo que for excluído do regime do Simples Nacional possui o direito de optar pela forma de apuração do lucro. Vale dizer, uma vez que não mais goza dos benefícios do regime do Simples Nacional, e justamente por conta da alteração das regras de apuração do lucro, o legislador entendeu por bem conferirlhe tal prerrogativa. Tratase, a meu ver, de um direito inafastável do contribuinte, sobre o qual o AFRFB não possui qualquer ingerência. Em termos técnicos, significa dizer que o contribuinte tem o direito subjetivo de ser ouvido quanto à forma de apuração que será adotada em decorrência de sua exclusão do regime simplificado. Com a devida vênia, entendo que, no caso concreto, não existe a nulidade apontada. Fl. 6590DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.591 25 Entendo que o dispositivo da lei complementar, citado como base para o acolhimento da nulidade, deve ser interpretado sistematicamente com as demais normas que regulam não apenas o Simples Nacional, como as que regem a apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. De plano, observo que o § 2º do art. 32 da LC. 123/06 não estabelece qualquer rito procedimental para o Fisco, no sentido de intimar o contribuinte, previamente ao lançamento, com vistas a que este manifeste a sua opção por um dos regimes de apuração do Imposto de Renda (Real ou Presumido), uma vez excluído do sistema. O citado dispositivo está inserido na Seção IV da lei complementar, que trata das normas de exclusão do Simples Nacional que poderá ser feita a pedido do contribuinte ou de ofício pelo Fisco. A exclusão produzirá efeitos de formas diversas, a depender de sua motivação, conforme regula o art. 31 da lei complementar. A opção por um dos regimes de apuração previstos na legislação do imposto de renda é consequência natural da exclusão do sistema simplificado. Desta feita, uma vez excluído, o contribuinte passa a ser regido pelas normas do Imposto de Renda aplicáveis às pessoas jurídicas em geral e a elas deve obedecer, conforme a forma de apuração que escolher. Assim, se optar pela apuração do imposto pelo Lucro Real deverá manter escrituração completa, com observância das leis comerciais e fiscais (art. 251 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 – Decreto 3000/1999. Caso a opção seja pelo Lucro Presumido, a escrituração comercial pode ser dispensada, desde que o contribuinte mantenha Livro Caixa, no qual deve estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive a bancária (art. 527 do RIR/1999). Assim, a opção do contribuinte por qualquer das formas de apuração implica na observância da obrigação de escrituração completa ou, pelo menos, de Livro Caixa que contenha toda a movimentação financeira do sujeito passivo. Ora, no caso em exame o contribuinte foi excluído de ofício exatamente em face de ter apresentado Livro Caixa sem escrituração de sua movimentação bancária, conforme determina o § 2º do art. 26 da LC. 123/2006, consoante descrito no Relatório de Atividade Fiscal (fls. 6309/6328) e do Ato Declaratório Executivo DRF/POÁ nº 001, de 10 de maio de 2012 (fls. 6191). De acordo com o Relatório de Atividade Fiscal o contribuinte informou em resposta ao Termo de Início da Ação Fiscal, apresentada em 03/06/2011, que não havia escriturado os Livros Caixa, nem o Razão, dos anos 2007 a 2009, e solicitou prazo de vinte dias para apresentálos. Em 27/06/2011, o contribuinte pediu nova prorrogação de prazo para apresentálos. Finalmente os livros Caixa foram apresentados em 08/07/2011. No entanto, os livros apresentados não atendiam aos requisitos legais, por estarem escrituradas as compras e vendas por valores consolidados em um único lançamento mensal e por não conterem a escrituração da movimentação das contas bancárias, o que determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional. Fl. 6591DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11080.724888/201295 Acórdão n.º 1302001.159 S1C3T2 Fl. 6.592 26 Ou seja, o contribuinte não possuía escrituração hábil para optar por nenhum dos regimes de apuração previstos na legislação do Imposto de Renda (Lucro Real ou Presumido), não restando à fiscalização outra forma de apuração do resultado que não fosse o arbitramento do lucro, amparado no art. 530, inc. II, a do RIR/1999. Além de não existir qualquer exigência legal nesse sentido, inócua seria a intimação do sujeito passivo para informar a sua opção pela forma de apuração do lucro, após a sua exclusão do Simples, para o período sob fiscalização, pois não atendia aos requisitos legais para a opção por qualquer um dos regimes previstos, dada a imprestabilidade da escrituração apresentada. Deste modo, o arbitramento do lucro levado a efeito pelo Fisco é consequência natural do procedimento instaurado e atende aos requisitos legais. Ante ao exposto, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade arguida de ofício pelo Relator. Sala de Sessões, em 08 de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator designado Fl. 6592DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /09/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 16/09/2013 por MARCIO RODRIGO FR IZZO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
score : 1.0
Numero do processo: 10469.721868/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10469.721868/2010-83
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5296329
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 03 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3402-000.576
nome_arquivo_s : Decisao_10469721868201083.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10469721868201083_5296329.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira. Relatório
dt_sessao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5097505
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:14:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174697521152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1513; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 315 1 314 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.721868/201083 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.576 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 20 de agosto de 2013 Assunto Solicitação de diligência Recorrente NISIA FLORESTA PREFEITURA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Winderley Morais Pereira (Substituto), João Carlos Cassuli Júnior (Relator) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes justificadamente as conselheiras Nayra Bastos Manatta e Silvia de Brito Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .7 21 86 8/ 20 10 -8 3 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10469.721868/201083 Resolução nº 3402000.576 S3C4T2 Fl. 316 2 Relatório Trata o processo de Auto de Infração lavrado a título de Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público), em face do Município de Nísia Floresta, para exigência do valor total (somados o principal, a multa e os juros) de R$199.395,57, relativa ao período de Jan a Dez/2007. Segundo o que se colhe do Relatório de Procedimento Fiscal, de fls. 1317 (numeração eletrônica), o auto de infração se deu, basicamente, pela exclusão indevida da base de cálculo do PASEP, das transferências realizadas a entidades que não se considerariam públicas, especificamente no caso, da exclusão pelo município, das transferências realizadas ao FUNDEB e ao FUNDEF, fundos, que, segundo mencionado no referido Relatório, “configuram mero fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, geridos pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, (...) não sendo consideradas entidades públicas.” Para esta afirmação, a Autoridade Fiscal ressalvou a aplicação do entendimento contido na Solução de Consulta de Divergência (sic) COSIT nº. 2, de 10/02/2009, DOU 12/02/2009). Além disso, ainda considerou tributáveis as receitas denominadas “Fundo de Participação dos Municípios”, por se constituírem em valores distribuídos a outros municípios (consistindo assim, em transferências correntes recebidas pelos municípios beneficiários da redistribuição). DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento em 09/11/2010, conforme documento postal de fls. 158 (numeração eletrônica), o sujeito passivo apresentou sua Impugnação Administrativa em 07/12/2010 às fls. 161179 (numeração eletrônica), aduzindo, em apertada síntese que: A Receita Federal identificou como fontes componentes da base de cálculo do Pasep, recursos obtidos pelo município que não podem compor sua base de cálculo em virtude de sua natureza vinculada; Que em virtude da existência desta vinculação, quanto à sua destinação, o Município autuado não pode simplesmente reter 1% das mesmas a título da contribuição exigida, em face da caracterização do desvio de finalidade; O sujeito passivo apresentou em sua defesa um quadro demonstrativo de suas fontes de receita, relacionadoas na seguinte ordem: a) Programas da Saúde/SUS; b) Programas da Assistência Social/FNAS; Fl. 316DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10469.721868/201083 Resolução nº 3402000.576 S3C4T2 Fl. 317 3 c) Programas de Educação/MEC; d) CIDE; e) Fundeb; f) Convênios; g) Convênios. Para cada uma destas fontes a defesa apresentada citou a legislação pertinente, dando ênfase na finalidade de sua instituição, aduzindo que seriam todas receitas vinculadas e com aplicações específicas e que não é possível excluir 1% de tais créditos (destinados às metas préestabelecidas trazidas nas legislações colacionadas) para o recolhimento do Pasep, sob pena de improbidade administrativa. Requereu assim a exclusão de tais receitas, por vinculadas, da base de cálculo da contribuição exigida, reconhecendo ainda a existência de valor a pagar no importe de R$20.083,29, anexando à defesa, às fls. 209 (n. e) o referido comprovante de recolhimento. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção à Impugnação e aos documentos apresentados pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE), julgou o processo em 30 de Maio de 2011, proferindo o Acórdão de nº. 1133.939, que restou assim ementando: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. Compõem a base de cálculo da contribuição para o PASEP devida pelas pessoas jurídicas de direito público as receitas correntes arrecadadas, bem como, independentemente de possuir, ou não, destinação predeterminada, as transferências correntes e das transferências de capital recebidas, deduzidas das transferências aquelas repassadas a outras entidades públicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Antes de entrar no mérito do julgamento, a DRJ/REC consigna que o sujeito passivo não questiona o dimensionamento das rubricas integrantes do auto de infração, mas sim, apenas daquelas rubricas constantes da tabela que elaborou, considerando não impugnadas as demais, nos moldes do artigo 17 do Decreto 70.235/72. Bem como, quanto ao pagamento realizado pelo contribuinte do valor reconhecido, a DRJ observou que o mesmo foi efetuado sem os acréscimos moratórios devidos a título de juros de mora e de multa de ofício, devendo a autoridade preparadora efetuar a cobrança amigável de referidos valores. Quando às alegações do contribuinte autuado, a Delegacias de Julgamento em resumo entendeu que os recursos recebidos pelo município atinentes ao SUS, FNAS, FNDE (MEC), FUNDEF, transferências em razão de convênios e da CIDE repassados aos municípios Fl. 317DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10469.721868/201083 Resolução nº 3402000.576 S3C4T2 Fl. 318 4 integram a base de cálculo do PASEP, independente de que tenham, ou não, destinação específica predeterminada, uma vez que eventual direcionamento na sua aplicação não os descaracteriza como “transferências” recebidas. Quanto ao FUNDEF e FUNDEB e ao Fundo de Participação do Município FPM, de forma específica, a DRJ cita Solução de Divergência COSIT nº. 12, de 28/04/2011, como entendimento de que tais receitas não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição, negando provimento ao que foi sustentado pelo contribuinte. A DRJ ainda determinou o processamento de autos apartados para prosseguimento da cobrança dos valores não impugnados. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme AR de fls. 266 (n.e), em 13/10/2011 o sujeito passivo foi cientificado do Acórdão de 1ª Instância, tendo apresentado o competente recurso voluntário em 07/11/2011, repisando os argumentos trazidos na peça impugnatória, além ainda de arrazoar: Que “na planilha que ora apensamos a este recurso – adendo 1, destacamos a receita orçamentária anual total (R$18.903.130.56), quando procedemos com a dedução das receitas que têm vinculação quanto ao seu gasto (7.575.863,09), apurandose o 1% devido a título de PASEP (R$113.272,67). Em seguida abatemos os valores recolhidos espontaneamente pelo Município (R$29.696,54, mais R$20.083,29), e aqueles que foram debitados automaticamente nas contas do FPM, ITR, LC 87, entre outros (R$63.492,84), concluindose que não há débito a ser pago ou parcelado pelo ente público municipal nesse período.” Que é vedada a utilização dos recursos do fundo para quaisquer despesas não consideradas como de manutenção e desenvolvimento da educação básica, citando o artigo 23 da Lei 11.494/2007; Que também outros municípios, como o de Santa Cruz/RN formularam consultas aos Ministérios da Educação e Saúde, acerca da viabilidade do uso destes recursos para fazer face aos recolhimentos ao PASEP, tendo ambos os ministérios pronunciadose pela impossibilidade de tal utilização, transcrevendo o PARECER/CODELEGIS/CONJUR/MS/KVB nº. 971/2011 e ainda Nota Técnica nº. 315/2011/DICAD/PFFNDE/PGF/ACGU; Ao final, pediu a reforma da Decisão recorrida, bem como, à vista dos pareceres mencionados, reconhecer a exclusão das receitas tributadas da base de cálculo do PASEP, reconhecendose que o recorrente na tenha qualquer “dívida” a este respeito junto à Receita Federal do Brasil. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 1 (um) volume, Fl. 318DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10469.721868/201083 Resolução nº 3402000.576 S3C4T2 Fl. 319 5 numerado até a folha 314 (trezentos e quatorze) estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10469.721868/201083 Resolução nº 3402000.576 S3C4T2 Fl. 320 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo, atende os pressupostos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Inicialmente destaco que o processo traz três principais pontos de discussão, quais sejam: 1 Receitas autuadas e entendidas pelo contribuinte como devidamente pagas/indevidas e entendidas pela Autoridade Julgadora como não impugnadas; 2 Inclusão ou não de receitas ditas como vinculadas (FUNDEF, FUNDEB, FNAS, FNS, FNDE) na base de cálculo da contribuição autuada; 3 Exigência de valor decorrente de multa de ofício e juros sobre valor de contribuição pago pelo sujeito passivo quando da impugnação. Primeiramente esclareço que o “ponto 2” acima citado é, na verdade, a essência da discussão travada no processo, tendo que, em momento oportuno, esta Autoridade Julgadora pronunciarse acerca de seu entendimento sobre a incidência ou não da Contribuição ao PASEP sobre receitas que possuam vinculação e destinação legal expressa. Também considero que o “ponto 3” mereça pronunciamento específico, manifestandose este Conselho sobre a cobrança (já determinada pela Instância a quo) dos juros e da multa de ofício incidentes sobre a parcela de R$20.083,29 reconhecida pelo contribuinte em sede de Impugnação. Porém, nenhuma destas análises se torna possível sem antes, seja sanada a dúvida que paira na questão proposta no “ponto 1”, que apesar de parecer genérica (valores entendidos como devidos pela Autoridade Fiscal, e entendido como indevidos pelo contribuinte), denota certa compreensão dos fatos ocorridos nos autos, o que não ficou exatamente claro. Explico: É que, da leitura do Relatório de Procedimento Fiscal anexado ao auto de infração discutido nestes autos, podese ler, claramente, a sistemática adotada pela Autoridade Administrativa na concatenação dos fatos que a levaram a lavrar este lançamento, sem, contudo, ficar exatamente evidente, quais foram todas as receitas por ele verificadas e incluídas numa tributação que não fora a mesma realizada pelo contribuinte. Da leitura do referido documento, inicialmente se têm: “1.Introdução”, “2.Histórico do Procedimento Fiscal”, “3.Documentação Examinada”, “4.Base de Cálculo da Contribuição ao Pasep”, “5.Apuração dos Valores Devidos”, “6.Aplicação da Multa de Ofício”, “7.Representação Fiscal para Fins Penais” e, por fim, “8.Relação de Anexos”. Entendo que a identificação do objeto principal da controvérsia vertida nos autos nasce do texto contido nos tópicos “4.Base de Cálculo da Contribuição ao Pasep” e “5.Apuração dos Valores Devidos”, de onde se poderia extrair quais as receitas que a Fl. 320DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10469.721868/201083 Resolução nº 3402000.576 S3C4T2 Fl. 321 7 Autoridade Fiscal compreende como componentes da base de cálculo do PASEP – e, notoriamente não consideradas pelo autuado – bem como, de onde também se poderia compreender o cálculo efetuado pelo Fiscal para o lançamento dos valores exigidos no auto de infração. Ocorre que, no tópico onde se deveria obter a compreensão das receitas controvertidas entre Fisco x Contribuinte, é possível, inicialmente, ler a conceituação das receitas previstas legalmente como base de cálculo do PASEP, listadas taxativamente pela Autoridade competente da seguinte maneira: “a) Receitas Correntes”, “b) Transferências Correntes” e “c) Transferências de capital”. Neste sentido, friso que a explanação da Autoridade traz apenas o entendimento conceitual tido para aquelas receitas, sem, no entanto, esclarecer se, de alguma delas, o autuado deixara de pagar a contribuição. Após este esclarecimento, ainda no tópico “4.Base de Cálculo da Contribuição ao Pasep” do Relatório de Procedimento Fiscal, a Autoridade Autuante passou a tecer comentários específicos sobre a exclusão indevida das receitas recebidas pelo Município autuado relativas ao FUNDEF, FUNDEB e ainda ao Fundo de Participação dos Municípios, levando (até o momento) a crer que seriam estas as receitas sobre as quais se fundaria a pretensão tributária lançada. Em seguida, no tópico “5.Apuração dos Valores Devidos”, a referida Autoridade mencionou apenas que para os valores constantes das tabelas anexas ao lançamento havia procedido ao cálculo da seguinte forma: Considerando, primeiramente, que os recursos recebidos do FUNDEB, distribuídos no âmbito do Governo Estadual compunham a base de cálculo do PASEP, o Fisco havia então verificado quais foram os valores de PASEP RETIDOS do contribuinte, bem como quais eram os valores da aludida contribuição RECOLHIDOS (informados aos sistemas da RFB) e ainda, que a alíquota da referida contribuição seria 1%, confrontando finalmente os valores devidos e os efetivamente recolhidos, chegando assim aos valores que deveriam ser constituídos (acrescidos obviamente dos juros de mora e da multa de ofício). Vêse, que resta perfeitamente comum a explanação desta apuração, até mesmo lógica, não restando, neste ponto, dúvida que pudesse pairar. Todavia, no julgamento em 1ª Instancia a DRJ/REC inicia seu voto com a seguinte informação, que transcrevo por ser de extrema pertinência ao esclarecimento do ponto a que pretendo chegar: 11. Inicialmente, é oportuno salientar que a contribuinte não questiona o dimensionamento dos valores das rubricas integrantes do auto de infração examinado, mas apenas reputa que as parcelas constantes da tabela constante do item 6.1 acima, tidas como não tributáveis pela recorrente, devam ser deduzidas da base de cálculo da contribuição. Logo, considerase não impugnado o valor das supraditas rubricas, aos moldes do art. 17, do Decreto nº 70.235/72. 12. Quanto ao valor da contribuição do PASEP sobre as demais rubricas não questionadas, que atingem o montante de R$ 11.327.267,47, observase que a contribuinte, após abater os montantes da contribuição retidos na fonte e recolhidos em 2007, Fl. 321DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10469.721868/201083 Resolução nº 3402000.576 S3C4T2 Fl. 322 8 reconhecese devedora da importância de R$ 20.083,89, que não foi discutida e em relação à qual a recorrente realizou o recolhimento de fl. 209. 13. Ocorre que o pagamento de fl. 209 é insuficiente para a extinção da parcela não impugnada, por ter sido realizado sem os acréscimos moratórios devidos a título de juros de mora e de multa de ofício. Apesar disto, não há notícias nos correntes autos de que haja sido adotada a providência citada no art. 21, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 o que deverá ser observado pela autoridade preparadora. Como se vê, o julgador a quo menciona a existência das “supraditas rubricas”, entendidas como não impugnadas, sendo, no entanto, importante observar que as três rubricas mencionadas no Relatório de Procedimento Fiscal foram expressamente contestadas pelo então Impugnante (FUNDEF, FUNDEB, FNAS, FNS, FNDE) e ainda o Fundo de Participação dos Municípios, restando questionável quais seriam exatamente estas rubricas mantidas na autuação, por não impugnadas. Acrescentese ainda o fato de que o contribuinte recorreu da afirmação da DRJ acima destacada, aduzindo que possuía uma receita orçamentária anual total de R$18.903.130,56 e que deste total excluiu o montante de R$7.575.863,09 a título de receitas vinculadas, e ainda, que desta diferença (R$11.327.267,47) apurou e recolheu o 1% a título de PASEP, não tendo “supraditas receitas” sobre as quais deveria ter recolhido a contribuição exigida. Ocorre que sobre este aspecto do recurso do contribuinte não possuo condições de proferir qualquer juízo de valor, uma vez que, de acordo com a cronologia dos fatos acima, não se pode compreender quais as receitas que estão envolvidas no sustento do Fisco de que devam ser cobradas – por não impugnadas, e no argumento do contribuinte de que não podem ser exigidas. Tenho assim, por conta do que foi exposto, que no estado em que se encontra, este processo não possui condições de receber um julgamento justo, merecendo, antes de ser efetuada análise sobre qualquer outra questão proposta, que primeiramente se esclareça quais são as receitas consideradas pela Autoridade Julgadora como não impugnadas e, pelo contribuinte como inexigíveis. Neste sentido, voto para que sejam baixados estes autos à Autoridade Preparadora, afim de que elabore relatório conclusivo, esclarecendo pormenorizadamente quais as receitas excluídas indevidamente da base de cálculo do PASEP a que se refere o lançamento, e após, cientifique o autuado deste relatório, para querendo, se manifestar. Ao retorno dos autos com as referidas informações, deverá este processo ser novamente direcionado à este Relator, para a efetiva análise dos pontos apresentados pelo contribuinte no recurso voluntário. É como voto. João Carlos Cassuli Jr – Relator. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 9/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.901552/2010-09
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
PRELIMINAR SUPERADA. ANÁLISE DO MÉRITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RETORNO AO ÓRGÃO DE ORIGEM.
Superada a preliminar de impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, e sob pena de supressão de instância, devem ser retornados os autos ao órgão de origem, para análise do mérito pela autoridade preparadora, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação.
Numero da decisão: 1803-001.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Marcos Antônio Pires.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2006 PRELIMINAR SUPERADA. ANÁLISE DO MÉRITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RETORNO AO ÓRGÃO DE ORIGEM. Superada a preliminar de impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, e sob pena de supressão de instância, devem ser retornados os autos ao órgão de origem, para análise do mérito pela autoridade preparadora, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10865.901552/2010-09
anomes_publicacao_s : 201310
conteudo_id_s : 5301518
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1803-001.894
nome_arquivo_s : Decisao_10865901552201009.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SERGIO RODRIGUES MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 10865901552201009_5301518.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Marcos Antônio Pires.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
id : 5126988
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:15:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046174700666880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1929; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 79 1 78 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.901552/201009 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.894 – 3ª Turma Especial Sessão de 8 de outubro de 2013 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO Recorrente ACRIZA FACTORING FOMENTO MERCANTIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 PRELIMINAR SUPERADA. ANÁLISE DO MÉRITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RETORNO AO ÓRGÃO DE ORIGEM. Superada a preliminar de impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, e sob pena de supressão de instância, devem ser retornados os autos ao órgão de origem, para análise do mérito pela autoridade preparadora, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 15 52 /2 01 0- 09 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10865.901552/201009 Acórdão n.º 1803001.894 S1TE03 Fl. 80 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Marcos Antônio Pires. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10865.901552/201009 Acórdão n.º 1803001.894 S1TE03 Fl. 81 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 29): Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face de Despacho Decisório em que foi apreciada a PER/DCOMP de nº 24137.42270.311005.1.3.04 0993, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ (código de receita: 2352) e CSLL (código de receita: 2484) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 2362). Por intermédio do despacho decisório de fl. 07, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado “por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Cientificada em 14/06/2010 (fl. 26), a contribuinte interpôs, em 14/07/2010, a manifestação de inconformidade de fls. 10/18, na qual alega, em síntese, que: a) a origem do crédito decorre de pagamento mensal indevido do IRPJ de julho de 2005; b) o despacho decisório apenas constatou que o crédito utilizado na compensação declarada tem origem no pagamento a maior que o devido de IRPJ (código de receita: 2362); c) ocorre que em agosto de 2005, a impugnante recolheu um DARF no valor de R$ 678,98, referente à estimativa de julho de 2005 e tal valor foi recolhido de forma indevida, conforme DIPJ do período, uma vez que os pagamentos de estimativas feitas até o mês de julho de 2005 e parte de agosto de 2005 eram suficientes para a liquidação do valor apurado; d) referida decisão não pode prevalecer, pois se a impugnante realizou pagamento indevido, o referido valor deve ser utilizado para compensação de tributos federais por ela devidos; e) a negativa de compensação não encontra suporte no ordenamento jurídico; f) a obrigação tributária de recolher estimativas, como toda obrigação, tem um critério quantitativo que delimita o montante necessário à satisfação da obrigação, dessa forma, qualquer valor pago acima do previsto no critério quantitativo enseja o direito a sua restituição; g) discorre sobre as regras de compensação expedidas pela SRF, dentre elas: a IN SRF nº 598/05; h) a IN RFB nº 900/2008 já era vigente na data do despacho decisório, embora a autoridade fiscal tenha trazido como fundamento o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005; h) o referido artigo não veda expressamente a possibilidade de compensação; i) tendo em vista que há recolhimentos a maior além dos valores devidos e as normas à época vigentes autorizavam a restituição e compensação, deve ser afastado o despacho decisório proferido e homologada a compensação declarada; j) caso não se acolham as razões expostas, o valor pago indevidamente deve receber tratamento de saldo negativo, sobre o qual deverá incidir Selic, a partir de janeiro de 2006, com a consequente compensação dos valores indicados como débitos até o limite do crédito reconhecido; k) assevera que há suspensão da exigibilidade relativamente aos débitos objeto de compensação, assegurado pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Ao final, requer que seja conhecida e Fl. 81DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10865.901552/201009 Acórdão n.º 1803001.894 S1TE03 Fl. 82 4 provida a presente manifestação de inconformidade, declarandose a ineficácia do referido despacho. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 28): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/08/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 13/09/2012 (fls. 46 numeração digital ND), a tempo, em 15/10/2012 (segundafeira), apresenta a interessada Recurso de fls. 47 a 57 (ND), instruído com os documentos de fls. 58 a 77 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10865.901552/201009 Acórdão n.º 1803001.894 S1TE03 Fl. 83 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A decisão recorrida muito a contragosto, digase de passagem admitiu o recolhimento a maior de estimativa como pagamento indevido ou a maior de tributo, na forma do entendimento contido na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. 5. Não obstante, equivocadamente, e suprimindo uma instância, deixou de retornar os autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, o que se procede agora. 6. De se observar, por oportuno, que aquele entendimento (SCI nº 19, de 2011) tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa, não abrangendo a mera mudança de opção (com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços ou balancetes de suspensão ou redução). 7. Claro está, também, que o sujeito passivo, quando do encerramento do ano calendário, deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. 8. Dessa forma, a homologação expressa exige que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10865.901552/201009 Acórdão n.º 1803001.894 S1TE03 Fl. 84 6 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos ao órgão de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 84DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
