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Numero do processo: 11686.000023/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
DILIGÊNCIA A PEDIDO DO SUJEITO PASSIVO. ASÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. IDEFERIMENTO.
Por força de disposição legal, considera-se não realizado o pedido de diligência que não atende aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido em Parte e, na parte conhecida, Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3102-002.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência; não tomar conhecimento do Recurso Voluntário no que se refere ao direito de utilização do saldo remanescente de períodos anteriores ao mês de abril de 2006 para compensação dos débitos objeto da lide e em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito na aquisição de Vapor; Nitrogênio/Nitrogênio Líquido; Nitrogênio Gasoso; Água Clarificada e do material de embalagem especificado como big bag, mag bag, filme tubular, caixa de papelão, capa, liner, tambor, tintas, etiquetas, container, folha de papelão e palet.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 15/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé e Maria do Socorro Ferreira Aguiar. As Conselheiras Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama se declararam impedidas.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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APURAÇÃO. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. CONCEITO. O sistema não cumulativo de apuração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins admite que, do valor dos débitos lançados, sejam reduzidos os créditos calculados com base nos gastos incorridos na compra de insumos utilizados na fabricação de bens ou execução de serviços. A interpretação do texto normativo impõe o reconhecimento de que o conceito legal de insumo, terminologia empregada nas Leis 10.833/03 e 10637/02, não alcança a totalidade dos gastos necessários à realização do negócio da empresa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 OBJETO DA LIDE. DELIMITAÇÃO. IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO. Nos termos da legislação de regência do Processo Administrativo Fiscal, a impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerase precluso o direito de discutir matéria que não tenha sido expressamente contestada desde a manifestação de inconformidade/impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 DILIGÊNCIA A PEDIDO DO SUJEITO PASSIVO. ASÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. IDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 00 23 /2 00 9- 15 Fl. 885DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Por força de disposição legal, considerase não realizado o pedido de diligência que não atende aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido em Parte e, na parte conhecida, Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência; não tomar conhecimento do Recurso Voluntário no que se refere ao direito de utilização do saldo remanescente de períodos anteriores ao mês de abril de 2006 para compensação dos débitos objeto da lide e em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito na aquisição de Vapor; Nitrogênio/Nitrogênio Líquido; Nitrogênio Gasoso; Água Clarificada e do material de embalagem especificado como big bag, mag bag, filme tubular, caixa de papelão, capa, liner, tambor, tintas, etiquetas, container, folha de papelão e palet. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 15/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé e Maria do Socorro Ferreira Aguiar. As Conselheiras Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama se declararam impedidas. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de Manifestação de Inconformidade da interessada contra o Despacho Decisório nº 0025/2011 (fl. 269), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari (DRF/CCI), que homologou apenas parcialmente a compensação pretendida através de PER/DCOMP (fls. 0105). A interessada pretendeu utilizar um crédito oriundo de ressarcimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, apurado no regime nãocumulativo e relativo ao período de apuração de abril de 2006, para compensar débito próprio de tributo administrado pela Receita Federal. A autoridade fiscal, após a análise do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, bem como dos documentos entregues pela contribuinte em resposta às intimações, reconheceu apenas em parte o direito creditório em favor da interessada, conforme apontado no Parecer DRF/CCI/Saort nº 005/2011 (fls. 238251). Foram realizadas, pela autoridade fiscal, glosas de créditos relacionados com insumos diversos e materiais de embalagem que não atenderiam aos preceitos da legislação da Cofins não cumulativa, em especial a Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11686.000023/200915 Acórdão n.º 3102002.403 S3C1T2 Fl. 3 3 Cientificada do despacho decisório em 28/03/11, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade em 27/04/11 (fls. 284312), sendo esses os pontos de sua irresignação, em síntese: É inaplicável o conceito de insumo albergado na legislação do IPI, tomado por empréstimo pela IN nº 404/04, para operacionalizar a sistemática não cumulativa da Cofins. É inegável a ilegalidade dessa instrução normativa, ao recepcionar conceito restritivo de insumos, não veiculado pela própria Lei nº 10.833, de 2003, em nítida usurpação de competência. Assim, afiguramse como efetivos insumos do processo produtivo, dentre outros: 1) Vapor, utilizado como força motriz de diversos maquinários e equipamentos; 2) Nitrogênio Líquido, que possui diversas funções, como alimentação dos sistemas de reação e de purga, atuando como diluente, transportador, dispersor de oxigênio, e, embora não integrando o produto final, é imprescindível para a produção de polietileno; 3) Nitrogênio Gasoso, utilizado como fluido de selagem na tancagem dos produtos finais; 4) Água Clarificada, utilizada nas torres de resfriamento da planta industrial; 5) Materiais de Embalagem, utilizadas para identificação e transporte do produto final. Registrese que, em face da grande quantidade de produtos listados pela autoridade fiscal na relação de insumos glosados, a requerente priorizou aqueles cujas glosas montam maior expressão monetária, razão pela qual requer, desde já, a realização de diligência fiscal para que auditor estranho ao feito possa aferir que os demais produtos satisfazem aos mesmos requisitos Ainda quanto aos materiais de embalagem, é importante pontuar que a distinção entre “embalagem incorporada ao produto” e “embalagem de transporte”, engendrada pela fiscalização, não encontra amparo legal na legislação. Caso não se entenda pela ilegalidade da IN nº 404/04, cumpre então à ora requerente demonstrar, nessa hipótese, a única interpretação possível de tal norma regulamentar, que consiste em entender que a “ação direta” do insumo não está adstrita ao contato físico deste com o produto, mas sim à sua afetação direta ao processo produtivo. Quanto às divergências relativas aos itens “Despesas de Armazenagem de Mercadorias e Fretes na Operação de Vendas” e “IMP – Bens para Revenda”, em que pese o fato de não ter conseguido identificar a origem das diferenças dentro do prazo para a manifestação de inconformidade, a requerente está convicta de que não violou a legislação de regência da matéria. Protesta, desde já, pela juntada posterior de razões complementares, inclusive com novos documentos. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente geram créditos da Cofins as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou Fl. 887DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 4 químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. É inócuo suscitar na esfera administrativa alegação de ilegalidade de ato normativo editado pela Receita Federal. MATERIAL DE EMBALAGEM. Na sistemática não cumulativa de apuração da Cofins, o desconto de créditos apurados sobre a aquisição de insumos vinculados à produção de bens para venda não se estende aos materiais utilizados para permitir ou facilitar o transporte dos produtos, uma vez que essa operação não integra o processo produtivo. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Começa por esclarecer que, ao final do mês de abril de 2006, constatou na sua escrita a existência de uma saldo credor acumulado de Cofins Exportação no importe de R$ 2.028.059,88, composto pelo crédito acumulado no próprio mês de abril, no valor de R$ 687.539,85, e nos meses anteriores, no valor de R$ 1.340.520,03, tendo solicitado a compensação, por meio da PER/Dcomp objeto do presente litígio, do valor total, não apenas do valor apurado no mês de abril. Alongase a respeito desse assunto, defendendo a precedência do princípio da verdade material sobre as formalidades determinadas pela legislação infra legal. Reconhece ter cometido um erro ao preencher um único PER/Dcomp para o mês de abril de 2006, quando, conforme rezam as normas, deveria ter apresentado outro PER/Dcomp, segregando os créditos do primeiro trimestre de 2006, mas entende que essa formalidade não pode ser oposta a um direito que tem. Retorna à argumentação expendida em sede de manifestação de inconformidade acerca do correto conceito de insumo para fins de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e, corolário, da impertinência da definição pretendida pelos Atos Normativos editados pela Secretaria da Receita Federal. Referindose especificamente aos produtos utilizados como insumo no processo fabril glosados pelo Fisco, esclarece que, "em face da grande quantidade de produtos listados pela autoridade administrativa fiscal na "RELAÇÃO DE NOTAS FISCAIS GLOSADAS", entendeu por bem priorizar, em sua defesa, os insumos de maior expressão monetária, ao tempo em que requer a realização de diligência para averiguação a respeito dos demais itens não contemplados por sua inconformidade aqui expressa. Por conta disso, esclarece a aplicação dos seguintes itens, que, sempre segundo entende, constituem insumos utilizados no processo produtivo: (i) Vapor; (ii) Nitrogênio/Nitrogênio Líquido; (iii) Nitrogênio Gasoso; (iv) Água Clarificada e (v) Material de Embalagem. É o Relatório. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11686.000023/200915 Acórdão n.º 3102002.403 S3C1T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Utilização do Saldo Acumulado Dou início à análise do pleito pela contestação à circunscrição da lide ao valor acumulado durante o mês de abril de 2006, em detrimento do saldo acumulado em meses anteriores. A Informação Fiscal à folha 37 do Processo, do Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre, assim fez constar. 4. O contribuinte transmitiu Declaração de Compensação em meio eletrônico em 12/05/2006 utilizando créditos de Cofins vinculados a receitas de exportação do mês de abril/06. Em Declarações de Compensação efetuadas antes do encerramento do trimestrecalendário, como é o caso, só podem ser utilizados créditos apurados no próprio mês, logo, apenas o valor apurado no mês de abril/06, que é de R$ 687.539,85 (fl.35/36), é passível de ser aproveitado para compensações, conforme art.21 da Instrução Normativa 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época da utilização do crédito. O Parecer DRF/CCI/Saort N° 005/2011, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari presta o seguinte esclarecimento. Acontece que, antes do final do procedimento de verificação da procedência dos créditos da Cofins, e da emissão do competente Despacho Decisório pela DRF Porto Alegre, a Petroquímica Triunfo S/A foi baixada por incorporação pela Braskem S/A, empresa cujo estabelecimento matriz encontrase sob a jurisdição desta DRF Camaçari. Ante o exposto, aquela DRF encaminhou os autos do presente processo a esta Unidade da RFB (fl. 40), razão pela qual foi dada continuidade aos procedimentos então em andamento. Em vista das circunstâncias narradas, o pleito foi analisado pela DRF Camaçari, que chegou a seguinte conclusão (folha 249), confirmada pelo Despacho Decisório DRF/CCI nº 25/2011 (folha 264) . 68. Face ao anteriormente exposto e com base nas verificações e glosas efetuadas, as respectivas Fichas do DACON de fls. 41 a 54, passam a ficar conforme planilhas representativas em anexo (Anexos IV). Vale dizer que, nas planilhas constitutivas do referido Anexo, foi feita uma recomposição dos saldos remanescentes dos meses anteriores, tendo sido levado em consideração para tanto, o Parecer DRF/CCI/Saort n° 003/2011, referente a janeiro de 2006 (cópia às fls. 213 a 237) e os DACON de fevereiro de 2006 (fls. 181 a 195) e março de 2006 (fls. 196 a 210), tudo conforme Anexos IV.4.2, IV.4.3, IV.5.2 e IV.5.3. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 6 69. Como resultado da análise, chegase à conclusão que o valor do crédito a que se refere a DCOMP n° 42200.96364.120506.1.3.097092 (fl. 01 a 05) é de R$599.673,99 (crédito da COFINS NãoCumulativa Exportação, PA: abril/2006), correspondente ao montante obtido no item 08, deduzido do item 10, ambos da Ficha 24 do DACON Crédito de Aquisição no Mercado Interno Vinculado à Receita de Exportação, conforme planilha DACON Anexo IV.5.1. Conforme estampado nas considerações acima transcritas, apenas o crédito da COFINS NãoCumulativa Exportação, PA: abril/2006 foi reconhecido, no valor de R$ 599.673,99, a toda evidência, bastante inferior ao valor pleiteado pela Recorrente. O problema é que, ciente desta decisão, o contribuinte deixou de fazer qualquer menção ao assunto em sede de Manifestação de Inconformidade ao Despacho Decisório, trazendo o assunto apenas na fase recursal. Como é cediço, a impugnação instaura a fase litigiosa da exigência, restando precluso o direito à contestação de matéria não impugnada. Por força disso, deixo de conhecer do Recurso Voluntário, na parte em que se refere à contestação dirigida à glosa do saldo remanescente de períodos anteriores ao mês de abril de 2006 na compensação dos débitos objeto da lide. Conceito de Insumo A questão do que deva ser entendido como insumo, na acepção da palavra empregada pelo legislador na regulamentação do Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, não é assunto novo. A Secretaria da Receita Federal, com ninguém desconhece, baixou Atos Normativos interpretando de forma notadamente restritiva o termo. As Instruções Normativas n.º 247/02 e alterações posteriores e 404/04, definem que, em se tratando de empresas dedicadas à fabricação de bens para venda, insumo é, somente, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e aos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Contudo, tem sido entendimento majoritário na jurisprudência que vem se formando em segunda instância administrativa de julgamento, que o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições situase em posição intermediária, nem tão restritivo quanto o determinado pelo Fisco, nem tão amplo quanto aquele frequentemente defendido pelos contribuintes. Tem sido admitido o aproveitamento do crédito calculado com base nos gastos incorridos pela empresa com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como pretendem limitar os Atos Normativos supra citados, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Noutro vértice, não têm sido aceitas as despesas associadas à manutenção da atividade empresarial como um todo, sem qualquer vínculo especial com o processo produtivo propriamente dito. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, premissa por detrás das normas editadas pela Receita Federal do Brasil; tanto quanto parece não haver respaldo legal para inclusão de tudo o quanto admite o sistema de apuração do Imposto de Renda, como frequentemente defendem os contribuintes. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11686.000023/200915 Acórdão n.º 3102002.403 S3C1T2 Fl. 5 7 Esse balizamento, digase, está respaldado, de um lado, nas particularidades do método de apuração das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins e, de outro, na interpretação das disposições legais que autorizam a apropriação do crédito. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em conta que a incumulatividade tributária traz em si a ideia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Constribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo, terminologia derivada da expressão input, denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. É claro que essa interpretação não pode prevalecer. Insumo, tal como definido e para os fins a que se propõe o inciso II do artigo 3º, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente empregado na produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Produtos/gastos glosados Fl. 891DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 8 Embora a Recorrente invoque a grande quantidade de produtos listados pela autoridade administrativa na Relação de Notas Fiscais Glosadas como razão para o retorno do julgamento á Unidade de Origem, o fato é que tal pedido não pode ser acolhido, já que omisso em relação a requisitos essenciais ao reconhecimento de pedido de realização de diligência1. Assim, será analisada exclusivamente a procedência do direito ao crédito em relação aos gastos especificados no corpo do Recurso Voluntário, quais sejam: (i) Vapor; (ii) Nitrogênio/Nitrogênio Líquido; (iii) Nitrogênio Gasoso; (iv) Água Clarificada e (v) Material de Embalagem. Em relação a eles, não vejo nenhum sentido em percorrer outro caminho, que não o de reproduzir a qualificada abordagem empreendida pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, em decisão tomada por esta Turma, no mês de outubro passado, Acórdão 3102002.297, cujos fundamentos expendidos no excerto a seguir transcrito adoto, no couber à vertente lide, como se meus fossem. Em relação aos produtos intermediários, acima referenciados [Vapor (de 15 km/cm2 e 42 km/cm2); Nitrogênio; Nitrogênio Gasoso; Ar de Instrumento; Ar de Serviço; Água Clarificada; Água Desmineralizada e Solução de Limpeza], o motivo da glosa apresentado pela fiscalização fora que tais itens representavam “meras utilidades, não exercendo funções nem de matérias primas, nem de insumos, uma vez que não se desgastam ou deterioram em função de um contato direto com o produto em fabricação.” Da leitura do Laudo Técnico da recorrente (fls. 873/888) e do Parecer Técnico do IPT (fls. 956/1008), que descrevem a função de cada um dos referidos produtos intermediários utilizados no processo de produção do polietileno de alta densidade (PAD) e do polietileno de ultra alto peso molecular (UTEC), chegase a conclusão de que todos eles são empregados de forma direta e exclusiva na fabricação dos produtos vendidos/exportados pela recorrente, portanto, atendem plenamente o conceito de insumo de produção definido no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003. No que concerne ao material de embalagem, informou a fiscalização, com base nas informações prestadas pela recorrente, que se tratava de embalagem para o transporte e não apresentação do produto. O material de embalagem não admitido como insumo pela fiscalização foram os seguintes: big bag, caixa de papelão, capa, container, folha de papelão, liner, lona, mag bag, palete, saco, filme tubular e tambor. Por sua vez, a recorrente informou que, após serem produzidos e embalados, os produtos fabricados eram empilhados sobre os paletes material adquirido com a finalidade de deslocar as embalagens dentro da planta para, então, serem transportados do setor de ensacamento para o de estoque; deixando, por fim, o estabelecimento da recorrente com destino aos seus compradores. Logo, era forçoso concluir que tais embalagens eram indispensáveis para a venda do polietileno produzido pela recorrente, diante do que os custos na sua aquisição deviam compor a base de cálculo do crédito da Cofins vinculado às receitas de exportação. Em 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11686.000023/200915 Acórdão n.º 3102002.403 S3C1T2 Fl. 6 9 relação aos materiais utilizados no “acabamento” das embalagens, era importante esclarecer que eram estes utilizados, em verdade, na identificação final do produto. No subitem 5.2 do Parecer Técnico do IPT (fls. 992/998), encontrase descrita, em detalhes, a função de cada material e a forma como utilizado, de onde se extrai, para uma melhor compreensão, os fragmentos de textos a seguir transcritos: Isto posto, peço licença para propor parcial modificação no entendimento firmado na decisão contida no Acórdão 3102002.297, acima parcialmente transcrito e, ao assim fazêlo, alterar o meu próprio entendimento em relação à glosa dos gastos com material de embalagem. É que, revendo os apontamentos presentes no Parecer Técnico do IPT, ficou, a meu ver, esclarecido que os materiais de embalagens identificados como container, folha de papelão, filme tubular, tintas, etiquetas e paletes, cuja glosa foi mantida naquela decisão, não se prestam simplesmente, como lá pareceunos, à facilitação, qualificação ou, de qualquer outra forma, otimização do transporte da mercadoria, mas também e principalmente à proteção e identificação da mercadoria em si, independentemente do local onde as mesmas se encontrem. Os filmes tubulares tem função e finalidade equivalente aos Big Bags e aos Mag Bags. Eles são utilizados no ensacamento do produto, que pode ser vendido embalado em Big Bags, se granulado, Mag Bags, se em pó, ou em sacos, de acordo com a quantidade comercializada. Os filmes tubulares são o material do qual se obtém os sacos com as extremidades fechadas. Não há razão para que se aceitem os Big Bags e os Mag Bags como sendo parte integrante do produto e não se aceitem os filmes tubulares. Vale o mesmo para os contêneires flexíveis. Conforme exaustivamente comentado no Parecer Técnico esse é um dos nomes dados aos Big Bags. Portanto, são o mesmo produto. Por fim, os paletes de madeira (ou palets), embora por certo facilitem o transporte, têm também a finalidade de evitar o adernamento do conjunto, garantindo sustentação mecânica ao pacote final e isolandoo do contato com o solo, o que afasta a possibilidade de contaminação do produto, esteja ele onde estiver, ao passo que as folhas de papelão evitam que o contato do conjunto com o próprio palete cause perfurações ou outro tipos de danos, evitando, assim, também a possibilidade de contaminação. A conclusão a que chego é a de que nenhum desse elementos pode ser considerado como destinados ou utilizados exclusivamente no transporte da mercadoria e, por conseguinte, devem ser reconhecidos como parte integrante dela. VOTO por (i) indeferir o pedido de diligência; (ii) não conhecer do Recurso Voluntário no que se refere ao direito de utilização do saldo remanescente de períodos anteriores ao mês de abril de 2006 para compensação dos débitos objeto da lide e (iii) por dar lhe parcial provimento na parte em que foi conhecido, para reconhecer o direito ao crédito na aquisição de Vapor; Nitrogênio/Nitrogênio Líquido; Nitrogênio Gasoso; Água Clarificada e do material de embalagem especificado como big bag, mag bag, filme tubular, caixa de papelão, capa, liner, tambor, tintas, etiquetas, container, folha de papelão e palet. Sala de Sessões, 18 de março de 2015. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 10 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 894DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 15374.724372/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 21 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o relator Conselheiro Daniel Mariz Gudino. Redator designado: Conselheiro Winderley Morais Pereira.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Redator ad hoc e designado.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o relator Conselheiro Daniel Mariz Gudino. Redator designado: Conselheiro Winderley Morais Pereira. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Redator ad hoc e designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 24 37 2/ 20 09 -0 9 Fl. 4904DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.904 2 Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc para formalização da respectivo resolução e redator designado para o voto vencedor, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ata da respectiva sessão de julgamento e determinação do Sr. Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Petróleo Brasileiro S/A Petrobras. Para bem contextualizar a controvérsia existente nos autos do presente processo, convém transcrever o relatório da decisão recorrida, in verbis: A contribuinte acima identificada transmitiu a Dcomp 22980.45181.150409.1.3.046650 em 15 de abril de 2009, consignando como crédito o valor de R$ 21.337.651,48 relativo à Cofins (código 5856) de fevereiro de 2009. A compensação não foi homologada, tendo em vista o resultado da análise que apurou de ofício o débito da Cofins do mês de fevereiro de 2009 (código 5856) no valor de R$ 207.717.218,96 e não somente R$ 168.990.135,01 conforme DCTFs apresentadas. Os fundamentos para o aumento do valor da Cofins devida no referido mês e o consequente não reconhecimento do direito creditório foram, em resumo, glosas de créditos relativos a serviços utilizados como insumos, de despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda e de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica. No Despacho Decisório acostado às fls. 4.531 a 4.543 há a descrição pormenorizada do procedimento efetuado e dos valores apurados. A ciência quanto ao despacho decisório ocorreu em 25 de julho de 2013, conforme Termo de fl. 4.547. Em 14 de agosto de 2013, foi protocolada a manifestação de fls. 4.549 a 4.571, na qual, após relato dos fatos, foi alegado, em apertada síntese, que: a) o valor do crédito foi apurado pelo abatimento das parcelas dedutíveis da base de cálculo que, por equívoco, não havia sido efetuado, no valor total de R$ 280.572.768,50; b) as glosas efetuadas de ofício estão baseadas na corrente restritiva que considera insumo apenas o bem ou serviço que integra o produto final, tese já superada pela melhor doutrina, no CARF e, inclusive, no STJ; c) é absurdo o entendimento de que, em uma empresa cuja atividade principal seja a extração de petróleo, principalmente em áreas marítimas distantes da costa, serviços como de rebocador, movimentação de cargas marítimas, praticagem, amarração de navios, manutenção de embarcações e de equipamentos de comunicação não sejam considerados insumos; Fl. 4905DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.905 3 d) mesmo que informadas em campo impróprio do Dacon, as despesas com transportes internos e táxi, aéreo e terrestre, geram a possibilidade de crédito da Cofins, em face dos motivos já esposados (letra “c” acima) e , também, pela necessidade da movimentação de produtos da área de exploração para as refinarias; e) a glosa relativa ao transporte de gás da Bolívia merece ser revertida, já que efetuado após o desembaraço aduaneiro, entre municípios situados em território nacional; f) quanto às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, apesar da classificação errônea no Dacon, elas são passíveis de dedução da Cofins; g) as notas de débito fazem prova em favor da contribuinte e são suficientes para a fruição dos créditos de Cofins, não havendo necessidade da emissão da Nota Fiscal para esse fim, uma vez não haver essa exigência na legislação; h) a alocação de créditos provenientes de meses anteriores, não representa prejuízo ao regime de competência do tributo, bastando ao contribuinte demonstrar a ocorrência do custo/despesa previsto em lei para ter direito ao crédito da contribuição em momento futuro; i) o descumprimento de obrigação acessória, quando possível a demonstração do crédito inerente à obrigação principal, está sujeito apenas à sanção administrativa por tal descumprimento, mas não à rejeição do crédito arguido para fins de compensação, devidamente demonstrado. Ao final, é requerido: a) a juntada posterior de documentos e a produção de outras provas necessárias ao deslinde da questão; b) as intimações sejam dirigidas ao endereço informado no preâmbulo da manifestação, mais precisamente à sala 1804; c) a homologação da compensação declarada. A decisão recorrida, consubstanciada no Acórdão nº 0434.173, de 19/11/2013, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2009 a 28/02/2009 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal as provas documentais devem ser apresentadas junto com a impugnação. CRÉDITOS DE COFINS. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. PRESCRIÇÕES LEGAIS. Os créditos relativos à Cofins não cumulativa só são reconhecidos no caso de as operações que lhe deram origem estarem balizadas nas estritas raias das prescrições legais. Fl. 4906DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.906 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs o seu recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em síntese, os argumentos suscitados em sua defesa inaugural. Além disso, pugnou pela reforma da decisão recorrida para que o seu direito creditório seja integralmente reconhecido. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Winderley Morais Pereira, Redator ad hoc. Inicialmente é necessário ressaltar que em razão da saída do Conselheiro Daniel Mariz Gudino deste Conselho, fui designado como redator ad hoc do voto vencido, nos termos previstos no art. 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este processo tratamento diverso, que foi consignado no voto vencedor que faz parte desta resolução, passo a seguir ao voto vencido, proferido pelo Conselheiro Daniel Mariz Gudino na sessão do dia 19/03/2015 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminares Não constam preliminares de nulidade no recurso voluntário. Mérito Para bem decidir todos os temas abrangidos pelo recurso voluntário, esclarecese que o mesmo está dividido nos seguintes itens temáticos: (i) serviços utilizados como insumos; (ii) despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda; (iii) serviço de transporte de óleo cru pela Companhia de Navegação da Amazônia; (iv) serviço de transporte de gás da Bolívia; (v) despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; e (vi) créditos de "despesas" ocorridas em competências diversas (crédito extemporâneo), sem a retificação do DACON. Serviços utilizados como insumos Os serviços utilizados como insumos que foram objeto de glosa são os seguintes: obras portuárias, rebocadores portuários, movimentação de cargas marítimas, serviços de praticagem, amarração de navios, manutenção em embarcações e unidades móveis; serviços de informática; serviços de consultoria; projetos; serviços médicos; serviços de apoio; administração e fiscalização de obras; construção de instalações; obras de edificação, conservação e limpeza predial; manutenção de equipamentos de telecomunicação e de ar condicionado. Fl. 4907DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.907 5 Inicialmente, é importante situar a discussão neste tópico, e, para tanto, transcrevese, a seguir, o trecho de uma obra bastante elucidativa sobre o tema dos insumos no contexto da apuração do PIS e da Cofins não cumulativos. Confirase: Com base no núcleo de materialidade constitucional do PIS/COFINS, qual seja, o faturamento, o critério para se determinar se um bem ou serviço pode ser considerado insumo para fins de creditamento do PIS/COFINS deve estar vinculado com a formação da receita. Conforme já mencionado anteriormente, a receita é fruto do desempenho de atividade econômica. Aqui se retorna à questão da relevância da atividade econômica para o PIS/COFINS: se ela é importante para definir as receitas que serão objeto de incidência destas contribuições, também o serão quando se tratar dos gastos geradores de crédito. O estabelecimento da sistemática nãocumulativa do PIS/COFINS careceria de coerência interna se utilizasse um parâmetro para sua incidência e outro para a fruição dos créditos. Se o legislador quis tributar todas as receitas, para manter a coerência, deve ser considerado como insumo todo e qualquer gasto necessário para obtenção destas receitas. Neste sentido, o insumo engloba todos os gastos referentes aos elementos necessários para o auferimento das receitas. O insumo no PIS/COFINS está intimamente relacionado ao faturamento da empresa e, portanto, a todas as forças realizadas pela empresa para o desenvolvimento da sua atividade empresarial. Mas não é qualquer elemento usado pela empresa que ganha a qualidade de insumo, mas somente aqueles essenciais ao processo gerador de receitas. Assim, o insumo pode integrar as etapas que resultam no produto, no serviço ou na venda de mercadorias, ou até mesmo as posteriores, desde que seja imprescindível para a obtenção de suas receitas. Desta forma, o critério informador da qualificação de determinado bem ou serviço como insumo é a sua essencialidade ao processo de geração de receitas referentes à produção de bens, prestação de serviços ou venda de mercadorias. Este é o fator preponderante para geração de créditos de PIS/COFINS. O processo de geração de receitas não se concretizaria, ou se concretizaria em qualidade inferior à desejada, sem a presença de certo insumo. Este não pode faltar sob pena de paralisação ou comprometimento deste processo. O mesmo critério – da essencialidade – é seguido no âmbito da União Europeia. Neste sentido, o artigo 176 da Diretiva n° 2006/112/CE estabelece que as despesas que não tenham caráter estritamente profissional são excluídas do direito à dedução do IVA, tais como despesas “sumptuárias, recreativas ou de representação”. Sendo assim, podemos definir insumo no PIS/COFINS nãocumulativo como sendo a “qualidade do bem ou serviço considerado elemento Fl. 4908DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.908 6 essencial para o processo de geração de receitas de determinada atividade econômica.1 O autor Janssen Murayama é bastante feliz ao fazer a vinculação entre a despesa considerada como insumo e a receita decorrente do processo produtivo da pessoa jurídica beneficiária do crédito, e mais ainda quando eleva o critério da vinculação à essencialidade. Há vários julgados no CARF que corroboram esse entendimento. Por essa razão, é de extrema importância que as pessoas jurídicas que apuram créditos de PIS e Cofins não cumulativos deixem muito claro qual é o seu processo produtivo e demonstrem a essencialidade daquela despesa para a conclusão desse processo. Tratase de uma condição sine qua non para a avaliação da conformação da despesa incorrida no caso concreto à prescrição normativa que autoriza a apropriação do crédito. Nesse contexto, verificase que a Recorrente indicou, ainda que superficialmente, qual é o papel dos itens glosados no seu processo produtivo, informando, inclusive, o grau de essencialidade de cada item nesse processo. A propósito, confirase o trecho extraído da peça recursal in verbis: Dito isso, temse como absurdo o entendimento de que, em uma empresa cuja principal atividade é a extração de petróleo, principalmente em áreas marítimas muito distantes da costa, os serviços de rebocador portuário, movimentação de cargas marítimas, praticagem, amarração de navios, manutenção em embarcações, manutenção de equipamentos de telecomunicações etc., não sejam considerados como insumos. Ora, eméritos julgadores, é possível que uma plataforma (na verdade várias delas) fique a milhares de quilômetros sem a automação de seus dutos realizadas por fibras óticas mantidas por serviços de telecomunicações? Ainda tendo em mente que a produção ocorre em altomar, caso os serviços de rebocador, movimentação de cargas marítimas, praticagem, amarração de navios e de manutenção de embarcações não possam ser considerados como insumos, o que poderia? Apenas serviços prestados diretamente na broca de perfuração? Com efeito, partindo desses novos contornos do conceito de insumos nem tão próximo ao conceito de insumos da legislação do IPI, nem tão distantes do conceito de despesas necessárias da legislação do Imposto de Renda , a autoridade preparadora deverá reavaliar as glosas realizadas e considerar as despesas essenciais ao processo produtivo da Recorrente. Despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda Em sua peça recursal, a Recorrente informa que algumas despesas foram informadas em campo impróprio do Dacon, nomeadamente o frete de empregados, matérias primas e produtos intermediários. Contudo, defende que tais dispêndios com transportes internos de produtos e com táxi, aéreo e terrestre, geram a possibilidade de crédito da Cofins, em face de se consubstanciarem em insumos da atividade. Isso porque, tais serviços de transporte são 1 MURAYAMA, Janssen. "O conceito de insumo no PIS/COFINS". Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2014, p. 7880 Fl. 4909DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.909 7 necessários à movimentação de produtos da área de exploração para as refinarias, assim como ao deslocamento de empregados para as plataformas marítimas ou entre o seu local de trabalho em terra e essas plataformas. A decisão recorrida baseiase no fato de que, de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, a única despesa de frete que gera crédito é o frete na venda de produto acabado, quando o vendedor assume o ônus da entrega ao comprador. Tratase de uma interpretação restritiva há muito já superada no âmbito do CARF, conforme se depreende das ementas abaixo transcritas in verbis: FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIAPRIMA ENTRE A FLORESTA E A FÁBRICA Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica configuram o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. (Acórdão nº 3402002.604, Rel. Cons. Alexandre Kern, Sessão de 28/01/2015) ......................................................................................................... CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte) e serviços de transporte de rejeitos industriais. (Acórdão nº 3401002.872, Rel. Cons. Eloy Eros da Silva Nogueira, Sessão de 29/01/2015) Com efeito, a autoridade preparadora deverá reavaliar as glosas realizadas, considerando que pode haver, sim, créditos decorrentes da contratação de serviços de transporte e armazenagem de matérias primas e produtos intermediários. Serviço de transporte de óleo cru pela Companhia de Navegação da Amazônia Conforme determinado no tópico anterior, a autoridade preparadora deverá reavaliar as glosas atinentes a este tópico, considerando que pode haver, sim, créditos decorrentes da contratação de serviços de transporte e armazenagem de matérias primas e produtos intermediários. No caso concreto, é inegável que o óleo cru está vinculado intrinsecamente ao processo produtivo da Recorrente, logo, o frete correspondente deve ser considerado para efeito de apuração de créditos de PIS e Cofins não cumulativos. Serviço de transporte de gás da Bolívia Conforme determinado no tópico anterior, a autoridade preparadora deverá reavaliar as glosas atinentes a este tópico, considerando que pode haver, sim, créditos decorrentes da contratação de serviços de transporte e armazenagem de matérias primas e produtos intermediários. No caso concreto, é inegável que o gás boliviano está vinculado intrinsecamente ao processo produtivo da Fl. 4910DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.910 8 Recorrente, logo, o frete correspondente deve ser considerado para efeito de apuração de créditos de PIS e Cofins não cumulativos. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica Neste tópico discutese despesas com a locação de aeronaves para transporte de pessoas e equipamentos, e de lanchas, rebocadores e embarcações de apoio marítimo, as quais foram informadas erroneamente no campo do DACON concernente a despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados pela pessoa jurídica. A Recorrente alega que esse erro formal não impede que seja aproveitado o crédito, uma vez que tais despesas são intrinsecamente conectadas ao seu processo produtivo. Extraise da decisão recorrida um trecho interessante para a presente análise, a saber: "Para que fosse possível a dedução, a contribuinte, após intimação, teria de ter comprovado que os afretamentos eram intimamente ligados à atividade operacional, o que não ocorreu". Ora, com a máxima vênia à instância a quo, se houve o afretamento de uma embarcação por uma empresa que extrai petróleo em alto mar, não é razoável crer que o mesmo teria sido contratado para finalidade diversa do objeto social da empresa, sobretudo diversas vezes. Nesse sentido, deverá a autoridade preparadora reavaliar a glosa das despesas atreladas a serviços de transporte erroneamente alocadas na Linha 06 da Ficha 16A do Dacon, tomando, como base para essa avaliação, o conceito de insumos já informado no tópico 2.1 supra. Registrese, por oportuno, que não é verdadeira a afirmação da Recorrente de que a mera alocação topográfica equivocada não é razão para nenhuma glosa. Na verdade, se a Recorrente tivesse alocado em insumos uma despesa que deveria integrar o ativo imobilizado, ela não poderia pretender que a autoridade preparadora fizesse o ajuste em tela, uma vez que a forma de apuração do crédito considera bases de cálculo diferentes. No caso dos créditos oriundos do ativo imobilizado, a base de cálculo corresponde à parcela do custo de aquisição correspondente à taxa de depreciação ou amortização, conforme o caso. Já no caso dos créditos oriundos de insumos, a base de cálculo é o valor integral da despesa correspondente. Créditos de "despesas" ocorridas em competências diversas (crédito extemporâneo), sem a retificação do DACON Finalmente, quanto aos créditos apurados extemporaneamente, sem a retificação do DACON, há farta jurisprudência do CARF no sentido de reconhecer esse procedimento como possível, desde que seja comprovada a não utilização anterior dos créditos. Confirase: PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. Verificando que deixou de aproveitar crédito pretérito de PIS ou de COFINS no regime da nãocumulatividade, o sujeito passivo pode dele usufruir (i) mediante retificação do DACON pertinente ao período de apuração correspondente ao da formação do direito e dos DACONs subseqüentes (e das respectivas DCTFs), caso em que ressarcirá o principal acrescido de juros de mora; ou, a seu critério, (ii) no período de apuração corrente, sem a necessidade de Fl. 4911DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.911 9 retificação de demonstrativos ou declarações anteriores, mas conformandose em aproveitar o crédito por seu valor nominal, sem atualização (art. 13 da Lei no 10.833/2003). (Acórdão nº 3403002.718, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, Sessão de 29/01/2014) ......................................................................................................... COFINS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da não utilização. (Acórdão nº 3403002.717, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, Sessão de 29/01/2014) ......................................................................................................... NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado nãocumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte. (Acórdão nº 3401001.581, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, Sessão de 01/09/2011) No caso concreto, a Recorrente limitouse a argumentar que o mero descumprimento de obrigação acessória não seria suficiente para fulminar o crédito apurado extemporaneamente, não fazendo qualquer prova de que o crédito alegado não fora utilizado anteriormente. De fato, desde que haja a prova da origem do crédito e da sua não utilização anterior, é possível que as autoridades fiscais competentes avaliem a sua liquidez e certeza. Contudo, sem que haja essas provas nos autos, é impossível que o crédito alegado seja avaliado corretamente pela repartição de origem, e muito menos pelas autoridades julgadoras. Por essa razão, em linha com a jurisprudência do CARF, deve ser mantida a glosa guerreada neste tópico. Conclusão Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer, em parte, o direito creditório da Recorrente, devendo ser considerado o conceito de insumo concebido por este CARF e se relevando os erros meramente formais, o que não ocorre, todavia, com os créditos extemporâneos alegados pela Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 4912DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.912 10 Voto Vencedor Conselheiro Winderley Morais Pereira, Redator designado. Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras da IN 404/04, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo da empresa, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo de insumo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: Fl. 4913DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 15374.724372/200909 Resolução nº 3201000.543 S3C2T1 Fl. 4.913 11 a) Intime a Recorrente, para no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços, que pretende aferir créditos para apuração da COFINS não cumulativa; b) A Unidade Preparadora deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 4914DF CARF MF Impresso em 21/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 19/08/ 2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/08/2015 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 11080.918910/2012-66
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 20/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 10 /2 01 2- 66 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918910/201266 Acórdão n.º 3801005.093 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918910/201266 Acórdão n.º 3801005.093 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918910/201266 Acórdão n.º 3801005.093 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918910/201266 Acórdão n.º 3801005.093 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918910/201266 Acórdão n.º 3801005.093 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918910/201266 Acórdão n.º 3801005.093 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918910/201266 Acórdão n.º 3801005.093 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918910/201266 Acórdão n.º 3801005.093 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10980.002207/2007-61
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003,2004,2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Identificada a ausência de registro de depósitos na escrita contábil da empresa cabe ao contribuinte apontar a sua origem e justificar a sua não escrituração. O efeito de sua desídia consiste na atribuição aos valores não justificados a condição de receitas omitidas, a teor do art. 42 da Lei nº 9.430/96.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal.
Numero da decisão: 1803-001.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão
Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator SÉRGIO LUIZ BEZERRA PRESTA não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Raimundo Parente de Albuquerque Junior, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Rodrigues Mendes.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003,2004,2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Identificada a ausência de registro de depósitos na escrita contábil da empresa cabe ao contribuinte apontar a sua origem e justificar a sua não escrituração. O efeito de sua desídia consiste na atribuição aos valores não justificados a condição de receitas omitidas, a teor do art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator SÉRGIO LUIZ BEZERRA PRESTA não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Raimundo Parente de Albuquerque Junior, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Rodrigues Mendes.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Identificada a ausência de registro de depósitos na escrita contábil da empresa cabe ao contribuinte apontar a sua origem e justificar a sua não escrituração. O efeito de sua desídia consiste na atribuição aos valores não justificados a condição de receitas omitidas, a teor do art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 22 07 /2 00 7- 61 Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarouse impedido o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Presidente e Redator para Formalização do Acórdão Considerando que o Presidente à época do Julgamento não compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, que a 3ª Turma Especial da 1ª Seção foi extinta pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e as atribuições dos Presidentes de Câmara previstas no Anexo II do RICARF, a presente decisão é assinada pelo Presidente da 4ª Câmara/1ª Seção André Mendes de Moura, para fins de formalização. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator SÉRGIO LUIZ BEZERRA PRESTA não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Presidente André Mendes de Moura será o responsável pela formalização do voto. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente à Época do Julgamento), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Raimundo Parente de Albuquerque Junior, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Rodrigues Mendes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0618.205 proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, constante das fls. 805 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Este processo trata do auto de infração de IRPJ (fls. 359372), de Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 373381), de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (fls. 382390), e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 391406), por meio do qual se exige da autuada o crédito tributário total de R$ 372.348,99, incluindo juros moratórios calculados até 31/01/2007, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo acostado às fls. 03. O Terno de Verificação e Encerramento de Ação fiscal (fls. 407411), peça componente do auto de infração, descreve os fatos e a apuração das infrações, a composição de sua base de cálculo, bem como as razões determinantes do agravamento da multa de oficio. Seus pontos mais relevantes, encontramse sintetizados na sequência: no dia 15/09/2006, no propósito de cientificar a contribuinte do início da ação fiscal, a fiscalização se deslocou ao seu domicílio tributário e constatou a inexistência do endereço informado em seu CNPJ. Tornouse, assim, necessário recorrer ao Poder Judiciário para obter autorização de acesso ao estabelecimento em Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 4 3 que seu responsável legal, Sr. Roberto Bertholdo, se encontrava custodiado. Por consequência, a ciência veio a ocorrer apenas no dia 06/10/2006; no mesmo dia em que se intentou, debalde, dar ciência do início do procedimento (15/09/2006), a fiscalizada apresentou, via internet, DIPJ e DCTF retificadoras alusivas a todos os períodos sob fiscalização, as quais foram acatadas, em virtude de sua apresentação anterior à ciência do início da ação fiscal, em 17/10/2006, foi solicitada prorrogação do prazo para apresentação dos elementos solicitados pelo Fisco; em 08/11/2006, foi apresentado novo requerimento. Em 13/11/2006, o representante legal da empresa foi reintimado a apresentar os elementos Já solicitados, e também a comprovar a origem dos recursos utilizados em depósitos e créditos bancários devidamente relacionados da pessoa jurídica, coligidos em extratos bancários obtidos em decorrência de quebra judicial de sigilo bancário. Em 21/12/2006, o representante legal foi novamente intimado a apresentar os elementos solicitados, tendo sido também advertido de que o nãoatendimento no prazo marcado sujeitava a contribuinte ao agravamento da multa em 50%. O prazo se esgotou sem qualquer manifestação da contribuinte; à míngua de comprovação da origem dos recursos creditados nas contas bancárias, constantes da relação encaminhada, foram os respectivos depósitos e créditos considerados corno receitas; quanto à forma de tributação adotada, a fiscalização esclarece que a pessoa jurídica apresentou DIPJ manifestando opção pelo lucro presumido, mas essa modalidade não pôde ser acatada, dada a inexistência de recolhimentos sob esse código, que é a forma pela qual a opção deve ser manifestada. Por consequência, a contribuinte deveria submeterse à tributação com base no lucro real. Contudo, a falta de apresentação da escrituração contábil inviabiliza a apuração do lucro real. Por tais motivos, procedeuse ao arbitramento dos lucros, adicionandose à receita já declarada a receita omitida, conforme planilha "Demonstração da Receita Bruta Omitida e do Lucro Arbitrado Decorrente"; sobre a parcela da receita conhecida pelos valores declarados em DIPJ, não foram gerados lançamentos para as contribuições para o PIS e a COFINS. Foi lançada apenas a diferença entre o calculado pela própria contribuinte na modalidade de lucro presumido e o lucro arbitrado dele decorrente; a fiscalizada não formulou qualquer esclarecimento ou justificativa hábil e idônea para a nãoapresentação da escrituração, livros fiscais, notas fiscais de prestação de serviço ou qualquer outro documento contábil, elementos imprescindíveis para a apuração do lucro real, mesmo tendo retificado suas DCTF e DIPJ. Considerando que tal omissão caracteriza desatendi mento à intimação fiscal, ocasionando mora injustificada na conclusão do procedimento fiscal, foi aplicada a multa agravada de 112,5%, prevista no § 2% c/c inciso 1, do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996; Também integram o auto de infração os seguintes documentos: 1 Telas de pesquisas SINAL, de recolhimentos efetuados pela autuada (fls.412413); 2 Planilha dos créditos bancários de origem não comprovada (fls. 414420); 3 Planilha de Demonstração da Receita Bruta Conhecida — DIPJ — e do Lucro Arbitrado Decorrente (fls. 421); Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 5 4 4 Planilha de Demonstração da Receita Bruta Omitida e do Lucro Arbitrado Decorrente (fls. 422): 5 Planilha de Demonstração da Apuração da Cofins (fls. 423); 6 Planilha de Demonstração da Apuração da Contribuição ao PIS (fls. 424); 7 Planilha de Auditoria dos Valores Declarados em DIPJ e DCTF Relativos ao Lucro Presumido (fls. 425). Os enquadramentos legais de cada auto de infração se encontram transcritos no respectivo campo próprio. A autuada foi cientificada na pessoa de seu representante legal, em 23/02/2007 (fls. 359), c apresentou, em 23/03/2007, a impugnação de fls. 435511, tecendo as alegações a seguir sintetizadas: em preliminar, argui a nulidade do auto de infração, por autuação fora dos limites delineados no MPF, que teria sido expedido tãosomente para fiscalização/verificação do IRPJ, e não da tributação reflexa de CSLL, PIS/PASEP e COFINS. Mencionando a Súmula 373 do Supremo Tribunal Federal, acrescenta que compete ao julgador determinar, de oficio, a nulidade do auto de infração, por estar eivado de vícios insanáveis; também em preliminar, suscita a nulidade do auto de infração, argumentando que não houve intimação prévia para indicação de transferências bancárias e pagamentos de contas, baixas de aplicações e depósitos dos sócios para suprimento de caixa. Também justifica alguns créditos; ainda em preliminar, aponta nulidade do auto de infração por falta de observância de normas para a execução de procedimentos fiscais. O primeiro motivo seria a omissão, no MPF, do nome, número do telefone e endereço funcional do chefe do auditor responsável pela execução do procedimento fiscal. O segundo motivo é que o MPF foi expedido em 11/08/2006, razão pela qual já teria perdido sua validade em 23/02/2007, quando ocorreu a ciência do lançamento; em outra preliminar, aduz a nulidade do lançamento por impossibilidade de utilização de dados e documentos obtidos em processo criminal, para fins de lançamento de tributos. Também sustenta a impossibilidade de quebra de sigilo bancário, alegando tratarse de direito fundamental, e afirma que, no presente caso, a autoridade administrativa não demonstrou as condições de indispensabilidade da quebra do sigilo bancário; passando ao enfrentamento do mérito, afirma que não poderia ter sido desclassificada sua escrituração fiscal, mencionando DIPJ e DCTF, nem feito o arbitramento, pelas seguintes razões: a) porque apresentou DIPJ e DCTF; b) porque, quando da fiscalização, não foi intimada a apresentar dados sobre transferências bancárias e pagamentos de contas; c) porque, no momento da fiscalização, estava impossibilidade de apresentar os livros Diário e Razão, retidos por sócio da empresa; d) porque, apesar da impossibilidade de exame dos livros Diário e Razão, caso ainda existisse alguma diferença tributável, era possível ao Fisco verificar seu lucro Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 6 5 real efetuando, inclusive, na determinação da base de cálculo, as exclusões e deduções legalmente permitidas, e que tal providência não foi tomada; contesta a assertiva, inserida no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, de que não existiria recolhimento apto a validar sua opção pelo Lucro Presumido. Afirma que efetuou pagamento dos tributos declarados nas DIPJ e DCTF, com outros códigos de receita, devido à sua adesão a parcelamentos. Informa que, para os débitos vencidos até 28/02/2003, optou pelo PAES, e que, em 15/0912006, desistiu do PAES e aderiu a outro parcelamento (PAEX); afirma que os valores encontrados pela fiscalização representam transferências entre contas correntes bancárias; que todos os seus rendimentos foram declarados e que a origem dos recursos financeiros consiste em contratos de prestação de serviços celebrados com clientes, cujas cópias traz à colação. Sustenta que os extratos bancários identificam perfeitamente seus clientes, e que, pelos serviços que lhes prestava, o pagamento era feito, por vezes, às pessoas físicas dos sócios, ou à pessoa jurídica Bertholdo & Costa Advogados Associados; aduz que o mero fato de terem ocorrido depósitos em contas correntes bancárias não é, por si só, comprobatório de que tenha auferido rendimentos tributáveis além dos que foram oferecidos à tributação. Afirma que a autuação se baseia em mera presunção, e que a fiscalização não comprovou que os depósitos sejam representativos de receitas; antecipando, talvez, o resultado do julgamento, salienta que a decisão, ao julgar procedente o lançamento, não se embasou em dispositivos de lei, mas invocou somente o RIR/99. Critica a autoridade julgadora, por suposta violação ao princípio da legalidade; reclama que a fiscalização não mencionou ou considerou que a autuada tem seus gastos próprios e também suporta gastos com pagamento de despesas/custas de seus clientes, motivo pelo qual muitas vezes recebe valores para fins de reembolso desses adiantamentos. Alega que, na ausência dos livros Razão e Diário, a fiscalização teria que lançar mão de todos os outros elementos possíveis para encontrar o lucro real da empresa, promover as exclusões e deduções permitidas e também verificar as transferências bancárias, e promover o lançamento pelo lucro real, de forma mais favorável ao contribuinte; afirma que o arbitramento é um procedimento que tem regaas próprias, que impõem um processo regular para se atingir sua finalidade, o que não ocorreu. Reclama que não foram observados os art. 148 do CTN, 20 da Lei n° 7.713, de 1988, e 6º da Lei n° 8.021, de 1991. Argumenta que em nenhum local do auto de infração consta o critério que determinou a aplicação do coeficiente de 38,4% sobre o valor considerado omitido, para fins de obter o valor do IRPJ lançado; sustenta que os esclarecimentos que prestou não foram impugnados adequadamente pela fiscalização, e que o auto de infração deve ser declarado nulo, porquanto o arbitramento não demonstra os fatos geradores ocorridos, e que a fiscalização não poderia desclassificas suas DIPJ e DCTF. Também afirma que sua contabilidade oferecia plenas condições para a apuração do lucro real, e que não há demonstração, por parte do Fisco, de que a falha por ela cometida resulte na impossibilidade de apuração do lucro real; Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 7 6 argui a impossibilidade de imputação de omissão de receitas se não houve provas, pelo Fisco, de sinais exteriores de riqueza, incompatíveis com os rendimentos do contribuinte; combate a aplicação da multa agravada, no percentual de 112,5%, aduzindo a impossibilidade de apresentação dos livros solicitados, conforme boletim de ocorrência trazido à colação. Também pleiteia o cancelamento da multa agravada, em virtude do cumprimento de obrigações acessórias e recolhimento parcelado dos tributos; advoga o cancelamento da multa agravada, ao argumento de que caracteriza um verdadeiro excesso e desvio de finalidade, em violação à Constituição Federal e os princípios legais que devem regar tais procedimentos. Divaga sobre espécies de multas fiscais e aponta violação do princípio da capacidade contributiva e da isonomia. Também aponta o que chama de evidente efeito confiscatório da multa aplicada; contesta a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios, divaga longamente sobre supostas inconstitucionalidades e ilegalidades, sua natureza jurídica, etc. Respalda sua argumentação com julgado do STJ, de 17/06/2002, transcrito às fls. 507508; requer a produção de prova pericial, "para que seja devidamente analisada a documentação fiscal e contábil da empresa, que explicam girais as origens dos recursos creditados nas contas correntes de instituições financeiras mantidas pelo impugnante no período autuado, inclusive mediante verificação das exclusões e deduções permitidas no lucro real, eis que o arbitramento somente pode ser levado a efeito quando impossível tributar pelo lacro real; " informa (fls. 509) os quesitos que pretende sejam esclarecidos, e também declina a qualificação de seu perito. Em 14/06/2007, por meio do expediente de fls. 787788, a autuada encaminhou os documentos de fls. 787795”. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR, na sessão de 29/05/2008, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0618.205 entendendo “por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, reduzindo a multa de oficio, do percentual agravado de 112,5% para 75%, e cancelando parcialmente as exigências, nos seguintes valores: RS 3.000,00, a título de COFINS; R$ 650,00, a título de PIS; R$ 9.600,00, a título de IRPJ; e R$ 2.880,00, a título de CSLL, todos relativos ao mês de dezembro ou ao último trimestre do ano de 200”, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VÍCIOS. INEXISTÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e eventuais falhas ou vícios na sua emissão ou prorrogação, que não ocorreram no caso, não podem ensejar a nulidade do lançamento. PERÍCIA DESNECESSÁRIA. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 8 7 Indeferese a perícia cuja utilidade não ficar evidenciada. ARBITRAMENTO. MOTIVOS. Impõese o arbitramento dos lucros quando a contribuinte, intimada, não apresenta os livros contábeis que respaldaram o preenchimento de suas declarações anuais de ajuste. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Por força de presunção legal expressa, caracterizam omissão de receita os recursos depositados/creditados em contas bancárias, cujas origens não sejam comprovadas mediante documentação idônea. MULTA AGRAVADA. Deve a multa ser reduzida ao percentual normal, quando não se encontrarem materializados, de forma inequívoca, os pressupostos ensejadores do agravamento previstos na legislação. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. É legítima a exigência de juros moratórios calculados pela taxa SELIC. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Aplicamse aos lançamentos reflexos, no que couber, o que restar decidido, relativamente ao lançamento matriz, o IRPJ. Lançamento Procedente em Parte.” Encontramos às fls. 837 doas autos o termo de intimação nº. 1022/2008 com o seguinte teor: Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 9 8 Desta forma o Sr. ROBERTO BERTHOLDO, representante legal da RECORRENTE foi cientificado da existência da decisão de primeira instância em 12/08/2008, (AR constante das fls. 838) e a procuradora da RECORRENTE tomou ciência da decisão em 29/08/2008 (sextafeira), termo de ciência às fls. 839 dos autos e a ANTECIPA ASSESSORIA, PLANEJAMENTO E CONSULTORIA ADMINISTRATIVA LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 06 18.205, recorre em 29/09/2008 (844 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Cabe formalizar a presente decisão conforme apresentada em plenário, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos do art. 17 e do art. 18 ambos do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 343, 09 de junho de 2015, que em seu art. 6º extinguiu as turmas especiais. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos cinco dias do mês de novembro do ano de dois mil e treze, às nove horas , reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes WALTER ADOLFO MARESCH (Presidente), MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, RAIMUNDO Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 10 9 PARENTE DE ALBUQUERQUE JUNIOR, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo: 10980.002207/200761 Recorrente: ANTECIPA ASSES CONS ADMINISTRATIVA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 1803001.938 Decisão: Por unanimidade de votos negaram provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. Declarações de impedimento: SERGIO RODRIGUES MENDES Outros eventos ocorridos: O conselheiro Roberto Armond Ferreira da Silva não participou da sessão por ter sido convocado para outra turma julgadora. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 11 10 Voto Conselheiro André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto. Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, e tendo em vista que o relator originário do processo não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, encontrome na posição de Redator, nos termos dos arts. 17 e 18, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator, transcrevo literalmente a minuta que foi apresentada pelo Conselheiro durante a sessão de julgamento. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do relator do voto na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. A seguir, a transcrição do voto. Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Observando o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 407 e segs), constatase a existência de depósitos realizados em contas bancárias mantidas à margem da escrituração e tributação pela Recorrente; Tais valores são decorrentes da quebra do sigilo bancário da Recorrente autorizado no Procedimento Criminal Diverso n° 2005.70.00.0013699, que tramitava na 2ª Vara Federal de Curitiba, Estado do Paraná, fls. 06 e segs dos autos. Grande parte da peça recursal apresentada pela Recorrente, que nada mais é do que uma copia da impugnação, contudo não encontrei nos autos qualquer comprovação que a Recorrente tenha conseguido comprovar essa tese; muito menos que a contabilidade tenha espelhado tais operações. Isso simplesmente não aconteceu, segundo as informações e os documentos constantes dos autos. Na verdade, o lançamento de ofício restringiuse à receita bruta omitida (depósitos bancários sem origem); e caberia a Recorrente comprovar as suas alegações; o que não o fez. Desta forma e com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, não comporta restrições de qualquer ordem, sendo que é ônus exclusivo do contribuinte, comprovar e justificar a origem dos recursos movimentados em sua conta bancária, cabendo à autoridade fiscal tão somente relacionar os créditos e intimar regularmente o contribuinte. Conforme se constata, a autoridade fiscal cumpriu as determinações da norma legal, efetuando ajustes nos valores e expurgando aqueles que foram considerados Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 12 11 comprovados ou não representavam novo ingresso de recursos. Ou seja, durante todo o curso do processo, cabia então a Recorrente, efetuar a comprovação demonstrando a origem dos créditos e depósitos, correlacionandoos eventualmente com a receita bruta já declarada e comprovando a origem um a um dos créditos/depósitos. Verificase que tal propósito ficou sensivelmente prejudicado com a notória desorganização e/ou equivoco da escrituração e documentação, fato que evidentemente acabou voltandose contra a própria Recorrente. E, como a questão dos autos trata de omissão de receita. Aqui temos que identificar se a conduta da Recorrente (ou a ausência dela) pode ser tipificada a luz do que determina o art. 42 da lei n°. 9.430/96, a seguir transcrito: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. O Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 407 e segs) trouxe uma serie de situações que, smj, não foram contestadas, até a presente data, pela Recorrente; até porque a questão é muito simples: Houve ou não suprimento de numerário? Antes da minha resposta, gostaria de trazer a tona parte do voto proferido pela Ilustre Conselheira Selene Ferreira de Moraes, ExPresidente desta 3ª Turma Especial, nos autos do processo administrativo nº. 11030.000713/200806, Acórdão nº. 180301.220, proferido na Sessão de 14 de março de 2012, da qual participei: “(...) Como já ressaltado no tópico acerca da nulidade da decisão recorrida, a controvérsia a ser analisada no recurso gira em torno da aplicação do art. 282 do RIR/99, e não da sua legalidade ou inconstitucionalidade. O crédito tributário relativo a esta infração foi constituído com fundamento no art. 282 do RIR/99: ‘Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e Decreto Lei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II).’ Extraise do artigo em destaque, em sintonia com os princípios basilares da contabilidade, que o simples registro contábil não constitui elemento suficientemente comprobatório, devendo a escrituração ser fundamentada em comprovantes hábeis para a perfeita validade dos atos e fatos administrativos. Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 13 12 Inexistindo nos autos prova documental da origem e entrega do suprimento de numerário efetuado pelos sócios à pessoa jurídica, é de se reconhecer a ocorrência de omissão de receitas. A ausência dos documentos que comprovem a efetividade da entrega dos recursos ao “CAIXA” constitui falha inaceitável tanto pela legislação comercial como pela legislação fiscal. A comprovação exigida nesse caso seria a exibição de cópias dos cheques entregues à Autora e extratos bancários demonstrando a sua compensação. Contrariamente ao que alega a recorrente, a fiscalização trouxe aos autos os indícios na escrituração previstos no art. 282, quais sejam, a existência de lançamentos de suprimentos de caixa efetuados por sócio, sem comprovação da origem dos recursos e da efetividade de sua entrega”. Porém, tomando emprestado e fazendo um paralelo, com a devida vênia e necessárias homenagens a Conselheira Selene Ferreira de Moraes, os argumentos acima, vejo que falta aos autos a comprovação da Recorrente apontado no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal. Na verdade a Recorrente silenciou sobre os argumentos do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal; e, na falta de outros elementos, o fisco pode utilizar o total das movimentações para fins de determinar a base de cálculo na hipótese de omissão de rendimentos. Desta forma, pela ausência de documentos que possam contestar a omissão de receita e a consequente imputação tributária, não vejo como reparar a decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR. Entendo que a Recorrente não observou que um dos princípios que lastreiam o processo administrativo fiscal é o Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. Tal princípio determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe; já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. E, foi com base nesse principio que a autoridade fiscal solicitou a Recorrente que comprovasse a origem dos recursos depositados em sua conta corrente e que não tinham sido levados a tributação. Veja que poderia a Recorrente juntar suas alegações antes do julgamento da DRJ ou deste Conselho, tendo em vista que a prova no processo Administrativo Fiscal é de fundamental importância e deveria ser criteriosamente produzida pela Recorrente nesses 2.539 (dois mil, quinhentos e trinta e nove) dias entre o recebimento do auto de infração e o presente julgamento. Isso porque é através da prova o julgador administrativo forma sua convicção. Diante deste fato se poderia perguntar: “Qual o momento para a apresentação das provas no PAF?”. A resposta encontrase inserta nos Artigos 3º e 38 da Lei 9.784/99, a seguir transcrito: Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 14 13 “Art. 3º. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (…)” “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo” E, caso tenha alguma duvida o Art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, assim determina: “Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” Diante da legislação acima, é importante acentuar que a responsabilidade pela comprovação da verdade material caberia a Recorrente; e, para isso deveria buscar na legislação de regência o substrato legal para juntar as provas que entendesse como necessárias a defesa da conduta realizada; e, isso não o fez! E, observando tudo que consta dos autos, fazse necessário aplicar as determinações contidas na Súmula CARF nº 26 cumulada com a Súmula CARF nº 34, a seguir transcritas: “Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. “Súmula CARF nº 34 Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas”. Aqui, não se está falando em indicio de receita tributável, mas em presunção definida em lei, que autoriza, no caso de ausência de comprovação por meios hábeis e idôneos, Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10980.002207/200761 Acórdão n.º 1803001.938 S1TE03 Fl. 15 14 da existência de receita omitida pela Recorrente que, pela ausência de contestação, espontaneamente confessou a sua conduta. Diante da confissão fica claro que a Recorrente, deliberadamente, omitiu rendimentos e essa confissão outorga, de forma indiscutível, a autoridade fiscal a atribuição dos valores não justificados a condição de receitas omitidas, como determina o art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Neste sentido o CARF vem assim se posicionando, “verbis”: “Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Os valores creditados em conta bancária cuja origem não foi comprovada devem ser tributados como omissão de receitas da pessoa jurídica” (Processo nº. 10935.004082/200678, Recurso n° 157.047 Acórdão n° 110100.115 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009) Já no que se refere à alegada inconstitucionalidade levantada pela Recorrente, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “Súmula Carf nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Assim, diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, entendo que a decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR deve ser mantida integralmente, voto no sentindo de negar provimento ao Recurso para manter a imposição tributária referente aos lançamentos relativos ao IRPJ e a CSLL. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator para Formalização do Voto Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 25/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 21/08/201 5 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 16045.000680/2010-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.296
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil De Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes De Alencar, Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes Da Silva e Carlos Pela
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, resolvem converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Fernando Brasil De Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes De Alencar, Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes Da Silva e Carlos Pela RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 45 .0 00 68 0/ 20 10 -6 5 Fl. 2902DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Resolução nº 1402000.296 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Reportome ao relatório da Resolução de fls. 2.727/2.749, extraindo dela e do quanto consta dos autos a síntese contidas nos parágrafos seguintes: Tratase de exigência de crédito tributário, com multa de 150% (cento e cinquenta por cento), relacionada a cada um dos trimestres do anocalendário de 2005, tendo a notificação do lançamento se efetivado em 23/12/2010 (fl. 5) O início do procedimento fiscal deuse a partir das pessoas físicas de Djalma Azevedo Tavares Júnior e Maria Bernardete B. Tavares, sócios da clínica Plasticlin Clínica de Cirurgia Plástica, Estética e Reparadora S/C Ltda. Após análise das agendas dos anoscalendário de 2005 e 2006, a notoriedade e as fotografias da Clínica, fichas médicas de pacientes e os valores recebidos e não declarados como receitas da Plasticlin, extrato bancário dos sócios da Plasticlin e seus dependentes, extratos bancários da Plasticlin, cópia da documentação e da alienação de veículos, diligências junto aos contribuintes Cláudio Roberto, Elisabeth Miranda e Maria Bernardete1 (cotitulares de conta corrente em conjunto com Maria Bernardete e/ou Djalma Tavares), a autoridade fiscal chegou a conclusão de que os valores recebidos pela Clínica eram depositados na conta de seu sócio, o médico Djalma. Neste cenário, em relação aos valores que assim considerou, a autoridade fiscal lavrou autuação por infração aos artigos 281 a 288 do Regulamento do Imposto de Renda. Apesar de não fazer expressa referência ao artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, à fl. 11, a autoridade fiscal destaca que "com o advento da Lei nº 9.430/96, a existência de depósito bancário de origem não comprovada tornouse numa nova hipótese de presunção legal de omissão de rendimentos, o que implica inversão do ônus da prova." A contribuinte foi intimada "a comprovar a origem, por meio de documentação hábil e idônea, dos valores creditados/depositados em suas contas corrente, além de demonstrar que foram regularmente tributados e/ou não estavam sujeitos à tributação". Diz a autoridade fiscal que a empresa encaminhou "comprovantes de parte dos depósitos bancários em suas contas correntes (Banco do Brasil e UNICRED) de titularidade do sócioresponsável e de sua esposa Maria Tavares e de seu filho Felipe Tavares, como também explicou o processo de desconto de cheques realizado na UNICRED TAUBATÉ (fls. 82/92 do anexo I)". A relação dos depósitos de origem não comprovada consta das fls. 87 a 108. Do exame da planilha referida no anexo I não identifiquei a comprovação da origem de nenhum dos valores indicados. 1 Observo que em relação a valor creditado em conta bancária em nome de Cláudio Roberto, Elisabeth Miranda e Maria Bernardete e/ou Djalma, a DRJ concluiu que em tal conta não foram depositados recursos da Clínica Plasticlin e sim valor(es) proveniente(s) de herança recebida por Bernardete e familiares aqui citados. Inexiste litígio quanto a este ponto aser enfrentado no recurso. Fl. 2903DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Resolução nº 1402000.296 S1C4T2 Fl. 4 3 Diz a recorrente que recebendo de forma parcelada, para cada nota fiscal existia ou podia existir mais de um cheque. Ademais, num único depósito, havia mais de um cheque, daí a razão pela qual o valor dos depósitos não coincidiam com as notas fiscais emitidas e tributadas. A exigência da multa deuse de forma qualificada porque, nos dizeres da autoridade fiscal, "ficou comprovado que a fiscalizada usou as contascorrentes dos sócios Djalma Azevedo Tavares Júnior e Maria Bernardete B. Tavares para depositar a receita das atividades da fiscalizada, mesmo tendo conta bancária em seu nome, sem, no entanto, oferecer à tributação. Os valores totais de depósitos/receita omitida foram de R$ 1.344.674,37 e R$ 1.514.490,76, nos anoscalendário de 2005 e 2006 e a receita declarada de R$ 264.030,00 e R$ 235.599,50, respectivamente. A recorrente sustenta que não houve utilização de interposta pessoa, tanto que não há nenhum depósito integrando a base de cálculo realizado em conta em nome da sócia Bernardete. Na verdade, segundo a recorrente, só foi usado a conta do sócio porque tais cheques eram depositados/descontados do Banco da Cooperativa UNICRED, da qual o sócio da recorrente era associado. No mais, a parte recorrente reconheceu a omissão de receita em relação aos valores creditados na conta bancária do sócio Djalma, oriundos da Plasticlin, que não foram oferecidos à tributação. A controvérsia prendese aos depósitos indicados em planilha apresentada nos autos, sem coincidência com a nota fiscal, mas que a recorrente alega que um único depósito contempla cheques relacionados a mais de uma cirurgia médica, razão pela qual, recorreu à instituição financeira para "abrir" tais depósitos, resultando nas planilhas que entregou em memoriais. É o relatório. Fl. 2904DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Resolução nº 1402000.296 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator O recurso é tempestivo, está devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão reformada. Desta forma, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame das questões pertinentes ao julgamento da matéria. Este processo já foi convertido em diligência para que a autoridade fiscal se manifestasse quanto ao teor dos demonstrativos de fls. 550 e seguintes, juntados à peça recursal. Às fls. 2.823 a 2.825, a autoridade fiscal afirma que "os argumentos apresentados pela autuada não podem ser aceitos, posto não restarem comprovados serem correspondentes às Notas Fiscais emitidas", conforme demonstra tabela abaixo, citada a título de exemplo: Nota fiscal Data Livro Caixa Data depósito no Banco 1221 31/01/2005 26/01/2005 e 25/02/2005 1263 12/05/2005 04/05/2005 e 06/06/2005 1284 24/06/2005 15/06/2005 e 14/07/2005 1313 08/08/2005 17/08/2005 e 19/09/2005 1326 01/09/2005 19/08/2005 e 19/09/2005 1346 31/10/2005 11/11/2005 e 12/12/2005 1379 17/02/2006 16/02/2006 e 02/03/2006 1468 25/05/2006 17/05/2006 e 16/06/2006 Do exame da prova dos autos e das circunstâncias do pagamento de cirurgias mediante cheques prédatados, por vezes, descontados antecipadamente na Cooperativa em que o médico, sócio da fiscalizada e responsável pelas cirurgias era associado, somado ao fato de um único depósito contemplar mais de um cheque, de pacientes distintos, revelase nítido, para não dizer impossível, a conciliação dos depósitos bancários com as notas fiscais emitidas. Nestas circunstâncias o procedimento mais plausível é pegar a soma dos depósitos bancários e dele subtrair as transferências entre contas da mesma titularidade e a receita declarada. A diferença, sem comprovação de origem, será o valor omitido. A sistemática do procedimento aqui referido tem como razão de ser a forma como os fatos ocorrem no mundo real, pois não é crível que quem queira sonegar receita deposite os valores omitidos em conta bancária e mantenha à margem do sistema financeiro os valores regularmente declarados e tributados. No caso dos autos, do exame da planilha de fls. 256, anexa ao auto de infração, verificase que a autoridade fiscal excluiu da base de cálculo os valores de transferência da mesma titularidade, por assim dizer, já que considerou as transferências que o Sócio Djalma ou seus familiares fizeram à empresa como sendo recursos desta. Fl. 2905DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Resolução nº 1402000.296 S1C4T2 Fl. 6 5 No entanto, a controvérsia surge a partir dos valores depositados na UNICRED DE TAUBATÉ, na conta nº 0001813, indicados a partir da fl. 259, a seguir exemplificados: Argumenta a recorrente que vários depósitos dos indicados às fls. 259/272 correspondem a notas fiscais emitidas e devidamente tributadas, assim, devem ser excluídos da base de cálculo. Em ocasião anterior, quando o processo esteve em pauta, o Colegiado converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal se manifestasse acerca das alegações da recorrente, tendo esta concluído que "os argumentos apresentados pela autuada não podem ser aceitos, posto não restarem comprovados serem correspondentes às Notas Fiscais emitidas", conforme demonstra a tabela acima transcrita, citada a título de exemplo. Pois bem, do exame da prova penso que a matéria merece maior atenção a alguns detalhes. A propósito, a título de exemplo, a autoridade fiscal mencionou que não estava comprovado que o valor de R$ 5.500,00, referente à nota fiscal nº 1379, emitida em 03/02/2006, tivesse transitado pelas contas e fizesse parte dos depósitos de origem não comprovada. Todavia, quando se aprecia a prova dos autos se vê que no dia 16/02/2006 tem um depósito bloqueado por 24h, no valor de R$ 6.250,00. Confrontando este dado com o anexo 02, apresentado em memoriais, constatase que no dia 16/02/2006 a recorrente remeteu para o Banco 3 cheques, nos valores abaixo indicados: Fl. 2906DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Resolução nº 1402000.296 S1C4T2 Fl. 7 6 O outro cheque de R$ 2.500,00, vinculado à nota fiscal nº 1379, conforme documento abaixo, foi depositado em 02/03/2006, junto com mais três cheques totalizando R$ 7.400,00, que também integra a base de cálculo dos depósitos de origem não comprovada Na avaliação da prova, feita quando da sessão de julgamento, o colegiado, em análise preliminar, considerou verossímeis as alegações da recorrente, que inclusive apresentou, em memoriais, acompanhadas das respectivas notas fiscais e depósitos bancários, demonstrando possíveis equívocos na análise feita quando da diligência fiscal. Neste ponto, em relação ao anocalendário de 2005, transcrevo a seguinte parte da planilha contida nos memoriais: Fl. 2907DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16045.000680/201065 Resolução nº 1402000.296 S1C4T2 Fl. 8 7 Apesar da planilha acima e dos documentos que o acompanharam os memoriais permitir que se forme juízo de valor acerca da situação controvertida, o Colegiado se viu diante do impasse em saber se além dos valores analisado em memoriais existiam outros a serem considerados. A proposta do relator era por examinar o mérito acolhendo a exclusão da base de cálculo dos valores efetivamente demonstrados, à semelhança dos que foram relacionados à nota fiscal nº 1379. Todavia, a partir das considerações feitas pela defesa, em sustentação oral, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a recorrente, à semelhança do que fez quando dos exemplos apontados nos memoriais, relacione quais os valores que no seu entender correspondem a nota fiscal já oferecida à tributação, correlacionando as devidas provas. ISSO POSTO, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade de origem intime a recorrente para, no prazo de 30 dias, relacionar quais os valores que no seu entender correspondem a nota fiscal já oferecida à tributação, indicando as provas existentes, à semelhança de como procedeu em relação à nota fiscal nº 1379. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 2908DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 30/04/2015 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13804.000773/2003-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1201-000.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA , nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado
Relatório
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA , nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (Assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado Relatório Tratase o presente processo administrativo da não homologação da Declaração de Compensação referente ao pagamento a maior de IRPJ e CSLL nos anos calendário de 2001 e 2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 00 77 3/ 20 03 -3 3 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13804.000773/200333 Resolução nº 1201000.162 S1C2T1 Fl. 412 2 Adicionalmente, os processos n° 13804.001241/200313, 13804.002203/200388 e13804.002535/200362 foram apensados ao processo n° 13804.000773/200333 para análise conjunta, pois todas as compensações neles declaradas utilizam como crédito o saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário 2001 e 2002. Contudo, conforme evidenciado pela DRJ através da consulta ao sistema SIEF/PERDCOMP, foi verificada a existência de outras Declarações de Compensação vinculadas aos créditos do presente processo. Transcrevo abaixo, o relatório da 5. Turma da DRJ/SPOI: (fls.391/406): “DO PEDIDO CRYOVAC BRASIL LTDA., manifesta inconformidade com Despacho Decisório, proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária/EQPIR, da Delegacia de Administração Tributária em São Paulo — DERAT (fls. 116 a 123), que homologou parcialmente a Declaração de Compensação apresentada (fls 01 e 02) e nos processos apensos n° 13804.001241/200313, 13804.002203/200388 e 13807.002535/200362, relativos ao saldo negativo dos anos calendário de 2001 e 2002. 2DCOMP do presente processo e dos processos administrativos n°13804.001241/200313 e 13807.002535/200362 foram retificadas em 17/10/2003 e essas retificações foram aceitas pelo Auditor Fiscal que proferiu o Despacho Decisório. 3 Ao analisar o crédito pleiteado, o Auditor Fiscal constatou que o saldo negativo de anocalendário de 2001 reclamado no presente processo, no valor de ‘R$ 1.095.174,32 (fls.34) já havia sido requerido no processo administrativo n° 13804.004236/200281, apenso ao processo administrativo n° 13804.005624/200280 onde foi considerado não haver saldo negativo a ser compensado (fls. 99 a 115). 4 Por conseqüência, esse crédito de saldo negativo de 2001, novamente pleiteado não foi aceito e não foi homologada a compensação efetuada. 5 Relativamente ao anocalendário de 2002, o Auditor Fiscal verificou que o saldo negativo de IRPJ (R$ 4.631.307,51) é resultado basicamente dos pagamentos por estimativa feitos e do IR retido na fonte que foram deduzidos do imposto de renda devido. 6 Ao analisar os rendimentos correspondentes ao IRRF retido (R$ 4.218.588,59),o Auditor Fiscal constatou que se referiam a rendimentos de SWAP e que deveriam ter sido oferecidos à tributação na ficha 6 A, linha 21 — ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto Day Trade, para que o IRRF correspondente pudesse ser aproveitado no cálculo do imposto de renda, o que não ocorreu conforme se observa às fls.74. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13804.000773/200333 Resolução nº 1201000.162 S1C2T1 Fl. 413 3 7 Quanto ao imposto de renda pago por estimativa, foi confirmado o recolhimento de R$ 97.732,97. 8 Considerando que o Imposto de Renda anual devido foi MODO, foi reconhecido o crédito de R$ 97.732,97. 9 Dessa maneira, foram homologadas parcialmente as DCOMP apresentadas, até o limite do crédito reconhecido. 10 Cientificada da decisão proferida em 15/04/2008, conforme AR de fls. 124/verso, a contribuinte apresentou, em 15/05/2008, Manifestação de Inconformidade (fls.161 a 183), apresentando as razoes a seguir, em síntese: 10.1 Faz uma longa argumentação a respeito do seu direito de apresentar Manifestação de Inconformidade e da suspensão da exigência dos débitos constantes nas DCOMP. 10.2 Alega que o presente processo deve ficar suspenso ate o julgamento Final do processo 13804.005624/200280, por ser o presente processo dependente da decisão a ser proferida naquele processo. 10.3 Alega que por esse motivo deve ser anulado o Despacho Decisório proferido no presente processo. 104 Embora argumente que o presente processo deva ser suspenso ate o julgamento do processo n° 13804.005624/200280, não se furta a defender a inclusão do IRRF reclamado junto ao processo n° 13.804.0056241200280, apensado ao processo n°13804.005624/2002 80, apresentando como comprovação do que alega, partes do que seriam demonstrativos de contas do patrimônio (fls. 169 a 173). 10.5 Alega que o valor do rendimento de SWAP foi oferecido a tributação e se encontra inserido na conta patrimonial n° 38350034, cuja movimentação esta refletida nas contas de resultado, conforme documento que apresenta anexo à presente e manifestação. 10.6 Alega que o valor de R$ 4.334.075,82, declarado na DIPJ/2002, na linha 32 da Ficha 6, é composto pelos valores de perdas e ganhos em cambio e a movimentação total das contas patrimoniais que apresentam o resultado de R$ 5.796.408,94, conforme a tabela que apresenta que, alega, foram oferecidos à tributação, entendendo comprovados o oferecimento e o direito ao IRRF retido pela instituição bancária. 10.7 Apresenta em seguida no corpo da Manifestação de Inconformidade, partes de demonstrativos de contas do patrimônio 'para tentar comprovar que os resultados de SWAP foram oferecidos à tributação por seus resultados líquidos das despesas auferidas no ano calendário de 2001, e que não produziram qualquer efeito no resultado da empresa e, por conseqüência, na apuração do lucro real da empresa, devendo ser refeito o Despacho Decisório. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13804.000773/200333 Resolução nº 1201000.162 S1C2T1 Fl. 414 4 10.8 Alega que tem direito aos valores declarados de CSLL, conforme as tabelas que apresenta as fls.645 e 646, argumentando que todos os documentos necessários à comprovação já foram oferecidos anteriormente a Auditora Fiscal. 10.9 Relativamente ao anocalendário de 2002alega que embora não tenha preenchido a linha 21 da ficha 6A , com os valores do rendimento de SWAP auferidos,contabilizou corretamente esses valores não representando, portanto qualquer ônus para o Fisco e comprovando seu direito ao IRRF relativo a esse rendimento,apresentando planilhas que entende ser comprovação do que alega (fls. 179 a 182). 10.10 Alega ainda que o efeito da operação de SWAP e nulo pois o crédito contábil e igual ao débito contábil, conforme os extratos bancários anexos. 10.11 Por fim requer que o presente processo seja suspenso ate o julgamento final do processo n° 13804.005624/200280, decretando se a nulidade do presente despacho decisório e o deferimento do Pedido de Restituição referente ao crédito pleiteado nos termos da DIPJ 2003/2002 e a homologação das declarações de compensação formuladas.” Em síntese a DRJ, deu provimento parcial à impugnação do contribuinte, conforme abaixo: “Relativamente à questão da suspensão do presente processo, em virtude da dependência do resultado da analise do crédito requerido no processo n° 13804.005624/200280, informase a douta contribuinte que não lhe assiste razão nesse ponto. No presente processo, está se declarando a compensação do restante do suposto saldo negativo pleiteado no processo n° 13804.005624/200280, mais especificamente no processo apenso a este último, de n° n° 13.804.005624/200280, onde era reclamado o saldo negativo de IRPJ , relativo ao anocalendário de 2001, que consistiu inteiramente no IRRF relativo a rendimentos de SWAP auferidos naquele ano. No Despacho Decisório proferido não foi reconhecido esse crédito em virtude da empresa não haver comprovado o oferecimento dos rendimentos de SWAP à tributação (fls. 99 a 115). (...) Por outro lado, na análise do saldo credor pleiteado pelo contribuinte, a competência da DERAT é limitada, pois esse Órgão não pode exercer a atividade de revisão de declarações apresentadas pelos sujeitos passivos, consoante se depreende do que dispõe o artigo 140 do Anexo da Portaria do Ministério da Fazenda n° 302/2005, então vigente. Essa competência, nos termos do artigo 145 da citada Portaria, pertence à Divisão de Fiscalização(Difis), do Serviço de Fiscalização (Sefis), da Seção de Fiscalização (Safis) ou do Setor de Fiscalização (Sofis), conforme a Delegacia da Receita Federal da circunscrição do contribuinte. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13804.000773/200333 Resolução nº 1201000.162 S1C2T1 Fl. 415 5 Cabe à DERAT apenas verificar se as receitas relativas aos valores retidos na fonte, que implicaram saldos credores de IRPJ, foram oferecidas à tributação. Desse modo, no citado processo n° 13804.005624/200280, embora no Acórdão proferido tenham sido retiradas as adições ao lucro liquido para o cálculo do IRPJ e CSLL, tão pouco foram considerados o IRRF relativo aos rendimentos não oferecidos à tributação. Esclarecese também que as singelas demonstrações efetuadas pela contribuinte,apresentando retalhos de supostos demonstrativos de contas de patrimônio, sem sequer se saber quem, quando e como foram elaborados, não fazem qualquer prova a favor da contribuinte e o valor de R$ 1.095.174,32 não foi aceito por não foram oferecidos à tributação os rendimentos auferidos com SWAP. Em relação à CSLL do anocalendário de 2001, sobre a qual a empresa novamente elabora veemente demonstrativo, e novamente apenas com seus demonstrativos inseridos no corpo da Manifestação de Inconformidade, informase que no mesmo Acórdão n° 18.560, foi parcialmente reconhecido o crédito pleiteado, embora não tenha restado qualquer saldo credor para ser utilizado nas DCOMP apresentadas no corrente processo. (...) Por outro lado, ao retirar do ordenamento jurídico a isenção das operações de swap com hedge, o Legislador não criou nova modalidade de tributação, apenas igualou essa modalidade de swap às outras existentes e que já vinham sendo tributadas normalmente,com fato gerador ocorrendo na data da liquidação do contrato. Assim, sendo ou não especulativo o objetivo da operação', o resultado positivo da operação é tributado como em qualquer outra aplicação financeira, não sendo relevante o fato de a impetrante ter realizado operações "casadas" de swap para ser prevenir de futuras perdas econômicas. Assim sendo se a empresa não ofereceu à tributação os rendimentos, seja por que motivo for não pode ser arvorar no direito de utilizar o IRRF na apuração do Imposto de Renda devido. (...) Relativamente a CSLL, pleiteada, no valor de R$ 36.990,11, informase que o valor apurado de saldo negativo de CSLL na DIPJ/2003, ano calendário 2002, foi de R$36.623,87, conforme fls. 89. Esse valor foi recolhido em 2002, como antecipação de CSLL relativo ao mês de fevereiro de 2002, conforme DARF de recolhimento constante as fls.25, comprovado pelo sistema Sinal 08 (fls. 85), assistindo direito à contribuinte a esse crédito. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13804.000773/200333 Resolução nº 1201000.162 S1C2T1 Fl. 416 6 Embora esse crédito não tenha sido analisado pelo Despacho Decisório,examinando a documentação acostada aos autos, verificase que a contribuinte tem direito aocrédito de R$ 36.623,87. Inconformada com a decisão apresentada pela DRJ/SPOI, a contribuinte apresenta recurso voluntário, qual traz as seguintes alegações: a) necessidade de apensamento do presente processo ao autos do processo n. 13804.005624/200280, posto que são decorrentes em relação à DIPJ 2002 – Anocalendário2001; b) nulidade do despacho decisório e o envio do processo administrativo para quem de direito “DIVISÃO DE FISCALIZAÇÃO (DIFIS)” do “SERVIÇO DE FISCALIZAÇÃO (SEFIS”) da “SEÇÃO DE FISCALIZAÇÃO (SAFIS”) ou do “SETOR DE FISCALIZAÇÃO (SOEIS)" para que sejam verificadas as declarações e documentação contábil da Recorrente; c) nulidade do despacho decisório, tendo em vista a necessidade de aguardar a decisão a ser proferida nos autos do processo n°. 13804.005624/200280; d) nulidade do despacho decisório, tendo em vista a ausência de apreciação das provas colacionadas aos autos; É o Relatório. Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais, atendendo os pressupostos de admissibilidade, dela se conhecendo. Passo, portanto ao exame do processo, consoante os argumentos aduzidos na impugnação e no Recurso Voluntário. Assim como foi alegado pela DRJ/SPOI em seu voto, entendo não ser aceitável a suspensão deste processo de compensação referente ao ano calendário de 2001, em virtude do julgamento do processo administrativo número 13804.005624/200280, por se tratar de compensação residual do mesmo crédito em questão. E por este motivo, cabe a análise sobre a correta aplicação da norma tributária referente à tributação da receita auferida nas operações de SWAP, conforme artigos 756 e 770 do Decreto 3.000/1999. Art. 756. Estão sujeitos à incidência do imposto, à alíquota de vinte por cento, os rendimentos auferidos em operações de swap (Lei nº 8.981, de 1995, art. 74, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 36). Fl. 433DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13804.000773/200333 Resolução nº 1201000.162 S1C2T1 Fl. 417 7 § 1º A base de cálculo do imposto nas operações de que trata este artigo será o resultado positivo auferido na liquidação do contrato de swap (Lei nº 8.981, de 1995, art. 74, § 1º). § 2º Quando a operação de swap tiver por objeto taxa baseada na remuneração dos depósitos de poupança, esta remuneração será adicionada à base de cálculo do imposto (Lei nº 9.532, de 1997, art. 74, parágrafo único). § 3º No caso do parágrafo anterior: I a incidência do imposto aplicarseá apenas à parcela do rendimento referente à taxa de remuneração dos depósitos de poupança apurada a partir de 1º de janeiro de 1998; II o valor do imposto fica limitado ao rendimento auferido na liquidação da operação de swap. § 4º As operações de swap contratadas até 31 de dezembro de 1997 terão os respectivos rendimentos apropriados até aquela data e tributados à alíquota de dez por cento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 74). § 5º O imposto será retido pela pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento na data da liquidação do respectivo contrato (Lei nº 8.981, de 1995, art. 74, § 2º). § 6º Para efeitos de apuração e pagamento do imposto mensal sobre os ganhos líquidos, as perdas incorridas em operações de swap não poderão ser compensadas com os ganhos auferidos nas operações de que trata o Subtítulo II. § 7º Somente será admitido o reconhecimento de perdas em operações de swap registradas nos termos da legislação vigente (Lei nº 8.981, de 1995, art. 74, § 3º). § 8º Na apuração do imposto poderão ser considerados como custo da operação os valores pagos a título de cobertura (prêmio) contra eventuais perdas incorridas em operações de swap Art. 770. Os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável sujeitamse à incidência do imposto na fonte, mesmo no caso das operações de cobertura hedge, realizadas por meio de operações de swap e outras, nos mercados de derivativos (Lei nº 9.779, de 1999, art. 5º). § 1º A retenção na fonte de que trata este artigo não se aplica no caso de beneficiário referido no inciso I do art. 774 (Lei nº 9.779, de 1999, art. 5º, parágrafo único). § 2º Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, Lei nº 9.317, de 1996, art. 3º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51): I integrarão o lucro real, presumido ou arbitrado; II serão tributados de forma definitiva no caso de pessoa física e de pessoa jurídica optante pela inscrição no SIMPLES ou isenta. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13804.000773/200333 Resolução nº 1201000.162 S1C2T1 Fl. 418 8 § 3º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado: I os ganhos líquidos auferidos no mês de encerramento do período de apuração serão incorporados automaticamente ao lucro presumido ou arbitrado; II os rendimentos auferidos em aplicações financeiras serão adicionados ao lucro presumido ou arbitrado somente por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação (regime de caixa); III as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 761, 764, 765 e 766 somente podem ser compensadas com ganhos auferidos nas mesmas operações A base de cálculo do imposto de renda nas operações SWAP será o resultado positivo auferido na liquidação do contrato de swap. Contudo, observase que a contribuinte efetuou a compensação das perdas auferidas no SWAP e por este motivo não considerou a receita desta operação no cálculo do IRPJ e da CSLL. Alega a contribuinte que conforme posicionamento da Receita Federal do Brasil, é possível realizar a compensação das perdas, conforme disposto na SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 162 de 04 de Dezembro de 2007: Fl. 435DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 13804.000773/200333 Resolução nº 1201000.162 S1C2T1 Fl. 419 9 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: SWAP COMPENSAÇÃO DE PERDAS Para efeito de determinação do lucro real, as perdas incorridas em operações de swap somente poderão ser compensadas com os ganhos líquidos obtidos nessa modalidade. As perdas não deduzidas em um período poderão sêlo nos períodos subseqüentes até o limite dos ganhos auferidos nessa modalidade. No entanto, conforme posicionamento da DRJ/SPOI, resta dúvida quanto à comprovação da apuração do resultado negativo da operação de SWAP, pois, o contribuinte não forneceu documentos com a formalização correta para tal verificação. Por este motivo, entendo ser necessária verificação junto à contribuinte, para confirmação do resultado das operações de SWAP nos anoscalendário de 2001 e 2002, para que, na seqüência, seja possível homologar ou não o crédito de saldo negativo de IRPJ apurados nestes períodos. Diante do exposto, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a Delegacia de origem identifique e aponte os resultados das operações de SWAP apurados pela Recorrente nos anoscalendário de 2001 e 2002. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 436DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/03/2 015 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Numero do processo: 13766.721062/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 01/01/2012
ISENÇÃO.IPI.DEFICIENTE FÍSICO.
A isenção de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores restringe-se às hipóteses citadas em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art.2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 988/2009. Defere-se o pedido quando o laudo médico atesta a presença de deficiência prevista nas normas pertinentes.
Numero da decisão: 3101-001.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator.
EDITADO EM: 08/04/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Henrique Pinheiro Torres. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Henrique Pinheiro Torres - Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 08/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Henrique Pinheiro Torres. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
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A isenção de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores restringese às hipóteses citadas em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art.2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 988/2009. Deferese o pedido quando o laudo médico atesta a presença de deficiência prevista nas normas pertinentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator. EDITADO EM: 08/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, Adolpho Bergamini, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça e Henrique Pinheiro Torres. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 72 10 62 /2 01 2- 91 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Trata o presente processo de pedido voltado ao reconhecimento do direito à isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI na aquisição de veículo, com fundamento no artigo 1º, inciso IV, da Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, com a redação dada pela Lei nº 10.690, de 16 de junho de 2003. Também foi requerido o reconhecimento do direito à isenção do IOF incidente sobre a operação de financiamento na aquisição do veículo, pelo alegado preenchimento dos requisitos exigidos pelo inciso IV do art. 72 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Versam os dispositivos citados acerca da concessão de benefício fiscal às pessoas físicas que, em sendo portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, venham a adquirir automóveis de passageiros de fabricação nacional. Os pleitos foram indeferidos com fundamento no fato de que a interessada deixou de preencher requisitos essenciais ao enquadramento como destinatária dos benefícios previstos no art. 1º, inciso IV, da Lei nº 8.989/1995 (IPI) e no inciso IV do art. 72 da Lei nº 8.383/1991 (IOF). Foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a contribuinte insiste na legitimidade do seu direito. A 3ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, em julgamento realizado em 24 de maio de 2013, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, para indeferir a isenção do IPI e deferir aquela referente ao IOF. O Acórdão 0944.229 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 01/01/2012 ISENÇÃO. IPI. DEFICIENTE FÍSICO. A isenção de que trata a Lei nº 8.989/95 e alterações posteriores restringese às hipóteses citadas em seu art.1º, bem como àquelas previstas no Decreto nº 3298/99, conforme interpretação expressa no art.2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 988/2009. É de se indeferir o pedido quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista nas normas pertinentes. ISENÇÃO.IOF.DEFICIENTE FÍSICO A exclusão do IOF para deficientes físicos darseá nos estritos termos do art.72, inciso IV, da Lei nº 8.383/91, ou seja, deverá estar atestado no laudo emitido pelo Detran de residência permanente o tipo de defeito físico e a total incapacidade para a condução de automóveis convencionais, e ainda a habilitação do requerente para dirigir veículo com adaptações especiais. Presentes tais requisitos, é de se deferir o pleito. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13766.721062/201291 Acórdão n.º 3101001.843 S3C1T1 Fl. 4 3 Sem Crédito em Litígio Cientificado da decisão da DRJ Juiz de Fora em 16/07/2013, a interessada apresentou seu Recurso Voluntário em 05/08/2013, anexando diversos documentos que, em seu entendimento, atenderiam os requisitos para a isenção do IPI pleiteada. O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Restanos apreciar no presente julgamento o benefício de isenção do IPI para portadores de deficiência física. O benefício fiscal encontra fundamento no inciso IV do art. 1º da Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, com a redação dada pela Lei nº 10.690, de 16 de junho de 2003, verbis: Lei nº 8.989/95 Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: [...] IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; [...] § 1o Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. Por sua vez, a Instrução Normativa RFB nº 988, de 22 de dezembro de 2009, disciplinou a aquisição de automóveis com isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) por pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas. De acordo com o inciso I do art. 3º da IN RFB nº 988/2009, para habilitarse à fruição da isenção, a pessoa portadora de deficiência física deveria apresentar Laudo de Avaliação, na forma do Anexo IX, emitido por prestador de serviço público de saúde ou serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS). Por sua vez, o Anexo IX da IN RFB nº 988/2009 foi claro em estabelecer, nas “normas e requisitos para emissão dos Laudos de Avaliação para o benefício previsto na lei nº 8.989, de 24/02/1995”, que a deficiência deve ser atestada por equipe (dois médicos) responsável pela área correspondente à deficiência. Além da assinatura de dois médicos, o responsável pela unidade emissora também deve assinar o Laudo e o Anexo XII (ou XIII) da mesma Instrução Normativa, quando se tratar de serviço privado de saúde. O pedido da Recorrente foi indeferido porque foi apresentado laudo em modelo inválido, não previsto na legislação, sem a identificação da unidade de saúde emissora, sem a identificação do responsável pela unidade e sem a sua assinatura no próprio laudo (fls. 10). O laudo não foi acompanhado do Anexo XII ou XIII da IN RFB nº 988/2009. O julgador a quo entendeu que o comprometimento da função física deveria darse, segundo dispõe o art.2º, §1º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 988/2009, pela observação conjunta do §1º do art.1º da Lei nº 8.989/95, com o inciso I, do art.4º, do Decreto nº 3.298/99, alterado pelo Decreto nº 5.296/2004: Decreto 3.298/99 Art. 4º É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: I – deficiência física – alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; (Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de 2004) Entendeu o julgador de primeira instância que, no caso em concreto, a Interessada, de acordo com o laudo de fls.24, era portadora de “dores articulares difusas com deambulação claudicante”, sendo que tal deficiência, por si só, sem que tenham sido apontadas, no parecer médico, seqüelas legitimadoras do pedido, não estaria contida nem no rol do art.4º, inciso I, do Decreto nº 3.298/99, com redação do Decreto nº 5.296/2004, nem no art.1º, §1º, da Lei nº 8.989/95.Ou seja, não seria hipótese necessária, nem tampouco hipótese prevista. Em seu Recurso Voluntário apresentado em 05/08/2013, a Recorrente anexou novos documentos, que em seu entendimento atenderiam os requisitos para a isenção do IPI Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13766.721062/201291 Acórdão n.º 3101001.843 S3C1T1 Fl. 5 5 pleiteada, a saber: (i) Laudo de Avaliação de Deficiência Física, de 01/08/2013 – Anexo IX da IN RFB 1369/2013 (fls.34); (ii) Informações Complementares – Portador de deficiência física e/ou visual– Anexo IX da IN RFB 1369/2013 (fls. 35); cópia da CNH (fls. 36); cópia do protocolo de requerimento da credencial para deficiente junto ao Detran (fls. 37); cópia do Laudo Médico assinado pelo Dr. Saulo Teach, CRM/ES 5771, datado de 26/02/2008 (fls 38); cópia de laudo de exames médicos (fls. 39 a 41); cópia do extrato do INSS (fls. 42); cópia do extrato do processo judicial 000067364.2007.8.08.0061 (fls. 43); cópia o Laudo Pericial vinculado ao processo nº 1.150/07 (0611.07.0006731) (fls. 45 a 49). Conforme destacado pela Autoridade Administrativa que indeferiu o pleito, de acordo com o inciso I do art. 3º da IN RFB nº 988/2009, para habilitarse à fruição da isenção, a pessoa portadora de deficiência física deverá apresentar Laudo de Avaliação, na forma do Anexo IX, emitido por prestador de serviço público de saúde ou serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS). O referido Anexo IX estabelece, nas “normas e requisitos para emissão dos Laudos de Avaliação para o benefício previsto na lei nº 8.989, de 24/02/1995”, que a deficiência deverá ser atestada por equipe (dois médicos) responsável pela área correspondente à deficiência. As questões formais apontadas pela Autoridade Administrativa foram sanadas, com a apresentação do Laudo de Avaliação de Deficiência Física, de 01/08/2013, previsto no Anexo IX da IN RFB 1369/2013 (fls.34), e das Informações Complementares (fls. 35), emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde de Venda Nova do Imigrante, atestada pelos médicos ortopedistas Saulo Tesch, CRMES 5771, e Jorge Luís de Castro, CRMES 1822, Quanto à questão material, o Laudo de Avaliação de Deficiência Física apresentado declara a deficiência física e visual da Recorrente. Descrição detalhada da deficiência: “Paciente com dores articulares difusas apresentando limitação de [...] de movimento com deambulação de auxílio de muletas, principalmente em quadril e joelho E.” Nas Informações Complementares de que trata o Anexo IX da IN RFB 1369/2013 (fls. 35), foi declarado que a Recorrente é portadora de deficiência física, e foi submetida a perícia perante Junta Médica, apresentando alteração completa ou parcial nos membros inferiores e superiores. Foi declarado que as alterações acarretam o comprometimento da função física do segmento afetado, representando uma perda ou anormalidade que gera incapacidade para o desempenho da atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano, ainda que de forma parcial, apresentandose sob a forma de paraparesia. Declarou ainda que a deformidade não é de origem estética e resulta em dificuldade para o desempenho das funções do membro deformado. Para a deficiência visual, o laudo declara que a Recorrente foi submetida a perícia perante a Junta Médica, onde constatouse a deficiência nas seguintes condições: (i) acuidade visual igual ou menor que 20/200 no melhor olho, após a melhor correção; e (ii) campo visual inferior a 20º (tabela de Snellen). No caso em análise, a Recorrente, através de laudos e relatórios médicos acostados aos autos, comprovou que é portadora de doença que lhe causa incapacidade parcial Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 dos membros inferiores e superiores, apresentandose sob a forma de paraparesia, produzindo dificuldades para o desempenho de funções. Foi acostado aos autos, inclusive, perícia médica realizada em Processo Judicial, em que a médica perita afirmou que a Recorrente encontrase incapacitada para o trabalho de forma total e permanente. Dessa forma, a Recorrente comprova que faz jus à isenção de IPI, com fundamento no inciso IV do art. 1º da Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à isenção do IPI pleiteada. Sala das sessões, em 20 de março de 2015. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinado digitalmente] Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/04 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 15374.724344/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Acompanharam o julgamento, pela recorrente, os advogados Marcelo Rodrigues de Siqueira, OAB/MG nº. 106.133 e Fernanda Loures de Oliveira, OAB/MG nº. 138.921.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Bruno Maurício Macedo Curi e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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PROCESSO PRODUTIVO. Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Acompanharam o julgamento, pela recorrente, os advogados Marcelo Rodrigues de Siqueira, OAB/MG nº. 106.133 e Fernanda Loures de Oliveira, OAB/MG nº. 138.921. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Bruno Maurício Macedo Curi e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) de crédito informado como originário de pagamento efetuado a maior em 15/04/2005 a título de COFINS nãocumulativacombustíveis, código de receita 6840, período de apuração março de 2005. O despacho decisório não reconheceu o crédito pleiteado, pelas seguintes razões resumidas no aresto recorrido: A DEMAC/RJO exarou o despacho decisório de fl...., com base no Termo de Verificação Fiscal de fls... decidindo não reconhecer o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 24 34 4/ 20 09 -8 3 Fl. 3003DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15374.724344/200983 Resolução nº 3202000.347 S3C2T2 Fl. 3.004 2 direito creditório pleiteado e, em decorrência, não homologar a compensação declarada. No referido Termo consta consignado, em resumo, que: A ação fiscal foi formalizada para fins de verificar a legitimidade das compensações declaradas pela empresa, envolvendo créditos relativos a supostos pagamentos a maior de Cofins nãocumulativa combustíveis referentes aos períodos de apuração janeiro, março e outubro de 2005; Verificouse que os créditos utilizados para compensação foram apurados somente a partir da retificação nos DACON e sua apuração se deu em decorrência do aumento expressivo no valor dos créditos da nãocumulatividade; A análise pautouse na auditoria dos créditos da não cumulatividade cujas retificações impactaram na apuração do crédito utilizado na compensação, bem como na auditoria dos créditos de maior valor. Quanto ao mês de março, promoveuse ainda a auditoria da base de cálculo da Cofins Combustíveis, haja vista que as retificações no DACON resultaram também na redução no valor devido da aludida exação; A fiscalizada não conseguiu identificar os serviços aplicados em cada etapa do processo produtivo, limitandose a apresentar relação geral dos serviços cujos valores utilizou como base de cálculo dos créditos descontados, sendo este um motivo suficiente para afastar o desconto de tais créditos, devido à impossibilidade de se atestar que se tratam de insumos diretamente aplicados ou consumidos no processo produtivo, como exige a legislação; Ainda que assim não fosse, a análise das planilhas apresentadas, da relação de produtos produzidos e destinados à venda e as atividades desempenhadas conforme estatuto social, permite ao menos identificar os serviços que flagrantemente não se caracterizam como insumos; A relação detalhada dos serviços glosados foi juntada aos processos de controle das DCOMP; Nos meses de março e outubro, também foram objeto de glosa os valores dos serviços em relação aos quais não restou caracterizada a ocorrência da aquisição dentro do mês de apuração do crédito, quais sejam, aqueles que, simultaneamente, nem a data de emissão da nota fiscal, nem a data de contabilização se deram no mês de apuração do crédito a descontar; Com relação aos créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, a fiscalizada foi intimada a apresentar notas fiscais de serviços da Petrobrás Transportes S/A – TRANSPETRO e pelas empresas de táxi aéreo e táxi comum (terrestre) relacionadas na planilha apresentada. A empresa apresentou apenas parte das notas fiscais requeridas. A análise das notas em confronto com as atividades desenvolvidas pelas empresas emitentes comprova que tais despesas se referem a transporte concernente à logística interna da empresa, transporte de pessoas ou apoio aéreo na exploração e produção de petróleo, e não a fretes contratados para a entrega de mercadoria/produto ao adquirente; No caso da Transpetro, somente foram apresentadas cópias das “notas de débito” referentes a possível aluguel de seus navios. Os serviços se referem ao transporte do petróleo dos campos de produção para os terminais da própria Transpetro e de lá para as refinarias e para as distribuidoras. As empresas de táxi aéreo prestam serviços de transporte de pessoas e de apoio aéreo logístico na exploração e produção de petróleo. Quanto aos serviços de táxi comum, é flagrante que este não é o meio utilizado para entrega de produtos a seus clientes. Nenhum dos Fl. 3004DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15374.724344/200983 Resolução nº 3202000.347 S3C2T2 Fl. 3.005 3 serviços citados se referem a frete nas vendas; A relação detalhada dos serviços de frete glosados foi juntada aos processos de controle das DCOMP; k) Com relação aos créditos nas aquisições por importação de bens insumos e para revenda, foi possível confirmar, em consulta ao sistema Siscomex, as importações listadas pela fiscalizada, bem como a efetividade de quase a totalidade dos pagamentos da Cofins incidente na importação. Foram glosados apenas os valores concernentes a aquisições cujas importações não se deram dentro do mês de apuração do crédito (março e outubro) e aquelas em relação às quais não restou confirmado o pagamento (janeiro, março e outubro); No caso de apuração extemporânea de créditos, a providência a ser tomada consiste na retificação do DACON relativo ao mês em que se deu a aquisição; Foram detalhadas as glosas de créditos relativos a aquisições por importação de bens utilizados como insumo ou para revenda. Foi considerada como data de aquisição a data do registro da DI original; Em relação aos meses de março e outubro, também foi objeto de glosa a diferença entre o valor comprovado a título de crédito relativo às importações de bens sujeitos às alíquotas por unidade de produtos e o declarado no DACON; Já no que diz respeito às aquisições por importação de serviços utilizados como insumos, a fiscalizada não logrou êxito em identificar os respectivos pagamentos da Cofins. Na planilha apresentada não há informação quanto às datas dos recolhimentos nem quanto à identificação do CNPJ dos estabelecimentos que procederam a tais pagamentos, impossibilitando, assim, atestar que os pagamentos da Cofins incidente na importação efetivamente ocorreram; A fiscalizada não apresentou os dados requeridos com a finalidade de comprovar as despesas com energia elétrica, limitandose a informar que o arquivo não foi demonstrado de forma analítica por não dispor de tais informações e a apresentar planilha contendo basicamente os valores utilizados como base de cálculo de tal crédito e o crédito apurado, os quais sequer equivalem àqueles declarados no DACON, de modo que não resta alternativa senão a de glosar a integralidade dos créditos; No que se refere ao mês de março, a fim de que se pudesse verificar a pertinência da redução da base de cálculo da Cofins – Conbustíveis promovida no DACON retificador, a fiscalizada apresentou planilhas e Razão Contábil da conta 3101110001 – “Faturamento bruto – Produtos – País”. Os valores escriturados são condizentes com os registrados no DACON retificador, à exceção do valor da venda de gasolina, exceto de aviação. No que tange ao valor devido de Cofins – combustíveis no mês de março, foi considerado o valor resultante da aplicação da alíquota sobre a base de cálculo escriturada na contabilidade em relação à gasolina, exceto de aviação e mantidos os valores sobre as demais receitas de venda de combustíveis, conforme declarado no DACON; Procedeuse à apuração da Cofins nãocumulativa, ficando demonstrado que, uma vez afastadas as parcelas indevidas de descontos, não subsistem os créditos de pagamento a maior utilizados nas compensações em foco, devendo ser não homologadas as DCOMPs referentes a crédito de Cofins – Combustíveis dos meses de janeiro, março e outubro de 2005. Fl. 3005DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15374.724344/200983 Resolução nº 3202000.347 S3C2T2 Fl. 3.006 4 A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório e respectivo Termo de Verificação Fiscal e apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese que: a) A adoção da corrente restritiva daquilo que se considera insumo já não encontra amparo na melhor doutrina e no CARF; b) As normas que instituíram a nãocumulatividade do PIS e da Cofins não firmaram expressamente o entendimento de que por insumo haveria de ser conhecido somente os bens e serviços diretamente envolvidos na produção dos bens e serviços; c) As receitas de uma atividade empresarial não decorrem exclusivamente da aquisição de bens e serviços diretamente utilizados na cadeia produtiva, mas de uma gama de bens e serviços que compõem os custos envolvidos na própria existência e manutenção da atividade econômica; d) Uma vez verificada a relevância dos custos indicados na planilha, mostrase latente o fato de que a decisão que determinou a glosa dos créditos gerados a partir deles está a merecer reparos, sob pena de violação dos dispositivos legais aplicáveis; e) De forma direta, clara e objetiva, o legislador garantiu ao contribuinte o direito de apropriação, nos meses subsequentes, do crédito não aproveitado em momento pretérito, independentemente do motivo que o tenha impossibilitado de utilizálo no mês em que ocorreu o custo ou despesa, conforme se depreende do inciso I, § 8º, art. 3º da Lei 10.637/2002; f) A regra do inciso I, § 1º, art. 3º da Lei 10.833/2003 não instituiu condicionantes para o aproveitamento de créditos; g) Instruções Normativas editadas quando da instituição do sistema não cumulativo da Cofins demonstram o quão irrelevante é a competência de origem do crédito para fins de seu aproveitamento. A Receita orientou que o contribuinte prestasse informações de custos e despesas ocorridos em meses diversos em um único DACON e que sua apresentação se desse em momento bem posterior à ocorrência das operações geradoras dos custos e despesas (INs 387/2004, 437/2004, 503/2005); h) Diferentemente do ICMS, o crédito do PIS e da Cofins não se origina do confronto entre operações de entrada e de saída de mercadorias, mas sim da própria ocorrência da operação passível de gerar o custo/despesa geradora do crédito; i) O processo da PER/DCOMP está, hoje, aparelhado para se atestar não só a legitimidade dos créditos apurados na forma do art. 15 da Lei 10.865/2004, mas também de todo e qualquer elemento inerente à aferição de seu regular processamento, independentemente do mês em que tenha se originado o direito creditório; j) O descumprimento da obrigação acessória, por si só, impõe, quando muito, a sanção administrativa pelo seu descumprimento, conforme § 3º do art. 113 do CTN, e não a rejeição do crédito Fl. 3006DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15374.724344/200983 Resolução nº 3202000.347 S3C2T2 Fl. 3.007 5 arguido para fins de compensação e que representa a própria apuração da obrigação principal, regulada pela norma do § 1º do art. 113 do CTN; k) Conforme leciona a doutrina, bem como já decidido pelo CSRF do CARF, os gastos com frete de pessoas e produtos, passíveis de gerarem créditos do PIS/Cofins, não se restringem àqueles envolvendo a entrega de mercadorias/produtos aos clientes adquirentes; l) No que diz respeito aos serviços de táxi aéreo, é notória sua participação na cadeia, visto que utilizados para transporte de empregados até as plataformas localizadas em alto mar, onde serão envolvidos na atividade de exploração e produção de petróleo; m) A utilização de táxi terrestre funciona como um prolongamento da operação inicial, vale dizer, parte integrante do transporte aéreo; n) Para que se dê o refino do petróleo, parte seguinte à exploração, é ele remetido para os tanques da contribuinte tão logo extraído do solo, ato último que se dá por meio dos serviços prestados pela Transpetro, sendo tal serviço, portanto, indispensável na atividade; o) A Solução de Consulta trazida pela Receita não encontra amparo em Soluções de Consulta posteriores; p) O frete suportado na cadeia produtiva já foi reconhecido pelo CARF como sendo insumo inerente à atividade, sem o qual se revelaria impossível a obtenção do resultado almejado pelo empresário; q) As notas de débito revestemse de conteúdo suficiente para fins de provar a despesa suportada pela Contribuinte; r) Com relação à glosa de créditos relativos a aquisições por importação, a questão envolvendo a alocação do crédito em DACON oriundo de competência diversa daquela em que se deu o seu nascimento, o contribuinte se reporta às razões anotadas no item IV B para justificar a manutenção dos créditos provenientes da importação de bens para insumos e para revenda; s) Na medida em que referidos bens e serviços foram importados, mostrase estranha a exigência do documento comprobatório do pagamento do tributo, quando foram apresentadas as respectivas DIs que jamais teriam o desembaraço concluído sem o recolhimento da Cofins; t) No que diz respeito às despesas de energia elétrica, a contribuinte requer a juntada do demonstrativo anexo, capaz de demonstrar que a energia elétrica foi consumida nos estabelecimentos da fiscalizada; u) Por fim, protesta pela juntada de documentos relacionados e documentos complementares, bem como pela apresentação de outras provas que contribuam para o deslinde da questão e que seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, Fl. 3007DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15374.724344/200983 Resolução nº 3202000.347 S3C2T2 Fl. 3.008 6 declarando legítimo o direito à integralidade dos créditos apontados e a homologação das compensações. Apreciando a manifestação de inconformidade, a DRJ a julgou improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. COFINS NÃOCUMULATIVA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. Na apuração nãocumulativa da COFINS, os créditos a descontar devem ser calculados em relação às aquisições de insumos ou bens para revenda ocorridas no próprio mês de apuração. COFINS. CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS COM FRETE. Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias ou produtos diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida. COFINS. CRÉDITOS NA IMPORTAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS. Somente se admitem os créditos decorrentes da importação de bens ou serviços quando comprovados os efetivos recolhimentos da Cofins Importação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido, sem o que não pode ser homologada a compensação efetuada. Fl. 3008DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15374.724344/200983 Resolução nº 3202000.347 S3C2T2 Fl. 3.009 7 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Não resignada com a decisão acima transcrita, a empresa interpôs recurso voluntário, reiterando os argumentos articulados na sua manifestação de inconformidade. Depois da interposição do recurso, empresa atravessou petição, pedindo a juntada de planilha analítica referente aos serviços de importação, utilizados como insumos. Em seguida, os autos foram remetidos ao CARF e distribuídos para o presente Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator ad hoc. Com fundamento no art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, incumbiume a Presidente da Turma a formalizar o presente acórdão, cujo relator original, Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relator original, que, embora não mais integre os colegiados do CARF, apresentou a minuta do voto na sessão de julgamento, que será adotada na presente formalização. Assim, passase a transcrever, a seguir, o voto que consta da minuta apresentada: Como é de conhecimento de todos deste Colegiado, o conceito de insumo que admito e que entendo utilizado pelo Legislador na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP , PI eME relacionados ao IPI.Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Como se observa do despacho decisório e do acórdão recorrido, uma série de bens e serviços foram glosados, por não se adequarem ao conceito de insumos , definido em instrução normativa, que muito se aproxima da definição – já dita inadequada – própria do IPI. Por isso, entendo que, nesses casos, deve ser convertido o julgamento em diligência, para que seja analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 3009DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 15374.724344/200983 Resolução nº 3202000.347 S3C2T2 Fl. 3.010 8 Ante o exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a empresa Recorrente a: a) efetuar descritivo minucioso do processo produtivo da Recorrente – elaborar laudo se necessário , a fim de que possa ser constatado o emprego dos custos, despesas e serviços glosados pelo despacho decisório, inclusive em relação aos créditos extemporâneos (se houver); b) destacar quais as despesas vinculadas a cada uma das contas contábeis, inserindo sua participação no processo produtivo, inclusive em relação aos créditos extemporâneos (se houver); c) Apresentar balancetes ou Livro Razão comprovando o registro contábil da despesa no valor informado; d) trazer aos autos outros elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo. Em seguida, a autoridade da RFB responsável pela realização da diligência apresentará relatório circunstanciado e conclusivo a respeito da diligência, podendo trazer aos autos outros elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo. Por fim deve ser intimando a Recorrente para que se manifeste expressamente sobre o resultado da presente diligência. Após, retornem a este colegiado para continuidade do presente julgamento. É como voto Charles Mayer de Castro Souza Fl. 3010DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 6/06/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 28/06/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11968.000756/2009-93
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/08/2008, 29/08/2008, 08/09/2008, 12/09/2008
MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO.
A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 07 56 /2 00 9- 93 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000756/200993 Acórdão n.º 3801004.837 S3TE01 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000756/200993 Acórdão n.º 3801004.837 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de o presente processo de Auto de Infração lavrado face ao descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, de acordo com o que dispõe o art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto lei37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833, de 2003. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a impugnação na qual alega, em breve síntese, que não é parte legitima para figurar no pólo passivo, tendo em vista que atuou na qualidade de mera agência de navegação marítima da empresa transportadora e que não responde por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias devidos por esta. Afirma que o agente marítimo age em nome do Armador e com este não se confunde, razão pela qual não pode ser pessoalmente responsabilizada pela autuação em tela, até porque a própria Lei (art. 107, IV "e" do Decreto Lei 37/66) assim não prevê. Alega ausência de tipicidade, porque não deixou de prestar informação no prazo previsto em Regulamento. Apenas retificou posteriormente a sua informação, o que é uma hipótese diferenciada da penalidade estipulada e não se encontra tipificada na alínea 'e' do inciso IV, do art. 107 do Decreto Lei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03. Aduz que a autuação carece de elemento essencial de validade, pois, conforme o art. 113, § 2º do CTN, não há um fim específico e próprio que justificasse a penalidade, ou seja, o eventual descumprimento de prestar informações no prazo estipulado não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Afirma que o lançamento fere o princípio da Reserva Legal, porque fundamentado em dispositivo constante em Instrução Normativa. Argui que não existe amparo legal para aplicação de penalidade para a ação de alteração/correção de dados no Sistema Sicarga. Alega que o procedimento fiscalizatório somente foi iniciado após ter formalizado a denúncia espontânea, o que a exime de qualquer penalidade, conforme o disposto no parágrafo 2 do art. 102, do Decreto Lei n 37, de 18 de novembro de 1966, cuja redação foi alterada pela Medida Provisória n 497, de 27 de julho de 2010, bem como o art. 138, caput, do Código Tributário Nacional. Requer seja anulado ou cancelado o auto de infração. A DRJ no Recife (PE) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/08/2008, 29/08/2008, 08/09/2008, 12/09/2008 RETIFICAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE CONHECIMENTO ELETRÔNICO. Aplicase a multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea ‘e’, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, para cada deferimento, automático ou não, de retificação extemporânea do manifesto eletrônico, conhecimento eletrônico ou item de carga, mesmo que as cargas tenham sido transportadas em uma mesma embarcação. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000756/200993 Acórdão n.º 3801004.837 S3TE01 Fl. 5 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: Por ser uma agência de navegação da transportadora não poderia ser considerado representante do transportador para fins de responsabilidade tributária não lhe correndo os efeitos do Decreto Lei 37/66; Alega que a sua declaração extemporânea teria os mesmos efeitos que a denúncia espontânea e esta seria aplicável às obrigações acessórias; Entende que a Instrução Normativa nº 800/07, infringe o princípio da reserva legal, conforme art. 97, V do CTN; Entende que sua conduta, retificação, seria atípica com relação à sanção prevista no art. 107 do Decreto Lei nº 37/66; Alega que a multa regulamentar, enquanto obrigação acessória, carece de validade essencial, por não estar demonstrado o interesse da arrecadação ou fiscalização de tributos, não sendo assim justificada aplicação da mesma; Entende que não deixou de apresentar informações dentro do prazo referido pela IN nº800/07, mas promoveu a retificação destas. É o sucinto relatório. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000756/200993 Acórdão n.º 3801004.837 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Ilegitimidade Passiva Muito embora compartilhe do entendimento que as agências marítimas não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que no presente caso tal argumentação não se aplica. A recorrente é empresa transportadora, conforme demonstra o seu CNPJ e objeto social, que assim determina a Cláusula Segunda que: A sociedade tem por objeto a navegação marítima de longo curso marítima (...) o exercício das atividades de agente de transporte multimodal, assessoria ao transporte marítimo e terrestre de cargas em todo o território nacional (...) Face a isto, afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tais argumentos, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso por motivos diversos. Denúncia Espontânea Inicio a análise do argumento da denúncia espontânea, pois uma vez julgado o seu provimento, todas as demais matérias se tornarão prejudicadas. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000756/200993 Acórdão n.º 3801004.837 S3TE01 Fl. 7 6 O Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000756/200993 Acórdão n.º 3801004.837 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) Cabe analisar a restrição imposta pelo art. 683, §3º do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009, que regulamenta a administração das atividades aduaneiras, e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio exterior. Este determina que: Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). (…) Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000756/200993 Acórdão n.º 3801004.837 S3TE01 Fl. 9 8 §3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. O texto original do Decreto nº 6.759/2009 previa em seu §3oque a espontaneidade era afastada depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior e por conseqüência igualmente afastada seria a denúncia espontânea. Notese que esta redação deve ser lida em consonância com o disposto na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010 que passou a ter a seguinte redação: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) Notese que o Decreto nº 6.759/2009 deve ser lido em conformidade com a Lei nº 12.350/2010. Tratase de norma superior e posterior. Assim, tanto pelo critério da hierarquia, quanto pelo critério cronológico deve prevalecer a norma posterior. Da leitura da lei posterior se nota que não há a restrição prevista no §3o, do art. 683 do Decreto nº 6.759/2009, de tal modo que onde não houve restrição legal não poderá a norma regulamentadora restringir, sob pena de ofensa ao princípio da estrita legalidade. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o veículo e carga transportada fora do prazo estabelecido, por força do art. 107 do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000756/200993 Acórdão n.º 3801004.837 S3TE01 Fl. 10 9 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreenderem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕESACESSÓRIAS Datadofatogerador:31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. RecursoNegado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Obrigação Acessória Carece de razão a alegação da recorrente quanto à carência de elemento essencial na autuação por descumprimento de obrigação acessória. Isto porque as obrigações acessórias não possuem uma relação de dependência de uma obrigação principal. Como o próprio artigo citado pela recorrente são prestações positivas ou negativas, fazer ou não fazer algo em benefício do interesse arrecadatório ou fiscalizatório. No caso dos autos, a declaração que gerou a autuação da recorrente era uma obrigação acessória, positiva e com finalidade fiscalizatória, pois se caracteriza em um dever de declarar o bem carregado e cujas informações contidas auxiliam o fisco a verificar a adequada descrição de bem importado pelo importador, se houve emissão de notas fiscais, se a importadora estaria correta em sua escrituração fiscal. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107 do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, não sendo prestada a obrigação de declaração de mercadorias dentro do prazo legal, houve prejuízo na fiscalização aduaneira, devida, portanto, a multa pelo descumprimento. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000756/200993 Acórdão n.º 3801004.837 S3TE01 Fl. 11 10 Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Tipificação A recorrente alega que não incorreu no tipo específico de descumprimento de declaração de mercadoria, conforme art.37 e 107, IV, “e” do DecretoLei 37/66, posto que não deixou de prestar informações sobre o veículo ou sobre a carga transportada entendendo que retificação, conduta que afirma ter praticado seria diferente de deixar de informar. Entendo que não assiste razão a recorrente, tendo em vista que no auto de infração é possível verificar que o recorrente apresentou Conhecimento de Embarque, promovendo a alteração de NCM fora dos prazos de atracação do navio e conforme art.37 do Decretolei 37/66 “o transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecido, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado”. O entendimento deste Conselho, inclusive para esta empresa em autuação pretérita foi o seguinte: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 05/04/2006 a 15/01/2009 MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. AGENTE MARÍTIMO E TRANSPORTADOR. LEGITIMIDADE PASSIVA A legislação prevê que o agente marítimo, assim como o transportador internacional, respondem solidariamente por quaisquer infrações que tenham concorrido para a prática, solidariamente, sendo, pois, o agente parte legítima a figurar no polo passivo de auto de infração. MULTA REGULAMENTAR. DIREITO ADUANEIRO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontrase prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966 prescindindo, para a sua aplicação, de que haja prejuízo ao Erário, sobretudo por se tratar de obrigação acessória em que as informações devem ser prestadas na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea de obrigação acessória se a norma em comento tem como finalidade a prestação de informações na forma e, sobretudo, no prazo fixado pela legislação, prazo esse que não seria observado se se considerar que a prestação de informações fora do prazo configuraria denúncia espontânea. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000756/200993 Acórdão n.º 3801004.837 S3TE01 Fl. 12 11 Recurso Voluntário Negado. Nesta senda, uma vez não cumprindo o prazo de apresentação das declarações o transportador já incorre no fato gerador da multa regulamentar, resta devidamente enquadrada a conduta da recorrente à infração referida, não havendo qualquer traço de atipicidade. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Art. 50 da Instrução Normativa 800/2007 Entendo que não assiste razão ao recorrente. Conforme a redação do artigo 50 da IN 800/07, informa que os prazos de antecipação de informação previstos no art. 22º da mesma instrução somente serão obrigatórios a partir de 1 de janeiro de 2009. Vejamos: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009. Parágrafoúnico. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País.(grifonosso) Este dispositivo, ao mesmo tempo em que prevê que os prazos mínimos para a prestação de informações à RFB previstos no artigo 22 da IN RFB nº 800/2007 somente são obrigatórios a partir de 1ºde janeiro de 2009, dispõe que o transportador tem a obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Resta claro, portanto, que já a partir do momento em que se inicia a produção de efeitos da IN RFB nº 800/2007, qual seja 31 de março de 2008, as informações sobre as cargas transportadas devem ser prestadas pelas transportadoras antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País, conforme art. 52 da Instrução Normativa, prazo também descumprido pelo contribuinte. Em adição, havendo prazo que estabeleça o início da vigência das antecipações, nos caso dos fatos geradores que antecedem a vigência da Instrução Normativa 800/07, o contribuinte deveria ter cumprido o prazo de sete dias descritos art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 2005, para a apresentação da declaração, no que ultrapassou demasiado. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Penalidade Aplicada Por Viagem Fl. 491DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000756/200993 Acórdão n.º 3801004.837 S3TE01 Fl. 13 12 A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra cada uma das declarações de forma extemporânea, tendo em vista que o entendimento da Receita Federal sobre o assunto em Consulta Interna teria determinado que o transportador fosse multado uma única vez pela prestação de informações fora do prazo, referindo a COSIT SCI nº 8 de 14 de fevereiro de 2008. Não obstante os auditores fiscais tenham interpretado, em sua maioria, a legislação como que a multa deveria ser aplicada por cada declaração fora do prazo, o dispositivo legal deixa brecha para tanto interpretar que a penalidade deve ser aplicada por viagem quanto por declaração, visto que o dispositivo aborda apenas o aspecto quantitativo da multa, a tipificação da conduta, no caso, deixar de apresentar informações nos prazo estabelecidos à Receita Federal e identificação do infrator, qual seja a empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de transporte internacional expresso ou agente de carga. Neste sentido, entendo que se deve interpretar a norma de forma mais favorável ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comento, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN).A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado Fl. 492DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000756/200993 Acórdão n.º 3801004.837 S3TE01 Fl. 14 13 em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que a penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, deve ser aplicada por viagem e não por declaração de carga, devendo as penalidades aplicadas por declaração excluídas para que fiquem apenas a multa aplicada por viagem apurada no auto de infração. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 493DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000756/200993 Acórdão n.º 3801004.837 S3TE01 Fl. 15 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar em relação à aplicação do instituto da denúncia espontânea. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000756/200993 Acórdão n.º 3801004.837 S3TE01 Fl. 16 15 Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser Fl. 495DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000756/200993 Acórdão n.º 3801004.837 S3TE01 Fl. 17 16 citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11968.000756/200993 Acórdão n.º 3801004.837 S3TE01 Fl. 18 17 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 497DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10510.005613/2007-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
IRPJ. LUCRO ARBITRADO. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO.
A partir da lavratura do auto de infração é que se disponibiliza ao sujeito passivo o contraditório e o mais amplo direito de defesa, o qual é exercido através da impugnação ao lançamento, inaugurando-se a fase litigiosa do procedimento, tudo de acordo com o Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal - PAF, não havendo falar-se em cerceamento do direito de defesa por alegada inobservância do rito previsto no art.148 do CTN quando ao caso o mesmo não é aplicável.
MULTA AGRAVADA - CONDUTA REITERADA - Nos termos da jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9101-002.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, recurso negado provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento, o Conselheiro JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO. VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: Relator
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LUCRO ARBITRADO. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. A partir da lavratura do auto de infração é que se disponibiliza ao sujeito passivo o contraditório e o mais amplo direito de defesa, o qual é exercido através da impugnação ao lançamento, inaugurandose a fase litigiosa do procedimento, tudo de acordo com o Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal PAF, não havendo falarse em cerceamento do direito de defesa por alegada inobservância do rito previsto no art.148 do CTN quando ao caso o mesmo não é aplicável. MULTA AGRAVADA CONDUTA REITERADA Nos termos da jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, recurso negado provimento. Declarouse impedido de participar do julgamento, o Conselheiro JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 56 13 /2 00 7- 11 Fl. 870DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO. VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, ANTONIO LISBOA CARDOSO (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento). Relatório A empresa COMERCIAL HM EIRELI ME., cientificada do Acórdão 1103 00.508, proferido pela Terceira Turma da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, em de 03/08/2011, apresentou recurso especial à CSRF, com fulcro no artigo 64, inciso II, do Anexo II do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009. O lançamento de ofício referese aos anoscalendário de 2002 a 2005, tendo o citado acórdão, na parte que interessa ao presente julgamento, sido assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE — ART. 148 DO CTN — ARBITRAMENTO O art. 148 do CTN se presta às hipóteses em que o arbitramento e o critério para tanto são definidos pela autoridade fiscal. Aí entra em jogo a contestação e a avaliação contraditória, mediante processo regular próprio. Inexiste ofensa ao preceito quando a lei define as hipóteses de arbitramento do lucro, no caso, a ausência de escrituração contábil, e delimita os critérios de arbitramento, interditando o fisco de arbitrálo a seu talante. ARBITRAMENTO DO LUCRO — ILEGALIDADE O autuante utilizou a Declaração de Informações do Contribuinte, o Livro de Apuração do ICMS e os dados do sistema de Informações de Trânsito da Secretaria da Fazenda do Estado de Sergipe (entradas de mercadorias), para levantar a omissão de receitas e arbitrar o lucro com base em receita conhecida e não conhecida. Inexistência de ilegalidade. Arbitramento do lucro com emprego de coeficientes corretos, de 9,6%, 12%, e de 0,4 sobre o valor das compras (receita não conhecida). PIS, COFINS Fl. 871DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 3 Exigência desses tributos quando conhecida a receita omitida. Ilegalidade inexistente. MULTA QUALIFICADA A falta de apresentação de declarações ou suas apresentações com conteúdo incorreto, por si, não informam dolo especifico. Por outro lado, em relação à maior parte de 2004 e de 2005 não houve emissão de notas fiscais, tampouco registro de apuração de ICMS. Além disso, não há escrituração contábil. Conjunto de dados presentes nos autos que dá qualificação de um cenário que indica haver dolo especifico no comportamento infracional. Para demonstrar o dissenso jurisprudencial a recorrente apresentou os acórdãos paradigmas assim ementados: 1ª Divergência: arbitramento do lucro ante o art. 148 do CTN PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO ADMITIDO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL PASSADA EM JULGADO — PRINCIPIO DA TIPICIDADE CERRADA — Nulo o lançamento por arbitramento que não obedece as prescrições contidas no art. 148 do CTN. De oficio, reconhecer a nulidade do lançamento. (Ac. 10615.563, processo n° 10930.000775/8933, j. 25/05/2006) 2ª Divergência: qualificação da multa de ofício MULTA AGRAVADA Somente deve ser aplicada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75% para os casos de receitas contabilizadas a menor, bem como para aquelas declaradas por valores inferiores aos contabilizados". (Ac. 10321.162, processo n° 10166.014820/200139, j. 27/02/2003) Em sua defesa, a recorrente argumenta, em síntese, que: (...): (a) os tributos foram lançados com base em procedimento de arbitramento que não atendeu aos ditames do art. 148 do CTN, o que conduz a nulidade dos autos de infração; (b) houve, no curso do processo administrativo, o cerceamento do direito de defesa do autuado; (c) por fim, seria inaplicável a multa agravada de 150% imposta sob o fundamento de que o contribuinte teria deixado de apresentar as declarações de informações fiscais nos anos de 2002 a 2005, enquanto que, em 2005, teria informado a inatividade da empresa , eis que simples ausência ou inexatidão na declaração prestada ao Fisco não externam o intuito de fraude que é indispensável para a caracterização da hipótese de agravamento da multa. Considerando caracterizado o dissídio jurisprudencial e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso especial através do Despacho nº 110100.165, de 26/09/2012. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 4 A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 745, pugnando pela manutenção do entendimento exarado na decisão recorrida, das quais transcrevo os seguintes excertos: Quanto à qualificação da multa de ofício: Ocorre que o recorrente, durante anos consecutivos, ofereceu ã tributação um quantum menor que o devido. Com essa conduta, tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. (...). Ressaltese que a reiteração dessa prática aliada aos resultados obtidos evidenciam a clara intenção de fraudar o Fisco por meio da ação dolosa prevista no inciso I, do art. 71, da Lei nº 4.502/64. Tratase o caso em questão, dúvida não há, de um comportamento planejado como propósito de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador do tributo pela autoridade fiscal. Quanto ao arbitramento do lucro: (...) com relação à aplicação do art. 148 do CTN — temse que esse dispositivo se presta às hipóteses em que o arbitramento e o critério para tanto são definidos em lei pela autoridade fiscal, apenas. Dai é que viriam a contestação e a avaliação contraditória, mediante processo regular próprio. Portanto, o entendimento expressado pelo contribuinte utilizandose, inutilmente do principio eventualidade segundo o qual a inteligência do artigo 148 do CTN imporia o contraditório antes mesmo da prática do lançamento, não o contraditório antes merece prosperar. É que a contribuinte não apresentara as DIPJ dos exercícios de 2003, 2004, 2005 e se declarou inativa em 2006. Ao ser intimada para apresentação dos livros diário, razão, dentre outros, não os apresentou. Argumentou que teriam sido retidos pela Secretaria da Fazenda do Estado de Sergipe; contudo, esses livros contábeis não haviam sido retidos. O que havia sido retido foram os livros de entradas, saídas e de apuração de ICMS. (...). É o relatório. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator O recurso especial apresentado pelo sujeito passivo é tempestivo e assente em lei, tendo preenchido os requisitos necessários à sua admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 5 As alegadas dissenções jurisprudências postas à nossa apreciação dizem respeito às seguintes matérias: 1ª) arbitramento do lucro ante o art. 148 do CTN 2ª) qualificação da multa de ofício Conforme se encontra descrito no relatório, foram apresentados pela recorrente, em síntese, os seguintes argumentos: (a) os tributos foram lançados com base em procedimento de arbitramento que não atendeu aos ditames do art. 148 do CTN, o que conduz a nulidade dos autos de infração; (b) houve, no curso do processo administrativo, o cerceamento do direito de defesa do autuado; (c) por fim, seria inaplicável a multa agravada de 150% imposta sob o fundamento de que o contribuinte teria deixado de apresentar as declarações de informações fiscais nos anos de 2002 a 2005, enquanto que, em 2005, teria informado a inatividade da empresa , eis que simples ausência ou inexatidão na declaração prestada ao Fisco não externam o intuito de fraude que é indispensável para a caracterização da hipótese de agravamento da multa. Compulsandose os autos e procedendo a uma leitura cuidadosa do aresto recorrido, evidenciase que o mesmo não merece reparo, tendo o i. relator apreciado os argumentos recursais com minudente atenção e decidido em consonância com a legislação que rege a matéria e com as provas constantes dos autos. Senão vejamos. Primeiramente, entendo como não procedente o alegado cerceamento do direito de defesa, em face de não lhe ter sido dada a oportunidade de contradizer, ainda no curso da ação fiscal, a forma e os elementos utilizados para estabelecer os valores que serviram de base de cálculo do lucro arbitrado, pois é consabido, conforme muito bem ressaltado na decisão recorrida, que essa é uma fase inquisitória, voltada para a investigação fiscal com vistas ao colhimento das informações e dados que lhes serão necessários para a conclusão e o cumprimento do seu desiderato, de cujas averiguações poderão ou não resultar em lavratura de auto de infração, conforme aconteceu no presente caso. A partir desse momento é que se disponibiliza ao sujeito passivo o contraditório e o mais amplo direito de defesa, o qual é exercido através da impugnação ao lançamento, inaugurandose, assim, a fase litigiosa do procedimento, tudo de acordo com o Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal – PAF. A propósito, os ensinamentos do respeitado tributarista Zuudi Sakakihara, ao comentar o art. 148 do CTN1, nos conduz a essas mesmas conclusões, verbis: (...). Havendo contestação, devese assegurar a avaliação contraditória, diz o artigo. Como o arbitramento é unilateral, e com base nele é feito o lançamento de ofício, a contestação será apresentada como impugnação ao lançamento, prevista no art. 145. Só então é que será assegurado o procedimento contraditório na avaliação da base de cálculo arbitrada. Não se 1 Código Tributário Nacional Comentado – Editora Revista dos Tribunais – 4ª Ed. Revista.p. 680 Fl. 874DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 6 garantem, portanto, a contestação e a avaliação contraditória antes do lançamento. (destaque acrescido) Há de se reconhecer que todas essas oportunidades foram e estão sendo devidamente disponibilizadas ao ora recorrente, não havendo porque acatar sua alegação de cerceamento do direito de defesa. Quanto aos motivos que ensejaram o arbitramento do lucro, mais uma vez faço alusão aos muitos bem postos termos do voto condutor da decisão recorrida, aos quais me proponho recorrer, mediante reprodução que, com a devida vênia, passo a fazêla: (...). De outra parte, sabese que não há o chamado lançamento por arbitramento condicional. Assim como o arbitramento é o último recurso posto pela lei, uma vez efetivado, descabe pretender desconfigurálo após o lançamento, que só se exauriu dessa forma, justamente pela inexistência (a recusa ou falta de apresentação equivale à inexistência, considerada como efeito ou qualificação jurídica eleita como elemento do suposto de fato em discussão) ou imprestabilidade da escrituração contábil ou indevida opção pelo lucro presumido. (destaques acrescidos) É a razão da aprovação da Súmula CARF n° 59, pela lª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF em sessão de 29/11/10, chancelada pela Portaria CARF 49/10 e consolidada nesse número de enunciado sumular pela Portaria CARF 52/10: Súmula CARF n° 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Observase, ainda, que o voto condutor da decisão recorrida dissecou a forma como foi levado a efeito todo o trabalho fiscal, não me restando dúvida quanto à sua criteriosa realização. Portanto, entendo que relativamente ao questionamento apresentado pela recorrente quanto à apuração do valor tributável com base no arbitramento do lucro não deve ser acolhido, sendo de se manter a decisão recorrida nos seus estritos termos. Quanto à segunda divergência trazida à nossa apreciação relativa à qualificação da multa de ofício, entendo que melhor sorte não cabe à recorrente. Isso porque esta 1ª Turma da CSRF tem dado especial relevância à conduta reiterada do sujeito passivo como elemento suficiente para conotar a deliberada intenção dolosa consistente na prática de ocultar ou de dificultar o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária por parte da autoridade fazendária, cuja atitude delituosa estaria, no presente caso, comprovada pela omissão na entrega da DIPJ e das DCTF de três anos consecutivos (anos calendário de 2002 a 2004), culminando com a entrega da DIPJ do anocalendário seguinte, a de 2005, com a falsa declaração de que a empresa estaria inativa. E mais. Nos supracitados anoscalendário de 2004 e de 2005 também não houve emissão de notas fiscais de venda de mercadorias, tampouco algum registro de Fl. 875DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 7 apuração de ICMS no livro próprio2, além de ter sido alegado que a fiscalização estadual teria retido os livros contábeis Diário e Caixa, informação essa que igualmente não se confirmou quanto à sua real ocorrência. A propósito, peço vênia para transcrever ementa de precedentes jurisprudenciais sobre a matéria, no âmbito desta 1ª Turma da CSRF, consoante Acórdão nº 910100.140, sessão de 12/05/2009, sendo relator o i. Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, a seguir: MULTA AGRAVADA – CONDUTA REITERADA – Nos termos da jurisprudência majoritária da CSRF, e das Câmaras da Primeira Seção do CARF, a prática reiterada de infrações à legislação tributária denota a intenção dolosa do contribuinte de fraudar a aplicação da legislação tributária e lesar o Fisco. No voto condutor dessa decisão, o i. relator cita também diversos outros julgados do CARF dentro dessa mesma linha de entendimento, dos quais transcrevo, a seguir, apenas mais uma das ementas nele citadas: ACORDÃO CSRF/0105.810 em 14 de abril de 2008 MULTA QUALIFICADA – CONDUTA CONTINUADA – A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária e enquadrase perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64. justificando a aplicação da multa qualificada. Sendo assim, nessa ordem de juízos, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes 2 Voto condutor do acórdão recorrido, fls. 610. 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