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Numero do processo: 10580.722110/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.040
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos sobrestar o julgamento com fundamento no §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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Assunto Sobrestamento Recorrente JOSE FELISBERTO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos sobrestar o julgamento com fundamento no §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 29 de junho de 2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ/Salvador/BA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 128.395,05, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722110/200861 Resolução n.º 2802000.040 S2TE02 Fl. 2 2 Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº. 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº. 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração;o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; c) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal;o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722110/200861 Resolução n.º 2802000.040 S2TE02 Fl. 3 3 e) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; A 3ª Turma DRJ/Salvador/BA, conforme Acórdão de fls.103 a 107, julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 16/05/2011, o contribuinte, por intermédio de representantes (procuração às fls. 98) apresentou, em 26/05/2011, o Recurso de fls. 111 a 143, argumentando, preliminarmente, que a decisão recorrida não enfrentou as questões suscitadas na impugnação relativas aos seguintes pontos: i) falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; e ii) quebra da capacidade contributiva do contribuinte, o que representaria uma negativa ao seu direito de petição, assegurado na Constituição Federal (artigo 52, XXXIV). Neste sentido, afirma o recorrente que referida omissão caracterizaria supressão da instância administrativa, em ofensa ao seu direito ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa, assegurados constitucionalmente a todos, inclusive no âmbito administrativo. Diante disso, sustenta a recorrente que a solução correta para o caso seria fazer voltar o processo à instância originária, para que o recorrente possa formular e ver decidida, em cada uma delas, suas alegações contra o lançamento efetuado. No entanto, requer que, caso assim não entenda essa instância superior, ao menos que enfrente a questão, concluindo pela mesma compreensão da defesa, reiterada na peça recursal. Assevera ainda que a decisão guerreada desconsiderou totalmente a boa fé do recorrente, indo em direção contrária à jurisprudência pátria e ao ordenamento jurídico nacional. Quanto ao mérito, reiterou os argumentos apresentados na impugnação, relativamente às seguintes questões: • caráter indenizatório das parcelas referente às diferenças da URV; • violação ao princípio constitucional da isonomia; • isenção pela resolução do STF e lei estadual no exercício da competência residual; • responsabilidade tributária da fonte pagadora e boa fé do contribuinte; exclusão da multa de ofício e dos juros de mora lançados. Ao final, requer a contribuinte seja acolhido e totalmente provido o seu recurso, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, e na hipótese de ser mantida a ação fiscal, que leve em consideração os argumentos lançados precedentemente. É o relatório. Voto: Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722110/200861 Resolução n.º 2802000.040 S2TE02 Fl. 4 4 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Antes de adentrar nos argumentos do recurso, há que se enfrentar questão preliminar que diz respeito à possibilidade de apreciação do feito neste momento. Isso porque o processo sob análise versa a respeito de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, em decorrência dos arts. 2º e 3o da Lei Complementar do Estado da Bahia nº. 20, de 08 de setembro de 2003, que possuem a seguinte redação: Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº. 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. Compulsando os autos verificase que no lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls 67, os rendimentos recebidos acumuladamente foram lançados com base nas tabelas e alíquotas vigentes nos anos dos recebimentos (cálculo global). De acordo com o PARECER PGFN/CRJ/Nº. 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, no cálculo do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em considerações as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal . Referido procedimento, conflita com o texto legal do art. 12 da Lei n.º 7.713/88, levado à apreciação, em caráter difuso, por parte do egrégio Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral do tema, nos seguintes termos, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722110/200861 Resolução n.º 2802000.040 S2TE02 Fl. 5 5 sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG/RS, Relator(a): Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011) Observese que essa decisão foi tomada na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, que obriga o sobrestamento dos demais recursos sobre a mesma matéria até o pronunciamento definitivo da Corte. Devido à repercussão geral do tema, o Parecer PGFN/CRJ/Nº. 287/2009 teve a sua eficácia suspensa pelo Parecer PGFN n.º 2.331/10, enquanto perdurar a discussão judicial a respeito do tema. Assim, a Turma Julgadora considerou que, especialmente em razão do caráter vinculado no lançamento tributário, na forma preconizada pelo art. 142 do CTN, para evitar possível violação aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, seria necessário suspender o julgamento do presente recurso voluntário. Nesse sentido, o art. 62A do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, determina o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que for reconhecida a repercussão geral do tema pelo egrégio Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Diante do exposto, voto no sentido de determinar o sobrestamento do presente recurso, até ulterior decisão definitiva do egrégio Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406/RS, nos termos do disposto pelos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Brasília/DF, Sala de Sessões, 19 de junho de 2012. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722110/200861 Resolução n.º 2802000.040 S2TE02 Fl. 6 6 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 29/06/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11522.001952/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA
Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional.
AUTO DE INFRAÇÃO -APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DIÁRIO CONTENDO INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE
Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira
Numero da decisão: 2301-003.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao recurso, para excluir o agravamento da multa.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional. AUTO DE INFRAÇÃO -APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DIÁRIO CONTENDO INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao recurso, para excluir o agravamento da multa. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
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AUTO DE INFRAÇÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS DIÁRIO CONTENDO INFORMAÇÃO DIVERSA DA REALIDADE Constitui infração a não exibição dos documentos relacionados às contribuições previdenciárias ou a exibição de documento ou livro que não atenda as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao recurso, para excluir o agravamento da multa. MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 19 52 /2 01 0- 58 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001952/201058 Acórdão n.º 2301003.354 S2C3T1 Fl. 84 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/12/2010, por ter a empresa acima identificada deixado de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91, ou apresentar documento ou livro que não atende as formalidades exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira, infringindo, dessa forma, o art. 33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212/91, com redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, c/c o artigo 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99.. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls.34), a autuada deixou de apresentar à fiscalização, apesar de intimada por meio de TIF, as faturas emitidas pela UNIMED em 2005, e as de algumas competências de 2006, bem como as despesas de alimentação para o ano de 2005. A autoridade autuante esclarece que as informações detalhadas, bem como a documentação comprobatória da prática dolosa do contribuinte, encontramse no processo 11522.001798/201014, que discute o Auto de Infração principal. Segundo Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, a penalidade foi agravada tendo em vista a ocorrência da hipótese prevista nos incisos I e II do art. 290, do RPS. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0122.321, da 5a Turma da DRJ/BEL (fls. 57), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 77), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, insiste na decadência dos valores lançados entre 01/2005 a 12/2005, com a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Sustenta que, para a aplicação das penalidades gravosas, há que se provar a ocorrência de dolo, ou que efetivamente não foi feito, já que dolo não se presume, devendo ser demonstrada a materialidade dessa conduta, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Discorre sobre as diferenças entre sonegação e inadimplência, para concluir que a recorrente, se cometeu algum ilícito, não teve a intenção de praticála, não havendo qualquer prova de que a recorrente tenha agido com dolo, tornandose atípica a conduta a ela imputada. Alega descabimento da multa regulamentar, argumentando que, não bastasse os valores lançados a título de multa de mora e de ofício, a autoridade fiscal lavrou, adicionalmente, outros 09 autos de infração, com a cobrança de multas isoladas, o que, segundo entende, possui efeito de confisco. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Ressalta a peculiaridade da multa prevista na Lei 8.218/91, que não é calculada sequer sobre o valor do tributo que teria deixado de ser recolhido pelo contribuinte, mas sobre o faturamento, o que demonstra absoluta ausência de razoabilidade da penalidade aplicada. Observa que as diversas multas previstas nos arts 11 e 12, da Lei 8.218/91 não guardam qualquer parâmetro com as condutas que se pretende evitar, violando assim os princípios da vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Finaliza requerendo o conhecimento do Recurso Voluntário para que sejalhe dado provimento, com a reforma integral do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001952/201058 Acórdão n.º 2301003.354 S2C3T1 Fl. 85 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega decadência do direito de a autoridade cobrar créditos tributários relativos às competências anteriores a dezembro de 2005, a teor do disposto nos artigos 150, § 4o. Contudo, é objeto do presente processo administrativo o Auto de Infração aplicado por ter a Santista Distribuições Ltda descumprido a obrigação acessória de exibir todos documentos relacionados às contribuições previdenciárias solicitados pela fiscalização. A penalidade pela infração transcrita acima é a aplicação de uma multa cujo valor independe do número de competências em que os documentos solicitados não foram apresentados. Ou seja, basta o contribuinte deixar de apresentar um desses documentos em uma única competência não alcançada pela decadência que estará configurada a infração.. Portanto, não há que se falar em decadência dos créditos lançados, já que ficou configurada infração em competências posteriores a 12/2005, ou seja, não alcançadas pela decadência prevista nos dispositivos legais citados pela recorrente. Ademais, no caso em tela, tratase de Auto de Infração, que é um lançamento de ofício, aplicandose, portanto, o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional Assim, não há que se falar em decadência. No mérito, a recorrente insurgese contra a aplicação das penalidades gravosas, entendendo que há que se provar a ocorrência de dolo, já que dolo não se presume, devendo ser demonstrada a materialidade dessa conduta, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Discorre sobre as diferenças entre sonegação e inadimplência, para concluir que a recorrente, se cometeu algum ilícito, não teve a intenção de praticála, não havendo qualquer prova de que a recorrente tenha agido com dolo, tornandose atípica a conduta a ela imputada. Ora, mas tudo o que a fiscalização relatou no processo principal, de nº 11522001798/201014,demonstra o dolo, a intenção de sonegar tributo, por parte da recorrente. O fato de informar, em folha de pagamento e em GFIP, remuneração de seus empregados em valor menor ao que foi efetivamente por ela pago, bem como a simulação de Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 contratação de empregados por meio de empresa interposta, ou mesmo o não registro de alguns segurados empregados que lhe prestaram serviços deixam clara a intenção da recorrente em omitir fato gerador da contribuição previdenciária, para pagar menos tributo. A fiscalização verificou que a recorrente remunerava pessoas físicas, pagando dias trabalhados, salário, valetransporte e horas extras e constatou que tais trabalhadores não constavam dos livros de registros de empregados da empresa. Contatase, ainda, que as irregularidades apontadas pela fiscalização foram cometidas de forma sistemática, em várias competências, caracterizando, assim, uma prática reiterada de omissão dos referidos fatos geradores, numa clara tentativa de elidir o tributo devido. Vale observar que a recorrente não afastou, de forma específica, nenhuma das acusações feitas pela fiscalização, ou trouxe qualquer documento para provar suas alegações, se limitando a fazer afirmações genéricas, discorrendo sobre conceitos jurídicos, sem, contudo, juntar qualquer elemento que pudesse afastar, ou ao menos por em dúvidas as acusações da auditoria da RFB. Já a autoridade lançadora juntou farta documentação, comprovando a existência de dolo. Há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A recorrente apenas alega, mas não prova, que não houve dolo. Porém, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. Assim, está correta a caracterização de dolo, realizada pela fiscalização. A recorrente tenta demonstrar, ainda, que a cobrança de multa isolada com a lavratura de 09 autos de infração caracteriza confisco. Entretanto, a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Cumpre esclarecer que a vedação de que cuida o art. 150, IV, da Constituição Federal, dirigese ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Portanto, a observância desse princípio relacionase com o momento de instituição do tributo ou de determinação da multa a ser aplicada no caso de falta de recolhimento, mas, uma vez vencida a etapa da sua criação, não configura confisco a aplicação da lei tributária. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001952/201058 Acórdão n.º 2301003.354 S2C3T1 Fl. 86 7 A penalidade aplicada por meio do AI em tela, bem como sua gradação, encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Todos os autos citados pela recorrente em seu recurso, foram lavrados ou por falta do cumprimento de obrigação principal, como também por descumprimento de obrigações acessórias. E se foram lavrados 09 com a cobrança de multa isolada, é porque a recorrente descumpriu várias obrigações acessórias e, para cada uma delas, a Lei estabelece uma penalidade. Observase que em nenhum momento de seu recurso a recorrente negou que tenha deixado de apresentar a documentação apontada no relatório fiscal. E sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização a quem compete o lançamento, ao verificar a ocorrência de infração à legislação previdenciária, agiu corretamente lavrando o presente AI, em estrita observância aos ditames legais. O auto foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de exibir documentos e livros relacionados com as contribuições previdenciárias, consoante à determinação contida no art. 33, § 2°e 3o, da Lei 8.212/91, e nos arts. 232 e 233, parágrafo único, do Decreto 3.048/99. Assim, reiterase, como não é facultado ao servidor público deixar de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, impondo a penalidade prevista nos normativos legais para esse tipo de infração, em observância à legislação que trata da matéria. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11065.721354/2012-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
DIREITO TRIBUTÁRIO.DESCRIÇÃO DA REALIDADE FÁTICA. COMPROVAÇÃO. INDÍCIOS CONVERGENTES.
O Direito Tributário não é avesso à utilização da prova indiciaria ou indireta para referendar a desconsideração de atos, fatos ou negócios jurídicos aparentes,desdeque a comprovaçãoresultede umasoma de indícios convergentes que leve a uma encadeamento lógico suficientemente convincente da ocorrência do fato.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INTERPOSTA PESSOA OPTANTE DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE.
O procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para o qual foi contratado tem por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material e encontra respaldo nos artigos 116, parágrafo único, e 149, VII, do CTN, sendo irrelevante qualquer procedimento de desconstituição, inaptidão ou exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte.
PERÍCIA. INDICAÇÃO DE QUESITOS. DADOS DO PERITO.
Considera-se não formulado o pedido de perícia, quando não indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF n° 28.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, devendo a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado por meio do AI DEBCAD 51.017.295-4. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liege Lacroix Thomasi, que entenderam pelo não aproveitamento, por parte do sujeito passivo, das contribuições vertidas na sistemática do SIMPLES pela interposta pessoa jurídica.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 DIREITO TRIBUTÁRIO.DESCRIÇÃO DA REALIDADE FÁTICA. COMPROVAÇÃO. INDÍCIOS CONVERGENTES. O Direito Tributário não é avesso à utilização da prova indiciaria ou indireta para referendar a desconsideração de atos, fatos ou negócios jurídicos aparentes,desdeque a comprovaçãoresultede umasoma de indícios convergentes que leve a uma encadeamento lógico suficientemente convincente da ocorrência do fato. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INTERPOSTA PESSOA OPTANTE DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE. O procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para o qual foi contratado tem por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material e encontra respaldo nos artigos 116, parágrafo único, e 149, VII, do CTN, sendo irrelevante qualquer procedimento de desconstituição, inaptidão ou exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. PERÍCIA. INDICAÇÃO DE QUESITOS. DADOS DO PERITO. Considera-se não formulado o pedido de perícia, quando não indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF n° 28. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 DIREITO TRIBUTÁRIO.DESCRIÇÃO DA REALIDADE FÁTICA. COMPROVAÇÃO. INDÍCIOS CONVERGENTES. O Direito Tributário não é avesso à utilização da prova indiciaria ou indireta para referendar a desconsideração de atos, fatos ou negócios jurídicos aparentes,desdeque a comprovaçãoresultede umasoma de indícios convergentes que leve a uma encadeamento lógico suficientemente convincente da ocorrência do fato. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INTERPOSTA PESSOA OPTANTE DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE. O procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para o qual foi contratado tem por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material e encontra respaldo nos artigos 116, parágrafo único, e 149, VII, do CTN, sendo irrelevante qualquer procedimento de desconstituição, inaptidão ou exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte. PERÍCIA. INDICAÇÃO DE QUESITOS. DADOS DO PERITO. Considerase não formulado o pedido de perícia, quando não indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 13 54 /2 01 2- 03 Fl. 530DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF n° 28. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, devendo a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado por meio do AI DEBCAD 51.017.295 4. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Liege Lacroix Thomasi, que entenderam pelo não aproveitamento, por parte do sujeito passivo, das contribuições vertidas na sistemática do SIMPLES pela interposta pessoa jurídica. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.721354/201203 Acórdão n.º 2302003.144 S2C3T2 Fl. 531 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo os créditos tributários lançados. Adotamos trecho do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 452 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito na empresa Valenza Calçados – Indústria e Comércio Ltda., foram lavrados os seguintes Autos de Infração – AI: 1) AI DEBCAD nº 51.017.2954: no valor de R$ 634.561,25 (seiscentos e trinta e quatro mil, quinhentos e sessenta e um reais e vinte e cinco centavos), consolidado em 28/03/2012, relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias patronais, incluindo as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, incidentes sobre a remuneração, aferida indiretamente, de segurados empregados constantes das folhas de pagamento da empresa Flexshoe Indústria de Calçados Ltda., CNPJ nº 09.649.145/000192, nas competências 01/2009 a 12/2010, incluídas as Gratificações Natalinas (13º salário); 2) AI DEBCAD nº 51.017.2962: no valor de R$ 176.055,84 (cento e setenta e seis mil, cinqüenta e cinco reais e oitenta e quatro centavos), consolidado em 28/03/2012, relativo ao lançamento de contribuições para outras entidades e fundos: Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação FNDE (SalárioEducação), Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária – INCRA, Serviço Social da Indústria – SESI, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, tendo como base de cálculo a remuneração, aferida indiretamente, de segurados empregados constantes das folhas de pagamento da empresa Flexshoe Indústria de Calçados Ltda., nas competências 01/2009 a 12/2010, incluídas as Gratificações Natalinas. No Relatório Fiscal RF, a autoridade lançadora consigna que a empresa Flexshoe Indústria de Calçados Ltda., assim como a empresa Indústria de Calçados Paulina Ltda., CNPJ 91.176.396/000188, foram intimadas, mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, datados de 15/06/2011, a apresentar documentos. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Informa que a empresa Flexshoe Indústria de Calçados Ltda. é optante pelo Simples Nacional desde sua constituição, em 20/06/2008, e que a empresa Indústria de Calçados Paulina Ltda., constituída em 09/09/1986, foi tributada pelo lucro real até o anocalendário 2008, passando, a partir do ano calendário 2009, a ser tributada pelo lucro presumido. A empresa autuada, constituída em 16/10/2006, é tributada pelo lucro real. Expõe que as empresas têm a mesma atividade econômica principal, “Indústria e comércio de calçados em geral”; que as empresas Valenza Calçados – Indústria e Comércio Ltda. e Flexshoe Indústria de Calçados Ltda estão localizadas no mesmo endereço, Rua Boa Saúde, nº 1.475, mesmo endereço da empresa Indústria de Calçados Paulina Ltda. até 23/06/2008, no mês em que houve a constituição da Flexshoe Indústria de Calçados Ltda. Esclarece que a Valenza Calçados – Indústria e Comércio Ltda. ocupa uma sala, na sobreloja do prédio, mas que, segundo explicação dos empregados que atenderam a fiscalização, só está aberta quando, no local, se encontra Mauro de Paula. Segundo o Relatório Fiscal, ele representa a empresa Valenza Calçados – Indústria e Comércio Ltda. Nos contratos de locação do imóvel onde estão estabelecidas as empresas Valenza Calçados – Indústria e Comércio Ltda. e Flexshoe Indústria de Calçados Ltda. consta o mesmo endereço, sendo o objeto da locação “um pavilhão localizado na Rua Boa Saúde 1457”, ambos assinados em 01/07/2008, para o período de 01/07/2008 a 30/06/2011, assim como idênticos os aditamentos contratuais, com a prorrogação até 01/07/2014, apontando, segundo o Relatório Fiscal, “no sentido de que de fato tratase de uma única empresa, embora do ponto de vista formal estejam constituídas como se duas fossem.” O número de telefone que consta do cadastro de contribuintes, das empresas Valenza Calçados – Indústria e Comércio Ltda., Flexshoe Indústria de Calçados Ltda. e Indústria de Calçados Paulina Ltda., é o mesmo: 51 – 3582 1060. Quanto à composição societária das empresas, a fiscalização refere que, em visita a uma “sóciaadministradora” da empresa Flexshoe Indústria de Calçados Ltda., Lyria Conceição Winck, “constatamos tratarse de uma moradia extremamente simples (um cômodo) conforme depreendese das fotografias obtidas no local (DOCS 3 e 4). Além disso, em entrevista com a Sra. Lyria, esta afirmou receber o seu único sustento de pensão proveniente do INSS, desconhecendo participar de qualquer sociedade, alegando ainda não conhecer o nome Flexshoe.... Apenas afirmou ter assinado alguns papéis quando solicitado para a empresa da qual participa o seu primo Sr. Luiz Pedro Vieira, empresa esta que lhe parecia ter o nome de Paulina.” Observa, o Relatório Fiscal, que Mauro de Paula, sócio administrador da Indústria de Calçados Paulina Ltda. até 23/06/2008, foi quem assinou o TIPF da empresa Valenza Calçados – Indústria e Comércio Ltda., no cargo de supervisor, Fl. 533DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.721354/201203 Acórdão n.º 2302003.144 S2C3T2 Fl. 532 5 constatando que “ele possui procuração dos sócios da Valenza com amplos poderes, sendo ele inclusive a representar a Valenza junto a Receita Federal do Brasil, assinando os autos de infração emitidos na presente ação fiscal.” Mauro de Paula consta das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP da Valenza Calçados –Indústria e Comércio Ltda. como segurado empregado, a partir de 01/07/2008, sendo ele o único empregado da empresa. Da análise das folhas de pagamento e da contabilidade das empresas restou constatado que os sócios da Valenza Calçados – Indústria e Comercio e Flexshoe Indústria de Calçados não recebem remuneração ou prolabore. Mauro de Paula, filho do sócioadministrador da Indústria de Calçados Paulina Ltda. Mário Oscar de Paula e de Pedrolina de Paula, sóciaadministradora desta empresa até 23/06/2008, recebia prolabore, “continuando a perceber remuneração quando da sua admissão na Valenza.” O Relatório Fiscal informa que, da análise das GFIP da Indústria de Calçados Paulina Ltda., da competência 06/2008, bem como das GFIP da Flexshoe Indústria de Calçados Ltda, da competência 07/2008 em diante, ficou constatada a migração de empregados de uma para outra, conforme demonstra em planilha, subitem 2.7.1. Informa que, examinados os documentos contábeis da Flexshoe Indústria de Calçados Ltda., foi constatado que sua receita advém, em sua totalidade, da industrialização por encomenda da Valenza Calçados – Indústria e Comércio Ltda.; que os documentos contábeis demonstram, na relação faturamento versus custo de mãodeobra, que a Flexshoe Indústria de Calçados Ltda, empresa optante pelo Simples Nacional, tem gasto com mãodeobra de mais de 90% do faturamento, enquanto que a autuada tem menos de 1% do faturamento comprometido com remuneração de mãodeobra. O Relatório Fiscal, em seu subitem 2.8.2.5 destaca que a empresa Indústria de Calçados Paulina Ltda. teve redução de receita após a criação da Flexshoe Indústria de Calçados Ltda, enquanto que a autuada teve, neste mesmo período, aumento de receita. Registra terem, as três empresas, o mesmo contador, Jaime Minetto, CPF 377.536.57020. O Relatório Fiscal conclui que “Em virtude de todos os fatos acima expostos, tomados em seu conjunto, é mister concluir que a existência da empresa FLEXSHOE objetiva reduzir, através da utilização por esta do Sistema SIMPLES, a tributação a que estariam sujeitas a VALENZA ou a PAULINA caso registrassem como sua a mãodeobra registrada naquela. A PAULINA, a FLEXSHOE e a VALENZA, são, no entender da Fl. 534DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 fiscalização, de fato, uma única empresa estando divididas apenas do ponto de vista formal de forma a dificultar a conformação das constatações referidas.” A empresa impugnou tempestivamente a exigência. A ciência dos AI ocorreu em 29/03/2012, enquanto que a impugnação foi protocolada em 30/04/2012. (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 482 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese: * Nulidade por cerceamento de defesa, pela inexistência de qualquer dispositivo legal ofendido e pelo indeferimento da realização de perícia técnica; * Ausência de prévio desenquadramento/exclusão do SIMPLES da empresa Flexshoe. Afirma que nunca aderiu ao SIMPLES (o que seria incontroverso), mas a empresa Flexshoe sim e que o seu desenquadramento/exclusa é condição imprescindível para a autuação fiscal; * O fato de a recorrente e a empresa Flexshoe terem o mesmo endereço (na verdade esta ocupa uma sala nas dependências da outra) não pode ser configurado como indício de unidade administrativa, até porque existe contrato de locação e as atividades não são idênticas. Ademais, a empresa Paulina tem endereço, sócios, contabilidade e objetos sociais distintos; * Inocorrência de crime contra a ordem tributária; * Tampouco seria relevante o fato de Mauro de Paula, filho do sócio da Paulina, assinar documentos e possuir procuração da recorrente, até porque é funcionário da recorrente. Igualmente desimportante o fato de os sócios não perceberem remuneração pelo trabalho desenvolvido em prol da sociedade, a migração da empresa Paulina para a Flexshoe ou mesmo o fato de a recorrente não ter nenhum funcionário registrado; * Irrelevante ainda que a Flexshoe tenha parte maior ou menor de seu faturamento com a recorrente; * Não há a desqualificação ou a glosa de qualquer lançamento contábil de qualquer das empresas; * Alternativamente, requer a compensação dos pagamentos efetuados pela Flexshoe na sistemática do SIMPLES com os valores lançados. É o relatório. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.721354/201203 Acórdão n.º 2302003.144 S2C3T2 Fl. 533 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Prova pericial. Indicação de dispositivos legais. Cerceamento de defesa. Afirma a recorrente que teve indeferido o seu pedido de produção de prova pericial sem que fossem apontados quais os requisitos legais não teriam sido preenchidos. Não é verdade que os dispositivos legais que embasam o lançamento não foram indicados pela autoridade fiscal. Os fatos estão pormenorizadamente descritos no Relatório Fiscal e o anexo Fundamentos Legais do Débito (FLD) indica os dispositivos essenciais relativamente às exações lançadas e aos seus acréscimos legais, inclusive a qualificação da multa por sonegação, fraude ou conluio, que são conceitos que englobam os atos simulados e dissimulados da recorrente e das outras empresas envolvidas. Quanto ao pedido de perícia, como bem destacado no decisório de primeira instância, a recorrente descumpriu o artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, que ora regulamenta todo o Processo Administrativo Fiscal no âmbito federal, inclusive o julgamento do recurso em comento. Com efeito, a disposição retro citada exige que, no caso de solicitação de perícias, no corpo da própria impugnação, devem ser indicados os “quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito”, sob pena de ser considerado não formulado (artigo 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72) É verdade que o artigo 18 do Decreto n° 70.235/72 faculta a determinação de ofício da diligência ou perícia, quando entendêlas necessárias. No entanto, como visto anteriormente, não há que se cogitar de maiores investigações sobre o fato em debate se a própria recorrente não apresenta a documentação necessária. Outrossim, consignese que, diferentemente do que pretende a recorrente, a realização da prova pericial não constitui direito subjetivo do contribuinte, pois, em razão do livre convencimento motivado, compete ao julgador deferila, se entendêla necessária. Assim, sendo a prova pericial forma inadequada de comprovação da questão controvertida e considerandose que a recorrente descumpriu dos requisitos necessários ao seu pleito, concluise que nenhum reparo há que ser feito na fundamentação, pelo órgão a quo, do indeferimento do pedido de perícia. Prévio Desenquadramento do SIMPLES. Alega a recorrente a ausência de prévio desenquadramento/exclusão do SIMPLES da empresa Flexshoe. Afirma que nunca aderiu ao SIMPLES (o que seria incontroverso), mas a empresa Flexshoe sim e que o seu desenquadramento/exclusa é condição imprescindível para a autuação fiscal. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Não procede o inconformismo da recorrente. Como se verá adiante, o procedimento adotado pela autoridade fiscal atinge tão somente os atos, fatos e negócios jurídicos considerados pela autoridade fiscal como simulados ou dissimulados e, inclusive, para a finalidade específica de os enquadrálos como fatos geradores das contribuições lançadas. Portanto, o enquadramento da empresa de “fachada” não é condição para o lançamento perpetrado. Provas indiciárias da simulação/dissimulação. Alega a recorrente que o fato dela ter o mesmo endereço da empresa Flexshoe (na verdade esta ocupa uma sala nas dependências da outra) não pode ser configurado como indício de unidade administrativa, até porque existe contrato de locação e as atividades não são idênticas. Ademais, a empresa Paulina tem endereço, sócios, contabilidade e objetos sociais distintos. Alega ainda que não seria relevante o fato de Mauro de Paula, filho do sócio da Paulina, assinar documentos e possuir procuração da recorrente, até porque é funcionário da recorrente. Igualmente desimportante o fato de os sócios não perceberem remuneração pelo trabalho desenvolvido em prol da sociedade, a migração da empresa Paulina para a Flexshoe ou mesmo o fato de a recorrente não ter nenhum funcionário registrado; Assevera ainda ser irrelevante também que a Flexshoe tenha parte maior ou menor de seu faturamento com a recorrente. Não menciona a recorrente que as três estiveram no mesmo endereço (e não somente a recorrente e a Flexshoe), tampouco considera o fato de as três empresas ostentarem objeto social é idêntico das três. Também olvidase a recorrente que o contrato de locação da Valenza e da Flexshoe com terceiro é absolutamente idêntico. Igualmente esquece de mencionar que o telefone das três empresas consta no cadastro de contribuintes como o mesmo. Importaria à recorrente ainda rebater o fato de a sóciaadministradora da Flexshoe não reconhecer sua condição e tampouco receber qualquer proveito por figurar na sociedade, recordandose apenas de ter assinado documentos a pedido de seu primo Luiz Pedro Vieira (sócio da Paulina). Valeria à pena ainda que a recorrente, para sustentar a sua tese, justificasse o fato de a a Valenza não possuir empregados além de Mauro de Paula, que era sócio da Paulina até junho de 2008 e a partir de julho de 2008 passou a ser empregado da Valenza, sendo procurador com amplos poderes. Seu pai, Mauro Oscar de Paula, e sua mãe, Pedrolina de Paula, ainda hoje são sócios da Paulina. Na mesma data em que Mauro de Paula sai da Paulina e entra na Valenza, é criada a Flexsho (23/06/2008). Notese que nem os sócios da Flexshoe e nem da Valenza recebem remuneração ou prolabore por seus serviços. Esquecese a recorrente de trazer argumentos que justificassem o fato de, em dois dias, ter havido grande migração de empregados (68 dos 74) da Paulina para a Flexshoe (de 06 para 07/2008) e a circunstância de toda a receita da Flexshoe vir da encomenda da Valenza (notas fiscais periódicas e exclusivas). Apenas para mencionar, em 2009, 74% do faturamento da Flexshoe correspondia ao dispêndio com mãodeobra, que passou para 96% em 2010. Todas as empresas ostentam o mesmo contador. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.721354/201203 Acórdão n.º 2302003.144 S2C3T2 Fl. 534 9 Como visto, na verdade, a Valenza não possuía receita até o anocalendário de 2007, mas a partir de 2008 teve receita de mais de quatro milhões de reais. Enquanto isto, a receita da Paulina passou de mais de sete milhões de reais em 2007 para quatro milhões de reais em 2008 (R$ 2.493.295,40 em 2009 e R$ 1.586.367,75 em 2010). Ao mesmo tempo, a receita da Valenza chegou a mais de R$ 8.000.000,00 em 2010. Todos estes fatos, os contestados pela recorrente e aqueles que não foram devidamente enfrentados, isoladamente, pouca força probatória ostentam. Todavia, em conjunto, muito dizem a respeito do que efetivamente ocorreu: os segurados registrados na Flexshoe, na prática, operavam contínua e ostensivamente para a Valenza, além do que tinham sobre suas remunerações suportadas por esta. Em suma, dos indícios invocados, extraise a ocorrência de ato simulatório consistente na criação de uma empresa Flexshoe enquadrada na sistemática de recolhimento do Simples Nacional (23/06/2008) e na imediata transferência da quase totalidade dos empregados da empresa Paulina para a nova empresa (competência 07/2008) e, ato contínua, o progressivo repasse do faturamento da mesma empresa Paulina para a Valenza, que chegou a ter faturamento de mais de oito milhões de reais sem ter nenhum empregado a não ser Mauro de Paula, que era sócio da Paulina até junho de 2008. Com efeito, em atenção aos princípios da primazia da realidade e da verdade material, pode ocorrer de as relações que se mostrem existentes no campo meramente formal sejam desconsideradas por não refletirem, em substância, a realidade dos fatos. E nem se diga que não há amparo no Direito Tributário para a conduta adota pela autoridade fiscal. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ªEdição). O Código Civil Brasileiro de 2002 considera nulo o negócio jurídico simulado e assim apresenta as hipóteses em que resta ocorrida a simulação: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. §1°Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados Notese que o conceito de simulação, que, em síntese, consiste em fingir negócio jurídico inexistente, envolve a concepção de dissimulação, que consiste na prática de negócio jurídico para ocultar, encobrir ou disfarçar um negócio jurídico existente. E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato Fl. 538DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Diante do quadro normativo exposto, podese concluir que, em atenção aos princípios da primazia da realidade e da verdade material, pode ocorrer de as relações que se mostrem existentes no campo meramente formal sejam desconsideradas por não refletirem, em substância, a realidade dos fatos. Assim, na hipótese de simulação, a autoridade fiscal deve superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária ao negócio jurídico dissimulado. No caso em tela, a simulação ocorreu por intermédio daquilo que se denomina de abuso de forma jurídica, incorrendo a recorrente em modalidade de evasão fiscal (art. 149, VII, e 116, § único, do CTN). Portanto, na presença de simulação, a auditoria fiscal tem o deverpoder de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento: CTN Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo,ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.(Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, o procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para o qual foi contratado tem por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material e encontra respaldo nos artigos 116, parágrafo único, e 149, VII, do CTN. Aproveitamento de créditos. A recorrente, alternativamente, requer a compensação dos pagamentos efetuados pela Flexshoe na sistemática do SIMPLES com os valores lançados. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11065.721354/201203 Acórdão n.º 2302003.144 S2C3T2 Fl. 535 11 Com efeito,a autoridade fiscal, para fim específico, superou o negócio jurídico simulado (prestação de serviços por segurados para empresa de “fachada”) para aplicar a lei tributária ao negócio jurídico dissimulado (prestação de serviços por segurados para a recorrente), de sorte que entendo que a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, deve ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado por meio do AI DEBCAD 51.017.295 4. Quanto ao AI referente a contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos, não há que se falar em dedução de recolhimentos efetuados, uma vez que as empresas que aderiram ao SIMPLES não recolhem contribuição a Terceiros. RFFP. Alega a recorrente a inocorrência de crime contra a ordem tributária. Realmente consta do Relatório Fiscal que foi formalizado processo de "Representação Fiscal Para Fins Penais", tendo em constatação, em tese, de crime de sonegação, previsto no art. 337A do Código Penal, com adição pela Lei n° 9.983/2000 (COMPROT n° 12897.000473/200995). Ocorre que a súmula CARF nº 28, de observância obrigatória, exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Destarte, as razões recursais relativas à Representação Fiscal para Fins Penais não devem ser apreciadas por este relator e nem pelo colegiado. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL devendo a parcela recolhida na sistemática do SIMPLES pela contratada (ato simulado), correspondente à contribuição previdenciária patronal, ser aproveitada para abatimento do valor do débito lançado por meio do AI DEBCAD 51.017.2954. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 540DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 08/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 13855.002134/2009-01
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa quando a Fiscalização oportuniza ao contribuinte, previamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de apresentação de esclarecimentos e provas que poderiam evitar o lançamento fiscal, bem como quando o processo administrativo fiscal se desenvolve com a observância do contraditório e da ampla defesa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE.
A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em contas de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA-CONJUNTA.
Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Revela-se prescindível a perícia sobre aspecto que poderia ter sido esclarecido pelo contribuinte mediante a juntada de documentos aos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 77.676,18, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de cerceamento do direito de defesa quando a Fiscalização oportuniza ao contribuinte, previamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de apresentação de esclarecimentos e provas que poderiam evitar o lançamento fiscal, bem como quando o processo administrativo fiscal se desenvolve com a observância do contraditório e da ampla defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cabe ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados em suas contas bancárias, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em contas de sua titularidade, pena de serem estes reputados como rendimentos omitidos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 21 34 /2 00 9- 01 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13855.002134/200901 Acórdão n.º 2801003.541 S2TE01 Fl. 376 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Revelase prescindível a perícia sobre aspecto que poderia ter sido esclarecido pelo contribuinte mediante a juntada de documentos aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 77.676,18, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 462.528,96, incluídos multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 6 deste processo digital, que foi apurada omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados. Informa a Autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 10/16, que: A ação fiscal foi iniciada tendo em vista que, durante procedimento de auditoria em face do sujeito passivo Carlos Roberto Batarra, apurouse que este manteve, durante o anocalendário de 2005, conta corrente conjunta com o contribuinte acima qualificado. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13855.002134/200901 Acórdão n.º 2801003.541 S2TE01 Fl. 377 3 Não obstante à enorme movimentação financeira conjunta detectada, o contribuinte permaneceu omisso na entrega da declaração de imposto de renda da pessoa física relativa ao anocalendário mencionado. Por intermédio do Termo de Início de Fiscalização (fls. 29/30), o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários relativos às contas correntes, poupanças e investimentos, mantidos em seu nome, no Brasil e no exterior, bem como informar os rendimentos e entregar a Declaração Anual de Imposto de Renda Pessoa Física exercício de 2006 (anocalendário de 2005). No dia 03 de março de 2009, o Interessado apresentou os extratos solicitados, cópia da Declaração do IRPF do exercício de 2006 (tributação com base no desconto simplificado), Livro Caixa que serviu de base para os valores informados na DIRPF, bem como declaração firmada por Carlos Roberto Batarra em que este alega que toda a movimentação da conta corrente conjunta n° 333808, mantida junto ao SICOOB Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil, era de sua única e exclusiva movimentação financeira. Em 15/04/2009 foi expedido o Termo de Intimação n° 01 (fls. 145/147), o qual detalha os créditos em conta corrente de titularidade do contribuinte auditado, totalizando R$ 1.230.724,20 no anocalendário de 2005. O contribuinte foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza dos créditos financeiros levantados, individualizadamente. Em resposta ao Termo de Intimação n° 01, o contribuinte apresentou carta reafirmando que a movimentação financeira em sua conta conjunta com o Sr. Carlos Batarra foi de única e exclusiva responsabilidade deste. Observou, ainda, que parte dos créditos financeiros nas contas mantidas junto ao Banespa e ao Coonai (contas individuais) referese à liberação de cédulas de crédito rural. Em 02/06/2009 foi expedido o Termo de Intimação n° 02 (fls. 161/162), detalhando a movimentação financeira após expurgados os créditos rurais, totalizando, então, R$ 832.310,60 de créditos em conta corrente a justificar. No dia 1º de julho de 2009, o Interessado informou não ter localizado documentos hábeis a corroborar os créditos em suas contas correntes, apresentando tão somente duas notas fiscais de produtor: uma no valor de R$ 3.000,00, emitida em 03/02/2005 (fl. 178), e outra no valor de R$ 27.200,00, emitida em 18/08/2005 (fl. 179). Quanto à tentativa do sujeito passivo de justificar parte dos créditos bancários com a apresentação do LivroCaixa, notase que a escrituração não veio acompanhada de qualquer documento sustentador das informações ali contidas, nem das receitas, nem das despesas. Encontrase sem comprovação hábil e idônea, nos termos da legislação correlata, R$ 832.310,60 de créditos em conta mantida junto à instituição financeira. Como consta na Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física do auditado o valor de R$ 12.108,10 (considerouse este valor já tributado), será objeto de lançamento de ofício, a título de Omissão de Receitas Depósitos Bancários, o montante de R$ 820.202,50. O § 6º do art. 42 da Lei 9.430/1996 não dá margem à dúvida ao citar expressamente a divisão igualitária entre os titulares da conta dos valores lá creditados, cuja Fl. 377DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13855.002134/200901 Acórdão n.º 2801003.541 S2TE01 Fl. 378 4 origem não haja sido comprovada, bem como, concomitantemente, tenham os titulares apresentado Declaração de Rendimentos em separado. As planilhas anexas ao presente Termo detalham os valores objeto de lançamento. O Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda Pessoa Física levou em consideração os valores declarados pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual. Também foi concedido ao contribuinte o valor complementar do desconto simplificado no valor de R$ 7.918,38, haja vista já ter sido objeto de desconto simplificado em sua declaração o valor de R$ 2.421,62, totalizando, desta forma, o desconto simplificado máximo de R$10.340,00 para o anocalendário em análise. A impugnação apresentada pelo contribuinte (fls. 185/213) foi julgada improcedente, por intermédio do acórdão de fls. 215/234. Cientificado da decisão de primeira instância em 26/08/2011 (fl. 237), o Interessado interpôs, em 22/09/2011, o recurso de fls. 238/256. Na peça recursal aduz, em síntese, que: PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO A decisão recorrida não apreciou a verdade material dos fatos, na medida em que não apreciou a idoneidade da declaração apresentada, a qual foi subscrita por quem realmente efetuou a movimentação financeira da conta bancária. No acórdão está mencionado tão somente que o fato deveria ser comprovado por documento hábil e idôneo, entretanto, não menciona qual seria este e tampouco intimou o declarante e o ora Recorrente a apresentar documentação que corroborasse a declaração. A declaração do cotitular informando que a movimentação financeira da conta bancária lhe pertence é, salvo prova em contrário, um documento hábil e idôneo nos termos dos dispositivos legais vigentes no país. Portanto, não poderia deixar de ser observada pelos julgadores da instância de piso. Consequentemente, o acórdão é nulo de pleno direito. A ementa do acórdão recorrido não reflete a realidade dos fatos e as razões da impugnação, tendo em vista que, nos termos do § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o sujeito passivo seria o declarante e não o ora recorrente, tendo em vista que este não efetuou a movimentação financeira da conta bancária. Portanto, restam caracterizadas as irregularidades apontadas no Decreto nº 70.235/1972, ou seja, indicação indevida de sujeito passivo e utilização de fundamento legal indevido. MÉRITO Quanto ao mérito, o Recorrente reitera todas as razões postas na peça impugnatória. Em síntese, são as seguintes: A Autoridade lançadora desconsiderou as receitas de atividade rural que estão mencionadas na Declaração de IRPF apresentada, mediante uma mera alegação de que a Fl. 378DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13855.002134/200901 Acórdão n.º 2801003.541 S2TE01 Fl. 379 5 escrituração do livrocaixa não veio acompanhada de qualquer documento sustentador das informações ali contidas. Na legislação sobre a atividade rural consta, com clareza, que na falta de comprovação da escrituração do livrocaixa os rendimentos serão arbitrados no percentual de 20% (vinte por cento) dos valores originários da atividade produtiva. A única atividade exercida pelo autuado, no ano calendário de 2005, foi a rural. Assim, na inexistência de qualquer documento comprobatório deveria, no máximo, haver a tributação pela forma de arbitramento, mesmo em relação aos valores presumidos de omissão de rendimentos. A infração está capitulada no artigo 42 da Lei 9.430/1996. Entretanto, a Fiscalização não observou o disposto no § 5º do mesmo artigo, que dispõe que no caso de comprovação de que os valores creditados pertencem a terceiro, devem ser tributado neste, na condição de efetivo titular da conta de depósito. A fiscalização não logrou apurar a realidade material, pois se limitou a tributar a “soma dos depósitos” e diminuir do resultado o valor constante como rendimentos tributáveis na declaração apresentada. Existe contradição no Termo de Verificação Fiscal, pois o impugnante apresentou cópia de nota fiscal de venda de café, possui propriedade rural e declarou que sua única atividade no anocalendário de 2005 era de produção rural. Portanto, somente poderia ser tributado nos termos da legislação específica. Deveria a Autoridade, de ofício, reconhecer a existência da atividade rural e na falta de documentação hábil e idônea arbitrar os rendimentos tributáveis, nos termos da legislação vigente, e não presumir que o montante seja rendimento da pessoa física. A fiscalização não excluiu do montante dos depósitos os valores dos cheques depositados nas contas correntes que foram devolvidos e depositados novamente, verdade material esta constante dos extratos bancários. A movimentação financeira é uma figura elementar de contribuintes que transacionam diariamente com fornecedores e consumidores. Obviamente, há a necessidade de um caixa de fluxo econômico que jamais ostentou a absurda presunção de omissão de rendimentos por parte da Fiscalização, principalmente por um contribuinte que exerce uma atividade rural e que possui tão somente um pequeno sítio. A Aplicação da SELIC sobre o suposto débito é ilegal. A cobrança de juros superiores ao estabelecido no CTN (1% ao mês) representa, efetivamente, um aumento de tributo sem lei que autorize, afrontando o artigo 97, inciso I, desse mesmo diploma legal. PERÍCIA Apresenta os seguintes quesitos e identificação de seu perito: 1. A impugnante possui escrituração do LivroCaixa da Atividade Rural, referente ao ano calendário de 2005, de acordo com os dispositivos legais? Fl. 379DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13855.002134/200901 Acórdão n.º 2801003.541 S2TE01 Fl. 380 6 2. Os montantes dos créditos (depósitos, transferências, descontas de cheques, empréstimos, etc) efetuados nas contas bancárias estão escriturados no citado Livro Caixa? Os mencionados créditos tem origem nas receitas de vendas e movimentação financeira do contribuinte? 3. O impugnante apurou resultado positivo no exercício das atividades rurais (intermediação)? 4. A legislação tributária, no caso de não apresentação de documentos mencionados no LivroCaixa, prevê que forma de tributação? Qual a metodologia prevista para o arbitramento dos rendimentos da atividade rural na inexistência de documentação dos lançamentos do livro caixa? PERITO: OSWALDO GUEDES GONÇALVES, brasileiro, casado, contador registrado no CRC / SP sob nº 114.119, com escritório na Rua Carlos Gomes, nº 2.076, na cidade e comarca de Sertãozinho, Estado de São Paulo. PEDIDO Ao final, requer a apreciação de suas razões para o fim específico de: Anular o acórdão recorrido após a apreciação da preliminar suscitada. Julgar procedente o recurso para declarar improcedente o Auto de Infração. Deferir a perícia/diligência requerida para ser apurada a verdade material dos fatos. Por intermédio da Resolução nº 2801000182, de 23 de janeiro de 2013, o julgamento do processo foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem: a) excluísse da base de cálculo tributável: a.1) uma única vez, os valores de cheques depositados que foram devolvidos apenas uma vez. a.2) duas vezes, os valores de cheques depositados que foram devolvidos por duas vezes. b) informasse se o Sr. Carlos Roberto Batarrra, nos autos do Processo 13855.003780/200804, também reconheceu que a movimentação financeira realizada na mencionada conta é de sua única e exclusiva responsabilidade. c) intimasse o contribuinte para, se fosse de seu interesse, se manifestar sobre os pontos abordados na diligência fiscal. A DRF de origem emitiu a Informação Fiscal de fls. 272/317 e intimou o contribuinte a se manifestar sobre os pontos abordados na diligência (Termo de Ciência da Informação Fiscal à fl. 318, anexos às fls. 319/364 e AR à fl. 365). O Interessado se manifestou por intermédio da petição de fls. 369/371. Em síntese, alegou o seguinte: Fl. 380DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13855.002134/200901 Acórdão n.º 2801003.541 S2TE01 Fl. 381 7 Os processos fiscais, além de sigilosos, são unos, ou seja, não existe prova emprestada e tampouco um contribuinte toma conhecimento da fiscalização de outro contribuinte. Anexou a este processo documento idôneo no qual o Sr. Batarra declara que é o único possuidor da movimentação financeira efetuada na conta corrente conjunta, portanto a responsabilidade por eventuais infrações fiscais é dele. Nenhum contribuinte é obrigado a informar o que não lhe foi indagado. O AuditorFiscal simplesmente esclarece que o Sr. Batarra em nenhum momento informou ser o responsável pela movimentação financeira. Será que a declaração anexada é falsa ou o Auditor deixou de solicitar tal informação, ou seja, não cumpriu suas obrigações legais e simplesmente exigiu tributos sobre 50% da movimentação financeira quando o correto seria 100%? Ao final, afirma que o recurso é totalmente procedente, devendo 50% dos recursos da movimentação financeira ser excluídos do presente Auto de Infração. O processo tornou a este Conselho por meio do despacho de fl. 374. Pedi a inclusão em pauta de julgamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração do processo físico. Resultado da diligência fiscal e manifestação do Interessado Na apuração da base de cálculo do imposto lançado foram computados valores de cheques devolvidos. Este foi um dos pontos que motivou a conversão do julgamento de diligência, conforme explicitado na Resolução de fls. 260/269. Por intermédio da Informação Fiscal de fls. 272/275 a Autoridade lançadora informa que a exclusão dos cheques devolvidos implicou em uma redução de R$ 77.676,18 da base de cálculo original, que corresponde a uma exclusão de R$ 77.441,18 da conta conjunta mais R$ 235,00 na conta individual, ambas no SICOOB. A outra questão agitada na diligência fiscal referese à declaração firmada pelo Sr. Carlos Roberto Batarra, cotitular da conta conjunta nº 33.3808, mantida junto ao SICOOB, no sentido de que a responsabilidade pela movimentação da referida conta era única e exclusivamente sua. Por meio da Resolução nº 2801000.182 (fls. 260/269) foi solicitado à Autoridade lançadora que informasse se o Sr. Carlos Roberto Batarrra, nos autos do Processo Fl. 381DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13855.002134/200901 Acórdão n.º 2801003.541 S2TE01 Fl. 382 8 13855.003780/200804, no qual fora autuado, também havia reconhecido que a movimentação financeira realizada na mencionada conta era de sua única e exclusiva responsabilidade. A Autoridade fiscal se manifestou nos seguintes termos: Quanto ao item c), afirmamos que o Sr. Carlos Roberto Batarra, em momento algum durante os autos do Processo 13855.003780/200804 reconheceu que a movimentação financeira realizada na conta conjunta com o Sr. Dalton José Careta (c/c Sicoob n° 33.3808) era de sua única e exclusiva responsabilidade. Ao contrário disso, o que de fato houve foi que, ainda durante o procedimento de fiscalização que resultou no processo em questão, o Sr. Batarra reconheceu a existência da referida conta conjunta com o Sr. Dalton Careta e, ainda, apresentou planilha com "Demonstrativo Resumido", mês a mês, dos valores de suas respectivas movimentações bancárias, sendo que os correspondentes valores da conta conjunta foram lançados à base de 50%, ou seja, reconhece como de sua responsabilidade apenas e tão somente 50% dos créditos da conta conjunta. É o que se extrai do Relatório de Fiscalização do AFRFB autor dos trabalhos à época e que resultaram no processo em epígrafe (processo digital eprocesso V1 páginas 11 e 12 numeração manual). Mister apontar que as conclusões listadas no dito relatório refletem a realidade listada pelo próprio Sr. Batarra nos documentos disponibilizados também à época (processo digital eprocesso V1 página 28 e 185 a 200 e V2 páginas 201 a 250 numeração manual). Melhor detalhando, a título exemplificativo, temos: V1 página 28: consta planilha demonstrativa entregue pelo Sr. Batarra com os seguintes montantes de créditos bancários em suas contas bancárias: R$ 245.593,94 em janeiro e R$317.514,55 em fevereiro. Os valores estão assim distribuídos (V1 página 185 a 193): C/C Depósitos Cotaparte Batarra (%) Janeiro de 2005 33.3808 (cj) R$ 306.246,86 R$ 153.373,43 50% R$ 245.593,94 3.3804 (ind) R$ 92.220,51 R$ 92.220,51 100% TOTAL: R$ 398.467,37 R$ 245.593,94 Fevereiro de 2005 33.3808(cj)R$300.147,60R$ 150.073,80 50% R$ 317.514,55 3.3804(ind) R$ 167.440,75R$167.440,75 100% TOTAL R$ 467.588,35 R$ 317.514,55 O raciocínio se repete para os demais meses do anocalendário analisado. O Interessado se insurge contra esta parte da diligência fiscal alegando que os processos fiscais, além de sigilosos, são unos, ou seja, não existe prova emprestada e tampouco um contribuinte toma conhecimento da fiscalização de outro contribuinte. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13855.002134/200901 Acórdão n.º 2801003.541 S2TE01 Fl. 383 9 Observo, no entanto, que no processo administrativo tributário referente à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, decorrente de depósitos efetuados em conta titularizada por duas pessoas, em que a constituição dos créditos se dá mediante a lavratura de mais de um Auto de Infração, há sintonia entre as partes e os fatos que deram origem aos dois processos. Nesse cenário, é plenamente admitida a utilização de prova emprestada, desde que esta seja produzida com observância do contraditório e do devido processo legal. A manifestação da Autoridade lançadora foi transladada do processo em que o signatário da declaração (cotitular) foi autuado e, de seguida, o Recorrente (cotitular) foi intimado a se manifestar sobre a revelação trazida aos autos pela Autoridade fiscal, de modo que a diligência fiscal foi conduzida com respeito ao contraditório e à ampla defesa. O resultado da diligência, não se pode negar, revela que a postura do Sr. Batarra se mostrou contraditória, na medida em que afirma, neste processo, que “toda a movimentação da conta corrente conjunta nº 333808, mantida junto a SICOOB Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil, referese a minha única e exclusiva movimentação financeira”, ao passo que no processo em que foi autuado apresenta planilha reconhecendo que apenas 50% dos valores depositados são de sua responsabilidade. Nesse contexto, não há como acolher a declaração do Sr. Batarrra para fins de alteração da base de cálculo do presente lançamento, mormente quando a própria legislação determina que “Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares" (Lei nº 9.430/1996, art. 42, § 6º). Preliminar de nulidade do acórdão recorrido Entende o Recorrente que decisão de piso não apreciou a verdade material dos fatos, na medida em que não apreciou a idoneidade da declaração apresentada, a qual foi subscrita por quem realmente efetuou a movimentação financeira da conta bancária. Para o Interessado, nos termos do § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 o sujeito passivo seria o declarante e não o ora Recorrente, tendo em vista que este não efetuou a movimentação financeira da conta bancária. As alegações do contribuinte estão em descompasso com o teor da decisão recorrida, que, no tópico “Titularidade de depósitos bancários” (fl. 228), afastou expressamente a força probante da declaração apresentada e a aplicação do § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Confira: O contribuinte alega que a fiscalização não observou o disposto no § 5o do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, uma vez que apresentou declaração onde consta a responsabilidade do co titular da conta, Sr. Carlos Roberto Batarra pela movimentação financeira desta. Quanto ao Princípio da Pessoalidade mencionado pela defesa, vale esclarecer que a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas registradas nos dados cadastrais da instituição bancária como detentores desta. Somente a Fl. 383DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13855.002134/200901 Acórdão n.º 2801003.541 S2TE01 Fl. 384 10 apresentação de documentação hábil e idônea, que corrobore o uso da conta por terceiros, é que possibilita o afastamento do sujeito passivo da qualidade de detentor dessa titularidade ou cotitularidade. Cabe observar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, seguindo a mesma esteira de entendimento, publicou Súmula Consolidada, no caso, Súmula CARF n° 32, mediante Portaria MF n° 383/2010, que estabelece: "A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." No caso vertente, a fiscalização examinou as contas correntes, das quais o contribuinte autuado é titular ou cotitular, verificandose nos autos que este não logrou comprovar durante a ação fiscal e tampouco com a impugnação oposta, que os valores apurados pertenciam a terceiros. Neste ponto, fazse mister apontar que a apresentação de declaração firmada por um dos cotitulares não constitui elemento probatório robusto e suficiente para afastar o contribuinte da condição de sujeito da obrigação tributária. Logo, a autuação pautouse no dispositivo legal do § 6o do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, conforme relatado pelo auditor fiscal no Termo de Verificação Fiscal (às fls. 13 e 14) e na Aduz o Recorrente, também, que no acórdão está mencionado tão somente que o fato deveria ser comprovado por documento hábil e idôneo, entretanto, não menciona qual seria este. Também aqui o entendimento do Interessado está divorciado do teor da decisão de piso (tópico “Ônus da Prova. Presunção legal”, à fl. 227). Confira: A comprovação de origem, nos termos do disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Há necessidade de se estabelecer uma relação biunívoca entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, não cabendo a "comprovação" feita de forma genérica com indicação de uma receita ou rendimento em um determinado documento a comprovar vários créditos em conta. E de se ver, como já analisado acima, que o ônus desta prova recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando, para tal mister, a simples apresentação de justificativas trazidas na peça impugnatória, mas, também, que estas sejam amparadas por provas hábeis, idôneas e robustas. Registro, ainda, por oportuno, que o voto condutor do acórdão recorrido esclareceu todo o procedimento realizado no curso da ação fiscal, afastando, de forma Fl. 384DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13855.002134/200901 Acórdão n.º 2801003.541 S2TE01 Fl. 385 11 satisfatória, o hipotético cerceamento do direito de defesa que supostamente teria ocorrido na fase prévia ao lançamento (tópico “Do alegado cerceamento de defesa”, às fls. 223/224). Nesse contexto, sou pela rejeição da preliminar suscitada pelo Interessado. MÉRITO Depósitos bancários com origem não comprovada Dispõe o artigo 42, § 6°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A leitura do caput do art. 42 revela que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos quando o contribuinte, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contas de depósitos ou de investimentos. Como se percebe, o legislador oportuniza, ao titular da conta em que encontrados os recursos, a demonstração da sua procedência, mediante documentação hábil e idônea, o que evidencia tratarse de presunção relativa que apenas se desfaz com a justificação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas bancárias. Nesse contexto, uma vez caracterizado o fato jurídico que dá suporte à presunção legal, cumpre ao contribuinte demonstrar a regular procedência dos valores depositados, mediante a apresentação de documentos que demonstrem o liame lógico entre prévias operações regulares e os depósitos dos recursos em contas de sua titularidade, pena de serem estes (os depósitos) reputados como rendimentos omitidos. No caso concreto, o Recorrente não explica a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias, insistindo na tese de que os valores depositados na conta conjunta não lhe pertencem, conforme declaração do Sr. Batarra. Contudo, consoante exposto acima, a declaração do Sr. Batarra não merece acolhida, por estar em desarmonia com a manifestação exarada pelo mesmo nos autos do Processo 13855.003780/200804. Quanto à tentativa de justificar parte dos créditos bancários com a apresentação do LivroCaixa, observo que a escrituração não veio acompanhada por documentação hábil e idônea a lastrear os lançamentos escriturados. No que se refere às duas únicas notas fiscais de produtor apresentadas, registro que uma delas, a de n° 000045, no valor de R$ 27.200,00, datada de 18/08/2005, referese à venda de café (fl. 179), não servindo de lastro às receitas escrituradas no Livro Caixa, onde foram contabilizadas tão somente receitas decorrentes da atividade de venda de bovinos. A outra nota fiscal, de nº 000044, no valor de R$ 3.000,00, datada de 03/02/2005 (fl. 178), apesar de se referir à venda de bovinos, não foi escriturada no LivroCaixa. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13855.002134/200901 Acórdão n.º 2801003.541 S2TE01 Fl. 386 12 Anoto, ainda, que os valores das notas fiscais não aparecem lançados a crédito de nenhuma das contas de titularidade do sujeito passivo, nas respectivas datadas em que emitidas. Assim, na completa ausência de prova material da origem dos recursos, é razoável presumir que os valores creditados nas contas bancárias configuram renda, na medida em que o fato descrito na norma que contém a presunção (depósito sem origem) é relevante, enquanto hábil a revelar a capacidade contributiva relacionada com o fato previsto na norma que cria a obrigação tributária principal (renda). Observo, ainda, que o lançamento, além de encontrar base legal no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, o que autoriza a sua lavratura com fulcro no art. 149, I, do Código Tributário Nacional CTN, não está amparado unicamente na existência dos depósitos, mas sim na ausência de elucidação, por parte do contribuinte, acerca da origem dos valores depositados, a autorizar a sua caracterização como receitas ou rendimentos omitidos. Assim, o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si mesmos considerados, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles. Dessa forma, diante da não demonstração da origem dos valores depositados em contas de sua titularidade, bem como da ausência de qualquer início de prova que fundamente a explicação para o significativo volume de recursos que transitaram nas contas correntes do Interessado no período, incompatível com a renda declarada, mostrase legítima a tributação dos valores como se rendimentos omitidos fossem, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Juros moratórios Os juros de mora cobrados no lançamento equivalem à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, estando em consonância com a Súmula CARF nº 4, assim descrita: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pedido de Perícia O Recorrente juntou aos autos um LivroCaixa solitário, desacompanhado de documentação hábil e idônea a lastrear os lançamentos nele escriturados. Quanto aos créditos efetuados em sua conta bancária, não carreou aos autos nenhum documento capaz de comprovar a origem de um único valor depositado. De conseguinte, revelase prescindível a perícia sobre aspecto que poderia ter sido esclarecido pelo contribuinte mediante a simples juntada de documentos aos autos. CONCLUSÃO Peloexposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 77.676,18, que corresponde ao montante de cheques devolvidos que foram expurgados do lançamento em decorrência da diligência fiscal (fls. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13855.002134/200901 Acórdão n.º 2801003.541 S2TE01 Fl. 387 13 260/269) requerida por esta Turma de julgamento (Informação Fiscal às fls. 272/275 deste processo digital). Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 387DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 11065.724058/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
SIMULAÇÃO.
A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As empresas que integram grupo econômico são responsáveis solidárias pelos créditos previdenciários.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-004.096
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que dava provimento.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1146; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 647 1 646 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.724058/201175 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.096 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria SIMULAÇÃO Recorrente STAMPA ARTEFATOS DE COURO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 SIMULAÇÃO. A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico são responsáveis solidárias pelos créditos previdenciários. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 40 58 /2 01 1- 75 Fl. 647DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues que dava provimento. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724058/201175 Acórdão n.º 2402004.096 S2C4T2 Fl. 648 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento tributário realizado em 10/10/2011 e relativo às contribuições sociais previdenciárias dos segurados empregados. O lançamento é decorrente da constatação de fatos que segundo à fiscalização denunciam uma simulação com finalidade de redução de tributo através do sistema de tratamento diferenciado, simplificado e favorecido às micro e pequenas empresas SIMPLES NACIONAL de duas empresas supostamente pertencentes ao mesmo grupo econômico da autuada. Os fatos foram constatados na escrituração contábil, contratos sociais/instrumentos de alterações, verificações físicas, escrituração contábil, folhas de pagamento e outros documentos pertencentes às empresas envolvidas. Seguem transcrições do relatório fiscal: 4.1.4 A empresa STAMPA atua no mercado de bolsas, calçados, carteiras, cintos e acessórios direcionados ao público feminino, com a marca “Luz da Lua”, estando enquadrada na forma de tributação do lucro presumido para apuração do imposto de renda da pessoa jurídica. Atuando juntamente com ela na produção desses produtos, evidenciamos uma estreita relação com a empresa DY MONI Indústria de Artefatos de Couro Ltda, optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES NACIONAL. ... 4.1.6 Em diligência a esse endereço para lavratura do Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF, evidenciamos que ele se encontra disponível para locação, conforme fotos retiradas do local, onde colhemos informações de que a empresa DY MONI estava estabelecida no mesmo prédio atualmente utilizado como sede pela empresa STAMPA: Rua Marechal Câmara, 820, bairro Ideal, Novo Hamburgo, RS. Nesse endereço, fomos recebidos pela Sra. Maria Izabel Deves Jorge, que se apresentou como Diretora da DY MONI e Procuradora da STAMPA, assinando os TIPF dessas empresas, apensos ao presente processo. ... 4.1.8 O acesso ao prédio que abriga essas empresas tem entrada comum, através da Rua Marechal Câmara, 820, conforme fotos retiradas do local, assim como a recepção é única para elas. Compartilham dos mesmos recursos disponíveis, como, por exemplo, a sala disponibilizada à auditoria fiscal para exame da amostragem dos documentos a elas solicitados. 4.1.9 Acompanhado pelo Sr. Delmar Arcenio Bender, sócio administrador da DY MONI, que prestou as informações, realizamos diligência ao atual local onde as empresas se Fl. 649DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 encontram estabelecidas. Evidenciamos não existir nenhuma separação física das empresas DY MONI e STAMPA, estando os seus empregados laborando juntos, tanto nas áreas produtivas, como nas de atividade meio. ... 4.1.11.1 Os Srs. Celso Antônio Jorge e Maria Izabel Deves Jorge são cônjuges. Ele é o sócioadministrador da STAMPA e ocupa o cargo de Diretor Industrial, enquanto ela é empregada da DY MONI, ocupando o cargo de Diretora Administrativo Financeiro. Informações prestadas em GFIP pela empresa STAMPA indicam que ela foi sua empregada até o ano de 2005 – 01/03/1995 a 10/05/2001 e 01/08/2003 a 17/06/2005, quando a deixou para se tornar empregada da DY MONI. 4.1.11.2 Os sócios Delmar Arcenio Bender e Margarida Liane Schneider Bender também são cônjuges e pais de Monia Bender, sócia da DY MONI. Ele ocupa o cargo de Diretor Comercial na DY MONI e ela, Auxiliar Administrativo na STAMPA, como Contribuinte Individual Diretor não empregado com FGTS – Categoria 05. Ele, além de ser sócioadministrador da DY MONI desde 01/02/2001, também foi empregado da empresa STAMPA, conforme informações prestadas em GFIP por esta, no período de 01/04/2000 a 17/06/2005. Os atos constitutivos da empresa STAMPA indicam que ele também já foi seu sócio através da empresa Dikecouros Comércio e Representações Ltda, a qual encerrou as suas atividades no ano de 1997. Essa empresa, inclusive, era a proprietária dos imóveis situados nas Ruas 3 de Outubro, 322 e Marechal Câmara, 811, os quais já foram da STAMPA e atualmente são da SÃO BENTO, conforme matrículas 14.829 e 14.830, respectivamente, incluídas no processo. ... 4.1.12 Essa análise incipiente dos contratos sociais, de empresas estabelecidas no mesmo local, da exploração do mesmo objeto social e da utilização dos mesmos trabalhadores, juntamente com o exame dos registros contábeis, que adiante serão demonstrados, formam nosso entendimento de que as empresas simulam uma situação, a fim de utilizar tratamento tributário diferenciado com o propósito de evadir as contribuições previdenciárias patronais. ... 4.2.3.1.3 Depreendese, pela análise dos dados, um enorme comprometimento das receitas da DY MONI com os seus custos/despesas com pessoal, que, inclusive, no ano de 2008, foram insuficientes para absorvêlos. Ao contrário, o mesmo não ocorre com a empresa STAMPA, onde se observa que essa relação é reduzidíssima, quase inexistindo. 4.2.3.1.4 Incluímos no processo planilha contendo a comparação realizada entre as Demonstrações do Resultado do Exercício do ano de 2009 das empresas STAMPA e DY MONI, onde, pela análise visual, podemos facilmente comparar o comportamento dos registros contábeis efetuados. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724058/201175 Acórdão n.º 2402004.096 S2C4T2 Fl. 649 5 4.2.3.1.4.1 Nela, por exemplo, além de visualizarmos que inúmeras contas contábeis da empresa DY MONI não receberam nenhum registro contábil durante o ano, ao contrário do que ocorreu com a empresa STAMPA, vemos que 99,2% do total de todos os seus custos e despesas realizados referiramse a custos e despesas com pessoal. Na empresa STAMPA essa relação é de 3,32%. 4.2.3.1.5 Evidenciase, na relação massa salarial x faturamento, que os custos/despesas com pessoal estão alocados de forma desproporcional nas duas empresas, onerando, quase que exclusivamente, a empresa DY MONI, optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES NACIONAL. 4.2.3.2.2 Os dados demonstram que a empresa teve somente receitas com a prestação de serviços, das quais 91% são direcionadas para a empresa STAMPA. 4.2.3.2.3 A empresa DY MONI nada vende, pois nada compra, haja vista que as matériasprimas utilizadas no processo produtivo são de propriedade da empresa STAMPA, que utiliza os seus serviços. A DY MONI fornece exclusivamente a mãode obra necessária para a confecção dos produtos com a marca “Luz da Lua”. Foi criada para esse objetivo. Dessa forma, a empresa STAMPA terceiriza parte das suas atividadesfins definidas em seu contrato social. 4.2.3.4.1 As máquinas e os equipamentos utilizados no processo produtivo são de propriedade da STAMPA. As demonstrações contábeis apresentadas pela empresa DY MONI não apresentam nenhum bem registrado em seu ativo não circulante, assim como nenhum custo e/ou despesa com a locação deles. 4.2.3.4.2 Assim como os gastos com água e energia elétrica, também os com a manutenção de máquinas e equipamentos estão todos apropriados na empresa STAMPA, conforme se pode observar nas Demonstrações do Resultado do Exercício apensadas ao processo, bem como na planilha a que se refere o item 4.2.3.1.4. 4.3.3 Igualmente, com base no artigo 124, incisos I e II do CTN, Lei 5.172, de 25/10/66; artigo 30, inciso IX da Lei 8.212, de 24/07/1991; artigo 222 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999 e artigo 17 da Lei 8.884, de 11/06/1994, restou caracterizada a sujeição passiva solidária da empresa São Bento Participações Ltda, CNPJ 04.229.626/000125, estabelecida na Rua 3 de Outubro, 298, bairro Pátria Nova, Novo Hamburgo, RS, uma vez que a amostragem dos fatos e provas arrolada ao longo deste relatório fiscal evidencia a existência de grupo econômico de fato, haja vista: • O seu contrato social e alterações apresentarem os mesmos sócios da empresa STAMPA, a qual lhe deu origem, através da Fl. 651DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 operação de cisão parcial, com a versão de todos os seus bens imóveis na época; • A existência de procuradores comuns às empresas STAMPA e SÃO BENTO, dotados de amplos poderes para a administração em geral, inclusive para a movimentação de contas bancárias, conforme procurações apensas ao processo; • Utilização da mesma estrutura de logística da empresa STAMPA. As GFIP entregues pela empresa SÃO BENTO, desde a sua constituição, à exceção de 04/2008, em que houve a informação de remuneração a um contribuinte individual, não apresentaram nenhuma movimentação de segurados; • A empresa STAMPA é locatária do endereço da sede da SÃO BENTO; • Gastos com energia elétrica e água de imóveis da SÃO BENTO estão registrados na contabilidade da STAMPA, conforme amostragem de documentos incluídos no processo; • Amostragem efetuada na contabilidade da empresa STAMPA, na conta “Empréstimos Concedidos”, apensa ao processo, revelou o registro de notas fiscais emitidas em nome da SÃO BENTO. Essa conta, no encerramento do exercício, teve os seus lançamentos transferidos para a conta “Lucros do Exercício”; • Os direitos correspondentes a propriedade da marca “Luz da Lua”, que identifica os produtos da empresa STAMPA, pertencem a SÃO BENTO. Em síntese, alguns sócios são representantes legais das empresas envolvidas e/ou mantêm relação de parentesco e teriam feito uso de duas empresas criadas a alguns anos antes para que nelas fossem realizadas as novas contratações de segurados ou para as mesmas fossem transferidos número expressivo de segurados pertencentes à autuada, esta com a principal receita bruta do grupo. A opção pelo SIMPLES NACIONAL pode proporcionar redução das contribuições previdenciárias, conforme seja a relação existente entre folha de salários e receita bruta. Quanto maior a folha de salários e menor a receita bruta, maior será a economia com as contribuições previdenciárias. Afirma a fiscalização que é justamente essa a situação das duas empresas do grupo mantidas no SIMPLES NACIONAL. Após impugnação, a decisão de primeira instância foi no sentido de julgar o lançamento procedente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva beneficiária do trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724058/201175 Acórdão n.º 2402004.096 S2C4T2 Fl. 650 7 Não cabe, em sede de julgamento de impugnação do devedor principal, apreciar oposição deduzida por este à imputação de responsabilidade solidária a terceiros, na medida em que não detém legitimidade e nem interesse para tanto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra a decisão, os recorrentes interpuseram recursos voluntários, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: Questiona, inicialmente, a aferição indireta utilizada na constituição do crédito tributário. Afirma, a um, a impossibilidade de arbitramento, porquanto fornecida toda a documentação solicitada no curso da ação fiscal; a dois, que o arbitramento deve “ser utilizado como medida de repressão a uma conduta omissa ou dolosa, contudo, esse caráter inibitório do instituto não permite sua utilização indiscriminada”; e, a três, que o arbitramento, “sob pena de nulidade, deve respeitar todos os princípios constitucionais que asseguram a tributação de acordo com a capacidade econômica do contribuinte não podendo ser realizado sob o prisma da conveniência e oportunidade da Autoridade Administrativa”. Em seqüência, analisa as observações feitas pela Fiscalização, no tocante “às alterações dos atos societários da Impugnante, bem como suas alterações de endereço”, sustentando inexistir qualquer irregularidade nessas modificações. “Incorreto seria alterar o endereço da sede da empresa sem o competente arquivamento dos atos societários na Junta Comercial.” Quanto à inspeção local e às fotos juntadas, consigna que se verifica, no caso, “a utilização de um conjunto de prédios, entre os números 298 e 312, da Rua Três de Outubro, de nada valendo a pretensão de se utilizar de subterfúgios para tentar induzir o Julgador em erro quanto ao local, uma vez que as atividades efetivamente se desenvolveram no local indicado nos documentos oficiais”. Quanto ao exame do local onde se encontrava placa de aluguel do imóvel sede da empresa Dy Moni Indústria de Artefatos de Couro Ltda., também objeto de fiscalização, explica que “as empresas no final do ano pretérito, início do ano em curso, se encontravam em processo de mudança de endereço e readequação de seu parque industrial. Nada mais coerente do que rescindir o contrato de locação e passar a utilizar outro imóvel sem dispêndio de locativos.” Prossegue, esclarecendo, quanto à modalidade de apuração de seus resultados, que esta “não interfere no procedimento fiscalizatório uma vez que o regime de apuração é de competência da Contribuinte, previsto em lei, sendo de seu livre arbítrio decidir pela modalidade que melhor lhe aprouver”. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 No tocante ao acesso comum entre as empresas, pelo endereço da Rua Marechal Câmara, n.º 820, referido no Relatório Fiscal, registra ser ele transitório, “uma vez que a unidade atual encontrase em fase de licenciamento para construção”. Em seqüência, impugna, por impertinentes, na medida em que alheias ao procedimento fiscalizatório, as informações acerca da situação matrimonial das pessoas envolvidas na relação negocial, constantes do Relatório Fiscal. Ainda, quanto ao desligamento de Maria Izabel de uma empresa e seu ingresso em outra em curto espaço de tempo, entende que tal decisão não pode “ser alvo de críticas ou comentários, uma vez que o mundo do trabalho é livre e a iniciativa privada é fomentada e assegurada pela Constituição Federal”. Assim também no tocante à situação dos sócios Delmar e Margarida, pois, ao entendimento da autoridade lançadora, “os parentes não podem constituir sociedade, vindo a negar o modo como as empresas foram constituídas e contribuíram para o desenvolvimento da região coureiro calçadista”. Quanto à prática de atos simulados, apontada pela Fiscalização, assevera que tal pretensão não se concretiza, uma vez que não houve prova quanto ao alegado. Entende que tal imposição ofende o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, para definir ou limitar competências tributárias. “Verificase, de plano, uma ilegalidade, em razão da interferência do Direito Tributário no âmbito do Direito Privado.” Entende que, no caso, não se trata de dissimulação, muito menos de simulação, “uma vez que a constituição de empresa revelase lícita e possível, assegurando a Carta Constitucional a livre iniciativa, não discriminando pessoas ou fatos”. Ainda, quanto à requalificação de atos praticados pelos contribuintes, no sentido de reduzir a carga tributária, registra, primeiro, que “a Constituição Federal determina aos contribuintes a realização de planejamento, especialmente tributário, como pode ser comprovado pelo exame de seu art. 174”; segundo, que o planejamento tributário não pode ser objeto de atos discricionários por parte da Administração, “uma vez que a própria lei permite sua implementação, especialmente quando da existência de leis que não apresentem vedação, mas que o induzem, como é o caso das empresas optantes pelo SIMPLES NACIONAL, uma vez que lhes foi assegurado tratamento tributário diferenciado, previsto no art. 146, III, “d”, da Constituição Federal, sem a existência de condicionantes para sua efetivação”. Refere, neste passo, ainda acerca da simulação, as disposições dos artigos 167 e 168 do Código Civil, especialmente este último dispositivo, no sentido de que, no caso, “a Fazenda Pública não poderá acusar e julgar, ao mesmo tempo, uma vez que a simulação somente poderá ser declarada pelo Poder Judiciário, Fl. 654DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724058/201175 Acórdão n.º 2402004.096 S2C4T2 Fl. 651 9 a pedido do ente público. No caso, não poderá existir confusão para permitir à Fazenda constituir o crédito tributário, bem como desqualificar o ato tido por ela como dissimulado”. Aduz que “o parágrafo único do art. 116 do CTN, atropelou a previsão constante do art. 168 do Código Civil, ao investir a Autoridade Administrativa do poder de desconsiderar, de ofício, atos ou negócios jurídicos ‘dissimulados’, tendo por finalidade retirar ‘eficácia tributária’”. Ainda quanto ao parágrafo único do artigo 116 do CTN, sublinha que a sua eficácia “está atrelada ao princípio da legalidade, por remeter aos ‘procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária’, que, até o momento presente, não restou editada, estando as Autoridades Fazendárias impedidas de desconsiderar ou (re)qualificar atos ou negócios jurídicos que julgarem inquinados de simulação”. Afirma que também não há que falar em “instituição de tributo por analogia, o que é vedado pela lei brasileira”, no caso, o parágrafo 1.º do artigo 108 do CTN. Colaciona, ainda, excertos doutrinários em defesa da elisão fiscal, concluindo no sentido de que “não praticou ato simulado, muito menos dissimulado, uma vez que o planejamento tributário, se assim se pode chamar, por ela praticado, foi induzido pela lei– Lei Complementar n.º 123/06, inexistindo espaço para a requalificação dos atos praticados”. Registra que “não deixou de recolher as contribuições previdenciárias, como restou comprovado pela auditoria fiscal realizada nas empresas, não havendo registro no relatório fiscal de ausência de recolhimento de contribuição previdenciária”. Em conseqüência, refere a juntada de cópia dos comprovantes de pagamento, “bem como ver referidos montantes abatidos da autuação”. Reitera que a Fiscalização utilizouse do instituto da aferição indireta para, mediante a utilização de presunções, apurar o “montante a ser pago a título de contribuição previdenciária que não tem o menor amparo na legislação vigente”. “Além do mais, o ônus da prova é de quem alega”. Ademais, tem que não há como “olvidar que o ato de lançamento é ato administrativo, em razão de sua emanação, devendo, portanto, atender aos requisitos de validade, estando elencados entre estes a motivação, como pode ser comprovado pelo exame do art. 2.º da Lei n.º 9.784/99”, motivação esta que “compreende a necessidade de se trazer à evidência os motivos de fato e os fundamentos jurídicos em que está apoiado o administrador para justificar a tomada de decisão”. Registra, ainda, que a intimação contida no auto de infração deixou de atender os requisitos inseridos no artigo 11 do Decreto n.º 70.235/72, “que rege o processo administrativo fiscal no âmbito dos tributos federais”. Mais especificamente, Fl. 655DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 dele “não consta qual o fundamento para constituição do crédito tributário, inexistindo desta forma lançamento”. Em relação à solidariedade apontada no Relatório Fiscal, entende que “tal situação não se configura, uma vez que o montante apurado da contribuição previdenciária não teve seu crédito constituído e, se tivesse sido constituído, não seria este de responsabilidade da empresa São Bento Participações Ltda., mas da Impugnante”. Assevera, no caso, que “A jurisprudência de nossos Tribunais afasta pretensões dessa natureza, por entender que a mera existência de relação de natureza societária entre empresas não tem o condão de caracterizar o interesse comum dos envolvidos, sem que se comprove que ambas têm relação direta com o fato gerador.” Ao final, postula “seja recebida, conhecida e provida a presente Impugnação para anular o pseudo auto de infração, determinando sua baixa e arquivamento, em razão de sua invalidade, bem como da ausência de lançamento. Requer, igualmente, seja apreciada sob o ângulo do préquestionamento a ausência de lançamento, contrariando os dispores do art. 142 da Lei n.º 5.172/66.” Instruem a peça impugnatória os documentos de fls. 580/583, referentes à entrega das Declarações Anuais do Simples Nacional, exercícios 2009 e 2010, da empresa Dy Moni Indústria de Artefatos de Couro Ltda., e de fls. 584/593 e 597, concernentes à representação da empresa autuada. É o Relatório. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724058/201175 Acórdão n.º 2402004.096 S2C4T2 Fl. 652 11 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 657DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Grupo econômico No caso, a fiscalização entendeu que existiria um grupo econômico de fato. A responsabilidade pelas contribuições previdências tem regra especial no artigo 30, IX da Lei nº 8.212/91, segundo o qual bastaria a formação do grupo econômico para que todos as empresas que dele participem respondam individual e conjuntamente sobre as contribuições devidas por qualquer uma delas, independentemente da participação ou não nos atos que constituam fatos geradores ou infração. A responsabilidade, assim, é objetiva: Art. 30 (...) Fl. 658DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724058/201175 Acórdão n.º 2402004.096 S2C4T2 Fl. 653 13 IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; O conceito de grupo econômico ou societário tem previsão tanto na Lei nº 6.404/76 como também, para fins de proteção do trabalhador, na CLT. Em ambas, a característica essencial é o controle de uma ou mais empresas sobre as demais. Esse controle é exercido pela prevalência nas deliberações, o que decorre da participação no capital social. Não é, também, o compartilhamento pelas empresas de instalações físicas, o que resulta, naturalmente, em custos comuns, que estará caracterizado o grupo econômico. Reitera se que é a participação majoritária no capital social que caracteriza a direção. Constato no quadro preparado pela fiscalização, que a administração de ambas as empresas é realizada por sócios em comum com seus parentes ou procuradores. Todos com amplos poderes para a administração em geral e movimentação financeira. Compartilham o uso do direito de propriedade da marca que identifica no mercado seus produtos comercializados. Há também uso comum de estruturas físicas e despesas comuns de funcionamento. Por tudo, entendo que para fins de cobrança das contribuições previdenciárias houve a caracterização do grupo econômico e, portanto, rejeito a preliminar. Simulação Venho defendendo neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF que independentemente da existência de norma que fundamente o meio adotado, a prevalência do conteúdo sob a forma, Princípio da Verdade Material1, eleva o propósito negocial ao centro da discussão sobre a licitude ou não do planejamento fiscal2. Ainda que as pessoas jurídicas envolvidas tenham sido formalmente constituídas, como demonstra o minucioso e extenso conjunto probatório, de fato, as atividades empresariais foram exercidas apenas por uma delas. A pessoa jurídica formalmente constituída com a finalidade de ser instrumento de uma simulação para a evasão tributária não apresenta a característica essencial das empresas em geral: assumir riscos. Quando somente mantém relação com empresa do mesmo grupo para proporcionarlhe economia tributária, sem qualquer outra finalidade, ainda que seja a eficiência na condução dos negócios, fica forçoso reconhecêla como uma unidade empresarial: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Meu voto condutor do acórdão n° 920201.194, de 19/10/2010 da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais traz esse entendimento: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Data do fato gerador: 30/04/2000 IRPF. SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1 NEDER, Marcos Vinícius. MARTINEZ, Maria Teresa. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 3 edição. São Paulo: Dialética, 2010. página: 78. 2 JARACH, Dino. O Fato Imponível Teoria Geral do Direito Tributário Substantivo. Trad. Dejalma de Campos. 2 edição. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2004. Páginas: 164 e 165. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Ementa: A ausência de propósito negocial válido e justificável advindo do conjunto de operações realizadas pelo contribuinte com redução de tributo e em prejuízo de terceiro, a Fazenda Nacional, evidencia simulação tributária. ... A ausência de propósito negocial válido e justificável advindo do conjunto de operações realizadas pelo contribuinte com redução de tributo evidencia simulação tributária. Ou nas palavras de Clovis Bevilaqua3 quando define a simulação nas relações jurídicas privadas: “ocorre simulação quando o ato existe apenas aparentemente, sob a forma em que o agente faz entrar nas relações da vida; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado.” ... Não se nega que, isoladamente, cada operação realizada é revestida das formalidades necessárias para sua comprovação. Sim, de fato, todas as operações foram praticadas. Os balanços patrimoniais, demonstrativos de resultados, atas de reuniões societárias e outros documentos comprovam isso; contudo, não poderia ser diferente. Na simulação, necessitase que a aparência seja notória para melhor escamotear a realidade; caso contrário, os verdadeiros propósitos seriam evidenciados e não se alcançariam os efeitos desejados. Existe simulação quando a aparência não coincide com a realidade. O natural é que as coisas aparentem o que são; para mudar isso é necessária a simulação. No que se refere aos atos isoladamente, todos estão perfeitamente formalizados; tomadas um a um encontram validade. Essa característica da forma é importante para convencer o observador de que aparência e realidade coincidem; mas, convence o “míope”, aquele que ao enxergar somente de perto só vê as partes e não o conjunto como um todo. Em conjunto, a obra é travestida. ... Merece citação a doutrina mais moderna que, com inspiração no princípio da capacidade tributária, promove uma interpretação mais alinhada com os valores da justiça tributária. Assim, o professor Ricardo Lodi Ribeiro4 identifica elementos que denunciam uma elisão abusiva: “ prática de um ato jurídico, ou um conjunto deles, cuja forma escolhida não se adapte à finalidade da norma que o ampara, ou à vontade e aos efeitos dos atos praticados esperados pelo contribuinte; 3 Bevilaqua, Clovis. Teoria geral do direito civil. Campinas : RED livros, 2001 4 LODI RIBEIRO, Ricardo. Justiça, Interpretação e Elisão Tributária. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2003, pp. 145146. Fl. 660DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724058/201175 Acórdão n.º 2402004.096 S2C4T2 Fl. 654 15 intenção, única ou preponderante, de eliminar ou reduzir o montante de tributo devido; ...” Destacase, para fins de comprovação da simulação para fins de evasão tributária, que a empresa optante pelo SIMPLES NACIONAL mantém quase a totalidade dos empregados e sua receita bruta é inexpressiva; enquanto, inversamente, a outra empresa do grupo que contribui sobre a folha de salários, concentra as receitas e quase não possui empregados. Por tudo, entendo que houve simulação com única finalidade de reduzir obrigações tributárias. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 661DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 12898.001149/2009-84
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE ESCRITURAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. MAJORAÇÃO DA MULTA. REINCIDÊNCIA GENÉRICA COMPROVADA.
Ao deixar de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, o sujeito passivo comete infração à legislação da Previdência Social, por descumprimento de obrigação acessória.
A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.
Comprovada a existência de reincidência de infrações diferentes, a multa deve ser majorada na forma genérica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE ESCRITURAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS. MAJORAÇÃO DA MULTA. REINCIDÊNCIA GENÉRICA COMPROVADA. Ao deixar de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, o sujeito passivo comete infração à legislação da Previdência Social, por descumprimento de obrigação acessória. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Comprovada a existência de reincidência de infrações diferentes, a multa deve ser majorada na forma genérica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 11 49 /2 00 9- 84 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12898.001149/200984 Acórdão n.º 2803003.481 S2TE03 Fl. 158 2 (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12898.001149/200984 Acórdão n.º 2803003.481 S2TE03 Fl. 159 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela entidade FUNDAÇÃO TÉCNICO EDUCACIONAL SOUZA MARQUES em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito tributário. 2. De acordo com a descrição dos fatos, tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, por ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma descriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, referentes ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004. 3. Segundo o relatório fiscal (fl. 09): “o sujeito passivo classificase no FPAS 639 – Entidades Beneficentes de Assistência Social entretanto em 19/04/2005 foi expedido pela Secretaria da Receita Previdenciária – SRP, Delegacia da Receita Previdenciária – DRPRJ/Norte o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições nº 002/2005 com a seguinte declaração de cancelamento: DECLARO CANCELADA, com base no disposto no parágrafo 8º, artigo 206, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, a partir de 01/01/1994, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei 8212, de 24 de julho de 1991, concedida à entidade FUNDAÇÃO TÉCNICO EDUCACIONAL SOUZA MARQUES, acima identificada, por infração ao parágrafo 3º do artigo 195 da Constituição Federal e ao(s) incisos III e V, do artigo 55 da lei 8212, de 1991, combinado com o artigo 206 do RPS, pelos motivos especificados na Informação fiscal anexa.” 4. A ementa do acórdão de primeira instância restou lavrada nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. Incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória, o contribuinte que deixa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Impugnação Improcedente. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12898.001149/200984 Acórdão n.º 2803003.481 S2TE03 Fl. 160 4 Crédito Tributário Mantido.” (f. 100) 5. Tendo sido cientificada da decisão de primeira instância, em 08/01/2013 (fl. 155), em sede recursal, tempestivamente, a contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese que: a) deve ser aplicado a presente autuação a interpretação teleológica, que visa em síntese, buscar a real intenção do legislador ao elaborar a referida regra de direito positivo, sendo certo que a finalidade era, sem dúvida, de evitar a sonegação fiscal por parte dos contribuintes; b) não gerou nenhum prejuízo aos cofres públicos, isto porque a recorrente promoveu a contabilização de todas suas operações financeiras; c) em caso de manutenção do lançamento, a multa aplicada deve ser considerada inconstitucional, por afronta aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade; d) a multa punitiva aplicada pela autoridade fazendária atingiu caráter confiscatório, de modo que não pode ser aplicada ao presente caso; e) por fim, requer que seja totalmente improcedente o lançamento formalizado nos autos de infração. 6. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12898.001149/200984 Acórdão n.º 2803003.481 S2TE03 Fl. 161 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 2. Não obstante o arrazoado trazido pela contribuinte, entendo que o descumprimento da obrigação acessória determinada pela legislação previdenciária está devidamente caracterizado nos autos. No intuito de pontuar a infração, colho do relatório fiscal no item (8.) que: “8 – Identificados nos lançamentos contábeis a contabilização incorreta de fatos geradores previdenciários relativos a pagamento de contribuinte individual em conta não específica – contas 31209004 – Passagem/Transporte, 31209005 – Biblioteca e 32103011 – Serviço de Vigilância. Solicitados esclarecimentos quanto à contabilidade da folha de pagamento na competência 02/2004 pelo fato de apresentar lançamentos nas contas específicas de valores abaixo da folha de pagamento, explicado que a contabilização ocorreu de maneira incorreta com lançamentos nas contas: 31102001 Material didático, 31202001 – Impressos, 31202006 – Conservação e manutenção, 31202009 – Outros materiais, 31203006 – Reparo e conservação de bens, 32102006 – Conservação e manutenção, 321030130 – Serviço de Marketing, 32103015 – Serviço de manutenção e 32103018 – Serviço de limpeza, sem os devidos lançamentos de estorno e acerto. Em anexo Planilha I – demonstrativa dos lançamentos que compõe de maneira incorreta a folha de pagamento na competência 02/2004." 3. A recorrente, a seu turno, não traz nenhum argumento apontando efetivamente a desconstituição da autuação. O procedimento adotado pela fiscalização na aplicação do presente auto de infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. 4. Dessa forma, entendo que assiste razão ao fisco na lavratura do auto. Nesse sentido os artigos 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91 e 225, §13, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, confirmam o procedimento, verbis: LEI 8.212/91 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12898.001149/200984 Acórdão n.º 2803003.481 S2TE03 Fl. 162 6 “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...). II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;” DECRETO 3.048/99 “Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...). § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços.” 5. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. 6. Como é sabido a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” 7. É o que dispôs, também, o artigo 136, do CTN: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12898.001149/200984 Acórdão n.º 2803003.481 S2TE03 Fl. 163 7 “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. 8. Quanto à Recorrente ser ou ter sido beneficiária de norma de imunidade ou isenção tributária, nos termos da Lei nº. 8.212/1991, e art. 195, § 5.º da Constituição Federal, o que desoneraria de cumprir as obrigações instrumentais, não merece acolhimento. 9. O indicado benefício apenas atinge algumas das obrigações principais, contribuições patronais, não desonerando a Recorrente das demais obrigações tributárias. Ainda, conforme estabelece o art. 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações instrumentais (acessórias) são independentes das obrigações tributárias principais. Logo, à recorrente apesar de ter sido beneficiada com isenção das contribuições previdenciárias patronais, ainda manteve as demais obrigações tributárias, tanto as principais como as instrumentais. No caso tais obrigações estão previstas tanto em lei quanto em decreto, devendo ser cumpridas pelo sujeito passivo. 10. Ainda, no mesmo talante, o argumento de que não houve prejuízo ao Fisco, também não procede, pois continua a ser um descumprimento à obrigação instrumental prevista em lei, como muito bem relacionou a decisão anterior (fls. 100 a 109). DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA 11. Alega a recorrente que os valores lançados no auto de infração ofendem o princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, caracterizandose a penalidade como confiscatória. Porém, esta alegação não deve prosperar, pois o caráter confiscatório da multa somente resta configurado quando o valor agredir violentamente o patrimônio do contribuinte, o que não ocorre na hipótese analisada. 12. Ademais, a irresignação não pode ser analisada por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Conselho. 13. Sobre a questão, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula nº 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 14. Em outras palavras, reconhecer a existência de confisco é o mesmo que reconhecer a inconstitucionalidade da sua incidência, o que é vedado a este Conselho, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art, 62, parágrafo único, do seu Regimento Interno, quais sejam: “I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12898.001149/200984 Acórdão n.º 2803003.481 S2TE03 Fl. 164 8 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 199.” 15. No caso dos autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. 16. Cumpre esclarecer que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. 17. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. 18. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” 19. Além disso, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal, que é a quem compete a guarda da Constituição. Poderseia, nesses casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. 20. Portanto, não há que se falar em caráter confiscatório da multa prevista no Regulamento da Previdência Social, posto que a atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. DA MAJORAÇÃO DA MULTA Fl. 164DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12898.001149/200984 Acórdão n.º 2803003.481 S2TE03 Fl. 165 9 21. Alega a contribuinte que não é reincidente uma vez que não sofreu este tipo de infração em auditorias anteriores. Em caso de manutenção da multa, requer que seja proporcional e razoável. 22. Para que se possa aferir a possibilidade de concessão do benefício pretendido pelo recorrente, é importante verificar o disposto no art. 290, do RPS, que define o que seja circunstância agravante da infração: “ Art. 290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: I tentado subornar servidor dos órgãos competentes; II agido com dolo, fraude ou máfé; III desacatado, no ato da ação fiscal, o agente da fiscalização; IV obstado a ação da fiscalização; ou V incorrido em reincidência.” 23. No caso concreto, o agente lançador trouxe aos presentes autos a comprovação da existência da infração anterior, data de seu cometimento; números dos Debcad’s; data do pagamento do AI, conforme item 10 do Relatório Fiscal da Infração. 24. Pelo exposto, verificase que a recorrente possui circunstância agravante, por ser reincidente. Assim sendo, prospera a majoração da multa aplicada, na forma genérica. 25. Dessa forma, mantenho a decisão de primeira instância, eis que proferida em consonância com a legislação previdenciária e tributária de regência da matéria. CONCLUSÃO 26. Diante do exposto, conheço do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 8/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10865.720595/2009-43
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ERRO DE FATO. CORREÇÃO APÓS O LANÇAMENTO. ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. PROVA.
Comprovado o erro material da declaração após o lançamento é possível a correção da mesma. A nota fiscal de venda de cana de açúcar emitida em novembro do ano base comprova a existência de área utilizada com produtos vegetais.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º de janeiro.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar 225,0 ha de área utilizada com produtos vegetais. Vencidos os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin (Relatora) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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CORREÇÃO APÓS O LANÇAMENTO. ÁREA UTILIZADA COM PRODUTOS VEGETAIS. PROVA. Comprovado o erro material da declaração após o lançamento é possível a correção da mesma. A nota fiscal de venda de cana de açúcar emitida em novembro do ano base comprova a existência de área utilizada com produtos vegetais. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º de janeiro. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar 225,0 ha de área utilizada com produtos vegetais. Vencidos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 05 95 /2 00 9- 43 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.720595/200943 Acórdão n.º 2801003.397 S2TE01 Fl. 132 2 os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin (Relatora) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre – Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/CGE/MS. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada mediante notificação de lançamento de f. 0104, através do qual se exige o crédito tributário R$ 54.542,75, assim discriminado: (...) A exigência se refere ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR do exercício 2005, incidente sobre o imóvel rural denominado Fazenda Palmeiras, com área total de 242,0 ha., Número de Inscrição NIRF 0.290.7372, localizado no município de PirassunungaSP. Segundo descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorre da alteração da Declaração de Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural DITR em relação aos seguintes fatos tributários: Valor da Terra Nua VTN: regularmente intimado, o contribuinte deixou de apresentar laudo técnico de avaliação do valor da terra nua, motivo pelo qual o valor declarado pelo Fl. 132DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.720595/200943 Acórdão n.º 2801003.397 S2TE01 Fl. 133 3 sujeito passivo foi substituído pelo VTN constante do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal S1PT. Em razão do constatado, foi efetuado lançamento do imposto, acrescido de juros moratórios e multa de ofício. O sujeito passivo foi cientificado por aviso de recebimento postal em 06/11/2009, conforme consta da f. 06. Impugnação Em 07/12/2009 a interessada apresentou impugnação, f. 1722, e, após relatar os motivos da autuação, passou a tecer suas alegações, cujo ponto relevante para a solução do litígio é a afirmação de que o valor da terra nua arbitrado não corresponde à realidade, devendo ser adotado o valor da terra nua consignado no laudo técnico de avaliação que ora apresenta, elaborado de acordo com a legislação pertinente. Pedido Com base no exposto, pede o cancelamento do crédito tributário lançado. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 56/59, que restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural I T R Exercício: 2005 NIRF: 0.290.7372 Fazenda Palmeiras VALOR DA TERRA NUA. PROVA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificada daquele acórdão em 14/12/2011 (fl. 63), a interessada, representada por seu advogado (fl. 98/100), interpôs recurso voluntário de fls. 65/95, em 12/01/2012. Em sua defesa, pretende seja reconhecida a improcedência do lançamento pelas razões sintetizadas a seguir: · Foi cometido um equívoco por ocasião do preenchimento da DITR, tendo informado uma área de 0,0 ha de produtos vegetais, quando, na verdade, foi uma área de 225 ha efetivamente destinada à plantação de cana, de modo que, de acordo com as regras relativas a apuração do ITR, há que se aplicar a alíquota de 0,1%, em razão da utilização superior à 80%, ao invés da alíquota de 2,3% adotada anteriormente; Fl. 133DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.720595/200943 Acórdão n.º 2801003.397 S2TE01 Fl. 134 4 · O laudo técnico trazido aos autos por ocasião da apresentação da impugnação é probo e hábil para determinação do valor do imóvel em questão; · A aplicação de multa no percentual de 75% tem caráter confiscatório, em total desprezo e desrespeito aos princípios norteadores da razoabilidade e proporcionalidade. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A Recorrente alega que foi cometido um equívoco por ocasião do preenchimento da DITR, tendo informado uma área de 0,0 ha de produtos vegetais, quando, na verdade, foi uma área de 225,0 ha efetivamente destinada à plantação de cana, de modo que, de acordo com as regras relativas a apuração do ITR, há que se aplicar a alíquota de 0,1%, em razão da utilização superior à 80%, ao invés da alíquota de 2,3% adotada anteriormente. È de se observar que tal área não foi objeto de alteração no presente lançamento, até porque, conforme afirma a peticionária, não foi declarada. Além disso, a discussão dessa matéria não foi trazida em primeira instância. Ainda assim, entendo que , nos casos de evidente erro material, em observância ao princípio da verdade material, devese considerar, mesmo após o lançamento, a possibilidade de correção. Entretanto, na espécie, o “Instrumento Particular de Parceria Rural e Compromisso de Compra e Venda de Cana de Açúcar” (fls. 109/114), por si só, não é suficiente para comprovar a existência da área de produtos vegetais. Caberia à Recorrente ter apresentado outros elementos de prova tais como comprovantes de aquisição de insumos/sementes e a comercialização de produtos vegetais produzidos na propriedade no ano de referência. A única nota fiscal apresentada (fl. 119) referese a período posterior à ocorrência do fato gerador, portanto, não se presta para o fim pretendido. Cumpre ressaltar que a relação jurídica estabelecida pelos contratos de arrendamento, de comodato ou de parceria é de natureza obrigacional. Em decorrência destes contratos há a entrega do imóvel sem a intenção de transferir a posse plena; é cedido, temporariamente, apenas o exercício parcial do uso e da fruição (posse limitada). Somente a posse plena, sem subordinação (posse com animus domini), é fato gerador do ITR. Assim, como não têm a posse plena, vale dizer, não têm a posse com animus domini, o arrendatário, o comodatário e o parceiro não são contribuintes do ITR. O contribuinte, contudo, poderá valer se dos dados sobre a área utilizada e respectiva produção, fornecidos pelo arrendatário, comodatário ou parceiro, quando o imóvel, ou parte dele, estiver sendo explorado por contrato de arrendamento, comodato ou parceria. As áreas objeto de tais contratos deverão ser Fl. 134DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.720595/200943 Acórdão n.º 2801003.397 S2TE01 Fl. 135 5 declaradas conforme a sua efetiva utilização no ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR. Ademais, tendo em vista a grande extensão da área reclamada como utilizada na produção vegetal (225,0 ha), quando comparada com a área total do imóvel (242,0 ha), correspondendo, em termos percentuais, a 80% da referida área total, é necessário maior rigor na comprovação da área em questão. Como não foram apresentados documentos fiscais hábeis e idôneos a comprovar a área de produtos vegetais, não há como acatála. Quanto ao laudo técnico trazido aos autos por ocasião da apresentação da impugnação, a decisão recorrida assim se pronunciou: No caso em exame, a interessada apresentou laudo de avaliação, elaborado por engenheiro agrônomo, com anotação de responsabilidade técnica, f. 2534 e 43. O laudo técnico de avaliação apresentado pela impugnante baseiase tão somente em opiniões. Não foram considerados dados de mercado efetivamente utilizados. Portanto, o laudo não atinge o grau de fundamentação II, e, conforme prescreve o item 9.1.2 da Norma Técnica 146533:2004, tratase de mero parecer técnico, o que retira a possibilidade de que venha ser adotado para contraporse ao lançamento fiscal. Em síntese, não há prova eficaz do valor da terra nua da propriedade em questão e, na falta da peça técnica adequada, deve ser mantida a avaliação fiscal realizada com base no art. 14 da Lei 9.393/96. De fato, o laudo ofertado (fls. 24/35) não atende aos requisitos estabelecidos na norma NBR 14.6533 da ABNT, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, acompanhados de documentos que comprovem os valores informados, de forma a apurar o valor mercado da terra nua do imóvel, a preços de 01/01/2005. Ou seja, a contribuinte não logrou se desincumbir do ônus de comprovar o contrário presumido, devendo, portanto, ser mantido o Valor da Terra Nua arbitrado pela fiscalização por ocasião do lançamento. Também deve ser rejeitado o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pela recorrente. Desarrazoado imputar tal ônus probatório ao fisco. A autoridade fiscal não tem o dever de produzir a prova necessária à defesa do sujeito passivo. Ressaltese, ainda, que a apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de oficio de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Assim, havendo lançamento de ofício, como neste caso, essa multa é devida. Quanto à alegação de confisco da multa de ofício imposto, tratase de manifestação que busca alcançar a validade da norma que prevê a incidência da penalidade, sua constitucionalidade. Mas, conforme jurisprudência reiterada deste Conselho, consolidada, inclusive, em súmula, falece competência aos órgãos julgadores administrativos para apreciarem argüições de inconstitucionalidade de norma, a saber: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.720595/200943 Acórdão n.º 2801003.397 S2TE01 Fl. 136 6 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.( Súmula CARF nº 2) Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 136DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.720595/200943 Acórdão n.º 2801003.397 S2TE01 Fl. 137 7 Voto Vencedor Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Redator Designado. Apesar do brilhante voto da Conselheira Relatora, peço permissão para discordar do seu entendimento quanto a questão a área de produtos vegetais. Como já dito pela Relatora, a Recorrente alega que foi cometido um equívoco por ocasião do preenchimento da DITR, tendo informado uma área de 0,0 ha de produtos vegetais, quando, na verdade, foi uma área de 225,0 ha efetivamente destinada à plantação de cana, de modo que, de acordo com as regras relativas a apuração do ITR, há que se aplicar a alíquota de 0,1%, em razão da utilização superior à 80%, ao invés da alíquota de 2,3% adotada anteriormente. Assim como a Relatora, entendo que, nos casos de evidente erro material, em observância ao princípio da verdade material, devese considerar, mesmo após o lançamento, a possibilidade de correção. Também como a Relatora, penso que caberia à Recorrente apresentar elementos de prova, tais como comprovantes de aquisição de insumos/sementes e a comercialização de produtos vegetais produzidos na propriedade no ano de referência, Contudo, neste ponto, ouso discordar do posicionamento da Relatora quanto aos efeitos da prova apresentada pela recorrente. É que, no meu entendimento, a única nota fiscal apresentada (fl. 119), que trata da venda de 4.329,82 Toneladas de cana de açúcar, emitida em novembro de 2005, é suficiente para a comprovação da área de produtos vegetais. Segundo informações colhidas no site da EMBRAPA o tempo decorrente entre o plantio e a colheita da cana de açúcar varia entre 12 e dezoito meses; in verbis: Sistema de anoemeio (cana de 18 meses): A canadeaçúcar é plantada entre os meses de janeiro e março. Nos primeiros três meses, a planta inicia seu desenvolvimento e, com a chegada da seca e do inverno, o crescimento passa a ser muito lento durante cinco meses (abril a agosto), vegetando nos sete meses subseqüentes (setembro a abril), para, então, amadurecer nos meses seguintes, até completar 16 a 18 meses. Este período (janeiro a março) é considerado ideal para o plantio da canade açúcar, pois apresenta boas condições de temperatura e umidade, garantindo o desenvolvimento das gemas. Essa condição possibilita a brotação rápida, reduzindo a incidência de doenças nos toletes. Sistema de ano (cana de 12 meses): Em algumas regiões, a cana deaçúcar pode ser plantada no período de outubro a novembro. Esse sistema de plantio precisa ser utilizado de forma restrita, pois apresenta as seguintes vantagens e desvantagens: Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10865.720595/200943 Acórdão n.º 2801003.397 S2TE01 Fl. 138 8 http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/canade acucar/arvore/CONTAG01_33_711200516717.html Deste modo, seja na modalidade do plantio em doze meses, seja na modalidade do plantio de dezoito meses, o fato é que uma nota fiscal de venda de cana de açúcar, emitida em novembro, confirma a colheita deste produto em novembro e, conseqüentemente, a existência da plantação deste produto no decorrer de todo o ano. Confirmada a área utilizada com produtos vegetais, resta patente o erro material e necessidade de correção do lançamento. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento parcial ao recurso, para considerar a área de 225,00 ha de área utilizada com produtos vegetais. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 02/ 06/2014 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10640.003896/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.277
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de Apuração: 01/12/2003 a 30/05/2009
CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA.
O conhecimento do presente Recurso Voluntário depende da análise das guias de pagamento apontadas pelo Recorrente nos autos do processo. A constatação da regularidade dos pagamentos efetuados corroboraria a perda de objeto processual e a conseqüente resolução da presente lide, não existindo, portanto, razões para se conhecer do Recurso Interposto.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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decisao_txt : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/12/2003 a 30/05/2009 CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. O conhecimento do presente Recurso Voluntário depende da análise das guias de pagamento apontadas pelo Recorrente nos autos do processo. A constatação da regularidade dos pagamentos efetuados corroboraria a perda de objeto processual e a conseqüente resolução da presente lide, não existindo, portanto, razões para se conhecer do Recurso Interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência. Liege Lacroix Thomasi - Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes - Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de Apuração: 01/12/2003 a 30/05/2009 CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. O conhecimento do presente Recurso Voluntário depende da análise das guias de pagamento apontadas pelo Recorrente nos autos do processo. A constatação da regularidade dos pagamentos efetuados corroboraria a perda de objeto processual e a conseqüente resolução da presente lide, não existindo, portanto, razões para se conhecer do Recurso Interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, BIANCA DELGADO PINHEIRO, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 03 89 6/ 20 09 -4 3 Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 6/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Tratase de Auto de Infração – AI por descumprimento de obrigação Principal Debcad n° 37.197.3970 lavrado em face da BRASILCENTER COMUNICAÇÕES LTDA, referentes às contribuições sociais previdenciárias (cota patronal) incidentes sobre a remuneração paga ou creditada em favor dos segurados contribuintes individuais em virtude de prestação de serviços de assistência médica e odontológica no período compreendido entre dezembro de 2003 a maio de 2009. Consoante o Relatório Fiscal a empresa ora Recorrente omitiu de forma consciente e voluntária os fatos geradores abarcados pelo Auto de Infração nas GFIPs; apresentou declarações emitidas por vários segurados contribuintes individuais onde os segurados elegiam uma pessoa jurídica diversa da Recorrente como capaz de proceder com o desconto das contribuições previdenciárias; bem como, que os fatos geradores objeto desta moção não eram lançados em títulos próprios de contabilidade. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação e esta foi julgada improcedente, nos seguintes termos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2009 DECADÊNCIA. M U L T A . A G R A V A M E N T O . QUALIFICAÇÃO. A decadência das contribuições objeto de lançamento que não se encontravam declaradas em GFIP regemse pelo disposto no art. 173,1 do CTN. O agravamento de multa em razão da não apresentação dos arquivos digitais decorre de expressa previsão legal, cumulada com a aplicação retroativa de legislação posterior à ocorrência do fato gerador quando em benefício ao contribuinte. A qualificação da multa decorre da subsunção da hipótese legal dados os indícios de dolo trazidos pela ação fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando, em suma: A decadência deveria ser aplicada com base no art. 150,§4º do Código Tributário Nacional, tendo em vista que os créditos tributários do período de 12/2003 a 11/2004 estariam extintos; Os valores referentes às contribuições dos períodos anteriores a novembro de 2008 foram incluídos no Refis e devidamente pagos; Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 6/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10640.003896/200943 Resolução nº 2302000.277 S2C3T2 Fl. 4 3 As contribuições referentes ao período de novembro de 2008 a maio de 2009 foram quitadas através de guias de pagamento – GPS; Quanto à multa aplicada, alega que em relação ao período anterior a dezembro de 2008 a multa de ofício é totalmente descabida posto que a Medida Provisória de nº 449 (Lei 11.941/2009) somente entrou em vigor em dezembro de 2008, sendo cabível unicamente a multa de mora; em se tratando do período entre dezembro de 2008 a maio de 2009, a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) aplicada sob a alegação de prática de sonegação, fraude ou conluio pela Recorrente é descabida, pois viola o princípio da capacidade contributiva e do não confisco (art. 150, IC, CF). Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conversão em diligência Da análise dos autos, verificase que não haverá razões para ser conhecido o presente recurso caso seja constatado que a Recorrente aderira ao Refis para pagamento à vista do valor correspondente às competências anteriores a novembro de 2008 e que o valor pago supera aquele efetivamente devido por ela, como afirma em seu recurso; bem como, que os valores adimplidos através das Guias da Previdência Social – GPS avulsas, em relação às competências de novembro de 2008 a maio de 2009, ainda que por terceiro, correspondiam aos valores efetivamente devidos pela contribuinte. Frisese, desde logo, que o pagamento das GPS´s por empresa com número de registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ diverso da Recorrente não macula o adimplemento da obrigação tendo em vista que não há qualquer vedação legal para que o pagamento de uma obrigação seja efetuado por terceiro que, se tiver interesse jurídico na extinção da obrigação, subrogarseá nos direitos do credor e, caso não possua interesse, terá direito a posterior reembolso dos valores pagos. Destarte, se comprovado o devido adimplemento das obrigações tributárias referentes às competências autuadas, desnecessário seria o conhecimento do presente Recurso por este Conselho de Contribuintes, dado o efetivo cumprimento da obrigação pelo sujeito passivo e a conseqüente satisfação do interesse Fiscal. Assim, entendo ser necessária a conversão em diligência do presente feito para que a Fiscalização esclareça se os valores pagos pela contribuinte tanto para as competências anteriores a novembro de 2008, objeto do Refis, quanto para as competências pagas através de Guias da Previdência Social – GPS avulsas correspondem aos valores realmente devidos pela Recorrente através da analise das guias de pagamento juntadas aos autos do presente processo Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 6/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10640.003896/200943 Resolução nº 2302000.277 S2C3T2 Fl. 5 4 pela ora Recorrente, de forma a atestar a regularidade dos pagamentos efetuados, a qual, na eventualidade de ser efetivamente verificada, extinguirá o crédito tributário objeto do presente processo administrativo. Da Conclusão Ante o exposto, converto o presente recurso em diligência, para que a Fiscalização esclareça se os valores pagos pela contribuinte tanto para as competências anteriores a novembro de 2008, objeto do Refis, quanto para as competências pagas através de Guias da Previdência Social – GPS avulsas correspondem aos valores realmente devidos pela Recorrente. Após o cumprimento do acima narrado, intimese a Recorrente para que se manifeste acerca do resultado das diligências realizadas. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de fevereiro de 2014 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 6/07/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 13971.720776/2009-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE.
Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti.
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PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti. Relatório ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA. transmitiu, em 15/08/2006, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER nº 13965.97921.150806.1.1.081773, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 76 /2 00 9- 51 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 de créditos da apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep exportação no valor de R$ 12.722,81, referente ao primeiro trimestre de 2006. O Relatório de Auditoria Fiscal de fls. 190 a 220, inicialmente, explicita os critérios adotados ante as discrepâncias verificadas entre os montantes das operações de aquisição de bens e serviços, apurados por CFOP, registrados no LRE e os consignados na memória de cálculo (referentes aos valores informados nas respectivas linhas do Dacon): (i) em sendo o valor apurado no LRE idêntico ao da memória de cálculo, adotou tal valor como base sobre a qual efetuou as glosas pelas notas fiscais desconsideradas na análise, resultando em valor ajustado pela diferença (ii) quando o valor apurado no LRE foi inferior ao da memória de cálculo, a diferença foi glosada por falta de comprovação e o valor do LRE foi adotado como base paras as glosas, e (iii) quando o valor apurado no LRE foi superior ao da memória de cálculo, sobre ele foram efetuadas as glosas dos valores das notas fiscais desconsideradas: se o valor resultante foi superior ao informado na memória, validouse o valor da própria memória para fins de determinação do máximo admissível, em relação ao CFOP em análise se o valor resultante foi inferior ao informado na memória, considerouse este como sendo o valor ajustado (e o máximo admissível). Para os montantes das operações registradas, apurados por CFOP das entradas, apuraramse os valores ajustados ou valores da memória validados na análise (máximo admissível por CFOP), cujo somatório foi adotado como o máximo admissível em relação à respectiva linha do Dacon, cujo valor do crédito compõem. A partir dessa sistemática, apurouse glosa no valor total de R$ 645,17 em razão das seguintes irregularidades: 1Bens utilizados como insumos: glosa correspondente à diferença entre o LRE e a Memória de Cálculo, correspondente a R$ 263,00; glosas relativas a aquisições de pessoas físicas, com a inclusão da NF 063594, no valor de R$ 2.697,00; glosas relativas a aquisições não reconhecidas como insumos, para fins de crédito da não cumulatividade, tais como partes e peças de veículos, materiais de construção, óleo de compressor, tampa de compressor utilizado em refrigeração; glosas relativas a aquisições de pinus em toros a pessoas físicas; glosas correspondentes as mercadorias recebidas em consignação, constatadas através do CFOP 1917 e 2917, que registra mercadorias recebidas em consignação mercantil ou industrial. 2Serviços utilizados co o insumos, relativo extração de madeira; 3Despesas de energia elétrica: glosas relativas a valores não relacionados ao consumo, tais como despesas relacionadas à doação, Cosip, devolução de juros; 4Despesas de armazenagem e frete na operação de venda: glosas relativas a serviços de fumigação, remoção de contêineres, desunitização, unitização, uso de pátio e posicionamento. A DRFBlumenauSC, por meio do Despacho Decisório de fls. 223, deferiu o pleito parcialmente, em R$ 12.077,64. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720776/200951 Acórdão n.º 3403003.072 S3C4T3 Fl. 270 3 Em Manifestação de Inconformidade (fls. 228 a 232), o interessado contestou o critério adotado pela Fiscalização para fixar os percentuais de receita relacionados com o mercado interno e externo, argumentando que se fez uma interpretação equivocada do Dacon, o que teria comprometido a correta fixação das receitas relacionadas aos mercados interno e externo, pois teria incluído, para fins de cálculo da proporção, receitas não tributadas no mercado interno, tais como receita tributada à alíquota zero e receita de vendas de bens do ativo permanente. Alega também que a autoridade fazendária considerou o valor das receitas auferidas informadas na coluna "receita", mas que deveria ter considerado os valores da coluna "base de calculo"; que, assim procedendo acabou por considerar em duplicidade os valores de receita, pois que, nas linhas 01 e 02 do Dacon já estão incluídos os valores relativos às linhas 04 a 11, o que acaba por elevar excessiva e erroneamente os percentuais do mercado interno. Sob o item "Das mercadorias recebidas em consignação" alega que a consignação converteuse em compra, conforme nota fiscal que junta aos autos, restando claro que a recorrente efetivou a aquisição das mercadorias consignadas. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, apenas para acatar os percentuais do mercado externo e interno propostos pelo contribuinte. O Acórdão nº 07025.519, de 5 de agosto de 2011, fls. 247 a 254, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2006 MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS, NO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos previsto no âmbito das contribuições nãocumulativas para o PIS/Pasep/Cofins, na "receita bruta total" devem ser incluídas todas as receitas da pessoa jurídica que estejam associadas ao montante de custos, despesas e encargos comuns, e não aquelas que, por sua natureza, não se caracterizem como tal, como é o caso das receitas financeiras e das receitas de vendas do ativo permanente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é anus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 271DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 261 a 266, após síntese dos fatos relacionados com a lide, recorre da manutenção da glosa dos créditos tomados sobre o valor das mercadorias recebidas em consignação – CFOP 1917 e 2917, alegando ter comprovado, por intermédio de nota fiscal, que a compra das mercadorias em comento efetivamente ocorreu, motivo pelo qual entende que não há razão para que seu crédito seja glosado, uma vez que a compra é o fato necessário para caracterizar o direito ao crédito. Entretanto, se houve um equívoco na forma de utilização dos valores, essa consignação converteuse em compra, conforme comprovado pela nota fiscal de aquisição de mercadorias. Aduz que os documentos que instruem o presente processo administrativo demonstram claramente que a recorrente não fez créditos das referidas aquisições por duas vezes. Como mencionado anteriormente, as remessas em consignação converteramse posteriormente em venda, operação esta que foi devidamente registrada uma única vez. Entende que a Fiscalização tem o dever de diligenciar a busca da verdade real. Pede provimento. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 261 a 266 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07025.519, de 5 de agosto de 2011. Conforme relatado, controvertese a manutenção da glosa dos créditos tomados sobre o valor das mercadorias recebidas em consignação (CFOP 1917 e 2917). A alegação recursal é de que a consignação converteuse em compra, conforme nota fiscal que junta aos autos. Com efeito, enquanto manifestante, o contribuinte aportou aos autos cópia das notas de saída de venda (CFOP 5111 vendas efetivas de produtos industrializados no estabelecimento remetidos anteriormente a titulo de consignação industrial ou 6112 vendas efetivas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento, remetidas anteriormente a titulo de consignação industrial). Nada obstante, a decisão recorrida manteve a glosa sob a consideração de que o interessado não fez prova de que não tomou crédito o mesmo crédito novamente, por ocasião da compra das mercadorias antes recebidas em consignação. O caveat erigido pela decisão recorrida, a meu ver, é procedente. Levando em conta a sistemática adotada na auditoria fiscal de apuração do montante dos créditos por CFOP, com a emissão por National Starch & Chemical Industrial Fl. 272DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720776/200951 Acórdão n.º 3403003.072 S3C4T3 Fl. 271 5 Ltda de nota fiscal nº 57.185 com CFOP 5.111 cópia às fls. 245 – para documentar a aquisição das mercadorias antes recebidas em consignação, o valor das mesmas passou a ser considerado na base de cálculo dos créditos. Assim, à toda prova, o mesmo valor serviu para a tomada de crédito por duas vezes. Se, excepcionalmente, o contribuinte retirou as referidas notas da base de cálculo, como alega ter feito, tocaria proválo, pois alegar e não comprovar o alegado equivale a nada alegar allegare nihil et allegatum non probare paria sunt. Cabe ao contribuinte, até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar não basta, simplesmente vir aos autos discordado do entendimento do fiscal, afirmando que entende possuir o direito ao crédito o contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que pleiteia, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Este é o princípio fundamental do sistema de distribuição do onus probandi adotado no processo administrativo federal, plasmado no art. 36 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA Fl. 273DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Aliás, este Colegiado já se pronunciou diversas vezes no sentido de que toca ao interessado a produção das provas do direito creditório alegado. Confirase: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos Fl. 274DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720776/200951 Acórdão n.º 3403003.072 S3C4T3 Fl. 272 7 nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Conclusão Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10680.938621/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO
Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização.
Recurso Voluntário Improcedente
Numero da decisão: 1202-001.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Recurso Voluntário Improcedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Maria Elisa Bruzzi Boechat (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 86 21 /2 00 9- 56 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.938621/200956 Acórdão n.º 1202001.134 S1C2T2 Fl. 167 2 Relatório Tratase, no caso, de discussão administrativa relativa à não homologação pelas autoridades competentes da integralidade do crédito pleiteado pela ora Recorrente proveniente da PER/DCOMP nº 20107.07470.310305.1.3.045200. Em sede de Despacho Decisório (fl. 31), a autoridade competente entendeu pela insuficiência de crédito original na data da transmissão da PERD/COMP. Assim, homologou apenas em parte o pedido da Recorrente, reconhecendo o montante de R$ 1.044.475,79, enquanto deixou de reconhecer o crédito de R$ 1.393.286,90. Assim, a Recorrente apresentou sua competente Manifestação de Inconformidade (fls. 01/03), pela qual alegou que efetua o recolhimento do IRPJ com base no Lucro Real por meio de estimativas. Diante disto, quando do momento da entrega da DIPJ/2004 (anocalendário 2003), constatou um imposto devido de R$ 3.026.874,76 (fls. 32). Ocorre que, segundo alega a Recorrente, no transcorrer de 2004 e 2005 recolheu, por meio de DARF’s, a título de Imposto de Renda, valor superior ao posteriormente constatado como devido, conforme se verifica do quadro abaixo: DARF Valor Principal Juros Multa Valor Total Fls. DARF Pago em 31.03.04 1.107.756,14 23.041,32 1.130.797,46 36 e 126 DARF Pago em 29.10.04 1.956.386.15 213.833,00 2.170.219,15 35 e 127 DARF Pago em 31.01.05 3.801.306,28 760.261,25 565.254,24 5.126.821,77 33 e 128 DARF Pago em 16.02.05 7.872,32 1.574,46 1.279,25 10.726,03 34 e 129 Total 6.873.320,89 761.835,71 803.407,81 8.438.564,41 Somatória Dessa forma, segundo entende a Recorrente, teria lhe restado configurado um crédito de Imposto de Renda pago a maior no montante de R$ 3.846.446,13. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.938621/200956 Acórdão n.º 1202001.134 S1C2T2 Fl. 168 3 Em sede de julgamento de primeira instância pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil (fls. 47/51), entenderam os ilustres julgadores, por unanimidade, pela manutenção do despacho não homologatório, conforme ementa colacionada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Conforme se extrai de referida decisão, os julgadores entenderam que embora configurados os pagamentos informados e comprovados por meio de DARF’s, a Recorrente teria um débito declarado em DCTF no valor de R$ 4.082.345,98, razão pela qual o crédito pretendido não seria suficiente para extinguir o débito informado e, ainda, o constante na DCOMP. Ademais, a decisão ora recorrida chama atenção ao fato de a Recorrente ter apresentado 4 declarações (DIPJs, conforme tabela apresentada à fl. 50) à Receita Federal do Brasil referentes ao mesmo período (sendo 1 original e outras 3 retificadoras), além de outras 4 DCTF’s (conforme outra tabela apresentada também à fl. 50). Em resumo, o ilustres julgadores de primeira instância reconheceram o pagamento identificado pelo contribuinte na DCOMP, mas concordaram com a fiscalização que tal recolhimento foi parcialmente utilizado na extinção de débitos declarados pela própria Recorrente em DCTF. Assim, a Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário (fls. 64/71) por meio do qual alega, em resumo, que a discussão ora em análise se deve a mero erro de preenchimento de DCTF e que não poderia ser prejudicada por tal equívoco formal em respeito ao princípio da Verdade Material, que baliza o Processo Administrativo, uma vez que a existência do direito creditório encontrarseia respaldada na documentação trazida aos autos, quais sejam, a DIPJ/2004 e os comprovantes de pagamento (DARFs). Oportunamente os autos foram encaminhados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.938621/200956 Acórdão n.º 1202001.134 S1C2T2 Fl. 169 4 Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Passo à análise dos argumentos trazidos pela Recorrente. Inicialmente merece menção a alegação da Recorrente quanto ao princípio da Verdade Material. Entendo ser indiscutível que este baliza o Processo Administrativo em âmbito federal. Inclusive, segue, neste sentido, o posicionamento pacifico deste Colegiado, tendo, até mesmo, sido reconhecido pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL. A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Recurso negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 3ª Turma, Acórdão nº 40304194 do Processo 103200017059835, Data: 09/11/2004.) Entretanto o que se observa pelas informações prestadas pela Recorrente na DIPJ 2004, anocalendário 2003 é: DIPJ Nº Declaração Lucro Real (R$) IRPJ (R$) Soma das Deduções (R$) IRPJ a pagar (R$) Original em 28/06/2004 797929 77.687.363,43 19.397.841,85 18.292.440,74 1.105.401,11 Retificadora em 16/02/2005 1245296 100.749.622,42 25.163.405,60 18.292.440,74 6.870.964,86 Retificadora em 12/04/2006 1283643 90.697.782,60 22.650.445,65 18.292.440,74 4.358.004,91 Retificadora em 1288567 85.373.261,98 21.319.315,50 18.292.440,74 3.026.874,76 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.938621/200956 Acórdão n.º 1202001.134 S1C2T2 Fl. 170 5 10/07/2006 O demonstrativo acima indica que a Recorrente apresentou 04 declarações diferentes para um mesmo período (anocalendário 2003). O lucro real apurado nestas declarações é diferente em todas elas e as deduções efetuadas foram as mesmas em cada uma. Assim, restou apurado um IRPJ a pagar diferente em cada uma das declarações. O valor recolhido pela Recorrente destinado à extinção do IRPJ ano calendário 2003 corresponde a: Valor principal 31/03/2004 1.107.756,14 29/10/2004 1.956.386,15 31/01/2005* 3.801.306,28 16/02/2005 7.872,32 6.873.320,89 * DARF utilizado como indébito na DCOMP em análise. Notese que o valor efetivamente recolhido pela Recorrente é bastante semelhante ao IRPJ apurado na DIPJ retificadora apresentada em 16/02/2005. A Recorrente também apresentou 04 DCTF’s destinadas ao 4º trimestre de 2004. A informação acerca do IRPJ – anocalendário 2003, constante na última DCTF retificadora reportase a: Débito apurado 3.026.874,76 Crédito vinculado Principal 3.801.306,28 Multa 760.261,25 Juros 565.254,24 Valor total DARF* 5.126.821,77 Valor pago do débito 3.026.874,76 * DARF utilizado como indébito na DCOMP em análise Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.938621/200956 Acórdão n.º 1202001.134 S1C2T2 Fl. 171 6 Diante do exposto Concluiu a autoridade julgadora de primeira instância, de forma inquestionável, que a Recorrente alterou por três vezes a apuração do IRPJ em sua DIPJ no intuito de validar o indébito utilizado na DCOPM em análise. Ora, não foi apresentado qualquer documento válido a amparar às retificações efetuadas que reduziram substancialmente o IRPJ apurado e pago no anocalendário 2003. Na hipótese da comprovação do IRPJ apurado na última DIPJ apresentada – e esta comprovação não restou demonstrada – temse ainda que o DARF utilizado pelo contribuinte como indébito na DCOMP em análise (R$ 5.126.821,77 – principal e acréscimos) foi também utilizado pelo Recorrente em duas outras declarações apresentadas: Original Multa Juros Total Valor do DARF recolhido 3.801.306,28 565.254,24 760.261,25 5.126.821,77 5.126.821,77 Extinção do IRPJ AC 2003 ‐ DCTF 3.026.874,76 605.374,95 450.096,27 4.082.345,98 DCOMP 20107.07470.310305.1.3.04‐ 5200* 2.937.762,52 DCOMP 27220.60777.110706.1.3.04‐ 0239 2.189.059,25 Soma do valor utilizado 9.209.167,75 * DCOMP em litígio neste processo O demonstrativo acima deixa claro que a Recorrente utilizou o mesmo pagamento e R$ 5.126.821,77, na extinção do IRPJ apurado e declarado em DCTF (AC 2003) e ainda em 02 DCOMP’s distintas. Sendo que o valor recolhido sequer é suficiente para homologar integralmente a primeira DCOMP apresentada em 31/05/2005, daí a homologação parcial promovida pelos julgadores de primeira instância. Ou seja, para um pagamento efetuado de R$ 5.126.821,77 a Recorrente utilizou a importância de R$ 9.209.167,75 na extinção de seus débitos (DCOMP e DCTF). Em resumo, a Recorrente não comprovou o efetivo valor do IRPJ apurado no AC de 2003, e ainda que comprovado, o DARF utilizado na DCOMP em litígio não é suficiente para extinguir o débito declarado em DCOMP (31/03/2005) e DCTF. Ora, inexistindo liquidez e certeza do pretenso indébito utilizado pela Recorrente, a princípio, não há como homologar a compensação. Neste sentido, já posicionouse este E. Tribunal Administrativo: “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Não comprovada a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo, condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170, Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.938621/200956 Acórdão n.º 1202001.134 S1C2T2 Fl. 172 7 do CTN, é de se não homologar a compensação declarada. Recurso Voluntário Negado” (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária; Acórdão nº 3202000.952, nos autos do Processo Administrativo nº 11065.901062/200949; Sessão de 22 de setembro de 2013) “Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; 2ª Turma Especial, Acórdão nº 1802002.105, nos autos do Processo Administrativo nº 10925.900907/200868; Sessão de 09 de abril de 2014) Portanto, não tendo sido comprovada a diferença pleiteada, conforme bem apontado pela D. Autoridade Julgadora de primeira instância, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário de forma a não homologar o direito creditório pretendido em face da inexistência de liquidez e certeza do suposto credito em discussão, mantendo a decisão proferida pela DRJ. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Conselheiro 2ª Turma/2ª Câmara/1ª Seção Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10680.938621/200956 Acórdão n.º 1202001.134 S1C2T2 Fl. 173 8 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/06/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 07/07/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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